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09 Mar 11:31

Lista da Lava Jato descadeira colunista da Folha: Seis notas sobre Lula, nenhuma de Anastasia

by Conceição Lemes

Áecio e  Anastasia

Nenhuma nota sobre Anastasia e Aécio, em cuja campanha o marido trabalhou

Hora a Hora, em Carta Maior, sugestão de Júlio César Macedo Amorim

Vera Magalhães, do Painel da Folha, utilizou seis das 15 notas da edição de domingo para questionar a não inclusão de Lula na Lava Jato. Não lhe ocorreu dispor de única nota para arguir a tênue autonomia entre Antonio Anastasia, incluído na lista, e Aécio Neves, em cuja campanha o marido da colunista, Otavio Cabral, trabalhou!

Lista descadeirou o conservadorismo: a mídia tergiversa mas o fato é que todos os seus heróis decaíram; Eduardo Cunha virou um pato manco; Renan terá que cuidar do próprio pescoço em vez de ameaçar o de Dilma e Aécio foi algemado por uma interrogação: por que seu braço direito de governo, campanha e finanças, Antonio Anastasia, recebeu R$1 milhão de Yousseff?

 Leia também:

Fernando Brito: Quem é o “Exército Islâmico” de Chico Caruso que quer degolar Dilma

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08 Mar 12:08

Star Trek Voyager: humanidade e a representatividade

by Lady Sybylla
Star Trek Voyager é uma série odiada por muito talifã babaca de Star Trek. E não é porque não tem afinidade com o enredo, ou porque ache chato, ou porque o caboclo não bate com Star Trek. O motivo da maioria esmagadora é muito simples: capitã Kathryn Janeway. Para muitos destes talifãs, ter uma mulher comandando uma nave estelar é um disparate. Piadinhas idiotas com "só podia ser mulher pra levar sete anos pra voltar pra casa" começaram logo que a série foi ao ar. Mas na verdade, Star Trek Voyager é uma das melhores séries já feitas na televisão.


Siga a @Sybylla_


Quando Star Trek, A Nova Geração acabou, a Paramount queria outra série da franquia para acompanhar Deep Space 9. Voyager começou a ser concebida em 1993, com os Maquis, grupo terrorista e rebelde, sendo introduzidos em DS9. Foi a primeira série da franquia a usar apenas efeitos especiais em seus episódios, enquanto as anteriores se valiam de modelos em escala para as tomadas das naves. A mesma empresa que trabalhou nas três primeiras temporadas de Babylon 5, a Foundation Imaging, era a responsável pelos efeitos.

USS Voyager.

A Voyager é uma nave da classe Intrepid, com número de registro NCC-74656. Sua velocidade em dobra máxima é de 9.975. Outros dados:

  • Armamento - torpedos fotônicos, banco de phasers, torpedos transfásicos e de tricobalto
  • Defesas - escudo defletor, casco com armadura reforçada
  • Motor - de dobra, de impulso, com reator de matéria/anti-matéria, de fusão e um reator holográfico
  • Comprimento - 344 metros
  • Inauguração - 2731

Sua missão inicial era caçar a nave Maquis além das Badlands, mas um pulso misterioso de energia os joga do outro lado da galáxia, no inexplorado Quadrante Delta. Como sobreviver longe de tudo o que você conhece? Como manter unidas duas tripulações, uma da Federação, outra Maquis, renegada e rebelde, pouco acostumada às regras? Esses são os desafios da capitã Janeway, que para não prejudicar todo um povo, preferiu fazer o caminho mais longo para casa.

Tripulação, da 4ª até a 7ª e última temporada.

Mas por que a série é um marco no quesito representatividade e humanidade?

Mulher no comando

Apesar de as séries de ST sempre terem mostrado mulheres em posição de comando, como almirantes, capitãs, comandantes, cientistas, engenheiras, ainda não havia uma personagem central, comandante de nave estelar e em uma série própria. Janeway é durona, no melhor estilo capitão Picard, mas é destemida, corajosa, que toma decisões firmes com quem quebra as regras e que luta pelo o que acredita. Janeway faz da Voyager um lar permanente e nômade, unido em um lugar inexplorado da galáxia. Os desafios são imensos. São setenta anos, cortando caminho, até chegar em espaço da Federação.


O fato de termos uma mulher no comando, tomando decisões polêmicas, irritou muitos talifãs. As piadas sobre "só podia ser mesmo uma mulher no comando pra voltar em 70 anos", "nunca vai achar o caminho de volta", até a "velha vadia, cadela da Federação" surgiram assim que os episódios foram ao ar. Nerd misógino tem em qualquer lugar e ainda hoje tem babaca que comenta desta maneira.

Para quem já se sente bem representado por Kirk, Picard, Riker, entre outros, uma mulher no comando e não um homem branco-cis-hetero-pegador incomoda mesmo. Mas ter uma capitã de nave estelar foi bastante importante para toda uma legião de fãs, especialmente mulheres que, finalmente, tinham alguém com quem se identificar.

Sua liderança vai muito além do arquétipo de mulheres fortes retratadas em seriados. Ela vai além disso, mostrando que não é necessário encarnar características masculinas ao extremo para se tornar uma grande líder.

Janeway e eu, por Lilian Felix

Comandante indígena

O comandante Chakotay é um marco para a televisão. O personagem é um ex-rebelde Maquis, colocado como segundo oficial em comando da Voyager depois da batalha que matou uma parte da tripulação da nave. Como os Maquis estavam a bordo, o único jeito era incorporá-los à tripulação restante e tentar fazê-las trabalhar juntas. Mas nem tudo são flores, os atritos começam logo de cara, e Janeway e Chakotay precisam trabalhar juntos para impedir um motim.


Chakotay é um nativo norte-americano, um indígena, muito orgulhoso de suas origens. A série não deixa claro qual é a etnia dele, mas a ideia era representar a todos os povos nativos. Seus ancestrais deixaram a Terra a fim de manter seus traços culturais, como podemos ver pela tatuagem em seu rosto.

Você se lembra quando foi que viu um representante indígena tendo posição de destaque em um filme qualquer, ou série, especialmente de ficção científica, que não fosse a de se representante de um povo exótico e alienígena? Devido ao pioneirismo de Uhura, Star Trek conseguiu colocar um indígena como comandante de uma nave estelar em um país que há muito tempo deve desculpas aos povos nativos.

Vulcano negro

O comandante Tuvok, vulcano, é o chefe de segurança da Voyager, fazendo às vezes de oficial de ciências. Sua racionalidade extrema, sua experiência, sua frieza e inteligência sempre foram essenciais para o sucesso da nave em batalha e para prevenir invasões e sequestros por raças alienígenas do quadrante. Tuvok já era um oficial da frota estelar há muitas décadas antes da missão da Voyager e é um amigo de longa data da capitã Janeway.


Negros na ficção costumam ser mostrados como o alívio cômico, o cara da quebrada, aquele que conhece os mano, ou o piadista que tira sarro de todo mundo e ajuda o herói (branco-cis-hetero) em suas delicadas missões. Ele, em geral, não tem nenhum vínculo externo, sua vida não importa, sua função é de coadjuvante do herói. Tuvok quebra tudo isso. Os vulcanos são uma raça nobre e que valoriza a lógica acima das emoções. Tuvok é reservado, não tem senso de humor, valoriza o cumprimento das normas da Federação e não é de compartilhar seus problemas pessoais com ninguém, exatamente o contrário do que o estereótipo de negros apresenta. E isso é fantástico.

A Borg desconectada

Uma das raças alienígenas mais perigosas e incríveis de ST é dos Borg. O objetivo deles não é matar, nem aniquilar outras raças. Seu objetivo é a perfeição. E para conseguir isso, eles assimilam raças alienígenas à sua coletividade, tornando-se assim uma imensa mente coletiva, sem individualidade. Ao assimilar os conhecimentos das outras raças, eles aumentam suas chances de ser uma raça perfeita. Sempre vimos em ST que os Borg parecem implacáveis, onde as pessoas praticamente não poderiam mais a ser o que eram, que a assimilação era permanente ou quase.


Apesar da hipersexualização da personagem, Sete de Nove é um dilema nas mãos da capitã Janeway. Sua família foi toda assimilada pelos Borg e a coletividade é tudo o que Sete conheceu. O retorno para a raça humana é difícil, tortuoso. A maneira de lidar com o significado de humanidade em Sete de Nove e suas tentativas de entender cada nuance humana fazem dela um dos melhores personagens de toda a série. Como se apaixonar? Como entender piadas? Como compreender os conflituosos sentimentos humanos quando você viveu, por anos, tendo isso completamente suprimido pela tecnologia avançada dos Borg?

O ser humano holográfico

Depois do ataque à Voyager, o oficial médico-chefe morreu, deixando a nave sem nenhum médico. Nestas ocasiões, o Médico Holográfico de Emergência é acionado até que um novo médico seja enviado pela Frota Estelar. O problema é que a Voyager está na casa do caralho no Quadrante Delta, muitos anos-luz longe de qualquer posto avançado. E agora? O jeito foi manter o Doutor ligado quase que permanentemente para poder cuidar do bem estar da tripulação.


O Doutor passa, então, a ser tratado como um ser humano, como um tripulante qualquer dentro da nave. Ele tem domínio de suas funções, podendo desligar-se quando quiser. Seus bancos de memória não podiam ser alterados e em um dos episódios mais incríveis da série, onde ele perdeu uma paciente e não conseguia lidar com isso, ele se torna o paciente. Cada dia e noite um tripulante ficava com ele, para não se sentir sozinho, até que ele se recuperasse. Lições de humanidade vindo de um holograma.

A engenheira-chefe

B'Ellana Torres foi cadete da Frota Estelar, mas acabou tornando-se Maquis. É uma excelente engenheira e conquista seu lugar como engenheira-chefe da Voyager após mostrar serviço para a capitã. Infelizmente, B'Ellana também se irrita fácil, um traço do sangue klingon vindo de sua mãe (B'Ellana tem pai humano), o que lhe dá dor de cabeça com outros membros da tripulação, especialmente aqueles da Frota Estelar.


Star Trek tem uma longa tradição de engenheiros-chefe homens. Scott, LaForge, O'Brien e, finalmente, uma mulher em VOY. B'Ellana e Janeway se entendem bem, discutem sobre motor de dobra e partículas subatômicas como se trocassem receita de bolo. Discussões como essa fazem a série passar no Teste de Bechdel em todas as temporadas, e na quinta temporada, todos os episódios passam nele.

Quantas moças, meninas, assistindo à série, se sentiram encorajadas a seguir carreiras, até então, tidas como "masculinas" devido a personagens como essas? Sabemos bem como algumas moças são tratadas em cursos repletos por homens. Quantas moças aspiraram subir na carreira, como Janeway, chegando a cargo de chefia? Vemos o modo deplorável com que a mulher costuma ser representada na ficção e ver uma série com tantas mulheres em posição de comando, ver tantas minorias sendo bem representadas, ver tantas lições de humanidade, ética e respeito são um vento fresco em plena tarde de verão.

O ódio injustificado de muitos fãs se deve, exclusivamente, à misoginia e falta de empatia. E mesmo aqueles que acham que não, que não tem nada a ver, mas que odeia a série, peço que faça um esforço e pense o porque de seu ódio. Se é porque não gosta de Janeway, se é porque acha que mulher no comando nunca chegará em casa cedo, parabéns, você é um machista e não soube apreciar em NADA o que a série tem a oferecer. Ou porque acha que um personagem em posição de chefia e liderança não pode ser negro. Preconceitos, em geral, estão enraizados e são perpetuados em piadas, em comparações toscas, em todo tipo de comentário maldoso, e até mesmo na linguagem.

Existem outros seres humanos que carecem de representatividade. A raça humana não tem apenas uma cor, um jeito de se exercitar sexualidade ou de se expressar. Temos múltiplas cores, múltiplas formas de amar e de se relacionar com os outros. E elas precisam ser mostradas.

Até mais!



Leia mais:

Grandes mulheres da ficção científica
O feminismo em Star Trek
Janeway e eu
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08 Mar 10:48

nzingambande:I’m a Nerd and I’m a DivaI’m a scientist working on...



















nzingambande:

I’m a Nerd and I’m a Diva

I’m a scientist working on tackling the issue of global poverty…

I’m an entrepreneur ensuring youth have the opportunity to make a future for themselves…

I’m an engineer building the future…

I’ve attended a HBCU and graduated from MIT…

I’m a coder, a welder, a designer, and quirky at heart…

I am the maker of tomorrow…

I’M BLACK AND I’M PROUD…AND I’M SAYING IT LOUD

#BlackOutFriday

08 Mar 10:47

Sergio Mendonça: Restaurante com “Lula” no nome recebe comentários agressivos

by Luiz Carlos Azenha
07 Mar 19:09

Ciclovias de São Paulo já aparecem no Google Maps

by Willian Cruz
Tracejados podem indicar rotas preferenciais onde não há ciclovia. Imagem: Gabriel Tavano Cruz
Ciclovias são exibidas como linhas verdes no app, junto com rotas opcionais em tracejado. Saiba como visualizar no iOS e conheça uma alternativa para Android.
07 Mar 14:04

Esmael Morais: Richa usa TV pública do Paraná para atacar Dilma e o PT, mas suprime campanha do impeachment contra ele

by Luiz Carlos Azenha

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Foto Joka Madruga

PSDB do Paraná usa TV estatal para atacar PT e Dilma. Acorda Berzoini!

06 MAR 2015 – 09:02 21

por Esmael Moraes, em seu blog

O governador Beto Richa (PSDB), do Paraná, tem utilizado a concessão pública da TV Educativa, rebatizada como éParaná, para fazer proselitismo contra petistas e atacar a presidenta Dilma Rousseff (PT).
A emissora estatal tem destacado nos telejornais o suposto envolvimento da senadora Gleisi Hoffmann (PT) na lista da operação Lava Jato — que investiga desvios de recursos da Petrobras — e o sumiço do marido dela, o ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo.

éParaná também vem reservando espaço para ataques contra Dilma como, por exemplo, na última quarta (4) quando exibiu um protesto pelo “Fora Dilma” no município de União da Vitória, na região Sul.

Poder-se-ia dizer que a cobertura era factual, mas a emissora estatal não faz o mesmo em relação às manifestações que pedem impeachment de Richa. Pelo contrário. A TV concessionada para o governo do estado é bastante usada, sem dó nem piedade, para atacar a greve dos professores e funcionários de escolas — só para ficar num exemplo.

A éParaná vem sendo tocada desde janeiro deste ano pelo jornalista Sérgio Kobayashi, um tucano importado de São Paulo conhecido pelo fanatismo antipetista.

Essa não foi a primeira vez que a éParaná sacaneia Dilma. Em outubro de 2011, Richa mandou censurar o discurso da presidenta que era transmitido ao vivo pela TV estatal. Na cerimônia, o governo federal anunciava R$ 1,75 bilhão para a construção do metrô na capital paranaense. No lugar da fala da petista a emissora exibiu o desenho animado “Cocoricó”.

O diabo nisso tudo é que o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, continua dormindo. Em dezembro de 2014, quando fora anunciado para substituir Bernardo, o moço mostrava-se “valente” para regular a mídia e seus excessos. Parece até que já “afrouxou a tanga”.

Como diria a Ana Maria Braga, “acoooorda, menino!”.

PS do Viomundo: Sacar do ar o discurso de Dilma é o cúmulo do antipetismo!

Consultando a página da éParaná no You Tube dá mesmo para ver que a emissora virou máquina de propaganda de Beto Richa e contra os adversários dele.

No vídeo abaixo, “cai o número de escolas que aderiram à greve dos professores!”

Na entrevista à emissora, Richa culpa o governo Dilma pelas medidas amargas que pretendia enfiar goela abaixo do funcionalismo público e dos paranaenses:

Leia também:

Maurício Dias: FHC, o contumaz violador das regras do jogo

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06 Mar 12:33

Camila Marins: Chateaubriand já pedia a Vargas para “desistir da Petrobras”

by Luiz Carlos Azenha

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Chatô, lambe-botas do império

Petrobras: mais de 60 anos de tentativas de desmonte

Por Camila Marins, enviado pela Fisenge*

“Vargas precisa desistir da Petrobras”. Esta frase foi proferida, em 1954, por Assis Chateaubriand, dono do maior conglomerado da mídia brasileira na época, o “Diários Associados”. Um ano antes, em 1953, surgia a maior empresa petrolífera brasileira: a Petrobras.

Em uma breve pesquisa no acervo digital do então jornal “Folha da Manhã”, hoje “Folha de S. Paulo”, é possível detectar inúmeras manchetes e declarações contra o caráter estatal da empresa.

Desde então, os veículos de comunicação consignaram ampla campanha de destruição do patrimônio brasileiro, em defesa da abertura do setor petrolífero à iniciativa privada. O que mudou? 61 anos após a criação da Petrobras, os ataques à empresa não cessam e se configuram com a repercussão da Operação Lava-Jato.

Hoje, os jornais, rádios, TV e internet estampam, diariamente, as denúncias contra a Petrobras e utilizam casos de corrupção como subterfúgio para a privatização, como sinaliza uma série de editoriais, especificamente um do jornal “O Globo”, de dezembro de 2014, que preconiza uma espécie de “refundação da estatal”. Enquanto isso, notícias como “Petrobras recebe o mais importante prêmio da indústria de petróleo” são escamoteadas da sociedade.

De acordo com o conselheiro do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, Paulo Metri, existem dois objetivos centrais nessas campanhas.

“O primeiro é transmitir a ideia de que a Petrobras receber áreas para pesquisar e produzir petróleo é algo prejudicial para a sociedade, porque os ladrões existentes nela vão roubar o que é público. Os roubos nas empresas privadas só são mais bem escondidos, pois o dono não quer mostrar a fragilidade da sua empresa. Outro objetivo é preparar a população para uma futura privatização da Petrobras”, afirmou.

Isso significa que, se a Petrobras é incapaz de assumir áreas de exploração e está com sua capacidade financeira comprometida por conta dos casos de corrupção, a solução seria chamar as empresas estrangeiras. Errado. Segundo Metri, o argumento de falta de capacidade financeira é mentira.

“A Petrobras tem capacidade financeira, bastando que a Agência Nacional de Petróleo (ANP) retire a pressa desmesurada de implantação dos diversos projetos da empresa. Pressa esta que significa que o petróleo a ser produzido estará sendo exportado na pior época do preço do barril. Na verdade, este órgão busca estrangular a capacidade financeira da Petrobras para ela não participar de muitos leilões e, assim, sobrar mais áreas para as empresas estrangeiras”, alertou.

Por trás dessas manobras está na agenda do setor financeiro privado a mudança no marco regulatório e contratos de partilha. “Certamente, uma das estratégias é revogar a nova Lei do Petróleo, o sistema de partilha e a soberania brasileira sobre as imensas jazidas do pré-sal.

Estas são conquistas do povo brasileiro que, em hipótese alguma, podem ser derrubadas e é nosso dever defender o patrimônio nacional”, disse o engenheiro eletricista e diretor do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ), Victor Marchesini, que trabalha na Petrobras.

Destruição das empresas de engenharia

Concomitante aos ataques à Petrobras, também estão as tentativas de destruição das empresas nacionais e da própria engenharia nacional. Isso porque, com as denúncias, é frequente o cancelamento de projetos e da construção de plataformas no Brasil, numa clara política de privilégio às contratações no exterior; umas das consequências da Operação Lava-Jato. “Além de prejudicar o desenvolvimento da tecnologia nacional e ameaçar os empregos, é flagrante a tentativa de destruição da engenharia nacional, responsável pela construção de projetos fundamentais para o desenvolvimento do país”, preveniu Marchesini.

A petroleira Cibele Vieira, que é coordenadora geral do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo e trabalha na Petrobras há 12 anos, é enfática: “Atacar a Petrobras é atacar a força de trabalho. Omitem a informação de que a Petrobras é uma das maiores e melhores empresas petrolíferas, cujos resultados operacionais e de novas tecnologias geraram o pré-sal e o pós-sal”, declarou.

Além da defesa dos empregos e do desenvolvimento da tecnologia nacional, é essencial alertar também para a importância das empresas de engenharia civil brasileiras, que, além de formar quadros, fomentam setores como o de serviços e o da indústria.

Casos de corrupção

Ainda numa reconstrução histórica, enquanto Getúlio Vargas marcava a autossuficiência brasileira na exploração de petróleo com as mãos cobertas por óleo, Carlos Lacerda afirmava que havia um “mar de lama no Palácio do Catete”. Exatamente o que os meios de comunicação estão fazendo atualmente. A corrupção é colocada acima dos interesses nacionais e da soberania. “A mídia está passando a imagem, como sempre, de que tudo que é estatal não gera resultado e não serve para o povo brasileiro. É importante destacar que a corrupção não é algo exclusivo ao meio estatal, e também acontece no privado, ainda mais abafado”, detalhou Cibele Vieira.

Nesse sentido, os movimentos social e sindical são enfáticos na defesa da apuração, investigação e responsabilização de casos de corrupção na Petrobras. “A corrupção é um problema estrutural da sociedade, que precisa ser enfrentado em sua raiz, com transparência, participação popular e controle social. Jamais com o desmantelamento de patrimônios nacionais”, ressaltou o engenheiro Victor Marchesini.

Enfrentar as raízes da corrupção exige a reflexão do modelo de Petrobras que queremos. Isso significa a defesa de uma empresa 100% pública e estatal; o fortalecimento de um Fundo Social Soberano; respeito às populações afetadas e a defesa de uma produção solidária, colaborativa e integradora. “Com uma Petrobras 100% pública, que inclui transparência nas suas operações, com mínima ingerência de partidos políticos, sendo auditada pelos órgãos da administração pública e com controle social, que é um tema importante e pouco debatido, a empresa ficará mais imune à corrupção”, propôs Paulo Metri.

Para além destas questões, é importante a defesa do financiamento público das campanhas políticas. “A arrecadação de doações por políticos junto às empresas privadas para suas campanhas pode ser considerada como o início do processo de corrupção em órgãos públicos”, completou Metri. No entanto, já tramita em ritmo acelerado, na Câmara dos Deputados um projeto de contrarreforma política em defesa do financiamento privado de campanha, amplamente defendido pelo deputado e presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“A nossa defesa é por uma reforma política popular, por meio de uma Constituinte Exclusiva, que deverá mudar principalmente o caráter do financiamento, que, na nossa opinião, tem de ser público”, disse Marchesini.

Cibele Vieira lembra que, junto com a reforma política, é preciso a urgente democratização dos meios de comunicação. “O resultado das eleições demonstrou que nem sempre a guerra da mídia vence, uma vez que, mesmo com desmoralizações, a presidenta Dilma foi reeleita. A FUP e a CUT irão lançar uma campanha nos veículos de comunicação em defesa da Petrobras. Precisamos disputar a opinião pública”, ela defendeu.

Petrobras a serviço da sociedade brasileira

Ao contrário do que está sendo veiculado sobre a incapacidade financeira da Petrobras, confira os dados*:
– A produção de petróleo e gás alcançou a marca histórica de 2,670 milhões de barris equivalentes/dia (no Brasil e no exterior);
– O Pré-Sal produziu em média 666 mil barris de petróleo/dia;
– A produção de gás natural alcançou 84,5 milhões de metros cúbicos/dia;
– A capacidade de processamento de óleo aumentou em 500 mil barris/dia, com a operação de quatro novas unidades;
– A produção de etanol pela Petrobrás Biocombustíveis cresceu 17%, para 1,3 bilhão de litros.

Informações da Federação Única dos Petroleiros (FUP)

*Fisenge é a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros

Leia também:

Comissão pode liberar plantio de eucalipto que consome 30 litros de água/dia

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06 Mar 12:29

Planos de saúde: Eduardo Cunha barra CPI depois de receber da Bradesco Saúde

by Luiz Carlos Azenha

Eduardo Cunha impede CPI dos Planos de Saúde

no Facebook de Ivan Valente (PSOL/SP)

Vergonhosamente, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), vetou a constituição da CPI dos Planos de Saúde.

Em apenas um dia, o deputado Ivan Valente (PSOL/SP) coletou 201 assinaturas de parlamentares pedindo a CPI para investigar as irregularidades e abusos praticados pelos planos de saúde – que transformaram a saúde em mercadoria.

A alegação do presidente foi que a CPI não tem foco.

Ou seja, ele desprezou a quantidade enorme de queixas nos Procons, com mais de 80% dos casos revelando ilícitos contratuais das operadoras.

Desprezou ainda as práticas abusivas cometidas pelas empresas contra médicos e demais trabalhadores da saúde, além de outras dezenas de reclamações sobre procedimentos, baixa remuneração, aumentos abusivos acima da inflação, violação de autonomia legal dos profissionais de saúde para obter mais lucros com menos serviços e adiamento indeterminado dos processos – que na Justiça os consumidores ganham em 88% dos casos.

Num universo de pelo menos 50 milhões de cidadãos prejudicados por esta conduta, Eduardo Cunha diz que a CPI não tem foco.

Os motivos de Eduardo Cunha, na verdade, são outros.

Ele precisa explicar porque, como relator da Medida Provisória 627, fez uma emenda anistiando multas dos planos de saúde em 2 bilhões de reais.

Ou seja, de cada mil multas, as empresas pagariam apenas vinte. Que beleza para os comerciantes da saúde! Dilma acabou vetando o dispositivo.

Agora, na prestação de contas ao TSE, o deputado Eduardo Cunha declarou ter recebido 250 mil reais da Bradesco Saúde. E o Código de Ética Parlamentar é bem claro no seu Artigo 5º: “Atenta contra o decoro relatar matéria de interesse específico de pessoa que tenha contribuído para campanha eleitoral”.

Vamos entrar com mandado de segurança no STF contra essa medida arbitrária e interesseira do presidente da Câmara, com base em voto já exarado pela Ministra Rosa Weber sobre os pedidos de CPI que diz “preenchidos os requisitos para a instauração da CPI, o seu conteúdo, no que diz respeito ao fato determinado apontado pela minoria parlamentar, não está à disposição da maioria, tampouco das Mesas das Casas Legislativas e de seus Presidentes”.

Não vamos admitir a manobra de Eduardo Cunha e usaremos todos os meios disponíveis para instalar a CPI e desmoralizar presidentes que não tem moral para ocupar cargos de mando no legislativo brasileiro.

Leia também:

O repentino afago de Aécio em Renan Calheiros

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05 Mar 17:19

Por que não vazou antes o que Youssef disse de Aécio?

by Paulo Nogueira
O caráter seletivamente canalha dos vazamentos da Lava Jato ficou claro ontem com a revelação de que Aécio tinha sido citado pelo doleiro Youssef. Não só Aécio, a rigor, mas a família Neves. Também uma irmã – não nomeada, mas que só pode ser Andrea, braço direito dele – foi citada. Youssef vinculou ...
05 Mar 10:41

O #Caixa2doDEMnoRN chega ao fim

by Daniel Dantas Lemos
Era maio de 2012. Estava em Fortaleza participando do concurso para professor da UFC que, finalmente, me aprovou.  
Recebi um e-mail de uma fonte anônima. Ela falava sobre um cabeludo esquema de compra de votos na eleição de 2006 para o Senado Federal em favor de Rosalba Ciarlini. Era uma investigação de homicídio que se deparou com uma série de outros crimes.  Ou supostos crimes.
No primeiro áudio que escutei, Carlos Augusto Rosado, marido de Rosalba, fala com Galbi Saldanha sobre dinheiro que estava repassando para os então vereadores Edivan Martins e Renato Dantas. Usaria duas contas de Galbi.
O Caixa 2 era evidente. Ou não?
Neste link você pode ler toda a história do escândalo.
No âmbito de uma investigação do Ministério Público estadual, o telefone celular de Francisco Galbi Saldanha, atualmente secretário-adjunto da Casa Civil do governo Rosalba Ciarlini (DEM), foi grampeado. E trouxe à luz conversas muito elucidativas, principalmente entre Galbi e Carlos Augusto Rosado, marido da atual governadora e então candidata ao Senado Federal. Rosalba foi eleita em 2006, mas os telefonemas mostram esquemas de compra de apoio de políticos, compra de votos, fraude em prestação de contas com uso de notas fiscais frias e uma complexa rede de Caixa 2.
Por envolverem políticos com o conhecido foro especial (o senador José Agripino, a então senadora Rosalba Ciarlini e o deputado federal Betinho Rosado), a investigação foi encaminhada pelo Ministério Público estadual e também pelo Ministério Público eleitoral para a Procuradoria Geral da República.  
Acabei descobrindo que o Ministério Público eleitoral no RN recebera o material em 31 de março de 2009 e que a Procuradoria Geral da República recebera em 8 de abril de 2009.
Desde 2012, perdi as contas de quantas vezes procurei à Procuradoria Geral da República para ter informações sobre o caso. Sempre me foi dito que não se poderia saber se havia investigação do caso porque não apareceria nos sistemas da PGR.
Finalmente, recebi a resposta, assinada por Rodrigo Janot, Procurador Geral da República. Curiosamente no mesmo dia em que descobrimos que Janot recomendou o arquivamento de denúncia contra Aécio Neves (PSDB) na investigação da Lava Jato. O #Caixa2doDEMno RN pegava o seu coordenador de campanha, José Agripino Maia (DEM).
Se você acompanhar a linha do tempo ou ouvir todos os áudios certamente ficará abismado com a desfaçatez com que os crimes foram cometidos.
Crimes? Que crimes?
Janot informa que Roberto Gurgel havia arquivado a investigação em 22 de julho de 2013 "diante da atipicidade da conduta".  Ou seja, Gurgel arquivou a investigação um ano e dois meses depois que os áudios foram publicados pelo blog. Antes disso, repousou por quatro anos sem encaminhamentos.
Em 20 de dezembro de 2013, o ganha destaque nas páginas da revista IstoÉ.  A matéria diz que o novo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, desengavetou a investigação.
Janot, realmente, desarquivou a investigação, motivado por correspondência que eu mesmo encaminhei à PGR com toda documentação que possui sobre o caso. Após analisar o material, o caso foi novamente arquivado porque o material que encaminhei já havia sido analisado anteriormente, quando Gurgel promoveu o arquivamento.
Desse modo, o #Caixa2doDEMnoRN, por mais chocantes que sejam os áudios e mesmo que os supostos crimes só estejam prescritos em 2018, não encontrará julgamento nem punições.
Demotucanos, ao que parece, não serão punidos. São inimputáveis, como diz Paulo Henrique Amorim.
O ofício de Rodrigo Janot foi encaminhado em 27 de janeiro de 2015.
Você pode ler abaixo.






04 Mar 23:09

Janot livra Aécio de inquérito na Lava Jato, apesar de tucano ser citado nas delações premiadas

by Conceição Lemes

aecio-neves

Inquéritos envolvem principais líderes do Senado

Entre os listados nos pedidos da PGR estão alguns dos mais influentes senadores do PT, do PMDB, do PTB e do PP. Citado em delações, Aécio não entrou na relação dos investigados da Lava Jato

POR WILSON LIMA, no Congresso Em Foco | 04/03/2015 16:23

Os pedidos de abertura de inquérito feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na noite de terça-feira (3) envolvem os principais líderes do Senado. Entre os 54 nomes que Janot pediu para serem investigados, estão alguns dos principais líderes do Senado. Além do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o Congresso em Foco apurou que foi pedida abertura de inquérito contra Romero Jucá (PMDB-RR), Edison Lobão (PMDB-MA), Fernando Collor (PTB-AL), Lindbergh Farias (PT-RJ), Humberto Costa (PT-PE), Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP, e a ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Todos eles foram citados pelo doleiro Alberto Youssef e pelo ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa como beneficiários do esquema de corrupção na Petrobras. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) chegou a ser citado nas delações premiadas, mas os procuradores responsáveis pelas investigações da Lava Jato não acharam evidências substanciais que ensejassem o pedido de abertura de inquérito contra o principal líder da oposição.

Nas delações premiadas, Paulo Roberto Costa afirmou que chegou a trabalhar para Lindbergh Farias para obter financiamento em campanhas eleitorais. Romero Jucá também foi apontado pelos delatores como outro beneficiário do esquema. Já Lobão é investigado não somente por ter sido beneficiado pelo esquema, como também por ter mediado acordos para a implementação de uma refinaria no Maranhão, que resultou em desvios da ordem de R$ 7 milhões apenas nas obras de terraplanagem.

Paulo Roberto Costa disse que Humberto, que é líder do PT no Senado, foi beneficiado com o repasse de aproximadamente R$ 1 milhão, fruto do esquema de corrupção da Petrobras durante a campanha eleitoral de 2010. De acordo com as delações, a senadora Gleisi Hoffmann também recebeu R$ 1 milhão do esquema, mas diretamente do doleiro Alberto Youssef. O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, também foi beneficiado com propinas fruto de obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, segundo Paulo Roberto Costa. Outro investigado é o ex-presidente da República e senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL).

Durante a apuração de crimes da Lava Jato, foram identificados depósitos bancários em favor do senador feitos pelo Posto da Torre, em Brasília. O posto de gasolina é tido como uma espécie de caixa eletrônico de políticos envolvidos no esquema. Collor também é apontado como beneficiário de um acordo entre o grupo de Youssef, uma rede de postos de São Paulo e a BR Distribuidora, no valor de R$ 300 milhões. Segundo delatores, por ajudar a mediar esse acordo, o petebista recebeu R$ 3 milhões de propina.

Todos os senadores que serão alvo de inquérito já negaram publicamente participação no esquema de propina na Petrobras. Ciro Nogueira chegou a afirmar, em nota oficial, que renunciaria ao mandato caso surgissem provas de seu envolvimento.“Desde o início, agora e até o final desta circunstância política, mantenho e manterei uma única posição: jamais tive qualquer relação imprópria com qualquer dos acusados na Operação Lava Jato. Repito o que sempre sustentei: renunciarei ao mandato de senador da República se surgir qualquer prova objetiva que venha macular minha atitude como homem público. Assumo mais uma vez este compromisso, porque tenho consciência plena de meus atos e seu que as acusações não têm nenhuma base na realidade”, afirmou Ciro nesta terça-feira.

PS do Viomundo: Agora está explicado o motivo de o Jornal Nacional ter feito uma reportagem especial sobre delações premiadas na qual uma cabeça falante dizia que a delação, em si, não prova nada. Bem no dia em que a lista chegou ao STF!

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04 Mar 17:08

Acusado de embolsar R$ 1 milhão depois de chantagem, Agripino vai às ruas pedir impeachment de Dilma, diz site potiguar

by Luiz Carlos Azenha

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Por Luiz Carlos Azenha

Agripino Maia, presidente do Democratas, será investigado em inquérito pedido pela Procuradoria Geral da República sob suspeita de ter embolsado R$ 1 milhão de reais de propina para facilitar um esquema corrupto no Rio Grande do Norte.

Saiu até no Fantástico. Mas, diga-se, sem que fosse frisado que Agripino é mais que um simples senador e presidente do DEM. Ele foi coordenador da campanha do tucano Aécio Neves e era figura frequente no Jornal Nacional… denunciando corrupção.

Agripino é um daqueles paladinos da moral que ombreiam com Demóstenes Torres, o “mosqueteiro da Veja“.

As circunstâncias em que ele pediu propina foram bizarras, a acreditar no relato do delator:

O caso é investigado desde 2011 pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte, quando foi deflagrada a Operação Sinal Fechado. Há três anos, CartaCapital revelou em primeira mão o depoimento de uma testemunha-chave na investigação, o lobista Alcides Fernandes Barbosa, que já apontava a participação do senador no esquema.

À época, Barbosa revelou que foi levado ao “sótão” do apartamento de Agripino Maia, em Natal, onde garante ter presenciado [o empresário George] Olímpio negociar com o senador apoio financeiro à campanha de 2010. Segundo Barbosa, o empresário prometeu 1 milhão de reais para o presidente do DEM. O pagamento, segundo o combinado, seria feito em quatro cheques do Banco do Brasil, cada qual no valor de 250 mil reais, a ficarem sob a guarda de um homem de confiança de Agripino Maia, o ex-senador José Bezerra Júnior, conhecido por “Ximbica”. Ainda segundo a testemunha, o senador queria o dinheiro na hora, mas Olímpio afirmou que só poderia iniciar o pagamento depois.

O depoimento de Barbosa converge com as recentes revelações feitas por [o empresário George] Olímpio [em delação premiada]. “Subimos para parte de cima da cobertura de José Agripino, começamos a conversar e ele disse: ‘É George, a informação que nós temos é que você deu 5 milhões de reais para campanha de Iberê’”, afirma o delator. Iberê Ferreira era o governador na época. Faleceu em 2014, aos 70 anos. “Eu dei 1 milhão para campanha de Iberê. Ele (Agripino Maia) disse: ‘pois é, como é que você pode participar da nossa campanha?’ Eu falei ‘200 mil’.

Disse: ‘tenho condições de lhe conseguir esse dinheiro já. Estou lhe dando esses 200 mil, na semana que vem lhe dou 100 mil’. Ele disse: ‘pronto, aí vai faltar 700 mil para dar a mesma coisa que você deu para Iberê’. Para mim, aquilo foi um aviso bastante claro de que ou você participa ou você perde a inspeção. Uma forma muito sutil, mas uma forma de chantagem”.

O esquema, segundo as duas testemunhas, era para facilitar uma negociata envolvendo inspeções veiculares. Importante destacar que, depois de implantadas em São Paulo pelo prefeito Gilberto Kassab, então no DEM, elas “migraram” para o Rio Grande do Norte. Curioso, né?

Segundo o delator, o esquema envolvia a ex-governadora e atual prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), o atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Ezequiel Ferreira (PMDB), e o senador Agripino Maia. O esquema criminoso teria ocorrido entre 2008 e 2011, quando Olímpio montou um instituto para prestar serviços de cartório ao Detran estadual. Ele afirma ter pago propinas a políticos para agilizar a tramitação do projeto de lei que criava a inspeção veicular da qual se beneficiaria. Agripino Maia teria exigido 1 milhão de reais para reforçar o caixa de sua campanha política.

Apesar da denúncia contra ele, pelo jeito Agripino Maia vai fazer que não tem nada a ver com isso. Quem sabe o Jornal Nacional ressuscite um “especialista” que ouviu recentemente, quando dedicou reportagem especial às delações premiadas. O JN nunca teve este cuidado quando se tratava, por exemplo, das denúncias contra petistas no mensalão. Desta feita, ouviu uma cabeça falante que frisou que delações não significam culpa!

Voltando a Agripino, segundo colunista de O Potiguar, de Natal, citando um certo Blog do Primo, o senador confirmou presença na manifestação que pedirá o impeachment de Dilma, no próximo dia 15:

O senador José Agripino confirmou presença na manifestação em favor do impeachment da presidenta, Dilma Rousseff, marcada para o dia 15 próximo. Além do presidente do Diretório Nacional do Democratas, senador José Agripino, o protesto será prestigiado pelo deputado federal, Felipe Maia, prefeitos e lideranças do DEM no RN.

O Viomundo desde já espera contar com nossos colaboradores em Natal para que enviem fotos e vídeos de presença tão simbólica no ato. Esperamos, obviamente, que também saia no Jornal Nacional.

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04 Mar 11:22

O risco da popularidade policial

by Danillo Ferreira

O risco da popularidade policial

Uma coisa é uma polícia respeitada e detentora de legitimidade. Outra coisa é uma polícia popular.

Em determinada comunidade é possível que uma minoria viva oprimida e tenha direitos desrespeitados por uma maioria que aplaude e estimula a omissão da polícia local. Nesse caso, a polícia pode ser popular, mas não está agindo com profissionalismo, excelência e ética.

Da mesma forma, é possível que a polícia aja de forma brutal em determinada circunstância e seja aplaudida por uma maioria que não se reconhece nas vítimas da brutalidade policial, e então a polícia é elevada à popularidade sem estar exercendo seu dever, como reza a lei.

Esse tema é mais um que se soma à complexidade do ofício policial: por lidar com Direitos, é arriscadíssimo à polícia jogar para a platéia, que quase nunca tem o senso de legalidade e justiça apurados, pois enxergam as ações policiais sempre sob a perspectiva de interesses particulares – mesmo que contraditórios com sua própria realidade de vida.

Os cidadãos policiados devem sempre ser ouvidos, mas através do filtro da legalidade e da justiça, que nem sempre é popular.

Em época de mídias sociais, onde a propagação do ódio está popularizado e a defesa da violência é posicionamento político(?) comum, o canto da sereia para seduzir os policiais (que, como membros da sociedade, também se inserem nesse coral) é ainda mais forte. A jornalista Eliane Brum escreveu um artigo brilhante sobre essa intensa apologia da violação do outro através da internet:

“Nas postagens e comentários das redes sociais, seus autores deixam claro o orgulho do seu ódio e muitas vezes também da sua ignorância. Com frequência reivindicam uma condição de “cidadãos de bem” como justificativa para cometer todo o tipo de maldade, assim como para exercer com desenvoltura seu racismo, sua coleção de preconceitos e sua abissal intolerância com qualquer diferença.”

Na ânsia por popularidade, a polícia corre o risco de abandonar a diferença existente entre a condição profissional policial e a do cidadão comum, que, em regra, não possui preparo técnico para diferenciar a ação policial legítima da ilegítima – embora possa opinar, criticar e questionar qualquer fato envolvendo policiais.

Os cidadãos policiados devem sempre ser ouvidos, mas através do filtro da legalidade e da justiça, que nem sempre é popular.

O problema é que, em muitos casos, essa tal popularidade tem sido a via de fuga de organizações policiais com baixa autoestima profissional, onde policiais são (ou foram) submetidos a infâmias institucionais em prol de politicagem e interesses diversos dos que posicionariam esses profissionais como referências técnicas e morais.

Assim como a jovem celebridade do show business que, mal orientada, acaba se degradando em meio a muito assédio, não são os sensacionalistas que pagarão o preço da popularidade ilegítima das polícias. São os próprios policiais.

04 Mar 09:17

Carta de uma ex-motorista aos novos donos do seu carro

by Autor convidado
O carro que Gabriela passou para a frente. Foto: Arquivo Pessoal
Descubra porque Gabriela vendeu seu automóvel para se deslocar de transporte público, a pé e de bicicleta e veja sua carta aos novos proprietários do carro.
03 Mar 09:24

Blogueiros pedem acesso à lista e dados dos 8.667 clientes brasileiros do HSBC

by Conceição Lemes

Swissleaks_original

Dar acesso à lista e dados dos 8.667 clientes brasileiros do HSBC/SwissLeaks

Da Redação

Blogueiros encaminharam hoje ao Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) uma carta (na íntegra, abaixo), solicitando acesso à lista e dados dos 8.667 clientes brasileiros do HSBC na Suíça.

Postamos ainda a carta,em forma de petição, no Change.org

Ajude-nos a disseminá-la.

Quem quiser apoiá-la, é só clicar aqui.

****

Ao Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ)

Caras senhoras e senhores,

Nós, blogueiros do Brasil, falando em nome de nossos milhões de leitores, vimos através desta requerer ao ICIJ o acesso à lista com os dados completos dos 8.667 clientes brasileiros do banco HSBC no Swiss Leaks.

Somos jornalistas e/ou blogueiros engajados na luta por transparência no sistema financeiro, o que necessariamente passa pelo combate à sonegação estimulada pelos refúgios fiscais.

Alertamos que, diferentemente de outros países do mundo, a mídia brasileira é altamente concentrada.

De acordo com a organização Reporters Without Borders, o Brasil é o país dos 30 Berlusconis.

Os 30 Berlusconis fazem parte da elite política brasileira, à qual protegem praticando frequentemente a seleção, a distorção e a manipulação de notícias.

Os 30 Berlusconis são suspeitos de recorrer aos refúgios fiscais para sonegar impostos — e de proteger aqueles que o fazem.

Num caso recente, o maior grupo de mídia do Brasil, as Organizações Globo, recorreram ao paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas para, de acordo com autoridades fiscais brasileiras, fazer uma manobra que evitou o pagamento de impostos na compra dos direitos de transmissão das Copas do Mundo de futebol de 2002 e 2006.

A multa para as Organizações Globo foi superior aos R$ 600 milhões de reais.

Esta informação foi suprimida ou não teve o destaque necessário na maior parte da mídia brasileira.

Acreditamos ser temerário o ICIJ fazer uma única parceria no Brasil, o que na prática deixa os Swiss Leaks sob monopólio de um grupo de mídia que frequentemente coloca seus próprios interesses políticos, econômicos e ideológicos acima do direito à informação.

Jornalistas subordinados a este e a outros grupos de mídia trabalham sob pressão para fazer o vazamento de acordo com critérios de seus superiores.

A posse da lista por mais de um grupo de jornalistas, além de estimular a saudável concorrência, vai permitir que uns monitorem o trabalho de outros — e vice-versa.

Somos, alguns de nós, jornalistas investigativos premiados.

Prometemos aplicar critérios jornalísticos à divulgação dos nomes e dados dos correntistas do HSBC.

Seria lamentável se os Swiss Files fossem vazados no Brasil de forma seletiva, atendendo a interesses que não os da opinião pública.

Tornaremos esta carta uma petição pública para adesão de nossos leitores.

Aguardando ansiosamente por suas considerações,

Paulo Henrique Amorim

Rodrigo Vianna

Luiz Carlos Azenha

Conceição Lemes

Altamiro Borges

Renato Rovai

Conceição Oliveira

Eduardo Guimarães

Antonio Mello

Miguel do Rosário

NaMariaNews

Fernando Brito

Lúcio Flávio Pinto

Débora Cruz

Kiko Nogueira

Paulo Nogueira

Marco Weissheimer

Tarso Cabral Violin

Diógenes Brandão

Daniel Dantas Lemos

Wagner Nabuco

Joaquim Ernesto Palhares

Marcus Vinícius

Lúcia Rodrigues

Igor Felippe

Nilton Viana

Breno Altman

Esmael Moraes

Elaine Tavares

Leia também:

HSBC: Amaury Ribeiro Jr. deixa o Comitê de Jornalistas Investigativos

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28 Feb 11:54

Obrigada, Leonard

by Polly

Morreu ontem Leonard Nimoy, famoso por interpretar o Spock em Jornada nas Estrelas. Mas pra mim, ele era especial por outro motivo. 

Além de ator, Leonard também era fotógrafo e foi com o The Full Body Project que minha relação com o meu corpo começou a mudar. Não lembro bem como foi que descobri essas fotos, mas foi a primeira vez que vi corpos como o meu representados de uma maneira positiva. E representatividade, amigas, é tudo na vida.

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Sobre o que o levou a querer fotografar mulheres gordas:

Há essa questão cultural na sociedade sobre como as pessoas devem ser visualmente. E as mulheres em nossa cultura escutam como devem ser pelas empresas de cosméticos, as empresas da moda, as empresas de dieta – as pessoas querem vender algo. “Tome essas pílulas, compre essas roupas, faça este programa de exercícios. Compre esse nosso produto e você vai ficar como DEVE ser.” Bem, e como você deve ser? Você deve ser como você é! As pessoas foram ensinadas a perseguir este “sonho”, pagando algo a alguém para conseguir esse visual. Então é disso que se tratava, eu pensei que seria muito interessante levantar uma conversa sobre este assunto.

Como não amar?

Tchau, Leonard. E obrigada por tudo.

28 Feb 11:53

O silêncio de Agripino

by Luis Fausto

Para quem vive no mundo da lua, alheio aos acontecimentos daqui e dali, vá lá um resumo da ópera.

No domingo passado, o Fantástico da Rede Globo ressuscitou a Operação Sinal Fechado que há alguns anos, se não me engano em 2010, envolveu o senador José Agripino Maia e o deputado Ezequiel Ferreira num escândalo milionário para aprovar a inspeção veicular no Rio Grande do Norte. Agripino teria recebido cerca de R$ 1 milhão e Ezequiel R$ 300 mil. O acusador, advogado George Olimpio, rendeu-se à delação premiada e colocou o dedo na ferida. Não só o dedo, como a voz e a imagem – vídeos do próprio Ministério Público estão aí para fortalecer o que ele dizia e denunciava.

Pois muito bem – ou, no caso, muito mal.

Ezequiel foi à tribuna, fez um “fantástico” discurso de defesa da sua honra e dos seus bons costumes e recebeu apartes mil dos companheiros parlamentares. Um deles, o impagável José Adécio, chegou a dizer que o hoje presidente da Assembleia Legislativa potiguar “é vítima de um delator”…

E José Agripino Maia, presidente nacional do Democratas, senador há trocentos anos, ex-governador do Rio Grande do Norte que se auto-intitula vestal da honestidade, se coloca acima de qualquer suspeita e não perde uma chance de dizer, repetir e ressaltar ser o retrato da moralidade?

José Agripino Maia, que estava em Miami e rapidamente voltou a Brasília, prometeu ir à tribuna do Senado na primeira hora da terça-feira não só para se explicar, mas também para resguardar a sua figura pública.

Foi?

Não foi.

O senador norte-rio-grandense não deu um pio, não emitiu um som, sequer ensaiou uma daquelas caras de espanto e de revolta que ultimamente tem mostrado com tanta regularidade com tanta teatralidade.

Dizem, em sussurros quase inaudíveis, que os seus colegas de partido acharam melhor ele calar-se, fechar-se, para ver se a onda diminui – e nisso eles até têm razão, porque há dias não se fala mais no assunto nos grandes jornalões e muito menos nos pequenos diários do estado.

E dizem também, agora já abertamente, que os companheiros de oposição acreditam que o melhor é esquecer, fazer cara de paisagem, porque senão o chão pode tremer e um dos seus baluartes da tribuna acabará por se perder.

Dizem, falam, sussurram, mas o que importa, o que voga, é o velho e surrado ditado que nunca sai de moda porque sempre retrata a verdade dos fatos: quem cala, consente.

Agripino calou-se, vestiu a carapuça.

Fez um silêncio tão ensurdecedor que até os seus amigos, os correligionários de sempre, os admiradores de anos, ficaram sem argumentos para defendê-lo.

Delenda moralitatem, pois.

27 Feb 13:43

Frei Chico, irmão do ex-presidente Lula: “Jornalista da Veja agiu como bandido”

by Conceição Lemes

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por Conceição Lemes

Nessa quarta-feira 25, a família de Frei Chico, irmão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, registrou um boletim de ocorrência contra o repórter Ulisses Campbell, da revista Veja, que durante três dias assediou-os.

“Foi um horror”, contou-me  a sempre serena Ivenis, esposa de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, como é conhecido desde os tempos de metalúrgico em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, há quarenta anos.

Ulisses Campbell veio de Brasília para São Paulo especialmente para isso.

Primeiro, ele foi atrás do próprio Frei Chico, que relembrou a esta repórter:

– Na segunda-feira (23 de fevereiro), ele ligou para a minha casa, dizendo que era Pedro, do Instituto Lula. Quando a minha neta me levou o telefone, ele, de repente, começou a especular sobre a família, nomes de sobrinhos e netos de Lula, a fazer perguntas sobre o meu neto Thiago…

– Cara, o que você está querendo mesmo?

– Eu estou fazendo um mapa da família do Lula, um histórico…

– Mas para que instituto você está fazendo isso?

– Pro Instituto da USP…

– Na hora, pensei: “Acabou de mentir pela segunda vez”.

– Aí, ele acabou se identificando como Ulisses, da revista Veja. Disse que estava em busca de informações da festa de aniversário. Eu disse que não tinha festa nenhuma.

– Depois, esse cara me aparece em São Caetano… Tentou fazer com que um jornalista antigo, conhecido meu há mais de 40 anos, me convencesse a dar entrevista a ele.  O que eu vou falar para esse rapaz depois do que ele fez? Não dei entrevista, claro!

Na terça-feira, Ulisses foi atrás de Denis, um dos filhos do Frei Chico, que mora em Sorocaba:

–  Ele ligou para o celular da minha nora, se fazendo passar por Pedro, de Brasília, representante do Buffet Aeropark… Queria saber onde deveria fazer a entrega dos presentes. Minha nora disse que não tinha nada de festa, de aniversário…Meu filho ligou pro buffett, perguntou se lá trabalhava uma pessoa chamada Pedro, disseram que não tinha nenhum funcionário com o nome de Pedro.

Na quarta-feira, usando identidade falsa na portaria do condomínio, foi até a casa do filho do Frei Chico, dizendo que iria entregar um livro.

– Como ele não entregou livro nenhum e começou a fazer perguntas sobre a família, a babá fechou a porta e chamou a polícia. Aí, ele fugiu.

– O Denis conversou com ele por telefone. Ele disse duas vezes : “Se você não me der as informações que eu quero, vou publicar o eu que quiser”.

– Para intimidar ainda mais, mandou uma mensagem para o celular do meu filho com a foto da minha nora e do meu neto… Disse que iria publicar na próxima edição da revista Veja

Lá atrás Frei Chico foi do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partidão. É  sangue bom. Tranquilo. Conciliador. Sempre rindo. Sua risada é reconhecida de longe.Só que essa história deixou-o preocupado.

Viomundo –  O que acha do comportamento  desse jornalista?

Frei Chico — A pessoa que age dessa forma é tão  baixa… Ele agiu como um bandido. A ética jornalística está indo para o ralo. Isso é caso de polícia. Ele cometeu vários crimes ao mesmo tempo.

Viomundo – Na época da ditadura, você foi preso, torturado, teve companheiros  mortos. Lembra de  ter tido contato com um jornalista que teve a postura do Ulisses Campbell?

Frei Chico – Não, porque quem fazia isso era a polícia. Esse momento político que nós estamos passando me lembra muito a perseguição aos comunistas, à esquerda em geral na época da ditadura.

Sinceramente estou muito angustiado.  A grande mídia julga e condena a pessoa ao mesmo tempo.  Ela estampa a tua foto no jornal, na revista, na TV, como se você fosse bandido, [como se] tivesse culpa por algum malfeito. Depois, vai se investigar e não aconteceu nada daquilo.  Só que com aquela matéria a pessoa já foi condenada. E  Justiça brasileira ainda é muito lenta, para punir esse tipo de jornalismo que também desinforma,deseduca, fere a dignidade humana.

Viomundo – O que a sociedade tem de fazer?

Frei Chico – Um grande esforço para manter a dignidade humana. Como eu já disse antes, eu estou muito angustiado. Parece, por exemplo, que piorou o tratamento da mídia às causas nacionais. A gente não vê a grande imprensa defender as empresas nacionais, mesmo que sejam grupos privados.

Em outros países, até onde sei, se acontece algo errado numa empresa, você pune os responsáveis e salva a empresa. Aqui é o contrário. A gente vai destruindo tudo o que é nacional como se fosse algo banal, beneficiando as empresas estrangeiras, o capital internacional.

Viomundo – Entreguismo?

Frei Chico — Entreguismo, sim. Faz parte de um projeto geopolítico muito mais amplo. O que eu vejo é uma política de desgaste das indústrias e dos projetos nacionais. E a grande mídia tem imensa responsabilidade nisso. Nós temos de reagir!

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Leia também:

Família do ex-presidente Lula registra boletim de ocorrência contra repórter da revista Veja

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27 Feb 11:50

Operação Sinal Fechado: A história completa da operação que pode levar José Agripino para a cadeia

by Daniel Dantas Lemos
Saiu na Revista Fórum




Confira o relato detalhado da Operação Sinal Fechado e os bastidores do esquema de corrupção no Rio Grande do Norte, que tem comprometido cada vez mais o senador José Agripino Maia (DEM-RN), acusado de receber propina em troca de favores políticos


Por Daniel Dantas Lemos

A Operação Sinal Fechado é resultado de investigação que se iniciou sobre o processo de inspeção veicular obrigatória no Rio Grande do Norte, mas que revelou um esquema mais antigo e sofisticado de corrupção.


Com a pressão da mídia e da opinião pública, no início de 2011, o recém-empossado governo Rosalba Ciarlini (então no DEM) suspendeu a vigência do contrato que previa a inspeção veicular obrigatória em 7 de janeiro, por 45 dias.


Em 9 de fevereiro de 2011, a governadora anunciou a anulação do contrato com o consórcio responsável, o Inspar, chefiado por George Olímpio, ainda que dissesse também que seria analisada a melhor maneira de realizar a inspeção veicular no estado. Mesmo assim, apenas no fim de maio o contrato foi efetivamente cancelado. Por quê? O que acontecia nos bastidores?


Naquele dia, o governo do RN anunciaria o cancelamento do contrato de inspeção com o consórcio Inspar – cancelamento que somente foi efetivado em maio. Mas, antes disso, os envolvidos no esquema fraudulento já tinham recebido a notícia.


As informações estão presentes nos documentos públicos da petição do Ministério Público e na denúncia contra os 32 investigados. Desses, 27 viraram reús, incluindo dois ex-governadores, Wilma de Faria (PSB) e Iberê Ferreira (PSB), morto em setembro de 2014, além de dois ex-diretores do Detran e empresários. O Ministério Público apontou como líder da quadrilha o advogado George Olímpio.

O que aconteceu naquele dia 9 de fevereiro?




Pela manhã, os membros da organização são informados de que o contrato do governo com o consórcio montado para faturar dinheiro com a fraude será cancelado. George Olímpio é convocado para ir a Brasília. Em telefonema a Gilmar da Montana, George diz: “Eu estou chegando no aeroporto. Eu tô indo para Brasília agora… Vou falar com o ministro [José Delgado] e com José Agripino…Eles mandaram me chamar lá, tô pegando o voo agora” (negrito é nosso).


Abaixo, o trecho da transcrição na petição da Operação Sinal Fechado:
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Perceba que não foi George que pediu o encontro com o senador José Agripino, atualmente presidente do DEM, e José Delgado: “eles mandaram me chamar lá”. O interesse em conversar com George no dia do anúncio do cancelamento do contrato era de Agripino.


Em conversa subsequente, George conversa com o ex-cunhado, Eduardo Patrício, antigo dono da Delphi Engenharia e um dos réus da Operação Sinal Fechado. E Eduardo dá a senha: a solução possível é “seguir com José [Agripino]”.


Cerca de duas horas depois de George dizer a Gilmar que estava indo a Brasília, João Faustino diz a George que falou com José Agripino “e este iria ligar para a governadora e para Paulo de Tarso”. A reunião entre George e José Agripino, com o advogado José Delgado, seria às 18h no gabinete do senador em Brasília.


O que trouxe, pela primeira vez, os holofotes da Operação Sinal Fechado sobre José Agripino foi o vazamento, em março de 2012, do depoimento justamente do réu Gilmar da Montana, concedido em novembro de 2011. Gilmar informa ter sabido por George que foi repassado R$ 1 milhão para as campanhas de José Agripino e Rosalba Ciarlini por parte da quadrilha.


Note o trecho seguinte do depoimento de Gilmar:


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Gilmar diz que pediu ajuda, para salvar o negócio, a alguns desembargadores. Entre eles, Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro.


Não é por acaso, então, que na conversa acima, entre George e Gilmar da Montana, um outro nome aparece convocando os membros da quadrilha. Diz Gilmar: “…Osvaldo queria falar com a gente… Eu não sei, você que sabe. Se você não quiser ir, não vá”.


Além de José Agripino, agora é o desembargador Osvaldo Cruz que deseja conversar? O conteúdo da ligação combina perfeitamente com o que foi dito por Gilmar no depoimento – que José Agripino disse, depois, ter sido dado sob efeito de medicamentos.


A primeira defesa do senador

O jornal Tribuna do Norte publicou, então, uma entrevista com o advogado de Gilmar de Montana, José Luiz C. de Lima. A Tribuna é de propriedade do ex-deputado federal Henrique Alves (PMDB), aliado local da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) e do senador José Agripino (DEM). Abaixo, imagem da versão impressa e um trecho da versão on-line:



O conteúdo da entrevista publicada na Tribuna do Norte é praticamente o mesmo da nota distribuída à imprensa pela assessoria do senador José Agripino (DEM) na quinta-feira.


Uma frase me chamou muito a atenção, atribuída ao advogado:


“Antes de mais nada, é bom deixar claro que eu não era advogado de Gilmar Lopes quando ele prestou aquele primeiro depoimento. Depoimento, aliás, que foi prestado, pelo que ele me disse, em condições de absoluto estresse emocional e debilidade física. Ele foi retirado do hospital às sete da manhã, sem saber nem para onde ia, sem assistência de advogado credenciado e sob efeito de remédios tranquilizantes”.


Destaque-se a informação de que Gilmar teria sido retirado do hospital às sete da manhã, sem assistência de advogado credenciado.


Gilmar foi interrogado duas vezes pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do Ministério Público estadual. Na primeira, logo após ser preso, deu o famoso depoimento, com a presença de sua advogada. Ele saiu de sua casa preso e foi direto para o Ministério Público.


No dia 28, quatro dias depois da prisão e do primeiro depoimento, todos os presos foram levados para a promotoria para serem interrogados novamente. Dessa vez, Gilmar não quis falar nada.


O primeiro depoimento de Gilmar foi acompanhado por um advogado, segundo consta no termo: Cláudia Cappi.


Gilmar foi preso em casa. Passou mal no fim do dia 24, dia da prisão, após prestar depoimento. Depois de uma dor epigástrica forte e pico hipertensivo, Gilmar foi internado no Hospital do Coração, em Natal.


Após ser preso, ele divulgou nota à imprensa em 26 de novembro, dois dias depois. Nesta nota, Gilmar esclarece, sem sombra de dúvidas: “Tive a minha casa e escritório devassados, fui preso e hospitalizado, me vejo condenado sem julgamento, com o meu nome negativamente exposto perante a sociedade, envolto em um ‘mar de lama’”.


Ou seja, Gilmar foi hospitalizado após a prisão e o depoimento em que envolve o senador José Agripino.


Atribuir a responsabilidade ao que foi dito é afirmar que os remédios o fizeram fantasiar a história do depoimento? Ou, é fazer crer que ele falou mais que devia por estar sob efeito de remédios?


Desacreditar o depoimento de Gilmar é bom para vários réus, inclusive os ex-governadores Wilma de Faria e Iberê Ferreira.


E quando Gilmar falou a outros interlocutores, confirmando o teor de seu depoimento ao MP, ele ainda estava sob efeito dos remédios?


Quem é o advogado de Gilmar da Montana?


O Jornal de Hoje (JH), veículo diário de imprensa em Natal, também publicou uma defesa do senador José Agripino Maia (DEM-RN), para tentar desqualificar o depoimento prestado por Gilmar da Montana ao Ministério Público em 24 de novembro de 2011, logo após ser preso em casa na Operação Sinal Fechado.


No depoimento vazado recentemente, Montana diz ter sabido do repasse de R$ 1 milhão para as campanhas de Agripino Maia e Rosalba Ciarlini por parte do esquema da quadrilha no Rio Grande do Norte.


Na nova matéria, algumas coisas chamam a atenção em comparação ao texto distribuído pela assessoria de imprensa do senador José Agripino no fim da semana passada. Em primeiro lugar, trata-se de um advogado diferente daquele cuja entrevista foi publicada na Tribuna do Norte. A Tribuna publicou entrevista com José Luiz C. de Lima. Já o JH entrevistou Arsênio Pimentel.


Lima não atacou o MP, mas alegou que:


1) Gilmar foi levado do hospital para prestar depoimento, estando, pois, medicado;


2) O depoimento teria sido prestado sem assistência de advogado;


3) Gilmar teria negado em novo depoimento o teor do primeiro.


Acontece que Gilmar foi preso em casa na manhã do dia 24 de novembro e levado imediatamente ao MP para prestar depoimento. Depoimento esse acompanhado pela advogada Claudia Cappi. Além disso, quatro dias depois de preso e após ter sido internado, Gilmar foi conduzido para novo depoimento, no qual permaneceu em silêncio – não desmentiu o depoimento anterior.


Diante das incoerências dessa defesa inicial, um outro advogado – Arsênio Pimentel – foi acionado para dar a entrevista ao JH. E as coisas parecem um tanto mais confusas. Arsênio Pimentel ataca o Ministério Público de várias formas:


1) Diz que Gilmar recebeu promessa de delação premiada para dizer o que disse (Então, o que disse é verdade?);


2) Afirma que, se fosse levado a sério o depoimento de Gilmar, o caso teria saído da Vara Criminal e sido encaminhado para o “STJ ou STF” (Então, não é real o que ele disse? Estou confuso agora. De todo modo, o foro do senador seria o STF, não o STJ).


3) Pimentel afirma que Gilmar apenas assinou o que foi escrito pelo MP, não correspondendo ao que ele disse: “Não há delação premiada. Porque tudo o que Gilmar ‘falou’ o Ministério Público já sabia. Falou o quê? Porque tem um texto escrito e a assinatura de Gilmar embaixo. Aí ele ‘falou’. Não! Gilmar apenas assinou um papel”. Esse confuso relato me fez lembrar um depoimento dado sob tortura. Será que o advogado está insinuando que os promotores que colheram o depoimento torturaram o réu?


4) O advogado desconsidera o depoimento de seu cliente pelo fato de as investigações terem indicado agentes com prerrogativa de foro, como governadora, senador e desembargadores, mas o inquérito permaneceu na 6ª Vara Criminal. No entanto, o próprio Ministério Público já esclareceu em diversos momentos que repassou todos os indícios que envolvem pessoas com prerrogativa para as devidas instâncias – sem prejuízo da continuidade das investigações.


Mais interessante é que, nas novas declarações, surgiu o nome do remédio supostamente tomado por Gilmar (Frontal), não se fala mais em depoimento sem acompanhamento de advogada nem se insinua que Gilmar teria sido levado do hospital para prestar depoimento. Ou seja: mudança de advogado e de alegações. É de se esperar que mude novamente.


Para desalento do senador José Agripino (DEM), essa defesa pública de Arsênio é, de novo, frágil. No mínimo, explicita uma mudança de postura do advogado difícil de explicar. Arsênio Pimentel assina a petição solicitando a revogação da prisão temporária de Gilmar da Montana no dia 25 de novembro de 2011 – no dia seguinte à deflagração da Operação Sinal Fechado.


Na entrevista concedida ao Jornal de Hoje, Arsênio é bastante ácido contra o Ministério Público e sobre o próprio conteúdo do depoimento prestado por Gilmar. Em 25 de novembro, sua postura era outra:


“Antes mesmo de adentrarmos na discussão jurídica que permeia o presente pleito, cumpre-nos trazer ao vosso conhecimento dois momentos distintos, porém, correlatos à ‘Operação Sinal Fechado’, sendo o primeiro, aquele diz respeito ao comparecimento da pessoa do Requerente, JOSÉ GILMAR DA CARVALHO LOPES, à promotoria do patrimônio público, para prestar suas declarações; sendo, por sua vez, o segundo momento, o do dia de ontem, 24 de novembro de 2011, quando logo após o cumprimento da prisão temporária, o mesmo prestou, novamente, suas declarações, perante os representantes do Ministério Público estadual, de maneira elucidativa e em colaboração com a investigação.



O segundo momento que reputamos relevante considerarmos diz respeito às declarações prestadas por JOSÉ GILMAR DA CARVALHO LOPES, ainda na manhã de ontem, 24 de novembro de 2011, onde, detalhadamente, a pessoa do Requerente respondeu, com riqueza de detalhes, aos questionamentos formulados pelo ilustre Promotor, EUDO RODRIGUES LEITE, delimitando, assim, todos os aspectos e pormenores que eventualmente sugeririam dúvidas sobre a boa-fé de GILMAR, além de aspectos pertinentes aos demais investigados que, mesmo não tendo relações com os fatos da contratação realizada entre a MONTANA HABITACIONAL E CONSTRUÇÕES LTDA – MONTHAB e as empresas GO DESENVOLVIMENTO DE NEGÓCIOS LTDA e o CONSÓRCIO INSPAR, o ora investigado tinha conhecimento e, por esta razão, entendeu ser relevante declará-los à autoridade investigativa”.


Ao jornal, Arsênio disse que pouco valeu o depoimento de Gilmar. Mas à juíza do caso, em novembro, o advogado disse que Gilmar prestou “suas declarações, perante os representantes do Ministério Público estadual, de maneira elucidativa e em colaboração com a investigação”.


Além disso, na entrevista, Arsênio disse que Gilmar não falou nada, apenas assinou o termo de declaração do MP, confirmando aquilo que os promotores disseram. À juíza, o advogado afirmou que “a pessoa do Requerente respondeu, com riqueza de detalhes, aos questionamentos formulados pelo ilustre Promotor, EUDO RODRIGUES LEITE, delimitando, assim, todos os aspectos e pormenores que eventualmente sugeririam dúvidas sobre a boa-fé de GILMAR, além de aspectos pertinentes aos demais investigados”.


O que foi dito, nas palavras de Arsênio, “com riqueza de detalhes”?

* o ex-governador Iberê Ferreira de Souza recebeu uma cota de 15% dos lucros do Inspar

* a ex-governadora Wilma de Faria também recebeu 15%

* George Olímpio e João Faustino estavam agindo para que a inspeção veicular fosse retomada

* George Olímpio fez doação de campanha a Wilma e Iberê na campanha de 2010

* George Olímpio doou R$ 1 milhão, em dinheiro e de forma parcelada, na campanha de 2010 ao primeiro-cavalheiro Carlos Augusto Rosado e ao senador José Agripino Maia


O primeiro delator: Alcides Barbosa




Faltavam cerca de duas semanas para o primeiro turno das eleições de 2010. O senador José Agripino (DEM/RN) realizou um coquetel em seu apartamento na capital natalense. O apartamento, uma cobertura, possui uma secção superior que os íntimos chamam de sótão. Uma escada, fina, leva ao piso superior.


O empresário paulista, sócio do advogado Luiz Antonio Tavolaro, de São José do Rio Preto, Alcides Barbosa, foi convidado para a festa. Alcides, que faz parte do grupo que organiza e toca a inspeção veicular em Natal, o consórcio Inspar, tem uma relação muito próxima aos tucanos Aloysio Nunes Ferreira e Clóvis Carvalho. Estava em Natal tentando emplacar um negócio de construção de casas junto ao governo do estado na gestão de Iberê Ferreira de Souza. Barbosa foi convidado quase como representante dos tucanos de alta plumagem citados acima.


Ao chegar na festa, Alcides encontra seus sócios, o advogado George Olímpio e o suplente de senador João Faustino (PSDB). O coquetel vai avançando e, quase no fim, Agripino pega João Faustino pelo braço e sobe para seu sótão, ao lado de George Olímpio. Despede-se de Alcides, mandando recomendações a Aloysio Nunes Ferreira. Pouco depois, desce as escadas, se desculpa com o empresário e chama-o a subir também.


Lá em cima, Agripino é apresentado a George por João Faustino. George diz ao senador que deseja investir R$ 1 milhão para a sua campanha. Agripino lembra que é o fim da campanha e, estando todo mundo no aperto, o dinheiro era bem aceito.


No entanto, George diz não ter o dinheiro naquele momento e, em poucos instantes, todos chegam ao acordo de esquentar a doação com cheques – não se sabe se de George ou do Inspar. José Agripino resolve ligar para o seu suplente, José Bezerra Júnior, o Ximbica, e lhe pede que venha a seu apartamento.


Ximbica chega e é apresentado a George. Falando alto, Bezerra cita Lauro Maia como responsável pelo Inspar, questionando Agripino por ter-lhe posto naquela situação. Na conversa, todos chegam a um acordo: George Olímpio daria a José Bezerra Júnior R$ 1 milhão em quatro cheques de R$ 250 mil, a serem descontados mensalmente a partir de janeiro de 2011. Ximbica faria o depósito do dinheiro imediatamente.


Após esse episódio, George alardeava a segurança do negócio com base no fato de que dera esse volume de dinheiro a Agripino. Também por isso, em fevereiro, José Agripino desistiu do desgaste de confrontar o governo Rosalba em prol do consórcio Inspar. No dia do anúncio do fim do convênio, em 9 de fevereiro, Agripino chamou George para uma conversa em Brasília e anunciou-lhe ser impossível prosseguir no pleito com governo. Por isso, devolveu os dois últimos sem descontar. Quanto ao dinheiro inicialmente pago a José na campanha, não há registro de que tenha sido efetivamente devolvido.


Entre várias coisas que George dizia nesse caso, a que mais o afastou do atual governo foi ter afirmado que doara o dinheiro para a campanha de Rosalba Ciarlini também – mas Agripino usou o dinheiro integralmente. E outros nomes foram citados.


O depoimento explicita que há uma relação, não bem explicada, entre a dupla Luiz Antonio Tavolaro e Alcides (que era uma espécie de sócio), com o senador Aloysio Nunes Ferreira. A relação diz respeito, inclusive, a Clóvis [Carvalho?], que viajou de jatinho fretado a Natal para tratar da questão da inspeção veicular. Qual o interesse dos tucanos nesse negócio?


Tavolaro era o Procurador-Geral do Município em São José do Rio Preto (SP). Pediu exoneração no dia em que foi deflagrada a Operação Sinal Fechado. Tavolaro é responsável pelas cenas e relatos de ameaça a Alcides e sua esposa.


Luiz Trindade, um dos advogados ligados a Tavolaro, é acusado de ter ameaçado a esposa de Alcides, dizendo que quem muito fala termina por morrer em um acidente na rua. E mais de uma vez. Alcides demonstra ter ficado e se sentido bastante isolado. Parece que armaram para que ele pagasse sozinho pelos crimes. E conseguiram fazer com que ele adiasse a delação que tinha intenção de fazer desde o primeiro dia.


As vantagens indevidas




Segundo relata Alcides, João Faustino teria pedido R$ 150 mil a Carlos Zafred para a campanha de 2010 a fim de cumprir um compromisso com José Agripino. Mas Carlos não pagou e por isso “deu pau”. Essa época é aquela do acordo com José Maranhão para financiamento de campanha. Alcides relata o acordo com José Maranhão na Paraíba, já explicitado na denúncia do Ministério Público. E afirma que George Olímpio deu R$ 200 mil para Eduardo Patrício, que havia acabado de se separar, e um carro, conseguido junto a Joca, filho de Iberê Ferreira.


Alcides informa ainda que George Olímpio pagou R$ 300 mil ao deputado estadual Ezequiel Ferreira de Souza para elaboração e aprovação da lei que instituiu a inspeção veicular obrigatória, em agosto de 2009.

Barbosa também esclarece que o ex-governador Iberê Ferreira paticipou na licitação, na inspeção e teria uma participação percentual na inspeção – de 15% nos lucros. Esse é o mesmo percentual que caberia à ex-governadora Wilma de Faria. Já a João Faustino cabia dez por cento.


Sobre o então novo governo, de Rosalba Ciarlini (DEM), Alcides diz que havia garantias da Facility, no Rio de Janeiro, e por Marcos Rola (da EIT), em São Paulo, de que o negócio seria reativado com a entrada dos novos sócios. Havia um entendimento no grupo, à época, que apenas Robinson Faria (PSD), atual governador do estado pelo PSD, mas que era vice de Rosalba, se opunha à reativação do negócio em virtude de uma informação repassada por Ezequiel Ferreira de Sousa de que George Olímpio continuava sendo sócio de Marcus Vinícius no escritório.


Outros desembargadores


Alcides Barbosa também relata que foi feito um acerto, já em 2011, com Érico Valério Ferreira e seu pai, o desembargador Expedito Ferreira: cada um receberia, mensalmente, R$ 50 mil em dinheiro vivo, a partir do momento em que Érico assumiu a diretoria-geral do Detran até o dia da Operação Sinal Fechado.


O Fantástico exibiu imagens gravadas por George Olímpio, disponibilizadas ao MP, em que Érico Valério recebe uma das parcelas em dinheiro vivo no escritório de George.


José Agripino seguiu negando tudo. Em outubro de 2012, finalmente, o então Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, arquivou a investigação contra José Agripino – que, ali, era composta da delação premiada de Alcides Barbosa e o depoimento de Gilmar da Montana.


As delações de Agripino

Abril de 2012. O empresário paulista Alcides Barbosa está preso, em São José do Rio Preto, desde a deflagração da Operação Sinal Fechado em novembro de 2011.


Assistido por advogados pagos pelos demais envolvidos, Alcides percebe que a sua defesa, na verdade, não o defende e seu objetivo é mantê-lo encarcerado para garantir o seu silêncio.


Ciente disso e sabedor de que tem coisas a dizer que implicariam parte considerável da classe política do RN e alguns nomes de São Paulo, Alcides topa fazer um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público.


No seu depoimento, confirma algo dito pelo empreiteiro Gilmar da Montana no dia de sua prisão: o líder do esquema, George Olímpio, deu um milhão de reais de propina para o senador José Agripino Maia, presidente nacional do Democratas. E detalha a história: o encontro se deu no apartamento do senador em Natal. O empresário José Bezerra de Araújo Júnior, o Ximbica, emprestou quatro cheques de R$ 250 mil para a transação.


O objetivo era tentar garantir a manutenção do negócio de inspeção veicular para o grupo de George no futuro governo Rosalba. Como o objetivo não foi alcançado e temendo a repercussão do caso, Agripino recebeu George e Alcides em sua casa em Brasília no início de 2010 e devolveu metade dos cheques que ainda não tinham sido descontados. Alcides não sabia se Agripino devolvera os outros quinhentos mil reais.


Segundo semestre de 2014. Foi a vez do advogado George Olímpio, apontado como líder do esquema, realizar um acordo de delação premiada com o MP. A partir do seu depoimento, confirmando o que disse Alcides, o Procurador Geral de Justiça ofereceu denúncia contra o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza. Os dois disseram, e posteriormente o MP confirmou, que Ezequiel recebeu R$ 300 mil de George para aprovação da lei que autorizava o governo do Estado a contratar o serviço de inspeção veicular obrigatória.


Os depoimentos de George Olímpio também implicaram o senador democrata José Agripino – o MP confirmou em entrevista que remeteu à Procuradoria Geral da República informações acerca do envolvimento de políticos com foro privilegiado. Cabe à PGR investigar e denunciar senadores da República.


Pano rápido. Operação Lava Jato. Dentre os vários delatores que já fizeram acordo para colaboração premiada com o Ministério Público Federal e a Justiça Federal, Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras que confessou receber propinas desde 1997, estimou que o PT teria recebido US$ 200 milhões decorrentes de propinas das empreiteiras.


Pano rápido. Diante dos dois fatos citados, é comum vermos duas posturas diferenciadas. Soube de um jornalista potiguar, com programa de grande audiência no rádio, que teria dito sobre as delações contra o PT: “Ninguém vai fazer uma delação premiada e mentir. Aí tem coisa”. Aí, diante das denúncias contra Agripino e Ezequiel, o mesmo personagem afirmou que “são apenas depoimentos. Não há nenhuma prova e os dois têm uma vida limpa”.


Qual motivo existe para que, na opinião não apenas desse jornalista, o depoimento de Pedro Barusco sobre o PT ter poder de verdade, enquanto as falas de George e Alcides sobre Agripino serem considerados apenas depoimentos sem prova? Como ele poderia explicar isso – se é que poderia?


Há outro depoimento sob delação premiada na Operação Sinal Fechado. Trata-se de Marcus Vinicius Furtado da Cunha, que foi procurador do Detran. Comenta-se que tanto Marcus como George haviam gravado encontros e guardado documentos com os fins de se protegerem. Esse material, se existente, foi repassado ao Ministério Público no âmbito da delação de ambos.


Agripino seguirá negando?

João Faustino faleceu em janeiro de 2014. Antes de morrer, escrevo um livro: “Eu perdoo”. Ex-deputado federal, Faustino foi fundador do PSDB. Na legislatura de 2003 a 2010, foi suplente do senador Garibaldi Filho (PMDB). Em 2010, foi eleito como suplente do senador José Agripino Maia (DEM).


Quando suplente de Garibaldi, atuou como subchefe da Casa Civil do governo de São Paulo. O governador era José Serra (PSDB) e o chefe da Casa Civil era Aloysio Nunes (PSDB). Ambos são senadores por São Paulo hoje.


No fim de março de 2012, vazou para a imprensa um depoimento prestado por José Gilmar de Carvalho Lopes, o Gilmar da Montana, ao Ministério Público. O depoimento de Gilmar, dado quando de sua prisão na Operação Sinal Fechado, em novembro de 2011, era bombástico: Gilmar informava que o consórcio Inspar, liderado pelo advogado George Olímpio, pagara R$ 1 milhão como propina para a campanha de José Agripino (DEM) e Rosalba Ciarlini (DEM). O objetivo era garantir a manutenção do negócio de inspeção veicular obrigatória pelo governo do estado.


Agripino se apressou a desmentir. Até os advogados de Gilmar foram a público para negar. Escrevi sobre o tema para o Vi o Mundo, de Luiz Carlos Azenha.


Agripino não teve sossego. Aproximadamente um mês depois, veio a público o conteúdo da delação premiada do paulista Alcides Barbosa. Barbosa reforçava a versão contada inicialmente por Gilmar da Montana e dava detalhes, como o fato de que o empresário José Bezerra Júnior, o Ximbica, ter emprestado o dinheiro, já que George Olímpio não teria todo o dinheiro no momento do acordo. O acordo de Olímpio teria se dado poucas semanas antes da eleição em um encontro na parte superior da cobertura de José Agripino em Natal.


Mais uma vez, Agripino negou. Mais que isso: em outubro, o então Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, decidiu arquivar a investigação contra o senador. A decisão de Gurgel se baseou em declarações registradas em cartório de Gilmar, retificando seu depoimento original, e de George negando tudo.


Neste fim de semana, foi a vez de o depoimento em delação premiada do próprio George Olímpio falar sobre o acerto milionário com José Agripino. O senador, como esperado, desmentiu Olímpio, negando tudo.

Até que ontem (24), o Ministério Público publica um áudio em que conversam George Olímpio e João Faustino, na casa do último:

João continua: “Ele [Carlos Augusto] diz que se lembra, sabe das negociações que Zé Agripino fez, sabe que você se comprometeu”

George: “Fora a negociação, daquele dinheiro, tem uma parte que foi dada. (…)e mais cento e cinquenta. Eu dei uma parte por último, que ele me pediu, eu dei por último. R$ 150 [mil], um cheque, que ele pegou dinheiro daquele rapaz, que fica lá na tevê, na Tropical”

João: “Sei, sei, o sobrinho dele, Tarcísio”

George: “Tarcisinho, que vence em setembro o cheque. Mais R$ 150 [mil], no final da campanha ele disse assim: ‘George, eu preciso de você’”

João: “Você deu R$ 200 mil, não foi?”

George: “Eu dei R$ 300 mil, em dinheiro. Marcílio deu R$ 400 [mil], Ximbica deu R$ 300 [mil]”

João: “Mais 150”

George: “Na última semana ele me chamou e disse: ‘George, eu preciso de você’. Mais 150”

João: “Fora os juros”

George: “Os juros eu já vou pagando. Agora, em Brasília, ele me pediu para pagar o desse mês. Chega eu fiquei destreinado”


A minha dúvida é se o senador ainda conseguirá negar ter sido recebedor dessa propina que, na verdade, superou R$ 1 milhão em R$ 150 mil. São quatro diferentes depoimentos, o último deles vindo de seu suplente na eleição de 2010, João Faustino.


Agripino vai desmentir Faustino?


Foto de capa : Portal Vermelho
26 Feb 11:49

Me trate como gente

by Clara

Esses dias um amigo falou: “sua filha é sua melhor obra”

Ao que respondi: “ela não é minha obra, é  uma pessoa”.

Eu mesma devo ter dito isso em algum momento, devo até ter escrito, talvez fazendo um trocadilho horrível com “obra-filha”, provavelmente quando ela era bem pequena e ainda não tinha autonomia, opiniões, conflitos, enfim, antes de eu me tocar que ela é uma pessoa. Uma pessoa independente de mim, que discorda, que acha, que vive e que não merece essa expectativa em cima de seus ombros de pré-adolescente, nem quando crescer e nem nunca. Claro que sigo achando que ela é incrível, mas sei que é uma pessoa, uma menina, alguém que vive no mesmo mundo que eu e sofre as mesmas pressões que eu sofria, além de outras, pois cada qual tem sua vivência.

E isso vale para relações de todas as naturezas.

Ser tratadas como gente: não é o que queremos?

Particularmente tenho tanto horror de homem que me coloca em pedestal quanto aos que me destratam. Nenhum dos dois está me tratando como gente. Carmen da Silva, sempre ela, escreveu algumas linhas a respeito.

“Alguns te espezinham com a noção da tua própria pequenez: mostram como você é inferior, perversa, rasteira, mesquinha. Outros simplesmente te colocam tão alto que você fica invisível lá em cima do pedestal. Invisível: justamente feito um verme, um piolho, um nada.”

Temos também uma palavrinha da Gloria Steinam:

quote-Gloria-Steinem-a-pedestal-is-as-much-a-prison-172159

“Um pedestal é tão prisão quanto qualquer espaço pequeno, limitado”

 

Não quero que me amem desmedidamente mais do que a vida, o ar e todas as coisas; não quero ser tratada como rainha ou deusa intocável e à prova de erros. Pedestais são bastante desconfortáveis e não me sinto nada bem posando neles. Além disso, se nos desequilibramos e caímos lá de cima, a queda é feia para todos os envolvidos, pois idealizações podem acabar em merdas fenomenais. Tampouco quero ser maltratada, destratada, não ouvida, diminuída e tratada feito idiota como tantas vezes já me aconteceu.

Quero ser tratada como gente. Pessoa. Igual.

pedestal-web

“Pedestal” de Heather Keith Freeman

 

Falando assim parece fácil e óbvio, mas a julgar pelas minhas relações e por tantas outras, de tantas amigas, isso é tão comum que a gente nem percebe.

Sempre lembrando que falo por mim, mas vai que minha voz é a de outras também?

Eu acredito e espero que sim.

26 Feb 11:47

O que Einstein diria dos boçais que xingaram Mantega no hospital?

by Kiko Nogueira
  O mesmo espírito de porco que levou um pessoal a mandar Dilma tomar no cu na Copa do Mundo tomou conta da gente que xingou Guido Mantega no hospital Albert Einstein. Você deve ter assistido o vídeo. Mantega estava chegando à lanchonete quando boçais começaram a gritar. — Vai pro SUS! ...
25 Feb 21:16

Polícia infringiu a lei ao permitir provocadores em ato em defesa da Petrobrás

by eduguim

provocadores

 

O ato em defesa da Petrobrás que aconteceu na última terça-feira no auditório da Associação Brasileira de Imprensa, no centro do Rio de Janeiro, foi convocado e anunciado com grande antecedência. Como todo ato público, todos sabiam que ocuparia a região em frente e nas proximidades. Por conta disso, as autoridades policiais e de trânsito foram avisadas.

A mídia, à diferença do que vem fazendo em relação às agressões que pessoas vestidas com roupa vermelha vêm sofrendo em atos contra Dilma Rousseff e o PT, deu grande destaque a confronto que eclodiu devido a manifestantes antipetistas terem ido diante da ABI insultar os manifestantes em defesa da Petrobrás.

provocadores 2

 

A foto que estampou a primeira página dos grandes jornais de hoje não contou bem a história. O vídeo abaixo dá algumas pistas do que realmente ocorreu.

Seja como for, havia muito mais manifestantes “petistas” ou “cutistas” ou “petroleiros” do que manifestantes antipetistas. É óbvio que um pequeno grupo ir fazer provocações em uma manifestação de pessoas de inclinações políticas contrárias, não poderia terminar bem.

O que espanta é que cidadãos que ousem vestir roupa vermelha vêm sendo agredidos verbal e fisicamente nas ruas por antipetistas desde junho de 2013 e isso nunca virou manchete de jornal. Um dos casos mais emblemáticos é o do advogado que foi agredido física e moralmente na região da avenida Paulista, em São Paulo, por usar camiseta vermelha.


Esse é apenas um dos casos. Outro caso eminente foi, inclusive, denunciado por este Blog durante a eleição do ano passado, quando um cadeirante foi agredido por antipetistas por usar camiseta do PT.

Porém, a questão central deste post não é sobre os fatos que levaram ao conflito de terça-feira no Rio, mas sobre o comportamento inaceitável da Polícia diante da atitude criminosa dos provocadores que se articularam para ir tumultuar o ato em defesa da Petrobrás.

Antes de prosseguir, um parêntesis: incontáveis matérias da grande imprensa disseram que pessoas que “passavam pelo local” do ato em defesa da Petrobrás xingaram os manifestantes e foram agredidas. Ora, que se saiba ninguém sai de casa portando bandeiras do Brasil se não for com a intenção de participar de algum ato público. Os antipetistas que “passavam pelo local” portavam essas bandeiras, de modo que não estavam lá por acaso. Vale registrar.

Mas, enfim, o fato é que essas pessoas não tinham direito de estar lá e a polícia deveria tê-las retirado. Por que não tinham que estar lá? Ora, devido ao artigo 5º da Constituição Federal em seu tópico sobre direito de manifestação. Confira, abaixo.

Artigo 5º da Constituição Federal

XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;

Como se vê, é proibido ir a ato público do qual se discorda para provocar ou para contestar aquele ato. A lei é bem clara. A polícia sabe disso, claro. Por que não retirou os provocadores do local?

Aliás, vale registrar que naquele local estava um ex-presidente da República e em qualquer país democrático um ex-presidente tem direito a proteção. E se em vez de 15 pessoas tivessem ido 1.500? Poderiam ter invadido o auditório da ABI e até assassinado o ex-presidente.

O mais preocupante, porém, está em relato que nosso leitor Alessandro Souza postou aqui nesta página. Confira, abaixo.

Alessandro Souza

1 aprovado

Enviado em 25/02/2015 as 00:24 | Em resposta a Hermes Sanchez.

Estive lá [na manifestação em defesa da Petrobras] e cheguei ainda há pouco em casa. A falta de noção desses manifestantes “pró-impeachment” chega a ser assustadora! Meia dúzia de “gatos pingados” ofendendo e provocando pelo menos uns 400 militantes que estavam ali defendendo uma causa de interesse nacional não poderia, em hipótese alguma, terminar bem.

Até policial federal identificado com seu distintivo e portando armas brancas (bastão retrátil e soco inglês) para intimidar a militância petista havia por lá! Sinceramente, acho que o prejuízo que eles tomaram foi até pequeno perto da tragédia que poderia ter acontecido.

Pessoalmente, fui à viatura da PMERJ para relatar o fato ao policial que lá estava, explicando que aquela provocação não iria terminar bem e que o agente federal que lá estava contribuía para aumentar a tensão do ambiente. Obtive como resposta o seguinte: “se estão brigando os ladrões do PT de um lado e esse babaca de outro, eu quero é que eles se fodam!”

Voltei e indaguei ao policial federal se ele estava ali a serviço ou para fazer política e que a competência para fazer a segurança do perímetro era da polícia militar. Ele disse que estava ali porque era policial 24 horas por dia e estava no direito dele. Retruquei dizendo que, neste caso, ele não deveria estar ostentando seu distintivo, porque sua condição ali era idêntica à de qualquer militante presente no local. Sua resposta foi no sentido de que eu representasse contra ele na corregedoria.

Tirei algumas fotos suas com meu celular e solicitei seu nome e matrícula, ao qual ele informou ser Leonardo, matr. 8566 (não sei deu os dados corretos). Procurei alguns representantes do PT no local e reportei o fato. Eles também tiraram algumas fotos do indivíduo e disseram que iriam tomar as “providências cabíveis”.

Pouco depois, as primeiras agressões físicas começaram.

Se em 2013 tivemos as famosas “jornadas de junho” e em 2014 os protestos contra a Copa, agora, em 2015, tudo indica que teremos verdadeiras batalhas campais pelas ruas com baixas de ambos os lados. Aguardem!

25 Feb 21:15

Outer London is about to activate the ‘secret weapon’ of the suburbs: the bicycle


Kingston's rail station would become a "major cycle hub" under London's plan to pour tens of millions of dollars into biking improvements in three of its suburbs.

You may have heard that London has just approved a spectacular crosstown protected bike lane. But another part of its plan has, ironically, gotten little press in the United States.

As London's regional government begins what may be the biggest municipal bicycling investment in the history of Europe, it's setting aside $140 million for part of the city that many Americans would feel right at home in: the suburbs.

"Cycling is, I think, the secret weapon of suburban sustainable transport," says Transport for London Director of Surface Strategy and Planning Ben Plowden. "It is much more like car travel than transit is."

It's almost impossible to build car-lite suburbs with transit alone

San Jose, California. Photo: Sean Richards.

In the United Kingdom as in the United States, efforts to reduce car dependence have relied mostly on the biggest tool in the shed: mass transit.

In London and New York, transit reigns supreme. The cities' woven grids of bus and rail lines, built gradually over 150 years, wield multibillion-dollar budgets and carry the overwhelming share of non-car trips in each city.

But in smaller cities and suburbs, mass transit stops working so well. With further to walk to each bus stop, fewer people ride. With fewer riders, buses run empty and it becomes cripplingly expensive for agencies to run them frequently. With infrequent buses, short transit trips take hours.

It's a vicious spiral familiar to anyone who's ridden transit in a U.S. suburb or small city – let alone tried to balance the budget of a suburban transit agency.

"You're not going to have a $125 an hour bus with 43 seats coming through all these cul-de-sacs," said David Bragdon, a former New York City sustainability chief now running Transit Center, a transit-focused policy nonprofit. "It just doesn't work."

That's why London, working to stave off congestion as its population keeps climbing, is looking hard for better ways to improve suburban transit. And that's what led its transport agency to the bicycle.

In many suburbs, bikes already carry 15 percent of transit ridership or more

Transport for London estimates that half of potential bike trips currently taken in cars are in outer London.

The potential for bicycling in the suburbs, says Plowden, is mathematical.

London's streets already carry 600,000 bike trips a day, he notes, about 20 percent of the entire London Underground.

"This is already a mass transit mode," said Plowden, speaking last week at a Transit Center-sponsored event in the Portland suburb of Beaverton. "It's a much cheaper way of getting people around the city than rail transit, certainly, per passenger-kilometer … because they bring their own equipment."

Those ratios aren't unlike those in many U.S. cities, including suburbs. In greater Denver, bikes already carry 22 percent as many commuters as the bus-rail transit system. In greater Indianapolis, it's 30 percent; in greater New Orleans, 31 percent; in greater Portland, 36 percent.

Even in Beaverton, an auto-oriented suburb that straddles the Portland region's most-ridden rail line, bikes carry 24 percent as many commuters as mass transit.

Plowden's argument isn't that transit is a bad investment. Transport for London is proud that 94 percent of metro-area residents now live within 400 meters of a bus stop. Thanks to service improvements, London bus ridership has been rising fast.

Faster, in fact, than every mode except one: the bicycle.

Europe's lesson: Bikes enable suburban transit ridership

A rail stop in Delft, Netherlands, eight miles south of The Hague. Photo: A.J. Zelada.

Among rich countries, the best places for biking – Amsterdam, Denmark, Germany – are also among the best places for riding transit.

These countries design their suburbs so local trips can be done by foot and bike as well as by car. Trips into the city, meanwhile, often use train or bus.

The key to the system: Once biking becomes easy in the suburbs, it also becomes easy to bike a couple miles to a train station. That can break the vicious cycle of low ridership.

"One of the biggest challenges for conventional transit in this country is first/last mile," said Bragdon, the New York transit advocate. "You can run this good light rail service every 10 minutes on this trunk line, but people are still low-density. Biking, I think, is a real practical solution to that problem."

Plowden agrees. His agency is dedicating 10 percent of its massive $1.4 billion biking improvement budget over the next 10 years on a trio of what it calls "mini-Hollands," suburbs that will be dramatically redesigned for biking.

"They are spending sums of money that you would never have contemplated spending in an Outer London borough," Plowden said.

Plowden's agency calculates that Outer London's boroughs, the suburban areas developed mostly in the 20th century, contain 60 percent of London's population and half its potential bike trips: trips of several miles currently taken in cars by physically able to bike.

Plowden said that if bikes can be made a viable option for those trips, a century's worth of suburbs, in the States as well as Britain, can be freed from their overwhelming dependence on cars.

"It provides the opportunity to meet those more complex suburban journeys," he said.

The Green Lane Project is a PeopleForBikes program that helps U.S. cities build better bike lanes to create low-stress streets. You can follow us on LinkedIn, Twitter or Facebook or sign up for our weekly news digest about protected bike lanes. Story tip? Write michael@peopleforbikes.org.

  

 

24 Feb 23:29

Pelo whatsapp, guerra contra Lula inclui ataques ao filho e à neta com imagens e informações falsas

by Luiz Carlos Azenha

Captura de Tela 2015-02-24 às 17.33.29

da Redação

O vídeo acima está sendo disseminado de forma maciça no whatsapp, segundo aqueles que nos alertaram.

É baseado em uma série de imagens e informações falsas. A imagem que aparece como sendo a da fazenda do filho de Lula, na verdade, é a sede da Faculdade de Agronomia de Piracicaba, a ESALQ. O jato negro atribuído a Lulinha não é dele. A informação de que ele é dono do maior rebanho de gado do Brasil é falsa, assim como a suposta sociedade com a Friboi.

O vídeo inclui um ataque à neta de Lula, que em 2011, aos 16 anos de idade, participou como atriz da peça A Megera Domada. Bia reagiu assim numa entrevista a O Globo, então:

– Quando contei para meu avô sobre a peça, no começo do ano, ele ficou preocupado, já que eu não estava acostumada com esse assédio todo. Fiquei nervosa, porque não sabia que as pessoas podiam ser tão más. Vieram até no meu Twitter desejar que minha família morresse.

É mais um exemplo de como a direita está bem organizada em sua campanha pelo impeachment conjunto de Dilma e Lula.

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24 Feb 20:40

“Vou esmiuçar a alma dele”: o juiz que pegou o Porsche de Eike

by Kiko Nogueira
  Na primeira semana de fevereiro, policiais recolheram um piano, relógios, obras de arte e o celular de Eike Batista. Poucos dias depois, foi a vez de seu iate, jet skis e três carros na mansão da ex-mulher dele, Luma de Oliveira, mãe de Thor e Olin. Os mandados de apreensão são resultado do b...
24 Feb 20:28

Operação Sinal Fechado: Em diálogo divulgado pelo MP, João Faustino conversa sobre propina a Agripino

by Daniel Dantas Lemos
Em áudio divulgado na tarde de hoje pelo Ministério Público ao anunciar denúncia contra Delavam Melo, o ex-deputado João Faustino, morto em janeiro de 2014, aparece em diálogo com George Olímpio. Trata-se do primeiro áudio.

Os dois falam sobre o fim da inspeção veicular no início do governo Rosalba Ciarlini.  George espera que João possa abrir as portas junto ao governo a partir de Carlos Augusto Rosado, marido da então governadora.  Na conversa, falam sobre a propina de R$ 1 milhão 150 mil paga a José Agrino Maia.

A conversa é na casa de João e foi gravada por George.  Conversam sobre uma negociação entre Carlos Augusto Rosado e João.
Diz João: “Haveria uma participação do consórcio na campanha e até uma participação mensal depois da campanha”
Carlos Augusto teria respondido: “Essa participação mensal, eu dispenso"
João continua: “Ele [Carlos Augusto] diz que se lembra, sabe das negociações que Zé Agripino fez, sabe que você se comprometeu"
George: “Fora a negociação, daquele dinheiro, tem uma parte que foi dada. (…)e mais cento e cinquenta. Eu dei uma parte por último, que ele me pediu, eu dei por último.  150, um cheque, que ele pegou dinheiro daquele rapaz, que fica lá na tevê, na Tropical"
João: “Sei, sei, o sobrinho dele, Tarcísio”
George: “Tarcisinho, que vence em setembro o cheque. Mais 150, no final da campanha ele disse assim: ‘George, eu preciso de você'"
João: “Você deu R$ 200 mil, não foi?”
“Eu dei R$ 300 mil, em dinheiro.  Marcílio deu R$ 400, Ximbica deu R$ 300”
João: “Mais 150”
George: “Na última semana ele me chamou e disse: ‘George, eu preciso de você’.  Mais 150”
João: “Fora os juros”
George: “Os juros eu já vou pagando. Agora, em Brasília, ele me pediu para pagar o desse mês.  Chega eu fiquei destreinado”.Já na parte final da conversa, depois de discutirem que, no governo, apenas Miguel Josino, então Procurador Geral do Estado, era contrário a uma solução que mantivesse a inspeção, George propõe:
“Não valeria, depois dessa conversa, uma ligação do senador José Agripino para Miguel Josino, nesse sentido? ‘Miguel: defenda a lei, que é um absurdo o que está se dizendo da inconstitucionalidade'"
***
Diz João: “Eu vou falar com José Agripino”, ao que George complementa dando os argumentos em cima de uma lei sobre inspeção veicular semelhante feita pelo Distrito Federal que foi julgada constitucional pelo STF.
23 Feb 18:49

Affonso Cardoso: Greve continua até que Richa recue

by Conceição Lemes

Captura de Tela 2015-02-12 às 22.29.25

Foto: Joka Madruga

Sobre a greve dos trabalhadores em educação e a luta pela escola pública no Paraná

por Affonso Cardoso, especial para o Viomundo

Guarapuava, 07 de fevereiro, sol. O relógio marcava pouco mais de 10 horas da manhã quando 10 mil trabalhadores da educação pública do Paraná – professores e funcionários de escolas -, reunidos em Assembleia Estadual convocada pela APP-Sindicato, aprovaram, por unanimidade, o início do que viria a ser a maior greve da categoria nas últimas décadas. No dia 09 de fevereiro, todas as escolas públicas do estado amanheceram fechadas, e os trabalhadores montaram acampamento na praça Nossa Senhora de Salete, em frente ao Palácio Iguaçu, sede do poder executivo estadual, e ao lado da Assembleia Legislativa do Paraná, em Curitiba.

Numa enorme mobilização, os trabalhadores da educação pública do estado ergueram resistência contra inúmeras medidas tomada pelo governador Beto Richa/PSDB, desde o final de 2014, que não têm outro objetivo senão o desmonte completo das escolas públicas e a retirada de direitos conquistados em anos de lutas pelos trabalhadores.

Entre as iniciativas do governo do estado estão o fechamento de escolas, turnos escolares e mais de 2 mil turmas na rede pública, a demissão de professores e funcionários temporários, a limitação no número de matrículas nas escolas, os atrasos, desde outubro de 2014, no envio de recursos para a manutenção dos estabelecimentos de ensino.

Essas medidas, justificadas sob o argumento da “contenção de gastos e da austeridade”, sinalizariam para um cenário drástico caso o ano letivo tivesse iniciado: salas superlotadas – em alguns casos com mais de 50 alunos -,falta de funcionários e professores, falta de merenda escolar e materiais básicos, como papel e materiais de limpeza, fechamento de atividades pedagógicas como aulas de laboratório, treinamento esportivo, reforço escolar e centros de línguas estrangeiras.

Não bastassem essas medidas perversas que impediriam o início das aulas, o governo Richa/PSDB ainda atacou frontalmente os direitos de professores e funcionários com o atraso no pagamento das férias e das rescisões dos contratos de professores e funcionários temporários.

No dia 05 de fevereiro, o governo do estado ainda desferiu  seu pior golpe: enviou à Assembleia Legislativa dois projetos de lei, para serem votados em regime de urgência, que retiravam direitos, conquistados nos últimos 40 anos, de todo o funcionalismo público do Paraná: adicionais de salário por tempo de serviço prestado ao estado (quinquênio e anuênio), desestruturação da tabela salarial de professores e funcionários de escolas,  destruição da carreira funcional dos trabalhadores da educação pública e subtração de R$ 8 bilhões da previdência estadual, resultado da contribuição mensal de trabalhadores, destinada ao pagamento de futuras aposentadorias de servidores públicos, para o “reforço” do combalido caixa do governo do estado.

O desmonte da escola pública, associado às inaceitáveis medidas incluídas nos projetos de lei enviado à Assembleia Legislativa, encontraram resistência na maior mobilização dos trabalhadores em educação, juntos a outras categorias do serviço público – agentes penitenciários, trabalhadores da saúde, professores e funcionários de Universidades estaduais, servidores da justiça estadual – da história recente do Paraná.

A tentativa nefasta do governo Richa/PSDB de aprovar, de “qualquer maneira”, os projetos resultou em duas ocupações, nos dias 10 e 12 de fevereiro, da Assembleia Legislativa pelos trabalhadores. A ocupação da “Casa do Povo” – como é conhecida a Assembleia – foi o último recurso que os trabalhadores tiveram para barrar a aprovação das propostas. A intransigência do governo do estado e dos deputados estaduais foi tamanha que, no dia 12 de fevereiro, tentaram realizar a votação/aprovação dos projetos reunidos num “restaurante” no prédio da presidência da Assembleia Legislativa, chegando até ele conduzidos por um “camburão” da Tropa de Choque da Polícia Militar!

Os agora conhecidos “deputados do camburão”, a serviço do governador Beto Richa/PSDB, mesmo protegidos pela Polícia, não conseguiram aprovar os projetos em virtude da resistência dos trabalhadores, que enfrentaram bombas, balas de borracha e spray de pimenta lançados pela PM e, ainda assim, foram vitoriosos!

A retirada de pauta dos projetos no dia 12 de fevereiro não encerrou a greve dos professores e funcionários de escola. Organizados pela APP-Sindicato, nos mantemos em greve por tempo indeterminado, até que o governo do estado recue de suas perversas medidas que procuram desmontar a escola pública. Os problemas orçamentários do Paraná foram criados pelo governo do estado. Os trabalhadores do serviço público e os jovens que tem o direito à escola pública de qualidade não vão pagar a conta pelos desmandos administrativos do governo Richa/PSDB. Vale lembrar que enquanto lutamos por condições mínimas de trabalho e de funcionamento das escolas, juízes, desembargadores e conselheiros do Tribunal de Contas do Paraná, que recebem salários superiores a R$ 20 mil por mês, aprovaram, para si, a concessão de R$ 4.300,00/mês para auxílio-moradia!

Não voltaremos às escolas até que as salas superlotadas sejam desfeitas, novas turmas sejam abertas, professores e funcionários sejam contratados e recebam suas férias e rescisões que lhes são devidas e que as escolas tenham condições mínimas de atendimento aos jovens que tem o direito a uma educação pública e de qualidade!

Affonso Cardoso – professor de Sociologia da rede pública de ensino.

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23 Feb 18:46

Agora a gente conversa com o médico como se fosse um amigo’ via RBA

by admin

Em depoimentos durante simpósio em São Paulo sobre o Mais Médicos, moradores do interior do país relatam mudanças nas comunidades a partir da presença diária de médicos nos postos de saúde
por Cida de Oliveira, da RBA 

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© GIOVANNI SÁ / FAROL DE NOTÍCIAS / PE
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Médica cubana atente morador da zona rural de Serra Talhada, interior de Pernambuco. Cuidados básicos essenciais às comunidades

São Paulo – Bem na divisa do estado de Rondônia com a Bolívia, a mais de 600 quilômetros da capital, Porto Velho, está São Francisco do Guaporé, cidade de 18 mil habitantes. Até bem pouco tempo, quando crianças, adultos e idosos ficavam doentes, o jeito era chamar a mãe, o pai, parentes, e buscar ajuda para poder ir a cidades vizinhas. “Médico era coisa difícil.”

Quem conta é a dona de casa Edite Rodrigues. Ela esteve na capital paulista levar seu testemunho ao simpósioPrograma Mais Médicos: Perspectivas e opiniões, que o Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) realizou no último dia 11.

Conforme relatou, em sua fala simples, antes do programa federal o atendimento no posto de saúde era muito precário. Até havia equipe de atenção à saúde da família, mas faltava justamente o médico, profissional que, além de diagnosticar doenças, ainda coordena a estratégia de trabalho na localidade.

E quando aparecia algum por lá, como ela destaca, mal conseguia conversar com as pessoas doentes e seus familiares, principalmente com aquelas mais humildes, de baixa escolaridade ou analfabetas. “Hoje, o médico vai na comunidade, vai visitar, ver criança nascer, atender criança de baixo peso. A gente consegue consulta até para micose; e conversa com ele como se fosse amigo. Antes não, ele era uma autoridade máxima.”

No distrito de Albuquerque, zona rural de Corumbá (MT), também há novos vínculos sendo formados entre profissionais de saúde e a população. “Temos médico todo dia, e não mais uma vez por semana. Antes, quando a gente ia (ao posto), não sabia se ia ser atendido”, conta a dona de casa Nilza de Souza. “Minha mãe é cadeirante; o médico vai atender em casa. Agora temos duas pessoas em uma: um médico e um amigo. Então só tenho a agradecer.”

Os laços, conforme o agente comunitário de saúde Joilson da Silva, da mesma localidade, eram impossíveis há pouco mais de um ano. “Não tinha como criar vínculo. Faltava médico; ninguém queria vir para cá, na zona rural, a 70 quilômetros”, afirma ele, na função desde 2005.

A agente de saúde Iraci Vera dos Santos, de São Francisco do Guaporé (RO), a situação também não era fácil: “É difícil andar sozinho, fazer nosso trabalho sozinho. E a consulta era super rápida porque o médico não tinha tempo para nada”, lembra.

“Agora é possível acompanhar as famílias diariamente. Gestantes, diabéticos, crianças, idosos. Hoje acompanhamos hipertensos, acamados. Como é difícil tirar e levar para o postinho quem não pode andar! Por isso a população está adorando.”

Iraci disse torcer para os médicos não irem embora tão cedo, já que agora é possível fazer reunião com médicos, enfermeiros, demais agentes e organizar o trabalho. E comemora: “A gente organiza o mês. Não é fácil, mas estamos avançando”.

Também agente de saúde, Maria do Carmo Santos Pereira, do município de Nossa Senhora das Dores, no semiárido sergipano, a 72 quilômetros da capital, Aracaju, vê diversas melhorias com a chegada de médicos. “Antes, eles chegavam ao posto às 9h, 9h30, e queriam ir embora ao meio-dia”, conta.

“Hoje, o médico vai às casas porque tem de conhecer a família. Acorda às 5h para ir para até a zona rural, muito distante de tudo. A gente chega lá às 6h30 para a ginástica das idosas. Todas estão felizes, vaidosas. Fizeram até desfile. Secaram o cabelo, fizeram maquiagem. Foi muito bonito mesmo”. À vontade, brinca: “Espero que os médicos fiquem por muito tempo. Pelo menos até eu me aposentar”.

Na mesma cidade há outra certeza: “Foi Deus que colocou o doutor Rodolfo aqui”, acredita a sertaneja Maria da Graça Lima, 88 anos. O médico, de acordo com ela, “vai na casa do povo, visita todo mundo, recebe a gente bem”. E garante: “Eu vivia doente das ‘perna’, não conseguia nem abaixar, apanhar nada no chão. Mas graças a Deus, e aos remédios do doutor, estou muito satisfeita. Não sei como vamos ficar se um dia ele se for”, diz.

A fala da gente simples guarda semelhança com a de um doutor, o orientador de mestrado e doutorado do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp Elisaldo Carlini. Aos 83 anos, ele rememora os tempos de infância no interior paulista, no pequeno município de Pirajá. Numa infância sem médico, como costuma dizer, teve boqueira, que era queimada, e bronquite, tratada com tatuzinhos de jardim que sua mãe colocava num paninho que ele carregava pendurado no pescoço.

Cinco dias depois, quando morriam e já fediam, eram substituídos por outros vivos. A solitária era cuidada com mastruz com leite. Mordido por um cachorro louco, contou com soro antirrábico, que veio de cidades vizinhas, trazido de trem e depois a cavalo. E teve ainda muita sorte de chegar a tempo a outra cidade maior e conseguir curar o tracoma, doença inflamatória dos olhos, que poderia deixá-lo cego.

“O que vivi há mais de 80 anos ainda é vivido por metade da população brasileira, sobretudo a mais pobre, que vive pelo interior desse país sem assistência. É preciso maior compreensão sobre a grandeza da profissão do médico, que é mais digna quando bem exercida.”

Carlini integra a comissão organizadora do simpósio realizado pela Faculdade de Medicina da Unifesp, com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde, para discutir com estudantes, médicos, agentes comunitários de saúde, gestores municipais e usuários do sistema público os avanços, desafios e as perspectivas a curto, médio e longo prazo do programa federal que já levou 14.462 mil médicos a 3.785 municípios e 34 Distritos Sanitários Indígenas – e que atualmente atende 50 milhões de pessoas.

Outras vertentes do programa são o investimento de R$ 5,6 bilhões para construção, ampliação e reforma de Unidades Básicas de Saúde (UBS), e R$ 1,9 bilhão para construir e ampliar Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). De acordo com o Ministério da Saúde, das 26 mil UBS que tiveram recursos aprovados, 20,6 mil (79,2%) estão em obras ou já foram concluídas, e 363 UPAS, de um total de 943, já foram concluídas.

Também pelo programa há a reestruturação e ampliação da formação médica no país, que até 2017 deverá abrir 11,5 mil novas vagas de graduação em medicina e 12,4 mil vagas de residência médica para formar especialistas, até 2018, em saúde da família. O Ministério da Educação já autorizou a abertura de 4.460 novas vagas na graduação, sendo 1.343 em instituições públicas e 3.117 em faculdades privadas, principalmente em localidades do Norte e Nordeste, com escassez de profissionais.

“Espero que nossos brasileiros estudem mesmo para serem médicos e que enquanto isso possamos continuar esse programa com outros médicos, mesmo quando os de agora forem embora e vierem outros”, diz Edite Rodrigues, de São Francisco do Guaporé.

Mais do que um encontro de avaliação da política por coordenadores do programa no Ministério da Saúde e do Ministério da Educação, o encontro foi espaço para que brasileiros de diversas regiões do país, como a dona Edite, pudessem falar sobre a diferença que faz em suas vidas ter um médico para consultar tanto na hora de resolver um problema de saúde como aprender a evitar doenças.

Convidados e trazidos a São Paulo pela comissão organizadora, eles dividiram a mesa de debate com agentes comunitários de saúde e médicos brasileiros e estrangeiros participantes para contar o significado do acesso ao atendimento médico.

Em suas participações, os médicos, mais familiarizados com entrevistas e palestras, falaram principalmente sobre os projetos construídos com as equipes das unidades de saúde para estreitar o vínculo com a população atendida, que, segundo eles, já vêm trazendo resultados positivos.

Entre eles, a confiança da população, que passa agora a procurar mais os centros de saúde e a seguir tanto os tratamentos prescritos como as recomendações para evitar problemas de saúde, como a prática de exercícios físicos e alimentação adequada, com mais cereais, verduras, legumes, frutas, carnes e laticínios frescos, em vez de frituras em excesso, comidas gordurosas e açucaradas – como em geral são os produtos industrializados.

23 Feb 18:43

Haddad: apropriação do espaço público pela cidadania é o eixo da gestão da cidade via rba

by admin

Haddad: apropriação do espaço público pela cidadania é o eixo da gestão da cidade

“Nossa gestão mudou o paradigma. Tudo o que é espaço público está sendo ocupado na cidade. Pelo público”, diz o prefeito em entrevista em que fala também de reforma política e eleições em 2016
por Brasil 247 

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MARCELO CAMARGO/ABR
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Haddad: “Só na recuperação de ativos desviados pela corrupção, vamos chegar a R$ 300 milhões. Isso é inédito”

São Paulo – A julgar pelos índices atuais de popularidade, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, está bem distante de sua reeleição em 2016. A despeito disso, ele mantém o otimismo e aposta que o eleitor irá enxergar as transformações em curso na cidade de São Paulo.

“Nossa gestão mudou o paradigma. Tudo o que é espaço público está sendo ocupado na cidade. Pelo público. Tem um conceito que perpassa toda a administração: é a reapropriação do público pela cidadania. A praça wi-fi é isso, a ciclofaixa é isso, a faixa exclusiva de ônibus é isso, a comida de rua é isso, o carnaval de rua é isso. Agora, dois anos não mudam o que se fez nos últimos 50 anos. Mas minha aposta é que as pessoas compreenderão que uma nova cidade está sendo forjada”, disse ele, em entrevista aos jornalistas Leonardo Attuch e Marco Damiani.

No encontro, ele manifestou seu receio diante da negação da política e defendeu o PT. “Não me vejo em outro partido. O militante do PT empunha as bandeiras que eu considero mais modernas, que são o combate à desigualdade e à intolerância”, afirmou. Ele também condenou o financiamento privado de campanhas políticas e comentou a eventual volta de Lula em 2018. “Se ele o fizer, terá o entusiasmo dos petistas e de muitos não-petistas”.

Confira, abaixo, a íntegra:

Depois de enfrentar resistência para implantar faixas exclusivas de ônibus, o sr. se vê diante da oposição às ciclofaixas. Qual é sua posição a respeito?

As ciclofaixas vivem exatamente o mesmo tipo de campanha que as faixas de ônibus viveram no início da gestão. É um período de acomodação. Daqui a pouco, as pessoas percebem os benefícios e isso se resolve. Hoje, ninguém mais fala das faixas de ônibus e foram 360 quilômetros. Isso, sim, com um impacto gigantesco na cidade.

Qual é o seu balanço sobre as faixas de ônibus?

Houve um aumento de 46% na velocidade dos ônibus. O usuário ganhou 38 minutos por dia. Eu acredito que não haja precedente histórico nisso: devolver, em média, 38 minutos/dia ao trabalhador. As ciclovias vivem o mesmo momento, mas com uma incompreensão maior, porque essa mudança é mais transformadora.

Como assim?

A ciclovia dialoga com outras dimensões da vida. Dialoga com a agenda da saúde, do esporte, do meio ambiente – e não apenas com a questão da mobilidade. Ela atinge vários setores.

Mas muitos criticam a pouca utilização e também o custo de implantação.

Não haverá plena utilização enquanto toda a malha não estiver instalada. Há quem diga que só será plenamente utilizada quando atingir mil quilômetros de malha. Eram 60 quilômetros quando eu assumi e hoje são 230. Vamos chegar a 500 até o fim do meu mandato.

Há quem diga que a topografia de São Paulo, com subidas e descidas, não é adequada para o uso das bicicletas, assim como o clima.

Várias cidades têm subida e descida. É o caso, por exemplo, de São Francisco, que tem uma das maiores malhas cicloviárias do mundo. Eu consultei vários especialistas com a seguinte questão: ‘o que vem primeiro, o ciclista ou a ciclovia?’. Todos são unânimes em dizer que a ciclovia vem primeiro, com exceção do cicloativista que é uma figura à parte nesse processo. O cicloativista é o pioneiro que toma risco, em defesa da causa.

Muitos estavam morrendo…

Pois é. Se você for a Buenos Aires, o prefeito Macri tem excelentes níveis de aprovação e as ciclovias são tão ou menos utilizadas do que em São Paulo. Estivemos lá recentemente e ele nos disse que as pessoas querem ter à disposição a ciclovia. É um serviço a mais.

Mas pegou na classe média a acusação feita por Veja São Paulo sobre o custo de R$ 650 mil por quilômetro.

Bom, mas é uma acusação falsa, com falhas aritméticas. Dei várias entrevistas demonstrando isso. Misturavam outras obras, como o aterramento de fios na Paulista, a reforma semafórica na Faria Lima, como se isso fosse o custo da ciclofaixa.

Má-fé?

Acredito que não, mas talvez essa ânsia de escandalizar, de querer dizer que ninguém presta.

Essa política sofre um cerco midiático?

Pode até ser, mas a pesquisa mostra que 66% dos paulistanos aprovam a mudança. Podem até tentar, mas não vão conseguir mudar essa percepção. As pessoas querem esse serviço e querem se conectar com a modernidade. Além disso, mandamos todas as planilhas para os tribunais demonstrando que o custo é de R$ 185 mil por quilômetro e não de R$ 650 mil.

Mas a classe média não se sente mais espremida, ao se ver entre a ciclofaixa e a faixa exclusiva de ônibus?

A ciclofaixa não tirou nenhuma faixa de rolamento do carro. E o que muita gente não sabe é que, por incrível que pareça, o trânsito piora a taxas decrescentes desde que eu assumi. Vou te dar um dado técnico da CET. De 2011 para 2012, último ano da administração anterior, o trânsito piorou 14%. De 2012 para 2013, primeiro ano das faixas exclusivas, piorou 7%. De 2013 para 2014, piorou 2%.

Não tem como melhorar?

Olha, nós estamos fazendo muita obra viária em São Paulo. Mas muitas pessoas não veem porque essas obras estão acontecendo na periferia. Agora, túnel e viaduto, eu tô fora. Aí é uma questão de concepção de cidade. Está provado cientificamente que quanto mais viário, mais trânsito. Isso é cientista falando, não é o prefeito. Veja o que o José Serra fez na Marginal Tietê. Destruiu o pouco verde que havia, fez duas faixas de rolamento para carro e o trânsito é pior do que era antes disso. Como é contraintuitivo, as pessoas não acreditam. Mas também era contraintuitivo que a Terra girava em torno do Sol.

Do ponto de vista quantitativo, os investimentos estão maiores ou menores do que nas gestões anteriores?

Olha, a demagogia tirou R$ 2,5 bilhões dos cofres de São Paulo. Primeiro, com o congelamento das tarifas de ônibus. Depois, com a suspensão da revisão do IPTU. Apesar disso, investimos no ano passado R$ 4,4 bilhões, o que foi um recorde.

De onde vieram os recursos?

Combate à corrupção e redução dos gastos de custeio. Só na recuperação de ativos desviados pela corrupção, vamos chegar a R$ 300 milhões. Isso, numa cidade, é inédito. Só os bancos que foram usados nesse processo já devolveram mais de R$ 100 milhões. Esse dinheiro será carimbado para as creches.

Um setor em que o ritmo de investimentos segue abaixo do prometido.

Nós perdemos R$ 2,5 bilhões em arrecadação, mas estamos correndo atrás disso.

O sr. citou vários pontos, mas sua popularidade segue baixa. Há uma incompreensão?

É preciso olhar a série histórica. São Paulo é uma montanha russa. Um dia você tem 40%, no outro 20%, depois 30% e assim por diante. Não é só a complexidade dos problemas. É a única cidade do mundo em que todos os meios de comunicação falam mal da cidade simultaneamente. O Bom Dia Rio, Bom Dia Bahia e outros do tipo não têm 10% do mau humor do Bom Dia São Paulo.

É hora de valorizar o orgulho de ser paulistano?

Eu não só tenho orgulho de ser paulistano, como tenho certeza de que é a melhor cidade para se viver no Brasil. Outro dia fizeram uma pesquisa sobre trânsito. São Paulo ficou em sexto lugar. Rio, Salvador, Recife, Fortaleza e Belo Horizonte são piores.

Um sucesso recente foi o Carnaval, especialmente com os blocos de rua. Como isso aconteceu?

Nossa gestão mudou o paradigma. Tudo o que é espaço público está sendo ocupado na cidade. Pelo público. Tem um conceito que perpassa toda a administração: é a reapropriação do público pela cidadania. A praça wi-fi é isso, a ciclofaixa é isso, a faixa exclusiva de ônibus é isso, a comida de rua é isso, o carnaval de rua é isso. Agora, dois anos não mudam o que se fez nos últimos 50 anos. Mas minha aposta é que as pessoas compreenderão que uma nova cidade está sendo forjada.

Mas hoje sua reeleição parece distante.

Em alguns locais, existe um padrão. No Rio Grande do Sul, por exemplo, ninguém se reelege. Aqui, em São Paulo, há também um padrão. A direita fez sucessores e a esquerda, não. O Maluf elegeu o Pitta e o Serra fez o Kassab. Marta e Erundina não se reelegeram.

O sr. está conformado ou espera mudar esse padrão?

Se o padrão vai mudar, 2016 é que vai dizer. 2016 vai dizer se São Paulo quer se encontrar com a modernidade ou não. É isso, a meu ver, o que está em jogo. Uma concepção de cidade como espaço público ou como espaço privado. Agora, eu nunca me prendi a pesquisas. Se levasse isso em consideração, não teria vencido em 2012. Até porque eu nunca cheguei a aparecer nem em segundo lugar.

O fato de ser petista, a seu ver, afeta sua popularidade?

Sim, o PT hoje está sob ataque. Mas a conduta de uma pessoa, ou de um dirigente, não pode ser estendida a um partido. É muito perigoso criminalizar a política, ou assumir a negação da política. E tem muitas outras coisas, que não têm nada a ver com o município, como a crise de segurança e a crise da água, que também afetam o bom ou o mau humor do paulistano. Você acha que o cidadão tem os compartimentos federativos na cabeça? Quando eu vou à periferia, a primeira coisa que me questionam é sobre o policiamento. O que não é da nossa esfera.

Como o sr. vê o ambiente político de hoje no país?

Com muita preocupação. A democracia não é apenas o espaço da divergência. É também o espaço da construção de consensos, entre forças antagônicas. Uma democracia que é só consenso é utopia, jamais vai existir. Uma democracia que é só divergência cria as condições da sua destruição. É o que estamos vivendo hoje. Um Fla-Flu radical solapa as bases da democracia. Você precisa ser tem um espaço do entendimento, nem que seja apenas no plano institucional. E nem esse está sendo respeitado.

Em São Paulo, o clima de radicalização política parece mais acentuado. Isso já o atingiu?

Eu ando a pé pelo meu bairro e nunca fui hostilizado, nem ofendido na rua. Há quem aborde, cobre, peça explicações. Mas uma ofensa jamais ocorreu.

Mas o PT vem sendo muito associado à corrupção.

Criminalizar agremiações ou coletivos é muito errado. Isso vale para igreja, time de futebol, partido, o que for. Se há problemas, eles têm de ser combatidos. Você não pode rifar uma instituição porque um ou outro indivíduo cometeu erros. Você depura e retoma os princípios originais. Não creio que possa ser positivo para a democracia brasileira rifar o PT.

O sr. vê esse desejo de depuração?

Sim, mas com as cautelas devidas. É preciso esperar as pessoas serem julgadas.

O sr. se orgulha de ser petista?

Eu não me vejo em outro partido porque entendo que o militante médio do PT está comprometido com princípios nos quais eu acredito, sobretudo o combate à desigualdade e à intolerância. As bandeiras mais avançadas ainda são empunhadas pelo miitante do PT.

Numa entrevista recente, o sr. disse que não aguenta mais a corrupção. Qual é a solução? O fim do financiamento privado?

Eu acredito que o financiamento empresarial de campanha é um mal que deve desaparecer. Inclusive, o Supremo Tribunal Federal já decidiu isso e só não promulga isso porque houve um pedido de vista. O empresário financiar a política é uma perversa Lei Rouanet da política. Assim como os departamentos de marketing das empresas passaram a definir o que merece ser apoiado, no limite, os empresários definirão as políticas públicas. Está errado isso.

Como seria sua reforma política?

Acho que com pequenos reparos é possível fazer uma boa reforma. Cito dois exemplos: o fim do financiamento privado e a proibição das coligações proporcionais. Resolvendo esses dois pontos, resolvemos 80% dos problemas da democracia representativa do País.

Como o sr. vê o Brasil pós-Lava Jato? Veremos a ‘berlusconização’ do Brasil, com salvadores da pátria, ou uma depuração mais madura, com uma reforma política?

Hoje, a grande mídia favorece esse movimento de berlusconização. Eu tenho receio de um processo parecido no Brasil. Hoje, a coisa mais difícil é convencer alguém a ficar na máquina pública. A pessoa bem-sucedida abre mão de recursos. Ela vai se privar da família, do tempo livre, em troca de fazer o bem, se a pessoa for bem intencionada. Isso é reconhecido por alguém? Não vejo nenhum movimento no sentido de fazer a cidadania discernir sobre isso. Quando você criminaliza coletivos, ao dizer que ninguém de determinado partido presta, é um equívoco muito grande.

O sr. é favorável à volta do ex-presidente Lula, em 2018?

Na eleição passada, eu apostei com amigos que o Lula não seria candidato. Disse que ele respeitaria o espaço da presidente Dilma Rousseff. E agora? Lula será o candidato em 2018? Pode ser, mas não é certo que será. Se ele pudesse desenhar o futuro, talvez não quisesse voltar à presidência. Não custa lembrar que o Eduardo Campos vinha sendo preparado para isso. Todo mundo sabe disso e todo mundo se esquece disso. Acho que ele só poderá se recolocar se sentir que há ameaças às conquistas da população mais pobre. Se ele o fizer, terá o entusiasmo dos petistas e de muitos não-petistas.

E em São Paulo? Haverá coesão interna, com a ex-prefeita Marta Suplicy o apoiando?

Acredito que o PT inteiro deve trabalhar pela permanência da Marta. É um grande quadro, foi quem eu comecei na vida pública e fez uma administração reconhecida pela população. O meu mandato, em grande medida, é de continuidade ao que ela fez.

23 Feb 11:52

Colégio particular católico consegue mandado para retirar ciclovia em São Paulo

by Willian Cruz
Allan Patrick

Cristão, pero no mucho.

Reprodução do documento que foi protocolado na Secretaria de Transportes de São Paulo, na semana de Carnaval.
Argumentos utilizados para justificar risco poderiam embasar restrição de automóveis no local. Atitude contradiz valores éticos e religiosos da instituição.