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26 Apr 11:21

Comissão de Educação do Senado aprova projeto de Fátima Bezerra que cria Política Nacional de Leitura e Escrita

by renato

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (25), o Projeto de Lei 212/16, de autoria da senadora Fátima Bezerra, que cria a Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE). A proposta foi uma iniciativa do conselho diretivo do Plano Nacional do Livro e Leitura – PNLL, presidido na época por … Continue lendo Comissão de Educação do Senado aprova projeto de Fátima Bezerra que cria Política Nacional de Leitura e Escrita →

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25 Apr 16:30

Juliana Cardoso: “Gestão moderna” de Doria despreza direitos das mulheres paulistanas

by Conceição Lemes

É pela vida das mulheres

por Juliana Cardoso*

O ano de 2017 não começou bem para as mulheres da cidade de São Paulo. Em um de seus primeiros atos de governo, o prefeito João Dória resolveu extinguir a Secretaria de Políticas para as Mulheres.

A pretexto de reduzir custos, essa atitude do prefeito simboliza o desprezo e a irrelevância com que trata a questão dos direitos humanos e, sobretudo, dos direitos das mulheres.

Mais do que eliminar a representatividade das mulheres, que são metade do contingente populacional do Brasil, a nova gestão nega a luta de anos e anos pelos seus legítimos direitos.

A Secretaria de Políticas para as Mulheres, como o próprio nome define, nasceu para implementar e fazer valer politicas públicas em defesa dos direitos das mulheres. Ela é fruto de intensas mobilizações ao longo dos anos, representando uma conquista histórica.

Para o prefeito Doria a luta por justiça e igualdade para as mulheres paulistanas não faz parte de sua “moderna gestão”.

Em outra atitude de desrespeito e de retrocesso a nova administração em seus 100 dias de gestão não colocou ainda em funcionamento a Casa da Mulher Brasileira.

Trata-se de um equipamento construído em parceria do ex-prefeito Haddad com a presidenta Dilma e que deveria oferecer serviços especializados contra os diversos tipos de violência contra as mulheres como atendimento psicossocial;  Delegacia; Juizado; Ministério Público; Defensoria Pública; promoção de autonomia econômica; cuidado das crianças – brinquedoteca e alojamento de passagem, dentre outros serviços.

Em suas investidas contra os avanços, a nova administração municipal também sinaliza com o fechamento de vários Centros de Referência a Mulheres em Situação de Violência (CRMs) espalhados pela cidade.

E a Unidade Móvel (ônibus lilás), que em três anos atendeu  23 mil mulheres na periferia da cidade, foi encostado.

O ônibus prestava atendimento multidisciplinar a mulheres em risco de violência, oferecendo acolhimento e orientações. Promovia rodas de conversa, oficinas, teatro e projeção de filmes sobre violência contra mulher, participação política, geração de emprego e renda. Era um atendimento de extrema importância às mulheres, mas que infelizmente foi extinto.

Sem falar em ataques às famílias paulistanas com cortes arbitrários nos programas Leve Leite e Transporte Escolar Gratuito (TEG).

O ano de 2017 virou um enorme desafio para as mães, que estão até deixando seus empregos para levar os filhos para as escolas. Tantos cortes num momento em o povo brasileiro sofre com a crise econômica e enfrenta recordes do número de desempregados pode ser considerada “gestão moderna”?

Como se não bastassem as maldades do “gestor paulistano” o presidente  Michel Temer e seus aliados querem esticar o tempo de trabalho da mulher para conseguir sua aposentadoria.

Segundo o IPEA, em 49 anos de trabalho, as mulheres terão trabalhado 9,1 anos a mais que os homens. Mas com a reforma e o desmonte da previdência, o tempo mínimo de trabalho para aposentadoria para homens e mulheres seriam equiparados, aumentando ainda mais a opressão da mulher trabalhadora.

Juntos, Temer e Doria mostram que a luta das mulheres contra a violência física e psicológica, nem a injusta divisão do trabalho doméstico, nem a diferença salarial,  estão nas suas prioridades.

Vou além. Eles querem que paremos de fazer frente aos seus desmandos, mas somos fortes e continuaremos resistindo. A cada dia provaremos que estamos, somos e ocuparemos as ruas para lutar!

 Veradora Juliana Cardoso (PT) é membro da Comissão de Saúde da Câmara Municipal

 PS do Viomundo: A Câmara Municipal de São Paulo aprovou a CPI da Mulher. Doria terá de explicar todo esse desmonte de programas e serviços elencado pela vereadora Juliana Cardoso. Vamos conferir.

Leia também:

Previdência: Reforma de Temer esmaga trabalhadores rurais; 13 anos a mais para  mulheres

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25 Apr 16:28

Arcebispo de Natal convoca população para greve geral desta sexta

by renato

O arcebispo metropolitano de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, divulgou um áudio nas redes sociais para convocar a população natalense para a greve geral que será realizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais movimentos sociais, nesta sexta-feira (28), contra as reformas propostas pelo governo Temer. “Caros irmãs e irmãos, nó estamos vivendo em nosso … Continue lendo Arcebispo de Natal convoca população para greve geral desta sexta →

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25 Apr 11:59

Em 1982, acusavam Lula de ter mansão no Guarujá. Agora é um triplex. Tá caindo o padrão...

by Antonio Mello

Em 1982, Lula concorreu pelo PT ao governo de São Paulo. Era a primeira vez que Lula disputava um cargo majoritário (ficou em quarto lugar, com pouco menos de 10% dos votos. Venceu Franco Montoro, tendo Quércia (sic) como vice).

Essa foi a primeira vez em que o acusaram de ser proprietário de um imóvel no Guarujá. Daquela vez, uma mansão onde Lula "passava as férias". Era o que dizia um panfleto anônimo distribuído pelo estado.

O PT denunciou o panfleto e acusou o PMDB de ser responsável por ele.

Na época, Lula chegou a ironizar a posse da tal casa:

"Se soubessem que eu tinha uma casa no Guarujá deviam publicar também seu endereço, e não só a foto, assim eu já ocupava a casa, porque é o sonho de todo trabalhador ter uma casa para morar ou descansar."

Agora a acusação é de que Lula é proprietário de um triplex, que não está no nome dele nem de ninguém de sua família, mas no da empresa OAS, que inclusive dá o imóvel como garantia em várias transações financeiras.

O objetivo agora é o mesmo de 1982, prejudicar a candidatura de Lula, naquela vez para o governo de São Paulo, desta para a presidência da República, quando pode ser eleito pela terceira vez (é o que apontam todas as pesquisas), completando assim um triplex de candidaturas vitoriosas à presidência: 2002, 2006 e 2018.

A mansão de 1982 e o triplex de hoje são farinha do mesmo saco - de cimento.

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25 Apr 11:57

Previdência: Como a reforma de Temer esmaga os trabalhadores rurais pobres; 13 anos a mais para as mulheres!

by Luiz Carlos Azenha

O Pouco que Mudou, Nada Mudou

O andamento da Previdência Rural na Câmara dos Deputados

por Frei Sérgio Antônio Görgen

O relator da Proposta de Emenda Constitucional sobre a Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, deputado Artur Maia, do PPS/Bahia, apresentou seu relatório para debate na Comissão Especial.

Analiso aqui as questões referentes à Previdência Social Rural.

O relator fez uma jogada esperta para diminuir as resistências dos deputados da base do governo que estão sendo pressionados em suas bases pelo interiorzão Brasil afora.

Fez aparentes recuos, que podem enganar, numa análise superficial: manter 60 anos para os homens e aumentar para 57 anos para as mulheres a idade mínima para aposentadoria; manter a pensão por viuvez para quem recebe menos que 2 salários mínimos.

Não mudou o mais grave e o principal: mantém a contribuição em dinheiro, mensal, para cada membro da família, pelo tempo mínimo de 180 meses, 15 anos. A proposta inicial do governo Temer era de 25 anos.

O tempo importa, mas o mais grave é a forma: pagamento mensal. É isto que excluirá da Previdência a esmagadora maioria da população camponesa pobre do país.

Além da baixa monetização da economia camponesa (circula pouco dinheiro), grande parte da produção é sazonal, de época. E nos períodos de estiagem e outras intempéries, ou de baixos preços, não terão como contribuir com a Previdência de modo regular.

E aí os 180 meses vão se prolongar por infinitos anos e não serão alcançados.

Sobrará a Aposentadoria por Idade (Benefício de Prestação Continuada) que o relator esticou de 65 anos como é hoje, para 68 anos (a proposta Temer é de 70 anos).

Na prática, a aposentadoria que restará para as maiorias pobres do campo será aos 68 anos, 8 anos a mais para homens e 13 anos a mais para as mulheres.

O valor da contribuição será estabelecido em lei que o Governo fará após aprovada a reforma e não o fazendo em dois anos, será de 5% do salário mínimo para cada membro da família.

Para os trabalhadores rurais, os que trabalham de empregados nas fazendas, no corte da cana, de mato, na colheita do café, maçã, frutas, cacau, algodão, tratoristas, colheitadeiras, plantio, etc, terão que contribuir por 300 meses, ou seja, 25 anos.

Cada mês que falhar, os anos se espicham. Como poucos trabalham com carteira assinada o ano todo, alcançar os 300 meses de contribuição para se aposentar será um verdadeiro calvário.

Porém, o pior disto tudo é a quebra da garantia constitucional de um direito conquistado a duras penas: reconhecimento do regime de economia familiar, a inclusão na seguridade social com a contribuição indireta através da produção (FUNRURAL, COFINS, CSLL) e a comprovação através da atividade na produção rural. Estas garantias continuam destroçadas no relatório do Artur Maia.

O que isto significa?

A partir desta aprovação, se por desgraça houver, qualquer lei com maioria simples na Câmara e no Senado poderá aumentar a idade, aumentar o tempo de contribuição, aumentar o valor da contribuição.

Os princípios básicos e as garantias constitucionais caem. E é isto que não podemos aceitar, este é o núcleo duro de nossa luta.

Na verdade, na prática, o relatório do Artur Maia é tão perverso como o Projeto Temer: empurra a esmagadora maioria das famílias agricultoras e trabalhadoras rurais para se aposentar aos 68 anos e sem as garantias da Constituição.

Por isto, a Luta é o caminho. Derrotar por inteiro este projeto.

Dia 28 de abril, todos nas ruas e na semana de votação, Jejum Cívico.

Quem alimenta o Brasil exige respeito.

Leia também:

Beatriz Cerqueira: Precisamos sair de nossas bolhas

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24 Apr 18:56

On The Origins of The Electoral College

by Barry

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TRANSCRIPT OF CARTOON

Panel 1
This panel has a big caption labeling the scene “1787.” Two white men in Colonial-style clothing are speaking; one of them, who is labeled “James Madison,” is smiling and holding up a sheet of paper. The other man, listening, is labeled “John Rutledge.”
MADISON: I’ve figured out how we will elect Presidents!
RUTLEDGE: What’s the plan, Mr. Madison?

Panel 2
Madison presses a hand to his chest, looking reverent. Rutledge cheerfully offers his idea.
MADISON: My Virginia is the largest state in the Union! And I want to protect Virginia’s interests.
RUTLEDGE: So we’ll have people vote directly for the president, to take advantage of Virginia’s large population?

Panel 3
Closer shot of Madison, who is angrily shooting Rutledge’s idea down.
MADISON: Are you on crack? 40% of Virginia is slaves. Salves can’t vote. Direct democracy would be a disaster for us!

Panel 4
A shot of Madison, spreading his arms and smiling as he explains.
MADISON: In my plan, we’ll have “electors” who vote based on the total population, including slaves! That’ll make Virginia the biggest, most powerful state!

Panel 5
Madison is still grinning, but his expression looks a bit evil now. He’s clutching one fist in the air.
MADISON: In fact, all the slave-owning states will get a boost! Which we’ll use to protect slavery! I call it “The Electoral College.”

Panel 6
A large caption says “TODAY.” The image shows a hand holding a smart phone; on the smart phone’s screen, a pundit-type white lady is talking directly to the camera.
PUNDIT: …and then James Madison created the Electoral College to protect small states!

24 Apr 14:04

Leonardo Boff: “Não fiz as críticas a Lula que falsamente me atribuem”

by Diario do Centro do Mundo
Ele

Publicado por Leonardo Boff em seu blog.

Correm pelas redes sociais críticas que teria feito a Lula. Elas são falsas. Pessoalmente não fiz nenhuma crítica.

O que fiz foi publicar no meu blog um artigo de Carla Jiménez no jornal espanhol El Pais que leva como o título:”Uma elite amoral e mesquinha se revela nas delações da Odebrecht”.

Considerei o artigo bem informado sobre a corrupção que tomou conta das empreiteiras. Estas  corromperam e beneficiaram a quase todos os grandes partidos com caixa 2 ou com propinas.

Um olhar de fora é sempre instrutivo, pois quando alguém escreve algo semelhante, aqui dentro do país, frequentemente é desqualificado como partidista, oportunista e mesmo falso.

No referido artigo Carla Jiménez, no final, faz críticas ao Lula o que considero, dentro da democracia, legítimo, embora não concorde.

Fiz um introdução bastante longa ao artigo e depois o transcrevi.

Pessoas mal intencionadas tomaram aquele tópico critico a Lula e o atribuiram a mim como se eu tivesse escrito tal coisa. E assim foi distribuido nas redes sociais. Repito: tal crítica não é minha, mas da jornalista do El Pais. Repudio a má fé de quem tirou do texto aquele tópico e falsamente afirma que a crítica foi feita por mim.

Corrupção se realiza não apenas nos negócios, mas corrupção existe também nas mentes de pessoas interessadas em desfazer a imagem do outro atribuindo-lhe coisas que não disse e não fez.

Fica aqui o meu esclarecimento em função da verdade e como denúncia de uma atribuição feita malevolamente.

O artigo:

O Brasil saltou de uma transmissão política em preto e branco para alta definição de uma semana para outra com a lista de Fachin. Tudo se conhecia mais ou menos por meio de vazamentos em um ou outro veículo de comunicação. Mas ouvir a voz dos corruptores e vê-los em vídeo relatando seus crimes por horas a fio é mais doloroso. É como se a própria mãe estivesse contando que na verdade você é filha do irmão do seu pai, ou de um ladrão de bancos, ou de um estuprador. O impacto é violento, ainda que você desconfie que a verdade da sua vida era outra.

Depreende-se das horas de gravação da delação da Odebrecht uma elite hipócrita, amoral e mesquinha que enxerga o Brasil como uma S.A. para seu usufruto, e não como a sociedade que deveria ser. Tudo ainda precisará de provas concretas, mas o mundo revelado por Emílio e Marcelo Odebrecht tem corrupção a la Casas Bahia ou a la galeria Lafayette, dependendo do freguês. Um ministro da Fazenda, Guido Mantega, que determinava os destinos do dinheiro público depois de supostamente negociar milhões de doação com uma fornecedora do Governo, anotando valores a pagar ao partido num papelzinho, segundo Marcelo Odebrecht. Um irmão do ex-presidente Lula que teria recebido mesada de 6.000 reais por ser simplesmente irmão do ex-presidente, segundo outro. Um governador, Aécio Neves, que teria cobrado 3% de empreiteiras numa obra bilionária em Minas Gerais, e teria levado milhões para defender a participação da Odebrecht no setor elétrico.

Tem até o ex-relator do impeachment no Senado, Antonio Anastasia – que discursava indignado sobre o crime das pedaladas fiscais de Dilma Rousseff no ano passado – e que agora terá de provar que não é criminoso, apesar da acusação de que teria recebido caixa 2 de baciada da Odebrecht. O presidente da República, Michel Temer, que diz não ter negociado propina, mas que recebeu em seu escritório um representante da empresa ao lado de dois dos nomes do seu partido que negociaram esses recursos ilícitos – um deles, Eduardo Cunha, comparado ao traficante Marcola, pelo também acusado Renan Calheiros –, segundo o denunciante. Hipócritas. Hipócritas. Hipócritas.

Doação de seis milhões de reais aqui, 50 milhões acolá, 2,5 milhões ali. De onde vem tanto dinheiro? Só a Odebrecht pagou 10,6 bilhões entre 2006 e 2014, segundo ela. É pornográfico imaginar quanto ela ganhou em troca nesses projetos de obras públicas, e quanto outros defensores da moral e dos bons costumes de Brasília ganhavam em nome de supostas campanhas políticas. E estamos falando de apenas um setor específico. Imagine um pente fino nos planos de saúde, a indústria de carne, as agências de publicidade, o setor automotivo. Sem ilusões de que quem não está na lista de Fachin é inocente. Ou podemos confiar na sensibilidade social do ministro da Saúde, o deputado Ricardo de Barros, que não deixa de lembrar em todas as suas entrevistas a quais interesses serve na hora de falar sobre o assunto que hoje administra?

Elite criminosa

O que é a pedalada fiscal hoje, se não cosquinhas perto da monstruosidade que o topo da pirâmide política e econômica promove no Brasil. Que fatiaram o país e o dividiram entre os partidos políticos, tal qual o boi nos cartazes do açougue, segundo as investigações. Cada pedaço pertence a um partido, a uma facção da legenda, e, confirmando-se as acusações da Lava Jato, seu trabalho parlamentar fica reduzido ao de um despachante, ou corretores de influência, cobrando uma fração do sucesso dos negócios com o Governo, pelo que consta até aqui. As diretorias da Petrobras era do PT, PP e PMDB. A Câmara, da turma do Temer e do Eduardo Cunha. O Senado, de Eunício Oliveira e Renan Calheiros, segundo delação de Delcídio do Amaral. As hidrelétricas de Furnas, do PSDB de Aécio, segundo Marcelo Odebrecht. O metrô de São Paulo, do PSDB paulista, segundo as investigações. E assim por diante. Está tudo ali, para quem quiser ver. Definitivamente, a propinocracia brasileira tem muitos reis.

Políticos que mentem descaradamente sem mexer um músculo do rosto. Vaidosos, gravaram vídeos no início da Lava Jato usando frases como “ninguém aguenta mais a corrupção do PT”, com lama até a cintura. Garantiram suas aposentadorias com dinheiro desviado e agora acreditam ter legitimidade para decidir o destino da velhice de todos os brasileiros que fizeram o verdadeiro papel de palhaços neste teatro.

Uma elite corruptora com representantes como Marcelo Odebrecht… Um executivo preparado para assumir os negócios da família que quis provar ser melhor que o pai da maneira mais irresponsável, comprando fatias de mercado. Análise freudiana à parte, deu aos executivos do grupo a prerrogativa de corromper seus políticos do entorno para conseguir obras públicas. E como prêmio, pagava bônus anuais milionários. “Vira uma bola de neve”, afirma Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental, explicando por que deu propinas de 6 milhões de reais ao pastor Everaldo. “Tudo distorcido”, confessa Reis agora. E por que não questionou? Por que não se demitiu? Por que não denunciou?

Em determinado trecho da sua delação, Marcelo fala sobre um diálogo com Graça Foster, ex-presidente da Petrobras. “Sempre fui aberto com Graça… fui franco quando me perguntou… ”, diz ele. Na conversa, admitia que pagara por fora para o PMDB e para o PT por uma obra da petroleira. “Se não tivesse o PT no meio, eu não falaria”, querendo mostrar coerência e, quiçá, lealdade aos nomes que estavam ocultos. Mas o que é ser aberto, senhor Marcelo? Qual é o critério de correção, de lealdade, de franqueza que passa na cabeça de um homem que estruturou um setor que distribuiu bilhões em propinas ao longo de oito anos [ou será mais tempo]? É esse o modus operandi dos empresários bilionários deste país?

Que elite mais desgraçada. Jogam o Brasil na bacia das almas para 2018, entre um lunático como Jair Bolsonaro e um novato na política executiva, João Doria Jr., que insiste no discurso que o grande problema da corrupção brasileira é só o PT. Por favor, pare de repetir isso, prefeito. Seu padrinho e amigo há 38 anos, o governador tucano Geraldo Alckmin, é um dos políticos campeões em caixa 2, segundo a Odebrecht, usando o irmão da primeira dama de São Paulo como receptor. E sendo seu partido o terceiro mais celebrado pela Odebrecht, com 152 milhões de reais em recursos ilícitos, ao que consta das delações, segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo. Ao PT coube a maior fração, 408,7 milhões, porque estava com a máquina pública federal. Vários governadores tucanos parecem ficar à vontade com quinhões obscuros nas gestões estaduais.

Lula, por outro lado, mais do que os crimes a que responde, feriu de golpe a esquerda no Brasil. Ajudou a segregá-la, a estigmatizar suas bandeiras sociais e contribuiu diretamente para o crescimento do que há de pior na direita brasileira. Se embebedou com o poder. Arvorou-se da defesa dos pobres como álibi para deixar tudo correr solto e deixou-se cegar. Martelou o discurso de ricos contra pobres, mas tinha seu bilionário de estimação. Nada contra essa amizade. Mas com que moral vai falar com seus eleitores?

Saiam todos, por favor. Vocês são maus exemplos a seguir. Despertam ojeriza. Dediquem o que resta de suas vidas a entregar tudo, a detalhar tudo, a terminar de contar o que falta para que o Brasil se estabeleça como uma sociedade mais sadia, menos tóxica. Nenhum país merece que a riqueza seja comandada por quem não tem um mínimo de solidariedade com o país e vive da mesquinharia que alimenta a miséria. Acordão? Só se for para admitir crimes. Ambicionem entrar para a história como os que ajudaram a mudar o rumo, sem violentar a esperança alheia. Uma mensagem que cabe ao Judiciário, inclusive, que como disse o ministro Luís Roberto Barroso ao citar o direito penal, “deixou erguer um país de ricos delinquentes, que vivem de fraudes às licitações, lavagem de dinheiro entre outros crimes”. Vistam a carapuça. Deixem a Justiça atuar e paguem pelos seus crimes. É o melhor que vocês podem fazer para justificar a própria existência.

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24 Apr 12:15

Ciro Gomes: ‘Doria não presta, enriqueceu com dinheiro público’

by renato

Conhecido por falar o que pensa, o possível candidato à Presidência da República pelo PDT em 2018, o ex-ministro Ciro Gomes, voltou a atacar o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), nesta sexta-feira (21), na Universidade de Lisboa, em Portugal, em uma palestra sobre o cenário político econômico do Brasil. “A gente denuncia, chama de ladrão e … Continue lendo Ciro Gomes: ‘Doria não presta, enriqueceu com dinheiro público’ →

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21 Apr 19:37

Os 100 dias de Doria… e o almoço grátis

by raquelrolnik

Foto: @anaschad/Instagram

 

Em quase todas as colunas, posts e tweets que escrevo, defendendo o acesso público, livre e gratuito a espaços, serviços e equipamentos, aparece sempre algum comentarista que faz questão de dizer: “tem gente que acredita que existe almoço grátis”.

Esta frase virou uma espécie de mantra de uma suposta nova cultura (na verdade, bem velhinha, de mais de um século atrás) de gestão da coisa pública, de viés liberal, para a qual o mercado – “a iniciativa privada” –, por ser mais eficiente, moderno e “imune à política”, é mais capaz de administrar os espaços, equipamentos e serviços públicos da cidade.

João Doria identifica-se completamente com esse ideário. Além de defender a proposta de privatizar ativos, conceder serviços públicos para a iniciativa privada, desestatizar a gestão, o novo prefeito de São Paulo apresenta-se, ele próprio, como um empresário sem vínculos com a política e, portanto, portador das virtudes que esta condição automaticamente lhe conferiria.

Poderia discorrer longamente sobre as verdades e inverdades contidas nestas afirmações, assunto para muitos artigos, que certamente virão. Mas quero agora apenas chamar a atenção para o relato oficial divulgado pela assessoria de imprensa da Prefeitura, no dia 10 de abril, sobre as ações dos primeiros 100 dias do governo Doria em São Paulo.

De acordo com o comunicado, são 60 os programas e ações lançados até o momento, entre ações concretas (como o “Corujão da Saúde”, o “Calçada Nova” ou a “Operação Tapa-Buraco”), intenções (como o “Plano Municipal de Desestatização”, o “Nossa Creche” ou o projeto “Redenção”, de atendimento a moradores de rua) e atos que não podem ser considerados propriamente políticas públicas, como a doação do salário do prefeito para instituições de caridade.

Ao examinar a lista, chama atenção a quantidade de vezes em que os programas contaram – ou contarão, quando se trata de promessas  – com doações da iniciativa privada.

São roupas e produtos de higiene para moradores de rua, remédios para a rede de postos de saúde, exames laboratoriais, carros, reformas de banheiros, alimentos, tinta, entre tantos outros itens,  em grandes quantidades, para manter todos os equipamentos e serviços públicos funcionando. Entretanto estes equipamentos e serviços tem que funcionar , não apenas nos primeiros cem dias, mas em todas as centenas de milhares de dias que virão depois destes cem…

Será que a iniciativa privada doou para a Prefeitura, em um ato de filantropia e de amor a São Paulo, justamente os produtos de que a gestão precisa? Alguém acha mesmo que a indústria farmacêutica vai doar remédios mensalmente, até o final dos tempos, para os postos de saúde públicos? E que construtoras privadas, por pura generosidade, vão passar a fazer a manutenção mensal de todos os “equipamentos municipais” por sua conta?

É evidente que não! Como dizem meus amigos comentadores, “não existe almoço grátis”. Portanto, qual será a mágica que o prefeito fará para que estas empresas ganhem retorno financeiro com suas “doações”? Neste caso, podemos afirmar que, claro!, “o marketing é a alma do negócio!”.

Porque, sim, no momento das doações, as empresas ganham uma semana de holofotes e fama que custa (talvez) menos que 1 minuto de propaganda no horário nobre da TV. Mas, então, a pergunta que não quer calar é: passado esse momento, como faremos para continuar reformando tudo que precisa ser reformado sem parar (como nas nossas próprias casas) para manter os equipamentos e serviços públicos?

Mais uma vez recorro a meus amigos comentadores: não existe almoço grátis ‘e, portanto, quando acabar a fantasia do tudo grátis pela boa ação do privado, “sem custos para os cofres públicos”, nós vamos continuar financiando tudo com recursos públicos mesmo. Recursos que vêm dos impostos que pagamos e que, no Brasil, são cobrados de forma totalmente injusta, já que quanto mais rico se é, menos se paga, quando deveria ser bem o contrário… mas isso é tema para outra coluna.

Texto publicado originalmente no Portal Yahoo!


18 Apr 17:21

Os direitos das crianças são DAS crianças

by noreply@blogger.com (José Gusmão)

O surto de sarampo recentemente verificado em Portugal representa um facto gravíssimo do ponto de vista da saúde pública e um aviso que não deve ser ignorado. Fazê-lo seria ficar à espera que a memória da importância da vacinação seja reavivada através do regresso de doenças que tinham sido varridas do mapa, com as consequências que as acompanharam.

Não vale a pena fazer de conta que existe uma controvérsia científica sobre este assunto. Há, e ainda bem, controvérsia científica sobre a introdução (ou não) de novas vacinas e seus custos e benefícios. Não há debate científico sobre as vacinas que contribuíram para erradicar várias doenças que, no passado e nos presentes de outras paragens, mataram (e matam) milhões de bébés e crianças. É o caso da vacina do Sarampo e outras. Há um consenso científico total em torno da ideia de que as vantagens destas vacinas são esmagadoramente superiores aos raríssimos problemas verificados. Este debate decorre entre uma comunidade científica unida como em poucos assuntos e um pequeno exército de charlatões, maluquinhos “new-age” e teóricos da conspiração.

Entre a esmagadora maioria das pessoas que, por conhecimento ou simples memória, reconhecem o papel crucial da vacinação, decorre um outro debate que é o debate sobre a obrigatoriedade da vacinação. E aqui o conflito é de natureza política. Deve o Estado intrometer-se na esfera familiar para assegurar a vacinação ou não?

A minha posição é que, obviamente, deve. O direito à saúde e à vida é um direito individual consagrado na Constituição. Individual. Isso significa que o titular do direito à vida de uma criança é a própria criança. É por esta razão que o Estado já se intromete, e bem, na vida de inúmeras famílias em nome do interesse da criança: maus tratos, abuso sexual, abandono escolar negligente, etc. As razões que levam os pais a não vacinar uma criança são irrelevantes para o caso. O Estado tem de proteger quem não se pode proteger a sí próprio. Defendo que um adulto deve poder fazer o que quiser à sua saúde e à sua vida. Não pode fazer o que quer à saúde e à vida de um terceiro, mesmo que seja seu filho.

A questão é então a de como concretizar essa protecção. E aqui, lamento, informação e pedagogia são importantes, e esse é um trabalho que deve prosseguir, mas não são suficientes. A não ser que o objectivo seja pôr  o Estado a dizer a pais que perderam um filho “pois, olhe, nós bem avisámos”. Temo bem que quem demonstra uma tamanha arrogância perante mais de dois séculos de conhecimento científico e história da saúde, incluindo a nossa, não seja particularmente permeável a publicidade institucional.

Também não simpatizo com duas das propostas que ouvi para impor a vacinação: a negação do acesso à escola por crianças não-vacinadas e a punição dos pais que não vacinem as crianças. Por duas razões: nenhuma destas propostas protege as crianças em causa, embora a primeira possa proteger outras crianças. Ambas, sobretudo a primeira, acrescentam à privação do direito à vacinação uma penalização sobre a criança, directa (no acesso à escola) ou indirecta (através da penalização dos pais).

É por isso que defendo que o Estado deve proceder da mesma forma como procede em relação à escolaridade obrigatória, quando vai buscar crianças às suas casas para as levar para a escola, mesmo contra a vontade dos seus pais. A vacinação deve ser obrigatória e o Estado, perante situações de desobediência parental, deve assegurar a vacinação da criança, mesmo que contra a vontade dos pais.

O facto de esta proposta chocar muita gente que considera que as vacinas são essenciais à protecção da vida e saúde das crianças choca-me a mim. Porque, aparentemente, quem assim pensa acha que a custódia legal de uma criança é um valor maior do que a vida dessa criança e, portanto, numa situação de conflito, deve prevalecer a vontade dos pais com risco para a vida dos seus filhos. O mais espantoso é que já hoje não é assim. Já hoje o Estado interfere na vida familiar para assegurar direitos fundamentais das crianças. E faz muitíssimo bem. E se a moda da irresponsabilidade continuar a pegar, o Estado terá de fazer aquilo que está obrigado pela Constituição: proteger o direito de todas as crianças à vida e à saúde. Se não o fizer será um cumplice irresponsável e criminoso, com a agravante de ser informado.

18 Apr 12:20

Quando um quer, dois brigam

by Ruri

De uns anos pra cá, eu decidi que briga não iria mais fazer parte da minha vida. Significa que, se eu não consigo parar de brigar com alguém, eu saio fora. Paro de falar com a pessoa, termino o relacionamento, peço demissão, encerro contrato, vou pra bem longe.

Mas tem um karma: ser mãe de duas crianças que não param de brigar. Não param, gente. No minuto 1 depois que acordam, estão resistindo para colocar o uniforme. No minuto 2, estão brigando por alguma coisa idiota do tipo “o tênis dele é de amarrar e eu também quero e não tenho e eu odeio ele por isso”.

Affe.

Eu entendo, porque tenho irmã e briguei com ela a vida toda até tipo o mês passado. E eu acho que, para começar uma briga, basta um só querer. Briga é a relação de duas (ou mais) pessoas e tem os sentimentos no meio, então não acho que quando um não quer, dois não brigam. Eu acho que basta um começar a provocar que a briga vem rapidinho, entre os adultos e as crianças.

Eu só não sei como suportar essa mediação constante de brigas. Eu fugi de toda e qualquer briga na minha vida adulta e não consigo ter sucesso no projeto “acabar com brigas dentro da minha casa”. 

De vez em quando estou paciente e repasso com eles os diálogos que levaram a uma briga, tentando mostrar como ser mais gentil, compreensivo e como não entrar na briga (ou sair dela). De vez em quando não estou paciente e dou uns berros do tipo PAREM DE FALAR UM COM O OUTRO PELOAMOR QUE NÃO AGUENTO MAIS VOCÊS BRIGANDO. Aí tem vezes que apelo mesmo e nem deixo a briga começar: coloco cada um no seu quarto pra brincar sozinho e nem deixo cruzar com o outro para nem dar chance (porque juro que nenhuma brincadeira amigável dura mais de três minutos).

E as brigas são tão bestas que até perco a razão de viver. Ontem eles brigaram para ver quem ia ficar com a caixa de papelão da próxima encomenda que eu receber. Eu não tinha recebido nada ontem, então não sei como eles conseguiram entrar nessa briga. Não sei nem como arranjar paciência para mediar e resolver uma briga hipotética tipo essa. Isaac, Ruth, eu vou jogar vocês dois no lixo reciclável junto com a caixa se isso efetivamente virar briga no dia em que chegar algo pelos correios. Juro.


18 Apr 11:19

Advogado de Lula diz que decisão de Moro é “mais uma arbitrariedade”

by renato

O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta segunda-feira, 17, em nota, que a decisão do juiz federal Sérgio Moro que exige a presença do ex-chefe do Executivo em audiências para ouvir testemunhas de defesa configura “mais uma arbitrariedade” contra o cliente. Martins afirmou que a determinação … Continue lendo Advogado de Lula diz que decisão de Moro é “mais uma arbitrariedade” →

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17 Apr 13:19

Paulo Kliass: Um escândalo de apenas R$ 25 bilhões que não merece uma única manchete de jornal. Descubra o motivo

by Luiz Carlos Azenha

A FORÇA DA GRANA

Carf e Itaú: o escândalo do financismo que a mídia não mostra

Oligopólios dos jornais e televisão se “esqueceram” de noticiar um escândalo de R$ 25 bilhões na esfera do Ministério da Fazenda

por Paulo Kliass publicado 14/04/2017, da Carta Maior, via RBA

A seletividade e a parcialidade com que os grandes meios de comunicação tratam as decisões de política econômica em nossas terras são impressionantes.

Apesar de já estarmos habituados a essa forma peculiar de (des)tratar a realidade do dinheiro e dos negócios, a cada nova semana parece que as “famiglie” da grande imprensa tentam se esmerar ainda mais nessa busca incansável pelo absurdo.

No mesmo dia em que enchem as telas e páginas com informações privilegiadamente vazadas de forma criminosa pelo Ministério Público e pelo Judiciário  a respeito da delação premiada de Marcelo Odebrecht, os oligopólios dos jornais e televisão se esquecem de noticiar um escândalo de R$ 25 bilhões na esfera do Ministério da Fazenda.

No mesmo dia em que, mais uma vez, entulham os leitores com as ameaças lançadas por Meirelles e Temer a respeito de uma suposta catástrofe nacional caso a Reforma Previdência não venha a ser aprovada, as empresas de Marinho, Civita, Frias, Mesquita i altri não mencionam uma peculiar decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).

Você aí ficou brav@ por ter a tua Declaração de Imposto de Renda mais uma vez retida na malha fina pela Receita Federal? O que foi que aconteceu agora? A empresa onde você trabalha não enviou adequadamente o valor total de salários que te pagou no ano passado? Faltou um dígito do CPF no recibo do dentista de teus filhos? Aqueles gastos com dependentes não foram incluídos no formulário adequado? Esquece!

O governo deve estar muito ocupado para recuperar as centenas de bilhões de reais da dívida previdenciária causada por um punhado de grandes grupos empresariais.

Ou ainda montando um sem número de forças tarefa para irem atrás dos mais de R$ 500 bilhões que são sonegados sistematicamente a cada novo ano fiscal.

Não dá mesmo para ficar perdendo tempo e atender esses pequenos contribuintes que não têm como discutir com a máquina da arrecadação.
 
Grande sonegação e impunidade.
 
Mas em nosso caso concreto, trata-se de um escândalo de R$ 25 bilhões.

Um escândalo que deveria ser até mesmo motivo para derrubar qualquer governo ou ministro em um país em que a impunidade aos donos do poder não fosse tão escancarada como por aqui.

Estamos diante de um valor enorme, que muito contribuiria para aliviar um pouco a crise fiscal que o governo alardeia com traços de apocalipse.

Uma decisão de um órgão vinculado ao Ministério da Fazenda e que atinge diretamente figuras do primeiro escalão do governo Temer.

Em termos gerais, o CARF trata de recursos impetrados por empresas contra decisões do governo em matéria de tributação.

Em tese, trata-se de uma instituição importante, pois permitiria espaço para que contribuintes (indivíduos e empresas) pudessem questionar a legalidade dos impostos e similares deles exigidos pelo Estado.

Na verdade, os primeiros conselhos do imposto de renda foram criados ainda na década de 20 do século passado.

Houve uma longa evolução desse tipo de órgão na administração federal e o atual desenho remonta a uma Medida Provisória de 2008 e que foi convertida na Lei  11.941 de 2009.

Ocorre que o funcionamento do colegiado sempre foi uma verdadeira caixa preta. Apenas os grandes grupos econômicos logram acesso aos seus corredores e instâncias deliberativas.

Os conselheiros e os processos se dividem em seções, turmas e câmaras.

Ao que tudo indica, sua importância estratégica é quase tão grande quanto a falta de luz e oxigênio em seu cotidiano. Há um sem número de denúncias envolvendo a compra de decisões e pareceres de processos tributários.

Em um dos casos mais recentes, a Operação “Quatro Mãos” da Polícia Federal prendeu um conselheiro do CARF, supostamente por cobrar propina para que oferecesse parecer favorável na condição de relator de um processo naquele conselho.

Com o afastamento do encarregado pelo parecer, houve uma substituição na tramitação do dossiê. Trata-se de um processo movido por prática de sonegação tributária de R$ 25 bilhões que teria sido patrocinada pelo Banco Itaú.

Quando de sua fusão com o Unibanco ocorrida em 2008, os especialistas em “planejamento tributário” ofereceram à direção do grupo a janela do crime contra a tributação e deixaram de recolher tributos devidos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

O novo relator do caso Itaú veio a ser o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Pasmem, mas ele atua no colegiado como representante indicado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras.

Profissional com larga folha de serviços prestados a diversas instituições do sistema financeiro privado, não chega a espantar a natureza de sua posição. Ele defendeu a ilegalidade da cobrança dos tributos, óbvio.

E na reunião do dia 10 de abril último, quando finalmente o relatório foi a voto na sua turma de atuação, sua opinião foi vencedora e a sonegação tributária do banco foi travestida de ares de legalidade.

A matéria será objeto de recurso e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional vai acionar a instância superior para questionar a decisão.

Ora, é amplamente sabido que o Presidente do Banco Central foi nomeado por Temer para o cargo exatamente por ser diretor do Banco Itaú.

O governo se vangloriava por ter um legítimo representante da banca privada no comando da economia. O conflito de interesses é mais do que explícito.

Um dos tributos bilionários sonegados pela negociata da fusão com o Unibanco vem a ser justamente um dos pilares da receita da seguridade social — orçamento que inclui a previdência social, a saúde e a assistência social.

A sonegação bilionária de recursos para a CSLL compromete a receita do sistema que comporta também o Regime Geral da Previdência Social (RGPS). Mas a visão do Ministro da Fazenda Henrique Meirelles talvez seja distinta.

Muito provavelmente por ter ocupado durante décadas seu tempo a defender os interesses dos bancos privados, ele também deve estar de acordo com o voto do Relator.

Diante de tamanho escândalo econômico, político, fiscal e financeiro, o governo Temer faz cara de paisagem, desconversa e escapa pela tangente. E segue em sua labuta incansável pelo desmonte do Estado brasileiro.

Insiste na tecla que os principais responsáveis pelo “rombo” da previdência são os privilegiados que recebem a fortuna de um salário mínimo todos os meses.

Já esses R$ 25 bilhões surrupiados pelo Itaú aos cofres públicos, bem, isso deve ser matéria por demasiado complexa e que só pode ser bem compreendida e debatida pelos especialistas técnicos em tributação.

Por fim, os meios de sonegação vêm oferecer sua singela colaboração ao assunto e cumprem seu papel — ora por esquecimento, ora por introduzir ainda mais confusão na cabeça das pessoas comuns.
 
Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.

PS do Viomundo: Uma das agora enterradas “10 medidas” do MPF por acaso tratava do Carf? Logicamente, não. Lembrem-se que a RBS, irmã gêmea da Globo, está envolvida até o pescoço na chamada Operação Zelotes. Mas o noticiário sobre ela foi minguando, minguando, até sumir definitivamente dos jornais. Vejam aqui os motivos pelos quais o Carf deveria ser completamente reestruturado para não favorecer os sonegadores. Mas, em se tratando de Brasil…

Leia também:

Emílio Odebrecht ajudou a eleger o “amigão”FHC. Mas, não vem ao caso…

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17 Apr 13:18

Luciana Genro: Odebrecht patrocinou ONG criada por mim, mas me neguei a fazer tráfico de influência; veja a troca de e-mails

by Luiz Carlos Azenha
Allan Patrick

Luciana Genro, que tanto enche a boca pra falar mal de Lula e o PT, descobre-se agora, fazia a mesma coisa: conseguia doações de uma empresa privada (Odebrecht) para ONG que presta relevantes serviços no terceiro setor (Emancipa, no seu caso, Instituto Lula no caso do ex-Presidente).

Luciana Genro rejeita pedido da Odebrecht para que interferisse a favor dos interesses da empresa no RS

A ex-deputada federal Luciana Genro (PSOL) apresentou hoje, em transmissão ao vivo pelo Facebook, e-mails onde ela rejeitou pedido da Odebrecht para que interferisse a favor dos interesses da empresa no Rio Grande do Sul. Nos documentos, o ex-executivo da companhia, Alexandrino de Alencar, reclama que o “pessoal da DS” atrapalha a atuação da Foz do Brasil (uma subsidiária do grupo) no Rio Grande do Sul durante o governo de Tarso Genro (PT), pai de Luciana.

“Alexandrino, sei que sabes, mas nunca é demais repetir, que não trato destes assuntos com meu pai, e se tratasse, meu posicionamento político não seria favorável aos interesses da Odebrecht”, respondeu Luciana. A ex-deputada apresentou os e-mails, de 2013, depois que outro ex-executivo da Odebrecht, Pedro Novis, disse em delação premiada no âmbito da operação Lava-Jato que “ouviu falar” que ela teria recebido doação eleitoral via Caixa 2.

PS do Viomundo: Genro não informou quanto a Odebrecht, via Alexandrino de Alencar, colocou na ONG dirigida por ela.

Leia também:

Lula diz que os seus milhões foram “virtuais”

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17 Apr 13:09

Lento, com cara de santo, Garibaldi Alves negociou pessoalmente com empresários corruptos, diz delator

by renato

O senador Garibaldi Alves Filho negociou pessoalmente com o ex-diretor da Odebtecht, João Pacífico duas parcelas de contribuição para sua campanha através da ‘caixa dois’. Confira o vídeo do delator, denunciando o senador ‘lento’ “João Pacífico (chefe da Odebrecht para o Nordeste) veio a Natal e tivemos reunião na casa de Garibaldi. Lá, pacífico relatou que iríamos … Continue lendo Lento, com cara de santo, Garibaldi Alves negociou pessoalmente com empresários corruptos, diz delator →

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16 Apr 11:47

Quando o médico nos deixa doentes.

by elikatakimoto
Allan Patrick

Triste é o panorama da medicina brasileira


Não chegamos ao fundo do poço ainda. Trago mais e más notícias. E urgentes. A discussão é séria e extremamente grave. 

Peço que leiam com atenção e comentem o que pensam sobre isso. Sempre é muito pior do que imaginamos. Mas, também, sempre dá para melhorar, assim penso.

Hélio Angotti Neto, “professor de Medicina e Coordenador do Curso de Medicina do Centro Universitário do Espírito Santo. Médico formado pela UFES com residência em Oftalmologia e Doutorado em Ciências pela USP. Membro do Comitê de Ética em Pesquisa do UNESC, Diretor da Mirabilia Medicinae, revista especializada em Humanidades Médicas e criador do Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina.” 

Enfim, Hélio membro do Comitê de ~Ética~, vale frisar, escreveu um artigo cujo título é:

A REVOLTA CONTRA O QUE POUCO IMPORTA

Nesse texto ele disserta sobre o tema de “um grupo de jovens formandos de medicina, de uma universidade do Espírito Santo que posou sem calças e divulgou a imagem. Uma brincadeira típica daquelas de adolescentes .”

Aff. “Brincadeira”, pela milionésima vez, é quando todos os lados envolvidos se divertem. Se somente um lado ri isso tem outro nome.

Mas vai piorar.  E muito. Hélio faz o artigo direcionado principalmente para os médicos que se posicionaram contra a postura dos meninos que tiraram foto com calça arriada, de jaleco, fazendo um gesto que imita uma vagina e postaram essa foto na rede social com a hashtag #pintonervoso. 

Segundo o Coordenador do Curso de Medicina do Centro Universitário do Espírito Santo, os colegas médicos não deveriam se manifestar em redes sociais porque ferem a Ética Médica. 

“O compartilhamento exagerado em redes sociais não teve nada de discrição. Se algo nos fere em termos éticos, a recomendação é que busquemos fundamentar uma denúncia que deve ser feita discretamente junto ao Conselho Regional de Medicina, não junto ao “conselho” dos grupos de mídia social, potencializando ainda mais o possível escândalo.””

Controverso esse ponto diante tantos relatos de abusos, assédios e estupros cometidos dentro de consultórios, depois que essa foto começou a circular. Podemos interpretar esse pedido como um corporativismo exagerado e covarde. Quiçá criminoso.

Médicos que vieram a público dizer que não concordam com esse tipo de postura e que iam lutar para que esse  comportamento não mais se repetisse abraçaram a nossa revolta e a nossa dor. É isso que, de fato, como pacientes, queremos e precisamos.

Hélio reconhece que houve um erro dos meninos, mas observem como ele aponta isso:

“Do ponto de vista histórico e cultural, eles erraram? Vejamos o que nossos antepassados disseram sobre o excesso nos modos:

10. Para ganhar o paciente você deve evitar adereços exagerados de cabeça e perfumes exóticos. Excesso de estranheza garantirá má reputação, embora uma pequena dose não desqualifique o bom gosto. Assim é com a dor, irrisória quando numa pequena parte, grave quando presente em todo o corpo. No entanto, não desaprovo a tentativa de agradar o paciente, algo que não desmerece a dignidade médica.

Excesso de estranheza garantirá má reputação. Desde Hipócrates já se alertava sobre a manutenção da respeitabilidade e da honra profissional, prescrevendo uma postura de moderação nos costumes.”

Hélio não sabe ou finge não saber que para “ganhar o paciente” basta o médico nos tratar com respeito, olhar nos nossos olhos, mostrar-se preocupado com o ser humano que somos. A roupa e os adereços não são os quesitos mais importantes. Aliás, para muitos, é o que menos importa.

“De tudo, o que posso concluir? Fizeram uma brincadeira típica de adolescentes que seria mal vista até mesmo em tempos antigos. Adolescentes são craques em fazer tais coisas, ou você não se lembra de ter sido um adolescente?”

De novo, o termo ‘brincadeira’. Mas agora ele insiste que os adultos que estão prestes a se formar são adolescentes. Se fossem negros que tivessem fazendo algo tão violento quanto esses formandos, será que Hélio partiria também para defendê-los ou falaria que um moleque de dezesseis anos sabe já muito bem o que está fazendo? Peguei-me perguntando sobre isso…

E ele segue o artigo criticando os médicos que se manifestaram chamando-os de histéricos:

“A histeria causada entre muitos médicos, de todas as idades, frente ao ocorrido me preocupa.”

Vejam bem, o fato de formandos fazerem apologia ao estupro passou para Hélio como uma brincadeira de adolescentes e, para ele, isso sequer era motivo de tanta revolta. Já o mal estar de outros médicos perante este caso fz soar um alarme no Diretor da revista especializada em ~Humanidades~ Médicas.

“Mas o que chama a atenção é a tendência repetida da sociedade brasileira em prestar muita atenção às coisas pequenas e menosprezar fatos e ideias de suma importância.”

Observem como ele prossegue:

“Morrem sete dezenas de milhares de pessoas de forma violenta e intencional por ano. Mais de 70.000 assassinatos! O que as mídias sociais comentam? A morte de um gorila num zoológico estrangeiro ou um bando de rapazolas de calças arriadas.”

A mídia todo dia noticia a morte de mulheres, casos de estupros, a luta das feministas em melhorar a auto estima de quem ouviu a vida toda que a mulher não pode isso não pode aquilo. Mas o professor que forma outros médicos, pareceu cego para essas manchetes ou então as considerou como “coisas pequenas”. 

Preparem o estômago para o final. 

Para chamar a atenção dos médicos que se posicionaram contra o comportamento dos meninos da foto ele, pasmem, nos conta que:

“Nas escolas ocorre uma lavagem cerebral tosca e uma censura velada à discordância ideológica, comprometendo a inteligência e a liberdade de nossas crianças e nossas famílias.”

Apoiador de Escola com Mordaça detected! 

E o que isso te a ver com a discussão? Ele diz que os médicos deveriam estar muito mais preocupados com, só faltou falar, os petistas e esquerdopatas. 

“O que atormenta nossos compatriotas? O médico bobo e desrespeitoso que fez uma brincadeira criticando o paciente que fala errado a palavra pneumonia.”, lamenta.

Aff. De novo a palavra “brincadeira”. Aquilo foi bullying da pior espécie demonstrando um preconceito horroroso de classe vindo de um médico!  E isso para ele não tem a menor importância. Não é estranho?

“Estudantes ligados ao movimento estudantil defendem posturas que atentam contra a dignidade da vida humana como eutanásia, abortamento e suicídio assistido, priorizando uma ideologia potencialmente genocida ao invés de respeitarem os valores clássicos da boa medicina.”

O que seria os “valores clássicos da boa medicina”? Ele vai nos dar uma pista:

“Qual o foco do burburinho escandalizado das frágeis e sensíveis almas que circulam nas redes sociais? Calças arriadas.”

(…)

“Numa sociedade em que a ideologia de gênero distribui material pornográfico para crianças na educação infantil, em que adolescentes no ensino médio são instrumentalizados como bucha de canhão para a revolução que atenta contra toda e qualquer forma de pudor e em que todos são expostos ao material semipornográfico de suspeitíssima qualidade veiculado pelos meios de comunicação em horário nobre, só posso concluir uma coisa: os jovens egressos do curso de medicina fizeram foi pouco!”

Oi? Oi?!!! Onde há esse material pornográfico? Esse discurso eu já ouvi de quem vota em político que tem uma postura fascista quando não do próprio fascista que mentiu sobre esse conteúdo!

“Alguém já viu algumas das manifestações artísticas, políticas e culturais que abundam em nossos cursos superiores de humanas?”

Percebem onde isso vai parar? Percebem como tudo é política? Percebem tudo o que está acontecendo? Afinal, quem faz “doutrinação” são os professores, os poetas e os artistas?!

Vai piorar! 

“Repito, os rapazolas da medicina foram até muito comedidos, quase carolas.”

Difícil acreditar que estamos lendo isso de uma pessoas que leciona sobre Ética…

“O brasileiro, de regra acusa de moralista qualquer um que queira impedir que mães saiam por aí matando seus filhos em seus ventres, mas na prática são de um moralismo insuportável ao perder enorme tempo em picuinhas sobre maus costumes e pequenos desvios de conduta que pouco dano concreto fazem a qualquer um.”

Hélio despreza o que as mulheres passam. Desconsidera o feminicídio, a quantidade de mulheres que morrem em clínicas de aborto, o número de estupros,… tudo isso não é considerado por esse doutor como um dano real. Faltou ele dizer “mimimi” e “vitimismo”. Ou não. Para mim, foi de uma forma explícita, falado. 

“O mínimo que devo esperar de alguém que se revolta contra essa brincadeira imatura é uma revolta muitíssimo maior contra coisas extremamente mais urgentes e graves.”

O que para ele é urgente e grave é o projeto Escola com Mordaça, é calar as feministas, é apoiar a LGBTfobia… 

“Você quer defender a classe médica de verdade? É como um zelote dos bons costumes que você realmente pode fazer algo importante e construtivo? Será que fiscalizar brincadeiras bobas de formatura é a melhor forma de zelar pela dignidade da profissão médica?”

E termina de forma extremamente prepotente se dirigindo aos médicos:

“Quer lutar pela honra e dignidade da classe médica? Já estudou o Código de Ética Médica e já se aprofundou na cultura milenar da medicina e em como ela pode ajudar a restaurar nossa confiabilidade e nossa honra? Já estudou política e filosofia a ponto de compreender como se trabalha a imagem profissional em sociedade?”

Ou seja, se não estudaram ou leram os mesmos livros que ele, calem-se, jumentos! E obedeçam Hélio Angotti Neto! Acho que isso que ele quis dizer.

E, assim, com chave de ouro, finaliza de vez:

“Agora, que todos joguem suas pedras… No alvo certo!”

Quais seriam esse alvos? Feministas? Petistas? Pessoas que são contra políticos que fazem discursos fascistas? Professores que estimulam o debate em sala de aula? Pessoas que lutam para que todos os seres humanos sejam respeitados independente de sua classe social, cor, religião e gênero?

Triste ver uma pessoa tão influente no meio escrever tudo isso. Piorou muito o quadro do “paciente” que somos todos nós. 

Mas o lado bom é que a doença foi descoberta.  Resta-nos saber como nos livramos não somente dos sintomas mas da causa.

Um caminho é a reflexão e o debate, acredito eu.

Comecemos.


Arquivado em:Crônicas
16 Apr 11:46

Lava Jato: chip e e-mail, as falsas provas.

by Marcelo Auler

Marcelo Auler Dias antes de deflagrada a primeira fase da Operação Lava Jato – iniciada no sábado, 15 de março de 2014, quando a doleira Nelma […]

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15 Apr 13:59

Fator Doria: 3 vezes mais acidentados nas Marginais em 3 meses. Parabéns aos envolvidos

by Antonio Mello

Como dizia um antigo locutor esportivo: Taí o que você queria! O paulistano pediu aumento de velocidade nas Marginais. O paulistano pediu Dória. Doria se elegeu e os atendeu, na contramão de tudo o que pregam os mais avançados estudos de engenharia de tráfego no mundo. O resultado está aí: mais acidentes e acidentados.

O número de atendimentos a vítimas de acidentes pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) nas marginais Tietê e Pinheiros triplicou após o aumento das velocidades implantado pelo prefeito João Doria (PSDB), no dia 25 de janeiro.
Dados obtidos pela reportagem por meio da Lei de Acesso à Informação, mostram que, entre 25 de janeiro e 10 de março deste ano, foram realizados 186 atendimentos pelo Samu nas duas marginais. No ano passado, no mesmo período, foram 65 casos. Houve um aumento de 186,2% (ou 2,9 vezes). Por ser bissexto, o ano passado ainda teve um dia a mais no período.[Folha]

Parabéns aos envolvidos.

"Voltou ao normal, ou seja, ao que era antes de terem [Haddad] reduzido a velocidade máxima. Temos atendido muitos motoqueiros, principalmente na pista central", diz um dos socorristas entrevistados pela Folha, que pediu para não ser identificado.

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14 Apr 12:04

“Considero um absurdo a forma com que tudo aparece misturado”. Por Maria do Rosário

by Diario do Centro do Mundo
Maria do Rosário

POR MARIA DO ROSÁRIO

Meu nome é Maria do Rosário, tenho 50 anos, sou professora e, com muita responsabilidade, exerço o mandato de deputada federal pelo Rio Grande do Sul. Já fui sindicalista, vereadora, deputada estadual e ministra de Estado. Quase toda minha vida é dedicada à militância por causas que acredito.

Ainda criança, saí do interior com a minha família rumo à capital em busca de melhores condições de vida. Vi meus irmãos mais velhos tendo que trabalhar desde muito cedo para ajudar em casa, assim como eu. Meu ambiente é o de gente trabalhadora e honesta.

Durante os 24 anos em que ocupo funções públicas, eleita democraticamente para tal, já vivenciei muitas situações de conflito. Me forjei na luta e não fujo dos bons combates, pois tenho essa responsabilidade como cidadã e como mulher pública que sou. Como alguém que tem posicionamentos e representa causas. Sou e continuarei sendo uma intransigente defensora da liberdade, dos valores humanistas de mundo, do respeito como eixo norteador das relações.

Já vivenciei e estive em meio a muitas situações humanas que revoltam, entristecem, chocam e desafiam nossa força pra seguir em frente. Mediei conflitos em que cheguei a colocar a vida em risco para evitar tragédias. Olhei nos olhos opacos de muitas meninas que foram vítimas da crueldade da violência sexual e segurei nas mãos de muitas mães revoltadas com a violência que abreviou a vida de seus filhos. Nesses momentos sempre me senti fortalecida pra transmitir algum sinal de esperança e de justiça para essas pessoas.

Nos últimos anos, passei a ser criminosamente atacada por conta do trabalho que exerço. Embora seja cansativo lidar com uma sistemática e profissional campanha difamatória, jamais recuei. Sigo firme nas mesmas causas e com a mesma capacidade de me revoltar e insurgir contra as injustiças. O que me move não é mera teimosia, ou a busca de nada pessoal, mas a consciência de que uso a palavra em nome de muitos que não tem a quem gritar seus direitos e denunciar o que sofrem. Creio que essa postura é a grande responsável por eu ter muitas pessoas que apoiam minha atuação e também muitas que discordam, mas uma grande maioria que me respeita.

Na última terça-feira confesso que fiquei indignada. Achei que ao longo de todos esses anos eu já tinha preparo para lidar com qualquer tipo de situação. Esse sentimento já havia sido abalado recentemente quando passaram a atacar minha família. Mas ter meu nome citado irresponsavelmente no atual contexto, com levantamento de suspeita de que numa campanha não houve registro de recursos doados, me deixou sem chão. Nunca pisei o terreno da mentira e do uso de recursos sem registro.

Considero um absurdo a forma com que tudo aparece misturado. Não aceito meu nome ao lado dos que têm vultuosas somas na Suíça e paraísos fiscais. Sou uma pessoa com bens estritamente dentro das possibilidades de meus ganhos.

Tenho a tranquilidade de defender minha história com a consciência de quem não cometeu nenhum crime. Farei isso na justiça. Mas para mim não basta. Considero que tenho o dever de explicar-me à população. Não deixei de expressar meus posicionamentos em nenhum momento, de demonstrar minha indignação perante a essa grande injustiça, de colocar todas minhas contas e informações à disposição do Poder Judiciário. Reitero que todas as informações necessárias para rápida apuração que as autoridades considerem importante, estão desde já disponíveis. Sou a maior interessada de que isso se esclareça logo.

Porém, esse desabafo eu preciso fazer com vocês, com quem me conhece, com quem concorda e com quem discorda das minhas posições: não sou e nunca fui uma pessoa que se envolveu com coisas erradas. Tenho padrões de decência muito firmes em minha vida. Não tenho nenhum compromisso com ilegalidades. Embora me impressione as formas crueis e mentirosas que esses ataques acontecem, não arredo pé dos meus compromissos e da honestidade que permeia minha vida. Lamento que o que se vê no Brasil não seja justiça, mas a destruição de biografias e o peso diferenciado e seletivo das ações contra os representantes dos setores populares.

Estou tomada por indignação. Que a justiça seja feita. E que a verdade prevaleça.

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14 Apr 11:47

Corte de verbas dos Institutos Federais ameaça ida de estudante potiguar a olimpíada nos EUA

by Conceição Lemes

Da Redação

Ciros Kauer Tavares das Chagas,  19 anos, é estudante de eletrotécnica no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN)—Campus Mossoró.

Como atividade prática do curso, ele criou um sistema de automação de estufas agrícolas para pequenos agricultores.

De baixíssimo custo, desenvolvido com softwares livres, o sistema é capaz de monitorar as variáveis climáticas e, a partir delas, detectar mudanças bruscas frequentes no Rio Grande do Norte, permitindo controle de recursos hídricos e energéticos.

Recentemente, numa feira de ciências, o trabalho dele selecionado para participar da olimpíada I-Sweeep, que acontece há dez anos em Houston, Texas/EUA.

I-Sweeep é a sigla de International Sustainable World (Engineering Energy Environment) Project.

O objetivo desse projeto internacional é inspirar os estudantes a preservar os recursos da Terra e criar alternativas para um planeta sustentável para todas as pessoas .

Este ano I-Sweeep acontecerá de 3 a 8 de maio.

O campus do IFRN- Mossoró solicitou à Pró-reitoria, em Natal, recursos para custear a viagem e estadia de Ciros nos EUA durante a olímpiada científica.

A Pró-reitoria negou, alegando cortes orçamentários feitos pelo governo federal nos investimentos de pesquisa e inovação dos Institutos Federais (IF).

Ciros não se conforma. Ao Mossoró Hoje, disse:

“Primeiramente me sinto traído como um estudante que venho de escola pública. Segundo, uma enorme dor em ver a dura realidade do pequeno produtor, que já é difícil, e um projeto que viria para auxiliar ele nessa caminhada ser impossibilitado de participar de um evento tão grande. É um sentimento muito horrível”.

Na semana passada ao saber que a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) estava no campus, ele a procurou para denunciar a situação.

“Primeiro, toda a minha solidariedade, levante a cabeça, continue na luta”, abraçou-lhe Fátima.

“Vou ligar para a pró-reitora para ter mais informações e denunciar isso na comissão de Educação do Senado Federal”, prometeu-lhe.

Entre passagens, estadia e refeições, Ciros precisa de R$ 6.200,00.

Como acreditam no potencial do jovem, amigos, professores, ex-professores lançaram a campanha Ciros na I-Sweeep- Houston, TX/EUA.

A pedido do professor Daniel Valença, da Universidade  Federal Rural do Semi-Árido – Campus Mossoró, nós a estamos divulgando

Ciros na I-Sweeep- Houston, TX/EUA

“Diversas vezes os Institutos Federais provaram a qualidade do ensino frente às escolas particulares. Ex-estudantes nas melhores universidades do país e do mundo, outros ocupando as melhores vagas nas multinacionais de grande renome mundial e sendo cumprida a respectiva função do IF que é a de formar profissionais cidadãos prontos para o mundo.

Ciros Kauer está entre eles. Hoje ele está cursando eletrotécnica no IFRN – Campus Mossoró e seus sonhos e objetivos na vida são vários. Entretanto, mudar a realidade do agricultor familiar é o seu objetivo. Ele construiu um sistema capaz de monitorar e verificar as variáveis climáticas e a partir delas controlar os recursos hídricos e energéticos, controlando, assim, as mudanças climáticas bruscas que ocorrem em nossa região do Nordeste. Seu projeto tem uma enorme importância, pois visa tornar a plataforma mais acessível aos pequenos produtores. Recentemente, ele foi credenciado a participar da I-Sweeep que ocorre em Houston, TX/EUA.

Infelizmente, essa viagem e parte dos seus objetivos encontram-se ameaçados, por causa de um projeto de governo que está em curso.

O governo do atual presidente deu um forte golpe nos IFs, cortando as verbas de pesquisa e extensão. O que se inicia no nosso país é um sucateamento do Ensino Público.

O estudante Ciros e tantos outros jovens do Brasil encontram-se inteiramente ameaçados por essas medidas.

Precisamos o mais rápido possível ajudar o Ciros a conseguir sua viagem. E precisamos lutar juntos contra essas medidas do atual governo que não possui a educação como sua principal prioridade.

Para ajudá-lo, clique aqui.

Leia também:

CUT/Vox: 93% dos brasileiros são contra a reforma da Previdência de Temer

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14 Apr 11:45

Moro, o pendular

by Marcelo Auler

Arnaldo César (*) O depoimento sigiloso prestado pelo empresário Marcelo Odebrecht ao juiz Sérgio Moro, na última segunda-feira (dia 10), foi transmitido ao vivo pelo site […]

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13 Apr 16:58

Dilma: Acusações do senhor Marcelo Odebrecht são mentirosas

by Conceição Lemes

Dilma: “O senhor Marcelo Odebrecht faltou com a verdade”

Presidenta eleita reitera em nota: nunca pediu recursos para a campanha ao empresário e refuta as insinuações de tenha beneficiado a construtora

Em nota à imprensa no Dilma.com.br 

A propósito das referências ao nome de Dilma Rousseff nas delações firmadas por executivos da Odebrecht, a Assessoria de Imprensa da presidenta eleita esclarece:

1. É fato notório que Dilma Rousseff nunca manteve relação de amizade ou de proximidade com o senhor Marcelo Odebrecht. Muitas vezes os pleitos da empresa não foram atendidos por decisões do governo, em respeito ao interesse público. Essa relação distante, e em certa medida conflituosa, ficou evidenciada em passagens do depoimento prestado pelo senhor Marcelo Odebrecht.

2. É mentira que Dilma Rousseff tivesse conhecimento de quaisquer situações ilegais que pudessem envolver a Odebrecht e seus dirigentes, além dos integrantes do próprio governo ou mesmo daqueles que atuaram na campanha da reeleição. Ele não consegue demonstrar tais insinuações em seu depoimento. E por um simples motivo: isso nunca ocorreu. Ou seja: o senhor Marcelo Odebrecht faltou com a verdade.

3. Também são falsas as acusações de que Dilma Rousseff tenha tomado qualquer decisão para beneficiar diretamente a Odebrecht ou mesmo qualquer outro grupo econômico. Todas as decisões do seu governo foram voltadas ao desenvolvimento do país, buscando o bem estar da população, a partir do programa eleito nas urnas.

4. Após meses de insinuações, suspeitas infundadas e vazamentos seletivos de acusações feitas indevidamente por dirigentes da Odebrecht, finalmente Dilma Rousseff terá acesso a íntegra das declarações. Não conseguirão atingir a sua honra e a sua vida pública, porque tais acusações são mentirosas.

5. A presidenta eleita espera que as investigações transcorram com imparcialidade e transparência, sem acobertamentos políticos ou direcionamentos para favorecer líderes políticos.

A verdade dos fatos será demonstrada. Não são insinuações ou mentiras, lançadas por empresários ou executivos de uma construtora, que esconderão ou mesmo distorcerão os fatos. A verdade vai triunfar, apesar dos ataques.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
DILMA ROUSSEFF

 

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11 Apr 18:02

Vergonha potiguar: Rogério Marinho quer permitir mulheres grávidas ou em lactação trabalharem em lugares insalubres

by renato

Em seu parecer sobre a Reforma da Legislação Trabalhista que será entregue amanhã , o deputado Rogério Marinho pretende incluir uma série de mudanças na CLT relacionadas aos direitos das mulheres. Uma delas é permitir que grávidas e lactantes possam trabalhar em locais insalubres, desde que apresentem um atestado médico. Hoje, isso é proibido hoje … Continue lendo Vergonha potiguar: Rogério Marinho quer permitir mulheres grávidas ou em lactação trabalharem em lugares insalubres →

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10 Apr 11:44

Homem mais rico do Brasil ganha R$ 500 mil por hora, mas quer isenção fiscal de R$ 650 milhões do Rio e Pezão quer dar

by Antonio Mello

O brasileiro Jorge Paulo Lemann, 77, é o homem mais rico do Brasil e o 22º mais rico do mundo, segundo a revista "Forbes". Do ano passado para cá, a fortuna de Lemann aumentou US$ 1,4 bilhão, atingindo US$ 29,2 bilhões, calcula a publicação. Isso representa um ganho de US$ 3,836 milhões por dia, ou US$ 159.817 por hora durante um ano. A revista considera o período de 12 meses até março. Considerando a cotação do dólar nesta quarta-feira (R$ 3,115), a fortuna de Lemann aumentou R$ 497.831 a cada hora no último ano. [Fonte: UOL]
Pois esse pobre coitado, dono da Ambev (Brahma, Skol, Antarctica ), entre outras inúmeras coisas, quer isenção fiscal de R$ 650 milhões para montar uma fábrica de latas e embalagens no Rio e empregar 200 pessoas, o que dá R$ 3,2 milhões por emprego.

E o Pezão, com o Rio quebrado, sem pagar a ninguém, com a cabeça pedida por irregularidades eleitorais, com um pedido de impeachment a ponto de estourar na Alerj e um de prisão para Bangu 8, acusado de receber propinas em conluio com o corrupto ostentação Sérgio Cabral, o Pezão quer dar.

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08 Apr 17:59

Nabucos in love

by Tiago de Thuin

"Nabucos" são aquelas pessoas que acham que tudo fora sempre será melhor que no Brasil, que tal ou qual coisa ruim "só podia ser no Brasil mesmo." O nome é homenagem, via Mário de Andrade, a Joaquim Nabuco, famoso pelo abolicionismo, mas que também perpetrou o texto abaixo:

Nós, brasileiros - o mesmo pode-se dizer dos outros povos americanos - pertencemos à América pelo sedimento novo, flutuante, do nosso espírito, e à Europa, por suas camadas estratificadas. Desde que temos a menor cultura, começa o predomínio destas sobre aquele. A nossa imaginação não pode deixar de ser europeia, isto é, de ser humana; ela não para na Primeira Missa no Brasil [...].

Estamos assim condenados à mais terrível das instabilidades, e é isto o que explica o fato de tantos sul-americanos preferirem viver na Europa... Não são os prazeres do rastaquerismo, como se crismou em Paris a vida elegante dos milionários da Sul-América; a explicação é mais delicada e mais profunda: é a atração das afinidades esquecidas, mas não apagadas, que estão em todos nós, da nossa comum origem europeia. A instabilidade a que me refiro provém de que na América falta à paisagem, à vida, ao horizonte, à arquitetura, a tudo o que nos cerca, o fundo histórico, a perspectiva humana; que na Europa nos falta a pátria, isto é, a forma em que cada um foi vazado ao nascer. De um lado do mar sente-se a ausência do mundo; do outro, a ausência do país. O sentimento em nós é brasileiro, a imaginação europeia. As paisagens todas do Novo Mundo, a floresta amazônica ou os pampas argentinos, não valem para mim um trecho da Via Appia, uma volta da estrada de Salerno a Amalfi, um pedaço do cais do Sena à sombra do velho Louvre

Claro está que a maioria das pessoas que sofre da moléstia de Nabuco, como a chamou Mário de Andrade (espicaçando Drummond, aliás), não é tão "européia" quanto o original. Aliás, hoje, a "verdadeira pátria" de quem sofre desse mal já se espalhou, e pode estar também na América do Norte, ou mesmo na Ásia. E ele não é exatamente raro. Quem não ouve, pelo menos uma vez por dia, algo na base do "esse país é uma merda," "só podia ser no Brasil," ou "só podia ser brasileiro"?Desapreço, ódio, rejeição ao país natal, que estranhamente coabitam na mesma personalidade com a invocação de símbolos nacionalistas como a bandeira ou a camisa da seleção. E fica a pergunta: como explicar essa dualidade tão aparentemente contraditória?

Pois bem, a resposta é que, na verdade, o nabuco é um tsundere, que fica negando a própria afeição e xingando seu objeto. E ele ama o Brasil. Não os brasileiros, não o Brasil como ideia, como algo que poderia um dia existir, mas o Brasil real, as relações sociais reais do Brasil. OK, não todos os nabucos. Mas boa parte deles vai dizer frases que expressam o desejo de que o Brasil seja, ainda mais intensamente, aquilo que já é, seja mais ainda "Brasil" como diferença em relação a outras nações. Coisas como:

"O problema do Brasil são todos esses direitos dos manos." (A polícia brasileira é a que mais mata no mundo. São seis vezes os mortos da polícia americana, ou seiscentas vezes os da alemã, e mesmo três vezes mais do que a de países violentos como Colômbia, Venezuela, ou México.)

"O Brasil é ruim por causa do custo trabalhista." (Já temos a menor proporção de salários sobre renda nacional e a maior desigualdade de salários, de qualquer nação grande do mundo; a jornada de trabalho média é das mais altas; a terceirização é ampla e, agora, irrestrita.)

"As cadeias no Brasil são muito boazinhas com os criminosos" (São das piores cadeias do mundo, se não as piores; a superlotação é, de longe, a pior.)

"Falta religião e moral neste país." (O país é dos mais religiosos e afetos a temas morais em todas as pesquisas comparativas. O caso mais alucinado que já ouvi nesse sentido foi quando um moço me dava de exemplo de país ideal o Japão e dizia isso - só que o Japão é o país mais ateu fora da Escandinávia...)

"Os ecoxiítas que impedem o desenvolvimento nacional" (O Brasil é o país em que mais morrem ativistas ligados à terra e ao meio ambiente; muitas empresas de países ricos elegeram o país como centro de processos poluentes.)

E assim por diante. Cada vez que uma pessoa dessas diz que acha o Brasil ruim, está dizendo que gostaria que o país fosse, ainda mais intensamente, o que já é.

Devem estar bem satisfeitos.

08 Apr 17:20

A luta pela manipulação das notícias deu um passo à frente no dia do Jornalista com a Globonews

by Antonio Mello

Ontem, dia do Jornalista, a Globo News, das Organizações Globo, produziu uma das mais vergonhosas peças de propaganda do governo do golpista Temer.

A imagem reproduzida aqui não precisa de legenda, pois a legenda na imagem é que é a notícia.

Depois que o golpista Temer assumiu e passou a jorrar dinheiro na mídia corporativa, fica claro que quando ela acusava os blogs de serem mídia chapa branca dos governos Lula e Dilma estava apenas exigindo exclusividade, não apenas no recebimento das verbas publicitárias do governo e estatais como também na produção de factóides, notícias falsas e manipuladas, em favor ou contra o governo, de acordo com seus interesses, que podem ou não coincidir com os dos leitores, espectadores, incautos.

A luta pela definição do que sejam ou não fake news, notícias falsas, é apenas mais um lance da disputa pelo poder de produzi-las e definir dentre elas quais são fake news, notícias falsas, e quais não são, dependendo de quem pague.

A GloboNews deu um passo à frente ontem com a manchete vergonhosa, que vai entrar para a história do jornalismo, que ilustra esta postagem.

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08 Apr 17:10

A Netflix, o Pocoyo e a Empatia

by Vitor Couto
Crying Babies

Num fim de semana desses, estávamos nos preparando para dar um passeio e, como todos que tem filhos pequenos sabem muito bem, esse preparo é sempre uma tarefa árdua. Com uma espoletinha de 1 ano e meio nem se fala. Aqui em casa é comum nos dividirmos para resolver essas coisas, enquanto um arruma uma parte o outro distrai a pequenina ou colocamos ela para assistir a algum desenho enquanto os dois arrumam as coisas. Sendo assim, ligamos a televisão e colocamos aquela que é uma das maravilhas do mundo moderno: a Netflix.

Ahh, a Netflix! Esse pedacinho de tecnologia capaz de acabar com a produtividade das pessoas mais disciplinadas. Em meio às toneladas de filmes e séries se esconde um verdadeiro oásis de desenhos infantis maravilhosos! O favorito da pequenina sem dúvidas é o Pocoyo (ou o “Popo”, como ela fala), aquele menininho de chapéu azul que vive aprontando junto com seus amigos num mundo de fundo branco. Ela adora! Dá gargalhadas maravilhosas assistindo. É lindo! Confesso que eu também adoro esse desenho.

Então, a deixamos assistindo o desenho, enquanto minha esposa terminava de arrumar a bolsa eu fui preparar o lanchinho para levar. E lá estou eu fazendo uma papa de mamão com pera para levar, quando começo a ouvir uma voz chorosa chamando “Loula, Loula!” (a Loula é a cachorrinha do Pocoyo). Então, penso com meus botões – Parece que ela está chorando. Será que ela se machucou? – e lá vou eu ver o que aconteceu.

Chego na porta do quarto e me deparo com uma cena inusitada. A pequena está sentada vendo o desenho e chorando compulsivamente, com desespero no rosto e lágrimas pingando no chão olhando para televisão e chamando pela Loula. Eis que olho para o desenho e vejo o que está acontecendo. O episódio que ela estava assistindo, fiz questão de procurar, se chama “Um por Todos” (S02E03 – All for One), aquele em que todos os amigos dele estão voando de alguma forma menos o Pocoyo. Você sabe qual é! Claro que sabe. Se não souber, termina de ler o texto e corre para assistir! Era uma das cenas finais onde o Pocoyo está caminhando todo cabisbaixo, triste e sem vontade de cantar uma bela canção, pois ele é o único que não consegue voar e está sozinho sem os amigos.

– Pera aí. Ela está chorando por causa do Pocoyo??? Um desenho que ela já assistiu umas 500 vezes????? Ela está mesmo se conectando com o sofrimento do personagem e compartilhando a tristeza do “Popo”??????? – Isso tudo passando na cabeça num instante.

Lá vou eu pegar ela no colo e sento na frente da televisão para conversar e acolher (tô aprendendo, viu, Paizinho) a pequena. Explicar que os amigos do Pocoyo já estavam vindo buscar ele para brincar (essa é a cena final do episódio), que ele estava triste mas bastava ter um pouco de paciência que eles já estavam chegando, que ele não ia ficar sozinho e que tudo ia ficar bem. Mas a pequena só parou de chorar quando começou o episódio seguinte e viu todo mundo junto, rindo e brincando. Aí parou imediatamente, voltou a sorrir e conseguimos terminar de arrumar as coisas para sair.

Fico impressionado com a capacidade que esses pequenos têm de perceber e se conectar com o mundo. Isso é empatia pura. Acho que estamos indo por um bom caminho!

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30 Mar 13:51

Pais serão multados se levarem filhos à escola de carro em Londres

by Ana Sniesko
londres - oglethorpe primary school - London Borough of Havering fb h - Google Street View
Medida foi adotada no distrito de Havering, na Grande Londres, mas pode ser expandida para todo o país
30 Mar 11:50

Sobre a pobreza e a democracia. Por Elika Takimoto

by Diario do Centro do Mundo

Publicado no blog da filósofa e escritora Elika Takimoto:

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O ano é 2017. Estamos vendo um novo governo impondo ao povo medidas que claramente vão contribuir para um aumento da desigualdade social. As reformas estão, por exemplo, privatizando bens públicos, mudando as escolas do Ensino Médio de todo o país, alterando Leis Trabalhistas em benefício dos grandes empresários e nos obrigando a trabalhar até a morte. Todas essas mudanças contribuirão para um aumento da pobreza que estava diminuindo em nosso país ainda que de forma bem tímida.

Há quem fale, e eu sou uma delas, que a nossa democracia está sob ameaça. Entendemos quando afirmamos isso que ela é uma forma de resolução das contendas entre os diferentes grupos sociais. Quando se governa para um grupo que está longe de representar a maioria da população por interesses extremamente particulares entendemos que isso não é típico de um regime democrático, pois, a democracia, assim acreditamos, deve se fundamentar na ideia de excluir a humilhação de várias naturezas.

O mundo em que vivemos onde o Mercado manda mais do que Deus que, de fato, parece ter desistido da humanidade dado tudo o que estamos testemunhando, neste mundo a pobreza é considerada como uma falha moral das pessoas. Os (ditos) ricos são ainda capazes de culpar um indivíduo pela sua situação, chamando-o de preguiçoso, incompetente, vagabundo e mais outras coisas piores. Portanto, dizem que nada mais justo do que deixar os pobres onde estão.

No Brasil especificamente, todos vimos as consequências das políticas sociais implementadas por Lula e continuadas por Dilma. Pessoas, que nunca souberam o que era uma renda mensal, passaram a desfrutar do benefício do Bolsa Família em lugares onde crianças brincavam peladas por falta de roupa e dormiam com fome e morriam de diarreia por falta de dignidade. Negros e negras passaram a entrar nas faculdades não mais para pegar na vassoura ou vestir um avental, mas para segurar um lápis e entrajar jalecos. Os aeroportos, shoppings e outros lugares onde eram frequentados somente por uma elite que usava perfume importado passaram a ser pisados por havaianas.

Houve quem se incomodasse muito com a ascendência de várias classes sociais e estava somente esperando uma desculpa (que veio com as manifestações de 2013) para colocar todo o ódio para fora. Daí, passamos a testemunhar a força dos esteriótipos nos mais variados ambientes sociais. Os pobres (abaixo vou definir melhor o que vem a ser “pobre”) foram acusados de “mamar nas tetas do governo” e não querer trabalhar, foram acusados de fazer filhos só para ganhar mais dinheiro do Estado e foram acusados de usar dinheiro para comprar roupas de marca (imagina pobre com roupa de marca!, diziam) e cachaça, dentre outras acusações que seguem a mesma linha.

Dialogar com essas pessoas é o que gosto de fazer para tentar entender quem pensa tão diferente de mim. O que observei foi que uma grande maioria não dispunha de informações sobre a “pobreza” dessas pessoas (abaixo essa proposição ficará mais clara) e sobre os programas como o Bolsa Família (por exemplo, valores que são muito abaixo de qualquer salário, que as famílias podiam receber no máximo ajuda para três filhos e que o benefício era dado somente para as mulheres implicando em um aumento da auto-estima sem precedentes em várias regiões do país).

Quando questionei o porquê de tanto preconceito sem fundamento contra uma classe menos beneficiada ouvi que cada um é responsável pela sua posição econômica e que quem quer consegue (vide alguns indivíduos que até aparecem nos jornais, assim me orientaram). Percebi que ao dizerem coisas dessa natureza desconsideravam o fato de que a maioria das pessoas que são ricas já veio de famílias que fazem parte de uma elite e, portanto, não são responsáveis por tudo o que têm. Não é à toa que ao verem uma notícia que quebra a regra como a de um ser que veio da extrema pobreza e consegue “subir na vida” sem ajuda do Estado eles se regozijam porque reforça o discurso falacioso de que somos aquilo que merecemos ser: ricos ou pobres. Não é também sem motivo ou razão que os programas públicos realizados no Governo Lula que visaram erradicar a pobreza foram chamados de paternalistas. Por que tanta resistência em apoiar esses programas que, como vimos e noticiados no mundo todo, contribuíram para diminuir a desigualdade social? De onde vem essa falta de empatia?

Seja lá qual for a origem da falta de capacidade de se colocar no lugar do outro ela vem junto com a ideia de que certos valores devem ser adotados por todos como os únicos possíveis. Mistura tudo isso apontado e temos a tirania ética (tão fácil de verificar nas redes sociais e nas ruas) na qual as pessoas que vivem sob um determinado modelo desprezam, desrespeitam, matam quem pensa diferente. E esse tipo de conduta não tem nada de democrático, pois flerta com o fascismo.

A pobreza tem muitas definições e não me refiro aqui somente aquela que se mede pelos bens materiais que cada indivíduo tem. É algo muito mais profundo, que estrutura o, digamos, espírito. Dentro desse contexto, além de não terem dinheiro, esse pobres são incapazes de enxergar que são vítimas de um arranjo social injusto e por isso se mostram extremamente passivos (quiçá sorridentes elogiando o patrão que lhe explora) e não lutam pelos seus direitos e quando o fazem é por uma causa específica como a morte de uma criança da comunidade ou a privatização da água, mas jamais por mudanças sociais mais gerais que alterariam a estrutura social na qual eles estão inseridos.

Se fossem mais incentivados por quem lhes pagam o salário a pensar sobre o assunto, tudo seria diferente. Mas não. A participação deles na política é desencorajada de forma indireta pela elite que faz os pobres acreditarem que eles são dignos de pena, que não sabem pensar, que são fracos. Temos daí, um looping infinito já que a exclusão dos pobres gera um sentimento de baixa auto estima e autoexclusão.

Percebam que há várias atividades gratuitas espalhadas pelo Brasil como museus, exposições, shows, bibliotecas e por aí vai. Até mesmo uma aula de Ioga pode entrar como exemplo. Muitos desses locais não são frequentados e usufruídos por pessoas pobres. Se perguntarem para eles, ouviremos, de uma forma geral, que eles não se sentem pertencedores e merecedores desses espaços ainda que não exista nada aparentemente que os proíba de usá-los. É comum ouvir deles “isso é coisa de rico”, “eu sei qual o meu lugar”.

Há uma herança invisível que é passada de pais para filhos que é um dos verdadeiros privilégios e da qual não nos damos conta que a recebemos. Na infância, meus pais sempre me estimularam a ler, levaram-me ao cinema, ao teatro, conversavam comigo, davam-me brinquedos que estimulavam a minha inteligência. Sem saber, eu estava a anos-luz de distância da maioria das crianças do Brasil. Os estímulos que recebemos na infância vão sendo incorporados de forma inconsciente. Se não pararmos para refletir, a impressão é que o natural seja assim e que todos nascem com isso.

Ledo engano.

O filho do pedreiro e da empregada doméstica, por exemplo, não recebeu todo esse estímulo porque sua miséria não se dá apenas pelo quanto que se carrega na carteira. Como não damos o que não temos, não se ensina aquilo que não se aprende. Ainda que na família pobre tenhamos um pai e uma mãe presentes, o que se transmite é a inadequação social (muito bem mostrado no filme “Que Horas Ela Volta?”) e uma carência de hábitos que estimulem à cognição.

Se muitos espaços públicos gratuitos não são usados por pessoas de baixa renda é porque, em certa medida, a maioria delas sofre o preconceito de ser pobre não somente economicamente falando, mas carente de cognição e, portanto, não se sentem seguros para frequentar determinados locais. Ou seja, a competição social não começa em uma prova de seleção para uma empresa ou universidade, pois o resultado já está pré-definido por culturas de classe heterogêneas.

E é bom que continue assim, diriam muitos que apoiaram o impeachment de Dilma e que são cegos para o sofrimento alheio. Aliás, esses tentam minimizar ao máximo o sofrimento dos pobres – como vimos no episódio da foto de dois manifestantes vestindo a blusa da CBF com a mulher levando o cachorro sendo acompanhados pela babá de branco que empurrava um carrinho com uma criança. Não faltou gente que vibrou de alegria quando a babá disse que estava feliz com seu emprego.

O sentimento de satisfação ao ver um empregado elogiar o patrão está diretamente conectado ao preconceito de que pobre não sabe usar o dinheiro e o corpo já que bebe e faz filho precocemente. Atribuem ao pobre um baixo valor moral e racional, mas não enxergam que a imoralidade e a irracionalidade das elites que contribuem para o aumento ou, na melhor das hipóteses, para a manutenção da pobreza e do sofrimento dos menos abastados são considerados um padrão ético de qualidade. Explico-me: se há uma festa em uma cobertura em Ipanema cujos participantes fazem sexo entre eles, estamos dentro da famosa libertação sexual. É bonito. É bacana, diriam. Se os convidados consumirem drogas, não há nada de alarmante e feio nisso assim como se, entre eles, houver quem pratique a sonegação fiscal não será considerado um criminoso. Mas tenhamos isso em uma laje na Rocinha e todo o julgamento será bem diferente.

As pessoas não percebem que os valores que carregam não são absolutos e sim fruto de uma história e de uma educação. O pobre que recebe uma bolsa seja ela para estudar seja para comer é considerado um parasita, um preguiçoso. Mas o rico que desfruta dos rendimentos financeiros não é julgado da mesma forma, pelo contrário. A este são concedidos mais isenções e incentivos fiscais, perdões de dívidas e anistia para sonegadores, citando poucos exemplos.

A pobreza carrega também, em grande parte, a dificuldade de argumentação e persuasão. Fruto da dominação e exploração as quais são submetidas é esse impedimento de uma habilidade retórica que é fundamental para exercer plenamente a cidadania. Os pobres são, de forma consciente e inconsciente, emudecidos. O que estou querendo dizer é que a pobreza não é só privação de bens materiais, mas também de voz pois essa é ouvida por aqueles que têm capacidade para se expressar. A pobreza faz as pessoas mais pobres.

Esse sistema econômico tão elogiado por muitos que deles se beneficiam pois é fundamentado na ideia de liberdade e autonomia do indivíduo, produz, vejam que interessante, justamente o oposto: a perda de liberdade para uma grande parte da população. Considero essa “perda” de ricos e pobres porque muito dinheiro implica grandes responsabilidades que, por sua vez, implica um certo tipo de escravidão que se não for bem administrada gera depressão, ansiedade, alcoolismo e outras doenças comuns que atingem todos independente de quanto se tenha no banco.

Diante tudo isso, digo que em 2017 há uma clara ameaça à Democracia porque existe na atualidade um claro incentivo ao aumento da pobreza por parte de quem está no comando. Democrático seria um governo que criasse condições para que a população pudesse participar de forma justa e igualitária de seja lá o que for. A realização desse tipo de sociedade cabe às instituições políticas, em primeira instância. Ao indivíduo, a cada cidadão que se diz defensor da democracia, cabe, por obrigação, apoiar medidas que venham contribuir de forma eficaz para tal finalidade.

Lembrando que a pobreza é diminuída não somente em termos de bens materiais mas, principalmente, quando houver espaços públicos frequentados por pessoas de todos os gêneros, de todos os credos e de todas as cores sem medo de estar em um lugar do qual elas não fazem parte.

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30 Mar 11:38

Filhos e netos do Bolsa Família derrotam a pobreza e chegam à universidade; veja cinco trailers de ‘Questão de Oportunidade’

by Conceição Lemes

Ana Fonseca, no centro, ladeada pelos valentes Fernanda Sousa, Juliana Mota, Luiz Neto, Lucas Sousa e  Igor do Nascimento

por Conceição Lemes

Thereza Christina Brino é mais que amiga queridíssima, é uma irmã.

Anos atrás, Kika, como é mais conhecida, coordenou um projeto mundial que mexia com educação e informática.

Por conta dele, Thereza, que é paulistana, percorreu mais de 150 países e grande parte do Brasil, inclusive o interior do Ceará.

Ficou — e é até hoje — fascinada pelo povo do Ceará: “Aproveitam toda migalha, transformam cada uma nos melhores pães do mundo e, ainda, dividem”.

O filme Questão de oportunidade, que será lançado nesta quinta-feira (29/03), em Sobral, no auditório do campus da Universidade Federal do Ceará (UFC),  comprova  cabalmente isso.

Da pesquisadora Ana Fonseca e da cineasta Verônica Guedes, o filme tem como astros e estrelas estes valentes jovens cearenses:

Luiz Neto, 24 anos,

Juliana do Nascimento Mota, 29

Fernanda Maria Sousa, 23

Pedro Igor do Nascimento, 19

Lucas Alves de Sousa, 20

Como leões e leoas, os cinco lutaram com unhas e dentes para ingressar num mundo interditado para todas as gerações de suas famílias: a universidade.

Filhos e netos  de empregadas domésticas e camponesas,  beneficiárias do Bolsa Família, eles foram além do que sonhavam. Simplesmente ingressaram na concorrida Universidade Federal do Ceará.

“Em dezembro de 2016, a convite da UFC, dei uma palestra no campus de Sobral sobre desigualdades”, conta-nos Ana.

“No final, vários estudantes se aproximaram e começaram a falar do quanto suas famílias deram duríssimo para que conseguissem uma vaga no ensino superior”, prossegue.

“Depois, me surpreenderam ainda mais, relatando as adversidades que enfrentaram  devido ao fosso econômico-social-cultural existente entre eles e os demais alunos  da UFC e como aproveitaram cada chance que tiveram”, emociona-se.

“Me encantei com as histórias. Afinal, evidenciam a importância dos programas sociais quanto ao protagonismo do público-alvo”,  salienta.

“Achei que muito mais gente precisava conhecê-las, precisava virar filme”, relembra.

Assim, nasceu a ideia do filme Questão de oportunidade. Ao voltar do Ceará, Ana saiu à cata de recursos financeiros.

Com trabalho voluntário e doações, três  meses depois ele se tornou realidade.

O argumento e a produção do filme são de Ana. A direção, de Verônica Guedes.

Ana Fonseca  é conhecida como a mãe do Bolsa Família.

Formada em História,  mestrado em História Social e do Trabalho e  doutorado em História Social na área de família e relações de gênero, ela é, desde 1987,  pesquisadora do Núcleo de Estudos em Políticas Públicas da Unicamp.

Em 2004, após implantar o Programa Bolsa Família e suas diretrizes básicas, saiu do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Voltou ao governo em 2011, a pedido da então presidenta Dilma Rousseff, para desenhar e implantar o Plano Brasil Sem Miséria, à frente do qual ela esteve durante o primeiro ano.

Entre uma participação e outra nos governos Lula e Dilma, atuou em diversos países da América Latina, colaborando com programas nacionais e locais de transferência de renda.

Ana é cearense da gema, convicta e orgulhosa de ser nordestina do Ceará.

Por atuar na Unicamp,  vive há muitos anos em Campinas, mas frequenta Fortaleza e o seu estado assiduamente.

É gestora do tipo que vai para a fila dos pobres para ver como é que é, conversar com as pessoas, indagar, checar.

O filme tem 18 minutos. Imperdível.

Além de depoimentos dos cinco jovens e seus familiares,  o filme conta com ricos depoimentos dos gestores da UFC: Vicente de Paulo Teixeira Pinto, diretor do campus de Sobral; e Denise Silva, coordenadora do curso de Psicologia e do Laboratório de Estudos da Desigualdade.

A partir das 21h de hoje, o filme estará disponível na página do Questão de oportunidade, no Facebook:

Mas já é possível assistir a cinco trailers com duração média de 1’30.

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