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20 Oct 10:04

The burial site of Copernicus was a 500-year-old mystery before...



The burial site of Copernicus was a 500-year-old mystery before archaeologists found a promising skeleton beneath a cathedral floor in 2005. There was no existing DNA to compare with the remains until a strand of the astronomer’s hair was found in one of his books, and the discovery was finally confirmed. Source

20 Oct 10:03

Witches ride brooms because they want to get high, but not...



Witches ride brooms because they want to get high, but not literally. People in the 14th century believed witches put plant oils on broomsticks and rubbed them between their legs so they could hallucinate. Historians think this is why witches riding brooms became such a popular idea. Source

20 Oct 10:02

Koala bears have you fooled. They aren’t even bears. Their...



Koala bears have you fooled. They aren’t even bears. Their fingerprints are so similar to humans’ that it’s hard to tell them apart. Oh, and a lot of them have chlamydia. WHAT ARE THEY PLANNING?? Source

20 Oct 10:01

Anger is good for you! Research suggests that expressing anger...



Anger is good for you! Research suggests that expressing anger is healthier than holding it in. It could also save you from being wrongfully accused of a crime. It’s one of the emotions police look for during questioning, because innocent people are usually pretty ticked off about being interrogated. Source

17 Oct 16:41

The word “lunatic” was once a term for people with...



The word “lunatic” was once a term for people with mental disorders believed to be caused by the moon. Until the 1700s, it was a common belief that the moon made people sick, a myth that has inspired many fictional ideas, stories, and creatures. Source

17 Oct 10:45

If someone in handcuffs is photographed in Japan, their hands...



If someone in handcuffs is photographed in Japan, their hands have to be blurred out if the image is used by the media because being shown in handcuffs implies guilt. France prohibits anyone from using the photos at all until the person has had a fair trial. Source

17 Oct 10:44

Cats carry a parasite that makes them more attractive to rats....



Cats carry a parasite that makes them more attractive to rats. Research suggests that it might cause a personality change in humans as well. Are you sure that your cat isn’t trying to control you? Source

17 Oct 10:43

There are around 200 dead bodies scattered across Mount Everest....



There are around 200 dead bodies scattered across Mount Everest. Some of them, like “Green Boots” who died in 1996, serve as trail markers for other climbers. Source

16 Oct 19:37

Crítica: ‘Trash – A Esperança Vem do Lixo’

by Vinicius Volcof

Assinado pelo inglês Stephen Daldry (Billy Elliot, 2000 e As Horas, 2003), Trash – A Esperança Vem do Lixo foi a megaprodução escolhida para encerrar o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. Com a presença dos atores Wagner Moura, Selton Melo, Rodrigo Santoro, do diretor e de outros convidados, o filme marca uma importante parceria no mercado audiovisual brasileiro, o encontro entre a estrangeira Working Title e a nacional 02 produções, em que Fernando Meirelles (Cidade de Deus, 2001) é um dos sócios.

O filme é baseado no livro homônimo de Andy Mulligan, que não especificava a cidade ambiente. O Rio foi escolhido, de acordo com Stephen e com o roteirista Richard Curtis (Simplesmente Amor, 2003), tanto pelo visual exótico, que choca os olhos pela proximidade das discrepâncias, quanto pela ascensão histórica que permite pela primeira vez que zonas outrora fechadas pelo tráfico sejam desvendadas e exibidas. Justamente por isso, pode-se dizer que um dos trunfos da produção foi sair dos lugares-comuns dos cenários paradisíacos, evitando cenas, por exemplo, em Copacabana, no Cristo Redentor ou no Pão de Açúcar – um erro fácil de cometer, o do encantamento pelos cartões postais da cidade, vide Rio, eu te amo, um péssimo exemplo de filme-cenário.

A história acompanha a trajetória de três garotos, Rafael, Gardo e Rato (Rickson Tevez, Eduardo Luis e Gabriel Weinstein, respectivamente, todos amadores, selecionados em comunidades, no melhor estilo Cidade de Deus), que encontram no lixão onde trabalham uma carteira misteriosa, contendo uma chave e um código escondido num cartão de jogo do bicho. Logo esses meninos se veem na mira da polícia corrupta, metidos numa perigosa trama envolvendo um importante político local.

Confesso que o resultado final me surpreendeu. Sentei na poltrona como raras vezes sento: desanimado, esperando um filme excêntrico, tal qual Rio, eu te amo, com uma história sem pé nem cabeça feita por estrangeiros alienados. A culpa disso vem em grande parte pelo trailer mal construído, que vende o filme como um novo Quem quer ser um milionário? (Danny Boyle, 2008), o que muito me preocupava, pois irremediavelmente seria raso, culturalmente achatado, se pensasse que Índia e Brasil são o mesmo só por fazerem parte do mesmo bloco econômico e terem dificuldades e desigualdades similares.

A fotografia de Adriano Goldman também contribui para um receio a priori, pois utiliza-se quase que da mesma palheta de cores de Antony Dod Mantle, fotógrafo de Quem Quer Ser…, com seus amarelos intensos, muita cor de terra e o moreno das peles dos protagonistas. Falando com Deuses, projeto de Guilhermo Arriaga que trata das relações religiosas e místicas em diversas partes do mundo, através de uma dúzia de segmentos guiados por diretores diferentes (em breve, crítica aqui no Posfácio), é um bom exemplo de como sair desse lugar comum e homogeneizante: os diretores Hector Babenco, do segmento brasileiro O Homem que Roubou um Pato, sobre a Umbanda, e Mira Nair, de God Room, sobre o Hinduísmo, apresentam colorações muito distintas justamente porque atentos ao que seus cenários ressoavam, sem ideias teimosas sobre as cores da cidade.

Sobre outros aspectos de Trash, é apenas justo dizer que o trio de protagonistas apresenta um resultado fantástico. Os meninos são engraçados e autênticos, sem nenhum dos cacoetes, por exemplo, de Selton Mello, que interpreta o policial Frederico, vilão da trama. Embora o ator diga que o filme fez renascer seu interesse por atuar1, ele, que ultimamente tem se dedicado mais à direção, apresenta aqui um dos piores resultados de sua carreira, intensificado por falas cheias de efeito e afetação, construindo um personagem exageradamente maquiavélico.

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Selton Mello como o policial vilão Frederico é um dos pontos fracos da trama.

Das coisas bem exploradas por esse filme está a denúncia da endêmica corrupção política e policial, atingindo um resultado poucas vezes conquistado por produções nacionais, de onde se espera, justamente pela proximidade, mais legitimidade. Alemão, recente filme de José Eduardo Belmonte sobre a operação policial no maior complexo de favelas do Rio de Janeiro, é um exemplo da má abordagem do tema. Há também produções que souberam atingir o cerne da questão, sendo Tropa de Elite (José Padilha, 2007) talvez o caso mais emblemático. Trash atinge o meio terno: seu sucesso não é estrondoso, pois a questão nunca é aprofundada, mas é eficiente ao mostrar uma corporação instrumentalizada por interesses escusos, geralmente do poder político, além de revelar cruamente sua violência numa cena de tortura numa viatura policial belissimamente executada 2.

Stepan Nercessian é o deputado corrupto Santos3, que foi enganado por seu braço direito, José Ângelo (Wagner Moura, em papel pequeno), e agora fará de tudo para recuperar os R$10 milhões e as provas que podem incriminá-lo. Provas estas que caem justamente nas mãos de três meninos miseráveis de um lixão da periferia carioca. Analisando a trama, seu grande problema é o excesso de voltas e reviravoltas e cenários por onde passam os garotos: a chave achada na carteira leva a um armário na Central do Brasil, que contém uma carta, que leva a uma penitenciária, onde recebem uma Bíblia, que os guia a um código no jogo do bicho, que revela um número de telefone, que é de um cemitério, que leva a um túmulo, onde encontram a menina Pia, que até então não tinha aparecido na história.

Esse arco deixa o espectador exausto, e aparentemente o roteirista também, que perde os rumos da história justamente no momento em que aparece Pia (Maria Eduarda), desnecessária à trama. Por um momento, pensa-se que a menina é uma aparição espiritual no cemitério, transformando esse thriller policial em algo como Nosso Lar4. Logo descobrimos que não se trata disso, mas a amarração final do roteirista Richard Curtis também não é muito melhor.

A trama da caçada à carteira resolve-se bem, mas logo cai na pieguice da lição de moral. Os meninos transformam-se em detonadores de manifestações públicas, tais quais aquelas de junho do ano passado. Os protagonistas fogem para uma vida comunitária à beira-mar, coisa meio difícil de se acreditar, e há espaço até para uma mensagem ecológica, quando Pia joga uma latinha de refrigerante no lixo reciclável. Por fim, os americanos na trama (Martin Sheen como um padre alcóolatra e Rooney Mara como uma assistente social) aparecem como salvadores dos oprimidos, completamente bons.

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O diretor Stephen Daldry com os atores americanos Rooney Mara e Martin Sheen. O filme peca quando pende a lição de moral.

Trash – A Esperança Vem do Lixo talvez seja a maior produção audiovisual já realizada no Brasil com participação da equipe local. A importância de seu diretor para o Cinema contemporâneo e o reconhecimento de outros nomes da equipe técnica e do roteirista trazem uma visibilidade que é boa tanto para o Brasil, quanto ao nosso Cinema, talvez até estimulando coproduções futuras, coisa de que o Cinema nacional precisa urgentemente, a exemplo da Argentina. Justamente por isso o filme tem de ser visto com parcimônia, problematizando seu senso estético e seu roteiro, uma vez que feito por pessoas que não são daqui, tampouco vivem a realidade nacional. No fim, Trash tem mais pontos positivos do que inicialmente esperava, mostrando até certa deferência ao Cinema nacional, com cenas que homenageiam Cidade de Deus, Central do Brasil (Walter Salles, 1998) e o gênero favela movie. Ainda assim, fica aquém de outras boas produções nacionais e certamente do que ainda pode ser realizado pelo Cinema brasileiro.

  1. Fonte: IG , visto em 09 de outubro.
  2. É sabido há tempos que a polícia do Rio é uma das mais violentas e corruptas do Brasil. Para mais, leia a crítica dupla que aborda o tema, clique aqui.
  3. Curiosamente o ator tentava a reeleição ao cargo de deputado federal neste ano, pelo PPS, mas não teve êxito.
  4. Filme espírita de Wagner de Assim, 2010, baseado no livro de Chico Xavier.
16 Oct 17:56

If you removed all the empty space from the atoms that make up...



If you removed all the empty space from the atoms that make up every single person on Earth, the entire world population would fit inside a lemon. Source

16 Oct 11:34

Andrew Wakefield, the doctor who claimed there was a link...



Andrew Wakefield, the doctor who claimed there was a link between autism and vaccines, changed the data of his research and falsified his documents to prove his theory. He was banned from practicing medicine and labeled an “elaborate fraud” in 2010. Source

16 Oct 11:34

In Florida, passersby found a manatee watching over a pit bull...



In Florida, passersby found a manatee watching over a pit bull that fell into the river and got stuck. It stayed close to the dog for 20 minutes until help arrived, then it flicked its tail and swam away. Source

16 Oct 11:33

Your body is like its own planet. There are more microscopic...



Your body is like its own planet. There are more microscopic life forms living on you than there are people on Earth. Like, trillions more. Source

16 Oct 11:32

"Is their a friend whose literally correcting you’re...



"Is their a friend whose literally correcting you’re grammar nonstop?" If that sentence made you want to die because there’s no way you can fix it, you might have Grammar Pedantry Syndrome, a type of OCD.
Source

16 Oct 11:32

Pterodactyls were not dinosaurs. They were actually flying...



Pterodactyls were not dinosaurs. They were actually flying reptiles, and their proper name is Pterosaur. A French naturalist coined the term “Ptero-dactyle” in 1809, and people have been getting it wrong ever since. Source

16 Oct 11:32

Exposure to cold makes body fat easier to burn. Scientists found...



Exposure to cold makes body fat easier to burn. Scientists found that putting ice packs on problem areas can burn extra calories. Combine that with 10 minutes of shivering, which burns as many calories as an hour’s exercise, and you could literally freeze your butt off. Source

16 Oct 11:31

A London company has designed a pen that lets you draw actual...



A London company has designed a pen that lets you draw actual objects. The Lix 3D Pen prints out melted plastic that cools as you use it, so you can build, sculpt, or design in 3D by “writing” with the pen. Source

16 Oct 11:31

Where there are wolves, there are ravens. Ravens follow wolves...



Where there are wolves, there are ravens. Ravens follow wolves around a lot, mostly because they just seem to like them. They aren’t known to follow other predators and they prefer to eat with the wolves instead of alone. Source

16 Oct 11:29

The Maine Coon is the largest and 3rd most popular domestic cat...



The Maine Coon is the largest and 3rd most popular domestic cat breed. They are literally the size of an average 2 year old. It’s no wonder people say their pets are their kids, cuz that thing is flippin’ huge. Source

16 Oct 11:28

Jessica Cox was born without arms. Now she’s the...



Jessica Cox was born without arms. Now she’s the world’s first armless pilot. Oh, and she can also type 25 words per minute, has a black belt in Taekwondo, and is a certified SCUBA diver. Source

16 Oct 11:26

5 and 6 year old children exposed to religion have more...



5 and 6 year old children exposed to religion have more difficulty telling the difference between fact and fiction, and according to a recent study they were less likely to label characters in fantasy stories as fictional. Source

16 Oct 11:26

Back in the day, Detroit factory workers spray painted cars by...



Back in the day, Detroit factory workers spray painted cars by hand. The excess paint drippings mixed into different colors and hardened into “Fordite,” which is often used to make jewelry. Source

16 Oct 11:25

You can only remember 4 things at a time. Unless you’re...



You can only remember 4 things at a time. Unless you’re repeating or memorizing new information, your working memory is limited. The reason people remember phone numbers is because the numbers are in 3 groups of 4 digits or less. Source

16 Oct 11:24

If you step into the Dead Sea and lean back, you’ll float...



If you step into the Dead Sea and lean back, you’ll float in the water because it’s so buoyant. You pretty much can’t sink in the Dead Sea unless you really, really want to, and even then you’d need something to weigh you down. Source

16 Oct 11:23

A 6th grader from Pennsylvania discovered that if the U.S....



A 6th grader from Pennsylvania discovered that if the U.S. government changed the font of their printed documents they could save almost $400 million a year. Source

16 Oct 11:22

In Ixtapaluca, Mexico, there’s a housing complex that...



In Ixtapaluca, Mexico, there’s a housing complex that looks like a city made of toys. Source

16 Oct 11:22

London’s new driverless Tube trains are scheduled to debut...



London’s new driverless Tube trains are scheduled to debut in 2020, equipped with digital screens, on board WiFi, and air conditioning. Side note: They also have wider doors so you won’t have to push people out of the way just to get to work on time. Source

16 Oct 11:21

We successfully built atomic bombs more than 20 years before we...



We successfully built atomic bombs more than 20 years before we figured out disposable lighters and handheld calculators. Source

16 Oct 11:20

There’s a monument at Saratoga National Park in New York...



There’s a monument at Saratoga National Park in New York that’s dedicated to Benedict Arnold’s leg. Only one leg, though. The rest of him, not so much. Source

16 Oct 11:09

Crítica: Garota Exemplar

by Isadora Sinay

Todo cineasta tem certas influências chaves, os autores que, em um primeiro momento, moldaram seu entendimento e sua percepção do cinema. Para mim, David Fincher foi um deles: seus filmes foram os primeiros em que descobri o cinema enquanto tecido, linguagem e forma manipulável. Para ele, e nesse filme isso se torna mais claro do que nunca, Hitchcock é um pilar de formação.

Garota Exemplar é hitchcockiano até os ossos. A referência está na atuação de Rosamund Pike, loira, impecável, alternando e misturando o charme de uma Grace Kelly com a impenetrabilidade de Kim Novak em Vertigo, ou Tippi Hedren em Marnie, na fotografia contrastada e no plano que faz o motel de beira de estrada notavelmente parecido com o Bates Motel. Está também, mas do que em tudo, no clássico whodunnit.

O whodunnit é uma estrutura dos romances e filmes policiais em que o espectador é levado a se envolver na investigação junto com os personagens. Pistas e informações são fornecidas de modo que ele possa formar um quadro mental em sua mente até que a verdade seja revelada no clímax da narrativa. O que acontece é que quase sempre essas histórias são conduzidas por narradores pouco confiáveis e o whodunnit, quase que invariavelmente, aponta o espectador na direção errada.

Com cem anos de cinema, a maior parte dos espectadores já está escolado o suficiente para saber que o vilão dificilmente é aquele para quem todas as pistas apontam. Não haveria surpresa e prazer na resolução se fosse assim. David Fincher sabe disso. E sabe também que, ao adaptar um livro policial, boa parte de seu público já sabe exatamente o que acontece e, assim, ele opta pelo que é o maior mérito de sua adaptação: Garota Exemplar não é sobre o mistério.

Fincher entrega a resolução antes da metade do filme. A partir daí o que era uma história de mistério torna-se um thriller de perseguição e um mergulho na mente de uma psicopata. O gênero policial sempre interessou a Fincher, mas em todas as suas investidas na forma (Seven, Zodíaco, mesmo Os Homens que Não Amavam as Mulheres) a resolução em si é o que menos importa, mas a complexidade da trama, a confecção do tecido.

E aqui ele reflete a trama impecável de Amy Dunne na forma de seu longa. No início, Garota Exemplar é um filme de costuras invisíveis. Os planos fluem suaves de um para os outros, toda a direção de arte tem um tom mortiço de cinza azulado, não há nada de característico ou especial nos enquadramentos, fotografia, escolhas estéticas em geral. Todo o filme é como a grande imagem da garota desaparecida estampada em um cartaz: bela, mas fria, sorriso congelado, correta, exemplar e sem alma.

O único sinal de que algo está errado vem pela trilha de Trent Reznor e Atticus Ross: ela acompanha a história quase imperceptível, mas dissonante, incômoda. Reznor é um gênio da música que soa como um pesadelo e sua parceria com David Fincher vem se mostrando cada vez mais apropriada. Conforme as informações se desencontram e a narrativa se torna complexa, também os planos vão se complicando, as cores esquentam, o ritmo da montagem acelera e a trilha cresce. Até o momento em que tudo vira ao contrário.

Garota Exemplar é narrado por Amy Dunne e sua obsessão é justamente a perfeição: um casamento perfeito, um marido moldado perfeitamente as suas vontades. O início do filme, especialmente os flashbacks, é todo envolto em uma aura de sonho, uma perfeição quase irritante. Como a da personagem que Amy inspirou.

A dissonância entre a imagem e a realidade, nossa tendência a contar histórias de uma felicidade impossível e, principalmente, o poder gigantesco das narrativas vem sendo o tema do diretor desde A Rede Social e Fincher torna essa história sua história no tratamento desse tema. Nick Dunne é uma vítima do circo da mídia e o espectador tão manipulado por Amy quanto todo o país. As histórias que contamos, Fincher lembra, são poderosas. Sociopatas (o Mark Zuckeberg de A Rede Social pode não ser Amy Dunne, mas não é nenhum exemplo de empatia) são casos extremos, mas todos nós corremos o risco de acabar vivendo a vida que contamos. Em determinado momento de A Rede Social, uma garota pergunta “se eu fui a uma festa e nenhuma foto apareceu no facebook, eu realmente fui a essa festa?”

O discurso de Amy sobre ser “uma garota legal” é exatamente sobre isso: a vida e os relacionamentos não esperam que sejamos quem somos, mas uma versão enfeitada, açucarada, melhor contada. Amy leva ao extremo a ideia de que é possível vencer na vida sendo apenas a pessoa que conta a melhor história e o advogado de Nick concorda plenamente com essa afirmativa.

A coisa mais interessante do filme é esse reflexo, essa metalinguagem explícita. É um mistério hitchcockiano extremamente autoconsciente, ao mesmo tempo eficiente e mais interessante do que uma pura história de mistério. Por outro lado, é o menos memorável dos filmes de David Fincher desde O Curioso Caso de Benjamin Button. Garota Exemplar não tem o formalismo frio e experimental de A Rede Social nem a animalidade e a crueza de Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Transita em algum lugar no meio e é um dos filmes mais assumidamente comerciais de Fincher.

Isso não é um problema, mas o sucesso comercial requer sempre uma diluição, uma adequação. Fincher dilui o que é desconfortável nele sem perder sua identidade como autor, o que é um desafio gigantesco e dificilmente vencido. O que mais fica claro nesse longa é seu domínio dos mecanismos do cinema e a brincadeira entre forma e conteúdo que isso lhe permite fazer: Fincher, como Amy, manipula seus espectadores porque ambos entendem que a verdade nada mais é do que parece ser e, portanto, é preciso fazer parecer a coisa certa.

Pike, aliás, está soberba como Amy Dunne, convincente, mutável, maleável. Neil Patrick Harris faz um bom trabalho em abandonar sua persona adorável e tornar-se alguém quase tão detestável quanto a própria Amy. Ben Affleck, que nunca foi um grande ator, sai-se razoavelmente bem e seu carisma natural é essencial para que Nick funcione enquanto personagem.

Garota Exemplar é um bom filme, eficiente e ao mesmo tempo complexo. Talvez sem a força de trabalhos anteriores do diretor, mas ainda notável, uma homenagem e um reforço do que Hollywood tem de melhor.