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24 Aug 11:57

Quando as imagens explicam melhor a política do que as palavras

by eduguim

fotos

Se reunissem todas as análises que têm sido escritas desde o começo do ano sobre o momento político e as razões das manifestações contra o governo Dilma Rousseff, provavelmente esses escritos lotariam as prateleiras da Biblioteca Real de Alexandria.

Há alguns meses, porém, circulam pela internet – a meu ver, timidamente – duas fotos que, justapostas, são muito mais eficientes para explicar o processo político-ideológico em curso no país do que todas essas análises juntas.

foto 2015

51 anos separam a foto tirada neste ano nas manifestações contra o governo de 12 de março da foto tirada em 19 de março de 1964, a menos de duas semanas do golpe militar que instituiu uma ditadura de 21 anos no país.

Antes que alguém venha contra-argumentar que há diferenças fundamentais entre os dois momentos da vida nacional, quero dizer que concordo. O país em que vivemos hoje impede que essa gente que saiu às ruas em 1964 dizendo as mesmas bobagens que hoje obtenha os mesmos resultados que obteve cinco décadas atrás.

As instituições e as garantias constitucionais são muito mais sólidas, apesar de combalidas pelas prisões arbitrárias e pelo uso da lei de forma seletiva que têm sido vistos nos últimos dois anos e pouco.

Não existe hoje no mundo condições para um país da importância do Brasil sofrer uma quartelada sem se isolar dramaticamente da comunidade internacional – um golpe militar, hoje, afundaria o país, que seria alijado de todas as instâncias multilaterais do mundo.

Então para que serve comparar essas fotos?, perguntará o leitor. Será só pela coincidência perfeita entre as frases que exibem?

Em primeiro lugar, não há coincidência. Quem manufaturou a faixa vista nas manifestações antigoverno deste ano certamente inspirou-se em dizeres que foram levados às ruas nas marchas “da família com Deus pela liberdade” de meio século atrás, as quais, paradoxalmente, levaram o país à maior falta de liberdade que sofreu no século XX.

Uma falta de liberdade que durou 21 anos, diga-se.

Em segundo lugar, a comparação serve para explicar a motivação de quem está protestando contra o governo.

Mais uma vez, outra comparação de imagens mostra que atribuir “repúdio à corrupção do PT” como razão para protestar, não passa de balela.

fotos cunha

Mas se repúdio à corrupção não é a verdadeira motivação dessas manifestações antigoverno, então o que move essa gente?

Aí é que entram as duas fotos que encabeçam este texto. Tanto em 1964 quanto hoje, o que move essa uniformidade étnica e de classe social que quer derrubar o governo é a preservação da desigualdade que essas pessoas conseguiram ampliar ao longo de 21 anos de ditadura.

O aumento da desigualdade durante os anos do Milagre Econômico foi tema de diversos estudos de economistas. Veja o que especialistas escreveram, naquela época, sobre a concentração de renda no país.

Alberto Fishlow, professor da universidade de columbia

Em 1972, escreve artigo publicado na ‘American Economic Review’, mostrando o aumento da concentração de renda no Brasil entre 1960 e 1970. Era o período que a repressão do regime militar alcançava seu auge.

De certa maneira (Carlos) Langoni replicou meu artigo, mas não utilizou as rendas maiores e mostrou uma situação um pouco melhor dos habitantes — afirma.

Carlos Langoni, doutor pela Universidade de Chicago

A pedido do então ministro da Fazenda Delfim Netto, ele fez um estudo sobre o tema e concluiu que a educação era fator preponderante para explicar a piora na distribuição de renda:

— Todos reconhecem que a educação é um fator fundamental para reconciliar desenvolvimento com melhoria da distribuição de renda — afirma o ex-presidente do Banco Central Carlos Langoni.

Rodolfo Hoffmann, doutor em Economia Agrária /USP

No Brasil, na mesma época que Fishlow, Hoffmann também constatou o aumento da desigualdade.

—Todos nós deduzimos, matematicamente, que (o aumento da concentração) tinha a ver com a ditadura. O espantoso no livro do Langoni é que ele não fala do golpe. É o erro básico, como se o mercado funcionasse independentemente da política.

Vale ressaltar que quem diz isso não é este blogueiro, mas o jornal O Globo.

Assim, recorremos de novo a uma imagem para explicar por que a extrema-direita, após mais de 50 anos, voltou a protestar com virulência ímpar contra um governo brasileiro.

concentração de renda

O que preocupa o autor desta análise, pois, é que quando imagens explicam melhor a política do que as palavras é porque a sociedade abandonou o campo do diálogo e mergulhou no da imposição de vontades.

É simples assim.

21 Aug 19:54

Welcome to Dismaland: A First Look at Banksy’s New Art Exhibition Housed Inside a Dystopian Theme Park [Updated 8/22]

by Christopher Jobson

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Photo by Christopher Jobson for Colossal

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Photo by Christopher Jobson for Colossal

WESTON-SUPER-MARE — Inside the walls of a derelict seaside swimming resort in Weston-super-Mare, UK, mysterious construction over the last month—including a dingy looking Disney-like castle and a gargantuan rainbow-colored pinwheel tangled in plastic—suggested something big was afoot. Suspicion and anticipation surrounding the unusual activity attributed to fabled artist and provocateur Banksy has reached a Willy Wonka-esque fervor. Well, if Banksy’s your bag, continue fervoring. If not, there’s more than a few reasons to continue reading.

The spectacle has since been revealed to be a pop-up art exhibition in the form of an apocalyptic theme park titled Dismaland (“The UK’s most disappointing new visitor attraction”) that will be open to the public for five weeks.

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Photo by Christopher Jobson for Colossal / CLICK FOR DETAIL

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Dismaland legend

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Dismaland brochure / Park aerial view courtesy Upfest / Photo of construction

The event has all the hallmark details of a traditional Banksy event from its initial shroud of secrecy to artistic themes of apocalypse, anti-consumerism, and pointed social critiques on celebrity culture, immigration, and law enforcement. However, there’s one major deviation: the bulk of the artwork packed into three main interior galleries was created by dozens of other artists.

So just what’s hidden inside the walls of this derelict seaside resort? A demented assortment of bizarre and beautiful artworks from no less than 58 global artists including Damien Hirst, Jenny Holzer, Jimmy Cauty, Bill Barminski, Caitlin Cherry, Polly Morgan, Josh Keyes, Mike Ross, David Shrigley, Bäst, and Espo. Banksy is also showing 10 artworks of his own.

Dismaland features a cavalcade of artists featured here on Colossal over the last few years including pieces by Escif, Maskull Lasserre, Kate McDowell, Paco Pomet, Dietrich Wegner, Michael Beitz, Brock Davis, Ronit Baranga, and others.

Here’s some text from the event’s official brochure:

Are you looking for an alternative to the soulless sugar-coated banality of the average family day out? Or just somewhere cheaper. Then this is the place for you—a chaotic new world where you can escape from mindless escapism. Instead of a burger stall, we have a museum. In place of a gift shop we have a library, well, we have a gift shop as well.

Bring the whole family to come and enjoy the latest addition to our chronic leisure surplus—a bemusement park. A theme park who’s big theme is: theme parks should have bigger themes…

This event contains adult themes, distressing imagery, extended use of strobe lighting, smoke effects and swearing. The following items are strictly prohibited: knives, spraycans, illegal drugs, and lawyers from the Walt Disney corporation.

In addition to art you’ll also find functional a terrifying carousel, a mini golf park, a ferris wheel, and some ludicrously impossible fair games (like ‘topple the anvil with a ping pong ball’ by David Shrigley), roving occupy protests, and a Star Wars stormtrooper who sulks around the exhibition in a state of complete misery. The park is staffed by morose Dismaland employees who are uninterested in being helpful or remotely informative. Entrance to the event requires an uncomfortably awkward NSA-esque security screening, and of course you get to exit through the gift shop.

Just a quick fun note, I had the honor of helping curate a small part of Dismaland: a program of 24 short films shown on a massive outdoor cinema that will play on a loop day and night. Films include shorts by Santiago Grasso & Patricio Plaza, Kirsten Lepore, The Mercadantes, Ze Frank, Adrien M. & Claire B., Black Sheep Films, and Don’t Hug Me I’m Scared.

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Photo by Christopher Jobson for Colossal

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Photo by Christopher Jobson for Colossal

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Photo by Christopher Jobson for Colossal

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Photo by Christopher Jobson for Colossal

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Photo by Christopher Jobson for Colossal

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Photo by Christopher Jobson for Colossal

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Photo by Christopher Jobson for Colossal

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Photo by Christopher Jobson for Colossal

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Photo by Christopher Jobson for Colossal

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Photo by Christopher Jobson for Colossal

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Dismaland is open to the public from August 22 through September 27th, 2015 and information about pre-booked and at-the-gate tickets is available here. There’s also a series of events including a show by Pussy Riot and Massive Attack on September 25th.

I think it goes without saying, but if you have the means, get to the UK.

Update: This post has been updated to include additional imagery, clarification, and other small corrections.

Update 2: We understand that there is difficulty with ticketing at the moment, but unfortunately this publication is not associated with the event directly. Please keep an eye on the official Dismaland website for updates.

Update 3: Added a video by Alex Jefferis.

21 Aug 19:50

Luiz Cláudio Cunha: Exército pressiona e o governador de Brasília veta memorial a Jango

by Conceição Lemes

rollemberg, memorial e jango

Governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg (PSB), a maquete do memorial e o ex-presidente João Goulart

Jango, o governador socialista e o general afrontado

por Luiz Cláudio Cunha, via Blog do Mário Magalhães

A segunda cassação de Jango

O índice de boçalidade nacional cresceu assustadoramente na quarta-feira, 19, com a surpreendente decisão do governador socialista de Brasília, Rodrigo Rollemberg, declarando nula a cessão de um terreno no Eixo Monumental para a construção do Memorial da Liberdade e Democracia, dedicado ao presidente João Goulart.

É o último projeto desenhado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e parecia caminhar bem, até trombar numa aliança hostil formada pelos ex-governadores Joaquim Roriz e José Roberto Arruda e pelo empreiteiro Paulo Octávio Pereira.

Rollemberg atropelou um abaixo-assinado de 45 senadores que corre pelo Senado Federal contra a ‘segunda cassação’ de João Goulart.

A paranoia sobrevive

O governador de Brasília espana a responsabilidade com argumentos técnicos e difusos do Ministério Público, mas existem pressões militares que ele não tem coragem de revelar e que mostram a persistência da paranoia anticomunista.

Dias atrás, a senadora Vanessa Graziottin (PCdoB-AM) teve a prova disso pela boca da maior autoridade militar do País: o general Eduardo Dias da Costa Villas Boas, comandante do Exército.

— Este memorial não pode ser construído ao lado do Quartel-General. Isso é uma afronta ao Exército! — bufou o general, ao visitar com a senadora o terreno no Eixo Monumental reservado para o memorial, num espaço entre a Praça do Cruzeiro e o Memorial JK.

A seta do susto

O terreno fica a um quilômetro de distância, em linha reta, do QG do Exército onde trabalha o comandante Villas Boas e sua assustada tropa de generais.

No final de 2014, pouco antes de deixar o Ministério da Defesa, na transição entre o primeiro e o segundo mandato de Dilma Rousseff, o então ministro Celso Amorim explicou ao perplexo filho de Jango, João Vicente Goulart, a razão da bronca militar contra o memorial:

— Esta seta já provocou alguns problemas. Ela está apontada para o QG e seria melhor colocar do outro lado da avenida — apontou o ministro Amorim.

A infiltração de Niemeyer

A seta que incomoda os generais é uma cunha vermelha, com a ostensiva inscrição do ano de 1964, encravada na cúpula branca da construção ondulada de 1.200 metros quadrados.

A paranoia dos militares, apesar da queda da ditadura há 30 anos, vai além do Memorial JK.

No passado, eles encrencaram com outros dois projetos ‘subversivos’ de Niemeyer, um comunista assumido: a torre de controle do aeroporto internacional Juscelino Kubitschek e o pórtico do Memorial JK, ambos na capital federal.

Para os generais, antes e agora, tudo aquilo não passa e clara alusão à foice e ao martelo, símbolos do comunismo internacional que Niemeyer implantou no horizonte de Brasília. Um horror!

Leia também:

Guilherme Boulos: Saídas da crise com Levy, Cunha, Temer ou golpistas do PSDB “são contra o povo”; é preciso taxar banqueiros 

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21 Aug 19:49

A vida sexual de Dilma e a saúde mental da Época. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
  Como se uma Veja não fosse suficiente para destruir qualquer crença em jornalismo decente, temos agora duas Vejas. A revista Época, da Globo, tornou-se um espelho da Veja. Os sinais da vejização apareceram quando a Época publicou na capa, no início do segundo turno, uma pesquisa de um certo I...
21 Aug 18:21

NÃO É FÁCIL SER PRESIDENTA NUM PAÍS MACHISTA

by lola aronovich
E a profecia da Feminista Desbocada se concretizou

Ok, não é fácil ser mulher comandando um país nem numa terra não tão machista, caso da Dinamarca, como prova a ótima série Borgen. E lógico que não é fácil ser presidente ou presidenta, ponto. Mas o machismo piora muito a situação. Esta semana tivemos três ótimos exemplos.
Domingo foi o dia de manifestações pelo impeachment de Dilma (ou pelo golpe militar). E, como em todas as vezes que reaças protestam contra a presidenta, houve um festival de sexismo. É raro alguém tão cheio de ódio se referir a Dilma sem chamá-la de vagabunda, piranha, vadia, puta, mal comida, baranga -- todos termos que ou não existem pra homens, ou têm um sentido bem diferente. Num dos vídeos gravados, um senhor dizia, num tom bastante ameaçador, que, se Dilma f*de o país, eles também vão f*dê-la.

No dia seguinte, o Twitter amanheceu com a hashtag QueremosDilmaNaPlayboy, que permaneceu nos trending topics durante o dia todo. Os tuítes dos participantes ignoravam totalmente a vontade de uma senhora de 67 anos -- idade para ser avó ou bisavó de quem escrevia -- para posar para uma revista quase falida.
A preocupação era toda com a Playboy: "Vcs querem falir a Playboy?",  "Se isso acontecesse jamais a playboy si reergueria dnv" (sic), "Isso seria uma experiência traumática pros assinantes". Ou com quem iria ver as fotos:"Que macho quer ver um estrupicio desse pelada?", "Aii mds q sexy pensa os peito caído q a bixa tem né", "Não creio que à pessoas que queiram ver a vagina dessa mulher" (tudo sic).
Tampouco podia faltar a lembrança ao adesivo vendido em junho.

As poucas críticas que apareceram à tag foram de feministas -- que, obviamente, receberam insultos parecidos aos da presidenta. Um reaça argumentou que a tag não era machista de jeito maneira porque nenhum homem quer ver Dilma nua. É difícil responder a esse tipo de indigência mental.
Capa de 2011
E ontem foi a vez da Época, revista que já havia matado Dilma em sua capa de 2011. O colunista João Luiz Vieira, um dos editores da revista, publicou um artigo chamado "Dilma e o sexo", em que discutia a vida sexual (ou, segundo ele, a falta da vida sexual) da presidenta e pedia para que ela se "erotizasse".
Eu li o artigo e não consegui entendê-lo muito bem. Vieira louva Marta Suplicy, 70 anos, por na década de 1980 falar de sexo na TV, e aclama Jane Fonda, 77, por estar chegando "ao terço final de sua vida exalando erotismo", e diz que Dilma, 67, é de uma geração diferente das duas. 
Vieira reclama também do blazer que Dilma usa, "uniforme que nubla sua sexualidade". Talvez ele queira que Dilma pose na Playboy?
Pelo jeito ninguém gostou do artigo e um monte de gente protestou, porque a Época, daquela forma democrática que a mídia tradicional adota de não dialogar com seus leitores, simplesmente tirou o texto do ar poucas horas depois, sem a menor explicação, sem pedir desculpas.

Parte do texto
E por que a revista deveria pedir desculpas? Porque é um texto absurdamente equivocado (estou sendo educada) que jamais seria escrito se qualquer um dos 34 presidentes homens que o Brasil já teve estivesse no poder. Porque a gente não costuma ver notícias sobre dieta, plástica, penteado, vestiário e "falta de pica" quando somos governados por homens.
E, num momento em que acirra-se o sexismo na política, devido à eleição americana no ano que vem e à candidatura de um misógino feito Donald Trump (favorito para ganhar a indicação dos republicanos) e à provável escolha de Hillary Clinton pelos democratas (eu lembro bem do machismo que rondou a campanha de 2008), seria bacana se todos nós lutássemos por um mundo menos preconceituoso.
Quebra-nozes com imagem de Hillary
vendido em 2007
Porque chamar Dilma de puta ou Hillary de ball buster (arrombadora de testículos, já que mulher concorrer a cargo político a masculiniza e emascula os homens) não é péssimo só para elas. É péssimo também pra menininha que acompanha tudo e que sonha em um dia conquistar o cargo mais alto do país, mas aí muda de ideia ao ver como mulheres no poder (e fora dele, claro) são tratadas.
É verdade que o governo Dilma definitivamente não está agradando muita gente (mas foi eleito democraticamente), assim como a pessoa Dilma nunca teve carisma ou simpatia. Tanto Dilma quanto seu governo devem ser criticados, Mas é bom ver o modo como se faz isso. Pense antes de xingar: você usaria aquela ofensa contra um homem? (Sério? Mocreio e piranho existem?). 
Você realmente acha que uma mulher causar ou não uma ereção a um homem é um bom critério para se avaliar aquela mulher? Ainda mais se aquela mulher não exerce nenhuma profissão minimamente ligada a ereções? Você acha mesmo que pênis é a salvação pro mundo? Porque, sei lá, se pra toda mulher que você não gosta você decide que o que falta é pica (ou louça pra lavar), você está dizendo isso. E o que será que falta pros 90% dos presidentes e primeiros-ministros no mundo, que são homens?
Aproveita e pensa também nas crianças. Sim, as criancinhas. Elas veem você xingando uma mulher, uma senhora de 67 anos, de puta. Elas repetem o insulto. Elas insultam outras mulheres e meninas com aquele mesmo palavrão. Elas reparam que praticamente todos os insultos dedicados a mulheres referem-se a sua vida sexual e aparência. Elas crescem com a certeza de que só isso importa na vida de uma mulher. De qualquer mulher. Mesmo que ela seja presidenta, e não miss.
E aí: independente do governo que a gente tem, é este o país que você quer?
21 Aug 18:18

Breves considerações sobre IR e a distribuição de renda no Brasil

by Carlos Eduardo Fernandez da Silveira

Confesso uma certa surpresa. Eu concebia, teoricamente, que os dados de distribuição de renda disponíveis no Brasil introduziam um viés. Baseados numa pesquisa domiciliar e declaratória – a Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (PNAD), eles traziam a seguinte distorção, não fundamentada em precisos dados estatísticos, mas na mera intuição lapidada pela experiência: os mais ricos não atendem os pesquisadores e quando atendem subestimam a renda declarada. Então, a pesquisa concluía que a desconcentração, limitada embora, da renda ocorrida no Brasil no período Lula e parte de Dilma e capturada pela PNAD era, na verdade, ainda menor, porque não alcançava o que havia ocorrido de fato nas camadas mais superiores do espectro da renda familiar ou pessoal.

Entretanto, jamais imaginei o grau em que isso ocorria. Recentes dados divulgados em matérias do Valor Econômico, a partir de informações fornecidas por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) que tiveram acesso aos dados da Receita Federal, indicam que o processo de melhoria dos de baixo não se deu às custas dos de cima, ao menos quanto aos efeitos distributivos do imposto de renda.

Na verdade os “super-ricos” (como denominam os pesquisadores os que ganham mais de 160 SMs, R$ 162 mil/mês) só têm visto sua situação melhorar. O gráfico 1 mostra que enquanto o PIB cresceu 19% entre 2007 e 2013, a renda dos “super ricos”(0,3 % dos declarantes) subiu 39 %.

E, na mesma direção das pesquisas de Piketty, que observara os resultados para os Estados Unidos e Europa, o crescimento ainda maior da riqueza que da renda, o patrimônio dessa turma de poucos brasileiros cresceu ainda mais: 56 %.

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O Brasil não escapou dos ventos do capitalismo internacional que vem assistindo desde a virada dos 1980 a um intenso processo de concentração nos extremos superiores de renda e riqueza. O Brasil não escapou, afinal, da mesma sina, como se nadasse contra a correnteza mas fosse afinal arrastado por ela.

O nado – o Bolsa Família, que distribuiu renda para os de baixo, os aumentos reais do salário mínimo, as políticas educacionais e de saúde – foi vigoroso, mas insuficiente diante da correnteza promovida pela predominância da lógica e estrutura da Finança e da política econômica que a ela se interliga – a política macro de juros altos e câmbio apreciado e a política fiscal que manteve a iniquidade tributária que vai além da regressividade do IRPF, mas abrange a carga tributária como um todo (gráfico 3).

Na verdade, o Brasil  pratica uma iniquidade tributária absurda. Para dar um exemplo, na Austrália, o cidadão que receba lá o equivalente a 10 salários mínimos (daqui) pagaria lá 19 % de seus rendimentos em imposto de renda. Aquele que recebe 60 SMs (daqui) pagaria 57 %.

No Brasil, o contribuinte que mais paga, situado na faixa entre 20 e 40 SMs é  tributado em menos de 12 % de seus rendimentos. Esse é o ponto máximo de contribuição, decrescendo daí por diante (gráfico 2). E os “super ricos”, os que estão entre os 0,3 % dos declarantes, atingem a marca de 6,5% apenas.

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Esses dados, só agora autorizados pela Receita Federal ainda precários e parciais, evidenciam a necessidade de mudanças profundas na forma de tratamento da questão tributária no Brasil para que a questão distributiva ganhe fôlego maior. Os “happy fews” continuam, para persistir na analogia aquática, a nadar de braçada.

Fica claro que mexer na distribuição de renda exige ir além das políticas compensatórias. Há que se tocar no centro nevrálgico das decisões econômicas. Esse processo de concentração de renda à medida do desenvolvimento capitalista rebate a velha lei que lá nos idos do século 19 Marx anunciou como um processo de concentração e centralização do capital inerente a esse sistema.

Os dados até agora dados a público pelo jornal Valor Econômico, que servidores públicos do IPEA vazaram, inclusive sob a forma de artigo, antes de publicá-los, como creio que deveriam tê-lo feito institucionalmente, em sua inteireza analítica e factual, não nos permitem avançar ainda mais nessa seara que, ademais, requer entrar em complicada discussão teórica, exposta, por exemplo, na crítica que Varoufakis (2014) faz a Piketty (2014) sobre a confusão entre os conceitos de riqueza e capital, dentre outras.

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É inadmissível, política, social e economicamente, que essa discussão não tenha ganhado intensidade até agora. Esforços realizados no IPEA no passado ficaram restritos até agora a relativamente poucos trabalhos e quase nenhum debate público. E a discussão permaneceu muito restrita.

Ela não conquistou ainda os corações e mentes, já não diria da mídia, uma vez que seus proprietários pertencem aos “happy few”, e pouco interesse teriam, assim como os que, em última instância, lhe fazem ser a(s) voz(es) do dono, mas nem mesmo no PT e no governo federal. E tampouco no meio acadêmico isso tem sido tratado com a devida atenção. Ela está ausente, por exemplo, de qualquer discussão sobre o ajuste fiscal, inclusive na versão Renan vinda agora a público.

A importância do tema é central para as discussões sobre o futuro do país e da correção da injustiça que acorrenta a iniquidade histórica da separação social ao futuro. O lastros desse passado sobrevivem nas entranhas da sociedade, na diferenciação social e na discriminação econômica ainda hoje observados, herdados do sistema escravocrata e sua divisão entre escravos, homens livres/agregados e senhores.

Os “anos dourados” vividos nos Estados Unidos e na Europa mostraram que a possibilidade de juntar crescimento com redução da desigualdade existe. Houve viabilidade histórica. Esse potencial tem se esvaído nos anos posteriores ao reaganismo/tatcherismo, lá pelos idos dos 80 e acentuou-se após a crise de 2008. Sua reversão depende da capacidade política e social em gerar ações contrarrestantes, o que não tem sido fácil.

Mas, enfim, é a luta!

Crédito da foto da página inicial: EBC

Referências bibliográficas:

Piketty, T. (2014). Capital in the Twenty-First Century, Cambridge, MA: Belknap Press.

Varoufakis, Y. (2014) Egalitarianism’s latest foe: a critical review of Thomas Piketty’s Capital in the Twenty-Frist Century, In Real World Economic Review, 69, oct.2014.

IPEA (2009). Receita pública: quem gasta e como se paga no Brasil. Comunicado 22. IPEA.Brasília.

21 Aug 12:09

Ativista saharaui Laila Lili sofre violenta agressão por parte da polícia marroquina

by noreply@blogger.com (AAPSO)



Casablanca (Marrocos), (SPS) - A ativista saharaui dos direitos humanos, Laila Lili,  sofreu esta terça-feira uma violenta agressão por parte de agentes da polícia marroquina no aeroporto de Casablanca, em Marrocos, quando regressava da Argélia onde participara na Universidade de Verão para Quadros Saharauis, informam fontes do Ministério dos Territórios Ocupados e da Comunidade no Estrangeiro.


As mesmas fontes indicaram que “a ativista saharaui foi também objeto de constantes assédios, inspeções insidiosas e maltratos humilhantes por parte dos agentes da polícia, que aplicaram as mesmas práticas a toda a delegação que a acompanhava”.


A delegação de ativistas proveniente dos territórios ocupados que participou na Universidade de Verão era composta por cinquenta membros de diferentes cidades ocupadas do Sahara Ocidental. (SPS)

20 Aug 22:18

Damous: Sérgio Moro recebe R$ 77 mil, mais que o dobro do previsto pela Constituição

by Conceição Lemes

sérgio moro 1-002Wadih Damous: Sérgio Moro, que prometeu passar Brasil a Limpo, tem salário de R$ 77 mil

do site da Liderança do PT na Câmara dos Deputados, via e-mail

O deputado Wadih Damous (PT-RJ) criticou nesta quinta-feira (20), na tribuna da Câmara, juízes e integrantes do Ministério Público que estão o descumprindo o art. 37 da Constituição Federal, recebendo vencimentos acima do teto salarial.

“E, para a nossa surpresa, na relação de juízes, desembargadores e membros do Ministério Público que percebem acima do teto, está o nome do insuspeito juiz Sérgio Moro, esse mesmo, que prometeu limpar o Brasil da corrupção, que prometeu passar o Brasil a limpo”, ironizou.

O juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, segundo Wadih Damous, tem recebido nos últimos meses acima do teto, que é limitado ao salário do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), hoje em R$ 37,4 mil. “O paladino da moral, que promete limpar o País da corrupção, recebe em média R$ 77 mil por mês, mais do que o dobro do teto. Acredito, então, que a limpeza deveria começar pela remuneração desses juízes e desembargadores que percebem acima do teto constitucional, em manobras que não fazem bem à democracia e à moralidade”, criticou.

O deputado Wadih Damous destacou que as informações que o mundo jurídico já conhecia, sobre o descumprimento do teto salarial na magistratura foram publicadas, na última semana, no site Consultor Jurídico, especializado em questões ligadas ao Direito, ao Judiciário, ao Ministério Público.

“A matéria mostra que muitos juízes e desembargadores percebem acima do teto. Na verdade, o texto sintetiza de forma clara que o teto virou piso. Isto graças a expedientes de criação de penduricalhos do tipo auxílio-moradia, auxílio- táxi, auxílio-educação, auxílio isso, auxílio aquilo” enfatizou.

O deputado Damous disse que essa prática é inadmissível. “É um verdadeiro acinte moral essas verbas serem pagas de maneira disfarçada, como se fossem indenizações e, por isso, não estarem sujeitas à parcela única ou ao teto remuneratório”, criticou.

A matéria do site Consultor Jurídico cita que no caso do Ministério Público Federal, existem procuradores com remunerações de R$ 48 mil. Outros, com atuação em segundo grau, que ganham quase R$ 65 mil por mês.

Vânia Rodrigues

Leia também:

Delegado da PF, em nome da Lava Jato, manda mensagem a grupo pró-impeachment

O post Damous: Sérgio Moro recebe R$ 77 mil, mais que o dobro do previsto pela Constituição apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

20 Aug 22:17

O que a igreja evangélica de Cunha fará com os “dízimos” que ele depositou? Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira
  Enfim o o procurador Rodrigo Janot denunciou Eduardo Cunha no STF pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Há um detalhe curioso para um devoto apaixonado do Altíssimo, como Cunha. A Assembleia de Deus teria intermediado o recebimento de pelo menos 500 mil reais em propina em ...
19 Aug 23:13

Lula processa O Globo por mentiras sobre triplex no Guarujá

by Conceição Lemes

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NOTA À IMPRENSA

Lula entra com ação contra O Globo por conta de mentiras sobre triplex no Guarujá

da Assessoria de Imprensa do Instituto Lula, via e-mail

São Paulo, 19 de agosto de 2015,

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou nesta terça-feira (18) com uma ação pedindo reparação por danos morais contra matéria publicada pelo jornal O Globo, intitulada “Dinheiro liga doleiro da Lava-Jato à obra de prédio de Lula”. O diário carioca publicou no dia 12 de agosto uma reportagem na qual afirma que o ex-presidente seria dono de um apartamento triplex no Edifício Solaris, no Guarujá (SP), e que o empreendimento estaria ligado de alguma forma ao doleiro Alberto Youssef.

Antes da publicação do artigo, o Instituto Lula esclareceu ao jornalista, que Marisa Letícia, esposa do ex-presidente, adquiriu a prestações, uma cota no empreendimento e que a família do ex-presidente não tem nenhum apartamento, quanto menos um tríplex. Não foi a primeira vez que isso foi esclarecido a este repórter e o jornal carioca optou por dar continuidade a mentira que vem repetindo desde dezembro do ano passado.

O autor da matéria insistiu na versão mentirosa, com amplo destaque tanto na versão impressa do jornal, quanto na internet.  O Instituto Lula respondeu ao Globo em nota no dia 14 “Lula não tem apartamento no Guarujá. E se tivesse?” (http://www.institutolula.org/lula-nao-e-dono-de-um-apartamento-no-guaruja-e-se-tivesse)

Em sua edição de sábado (15 de agosto), o jornal tentou justificar a atribuição da propriedade do imóvel pelo ex-presidente por informações passadas pela “vizinhança”, ou seja, fez um jornalismo baseado em fofocas de corredor de prédio.

A ação demonstra que a matéria teve claro caráter difamatório e o mero registro burocrático do outro lado não compensa os danos morais causados pela veiculação de graves mentiras. Que foram criadas relações que não existem entre uma cota de empreendimento adquirida a prestações pela família do ex-presidente e Alberto Youssef, criminoso reincidente.

Segue anexa íntegra da ação. Recomendamos a leitura para a compreensão do caso e a percepção da gravidade das ilações e erros jornalísticos cometidos pelos jornalistas de O Globo.

   Ação de Indenização.pdf by Conceição Lemes

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19 Aug 23:07

O que fazer com a epidemia de cesáreas no Brasil?

by Redação
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Cesáreas desnecessárias impactam na mortalidade materna e na mortalidade infantil, sugerem estudos. Brasil é líder mundial no procedimento

19/08/2015

Por Marcelo Pellegrini, da Carta Capital

Dos oito Objetivos do Milênio estabelecidos pelas Organização das Nações Unidas para o período 2000-2015, o Brasil só não cumprirá um: reduzir a mortalidade materna. Embora tenha ocorrido uma queda de 57% de 1990 a 2012, os índices nacionais são altos e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estão relacionados a dois fatores: a ilegalidade do aborto e a epidemia de cesáreas.

De acordo com o Ministério da Saúde, as principais causas das mortes maternas são: hipertensão, hemorragias, infecções, problemas circulatórios e o aborto. As quatro primeiras complicações, segundo especialistas, estariam relacionadas com o procedimento cirúrgico da cesárea. Sem perspectivas de a legislação sobre o aborto ser alterada pelo atual Congresso, resta ao governo agir sobre como os partos são realizados.

Atualmente, o Brasil é o líder mundial de cesáreas, com 57% das mulheres recorrendo a esse procedimento, muita acima da recomendação de 15% da OMS. Se esse índice tivesse permanecido em 38%, padrão identificado no ano 2000, o número de mortes maternas nos partos seria 20% menor, projeta Cesar Victora, professor da Universidade Federal de Pelotas (RS), baseado em um estudo da OMS. “A cesariana é um procedimento importantíssimo, mas que foi banalizado no Brasil, e seu uso desnecessário traz riscos à saúde da mulher, como hemorragias e infecções”, afirma.

Há um consenso entre entidades médicas e do governo sobre o alto índice de cesáreas. Por outro lado, sobram discordâncias em relação ao enfrentamento da questão.

A mais recente investida do governo foi a Resolução Normativa 368, publicada em julho, que visa coibir cesáreas desnecessárias. Pelas novas regras, os planos de saúde devem divulgar, se solicitados, os porcentuais de cirurgias cesáreas e de partos normais por estabelecimento de saúde e por médico. Além disso, operadoras também terão de fornecer o cartão da gestante e exigir que os obstetras utilizem o partograma, documento no qual é registrado tudo o que acontece durante o trabalho de parto.

Entidades médicas, contudo, dizem que a medida é inócua. Para Cesar Fernandes, diretor científico da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, as novas regras “lançam uma cortina de fumaça sobre o problema”. “A resolução opta por demonizar o médico em vez de combater o problema, que está na falta de equipes plantonistas nas maternidades”, explica.

Segundo Fernandes, hoje, cerca de 30 maternidades paulistas não possuem equipes de parto plantonistas, o que é assegurado por lei. “Divulgar os dados do médico é inócuo porque as próprias maternidades privilegiam as cesáreas”, aponta. De acordo com os dados divulgados em julho, 82% dos obstetras paulistas que atenderam na rede privada, em 2014, não fizeram nenhum parto normal.

Atualmente, 84% dos nascimentos na rede privada de saúde se dão por meio da cesárea. No Sistema Único de Saúde, a taxa de cesárea é menor, mas já atinge 40%. Entre os riscos associados à cesárea estão o risco de hemorragias, infecções e embolia (um bloqueio vascular).

A gerente-executiva da Agência Nacional de Saúde, Jacqueline Torres, concorda que apenas a resolução será incapaz de alterar esse cenário. Para ela, a medida é um primeiro passo importante, mas a solução passa por uma mudança no modelo de atenção ao parto. “Mudar o modelo de atenção ao parto é fundamental”, afirma. “Os hospitais precisam investir em equipes plantonistas e multiprofissionais que sejam treinadas para oferecer um atendimento humanizado à mulher.”

Segundo Jacqueline Torres, o foco do modelo atual é o médico, não a mulher. “Como o médico é o único responsável por tomar as decisões clínicas, na prática ele opta pela cesárea, porque é um procedimento mais rápido, agendável e que paga o mesmo que um parto normal”, afirma. Em média, um parto normal dura oito vezes mais tempo do que uma cesárea.

Para alterar esse contexto, os obstetrizes são fundamentais. Focado na saúde da mulher e na assistência ao parto, o obstetriz é um profissional raro no País. A Universidade de São Paulo é a única do País que oferece um curso de graduação em Obstetrícia e, segundo a professora Elisabete Franco Cruz, é incapaz de suprir a demanda nacional. “O curso precisa se expandir para outras universidades do País, porque a alteração do modelo do parto passa por esses profissionais”, diz.

RozeMeisjePhoto:Getty-ImagesQuase 60% das grávidas recorrem à cesárea, muito acima da recomendação de 15% da OMS. Crédito: RozeMeisjePhoto/Getty Images

 

Na ausência de um obstetriz, enfermeiros obstetras são os responsáveis pelo cuidado à mãe na hora do parto. Contudo, apesar da ampliação recente de vagas de residência para esse profissional, o contingente ainda é pequeno. Segundo um levantamento do Conselho de Enfermagem, há apenas 2.773 enfermeiros obstetras e 191 obstetras no Brasil.

A importância desse profissional não está apenas na redução do número de cesáreas, mas também na diminuição da violência na hora do parto.

Uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo mostra que uma em cada quatro mulheres sofre alguma violência obstétrica, seja ela verbal ou física. “A violência no parto é disseminada tanto na rede pública quanto privada, independente do parto ser normal ou cesárea, é uma questão cultural”, explica Cruz. “É por isso que solução passa pelo obstetriz, que é um profissional qualificado e que contempla a mulher em suas diferentes dimensões, não apenas como uma vagina com um bebê”, completa.

Além de aumentar a mortalidade materna, estudos apontam que as cesáreas também afetam de diversas formas a saúde do bebê, entre elas os índices de prematuridade. “Temos no Brasil uma das taxas mais altas de prematuridade, perto de 12%, e isso está fortemente relacionado com as cesáreas. Hoje, metade dos bebês que morrem no Brasil é de prematuros”, afirma Cesar Victora, da UFPel.

Historicamente, a prematuridade sempre esteve associada à pobreza. No entanto, nos últimos anos essa lógica inverteu-se e os maiores índices de prematuros estão nas regiões ricas do País, onde também se concentram as cesáreas. “Há uma margem de erro na avaliação da idade gestacional do feto. E como as cesáreas são marcadas geralmente para a 38ª semana de gestação, essa margem de erro resulta em que muitos bebês nascem prematuramente”, afirma Victora. Segundo ele, a idade gestacional ideal para nascer é de 39 a 41 semanas.

O professor lembra que o parto normal faz parte de um processo natural que prepara o bebê para o mundo fora da barriga da mãe. Victora explica que, ao nascer, o bebê não tem nenhuma bactéria em seu intestino, mas as ingere ao passar pelo canal vaginal da mãe. “São essas bactérias que vão colonizar seu intestino. Isso é um plano da Natureza”, afirma. “Se o bebê não nascer por via vaginal, seu contato será pela mão das pessoas do hospital e, por isso, será colonizado por outros tipos de bactérias que ficarão em seu corpo a vida toda”, alerta.

Como consequência, sugerem estudos, o tipo de bactéria pode influenciar nas chances de desenvolver obesidade, por exemplo. Outra vantagem é o “estresse positivo” que o parto normal causa no bebê, que pode diminuir as chances de asma, segundo estudos preliminares.

Em nota, o Ministério da Saúde afirma que “o Brasil vive uma epidemia de cesáreas” e que “o aumento desse índice pode ser explicado por uma série de fatores, que envolvem falta de informação, questões culturais e formação profissional”. Para dar uma resposta ao problema, o Ministério destaca ações como a Rede Cegonha, cujas ações são voltadas para a formação e capacitação de enfermeiras obstetras. Além disso, o ministério disse distribuir no Sistema Único de Saúde a Caderneta da Gestante, que traz informações sobre os riscos de uma cesárea desnecessária e dicas para uma boa vivência do parto.

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18 Aug 01:22

Show de horror em Copacabana: “Todo petista é bastardo”

by Luiz Carlos Azenha
17 Aug 21:40

Rede de Médicos Populares é apresentada em Campinas (SP)

by Redação
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17/08/2015

A Rede surge como um espaço articulador da unidade do campo progressista na categoria médica

Da Redação

As atividades de apresentação da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares continuam pelo país. Amanhã (18) será a vez dos profissionais que atuam em Campinas conhecerem este coletivo que surge com a proposta de ser um espaço articulador da unidade do campo progressista na categoria médica.

A apresentação ocorrerá no Sindicato dos Médicos de Campinas, às 19h, na Rua Luís Gama, número 1355, no Bairro Bonfim. “Precisamos estar atentos(as) e cada vez mais organizados(as) s na defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) público e gratuito e por um projeto de saúde comprometido com as demandas da população brasileira”, assinala a convocatória da Secretaria Operativa da Rede.

Desde o início de julho, a proposta de uma articulação popular de médicos está sendo apresentada em cidades que já contam com integrantes da Rede e em congressos da categoria, como o de Medicina de Família e Comunidade e o de Saúde Coletiva.

“A Rede de Médicas e Médicos Populares nasce da necessidade de se fazer um contraponto à ofensiva conservadora também no setor saúde e tem como missão ajudar a tecer um campo de unidade em defesa do SUS [Sistema Único de Saúde] e do direito à saúde do povo brasileiro”, explicou o médico de família Stephan Sperling, integrante da Rede.

Abaixo, o convite da Secretaria Operativa da Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares:

CONVITE

Prezados/as companheiros/as,

Vivemos uma conjuntura política de ofensiva das forças da direita organizada junto aos setores mais conservadores e retrógrados de nosso país. Estamos assistindo cotidianamente as tentativas de retrocessos sociais e políticos por parte desses setores dentro do Congresso Nacional, principalmente na Câmara dos Deputados.

Neste sentido, precisamos estar atentos(as) e cada vez mais organizados(as) na defesa do Sistema Único de Saúde público e gratuito e por um projeto de saúde comprometido com as demandas da população brasileira.

Diante deste cenário, a organização e integração dos médicos e das médicas que se colocam no campo mais progressista em todo Brasil é essencial para construímos força social na luta por uma saúde popular e para impedir retrocessos na batalha do direito à saúde!

Com esse sentimento, gostaríamos de convidá-los/as a participar da Plenária de apresentação da Rede de Médicas e Médicos Populares, dia 18.08, às 19h, no Sindicato dos Médicos de Campinas, na Rua Luís Gama, número 1355, Bairro Bonfim, em Campinas, interior paulista.

Para mais informações entre em contato através do email secretariamedicospopulares@gmail.com

Contamos com sua presença!

Saudações Fraternas

Secretaria Operativa Nacional

Rede de Médicos e Médicas Populares

Foto de capa: Apresentação da Rede em Natal, no Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade/Divulgação
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17 Aug 21:38

Pesquisador dos EUA elogia o Saúde da Família do SUS

by Redação
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17/08/2015

Desde 2002, James Macinko acompanha a trajetória do Sistema Único de Saúde (SUS). Na edição de 4 de junho deste ano, ele publicou, junto com o professor Matthew Harris, da Universidade de Nova York, um artigo sobre a experiência no The New England Journal of Medicine.

Da Universidade Federal de Minas Gerais

A Estratégia Saúde da Família (ESF), programa de atenção básica que compõe o Sistema Único de Saúde (SUS), é uma iniciativa que pode inspirar países como os Estados Unidos e a Inglaterra, avalia o pesquisador James Macinko, da Universidade da Califórnia.

Desde 2002, Macinko acompanha a trajetória do Sistema Único de Saúde (SUS). Na edição de 4 de junho deste ano, ele publicou, junto com o professor Matthew Harris, da Universidade de Nova York, um artigo sobre a experiência no The New England Journal of Medicine.

“O Saúde da Família é o maior programa de atenção básica de viés comunitário do mundo. Ele reúne mais agentes comunitários do que qualquer outra iniciativa. É um modelo poderoso e de muito potencial”, resumiu o professor nesta entrevista concedida na semana passada, quando esteve na Faculdade de Medicina para compor as bancas examinadoras de duas defesas de tese de doutorado do Programa de Saúde Pública.

O senhor acompanhou o desenvolvimento do SUS por muitos anos e, em seu artigo publicado em junho, afirma que a cobertura de saúde da população brasileira progrediu rapidamente. Em 27 anos de existência, qual foi o maior progresso do SUS? 

O meu artigo focalizou a Estratégia de Saúde da Família no contexto de um sistema como o SUS, que é para nós, americanos, uma ideia diferente. A Estratégia de Saúde da Família tem alguns resultados de destaque como a sua rápida expansão, que alcança mais de 60% da população brasileira. É o maior programa de atenção básica de caráter comunitário no mundo. Ele reúne mais agentes comunitários do que qualquer outra iniciativa. É um modelo poderoso e de muito potencial. Outro ponto importante é a existência de padronizações e normas regulamentares que definem o que é uma equipe e suas ações. Isso ocorre em nível federal com possibilidade de adaptação para o plano municipal.

Como o senhor avalia a Atenção Primária à Saúde (APS) como estratégia de organização da assistência à saúde no Brasil? 

Winston Churchill disse certa vez: “a democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor que ela”. É mais ou menos assim que vejo a Atenção Primária. Não há modelo perfeito, mas, entre os existentes, a APS tem as melhores credenciais. Tem orientação teórica e evidências empíricas que mostram sua capacidade de melhorar a saúde das pessoas. Além disso, análises comparativas feitas em vários países mostram que o sistema brasileiro propicia avanços na saúde pública e de forma mais equitativa que outros modelos. Não é perfeito, porque não há sistemas perfeitos, mas as evidências sugerem que essa é a melhor forma de organizar um sistema de saúde.

Seu artigo também ganhou destaque ao defender que o SUS pode servir de exemplo para outros países. Como a experiência brasileira pode contribuir para outros modelos?

A primeira questão é que, no Brasil, saúde é um direito constitucional, e o Estado tem obrigação de prestar serviço de saúde à população. Nos EUA, isso não existe. Lá, as pessoas conseguem acesso a esses serviços por um emprego que lhes oferece um seguro de saúde; algumas contam com seguro médico público por terem 65 anos ou mais, outras por apresentarem problemas de saúde graves ou por em razão de sua precária condição socioeconômica. Chegamos a ter cerca de 40 milhões de pessoas sem seguro médico, e esse número caiu um pouco recentemente com o Obamacare [Lei de Saúde aprovada no ano passado que determina que os cidadãos que residam legalmente nos Estados Unidos devem adquirir algum tipo de cobertura de saúde com subsídio governamental].

O SUS pode inspirar outros países. A reforma do sistema equatoriano, por exemplo, baseou-se no SUS, e seu modelo reúne elementos da Estratégia da Saúde da Família. O coautor do artigo publicado no The New England Journal of Medicine [Matthew Harris) está tentando implantar a ESF na Inglaterra. Lá, há um processo de adaptação, e estamos avaliando como esse modelo pode ajudar um país rico como a Inglaterra.

Há uma parcela da população que não acredita na eficácia do SUS ou já testemunhou funcionamento precário do Sistema. Como torná-lo mais eficaz?

O SUS tem muitos componentes. O que mais conheço e estudo é a Atenção Primária, uma área muito boa. Certamente, alguns dos problemas vêm da oferta, por exemplo, de serviços especializados ou diagnósticos e de atendimento hospitalar. A ideia da Atenção Primária e algumas experiências primárias vieram da África do Sul, da China e da Inglaterra. O interessante é que o Brasil teve uma projeção internacional muito importante nos últimos 15 anos e auxiliou outros países a adaptar seus sistemas de saúde para fortalecer a atenção primária.

No artigo, mencionamos uma limitação importantíssima da ESF que afeta todo o SUS: o subfinanciamento. Quando se compara o Brasil com outros países, mesmo da América Latina, a proporção do financiamento público é muito baixa, menos de 50%. Nos EUA, que têm um sistema privado, a contribuição pública é maior. Então, não deixa de ser contraditório um sistema público que precisa de mais financiamento público. Mas isso não é só no Brasil. O subfinanciamento é um problema que afeta todo o mundo.

Como resolver essa contradição?

A alocação de recursos públicos é uma questão política, e apenas seus atores podem decidir sobre ela. Há evidências que mostram que vale a pena investir na APS, desde que existam outros níveis de atenção adequados. A APS não vai atender, por exemplo, vítimas de acidentes de trânsito.

Foto de capa: Prefeitura de Maceió/Reprodução
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17 Aug 21:30

Ato em Defesa da Democracia

by comunicacaoptrn

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Representantes da CUT, CTB, FUP, MST, MLST, MLB, FECEB, PT, PCdoB, PCR, Consulta Popular, JPT, Levante, UJS, Kizomba, UJR, UNE, UBES e DCE UFRN se reuniram nesta segunda-feira (10/08) para convocar uma grande mobilização popular para o dia 20 de agosto.

A plataforma política do ato será sintetizada em uma nota pública assinada pelas organizações, ainda em processo de construção. Mas com certeza estará na pauta a defesa da democracia, das reformas populares e de mudanças na política econômica do governo federal.

A concentração será a partir de 15h, em frente à FIERN, na Av. Salgado Filho (Natal/RN). A ideia é que o ato se estenda até o início da noite, para agregar também as trabalhadoras e os trabalhadores que não podem participar no período da tarde.

Convide @s amig@s do Facebook! Compartilhe o evento na sua linha do tempo e nos grupos em que você está inserid@!

“Nada causa mais horror à ordem do que homens e mulheres que sonham. Nós sonhamos e organizamos o sonho.”

17 Aug 11:47

A cor do protesto

by Francisco Seixas da Costa
A maioria da população do Brasil é negra ou "parda" (é este o nome oficial dos mulatos no Brasil). Essas "cores" são também as mais pobres e excluídas na sociedade brasileira.

Por que será que, ao que reporta a imprensa brasileira, praticamente não se vislumbram negros nas manifestações anti-Dilma?
13 Aug 21:22

Saíram as cientistas vencedoras do Programa Para Mulheres na Ciência

by Lady Sybylla

E saíram as sete vencedoras da 10ª edição do Prêmio L’Oréal-UNESCO-ABC “Para Mulheres na Ciência”, único programa no Brasil que é voltado às mulheres cientistas, realizado em parceria com a UNESCO no Brasil e com a Academia Brasileira de Ciências (ABC)!

 

O Prêmio

O L’Oréal-UNESCO For Women in Science é o primeiro programa dedicado às mulheres cientistas do mundo. Foi fundado em 1998 com a convicção de que o mundo precisa de mais mulheres cientistas, pois o mundo em si precisa da ciência e a ciência precisa de mais mulheres produzindo, pesquisando e sendo reconhecidas por seus trabalhos.

Assim, o programa busca por estas mulheres e suas pesquisas, identificando, recompensando e incentivando seus trabalhos. O programa também oferece bolsas de estudos por meio de premiações locais para promissoras pesquisadoras. Já são 17 anos de enaltecimento às cientistas, em 115 países que precisam lidar com muitas barreiras na carreira como o machismo de orientadores e colegas, problemas de ranking por saírem de licença-maternidade, precisar produzir mais do que os pares homens.

Duas mil mulheres, 87 laureadas foram homenageadas pela excelência de suas pesquisas no programa global e 1987 Fellows, talentosas jovens mulheres que receberam bolsas-auxílio para prosseguir com seus projetos de pesquisa que prometem grandes resultados. Ao longo da década, o prêmio já reconheceu e promoveu o trabalho de 68 jovens cientistas de diversos estados do país. Foram distribuídos mais de US$ 1,3 milhão (convertidos em reais) em bolsas-auxílio.

Para celebrar o aniversário de 10 anos, diversos seminários foram realizados em universidades brasileiras, com a participação das vencedoras de anos anteriores, para discutir e estimular a ciência no Brasil e a participação feminina no desenvolvimento de pesquisas.

Os critérios

As vencedoras são selecionadas pela qualidade de seus currículos e pelo potencial de suas pesquisas, desenvolvidas em instituições brasileiras. Como prêmio, cada uma receberá uma bolsa-auxílio de US$ 20 mil (convertidos em reais), para dar prosseguimento às pesquisas. Em 2015, mais de 400 projetos foram inscritos. A cerimônia de premiação acontecerá no dia 21 de outubro, no Rio de Janeiro.

Física

Dra. Karin Menéndez–Delmestre – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), professora adjunta no Observatório do Valongo (UFRJ) – autoridade no campo da evolução de galáxias. Busca entender os processos de suas formações, por meio de observações da Via-Láctea e de universos distantes. Ao longo de sua carreira, a cientista já produziu 37 artigos e mais de 1.200 citações, das quais 350 referem-se às publicações de primeira autora.

Química

Dra. Elisa Orth – Universidade Federal do Paraná (UFPR) – busca resolver problemas genéticos relacionados a doenças como câncer, fibrose, mal de Parkinson, mal de Alzheimer, entre outras. Visa também destruir substâncias químicas nocivas presentes em agrotóxicos ainda utilizados no Brasil. Ela e sua equipe desenvolvem sistemas catalisadores e, no futuro, pretendem quebrar e substituir enzimas “doentes” do código genético por enzimas sintéticas “sadias”, além de tornar os alimentos mais saudáveis e seguros, sem comprometer sua qualidade.

Matemática

Dra. Cecília Salgado – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – estuda códigos corretores de erros, fundamental na solução de falhas na transmissão de informação por sistemas de comunicação como linhas telefônicas ou discos rígidos. Acredita que o prêmio vem consolidar seu trabalho desenvolvido nos últimos 6 anos e espera que este reconhecimento abra portas e desperte o interesse de mais mulheres para a Matemática.

Genética

Dra. Tábita Hunemeier – Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), pesquisadora do núcleo permanente do Consortium for the Analysis of the Diversity and Evolution of Latin America – seu projeto visa elucidar as bases genéticas de características morfológicas dos nativos americanos (indígenas), para tentar encontrar variações genéticas que os diferenciam fisicamente das populações de outros continentes.

Psiquiatria

Dra. Elisa Brietzke – Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – estuda se o envelhecimento precoce de indivíduos bipolares, com a progressão da doença. Objetivo futuro é desenvolver e testar medicamentos capazes de bloquear o seu avanço. A cientista, que se orgulha de ter feito sua formação em instituições brasileiras. “Isto demonstra como um cientista, em especial uma mulher cientista, também alcança o sucesso se permanecer em seu país”, avalia.

Farmácia

Dra. Daiana Ávila – Universidade Federal do Pampa (Unipampa) – lidera o estudo sobre uma nova terapia para a Esclerose Lateral Amiotrófica, doença genética, degenerativa e sem cura. “Fiquei muito feliz e orgulhosa em receber esse prêmio por um estudo realizado aqui no interior do Rio Grande do Sul. O reconhecimento vai ajudar na valorização do uso de modelos alternativos na investigação científica, comuns nos Estados Unidos e na Europa, mas ainda pouco difundidos no Brasil”, explica a cientista.

Medicina

Dra. Alline Campos – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) – busca uma forma de produzir medicamentos mais efetivos e que produzem menos efeitos adversos, para tratar pacientes que sofrem de ansiedade e depressão. “Este reconhecimento profissional é fundamental para cientistas que estão, como eu, iniciando suas carreiras. Receber um prêmio dessa importância confirma que estamos no caminho certo”, afirma a paulista.

Um grande abraço e um beijo nestas e tantas outras mulheres na ciência por suas conquistas, descobertas e pela luta diária por reconhecimento. Lugar de mulher é na ciência e onde mais ela quiser!

12 Aug 19:48

Médicos Populares se solidarizam com estudante atacada por discurso sobre políticas de saúde

by Redação
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11/08/2015

Da Redação

A estudante de medicina Ana Luiza Lima, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), denunciou, em seu perfil no Facebook, as ofensas sofridas após discurso na cerimônia de dois anos do Programa Mais Médicos, em Brasília. Luiza falou sobre as transformações que a educação provocou na sua vida, a partir da oportunidade de estudar medicina por políticas públicas do governo Dilma Rousseff.

“Vadia”, “ignorante”e “médica vagabunda pobre” foram algumas das palavras usadas para ofendê-la. “Fui atacada em minha página pessoal brutalmente por médicos e futuros médicos, além de outras pessoas. O machismo e a elite mostraram sua cara”, escreveu Luiza. A Rede Nacional de Médicas e Médicas Populares divulgou nota hoje (11) em solidariedade à jovem.

Confira, integralmente, a nota da Rede:

Nota de Desagravo da Rede de Médicas e Médicos Populares à Ana Luiza Lima

A onda de ódio não passará!

A Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares vem, através desta nota, prestar solidariedade à estudante de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ana Luiza Lima, que recentemente comoveu todo o país com seu discurso na comemoração dos dois anos do Programa Mais Médicos. Seu discurso emocionado, por meio do qual agradece as recentes políticas educacionais que permitiram “a neta de um agricultor sonhar em ser doutora” (nas próprias  palavras dela) inspirou milhões, mas provocou a ira de um setor reacionário e conservador, que encontra em parte da nossa categoria uma das suas mais perversas formas de expressão.

A onda conservadora dentro da categoria mostrou sua face logo após o anúncio da vinda de médicas e médicos cubanos para atender áreas de difícil provimento destes profissionais por parte do governo federal. Erigiu funerais da Presidenta Dilma e do Ministro Alexandre Padilha e perpassou por cenas nefastas como o “corredor polonês” contra os médicos cubanos no Ceará, com direito a ovos arremessados e xingamentos que não merecem mais ser repetidos. Vários colegas foram perseguidos pelos conselhos regionais de Medicina (CRMs) Brasil afora por se posicionarem favoráveis ao Programa Mais Médicos e não se alinharem com o discurso corporativista, permanecendo as ameaças dos CRMs sobre os médicos que contribuem com o programa (supervisores e tutores) até hoje.

Agora a vítima é uma estudante de Medicina que cometeu o pecado de falar a verdade. Uma estudante oriunda de família humilde que ousou entender que seu sucesso hoje foi fruto de uma política pública e ousou agradecer à Presidenta Dilma pelo esforço de manter políticas voltadas aos mais pobres deste país. O ódio contra Ana Luiza manifestou-se não apenas sob a forma de machismo – numa das regiões do país onde as mulheres mais sofrem com violência e onde o patriarcado se mantém firme e forte – mas, fundamentalmente, como ódio de classe, ódio ao que representou o seu discurso, ódio ao agradecimento à Presidenta, ódio de quem não suporta ver seus privilégios ameaçados.

Por tudo isto e muito mais, a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares denuncia a ofensiva conservadora que se materializa no ódio à Ana Luiza e presta irrestrita solidariedade à nossa futura colega. Saiba, Ana Luiza, que assim como você, existem médicas e médicos que se preocupam com o povo brasileiro, que respeitam sua diversidade étnica, sexual, religiosa e ideológica, que se preocupam com a conformação do SUS como sistema de direitos sociais, público, gratuito, integral e de qualidade. Assim como você, existem médicas e médicos que sonham e que fundamentalmente lutam por um futuro onde este tipo de agressão à você fique num passado distante.

Todo apoio à Ana Luiza Lima

Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares

Leia o relato de Ana Luiza na página pessoal dela no Facebook:

QUEM QUER A CABEÇA DA ESTUDANTE DE MEDICINA?

“Me pergunta, que tipo de sentimento é o medo? Te respondo — dos outros! O meu é o mesmo há várias luas…Deixa os verme falar pelos cotovelos eu ainda falo pelas ruas!!!!” – Emicida.
Vim aqui pra deixar coisas claras. Vim falar porquê a minha garganta não aguenta o nó que se formou. E eu NUNCA fui de calar. Fui convidada a falar sobre a transformação que a educação causou na minha vida e sobre a alegria de cursar medicina. E assim escrevi um texto, de coração e de peito aberto. E hoje penso em tudo que eu disse e tudo que eu queria ter dito mas não foi ouvido. Minhas palavras ecoaram. Porém nunca foram direcionadas à NENHUM partido político. Foi o reconhecimento de um acerto e uma reafirmação do que eu acredito e luto. Fui atacada em minha página pessoal brutalmente por MÉDICOS E FUTUROS MÉDICOS, além de outras pessoas. O machismo e a elite mostraram sua cara. Fui chamada de vadia, de MÉDICA VAGABUNDA DE POBRE, ignorante, não merecedora de cursar medicina. Me foi dito que iam fazer de TUDO pra que eu não conseguisse emprego depois de formada. De que eu não sabia com QUEM estava lidando. Que eu merecia LEVAR UMA SURRA pra aprender a deixar de ser corrupta. Me mandaram CALAR MINHA BOCA NOJENTA DE POBRE E DE VADIA. De novo. Está tudo guardado, não para dar respostas. Mas porque aprendi desde cedo a não responder ódio com violência. Não. Eu NÃO tenho a SUA sede de sangue.
Mas eu tenho uma novidadinha pra essa classe COVARDE de profissionais. A mesma classe que eu já vi combinando entre si no MESMO grupo, de “tratar mal os negros, as feministas e os gays que chegassem nos consultórios médicos, pra que esse povinho aprendesse seu devido lugar”. A novidade é que minhas palavras não foram em nenhum momento pra vocês. Vocês que ignoram a realidade cruel vivida todos os dias nos hospitais públicos. Minhas palavras foram pros profissionais de saúde que dão o sangue todo dia, mesmo com condições péssimas de trabalho, com salários atrasados, numa saúde abandonada e caótica. Eles sim, são verdadeiros heróis. Minhas palavras foram direcionadas àqueles que acreditam e lutam por um mundo transformado a partir da educação e do amor. Minhas palavras foram um agradecimento aos professores, a classe Trabalhadora com T maiúsculo!! Que têm seu serviço desvalorizado ao máximo, mas toma a linha de frente na luta pela transformação diária do futuro de milhões de jovens sem oportunidade no país.
Eu não fui nenhuma heroína, e eu conheço mil médicos que são verdadeiros heróis. Que não precisaram de mais NADA além de força de vontade pra vencer na vida. Mas me desculpa, é que eu penso além. Eu sonho com o dia em que vamos cobrar das nossas crianças, apenas COMPETÊNCIA pra vencer, e não mais heroísmo.
Eu tô falando com aqueles meninos que você tem medo quando para no sinal, tô falando daqueles com fuzil na mão vigiando um fio de vida nos morros das grandes cidades. Tô falando daquela menina que mora na rua e cata latinha, daquele nos campos com enxada na mão cortando cana. Daquela que perde a infância nas esquinas da prostituição. Tô falando daqueles que você insiste em dizer que não existem. Por quê quando você percebe que ELES EXISTEM, coça em você uma ferida podre de 515 anos. Te dá um medo na espinha quando aparece alguém pra defender uma educação por eles e para eles. Te gela a alma a chegada do dia em que o povo não vai mais esquecer seus Amarildos e suas Cláudias Silvas….
Eu já consigo imaginar muitos de vocês rindo, pensando na reeleição garantida, enquanto veem no jornal o povo gritando por mais prisões e menos escolas. E apesar de me doer, eu entendo esse grito.
Eu engoli meu medo porque sei que toda luta pode ser desmerecida. Eu dei minha cabeça à prêmio, e voltei pra casa com a esperança real de um hospital universitário pra minha região onde muita gente tem sorte de ter a esperança de ter um prato de comida.
Eu recebi um agradecimento da prefeita de uma das maiores cidades do país, dizendo que graças às minhas palavras, um novo plano pra educação pública vai ser pensado, e que ela se encheu de esperança e disposição para lutar com unhas e dentes pelos professores da rede pública e pelos jovens em situação de risco. Isso já me curou de todos os medos e de todo o ódio que me foi jogado.
Esperança. Vontade de mudar. EMPODERAMENTO de um povo PELO seu povo.
Eu sei que eu não sou nada nesse sistema corrompido e intricado. Eu sei que não sou ninguém diante dos poderosos desse país. Mas eu tenho outra novidade, eu não estou sozinha, e gente como eu, é quem te causa os piores pesadelos à noite.
E eu vou seguir, mesmo frágil, mesmo com medo, mas sempre acreditando.

“Então serra os punhos, sorria. E jamais volte pra sua quebrada de mão e mente vazia.”

Assista ao discurso de Ana Luiza na cerimônia do Mais Médicos (entre os minutos 42’40” e 51’40”):

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12 Aug 18:57

O MENINO QUE CONHECI NO AVIÃO

by lola
Semana passada fui à Brasília para poder assistir à audiência sobre a legalização do aborto no Senado, como contei aqui e aqui
No voo de ida, sentei ao lado de uma mulher negra e de seu filho, também negro. O menininho de 6 anos logo de cara foi perguntando pra comissária de bordo (não se fala mais aeromoça, é desrespeitoso) se ela conhecia o pai dele, que trabalhava na mesma companhia aérea que ela, no aeroporto de Brasília. Ela respondeu que não. A mãe explicou: 
- É que ele acha que todo mundo que trabalha na [companhia área, não vou citar qual, não vem ao caso] conhece o pai dele.
Fazendo o possível para ser simpática, a comissária, branca, perguntou pro garoto: 
- Ah, seu pai é um que se parece muito com você? 
E o menino:
- Ele é branco. 
A comissária até que se saiu bem. Sem pestanejar, ela disse:
- Acho que sei quem é. É um homem bem alto que tem um filho lindo, que mais parece um príncipe?
O guri, um pouco encabulado, fez que sim, e fim da conversa. Pelo menos com a comissária. Daí ele passou grande parte das duas horas e meia seguintes falando comigo. 
Ele e sua mãe, professora, eram muito simpáticos. Claro que era o menino que guiava a conversa, que girava em torno dele, do que ele queria contar. E ia tudo bem. Concordamos em nossa admiração às nuvens e na vontade de um dia poder tocar nelas e experimentá-las ("só um pedacinho"). Também falamos bastante sobre comida (ou falta de comida) no avião. Compartilhei com ele todo meu vasto conhecimento em viagens domésticas. Contei que ele podia pedir pra repetir o (ridículo) lanche, porque as pessoas não negam coisas a uma criança. Ele pediu o repeteco.
O problema foi quando ele começou a falar da sua escola. Ele e três de seus amigos haviam batido numa menina. Ele descrevia fisicamente, muito feliz, como tinham socado a garota. Eu fiquei incrédula; a mãe deu bronca nele. Ele tentou se justificar:
- Mas essa menina é muito chata, ela fala coisas erradas, cospe na gente. 
- Não importa, -- disse eu. - Você não pode bater em ninguém, muito menos numa menina, menos ainda quatro contra um. Super covardia. 
Ele narrou outros casos de violência. Tinha um menino que batia em todo mundo, que outro dia havia dado uma chave de pescoço nele, pelas costas. O pai do menino (o que trabalhava no aeroporto) até tinha recomendado que ele fizesse kung fu. 
- Eu quero fazer kung fu pra pegar ele de surpresa!
- Mas artes marciais não são pra isso, -- disse eu, - não são pra pegar de surpresa. É só pra se defender. 
E o menino continuou narrando vários outros atos de violência que aconteciam na escola dele. Eu só conseguia falar:
- Nossa, que horror! Eu não gosto de pessoas que batem. Gosto de pessoas que abraçam. 
Quando o avião chegou em Brasília e já estávamos no corredor, esperando a porta abrir, o garoto me perguntou:
- Você é crente?
- Não.
- Mas você tem que ser, senão a pessoa não vive muito.
A mãe interpelou:
- Respeita, filho.
- Ahn, eu não sou. -- respondi.
- Mas você não vai a igreja?, quis saber o menino.
- Não.
- Você fuma?
- Não, odeio cigarro. 
- Então você é crente. 
- Não sou não.
Não lembro exatamente como acabou esse diálogo. Porém, como a porta já estava pra abrir, decidi falar com ele baixinho pra ver se ele levava algo de positivo daquela viagem. Eu disse:
- Você é um fofo, mas não fica dando pontapés e socos nos seus colegas. Substitua por abraços. Sabe, paz e amor.
- Amor entre homens? -- o menino praticamente gritou. - Não pode!
Eu fiquei surpresa. Todo mundo olhando, e o menino repetiu o que havia aprendido tão bem. Eu insisti:
- Não só pode como deve: paz e amor.
- Homem tem que fazer guerra. -- concluiu o garotinho lindo de 6 anos.
Na saída, conheci seu pai, que já estava aguardando a família. Ele era muito amável e também era negro; o guri era a cara dele. Apertamos as mãos e eu fui embora, que já estava atrasada. 
No dia seguinte assisti a um debate no Senado em que um padre e vários deputados federais católicos e evangélicos vociferaram contra a legalização do aborto, aproveitando pra pregar sobre a necessidade da família tradicional, sobre a importância da maternidade e da manutenção do papel da mulher.
Tenho certeza que todos eles são contra a "ideologia de gênero" nas escolas, que eles consideram um projeto comunista/ feminazi/ gayzista para acabar com a família. 
Como se o menininho fofo que conheci no avião já não tivesse aulas de ideologia de gênero há anos. 
Desde seu nascimento, aliás. E ele foi um bom aluno, aprendeu direitinho. 
Deus proíba que a masculinidade violenta seja desconstruída!
07 Aug 19:42

PERCEPÇÕES MINHAS SOBRE AUDIÊNCIA NO SENADO SOBRE ABORTO

by lola
Parte das feministas reunidas

Antes, pequena pausa para eu, Aline e
Paula posarmos em frente ao Palácio
Estive ontem, só como ouvinte, no Senado Federal em Brasília, convidada pela Frente Nacional Pela Legalização do Aborto, para a 3a audiência da SUG (sugestão legislativa) 15, que propõe regulamentar o aborto no SUS até a décima-segunda semana de gravidez. O que vi (e anotei, e compartilho aqui com vocês; podem conferir nos vídeos) foi tão interessante quanto desolador.
O plenário estava lotado. Eu vim com algumas outras feministas, e nós claramente éramos a minoria. Havia muitos jovens bem arrumados, vários de terno e gravata. Do meu lado esquerdo, de pé, um padre segurava uma faixa com a ilustração de um menino sorridente em frente à bandeira brasileira, escrito embaixo “Brasil Vivo! Sem Aborto!” Do lado direito, sentado, um cara que parecia ser assessor parlamentar. Pelas interlocuções que ele balbuciava, era evidente qual sua posição no debate.
Porque não há como negar: há dois lados. Na mesa que iria debater o tema, quatro participantes (dois homens, duas mulheres) falariam contra a legalização; e outras quatro (todas mulheres), a favor. O moderador era o senador João Capiberibe (PSB-AP), que me pareceu simpático e democrático, embora não tenha controlado direito o tempo das intervenções de deputados "pró-vida".
O primeiro debatedor foi o americano David Kyle, diretor de Blood Money, documentário que dois anos atrás foi lançado com estardalhaço em todo o Brasil, com um orçamento para divulgação digno de Hollywood. Kyle exibiu um pedaço do seu filme -- ironicamente um trecho que fala de mulheres mortas em clínicas de aborto em algum estado dos EUA, onde o aborto é legalizado há décadas.
Kyle disse que escolheu este trecho para mostrar que não existe aborto seguro. “Há também aspectos mentais do aborto (depressão, suicídio, mães que perdem o amor pelos seus filhos). Nos EUA não tivemos a oportunidade que vocês têm agora de falar a verdade: que o aborto é ruim. Só um governo tirânico pode tirar o direito a vida. Nos EUA estamos sacrificando nossas crianças por dinheiro. Uma sociedade civilizada protege os indefesos, não os mata”.
Ele contou também que originalmente o filme se chamaria Holocausto Americano (um título bem neutro, né), mas ele viu que aborto tinha tudo a ver com um tema que ele deve conhecer bem: dinheiro. “Bilhões de dólares são conseguidos fazendo abortos”. 
Ele acrescentou que estamos jogando fora nossa futura geração. “A civilização ocidental está em declínio. Na minha mente, nós somos os verdadeiros defensores dos direitos humanos, porque primamos pelo básico, o direito à vida. Aborto destrói relações, destrói famílias. Por que vocês no Brasil querem destruir suas famílias? Isso é tudo”, concluiu ele, em inglês, sem nenhum carisma. Parcas palmas.
A próxima a falar foi Sônia Corrêa, pesquisadora da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids) e co-coordenadora do Observatório de Sexualidade e Política (SPW). Ela afirmou que “a premissa de liberdade reprodutiva que defendemos nunca poderá  ser coercitiva”, lembrando de uma das principais confusões propositais que os conservadores fazem –- de que apoiar a legalização equivale a forçar gestantes a abortar.
Ela pontuou que as restrições sobre a vida reprodutiva das mulheres restringem a participação das mulheres na vida pública. Alem disso, a criminalização das mulheres é nada mais que punição e controle social, e lógico que a aplicação penal aqui e em outros países é seletiva. “Não há democracia sem laicidade”, completou Corrêa. 
Débora Diniz, professora da UnB e pesquisadora da ANIS (Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero), iniciou sua fala (de meros dez minutos para cada um) dizendo que queria meramente resumir estudos: “O outro palestrante falou em verdade. Uma outra maneira de falar a verdade é através da ciência num estado laico”. Uma em cada cinco mulheres realizou pelo menos um aborto até os 40 anos, disse ela. Se seguíssemos a lei, 7 milhões e 400 mil mulheres que abortaram deveriam estar presas. 
Diniz ressaltou que as mulheres que abortam não são tão diferentes das “adolescentes e putas [que] alimentam as fantasias daqueles que se opõem ao aborto”. Nesse momento, o carinha de terno do meu lado exclamou: “Que vergonha!”
Diniz apontou que metade das mulheres que abortam terminam o aborto no SUS. “Não estamos falando de infanticídio, estamos falando de embriões até as 12 primeiras semanas”. 50% das mulheres não usam comprimidos para abortar, disse Diniz. "Não sabemos quase nada das clínicas clandestinas. O que sabemos é através das páginas sensacionalistas de jornais e da polícia". E terminou com uma bela frase: “É a lei penal que mata, interna e sangra as mulheres”. 
Outra frase marcante de Diniz foi: “As mulheres têm que ser protegidas dos homens de jaleco branco e dos padres de batina preta”. Isso fez o cara do meu lado ter um espasmo de raiva e o resto do plenário lançar uma espécie de “Oh!”
A próxima foi a doutora em Ciência Política e coordenadora do Instituto de Políticas Governamentais do Brasil, Viviane Petinelli e Silva, que fez uma breve apresentação em powerpoint com o título “Qual Brasil queremos? Impactos socioeconomicos esperados da legislação do aborto”. Aborto reduz a taxa de natalidade de um país, segundo ela. Ela disse que estamos num período de bônus demográfico (relação positiva entre a população economicamente ativa e o total de crianças e idosos) no Brasil. Temos a taxa de crescimento ideal, e colocaríamos tudo a perder legalizando o aborto. Como aproveitar essa janela?, perguntou ela. “Parindo”, respondeu alguém no plenário.
Se cerca de um milhão de mulheres abortam clandestinamente por ano (dado que os pró-vida adoram desmentir, mas quando é pra falar de possíveis rombos no SUS, vale tudo), o custo inicial esperado seria de R$ 510 milhões (3% do orçamento do Ministério da Saúde), de acordo com Petinelli. Ela também acrescentou que, caso o aborto fosse legalizado, as mulheres colheriam as consequências na Previdência Privada (que ela não especificou quais seriam). 
O problema é a gravidez indesejada, não o aborto, disse ela. Como lidar com gravidez indesejada?, perguntou. “Vamos ensinar as nossas jovens”, disse ela. Não houve uma só feminista presente que não notou que ela defende apenas educação sexual para meninas. 
Ela também recomendou dar o bebê pra adoção, e trouxe um abaixo assinado de 32 mil assinaturas "pró-vida". O cara do meu lado aplaudiu entusiasmado. O público também. 
O público já estava suficientemente aquecido pra receber a professora da UnB e integrante do Movimento Estratégico pelo Estado Laico Tatiana Lionço, que foi difamada durante anos por Jair Bolsonaro. O deputado fez um vídeo editando uma das falas de Lionço sobre sexualidade infantil. Lionço inclusive chegou a processar o deputado, mas o processo foi arquivado. Deu pra perceber que grande parte dos "pró-vida" presentes tinham visto o vídeo, e odiavam Lionço.   
A professora disse que se colocaria como representante feminista, e o público atrás de mim fez “Ihhh”. Lionço não se sentiu respeitada, e lembrou que da última vez que foi à Casa foi desrespeitada por deputados federais como Bolsonaro (o público gargalhou). Ela reclamou, e um homem gritou “O riso é livre!” “A palavra também”, respondeu uma mulher.
Lionço disse: “Esta casa não tem senhor nem dono, esta é a casa do povo”. E alertou que um dos pontos em pauta era a criminalização do ativismo politico. Se dependesse de vários deputados, haveria a criação da CPI do Aborto, que criminalizaria não apenas as já criminalizadas mulheres que abortam, mas também as feministas que defendem a legalização. 
Lionço disse que o que estava em jogo também era a responsabilização do Estado pela morte de mulheres, não uma mera disputa ideológica. Ressaltou que dignidade é um direito humano inviolável, então não cabe dizer quem é mais ou menos digna entre mulheres. E lembrou que ela não desrespeita mulheres que são contra o aborto.
O senador Capiberibe abriu espaço para algumas intervenções, e aí pudemos ser expostas ao pior do pior Congresso desde 1962. Por exemplo, o deputado Diego Garcia (PHS-PR) disse que não entendia como as pessoas podiam ir lá defender a proposta sem se envergonhar, falando que não tínhamos “vergonha na cara”, e afirmou que representa a grande maioria deste país. “Enquanto eu estiver dentro deste parlamento […], em defesa da vida, dos inocentes, eu serei uma das vozes no Congresso Nacional em nome daqueles que não podem gritar, eu falarei em nome dos inocentes”. 
Ele estava na minha frente. Depois eu vi o sujeito se articular para angariar mais um discurso. Outro deputado, que fez um discurso parecido, mais tarde reclamou que foi impedido de dar seu repeteco. A intenção deles parece mesmo ser monopolizar o debate, silenciar as discordâncias e criminalizar o ativismo. 
Porque discurso ignorante, sem o menor embasamento científico, é assim: não basta ser dito uma vez, tem que ser repetido à exaustão, até que, de tão repetido, vire verdade absoluta. É o eco do senso comum. 
No próximo capítulo...
O texto já está gigantesco. Continuo aqui. Aí conto como foi a participação de Padre Paulo Ricardo, Marcia Tiburi, Heloisa Helena, Marco Feliciano, Jean Wyllys, entre outros.
Leia também o texto de Jarid Arraes para a Fórum, o da Maíra Kubik para a Carta Capital, o da Marcia Tiburi para a Cult, o da Sonia Corrêa para a SPW.  
06 Aug 20:04

Cartunista gaúcho denuncia ameaça por charges contra governo Sartori

by alexandrehaubrich

O cartunista Augusto Bier registrou uma ocorrência policial na manhã desta quinta-feira (6) denunciando ter sofrido uma ameaça por conta de suas charges críticas ao governo de José Ivo Sartori (PMDB), governador do Rio Grande do Sul. Após o registro, Bier fez uma postagem em seu perfil no Facebook reiterando a denúncia.

bier

De acordo com a ocorrência, um homem teria ligado para o telefone residencial do chargista e feito ameaças nos seguintes termos: “tu para com essas charges, com essas gracinhas, ofendendo o governador Sartori, se não eu vou danificar os teus instrumentos de trabalho, eu vou quebrar os teus braços”. A ligação ocorreu na segunda-feira (3), às 20h.

O Jornalismo B conversou com Bier, que disse que não vai se intimidar: “Vou continuar criticando. Alguém tem que fazer esse trabalho, já que toda a grande imprensa tá comprometida. Se quebrarem meus braços, vou engessar e esperar soldar. Depois volto e vou transformar a agressão num ato político, colar nas práticas da ditadura. Os caras tem os chargistas deles ainda precisam ameaçar os dos adversários. É muita pobreza”, afirma.

Uma das charges de Bier sobre o governo Sartori

Uma das charges de Bier sobre o governo Sartori

Com seu trabalho já tendo sido publicado em diversos veículos de mídia, Bier é jornalista e membro da Grafar, entidade que reúne alguns dos principais chargistas do Rio Grande do Sul.

06 Aug 19:46

Estudo aponta princípios para uma cidade mais segura e saudável

by Marcos O. Costa
A cada ano morrem 1,23 milhão de pessoas em acidentes de trânsito por todo o mundo. Esta é a oitava principal causa de mortes e, até 2030, as estimativas apontam que ela será a quinta.  A partir deste quadro, o … Continuar lendo →
05 Aug 08:05

Precisamos falar sobre Gaslighting

by Cati Carpes

Eu não sabia o que era Gaslighting. Também não sabia que eu estava em um relacionamento abusivo. Foi preciso muita terapia e auto-conhecimento pra entender o que eu tinha passado.

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Com 20 e pouquíssimos anos e em um primeiro relacionamento sério, de dividir a cama e as contas, eu não tinha a noção do quanto eu estava sendo sufocada. Eu só voltei a respirar anos após o término. O fim chegou com um surto e um princípio de Síndrome de Pânico.

De acordo com a wikipédia, Gaslighting é “uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade.” Duvidar da sanidade, tão bem ilustrado ao longo de todo o namoro com a frase “tu é louca”.

Em quase 3 anos eu me afastei dos meus amigos. “Se tu sair com eles não precisa voltar pra casa”, “se quer tanto ver teus amigos eles que venham aqui”. Eu não tinha o entendimento de que dessa forma eu estava sendo controlada, claro que eu sentia que algo ali tava errado, mas eu cedia. Acreditava que eu tinha o poder de mudar a situação, de contornar.

Trabalhando com uma ONG Feminista, fui tirada pelo braço de uma mesa de bar em meio a uma conversa com mulheres de todo o país. Escondi a humilhação frente a tantos olhares incrédulos e indignados, eu apaziguei, eu aceitei. Ele chorou e pediu perdão. EU tinha que entender que era ciúmes. “Meus amigos disseram que era ridículo eu deixar minha mulher ir num bar sozinha”. Eu chorei por uma noite inteira, ele me chamava de boba, exagerada. Eu perdoei.

Ele saía com os amigos, “preciso de um tempo pra mim”, eu esperava em casa, sozinha. Eu conversava, sem entrar em detalhes, com algumas amigas, eu tinha vergonha de contar o que eu sentia. “Ele faz isso porque gosta de ti”, “vocês moram juntos, isso é normal, tu tem que entender ele”. Eu o questionava e enfrentava. Ele revertia a situação, eu era a louca e tudo sempre acabava comigo aos prantos, “desculpa, eu acho que sou louca mesmo”, “eu sei, psssiu, não chora, fica aqui, eu vou cuidar de ti”.

Ele me traiu. Ele negou enquanto eu lia as conversas com a outra, em voz alta. “Tu tá tão louca que inventou tudo isso, tu tem que te tratar, tu tem que tomar remédio”. Nesse tempo eu já havia murchado, eu tinha esquecido como era sorrir, eu me sentia profundamente triste, insegura. Eu tinha um medo tão grande, mas não sabia do quê. “Tu tá chorando de novo? O quê que tu tem?”, eu não sei, eu me sinto triste, “tu tem que te tratar, eu já te falei, se tu seguir assim chorando não dá mais”.

Eu passei a engolir o choro. Eu comecei a ter medo de sair na rua. Eu não conseguia sair sem ele. Lembro de uma vez que íamos jantar, não chegamos até a esquina, eu desmoronei. Tinha a sensação de que ia morrer, que algo horrível aconteceria, eu implorei pra voltar, eu paralisei. Eu não conseguia mais andar. Eu era agora uma criança, ele, o adulto que me levava pela mão.

Eu ficava doente. Em dois meses foram umas cinco idas ao hospital. “Dói, eu não consigo respirar”, mas pelos exames está tudo ok, eu chorava “Mas eu sinto dor, meu peito dói”. E eu voltava pra casa. Eu comecei a ter alergia, eu não dormia, eu não queria fazer mais nada. Ele me dizia que eu não conseguiria viver sem ele, eu acreditava.

Ele acabou comigo, “eu não aguento mais ficar com alguém que só chora do meu lado, tu não era assim”. Eu desmoronei mais uma vez. Fui para uma psicóloga e eu não conseguia falar, eu só chorava. EU precisava melhorar pra ELE me aceitar de novo. EU tinha errado, EU precisava parar de ser louca. Mais um psicólogo e mais terapia e mais tanta leitura sobre feminismo e empoderamento pra eu conseguir entender.

Ainda hoje é difícil, todo abuso gera traumas. Eu me tornei mais forte quando não tinha força alguma, eu precisei me reerguer pra me sentir feliz comigo mesma, pra me sentir mulher. Escrevendo esse texto e escutando as minhas palavras, fica mais clara a importância de se falar cada vez mais sobre esse assunto. Eu precisei me ouvir e eu sei o quão difícil é aceitar que se esteve numa situação dessas. Hoje eu estou começando a conseguir falar sobre isso. Foi preciso me redescobrir, me encontrar, me aceitar, resgatar a minha liberdade e, principalmente, me empoderar.

Minas, não se calem, não se machuquem, não se culpem. Estamos juntas.

05 Aug 08:05

Xico Sá, Duvivier, Jô Soares e o fenômeno da patrulha de direita. Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira
  Xico Sá está apanhando nas redes sociais por um haicai (“viver é estouro/ sou mais Zé Dirceu/ q o tal do Mouro”) e alguns tuítes (“Não, não, nao, ñ me incomoda q o Psdb seja inimputável, o q me deixa puto é e q a justiça brasileira só veja um lado”, por exemplo). Gregório Duvivier é chamado d...
03 Aug 12:01

Fazenda paulista poderia ter evitado desvio de bilhões pela máfia do ICMS, se tivesse investigado denúncia em 2003

by Conceição Lemes

Joao Ribeiro e Secretaria da Fazenda-001

por Conceição Lemes

Em abril de 2014, o Viomundo publicou: Tucanos implacáveis com quem denuncia corrupção, dóceis com trensalão.

A reportagem revelava a longa batalha de um servidor exemplar: João Ribeiro, lotado na Delegacia Regional Tributária de Marília, 55 anos de idade, 26 dos quais na área de arrecadação tributária da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP):

Em 24 de janeiro de 2003, indignado com o que ouvia e se comentava no órgão sobre várias irregularidades, João fez uma denúncia anônima ao Ministério Público Estadual de São Paulo (MPE-SP).

Do seu endereço eletrônico funcional, enviou e-mail, contando que dois diretores da área de fiscalização estariam envolvidos no desvio de créditos acumulados de quase R$ 1 bilhão (valores da época, não atualizados).

Ele relatou estranheza pelo fato de os dois diretores sob suspeição na gestão tucana — atuaram na área no governo Mário Covas, de 1995 ao segundo semestre de 2002–terem se aposentado compulsoriamente meses antes. Também que a mesma coisa já havia acontecido com os dois diretores do mesmo setor, em 1992, no governo Luís Antônio Fleury (na época, no PMDB).

Naquela mesma época, observou João no seu e-mail, esquema de corrupção envolvendo o chefe da Fiscalização do Estado do Rio de Janeiro tinha sido descoberto. E lá, diferentemente do ocorrido em São Paulo, havia sido apurado e os fiscais até exonerados.

No e-mail, João questionou ainda por que o caso de São Paulo não era averiguado.

No MP, a denúncia foi direcionada ao promotor Silvio Marques, que abriu um procedimento para apurá-la.

Marques encaminhou ofício ao procurador-geral de Justiça, Luiz Antônio Marrey, que comunicou o caso ao então secretário da Fazenda, Eduardo Guardia, pedindo informações.  Junto, mandou o e-mail e o telefone de João.

A partir daí, a vida do funcionário-denunciante tornou-se um inferno.

A Secretaria da Fazenda instaurou processo administrativo. Em julho de 2007, demitiu João Ribeiro com base na lei 10. 261/68 (Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado), cujo inciso I do artigo 242 foi revogado após a sua exoneração.

João recorreu. Em fevereiro de 2008, por decisão de caráter liminar, foi reintegrado. Em fevereiro de 2009, ganhou em primeira instância.

A Secretaria da Fazenda apelou. De novo, João saiu vitorioso. Por unanimidade, em fevereiro de 2013, os desembargadores anularam de vez a decisão administrativa da Secretaria da Fazenda, determinando a reintegração definitiva do servidor.

Quando denunciamos o caso,  em abril de 2014, João não havia recebido os quase quatro meses em que ficou afastado, apesar de a Justiça ter determinado o pagamento.

Esta repórter questionou a Secretaria da Fazenda paulista sobre o não pagamento dos dias parados.

A Sefaz-SP respondeu ao Viomundo: “Não resta parcelas em aberto” (aqui, a íntegra da resposta).

João recorreu, reivindicando o pagamento atrasado e correção monetária.

Há duas semanas, em 20 de julho de julho de 2015, saiu a sentença.

A juíza Maria Isabel Romero Rodrigues Henriques, da 1ª Vara do Juizado Especial da Fazenda Pública – Foro Central – Fazenda Pública/Acidentes, julgou procedente, determinando à Sefaz-SP pagar a João Ribeiro R$ 13.637,41 mais correção monetária (os grifos em amarelo são nossos).

Sentença do João Ribeiro 21.07.2015 (1)_Page_1 - Cópia

Sentença do João Ribeiro 21.07.2015 (1)_Page_2 - Cópia

Sentença do João Ribeiro 21.07.2015 (1)_Page_3

“Mais uma vitória contra a Sefaz-SP, que não cumpriu o acórdão de 2011”, afirma, feliz, João Ribeiro. “Por tabela, a decisão da Justiça demonstra que, em 2014, a Secretaria da Fazenda faltou com a verdade ao Viomundo. Ela disse “não ter pagamentos em aberto” comigo. Só que, como havia dito, eu tinha direito aos quatro meses anteriores ao mandado de segurança e Justiça julgou o meu pedido procedente.”

DENÚNCIA DE JOÃO RIBEIRO TERIA A VER COM FISCAIS DA MÁFIA DO ICMS DEMITIDOS? 

Nas últimas semanas, saíram reportagens sobre prisão de fiscais suspeitos de fraude no ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços) de São Paulo, como esta no Estadão, de  9 de julho.

máfia do icms 1-001

As exonerações começaram a ser publicadas no Diário Oficial um dia após promotores do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP) e representantes da Corregedoria da Sefaz-SP  ouvirem, na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, o doleiro Alberto Youssef, sobre diversos pagamentos de propina a fiscais do ICMS em São Paulo. Em 24 de julho, começaram as prisões de suspeitos de integrar a máfia do ICMS.

 Daí a pergunta que alguns devem estar fazendo nesta altura:

– A denúncia feito por João Ribeiro teria a ver com os fiscais presos no final de julho acusados de  participar de quadrilha que cobrava propina de empresas com dívidas tributárias com o Estado de São Paulo? 

João responde:“Dos 13 afastados agora pela Sefaz-SP, alguns estavam envolvidos na denúncia que fiz em 2003 de desvio de créditos de ICMS, principalmente os afastados da CAT [Coordenadoria da Administração Tributária] e da DEAT [Diretoria Executiva da Administração Tributária]. Entre eles, José Clóvis Cabrera, na época, diretor da DEAT.  Foi ele quem deu início ao inquérito administrativo que levou à minha exoneração, depois revertida”.

Ele acrescenta: “Se, em vez de se preocuparem comigo, a CAT, a DEAT e a Corregedoria da Fazenda tivessem investigado e tomado providências em relação ao que eu denunciei ao MP em 2003, elas poderiam ter evitado o desvio de bilhões de recursos, consequentemente economizado bilhões para os cofres públicos paulistas”.

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Leia também:

Bancada da pizza da CPI do HSBC: Após livrar cunhada de Jereissati, terá moral para investigar outras contas suspeitas? 

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03 Aug 12:00

Setor elétrico na Espanha: pagando o preço do pioneirismo

by infopetro
Allan Patrick

Consumo de energia elétrica na Espanha, hoje, é o mesmo de 10 anos atrás.

Por Luciano Losekann Na Espanha, a opção de desenvolver energias renováveis foi impulsionada pelas diretivas europeias, ditadas pelo compromisso de mitigar as emissões de CO2, pelo interesse em reduzir a dependência externa de recursos energéticos (Jiménez et al., 2013) e pelo objetivo de desenvolver a indústria doméstica de equipamentos relacionados à energia renovável. As fontes […]
31 Jul 19:47

O atentado contra o Instituto Lula é filho da impunidade das manifestações de ódio. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
O atentado terrorista contra o Instituto Lula é filho da permissividade com que manifestações de ódio vem sendo tratadas no Brasil. A impunidade leva a novos degraus. Primeiro você xinga, calunia, massacra nas redes sociais. Depois, começa a jogar bombas. O Brasil tem que adotar uma política de tole...
31 Jul 18:48

Câmeras do Instituto Lula registraram ataque a bomba

by eduguim

instituto

 

É o terceiro ataque, apenas neste ano, a prédios ligados ao Partido dos Trabalhadores, em São Paulo.

No dia 26 de março, bomba caseira atingiu o Diretório Regional do PT no centro de São Paulo. Dez dias antes, o Diretório Regional de Jundiaí também foi atacado com coquetel molotov.

Na noite de quinta-feira (30), a sede do Instituto Lula, em São Paulo, no bairro do Ipiranga, foi alvo de ataque com artefato explosivo.

O comerciante César Cundari, de 53 anos, vizinho do instituto, deu ao portal G1 depoimento sobre o que ocorreu:

“Foi um estrondo muito grande, parecia um transformador de luz estourando. Eu saí na janela para ver e tinha uma fumaça muito alta. Desci para ver o que era e tinha um furo na porta da garagem do Instituto. Estava toda chamuscada”

Em contato com o Instituto, o Blog apurou que o imóvel que o abriga tem câmeras que registraram o ataque.

O Instituto suspeita de que esse tipo de ação está sendo estimulada por campanhas de setores da imprensa que fazem oposição política sistemática contra o ex-presidente, o PT e até o governo Dilma Rousseff.

Nas últimas semanas, colunistas e articulistas da grande imprensa chegaram a usar a expressão “Instituto do Crime”.

Iniciativas políticas de membros do Ministério Público também são vistas como fundamentação para atos de ódio como o que acaba de ser perpetrado.

O Instituto Lula vem sendo culpabilizado – sem provas, com base em especulações – por suposto envolvimento delituoso com empreiteiras investigadas pela operação Lava Jato.

A falta de investigações e punições sobre os atentados anteriores a sedes do PT sugere que o novo crime pode não ter consequências.

A ausência de investigações e conclusões dos outros ataques políticos violentos também gera necessidade de questionamento ao governo Geraldo Alckmin, pois os ataques anteriores ocorreram todos em São Paulo, mas, também, ao Ministério da Justiça e à Polícia Federal, que, apesar do claro viés político daqueles ataques, até hoje não se mexeram.

O pior que pode acontecer, neste momento, é uma postura letárgica das autoridades competentes.

Crimes políticos violentos permanecerem impunes por certo incentivará a que novos ataques continuem ocorrendo.

Aos poucos, o clima golpista, ilegal, inconstitucional vai se conformando e fazendo o Brasil lembrar do que talvez tenha sido o período mais sombrio de sua história.

Assista, abaixo, à gravação das Câmeras do Instituto.

Com a palavra, as autoridades

31 Jul 18:48

O que aconteceria com a Veja se ela cometesse seus crimes nos Estados Unidos? Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
  Foi anunciada hoje a demissão do diretor de redação da Rolling Stone americana, Will Dana. O motivo foi o erro monumental da revista ao dar uma matéria sobre um pretenso estupro grupal sofrido por uma aluna da Universidade de Virgínia. A reportagem teve uma repercussão instantânea e extraordi...
31 Jul 14:11

GUEST POST: ASSÉDIO NA RESIDÊNCIA MÉDICA

by lola
Relato da L.:

Oi Lola, acompanho seu blog há bastante tempo e devo dizer que ele mudou a minha forma de pensar sobre a vida. Me fez entender melhor o machismo, como ele influenciou a minha formação e como, apesar de tudo, eu sou uma pessoa muito privilegiada. 
Resolvi escrever esse guest post sobre uma situação que vivi há uns 4 anos, que infelizmente é muito comum. Confesso que hoje os acontecimentos não me afetam tanto, e ter feito terapia ajudou nesse processo, mas por muito tempo foi algo bem doloroso. Gostaria de compartilhar minha experiência para tentar ajudar outras mulheres que estejam passando por isso, mostrar que é algo comum e que é possível reagir.
Antes, uma pequena apresentação necessária para o entendimento dos fatos. Estou usando o meu email real, então, caso resolva publicar meu relato, peço que não me identifique. Quanto aos outros personagens da minha história, usarei nomes fictícios. 
Nefrologia: ramo da urologia que se
dedica ao estudo da fisiologia e das
doenças dos rins
Sou médica, formada em uma renomada faculdade federal. Fiz residência médica (especialização) em pediatria em outra faculdade de renome. No último ano da residência temos um mês de opcional, que nada mais é do que um mês em que podemos escolher em qual setor ficar. Como pretendia fazer uma subespecialização em nefrologia na faculdade que me formei, entrei em contato com um antigo professor, o Carlos, solicitando passar o mês lá. Esse professor sempre teve uma má fama na faculdade, de ser grosseiro, machista e dar em cima das alunas. Mas não me importava com tais comentários, pois ele sempre me tratou bem. 
Esse mês que passei lá foi ótimo. Fui bem acolhida por toda equipe, inclusive pelos atuais residentes. Porém, ouvia diversas reclamações dos residentes de lá sobre o Carlos, que os tratava de maneira grosseira o tempo todo. Já comigo, o Carlos sempre foi simpático, elogiava sempre o meu desempenho, dizia que eu era uma médica promissora. Ao final do mês recebi nota máxima na avaliação, com muitos elogios. Terminei o mês disposta a retornar ao hospital para fazer minha sonhada especialização em nefrologia pediátrica.
Prestei então concurso para três grandes serviços de especialização e passei para todos, inclusive o chefiado pelo Carlos. E foi lá que escolhi ficar, por ser no hospital que me formei, por ter sido bem acolhida, mesmo tendo ouvido de diversos médicos mais velhos que deveria escolher outro serviço.
Cheguei no primeiro dia da nova residência feliz, finalmente iria estudar o que sempre sonhei. E recebi a primeira bomba. No primeiro encontro com Carlos, onde ele nos explicaria sobre o funcionamento do serviço, ouvi a seguinte frase:
- Você só está aqui porque eu quis. Eu aumentei a sua nota na prova prática, senão você não passaria.
Fiquei desconcertada, não soube o que responder. Como já disse, eu sempre fui muito estudiosa, sempre passei para concursos por mérito. Nunca pedi ou insinuei a ele que me desse qualquer tipo de ajuda. E a prova disso é que havia passado para dois outros ótimos hospitais onde ninguém me conhecia. Hoje sei que essa frase já tinha como objetivo me deixar submissa, mostrar o poder dele. 
Éramos quatro médicos residentes no total, eu, a Joana, que havia entrado comigo, e mais dois do ano anterior (a residência tem duração total de dois anos). Inicialmente fiz amizade com a Joana, trabalhávamos bem juntas. E não ouvi mais nenhum comentário daquele nível do Carlos. Pelo contrário, recebia diversos elogios, sempre voltados ao meu desempenho como médica. Cheguei a acreditar que o Carlos não era uma pessoa tão ruim como pintado por todos ao meu redor (santa inocência). Com o passar do tempo, eu, Carlos e Joana criamos uma amizade. Viajamos juntos para congressos, discutíamos casos, mas tudo de maneira profissional. 
Com o tempo, os "elogios" do Carlos para mim e para Joana evoluiriam. Ele fez um convite para que fizéssemos diversos trabalhos ao fim da residência juntos, para atendermos juntos em seu consultório. Sabe, Lola, os últimos anos de residência em medicina são de muita ansiedade. Estava louca para exercer minha especialidade, as oportunidade são poucas. Convites desse tipo de um professor conhecido são vistos como uma grande oportunidade de crescer no início da carreira. 
Mas a partir daí as coisas mudaram. Carlos passou a nos convidar para almoçar com ele, para ir em sua casa tomar champanhe, passou a elogiar nossa beleza e forma física... E por último veio nos anunciar que havia terminado o seu relacionamento (na época ele namorava uma ex-aluna).
Percebi que o interesse dele na gente era puramente sexual. Me culpava por ter sido tão inocente. As evidências eram enormes! Não queria nada com ele, estava noiva, ia casar. Já a Joana, solteira, demonstrou interesse nele. Logo, Carlos e Joana começaram a namorar. 
Nesse meio tempo tive uma briga com a Joana (por motivos alheios à residência médica) e nos afastamos um pouco. O primeiro ano terminou, entraram mais dois novos residentes, e meu inferno começou. Carlos passou a me agredir verbalmente, criticar meu trabalho, ao mesmo tempo que passava a mão na cabeça da Joana. Levava ela para almoçar no nosso horário de trabalho, enquanto eu atendia as crianças. Deu a ela diversas regalias que sempre foram negadas aos residentes (como um dia de folga na semana, um armário para guardar os pertences). Quando havia algum procedimento interessante a ser feito alegava sempre que era a vez da Joana. Nos procedimentos mais chatos, era sempre a minha vez de fazer. Emendava feriados para viajar com a Joana (enquanto os outros residentes trabalhavam). 
Fazia reuniões de serviço com os residentes onde exaltava todas as qualidades da Joana e criticava todos os defeitos meus e dos outros residentes. Chegava a ser caricato. O clima foi ficando insuportável. Os outros professores estavam cientes da situação, achavam um absurdo tudo isso, mas ao mesmo tempo não queriam enfrentá-lo, pois ele era o chefe do serviço.
Perdi toda a vontade de estudar. Ia ao hospital obrigada. Minha autoestima ficou no pé. Achava que aquilo era o fim da minha carreira, que eu era um fracasso, que era tudo culpa minha. Chorava constantemente em casa. Até que o ano acabou. Na minha última semana ainda ouvi mais ofensas dele, dizia que eu era uma pessoa manipuladora, que não tinha compromisso. Me proibiu de frequentar o serviço, falou que nunca mais ia aceitar a minha presença em nenhum local que ele trabalhasse. Uma outra residente, que iria para o segundo ano, não aguentou a pressão. Fez prova novamente e foi para outro hospital. Pra você ver como a situação era crítica. Ela preferiu jogar um ano de estudos fora, recomeçar do zero, a ter que passar mais um ano aturando as ofensas do Carlos.
Fui convidada por um outro professor do hospital para fazer mestrado. Aceitei, pois sempre sonhei em ser professora. Mas já nas primeiras reuniões ele me falou para darmos preferência a marcar reuniões fora do hospital. Não queria que Carlos me visse com ele, para não dar problema. Me senti muito mal. Não era justo que eu mais uma vez fosse prejudicada quando o Carlos era o agressor!  
Decidi então romper todos os vínculos. Larguei o mestrado, passei a procurar locais para trabalhar de forma independente. No início foi muito difícil. Não conseguia nenhuma oportunidade, achava que o Carlos estava certo e eu era realmente incapaz. Ou que ele realmente tivesse conseguido acabar com a minha imagem. Mas com o tempo tudo foi ficando melhor. 
Oportunidades foram aparecendo. Passei em um concurso para médico de um grande hospital universitário, montei meu consultório, fiz diversos contatos profissionais. Apesar de não ter feito mestrado nem virado professora, tenho muito contato com alunos, posso passar a eles minha experiência e isso me faz bem.
Hoje estou crescendo na carreira, tenho uma boa relação com todos os colegas que me cercam. Não tenho mais nenhum contato com o Carlos e a Joana. Hoje levo o que aconteceu como uma experiência sobre o que eu NÃO quero ser no futuro. Sobre como não agir caso um dia eu chegue a ser chefe de serviço. Aprendi a acreditar em mim mesma, e que ninguém, por mais poderoso que seja, pode mudar o meu futuro. E o principal, aprendi a ser menos inocente. Sei que é errado julgar alguém baseado nas opiniões de terceiros, mas quando todos falam algo sobre uma pessoa, vale a pena ficar com o pezinho atrás. Alguém que lhe trata bem quando maltrata todos ao seu redor sempre terá um interesse oculto por trás disso, que pode lhe fazer bem ou não.