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01 Apr 23:37

BeagleBoard passe à Debian

Le BeagleBone Black est une plate-forme de développement, soutenue par la communauté, combinant la puissance d'une carte de développement ARM avec le potentiel, pour les amateurs de manipulation, de deux microcontrôleurs 32 bits. Dans une interview, Jason Kridner, le cofondateur de BeagleBoard.org a indiqué que le système d'exploitation par défaut de ces cartes BeagleBone Black, comme celui des autres cartes de BeagleBoard.org, allait être changé pour Debian.
01 Apr 23:36

L'État fédéral indien du Tamil Nadu adopte BOSS GNU/Linux, une dérivée de Debian, comme OS officiel

Il faut remonter jusqu'en juillet 2011 pour trouver la date où le gouvernement fédéral de l'Inde décidait de lancer une nouvelle politique de technologie de l'information et de la communication, basée sur l'obligation d'utiliser des systèmes d'exploitation libres plutôt que des logiciels propriétaires, en réaction à l'annonce de Microsoft de ne plus prendre en charge Windows XP à partir du 8 avril 2014. Plus tard dans l'année, en novembre 2011, l'État fédéral du Tamil Nadu, situé à l'extrémité méridionale du sous-continent indien, a publié le décret gouvernemental nº15 pour introduire la distribution dérivée de Debian, BOSS GNU/Linux (Bharat Operating Systems Solutions), comme système d'exploitation obligatoire devant être installé et utilisé par les systèmes informatiques gouvernementaux et, en particulier, ceux du Département des technologies de l'information. BOSS GNU/Linux, développé par le « Centre for Development of Advanced Computing (C-DAC) », prend en charge l'ensemble des langues indiennes, les dispositifs bio-senseurs et les signatures électroniques, et il peut être adapté pour les environnements locaux, comme le faisait remarquer le journal indien The Hindu dans un récent article. En plus de l'économie provoquée par le passage à BOSS GNU/Linux, c'est la réduction du risque d'infection virale et de piratage informatique qui a mené le gouvernement indien à implanter le nouveau système d'exploitation. Malgré le décret de novembre 2011, de nombreux organismes gouvernementaux du Tamil Nadu ont continué à utiliser Windows XP, mais l'annonce récente de Microsoft indiquant que la prise en charge ne serait plus assurée après le 8 avril, a poussé le gouvernement du Tamil Nadu à obliger ses services à installer BOSS GNU/Linux sur toutes leurs machines en publiant un nouveau décret il y a quelques semaines.
01 Apr 23:36

Publication de l'installateur Debian Jessie Alpha 1

Le 19 mars, Cyril Brulebois, membre de l'équipe du programme d'installation de Debian, a annoncé la parution de l'installateur Debian Jessie Alpha 1 : la première version alpha de l'installateur pour Debian 8 « Jessie ». Plusieurs améliorations ont été apportées parmi lesquelles on peut mentionner la correction d'un bogue du paquet apt-setup et le fait que grub-installer prend maintenant en charge un menu pour sélectionner la partition sur laquelle installer GRUB. En outre, Xfce est l'environnement de bureau par défaut pour le moment, mais cela fera l'objet d'une réévaluation au mois d'août. Pour ce qui est de la prise en charge matérielle, quelques architectures ne sont plus prises en charge et il n'y aura pas d'installateur pour les systèmes sparc du fait de l'échec de la construction du paquet pour cette plate-forme. L'équipe en charge de la publication évalue l'avenir du portage de sparc comme portage officiel. Le noyau Linux a été mis à jour de la version 3.2 à la version 3.13 et le noyau FreeBSD de la version 9.0 à la version 9.2. Enfin, le message de Cyril appelle tous les membres et défenseurs de Debian à aider au prochain processus de publication en trouvant et signalant les bogues qui affectent l'installateur. Les CD et tout ce dont vous avez besoin pour le tester sont disponibles sur cette page web. L'équipe en charge de l'installateur peut aussi être contactée au moyen de la liste de diffusion Debian-boot et du canal irc #debian-boot sur irc.debian.org.
01 Apr 23:36

Supreme Court Skeptical of Computer-Based Patents

by samzenpus
walterbyrd (182728) writes "The case, Alice Corp. v. CLS Bank International, poses huge risks for both sides. If the court upholds the patent or rules only narrowly against it without affecting most others, the problem of too many patents — and patent lawsuits — will continue. In that case, Justice Stephen Breyer said, future competition could move from price and quality to 'who has the best patent lawyer.'"

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01 Apr 23:35

POPULISMO A SERVIÇO DA IGNORÂNCIA – Em ano eleitoral, Agnelo quer desalojar Embrapa para erguer casas populares

by giinternet
Sede da Embrapa Cerrados: um exemplo positivo num país que carece de investimentos em pesquisa e tecnologia

Sede da Embrapa Cerrados: um exemplo positivo num país que carece de investimentos em pesquisa e tecnologia

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
Em um país que há décadas trata com negligência sua política nacional de ciência e tecnologia e despreza investimentos em pesquisa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, é um raro exemplo de sucesso. Criada há quarenta anos, durante o regime militar, a instituição atua em 44 países e desenvolve pesquisas de inovação e transferência de tecnologia em parceria com institutos de ponta nos Estados Unidos, no Reino Unido e na França. Um dos principais braços operacionais da empresa, a unidade do Distrito Federal, instalada às margens da BR-020, é responsável por fazer do cerrado brasileiro um dos principais biomas de produção nacional de carne e soja. Apesar dessas credenciais, o oportunismo do governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), poderá mudar completamente os rumos da empresa. Candidato à reeleição em outubro, o petista quer tomar o terreno da Embrapa Cerrados para construir casas populares – e colher votos.

Alguns campos experimentais da Embrapa foram desenvolvidos em áreas de antigas fazendas desapropriadas na década de 1950 para a construção de Brasília – e legalmente cedidas para o uso da empresa em 1975. O argumento da gestão Agnelo para ficar com a terra é pífio: o governo pretende utilizar o mesmo terreno, independentemente das dezenas de áreas ociosas no Distrito Federal, para construir um condomínio com 5.000 apartamentos populares. Com a perda da área – a gleba exigida pelo governo Agnelo representa 20% da área utilizada pelo Centro de Pesquisas para os experimentos de campo no DF –, a Embrapa afirma que haverá “descontinuidade de pesquisas realizadas há mais de trinta anos, com prejuízos irreparáveis para a sociedade”.

Nos seus 40 anos de funcionamento, a Embrapa Cerrados levou o Brasil à liderança em projetos de agricultura tropical, com investimento de pelo menos 7 milhões de reais na fazenda que o governo do Distrito Federal agora reivindica. Pesquisas em produção animal e vegetal e o desenvolvimento de tecnologias para correção da fertilidade do solo e para sistemas irrigados fizeram com que o cerrado respondesse por 55% da produção nacional de carne bovina, mais de 60% da produção de soja, 41% da produção de leite e 31% da produção de milho.

“Pegar aquele terreno para fazer casas populares é não perceber o que a Embrapa significa para o Brasil. O país chegou ao posto de sexta economia do mundo [em 2012] muito em função da agricultura e pecuária. Mas atitudes como a do governador Agnelo contribuem para que o Brasil fique estacionado na 13ª posição na produção científica mundial”, diz a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader. “Sou totalmente a favor da melhoria das condições de moradia, mas a atitude do governo de construir casas nas fazendas da Embrapa será a completa destruição de pesquisas porque a região tem toda uma história de ciência. Existem outras áreas para fazer residências populares.”

“Até meados dos anos 1970, o cerrado era considerado improdutivo. Hoje, bate recordes sucessivos de produtividade. Sem a pesquisa agropecuária isso jamais teria sido possível”, afirmam os funcionários da Embrapa Cerrados em manifesto redigido após a mais recente investida do governo para tomar a fazenda.

Para a Secretaria da Habitação do Distrito Federal, comandada por Geraldo Magela, companheiro de partido de Agnelo, as moradias populares precisam ser erguidas exatamente na região de atuação da Embrapa. Em 2008, a mesma secretaria alegava que a área era fundamental para a viabilização de um polo de venda de máquinas agrícolas. Na falta das máquinas, o despejo da Embrapa ocorreria agora para abrigar a população carente de moradia e minimizar o déficit habitacional – estimado em 116.000 casas.

O secretário Geraldo Magela vai além: segundo sua assessoria, a área de Planaltina, onde fica a fazenda de pesquisas da Embrapa, está degradada e, por isso, a construção de unidades habitacionais evitaria novos custos ambientais para a população.

Além da negligência em relação às pesquisas em andamento, um fator ambiental também tem sido desconsiderado pelo governo Agnelo na disputa pela região. A área da fazenda fica no entorno da unidade de conservação da Estação Ecológica de Águas Emendadas, fundamental para a proteção do bioma do cerrado e nascente de duas das mais importantes bacias hidrográficas brasileiras: Araguaia-Tocantins e do Paraná.

Centro do poder político e com reconhecido padrão de excelência em qualidade de vida, o Distrito Federal enfrenta há pelo menos cinquenta anos um dos maiores problemas fundiários do país. Pelo menos 20% de todas as moradias, segundo a última Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios, estão em terrenos não legalizados, assentamentos ou invasões. No ano passado, a ex-presidente na Câmara Legislativa Lúcia Carvalho foi acusada pela Polícia Federal de fraude em demarcação de terrenos e formação de quadrilha. Outros políticos de Brasília também já frequentaram páginas policiais por envolvimento em irregularidades na posse de terras. Porém, é fato que não faltam áreas de propriedade do governo do Distrito Federal aptas a receber o conjunto de casas populares que Agnelo quer erguer. Só a pressa em entregar obras em ano de eleição explica a insistência de Agnelo em tomar os campos da Embrapa.

Em tempo: o Governo do Distrito Federal afirma que respeita as pesquisas da Embrapa e negocia – sem mediação da Justiça – uma outra região para a empresa montar os campos experimentais.

01 Apr 23:35

O discurso de Dilma sobre o 31 de Março tem de tudo: até coisas certas! Ou: Erros, omissões, mistificações. Ou ainda: A etimologia atrapalhada da companheira

by giinternet

Dilma, como não poderia deixar de ser, discursou sobre o 31 de Março de 1964. O filme segue abaixo. Transcrevo, em vermelho, trechos de sua fala e os comento em azul. Há um pouco de tudo em sua fala, ATÉ COISAS CERTAS. Mas a regra é a mistificação.

Nós aprendemos o valor da liberdade, o valor de um Legislativo e de um Judiciário independentes e ativos. Aprendemos o valor da liberdade de imprensa, o valor de eleger pelo voto direto e secreto de todos os brasileiros governadores, prefeitos, de eleger, por exemplo, um ex-exilado, um líder sindical, que teria sido preso, que foi preso várias vezes, e uma mulher também que foi prisioneira. Aprendemos o valor de ir às ruas e nós mostramos um diferencial quando as pessoas foram às ruas demandar mais democracia. Aqui no Brasil, não houve um processo de abafamento desse fato. O valor, portanto, de ir às ruas, o valor de ter direitos e de exigir mais direitos.
É claro que eu poderia deixar passar o que vai acima sem fazer alguns senões, mas aí eu não seria eu, né? Como sou quem sou e como se trata de um discurso sobre a verdade, então vamos lá.

“Nós” quem, cara-pálida? O PT e o governo Dilma não aprenderam ainda o valor da liberdade de imprensa. O partido tentou e tenta cerceá-la de múltiplas formas. O Planalto sustenta — e Lula fez o mesmo — a rede suja na Internet, por meio de anúncios da administração direta e das estatais, para difamar as oposições, o jornalismo independente e todos aqueles que o governo considera inimigos.

Quanto às ruas, cumpre notar que o Brasil é hoje o principal fiador do regime venezuelano — e de outros governos autoritários da América Latina. Há quase 200 pessoas presas na Venezuela. Trinta e sete já foram assassinadas desde 12 de fevereiro. A oposição não tem acesso aos meios de comunicação de massa — monopólio do governo —, e milícias armadas caçam opositores a tiros nas ruas. Dilma trouxe esse governo para o Mercosul.

“O que isso tem a ver com a gente?”, indagará alguém. Tudo! Se o PT apoia de forma tão determinada esse governo, não faz isso aqui porque não dá, não porque não queira. E não dá porque seus adversários não permitem. Conclusão: o PT se mantém no campo democrático (quase sempre) porque seus adversários o forçam a tanto; não por convicção.

Embora nós saibamos que os regimes de exceção sobrevivem sempre pela interdição da verdade, pela interdição da transparência, nós temos o direito de esperar que, sob a democracia, se mantenha a transparência, se mantenha também o aceso e a garantia da verdade e da memória e, portanto, da história.
Muito bem! Isso significa, então, que teremos condições de saber tudo o que se passou e se passa, por exemplo, na Petrobras? Parece que não! Em vez de optar pela transparência, o governo soltou seus cachorros loucos para fazer ameaças e chantagens. A democracia não é dama de companhia da história, para lembrar certo senhor. Ela é vivida na prática. A DEMOCRACIA NÃO SERVE APENAS PARA QUE PENETREMOS NOS PORÕES DE EXTINTAS DITADURAS. ELA TEM DE PERMITIR QUE ENTREMOS NOS PORÕES DA PRÓPRIA DEMOCRACIA, OU DEMOCRACIA NÃO É, MAS APENAS UM REGIME DE MAIORIA. E, ORA VEJAM, REGIME DE MAIORIA ATÉ O FASCISMO FOI. E NÃO ERA DEMOCRÁTICO.

Aliás, como eu disse quando instalamos a Comissão da Verdade, a palavra “verdade” na tradição ocidental nossa, que é grega, é exatamente o oposto do esquecimento e é algo tão forte que não dá guarida para o ressentimento, o ódio, nem tampouco para o perdão. Ela é só e, sobretudo, o contrário do esquecimento, é memória e é história. É nossa capacidade de contar tudo o que aconteceu.
Há uma confusão dos diabos aí. Esse trololó sobre a verdade ser o “oposto do esquecimento na tradição grega…” Huuummm… A palavra “verdade” tem origem no vocábulo latino “veritas”, que significa justamente “verdade”, mas também justiça, equidade, franqueza, sinceridade. O adjetivo é “verus”, “o verdadeiro, o justo, o razoável, o bem fundado”. É a mesma origem da palavra “verificar” — isto é, alguém pode constatar que o que se diz de fato aconteceu.

O “perdão”, professora Dilma, não tem nada a ver com isso porque se situa em outra esfera — e, de resto, ainda que se estivesse lidando com o conceito grego de “verdade”, tal questão estaria fora do escopo. Então vamos ficar com a palavra “verdade” como aquilo que “aconteceu” e que se pode “constatar” porque verificável. Vamos ver aonde isso nos leva.

O dia de hoje exige que nós nos lembremos e contemos o que aconteceu. Devemos isso a todos os que morreram e desapareceram, devemos aos torturados e aos perseguidos, devemos às suas famílias, devemos a todos os brasileiros. Lembrar e contar faz parte, é um processo muito humano e faz parte desse processo que nós iniciamos com as lutas do povo brasileiro, pelas liberdades democráticas, pela anistia, pela Constituinte, pelas eleições diretas, pelo crescimento com inclusão social, pela Comissão da Verdade, enfim, por todos os processos de manifestação e de ampliação da nossa democracia que temos vividos ao longo das ultimas décadas, graças a Deus.
Muito bem! Se nós formos “verificar” o que aconteceu, teremos de entrar, por exemplo, no credo da VAR-Palmares, um dos três grupos terroristas a que Dilma pertenceu. Eu quero que ela me apresente o credo democrático desses agrupamentos. EU QUERO VERIFICAR. Igualmente verificáveis devem ser os pressupostos libertários de outros tantos que, em tese, ajudaram a construir a democracia.

Se é de “veritas” que estamos falando, se é do “verus” que estamos falando, se estamos no terreno do “verificável”, pergunto à professora Dilma se os mais de 120 que foram mortos pelos terroristas integram a sua lista de mártires. Integram? Onde eles estão? Quem se importa com eles?

Um processo que foi construído passo a passo durante cada um dos governos eleitos depois da ditadura. Nós reconquistamos a democracia a nossa maneira, por meio de lutas e de sacrifícios humanos irreparáveis, mas também por meio de pactos e acordos nacionais. Muitos deles traduzidos na Constituição de 1988. Como eu disse, na instalação da Comissão da Verdade, assim como eu respeito e reverencio os que lutaram pela democracia, enfrentando a truculência ilegal do Estado e nunca deixarei de enaltecer esses lutadores e essas lutadoras, também reconheço e valorizo os pactos políticos que nos levaram a redemocratização.
Isso quer dizer que Dilma defende a Lei da Anistia ou não? Escrevi hoje de manhã a respeito. Se é de “verdade” que estamos falando, então que fique claro: a democracia é filha da resistência pacífica e daqueles que conservaram os valores da democracia, não da luta armada nem dos ataques terroristas. Também não é menos “verdade” — e, pois, “verificável” — que os que foram depostos em 1964 desprezavam o regime democrático. A propósito Dilma inventou que a palavra “verdade” é incompatível com “perdão”. Diz também ser incompatível com “esquecimento”. Ocorre que “anistia” quer dizer justamente  ”esquecimento”, “perdão geral”. E, se é geral, vale para todo mundo. E aí? Se a professora fizer uma pesquisa, verá que “anistia” e “amnésia” são palavras da mesma raiz. Vale para todo mundo? Vale só para alguns?

Como eu disse, nesse Palácio, repito, há quase dois anos atrás, quando instalamos a Comissão da Verdade, eu disse: se existem filhos sem pais, se existem pais sem túmulos, se existem túmulos sem corpos, nunca, nunca, mas nunca mesmo, pode existir uma história sem voz. E quem da voz à história são os homens e as mulheres livres que não têm medo de escrevê-la. E acrescento: quem dá voz à história somos cada um de nós, que no nosso cotidiano afirma, protege, respeita e amplia a democracia no nosso país. Muito obrigada.
Então Dilma que tenha a coragem de convidar a Comissão da Verdade a contar também a história dos mais de 120 que foram mortos em atentados terroristas praticados pelas esquerdas, alguns deles mortos pelos grupos aos quais ela própria pertencia. Sem isso, o seu conceito de verdade não é nem grego nem latino. É só uma empulhação. Isso quanto ao passado. No que concerne ao presente, dê um murro na mesa e permita que se apurem as falcatruas na Petrobras, sem ameaças nem chantagens. Para encerrar: na frase “quem dá voz à história somos cada um de nós”, não há um erro de conceito, só de gramática.

01 Apr 23:34

Aécio fala a coisa certa: tanto faz se o candidato do PT será Dilma ou Lula

by giinternet

Já que estamos em tempos de recuperar os idos da ditadura militar, vou lembrar aqui de uma frase do general João Baptista Figueiredo, o último presidente daquele ciclo, inaugurado em 1964: “Olhem que eu chamo o Pires”. O “Pires” era uma referência a Walter Pires, ministro do Exército. Mostrou-se um soldado disciplinado, ali nos estertores da ditadura, mas era de pouca prosa. Até surgiu na época uma safra de generais que gostavam de sorrir, de fazer acenos aos críticos e tal. Não era o caso do enigmático “Pires”. E quando é que Figueiredo fazia aquilo? Sempre que julgava que a oposição ou o Congresso exageravam e tentavam ir além do que ele considerava seguro no tal processo de “abertura”. “Chamar o Pires”, ainda que dito num tom de pilhéria agressiva, significava o óbvio: dar um novo golpe e acabar com a brincadeira. E por que não chamou? Acho que é porque percebeu que não era mais possível. Adiante.

Mutatis mutandis, Lula é o “Pires” do PT. Nos bastidores, lideranças do partido vivem ameaçando, a cada vez que se evidenciam sinais de fragilidade da candidatura de Dilma Rousseff à reeleição: “Olhem que nós chamamos o Lula”. É o sonho dourado de um monte de petista e, se querem saber, de muitos empresários também. Ninguém é tão dócil com alguns tubarões da economia como Lula. Ele tem um lado, assim, melancia às avessas: vermelho por fora e verdinho por dentro. Ou, se quiserem uma metáfora mais tátil, ele se parece bastante com jaca: por fora, tem uma casca áspera, hostil, mas, por dentro, é bastante mole e melequento, gelatinoso mesmo.

O “vamos chamar o Lula” voltou a ser repetido com muita frequência nos bastidores do partido na semana passada, quando veio a público a pesquisa Ibope indicando uma queda importante na popularidade de Dilma. A questão existe não é de hoje. Não custa lembrar que, ainda em 2011, no primeiro ano do governo Dilma, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e espião do Apedeuta no Palácio, falou em Lua como “o nosso Pelé”, sugerindo que o PT tem no banco o melhor jogador. Ou por outra: se Dilma for um risco, chame-se o Pelé barbudo.

Nesta segunda, o tucano Aécio Neves referiu-se a possibilidade da volta de Lula à disputa em palestra concedida a empresários ligados ao LIDE, grupo que reúne empreendedores de São Paulo. Afirmou: “Ouço sempre que pode haver mudança da candidatura do governo. Para mim, não importa se será Lula ou Dilma. O que eu quero é derrotar o modelo que aí está”.

O pré-candidato tucano faz muito bem em tocar no assunto, pondo às claras essa história de que Lula chega e toma a Presidência como e quando quiser. Se acontecer, terá de ser com o voto do eleitorado. Ele disputar ou não é um problema dos petistas e de Dilma, não das oposições. Esse negócio do “olhem que nós chamamos o Lula” é só mais uma tentativa de intimidar a oposição.

 

01 Apr 23:34

New York Public Library Releases Over 20,000 Hi-Res Maps

by Unknown Lamer
Daniel_Stuckey (2647775) writes "Finally, you don't have to raise your voice over a group of whisperers in the New York Public Library to get a better view of its map collection. Actually, you don't even need to visit the place at all. Over 20,000 maps and cartographic works from the NYPL's Lionel Pincus & Princess Firyal Map Division have been uploaded and made downloadable for the public. 'We believe these maps have no known U.S. copyright restrictions,' explains a blog post announcing the wholesale release of the library's map collection. 'It means you can have the maps, all of them if you want, for free, in high resolution. We've scanned them to enable their use in the broadest possible ways by the largest number of people.' The NYPL is distributing the maps under Creative Commons CC0 1.0 Universal Public Domain Dedication, which means you can do whatever you want with the maps."

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01 Apr 23:33

Judge Overrules Samsung Objection To Jury Instructional Video

by Unknown Lamer
itwbennett (1594911) writes "U.S. District Judge Lucy H. Koh on Sunday overruled Samsung Electronics' objections to showing jurors a recent instructional video on how patents work, ahead of a trial in a patent dispute between Apple and Samsung. The new video, called 'The Patent Process: An Overview for Jurors,' was developed by the Federal Judicial Center to provide jurors with an introduction to the patent system. Samsung's objection is to several scenes in which Apple products are depicted and used (and, by extension, seen as patentable and innovative)."

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31 Mar 14:07

31 de Março – 3: Surpresa? Há mais brasileiros querendo punir ex-terroristas do que ex-torturadores. No Estado de Direito, as duas coisas são impossíveis!

by giinternet

A Folha publica hoje uma pesquisa sobre a revisão da Lei da Anistia. Há duas maneiras de lê-la: escondendo o que está lá ou chamando a atenção para o que está sendo revelado. De modo genérico, 46% se dizem a favor da revisão, contra 37%, que não apoiam essa ideia. Não souberam responder 17% dos entrevistados. Mas a pesquisa é um pouco mais detalhada. O instituto quis saber: “Você é a favor ou contra a punição de pessoas que torturaram presos políticos durante a ditadura?”. A resposta: 46% a favor, e 41% contra. Considerando a margem de erro, há praticamente um empate técnico. A pergunta, convenham, força parte das pessoas a se posicionar contra a tortura — e o aspecto jurídico acaba se perdendo. Suponho que pessoas de bem repudiem tal prática, certo?

Mas o que certamente vai surpreender muita gente é outra coisa. O instituto perguntou: “Polícia e Judiciário devem reexaminar os casos de atentados contra o governo durante a ditadura?”. Atenção para a resposta: 54% são a favor, 29% são contrários; 11% não sabem, e 6% são indiferentes (os infográficos foram publicados pela Folha).

Leia da anistia revisão 1

Não dá para dourar a pílula: os que acham que a extrema esquerda terrorista também deve ser julgada são em maior número do que os que querem punir os torturadores: 54% a 46%; os que defendem que os esquerdistas sejam deixados em paz são em menor número — 29% — do que os que pensam o mesmo sobre os torturadores: 41%. E nada menos de 80% acham que tanto os torturadores como os que praticaram atentados devem ser julgados hoje; 8% avaliam que só os membros do governo têm de passar por essa revisão; 6% a defendem apenas para os agentes do estado, e outros 6% não sabem.

Vale dizer: a esmagadora maioria dos brasileiros não tem a ambiguidade moral das esquerdas, que acreditam que a Lei da Anistia deva ser revista só para seus adversários. Que fique claro: não é verdade que todos os esquerdistas que participaram de atentados, ou de seu planejamento, foram presos e processados naqueles dias. Alguns foram; outros não.

O Datafolha apresentou ainda a seguinte questão: “O governo brasileiro paga indenização a pessoas ou familiares de pessoas que foram mortas ou perseguidas pela ditadura. Qual é a sua opinião a respeito?”. 52% concordam totalmente; 22% concordam em parte; 5% são indiferentes; 5% discordam em parte; 9% discordam totalmente; 7% não sabem. Eu diria que não há como uma pergunta como essa não ter uma maioria de gente que concorda. Afinal, se as pessoas foram mortas ou perseguidas… Será, no entanto, que, se os brasileiros soubessem da penca de desmandos que há nesses pagamentos, haveria a mesma concordância? Duvido.

Lei da Anistia revisão 2

Só para lembrar. A Lei de Anistia, a 6.683, é de 1979 e, por reivindicação das esquerdas, concedeu anistia “ampla geral e irrestrita” para os crimes políticos e conexos — incluindo a tortura, que só passou a ser definida na legislação em 1997, com a Lei 9.455. O que pretendem? Aplicar uma lei de 1997 para crimes cometidos antes de 1979? No direito penal brasileiro, a lei não retroage para punir ninguém. Mais: a Emenda Constitucional nº 26, que convocou a Constituinte, tinha como pressuposto a anistia. Se tudo isso parecesse pouco, o STF já se pronunciou a respeito e reafirmou a impossibilidade de rever o perdão.

Mais: o Brasil não tem ainda uma lei contra o terrorismo. Se e quando tiver, deve-se retroagir para punir remanescentes de grupos terroristas? Acho que não! A pressão política para processar apenas os torturadores e livrar a cara dos terroristas é grande. Ocorre que uma e outra coisa não resistem a um exame jurídico isento. O que pretendem? Revogar a Lei 6.683, tornar sem efeito parte da Emenda Constitucional nº 26 e aplicar retroativamente a Lei 9.455? Isso não seria estado de direito, mas estado de bagunça.

Não acho que vá acontecer.

31 Mar 14:07

31 de Março – 2: De como o mensalão, os aloprados e o assalto à Petrobras nasceram com Marighella, Lamarca e afins…

by giinternet
Getúlio: o ditador fascistoide amado pelas esquerdas

Getúlio: o ditador fascistoide amado pelas esquerdas

Na minha coluna de sexta, na Folha, escrevi um texto sobre 1964, que reproduzirei abaixo, na íntegra, o que nunca faço aqui. Impressiona-me a incapacidade de alguns grupos de ler o que está escrito, preferindo o que não está.

O texto tem, sim, uma tese: sustento que toda essa discurseira sobre o golpe militar de 1964 busca se apropriar do passado para garantir posições e conquistas do presente. E me ocorreu, então, indagar se o país fez o mesmo com o Estado Novo, por exemplo, a ditadura de Getúlio Vargas, que foi mais brutal, discricionária e assassina do que a militar.

Não faço uma “comparação de ditaduras” para escolher a melhor. É preciso ser burro ou canalha para fazer essa leitura. Tampouco sugiro que a ditadura militar foi bolinho, tranquila, nada disso! Lembro é outra coisa: em 1987, em vez de ficar reciclando os ódios de 1937, o Brasil estava fazendo a sua Constituinte, ora! Em 1995, em vez cuidar dos 50 anos do fim do Estado Novo, estávamos empenhados em garantir o futuro do Plano Real.

E deixei claro: estou preocupado é com o país daqui a 50 anos, com 2064, não com 1964. Segue o texto na íntegra.
*
1964 já era! Viva 2064!

1964 já era! Tenho saudade é de 2064! Os historiadores podem e devem se interessar pelos eventos de há 50 anos, mas só oportunistas querem encruar a história, vivendo-a como revanche. Enfara-me a arqueologia vigarista. Trata-se de uma farsa política, intelectual e jurídica, que busca arrancar do mundo dos mortos vantagens objetivas no mundo dos vivos.

A semente do mensalão está nos delírios do Araguaia. O dossiê dos aloprados foi forjado pela turma que roubou o “Cofre do Adhemar”. Os assaltos à Petrobras foram planejados pelas homicidas VAR-Palmares, de Dilma, e ALN, de Marighella. A privatização do passado garante, em suma, lugares de poder no presente e no futuro. Os farsantes apelam à mitologia para reivindicar o exclusivismo moral que justifica seus crimes de hoje. Ladrões se ancoram na gesta da libertação dos oprimidos. Uma solene banana para eles, com seus punhos cerrados e seus bolsos cheios!

Quem falava em nome dos valores democráticos em 1964? Os que rasgaram de vez a Constituição ou os que a rasgavam um pouco por dia? Exibam um texto, um só, das esquerdas de então que defendesse a democracia como um valor em si. Uma musiquinha do CPC da UNE para ilustrar: “Ah, ah, democracia! Que bela fantasia!/ Cadê a democracia se a barriga está vazia?” Para bom entendedor, uma oração subordinada basta. A resposta matou mais de 100 milhões só de… fome!

Nota desnecessária em tempos menos broncos: respeito a disposição dos que querem encontrar seus mortos. Eu não desistiria enquanto forças tivesse. Mas não lhes concedo a legitimidade, menos ainda a alguns prosélitos disfarçados de juristas, para violar as regras do estado de direito. A anistia, por exemplo, não está consignada apenas na Lei 6.683. O perdão — não o esquecimento — é também o pressuposto da Emenda Constitucional nº 26 (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-revisao-da-anistia-todas-as-leis-que-sete-procuradores-tem-a-ousadia-de-querer-ignorar-%E2%80%94-alem-claro-de-tentar-chutar-o-traseiro-do-supremo/), de 1985, que convocou a Assembleia Nacional Constituinte. Vamos declarar sem efeito o texto que nos deu a nova Constituição? A pressão em favor da revogação da anistia e a conversão da Comissão da Verdade — se estatal, ela é necessariamente mentirosa — num tribunal informal da história ignoram os pactos sobre os quais se firmaram a pacificação política do país.

Digam-me: onde estávamos em 1985? Revivendo a repressão de 1935, que se seguiu à “Intentona Comunista”? E em 1987? Maldizendo os 50 anos do Estado Novo? E em 1995, celebrando o seu fim? Estado Novo? Eis a ditadura que os “progressistas” apagaram da memória. Um tirano como Getúlio Vargas foi recuperado pelas esquerdas para a galeria dos heróis do anti-imperialismo e serve de marco, segundo os pensadores amadores, para distinguir “demófobos” de “demófilos”.

Ilustro rapidamente. Entre novembro de 1935 e maio de 1937, só no Rio, foram detidas 7.056 pessoas. Todas as garantias individuais estavam suspensas. Dois navios de guerra foram improvisados como presídios. Em 1936, criou-se o Tribunal de Segurança Nacional, que condenou mais de 4 mil pessoas — Monteiro Lobato entre elas. Mais de 10 mil foram processadas. A Constituição de 1937 previa a pena de morte para quem tentasse “subverter por meios violentos a ordem política e social”. Leiam o decreto nº 428, de 1938, para saber como era um julgamento de acusados de crime político. Kim Jong-un ficaria corado. A tortura se generalizou. No assalto ao Palácio da Guanabara, promovido por integralistas em maio de 1938, oito pessoas presas, desarmadas e rendidas foram assassinadas a sangue frio, no jardim, sem julgamento, por Benjamin e Serafim Vargas, respectivamente irmão e sobrinho de Getúlio. No dia 9 de novembro de 1943, a Polícia Especial enfrentou a tiros uma passeata de estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, com duas vítimas fatais. Tudo indica que os mortos e desaparecidos do Estado Novo, sem guerrilha nem ataques terroristas, superaram em muito os do regime militar. Nunca se fez essa contabilidade. Nesse caso, a disputa pelo presente e pelo futuro pedia que se escondessem os cadáveres.

Getúlio virou um divisor de águas ideológicas na história inventada pelos comunistas, oportunistas e palermas e é o pai intelectual de João Goulart, o golpista incompetente deposto em 1964. Antes como agora, “eles” sabem como transformar em heróis seus assassinos. A arqueologia do golpe é um golpe contra o futuro. Viva 2064!

31 Mar 14:07

31 de Março – 1: Viva a democracia! Nada devemos à esquerda armada além de violência, mortes, sequestros, assaltos e indenizações milionárias. O regime de liberdades é obra dos que fizeram a luta pacífica

by giinternet

Jornal do Brasil ditadura

Oficialmente, o movimento militar que derrubou João Goulart faz hoje 50 anos — o assunto, como sabem, está em todo canto. A quartelada, com amplo apoio civil, se consumou, de verdade, no dia 1º de abril, mas se quis evitar a coincidência com o chamado Dia da Mentira. Hoje, com a tal Comissão da Verdade federal em funcionamento — e algumas outras estaduais ou até corporativas (em universidades, por exemplo) —, prospera a farsa sobre aqueles tempos. A extrema esquerda armada perdeu a batalha porque era minoritária e porque não dispunha de força bélica para enfrentar os militares. Os extremistas, no entanto, venceram a guerra de propaganda, desta feita sem precisar dar um tiro: seus epígonos, isto é, seus seguidores intelectuais, ocuparam a imprensa, o meio universitário, os centros culturais, as escolas, fatias importantes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário para inventar o confronto que nunca existiu.

E qual é o confronto que nunca existiu? Aquele que oporia, de um lado, os defensores da liberdade e, de outro, os que a recusavam. Se, durante o regime militar, vivemos sob a mentira de que o golpe foi desfechado para defender a democracia, hoje, 50 anos depois, vive-se a outra face do engodo, que, no caso, é igualmente trapaceira, mas com o sinal trocado. Comecemos do óbvio: em 1964, João Goulart e os que com ele se alinharam não tinham a democracia como um valor universal e inegociável; tampouco era essa a convicção dos militares e dos organismos civis que lhes deram apoio. O regime de liberdades individuais e públicas morreu de inanição; morreu porque faltou quem estivesse disposto a alimentá-lo. Ao contrário: assistiu-se a uma espécie de corrida rumo ao golpe. Golpista, na prática — e escandalosamente incompetente —, era Jango. Golpistas eram aqueles que o depuseram. Ainda que pudesse haver bem-intencionados em ambos os lados, não foram esses a ditar o rumo dos acontecimentos.

Outras farsas influentes se combinam para fabricar um confronto entre vítimas e algozes que é não menos trapaceiro. Não é verdade, por exemplo, que os atentados terroristas e a luta armada tiveram início depois da decretação do famigerado AI-5, o Ato Institucional que implementou a ditadura de fato no país. Ao contrário até: a muita gente essa medida de força, que deu ao estado poderes absolutos, pareceu até razoável porque a extrema esquerda decidiu intensificar a rotina de ataques terroristas. O AI-5 só foi decretado no dia 13 de dezembro de 1968. A VPR, a Vanguarda Popular Revolucionária, explodiu uma bomba no Consulado Americano, no Conjunto Nacional, em São Paulo, no dia 19 de março daquele ano. Em abril, novas explosões no Estadão e na Bolsa de Valores de São Paulo. Essas são apenas algumas de uma sequência. No dia 18 de julho, o presidente Costa e Silva ainda recebeu uma comissão de estudantes para negociar. Inútil.

O que pretendiam os movimentos de extrema-esquerda? É certo que queriam derrotar o regime militar inaugurado em 1964; mas que fique claro: o seu horizonte não era a democracia. Ao contrário. Como costumo lembrar, não há um só texto produzido pelas esquerdas então que defendessem esse regime. Ao contrário: a convicção dos grupos armados era que os fundamentos da democracia eram apenas um engodo para impedir a libertação do povo. Os extremistas de esquerda também queriam uma ditadura — no caso, comunista.

Cumpre indagar e responder: o regime democrático que temos hoje é um caudatário, um devedor, dos extremistas que recorreram à guerrilha e ao terrorismo? A resposta mais clara, óbvia e evidente é “Não”! Devemos a democracia aos que organizaram a luta pacífica contra a ditadura militar. Qual foi a contribuição da Ação Libertadora Nacional, a ALN, do terrorista Carlos Marighella, à civilidade política? Nenhuma! A eles devemos sequestros e cadáveres. Qual foi a contribuição da VPR, a Vanguarda Popular Revolucionária, do terrorista Carlos Lamarca, à tolerância política? Nenhuma! A eles devemos violência e mortes. Qual foi a contribuição da terrorista VAR-Palmares, de Dilma Rousseff, à pluralidade política? Nenhuma. A eles devemos assaltos, bombas e sequestros.

Mas devemos, sim, a democracia a Paulo Brossard, a Marcos Freire, a Itamar Franco, a Franco Montoro, a Fernando Henrique Cardoso, a Mário Covas, a José Serra, a Alencar Furtado, entre outros. Devemos a democracia até a ex-servidores do regime que resolveram dissentir, como Severo Gomes e Teotônio Vilela. Outros ainda, dentro do aparelho de estado, tiveram papel relevante para trincar o bloco hegemônico que comandava o país, como Petrônio Portella, Aureliano Chaves e Marco Maciel.

História
O ambiente está viciado. Mistificadores e prosélitos, mais ocupados com a guerra ideológica do que com a realidade, atropelam os fatos. Pretendem inventar uma narrativa que justifique tanto as ações doidivanas do passado como certas safadezas do presente (ainda voltarei a este ponto). O que fazer? Se você não quer se deixar levar pela mera discurseira inconsequente, sugiro que leia este livro.

 Ditadura à brasileira

O historiador Marco Antonio Villa escreveu “Ditadura à Brasileira” (LeYa), que tem um emblemático subtítulo: “1964-1985: A democracia golpeada à esquerda e à direita”. Villa vai ao ponto. Cada ano do período constitui um capítulo do livro e evidencia a escalada da radicalização, num confronto em que quase ninguém podia reivindicar o papel do mocinho. Não se trata de “uma outra leitura do golpe”, favorável ao movimento. O que Villa faz, com rigor e competência, é alinhavar, de maneira seca, objetiva, a sequência de eventos, com os seus devidos protagonistas, que levaram à deposição de João Goulart, à instauração da ditadura, à abertura do regime e, finalmente, à democracia.

É claro que o autor tem um ponto de vista — e, no caso, é um ponto de vista que protege o leitor: Villa é um democrata, e isso faz com que veja com olhos críticos — e, pois, independentes — as várias agressões havidas no período aos valores da democracia , tanto à direita como à esquerda. No seu livro não há bandidos e heróis. Há pessoas de carne e osso fazendo coisas: muitas em favor da civilidade política; boa parte delas, em favor da barbárie. O volume traz uma útil cronologia, bibliografia e índices onomástico e remissivo, o que o torna também um bom manual de consulta. É um bom instrumento para se defender de fraudes influentes.

Encerro este post
Nada devemos, rigorosamente nada!, às esquerdas armadas. A coragem é, em si, um valor. Quando ela é tão suicida como homicida, já não é coragem, mas estupidez, e costuma arrastar outros tantos em sua aventura.

31 Mar 14:06

Great news! New E-M1 firmware updated improves audio performance!

by 43rumors

Olympus just released the new firmware update 1.3 for the Olympus E-M1! Like reported a while ago here on 43rumors Olympus this update mainly improves the audio quality of the camera. Here is the full improvement list:

  • Dynamic range has been expanded when using the external mic. The sound level adjustment has been changed to adjust to 21 levels in accordance with this.
    A function to turn the Volume Limiter on and off was added.
    • * When it is on, it automatically limits the mic input volume if sound input volume exceeds the designated level.
  • A 0 second setting has been added to Anti-Shock mode.
  • The camera operation when the Frame Rate of live view is [High] have been improved.

All info about the update can be found here: http://www.olympus.co.jp/en/support/imsg/digicamera/download/software/firm/e1/

31 Mar 14:06

A Nação que se salvou a si mesma - Final

by Felipe Melo
Vitória

PELO MEIO da tarde de quarta-feira, 1º de abril, tudo estava terminado, e os líderes da classe média do Brasil estavam nos microfones saudando o colapso do comunismo. Em tôdas as janelas do Rio esvoaçavam lençóis e toalhas saudando a vitória, e as ruas de tôdas as grandes cidades do Brasil se encheram de gente alegre e dançando num espírito carnavalesco.

Do Rio Grande do Sul chegou a notícia de que Jango Goulart fugira para o Uruguai. Também escaparam às pressas Brizola, o Embaixador de Cuba e chefes graduados dos vermelhos, que dispararam para as fronteiras dos países vizinhos, pularam depressa dentro de aviões rumo a Cuba ou se esconderam em embaixadas amigas de países da Cortina de Ferro.

Navios procedentes da Tchecoslováquia, cheios de mais armas para os revolucionários vermelhos, foram assinalados virando rumo a Havana. E, no Rio, densas nuvens de fumaça subiam dos incineradores da Embaixada Russa, onde grandes quantidades de documentos e papéis foram queimados às pressas.

Como pôde uma nação dividida, de 80 milhões de pessoas, mudar politicamente tão depressa e pràticamente sem perda de vidas, em contraste com as carnificinas de circo romano de Cuba, ou da Espanha, onde ambos os lados lutaram tão encarniçadamente durante anos?

O mérito cabe em grande parte ao quadro dos oficiais do Exército Brasileiro, altamente civilizado, que agiu com tanta lealdade e precisão para pôr côbro à ameaça vermelha de apoderar-se do Govêrno, pouco antes de chegar ao ponto de derramamento de sangue. Mas como os generais se apressam em admitir, maior mérito ainda cabe aos civis, que, tendo diante dos olhos a lição de Cuba, por mais de dois anos haviam alertado o povo — e no momento culminante deram o sinal aos militares para agirem.

Dois dias depois da revolução, o Brasil teve um lembrete do que realmente a tornara possível. Dois de abril tinha sido marcado pelas mulheres da CAMDE como a data para a “Marcha da Família com Deus Pela Liberdade”, no Rio de Janeiro. Mas então, com a liberdade conquistada, para que incomodar-se? As mulheres do Rio, todavia, correram aos seus telefones, como suas irmãs de outras cidades haviam feito antes. A marcha teria lugar segundo os planos, mas agora como “marcha de ação de graças a Deus”. Quando até o General Castelo Branco, por meio do telefonema de um amigo, aconselhou o cancelamento, temendo violências, Dona Amélia Bastos insistiu, afirmando: “A marcha demonstrará ao mundo que esta é uma revolução do povo — um plebiscito em marcha pela verdadeira democracia!”

E assim foi: um oceano de humanidade, totalizando mais de um milhão de pessoas, deslocando-se sob uma tempestade de papéis picados caindo dos arranha-céus ao longo das avenidas do Rio; um exército de paz com bandeiras, dizendo com firmeza e reverência a tôda a América do Sul que os brasileiros estavam decididos a permanecer livres.

Qual Era o Grau de Perigo?

DIAS DEPOIS da revolução, os brasileiros começaram a tomar conhecimento de quanto tinham estado perto de perder essa liberdade. Varejando antros de subversão, apressadamente abandonados, unidades do serviço militar de informação descobriram toneladas de publicações comunistas, manuais de guerrilhas, arsenais de armas, planos meticulosos para a dominação vermelha, projetos estranhos para o massacre dos principais elementos anticomunistas.

No Palácio das Laranjeiras, no Rio, havia arquivos comprometedores de correspondência de gente do Govêrno com chefes vermelhos, chequei compensados no valor de milhões de cruzeiros doados a organizações comunistas camufladas.

Na residência do cunhado de Goulart vieram à tona inúmeras provas dos atos da “Frente de Libertação Nacional” de Brizola — composta por seus “Grupos dos Onze” (conhecidos como G-11) — que êle presidia como “comandante supremo”. Os grupos G-11, cuja fôrça não era para desprezar, organizados por Brizola para “salvar o Brasil das garras dos capitalistas internacionais e de seus aliados internos”, apurou-se terem um efetivo superior a 30.000 homens.

Um manual secreto apreendido, distribuído aos comandantes regionais dos G-11, determinava que estes fôssem organizados segundo modelo da “gloriosa Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917”. Os seus membros, chamados “companheiros”, juravam “lutar até à morte”, aprendiam a organizar greves, a promover agitações e armar confusão; a “destruir, saquear e queimar edifícios públicos assim como empresas privadas” ; a capturar estações telefônicas, de rádio e TV e depósitos de armamento; a raptar e conservar como reféns autoridades que, em caso de insucesso, “deveriam ser imediata e sumariamente mortas” .

Outro manual tratava das técnicas de “violência planejada, pondo de lado qualquer espécie de sentimentalismo”, para eliminar qualquer pessoa que se opusesse- Dava-se atenção especial à execução de oficiais de postos elevados: “Cada oficial suspeito terá um homem responsável por sua eliminação no momento certo”; se o encarregado falhasse em seu dever, êle próprio deveria “sofrer imediatamente a pena de morte”.

Dinheiro Disponível e Dinheiro Falso

NA LUXUOSA residência de Brizola em Porto Alegre, com 20 cômodos — êle que nos seus discursos gostava de considerar-se “um homem pobre” e “defensor dos oprimidos” — foram encontradas várias centenas de milhões de cruzeiros e também documentos cuidadosamente preparados pondo outros bens dêle, em nome de terceiros, mas especificando que deveriam ser “devolvidos quando pedidos por LB”.

Em Pernambuco, quartel-general dos preparativos comunistas no Nordeste, foram descobertos mais de 10.000 uniformes e o mesmo número de pares de sapatos, além de encomendas para mais 50.000, destinados ao Exército Camponês, que estava sendo recrutado e adestrado por Miguel Arraes, o Governador vermelho de Pernambuco. Havia vários uniformes para os chefes revolucionários, com um de desenho especial destinado ao próprio Arraes.

Em São Paulo, foi encontrado um vasto depósito de imitações de dinheiro em papel-moeda e moeda metálica, tendo gravadas as imagens de Lenine, Stalin, e Prestes, bem
como selos postais com a foice e o martelo. Isso era utilizado principalmente para propaganda. Mas também apareceram enormes quantidades de dinheiro falso, tão bem feito que quase não podia ser descoberto; os arquivos de sua utilização indicavam que outros bilhões tinham sido remetidos para organizações vermelhas, não só para financiar a subversão, mas também para acelerar a inflação, um objetivo prioritário dos engenheiros do caos.

Nas sedes das organizações trabalhistas e na União Nacional de Estudantes havia montes de filmes e impressos da Rússia, China Vermelha e Cuba; ampliações de fotografias de Castro, Khrushchev e Mao Tse-tung para colocar nas paredes e pilhas de fotografias menores para distribuição; além disso, havia grandes estoques de bombas Molotov e material para confeccioná-las.

Foram apanhados em flagrantes nove agentes, vermelhos chineses, sete dêlès apresentando-se como membros de uma “missão comercial” e dois como correspondentes da Agência de Notícias Nova China. Em poder deles havia planos pormenorizados para o assassinato de preeminentes anticomunistas, bem como maçarocas de dinheiro e registro de gratificações pagas a congressistas e a membros do séquito de Goulart. O dinheiro encontrado com os nove, aparentemente destinado a subornar, elevava-se a mais de um bilhão de cruzeiros, 53.000 dólares americanos, 5.000 libras esterlinas e diversas quantias menores de outras procedências.

Nova Fechadura na Porta

CONTRA TODOS êsses elementos subversivos e corruptores os militares agiram depressa, prendendo todos os suspeitos — por um “Ato Institucional” ràpidamente promulgado para orientar o Brasil durante o govêrno provisório — excluindo do cenário político pessoas reputadas como ameaças imediatas para o sucesso da revolução. Muitos foram soltos após investigações; só continuaram detidos aquêles cujos atos provados, e não meras palavras, contribuíram para o quase soçôbro do Brasil.

Tiveram seus direitos políticos cassados por 10 anos 68 membros expulsos do Congresso e 349 outros brasileiros destacados — entre êles os ex-Presidentes Goulart, Quadros e Kubitschek. Sòmente depois que o Presidente Castelo Branco examinou pessoalmente as provas que havia contra Kubitschek, teve o ex-Presidente também cassados os seus direitos políticos. Aos críticos estrangeiros para quem tais medidas foram excessivamente severas, o nôvo Govêrno limitou-se a dizer: “Quando a casa da gente foi saqueada, não se convidam os ladrões a voltarem para jantar. No mínimo coloca-se uma nova fechadura na porta.”

Visitando Paris após a revolução, e submetido a perguntas mordazes de repórteres franceses acerca do expurgo pós-revolucionário, o Governador Lacerda aludiu à Revolução Francesa de 1789. “O Brasil”, observou com vivacidade, “ainda não mandou uma única pessoa para a guilhotina.”

“Um Honesto Meio-Têrmo”

PERFEITAMENTE dentro do período de 30 dias previsto pela Constituição, o Congresso do Brasil elegeu Presidente o General Castelo Branco até ao término dos dois anos que restavam do Govêrno Goulart. (O Congresso mais tarde aprovaria uma prorrogação do mandato até 1966.) Em vívido contraste com os demagogos baratos que o precederam, Castelo Branco é universalmente reconhecido como honesto, isento da temeridade tão marcante de muitos governantes latino-americanos, e profundamente dedicado aos processos democráticos. É um homem sereno, mas obstinadamente corajoso.

Sendo êle próprio a antítese do caudilho, Castelo Branco chefia um govêrno que está longe de ser uma ditadura militar. Os partidos políticos como o Congresso existem sem restrições. A imprensa é livre, sem limitações aos desacordos ou à crítica; até o jornal Última Hora, principal defensor de Jango, continua sendo publicado. A “família oficial” do Presidente é composta dos mais notáveis peritos do país em seus respectivos campos: economistas, diplomatas de carreira, engenheiros, etc. A exceção dos ministros das três Forças Armadas e do Marechal Reformado Juarez Távora, Ministro da Viação e Obras Públicas, todos os membros do Gabinete são civis. Todos êles são homens da “classe média”, devotados às anunciadas reformas de Castelo.

Rigoroso homem de centro, Castelo Branco repele a qualificação de “revolução direitista”. Êle assevera positivamente: “A extrema direita é reacionária, a extrema esquerda é subversiva. O Brasil precisa seguir um honesto meio-têrmo.” Quando, pouco depois da revolução, alguns ricos industriais e latifundiários procuraram impor o que ele considerou reivindicações em benefício próprio, Castelo Branco falou àsperamente: “A solução para os males da extrema esquerda não reside no nascimento de uma direita reacionária.” Os latifundiários deviam estar mais, bem informados. Enquanto servira no Nordeste, ele não escondera o fato de que “o aspecto mais desagradável da vida militar para mim é ter de defender proprietários ricos que tratam trabalhadores rurais como escravos” . No início de abril um porta-voz do Govêrno deixou claro: “A revolução não foi feita para manter a injustiça social e privilégios especiais.”

O Presidente não alimenta ilusões quanto à enormidade da sua missão, nem sôbre o pouco tempo de que dispõe para cumpri-la. Os problemas do Brasil estão profundamente enraizados; há regiões de tremenda pobreza e exploração das massas — não por gente de fora, como acusavam os vermelhos, mas por sua própria gente. São necessárias reformas extremas — políticas, econômicas e sociais. A tarefa é desconcertante. Mas, não estando vinculado a nenhum partido ou grupo de pressão — e com podêres dados pelo Ato Institucional, que o tornam responsável apenas perante o Congresso e o povo — o denodado Marechal está empenhado numa tentativa decisiva.

Reformas em Marcha

MAL ASSUMIU o cargo, Castelo Branco começou a desmontar a gigantesca e corrupta máquina burocrática; reduziu de 30% o recheado orçamento para o primeiro ano, começou a despejar no funil do Congresso reformas que vão direto ao cerne das dificuldades brasileiras. Cada projeto de lei tem de ser estudado peio Congresso dentro de um prazo de 30 dias ou automàticamente se converterá em lei.

As reformas políticas já aprovadas abrangem uma emenda constitucional exigindo maioria absoluta nas eleições presidenciais — para desestimular a proliferação de partidos políticos, atualmente em número de 13, e para neutralizar a possibilidade de algum demagogo chegar ao poder com a conivência dos partidos, contrariando a vontade popular.

As reformas econômicas compreendem medidas destinadas a deter a inflação, como uma redução sensível nas despesas oficiais, a vinculação das futuras escalas salariais à produtividade e ao custo de vida e o fechamento dos meios de evasão das leis sôbre sociedades anônimas e impôsto de renda; uma emenda da Lei de Remessa de Lucros, há muito tempo discriminatória contra os investimentos estrangeiros; proibição de nacionalização e confisco de empresas privadas; eliminação de subsídios para a importação de trigo, petróleo e papel de imprensa; cancelamento da isenção de impostos para jornalistas, juízes, escritores e professôres.

As reformas sociais, visando a elevar 'o padrão de vida das massas empobrecidas, incluem um programa nacional de construção de casas de baixo preço, destinado a acabar com as horrorosas favelas que são uma vergonha das grandes cidades brasileiras, e um programa de reforma agrária para corrigir a pobreza e as injustiças sofridas pelas massas nordestinas, virtuais servas dos grandes senhores feudais. O cerne do projeto de reforma agrária de Castelo Branco é a imposição de um imposto progressivo, de acôrdo com o tamanho e as frações ociosas da propriedade, que estimulará a utilização da terra e sua redistribuição pelos que não possuem terra própria. Êsse programa compreende assistência técnica e subvenções para auxiliar os pequenos fazendeiros no comêço, além de estradas federais que liguem a fazenda aos mercados.

Não menos difícil que as reformas políticas, econômicas e sociais é a limpeza moral em que se acha empenhado o regime. Nisto o Presidente deu exemplo. Antes de tomar posse, êle voluntariamente fêz a declaração de seus bens particulares: um apartamento no Rio de Janeiro, cêrca de três milhões de cruzeiros em ações, um automóvel Aero Willys modêlo 1961, um jazigo perpétuo no Cemitério São João Batista, no Rio. Seus discursos à Nação e mensagens ao Congresso ressoam como apelos à moralidade política. “A grande coisa que Castelo Branco já fêz”, disse um eminente brasileiro em julho último, “foi a criação de uma imagem de decôro e honestidade no Govêrno.”

Longa Viagem de Volta

MAS APESAR de seus magnânimos objetivos, poderá o Govêrno Revolucionário — no período que lhe resta — convencer todos os brasileiros da necessidade dos sacrifícios que têm de ser feitos para remediar os males que afligem a Nação?

Os obstáculos são formidáveis. A maioria da classe de ricos proprietários rurais reage firmemente contra impostos mais elevados e reforma agrária. Das massas camponesas, por outro lado, surgirão novos líderes que acharão excessivamente lentos os projetos de melhoramento social. Comunistas e outros radicais, malgrado seu banimento presente, certamente se reagruparão em segredo, decididos a evitar seus enganos do passado. E o homem da rua, de há muito céptico quanto às promessas oficiais de qualquer procedência, tem de ver suficiente progresso rumo às reformas para dar seu apoio nas eleições livres ora marcadas para 1966.

A resposta não depende apenas do Marechal e de seus adeptos da classe média. “Ela também depende”, dizem os revolucionários brasileiros, “da vontade de todo brasileiro de subordinar os interesses egoístas ao bem da Nação.”

Diz Castelo Branco: “Por tempo demais fomós levados pelos demagogos a pôr a culpa de todos os nossos males no imperialismo ianque. Doravante vamos ser julgados, não por nossas intenções, não por nossas promessas, mas pelo que fizermos!”

Apoiando o Presidente há os que antes de tudo tornaram um sucesso a revolta da classe média. “Uma coisa é fazer uma revolução”, diz Dr. Glycon de Paiva, do Conselho Nacional de Economia, “e outra sustentá-la. O perigo agora é de que nós, que iniciamos esta revolta, nos descuidemos.” Para evitar tal perigo, grupos democráticos continuam a postos — patrocinando cursos para adestrar líderes democráticos, especialmente nas classes média e pobre, e criando maneiras de manter o publico atento e esclarecido. Expressando a nova atitude de muitos empresários brasileiros, o industrial Paulo Ayres Filho declara: “Sabemos agora que nós, homens de negócio, não podemos pensar apenas em lucros, mas também nos problemas sociais do país. Temos de provar que a livre-emprêsa pode prestar o melhor serviço a todos.”

Os grupos femininos também não se estão desmobilizando. Diz Dona Amélia Bastos, da CAMDE: “Nós, as mulheres do Brasil, descobrimos a nossa fôrça. Vamos trabalhar agora para conservar a democracia que ajudamos a salvar.” As mulheres da CAMDE estão voltando suas energias para a educação e a assistência social. Elas também sugeriram ao Govêrno um plano minucioso para combater o analfabetismo, oferecendo-se para montar uma campanha de âmbito nacional, destinada a angariar fundos para realizar êsse plano.

Se essa atitude se difundir suficientemente, o Brasil poderá de fato sair do longo mergulho em direção ao caos e dar grandes passos para a realização de seu imenso potencial. E, assim fazendo, poderá contar com o apoio de todo o mundo livre.
31 Mar 01:58

Million Jars of Peanut Butter Dumped In New Mexico Landfill

by samzenpus
Hugh Pickens DOT Com (2995471) writes "The Guardian reports that a million jars of peanut butter are going to be dumped in a New Mexico landfill and bulldozed over after retailer Costco refused to take shipment of the peanut butter and declined requests to let it be donated to food banks or repackaged or sold to brokers who provide food to institutions like prisons. The peanut butter comes from a bankrupt peanut-processing plant that was at the heart of a salmonella outbreak in 2012 and although 'all parties agreed there's nothing wrong with the peanut butter from a health and safety issue,' court records show that on a 19 March conference call Costco said 'it would not agree to any disposition ... other than destruction.' The product was tested extensively and determined to be safe. Costco initially agreed to allowing the peanut butter to be sold, but rejected it as 'not merchantable' because of leaking peanut oil. So instead of selling or donating the peanut butter, with a value estimated at $2.6m, the estate is paying about $60,000 to transport 950,000 jars – or about 25 tons – to the Curry County landfill in Clovis, where public works director Clint Bunch says it 'will go in with our regular waste and covered with dirt'. Despite the peanut butter being safe, Curry County landfill employee Tim Stacy says that no one will be able to consume the peanut butter once it's dumped because it will be immediately rolled over with a bulldozer, destroying the supply. Stacy added more trash will then be dumped on top of the pile. Sonya Warwick, spokeswoman for New Mexico's largest food bank, declined to comment directly on the situation, but she noted that rescued food accounted for 74% of what Roadrunner Food Bank distributed across New Mexico last year. 'Access to rescued food allows us to provide a more well-rounded and balanced meal to New Mexicans experiencing hunger.'"

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31 Mar 01:54

Aaron Swartz and MIT: The Inside Story

by Soulskill
An anonymous reader writes: "The Boston Globe has reviewed over 7,000 pages of documents from Aaron Swartz's court case, shedding light on the activities that got him in trouble and how MIT reacted to his case. Quoting: 'Most vividly, the e-mails underscore the dissonant instincts the university grappled with. There was the eagerness of some MIT employees to help investigators and prosecutors with the case, and then there was, by contrast, the glacial pace of the institution's early reaction to the intruder's provocation. MIT, for example, knew for 2½ months which campus building the downloader had operated out of before anyone searched it for him or his laptop — even as the university told JSTOR they had no way to identify the interloper. And once Swartz was unmasked, the ambivalence continued. MIT never encouraged Swartz's prosecution, and once told his prosecutor they had no interest in jail time. However, e-mails illustrate how MIT energetically assisted authorities in capturing him and gathering evidence — even prodding JSTOR to get answers for prosecutors more quickly — before a subpoena had been issued. ... But a number of JSTOR's internal e-mails show a much angrier face in the months that Swartz eluded capture, with employees sharing frustration about MIT's "rather tepid level of concern." JSTOR officials repeatedly raised the prospect, among themselves, of going to the police, e-mails show."

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31 Mar 01:29

Famous Paintings Help Study the Earth's Past Atmosphere

by samzenpus
houghi (78078) writes "From European Geosciences Union: 'A team of Greek and German researchers has shown that the colours of sunsets painted by famous artists can be used to estimate pollution levels in the Earth's past atmosphere. In particular, the paintings reveal that ash and gas released during major volcanic eruptions scatter the different colours of sunlight, making sunsets appear more red.' The original paper can be found here. In the last 150 years, the sunsets have become redder, likely reflecting increased man-made pollution."

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30 Mar 21:25

Daylight Saving Time Linked To Heart Attacks

by samzenpus
jones_supa (887896) writes "Switching over to daylight saving time, and hence losing one hour of sleep, raised the risk of having a heart attack the following Monday by 25 percent, compared to other Mondays during the year, according to a new U.S. study released on Saturday. By contrast, heart attack risk fell 21 percent later in the year, on the Tuesday after the clock was returned to standard time, and people got the extra hour of sleep. The not-so-subtle impact of moving the clock forward and backward was seen in a comparison of hospital admissions from a database of non-federal Michigan hospitals. It examined admissions before the start of daylight saving time and the Monday immediately after, for four consecutive years. Researchers cited limitations to the study, noting it was restricted to one state and heart attacks that required artery-opening procedures, such as stents."

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30 Mar 21:24

West Nile Virus May Have Met Its Match: Tobacco

by samzenpus
An anonymous reader writes in with news about a compound produced using genetically altered tobacco plants that may prove useful in battling the West Nile virus. "Some people think of tobacco as a drug, whereas others think of it as a therapy — or both. But for the most part, it's hard to find people who think of the tobacco plant in terms of its medical applications. Qiang Chen, an infectious disease researcher at Arizona State University, is one such person. His team of scientists conducted an experiment, published today in PLOS ONE, that demonstrates how a drug produced in tobacco plants can be used to prevent death in mice infected with a lethal dose of West Nile virus. The study represents an important first step in the development of a treatment for the mosquito-borne disease that has killed 400 people in the US within the last two years."

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30 Mar 02:59

A Nação que se salvou a si mesma - IV

by Felipe Melo
Um Aviso de Kennedy

EM NENHUM momento, a não ser bem no fim, qualquer das forças anticomunistas — grupos masculino, feminino ou militar — pensou em obter a deposição de Jango antes do fim de seu mandato, em janeiro de 1966. Diz Haroldo Cecil Poland, membro da Junta Diretora do IPES: “Afinal de contas, Goulart tinha sido legalmente eleito, de acôrdo com a Constituição, e nós brasileiros temos uma longa tradição de legalidade. Só estávamos procurando fazê-lo livrar o Govêrno de métodos e pessoas que estavam levando - o país ladeira abaixo rumo ao caos e à guerra civil. Nossas comissões procuraram-no enquanto êle se mostrou disposto a nos receber. Mas êle não nos dava atenção, voltando-se cada vez mais para os extremistas, e afinal recusou-se a receber-nos.”

Um dos primeiros indícios do desdém de Goulart por conselhos amistosos ocorreu em dezembro de 1962, quando o Procurador-Geral dos Estados Unidos, Robert Kennedy, visitou o Brasil. O objetivo dêle era aconselhar, em nome de seu irmão, o Presidente, que os Estados Unidos não poderiam continuar eternamente despejando fundos da AID dentro do Brasil, a menos que se fizesse alguma coisa para deter a espiral inflacionária que anulava o valor desses fundos. Goulart agiu da seguinte maneira: apenas algumas horas depois da partida de Kennedy, êle formou uma comissão para coordenar a expansão do comércio com a União Soviética!

A Sorte Está Lançada

NO COMÊÇO de março dêste ano, o país inteiro era um rastilho pronto a irromper em chamas de revolta. Em 13 de março, o próprio Goulart, com os vermelhos a incitá-lo, temeràriamente riscou o fósforo. Perante uma audiência de uns 100.000 trabalhadores — arrebanhados por líderes vermelhos e trazidos para o Rio de Janeiro em ônibus e trens ao custo de mais de 400 milhões de cruzeiros para o Govêrno — Goulart e Brizola irrevogàvelmente comprometeram o Govêrno a fazer mudanças radicais.

Jango no comício da Central do Brasil, no Rio.

Realizado na praça em frente à estação da Central do Brasil, no Rio, na hora da volta para casa das grandes massas residentes nos subúrbios, o comício apresentou uma floresta de cartazes enfeitados com a foice e o martelo e exigências como “Legalidade Para o Partido Comunista!” e “Armas Para o Povo!”. Agentes democratas, procurando misturar- se com a multidão, constataram estar esta dividida em blocos, cada um com sua própria senha para deixar de fora quaisquer intrusos inamistosos.

A estupefata classe média brasileira, assistindo pela TV, ouviu Goulart denunciar como “superadas” a estrutura do Govêrno e a ordem social existentes, exigindo mudanças básicas na Constituição. Entre as mudanças sugeridas: legalização do Partido Comunista. A seguir, Goulart anunciou dois decretos. Um confiscava e entregava à Petrobrás as seis refinarias ainda em mãos de particulares. O outro, mais assustador, autorizava o Govêrno a confiscar, sem indenização em dinheiro, quaisquer áreas agrárias por êle julgadas inadequadamente utilizadas e entregá-las a camponeses sem terras — uma clara repetição do programa inicial de Fidel Castro de “reforma agrária”.

Os decretos constituíram um movimento audacioso para contornar o Congresso. Combinado com os ataques à Constituição, isso era um audaz lanço para estabelecer o govêrno por decreto, essência da ditadura.

O cunhado do Presidente, assomando à tribuna, foi mais longe ainda. Em voz estridente, Brizola exigiu a extinção do Congresso e a instituição, em seu lugar, de “assembléias” de operários, camponeses e sargentos do Exército — um evidente eco dos sovietes de operários, camponeses e soldados de Lenine, em 1917. As implicações eram bastante claras.

O comício de 13 de março bem pode ser considerado como o detonador da revolução preventiva. A classe média brasileira percebeu então que a sorte estava lançada: Goulart tinha ido além do ponto em que poderia arrepender-se. O Govêmo tinha entrado num caminho que só podia levar a uma sangrenta guerra civil, seguida da tomada do poder pelos comunistas.

A Marcha das Mulheres

Marcha da Família com Deus
pela Liberdade
OS PRIMEIROS a agir foram as mulheres de São Paulo. Ouvindo pelo rádio e TV o comício de 13 de março, centenas de donas de casa correram para os telefones para convocar um comício capaz de fazer a demonstração engendrada por Goulart parecer insignificante. Seis dias depois, a 19 de março, as largas avenidas do centro da cidade de São Paulo ficaram entupidas pelo que as mulheres denominaram “Marcha da Família com Deus Pela Liberdade”. Apertando livros de oração e rosários contra o peito, mais de 600.000 pessoas marcharam solene e ritmicamente sob pendões anticomunistas. E enquanto elas marchavam, os jornaleiros nas calçadas venderam centenas de milhares de exemplares de jornais contendo na íntegra uma proclamação de mais de 1.000 palavras, prèviamente preparada pelas mulheres. É dessa proclamação o seguinte trecho:

Esta nação que Deus nos deu, imensa e maravilhosa como é, está em extremo perigo. Permitimos que homens de ambição ilimitada, sem fé cristã nem escrúpulos, trouxessem para nosso povo a miséria, destruindo nossa economia, perturbando a nossa paz social, criando ódio e desespêro. Êles infiltraram o nosso país, o nosso Govêmo, as nossas Fôrças Armadas e até as nossas igrejas com servidores do totalitarismo exótico para nós e que tudo destrói... Mãe de Deus, defendei-nos contra a sorte e o sofrimento das mulheres martirizadas de Cuba, da Polônia, da Hungria e de outras nações escravizadas!

Um espectador classificou a marcha das mulheres em São Paulo “como a demonstração mais comovente da história brasileira”. Dias depois, foram organizadas marchas semelhantes para várias das principais cidades do país. Nem todos os esforços do Govêrno para desencorajá-las nem as ameaças da polícia de dissolvê-las conseguiram deter as entusiásticas cruzadas.

Guardiães da Legalidade

MAS, PARA impedir o golpe vermelho, tinha de ser empregada ação mais forte do que demonstrações públicas. Líderes da classe média começaram a conferenciar secretamente com generais anticomunistas do Exército Brasileiro, de longa data desconfiados de Goulart e silenciosamente empenhados em sua própria resistência aos métodos dêle.

Para compreender o papel desempenhado pelos militares na revolução é mister entender o caráter e as tradições do Exército Brasileiro — uma estirpe ímpar na América Latina. O Brasil, ao contrário de outros países, nunca estêve sob uma ditadura exclusivamente militar.

Tradicionalmente, o Exército tem-se considerado o defensor da Constituição, o guardião da legalidade. Seus generais, ainda ao contrário dos de alguns países latinoamericanos, não são oriundos da aristocracia rica, mas das classes média e média inferior. Vários começaram sua carreira- como soldados. Assim, não formam uma casta militar, representando antes, talvez melhor do que qualquer outro segmento da população, uma seção transversal da opinião e dos ideais democráticos brasileiros.

Historicamente submetido à autoridade civil, o Exército só interferiu em situações políticas cinco vêzes desde a queda da Monarquia, em 1889 — e tão-sòmente em crises em que o poder civil se desmoronou ou decaiu. Nessas ocasiões o Exército só assumiu a direção o tempo suficiente para restabelecer os processos constitucionais, afastando-se em seguida. Nunca revelou nenhuma tendência para pegar o poder para si próprio — mesmo quando teria sido mais fácil, e quiçá aconselhável, fazê-lo. Da implantação da República até hoje, só cinco dos 25 presidentes do Brasil foram militares, e êsses devidamente eleitos ou nomeados.

Em sua maioria anticomunistas, a desconfiança que os generais tinham de Goulart e seus enredamentos com os extremistas era igualada pela desconfiança que Goulart tinha dêles. Confiando em que o respeito à Constituição os impediria de agir, não obstante, Goulart, por medida de cautela, transferia os comandos militares e manobrava as promoções de modo a reduzir o poder dos oficiais mais conservadores.

General Castelo Branco
Um dêsses oficiais, o General Humberto de Alencar Castelo Branco, comandava o Exército sediado em Pernambuco, há muito um perigoso foco de agitação social. Quando alguns fazendeiros foram assassinados, e muitas famílias fugiram do terrorismo vermelho para as cidades, Castelo Branco entrou em ação. Aí, o Governador de Pernambuco, Miguel Arraes, notoriamente radical, queixou-se de que o General Castelo Branco estava “neutralizando” as influências esquerdistas em seu Estado. Goulart imediatamente tirou de lá o criador de casos — “promovendo- o” a Chefe do Estado-Maior do Exército. Outros oficiais que se manifestaram contra o comunismo foram analogamente transferidos, para cargos burocráticos, enquanto esquerdistas eram levados a posições de comando estratégicas.

Motim nas Fileiras

PARA ANULAR ainda mais qualquer possibilidade de uma revolta de generais anticomunistas, os vermelhos — aparentemente com a conivência de Goulart — trataram de destruir a disciplina nas Forças Armadas, quando não estimular o motim declarado. Foi desencadeado entre sargentos e praças um programa de vigorosa agitação, incitando-os a formarem seus sindicatos para reclamar uma alteração na lei que permitisse candidatarem-se a cargos eletivos — direito franqueado a oficiais, mas não a praças. Para minar mais ainda a ação dos chefes e enfraquecer a disciplina, formou-se uma Associação de Marinheiros e Fuzileiros-Navais — levando a “guerra de classes” marxista às classes armadas.

Em 23 de março, com os acontecimentos se avolumando vertiginosamente, Goulart demonstrou abertamente sua simpatia pelo movimento destinado a pôr a pique a disciplina das Fôrças Armadas. Nesse dia, uns 1.400 sócios da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil amotinaram-se no Rio de Janeiro, abrigando-se na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, controlado por comunistas. Desafiando as ordens de regressarem aos quartéis, os amotinados gritavam alegremente das janelas “Viva Goulart” e apregoavam sua fidelidade a seu comandante, Cândido da Costa Aragão, nomeado por Goulart e conhecido nos meios esquerdistas como “Almirante do Povo”.

Tropas do Exército cercaram e prenderam os rebeldes — que no entanto foram postos em liberdade algumas horas depois por ordem do próprio Presidente. Para grande desapontamento dos militares, Goulart “pediu” aos amotinados que fôssem para os seus quartéis, com a garantia de que não seriam punidos e receberiam dispensa no fim-de-semana.

O Ministro da Marinha, Almirante Sílvio Borges de Souza Mota, abruptamente exonerou o “Almirante do Povo”, depois demitiu-se em protesto contra o encorajamento do motim pelo Govêrno. Goulart imediatamente reconduziu o “Almirante do Povo” ao seu pôsto e a seguir anunciou que o nôvo Ministro da Marinha seria Paulo Mário da Cunha Rodrigues, um esquerdista conhecido como “Almirante Vermelho”, convocado da reserva nessa emergência. Os amotinados comemoraram ruidosamente a vitória nessa tarde no centro da cidade do Rio, conduzindo aos ombros seu bem-amado “Almirante do Povo”.

Comêço de Uma Avalancha

ENTREMENTES, observando sombriamente os acontecimentos de seu gabinete de trabalho no Rio, Castelo Branco, o general que fôra “promovido” , havia sondado sua consciência legalista e resolvido agir. Entre seus colegas oficiais, o Chefe do Estado-Maior do Exército gozava do tipo de respeito profundo desfrutado nos Estados Unidos pelos Generais George Marshall e Douglas MacArthur. Êle se formou brilhantemente na Escola Militar do Brasil, tendo mais tarde feito um curso no Colégio de Comando e Estado-Maior dos Estados Unidos, em Fort Leavenworth, no Kansas. Durante a Segunda Guerra Mundial foi Chefe de Operações da Fôrça Expedicionária Brasileira, na Itália, como parte do Quinto Exército comandado pelo General Mark Clark.

Após o comício de 13 de março, Castelo Branco redigiu uma veemente nota. Quando um Presidente se propunha a anular o Congresso e a derrubar a Constituição, argumentava êle, a ação militar em defesa da legalidade não só se justificava, mas era obrigatória. Êsse memorando sigiloso foi distribuído a generais de confiança. Como toda correspondência dos oficiais sabidamente anticomunistas era controlada e seus telefones censurados, a circulação do manifesto de Castelo Branco foi um problema. Foi resolvido por homens de negócio anticomunistas: êstes transportaram exemplares no bôlso do paletó, entregando-os pessoalmente aos oficiais certos, e também forneceram homens de confiança para transmitir mensagens entre generais na sua acelerada troca de opiniões.

Ao manifesto de Castelo Branco, que circulava secretamente, mais de 1 500 oficiais de Marinha acrescentaram então um dêles. Endereçado a todo o povo brasileiro, êle declarava que chegara a hora de o Brasil “se defender” . O Exército prontamente proclamou “solidariedade à Marinha”, o grosso da imprensa aderiu, e na distante Brasília alguns membros do Congresso abraçaram a causa.

Estaria a nação inteira se sublevando? O próprio Goulart pareceu atônito pela extensão da reação pública. Conferenciando às pressas com seu nôvo Ministro da Marinha, o “Almirante Vermelho”, Jango procurou recuar. Haveria um inquérito sôbre aquêle motim, anunciou, e, entrementes, o “Almirante do Povo”, Aragão, foi dispensado de seu comando.

O recuo veio tarde demais — a avalancha havia começado.

Fazendo um último e desesperado esfôrço para obter algum apoio nas Fôrças Armadas, Goulart, na noite de 30 de março, foi à sede do Automóvel Clube do Brasil, no Rio, onde uma grande multidão de sargentos do Exército se reunira para homenageá-lo. Mas era demasiado tarde. No momento mesmo em que Goulart sorvia os aplausos dos sargentos e verberava os “gorilas”, a revolução preventiva já estava em marcha.

Marcham as Colunas Rebeldes

General Olympio Mourão Filho
A PRIMEIRA conclamação para depor Goulart viera do Governador dos mineiros, Magalhães Pinto. Demonstrações em apoio dêsse apelo prontamente ocorreram nas ruas, e em 31 de março uma divisão do Exército sediada em Minas e comandada pelo General Olympio Mourão Filho pôs-se a caminho do Rio. Poucas horas depois chegou a notícia de que o General Amaury Kruel, comandante do Segundo Exército, sediado em São Paulo, estava lançando suas forças na luta pela liberdade e enviando um forte contingente para o norte, rumo ao Rio. Nessa altura, soube-se que o Quarto Exército, sediado em Pernambuco e comandado pelo General Justino Alves Bastos, também aderira à rebelião.

A beira do pânico, o Presidente Goulart tomou um avião para Brasília, onde disse aos repórteres: “Vim para aqui a fim de governar o país, e confio em que o povo esteja comigo.” Rapidamente descobriu que o Congresso não estava, e que tropas da guarnição de Brasília estavam-se movimentando para atacar o palácio presidencial. Após três horas apenas em Brasília, estava outra vez de volta em seu avião, rumo ao seu Estado natal, o Rio Grande do Sul. O Terceiro Exército, sediado em Pôrto Alegre, ainda não se definira; seu general-comandante, Ladário Pereira Telles, embora não esquerdista, era leal a Jango. A sua chegada, entretanto, Goulart soube que o Governador Ildo Meneghetti aderira ao levante.

Uma incógnita era o Primeiro Exército, sediado no Rio de Janeiro. Virtualmente preso em seu palácio no Rio, do qual fêz sua última barricada, o Governador da Guanabara, Carlos Lacerda, de longa data acirrado inimigo de Goulart, queria proclamar sua fidelidade à revolução e não podia fazê-lo. O Govêrno Federal ainda controlava as estações de rádio do Rio e uma greve geral em apoio de Goulart fechara tudo na cidade. As únicas fôrças de Lacerda eram a Polícia Militar, suas únicas armas blindadas os caminhões de limpeza pública estacionados de modo a obstruírem as ruas que conduziam ao palácio. Ao que êle sabia, o Primeiro Exército ainda estava recebendo ordens de Goulart. Desanimado, o Governador soube que Goulart mandara uma coluna em direção a São Paulo, a fim de interceptar a coluna rebelde que avançava. (O que êle e a população carioca só puderam saber mais tarde foi que, quando as duas fôrças se encontraram, a coluna presumivelmente pró-Goulart logo aderiu aos rebeldes.)

Afinal, em sua única linha telefônica ainda funcionando, o Governador Lacerda conseguiu falar com uma emissora rebelde na distante Belo Horizonte, cujo som podia ser ouvido no Rio. Foi então que sua própria cidade finalmente o ouviu proclamar sua solidariedade à revolução. Mas quando ainda falava, chegou-lhe um comunicado de que carros de combate do Primeiro Exército rodavam pelas belas e sombreadas avenidas do Rio, a caminho do palácio do Govêrno. Só quando os carros chegaram ao palácio, foi que Lacerda soube que êles tinham vindo para salvá-lo e não para massacrá-lo.
30 Mar 02:58

Security Evaluation of the Tesla Model S

by Soulskill
An anonymous reader writes: "Nitesh Dhanjani has written a paper outlining the security mechanisms surrounding the Tesla Model S, as well as its shortcomings, titled 'Cursory Evaluation of the Tesla Model S: We Can't Protect Our Cars Like We Protect Our Workstations.' Dhanjani says users are required to set up an account secured by a six-character password when they order the car. This password is used to unlock a mobile phone app and to gain access to the user's online Tesla account. The freely available mobile app can locate and unlock the car remotely, as well as control and monitor other functions. The password is vulnerable to several kinds of attacks similar to those used to gain access to a computer or online account. An attacker might guess the password via a Tesla website, which Dhanjani says does not restrict the number of incorrect login attempts. Dhanjani said there is also evidence that Tesla support staff can unlock cars remotely, leaving car owners vulnerable to attackers impersonating them, and raising questions about the apparent power of such employees to locate and unlock any car with or without the owner's knowledge or permission. In his paper, Dhanjani also describes the issue of Tesla's REST APIs being used by third parties without Tesla's permission, causing Tesla owners' credentials to be sent to those third parties, who could misuse the information to locate and unlock cars."

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29 Mar 14:56

É claro que Pasadena é um caso de política, mas é inegável que é, sobretudo, um caso de polícia. Ou: A resposta de Gabrielli a este blog há um ano e três meses

by giinternet
Gabrielli: há pouco mais de um ano, em respostra a este blog, ele afirmou que Petrobras havia conseguido desconto (!!!) na compra da refinaria de Pasadena

Gabrielli: há pouco mais de um ano, em resposta ao blog, afirmou que a Petrobras havia conseguido desconto  na compra de refinaria

Não tem jeito: a cada enxadada, uma minhoca. Raia o dia, e lá vem uma nova informação sobre a compra da refinaria de Pasadena que empurra mais e mais o caso para a esfera da polícia — embora, é evidente, ele seja também um caso de política. Ora, se é assim que a Petrobras executa as suas aquisições, e dado que um de seus mais importantes ex-diretores está na cadeia, a gente imagina o padrão de governança da empresa. Salvem a Petrobras antes que acabe! R$ 200 bilhões em valor de mercado já foram para o ralo da irresponsabilidade petista. O que sobrou é menos da metade do que havia há três anos. A Petrobras tem de ser devolvida a seus legítimos donos: o povo brasileiro, representado pelo Estado, e os acionistas minoritários, que estão sendo logrados.

Como já se sabe, os próprios belgas da Astra, ao vender a primeira metade da refinaria à Petrobras, saudaram o negócio excepcional e o ganho acima de qualquer expectativa. Na Folha deste sábado, há uma reportagem sobre os desentendimentos entre a Astra e a Petrobras. Reproduzo trecho (em vermelho) do texto de Isabel Fleck, Raquel Landim e David Friedlander. Volto em seguida.
Os executivos da Petrobras faziam muita “besteira”, eram “extravagantes” nos gastos e qualquer decisão levava “10 vezes mais tempo que o necessário”. Era assim que os belgas da Astra se referiam aos seus sócios brasileiros na refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).
Os comentários pejorativos de Mike Winget, presidente da Astra, e seu diretor de operações, Terry Hammer, aparecem numa troca de e-mails com outras cinco pessoas da equipe, datada de 2 de novembro de 2007 e obtida pela Folha na Justiça do Texas.

Retomo
O clima era beligerante, havia desentendimento entre os sócios, e os belgas decidiram, então, fazer valer a cláusula que obrigava a Petrobras comprar a outra metade. Até aí, bem. Num dos e-mails obtidos pela Folha, Winget escreve, referindo-se aos negociadores com os quais dialogava, que “não ficaria surpreso se a Petrobras já tiver se dado conta de que a refinaria não vale os US$ 650 milhões que eles [os negociadores brasileiros] sinalizaram”.

Entenderam? Eles mesmos sabiam que a refinaria não valia aquilo tudo. Ao Congresso, no entanto, Graça Foster afirmou que as condições do mercado à época justificavam aquele preço. Nem os donos originais achavam isso!

Multa e passivo ambiental
Reportagem levada ao ar na noite desta sexta pelo Jornal Nacional evidencia que Pasadena ainda não parou de sangrar o cofre do Brasil. O Condado de Harrys acionou a refinaria na Justiça para receber uma multa US$ 6 milhões, soma de tudo o que ela deixou de recolher em impostos desde 2005, sem contar que, em 2012, o condado fechou com a Petrobras um acordo para o pagamento de uma multa de US$ 750 mil por causa da poluição do ar em anos anteriores. Rock Owens, que é advogado da área ambiental de Harrys, diz que o valor da venda da refinaria  chamou a atenção na época. Ele explica por quê: “Era a venda de uma refinaria velha a um preço premium que não deveria ter sido pago. E sem os reparos que recomendamos desde os anos 80, que não foram feitos”.

Os sócios da Astra sabiam que a empresa não valia tudo aquilo; o advogado do Condado de Harrys sabia que a refinaria não valia tudo. Intuo que os diretores que realizaram a operação também soubessem, não é? O conselho, no entanto, foi levado no bico — e Dilma decidiu ignorar o assunto depois, como conselheira da Petrobras, como ministra e como presidente da República.

Mas a Petrobras não contratou consultoria? Pois é. Aí é preciso lembrar a reportagem do Globo que mostra que a avaliação foi feita às pressas, em apenas 20 dias. Os avaliadores contratados, da BDO Seidman, deixaram claro que não tiveram tempo de fazer o trabalho adequado e se eximem de eventuais problemas posteriores. Recomendam à Petrobras que faça, então, ela própria a avaliação. E a Petrobras fez. Sabem quem a ajudou? A então diretora financeira da Astra, Kari Burke. É do balacobaco!

Não por acaso, informa outra reportagem da Folha, “a análise [sobre o preço da refinaria] contemplava três cenários, com cinco situações em cada, nas condições em que se apresentava a refinaria na época. A mais conservadora estabelecia que Pasadena inteira custava US$ 582 milhões. A mais otimista atingia US$ 1,54 bilhão. Com o estudo na mão, Nestor Cerveró decidiu oferecer US$ 700 milhões por 50% do ativo. O fato de a oferta não corresponder à metade de nenhuma das cifras apresentadas no estudo chamou atenção da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que questionou a escolha de valores “aleatoriamente, sem comprovação, entre todos os cenários possíveis”

Entenderam? Foi Cerveró que ofereceu os US$ 700 milhões pela segunda metade — que depois acabaram se transformando em R$ 820,5 milhões. Aí, sim, a operação foi vetada pelo Conselho e teve início a disputa judicial. Dilma pode até explicar como foi enganada na condição de membro do conselho. A sua omissão posterior é que é inexplicável, com Cerveró assumindo a direção financeira da poderosa BR Distribuidora. Curiosamente, a presidente mandou demiti-lo antes de qualquer investigação.

Dá para entender por que o mercado se animou quando a oposição conseguiu o número de assinaturas no Senado para fazer a CPI da Petrobras. É a esperança de que uma comissão de inquérito contribua para botar ordem na bagunça. Como se nota, mais de uma vez, os próprios belgas se mostraram espantados — e até incrédulos — com a, por assim dizer, generosidade da Petrobras.

Durante um bom tempo, como sabem, este blog foi o único veículo a manter Pasadena na pauta. No dia 17 de dezembro de 2012,  informei aqui, o site Bahia Notícias publicava o seguinte (em vermelho):
O secretário de Planejamento e ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, esclareceu por meio de nota as afirmações feitas pelo colunista da revista Veja, Reinaldo Azevedo. Por meio de nota, a assessoria do titular da Seplan informa que a pauta “é requentada”.
“Em novembro 2005, a Petrobras assinou um Memorando de Entendimento com a Astra Oil Company (Astra). Em setembro de 2006, a Companhia concluiu a aquisição através de sua subsidiária Petrobras America Inc. (PAI). Desentendimentos entre os sócios levaram a Astra a requerer o direito de vender seus 50%”.
Segundo o documento, o valor foi acrescido de juros e outras atribuições durante o processo arbitral. “A Petrobras empenhou seus melhores esforços e obteve uma redução significativa no montante pleiteado pela Astra. Em junho de 2012, um acordo extrajudicial totalizou US$ 820 milhões. Parte desse montante, US$ 750 milhões, já vinha sendo provisionado, restando o complemento de provisão de US$ 70 milhões”, diz a nota. “O acordo tornou a refinaria [de Passadena] um ativo negociável, ainda que não haja uma obrigatoriedade nem urgência em se desfazer da mesma”, finaliza o comunicado.

Encerro
Até aquela data, Gabrielli achava que bastava arrogância para matar o assunto. Vejam quanta notícia tem rendido o “assunto requentado”. Mais: segundo sustentou então, a Petrobras ainda havia conseguido uma “redução” (!!!) no valor da compra.

Um caso de política. Um caso de polícia.

29 Mar 03:35

Heikki Linnakangas: GIN as a substitute for bitmap indexes

On some other DBMS’s, bitmap indexes are often used for columns that have only a few distinct values. Boolean columns, status codes and such. Compared to normal B-tree indexes, bitmap indexes are very efficient at packing duplicates.

PostgreSQL doesn’t have bitmap indexes, but GIN is also very good at handling duplicates. The internal structure of a GIN index is actually quite similar to a bitmap index. It doesn’t pack items in a bitmap, but in the upcoming 9.4 version it uses so-called varbyte encoding, which in the best case uses only a single byte per indexed row. 2-3 bytes is typical. In earlier versions, each item was packed using 6 bytes, which is still a lot less than the per-tuple overhead of a B-tree index.

For example, let’s create a table with a column, and fill it with some test data:

postgres=# create table numbers (n int4, mod2 int4);
CREATE TABLE
postgres=# insert into numbers (n, mod2) select n, n % 2 from generate_series(1, 10000000) n;
INSERT 0 10000000

To create a GIN index as a substitute for a regular B-tree index, use the btree_gin extension that comes with PostgreSQL:

postgres=# create extension btree_gin;
CREATE EXTENSION
postgres=# create index numbers_mod2 on numbers using gin (mod2);
CREATE INDEX

For comparison, let’s also create a regular B-tree index on it:

postgres=# create index numbers_mod2_btree on numbers using btree (mod2);
CREATE INDEX

And check the sizes of the indexes:

postgres=# \\\\di+
                               List of relations
 Schema |        Name        | Type  | Owner  |  Table  |  Size  | Description
--------+--------------------+-------+--------+---------+--------+-------------
 public | numbers_mod2_btree | index | heikki | numbers | 214 MB |
 public | numbers_mod2_gin   | index | heikki | numbers | 10 MB  |
(2 rows)

GIN is 20x smaller than a B-tree index!

The above was from a 9.4devel checkout. On 9.3, the GIN index takes 58 MB instead of 10 MB. That’s still a lot smaller than a B-tree, but 9.4 will really up the ante.

29 Mar 03:35

CISPA's Author Has Another Privacy-Killing Bill To Pass Before He Retires

by Soulskill
Daniel_Stuckey writes: "You might remember House Intelligence Chair Mike Rogers, a Republican from Michigan, from his lovely, universally-hated CISPA cybersecurity bill that would have allowed nearly seamless information sharing between companies and the federal government. You might also remember him from his c'est la vie attitude towards civil liberties in general. Well, we've got some good news and some bad news: Rogers announced today that he won't seek re-election and is instead retiring from politics to start a conservative talk radio show on Cumulus. The bad news? He's got at least one terrible, civil liberties-killing bill to try to push through Congress before he goes. Like CISPA, the newly introduced 'FISA Transparency and Modernization Act,' seeks to make it easier for the federal government to get your information from companies."

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29 Mar 03:34

Microsoft Promises Not To Snoop Through Email

by Soulskill
L

Not read, but refer to law enforcement. I should encrypt.

An anonymous reader writes "Microsoft took some much-deserved flack last week for admitting they examined the emails of a Hotmail user who received some leaked Windows 8 code. The company defended their actions at the time. Now, after hearing the backlash, Microsoft General Counsel Brad Smith says they will not do so in the future. Instead, they'll refer it to law enforcement. He wrote, 'It's always uncomfortable to listen to criticism. But if one can step back a bit, it's often thought-provoking and even helpful. That was definitely the case for us over the past week. Although our terms of service, like those of others in our industry, allowed us to access lawfully the account in this case, the circumstances raised legitimate questions about the privacy interests of our customers. ...As a company we've participated actively in the public discussions about the proper balance between the privacy rights of citizens and the powers of government. We've advocated that governments should rely on formal legal processes and the rule of law for surveillance activities. While our own search was clearly within our legal rights, it seems apparent that we should apply a similar principle and rely on formal legal processes for our own investigations involving people who we suspect are stealing from us.'"

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29 Mar 03:33

Lula impõe “Berzoiniev” a Dilma; Mercadante perde o que nunca teve: influência. O homem dos aloprados e da Bancoop de volta à ribalta

by giinternet

Berzoini

Que gente pitoresca!

Eis aí uma das expressões com as quais inicio um texto às vezes. Também há o “Ai, ai…”, nesse caso, traduzindo certo cinismo desconsolado. O “gente pitoresca” serve àqueles momentos em que o assunto, no fim das contas, é sério, embora pareça piada. Ricardo Berzoini (foto) — que eu chamo de “Berzoiniev”, já lembro por quê — vai assumir a Secretaria das Relações Institucionais, pasta que estava sob os descuidados de Ideli Salvatti, que já descuidou do Ministério da Pesca e vai descuidar agora dos Direitos Humanos. Sem mandato, onde houver um lambari para fisgar, lá estará Ideli com o seu puçá. Ficaremos sem as Luzes de Maria do Rosário, o que, convenham, é um ganho em si, mesmo quando substituída por Ideli, que rima, não é a solução, mas se mostra, ao menos, mais caricata — e, por isso, mais verdadeira — quando finge que seu pensamento atinge dimensões sublimes. A ministra que sai não consegue nem mesmo apelar a nosso senso de piedade intelectual.

Quem vai cuidar das “ Relações Institucionais”? Ora, ninguém menos do que um especialista em relações… não institucionais. Eis o jeito petista de fazer as coisas. Eu o chamo faz tempo “Ricardo Berzoniev” justamente para lhe emprestar, assim, um quê de burocrata soviético. Os dias pedem o seu “physique du rôle”, não é? Quanto mais os partidos se aproximam das eleições, mais vão pedindo, como posso escrever?, certo tipo de gente, capaz de fazer determinados trabalhos para os quais Berzoniev, por exemplo, está perfeitamente talhado. Sem contar que é homem de confiança de quem manda: Lula.

Atenção! Com Berzoiniev nas Relações Institucionais, o Apedeuta dá uma encostada em Aloizio Mercadante — e poucos estão atentando para isso — e põe no lugar um executor das vontades da máquina. Mercadante é atrevido o bastante para achar que tem ideias próprias e boas — uma contradição nos termos, em seu caso —, e Lula não o suporta nem tanto porque as ideias são ruins, mas porque são próprias… Na verdade, ao nomear Berzoniev, Dilma está abrindo mão da condução da política e entregando-a a Lula. A solução lhe foi imposta.

Como esquecer?
Como esquecer que o homem escolhido para as Relações Institucionais foi aquele que assumiu a presidência do PT quando os mensaleiros caíram em desgraça em 2005? Sua tarefa, vá lá, nos limites do que era possível a um petista fazer, era ao menos executar a mímica da ética na política. Com menos de um ano à frente do partido e um dos capas-pretas da campanha de Lula à reeleição, estourou o escândalo dos aloprados.

Segundo o próprio Lula — que, obviamente, tirou o corpo fora, embora houvesse no bando o seu segurança, o seu compadre, os seus amigos pessoais… —, o responsável foi… Berzoini, que era então coordenador de sua campanha. Afirmou à época: “Você escolhe um companheiro para determinada função, no caso do pessoal que cuidava da ‘pseudo-inteligência’ da minha campanha nem fui eu que escolhi, quem escolheu foi o presidente do partido [Ricardo Berzoini], que era o coordenador da campanha eleitoral.”

Berzoniev está ainda na origem da Bancoop, a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo, que levou no bico milhares de pessoas e é investigada por lavagem de dinheiro, superfaturamento e desvio de recursos para o PT.

Aí fico cá a me perguntar: se Dilma precisa de um ministro das Relações Institucionais que, em ano eleitoral, seja especialista em relações não institucionais — além de amigão de Lula e expressão da alta burocracia da CUT —, não poderia haver nome melhor do que o de Berzoniev. Ele poderá fazer o que Ideli não conseguiu. Não porque tenham morais distintas, mas porque ele dispõe de uma artilharia que ela nunca teve. De resto, convenham: se ninguém ouve o que ela diz, como culpar o interlocutor?

 

29 Mar 03:33

Technocrat James Schlesinger Is Dead At 85

by timothy
mdsolar (1045926) writes "James Schlesinger, who served as Secretary of Defense under Presidents Nixon and Ford and as the first Secretary of Energy under President Carter, passed away on Thursday in Baltimore at the age of 85. Schlesinger is perhaps the most technocratic person to reach such high office. He had a keen awareness of the connection between energy supply and national defense and as Administrator of the Economic Regulatory Administration, brought our Standby Gasoline Rationing Plan into existence. The existence of such a plan along with our Strategic Petroleum Reserve, which Schlesinger also brought into being, have been a bulwark against further oil embargoes and essentially broke OPEC for a period of more than a decade. The NYT has an obituary that covers more of his career."

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29 Mar 03:32

Berzoiniev já diz a que veio. Ou: É tudo deles!

by giinternet

Escrevi um post sobre o estilo de Ricardo Berzoniev, o novo ministro das Relações Institucionais.. Leiam no Globo esta declaração do homem:
“Não há motivo para ficarmos na defensiva. Vamos para a ofensiva, vamos mostrar o que foi a Petrobras no governo Fernando Henrique (Cardoso) e o que é a Petrobras nos governos Lula e Dilma. Está claro que o interesse é eleitoral, não há qualquer interesse de investigação sério, e o caso (Pasadena) já está sendo investigado pelas autoridades competentes, que são menos sujeitas à contaminação política.”

Huuummm…

Para o PT, é assim: tudo vira uma guerra de versões. Como eles têm a máquina na mão, acham que a sua será a mais influente.

Vejam bem: se Berzoniev resolvesse contar, com honestidade histórica, o que foi a Petrobras sob FHC, não haveria nada de errado. Ao contrário: essa seria a sua obrigação.

Uma fala como essa não é própria de um ministro; não é compatível com um homem de Estado. Para esse tipo de guerrilha, existe o partido. E daí? Para eles, a diferença não faz… diferença! Partido, sindicato, estatal, estado, governo… É tudo a mesma coisa. É o novo patrimonialismo.

29 Mar 03:29

Prejuízo da Petrobras vai aumentar: autoridades de Pasadena cobram milhões da empresa na Justiça

by giinternet

No Jornal Nacional:
A conta bancada pela Petrobras pela refinaria americana que provocou tanto barulho pode ficar maior. Autoridades da região de Pasadena cobram mais alguns milhões de dólares da refinaria na justiça. O correspondente Hélter Duarte explica. A briga das autoridades do Condado de Harrys com a refinaria de Pasadena começou há nove anos. Segundo Scott Lemond, advogado do Condado, foi nesse período que a companhia deixou de pagar seus impostos regularmente. A refinaria de Pasadena fica em uma área isenta de tributos federais e alfandegários. Mas, como compensação, esses valores têm que ser repassados ao Condado, que engloba mais de 80 cidades da região, incluindo Pasadena e Houston, a maior cidade do Texas.

Os advogados do condado de Harrys afirmam que tentaram, mas nunca conseguiram fechar um acordo com a refinaria. Em janeiro do ano passado, eles entraram na Justiça contra a refinaria de Pasadena para receber um dívida de US$ 6 milhões. Scott Lemond explica que esse valor é a soma de tudo o que a refinaria deixou de pagar ao Condado desde 2005, quando ela foi vendida pela Crown para a empresa belga, Astra Oil. Scott diz que entre 2005 e 2006 alguns pagamentos foram feitos. “Eles pararam de pagar entre 2007 e 2008, e os valores entre 2005 e 2006 foram pagos menos que o devido”, afirma o advogado. Foi nesse período que a Petrobras comprou a primeira metade da refinaria. Uma dívida que, na avaliação do advogado, era de conhecimento dos envolvidos no negócio.

Um documento interno da Petrobras, publicado nesta sexta-feira (28) pelo jornal “O Globo”, revela que a avaliação da situação jurídica e financeira da refinaria de Pasadena foi feita em apenas 20 dias. Um prazo que a própria Petrobras, no relatório de 31 de janeiro de 2006, considera curto em relação ao que uma “due diligence” normalmente requer. A due dilligence é um passo essencial nos processos de fusões e aquisições de companhias. Funciona como uma espécie de auditoria, avaliação, de todos os números da empresa a ser comprada. No caso de Pasadena, os estudos sobre a saúde da refinaria foram feitos no escritório da Astra, entre 23 e 27 de janeiro de 2006, com a ajuda do consultores da BDO Seidman e da então diretora financeira da Astra, Kari Burke. O documento interno da Petrobras cita uma primeira fase de coleta de documentos, entre 11 e 25 de novembro, com a colaboração de diretores financeiros da Astra.

Um dia antes da assinatura do documento de avaliação, por gerentes da área financeira, tributária e jurídica, segundo a reportagem, a BDO enviou ao então presidente da Petrobras americano Renato Tadeu Bertani uma carta em que diz que devido ao tempo, a consultoria ficou limitada na capacidade de identificar assuntos que poderiam potencialmente ser encontrados. E que os serviços prestados não deveriam servir de base para divulgar erros, fraudes ou outros atos ilegais que pudessem existir.

Rock Owens é advogado da área ambiental do Condado de Harrys. Ele diz que o valor da venda da refinaria para a Petrobras chamou a atenção na época. “Era a venda de uma refinaria velha a um preço premium que não deveria ter sido pago. E sem os reparos que recomendamos desde os anos 80 que não foram feitos”, ele diz.

Em 2012, Owens fechou com a Petrobras um acordo para o pagamento de uma multa de US$ 750 mil, por causa de vários episódios de poluição do ar em anos anteriores. Desde o pagamento desse valor, segundo o advogado, não foram registrados outros casos de poluição do ar na refinaria. Nos Estados Unidos, a ex-diretora financeira da Astra, Kari Burke, que participou da avaliação da refinaria de Pasadena em 2006, não retornou nossas ligações e e-mails. A BDO avisou, por e-mail, que não vai comentar o caso em respeito à política de confidencialidade.

28 Mar 16:46

Edison Lobão diz a jornal americano que pode pedir a brasileiros que economizem luz para Copa não ficar às escuras. É mesmo? Então eu me lembrei de dois discursos da Soberana

by giinternet

Ai, ai… O ministro Edison Lobão parece ser ligeiramente mais realista quando concede entrevista ao “The Wall Street Journal” do que quando fala à imprensa brasileira. Por aqui, ele é só certeza, convicção e assertividade: não vai faltar energia elétrica e pronto! Ao jornal americano, no entanto, ele admite que o governo pode pedir aos consumidores que economizem luz para que, como direi?, não haja escuridão na Copa.

Isso quer dizer que Lobão já está com medinho. Pelo visto, suas orações não andaram surtindo efeito. Se as chuvas não vierem num volume adequado em abril e maio, assistiremos a um apelo cívico para que os homens parem de usar barbeador e para que as mulheres abandonem a chapinha — eu até vou gostar: sinto falta das moças com cabelos volumosos, esvoaçantes.

Essa gente que tudo sabia caminha para o 12º ano de governo, e o país continua a olhar para o céu, a fazer a dança da chuva. Quando penso em toda a sabedoria arrotada pela Soberana na área de energia nos últimos, atenção!, 11 anos e 3 meses e olho para a Petrobras e para o setor elétrico, sei o que é uma reputação superfaturada, que foi muito competente, já escrevi, em criar a fama de competente.

Agora eu entendo Guido Mantega! Ele fabricou quatro anos de crescimento medíocre na gestão Dilma (sim, 2014 vai ser aquela coisinha…) para nos livrar do apagão. Homem sábio. Ele erra todas as previsões, mas é intuitivo… Cacique Cobra Cobral deve tê-lo advertido do que nos reservavam os céus.

Irresponsabilidade
Em setembro de 2012, a popularidade de Dilma andava lá pela casa dos 60%. Os sinais da economia não eram bons, mas ela vivia seus delírios de poder. No dia 6, véspera do Sete de Setembro, na boca da urna das eleições municipais, entrou em rede de rádio e televisão para anunciar a… redução da tarifa de energia — que só se efetivaria no ano seguinte, em 2013, o que rendeu um novo pronunciamento, é claro. Se alguém tem paciência, o vídeo segue abaixo. Para quem não já não aguenta, destaco na sequência alguns trechos de seu discurso megalômano.

Retomo
Vejam o país do discurso de Dilma:
“Ao contrário de outros países, o Brasil criou, nos últimos anos, um modelo de desenvolvimento inédito, baseado no crescimento com estabilidade, no equilíbrio fiscal e na distribuição de renda.”

Isto é que é capacidade de planejamento. Essa fala tem apenas um ano e meio:
“Na próxima terça-feira vamos dar um importante passo nesta direção. Vou ter o prazer de anunciar a mais forte redução de que se tem notícia, neste país, nas tarifas de energia elétrica das indústrias e dos consumidores domésticos. A medida vai entrar em vigor no início de 2013. A partir daí todos os consumidores terão sua tarifa de energia elétrica reduzida, ou seja, sua conta de luz vai ficar mais barata. Os consumidores residenciais terão uma redução média de 16,2%. A redução para o setor produtivo vai chegar a 28%, porque neste setor os custos de distribuição são menores, já que opera na alta tensão.”

No dia 23 de janeiro de 2013, ela estava de volta à televisão para, mais uma vez, tratar da redução da tarifa de luz. Eis aqui, como diria Augusto Nunes, mais uma evidência da “Mulher Sem Visão”.

Leiam com atenção:
O Brasil vive uma situação segura na área de energia desde que corrigiu, em 2004, as grandes distorções que havia no setor elétrico e voltou a investir fortemente na geração e na transmissão de energia. Nosso sistema é hoje um dos mais seguros do mundo porque, entre outras coisas, temos fontes diversas de produção de energia, o que não ocorre, aliás, na maioria dos países.
Temos usinas hidrelétricas, nucleares, térmicas e eólicas, e nosso parque térmico, que utiliza gás, diesel, carvão e biomassa foi concebido com a capacidade de compensar os períodos de nível baixo de água nos reservatórios das hidrelétricas. Praticamente todos os anos as térmicas são acionadas, com menor ou maior exigência, e garantem, com tranquilidade, o suprimento. Isso é usual, normal, seguro e correto. Não há maiores riscos ou inquietações.
Surpreende que, desde o mês passado, algumas pessoas, por precipitação, desinformação ou algum outro motivo, tenham feito previsões sem fundamento, quando os níveis dos reservatórios baixaram e as térmicas foram normalmente acionadas. Como era de se esperar, essas previsões fracassaram. O Brasil não deixou de produzir um único kilowatt que precisava, e agora, com a volta das chuvas, as térmicas voltarão a ser menos exigidas.
Cometeram o mesmo erro de previsão os que diziam, primeiro, que o governo não conseguiria baixar a conta de luz. Depois, passaram a dizer que a redução iria tardar. Por último, que ela seria menor do que o índice que havíamos anunciado.
Hoje, além de garantir a redução, estamos ampliando seu alcance e antecipando sua vigência. Isso significa menos despesas para cada um de vocês e para toda a economia do país. Vamos reduzir os custos do setor produtivo, e isso significa mais investimento, mais produção e mais emprego. Todos, sem exceção, vão sair ganhando.
(…)”

Concluo
Um ano e dois meses depois, seu ministro de Minas e Energia considera a hipótese de pedir, gentilmente, que os brasileiros economizem energia para não ter apagão na Copa. Tudo depende da chuva. Do planejamento, por óbvio, é que não seria.

Da próxima, Dilma combina a bazófia com São Pedro.