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AntiCast 193 – Os Asimovs que Não Amavam as Mulheres
É o euro, estúpido!
A razão desta diferença entre os resultados dos EUA e da Zona Euro não é um mistério. Embora a despesa pública se tenha reduzido nos Estado Unidos, não houve qualquer viragem para a austeridade como ocorreu na Zona Euro e no Reino Unido. Por conseguinte, o crescimento e o emprego dos EUA ultrapassaram largamente o crescimento da Europa. Evidentemente, podia ter sido ainda melhor se os EUA tivessem adoptado um estímulo orçamental maior.
BRASIL, 'APESAR DA CRISE', É O BRASIL QUE DÁ CERTO, APESAR DA MÍDIA
A imagem é autoexplicativa. Clique para ampliar. Apesar da crise...
Sabe aquela revista inglesa que vive dando aula para o Brasil? Está à venda. Por Paulo Nogueira
Paulo Nogueira: Abril quer um governo amigo para mamar ainda mais nas tetas do Estado
“A reportagem é mentirosa e irresponsável”– Edward Carvalho, advogado de Léo Pinheiro, sobre a inexistente delação premiada
Uma questão de dinheiro: a origem do ódio assassino da Abril pelo PT
Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo, em 26.07.2015
Os franceses têm uma frase para a investigação de crimes: “Procure a mulher.”
Você pode adaptá-la para o Brasil de hoje.
“Procure o dinheiro.” É o que você deve fazer caso queira entender o ódio desumano da Veja pelo PT, expresso mais uma vez na capa desta semana.
Isso vale não apenas para a Veja, é bom acrescentar.
O jornalista Ricardo Kotscho, que fez parte da equipe de Lula em seus primeiros tempos, conta uma história reveladora.
Roberto Civita queria uma audiência com Lula, algum tempo depois de sua posse. E pediu a Kotscho que a arranjasse.
O objetivo não era discutir os rumos do Brasil e do mundo. Era pedir dinheiro para o governo, na forma de anúncios.
Ou mais dinheiro.
As coisas não correram como Roberto esperava. As consequências editoriais estão aí. Nem a morte de Roberto deteve a fúria assassina da Veja.
É um paradoxo. As mesmas empresas liberais que condenam o Estado são visceralmente dependentes do dinheiro público que ele canaliza para elas.
Sem esse dinheiro, elas simplesmente não sobreviveriam.
Não é errado dizer que o Estado brasileiro financia as grandes empresas jornalísticas. É, para elas, um Estado Babá.
Não é apenas dinheiro de anúncios, embora seja este o grosso. Ele vem de outras formas.
Poucos anos atrás, quando ainda tinha resultados contábeis expressivos, a Abril levou cerca de 25 milhões de reais do BNDES para uma obra que deveria ter sido bancada por ela mesma, e não pelo contribuinte: um arranjo em seu sistema de assinaturas.
É um dado público.
Parêntese: se na CPI do BNDES for aberto um capítulo para as relações da mídia com o banco, teremos informações sensacionais.
Em 2009, quando a Veja já abdicara de qualquer honestidade no ataque ao PT, a Abril levou 50 milhões de reais do governo de Lula apenas em anúncios.
Por que tamanha revolta, então?
Mais uma vez: procure o dinheiro. A Globo estava levando, e continua a levar, dez vezes mais, 500 milhões por ano.
Lula e Dilma, ironicamente, vem financiando a mídia que tenta exterminá-los.
Tamanha dependência leva a surtos de paranoia a cada eleição: e se a festa acabar? E se o governo decide reduzir ao mínimo os investimentos publicitários que vão dar nas corporações jornalísticas?
Seria uma calamidade para essas empresas. Elas cresceram graças ao dinheiro público posto nelas em proporções nababescas.
Note. Não é só o governo federal. Quantos recursos públicos não são encaminhados para as companhias de jornalismo pelo governo de São Paulo, o mais ricos do Brasil? De anúncios a compras de assinaturas, a mãozinha amiga está sempre presente.
No futuro, estudiosos tentarão decifrar por que nem Lula e nem Dilma mexeram adequadamente neste sistema que irriga recursos do contribuinte para mãos e bolsos particulares.
Minha hipótese é: medo, medo e ainda medo.
Quando os dados se tornaram públicos, e começou a surgir aqui e ali indignação, inventou-se uma coisa chamada “mídia técnica” para justificar o injustificável.
Com isso, teoricamente estava explicado por que anualmente o governo colocava 150 milhões de reais no SBT para terminar num jornalismo com Sheherazades.
Mas era e é uma falácia. Governo nenhum é obrigado a colocar dinheiro em empresa nenhuma, sobretudo quando há fundadas desconfianças sobre o caráter dela e seu comprometimento com o bem estar público.
No caso específico da Abril, e da Veja, a questão do dinheiro público se tornou especialmente dramática com a Era Digital e seu efeito destruidor sobre a mídia impressa.
Um governo amigo melhoraria extraordinariamente a situação financeira da Abril. O declínio não seria estancado, porque é impossível, mas seria mitigado.
A verba de anúncios federais cresceria instantaneamente. Lotes gigantescos de assinaturas de revistas seriam comprados. Financiamentos a juros maternais seriam obtidos.
É isso o que move a Abril — e, em medidas diferentes, as demais grandes empresas jornalísticas.
Procure o dinheiro, caso queira entender a sanha homicida delas, maldisfarçada num moralismo cínico, demagógico e canalha, para não dizer criminoso.
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Desse tamanho e almoçando
Allan PatrickGordofobia mata.
Dia desses eu estava num restaurante e uma mulher na mesa ao lado olhou pra mim, olhou para o meu prato, e daí disse para a amiga “nossa, desse tamanho e almoçando”.
Obviamente caguei e segui normalmente com o meu dia porque se for me abalar com cada desaforo que escuto na rua não vou fazer mais nada da vida, mas agora li uma notícia que me lembrou disso.
Vamos começar a chamar as coisas pelo nome delas? Cintia não começou uma “dieta radical”, ela desenvolveu um transtorno alimentar. Com 50 ou 100 quilos, viver à base de suco consumindo apenas 400 calorias é uma disfunção. Na pessoa com 50 quilos a gente chama de anorexia. Na pessoa com 100 a gente chama de FORÇA DE VONTADE. Se não tivesse morrido, Cintia estaria sendo aplaudida e servindo de exemplo. “Tá vendo? É só fechar a boca!”, alguém diria compartilhando o link da história de sucesso dela.
A disfunção da Cintia começou após ouvir que era gorda e não conseguiria nada na vida, mas poderia muito bem ter sido após ouvir “gorda desse jeito e almoçando”.
Se eu tivesse confrontado a mulher no restaurante ela provavelmente teria respondido com o clássico imagina, eu só estou preocupada com a sua saúde, como tantas outras pessoas já fingiram se preocupar antes. Então, para quem anda por aí mandando pessoas gordas pararem de comer por preocupação com o bem-estar delas, não custa lembrar mais uma vez:
1) Não almoçar não é saudável para ninguém, não importa o peso.
2) Saúde mental também é importante e ser atormentada por estranhos não ajuda a saúde mental de ninguém.
3) Vão cagar.
Referências
Mestre da análise intelectual e política realista, profundo conhecedor da direita intransigente e das abdicações da esquerda, Anderson forja as analogias históricas pertinentes, do processo de unificação alemã nos anos sessenta do século XIX aos anos vinte e trinta do padrão-ouro e da depressão no século XX. Bom, o seu artigo na Jacobin, a revista que hoje está ombro a ombro com a sua NLR no firmamento intelectual da esquerda que não desiste, é Anderson destilado. A tradução do excerto é minha:
“No curto prazo, não há dúvida que Tsipras florescerá na ruína das suas promessas, tal como o líder trabalhista Ramsay MacDonald – a comparação estrangeira mais óbvia – o fez na Grã-Bretanha, à frente de um governo de unidade nacional, composto por conservadores e impondo a austeridade em plena Depressão, antes de ser enterrado pelo desprezo dos seus contemporâneos e da posteridade (...)
(...) O que dizer da lógica mais ampla da crise? Como todas as sondagens indicam, o apoio à UE caiu a pique, um pouco por todo o lado, na última década e por boas razões. É hoje amplamente vista como aquilo em que se tornou: uma estrutura oligárquica, infestada de corrupção, construída na base da negação de qualquer forma de soberania popular, impondo um amargo regime económico de privilégio para uns poucos e de austeridade para a maioria.
No entanto, tal não significa que enfrente qualquer perigo mortal por parte dos de baixo. É verdade que a raiva popular está a crescer. Mas o medo ainda é mais forte. Num contexto de insegurança crescente, mas que ainda não chega à catástrofe, o primeiro instinto consiste em aderir ao que existe, por muito repelente que seja, ao invés de apostar no que pode ser radicalmente diferente. Isso só mudará quando a raiva superar o medo. Por enquanto, os que vivem do medo – a classe política a que Tsipras e os seus amigos se juntaram – estão seguros.”
Em entrevista a blogueiros, Haddad mostra como o PT pode reagir
Na última quinta-feira, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, reuniu-se com blogueiros e ativistas digitais na sede do Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé. Durante a entrevista, manifestou profundo inconformismo com o que considera uma “guerra” da mídia contra sua administração e demonstrou confiança na possibilidade de se reeleger.
Haddad também elencou medidas de sua administração que considera exitosas e até “revolucionárias”, citou falhas da administração tucana do Estado de São Paulo e reclamou da perda de recursos de sua administração por conta das “jornadas de junho” (de 2013) e da falta de apoio do governo federal.
O prefeito ironizou a mídia. Diz que só parou de bater incessantemente nos corredores de ônibus após ele começar a construir as ciclovias, que considerou imprescindíveis para uma metrópole como São Paulo, a exemplo do que ocorre em outras grandes cidades europeias e norte-americanas.
Ainda ironizando os adversários midiáticos, Haddad respondeu a críticas que fazem às ciclovias, de que são pouco usadas e de que custaram 33 milhões de reais; afirmou que são muito mais usadas do que, por exemplo, a ponte Estaiada, inaugurada em 2008 pelo então prefeito Gilberto Kassab, e que custou 184 milhões de reais.
O prefeito lembra que a mídia cita o custo de 33 milhões de reais das ciclovias como se fosse alto sem fazer comparações com obras como a de uma simples ponte, que diz que beneficia pouco uma única região e custou quase seis vezes mais, enquanto que as ciclovias se estendem por toda a capital paulista, beneficiando muito mais pessoas gastando muito menos recursos.
Lembrou, ainda, que o monotrilho que o governo Alckmin está construindo em São Paulo, chamado de “Linha 15 – Prata”, percorre um trecho de menos de três quilômetros entre as estações Vila Prudente e Oratório, funciona só cinco horas por dia e permanece bastante ocioso, pois os trens saem das estações com intervalos médios de 10 minutos e circulam praticamente vazios.
A informação mais impressionante que Haddad deu sobre o monotrilho de Alckmin é o custo, que já ultrapassa 6 bilhões de reais e que está em testes há cerca de um ano. Segundo o prefeito, se ele gastasse essa fortuna em uma obra de três quilômetros, que só funciona 5 horas por dia, não poderia nem sair à rua sem ser linchado, pois a mídia estaria falando do assunto todo santo dia.
Sobre a mídia, Haddad explicou que os piores e mais incessantes ataques à sua administração ocorrem via rádio, sobretudo CBN e Jovem Pan. Deu a entender que fazem uma lavagem cerebral na população mais humilde.
Sobre a redução da velocidade nas marginais do Tietê e de Pinheiros, o prefeito manifestou inconformismo com a ação civil pública impetrada pela Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo na última segunda-feira. Disse que telefonou para o presidente da OAB-SP para reclamar de não ter sido sequer consultado pela entidade antes de ela entrar com a ação.
Haddad manifestou inconformismo com o nível de desinformação da mídia, da OAB e de parcela da população com uma medida adotada em grandes metrópoles dos países desenvolvidos e que garante que irá produzir efeito oposto do que pensam.
O prefeito afirma que a redução da velocidade nas marginais irá aumentar a velocidade porque trafegar a 50 km por hora reduzirá o índice de acidentes. A teoria é a de que com menos acidentes, não haverá interrupção do tráfego e, assim, a velocidade média irá aumentar.
Haddad ainda manifestou perplexidade com a gritaria contra uma medida que, segundo afirma, reduzirá em apenas 4 minutos o tempo de percurso de um veículo pela marginal do rio Pinheiros estando o tráfego livre.
A parte mais interessante da entrevista, porém, foi no aspecto político. Haddad tratou da eleição de 2016 e demonstrou confiança em que é possível, sim, reeleger-se apesar do massacre midiático e dos seus baixos índices de popularidade, que atribui ao bombardeio que começou nos primeiros meses de sua administração com as manifestações do Movimento Passe Livre em junho de 2013, que passou a atacá-lo por elevar as tarifas de ônibus em 20 centavos.
O prefeito diz que suas dificuldades políticas poderiam ser menores se recebesse mais apoio do governo federal. Diz que tem recebido muito menos recursos do PAC do que o Rio de Janeiro, por exemplo.
Ainda assim, Haddad acredita que sua popularidade está baixa hoje porque ele não tem condições de mostrar suas obras para a população e, assim, o discurso contra sua administração predomina sem contraditório.
Como exemplo, diz que o programa “Braços Abertos” reduziu em 80% o número de usuários na Cracolândia paulistana e que, apesar de ser um programa que está sendo copiado no mundo inteiro e de nunca ter havido uma administração da capital paulista que logrou tal redução, o programa é criticado pela mídia por não ter conseguido redução de 100%.
Para Haddad, quando tiver oportunidade de ir à TV, no horário eleitoral, ano que vem, será capaz de fazer a população paulistana “refletir” e acredita que quando isso acontecer será quebrado o monopólio da informação.
O prefeito lembra que o julgamento do mensalão foi marcado, em 2012, para coincidir com as eleições municipais e que, apesar do forte antipetismo de São Paulo, foi possível dialogar com a população.
Haddad acha que a possibilidade de a cidade voltar às mãos da direita, com reversão de programas sociais e adoção de agenda conservadora, fará com que mesmo a oposição de esquerda se aglutine em torno de sua administração para evitar retrocessos na capital paulista.
Este blogueiro ficou surpreso com o nível de confiança do prefeito de São Paulo na possibilidade que tem de se reeleger e, sobretudo, com sua disposição para travar o debate político no ano que vem, pois esperava encontrar um Haddad combalido diante do massacre que o PT e suas administrações em todos os níveis vêm sofrendo.
Contudo, não se pode ignorar que Haddad é um grande debatedor. Fala extremamente bem, tem dados na ponta da língua e é um político extremamente carismático, apesar de iniciante.
Em fevereiro deste ano, em debate na Rádio Jovem Pan com o proto historiador Marco Antonio Villa, o prefeito saiu-se extremamente bem, como pode ser conferido no post Haddad ensina como o PT deve travar a guerra da comunicação.
Este blogueiro perguntou ao prefeito se pretende fazer sua campanha à reeleição na ofensiva contra seus críticos e a resposta foi positiva. Haddad está animado, pronto para o embate e, ao longo das duas horas em que se deixou entrevistar, demonstrou que tem recursos intelectuais e realizações a exibir. Quem o subestima certamente irá se surpreender.
Que tal uma discussão séria sobre a locomoção urbana?
A histeria toda em torno da medida é amplificada por pessoas que aproveitam qualquer oportunidade - esfriou, choveu, o Sol saiu - para desancar os malditos petralhas - cá entre nós, essa é uma tática bem manjada de "agitprop" para disseminar na sociedade a ideia de que todos os males do país, todas as vicissitudes enfrentadas pelo seu povo, têm como origem o ano de 2003, quando Lula assumiu a presidência.
Claro que não dá para levar a sério a maioria das manifestações coléricas sobre a redução da velocidade na capital paulista, mesmo porque elas não carregam nenhum argumento a não ser palavrões, xingamentos, ofensas e que tais.
Em vez disso, a ousada iniciativa do prefeito Fernando Haddad deveria, para o bem de todos, moradores de São Paulo ou não, ser discutida em termos racionais, pois ela envolve questões muito mais profundas do que poder acelerar a 90 km/h em plena via pública de uma cidade superpovoada de pessoas e veículos.
Uma das questões a ser debatida é justamente essa - a crescente dificuldade de as cidades, de todo o porte, suportarem o número de carros que nelas trafegam.
Tomo por exemplo Serra Negra, a estância turística distante 140 km da capital paulista, que tem uma população de cerca de 27 mil habitantes, onde moro. Suas duas ruas principais se tornam intransitáveis nos fins de semana, não há mais vagas de estacionamento, os turistas, em vez de relaxar, como seria o caso, ficam estressados - o que, convenhamos, não é bom para ninguém.
Outra cidade que visito com frequência é Jundiaí, onde passei minha juventude e moram meus familiares. Ela tem cerca de 400 mil habitantes e andar por ela é uma experiência que lembra os bons anos em que vivi na capital.
Argh...
O óbvio nessa discussão é argumentar que a situação chegou nesse ponto por culpa do aumento de número de carros e a solução para isso é investir no transporte de massa.
Certo.
Mas há outros pontos, como a falta de profissionais qualificados para cuidar do trânsito das cidades, a necessidade de realização de obras viárias arrojadas, e, mesmo, seguindo o exemplo da capital, criar alternativas para a locomoção das pessoas, desestimulando o uso do carro na cidade.
Em Serra Negra, por exemplo, discute-se muito a viabilidade da adoção da chamada "zona azul" para o estacionamento, ideia rejeitada pelos comerciantes, que são os primeiros a usar as vagas do centro.
Fora isso, não se vê nas ruas nenhum agente de trânsito, seja policial militar ou guarda municipal, que ajude os motoristas.
O que ocorre em Serra Negra, essa falta de iniciativa do poder público, deve ser algo que se repete em grande número das cidades pequenas e médias do país.
A falta de visão dos governantes do passado provocou a situação que se vive hoje.
A inação dos governantes atuais, com raras exceções, como a do prefeito Haddad, só vai piorar o problema, já insanável em algumas metrópoles.
“Uma Mercedes não é mais dona da rua do que uma bicicleta”
Debate interditado: Como o monopólio da Globo ajuda a destruir o futebol brasileiro
Aprender com a derrota da Grécia
O governo grego afinal ajoelhou, melhor, rastejou e engoliu tudo o que se propunha eliminar quando foi eleito. Não mudou a UE, como prometeu. Não acabou com a austeridade e as privatizações, como prometeu. Não se libertou das equipas técnicas da troika dentro dos ministérios, como prometeu. E ainda não sabe o que pode obter quanto a um “alívio” da dívida pública. Em tempos manifestei o meu receio de que o Syriza não estivesse à altura do desafio que lançou à UE (“Germanização ou soberania?”). Infelizmente, os meus maiores receios confirmaram-se.
Confrontado com o Diktat do Eurogrupo, Alexis Tsipras e a maioria do seu governo alimentaram a ilusão de um possível “acordo honesto e vantajoso para as duas partes” e não se prepararam, nem prepararam o povo grego, para a ruptura no melhor momento. Quando convocou o referendo, Tsipras tinha a obrigação de aceitar o repto da direita e dizer ao povo grego que a experiência de longos meses de negociações falhadas o obrigava a concluir que um “não” implicava a provável expulsão de facto do euro através do BCE. O que se seguiu foi penoso e humilhante. Uma pesada derrota para a esquerda que ainda acreditava na mudança da UE por dentro, uma derrota que terá repercussões negativas nos resultados eleitorais do Podemos em Espanha.
Repare-se que Tsipras e Varoufakis sempre disseram que não punham em causa a participação da Grécia na zona euro. Rapidamente os seus interlocutores perceberam que tinham pela frente um adversário frágil (as divisões internas eram do domínio público), sem qualquer trunfo negocial. Como é possível que a direcção do Syriza tenha sido tão incapaz neste confronto vital? A explicação que encontro para este suicídio político remete para o enorme poder das ideias, em particular das ideologias. De facto, durante o processo negocial, Tsipras e a maioria do governo grego mantiveram intacto o seu europeísmo de esquerda. Esta ideologia tem raízes na cultura política do eurocomunismo, também dominante no que resta do Partido Comunista Francês e na esquerda europeia que ainda sonha com uma globalização progressista. Para estes sectores da esquerda, o fim do euro é “um retrocesso civilizacional”. Assim, a derrota do governo grego foi causada, em última instância, por uma cegueira ideológica que o impediu de perceber o significado do impasse em que caiu e de, a partir daí, mobilizar o povo grego para a aceitação das implicações últimas da recusa da austeridade.
Após a derrota, Tsipras e Tsakalotos já disseram que não havia alternativa à capitulação por falta de condições financeiras. Apesar das viagens a Moscovo, Putin terá falhado com o apoio financeiro de que os gregos precisariam para poderem bater com a porta. Também o apoio da China não se terá concretizado, pelo que, sem reservas em dólares, seria uma catástrofe sair do euro. De facto, quando permanecer no euro é uma preferência ideológica, tudo se converte em obstáculos intransponíveis para justificar uma inércia de meses e a evidente desorientação nos últimos dias. Em boa verdade, as contas externas gregas têm estado perto do equilíbrio, pelo que apenas seria necessária uma reserva de segurança para evitar problemas imprevistos no abastecimento de bens essenciais importados.
Jacques Sapir até deu algumas pistas para a constituição imediata dessa reserva (“Les conditions d’un "Grexit""), incluindo o adiantamento de 5 mil milhões pelo gasoduto russo em território grego, mas, como é evidente, o que mais escasseava no núcleo duro do governo era a vontade política de estar à altura do entusiasmo das classes mais desfavorecidas, que votaram “não”. Em vez de as convocar para irem juntos na recusa da austeridade até às últimas consequências, Tsipras converteu o grito soberano do “não” num humilhante “sim” a mais austeridade. Entretanto, alguma esquerda portuguesa já começou a explicar porque devemos continuar a apoiar Tsipras e o seu governo. Fica-lhe bem, mas infelizmente isso pode querer dizer que nada aprenderam com esta pesada derrota.
(O meu artigo no jornal i)
A crise hídrica não é nada perto do colapso financeiro da Sabesp
Aborto de “bandidos” no útero: Ou como o poço não tem fundo no Brasil
“Um dia, nós chegaremos a um estágio no qual seremos capazes de determinar se a criança no útero da mãe tem tendências criminais e, se sim, a mãe não será autorizada a dar à luz.”
A declaração teria sido por Laerte Bessa (PR-DF), relator do projeto de redução da maioridade penal, ao jornal inglês The Guardian e resgatada pela revista Fórum, no melhor estilo Minority Report – aquele filme em que Tom Cruise prende os bandidos antes deles cometerem os crimes. Uma outra declaração dada por ao jornal afirma que, em duas décadas, reduziremos a maioridade para 12 anos.
Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, ele disse que não falou em aborto e que a matéria escrita em inglês “ganhou interpretações erradas”.
Contudo, Bruce Douglas, o repórter do jornal inglês, disponibilizou o áudio da conversa, onde é possível ouvir a declaração:
Mas, vejamos: recebi, meses atrás, uma doce mensagem de leitor dizendo que “mãe de bandido deveria ser esterilizada”.
Não fiquei chocado porque, depois da popularização da internet, nada me choca. Ok, talvez Datena como possível candidato à prefeitura de São Paulo mas, fora isso, nada. O pior é que se perguntar para o missivista se é a favor de garantir às mulheres a autonomia sobre o próprio corpo, ele cospe na sua cara.
Daí, tentando seguir essa linha de pensamento ignorante e imbecil, ironizei o comentário do leitor, em um post em abril deste ano:
“Talvez seja essa a saída e não a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos: Esterilizar úteros que pariram criminosos de forma a interromper o terreno fértil para crimes. Ou, talvez, se nossa ciência permitir, descobrir com cálculos precisos os úteros ruins e impedir que deles brote algo.”
Um amigo jornalista, que leu o post na época, me alertou para tomar cuidado com textos ficcionais que forçavam a barra. “Tá louco, Saka? Quem toparia uma aberração dessas? Não viaja…”
Rá!
Leia também:
Ao invés de reduzir a maioridade, que tal esterilizar mães de bandidos?
Isso ensina uma lição, meu caro amigo: Pense no pior filme B de terror? Ele não se compara à realidade brasileira.
Escrevi naquele post também que, conhecendo nossa sociedade, os “úteros ruins” passíveis de aborto forçado não serão úteros ricos, que sempre tiveram acesso a tudo e que repousam em lençóis de algodão egípcio – mesmo que de alguns deles tenha brotado os que põem fogo em indígenas em pontos de ônibus, espancam pessoas em situação de rua ou atropelam ciclistas.
Mas úteros negros e pardos, que lavam roupa, fazem faxina e não raro criam os filhos sozinhos. Úteros que andam de ônibus, ganham uma miséria, dividem-se entre o trabalho e a família. E, por isso, não vivem, apenas sobrevivem, enfileirando dias e noites, na periferia de alguma grande cidade.
Depois desse episódio profético, se eu fosse você, acreditaria no alerta que venho fazendo há tempos: com esse Congresso Nacional, nada está a salvo. Nem o direito das mulheres ao voto, nem a República, muito menos a Lei Áurea.
Atualizado à 1h do dia 23/7/2015 para inclusão do áudio da entrevista com o deputado.
Diplomacia ardente
A lição de jornalismo de Padura no Roda Viva. Por Paulo Nogueira
ENTREVISTA MINHA SOBRE TROLLS E HATERS
Resposta: Praticamente desde que comecei o blog, em janeiro de 2008. Antes disso eu nem conhecia essas palavras. Mas no começo eram bem poucos os trolls. Acho que no primeiro ano eu tive três trolls, e eles não vinham ao mesmo tempo. Nos primeiros anos de blog os comentários eram abertos, sem moderação, e era raro eu deletar algum. Hoje isso seria insustentável, porque o nível de virulência (contra mim e outras leitoras e leitores) é muito grande.
Preciso dizer que não considero troll quem vem xingar ou insultar esporadicamente. Troll é movido pela insistência, pela obsessão. Só quando o blog começou a crescer muito é que mais blogs apareceram, e haters também. Haters são diferentes, porque em geral eles nem comentam no blog. Eles só falam mal de você e do que você escreve, mas sem necessariamente aparecer no blog. E o perfil dos meus trolls é quase sempre idêntico: homem, hétero, branco, de direita, cheio de ódio, muito preconceituoso. Já meus haters são variados. Claro que meus principais haters são reaças e mascus, mas tem gay misógino que me odeia, feminista radical, hipster, ateu, carinha de esquerda... Tem de tudo.
Essas ações orquestradas não me afetam, mas fazem com que eu gaste muito do meu tempo e energia com besteira. Eu ouço falar de blogueiras que choram ao serem insultadas, ou que ficam muito temerosas quando ameaçadas, mas comigo nunca aconteceu. Desenvolvi uma casca grossa desde o início. Mas claro, tem muita gente que não aguenta, porque realmente é um stress que não para. Nos EUA, há várias blogueiras feministas que deixaram de escrever por conta das ameaças. E mesmo as que continuam estão abaladas. É só ver uma palestra da Anita Sarkeezian, e você nota que ela já não sorri como antes, não tem mais espontaneidade. Certamente isso acontece comigo também.
Quero dizer, eu já acompanho (cada vez menos) algumas páginas horríveis, como um fórum mascu. Mas lembro que, em 2004, quando eu tinha que escrever minha dissertação de mestrado, enrolava lendo fóruns de meninas com anorexia e bulimia. Tudo bem que eu tinha muito mais tempo livre naquela época do que hoje, mas ainda assim, receio onde minha procrastinação me levaria. Enfim, faço mais bem à sociedade e a minha saúde mental mantendo um blog feminista do que lendo fóruns com tanta tristeza e ódio.
E ele assinava seu blog antifeminista. Foram centenas de calúnias, injúrias e difamações contra mim e meu marido, uma verdadeira obsessão. Tive que fazer um BO contra ele também, e aí ele ficou com medo e pelo menos parou de citar meu nome e usar minhas fotos. Seus blogs continuam, mas recentemente só estão abertos para convidados. Mas veja o nível da obsessão. Esse rapaz de 34 anos, formado em Direito, fazia vídeos em que chorava ao mencionar meu nome. É algo muito doentio mesmo. Se ele morasse no Ceará, e não no Mato Grosso do Sul, eu ficaria preocupada.Ironicamente, você não pode fazer um BO de algo acontecido na internet pela internet. Eu sei por que tentei fazê-lo na ocasião das calúnias na páscoa, até escrevi um relatório imenso, mas quando fui enviá-lo, recebi o recado de que não se pode fazer BOs pela internet de crimes ocorridos na internet. Parece uma grande incoerência.
Sobre a eficácia da polícia, creio que ela não faz muito, só registra mesmo. Não há investigação. Demorou três anos para que a Polícia Federal entrasse em contato comigo. Eu enviava pra eles prints de ameaças contra mim, e nada acontecia. Continuo recebendo ameaças, e continua acontecendo nada, mas pelo menos a Divisão de Direitos Humanos da Polícia Federal me contatou este ano.
Porque a gente incomoda. Porque, ainda que lentamente, estamos tendo sucesso na nossa vontade de mudar o mundo. Se fossemos insignificantes, não seríamos tão atacadxs. E também porque à medida que crescemos e avançamos, cresce também a resistência contra nós. Há muita gente revoltada por não ter mais o privilégio de, por exemplo, contar uma piadinha machista, racista ou homofóbica e não ganhar mais os velhos tapinhas nas costas. Essa gente sente nostalgia da época em que podia ser preconceituosa à vontade sem ser criticada.Rovai: Quer saber quem estava, o que se comeu e se discutiu no jantar da Odebrecht para Lula? Pergunte a João Roberto Marinho

João Roberto Marinho
Documento da PF traz João Roberto Marinho na lista do jantar com Lula
O jantar para Lula organizado por Marcelo Odebrecht, fruto de investigação da PF e que o jornalismo “investigativo” brasileiro está tratando como um indício claro das relações espúrias da empreiteira com o ex-presidente teria reunido 15 pessoas na casa do anfitrião, no Condomínio Jardim Pignatari.
Até agora, porém, os colegas que estão buscando restos do que se comeu na ocasião para ver se acham o DNA dos participantes revelaram apenas três nomes, além do de Marcelo Odebrecht e Lula, o do ex-ministro Antonio Palocci, o de Sérgio Nobre (presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) e o da Juvandia (presidente do Sindicato dos Bancários).

Pois bem, como você pode perceber no fac-simile acima, de um dos documentos vazados, João Roberto Marinho, era um dos 15 nomes da lista.
Por que nenhum veículo se preocupou em registrar isso? Por que até agora ele não foi ouvido para que possa responder sobre o que se tratou no jantar? Por que o jornal dos Marinho esconde essa informação e todo o resto da mídia também?
Além dele, outros grandes empresários também estavam lá. Bolivarianos como Abilio Dinis, Roberto Setubal, Jorge Gerdau e Luis Carlos Trabuco. Ou seja, não foi um evento da Odebrecht com Lula. Mas de empresários e dois importantes sindicalistas a pedido de Lula.
O que se comeu no jantar? O que se discutiu no jantar? Simples, é só perguntar pro João Roberto Marinho.
Leia também:
Lassance: “Mídia técnica” do governo é desperdício de dinheiro público com publicidade ineficiente
O post Rovai: Quer saber quem estava, o que se comeu e se discutiu no jantar da Odebrecht para Lula? Pergunte a João Roberto Marinho apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.
Wikileaks: Gabinete de Segurança do governo do RN quis comprar softwares de espionagem italianos
Desde o início de julho, o Wikileaks vazou dados confidenciais de uma empresa de espionagem italiana chamada Hacking Team.
Os e-mails da companhia vazados dão conta de envolvimento de diversos órgãos de segurança e investigação brasileiros, como a ABIN.
Nesta sexta, O Cafezinho de Miguel do Rosário destacou as menções ao interesse da Procuradoria Geral da República sobre os software de espionagem da Hacking Team.
Segundo os vazamentos, os aplicativos Da Vinci e Galileo, produzidos pela Hacking Team, são essencialmente vírus que infectam usuários em grande escala e permitem que terceiros controlem remotamente os celulares, dando total abertura para gravar à qualquer momento o som captado pelo microfone dos aparelhos, acesso a tudo que é escrito, captura da imagem da câmera, além de muitas outras possibilidades, em uma escala que não respeita os parâmetros determinados nas leis que regulamentam o grampo autorizado judicialmente.
Há registros de negociação com diversos órgãos e instituições. Entre os tais, surge o gabinete de segurança do governo do estado do RN, representado pelo Major João Carlos Assunção Pereira de Oliveira.
O Major Assunção escreveu à empresa denunciada pelo Wikileaks em 2011, quando a governadora era Rosalba Ciarlini, então no DEM. Mas Assunção, conforme assina, era assessor militar da vice-governadoria, ocupada então pelo atual governador Robinson Faria (PSD):
Da: joaocarlosrn@digizap.com.br [mailto:joaocarlosrn@digizap.com.br]A empresa respondeu ao e-mail com os preços solicitados em anexos. Não há informação de que os produtos tenham sido adquiridos.
Inviato: sabato 13 agosto 2011 18:32
A: a.scarafile@hackingteam.it
Oggetto: Major Assunçao- VICE-GOVERNADORIA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE Priorità: Bassa
Prezado Alessandro Scarafile;
Estive no ultimo evento em Brasilia e mantive contato com sua pessoa a respeito dos softwares da HACKINGTEAM . Se sua pessoa poder enviar uma lista com valores gerais de todos os produtos que estavam na Feira de Segurança , seria muito bom, pois senti interesse por parte do meu governo e de outros a aquisição . Solicito-vos que seja breve , tendo em vista que tenho que mostrar valores individuais e coletivos dos produtos para uma possivel negóciação . Outrossim , envie o valor minimo de compra para que eu possa informar a quem de direito
Atenciosamente ; Major João Carlos Assunção Pereira de Oliveira
Assessor Militar da Vice-Governadoria e Chefe do Gabinete Militar do Vice-Governador do Rio Grande do Norte
Contato: 55 84 96284900
55 84 32321185 ( SALA DO COMANDO DO GABINETE MILITAR )
O que chama a atenção na possível compra é que o sistema de espionagem avança além dos limites de legalidade a respeito de quebras de sigilos, quando autorizados pela justiça. Além disso, os produtos teriam sido adquiridos pelo gabinete de segurança do governo que, salvo engano, não tem respaldo para esse tipo de investigação.
Leia abaixo texto publicado pelo site do Partido Pirata do Brasil:
Dados confidenciais da empresa de espionagem italiana Hacking Team, recentemente vazados na web, comprovam que a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e outras instituições responsáveis pela segurança nacional teriam adquirido programas de espionagem, por intermédio da empresa brasileira Yasnitech.
Os aplicativos de nome Da Vinci e Galileo, produzidos pela Hacking Team e comprados por nossas polícias, forças armadas, Abin, Procuradoria Geral da República e Ministério Público, são essencialmente vírus que infectam usuários em grande escala e permitem que terceiros controlem remotamente os celulares, dando total abertura para gravar à qualquer momento o som captado pelo microfone dos aparelhos, acesso a tudo que é escrito, captura da imagem da câmera, além de muitas outras possibilidades, em uma escala que não respeita os parâmetros determinados nas leis que regulamentam o grampo autorizado judicialmente.
FEITIÇO CONTRA O FEITICEIRO
Todos que adquiriram os programas estão seriamente comprometidos. Com o vazamento do código fonte destes softwares, forças de segurança e inteligência no Brasil devem iniciar um procedimento de contingência. Estes programas podem ser usados de forma reversa, para espionar as agências nacionais.
A questão foi abordada pela própria Hacking Team: “Terroristas e outros podem implantar esta tecnologia à vontade, se eles tiverem a capacidade técnica para fazê-lo”, escreveu o porta-voz Eric Rabe, em comunicado nesta quarta-feira. “Acreditamos que esta é uma situação extremamente perigosa.”
YASNITECH
Os dados mostram que as agências brasileiras teriam adquirido tais programas de espionagem através de revendas pela empresa brasileira Yasnitech. Em um email, funcionários discutem a venda do software espião:
“Para o projeto real da Yasnitech deve ser de revendedor …. a PF [Polícia Federal] não quer um contrato internacional. Eles querem um contrato com uma empresa local para prestar apoio. Mesma coisa para a Polícia Civil de São Paulo”.
Ainda há trocas de emails com:
Capitão do Exército Brasileiro link
Delegado da Polícia Federal link,
Capitão da Polícia Militar de São Paulo link
Polícia Civil do Rio de Janeiro link
Polícia Civil do Amazonas link
Gabinete de Segurança do Rio Grande do Norte link
Os emails detalham encontros com delegados, militares e agentes policiais brasileiros, assim como agendas, discussões, negociação de valores, formas de faturamento e notas contábeis.
A TOTAL FALTA DE ÉTICA DA HACKING TEAM
A Hacking Team antes afirmava que não vendia seus produtos a organizações governamentais que estão na lista negra da NATO, mas os críticos já diziam que ferramentas da empresa já foram usadas contra jornalistas marroquinos pró-democracia.
As informações provam que países como Arábia Saudita, Egito e Omã, com sérias questões relativas aos direitos humanos, utilizaram os serviços da Hacking Team. Provam também que a HT adulterou códigos-fonte de diversos softwares conhecidos para transformá-los em Malwares de espionagem, inclusive construindo sua própria versão do navegador Tor, utilizado amplamente por jornalistas para se protegerem e protegerem suas fontes.
PIADA COM DILMA
Em 2013, em uma das trocas de e-mail entre funcionários da Hacking Team, há uma piada sobre o escândalo de espionagem revelado por Edward Snowden: “Sabe como a Dilma faz quando quer entrar em contato com o Obama? Ela manda um e-mail para si mesma.”
O que a Veja tem contra o Pan?
Piresinos
Las muy rentables relaciones entre las televisiones griegas, los gobiernos y la troika
Las principales televisiones privadas griegas formaron un frente unido en la campaña a favor del sí en el referéndum. No es extraño ni denunciable que una empresa de comunicación tenga ideología. Es más discutible, como ha denunciado mucha gente, que en los debates celebrados antes de la consulta, la inmensa mayoría de los participantes estaba a favor del sí, y la presencia en las pantallas del no era casi testimonial. Eso es mala televisión, porque en esos casos una presencia nutrida de ambas partes es lo que garantiza interés público y espectáculo.
Lo ocurrido en la campaña no fue una excepción con respecto a lo ocurrido en los últimos años. El periodista Costa Efimeros, productor del documental Debtocracy, escribe sobre las muy rentables relaciones entre las empresas propietarias de las televisiones, los gobiernos anteriores y la troika. Detrás de las compañías están las corporaciones de la construcción, destino de los contratos de infraestructuras concedidos por los gobiernos, y las grandes navieras, uno de los sectores económicos con más poder en Grecia.
Para las televisiones, es un chollo. Han operado durante años en un marco de ilegalidad que les ha salido muy rentable:
“Desde el comienzo de la crisis y la aplicación del programa de austeridad, todos los grandes medios de comunicación se apresuraron a defender las duras políticas de los acreedores de Grecia. No era una decisión unilateral. A pesar de que desde la aprobación del primer memorándum (MoU) hay una norma para imponer un impuesto del 20% a la publicidad televisiva, esta es la única medida que la troika ha permitido que se aplace a través de un decreto que se aprueba el 31 de diciembre de cada años, y ya llevan cinco años consecutivos.
Pero va más allá. Los canales griegos operan en Grecia sin licencia, gracias a una ley de 1989 que les concede licencias por investigación y desarrollo. Y en caso de que no se hayan cansado por esto, hay más: los oligarcas, además de no pagar por sus licencias televisivas, tampoco han pagado impuestos durante años por el uso de frecuencias públicas, según el organismo nacional de contabilidad. Por eso, cuando la troika entró en escena, el compromiso era perfecto: los grandes medios de comunicación apoyaron el programa de austeridad, y los acreedores les permitieron funcionar en una situación de dudosa legalidad (el Consejo de Estado, máxima autoridad legal del país, ha dictaminado en dos ocasiones que es ilegal el uso de frecuencias sin licencia).”
En abril el Gobierno de Syriza dijo que iba a poner fin a esta “anarquía” y exigir a las televisiones que paguen su deuda por el uso de las licencias. La cantidad asciende a 40 millones de euros por los últimos cuatro años.
La respuesta de los medios dice mucho sobre cómo se han hecho las cosas en Grecia en las últimas décadas. Los que hacían favores al Gobierno podían contar con que no tendrían que hacer frente a sus obligaciones fiscales. Algo daban a cambio, pero no precisamente al Estado. Las televisiones dijeron que no iban a pagar porque los partidos se han aprovechado de una ley de 2002 para emitir sus anuncios electorales en esos canales sin pagar nada a cambio.
Las televisiones han apoyado los programas de austeridad todos estos años, incluidos los sacrificios exigidos a los ciudadanos. Pero ellos no sólo no se sacrifican, sino que ni siquiera pagan lo que deben.
Even if all Greek to you: obvious how greek media are owned by 7 oligarch families and why such #greekmediapropaganda pic.twitter.com/G3MDFQpnUy
— spyros gkelis (@northaura) julio 5, 2015
Así se estrena en Westminster la diputada más joven
En el Parlamento británico es costumbre que los diputados que se estrenan den un breve discurso para presentarse ante los demás parlamentarios de la Cámara. Esta vez ha sido el turno de Mhairi Black, del SNP escocés, de 20 años, la más joven desde el siglo XVII.
El discurso ha sido muy elogiado, tanto por su brío y consistencia como por las historias sobre la lucha contra la pobreza en Escocia, y en especial en su circunscripción, donde –dijo– uno de cada cinco niños se va a la cama con hambre. Y el uso de la ironía. Gracias a que el Parlamento paga a los diputados los gastos de vivienda en una ciudad tan cara como Londres, Black comentó que es la única persona de 20 años a la que el ministro de Hacienda, George Osborne, está dispuesto a ayudar para que tenga acceso a la vivienda.
Y ahora pensemos en cuántos jóvenes políticos españoles podrían estar a la altura de Black.
Acordo com o Irã é revolucionário e vai muito além do nuclear
Roosevelt e Ibn Saud, em 1945: com o Irã ao lado, menos deferência
por Luiz Carlos Azenha
A fixação pelos interesses de Israel na mídia ocidental faz com que o histórico acordo entre o Irã e as potências nucleares seja visto, de forma distorcida, exageradamente a partir dos interesses de Tel Aviv e do lobby israelense.
Ele é apenas o primeiro passo para a normalização das relações entre os Estados Unidos e o Irã, nos mesmos moldes do que aconteceu com Cuba.
Israel grita “terrorismo” quando, na verdade, está sendo atingida em seu papel histórico de gendarme dos Estados Unidos no Oriente Médio. Israel é o maior destinatário de ajuda econômica dos Estados Unidos no mundo e tirou proveito da proximidade estratégica com Washington em todas as áreas durante décadas.
Essa proximidade se estreitou muito desde 1979, quando o aiatolá Khomeini pôs fim ao regime pró-americano do xá do Irã, Reza Pahlavi. Trocando em miúdos: Israel se beneficiou diretamente da tensão entre Estados Unidos e Irã ao longo dos últimos 35 anos.
O mesmo se pode dizer, em menor escala, da Arábia Saudita.
Em 14 de fevereiro de 1945 o então presidente Roosevelt encontrou-se, a bordo do USS Quincy, com o rei saudita Ibn Saud. A Segunda Guerra chegava ao final. Os Estados Unidos planejavam o pós-guerra. O acesso ao farto petróleo saudita era essencial para a expansão econômica que viria. Naquele encontro selou-se o papel histórico da Arábia Saudita como moduladora dos preços internacionais do petróleo.
Desde 1979, sentado do outro lado do Golfo Pérsico e compartilhando o estreito de Ormuz, por onde passam os petroleiros, o Irã foi visto como inimigo e potencial ameaça a este arranjo.
Há, obviamente, mais que interesses econômicos por trás da distância entre o Irã, Israel e Arábia Saudita, que disputam a hegemonia regional.
A causa palestina afasta Teerã de Tel Aviv. É essencial defendê-la para exercer influência no mundo islâmico.
O racha entre xiitas e sunitas, dentro do próprio mundo islâmico, afasta Teerã dos sauditas.
Como se sabe, o Irã dá apoio tácito e às vezes direto às minorias xiitas que vivem sob repressão nos países do Golfo Pérsico, inclusive na Arábia Saudita.
Sempre foi irônico ver os Estados Unidos dando apoio a uma monarquia absolutista (Arábia Saudita) em detrimento de uma república (Irã) que, apesar de tutelada pelos aiatolás, funciona de uma forma muito mais próxima das democracias ocidentais.
Sempre foi trágico ver os Estados Unidos acusando o Irã de fomentar o terrorismo quando a maioria dos autores dos atentados de 11 de Setembro era de jovens sauditas radicalizados pelo wahabismo, a vertente do islamismo financiada pela casa de Saud.
Fui pessoalmente conhecer a universidade de Darul-Uloom, ao norte de Nova Delhi, na Índia, de onde saíram as ideias que deram corpo à filosofia do talibã. Do lado de fora, eu e o repórter cinematográfico Sherman Costa encontramos uma gigantesca mesquita que acabara de ser inaugurada. Perguntei ao guia: quem pagou por isso? Resposta: Arábia Saudita.
Sim, não é só a presença imperialista de tropas estrangeiras em seus territórios e o fracasso de governos locais em atender às necessidades básicas da população que fomentaram a leitura mais estrita do Corão em busca de saídas para a sensação de impotência dos muçulmanos, seja no Paquistão, seja no Iêmen. Há, também, o dedo saudita nisso, na promoção do wahabismo que resulta em influência cultural e política.
A ironia maior é que a nova arquitetura que veremos no Oriente Médio tem relação com a lei das consequências indesejadas. Ou seja, tem o dedo de George W. Bush e sua desastrosa invasão do Iraque, onde a maioria xiita vivia sob repressão da minoria sunita de Saddam Hussein.
Da noite para o dia, os partidários de Saddam se viram alijados do poder e, com a extinção do exército iraquiano, mesmo de seus empregos públicos. Deu numa guerra civil contra os xiitas e na radicalização que resultou no Estado Islâmico. Os Estados Unidos, assim, são tão responsáveis pelo surgimento do EI quanto o foram pelo surgimento da Al Qaeda: quando a extinta União Soviética ocupava o Afeganistão, a CIA e o serviço secreto do Paquistão despejaram bilhões de dólares para formar a turma de Osama bin Laden, hoje terroristas então chamados de “guerreiros da liberdade” pelo presidente Ronald Reagan.
Surpreendentemente, o Irã acabou jogando um papel moderador na caótica situação do vizinho Iraque, através da forte relação entre os xiitas dos dois países. Estabilidade é essencial para que sejam cumpridos os contratos que foram o verdadeiro motivo da invasão norte-americana: os contratos de exploração de petróleo, muitos dos quais fechados com empresas ocidentais.
É objetivo estratégico dos Estados Unidos, com a escassez relativa do produto, diversificar suas fontes de petróleo. Isso vem desde 1973, quando os países da OPEP — dentre os quais a Arábia Saudita — durante a guerra de Israel com o Egito, provocaram o boicote aos países ocidentais que repentinamente causou filas nos postos e triplicou o preço nas bombas de gasolina. Isso ficou gravado na memória coletiva dos americanos bebedores de 1/3 da gasolina do mundo.
Voltamos, portanto, ao essencial: o petróleo.
O acesso ao petróleo iraquiano e, agora, por conta do acordo nuclear, possivelmente ao iraniano, reduzem o papel da Arábia Saudita como definidora principal dos preços internacionais. Do ponto-de-vista dos Estados Unidos, que são disparadamente os maiores consumidores, é tão importante quanto ter acesso ao pré-sal brasileiro, às reservas da costa da África e assim sucessivamente.
Do ponto-de-vista geopolítico, a reaproximação com o Irã também se encaixa na guinada estratégica anunciada por Barack Obama em direção à Ásia. Basta olhar o mapa e ver a posição do Irã em relação à Rússia e à China, países com os quais Teerã tem relações muito próximas.
Cereja do bolo: agora, o Ocidente terá acesso a um mercado de 80 milhões de consumidores que estão sentados sobre 150 bilhões de barris de reservas provadas de petróleo. Nem todo o espernear de Israel na mídia é capaz de esconder isso.
Lei também:
Irã: O doce triunfo de Celso Amorim sobre a mídia e os embaixadores de pijama
O post Acordo com o Irã é revolucionário e vai muito além do nuclear apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.
Un nuevo Versalles pero con Alemania como ejecutor
No ocurre todos los días que el director del Financial Times afirma que las condiciones impuestas a un Gobierno lleno de marxistas se parecen a una “paz cartaginesa”. Se refiere a lo que el Gobierno alemán ha intentado hacer este domingo con Grecia, lo que será recordado como una jornada negra en eso que antes se llamaba la “construcción europea” y que ahora ha pasado a ser un triste sarcasmo.
La expresión tiene su origen en las guerras púnicas de Roma contra Cartago, y los brutales términos de rendición que el imperio obligó a aceptar a los rebeldes cartagineses. Tras la tercera guerra, ya no hubo espacio para tales castigos. Cartago fue destruida y sus habitantes, esclavizados.
Continúa en Zona Crítica.
Quando 2 mais 2 são cinco
Mas, ao contrário, o texto não passa de um novo ataque sem nenhum fundamento ao programa, recheado de baboseiras e, pior, com dados mentirosos ou que não se sustentam.
Um deles é de doer: segundo o release, o número de 63 milhões de atendimentos feitos pelos 15 mil médicos do programa é mentiroso, superfaturado, impossível de ser alcançado.
Nem é preciso fazer uma conta complicada para se concluir que, ou a AMB é composta de idiotas que não sabem a mais elementar aritmética, ou de gente sem caráter nenhum.
Se não, vejamos: 63 milhões de atendimentos dividido por 15 mil médicos dá a média de 4.200 atendimentos por médico. Se cada médico bateu ponto seis dias por semana durante os dois anos do programa, ele trabalhou, no período, 576 dias. Por dia atendeu, então, em média, 7,29 pacientes.
Ora, se um médico não consegue atender, num dia normal de trabalho, 7 pessoas, é porque ele é um vagabundo que não quer trabalhar - o que, convenhamos, não é o perfil dos profissionais do Mais Médico.
Já fui em médico de plano de saúde que atendia, apenas pela manhã, umas 30 pessoas.
Isso sim, é um disparate, já que cada "consulta" durava, no máximo, uns cinco minutos.
Para quem quiser, vai na sequência todo o release da AMB.
Mas aviso àqueles que vão se aventurar a lê-lo: tomem um dramin ou um plasil antes, porque a sua leitura provoca ânsia de vômito.
Mais Médicos completa dois anos com indicadores na saúde piores do que quando foi implementado
No dia 8 de julho de 2013 o Governo Federal anunciou com toda pompa o programa Mais Médicos, que a visão marqueteira na data do anúncio, parecia ser uma iniciativa que mudaria consideravelmente para melhor a saúde no Brasil. Depois de dois anos e de quase três bilhões de reais entregues em um convênio até hoje obscuro com a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), no qual mais de 70% do que o Brasil paga se perde em remuneração para própria entidade e para o Governo Cubano, o que nos resta comemorar?
Desde o início a Associação Médica Brasileira (AMB) assumiu a posição de apontar problemas que o programa claramente apresentava, desde suas motivações politiqueiras e eleitoreiras, até sua operacionalização. Em diversos momentos, a AMB acabou sendo estigmatizada. Menos de um mês após o lançamento do programa, a entidade protocolou na Superior Tribunal Federal (STF) Ação Civil Pública com pedido de liminar para barrar a Medida Provisória 621/13, que instituía o Mais Médicos. Entre os argumentos, alguns acabaram na prática acontecendo, como o descumprimento de direitos constitucionais de participantes, enquanto trabalhadores, é o caso dos médicos cubanos que vivem em um regime de trabalhos análogo à escravidão; além da violação do princípio da isonomia, direito de ir e vir, liberdade de expressão, etc.
O embrião do programa nasceu após pesquisas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgadas em 2011, na qual ficava evidenciada a percepção ruim da população sobre serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo a principal queixa a falta de médicos. Na mesma época, levantamentos feitos por entidades médicas, mostravam que mais que a carência de profissionais, o principal fator para tal opinião da sociedade estava baseado na má distribuição de médicos no país, principalmente para usuários do SUS, que contavam com quatro vezes menos médicos que o setor privado.
A partir desta avaliação equivocada, o Governo Federal acreditou que fosse possível resolver o problema da saúde no Brasil com ações oportunistas, pontuais, míopes e que nunca focam nos grandes problemas do setor: subfinanciamento, má gestão e corrupção. “Dois anos depois da criação, fica cada vez mais claro que a grande bandeira do atual governo na área da saúde não se sustenta além dos limites do marketing. Não observamos melhorias significativas na saúde brasileira, muito pelo contrário, piora cada dia”, avalia Florentino Cardoso, presidente da AMB.
Também incoerente é a não exigência de revalidação do diploma de médicos formados no exterior que vieram para o programa, além das críticas do TCU sobre a alocação dos médicos em locais onde já havia outros profissionais, levando a demissão dos que já trabalhavam na localidade e na concentração em grandes cidades.
Fora do programa, a saúde brasileira piorou ainda mais nestes dois últimos anos. Recentemente, o Hospital São Paulo (HSP), ligado à Universidade Federal de SP (Unifesp) aumentou o número de atendimentos do pronto socorro e clínica médica, enquanto o repasse de recursos do Governo Federal, que é responsável por quase metade do financiamento da instituição, foi reduzido em 40%. Isso fez com que o problema da falta de remédios e equipamentos agravasse ainda mais os problemas no HSP. Se este é o quadro em um dos principais hospitais de São Paulo, maior metrópole do país, numa instituição ligada a uma universidade federal, imaginemos como vive a grande maioria da população brasileira que não está nos grandes centros e depende da saúde pública. Pacientes estão morrendo de causas evitáveis por culpa do descaso do governo com a saúde. Há a cultura da propaganda enganosa e manipulação de números, dados e informações pelo governo.
Um comparativo feito pelo próprio Datasus mostra que entre maio de 2007 e o mesmo mês de 2015, diminuíram quase 25 mil leitos no SUS. É possível um médico dar tratamento adequado a um paciente que não consegue internar quando precisa? Há emergências superlotadas, com pacientes em macas, em corredores e até no chão. Falam da atenção à gestante, quando nos deparamos com maternidades sem a mínima condição para parturientes, com falta de insumos básicos, leitos, obstetras, pediatras e anestesistas, por descaso do poder público, colocando em risco mãe e bebê.
O Governo Federal fala em mais de 63 milhões de pessoas atendidas pelo Mais Médicos. Como é possível atender esse número tão elevado de pacientes com cerca de 15.000 médicos? Caso esse número fosse real, significaria que trinta por cento da população não tinha acesso nenhum a atendimento médico antes do programa? Claro que esse número de atendimentos está superfaturado, como temos visto em inúmeras obras públicas no Brasil. Utilizando “a conta mágica” do governo, quantas pessoas teríamos atendido nesse mesmo período? Existe um ditado que diz: “mentiras contadas repetidas muitas vezes e de maneira despudorada, faz com que imaginemos ser verdade”.
Continuemos o exercício com o número divulgado pelo Governo Federal, quando médicos do Mais Médicos teriam atendido 63 milhões de brasileiros. Por que então criar mais vagas e escolas de medicina? Temos mais de 400 mil médicos e cerca de 203 milhões de brasileiros. Abrir escolas de medicina sem infraestrutura, como hospital universitário e corpo docente qualificado colocará a população em risco. A sociedade já questiona a proliferação de faculdades em detrimento da qualidade. A imprensa também discute se a estratégia de inflar números de médicos formados, quando o governo não resolve carências básicas nas condições de postos de saúde e hospitais. Muitos, reconhecendo a importância do médico à sociedade, defendem a criação de uma avaliação nacional para exercício da profissão.
Estamos vivendo com reaparecimento do sarampo, crescimento da dengue, aumentos de casos de tuberculose multirresistente e elevado número de casos de hanseníase. Onde está a atenção básica, que é uma das bandeiras do programa, diante de números até piores do que na época da implementação do programa? Sem conta também no desabastecimento, falta de pessoal e de investimentos em hospitais públicos federais, estaduais e municipais. A crise no Brasil não é somente econômica, social e outras, a pior é a de credibilidade.
O aniversário do Mais Médicos não merece aplausos: “Não há o que comemorar. Infelizmente, o programa foi usado política e eleitoralmente. Precisamos é sair do discurso enganoso de e melhorar a saúde no Brasil. Defendemos o SUS como foi concebido, que é bastante diferente da propaganda e do que aflige e faz sofrer nosso povo”, complemente Dr. Florentino.
Melhores trechos do discurso anticapitalista do papa Francisco na Bolívia
Leia trechos do histórico discurso do Papa Francisco aos movimentos sociais na noite de quinta-feira 9 em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. No final do discurso de quase uma hora, o papa argentino pede que rezem por ele. Oxalá seja apenas força de expressão.
LÓGICA DO LUCRO – “Reconhecemos que as coisas não andam bem num mundo onde há tantos camponeses sem terra, tantas famílias sem teto, tantos trabalhadores sem direitos, tantas pessoas feridas na sua dignidade? Reconhecemos que as coisas não andam bem, quando explodem tantas guerras sem sentido e a violência fratricida se apodera até dos nossos bairros? Reconhecemos que as coisas não andam bem, quando o solo, a água, o ar e todos os seres da Criação estão sob ameaça constante? Então digamos sem medo: precisamos e queremos uma mudança.
Nas vossas cartas e nos nossos encontros, relataram-me as múltiplas exclusões e injustiças que sofrem em cada atividade laboral, em cada bairro, em cada território. São tantas e tão variadas como muitas e diferentes são as formas de enfrentá-las. Mas há um elo invisível que une cada uma destas exclusões: conseguimos reconhecê-lo? É que não se tratam de questões isoladas. Pergunto-me se somos capazes de reconhecer que estas realidades destrutivas correspondem a um sistema que se tornou global. Reconhecemos que este sistema impôs a lógica do lucro a todo o custo, sem pensar na exclusão social nem na destruição da natureza?
Se é assim, insisto, digamos sem medo: queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema é insuportável: não o suportam os camponeses, não o suportam os trabalhadores, não o suportam as comunidades, não o suportam os povos…. E nem sequer o suporta a Terra, a irmã Mãe Terra, como dizia são Francisco.”
GLOBALIZAÇÃO DA ESPERANÇA – “Queremos uma mudança nas nossas vidas, nos nossos bairros, no vilarejo, na nossa realidade mais próxima; mas uma mudança que toque também o mundo inteiro, porque hoje a interdependência global requer respostas globais para os problemas locais. A globalização da esperança, que nasce dos povos e cresce entre os pobres, deve substituir esta globalização da exclusão e da indiferença.
Hoje quero refletir convosco sobre a mudança que queremos e precisamos. Como sabem, recentemente escrevi sobre os problemas da mudança climática. Mas, desta vez, quero falar duma mudança noutro sentido. Uma mudança positiva, uma mudança que nos faça bem, uma mudança, pode-se dizer, redentora. Porque é dela que precisamos. Sei que buscais uma mudança e não apenas vós: nos diferentes encontros, nas várias viagens, verifiquei que há uma expectativa, uma busca forte, um anseio de mudança em todos os povos do mundo. Mesmo dentro da minoria cada vez mais reduzida que pensa sair beneficiada deste sistema, reina a insatisfação e sobretudo a tristeza. Muitos esperam uma mudança que os liberte desta tristeza individualista que escraviza.”
DESTRUIÇÃO DA NATUREZA – “O tempo, irmãos e irmãs, o tempo parece exaurir-se; já não nos contentamos com lutar entre nós, mas chegamos até a assanhar-nos contra a nossa casa. Hoje, a comunidade científica aceita aquilo que os pobres já há muito denunciam: estão a produzir-se danos talvez irreversíveis no ecossistema. Está-se a castigar a terra, os povos e as pessoas de forma quase selvagem. E por trás de tanto sofrimento, tanta morte e destruição, sente-se o cheiro daquilo que Basílio de Cesareia chamava ‘o esterco do diabo': reina a ambição desenfreada de dinheiro. A atenção ao bem comum fica em segundo plano. Quando o capital se torna um ídolo e dirige as opções dos seres humanos, quando a avidez do dinheiro domina todo o sistema socioeconômico, arruína a sociedade, condena o homem, transforma-o em escravo, destrói a fraternidade entre os homens, faz lutar povo contra povo e até, como vemos, põe em risco esta nossa casa comum.
Não quero alongar-me na descrição dos efeitos malignos desta ditadura sutil: vocês os conhecem! Mas também não basta assinalar as causas estruturais do drama social e ambiental contemporâneo. Sofremos de um certo excesso de diagnóstico, que às vezes nos leva a um pessimismo charlatão ou a rejubilar com o negativo. Ao ver a crônica negra de cada dia, pensamos que não haja nada que se possa fazer para além de cuidar de nós mesmos e do pequeno círculo da família e dos amigos.”
O PAPEL DE CADA UM – “Que posso fazer eu, recolhedor de papelão, catador de lixo, limpador, reciclador, frente a tantos problemas, se mal ganho para comer? Que posso fazer eu, artesão, vendedor ambulante, carregador, trabalhador irregular, se não tenho sequer direitos laborais? Que posso fazer eu, camponesa, indígena, pescador que dificilmente consigo resistir à propagação das grandes corporações? Que posso fazer eu, a partir da minha comunidade, do meu barraco, da minha povoação, da minha favela, quando sou diariamente discriminado e marginalizado? Que pode fazer aquele estudante, aquele jovem, aquele militante, aquele missionário que atravessa as favelas e os paradeiros com o coração cheio de sonhos, mas quase sem nenhuma solução para os meus problemas? Muito! Podem fazer muito. Vós, os mais humildes, os explorados, os pobres e excluídos, podeis e fazeis muito. Atrevo-me a dizer que o futuro da humanidade está, em grande medida, nas vossas mãos, na vossa capacidade de vos organizar e promover alternativas criativas na busca diária dos “3 Ts” (trabalho, teto, terra), e também na vossa participação como protagonistas nos grandes processos de mudança nacionais, regionais e mundiais. Não se apequenem!
Este apego ao bairro, à terra, ao território, à profissão, à corporação, este reconhecer-se no rosto do outro, esta proximidade no dia-a-dia, com as suas misérias e os seus heroísmos cotidianos, é o que permite realizar o mandamento do amor, não a partir de ideias ou conceitos, mas a partir do genuíno encontro entre pessoas, porque não se amam os conceitos nem as ideias; amam-se as pessoas. A entrega, a verdadeira entrega nasce do amor pelos homens e mulheres, crianças e idosos, vilarejos e comunidades… Rostos e nomes que enchem o coração. A partir destas sementes de esperança semeadas pacientemente nas periferias esquecidas do planeta, destes rebentos de ternura que lutam por subsistir na escuridão da exclusão, crescerão grandes árvores, surgirão bosques densos de esperança para oxigenar este mundo.
Vejo, com alegria, que trabalhais no que aparece ao vosso alcance, cuidando dos rebentos; mas, ao mesmo tempo, com uma perspectiva mais ampla, protegendo o arvoredo. Trabalhais numa perspectiva que não só aborda a realidade setorial que cada um de vós representa e na qual felizmente está enraizada, mas procurais também resolver, na sua raiz, os problemas gerais de pobreza, desigualdade e exclusão.
Felicito-vos por isso. É imprescindível que, a par da reivindicação dos seus legítimos direitos, os povos e as suas organizações sociais construam uma alternativa humana à globalização exclusiva. Vós sois semeadores de mudança. Que Deus vos dê coragem, alegria, perseverança e paixão para continuar a semear. Podeis ter a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, vamos ver os frutos. Peço aos dirigentes: sede criativos e nunca percais o apego às coisas próximas, porque o pai da mentira sabe usurpar palavras nobres, promover modas intelectuais e adotar posições ideológicas, mas se construirdes sobre bases sólidas, sobre as necessidades reais e a experiência viva dos vossos irmãos, dos camponeses e indígenas, dos trabalhadores excluídos e famílias marginalizadas, de certeza não vos equivocareis.
No coração, tenhamos sempre a Virgem Maria, uma jovem humilde duma pequena aldeia perdida na periferia dum grande império, uma mãe sem teto que soube transformar um curral de animais na casa de Jesus com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura. Maria é sinal de esperança para os povos que sofrem dores de parto até que brote a justiça.
POR UMA ECONOMIA DE INSPIRAÇÃO CRISTÃ – “Os seres humanos e a natureza não devem estar ao serviço do dinheiro. Digamos NÃO a uma economia de exclusão e desigualdade, onde o dinheiro reina em vez de servir. Esta economia mata. Esta economia exclui. Esta economia destrói a Mãe Terra.
A economia não deveria ser um mecanismo de acumulação, mas a condigna administração da casa comum. Isto implica cuidar zelosamente da casa e distribuir adequadamente os bens entre todos. A sua finalidade não é unicamente garantir o alimento ou um ‘decoroso sustento’. Não é sequer, embora fosse já um grande passo, garantir o acesso aos ‘3 Ts’ pelos quais combateis. Uma economia verdadeiramente comunitária – poder-se-ia dizer, uma economia de inspiração cristã – deve garantir aos povos dignidade, ‘prosperidade e civilização em seus múltiplos aspectos’. Isto envolve os ‘3 Ts’, mas também o acesso à educação, à saúde, à inovação, às manifestações artísticas e culturais, à comunicação, ao desporto e à recreação. Uma economia justa deve criar as condições para que cada pessoa possa gozar de uma infância sem privações, desenvolver os seus talentos durante a juventude, trabalhar com plenos direitos durante os anos de atividade e ter acesso a uma digna aposentadoria na velhice. É uma economia onde o ser humano, em harmonia com a natureza, estrutura todo o sistema de produção e distribuição de tal modo que as capacidades e necessidades de cada um encontrem um apoio adequado no ser social. Vós, e outros povos também, resumis este anseio duma maneira simples e bela: ‘viver bem’.
Esta economia é não apenas desejável e necessária, mas também possível. Não é uma utopia, nem uma fantasia. É uma perspectiva extremamente realista. Podemos consegui-la. Os recursos disponíveis no mundo, fruto do trabalho intergeneracional dos povos e dos dons da criação, são mais que suficientes para o desenvolvimento integral de ‘todos os homens e do homem todo’. Mas o problema é outro. Existe um sistema com outros objetivos. Um sistema que, apesar de acelerar irresponsavelmente os ritmos da produção, apesar de implementar métodos na indústria e na agricultura que sacrificam a Mãe Terra na ara da ‘produtividade’, continua a negar a milhares de milhões de irmãos os mais elementares direitos econômicos, sociais e culturais. Este sistema atenta contra o projeto de Jesus.
A justa distribuição dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral. Para os cristãos, o encargo é ainda mais forte: é um mandamento. Trata-se de devolver aos pobres e às pessoas o que lhes pertence. O destino universal dos bens não é um adorno retórico da doutrina social da Igreja. É uma realidade anterior à propriedade privada.”
PÁTRIA GRANDE – “Nos últimos anos, depois de tantos mal-entendidos, muitos países latino-americanos viram crescer a fraternidade entre os seus povos. Os governos da região juntaram seus esforços para fazer respeitar a sua soberania, a de cada país e a da região como um todo que, de forma muito bela como faziam os nossos antepassados, chamam a ‘Pátria Grande’. Peço-vos, irmãos e irmãs dos movimentos populares, que cuidem e façam crescer esta unidade. É necessário manter a unidade contra toda a tentativa de divisão, para que a região cresça em paz e justiça.
Apesar destes avanços, ainda subsistem fatores que atentam contra este desenvolvimento humano equitativo e restringem a soberania dos países da ‘Pátria Grande’ e doutras latitudes do Planeta. O novo colonialismo assume variadas fisionomias. Às vezes, é o poder anônimo do ídolo dinheiro: corporações, credores, alguns tratados denominados ‘de livre comércio’ e a imposição de medidas de ‘austeridade’ que sempre apertam o cinto dos trabalhadores e dos pobres. Os bispos latino-americanos denunciam-no muito claramente, no documento de Aparecida, quando afirmam que ‘as instituições financeiras e as empresas transnacionais se fortalecem ao ponto de subordinar as economias locais, sobretudo debilitando os Estados, que aparecem cada vez mais impotentes para levar adiante projetos de desenvolvimento a serviço de suas populações’. Noutras ocasiões, sob o nobre disfarce da luta contra a corrupção, o narcotráfico ou o terrorismo – graves males dos nossos tempos que requerem uma ação internacional coordenada – vemos que se impõem aos Estados medidas que pouco têm a ver com a resolução de tais problemáticas e muitas vezes tornam as coisas piores.”
MONOPÓLIO MIDIÁTICO – “Da mesma forma, a concentração monopolista dos meios de comunicação social que pretende impor padrões alienantes de consumo e certa uniformidade cultural é outra das formas que adota o novo colonialismo. É o colonialismo ideológico. Como dizem os bispos da África, muitas vezes pretende-se converter os países pobres em ‘peças de um mecanismo, partes de uma engrenagem gigante’.”
NÃO AO COLONIALISMO – “Temos de reconhecer que nenhum dos graves problemas da humanidade pode ser resolvido sem a interação dos Estados e dos povos a nível internacional. Qualquer ato de envergadura realizado numa parte do Planeta repercute-se no todo em termos econômicos, ecológicos, sociais e culturais. Até o crime e a violência se globalizaram. Por isso, nenhum governo pode atuar à margem de uma responsabilidade comum. Se queremos realmente uma mudança positiva, temos de assumir humildemente a nossa interdependência. Mas interação não é sinônimo de imposição, não é subordinação de uns em função dos interesses dos outros. O colonialismo, novo e velho, que reduz os países pobres a meros fornecedores de matérias-primas e mão de obra barata, gera violência, miséria, emigrações forçadas e todos os males que vêm juntos… Precisamente porque, ao pôr a periferia em função do centro, nega-lhes o direito a um desenvolvimento integral. Isto é desigualdade, e a desigualdade gera violência que nenhum recurso policial, militar ou dos serviços secretos será capaz de deter.
Digamos NÃO às velhas e novas formas de colonialismo. Digamos SIM ao encontro entre povos e culturas. Bem-aventurados os que trabalham pela paz.”
PERDÃO AOS POVOS ORIGINÁRIOS – “Alguém poderá, com direito, dizer: ‘Quando o Papa fala de colonialismo, esquece-se de certas ações da Igreja’. Com pesar, digo: Cometeram-se muitos e graves pecados contra os povos nativos da América, em nome de Deus. Reconheceram-no os meus antecessores, afirmou-o o CELAM e quero reafirmá-lo eu também. Como são João Paulo II, peço que a Igreja ‘se ajoelhe diante de Deus e implore o perdão para os pecados passados e presentes dos seus filhos’. E eu quero dizer-vos, quero ser muito claro, como foi são João Paulo II: peço humildemente perdão, não só para as ofensas da própria Igreja, mas também para os crimes contra os povos nativos durante a chamada conquista da América. E junto, junto a este pedido de perdão e para ser justo, também quero que recordemos os milhares de sacerdotes, bispos, que se opuseram fortemente à lógica da espada, com a força da cruz. Houve pecado, houve pecado e abundante, e por isto pedimos perdão, e peço perdão, porém também ali, onde teve pecado, onde abundou o pecado, superabundou a graça através destes homens que defenderam a justiça dos povos originários.”
DEFESA DA MÃE TERRA – “A casa comum de todos nós está a ser saqueada, devastada, vexada impunemente. A covardia em defendê-la é um pecado grave. Vemos, com crescente decepção, sucederem-se uma após outra cúpulas internacionais sem qualquer resultado importante. Existe um claro, definitivo e inadiável imperativo ético de atuar que não está a ser cumprido. Não se pode permitir que certos interesses – que são globais, mas não universais – se imponham, submetendo Estados e organismos internacionais, e continuem a destruir a Criação. Os povos e os seus movimentos são chamados a clamar, mobilizar-se, exigir, pacífica mas tenazmente, a adoção urgente de medidas apropriadas. Peço-vos, em nome de Deus, que defendais a Mãe Terra.”
MOVIMENTOS SOCIAIS – “O futuro da humanidade não está unicamente nas mãos dos grandes dirigentes, das grandes potências e das elites. Está fundamentalmente nas mãos dos povos; na sua capacidade de se organizarem e também nas suas mãos que regem, com humildade e convicção, este processo de mudança. Estou convosco. Digamos juntos do fundo do coração: nenhuma família sem teto, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhum povo sem soberania, nenhuma pessoa sem dignidade, nenhuma criança sem infância, nenhum jovem sem possibilidades, nenhum idoso sem uma veneranda velhice. Continuai com a vossa luta e, por favor, cuidai bem da Mãe Terra.”
Guiões de leitura para as negociações gregas
Há uma pequena nuance na minha interpretação: é possível que um "pacote de ajuda humanitária" (que FL vê como sendo necessariamente uma derrota para a Grécia, caso seja a única compensação efectiva pelas cedência gregas) seja a forma de conseguir o que é necessário - criar liquidez na economia grega, de modo a gerar rapidamente actividade económica e emprego - sem que as instituições europeias percam a face.
Simplificadamente, a ideia é esta: "obrigam" o governo grego a declarar que a consolidação orçamental vai ser maior do que o que estava previsto na proposta recusada em referendo (para não deixarem demasiados nervosos os Rajoy e Passos Coelhos deste mundo), mas ao mesmo tempo proporcionam à Grécia os recursos financeiros necessários para tirar a Grécia do sufoco (sem custos financeiros para o Estado helénico, porque a "ajuda humanitária", em princípio, não é um empréstimo). Tudo isto depende, claro está, dos montantes envolvidos nessa "ajuda humanitária" e na forma de a implementar.
Este é para mim o critério fundamental para decidir se o governo grego obteve um acordo que vale a pena: vai ou não conseguir injectar liquidez suficiente na economia grega nos próximos meses, de modo a criar emprego de forma substancial nos próximos anos, sem que para tal tenha de aceitar em troca a destruição do Estado Social e dos direitos laborais.
Para sabermos se um eventual acordo (se for obtido) cumpre ou não estes critérios vai ser necessária uma análise mais aprofundada dos termos desse acordo. Não esperem que os membros do governo português ou os comentadores televisivos do costume se dêem a esse trabalho: seja qual for o resultado deste processo, a leitura será sempre de que a Grécia foi castigada por se ter atrevido a dizer o que pensava...






























