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28 Feb 17:51

Troça leva reflexão sobre a questão urbana para o carnaval do Recife

by raquelrolnik
Allan Patrick

"Área sujeita a ataque dos barão" :)

No Recife, a questão urbana inspirou a criação de uma nova troça carnavalesca. Integrantes do grupo Direitos Urbanos fundaram este ano a “Troça Carnavalesca Mista Público-Privada Empatando a Tua Vista”.

Fantasiados de torres de edifícios, os participantes levam pro carnaval, com muito bom humor, discussões relacionadas ao modelo de desenvolvimento da cidade, à apropriação privada dos espaços, à verticalização e seus impactos na paisagem, na mobilidade, no patrimônio histórico-cultural, entre outros temas relacionados.

Segundo Rudrigo, integrante da troça, a receptividade das pessoas tem sido ótima. “A repercussão tanto nos blocos e ações que temos participado, quanto nas redes sociais tem comprovado o êxito da escolha por essa abordagem mais lúdica e bem humorada, sem perder o forte caráter político e crítico.”.

Vejam abaixo algumas fotos que recebi por email.

Empatando Tua Vista no Som na Rural - Black Bloco de Carnaval - Ocupe Aurora

Empatando Tua Vista no Bloco Os Barbas (3)

Empatando Tua Vista no Bloco Pisando na Jaca

More Depreux - Genérico da Moura Dubeux

Vista Empatada por Outra Torre


27 Feb 12:50

Adjunto é exonerado por “participar de reunião com Robinson Faria”

by bruno
Allan Patrick

Esse é o jeito DEM de governar...

Vazou no Whatsapp o desabafo do ex-secretário adjunto Segurança Pública e Defesa Social Silva Junior.  Ele ocupava o cargo desde 2011 e teve a sua exoneração publicada no Diário oficial dessa quarta-feira (26).

Silva Júnior auxiliava o secretário titular Aldair da Rocha. Para o seu lugar foi nomeada a delegada Maria do Carmo Alves Macedo. Veja abaixo:

AGRADECIMENTOS

​Por ocasião de minha exoneração do cargo de adjunto da SESED, informo a todos que esta se deu por determinação do Secretário da casa civil, prontamente atendida pelo Secretário Aldair da Rocha, a motivação segundo me foi participado, seria uma futrica palaciana que envolveu minha presença numa reunião com o Vice-Governador do Estado. Saliento que tal reunião aconteceu e que participei como convidado da FENAPEF-Federação Nacional dos Policiais Federais que por ocasião de sua visita à Natal, solicitou apoio ao Deputado Fábio Faria através do Vice-Governador, para votação de um projeto nacional conhecido como PEC 51. Nada repito nada ligado à segurança pública do Estado do Rio Grande do Norte foi tratado.

As duas ações me chocaram, a primeira por demonstrar o que a politicagem pode fazer, pode desrespeitar, quando se trata de pessoas que trabalham de forma técnica sem partidarismos, a segunda me faz lembrar Goethe, dramaturgo alemão, “ Ingratidão é uma forma de fraqueza. Jamais conheci homem de valor que fosse ingrato”. Pode ser que esteja em desuso e até parecer estoico de minha parte, mas não dobro meus princípios, não os relativizo.

Agradeço a todos pelo apoio prestado durante estes 3 nos, em especial a minha família e meus colaboradores diretos que dividiram comigo as madrugadas insones ao telefone, resolvendo problemas estatais, pois emendo não sou governista sou por princípios um estadista.

Clidenor Cosme da Silva Junior

O post Adjunto é exonerado por “participar de reunião com Robinson Faria” apareceu primeiro em Blog do BG.

25 Feb 22:39

A guerra suja da Syngenta contra o cientista Tyrone Hayes

by Luiz Carlos Azenha

por Heloisa Villela, de Nova York

O trabalho de pesquisa do cientista Tyrone Hayes mais parece um roteiro pronto para um diretor como Martin Scorsese.

A jornalista Rachel Aviv, da revista New Yorker, contou a saga de Hayes em nome da Ciência.

Uma pesquisa que bateu de frente com a Syngenta, a gigante suíça que fabrica pesticidas e vende sementes.

Em 1998 Tyrone Hayes já trabalhava no laboratório de biologia da Universidade da Califórnia em Berkeley quando foi convidado, pela Syngenta, para fazer uma pesquisa a respeito do herbicida atrazina, fabricado pela Syngenta. Hayes topou. Ele tinha trinta e um anos e já havia publicado vários trabalhos sobre o sistema endocrinológico dos anfíbios.

Os dois lados, com certeza, se arrependeram da parceria. Hayes descobriu que o atrazina atrapalhava, ou até impedia o desenvolvimento sexual dos sapos. A empresa não gostou do resultado, tentou impedir a publicação do estudo, tentou comprar os dados para mantê-los em segredo e as relações da empresa com o cientista foram rompidas, definitivamente, no ano 2000.

Mas Hayes não é do tipo que trabalha apenas pelo dinheiro. O que ele percebeu na pesquisa atiçou a curiosidade do cientista e ele continuou estudando os efeitos do atrazina sobre os anfíbios por conta própria.

O artigo de dez páginas da revista New Yorker conta como a empresa estruturou e levou a cabo uma ampla campanha de difamação de Hayes com o objetivo de destruir a reputação do cientista.

Estudou todos os aspectos profissionais e pessoais da vida dele para melhor explorar qualquer ponto fraco. Lembra demais a descrição de táticas descritas em detalhes pelo jornalista Rubens Valente no livro Operação Banqueiro.

Como já se desconfiava por aqui, as grandes empresas farmacêuticas e do agronegócio contratam cientistas e pesquisadores para que repitam informações que interessam às empresas. E muitos se prestam, sem pudor, a esse papel.

Pior: o artigo da New Yorker relata as manobras adotadas pela empresa para comprar, também, o apoio dos responsáveis pela aprovação de drogas no mercado norte-americano.

Os riscos que o herbicida atrazina oferece à saúde foram considerados sérios o suficiente para que o produto fosse banido na Europa. Nos Estados Unidos, continua sendo usado em cerca de metade da produção de milho do país.

No Brasil, também é aplicado à vontade nas plantações.

A perseguição a Tyrone Hayes foi tão intensa que ele passou a ser visto, pelos colegas, como um paranoico. Achava que tinha a conta de e-mail monitorada, que era perseguido, que não podia fazer palestras sem a presença de agentes da Syngenta que tentavam intimidá-lo e criar dúvidas a respeito das conclusões que ele apresentava.

Para se prevenir, ele passou a copiar os dados da pesquisa e enviar para a casa dos pais. Usou o e-mail como forma de confundir o adversário, com a ajuda dos alunos que trabalhavam no laboratório com ele. Recentemente, ficou provado que Hayes não era nada paranoico e que a conspiração existia de fato.

Um dos únicos biólogos afro-americanos de destaque do país, Tyrone Hayes era considerado um dos melhores professores de Berkeley e uma das grandes promessas do meio acadêmico e científico.

Ao longo dos últimos 14 anos de guerra aberta contra a Syngenta, ele acabou perdendo o laboratório em Berkeley. Mas de certa forma, foi vingado.

A Syngenta foi processada em uma ação coletiva por 23 municípios do meio-oeste dos Estados Unidos. Eles acusaram a empresa de esconder o perigos reais do atrazina para a saúde.

Por conta do processo, jornalistas norte-americanos tiveram acesso a documentos internos, memorandos e e-mails da empresa. O trabalho de Tyrone Hayes foi a base científica usada pelos advogados dos municípios.

Desde que passou a se dedicar ao estudo dos efeitos do atrazina sobre animais e até sobre humanos, Hayes angariou seguidores.

Outros cientistas seguiram a mesma linha e ampliaram as descobertas do pioneiro na área. E hoje já existem resultados que falam em defeitos de nascimento em humanos. Enquanto os pesquisadores acumularam dados contra o herbicida, a empresa se ocupou em colher informações sobre Hayes.

Em entrevista ao programa DemocracyNow! da jornalista Amy Goodman, Tyrone Hayes contou que as ameaças não paravam na esfera científica.

Ele disse que um representante da empresa o abordou antes de uma palestra e sussurrou que ele podia ser linchado, que ía mandar uns rapazes para mostrar a Hayes como é ser gay e chegaram até a ameaçar a segurança da mulher e da filha dele.

Enquanto isso, vários trabalhos foram apresentados à EPA (Agência de Proteção Ambiental) a respeito dos perigos do atrazina para a saúde e da contaminação do solo e da água nos locais onde ele é usado.

Dados científicos que as autoridades norte-americanas refutaram duas vezes: mantiveram a licença do produto, sem restrições.

Depois também veio à tona que alguns membros do comitê da EPA, que tomou a decisão favorável ao atrazina, tinham relações com a Syngenta.

Este ano, o herbicida, o segundo mais usado nos Estados Unidos, será avaliado novamente. Quem sabe qual será o resultado da análise desta vez…

PS do Viomundo: A pesquisa do cientista demonstrou que o herbicida provoca a mudança de sexo em sapos; na excelente entrevista que deu ao DemocracyNow!, ele estranha que os conglomerados produzam tanto substâncias cancerígenas quanto contra o câncer. Por que $erá?

Leia também:

Fiocruz: Mudanças na lei de agrotóxicos são inaceitáveis

O post A guerra suja da Syngenta contra o cientista Tyrone Hayes apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

25 Feb 16:52

‘Na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular’

by Diario do Centro do Mundo
Clarice Lispector e o justiçamento. Mineirinho foi um dos bandidos mais procurados pela polícia carioca na década de 1960. Ele era uma espécie de “Robin Hood” carioca. Os moradores o ajudavam quando os policiais invadiam a favela da Mangueira, onde morava. Sua morte, em maio de 1963, foi amplamente ...
22 Feb 16:55

O Roberto Marinho da Venezuela chamava os chavistas de ‘macacos’

by Richard Gott
Allan Patrick

Ótimo texto, quase uma biografia

Gustavo Cisneros, bilionário venezuelano, ocupa uma posição semelhante à de Roberto Marinho e de Murdoch. O texto abaixo é de autoria do jornalista e escritor inglês Robert Gutt, que foi correspondente em Caracas e hoje escreve artigos para jornais como Guardian e Independent. Com uma fortuna de mai...
21 Feb 11:14

Former Gas Station fuels Community

by camilla siggaard andersen
Allan Patrick

Uma boa ideia :)

Ludwig Mies van der Rohe's Nun's Island Gas Station (1969), converted to a Community Center and reopened in 2012.

Once upon a time, a city’s affluence could be measured by its transportation infrastructure: a constant flow of traffic pulsing along asphalt veins, reaching outwards from the heart of the city was an indubitable symbol of progress and prosperity. Today, this attitude is increasingly challenged. In Montréal, I have come across one of the clearest examples of contemporary skepticism towards the automobile-enthusiasm of previous decades that I have ever encountered, in the form of a Mies van der Rohe gas-station-turned-community-centre.  The gas station was transformed to its new vocation by the architects “Les Architectes FABG”, who have succeeded in turning the glass and steel-framed modern building into warm and welcoming place for the local community. While the former gas station fuelled the lives of people in four-wheeled metal confinements, the community centre bursts the bubble of individualization with a message of togetherness and shared responsibility. Though the architectural alterations to the building are subtle, they herald a significant societal change.

In 1966, world-famous architect Mies van der Rohe was commissioned to build the gas station in a relatively unknown Montreal suburb, and for forty years the station faithfully served automotive commuters. The building was both architecturally and substantively a luxurious expression of modernism – a temple dedicated to the two gods of modernity: technology and consumerism.  The era came to an end in 2008 when commercial operation ceased, and the station was closed. In 2009, the building was recognized as an icon of urbanization and given heritage status by the city of Montréal. The conversion was then carried out by FABG, and in 2012 the gas station reopened as a community centre running on collectivity and green energy.

Ludwig Mies van der Rohe's Nun's Island Gas Station (1969), converted to a Community Center and reopened in 2012.

Ludwig Mies van der Rohe’s Nun’s Island Gas Station (1969), converted to a Community Center and reopened in 2012.

Today, cars galore are still passing the former gas station, but their rhythm is interrupted; the station fuels a different style of life. Situated on the corner of a busy intersection, the transparency of the glass facades mocks the passing drivers with clear views of the people gathering in the station. Inside the glass volumes, the banter of seniors engaged in an animated round of pool, mix with the voices of teenagers standing around a foosball table. The former sales station is now the “youth lounge” and on the opposite side of the pumping island the car-service has turned into a seniors-lounge.  The project’s success in honoring both the original building and the demands of its new vocation lies in the sensitivity of the discrete transformation. It is the silence of the change that leaves room for the community’s voice. The warmth radiating from the people inside the glass and steel station inspires visions of a world, where all the worn car-pledged marvels from our parents’ generation have become green community centres; a fresh response to our hectic and individualized society.


15 Feb 13:03

O “chanceler” brasileiro do Cartel de Sinaloa

by admin

Um empresário brasileiro foi identificado por órgãos de segurança americanos como uma importante conexão do Cartel de Sinaloa – a poderosa organização criminosa mexicana – na busca para estender seus tentáculos no Brasil.

A partir da Flórida (EUA), onde vive, Daniel Fernandes Rojo Filho opera uma rede de empresas fantasmas descoberta em 2008 por uma investigação da agência antidrogas americana (DEA), a Receita (IRS – International Revenue Service) e o Serviço de Controle de Imigração e Alfândega (ICE – Immigration and Customs Enforcement).

Documentos oficiais desclassificados pelo governo americano mostram que Rojo Filho foi identificado em um informe enviado ao Departamento do Estado em 2012 como um dos “componentes financeiros do Cartel de Sinaloa” junto com seu cúmplice, o empresário português Pedro Benevides – acusado pela DEA de conspirar para traficar e distribuir drogas nos Estados Unidos.

Os Estados Unidos consideram o Cartel de Sinaloa como o mais poderoso do mundo. Seu líder, Joaquín Guzmán Loera, o “El Chapo”, é um dos homens mais procurados pela Justiça americana.

O “chanceler”

Apesar das acusações que pesam contra ele, aos 45 anos de idade Daniel Fernandes Rojo Filho é um homem com sorte e cara de pau suficiente para vender-se como “chanceler do Brasil nos Estados Unidos”, atuando com desenvoltura a partir de sua base em Boca Ratón, Orlando, na Flórida, onde promove cerimônias pseudo-oficiais com direito à farta exibição das cores da bandeira nacional. Através de uma página de internet, Rojo Filho apresenta aos americanos oportunidades de investimento em infraestrutura, desde a Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016 até projetos da Petrobrás.

Esta é a história do “chanceler” do Cartel de Sinaloa e de suas conexões com o Brasil. A investigação dos repórteres foi baseada em documentos e procedimentos judiciais públicos nos Estados Unidos e na Bélgica, na declaração juramentada de um agente do governo americano e de testemunhas.

O Operador do Cartel na Flórida

No seu mural no Facebook, Daniel Fernandes Rojo Filho parece ser somente um milionário brasileiro na Flórida posando em seu jato particular e em carrões das marcas Ferrari e Lamborghini – em três delas, é acompanhado pelo “amigo Emmo”, como ele diz, referindo-se ao ex-piloto de fórmula I Emerson Fittipaldi. Desde 2008, porém, o escritório da DEA em Phoenix, Arizona, acredita que este homem é o cabeça de uma complexa rede de narcotráfico e lavagem de dinheiro operada por ele a partir da Flórida, nos Estados Unidos.

De acordo com uma análise feita diretamente nos registros da Divisão de Corporações do Departamento de Estado da Flórida a partir de 2002, Rojo Filho – como o identifica o governo americano – começou a criar junto com Pedro Benevides, Germán Cardona, um empresário de origem espanhola, e Heriberto Pérez Valdés, entre outros, um grupo de empresas de fachada cujas operações reais nunca puderam ser provadas diante do governo dos EUA.

Dentro desse esquema, de 2002 a 2008 foram criadas pelo menos 34 companhias: uma no Panamá, duas na Bélgica e as demais na Flórida. Muitas delas compartilham um mesmo endereço virtual, e outras têm como sede um suspeito motel na zona turística International Drive, em Orlando, propriedade de Benevides.

Através das empresas de fachada foram abertas várias contas bancárias utilizadas para administrar recursos procedentes do tráfico de drogas, segundo os documentos.

Em maio de 2006, Rojo Filho criou a empresa AGFC Capital Management, mudando o nome pouco depois para DWB Holding Company, que oferecia investimentos no mercado de commodities: grãos, sementes, cristal, metais preciosos, petróleo, minério, açúcar. Em fevereiro daquele mesmo ano, Pedro Benevides havia criado a companhia Sky View Aviation, cujo vice-presidente era Rojo Filho. As duas companhias e os dois empresários são o epicentro da operação de narcotráfico e lavagem de dinheiro descoberta pela DEA.

“A DWB Holding Company atua a partir de uma posição financeira de grande alcance que faz com que os negócios aconteçam. Seja no comércio mundial ou na negociação de complexas transações financeiras internacionais, a DWB Holding Company opera com habilidade a partir de uma das redes financeiras mais influentes do mundo”, anuncia a companhia de Rojo Filho na internet. A empresa encerrou suas operações na Flórida em 2012. Mas a investigação do governo americano sobre ela continua.

Em agosto e setembro de 2008 a agência antidrogas e a Receita americana (IRS) solicitaram à Corte do Distrito de Arizona o confisco de três contas bancárias em nome da DWB Holding Company por estarem relacionadas a uma investigação em andamento sobre tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, como afirmam os documentos relacionados ao processo 08-mb-3393, mantido sob sigilo de Justiça para não colocar as apurações em risco.

O juiz Lawrence I Anderson considerou que havia elementos suficientes para bloquear o dinheiro de forma preventiva. Bloqueou US$ 24,3 milhões no M&I Bank; US$ 200 mil no Whitney National Bank; e R$ 100 mil no Regions Bank Account. Depois, a investigação da DEA e do IRS comprovaria que milhões de dólares circularam através dessas contas em um curto período de tempo.

“…A análise dos registros bancários confirmou que lucros obtidos com drogas foram depositados nesta conta (M&I Bank) e que esses fundos estavam sendo aplicados”, afirma Noel F Martínez, agente do grupo de trabalho de delitos financeiros do IRS em depoimento concedido sob juramento em uma corte da Flórida.

A DWB Holding ainda tentou recuperar o dinheiro, entrando com recursos (de número 6:08-cv-1881 na Florida e 2:09-cv-00102 no Arizona) contra o Governo dos EUA, a DEA e o IRS. Não conseguiu. Em 2013 o dinheiro foi confiscado pela Justiça.

Em 30 de outubro de 2009, à investigação criminal se somou uma suspeita de fraude financeira aberta na Corte de Distrito Centro da Florida. Através da demanda (de número 6:09-cv-01852), o governo americano conseguiu confiscar outras 56 contas bancárias abertas pela rede de Rojo Filho, Pedro Benevides e familiares, e ainda 294 barras de ouro e 9 veículos de luxo, como o Lamborghini Murciélago azul modelo 2008 comprado por Rojo Filho e colocado no nome da Skyview Aviation, uma das companhias de Benevides. Os bens bloqueados superam o valor de US$ 200 milhões.

Agentes financeiros do cartel de Sinaloa

Quatro anos depois do início das investigações do governo americano contra Rojo Filho e Pedro Benevides, o Instituto para Análises de Defesa (IDA é a sigla em inglês), “think tank” do Pentágono e da Casa Branca, publicou o informe “Investigação de ameaças financeiras: modelo de componentes financeiros da organização criminosa transnacional de Sinaloa”, encomendado pelo Comando do Norte do Departamento de Defesa dos EUA.

“As organizações criminosas transnacionais mexicanas movimentam suas finanças através de canais formais e informais, a maioria dos recursos procedentes da venda de narcóticos é internalizada através de pequenas transferências bancárias. Também utilizam redes sofisticadas, tais como esquemas de lavagem de dinheiro baseados no comércio, para disfarçar a origem. Em geral, têm muitas empresas legítimas ou ilegítimas, incluindo empresas de fachada ou sociedades fictícias que facilitam a movimentação de dinheiro, gente, e drogas, diz o informe da IDA.

De acordo com o documento da IDA de abril de 2012 o empresário brasileiro Rojo Filho, seu sócio Benevides e as empresas criadas e operadas por ambos são “agentes financeiros” do Cartel de Sinaloa, a organização encabeçada por “El Chapo”, classificado pela revista Forbes como um dos homens mais ricos do mundo. O cartel de Sinaloa é o mais poderoso entre os que guerreiam no México por disputa de território e rotas de tráfico de papoula e maconha para os Estados Unidos. Essa disputa já provocou a morte de mais de 90 mil pessoas.

O esquema de lavagem de dinheiro de Rojo Filho, Benevides, Cardona e Pérez Valdés foi esmiuçado pelas investigações do governo americano. Segundo as apurações, o esquema operava desde 2007 através de pirâmides financeiras, conhecidas como “esquema Ponzi”, e de falsos projetos de investimento em energia renovável. Milhares de pessoas nos EUA, Bélgica, Canadá, Áustría, Espanha, França, Panamá e Leste europeu foram lesadas.

Para o esquema Ponzi foi usada a empresa Evolution Market Group (EMG), criada no Panamá com o nome de Finanças Forex em setembro de 2007, por Germán Cardona. A fraude nos investimentos de energia renovável era operada pela empresa Green Power Systems, na Flórida, e pelas companhias belgas Rosalus Invest e Daro Invest. Essas companhias sempre estiveram ligadas a Rojo Filho e Benevides e às empresas DWB Holding Company e Sky View Aviation.

Foram pelo menos US$ 213 milhões movimentados no sistema bancário num período inferior a um ano, misturando o dinheiro dos investimentos na fraude com o do narcotráfico para dificultar o rastreamento dos recursos. Nessa operação foram usados pelo menos 14 bancos dos Estados Unidos, entre eles o Bank of America, Wells Fargo e Wachovia, todos com amplos antecedentes de lavagem de dinheiro dos cartéis mexicanos.

Há exemplos que ilustram claramente como se dava a lavagem. No dia 28 de julho de 2008, Rojo Filho abriu uma conta pessoal e sete contas de pessoas jurídicas no Regions Bank. Em um único dia, 4 de agosto de 2008, o empresário brasileiro fez sete depósitos nas contas das empresas e dois na sua conta pessoal, cujos valores somados atingiram US$ 1,12 milhão.

Em 2007 Heriberto Pérez Valdés criou a empresa Obbalube Investment Corporation, cujo diretor financeiro era Rojo Filho.

Agentes do ICE em Miami descobriram que em apenas uma semana em setembro de 2008 uma conta aberta no nome dessa companhia na sucursal do Wachovia Bank em Coral Gables, na Florida, recebeu US$ 13,8 milhões de diferentes lugares do mundo.

Outro exemplo é a conta número #46017675, aberta por Rojo Filho, como presidente de DWB Holding Company, no M&I Bank, em 4 de agosto de 2008. Em quatro dias foram feitas1249 transferências bancárias de diferentes indivíduos, empresas locais e estrangeiras para essa conta, somando 11,3 milhões de dólares. Quando o juiz mandou confiscar os recursos dessa conta, em 22 de agosto de 2008, o montante alcançava 24,3 milhões de dólares. A ordem judicial veio em decorrência das investigações sobre “tráfico de droga e lavagem internacional de dinheiro” feitas pela DEA, IRS e ICE no Arizona.

Tráfico de drogas

No decorrer das investigações contra Rojo Filho e Pedro Benevides um agente da DEA, Keith Humphreys, foi preso em Orlando no dia 16 de setembro de 2008, acusado de conspirar para obter, importar ilegalmente aos EUA e distribuir cinco ou mais quilos de cocaína, além de participar de lavagem de dinheiro, de acordo com o expediente 3:09-cr-00091, também aberto em uma corte federal na Flórida.

De acordo com os documentos da acusação, Benevides deu US$ 100 mil a dois pilotos da Sky View Aviation, Marvin Jackson e Kenneth Henderson, para comprar 10 quilos de cocaína na República Dominicana, trazer a droga aos EUA e vendê-la.

Dias depois de ser preso, Benevides negou envolvimento com as drogas ilegais e disse estar “preocupado” porque seu sócio, Rojo Filho, então vice-presidente da Sky View Aviation, tinha movimentado US$ 102 milhões através de suas contas bancarias sem que ele soubesse a origem do dinheiro. Pelo menos é o que consta no testemunho do agente Humphreys diante do juiz da Flórida central em 23 de setembro de 2009.

A DEA descobriu que, antes de ser detido, Benevides pretendia fugir para o Brasil e assim evitar processos por narcotráfico. De acordo com os documentos sua mulher, Brittany Benevides, viajou a São Paulo, onde Rojo Filho tem amigos, para adquirir casas de veraneio através da Sotheby’s International Realty. Segundo os autos do processo, ela chegou visitar, junto com a corretora de imóveis, algumas propriedades em Ubatuba.

Benevides ficou um ano na prisão, mas acabou tendo o processo arquivado por inconsistências de uma das testemunhas. A investigação criminal do Arizona continua em andamento, embora Rojo Filho, livre e sem condenação, atualmente se apresente como presidente da empresa Platinum Bancorp, que supostamente opera na Nova Zelândia. Através dessa empresa, foram movimentados recursos de fundos de pensão do governo do estado de São Luis Potosí (México).

No final de novembro do ano passado, a Dirección Antidrogas de la Policía del Perú (Dirandro) revelou que uma filial do cartel mexicano de Sinaloa opera na Bolívia, enviando cargas de cocaína peruana para a Europa, via Brasil.  A revelação mais recente, feita nessa reportagem, mostra que o Cartel de Sinaloa também tem seu “chanceler” brasileiro, que oferece negócios e oportunidades até mesmo para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas de 2016.

 

A fábrica de comendas

Foto com FHC nos jardins da Alvorada- homenagem a JK 100 convidados Regino entre eles

Foto com FHC nos jardins da Alvorada- homenagem a JK 100 convidados Regino entre eles

O título de “chanceler” brasileiro que Rojo Filho ostenta nos Estados Unidos – completamente falso do ponto de vista oficial (o chanceler brasileiro, como todos sabem, é o Ministro de Relações Exteriores) – foi conferido a ele em 2010 pelo “comendador Regino Barros”, presidente do Centro de Integração Cultural e Empresarial de São Paulo, entidade tão desconhecida quanto generosa a julgar pelas centenas de comendas, medalhas e títulos que distribui a políticos, artistas, empresários, juízes, promotores, pastores, coronéis.

Aparentemente, a única função do tal Centro criado pelo “empresário” Regino Barros, é distribuir prêmios. Ninguém parece se importar com o fato de ele não ter nenhuma atividade clara no mundo dos negócios a não ser a de promover eventos, largamente republicados pela revista Caras (que faz parte dos “parceiros” anunciados no site do CICESP assim como a organização “Loucos por Tarô”) em locais oficiais ou semi-oficiais. Até as instalações da ONU em Nova York – alugadas – foram utilizadas em 2009 para a entrega do título “Guardião da Democracia e integração Brasil-EUA – Soberana Ordem da Fraterna Integração Brasil-EUA” pelo “Conselho Internacional de Honrarias e Méritos do Centro de Integração Cultural e Empresarial de São Paulo (Cicesp)”. Entre os agraciados: o grupo pop KLB e a atriz Juliana Paes.

Os prêmios destinados às celebridades são outorgados pela Soberana Ordem do Empreendedor JK (batizada em homenagem ao ex-presidente Juscelino Kubistcheck), de acordo com o site do Cicesp. Há duas modalidades – Cruz do Mérito Empreendedor JK e Jóia JK – e as medalhas vêm acompanhadas de títulos em grau de “comendador” ou “chanceler”, como aquele recebido por Rojo Filho em Orlando. Nesse caso, a “chancelaria” pode ser referente a um Estado, a um país, como os EUA (Rojo Filho é “US Chancellor” do Brasil), ou mesmo à “Chancelaria Honorária para o Estado do Rio de Janeiro da Ordem do Mérito das Artes e da Cultura” recebida pelo ator José Wilker em abril de 2010.

Na galeria dos comendadores exibida pelo site aparecem desde ilustres desconhecidos a  personalidades como Bibi Ferreira, Elza Soares, o técnico de futebol Carlos Alberto Parreira, figurões da Justiça como a ex-ministra do STJ Eliana Calmon e o cirurgião-plástico Ivo Pitanguy. Juízes e parlamentares – entre eles o deputado licenciado Walter Feldman (PSB-SP), o ex-senador Mão Santa (PI-PMDB), o senador Flexa Ribeiro (PSDB- PA) e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) estão entre os premiados, não raramente em sessões solenes da Câmara dos Deputados e do Senado.

No dia 8 de novembro do ano passado o juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios recebeu o título de comendador outorgado pela Cruz do Mérito do Empreendedor JK em sessão solene da Câmara dos Deputados com Regino Barros compondo a mesa a pedido do deputado Waldir Maranhão (PP-MA), autor do requerimento de convocação da sessão solene e presidente da Mesa durante o evento.

Na internet é possível encontrar mais dois eventos do mesmo gênero realizados em sessões solenes no auditório Petrônio Portela do Senado e no Salão Nobre do Congresso  – esse último para entrega do Prêmio Top Qualidade Brasil – conferido anualmente a 100 empresários, incluindo escritórios de advocacia

Esse talvez seja o segredo que compartilham Regino Barros e seu apadrinhado, Rojo Filho, acusado pela DEA de fazer parte do cartel de Sinaloa: no cenário adequado e com homenageados conhecidos, mesmo as figuras mais obscuras ganham aura de legitimidade. Inclusive internacional, como sabe o empresário brasileiro radicado na Flórida: em sua página ele se promove como se tivesse um cargo público, valendo-se da pouca familiaridade dos americanos com a organização política e social brasileira. No site de Rojo são publicadas as atividades da presidente Dilma Rousseff, do Ministério do Turismo brasileiro e até dos preparativos da Copa – além de um link para o site do Cicesp.

Já Regino aproximou-se de autoridades estrangeiras no Brasil. O embaixador da China, Li Jinzhang, e a embaixadora do Panamá, Gabriela García, também foram condecorados pela Soberana Ordem de Mérito JK.

Morador do condomínio Moradas do Ypê, no Capão Redondo, periferia de São Paulo, Regino conseguiu impor e legitimar suas honrarias às custas do nome dos próprios homenageados. Para ganhar o direito de indicar os premiados, como mostrou reportagem da Folha de S. Paulo de abril de 2010, há a possibilidade de se associar ao CICESP – em 2010, isso custava R$ 5.980,00.

Em 2002, no centenário de Juscelino Kubistcheck, Regino conseguiu convite para uma solenidade comemorativa da data nos jardins do Palácio da Alvorada. Ali, aproveitou para tirar uma foto com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. E desde então passou a usar a foto para anunciar aos quatro cantos que FHC foi o primeiro agraciado com o Cruz do Mérito JK. O Instituto Fernando Henrique, porém, não inclui a comenda na longa lista de medalhas, títulos e prêmios listados no currículo oficial do presidente.

Enquanto isso, Rojo Filho continua se promover como “chanceler” pronto a ajudar os que querem investir na Copa do Mundo 2014 e na Olimpíada 2016 ou em diversos setores de negócios no Brasil – de transporte aéreo a petróleo. O endereço da sede do US Chancellor (1420 Celebration BLVD, Suite 200, Celebration, FL. 34747) é de um prédio de escritórios virtuais onde ninguém atende o telefone.

A assessoria de imprensa do Itamaraty diz que o órgão brasileiro de Relações Exteriores nunca recebeu denúncias sobre a atuação falsamente oficial de Rojo Filho, mas que iria averiguá-las depois da comunicação da Pública. Seja como for, a desenvoltura de Rojo ao posar como US Chancellor parece combinar com a atual estratégia do cartel de Sinaloa de acordo com um estudo realizado pelo IDA, “think tank” do Pentágono e da Casa Branca. O informe sobre o cartel de Sinaloa encomendado pelo Departamento de Defesa Americano assinala que o Cartel de Sinaloa “optou por comprar sua influência. Ainda que seja capaz de uma grande violência, seu modus operandi preferido é o suborno. A organização criminal transnacional tem corrompido com êxito o governo do México, as forças de segurança, e a indústria privada em todos os lugares onde opera”.

13 Feb 15:58

As ’40 mortes’ ocorridas no Catar nas obras para a Copa de 2022

by Diario do Centro do Mundo
Allan Patrick

“O Catar é um Estado escravocrata”

O artigo abaixo foi publicado no site DW. “Nós quisemos o Catar, e agora vamos adiante”, respondeu aos jornalistas, em tom quase desafiador, o presidente da Fifa, Joseph Btatter, sobre as condições de trabalho e as mortes ocorridas nas obras no emirado para a Copa do Mundo de 2022. O jor...
10 Feb 13:09

Jornalista pede ajuda pra enfrentar Ali Kamel na Justiça

by Rodrigo Vianna

Roberto Marinho não morreu. Sobrevive como inspiração aos que comandam o Jornalismo global e usam a Justiça para esmagar quem diverge

por Marco Aurelio Mello, blogueiro e jornalista

 
Parece até que eu estava adivinhando.
 
Mal encerrei as atividades no blog na semana passada, e acabo de receber, na última terça-feira, mais uma ação judicial de Ali Kamel pedindo nova indenização.
 
Curiosamente, a ação vem logo após um momento de consagração profissional. No fim do ano passado recebi um dos mais importantes prêmios de jornalismo do país, o Prêmio Petrobras. Escolhemos um assunto árido, pouco retratado na grande imprensa: os refugiados. Não tenho culpa de ter escolhido ser jornalista, enquanto Ali preferiu trilhar a carreira de chefe.
 
Cada um tem o talento que Deus deu.
 
No entanto, fico chateado, porque em março faz sete anos que sai da TV Globo e até hoje tenho que responder por insinuações caluniosas que não fazem parte da minha personalidade, nem do meu caráter. Aliás, todos que já trabalharam diretamente comigo podem atestar o quanto priorizo a relação, em detrimento muitas vezes de exigências descabidas impostas por chefes.
 
Na verdade, o que parece, ao me processar de novo, é que Ali quer me sufocar financeiramente. Na primeira ação que moveu contra mim, cuja sentença em primeira instância foi dada em março do ano passado, fui condenado a pagar R$ 15 mil reais de indenização. Apesar de ter gente cantando vitória antes da hora, recorremos e é fato que esta ação só pode ser considerada ganha depois que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro apreciar a apelação. E mais: enquanto houver recurso, recorreremos.
 
Na nova ação (processo número 0285512-08.2013.8.19.0001, da 47ª Vara Cível do Rio de Janeiro), ele agora se diz atingido por um desabafo que escrevi em julho do ano passado (http://maureliomello.blogspot.com.br/2013/07/um-desabafo.html). Dentre outras peripécias, ele afirma que nos seis anos que fui subordinado a ele nunca critiquei o jornalismo da Globo. Mentira. Todas as críticas que fiz, e não foram poucas, fiz internamente. Diz, também, que o acusei, basicamente, de ser um mau profissional, por ter desqualificado o modo de fazer jornalismo da emissora. Reafirmo e provarei isto na ação judicial.
 
Só há um problema: desta vez, não tenho como me defender. Vivo do meu salário da TV Record e, ao contrário do que Ali insinua na ação, não misturo as coisas. Por isso, não acho justo pedir a eles que me defendam.
 
Por isso, a única coisa que me resta fazer é um apelo aos frequentadores do blog e aos seguidores do Facebook e do Twitter. Quem sabe se contribuindo com uma quantia qualquer, mesmo que sejam poucos reais, não consigo juntar o bastante pagar as despesas. Como você bem sabe, Ali, movimentar os martelos dos tribunais custa caro, muito caro. Só para me defender de você na primeira ação já gastei o equivalente a um automóvel zero quilômetro. E o “taxímetro” continua correndo.
 
Espero que, desta vez, já que é mais do mesmo, não tenha custos tão altos.
Para os que quiserem me ajudar, aí vão os dados:
 
MARCO AURELIO C DE MELLO
BRADESCO
agência: 1363-3
conta corrente 0120558-7
 
Faço uma última observação. Os valores apurados serão gastos exclusivamente com as custas dos processos em curso, todos os dados serão apresentados e, se necessário, auditados. Também faço questão de recolher todos os impostos devidos, sem sonegação, porque acredito que só assim construiremos um país melhor, mais justo e menos desigual.
 
Prefiro ser respeitado, a ser temido e espero que você encontre paz no seu coração, Ali Kamel.
 
Honestamente, me esqueça, porque ao contrário do que alude, não perco meu precioso tempo procurando atacá-lo obsessivamente, como quer fazer crer a seus subalternos, amigos, parentes e, agora, à Justiça.
09 Feb 14:19

Jornalistas da Globo dizem ‘não’ à vaga de Carlos Nascimento no SBT

by bruno
Allan Patrick

Dois aspectos relevantes da "ética" do SBT: 1) Reduz em 80% o salário de profissional com câncer. 2) Torna público fato extremamente íntimo do apresentador e sua família, ao afirmar em off que "não tem mais esperanças de seu retorno".

O SBT está correndo atrás de um apresentador de telejornal. Tem de ser do sexo masculino, ser preferencialmente jovem, possuir alguma fama e prestígio e, principalmente, envergadura para ancorar um debate entre candidatos à Presidência da República. O profissional ocupará o lugar de Carlos Nascimento no Jornal do SBT, exibido no início da madrugada.

Nos últimos três meses, o SBT tocou o telefone de quatro apresentadores de telejornais. A primeira opção era Evaristo Costa, do Jornal Hoje, mas ele recusou a proposta, dizendo que tem contrato a cumprir com a Globo. André Trigueiro, ex-âncora da Globo News e atualmente repórter da Globo, não quis trocar o Rio de Janeiro por São Paulo e deixar de lado sua especialização, o jornalismo ambiental.

O SBT também sonhava com Chico Pinheiro, do Bom Dia Brasil, apesar de ele não ser jovem como pretendido. Seus executivos avaliavam que ele poderia ser o global mais viável, por causa da carreira já construída e dos rumores de que não estaria bem na Globo. A instabilidade na emissora, no entanto, atrapalhou. O SBT, então, decidiu investir em Eduardo Ribeiro, eventual substituto de Celso Freitas no Jornal da Record. Ele é o nome mais “quente” no momento.

Nos bastidores do SBT, já se dá como muito pouco provável a volta de Carlos Nascimento à bancada de um telejornal. Afastado desde setembro, o jornalista faz tratamento contra um câncer no reto. Mesmo sem poder trabalhar, seu contrato foi renovado, mas por um quinto do salário que ganhava antes. A busca de um substituto revela que o SBT não tem mais esperanças de um retorno de Nascimento.

A falta de um substituto à altura para Nascimento preocupa porque o SBT não tem um jornalista de porte para comandar um debate. Cesar Filho e Hermano Henning não são considerados para essa missão, e Rachel Sheherazade seria rejeitada pelos candidatos de centro e esquerda. Resta apenas Roberto Cabrini, que é mais repórter do que apresentador.

Comentaristas demitidos

A demissão dos comentaristas Carlos Chagas, Denise Campos de Toledo José Nêumane Pinto, ocorrida na última sexta-feira, já estava definida pelo SBT desde outubro. Antes de viajar para as férias na Flórida, no final de dezembro, Silvio Santos concordou com os cortes.

Não houve nenhuma motivação política. O fato de o afastamento de Carlos Chagas ter ocorrido na mesma semana em que sua filha, Helena Chagas, perdeu o cargo de ministra-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, foi apenas coincidência.

No SBT, avaliava que os três comentaristas já não tinham função. Primeiro, no começo do segundo semestre do ano passado, eles deixaram de aparecer na principal vitrine da emissora, o SBT Brasil, porque o excesso de comentaristas prejudicava a dinâmica do telejornal. Foram para outros telejornais, mas, na avaliação interna, não acrescentaram nada. Optou-se por usar o dinheiro de seus salários (quase R$ 50 mil mensais) na contratação de repórteres e no investimento em produção.

NTV

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09 Feb 12:06

Afghanistan By Ric Ergenbright

Allan Patrick

Alô Natal, aprende com o Afeganistão a deixar as ruas sombreadas!











Afghanistan By Ric Ergenbright

09 Feb 12:01

La mujer de la limpieza del viceministro

by Iñigo Sáenz de Ugarte

Immigration-van

Un ejemplo peculiar de justicia poética en el Reino Unido. El promotor en el Ministerio de Interior de esta campaña amenazante del año pasado contra los inmigrantes ilegales ha presentado la dimisión al saber que estaba dando trabajo a un extranjero sin papeles. Mark Harper, viceministro de Inmigración, supo recientemente que la mujer a la que contrató en 2007 para limpiar su casa no contaba con la documentación necesaria. Supuestamente, creía lo contrario cuando le dio el empleo.

Los políticos conservadores atizan en Gran Bretaña el sentimiento xenófobo, convencidos de que eso les dará votos, mientras ignoran la realidad económica, la aportación de esos extranjeros a la prosperidad del país y la idea de que son los países hundidos en la miseria y el descrédito los que no atraen inmigrantes.

Y a veces la realidad les golpea en todo cara.

 

07 Feb 12:42

Os ‘vândalos’ do metrô: Alckmin acha que pode resolver tudo com a polícia

by Mauro Donato
Allan Patrick

Solução para pessoas presas no subsolo dentro de um trem de metrô lotado: polícia!

  Três dias depois do grande tumulto ocorrido no metrô de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin, em parceria com seu secretário de Segurança, Fernando Grella, manda avisar que irá colocar a polícia para debelar problemas dentro das estações. No momento em que era anunciada a intenção de “inte...
06 Feb 14:05

Belém: criatividade sem limites

by rchia
Allan Patrick

A gente briga por ciclovias e quando elas são finalmente executadas, o são de forma terrivelmente ruim e tomando espaço dos pedestres, não dos carros.

Muitas cidades, na ânsia de demonstrar uma “preocupação” com a mobilidade urbana, têm feito intervenções urbanas completamente disparatadas, como ciclovias mal planejadas (e executadas) que ligam o nada ao lugar nenhum. Mas o exemplo de Belém beira o surrealismo. Segundo … Continuar lendo →
31 Jan 21:31

ERRO HISTÓRICO NA AP 470

by Paulo Moreira Leite
Debate sobre inquérito secreto mostra esforço para negar direitos aos réus
31 Jan 09:34

Los agujeros negros de Pedro J. Ramírez

by Iñigo Sáenz de Ugarte
Allan Patrick

Esse post é uma longa história, complexa pra quem não está ambientado com a história contemporânea da Espanha. Destaco apenas, do primeiro parágrafo, a informação de que em 2002, numa greve geral, até o Diretor de Redação do jornal El Mundo cruzou os braços e defendeu a greve num programa de debates na TV.

elmundo.750

En junio de 2002 el redactor jefe de El Mundo Francisco Frechoso participó en una tertulia de Informativos Telecinco en la que se trató el tema de la huelga general del 21J. Al igual que el 90% de la plantilla del periódico, Frechoso se mostró a favor de la convocatoria y criticó al periódico por haber tomado una serie de medidas con las que distribuir una edición reducida en el día de la huelga y conceder así una victoria al Gobierno de José María Aznar. El portavoz del Gobierno, Pío Cabanillas, se había presentado ese día en el Congreso con varios periódicos bajo el brazo, desplegados de forma que se vieran las cabeceras. El reconocimiento al trabajo bien hecho.

En represalia, El Mundo ordenó a Frechoso que no volviera a participar en la tertulia ‘La Mirada Crítica’. Como se suele decir en estos casos, la libertad de expresión está para los que se la pueden pagar y el periódico decidió que estaba fuera de las posibilidades del periodista. Frechoso respondió con una demanda que ganó, pero a partir de ese momento quedó marcado. Pedro J. Ramírez no se lo perdonó.

Una de las características de los medios de comunicación españoles es que defienden la libertad de expresión de puertas para fuera. Dentro de la redacción, no hay tanto espacio para la discrepancia. A veces, ninguno.

Pedro J. Ramírez ha abandonado su puesto vitalicio de director de El Mundo forzado por una decisión de su empresa, que ya no está en condiciones de resistir su crítica situación económica. Sus vías de salida están cerradas porque los propietarios no están dispuestos a continuar enjugando las pérdidas, el Gobierno le castiga negándole la publicidad institucional que le correspondería por su difusión, y es poco probable que los bancos vayan a conceder créditos millonarios a un negocio lleno de incertidumbres que además les colocaría en rumbo de colisión con el Gobierno. Los bancos siempre juegan en el campo del Gobierno en España.

Con el barco haciendo aguas, la empresa ha arrojado por la borda el cuerpo del director con la esperanza de que el Gobierno premie el gesto y permita o propicie la venta del periódico a otra compañía con más futuro por delante. Lo dejó bastante claro el consejero delegado de Unidad Editorial en una entrevista hace poco más de un mes.

Pedro J. ha presentado ante la redacción su salida como una consecuencia de la cobertura del caso Bárcenas. No hay que ser un genio para saber que no anda muy equivocado. Tampoco hay que ser un cínico despiadado para pensar que él participó de buena gana en el juego del poder con su complicidad con Aznar, se implicó directamente en el intento de algunos sectores del PP de acabar con Rajoy tras la derrota de este en las elecciones de 2008, y al final terminó por sufrir el hachazo final del gallego resentido y de su vicepresidenta que lo apunta todo y no olvida nada.

Indignarse ante esa situación es legítimo y necesario. Escandalizarse, no, porque esa es la forma en que se ha comportado siempre el poder político desde los inicios de la Transición con respecto a los medios de comunicación. Pedro J. ya lo sufrió cuando fue despedido de Diario 16 cuando el dueño tuvo que admitir que sus dificultades económicas ya no le permitían soportar las presiones del Gobierno de Felipe González. Lo mismo ocurrió en Informativos Telecinco cuando el Grupo Vocento le enseñó a Luis Fernández la puerta de salida porque ya no estaba en condiciones de frenar la ofensiva del Gobierno de Aznar.

A veces, son las pérdidas en la cuenta de resultados. En otras ocasiones, son los intereses económicos de las empresas en sectores como la radio y la televisión fuertemente regulados por el Gobierno. Puede ocurrir también que sea una mezcla de ruina financiera y comunión ideológica, como cuando ABC eliminó a su director, José Antonio Zarzalejos, tras la presión inmisericorde de Esperanza Aguirre.

La independencia del poder político no es una realidad en las grandes empresas de comunicación españolas. Si acaso, es un estado de ánimo fácilmente moldeable cuando las circunstancias son propicias para los gobiernos. Y ahora siempre lo son.

Los directores se libran de los periodistas molestos que no dicen a todo ‘sí, señor’ hasta que descubren que ellos mismos también pueden ser neutralizados por no haber sido lo bastante sumisos ante el poder. Es en ese contexto en el que hay que entender los elogios de los editoriales de El País a la política económica del Gobierno. Si estás en manos de los bancos, no necesitas que te llamen para saber lo que tienes que hacer.

Y luego la culpa de la pérdida de lectores es de Internet. O de Google. O de los jóvenes que no leen periódicos. Bueno, esa es otra historia.

Pedro J. Ramírez ha sido el mejor director que haya habido en la prensa de Madrid o Barcelona (un Shackleton con el que merecía la pena jugarse la vida en una expedición imposible) y un horrendo periodista cuando llegó a la conclusión de que podía asumir todos los papeles que estuvieran a su alcance (y un director es un monarca absoluto con poderes ilimitados que en los días buenos es Carlos III, sólo se puede aspirar a eso, y en los malos convierte a Fernando VII en un tipo moderado y abierto a las críticas).

Pedro J. llegó a la conclusión de que podía ser al mismo tiempo director, columnista de pluma agresiva, historiador aficionado, muñidor de un grupo de comunicación, consejero aúlico de presidentes y tertuliano omnipresente. Prensa, radio, televisión, Internet… su imperio no conocía el sol, y como todos los emperadores podía salir del despacho desnudo y que todos admiraran el corte de su traje.

No había nadie detrás que le susurrara al oído: recuerda que eres periodista. Y cuando lo hubo, no le hizo mucho caso.

Antes de eso, y es de justicia decirlo y es injusto dedicarle sólo unas líneas, prestó un servicio impagable a este país con la cobertura de los crímenes de los GAL, un ejemplo de terrorismo de Estado que el Gobierno y la mayor parte de la sociedad preferían ignorar. Primero en Diario 16, en artículos firmados en su mayor parte por Ricardo Arqués y Melchor Miralles, y luego en El Mundo, desveló una trama criminal financiada por un Gobierno de izquierdas y ejecutada por policías y guardias civiles corruptos, y pistoleros fascistas de Francia e Italia. Fue un ejemplo de valor del que pocos periodistas pueden presumir en este país.

Años después, se convirtió en el envés de esa hazaña alimentando la conspiración de los agujeros negros del 11M en colaboración con los personajes más tenebrosos de la clase periodística a través de una serie inagotable de artículos que tenían una característica común: lo mal que estaban escritos.

Pero entonces ya no importaba cualquier prioridad periodística. El PP había perdido de forma inesperada las elecciones, el legado de Aznar estaba en peligro y había que hacer algo para convencer a la gente de que los errores de Aznar y Acebes entre el 11 y el 14 de marzo no eran tales, que había asuntos oscuros que exigían una investigación en profundidad y que además, y esto se dijo desde el primer artículo de la campaña, existió una conspiración organizada por miembros de las fuerzas de seguridad cercanos al PSOE que confundieron al Gobierno y sembraron de pistas falsas esos primeros días de trabajo policial.

“Comienza a asomar así lo que un veterano investigador de la policía ha definido como el cuento de Pulgarcito, alguien que encuentra el camino porque previamente ha dejado las piedrecitas blancas que le indican el mismo”, decía ese primer artículo.

Curiosamente, ese texto terminaba con una llamada al teléfono móvil de uno de los terroristas que se inmolaron en la casa de Leganés y se decía que la explosión “ha enterrado definitivamente la esperanza de conocer toda la verdad del 11-M”. Punto final. Nada más lejos de la realidad paralela que comenzó a construirse. A partir de ese momento, se encadenó una sucesión de historias con las que sostener que la verdad había sido otra sin que nunca estuviera del todo claro cuál era. Se perdió el miedo al ridículo, y las teorías alternativas que, por ejemplo en EEUU en relación al 11S quedaban circunscritas a medios de extrema derecha o extrema izquierda, en España fueron defendidas por un periódico que se decía liberal, moderado o conservador.

Por citar uno de los numerosos ejemplos de esta loca carrera hacia el abismo, Pedro J. empeñó su prestigio, lo hundió en la miseria, regalando tres portadas a un delincuente como José Emilio Trashorras al que los médicos forenses de la Audiencia Nacional diagnosticaron “trastorno psicoafectivo bipolar, trastorno de personalidad esquizoide y antisocial y trastorno psicótico por consumo y abuso de drogas”.

¿Qué mejor fuente puede desear un periodista que está investigando el mayor atentado terrorista en la historia de España? ¿Cómo no creer a alguien que afirma que todo fue un golpe de Estado montado por las fuerzas de seguridad para asesinar a 191 hombres, mujeres y niños, que la policía le ofreció dinero para acusar a unas marionetas y encubrir la matanza o que uno de los terroristas “tenía contactos con ETA?”.

Nadie más que Pedro J. Ramírez podía llegar a esos extremos. No son los políticos los únicos que pierden la cabeza al disfrutar del poder absoluto.

29 Jan 11:36

Antônio de Souza: Mídia se cala sobre as 27 novas taxas de Alckmin

by Conceição Lemes

Antônio de Souza: A partir de 27 de março,  Alckmin poderá ser chamado Geraldo das Taxinhas

por  Antônio de Souza Lopes da Silva

A partir de 27 de março, os paulistas começam a pagar 27 novas taxas além do aumento em até 116% dos tributos cobrados pelo Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), como o emplacamento de veículos.

Entra em vigor a lei 15.266, sancionada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 27 de dezembro de 2013, que “dispõe sobre o tratamento tributário relativo às taxas no âmbito do Poder Executivo Estadual”.

Bem no final de 2013, Alckmin enviou às pressas à Assembleia Legislativa o projeto de lei nº 916/2013, que “dispõe sobre o tratamento tributário relativo às taxas no âmbito do Poder Executivo Estadual”.

Aqui, a lei prevê o valor das taxas em Ufesp — a Unidade Fiscal do Estado de São Paulo.

Ela é definida segundo a variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) da Universidade de São Paulo (USP).

Em 2014, esse reajuste ficará em 3,98%.

O que fez Alckmin? Ele aumentou o número de Ufesp por serviço.

Na segurança pública, criou 10 taxas novas, sendo várias para shows pirotécnicos e carros blindados.

A blindagem de veículos, devido ao crescimento do crime e da violência, cresceu 35% em 2013 no País. Segundo a Folha, foram blindados no Brasil 10 mil carros no ano passado, sendo 72% deles no Estado de São Paulo.

Ou seja, o governo paulista deve arrecadar por ano R$ 18 milhões a mais. Além disso,a taxa para policiamento de espetáculos artísticos e culturais subiu quase 10%.

Abaixo tabela das novas taxas para serviços de segurança pública.

Alckmin criou 17 novas taxas no Detran, entre as quais estas:

*Para funcionamento de estabelecimento que faz vistoria de identificação veicular ou inspeção de segurança veicular.Custará R$ 1356,00.

*Para desmanche.Terá o valor de R$ 3.874,00.

* Estabelecimento que comercializa peças usadas de veículos automotores.Valor previsto de R$ 575,00.

*Preparação de leilão. Por veículo ou bem custará R$ 97.

Este quadro está detalhado na tabela abaixo.

O governo paulista também aumentará o valor de uma série de serviços, especialmente emplacamentos de veículos nas concessionárias.

No Detran, o emplacamento de veículos subirá de 8% a 46%, já nas concessionárias, de 84% a 133%.

Aliás, a maior parte dos cidadãos prefere emplacar veículos nas concessionárias para ter acesso imediato ao seguro e, assim, proteger seu bem do alto número de roubos de veículos.O estranho é que Alckmin, o responsável pela segurança do paulista, pune o cidadão que já não se sente protegido pela polícia.

Em 2012, de acordo com o site do Detran-SP, foram emplacados um pouco mais de 3 milhões de veículos. Em 2014, se for emplacado o mesmo número que em 2012, o governo paulista arrecadará R$ 336 milhões com a nova lei.

Qual o motivo do aumento dessas taxas e criação de outras?

É viabilizar a parceria público-privada (PPP) dos pátios veiculares.

As taxas são garantia para o concessionário privado, como revela a ata da reunião do programa estadual de parcerias público-privadas, realizada 7/11/2013.

O aumento abusivo no valor das taxas será para bancar o que o governo terá de pagar ao setor privado. Está na ata da mesma reunião:

Com respeito ao aspecto econômico-financeiro, os fluxos foram projetados para uma demanda estimada de 30 (trinta) mil veículos/mês e resultaram numa contraprestação máxima anual de R$ 387 (trezentos e oitenta e sete) milhões, adotando-se os valores de taxas praticados hoje pelo DER.

A PPP dos pátios busca superar uma situação de total falta de padronização e irregularidades flagrantes no atual sistema.

O governo afirma que:

De 2010 a 2013, a receita de taxas cresceu 29%, alcançando o valor de R$ 4,3 bilhões.

As taxas da nova lei de Alckmin abrangem R$ 2,7 bilhões; a maior parte se refere aos serviços do Detran.

A elevação de, pelo menos, R$ 354 milhões por ano  (aumento projetado das taxas de segurança pública e do Detran)  penaliza o cidadão paulista e se mostra abusiva, visto que as taxas já são atualizadas anualmente pelo IPC da Fipe e tiveram crescimento expressivo, chegando em alguns casos  a 116%.

Com esses aumentos exagerados de taxas e a criação de outras 27, o governador Alckmin, a partir de 27 de março, poderá ser chamado Geraldo das Taxinhas.

Detalhe: a grande imprensa, que deu manchetes contra o aumento do IPTU na cidade de São Paulo, praticamente está calada em relação ao aumento das taxas dos tucanos, que prejudica todo o povo paulista.

Leia também:

Na frente anti-Copa, o ataque do PSTU aos Black Blocs

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28 Jan 21:35

Campus Canguaretama é elogiado por professor europeu

by Maria Clara Bezerra de araújo

O professor Flávio Nunes, da Universidade do Minho, de Portugal, realizou uma visita técnica ao Campus Canguaretama do IFRN em dezembro de 2013. No retorno da sua viagem, escreveu um email ao diretor geral do Campus, Valdelúcio Pereira, destacando suas principais impressões acerca da estrutura e das ações desenvolvidas na unidade do Instituto. O professor esteve em Natal para participar das Jornada Doutoral em Ciências Sociais, promovida pela Pró-Reitoria de Pesquisa do IFRN. Confira abaixo a íntegra da mensagem enviada por Flávio:

"Caro Valdelucio, 

Depois de regressar de Natal fui tomado pelas responsabilidades familiares da época natalícia e de final de ano e apenas agora estou a conseguir retomar a rotina habitual.

Antes de entrar nessa rotina e fazendo um balanço sobre a minha estadia no IFRN não posso deixar de salientar que a maior surpresa da semana que passei convosco em Dezembro foi, sem dúvida, a oportunidade que tive de conhecer o novo campus do IFRN em Canguaretama. Fiquei verdadeiramente impressionado e por variadíssimas razões: 

- percebi tratar-se de um projecto que tem na sua matriz fundadora os ideais e princípios do desenvolvimento sustentável, quer na sua vertente económica, ambiental e social; 

- na vertente económica, é de enaltecer o esforço meritório com que procuram dinamizar a economia local incentivando, por exemplo, formações de agricultura familiar, abertas à participação da comunidade envolvente, o que revela uma consciencialização profunda do potencial inerente a este IFRN enquanto verdadeiro instrumento de desenvolvimento local e comunitário; 

- na vertente social, a preocupação de envolver membros das comunidades vizinhas e mais carenciadas na construção e manutenção deste equipamento, demonstra uma consciência profunda de que o desafio da sustentabilidade é algo que deve estar sempre presente na tomada das nossas decisões, das mais estratégicas e de longo alcance às mais imediatas e quotidianas; 

- na vertente ambiental, fiquei maravilhado não apenas com a preocupação de reutilização das águas pluviais mas também com as preocupações que revelam no sentido de preservar espécies como os coqueiros ou cajueiros, o que não só é um sinal de perpetuação da memória do lugar, mas também da tentativa de reforçar a ideia de que o campus não está desligado da comunidade envolvente, nem em termos sociais e económicos nem tão pouco em termos do sistema bio-geo-físico. 

Para além disso queria destacar um aspecto que pode parecer superficial mas que para mim demonstra todo o carinho e cuidado com o modo como este IFRN está a ser concretizado. Denotei na minha visita uma atenção especial com aspectos de detalhe e de pormenor associados a questões estéticas e de embelezamento dos espaços exteriores e interiores, relacionados por exemplo com o ajardinamento, limpeza, arrumação e organização. Esta atitude face à organização julgo que acabará por perpassar para quem frequenta este espaço, com vantagens que certamente se irão tornando evidentes. 

Por fim, não quero deixar de expressar as potencialidades únicas que me parece que este IFRN pode ter no que respeita à qualificação em turismo. A meu ver, a proximidade a comunidades indígenas e de afro-descendentes, com as quais este IFRN já tem relações e projectos em curso muito significativos, é algo que deve ser visto como um trunfo para este equipamento, que tem todas as condições para se poder afirmar, no contexto nacional e até internacional, enquanto escola de referência na qualificação de profissionais de turismo… mas profissionais preparados para uma ‘novo produto turístico’ que começa agora a dar os seus primeiros passos, em termos de organização e de profissionalização. 

Refiro-me ao turismo de voluntariado, que representa um novo tipo de turismo em crescimento e que é valorizado por um número cada vez mais significativo de indivíduos que, contrariamente aos turistas convencionais, não pretendem apenas conhecer novos destinos a partir das experiências de alojamento em hóteis ou resorts, ou pela mão de guias turísticos que os levam a sair desses hotéis e a conhecer os locais que visitam a partir simplesmente da objectiva de uma câmara fotográfica ou do consumo de souvenirs.

Na verdade começa a haver um número cada vez mais significativo de turistas que querem conhecer as comunidades que visitam de um modo mais profundo e genuíno, estando para isso dispostos a pagar para usar os seus dias de férias em acções de voluntariado por todo o mundo. Acções de voluntariado essas que lhes permitem não apenas contribuir activamente para o desenvolvimento dessas comunidades (por exemplo, ensinando inglês a crianças, transmitindo conhecimentos de informática, auxiliando no restauro de edifícios, ajudando a despoluir margens de cursos de água, organizando workshops artísticos, etc. etc.), como também lhes permitem beneficiar de um conhecimento profundo dos hábitos de vida, comportamentos e práticas de quem ai reside (algo que conseguem pois essas acções de voluntariado muitas vezes permitirem pernoitar e fazer as refeições com as pessoas que residem nas comunidades que estão a visitar). 

Os princípios de desenvolvimento sustentável e comunitário que estão na fundação deste IFRN, assim como a particularidade inerente à proximidade à comunidade indígena nos Catu, que tive a oportunidade de conhecer e onde fui muito bem recebido, bem como de outras comunidades indígenas e de afro-descendes, assim como a proximidade a Pipa que permite que esses turistas de voluntariado possam pontuar a sua estadia com as comodidades de um destino turístico mais convencional, criam condições únicas para que o IFRN de Canguaretama possa vir a tornar-se num verdadeiro Laboratório Vivo de referência, especializado na aprendizagem das competências que devem ser detidas pelos profissionais que irão auxiliar o desenvolvimento deste novo produto turístico: o turismo de voluntariado. 

A tese de doutoramento que a Goretti Alves, minha orientanda, está a elaborar pretende constituir um primeiro momento de reflexão acerca deste potencial.

Para além disso, eu terei a oportunidade de ter uma estadia de trabalho na Indonésia, num período que se prolongará por este mês de Janeiro e Fevereiro, onde o turismo de voluntariado está já muito desenvolvido, e onde irei fazer uma pesquisa acerca desta temática, cujos resultados poderei numa futura oportunidade partilhar convosco, caso considerem pertinente. 

Mas sobretudo gostaria de dar ao Valdelucio e ao Márcio [Márcio Azevedo, diretor acadêmico do Campus], e através de vós a toda a vossa equipa, os meus sinceros parabéns pelo modo como está a ser conduzida a criação deste IFRN. 

Com os melhores cumprimentos,

 

Flávio Nunes".

Conheça o Campus Canguaretama do IFRN

24 Jan 19:31

Diplomacia al servicio de la esclavitud

by juantorreslopez

Publicado en Público.es el 23 de enero de 2014

Unos cables hechos públicos por Wikileaks y la información de varios medios de Haití proporciona pruebas del trabajo que hacen los diplomáticos de Estados Unidos, los intereses que defienden y para quién trabajan.

Hace un par de años se propuso en aquel país una subida del salario mínimo de 24 céntimos la hora a 61 céntimos.

Enseguida, las empresas multinacionales que trabajan allí, sobre todos las textiles estadounidenses Hanesbrands y Levy Strauss, se opusieron a esa medida, alegando que una subida de más de 7 céntimos a la hora perjudicaría gravemente sus beneficios, y reclamaron la ayuda de su embajador.

Este hizo suyas las demanda de las empresas declarando que la subida que se pretendía era excesiva, una simple “medida populista” y que no “tomaba en cuenta la realidad económica”. Ahora se sabe que intervino y presionó al presidente haitiano para que el salario no alcanzara los 5 dólares diarios pretendidos quedándose en 3 (casi 20 veces menos que el de Estados Unidos).

Lo que defendía la diplomacia estadounidense y el calado moral de las grandes multinacionales y del capitalismo de nuestros días se pone de relieve si tenemos en cuenta lo que hubiera representado en total la subida de salario que se reclamaba.

Si se hubieran beneficiado de ella los 25.000 trabajadores del textil haitianos el coste total para las empresas radicadas allí hubiese sido de 12,5 millones de dólares  al año.

Para la empresa Hanes, que contrata en ese país a 3.200 trabajadores, el coste hubiera sido de 1,6 millones al año, es decir, una proporción minúscula de los 4.300 millones de dólares que vendió el año pasado y solo la sexta parte de los 10 millones de dólares al año que recibió su director ejecutivo Richard Noll.

Y todo eso teniendo en cuenta que una familia haitiana necesitaba unos 12,5 dólares al día en 2008 para poder alimentarse.

No es exagerado afirmar, pues, que este es un ejemplo bien claro de diplomacia que está al servicio de la esclavitud y de la miseria que es lo que permite que el 1% más rico de la población de Estados Unidos se haya quedado con el 95% del incremento de ingresos generado en Estados Unidos de 2009 a 2012 y con el 68% de todo el ingreso familiar real generado desde 1993 hasta ese último año.

Y es ingenuo creer que eso solamente ocurre en Estados Unidos. Día a día contemplamos en España cómo el gobierno y hasta el propio Monarca (éste, además, aprovechando la ocasión para aumentar su fortuna personal) se afanan en sacar las castañas del fuego a las grandes empresas (que son justamente las que obtienen la mayor parte de sus beneficios gracias al apoyo gubernamental). Con la excusa de que son intereses españoles, cuando su capital mayoritario es en realidad extranjero y de grandes grupos oligárquicos y no precisamente del pueblo español, todo el aparato estatal se despliega para apuntalarlas y darle todo tipo de privilegios.

Para justificarlo afirman que ese beneficio es el que luego crea empleo y riqueza pero este es también un argumento completamente falso.

Las grandes empresas multinacionales y las entidades financieras española y de todo el mundo son las que más empleo han destruido en los últimos años, las que actúan como las que hemos mencionado más arriba y las que no utilizan sus beneficios precisamente para crear riqueza productiva, lo evaden al fisco siempre que pueden y son las grandes usuarias de los paraísos fiscales. Ni siquiera lo utilizan para invertir más. Según el Informe sobre el Trabajo en el Mundo 2013 de la Organización Internacional del Trabajo, las grandes corporaciones tienen cinco billones de dólares en los países más desarrollados y 1,4 billones en los países emergentes y en desarrollo en dinero efectivo sin utilizar ni invertir, precisamente, porque con esos salarios tan bajos es imposible que haya demanda suficiente para los bienes y servicios que podrían producirse con ellos.

23 Jan 16:46

Santa isenção

by justicafiscal
Sob o título “Santa isenção“, a jornalista Mônica Bergamo publica no jornal Folha de S. Paulo, 23-01-2014: A Prefeitura de Aparecida (a 180 km de SP) vai recorrer da decisão da Justiça que suspendeu a cobrança dos impostos municipais ISS e IPTU do hotel Rainha do Brasil, administrado pelo Santuário Nacional. O empreendimento –de padrão quatro estrelas, cerca de mil leitos […]
23 Jan 14:06

O vídeo do encontro do Batman com o cineasta rico e a fotógrafa olavete é a melhor tradução do Brasil

by Kiko Nogueira
Allan Patrick

Momento humor: esse vídeo me lembra a confusão de opiniões que são as redes sociais, como o twitter e o facebook.

  Harold Von Kursk, nosso colaborador, me pede, frequentemente, notícias do Brasil. Alemão, naturalizado canadense, ele tem a intenção de voltar para cá um dia. O jornalista Marcelo Zorzanelli já lhe ofereceu pouso algumas vezes. Von Kursk esteve em meados dos anos 80 no Rio de Janeiro, jovem e...
22 Jan 22:05

Donos de shoppings querem que Alckmin contenha “rolezinhos”. #Charge @Brasil247

by latuffcartoons
22 Jan 12:18

Brasil como refúgio? Posicionamento do país face aos deslocamentos forçados pelo mundo

by Richard de Araújo
Campo de refugiados Za'atari na Jordânia, Novembro de 2012. Foto de UNHCR no Flickr (CC BY-NC 2.0)

Campo de refugiados Za'atari na Jordânia, Novembro de 2012. Foto de UNHCR no Flickr (CC BY-NC 2.0)

Se o pouco que os brasileiros sabem sobre a questão dos refugiados remete à ideia de guerra, então não espantaria dizer que vivemos em tempos de conflito generalizado pelo mundo. Diferentemente das duas Grandes Guerras que o mundo viveu no século passado, em que blocos de países confrontaram-se gerando imensos deslocamentos humanos, atualmente vê-se uma infinidade de conflitos dispersos em muitas áreas do planeta.

Mas em que medida conflitos em regiões como a África Subsaariana e o Oriente Médio podem afetar sociedades alheias àqueles problemas? A resposta passa pelo aparecimento de duas personagens, cuja responsabilidade recairá sobre outras sociedades que não aquelas de onde elas provêm: o refugiado e o imigrante.

Refugiados e Imigrantes: fuga da guerra e da pobreza 

Termos que geralmente se confundem, a diferença entre eles é basicamente jurídica. Para “refugiado” citamos aqui a definição usada pelo Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), ligado ao Ministério da Justiça do Brasil:

Será reconhecido como refugiado todo indivíduo que:
I – devido a fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país;
II – não tendo nacionalidade e estando fora do país onde antes teve sua residência habitual, não possa ou não queira regressar a ele, em função das circunstâncias descritas no inciso anterior;
III – devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país.

"Um refugiado sem esperança é demasiado". Imagem de divulgação do Dia Mundial dos Refugiados (20 de junho de 2011). Foto das Nações Unidas - Arménia noFlickr (CC BY 2.0)

“Um refugiado sem esperança é demasiado”. Imagem de divulgação do Dia Mundial dos Refugiados (20 de junho de 2011). Foto das Nações Unidas – Arménia noFlickr (CC BY 2.0)

Já no blog “Cidadania e Profissionalidade” encontramos uma ideia de como os cidadãos, neste caso portugueses, entendem “imigração/emigração”, cuja explicação vem dos leitores Helder Monteiro e Helder Ribeiro:

A emigração é o acto e o fenómeno espontâneo de deixar o seu local de residência para um país estrangeiro.
A imigração é o movimento de entrada, permanente ou temporário e com a intenção de trabalho e/ou residência, de pessoas ou populações, de um país para outro. A imigração em geral ocorre por iniciativa pessoal, pela busca de melhores condições financeiras.

No caso do Brasil, como nos outros países, é a Constituição que dá a definição do estatuto legal aos estrangeiros que se tornam brasileiros. O capítulo III – Da Nacionalidade –, deixa claro quem tem direito à naturalização: “Os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira”.

Assim, na superfície observa-se que enquanto os refugiados deixam seus países pela força dos conflitos e perseguições, os emigrantes partem voluntariamente à procura de condições laborais mais favoráveis à manutenção de suas famílias. Observando em mais profundidade, a questão jurídica apresenta-se da seguinte forma: os refugiados têm o seu status determinado inicialmente pelas Nações Unidas, cujo pedido de asilo é então julgado pelo país acolhedor; já os imigrantes são assunto somente das leis do país que os adotou, sem ingerência exterior.

Refugiados no Brasil: número e perfil

Fuga, Milan Dusek. Arte e Refúgio no Brasil: Uma celebração do 150º aniversário de Fridtjof Nansen. Imagem partilhada por UNHCR no Flickr (CC BY-NC-SA 2.0)

Fuga, Milan Dusek. Arte e Refúgio no Brasil: Uma celebração do 150º aniversário de Fridtjof Nansen. Imagem partilhada por UNHCR no Flickr (CC BY-NC-SA 2.0)

Sabe-se que, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, havia no final de 2012, cerca de 15,4 milhões de refugiados no mundo. Desse número o Brasil abrigava até ao final de 2013 cerca de 4.656. O número é alarmantemente pequeno quando comparado ao do país que mais refugiados abriga, o Paquistão, com cerca de 1,6 milhões de pessoas.

Mas embora ainda sejam poucos numericamente, proporcionalmente a 2012 eles praticamente triplicaram quando comparados a 2013, passando de 199 autorizações para 649, tal como mostra um artigo republicado no blog Lajes do Cabugi.

Trata-se do resultado das pressões externas que o Brasil sofreu por parte de ONGs, e mesmo de países, que exigem o abandono do discurso terceiromundista de que o país tinha insuperáveis problemas internos a preocupar-se. Uma e outra razão provocaram no ano passado o começo de um debate nacional sobre a flexibilização das leis que tratam do assunto. Paralelamente, por conta do número de pessoas deslocadas por conflitos no mundo ter praticamente dobrado da década de 1990 para cá, o resultado foi a assunção no País de maiores responsabilidades exteriores e o consequente recebimento de mais refugiados.

O exemplo que mais chama a atenção é o dos sírios que buscaram refúgio no Brasil. Dada a situação atual da Síria, o governo brasileiro anunciou recentemente um plano para a concessão especial de “vistos humanitários” para nacionais sírios que buscam refúgio no Brasil – o primeiro do gênero na América Latina – cujo tempo para a sua obtenção é menor que o usual para a emissão desse tipo de documento. Além disso, os vistos humanitários podem estender-se ao familiares do refugiado que estejam vivendo nos países vizinhos da Síria.

O blog “O Estrangeiro” descreveu a evolução numérica dos refugiados sírios no Brasil:

O Brasil tem sido um destino cada vez mais recorrente dos cidadãos sírios que tentam escapar da guerra civil que abala o país há mais de dois anos, agravada pela possível intervenção militar dos Estados Unidos. Desde o início dos conflitos, em março de 2011, o número de refugiados sírios no Brasil saltou 15 vezes: foi de 17 para 261. Eles já correspondem a 6% do total de refugiados no país.

Os refugiados e a construção de uma nova imagem no cenário internacional

As ambições do Brasil de vir a fazer parte do Conselho de Segurança da ONU, juntamente com o aumento da sua participação na governança global, impuseram-no um dilema incontornável: a passividade sem riscos ou a tomada de responsabilidades sobre questões que até há pouco tempo mantinha-se alheio. Este novo posicionamento implica no aumento de tropas no exterior em missões sob mandato da ONU e na participação em organismos como o Conselho Consultivo da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês), para o qual o país aguarda a sua entrada uma vez que seja ratificada uma doação de US$ 6,5 milhões.

O debate sobre os refugiados no Brasil promete ser entusiasmante. Ele colocará frente a frente refugiados estrangeiros a refugiados brasileiros – sim, os há –, são os habitantes das favelas submetidos à violência de traficantes de drogas ou de policiais corruptos, migrantes dos Estados mais pobres do País que aceitam trabalhos próximos à escravidão nas grandes cidades para fugir à miséria absoluta de seus vilarejos, entre outros. Ambas as realidades são muito semelhantes e se forem observadas com atenção pelos congressistas, perceberão que em muitos pontos do Brasil a situação é muito parecida com as que vivem as populações da Palestina ou Sudão do Sul.

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22 Jan 04:03

Rogério Correia: Prisão em MG é para proteger Azeredo, Pimenta e Aécio

by Conceição Lemes

Rogério Correia: “Nós estamos vivendo aqui, em Minas, uma ditadura civil, um estado de execção”

por Conceição Lemes

O deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) conversou mais cedo com Hernandes de Alecrim e Bruno Moreira Silva, advogados do jornalista Marco Aurélio Carone, do Novo Jornal, preso em Belo Horizonte desde as seis da manhã dessa segunda-feira 20.

Ambos disseram-lhe que estão sendo impedidos de ter acesso ao processo do seu cliente na Segunda Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Correia conversou também com Priscila Carone, filha do jornalista.

“Ela chora muito, a família está chocada com a prisão preventiva”, conta-nos. “A família está buscando a ABI [Associação brasileira de Imprensa], Sindicato dos Jornalistas e Fenaj [Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais], porque a imprensa aecista está tratando a prisão de Carone como caso de quadrilha.”

Viomundo – O que acha da versão da mídia pró-Aécio?

Rogério Correia – No meu entender, inteiramente fantasiosa. A versão apresentada não tem a menor credibilidade.

Viomundo – O que há, de fato, por trás dessa prisão?

Rogério Correia – Censura! O promotor que pediu a prisão preventiva do Carone diz que o site do jornalista, só por citar determinadas pessoas, estaria ameaçando-as. Por isso pediu a preventiva dele.

Viomundo – Ameaçando em que sentido?

Rogério Correia – Não sei, pois os advogados ainda não tiveram acesso à peça do promotor.

Viomundo – O que se quer com essa prisão? 

Rogério Correia – Na verdade, tentar transformar em falsas as denúncias feitas contra os tucanos – o mensalão tucano e a lista de Furnas – , que até o mundo mineral sabe que são verdadeiras. E, aí, transformar em réu todo mundo que denuncia  o caixa 2 dos tucanos, o esquema de propinas…

Viomundo – Todo mundo que os denuncia corre o risco de virar réu?

Rogério Correia – Acho que sim. Assim como os tucanos tentaram cassar o meu mandato e o do deputado estadual Sávio Souza Cruz (PMDB-MG). Eles ameaçam as pessoas, retaliam, asfixiam economicamente ou tentam cassar mandatos. Todo mundo que denuncia os tucanos em Minas vira réu, não presta. É o mal dos tucanos em Minas Gerais. É o estilo  Aecinho Malvadeza.

Viomundo – Então quem não concorda com o senador Aécio Neves , candidato do PSDB à presidência da República, corre risco de alguma forma?

Rogério Correia – Sim. Quem é amigo de Aécio, pode absolutamente tudo, com helicóptero ou sem helicóptero. Aos outros, cadeia, cassação de mandato… É importante o que está ocorrendo com o Carone  para mostrar ao Brasil inteiro o estado de exceção que Minas vive.

Viomundo – Acredita que isso possa acontecer com o senhor, com o deputado Sávio, com o Minas Sem Censura?

Rogério Correia – Não duvido de que daqui a pouco os tucanos do Minas vão inventar alguma coisa sobre a gente também. Nós estamos vivendo aqui uma ditadura civil. É um estado de terror que os tucanos querem implantar aqui.

Viomundo – Com que objetivo?

Rogério Correia  – Tudo para proteger  Eduardo Azeredo, Pimenta da Veiga, Aécio Neves, que são mencionados na lista de Furnas e no mensalão tucano. Até o mundo  mineral sabe que eles levaram propina e fizeram caixa 2. Isso está comprovado em inquérito da Polícia Federal, conduzido pelo delegado Luís Flávio Zampronha, e em denúncia  feita pela  procuradora Andréia Bayão, do  Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, como eu e Sávio já dissemos em matérias publicadas pelo Viomundo.

O Azeredo é o pai do mensalão tucano, o Pimenta da Veiga, o avô, e o Aécio é quem recebeu recursos.  Fernando Henrique Cardoso também foi beneficiado pelo mensalão tucano. Todo mundo sabe, mas não pode dizer.

Viomundo – Pimenta da Veiga é o candidato de Aécio ao governo de Minas?

Rogério Correia – Sim.   Por isso, também,  o desespero deles de colocar gente na cadeia.

Viomundo – A prisão do Carone serviria então de lição? Seria uma tentativa de para calar a boca de quem discorda de Aécio?

Rogério Correia  – Exatamente. Na mosca. Não tenho a menor dúvida disso.

Viomundo — E agora o que o senhor, o deputado Sávio e o Minas Sem Censura (MSC) pretendem fazer?

Rogério Correia — Para começar, discutir a prisão do Carone na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O deputado Pompilio Canavez (PT-MG), líder do Bloco Minas Sem Censura, já apresentou requerimento à Comissão de Direitos Humanos da ALMG, reivindicando esse debate.

Leia também:

 

Advogados de jornalista preso em MG estão sendo impedidos de ter acesso ao processo de cliente

Com medo de morrer, delator do mensalão tucano se diz perseguido

Advogado diz que morte de modelo tem relação com mensalão tucano

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21 Jan 16:34

Por que a única maneira de conter uma PM assassina foi proibi-la de “prestar socorro”

by Kiko Nogueira
Allan Patrick

Triste, muito triste.

pmesp

A polícia de São Paulo está matando menos porque foi proibida de prestar socorro. Ou seja, o que a polícia prestava não era isso.

Um ano depois da resolução recomendando que feridos nas ruas tivessem atendimento especializado, as mortes causadas por PMs caíram 39%, o nível mais baixo desde 1999. Foram 335 cadáveres em confronto em 2013, contra 546 em 2012.

A justificativa oficial para a implantação da medida era a de garantir que os feridos tivessem ajuda profissional. “O policial tem formação para realizar os primeiros socorros, mas ele não tem todos os materiais e equipamentos”, disse o secretário de segurança pública Fernando Grella Vieira.

Nos primeiros meses da resolução, diversos policiais alegaram que cometeriam crime de omissão de socorro. Houve algumas ocorrências. O sargento Fernando explicou ao DCM como funcionava: “Às vezes contamos com a ajuda do médico. Tem um hospital na Lapa em que um médico perguntava: “polícia ou bandido?” “Polícia!” – ele atendia rapidinho. Se fosse bandido, ele demorava, mexia no pneu do carro e em outras coisas sujas e verificava a profundidade do disparo com o dedo. Se o cara morria de infecção, paciência. Afinal, ele teve assistência. Esse médico fazia uma seleção natural”.

Remover a pessoa era um jeito, também, de atrapalhar a perícia, já que altera a cena. O professor de Direito Penal José Nabuco Filho escreveu no DCM: “Por isso a ‘coincidência’ de morrerem quase todos na porta do hospital. Os policiais precisam dizer que ele estava vivo quando saiu do local. Daí a saída padrão: os policiais agem como se ele houvesse morrido no caminho.”

O novo relatório da ONG Human Rights Watch diz que a “tortura é um problema crônico em delegacias e centros de detenção” e as “autoridades responsáveis pela aplicação da lei que cometem abusos contra presos e detentos raramente são levadas à Justiça”.

É uma ironia que o fator responsável pela diminuição dos óbitos provocados por PMs seja uma determinação de que eles não tentem “salvar a vida” de ninguém. Ao coibir essas fraudes, o efeito foi criar uma corporação menos assassina.

Ao menos nas estatísticas, é um avanço. O espírito, porém, continua o mesmo: “Hoje, vivemos uma época de emburrecimento. Tem três ou quatro psicólogos mandando desenhar árvore, gato…  Aquela pessoa que está pintando uma vaca [durante o acompanhamento psicológico] tem 30 anos de profissão”, diz o sargento Fernando. “Quando o policial puxa o gatilho, ele não puxa sozinho.”

21 Jan 12:22

Patrimônio dos 85 mais ricos é igual ao da metade da população mundial

by justicafiscal
GRAEME WEARDEN DO “GUARDIAN” As pessoas mais ricas do mundo não são conhecidas por andarem de ônibus, mas se decidissem variar um pouco suas rotinas, as 85 pessoas mais ricas do planeta – que juntas controlam riqueza equivalente à de metade da população mundial – caberiam, com algum aperto, em um ônibus de dois andares. […]
21 Jan 02:17

Snowden recebeu ajuda dos russos? Como funciona a máquina de difamação do governo americano

by Harold Von Kursk
Ele

Ele

 

O deputado republicano Mike Rogers, presidente do Comitê de Inteligência da Câmara, renovou suas alegações de que Edward Snowden recebeu ajuda “de fora” na coleta e vazamento de arquivos da NSA. Embora essa declaração esteja rendendo manchetes, a verdadeira notícia é que Rogers está realizando uma campanha de desinformação contra Snowden.

“Eu acredito que há uma razão para ele acabar nas mãos, nos braços amorosos, de um agente da FSB [o serviço de espionagem russo] em Moscou. Eu não acho que seja uma coincidência”, Rogers declarou .

Significativamente, as alegações feitas por Rogers não têm nada de novo. Não só não existe qualquer nova prova ou indicação nesse sentido, como ele está repetindo o que já disse em dezembro.

“Sabemos que ele fez algumas coisas que estavam além de sua habilidades. O que significa que teve a ajuda de outra pessoa para tentar roubar as coisas dos Estados Undos, o povo dos Estados Unidos e os dados confidenciais que usamos para manter a América segura”, afirmou Rogers no fim do ano passado.

Ao levantar essa suspeita, Rogers está tentando levar Snowden ao tribunal da opinião pública.

Consciente de que a mídia internacional tende a retratar Snowden como um heroi — o New York Times pediu-lhe clemência –, Rogers está empreendendo uma campanha de difamação, fazendo acusações infundadas e posando como o mensageiro de um furo histórico que não passa de especulação.

Não há nenhum resquício de evidência para justificar essas declarações. No mês passado, um relatório da NSA concluiu não havia nada que dissesse que Snowden tinha tido auxílio interno ou externo.

De acordo com o New York Times, os agentes do FBI que trabalham no caso continuam sustentando que ele baixou sozinho, metodicamente, os arquivos ao longo de vários meses enquanto trabalhava no Havaí.

Além do mais, se Snowden foi realmente conivente com o FSB, é duvidoso que teria fugido para Hong Kong, onde poderia facilmente ter sido preso ou sequestrado por agentes da CIA e enviado de volta para os EUA para enfrentar acusações de traição.

Muito provavelmente, Snowden é exatamente o que aparenta ser: um ser humano apenas decente que optou por agir como um herói, parafraseando o grande romancista John Le Carré em sua descrição de Barley Scott Blair, o personagem principal de “A Casa da Rússia”.

Se sua mãe era uma comunista, se ele estudou as obras de Louis Althusser ou Jurgen Habermas em seu tempo livre ou se mantinha um pôster de Che Guevara em seu apartamento no Havaí, Edward Snowden revelou ao mundo que o Big Brother está aqui nos observando muito mais de perto do que qualquer um de nós ousaria imaginar.

Nada muda o fato de que ele nos contou a verdade sobre a guerra de alta tecnologia que está sendo travada a cada segundo de nossas vidas.

Agora: por que o Brasil não tira Edward Snowden do frio?

17 Jan 16:51

Márcio Macedo e os “rolezinhos”, ontem e hoje

by Conceição Lemes

De rolê por aí…Resistência política ou consumo?

por Márcio Macedo, no seu blog NewYorKibe, sugerido pelo colega Antônio David  

“Os comícios de todas as noites na Praça do Patriarca e as concentrações também à noite de negros agressivos ou embriagados na rua Direita e na Praça da Sé, os botequins do centro onde os grupos se embriagam, já estão provocando protestos, justíssimos protestos, até pela imprensa, pois não é possível uma cidade como São Paulo ficar a mercê de hordas grosseiras e malcriadas, prontas a se desencadearem contra qualquer branco, homem ou mulher, desde que um gesto involuntário, um olhar mesmo, possa ser mal interpretado por esses grupos brutais e violentos”. “Negros do Brasil” – Paulo Duarte, O Estado de São Paulo, 17 de abril de 1947.

Rolezinhos, não se fala em outra coisa. Não tinha a intenção de escrever sobre o tema, mas venho lendo tanta coisa que me desagrada na web que decidi alinhavar algumas linhas sobre o fenômeno. Algo curto, que fuja do sociologuês e evite exotizar, vitimizar ou alocar uma precoce agenda revolucionária e/ou de resistência nos jovens que participam dos rolezinhos.

O trecho que abre esse post foi retirado do artigo “Negros do Brasil” publicado no jornal O Estado de São Paulo e escrito pelo jornalista Paulo Duarte (1899-1984).

O texto evidencia a preocupação das elites paulistanas em relação à ocupação da região central da cidade pelos negros nos anos 1940, associando-os ao perigo e à violência. A Rua Direita foi motivo de várias polêmicas entre a população negra e os comerciantes ali estabelecidos nessa época (basta ler relatos históricos sobre esse período).

Certa feita tentou-se proibir a circulação deste contingente da população no local e num artigo de jornal os lojistas alertavam que os negros estavam dando a São Paulo um aspecto de Havana, Cuba.

Duarte, contudo, não atacava somente os negros “agressivos” e “embriagados” da Rua Direita e da Praça do Patriarca, mas também o que ele chamava de “sociologia nigro-romântica do Nordeste” e a literatura “dos sociólogos romancistas ou dos romancistas sociólogos tidos como alunos do Sr. Gilberto Freire (sic); rapazes de algum talento, sem possuir, no entanto, do mestre nem a cultura nem a análise aguda deformada apenas pela sua irreprimível imaginação tropical cheia de brilho”.

Esses intelectuais, de acordo com o literato paulista, insistiriam em pintar um tipo brasileiro definitivo tendendo para o negro, mas Duarte afirmava categoricamente do alto de sua sapiência paulista quatrocentona: “Uma coisa, porém, existe e existirá com absoluta nitidez, a deliberação marcada pelo consenso unânime dos brasileiros lúcidos: o Brasil quer ser um país branco e não um país negro” (leia o texto completo de Duarte clicando AQUI).

O contexto é distinto, mas o fenômeno dos rolezinhos guarda similaridades com as polêmicas dos anos 1940 e 1950 envolvendo negros, brancos e comerciantes do centro de São Paulo.

No projeto de sociedade que vem se construindo no Brasil nas últimas duas décadas, o processo de reconhecimento dos indivíduos e cidadãos passa necessariamente pelo acesso ao mercado, ou seja, consumir.

Não é à toa que o que mais se constrói em São Paulo e no restante do Brasil nos últimos anos são novos shopping centers e hipermercados.

Na sociedade de consumo, shopping centers configuram um espaço de imbricamento de consumo, sociabilidade e lazer em um espaço privado. Historicamente no Brasil o consumo é uma prática reservada a grupos minoritários pertencentes às elites e, por conta disso, foi/é usado como forma de distinção social. Mas a expansão do consumo que vem se dando nos últimos anos faz com que a distinção social que ele estabelecia anteriormente não tenha o mesmo efeito na conjuntura atual.

Por outro lado, é necessário possuir certa sensibilidade para não reproduzirmos ideias equivocadas oriundas do senso comum.

Jovens e pobres (negros ou brancos) sempre consumiram e frequentaram shoppings no Brasil. Tanto é verdade que os rolezinhos em sua maioria vêm acontecendo até agora em shoppings com um perfil mais popular o que comprova que há muitos anos já ocorreu uma segmentação dos shoppings por classe social.

Por outro lado, o que vemos hoje é um aumento da dinâmica de consumo aliado à necessidade de reconhecimento social através dele. As novas tecnologias de informação também contribuem para esse processo. O funk ostentação paulista e os rolezinhos não existiriam hoje sem o acesso destes jovens a computadores pessoais, smartphones e à Internet (assista o documentário Funk Ostentação aqui).

Por fim, vale lembrar que, a priori, os rolezinhos não têm a mesma conotação política que os protestos que ocorreram no meio do ano e que tiveram seu epicentro nas reivindicações por revogação do aumento da tarifa de ônibus. Também discordo da idéia de resistência. Rolezinho tem a ver com consumo, lazer e sociabilidade da juventude pobre ou de classe média baixa.

Somente se considerarmos que o  reconhecimento social na atualidade se dá muito mais via consumo do que necessariamente pela incorporação de direitos civis, políticos e sociais, aliado à repressão que vem se dando aos rolezinhos (com contornos de classe e raça) é que poderemos ver o impacto e aspecto político/social desse fenômeno. Explico-me.

Ser negro/a, mestiço/a (raça) e pobre (classe) no Brasil significa lutar contra estigmas vigentes na ordem social e que estão incorporados na pele, no cabelo, na forma de falar, de se vestir e na prática do lazer/sociabilidade da juventude do rolezinho.

Quando uma multidão de jovens com esse perfil se reúne para se divertir de forma pacífica em um espaço privado, socialmente higienizado, sobre vigilância e dedicado ao consumo isso gera uma histeria generalizada que o sociólogo inglês Stanley Cohen classificou de “moral panic” (pânico moral) em seu livro Moral Panic and Devil Folks (1972), ou seja, uma condição, episódio, pessoa ou grupo de pessoas que emergem e são definidas como uma ameaça aos valores societários e interesses (ordem social). E daí, “pau” ou cadeia neles!

Nesse sentido, vale a pena resgatar a fala de Paulo Duarte nos anos 1940 para fechar e resumir esse post: ”Uma coisa, porém, existe e existirá com absoluta nitidez, a deliberação marcada pelo consenso unânime dos brasileiros lúcidos: o Brasil quer ser um país branco e não um país negro”.

Há nos rolezinhos uma potencialidade política/social que, na minha opinião, ainda não se desenvolveu. Mas… Quem é que sabe sobre o dia de amanhã?

Muita Paz Muito Amor!

Márcio Macedo (Kibe) estudou Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências da USP (FFLCH/USP). Atualmente faz doutorado nos EUA. 

 Leia também:

Antônio David: ‘Rolezinhos’ expõem a chaga nunca fechada da escravidão

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17 Jan 11:46

Do helicóptero dos Perrellas à casa de Genoino: a mídia brasileira como ela é

by Paulo Nogueira
A mídia não gosta deles

A mídia não gosta deles

O critério do que é notícia, para a mídia brasileira, é peculiar.

Notícia é, essencialmente, aquilo que é ruim para os adversários. Pode ser um fato, pode ser um rumor, pode ser até uma mentira descarada – mas é “notícia”.

Do outro lado, tudo aquilo que seja considerado problemático para os amigos, e para os próprios donos das empresas jornalísticas, não é notícia.

Por exemplo: o helicóptero dos Perrellas. Meia tonelada de pasta de cocaína não comoveu a mídia brasileira. O assunto, nem bem chegou, sumiu do noticiário.

A mídia não produziu uma única reportagem decente sobre os Perrellas.

O DCM publicou, dias atrás, uma denúncia do Wikeleaks segundo a qual Roseana Sarney tem 150 milhões de dólares em Caimãs.

Nem uma só linha sobre o assunto, como se 150 milhões de dólares fossem 150 reais. O motivo não é muito nobre: como Roseana, alguns barões da mídia têm, também, reservas em paraísos fiscais.

Silêncio sobre este tema, portanto.

Em compensação, alguns personagens não saem do noticiário. Uma publicação dá alguma coisa, verdadeira ou mentirosa, manipulada ou objetiva – e todos os veículos reproduzem.

Genoino é um desses personagens.

Agora mesmo: você pode ler, em toda a mídia, uma notícia sobre uma casa que Genoino alugou por dois meses em Brasília. Ele alugou porque, num capricho, Joaquim Barbosa proibiu que ele ficasse em sua casa em São Paulo no período de prisão domiciliar.

Sobre o helicóptero a mídia não fala nada

Sobre o helicóptero a mídia não fala nada

E então tudo que a mídia economizou sobre o helicóptero ela gasta com Genoino.

O valor do aluguel é usado para tentar desmoralizá-lo: 4 000 reais, segundo o Estadão. Se são dois meses, são 8 000 reais.

Gastar 8 mil reais para que ele tenha o mínimo de conforto, nos próximos dois meses, vira uma barbaridade.

A mídia se vale dos analfabetos políticos, e estes, sempre manipulados, respondem como se espera. Dizem, nas redes sociais, que está provado que Genoino tem muito dinheiro, e que é uma farsa a vaquinha para pagar a dívida – outro capricho da Justiça – de 660 000 reais que impuseram a ele.

Repórter nenhum vai atrás dos fatos.

Ouçamos Miruna, a combativa filha de Genoino. Ninguém faz isso, embora ela esteja à disposição da mídia para esclarecimentos.

Nós a procuramos.

“Estamos arcando toda a família com essa despesa”, diz Miruna. “Estou deixando o apartamento onde moro com meu marido e meus filhos e mudando-me para a casa dos meus pais para reduzir os gastos e podermos fazer frente a esta situação. Em vez de denunciarem que estamos tendo de pagar para meu pai cumprir a domiciliar, ficam especulando com a casa. É o fim do mundo…”

Para entender os bastidores das redações, uma repórter do Estadão, particularmente, faz um cerco obstinado a Genoino, e também a Dirceu.

Foi ela que falou na casa, assim como tinha falado na “empresa de Dirceu no Panamá”. Ela se chama Andreza Matais, e é casada com Tuca Pinheiro, assessor de Roberto Freire, presidente do PPS.

Freire se dedica a combater o “lulopetismo”, o “lulodilmismo”, o “lulismo”, o “dilmismo” e todas as variações do gênero.

Freire, recentemente, levou a sério, ou fingiu, a afirmação de um ex-delegado segundo a qual Lula fora informante da ditadura.

Nem FHC, que abomina Lula, alimentou isso. Como se sabe, num programa Manhattan Connection FHC desfez a tentativa de Diogo Mainardi de criar barulho em torno da “denúncia”. FHC negou a calúnia peremptoriamente, o que decretou a morte prematura de um livro que iria “sacudir o Brasil”.

A “informação” sai de Andreza já devidamente envenenada pela militância política do marido. É um conflito de interesses mascarado – mas claríssimo.

E toda a mídia reproduz Andreza bovinamente, ou melhor, malandramente. Checar “informações” negativas para adversários ninguém, na imprensa, faz. Todos as publicam às cegas para leitores analfabetos políticos que vão consumi-las sem triagem nenhuma e espalhá-las em sua triunfal ignorância.

A mídia brasileira, de certa forma, pode ser resumida naquilo que ela não deu sobre o helicóptero dos Perrellas e naquilo que ela dá, e dá, e dá, sobre os suspeitos de sempre.

Andreza não perdoa Genoino e Dirceu

Andreza não perdoa Genoino e Dirceu

16 Jan 14:07

Mais um gay é morto. E o Congresso Nacional pode ter sido cúmplice

by Leonardo Sakamoto

Kaique, negro e homossexual, de 16 anos, foi encontrado morto na madrugada de sábado (11). Segundo familiares que reconheceram o corpo, não havia dentes na boca do rapaz e ele apresentava sinais de tortura, hematomas na cabeça e uma barra de ferro cravada na perna. De acordo com matéria de Felipe Souza e Ricardo Senra, na Folha de S. Paulo, desta quinta (16), ele havia sido visto pela última vez em uma balada gay no Centro da capital paulista.

Antes de mais nada, uma curiosidade: sabe como a Polícia Civil do 2º DP registrou o caso segundo a matéria? Suicídio. E a Secretaria de Segurança Pública não vai comentar a tortura porque o laudo da morte seria sigiloso e haveria uma investigação em andamento.

Gente… Sério? Registrar como suicídio?

O Estado não aprendeu que não se “suicida” alguém diante de elementos que apontam o contrário? Os casos são diferentes, mas me lembrei da morte de Vladimir Herzog e de tantos outros “suicidas” da ditadura. Depois quando digo que a gente tem uma ferida aberta e mal resolvida que influencia o dia a dia da força policial, o pessoal que é saudoso dos Anos de Chumbo dá chilique. Da última vez em que disse isso, muitos gastaram um bom tempo, em uma página de amigos da Rota, defendendo que eu fosse torturado. Deveriam ter aproveitado e lido um bom livro de história contemporânea brasileira…

Bem, Marco Feliciano está deixando a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Viva! Mas me assusta a quantidade de pessoas, teoricamente com acesso à informação, que “discordavam, mas entendiam” as posições do profeta, que dizer, pastor, veiculadas durante 2013. O que preocupa, uma vez que as “abominações” continuam morrendo.

Tenho a certeza de que se Jesus, o personagem histórico, vivesse hoje, defendendo a mesma ideia presente nas escrituras sagradas do cristianismo, mas atualizando-a para os novos tempos, seria humulhado, xingado, surrado, queimado, alfinetado e explodido. Tachado de defensor de bicha, mendigo e sem-terra vagabundo. Olhado como subversivo, acusado de “heterofóbico” e “cristofóbico”. Alcunhado como agressor da família e dos bons costumes.

Você, sim, você que diz que não é homofóbico.

Acha um absurdo homossexuais serem surrados, mas “entende” quando gays “extrapolam” em suas liberdades, tiram outras pessoas do sério e “exageros” acabam acontecendo.

Defende a igualdade perante a lei, mesmo que vivamos em uma sociedade com pessoas que, historicamente, tiveram mais direitos que outras e, portanto, estão em uma situação privilegiada.

Acredita, acima de tudo, na proteção à família cristã, com pai e mãe, como solução para todos os males do mundo.

Você pode ser dodói e, talvez, nem perceba. Pois o diabo, ele sim, não está apenas na morte de Kaique, mas também nos detalhes que causam dor no cotidiano.

Você fica no fundo da sala de aula tirando barato da colega só porque descobriu que ela é lésbica?

Senta no sofá da sala e concorda com seu pai que alguma coisa precisa ser feita pois o mundo está indo para o buraco e a prova disso é um casal de “bichas” ter se beijado na saída do cinema?

Na hora de contratar alguém no escritório, prefere o hétero inexperiente do que a travesti mais do que adequada para a função?

Fica possesso por um hétero se juntar a um grupo de gays e reclamar das piadinhas estúpidas e sem sentido que você faz?

Vê seu filho brincando de boneca com a amiguinha e, imediatamente, manda ele voltar para casa e nunca mais permite que a veja de novo, pois não quer má influências na formação dele?

Acha uma aberração às leis de Deus duas mulheres ou dois homens se dedicarem à criação de uma criança, mas gasta todo o seu tempo livre com amigos, terceirizando seus filhos para uma babá?

Considera que falar sobre preconceito, igualdade, tolerância e homofobia para as crianças na escola fazem com que elas “aprendam” a ser gays e lésbicas?

Fica lisonjeado quando recebe uma cantada de mulher, mas transtornado quando o gracejo vem de um homem?

Acha que beijar uma pessoa do mesmo sexo, demonstrando afeto, faz de você gay?

Você acha tudo isso uma grande besteira?

A família de Kaique, provavelmente, não.

Não sei onde estão os que executaram a ação, mas sugiro que os cúmplices sejam procurados no mais imponente dos prédios da Praça dos Três Poderes, em Brasília, onde, por trás da imunidade parlamentar, se escondem entrincheirados defensores da discriminação, do preconceito e da intolerância. Deputados e senadores que bradam indignados mediante a tentativa de aprovação da lei que criminaliza a homofobia. Supostos representantes dos interesses de Deus na Terra que afirmam lutar pelo direito de expressarem suas crenças. Mas que droga de crença é essa que diz que A é pior que B, gerando ódio sobre o primeiro, só porque A curte alguém do mesmo sexo?

Pode parecer exagero, mas não é. O Ministério Público Federal deveria co-responsabilizar os membros da bancada evangélica em Brasília por conta desses atos bárbaros de homofobia que pipocam aqui e ali. Pois ao travar uma medida que contribuiria com a solução, eles ajudam na manutenção das condições que geram o problema. São parte dele.

Cada homossexual que for espancado e morto deve ser acrescentado na conta desses representantes políticos. Mas como não acredito em acerto de contas no juízo final ou na celeridade da Justiça brasileira, muito menos em uma ação dos eleitores desse pessoal, só me resta ter fé.

Atualização (23/01): Com base no que apurei quando o fato ocorreu, minha avaliação continua a mesma. Nenhum dos elementos novos apresentados trouxe novidades que comprovem suicídio. Temos uma facilidade grande para duvidar de afirmações de governos, mas – não raro – atribuímos valor de verdade absoluta a discursos policiais e elementos periciais, mesmo quando eles não se apresentam dessa forma. Ainda mais em casos envolvendo direitos humanos.