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14 Dec 18:48

Os cartões de Natal egoístas de Ayn Rand, a filósofa favorita da “nova” direita

by Cynara Menezes

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(Este é um post traduzido e adaptado de um texto originalmente publicado no Alternet)

Já falei aqui algumas vezes de como a direita brasileira adora copiar a direita norte-americana. Pois bem: vem de lá a filósofa favorita do “novo” conservadorismo, seja “libertário” ou abertamente reaça. Russa radicada nos EUA, padroeira do Objetivismo, a santa atéia Ayn Rand (1905-1982) tem fiéis seguidores entre nós. Sua ideia de mundo é que todos devem amar para satisfazer a si próprios e não aos demais. Rand advogava o capitalismo, mas, acima de tudo, o egoísmo. Seu hino poderia ser aquela música do Raul, Carpinteiro do Universo: “o meu egoísmo é tão egoísta que o auge do meu egoísmo é querer ajudar”.

A própria Ayn Rand recusava para si mesma o epíteto de “conservadora”. E fez críticas públicas a outro ídolo dos direitistas, o ex-presidente Ronald Reagan, por algo que lhe parecia abominável: misturar política com religião, o que, para ela, era uma ameaça a seu Deus, o capitalismo. “Reagan é um conservador no pior sentido da palavra”, escreveu. Anos após sua morte, porém, e mesmo com estas nuances, Rand virou uma das principais referências intelectuais da direita Tea Party (ultra-conservadora) dos EUA.

É muito curioso que, apesar de deplorar valores cristãos como a caridade e de ser favorável ao aborto, Rand seja adorada por uma direita (que se diz) cristã! Talvez isso se explique por uma razão: a mulher era ateia e desprezava a pregação humanista de Jesus; preferia louvar as virtudes do dinheiro. Não é a cara de alguns pastores neopentecostais do Brasil, principalmente dos que estão na política? Deve ser de dar um nó na cabeça de muito reaça carola por aí, admirar uma filósofa que acha sua religião uma bobagem…

Trago aqui alguns cartões de Natal que Ayn Rand escreveria. Tudo a ver com o espírito da época, não acham?

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Tem uma ótima animação sobre a forma como Ayn Rand via as relações amorosas: como era possível, por exemplo, ser egoísta e ao mesmo tempo sustentar financeiramente o marido artista, já que ela era totalmente contrária a se sacrificar pelos outros? Para os fãs de Ayn Rand e também para os haters, não deixa de ser interessante.

 

 

14 Dec 12:51

Atos pró-impeachment levaram às ruas 0,1% dos eleitores

by Carlos Motta
Manifestação em Brasília: muito barulho, poucas pessoas
(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
O retumbante fracasso das manifestações pró-impeachment da presidenta Dilma Rousseff, domingo, 13 de dezembro de 2015, me fez pensar em algumas coisas:

@ A imensa maioria da população brasileira não está nem aí para essa história de impeachment da presidenta, ao contrário do ocorrido com Collor. Muita gente pode não gostar do governo, pode não gostar do PT, mas há uma diferença imensa entre isso e sair às ruas para participar de manifestações como as de domingo.

@ A ultradireita está à frente da organização dos atos, por meio de vários "movimentos", e, tudo indica, tem muitos recursos financeiros para essa tarefa. Afinal, contratar trios elétricos, mandar confeccionar bonecos gigantes e faixas enormes, não é para qualquer um.

@ A ultradireita é isso o que se viu: faz muito barulho nas redes sociais, mas representa uma ínfima parcela da população brasileira. Se, por exemplo, seu ídolo Bolsonaro fosse candidato presidencial, não teria nem 3% dos votos.

@ O público das manifestações é composto por 99,9% de brancos de classe média e classe média alta. Parece que pobres e negros são proibidos de engrossar o coro dos descontentes, a não ser para carregar faixas e cartazes, pagos, naturalmente.

@ Quanto mais aparecem nos meios de comunicação, mais os "líderes" das manifestações mostram o quanto são ignorantes, toscos, primários e dissociados da realidade. Assistir a eles falando causa um imenso constrangimento em quem os ouve.

@ O fato de nenhum artista, intelectual, sindicalista ou representante de entidades de classe ou de organizações da sociedade civil participar dos atos indica o seu caráter restrito.

@ A justificativa mais ouvida para o impeachment, de que é preciso acabar com a corrupção, sem que nela se incluam todos os corruptos, mas apenas os do PT e aliados, desqualifica completamente o movimento e mostra que ele visa tão somente ferir a esquerda.

@ A mídia, pelo esforço que fez para inflar a importância dos atos e o número de quem participou deles, está mesmo engajada no golpe para apear Dilma da presidência.

@ A guerra do impeachment será travada no Congresso e nos gabinetes refrigerados das autoridades, e não nas ruas. 

@ Em todo o Brasil, no domingo, as manifestações reuniram cerca de 0,1% do eleitorado, ou 0,05% da população. Os números falam por si. 

14 Dec 11:48

Aumento da violência está ligado à crescente exclusão social em Porto Alegre, aponta Mapa

by Marcelo Oliveira

08/12/2015 - PORTO ALEGRE, RS - A Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh), presidida pela vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), realiza coletiva de imprensa sobre o lançamento do Mapa dos Direitos Humanos, do Direito à Cidade e da Segurança Pública de Porto Alegre na Câmara Municipal. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Débora Fogliatto

A conexão entre direito à cidade, segurança pública e direitos humanos fica evidente no Mapa lançado pela Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh) da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, apresentado em coletiva de imprensa nesta terça-feira (8). A publicação está sendo lançada oficialmente em seminário que conta com debates sobre os assuntos envolvidos. O Mapa contém análises e dados sobre gentrificação social e grupos em situação de vulnerabilidade, em continuação ao trabalho apresentado no final de 2014 pela mesma comissão.

É possível perceber, pela publicação, o afastamento das pessoas de baixa renda do centro da cidade. As classes sociais mais baixas estão presentes em locais mais periféricos que, ao mesmo tempo, são onde há maiores violações de direitos humanos, menores índices de crianças nas escolas e também menor número de equipamentos sociais. A mortalidade infantil, por exemplo, é de 6,3% na região central, número que passa para 17,7% na região nordeste e 15,3% na Restinga, regiões onde são registradas as menores rendas per capita do município.

Ao mesmo tempo em que possuem piores índices, essas regiões também contam com menos equipamentos sociais, apontou a presidente da Cedecondh, Fernanda Melchionna (PSOL). “Há menor acesso à educação, à saúde e também a serviços de acolhimento a pessoas em situação de vulnerabilidade”, criticou. Nesses mesmos locais são construídas a maior parte das moradias voltadas para a população de baixa renda, destacou ela.

O documento apresenta 81 recomendações ao poder público relacionadas às diversas seções que congrega: Direito à cidade, segurança pública, direitos das crianças e adolescentes, dos idosos, da população LGBT, das mulheres, dos negros e negras e da população em situação de rua. A maior parte dos dados são referentes a 2014, quando houve um aumento preocupante da violência, segundo a vereadora, especialmente homicídios.

Em todo o Estado, o total de mortes violentas intencionais em 2014 foi de 2.438, representando um aumento de 21,1% das ocorrências em relação a 2013. Destes, 92,1% foram homicídios e 5,5% latrocínios. Houve ainda um maior número de casos de mortes decorrentes de ação policial, passando de 42 em 2013 para 62 em 2014. Já em Porto Alegre, percebe-se que houve um aumento de 70,12% dos casos de homicídios quando comparados com os três anos seguintes. O Mapa conclui que houve um aumento progressivo de crimes na cidade, com exceção de estelionato, homicídios no trânsito, extorsão e entorpecentes. Destacam-se ainda o aumento de furtos, que foram 35.875 em 2013 e 37.522 no ano seguinte; e roubos, de 19.182 para 24.308.

08/12/2015 - PORTO ALEGRE, RS - A Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh), presidida pela vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), realiza coletiva de imprensa sobre o lançamento do Mapa dos Direitos Humanos, do Direito à Cidade e da Segurança Pública de Porto Alegre na Câmara Municipal. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Lançamento oficial do Mapa acontece a partir das 18h | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Dentre os homicídios, se destacam as mortes de jovens: foram 56,4% das vítimas. Em meio a discussões nacionais sobre a redução da maioridade penal, o Mapa aponta que, em Porto Alegre, ao mesmo tempo em que os crimes contra crianças e adolescentes aumentaram 37%, os cometidos por eles diminuíram. A cada dois dias e meio, um adolescente foi assassinado na cidade. Houve uma redução de 14,9% em casos de lesão corporal, de 26,7% em homicídios dolosos e a diminuição de 85 estupros em 2013 para 67 em 2014. Os crimes que aumentaram foram de posse ilegal de armas (10%) e ameaça e roubo (3% e 4,7%).

Segundo os vereadores, a criminalidade envolvendo jovem está diretamente ligada a fatores como evasão escolar, que aumentou em 2014. De 2012 a 2014, foram  abertas 45.140 fichas de Comunicação de Aluno Infrequente em Porto Alegre, das quais a maior parte ocorre ainda no Ensino Fundamental (70,8%). A relação entre a falta de escolaridade e a criminalidade é percebido já nos dados sobre a população carcerária, em que está constatado que 93% dos detentos não têm Ensino Médio completo. “Seria muito mais eficaz agir nesse momento, evitar a evasão escolar, e pensar nisso como política de segurança pública”, afirmou o vice-presidente da Comissão, Alberto Kopittke (PT).

População negra está em bairros periféricos

08/12/2015 - PORTO ALEGRE, RS - A Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh), presidida pela vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), realiza coletiva de imprensa sobre o lançamento do Mapa dos Direitos Humanos, do Direito à Cidade e da Segurança Pública de Porto Alegre na Câmara Municipal. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Os dados sobre negros e negras demonstram a desigualdade vivida por essa população, que representa 20,24% dos habitantes de Porto Alegre, sendo a terceira capital com menos negros no país. A maior parte dela está concentrada em bairros mais periféricos da cidade: do total, são 39,2% nos bairros Restinga, Sarandi, Santa Tereza, Rubem Berta, Lomba do Pinheiro e Mário Quintana, que correspondem a quase todos os locais com menor renda mensal per capita, menor expectativa de vida ao nascer, maior mortalidade infantil e maiores índices de crianças fora da escola. Já nos bairros mais ricos (Moinhos de Vento, Bela Vista, Higienópolis, Boa Vista, Mon’t Serrat e Três Figueiras), está apenas 0,59% dessa população.

A população negra também representa a com maiores taxas de analfabetismo do município, cujo índice geral é de 2,27% e, entre os negros, sobe para 4,4%. Os registros dos crimes de injúria racial aumentaram significativamente de 2010 a 2014, o que pode significar tanto um crescimento dos casos quanto das notificações. Foram 190 casos de injúria em Porto Alegre e 1.038 no Rio Grande do Sul, contra 70 na capital e 624 no estado em 2010. Já os crimes de racismo diminuíram de 209, há cinco anos, para 124 no ano passado em todo o RS.

Idosos: sem equipamentos

A população idosa representava 15,04% dos porto-alegrenses em 2010, segundo o Censo daquele ano, dado que aumenta a cada ano. Paralelamente, a violência contra esta faixa etária também aumenta, mas os equipamentos voltados a eles permanecem estagnados no município, segundo críticas dos vereadores. As denúncias de violação a pessoas idosas tiveram um aumento de 16,4% em 2015 em relação ao ano anterior, das quais a maior parte são de negligência (77,66%), seguido por violência psicológica (51,70%). A maioria das vítimas (63%) são do sexo feminino.

LGBTs: falta de registros

A Comissão teve dificuldades de encontrar dados referentes à violência em relação à população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs) devido ao fato da especificação de orientação sexual e identidade de gênero não constar nos boletins de ocorrência. Foi possível perceber, no entanto, que a cidade conta com “pouquíssimos recursos no combate à discriminação” ligada a esses fatores, segundo Melchionna. “A ausência de dados representa a falta de preocupação em se ter estatísticas completas sobre essa população tão vulnerável”, criticou ela.

Mulheres: redução dos feminicídios

Um dos dados positivos apresentados foi a redução de feminicídios em 2014, 75 registrados em 2014, uma diminuição de 25,74% dos casos em relação aos dois anos anteriores. Em 2013, haviam sido 92 e, um ano antes, 101 casos. “Essa diminuição acontece graças ao trabalho integrado em rede de combate à violência e promoção da autonomia implantada no ano passado, com a Rede Lilás”, apontou Kopittke. A maior parte desses crimes segue acontecendo na residência da própria vítima, que representam quase 70% dos casos.

Os números de estupros e tentativas também diminuíram, embora esta redução tenha sido menos significativa. Em 2013, foram 2.589  casos no Rio Grande do Sul, número que cai para 2.489 no ano seguinte; enquanto na capital foram 393 em 2013 e 321 em 2014. No entanto, Melchionna destaca que este é um dos crimes mais subnotificados no país.

08/12/2015 - PORTO ALEGRE, RS - A Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh), presidida pela vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), realiza coletiva de imprensa sobre o lançamento do Mapa dos Direitos Humanos, do Direito à Cidade e da Segurança Pública de Porto Alegre na Câmara Municipal. Foto: Guilherme Santos/Sul21

População em situação de rua

Os dados sobre quantidade de pessoas em situação de rua também não são exatos. O Movimento Nacional da População em Situação de Rua estima que haja cerca de 3 mil pessoas nesta situação em Porto Alegre, enquanto a Fundação de Assistência Social e Cidadania (FASC) trabalha com um índice de 2011 que estima a existência de 1.347 pessoas nas ruas. O município conta com dois centros POP (Centros de Referência Especializados em População em Situação de Rua), que conta com defasagem de recursos humanos; nove equipes de abordagem social; quatro abrigos, três albergues, duas repúblicas. As vagas nos equipamentos de abrigagem somam apenas 220 por mês na cidade.

Segurança pública

Os vereadores avaliaram que o aumento da violência está diretamente ligado à exclusão social, o que provoca hiperlotação nas cadeias, mas não em combate à criminalidade. “Precisamos de maior integração e ação social para combater a violência. O aumento do número de presos apenas piora a situação”, avaliou Kopittke. O vereador Alex Fraga (PSOL) concordou. “A força policial apenas coíbe a violência, mas não a diminui. Isso acontece com políticas públicas e planejamento. Os índices de criminalidade estão ligados à enorme evasão escolar, por exemplo”, analisou.

Eles também destacaram que a Secretaria Estadual de Segurança Pública não forneceu os dados requeridos pela Cedecondh. “Conseguimos os dados apenas disponíveis pela Lei da Transparência, pois nosso pedido de informação foi negado”, criticou Melchionna.


Disponível em http://www.sul21.com.br/jornal/aumento-da-violencia-esta-ligado-a-crescente-exclusao-social-em-porto-alegre-aponta-mapa/

14 Dec 11:45

We Love Denver

by Eric Scharnhorst
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Photo: Mark Englert

16th Street in the heart of Denver should be a buzzing downtown destination and a magnet for people. Design solutions alone have not managed to make it full of life. The Denver City Council is now trying a people-first approach to bring life to the streets.

First, a little background; Denver’s 16th Street Mall is nationally recognized as an efficient transit mall. Shuttle rides are free, and this makes it’s easy to get from one end of the mall to the other. But it isn’t much of a destination.

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An average day on 16th Street. Photo: Mark Englert.

Last summer, the City of Denver asked us to measure how well 16th Street works for people. We love this kind of project. And to sweeten the deal, we were able to design our study around five special summer ‘Meet In The Street’ Sundays. Meet In The Street was initiated last year by the Downtown Denver BID and the Downtown Denver Partnership for two Sundays in 2014, this year it was scaled up to include five Sundays. The Mall was full of life and special activities on these days, and the shuttles were rerouted so there wasn’t any traffic.

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Meet In The Street 2015

The activities and programming changed from one block to another and from one Sunday to the next, so we measured how public life responded to these different types of programming. Expanding cafe seating into the shuttle lanes increased public life the most.

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Performance of different Meet In The Street Activities

Children flocked to the blocks that were programmed for them. And surprisingly, horses performed better than public art.

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Highlights of Meet In The Street Activities

And here’s the best part: because the shuttles still ran on parallel streets, everybody still got to where they needed to go. There were no complaints about shuttle service. In fact, we found that a much larger number of pedestrian were now using the street.

So what’s next? Measuring is just one part of the process. And the 16th Street Mall has a lot of stakeholders, all wanting the best for 16th. When collaborating with them, we realized that a people-first “measure, test, refine” approach has infiltrated the planning and governance structure across city agencies. This is why we’re recommending a series of public life measurements and test projects to be carried out on a variety of concurrent downtown projects in 2016.

We’ll keep you updated as we move our recommendations through the pipeline. It’s been great to work in Denver so far, and we couldn’t have done it without a strong client, caring stakeholders, and awesome volunteers.

 

14 Dec 11:19

Ebook gratuito: Universo Desconstruído Vol. II

by Lady Sybylla
Em 2013, Aline Valek e eu estávamos indignadas. Não conseguíamos encontrar ficção científica que nos representasse, uma ficção com a qual pudéssemos nos identificar. E pior, o cenário brasileiro é desanimador para as escritoras desse gênero, dominado por homens, produzido por e para homens. Desta indignação surgiu uma vontade. Da vontade, surgiu o Universo Desconstruído.

Ficção científica feminista é uma coisa que deixa muita gente cabreira, mas não é nenhum bicho de sete cabeças. Na verdade, é uma ficção científica pautada nas mulheres e nas minorias que não têm uma boa representatividade na literatura. A primeira obra deste sub-gênero foi de Roquia Sakhawat Hussein que, em 1905, escreveu O Sonho da Sultana, onde imaginou um mundo pacífico, comandado por mulheres, com carros voadores e energia solar.

O Universo Desconstruído Vol. I, em 2013, foi uma tentativa de resgatar o espírito de Roquia e da FC feminista, que nunca teve uma obra no Brasil. Convidamos autores, escrevemos, trocamos ideias, tudo pela rede, tudo online. E lançamos.



Siga a @Sybylla_


Em 2014 foi a vez de resgatarmos Roquia. Traduzimos o conto da sultana, já em domínio público, e lançamos. Tudo gratuito. Tudo feito na cooperação, sem lucro envolvido. Tudo para mostrar que não só podemos fazer a diferença, como ficção científica é coisa de mulher sim!

E agora, finalzinho de 2015, aos 45 do segundo tempo, estamos trazendo um segundo volume, com mais autores convidados, mais mundos e personagens para você conhecer. O download dos ebooks é totalmente gratuito; a única coisa que pedimos em troca é um compartilhamento no Facebook ou no Twitter para que você possa ler.

PDF


epub


mobi

Se você preferir o livro físico, ele está no Clube de Autores, um site de venda de livros por demanda. O trabalho deles é ótimo, o acabamento é perfeito, não devendo nada aos livros que a gente vê na livraria. Esta edição é paga, mas são os custos da impressão e do frete. Clique aqui!


Quem participou?
Tivemos a honra de trabalhar com pessoas de grande talento, mais uma vez. A coletânea contém um belo prefácio escrito pela Jules de Faria, do Think Olga. Um cordel lindo da Jarid Arraes, da Revista Fórum. O afrofuturismo marca presença no conto de Fábio Kabral. Marta Preuss deixou a Amazon na mão e entrou para o time do UD contando sobre a sina dos Centaurianos.

Thiago Leite, da Teia Neuronial, recontou a história de Andrômeda. Meu conto fala de uma nave que depois de cem anos retorna à Terra. O conto do Ben Hazrael, lá do Cabaré das Ideias, fala da busca de Viviana por seu irmão gêmeo.

Clara Madrigano nos traz uma angustiante estória sobre Ari, abusada e presa na casa de um sádico. E por fim, M.M. Drack, resgata a mitologia dos Cavaleiros do Zodíaco, onde a a capitã Magellan e a androide Andrômeda terão de encontrar uma nave perdida.

A arte da capa é um capricho à parte. E essa busca foi interessante, pois foi o Grupo da Cracóvia, os patrões do AntiCast que me ajudaram na busca. Pedi ajuda ao Ivan Mizazunk, o grande (e)ditador da Cracóvia, porque eu não tinha arte da capa deste segundo volume. Ele então me jogou no meio da Cracóvia, expôs o problema e muitas pessoas se dispuseram a ajudar. Theodore Guilherme é ilustrador e designer, nerd de carteirinha e embarcou nesta missão com a gente.


Ficou ou não ficou um arraso essa arte? Theodore, você é fera, meu caro, muito obrigada!

Espero que você curta a nova coletânea e voltei aqui pra me contar depois o que achou!

Até mais!

Aproveite e ouça a trilha sonora escolhida pelos participantes da coletânea!


Universo Desconstruído Vol. II from Lady Sybylla on 8tracks Radio.




© Este artigo pertence ao blog Momentum Saga.
É proibida a reprodução dos artigos deste blog, parcial ou totalmente. Leia a Licença. Plágio é crime previsto no Código Penal e na Lei 9610/98.
13 Dec 13:58

Gerson Carneiro: Como na ditadura, Folha tenta apagar o passado. Se já foi Eduardo Cunha de coração, hoje ela nem se “lembra”  

by Conceição Lemes

Folha

por Gerson Carneiro, especial para o Viomundo

Não durou nem um ano entre as capas de comemoração da eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara dos Deputados e a com  editorial que pede a cassação do parlamentar. A primeira é de fevereiro de 2015. A segunda, deste domingo, 13 de dezembro de 2015.

Como não acredito em almoço grátis oferecido pela Folha, não caio nessa. O truque era colocar o Eduardo Cunha lá pra fazer exatamente o que fez.

Mas o “minino” exagerou na dose e agora pode azedar o impeachment.

É preciso trocá-lo com urgência por alguém que tenha condição de pintar uma falsa credibilidade ao golpe.

[Não vai sair no JN: A tropa de choque de Cunha]

Prestem atenção como o editorial é finalizado. Nem Cunha, nem Dilma: o mais importante é o processo de impeachment.

Imperativo lembrar que no dia anterior foi O Globo a pedir a cabeça do Eduardo Cunha.

Em suma, o Eduardo Cunha fez o trabalho sujo que tinha de fazer, agora está atrapalhando. Chegou a hora de descartá-lo.

“Esperteza, quando é muita, vira bicho e come o dono.”

Agora afaste o olhar do editorial e observe a capa como inteiro. É possível perceber a mensagem complementar escondida na intenção da  Folha. Junte o título do editorial com a manchete principal, põe a culpa no PT.

PS do Viomundo: A piada maior é que a Folha não usa, neste caso, a teoria do domínio do fato, nem a da fruta de árvore contaminada; já que foi achaque, processo de impeachment conduzido pelo Cunha deveria simplesmente ser extinto!

Leia também:

Pimenta: Já passou da hora de o STF e MPF se manifestarem contra manobras de Cunha 

O post Gerson Carneiro: Como na ditadura, Folha tenta apagar o passado. Se já foi Eduardo Cunha de coração, hoje ela nem se “lembra”   apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

13 Dec 13:55

Como as espanholas derrotaram a direita

by Cynara Menezes

(As mulheres espanholas na luta contra a proibição do aborto. Foto: CCOO)

As mulheres da Espanha têm uma lição para ensinar a nós, brasileiras, neste momento em que a Câmara dos Deputados, sob o comando do fundamentalista religioso Eduardo Cunha, pretende dificultar até mesmo a interrupção da gravidez em caso de estupro (projeto do próprio Cunha).

Em 2014 elas conseguiram vencer uma luta-de-braço com o conservadorismo espanhol, que planejava um retrocesso na lei do aborto, permitido livremente no país desde 2010. A jornalista baiana Neyse Cunha Lima, radicada em Barcelona, conta com exclusividade para o blog como foi essa luta inspiradora.

***

O feminismo vai de trem

Por Neyse Cunha Lima
exclusivo para o Socialista Morena, de Barcelona

No dia 1º de fevereiro do ano passado, 150 mulheres usando coletes e echarpes lilás subiram em um trem em Gijón rumo à capital da Espanha. Durante a viagem, houve quem tricotasse, quem gravasse as companheiras com o celular, quem só quisesse andar pra lá e para cá, falando com todo mundo. Eram mulheres de vários tipos, mas todas, absolutamente todas, cantaram pelo menos um pouquinho durante o trajeto de quase 5 horas até Madri. A canção, escrita especialmente para a data, tinha uma métrica estranha. As vozes também deixavam um pouco a desejar, mas nada disso importava. Aquela era uma canção de guerra e cumpria o seu papel –dar força e levantar o moral.

Como ocorre atualmente com as brasileiras, as passageiras do trem se aferravam a direitos adquiridos a duras penas, que agora eram ameaçados por um projeto de emenda da lei do aborto. O “Eduardo Cunha espanhol” atendia pelo pomposo nome de Alberto Ruiz-Gallardón, católico, ex-prefeito de Madri e então ministro da Justiça do governo de direita do Partido Popular (PP). Sua proposta era derrubar a lei de 2010, a chamada Lei de Prazos, que permite o aborto livre e universal até 14 semanas de gravidez, e voltar a criminalizar a prática. As exceções seriam apenas duas: estupro ou ameaça à saúde física ou psíquica da mãe, sendo que este último deveria ser atestado por dois médicos diferentes.

Graças ao Trem da Liberdade, como foi batizado o alegre comboio lilás, não só o projeto de lei foi engavetado como seu autor papa-hóstias se retirou definitivamente da vida pública, decepcionado.

É verdade que o Trem da Liberdade não viajou sozinho. Ao chegar a Madri, com um documento de repúdio para entregar ao governo, milhares de mulheres – 700 mil, segundo a central sindical Comisiones Obreras, “dezenas de milhares” segundo El País – as esperavam. Elas (e também muitos “eles”) vinham da Andaluzia e do País Basco, da Catalunha, da Extremadura, de todas as partes. O apoio também chegava de outros países europeus, não só através de grupos de mulheres que viajaram de carro e avião, mas também na forma de manifestações em grandes cidades como Roma, Amsterdã, Bruxelas ou Paris. Nesta última, a marcha em favor do #YoDecido reuniu 30 mil mulheres, segundo as organizadoras. Até a Argentina entrou na dança, com uma manifestação em Buenos Aires.

“Trata-se de tornar visível o invisível, e neste sentido, foi fundamental a união”, diz a socióloga e crítica cinematográfica feminista Pilar Aguilar, para quem “a solidariedade é um princípio inapelável do feminismo”.“O movimento feminista não é um partido, não tem um cabeça. As coisas ocorrem por meio de contatos e apoios”, diz Pilar, que vive entre a Espanha e a França e funciona como uma espécie de embaixadora não oficial do movimento. Ela também chama a atenção para o fato de que, em paralelo às manifestações públicas, houve um importante trabalho de bastidores junto às parlamentares europeias.

A proposta, à medida que o movimento evoluiu, era criar uma lei única para toda a Europa, ideia que acabou não vingando. Mas o apoio de parlamentares de outros países da União Europeia deixou claro que não se via com bons olhos que um de seus membros fosse associado a práticas retrógradas, especialmente depois de ter figurado alguns anos como o país mais avançado do continente nessa matéria, em termos de legislação.

Não será por acaso que, desde então, o aborto se tornou uma espécie de commodity política na Espanha. Por exemplo, a lista de candidatos do PP ao Congresso nas próximas eleições gerais de 20 de dezembro não inclui nenhum dos deputados que continuaram defendendo uma lei mais dura para o aborto depois da retirada do projeto. E a menos de um mês das eleições, o partido ainda evita se pronunciar sobre qual será a sua postura em relação ao único item da lei de Gallardón que continua em pauta – a exigência de autorização paterna para menores de idade que queiram abortar.

“A corda acabou arrebentando do lado mais frágil”, diz Begoña Piñero, presidente da Tertulia Feminista Les Comadres, que organizou o Trem da Liberdade e o movimento #YoDecido. “É preciso se colocar no lugar de uma menina de 15 anos – há questões de religião, etnia, violência doméstica… Às vezes o autor da violação é o próprio pai, como essa menina vai poder ter o apoio paterno?”, argumenta Begoña, que com seu fervor característico não pretende repousar sobre os louros da vitória. “Ainda precisamos pactuar o tema das adolescentes, e as listas de todos os partidos para essas eleições mostram que o movimento feminino perdeu espaço”.

Begoña sabe o que diz. Aos 59 anos, já leva mais de 30 na luta, e sua percepção da condição da mulher vem de muito antes. Nascida e criada na pequena localidade mineira de Barredos, e filha de operário, ela trazia inevitavelmente no código o gene da consciência social. A questão feminina, no entanto, surgiu a partir da observação. Mesmo sendo criada “em uma família livre de violência”, como faz questão de frisar, sempre teve muito claro que as mulheres eram colocadas por tabela em um plano inferior. “Para começar, via como meu irmão era educado de forma diferente de mim e de minha irmã”, conta.

Em 1985, surgiu a Tertulia, cuja primeira ação foi reivindicar que as ruas de Gijón, até então dominadas pelos homens, pudessem também ter nomes de mulheres. Gritaram tão alto que acabaram sendo ouvidas pelo novo prefeito socialista, e muitas placas que ostentavam nome e valores do franquismo foram substituídas. Pode parecer bobagem, mas se a gente pensa melhor, é uma questão de semiótica – e também uma questão de marketing, matéria na qual a mulherada parece cada vez mais versada.

O Trem da Liberdade pode ter surgido de forma singela, em um almoço de Natal que as Comadres fizeram em 26 de dezembro de 2013. A organização foi informal, concentrada na floricultura de Begoña. Mas o filme que resultou da jornada foi uma superprodução que envolveu 80 profissionais de diversos segmentos do mundo do cinema. E essa foi apenas uma entre muitas ações de conteúdo simbólico que ajudam essas mulheres a serem ouvidas.

Ainda em 2008, durante a luta pela Lei de Prazos, 1600 asturianas foram às delegacias de polícia entregar-se como criminosas, por terem cometido abortos em um ou outro momento. A ação se repetiu em 2014, dessa vez com mulheres e homens se apresentando à Guarda Civil de Barcelona. Também foi “montada” uma clínica fictícia, a Abortion Travel, que oferecia pacotes para ir abortar no exterior, evitando as clínicas clandestinas, que seriam a única opção, se aprovado o projeto de Gallardón. As mulheres também registraram o próprio corpo nas juntas comerciais e se vestiram de aeromoças, invadindo os trens de Catalunha para explicar, com gestos, como o Ministro da Justiça pretendia sabotá-las.

Claro, marketing só não basta. “Cada ação provoca uma reação do patriarcado, e às vezes se avança, e outras se retrocede”, diz Pilar Aguilar. Em nível individual e comunitário também existe muita ambiguidade e desconhecimento. A Igreja Católica, cuja expertise em marketing ultrapassa qualquer meta que as feministas possam ter, tem uma influência tremenda no governo e na sociedade, especialmente considerando-se que se trata de um estado que se proclama laico.

E mesmo quem se considera progressista pode cair em armadilhas. “Aprendemos muita coisa e muitos pais acreditam que educam melhor, mas ainda estão aí a cantora do grupo pop espanhol Amaral cantando que “sin ti no soy nada”, e a mocinha da saga Crespúsculo deixando tudo, até mesmo a condição humana, para seguir um homem”, diz Begoña. Em outras palavras, é preciso educar para a igualdade.

No início do ano passado, surgiu no Facebook um grupo chamado Claustro Virtual de Coeducación, encabeçado por uma professora de ensino secundário chamada Marian Moreno Llaneza. O grupo, atualmente com 1800 membros, se dedica a intercambiar ideias e materiais para utilizar em sala de aula, estimulando uma educação inclusiva. “Abordamos coisas como a falta de visibilidade das mulheres nos livros e materiais didáticos, a falta de espírito crítico diante do machismo, a escassa educação afetivo-sexual e a falta de perspectiva de gênero”, diz Marian.

Outra de suas preocupações é o uso da linguagem e como as palavras podem tornar a mulher invisível. O tema da linguagem é recorrente entre as feministas, que, entre outras coisas, dirigem suas reivindicações à mídia. “Não se pode, por exemplo, dizer que a violência de gênero é um crime passional, porque não tem nada a ver com paixão nem com amor; é um crime ideológico, um terrorismo no qual se mata em nome do machismo”, diz Begoña Piñero.

O mesmo ocorre com a questão da invisibilidade, também atacada por diferentes grupos. Como o Club de las 25, que reúne jornalistas, artistas e empresárias que se uma vez por mês no Hotel Palace de Madri para discutir temas relacionados à luta pelos direitos femininos. Como parte das comemorações do Dia da Mulher este ano, elas realizaram uma maratona da qual participaram mulheres de mais de 70 cidade de todo o mundo com o objetivo de editar a Wikipedia. Segundo dizem, somente 10% dos editores do wiki são mulheres, e isso se nota nos verbetes.

O grupo também oferece prêmios anuais a mulheres que se destacam por suas contribuições. Em novembro, foi a vez de Begoña, que no seu estilo low-profile de sempre, passa a bola para o movimento. “O prêmio, na verdade, foi para o trem”.

Mas este trem não foi o último que passou. No último dia 7 de novembro, mais de 150 organizações feministas e milhares de simpatizantes, homens e mulheres, tomaram outra vez as ruas de Madri. Dessa vez, a reivindicação máxima era o fim da violência machista. Como sempre, houve controvérsias sobre o número de manifestante, mas as organizadoras falavam em meio milhão. A empresa de análise de mídias sociais Topsy contabilizou 13.000 menções no twitter durante a marcha, fora as dezenas de milhares que a antecederam. Ainda assim, dois dias depois El Pais noticiava: “Quatro mulheres assassinadas após a grande marcha contra a violência machista”.

 

 

13 Dec 13:35

GUEST POST: VEREADORES APROVAM QUE PRECONCEITOS NÃO PODEM SER COMBATIDOS NA ESCOLA

by lola
Bispo e vereador João Batista comemora a vitória do retrocesso

Gustavo me enviou este texto assustador, não muito diferente do que vem acontecendo em Câmaras de Vereadores de inúmeras cidades do país. 
Nos estados, até junho
(clique para ampliar)
A pressão que as bancadas religiosas fazem é fortíssima. Inventam mentiras mil, aterrorizam a população, dizem que o filho será "transformado" em gay ou menina (não chegam a uma conclusão sobre o que seria pior), e falam, na cara dura, que educação sexual deve ficar fora das escolas, pois seria um assunto que cabe apenas à família -- e, como sabemos, pra essa gente só existe um modelo de família. 
Na maior parte das cidades, a votação sobre o que os reaças chamam de "ideologia de gênero" (como se o que eles ensinam não fosse ideologia) foi o horror descrito abaixo. 
Quer dizer, São Bernardo Campo já deu um passo além: proibiu discussões de gênero em sala de aula. É a lei da mordaça mesmo.
O pior é que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) já prevem que discussões sobre gênero e tolerância sexual sejam realizadas nas escolas. 
Ativistas LGBT em São Bernardo.
Apesar de todo o empenho dxs ativis-
tas, os reaças ganharam a batalha
E, como disse Camila Moreno, representante do MEC, temas que os reaças identificam como feministas (mas que são, ou deveriam ser, temas de toda a sociedade, como o combate à violência contra a mulher) já estão aparecendo no ENEM. Como, então, proibir que o conteúdo que cai no maior exame nacional não seja aprendido nas escolas?
Leia o que Gustavo nos relata e deixe sugestões: o que pode ser feito para reverter essa sandice, que não é exclusividade da cidade dele?

Campanha "Falsos Profetas":
ativistas tentaram mostrar
que julgar é errado e vai
contra a palavra que os
próprios religiosos pregam
Queridíssima Lola, é com grande pesar que escrevo esse texto para você.
Meu nome é Gustavo, tenho 18 anos e moro em São Bernardo do Campo, SP.
Na quarta, dia 09/12, aconteceu a votação do Plano Municipal de Ensino (PME) da cidade.
O plano incluía o ensino de tolerância e respeito à gênero, etnia, orientação sexual, identidade de gênero, entre outros, motivo de grande alegria do movimento feminista e da comunidade LGBT da região. Acontece, Lola, que a religião por aqui é extremamente presente, chegando, inclusive, a se misturar de forma absurda no meio político.
Pery Cartola, a cara de um fanático
Algumas semanas atrás os vereadores Rafael Demarchi (PSD), João Batista (PTB) e Pery Cartola (PPS) iniciaram uma campanha difamatória contra a comunidade LGBT em relação ao plano. Até aí, nada além do esperado -- a política brasileira sempre tem esse pé no conservadorismo religioso. O problema, de fato, foi o discurso mentiroso e inflamado que estes senhores fizeram.
O PME foi deturpado nas mãos desses conservadores. Os vereadores alegaram que o plano incluía o uso de banheiros unissex nas escolas, aulas de "exploração sexual" (onde os alunos fariam sexo com ambos os sexos para decidir "o que gostam mais", segundo palavras do vereador Rafael Demarchi, que também se opõe à educação sexual nas escolas), que as crianças seriam educadas com base na premissa de que não existem meninos e meninas (dizendo que o gênero seria uma escolha) e outros absurdos.
O resultado é que o plano foi modificado para incluir apenas a palavra "diversidade", excluindo a especificidade do mesmo.
Na votação de quinta, foi introduzida uma nova emenda, que veta a discussão de ideologia de gênero e orientação sexual dentro de sala de aula. Ou seja, as crianças não podem ser ensinadas a não ter preconceito. Esta emenda foi aprovada.
Graças às mentiras contadas, houve uma enorme comoção cristã na câmara. Nós, representantes presentes do movimento LGBT, do coletivo negro e do movimento feminista, fomos esmagados e silenciados pelo número chocante de pessoas que foram manipuladas por estes senhores. Foi um massacre, não tivemos nem a chance de lutar, já que os vereadores não estavam abertos ao debate: a decisão havia sido tomada antes mesmo das emendas serem assinadas.
Isto sem contar o fato de que a votação parecia não se passar dentro da Câmara, mas sim dentro de alguma igreja. Os políticos bradavam ao microfone: "Glória a Deus", "Jesus é o caminho", "A Família tem que vencer" etc. Até louvor teve, em coro.
Vereador diz em vídeo que educar cabe
à família, não à escola, e que a ideia
de uma escola que educa é "coisa de
comunista"
Na mesma semana, graças a votações passadas, dois homossexuais foram espancados em uma rua próxima à Câmara Municipal.
Tudo isto pode ser provado com as transcrições das votações da PME e, também, pelos vídeos divulgados na página dos vereadores já citados.
Acontece que, com as discussões de gênero vetadas, também fica impossibilitado o ensino de igualdade de gêneros cis binários, ou seja, agora seria proibido, por lei, ensinar nas escolas que homens e mulheres são iguais. Retrocesso ao feminismo e à causa LGBT, tudo isso em uma votação de pouco mais de duas horas de duração.
Igreja ou Câmara de Vereadores?
Não bastasse isso, também temos o fato de que a homofobia e a transfobia surgem exatamente no momento em que o ódio à mulher é tão grande que qualquer coisa que se assemelhe (ou o que os misóginos pensem se assemelhar, já que não existe mulher em uma relação gay) a uma mulher é ridicularizado, renegado e demonizado.
Vereadores (todos homens?) aprovam
o atraso
Estamos, atualmente, procurando as providências legais que podem ser tomadas, já que, além de inconstitucional, a PME da nossa cidade agora é inconforme com o MEC.
Se puder nos ajudar, seria de grande valia.
13 Dec 13:30

Bia foi à luta

by Coleguinhas

Eu ia prosseguir com meus números nesta semana, mas esse divertido arranca-rabo entre O Globo e a Bia, neta do Lula, me fez mudar a coluna já engatilhada para esta semana por jogar uma luz sobre as novas relações que vão se construindo entre a mídia e o resto da sociedade – com os jornalistas, por dever de ofício, ficando bem no centro do conflito que cresce.

A meu ver, o desaguisado tem pouco a ver com os fatos terem ocorrido da maneira como uma ou outro contaram (para constar: pode não ter sido como a Bia disse, mas, pela minha experiência com a mesma repórter, o tom agressivo e a arrogância têm toda a chance de terem sido aqueles mesmos). Isso é irrelevante. O que provocou o Direito de Resposta autoconcedido do Globo (há uma ironia aqui, certo?) tem mais a ver com esse parágrafo, retirado de matéria da Vox sobre relação entre a pré-candidatura de Donald Trump e a mídia política norte-americana (numa tradução muuuito livre):

“Esta trepidação tem menos a ver com o fato de Trump mentir do que com a maneira como ele mente. Eles [os jornalistas] não ligam para a mentira propriamente; faz parte do jogo. O que eles não aturam é serem tidos como irrelevantes. Trump não beija o anel. Ele não se incomoda de irritar a mídia. Ele não precisa deles, ou dá o dedo para o que um sábio centrista pensa. Sua desaprovação apenas o fortalece. Os mandachuvas da mídia estão a ponto de serem expostos como espectadores impotentes”.

Foi o fato de ter sido obrigado a se expor na arena de luta política, a sair da tradicional postura olímpica dos meios de comunicação, daquele “não tenho que dar satisfações a ninguém” – tão bem escamoteada quanto expressa pela argumentação em defesa da liberdade de imprensa da maneira que é entendida nas redações – por uma garota de 16 anos, uma “millennial” de corpo e alma, que enfureceu mesmo o jornal. E ela ainda teve a petulância de mandar para o segundo jornal vendido do país o mesmo recado que o NWA enviou para a polícia de Los Angeles (a partir de 1:56).

Bia simplesmente pautou o jornal dos Marinho (como fez comigo, como você deve estar pensando, corretamente). Além de ter feito O Globo a vir a público se explicar, o fez desvelar uma parte do processo de produção de uma matéria – algo que os jornalistas também não gostam de exibir ao distinto público –  ao mesmo tempo que a desmoralizou, pois nada do que está escrito tem mais relevância (se é que algum dia teve, do que eu duvido), já que será lido com o viés do arranca-rabo. Este tornou-se a pauta a ponto de ter sido, por obrigação, citado no pé da matéria.

Não dá para esconder: enfrentar uma “millennial”, no campo dela, com as regras dela – e que, para mal de todos os pecados, ainda é da família do inimigo político mortal de seus patrões –, foi demais para os mandachuvas da redação do Globo.


13 Dec 13:21

Em matéria de privatização do ensino, São Paulo é Goiás amanhã. Por Mauro Donato

by Mauro Donato
Elissandro da Siqueira dialoga com a PM de Geraldo Alckmin

O estudante Elissandro da Siqueira dialoga com a PM de Geraldo Alckmin

 

Se há uma verdade inquestionável é aquela que afirma que educação é o melhor mecanismo para diminuir as desigualdades. Mas se ela obedecer a uma estrutura econômica que visa lucro, essa verdade se mantém? Ou ao aderir a um modelo de mercado as diferenças sociais não apenas permanecem como se acentuam?

O governador Marconi Perillo (PSDB) irá implantar no próximo ano um modelo de transferência de gestão das escolas públicas estaduais de Goiás para a iniciativa privada. Batizadas de OSS (Organizações Sociais), as empresas receberão recursos do estado para administrar as escolas. Da compra de materiais à contratação de professores. Metas precisarão ser cumpridas.

Até a noite de ontem, quatro escolas goianas já estavam ocupadas por estudantes contrários ao projeto.

Esse modelo já está em curso na área da Saúde com efeitos danosos. No Rio de Janeiro, o Tribunal de Contas do Município investiga desvios que ultrapassam R$ 11 milhões desde o início do ano. Há dois dias os gestores de uma OS (a Biotech) foram presos por suspeita de desvio de verbas que recebem do SUS. O patrimônio deles é do calibre de um Collor: Ferraris, cavalos, fazendas. Em São Paulo um tal Instituto Acqua atua em vários municípios, tinha entre seus diretores o Secretário de Saúde de Paulinia, é acusado de sucatear o serviço e enfrenta denúncias de irregularidades feitas pelo Ministério Público em todas as cidades.

O DCM conversou com a professora Andressa Silva que é docente da rede pública paulista e constatou a preocupação com o projeto para a área da educação.

DCM: O que significa esse plano?

Andressa Silva: Antes de mais nada é uma forma de drenar recurso público para empresas privadas. Depois é uma maneira do estado se desresponsabilizar pela incompetência de gestão. Ele assim pode culpar alguém e também pode favorecer determinadas empresas.

A gestão terceirizada prevista para Goiás é ampla, inclui contratações de professores e estipula uma divisão ‘meritocrática’ de recursos. Escolas com bons índices receberão mais e outras menos. Isso não coloca algumas escolas em risco?

Esse é o problema de tratar a educação como mercadoria. Não se pode trabalhar com a ideia de produtividade, trabalhamos com seres humanos e aprendizagem não é produto. Até porque os índices são sempre medidos em turmas diferentes. De que adianta o índice de 2015 no ano de 2016 se os alunos são outros? São as mesmas medidas porém aplicadas a outras pessoas. Para se fazer uma avaliação da aprendizagem, seria preciso avaliar sempre os mesmos alunos. O que os governos têm feito é o índice pelo índice, só. Mesmo dentro da lógica do capital, não é correto medir dessa forma.

A reorganização das escolas por ciclos proposta em São Paulo é um passo nessa direção também?

Com certeza. Existe um PEE (Plano Estadual de Educação) que foi para a consulta pública com 20 metas. Depois do debate já encerrado, foram incluídos mais alguns itens citando a municipalização do Ensino Fundamental e também a flexibilização de currículo sem esclarecer o que é isso. A Secretaria da Educação nunca respondeu clara e objetivamente. Então fica evidente que o que se quer é separar por ciclos para municipalizar, passar o Ensino Fundamental para as prefeituras (que não dão conta), o estado ficaria só com o Ensino Médio e a tal flexibilização passa a ser uma porta para contratação de empresas para mais uma vez drenar recursos públicos. Já há um decreto proibindo a contratação na rede pública, é uma forma de enxugar a máquina visando a terceirização.

A reorganização nada tem de benéfico?

A aprendizagem não pode ser medida apenas por este quesito. Ele é um, mas não o único. Por que escolas particulares que tem ensino de excelência têm no mesmo prédio alunos desde o primeiro ano fundamental ao último do ensino médio? Isso desmente o argumento do governo. Os secundaristas que estão ocupando as escolas também rejeitam isso, não apenas as transferências. Não gostaram de ser vistos como vilões que não respeitam crianças menores. E depois, isso tudo já foi feito em 1995 com o mesmo discurso de que haveria uma melhor adequação pedagógica e que hoje sabemos foi um fracasso.

O estado alega ociosidade…

Mas com essas condições, com salas superlotadas, o sistema cria um ambiente tão ruim que os alunos evadem mesmo. O jovem trabalhou o dia todo, chega cansado e não consegue atenção, não consegue tirar suas dúvidas pois o professor está com outros 59 alunos para atender, como faz? Daí você vê as tais salas ‘ociosas’ e propõe: vamos abrir uma nova turma para dar uma aliviada? A diretoria de ensino não aprova alegando a evasão sendo que evadem exatamente pela falta de turmas menores. Se o estado diz que preza a qualidade, que abra mais turmas e não feche escolas.

A escola pública é tão pior que a particular?

O ensino não é pior, as condições é que são muito piores. O aparato pedagógico, o número de alunos por sala. É diferente você trabalhar num grupo com 25 ou 30 alunos e num outro com 60. Se tenho 25 alunos posso acompanhar melhor, saber se um deles não está bem naquele dia. Então não é o ensino e sim a estrutura, até porque os professores que estão na rede estadual são muitas vezes os mesmos que estão na rede privada. É preciso se desdobrar em várias jornadas. Até nisso a alegação da má formação do professor é infundada. Existem maus profissionais em qualquer profissão.

Depois da mais longa greve da história sem obter sucesso e de saber que não haverá reajuste este ano, é possível viver com o salário de professor?

É impossível. O valor da hora/aula é R$ 12,08. Faça as contas e verá que mesmo em uma jornada completa não se ganha muito mais que R$ 2 mil. Leciono Sociologia para o ensino médio em duas escolas, preciso duplicar a jornada para poder sobreviver. Isso porque já tenho quinquênio e uma evolução funcional e mesmo assim meu salário não atinge 2.700 reais.

 

11 Dec 13:25

Marina Lacerda e Helena Zelic: O machismo e a violência por trás de supostas brincadeiras não podem ser naturalizados

by Conceição Lemes

serrakatia

Fotomontagem de Gerson Carneiro

por Conceição Lemes

Esta cena vai entrar para a história.

Metido a azarador, o senador José Serra (PSDB-SP) levou uma invertida do tamanho da sua canalhice nessa quarta-feira 9, durante jantar de final de ano, na casa do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), em Brasília.

Cerca de 40 senadores estavam presentes, entre os quais Kátia Abreu (PMDB-TO), atualmente ministra da Agricultura.

Ela conversava com um grupo de colegas quando, segundo seu relato à Folha (veja matéria abaixo), Serra “simplesmente chegou numa roda em que não tinha sido chamado, sem mais nem menos” E  afirmou: “Kátia, dizem por aí que você é muito namoradeira”.

Kátia jogou uma taça de vinho na cara de Serra: “Nunca lhe dei esse direito nem essa ousadia. Por favor, saia dessa roda, saia daqui imediatamente”.

À Folha, ela justificou: “Eu fiz o que qualquer mulher honrada faria. Respondi à altura de quem preza a sua honra”.

Serra saiu-se com o surrado foi “uma brincadeira”.

“Seguramente, Serra foi machista”, diz, de saída, Helena Zelic.

“Sou solidária à mulher Kátia, assim como com qualquer mulher que sofra agressão”, avisa. “Mas essa solidariedade não se estende, em hipótese alguma, à Kátia política e representante da bancada ruralista. Ela não nos representa.”

Helena é feminista. Politicamente, defende posições opostas às de Kátia, que normalmente não está ao lado das mulheres feministas nem das mulheres rurais, quilombolas e indígenas.

Para Marina Lacerda, advogada de direitos humanos  e doutoranda pelo IESP -UERJ,  a resposta de Kátia Abreu foi perfeita.

“O machismo e a violência por trás de supostas brincadeiras não podem ser naturalizadas”,  salienta Marina. “Kátia Abreu está em posição contrária aos direitos humanos em muitos sentidos, mas dessa vez foi aliada. Assumiu uma postura feminista”.

“Chamar a Kátia de ‘namoradeira’ é apelar à sexualidade para brincar com a imagem dela”, observa Helena. “Infelizmente, não é novo no front. Acontece o tempo todo.”

Outra coisa recorrente é como a grande mídia está tratando machistamente o episódio: “Brincadeira”; “uma piada que ela não entendeu direito”.

“Sempre que as mulheres revidam o machismo, tentam transformar o fato que causou em ‘brincadeira’, ‘piada’”, atenta Helena. “É uma forma de minimizar as ofensas machistas.”

O que não deixa de ser mais um subterfúgio midiático para, como sempre, blindar Serra dos seus malfeitos.

“De um lado,  o machista Serra. Do outro, uma mulher cheia de contradições, que não está do lado das mulheres feministas”, arremata Helena Zelic. “Mesmo assim, não merece ser ofendida com uma piada.”

**********

Kátia Abreu joga vinho na cara de Serra: “Você nunca será presidente”

10/12/2015  12h21

Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo

A ministra Kátia Abreu, da Agricultura, jogou uma taça de vinho na cara do senador José Serra (PSDB-SP). A cena ocorreu na noite de quarta (9), em umjantar de fim de ano na casa do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) em que estavam presentes cerca de 40 senadores e também o vice-presidente Michel Temer.

A ministra confirmou o fato à coluna.

Kátia Abreu conta que conversava com senadores quando Serra “simplesmente chegou numa roda em que não tinha sido chamado, sem mais nem menos”.

Segundo ela, o tucano afirmou: “Kátia, dizem por aí que você é muito namoradeira”.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, tentou consertar a gafe: “Serra, a ministra se casou neste ano”.

A ministra diz que imediatamente reagiu: “Você é um homem deselegante, descortês, arrogante, prepotente. É por isso que você nunca chegará à Presidência da República”.

E seguiu: “E, de mais a mais, nunca traí ninguém na minha vida”.

Enfim, conta a ministra, ela jogou vinho na cara de Serra e disse: “Nunca lhe dei esse direito nem essa ousadia. Por favor, saia dessa roda, saia daqui imediatamente”.

Serra então teria se afastado.

A ministra afirma que “toda mulher sabe o que um comentário desses significa” e que não tinha outra atitude a tomar.

“Que ódio me deu”, afirma ela.

Kátia Abreu diz que o episódio não tem nada a ver com a divergência atual entre os dois: Serra trabalha para a aprovação do impeachment de Dilma Rousseff. Já a ministra é da equipe e amiga pessoal da presidente.

“Imagina se vou brigar com colega por causa de bandeiras diferentes que cada um possa ter. E eu fiz campanha para o Serra [ à Presidência em 2010], uma campanha derrotada, que sempre apoiei.”

Serra diz ter feito uma “brincadeira com intenção de elogio. “Foi uma brincadeira com intenção de elogio. Me desculpei. Sempre tive respeito pela Kátia”, disse

 Leia também: 

Neta de Lula denuncia: Estou sendo assediada por repórter do Globo 

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11 Dec 11:52

IFRN oferta em 2016 seu primeiro curso de engenharia

by Maria Clara Bezerra de araújo

O IFRN dá início em 2016 à oferta de graduação em Engenharia de Energia, primeiro curso superior do Instituto na modalidade engenharia. O curso será ofertado pela Diretoria Acadêmica de Indústria do Campus Natal-Central.

A turma inicial já está confirmada para o primeiro semestre de 2016 e ofertará 40 vagas. A seleção dos alunos será realizada com a nota do ENEM 2015, através do Sistema de Seleção Unificada do MEC (SiSU), com previsão de abertura das inscrições em janeiro de 2016.

ENGENHARIA DE ENERGIA

O curso de Engenharia de Energia oferece ao estudante formação na área de engenharia, tendo como um dos focos a empregabilidade do engenheiro egresso. O estudante será formado para atuar em todos os setores produtivos em que haja necessidade de produção, distribuição, gerenciamento e utilização de recursos energéticos.

Para isso, o curso contempla a formação relativa à matriz energética nacional, tanto no âmbito das ciências térmicas quanto da eletrotécnica e da área petrolífera. O objetivo é também promover no estudante a preocupação quanto à proficiência da geração, utilização e gestão de recursos no setor industrial.

O profissional de Engenharia de Energia será capacitado a atuar em diversos setores, como o elétrico, plantas de geração de energia renováveis ou não-renováveis, a indústria de petróleo e gás natural, sistemas térmicos industriais, entre outros. 

Descrição da oferta 

Curso Superior em Engenharia de Energia

Turno: Integral (Matutino, Vespertino e Noturno)

Periodicidade: Semestral

Integralização: 10 semestres

Abertura de turma para 2016.1

Total de vagas ofertadas pelo SiSU: 40 Vagas

 

Percentual de vagas reservadas para cotas (da Lei nº 12.711/2012): 50%

 

11 Dec 11:26

Aécio processa Dilma. Fazer reunião não pode, só pode fazer aeroporto de família

by Fernando Brito

Impossível não dizer que Aécio Neves é um dos maiores caras de pau que já transitou pela política brasileira. O sujeito constrói um aeroporto na fazendo do tio, com dinheiro público, pousa e decola...

O post Aécio processa Dilma. Fazer reunião não pode, só pode fazer aeroporto de família apareceu primeiro em TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”.

10 Dec 20:35

Nova vitória saharaui na Europa: Justiça europeia chumba acordo agrícola com Marrocos

by noreply@blogger.com (AAPSO)



O Sahara Ocidental não faz parte de Marrocos. O Tribunal de Justiça da União Europeia acaba de reconhecer esta obviedade… que muitos, no entanto, teimam em negar ou ocultar. E precisamente porque não faz parte de Marrocos, os produtos agrícolas ou pesqueiros faturados no Sahara Ocidental não podem ser considerados como produtos de Marrocos. A consequência de tal constatação foi hoje — 10 de dezembro de 2015 — plasmada pelo Tribunal de Justiça da União Europeia numa histórica sentença. No dia internacional dos direitos humanos, quarenta anos depois do parecer do Tribunal Internacional de Justiça sobre o Sahara Ocidental em 1975, o povo saharaui volta a obter um reconhecimento da justiça à sua causa. @Desdelatlantico.

 

 

*Catedrático de Direito Constitucional da Universidade de Santiago de Compostela desde 2001.




I. AS HISTÓRICAS ACÇÕES DA FRENTE POLISARIO CONTRA OS ACORDOS UE-MARROCOS


Neste blog, já antes intitulei um artigo sobre a ação interposta pela Frente Polisario contra o acordo UE-Marrocos de liberalização de produtos agrícolas e  pesqueiros como “Histórica iniciativa: Polisario coloca o Conselho ante o Tribunal da UE”. Não era nada que fosse exagerado. Estávamos ante uma iniciativa histórica porque era a primeira vez que a Frente Polisario comparecia ante um Tribunal internacional para defender os direitos do povo saharaui.


Posteriormente, a Frente Polisario interpõs uma nova ação, ainda não julgada, contra o protocolo pesqueiro firmado pela UE com Marrocosque, como todo o mundo sabe e inclusive a Comissão Europeia reconhece, é utilizado para pescar em águas do Sahara Ocidental.



II. VITÓRIA TOTAL DA FRENTE POLISARIO NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA UNIÃO EUROPEIA


A sentença de 10 de Dezembro de 2015 constitui uma decisão de importância histórica. É a primeira vez que é ANULADO um acordo internacional da UE com Marrocos por violar os direitos do povo saharaui.


A sentença começa com uma excelente, documentadíssima e rigorosa exposição do estatuto jurídico do Sahara Ocidental (parágrafos 1 a 16 da sentença), após o que refere as circunstâncias do acordo impugnado.


São várias as questões que foram discutidas no processo (a audiência teve lugar a 15 de junho do corrente ano) e que o tribunal delibera.


1. A Frente Polisario tem personalidade jurídica para recorrer deste acordo


O  primeiro aspeto que foi discutido é se a Frente Polisario era uma “pessoa moral” no sentido do artigo 263 do Tratado de Funcionamento da União Europeia.

A resposta do tribunal é clara: Sim. O parágrafo 60 da sentença (de momento apenas em francês) diz:


60. Compte tenu de ces circonstances fort particulières, il convient de conclure que le Front Polisario doit être considéré comme une « personne morale », au sens de l’article 263, quatrième alinéa, TFUE, et qu’il peut introduire un recours en annulation devant le juge de l’Union, quand bien même il ne disposerait pas de la personnalité juridique selon le droit d’un État membre ou d’un État tiers. En effet, ainsi que cela a été relevé cidessus, il ne saurait disposer d’une telle personnalité que conformément au droit du Sahara occidental qui n’est toutefois, à l’heure actuelle, pas un État reconnu par l’Union et ses États membres et ne dispose pas de son propre droit.


2. A Frente Polisario é direta e individualmente afetada por acordos da UE com Marrocos que digam respeito ao Sahara Ocidental


Embora admitindo que a Frente Polisário tinha personalidade jurídica, foi colocada a questão se poderia recorrer contra este acordo. O artigo do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia exige que o recorrente seja afetado de forma direta e individual pela norma de que recorre.

O tribunal, de novo, responde de forma contundente que a Frente Polisario é afetada direta e individualmente pelo acordo e pode, portanto, recorrer perante a Justiça Europeia:


113. Or, les circonstances mentionnées au point 110 cidessus constituent bien une situation de fait qui caractérise le Front Polisario par rapport à toute autre personne et lui confère une qualité particulière. En effet, le Front Polisario est le seul autre interlocuteur qui participe aux négociations menées sous l’égide de l’ONU, entre lui et le Royaume du Maroc, en vue de la détermination du statut international définitif du Sahara occidental.


114 Il convient donc de conclure que, dès lors que le Front Polisario est directement et individuellement concerné par la décision attaquée, il n’existe de ce point de vue aucun doute quant à la recevabilité du recours, contrairement à ce que font valoir le Conseil et la Commission.





3. A UE tem a obrigação de verificar que a exploração dos recursos económicos do Sahara Ocidental não se efetue em detrimento da população saharaui


O tribunal de Justiça da UE nesta sentença faz uma afirmação importantíssima, a saber, que se a UE permite a importação de produtos obtidos num terceiro país violando os direitos fundamentais estaria incentivando indiretamente essas violações de direitos. Algo que é especialmente importante num caso como o do Sahara Ocidental, pois como diz o tribunal não só nenhum Estado reconhece que o Sahara Ocidental faz parte das fronteiras (soberania) marroquina, como NENHUMA instância internacional lhe deu um mandato para ADMINISTRAR o Sahara Ocidental:


231. (…) si l’Union permet l’exportation vers ses États membres de produits en provenance de cet autre pays qui ont été fabriqués ou obtenus dans des conditions qui ne respectent pas les droits fondamentaux de la population du territoire dont ils proviennent, elle risque d’encourager indirectement de telles violations ou d’en profiter.


232. Cette considération est d’autant plus importante dans le cas d’un territoire, comme le Sahara occidental, qui est administré, dans les faits, par un État tiers, en l’occurrence le Royaume du Maroc, tout en n’étant pas inclus dans les frontières internationalement reconnues de cet État tiers.


233. Il convient également de tenir compte du fait que le Royaume du Maroc ne dispose d’aucun mandat, décerné par l’ONU ou par une autre instance internationale, pour l’administration de ce territoire et qu’il est constant qu’il ne transmet pas à l’ONU de renseignements relatifs à ce territoire, tels que ceux prévus par l’article 73, sous e), de la charte des Nations unies.


O tribunal afirma que o acordo de liberalização UE-Marrocos facilita a importação de produtos do Sahara Ocidental, mas esse acordo não garante que essa atividade económica vá beneficiar os saharauis:


238. (…) l’exportation vers l’Union de produits en provenance, notamment, du Sahara occidental est facilitée par l’accord en question. En effet, cela fait partie des objectifs dudit accord. Par conséquent, s’il devait s’avérer que le Royaume du Maroc exploitait les ressources du Sahara occidental au détriment de ses habitants, cette exploitation pourrait être indirectement encouragée par la conclusion de l’accord approuvé par la décision attaquée.


239. (…) il suffit de relever que l’accord ne garantit pas davantage une exploitation des ressources naturelles du Sahara occidental profitable à ses habitants.


O tribunal rejeita que a verificação de determinar se a exploração dos recursos do Sahara Ocidental beneficia ou não os saharauis seja feita apenas por Marrocos. Isto é: o Conselho da União Europeia tem a obrigação de verificar esse ponto:


246. Les arguments du Conseil, résumés aux points 230 et 236 cidessus, montrent au contraire qu’il considère que la question de savoir si l’exploitation des ressources du Sahara occidental se fait ou non au détriment de la population locale ne concerne que les autorités marocaines. Or, pour les motifs exposés aux points 227 à 233 cidessus, cette thèse ne saurait être admise.


247 Il en résulte que le Conseil a manqué à son obligation d’examiner, avant l’adoption de la décision attaquée, tous les éléments du cas d’espèce. Par conséquent, il convient de faire droit au recours et d’annuler la décision attaquée en ce qu’elle approuve l’application de l’accord visé par elle au Sahara occidental.


A síntese da doutrina do Tribunal de Justiça da UE está contido neste parágrafo, talvez, em minha opinião, seja o MAIS IMPORTANTE de toda a sentença.

241. Or, compte tenu notamment du fait que la souveraineté du Royaume du Maroc sur le Sahara occidental n’est reconnue ni par l’Union et ses États membres ni, plus généralement, par l’ONU, ainsi que de l’absence de tout mandat international susceptible de justifier la présence marocaine sur ce territoire, le Conseil, dans le cadre de l’examen de tous les éléments pertinents du cas d’espèce en vue de l’exercice de son large pouvoir d’appréciation concernant la conclusion, ou non, d’un accord avec le Royaume du Maroc susceptible de s’appliquer également au Sahara occidental, devait s’assurer lui-même qu’il n’existait pas d’indices d’une exploitation des ressources naturelles du territoire du Sahara occidental sous contrôle marocain susceptible de se faire au détriment de ses habitants et de porter atteinte à leurs droits fondamentaux. Il ne saurait se limiter à considérer qu’il incombe au Royaume du Maroc d’assurer qu’aucune exploitation de cette nature n’a lieu.


III. CONCLUSÃO: O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA UE NÃO SE DEIXOU AMEDRONTAR PELAS AMEAÇAS DE MOHAMED VI


Este blog foi o único meio que se fez eco das ameaças vertidas por Mohamed VI contra a UE no seu discurso de aniversário da chamada Marcha “Verde” (mas negra na realidade).


Mohamed VI disse:


Marrocos enfrentará qualquer tentativa de questionar o estatuto legal do Sahara marroquino e pretenda desafiar os plenos plenos poderes no nosso país no seu território, tanto nas suas províncias do Sul como do Norte


No dia 12 de novembro escrevi neste blog algo que — após a sentença do Tribunal da União Europeia — devo reiterar:


É evidente que Mohamed VI se está referindo ao Supremo Tribunal de Inglaterra e ao Tribunal de Justiça da União Europeia.

Possui informações ou suspeitas de que o Tribunal de Justiça da União Europeia vai deliberar a favor da demanda apresentada pela Frente Polisario?


As ameaças de Mohamed VI, no entanto, não devem ser levadas a sério. Basta conhecer a quantidade ENORME de dinheiro que a UE transfere para Marrocos assim como a dependência que tem a economia marroquina da economia da UE para verificar que no caso, provável , de que o Tribunal Europeu declare que os produtos do Sahara Ocidental NÃO podem ser etiquetados como de “Marrocos” Mohamed VI terá que arrepender-se dessas palavras que proferiu.

Não será a primeira, nem certamente, a última vez que Mohamed VI, suposto representante de Alá, tem que se desdizer.


Não restam dúvidas.
Mohamed VI terá que desdizer-se.
Uma vez mais.


10 Dec 16:13

Rombo de Delcídio como diretor de FHC, foi maior que prejuízo alegado em Pasadena

by Fernando Brito

Então, fica sabendo o leito atentíssimo da Folha – porque o assunto não merece primeira página nem mesmo manchete de página interna – que as traquinagens de Delcídio Amaral e Nestor Cerveró custaram o...

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09 Dec 19:38

Lula, em Berlim: “É uma tentativa de golpe explícito contra a presidente Dilma e o Brasil”; ouça a fala do ex-presidente

by Conceição Lemes

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Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

NOTA À IMPRENSA

“É uma tentativa de golpe explícito contra a presidente Dilma e o Brasil” diz Lula em Berlim

Berlim, 9 de dezembro de 2015, 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou nesta quarta-feira (9) na Conferência Internacional do Congresso do Partido Social-Democrata Alemã (SPD) sobre o processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff aberto por Eduardo Cunha.

Lula foi o convidado de honra para a palestra “Política progressista em tempos desafiadores”, que abriu o evento, que contou com 300 delegados de diferentes partidos progressistas de 40 países de todo o mundo, das Filipinas à Suécia, da Espanha à África do Sul.

O ex-presidente fez questão de abrir sua conferência falando sobre o momento político no Brasil.  Lula explicou que o processo de impeachment foi aberto “por vingança” do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, porque o PT não o protegeu da abertura de um processo no Conselho de Ética.

Apresentado como um “convidado extraordinário”, por Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, o ex-presidente caracterizou a proposta de impeachment como “uma tentativa de golpe explícito contra a presidente Dilma e o Brasil”. Além da situação política no Brasil (ouça o áudio completo da fala abaixo), Lula incentivou os partidos sociais-democratas do mundo a buscarem de uma nova utopia, para atender a esperança da juventude do mundo.

O ex-presidente criticou a falta de instituições globais e os conflitos que geram massas de refugiados no mundo. “Eu quero saber que instituição autorizou a Guerra do Iraque? O ataque à Líbia, quando o país não era uma ameaça para ninguém? Quem se responsabiliza?”

 Leia também:

A República sequestrada por um chantagista 

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09 Dec 19:38

Artistas e intelectuais se unem contra o golpe e em defesa da democracia

by PT Natal
  A luta contra o impeachment e a favor da presidenta Dilma Rousseff ganhou mais um aliado na noite de terça-feira (8). Um grupo de artistas, intelectuais e pessoas ligadas à cultura divulgou, na página do escritor Fernando Morais no Facebook, um manifesto em favor da democracia. “Consideramos inadmissível que o país perca as conquistas… More Artistas e intelectuais se unem contra o golpe e em defesa da democracia
09 Dec 18:59

Mídia fez aposta furada em carta-suicídio de Temer

by eduguim

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Na noite de segunda-feira, o país foi dormir perplexo com a divulgação de carta do vice-presidente, Michel Temer, que espantou o país e o mundo – sim, o mico temeroso (sorry, não resisti) repercutiu até na estação espacial internacional.

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O texto pretensioso – quem começa uma missiva pessoal usando expressões em latim? – foi obviamente escrito para ser vazado. Contudo, por conta de uma incompetência quase sobrenatural do missivista, a carta-suicídio de Temer tornou-se a piada do ano.

O tom choroso e birrento do vice, porém, não foi captado pela mídia antipetista. A cartinha ridícula ganhou manchetes principais de primeira página completamente acríticas e pretensamente demolidoras para Dilma.

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É óbvio que o factoide foi produzido a quatro mãos por Temer e a mídia tucana. A carta do vice mal havia sido entregue ao Planalto e já estava sendo noticiada no portal de O Globo. É óbvio que Temer combinou o vazamento com o império midiático.

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Porém, o tiro saiu pela culatra. Era “esperteza” demais. Acabou comendo o dono. A hora do almoço nem havia chegado e uma debandada se produziu na mídia e entre a classe política diante de uma inundação de piadas diante do texto já antológico em termos de ridicularia.

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A mídia começou a recuar rapidamente. O texto de Temer, que nas primeiras páginas dos jornais do dia fora levado a sério, passa a ser ignorado ou até criticado nos portais corporativos.

Enquanto o factoide naufragava, o STF, como vem sendo previsto nesta página, mandava um recado ao gangster que preside a Câmara dos Deputados: “Vossa Excelência sifú”

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A guerra do impeachment ainda terá muitos capítulos. Os golpistas tentarão vários golpes como o tentado pela oposição demo-tucano-peemedebista-cunhista-temerosa, mas, para essa gente, existe a lei, a Constituição, os movimentos sociais e, acima de todos, o Supremo, que todos os juristas sérios afirmam que vai barrar o golpe.

Enquanto isso, portanto, façamos uma pausa para rir da mediocridade golpista dessa direita doentia. Abaixo, os melhores da criatividade progressista contra o mico golpista do ano.

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09 Dec 14:07

Abrindo janelas para um mundo maior: as palestras do II EEBB

by Daniel Duclos

Cartaz do II EEEBB - Porto

Esse fim de ano foi péssimamente péssimo pra mim. Yeah. Após o choque, eu lentamente dei meus primeiros passos na longa estrada da cura, e apesar de saber que a caminhada vai durar a vida toda, em novembro dei mais um passo importante nela.

Eu fui convidado para palestrar no II Encontro Europeu de Blogs Brasileiros (II EEBB) na encantadora cidade do Porto.  Não só palestrar, aliás, mas conhecer, me empanturrar e de maneira geral ser mimado como um rock star pela cidade do Porto toda.

Com o apoio da O Porto Encanta e da Associação de Turismo do Porto e outros patrocinadores, a Rita Branco, do blog O Porto Encanta organizou um espetáculo para nós blogueiros descobrirmos a cidade.

Claro que a viagem virou artigo cheio de dicas do que fazer no Porto, mas nesse eu irei contar aqui como foram as palestras do II EEBB.

Se você é blogueiro, quer virar blogueiro ou apenas quer descobrir outros blogs legais, vem comigo.

Porto, Portugal, local do II EEBB

O Encontro construiu pontes duradouras entre os blogs

Então, como eu estava dizendo, era um dos palestrantes e confesso que estava um pouco tenso. Por tudo que rolou, eu não pude ensaiar (na verdade, quase não vim, porque ainda por cima fiquei doente na véspera).

Então estava um pouco apreensivo com o tempo de palestra - seriam 20 minutos - eu tenho uma boa noção de tamanho de palestra preparada versus tempo, mas...

E o medo do véxi, né?

IIEEBB: A platéia

(Eu não precisava ter me preocupado - estava cercado de amigos.)

A primeira palestra foi da blogueira portuguesa Susana Ribeiro, do Viaje Comigo. Ela contou a história dela, como ela largou o jornalismo para virar blogueira, os altos e baixos da transição e como isso mudou a vida dela. Inspirador - mudança não é fácil, mas é a essência da vida. Eu sei bem.

Se você está preso num trabalho ou num lugar que não está funcionando pra você, escape! A Susana deu o trampo necessário e anos depois ali estava ela nos contando como foi. E, huh, sim, dá pra viver de blog (esse era o tema da minha palestra, você vai ver).

Daí, que palestrou foi a Elena Paschinger, do Creativelena. Ela é austríaca e mandou ver num português super fluente contando o que é turismo criativo, e nos inspirando a fazer um turismo em que experimentamos a vida local bem além do tradicional roteiro-padrão, colocando (muitas vezes literalmente) a mão na massa junto com quem mora e vive o lugar.

Eu aprendi bastante e fiquei empolgadão pra comprar o livro dela para me aprofundar no tema. O legal dessas palestras é isso: elas abrem janelinhas de 20 minutos para um mundo maior - e não é essa a essência de viajar? Abrir uma janela para um mundo maior que nos convida a explorá-lo?

Porto, Portugal: ribeira

Vem, vamos explorar, o mundo é maior (na foto, por-do-sol na Ribeira, Porto)

Opa, chegou a minha vez. Falo como foi daqui pouco. Por enquanto vou pular pra palestrada Helô Righetto do Aprendiz de Viajante sobre a experiência de lançar - e vender - o Guia Londres para Iniciantes e Iniciados (resenhei aqui, mas resumo: se você vai pra Londres ou apenas curte guias de viagem compre!).

Outra super palestra que aprendi muito, mesmo eu já tendo a experiência de ter lançado meu próprio guia. A Helô ensinou, inspirou e fez a gente rir numa palestra bem humorada (e criativa).

A palestra da Helô ilustrou bem o propósito de um blog de viagem: compartilhar experiências para inspirar os outros em suas jornadas.

Mais duas palestras por vir. A próxima era da Cristina Rosa, do Sol de Barcelona. A Cris foi quem tirou a ideia de um encontro europeu de blogueiros brasileiros das telas do Facebook para a realidade de amigos e colegas de profissão se encontrando no mundo real, organizando o primeiro deles em Barcelona, e estabelecendo a tradição que a Rita seguiu tão bem aqui no Porto.

A Cris falou da união entre blogs, algo que acredito muito, e dos frutos que ela gera e gerou. Unir e colaborar é um caminho saudável e sustentável.

Essa foi uma das principais mensagens do II EEBB: somar, unir, compartilhar, uma comunidade enriquece todos os seus membros. O aprendizado do encontro foi muito além das técnicas da profissão, foi o espírito de união.

E a última palestra foi do Ivo Madaleno, o Pinstagram Guy, um português cheio de dicas de como usar o Instagram direito, encontrando pessoas, engajando seguidores e de maneira geral se divertindo com essa mídia social tão bacana. Eu mesmo comecei já a por em prática as dicas do Ivo (pega elas aqui), no meu Instagram.

Vem junto comigo lá!

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O Ivo dando as dicas e convidado pra ir junto também.... (Foto: CC BY-NC-ND Associação de Turismo do Porto e Norte, AR.)

No meio disso tudo, teve a minha palestra. Foi sobre como Viver de Blog (algo que eu faço enquanto cuido dos nossos saguizinhos, a Babyduc e o Bebêduc), dando as dicas para quem quer fazer isso também. Fácil, não é, trabalho de monte, isso dá. (Desculpa, baixou o Yoda por um momento).

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iac iac 😀 (na foto: a Cris Rosa do Sol de Barcelona, a Magê do Milão nas mãos e um blogueiro aleatório)

Conforme a Rita ia me apresentando, eu fui sentindo o carinho e o apoio imenso dos meus amigos blogueiros, me recebendo de braços abertos e sorriso no rosto, eu fiquei tão, mas tão contente por ter teimado e vindo apesar de tudo. Foi tão lindo que eu até tropecei na hora de me levantar da cadeira - isso tudo pra mim?

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"Sério, quem é esse cara?" (Foto: CC BY-NC-ND Associação de Turismo do Porto e Norte, AR.)

Sim, era, e me diverti imenso fazendo a palestra (tanto que passou um pouco do tempo, mas todos foram muito tolerantes :) ), conversando, na verdade, contando história, mais do que "palestrando", esse encontro foi uma imensa oportunidade de conversar.

É bom demais ver o retorno do trabalho da gente estampado no rosto das pessoas - porque, olha, isso não tem Youtube e Hangout que resolva ainda.

IIEEBB Porto: plateia

Tirei essa foto no meio da minha palestra! :D

Já que estávamos numa manhã de conversar sobre nosso trabalho e como ele afeta nossas vidas e a de outros,  tivemos um retorno fantástico em um vídeo maravilhoso sobre o impacto dos blogs de viagem, Diz aí, Dilene:

Obrigado, Dilene, de coração.

E emocionado, é minha vez de agradecer a todos que me acolheram nesse encontro. Sério, eu fui verdadeiramente acolhido.

As pessoas tomavam cuidado para eu não me perder (eu sou perdido naturalmente, mas por causa desse fim de ano traumático, eu estava, na real estou ainda, meio fora de fase, digamos), as pessoas me deram dicas, as pessoas me abraçaram, as pessoas me disseram coisas lindas, as pessoas me deram cartões postais e presentes legais, as pessoas me fizeram rir, as pessoas, esses blogueiros fantásticos, me fizeram ficar feliz de participar de uma comunidade linda que está pavimentando o caminho para o futuro com um trabalho inovador no presente.

Hey, blogueiros, vocês fazem parte do meu processo de cura e por isso e muito mais, OBRIGADO!

E para não perder o costume: obrigado, Rita! Você tem o nome de blog mais adequado do mundo!

rita_branco_iieebb

Obrigado, Rita!

Agora é esperar o próximo Encontro Europeu de Blogueiros Brasileiros em 2016, que será em Berlim, com o casal sensacional Nicole e Pacelli, do Agenda Berlim. Pelo que conheci deles nesse encontro (virei fã), já sei que vai ser demais!

Já estou até pesquisando passagem.

Tchau do pessoal do IIEEBB

Até o III EEBB - Berlim!

Lista dos blogs participantes do II EEBB

Essa lista foi compilada pela Renata Inforzato e agradeço à ela, e recomendo que leiam o seu relato sobre o II EEBB.

Organizadora

O Porto Encanta – Rita Branco

Palestrantes

Blogs Participantes

Lista dos apoiadores e patrocinadores do  II EEBB

Agradeço a todas as empresas listadas abaixo que abraçaram e acolheram os blogueiros brasileiros, nos proporcionando uma experiência inesquecível. Os reviews individuais das empresas cujo serviço experimentei sairão em futuro artigo no Ducs Amsterdam.

O artigo Abrindo janelas para um mundo maior: as palestras do II EEBB foi retirado de Ducs Amsterdam.

09 Dec 11:55

O que querem os fechadores de escolas

by Fernando Brito

Vi agora cedo este artigo. Seu autor o epigrafa com a frase de Darcy Ribeiro: A crise da Educação no Brasil não é uma crise. É um projeto. É, e é dos poucos que a classe...

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07 Dec 16:39

Vamos falar sobre a maneira como a grande mídia brasileira trata os cosplayers, em especial as cosplayers?

by Rebeca Puig

Quando eu fiquei sabendo que uma cosplayer tinha sido lambida por um membro da imprensa e, logo depois, descobrir que tinha um cara com câmera fotográfica dentro do vestiário das cosplayers eu nem consegui dormir de raiva. Um dia antes do evento eu fiz um banner, coloquei no facebook e no twitter, tentando prevenir algo que, pensando na edição anterior, eu não achei que fosse acontecer: o assédio às cosplayers. Muito menos me passou pela cabeça que esse assédio viria da imprensa. Porque quando qualquer pessoa, jornalista ou não, lambe uma mulher sem o seu consentimento, isso é assédio.

Durante todo o evento eu vi jornalista bater foto e tocar nos braços e nos adereços dos cosplayers sem pedir autorização. E por mais que isso por si só já seja, no mínimo, falta de educação, tirar a maquiagem e lamber alguém sem a sua autorização são outros quinhentos.

respeite as minas

A “equipe de jornalismo” cujo membro lambeu a cosplayer era do Pânico na TV! O que esse tipo de imprensa, que não tem qualquer respeito por qualquer tipo de entrevistado, fazia num evento como a CCXP está além da minha compreensão. A atitude da equipe, no entanto não me deixa surpresa – inclusive a decisão de vincular o vídeo em que o imbecil do “jornalista” lambe a cosplayer, mesmo eles não tendo o direito de imagem da moça, e mesmo depois deles terem sido banidos desse e dos próximos eventos. A cosplayer que foi vítima desse assédio está obviamente constrangida.

A atitude da organização da CCXP, aliás, foi muito assertiva ao banir a equipe desse e dos próximos eventos. [Atualização: o Omelete emitiu uma excelente carta de repúdio, você pode lê-la aqui]Como eu já disse, esse tipo de imprensa não tem nada a ver com eventos e convenções nerds, ainda mais quando estamos passando por um momento tão inclusivo no mercado. Impedir que esse tipo de imprensa, que vive de coagir e fazer piada às custas dos outros, compareça a esses eventos custa apenas não fornecer a eles o passe de imprensa. Espero que outros eventos que envolvam o público nerd aprendam com essa merda que aconteceu na CCXP e passem a evitar que eles tenham acesso ao seu público.

Além do absurdo com o programa Pânico, outros veículos de imprensa não só não entendem o que é a cultura do cosplay, fazem do seu objetivo diminuir a prática e sexualizar suas participantes e ainda tiram um tempo especial do conteúdo produzido para zombar deles com vídeos na internet, em entrevistas com entrevistados claramente desconfortáveis. Perguntar se o cosplay de alguém é cospobre não mostra só uma visão desinformada do que é cosplay, mas é também uma visão elitista. Escutei falar que um grupo de cosplayers ia boicotar esses veículos grandes, como o UOL, e eles estão mais do que certos.

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Foto da querida Carolina Carvalho Alexandroni!

Toda vez que alguém usa o termo “musa nerd” um gatinho segurando uma bazuca morre do outro lado do universo. Esse tipo de linguagem, além de ser desalinhada com o atual momento do mercado (eu posso repetir isso para A ETERNIDADE), transformar as mulheres que habitam esse meio em unicórnio – algo mágico, intocável e raro – e isso não podia estar mais longe da realidade. Nós somos parte do público, nós estamos nas feiras, nós fazemos cosplays, jogamos vídeo games, lemos quadrinhos, damos palestras, escrevemos para e sobre o mercado.

Aí vêm o jornalismo não-especializado e nos chama de musas, nos coloca num pedestal sexualizado e desumanizado. Nos transforma em objeto de adoração, em algo quase irreal – num unicórnio. Chega. 2015 foi um ano muito importante para a representação feminina nos quadrinhos brasileiros – a FiQ teve uma participação feminina imensa, as mesas sobre diversidade e representação na CCXP lotaram, o público vibrou no painel da DC/Warner quando escutou a empresa reafirmar o compromisso com representatividade. Chega de achar que quem consome e quem produz é só homem, chega de sexualizar e diminuir as mulheres desse meio à consumo masculino.

Espero de verdade que com o ocorrido na CCXP deste ano os eventos nerds comecem a dar mais espaço para jornalistas especializados em detrimento de pessoas completamente desinformadas. Espero também que esses jornalistas especializados, porque eles também não são perfeitos, entendam de uma vez por todas que mulheres são seres humanos, que nós fazemos parte do público e que não tem nada de exótico no nosso envolvimento no meio nerd.

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07 Dec 14:25

A lição de democracia de Maduro para Aécio e FHC. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
Mais digno e mais honesto que os golpistas brasileiros: Maduro

Mais digno e mais honesto que os golpistas brasileiros: Maduro

Maduro reconheceu imediatamente a derrota na Venezuela e afirmou que era uma vitória da democracia.

Clap, clap, clap.

De pé.

Os chavistas perderam o controle na Assembleia Legislativa, mas não perderam a compostura.

Maduro fez o oposto, o exato oposto, que Aécio e seu mentor FHC vem fazendo desde outubro de 2014.

Eles jamais aceitaram a derrota. Não respeitaram em nenhum momento os 54 milhões de brasileiros que votaram em Dilma. Desprezaram e tentaram anular o que existe de mais belo e mais puro nas democracias: as urnas. Uniram-se ao que há de mais corrupto e mais podre na política brasileira, Eduardo Cunha.

Para tanto, se utilizaram dos pretextos mais sujos, mais sórdidos, mais cínicos. Tudo valeu e tudo vale para promover um golpe que, caso realizado, vai remeter o Brasil para o estágio de Republiqueta. Até as urnas eletrônicas foram postas sob suspeita.

É a plutocracia com seus vassalos de sempre, como Aécio e FHC hoje e Lacerda e Roberto Marinho ontem, pronta para desestabilizar e derrubar governos populares.

Não importa para Aécio e FHC que o Brasil seja arremessado a uma convulsão social por causa do golpe em marcha.

Ou, em sua brutal miopia reacionária, eles imaginam que vão roubar – esta a palavra, roubar – o poder sem reação?

Os brasileiros mais esclarecidos – e eles vão muito além dos petistas – já não conseguem mais segurar sua raiva.

Teve uma força simbólica formidável o coro entoado nos shows de Caetano e Gil no Rio de Janeiro na música Odeio Você. Espontaneamente, os jovens presentes montaram uma parceria vocal com Caetano. Odeio você Cunha.

Cunha é odiado por se apropriar de dinheiro dos brasileiros, descaradamente inventar histórias nas quais ninguém pode acreditar e depois usar seu cargo espuriamente para tentar escapar da punição que merece ao jogar as luzes para o processo de impeachment.

Seus sócios neste crime de lesa democracia, a começar por Aécio e FHC, acham que vão escapar do ódio despertado por Cunha? Eles vão esperar que as plateias berrem “Odeio você Aécio”.

Aécio e FHC estão cometendo um erro de cálculo extraordinário. Vivem num mundo antigo, e imaginam que a mídia amiga vai proteger sua reputação neste golpe.

Ora, esta é a Era da Internet, e não há Marinhos, Frias, Civitas, Mesquitas que façam a chuva parar.

Acabamos de ver o que aconteceu com Alckmin no embate com os estudantes de São Paulo. Mesmo apoiado pela imprensa, Alckmin foi derrotado, com um preço devastador sobre sua imagem, quando nas redes sociais viralizaram fotos e vídeos de seus policiais batendo na garotada.

Os golpistas perderão – ou agora ou depois. Não existe chance de que sua empreitada macabra dê certo.

Neste exato momento, os brasileiros têm a oportunidade de ver o contraste que surge da Venezuela.

Maduro fez o que qualquer democrata digno faz ao perder: reconheceu a derrota no mesmo dia. E vai tratar de aprender as lições para futuras eleições.

Aécio e FHC são infames, abjetos, desprezíveis ao sabotar a democracia fingindo, como os generais de 1964, protegê-la.

Me ocorre um título de Puig ao pensar neles. Começa assim: maldição eterna.

E então, como a plateia de Caetano e Gil, dou meu complemento a Puig. Maldição eterna e Aécio e FHC.

06 Dec 20:16

Fernando Morais: Tentantiva de golpe une gangsterismo a oportunismo

by Luiz Carlos Azenha

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O dia da infâmia

06/12/2015 02h00

por Fernando Morais, na Folha

Minha geração testemunhou o que eu acreditava ter sido o episódio mais infame da história do Congresso. Na madrugada de 2 de abril de 1964, o senador Auro de Moura Andrade declarou vaga a Presidência da República, sob o falso pretexto de que João Goulart teria deixado o país, consumando o golpe que nos levou a 21 anos de ditadura.

Indignado, o polido deputado Tancredo Neves surpreendeu o plenário aos gritos de “Canalha! Canalha!”.

No crepúsculo deste 2 de dezembro, um patético descendente dos golpistas de 64 deu início ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A natureza do golpe é a mesma, embora os interesses, no caso os do deputado Eduardo Cunha, sejam ainda mais torpes. E no mesmo plenário onde antes o avô enfrentara o usurpador, o senador Aécio Neves celebrou com os golpistas este segundo Dia da Infâmia.

Jamais imaginei que pudéssemos chegar à lama em que o gangsterismo de uns e o oportunismo de outros mergulharam o país. O Brasil passou um ano emparedado entre a chantagem de Eduardo Cunha –que abusa do cargo para escapar ao julgamento de seus delitos– e a hipocrisia da oposição, que vem namorando o golpe desde que perdeu as eleições presidenciais para o PT, pela quarta vez consecutiva.

Pediram uma ridícula recontagem de votos; entraram com ações para anular a eleição; ocuparam os meios de comunicação para divulgar delações inexistentes; compraram pareceres no balcão de juristas de ocasião e, escondidos atrás de siglas desconhecidas, botaram seus exércitos nas ruas, sempre magnificados nas contas da imprensa.

Nada conseguiram, a não ser tumultuar a vida política e agravar irresponsavelmente a situação da economia, sabotando o país com suas pautas-bomba.

Nada conseguiram por duas singelas razões: Dilma é uma mulher honesta e o povo sabe que, mesmo com todos os problemas, a oposição foi incapaz de apresentar um projeto de país alternativo aos avanços dos governos Lula e Dilma.

Aos inconformados com as urnas restou o comparsa que eles plantaram na presidência da Câmara – como se sabe, o PSDB, o DEM e o PPS votaram em Eduardo Cunha contra o candidato do PT, Arlindo Chinaglia. Dono de “capivara” policial mais extensa que a biografia, Cunha disparou a arma colocada em suas mãos por Hélio Bicudo.

O triste de tudo isso é saber que o ódio de Bicudo ao PT não vem de divergências políticas e ideológicas, mas por ter-lhe escapado das mãos uma sinecura – ou, como ele declarou aos jornais, “um alto cargo, provavelmente fora do país”.

Dilma não será processada por ter roubado, desviado, mentido, acobertado ou ameaçado. Será processada porque tomou decisões para manter em dia pagamentos de compromissos sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.

O TCU viu crimes nessas decisões, embora não os visse em atos semelhantes de outros governos. Mas é o relator das contas do governo, o ministro Augusto Nardes, e não Dilma, que é investigado na Operação Zelotes, junto com o sobrinho. E é o presidente do TCU, Aroldo Cedraz, e não Dilma, que é citado na Lava Jato, junto com o filho. Todos suspeitos de tráfico de influência. Provoca náusea, mas não surpreende.

“Claras las cosas, oscuro el chocolate”, dizem os portenhos. Agora a linha divisória está clara. Vamos ver quem está do lado da lei, do Estado democrático de Direito, da democracia e do respeito ao voto do povo.

E veremos quem se alia ao oportunismo, ao gangsterismo, ao vale-tudo pelo poder. Não tenho dúvidas: a presidente Dilma sairá maior dessa guerra, mais uma entre tantas que enfrentou, sem jamais ter se ajoelhado diante de seus algozes.

FERNANDO MORAIS, 69, é jornalista e escritor. É autor, entre outros, dos livros “Chatô, o Rei do Brasil” e “Olga”

Leia também:

Sargentão do golpe, Paulinho da Força é acusado de embolsar propina de R$ 1,6 milhão

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06 Dec 20:03

O que Tancredo diria a Eduardo Cunha, por Fernando Morais

by Fernando Brito

A frase clássica de que a história se repete – a primeira vez, como tragédia; a segunda. como farsa – acaba de marcar mais um triste ponto em sua trajetória de profecia. Lendo o artigo de...

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06 Dec 19:58

Flávio Dino e Ciro Gomes contra o impeachment. Assista

by Fernando Brito

  Mais cedo, transmiti parte dos pronunciamentos ao vivo do Governador Flávio Dino, do Maranhão, e do ex-Ministro Ciro Gomes contra a tentativa de deposição de Dilma Rousseff. Terminada a entrevista, recuperei as falas,...

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06 Dec 19:56

O “Estadão” transforma benefício em “benesse”. Será que quer mais impostos?

by Fernando Brito

Sabe aquela grita do Estadão contra os impostos, a carga tributária escorchante, com direito ao impostômetro na primeira página, mostrando como o brasileiro está escravizado pelos impostos? Esqueça. Agora o Estadão chama a forte...

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06 Dec 13:19

O documentário do DCM sobre o escândalo da falta d’água em São Paulo

by Kiko Nogueira

06 Dec 13:17

O problema do “marketing social” é ser mais marketing que social

by Fernando Brito

Hoje, me deparo com um anúncio da Samarco na homepage da Folha. Outro, imenso, do tipo “pop-up”, do Estadão. Não fazem menção, mas me dei conta. É que faz um mês que a barragem...

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06 Dec 13:13

VAMOS TRABALHAR JUNTO?

by oestrangeiro.org
Allan Patrick

O último parágrafo é revelador da nossa "solidariedade".

“O Brasil não pode repetir com os refugiados o erro da escravidão”.
06 Dec 12:56

Show de Caetano e Gil: “Odeio você”. E o público: Cunha!

by Fernando Brito

Sensacional. Caetano Veloso e Gilberto Gil fizeram a noite passada – entrou pela madrugada – um show a preços populares no histórico Circo Voador, na Lapa. Uma das músicas era “Odeio”, de Caetano. O...

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