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13 Feb 10:39

CICLOTURISMO: PEDAL NO DANÚBIO 2014

by Marici Slavec
Nessa viagem teremos castelos, mosteiros, alpes e uma passadinha na Oktoberfest.

INSCRIÇÕES ATÉ 27/06/2014
SOMENTE 3 VAGAS

PERÍODO: 14 à 27 de setembro
14 dias/13 noites, 
6 dias de viagem de bicicleta trecho Passau-Viena: cerca de 310 km
Média de 50 km percorridos diariamente quase 100% plano

01 Vaga para casal 
09 Vagas individuais 
Número mínimo de 5 participantes

Com desembarque em Munique, o trecho a ser percorrido entre Passau e Viena é chamada de “Rota Clássica”. Nessa região passamos pelo Vale de Wachau coberto de vinhedos com seus castelos, igrejas e mosteiros. De Viena, capital do antigo Império Austro-Húngaro, a viagem prossegue de trem até Salzburg com passeios pela cidade e redondezas. Quase todo o roteiro está 

 listados pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.




14/09 – Chegada em Munique (melhor opção de chegada em vôos pela manhã)

15/09 – Bike Tour em Munique (parte do dia livre)

16/09-  Partida para Passau de trem pela manhã

17/09- Passau- Schlögen ca. 43 km

18/09- Schlögen – Linz, ca. 60 km

19/09 - Linz – Grein, ca. 55 km

20/09 - Grein – Pochlarn, ca 40 km

21/09  - Pochlarn-Melk(9km)+ Dürstein (trecho de barco 30 km) continua de bike até Tulln, ca. 58 km

22/09 - Tull – Viena, ca. 40 km

23/09- Viena (dia livre)

24/09- Viena-Salzburg (viagem de trem) ; conforme condições climáticas visita à montanha de Untersberg

25/09 – Dia livre 

26/09 – Conforme as condições climáticas previsão de uma excursão de onibus para Berchtesgaden ou para uma mina de sal

27/09 - Partida )com possibilidade de passar na Oktoberfest em Munique por algumas horas- trata-se de passeio independente)



CLIQUE AQUI PARA VER O ROTEIRO MAIS DETALHADO:
http://pedalnodanubio.blogspot.com.br/2013/12/roteiro-da-cicloviagem.html

ASSISTA AO VÍDEO DA VIAGEM SET.2013 
https://www.youtube.com/watch?v=823VK6RmomI

PREÇOS E FORMAS DE PAGAMENTO EM EUROS (TURISMO):

Hospedagem em quarto duplo (apenas para casal)  - 1870 euros por pessoa
Forma Pagamento: 500 euros na inscrição, 600 euros em julho, 600 euros  em agosto e o restante em cash (170 euros) no dia da chegada em Munique.
Opção sem 3 noites em Salzburg: 1580 euros por pessoa


Hospedagem em quarto individual (exceto um pernoite em Grein em quarto duplo com 2 camas separadas)  -  2180 euros
Forma Pagamento: 500 euros na inscrição via depósito bancário cotação do dia,  700 euros em julho, 700 em agosto e o restante (280 euros) em cash no dia da chegada em Munique;
Opção sem 3 noites em Salzburg: 1880 euros

Incluso: 

Ø      Pernoite em hotéis e pousadas  4 estrelas (Passau, Schlogen, Linz, Tulln e Viena) e 3 estrelas (München, Salzburg, Pöchlarn e Grein)  com café da manhã;

Ø      Recepção na chegada em Munique- como iremos para a cidade de trem (1 hora de viagem), as chegadas tem que ser em horários aproximados. Ou seja, é necessário combinar a chegada de cada um. Existe a possibilidade de transfer

Ø       Passagens de trem: Munique-Passau e Viena-Salzburg; 
Ø      Transporte de bagagem de hotel à hotel durante a viagem de bicicleta trecho Passau-Viena (1 volume de 20 k por pessoa). Atenção:nos trecho de trem entre Munique-Passau e Viena-Salzburg cada um leva sua bagagem que deve ser fácil de ser transportada;

Ø      Aluguel de bicicleta para o Bike Tour em Munique (modelo City) e 7 dias no percurso Passau-Viena (modelo touring 21 marchas com jogo de alforges por quarto);

Ø      Trechos de barco pelo Danúbio (teremos duas travessias de balsa e uma viagem de barco)

Ø    Serviço de guia brasileiro desde a chegada no aeroporto em Munique até a partida em Salzburg.

Não está incluso:

Ø      Passagem aérea, refeições (almoço ou lanches, jantar e e seguro viagem (é obrigatório o turista brasileiro ter seguro segundo o Tratado de Schengen). Quem comprar passagem aérea com cartão de crédito Platinum ou superior tem cobertura deste seguro sem custos);
Ø      Transporte público urbano nas cidades de Munique (15.09), Viena e Salzburg

Ø      Passagem Salzburg-München Aeroporto (Bayern-Ticket): 24 euros (1 pessoa); 28 euros (2 pessoas)

Ø      Entradas de museus, parques e concertos;

Ø      Passeio em Berchtesgaden– cerca de 40 euros entre passagem de onibus, passeio no Königsee (Lago) e outro onibus até o Ninho da águia ;

Ø      Passeio às Minas de Sal (preço à verificar no local)

Ø      Sugestão para aquisição do SalzburgCard 72 horas válido para transporte público, teleféricos, passeio de barco no Rio Salzach, entrada na Fortaleza e diversos museus (41 euros);

IMPORTANTE: Não temos carro de apoio

PASSAGENS AÉREAS: Só devem ser adquiridas pelo participante depois da confirmação da viagem terrestre. Temos parceria com a empresa www.plusoneturismo.com.br. Contato: Luciane Campagne pelo email: luciane@plusoneturismo.com.br

HOTÉIS:
INSCRIÇÕES E MAIORES INFORMAÇÕES ENTRE EM CONTATO COM O E-MAIL: maricislavec@yahoo.com.br

Marici é bibliotecária, estudou alemão no Goethe-Institut e utiliza a bicicleta como meio de transporte desde 2006 na cidade de São Paulo. Realizou várias viagens para Alemanha, Áustria e Eslovênia, sendo duas delas descritas nos seguintes blogs:

Facebook: Marici Slavec




21 Jan 13:12

O que é feminismo?

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Marília Moschkovich

A história é comum: “não sou feminista, sou feminina”, dizem muitas mulheres. Mulheres fortes, independentes, que aprenderam ao longo da vida que não devem nada a ninguém e podem cuidar da própria vida. Mulheres que se recusam a se enxergarem como inferiores ou incapazes só por serem mulheres. Que correm atrás dos sonhos, que planejam, se organizam, fazem acontecer. Mulheres bem sucedidas, no trabalho, no amor, nas amizades. Mulheres como tantas mulheres que conheço - e que vocês também conhecem -, que são verdadeiros exemplos. Que dão força a outras mulheres e acreditam que o mundo pode ser mais justo, mais igualitário. Que desejam um mundo em que nenhuma menina seja impedida de ser ou fazer o que quiser com sua vida - beijar quantas pessoas desejar, estudar o que bem entender, seguir certas carreiras, ter ou não ter filhos na hora em que achar que rola.

Mulheres como você, como eu.

É impressionante o que acontece na vida dessas mulheres quando elas conhecem outras mulheres assim. Aos poucos, compartilhando experiência e conhecimento, vão percebendo que, bom, talvez elas sejam afinal de contas feministas. Descobrem que “feminista” não é só aquela que milita, participa ativamente de um movimento ou escreve blogs por aí. Em todo seu poder interior, que encontram quando encontram outras como elas, muitas delas descobrem que desejam esse poder para outras mulheres também. Feminismo é isso aí: seja num movimento social, num blog, numa ONG ou em seu cotidiano, se orientar pela ideia de que, como você, todas as mulheres merecem a oportunidade e a possibilidade de realizar seus sonhos e viver com liberdade.

Já ouvi essa história centenas de vezes, e ela nunca deixa de me surpreender; de me emocionar; de me motivar. Pode vir de uma amiga antiga que descobre que é feminista, pode vir de um email enviado por uma leitora do meu blog que casou aos 14 anos de idade e abandonou os estudos pra cuidar do marido, e agora deseja se formar e seguir os próprios sonhos. Pode vir de uma aluna ou ex-aluna que começa, com a beleza que só os adolescentes têm, a questionar padrões sociais e sentir o peso de algumas estruturas simbólicas da nossa cultura. Não importa. A história é quase sempre essa, e é sempre incrível.

No ano de 2013, o feminismo ganhou mais espaço na mídia digital e mesmo na mídia mainstream, hegemônica.

A sensação para muita gente ainda é um pouco controversa: se em termos de direitos as mulheres são tratadas, na lei, como sujeitos dignos, cidadãs, etc., então por que o feminismo ainda existe? Será que não é um tanto ultrapassado? O que é, afinal, “feminismo”? Por que as feministas e políticas públicas falam tanto em “desigualdade de gênero”? Homem e mulher não são condições biológicas? Como isso tudo é visto no feminismo dos dias de hoje, que não precisa mais lutar por direito a voto para as mulheres? Existem homens feministas? 

Como todo movimento, o feminismo é um tanto plural, diversificado (ainda bem!), e tem muita coisa a dizer. É comum, porém, que nos deparemos com essa coisa enorme e não saibamos muito bem pra onde olhar, o que ler, de que fontes beber, como nos informar sobre o tema.

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Por isso, eu, o Cinese e o Gangorra elaboramos quatro encontros temáticos, em Sampa, sobre feminismo. A ideia é apresentar, em termos gerais e fáceis de entender, esse movimento tão complexo e tão necessário, a quem deseja conhecê-lo um pouco melhor. O objetivo é que, no fim de cada encontros, os participantes consigam ter sua curiosidade aguçada para continuar fuçando esse assunto, descobrindo seus próprios caminhos, e seguindo as leituras e referências que julgarem mais interessantes.

Os quatro encontros que propomos são uma espécie de mapa: para você, que ainda está flertando com o feminismo, conseguir ter uma visão geral sobre ele e decidir que pedaço vai começar a explorar!

No primeiro encontro, bateremos um papo sobre algumas categorias básicas que o feminismo usa pra entender o mundo, como “sexo”, “gênero”, “mulher”, “homem”. Será uma apresentaçãozinha simplificada pra responder à seguinte questão: qual é a causa feminista?

Na segunda ocasião, um pouco da história e das tendências do movimento serão reveladas. Quem participar dessas três deliciosas horas de conversa sairá com a cabeça cheia de vontades e com uma listinha de pessoas, filmes, livros e ideias pra conhecer mais a fundo. Prometemos. Mesmo.

Depois, um terceiro encontro vai tratar de uma questão contemporânea do feminismo, e muito essencial numa sociedade tão complexa quanto a nossa: intersecionalidade. A “intersecionalidade” nada mais é do que a compreensão de que há diferenças entre as próprias mulheres, que lhes colocam em posições sociais distintas e tornam sua experiência de “ser mulher” em sociedade muito diferentes. Será um belo de um chacoalhão, preparem-se!

Pra terminar as sessões, um quarto encontro com duas convidadas (uma militantes do transfeminismo e outra do feminismo negro) vai nos dar uma dimensão mais aprofundada da ideia de intersecionalidade. Como os setores feministas que lidam com mais de uma opressão ao mesmo tempo fazem sua militância, seu ativismo? Que estratégias escolhem para travar suas batalhas? Como sua atuação transformou e transforma o próprio movimento feminista hoje? Pra quem curte conhecer pessoas e experiências incríveis, esse encontro é um prato cheio!

No fim das contas, se você tem alguma vontade de conhecer o feminismo um pouquinho mais, essa é uma maneira divertida, gostosa e riquíssima para fazer isso! Garantimos caraminholas na cabeça, fascínio nos olhos e desejo no coração de quem vier! ;)

Quem sabe você já é feminista e nunca reparou?

Marília Moschkovich é socióloga, educadora, ativista, jornalista, escritora e outras coisinhas mais. Escreveu no Blogueiras Feministas, e escreve, agora, uma coluna semanal no Outras Palavras

20 Jan 13:05

Como os “rolezinhos” salvaram Roseana Sarney

by fcdsantos

Quinze dias atrás, a explosão de violência no Maranhão era a pauta do país. O descaso com a segurança; a brutalidade nas cadeias; a lambança dos políticos; Ana Clara Souza, 6 anos, morta em holocausto; a responsabilidade da governadora Roseana e do clã Sarney.

 Como os “rolezinhos” salvaram Roseana Sarney

Chegaram a propor o impeachment de Roseana Sarney. Balões de ensaio em colunas de jornal sugeriam que o governo federal poderia abandonar Roseana à sua própria sorte. Dependendo do desenrolar do caso, o PT retiraria o apoio à sua reeleição. A extensa ficha corrida de José Sarney foi relembrada. Aqui no blog, lembrei os eleitores que, no Brasil, votar é sempre votar nos Sarney.

Assunto encerrado. A pauta do momento é o… rolezinho. São grupos de jovens da periferia, que marcam de se encontrar em shoppings, às centenas. A maioria, menores de idade da Zona Leste de São Paulo.

role ok1 Como os “rolezinhos” salvaram Roseana Sarney

Apesar da rapaziada não cortar cabeça de ninguém, não incendiar criança, e muito menos meter a mão nos cofres públicos, o rolezinho ocupa as manchetes, os jornais da TV, os comentaristas. Rende papo nas padarias. Todo mundo tem sua posição. A presidente da república até convocou os ministros para discutir o rolezinho.

E o Maranhão? Sumiu das manchetes. As cadeias se mantêm sob controle das mesmas facções. Os mesmos poderosos continuam dando as mesmas cartas. Continua sendo o segundo Estado mais miserável, ignorante etc. do país, padrões subsaarianos de existência, após cinco décadas de domínio dos Sarney. O entregador Marcio Ronny, que tentou salvar Ana Clara, continua internado, com 70% do corpo queimado. Mas isso não importa agora. O que importa é o rolezinho.

O primeiro rolezinho aconteceu em 8 de dezembro. Mas virou o tema político-policial mais quente do país nesta última semana. No dia 11, a PM, retirou com a truculência habitual um grupo de 400 jovens do Shopping Itaquera, alegando que houve arrastão. Dia seguinte, um guarda municipal foi agredido durante um rolezinho. A temperatura esquentou. Novos rolezinhos foram marcados, em outros shoppings, e outras cidades.

O que tanto eles vão fazer no shopping? O que adolescente faz? Adolescente bagunça. Jovem quer diversão, quer causar, quer dar uns pegas em alguém. As entrevistas com meninos e meninas repetem sempre o mesmo: eles se arrumam e vão lá pra dar uns beijos em alguém, cantar uns funks, dar risada e comer cheeseburguer. No meio de tanta gente vai ter quem apronte? Previsível.

O Movimento Sem-Teto também marcou seu rolé, "em apoio a esses jovens da periferia que não têm acesso a nada". A juventude do PT declarou apoio aos rolezinhos. A OAB disse que é uma "continuidade das manifestações de junho". Entidades denunciaram que a repressão aos rolês é "apartheid", símbolo de tudo que há de errado em nossa sociedade. Os shoppings, onde os garotos dos rolezinhos compram seus tênis Mizunos, se resguardaram juridicamente. Quer entrar, mostre o RG; se zoar, vai pagar uma multa de dez mil reais. Rolezinho atrapalha as vendas, tirando as do McDonald's.

Para acabar de armar o circo, o senador por São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, foi ao Twitter denunciar os rolezinhos. Cortejava o grupo que o elegeu, classe AB, segmento que, aliás, gera a maior fatia do lucro dos shoppings. Naturalmente, quem se opõe aos tucanos ganhou mais munição para gritar aos quatro ventos: preconceito! Racismo!

E tome reportagens histéricas na tevê. E tome teorizol e sociologês. Tome artigos e manifestos e tweets e posts no Facebook bradando alto contra a exclusão. Explicando que o rolezinho é uma atitude política. Que é continuação dos protestos do ano passado. Que se trata dos jovens excluídos contra os poderosos, e tal e pá.

Foi tanto barulho sobre os rolezinhos que esquecemos o Maranhão. Tanta revolta com o abismo que separa nossos poucos ricos e muitos pobres, e Roseana está sã e salva. Os Sarney saem novamente incólumes. Impeachment? Imagine. Apoio total do governo federal? Com certeza. Quem mais gritou defendendo os rolezinhos não teve voz nenhuma para atacar a governadora. Tudo de volta à "normalidade" maranhense. O ministro da Justiça até aproveitou e saiu de férias.

Boa hora para ouvir com atenção Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, amigo e advogado da família Sarney. Ele é defensor dos ricos e poderosos, e especialista em causas midiáticas. Ajudou Roberto Carlos a recolher sua biografia não autorizada das livrarias. Defende Gustavo Perrela, deputado em cujo helicóptero foram apreendidos 445 quilos de cocaína. Livrou Duda Mendonça do mensalão. Defendeu 17 ministros do governo FHC, e também José Dirceu.

 Como os “rolezinhos” salvaram Roseana Sarney

Kakay é, em uma palavra, o melhor. Porque quase sempre enterra os processos antes deles irem a julgamento. Sua arte não é convencer júris. É virar o jogo antes, atuando nos bastidores e pautando as manchetes.

Em 2002, Roseana Sarney tinha sido ungida por um grupo de superpoderosos da política, indústria e imprensa como a candidata da situação, a que tinha mais chance de derrotar Lula. Sua candidatura foi abatida quando a Polícia Federal encontrou R$ 1,34 milhão, em dinheiro, na sede da empresa Lumus, sociedade de Roseana com seu marido (artes de José Serra, dizem até hoje os boatos; figura desagradável, mas se verdade, agradeço de coração).

Kakay evitou a abertura de processo para investigar a origem do dinheiro. Em um ano, as notas apreendidas foram devolvidas à Lumus. Em entrevista ao Valor, Kakay não resiste à galhofa: "o dinheiro inclusive serviu para pagar meus honorários."

Conectei Kakay com os rolezinhos quando ele explicou, com o mesmo humor, a útil e sutil arte de enterrar um caso cabeludo, chocante, que está nas manchetes - como, digamos, a recente (e permanente) crise no Maranhão. "Tem que dar a sorte de aparecer um escândalo maior", diz Kakay. Ou criar um onde não há.

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29 Nov 15:54

Quando pirataria é legal – e quando é imoral (estrelando M.I.A., Batman e Gene Kelly)

by fcdsantos


dourado Quando pirataria é legal   e quando é imoral (estrelando M.I.A., Batman e Gene Kelly)

M.I.A lançou um novo disco. Eu comprei. Custou 19,99 dólares, uns 46 reais. Baixei legalmente via iTunes. Posso ouvir no computador, tablet, celular. Caro paca. Eu podia ter baixado de graça. Porque paguei?

Não vamos discutir legalidade. Lei regendo conteúdo digital é assim em um país, assado em outro, e difícil de fazer valer em qualquer lugar. E a discussão jurídica neste caso parece que só tem dois lados: a indústria do conteúdo querendo fazer valer leis de copyright impossíveis. E o partido pirata querendo que todo mundo dê o conteúdo sem cobrar.

Estou exatamente nesta encruzilhada. Como cara que consome muito jornalismo, livro, filme, música etc., grátis me parece o preço ideal. Como cara que produz conteúdo profissionalmente desde 1988, o preço ideal é o mais alto possível. Se eu pudesse, lançaria um livro por ano, mil exemplares, mil reais o exemplar. Se você topasse pagar… Vamos cortar o nó górdio. Você que crie seu critério, ou aja sem critérios. Tem que valer para filme, livro, quadrinho, qualquer coisa digitalizável que a gente tenha opção de pagar ou baixar sem pagar. Inclusive software, aplicativos, games.

Difícil encontrar algo imoral  em baixar da internet o novo disco de Paul McCartney, o elogiado New. Muito menos o CD dos Beatles na BBC. Paul tem uma fortuna de mais de um bilhão de dólares. Sean e Julian Lennon também não precisam da sua grana. David Bowie também é riquíssimo, mas comprei o disco dele, antes de ouvir, inclusive, e é bem ruim, nunca mais ouvi. Joguei o dinheiro fora? Fiquei feliz de Bowie voltar a compôr e gravar. Queria que ele soubesse disso.

Vamos ao cinema, assistir ao melhor musical de todos os tempos, Cantando na Chuva. Diretor, atores, compositores morreram há décadas. O filme já se pagou trocentas vezes. Comprei o filme, como comprei, porque a edição é em Blu-ray, tem imagem e sons incríveis, e um monte de conteúdo adicional. Mesma coisa com Pacific Rim, Círculo de Fogo. Curti com meu filho no cinema. Admiro o diretor, Guillermo Del Toro. Escolhemos a edição que tem nove horas de extras. Estamos curtindo devagar. Paguei pela conveniência e pacotão recheado.

gene Quando pirataria é legal   e quando é imoral (estrelando M.I.A., Batman e Gene Kelly)

Gene Kelly, happy again

Acontece  que os estúdios de cinema estão fazendo acordos que permitem que a gente, em vez de pagar pelo filme, pague uma mensalidade e tenha acesso a milhares de filmes. Ao mesmo tempo, cobram caro pelo DVD e Blu-ray de megaproduções de 200 milhões de dólares. No lançamento; um ano depois, valem cinco reais no saldões. Há quem pague o preço cheio, espere para pagar pouco, ou simplesmente não pague. Os que não pagarão já estão na planilha de custos dos grandes conglomerados de entretenimento. Vimos O Homem de Aço este fim de semana, em HD, na Now. Custou R$ 4,90. No cinema, meses atrás, quarenta reais.

As gravadoras seguem o mesmo caminho, cobrar por assinatura. Esses dias ouvi (no rádio!) uma propaganda de um novo serviço que cobra R$ 7,90 por mês, e te dá acesso a 20 milhões de músicas, de artistas brasileiros e internacionais, para ouvir no celular, computador, tablet. 20 milhões de músicas por R$ 7,90! Se as gravadoras topam esse valor microscópico por canção licenciada, ficam com poucos argumentos para esbravejar quando um garoto baixa grátis um CD. Porque pagar R$ 25 por quinze músicas?

Esses acordos por enquanto estão beneficiando mais as empresas que os criadores. Para o consumidor é uma mão na roda, claro. A tendência lógica é o preço cair, cair, e daqui a pouco a gente está pagando um dólar por mês por todos os filmes, livros, gibis e músicas do mundo. E logo depois será de graça. E daí quem vai querer fazer filmes, livros etc.? Vivendo do quê? Arte será hobby, ou movida a mecenato, e vaquinhas dos amigos? Sinuca de bico.

O caso dos quadrinhos é interessante. A maioria dos gibis produzidos no século 20 não rendeu um centavo de royalties para quem os escreveu e desenhou. Era linha de montagem. Quando você baixa da internet as páginas de um gibi do Batman dos anos 70, escrito por Denny O'Neil e desenhado por Neal Adams, está escapando de pagar a Warner, que é dona da DC. A empresa já ganhou muito com Batman, e especificamente com o trabalho de O'Neil e Adams (a recente trilogia cinematográfica tem muitos elementos inspirados em histórias da dupla).

batman Quando pirataria é legal   e quando é imoral (estrelando M.I.A., Batman e Gene Kelly)

Batman beija Talia. Essa imagem zoou com o meu cérebro em 1974

A DC, hoje, tem uma política de pagar participação aos criadores, quando lança encadernados de várias histórias, os Trade Paperbacks. É tipo 10% do preço de capa (que geralmente é 15 dólares). Seria moleza baixar na faixa o primeiro encontro de Bruce Wayne com R'as Al Ghul e sua filha Talia. Optei por comprar um álbum, impresso com papel bacana, e contribuir com a semi-aposentadoria de O'Neil e Adams. Pelo que eles me deram de alegria, foi barato. Vale para R. Crumb ou Enki Bilal. Se você pirateia quadrinhos autorais, está tirando dinheiro diretamente do bolso de um artista que admira, e que raramente está nadando em dinheiro.

Antes de baixar algo grátis da internet, há que prestar atenção em duas questões importantes. Primeira, o criador está vivo? Se o criador morreu há 50 anos, não me sinto tão na obrigação de colaborar para as finanças de seus netos. Segunda, é um criador que me fala à espinha, que corre riscos estéticos, que não está só entregando um produto comercialmente viável? Se é um mercenário fazendo um produto genérico, minha consciência não pesa tanto. Se admiro criador ou obra, se faz um trabalho interessante ou importante, porque não apoiá-lo com meus suados tostões?

Um contra-argumento furado é que só uma parte pequena da grana que desembolsamos vai para o criador. Dos meus US$ 19,99 dólares, M.I.A. embolsou algo como US$ 1,88. A Apple fica com 30% do que pagamos, gravadora e editora outros tantos, e tem muito imposto em cima.

Mas isso vale para tudo. Para a camiseta de sua banda de rock favorita, o boneco do Homem de Ferro, a reprodução de Egon Schiele e a entrada para a Ópera. Vale para cinema, onde você paga para entrar, e ainda paga dez vezes mais do que custaram a pipoca e refri. Se você curte games, imagine: se o primeiro jogo do Mario fosse livre de copyrights, Shigeru Miyamoto não teria nenhum estímulo para criar todos os games incríveis que fez nas últimas décadas.

Sei, você é um durango, não tem como recompensar seus artistas favoritos, e por isso baixa tudo deles pirata. Se é assim mesmo, não te culpo. Algumas coisas estão acima do dinheiro - paixão, por exemplo. Mas será que é assim mesmo? A ocasião faz o ladrão. Na maioria dos casos, não pagamos pelo que está na internet porque é fácilimo baixar de graça. Ponto.

Eu também baixo algumas coisas. Jornalista que disser que não baixa nada está mentindo. Principalmente porque parte do meu trabalho é fuçar. E muito do que me interessa não está  disponível no Brasil quando eu quero ou preciso. É muito legal este acesso a todo o conteúdo do planeta. E tem gente que não tem como pagar de verdade, e é excelente que a população mais carente, uns 80% do planeta, tenha acesso à mesma arte e entretenimento e jornalismo que os 20% mais abonados.

Espero que as leis de copyright avancem. Que criemos modelos novos e melhores de remuneração para toda a cadeia envolvida, do criador ao software ao varejista etc. Veremos. Enquanto isso, não baixo cópia pirata de criadores que admiro, e que estão em atividade hoje. É minha posição moral sobre o assunto. O resto é conveniência, e caso a caso.

Não se trata de obedecer a lei, mas meu próprio senso de justiça. E de defender meu próprio interesse. Fiz minha pequena contribuição para que M.I.A. continue compondo, gravando, provocando. Não quero que sua carreira renda tão pouco que ela decida trocar por outra mais lucrativa. O mundo é mais divertido com ela por perto.

Você pode achar M.I.A., Batman ou Cantando na Chuva três porres. Mas certamente tem seus cantores, diretores, escritores ou game designers favoritos, criadores que fazem o mundo mais bacana para você. Eles não merecem seu apoio e sua grana? Vamos colocar de outra maneira: se o cantor fosse teu irmão, ou escritor seu avô, você comprava ou baixava pirata?


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13 Nov 18:18

Porque Lily Allen está zoando com Rihanna (e porque Rihanna merece)

by fcdsantos

lilly Porque Lily Allen está zoando com Rihanna (e porque Rihanna merece)

Parece mais uma desses zilhões de cantoras que rebolam seminuas em videoclipes? Não, é Lily Allen em seu novo vídeo, Hard Out Here.

 Porque Lily Allen está zoando com Rihanna (e porque Rihanna merece)

 A música zoa com Rihanna e outras superstars rebolativas. Critica a fórmula de corpos perfeitos, pele à mostra, feminismo de araque e merchandising subreptício. É uma espécie de continuação de The Fear, em que Lily tratava justamente do materialismo biruta que tentam nos impôr.

lilu Porque Lily Allen está zoando com Rihanna (e porque Rihanna merece)

 

A letra, na primeira pessoa, é ótima. Usa argumentos pseudo-empoderantes para justificar o tudo-por-dinheiro. Que é a atitude hipócrita de Lady Gaga, Miley Cyrus, Beyoncé e todas as grandes estrelas do século 21. Começa com Lily fazendo uma lipoaspiração.

O empresário coroa critica: você está toda gorda! Lilly explica, eu tive dois filhos... e teve mesmo. O clipe segue com Lily fazendo propaganda descarada de produtos diversos, cercada de bundas chacoalhentas. Arrisca alguém não perceber que é paródia.

1 Porque Lily Allen está zoando com Rihanna (e porque Rihanna merece)

Não que Lily não tenha posado sem roupa no passado. Nem que seja careta ou certinha. É uma garota rica que se deu ao trabalho de botar o pé no chão. É politizada e bocuda. Não tem medo de polêmica. Dedicou a doce Fuck You ao presidente americano, George Bush. Tem sex appeal. Mas valoriza mais expor sua opinião que suas coxas.

rihanna Porque Lily Allen está zoando com Rihanna (e porque Rihanna merece)

Lily já criticou outras cantoras que baseiam suas carreiras mais na aparência que na mensagem, como Katy Perry e Kylie Minogue. Dessa vez o alvo é mais claro: a maior estrela de sua geração. Ninguém apela tanto quanto Rihanna, inclusive ao vivo.

riri Porque Lily Allen está zoando com Rihanna (e porque Rihanna merece)

Sempre foi assim? Não - cresci com estrelas de outro calibre. Artistas fortes, sedutoras, mas que não pagavam de piranha para aumentar ao máximo seus rendimentos. E escrevi sobre isso, aqui.

Não é questão de arte, mas de faturamento. Rihanna já vendeu 30 milhões de discos e 80 milhões de canções. Tem marca de roupa e perfume. Atiça os fãs botando fotos provocantes no Instagram. Faturaria igual sem a imagem de stripper? Quem é sua grande referência assumida? Madonna. Cada geração com sua Material Girl.

rir riri Porque Lily Allen está zoando com Rihanna (e porque Rihanna merece)

O corpo de Rihanna é dela e ela faz o que quiser com ele? Claro. Ela é referência de independência, de mulher que sabe onde tem o nariz, de artista que tem o que dizer? Compare com Lily Allen e decida. O vídeo de Hard Out Here está aqui. E a letra, em inglês, lá embaixo.

Hard Out Here

I supposed I should tell you what this bitch is thinking

You'll find me in the studio and not in the kitchen
I will be bragging about my cars
Or talking about my chains
Don't need to shape my ass for you
Cause I've got a brain

If I told you about my sex life
You call me a slut
But when boys are talking about their bitches
No one's making a fuzz
There's a glass ceiling to break
Uh hu, there's money to make
And now it's time to speed it up
Cause I can't move in this pace

Sometimes it's hard to find the words to say
I'll go ahead and say them anyway
Forget your balls and grow a pair of tits
It's hard, it's hard, it's hard out here

For a bitch it's hard
(for a bitch, for a bitch)
For a bitch it's hard
It's hard out here
For a bitch it's hard
(for a bitch, for a bitch)
For a bitch it's hard
It's hard out here

If you're not a size six
And you're not good looking
Well, you better be rich
Or be a real good at cooking
You should probably lose some weight
Cause we can't see your bones
You should probably fix your face
Or you'll end up on your own

Well, you ought to have somebody
Who objectifies you
Have you thought about you body
Who's gonna tear your suit
We've never had it so good
Uh hu, we're all running lose
And if you can't detect the suckers
Then you missunderstood

Sometimes it's hard to find the words to say
I'll go ahead and say them anyway
Forget your balls and grow a pair of teets
It's hard, it's hard, it's hard out here

For a bitch it's hard
(for a bitch, for a bitch)
For a bitch it's hard
It's hard out here
For a bitch it's hard
(for a bitch, for a bitch)
For a bitch it's hard
It's hard out here

(a bitch, a bitch, a bitch, bitch, bitch)
(a bitch, a bitch, a bitch, bitch, bitch)
(a bitch, a bitch, a bitch, bitch, bitch)

In a crawler, you promises
That is here to stay
Always trusting, injustice
Cause it's not going away

In a crawler, you promises
That is here to stay
Always trusting, injustice
Cause it's not going away

Sometimes it's hard to find the words to say
I'll go ahead and say them anyway
Forget your balls and grow a pair of teets
It's hard, it's hard, it's hard out here

For a bitch it's hard
(for a bitch, for a bitch)
For a bitch it's hard
It's hard out here
For a bitch it's hard
(for a bitch, for a bitch)
For a bitch it's hard
It's hard out here

Bitch it's hard
(for a bitch, for a bitch)
For a bitch it's hard
It's hard out here
For a bitch it's hard
(for a bitch, for a bitch)
For a bitch it's hard
It's hard out here

O post Porque Lily Allen está zoando com Rihanna (e porque Rihanna merece) apareceu primeiro em André Forastieri.

09 Aug 18:10

Religio – v.2

by wintersteele

Sobre o mangue eu construo meu castelo,

E não sobre a pedra. Minhas raízes não se firmam em rochas.

Se firmam na lama. Sou lótus, floresço a partir do caldeirão escuro,

Da memória dos corpos dos meus antepassados. Sou presente,

Testemunha ocular – e tátil – das marés do tempo. Meus votos

São as correntes das minhas paixões. Meus dogmas

São as vozes nos ventos. Sopro as minhas próprias profecias

Sobre o imenso tabuleiro de possibilidades: Às vezes ganho,

Às vezes perco. Mas nunca empato. Minha igreja

Está posta a céu aberto, até a linha do horizonte. Vou vestida de céu,

A casar-me comigo mesma. Prometo, para todo sempre

Criar os meus próprios cantos, transgredir as minhas próprias promessas,

Prometo seguir inventando os meus próprios mapas

Até que a morte me convide para outros caminhos.


27 Jul 14:54

O que espero de você

by wintersteele

O que espero de você é quase nada, mesmo, portanto, espero que não me deixe esperando.

Espero de você silêncio – não um silêncio indiferente, mas com a presença de antes de dizer o que se diz apenas por hábito ou ansiedade.

Espero silêncio, antes das declarações de amor ou dos surtos de raiva. Espero o silêncio que mora entre a humildade e a auto-suficiencia.

Espero um silêncio grosso e macio, que costure nossos intervalos em uma trama apertada e flexível. Espero micro-silêncios entre as nossas palavras.

Espero que seus beijos não venham para preencher os momentos de tédio. Espero que seus braços não venham para me usar de âncora.

Espero que você tenha mais o que fazer do que me tocar por preguiça. Porque se o seu silêncio pode costurar os meus dias, o seu toque pode me puxar os fios por debaixo da pele e me virar do avesso – use-o muito, mas não o use em vão.

Espero ainda que você seja distante o suficiente para que seja você mesmo, apenas na medida razoável que se espera que alguém seja si mesmo quando se está entre outras pessoas.

Espero que você seja próximo o suficiente para que mude, apenas na medida justa entre o que você queira e o que o mundo a sua volta te cobre.

Espero que o que você espere de mim não seja absurdo, como querer que eu te inspire ou te salve.

Espero que possamos conversar (mesmo que em silêncio) o que esperamos um do outro, da vida, e do que mais der na telha, sem nos sentirmos feridos.

Espero que possamos, juntos, encontrar um silêncio que é música.

Espero, ainda, se não for demais esperar, que você entenda um pouco do pouco que espero.