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The Documents From Google's First DMV Test In Nevada
Colégio Andrews, do Rio, está de parabéns! Demitiu um pregador antissemita disfarçado de professor. É assim que se faz! Chega de escolas com partido!
O colégio Andrews é um dos mais tradicionais — no melhor sentido da palavra (existirá um ruim?) do Rio de Janeiro. Está com a família Flexa Ribeiro há 100 anos, desde a sua fundação. Nesta quarta, o inacreditável aconteceu. Um professor de geografia (!) do oitavo ano — a antiga sétima série, e isso quer dizer que estamos falando de alunos de 13 anos! — aplicou uma prova em que se podia ler esta questão:
Vemos, como vocês podem notar, o desenho de um soldado nazista humilhando um judeu. Ao lado, um soldado israelense humilha um palestino. Bastava a imagem para constatar que, para o professor, as duas situações são equivalentes — o que já é de uma notável delinquência intelectual. Observem: isso não é matéria de opinião, mas matéria de fato. Comparar os territórios palestinos a campos de concentração é coisa de vagabundos morais. Não consta, para ser raso, que os judeus tivessem mísseis à sua disposição em Auschwitz ou em Treblinka.
O “mestre”, no entanto, achou que o desenho não era suficiente e, para não deixar a menor dúvida sobre o que pretendia, escreveu em letras garrafais: “Chegaram invadindo, tomando terras, assassinando… Quem será pior? Nazistas ou judeus”. Destaque-se que o senhor professor não tomou nem mesmo cuidado de escrever “israelenses”, que é uma nacionalidade. Ele escolheu a palavra “judeus”, que é uma etnia, equiparando-os a nazistas — que é uma escolha política —, que tinham como pressuposto o extermínio de… judeus.
Trata-se de uma assertiva obviamente criminosa, do mais escancarado antissemitismo. Talvez ele próprio não se dê conta do crime porque o ataque ao Estado de Israel é apenas uma das expressões do esquerdismo mais rasteiro. Boa parte dos idiotas que repetem ladainhas contra o país nem sabe do que fala.
O professor não quer, é evidente, que o aluno expresse “uma” opinião, mas que dê a “sua” — do professor! — opinião. Vejam a questão: “Conforme é sabido, os judeus foram perseguidos por Hitler. Atualmente, um determinado povo é tido como vítima dos israelenses, tendo de viver em assentamentos controlados por Israel.
a) explique o que é sionismo e a diáspora;
b) que povo mais sofre os impactos da ação de Israel?
c) qual a importância do território no conflito entre judeus e esse povo que mais sofre os impactos acima?”
Imagino o que esse sujeito andou a dizer a estudantes de 13 anos! Pra começo de conversa, os “assentamentos” não são controlados por Israel. Isso é só mais uma mentira escandalosa. Os judeus não foram apenas “perseguidos” — empreendeu-se uma ação de extermínio de um povo. O estúpido deve ignorar que a organização que mais matou palestinos até hoje foi o Exército da… Jordânia, que é árabe, no chamado “Setembro Negro”. Yasser Arafat chegou a falar em 20 mil mortos. Dá-se de barato que foram pelo menos 10 mil.
Os parabéns
Falei há pouco com Pedro Flexa Ribeiro, diretor-geral do Andrews. Ele me informa que o professor foi demitido nesta manhã. E eu parabenizo a escola não porque tenha demitido um professor favorável aos palestinos e crítico de Israel, mas porque ele não ministrava aulas. Fazia é proselitismo mixuruca, criminoso.
Pedro Flexa Ribeiro é inequívoco: “Trata-se de um episódio lamentável! A gente não se reconhece nisso. É indefensável, insustentável! A questão, de saída, foi anulada, e estamos estudando a possibilidade de anular toda a prova”. No site da escola há um pedido formal de desculpas.
É assim que se faz! Escola não é partido político. Escola não é grupo de militância. Escola não é lugar para proselitismo ideológico. Escola não é seita.
Não sei o nome do professor e, confesso, nem procurei saber para ficar mais à vontade para escrever. Não seria difícil chegar a esse gigante. O que me interessa não é personalizar o debate e tentar provar que ele está errado. O ponto é outro.
Chegou a hora de dar um basta a essa partidarização das chamadas disciplinas da área de “humanas”. Livros didáticos, não raro, são mais boçais do que panfletos de partidos. Não duvido que, fôssemos chegar ao fundo das vinculações ideológicas desses monstros intelectuais, chegaríamos àqueles que acham que uma boa forma de manifestar o seu ponto de vista é sair quebrando tudo por aí.
Há uma enorme diferença entre formar alunos críticos, preparados para entender a complexidade do mundo, e querer transformá-los em militantes políticos. Muitos jovens leem este blog — eles comparecem às muitas dezenas aos lançamentos dos meus livros. Deixo aqui um recado, quase uma convocação: não aceitem passivamente a partidarização das aulas. Professor que se confunde com pregador é, de fato, um vigarista.
A prova, reitero, foi aplicada a alunos de 13 anos. Um deles fotografou a indignidade e, felizmente, o debate saiu dos muros do colégio. Ele é de interesse geral. Que as direções das outras escolas tenham a clareza e a coragem demonstrada pelo comando do Andrews nesse caso. E noto, para arremate dos males, que esses emissários da extrema esquerda — é o que são — disfarçados de professores de história e geografia quase nunca escolhem dar aula em escolas públicas. Buscam os melhores colégios particulares para que possam pregar luta de classes ou antissemitismo, mas com o salário de um bom burguês.
Pedro Flexa Ribeiro dignificou a sua função. O lugar desse professor é a rua. E o lugar de sua questão é a lata de lixo moral.
Marina: “PT colocou diretor para assaltar cofres da Petrobras”
Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
Alvo principal dos ataques da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT), a presidenciável do PSB, Marina Silva, deu sequência nesta quinta-feira ao fogo cruzado com a rival. Em referência ao megaescândalo de corrupção na Petrobras – detalhado à Polícia Federal por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal -, afirmou: “Os partidos perderam o vínculo com a sociedade. Não consigo imaginar que as pessoas possam confiar em um partido que coloca por doze anos um diretor para assaltar os cofres da Petrobras. É isso que estão reivindicando? Que eu faça do mesmo jeito? Espero que pessoas virtuosas possam renovar seus partidos para que voltem a se interessar pelo que de fato são as demandas das pessoas. Hoje criamos uma anomalia no Brasil que é a classe politica”. Marina participou nesta quinta de sabatina promovida pelo jornal O Globo. A declaração se deu quando ela foi questionada sobre como governar com as “melhores pessoas”, sem negociar com partidos.
A presidenciável afirmou que os ataques petistas e as insinuações de que pretende desacelerar os investimentos na exploração de petróleo da camada de pré-sal, um tema caro ao Estado do Rio de Janeiro, são uma “cortina de fumaça” para encobrir a revelação dos desmandos na Petrobras. “Vamos explorar recursos do pré-sal e utilizar o dinheiro para investir de fato em saúde e educação. É preciso entender que o que está ameaçando o pré-sal é exatamente o que está sendo feito com a Petrobras. Existe uma cortina de fumaça lançada para desviar o debate. O Brasil tem de entender que a exploração de riquezas naturais é uma safra que só dá uma vez e que precisa ser bem utilizada e não drenada pela corrupção, como a gente vê dentro da Petrobras”, afirmou.
Marina voltou a se dizer vítima de boatos espalhados pelo PT e PSDB. “É um batalhão de Golias contra David, em artilharia pesada de dois partidos que se uniram temporariamente para fazer artilharia pesada. Cada um espalhando boatos”, afirmou.
A presidenciável respondeu genericamente a diversas perguntas, especialmente ao questionamento sobre a verdadeira história da contratação e propriedade da aeronave que caiu no mês passado, matando o então cabeça de chapa Eduardo Campos. A Polícia Federal investiga possível crime eleitoral no uso do jato e apura quem era o verdadeiro dono da aeronave. Há suspeitas de que a aquisição tenha sido feita por intermédio de laranjas. “Não temos como esclarecer o que é responsabilidade dos empresários. Eduardo buscou o serviço, fez pagamento na forma legal e as investigações estão sendo feitas”, afirmou.
Ela também defendeu Campos contra a acusação, feita pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, de que ele estaria envolvido no balcão de negócios instalado na Petrobras. “Doa a quem doer. Nós queremos a verdade, porque a simples citação não é suficiente. Vi Eduardo ligando para o secretário do seu partido, pedindo para senadores assinarem a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). Sou testemunha disso. Ele queria CPI (para investigar a Petrobras)”, afirmou.
Empregos – Criação de vagas até agosto é a pior da série histórica
Na VEJA.com:
O Brasil abriu 101.425 vagas formais de trabalho em agosto, pior resultado para esse mês desde 2012, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério do Trabalho nesta quinta-feira. Em julho, haviam sido criados 11.796 postos com carteira assinada, nos dados sem ajuste sazaonal. O saldo do mês passado é resultado de 1.748.818 admissões e de 1.647.393 demissões.
No acumulado do ano até agosto, foram criadas 751.466 vagas na série com ajuste, queda de 31,6% frente ao mesmo período do ano passado, quando houve a criação de 1,09 milhão de vagas. Na série sem ajuste, a queda é de 20,5%. Trata-se do pior resultado para os oito primeiros meses do ano, pelo menos, desde 2002, que é o dado mais antigo disponível na série histórica do Ministério do Trabalho. Naquele ano, foram criadas 1 milhão de vagas no mesmo período.
Divulgação estratégica
Neste mês, a divulgação dos dados de emprego ocorreu mais cedo, no 11º dia do mês. Pelo menos nos últimos 12 meses, em nenhuma ocasião o resultado do Caged foi divulgado antes do dia 16. Em agosto, a divulgação dos dados de julho ocorreu no dia 21. Em setembro do ano passado, o resultado do mês de agosto de 2013 foi publicado no dia 20.
O ministro do Trabalho, Manoel Dias, negou que a antecipação da divulgação tenha ligação com as eleições, num intento do governo de distanciar ao máximo o anúncio do dado do dia 5 de outubro. “Divulgamos antes porque os funcionários se tornaram mais eficientes”, disse, ao lado da equipe responsável pelo processamento dos dados.
“Os números do emprego formal contrariam visões pessimistas de recessão. A economia brasileira não está em recessão. Está em recuperação. Essa campanha de que o Brasil está em recessão, quebrado, causa certa preocupação em setores da população, que querem ver como se desenvolve isso aí. Apesar disso tudo, o Brasil ainda gera 100 mil novos empregos”, declarou o ministro.
Setores
O setor de serviços liderou a criação de empregos formais nos oito primeiros meses deste ano, com 491.910 vagas, enquanto a indústria de transformação foi responsável pela contratação de 28.159 trabalhadores com carteira assinada no mesmo período. De janeiro a agosto do ano passado, a indústria abriu 216.023 vagas.
A construção civil, por sua vez, registrou a abertura 86.767 trabalhadores com carteira assinada de janeiro a agosto deste ano, contra 168.754 vagas no mesmo período de 2013. Já o setor agrícola gerou 115.692 empregos nos oito primeiros meses deste ano, contra a abertura de 134.169 vagas no mesmo período de 2013.
O único a acumular saldo negativo, ou seja, fechar vagas, é o comércio. Foram fechadas 6.405 vagas formais de janeiro a agosto deste ano, contra 61.917 vagas abertas nos oito primeiros meses de 2013.
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“Ou vencemos ou seremos oposição”, diz Aécio sobre Marina
Por Carolina Farina, na VEJA.com:
O candidato tucano à Presidência da República, Aécio Neves, rechaçou nesta quarta-feira a possibilidade de o PSDB ceder nomes para um eventual governo de Marina Silva (PSB). “Ou vencemos as eleições e seremos governo, ou perdemos as eleições e seremos oposição”, afirmou o tucano, em entrevista a jornalistas depois de participar de sabatina promovida pelo jornal O Globo, no Rio de Janeiro. Durante a sabatina, Aécio voltou a se posicionar como a opção segura de mudança para os que desejam tirar do poder a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT). E afirmou, em referência a Marina, alçada à cabeça de chapa após a morte de Eduardo Campos: “Essa não é uma eleição para homenagens”.
Ao ser questionado sobre uma eventual aliança com Marina se chegar ao segundo turno, afirmou que “sua aliança é com a sociedade brasileira”. Já sobre apoiá-la caso seja a ex-senadora a disputar com Dilma, disse que qualquer referência ao tema significa abrir mão de ir para o segundo turno – seu coordenador de campanha, senador Agripino Maia (DEM) chegou a sinalizar apoio a Marina há algumas semanas, irritando os tucanos. Aécio lamentou que a ex-senadora não tenha apoiado o tucano José Serra nas eleições passadas. “Lamentei muito que ela não tenha apoiado no segundo turno (o Serra). Talvez hoje não estivéssemos nessa situação”.
O tucano também voltou sua artilharia contra a presidente Dilma. Afirmou que está certo de que a petista será derrotada nas urnas porque o governo do PT já não tem mais qualidade “política e moral” para seguir no comando do Brasil por mais quatro anos. Disse ainda que o governo Dilma “fracassou”. Por isso, segundo ele, o país vive “o fim de um ciclo”. Aécio apontou o quadro recessivo da economia, destacando que os indicadores sociais estão piores do que há quatro anos. E voltou a dizer que seu papel é justamente o de mostrar “o caminho da mudança”, com estabilidade e segurança.
Aproveitou, então, para criticar Marina, que tirou dele o segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos. “Não mudo minhas convicções ao sabor da disputa eleitoral”, disse. Ao tratar de seu programa de governo, ainda não divulgado, o tucano alfinetou novamente a adversária do PSB. Disse que o texto deve ser entregue na próxima semana e que a demora em divulgá-lo se dá porque “quer evitar erratas”. A afirmação faz referência ao programa de Marina, que teve trechos modificados após pressão de pastores evangélicos.
Aécio também voltou a ligar Marina ao PT, afirmando que a ex-senadora militou no partido por 24 anos. “Somos em boa parte o que fizemos ao longo da vida. Nenhum de nós veio de uma nuvem para se apresentar como o condutor das boas intenções”, disse. “Eu me vejo no direito de perguntar em que Marina estaremos votando. Quando denunciávamos o mensalão e o aparelhamento do Estado pelo PT estávamos fazendo a velha política? E a boa, era aceitar as ações do PT?”. O tucano prosseguiu dizendo que os eleitores vão comparar a história dos três candidatos e afirmou: “O Brasil não é brinquedo”.
O presidenciável tratou também do megaescândalo de corrupção na Petrobras, detalhado pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa à Polícia Federal após acordo de delação premiada. “No descompromisso com a ética, o PT é imbatível”, afirmou. E prosseguiu: “Existe uma organização criminosa atuando no seio da Petrobras. Isso quem diz é a Polícia Federal. Então, não são denúncias eleitoreiras”. Ele cobrou ainda a punição dos responsáveis pelo esquema criminoso. E afirmou que, se eleito, vai “reestatizar” a estatal, devolvendo-a aos brasileiros.
O tucano voltou a dizer que tem condições de derrotar Dilma no segundo turno. “Estou oferecendo ao Brasil minha experiência de administrador público, o Brasil não é para iniciantes”, destacou. E alertou para o fato de que o país vive um quadro preocupante e que para colocar o Brasil novamente no eixo do crescimento sustentável é preciso ter experiência e um time competente para o trabalho.
The Price of Denial
The Israeli government has radically changed tack on Syria, reversing a policy and military strategy that were longed geared to opposing Syrian President Bashar Assad, debkafile’s exclusive military and intelligence sources report. This reversal has come about in the light of the growing preponderance of radical Islamists in the Syrian rebel force fighting Assad’s army in the Quneitra area since June.
Al Qaeda’s Syrian Nusra front, which calls itself the Front for the Defense of the Levant, is estimated to account by now for 40-50 percent - or roughly, 4,000-5,000 Islamists - of the rebel force deployed just across Israel’s Golan border. No more than around 2,500-3,000 belong to the moderate Syrian militias, who were trained by American and Jordanian instructors in the Hashemite Kingdom and sent back to fight in Syria.
This shift in the ratio of jihadists-to-moderates has evolved in four months. In early June, the pro-Western Syrian Revolutionary Front-SRF, mostly deployed in the southern Syrian town of Deraa on the Jordanian border, was the dominant rebel force and Nusra Front the minority.
The balance shifted due to a number of factors:
- Nusra Front jihadis fighting alongside insurgents on the various Syrian battlefronts made a practice of surreptitiously infiltrating their non-Islamist brothers-at-arms, a process which the latter’s foreign allies, the US, Israel, Saudi Arabia, Qatar and Jordan, either ignored or were unaware of.
- These tactics began to pay off in the past month, when large numbers of moderate rebels suddenly knocked on the Nusra Front’s door and asked to join.
- One reason for this was these militias’ defeat and heavy losses of men and ground under the onslaught of the combined forces of Syria, Hizballah and Iran. Nusra Front was less affected. It was also the moderate rebels’ preferred home, rather than the Islamic State in Iraq and Levant, whose atrocities, especially the beheadings of hostages and prisoners, they find repellent.
- Nusra deployment on the Syrian Golan further swelled of late as its fighters were pushed out of eastern Syria by IS in its rapid swing through the Syrian towns of Deir a-Zor and Abu Kemal to reach its ultimate goal – one which has so far not rated a mention in Western and Israeli media.
The Islamist extremists are on the way to conquering the Euphrates basin in Syria and Iraq before advancing on the place where the two great rivers of Mesopotamia, the Euphrates and Tigris, are in closest proximity – Mahmoudiya, south of Baghdad.
Nusra fighters moved out of the way of the IS push through eastern Syria and made tracks for Quneitra to join the fight to seize this strategic Golan town and crossing into Israel from Assad’s forces.
The pro-Islamist cast of the Syrian rebel force on Israel’s Golan border is reflected in the turnaround in Israel’s military position and attitude toward the insurgents on the other side of the Golan border fence. The IDF will henceforth be less supportive of the rebel struggle and more inclined to help Syrian troops in fending off rebel attacks.
This calls for a delicate balancing act in Jerusalem. While definitely not seeking an Assad victory in the long Syrian war, Israel has no desire to see Al Qaeda’s Syrian branch, Al Nusra, seizing control of the Syrian sector of the Golan, including Quneitra.
Israel therefore finds itself in a quandary much like that of US President Barack Obama, who has promised to unveil his strategy for fighting the Islamic State of Iraq and Syria Wednesday, Sept. 10. He too is strongly reluctant to throw US support behind Bashar Assad, but he may find he has no other option.
Uma ciclofaixa de Haddad, o “faixista” da bicicleta
Thaís Vieira, ouvinte do programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan — todos os dias, entre 18h e 19h —, me envia a foto abaixo, feita com um celular.
O que vocês veem ali é a ciclovia da avenida Vereador Abel Ferreira, perto do shopping Anália Franco, há muitos dias tomada pelo lixo. Pois é… Assim como a natureza, a sociedade também rejeita o vácuo, não é? Como não há bicicletas para corresponder aos delírios do prefeito, esses espaços vão sendo ocupados por coisas das mais diversas naturezas.
Haddad é mesmo um prefeito e tanto. Ele se faz presente confiscando um pedaço da cidade e entregando-o para ninguém. Mas não manda recolher o lixo.
China e futuro do cristianismo
Ele há aqueles experimentos mentais que não são propriamente inúteis, pois levam-nos a ir mais longe. Penso, por exemplo, no que teria acontecido ao cristianismo se, logo no início, em vez de passar do mundo semita para o mundo greco-romano, tivesse caminhado para a Índia e China. Teria de si hoje outra compreensão e a história do mundo seria diferente.
O que é fato é que essa inculturação do cristianismo na cultura e religião chinesas poderia ter-se dado no século XVI, por influência do gênio do jesuíta Matteo Ricci, não fora a cegueira do Vaticano, que interveio desgraçadamente, impedindo essa síntese entre o Evangelho e a cultura milenar do povo chinês. De qualquer forma, Ricci e Marco Polo são os dois estrangeiros recordados por Pequim entre os grandes vultos da China.
Desde 1951 que a China não tem relações diplomáticas com o Vaticano. Mas o Governo chinês felicitou Bergoglio a seguir à sua eleição como novo Papa e exprimiu o desejo de que, sob o pontificado de Francisco, o Vaticano "elimine os obstáculos", para uma aproximação. Recentemente, Francisco declarou aos jornalistas: "Estamos próximos da China. Enviei uma carta ao Presidente Xi Jinping quando foi eleito, três dias depois de mim. E ele respondeu-me. Há contatos. É um grande povo do qual gosto muito."
Entretanto, apesar da proibição do cristianismo e das perseguições ferozes, concretamente durante a Revolução Cultural no tempo de Mao, a situação está a mudar de modo rápido e surpreendente. Desde 1976, com a morte de Mao, as igrejas começaram a reabrir e há quem pense que a China poderá tornar-se mais rapidamente do que se pensava não só a primeira economia mundial mas também o país com maior número de cristãos. "Segundo os meus cálculos, a China está destinada a tornar-se muito rapidamente o maior país cristão no mundo", disse Fenggang Yang, professor na Universidade Perdue (Indiana, Estados Unidos) e autor de Religião na China -Sobrevivência e Renascimento sob o Regime Comunista. Isso "vai acontecer em menos de uma geração. Não há muitas pessoas preparadas para esta mudança dramática".
Cresce sobretudo a comunidade protestante. De fato, em 1949, a China tinha apenas um milhão de protestantes. Em 2010, já havia mais de 58 milhões. Segundo Yang, esse número aumentará para cerca de 160 milhões em 2025, o que faria que a China ficasse inclusivamente à frente dos Estados Unidos. Em 2030, a população cristã total da China, incluindo os católicos, superaria os 247 milhões, acima do México, Brasil e Estados Unidos. "Mao pensava que poderia acabar com a religião. E julgava ter conseguido", diz Yang. "É irônico pensar que o que fizeram foi fracassar completamente."
O Brasil entre larápios e fantasmas
A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou o viés de nota do Brasil. Isso significa que, tudo o mais constante, vem um rebaixamento da nota propriamente. Duvido que a promessa feita pela presidente Dilma Rousseff de que Guido Mantega, ministro da Fazenda, não continuará no próximo governo, caso ela vença a eleição, iria mudar alguma coisa.
O país está em plena campanha eleitoral. E tem de se debater entre larápios e fantasmas. Os larápios, como se sabe, estavam aboletados na Petrobras. Segundo Paulo Roberto Costa, a empresa era a fonte que alimentava um propinoduto que fazia a alegria de políticos da base aliada — do PMDB, do PP e do PT. Adicionalmente, diz ele, Eduardo Campos, era beneficiário do esquema. O homem morreu num acidente aéreo no dia 13 de agosto. Isso não significa, é claro, que não se possa proceder a uma investigação. É evidente que se trata de um assunto importante. Mas a gente se pergunta: até quando seremos uma República permanentemente assaltada por quadrilhas?
E há os fantasmas. Dilma Rousseff e o PT não têm mais nada a oferecer ao eleitorado a não ser a pregação terrorista. Diante da possibilidade de derrota na disputa com Marina Silva — confirmada em outra pesquisa divulgada nesta terça —, nada resta aos companheiros senão ameaçar o eleitorado: “Se Marina ganhar, as riquezas do pré-sal estariam ameaçadas”. Não é diferente do que fazem os petistas com o Bolsa Família no Nordeste.
Os programas que servem apenas à amenização da miséria — contra os quais, diga-se, não há nenhuma força política organizada — se transformaram, como é sabido, em moeda de troca e na mais formidável e institucionalizada forma de compra de votos de que se tem notícia. O PT se ocupa menos de dizer o que pretende realizar se eleito do que em desqualificar as propostas dos rivais.
E, quando acena com uma ideia de futuro, a coisa pode ser bem pior. Na entrevista concedida nesta segunda ao Estado, Dilma deixou claro que, se reeleita, pretende apostar as suas fichas na reforma política. Segundo diz, é a única maneira de impedir que esquemas criminosos, como o que estava instalado na Petrobras, prosperem. É uma falácia escandalosa. Enquanto a Petrobras for tratada como um quintal de governos de turno, nada impedirá que a safadeza se repita. E a safadeza vai se repetir enquanto a empresa for uma estatal.
Disputas eleitorais são boas oportunidades para que o país escolha que futuro pretende ter. No momento, o Brasil parece presa de um passado que insiste em não passar. Pense nisso na hora de apertar o botão.
InterVarsity Christian Ministry in Trouble for Acting Christian
To protect against discrimination, liberals increasingly seek to discriminate. News broke over the weekend that all twenty-three schools within the California State University system have taken steps to “derecognize” InterVarsity Christian Fellowship (IVCF), a para-church Christian ministry organization that’s had a longstanding presence within university life religious settings.
What is Intervarsity’s crime? Christian orthodoxy. According to IVCF,
This new CSU policy does not allow us to require that our leaders be Christian. It is essentially asking InterVarsity chapters to change the core of their identity, and to change the way they operate in order to be an officially recognized student group.
To be fair, these ministries are not banned from campus. They’re simply “derecognized,” which is a bureaucratic way of saying, “You’re Not Welcome.” At Christianity Today, a spokesman for InterVarsity noted what derecognition entails:
Loss of recognition means we lose 3 things: free access to rooms (this will cost our chapters $13k-30k/year to reserve room). We also lose access to student activities programs, including the new student fairs where we meet most students. We also lose standing when we engage faculty, students and administrators.
So, to appease The New Tolerance, steps are taken to formally ban any organizations that require its members to actually believe what the group professes to believe. These “all comer” policies allow for the ostensible reality that an atheist could run a Christian or Islamic ministry on campus. These actions obliterate the freedom of association and dispense with the idea that any group can remain faithful to its creed and still be welcomed on campus. The result is the conglomeration of sameness, safety, and indifference.
This news comes after it was learned that a Massachusetts’ school district has taken steps to end its teacher education partnership with Gordon College, an evangelical college, after Gordon College’s president, Michael Lindsay, voiced concerns over an executive order that would potentially infringe upon the hiring standards for Christian universities.
It also follows similar action taken at Bowdoin College and Vanderbilt to derecognize a Christian organization because of its beliefs, except these institutions are private and California schools are public.
Of course, the subterranean context to this scenario and those like it is that Christianity deems homosexuality immoral, a sentiment tantamount to racism in today’s academic setting.
This refrain is becoming all too common: A Christian expresses belief that homosexual actions are sinful. The offended party then files a complaint with an adjudicating authority. And since being offended is the greatest threat to young adult self-esteem in America, and in the name of non-discrimination, the logical step, of course, is to discriminate in the name of discrimination.
Spilling ink and expending energy over the overzealous acts of liberal dogma grows tiresome.
There’s no need to be outraged. Be concerned. Be indignant at the stupefying effects of liberal orthodoxy. Fight this nonsense at the local, state, and federal level. Preserve freedom. But remember, it’s all in the end very silly. Liberalism is increasingly a self-parody.
I could spend the next hour providing link after link of stories like these (and others, such as discrimination against Christian-owned business owners whose businesses cater to the wedding industry, but who object to using their services for same-sex weddings), but one comment should be added. Defending InterVarsity requires defending Hobby Lobby, cake bakers, and photographers, and other would-be offenders of today’s sexual moralism. Consistency matters. Since liberalism seeks to vaporize all dissent, this means that it seeks to quench dissent on all flanks and all fronts.
To act on a sincerely held religious and/or moral belief requires that we protect such action in whatever arena such action is pursued.
Andrew Walker is the director of policy studies for the Ethics and Religious Liberty Commission of the Southern Baptist Convention.
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John Romero On Reinventing the Shooter
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FSF News: FSF and Debian join forces to help free software users find the hardware they need
While other databases list hardware that is technically compatible with GNU/Linux, h-node lists hardware as compatible only if it does not require any proprietary software or firmware. Information about hardware that flunks this test is also included, so users know what to avoid. The database lists individual components, like WiFi and video cards, as well as complete notebook systems.
The compatibility information comes from users testing hardware on systems running only free software. Previously, h-node site guidelines required they be running one of the FSF's endorsed distributions. While the FSF does not include Debian on this list because the Debian project provides a repository of nonfree software, the FSF does acknowledge that Debian's main repository, which by default is the only place packages come from, is completely free.
"Unlike other common GNU/Linux distributions, installing official Debian by default means installing only free software. As long as Debian users do not add additional package repositories, their systems are a reliable source of fully free compatibility information. We're looking forward to working with Debian to help free software users get the hardware they need, and encourage the companies who provide it," said FSF's executive director John Sullivan.
"By collaborating with h-node, Debian for the first time has the opportunity to join efforts with other free software communities on the assembly of a database of hardware that doesn't require anything outside the Debian main archive to work properly," said Lucas Nussbaum, Debian Project Leader. "Debian is confident that the fruits of this collaboration will result in the largest curated database of Debian-compatible hardware, and invites all Debian community members to contribute hardware compatibility information to h-node."
H-node was started by Antonio Gallo, who continues to be the project's lead developer. The FSF now provides infrastructure and support. The software powering the site is also distributed as free software under version 3 of the GNU General Public License.
Users can contribute either by running one of the FSF's endorsed distributions, or Debian with only packages from the default main archive installed. Developers and translators can contribute by working on the site's code. Information for getting involved is at http://h-node.org/help/page/en/Help.
About the Free Software Foundation
The Free Software Foundation, founded in 1985, is dedicated to promoting computer users' right to use, study, copy, modify, and redistribute computer programs. The FSF promotes the development and use of free (as in freedom) software -- particularly the GNU operating system and its GNU/Linux variants -- and free documentation for free software. The FSF also helps to spread awareness of the ethical and political issues of freedom in the use of software, and its Web sites, located at fsf.org and gnu.org, are an important source of information about GNU/Linux. Donations to support the FSF's work can be made at https://donate.fsf.org. Its headquarters are in Boston, MA, USA. More information about the FSF, as well as important information for journalists and publishers, is at https://www.fsf.org/press.
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Free Software Foundation
+1 (617) 542 5942
campaigns@fsf.org
Lucas Nussbaum
Debian Project Leader
press@debian.org
Petrolão era para manter o PT no poder, diz Aécio
Por Carolina Farina, na VEJA.com:
Em agenda de campanha no Pará, o tucano Aécio Neves voltou a responsabilizar o PT, partido da presidente-candidata Dilma Rousseff, pela montagem de um balcão de distribuição de propina a deputados, senadores, governadores e até um ministro de Estado com recursos da Petrobras. “O governo Dilma acabou antes da hora. A presidente já demitiu seu ministro da fazenda e agora vê a maior empresa estatal do país envolvida em um megaesquema de corrupção”, disse Aécio.
“Não acredito que a presidente tenha recebido recursos desses esquemas, mas, do ponto de vista político, foi beneficiária, sim. Ela tinha obrigação de saber o que se passava no seu entorno. A principal empresa pública brasileira foi submetida aos interesses de grupos para quê? Para manter o PT no poder. O PT enlameou nossa principal empresa. Não adianta dizer que não sabia, tem que investigar e punir exemplarmente os responsáveis”, disse.
Reportagem de VEJA revelou que, em um acordo de delação premiada, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, afirmou que políticos da base aliada à presidente Dilma receberam dinheiro de um esquema bilionário de corrupção na Petrobras. O rol de citados pelo delator inclui três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais que embolsaram ou tiraram proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da estatal. O esquema funcionou nos dois mandatos do ex-presidente Lula e na atual gestão de Dilma Rousseff.
Em sua chegada à capital paraense, Aécio foi recebido por cerca de cem militantes do partido e recebeu de presente de correligionários uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do Pará. Essa é a primeira vez que o tucano visita o Estado como candidato. Em agenda conjunta com o governador Simão Jatene (PSDB), que concorre à reeleição, Aécio foi recebido no aeroporto por membros da associação de mototaxistas de Belém e representantes da Força Sindical.
Ele também alfinetou a candidata do PSB, Marina Silva: “Quero saber com quem ela vai governar”. Lembrando o passado petista de Marina, o tucano atacou a adversária: “A Marina, mais uma vez, adota um discurso de vitimização”.
Ação contra economista que criticou o BC é incompatível com democracia, dizem economistas em manifesto
Na VEJA.com:
Na noite desta segunda-feira, mais de 40 economistas já haviam assinado uma petição online em favor de Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, que foi alvo de uma queixa-crime movida pela autoridade monetária. Reportagem de VEJA revelou como a instituição se movimentou para levar à Justiça o economista depois que ele desferiu críticas contra a condução da política monetária em entrevistas à imprensa. “A intolerância com a divergência e com a crítica ácida e o recurso da máquina pública para suprimir o contraditório (…) configuram uma prática incompatível com os valores que uma democracia deve ter e cultivar”, relata o manifesto.
A lista de economistas conta com os nomes mais graduados da academia e do mercado: Claudio Haddad, Marcos Lisboa, Affonso Pastore, Elena Landau, Luiz Fernando Figueiredo, Gustavo Franco, José Roberto Mendonça de Barros e José Roberto Afonso. Também assinaram seis representantes de equipes econômicas de presidenciáveis: André Lara Resende, Eduardo Giannetti da Fonseca e Alexandre Rands, que estão com Marina Silva (PSB); e Armínio Fraga, Mansueto de Almeida e Samuel Pessôa, do grupo de Aécio Neves (PSDB).
Difamação ou opinião?
A reportagem de VEJA teve acesso ao conteúdo da queixa-crime, que aponta as entrevistas consideradas pelo BC como “difamatórias”. Em uma delas, publicada pelo Brasil Econômico de 27 de janeiro, o economista disse que “o BC é subserviente e submete-se às determinações do Planalto” e “é só olhar para a gestão do BC para saber que é temerária”. Em outra entrevista, ao Correio Braziliense, Schwartsman declarou que “o BC faz um trabalho porco e, com isso, a incerteza aumentou”.
Segundo o procurador-geral do BC, Isaac Sidney Ferreira, os comentários eram ofensivos à imagem da instituição. Contudo, a juíza federal Adriana Delboni Taricco rejeitou a queixa-crime. Na sua avaliação, as críticas, “de fato, se mostraram bastante contundentes, porém faz-se necessário salientar que não ultrapassaram os limites do mero exercício de sua liberdade de expressão”. O BC não desconsidera recorrer da decisão.
Depois de deixar a diretoria Internacional do BC, em 2006, Alexandre Schwartsman assumiu como economista-chefe do banco Real, que foi adquirido pelo Santander. Mas deixou o banco em 2011, semanas depois de discutir com o então presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. Durante um evento da Firjan, o economista criticou publicamente o governo por usar a estatal como ferramenta política e de “contabilidade criativa” para ajudar o Tesouro a cumprir o superávit primário. Sabe-se, hoje, que não só Schwartsman estava coberto de razão como a estatal pode ter sido usada para fins ainda menos éticos. Reportagem de capa da VEJA desta semana revela informações sigilosas contidas no depoimento do ex-diretor Paulo Roberto Costa à Polícia Federal sobre o esquema de pagamento de propina a partidos políticos da base governista, por meio de contratos com a Petrobras.
É moda
O cerco a analistas que criticam o governo apertou nos últimos meses, quando houve o incidente com o banco Santander e a consultoria Empiricus. No fim de julho, quatro funcionários do banco espanhol foram demitidos depois que uma análise prevendo período de crise para o Brasil na hipótese de reeleição de Dilma foi enviada a parte dos clientes. Em seguida, o PT protocolou uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a consultoria Empiricus, que anunciava no Google uma série de relatórios prevendo solavancos econômicos se Dilma vencer a corrida eleitoral. À época, a candidata era líder isolada nas pesquisas, com possibilidade de vencer no primeiro turno.
BBC: ISPs Should Assume VPN Users Are Pirates
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O BC contra a liberdade de expressão. Ou: Depois de banco perder a independência, perde também o senso do ridículo
Há coisas contra as quais a gente sente vergonha até de escrever. É como se elas nos contaminassem com a sua estupidez, com a sua burrice, com a sua jequice. Mas não podemos abrir mão de fazê-lo, sob pena de os idiotas avançarem um pouco mais. Assim é com o caso da queixa-crime movida pelo Banco Central contra o economista Alexandre Schwartsman.
Qual é, afinal, seu crime? Ele discorda das decisões do BC, da forma como é conduzida a política monetária e das escolhas feitas pela equipe econômica do governo Dilma. “Ora, Reinaldo — poderiam dizer os leitores —, todo mundo sabe que isso é proibido na Coreia do Norte, em Cuba e na China!” É verdade! Ocorre que a Constituição da República Federativa do Brasil assegura a liberdade de expressão em dois artigos: no 5º e no 220. Só veda o anonimato. E, como é sabido, se há coisa que Schwartsman jamais evita é assinar embaixo das ideias que defende.
Em uma das entrevistas que concedeu, o economista, que já foi diretor da instituição, afirmou que “o BC é subserviente e submete-se às decisões do Planalto”; em outra, que “faz um trabalho porco e, com isso, a incerteza aumentou”. Não é que o procurador-geral do banco, Isaac Sidney Ferreira, se zangou? Decidiu entrar com uma queixa-crime, já rejeitada pela Justiça, porque, segundo diz, houve “difamação”. É, para usar uma palavra a que recorro com frequência, estupefaciente!
Ferreira não se conformou com a decisão da Justiça, que recusou a queixa, e promete recorrer. Nesta segunda, alguns dos mais importantes economistas do país assinaram um manifesto contra a tentativa de intimidação. Pois é… Fico cá a imaginar o Fed, nos EUA, tentando processar um analista porque discordou de sua decisão. Imaginem se George W. Bush fosse incomodar a Justiça a cada vez que Paul Krugman o chamou não de incompetente, mas de idiota mesmo. É claro que Ferreira jamais se veria como procurador-geral do Fed, mas certamente se sentiria à vontade como burocrata do BC de Cuba ou da Coreia do Norte.
A ação é de tal sorte ridícula que não vai dar em nada. Mas dá conta da cabeça dessa gente, do estado geral do governo Dilma e do que lhe vai no fundo da consciência. O partido do poder, como vocês devem se lembrar, já fez uma lista negra de nove jornalistas, críticos e comunicadores — da qual, com muita honra, faço parte — e já recorreu à Justiça eleitoral para cassar da Internet textos de uma consultoria sobre eventuais malefícios no caso da reeleição de Dilma. Lula pediu pessoalmente, e obteve, a cabeça de quatro funcionários do Santander que enviaram a um grupo de clientes uma análise prevendo solavancos caso a governanta ganhe mais quatro anos.
No arremate, devemos nos lembrar de que o PT ainda não abriu mão de controlar os meios de comunicação. A pregação está em todos os documentos oficiais do partido. Caso eles cheguem lá, o tal Isaac Sidney Ferreira pode se candidatar ao cargo de censor. Deve ser duro não ter sido contemplado pelo destino com o senso de ridículo!
PF abre inquérito para apurar vazamento. É mesmo? Ou: Um peso e duas medidas
A Polícia Federal decidiu abrir um inquérito para apurar as circunstâncias do vazamento do conteúdo do depoimento que Paulo Roberto Costa concedeu à própria PF e ao Ministério Público, dentro de um acordo de delação premiada que pode vir a beneficiá-lo se as informações que forneceu forem úteis à investigação.
Reportagem de capa da revista VEJA desta semana informa que o engenheiro da Petrobras, que está preso, já gravou 42 horas de depoimento e, até agora, implicou no esquema criminoso que vigorava na empresa dois ex-governadores — Eduardo Campos (PSB-PE) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) —, a governadora Roseana Sarney (PMDB-MA); um ministro de Estado, Edison Lobão, das Minas e Energia; seis senadores, 25 deputados e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.
Nada contra! Que se apure! Uma das tarefas da imprensa é fazer o que fez a VEJA: publicar o que apurou e o que sabe. Se a PF acha que pode chegar à origem do vazamento, que vá adiante. Mas é claro que, em nome da precisão, obrigo-me a fazer aqui uma observação: quanta agilidade para tentar apurar esse vazamento, né?
Durante meses, fragmentos de informações que estavam no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) foram cotidianamente publicados na imprensa sobre o tal cartel de trens em São Paulo. O órgão, como todo mundo sabe, é comandado por um militante petista e está sob o guarda-chuva do Ministério da Justiça. O governo de São Paulo não tinha acesso à apuração decorrente do acordo de leniência, mas nomes iam sendo vazados para a imprensa a conta-gotas.
Como o principal atingido era o PSDB, ninguém no governo federal se mobilizou para apurar a origem dos vazamentos. Ao contrário! Se a minha memória não falha — e não falha —, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, veio a público para sugerir que as críticas ao vazamento eram só uma espécie de cortina de fumaça para cobrir as denúncias. Na sabatina promovida pelo Estadão, nesta segunda, a presidente Dilma disse ser “inadmissível” a imprensa ter informações sobre o depoimento de Paulo Roberto se o próprio governo federal não tem ideia do que está sendo acusado.
Pois é… É uma pena que a presidente diga coisas assim apenas quando o seu governo está na berlinda, mas se cale quando um órgão federal se transforma numa fonte de produção de notícias e factoides contra um partido de oposição. E isso aconteceu. De resto, como é sabido, a operação Lava Jato não nasceu de uma manobra de um órgão ligado a um partido de oposição só para prejudicar o PT.
O Palácio do Planalto, o PT, o PSB e a CPI Mista da Petrobras cobram que o Ministério Público forneça as informações de que dispõe até aqui. Receio que não seja possível porque a investigação ainda está em curso. De resto, as duas CPIs da Petrobras que estão instaladas nada investigam não porque não possam, mas porque não querem.
“Tem de privatizar a Petrobras e até escolinha de jardim da infância”
O petrolão e as falácias de Dilma Rousseff. Ou: Uma presidente que promete que tomou todas as providências contra a invasão dos marcianos. Ou ainda: Dilma admite sangria na Petrobras. E ela fez o quê?
O conteúdo da fala da presidente Dilma Rousseff na entrevista — chamada “sabatina” sei lá por quê — concedida ao Estadão nesta segunda não faz sentido. Entre muitas outras razões porque afronta a lógica. Eu sei que a presidente não chega a ser, assim, um Cícero da retórica, mas o fato é que as palavras fazem sentido mesmo para ela. Leiam o que disse sobre a roubalheira na Petrobras: “Se houve alguma coisa, e tudo indica que houve, eu posso te garantir que todas, vamos dizer assim, as sangrias que eventualmente pudessem existir estão estancadas”.
Como é que a presidente pode dar por resolvido um problema cuja existência ela assegurou ignorar e, ainda hoje, diz não ter a certeza se existiu? Vou empregar a mesmíssima estrutura a que ela recorreu para demonstrar o absurdo da fala: “Leitores, se houve alguns marcianos tentando ocupar a Terra, e tudo indica que houve, eu posso lhes assegurar que todas, vamos dizer assim, as ameaças que eventualmente pudessem existir estão eliminadas”. Pergunto: vocês confiariam em mim?
E, assim, vocês podem ir mudando o conteúdo da fala a seu bel-prazer. Sempre fará sentido e nunca fará sentido. Sabe o que isso quer dizer? Nada! Mas podemos avançar um pouco mais. Até agora, quem começou a investigar só um pouquinho da caixa-preta da Petrobras foi a Polícia Federal. Dilma disse ter estancado a sangria. Cadê os demitidos? Onde estão os punidos? Uma sangria, para ser estancada, tem de ter existido. Cadê o resultado da apuração? A Petrobras é uma empresa mista, com ações na Bolsa. O que ela está escondendo dos acionistas? Não por acaso, ontem, as ações ON da estatal caíram 4,79%, e as PN, 4,91%. Chega a ser espantoso que uma presidente da República faça raciocínio tão especioso.
Segundo Paulo Roberto Costa, a compra da refinaria de Pasadena rendeu ganhos à máfia e fez parte do esquema que acabou privilegiando os partidos políticos. Muito bem! Dilma afirmou que o conselho tomou decisões sobre a refinaria ancorado em informações falhas, deficientes, imprecisas. Certo. Revelado o desastre, já na Presidência da República, ela fez o quê? Nomeou Nestor Cerveró, considerado o principal responsável pela aquisição da empresa americana, para a direção financeira da BR Distribuidora.
Não, senhores! Ninguém está querendo “culpar’ Dilma Rousseff só porque ela é presidente da República. Ou porque, antes, ocupava a presidência do Conselho da empresa. Ou porque, desde 2003, era tida como a grande chefe do setor energético. Não se trata de um processo de responsabilização objetiva. Estamos a falar de outra coisa: chama-se responsabilidade política, presidente! A sua inação ao longo desse tempo dá testemunho, quando menos, da inapetência para o cargo que ocupa.
De resto, não dá para ignorar a pesada máquina oficial mobilizada para impedir qualquer forma de investigação — máquina esta que não poupou o Congresso ou o TCU. Diante das evidências escancaradas de malfeitos na empresa, a presidente preferiu ficar lançando suspeitas sobre fatos passados — e voltou a fazê-lo na entrevista ao Estadão. Falou de novo sobre o afundamento da plataforma P-36, da Petrobras: “Você acha que é tranquilo uma plataforma que custa US$ 1,5 bi afundar? E ninguém investigar? A plataforma de US$ 1,5 bi, quero lembrar, é duas vezes Pasadena.”
Bem, se a conta fosse essa, lembro que só o custo adicional da refinaria de Abreu e Lima — foi orçada em US$ 2,5 bilhões e já está em US$ 18 bilhões — corresponde a dez plataformas. Mas a questão, obviamente, não é essa. Dilma vive sugerindo que um grande crime aconteceu em março de 2001. É mesmo? Então o PT está no poder há 12 anos; Dilma foi ministra das Minas e Energia, gerentona da infraestrutura e presidente do conselho da Petrobras e não fez nada? Das duas uma: a) ou crime houve, e ela prevaricou; b) ou crime não houve, e ela fala só com o ânimo de atacar gratuitamente o governo FHC. Adivinhem qual é a resposta.
A presidente, não a candidata, está agora obrigada a vir a público para esclarecer onde estavam “as sangrias” (sic) da Petrobras, quais foram as medidas que ela tomou e que tipo de punição aplicou aos responsáveis. Ou ela nos explica, ou seremos obrigados a concluir que falou o que lhe deu na telha, sem nenhum compromisso com os fatos. E isso é muito ruim para quem comanda o país.
Suíça confirma investigação de contas de pessoas ligadas à Petrobras
Na VEJA.com:
O procurador-geral da Suíça, Michel Lauber, confirmou nesta segunda-feira, em Genebra, que a Justiça do país europeu continua investigando contas bancárias de pessoas ligadas à Petrobras. “A investigação está em andamento”, declarou Lauber, sem informar nomes nem dar detalhes da apuração.
Em maio, a Justiça suíça entregou ao Brasil informações apontando que um colaborador do doleiro Alberto Youssef, pivô da Operação Lava-Jato, mantinha no país uma conta de 5 milhões de dólares – o dinheiro foi bloqueado. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o próximo alvo da Lava-Jato são empreiteiras que detêm contratos com a petroleira.
As investigações rastrearam repasses ao exterior realizados por uma subcontratada das obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Outros depósitos partiram de empreiteiras com sede em Salvador (BA). Já foi decretado o embargo de outros 23 milhões de dólares em 12 contas ligadas ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. A Suíça abriu processo penal contra ele por lavagem de dinheiro. Em coletiva de imprensa, o presidente da Suíça, Didier Burkhalter, afirmou que as investigações sobre o caso vão continuar, independentemente das considerações políticas e eleitorais no Brasil que o caso possa ter: “Na Suíça há uma lei e se cumpre”.
“Há uma colaboração judicial que está ocorrendo, e na Suíça existe uma separação de Poderes”, disse Burkhalter. “A lei é aplicada sem levar em conta o contexto e não vamos mudar nossa política.”
Petrolão
Preso em março pela Polícia Federal, Paulo Roberto Costa aceitou recentemente os termos de um acordo de delação premiada – e começou a falar, conforme revelou a edição desta semana de VEJA. No prédio da PF em Curitiba, ele vem sendo interrogado por delegados e procuradores – os detalhes dos depoimentos podem jogar o governo no centro de um escândalo de corrupção de proporções semelhantes às do mensalão. Os depoimentos são registrados em vídeo — na metade da semana passada, já havia pelo menos 42 horas de gravação. Paulo Roberto acusa uma verdadeira constelação de participar do esquema de corrupção.
Entre eles estão os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA). Do Senado, Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, e Romero Jucá (PMDB-RR), o eterno líder de qualquer governo. Já no grupo de deputados figuram o petista Cândido Vaccarezza (SP) e João Pizzolatti (SC), um dos mais ativos integrantes da bancada do PP na casa. O ex-ministro das Cidades e ex-deputado Mario Negromonte, também do PP, é outro citado por Paulo Roberto como destinatário da propina. Da lista de três “governadores” citados pelo ex-diretor, todos os políticos são de estados onde a Petrobras tem grandes projetos em curso: Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio, Roseana Sarney (PMDB), atual governadora do Maranhão, e Eduardo Campos (PSB), ex-governador de Pernambuco e ex-candidato à Presidência da República morto no mês passado em um acidente aéreo.
Paulo Roberto também esmiúça a lógica que predominava na assinatura dos contratos bilionários da Petrobras – admitindo, pela primeira vez, que as empreiteiras contratadas pela companhia tinham, obrigatoriamente, que contribuir para um caixa paralelo cujo destino final eram partidos e políticos de diferentes partidos da base aliada do governo.
Sobre o PT, ele afirmou que o operador encarregado de fazer a ponte com o esquema era o tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, cujo nome já havia aparecido nas investigações como personagem de negócios suspeitos do doleiro Alberto Youssef.
Dilma confirma Guido Mantega como ex-ministro no cargo
Em entrevista ao Estado, a presidente Dilma Rousseff confirmou a condição de Guido Mantega de ex-ministro da Fazenda em exercício. Afirmou que, se ela for eleita, ele não continua no cargo. Segundo a presidente, foi o ministro que pediu para sair por razões pessoais, que ela pediu que sejam respeitadas. Razões pessoais? Parece piada! Dilma transformou Mantega no seu fusível. A chefe queimou o subordinado para ver se continua funcional. Reitero um ponto de vista já expresso aqui: a verdadeira titular da Fazenda é Dilma. Mantega ou não, se Dilma continua, que diferença faz?
A presidente também classificou, ora vejam!, de estarrecedoras as denúncias de Paulo Roberto Costa. Não me digam! Isso sugere, claro!, que a presidente não sabia de nada. E José Sérgio Gabrielli, o petista de quatro costados que presidia a estatal, sabia? Quando Dilma foi informada, então, das lambanças na compra de Pasadena, fez o quê? Deu um cargo para Nestor Cerveró.
Não cola!
Qatar's Peace Makers
Here in Israel, the government now believes it knows why the latest 'peace talks' were so biased against Israel. His name is Martin Indyk and he's the director of Brookings and, as noted above, on the payroll (indirectly) of Qatar and Norway (and other countries).
“Qatar has been a major bankroller for Hamas and other terrorist organizations,” one government official said. “The fact that the same Qatari government is also a major provider of funds for a respectable Washington think tank raises a whole series of questions about that think tank’s relationships and impartiality.”
Among the questions this has raised in Jerusalem is the degree to which the institute can impartially draw up papers relating to Qatar, such as its role in the Middle East and the financing of terror organizations.
Qatar is Hamas’s main financial backer.
...
Indyk, who took leave from Brookings to serve as the US special Middle East envoy during the nine months of unsuccessful Israeli-Palestinian negotiations that ended in April, returned to the think tank after the negotiations failed and is currently its vice president and director of the Foreign Policy Program.
...
In a recent interview with Foreign Policy magazine about the Gaza conflict, Indyk said US President Barack Obama became “enraged” with Israeli criticism of US Secretary of State John Kerry.
Indyk said Gaza has had a “very negative” impact on the US-Israel relationship.
“There’s a lot of strain in the relationship now. The personal relationship between the president and the prime minister has been fraught for some time and it’s become more complicated by recent events.”
The Qatar connection might also explain why US Secretary of State John FN Kerry was so anxious to do Qatar's (and Turkey's) bidding during Operation Protective Edge.
Arutz Sheva adds:
Indyk, who served as US negotiator in the failed peace talks, has had his impartiality put into question before due to his position on the executive board of the radical-left New Israel Fund, which funds numerous anti-Israel NGOs. In May, Indyk was accused of engaging in a "nasty" anti-Israel tirade at a bar following an address to the Washington Institute for Near East Policy.Qatar has not only funded Hamas, but according to reports pushed the group to reject a ceasefire in the recent Operation Protective Edge and return to its terror war on Israeli citizens, threatening to expel Hamas politburo chief Khaled Mashaal if it didn't do so.The position of Qatar led Israel's Ambassador to the UN Ron Prosor in August to label the oil-state "a Club Med for terrorists," adding that the "hundreds of millions of dollars" Qatar gave Hamas meant "every one of Hamas's tunnels and rockets might as well have had a sign that said 'Made possible through a kind donation of the emir of Qatar.'"
A few more take-aways from this story:
1. Maybe you all now understand why Israel has tried to control or stop foreign government funding of NGO's.
2. The Obama administration touted itself as the 'most transparent administration evah.' Is this what they had in mind?
3. With all the bellyaching by the likes of Stephen Walt and John Mearsheimer about a supposed 'Israel lobby,' Israel does not appear on the list of countries that have donated money to US think tanks. But nine Arab countries do appear on the list. I'm sure you're all shocked.
PSB tenta descolar Marina de citação de Eduardo Campos em depoimento sobre corrupção
Por Mariana Zylberkan, na VEJA.com:
Deflagrado o escândalo bilionário de corrupção na Petrobras, o PSB tem adotado a tática de descolar a candidata do partido à Presidência da República, Marina Silva, e, consequentemente, sua campanha meteórica, das acusações de que Eduardo Campos estaria envolvido no esquema. Conforme revelado por reportagem de VEJA, o nome do ex-governador de Pernambuco, cabeça de chapa do partido na corrida presidencial até sua morte repentina no último dia 13, foi citado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da estatal, em depoimento integrante do acordo de delação premiada. O ex-diretor apontou uma série de políticos da base aliada do governo que receberia propina originária da estatal.
É o candidato a vice, Beto Albuquerque, quem tem rebatido as acusações. Marina passou para ele a palavra quando perguntada sobre a possibilidade de o episódio interferir em sua campanha, durante coletiva de imprensa realizada neste domingo no comitê do PSB em São Paulo. “Eu e Eduardo tivemos atitudes partidárias tomadas antes de ele morrer, então eu me sinto legitimado politicamente a correr atrás dessa verdade”, disse Albuquerque, após revelar que o partido já pediu acesso ao processo, mantido em sigilo.
Ele deu a entender também que a delação tem motivações eleitoreiras. “Esse rapaz que está preso e fez a delação premiada, premeditada ou encomendada havia convidado o Eduardo para ser sua testemunha de defesa, então tudo nos parece muito estranho.”
Marina, por sua vez, tem citado bastante a Petrobras em seus discursos, mas sempre para se defender das acusações de que ela é contra o pré-sal, segundo a campanha de Dilma Rousseff (PT). “Sou caluniada e acusada de ser contra esse patrimônio do Brasil. Enquanto essa mentira é alardeada, a Petrobras é destruída pelo uso político, a apadrinhamento e a corrupção”, disse Marina no trecho do discurso comemorativo da Independência do Brasil redigido pelo partido e lido por ela na coletiva de imprensa.
Em relação à citação de Campos no depoimento de Costa, Marina citou o trecho da Bíblia “conheça a verdade e ela o libertará”. “A verdade jamais atrapalhará a campanha de quem está imbuído de debater o Brasil, de melhorar o funcionamento de nossas instituições”, disse a candidata, que completou: “de ter uma Petrobras que tem em sua direção quadros técnicos e não pessoas como as que temos hoje que estão inviabilizando uma empresa respeitada dentro e fora do país”. Ainda sobre o pré-sal, Marina fez questão de reafirmar que, se eleita, irá garantir a exploração do recurso e reverter os royalties em recursos para viabilizar projetos nas áreas de educação e saúde.
Neste domingo, a candidata foi ao Parque da Independência, em São Paulo, para um “passeio” com o objetivo, segundo ela, de se aproximar da população. A imprensa e a militância ficaram de fora. A candidata do PSB também rebateu as críticas do ex-presidente Lula, que teria sugerido que ela não leu o próprio programa de governo. “Eu até esperava um pouco mais de criatividade do presidente Lula ao debate político. Ele está recorrendo a um acervo de desqualificações e preconceitos que antes eram feitos contra ele.”
Petrolão: Dilma promete medidas “duras”. Mas não agora…
Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
A presidente Dilma Rousseff prometeu neste domingo tomar medidas “duras” e agir “imediatamente” em relação ao megaesquema de corrupção instalado na Petrobras – mas só quando receber as informações oficiais sobre o envolvimento de membros do governo com os desvios. Nesta semana, VEJA traz detalhes do que disse sobre o esquema à Polícia Federalo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, em acordo de delação premiada. Dilma falou sobre o caso após ser questionada sobre jornalistas sobre a possibilidade de demissão do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, citado por Costa como um dos beneficiários do esquema.
“Quando tiver os dados eu tomarei todas as providências cabíveis. Tomarei todas as medidas, inclusive se tiver de tomar medidas mais fortes”, disse, quando indagada sobre o tema em uma entrevista concedida no Palácio da Alvorada. Depois, repetiu a promessa com outras palavras. “Quando algum dos órgãos que investigam me der uma informação oficial, eu tomarei a providência cabível, vocês podem ter certeza, imediatamente”.
A presidente afirmou que não pode agir com base apenas na reportagem de VEJA, que mostra os nomes entregues por Costa à Polícia Federal. “Eu gostaria muito de ter acesso a essas informações de forma oficial. Que entregassem para mim os dados. De todos os dados eu não preciso, eu preciso dos dados que digam respeito ou que tenham alguma interferência com o meu governo”, afirmou Dilma. Costa afirmou que políticos da base aliada à presidente Dilma e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que disputava a Presidência da República ao lado de Marina Silva, receberam dinheiro do esquema. O rol de citados pelo delator inclui três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais embolsaram ou tiraram proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da estatal. De acordo com depoimento de Paulo Roberto Costa, o esquema funcionou nos dois mandatos do ex-presidente Lula, mas também adentrou a atual gestão da presidente Dilma.
Dilma também tentou consertar a resposta que havia dado na última semana sobre a possibilidade de demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em um eventual segundo mandato. “Governo novo, equipe nova”, disse ela na ocasião. Agora, Dilma evita se comprometer: “Um governo novo fará uma equipe nova. As pessoas que vão compor essa equipe podem vir do governo anterior, mas é uma nova equipe”, disse ela. Enquanto Dilma falava, Mantega estava no próprio Alvorada, à espera de um encontro com a presidente.
Marina
Dilma também disse que as críticas cada vez mais intensas de sua campanha a Marina Silva não são “agressões”, mas parte do “debate”. “Nós não queremos agredir, nós queremos fazer um debate qualificado. Lamento que debate qualificado seja visto como agressão”, disse ela. Marina tem se queixado publicamente dos ataques.
A petista encerrou a coletiva com outra provocação à adversária. “O que acontece com o meu governo e comigo é que nós não mudamos de posição todos os santos dias. Então, quando a gente afirma uma coisa agora, a gente repete a coisa às 18 horas no dia seguinte. E, como é próprio de todo presidente ser muito pressionado, inclusive por vocês (imprensa), eu também aguento pressão bem”
Dilma – a candidata – se reuniu neste domingo com integrantes de movimentos da juventude – inclusive dos Sem Terra, do grupo Fora do Eixo e do Levante Popular da Juventude. Segundo ela, a reforma política foi tema do encontro. A petista voltou a defender um plebiscito sobre o assunto.
“O governo do PT patrocinou um assalto à Petrobras”, diz Aécio
Por Bruna Fasano, na VEJA.com:
A menos de 30 dias do primeiro turno, as campanhas da petista Dilma Rousseff e da ex-senadora Marina Silva (PSB) tentam estancar a todo custo a sangria provocada pelos depoimentos do ex-dirigente da Petrobras e controlar uma possível fuga de votos das candidatas. Terceiro colocado nas pesquisas de intenção de votos na corrida presidencial, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) avalia que as revelações do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, sobre a montagem de um balcão de distribuição de propina a deputados, senadores, governadores e até um ministro de Estado aliados ao Palácio do Planalto podem mudar o resultado das eleições de outubro. “O governo do PT patrocinou um assalto à Petrobras. No momento em que esse governo assaltava o país, eu fazia oposição”, disse Aécio em entrevista exclusiva ao site de VEJA.
Os nomes de autoridades citados por Paulo Roberto Costa como participantes do esquema de propina são essencialmente da base de sustentação do governo da presidente Dilma Rousseff. O senhor acha que houve conivência por parte dela?
Não dá mais para vir com essa história de que não sabia de nada. Nós estamos falando de algo talvez ainda mais grave do que o mensalão 1, que é o mensalão 2, que coexiste há mais de nove anos no poder. Continua a haver um processo, desde o início, que não foi interrompido: utilização de dinheiro público, empresas públicas, superfaturamento de obras para beneficiar um grupo político que quer se manter a qualquer custo no poder. O PT perdeu, a meu ver, a autoridade sequer para apresentar um projeto de continuidade desse modelo que está aí. É vergonhoso o que aconteceu. As investigações tem que ir a fundo. Espero que o Brasil conheça o que aconteceu e as punições possam vir. A presidente da República tem, sim, que dizer o que aconteceu na empresa que ela comandou com mão de ferro. Ela foi do conselho da Petrobras durante doze anos.
Com as denúncias de Paulo Roberto Costa, cai a tese da presidente Dilma Rousseff de acusar setores oposicionistas de tentar desmoralizar a Petrobras?
As denúncias do senhor Paulo Roberto mostram que a Petrobras vem sendo assaltada ao longo dos últimos anos por um grupo político, comando pelo PT, com o objetivo de perpetuar-se no poder. Quando nós apresentamos a proposta da criação da CPMI da Petrobras os líderes do governo diziam que isso era uma jogada eleitoral da oposição apenas para prejudicar o governo nas eleições. A presidente da República chegou a dizer que nós estávamos, com os ataques que fazíamos a Petrobras, depondo contra a imagem da nossa principal empresa. Quem desmoralizou a nossa principal empresa foi esse governo comando pela atual presidente da República. Não é possível, sentada na mesa com esses mesmos réus, em especial com esse diretor que está preso hoje, dizer que não tinha ideia do que está acontecendo. Ainda que pela incapacidade de ver o que acontece no seu entorno, ela não pode querer disputar novamente a Presidência da República.
Segundo a delação premiada feita por Paulo Roberto Costa, o ex-governador de Pernambuco e ex-candidato do PSB, Eduardo Campos, estaria envolvido no esquema.
Eu tenho muito cuidado com relação a isso. São acusações que eu não conheço. Li pela manhã e me dei conta do tamanho dessas denúncias. Todos nós vamos ter que estar prontos para dar explicações sobre quaisquer questões. Eu acho que não dá é para pessoas envolvidas dizerem que não sabiam de nada. Vamos dar tempo ao tempo e esperar que, realmente, essas acusações que hoje citam nominalmente algumas pessoas possam ser comprovadas, com indícios mais claros. Eu vejo tudo isso com alguma cautela. Mas eu reafirmo, e não há dúvidas em relação a isso, é que o governo do PT foi conivente com o maior assalto que já se fez aos cofres da maior empresa brasileira, a Petrobras. O governo do PT patrocinou um assalto à maior empresa brasileira. Isso jamais ocorreu na história do Brasil.
A citação de Eduardo Campos entre os que teriam recebido propina desconstrói o discurso da candidata Marina Silva sobre a “nova política”? É possível atender a interesses de aliados sem cair em esquemas de corrupção?
Nós estávamos desde lá de trás denunciando esse governo. Eu vejo hoje críticas ao PSDB por uma pseudopolarização com o PT. Nós estávamos desde sempre, lá atrás, desde 2003, combatendo esse governo, denunciando o aparelhamento da máquina pública, as nomeações políticas na Petrobras. Será que quem estava certo era quem estava dentro desse governo durante todo esse período? De alguma forma, até se beneficiando, mesmo que não diretamente. Se beneficiando dessa estrutura que se manteve para sustentar o governo. A minha diferença maior para as duas candidatas é que em nenhum momento eu participei desse governo. No momento em que esse governo assaltava o país, eu fazia oposição. De nenhuma forma eu participava disso. Nem diretamente nem indiretamente. Os cargos que eu ocupei não foram, de alguma forma, sustentados por esse governo corrupto.
O esquema do mensalão movimentou 173 milhões de reais. A Polícia Federal estima que, no caso da operação Lava-Jato, sejam pelo menos 10 bilhões de reais. É mais grave que o escândalo que colocou a cúpula do PT na cadeia?
O mensalão 2, esse atual, a meu ver, é mais grave do que o mensalão 1 até pelo tempo que durou esse assalto. Um processo que não pode ser agora atribuído a uma pessoa, a alguém que se utilizou de determinado momento de um cargo que ocupou em benefício próprio. É uma engrenagem institucionalizada para roubar no seio da nossa maior empresa para beneficiar o grupo que está no poder. O atual governo e a própria presidente da República são, no mínimo, beneficiários daquilo que a Polícia Federal chamou de organização criminosa instalada na Petrobras. Dilma foi beneficiária desse esquema. E esse esquema é que vem sustentando o seu governo, dando a ela maioria no Congresso e pagando diretamente sua base de apoio. Estamos diante do mais grave escândalo de corrupção da nossa história contemporânea. Acho que o mensalão 2 tem níveis de sofisticação que fazem dele algo mais grave do que o primeiro. O mensalão 2, pelo que nós estamos vendo, se manteve e se arrastou pelos onze anos desse governo.
As pesquisas de intenção de voto o colocam em terceiro lugar na corrida pelo Palácio do Planalto. As denúncias podem mudar o quadro eleitoral?
Eu continuo acreditando muito na possibilidade de vitória. Nós somos a oposição a tudo isso. Eu não sou oposição ao PT agora. Eu sou oposição a esse modelo desde que essa bandalheira, essa forma de agir, começou. Nem todos podem dizer isso, né? A atual candidata à Presidência da República perderá as eleições. Não há condições morais dela apresentar algo novo ao Brasil. Comete a imprudência de destituir, mesmo mantendo no cargo, o ministro da Fazenda. E se ele tivesse hoje uma forma de preservar sua própria história, pediria ele mesmo para sair. Ministro da Fazenda ou você nomeia ou demite. Não pré-anuncia que vai demiti-lo lá adiante. Quem é que vai conversar hoje com o ministro da Fazenda sobre determinada questão relevante para a economia sabendo que daqui a três meses ele não vai estar lá para tocar aquilo que foi eventualmente acertado? O dano só não é maior porque ele já tinha perdido toda a credibilidade. Agora que autoridade a presidente vai ter? Tendo comandado a maior empresa brasileira, a Petrobras, como comandou e fazia questão de mostrar que era ela quem mandava com mão de ferro, vendo nas suas barbas esse processo de corrupção beneficiar seu próprio projeto.
Mas a presidente Dilma ainda se mantém líder nas pesquisas.
Eu acho que o PT perdeu a eleição. O PT perdeu a eleição. Agora tem uma nova candidata que eu respeito pessoalmente, mas precisa explicar seus vínculos com esse grupo político. Marina tem uma militância no PT maior do que da própria Dilma. Não acredito que ela possa ter um vínculo direto com isso. Mas eu não vi a indignação dela no momento em que o mensalão foi denunciado. Lá atrás, no momento em que o mensalão foi denunciado, não me lembro dela considerando isso uma prática da velha política, se indignando e pedindo para sair do partido. Ao contrário. É um direito dela.
O senhor acha que Marina Silva deve defender publicamente Eduardo Campos das acusações feitas por Paulo Roberto Costa ou é um problema do PSB?
Todos tem que dizer claramente o que pensam. Terceirizar responsabilidades não é um bom exemplo para quem se autointitula representante da nova política. Nada mais velho na política do que a corrupção. Esse modelo do PT de utilizar a estrutura do Estado em benefício do seu projeto de poder é tudo, menos novo. Isso existe desde que o PT assumiu o governo. Já existia nas administrações municipais do PT. Nós sabemos disso em várias denúncias, como no caso de Santo André, talvez o mais marcante deles. O PT sempre buscou nas oportunidades que teve para utilizar empresas e espaços públicos para financiar a sua permanência no poder. Isso não mudou. O que mudou foi a escala, agora infinitamente maior. Eu sempre soube e ataquei isso. A outra candidata conviveu de alguma forma com esse modus operandi do PT. Temos duas alternativas. A minha é clara, de combate a tudo isso e restabelecer a meritocracia. Resgate a nossas empresas públicas, e vamos afundo nas investigações. Queremos as investigações como propusemos na CPMI. E que os responsáveis sejam punidos. Outra candidatura vai ter que mostrar como convive com esse tipo de corrupção. Eu vejo muito esse discurso da nova política. Para mim sempre houve a boa e a má política. E a boa política é que a nós praticamos. A má política é a que o PT pratica. E, na verdade, não é de hoje. Desde quando a candidata Marina era um membro influente no partido.
Petrolão: Gilberto Carvalho quer aproveitar outro escândalo que atinge o PT para garantir ainda mais privilégios a seu partido. É indecoroso, é despudorado, é indecente!
Sempre que Gilberto Carvalho fala, o mundo, o Brasil em particular e, muito especialmente, a política se tornam menos pudorosos, menos decentes, menos inteligentes e inteligíveis, menos sensatos, menos honrados. É impressionante a capacidade que este senhor, que é secretário-geral da Presidência, tem de penetrar no terreno do grotesco, do absurdo e do asqueroso. Neste domingo, algum figurão do Planalto tinha de vir a público para tentar dar uma resposta às graves acusações que Paulo Roberto Costa, o engenheiro da Petrobras que está preso, fez em depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal. Ora, para tarefa tão espinhosa, só mesmo alguém da, digamos, estatura de Carvalho.
Segundo Paulo Roberto, as empreiteiras que faziam negócios com a Petrobras pagavam uma comissão a um grupo de políticos que incluía três governadores de Estado, seis senadores, um ministro, um ex-ministro, 25 deputados e o tesoureiro de um partido. É o petrolão. O esquema fraudulento funcionou nos oito anos do governo Lula — que, afirma Paulo Roberto, sempre soube de tudo — e estava a pleno vapor na gestão Dilma, até ser desbaratado pela Polícia Federal. A denúncia atinge em cheio três partidos: PP, PMDB e, muito especialmente, o PT.
A candidata Dilma Rousseff falou sobre o assunto — o que deixo para outro post. Carvalho se manifestou, reitero, como a voz do governo. E não viu mal nenhum em falar uma penca de barbaridades, que indicam o buraco no qual o país pode estar a se meter caso Dilma Rousseff seja reeleita.
Gilberto Carvalho, acreditem, para escândalo da lógica, do bom senso e da vergonha na cara, disse o seguinte: “Enquanto houver financiamento empresarial de campanha, e as campanhas tornarem-se o momento de muita gente ganhar dinheiro e de se mobilizarem muitos recursos, eu quero dizer: não há quem controle a corrupção enquanto houver esse sistema eleitoral. Isso é com todos os partidos. Não há, infelizmente, nenhuma exceção”. O que Carvalho está dizendo é o seguinte: “Nós, do PT, somos corruptos, sim, mas todos são”.
Ora, o que o financiamento privado de campanha tem a ver com o antro em que se transformou a Petrobras? Digamos que o dinheiro do estado financiasse os partidos. Será que a empresa estaria protegida contra larápios? A resposta, obviamente, é “não”. Ao contrário: no dia em que o financiamento privado for proibido, aumentará o volume de caixa dois nas campanhas, e as estatais estarão ainda mais sujeitas ao assalto.
Para lembrar: a lista dos que receberiam propina do Petrolão inclui, entre outros, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que morreu num acidente aéreo no dia 13 de agosto, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e Sérgio Cabral, ex-governador do Rio (PMDB). Paulo Roberto acusa ainda Edison Lobão, atual ministro das Minas e Energia, e atinge o coração do Congresso: estão no rol o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e o do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). PT, PMDB e PP seriam os três beneficiários do esquema, que teria também como contemplados os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Romero Jucá (PMDB-RR), e os deputados João Pizzolatti (PP-SC) e Candido Vaccarezza (SP), além de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT.
Carvalho tentou, adicionalmente, desqualificar a acusação, como se tudo não passasse de uma tramoia da oposição. Até parece que Paulo Roberto Costa procurou a sede do PSDB para fazer sua denúncia. Errado! Ele já gravou 42 horas de depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público.
Um dos principais ministros de Dilma, vejam vocês, quer aproveitar mais um escândalo que pega em cheio o PT como pretexto para fazer uma reforma política que privilegiaria o seu partido e ainda elevaria exponencialmente o volume de caixa dois nas campanhas, o que deixaria as estatais ainda mais sujeitas à sanha dos companheiros.
Texto publicado originalmente às 4h19
Petrolão – Cerveró, o homem que morava num apartamento de R$ 7,5 milhões com dono desconhecido…
As acusações de Paulo Roberto Costa não são a única história escabrosa que a edição desta semana da revista VEJA revela. Há outras coisas do balacobaco. Lembram-se de Nestor Cerveró, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras e apontado pela própria presidente Dilma como o principal responsável por cláusulas da compra desastrosa da refinaria de Pesadena? Pois é…
Até o mês passado, Cerveró e sua mulher moravam num apartamento de cobertura em Ipanema avaliado em R$ 7,5 milhões. Estaria lá pagando… aluguel. Huuuummm… A história desse imóvel consegue ser mais enrolada do que a da refinaria.
Em 2008, no auge do imbróglio nos EUA, surgiu em Montevidéu, no Uruguai, uma empresa chamada Jolmey Sociedad Anónima, que pertenceria a um fundo de investimentos cujo representante é um certo Oscar Rachetti. Essa suposta empresa procurou um administrador brasileiro para fazer negócios aqui. Encontrou quem? O advogado Marcelo Oliveira Mello, conhecido de longa data de Cerveró porque já havia trabalhado numa subsidiária da Petrobras. Mais tarde, Mello se tornou sócio de um escritório de advocacia que virou parceiro de um outro que atuou no caso de… Pasadena! Não percam o fio.
Em 2009, a Jolmey comprou o tal apartamento em que estava morando Cerveró. Até hoje, acreditem, é o único investimento da dita empresa no Brasil.
Há cinco meses, com o caso de Pasadena pegando fogo, Mello transferiu a sede da empresa para Saquarema, no Rio. A única coisa que há lá é uma casa abandonada. O advogado entregou a sua cota a um homem chamado Selson Ferreira. VEJA o encontrou. Nervoso, ele não quis falar com a revista. Em junho, antes de o TCU determinar o bloqueio de seus bens, Cerveró transferiu três apartamentos para o nome dos filhos, mesmo movimento, diga-se, executado por Graça Foster, presidente da Petrobras. Reparem como essas pessoas nunca têm uma narrativa convencional, linear, que justifique seu padrão de vida.
Petrolão – PT e PSB fazem uma discreta parceria para desqualificar denúncia
A candidata Dilma Rousseff falou neste domingo sobre o petrolão, o mensalão da Petrobras, e, como de hábito, disse coisas um tanto confusas, meio incompreensíveis. Afirmou que, por enquanto, não pode fazer nada porque ainda não conhece direito as denúncias e não sabe o grau de comprometimento de cada acusado, se tudo é mesmo verdade etc. Até aí, vá lá, tudo bem. Mas exagerou: segundo a presidente-candidata, o imbróglio não envolve o seu governo. Epa! Como assim, governanta? Um dos acusados é seu atual ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, pasta à qual está afeita a Petrobras. Outro que está na lista é Mário Negromonte, seu ex-ministro das Cidades. Mas isso ainda é pouco, né? A dinheirama, segundo o denunciante, serve para manter abastecida a base aliada — sim, base aliada do governo Dilma. E um dos peixes graúdos do esquema, segundo Paulo Roberto Costa, é João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, partido ao qual pertence a digníssima e pelo qual disputa a reeleição.
Dá para ir adiante: o esquema vigorou, segundo a acusação, durante todo o governo Lula. Podemos apimentar a narrativa: a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, teria alimentado o esquema criminoso. A presidente do conselho, no período, era uma certa… Dilma Rousseff, que, já instalada no Palácio do Planalto, garantiu a Nestor Cerveró, o principal executivo da compra da refinaria, o cargo de diretor financeiro da BR Distribuidora. Como não atinge o seu governo, presidente? A senhora até pode pedir prudência, mas a história de que sua gestão não tem nada com isso é bobagem.
A reação do PSB foi, digamos, calculadamente ambígua. Marina Silva, a candidata a presidente, e Beto Albuquerque, a vice, concederam uma entrevista coletiva neste domingo. Marina atacou os desmandos na Petrobras; afirmou que a empresa precisa ter um comando técnico e respondeu a ataques dos petistas: “Sou caluniada e acusada de ser contra esse patrimônio do Brasil. Enquanto essa mentira é alardeada, a Petrobras é destruída pelo uso político, o apadrinhamento e a corrupção”.
Pois é… Na hora, no entanto, de comentar o fato de que Eduardo Campos compõe a lista de políticos que teriam recebido propina, Marina se calou e passou a bola para Albuquerque, que, curiosamente, não deu uma resposta muito diferente da oferecida pelos petistas: haveria motivação eleitoral na denúncia. O candidato a vice de Marina disse estranhar o fato de que Paulo Roberto já tivesse, antes, indicado Campos como uma de suas testemunhas.
É mesmo? Eu estranho é o seu estranhamento. Está na cara que o engenheiro mandava um recado ao ex-governador de Pernambuco. Parecia dizer: “Você me conhece; fale sobre mim para a polícia…”. Não custa lembrar que os três governadores ou ex citados como beneficiários de propinas — além de Campos, Roseana Sarney (PMDB-MA) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) — pertencem a estados onde há grandes empreendimentos da Petrobras. PT e PSB cobram acesso aos depoimentos. OK. Que o façam! Mas é preciso ter um pouco mais de pudor com as respostas ridículas.
O tucano Aécio Neves fez o esperado — afinal, queriam o quê? Cobrou investigação e advertiu que já ninguém aguenta essa história do “eu não sabia”. Em entrevista à VEJA, afirmou: “As denúncias do senhor Paulo Roberto mostram que a Petrobras vem sendo assaltada ao longo dos últimos anos por um grupo político, comandado pelo PT, com o objetivo de perpetuar-se no poder. Quando nós apresentamos a proposta da criação da CPMI da Petrobras, os líderes do governo diziam que isso era uma jogada eleitoral da oposição apenas para prejudicar o governo nas eleições. A presidente da República chegou a dizer que nós estávamos, com os ataques que fazíamos à Petrobras, depondo contra a imagem da nossa principal empresa. Quem desmoralizou a nossa principal empresa foi esse governo comandado pela atual presidente da República.”
Alguém tem de cobrar a investigação e alertar o país para a gravidade do assunto. Dadas as falas, tudo indica que Dilma e Marina, apesar da retórica, preferem que não se vá até o fim nessa história. Convenham: tramoia será fugir da verdade só porque há eleições. A ser assim, “estepaiz”, como diz aquele, só prende vagabundos que roubam o dinheiro público em ano ímpar, não é mesmo?

