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15 Nov 01:13

Delegados deixaram digitais: achavam que o golpe ia dar certo

by Conceição Lemes

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por Conceição Lemes

Ontem, quinta-feira 13, a reportagem de Júlia Duailibi, publicada em O Estado de S. Paulo revelou: no período eleitoral, delegados da Polícia Federal (PF) usaram as redes sociais para elogiar Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, e para atacar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff, que disputava a reeleição, bem como a replicar conteúdos críticos aos petistas.

Esses policiais, que mostraram ser anti-petistas militantes e radicais, são simplesmente os responsáveis pela Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras, empreiteiras, doleiros, partidos políticos, funcionários e ex-funcionários da estatal.

Pela primeira vez os rostos desses delegados estão sendo mostrados. Para isso, contamos com a preciosíssima colaboração do NaMariaNews, que também nos ajudou na busca dos vídeos, das imagens e dos links que aparecem nos PS do Viomundo, ao final da matéria. Como os delegados mudam de nome dependendo da situação, a pesquisa foi bastante difícil.

São eles:

Igor Romário de Paula, da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado

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As investigações da Lava Jato estão sendo conduzidas por delegados vinculados a Igor Romário de Paula, que responde diretamente a Rosalvo Ferreira Franco, superintendente da PF do Paraná.

Igor Romário de Paula, que atuou na prisão do doleiro Alberto Youssef, participa de um grupo do Facebook chamado Organização de Combate à Corrupção (OCC), cujo “símbolo” é uma imagem da Dilma, com dois grandes dentes incisivos para fora da boca e coberta por uma faixa vermelha na qual está escrito “Fora, PT!”

Márcio Adriano Anselmo, coordenador da Operação Lava Jato

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Márcio Adriano Anselmo foi quem, no Facebook, afirmou: “Alguém segura essa anta, por favor”, em uma notícia cujo título era: “Lula compara o PT a Jesus Cristo”

Na reta final do 2º turno, fez comentários em outra notícia, na qual Lula dizia que Aécio não era “homem sério e de respeito”.

Escreveu: “O que é ser homem sério e de respeito? Depende da concepção de cada um. Para Lula realmente Aécio não deve ser”.

O delegado apagou há poucos dias o seu perfil no Facebook.

Maurício Moscardi Grillo, chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários

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Maurício Moscardi Grillo é o responsável por apurar a denúncia de grampos na cela de Youssef.

Segundo a reportagem de Júlia Duailibi, ele aproveita a mensagem de Márcio Anselmo, para se manifestar sobre Lula: “O que é respeito para este cara?”

Grillo também compartilhou uma propaganda eleitoral do PSDB, como a que dizia que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobrás.

“Acorda!”, escreveu ele ao comentar a reportagem da Veja, que foi às bancas na quinta-feira anterior ao segundo turno: “Lula e Dilma sabiam de tudo”.

Erika Mialik Marena, da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros e Desvios de Recursos Públicos do Paraná

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Na delegacia de Erika Mialik Marena, estão os principais inquéritos da operação Lava Jato.

Em uma notícia sobre o depoimento de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás à Justiça Federal, ela comenta: “Dispara venda de fraldas em Brasília”.

No Facebook, usava o codinome “Herycka Herycka”. Após a reportagem de Júlia Duailibi,  seu perfil foi retirado dessa rede social.

A denúncia envolvendo esses quatro delegados da PF é gravíssima.

Estranhamente, a mídia deu pouca repercussão a ela.

Estranhamente também, até a hora do almoço da quinta-feira, 13 de novembro, a Polícia Federal, o Ministério da Justiça, a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal (STF) não haviam se manifestado sobre a denúncia do Estadão.

O Viomundo contatou então as quatro instituições, via suas respectivas assessorias de imprensa. Primeiro, por telefone. Depois, por e-mail, fazendo vários questionamentos.

Uma pergunta comum a todos:

–  Que providências pretende tomar em relação ao caso?

Ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, perguntamos também:

– A partidarização explícita dos delegados da PF envolvidos na Lava Jato não contamina o resultado da investigação, já que eles demonstraram evidentes objetivos políticos?

– A partir de agora a Lava Jato não fica sob suspeição?

Ao ministro Teori Zavascki , do STF, indagamos:

–  O comportamento dos delegados da PF não contamina a investigação, comprometendo o inquérito?

– A partir de agora a Lava Jato não fica sob suspeição, inclusive as delações premiadas?

À Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde fica a sua sede, perguntamos:

– O que a PF tem a dizer sobre os evidentes objetivos políticos desses delegados?

Na parte 1 da entrevista abaixo, o delegado Maurício Moscardi Grillo  fala aos 2,06 minutos sobre a PF e como deve deve agir em casos policiais. Imperdível.

Ele diz que a Polícia Federal é republicana. Exatamente o oposto do que fizeram os quatro delegados da PF durante as eleições de 2014.

Por isso, perguntamos também à Polícia Federal, via sua assessoria de imprensa:

–  Como a sociedade vai confiar numa Polícia Federal que não agiu de forma republicana nessas eleições, mas politicamente em favor do então candidato do PSDB, Aécio Neves, e contra a candidata do PT, Dilma Rousseff, e o ex-presidente Lula?

Do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, quisemos saber, entre outras coisas:

– Quais seriam as medidas punitivas aos envolvidos no caso?

– Como a sociedade vai confiar numa Polícia Federal que não age republicanamente, mas sistemática e politicamente em favor do PSDB e contra o PT?

Nenhum respondeu. Insistimos por telefone.

Questionada de novo, a Polícia Federal disse que não se manifestaria sobre o caso.

O procurador-geral Rodrigo Janot também não respondeu. A assessoria de imprensa da PGR, em Brasília, alegou que ele estava em São Paulo e não tinha sido possível contatá-lo. Desculpa, no mínimo, estranha, já que existe celular hoje em dia e de de vários modelos. Não seria mais digno dizer que não iria se manifestar e pronto?

Como o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não respondeu às nossas quatro perguntas, acrescentamos agora uma nova:

– O senhor concorda com a nota dos procuradores do Ministério Público Federal, seção Paraná, em apoio aos delegados da PF?

A íntegra da nota:

Operação Lava Jato: Membros da força-tarefa do Ministério Público Federal manifestam apoio a delegados, agentes e peritos da PF

Os Procuradores da República membros da Força-Tarefa do Ministério Público Federal, diante do teor da reportagem “Delegados da Lava Jato exaltam Aécio e atacam PT na rede”, publicada pelo jornal “O Estado de São Paulo” nesta data, vem reiterar a confiança e o apoio aos delegados, agentes e peritos da Polícia Federal que trabalham nessa operação.

Em nosso país, expressar opinião privada, mesmo que em forma de gracejos, sobre assuntos políticos é constitucionalmente permitida, em nada afetando o conteúdo e a lisura dos procedimentos processuais em andamento.

A exploração pública desses comentários carece de qualquer sentido, pois o objetivo de todos os envolvidos nessa operação é apenas o interesse público da persecução penal e o interesse em ver reparado o dano causado ao patrimônio nacional, independentemente de qualquer coloração político-partidária.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também nada respondeu.

No início da noite, a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça nos prometeu enviar o áudio da coletiva de Cardozo, dada um pouco antes em Brasília. Ficou na promessa. Mais uma vez o vazio.

Como bem observou Fernando Brito, do Tijolaço, no post  Cardoso, o Lento, pede sindicância sobre “delegados do Aécio”, o ministro da Justiça “resolveu agir 12 horas depois que o país tomou conhecimento de que os delegados federais da Operação Lava-Jato participavam, no Facebook, de animadas e desbocadas tertúlias sobre a investigação que conduzem”.

Cardozo determinou à Corregedoria da Polícia Federal que abra investigação sobre o caso.

Na coletiva de imprensa, ele disse:

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Cardozo mostrou mais uma vez que é inepto e incompetente, para o dizer o mínimo.

Em artigo publicado nesta sexta-feira 14, no GGN,  Luis Nassif acrescenta:

O Ministro chega às 11 no trabalho, sai às 12h30 para almoçar, volta às 16 e vai embora por volta das 18h. A não ser que se considere como trabalho conversas amistosas com jornalistas em restaurantes da moda de Brasília.

Será que é por isso que esta repórter não recebeu as respostas de Cardozo até agora?

As manifestações dos quatro delegados da PF são cristalinas.  Ou será preciso desenhar para Cardozo?

Nassif diz mais:

É  blefe a atitude do Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, de pedir uma investigação para a Polícia Federal sobre o ativismo político dos delegados da Operação Lava Jato. O problema da Lava Jato não é o ativismo de delegados no Facebook, mas a suspeita de armação com a revista Veja na véspera da eleição. Se Cardozo estivesse falando sério, estaria cobrando a conclusão das investigações sobre o vazamento.

Os quatro delegados têm o direito de ter as suas preferências políticas. A questão é que o comportamento desrespeitoso está longe de ser um caso menor. “É um ato político”, avalia Paulo Moreira Leite, em seu blog.

Na condição de ministro da Justiça, Cardozo, como bem observou Paulo Moreira Leite, deveria saber que o aspecto do caso está resolvido no artigo 364 no regimento disciplinar da Polícia Federal, que define transgressões disciplinares da seguinte maneira:

I - referir-se de modo depreciativo às autoridades e atos da Administração pública, qualquer que seja o meio empregado para êsse fim.

II - divulgar, através da imprensa escrita, falada ou televisionada, fatos ocorridos na repartição, propiciar-lhe a divulgação, bem como referir-se desrespeitosa e depreciativamente às autoridades e atos da Administração;

III - promover manifestação contra atos da Administração ou movimentos de apreço ou desapreço a quaisquer autoridades;

A questão, portanto, é política. E  parece que Cardozo não quer se dar conta da gravidade do que aconteceu debaixo do seu nariz.

Nos últimos 12 anos, tivemos vários momentos em que a Polícia Federal agiu em benefício dos tucanos e contra os petistas. E sempre ficou por isso mesmo.

Em 2006, tivemos o caso do delegado Bruno, eleitor assumido do PSDB,  que vazou para a mídia fotos do dinheiro apreendido no caso dos “aloprados” do PT. A cena foi ao ar na quinta-feira anterior ao primeiro turno da eleição presidencial e ajudou a levá-la para o segundo turno. O delegado Bruno não foi punido por vazar fotos do dinheiro; pegou 9 dias de suspensão por mentir aos superiores.

Na campanha eleitoral de 2014, tivemos o caso de Mário Welber, assessor do deputado estadual  Bruno Covas, do PSDB paulista. Ele foi detido pela PF em Congonhas com R$ 102 mil em dinheiro vivo e 16 cheques em branco assinados por Bruno Covas. A Polícia Federal ocultou o quanto pode o caso e continua a fazê-lo.

Em compensação, em 7 de outubro de 2014, a PF de Brasília vazou imediatamente para O Globo a apreensão de avião que transportava dinheiro suspeito. Em seguida, que o detido no jatinho era da campanha do PT em Minas GeraisSão, como sempre, os dois pesos e duas medidas da mídia e da Polícia Federal.

Eis que na eleição presidencial de 2014, setores da PF aparecem, de novo, atuando em favor dos tucanos e contra os petistas. O vazamento seletivo da Operação Lava Jato já sinalizava o objetivo político e a Polícia Federal do Paraná como uma das possíveis fontes.

Agora, as manifestações no Facebook dos delegados PF em postos-chave na Lava Jato escancararam as suspeitas. Eles agiram de forma organizada para interferir no resultado das eleições presidenciais de 2014. Deixaram a PF nua.

O nome disso é golpe.

Aparentemente, tudo foi bem armado com setores da mídia, sobretudo, neste caso, com a revista Veja.

Ela antecipou para quinta-feira, 23 de outubro, a ida para as bancas na semana do segundo turno, para que a matéria sobre corrupção na Petrobras e a Operação Lava Jato tivesse mais tempo de  repercussão na televisão, principalmente no Jornal Nacional,   e, assim, influenciasse o resultado da disputa presidencial.

Veja trazia na capa as fotos de Lula e Dilma, com o título: “Lula e Dilma sabiam de tudo”.

Em 25 de outubro, véspera do segundo turno, o doleiro Alberto Youssef  foi hospitalizado. Surgiram então boatos de que ele havia morrido envenenado.

A PF sabia que o suposto envenenamento e óbito não eram verdadeiros. Porém, deixou que isso fosse disseminado durante horas nas redes sociais e nos programas televisivos de domingo sobre as eleições, especialmente os da Globo. Só foi desmentir no começo daquela tarde. Tal ação fazia parte do golpe em andamento, que acabou não dando certo.

“Os delegados, flagrados no Facebook,  tinham tanta certeza de que o golpe teria êxito que deixaram digitais e provas pelo caminho. Só isso explica o que disseram”, observa um experiente analista da política brasileira.

Talvez também porque nesses 12 anos do governos petistas outros delegados da PF ficaram impunes.

Paulo Moreira Leite alerta:

A campanha anti-PT dos delegados da Polícia Federal lembra os desvios do Inquérito Policial-Militar (IPM)  da Aeronáutica que emparedou Getúlio Vargas em 1954.

Em 1954, quando o major Rubem Vaz, da Aeronáutica, foi morto num atentado contra Carlos Lacerda, um grupo de militares da Aeronáutica abriu um IPM à margem das normas e regras do Direito, sem respeito pela própria disciplina e hierarquia.

O saldo foi uma apuração cheia de falhas técnicas e dúvidas, como recorda Lira Neto no volume 3 da biografia de Getúlio, mas que possuía um objetivo político declarado — obter a renúncia de Vargas. Menos de 20 dias depois, o presidente da República, fundador da Petrobras, dava o tiro no peito.

Mas atualmente é inconcebível, além de inconstitucional, que isso venha a acontecer novamente. Em hipótese alguma, pode-se encarar com naturalidade o anti-petismo militante e radical dos delegados denunciados.

Para o bem da democracia, é preciso investigar a fundo a tentativa de golpe do qual esses quatro delegados fizeram parte, assim como é preciso combater seriamente a corrupção.

Do contrário, a democracia corre o risco de ser golpeada de forma mortal mais uma vez.

PS 1 do Viomundo: Na coletiva de imprensa, o ministro José Eduardo Cardozo disse que a Corregedoria da PF deve apurar primeiramente se as manifestações dos quatro delegados são verdadeiras.

Mas como isso vai ser apurado se o site OCC foi quase que totalmente esterilizado após a publicação da denúncia do Estadão? As provas só podem estar com Júlia Duailibi. Será que a jornalista fez os print-screens das páginas? Ou será que ela só teve acesso às fotos daquelas páginas do Facebook?

PS 2 do Viomundo: É importante que os leitores saibam que os delegados usam seus nomes cada hora de jeito: ou completos, ou em partes. Isso dá uma grande diferença nas buscas.

PS 3 do Viomundo: Maurício Moscardi Grillo foi nomeado para o cargo em 25/08/2014 - Seção 2, página 54, de acordo com o Diário Oficial da União. Portanto, depois que as investigações da Lava Jato já estavam em andamento.

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Quem quiser ver a segunda parte do vídeo do delegado, ela está abaixo.

PS 4 do Viomundo:  O delegado Grillo também atuou na investigação do mensalão, em 2009. Veja aqui, aqui e aqui.

PS 5 do Viomundo: A delegada Erika Marena trabalhou com o delegado da PF Carlos Alberto Dias Torres como responsáveis pelo inquérito que investigava Naji Nahas, o ex-prefeito paulistano Celso Pitta e outras 27 pessoas. Tudo derivado da Operação Satiagraha,que envolvia dois outros inquéritos, tendo como alvo o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.

Pode-se vê-la falando sobre a Lava Jato neste vídeo e neste outro.

PS 6 do Viomundo: Já que a Superintendência da PF em Brasília se recusou a responder nossas perguntas, o Viomundo gostaria de recorrer, em última instância, à boa vontade do superintendente da PF do Paraná, Rosalvo Ferreira Franco:

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– Doutor, o senhor sabia que os seus quatro subordinados estavam atuando politicamente no Facebook, jogando no lixo o caráter republicano da PF como um todo?
– Que medidas o senhor, como chefe geral, irá tomar?

[A produção de conteúdo exclusivo só é possível graças à generosa colaboração de nossos leitores-assinantes. Torne--se um deles!]

 Leia também:

Luciano Martins Costa: Delegados da PF responsáveis pela Lava Jato em grupo que lembra Comando de Caça aos Comunistas

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14 Nov 21:19

Guia rápido para uma barriga chapada

by Lika Sagi

O verão vem aí e não podemos nos descuidar. Depois da barriga sequinha e da barriga negativa, chegou a hora de ensinar todo mundo a ter uma barriga chapadíssima.

1. Pegue uma barriga normal
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2. Adicione algumas drogas e álcool
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3. Pronto! Sua barriga está chapada e pronta para o verão.
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14 Nov 13:56

A vitória dos 322 mil contra o homem que “ensina” sufocar mulheres

by Luiz Carlos Azenha

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sugerido pela Elsa Rossi, no Facebook

PS do Viomundo: O Itamaraty informou que, se houver pedido de visto, será negado.

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12 Nov 12:56

A reação ao médico que xingou mineiros e nordestinos

by Luiz Carlos Azenha

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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Não dá pra ficar calado!!!

por Hudson Vilas Boas, que como o médico é de Poços de Caldas, no Dissolvendo no Ar

“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei.”. Mas “no quarto dia vieram e me levaram. Já não havia ninguém para reclamar”.

(Martin Niemoler)

Ao ler a famosa frase do pastor luterano nascido na Alemanha e testemunha dos horrores da Segunda Guerra Mundial, simplesmente não dá para ficarmos calados diante da onda de ódio, preconceito e intolerância que toma conta de alguns setores ditos “politizados” do Brasil.

Escolhermos nos calar nesse instante, significa pecarmos por omissão diante do monstro que aos poucos vai sendo fomentado por uma elite que se recusa a repartir até migalhas, quanto mais construir uma sociedade minimamente civilizada e que faça jus, ao menos, de ser chamada de democrática.

Estou lendo com muita atenção a obra recém lançada do filósofo francês Jacques Rancière “Ódio à Democracia” e é incrível perceber o quanto a conquista de direitos por minorias – entendamos por minoria os oprimidos política, cultural e economicamente – traz consigo a intolerância daqueles que antes detinham determinados privilégios.

Temos vivido isso nessas primeiras semanas pós eleições. Na verdade uma certa onda de intolerância e preconceito já nos ronda bem antes da campanha desse ano. Quem não se lembra da frase recheada de preconceitos jactada por Jorge Bornhausen em 2005?

Naquela oportunidade o então senador pelo PFL de Santa Catarina expôs o sentimento de muitos dos seus confrades ao se referir ao PT, seus membros e simpatizante como “raça” – “Vamos acabar com essa raça. Vamos nos ver livres dessa raça por pelo menos 30 anos”.

No entanto, após promulgado o resultado da última eleição presidencial em que sagrou-se vencedora a presidenta candidata a reeleição, todo e qualquer pudor foi prontamente deixado de lado e foram retirados do armário esqueletos de intolerância, ódio e preconceito.

O fascismo deixou de ser apenas flertado por parte de nossa “elite” e foi assumido sem nenhum rubor. Os militares chamados de volta e o Brasil, do dia para a noite, se converteu numa república bolivariana, comunista, soviética…

Nesse contexto pobres, negros, mulheres, militantes dos mais diversos movimentos sociais, sindicalistas, homossexuais, defensores dos direitos humanos, mas sobretudo nordestinos (esses nos últimos dias ganharam a companhia de cariocas e mineiros) passaram a ser tratados como escória da humanidade e sujeitos incapazes de participar de forma plena da sociedade, tendo que ser constante e permanentemente tutelados.

Todo esse “povo” que faz parte da sociedade brasileira, na visão elitista forma um grupo de preguiçosos, indolentes, inaptos, idiotas que se vendem em troca dos parcos benefícios oriundos dos programas sociais financiados pelos exorbitantes impostos pagos por quem realmente trabalha, mas é massacrado diuturnamente pela presença do Estado aparelhado pela camorra que dele se apropriou há 12 anos.

Portanto, nada mais justificável do que, por exemplo, chamar nordestinos de antas, mineiros de burros e ao mesmo tempo clamar para que uma intervenção militar livre o Brasil desse governo corrupto bolivariano, comunista, soviético…

É essa visão preconceituosa, divorciada de qualquer nexo com a realidade, difusora do discurso do ódio, da intolerância e do autoritarismo que somos obrigados a combater se quisermos de fato avançar na construção de uma sociedade mais justa, mais igual, mais democrática.

Se quisermos de fato sairmos do atual estágio de democracia meramente formal para alcançarmos aquilo C. B. Macpherson chama de democracia substancial. Democracia substancial é justamente aquela cujos poderes transpassam a esfera das instituições estatais e torna a sociedade civil organizada sua co-protagonista.

Infelizmente não conseguiremos chegar a tanto enquanto parte de nossa sociedade preferir viver na Idade das Trevas ao invés do século XXI.

Ontem eu estava lendo um artigo dedicado a contar um pouco da história do Partido Operário Social Democrata da Suécia e seus ininterruptos e incríveis 40 anos no poder.

Não dá pra comparar Suécia com Brasil e menos ainda o sistema parlamentarista dos escandinavos com nosso presidencialismo torto. Mas o que achei interessante é que em muitos momentos houve na Suécia um consenso entre governo e oposição em torno de temas que mudariam a face da sociedade sueca.

Como pensar em algo assim no Brasil quando o partido que perde uma eleição sequer reconhece sua derrota? Pior, acaba com isso incitando (diretamente ou não) o clima de nós contra eles, de Brasil dividido por conta do mapa eleitoral.

Pena, ainda estamos anos-luz de sermos uma sociedade minimamente civilizada. Ainda falta muito para termos uma sociedade na qual haja uma defesa intransigente das liberdades individuais e radical dos direitos coletivos.

Leia também:

O caso de racismo envolvendo a USP de Ribeirão Preto

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12 Nov 12:44

Uma liçãozinha na imprensa schadenfreude

by Clara

Semana passada a internet ficou em polvorosa por causa de uma foto da atriz Letícia Sabatella, que, depois de beber com as amigas, deitou em um estacionamento.

Porque ninguém bebe, né? Ninguém nunca fez vergoinha.

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Quem nunca, né miga?

Diante dessa papagaiada, Letícia disse:

Que auê por causa de uma noitada de cantoria e pisco sour com os amigos! Deitar no chão de tanto rir, e beber do céu as estrelas! Quem não precisa rir de si mesmo de vez em quando? Me recuso a sentir vergonha com esta pedra(bosta) moralista com que tentam me atingir. A vocês, queridos acusadores, ofereço Um Brinde!

Numa discussão dentro do grupo da Think Olga, algumas meninas tiveram a ideia de criar o evento “Deitaço no asfalto com Letícia Sabatella”, que tem 19 mil pessoas confirmadas, incluindo a própria Letícia. E euzinha, é claro.

Foi um exemplo muito lindo de como uma notícia idiota pode ser colocada pelo público em seu lugar de notícia idiota. Essa imprensa que vive atrás das mulheres procurando “quilinhos a mais”, procurando algo que “escapou do decote”, procurando “mau comportamento”, procurando, enfim, alguma coisa pra poder falar mal, merece resposta, merece reação, merece contraponto.

A imprensa schadenfreude adora expor as pessoas se dando mal, infelizmente, porque tem gente que consome. Porque tem gente que curte julgar. Porque não está bom de desgraça no mundo, tem que apontar o dedo pra vida dos outros. Ai dessas pessoas, ai de nós.

Dani Calabresa, aquela linda, também teve sua vida pessoal exposta na semana passada e deu uma belíssima resposta à imprensa de fofoca e fofoqueiros em geral no CQC de ontem.

Chega disso.

Deixo vocês com esse vídeo da Letícia, que, não sei se vocês sabem, além de atriz, é cantora. Eu sei porque meu pai, que é músico, tocou com ela e falou maravilhas do show, que pretendo assistir em breve. Vamos tomar uns drinks depois, Letícia? Acho que você vai gostar das minhas amigas. <3

10 Nov 19:26

Obama y el derrocamiento de Mubarak

by Iñigo Sáenz de Ugarte

obama telefono

En el libro ‘The Stranger’, el periodista Chuck Todd, de la NBC hace un balance muy crítico de la presidencia de Barack Obama dos años antes de que esta termine. Describe el alto nivel de centralización de la toma de decisiones sobre política exterior en la Casa Blanca. De la reseña del NYT:

“En relación al manejo de la Primavera Árabe por el Gobierno, Todd cuenta que Gates [secretario de Defensa], Clinton [secretaria de Estado] y Biden [vicepresidente] creían –y esperaban–, que el presidente de Egipto, Hosni Mubarak, sobreviviría a las protestas de 2011. Les preocupaba que sin él el país se hundiría en una espiral “hacia lo desconocido”. Pero Obama, según escribe Todd, apoyó “a sus asesores más jóvenes” (incluidos McDonough [jefe de Gabinete], Susan Rice [hoy consejera de Seguridad Nacional], Samantha Power [hoy embajadora en la ONU] y Benjamin Rhodes) “frente a los altos cargos con más experiencia”, y comunicó a Mubarak que debía dimitir”.

Sea o no cierto, está claro que los militares egipcios le tomaron la palabra y extendieron antes y después del golpe la teoría del improbable pacto secreto entre Obama y los Hermanos Musulmanes. Este párrafo nos da también una idea de cómo sería una presidencia de Hillary Clinton en relación a Oriente Medio (lo que no es ciertamente una sorpresa).

10 Nov 18:29

A polícia não está em guerra com seu povo. Ao menos, não deveria

by Leonardo Sakamoto

Quando alguns amigos me contam, com a indignação à flor da pele, sobre experiências de blitz em que são parados em nome do bafômetro, penso comigo mesmo o que aconteceria caso sofressem os esculachos que alguns conhecidos lá do Pirajussara sofreram.

Não, não me entendam, mal. Não estava desejando o mal a ninguém, apenas percebendo que se o centro entendesse de verdade o que acontece na periferia, talvez a vida seria diferente.

Ou talvez não.

Quando nós, da “elite branca”, somos vítima de violência durante uma abordagem policial em bairros nobres, a repercussão é muito diferente daquela que ocorre por conta de mortes em locais pobres.

Já disse várias vezes e repito: ao contrário de outros países, o Brasil não consegue tratar suas feridas deixadas após a ditadura para que cicatrizem. Apenas as tapam com a cordialidade que nos é peculiar, o bom e velho, deixa-pra-lá, em nome de um suposto equilíbrio e da governabilidade. Dessa forma, o Estado não deixa claro aos seus quadros que usar da violência, torturar e matar não são coisas aceitáveis. E com a anuência da Justiça que, através do seu silêncio, manteve aqueles crimes impunes.

Nossa política para tratar dos abusos durante a ditadura prevê compensações financeiras para quem sofreu nas mãos do Estado. Afinal de contas, por aqui, paga-se e não se fala mais nisso. Para que remexer o passado, né?

Nada sobre rediscutir a filosofia e a natureza da corporação. Pois o problema não se resolve apenas com aulas de direitos humanos e sim com uma revisão sobre o papel, os métodos e o caráter militar da polícia em nossa sociedade. Setores da corporação estão impregnados com a ideia de que nada acontecerá com eles caso não cumpram as regras. Outra parte sabe que a mesma sociedade está pouco se lixando para eles e suas famílias. Pagamos salários ridículos e exigimos que se sacrifiquem em nome do nosso patrimônio.

Isso inclui um processo de desmilitarização da polícia. As Forças Armadas são formadas para a guerra. Em última instância, militares são treinados para matar. A polícia, por outro lado, não está em guerra com seu próprio povo. Ao menos, não deveria.

Parte da população apoia esse tipo de comportamento policial. Gosta de se enganar e acha que se sente mais segura com o Estado agindo “em guerra” contra a violência – como se isso não fosse, em si, um contrasenso. Essas pessoas são seguidoras da doutrina: “se você apanhou da polícia é porque alguma culpa tem”.

E se não se importam com inocentes, imagine então com quem, posteriormente, é considerado culpado. Para eles, é pena de morte e depois derrubar a casa e salgar o terreno onde a pessoa nasceu, além de esterilizar a mãe para que não gere outro meliante.

Enfim, mais do que um país sem memória e sem Justiça, temos diante de nós um Brasil conivente com o terror como principal ferramenta de ação policial.

Como também já disse aqui, a polícia é um instrumento. Nosso instrumento. Que reluz diante de nossa ignorância, refletindo quem somos de verdade. Uma sociedade com uma elite para a qual os domínios fora do castelo são terra de ninguém. O que acontece lá, fica por lá, desde que a nossa segurança esteja garantida.

Afinal de contas, na maior parte das vezes os que morrem são pretos e pobres, inocentes, culpados, moradores, policiais.

10 Nov 18:27

Como colocar a crise nas costas dos mais fracos

by Luiz Carlos Azenha

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Conceição Tavares quer participar do debate. Será que Dilma ouvirá apenas o mercado?

Da Redação

Primeiro, logo depois do primeiro turno, tratou-se de desqualificar os votos de Dilma Rousseff. Nisso, a mídia contou com o inestimável apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que definiu o PT como o partido dos grotões.

Repetiu-se a estratégia depois do segundo turno, com o mesmo objetivo: a tese do “país dividido”, azul e vermelho, servia à oposição, ainda que baseada em estatísticas enganosas.

O retorno “triunfal” de Aécio Neves ao Senado foi combinado com duas novas palavras no léxico dos colunistas: bolivarianismo e estelionato.

A derrubada do projeto da Política Nacional de Participação Social na Câmara teria sido reação ao primeiro, quando foi muito mais que isso: deveu-se à estratégia de emparedamento praticada pelo PMDB, que sempre antecede a barganha por cargos no Executivo. Neste caso, nenhuma novidade no front.

A tese do “estelionato eleitoral” não se refere ao fato de que Geraldo Alckmin sempre disse que estava tudo bem na crise hídrica paulista — e agora, pós-eleição, a Sabesp anuncia planos para reutilizar água do esgoto, enquanto o governador pede ajuda em Brasília.

Ela — tese do estelionato — cabe apenas no aumento da gasolina. Coisa de Dilma.

Desqualificar para enquadrar, é o que está em andamento.

Objetivo: forçar a adoção da plataforma eleitoral dos derrotados.

Por que?

Para conquistar a austeridade que garanta o pagamento dos juros. Para garantir que o peso da crise não ameace os banqueiros, mas recaia sobre os assalariados.

É incrível como a matriz se repete. Teríamos um apagão elétrico. A Copa do Mundo seria um fracasso retumbante.

O segundo mandato de Dilma, antes mesmo de começar, está inapelavelmente fadado a sucumbir. Basta ler os jornais para constatar.

Tem até gente fugindo do Brasil para evitar o naufrágio de uma economia com pleno emprego!

A pergunta que cabe fazer, agora, é a que Ricardo Melo fez hoje. Dilma vai mesmo se render às manchetes?

Acompanhem:

Dilma e seus dilemas

por Ricardo Melo, na Folha, via Contexto Livre

Manchete de alguns dos principais veículos de comunicação do mundo, o esquema de sabotagem tributária praticado por bancos e multinacionais dá ideia dos desafios colocados para governos como o de Dilma Rousseff.

A reportagem é produto de uma ação colaborativa de jornalistas de diversos países.

No Brasil, Fernando Rodrigues, do UOL, orientou o trabalho investigativo e a publicação da papelada. O resultado mostra números estarrecedores, com a licença do adjetivo tão caro à presidente.

Para falar apenas daqui, em 2008 e 2009 os bancos Itaú e Bradesco “economizaram” R$ 200 milhões em impostos graças a um esquema montado num paraíso fiscal europeu “Luxemburgo”. Formalmente, a negociata atende pela rubrica de elisão fiscal, eufemismo usado por bilionários para explorar brechas da lei com o objetivo de fugir de tributos. A sutileza obviamente não está ao alcance da maioria trabalhadora e assalariada: esta é mordida pelo Leão diretamente no holerite.

A essência da jogatina é declarar lucros muito menores do que os obtidos. Uma imoralidade completa. Para “lavar” a mentira, os grupos entram em acordo com empresas de auditoria para desbravar os caminhos da “elisão fiscal”.

No momento seguinte, as mesmas firmas de controle endossam os balanços dos clientes. A promiscuidade lembra a tabelinha entre agências de risco, auditorias e a banca internacional que desembocou na crise de 2008. Vários nomes, aliás, aparecem nos dois momentos. Uma diferença: enquanto em países como os Estados Unidos e Grã-Bretanha a banca tem sido obrigada a devolver ao menos parte dos prejuízos, por aqui nada acontece.

Os sonegadores, claro, juram respeitar a Justiça. É o cinismo vendido como verdade. Citam em sua defesa uma lei escrita a quatro mãos com o paraíso fiscal justamente para atender a interesses do tubaronato multinacional. “Trata-se de mais um planejamento tributário internacional abusivo, com o único propósito de gerar redução dos impostos”, resumiu o subsecretário de Fiscalização da Receita, Iágaro Martins (Folha de S.Paulo, 06/11).

Além de mostrar o tamanho do problema, semelhante avaliação de uma autoridade oficial torna ainda mais incômodo o silêncio dos altos escalões do governo Dilma diante destes descalabros. Pior.

Em vez disto, a presidente reeleita e seus auxiliares vêm entoando músicas para agradar o tal mercado. Fala-se em cortar gastos, em ampliar a fiscalização sobre benefícios da Previdência e reduzir a ação de bancos públicos.

Nada se ouve nos altos escalões a respeito de demandas sociais e, por exemplo, da cobrança de multas bilionárias como a devida pelo Itaú por conta da fusão com o Unibanco. Já os bancos continuam batendo recordes de lucratividade enquanto a economia do país patina.

O Planalto pode tentar fazer os malabarismos habituais para adiar medidas a favor do povo que o elegeu. Invocar a governabilidade, a necessidade de acordos com a base aliada etc. são platitudes habituais. Tampouco imagina-se que a montagem de um governo seja simples como a troca de diretoria de clube de futebol.

Mas os sinais são importantes, sobretudo na política. E é impossível manter compromissos com a maioria mais pobre sem que os ricos aceitem abrir mão de ganhos imorais. A conta não fecha. Na sua estreia, o maior risco da nova administração não é o de desagradar a oposição. É o de perder o pé da situação.

Leia também:

Morvan Bliasby: Dilma fará as mudanças que se espera dela?

O post Como colocar a crise nas costas dos mais fracos apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

10 Nov 13:48

Direito à educação feminina

by Cynthia Semíramis

Fiquei muito chocada em 2012 quando soube que Malala Yousafzai Malala_Yousafzai_at_Girl_Summit_2014, na época com 14 anos, foi baleada por defender educação para meninas, se opondo às mudanças jurídicas no Paquistão trazidas pelo Talibã. Fiquei bastante feliz por ela ter sobrevivido e seguir lutando pelo direito à educação feminina. E fiquei mais feliz ainda por ver o reconhecimento do trabalho dela quando foi premiada com o Nobel da Paz de 2014.

Uma das coisas que ouço com frequência é que não precisamos de feminismo no Brasil, que feminismo é importante “lá no Paquistão”, onde defender direito das mulheres a receberem educação pode significar a morte.

Pois bem, “lá no Paquistão” a situação das mulheres realmente ficou bastante ruim com a proibição de escolas, condenando meninas ao analfabetismo e subordinação. Só que isso não apaga o fato de que o Brasil melhorou muito, mas ainda não é tão maravilhoso assim no que se refere a direitos das mulheres.

Para ficar só na esfera do direito à educação feminina (que é o meu tema de doutorado), no Brasil as mulheres têm mais escolaridade que os homens em todos os níveis de ensino. Mas, como demonstram os índices do relatório sobre desigualdade de gênero Global Gender Gap [minha análise do índice de 2011 | análise do relatório de 2014], a alta escolarização não tem revertido em poder econômico e político para mulheres, pois ainda são minoria na política e em cargos de direção, e recebem cerca de um terço a menos que os homens para realizar o mesmo trabalho que eles.

Temos leis obrigando todas as crianças a estudar, e estabelecendo que o currículo escolar é igual para meninos e meninas. Só que a evasão escolar ainda existe, bem como uma série de problemas relacionados à escolarização. Mulheres pretas e pardas têm menor escolaridade que mulheres brancas. Adolescentes grávidas são incentivadas a sair da escola para se dedicar integralmente à maternidade. Lésbicas e transsexuais sofrem perseguição, inclusive institucional, dificultando sua permanência na escola. Também há quem defenda que mulheres não precisam estudar quando se casam com um homem que tem situação financeira melhor que a dela (como se todas as mulheres fossem heterossexuais em busca de um casamento ao estilo do século XIX, e como se estudar não pudesse fazer parte de um projeto de realização pessoal).

Também é bastante frequente a observação de que uma mulher não deve parecer mais inteligente que o homem (seja ele namorado, colega de trabalho ou chefe). E por inteligente, entenda-se: não mostre que sabe, não demonstre que ele está errado, finja que não leu, só fale sobre banalidades.

É possível encontrar pesquisas e matérias que associam educação feminina com dificuldade para se casar como se houvesse necessariamente uma oposição entre casamento e educação feminina. Nem mesmo Hermione Granger, da série Harry Potter, escapou de ter suas escolhas afetivas julgadas por conta de sua inteligência.

Enquanto as pessoas e as mídias continuarem insinuando que mulheres que estudam/são inteligentes não são interessantes nem têm direito a uma vida afetiva, está mantido o discurso que despreza a educação feminina.

Quanto mais desprezarmos o direito das mulheres receberem educação, mais se abrem possibilidades para limitar esse direito. É possível mudar a legislação para criar currículos diferentes para meninos e meninas como cuidar da casa e se embelezar (como era no século XIX e em boa parte do século XX). E também é possível proibir as mulheres de frequentarem escolas, como era na Europa do século XVIII, e como voltou a ser no Paquistão atual.

Este retrocesso no direito à educação das mulheres é um processo que está em curso em muitos países, e cabe a nós tomarmos cuidados para que não ocorra no Brasil também. Aqui temos um grande problema na interferência religiosa, realizada através de um lobby religioso para impedir a superação de desigualdades raciais e de gênero nos espaços escolares. Também há a proliferação de uma cultura que procura aprofundar a distinção entre objetos e atividades para meninas e para meninos, dependendo da cor do objeto e de seu uso. Essas questões legitimam uma separação de gênero que interfere inclusive na educação feminina, dificultando o acesso a determinadas áreas do conhecimento.

Se queremos um mundo melhor para mulheres, é importante valorizar a educação feminina. Não basta defender o direito de frequentar a escola, é necessário criar condições para que mulheres sejam estimuladas a continuar estudando e recebendo benefícios com isso. E é importante que a escola seja um espaço não para reprodução de preconceitos, mas para estimular a autonomia, a capacidade de se posicionar no mundo, enfrentar desafios e defender os próprios direitos. Nesse sentido, há algumas atitudes que qualquer pessoa pode ter para garantir um efetivo direito à educação feminina:

  • Valorize esforços, coragem e capacidade de enfrentar novos desafios, e não a inteligência.
  • Cuidado com o viés de gênero nas referências a atividades em áreas ou temas não tradicionais. É comum um homem receber como feedback “que trabalho inovador o seu!”, enquanto uma mulher costuma ouvir “mas que estranho uma mulher trabalhando este tema”. Ao invés de ser elogiada por entrar em terreno pouco explorado, o recado que a mulher recebe é que está fazendo alguma coisa errada, invadindo território proibido, e não deveria seguir esse caminho.
  • Ainda sobre elogios, tome cuidado para não praticar o sexismo benevolente, reforçando o descaso social em relação a atividades intelectuais femininas
  • Incentive mulheres a estudarem para terem objetivos pessoais ao invés de viver para satisfazer os objetivos dos outros
  • Não repita a mentira de que mulheres inteligentes não tem direito a vida afetiva. Todas as pessoas têm direito a serem felizes seja estudando, namorando, tendo e cuidando de filhos, ou fazendo tudo isso ao mesmo tempo.
  • Combata a evasão escolar e a omissão de professores em situações de hostilidade e discriminação. Não permita que racismo, transfobia, homofobia ou machismo – que ainda são comuns em qualquer escola – interfiram ou dificultem o direito de uma pessoa estudar.
  • Substitua rótulos por escolhas e estimule as pessoas a conhecerem o contexto e assumirem as consequências de suas escolhas
  • Mulheres têm o direito de estudar o que quiserem. Não seja uma pessoa que tenta impedir mulheres de estudarem em áreas consideradas masculinas. Lembre-se de que a própria definição do que é uma área masculina é resultado de um histórico de discriminação das mulheres nessa área
  • Lute por creches, por ampliação do cuidado com crianças e com idosos, por licença parental (e não só licença maternidade). Combata qualquer atitude que vise impedir uma mulher de estudar só porque ela tem filhos, marido ou pais idosos. Procure auxiliar os cuidados com essas pessoas e distribui-los na comunidade ao invés de deixá-los somente como responsabilidade de uma cuidadora só. Gravidez, doença, filhos pequenos, marido ou familiares que dependem dos cuidados de uma mulher não devem ser usados como desculpas para impedir a mulher de estudar.
  • Religião não deve se misturar com direito à educação. Os direitos das mulheres, inclusive o direito à educação igualitária, só existem em um Estado Laico
10 Nov 12:39

O problema dos títulos

by Francisco Seixas da Costa
- Então você quer que paguemos mais para a União Europeia?

Jaime Gama fez a pergunta com um largo e irónico sorriso, no momento em que eu entrei no Falcon, onde ele já estava sentado há uns minutos, pouco antes de uma deslocação que íamos fazer, creio que ao Luxemburgo. Não percebi a que é que se estava a referir. Foi então que o ministro dos Negócios estrangeiros me passou para a mão um exemplar de "O Diabo", o título hiperconservador que, depois de ter sido, nos anos 40 do século XX, um órgão que veiculava posições próximas do PCP, passou, após o 25 de abril, a ser uma voz da direita radical, inicialmente sob a direção de Vera Lagoa.

O título na capa de "O Diabo" era inequívoco (e cito de cor): "Portugal gostaria de pagar mais para a União Europeia". Uma larga foto minha, identificado como responsável governativo pelos Assuntos europeus, não deixava a menor dúvida sobre o autor da frase. 

Imagino a reação do cidadão comum ao entrar numa tabacaria, ao passar uma vista de olhos pelas primeiras páginas dos jornais do dia e ao deparar com aquela insólita "tirada". Um responsável do nosso país, um Estado que passava o tempo a tentar explorar todos os possíveis "nichos de saque" das instituições europeias, no sentido de recolher financiamentos para compensar o atraso do seu desenvolvimento, tinha a "lata" de afirmar que deveríamos "pagar mais" para a Europa? "O tipo passou-se, pela certa!", devia ser o sentimento comum. Se eu estivesse no lugar do cidadão, era o que pensaria.

"O Diabo" era um jornal ao qual nunca me tinha passado pela cabeça dar uma entrevista. A sua agressividade contra o governo socialista, de que eu então fazia parte, era conhecida, não havia edição do semanário em que o executivo de António Guterres não fosse zurzido, acusado de "vende-pátrias", quase filo-comunista, de incompetente e irresponsável.

Um dia, porém, uma jornalista por quem eu tinha bastante respeito sondou-me sobre a minha possível abertura para dar uma entrevista a "O Diabo". Garantia-me um diálogo com um jornalista equilibrado, profissionalmente capaz, sem uma agenda despropositadamente agressiva. Achei que era um ensejo interessante para "meter a foice em seara alheia", que não devia desperdiçar. Preparei-me para o que desse e viesse, sem grandes preocupações: tinha plena confiança na minha capacidade de dizer só aquilo que queria. A entrevista correu muito bem. O interlocutor preparara-se convenientemente, foi rigoroso e sem concessões, mas manteve-se num registo muito decente. Esperava um bom texto.

Naquela manhã, a caminho do Falcon, esqueci-me de adquirir "O Diabo". Jaime Gama, a quem nada escapava, era um leitor completo de tudo quanto a "media" portuguesa (e não só) publicava, de jornais a revistas. "O Diabo" não lhe escapara e, nele, claro!, a minha entrevista.

Mas, afinal, eu afirmara ou não que "Portugal gostaria de pagar mais para a União Europeia"? 

A pergunta do jornalista fora: "Portugal não paga demasiado para a UE?". Ora cada Estado membro da União paga, para suportar o funcionamento da organização, uma contribuição anual que depende diretamente da sua riqueza, isto é, todos pagam mas os países mais ricos pagam mais que os mais pobres. A minha frase era irónica: queria exprimir que até gostaríamos de pagar mais, porque isso significaria que éramos um país mais rico. Era apenas isto que eu pretendera dizer, nada mais. Porém, as ironias não "passam", necessariamente, nos textos. O paginador da capa de "O Diabo" deve ter-se desunhado para descortinar, na minha entrevista, uma frase sonante, que servisse de título. Eu fora especialmente cuidadoso, sabedor "do que a casa gasta". Ao ler o texto, o responsável pela paginação ter-se-á então apercebido que salientar essa minha frase criava uma "caixa" interessante, funcionando de forma negativa para o membro do odiado governo socialista, a que imprudentemente abrira as suas colunas. E não hesitou.

António Guterres explicou-me um dia que, nas entrevistas que concedamos, a nossa pior frase será sempre chamada para título. A minha frase não estava errada, tinha apenas sido dita num tom que não "passou"...

Mas a que propósito veio isto hoje? É que deparei, há pouco, num jornal diário, com uma fotografia minha, numa intervenção pública em Lisboa, complementada com um título onde figura algo que eu disse, embora não complementado com uma contextualização que eu próprio tivera o cuidado de precisar. Outra "simplificação", de natureza similar, descortinei ontem noutra nota, desta vez informática, atribuindo-me uma expressão que, de facto, eu utilizei na mesma sessão, mas que havia complementado com a frase "como alguns gostam de dizer, num conceito que hoje é muito contestado". Em ambos os casos, creio que não estamos perante qualquer atitude de má fé. Trata-se apenas do problema de criar um título, que, por definição, terá de ser curto e sintético. E redutor. É a vida...
03 Nov 00:27

Desembargador defende auxílio-moradia para ir a Miami comprar terno. E para não ter depressão

by primo


Discutir eleição é importante, claro. Mas o período eleitoral sempre serve também para que outras instituições que estão de fora do processo aprovem benefícios em causa própria ou façam coisas que querem ver debaixo do tapete. Como todo mundo que acompanha o noticiário só presta atenção aos candidatos, fica barato fazer coisas impopulares nesses meses.

Em 2014, o troféu da medida impopular foi para o Judiciário, aprovou R$ 1 bilhão em “auxílio-moradia” para os seus. São R$ 4,4 mil por mês para cada magistrado do país, independente de ele (ela) já ter casa, de morar com outro juiz (juíza), e agora, discute-se, até mesmo independente de estar na ativa ou ser aposentado.

Como não precisam se eleger nem gostam muito de prestar contas do que fazem, os juízes se retraíram e os críticos ficaram falando sozinhos. Mas às vezes alguém põe a cabeça para fora e é possível perguntar por que, afinal, dar auxílio moradia para quem já tem casa, e dar mais benefícios a quem já tem salário inicial superior a R$ 20 mil.

No Jornal da Cultura, isso aconteceu. O desembargador José Roberto Nalini, presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, foi questionado sobre o tema. E vale a pena transcrever na íntegra a resposta:

“Esse auxílio-moradia na verdade disfarça um aumento do subsídio que está defasado há muito tempo. Hoje, aparentemente o juiz brasileiro ganha bem, mas ele tem 27% de desconto de Imposto de Renda, ele tem que pagar plano de saúde, ele tem que comprar terno, não dá para ir toda hora a Miami comprar terno, que cada dia da semana ele tem que usar um terno diferente, ele tem que usar uma camisa razoável, um sapato decente, ele tem que ter um carro.

Espera-se que a Justiça, que personifica uma expressão da soberania, tem que estar apresentável. E há muito tempo não há o reajuste do subsídio. Então o auxílio-moradia foi um disfarce para aumentar um pouquinho. E até para fazer com que o juiz fique um pouquinho mais animado, não tenha tanta depressão, tanta síndrome de pânico, tanto AVC etc

Então a população tem que entender isso. No momento que a população perceber o quanto o juiz trabalha, eles vão ver que não é a remuneração do juiz que vai fazer falta. Se a Justiça funcionar, vale a pena pagar bem o juiz.”

A declaração é uma mostra do que pensa o Judiciário? Esperemos que não, claro, mas vejamos o que ela diz:

1- O juiz aparentemente ganha bem, mas não é verdade, dados os imensos encargos que ele tem.

2- Entre esses encargos estão o Imposto de Renda e plano de saúde, coisas que os demais brasileiros, por óbvio, não têm que pagar. Caso tivessem de bancar isso, seguramente, visto que existe justiça no país, receberiam auxílio-moradia igualmente.

3- Outro encargo é que o juiz tem que comprar roupas. Curioso que o auxílio-moradia pague ternos, mas vá lá. E não são quaisquer roupas de plebeu, diga-se. São ternos de Miami! Necessariamente. Imagine só a que se subordinam os juízes em nome da aparência da Justiça nacional, em nome da boa expressão da soberania do país. Gastam dinheiro (do seu próprio bolso!) para ir a Miami comprar ternos. Quem de nós, caso tivesse sabido disso antes não teria se apiedado dos magistrados? Quem ousaria ser contra um subsídio que garante esse gesto de altruísmo em nome de nossa soberania?

4- Os juízes também precisam comprar camisas, sapatos e carros. O que justifica um auxílio moradia, evidentemente.

5- O salário de R$ 20 mil (inicial) e a ausência de um auxílio moradia estão levando nossos juízes à depressão. Custa ajudar?

6- Além de depressão, o encargo de representar a soberania nacional com viagens frequentes a Miami também está levando os magistrados a ter ataques de pânico.

7- A ausência de um auxílio-moradia causa AVC. (Não se sabe como os outros 99% da população estão sobrevivendo a essas doenças todas que acometem quem não ganha o benefício.)

8- Se a população soubesse o quanto o juiz trabalha, pagaria sem reclamar. Porque, claro, os juízes trabalham mais do que você, mais do que qualquer um. E ao invés de usar este bilhãozinho para contratar mais juízes e dividir a carga, o certo é pagar mais para que eles sejam recompensados pelo que fazem.

9- Não é o dinheiro do salário do juiz que fará falta. Afinal, o que é R$ 1 bilhão por ano, né?

10- O auxílio-moradia é um disfarce assumido para reajuste de salário. O que é ilegal. Mas como quem vai julgar isso é o próprio Judiciário, quem se importa de admitir isso em público?
Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/

02 Nov 22:22

Tucanos desovam R$ 155 mi na Abril, Folha, Estadão, IstoÉ, Época e Panini

by Conceição Lemes

Sem medo de ser feliz, governo paulista desova mais de 155 milhões na Abril, Folha, Estadão, IstoÉ, Época e Panini

por NaMaria, do NaMariaNews

Pode isso, Arnaldo? Claro que sim. Em São Paulo pode tudo.

Em minha primeira entrevista a Conceição Lemes, do Viomundo, (em 14/outubro/2010),  NaMaria: 250 milhões para a mídia em nome da Educação pública de SP, mostrei a dinheirama que, de dezembro de 2004 a julho de 2010, o Governo de São Paulo pagou à mídia, certas editoras e gráficas a título de execução de “projetos pedagógicos”: mais de R$250 milhões, quase absolutamente tudo sem licitação.

Atendendo a pedidos, resolvi atualizar parte das as tabelas, com os gastos, negociações, trocas, favores, benesses e coisas do gênero “pedagógico” do governo paulista, começando com a Editora Abril e seus produtos, incluindo a Veja; as revistas IstoÉ, Época e Galileu. Passo pela Editora Panini com as compras das revistas da Mônica, Cascão e Mônica Jovem. Finalizo com os jornais Folha e Estado de SP.

Compras absolutamente sem licitação, apoiadas na Lei 8666 de 1993, artigo 25.

Tudo em nome da boa pedagogia, da boa escola, com o nosso dinheiro saindo pelos ladrões da Fundação Para o Desenvolvimento da Educação – FDE, que é quem “cumpre as demandas” e contratos da Secretaria de Estado da Educação de SP, sob as ordens maiorais do governo estadual.

São Paulo, o mais novo sertão do país (graças às excelentes gestões suseranas), é comprovadamente o latifúndio dos tucanos – que fazem o que bem entendem, como querem, com quem desejam e das maneiras mais “criativas” que o ser humano comum sequer consegue imaginar.

Mas podemos, pacientemente, perseguir as pistas no DO – Diário Oficial.

Esta atualização cobre os governos de Geraldo Alckmin (PSDB, 2003-2006), Cláudio Lembo (após renúncia de Alckmin, 2006-2007 / PFL), José Serra (PSDB / 2007-2010), Alberto Goldman (PSDB / 2010-2011, após renúncia do Serra), e novamente do Geraldo Alckmin (PSDB, de 2011 até o presente – e futuro, já que foi reeleito em 2014).

Também incluí duas compras especiais. Uma de Gilberto Kassab quando prefeito, em 2010 (na época, DEM, atualmente PSD), em nome da Secretaria Municipal de Educação, sob a tutela do Secretário Sr. Alexandre Alves Schneider.

Outra, mais recente, do município de Franca, distante 400 km da capital, cujo prefeito (Alexandre Augusto Ferreira) é do PSDB, e cuja Secretária da Educação (Fabiana Granado Garcia Sampaio) parece reconhecer os méritos da Editora Abril, desconsiderando outras e melhores concorrentes.

Que se registre e confira: o que aqui se apresenta é uma pequena amostra dentro de um imenso universo. Ou seja: o que acontece aqui pode estar ocorrendo onde você vive. Não há dúvidas.

Para melhor se situar, também proponho que sejam (re)vistas as matérias com o marcador Compras Sem Licitação, bem como a segunda entrevista dada à Conceição Lemes do Viomundo (em 1/outubro/2014): Como a Veja manejou a Educação Pública brasileira.

Abaixo seguirão os dados já existentes em tabelas anteriores, com as devidas novidades indicadas com *.

O valor encontrado apenas nessas tabelas é de uma beleza profunda. Foram gastos do dinheiro público, em papel, encalhes e quinquilharias tidas como “fontes de boa informação e educação” a mixaria de, pasmem!,

R$ 155.528.143,37.

Como era de se esperar, os valores aumentaram muito:

  1. Editora Abril: SAI de R$ 52.014.101,20
    –> AUMENTA para R$ 81.759.111,73 (= 57%)
  2. Folha e Estadão juntos: SAEM de R$ 10.546.769,60
    –> AUMENTAM para R$ 27.199.529,20 (= 157%)
  3. Revista Isto É: SAI de R$ 2.464.178,00
    –> AUMENTA para R$ 5.010.792,20 (= 103%)
  4. Revista Época e Galileu: SAEM de R$ 4.311.752,56
    –> AUMENTAM para R$ 8.357.854,76 (= 93%)
  5. Revistas Mônica, Cascão e Mônica Jovem: SAEM de R$ 26.789.290,28
    –>
     AUMENTAM para R$ 33.200.855,48 (= 24%)

Do mesmo modo que aumentaram descaradamente a imoralidade e a vergonha. 

Concordam ou não?

Comprovem analisando as tabelas abaixo.

REVISTAS NOVA ESCOLA / GESTÃO ESCOLAR /

GUIA DO ESTUDANTE e REVISTA DO PROFESSOR /

RECREIO / ATLAS NATIONAL GEOGRAPHIC / VEJA

EDITORA ABRIL / FUNDAÇÃO CIVITA
CONTRATO + LINK DO
VALOR
18.160 assinaturas (renovação) Revista Nova Escola (DE’s/Ofs.Pedags/Escolas) SÓ HÁ 2 REGISTROS EM DO – onde e quando o contrato inicial? 42/2199/04/04
ver 29/dez/04
14/jan/05
326.880,00
18.160 assinaturas (renovação) Revista Nova Escola 15/1063/07/04  23/out/2007 408.600,00
220.000 assinaturas da Revista Nova Escola – edições 216 a 225 – solicitado pela CENP para o “Ler e Escrever” 15/1165/08/04
ver 1/out/2008   - 25/out/2008
3.740.000,00
* 18.160 assinaturas sa Revista Nova Escola (DE’s/Ofs.Pedags./Escolas) 15/0248//06/04  3/jun/2006 408.600,00
* 43.932 assinaturas da Revista Nova Escola – anual = 10 edições - Secretaria Municipal de Educação de SP 2010-0.048.338-6
26/mai/2010
1.094.785,44
* 1.140 assinaturas da Revista Nova Escola + 217 assinaturas da Revista Gestão Escolar / Município de Franca-SP Proc. 14257/14
11/jul/2014
78.963,00
TOTAL 6.057.828,44
415.000 exemplares Guia do Estudante Atualidades Vestibular 2008 15/0543/08/04
 23/abr/2008
2.437.918,00
430.000 exemplares Edições nº 7 e 8 do Guia do Estudante Atualidades Vestibular 15/1104/08/04  22/out/2008 4.363.425,00
430.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed. 8 + 20.000 Revista do Professor 15/0063/09/04  11/fev/2009 2.498.838,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed. 09 + 25.000 Revista do Professor 15/0238/09/04  16/jun/2009 3.143.120,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.10 + 27.500 Revista do Professor 15/0614/09/04  29/ago/2009 3.249.760,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular 2º sem 2009 + 27.500 Revista do Professor 15/00024/10/04  2/abr/2010 3.177.400,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.11-2º sem 2010 + 27.500 Revista do Professor Nº5 15/00473/10/04  15/jun/2010 3.328.600,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed. 12-2º sem 2010 + 27.500 Revista do Professor Nº 6 15/00762/10/04  17/ago/2010 3.328.600,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular 2º sem. 2010 Edição 12 + 27.500 Revista do Professor Nº 6 15/00017/11/04  1/abril/2011 3.338.600,00
* 540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular 1º sem. 2011 Edição 13 15/00552/11/04  30/jun/2011 2.910.600,00
* Guia do Estudante anos 2012 / 2013 / 2014 só no Caderno Legislativo  DO Legislativo  2012-2013-2014 0,00
TOTAL 31.766.861,00
3.000 assinaturas Revista Recreio 15/0181/08/04  29/mar/2008 1.071.000,00
6.000 assinaturas Revista Recreio 15/0182/08/04  29/mar/2008 2.142.000,00
5.155 assinaturas Revista Recreio 15/0670/08/04  12/ago/2008 1.840.335,00
25.702 assinaturas Revista Recreio 15/0149/09/04  17/abr/2009 12.963.060,72
* 2.259 assinaturas Revista Recreio 15/0528/09/04  1/set/2009 891.220,68
* Em 2011 Revista Recreio só no Caderno Legislativo DO Legislativo  2011 0,00
* 25.400 assinaturas Revista Recreio 15/00949/11/04  28/nov/2011 8.585.200,00
Em 2012 Revista Recreio ocorre só no Caderno Legislativo  DO Legislativo  2012 0.00
* 29.064 assinaturas da Revista Recreio  15/0533/09/05  29/ago/2009 8.999.994,71
TOTAL 37.316.448,40
95.316 Atlas Nacional Geographic vols. 1 ao 26, sendo 3.666 exemplares de cada volume 15/00273/09/04  28/mai/2010 733.200,00
  TOTAL 733.200,00
5.449 assinaturas da Revista Veja 15/0355/09/054  20/mai/2009 1.167.175,80
5.200 assinaturas da Revista Veja (Sala de Leitura) 15/00547/10/04  29/mai/2010 1.202.968,00
5.200 assinaturas da Revista Veja (Sala de Leitura) 15/00626/11/04
3/ago/2011
1.203.280,00
* 5.200 assinaturas da Revista Veja – Edições 2.289 a 2.314 (Sala de Leitura) 15/01773/12/04
18/out/2012
669.240,00
* 4.263 assinaturas da Revista Veja – por 183 dias (Sala de Leitura)  15/00275/13/04  14/jun/2013 669.240,00
* 4.263 assinaturas da Revista Veja – por 440 dias (Sala de Leitura)  15/00201/14/04  6/mai/2014 1.208.134,20
TOTAL 6.617.973,80
TOTAL GOV PSDB  81.759.111,73

REVISTA ISTOÉ

EDITORA BRASIL 21 LTDA CONTRATO + LINK DO VALOR
5.449 assinaturas da Revista IstoÉ 15/0358/09/04  19/mai/2009 1.260.062,80
5.200 assinaturas da Revista IstoÉ 15/00548/10/04  27/mai/2010 1.203.280,00
* 5.200 assinaturas da Revista IstoÉ – 52 edições 15/00627/11/04  29/jul/2011 1.338.480, 00
* 4.263 assinaturas da Revista IstoÉ - por 440 dias 15/00203/14/04  30/abr/2014 1.208.134,20 
TOTAL  GOV PSDB 5.010.792,20 

REVISTA ÉPOCA / GALILEU

EDITORA GLOBO CONTRATO + LINK DO VALOR
5.449 assinaturas da Revista Época 15/0354/09/04
21/mai/2009
1.190.061,60
5.200 assinaturas da Revista Época 15/00546/10/04  11/jun/2010 1.202.968,00
* 5.200 assinaturas da Revista Época (Sala de Leitura) 15/00628/11/04
27/jul/2011
1.203.280,00
* 5.200 assinaturas da Revista Época - Edições 746 a 771, por 181 dias 15/01775/12/04
10/nov/2012
669.240,00 
* 4.263 assinaturas da Revista Época – por 440 dias (Sala de Leitura) 15/00202/14/04
8/mai/2014
1.208.134,20 
TOTAL 5.473.683,80
18.284 assinaturas da Revista Galileu – 2 exemplares por classe de  15/0176/09/04 24/abril/2009 1.208.134,20
* 13.800 assinaturas da Revista Galileu – 2 exemplares por classe 15/00963/11/04
18/nov/2011
965.448,00
TOTAL 2.884.170,96
TOTAL GOV PSDB 8.357.854,76

REVISTAS DA MÔNICA E CASCÃO

PANINI BRASIL LTDA CONTRATO + LINK DO VALOR
90.000 unids. Almanaque do Cascão, 90.000 unids. Almanaque da Mônica 15/0134/08/04  29/mar/2008 561.600,00
9.000 Assinaturas Revista da Turma Mônica 15/0135/08/04  29/mar/2008 1.422.900,00
103.092 avulsos = 51.546 Almanaque do Cascão e 51.546 Almanaque da Mônica 15/0695/08/04  29/mai/2008 321.647,04
5.155 Assinaturas Revista Turma da Mônica 15/0694/08/04  12/ago/2008 815.005,50
?? Livros títulos diversos ficção e não-ficção para 2ª, 3ª e 4ª do Ciclo I 15/1045/08/04  14/out/2008 47.946,30
57.310 assinaturas da Revista Turma da Mônica 15/0147/09/04  2/abr/2009 14.277.067,20
34.938 assinaturas Turma da Mônica Jovem e 279.504 unidades avulsas nº 1 ao 8 Turma da Mônica Jovem 15/0146/09/04
17/abr/2009
4.373.538,84
195.749 unidades Almanaque do Cascão e 195.749 unidades Almanaque da Mônica 15/0148/09/04  17/abr/2009 1.291.943,40
11.295 assinaturas da Revista Turma da Mônica, sendo 5 exemplares por classe de 1ª série – CEI. 15/0502/09/04
6/ago/2009
2.344.842,00
392.000 avulsos do Almanaque da Turma da Mônica = 96.000 do Cascão + 196.000 da Mônica 15/00549/10/04  23/jun/2010 1.332.800,00
* 360.000 Almanaque do Cascão + 360.000 Almanaque da Mônica = 720.000 exemplares  15/00952/11/04  7/out/2011 2.448.000,00
* 19.888 assinaturas Revista Turma da Mônica Jovem  15/01907/11/04  14/dez/2012 1.235.044,80
* 401.252 Almanaque Cascão + 401.253 Turma da Mônica = 802.506 exemplares 15/01907/12/04  14/dez/2012 2.728.520,40
TOTAL GOV PSDB 33.200.855,48

JORNAL IMPRESSO: FOLHA

FOLHA DE SÃO PAULO CONTRATO + LINK DO VALOR
5.449 assinaturas da Folha de São Paulo 15/0200/09/04 12/mai/2009 2.704.883,60
5.200 assinaturas da Folha de São Paulo (Sala de Leitura) 15/00550/10/04 8/jun/2010 2.581.280,00
* 5.200 assinaturas da Folha de São Paulo (Sala de Leitura) 15/00625/11/04 6/ago/2011 2.581.280,00
* 5.200 assinaturas da Folha de São Paulo (Sala de Leitura)  15/01772/12/04  9/out/2012 1.554.800,00
*5.200 assinaturas semestrais da Folha de São Paulo – por 183 dias 15/00274/013/04 5/jun/2013 1.554.800,00
* 4.263 assinaturas da Folha de São Paulo – por 443 dias 15/00200/14/04 14/mai/2014 2.551.831,80
TOTAL GOV PSDB  13.528.875,40

JORNAL IMPRESSO: ESTADO

ESTADO DE SÃO PAULO CONTRATO + LINK DO VALOR
5.449 assinaturas do Estado de São Paulo 15/0199/09/04
15/mai/2009
2.691.806,00
5.200 assinaturas do Estado de São Paulo (Sala de Leitura) 15/00545/10/04  28/mai/2010 2.568.800,00
* 5.200 assinaturas do Estado de São Paulo (Sala de Leitura) 15/00624/11/04  17/ago/2011 2.748.616,00
* 5.200 assinaturas do Estado de São Paulo – por 180 dias 15/01771/12/04  19/out/2012 1.554.800,00
* 5.200 assinaturas do Estado de São Paulo – por 183 dias 15/00273/13/04
8/jun/2013
1.554.800,00
4.263 assinaturas do Estado de São Paulo – por 443 dias 15/00199/14/04
30/abr/2014
2.551.831,80
TOTAL GOV PSDB 13.670.653,80

Repito o que eu disse na primeira entrevista, de 2010:

O fato é que, embora tenhamos dinheiro e profissionais para tornar a educação pública de São Paulo equivalente às melhores existentes no mundo, os “negócios” tornaram-na um lixo. É necessária uma devassa nos contratos da FDE e da SEE-SP. Quem vai fazer isso com isenção e seriedade necessárias?

Leia também:

Caio Castor: Deputado Bolsonaro foi armado à manifestação de fascistas na avenida Paulista

O post Tucanos desovam R$ 155 mi na Abril, Folha, Estadão, IstoÉ, Época e Panini apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

02 Nov 13:55

Hei, Sheherazade, vai levar os traficantes de classe média pra casa?

by Maria Frô

Não faz muito tempo a apresentadora do SBT, Raquel Sheherazade, utilizando uma concessão pública de TV destilou todo o seu racismo e ódio de classe contra um adolescente negro em situação de rua que foi espancado e amarrado a um post por jovens de classe média da zona sul do Rio de Janeiro (relembre o caso: O Brasil que relincha aplaude Sheherazade).

Os mesmo jovens tratados como herói por Sheherazade são presos com armas, drogas e dinheiro em casa. Traficantes. E agora, Sheherazade, você vai levá-los para casa?  E o Brasil que relincha pedindo diminuição da maioridade penal e aplaudindo Sheherazade o que pensa de seus ~heróis~ que fizeram ‘justiça’ com as próprias mãos e agora mostram verdadeiramente quem são?

PS. Detalhe para o ‘primor’ da Manchete do G1: os traficantes que agrediram e amarram no poste um adolescente negro, como se vivêssemos no século XIX, são tratados como ‘jovens’; a vítima desses agressores, o menino em situação de rua,  é tratado de ‘infrator’.

Jovens que amarraram infrator em poste são detidos por tráfico
Rapazes de classe média são suspeitos de vender drogas na Zona Sul.

drogas-sheherazade

Na casa de um deles, a polícia apreendeu drogas, armas e dinheiro.

Henrique Coelho Do G1 Rio

  Dez pessoas foram detidas na manhã desta quinta-feira (30) durante ação da polícia para combater o tráfico de drogas na Zona Sul do Rio. Segundo a polícia, entre os detidos e 44 investigados por relação com a quadrilha estão jovens que participaram do episódio em que um jovem foi amarrado a um poste no Aterro do Flamengo, além de membros da tática black bloc.

Agentes de diferentes delegacias deixaram a Cidade da Polícia, no Jacarezinho, às 6h da manhã, para cumprir mandados de busca e apreensão em apartamentos de jovens de classe média, em dois bairros da Zona Sul do Rio. Segundo as investigações, eles são suspeitos de vender drogas na área da praça São Salvador, em Laranjeiras, que fica a poucos metros de um quartel do Corpo de Bombeiros.

Na operação de busca e apreensão, foi apreendida farta quantidade de maconha, haxixe, LSD, skunk e outras drogas. Na casa de um dos presos foi apreendida, inclusive, uma balança de precisão.

  “Recebemos muitas denúncias no Disque-Denúncia e usuários prestaram depoimento, indicando os locais de compra e venda de drogas, e essas pistas foram corroboradas pela nossa apreensão”, afirmou o delegado Roberto Gomes Nunes, da 9ª DP (Catete), responsável pelo caso, que tem quase duas mil páginas de investigação.

Logo no início da manhã, os agentes fizeram buscas em apartamentos nas ruas Marquês de Abrantes e Senador Vergueiro, no Flamengo.

Outro alvo da operação foi um prédio na Rua das Laranjeiras, onde foi realizada uma prisão, além da apreensão de drogas, arma e dinheiro. O rapaz não resistiu à prisão e com ele foram encontrados uma pistola, munição, haxixe e R$ 27 mil.

  O filho do zelador de um prédio da Rua Ipiranga também foi preso. Com ele, os policiais apreenderam maconha e um computador. Os dois jovens presos em flagrante foram levados para a Cidade da Polícia. As investigações duraram 10 meses e agora a polícia espera identificar outros integrantes da quadrilha.

Ao todo, quarenta e quatro pessoas estão sendo investigadas pela Polícia Civil por tráfico e associação por tráfico de drogas.

traficantes- agressores-jovem-negro-preso-poste

Leia também

 

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ATO FALHO DA CASA GRANDE versão Academia Universitária. As Sheherazades estão dão cria em todos ambientes

Pergunta que não quer calar: O que Sheherazade está fazendo no SBT?

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Ativistas pela Democratização das Comunicações, agendem: 07/02 Plenária Nacional do FNDC

Sheherazade: A princesa do conservadorismo brasileiro

Contraponto: Franklin Martins debate a democratização das comunicações no Brasil

O Brasil que relincha aplaude Sheherazade

Presidenta da CDH-Senado oficia MP de São Paulo contra Sheherazade por violações de direitos humanos na TV

Mulher que denunciou menor preso a poste no Rio é ameaçada, diz amiga   

Em 1 ano, dobra número de assaltos no Flamengo, na Zona Sul do Rio   

Detido após agressão a menor no Rio diz que ‘patrulha’ é convocada via web 

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02 Nov 13:40

Pena de Morte na Cidade do Natal

by Thadeu Angelo


Luís da Câmara Cascudo.

 
Quatro homens morreram na Cidade do Natal por ordem da Lei. Pretinho foi enforcado a 23 de maio de 1843, Inácio José Baracho a 30 de julho de 1845, Alexandre José Barbosa a 31 de outubro de 1846 e Valentim José Barbosa, por não haver sentenciado que o quisesse executar, teve morte por fuzilamento, a 7 de agosto de 1847. Dos quatro justiçados apenas Alexandre cometera o crime na cidade.
A marcha processual não era simples. Estava em vigor o Código de Processo Criminal do Império (Lei de 29 de novembro de 1832) com as modificações da Lei de 3 de dezembro de 1841, sob o número 261, e o Regulamento 120, de 31 de janeiro de 1842.
Instaurado o inquérito, apurados os indícios, com a direção do delegado de polícia e, às vezes o juiz de paz, podia este pronunciar, mesmo sendo apenas delegado de polícia, enviando imediatamente o processado tio juiz municipal, a quem cabia sustentar ou revogar a pronúncia. Seguia-se, como no processo de Baracho, um júri de acusação para positivar se havia matéria justificativa da pronúncia e o juiz de direito concordava ou não, mandando a papelada para o promotor público apresentar o libelo-crime-acusatório. Noutros processos, como no de Alexandre, o juiz municipal julga e manda ao promotor, por ter a lei n° 261, de 3 de dezembro de l841, abolido o júri de acusação, ainda existente na Inglaterra e Estados Unidos. Libelado, procedia-se ao júri. Condenado, o juiz de direito, ex-ofício, apelava para a Relação do Distrito, então em Pernambuco. Negado o provimento volviam os autos, com o acórdão. Mandado cumprir, intimado o réu, tinha este os oito dias para o recurso da graça, em petição dirigida ao Imperador. Era instruído por um relatório do juiz de direito, circunstanciado e com cópias das peças principais. Ia por intermédio do presidente da Província ao Ministro de Estado dos Negócios da Justiça. Este submeteria ao Imperador. Não recorrendo o réu, o juiz de direito interpunha por ele a petição da graça, a comutação da sentença de morte em prisão perpétua, que o povo chamava galés perpétuas, recordando o serviço dos remeiros escravos, por lei ou conquista, nos barcos do Rei.
Não se julgando o réu digno da graça do Poder Moderador, simbolizado pelo Imperador, o Ministro da Justiça comunicava às autoridades locais, por aviso. Recebendo-o, com os documentos que tinham acompanhado o relatório, o presidente da Província dava o despacho: — Cumpra-se e registre-se. Datava e assinava. Acabara-se a esperança.
O juiz de direito, cientificado por ofício, informava ao juiz municipal. Este mandava intimar ao réu e marcava o dia da execução. Na forma da Lei, o escrivão intimava ao promotor público. Só então a forca se erguia, na tarde da véspera ou alta madrugada do dia do suplício.
A cidade inteira comentava, condoída, interessada pela sorte do desgraçado. Um sacerdote iniciava as visitas de conforto ao condenado, indo diariamente à cadeia.
Executada a pena, o escrivão passava certidão nos autos, descrevendo o sucedido, minuciando a cerimónia, cortejo, autoridades presentes e se houvera oposição por parte do povo. O juiz municipal, com o processo, despachava, julgando concluída e terminando a execução-de-sentença. Ia um ofício para o juiz de direito dando notícia. O réu já estava sepultado. A forca, desarmada, desaparecera. Corriam os comentários, reavivando nos serões familiares, a coragem ou covardia do executado no momento supremo. Depois, outras preocupações vinham, dispersando a memória. A justiça fora feita...
A forca em Natal era armada na praça ou largo do Quartel da Tropa de Linha (praça Tomás de Araújo Pereira, atualmente, 1946, murada e sem serventia pública). Aí sucumbiu José Pretinho em 1843. Também ergueram a forca ao lado, onde era o mercado do peixe, englobado na construção do atual edifício do mercado público da Cidade Alta. Não ficava armada, assombrando os transeuntes, numa ameaça constante. A lei mandava desarmá-la logo após o suplício. E sua construção era rápida, durante apenas algumas horas de trabalho, tarefa que se fazia ao escurecer da véspera da execução ou nas horas da madrugada do dia maldito. As despesas seriam-pagas pelo governo da Província.
Não havia carrasco oficial. Designava-se um sentenciado de igual pena e, em sua falta outro qualquer preso-pobre-de-justiça. O Código do Processo Criminal do Império não previra esses casos e o juiz de direito do Brejo de Areia, na Paraíba, oficiara ao Ministro da Justiça, perguntando. O ministro era o elegante Aureliano de Sousa e Oliveira Coutinho, futuro visconde de Sepetiba. Respondeu pelo Aviso n° 414, de 25 de novembro de 1834, dando instruções. Entre elas, que a forca fosse demolida depois da sentença cumprida e que o juiz nomeasse "um algoz dentre os sentenciados à mesma pena, ou a qualquer outro preso sentenciado, para dar execução à sentença, visto que o Código não providenciou a respeito". Omisso também estava quanto ao pagamento do supliciador. Pagaram quatro mil-réis na primeira vez. Chegaram a dez mil réis na segunda e terceira execuções. A derradeira foi gratuita. Constou de uma descarga de carabinas dada por um pelotão do Corpo de Polícia.
A forca se erguia numa extremidade do tablado alto, espécie de palanque sem coberta, ao ar livre. Tinha, no braço horizontal, uma argola de ferro onde passava a corda, bem nova e untada de sebo para escorregar no pescoço do condenado. Uma praxe impressionante era a colheita de auxílios para a missa do enforcado. Na véspera ou antevéspera do enforcamento, acompanhado por um soldado, o preso, olhando o martírio, vinha, com os pulsos algemados, pedir de porta em porta, uma esmola para a missa que seria rezada em sua intenção espiritual. De porta em porta detinha-se o grupo espantoso e o sentenciado erguia a voz miseranda, pedindo: — uma esmola para a missa do enforcado. O enforcado seria ele mesmo.
Aquela súplica de auxílio para as próprias exéquias devia ser apavorante. Com as mãos presas, o condenado levantava a pequenina e suja sacola para receber o óbulo, dez réis, um vintém. Durava, às vezes, o dia inteiro essa peregrinação dolorosa, cerimônia preparativa das horas últimas no patíbulo. Assim, de migalha em migalha, reunia as cinco patacas, mil e seiscentos réis, o preço da missa que haveria de assistir ajoelhado, a caminho da morte. E não teria o direito de ouvir a missa completa. Quando o sacristão badalava a campainha, no momento de sanctus, sanctus, sanctus, o comandante da escolta fazia levantar o condenado e o cortejo seguia para a forca.
Por que o condenado não podia ouvir a missa inteira? Porque o sentenciado valer-se-ia do santo sacrifício obtendo, no mínimo, um prolongamento de vida. Se estivesse presente quando o sacerdote fizesse a elevação, e pedisse a existência, estaria valido. Infelizmente esse recurso oral ante a hóstia não arredaria a corda do condenado pescoço.
Na manhã do suplício o réu era barbeado e ia assistir a missa na igreja matriz, perto da cadeia, acompanhado pelo juiz municipal, promotor público, escrivão, porteiro do auditório que lenta e solenemente ia lendo em voz alta a sentença condenatória. Antes da elevação o préstito seguia compassado como uma procissão, cercado de soldados com armas embaladas, sob o comando de um oficial. Muita gente ia também por piedade ou atração do espetáculo. Sempre a execução era marcada para as primeiras horas da manhã, oito ou nove. O Código Criminal proibia que alguém fosse supliciado na véspera do domingo, dia santo ou de festa nacional.
O réu, com o seu vestido ordinário, as mãos fechadas nas algemas, era conduzido pelas ruas mais públicas até o patíbulo. O caminho era pela rua Grande (praça André d'Albuquerque), rua Sant'Antônio, rua do Sebo (General Osório), rua da Palha (Vigário Bartolomeu), rua Nova (Rio Branco), descendo até a praça do Peixe, espaço compreendido no atual mercado público da Cidade Alta, onde a forca se erguia.
Já uma multidão aguardava o cortejo sinistro. Os professores levavam os alunos para que o exemplo servisse. Pais e mães estavam com os filhos.
O padre vinha com o condenado desde a prisão e ao pé da forca oferecia-lhe a última dádiva das senhoras católicas da cidade, pão-de-ló e vinho do Porto. O réu mastigava e bebia, inconscientemente, para retardar a subida à forca. Depois, de degrau em degrau, chegava ao alto, com o carrasco, seu companheiro de crime, que lhe pedia perdão, já marcado para o mesmo final.
No Rio de Janeiro o sinal era dado pelo padre que recitava, declamando, o Creio em Deus Padre. Quando dizia "e na vida eterna", o carrasco, que já passara a laçada no pescoço do condenado empurrava-o para fora das tábuas. O próprio peso da vítima a estrangulava. E o algoz ainda ajudava, saltando-lhe aos ombros ou, velozmente descendo, puxando o justiçado pêlos pés, multiplicando a carga para apressar a asfixia. Quem ficasse na primeira fila da assistência ouvia, no estertor derradeiro, o estalejar das vértebras cervicais que se partiam.
Em Natal o aceno que fazia o carrasco sacudir o condenado para a morte era o juiz municipal tirar o chapéu.
Com os últimos estrebuchões o réu ficava imóvel. Verificado o óbito, cobriam o cadáver com um pano grosseiro. Permanecia o morto, pendurado na forca, algumas horas. A família podia reclamar o corpo e sepultá-lo "sem pompa, sob pena de prisão por um mês a um ano", dizia o art. 42 do Código Criminal. Pedido ou não, sempre o Governo mandava enterrar o defunto no sagrado, capela de Nossa Senhora do Rosário.
Por mais estúpido que fosse o crime as missas pelo descanso da alma do enforcado eram numerosas. Corria a tradição de que eram poderosas porque se haviam remido com o suplício da forca. Os condenados apareciam pedindo sufrágios, indicando dinheiro escondido e pregando moral.
Quem, antes de 1911, passava pela rua Grande (praça André d'Albuquerque) via, numa esquina, onde está o n° 604, a velha cadeia pública. Erguia-se, sólida e maciça, com as paredes de pedra, arcadas da cantaria, dois janelões baixos e cinco no sobrado, com o xadrezado de ferro, saindo de cápsulas de chumbo, respirando vida colonial, impondo-se pelo aspecto atarracado, feio, sujo, pesado, opressor. Apesar das reformas e remodelações, através de cento e oitenta e oito anos, conservava a fisionomia severa e sinistra de uma fortaleza, um resto de castelo roqueiro, ainda fiel ao passado, pompeando na praça ridente do século XX. Detrás das grades negras, os presos furavam a vida com olhares famintos.
Feita em fins de 1721, porque está pronta em janeiro de 1722, a cadeia se plantou no mesmo canto da primitiva prisão, de taipa, coberta de palha, guardada à boca de mosquete. Possuía originariamente um salão, escuro, lajeado, escorregadiço, com duas janelas para a rua Grande e uma para o poente abrigando o grupo dos criminosos, velhos e moços, misturados, sem suspeita de higiene, ideia de asseio, esperança de piedade. Recordo a velha cadeia que foi derribada, em 1911, quando a 20 de maio, instalaram os presos na Casa de Detenção de Petrópolis. Ainda lembro o covil tremendo, com seu beiral montado por doze pilares, o maior com a haste para a bandeira. À direita, a casa-da-guarda, com uma só porta. Até quase meados do século XIX, os soldados ocupavam uma parte do próprio edifício. Depois de 1872 é que o andar superior foi desocupado pela Câmara Municipal e pertenceu aos condenados. Ali dentro gemeram vinte gerações de criminosos, separados do mundo pêlos três palmos de pedra das muralhas cinzentas.
Até proximidades de 1860, os prisioneiros saíram da sala-única por uma escada portátil, descida pela bocarra do alçapão. Temendo revolta, não faziam portas diretas, ligando a casa-dos-presos à sala-da-guarda. Os homens viviam como feras numa jaula, vendo a cidade pelas barras de ferro.
Que era realmente a cadeia, diz o chefe de polícia, dr. Joaquim Tavares da Costa Miranda, em relatório de 30 de novembro de 1878, trinta e um anos depois da última execução, com melhorias, asseios, pinturas, registrados nas falas presidenciais. Costa Miranda desenha o quadro horrendo:
"E um edifício onde mal penetra a luz, tendo dois pavimentos, um térreo, dividido em três compartimentos, um central, que serve de enxovia, e dois calabouços laterais, outro superior, onde está a sala livre; é um lúgubre edifício, cujo interior contrista, e o exterior é uma campa dealbada, em comparação com o interior, que é uma furna em que seres vivos se apodrecem, maldizendo a sociedade, que os condenou a uma morte lenta em uma masmorra infecta, repugnante e asquerosa; o ar é insuficiente para a respiração dos sentenciados, a luz crepuscular, que bruxuleia na enxovia, não aviventa a organização; o chão é frio, úmido e sórdido; os presos fazem despejo d'águas servidas e urinam dentro da mesma enxovia, e o lixo e a podridão, saindo da cadeia pela fachada posterior, se escoam pelo cano, rampa abaixo, formando um espojeiro onde constantemente alguns porcos se regalam. Dentro da mesma enxovia os detentos lavam carne e cozinham: tudo ali é tétrico e medonho: tudo denuncia uma postergação da lei da higiene; tudo diz que ali está um lugar em que a sociedade exerce a vendeta, e não a mansão de recolhimento e meditação em que a consciência do delinquente sob a farpa dos remorsos o regenera para entregá-lo de novo à comunhão social. A prisão é comum; o sistema celular nunca foi aqui ensaiado. Os sentenciados não têm espaço para dormir, ficam ali tão conchegados, como abelhas na colmeia ".
O relatório é longo e vibrante. Costa Miranda nunca foi ouvido senão pêlos 158 homens que se comprimiam num espaço de 15 metros. Numa informação que ao presidente Casimiro José de Morais Sarmento dera o tenente de artilharia Francisco Primo de Souza Aguiar, em 4 de fevereiro de 1846, afirma-se que: "Os presos de ambos os sexos nunca se banhavam e cozinhavam na sala da prisão, sobre o solo coberto de pedras irregulares, de superfície úmida e lodosa. Os que não possuíam redes deitavam-se em tábuas soltas e as fezes eram lançadas num barril que ficava todo o dia a um canto".
Em setembro de 1863, o presidente Olinto José Meira dizia à Assembléia Provincial: "Não existe em toda a Província uma cadeia digna deste nome. A da Capital, que consta do andar térreo da Casa da Câmara, necessita de grandes melhoramentos e asseio para tornar-se apenas mais sofrível. Não considero-a capaz de atingir o estado de uma boa cadeia por mais que se despenda e se lhe faça para este fim".
Esse era o antro em que se corrigia o criminoso. Subindo pela escada, galgando o alçapão, saindo pela porta da praça, quatro homens, em cinco anos, marcharam para a morte...
José Pretinho foi o primeiro executado em Natal, na manhã de 23 de maio de 1843. Debalde revirei o arquivo dos cartórios locais, gentilmente auxiliados pêlos serventuários, sem pagamento de buscas nem esperança de certidão ou traslado. Enforcado em Natal, o crime do réu teria sido cometido na jurisdição da comarca. Nessa época tínhamos as comarcas do Natal, Vila Nova da Princesa (Assu) e Maioridade (Martins). O processo desapareceu ou foi devorado pelas traças, aliadas do esquecimento.
Restam as notas que o professor Joaquim Lourival Soares da Câmara, o Panqueca, forneceu à minha curiosidade semanal. Delas me aproveitei no capítulo "Os justiçados do Natal" no Histórias que o tempo leva... (Monteiro Lobato editor, S. Paulo, 1924). Panqueca faleceu dois anos depois de publicado o livro e ainda adiantou, com sua reminiscência admirável, detalhes preciosos. Mas não recordava a data da execução. Encontrei-a no n° 142, de 2 de novembro de 1889, da A Gazeta do Natal. E também a concordância do nome: - José Pretinho. É tudo... Feci quod potui; faciant meliora potentes.
Não sabemos onde nasceu, como vivia, idade, antecedentes, espécie do delito. Era muito moço, preto, de estatura mediana, franzino, tímido, encolhido, tão abundantemente infantil que parecia cretino. Na prisão, sentado no sujo lajeado, brincava, horas seguidas, com ossinhos e pedaços de fazenda, falando só, articulando diálogos, absorvido inteiramente na distração. Ria de tudo, tão alheio à culpa, tão despreocupado, tranqüilo e sereno que se diria estar descansando numa residência amiga e não recolhido à cadeia, por crime de morte, inafiançável, e com a tremenda ameaça da pena máxima do art. 142, correspondendo ao atual  294, parágrafo primeiro, da Consolidação das Leis Penais.
A memória popular defende o acusado, dizendo-o inteiramente irresponsável, não no sentido jurídico, mas na acepção de inocência total. Seria tão culpado pelo crime como causador das inundações do rio Nilo ou tempestades de areia no deserto do Saara.
Havia sempre alguém para sofrer a culpa dos crimes que não praticara. E, às vezes, surgiam casos curiosos, como um homem que se apresentou à Justiça dizendo-se assassino de uma mulher, dando minúcias da morte e, logo depois, a vítima, a mulher defunta, apareceu, viva, sadia declarando nunca ter estado ameaçada de morte. O Dr. Benvenuto Augusto de Magalhães Taques, presidente da Província, em sua fala à Assembleia Provincial, a 3 de maio de 1849, narra esse episódio.
José Pretinho cumpriu o que o Código Criminal do Império determinava no cerimonial do enforcamento. Saiu com o padre, o juiz municipal, promotor público, escrivão, porteiro e soldados, percorrendo sua via-crucis, inteiramente repousado, como se passeasse. Chegando à praça do Peixe, onde a forca se erguia, o padre descobriu que o sentenciado era pagão. Batizou-o ali junto aos degraus da escada. Na manhã clara soava o latim ritual:
— Quid petis ad Ecclesiam Dei
— Fidem.
— Fides, quid tibi praestat
— Vitam aeternam
E José Pretinho, risonho, curioso pelo espetáculo, olhos acesos, entrava no seio na igreja na hora em que saía do mundo.
Ofereceram-lhe bolos e vinho. Comeu deliciosamente, tudo quanto lhe deram.
— Quer mais! - disseram. — Se tem, quero, respondeu o desgraçado. E voltou a mastigar e a beber o vinho tinto, num copo de vidro grosso.
Subiu, sozinho, lentamente, para o patíbulo. Lá em cima, andou em torno do tablado, num leve passo. O sol banhava de ouro as águas verdes do Potengi. Na linha do horizonte azul o mar espelhava, como uma imensa turquesa ondulante. Velas brancas riscavam as ondas, partindo para a pesca, a luta, a vida. José Pretinho, perto da forca teve uma exclamação de surpresa, de encanto, de júbilo incontido:
— Ah! Daqui de cima se vêem as jangadinhas! Alguns minutos depois via perto de Deus, a extensão da Justiça dos Homens...
A casa de José Francisco, na vila de Extremoz, estava iluminada e alegre. Era a noite de 23 de abril de 1836 e havia função de casamento. Danças animadas, movimentos livres e aguardente fácil e pronta. Um dos mais airosos dançarinos era o caboclo Inácio José Baracho, médio de altura, robusto, comunicativo, bebendo bem e gritando melhor. Nessa festa, Baracho estava apaixonado pela mulata Rosa Maria, desejo velho, sempre recusado por ser a linda mulher amásia do seu sogro José Pedro. Esgotados, nas pausas da dança, os recursos persuasivos, Baracho informou que José Pedro a mandara chamar e ele devia acompanhá-la, por ser madrugada alta. Saíram os dois. No lugar Tabuleiro, perto da lagoa do Gervásio, repelido mais uma vez, Baracho abateu Rosa Maria com uma formidável cacetada que lhe abriu a cabeça. Rápido, o facínora repetiu os golpes pelo crânio da vítima, já semimorta. Vendo-a imóvel, conspurcou bestialmente o cadáver. Depois voltou a bater no corpo, cortando-lhe o rosto, desfigurando-o com fúria monstruosa. E, calmamente, voltou à casa, com a camisa ensanguentada. Antes do dia raiar, 24 de abril de 1836, regressou ao local, montado num cavalo do sogro, e quebrou o pescoço de Rosa Maria. Pela manhã, sem mudança nos hábitos, entregou-se aos trabalhos do campo. Tinha 27 anos sadios.
Havia antecedentes na família. O pai, Marcolino José Baracho, a 22 de junho de 1823, com um grupo de indígenas de Extremoz, atacara a povoação do Porto dos Touros, procurando matar o ex-vigário de Extremoz, padre José Inácio de Brito. Não o podendo encontrar, assaltou um sobrinho do pároco, Manuel José de Morais Júnior, a quem arrebatara um jogo de pistolas, motivando processos.
Apenas a 5 de maio encontraram o cadáver de Rosa Maria incorrupto. No dia imediato, 6, o suplente de juiz de paz, alferes Felipe Varela Santiago promoveu exame de corpo de delito, ouvindo os peritos Francisco Borges do Régio e Félix José da Rocha, em perícia feita no "'cadáver morto achado de Rosa Maria, no lugar Tabuleiro, perto da lagoa do Gervásio, distrito da Campina, município de Extremoz", José Carlos do Desterro serviu de escrivão. Instaurada a formação da culpa, depõem as testemunhas Manuel Lopes de Araújo, Manuel Inácio da Rocha, João José da Silva, Romão Feitosa e Félix Gomes. Todos descrevem o baile de José Francisco, a fome sexual de Baracho e o indicam como responsável único. O juiz de paz julgou procedente e denunciou Baracho, mandando-o prender, a 10 de maio. Datou de Capoeira Grande, município de Extremoz. Enviado o processo para o juiz de paz da cabeça do distrito, José Teodoro de Sousa, este presidiu o júri de acusação, que achou matéria para pronúncia, em 7 de junho. O juiz de direito de Natal, dr. Joaquim Aires de Almeida Freitas, conformou-se, sentenciando a prisão e providenciando para que o promotor público fizesse o libelo, no mesmo dia. Inácio José Baracho entra na cadeia do Natal. E aí fica, esquecido.
Seis anos depois, a 2 de junho de 1842, o novo juiz de direito, dr. Basílio Quaresma Torreão Júnior, promove andamento. O promotor escreve o libelo, dando Baracho como incurso nas penas do art. 192, grau máximo, com as circunstâncias agravantes do art. 16, parágrafos 4, 6, 8, 9, 12 e 15 do Código Criminal. É promotor o dr. Brito Júnior, libelo de 14 de junho de 1842. Júri a 16 de junho. Sentença: - Conformando-se com a decisão, de acordo com o art. 192 do Código, 66 da Lei de 3-XII-1841, e 383 do Regulamento de 31 de janeiro de 1842, condena-se Baracho à pena de morte. Protesto por novo julgamento. Assina, a rogo do réu, Manuel António da Silva Torres, o possível advogado. Novo júri a 13 de março de 1844. O juiz de direito é o dr. João Paulo de Miranda e o promotor, Bartolomeu da Rocha Fagundes. Escrivão, Manuel Maurício Correia de Sousa. Pena de morte. Apelação ex-ofício do juiz para a Relação. Acórdão de 22 de outubro de 1844 julgando "improcedente o recurso, por não se haver preterido formalidade essencial". Assina o presidente da Relação de Pernambuco, desembargador António Inácio de Azevedo. O juiz, a 17 de fevereiro de 1845, despachou que se cumprisse o acórdão. Intimados, o réu e o promotor a 18. Este era o interino João Luiz Pereira. Esgota-se o prazo de oito dias para o condenado interpor o recurso de graça. O juiz interpõe a 28 de fevereiro de 1845 e há uma apelação-crime, por parte do advogado do acusado. Novo acórdão da Relação, a 26 de outubro de 1845, confirmando a sentença. O Imperador recusou a graça. O Ministro da Justiça, José Carlos Pereira de Almeida Torres, em ofício de 16 de junho, comunicava ao Presidente da Província, Casimira José de Morais Sarmento. Este deu, a 26 de julho, o cumpra-se e registre-se. No mesmo dia o juiz de direito informava ao juiz municipal, dr. Francisco Xavier Pereira de Brito. Na mesma data este escreveu: — "Junte-se aos autos. Cumpra-se". E, na cópia do ofício do presidente, autenticada pelo secretário do Governo, João Carlos Vanderlei, o juiz municipal declarou: "intime-se ao réu. Marco o dia 30 de julho corrente. Cidade do Natal, 28 de julho de 1845 (a) F. Brito". O escrivão intimou, a 29, a Baracho e ao promotor, outra vez Bartolomeu da Rocha Fagundes. O juiz municipal era o dr. Francisco Xavier Pereira de Brito.
O coadjutor, padre Joaquim Francisco de Vasconcelos, começou a assistência religiosa. O comandante da força seria o tenente José António de Souza Caldas. O porteiro, Vítor António de Freitas, saiu na frente do préstito, lendo a sentença. De tudo houve certidão, na forma da lei...
Nenhum criminoso deixou lembranças mais fortes que Inácio José Baracho. Durante seus anos de reclusão, ganhou fama de cantador, sapateando magistralmente, berrando cantigas românticas e chorando amores impossíveis. Campeão de queda-de-braço conquistou admirações entre os companheiros. Duma coragem fria e contínua acima de enfraquecimentos e lástima, bravateava, sem o mais longínquo temor na face imóvel.
Seu carrasco, Alexandre José Barbosa, o matador de Ana Marcelina Clara, a Hamburguesa, era covarde e trémulo. No momento de passar a corda no pescoço de Baracho, Alexandre começou a tremer. O caboclo, que ia morrer, interpelou-o ferozmente: — "Está tremendo, Alexandre? Você quando matou a Hamburguesa não tremeu desta forma". Arrancou o laço da mão do companheiro e ele mesmo se jugulou. Sem esperar o sinal, atirou-se no espaço, bradando para o carrasco, lívido: — "Não admito que um cabra como você me empurre..."
Com o salto, a corda partiu-se e o semi-enforcado foi ao solo vivo, respirando alto. Choro da multidão, vozes de piedade. Substituem a corda. Nova laçada. Novo salto. Nova ruptura. Nova queda. Ao reganhar o patíbulo, Baracho dizia ao padre Joaquim Francisco de Vasconcelos: "... que morte agoniada..."
Na segunda vez, disse nada sentir. Via uma mulher vestida de branco, nos ares, acenando. Enterraram-no na capela do Rosário. Afirmavam que Baracho aparecia em sonhos, pedindo missas, que foram rezadas, avultadamente. Durante anos e anos, um fantasma, com a corda ao pescoço, corria nos arredores da praça do Peixe, nas noites de sexta-feira. Hoje tudo desapareceu.
Restam de sua existência dramática, uns restos amarelados do processo. E, num livro da paróquia da matriz do Natal, o registro simples e trágico de sua morte:
"... Aos trinta de julho de mil oitocentos e-quarenta e cinco, faleceu da vida presente, enforcado, com ãà sacramentos da Penitenda e Eucaristia, Inácio José Baracho, pardo, preso na cadeia desta Cidade; foi sepultado na Capela do Rosário, encomendado por mim. E para constar fiz este assento" (a) Bartholomeu da Rocha Fagundes - Vigário Colado.
Ana Marcelina Clara morava na travessa da Aula, depois Visconde de Inhomerim, depois travessa Aquidaban, hoje o trecho da rua João Pessoa, da praça Padre João Maria à avenida Rio Branco. Velha risonha, amável, resignada, vivia sozinha, com uma cachorrinha, às vezes tendo a visita duma afilhada, a menina Balbina, que ainda vivia em 1907. A residência era antiga na cidade. Alemã de Hamburgo, Ana Marcelina ganhava o apelido que substituía seu nome. Conheciam-na todos por Hamburguesa.
Casara com alemão, Simão Wilherrn Carol, já falecido em 1826 quando, um filho do casal, Carol Wilherm Augusto, se matrimoniara em Natal, a 17 de janeiro, com Ana Joaquina de Melo, filha de António Cabral de Melo e Maria da Conceição. Os recém-casados viajaram para o sul. A Hamburguesa ficou só e trabalhava para sustentar-se, fabricando doces de goma e milho, vendendo-os a preço mínimo. Sóbria, recatada, sempre em casa, com os hábitos de recolhimento, tinha fama de rica, de possuir uma mala cheia de moedas de ouro. Essa fama assinou sua sentença de morte.
Todas as madrugadas, a Hamburguesa ia ao Baldo lavar sua roupa. Quase beirando a represa, morava Alexandre José Barbosa, soldado, no fim da rua dos Tocos, hoje 13 de Maio. Na madrugada de 13 de fevereiro de 1845, a Hamburguesa, atendendo a um chamado de Alexandre, voltou-se e foi derrubada com uma pancada, sacudida, morrendo, n'areia do Baldo. Alexandre sufocou-a, enterrando-lhe a face no barro solto das margens. Nesse momento, como era seu costume, passava a cavalo, o vigário Bartolomeu da Rocha Fagundes que não viu, mas foi visto pelo assassino. Morta Ana Marcelina, Alexandre carregou o corpo para sua casa, a poucos passos e escondeu-o durante o dia. O sogro do matador, o açougueiro Maximiniano da Silva, ajudou-o a disfarçar os vestígios do crime, sob coação. Na noite deste dia, Maximiniano e Alexandre amarraram o cadáver a um pau, ligando-o ainda a um tronco, e atiraram-no ao Baldo. No transporte fúnebre, Maximiniano, aterrado, duas vezes caiu. A mulher do criminoso, Josefa Maria da Conceição, guardou, por amor e medo, sigilo inviolável. Desaparecida a defunta, Alexandre, tendo as chaves da casa, abriu-a e, calafetando os claros da janela e porta, procedeu uma busca paciente e completa. Quase nada encontrou. Apenas patacões de prata, anéis baratos, maravilhas insignificantes pela posse das quais perderia a vida.
A 16 de fevereiro boiou o cadáver. Já corriam boatos fúnebres. E houve uma curiosidade. O menino António José de Souza Caldas sonhou, na manhã do assassinato, todas as cenas ocorridas no Baldo e as descreveu.
Enterraram a Hamburguesa no mesmo dia 16. A 18 Alexandre foi preso. O processo começou, com formalidades, pesquisas, depoimentos. Advogava o acusado um dos grandes tribunos da época, o dr. Leocádio Cabral Raposo da Câmara.
Pronunciado no artigo 271 do Código Criminal pelo delegado de polícia Joaquim Francisco de Vasconcelos a 7 de março, a 7 de junho o júri, presidido por José da Costa Pereira, condenou-o às penas do artigo 271, grau máximo. O soldado João Francisco de Freitas, que sabia do crime, Maximiniano da Silva e Josefa Maria da Conceição, foram absolvidos.
A Relação de Pernambuco julgou improcedente o recurso ex-offí-cio, em acórdão de 21 de março de 1846. O Imperador recusou a graça, comunicada pelo Ministro José Joaquim Torres Fernandes a 29 de setembro. O juiz de direito, dr. Cláudio Manuel de Castro, recebendo a informação da presidência oficiou ao juiz municipal. Este marcou a execução para 31 de outubro de 1846.
Alexandre tinha 39 anos. Mulato forte, falador, com facilidade de expressão e de gestos, defendia-se admiravelmente. Mas as provas eram infinitas. Ao ouvir a sentença de morte chorou.
Soldado do corpo de polícia da Província, era de antecedentes maus, tendo roubado uma cabra, que lhe custara ir pagar oito mil-réis. Não deixou recordação notável de audácia mas de ferocidade. Indicado para carrasco de Inácio José Baracho, tremeu tanto, ao pôr o laço ao pescoço do criminoso, que este teve ainda coragem de zombar de sua fraqueza.
Marchou para a forca arrastando-se amparado pelo padre Joaquim Francisco de Vasconcelos, com o aparato legal, tropa dirigida pelo alferes Miguel Porfírio de Souza Caldas.
Aceitou o bolo e engoliu, dificilmente, o vinho oferecido. No alto do patíbulo disse para a multidão: "Rogo a todos que me vão assistir a agonia que rezem uma Salve Rainha e peçam à Nossa Senhora para me dar uma boa passagem para o outro mundo".
Serviu de carrasco o sentenciado Francisco Lourenço Cabral. Já com a corda em volta da garganta, Alexandre gritou, de súbito: — "Espere, camarada..." Chamou o padre com um gesto e confidenciou algumas frases, ao ouvido. Depois empurraram-no para a morte.
Nove horas da manhã de 31 de outubro de 1846. Seria o último enforcado...
Félix Francisco da Silva, proprietário em Capela, no Ceará-Mirim, então município de Extremoz, era homem muito estimado no Natal. Pertencia à sociedade maçônica Sigilo Natalense e andou um dia inteiro, para cima e para baixo na cidade, ostentando a faixa e insígnias do seu grau, numa desnecessária e pitoresca demonstração de solidarismo doutrinário.
Em março de 1840, voltando do Natal, o tenente Félix, da Guarda Nacional, chegou à sua residência na povoação de Capela e mandou preparar a ceia de peixe. Debruçou-se na meia-porta da cozinha, olhando para a noite. Debaixo de uns pés de pimenteira, escondido no escuro, desfecharam um bacamarte. O tenente Félix caiu, o peito crivado de balas, já morrendo. Em casa apenas duas mulheres e um menino estavam para gritar, pedindo o impossível socorro.
Enquanto velavam ao cadáver, aguardando o amanhecer para o enterro, notaram a ausência de Valentim José Barbosa, empregado da confiança do morto, familiar e querido. Valentim desaparecera, reunindo suspeitas e foi perseguido como acusado pela opinião pública da Capela.
Em Natal a notícia emocionou a todos. A Sigilo Natalense, em sessão de 21 de março, deliberou "que se fizessem todas as diligências para serem capturados o assassino e cúmplices, gratificando-se àquelas pessoas que particularmente fossem encarregadas das prisões dos criminosos na morte do nosso caro Irmão e que depois de recolhidos os cúmplices à Cadeia do Crime desta Cidade fossem gratificadas as pessoas que os prendessem com a quantia de cem mil-réis repartidamente".
Não encontrei o processo de Valentim José nem mesmo o processo do recurso da graça. Uma versão popular dizia crime passional. Assim registrou Henrique Castriciano em 1907 e eu em 1924, ouvida ao professor Panqueca, Joaquim Lourival Soares da Câmara. A mulher do tenente Félix da Capela, como era conhecida, estava apaixonada por Valentim José. Este, nos depoimentos, dissera ter abatido o patrão com um bacamarte de pontaria dormida, carregado de balas. Estava pago. Recebera oitenta mil-réis, um chapéu de palha e um cavalo chamado Aroeira. Não tinha culpa alguma. Era um negócio como outro qualquer. A responsável seria a mandante, a viúva.
Num tomo de registro de correspondência do Departamento de Segurança encontrei cópia do ofício do chefe de polícia e juiz de direito da Capital, como era de lei, Basílio Quaresma Torreão Júnior, datado de 14 de abril de 1840, comunicando ao presidente da Província que "Valentim José, assassino do major Félix Francisco da Silva, estava recolhido à Cadeia do Crime em Natal".
A Sigilo Natalense mandou pagar o que prometera, discutindo-se em sessão de 22 de abril. A 3 de junho auxiliava com 50$ a Joaquim Francisco da Silva, "pai do nosso finado irmão Bolívar que há pouco foi assassinado". Bolivar era o nome heróico do tenente ou major Félix. No Dia de Finados, 2 de novembro, a Sigilo Natalense celebrou um cerimonial fúnebre em homenagem a Manuel Teixeira Barbosa, que falecera no ano anterior, e a Félix Francisco da Silva.
O chefe de polícia assim descrevia o acusado: "Valentim José, filho de Cosme Barbosa, morador no Bom Jesus do termo de Santa Ana do Matos, pardo claro, baixo de corpo, cabelos pretos e cacheados, com todos os dentes na frente e bastantemente alvos, e bem parecido".
O dr. Torreão Júnior interessara-se vivamente pela captura, indo ao Ceará-Mirim. Aparece a segunda versão, com elementos documentais, não citados na crônica oral do povo mas registrados na correspondência oficial. Acusado como mandante e autor moral do crime não é a esposa do tenente Félix, mas um seu cunhado, António Pita de Sá. Em 16 de abril de 1840 esse António Pita de Sá estava na cadeia e foi indiciado e pronunciado como mandante do crime.
Em maio os presos da cadeia do crime no Natal abriram um rombo na parede e iam fugindo todos. Mandaram consertar a parede e construir uma guarita na retaguarda do edifício, para melhor vigilância. A guarita custou 17$000.
Os amigos de António Pita de Sá desenvolveram ativa propaganda em favor do pronunciado. Chegou a cabala a tal ponto que Basílio Quaresma Torreão Júnior, que presidia o Tribunal do Júri, oficiou ao presidente da Província, em 29 de agosto de 1840, sugerindo não submeter o acusado a julgamento por sabê-lo de antemão absolvido. O presidente da Província, dom Manuel d'Assis Mascarenhas não aceitou a ideia. Torreão Júnior, em 1° de setembro, comunicou ter transmitido a presidência do júri ao juiz municipal do termo, pretextando "achar-se incomodado de um fortíssimo ataque de defluxo". Creio que, vistos e relatados os acontecimentos, António Pita de Sá fora para a rua, tranqüilo e limpo de culpa.
Valentim José respondeu a processo e foi condenado a morte. O Imperador não lhe concedeu comutação e marcou-se o enforcamento.
Marcada a execução surgiu uma surpresa. Nenhum sentenciado queria ajudar a Lei, matando Valentim. Os quatro mil-réis não tentavam. O Governo ofereceu a fabulosa soma de quarenta mil-réis. A recusa continuava. Não era compaixão nem solidariedade. Estava na cadeia, cumprindo um resto de sentença, um valentão famoso, jogador de faca, célebre pelo número de lutas e de ferimentos distribuídos generosamente. Era o sapateiro remendão Trajano Pé de Couro. Amigo íntimo de Valentim José, Trajano Pé de Couro ameaçara de morte quem servisse de carrasco ao seu companheiro. O Governo dobrou a parada. Oitenta mil-réis — "Recebe mas não come..:'' rosnava mestre Trajano. Os presos encolhiam-se, amedrontados.
Consultas foram e vieram entre autoridades. Deliberou-se solução melhor e mais barata. Valentim José Barbosa, na manhã de 7 de agosto de 1847, foi fuzilado por uma escolta militar na campina da Ribeira, no fim, perto dos morros.
Foi o último justiçado em Natal.

Fonte: 

CASCUDO, Luís da Câmara. História da Cidade do Natal. Natal: RN Econômico, 1999.
01 Nov 13:03

Por dizer que "juiz não é Deus", agente de transito indenizará magistrado do RJ

Por tratar de forma irônica a condição de um juiz, uma agente de trânsito foi condenada a indenizar o magistrado por danos morais. Ele havia sido parado durante blitz da lei seca sem a carteira de habilitação e com o carro sem placa e sem documentos.

Ao julgar o processo, a 36ª Vara Cível do Rio de Janeiro condenou a agente a indenizar em R$ 5 mil o juiz João Carlos de Souza Correa, do 18º Juizado Especial Criminal, zona oeste da capital do Estado. Os fatos ocorreram em 2011.

De acordo com o processo, agente Lucian Silva Tamburini agiu de forma irônica e com falta de respeito ao dizer para os outros agentes “que pouco importava ser juiz; que ela cumpria ordens e que ele é só juiz não é Deus”. O magistrado deu voz de prisão à agente por desacato, mas ela desconsiderou e voltou à tenda da operação. O juiz apresentou queixa na delegacia. 

A agente processou o juiz por danos morais, alegando que ele queria receber tratamento diferenciado em função do cargo. Entretanto, a juíza Mirella Letízia considerou que a policial perdera a razão ao ironizar uma autoridade pública e determinou o pagamento de indenização.

A agente apelou da decisão em segunda instância. Entretanto, a 14ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio considerou a ação improcedente e manteve a decisão de primeira instância.

"Em defesa da própria função pública que desempanha, nada mais restou ao magistrado, a não ser determinar a prisão da recorrente, que desafiou a própria magistratura e tudo o que ela representa", disse o acórdão.

Processo 0176073-33.2011.8.19.0001
Clique aqui para ler o acórdão.

Revista Consultor Jurídico, 31 de outubro de 2014, 8h46

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30 Oct 17:03

GUEST POST: CEM COMENTÁRIOS EM DEZ HORAS

by lola aronovich
O vídeo de uma mulher andando nas ruas de Nova York e tendo que ouvir um monte de baboseira -- que algumas pessoas insistem em chamar de elogios -- viralizou no Facebook, e vem rendendo boas discussões. 
A página Cantada de Rua redigiu este texto sobre o assunto e o enviou pra mim. Todo mundo já sabe minha posição sobre assédio na rua: não é bom pro ego, não é gentileza, não é legal. É assédio sexual. Abuso. Demonstração de poder. Terrorismo sexual. Lembrança de quem manda.
Update: Muita gente reparou que a maior parte dos assediadores é não branca. O diretor do vídeo afirmou que havia equilíbrio entre os homens brancos e negros e latinos que falaram alguma coisa para a moça, mas que, em alguns momentos, essas cenas não ficaram boas (havia barulho demais). De toda forma, é uma polêmica válida. O vídeo realmente não é representativo da realidade.
Deixaram de fora os homens brancos no vídeo. Pessoas brancas não podem nem discutir assédio na rua sem demonizar homens não-brancos.
Esta mulher caminha na rua em Nova Iorque. A sua frente uma câmera GoPro escondida revela o tipo de coisa que as mulheres têm que passar ao andar nas ruas TODOS OS DIAS. Ela caminha por algumas horas na rua e é alvo de mais de 100 comentários de homens, sem contar buzinas e assobios. (Está em inglês mas dá pra entender perfeitamente).
No Brasil é exatamente a mesma situação.
Uma mulher não anda sozinha nunca. Ela está sempre sendo observada. Ela sabe que está sendo e que em algum momento será abordada, por mais que se previna de todas as formas possíveis que uma vítima de assédio de rua pode se prevenir.
Ela troca de roupa, ela muda o caminho, ela evita sair à noite e também de dia, ela gasta a mais pegando um táxi em um trajeto que poderia fazer a pé ou de ônibus, ela não passa na frente do bar, ela faz o caminho mais longo, ela passa a usar fone de ouvido para sair na rua, ela só sai se o namorado for junto. Ou ela simplesmente não sai.
Ela faz uma série de arranjos para fazer o que precisa fazer. Sair para trabalhar, para estudar, ir ao mercado ou até mesmo fazer um exercício é uma tarefa que exige uma série de pensamentos prévios.
Pensamentos com que homem NENHUM precisa se preocupar.
O assédio de rua escancara as nossas diferenças de gênero.
Como deve ser sair à rua e "só" se preocupar em ser assaltada ou morta? Não temer assédio ou estupro? Sair e simplesmente viver?
Não é a roupa. Não é o horário. Não é a rua. Não é um sorriso. Não é a mulher que deu abertura ou deu a entender que estava interessada. Não é a mulher. É o homem. É quem assedia.
Enquanto nem todos os homens praticam assédio, todas as mulheres planejam suas idas à rua pensando nisso.
Este é um problema de todas. De todos.
No momento em que um homem volta pra casa a pé e sozinho à noite, pode lembrar que metade da população não considera esta uma opção viável.
No momento em que um homem vê um outro homem constrangendo uma mulher, pode lembrar que esta mulher deve estar se sentindo acuada e que não reage por medo.
Vivemos em um mundo que mulheres têm tantas atribuições quanto homens, mas nós não podemos andar nas ruas da mesma maneira.
Os prejuízos na vida das mulheres são incalculáveis. Quantos cursos você já deixou de fazer porque eram à noite? Quantas vezes deixou de se exercitar porque a rua se tornou um lugar hostil? 
Quantos amigos deixou de ver? A quantas palestras deixou de ir por que não havia um caminho seguro para voltar? Quantas viagens por conta própria deixou de fazer? Quantos momentos deixou de viver?
Podemos levar este assunto ainda mais além e propor ainda mais perguntas: Será que ter que gastar uma preciosa energia diária se preocupando com algo básico como integridade física não está atrapalhando o suficiente a vida das mulheres? Quantas mulheres estão nos lugares que decidem o que é importante? Por que nesses lugares são sempre minoria? 
Quantas estão no topo? Será uma coincidência que a maioria dos líderes são homens? O que as mulheres estão vivendo que as impede de chegar lá?
Quantas vezes você já deixou de sair por medo?
Quantas vezes temeu que o assédio se tornasse uma abordagem perigosa?
Quantas coisas está deixando de fazer, coisas que neste momento a outra metade da população está fazendo?
Isso parece justo?
O que nós podemos fazer para mudar?´

Mais um update: O vídeo está fazendo tanto sucesso que já teve até paródia -- muito boa, aliás. Como seria pros homens, esses privilegiados. 
E este vídeo também é excelente: o que os homens realmente querem dizer quando assediam mulheres na rua (tem que saber inglês).
30 Oct 13:22

Perdeu, playboy: a nova derrota do neoliberalismo no Brasil

by Francisco Vidal
  De certo ponto de vista, a eleição presidencial que ora se encerra não trouxe tantas novidades ao panorama político nacional. De um lado, seguir num rumo já traçado, com ajustes de percurso. Do outro, discurso “mudancista” que não significa, rigorosamente, mudança alguma: remoção do “malfeito...
30 Oct 13:21

“A direita sempre se sentiu incomodada com a democracia”: um artigo do Nobel Paul Krugman

by Paulo Nogueira
Publicado no El País. Sempre é bom que os governantes digam a verdade, especialmente se não era essa a intenção. Por isso temos de agradecer que Leung Chun-ying, chefe do executivo de Hong Kong respaldado por Pequim, tenha deixado escapar a verdadeira razão pela qual os manifestantes pró-democracia ...
28 Oct 21:17

Ricardo Gebrim: Apesar do cansaço, não deixem Dilma Rousseff só

by Luiz Carlos Azenha

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Notem que O Globo nem disfarça: está preocupado é com os bancos

por Ricardo Gebrim, no Facebook, sugerido por Renato Brandão

A Conjuntura se acelera. A direita percebe o que está em jogo e ataca por todos os lados a proposta do Plebiscito de uma Reforma Política. E nós? Vamos assistir à história pela televisão?

A Presidente Dilma, que em sua primeira fala à nação priorizou a Reforma Política e falou do Plebiscito Oficial, deu uma longa entrevista para o Jornal Nacional.

Foi inquirida, com insistência, sobre a proposta de Reforma Política. E reiterou corajosamente a proposta.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, já anunciou que é contra o Plebiscito e defende um mero referendo depois do Congresso Nacional pasteurizar uma proposta que chamarão de “Reforma Política”.

A mídia já deflagrou a campanha contra a proposta.

Esta semana estamos ingressando com o Projeto de Decreto Legislativo na Câmara dos Deputados e no Senado, propondo o Plebiscito Oficial com a mesma pergunta do Plebiscito Popular: “Você é a favor da convocação de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político?”.

Rui Falcão, presidente do PT, deu entrevista ao Globo, defendendo esta iniciativa. 
A conjuntura se acelera e não podemos abandonar a Presidente Dilma que corajosamente sustenta a proposta construída pelos movimentos sociais.

Precisamos, com urgência, reunir todos que participaram nos comitês do Plebiscito Popular.

Temos que construir atividades que manifestem o apoio ao Plebiscito da Constituinte.

Se demorarmos nesta resposta seremos novamente atropelados pela direita, como ocorreu em junho de 2013.

Na V Plenária Nacional da Campanha da Constituinte, decidimos construir uma grande ação de lutas em março de 2015. Isso é importante.

Mas, neste momento, temos que nos posicionar, pressionar os parlamentares, defender o Plebiscito Oficial Constituinte.

Estamos todos exaustos dessa vitoriosa campanha em que a militância foi decisiva, mas neste momento temos que nos esforçar para enfrentar mais esta batalha decisiva.

Não podemos deixar que sepultem essa proposta como fizeram em junho de 2013.

Agora é o momento de erguer a bandeira do Plebiscito pela Constituinte.

Leia também:

Gustavo Castañon: Percam a esperança, eles não vão desistir do Brasil

O post Ricardo Gebrim: Apesar do cansaço, não deixem Dilma Rousseff só apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

27 Oct 12:50

#MelhorPrefeito: Haddad pula com o povo e celebra: "O Coração Valente venceu!"

by Daniel Dantas Lemos
22 Oct 18:36

Los saudíes decapitan mejor que ISIS

by Iñigo Sáenz de Ugarte

ejecucion saudi

El aumento de las ejecuciones en Arabia Saudí en los últimos meses (26 en agosto, 59 este año) ha coincidido con los asesinatos de rehenes por ISIS, decisivos para provocar una respuesta militar por parte de EEUU. Hay un párrafo glorioso en una noticia de Reuters sobre este tema:

“Los defensores de la pena de muerte en Arabia Saudí afirman que las decapitaciones, que habituales se llevan a cabo con un solo golpe de espada, son al menos tan humanas como la inyección letal en EEUU. Lamentan que se hagan comparaciones entre las ejecuciones de criminales condenados en el reino y el asesinato extrajudicial de rehenes inocentes”.

Por tanto, no se quejen. Tenemos verdugos muy buenos, no como esos chapuceros del ISIS, que realizan su trabajo con un solo tajo de espada. Terminarán diciendo que son ejecuciones humanitarias.

¿A qué se debe el aumento de ejecuciones en agosto? ¿Una coincidencia? Según una profesora de la London School of Economics, hay una intencionalidad política, otro rasgo que recuerda a la decisión de ISIS de eliminar a varios rehenes occidentales. Madawi al-Rasheed comenta que la aplicación de la pena de muerte puede ser una forma de intimidar a los rivales políticos del régimen saudí: “Vivimos tiempos volátiles y las ejecuciones tienen una intención cuando se hacen en masa”.

La ley saudí permite que en caso de asesinato la familia de la víctima perdone al condenado a cambio de una indemnización económica. El artículo recuerda que “las vidas de mujeres valen la mitad que las de los hombres”. Las vidas de no musulmanes también tienen un valor menor.

Los condenados cuyas familias no tienen mucho dinero están obviamente en desventaja. Lo mismo si no pertenecen a tribus poderosas que estén dispuestas a reunir el dinero necesario. De la misma forma, los rehenes de ISIS nacidos en países como EEUU y Reino Unido que no pagan rescates no tienen muchas esperanzas en  que haya alguien que pague por ellos.

Los rehenes de ISIS no son presos, están en manos de una organización fanática para los que son una moneda de cambio o una forma de desafiar a Occidente. Los presos saudíes están en manos de un sistema judicial en el que se juntan las penas draconianas y una total falta de garantías y derechos para los acusados.

Desde luego, Arabia Saudí forma parte de la coalición internacional promovida por EEUU para luchar contra el fanatismo y terror impuesto por el ISIS en Irak y Siria.

22 Oct 11:58

A Reuters conta como os médicos cubanos encaram ir para África combater o ebola

by Diario do Centro do Mundo
Publicado na Reuters: DE HAVANA Médicos e enfermeiros cubanos que partem para a África Ocidental para combater o Ebola se consideram sortudos. Entre os 15 mil profissionais que se ofereceram, eles estão entre apenas os 256 que foram selecionados para o trabalho. “Houve brigas, discussões acalo...
21 Oct 23:53

Nova York reduz velocidade de tráfego para 40 km/h

by Enzo Bertolini
ny 40 mph fb h reproducao
Medida parte da premissa de que nenhuma morte no trânsito é aceitável. Redução aumenta a segurança de pedestres, ciclistas e até dos próprios motoristas.
21 Oct 23:50

Austeridade de Armínio na Fazenda ameaça ganhos sociais

by Luiz Carlos Azenha

aécio armínio fraga-001

Sobre Armínio Fraga e a equipe econômica de FHC: uma análise crítica

Por Rogerio Acca, Gabriel Braga e Antonio Gracias*

Economistas, representantes de áreas diversas dos mercados financeiros, operadores da bolsa de valores, estudantes universitários…

Em todos esses grupos temos contingentes expressivos de defensores da competência de Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (1999-2002), como gestor de políticas econômicas.

Os elogios à sua capacidade técnica e credibilidade junto ao mercado são repetidos à exaustão e sua indicação ao Ministério da Fazenda, em eventual vitória de Aécio Neves, é vista como a redenção da economia brasileira.

Pois bem: de onde surgiu essa ideia de que Armínio Fraga representa a salvação da lavoura nacional? Em que se sustentam esses elogios à sua capacidade técnica?

Uma análise mais detida dos dados referentes ao período em que integrou a equipe econômica de FHC, à frente do BC, permite problematizar tais alegações sobre os poderes de Fraga em torno dos arcanos econômicos.

Durante sua passagem pelo BC, a taxa SELIC oscilou entre 45% (04/03/1999) e 25% (18/12/2002) – o patamar mais baixo foi de 15,25% entre janeiro e março de 2001.

Em recente debate na GloboNews, sugeriu que tais informações precisariam ser contextualizadas – considerando que o Brasil passava pelo choque de turbulências internacionais e outros problemas econômicos.

Façamos, então, tal esforço de contextualização.

A partir de 1999, Armínio passou a integrar um governo que:

1) Não estava adequadamente preparado para possíveis abalos resultantes de crises internacionais. Interessante notar que muitos economistas acham que a crise de 2008 já chegou ao fim e que nosso baixo crescimento é fruto da incompetência da atual equipe econômica. Ora, em 2008 tivemos a eclosão de uma crise que, por várias vezes, foi tratada como o mais grave momento do capitalismo internacional desde 1929. Os abalos resultantes da quebra do mercado imobiliário americano e do derretimento de importantes bancos de investimentos se fazem sentir até hoje. Ainda assim, são descartados de forma quase irônica. Assim, qual a realidade enfrentada por Armínio quando à frente do BC?

O candidato ao Ministério da Fazenda assumiu no início de 1999. Antes de sua posse, tivemos a Crise Asiática em 1997, a Russa em 1998 e a crise cambial brasileira em 1999. O Brasil foi vitimado pelo carimbo de emergente e por uma desvalorização repentina e agressiva do Real. A solução adotada pela trinca FHC-Armínio Fraga-Pedro Malan foi a aposta no reforço de políticas que viriam a deprimir enormemente a economia brasileira: juros elevados a 45%, corte de investimentos públicos, redução da demanda no mercado interno e a consequente alta do desemprego;

2) Adotou uma política sistemática de juros altos (SELIC). Este é o enigma que por mais de uma década rege a economia brasileira – alta taxa de juros e lucro especulativo com juros elevados.

Em uma conta rápida, podemos chegar ao resultado de que quanto mais caro se empresta, mais se ganha. É o spread bancário.

Enquanto o crédito encolhe, mais difícil fica ao cidadão ter acesso ao dinheiro e mais caro o dinheiro passa a custar para aquele que, por um acaso, o obtiver. E mais grave: essa conta fica mais custosa ao país que tem seus títulos públicos atrelados aos juros básicos (no caso brasileiro, a taxa SELIC).

Dessa conta, fica evidente porque uma política de juros altos, presente em todo governo FHC (e a maior parte dos dois mandatos de Lula), interessa à comunidade dos bancos.

Quando o governo Dilma, com um conjunto de medidas anticíclicas e colaboração do BC, trouxe a taxa de juros para baixo, o setor bancário passou a achar conveniente trazer de volta à cena gestores que estivessem em maior sintonia com o mercado.

Em um claro desafio ao setor, a atual gestão da Fazenda foi além e cortou os spreads da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.

O mercado interno manteve-se aquecido, as famílias se endividaram e as instituições bancárias foram muito beneficiadas (basta ver os lucros dos grandes conglomerados bancários nos quatro anos de Dilma).

Desse modo, não seria bom manter a taxa SELIC baixa?

Parece que não, ao menos para os bancos. Ao lidar com spreads mais baixos, não obstante suas vultosas margens de lucro, essas instituições deverão buscar sempre um forte controle de seus gastos e o ganho de eficiência.

Spreads mais baixos representariam um golpe na lucratividade dos bancos – tal qual a queda da inflação após o Plano Real. Eis então que voltamos à indicação de Armínio, figura que conta com ampla simpatia do mercado.

3) Obrigou o país a pedir empréstimos ao FMI, por conta do esgotamento de nossas reservas internacionais.

Cabe dizer: não se trata de uma bravata nacionalista, mas do fato de um país perder a capacidade de gerir sua economia de forma autônoma durante o período de vigência desses empréstimos.

Foram dois acordos, em que recursos foram colocados à disposição do governo brasileiro, mediante cumprimento de metas estipuladas por missões técnicas do Fundo (vide o caso da Grécia): o primeiro em 1998 (linhde crédito de US$ 41,5 bilhões, com recursos do BID e BIRD incluídos); o segundo em 2001 (linha de US$ 15,65 bilhões – com saques ocorridos em 2001 e 2002).

Veja mais detalhes em artigo da Folha de São Paulo (“FHC fechou três acordos com o FMI; confira histórico” – 07/08/2002).

Em que pesem todas as críticas possíveis a Henrique Meirelles, Palocci, Tombini e Mantega, devemos elogiar a decisão, posto que óbvia, de se investir na construção de reservas internacionais sólidas, capazes de evitar que o Brasil se tornasse uma das vítimas preferencias de ataques especulativos contra sua moeda.

Importante ter em mente que ajustes não se dão no limbo. Um modelo econométrico pode ser absolutamente perfeito em uma apresentação acadêmica, mas sua implementação em um país pode ter efeitos consideráveis.

Ora, um aluno de terceiro ano de qualquer curso de economia é capaz de entender os efeitos nefastos de uma prolongada política de juros altos. Falamos de desemprego; recursos retirados de atividades produtivas e destinados à especulação; do desmantelamento do mercado interno; e das dificuldades impostas à indústria.

Vejam: como é possível criticar a desaceleração econômica no governo Dilma e, como solução, defender um modelo de ajuste agressivo e austeridade que, no passado, já se mostrou absolutamente ineficaz para garantir o crescimento econômico?

O PSDB diz que sua política econômica gerará empregos, reduzirá a inflação e colocará o Brasil na rota do desenvolvimento. A partir disso, analisemos comparativamente os dados de emprego e desemprego dos anos PSDB.

Em primeiro lugar, taxas de desemprego:

Período PSDB-FHC (taxa de desemprego-PME/IBGE):

Dez-1994: 5.1%
Dez-1998: 7.6%
Dez-2002: 10.5%

Período PT-Lula-Dilma (taxa de desemprego-PME/IBGE):

Dez 2003: 10.9%
Dez-2007: 7.5%
Dez-2010: 5.3%
Dez-2012: 4.6%
Ago-2014: 5.0%

Em segundo lugar, o PSDB historicamente — e no posicionamento recente de seu provável ministro da Fazenda — defende o controle da demanda (redução do gasto público e aumento da taxa de juros) como forma de trazer a inflação para a meta.

Nas palavras de Fraga, as políticas do PT são keynesianas demais. Mas é essa mesma política que propiciou a inclusão de milhões de brasileiros numa economia de consumo de massa – refletindo, portanto, nos níveis de atividade econômica e emprego.

Cabe dizer que a candidatura do PSDB também tem atacado uma suposta deterioração das contas públicas do Brasil.

A gestão Dilma teria perdido a mão na condução das contas públicas, com desequilíbrio nos gastos e perda de credibilidade junto aos mercados.

Assim, o time a ser liderado por Armínio Fraga acha que o governo do PT gasta demais, investe pouco e amarra o país. Vejamos, no entanto, os números do endividamento público (governo federal e Banco Central) em relação ao PIB:

Período FHC-PSDB:

Dezembro de 1995: 12.9% do PIB
Dezembro de 2002: 38.0% do PIB

Nota: ainda que tenha privatizado gigantes estatais, a gestão FHC elevou a dívida do governo federal e BC de 12.9% para 38% do PIB.

Período LULA-PT:

Dezembro de 2003: 34.1% do PIB
Dezembro de 2007: 30.7% do PIB
Dezembro de 2010: 26.6% do PIB

Governo Dilma-PT:

Dezembro de 2012: 22.8% do PIB
Agosto de 2014: 23.5% do PIB

Fonte: Banco Central do Brasil, Boletim, Seção Finanças Públicas (BCB Boletim/F. Públ. – compilado de IPEAdata)

Por fim, a história econômica mostra que é no lado da oferta que se encontra a solução para a redução de taxas de juros e inflação (e.g. expansão da produtividade, intensidade tecnológica da economia, educação e inovação).

O PSDB não tem o histórico de resolver os problemas de oferta que elevariam o patamar de desenvolvimento do Brasil. O PT ensaia algumas políticas nesse sentido, ainda que insuficientes para reduzir a dependência da exportação de commodities.

De todo modo, a política de Fraga – a volta aos anos FHC – parece, certamente um retrocesso.

Conclusões

Cabe avaliar o desgaste de Guido Mantega à frente do Ministério da Fazenda, sobretudo quando insiste em dizer, em entrevistas, que o Brasil crescerá 1 ou 2% em 2014, quando fica evidente que a economia permanecerá estagnada.

Aliás, a comunicação institucional foi um relevante ponto fraco do governo Dilma Rousseff. Mas devemos avaliar se problemas de comunicação são suficientes para que se busque uma violenta guinada na condução da economia.

Nesses 12 anos de governos petistas, assistimos a um grande crescimento das reservas internacionais do país, redução das taxas de juros, constituição de um mercado interno de massas e um movimento revolucionário, considerando nossa história, no sentido da distribuição de renda e redução das desigualdades.

Os oito anos de PSDB na presidência da república, sem que se tire o mérito do controle da inflação, foram marcados por um programa agressivo de privatizações, política de juros altos, mercado interno deprimido e altas taxas de desemprego.

Seria possível argumentar que se pretende uma abordagem econômica diferente, numa possível eleição de Aécio Neves. Mas talvez exista aí certa ingenuidade, posto que Armínio já deu indicações um tanto críticas quanto ao fato do salário mínimo estar elevado; a necessidade de “ajustes estruturais” e ganho de produtividade; além de ser uma marca de gestões tucanas o tal “choque de gestão” (o corte de gastos públicos pode ser benéfico no combate à inflação, mas em que seria útil para elevar o crescimento do Brasil?).

Muito tem sido dito sobre o não cumprimento da meta de superávit primário em 2014 ou da inflação no teto da meta. Mas cabe ressaltar que o que se deseja, da parte do governo federal, é evitar medidas de ajuste que possam deprimir ainda mais a economia brasileira, que luta contra os efeitos da crise iniciada em 2008.

Foram feitas renúncias tributárias relevantes (IPI dos automóveis e linha branca, desoneração da folha de pagamento) e está em curso a simplificação do PIS/Cofins; tivemos os pacotes de concessões de estradas e aeroportos para a iniciativa privada; a aprovação da MP dos Portos; o avanço na exploração do pré-Sal; entre outras iniciativas destinadas ao reaquecimento da economia brasileira.

Como foi dito acima, a solução está na ampliação da oferta, não na redução da demanda.

Finalizando, cabe perguntar: o Brasil vai apostar no modelo da austeridade e correr o risco de pôr a perder os ganhos na luta contra a desigualdade social?

*Eleitores de Dilma Rousseff

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Na Saúde, Aécio promete fazer no Brasil o que não fez em Minas

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21 Oct 18:15

VAMOS MOSTRAR QUE MACHISTA NÃO TEM VEZ

by lola aronovich
Na quinta passada, o maridão foi levar o carro pra oficina. Sabe oficina? Um lugar ainda com poucas mulheres, exceto as modelos nuas adornando o local. Um espaço que pode ser considerado machista. 
Mas conversa vai, conversa vem, e o mecânico perguntou ao maridão em quem ele iria votar. O maridão respondeu "Dilma". E o mecânico disse que ele também iria votar nela, porque achou que Aécio não respeitava mulheres, porque o presidenciável havia sido agressivo e machista com Dilma em algum debate na TV. Quando um mecânico vê machismo num candidato a presidente, é porque a coisa é visível mesmo!
A campanha do PT logo percebeu, e está explorando esse machismo com imagens como esta:
É provável que essa percepção entre a população, principalmente entre a população feminina, seja responsável pela queda de Aécio nas pesquisas. 
O PSDB definitivamente acusou o golpe, pois está agora apostando todas as fichas em desconstruir essa imagem. Agora organiza reuniões de mulheres. 
Depois que a misoginia do candidato passou a pautar as conversas, Áecio posou com Marina beijando suas mãos e elogiando seus cabelos; lançou um vídeo em que as mulheres da vida de Aécio (ou pelo menos algumas, como mãe, filha, irmã muito conhecida dos mineiros, atual esposa). No vídeo, a filha lembra do pai dançando sua valsa de 15 anos. Nada machistas, essas tradições...
Anteontem, no Facebook, uma moça chamada Camila publicou algo parecido ao que aconteceu na oficina: um relato de como as pessoas estão acordando. Não só para o machismo de Aécio, mas para o machismo em geral (clique para ampliar):
Eu já disse várias vezes que não votaria em alguém com o perfil de Aécio nem que ele fosse de esquerda. 
Tudo que ele diz (fazendo uma divisão entre "donas de casa" e "trabalhadores", por exemplo), o sorrisinho sarcástico com que ele se dirige a Dilma, as agressões, tanto dele quanto de seus eleitores, chamando a presidenta de vaca, puta, baranga, e tantos outros termos que são usados apenas para xingar mulheres. Eu jamais compactuaria com isso.
Agora acabou de surgir no Facebook (foi mandando pra mim por uma leitora querida) este relato estarrecedor, já que a palavra está na moda:
Esta é a notinha publicada na coluna de Joyce Pascowitch em 2006:
Eu sempre pensei que José Serra fosse o pior candidato que o PSDB poderia lançar. Estava enganada. Aécio é muito, muito pior. 

21 Oct 18:03

Decisão sobre auxílio-moradia é ‘absurdo jurídico’, diz procurador

by primo
Divulgação

Presidente do Sinprofaz, Heráclio Camargo defende isonomia e debate sobre benefícios

Para presidente do Sinprofaz, entidade que representa os procuradores da Fazenda, forma com que o benefício foi concedido “causou revolta” em outras carreiras de Estado. Discussão deve ser pública e baseada em lei, afirma.

As recentes decisões sob concessão de auxílio-moradia tomadas por ministros do Supremo Nacional Federal (STF) nos últimos dias provocaram uma nova batalha jurídica envolvendo os Três Poderes. A briga se intensificou em 7 de outubro, quando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) regulamentou o pagamento do benefício a todos os juízes do país (estaduais, federais, da Justiça do Trabalho e da Justiça Militar), com as devidas restrições, no valor de R$ 4.377,73 – o mesmo valor pago aos membros do STF.

 Cerca de um mês antes, em 15 de setembro, o ministro do STF Luiz Fux já havia concedido a primeira liminar (antecipação da decisão final) em favor da totalidade dos magistrados. Antes dessa decisão, apenas ministros de tribunais superiores e alguns juízes estaduais, em 20 estados, gozavam do privilégio – além dos próprios membros do Supremo, que apenas não fazem uso do auxílio por já terem residência funcional à disposição. Esse auxílio pago atualmente varia entre R$ 2 mil e cerca de R$ 4 mil.

Depois, foi a vez de o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e a Defensoria Pública da União (DPU) requererem o benefício para seus membros – sem saber, no entanto, quantos servidores terão direito ao benefício, qual o impacto disso nas contas públicas e se haverá dotação orçamentária para custear a nova demanda por auxílio-moradia. Apenas nos quadros do Ministério Público da União e dos estados há 12,2 mil profissionais, e boa parte com direito ao benefício, embora o órgão diga não dispor de tal informação.

Presidente do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda (Sinprofaz), Heráclio Camargo disse ao Congresso em Foco que a concessão do auxílio, “causou uma revolta muito grande nas demais carreiras de Estado”. Trata-se de “absurdo jurídico” a maneira como o benefício foi aprovado e estendido a outras categorias, diz. Ele explica ainda que o os procuradores da Fazenda não são contrários, “a priori”, ao pagamento de auxílio-moradia, mas defendem que a discussão seja pública e baseada em lei, com regras feitas “à luz do dia”.

“Não queremos retirar direitos de quem quer que seja, mas que eles sejam debatidos, fundamentados e votados de forma democrática, à luz do dia, porque essa ainda é uma República de Direito, e não um Estado de vontades próprias de quem quer que seja, por mais importante que seja o cargo que essa pessoa ocupe. Ela não tem o poder de passar por cima do Congresso Nacional, da Constituição e sem debate com a sociedade brasileira. Que, com certeza, tem que saber desse auxílio-moradia estendido na calada da noite”, declarou Heráclio, para quem o assunto deve ser amplamente aprovado e debatido no Parlamento. “Não é possível que a esta altura do século 21, na era da informação, um absurdo jurídico desse seja passível de aceitação sem nenhum debate.”

“Imoral, indecente e antiético”

Heráclio lembra que a advocacia pública federal é a única função essencial da Justiça que não tem direito ao auxílio. A classe, diz o dirigente sindical, considera a concessão do benefício uma tentativa disfarçada recomposição salarial. “Foi um subterfúgio utilizado pelo Ministério Público e pela magistratura para passar ao largo da recomposição das perdas inflacionárias de todas as categorias”, disse, referindo-se à recomposição anual definida na Constituição para as carreiras dos Três Poderes.

“Sob o pretexto de recompor o valor da remuneração de juízes e promotores, criou-se um auxílio-moradia sem lei – e, estendendo esse auxílio que seria, em um primeiro momento, para juízes e promotores que não possuem residência no local de trabalho, estendeu-se para toda a categoria”, acrescentou Heráclio, defendendo isonomia e que, nesse sentido, outros servidores pleiteiem judicialmente o benefício.

“Nas palavras de vários magistrados e procuradores da República que já renunciaram a esse auxílio-moradia, ele é imoral, indecente e antiético. Seria interessante que todos os servidores públicos pleiteassem, judicialmente, o mesmo tratamento. Afinal de contas, todos têm direito a moradia digna. Considero que a população brasileira também deva ser consultada sobre essa questão: um auxílio-moradia no valor de R$ 4,3 mil enquanto o salário mínimo é de R$ 800”, arrematou.

O dirigente contesta o argumento de que existe autonomia orçamentária no Ministério Público e na Defensoria, mas não para a Advocacia Pública – que tem a mesma estatura constitucional das outras funções (“Não existe hierarquia entre promotores, advogados e defensores públicos”, diz). Para Heráclio, a decisão dos ministros do Supremo afronta o preceito constitucional da moralidade. “Eles dizem que têm autonomia, mas a autonomia orçamentária que o Judiciário tem é para distribuir Justiça, e não para pegar todo o dinheiro e colocar nos contracheques de juízes e promotores”, acrescentou Heráclio, com uma sugestão.

“Vá ver como estão os fóruns no interior, em que condições funcionam a Justiça nos estados mais pobres. Tem prédios sucateados, sem estrutura para receber a população, mas todos os juízes recebendo esse dinheiro como auxílio-moradia. Por isso a Justiça é tão lenta, porque não há dinheiro para concurso público. Não há dinheiro para as carreiras judiciárias, mas há para auxílio-moradia”, fustigou o procurador da Fazenda.

Reflexos e tecnicalidades

A decisão tomada em setembro por Fux, estendida a outras categorias, beneficia até mesmo juízes com residência própria e com atuação nas próprias cidades de origem. Um dia depois da liminar do ministro, entidades que representam outras especialidades reivindicaram formalmente que seus magistrados também adquirissem a prerrogativa. O efeito-cascata englobou juízes de Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Sul e São Paulo, além dos magistrados da Justiça Militar e da Justiça do Trabalho.

Em sua argumentação para o caso dos juízes, Fux disse que diversas outras categorias profissionais gozam de direitos trabalhistas negadas aos magistrados. “Sequer recebem qualquer retribuição por hora-extra trabalhada – o que é, destaque-se, direito universalmente consagrado aos trabalhadores. Nada estão recebendo, ainda, pelo desempenho de funções gerenciais de caráter administrativo, ou mesmo pela acumulação de juízos, e de juízos com funções administrativas”, alegou o ministro, mencionando ainda adicional de periculosidade e participação nos lucros como benefícios garantidos a outras categorias que não a magistratura, o que deixaria a carreira menos “atrativa”.

Preocupada com o impacto nos cofres públicos, a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Estado do Rio Grande do Sul reagiram com mais três mandados de segurança no STF contra a liminar de Fux. Segundo a AGU, o impacto financeiro será de R$ 840 milhões ao ano só para custear o auxílio-moradia de parte dos membros da Justiça Federal (1,7 mil juízes).

A ministra Rosa Weber rejeitou todas as contestações, nesta semana, sob o mesmo argumento com que rejeitou, no início do mês, outro mandado da AGU contra a liminar de Fux a favor da magistratura (não cabe mandado contra atos judiciais, alegou Weber).

Heráclio lembra que o pleno do STF ainda vai se manifestar sobre mérito dos mandados. “A questão ainda está sub judice. A liminar [de Fux] foi deferida por uma tecnicalidade, mas a ministra Rosa Weber não apreciou o mérito, que é a falta de uma lei regulamentadora para o instituto do auxílio-moradia. Ela não conheceu o mandado de segurança, e assim indeferiu a petição inicial”, disse o procurador.

As decisões do Supremo, diz Heráclio, hierarquizaram categorias mesmo dando a ideia de que faz o contrário, por ter estendido o auxílio-moradia às demais atividades essenciais da Justiça. “A advocacia pública quer a simetria, o tratamento isonômico, mas com um debate no Congresso para saber se é possível – do ponto de vista econômico e financeiro, do interesse maior do Estado e da população brasileira – o pagamento de R$ 4.300, per capita, como auxílio-moradia”, reafirma o dirigente. “Tem de ser regulamentada uma lei, mas isso tem de ser feito à luz do dia, e não por uma decisão de um ministro do Supremo que provoque um efeito cascata.”

Impacto

Os últimos meses evidenciaram um movimento do STF pela elevação de seu orçamento. Em 28 de agosto, uma sessão administrativa realizada na corte avalizou proposta de reajuste dos próprios ministros, de R$ 29,4 mil para R$ 35,9 mil. O aumento significa alta de 22%, 17% a mais do que o percentual definido na previsão orçamentária de 2015 encaminhada pelo Executivo ao Congresso (5%, para juízes e servidores).

O governo age na contramão do ímpeto judiciário. Além das ações da AGU contra a concessão de benefícios, o orçamento do governo federal enviado ao Parlamento reduziu a previsão de gastos concebida pelo próprio STF para o próximo ano: a corte queria contar com R$ 154 milhões em 2015.

O contrataque foi rápido na Praça dos Três Poderes. Em 5 de setembro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ajuizou no próprio Supremo mandado de segurança para garantir que o Executivo inclua, no orçamento de 2015, a proposta de reajuste de 22% nos subsídios dos próprios ministros da corte – a demanda da PGR ainda não foi julgada. O salário dos magistrados do STF serve de teto remuneratório da administração pública, além de parâmetro para reajustes em todo o funcionalismo nacional.

21 Oct 13:48

Vladimir Safatle: A falência da educação no Tucanistão

by Luiz Carlos Azenha
Allan Patrick

A UFRN encerrou o governo FHC devendo mais de R$ 3 milhões (em dinheiro de 2002) à companhia de eletricidade.

patio

Corredor de uma escola de Uberaba, em Minas: pátio, refeitório e cozinha

A educação de Aécio

21/10/2014 02h00

por Vladimir Safatle, na Folha, enviado por Antônio David

Quem realmente se importa com a educação nacional não pode decidir seu voto sem antes refletir sobre alguns dados a respeito de nossas universidades. Queiram seus protagonistas ou não, esta é uma eleição de retrovisor. Não só o governo apoia-se principalmente naquilo que já fez, usando o discurso da perda possível do que foi conquistado como motor de mobilização. A oposição também se apresenta com basicamente os mesmos personagens vindos do finado governo FHC.

Desde o responsável pelo programa econômico até a responsável pelo programa de educação, todos, a começar pelo próprio Aécio Neves, estiveram organicamente ligados aos oito anos de governo FHC. Não houve autocrítica alguma nem renovação ou reposicionamento a partir dos fracassos passados. Por isso, impossível não esperar a reedição do que o país já viu nos anos 90.

Vale a pena insistir neste ponto porque o legado educacional desses anos foi lamentável. Durante oito anos, o país não inaugurou nenhuma (há de se sublinhar, nenhuma) nova universidade federal. Ao contrário, quando o sr. Paulo Renato entregou seu cargo de Ministro da Educação, o país conhecera oito anos sem concursos públicos para professores universitários, deixando um déficit de 7.000 professores no sistema nacional.

Apenas a título de exemplo, a UFRJ, uma das mais importantes universidades do país, diminuiu (sim, diminuiu) em 10%, sendo obrigada, entre outras coisas, a fechar cursos noturnos por não ter dinheiro para pagar a conta de luz (não, isso não é uma metáfora). Bem, depois de 2002, 18 novas universidades federais foram inauguradas.

Como se não bastasse esse legado, seu partido, no governo do Estado de São Paulo há mais de duas décadas, é atualmente responsável direto pela situação falimentar das universidades paulistas. Afinal, é o governador do Estado que indica os reitores, muitas vezes contra as escolhas da maioria da comunidade acadêmica, como foi com o polêmico senhor João Grandino Rodas.

Nestes anos de Tucanistão, o Estado paulista impôs um ritmo de crescimento às universidades desprovido de dotação orçamentária para tanto. O resultado é a crise que aí está.

Agora, se isso não basta, façam uma pesquisa e perguntem qual é a situação da Universidade Estadual de Minas Gerais, esta sim sob a responsabilidade direta do senhor Aécio e seu grupo. Suas condições deterioradas de trabalho, com seus professores “designados” e sua infraestrutura precária, são conhecidas no meio acadêmico e motivos de greves periódicas.

Com toda esta história e este presente, há de se perguntar: é essa “renovação” que o país precisa?

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18 Oct 11:40

Pablo Villaça: o ódio antipetista e a democracia

by Daniel Dantas Lemos
O crítico de cinema mineiro Pablo Villaça estava numa sessão de um festival de cinema em São Paulo quando foi abordado por alguém que julgava ser um leitor. Não era. Era alguém disposto a ofendê-lo por sua manifestação pública de voto em Dilma Rousseff.
Pablo resolveu gravar o vídeo abaixo para falar de um tema que tem mobilizado afetos nesta eleição: o ódio antipetista.
Vale a pena assistir:


17 Oct 16:50

São Pedro e São Paulo

by Tiago de Thuin
A FIESP fala ao Valor em ao invés de racionamento deixar as empresas formularem projetos de economia. Fio, era pra ter feito ano passado. A combinação do apreço ideológico com o autointeresse de visão curta fez a FIESP acreditar na óbvia mentira de que não tinha crise de água? Aliás, como a FIESP, e a CNI também, não se prepararam pra crise de água na megalópole? Sim, porque a crise já ultrapassou em muito o sistema cantareira; afeta ou afetará de Campinas ao Rio de Janeiro, uma região em que moram mais de um quinto dos brasileros e que responde por quase metade do PIB.

E sim, óbvia mentira e obfuscação; o estranho é que gente inteligente, com recursos e biblioteca à mão, tenha caído tão completamente na esparrela. Mais estranho ainda que a FIESP é o caso da própria Sabesp.

A crise da água na Macrometrópole Paulista é uma cebola em que os erros se aninham e acavalam faz décadas e continuando hoje. Tanto de longo quanto de curto prazo.

De longo prazo:

1, permitir depauperação das margens dos reservatórios, o que corta em pelo menos30% a capacidade, e se for plantação de eucalipto em até 75%. Ao invés da mata nativa que protegeria a represa, nas margens do sistema Cantareira tem fazenda de gado, plantação de eucalipto, condomínio, e até clube de golfe.
Reparem que isso não é que nem a situação ao sul da metrópole, na Guarapiranga, em que as margens foram ocupadas por favelas, que é uma coisa difícil social e financeiramente de se impedir ou corrigir, são represas em áreas rurais. Fazenda de gado. Compra-se, põe-se cerca. O preço nem é tão alto, uma fração do custo do sistema planejado para buscar água a 100km de distância. Admita-se, aqui, que este erro, ao contrário de outros aqui listados, não é algo particular à Cantareira; a maioria dos reservatórios de água pra beber no Brasil, e muitos dos de hidrelétricas, também não tem mata ciliar. (Alguns têm - em Itaipu, por exemplo, cada prefeitura vizinha pode escolher um único ponto de acesso ao lago.)


2 não fazer mais interligação entre os reservatórios, aumentando a capacidade da Guarapiranga ou da Rio Grande de escorar a Cantareira (ou, hipoteticamente, vice-versa), como foi feito com o sistema Alto Tietê. As represas da Serra do Mar, na Zona Sul, estão ainda bem confortáveis, com mais de 40% de água; parte disso poderia ter sido usado no lugar do volume morto. A interligação, inclusive, não é muito mais complexa do que a proposta de Alckmin de fazer uma ligação com o rio Paraíba do Sul, com todos os seus problemas políticos e ambientais - o Paraíba, que também abastece as cidades de seu vale e, pela transposição do Guandu, o Rio de Janeiro, já chega às vezes com menos de 60% de seu volume original na foz. Isso está, inclusive, destruindo a cidadezinha de Atafona, invadida pelo mar e suas dunas.



3 incentivar consumo Não, eu não disse não incentivar economia. Disse incentivar consumo. Até maio, dava desconto pra os grandes clientes (grande é mais de 500m3/mês) que consumissem muito, progressivo. A lógica, que é fazer frente à competição de poços artesianos e caminhões pipa, é explicada aqui. Isso também, claro, é um problema para uma empresa mista listada na Bovespa, que precisa ter lucro e precisa ter perspectiva de vender mais do seu produto, não menos - e aí se pode inclusive questionar o quanto para empresas de administração de bens públicos, universais, e escassos o modelo de empresa pública/privada presta. Não é uma Petrobrás ou Vale em que o recurso é escasso globalmente e se fala de novos paradigmas econômicos da humanidade, mas um recurso localmente escasso, no caso, que já acabou. Não tô falando que estatal é sempre melhor, apenas que neste caso específico o conflito entre shareholders e stakeholders é muito maior. E a Sabesp tem agido mais no modo norte-americano que no renano, com o DAEE só chancelando tudo, sendo quase redundante, e a ANA chantageada ou até ignorada inteiramente. Falei capitalismo americano? A atitude de Alckmin hoje perante a ANA é a do Andrew Jackson, 7º presidente americano, quando ignorou uma decisão da Suprema Corte protegendo a nação de índios Cherokee com as palavras "Mr Jackson has made his decision. Now let him enforce it." (O Sr. Jackson fez seu julgamento; que ele o imponha.)

De curto prazo, de resposta à crise:

1 Ignorar a crise até a onça começar a não beber água. A Cantareira desce desde 2009, mesmo sem grandes secas. Isso já devia ter soado alarme em 2012, no máximo. Não é muito complicado; um sistema que não é suficiente pra situação normal obviamente não vai ser suficiente pra caso aconteça algum problema; a Sabesp nesse sentido operou como o dono dum carro ou bike com pneu careca - só que sem a opção de ficar em casa em dia de chuva. Melhor: como alguém que, com o pneu da bicicleta careca, não desce para empurrar a bicicleta, mesmo numa ladeira durante um temporal.



2 Ignorar a crise mesmo com a onça não bebendo água. INPE e ANA já avisavam há um ano que 2014/15 ia ser punk e recomendavam racionamento, ignorados sempre, com direito à inacreditável nota em que...diz que não acredita em previsão climática, e trabalha só com média passada. Ao invés disso, até maio ignorou-se completamente a crise. Em maio, iniciou-se a resposta mas ainda fingindo que era um problema menor; tirou-se os bônus de consumo e implantou-se bônus de economia. Isso era o que devia ter sido feito em 2012, e devia continuar a ser feito até o final dos tempos. Afinal, o único fato em toda a crise que é uma circunstância adversa fruto apenas do acaso histórico, e não de nenhuma besteira feita, é que a cidade de São Paulo e algumas outras metrópoles brasileiras, ao invés de se situar no baixo ou médio cursos de um rio, com fartura de água, está em volta de suas nascentes, aonde a água ainda é escassa. O rio Tietê que se espraiava enorme na foz no Paraná
(hoje é só represa) é ainda, aqui na capital, pouco mais que um córrego que corria por um enorme brejo. A largura que suas margens de concreto têm hoje é para escoar as chuvas de verão sem a ajuda do brejo e dos riachos paralelos que antes havia, sem a floresta, chuva que escorre direto por uma imensa área concretada e impermeabilizada. É muito maior do que a largura do rio "propriamente dito," das suas condições normais. E debaixo da superfície que se avista das marginais, a profundidade até a camada de lixo e lodo, muitas vezes, não é suficiente para afogar uma criança.

3 ao chamar o volume morto de "reserva técnica,"  acreditar na própria propaganda e tratar como um extra programado, e não como emergência que já era, merecedora de racionamento, campanha diária de esclarecimento, estímulo ao linchamento de quem lava o carro... ok, talvez não o último item. Mas de qualquer jeito; se já se estava puxando o que não era pra puxar, se já se estava cortando na carne, o certo não era dizer "não tem crise, não vai haver racionamento."  E hoje, com a drenagem do segundo volume morto, a história, a besteira, se repetem. A consequência - e aí pode ser chamado de erro 4 do curto prazo, da administração da crise, é que não, as coisas não se resolvem com chuva - outra mentira em que a própria Sabesp pelo visto acabou acreditando. A Cantareira vai entrar na temporada seca de 2015 com 20%, metade deste ano, e o INPE prevê 2015 seco. E as outras represas entram 2015 com níveis baixos também, dimnuindo a capacidade delas de absorver a falta da cantareira. E só pra completar, artesianos não adiantam, porque... a reposição de água na Grande SP é basicamente perda da Sabesp. Se acabar a água dela, o poço artesiano também seca.

Mesmo que não fiquemos sem água neste ano ou no próximo, secar um reservatório não é como secar uma garrafa, tem consequências imprevisíveis e complexas, mas na maioria negativas. O volume morto, afinal, não era nem uma reserva de emergência (se fosse, não precisaria ser instalado equipamento e feitas obras de terraplanagem - sem licitação, claro, porque de emergência -  para bombeá-lo, o equipamento já estaria lá, ou pelo menos os diques e canos) nem um deslize dos engenheiros que projetaram o sistema. Era algo necessário.

1 a represa não foi feita como uma estrutura em si, mas tendo o peso da água de um lado como componente dela. Os efeitos de drenar a água são imprevisíveis, mas provavelmente pioraram a vida útil dos diques.

2 a água, como o dinheiro, vai para onde já tem água; é um dos principais motivos pelos quais florestas aumentam a disponibilidade de água (o outro é aumentar, com suas raízes, a permeabilidade do solo,). A água que sai da transpiração das plantas todo dia é uma massa considerável, que atrai pra si mais água e faz chover; Ao deixar os reservatórios secarem quase completamente, é provável que chova menos no médio prazo sobre as represas.

3 represas não são vasilhas. Boa parte da água está no chão, e é bem difícil de saber como essa água do lençol freático vai se comportar a partir de agora, já que o próprio lençol freático foi drenado. A conta da água no reservatório da Sabesp, que só leva em conta a água livre, como numa vasilha, subestima o quanto foi drenado.

Parabéns Alckmin. Se reelegeu no 1º turno, às custas de meros vinte anos de pepinos. Até porque, feita a caca, não é simplesmente levar adiante as ações que já deviam ter sido feitas. O replantio das margens, por exemplo, pode até melhorar a capacidade total uma vez a floresta mais ou menos madura - mas durante os 20-30 anos que isso demora pra acontecer, a floresta chupa até 30% da água.

 Todas as barbadas na Cantareira são potencializadas por uma situação continental e global adversa, que escapa ao controle do governo estadual, mas também tem causas humanas: o aquecimento global e o desmatamento na América do Sul. Com o aquecimento global, mudam os padrões globais de chuva; as maiores massas d'água evaporadas do oceano caem mais cedo, aumentando a precipitação em lugares próximos aos da geração de água atmosférica no mar e diminuindo a precipitação em locais mais distantes. Como o ciclo de águas no sudeste do Brasil é pautado pela vinda de chuvas do oceano, vai aumentar a queda d'água no baixo vale do Paraná, e diminuir a chuva no mar de morros. Adivinha aonde está São Paulo? Pois é. Já o desmatamento no Brasil e na América do Sul tem duplo efeito: primeiro, no próprio cerrado, diminui a chuva autóctone, aquela mesma já mencionada acima sobre a Cantareira. Segundo, existe um fenômeno na América do Sul chamado de rios voadores: a Amazônia contém tanta água que pode quase ser considerada um mar, e quando a chuva vem do Atlântico cair lá é apenas recarregada, até que os ventos batem nos Andes e vêm para o Sudeste e Sul do Brasil. Por conta desse fenômeno que o Cerrado é muito mais rico do que a Savana africana ou as Great Plains da América do Norte, por conta dele que a vegetação de boa parte do Sudeste era floresta, mesmo estando na sombra orográfica das montanhas da dupla serra do mar e da mantiqueira. Se tem menos Amazônia, esse fenômeno rateia. Só pra constar, o mapa abaixo é apenas do efeito direto do aquecimento global, e não contempla o desmatamento e seus efeitos continentais. Um efeito multiplica o outro...




Não se pode dizer que a seca deste ano, especificamente, é causada por esses grandes processos - nenhum evento isolado pode ser atribuído a um processo gradual assim, inequivocamente - mas pode-se dizer que a probabilidade de secas grandes vai aumentar. Pode-se dizer que a probabilidade de anos de chuva acima da média vai diminuir, e como vimos no gráfico ali em cima, são necessárias chuvas substancialmente acima da média para deixar o Cantareira empatado. O que torna ainda mais temerário o descaso com a questão da água em São Paulo, ao invés de ser desculpa; sabe-se que as coisas vão ficar mais difíceis, não menos.


17 Oct 16:39

Aluno de Fortaleza se diz intimidado por professor de Medicina

by Luiz Carlos Azenha

professor

Da Redação, via leitora do Viomundo

A maioria dos alunos e professores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará se reuniu para fazer uma foto em apoio ao Aécio. Nisso, pequena parcela de alunos e professores que são Dilma, se uniu para fazer um rousselfie, pois todos temos o direito de nos expressar.

Um dos alunos, que estava no rousselfie postou em seu perfil a foto. Nisso, um professor compartilhou, dizendo que os alunos estavam “marcados, que ele não os considerava estudantes de medicina” só porque os alunos votam Dilma.

Além disso, foi na foto e comentou que iria cobrar de cada um a responsabilidade do ato.

Resposta do aluno que compartilhou a foto, no Facebook:

É inadmissível o tom de ameaça que foi utilizado. Não iremos nos deixar intimidar.Mesmo que venha a sofrer represálias e perseguições dentro da Faculdade, não tenho medo de expor minha opinião.

E o fato de alguém que precisa recorrer a esse tipo de intimidação — não me considerar um estudante de Medicina — só me faz sentir que estou agindo certo.

Sim, sou estudante de Medicina (independente do que você considere) e defendo o respeito pela liberdade de pensamento.

E ao contrário do que o senhor fez comigo, não irei expor seu nome nem sua imagem. Só não me calarei diante de ameaça nenhuma.

Diego Vieira

Abaixo, um printscreen que nos foi mandado por outro aluno do mesmo curso:

Captura de Tela 2014-10-17 às 12.45.05

doutor Milton

Enviado por Caca Ahmadi, via Facebook

Acima, outra demonstração de que alguns médicos simplesmente perderam a noção. O dr. Milton Peres escreveu, depois que a presidente Dilma passou mal no debate do SBT: “Tá se sentindo mal? A pressão baixou? Chama um médico cubano, sua grande filha da puta”.

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