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30 Dec 13:42

20 furadas épicas da imprensa brasileira em 2015. Por Pedro Zambarda

by Pedro Zambarda de Araujo

 

Crise política, abertura de impeachment, pauta reacionária de Eduardo Cunha no Congresso, retração do PIB, voos de Aécio Neves com celebridades e figurões da imprensa, corrupção na Sabesp, Lava Jato, assunto não faltou em 2015. Mesmo assim, o jornalismo conseguiu furos que se provaram enormes furadas, além de teses catastróficas que não se provaram verdadeiras.

No dever de informar, a mídia brasileira dominou a arte de prever acontecimentos sem embasamento, prestando um desserviço aos seus leitores. Selecionamos as maiores furadas e profecias erradas publicadas neste ano.

1. As capas da Veja tentando colocar Lula na cadeia

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A Veja se consagrou em 2015 como a pior revista semanal e fez isso batendo à beça em Lula. A capa de 29 de julho tentou enquadrar o ex-presidente com base na delação do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, que desmentiu as informações após a publicação da edição. No dia 4 de novembro, conseguiu colocar Lula num uniforme de presidiário.

O ex-presidente não foi preso e entrou na Justiça.

2. O furo de Lauro Jardim sobre o filho de Lula no Globo – que era uma furada

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Ex-titular da coluna Radar da revista Veja, Lauro Jardim saiu do seu cargo de editor-executivo na editora Abril para assumir uma coluna no jornal O Globo. No primeiro texto, em 11 de outubro, Lauro já estampou a manchete sobre a operação Lava Jato: “Baiano diz que pagou contas do filho de Lula”. O operador desmentiu o colunista, falando que passou dinheiro para o pecuarista José Carlos Bumlai. O Globo só admitiu a mentira em 8 de novembro, pedindo desculpas a Lula e Fabio Luis Lula da Silva.

3. Outra furada de Lauro sobre a suposta viagem de Eduardo Cunha a Cuba

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Nem depois do Natal Lauro Jardim deixou de publicar uma barrigada no Globo. Ele divulgou no dia 26 de dezembro que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tinha embarcado para Cuba para passar o ano novo. O texto trazia uma foto compartilhada pela enteada de Cunha no Instagram com uma bunda original e um dedo em riste do perfil de Kendall Jenner, irmã da socialite Kim Kardashian. Cunha desmentiu a coluna na sua conta do Twitter, afirmando que estava no Rio de Janeiro. Ele ainda teve tempo de chamar Lauro de “colunista pilantra” e disse que a Globo é petista. O jornalista, que já tinha passado pela informação furada do filho de Lula, só publicou uma atualização no texto de Cunha em Cuba, sem dar a errata real.

4. As capas de todas as revistas semanais, exceto Carta Capital, prevendo o impeachment

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Precisa comentar? Não é necessário, basta olhar três capas. A maioria foi publicada entre outubro e novembro de 2015. As revistas brasileiras se uniram para apostar no afastamento e erraram todas.

5. As reportagens mostrando Eduardo Cunha como “homem forte” contra Dilma

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Mal sabiam os jornalistas envolvidos nestas reportagens que Eduardo Cunha receberia acusações graves de recebimento de propina na operação Lava Jato vindas da Suíça. A capa da Veja, publicada em 25 de março, não traz uma linha de qualquer acusação que Cunha recebeu ao longo de sua trajetória política como lobista e ainda tece elogios por sua atuação nos bastidores. Naquele mesmo período, Joice Hasselmann, a apresentadora da TVeja que plagiou mais de 60 textos, fez uma entrevista igualmente bajulatória. Já a revista Época, em 17 de outubro, tentou dar poder ao presidente da Câmara perto do período em que ele abriria o processo de impeachment.

Cunha terminou 2015 como um morto vivo.

6. A quantidade de vezes em que Diogo Mainardi e Mario Sabino profetizaram a prisão de Lula

Criado o blog Antagonista no final de 2014, Diogo e Mario dedicaram-se diariamente a fazer torcida contra Lula, Dilma e o PT. Perdeu-se a conta da quantidade de vezes em que eles profetizaram a prisão do ex-presidente, a delação premiada de Delcídio — fora a quantidade enorme de artigos com informações erradas sobre pedaladas fiscais, entre outras barbaridades. E eles prometem continuar com tudo em 2016.

7. A tese furada de Carlos Alberto Sardenberg sobre a crise da Grécia

Para o comentarista da CBN e do Jornal da Globo, Lula e Dilma foram os responsáveis por convencer o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, a adotar o programa antiausteridade em 2015. A maluquice foi comentada no dia 2 de julho na rádio CBN. Lula utilizou seu Facebook para responder ao jornalista econômico.

8. A República que Marcelo Odebrecht não derrubou

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Reportagem de capa de 20 de junho da revista Época estampou a prisão do empresário Marcelo Odebrecht, com uma reportagem que dava como certa uma delação premiada do empreiteiro que “implodiria” a república brasileira como conhecemos. Tudo cascata. O redator-chefe Diego Escosteguy alardeou no Twitter sobre o conteúdo “bombástico” do texto. A república não caiu, mas a Época continua indo para o buraco.

9. As capas querendo colocar Michel Temer no lugar de Dilma

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Michel Temer se tornou queridinho da grande imprensa, como Eduardo Cunha foi enquanto era conveniente. A Veja apostou que ele e seu partido já teriam um plano para a sucessão, enquanto o PMDB se perde em uma disputa interna. Mas quem namorou de verdade Temer em 2015 foi a revista ISTOÉ, concedendo-lhe pelo menos quatro capas no ano. O ápice foi em 23 de dezembro, quando o veículo da editora Três deu o prêmio de “Brasileiro do Ano” para o “vice decorativo” de Dilma. Ele terminou o ano como autor de cartas medíocres.

10. A torcida pelo fim da crise da Sabesp

Os jornais Folha de S.Paulo e Estado de S.Paulo noticiam com certo otimismo a elevação do nível do sistema Cantareira para perto de 29%, o que significaria a saída do volume morto após dois anos de crise hídrica. No entanto, o que a grande imprensa omite é que foram gastos quase R$ 30 milhões para transferir água do Rio Guaió, e de outras fontes, pela Sabesp e que isso não impediu que as reservas do Alto Tietê caíssem pra cerca de 20%. O Ministério Público abriu processo contra o DAEE, a Sabesp e o governo Geraldo Alckmin por improbidade administrativa no dia 14 de dezembro. A crise hídrica não acabou e a torcida da mídia omite acusações graves de corrupção e de formação de cartel entre as empresas terceirizadas, conforme apurou o próprio DCM em sua série de reportagens sobre o tema.

11. A tentativa de transformar a ida de Aécio, Caiado e outros até a Venezuela num fato importante

Aécio Neves, Aloysio Nunes e Ronaldo Caiado bem que tentaram, com amplo espaço na grande imprensa, visitar os “presos políticos” na Venezuela, mas foram barrados por um protesto de chavistas. Disseram que foram “sitiados”, deram meia volta e não ficaram em Caracas para ver o que aconteceria. Caiado jura que filmou no seu celular um manifestante querendo quebrar o ônibus em que estavam. Ninguém nunca viu  tal gravação.

12. A tentativa de transformar o fechamento de 94 escolas em “reorganização”

O governo Alckmin teve espaço nos telejornais, nas revistas e nos jornais para defender seu projeto de “reorganização” de escolas estaduais. No entanto, isso não impediu que um áudio de uma reunião entre 40 dirigentes de educação vazasse para o site Jornalistas Livres, com uma verdadeira declaração de guerra contra estudantes que começaram a ocupar as 94 escolas. Mobilizados, os alunos entraram em mais de 200 escolas e derrotaram a iniciativa do governo.

Foi mais uma tentativa da mídia de dar voz a Alckmin que não deu muito certo.

13. O acidente no Minhocão que virou culpa da ciclovia

A imprensa noticiou em peso que o zelador Florisvaldo Carvalho Rocha, de 78 anos, teria morrido na ciclovia sob o Minhocão em agosto deste ano. O problema é que uma perícia da Polícia Civil provou que o ciclista que o matou passou no corredor de ônibus, e não na faixa vermelha desenhada pelo petralha Fernando Haddad. Foi mais uma tentativa mal-sucedida de tentar culpar o prefeito em cima de uma informação incorreta.

Os antipetistas ainda  juramde pé junto que o zelador morreu na ciclovia, infelizmente.

14. A falácia do processo do Bill Gates contra a Petrobras

Em tempos de Lava Jato, uma notícia de que a Fundação Bill & Melinda Gates estaria processando a Petrobras seria uma bomba, certo? A imprensa internacional e a brasileira caíram neste factoide em 25 de setembro, que foi desmentido pelo próprio fundador da Microsoft. Bill Gates foi visitar Dilma Rousseff em uma viagem até Nova York para pedir desculpas pelo erro de informação.

Quem estava processando a Petrobras era um investidor externo de sua empresa, por perdas em ações depois das operações da Polícia Federal. Poucos veículos brasileiros deram destaque ao desmentido de Gates.

15. A mentira de que a “Paulista fechada atrairia o caos”

O prefeito Fernando Haddad decidiu em 2015 abrir a Avenida Paulista para os pedestres e fechar para carros aos domingos, uma medida revolucionária que incentiva um contato mais humano com a cidade. O Instituto Datafolha em novembro indicou que pelo menos 47% dos paulistanos aprovam a medida, contra 43%. Mesmo com protestos dos blogueiros da revista Veja e do senador tucano José Serra, a Paulista aberta segue como um sucesso.

16. O sucesso das ciclovias em São Paulo, contrariando setores da imprensa

A mídia brasileira bem que tentou, mas não conseguiu conter a aprovação de 56% dos paulistanos a respeito das ciclovias segundo o Datafolha neste final de ano. Mesmo com o blogueiro Reinaldo Azevedo chamando os usuários de “talibikers” ou de “fascistas sobre duas rodas” e profetizando o caos, parece que a galera está gostando de pedalar e está usando menos o carro na maior metrópole brasileira.

17. Redução das Marginais em São Paulo que evitou mortes, não provocou catástrofes

Haddad deve causar dor de cabeça nos seus críticos. O prefeito reduziu as velocidades máximas das pistas expressas nas Marginais Pinheiros e Tietê de 90 km/h para 70 km/h em julho de 2015. No mês de setembro, a medida reduziu em 36% os acidentes com vítimas de acordo com a CET. Isso deve ter deixado os comentaristas da Jovem Pan com os cabelos em pé.

18. A cobertura convocatória dos protestos coxinhas que não evitou seu esvaziamento

A GloboNews cobriu em tempo real as manifestações pró-impeachment em São Paulo e em Brasília com os bonecos inflados de Lula e Dilma, com adesão de todos os veículos da grande imprensa. Mesmo com todos os holofotes, os protestos de 13 de dezembro só reuniram 30 mil pessoas na Avenida Paulista, com direito a olavetes e manifestantes pró-ditadura militar dividindo caminhões de som com o mítico líder do MBL, Kim Kataguiri. O número de manifestantes foi muito inferior aos 210 mil do dia 15 de março. As estatísticas são do DataFolha e a campanha da mídia, pelo visto, não funcionou.

19. Uma década depois do mensalão do PT, o mensalão mineiro teve a primeira condenação

Embora seja ainda em primeira instância, o ex-governador tucano Eduardo Azeredo foi condenado a 10 anos de prisão pelos crimes praticados no chamado mensalão mineiro, esquema de caixa dois que envolveu o publicitário Marcos Valério em 1998. A mídia não profetizou nada a respeito deste processo de Azeredo e só deu capa para os 10 anos do mensalão que culminou na prisão de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. Para a grande imprensa, o caso dos tucanos é “menor”, o que é mais uma furada de 2015.

20.  A profecia furada da separação entre Dilma e Lula

Para Lauro Jardim, o mesmo repórter da furada sobre o filho de Lula, o ex-presidente estaria longe de Dilma desde março de 2015, quando ele ainda trabalhava na Veja. Ricardo Noblat sentenciou em setembro no Globo que Lula “desembarcou do governo”. De onde eles tiraram tais informações eu não faço ideia, mas no dia 4 de dezembro o ex-presidente disse em sua fanpage de Facebook que “Dilma fica”, contra o processo de impeachment aberto por Eduardo Cunha.

Se isso for indício de separação, me parece um divórcio muito adocicado. Diogo Mainardi, aquele que faz torcida em seu Antagonista, acha que Dilma Rousseff quis provocar Lula ao transformar Leonel Brizola em herói nacional neste final de ano. Acredita nisso quem realmente quiser acreditar.

 

28 Dec 18:09

O pior programa de entrevistas de 2015. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
Entrevistado típico

Entrevistado típico

Na retrospectiva 2015 do DCM foi inevitável a presença de destaques negativos, dado que foi um annus horribilis, ano horrível.

Já falamos aqui do pior brasileiro do ano, Aécio Neves. Também tratamos do pior jornalista de 2015, Merval Pereira.

Chegamos agora ao pior programa jornalístico da temporada.

Dois concorrentes disputaram o título palmo a palmo. Um foi Painel, apresentado por William Waack na Globo News.

O nome poderia ser Painel dos Homens de Direita. Waack entrevista apenas conservadores, e mulheres jamais, embora haja muitas de direita.

Machismo é, portanto, outra característica que levou Painel a ser finalista da categoria Pior Programa.

Waack teria levado o troféu não fosse pela existência do Roda Viva, sob Augusto Nunes.

O Roda Viva mostra a que extremos o governo de São Paulo vai quando se trata de aparelhar uma emissora de televisão paga pelos contribuintes paulistas.

Augusto Nunes, o Brad Pitt de Taquaritinga, levou ao programa o espírito da Veja, de cujo site é colunista.

Isso significa que a única missão é atacar Dilma, Lula e o PT. Os entrevistados são escolhidos com este fim. (A reprise desta segunda entre Natal e Ano Novo é Hélio Bicudo tratando do impeachment.)

Os entrevistadores também estão lá para o mesmo serviço. Um deles foi Lobão. A primeira pergunta que Nunes lhe fez foi esta: “O que você acha da Dilma?”

Você bem pode imaginar a resposta de Lobão, entregue a si mesmo sem freios e edição.

A entrevistados e entrevistadores se soma o moderador. Augusto Nunes é o antivinho: quanto mais velho, pior.

Raso, debochado, vazio.

Nos anos 1980, quando o jovem Nunes apresentava o Roda Viva, havia a expectativa de que ali poderia estar nascendo uma estrela da tevê brasileira.

Nunes era bonitão, sério, e um moderador talentoso, capaz de distribuir equanimemente o microfone entre os diversos entrevistadores do programa.

As virtudes de Nunes foram minguando, no entanto, e seus defeitos aumentando. O fato de, décadas depois, ele estar de volta ao ponto de partida conta tudo. Ele ficou parado no tempo. Ou melhor: andou para trás, dado que o Roda Viva era mais influente então. Não era uma peça de propaganda anti-PT disfarçada de jornalismo.

Entre as duas passagens pelo Roda Viva Nunes fracassou por onde passou: como diretor de redação do Estadão, do Zero Hora, da Época e do Jornal do Brasil.

Para os que o conhecem, fica a sensação de que ele escreveria o exato oposto do que escreve caso quem lhe pague fosse progressista. A profissionais com tal característica se dá o nome de penas de aluguel.

Seja como for, é agora, de volta ao Roda Viva, que ele desempenha seu pior papel. Sob seu comando, o programa se sagra o pior de 2015, a despeito da forte concorrência.

28 Dec 17:23

Prefeito Carlos Eduardo Alves vai gastar meio milhão para transportar de avião violas, pandeiros, zabumbas e guitarras

by renato
Allan Patrick

Se contratasse mais profissionais locais, não teria esse gasto.

Na Prefeitura de Natal só falta dinheiro para comprar vacinas e alimentação para os abrigos de idosos

A nossa sofrida população de Natal está vendo a maior farra com dinheiro público que um prefeito conseguiu fazer.

Enquanto os abrigos de idosos e os alugueis sociais das vitimas do deslizamento de Mãe Luíza estão atrasados, o prefeito Carlos Eduardo Alves pretende gastar meio milhão de reais com excesso de bagagens referente aos instrumentos musicais da bandas contratadas pela prefeito.

A Prefeitura de Natal publicou na edição desta segunda-feira (28) do Diário Oficial do Município (DOM) o extrato dos dois últimos aditivos ao contrato firmado com a AeroExpress, Empresa Auxiliar de Transporte Aéreo Ltda, especializada em transporte de excesso de bagagem dos instrumentos musicais, para atender aos eventos a serem realizados pela Prefeitura, por meio da Fundação Capitania das Artes (Funcarte).

Confira a publicação no Diário Oficial de Natal:

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28 Dec 17:10

Gerson Carneiro: “Fantasmas” invadem hotéis do Rio de Janeiro

by Conceição Lemes
28 Dec 13:57

Na Itália, crianças ganham pontos no boletim por usar bike. Aqui, são comunistas. Por Mauro Donato

by Mauro Donato
Enquanto isso, na Itália

Enquanto isso, na Itália

 

Fascista (adj. s. 2g) – Qualquer pessoa que não ande de bicicleta ou não tenha votado no PT. ”

Enquanto o ‘glossário do ano’ da revista Veja desta semana insiste em reforçar a imbecilidade de classificar os adeptos da bike em comunistas vagabundos, eleitores do PT, beneficiários do BNDES, a cidade italiana de Aprilia (próxima a Roma) incentiva os alunos a utilizarem a bicicleta de três a quatro vezes por semana para ir à escola. A recompensa? Pontos no boletim.

A ideia partiu do aluno Lorenzo Catalli, que no trajeto feito diariamente a bordo do carro do pai levantou a questão de como a vida se tornaria mais simples e menos estressante se todos pudessem dispensar o automóvel. Os dois criaram um esboço do projeto que posteriormente foi apoiado e desenvolvido pela Università La Sapienza, em Roma: um dispositivo instalado na bicicleta faz o registro de data, horário e a distância percorrida e calcula a quantidade de emissão de gás carbônico que seria lançada no ar se feita por carro.

As pedaladas são convertidas em pontuação como ‘prática de atividades extracurriculares’ e acrescidas na média final do aluno o que colabora na nota do Exame de Estado (algo semelhante ao nosso Enem que visa o ingresso no ensino superior). Exigência: mínimo de frequência de três vezes por semana indo de bicicleta para a escola. Batizado Bike Control, o sucesso foi tanto que a prefeitura deu apoio e financiou a campanha e lojas de bicicleta dão descontos para os alunos participarem do programa.

Não é um caso isolado, longe disso. Por todo o país o projeto Bici a Scuola é um conjunto de medidas que buscam incentivar o uso do meio de transporte sustentável entre os mais jovens. E também não é de hoje.

Desde 2013 a escola Merelli (Roma) promove a iniciativa de que pelo menos uma vez por semana pais pedalem com seus filhos até a instituição;

Na cidade de Cremona, a prefeitura cede bicicletas para os estudantes fazerem parte do projeto. Fornecidas em regime de comodato, a condição é que as magrelas devem receber manutenção dos próprios jovens e utilizadas em atividades didáticas externas;

Em Veneza, um projeto chamado Presto estimula pais e alunos a utilizarem suas bikes e isso conta pontos no GreenMile (milhas verdes) uma iniciativa de educação ativa à mobilidade sustentável. O acúmulo das milhas resulta em prêmios para as escolas e classes vencedoras na pontuação;

Em Milão, o Bici a Scuola foi tão bem aceito que desde outubro do ano passado pais decidiram organizar grupos para levarem seus filhos pequenos à escola juntos. Desdobramento: já há jovens voluntários realizando a tarefa de acompanha-los e o clima é de passeio;

Na cidade de Sestu (Cagliari), desde 2012 alunos de todas as séries recebem curso instruindo-os a fazerem uso do meio de transporte ecológico. Desde a escola primária as crianças aprendem regras de trânsito, sinalização dedicada a bicicletas e também manutenção simples.

Lembre que estamos falando de um país onde o ciclismo é um dos esportes mais populares (aliás o Bici a Scuola é uma iniciativa nacional apoiada pelo Giro d’Italia), onde o uso cotidiano da bicicleta é difundido há muitas gerações. Importante saber também que o sistema de avaliação nas escolas italianas, além das costumeiras provas, já conta com uma variedade de atividades extracurriculares que podem ser contabilizadas no ‘crédito de formação’, como a realização de trabalhos voluntários por exemplo, e ainda assim o uso da bicicleta se transformou em mais uma e de grande sucesso.

Por que no Brasil nada se faz nesse sentido, não se pensa em algo parecido? Temos ainda a vantagem do clima que propicia o uso da bike durante o ano todo, enquanto na Itália o inverno é rigoroso, com neve em muitas regiões. Então, repito, por quê?

É que a despeito de todas as vantagens e benefícios que a adesão a bicicleta traz em termos de respeito ao meio ambiente, de mobilidade sustentável, com todas as consequências positivas para o clima global, por essas bandas o uso da bike se transformou em peleja ideológica e ninguém quer ver seu filho ser xingado e atacado por uma besta motorizada e reacionária que acredita que a rua seja dele e que as ciclofaixas serem vermelhas são mais um sinal evidente do bolivarianismo instalado.

Ao passo que em muitos lugares pais e filhos estão pedalando juntos rumo à escola, no Brasil alguns genitores vão para a avenida ensinar suas crianças a xingarem políticos e ciclistas. Uma cretinice que só prejudica a todos. Mais bicicletas significa menos poluição, vida mais saudável, cidade mais amistosa.

Enquanto no mundo todo a bicicleta é um meio de transporte estimulado, aqui a revista Veja abastece seu leitor com o que há de mais retrógrado e burro.

 

26 Dec 14:02

Ao pobres, nem caridade. Que dirá justiça

by Fernando Brito

Um sorvete. Nada mais que um sorvete. Bastou. Os pobres, os negros, são moscas. Devem ser espantados para longe, deixando tudo limpo. Ouviram falar de “limpeza étnica”? Em judeus? Em guetos? Não importa que...

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26 Dec 13:34

A insanidade das críticas racistas à atriz negra que fará a Hermione de “Harry Potter”

by Marcos Sacramento

 

Noma ladeada por Jamie Parker (o Harry Potter da meia idade) e Paul Thornley que faz seu marido Ron Weasley

Noma ladeada por Jamie Parker (o Harry Potter da meia idade) e Paul Thornley que faz seu marido Ron Weasley

 

O anúncio de uma atriz negra para o elenco da peça de teatro “Harry Potter e a criança amaldiçoada” provocou uma saraivada de reclamações de fãs da saga, inconformados com a possibilidade da atriz Noma Dumezweni interpretar a personagem Hermione Granger.

Nem a afirmação da criadora da história, J.K. Rowling, de que as descrições da personagem se resumem a “olhos castanhos, cabelo crespo e muito inteligente” e que a cor da pele “nunca foi especificada” freou a onda de queixas racistas na internet.

“Espere, Hermione negra? Você está brincando? Não faz sentido”, reclamou um internauta pelo Twitter. Outro berrou: “Hermione em Cursed Child é NEGRA? NÃO! Obrigado por destruir Harry Potter”. Várias outras pessoas dedicaram seus tempos para fazer queixas parecidas na rede social.

As críticas, porém, não foram unânimes e houve elogios à decisão dos produtores da peça em escalar a atriz nascida na Suazilândia, um pequeno país localizado no sul da África.

Um deles foi o internauta Andrien Gbinigie, que em um tweet matador resumiu o nível de desatino de quem lamenta a presença de personagens negros em Harry Potter, Star Wars, 007 ou outras obras onde até então só brancos tinham papel de destaque.

“Pessoas reclamando da cor da pele de Hermione em um universo de ficção onde as pessoas montam em vassouras para desafiar a gravidade. Continuem loucos”, escreveu Gbinigie.

Só loucura mesmo para explicar essa indignação. Uns alegam que o personagem negro deturpa a obra original, outros colocam culpa na “ditadura do politicamente correto” ou mostram-se paranoicos vendo personagens negros como sinônimo de “marxismo cultural”.

É preciso ter uma boa dose de insanidade mental para achar que o mundo vai acabar por causa de um personagem negro em um trama ambientada em uma escola de bruxaria, como lembrou Gbinigie. Ou que um negro não faz sentido em um universo onde um alienígena peludo de dois metros de altura trabalha como copiloto em uma nave espacial.

Seria mais coerente, da parte desses racistas, simplesmente admitir que odeiam os negros e que suas características físicas estragariam as histórias que tanto admiram.

Sanidade mental e coerência, contudo, são qualidades inexistentes nos racistas. Tem um vídeo (abaixo) que mostra a decepção de um neonazista americano, um tal de Craig Cobb, ao descobrir o resultado de um teste de DNA que remete 14% de sua origem à África subsaariana.

A informação de que ele não é 100 % branco fez com que ele abandonasse as ideia de supremacia branca? Nem um pouco. Ele continua na sua louca jornada de pregação de ódio racial e divulgação de falácias como “genocídio branco”.

Pelos números de Star Wars – O Despertar da Força, que apesar da ameaça de boicote por causa do ator negro cravou a marca de maior bilheteria de estreia da história do cinema, não há motivo para os produtores cinematográficos ficarem preocupados com o mimimi dos racistas.

O que não significa que sejam inofensivos, pois a loucura de quem se ofende com uma Hermione negra é a mesma que move neonazistas como Craig Cobb e mantém o xenófobo Donald Trump em primeiro entre os candidatos do Partido Republicano na disputa à presidência dos Estados Unidos.

 

26 Dec 13:31

Eles já não pagam o pato e querem cobrar de você: Brasil não taxa dividendos e cobra menos imposto sobre propriedade ou herança que outros países

by Luiz Carlos Azenha

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18/12/2015 09:35 

No Brasil, ricos pagam pouco imposto e convencem os patos

Róber Iturriet Avila e João Batista Santos Conceição, no Brasil Debate

Uma das discussões atuais é sobre o tamanho do Estado, seus papéis e quem o financia. Em comparação com outros países, no Brasil os impostos incidem muito mais sobre consumo e salário do que sobre renda e patrimônio, o que dificulta cumprir os direitos sociais definidos na Constituição de 1988

A cobrança de tributos conforma um relevante aspecto da relação do Estado com a sociedade. Ao longo da história, os papéis do Estado foram alterando, absorvendo cada vez mais funções sociais como saúde, educação, previdência, assistência social, políticas de moradia, para além das básicas como segurança, defesa territorial e mediação de conflitos.

Tais transformações não ocorreram por acaso e tampouco espontaneamente. O processo de acumulação extremamente desigual e a oligopolização da economia constituíram o caldo de cultura para que o sindicalismo e os partidos operários e trabalhistas reivindicassem direitos sociais e distribuição da riqueza por meio de ação do Estado. Isso se deu, sobretudo, após a crise de 1929 e a Segunda Guerra Mundial.

As políticas econômicas keynesianas, o aparelho estatal de oferta de bens e serviços e o sistema de bem-estar social do período 1945-1980 foram identificados, na crítica neoliberal, como elementos que traziam pesado ônus à situação financeira dos Estados.

Após 1980, essa “nova” sistematização de ideias foi implementada. Os resultados de tais políticas consistiram em fragilização dos sindicatos, ampliação das desigualdades, perda de direitos, descompasso entre variação salarial e produtividade do trabalho e ampliação significativa da participação do 1% mais rico na renda. Piketty (2014) quantificou essa concentração.

Presentemente, a disputa de ideias se dá, em grande medida, em relação ao “tamanho” do Estado, seus papéis e quem o financia.

No Brasil, em 2013, 51,3% dos impostos recolhidos nas três esferas de governo tiveram origem no consumo de bens e serviços, 25,0% na folha de salário, 18,1% na renda, 3,9% na propriedade e 1,7% em demais impostos (1).

Quando é efetuada uma comparação com outros países, se observa que na Dinamarca e nos Estados Unidos, por exemplo, metade da arrecadação está centrada em impostos sobre a renda e lucros (gráfico 1).

No que tange à América Latina, os países que mais tributam renda e lucros são: Peru, Chile e Colômbia, representando, respectivamente, 39,9%; 35,8% e 33,5% da arrecadação.

Os impostos sobre patrimônio também são mais baixos no Brasil. Eles alcançaram 3,9% da carga tributária em 2013. Já no Reino Unido, na Colômbia e na Argentina os impostos sobre patrimônio representaram, respectivamente, 12,3%; 10,6% e 9,2% da carga total.

O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) representam, respectivamente, 1,7%, 1,4%, 0,6% e 0,2% da arrecadação brasileira.

A participação do Imposto Territorial Rural (ITR) é de 0,04%do total. Não passa despercebido que o Brasil é um país extenso, conformado por vastas áreas rurais.

O Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) representou 2,7% do produto brasileiro em 2013. Nos países que integram a OCDE, esse valor corresponde a 8,5%, em média. Mesmo ao se comparar com países com níveis de renda semelhante, observa-se que no Brasil a relação é inferior. Na Turquia, por exemplo, é 13,5% e no México 13,6%.

Quanto às alíquotas marginais brasileiras, tanto a mínima, quanto a máxima estão entre as mais baixas. Desde 1998, a alíquota máxima, no Brasil, é de 27,5%. Já na Alemanha é de 45%, na Turquia é de 35% e no México é de 30%.

Além de alíquotas relativamente menores, no Brasil, é possível deduzir do imposto de renda as contribuições à previdência, despesas médicas, dispêndio com dependentes, pensão alimentícia, entre outros. Em 2013, as deduções foram de R$ 295,1 bilhões, 17,4% da arrecadação e 6,1% do produto.

Os 71.440 brasileiros mais ricos declaram deduções na ordem de R$ 100,1 milhões com dependentes, R$ 82,5 milhões com instrução e R$ 804,2 milhões em despesas médicas. No total, os abatimentos representaram uma média de R$ 13,8 mil por indivíduo.

Desses mais ricos, 51.419 são os recebedores de lucros e declararam um patrimônio total de R$ 1,1 trilhão. Dessa maneira, a renda média individual anual é de R$ 4,5 milhões e a média patrimonial é de R$ 20,8 milhões por pessoa.

Os rendimentos isentos e não tributáveis somaram R$ 632,2 bilhões em 2013. Os 71.440 mais ricos obtiveram R$ 297,9 bilhões, dos quais R$ 196,0 bilhões estão isentos, 65,8% do total.

O valor mais significativo dessa categoria provém dos lucros e dividendos distribuídos ao declarante e/ou dependentes. O total foi de R$ 231,3 bilhões. Cumpre frisar que no ano de 1995 a Lei nº 9.249 isentou a tributação sobre os dividendos.

[Nota do Viomundo: Veja lá quem assinou a Lei 9.249]

Dentre o grupo de 34 países que integram a OCDE, apenas a Estônia aplica o modelo de isenção sobre os dividendos. No Reino Unido, a alíquota é de 36,1%; no Chile, 25%; nos Estados Unidos, 21,2%; e, na Turquia, 17,5%. O México passou a tributar em 17,1% os dividendos em 2014.

Ao se efetuar comparações das alíquotas do imposto sobre herança e doação, observa-se que o desalinhamento persiste sob o aspecto de justiça fiscal. A alíquota no Reino Unido é de 40%. Em outros países, ela é variável: nos Estados Unidos, a média é de 29%; no Chile, 13%. No Brasil a cobrança de ITCMD varia de acordo com cada estado. A alíquota média é 3,9%, porém, elas variam entre 1% e 8%, com faixas díspares.

Países como Argentina, Colômbia, França, Índia, Noruega, Suécia e Uruguai adotam o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), com alíquotas que estão entre 0,4% a 4,8%. O Brasil não cobra esse imposto.

Os direitos sociais no Brasil foram aprimorados na Constituição de 1988. Eles exigiram maior tributação. Assim como a Constituição, a configuração tributária brasileira não foi gerada espontaneamente. Ela representa interesses e o poder de segmentos da sociedade. Mesmo que haja uma constante tentativa de convencimento de que os ricos e os grandes empresários “pagam o pato”, ao se comparar os dados com outros países, observa-se o contrário. Os ricos no Brasil nunca pagaram o pato. Eles apenas convencem os patos que pagam.

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Notas

(1) Impostos indiretos são regressivos, pois sua incidência não têm como referência a renda, apenas o consumo. Não diferencia, portanto, os diferentes níveis de poder aquisitivo. A maior participação deste tipo de tributo vai de encontro ao princípio de equidade.

Referências

PIKETTY, T. Capital in the twenty-first century.Londres: The Belknap press of Harvard University press, 2014.

Leia também:

Boulos diz que a mágica do ajuste de Dilma é que ampliou o rombo

O post Eles já não pagam o pato e querem cobrar de você: Brasil não taxa dividendos e cobra menos imposto sobre propriedade ou herança que outros países apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

26 Dec 13:26

“Os conservadores não terão como escapar da questão da sexualidade nas escolas”, diz educador

by Diario do Centro do Mundo

Beijaço na avenida Paulista, em São Paulo, em proesto contra as declarações homofóbicas de Levy Fidelix.

Publicado no iG:

 

O Plano Nacional de Educação (PNE), apesar de sancionado em 2014 pela presidente Dilma Rousseff, continuou no holofote em 2015. Isso porque cidades e Estados tinham até 26 de junho de 2015 para implementar seus próprios planos. E o que se viu foi a reprodução do conservadorismo que fez com que, nesses âmbitos locais, os dois temas vetados no PNE também fossem excluídos: identidade de gênero e sexualidade nas escolas.

A retirada foi resultado da pressão das bancadas religiosas, que alegaram que trazer o tema à tona deturparia os conceitos de homem e mulher, destruindo o modelo tradicional de família. Além disso, argumentaram que a discussão do assunto seria dever dos pais e não da escola.

Educadores e ativistas de direitos humanos se manifestaram, mas sem sucesso. Em entrevista ao iG, Luiz Ramires Neto, mais conhecido como Lula Ramires, mestre em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenador da ONG Corsa (Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade, Amor), classifica a retirada dos temas do PNE como um retrocesso e avisa: fechar os olhos para a questão de gênero é deixar intacta a diferença que ainda existe entre homens e mulheres.

iG: Como você avalia a retirada da discussão de gênero do Plano Nacional de Educação?

Lula Ramires: Acredito que essas pessoas estão tentando barrar uma demanda dos próprios alunos e da qual não tem como escapar. Os próprios estudantes vão indagar os professores com perguntas em relação a essas coisas. Hoje, ninguém é impedido de trabalhar esses temas. O que a gente não tem é a legitimidade, que haveria se o assunto tivesse sido incluído no PNE.

É um retrocesso, uma derrota, mas acho que a gente tem de fazer desse limão uma limonada. Vamos continuar trabalhando com as pessoas com as quais a gente sempre trabalhou. O problema dos fundamentalistas é que eles querem tirar os meus direitos – de não ser discriminado, de não ser agredido, de a minha relação ser reconhecida pelo Estado – com base na crença deles. Os conservadores não vão ter como ignorar, porque isso vai surgir de qualquer maneira. A gente vive num mundo em que a questão da sexualidade está colocada e que precisa ser discutida.

iG: Uma das justificativas dos contrários à inclusão do tema no PNE era a de que o Estado deixaria de ser laico se a questão do gênero fosse abordada nas escolas. Isso faz algum sentido? 

Lula Ramires: Hoje a gente está vivendo um momento de radicalismo conservador, de que alguns grupos sociais estão verdadeiramente histéricos, fazendo uma gritaria, como se fosse o fim das famílias e dos valores, o que é uma grande bobagem. Estamos em um mundo realmente em crise e que precisa discutir várias coisas. Mas o problema desses grupos é que eles querem impor ao resto da sociedade os valores que são originários da crença da religião deles. Isso mostra que o que está faltando no Brasil é exatamente a ênfase na questão do Estado laico. Acreditar que a humanidade vai desaparecer porque só tem gays e lésbicas é uma forma de autoritarismo, de querer controlar a vida do outro. O que está em jogo é a liberdade individual das pessoas, delas poderem assumir aquilo que as fazem feliz.

Quando a escola aborda a questão de gênero numa perspectiva plurarista, ela mostra ao aluno que tudo o que existe na nossa sociedade são construções culturais, e que elas mudam ao longo do tempo. Dar essa perspectiva histórica ao aluno, de que nem sempre foi assim e nem sempre vai ser assim, faz com que eles reflitam e aí, sim, se tem um ganho progressivo de liberdade, de autonomia, que são características importantes. Discutir gênero e sexualidade é colocar o aluno e a aluna nesse universo que a gente está vivendo e se esquivar daquela coisa de valores que são mantidos simplesmente porque sempre foi assim.

iG: Os deputados que tiraram a palavra ‘gênero’ do Plano também afirmavam que esse assunto deve ser ensinado pelos pais e não pelas escolas. O que você acha disso?

Lula Ramires: Esse é um argumento muito falacioso, porque a escola é um espaço público e nesse espaço nós vamos ter crianças e adolescentes de diferentes famílias, com diferentes valores. A gente precisa aprender a conviver com essas diferenças. É certo que a família tenha de falar do assunto, mas a escola tem de ser mediadora para que no futuro não haja conflitos e violência em função de alguém sentir por conta de valores religiosos ou por acreditar que, em nome de Deus, que pode bater numa mulher ou agredir um homossexual.

iG: Além da questão da liberdade sexual, discutir gênero é uma forma de combater a violência contra a mulher e a discriminação, não é?

Lula Ramires: Sem dúvida. Se você comparar com a questão do racismo, hoje a gente tem uma legislação muito forte e rigorosa, é considerado crime inafiançável no Brasil. Mas isso ainda não é verdade em relação às mulheres. Você vê muitos programas cômicos tratando a mulher como objeto e não tem uma legislação específica para isso. Temos a questão da Lei Maria da Penha para violência, mas é lei para punir quem tiver sido violento com uma mulher.

É a mesma coisa com a homofobia. Contar piada de gay, de bicha, de travesti ainda é uma coisa que as pessoas fazem tranquilamente, porque sabem que não vai causar nada. No caso dos homossexuais, não há uma proteção especifica porque todas as tentativas de criminalizar a homofobia também foram barradas no Congresso. Tem uma situação interessante, porque o Judiciário tem uma postura mais avançada, tem muitas decisões de juízes ou de tribunais que reconhecem os direitos dos homossexuais, mas infelizmente temos um Congresso que deu as costas para essa questão.

iG: Quais seriam as consequências de uma educação que não aborda as temáticas relacionadas à igualdade de gênero?

Lula Ramires: É manter a situação que está, fechar os olhos. Sem discutir gênero, os homens vão continuar indo para as carreiras mais prestigiosas, melhor remuneradas, e as mulheres seguem nas profissões consideradas “femininas”, com reconhecimento social e remuneração muito inferior. Do ponto de vista da homofobia, continua-se dando combustível para que homossexuais sejam desrespeitados, sofram agressões físicas, sejam assassinados e assim por diante. Por outro lado, a escola só vai discutir se a sociedade se conscientizar de que esse é um tema importante.

iG: Hoje temos uma juventude muito mobilizada, que sempre está indo às ruas. Agora que os alunos descobriram têm voz, será que não deveria haver uma mobilização para esse tema ser abordado nas escolas?

Lula Ramires: Concordo inteiramente com você. A partir dessa mobilização dos estudantes, haverá mudanças na postura dos professores, da direção escolar e no conteúdo que é ensinado, e fatalmente vai cair nas questões de gênero e sexualidade. Até porque uma das características muito interessante da mobilização aqui em São Paulo é a forte presença e liderança das meninas.

Tempos atrás, se você lembrar das mobilizações sociais como o movimento pelas Diretas e as greve de sindicato, os expoentes sempre foram masculinos. Agora, de repente, você vê umas meninas boas de briga e que não vão se calar. Essa menina que assume papel de protagonista não vai se encaixar naquele modelo que prega que a função dela é cuidar do marido, dos filhos e da casa. Vai ter de surgir alguma outra coisa porque esse modelo se esgotou. Por isso, acredito, sim, que a mobilização dos estudantes vai trazer outras mudanças importantes, para dentro e fora da escola.

 

24 Dec 14:05

Sua roupa pode ter vindo do Sertão. Conheça quem suou (muito) por ela

by Leonardo Sakamoto

São Paulo não é o único polo de produção de roupas no país e imigrantes bolivianos e paraguaios tampouco são os únicos que sofrem com situação precária de parte do setor de confecções, ao contrário do que as constantes e numerosas denúncias de superexploração do trabalho na capital paulista fazem crer.  Grandes empresas, como a Hering e Riachuelo, terceirizam parte de sua produção para região castigada pela seca no Nordeste, onde empregados trabalham em oficinas que pagam menos do que nas capitais, fazendo longas jornadas. Mesmo assim, o medo de ver empresas migrarem suas encomendas para outras regiões e até fora do país inibe denúncias de trabalho precário, num “contínuo ruim com eles, pior sem”. A reportagem a seguir é de André Campos, que visitou a região do Seridó potiguar para contar essa história. A íntegra está no site da Repórter Brasil.

Trabalhadora produz peças em oficina terceirizada no interior do Rio Grande do Norte (Foto: Lilo Clareto)

Trabalhadora produz peças em oficina terceirizada no interior do Rio Grande do Norte (Foto: Lilo Clareto)

Hering e Riachuelo tercerizam parte da produção para oficinas do Sertão, por André Campos

Desde 2013, a região do Seridó, no semiárido do Rio Grande do Norte, vive um boom de pequenas oficinas de costura terceirizadas – as chamadas “facções”. Elas produzem peças antes costuradas por mão de obra contratada diretamente pela Guararapes Confecções, do grupo Riachuelo. A Hering é outra grande marca presente na região. Há cerca de dez anos, em menor escala, a companhia já havia iniciado a terceirização da costura para o Seridó.

Com a chegada em massa das oficinas, surgiram também episódios de graves violações trabalhistas como jornadas excessivas, trabalho sem carteira assinada e pagamentos abaixo do salário mínimo. Problemas sérios quando se considera o tamanho das marcas que são responsáveis pela produção. Mas que podem parecer pequenos aos olhos da população local, que luta contra a pobreza e a seca.

O semiárido é o novo destino de uma velha prática, já que, há anos, as grandes marcas da moda terceirizam sua produção para pequenas oficinas em outras regiões do país. Em São Paulo, por exemplo, as oficinas de bolivianos foram palco de diversos flagrantes de trabalho escravo. Algumas delas produziam roupas para grandes varejistas como Marisa, Pernambucanas, Renner e Zara.

Do mesmo modo como terceirizam sua produção para imigrantes nos grandes centros, o novo boom de oficinas se expande na região de onde costumavam sair os migrantes brasileiros. Muda a localização e o sotaque, mas as roupas continuam sendo costuradas por uma população vulnerável, mais propícia a aceitar condições precárias de trabalho – contando, para isso, com o apoio de políticas estaduais.

A Repórter Brasil visitou a região e ouviu relatos dos trabalhadores sobre as condições em que costuram as roupas. Os nomes foram trocados para proteger os funcionários. Procuradas, Hering e Riachuelo afirmaram que auditam as oficinas e que exigem delas o cumprimento das leis trabalhistas, adotando medidas corretivas quando necessário. Ressaltaram também que, somados, seus fornecedores contribuem para o desenvolvimento do interior do estado ao gerar mais de quatro mil empregos.

Projeto de governo

A criação de oficinas terceirizadas no semiárido potiguar conta com a benção e o incentivo do governo estadual. Através do programa “Pró Sertão”, ele capacita a mão de obra sertaneja para operar máquinas de costura e facilita o financiamento a microempresários interessados em montarem suas oficinas. “Sei da importância do emprego para as pessoas que vivem no interior. As pessoas terem o direito de nascer, estudar e trabalhar, sem precisar migrar para grandes centros”, declarou em junho o governador Robinson Faria (PSD), durante a apresentação das metas atualizadas do programa. Até 2018, a intenção é criar 210 oficinas e gerar mais de quatro mil empregos.

Além disso, o “Pró Sertão” também quer atrair outras marcas de roupa para o interior do estado. A RM Nor – confecção que produz peças da C&A e Renner, entre outras – já conta com algumas oficinas terceirizadas na região. A loja de artigos esportivos Decatlhon é outra que teria demonstrado interesse em aportar no Rio Grande do Norte.

Flávio Rocha, CEO da Riachuelo, diz que o programa tem um potencial revolucionário ao gerar empregos onde antes não existia nenhuma atividade produtiva. “Havia municípios de 20 mil habitantes que viviam do Fundo de Apoio ao Trabalhador Rural (Funrural), do Bolsa Família e com a elite pendurada na prefeitura”, argumenta.

Ele afirma, no entanto, que a insegurança jurídica prejudica a expansão do “Pró Sertão” – alvo, segundo ele, de fiscalizações intimidatórias do Ministério Público do Trabalho (MPT). “O céu era o limite. Eu tinha condições de criar 100 mil empregos (na região)”. Para Rocha, a melhora das condições de vida dos trabalhadores não é alcançada através da criação de normas trabalhistas, e sim pela demanda e competição por mão de obra.

A suposta geração de postos de trabalho por meio do “Pró Sertão” é contestada pelo presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria do Rio Grande do Norte, Joaquim Bezerra de Meneses. “Funcionários estão sendo demitidos nas maiores confecções enquanto são criadas estas facções terceirizadas no interior. Ou seja, estão trocando seis por meia dúzia”, acredita.

O crescimento da terceirização no setor, diz o juiz Alexandre Érico Alves da Silva, pode gerar mais doenças ocupacionais e acidentes. “No Rio Grande do Norte, a maioria das costureiras que trabalham já há algum tempo na profissão estão adoecendo”, afirma. “Tendo em vista que a estrutura dessas facções é muito mais carente do que a das grandes empresas, a perspectiva é a de que isso permaneça e até se eleve”. Ele avalia que muitas estão instaladas em galpões inapropriados, carecem de recursos financeiros para investir em medidas de segurança e, por conta da demanda, são obrigadas por vezes a exigir jornadas extensas.

Atualmente, segundo o juiz – que coordena o Programa Trabalho Seguro do Tribunal Regional do Trabalho no Rio Grande do Norte – doenças laborais representam entre 30% e 40% das ações recebidas pela Justiça do Trabalho local. A maioria, diz ele, diz respeito ao ramo da indústria têxtil.

A Repórter Brasil entrou em contato com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte, que coordena o “Pró Sertão”, mas o órgão não respondeu à solicitação de entrevista.

Funcionárias trabalham para cumprir metas da lousa, modelos das peças são definidos pelo varejista (Foto: Lilo Clareto)

Funcionárias trabalham para cumprir metas da lousa, modelos das peças são definidos pelo varejista (Foto: Lilo Clareto)

Tábua de salvação

Apesar dos problemas, é inegável que as oficinas de costura tornaram-se uma importante alternativa para a população do Seridó, assolada por uma longa estiagem que já dura quase cinco anos e que prejudica a economia agrícola tradicional. Especialmente para as mulheres, a costura representa hoje um novo horizonte numa região onde há poucos empregos formais. “Eu tenho 38 anos e este é o meu primeiro trabalho com carteira assinada”, revela Maria Elineide de Macedo, funcionária de uma dessas facções.

Por isso mesmo, o medo de ter as portas fechadas no setor inibe denúncias de trabalho precário. “Ainda hoje, em algumas empresas, há dias em que a jornada começa às sete da manhã e pode ir até às dez da noite”, revela uma trabalhadora do setor ouvida pela Repórter Brasil. Ela explica que muitas oficinas ainda operam sob regime de produtividade. “Se você não cumpre a meta, fica depois do expediente costurando as peças que faltaram”, diz.

“Já aconteceu comigo, há uns cinco anos, de sair do trabalho às duas da manhã. Ou então de sair à meia noite o para entrar às cinco da manhã no dia seguinte”, conta outra costureira. “Numa noite dessas o meu marido veio e me tirou da fábrica. Disse que eu não estava passando fome para ter que passar por isso.” Ela ressalta, no entanto, que esse tipo de situação diminuiu sensivelmente nos últimos anos. Uma das razões seriam as auditorias mais rígidas dos varejistas contratantes sobre as condições trabalhistas nas oficinas da região.

Buscar melhorias para o trabalhador do semiárido é um desafio para o Sindicato das Costureiras. A entidade, sediada em Natal, quase não tem associados no interior. “Existem facções que estão a 400 quilômetros daqui. Não temos como acompanhar tudo”, explica a presidente da entidade.

Em geral, as costureiras do sertão recebem R$ 793 por mês – cinco reais a mais do que o salário mínimo – para labutar em uma jornada semanal de 44 horas. Segundo o sindicato, elas não recebem os mesmos benefícios em comparação com as costureiras das grandes confecções na região metropolitana. Prêmios de produção – que podem chegar a R$ 300 reais/mês – e planos de saúde para os trabalhadores são alguns dos itens previstos em acordos coletivos com empresas de Natal. “Aqui (na capital) nós não ganhamos menos do que mil reais”, revela Maria dos Navegantes.

A perda de empregos na região, impulsionada pela terceirização para o interior, preocupa a presidente do Sindicato das Costureiras. “Em dezembro de 2014 a Guararapes tinha 10 mil funcionários, e agora são 8,5 mil”, conta Maria dos Navegantes. É quase metade dos trabalhadores que, segundo a entidade, batiam cartão na indústria há seis anos.

Flávio Rocha, da Riachuelo, afirma que a fiscalização do MPT foi um dos principais motivos para a diminuição do número de empregados na fábrica da Guararapes, apesar do crescimento da Riachuelo – segundo ele, a varejista teria dobrado de tamanho nos últimos cinco anos. Em 2012, o MPT ajuizou uma ação contra a Guararapes cobrando multa de R$ 27 milhões por descumprimento de normas de saúde e segurança. “Tivemos que assinar um acordo com 40 cláusulas absolutamente leoninas. Isso feriu de morte a competitividade (da fábrica)”, diz o CEO da Riachuelo, que questiona: “Foi quando o meu pai [Nevaldo Rocha, fundador do grupo] nos disse: ‘vocês estão liberados, produzam onde quiserem.’”

Posição das empresas

Segundo nota do grupo Riachuelo, a decisão de expandir a terceirização na atividade de costura deveu-se ao objetivo de gerar emprego e renda no interior do estado e trazer para o mercado interno parte da produção de “jeans” antes fabricada no exterior.

O grupo afirmou ainda que sua equipe de auditores tomou providências em relação ao fornecedor citado pagando salários abaixo do mínimo (o nome da oficina será omitido para evitar represálias à funcionária ouvida pela Repórter Brasil). De acordo com a empresa, o pagamento de dezembro foi integralmente recebido pelos trabalhadores, assim como o 13º. Sobre os salários devidos nos meses anteriores, a Riachuelo diz que deu um prazo até janeiro de 2016 para a empresa regularizar a situação.

A empresa afirma realizar visitas surpresa nos fornecedores, além de disponibilizar um canal de denúncia anônima para os trabalhadores. Desde 2013, onze oficinas já teriam sido alvo de rescisão contratual devido a irregularidades graves ou à reincidência no descumprimento de normas trabalhistas. Atualmente produzem roupas para a Riachuelo 74 oficinas no Rio Grande do Norte, com um total aproximado de 2,2 mi funcionários.

Sobre seu fornecedor que fechou sem pagar direitos trabalhistas, a Hering diz que auditorias internas realizadas pela empresa indicaram o desrespeito a regras contratuais na oficina, entre elas o não cumprimento de normas trabalhistas. “O empresário foi notificado e, como não tomou providências, teve o contrato de prestação de serviço distratado em fevereiro de 2015”, diz a Hering em resposta à Repórter Brasil. A empresa afirma que, desde então, nenhuma comunicação judicial sobre qualquer pendência foi feita. “A Cia. Hering busca resolver qualquer pendência trabalhista, porém sempre observando a relação entre pessoas jurídicas (com o proprietário da facção).”

Além de auditorias internas, a Hering diz que checa mensalmente documentos enviados pelos fornecedores para comprovar o cumprimento das normas trabalhistas. A empresa afirma ter realizado 212 auditorias nas oficinas de costura no Rio Grande do Norte em 2015.

Maria dos Navegates, presidente do sindicato das costureiras, diz que os salários e os benefícios são menores para as costureiras do sertão (Foto: Lilo Clareto)

Maria dos Navegates, presidente do sindicato das costureiras, diz que os salários e os benefícios são menores para as costureiras do sertão (Foto: Lilo Clareto)

“Ficamos com os salários atrasados”

“Éramos uns 30 funcionários. Até que, no começo de 2015, a Hering começou a mandar poucas peças pra gente costurar. Alguns dos trabalhadores foram demitidos, mas, em fevereiro, a coisa piorou ainda mais. Um lote de peças foi costurado errado e a oficina deixou de receber o pagamento por conta disso. Logo depois a Hering parou de trabalhar com a gente. Aí foi uma confusão. A facção [oficina] fechou e ficamos com os salários atrasados. Com alguns trabalhadores o patrão fez acordo, deu baixa na Carteira de Trabalho e ao menos liberou o FGTS. Mas com outros ele não resolveu nada. Isso já tem uns dez meses e a minha demissão ainda não foi assinada por ele. Por isso eu não consigo arranjar outro emprego. Agora vou começar a trabalhar como vendedora ambulante nas cidades da região. É o jeito.”

(Fernanda foi funcionária de uma oficina de costura fornecedora da Hering.)

“Tenho medo que descubram que fui eu que denunciei”

“Foi há três meses que a facção começou a funcionar. Nos primeiros quinze dias fizemos peças de teste para a Guararapes e, na metade de setembro, começamos a produzir pra valer. Nós recebemos R$ 300 de pagamento no primeiro mês. No segundo, R$ 480. Estamos esperando esse mês (dezembro) para ver como vai ser. Até agora ela não disse nada.

Muitos trabalhadores se calam sobre esse tipo de coisa porque têm medo de se queimar na região, onde todo mundo se conhece. Esta difícil emprego até na capital, imagina aqui no interior. Eu sou mãe solteira, tenho filho pra criar.

Na nossa fábrica tem um cartaz enorme da Guararapes pendurado, com um telefone da empresa para denúncias. Pensei em ligar inúmeras vezes, mas eu tenho medo que descubram que fui eu que denunciei. Não posso ficar queimada. Somos uns 20 funcionários, e muitos estão pensando em desistir. Esse foi o assunto das conversas hoje.”

(Maria, funcionária de oficina de costura que abastece a Guararapes, do grupo Riachuelo.)

A íntegra da reportagem está no site da Repórter Brasil.

24 Dec 13:59

Como seria o Natal brasileiro se não fôssemos tão colonizados

by Cynara Menezes

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Parece incrível, mas a única coisa que tem de legitimamente brasileira no Natal é a farofa. As outras “tradições” natalinas foram todas importadas e reforçadas pelo comércio para ganhar dinheiro. Como seria um Natal brasileiro de verdade, se não fôssemos tão colonizados?

1. Papai Noel poderia até ser branquelo, afinal vivemos num país multirracial, mas nunca usaria roupas tão quentes em pleno verão! Só aceito Papai Noel se for de regatinha e bermuda. E o mais patético é que o coitado, além de vestido dos pés à cabeça, ainda entra pelas casas por uma… chaminé! No Brasil! Hahahaha. Pobres criancinhas, é um insulto à inteligência delas acreditar nisso.

bonecodeneve

2. Esqueça tudo envolvendo neve, trenó, cachecóis, gorros, luvas…  Nem pensem em pinguins!!! A visão de Natal de muitas pessoas aqui parece ser a cópia exata de um filme de Hollywood, sendo que, nos Estados Unidos, isso se justifica porque é inverno. Num país tropical como o nosso, é simplesmente ridículo ficar macaqueando tradições de países onde, agora, é frio. Neve de pipoca e de algodão é o cúmulo da cafonice e do complexo de colonizado. Apenas parem.

3. Pra que pinheiros, gente, com tantas árvores muito mais lindas na flora brasileira para enfeitar o Natal? Por que não uma jabuticabeira, que já tem até as bolinhas? Jaqueiras, pitangueiras, amoreiras, cajueiros… Um coqueiro com seus cocos! Imaginem uma árvore de Natal dessas, que linda. Não precisaria nem ser de plástico, como 99% dos pinheiros são. Aliás, que festa mais artificial, hein? É tudo falso, até o amor de alguns pelo aniversariante do dia, Jesus…

jabuticabeira

4. Os frutos secos também não têm nada a ver. Acorda, deslumbrado! Você sabia que em muitos países da Europa tem frutas tropicais na ceia de Natal? Que mané nozes e avelãs! Dezembro é época de abacate, abacaxi, ameixa, manga, jabuticaba, umbu, cajá, siriguela, melancia… Lichia, que já virou brasileira e só dá nessa época do ano! A mesa ficaria muito mais linda e ainda daria para fazer umas caipiroscas. Nada contra champanhe, mas tem tudo a ver com o calor.

5. Em vez de peru ou chester, por que não um delicioso frango caipira? Além de mais suculento e apetitoso, ainda evita maltratar os animais. Vejam como os perus são criados neste frigorífico, um dos maiores do mundo, no Canadá. Você acha que no Brasil é diferente?

6. No lugar do tender, carne de fumeiro da Bahia! Já provaram? É uma carne de porco defumada, muito mais deliciosa e macia do que o tender. Pode ser preparado da mesma maneira que o presunto, com abacaxi ou fios de ovos, mas fica bom mesmo é no escondidinho com mandioca…

fumeiro

7. E em vez de arroz com passas, por que não um goianíssimo arroz com pequi? Aromático, exótico, e amarelinho… Mais brasileiro impossível.

arrozpequi

8. Confesso a vocês que a melhor parte do Natal para mim é o panetone. Além disso, a origem italiana do acepipe também é a mesma de muitos brasileiros. Portanto, ao invés de substituí-lo, nossa ceia brasileira seria apenas acrescentada de um magnífico bolo de fubá com goiabada. Feito em casa, o que já lhe dá uma vantagem diante do panetone.

fubagoiabada

9. Para terminar, podíamos substituir essas músicas gringas de Natal. Já deu de Noite Feliz e de Simone! As letras também poderiam ser mais honestas. Nada mais falso, por exemplo, do que “como é que papai Noel/ não se esquece de ninguém/ seja rico ou seja pobre/ o velhinho sempre tem”. Papo furado! Muito mais verdadeira é Boas Festas, de Assis Valente, a canção natalina que é a cara do Brasil e suas desigualdades. Aqui, na voz de Carlos Galhardo.

Confira a letra:

Anoiteceu, o sino gemeu
E a gente ficou feliz a rezar
Papai Noel, vê se você tem
A felicidade pra você me dar
Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
E assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel
Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem…

10. Ah, os presentes? Tudo bem, dar e receber presentes é sempre bacana, simpático, independente da época. Agora, não precisa pirar e entrar na onda consumista importada dos EUA. Dê presente para as crianças, para quem precisa, para quem você ama. E pronto.

***

Que tal? Na minha opinião, só seremos uma nação respeitável de verdade quando pararmos de copiar o Natal dos outros. Feliz Natal para todos.

VERSÃO EM VÍDEO:

 

 

23 Dec 20:44

Empresa dos Garnero contratou Costa, o ladrão da Petrobras

by Fernando Brito

  O mais engraçado do mundo são as voltas que o mundo dá. O playboy Álvaro Garnero Filho, filho do playboy Álvaro Garnero e neto do polêmico Mario Garnero –  condenado  a cinco anos...

O post Empresa dos Garnero contratou Costa, o ladrão da Petrobras apareceu primeiro em TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”.

23 Dec 20:03

Francisco Dornelles é primo de Aécio Neves. Ele propôs uma mamata federal. Isso deveria ser relevante para o jornalismo “amigo de Lula”

by Luiz Carlos Azenha

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Da Redação

Não existe crime por associação. Existem crimes de imprensa por associação.

Como em “Médico que atendeu Lula é suspeito de assassinato“, da Veja.

O pecuarista José Carlos Bumlai confessou a doação de R$ 12 milhões ao PT, mas isentou o ex-presidente. Você pode acreditar ou não. Não nos consta que ele seja filantropo. Portanto, é mesmo de desconfiar.

É justo contextualizar a história de Bumlai e suas relações com Lula, mas sem deixar de fora o fato de que o pecuarista também foi sócio de Galvão Bueno e de João Carlos Saad, dono da TV Bandeirantes e amigo de muita gente.

Por isso, “o amigo do Lula” insistente, incluído em todas as manchetes e citações feitas pelos jornais ao pecuarista, deu nos nervos do próprio Bumlai: “Até meu nome mudaram. Sou José Carlos Bumlai, não amigo do Lula“, declarou ao depor em uma CPI.

Bem, se são estes os critérios jornalísticos adotados pelo GAFE (Globo, Abril, Folha, Estadão), por que não Francisco Dornelles, primo de Aécio Neves?

Neste caso, afinal, temos uma relação de parentesco que inclui uma nomeação política! O gráfico acima, dos Amigos do Presidente Lula, é esclarecedor.

Dornelles já foi três vezes ministro: da Fazenda sob José Sarney, quando Aécio foi nomeado diretor da Caixa Econômica Federal aos 25 anos de idade; do Trabalho e Desenvolvimento, sob Fernando Henrique Cardoso.

Hoje é vice-governador do Rio, tendo feito em 2014 campanha pelo primo na chapa Aezão, que pedia votos para Aécio e Pezão, eleito governador.

Em sua carreira política, Dornelles passou pelo PFL, PDS, PPR e PPB. Presidiu o PP, o partido que indicou Paulo Roberto Costa diretor da Petrobras.

Na agenda de Paulo Roberto, apreendida pela PF, aparece um encontro dele com Francisco Dornelles, então presidente do PP, em 25 de maio de 2012, pouco depois de deixar a diretoria da Petrobras. Questionado, Dornelles respondeu que “sempre o considerou um técnico da maior competência”.

Técnico? Sim, ele é engenheiro, mas a PGR acusa o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás de ter repassado R$ 62,1 milhões a parlamentares do PP. Se for comprovado, Costa era o caixa das campanhas enquanto o primo de Aécio tocava o partido, do qual ainda é presidente de honra.

Mas, não fica nisso.

Na madrugada do último dia 17 o Viomundo foi um dos primeiros a noticiar, a partir da leitura da íntegra do documento em que a PGR pede o afastamento de Eduardo Cunha do mandato e da presidência da Câmara, que Francisco Dornelles foi citado como um dos parlamentares que apresentaram emendas em nome de Cunha.

Funcionou assim, segundo a PGR: a OAS escrevia as emendas e Cunha as destinava, através de aliados, para apresentação no Congresso.

Dornelles, por exemplo, apresentou 15 emendas à MP 584, de 2012, que se converteu na Lei 12.780, de 09/01/2013.

(Investigue, clicando aqui, as 64 emendas apresentadas)

A MP tratava de benefícios fiscais relativos às Olimpíadas do Rio 2016: isenção de IPI, imposto de importação, PIS-Pasep importação, COFINS importação e outros.

A Lei contempla a Globo, já que permite a importação de equipamentos de TV pelas emissoras credenciadas.

Os irmãos Marinho têm, portanto, todos os motivos para fazer com as Olimpíadas do Rio o mesmo que fizeram durante décadas com Ricardo Teixeira, homenageado com uma reportagem inacreditável no Jornal Nacional, quando se despediu da CBF: não investigar absolutamente nada.

O que Dornelles, o primo de Aécio, pretendia fazer?

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Por exemplo, através de uma das emendas, estender às obras de infraestrutura urbana vinculadas aos Jogos os benefícios do REIDI — Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento de Infra-Estrutura.

E o que prevê o tal do REIDI?

Isenção no recolhimento do COFINS importação (alíquota geral de 7,6%) e do PIS-Pasep importação (alíquota geral de 1,65%).

Ou seja, as empreiteiras envolvidas nas obras do Rio poderiam importar “máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, e materiais de construção para utilização ou incorporação em obras de infra-estrutura” deixando de recolher quase 10% do valor em impostos.

Não, não estamos falando do Parque Olímpico, mas de qualquer obra remotamente associada aos Jogos.

[Para saber sobre a mamata do Parque Olímpico, veja a reportagem no pé da página]

É o “trem da alegria” de 2016. Tremenda mamata!

O interesse específico da OAS era no Porto Maravilha, que não tem relação direta com os Jogos mas foi incorporado ao “pacote olímpico” do PMDB carioca.

Em novembro de 2010, o prefeito Eduardo Paes havia assinado o maior contrato de Parceria Público Privada do Brasil, no valor de R$ 7,6 bilhões, com a OAS e a Odebrecht.

Pelo contrato da PPP, as duas empreiteiras se tornaram “donas” da região portuária do Rio durante 15 anos. Uma oportunidade ímpar para a especulação imobiliária.

Descrição das obras do Projeto:

– Essa PPP inclui todo o processo de recuperação da infraestutura da região portuária. E isso inclui a demolição do Elevado da Perimetral, que representa um muro entre a cidade e o mar, causando sombra, barulho, poluição. A idéia, além da demolição do elevado, é trazer para a cidade veículos mais amigáveis ao meio ambiente, como é o caso dos VLTs (Veículo Leve sobre Trilhos). Além disso, o contrato prevê a construção das avenidas que vão substituir o elevado, a implantação de redes de esgoto e de iluminação. Ou seja, as pessoas que moram na região e seus visitantes terão uma qualidade de vida infinitamente superior à atual – explicou o secretário [de Desenvolvimento, Felipe Góis].

[…] Na segunda fase das intervenções do Porto Maravilha, serão 70km de vias construídas e reurbanizadas, além da implantação de redes de infraestrutura urbana com serviços de pavimentação, drenagem, sinalização, iluminação, arborização, recuperação do sistema de água e esgoto. Também serão construídos 17km de ciclovias. Além disso, entre os serviços que ficarão sob responsabilidade do consórcio, estão a conservação e manutenção de vias públicas e monumentos históricos, iluminação pública, limpeza urbana e coleta de lixo domiciliar.

Agora, por favor, respondam: o que a rede de esgotos do Porto Maravilha tem a ver com as Olimpíadas de 2016?

Mas, pela emenda de Francisco Dornelles, o primo de Aécio, a OAS poderia importar tijolos da Argentina, lixeiras da China ou lâmpadas do Chile com um belo desconto. Os exemplos que escolhemos, obviamente, são tão bizarros quanto a emenda.

A proposta de Dornelles foi aprovada no Congresso mas, posteriormente, vetada pela presidente Dilma Rousseff.

O cúmulo da hipocrisia é que, enquanto de um lado pretendia desonerar a OAS e a Odebrechet, reduzindo a arrecadação de impostos, Francisco Dornelles pregava austeridade fiscal ao governo.

A hipocrisia não é uma exceção no PP, um partido que, como o PMDB, é ao mesmo tempo da base de Dilma e não é.

O partido indicou seis deputados pró-impeachment à comissão “produzida” por Eduardo Cunha na Câmara e enterrada pelo STF: Jair Bolsonaro (RJ), Jerônimo Goergen (RS), Luis Carlos Heinze (RS) e Odelmo Leão (MG) e mais os suplentes Renzo Braz (MG) e Roberto Balestra (GO).

Dois deles, Jerônimo Goergen e Luis Carlos Heinze, estão na lista de investigados da Operação Lava Jato.

O PP de Dornelles, aliás, é recordista: tem três senadores, 18 deputados e 11 ex-parlamentares sob investigação da PGR.

Agora tem um ex-senador e vice-governador, com a inclusão de Dornelles, o primo de Aécio.

O que apenas reforça nossa tese: a frente que pretende derrubar Dilma — que não é acusada de corrupção — é formada por “moralistas” sem moral, oportunistas sem votos, um vice ressentido que advoga em causa própria e empresários que se dividem em duas turmas.

Uma, a dos corruptores que querem enterrar a Operação Lava Jato por motivos óbvios; outra, a dos financiadores de patos de plástico amarelos que não querem pagar impostos (muitas vezes, as turmas se confundem).

Muitos deles mamaram nos R$ 100 bilhões em desoneração concedidos pelo governo federal e agora, num cenário pós-Dilma, pretendem atropelar a Constituição de 88 para continuar a transferência de renda da base para o topo da pirâmide, via retirada de direitos sociais.

Aécio, obviamente, ocupa posição de destaque nesta turma. Sem dar um pio sobre o primo do PP. Com a garantia de que jamais será associado a Dornelles nas manchetes. Nem a Azeredo. Nem à lista de Furnas. Nem àquele dinheiro que, segundo o delator Alberto Yousseff, ele recebeu da prestadora de serviços Bauruense.

O presidente do PSDB jamais vai dizer que o sistema político apodreceu graças ao dinheiro grosso que, além de financiar campanhas, caixa dois e enriquecimento ilícito, escreve emendas parlamentares para esta caricatura do Congresso que é Eduardo Cunha, caricatura que usou o primo de Aécio como marionete parlamentar — sempre segundo a PGR.

Aécio precisa deles — dos homens do dinheiro, de Cunha e do jornalismo “amigo de Lula” — para derrubar Dilma. O resto são as lixeiras chinesas do Porto Maravilha.

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23 Dec 13:43

O jovem incoerente que provocou Chico Buarque

by Marcelo Auler

Matéria reeditada no dia 23/12, às 07h43, para acerto de informações. Errei ao postar que Alvaro Garnero Filho filiou-se ao PRB. Na verdade, foi seu pai, Alvaro Garnero, quem se filiou e chegou a se inscrever para disputar a Câmara Federal em 2014, mas acabou renunciando. Peço desculpas pelo erro. Mas ele não compromete as […]

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20 Dec 18:33

Pré-Sal: quem desdenha quer vender. Baratinho, quase doado…

by Fernando Brito

Ontem à tarde, postei aqui algumas reflexões sobre a crise provocada pelos preços do petróleo e a advertência de que havia gente “se aproveitando disso para ver se convence os trouxas de que o...

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20 Dec 13:17

Janot chama Cunha de “delinquente” e líder de “grupo criminoso”. STF, só depois do Carnaval

by Fernando Brito

O Estadão publica hoje trechos da representação de  Rodrigo Janot contra Eduardo Cunha que fazem a gente ficar pasmo sobre como o Supremo Tribunal Federal resolveu examinar apenas depois da volta das férias de...

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20 Dec 12:58

O “dono” de uma escola estadual que tentou expulsar os alunos com correntes e martelos. Por Mauro Donato

by Mauro Donato
escola

O diretor Ranieri tenta entrar na escola

 

Corrente, martelos, barras de ferro e pedaços de pau utilizados como armas. Briga entre torcidas organizadas? Guerra de gangues de rua? Não. Um diretor de escola, o filho dele, um instrutor-mediador e “pais de alunos não identificados” aterrorizando estudantes da Escola Estadual Dep. João Doria, na zona leste.

Na última terça-feira (dia 15) uma orientadora telefonou para vários pais e professores convocando-os para uma reunião na escola com o propósito de dissolver a ocupação que há cerca de um mês é mais uma das muitas que protestam contra a reorganização escolar proposta pelo governo Geraldo Alckmin.

Na hora marcada, os estudantes que já tinham sido avisados do plano estranharam a ausência de pais de alunos e notaram a presença de pessoas estranhas em companhia do diretor da instituição, Ranieri Ribeiro Rabelo, e do mediador da escola, Claudionor. Resolveram trancar o portão e a partir daí ocorreu a barbárie que pode ser vista no vídeo.

Enquanto filmava, Guilherme Lima Pereira, aluno do 3º ano do ensino médio quase teve seu celular sequestrado pelo diretor Ranieri e acabou agredido com uma corrente. O professor Alan buscou interceder e levou um soco de Claudionor.

Vamos recapitular: Ranieri é o diretor da escola e Claudionor é o “mediador de conflitos”, nomeado pela direção e não pelos alunos. O outro homem extremamente violento e que fez diversas ameaças aos jovens é o filho de Ranieri.

O que teria acontecido se tivessem conseguido invadir, armados e irados? Como pessoas com esse grau de desequilíbrio podem estar em cargos voltados para educação de jovens? Qual o exemplo que um diretor desses quer passar?

Segundo os estudantes, o diretor Ranieri não teve um surto eventual. Seu comportamento normal é o de assédio moral. “É o tal negócio, quem quer respeito deve respeitar e ele não faz isso. Agride verbalmente, ofende o tempo todo”, disse Kemilly Correa aluna do 1º ano do ensino médio. Depois do ocorrido, o diretor não repetiu a dose mas tem feito rondas intimidatórias diariamente.

Quando visitei a escola neste sábado, o professor agredido não estava e o aluno Guilherme deixou a ocupação depois do episódio, proibido por seus pais que temem por sua integridade física.


Em suma, alunos que procuram fazer parte da escola de uma forma mais abrangente que a de simples rebanho bovino, que sabem de seus direitos e querem exercê-los, são impedidos de fazê-lo pois correm risco de serem atacados pelo diretor. Quem ele pensa que é, o dono da escola? “Sim, ele diz ‘Vou tirar vocês daí, a escola é minha’. Ele se intitula dono da escola e isso é um processo histórico no ensino público. Diretores e até alguns professores pensam assim, são raras as exceções”, diz um apoiador da ocupação que não quis se identificar.

O diretor Ranieri Ribeiro Rabelo mostrou-se além de um potencial psicopata, alguém completamente desconectado com o desenrolar da questão. Sua noção de timing é tão débil quanto seu equilíbrio emocional. Menos de dois dias depois de seu ataque de fúria, a justiça acolheu os pedidos da Defensoria Pública e do Ministério Público de São Paulo e suspendeu a reorganização escolar para 2016.

Com isso, o Comando das Escolas em Luta divulgou um comunicado informando que as ocupações já cumpriram sua função e portanto seriam desmobilizadas conforme os critérios e expectativas de cada unidade. O que poderia ser um início de trégua transformou-se, depois do atentado do diretor e seus capangas, num recrudescimento da ocupação do João Doria cujos alunos decidiram que agora manterão a trincheira até que Ranieri seja exonerado. “Ele e toda a direção que armou isso”, complementou Kemilly.

Há consenso entre psiquiatras e psicólogos que quem sofre abusos na infância tem uma propensão gigantesca para tornar-se um adulto violento e repetidor dos mesmos abusos. Que tipo de abuso essas pessoas, que deveriam ser exemplo para os jovens, terão sofrido para agirem daquela forma?

Infelizmente a agressão praticada por aqueles irresponsáveis sanguinários não só é uma violência com consequências imediatas, como futuras. O abuso sempre transforma a vítima. E não é para o bem.

 

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18 Dec 18:37

Para meu filho

by Ruri

Isaac, meu querido,

Sempre que minha mãe passa um tempo com você, ela me diz que estou pagando todos os meus pecados, porque eu era bem pior. Nossa, tadinha da minha mãe, porque não é fácil ficar cuidando de você, viu?

Outro dia, você chegou da escola e disse que ia enfeitar nossa casa para o Natal. Saiu espalhando brinquedos pela sala e pela cozinha, para nossa casa ficar bem bonita. Eu não quis te dizer que aquilo para mim era bagunça, então deixei você enfeitar tudo e arrumei tudo depois que você dormiu.

Aí você olhou a mesa de jantar e viu que eu não tinha guardado minhas coisas, então aproveitou para fuxicar meus papéis, fazer um desenho no meu caderno com minhas canetas e mexer em tudo. Eu te pedi para não mexer ali e sugeri fazer outra coisa e você disse que iria desenhar. Quando fui te ver na mesa da cozinha, você tinha molhado os papéis porque assim ficaria mais fácil de grudar nas paredes. Eu expliquei que não. Quando voltei de novo, você tinha colocado um banco na frente da geladeira e tinha tirado todas as fotos que temos lá, para poder colar os seus desenhos. Então você me disse que ia para seu quarto colocar a fantasia do Peter Pan e eu fui fazer o jantar.

Como você estava demorando para voltar, fui até lá e te encontrei completamente nu brincando de outra coisa. Pelo que entendi, você se distraiu com outro brinquedo logo depois de ter tirado a roupa e se esqueceu de colocar a fantasia, mas você não soube me explicar por que tinha tirado a cueca para colocar a fantasia. Eu pedi para você se vestir. Alguns minutos depois voltei para te ver e encontrei o Peter Pan em cima de uma cadeira que deveria estar no quarto na frente da pia do banheiro lavando uns brinquedos sujos. Eu sei, aquele sabonete líquido novo que eu comprei tem uma embalagem incrível, dá vontade de mexer. Mas eu te expliquei que não era para lavar brinquedos e coloquei a cadeira no lugar.

Aí você me pediu para brincar com um jogo cheio de bolinhas pequenas e eu pedi para ficar no quarto com a porta fechada, porque o cachorro poderia engolir tudo. Mas a cada 30 segundos eu ouvia barulhos de bolinhas no corredor, porque sem querer a porta do quarto se abria e as bolinhas se espalhavam para fora. E cada vez que acontecia isso, o cachorro corria, você gritava e eu parava de fazer o jantar para socorrer as bolinhas.

Então você quis ver o Mágico de Oz, e eu achei bom porque já tinha quase queimado a comida várias vezes, então achei bom que você ficasse sentado um pouco. Só que todas as vezes que a Dorothy cantava, você se levantava do sofá e saía pulando e cantando pela sala, e o cachorro saía atrás tentando morder sua mão porque queria participar da brincadeira, e você gritava, e eu tinha que parar tudo e ir acalmar o cachorro.

Depois do jantar, enquanto eu arrumava alguma coisa e me distraí, você abriu uma gaveta e pegou o rolo de fita crepe para fazer pulseiras no seu braço. E depois você me pediu mais alguma, e quando fui fazer você respondeu todo animado:

– Obrigado, mamãe, você é muito agradável.

“Agradável” foi ótimo, Isaac. Você é bagunceiro, mas é sempre agradável cuidar de você. Adoro essa cabecinha criativa e cheia de ideias, mesmo que isso não me deixe relaxar um minuto.

 


18 Dec 18:25

No Brasil, ricos pagam pouco imposto e convencem os patos

by Róber Iturriet Avila

A cobrança de tributos conforma um relevante aspecto da relação do Estado com a sociedade. Ao longo da história, os papéis do Estado foram alterando, absorvendo cada vez mais funções sociais como saúde, educação, previdência, assistência social, políticas de moradia, para além das básicas como segurança, defesa territorial e mediação de conflitos.

Tais transformações não ocorreram por acaso e tampouco espontaneamente. O processo de acumulação extremamente desigual e a oligopolização da economia constituíram o caldo de cultura para que o sindicalismo e os partidos operários e trabalhistas reivindicassem direitos sociais e distribuição da riqueza por meio de ação do Estado. Isso se deu, sobretudo, após a crise de 1929 e a Segunda Guerra Mundial.

As políticas econômicas keynesianas, o aparelho estatal de oferta de bens e serviços e o sistema de bem-estar social do período 1945-1980 foram identificados, na crítica neoliberal, como elementos que traziam pesado ônus à situação financeira dos Estados.

Após 1980, essa “nova” sistematização de ideias foi implementada. Os resultados de tais políticas consistiram em fragilização dos sindicatos, ampliação das desigualdades, perda de direitos, descompasso entre variação salarial e produtividade do trabalho e ampliação significativa da participação do 1% mais rico na renda. Piketty (2014) quantificou essa concentração.

Presentemente, a disputa de ideias se dá, em grande medida, em relação ao “tamanho” do Estado, seus papéis e quem o financia. No Brasil, em 2013, 51,3% dos impostos recolhidos nas três esferas de governo tiveram origem no consumo de bens e serviços, 25,0% na folha de salário, 18,1% na renda, 3,9% na propriedade e 1,7% em demais impostos (1).

Quando é efetuada uma comparação com outros países, se observa que na Dinamarca e nos Estados Unidos, por exemplo, metade da arrecadação está centrada em impostos sobre a renda e lucros (gráfico 1).

No que tange à América Latina, os países que mais tributam renda e lucros são: Peru, Chile e Colômbia, representando, respectivamente, 39,9%; 35,8% e 33,5% da arrecadação.

Os impostos sobre patrimônio também são mais baixos no Brasil. Eles alcançaram 3,9% da carga tributária em 2013.  Já no Reino Unido, na Colômbia e na Argentina os impostos sobre patrimônio representaram, respectivamente, 12,3%; 10,6% e 9,2% da carga total.

O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) representam, respectivamente, 1,7%, 1,4%, 0,6% e 0,2% da arrecadação brasileira.

A participação do Imposto Territorial Rural (ITR) é de 0,04%do total. Não passa despercebido que o Brasil é um país extenso, conformado por vastas áreas rurais.

O Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) representou 2,7% do produto brasileiro em 2013. Nos países que integram a OCDE, esse valor corresponde a 8,5%, em média. Mesmo ao se comparar com países com níveis de renda semelhante, observa-se que no Brasil a relação é inferior. Na Turquia, por exemplo, é 13,5% e no México 13,6%.

Quanto às alíquotas marginais brasileiras, tanto a mínima, quanto a máxima estão entre as mais baixas. Desde 1998, a alíquota máxima, no Brasil, é de 27,5%. Já na Alemanha é de 45%, na Turquia é de 35% e no México é de 30%.

Além de alíquotas relativamente menores, no Brasil, é possível deduzir do imposto de renda as contribuições à previdência, despesas médicas, dispêndio com dependentes, pensão alimentícia, entre outros. Em 2013, as deduções foram de R$ 295,1 bilhões, 17,4% da arrecadação e 6,1% do produto.

Os 71.440 brasileiros mais ricos declaram deduções na ordem de R$ 100,1 milhões com dependentes, R$ 82,5 milhões com instrução e R$ 804,2 milhões em despesas médicas. No total, os abatimentos representaram uma média de R$ 13,8 mil por indivíduo. Desses mais ricos, 51.419 são os recebedores de lucros e declararam um patrimônio total de R$ 1,1 trilhão. Dessa maneira, a renda média individual anual é de R$ 4,5 milhões e a média patrimonial é de R$ 20,8 milhões por pessoa.

Os rendimentos isentos e não tributáveis somaram R$ 632,2 bilhões em 2013. Os 71.440 mais ricos obtiveram R$ 297,9 bilhões, dos quais R$ 196,0 bilhões estão isentos, 65,8% do total. O valor mais significativo dessa categoria provém dos lucros e dividendos distribuídos ao declarante e/ou dependentes. O total foi de R$ 231,3 bilhões. Cumpre frisar que no ano de 1995 a Lei nº 9.249 isentou a tributação sobre os dividendos.

Dentre o grupo de 34 países que integram a OCDE, apenas a Estônia aplica o modelo de isenção sobre os dividendos. No Reino Unido, a alíquota é de 36,1%; no Chile, 25%; nos Estados Unidos, 21,2%; e, na Turquia, 17,5%. O México passou a tributar em 17,1% os dividendos em 2014.

Ao se efetuar comparações das alíquotas do imposto sobre herança e doação, observa-se que o desalinhamento persiste sob o aspecto de justiça fiscal. A alíquota no Reino Unido é de 40%. Em outros países, ela é variável: nos Estados Unidos, a média é de 29%; no Chile, 13%. No Brasil a cobrança de ITCMD varia de acordo com cada estado.

A alíquota média é 3,9%, porém, elas variam entre 1% e 8%, com faixas díspares. Países como Argentina, Colômbia, França, Índia, Noruega, Suécia e Uruguai adotam o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), com alíquotas que estão entre 0,4% a 4,8%.  O Brasil não cobra esse imposto.

Os direitos sociais no Brasil foram aprimorados na Constituição de 1988. Eles exigiram maior tributação. Assim como a Constituição, a configuração tributária brasileira não foi gerada espontaneamente. Ela representa interesses e o poder de segmentos da sociedade. Mesmo que haja uma constante tentativa de convencimento de que os ricos e os grandes empresários “pagam o pato”, ao se comparar os dados com outros países, observa-se o contrário. Os ricos no Brasil nunca pagaram o pato. Eles apenas convencem os patos que pagam.

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Notas

(1) Impostos indiretos são regressivos, pois sua incidência não têm como referência a renda, apenas o consumo. Não diferencia, portanto, os diferentes níveis de poder aquisitivo. A maior participação deste tipo de tributo vai de encontro ao princípio de equidade.

Referências

PIKETTY, T. Capital in the twenty-first century.Londres:  The Belknap press of Harvard University press, 2014.

Crédito da foto da página inicial: EBC

18 Dec 18:20

Mas Dilma não mandou colocar chip nas pessoas?

by Carlos Motta
Os boatos são parte essencial da guerra de informações. 

Como o Brasil está hoje submetido a um ataque cruel e sem trégua por parte das forças reacionárias sob o comando da oligarquia nativa, que quer defenestrar os trabalhistas do Palácio do Planalto e retomar o comando político, o país está infestado deles.

Antigamente, o boato se espalhava mais devagar, boca a boca, mas agora, com a internet e os aplicativos de comunicação, como o Whatsapp, que são ferramentas poderosas para disseminar as mentiras, ele corre na velocidade da luz. 

Na maioria, os boatos são criminosos. 

Atentam contra a reputação de autoridades ou mesmo seus familiares - o caso do "Lulinha" é exemplar -, mas podem ser muito mais eficientes para minar a confiança da população no governo federal quando se referem a fatos que alarmam e mesmo causam pânico na população.


Nesta semana, o governo federal lançou um site especificamente para esclarecer as pessoas sobre o que é verdade e o que é mentira nessas "notícias" que correm o Brasil. 

Ele se chama Fatos & Boatos e pode ser acessado no endereço www.brasil.gov.br/fatos-e-boatos/ .

Algumas das mentiras mais persistentes que se ouve pelo Brasil afora estão listadas no site.

Algumas delas:

Só vamos nos aposentar aos 95 anos?

Vai haver novo confisco da poupança?

Dilma mandou colocar chip nas pessoas?

Tem espiões cubanos no programa Mais Médicos?

A integração do rio São Francisco nunca vai acabar?

O Brasil caminha para uma ditadura comunista?

O governo está criando um exército de 20 mil haitianos?

Como se vê, os criadores e propagadores dos boatos têm muita criatividade, se bem que, em alguns casos, ela seja tão grande que fica difícil acreditar na história que esse pessoal conta.

Mas fazer o quê?

Guerra é guerra e nela vale tudo.

Até mesmo contrariar o bom-senso e a lógica, apostando na ignorância do brasileiro.
18 Dec 11:23

Impeachment: STF anula “comissão de Cunha”; saiba os próximos passos

by alexandrehaubrich

Da Carta Capital:

A Câmara dos Deputados terá de refazer a votação que elegeu uma chapa alternativa para a comissão especial do impeachment. A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal entendeu que a candidatura da chapa não é legítima e defendeu que a indicação dos membros da comissão seja feita pelos líderes dos partidos ou blocos. Também decidiu que a nova votação terá de ser aberta.

Foto: José Cruz / Agência Brasil

Foto: José Cruz / Agência Brasil

“A candidatura avulsa é constitucionalmente inaceitável”, disse o ministro Luís Roberto Barroso, que abriu a divergência ao votar contra o relatório do ministro Luiz Edson Fachin. “Essa disputa com candidaturas alternativas deve ser intrapartidária, e não levada ao Plenário”, continuou Barroso.

A decisão favorece a presidenta Dilma Rousseff, uma vez que a chapa vencedora na eleição do dia 8 de dezembro é composta por 39 deputados de partidos da oposição ou dissidentes da base aliada, sendo, portanto, uma chapa abertamente pró-impeachment.

Esse grupo integraria a comissão de 65 membros que terá a missão de definir se abre ou arquiva a investigação contra a presidenta Dilma Rousseff. A votação que elegeu a chapa, conduzida pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi realizada sob intenso tumulto, com urnas quebradas e microfones cortados.

Votaram contra a chapa da oposição os ministros Barroso, Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski. Já o voto do relator, que mantinha a eleição da chapa alternativa, foi seguido pelos ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Celso de Mello.

Outro ponto derrubado pelos ministros foi a eleição da chapa por meio de voto secreto. Em sua fala, Barroso fez críticas ao deputado Eduardo Cunha. “O voto secreto foi instituído por deliberação unipessoal do presidente da Câmara, no meio do jogo. Sem autorização constitucional, sem autorização legal, sem autorização regimental ele disse: ‘vai ser secreto’. A vida na democracia não funciona assim”, afirmou.

Nesse ponto, a votação foi apertada no Supremo, com placar de 6 contra 5: além de Barroso, se manifestaram contra o voto secreto os ministros Rosa Weber, Fux, Cármen Lúcia, Marco Aurélio e Lewandowski; já os ministros Zavascki, Toffoli, Gilmar Mendes e Celso de Mello acompanharam o relator Fachin, que entendeu que o voto secreto era legítimo.

A decisão obriga a Câmara a refazer eleição dos integrantes da comissão especial, e o voto deverá ser aberto. Após o julgamento, Cunha afirmou que a decisão do Supremo pode travar o processo de impeachment e disse que a Câmara deverá recorrer.

Senado

Contrariando novamente o voto do relator Fachin, a maioria dos ministros entendeu que o Senado tem o poder de rejeitar a instauração do processo de impeachment após a autorização da Câmara, o que ocorre quando 324 dos 413 deputados votam a favor do afastamento.

“Entendo que a Câmara apenas autoriza a instauração do processo e que cabe ao Senado processar e julgar, o que significa, consequentemente, que o Senado faz um juízo final de instauração ou não do processo”, continuou Barroso. Seguindo essa regra, o afastamento temporário da presidente, por até 180 dias, ocorre após a análise do Senado. Na última votação da noite, os ministros entenderam que o quórum para abrir o processo na Casa é de maioria simples.

Na leitura de seu voto, o ministro Barroso lembrou o que foi definido pelo Supremo em 1992, no processo contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello. “Pauto meu voto pela jurisprudência que o Supremo já definiu em matéria de impeachment, em 1992. A premissa do meu voto é mudar o mínimo das regras que já foram adotadas”, disse.

O ministro Luiz Fux acompanhou a divergência. “Entendo que seria uma gravíssima violação à segurança jurídica se tratássemos esse caso de forma diferente”, afirmou.

Além de Fux e Barroso, votaram pela autonomia do Senado os ministros Zavascki, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Marco Aurélio, Celso de Mello e Lewandoski. Fachin, Mendes e Toffoli foram derrotados.

17 Dec 19:31

Por que o WhatsApp foi bloqueado (não tem nada a ver com o Marco Civil da Internet). Por Pedro Zambarda

by Pedro Zambarda de Araujo

whatsapp

 

Criado como uma “Constituição da Internet” em 2009 e aprovado no ano de 2014, o Marco Civil elaborado pelo CGI.br, pela FGV e por vários setores da sociedade civil e da academia já se tornou o novo alvo dos antipetistas com a determinação que tirou o WhatsApp do ar nestes dias 17 e 18 de dezembro. “É por causa dessa lei que a gente e o Brasil inteiro está sem  o app. Lei essa que, segundo você repetiu dezenas de vezes, seria fundamental para garantir a liberdade na rede”, me falou um deles.

O que move essas pessoas é uma vontade enorme de associar o governo a quaisquer problemas. A ideia do Marco Civil da Internet surgiu através de diferentes discussões em 2007, quando o deputado Eduardo Azeredo, hoje mensaleiro condenado a 20 anos de prisão por corrupção em Minas Gerais, tentou empurrar uma lei que obrigaria todos os usuários da rede a se identificarem. Outro caso foi o da atriz Daniela Cicarelli, que tirou o YouTube do ar depois do vazamento de um vídeo em que ela transava na praia.

O Marco Civil não foi criado como um projeto de lei para cassar direitos ou punir indiscriminadamente pessoas. Ele é um apanhado de princípios que buscam a neutralidade da rede, a proteção do anonimato e a responsabilização do usuário de acordo com os crimes comuns previstos no Código Penal. Para colaborar com as investigações de crimes digitais, as grandes redes de dados são incentivadas a abrir as informações e localizar seus datacenters no Brasil para evitar que delitos sigam impunes na internet, preservando o bom funcionamento.

Este foi exatamente o caso do WhatsApp. A decisão judicial de suspensão do app por 48 horas veio da 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo nesta quarta (16). O caso é o da investigação de um homem que foi preso pela Polícia Civil de São Paulo em 2013, acusado de latrocínio, tráfico de drogas e associação ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Acusado de traficar cocaína da Colômbia e maconha do Paraguai, o homem teve sua prisão preventiva decretada em outubro de 2013 e foi solto pelo STF posteriormente. Na época, a Justiça solicitou ao Facebook, que é dono do WhatsApp, informações e dados de usuários do aplicativo. Como a empresa não atendeu aos pedidos, a suspensão foi realizada, ferindo o princípio de neutralidade da rede proposto pelo próprio Marco Civil.

Mark Zuckerberg manifestou-se publicamente nesta quinta-feira (17). “Estamos trabalhando duro para reverter essa situação. Até lá, o Messenger do Facebook continua ativo e pode ser usado para troca de mensagens. Este é um dia triste para o país. Até hoje o Brasil tem sido um importante aliado na criação de uma internet aberta. Os brasileiros estão sempre entre os mais apaixonados em compartilhar suas vozes online. Estou chocado que nossos esforços em proteger dados pessoais poderiam resultar na punição de todos os usuários brasileiros do WhatsApp pela decisão extrema de um único juiz”, disse o chefão do Facebook em sua própria rede social.

O que Zuckerberg não explica é que sua empresa passa por cima das legislações de países, assim como faz o próprio Google e outros grandes monopólios tecnológicos ao redor do mundo.

Foi essa ação irresponsável do Facebook combinado com um judiciário que não respeitou o Marco Civil da Internet que resultou no bloqueio. A ação foi acatada por todas as operadoras de telefonia no país e chegou a ser aplicada no backbone da Embratel, ou seja, na raiz da rede online do Brasil.

O WhatsApp voltou a funcionar no início da tarde de hoje, depois de o Tribunal de Justiça de São Paulo ter concedido liminar. Operadoras e TIM e Vivo já voltaram a permitir que seus clientes usem o aplicativo normalmente. A Claro, até o momento, não liberou acesso às trocas de mensagens.

Um problema causado por uma justiça reacionária e atrasada combinada com uma empresa de tecnologia que não atende às investigações policiais culminou neste episódio. Não foi uma conspiração petista com seu Marco Civil da Internet, como alguns desonestos querem acreditar.

 

17 Dec 19:28

A tal do passeio com fast food

by Ruri

Algumas pessoas me perguntaram o que eu tinha resolvido fazer com o passeio da escola com almoço no McDonald’s. Eu decidi não autorizar a participação dos meus filhos.

Eu tentei algumas coisas: conversei com a escola, conversei com outras mães e até liguei no parque para entender as opções. A única opção que todos me deram foi mandar um almoço saudável para meus pequenos. Mas só eles levariam uma comida diferente, já que as outras crianças comeriam fast food, e eu não queria fazê-los serem os únicos a comer uma comida diferente dos amigos em um dia de passeio. Levar um almoço diferente deveria ser uma escolha deles e, não, uma imposição minha.

Mas não foi só o fast food. O fato de ter fast food no passeio me fez pensar em outras coisas. Primeiro, era um passeio a um parque temático dentro de um Shopping Center, um lugar onde eu nunca iria. Nunca levo os dois a shoppings, sempre prefiro comprar as coisas para eles sozinha e depois voltar para trocar, se for necessário – acho que shopping não é lugar para criança passear. Segundo, não considero o parque temático uma “saída pedagógica”. Terceiro, custava muito caro.

A escola organiza cinco passeios por ano, todos são caros e eles sempre participaram de todos. Eu era a mãe que trabalhava muito e deixava os filhos na escola por horas e horas seguidas, ou seja, vivia com culpa e nunca tinha sequer cogitado negar um passeio. Hoje nossa vida está diferente. Estou fazendo poucos freelas e não ganho por dia o valor do passeio para os dois. E também não sinto mais culpa: viajamos oito (OITO!) vezes este ano, levei mais tarde para a escola, busquei mais cedo, fomos ao cinema no meio do dia, trouxemos amigo para brincar em casa no meio da semana, eles não foram para a escola em emendas de feriado. Não senti nenhuma culpa ao explicar para eles que eles já tinham participado dos outros quatro passeios do ano e que não iriam neste. Eles entenderam.

Eu tinha até pensado em não levar para a escola no dia do passeio, mas apareceram algumas aulas particulares no dia e não tô podendo recusar trabalho. Como Isaac tinha fono no dia e iria chegar mais tarde na escola, meu marido levou a Ruth para um café da manhã na padaria (e ela ficou muito mais animada com um café da manhã só dela do que tinha se animado com os outros passeios). Quando eles chegaram na escola, todos já tinham saído e eu expliquei que poucas crianças estariam por lá. À tarde busquei antes de as crianças voltarem. Dois dias antes tínhamos voltado de um camping na beira da praia e eles sabiam onde tínhamos decidido gastar nosso dinheiro (aliás, três dias acampando foi mais barato que o tal passeio). Foi tudo super tranquilo e não sofri nenhuma retaliação por não ter deixado ir ao parque temático. O comportamento deles me mostrou mais uma vez que criança quer presença e família. A gente passa muito tempo juntos e fazemos muita coisa juntos, então o passeio caro da escola com fast food não fez falta nenhuma. Sim, tenho certeza que foi divertido e que as crianças adoraram. Mas não ter ido também foi ok.


16 Dec 23:28

SOBRE O PROFISSÃO REPÓRTER

by lola
Ontem o Profissão Repórter foi ao ar. Quem não viu ou quem quiser revê-lo (é curto!), o link é este.
Eu, pessoalmente, achei muito bom o programa. Foram quatro eixos: uma pequena discussão sobre o feminismo da Valesca Popozuda, um grupo de mulheres que faz consertos domésticos (trabalho "de homem"), a linda Marcha das Mulheres Negras, em Brasília, e os ataques feitos a ativistas como eu. No final, tudo mais ou menos se encaixou.
Mesmo a pauta que parecia mais deslocada (mulheres fazendo consertos) acabou dando certo, porque as moças são feministas. Katherine disse que toda mulher é feminista, só que algumas ainda não descobriram (não sei se concordo, mas gostei da fala); Ana Luísa chorou ao comentar que esteve na casa de uma mulher que havia sido vítima de estupro. O empoderamento daquelas moças é visível. Elas são fortes.
Também não resta nenhuma dúvida, pra mim, do quanto Valesca consegue passar esse empoderamento. Foi muito bacana ver uma celebridade se assumir feminista com todas as letras (não que tenha sido a primeira vez que ela fez isso). 
É óbvio que Valesca atinge um público jovem bem diferente do meu. E achei interessante que o programa selecionou algumas partes de um post meu pra ajudar a explicar por que Valesca pode sim ser feminista, e também por que nem tudo que ela faz é feminista. 
Adorei terem lido que não casso carteirinha feminista de ninguém, porque é algo que eu venho repetindo há quase oito anos: eu não imponho regras, não determino quem pode ou não ser feminista (pra mim, todo mundo pode -- deve -- ser feminista, homens inclusos), não faço competição de quem é mais ou menos feminista. 
A única coisa que digo é: não deixe que anti-feministas definam o que é feminismo. Os insultos que os conservadores dedicam às feministas (que somos gordas, ogras, não nos depilamos, queremos ser homens, temos inveja do pênis, odiamos homens, somos mal-amadas etc) são exatamente os mesmos que eram ditos às sufragistas 160 anos atrás. Isso porque elas ousaram exigir o direito a voto.
A parte do Profissão Repórter falando da Marcha das Mulheres Negras (a primeira realizada no Brasil) foi linda. Começou indo a um quilombo entrevistar Valéria, uma jovem politizada, guerreira, e foi com ela, de ônibus, até Brasília, participar da marcha. O programa deu destaque aos reaças acampados que chegaram a atirar para o alto, pondo todos em risco. Alguma dúvida que esses caras são racistas? De que se opõem à luta de todas as mulheres? 
No final, depois de mostrar um pouquinho do que enfrento, o programa fechou com Caco Barcellos perguntando a dois repórteres negros, Guilherme e Valéria, o que eles achavam das ofensas racistas no chan do Marcelo. Eles escolheram alguns entre dezenas de insultos num fórum anônimo que não existe na Deep Web -- ele é aberto a todos. 
Hoje no chan sobre a repórter Valéria
(clique para ampliar)
É abertamente racista (quase todos são neonazis; há sempre postagens louvando Hitler), misógino (lá se fazem planos e se oferecem recompensas para quem atacar mulheres, principalmente feministas, principalmente eu; e tentam convencer rapazes antes de se suicidarem a cometer atentados contra "vadias e esquerdistas"), eventualmente posta pornografia infantil, cria sites falsos para acusar desafetos. Mas, por estar hospedado na Malásia e ser anônimo, as polícias não fazem nada.
Ameaça contra o repórter Guilherme já ontem no chan
Eu gostei muito que Guilherme e Ricardo, o cinegrafista, tenham ido atrás de Marcelo e Emerson em Curitiba. Poucos tinham visto ou ouvido Marcelo antes (só em 2012, quando ele foi preso -- junto com Emerson -- pela Operação Intolerância), e entende-se perfeitamente porquê. Talvez, se eu fosse uma total desajustada social como Marcelo Mello, eu também me esconderia num quarto escuro e passaria a vida agredindo gente na internet. Marcelo (ou Psy, ou Batoré) faz isso há anos e não vai mudar. 
Ele foi condenado em 2009 por racismo e alegou insanidade para não cumprir pena. Em 2012, ficou um ano na cadeia, foi condenado a 6,5 anos, mas, ao sair em maio de 2013, voltou a fazer o mesmo de antes (uma de suas primeiras ações foi me enviar um email dizendo que iria me processar; meses depois, veio me xingar no Twitter; ano passado, quando criou seu chan, fez questão de me mandar o link para que eu pudesse acompanhar as ameaças e "planos mirabolantes do Cebolinha" que eles fazem diariamente a meu respeito). 
Então foi ótimo ver um covarde de marca maior desses sendo exposto em rede nacional. Foi ótimo ver seu medo (ele é que tem medo da gente) e sua incapacidade de se articular. Foi ótimo ver um cara tão desequilibrado me chamar de maluca. 
Emerson, seu comparsa, se saiu um pouco menos pior, se bem que a entrevista da mãe dizendo que ele é nervoso e foi bullied na escola não ajudou. 
Quem já viu algum vídeo do Emerson sabe que ele deve ter falado umas três horas com o repórter, e sabe quais foram os temas (Rafaela, sua ex, por quem continua obcecado; eu -- ele me acusa de tudo que ele faz --, assassinato de reputações etc). Felizmente o programa mostrou apenas ele falando uma besteira (ainda por cima parafraseando a opinião do Vaticano), de que a batedeira e o liquidificador fizeram mais pelas mulheres do que o feminismo. 
E, quando Guilherme pergunta se ele quer me matar, Emerson responde, rindo, como um psicopata, que não. E diz que o que Marcelo quer fazer é por conta dele. 
Pelo que sei, muitos outros familiares de Emerson foram entrevistados, e todos disseram o mesmo -- que ele não bate bem. Pra mim, Emerson é tão maluco quanto Marcelo. Ele tentou fazer aliança comigo em agosto. Eu recusei, e sua revolta foi tanta que ele fez 25 vídeos contra mim. Não tô exagerando, são 25 vídeos mesmo, alguns de mais de uma hora! 
Nos vídeos ele me compara a Stalin, me chama de "mentirosa, aleivosa, canalha, mal-amada, mal-comida, psicopata, vagabunda, bruxa de Salem, hipócrita, brancofóbica, antissemita racista, a pessoa mais misândrica da internet brasileira, a grande porca da mãe terra desta seita satânica" (essa é muito legal, tô quase incluindo meu perfil). 
Ainda diz que eu recebo "milhares de reais de verbas do governo federal" para fazer meu blog, que eu sou uma nazista que foi se refugiar na Argentina, que eu cobro favores sexuais de alunos em troca de notas, que não sei falar inglês (eu sou professora de inglês), que comprei meu diploma (tenho mestrado e doutorado pela UFSC), que desviei verbas da biblioteca para comprar mansões e carros importados (ahã, tenho vários). Chama meu marido de estelionatário e pedófilo e jura que ganha dele no xadrez (Silvio é enxadrista profissional e um dos melhores jogadores do Brasil), que casei com meu marido para conseguir cidadania brasileira. 
Emerson é tão louco que me acusa de matar seu pai (que morreu de causas naturais após o filho sair da cadeia).
Eu não sei como alguém pode olhar pra esses dois, passar dois minutos lendo o que eles defendem, e pensar: "É, as feministas é que estão erradas".
Mas lógico que tá cheio de machista e reaça em geral que achou uma afronta a Globo dedicar um programa a feministas. 
As "críticas" (de fato muito construtivas) que recebo sempre -- de que sou horrível (não sabia que eu havia sido inscrita num concurso de miss), de que sou gorda, de que tenho olheiras etc etc etc -- foram elevadas à décima (im)potência. Absolutamente nada de novo. Misóginos não são conhecidos pela criatividade. Como eu já disse, fazem os mesmos insultos há 160 anos.
Até o ídolo-mór da 4a série B entrou no jogo:

Porque, né, num programa que mostra claramente mulheres que lutam, mulheres poderosas, e homens que atacam ativistas com ameaças de morte e racismo, você precisa se posicionar do lado dos misóginos racistas. 
Só amor (clique para ampliar)
A novidade foi ver um monte de reaça distribuindo tuítes meus com críticas à Globo. A lógica é essa, pelo jeito: se você diz que a Globo não cobriu as Diretas Já (das quais participei, com 16 anos), se você diz que a Globo manipulou o debate entre Collor e Lula em 89, se você diz que a Globo apoia candidatos da direita, se você retuitou os protestos de negras ("Não somos tuas negas") sobre a série do Falabella, enfim, se você, em 48 anos da sua existência, já falou mal da Globo, então você não pode nunca elogiar nada que venha da Globo -- nem uma série bem feita, nem um capítulo de novela, nem uma reportagem, nada. 
Mais amor
Sei lá, é o mesmo pessoal bizarro que "critica" o Sakamoto por ter um laptop da Apple ou a Maria do Rosário por comprar um hamburger no McDonald's. É uma galera que te enfia num estereótipo e não aceita que a vida é cheia de nuances. Eles se acostumaram, por exemplo, a pregar que toda feminista vive sozinha com gatos ou é lésbica. 
Aí dane-se que o meu lindo maridão apareça no Profissão Repórter e que a narração diga que estamos juntos há 25 anos. Pra esses caras, eu vou continuar sempre sendo a sapata mal-comida cheia de ódio contra os homens. Não se pode nem dizer que isso é pré-conceito. É pós-conceito mesmo.
Mas também teve um montão de gente que descobriu meu blog ontem, enviou emails e mensagens, disse que acabou de me conhecer e já me ama. Obrigada pelo carinho, gente! Sejam bem-vindxs e venham se empoderar por aqui. 
Eu gostei muito do programa. É sempre bom ver a TV aberta dando espaço pro feminismo. Espero que deem cada vez mais. Mas TV é um espaço superficial, com tempo restrito, tudo tem que ser rápido. Eu sabia que seria assim. 
Guilherme e Ricardo estiveram na minha casa três vezes, foram dois dias a minha universidade gravar, entrevistaram dezenas de alunxs e alguns professores, me acompanharam até Quixadá para filmar o evento inteiro, que foi maravilhoso
Devem ter gravado mais de quinze horas só comigo. Aí aparecem dois ou três minutos dessas 15 horas. É a vida. Qualquer pessoa que já foi entrevistada sabe disso. O importante é que escolheram alguns momentos relevantes e, no geral, o retrato pintado foi muito positivo.
Agora, claro que eu adoraria se o Profissão Repórter disponibilizasse online alguns outros vídeos. Por exemplo, parte do congresso em Quixadá, que foi tão especial. Falamos de gênero no sertão cearense! Foi super emocionante, cheio de meninas engajadas!
Espero que algo mais concreto saia como resultado do programa. Por mais que eu denuncie os mascus há anos, é diferente quando a Globo mostra. Isso chama a atenção. Quem sabe as polícias levem mais a sério todas essas ameaças e crimes cibernéticos? 
Gostei muito de ter conhecido Guilherme e Ricardo. 
Falei várias vezes com Guilherme por telefone depois d'eles terem vindo a Fortaleza (ontem mesmo nos falamos, antes do programa ir ao ar). Ele agora está sendo muito ameaçado por esses criminosos que ele retratou. Eu já tinha avisado desde o começo que as ameaças contra ele seriam pesadas, por um único motivo: ele é negro. Esses disseminadores do ódio sempre capricham quando o alvo é mulher, negro, ou LGBT.  
Outras ameaças do chan do Marcelo
a jornalistas
No começo das ameaças, o querido Guilherme me pareceu bastante abalado. Ele não estava acostumado (e sim, isso entra como crimes contra a liberdade de expressão -- jornalistas sendo ameaçadxs de morte e estupro por exporem crimes cibernéticos). Eu estou. Não sei se alguém deve se acostumar a ser ameaçada, mas são quatro anos de ameaças contínuas. 
Às vezes é preciso se distanciar um pouco pra ver as coisas com maior isenção. 
Quando vi Guilherme abalado, eu pensei: putz, eu sou forte mesmo. Porque eu não me abalo, não tenho medo. 
E acho que vocês também não deveriam ter. Somos muito mais fortes que eles. Ainda mais se estivermos unidxs.
16 Dec 17:44

Golpistas ameaçam Fachin na porta de casa; Cardozo não fez nada

by Conceição Lemes

Fachin

 Vídeo ao zé: golpistas ameaçam Fachin

Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada

O ministro Fachin tem sido ameaçado e intimidado na porta da sua casa, como aconteceu ontem, 15/12, às 7:00.

Ele e o ministro Lewandowski.

Além da ameaça física, que ultrapassa o direito à manifestação, familiares são ameaçados, há perfis falsos no Face, chantagem na internet.

zé da Justiça foi avisado de tudo.

O que ele fez?

Nada!

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16 Dec 17:43

Chauí: Golpe agora fará 64 parecer pão doce; veja o vídeo em que ela ironiza FHC

by Luiz Carlos Azenha

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por Luiz Carlos Azenha

Surpreendentemente, o auditório da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, no centro de São Paulo, estava superlotado de professores e alunos.

Mais de 7.500 pessoas já assinaram o manifesto.

Dentre os mil que tiveram as assinaturas confirmadas, 264 são professores da Universidade de São Paulo, 66 da Unicamp, 59 da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas há centenas de assinaturas de professores de universidades federais e privadas de todo o Brasil e até do exterior.

Muitos deles são críticos do governo Dilma e do Partido dos Trabalhadores, como o filósofo Paulo Arantes. Porém, todos reconhecem que o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff é apenas um passo no processo de retirada de direitos sociais e da instalação de um governo oligárquico no Brasil, sob forte influência da extrema-direita. É, portanto, um golpe.

Na mesa, o neurocientista Miguel Nicolelis teve um flashback de 35 anos atrás, de quando o Brasil sofreu um golpe militar. “Quero evitar que meus filhos e meus netos tenham de voltar aqui para protestar contra uma ditadura”, afirmou. “Não é uma presidência, uma pessoa, é a defesa do Estado de direito, da democracia, do império da lei”.

A economista Leda Paulani relembrou que “nenhuma Nação passa impune por 25 anos de ditadura”. Segundo ela, “é a construção democrática do Brasil” que está em jogo. Os que propõem o impeachment, segundo ela, “nunca foram democratas”.

Outro economista, Luiz Gonzaga Beluzzo, também relembrou o passado. Disse que em 64, depois do golpe, apanhou do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) defendendo o governo constitucional de João Goulart e que o faria de novo, agora, se necessário for.

O jurista Dalmo Dallari afirmou que nunca foi filiado a partido político, que estudou a proposta de impeachment de Hélio Bicudo, Janaina Paschoal e Miguel Reali Jr. e que não existem atos da presidente Dilma que configurem crime de responsabilidade.

“Eu não diria que são falsos juristas, mas que são juristas incompletos”, afirmou. Nunca chegariam ao STF por terem demonstrado “notável ignorância jurídica”, aduziu.

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Paulo Arantes alegou que, por força da pergunta de um repórter, se sentia obrigado a explicar sua presença no ato, tendo em vista suas críticas recorrentes ao PT e ao governo Dilma.

“É em solidariedade às vítimas do processo em marcha. Saindo ou não saindo o impeachment, estamos diante de uma onda avassaladora que está se despejando sobre o Brasil”, afirmou.

Ele relembrou a manifestação na avenida Paulista em 2013, quando a esquerda apanhou de militantes direitistas quando comemorava a vitória do Movimento Passe Livre. Para ele, designar os pró-impeachment como “coxinhas é fofo”; no outro extremo, poderiam ser chamados de “milícias fascistas”.

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Para o fundador do PSDB, o economista Luiz Carlos Bresser Pereira, a democracia está ameaçada “pelos liberais”, que não aceitam premissas básicas dela, como os direitos civis e o sufrágio universal. Ele acrescentou que uma “classe média orfã” da política econômica fornece a militância para o que chamou de golpe.

Para Bresser, o impeachment falhará porque o Brasil tem uma sociedade plural, uma classe trabalhadora ativa e intelectuais como os que se reuniam naquele momento.

O professor Roberto Schwarcz disse que o impeachment vai enfraquecer a democracia e lembrou que, desde a apuração dos votos em 2014, a oposição trabalha para tornar o Brasil ingovernável de maneira a poder dar o golpe alegando que o país está desgovernado.

Para ele, se o governo atual for derrubado o impeachment estará legitimado como forma de resolver crises institucionais, mas o campo popular não terá acesso à imprensa, ao rádio e à TV, nem ao apoio da Fiesp, que representam “os interesses do dinheiro”.

O professor de Filosofia Marcos Nobre disse que a elite brasileira está “canalizando o sofrimento social” de uma crise econômica para dar o golpe. “É a energia sequestrada de uma sociedade”, disse. “A autodefesa de um sistema estruturalmente podre e corrupto”, segundo Nobre, resulta numa “enganação coletiva”: colocar os de baixo para apoiar uma proposta que basicamente beneficia os de cima.

Vídeo de Artur Scavone

Marilena Chauí afirmou que o impeachment é apenas a “cereja no bolo” da direita, que banca uma pauta extremamente conservadora no Congresso, incluindo da redução da maioridade penal à lei antiterrorismo.

Segundo ela, o que está sendo preparado “é a vitória completa do capital na luta de classes”. “Não é por acaso”, frisou, que “o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou em entrevista que o mercado é favorável ao impeachment, como se o mercado fosse um ente metafísico”. Para Chauí, a classe dominante conta com o apoio de uma classe média “proto fascista” para implantar um governo reacionário depois de derrubar Dilma Rousseff.

“Se o golpe vier, nós teremos uma ditadura que nos fará considerar 64 como um pão doce com bolacha”, previu sobre o futuro.

Para o jurista Fábio Konder Comparato, que encerrou o evento, no Brasil vigem duas Constituições. A de 1988, nunca totalmente regulamentada, e a “real, ditada pela oligarquia”. Para ele, o impeachment seria a vitória indiscutível desta constituição “de fachada”, que privilegia os de cima às custas dos de baixo.

Leia também:

Coxinha diz que polícia se assutou com gente “de cor”

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16 Dec 13:42

Quem disse que Maria Antonieta não existe mais?

by Fernando Brito

De forma muito gentil, o colunista Rogério Galindo, que mantém o blog Caixa Zero no jornal paranaense Gazeta do povo diz que, sem querer, a jovem deputada estadual Maria Victoria (PP) acabou por se tornar...

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16 Dec 13:40

Documentário de Silvio Tendler discute o parto normal no Brasil

by Redação
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16/12/2015

Em “Parir é natural”, o cineasta fala sobre a necessidade de um modelo de assistência que devolva à mulher o protagonismo sobre seus corpos.

Da Redação

Nova produção do cineasta Silvio Tendler discute a posição do Brasil como campeão de cesarianas no mundo. Lançado no dia 29 de setembro, o documentário “Parir é natural” está disponível na internet. Com duração de 20 minutos, o filme aborda a questão da realidade obstétrica brasileira, com a participação de profissionais, grávidas e de mulheres que tiveram seus filhos nas redes privada e pública. Um dos destaques do vídeo é a participação da rede de apoio criada pelas mulheres e a presença de novos profissionais no parto.

O curta-metragem tem o Selo Fiocruz Vídeo, tendo sido selecionado em novembro de 2013 pela Comissão Julgadora do Conselho Curador da VideoSaúde Distribuidora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Confira o filme:

 

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16 Dec 13:40

25 privileges that whites enjoy simply for being white

by gatasnegrasbrasileiras

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Note from BW of Brazil: The issue of racism is a topic frequently discussed on this blog as it is key to understanding the racial hierarchy and dynamics that underline Brazilian society. But the twin pillar of racism, white privilege, is a topic that is still not discussed much in Brazilian social sciences although its existence is easily noted in nearly every realm of society if one wants to simply stop, look around and come to some honest conclusions. These conclusions are often difficult to come to in a society that insists on continuing the rhetoric of ‘racial democracy‘ and its most recent variant, the idea that ‘somos todos iguais‘, or ‘we are all equal’. 

In discussions of race, many white people often have difficulty admitting that such a privilege exists. But beyond the difficulty of possessing an advantage in life that they did nothing to earn, I often wonder, do they really believe that such a privilege really exists? Do they really not note the overwhelming whiteness of television? Politicians? Diplomats and university professors? They don’t notice the very real different reactions to people and issues when there is a difference of skin color or physical characteristics

The fact is that there ARE white people out there who DO perceive this advantage and sometimes even admit it (see here and here, for example). But for those who are still in denial, below, one blogger provides examples of how white privilege is experienced in Brazil on a daily basis. 

25 privileges that whites enjoy simply for being white

Recognizing their own privileges is the first step to understanding systems of oppression and fighting them.

By Lara Vascouto

Of the many things that have reviewed my stomach in disgust and frustration every day, there are men constantly questioning and ridiculing my experiences as a woman in a sexist world is very close to the top of the list.

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Hmm, tell me more about how you, a man who never had to worry about the possibility of harassment and rape going out on the street, don’t believe that the problem of sexual violence against women is that serious.

Vitimista” (one who plays the victim) is often the preferred name-calling of these men, that without knowing classify obstacles and violence of which we are victims as inventions or exaggerations. It’s a way of trying to silence us, but also to protect themselves. After all, ridiculing the role of victims, they find themselves free from the responsibility of assuming that they enjoy a number of privileges that are guaranteed to them simply because they are men.

The full and complete recognition of these privileges makes them very afraid. One, because in doing so, the individual inevitably needs to also recognize the role of oppressor/aggressor. And another because from that recognition there are no more excuses not to initiate a process of profound changes in terms of behaviors, attitudes and worldviews (unless you’re an asshole, of course). Because these two developments can be deeply painful, many men cower and choose to deny their privileges, using them, ironically, to discredit the words, thoughts, testimonies and experiences of women.

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Something very similar happens among whites in relation to racism. As in the case of machismo (sexism), to deny that there is racism these people find themselves free from the responsibility of fighting it and to recognizing that many of the privileges they enjoy because they are white are given at the expense of black people. They do not want to acknowledge how oppressive this system is, so they discredit the words, thoughts, testimonies and experiences of black people (ironically, using white privilege, just as the sexists use their patriarchal privilege against women).

The examples of whites that deny that they have privileges are several. Usually, they do so when the discussion revolves around social policies that benefit black people, as if they were getting spoon-fed things, while whites, poor things, have to scratch and claw to achieve them. Unfortunately, they fail to see how whites benefit in several ways for the mere fact of being white.

“Geez! I was born poor, fucked, I’ve been hungry, grinded out three jobs at the same time to be able to study and I’m white! I never had any privilege”- someone is there saying.

Well, what is urgent that people understand is that racism ensures oppression, poverty and deprivation of rights of blacks. It doesn’t have any pretension to improve the lives of whites. As said very well by journalist Touré: “Just because someone failed to capitalize on their advantage, does not mean that the person doesn’t have it. If you lose a home game that has already begun with two points for your team, it doesn’t erase the fact that you started out in front.” A country may have whites and blacks equally miserable, but racism is an aggravating factor that will make it much harder for blacks to cease from being miserable. No wonder that most of the poor in Brazil are black.

But what these privileges are these that whites enjoy, you ask? So, I made a short list! But remember: the goal here is not to feel guilty, but to become aware and hence an agent of change. After all, it was not us that started this whole story, but the fault is, yes, all of ours, if we refuse to open our eyes to the fact that it still hasn’t ended.

25 privileges that whites enjoy simply for being White

1 – I don’t need to think about what it means to me and my family the statistic that 77% of murder victims in Brazil are black.

2 – I don’t need to fear that my son runs the risk of being one of 28 children and adolescents who are murdered every day by police in Brazil.

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111 shots

111 – ONE HUNDRED AND ELEVEN – rifle and pistol shots, fired by military police against 5 – FIVE – unarmed, happy young people, celebrating the first salary of one of them on a nice evening in the cidade maravilhosa (marvelous city, Rio de Janeiro). The genocide of black youth in Brazil is real.

3 – I’m sure I earn the same amount as my white colleague earns and not half.

4 – I don’t have to worry if my hair or the color of my skin will prevent me from getting a job.

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Dayane Rodrigues: “Guess who didn’t pass the 12th interview because of not doing the chapinha (straighten hair with straightening iron)? Yes, me! This time they said I don’t have the “physical profile of the company” or that my “exotic style isn’t permitted and if I wish to stay I would have to do a chapinha.” This time they went further, even looked at my resume, they only sent a “with this hair you will not be hired” and done. DONE. It ended there. I was sent home. I didn’t argue, no, this time no, I only came home. I’m discouraged yes, with no hope, yes, excuse I’m human.”

5 – I don’t need to think about what it means for me the information that the murder of black women increased by 54% over the past decade. Or that black women are three times more likely to be raped than white women.

6 – If I move to a rich neighborhood, I don’t have to worry if the neighbors are going to be nasty to me and my family.

7 – If my son studies in a private school, I don’t have to worry if he/she will be discriminated against for being the only white in the class.

6

“School is accused of racism after communicating that it requests students with ‘straight hair’ for a presentation”. Story here

8 – When you turn on the TV, read a magazine or watch a movie, I see the people portrayed having the same skin color as me.

9 – The history that I learned in school is the history of a people who have the same skin color as me.

10 – All the heroes, inventors, scholars, scientists, warriors that I learned in school have the same skin color as me.

11 – All these stories with white protagonists and heroes strengthen my self-esteem and my sense of importance in society.

12 – I can issue my opinion on various subjects without worrying about the possibility of being seen as a representative of my entire race.

13 – If I get a very good job, I need not fear that people think that I got the job not due to competence, but to fulfill quotas.

14 – I can say that I went to college with the certainty that people won’t think that I stole the place of someone more competent.

15 – I can walk out at night without making people shake at the sight of me.

16 – I don’t care when I pass by a police blockade, because I know that I don’t have the profile that the police automatically considered suspect.

color-of-justice

 17 – I can decide to become a doctor without worrying whether patients will ask for another doctor when they meet me.

18 – I can be rude, ignorant, do bad in school, fall short in personal hygiene without these characteristics being associated with the color of my skin and automatically assigned to all other white-skinned people.

19 – If I braid hair and make a thousand tattoos people may consider me stylish, creative, artistic, half doidinha (crazy), but hardly a “marginal”, with “cabelo ruim” (bad hair), “slob” or “social parasite”.

20 – I’ve never experienced or worried about going through the embarrassment of having boyfriends afraid or ashamed of introducing me to their families.

21 – I don’t need to be afraid to go through the embarrassment of being confused with the nanny of my own children.

22 – If I were an orphan child, I would have more chance of being adopted than a black child.

23 – If I go in alone in a store, I will hardly be monitored or accused of trying to steal something.

24 – I can drive a very good car and be sure that people will not think it’s stolen or I did some illegal thing to buy it.

25 – I can afford to distance myself from the discussion on racism when it gets too uncomfortable.

Source: No de Oito


16 Dec 11:20

Macri começa a mostrar como a direita trata a Justiça

by Fernando Brito

Os adeptos daquela tese que ficou famosa e virou até comercial de TV sobre as semelhanças entre Brasil e Argentina – “eu sou você, amanhã” – deveriam começar a colocar as barbas de molho...

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