Shared posts

29 Jun 13:34

Dilma repete façanha de Collor: a aprovação a seu governo despenca 35 pontos em três meses — 27 pontos em três semanas; hoje, só 30% o consideram bom ou ótimo; índice de ruim-péssimo chega a 25%. Então Dilma já era?

by giinternet

O prestígio da presidente Dilma Rousseff teve uma queda de 27 pontos percentuais em três semanas, segundo pesquisa Datafolha, publicada na Folha neste sábado. Apenas 30% das pessoas ouvidas consideram o governo “bom” ou “ótimo” — na primeira semana deste mês, eram 57%; em março, 65%. Em três meses, pois, a queda foi de estupendos 35 pontos. Só um governante antes dela repetiu tal façanha: Fernando Collor. E olhem lá. Imediatamente antes da posse, 71% tinham a expectativa de um governo bom ou ótimo. Em junho, depois do confisco da poupança, esse índice caiu para 35% — ainda assim, cinco pontos acima do número alcançado por Dilma. E olhem que ela não confiscou a poupança de ninguém. O que isso diz sobre o futuro? Já chego lá. Antes, algumas considerações.

Estão arrependidos?
Se arrependimento matasse, alguns petistas e esquerdistas associados (MAS NÃO TODOS, JÁ DIGO POR QUÊ) não veriam nascer a luz do sol neste sábado. Fizeram mau negócio ao tentar estimular o caos em São Paulo já naquele fatídico 13 de junho, o dia do pior confronto entre a Polícia Militar e manifestantes, que já haviam, sim, recorrido à violência em três manifestações anteriores, a primeira ocorrida no dia 6. No dia 11, por exemplo, coquetéis molotov foram jogados contra os policiais. Estações de metrô tinham sido depredadas. No próprio dia 13, sem nem mesmo dar um telefonema ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), o ministro da Justiça, José Eduardo Cadozo, oferecia uma hipócrita “ajuda” a São Paulo. No dia seguinte, ele e outros petistas, como Fernando Haddad — prefeito que havia reajustado a tarifa de ônibus — engrossaram o coro da imprensa contra a “repressão”. Os petistas mobilizaram a sua tropa nas redes sociais para demonizar a PM de São Paulo. E se começou a falar, então, de uma megamanifestação na segunda-feira, dia 17. Algo começava a sair do script quando se percebeu que o resto do país também se mobilizava. No dia marcado, 65 mil marcharam em São Paulo. O Rio pôs 100 mil pessoas na rua. Algo estava fora da ordem e do controle — inclusive dos coxinhas radicais do Passe Livre.

Com a garantia dada pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo de que a cidade era território livre — desde que não houvesse depredação —, criou-se o ambiente “occupy” o que lhe dá na telha. E esse ambiente tomou o país. Insatisfações represadas ao longo de muitos anos — afinal, os canais de representação social foram comprados pelo PT, e as oposições sempre foram tímidas em mobilizar a resistência ao lulo-petismo — foram às ruas: corrupção, saúde e educação precárias, gastos excessivos com a Copa do Mundo… O governo federal se tornou o alvo principal dos protestos. E é explicável que assim seja. Ao longo de 10 anos, os governos petistas se quiseram os monopolistas do bem e da virtude e se apresentaram como os garantidores da felicidade geral. Afinal, se podiam tanto, por que não fizeram? A redução das tarifas do transporte público acabou se perdendo apenas como uma das reivindicações. E não! Definitivamente, as manifestações não eram pacíficas. “Ah, mas a maioria…” A maioria era pacífica até na Revolução Russa! 

Eis aí… Nem nos seus temores mais secretos, a presidente Dilma e os petistas da sua turma poderiam imaginar que um protesto contra tarifa de transporte — assunto municipal ou estatual — fosse a centelha a fazer explodir o paiol em que estavam armazenadas as insatisfações as mais variadas. Se pudessem voltar atrás, Haddad, Cardozo, a rede petralha e todos aqueles que atuaram para leva o casos às ruas de São Paulo fariam outra coisa. Mas isso não é possível.

Economia
Os protestos tiveram um efeito devastador na avaliação de Dilma, mas eles só se difundiram porque há insatisfações, e a principal é com a economia. Informa a Folha: “A expectativa de que a inflação vai aumentar continua em alta. Foi de 51% para 54%. Para 44% o desemprego vai crescer, ante 36% na pesquisa anterior. E para 38%, o poder de compra do salário vai cair – antes eram 27%.”

A insatisfação com Dilma, como os protestos, se espalha pelo país. Sua aprovação caiu mais de 20 pontos em todo o país.

Então Dilma já era? E o fator Lula
Então Dilma já era? Ela e o PT já podem ir fazendo as malas? É muito cedo! Terá o Datafolha feito também uma pesquisa eleitoral? Vamos ver. É bom lembrar que, em dezembro de 2005 — ano do mensalão — a aprovação de Lula era de apenas 28%, Inferior, ainda que na margem de erro, aos 30% de Dilma. Onze meses depois, ele se reelegeu presidente da República. Assim, é um pouco cedo para dizer.

O Datafolha fez uma pesquisa, com margem de erro enorme, de 4 pontos percentuais, só entre os manifestantes da passeata realizada no dia 20 em São Paulo. Joaquim Barbosa liderou as intenções de voto para presidente, com 30%. Marina Silva ficou em segundo, com 22%. A presidente Dilma ficou com 10%. O tucano Aécio Neves foi citado por 5%, e Eduardo Campos, do PSB, por 1%.

Apoio ao plebiscito
Ainda que eu duvide que a esmagadora maioria saiba do que se trata exatamente — até porque nem o meio político sabe —, o Datafolha apurou que 68% dos entrevistados apoiam o plebiscito da reforma política, ideia lançada pela presidente. A questão é saber como operacionalizar isso. Se existe o endosso, cria-se uma franja de contato com a opinião pública.

A situação de Dilma, hoje, é muito difícil. Franklin Martins voltou a ser um interlocutor frequente. Ele assumiu a área de comunicação do governo Lula em 2007. Teve início, então, um trabalho agressivo de demonização da imprensa e da oposição. Ambas passaram ser tratadas como aliadas (o que era e é falso) e golpista. Montou-se uma grande rede de apoio ao governo na Internet, capitaneado por sites e blogs financiados por estatais. Franklin deixou pronta uma proposta de “controle social da mídia”, que Dilma engavetou. Sabe-se lá que conselho ele está dando para a soberana. Coisa boa não deve ser.

O fator Lula
Antes dessa pesquisa, o coro “volta, Lula” já não era nada discreto no PT. Vai se fazer mais audível depois desses números. Como já informei aqui, há gente na cúpula do próprio governo dizendo que “Dilma já era!”. São, é evidente, lulistas entusiasmados. É claro que ele voltou a ser o que não era em março, quando ela tinha 65% de aprovação: pré-candidato a presidente em 2014.

Se isso acontecesse, seria fácil vencer desta vez? Ora, resta evidente que Dilma é cria de Lula. Todos os eleitores sabem disso. É de supor que a reputação do Apedeuta, nesses embates, também tenha sido abalada. Em que medida? Ainda não há pobres na rua, embora se deva supor, pelos números, que há muitos descontentes.

Cuidado com a volatilidade
Os números têm de ser vistos com cuidado — e não estou desconfiando, como nunca desconfiei, do rigor técnico da pesquisa. O cuidado é de outra natureza: é claro que há nesse levantamento opiniões ainda não consolidadas. Em três semanas, não aconteceu nada de tão formidável que justifique mudança tão radical de humor. “Três semanas, Reinaldo? É coisa dos últimos 10 anos!” Pode ser; o fato é que os brasileiros eram livres para se manifestar e não o fizeram, certo?

Os petistas caíram na própria arapuca. Vamos ver como vão tentar sair dela.

Texto publicado originalmente às 5h58
29 Jun 13:33

Segundo o Datafolha, 8 em cada 10 brasileiros apoiam manifestações, mas passe livre não entusiasma

by giinternet

Segundo o Datafolha, a população ainda não se cansou das manifestações: elas teriam o apoio de 8 em cada 10 brasileiros. Já o passe livre empolga pouca gente se o custo for a paralisia de obras: nesse caso, 65% se dizem contra a gratuidade nos transportes.

Esse tal Movimento Passe Livre, que é de extrema esquerda, faz um esforço danado para que os protestos se concentrem principalmente nos transportes. De maneira arrogante, saíram por aí dizendo que se negavam a discutir outras pautas — como se os que protestam não pudessem fazê-lo por conta própria — como, aliás, estão fazendo.

29 Jun 13:33

Com medo da vaia no Maracanã, Dilma não vai ao jogo

by giinternet

Na quarta-feira, escrevi aqui: “O Brasil está na final da Copa das Confederações. Venceu o Uruguai por 2 a 1. Coitada da presidente Dilma Roussseff! Terá de encarar o Maracanã. A chance de uma vaia de dimensões oceânicas é gigantesca. As peças de propaganda para excitar o patriotismo e o ufanismo começam a se transformar num peso.” Pois é… Dilma tomou uma decisão: não vai! E isso também é um vexame. Seus assessores avaliaram que seria catastrófico levar uma vaia estrepitosa  aos olhos do Brasil inteiro e da imprensa internacional.

É uma ironia e tanto, não? Os eventos esportivos foram pensados como o símbolo do “Brasil Grande da Era Lulista”. A final de amanhã deveria ser o primeiro momento de consagração. E, no entanto, Dilma terá de se esconder.

29 Jun 04:51

Eis a turma que Dilma levou para dentro do palácio para dialogar. Ou: Eles são aqueles que acreditam em enfrentar o choque…

by giinternet

A presidente Dilma Rousseff recebeu algumas lideranças “jovens” no Planalto — a juventude chapa-branca, ou chapa-vermelha, alimentada, no mais das vezes, com dinheiro público. No grupo, estavam, por exemplo, representantes da União da Juventude Socialista (UJS), a tropa de choque do PC do B que comandou a hostilidade à blogueira Yoani Sánchez em sua viagem ao Brasil.

Vejam um vídeo em que um valente da UJS defende as hostilidades a Yoani, acusando-a de receber dinheiro dos EUA, uma mentira cretina, e justifica a ditadura cubana. Volto em seguida.

Voltei
Havia outros rematados democratas presentes ao encontro, como os companheiros do “Levante Popular da Juventude”. Vocês já ouviram falar dessa turma.

Em março do ano passado, o “Levante” produziu um espetáculo grotesco de agressões e baixaria às portas do Clube Militar, no Rio. Enquanto os confrontos aconteciam, quem passava casualmente por ali, num passeio aparentemente sem compromisso? Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul! O conjunto me interessou e comecei a pesquisar: quem era e o que queria o tal “Levanta Popular da Juventude”? Descobri algumas coisas e escrevi um post no dia 4 de abril de 2012.

Vale a pena relembrar. Vocês assistirão, por exemplo, a um vídeo em que um “rapper” canta uma musiquinha bacana, cujo refrão é o seguinte: “Eu sou aquele que acredita em encarar o choque”, numa referência, claro!, às forças da legalidade. Segue o post publicado em 4 de abril de 2012. Volto depois de tudo para encerrar.

*

Vejam esta foto.

levante-popular-7-tarso-genro

Aquele senhor sentado na primeira fileira, com a mão no rosto, com ar vetusto, é Tarso Genro (PT), governador do Rio Grande do Sul. O que ela faz ali? Vamos ver.

No dia 29 do mês passado, um bando de fascistoides cercou o Clube Militar. A turma xingou e agrediu militares da reserva que participavam de um seminário. A foto de um rapaz dando uma cusparada num idoso tem de se tornar um emblema do que esses caras entendem por democracia e civilidade. “Descobriu-se”, vejam que coincidência!, que ninguém menos do que Tarso Genro passava por ali, por acaso… O valente não teve dúvida: “encontrado” por jornalistas, concedeu uma entrevista e acusou de provocação… as vítimas!!! A todos pareceu normal que um governador de estado estivesse passeando, solerte, pelas ruas da capital de um outro estado, topando, de súbito, com um protesto!!!

Pois é…

Aquela manifestação, a exemplo de outras que têm sido feitas em frente à casa de pessoas acusadas de colaborar com a tortura, foi convocada por um certo “Levante Popular da Juventude”. As ações obviamente ilegais do grupo têm merecido ampla cobertura do jornalismo — E SEMPRE EM TOM FAVORÁVEL! O que antes se chamava “grande imprensa” não se interessou nem sequer em saber quem é essa gente, de onde vem, o que pensa. No dia 27 de março, contei aqui quem são eles.

O tal “Levante” é só uma nova fachada do MST, que anda em baixa. João Pedro Stedile, o nosso leninista do capital alheio — já que seu movimento vive de dinheiro público — resolveu levar a sua “revolução” do campo para as cidades (afinal, ele é, reitero, um leninista).

A cobertura dos jornais tem sido asquerosa. Diz-se que o “Levante Popular da Juventude” luta apenas, que coisa bonita!, pela instalação da Comissão da Verdade. Enquanto isso, sai por aí xingando pessoas, cuspindo nelas, pichando as suas casas. Então agora volto à foto lá do alto.

Encontro
Entre os dias 1º e 5 de fevereiro, o grupo promoveu o “1º Acampamento do Levante Popular da Juventude”.Aconteceu em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, e reuniu, segundo os próprios organizadores, 1.200 pessoas, vindas de 17 estados. Isso explica, por exemplo, por que ações de vandalismo contra as respectivas casas de supostos torturadores aconteceram em vários estados, ao mesmo tempo, numa coordenação que a imprensa chamou de “surpreendente”. “Juventude” não é categoria social, política ou de pensamento. O “jovem” por trás do movimento é João Pedro Stedile — com suas ideias do fim do século 19. Na fotos abaixo, ele aparece dando a sua “aula” de levante.

levante-popular-2-joao-pedro-stedile

Muito bem! Tarso Genro foi um dos convidados de honra do “acampamento”. É o que mostra aquela primeira foto. Isso significa que ele tem intimidade com o “Levante Popular da Juventude” e conhece, então, a sua agenda. Parece-me que o fato põe em dúvida a coincidência entre o protesto no clube militar e a sua estada no Rio — justamente nas imediações do Clube Militar.

Abaixo, seguem algumas fotos do evento. Ao fim de tudo, um vídeo que chega a ser engraçado de tão patético.

Aqui, em círculo, os camaradas expõem os seus anseios, numa espécie de dinâmica revolucionária de grupo

Aqui, em círculo, os camaradas expõem os seus anseios, numa espécie de dinâmica revolucionária de grupo

A revolução social requer preparo intelectual, né? Aqui, uma aula sobre os caminhos da libertação

A revolução social requer preparo intelectual, né? Aqui, uma aula sobre os caminhos da libertação

Também é preciso curtir a natureza: moças e moços da cidade conhecem os prazeres de uma vida mais agreste. É a burguesia conhecendo de perto o paraíso do povo

É preciso curtir a natureza: moças e moços da cidade conhecem os prazeres de uma vida mais agreste. É a burguesia experimentando o paraíso do povo

Também há espaço para a burguesia consciente se misturar ao povo e celebrar a cultura popular. É o que se chama "possibilidade de intercurso de classes"

Também há espaço para a burguesia consciente se misturar ao povo e celebrar a cultura popular. É o que se chama “possibilidade de intercurso de classes”

Agora vejam este vídeo, em que um sujeito, por assim dizer, canta um rap sobre as ocupações promovidas pelo MST. Volto para encerrar.

Voltei
A apresentação foi feita durante a “II Feira e Festa da Agricultura e Agroindústria Camponesa”, evento paralelo ao 1º Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude. O refrão é claro: “Eu sou aquele que acredita em encarar o choque”. É um conclamação em favor do confronto com as forças da legalidade.

O vídeo é um troço patético. Um coroa, com a máscara revolucionária — que tira ao menos para cantar — se fantasia de cantor de rap para passar mensagens revolucionárias…

Eis aí: revelado, agora com imagens, o grande mistério do “Levante Popular da Juventude”. É só o velho leninista João Pedro Stedile brincando de fazer revolução. Mas Tarso, um governador de Estado, assistiu a tudo atentamente, no acampamento e nas imediações do Clube Militar.

Que futuro nos aguarda quando um governador de estado participa de uma patuscada como essa? Não muito bom! De toda sorte, é um comportamento compatível com o ministro da Justiça que levou o Brasil a abrigar um assassino, condenado em seu país à prisão perpétua.

Voltei
Dilma levou essa gente para dentro do palácio como sinal de seu esforço de “dialogar com a sociedade”. A presidente, em suma, que dialogar com quem não acredita em conversa.

28 Jun 23:40

Dilma recebe um monte de movimentos jovens chapas-brancas, muitos financiados com dinheiro público, além da “Marcha das Vadias”

by giinternet

Depois de se encontrar com os Rimbauds das catracas, a presidente Dilma Rousseff abriu as portas do palácio para outros “movimentos da juventude”, a maioria chapa-branca mesmo, ligada ao PT, ao PCdoB ou ao MST. Todos saíram de lá defendendo, claro!, o plebiscito para a reforma política. À esquerda da presidente, estava sentado Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência. Faz sentido. Afinal, é ele quem “interlocuta” com os ditos movimentos sociais. À direita, adivinhem… Aloizio Mercadante. Tudo deve andar tão bem na educação que ele pode agora se dedicar às suas funções de primeiro-ministro. Não é uma posição formalizada. Parece ser, assim, uma coisa mais de afinidades eletivas com a chefe. Entre os representantes do “povo” que agora têm voz no Planalto, estava uma jovem que representa a Marcha das Vadias. Brasília é sempre um lugar em que a vadiagem assume um sentido muito particular, não é mesmo? No dia 8 de julho, o governo lança um canal na Internet chamado “Observatório Participativo”.

Leio no Globo Online:
“Os grupos de juventude apresentaram a Dilma uma variada pauta de reivindicações, que passa pela taxação de grandes fortunas, descriminalização do aborto, repressão à violência policial e mais investimentos em políticas para os jovens. O Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), se comprometeu a enviar para a presidente um relatório sobre os excessos cometidos pela polícia durante as manifestações país afora.”

Eu nunca vou entender a obsessão dessa gente por matar fetos. Por que os ditos socialistas fazem tanta questão dessa pauta? Nem dá para dizer que seja um resquício de selvageria porque os animais irracionais matam ou para se defender ou para comer. Infelizmente, é um traço humano — de certos humanos — reivindicar o direito de matar quem não tem como se defender. É claro que se trata de uma escolha moral.

Quanto ao mais, olho a lista das entidades, publicada no Globo Online:
Conselho Nacional de Juventude (Conjure), UBES, Movimento Sem-Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Marcha Mundial das Mulheres, Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Levante Popular da Juventude, Rede Fale, Hip Hop, Forum de Juventude de BH, União da Juventude Socialista (UJS), Juventude do PT (JPT), UPL, JSB, JSPDT, JPMDB, UNE, PJ, CTB, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Marcha das Vadias, Fora do Eixo e Agência Solano Trindade.

Boa parte, aí, recebe, direta ou indiretamente, dinheiro público. No próximo post, falarei de um grupo em particular: o “Levante Popular da Juventude”.

Gays
A presidente recebeu também representantes do movimento gay e se disse contra qualquer discriminação — ainda bem! Leio no Globo Online o que segue em vermelho. Volto em seguida:
(…)
Representantes de movimentos gays recebidos pela presidente disseram que saem satisfeitos com o encontro. Segundo eles, a presidente disse que é dever do Estado impedir violência e discriminação contra à comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros). Os participantes disseram, no entanto, que quando eles criticaram o polêmico projeto que propõe a “cura gay”, que tramita no Congresso, Dilma não se pronunciou sobre o assunto.
“Saímos daqui felizes. A presidente disse que o Estado tem o dever de impedir a violência e a discriminação de qualquer natureza”, disse Toni Reis, da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).
O grupo levou à presidente uma pauta que pede, entre outras coisas, a criminalização da homofobia. Presente ao encontro, a ministra da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, disse que Dilma cobrou iniciativas para aumentar as estatísticas existentes sobre a violência praticada contra esses grupos.
(…)

Voltei
É impressionante que a imprensa continue a reportar a existência de um projeto de “cura gay”. Isso não existe. A verdade é bem outra, como já deixei claro aqui. Algumas pessoas se irritam quando confrontadas com os fatos? Fazer o quê? Acredito que sua causa pode conviver com os fatos. O projeto contra a homofobia é o PLC 122, que continua autoritário mesmo na versão versão de Marta Suplicy. “Ah, não adianta você criticar porque o primeiro vai ser recusado, e o segundo aprovado”, escreveu anteontem um rapaz, que me dirigiu algumas ofensas. Ainda que seja assim, por que eu deveria dizer que existe um projeto que não existe e que é democrática uma proposta autoritária? Eu  não escrevo para ganhar ou perder. Nem ganho nem perco nada. Escrevo o que acho que devo escrever. Não vou endossar uma inverdade só para não chatear as pessoas… Convenham, não é? Os militantes da causa não precisam do meu apoio. Já contam com a esmagadora maioria da imprensa a seu favor.

Quanto às estatísticas, já passou da hora de fazer um trabalho rigoroso, e isso quer dizer que não pode ficar nas mãos de militantes e prosélitos. As circunstâncias das mortes — a esmagadora maioria de gays masculinos — precisam ser esclarecidas. Até porque, quando um michê mata um cliente, a caracterização de “crime de homofobia” fica um tanto prejudicada — a menos que se considere que o profissional era heterossexual. Era? Mas esse é apenas um aspecto da agenda do dia.

Encerrando
Conforme venho afirmando desde a segunda, dia 17, quando teve início, digamos assim, a nacionalização dos protestos, os vetores políticos todos passaram a apontar para, como é mesmo?, o “progressismo”!

No Brasil, meus caros, a última coisa que a gente vai ver é gente se mobilizando para pedir que o estado intervenha menos nas nossas vidas. O que se quer é justamente o contrário: mais babá!!! Isso dá certo? Resulta em boa coisa? É claro que não!

Mas meus amigos liberais estão encantadíssimos com o momento! Queria muito que eles estivessem certos, e eu, errado.

28 Jun 21:57

Já temos o Jean-Paul Sartre da catraca. Ou: Não me peçam para rir de uma farsa que se repete e que já não tinha graça em 1968. Ou: Sem cueca à mostra, Paulo Arantes!

by giinternet

Paulo Arantes é um professor de aposentado de filosofia socialista. O que é isso? Não sei. Como Marilena Chaui, ele se quer marxista mesmo, de verdade, do tipo que acredita no socialismo — mas com liberdade, é evidente, menos, suponho, para recalcitrantes. Por isso, migrou do PT para o PSOL. Marilena continua na nave-mãe.  É este senhor aqui, ó.

Já está com 71 anos. Fez parte da geração uspiana que achou que os petistas iriam fazer a revolução — sem sangue se possível; com ele, se necessário, porque vocês sabem como esses brasucas são teimosos e insistem em não reconhecer o valor daqueles que querem libertá-los. Arantes passou 20 anos na USP pregando a chegada do PT ao poder e, desde 2003, é um crítico do partido porque acha que ele não teve coragem de ir à esquerda o bastante.

A gente pensa num senhor de 71 anos e o imagina se comovendo com o sorriso de uma criança, de um netinho, mesmo sem perder o rigor intelectual. Nada disso! Com Arantes, nem rigor nem sorriso. Ele agora resolveu imitar Jean-Paul Sartre nas jornadas de Maio de 1968, na França, quando havia se convertido a uma seita maoista e distribuía o jornal “La Cause du Peuple” (“A Causa do Povo”). O povo não tinha a menor ideia do que eles falavam. Tanto é assim que, ao fim das jornadas, quem se elege presidente da França, em 1969, é o conservador George Pompidou. Vejam estas imagens. Volto em seguida.

Aos 63 anos, um pouco mais jovem do que Arantes, Sartre se junta aos maoistas e passa a pregar a revolução. De Gaulle, um direitista decente, deu ordens para que não o metessem em cana: “Não se pode prender Voltaire”, exagerou. A direita sempre tão generosa com essa gente… Se pudessem, eles teriam prendido De Gaulle

Duas páginas do jornaleco maoista que faz a exaltação da luta violenta, mais ou menos como temos visto Brasil afora. Acima, lê-se: “Alain Geismar nos mostra o caminho da honra”. O caminho, como se vê, é o confronto. Geismar se tornou depois uma figura influente do Partido Socialista Francês e chegou ao Ministério da Educação

A exemplo do filósofo francês — que, à época, já havia conquistado fama mundial —, Arantes, em busca ao menos da fama municipal ao menos, decidiu, nesta quinta, dar uma aula em praça pública sobre “passe livre”. É constrangedor.

Um grupo de umas 300 pessoas acompanharam a cascata do Sartre caipira, em frente à Prefeitura. Também falou Lúcio Gregori, que foi secretário de Luíza Erundina quando prefeita e defendia a tarifa zero. Ele só não explicou por que ele próprio não a implementou, mas acredita que outros podem fazê-lo. Arantes, que tem uma formação intelectual respeitável, não quer mais saber de filosofia faz tempo. Quer ação. Já há alguns anos, seus textos, pra lá da linha do compreensível — não porque falte inteligência ao leitor, mas porque falta objeto ao autor —, insinuam que a reflexão é só uma modo de procrastinação. Esse portento revolucionário que vocês veem lá no alto quer é luta, ação.

O evento teve o apoio do Passe Livre, que trabalha, não custa lembrar, em parceira com o PSOL e outras legendas de extrema esquerda. Assim como Sartre admirava Daniel Cohen-Bendit (o Ruivo), um dos líderes da revolta estudantil de Maio de 68, Arantes tenta, digamos assim, se alimentar da juventude dos coxinhas radicais do Passe Livre.

Daniel Cohen-Bendit, o ruivo maoista de Jean-Paul Sartre

Matheus Preis, o loirinho passe-livrista de Paulo Arantes

A história, claro, não se repete, mas as comédias costumam ter semelhanças estruturais. Em 1968, Cohen-Bendit — que a imprensa chamava de “Dany, Le Rouge” (“Dani, o Vermelho, porque de extrema esquerda e porque ruivo) — subiu num grande leão de Bronze na praça Denfert-Rochereau (imagem abaixo), para liderar uma grande passeata. E convocou todas as correntes que estavam na rua: trotskistas, maoistas, socialistas moderados… E emendou: “A canalha stalinista vai para o fim do cortejo”, deixando clara a hostilidade à esquerda tradicional. O Partido Comunista da França retirou o apoio aos protestos depois de algum tempo porque eles se voltaram também contra a esquerda tradicional.

Assim, não me peçam para rir de uma comédia a que já assisti. Não me peçam para rir de uma farsa que estruturalmente se repete. O fato de o Passe Livre criticar também os petistas não me comove — porque se trata de uma crítica feita pela esquerda. Hoje, usam a catraca como símbolo porque isso é parte de uma estratégia de luta. Eles mesmos confessam que o transporte é apenas o instrumento de “superação do capitalismo”.

Eu não acho que o capitalismo corra risco por causa desses bananas. Mas acho um absurdo que se sintam no direito de infernizar a vida de milhões de pessoas com sua “utopia” aloprada, que, de resto, vai acabar punindo os mais pobres.

Paulo Arantes e outros babões de sua estirpe fracassaram no exercício do ódio como instrumento de pensamento. E agora tentam reunir o que lhes resta de seiva supostamente revolucionária para fazer da catraca um instrumento de mudança do mundo. Espero que não comece a aparecer em público com o elástico da cueca à mostra. Nunca sei qual é o limite dessa gente.

É patético! Chegou ao Brasil, reitero, o pensamento de alguns neomarxistas que asseguram que o grande inimigo da “liberdade” não é o mais o capitalismo, mas a democracia representativa. E parte da imprensa, pondo uma corda no próprio pescoço, comprou essa causa!

28 Jun 19:31

Coxinhas extremistas do Passe Livre e assemelhados se negam a condenar a violência e os vândalos. Um grupo acusa a imprensa de criar uma divisão que não existe entre pacíficos e violentos. Não é que, nesse particular, eles estão certos?

by giinternet

Tem gente, inclusive na imprensa, brincando com fogo. A Folha desta sexta traz uma síntese da sabatina com dois representantes do Movimento Passe Livre: Caio Martins, 19, e Mariana Toledo. Eles se dizem, claro, claro, contra vandalismos… Mas será que eles os condenam? Resposta clara e inequívoca: NÃO! Ao contrário: eles consideram que é muito difícil combater depredações, saques e agressões à polícia porque, dizem, a violência, no Brasil, parte do estado. Afirmaram também que jamais colaborariam com a polícia para identificar vândalos. Nas palavras de Caio, um dos Rimbauds das Catracas que tanto excitam a imaginação dos nossos jornalistas, “é muito difícil conseguir uma manifestação pacífica na rua [no Brasil] porque o Estado é violento”.

Ele é muito jovem, claro!, mas suas ideias são velhíssimas. Esses radicaloides, que conhecem a pobreza de ouvir falar, estão, parece-me evidente, a serviço do que já é um aparelho político. E não é de hoje. O MPL já disse o que quer: superar o capitalismo. Para eles, o estado é essencialmente ilegítimo — aquele mesmo que tirou da miséria muitos milhões de pessoas nos últimos anos —, e a polícia nada mais é do que parte de seu braço armado. E fim de papo.

Mariana tem 27 anos. É pós-graduanda em sociologia na USP. Já está um pouco passadita para brincar de Mafaldinha. Também ela falou sobre a violência: “Não é uma questão de condenar ou apoiar, achar legítimo ou não [a violência]. É que a gente perceba como a população está descontente com a violência da polícia, da tarifa”. E ponto!

Como fiéis militantes de uma seita leninista — o leninismo da catraca —, disseram, nas palavras de Caio, por que não expressam opiniões pessoais ou algo assim: “Não interessa saber o que o Caio e a Mariana pensam. Fomos destacados pra uma tarefa específica, de falar com a imprensa”. E ele ainda reclama dos meios de comunicação, que os transformou em heróis. Teriam sido chamados de vândalos. Não custa lembrar que todos os protestos de rua havidos antes daquele fatídico dia 13 foram violentos. No dia 11, manifestantes jogaram coquetel molotov contra a polícia. Um policial foi linchado. 

Em Minas
Prestem, agora, atenção ao trecho de uma reportagem do fim da noite de ontem no site do jornal O Tempo, de Minas. Volto em seguida.

Depois de várias horas reunidos embaixo do viaduto de Santa Tereza, no centro de BH, na noite desta quinta-feira (27), a Assembleia Popular de Belo Horizonte, organizada pelas redes sociais, definiu os rumos e temas do movimento na capital. De acordo com a organização, o 6ª grande ato de manifesto do grupo está marcado para o próximo sábado (29), às 7h, com concentração na porta da Câmara dos Vereadores, na avenida dos Andradas, no bairro Santa Efigênia.

Na segunda-feira (1º), uma nova assembleia está marcada, para às 19h, sob o viaduto de Santa Tereza. Durante o encontro foram distribuídos para os presentes folhetos com os temas pontuados na reunião da última semana, propostas por diversos grupos temáticos que compõem o movimento. A manifestação dessa quarta-feira (22) e todo confronto que aconteceu na avenida Antônio Carlos, depois do jogo entre Brasil e Uruguai até a evacuação da praça Sete, também são avaliados nesta assembleia.

Parte dos presentes considera a postura da imprensa, em separar manifestantes de vândalos, equivocada; apesar de repudiar a violência. “Cada um tem seus motivos e, por isso, se manifesta e protesta como quer, até com vandalismo”, disseram. Alguns também criticaram o Comitê dos Atingidos pela Copa (Copac), por se reunir com o governador Antonio Anastasia, na última terça (25), e não tratar de temas que abrangem a totalidade do movimento. A reunião acontece em frente a uma guarita da Polícia Militar e segue pacífica. Cerca de 1.300 pessoas passaram pelo local.

Durante o dia, a página oficial do evento no Facebook explicou sobre as intenções do encontro: “As questões serão apresentadas, discutidas e deliberada no ato. Mas é fundamental que ocupemos um espaço público para decidir sobre a vida pública. Não é uma convocação para manifesto, mas para um fórum de diálogo horizontal e formulação de pautas e propostas para próximas mobilizações”.
(…)

Voltei
As palavras são duras, mas não cabem outras. A estupidez de setores da imprensa, especialmente as TVs — com as exceções de praxe —, cobrindo esses movimentos é assombrosa. Sim, sim, eles usam o Facebook. Mas o Facebook é apenas o meio de convocação. Antes, eram megafones, murais, os panfletos, o telefone, os e-mails… Isso é irrelevante. Quem imprime a pauta? Quem organiza? Como? Assembleia Popular de Belo Horizonte??? Estamos na Revolução Francesa? Haverá o Comitê de Salvação Pública?

Notem ali: também eles não aceitam se distinguir dos baderneiros coisa nenhuma! Ao contrário: consideram a miolência um meio de expressão. Venham cá: quando os telejornais insistem na distinção ridícula entre maioria pacífica e minoria violenta, pergunto: estão tentando se enganar, enganar os telespectadores ou têm a ilusão de que enganam os manifestantes? É claro que é sempre um menor número que vai para o pau. É parte do jogo. Mas todos pertencem ao mesmo corpo — e notem que os ditos pacíficos rejeitam a distinção.

Observem que a opinião da turma de Minas é a mesmíssima da do Passe Livre. E, se querem saber, eles estão certos, e errada está a imprensa que insiste em distinguir vândalos de pacíficos. São partes de um todo. E, como diria o poeta Gregório de Matos:
“O todo sem a parte não é todo;
A parte sem o todo não é parte;
Mas se a parte o faz todo sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo todo.”

Vão investigar!
Em vez de a imprensa se perder em distinções inexistentes, deveria buscar as raízes teóricas desses movimentos, seus pensadores de referência, como Slavoj Zizek, por exemplo, o neomarxista para quem o limite a ser superado em busca da sociedade socialista que o MPL diz abertamente querer é a democracia. Para essa escola, a fase em que a democracia era uma aliada da causa já passou.

O que querem os que ficam edulcorando a realidade? Acham que eles vão deixar de tolerar a violência só porque a TV os chamou de pacíficos? Tenham paciência! É parte do jogo. E eles sabem muito bem que foi a promoção do caos que os alçou à condição de interlocutores. Os coxinhas conhecem ao menos um pouquinho de teoria revolucionária. Quando assisti à bucéfala demonização da PM em São Paulo e quando vi o jornalismo aplaudir a cidade como território livre para quem queira dela se apossar, sabia o que viria pela frente e alertei aqui. O que será preciso para que caia a ficha? 

28 Jun 19:31

Não tem pobre na rua mesmo, ué! Por que a braveza? Ou: Existe um jeito de combater a esquerda que só a fortalece

by giinternet

No fim do debate de ontem da VEJA.com (assista ao vídeo), afirmei que “não há pobres nas ruas”. Algumas pessoas ficaram bravas. É possível que tenham entendido tudo errado. Disse isso no contexto em que sustentei que Lula é um dos vitoriosos dessa jornada infeliz porque voltou ao jogo sucessório. E não precisou fazer muita coisa para isso. Sua candidatura em 2014 é debatida a céu aberto no PT.

Fazer o quê? As pesquisas estão aí. Os miseráveis e os muito pobres não estão nas ruas. Lula fala com eles melhor do que qualquer grupo portando cartolinas. E já se articula freneticamente para fazer o que mais sabe: jogar brasileiros contra brasileiros. Os 52 milhões que são tocados, de algum modo, pelo Bolsa Família estão cantando e andando para o Passe Livre ou para protestos como “Hospitais Padrão Fifa”.

Alguns bobos acham — justo eu??? — que estou colaborando com o petismo quando faço essa crítica. Bobagem! Eu estou fazendo um alerta. Há motivos, sim, para protestos, mas não para esses ensaios meio grotescos de insurreição popular. “Ah, mas se tudo andasse às mil maravilhas…” Olhem aqui: com o processo de demonização da polícia a que assistimos, esse desdobramento era óbvio e cheguei a antevê-lo aqui. Pura lógica. Há mais causas contingentes do que de fundo. A economia vai mal, mas a ruindade ainda não chegou às ruas com esse força. Reconhecer a realidade ajuda a gente a não errar… 

É claro que o PT mobilizará seus aparelhos ou para fazer frente a essa onda ou, como é mais provável, para surfar nela. Afinal, é o que estão fazendo hoje parlamentares, o governo federal e até ministros do Supremo. Quando a equação incluir os pobres, aí vamos ver. A torção à esquerda da política já se deu. Uma coisa é certa: enquanto o incentivo ao vandalismo (ver post anterior) for chamado de “movimento pacífico infiltrado por baderneiros”, os baderneiros continuarão a serviço do suposto “movimento pacífico”.

Será que eu “petizei”? Não é isso, não! Nunca esses caras me provocaram mais repulsa! É que existe um modo de combatê-los que os enfraquece, e existe um modo de combatê-los que os fortalece. Os métodos até agora empregados e incensados atuam contra a racionalidade administrativa, o estado democrático e a sociedade de direito. E quem conhece essa praia são as esquerdas, antes e depois do Facebook.

28 Jun 19:27

The British government's jihad against free thought

by Melanie Phillips
By banning from the country as extremists the American anti-jihadis Robert Spencer and Pamela Geller, the Home Secretary Teresa May has not only made herself look ridiculous but has sent the enemies of the United Kingdom the message that they have it on the run.
28 Jun 19:26

Bishop Jefferts Schoris Two Sermons: Curacao and Charleston

by ft@firsthings.com (Jordan Hylden )

katharineWhat happens in Cura ç ao doesnt stay in Cura ç ao, at least if one is Presiding Bishop of the Episcopal Church. Last month, Katharine Jefferts Schori preached a routine Sunday sermon on the idyllic Dutch island off the coast of Venezuela that was so roundly criticized that it made it all the way into the pages of the New York Times, as the subject of a Beliefs column by reporter Mark Oppenheimer.


Why so controversial? The answer lies in the struggle of Anglicans to recognize faithful obedience to the Holy Scriptures in each other, even when we disagree on what that obedience looks like. As Oppenheimer rightly noted, criticism of the sermon was focused on whether it was faithful to Scripture. He was kind enough to cite me as one of those critics-her reading of Acts 16, I worried, was so obviously wrong that the deeper question is: Why does she feel at liberty to give a reading of Scripture that doesnt even try to understand and explain what the text is saying?"


Bishop Jefferts Schori took for her text Acts 16:16-40, in which Paul is met with a slave girl" who earned a great deal of money for her owners by fortune-telling." She could do this, we are told, because she had a spirit by which she predicted the future." Luke and Acts are chock full of exorcism stories, of course, and its a commonplace in the scholarship that this is one of them. In Acts, the apostles are portrayed as carrying on the acts of Jesus; the resurrected Christ is present through the Holy Spirit in words and deeds of the apostles and the early Church.


Pretty much all commentators, left and right, agree that one of the hallmarks of Jesus ministry was exorcism, the casting out of evil spirits, and thats likely whats being continued here through Paul-as the New Interpreters Bible commentary points out, the passage echoes similar events in the Gospels, where Jesus is confronted by possessed persons who tell the world rather loudly who he really is . The slave girl is possessed by such a spirit, and her owners keep her in this condition in order to exploit her for money. Paul is troubled" by this, and in the name of Jesus Christ," commands the spirit to come out of her, just as Jesus had done for so many before. Its a story about liberation, really-in the power of the Spirit, and in the name of Jesus Christ, an exploited child is freed from both the spiritual and the worldly powers that enslave and oppress her.


But as I complained to Oppenheimer, Bishop Jefferts Schori simply ignores what the text says, in order to give a reading that portrays Paul as a patriarchal oppressor who fails to recognize the voice of God in a low-status young girl," and who is so annoyed by her persistent speaking-up for herself that he attempts to rob her of her spiritual gift. The bishop explains the text this way:


Paul is annoyed at the slave girl who keeps pursuing him, telling the world that he and his companions are slaves of God. She is quite right. Shes telling the same truth Paul and others claim for themselves. But Paul is annoyed, perhaps for being put in his place, and he responds by depriving her of her gift of spiritual awareness. Paul cant abide something he wont see as beautiful or holy, so he tries to destroy it. It gets him thrown in prison. Thats pretty much where hes put himself by his own refusal to recognize that she, too, shares in Gods nature, just as much as he does-maybe more so!

Now, there are places in Scripture where this ethical thrust is indeed present; the apostles themselves, of course, were largely unlettered low-status people, and in Acts they encounter a good deal of oppression from authorities who refuse to listen to the word from God they proclaim. But this is simply not an interpretation that the text will bear. Understandably, in my view, conservatives find it troubling that Bishop Jefferts Schori does not seem to view herself as accountable to the biblical text in this sermon.


This broadens into a larger issue. Conservative Anglicans, often from the Global South, have often voiced their concern that the Episcopal Churchs position on homosexual practice is not answerable to Scripture. Rowan Williams among others has recognized that different approaches to Scripture have been near the heart of the last decades tensions; this is why the Anglican Communion began the Bible in the Life of the Church" project (its report was issued last year) in order to facilitate a better understanding of how Anglicans worldwide approach and read the Bible.


If conservative Anglicans are ever to come to a détente with liberals over the issue of homosexuality-perhaps not to agree with them, but at least to come to terms with them-it would have to involve understanding that revisionists on this issue have genuinely grappled with the authoritative text of Holy Scripture. Their persistent concern is that liberals do not do this, but rather regard Scripture as outdated and no longer authoritative for Christian faith and life in the modern world. Conservatives often fear that liberals simply pick and choose the bits of the Bible they like, and leave the rest behind.


Now, one might come to the conclusion after grappling with the authoritative biblical text that same-sex blessings may be warranted. The noted Episcopal biblical scholar Ellen Davis is one such figure, arguing in the summer 2008 issue of the Anglican Theological Review that its quite possible for conservatives and liberals to disagree on the matter, precisely while working from the assumption that no individual or church community can in good faith reach a position on this issue without reckoning seriously with Scripture." One might disagree with Davis that Scripture is as indeterminate on the issue as she thinks; she herself acknowledges that her Duke colleague Richard Hays would think so, along with many figures in the Anglican world, such as former Ugandan archbishop Henry Luke Orombi in the pages of First Things . But most Anglicans are likely to agree that Davis is a careful reader of Holy Scripture, someone who works very hard to listen for the Word of God in its pages. For several years now, she has traveled regularly to teach the Bible to seminary students of the Episcopal Church of the Sudan. In her teaching, Davis Sudanese students can recognize someone who seeks to be faithfully obedient to the Scriptures, even if they disagree with her on the shape of that obedience.


Sadly, it has become increasingly difficult for most Anglicans to recognize this quality in the Episcopal Churchs leadership, and Bishop Jefferts Schoris somewhat freewheeling sermon serves to highlight why. Some years ago, the Yale theologian David Kelsey pointed out that its axiomatic to say that the Scriptures are authoritative for the Church, since thats the very definition of what it means to say that a text is canonical Scripture. So long as many conservative Anglicans cannot see how the Episcopal Church is answerable to the authority of the Scriptures, it will remain difficult for them to see the Episcopal Church as a Church. This has a very great deal to do with the schisms of the past decade.


My title promised two sermons from the presiding bishop, and Ive only mentioned one. The second was preached in January, this time in Charleston, South Carolina. The occasion was the secession of the conservative diocese from the Episcopal Church, and her audience was comprised of those who had decided to stay and form a continuing Episcopal diocese. The story of why the South Carolinians left is a long and sad one-the diocese was one of the Churchs founders, older than the United States itself, and was one of the few growth spots in a generally shrinking Church-but suffice it to say that they felt pushed out, and did not leave until their bishop, Mark Lawrence, was inhibited in his ministry by a disciplinary board for reasons the diocese held were unfair. The national Episcopal Church is now pursuing the diocese in court, as theyve done in many similar cases (by now, theyve spent over $22 million in legal costs), seeking to recover property and assets.


Now, I myself am against such conservative departures, and I deeply regret them. But there was nothing that required Bishop Jefferts Schoris office to pursue lawsuits against these departing dioceses and parishes. The Church could have negotiated buyouts and settlements, and wished them well. They could have treated them like ecumenical partners, like the separated brothers and sisters that they are. They could have invited them as observers to the General Convention, and asked to send observers to theirs, all the while praying together and hoping for reconciliation and unity in the future. But that is not, regrettably, the path that has been taken.


The presiding bishop began her sermon with a story about a local man who not long ago made the mistake of flying his glider too close to a nuclear power plant. It was an honest mistake, but for his sins the local constabulary decided to put this septuagenarian in a tiny and crowded jail cell for over a day. Understandably, he was upset, and so were the feds - the police didnt have any right to treat the guy like that, but as of yet theres been no apology.


If you dont see the analogy yet, she goes on to make it clear:


I tell you that story because its indicative of attitudes weve seen here and in many other places. Somebody decides he knows the law, and oversteps whatever authority he may have to dictate the fate of others who may in fact be obeying the law, and often a law for which this local tyrant is not the judge. Its not too far from that kind of attitude to citizens militias deciding to patrol their towns or the Mexican border for unwelcome visitors. Its not terribly far from the state of mind evidenced in school shootings, or in those who want to arm school children, or the terrorism that takes oil workers hostage.

In essence, the presiding bishop saw fit to call Bishop Lawrence a local tyrant" and compared him with backwoods militia, terrorists, and the murderers of children in schools.


Bishop Jefferts Schoris Cura ç ao  sermon was about the value of diversity, and about the kind of spiritual blindness" that devalues difference," and can lead to oppression" and war." But many conservatives in her church likely feel that her Charleston sermon sounded an awful lot like what she preached against in Cura ç ao, that its precisely the kind of oppositional rhetoric thats accompanied all the lawsuits. For my own part, I hope that the conservatives arent the only ones who think so.


Jordan Hylden, a former First Things junior fellow, is a doctoral candidate in theology and ethics at Duke University Divinity School.


Become a fan of First Things on Facebook , subscribe to First Things via RSS, and follow First Things on Twitter.

28 Jun 19:23

The Materialists Rapture

by ft@firsthings.com (Wesley J. Smith )

There will be no more death or mourning or crying or pain, for the old order of things has passed away. (Revelation 21:4)


Proselytizers for transhumanism" claim that through the wonders of technology, you or your children will live forever. Not only that, but within decades you will be able to transform your body and consciousness into an infinite variety of designs and purposes-self-directed evolution leading to the development of post human species" possessing comic book character-like super abilities. Indeed, one day we will be god-like: In the distant future," Princeton biologist Lee Silver sighed in his book Remaking Eden, we will become immortal mental beings" as different from humans as humans are from the primitive worms with tiny brains that first crawled along the earths surface."


Wesley J. SmithTranshumanism is becoming the worlds newest religion, offering adherents the kind of hope once within the exclusive province of faith-and without the humbling concept of an omnipotent God to whom one owes prayer and thanksgiving. No need for divine forgiveness. No karmic debts to be paid by reincarnation. No need to believe in any reality beyond the strictly material universe.


Inventor extraordinaire Ray Kurzweil is probably the most famous proponent of transhumanism. Now the head of engineering for Google, Kurzweil predicts that the Singularity"-a forthcoming tipping point" of exponential technological acceleration-will unleash an unstoppable cascade of scientific advances that lead to an inevitable overcoming of physical death.


Human immortality, Kurzweil predicts, will be here by 2045, achieved through the means of uploading our minds into computers. We will have non-biological bodies," he has prophesied, allowing us to live in a virtual reality in which the virtual reality will be as realistic as the actual reality."


Other transhumanist projects include genetic engineering of embryos to produce enhanced children, living in a group consciousness, and radical body altering to better express hyper-individuality.


Transhumanism is a very serious part of many peoples lives, with countless books, articles, blogs, and university courses devoted to exploring the technology, ethics, and associations dedicated to pursuing prospects for achieving a transhuman future. Why all the attention paid to concepts once primarily within the domain of science fiction?  A big part of the appeal, I think, is a yearning to become extraordinary-without actually having to work for it. Why spend years honing ones musical talent if it can be technically engineered into the package?


But more fundamentally, transhumanism offers a materialistic replacement for the psychic damage caused when religious belief is lost or evaporates. Indeed, it strikes me that the Singularity is a materialistic echo of the eschatological belief of some Christians in a pending Rapture." Consider:



The Rapture and the Singularity are both supposed to occur at a specific moment in time.
The Rapture and the Singularity ultimately lead to deaths final defeat.
The Rapture heralds an Edenic age of peace and harmony for believers, lived in the new Jerusalem." So too the Singularity, albeit right here on terra firma.
The Rapture brings an end to all suffering for believers, as does the Singularity. Indeed, the ultimate goal of transhumanism is to banish suffering and want from the experience of materialistic life.
Raptured Christians expect to receive glorified" bodies that are both real and immortal. Kurzweils promise of non biological bodies" seems like a similar concept.

Transhumanism even holds out the promise that the dead will be raised, a core principle of Christian faith. For example, if he doesnt live long enough to become immortal, Oxford Professor Nick Bostrom-perhaps the leading intellectual light in transhumanism-plans to have his head cryogenically frozen. Once the Singularity kicks in and the resulting technology enables his reanimation, Bostrom plans to have his mind uploaded into a computer and thereby live" forever.


Meanwhile, Kurzweil is pursuing his own version of resurrecting the dead by planning to construct a technological version of his long dead father. From the ABC News report:


The 63-year-old inventor has been gathering boxes of letters, documents and photos in his Newton, Mass. home with the hopes of one day being able to create an avatar, or a virtual computer replica, of his late father. The avatar will be programmed to know everything about Kurzweils fathers past, and will think like his father used to, if all goes according to plan.
You can certainly argue that, philosophically, that is not your father," Kurzweil said. That is a replica, but I can actually make a strong case that it would be more like my father than my father would be, were he to live."

The Letter to the Hebrews states that faith is the substance of things hoped for, the evidence of things not seen." That seems to me to be a pretty good definition for the transhumanist belief that man will live forever by recreating himself in his own image. If that isnt religion, I dont know what is.   


Wesley J. Smith is a senior fellow at the Discovery Institutes Center on Human Exceptionalism. He also consults for the Patients Rights Council and the Center for Bioethics and Culture.


Become a fan of First Things on Facebook , subscribe to First Things via RSS, and follow First Things on Twitter.

28 Jun 19:21

Alckmin faz o contrário de Dilma: diminui o tamanho da máquina e corta gastos. Coragem, soberana!

by giinternet

O governador Geraldo Alckmin fez o contrário da presidente Dilma Rousseff, que vai aumentando o número de ministérios — e os gastos — para acomodar a base aliada. Leiam o que informa a Folha. Volto depois.

Por Bruno Boghossian, Daniela Lima e Paulo Gama. Volto depois.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) vai anunciar hoje a extinção da Secretaria de Desenvolvimento Metropolitano, a unificação de ao menos três fundações e a fusão de empresas públicas para cortar despesas do Estado. O pacote resultará em uma economia de R$ 127 milhões este ano e de R$ 226 milhões em 2014. O valor será suficiente para cobrir a perda de receita provocada pela revogação do reajuste das passagens de metrô e trem estimada em R$ 210 milhões por ano.
(…)
As funções da secretaria extinta serão incorporadas por outros órgãos do governo, como a Casa Civil e a Secretaria de Planejamento. A pasta de Desenvolvimento Metropolitano tinha orçamento de R$ 145 milhões previsto para este ano. Não há confirmação sobre demissão de servidores.

O governo também vai unificar as atividades de fundações como a Fundap (Fundação do Desenvolvimento Administrativo), a Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) e o Cepam (Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal), que prestam serviço de auditoria, consultoria, formação e pesquisa. Na noite de ontem o governador ainda estudava ampliar o número de fundações e empresas que poderiam ser alvo dos cortes. O tucano também anunciará a venda de bens do governo, como veículos da frota oficial, a redução do número de servidores comissionados e o corte de verbas para viagens e diárias.

Para cobrir o gasto provocado pela redução da tarifa, o Palácio dos Bandeirantes cogitou inicialmente realocar recursos disponíveis que não seriam gastos em 2013, porque eram originalmente destinados a projetos que estão atrasados. Depois decidiu ampliar a medida.
(…)

Voltei
Nunca se esqueçam disto: o transe que está aí nas ruas nasceu de uma tentativa de criar o caos em São Paulo por razões eleitorais. Alguns espertalhões tentaram pegar carona no movimento dos coxinhas das catracas e acabaram se dando mal. Como saiu tudo errado, Dilma poderia agora usar São Paulo como inspiração, em vez de propor feitiçarias.

28 Jun 19:20

Uma camiseta das Farc na guerra de rua em Fortaleza!

by giinternet

Mandam-me esta foto. Vejam ali a camiseta do fortão que, com o rosto coberto, usa um estilingue para atingir policiais no Ceará.

O símbolo que traz no peito é o das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Sim, há pessoas no Brasil — e não me estranha que ele esteja no protesto — que envergam camisas de narcoterroristas.

Moleques hoje, que eu saiba, não brincam mais de estilingue, coisas do meu tempo, do meu interior. Sei que não era muito bonito, mas o fato é que a gente matava passarinho. Hoje, quando eles começam a cantar antes das 5 da matina, penso em estilingues, confesso… Deus me livre! Hoje em dia, iria todo mundo para a Fundação Casa, acho. E teriam menos pena da gene do que dessas “vítimas da sociedade” que põem fogo em gente… É que passarinho não aquece o planeta. Um estilingue pode provocar um ferimento muito grave com pedra ou bola de gude — que, pra mim, continua a ser “fubeca”. Sim, a depender do caso, pode ser uma arma letal.

Nada de errado, não é?, em se usar a camiseta das Farc por aqui!. Afinal, o governo petista não considera terroristas aqueles valentes. Lembro-me até que Lula chegou a dar uns conselhos aos companheiros: deveriam fazer como o PT e disputar eleições. Como esquecer que Dilma Rousseff, quando chefe da Casa Civil, requisitou para trabalhar em Brasília, no Ministério da Pesca, a mulher do terrorista conhecido como Padre Medina, que está refugiado em Banânia? Numa democracia convencional, dar-se-ia um jeito de achar esse rapaz para que ele se explicasse… Mas quê! Se Dilma não teve de se explicar, por que ele teria?

28 Jun 19:20

As ruas estão um tanto destrambelhadas, mas Dilma e seus rapazes estão ainda mais. Ou: Sem safadeza e golpes na legitimidade e na legalidade, será impossível realizar o plebiscito

by giinternet

Estamos a dois dias do fim de junho. Assustada com as manifestações e o quebra-quebra das ruas, a presidente Dilma Rousseff resolveu chupar as resoluções do 3º Congresso do PT, ocorrido em 2007, e chamar a proposta de reforma política e “pacto” — aí evocando a triste memória do governo Sarney. Chegou a falar num plebiscito seguido de constituinte. Agora, contenta-se só com a consulta popular. Encontrou-se nesta quinta com presidentes dos partidos da base aliada. Eles toparam. Toparam sabe-se lá o quê. Ninguém tem noção de como as coisas funcionariam.

A presidente diz querer uma consulta sucinta, restrita a alguns pontos. Quem aparece como chefe das operações é seu homem de superconfiança, Aloizio Mercadante — a Soberana parece surda à voz de seus sacerdotes. Ela quer que parte das mudanças já valha para a disputa de 2014. Seria preciso, pois, aprovar antes de outubro. Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado — principal alvo dos protestos em Brasília —, anda mais assanhado que lambari na sanga. O homem que quer instituir o Passe Livre Estudantil (e os prefeitos que se virem) teve outra ideia genial: indagar no plebiscito se a população quer que a mudança ocorra já no ano que vem, ainda que aprovada fora do prazo. É um espetáculo! Nesse caso, seria preciso falar com os russos do STF. Tentarei ser rápido com Renan: se existe uma lei que impede mudanças no processo eleitoral a menos de um ano do pleito, mesmo a revogação dessa lei tem de ser feita um ano antes do pleito. Por que ele não propõe isso ao Congresso para ver se passa? Pelo visto, Renan acha que um plebiscito é tão legítimo que poderia até dizer “sim” a um golpe…

Mercadante fala pelos cotovelos, com ares de Marco Antônio dando ordem aos egípcios. Fala o que lhe dá na telha, o que sempre é um problema. A consulta ao povo se restringiria ao financiamento de campanha, ao sistema de eleição de parlamentares e ao voto em lista. Já houve voto distrital no Brasil, mas se perdeu na memória. Para o eleitor comum — 99% —, tudo isso é charada grega. Mais: mesmo essas três questões não se resumem a um “sim” ou a “não”. Cada uma delas comporta pelo menos três alternativas: voto distrital, distrital misto e proporcional; financiamento público; financiamento misto; financiamento com doações privadas; voto nominal; voto em lista, mistura dos dois critérios. Digamos que o financiamento continue privado: as atuais regras permanecem? Vão mudar? No caso do financiamento público, como se fará a distribuição dos recursos?

SEM PICARETAGEM, SEM SAFADEZA, SEM TRAPAÇA, SEM ESPÍRITO GOLPISTA, é simplesmente impossível resolver essa questão por plebiscito. Caso se realize, jamais a população terá sido chamada a votar em tal estado de  ignorância. Como se vai operacionalizar isso? A “vontade do povo” vai virar uma PEC ou Projeto de Lei? Poderão ser emendados pelos parlamentares ou não? Se não puderem, então seria preciso oferecer ao eleitor, na urna, a íntegra de cada texto votado, o que é impossível. Mais: quem disse que os parlamentares estariam obrigados a ser reverentes à vontade plebiscitária?

Aberta a reforma política, parlamentares estariam impedidos de tratar de outros temas que não foram submetidos ao plebiscito? As tolices vão se acumulando. Numa evidência de que anda dormindo pouco e mal, o que deixa lento o raciocínio, leio na Folha que a presidente rechaça o referendo — a consulta feita depois que o Congresso chega a um texto final — porque, disse, esse seria o pior dos mundos. Afirmou: “A população poderia rechaçar uma reforma política aprovada pelo Congresso. Ficaríamos sem mudanças, não é o que deseja a voz das ruas”.

Heeeinnn?

Como não há ninguém querendo reforma política nas ruas — alguém ouviu falar disso? —, a população pode muito bem decidir deixar tudo como está, ora essa! E aí? Mais: se o Congresso votasse uma coisa e a população rejeitasse — e isso implicaria que ela teria dito “não” à mudança, mantendo as leis atuais —, isso só provaria, então, que, nesse particular, não estaria querendo mudança!!! Se essa fala for verdadeira, isso só evidencia o estado de confusão mental em que está essa gente.

Organizar e executar um plebiscito dessa complexidade em três meses é coisa de República Bananeira. Eu não acho que governantes tenham de ser necessariamente submissos ao que se grita nas ruas. Mas, se é o caso, um dos gritos que se ouve é contra a corrupção e a ineficiência do estado. Dilma poderia começar cortando metade dos ministérios. Ficar com 20 já estaria bom. Tenho a certeza de que, cortando a metade, o governo já renderia o dobro. Seria muito pouco, claro!, mas melhor do que hoje.

Que coisa! O PT governava com razoável serenidade quando pesquisas indicavam a quase unanimidade. Bastaram algumas manifestações de insatisfação, e essa gente entrou em parafuso. Sei a quem estou apelando, mas é o que nos resta: os partidos da base aliada, exceção feita ao PT, deveriam demover a presidente dessa estupidez. Não conseguindo, espero que tenham o bom senso de ir empurrando esse negócio com a barriga. Dilma vive um momento meio aloprado, instruída por um mau conselheiro. José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, por ofício, seria a voz do bom senso. Mas quem dá bola ao Leporello?

Xiii, já fui lá pro Dom Giovanni. Melhor parar por aqui. 

28 Jun 19:16

Zeiss Touit lenses no better than the cheaper MFT lenses.

by admin

Zeiss announced that they will not any MFT version of their Touit series because they want to focus on the larger ASP-C sensors which in their mind delivers better image quality. But according to DxOmark who tested both new Zeiss lenses on the NEX-7 this statement isn’t really true. The Panasonic-Leica 25mm ($569 at Amazon) is on par with the more expensive Zeiss 32mm ($900 at Amazon). And the Olympus 12mm lens ($799) beats the much more expensive 12mm Distagon ($1250!).

So again Zeiss…what did you say? :)

28 Jun 03:26

PORTA DOS FUNDOS – “E QUEM É QUE VAI CONTAR PRO LULA?”

by giinternet

O “Porta dos Fundos” fez um vídeo sobre o momento por que passa o país. Dia desses, comentando um trabalho do grupo, lembrei o lema de Arlequim, criado por Jean de Santeuil (1630-1697): “Ridendo castigat mores” — “Rindo, moralizam-se os costumes”. Ou por outra: o riso também expressa uma visão moral da realidade, também faz crítica social, também é, em suma, político.

O vídeo faz uma leitura do que vai nas ruas com a qual, como vocês já viram ou poderão ver, eu não concordo (voltarei ao tema de madrugada), mas traduz, parece-me, uma onda de desprestígio daqueles que já se quiseram os donos da opinião pública. Nessa peça de ficção, certa “presidenta” diz a seus aliados que todos terão de cortar 20% dos roubos, o que gera, entre os políticos, um enorme descontentamento. Ela até levanta a hipótese de que, talvez, seja preciso mesmo fazer as escolas prometidas. Um chefão do Maranhão protesta: “Vai fazer escola? Não vai mais parar de fazer escola!”

Ao fim de tudo, tomada a decisão, resta a questão: “E quem é que vai contar pro Lula”?

 

28 Jun 02:18

Para tentar limpar a própria reputação, Renan Calheiros decide abrir mais um rombo no caixa das Prefeituras

by giinternet

Nunca se esqueçam de que este “reaça” aqui, como dizem alguns, advertiu que estava em curso a marcha da irresponsabilidade. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RS), tornou-se agora o fanático do Passe Livre Estudantil. É o mais novo aliado da Mayara Vivian, a futura geógrafa e ex (suponho) garçonete do MPL. Ele está a fim de mudar a sua reputação junto aos chamados “progressistas”. Agora, se o povo quer, Renan quer também.

O senador conseguiu aprovar o regime de urgência para votar a proposta. Isso quer dizer que ela vai diretamente a plenário, sem passar nem pela Comissão de Constituição e Justiça. Os estudantes que, hoje em dia, já pagam meia, terão gratuidade total. Atenção! Só em São Paulo, 10% dos usuários do sistema já têm esse privilégio. Os que pagam meia são 12% — aí incluídos estudantes e professores. Por baixo, isso elevaria a gratuidade, suponho, para perto de 20%. Será assim: basta ser estudante, não paga — pouco importa a renda familiar.

A gratuidade total e mesmo a meia passagem, na maioria dos casos, já são uma estupidez, expressão óbvia de injustiça social. Mas estes são os tempos, não é? Pois é… Vamos lá, coleguinhas progressistas da imprensa! Saiam convocando as ruas “em nome do povo”. OS MAIS POBRES PAGARÃO A CONTA.

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) tentou resistir: “Eu não sei o que diz o clamor das ruas. Mas a prudências recomenda que uma matéria dessas passe pela CCJ. Ele envolve um número enorme de recursos, não temos estimativa dos impactos. Precisamos de estimativa de quantos bilhões serão necessários para financiar o passe livre”.

Inútil. É claro que a proposta será aprovada no Senado. Os senadores não vão querer ficar de mal com o “espírito das ruas”, não é? A Comissão de Constituição e Justiça do Senado, diga-se, já aprovou uma PEC que põe o transporte entre os direitos sociais. Se é, então tem de ser oferecido de graça; será preciso haver o SUS dos ônibus, né? Espero que, ao menos, seja permitido que empresas particulares ofereçam um alternativa a quem quer pagar… Vocês sabem onde esse negócio daria: sucateamento do transporte público. É o que dá cair na conversa da Mayara Vivian. Não vou dizer que ela pensou como garçonete porque respeito a profissão.

Dilma poderia chamar o seu aliado Renan e dizer: “Isso não dá! A conta cai no colo dos prefeitos, e os prefeitos virão para cima de mim”. Para tanto, Dilma precisaria:
a: liderar — e ela não lidera:
b: ter um interlocução eficaz no Congresso — seu homem de confiança, hoje, é Aloizio Mercadante…

Se a estrovenga passar, um dos que mais vão sentir o peso, obviamente, será Fernando Haddad. A reputação deste rapaz, segundo estou sabendo, despencou. E ele nem pode acusar os “reacionários” da oposição, não é mesmo? Numa entrevista concedida à revista “Poder”, em abril, Haddad ficou muito bravo quando citaram meu nome. Babou de ódio mesmo. Afirmou que eu até fazia bem à esquerda porque demonstraria, segundo entendi, a insensibilidade da direita etc e tal. Vai lá, novo homem “sensível”! Dá o que pedem teus conselheiros “progressistas”! Faze o que querem teus aliados do Passe Livre!  

Chegou a hora de cobrar a revisão da Lei da Gravidade. Se a massa quer, Renan também quer.

28 Jun 01:20

Então… Economista bem-sucedido, de 29 anos, é preso por saque a joalheria durante “protesto”

by giinternet

Do Portal G1. Volto em seguida:
Um economista de 29 anos foi preso nesta quinta-feira (27), suspeito de furtar joias no Centro de São Paulo, durante uma das manifestações ocorridas neste mês. O homem, segundo a Polícia Civil, admitiu ter levado 41 anéis de uma joalheria da Rua São Bento durante atos de vandalismo no protesto do dia 18.

A polícia chegou até ele depois que integrantes da 1ª Delegacia Antipirataria (DIG), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), obtiveram informações sobre uma negociação de joias. O suspeito foi detido na Vila Guilhermina, na Zona Leste. Um comerciante também foi preso por receptação.

Segundo o delegado Douglas Torres, titular da DIG, o suspeito aproveitou a depredação da joalheria para recolher os anéis. De volta ao bairro onde mora, ele procurou um comerciante amigo e pediu para guardar as joias.

Detido, o suspeito levou a polícia até a casa do comerciante, onde estavam os anéis. O economista responderá por furto, e o comerciante, por receptação. O economista trabalha em uma empresa como consultor funcional, coordenando operações financeiras e assessoramento para regulamentação de empresas.

Voltei
Acho que não tenho feito outra coisa que não explicar o que está em curso, não é?

27 Jun 21:14

Problemas demais, governo de menos

by giinternet

No Estadão de hoje, José Serra, ex-governador de São Paulo, analisa em artigo as medidas propostas pela presidente Dilma Rousseff para enfrentar a crise. Serra afirma que os protestos eclodem no que chama de fim do ciclo lulo-petista e com a chegada da “estagflação”. Leiam trecho:
*
As manifestações que tomaram conta do Brasil nas últimas semanas derreteram a agenda política nacional, até então dominada pela prematuríssima campanha eleitoral, com três ou quatro candidatos já definidos. Sejam quais forem suas origens, seus mecanismos de propagação, virtudes, defeitos e consequências, o fato é que as mobilizações já produziram na vida brasileira um daqueles momentos em que “o futuro não será mais como era”, para evocar Paul Valéry.

Neste momento, partidos e governos, nas três esferas, sentem-se acuados, mas o foco principal de tensões situa-se no Palácio do Planalto, o grande responsável, aos olhos da população (e é mesmo!), pela condução do País.

O governo federal já vivia uma situação difícil, em razão do esgotamento do modelo econômico lulista: rápido crescimento do consumo, baixo investimento, forte criação empregos menos qualificados e inflação baixa. Esse modelo foi viabilizado pela notável bonança externa, juntamente com o crescimento acelerado das importações, o aumento do crédito para o consumo e a sobrevalorização cambial. Foi a época da farra de divisas e da lei do menor esforço, com estatuto semelhante ao da lei da gravidade.

A eclosão das manifestações coincidiu com o fim desse ciclo e a estagflação. Elas podem não ser efeito direto das condições da economia, mas é evidente que eclodem numa dada realidade, e não no vácuo: desaceleração do consumo em razão do menor crescimento da renda, do endividamento familiar elevado e da maior inflação; desaceleração da criação de empregos menos qualificados e falta de perspectivas para os assalariados de maior renda.

Nada pior para um governo já sem rumo do que a ventania contrária das ruas. Daí a ansiedade, a atrapalhação e a exacerbação do marketing das soluções virtuais. O emblema do desatino foi a tal Constituinte com o fim específico de fazer a reforma política. A proposta, tida como irrevogável, era de tal sorte absurda que foi revogada em 24 horas. Ficou a pergunta: como pôde a Presidência da República errar de forma tão bisonha? Agora, a fim de disfarçar o recuo, trocou-se a Constituinte exclusiva pelo plebiscito, proposta impraticável.

Além do “pacto” da reforma política, a presidente propôs o pacto da educação: 100% dos royalties do petróleo para o setor. Resumir os problemas da educação à elevação do orçamento seria equivocado. Mesmo assim, os novos recursos vindos desses royalties serão bem menores do que se alardeia, pois a vinculação só vale para contratos de exploração firmados a partir de dezembro de 2012. E eles não gerarão petróleo antes de seis anos; dentro de uns dez o total destinado à educação poderia chegar a R$ 8,5 bilhões anuais – cerca de 3% do Orçamento da União, dos Estados e municípios.

Já o “pacto” da saúde consiste em importar uns 6 mil médicos estrangeiros – a quase totalidade, cubanos. Alguém é contra água encanada ou luz elétrica? Assim, quem se opõe a que o Brasil tenha mais médicos? O problema é como fazer. Eles estão é mal distribuídos, concentrados nas regiões do País com mais infraestrutura. É preciso criar condições para que atuem no interior – e pouco se faz nesse sentido. Nada contra, é evidente, a que profissionais de outros países atuem aqui, desde que seus diplomas sejam revalidados mediante exames, que o Ministério da Saúde quer dispensar. Nota: apenas 5% dos médicos cubanos que a eles se submeteram foram aprovados.
(…)

27 Jun 21:13

PEC do trabalho escravo? O capeta disfarçado de boa intenção

by giinternet

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a chamada PEC do Trabalho escravo. Parece bacana? Claro! Quem é favorável ao trabalho escravo? Ninguém! Trata-se de uma daquelas ideias que parecem bacaninhas, mas que podem abrir as portas para o inferno. Por quê. Não tenho nada a acrescentar ao que escrevi no dia 8 de maio de 2012.
*

Nesta terça, mais uma vez, “artistas” decidiram aderir a uma causa: a tal emenda que expropria propriedades rurais e urbanas caso se constante a existência de trabalho escravo ou análogo à escravidão. Os tais artistas se reuniram com a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e com o novo ministro do Trabalho, o ex-blogueiro (é ainda?) Brizola Neto —  o programa “Primeiro Emprego” finalmente teve seu primeiro contratado, hehe. Adiante.

É claro que os artistas são favoráveis à aprovação da emenda. Afinal, eles são contra a escravidão! Não me digam! Existe alguém no Brasil que seja favorável? Ser contra o trabalho escravo é como se declarar a favor das coisas boas. Quem, a não ser os inimigos do Batman, diz o contrário?

A votação da chamada PEC do trabalho escravo ficou para amanhã. Os sites noticiosos, lotados de moças e moços com hormônios e neurônios em ebulição, noticiam que os “ruralistas” resistem à votação, são contra a emenda etc. A sugestão fica clara: essa gente malvada, além de querer destruir a natureza, ainda gosta de explorar trabalho escravo. É a chamada conspiração da ignorância a unir ministros, artistas e jornalistas a favor do bem, do belo e do justo…

A Constituição brasileira, no artigo 243, expropria terras — e as torna disponíveis para a reforma agrária — em que se encontrem “culturas ilegais de plantas psicotrópicas”. A PEC altera a redação desse artigo e inclui entre as propriedades desapropriáveis aquelas em que seja constatada a existência de trabalho escravo. Na primeira versão da emenda, só as propriedades rurais eram passíveis de tal punição. Na redação final, num tributo que o vício prestou a virtude, também se incluíram as propriedades urbanas.

Os simples de espírito, que ainda não entenderam como toca a música, hão de indagar: “Mas o que há de errado nisso, Reinaldo? Então seria aceitável a existência de trabalho escravo ou análogo à escravidão? Isso não é mesmo certo?” Pois é… Vocês me permitem uma imagem de cunho originalmente religioso, mas metáfora perfeita para o que vivemos? O diabo, além de se esconder nos detalhes, também costuma exibir uma face de anjo. Imaginem se ele tentasse conquistar almas com a sua carranca e seu cheiro de enxofre… Ninguém cairia no conto, não é?

Vamos ver
Quem define, num primeiro momento, o que é e o que não é “trabalho escravo”? Os fiscais do Ministério do Trabalho! Como a escravidão, em sentido estrito, é ocorrência raríssima, existe a tal situação de “trabalho análogo à escravidão”. E é aí que tudo passa a ser possível. As atividades profissionais e obrigações das empresas são regulamentadas por normas do Ministério do Trabalho.

O que os artistas que foram lá emprestar sua celebridade à causa certamente ignoram — e o jornalismo não está informando porque é a favor (e eu também) do “bem, do belo e do justo” — é que o trabalho rural, por exemplo, está regulamento pela Norma Regulamentadora nº 31 (íntegra aqui). Ela estabelece, prestem atenção!, DUZENTAS E CINQUENTA E DUAS EXIGÊNCIAS para se contratar um trabalhador rural. Pequeno ou médio proprietário que tiver juízo não deve contratar é ninguém. O risco de se lascar mesmo numa prestação temporária de serviços é gigantesco! NOTEM QUE ESTOU TORNANDO PÚBLICA A NORMA, EM VEZ DE ESCONDÊ-LA.

No dia 11 de abril de 2011, já havia tratado do assunto aqui. Se um empregado é contratado para trabalhar numa roça de café, por exemplo, e, por alguma razão, o dono da propriedade o transfere para cuidar do jardim e do gramado da sede da fazenda, isso só pode ser feito mediante exame médico aprovando a sua aptidão para o novo trabalho. Se não o fizer… A depender do humor do fiscal — e até o petista Marco Maia (RS), presidente da Câmara o admite —, o descumprimento de qualquer uma das 252 exigências pode render uma infração de “trabalho análogo à escravidão”. E o proprietário rural está lascado. Entra na lista negra do crédito, expõe-se ao pedido de abertura de inquérito pelo Ministério Público etc. Com a nova lei, pode até perder a propriedade.

Revejam esta foto, que publiquei aqui no passado. Vocês vão entender por que ela está aí.

canteiro-dois-pac

Leiam as exigências sobre alojamento de trabalhadores rurais constantes na NR 31:
31.23.5 Alojamentos
31.23.5.1 Os alojamentos devem:
a) ter camas com colchão, separadas por no mínimo um metro, sendo permitido o uso de beliches, limitados a duas camas na mesma vertical, com espaço livre mínimo de cento e dez centímetros acima do colchão;
b) ter armários individuais para guarda de objetos pessoais;
c) ter portas e janelas capazes de oferecer boas condições de vedação e segurança;
d) ter recipientes para coleta de lixo;
e) ser separados por sexo.

31.23.5.2 O empregador rural ou equiparado deve proibir a utilização de fogões, fogareiros ou similares no interior dos alojamentos.

31.23.5.3 O empregador deve fornecer roupas de cama adequadas às condições climáticas locais.

31.23.5.4 As camas poderão ser substituídas por redes, de acordo com o costume local, obedecendo o espaçamento mínimo de um metro entre as mesmas.

Seria eu contrário a essas condições? Eu não!!! Aliás, se o caso é discutir “condições”, sou favorável a bem mais do que isso, incluindo uma máquina Nespresso de café e uma dose de Royal Salute ao cair da tarde. Não estou fazendo blague. Estou apenas dizendo o óbvio: quanto melhor, melhor.

Ocorre, insisto, que o descumprimento de qualquer um dessas dez exigências — ou de qualquer uma das 242 outras — pode render uma acusação de trabalho análogo à escravidão. Fica por conta apenas do “bom senso” do fiscal. E vocês sabem como essa história de bom senso pode povoar o inferno.

Agora voltemos àquela foto, de Joel Silva, da Folhapress. É do alojamento de um canteiro de obras de uma construtora, que fazia obras do programa “Minha Casa Minha Vida”, na periferia de Campinas. É evidente, basta olhar, que as condições previstas para os alojamentos rurais na NR 31 não estão sendo cumpridas por uma empresa contratada pelo próprio governo federal. Cadê a Maria do Rosário? Basta fazer uma simples pesquisa para constatar que pipocam país afora acusações de alojamentos inadequados e condições precárias de trabalho em vários canteiros de obras do PAC. Pergunta óbvia: AS CONSTRUTORAS E AS EMPREITEIRAS SERÃO DESAPROPRIADAS? Vão desapropriar as oficinas de costura aqui do Bom Retiro, pertinho do centro de São Paulo? Ou a tal lei é só mais uma maneira de mirar os ditos “ruralistas”?

Caminhando para a conclusão
Se a emenda for aprovada como está, sem uma especificação mais clara do que, afinal de contas, caracteriza “trabalho escravo ou análogo à escravidão”, criando alguma instância que não transforme um fiscal do trabalho num agente de uma cadeia de confisco de propriedade, o que se está fazendo, na verdade, é recorrer a belas palavras como um truque para relativizar o direito à propriedade.

Existem meliantes que exploram o trabalho de miseráveis no campo e nas cidades? Existem! Têm de ser punidos? Têm, sim! Mas é preciso criar, então, uma lei segura, que estabeleça com rigor as condições em que se vai fazer a fiscalização e aplicar a punição. Como está, a PEC dá carta branca para o arbítrio e o subjetivismo.

Tentei saber quantos hectares foram desapropriados desde a promulgação da Constituição, em 1988, por conta da plantação de plantas psicotrópicas. Não consegui informações seguras a respeito. Sabem por que não? PORQUE O ESTADO BRASILEIRO ESTÁ DESAPARELHADO PARA COMBATER AS VÁRIAS ETAPAS DO NARCOTRÁFICO.

Enviar, no entanto, um fiscal do trabalho para uma propriedade rural qualquer e encontrar ali o descumprimento de algumas das 252 exigências é coisa mais fácil, mais segura, mais barata e ainda rende notícia positiva. É preciso saber se a gente vai ter um dispositivo constitucional para punir, de fato, os canalhas que exploram o trabalho “análogo à escravidão” ou uma desculpa a mais para ficar aterrorizando o produtor rural. A plantação de maconha no país não foi minimamente abalada pelo Artigo 243 da Constituição — até porque me informam que boa parte da maconha plantada no Brasil está, pasmem!, em áreas públicas… Não dá para desapropriar…

É claro que lerei contra-argumentos com gosto — mas contra-argumentos, não xingamentos de quem não conseguiu ler o texto até o fim porque não resiste à tentação de abraçar uma causa fácil. Também não vale responder como se eu fosse contra a proposta. Eu quero é que essa emenda estabeleça com clareza quem pode ser punido. Eu quero é que o diabo não se esconda nos detalhes da suposta boa intenção.

27 Jun 21:11

País em que há 50 mil homicídios por ano pode ser tudo, menos pacífico…

by giinternet

Eu nunca disse que o “povo brasileiro é pacífico”, não é mesmo? Se vocês recorrerem ao arquivo, verão que eu nem mesmo reconheço a existência da “categoria povo”. Ela costuma ser brandida por totalitários, fascistas ou socialistas, quando querem impor a sua agenda na base da violência, da porrada.

Os que, em nome de convicções liberais — em alguns casos, libertárias — deram suporte ideológico ou teórico às manifestações vão acabar pagando caro. Aliás, o país já começou a arcar com o custo. Não, minhas caras, meus caros, não só não me arrependo do que escrevi aqui nestas três semanas como me orgulho. A soma de insanidades já é gigantesca.

Não falo em povo, não! Nunca! Falo em pessoas. E as que moram no Brasil, considerado o aglomerado, são, na verdade, menos pacíficas do que as que moram em muitos outros países. Essa tese da passividade do povo é herança do que chamo “hipomarxismo”: a suposição é de que povo não passivo faz revolução, vai para o pau, derrama sangue por razões políticas. Bem, isso já aconteceu também por aqui.

País em que há 50 mil homicídios por ano pode ser acusado de tudo, menos de pacífico, não é? O país mata por ano mais do que a carniceira guerra civil na Síria. Onde está o nosso “pacifismo”? Se aqueles que deveriam agir com responsabilidade, com ponderação, com calma — e rejeitar, por princípio, pouco importa a causa, método violentos de ação política —, se entregam ao calor das ruas, aí as coisas se complicam.

E se complicaram. Até agora não me conformo com a falta de pensamento estratégico e de maturidade política dos que, sendo opositores, como sou, de teses totalitárias, se entregaram docemente a esse furor, como se o flerte com ele mudasse a sua natureza e como se o governo não tivesse mesmo mais instrumentos para reagir. Mas tem. E já começou. Ainda voltarei muitas vezes a esse assunto. Eu escrevi: essa bagunça submeterá o processo político brasileiro a uma torção à esquerda, como vocês sabem. Apanhei muito. Eis aí. Falta teoria política à média da imprensa brasileira. Sobra entusiasmo.

27 Jun 21:09

Mitos, farsas e má-consciência: as PMs estão com medo, e os delinquentes estão no comando

by giinternet

A cobertura que a imprensa faz dos confrontos de rua está um pouco menos, como posso chamar?, tecnicamente dolosa. Mas ainda se hesita muito em chamar vagabundo de “vagabundo”, bandido de “bandido”. E pensar que essa barafunda começou, na verdade, no dia 13, quando os manifestantes, em São Paulo, romperam um acordo com a tropa de choque, o que degenerou em conflitos e se inventou, então, a tese da “Polícia contra o povo”. E teve início a fantasia de que qualquer rua ou avenida no Brasil é a praça Tahrir.

No dia 11 de junho — antes, portanto, do fantasioso massacre de manifestantes do dia 13, inventado pela imprensa paulistana e reproduzido país e mundo agora — , este blog noticiava: “Delinquentes voltam a promover quebra-quebra em SP e atacam a polícia com pedras, paus e coquetel molotov”. Gente pacífica leva coquetel molotov para manifestações? O Movimento Passe Livre se negava a condenar a violência. Dizia que tudo era culpa da PM. Um policial foi impiedosamente espancado.

A grande mentira!
A grande mentira é esta: as manifestações nunca foram pacíficas, desde o início. Depois que se decretou que a “culpa é da polícia” e que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, debaixo de uma artilharia como nunca se viu, foi obrigada a declarar qualquer área da capital território livre para as manifestações — “sem repressão” —, estava, para lembrar imagem que usei aqui, aberta a Caixa de Pandora. Como no mito, só a esperança ficou grudada ao fundo. Os males do mundo escaparam todos.

Mais: teve início a outra tese ridícula — a da “maioria pacífica”, uma espécie, como direi?, tautologia conceitual. Quando a maioria não é pacífica, o que se tem é revolução. Aliás, também as revoluções são feitas por minorias. A questão é saber se elas são ou não usadas como instrumento de luta. Ou foram os “pacíficos” que empurraram os governadores e prefeitos contra a parede?

Peguem os conflitos desta quarta em Belo Horizonte. Repetiram, com grau exacerbado de violência, o que aconteceu no dia 13 em São Paulo. A polícia estabeleceu um limite, que foi transgredido. E o choque começou. “E os jornalistas machucados em São Paulo?” Sim, lamento! Mas bala de borracha ainda não aprendeu a distinguir profissionais de imprensa de vândalos.

O governo federal está recuperando a ofensiva no terreno político, e não há muito o que a oposição possa fazer. Com as pessoas comuns um pouco assustadas e de volta a seus lares, sobraram nas ruas a turma da porradaria e os radicais de esquerda, que já se mobilizam para dirigir de modo mais claro os ataques contra a imprensa — a mesma que incensou o movimento. E desqualifico, mais uma vez, uma mentira estúpida: o jornalismo não entrou nessa “para derrubar Dilma”, não! Entrou porque não resiste a qualquer coisa que tenha cheiro de povo.

A pancadaria come solta hoje em Fortaleza. E esses eventos se repetirão enquanto os responsáveis não forem presos e severamente punidos. As Polícias Militares, Brasil afora, estão com medo de agir. Ontem, a Comissão Nacional da Verdade, cuja ineficiência só compete com a má-fé, soltou um verdadeiro manifesto contra as PMs.

Vá lá na Suécia e diga que tudo vale a pena se a disposição não é pequena para ver o que acontece. Lembram-se do furacão Katrina, nos EUA? As vítimas foram mandadas para escolas e alojamentos. Todos estavam unidos na tragédia, não é? Os idealistas esperavam solidariedade, a ajuda mútua etc. As Forças Armadas americanas estavam lá. Mesmo assim, começaram a se multiplicar os casos de estupro, e as autoridades alertaram: “Protejam-se; não temos como evitar esses atos”.

“Ah, então o povo, deixado por sua própria conta…” Sim, é isso mesmo! É por isso que existem governos e pactos sociais. O estado não precisa ser o Leviatã, não! Mas precisa ter legitimadas as suas forças de contenção. Ou é a guerra de todos contra todos. Uma coisa é criticar os maus policiais; outra, como se fez, é deslegitimar as polícias. É visível que as PMs do Brasil inteiro estão com medo de agir. Os policiais temem parar atrás das grades por cumprir sua função.

Se a amiga da presidente Dilma, a tal Rosa Maria, da Comissão da Verdade, elege as PMs como inimigas do povo e dos direitos humanos, então está declarado o vale-tudo. Vale-tudo que setores da imprensa pediram e aplaudiram. E agora? Agora são as próximas vítimas. 

27 Jun 21:08

Marcha da estupidez – Planalto deve enviar proposta de plebiscito na próxima semana

by giinternet

Por Gabriel Castro e Marcela Mattos,na VEJA.com:
O governo pretende enviar na semana que vem ao Congresso Nacional a proposta do plebiscito para tratar da reforma política. O prazo da consulta e o conteúdo das perguntas ainda dependem, respectivamente, de uma resposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do posicionamento de líderes partidários. “A princípio a presidente pretende encaminhar ao longo da semana que vem. Mas vamos aguardar a decisão do TSE”, disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, nesta quinta-feira.

A declaração de Mercadante foi dada após uma reunião nesta quinta em que a presidente ouviu presidentes de dez partidos da base aliada sobre o tema; no encontro, que durou quase três horas, a ideia do plebiscito foi aceita pela maioria das siglas – o PP defende a realização de um referendo. “Ficou absolutamente claro que a reforma política é necessária e que o povo deve ser ouvido nessa reforma”, afirmou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, após a reunião.

Dilma receberá nesta tarde líderes de partidos aliados na Câmara e no Senado. Só depois de ouvir representantes da base e da oposição é que ela vai organizar as questões propostas ao Legislativo. Mas Mercadante já afirmou que a população decidirá apenas os “pilares” da reforma – e citou dois: o formato de financiamento de campanha e o sistema de votação para vereador e deputado.

Mercadante, que tem atuado como articulador de Dilma, disse que a consulta será feita no tempo mais curto possível, e que o tema não deve mobilizar toda a população. “Seguramente não são todos os cidadãos que vão se interessar por participar do plebiscito, mas todos aqueles que têm interesse neste debate terão espaço concreto de atuação: poder votar e ajudar a definir as prioridades da reforma política.”

O presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), foi escalado para falar ao lado de Mercadante e de Cardozo após a reunião e disse que não necessariamente as mudanças devem ser aplicadas já nas próximas eleições: “Algumas coisas devem valer em 2014, mas nem todo o conjunto da reforma necessariamente valerá para 2014. Isso é uma decisão que vai ser dada no Congresso Nacional e pode, inclusive, ser objeto do plebiscito”, disse.

27 Jun 17:21

Riddell: Kubuntu Won't be Switching to Mir or XMir

by corbet
Jonathan Riddell has announced that the Kubuntu distribution will not be following Ubuntu in its switch to the Mir display server. "Here at Kubuntu we still want to work as part of the community development, taking the fine software from KDE and other upstreams and putting it on computers worldwide. So when Ubuntu Desktop gets switched to Mir we won't be following. We'll be staying with X on the images for our 13.10 release now in development and the 14.04LTS release next year. After that we hope to switch to Wayland which is what KDE and every other Linux distro hopes to do."
27 Jun 17:21

Entendendo os motivos que levaram revistas nacionais a serem excluídas do JCR. Um esquema impressionante de dissimulação, de fazer até José Dirceu ruborizar

by Ciência Brasil
Oi pessoal
Depois de postar material do blog Ecce Medicus (e do blog da Nature) sobre revistas que foram desligadas do JCR, vejam o comentário que recebi por email. Essa pessoa que me escreveu é jornalista (e também pesquisador) e pesquisou bastante sobre os fatos. São de deixar de queixo caído (muita falta de vergonha na cara desse pessoal de comanda certas revistas no Brasil...)

Atenção, não irei revelar o nome de minha fonte !
=======================================

Marcelo, revistas científicas brasileiras usaram recentemente artimanhas para aumentar e burlar o fator de impacto (FI) sem aparentar auto-citação o que resultou recentemente na eliminação do JCR das revistas: Clinics; Acta Ortopedica Brasileira; Jornal Brasileiro de Pneumologia (JBP); Revista da Associação Médica Brasileira (RAMB) (outras revistas Tupiniquins foram eliminadas também, mas não fazem parte do que contarei aqui). Não se tem noticia de um processo de suposta fraude de revistas EM CONJUNTO na historia do JCR, que tenha resultado em eliminação conjunta de revistas. Em comum, quase todas as revistas têm editores que são professores da USP!


Como foi feito o esquema? O editor da revista “X” passou a publicar “revisões” irrelevantes com o título “o que publicou a revista Y nos anos do biênio a ser computado para avaliação do fator de impacto”, em acordo com o editor de outra revista W (ou Z) participante, provavelmente sem passar pelo processo de peer-review. Tais “revisões” ou editoriais têm um tamanho cada vez menor, com até uma página, e praticamente citando todos os artigos publicados na revista (X, Y ou Z....). Essas “revisões” ou editoriais quase sempre saem no mês de dezembro, para garantir o maior número de artigos do biênio anterior. Na lista de referencias saem até 150 citações das outras revistas "parceiras". Nunca se referem à própria revista, pois o Web os Science detectaria facilmente a auto-citação. Passaram a garantir um número enorme de citações, sem correr o risco de sair da indexação do ISI pelo excesso de citações da própria revista, como foi o caso da revista do Prof. Barbosa (que foi tema de muitos posts em seu blog).


Comece no Pubmed colocando "Rocha e Silva M" e passe os olhos nos artigos e editoriais mais recentes do autor, que vc vai entender.


Outras revisões e editoriais aparecem e vários dos artigos mais citados entre essas revistas têm como citações artigos publicados nas revistas “parceiras”, as vezes só com citações dessas revistas e nenhuma internacional. Mas é só dar uma olhada nos artigos mais citados destas revistas para verificar.


Pode-se imaginar em uma revista séria, publicar uma revisão cujo critério de inclusão seja apenas artigos publicados em outra revista do mesmo país e no período de tempo exato para ter efeito no fator de impacto?


Verificação de quem citou quem para chegar no calculo do FI de 2011 (nao tive tempo de ver em relaçao a 2012, mas vc poderá checar que a coisa piorou):


- A Clinics teve 127 artigos citados citados na RAMB em 2009/2010, sendo que entre 2002 e 2008 apenas 3 artigos! (aqui um exemplo de artigo da RAMB, de 2011, cheio de citações da Clinics) O mesmo ocorreu com a ABCardiologia que nos anos 2002-2008 citou apenas 1 artigo da Clinics, pulou para 21 artigos em 2009/2010. Também o JBP, que de 3 artigos entre 2002 a 2009 pulou para 31. Por causa da inclusão dessas citações artificiais, o FI da Clinics quase dobrou (no proprio site, sem saber que seriam eliminado, já projetavam em letras maiúsculas um FI de 2,47). Tem uma entrevista em vídeo com o editor no GloboNews, bem curiosa, vale a pena assistir, está no site da Clinics (http://www.clinics.org.br).


- O JBP que em 2008 foi citado uma única vez na RAMB, só em 2009 teve 92 citações nessa revista. Recebeu em 2010, 61 citações na Clinics (e nenhuma da Revista de Saúde Publica ou da Revista Portuguesa de Pneumo). Com o método, o JBP conseguiu mais do que dobar o seu fator de impacto.


A "vantagem" do método é que as publicações citadas relativas ao ano de 2010 contariam para o atual fator de impacto de 2012 - relativo ao biênio 2010/2011 que saiu semana passada. Mas não deu certo, o JCR detectou isto com essas revistas brasileiras e outras 66 no mundo.

Isso tudo atinge a credibilidade da ciência nacional. Distorcem o processo de avaliação do sistema de pós-graduaçao do Qualis, distorcem o financiamento CNPq/CAPES/FAPESP para periódicos, distorcem e distorcem (quase uma fraude) a avaliação dos pesquisadores para bolsa de produtividade em pesquisa, distorcem o sistema de avaliação por pares, distorcem os índices H dos pesquisadores. A produção brasileira em algumas áreas importantes da medicina, que o seu blog já discutiu como sendo de baixa qualidade, podem ter sido muito superestimadas, e por causa dessa forma "estranha" de fazer citaçõesem várias áreas da medicina.

As celebrações de que a qualidade medida por número de citações aumentou no Brasil é fantasiosa se considerarmos esse método enganador. Se não era para burlar, porque não publicaram as citações nas próprias revistas? Ou porque não publicaram como item não-citável?


O que fará o veterinário Jorge Guimarães da CAPES? E o CNPq que distribui milhões para essas revistas? O que irão fazer? Fator de impacto de primeiro-mundo e método de quinto!

www.cienciabrasil.blogspot.com
27 Jun 15:00

Kubuntu plans to steer clear of Mir and switch to Wayland

Kubuntu will continue running KDE with an X server for the time being before switching to Wayland in the mid-term
    


27 Jun 11:38

Marriage and Justice Are Wounded, But Not Fatally

by ft@firsthings.com (Matthew J. Franck )

supremecourtYou know that someone has bad news to relate when he begins by saying, well, it could have been worse." That is what the defenders of conjugal marriage are saying after the brace of Supreme Court rulings issued yesterday on challenges to that truth that is as old as the human race, that marriage is between a man and a woman. The net effect of the rulings is further damage to marriage, and to the power of the law to uphold the truth about it.


But, well, it could have been worse. In the case widely recognized as the more pivotal of the two, Hollingsworth v. Perry, in which a claim was squarely asserted that same-sex couples have a federal constitutional right to be married anywhere in the country, the majority of the justices decided not to decide. The California officials responsible for implementing Proposition 8 (the peoples amendment restoring the conjugal definition of marriage to the state constitution in 2008) would not defend it in federal court, and so the private parties responsible for proposing and campaigning for Prop 8 had to do so. 


Now, after defending Prop 8 at trial in U.S. district court, and in the Ninth Circuit, and in arguments to the Supreme Court, the proponents of the amendment have been told they lack standing to appeal the adverse trial ruling. The Supreme Court ordered the Ninth Circuits ruling vacated, with instructions to dismiss the appeal. What the correct legal status now is of Judge Vaughn Walkers bizarre district court ruling is an interesting question. But it is difficult to see any practical outcome that prevents the return of same-sex marriage to California, which had it for five months before the passage of Prop 8.


The Hollingsworth case had the most unusual line-up of justices on either side: Chief Justice Roberts for the majority, joined by Justices Scalia, Ginsburg, Breyer, and Kagan; and Justice Kennedy dissenting, joined by Justices Thomas, Alito, and Sotomayor. It is difficult to perceive any chessboard maneuvering that resulted in such a split. The decisions of the justices to range themselves on one side or the other seem to have been based purely on the standing question taken by itself, with no one positioning himself in order to prevent a ruling on the merits for fear of losing.


There is much to be said, for instance, on behalf of Justice Kennedys complaint that the decision deprives the people of California of the right to govern themselves by referenda, if the losers of a plebiscite can challenge the outcome and, with the collusion of friendly state officials unwilling to defend the peoples will, win in court what they cannot win at the ballot box. But one cannot tell, at least from this opinion of Kennedys, where he would have been on the merits he thinks the Court should have taken up.


By the same token, one can tell, from Chief Justice Roberts dissent in United States v. Windsor (on the Defense of Marriage Act), that he almost certainly would have voted in Hollingsworth to uphold Prop 8 if the merits had been reached. But he was willing to hold-insisted on holding, for plausible reasons-that the role of a referendum proponent does not confer standing to represent the constitutionality of state law in federal court. And so he led a majority that frustrated the democratic process in California, and signaled new risks for such processes in the 26 other states that use the popular initiative. But that majority at least-it could have been worse!-declined to constitutionalize a spurious right" to same-sex marriage.


It was in the less explosive, but still volatile Windsor case that the Court reached the merits, but only after considerable wrangling here too about whether DOMA could be defended in federal court by counsel retained by the House of Representatives, after the Obama administration withdrew from a legal defense of the act in court. (What is it about the cause of same-sex marriage that prompts so many of its advocates in the political class to abdicate the most elementary responsibilities enjoined by their oaths of office?) Chief Justice Roberts and Justices Scalia and Thomas would have held that in Windsor too there was no case for the Court to decide, and were thus willing to see DOMAs challenged Section 3, enacting a federal-law definition of marriage, fall prey to an interbranch political struggle in which the president has the upper hand over Congress.


But the Windsor majority led by Justice Kennedy-which included Justices Ginsburg, Breyer and Kagan, who curiously saw a party with standing here, where they did not see one in Hollingsworth-went to the merits and overturned DOMAs Section 3. The opinion was of a kind we are used to seeing by now from Justice Kennedy: long on windy rhetoric about dignity" and ad hominem attacks on the basic human decency of the laws defenders, and short on actual coherent legal reasoning from recognizable constitutional principles.


On the one hand, the ruling seems to turn on the fact that some states have recognized same-sex marriage as valid, and that some tradition" of federalism requires the federal government to conform itself to whatever the states say about marriage. On the other hand-perhaps because nothing really in the Constitution establishes such a norm of federalism for courts to enforce-Kennedy turns to a fuzzy equal liberty" claim derived from the due process clause of the Fifth Amendment. This peculiar species of what is known as substantive due process" assimilates that clause to the standards used under the equal protection clause of the Fourteenth Amendment, and carries all sorts of borrowed baggage from the latter about levels of scrutiny."


But Justice Kennedy could not be bothered with sorting out just which level of scrutiny should apply, or how the Courts Fifth and Fourteenth Amendment precedents on equality bore on the case at hand. He resorted instead to the fallacy of the argumentum ad misericordiam, a fallacy he magically redoubled with a non sequitur. The argument is that for those same-sex couples married under state law but disadvantaged under DOMAs Section 3 non-recognition of their marital status under federal law, the chief injury they suffer is hurt feelings, a dignitarian" harm. It follows-for Justice Kennedy, who has his own private logic-that it must have been the motive of the legislators who passed DOMA to hurt their feelings (never mind that such questions of motive are not supposed to dispose of constitutional questions). Therefore-again, if you are Justice Kennedy its a therefore"-DOMAs Section 3 is based on animus," and that alone is sufficient to invalidate it.


Justice Kennedys Windsor opinion on the merits deserves all the scorn heaped on it by Justice Scalias dissent, as well as all of Justice Alitos penetrating observations in his separate dissent that what is marriage?" is the key question, which the people and their representatives are entitled to decide for themselves, in Congress and in the states. Kennedys opinion is as shabby and question-begging as they say-and then some-but the real danger lies in its contemptible contempt for the millions of Americans who disagree with a progressive" redefinition of marriage that severs its connection to childbearing, mothering, and fathering.


Yet let us remind ourselves that for now, Section 2 of DOMA is intact, preserving the right of states not to recognize same-sex marriages contracted in other jurisdictions. And the right of states to control, by their own political processes, what marriage means under their own laws is still intact too. It will now be easier for the adversaries of the conjugal meaning of marriage to mount challenges to state laws, and to what remains of DOMA. The appalling rhetoric of Justice Kennedy gives those adversaries fresh ammunition in the battle.


But the battle continues, and for people who have faith in the truth, despair is never an option. Yes. It could have been much, much worse. We have a lot of work ahead of us.


Matthew J. Franck is Director of the William E. and Carol G. Simon Center on Religion and the Constitution at the Witherspoon Institute.


Become a fan of First Things on Facebook , subscribe to First Things via RSS, and follow First Things on Twitter.

27 Jun 11:36

Apertem os cintos! O piloto é Mercadante! Ou: Se o lulismo parar de sabotar Dilma, ela tem tempo de se recuperar

by giinternet

Escrevi há dois dias um texto em que brincava: “Apertem os cintos, a pilota sumiu”. Agora corrijo um tantinho: “Apertem os cintos; o piloto é Mercadante!” Alguém pode me dizer o que faz o ministro da Educação como porta-voz da presidente? Onde estão Ideli Salvatti (Relações Institucionais), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça)? Só o homem do “irrevogável” aparece para falar. Dá para entender por que a presidente anunciou, com pompa, para 27 governadores e 26 prefeitos de capitais, que mobilizaria o país em favor de uma Constituinte exclusiva, só para fazer a reforma política, e renunciou à proposta menos de 24 horas depois. Nem poderia ser diferente: ela era escancaradamente inconstitucional. Só o novo ministro do Supremo, José Roberto Barroso, renunciando ao que ele próprio dissera há menos de dois anos, pagou o mico de defender a proposta e chegou a fazer a lobby no Congresso em favor da tese exótica. Sei não… Barroso tem tudo para ser a esfinge sem segredos do Supremo. Se um dia eu achar que me enganei, venho aqui e registro o engano. Para o bem do Brasil, das instituições e do estado de direito, espero que esteja. Mas acho que a tal cantora Ellen Oléria está certa ao se referir a ele: “Demorou para abalar, mas abalou”. Mas o meu objeto agora é outro. Vocês não sabem como me esforcei para que esse povo na rua excitasse a minha inteligência. Mas, já disse, meu coração está mais duro do que o do faraó. Há uma coisinha — bem ”inha” — ou outra positivas acontecendo? Há, sim. O saldo, no entanto, a meu juízo é extremamente negativo.

Os que decidiram brincar de “Primavera Árabe” vão mesmo é nos deixar como legado um inverno de irracionalidade à brasileira. Alguns dos meus piores temores (não pisquei para o movimento quando controlado pelo esquerdista Passe Livre nem depois, quando assumiu tintas de protesto contra o PT) estão se confirmando. Agora que o movimento já está refluindo; agora que caiu enormemente o número de pessoas que protestam e que a ação dos baderneiros, que tomaram gosto pela coisa, se torna mais nítida; gora que fica claro que algumas das reivindicações fazem, sim, sentido, mas não têm como receber uma resposta urgente, temos condições de fazer um primeiro balanço. Nota à margem só para falar um pouco das flores: a emenda da PEC 37 teria caído com ou sem os protestos. O Supremo teria mandado prender o deputado Natan Donadon com ou sem os protestos. A única consequência positiva que vejo, até agora, é a aprovação, na CCJ da Câmara, do fim do voto secreto na cassação de mandatos. No geral, o que classifiquei aqui há alguns dias como “processo de torção à esquerda” do processo político está em curso.

Prejuízos
As ruas cassaram dos entes federados a faculdade de reajustar tarifas. Os serviços são ruins, a população está insatisfeita, tudo pode ser melhorado? Acredito em tudo isso e acho que é um direito reclamar. Mas a fúria bucéfala dos protestos — por mais que tenham, depois, avançado para uma agenda saudavelmente moralizadora da política, com o clamor contra a corrupção, por exemplo — impôs a estados e municípios um congelamento branco de tarifas que, não se enganem, terá consequências danosas. Mesmo serviços exemplares — como é o caso da maioria das estradas paulistas — entraram na dança. “Ah, se o Alckmin não reajustou o pedágio, é porque havia gordura!” Uma ova! Falou a contingência política. É evidente que os esquerdopatas transformariam o reajuste numa “causa”. Aliás, Mercadante, candidato ao governo de São Paulo em 2010, fez dos pedágios um tema fixo, com o apoio da imprensa paulistana. O governo federal também suspendeu o reajusta nas estradas sob o seu controle.

Vejo, por exemplo, o prefeito Fernando Haddad completamente aturdido, e, acreditem, por mais que eu o tenha como uma das referências de tudo o que detesto em política, não me diverte saber que está sendo obrigado a atuar contra princípios elementares da administração pública. Digamos que as empresas de ônibus sejam mesmo carteis (o sistema em vigor, diga-se, foi criado na gestão Marta Suplicy): desmontá-los não é coisa que se faça da noite para o dia. O prefeito suspendeu a licitação que estava em curso. É bem verdade que, se queria competência no setor, não teria nomeado Jilmar Tatto como secretario dos Transportes. Esse gênio da raça criticou um pedido de CPI para investigar a relação entre as empresas de ônibus e a Prefeitura, classificando-o de “tentativa de achacar empresários”. Resultado: cresceu a adesão ao pedido de investigação. Não é o pior que pode acontecer à cidade: já se discute abertamente no petismo, santo Deus!, a possibilidade de estatizar o sistema de transportes na cidade, o que seria a porta aberta para a ineficiência, a gastança e o sucateamento do serviço e a corrupção — um desastre do qual a capital levaria décadas para se recuperar.

Não e só em São Paulo. Governadores e prefeitos estão sendo obrigado a fazer o mesmo Brasil afora. Quanto mais os respectivos Tesouros tiverem de investir no custeio, menos dinheiro sobra para os investimentos do próprio setor público. Pior para o povo. É o modelo Mayara Vivian de administração pública. Se ela virou heroína da imprensa, com direito a entrevista no Jornal Nacional e no Roda Viva e sabatina na Folha, então está em condições de impor a sua agenda, né? Também investidores privados — penso no metrô, por exemplo — tenderão a dar no pé. “Ah, é o que dá oferecer um serviço ruim para a população…” De fato, não é bom! Mas essa urgência da reclamação, essa pauleira que impede qualquer forma de negociação, isso, com certeza, não foi gerado pelo “povo”, pelos usuários regulares do sistema, mas pelos coxinhas radicais do Movimento Passe Livre.

Reforma política e plebiscito
E há essa estupidez do plebiscito, contra a qual a oposição reagiu, para não variar, timidamente. É incrível! Não se fala grosso nem mesmo quando o governo está acuado. Imaginem, então, quando acima da carne seca… Escrevi ontem um post demonstrando que as ideias geniais de Dilma para o pacto político foram chupadas do 3º Congresso do PT, realizado em 2007. Estava tudo lá: Constituinte exclusiva, plebiscitos, o financiamento público, que o partido passará a defender… Plebiscitos e referendo, já observei aqui, são formulações simples. O eleitor é chamado, em circunstâncias muito especiais, para dizer um “sim” ou “não”. Como seria feito no caso da reforma política? Cada aspecto de uma eventual mudança demanda mais de duas alternativas. De resto, como se faria? A “vontade do povo” seria transformada em emenda ou projeto de lei no Congresso? O parlamentar estaria obrigado a votar de acordo com o resultado da consulta? Não se pode fazer isso sem violar a Constituição, razão por que, das saídas estúpidas, a menos estúpida seria o referendo: vota-se uma proposta e se pergunta ao povo se muda ou fica como está.

Mas que se note: uma e outra coisa são despropositadas, e a oposição faz muito mal em defender o referendo como alternativa ao plebiscito. Entendo que o certo seria deixar claro para a população, num momento em que a credibilidade do governo anda em baixa, que as duas alternativas são ruins; que isso é jogo de cena; que o governo, desesperado, busca uma resposta e a encontra no pior petismo.

Atenção!
A economia não vai bem, o estoque de mágicas do lulo-petismo se esgotou, mas isso ainda não chegou aos pobres, que não estão nas ruas nem cercando os estádios. A Copa das Confederações acaba no domingo, e Dilma deve ter uma folga. As manifestações de rua vão se fragmentando e perdendo aquele ímpeto de resistência cívica que lhe foi conferida pelas TVs. Daqui a pouco, sobram apenas os profissionais do protesto, com a sua aloprada agenda socialista, o que vai acabar incomodando mais os prefeitos e os governadores do que propriamente a presidente.

Dilma anunciou a sindicalistas que “vai disputar as rua”. Ela, propriamente, não tem condições de fazê-lo, mas os petistas têm. Se setores do partido que querem a volta do Demiurgo pararem de sabotá-la, ela tem condições de se levantar. Ainda que não se faça o plebiscito, é certo que a reforma política passará agora a dominar o noticiário.

“Mas e as ruas? E a luta contra a corrupção? E a luta por hospitais e escolas Padrão Fifa?’ Pois é. Se Dilma fosse Hosni Mubarak e se as massas do Facebook tivessem por trás uma, como chamarei?, Irmandade Democrática (como havia a Irmandade Muçulmana no Egito), esse movimento poderia ter longa duração. Mas não há. A oposição, já vimos, não consegue mobilizar muita gente. Pior: os protestos assumiram um sotaque antipolítica e antipartido. Além de nos faltar a tirania organizadora dos protestos, as condições sociais e econômicas ainda não predispõem à revolta, ao levante, à permanente mobilização. A questão é saber se os fanáticos de Lula vão parar de sabotá-la.

E o que terá restado de saldo? Governos com os respectivos caixas arrebentados, um petismo ainda mais mobilizado à esquerda, sedizentes representantes de movimento populares convictos de que podem parar o país quando lhes der na telha e com interlocução ainda mais estreita com o Planalto, um reforço à cultura de que o Estado é um saco sem fundo… E queira Deus que a reforma política, como a quer o PT ao menos, não tenha avançado. O pior de todos os desastres em que poderia resultar esse movimento seria a aprovação do financiamento público de campanha e a plebiscitização da democracia. Porque aí, sim, o país ficaria refém do petismo e suas franjas. Ninguém organiza “o povo” do Facebook. Mas os petralhas são, sim, organizados.

27 Jun 09:53

Casamento gay – A Suprema Corte dos EUA, à diferença do STF e do CNJ, não impôs decisão nem atropelou independência entre os Poderes. Vejam como atua uma República Federativa

by giinternet

A Suprema Corte americana é, de fato, um tribunal constitucional. Não legisla. Além de seus membros não darem festa de arromba quando são nomeados, não têm a ambição de “atender à agenda política” ou de “ouvir a voz das ruas”. Os juízes costumam ouvir a voz das leis e dos princípios da Constituição. No Brasil, as coisas são diferentes — e para pior. Setores da imprensa brasileira estão fazendo uma lambança danada com uma decisão tomada pela corte americana no que concerne ao casamento gay. Resta a impressão, a se crer em certos relatos, que ela agiu à semelhança do que fez o STF no Brasil, que reconheceu a união civil entre homossexuais ignorando um artigo da Constituição, ou, então, que se atreveu a se comportar como o CNJ de Banânia, que decidiu obrigar os cartórios a reconhecer o casamento gay, mesmo sem haver lei para isso, o que é uma piada. Nota: como sabem milhares de leitores, não tenho nada contra a união civil ou casamento de pessoas do mesmo sexo. Mas tenho tudo contra a que o STF ignore a Constituição ou a que o CNJ se comporte como se fosse o Congresso. Então vamos lá: o que fez a Suprema Corte dos EUA?

Existia uma tal Lei Federal de Defesa do Casamento, conhecida como “Doma” (na sigla em inglês) que definia o casamento como aquele celebrado entre homem e mulher. Atenção para as sutilezas: ela impedia que pares homossexuais tivessem os mesmos benefícios de leis federais — SÓ TRATAVA DAS FEDERAIS — de que dispõem os casais heterossexuais. Por 5 a 4, com voto de desempate de Anthony Kennedy, um juiz nomeado pelo conservador Ronald Reagan, essa lei foi considerada inconstitucional porque agrediria o fundamento da igualdade, garantido na Constituição. No EUA, quem decide essa questão são os Estados. Dos 50, em apenas 13 o casamento gay dispõe da mesma proteção de que dispõe o heterossexual.

Atenção para isto: à diferença do que se fez no Brasil, A JUSTIÇA NÃO SE ATREVEU A TOMAR O LUGAR DO LEGISLATIVO, ainda mais que, nos EUA, a Justiça Federal teria de se comportar como Legislativo estadual. Ao contrário até: ao dar seu voto de desempate, Kennedy tornou sem efeito a lei federal porque disse que ela agredia a autonomia que tinham os estados para decidir a respeito. Ora, se a esses é facultado reconhecer ou não o casamento gay, a lei federal criava, então, um estigma para os que decidissem em sentido contrário. Assim,
1) a Suprema Corte NÃO FEZ como o STF brasileiro, que tomou uma decisão contra um artigo explícito da própria Constituição;
2) a Suprema Corte NÃO FEZ como o STJ brasileiro, que decidiu dar uma de Congresso e impôs aos cartórios do Brasil inteiro um reconhecimento sem que exista uma lei que o ampare.

Nos EUA, a Suprema Corte respeita as competências de cada Poder. Nesta quarta, tomou posse Luís Antonio Barroso, novo ministro do Supremo. É aquele que, há menos de dois anos, afirmou que Constituinte exclusiva para fazer reforma política era inconstitucional e que, anteontem, estava no Congresso a defender, em conversas com parlamentares e em entrevista à imprensa, a… Constituinte exclusiva!!! Como advogado, atuou em favor da igualdade da união civil homo e heterossexual — contra o que estabelece o Artigo 226 da Constituição. Nesta quarta, dia da posse, deu declarações que poderiam qualificá-lo como parlamentar, como chefe do Executivo ou como paladino da Justiça, não como ministro de uma corte suprema: “Precisamos virar essa página [do mensalão]. Temos uma agenda social, uma agenda política. Precisamos olhar para a frente e avançar”. Ou ainda: “As instituições têm o dever de levar em conta a voz das ruas e procurar atender às demandas sociais”. A obrigação de um ministro do Supremo é fazer valer a Constituição. Só!!!

A decisão da Suprema Corte nos EUA, que fique claro!, não obriga os estados a tomar decisão nenhuma. Há, portanto, uma diferença abissal entre o que se fez por lá e o que fez por aqui. Nos dois casos, sem dúvida, homossexuais foram beneficiados, mas com uma diferença: nos EUA, seguiu-se a letra da Constituição; no Brasil, ela foi ignorada. A mim, reitero, pouco importa o mérito. Todos sabem a minha opinião a respeito. Mas me importo, sim, com o fato de que se possa dar à Carta uma interpretação contra a sua própria letra ou que o CNJ extrapole de maneira absurda a sua competência. Essa vocação, tudo indica, justiceira de Barroso, o novo ministro, tende a transformar o STF num partido político — afinal, partido é que têm agenda, não é, ministro? A única agenda de um tribunal constitucional é cumprir a Constituição.

Para encerrar, “cura gay”
Dentro da chamada “agenda positiva” do Congresso, que inclui até passe livre para estudante (!!!), está reprovar o Projeto de Decreto Legislativo que derruba dois trechos de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia — trechos que provocariam o escárnio de qualquer democracia do mundo porque se atrevem a regular até os eventos de que podem participar os psicólogos e os que eles podem dizer ou não. Mereceu dos movimentos militantes gays e da imprensa, que lhes é reverente, a pecha de “cura gay”. Reportagem da Folha de hoje afirma: “Manifestantes cobram a derrubada do projeto que oferece ‘tratamento’ para a homossexualidade e a renúncia do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.” É ESPANTOSO! Não existe projeto nenhum que “oferece a cura gay”. Desafio alguém a dizer onde está, a dar o seu número ou a expor o seu conteúdo. O Projeto de Decreto Legislativo é outra coisa.

Nos anos recentes, boa parte da imprensa passou a funcionar na base de slogans, pechas, simplificações militantes. É o caso da PEC 37, contra a qual escrevi dezenas de textos. Eu era contra a dita-cuja. Mas chamá-la, como se fez, de “PEC da Impunidade” era uma simplificação estúpida — e uma inverdade também. Não é verdade que o Ministério Público seja o único a investigar. Também não é verdade que seja o exemplo acabado da isenção. Não existia PEC da Impunidade, mas uma PEC que retirava do MP o poder de investigação. Não é verdade que exista um “projeto da cura gay”. Existe apenas um projeto que derruba dois trechos de uma resolução autoritária do Conselho Federal de Psicologia.

Naquele caso, a imprensa cedia ao lobby do Ministério Público. Nesse caso, cede ao lobby da militância gay. O papel da imprensa não é ceder a lobbies, ainda que sejam considerados lobbies do bem. Acho que seu papel é se ater aos fatos para informar, interpretar ou opinar — assim como creio, doutor Barroso, que juízes devam se ater apenas às leis. Quem quer ser militante político deve renunciar ao teclado ou à toga e ir paras ruas. 

27 Jun 09:52

Europe says public authorities should use open standards to save money

The European Commission has published guidelines aimed at helping public authorities to avoid dependency on individual IT suppliers. It puts the figure for potential annual savings at €1.1 billion