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30 Jan 14:51

Otra sorpresa de los gansos del Himalaya

by noreply@blogger.com (Antonio Martínez Ron)
gansos2aFragmento de la preciosa portada de Science. Haz clic para verla completa.

Si le preguntan a cualquier experto en fisiología animal cuál es la criatura que realiza la mayor hazaña en la naturaleza, el vuelo del ganso índico (Anser indicus) estaría sin duda alguna entre los finalistas. Cada año, estos animales vuelan sobre las cumbres de la cordillera del Himalaya por encima de los 8.000 metros para desplazarse entre India y Nepal, un viaje que desafía los límites físicos de cualquier ave.

Pero, si solo tienen que volar hacia arriba, se preguntará algún lector, ¿dónde está el mérito? La dificultad de alcanzar semejantes altitudes está en primer lugar en la presión atmosférica. A esa distancia el aire es cada vez menos denso y cada aleteo provoca menos empuje, de modo que se requiere muchísima más energía para volar. El segundo problema es la escasez de oxígeno, que llega a descender hasta solo un tercio del oxígeno que podemos encontrar a nivel del mar. Mientras en altitudes bajas respiramos un aire con una concentración del 21% de oxígeno, sobre el Himalaya apenas hay un 7%.

Seguir leyendo en: Los gansos índicos sobrevuelan el Himalaya con una estrategia insospechada (Next)
Entrada publicada en Fogonazos http://www.fogonazos.es/
27 Jan 14:09

Desigualdade social caiu, mas desigualdade racial persiste

by Brasil Debate

Baseado na atual definição governamental (Brasil Sem Miséria, Decreto 7492) de pobreza ou extrema pobreza (miséria ou indigência), estudo do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (LAESER) calculou a evolução da proporção de pobres e extremamente pobres da população residente no Brasil segundo os grupos de cor ou raça. Os indicadores foram tabulados a partir dos microdados da PNAD entre os anos de 2003 e de 2013.

Segundo o estudo, no ano de 2003, 10,7% da população brasileira (cerca de 18,5 milhões de pessoas) encontrava-se abaixo da linha da extrema pobreza. Dez anos depois, em 2013, a proporção de extremamente pobres era de 4,9% (por volta de 9,4 milhões de pessoas).

Em 2013, em todo o Brasil, o peso relativo da população preta & parda abaixo da linha da extrema pobreza era de 69%. Em 2003, dez anos antes, o mesmo percentual era de 69,3%. Já os brancos representavam 29,4% do total de extremamente pobres, em 2013; e 30,2%, em 2003. No caso da população abaixo da linha de pobreza, o peso dos pretos & pardos se elevou na última década, como mostra o gráfico abaixo.

grafico 3 pobreza por cor-vale esse

Contudo, a comparação entre 2003 e 2014 deve ser vista com ressalvas conforme alerta o estudo: “Quando se analisa o peso relativo dos pretos & pardos entre a população residente (aqui chamado de composição de cor ou raça) que está abaixo das Linhas de Extrema Pobreza e de Pobreza, é necessário que haja um alerta preliminar. No último período, ocorreu um progressivo aumento deste grupo de cor ou raça entre os que respondem às pesquisas demográficas. Assim, entre 2003 e 2013 o grupo dos pretos & pardos ampliou sua presença relativa entre os residentes no Brasil no entorno de 6 pontos percentuais. Como tal, assim como outros indicadores, os que mensuram a proporção de pretos & pardos no contingente dos extremamente pobres e pobres deve ser lido à luz desta informação.”

22 Jan 18:00

La estrategia de moda: Estigmatizar refugiados.

by fdelledonne

El reordenamiento de la derecha en Alemania sigue generando controversia, esta vez el escenario es la campaña electoral de Hamburg y la protagonista es la Unión Demócrata-Cristiana (CDU) de esa ciudad. Veamos este afiche y su correspondiente traducción:

CDU-Refugiados afiches hamburg campaña electoral

Afiche de la CDU Hamburg para el barrio de Billstedt, al este de la ciudad. Fuente: @hschmidt

¡El SPD no le hace bien a Billstedt!
Nro. 1 en criminalidad por robos peligrosos.
Nro. 1 en criminalidad en general.
Nro. 1 en vacantes para refugiados.
Nro. 1 en mala reputación.
Nro. 1 en esclarecimientos de crímenes en comparación nacional.
¡El SPD le llama a eso “valorización”!

Repasemos el texto teniendo en cuenta las palabras clave: SPD, criminalidad, robos, criminalidad, refugiados, mala reputación, crímenes, SPD. Usted se preguntará: “¿Qué hace la palabra “refugiados” en ese conjunto?”. No hace falta respuesta. Y realmente cuesta creer que un político y sus consejeros o asesores implementen una estrategia semejante. El frame o encuadre que se plantea es tan simple como burdo y no  pareciera resistir el menor análisis en terminos de timing, corrección política y argumentación creativa. La clara decisión de estigmatizar al refugiado que pide asilo en el extranjero porque en su propio país ya no puede vivir y corre peligro su vida o la de su familia es sencillamente infame, desde el punto de vista ético, e ineficiente, desde lo estratégico. Esto último se evidencia en el malestar que generó este afiche en las propias líneas de la CDU que intenta mantener el discurso moderado.

¿De dónde proviene semejante idea? Dejando a un lado la ignorancia y el chauvinismo del afiche, la aparición de mensajes xenófobos en un cartel de la CDU responde a lo que definimos como el reordenamiento de la derecha en el marco del espectro político alemán. Sin embargo, debemos tener en cuenta otro elemento importante del contexto actual. Nos referimos al crecimiento, especialmente mediático, de la discusión sobre el número de refugiados en Alemania, su procedencia, el islamismo, el Islam, el racismo y un sinfin de otros conceptos que el autodenominado grupo PEGIDA se ha encargado de mezclar cual ensalada. El movimiento de Patriotas Europeos contra la Islamización de Occidente (PEGIDA) argumenta, entre otros puntos, que la cantidad de refugiados que piden asilo en Alemania son un peligro para la cultura europea y llevarán a su pronta islamización.

Para finalizar, nos llama mucho la atención que este afiche tenga como protagonista a David Erkalp, un hombre nacido en Turquía en 1974. La familia de este político de la CDU pertenece a la minoría cristiana de los arameos de aquel país. Este grupo tuvo que abandonar su tierra a raíz de la persecusión por causas religiosas. Tuvieron que… refugiarse. Erkalp llegó a Hamburg. Por suerte para él, en aquel tiempo no había gente como él en el gobierno.

 

A tener en cuenta:

1- Estos temas y otros temas de la actualidad política aleman los estuvimos charlando con José Gayarre en Funk Radio, Radio en Español desde Alemania.

2- Yaotzin Botello nos cuenta más sobre PEGIDA y sus derivaciones en “Berlin, el viaje culminante“.

 


Archivado en: Afiches, Comunicación Electoral, Redes Sociales Tagged: Campaña electoral, campaña negativa, Carteles callejeros, CDU, conservadores, costos políticos, derecha, Elecciones regionales, Estrategia, Frame, inmigración, inseguridad, miedo, política migratoria, políticamente correcto, position issues, tema cliente, xenofobia
21 Jan 18:06

Mas quantas hidrelétricas os tucanos construíram?

by Carlos Motta
Estou curioso.

Leio que próceres tucanos responsabilizam a presidenta Dilma Rousseff pela "grave" crise energética que destrói o país.

Na segunda-feira, para regozijo deles, uma parte do Brasil ficou sem energia elétrica por cerca de 40 minutos.

Como até esse pessoal sabe, apesar de passar quase toda a vida em ambientes refrigerados - que gastam uma enormidade de energia - a região Sudeste está no meio de uma onda de calor inimaginável.

E como até esse pessoal sabe, apesar de passar quase toda a vida conspirando contra o governo trabalhista, quanto mais alta a temperatura, mais alto o consumo de energia elétrica.


Estou curioso.

Leio que muitas obras para aumento do parque energético nacional estão atrasadas principalmente por ordens judiciais e trâmites burocráticos.

Ou seja, as hidrelétricas, termelétricas, usinas eólicas e linhas de transmissão estão sendo construídas. 

Uma hora ou outra elas estarão prontas.

Mas eu estou curioso.

Quero saber, por exemplo, quantas obras desse tipo foram feitas nos 8 anos em que FHC e sua turma - esse mesmo pessoal que agora afirma que o Brasil está à beira de um apagão energético - estiveram no comando da nação.

O que sei é que no reinado de FHC houve um tremendo racionamento de energia, que custou bilhões de dólares para a economia brasileira.

Mas continuo curioso.

Quero saber, por exemplo, porque a imprensa, que dá tanto destaque a esse pessoal que confunde falhas eventuais com geração de energia insuficiente, não fala nada, mas nadinha de nada, sobre a catástrofe iminente que a falta d'água ocasionará no Estado de São Paulo, governado pelos tucanos há duas décadas.

Será que essa tragédia anunciada é menos importante, nem digo do ponto de vista jornalístico, mas humanitário, do que um blecaute de alguns minutos, ocasionado por um defeito qualquer numa usina ou linha de transmissão?

Mas acho que a minha curiosidade nunca será satisfeita.

Para que isso ocorresse, seria preciso que o Brasil tivesse uma imprensa de verdade e uma oposição minimamente honesta.

Como, parece, isso é utopia, vou continuar curioso. 
21 Jan 16:27

Em 2003, SP teve crise hídrica igual; previsão era água acabar em 2010

by eduguim

racionamento capa

 

A cada mês de janeiro é a mesma coisa: a mídia alardeia que haverá racionamento de energia devido a algum blecaute de alguns minutos em mais de um Estado ao mesmo tempo. Em janeiro de 2013, por exemplo, a presidente Dilma Rousseff teve que ir à tevê desmentir versões nesse sentido.

O ano mal começara e a Folha de São Paulo veiculou em sua primeira página, no dia 7 de janeiro de 2013,“reportagem” da então colunista do jornal Eliane Cantanhede que afirmava que o Palácio do Planalto convocara reunião de “emergência” para discutir “racionamento de energia”.

racionamento 1

Confira, abaixo a matéria alarmista da Folha publicada naquele 7 de janeiro de 2013

racionamento 2

Diante de notícia tão alarmista e divulgada com tanto destaque, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, ligou para Cantanhêde, autora da matéria em tela, para informar que a reunião não fora convocada por Dilma e nem era de “emergência”, pois integrava um cronograma de reuniões ordinárias do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) que acontece todos os meses. E divulgou, no site do Ministério, o cronograma de reuniões para 2013.

Veja, abaixo, o cronograma.

racionamento 3

Contudo, como o alarmismo não parava, a presidente da República teve que convocar rede nacional de rádio e tevê para acalmar a população e para anunciar expressiva redução nas contas de luz.

À época, a redução de preços – que, em alguns casos, chegou a 30% – foi duramente criticada pela imprensa oposicionista. Hoje, com a seca recorde no país, a mídia denuncia “aumento” na conta de luz que, no máximo, será um retorno aos preços pré-redução do preço da energia.

Todo começo de ano é a mesma coisa. A mídia alardeia racionamentos. Quando, a cada grande espaço de tempo, ocorre algum blecaute de alguns minutos, é a mesma cantilena: vai ter racionamento. Como em 2012, 2013, 2014, em 2015 a mídia também trouxe de volta o alarmismo energético devido a um blecaute de 45 minutos por algum acidente nas linhas de transmissão na última segunda-feira (19).

Mas isso não é novidade. A população já conhece essa cantilena e ninguém se preocupa com a hipótese de racionamento de energia. Nem os que dizem que se preocupam.

Esse escarcéu que a mídia está fazendo por conta de 45 minutos de falta de luz em alguns Estados simultaneamente visa esconder o drama do povo de São Paulo, que já enfrenta um duro racionamento, com um aumento exponencial de preços na conta de água (até 100%).

O mais impressionante em tudo isso é que o drama que vive São Paulo, à diferença da questão energética, deve-se, exclusivamente, ao PSDB do Estado, que governa São Paulo desde 1995 e que em 2003, sob o mesmo Geraldo Alckmin, enfrentara uma seca praticamente igual à de hoje enquanto todos os especialistas alertavam que o Estado ficaria sem água em, no máximo, sete anos.

Os analistas erraram. A água não terminou em 2010, mas em 2014, a partir de quando os paulistas passaram a sofrer o pior tipo de racionamento que existe, o racionamento disfarçado, que Globo, Folha, Veja, Estadão e companhia limitada recusam-se a chamar pelo nome enquanto continuam inventando um racionamento de energia elétrica que anunciaram tantas vezes, que nunca ocorreu e nem irá ocorrer.

Confira, abaixo, reportagem da Folha de São Paulo de 12 de outubro de 2003

racionamento 5

20 Jan 18:07

Ainda Charlie

by Francisco Seixas da Costa
Há pouco mais de uma semana, a França saiu para a rua unida sob o lema "Je suis Charlie". Nos dias seguintes, em conversas em Paris, não encontrei quem não tivesse participado naquela impressionante manifestação. Nela se juntou um pouco de tudo: o choque, o repúdio, a solidariedade, a defesa da liberdade. Escassos foram, contudo, os que abertamente assumiram que aquele sereno e sentido desfile era também um gesto de libertação.
Desde há anos, uma parte significativa da França vem a acumular um forte e crescente incómodo pela forma com a comunidade islâmica se exprime publicamente no país – nos trajes, nos sinais, na afirmação cultural e religiosa, mesmo que nem sempre com laivos agressivos. Para muitos franceses, trata-se de um inaceitável desafio à matriz de laicidade que faz parte da identidade da sua República.  
Nos anos que vivi naquele país, encontrei imensos cidadãos, mesmo gente de espírito muito aberto, que se mostravam chocados com o desfraldar regular de bandeiras argelinas em jogos de futebol entre equipas francesas. Pessoas a quem impressionava o corte de trânsito em ruas para a prática coletiva de orações muçulmanas. Algumas confessaram-me o seu repúdio ao ouvir apupar a “Marselhesa”, diante do chefe de Estado, no “Stade de France”. Outras, ao cruzar pelas ruas mulheres irreconhecíveis, de niqab ou burca, inquietavam-se pela não aplicação das leis que tal proíbem. O comunitarismo com raízes culturais diversas joga mal com uma sociedade que criou uma certa imagem da sua própria identidade – um reflexo onde, claro está!, há também muito chauvinismo e bastante racismo, na recusa em ver alterada a forma de vida que se tem como francesa.

É por isso que entendo que a manifestação de 11 de janeiro foi também um pouco a “libertação” de que acima falei, foi um "basta!" coletivo à pressão que o politicamente correto do multiculturalismo, dominante no discurso oficial, lhes impunha. Nesse dia, com o sólido alibi da barbárie, muitos franceses, numa espécie de exorcismo coletivo, vieram dizer para a rua o seu desagrado em ter de coabitar com manifestações que não respeitam as leis da República. Confesso que não sei como é que isto vai acabar, porque tenho a sensação, que espero errada, de que as tensões não tenderão a diminuir.
Uma última palavra, um pouco contra a corrente, sobre o “Charlie Hebdo”. A revista era servida por artistas geniais, mas há muito que perdera a sua inocência. Optara por ter a permissiva religião católica e o islamismo como os alvos privilegiados da sua ferocidade gráfica. Não será por acaso que, desde há muitos anos, não se lhe via uma graça sobre a questão judaica ou os campos de concentração, bem como piadas sobre negros ou asiáticos, presentes no início da sua publicação e vulgares no seu antecessor, o “Hara-Kiri”. Porquê? Porque o antisemitismo é hoje um tabu e as anedotas racistas são criminalizadas. E porque a islamofobia não só não tem o estatuto de proteção do antisemitismo como segue em sintonia fácil com o tal sentimento de incomodidade que levou a França à rua, naquele dia 11 de janeiro. Isto tem de ser dito.
(Artigo que hoje publico no Diário Económico)
20 Jan 18:07

Paremos a ordem de expulsão de Espanha do saharaui Hassanna Aalia!

by noreply@blogger.com (AAPSO)



O Ativista saharaui Hasanna Aalia, condenado, à revelia, a CADEIA PERPÉTUA pelo Tribunal Militar de Rabat, acaba de ser notificado pelas autoridades espanholas de que não só NÃO lhe é concedido Asilo Político, como tem ordem de EXPULSÃO para Marrocos no prazo de 15 Dias, onde o espera a prisão por ser saharaui

  
Hassanna Aalia nsaceu em El Aaiún, Sahara Ocidental em 1988. Em 2010 participa ativamente no acampamento de protesto pacífico de Gdeim Izik. Por essa participação é julgado e sentenciado a quatro meses de prisão condicionada.


Em outubro de 2011 tem a oportunidade de viajar para o País Basco com uma bolsa de estudos para aprender o idioma. Quando lhe faltam dois meses para regressar a El Aaiún o seu nome aparece na lista de pessoas que vão ser julgadas pelos acontecimentos de Gdeim Izik e decide adiar o regresso ao seu país dado que as autoridades ocupantes marroquinas o prenderiam, solicitando então o asilo político ao governo espanhol.


A 17 de fevereiro de 2013 o tribunal militar de Rabat emite a sentença contra os 25 civis saharauis acusados de terem organizado Gdeim Izik, entre eles Hassana Alaaia que permanece no País Basco e é julgado à revelia. Desde então, percorre o território do Estado espanhol para dar a conhecer a situação de desamparo dos seus companheiros presos e a injustiça a que o regime marroquino submete diariamente o povo saharaui.


Hoje, 19 de janeiro Hassanna foi notificado de que a sua petição de asilo foi recusada e tem o prazo de 15 dias para abandonar território espanhol.


Exigimos à autoridade competente que reconsidere o pedido de asilo de Hassanna dado que se voltar ao seu país será castigado duramente pelas autoridades marroquinas e não voltará a sair da prisão no que lhe resta de vida porque é uma pessoa ativa politicamente e nunca deixou de lutar pacificamente pelo direito à autodeterminação do seu povo, luta que já lhe custou detenções e torturas em numerosas ocasiões.


____________________________


Entrevista a Hassana Aalia, realizada em julho de 2014 pelo jornalista Ezequiel García, do diario El Día de Carmona.



Fonte: CACHIS / Plataforma de Ação Internacional pelos Presos Saharauis de Gdeim Izik

19 Jan 12:07

7 fatores tão (ou mais) importantes quanto o salário para os policiais

by Danillo Ferreira
7 fatores tão (ou mais) importantes que o salário para as polícias

Sete elementos que são muito importantes para a construção de polícias mais dignas e valorizadas

 

Nas sociedades capitalistas é comum que o valor de um indivíduo seja aferido através do seu poder de compra, e isso tem muito a ver com seus rendimentos – a quantidade de dinheiro que ele consegue adquirir em determinado espaço de tempo.

Não é à toa que, falando de valorização dos policiais brasileiros, sempre se remete à questão salarial como um problema sério, pois além de garantir elementos essenciais para a sobrevivência, “ganhar bem” concede ao profissional um posicionamento social de relevância.

Mas se por um lado há corporações policiais no Brasil que podem reclamar bastante dos seus vencimentos, relativamente inadequados para a função exercida, por outro, há uma supervalorização do papel que o incremento salarial possui na construção de policiais e instituições valorizadas.

Neste artigo vou tratar de sete elementos que são muito importantes para a construção de polícias mais dignas e valorizadas, e que, se esquecidos, podem tornar uma corporação tão ou mais inviável do que um contexto de baixos salários.

#1. Ambiente ético-disciplinar

Por ser uma instituição responsável pela aplicação da lei, qualquer polícia corre grande risco de minar suas estruturas internas quando deixa de punir desvios de conduta, principalmente nos altos escalões, responsáveis pela liderança e gestão corporativa.

No trato diário com o cidadão, o abuso e a corrupção desgastam a relação com a comunidade, gerando desconfiança, trauma e desrespeito.

Para o policial não envolvido, conviver com esse tipo de prática gera vergonha e destrói o orgulho pela profissão. Por isso, para preservar as instituições policiais, o serviço policial e os policiais individualmente é preciso prevenir e reprimir distorções ético-disciplinares, principalmente as que estejam instauradas culturalmente.

#2. Doses de valorização

Digamos que um soldado de uma polícia militar em início de carreira tenha vencimentos iniciais de R$8.000 mil reais. Parece ótimo, não é?

Mas considere o mesmo soldado ganhando os mesmos R$8.000 mil reais após 30 anos de serviço (corrigida apenas a inflação). Provavelmente ele estará desmotivado e insatisfeito no final da carreira.

“É preciso que as polícias tenham planejamentos racionais postos em prática nas carreiras de seus policiais”

É preciso que as polícias tenham planejamentos racionais postos em prática nas carreiras de seus policiais. É fundamental que as promoções ocorram com regularidade, que haja adendos remuneratórios que reconheçam boas práticas (como a capacitação por conta própria).

Mas não é só dinheiro.

Existem diversas formas de reforço positivo que nada custam financeiramente, mas que enaltecem o ânimo dos profissionais. Exemplos: elogios, medalhas, láureas, homenagens etc. Todos eles concedidos a partir de critérios objetivos, éticos e justificáveis.

#3. Estabilidade política

Quem tem como missão fazer com que a lei seja cumprida não pode estar vulnerável aos ventos políticos de ocasião.

Os policiais precisam ter a segurança de que, ao cumprir seu papel, não serão retaliados e castigados. Um exemplo: todo e qualquer indivíduo deve ter a garantia de manter-se estável em seu local de trabalho, próximo de sua família, não sendo transferido, salvo em caso de escolha que o beneficie (no início da carreira é impossível satisfazer a todos, mas nesse caso os critérios são estabelecidos logo ao ingressar na polícia).

São necessários elementos que blindem as polícias de intervenções que ferem a integridade institucional, e desencorajam os policiais de cumprirem seus papéis.

#4. Efetividade na atuação

Existem dois principais motivos para os policiais brasileiros sentirem que seus esforços contra a violência não estão tendo resultado: a política de drogas vigente e a quebra do ciclo policial.

Na política de drogas a quantidade de apreensões aumenta na mesma proporção em que aumenta a quantidade de usuários e de presos que atuam no varejo do tráfico. Em vez de adotar medidas de controle e redução de danos (como ocorre com o tabaco no Brasil) as polícias são colocadas na condição irracional de quem deve reverter uma lei consagrada da economia, segundo a qual “quando há demanda, há oferta”.

Já a quebra do ciclo policial torna as polícias estaduais rivais em uma dispendiosa disputa por espaço institucional e informações sobre a atuação criminosa. As polícias militares ficam órfãs das ocorrências que deram início e as polícias civis pegam “o bonde andando” do que é apresentado pelas polícias militares.

Rever essas estruturas e conceitos, fazendo os policiais sentirem os resultados de suas ações, é urgente.

#5. Envolvimento comunitário

Quanto mais envolvido com a comunidade, assumindo a condição de liderança comunitária, sendo reconhecido pela população que protege, mais o policial se sente orgulhoso e motivado.

Ao mediar conflitos e desenvolver atividades de prevenção à violência em uma comunidade, o policial passa a ser uma referência, e é naturalmente destacado por isso.

“Quanto mais envolvido com a comunidade, sendo reconhecido pela população que protege, mais o policial se sente orgulhoso e motivado”

Uma boa forma de aferir esse tipo de valor é comparando policiais que atuam em cidades de pequeno porte com policiais que atuam em grandes centros urbanos. Em virtude das relações mais superficiais, das características geográficas e culturais das grandes cidades, é mais desafiador que os policiais se mantenham próximos das comunidades, algo que ocorre com muita facilidade em pequenos municípios.

Algumas iniciativas Brasil afora já mostram que é possível inserir os policiais em uma relação produtiva com os cidadãos não-policiais mesmo em grandes cidades. Ganha a sociedade e os próprios policiais, que passam a ser notórios colaboradores.

 #6. Estruturas físicas e logísticas

É destruidor para qualquer profissional atuar em um ambiente sujo, inóspito e decadente. Há delegacias e quartéis Brasil afora que não têm condições mínimas para que os policiais exerçam suas funções, e isso tem consequência direta na prestação de serviço e na motivação.

Como conceber que policiais atuem em uma profissão que possui riscos inevitáveis e que essa exposição seja aprofundada pela falta de equipamentos de proteção individual, falta de meios de transporte (viaturas) adequados, instalações que geram estresse e desconforto etc?

Do alimento durante o serviço ao tipo de armamento que o policial utiliza, as condições de trabalho devem ser prioridade para a dignidade na atuação das tropas.

#7. Lideranças

Há um provérbio chinês (atribuído a Lao-Tsé) que afirma que “Quando o líder efetivo dá o seu trabalho por terminado, as pessoas dizem que tudo aconteceu naturalmente”.

Não é exagero dizer que chefes mal preparados costumam aumentar os problemas a serem enfrentados pelos policiais, em vez de facilitar sua resolução. Quanto menos lideranças verdadeiras uma polícia tem, mais dificilmente o ambiente organizacional é saudável.

Nesse sentido vale ler o pequeno texto abaixo, do empresário e palestrante Flávio Augusto, sobre as diferenças existentes entre chefes e líderes:

Enquanto o chefe impõe, o líder conquista.

Enquanto o chefe atrai puxa-sacos e interesseiros, o líder atrai seguidores voluntários.

Enquanto o chefe é truculento, o líder surpreende pela paciência.

Enquanto o chefe visa somente os números, o líder inspira aqueles que fazem os números parecerem pequenos.

O chefe encerra o assunto. O líder argumenta com inteligência.

O chefe segue a pauta da reunião. O líder é sensível para, se necessário, mudar o rumo do roteiro.

O chefe empurra goela abaixo. O líder põe água na boca e sua ideia desce gostoso.

O chefe não reconhece o valor de outros líderes. O líder é humilde pra aprender com quem provou seu valor com resultados.

O chefe tem resultados limitados. O líder cresce sem limites em tudo que coloca suas mãos.

Não tem um líder?

Seja você este líder.

Concluindo…

Parece óbvio que, apesar de ter sua importância, a questão salarial não é a única que impacta diretamente na autoestima dos policiais e na valorização das polícias.

Corporações que cuidam dos 7 fatores acima tendem a ser mais respeitadas, admiradas e valorizadas, gerando, inclusive, maior reconhecimento pecuniário como consequência. Cada policial pode contribuir um pouco com todos esses elementos.

18 Jan 12:26

Governo mexicano participou do ataque contra estudantes de Ayotzinapa

by Marcelo F Grava

*Especial para Agência Pública

O governo do presidente mexicano Enrique Peña Nieto participou do ataque aos estudantes da escola normal rural de Ayotzinapa na noite de 26 de setembro em Iguala, no Departamento de Guerrero, que resultou em três mortos e 43 desaparecidos. Testemunhos, vídeos, relatórios inéditos e declarações judiciais que constam dos procedimentos da Procuradoria Geral de Justiça de Guerrero mostram que a Polícia Federal (PF) participou diretamente dos fatos.

Peña Nieto: administração envolvida em massacre de estudantes no México. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Peña Nieto: administração envolvida em massacre de estudantes no México. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

A versão oficial do governo mexicano é de que o prefeito de Iguala, José Luis Abarca (PRD), supostamente ligado à quadrilha Guerreros Unidos, havia ordenado o ataque para evitar que os estudantes atrapalhassem um evento eleitoral de sua mulher, María de los Ángeles Pineda Villa, no centro da cidade. As polícias municipais das localidades de Iguala e Cocula teriam atacado e capturado os estudantes, depois massacrados e queimados pela quadrilha Guerreros Unidos sem que o Exército e a Polícia Federal tivessem conhecimento dos fatos.

Mas a investigação realizada para esta reportagem, com apoio do Programa de Jornalismo Investigativo da Universidade de Berkeley, Califórnia, revelou uma história bem diferente. Além da Polícia Federal, também o Exército mexicano participou do ataque.

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Um relatório inédito do governo de Guerrero, concluído em outubro e entregue pouco depois à administração de Peña Nieto, prova que os estudantes foram monitorados pelos governos estadual, municipal e federal no dia 26 de setembro, desde que saíram da escola, através do Centro de Control, Comando, Comunicaciones y Cómputo (C4), que reúne os três níveis de governo.

Às 17h59 o C4 de Chilpancingo informou que os normalistas estavam saindo de Ayotzinapa em direção a Iguala. Às 20 horas a PF e a polícia estadual chegaram à estrada Chilpancingo-Iguala onde os estudantes tinham feito uma arrecadação de doações. Às 21h22 o chefe da base da PF, Luis Antonio Dorantes, foi informado – pessoalmente e através do C4 – de que os estudantes tinham entrado na estação do ônibus; às 21:40 o C4 de Iguala reportou o primeiro tiroteio aos três níveis de governo.

De acordo com o relatório de investigação preliminar dos fatos, a Fiscalía General de Guerrero havia ordenado desde 28 de setembro que a PF informasse “com urgência” se seus integrantes participaram ativamente dos fatos ocorridos em 26 de setembro (entre as 20 horas e o dia seguinte), e, em caso positivo, quantos policiais estavam envolvidos. Também pediu o registro de entrada e saída de pessoal da base de operações da PF, localizada a cinco minutos do lugar do ataque, o número de patrulhas, e o registro do armamento usado entre 24 a 28 de setembro. De acordo com o relatório da investigação prévia (HID/SC/02/0993/2014) a PF nunca entregou a documentação exigida.

Entre os documentos reunidos por essa investigação estão 12 vídeos gravados nos celulares pelos estudantes durante o ataque. Em um deles, a presença da PF está claramente identificada. “Os policiais já estão indo, vão ficar os federais que vão querer nos provocar”, diz em uma das gravações um estudante, no momento em que seu companheiro Aldo Gutiérrez Solano acabava de levar um tiro na cabeça e jazia na rua em uma poça de sangue. Aldo ainda está em coma.

Entre os documentos reunidos por essa investigação estão 12 vídeos gravados nos celulares pelos estudantes durante o ataque. Em um deles, a presença da PF está claramente identificada

Por causa da pressão política, o governo de Guerrero se afastou das investigações em 4 de outubro, que passaram ao controle do governo federal, quando se ocultou a participação da PF e do Exército no ataque. Testemunhos foram manipulados para contribuir com a versão oficial dos fatos. Documentos da Procuraduría General de la República (PGR), obtidos pela reportagem, revelam que pelo menos seis dos supostos integrantes de Guerreros Unidos que testemunharam contra Abarca, policiais de Iguala e Cocula, foram detidos ilegalmente, espancados ou torturados antes de depor. Dois deles são Raúl Núnez Salgado, suposto operador financeiro da organização criminosa, e Sidronio Casarrubias, tido como líder.

A Equipe Argentina de Antropologia Forense, reconhecida mundialmente por sua experiência na localização de corpos dos desaparecidos da ditadura militar na Argentina, informou no dia 7 de dezembro ter identificado um corpo entregue pela PGR como sendo do estudante Alexander Mora. Um dentre os 43 desaparecidos. Mas a Equipe Argentina assinalou que a versão da PF – de que os restos mortais foram encontrados em um rio – não poderia ser verificada porque os técnicos forenses não estavam presentes durante a descoberta do corpo e não puderam analisar a área.

O governo os vigiava

Do relatório elaborado pelo governo de Guerrero sobre o ataque aos estudantes consta a ficha informativa número 02370, assinada pelo coordenador de operações da Região Norte da Secretaría de Seguridad Pública y Protección Civil de Guerrero, José Adame Bautista, com data de 26 de setembro. Ali se afirma que às 17h59 “o C4 Chilpancingo informou a saída de dois ônibus da viação Estrella de Oro, com os números 1568 e 1531, levando estudantes da escola rural Ayotzinapa em direção à cidade de Iguala…”.

Isso significa que os governos estadual e federal – além do municipal – estavam monitorando os estudantes antes do ataque, já que os três níveis de governo estão presentes no C4 de Chilpancingo e Iguala. Em 2013 houve várias reuniões públicas entre o governador Angel Aguirre e o Secretário de Governo Miguel Angel Osorio Chong reforçando essa cooperação.

Em seu relatório, Adame Bautista escreve que os dois ônibus chegaram às 20 horas à cabine 3 do pedágio de Iguala. Em uma ação coordenada, a polícia estadual, com quatro elementos, e a PF com cinco elementos e três patrulhas sob o comando do oficial Victor Colmenares Campos, “monitoraram” as atividades dos estudantes.

“A Polícia Estadual se fez presente no local, mantendo-se à distância dos jovens, que minutos depois decidiram se retirar do lugar sem que se registrasse nenhum incidente ou confronto”, relata o citado documento do governo de Guerrero.

Segundo depoimentos judiciais da investigação preliminar HID/SC/02/0993/2014 e outras testemunhas, Abarca e a esposa saíram da praça central de Iguala às 20h45 e foram jantar com oito membros da família em um restaurante modesto a 15 minutos do centro de Iguala. Quando os estudantes chegaram na estação central eram 9 da noite – e portanto a presença deles não afetaria o evento político, como alega a PGR justificando sua versão dos fatos.

A dona do restaurante, a senhora Lili, confirmou que a família saiu às 22h30 em absoluta tranquilidade junto com as respectivas escoltas e um motorista.

O prefeito de Iguala e sua mulher, irmã de narcotraficantes que atuam em Guerrero desde 2000, foram apontados pelo governo estadual e pela PGR como os principais responsáveis pelo ataque e desaparecimento dos estudantes e detidos no dia 4 de novembro em seu esconderijo na cidade do México. Abarca permanece preso, mas a PGR ainda não conseguiu uma ordem de prisão contra sua esposa.

Os estudantes

Omar García, líder do Comité de Orientación Política e Ideológica (COPI) da escola normal de Ayotzinapa explicou que este ano sua escola tinha se encarregado de conseguir 20 ônibus para que as escolas normais rurais fossem à tradicional marcha de 2 de outubro que rememora o massacre estudantil de 1968. Antes de ir a Iguala já tinham “capturado” oito ônibus e estavam em busca de mais no dia do massacre. Ao contrário da versão da PGR, afirmou que os estudantes nunca tiveram a intenção de protestar contra o prefeito e sua esposa.

A história da escola normal está marcada pela trajetória do guerrilheiro Lucio Cabañas, que estudou ali e na década de 1960 chefiou o grupo armado Partido de los Pobres em Guerrero. Seu movimento foi perseguido ferozmente pelo governo, particularmente pelo Exército na chamada “guerra suja”, quando ocorreram desaparecimentos e execuções. Desde então a escola é relacionada com a guerrilha e seus estudantes sofrem ataques e abusos de autoridade.

O ataque de 26 de setembro não foi apenas contra os estudantes mas contra a estrutura política e ideológica da escola. Um dos estudantes desaparecidos fazia parte do Comité Lucha Estudiantil (CLE), o órgão máximo de governo da escola normal, e 10 eram “ativistas políticos em formação” do COPI, segundo Omar García.

O ataque de 26 de setembro não foi apenas contra os estudantes mas contra a estrutura política e ideológica da escola

Garcia conta que os estudantes pegaram cinco ônibus. Dois foram em direção ao Periférico Sul e os outros três erraram o caminho. Testemunhas afirmam que por volta das 22 horas viram três ônibus de passageiros na rua Juan N Álvarez e que quando estavam perto da catedral os estudantes começaram a descer. O motorista do primeiro ônibus, Hugo Benigno Castro disse em depoimento judicial que os estudantes desceram para perguntar onde ficava a saída para Chilpancingo.

Foi ali o primeiro ataque. Ouviram-se tiros e as pessoas começaram a correr. O policial municipal Raúl Cisneros declarou que estava no lugar e admitiu que lutou com dois estudantes que supostamente queriam desarmar seu supervisor de turno, Alejandro Temescalco, e ele, por isso fizeram disparos para o ar. Apesar da rua estar cheia de gente não houve feridos. Os estudantes jogaram pedras e afugentaram as patrulhas. Os três ônibus seguiram então em direção a Periférico, já longe do centro, onde a rua é mais escura e pouco movimentada.

A Polícia Federal

O secretário de Segurança Pública municipal, Felipe Flores Velázquez, em sua declaração judicial do dia 27 de setembro, disse que às 21h22 recebeu uma comunicação telefônica de que os estudantes estavam tomando os ônibus. Afirmou ter ligado imediatamente para Luis Antonio Dorantes, chefe da base da PF, que lhe garantiu que estaria alerta.

O relatório do governo de Guerrero afirma que depois de tomar conhecimento da captura dos ônibus pelos estudantes a Secretaría de Seguridad Pública y Protección Civil do estado “reuniu todo o seu pessoal nas instalações da polícia estadual” e que essa mobilização se deu “diante dos fatos que estavam se desenrolando.”

“Às 21h30 os rádio operadores da polícia estadual de C4 Iguala e do Quartel Regional me deram a conhecer que as operadoras do serviço de emergência 066 tinham atendido a uma chamada telefônica em que se advertia que os estudantes da normal rural Ayotzinapa estavam fazendo confusão nas centrais de ônibus Estrella Blanca e Estrella de Oro…”, apontou Adame Bautista em sua ficha de informações. Ele especifica que na chamada se pedia “o apoio das autoridades”.

O C4 está sob o controle da polícia estadual mas há um rádio operador de cada uma das forças:  Exército, Polícia Federal, polícia estadual e municipal. As instalações da polícia municipal, da PF e do 27º Batalhão de Infantaria ficam na mesma zona, a uma distância de 3 a 4 minutos do local do ataque. Do C4 se controla a rede de câmeras de vigilância de Iguala, algumas localizadas no centro da cidade, onde ocorreram três ataques, mas apesar de requeridas pela Fiscalía General del Estado, as imagens dessas câmeras nunca foram entregues.

O C4 está sob o controle da polícia estadual mas há um rádio operador de cada uma das forças:  Exército, Policía Federal, policía estadual e municipal

Às 21:40 o C4 de Iguala recebeu o aviso de “disparos de arma de fogo”. Segundo Adame Bautista a polícia estadual não atendeu à contingência por ordem do subsecretário de Prevención y Operación Policial estadual, Juan José Gatica Martínez, e por isso os policiais teriam ficado protegendo as instalações prisionais locais.

Natividad Elías Moreno, rádio operador da polícia municipal de Iguala, explicou em entrevista que o C4 de Iguala está conectado ao Sistema Nacional de Segurança Pública, controlado pela Secretaría de Gobernación, cujo titular é Miguel Ángel Osorio Chong. Afirmou categoricamente que todos os informes que chegam ao C4 são simultaneamente recebidos pela PF, Exército e as outras instituições.

“Se nessa noite as informações sobre a ocupação dos ônibus pelos estudantes e sobre o tiroteio chegaram na C4, todas as instituições se inteiraram do assunto?”, perguntaram-lhe na entrevista. “Definitivamente sim”, respondeu o rádio operador.

O Procurador Jesús Murillo Karam afirmou, em 7 de novembro do ano passado, que o “rádio operador da central de polícia de Iguala David Hernández Cruz” declarou que foi Abarca quem ordenou o ataque aos estudantes. De acordo com a cópia obtida da “Orden de los Servicios Operativos de Vigilancia así como de los Servicios Administrativos”, não existe nenhum empregado dessa corporação com esse nome.

Vídeos da noite infernal

Os estudantes sofreram quatro ataques durante a noite de 26 de setembro e a madrugada do dia 27. Uma operação precisa e bem orquestrada que supera as capacidades de qualquer polícia municipal mexicana.

O segundo ataque ocorreu algumas quadras antes de chegarem ao Periférico. As balas atingiram os vidros dos ônibus e furaram os pneus. Uma patrulha municipal impediu a passagem da caravana dos três ônibus e outras patrulhas ficaram por trás. Alguns estudantes tentaram passar por uma das patrulhas. O estudante Cornelio Copeño disse em sua declaração que esse foi o momento em que seu companheiro Aldo levou um tiro na cabeça e caiu no chão.

O motorista do ônibus disse que o ataque durou mais de 30 minutos. Os doze vídeos obtidos captaram a agressão. Em um áudio sem imagem se ouvem os disparos. Em outro se vê Aldo ao lado da patrulha agitando os braços. Em outra gravação se escuta os estudantes reclamando com os policiais que estavam na parte traseira dos ônibus recolhendo as cápsulas detonadas.

O terceiro ônibus foi o mais atingido. Os assentos e corredores estão manchados de sangue nas fotos tiradas pelos estudantes. Dali se levaram alguns dos 43 desaparecidos.

Em seu depoimento, o normalista Francisco Trinidad Chalma disse que havia cerca de sessenta policiais em volta de 17 ou 18 detidos do lado esquerdo do ônibus. Outros testemunhos dos estudantes falam em mais de trinta policiais “em posição de tiro”. Alguns descreveram que os agressores estavam equipados com joelheiras, capacetes, cotoveleiras e balaclavas acompanhados de uma patrulha que trazia equipamentos para metralhadoras. Investigações mostraram que a polícia municipal de Iguala não usava esse equipamento, que também não está entre os objetos apreendidos pela Fiscalía.

Alguns estudantes descreveram agressores equipados com joelheiras, capacetes, cotoveleiras e balaclavas acompanhados de uma patrulha que trazia equipamentos para metralhadoras

“… Eu perguntei aos colegas que estiveram na cena do crime quem os tinha baleado, e eles me disseram que primeiro os policiais municipais usaram uma patrulha identificada para impedir a sua circulação, e que quando alguns colegas ao lado tentaram reduzir para passar pela patrulha chegou a Polícia Federal que disparou contra meus pares, ferindo vários deles … “, disse à Fiscalía o estudante Luis Pérez Martínez, que afirmou ainda que os policiais federais estavam recolhendo as cápsulas para não deixar provas.

Uma testemunha entrevistada disse que foi ver o que se passava. Quando chegou, a rua estava fechada por policiais encapuzados, com armas grandes, uniformes escuros e com um detalhe que fixou na memoria: suas calças eram diferentes das usadas pela polícia municipal. Disse que ficou com medo e foi embora.

Os estudantes que estiveram durante os três ataques foram procurados, mas não foi possível localizá-los. Segundo informações, nas primeiras declarações prestadas na manhã do dia 26 eles deram nomes falsos por medo. Depois seus pais os tiraram da escola.

No dia 27 de setembro a PF assumiu o controle da segurança pública em Iguala e junto com o Exército participou da busca aos desaparecidos. Depois do ataque o chefe da base da PF, Luis Antonio Dorantes, e o oficial Victor Colmenares, que vigiou os estudantes quando eles chegaram à estrada, foram removidos do cargo, segundo informações da base policial.

A PGR pôs toda a culpa na polícia municipal de Cocula e de Iguala. No entanto, a base de Iguala tem uma única entrada e saída por onde não passam as pick-ups Roll Bar da polícia municipal que teriam levado os estudantes aos bandidos. Seria preciso embarcar os estudantes na rua chamando a atenção de todos os vizinhos que vivem ao lado da base policial, que disseram em entrevistas não terem visto nada de anormal naquela noite e que estranhavam que os policiais que serviam apenas para controlar os bêbados da cidade tivessem executado aquela operação.

Em depoimentos oficiais, os policiais de Iguala disseram que entre 22h30 e 23 horas receberam ordens para ir à base da PF, onde ficaram até o dia seguinte. Foi nessa hora que ocorreu o terceiro ataque.

O terceiro e quarto ataques

Às 23h Omar García chegou a Iguala junto com outros estudantes de Ayotzinapa depois de ter recebido um pedido do socorro de seus companheiros. Houve uma hora que os disparos pararam e não se via mais a polícia. Os estudantes chamaram a imprensa e enquanto davam entrevista um comando abriu fogo contra eles a distância. Dispararam a correr, mas muitos ficaram feridos e dois estudantes caíram mortos: Daniel Solís y Yosivani Guerrero.

Omar descreveu os disparadores como “gente treinada” que atacou “em formação” concentrando “os disparos de fogo no lugar em que estávamos”, afirmou. “Havia um tiroteio que vinha de uma altura e depois provenientes a outra altura”. Segundo os exames periciais, havia duas trajetórias de balas: uma de cima para baixo e outra de baixo para cima.

Os atacantes pararam para recarregar e foi essa a oportunidade que os estudantes tiveram para correr.

Junto com esse terceiro ataque houve uma quarta agressão contra um dos ônibus de normalistas que se dirigia ao Periférico Sul. De acordo com o relatório da Fiscalía o ônibus da Estrella de Oro foi atacado no trecho Iguala-Mezcala e ficou com os vidros quebrados e pneus furados. Encontraram pedras com vestígios de sangue e de gás lacrimogênio no veículo.

Também foi atacado por engano um ônibus de jogadores de futebol. Ali morreram mais três pessoas. Ao fim dessa noite, havia seis mortos, 29 feridos por arma de fogo e 43 desaparecidos.

Painel com os 43 desaparecidos de Ayotzinapa. Foto: Leandra Felipe/Agência Brasil

Painel com os 43 desaparecidos de Ayotzinapa. Foto: Leandra Felipe/Agência Brasil

Às 10 da manhã de 27 de setembro, o corpo de Julio Cesar Mondragón, o terceiro estudante assassinado, foi encontrado nas imediações do C4, na zona industrial de Iguala. Tinha o rosto destruído, sem um dos globos oculares e a calça enrolada até a debaixo dos glúteos. Não tinha marcas de tiro, morreu por fratura do crânio segundo a autópsia e por isso pode ter sido um dos estudantes sequestrados dos ônibus.

A participação dos militares

O secretário da Defesa do governo mexicano, Salvador Cienfuegos, disse aos deputados no dia 13 de novembro que o 27º Batalhão de Infantaria, comandado pelo coronel José Rodríguez Pérez, tomou conhecimento do ataque duas horas depois de ocorrido. Mas não foi isso que aconteceu.

Logo depois do segundo ataque, entre às 23h e meia-noite, o Capitão Crespo, do 27º Batalhão de Infantaria, usando uniforme militar camuflado, chegou à base da polícia municipal de Iguala junto com 12 militares fortemente armados a bordo de duas viaturas. Com o pretexto de que estaria em busca de uma moto branca, Crespo vasculhou todo o local. Mais tarde chegou um aviso de que havia uma moto retida no centro e Crespo foi procurado no Batalhão mas não estava lá. Testemunhas da visita do Capitão disseram que depois que souberam do desaparecimento dos estudantes a conduta de Crespo lhes pareceu ainda mais suspeita.

Uma faixa colocada nos arredores de Iguala no dia 30 de outubro, dirigida a Peña Nieto e supostamente assinada por um narcotraficante conhecido como “El Gil”, responsabilizava entre outros o Capitão Crespo pelo desaparecimento dos estudantes de Ayotzinapa, acusado de trabalhar para o crime organizado.

“Se derem nomes falsos nunca mais ninguém vai encontrá-los”, disse textualmente o comandante militar segundo Omar

Outro comando militar apareceu entre meia-noite e uma hora da manhã no hospital para onde os estudantes haviam levado seu companheiro Edgar com um tiro no rosto. Segundo Omar Garcia, os militares os revistaram procurando armas, fizeram com que tirassem a camisa, depois os fotografaram e pediram seus nomes “verdadeiros”, como explicou Omar: “Se derem nomes falsos nunca mais ninguém vai encontrá-los”, disse textualmente o comandante militar segundo Omar, que entendeu a advertência como ameaça: “Estavam insinuando que iam sumir com a gente, nos deixar em algum lugar”.

Torturados antes de depor

"Protestar é um direito; reprimir é um delito", diz pintura na Escola Rural Raúl Isidro Burgos, em Ayotzinapa. Foto: Leandra Felipe/Agência Brasil

“Protestar é um direito; reprimir é um delito”, diz pintura na Escola Rural Raúl Isidro Burgos, em Ayotzinapa. Foto: Leandra Felipe/Agência Brasil

Documentos provam que, depois que a PGR assumiu as investigações em 5 de outubro, pelo menos cinco supostos integrantes de Guerreros Unidos que fizeram declarações contra Abarca e a polícia municipal de Iguala e Cocula foram torturados pela Marinha e pela PF antes de depor.

Sidronio  Casarrubias, acusado pela PGR de ser o líder máximo de Guerreros Unidos, foi detido no dia 15 de outubro entre as nove e dez da noite em um restaurante brasileiro embora a PGR tenha dito que ele havia sido capturado na estrada México-Toluca. Raúl Núñez Salgado, o dono de um açougue em Iguala que costuma organizar bailes na cidade, foi preso no dia 16 de outubro quando saía  de um centro comercial em Acapulco; antes do depoimento apresentava mais de trinta feridas em diferentes partes do corpo, hemorragia interna nos olhos, machucados nos ouvidos, hematomas de 12 por 8 centímetros no rosto, e marcas no pescoço, braços e costelas. Fez uma queixa de espancamento contra os marinheiros que o prenderam.

Pelo menos cinco supostos narcotraficantes que fizeram declarações contra Abarca e a polícia municipal foram torturados pela Marinha e pela PF antes de depor

Carlos Canto, conhecido como “El Pato”, professor do Ensino Médio e dono do bar La Perinola, foi detido em Iguala no dia 22 de outubro. Em declaração judicial do dia 29 de outubro disse que foi torturado com choques elétricos e espancamento pela Marinha para acusar uma lista de nomes previamente preparada pelos militares.

No dia 7 de novembro de 2014 o Procurador Murillo Karam apresentou Patricio Reyes Landa, visivelmente machucado, como autor de uma suposta confissão de que havia matado e queimado os estudantes.

Francisco Lozano e Eury Flores foram presos pela Marinha em 27 de outubro em Cuernavaca, Morelos. De acordo com o exame físico da PGR, Flores tinha hematomas nas costelas, no olho, no lábio e disse que queria apresentar uma denúncia contra seu agressor. Lozano tinha uma ferida no tórax e outras marcas e declarou ter sido torturado pelos elementos da Marinha que o prenderam.

O contador Nestor Napoleón Martínez, filho de um funcionário da Secretaria de Saúde de Guerrero, foi detido em 27 de outubro. Ao se apresentar à PGR tinha mais de dez lesões, entre elas hematomas na região do estômago e na área dos testículos. Afirmou que tinha sido ferido durante a prisão.

Vidulfo Rosales, advogado dos normalistas e dos familiares dos desaparecidos, disse em uma entrevista que desde o início os estudantes apontaram a presença da PF nos ataques. E no final de novembro os estudantes acrescentaram novas declarações em seus depoimentos à PGR para incluir a participação dos federais e do Exército nos ataques.

No dia 21 de novembro o juiz Ulises Bernabé García foi convocado pela PGR e voluntariamente contou a visita do Capitão Crespo à base policial municipal, afirmando que os estudantes de Ayotzinapa nunca foram levados para lá, desmentindo a versão do governo federal.

Apesar dos documentos que provam que o governo vigiou os estudantes desde quatro horas antes do ataque, que soube do ocorrido durante todo o tempo e que suas forças de segurança participaram do ataque, até hoje – um mês depois desta investigação ser publicada no México – o governo de Enrique Peña Nieto segue negando os fatos e se recusando a dar uma explicação. Os pais dos estudantes desaparecidos, agora, exigem que se investigue a participação da PF e do Exército.

 

 Anabel Hernandez é uma das mais respeitadas jornalistas investigativas do México, especializada em denunciar casos de corrupção, narcotráfico e abusos de poder. Colaboradora das revistas Reforma e Processo, sua obra mais conhecida é o livro “Los Señores del Narco”, publicado em 2010. Em 2012, recebeu da Associação Mundial de Jornais e Editoras de Notícias (WAN-IFRA) o prêmio Pluma de Oro de la Libertad. Foi eleita em 2014  pela organização Repórteres sem Fronteiras como um dos “100 heróis da informação”, ao lado de Julian Assange e Glenn Greenwald.

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16 Jan 17:45

Dois anos sem Aaron Swartz. Ele queria mudar o mundo através da internet

by Conceição Lemes

AaronSwartzPIPA

Kika Br: “So… Many and lots of thanks dear Aaron. I love you”

Kika Br, no Facebook

Foi no dia 11 de janeiro de 2015 que um gênio criativo absoluto da informática e internet, um ferrenho defensor do conhecimento livre e colaborativo, chamado Aaron Swartz, completou dois anos de sua morte. Sabe-se e comprova-se que foi suicídio. Mas, tenho por mim, que o que o matou foi um sistema político totalmente errado e podre sobre o controle da informação na web, o que pode ou não vir a público gratuitamente ou com valores, mesmo que tal informação já seja de natureza “pública, grátis”.

Ele foi perseguido, processado, preso, solto, arruinado material e mentalmente pela magnífica “democracia americana”, que tanto preza a liberdade de informação, a liberdade de expressão, a “liberdade” em geral. Mas que, de fato, faz tudo ao contrário do que prega.

Quem vive dessa arma letal encantadora chamada internet sabe que informação é poder. Também sabe que esse universo paralelo, esse mito platônico ideal, por ter sido inventado pelo homem repete as mesmas falhas ou belezas do homem. E sabe que tudo que o homem inventou à sua semelhança, como Deus e o Tempo, pode virar uma encrenca sem limites, caso o inventor seja um lixo ou mesmo um gênio.

No caso de Aaron, um gênio do bem, tudo o que ele criou ou ajudou a criar em colaboração com outros, desde os 12 anos, foi pro beleléu. Ele não tinha as mesmas intenções de um ignóbil Gates, um visionário irascível Jobs e confrades mundo a fora, como o equivocadamente amado Facebook. O moço não visava o lucro ou negócios. Aaron queria que os poderes da informação/conhecimento fossem absolutamente livres, gratuitos para qualquer usuário da web.

Sua linguagem de programação era (ainda é, pois usamos e usaremos por longo tempo o que ele criou sem percebermos ou darmos crédito) um primor de clareza e funcionalidade. Seu cérebro funcionava quase à velocidade da luz, dava baile em veteranos, abismava qualquer um sem dó ou piedade. Um pivete ensinando e contribuindo junto aos PHDs do ramo.

Mas acabou morto pelo sistema que muita gente sonha ter, admira, inveja: o fascinante “american way of life”. Nesse filme, que espero seja visto cuidadosamente, mais uma vez se comprova a hipocrisia, a maldade, a imperfeição horrenda (sob muitos aspectos) da filosofia americana, tão cultuada por aqui. Não é um filme fácil. É vergonhoso, dolorido.

Se depois de assisti-lo você não parar para refletir com seriedade, sobretudo se não entender de uma vez por todas o que de fato é informação e quem a deseja com ardor infinito ao mesmo tempo em que a comanda, detém e vigia; o que é a internet, o que é esse perigosíssimo Face e as ditas “comunidades virtuais” tão lindinhas… Se você continuar boiando e fazendo em público o que só se faz na privada, é melhor deixar um aviso para fecharem a tampa porque você já morreu, tá fedendo no caixão e não percebeu.

Quem sabe também consiga ver o outro lado de fatos como o do francês Charlie. Pode ser que sirva de lição sobre o que é “lei de meios”. Talvez repense a diferença entre liberdade e libertinagem, medo e respeito, ódio e burrice, ignorância e multifobias… O Aaron explicou tudo direitinho, mas contra imbecilidade não há remédio.

Mas ele nos deixou muitos legados em sua guerra em favor do livre, amplo, irrestrito direito ao conhecimento. Meu preferido é o caso que aparece quase ao final do filme. Um garoto de 14 anos, Jack Andraka, inventou algo sensacional e revolucionário no campo da medicina, graças ao que Aaron expôs ao mundo – o JSTOR, publicações científicas que deveriam ser públicas, mas ficavam trancadas nos servidores universitários, a não ser que pagassem muito por elas, algo que Andraka não poderia fazer – eram U$35,00 por uma publicação de 10 páginas. O menino copiava todos os artigos e os lia “religiosamente todos os dias”.

O que Andraka fez? Primeiro enviou insistentes e-mails a todos do departamento de oncologia da John Hopkins. Apenas um dos pesquisadores respondeu e o convidou a ir até lá. Juntos eles trabalhavam às noites e finais de semana para aperfeiçoar o tal invento de um menino de 14 anos, morador em Baltmore.

O que era, afinal? Um simples e baratíssimo teste que detecta o câncer de pâncreas em estágio muito inicial. Coisa que evita tratamentos violentos, cirurgias de alto risco (verdadeiras reengenharias abdominais) e a morte do paciente, antes inevitável. Porque essa doença é difícil de ser diagnosticada. Quando aparece o veredito, já é tarde demais. Só resta jogar com a sorte e torcer para que as drogas funcionem, já que não há remédio específico para esse tipo de câncer.
Não é maravilhosa essa invenção? É espetacular. A notícia saiu quase um mês após a morte de Aaron Swartz. O garoto Jack o agradeceu publicamente pela chance de ter tido acesso aos arquivos.

De fato, informação é poder. Principalmente quando usada por gente do bem, para o bem de todos. Mas Aaron foi tratado como terrorista, vândalo, ladrão e mais um monte de coisas que totalizaram 13 tipos de crimes, de acordo com a “justiça” dos USA.

So… Many and lots of thanks dear Aaron. I love you.

O Menino da Internet: a História de Aaron Swartz

O filme narra a história do jovem Aaron Swartz (1986-2013), um jovem programador norte-americano que acreditava na mudança radical do mundo através da internet

Leia também:

Magaly Pazello: “A internet perdeu um de seus mais brilhantes sonhadores”

O post Dois anos sem Aaron Swartz. Ele queria mudar o mundo através da internet apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

14 Jan 18:11

“Afro-Brazilian Bride” project present contemporary wedding dresses with a representation of African ancestry

by gatasnegrasbrasileiras

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Note from BW of Brazil: The world of fashion is a regular feature here on the blog and while black Brazilian women continue to be vastly under-represented on major fashion runways, black women are quietly carving out their own niche in the fashion design arena and it’s exciting to see. Below we bring you two more black women who decided to do their own thing and bringing the afro in Afro-Brazilian to the front and center! After all, regardless of statistics showing the difficulties Afro-Brazilian women face in making it to the altar, and the magazines that ignore their existence, black women DO get married and they too need guidance to make their day special!

Project creates wedding dresses with Afro-Brazilian styles.

Who says a wedding dress is always the same? With an eye on women who think “outside the box”, Ateliê Xongani developed the project Noiva Afro-Brasileira (Afro-Brazilian Bride), bringing together the classic haute couture fabrics to embroideries and applications typical of African fashion.

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The idea for the project came from conversations with customers that revealed the desire to have a contemporary wedding dress, but which somehow represented African ancestry.

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“Our idea of marriage is very Euro-centered, the bride is represented as a real queen. Constructing the dress concept, we seek references not in the slaves, but in African queens and in all their beauty,” said Ana Paula Mendonça, one of the founders of Xongani.

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The result was a dress with organic and handmade embroidery, not shiny, but rich in detail. As the Brazilians don’t make use of the white hand, the model was made in Italian satin.

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The African touch came due to the application of African fabrics with embroidered beads. The team travels once or twice a year to pan for tissues in Mozambique and South Africa.

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“We search various fashion references and customs to create each accessory and clothes that we do here. We realized that the possibilities multiplied. African fashion has a lot of versatility. You can wear a collar on your head, as a belt, in a tied look … The pieces can be deconstructed,” said Ana Paula.

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For her, the main objective of the project is to allow African culture to be portrayed in the most important moments of life, allowing that the woman “is beautiful with a culture that wasn’t even always appreciated.”

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Ana Paula also pointed out that the brand does not bring to Brazil finished pieces, only fabrics and references.

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“African fashion doesn’t contemplate the Brazilian woman. Brazil is a plural country, with many styles, many languages. We are Afro-Brazilians and not Africans. Therefore, we don’t reproduce concepts, but rethink fashion to adapt it to the reality of the women in our country,” she said.

Cristina and Ana Paula Mendonça, founders of Xongani

Cristina and Ana Paula Mendonça, founders of Xongani

The brand has already received the first orders for the wedding dress and, because of the project’s success, she wants to venture further into fashion. “At the end of the year, a second dress will already be ever released, with a more versatile look and being able to be used as much for brides as for parties in general.”  Anyone who wants an exclusive model, can still browse the workshop for the making of personalized and custom made dresses.

Source: Revista Black Life Brasil


12 Jan 18:40

Como o Ocidente está manufaturando o terrorismo islâmico

by Luiz Carlos Azenha

Obama e Hollande

O Ocidente está manufaturando monstros

Quem deve ser culpado pelo terrorismo islâmico

por ANDRE VLTCHEK*, no Counterpunch, em 09.01.2015

Reprodução parcial

Cem anos atrás, seria inimaginável que um par de homens muçulmanos entrasse em um café ou num veículo de transporte público e se explodisse, matando dezenas de pessoas. Ou que cometesse o massacre da equipe de uma revista satírica em Paris! Coisas como estas simplesmente não aconteciam.

Quando você lê as memórias de Edward Said, ou conversa com homens e mulheres de Jerusalem oriental, fica claro que a maior parte da sociedade palestina era absolutamente secular e moderada. Estava mais preocupada com a vida, a cultura, mesmo com a moda do que com dogmas religiosos.

O mesmo pode ser dito sobre muitas outras sociedades muçulmanas, inclusive as da Síria, Iraque, Irã, Egito e Indonesia. Fotos antigas falam por si. Por isso é importante estudar imagens antigas de novo, cuidadosamente.

O islã não é apenas uma religião; é também uma enorme cultura, uma das maiores do planeta, que enriqueceu nossa humanidade com conquistas científicas e arquitetônicas e com muitas descobertas no campo da medicina.

Os muçulmanos escreveram poesia deslumbrante e compuseram linda música. Mas, acima de tudo, desenvolveram algumas das primeiras estruturas sociais do mundo, inclusive enormes hospitais públicos e as primeiras universidades, como a de al-Qarawiyyin em Fez, no Marrocos.

A ideia do “social” era natural para muitos políticos muçulmanos e, se o Ocidente não tivesse interferido brutalmente, ao derrubar governos de esquerda para colocar no trono aliados fascistas de Londres, Washington e Paris, quase todos os países muçulmanos, inclusive o Irã, o Egito e Indonésia, provavelmente seriam socialistas, sob um grupo moderado de líderes seculares.

***

No passado, muitos líderes muçulmanos se levantaram contra o controle do mundo pelo Ocidente e figuras enormes como o presidente indonesio Ahmet Sukarno, foram próximos aos partidos e ideologias comunistas. Sukarno até forjou um movimento antiimperialista global, o Movimento dos Não-Alinhados, que ficou claramente definido durante a Conferência de Bandung, na Indonesia, em 1955.

Isso contrastava com as elites conservadoras e cristãs, que se sentiam em casa com governantes fascistas e colonialistas, com reis, comerciantes e oligarcas dos grandes negócios.

Para o Império, a existência e a popularidade de governantes muçulmanos progressistas e marxistas governando os países do Oriente Médio ou ricos em recursos como a Indonesia eram claramente inaceitáveis.

Se eles pretendiam usar a riqueza natural para melhorar a vida de seus povos, o que sobraria para o Império e suas corporações? Isso tinha de ser desfeito por todos os meios. O islã tinha de ser dividido, infiltrado com radicais e classes anti-comunistas e por aqueles que não se importavam com o bem estar de seus povos.

***

Quase todos os movimentos radicais do islã de hoje, em qualquer parte do mundo, são ligados ao wahhabismo, uma seita ultraconservadora e reacionária do islã que está no controle da vida política da Arábia Saudita, do Qatar e de outros grandes aliados do Ocidente no Golfo.

Citando o Dr. Abdullah Mohammad Sindi:

“Está muito claro pelos dados históricos que sem apoio britânico nem o wahhabismo nem a Casa de Saud existiriam hoje. O wahhabismo é um movimento fundamentalista do islã inspirado pelos britânicos. Através de sua defesa da Casa de Saud, os Estados Unidos apoiam o wahhabismo direta e indiretamente, apesar dos ataques terroristas do 11 de setembro de 2001. O wahhabismo é violento, direitista, rígido, extremista, reacionário, sexista e intolerante…”

O Ocidente deu apoio total aos wahhabis nos anos 80. Eles foram empregados, financiados e armados depois que a União Soviética foi tragada no Afeganistão, na guerra civil que durou de 1979 a 1989. Como resultado da guerra, a União Soviética entrou em colapso, exausta econômica e psicologicamente.

Os Mujahedeen, que lutaram tanto contra os soviéticos contra o governo esquerdista em Cabul, foram encorajados e financiados pelo Ocidente e seus aliados. Vieram de todos os cantos do mundo islâmico para lugar a “Guerra Santa” contra os infiéis comunistas.

De acordo com os arquivos do Departamento de Estado:

“Contingentes dos assim chamados árabes afegãos e guerrilheiros estrangeiros desejavam mover a jihad contra os ateus comunistas. Notáveis entre eles era um jovem saudita de nome Osama bin Laden, cujo grupo eventualmente se tornou a al-Qaeda”.

Grupos radicais islâmicos, criados e injetados em vários países muçulmanos pelo Ocidente incluem a al-Qaeda, mas também, mais recentemente, o ISIS (também conhecido como ISIL). O ISIS é um exército extremista nascido nos campos de refugiados nas fronteiras entre Síria-Turquia e Síria-Jordânia, que foi financiado pela OTAN e pelo Ocidente para lutar contra o governo (secular) de Bashar al-Assad, na Síria.

Tais implantes radicais servem a vários objetivos. O Ocidente os usar para lutar suas guerras contra inimigos — países que ainda estão no caminho da completa dominação do mundo pelo Império. Depois, mais tarde, quando estes exércitos extremistas “fogem completamente do controle” (como sempre acontece), eles servem como espantalhos para justificar a “Guerra contra o Terror” ou, como o ISIS em Mosul, como desculpa para reengajamento de tropas ocidentais no Iraque.

Notícias sobre grupos radicais muçulmanos são constantemente divulgadas na primeira página de jornais, em capas de revistas ou mostradas nos monitores de TV, para lembrar às pessoas “como o mundo é perigoso”, “como o engajamento do Ocidente é importante” e, consequentemente, como é importante a vigilância, como são indispensáveis as medidas de segurança, assim como os tremendos orçamentos de defesa e as guerras contra estados bandidos.

***

Nas últimas cinco décadas, cerca de 10 milhões de muçulmanos foram assassinados porque seus países não serviram ao Império, não serviram suficientemente ou eram obstáculos no caminho.

As vítimas foram indonesios, iraquianos, argelinos, afegãos, paquistaneses, iranianos, iemenitas, libaneses, egípcios e cidadãos do Mali, da Somalia, do Bahrein e outros.

O Ocidente identificou os monstros mais horríveis, jogou bilhões de dólares, deu armas e treinamento a eles e os soltou por aí.

Os países que promovem o terrorismo, Arábia Saudita e Qatar, são aliados dos mais próximos do Ocidente e nunca foram punidos por exportar o horror para todo o mundo muçulmano.

Movimentos sociais, como o Hezbollah, que está engajado em combate mortal contra o ISIS — mas que também galvanizou o Líbano em sua luta contra a invasão de Israel — estão na lista de “terroristas” compilada pelo Ocidente. Isso explica muito, se alguém se dispuser a prestar atenção.

Olhando a partir do Oriente Médio, parece que o Ocidente, como durante as cruzadas, visa a destruição absoluta dos países e da cultura muçulmanos.

Quando à religião islâmica, o Império aceita apenas as formas amigáveis — aquelas que aceitam o capitalismo extremista e a dominação global pelo Ocidente.

O único tipo tolerável de islã é aquele manufaturado pelo próprio Ocidente e seus aliados do Golfo — desenhado para lutar contra o progresso e a justiça sociais: aquele que devora seu próprio povo.

*É novelista, cineasta e jornalista investigativo.

 PS do Viomundo: Governos seculares derrubados recentemente pelo Ocidente incluem Afeganistão, Iraque e Líbia, sem falar na Síria.

Leia também:

Ricardo Melo: Ateu, graças a deus.

O post Como o Ocidente está manufaturando o terrorismo islâmico apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

10 Jan 16:48

O Sus e a desigualdade no Brasil por Alexandre Padilha via Carta Maior

by admin

O SUS e a desigualdade no Brasil

O Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes que busca oferecer acesso universal à saúde: mas como resolver o subfinanciamento do SUS?

Alexandre Padilha*

Às vésperas do Natal, depois de dias de internação, felizmente a modelo e apresentadora Andressa Urach recebeu alta hospitalar, com vida e pronta para se reabilitar. Durante todos esses dias, a imprensa e as redes foram ricas em comentar sobre a vida da modelo, sobre boatos em relação a sua saúde, sobre técnicas estéticas, sobre a ditadura da beleza e clínicas e mais clínicas. Raras matérias traziam uma informação que surpreende a todos: depois de um périplo por clínicas particulares sem solução definitiva, foi em um hospital 100% SUS, do Grupo Hospitalar Conceição (um dos poucos próprios do Ministério da Saúde) que a modelo teve a sua vida salva e a saúde reabilitada. Foram médicos e profissionais de saúde que enfrentam todas as carências que estão presentes nos hospitais públicos, que cuidaram da complicação decorrente do procedimento estético. Mais uma vez, neste ato, garantiram a modelo o direito de todos os 200 milhões de brasileiros: o acesso a um sistema de saúde que busca ser universal.

Nem no meu maior devaneio SUSista esperava uma manchete do tipo: “Hospital do SUS salva modelo com complicações em procedimentos estéticos realizados em clínica privada”. Ou ” Ao contrário de Miami, modelo não precisou pagar antecipadamente por vida salva em Hospital do SUS”. Mas é preciso falarmos alto para que esta, uma das contradições da relação entre dois sistemas de saúde, público e privado, não passe desapercebida. Pelo tamanho atual dos dois sistemas no Brasil, é fundamental que as contradições sejam cada vez mais enfrentadas, sob risco de inviabilizarmos o projeto de um sistema público universal com qualidade e reforçarmos a iniquidade também no sistema privado.

O Brasil é o único país do mundo, com mais de 100 milhões de habitantes, que busca oferecer a sua população o acesso universal a saúde. Nem mesmo as novas Constituições da América Latina, apelidadas de bolivarianas, foram tão ousadas:” Saúde é DIREITO de todos e DEVER do Estado”. Ao mesmo tempo, temos cerca de 50 milhões de usuários de planos de saúde médico-hospitalares (eram 30 milhões em 2003) e 70 milhões, incluindo planos odontológicos. Os números de ambos os sistemas impressionam ministros da Saúde e investidores de todo o mundo. O caso similar a modelo, pacientes do sistema privado recorrerem ao SUS, por falta de cobertura ou por situação de emergência é muito mais comum do que se imagina. Desde 2011, quando assumi o Ministério da Saúde, implantamos um conjunto de mudanças de gestão para identificar quando isso ocorre. Com elas, busca-se garantir o ressarcimento do plano de saúde ao SUS, porque é dele que se deve cobrar, não do paciente. Desde então, as operadoras são obrigadas a emitir um número de cartão SUS para todo usuário de plano, permitindo ao Ministério este rastreamento. Você que me lê e é usuário de plano de saúde tem número de cartão SUS e talvez não saiba. De lá para cá, foram recordes sucessivos de recuperação de recursos para o SUS: em 3 anos, mais do que em toda história da Agência Nacional de Saúde (ANS), criada em 2000. Mas muito precisa-se avançar nessa cobrança, e o governo Dilma prosseguiu em novas medidas em relação a isso. O motivo mais comum de internação no SUS por detentores de planos de saúde, acreditem: parto. Recentemente, correu as redes a notícia de turista canadense, que teve parto de urgência no Havaí e, quando voltou para casa, recebeu conta de US$2,5 milhões para pagar.

Poderia citar outros exemplos em que somos usuários do SUS sem nem reconhecermos. Desde 2001, o Brasil é recordista mundial de transplantes em hospitais públicos. O SAMU salva vidas sem perguntar o plano ou exigir cheque. A vigilância sanitária estabelece regras e fiscaliza a comida dos restaurantes, inclusive os chiques, de preços estratosféricos. As mesmas analisam risco a saúde de equipamentos, medicamentos, bebidas vendidas em massa, cosméticos e produtos de estética. O próprio uso do HIDROGEL já estava condenado pela Anvisa, evitando novos casos como o de Andressa Urach.

Estas contradições da convivência de dois sistemas públicos e privado impactam nos maiores desafios atuais de sobrevivência do projeto SUS: o seu subfinanciamento e a iniquidade no acesso aos serviços. E criam um ambiente, no mercado de trabalho e no complexo industrial da saúde, que influencia fortemente outro fator decisivo para uma saúde pública humanizada: a formação e a postura dos profissionais de saúde.

Há um consenso suprapartidário no Brasil: a saúde pública é subfinanciada. A divergência é como resolver este fato. Desde o final da CPMF, que retirou R$40 bilhões anuais do orçamento do Ministério da Saude, o Brasil investe na saúde pública em média 3 vezes per capta menos do que parceiros sul americanos como Chile, Argentina e Uruguai; cerca de 7 a 8 vezes do que sistemas nacionais europeus recentes como Portugal e Espanha, cerca de 11 vezes menos do que o tradicional Sistema Nacional Inglês. Ao mesmo tempo, segundo dados recentes publicados pelo IPEA, a isenção fiscal referente aos planos de saúde no Brasil chegou a cerca de R$ 18 bilhões. Ou seja, o mesmo Estado que não garante recursos suficientes para prover um sistema público para todos, co-financia a alternativa para uma parcela da população, que se vê obrigada a pagar valores expressivos para ter acesso a saúde. Além disso, o mesmo Estado suporta o atendimento de vários procedimentos que de alguma forma não são cobertos pelos planos. A incorporação tecnológica, o envelhecimento da população e o impacto dos acidentes automobilísticos e da violência urbana nos custos dos serviços de emergência e reabilitação, transformam esta equação, já precária, em insustentável. Não a toa, a melhoria da saúde é a primeira demanda da população e ter um plano de saúde, o sonho da nova classe trabalhadora. No último período, dois avanços importantes do governo Dilma foram conquistados: a regra que estabelece quanto União, estados e municípios são obrigados a investir em saúde e a vinculação de um percentual dos recursos do pré-sal. Mas precisamos avançar sempre.

As opções para o financiamento da saúde são uma das expressões da desigualdade não tão revelada no nosso país. É mais do que hora de todos nós, que colocamos a redução das desigualdades como centro de um projeto político, enfrentá-las. Se não o fizermos, perderemos a capacidade de interlocução com segmentos expressivos da classe trabalhadora, que sofre com a baixa qualidade e os custos dos sistemas públicos e privados. Temos que ir para ofensiva no diálogo com a sociedade e explicitar que ampliar o financiamento a saúde passa, necessariamente, por inverter o sistema tributário injusto com o qual convivemos. Não é razoável, em um país como o Brasil, que alguém, ao receber R$ 60 mil em 12 meses de trabalho, paga 27% de Imposto de Renda, enquanto alguém que receber R$ 2 milhões de herança, praticamente não será taxado. Em países como EUA (30-40%) França (45%), Alemanha, Japão (50%) as alíquotas para heranças seriam outras. Estudos de 1999 mostram que imposto sobre fortunas no Brasil, entre 0,8% a 1,2%, em fortunas acima de R$ 1 milhão, renderiam uma arrecadação de cerca de 1,7% do PIB, mais do que era obtido pela CPMF.

A formação e a conduta profissional é o outro território invadido por estas relações dos dois sistemas público e privado. A batalha do Mais Médicos, as denúncias recentes de abuso sexual e preconceito por alunos de medicina nas faculdades e a atitude absurda de algumas lideranças condenarem a campanha antiracismo organizada pelo Ministério da Saúde só explicitaram o arcabouço de valores que influencia a formação dos nossos futuros profissionais, de ambos os sistemas. No cerne, há duas correias de tensão, que se alimentam mutuamente. Por um lado, um ideário liberal de exercício da profissão, que alimenta, desde os primeiros dias de graduação, uma não aposta em um sistema público de qualidade e o desrespeito em relação aos seus usuários: pobres, mulheres, negros, homossexuais e “gente não diferenciada”. Por outro, um mercado dinâmico e lucrativo de tecnologia, órteses, próteses, equipamentos, fármacos, serviços, publicações, congressos que financia uma visão cada vez ultraespecializante da formação e da atuação em saúde. Não a toa, a investigação iniciada pelo Ministério da Saúde, em Março de 2013 que teve luz recente graças a matéria de TV, e o Mais Médicos incendiaram o debate, questionaram paradigmas e condutas. Não há nenhum profissional de saúde no Brasil, nem aquele que se especializou em realizar procedimentos estéticos em clínicas privadas, que não tenha dependido do SUS para se formar. Nos meus tempos de estudante de medicina cunhamos a frase: “chega de aprender nos pobres para só querer cuidar dos ricos”

Esta realidade desafiadora nos abre uma grande oportunidade. O entendimento de que um sistema público dessa dimensão, em um país tão desigual e diverso como o nosso, gera plataforma continental para um amplo complexo de indústria e serviços no campo da saúde. O Brasil será mais rico e menos desigual se pudermos articular as duas perspectivas. Não será possível sustentar um sistema público de saúde sem crescimento econômico e para tal é necessário colocarmos os 2 pés no universo da inovação tecnológica. Ao mesmo tempo, o complexo de indústrias e de serviços da saúde não sobrevive no Brasil se desprezar o mercado interno impulsionado pelo acesso a um sistema público, cada vez mais tecnológico. Usar o poder de compra do estado para fortalecer um setor econômico que gere empregos e inovação tecnológica no Brasil teve, na Saúde, a sua experiência recente mais exitosa. Ela foi calcada de um lado na ousadia, ao estabelecer o interesse público e nacional como o rumo a ser seguido, e previsibilidade, regras que estimulassem o setor privado a fazer este jogo de interesse para o Brasil. Beber dessa experiência é fundamental para fortalecermos a Saúde como um impulso, e não um peso a carregar, na agenda de desenvolvimento do Brasil.

*Alexandre Padilha, médico, 43 anos, ex-Ministro da Coordenação Política de Lula e Saúde de Dilma e candidato a governador de SP em 2014

10 Jan 13:40

Haddad faz o óbvio. Que ninguém fez antes

by Carlos Motta
O título de uma notícia me chama a atenção na home da Folha: "Prefeitura de São Paulo planeja garagens perto de estações de metrô."

E no subtítulo: "Gestão Haddad pretende estimular a construção de estacionamentos fora do centro expandido."

Não leio a nota inteira porque não tenho acesso ao seu conteúdo, restrito aos assinantes do jornalão.

Mesmo assim, deduzo que o prefeito paulistano quer, com essa medida, estimular o uso do metrô para as pessoas que trabalham longe de onde moram e assim retirar seus carros de circulação em locais onde o trânsito já está completamente saturado.


É mais uma iniciativa inteligente de Haddad - como as faixas exclusivas de ônibus e as ciclovias - para dar uma melhorada no caos da mobilidade urbana da capital paulista.

O que é de se admirar é que somente agora, 40 anos depois da construção das primeiras linhas de metrô em São Paulo, alguém pense nisso.

Quando morava na capital, embarquei diversas vezes na estação do Butantã, grande, até mesmo imponente.

Mas todas as vezes que ia lá ficava pensando em como foi possível que ninguém tivesse pensado em construir, ao lado daquele edifício imenso, um outro, de garagens, para que quem trabalhasse em outras regiões da cidade, pudesse deixar ali seu carro, embarcar no trem, e ir, com relativa despreocupação - e gastando menos - ao serviço.

Também nunca me conformei com o fato de que os engenheiros que projetaram a estação tivessem se esquecido de incluir nela um pequeno detalhe: sanitários.

Milhares de pessoas entrando e saindo dali, todos os dias, e nem um banheiro, sequer um...

E aí eu me vejo pensando: será que quem projeta essas obras tem alguma consideração, algum apreço, o mínimo de respeito, pelo público que vai usá-las?
09 Jan 11:51

A número um

by Luis Fausto

Em meio a tempestades diárias, vejam só a informação da agência Reuters:

A Petrobras tornou-se a maior produtora de petróleo entre as empresas de capital aberto no mundo, após superar a norte-americana ExxonMobil no terceiro trimestre de 2014, informou a petroleira estatal nesta quinta-feira.

A ExxonMobil produziu 2,065 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) no terceiro trimestre, segundo o balanço da companhia, enquanto a Petrobras produziu 2,209 milhões de barris/dia no mesmo período.

Quando somadas as produções de óleo e gás, a Petrobras ainda ocupa a quarta posição no ranking, ponderou a estatal.

A notícia positiva acontece em um momento em que o preço do petróleo atingiu mínima de diversos anos no mercado internacional, reduzindo a receita com a venda do produto no exterior, enquanto a companhia ainda é alvo de acusações de envolvimento em esquemas de desvio de dinheiro.

Apesar do cenário ruim, que tem feito as ações da Petrobras sofrerem na bolsa, a empresa comemora um bom momento de resultados operacionais, após diversos atrasos na entrada em operação de plataformas.

De acordo com a petroleira, ela também foi a empresa que mais aumentou a sua produção de óleo, tanto em termos percentuais quanto absolutos, em 2014 até setembro.

“Nos nove primeiros meses de 2014, a Petrobras e a ConocoPhillips foram as únicas empresas de capital aberto que registraram aumento de produção de petróleo”, afirmou a estatal. “No caso da Petrobras, esse aumento foi de 3,3 por cento e, da Conoco, de 0,4 por cento.”

A Petrobras destacou ainda que bateu novo recorde de produção, de 2,286 mil bpd de óleo, em 21 de dezembro, e frisou que atingiu no pré-sal do Brasil, junto com outras petroleiras, o recorde de 700 mil bpd em 16 de dezembro.

Segundo a companhia, em 2014 foram adicionados 500 mil bpd de capacidade, com a entrada em operação de quatro novas unidades de produção.

“Esse volume será gradativamente incorporado à produção, garantindo que em 2015 a empresa continue aumentando a produção de óleo e gás”, afirmou.

Entretanto, a P-61, uma das plataformas programadas para o ano passado, que inicialmente entraria em operação em 2013 no campo de Papa-Terra, na Bacia de Campos, não havia começado a produzir até o final de dezembro.

O crescimento na produção em 2014, após pesados investimentos nos últimos anos, ocorreu depois de dois anos de recuo na extração no Brasil.

Em sua última previsão, a estatal previu elevar a produção de petróleo no país entre 5,5 e 6 por cento em 2014, abaixo da meta de 7,5 por cento traçada inicialmente no ano passado, em meio a atrasos na entrega de equipamentos.

A empresa ainda não divulgou a produção fechada de dezembro.

08 Jan 19:02

53% dos paulistanos acham que falta d’água é culpa de Dilma e Haddad

by eduguim

água capa

 

Na última quarta-feira (7/1), a Sabesp foi autorizada pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) a aplicar multa de 40% a 100% para quem consumir mais água neste ano no comparativo entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014. A medida deve ser publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (8).

Confira, abaixo, o gráfico explicativo sobre o sistema elaborado pelo governo paulista para punir quem consumir mais água do que o permitido.

água 1

 

Como se vê, não será preciso que os moradores da capital paulista gastem muita água para ser multados. Na verdade, terão que gastar menos água do que costumam gastar no verão, porque a base de cálculo que será utilizada pelo governo Alckmin para punir quem ultrapassar o racionamento – que, até agora, a mídia local não chamou pelo nome – se baseia na média de 12 meses de um ano antes de o problema se agravar (2013).

Como a média de 12 meses pega outono, inverno e primavera, meses em que a população consome menos água, e é aplicada no verão, a base para multar os paulistanos, que apoiaram com tanto entusiasmo o governo Alckmin nas últimas eleições, é uma trapaça: quem não reduzir o consumo que costuma ter no verão, irá pagar até o dobro pela conta de água.

Os acionistas da Sabesp agradecem. Com o perdão pela piada infame, os detentores de ações da Sabesp (percentual infinitesimal da população da cidade) irão “lavar a égua”.

Como se explica, então, que o governador Geraldo Alckmin tenha conseguido se reeleger em 1º turno com uma votação tão consagradora? Como se explica, aliás, que mesmo após o anúncio das punições para quem não DIMINUIR o consumo de água não tenha havido uma revolta na cidade?

Nesta sexta-feira, o famigerado Movimento Passe Livre irá às ruas da capital paulista contra aumento de 50 centavos no preço das passagens de ônibus, apesar de que, de acordo com a prefeitura paulistana, “Desde o último reajuste, em janeiro de 2011, a inflação acumulada foi de 27%” e “O reajuste da tarifa básica, de R$ 3,00 para R$ 3,50, ficou abaixo disso, em 16,67%.”.

Pode-se dizer, portanto, que o preço das passagens ficou mais barato para os paulistanos, nos últimos anos, pois os salários subiram em 2012, 2013 e 2014 e as passagens, não.

Aliás, o fato é que os paulistanos não estão pagando menos pelas passagens. Como a prefeitura herdou contrato com as empresas de ônibus que preveem aumentos anuais, o erário paulistano – ou seja, o povo – está pagando os aumentos do mesmo jeito, ainda que não sinta na catraca dos ônibus.

Mas o que importa mesmo é que enquanto um grupo de paulistanos vai à rua para protestar contra um pequeno aumento no preço das passagens, ninguém sai para protestar contra o descomunal aumento no preço da água justamente quando o serviço prestado pelo governo do Estado, nesse setor, piora de forma absurda, com racionamento velado e preços MUITO mais caros.

A que se deve isso? Deve-se ao fato (comprovado) de que a maioria dos moradores da capital paulista não sabe de quem é a responsabilidade pela distribuição de água, mas pensa que sabe.

Durante o primeiro turno das eleições deste ano, a população paulistana escolheu seu novo governador sem saber que o problema de água, que então já se fazia sentir, foi causado por incompetência dos governos do PSDB desde 2004.

A insuficiência do Sistema Cantareira, que abastece 47% da região metropolitana de São Paulo, é um problema que o governo paulista conhecia desde 2004. Naquele ano, a Agência Nacional de Águas (ANA), órgão federal, renovou a concessão da Sabesp para distribuir água no Estado de São Paulo. No documento de concessão da outorga dada à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em 2004 para explorar por dez anos o reservatório Cantareira, o artigo 16 estipulava que a empresa deveria realizar em 30 meses “estudos e projetos que viabilizassem a redução de sua dependência do sistema”.

Passaram-se dez anos e nada foi feito.

Ainda assim, Alckmin se reelegeu com 57% dos votos válidos. Em primeiro turno. Ele e José Serra, que governaram São Paulo de 2004 até o ano passado, não cumpriram o acordo firmado naquele ano com o governo Lula e, ainda assim, a população paulistana apoia o PSDB como se estivesse fazendo um grande governo.

A explicação para isso está em uma pesquisa Datafolha publicada no dia 20 de outubro, que mostra que a população da maior cidade do país não sabe de quem é a culpa pelo sofrimento que vem passando com o racionamento velado de água – que irá piorar, porque, além desse desconforto, ainda terá que pagar mais pelo péssimo serviço da Sabesp.

A pesquisa Datafolha em questão foi divulgada pelo jornal naquele mês, mas escondeu um dado assustador: 53% dos paulistanos atribuem os problemas na distribuição de água a Dilma Rousseff e ao prefeito Fernando Haddad, ambos do PT, apesar de a responsabilidade pelo problema ser exclusivamente do governo do Estado, controlador da Sabesp.

O problema do abastecimento de água em São Paulo só começou a ser tratado com maior intensidade pela imprensa local após a eleição em primeiro turno, que Alckmin venceu com um pé nas costas. Em 20 de outubro, o problema ganha manchete de primeira página na Folha de São Paulo.

água 2

 

Porém, em nenhum momento o jornal publicou um destaque para esse dado impressionante de que a maioria dos paulistanos estava equivocada sobre a responsabilidade por um problema que tem torturado a população. Das quatro matérias que trataram do assunto, a informação foi dada num pé de página escondido lá no caderno “cotidiano”.

água 3

 

Claro que os adversários de Alckmin tentaram explicar à população paulistana que o governador que ela estava reelegendo é que tinha responsabilidade pela crise de abastecimento de água, mas essa população estava tão embriagada pelo antipetismo que nem se deu ao trabalho de assistir o horário eleitoral.

Restaria à imprensa local explicar aos zumbis que habitam a maior e mais rica cidade do país que os governos do PSDB ficaram sentados em cima do problema de abastecimento de água durante uma década (desde 2004) sem tomar providências, mas essa mesma imprensa se absteve, vergonhosamente, de tratar do assunto durante a campanha – só foi noticiar alguma coisa DEPOIS do primeiro turno.

E o pior é que, como paulistano, nem posso dizer que será bem feito o sofrimento por falta de água que estamos passando – e que deve aumentar nos próximos meses -, pois, apesar de integrar a minoria consciente que sabe por que meu Estado piorou tanto ao longo de 20 anos de governos do PSDB, também estou sofrendo com falta de água.

05 Jan 17:44

Aluguel de carros compartilhados em Amsterdam

by Daniel Duclos

Se preferir ler o artigo no Ducs Amsterdam. acesse aqui: Aluguel de carros compartilhados em Amsterdam.

Eu sei: esse é um artigo para quem mora em Amsterdam, não serve muito para quem quer alugar um carro como turista. Pra esses casos, você pode usar locadoras de carro tradicionais. Eu vou contar de uma curiosidade da vida aqui.

Desde que mudamos para Amsterdam, não temos carro. Eu não posso dirigir de toda a forma, quem dirige é apenas a Carla. Na maior parte do tempo usamos transporte público, bike ou andamos a pé.

Sim, Amsterdam é o paraíso das bikes, e elas são em geral o melhor meio de ir de um canto pra outro na cidade.

Porém, depois que nossa primeira filha nasceu, tem umas poucas vezes no ano em que ter um carro pode ser prático. Mas não prático o suficiente para justificar efetivamente ter um. Não, carro ainda não compensa pra gente ter. Como fazer?

Alugando um carro da vizinhança

Carro compartilhado! Mas tipo, não é juntar com os vizinhos  e fazer vaquinha pra rachar a gasosa no fim do mês. Existem empresas que oferecem esse programa de carro da vizinhança. É bem bacana. Nós usamos a Green Wheels.

Green Wheels

Naturalmente que o "Green Wheels" é vermelho, né. Faz sentido.

Funciona assim: você paga uma pequena quantia por mês e quando precisa pode pegar por algumas horas um carro deles que fica estacionado na vizinhança (eles tem diversos carros espalhados pelas vizinhanças na Holanda toda, não é só em Amsterdam).

Você reserva no site ou app as horas que quer usar, vai até o carro, usa seu cartão de transporte público (tem que ter cadastrado antes) para abrir o carro, a chave está no porta luvas acoplada a um computador, e aí você dirige e tal e depois estaciona no mesmo local, em geral perto da sua casa.

Quem estiver usando o carro e o tanque baixar de 25%, tem que ir até um posto e abastecer, pagando com um cartão que fica dentro do porta luvas também (não rola usar esse cartão pra outros carros nem outras coisas, relaxa).

Supimpa, né? Eles descontam o seu uso direto na conta. E nós não usamos nem todo mês, aliás, é poucas vezes por ano. E eles ficam com a dor de cabeça de manutenção do carro, pagar a vaga fixa dele, essas coisas.

Claro, tem vezes que você quer o carro e alguém já alugou (daí tem que ir pegar um um pouco mais longe - nunca ficamos sem carro nenhum), e tem vezes que os porconildos que usaram o carro antes de você não limparam o lixo. Nhé. Ainda assim, compensa de longe pra gente.

Mas a Green Wheels não é a única brincando de carro compartilhado. É apenas a que usamos.

Carro compartilhado elétrico

Tem também a Car2Go, que fornece carros elétricos, tem em diversos países, e agora na Holanda também. É mais espontâneo do que o Green Wheels: você não precisa entregar no mesmo lugar que pegou, basta estacionar em algum lugar da área de operação (e, óbvio, né, não pode estacionar ilegalmente).

car2go

Um Car2Go abastecendo calmamente enquanto contempla um canal em Amsterdam... *bzzt*bela vista*bzzt* (Foto: Nick Morris, CC by-nc-sa 2.0)

Bom, mas aí como você acha um Car2Go? Hey, século 21, amigo: com um app. O app te mostra onde tem um carro mais próximo e aí você vai e aluga. Inclusive, se você vir um carro na rua, e ele estiver livre, você não precisa nem reservar. Só acionar o sistema via app ou cartão, destravar e entrar. Se não, pode fazer uma reserva até 30 minutos antes do uso. No app tem um mapa com a localização dos carros.

Aliás, se você é membro do programa, pode inclusive usar o Car2Go nas outra capitais em que ele existe, mesmo em outros países, o que eu achei bem interessante.

Os Car2Go são elétricos e são smart, ou seja, minúsculos. A vantagem é que, bem, o carro cabe em qualquer lugar. A desvantagem... bom a Holanda é o país com maior média de altura do mundo, calcula os holandeses se auto-zipando pra se compactar dentro de um carro smart. E o porta-malas é simbólico, mais pra porta-pochetes. E, bem, se for encarar subida, o motor não é o mais possante. Sorte que a Holanda é basicamente plana (dizem que se você subir num banquinho dá pra ver a Bélgica, mas é maldade.)

De toda a forma, de acordo com amigos meus que usam, são flexíveis e práticos. E ser elétrico tem a vantagem ambiental sobre um carro a combustão.

Amsterdam não é uma cidade feita para carros. Quase foi transformada em uma, mas os holandeses teimaram e, na Holanda toda, brigaram pra as cidades aqui continuarem sendo mais amigas do pedal do que do motor. Deu certo. Amsterdam, com um pouco de prática e cuidado, ainda pertence às bikes.

Mas se é pra usar carro, eu prefiro um esquema desses. Acho muito menos desperdício do que cada um ter seu carro pra ficar parado na maior parte do dia...

(Aviso: eu não recebi absolutamente nada para falar dessas empresas, escolhi a pauta espontaneamente porque achei uma curiosidade interessante, e as informações eu colhi nos sites das empresas, linkados no texto, conversando com amigos e de experiência pessoal minha e da Carla.)

O artigo Aluguel de carros compartilhados em Amsterdam foi retirado de Ducs Amsterdam.

05 Jan 13:36

Como a Veja foi atacada por seus próprios leitores numa matéria sobre o nazismo na PM

by Pedro Zambarda de Araujo
  A Veja publicou uma reportagem na sua última edição com uma denúncia envolvendo um tenente-coronel da PM do Rio chamado Fábio Almeida de Souza, que supostamente teria simpatia pelo nazismo dentro da Tropa de Choque. Ele participou das manifestações de 2013 e pode ter incitado confrontos físic...
05 Jan 13:30

Uma auditoria imprescindível

by Carlos Santos

Caberá ao governador Robinson Faria (PSD) fazer o que Wilma de Faria (PSB) ensaiou e não fez, Rosalba Ciarlini (DEM) teve meios para fazer e se esquivou.

Uma auditoria na folha de pessoal do Estado.

Wilma chegou a encomendar o chamado “Relatório Trevisan”, que apontara uma série de irregularidades herdadas dos governos Garibaldi Filho (PMDB) e Fernando Freire (PMDB). Mas preferiu engavetar tudo.

Rosalba, nem isso.

Se Robinson conseguir negociar cruzamento da folha do Estado com servidores de Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, além das maiores prefeituras e câmaras municipais, conseguirá um feito único.

Sem esse saneamento, será impossível governar bem o RN.

Tudo vem sendo levado com a barriga há várias décadas.

O erário não aguenta mais servir a tão poucos em detrimentos da grande maioria.

05 Jan 13:20

O desafio grego e os amigos portugueses

by noreply@blogger.com (João Ramos de Almeida)

Hoje de manhã, encontrei no metro o meu velho colega Rui Zink. Ele trazia o jornal i debaixo do braço e, no meio da conversa torrencial que lhe é habitual, chamou-me atenção para vários artigos dessa edição. À minha frente, desfolhava com ansiedade o jornal  para mostrar um deles, sobre o Governo alemão e a Grécia.

Título: "Merkel disposta a dar castigo exemplar à Grécia para pôr a Europa na linha"

O que o abismava era o conjunto de ideias subjacentes ao título, nem sempre factos mas interpretações sobre factos, que até condiziam com as palavras do nome do seu autor: Diogo Vaz Pinto. Era todo um programa. Um pacote completo.

Para quem anda no jornalismo há umas décadas, nada disto é muito espantoso. Os meios de comunicação social não são independentes e puros: são uma amálgama de jornalistas, organizados hierarquicamente nem sempre pelo mérito e competência, cada vez mais levados a cumprir agendas impostas e que, mais tarde ou mais cedo, acabam por reflectir a cabeça de quem os dirige. E que, como dizia o Zink, muitas vezes até têm uns jornalistas de esquerda para mostrar que são pluralistas, geralmente homens sem queixo, que se calam quando os mandam calar-se, porque, no fundo, ninguém gosta de perder o emprego. E deu o exemplo da cadeia Fox.

Deixei-o à pressa porque estava atrasado, mas fiquei a pensar no i.

O título é, de facto, uma obra-prima. "Merkel disposta a dar" é uma conjunção de palavras plena de equívocos e conotações. "Castigo exemplar" revela a concordância com a ideia proto-segregadora de que os "tipos do sul" se comportam mal, porque se arriscam a eleger representantes contra a ideia de uma austeridade moralizadora que, por acaso, até é irracional porque economicamente ineficaz. E, finalmente, o remate: "Para pôr a Europa na linha". Nada como um castigo para endireitar os pobres de espírito e fracos de cabeça. E "na linha" entenda-se "em sentido".

E o texto é de ler com atenção: "Com o Syriza a liderar as sondagens a semanas das presidenciais, Berlim diz que desta vez não vai evitar que os gregos se lancem no abismo". No abismo? Haverá maior abismo como em Portugal onde, em 2 anos, se destruíram 500 mil postos de trabalho? "O ABC da nova democracia proposta pela Alemanha aos restantes membros da zona euro está a ser explicada novamente aos piores alunos da Europa: os gregos". Lá vêm os velhos estratagemas diplomáticos que, em 2010/11, de nada nos safaram: "Não somos gregos, não somos gregos". "A primeira regra é que só há um caminho para o futuro e esse é o da austeridade." Outra ideia muito repetida nos media: "Não há alternativa, façamos o que querem os mercados". "A chanceler Angela Merkel quis assegurar-se de que os alunos na última fila percebiam que não há margem para desvios, e sublinhou que se a Grécia escolher um governo que desafie a lei da austeridade, desta vez o país será deixado à sua sorte." Sem comentários.

E eu a pensar que a Alemanha até sente um calafrio pela espinha de cada vez que a Grécia desafia o todo-poderoso mandamento da austeridade e se mostra orgulhosamente disposta a defender cara a sua pele, contra um programa irracional. Não foi assim quando a Grécia quis referendar a permanência no euro e no dia seguinte foram tantas as pressões que a Grécia recuou? É toda a inversão enviesada da realidade.

Aliás, é sintomático que o porta-voz do governo alemão se apresse a negar tudo. E que jornais em Portugal logo façam eco dessa ideia (aqui e aqui).

De qualquer forma, o facto novo é que a Alemanha volta a usar a estratégia chantagista da saída da Grécia, alegando estar sob chantagem. E que, como diz Ricardo Cabral na sua crónica de ontem, esse novo patamar de jogo obriga os países do sul a estar preparados para ele. Porque, citando Otto von Bismark, "Glaube nie, was die Politik sagt, solange es nicht offiziell dementiert wurde"(“Never believe anything in politics until it has been officially denied”).

02 Jan 11:32

“Mas o que aconteceu com você?”

by Clara

A pior coisa de engordar nem é engordar; é ter que lidar com toda uma sociedade que se acha no direito de opinar acerca do seu corpo e de fazer perguntas invasivas.

Ocorre o seguinte: amiga minha engordou. Segue linda, apenas alguns números maior. Sabe o que ela me contou? Que não se sente mal consigo, mas evita sair de casa e ir a determinados lugares que algumas pessoas que ela conhece frequentam porque sente os olhares de “GORDA!” e sabe que vai ser ela sair do ambiente para que comecem a comentar. Pior, uma dessas pessoas chegou a chamar ela no cantinho e perguntar: mas o que aconteceu com você?!

COMO ASSIM, GENTE?!

Essas pessoas não têm vergonha? Não têm noção?

A mina está bem, linda, conhece vários países, tem um emprego massa, é uma mulher incrível, por que tem que ter acontecido alguma coisa com ela? Nunca vi ninguém chegar nesse tom pra alguém que emagreceu 10 quilos, e é bem mais possível que alguém emagreça porque está doente, né? Quando são 10 quilos a menos é sempre: “nossa, tá linda, tá magra, o que você fez?”

Já contei mil vezes aqui: quando emagreci muito e muito rápido por causa de uma depressão, pouquíssimas pessoas se preocuparam com minha saúde física ou mental e eu ouvia muito que estava linda. Nem estava. Estava apenas magra. Magra e louca. Mas ouvi “tá linda, tá magra” mil vezes.

Quero começar esse 2015 propondo: vamos nos importar mais com a felicidade das pessoas e menos com os pneus delas? Vai ser bem mais legal pra todo mundo.

01 Jan 14:07

Tamo junta

by Clara

Vim passar o final de ano na casa dos meus pais, em Porto Alegre.

Inventei de revirar um baú e achei um diário meu de 1996.

Eu tinha 17 anos, ouvia muito rap misógino, achava que eu era superior a todas as outras (tem vários “odeio mulher” “isso é coisa de mulher” espalhados pelo tal caderno) que, segundo minha pessoa de 17 anos, “não tinham cérebro e só se importavam com corpo e academia” e… era bulímica. Quer dizer, elas só se importavam com corpo mas eu, a superior, a que manjava dos sons, que era amiga dos caras, era bulímica e achava que o cara por quem eu era apaixonada só não ficava comigo porque eu ainda não era magra o suficiente (relendo o diário acho que ele me pegava escondido porque a outra mina que ele curtia não fazia sexo).

Que coisa mais triste. Como eu queria ter encontrado naquela época alguém que me dissesse que eu não precisava odiar mulher, que estávamos todas no mesmo barco, que eu não precisava provar nada praquele bando de homenzinho machista, que eu não precisava ser perfeita. Éramos uns três grupos diferentes de minas competindo, cada uma da sua forma, pela atenção dos caras. Algumas viviam na academia, outras curtiam as droguinhas, outras compartilhavam o gosto e a vontade de fazer música com os rapazes… Eu era essa aí, que curtia droguinha e ouvia o que eles ouviam e queria fazer música. Ouvia porque gostava, claro, mas identificava as “bitches” das músicas como “as outras”. As vadias eram elas. Eu ainda não tinha entendido que por mais que eu tentasse me diferenciar das “outras”, eu era mulher. O que eu entendia como mulher não me servia, então, no meu raciocínio, eu não era mulher. E na fase seguinte eu era a…

~TAN TAN TAN~

MULHER DE VERDADE.

Que vergonha.

É tanta coisa errada nesse diário que a minha vontade é voltar no tempo e abraçar aquela Clara tão confusa, que se contentava com um banquinho no cantinho do mundo masculino porque entendia dos “assuntos de homem” mas queria ser desejada, queria ser linda, queria ser foda.

Não posso. O tempo passou e com ele eu aprendi que as mulheres não são minhas inimigas, que eu não preciso competir com elas e, principalmente, que não existo para agradar homem. Que coisa maravilhosa é saber disso. Que pena ter demorado tanto para aprender.

Não posso voltar no tempo.

O que eu posso fazer é contar isso pra vocês, que têm 14, 15, 17, 25 anos e torcer para que o despertar de vocês venha antes. O meu começou aos vinte e muitos. Nunca é tarde. Mas quanto mais cedo, melhor a vida pode ser.

Estamos todas no mesmo barco, gatas. Não existe “nós” e “elas”. Somos todas “elas”.

Dêem cá um abraço em mim e na Clara de 17 anos e não vamos esquecer disso jamais.

<3

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01 Jan 13:36

Ministro Gilmar Mendes, quando sua família vai devolver aos guaranis as terras que lhes pertencem?

by Antônio Mello


Encerrando pronunciamento no Senado, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) deixou no ar uma acusação contra a família do ministro do STF Gilmar Mendes:

(...) acho oportuno lembrar que a família do Ministro Gilmar Mendes [do Supremo Tribunal Federal], que é do Mato Grosso do Sul, é uma das grandes [...] [ocupadoras] de terras indígenas. [...]
A lembrança do senador caiu no silêncio. O ministro a ignorou solenemente. Logo ele, tão loquaz. No entanto, a lembrança do senador serve mais uma vez como denúncia do crime continuado que vem sendo praticado contra os guaranis.

Após a chegada dos europeus à América do Sul, cerca de 500 anos atrás, o povo guarani foi um dos primeiros a serem contatados. Atualmente, vivem no Brasil aproximadamente 51 mil índios guaranis em sete Estados diferentes, tornando-os a etnia mais numerosa do País, a qual está dividida em três grupos: kaiowá, ñandeva e m'byá, dos quais o maior é o kaiowá, que significa "povo da floresta".

Profundamente afetados pela perda de quase todas as suas terras no século passado, o povo guarani sofre uma onda de suicídio inigualável na América do Sul. Os problemas são especialmente graves no Mato Grosso do Sul, onde a etnia já chegou a ocupar uma área de florestas e planícies de cerca de 350 mil quilômetros quadrados. 

Hoje em dia, os índios vivem espremidos em pequenos pedaços de terra cercados por fazendas de gado e vastos campos de soja e cana-de-açúcar. Alguns não têm terra alguma e vivem acampados na beira das estradas.

Em outras palavras, nos últimos 500 anos, praticamente todas as terras dos guaranis no Mato Grosso do Sul foram tomadas deles. Ondas de desmatamento converteram as terras férteis dos guaranis em uma vasta rede de fazendas de gado e plantações de cana-de-açúcar. Muitos dos guaranis estão amontoados em pequenas reservas, que estão cronicamente superlotadas. Na reserva de Dourados, por exemplo, 12 mil índios vivem em pouco mais de 3 mil hectares.
A destruição da floresta fez com que as práticas da caça e da pesca sejam impossíveis, e não há mais terra suficiente até mesmo para plantar. A desnutrição é um problema sério e, desde 2005, pelo menos 53 crianças guaranis morreram de fome.
Ainda em seu discurso, o senador Suplicy destacou trechos de um artigo da antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, membro da Academia Brasileira de Ciências e Professora Titular aposentada da Universidade de São Paulo e da Universidade de Chicago:

A Constituição de 1988 inaugurou entre os índios guarani espoliados a esperança de que agora se encontravam em um "tempo do direito". [No entanto...]  há a tentativa de aplicação automática da controversa teoria do "marco temporal", segundo a qual a Constituição de 1988 só garantiria aos índios as terras que eles estivessem ocupando no dia da promulgação da Carta Magna.

Como disse um líder kaiowá ao protestar recentemente em Brasília: “A coisa está tão absurda que hoje querem nos penalizar por termos sido expulsos de nossos territórios. Querem que assumamos a culpa pelo crime deles. Durante décadas nos expulsaram de nossa terra à força e agora querem dizer que não estávamos lá em 1988 e, por isso, não podemos acessar nossos territórios?”.

Segundo o Prof. Dalmo de Abreu Dallari, "Os que se diziam ou se dizem proprietários das terras indígenas alegam que receberam essas terras do governo do Estado de Mato Grosso. Ocorre, entretanto, que, desde o tempo do Império, as terras consideradas não ocupadas pertenciam ao governo central e, com a proclamação da República, passaram a ser parte do patrimônio da União. Assim, as doações de terras feitas pelo Estado de Mato Grosso não têm valor legal".

O STF pode começar a fazer Justiça devolvendo aos guaranis as terras que lhes pertencem. A começar pela família de um de seus ministros, o tonitruante Gilmar Mendes.


Madame Flaubert, de Antonio Mello

01 Jan 13:36

God doesn’t make mistakes, people do

by raisingmyrainbow
The suicide and suicide letter of Leelah Alcorn haunt me. They have gripped my heart and not let go, squeezing tighter every time I think about them. And, I think about them often. Leelah’s suicide affects me so deeply because, … Continue reading →
30 Dec 23:59

Fim da Secretaria de Políticas para as Mulheres – RS: dois passos atrás

by alexandrehaubrich

Ariane Leitão*

A confirmação da extinção da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres- SPM/RS provocou movimentações de diversos setores da sociedade gaúcha, na última semana. As galerias da Assembleia Legislativa, lotadas, constrangeram deputados e deputadas da base aliada do Governador eleito e o silêncio, que acatou a decisão do próximo executivo, conseguiu ser pior que as manifestações machistas dos deputados Mano Changes e Paulo Odone, ao ameaçar os movimentos feministas que ocupavam espaço legítimo na luta pela garantia de direitos. Lembro porém, que a famigerada decisão já fora anunciada diversas vezes durante o período eleitoral pela então candidata e Senadora Ana Amélia Lemos, corroborada pelo Governador eleito José Ivo Sartori, que cumpriu o prometido. Portanto, não estamos falando de fato novo ou surpreendente, tratamos aqui de uma decisão política, calcada em um projeto de governo que opta por “cortar gastos” às custas do ataque aos direitos humanos da população, e neste caso, aos das mulheres gaúchas.

Por Filipe Castilhos/Sul21

Sob a justificativa de que o estado precisa “equilibrar as finanças”, a maior conquista do movimento de mulheres do Rio Grande do Sul do último período, foi extinta sem delongas. O que parecia um pesadelo foi amenizado com a desistência de passar nossas políticas de emancipação para o Gabinete da Primeira Dama, sendo estas então, absorvidas pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos. Perdemos autonomia, visibilidade e prioridade dentro da administração estadual. Retrocedemos. A implementação de um espaço público de poder destinado à garantia dos direitos das mulheres, acordada e cumprida pelo atual Governador Tarso Genro, há quatro anos atrás, firmou ideais igualitários no Rio Grande e colocou a vida das mulheres entre as prioridades do último governo. Nunca tanto recurso público foi investido para as mulheres e meninas, nunca se falou tanto em políticas para as mulheres e sobre o nosso papel na sociedade, nunca se combateu tão fortemente a violência e o preconceito de gênero, nunca estivemos tão empoderadas.

A partir de uma nova perspectiva política, ocupamos espaços dentro e fora do governo. Avançamos no Judiciário, no Ministério Público, na Defensoria Pública, nos legislativos, nos movimentos sociais, em casa e nas páginas dos jornais. Ainda que com a insistência de alguns grandes veículos de comunicação, saímos das páginas policiais e passamos para um novo patamar: divulgar conquistas. Por este motivo nossa secretaria foi extinta! O avanço que me refiro, trata-se de uma mudança cultural no estado gaúcho, trata-se de uma alteração no status quo de uma sociedade machista e misógina, que teve os privilégios masculinos questionados a partir de um ideário onde o homem não cumpre um papel social superior à mulher. Ou seja, a consolidação de uma sociedade calcada em preceitos democráticos fundamentais, como a equidade e igualdade. A reação às estas mudanças foi violenta. Convivemos com ondas de ataques à vida das mulheres, feminicídios em diferentes locais do estado em curtos espaços de tempo, enfrentamos o desrespeito de alguns setores da imprensa gaúcha que mergulhados no conservadorismo, invariavelmente, insistem em diminuir nossas conquistas, ridicularizando e ou invisibilizando nossa política, banalizando a subjugação. Os ataques às mulheres e ao feminismo só fizeram crescer no último período. A reação à nossa autonomia veio a galope.

Poderia discorrer aqui sobre números e dados que comprovam minha argumentação sobre a necessidade de existência da SPM/RS, no entanto, isso foi feito durante os quatro anos do nosso governo. A relativização da política pública que desenvolvemos e de seus resultados, faz parte da tática machista da próxima administração gaúcha, que vincula nossos avanços a questões circunstanciais, sem a responsabilidade devida de um governo que herda não só políticas públicas de governo, mas também de estado, introjetadas nos diferentes poderes instituídos. A Rede Lilás, pioneira no Brasil, abarcou as diferentes ferramentas de combate à violência e o preconceito contra as mulheres e meninas, e materializou a transversalidade de uma política que só dá certo quando trabalhada em parceria e com responsabilidades compartilhadas.

A justificativa de que é necessário cortar em custeio, é repetida como um mantra pelos homens que comandarão o Rio Grande nos próximos anos. No entanto, são pegos de surpresa por mulheres, que pasmem, entendem de contas públicas e questionam: porquê o corte da menor secretaria do estado, que tem baixíssimo custo e que desenvolveu ações e políticas tão significativas? Ou preservar a vida das mulheres não é tão importante? Nada surpreendente diante de um Governador eleito, que antes mesmo de tomar posse, se refere publicamente às mulheres como “as que mandam no lar” conforme disparou Sartori em entrevista à Zero Hora, deixando transparecer toda sua visão patriarcal sobre as mulheres. Ou pior, para um governo que sequer considera a participação das mulheres como algo necessário para o avanço civilizatório do país (no próximo governo apenas uma única mulher irá compor o secretariado gaúcho), onde ainda registramos números pífios de ocupação feminina em espaços de poder e que continua a figurar entre os mais violentos contra as mulheres.

Sim, os próximos anos serão de luta permanente para o movimento social no Rio Grande. Para nós mulheres, a partir do esvaziamento institucional, os espaços de participação social serão ainda mais importantes. Também teremos de estar atentas em relação a estes. Sobreviverão neste cenário? O retrocesso anunciado foi cumprido. O Rio Grande do Sul do Brasil e do mundo se apequena e fica circunscrito a uma visão conservadora e tacanha sobre o povo gaúcho. Perdemos direitos e para as mulheres dois passos atrás.

Ariane Leitão é militante do movimento feminista, graduada em direito e ex-Secretária Estadual de Políticas Para as Mulheres do Rio Grande do Sul.

29 Dec 12:32

O que o Conselho Federal de Medicina ganha ao detonar a saúde pública em nova campanha?

by Kiko Nogueira
  A revista Time escolheu os médicos que lutaram contra a epidemia de ebola como as pessoas do ano. “Eles se arriscaram e persistiram, se sacrificaram e salvaram”, diz a editora Nancy Gibbs. Havia pouco que pudesse ser feito para impedir que a doença se espalhasse. Os governos não estavam equip...
29 Dec 12:30

Ideales “chavistas” a los que yo me apunto

by juantorreslopez

Un reportaje de El País sobre la Fundación CEPS, en cuyo título se afirma que ésta última (que considera vinculada a Podemos) “ve a España receptiva a ideales chavistas” señala al final de su texto cuáles son esos ideales “chavistas”: “Los procesos constituyentes, como vía “para la reformulación de las bases de una sociedad”. Y los presupuestos participativos, la auditoría de la deuda, la posibilidad de revocar cargos electos a mitad de mandato o la “ratificación popular de las reformas constitucionales”.

La verdad es que no creo que esas propuestas sean en realidad chavistas sino más bien de auténtica democracia. ¿Ven algo de malo en ellas? Yo me apunto a todas. No porque sean o no chavistas sino porque me parece que son absolutamente deseables. ¿No lo creen ustedes así?

29 Dec 00:04

King of the Kings -2014: as últimas cascatas concorrentes

by Coleguinhas

A morte de meu pai me deixou sem cabeça para pensar em muita coisa nas últimas duas semanas, mas o fim do ano está chegando , e mesmo sentindo falta de meu velho – algo com que vou ter que me acostumar porque será assim para sempre -, está na hora de apresentar os últimos candidatos ao King of the Kings de 2014, o único prêmio do jornalismo brasileiro dedicado aos coleguinhas e veículos cascateiros.
As três últimas concorrentes são:

1. Dilma e Lula sabiam da corrupção na Petrobras (Veja): Em outras edições do KofK seria “hours concours”, mas acabei com essa categoria. Assim, essa “matéria” da Veja, na verdade uma tosca tentativa de evitar a vitória de Dilma na eleição presidencial, também passará pelo escrutínio dos eleitores, mesmo que seu favoritismo seja enorme.

2. Prêmio Mário Lago para o “Jornal Nacional” (Grupo Globo): O comentário de Graça Lago, filha de Mário, sobre um post publicado pelo Diário do Centro do Mundo (DCM), explica, de uma maneira que eu jamais poderia, a participação dessa premiação no KofK-2014. Leia aqui .

3. A denúncia da Venina (Valor): Essa cascata é interessante porque, como assessor de imprensa, tenho que aplaudi-la. É que Venina Velosa da Fonseca fez o que a eu aconselharia que fizesse na situação dela – sabedora (graças, provavelmente, a uma fonte interna da empresa) que a auditoria independente contratada pela Petrobras a apontaria como suspeita de alguns malfeitos, ela atacou primeiro. Essa é a estratégia a ser usada sempre que você sabe que algo ruim será dito contra você – revele primeiro, pois o enfoque inicial (o seu) sempre se manterá, mesmo que outros surjam depois. Você não ficará na defensiva, o que sempre é muito ruim em termos de guerra – e não sou eu que digo isso, mas Napoleão Bonaparte: “Quando estou cercado, ataco”, dizia o Corso, ecoando o que já afirmava Sun Tzu no clássico “A arte da guerra”, no qual o estrategista chinês aconselhava a nunca cercar um inimigo deixando-o saber que não tem saída, pois, nesse caso, ele não terá nada a perder e lutará até a morte, inflingindo perdas desnecessárias nas suas hostes.

Assim, chegamos ao fim da lista de concorrentes do KofK-2014. São apenas 15, pois, como nos últimos anos, fiz uma seleção tremendamente rigorosa. Se assim não fosse, o número de cascatas seria enorme e prejudicaria, talvez a ponto de inviabilizar, a votação. Esta, aliás, começará domingo que vem, dia 4, e terminará no dia 18.


28 Dec 20:39

Auri, a anfitriã

by Mari

“Auri, a anfitriã” é um livro-reportagem (fruto do TCC das jornalistas Aline Moura e Bárbara Almeida) sobre a vida das internas do Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa, no Ceará.

Narrado em primeira pessoa pela própria penitenciária, as principais fontes do livro são as próprias internas. Com um discurso bem emocional, a ideia é quebrar estereotipos sobre quem são as presas e como é sua vida na instituição.

Maravilhoso, né?

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O  livro já está pronto e cheio dos prêmios: melhor Livro-reportagem no Expocom Nordeste, melhor Edição de Livro no Expocom Nordeste, melhor Livro-reportagem no Expocom Nacional, melhor Edição de Livro no Expocom Nacional e melhor Trabalho de Conclusão de Curso no prêmio de Gandhi de Comunicação (esse último destaca trabalhos que contribuem para a cultura de paz).

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Mas pra financiar a dos primeiros 500 exemplares e do lançamento, foi criado um projeto no Catarse. As colaborações começam com R$10 e todas dão direito ao conteúdo do livro. Apoia lá e aproveita pra dar um like na página deles no Facebook.

O projeto gráfico é do Ed Borges e as fotografias (que usei no post) são do Daniel Muskito.

24 Dec 21:37

SÓ PASSANDO PRA DESEJAR UM LINDO NATAL

by lola aronovich
Onde eu estava na semana passada: Rio Mal Cozinhado, Águas Belas, CE

Pessoas queridas, este é apenas um post pra desejar a todxs um ótimo natal. 
Nos próximos dias eu faço uma retrospectiva 2014, planos pro ano que vem, todas essas coisas. Mas agora estou com muita preguiça.
Nossa torta de frango de natal
Pra este post não ser apenas um "Feliz Natal", queria compartilhar com vocês a imagem que vi hoje. O pessoal por algum motivo obscuro adora me comparar com a Rachel Sheherazade, sendo que a única coisa que temos em comum é que nós duas somos mulheres cis, héteros e casadas. De resto, eu sou muito mais eu e orgulhosamente me considero uma espécie diferente da reaça. 

O nosso salário ninguém compara, né?

Apesar desta nova montagem ser favorável a mim, ainda assim é um julgamento. E defendo que mulheres (e homens também) devem dar os ombros pra julgamentos, principalmente estéticos.
Natal em Joinville 2009
Natal e final de ano sempre foram datas bacanas pra mim (talvez por um breve período na adolescência eu achei natal meio depressivo), principalmente desde que passei a ver os rituais como datas pra comer sem nenhuma culpa (quer dizer, todo dia deveria ser assim). Creio que natal só tem importância mesmo pra crianças. 
Mas entendo que pra muita gente o natal tenha um peso grande, e uma pressão gigantesca também de estar feliz e bem-acompanhadx. Tomara que vocês não tenham essa pressão.
E, mesmo que seu natal seja bem tristinho, lembre-se que podia ser bem pior.
De um blog mascu de finanças, hoje
Por exemplo, vocês podiam ser um mascu. 
Ok, este post não tem pé nem cabeça, e eu deveria estar acabando de rever a melhor série de todos os tempos, A Sete Palmos
Hoje tem bolo de chocolate super especial aqui em casa! Queria dar uma fatia a cada um(a) de vocês!