Shared posts

08 Aug 12:47

Depois de tomar ovada em Salvador, Doria vai a Natal receber título de cidadão ao lado do dono da Riachuelo; homenagem é de vereador suspeito de desviar R$ 22 milhões

by Luiz Carlos Azenha

Vamos homenagear duas personalidades vitoriosas em suas atividades profissionais, cujas atuações influenciam todos os recantos do Brasil. O espírito público e mentalidade empreendedora deles contribuem de forma positiva para o desenvolvimento da nossa sociedade. Portanto, acredito que são merecedores das honrarias que este parlamento acaba de aprovar. Raniere Barbosa, presidente da Câmara Municipal de Natal, afastado por corrupção, justifica homenagem ao dono das Lojas Riachuelo e ao prefeito paulistano João Doria

Da Redação

O tour da campanha eleitoral de João Doria pelo Nordeste começou com uma “ovenagem” (desculpem!) em Salvador.

Foi tudo, obviamente (sem trocadilho!) muito bem arquitetado.

No fim de semana, a capa da revista IstoÉ apresentou Doria como o anti-Lula.

Na segunda de manhã, a troca de afagos com o usurpador Michel Temer, em São Paulo: “Vejo aqui um parceiro e um companheiro. Alguém que compreende como ninguém os problemas do país. Porque a visão do João Doria é municipalista, o que é fundamental, mas uma visão nacional”.

Em seguida, a viagem a Salvador. O vereador Felipe Lucas, do PMDB, foi o autor do requerimento que deu a Doria o título de cidadão soterapolitano.

O prefeito de São Paulo caminhava ao lado do colega ACM Neto quando recebeu uma chuva de ovos.

Manifestantes carregavam cartazes denunciando Doria.

Um deles lembrava o que o prefeito de São Paulo disse sobre o Nordeste quando era presidente da Embratur:

O soteropolitano Charles Carmo vibrou:

Foi grande o rebuliço,
e enorme a confusão,
invés de palmas, tinha vaia
Invés de “parabéns”, tinha “ladrão”,
no cabelo só tem ovo,
pra alegria da Nação.

O golpista engomadinho,
esqueceu a fantasia que
nas bandas de São Paulo
lhe traz foto e alegria,
mas tomou foi tanta ovada
que vestiu-se de galinha.

O baiano bem sacana
se armou em antecipação
no cabelo só tem ovo
pra alegria da Nação

Doria, obviamente (de novo, sem trocadilho) tenta conquistar votos no Nordeste.

A Câmara Municipal de Natal deve homenageá-lo com o título de cidadão natalense no dia 16 de agosto próximo.

Na sessão solene, prevista para acontecer às 17h30 horas no Teatro Riachuelo, o dono da Riachuelo, Flávio Rocha, receberá a medalha Frei Miguelinho.

Rocha ficou famoso por dizer que “com o impeachment [de Dilma], a agonia seria curta”, prevendo uma rápida recuperação econômica do Brasil, que nunca aconteceu.

Rocha está por trás da homenagem a Doria.

Ele, assim como o prefeito de São Paulo, é fã do estado mínimo, uma ideia rejeitada na prática nos Estados Unidos que ambos tanto adulam — onde 84% dos serviços municipais são públicos!

Doria se antecipa ao tour do ex-presidente Lula pelo Nordeste, que vai de 17 de agosto a 4 de setembro, passando por 28 cidades de nove estados.

Infelizmente, o patrono da homenagem ao prefeito paulistano em Natal não deverá comparecer.

O ex-presidente da Câmara Municipal, Raniere Barbosa, foi afastado do cargo e do mandato depois da Operação Luz, do Ministério Público Estadual, na qual ele é acusado de desviar R$ 22 milhões da Secretaria de Serviços Urbanos de Natal.

MP investiga desvio de R$ 22 milhões de secretaria em Natal; presidente da Câmara é afastado

Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e o vereador Raniere Barbosa são alvos da operação Cidade Luz, que cumpre mandados no RN e Pernambuco.

Por G1 RN

No início da manhã desta segunda-feira (24), o Ministério Púbico do Rio Grande do Norte deflagrou a operação ‘Cidade Luz’, que investiga o desvio de R$ 22.030.046,06 da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos de Natal (Semsur). A Justiça determinou a prisão de empresários e o afastamento do presidente da Câmara Municipal de Natal, Raniere Barbosa.

Segundo o MP, há indícios de que o montante é decorrente de superfaturamento e pagamento de propina relativos a contratos firmados entre empresas e a Semsur para a prestação de serviços de manutenção e decoração do parque de iluminação pública da capital potiguar.

Por meio de nota, o vereador Raniere Barbosa afirmou que recebeu a notícia da investigação com surpresa, uma vez que deixou a gestão da Semsur em 2014. Ele ainda declarou que está colaborando com as investigações para provar que agiu com ‘probidade e lisura’ no período em que foi secretário.

Também através de nota, a Prefeitura de Natal informou que apóia as investigações e que vai cumprir a decisão judicial, vedando contratos com as empresas citadas e afastando os servidores públicos envolvidos.

Os mandados foram expedidos pelo juiz da 7ª vara Criminal de Natal e são cumpridos nas cidades de Natal e Parnamirim, no Rio Grande do Norte, e Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e ainda em Fernando de Noronha, em Pernambuco. Os gabinetes de Raniere Barbosa e da Presidência da Câmara Municipal de Natal também são alvo dos mandados.

Com o afastamento de Raniere, o vereador Sueldo Medeiros (PHS) permanecerá no exercício da presidência da Câmara Municipal da capital. Ele já ocupa a posição desde o dia 11 de julho passado, em virtude de uma viagem de Raniere Barbosa e do tratamento de saúde do 1º vice-presidente, o vereador Ney Lopes Júnior, que está em São Paulo.

A investigação

Segundo o MP, dados da Controladoria Geral do Município de Natal demonstram que entre os anos de 2013 e 2017, oito empresas sediadas em Pernambuco foram beneficiárias de pagamentos no montante de R$ 73.433.486,86 de contratos coma Semsur. A estimativa é de que o superfaturamento médio foi de 30% no valor dos contratos celebrados.

A investigação da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Natal, que contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), desvendou que os empresários monopolizaram os contratos de serviços de iluminação pública da Semsur (pelo menos desde o ano de 2013) até os dias atuais, mediante controle de mercado, corrupção de agentes públicos, peculato, lavagem de capitais e fraudes nas licitações e contratações diretas. Para o MP, eles integram o “núcleo empresarial” da organização.

A apuração constatou que, além das empresas referidas, os investigados também utilizam outras firmas na consecução das atividades da organização criminosa, seja mediante a formação de consórcios, através de empresas por eles próprios controladas, ou ainda utilizando-se de firmas que participam das licitações e processos de contratação direta apenas para simular a ocorrência de disputa. Algumas dessas empresas eventualmente são subcontratadas para prestar os serviços licitados e vencidos pelo cartel.

Os investigadores descobriram também que a organização criminosa é integrada por um “núcleo de lavagem de capitais”. Os integrantes desse núcleo são os responsáveis pelo pagamento de propina a agentes públicos, seja em espécie ou através da aquisição de veículos.

A investigação realizada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte teve início em 11 de março de 2015, data em que foi instaurado um inquérito civil. Pelo apurado, as condutas dos participantes do esquema criminoso caracterizam crimes como peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, pertinência a organização criminosa, lavagem de dinheiro, dispensa indevida de licitação, fraude aos procedimentos licitatórios e formação de cartel.

Os elementos levantados na investigação igualmente demonstram que a organização criminosa comete delitos de forma serial, atuando em diversos municípios do Rio Grande do Norte, inclusive havendo indícios de pagamento de propina a outros agentes públicos de algumas dessas cidades.

Leia também:

Nos Estados Unidos, teoria de Doria sobre o “estado mínimo” foi descartada na prática

O post Depois de tomar ovada em Salvador, Doria vai a Natal receber título de cidadão ao lado do dono da Riachuelo; homenagem é de vereador suspeito de desviar R$ 22 milhões apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

07 Aug 19:33

Sobre Expectativas

by Thiago Queiroz

Expectativa é um negócio curioso, né? Quando menos esperamos, ela está lá, tomando conta da nossa mente e das nossas reações. E mesmo que você tenha bem claro na sua cabeça que não dará trela para a expectativa, você ainda pode cair numa armadilha, e foi exatamente isso que aconteceu comigo há pouco tempo.

Fomos recentemente a um hotel fazenda, para uma viagem de fim de semana da família. Na última vez que fomos a esse lugar, o Dante nem tinha 2 anos de idade, e o Gael estava na barriga da Anne. As lembranças que nós temos desse lugar são maravilhosas, foi muito bom passar aqueles momentos com o Dante pequenininho, curtindo tudo o que acontecia por lá: os animais, as brincadeiras, os passeios, tudo!

Essa foi uma viagem que eu sempre guardarei no coração, e talvez esse tenha sido o problema. São memórias tão boas que geraram altas expectativas para o nosso retorno.

Voltamos ao hotel fazenda, com Dante e seus 4 anos de idade. Não era só isso que tinha de diferente: Gael está fora da barriga e com 2 anos. Lembrando de como foi bom da primeira vez, era meio impossível não esperar que os meus filhos não fossem curtir demais. Quero dizer, eu esperava mesmo era que eles surtassem de alegria, que as cabeças deles explodissem de tanta animação, e que tivéssemos o melhor fim de semana das nossas vidas (até agora).

Acho que já deu para ter uma ideia do tamanho da expectativa que eu criei, né?

Chegamos no hotel de noite, e os dois já estavam dormindo. Então, na manhã seguinte, acordamos na correria, para não perder a primeira atividade do dia: ordenhar a vaca! Chegamos ao local da ordenha e eu estava certo de que eles iriam adorar tudo aquilo.

Ledo engano, eles nem quiseram chegar perto. Eu pensei que talvez eles ainda estivessem com sono, então tentei controlar minha expectativa.

Logo depois disso, fomos tomar o café da manhã. Pronto, agora eles ficariam animados! Nada disso. Gael só queria ficar no colo, e Dante ficava escondendo o rosto em mim ou na Anne. Eles não queriam nem conversar.

Bem, depois disso, comecei a ficar, digamos, impaciente. Eu queria muito que eles curtissem e interagissem, mas quanto mais eu insistia, mais fechados eles ficavam:

— Poxa, Dante! A gente veio até aqui e você não quer fazer nada?

Hoje, escrevendo esse texto, fico muito surpreso comigo mesmo. Como é que eu não pude perceber que eu cai na armadilha da expectativa? É tão óbvio! Porém, só fui perceber isso mais tarde naquele dia.

Eu estava cego pela expectativa. Claro que eles estavam daquele jeito. Afinal, ainda estavam se adaptando , no tempo deles, a um lugar diferente, com gente desconhecida por todos os lados. Eles não estavam confortáveis e precisavam de um tempo para se soltar. E eu, com minha impaciência, não estava contribuindo em nada para que eles se sentissem confortáveis.

Eu não estava respeitando o tempo deles, mas pelo menos consegui perceber isso a tempo, antes de deixar que a minha expectativa estragasse o fim de semana em família. Conversando com a Anne, percebi que essa minha vontade gigante de que todo mundo deveria curtir, na verdade, fazia com que eles não curtissem nada. E o mais esquisito é que isso é o tipo de coisa que você faz sem perceber que está fazendo, e cai na tentação de colocar a culpa de um “dia ruim” na conta das crianças, mesmo que eu tenha provocado boa parte dessas situações!

Só então eu aliviei. Relaxei e comecei a curtir o lugar com a minha família, sem toda essa pressão de aproveitar tudo ao mesmo tempo. E, logo depois, eles também começaram a curtir.

E, olha, eles curtiram demais! Escorregaram de bumbum em barrancos, deram comida para os animais, visitaram a horta do hotel e até arriscaram provar algumas verduras direto do pé! Em resumo, brincaram até dizer chega.

Realmente, a expectativa só serve mesmo para criar frustrações. É muito curioso como conseguimos afetar os nossos filhos só pelos nossos estados de espírito e, quando criamos muitas expectativas, isso quase sempre nos leva ao caminho oposto das expectativas que temos.

No podcast Tricô de Pais, um podcast que eu faço com dois amigos pais para falar sobre paternidade, fizemos um episódio inteirinho sobre expectativas. Na época da gravação do episódio, essa história ainda não tinha acontecido, mas se você tiver interesse em ouvir mais reflexões sobre as expectativas que nos rodeiam, clique aqui!

O post Sobre Expectativas apareceu primeiro em Paizinho, Vírgula!.

07 Aug 18:48

“Os Sertões” explica o Brasil

by alexcastro

Poucos anos depois da Proclamação da República, o Exército Brasileiro mobilizou quase todas as suas forças para enfrentar, e destruir, uma pequena aldeia rebelada no sertão da Bahia, Canudos. Entre os correspondentes de guerra enviados para cobrir a batalha, estava Euclides da Cunha, de O Estado de São Paulo, que pouco depois publicou um livro sobre a experiência, chamado Os Sertões.

Um livro que explica o Brasil.

os sertoes

* * *

A importância tautológica de Os Sertões

Afinal, por que ler um livro tão difícil e tão palavroso quanto Os Sertões?

A única resposta é tão frustrante quanto tautológica:

Os Sertões é importante… por ser importante.

Sua importância está em ter… uma enorme importância.

* * *

Existe um tipo bem específico de pessoa aluna, em geral com um perfil mais conservador ou de exatas (ambos frequentemente andam juntos), que insiste sempre nos tais “fatos”, em uma tal “verdade”. Quando se matriculam em cursos de História, trazem essa expectativa de descobrir como as coisas realmente aconteceram, pensam que a História é uma busca pela verdade.

É trabalhoso, às vezes impossível, tentar fazê-los entender que a Verdade pertence à esfera da Religião. Que a História não busca necessariamente a verdade dos fatos porque, sinceramente, não se acredita mais que exista essa tal verdade e, muito menos, que ela esteja acessível aos historiadores, distantes do seu objeto tanto no espaço quanto no tempo. Hoje, a História preocupa-se mais com versões e interpretações, culturas e mentalidades.

O fato concreto de Amador Bueno ter sido aclamado Rei em 1641 é relativamente desimportante. Taunay acha que aconteceu. Alencastro acha que é uma invenção autoglorificatória paulista. Muito mais importante é a aclamação, falsa ou verdadeira, ter sido tomada como verdadeira durante muitos séculos, a ponto de ter se tornado parte do mito fundador de São Paulo.

O fato acontecer ou não é um mero acidente histórico que não nos diz necessariamente nada. O fato de sucessivas gerações terem acreditado que era possível que a aclamação acontecesse e, mais ainda, incorporado-a à sua identidade e ao seu folclore, nos diz muito sobre quem eram essas pessoas e quais eram suas prioridades.

Pois então. Para uma leitura de Os Sertões, os fatos históricos sobre Canudos pouco importam.

Para quem quer saber a História da Guerra de Canudos, existem livros muitos melhores que Os Sertões.

(Recomendo O Sertão Prometido: O Massacre de Canudos, de Robert M. Levine.)

Euclides, na verdade, só chegou no teatro de operações nas últimas semanas do conflito e viu muito pouco com seus próprios olhos: quase tudo, em Os Sertões, é de segunda mão.

Para quem quer uma narrativa mais humana e emocionante da Guerra de Canudos, também existem livros melhores do que Os Sertões.

(Recomendo A Guerra do Fim do Mundo, um dos últimos livros grandes de Vargas Llosa, antes de ele entrar em seu triste declínio atual. Esse romance talvez tenha sido o principal responsável por eu cursar História.)

Então, se não lemos Os Sertões pra saber os fatos históricos e nem pra acompanhar a narrativa humana, por que então lemos Os Sertões? Por que o livro é importante?

Os Sertões não é importante por causa da Guerra de Canudos.

Tivemos muitas outras “guerras” como Canudos, muitas outras comunidades interioranas, isoladas e religiosas (atávicas, como diria Euclides) foram exterminadas pelas autoridades constituídas. Contestado é apenas um outro exemplo entre muitos.

Os Sertões não é importante por ter sido escrito por Euclides da Cunha, correspondente de guerra e testemunha ocular. Ele não foi testemunha tão ocular assim, aliás. Todo conflito como Canudos também teve um ou mais escritores que lhes servissem de testemunhas e, em geral, um livro obscuro sobre um massacre obscuro gerou tão pouco interesse quanto o próprio massacre.

Diante do manuscrito de Os Sertões – um livro longuíssimo, em português difícil e empolado, sobre um conflito ocorrido no meio do nada, escrito por autor iniciante e desconhecido – quem jamais imaginaria que o livro seria, quem dirá, lido e resenhado e, quando muito, um enorme sucesso?

O que importa não é Canudos em si – pois houve muitos Canudos.

O que importa não é um livro ter sido escrito sobre Canudos – pois há muitos livros importantes e desprezados.

O que importa é o fato de um livro ter feito tanto sucesso – apesar de ter tudo para ser um dos maiores fracassos editoriais da história.

Canudos, Euclides, um livro chamado “Os Sertões”, são acidentes históricos que podem ou não ter significado maior. Mas o enorme sucesso do livro Os Sertões, escrito por Euclides da Cunha, sobre a Campanha de Canudos, foi um fenômeno nacional que nos diz muito sobre essas milhares e milhares de pessoas, em todo o Brasil, que compraram, leram e resenharam esse livro, passaram adiante ou pegaram emprestado, se reconheceram ou se enojaram, amaram ou odiaram.

Era um livro que estava se comunicando fortemente, intimamente com muitos dos anseios, medos, contradições daquela sociedade. Por quê? Que sociedade era essa que consumia tão avidamente um livro sobre civilização e barbárie, raça e meio ambiente?

* * *

Teoria dos grandes livros

Grandes livros são aqueles que têm grandes erros, falhas enormes, fraturas expostas.

A grandeza literária nasce da tensão entre as intenções e as realizações do autor: é como se um livro, para ser realmente grande, tivesse que possuir seu próprio contradiscurso, a semente da sua destruição, o seu contra-argumento perfeito.

O poema épico Os Lusíadas (1572) foi escrito por Luiz de Camões para cantar as glórias do projeto imperialista português no além-mar. Entretanto, no meio do poema, um velho aparece no Restelo, o bairro onde as naus estavam embarcando em sua aventura heroica, e faz um apaixonado discurso contra aquela aventura: as melhores vidas do reino estavam se perdendo no mar, por pura ganância, e, enquanto isso, os camponeses passavam fome por não haver quem lavrar a terra.

Sem o Velho do Restelo, Os Lusíadas seria apenas mais um poema épico chauvinista e conservador. Mas a breve fala do Velho do Restelo desmonta todo o edifício por dentro: é a chaga exposta que o texto não pôde ou não quis esconder.

(José Saramago colocou o Velho do Restelo em Cabo Canaveral, conversando com os astronautas que subiam para a Lua.)

A grandeza de Os Lusíadas está justamente na coragem, ou na temeridade, de dar voz ao Velho do Restelo. A Ilíada tem essa coragem, a Eneida não. No Brasil, O Uraguai tem, A Confederação dos Tamoios, não.

Talvez seja essa a diferença entre a grande literatura e as outras.

* * *

A contradição interna de Euclides da Cunha

Euclides chegou à Bahia para contar aos seus leitores paulistas a história das hordas bárbaras que ameaçavam a sagrada República. Se tivesse conseguido contar essa história como pretendeu, hoje ele não seria nem nota de pé de página na História da Literatura.

Em um estilo conturbado onde “frases ondulatórias” e “generalizações insustentáveis se emontoam de cambulhada”, Euclides desenrola grosseiras desleituras de seus mestres cientificistas europeus, parafraseando toscamente suas (hoje obsoletas e ultrapassadas) teorias sobre raça, clima e civilização.

Entretanto, já na linha seguinte, seu olhar humano de cronista e sua enorme empatia de escritor registram e narram, com maestria, episódios humanos que (apesar de anedóticos) destroem completamente e desprovam na raiz todas aqueles eugenismos que ele entendeu tão mal.

(Em seus dois livros sobre Euclides, Luiz Costa Lima busca os autores europeus citados por ele e comprova que, em grande parte dos casos, Euclides de fato não entendeu nada do que leu e cita tudo errado.)

Ler Os Sertões é acompanhar, ao vivo, uma verdadeira batalha de titãs:

De um lado, um militar positivista e patriótico, narrando a épica batalha através da qual o glorioso (e civilizado!) exército nacional derrotou uma horda de fanáticos primitivos e involuídos que ameaçava a própria essência do país.

Do outro lado, um escritor, um cronista e um jornalista, mestre contador de histórias, arguto observador, dotado de enorme empatia, desmentindo todas as teorias do positivista ao mostrar homens e mulheres de fibra e de coragem, de força física e de inteligência, vivendo momentos dramáticos de intensa humanidade enquanto defendiam seu líder, sua religião, suas casas, seus entes queridos… sua civilização, enfim.

* * *

Os diferentes autores de Os Sertões

Na crítica literária bíblica, as inconsistências internas do Pentateuco (como são chamados os cinco primeiros livros do Velho Testamento) deram origem a uma hipótese muito popular chamada Teoria Documental, que defende ele ter sido, na verdade, escrito por quatro autores principais – chamados de J, E, D e P – cujos livros foram depois costurados e editados até chegarmos à versão atual.

(Muitos críticos têm seus favoritos: Harold Bloom, por exemplo, considera J um dos grandes autores de todos os tempos e publicou separadamente os trechos atribuídos a esse autor. Já Moacyr Scliar escreveu uma versão romanceada da vida de J, teorizando que fosse mulher.)

Será que um crítico literário do século XXXI não consideraria Os Sertões inconsistente demais para ter sido escrito por um autor só?

Não teríamos, quiçá, uma divisão entre P, o autor positivista, e C, o autor cronista?

Ambos os autores, P e C, apesar de travados em duelo de morte, parecem nunca se encontrar.

Logo depois de o cronista narrar mais um episódio de sublime humanidade dos canudenses, o positivista retoma suas teses sobre o atavismo primitivo do sertanejo como se nada tivesse acontecido, como se nem tivesse tomado conhecimento da anedota imediatamente anterior.

Além de escreverem livros diferentes, ambos autores parecem nem mesmo ler o livro um do outro: não percebem que se contradizem.

Sabe quando a gente vê filme de terror e fica querendo avisar o personagem?

“Não, aí não, o psicopata está no armário!”

Leio Os Sertões e também fico querendo avisar:

“Olha, o narrador da página 456 está discordando de tudo o que você está falando aqui na página 512!”

Algumas vezes, eles quase se confundem.

O Positivista, por exemplo, descreve os sertanejos com metáforas animalescas, culpando uma miscigenação funesta por seus defeitos congênitos, por seu raciocínio primitivo, por seu bárbaro atavismo. Ao mesmo tempo, ao descrever as façanhas heroicas de que eram capazes, parece sinceramente, distraidamente admirá-los.

Estaria o Cronista infectando o Positivista?

* * *

Nós quem, Euclides?

Entre inúmeras afirmações da quase inviabilidade étnica do Brasil graças à miscigenação perversa que produzia indivíduos deformados e corrompidos, surgem afirmações como essa (considerada por Costa Lima o limite da contradição euclidiana):

“Depois da nossa vitória, inevitável e próxima, resta-nos o dever de incorporar à civilização estes rudes patrícios que – digamos com segurança – constituem o cerne da nossa nacionalidade.” (grifo meu)

Um truque de crítica literária pra vocês: fiquem de sobreaviso sempre que se depararem com uma frase na primeira pessoa do plural. (Nas palavras imortais de Tonto: “Nós quem, cara-pálida?!”)

Quando um autor começa a falar de “nós”, não pode haver pergunta mais importante e relevante do que:

“Nós quem?”

A resposta nunca é óbvia e é sempre instrutiva.

Nós quem, Euclides? Nós, os homens que se chamam Euclides? Nós, os brasileiros letrados do litoral? Nós, os falantes de português? Nós, os humanos? Nós, os destros? Nós quem? Quem está sendo incluído nesse “nós”?

Mais importante, quem está sendo EXcluído?

* * *

Euclides (na verdade, ambos os Euclides!) passa o livro inteiro especificamente excluindo os sertanejos de seu “nós”. Não sabemos quem está com Euclides, quem faz parte do seu “nós”, mas os sertanejos com certeza não. Eles são sempre “eles”, o outro, o bárbaro, o inimigo.

Mas também são, contraditoriamente, …o cerne da nossa nacionalidade!

Sim ou não, certos ou errados, dentro ou fora, nunca sabemos: a tensão interna do livro nunca relaxa.

* * *

O atavismo de Euclides da Cunha

Atavismo é uma palavra-chave para entender Os Sertões.

Segundo o Dicionário Houaiss:

“Atavismo. 1871. substantivo masculino.

1. Rubrica: biologia. reaparição em um descendente de caracteres de um ascendente remoto e que permaneceram latentes por várias gerações.

2. Derivação: sentido figurado. hereditariedade biológica de características psicológicas, intelectuais, comportamentais. Ex.: a arte de cozinhar lhe chegara por a.

3. Derivação: sentido figurado. retorno a um estilo, uso, ponto de vista, enfoque etc. Ex.: um a. literário.”

Assim como Euclides passa todo o livro denunciando o atavismo de Antonio Conselheiro e de Canudos (que seriam a erupção contemporânea de barbarismos passados latentes na raça mestiça), ele também não poupa as turbas da Rua do Ouvidor, igualmente bárbaras:

“Começaram a quebrar e inutilizar tudo quanto encontraram, … ficando outros [objetos] em montes de destroços na mesma rua do Ouvidor. … A rua do Ouvidor valia por um desvio das caatingas. A correria do sertão entrava arrebatadamente pela civilização adentro. … O mal era maior. Não se confinara num recanto da Bahia. Alastrara-se. Rompia nas capitais do litoral. O homem do sertão, encourado e bruto, tinha parceiros porventura mais perigosos. …[P]ouco nos avantajávamos aos rudes patrícios retardatários. Estes, ao menos, eram lógicos. Insulado no espaço e no tempo, o jagunço, um anacronismo étnico, só podia fazer o que fez — bater. … Aquele afloramento originalíssimo do passado, patenteando todas as falhas da nossa evolução, era um belo ensejo para estudarmo-las, corrigirmo-las ou anularmo-las. Não entendemos a lição eloqüente. Na primeira cidade da República, os patriotas satisfizeram-se com o auto-de-fé de alguns jornais adversos, e o governo começou a agir.”

Para Euclides, se o mestiço do interior era primitivo, desengonçado e incapaz de civilização, o mestiço do litoral não ficava muito atrás. Em diversos aspectos, era provavelmente ainda pior:

“Fora do litoral, em que se refletia a decadência da metrópole e todos os vícios de uma nacionalidade em decomposição insanável, aqueles sertanistas, avantajando-se às terras extremas de Pernambuco ao Amazonas, semelhavam uma outra raça, no arrojo temerário e resistência aos reveses. … Ao invés da inversão extravagante que se observa nas cidades do litoral, onde funções altamente complexas se impõem a órgãos mal constituídos, comprimindo-os e atrofiando-os antes do pleno desenvolvimento — nos sertões a integridade orgânica do mestiço desponta inteiriça e robusta, imune de estranhas mesclas, capaz de evolver, diferenciando-se, acomodando-se a novos e mais altos destinos. porque é a sólida base física do desenvolvimento moral ulterior.”

Apesar de escrever o livro praticamente para denunciar o bárbaro atavismo de Conselheiro e dos canudenses, Euclides tem suficiente autocrítica para estender sua denúncia também aos mestiços do litoral – grupo no qual ele teoricamente se incluía.

* * *

Em 1909, sete anos após o imenso sucesso de Os Sertões, Euclides invadiu armado a casa do amante de sua esposa, disposto a matar ou morrer. Dilermando, além de pai biológico de dois filhos de Euclides, também era um dos melhores atiradores do exército: mesmo surpreendido, abateu Euclides a tiros. Em legítima defesa, decidiu o júri.

Poucos anos depois, em 1916, mesma tragédia: o filho de Euclides (um dos poucos NÃO gerados por Dilermando!) atirou nele pelas costas em pleno cartório – mas atirava tão mal que Dilermando conseguiu reagir e matá-lo, sendo novamente inocentado.

Uma recente biografia de Euclides, publicada postumamente por Roberto Ventura, teoriza que o personagem de Antonio Conselheiro em Os Sertões, cuja criação literária seria bem distante de sua figura histórica, representaria na verdade

“uma projeção psicanalítica das maiores obsessões de Euclides: o temor da irracionalidade, da sexualidade, do caos e da loucura.”

De certo modo, Euclides encarna sua própria crítica ao atavismo da turba ensandecida da Rua do Ouvidor:

“A força portentosa da hereditariedade, aqui, como em toda a parte e em todos os tempos, arrasta para os meios mais adiantados — enluvados e encobertos de tênue verniz de cultura — trogloditas completos. Se o curso normal da civilização em geral os contém, e os domina, e os manieta, e os inutiliza, e a pouco e pouco os destrói, recalcando-os na penumbra de uma existência inútil, de onde os arranca, às vezes, a curiosidade dos sociólogos extravagantes, ou as pesquisas da psiquiatria, sempre que um abalo profundo lhes afrouxa em torno a coesão das leis eles surgem e invadem escandalosamente a História.”

Parágrafos como o acima também poderiam descrever um intelectual tímido e civilizado, franzino e baixinho, que quando se descobre um corno criando os filhos do amante de sua esposa, ao invés de utilizar os muitos recursos legais e pacíficos então disponíveis, resolve lavar sua honra com sangue, comportando-se como um bárbaro primitivo possuído por ódios primordiais atávicos e sem se importar em quem mais seria ferido.

Além de causar sua própria morte e a de seu filho, anos depois, Euclides também alveja o irmão de Dilermando, jogador profissional de futebol no Botafogo, e que comete suicídio depois de ter que abandonar o esporte graças aos ferimentos que sofreu. O atavismo de Euclides, assim como o de Conselheiro, também deixa um rastro de sangue atrás de si.

Talvez, o momento em que irrompe na casa de Dilermando e já sai atirando, sem nem se importar em acertar um inocente, seja o momento em que finalmente Euclides abraça seu lado atávico e selvagem, e aceita que o Brasil, tão mestiço e desequilibrado, sempre a mercê dos seus piores instintos, simplesmente é imune à civilização.

* * *

Os Sertões explica o Brasil

Os Sertões explica o Brasil em tudo o que diz e em tudo o que omite. Explica o Brasil em toda sua exuberância e esquizofrenia, em todo seu racismo e inconstância.

Um intelectual contemporâneo, morando em Botafogo/Perdizes, concursado pela USP/UFRJ, eleitor do PT mas com uma empregada que lava suas cuecas e folga dois domingos por mês, defensor de um Estado forte mas se endividando pra manter os filhos em escola particular, poderia perfeitamente ter escrito uma versão contemporânea de Os Sertões para denunciar o massacre do Carandiru ou a última favela carioca invadida pelo BOPE.

Para todos os fins e efeitos, Tropa de Elite é uma adaptação cinematográfica muito mais fiel de Os Sertões do que Guerra de Canudos, de Sergio Rezende.

O racismo latente dos direitistas do eixo Morumbi-Leblon (“tem é que desinsetizar essas favelas!”) é só odioso, mas o racismo involuntário que escapa pelas frestas do mais compadecido discurso esquerdista é constrangedor.

Um Os Sertões do século XXI (talvez “As Favelas” ou “As Periferias”) seria marcado pela mesma ambivalência, teria um autor sociólogo ou antropólogo também dividido entre aquela pulsão classe-média por paz social e segurança para sua família e, por outro lado, uma convicção ideológica de que a única solução é mudar tudo.

Sua compaixão e empatia pelos favelados conviveria, na mesma página, sem a consciência da contradição, com uma profunda certeza de que “eles” não são como nós e com a terrível premissa, nunca articulada, de que a vida de um “deles” jamais valeria tanto quanto – homessa! – a vida do meu filhinho, que estudou no Santo Inácio/Santa Cruz e vai cursar universidade pública.

A cada vez que um brasileiro se orgulha dos feitos do Pelé (“coisa nossa!”) mas se pergunta porque “eles” têm que vir logo à “nossa” praia!, a contradição constitutiva de Euclides se perpetua.

Os Sertões é um clássico porque sua contradição interna ainda é a mesma que a nossa – “nossa” de todos os brasileiros, aliás. Sua fratura exposta é a mesma que ainda nos incomoda. Como todo clássico, Os Sertões vive e pulsa e respira porque ainda fala diretamente a nós.

07 Aug 12:56

Professor da USP mistura ataques pessoais em sites de direita com desinformação sobre o aquecimento global

by Diario do Centro do Mundo
Felício em palestra organizada pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

Publicado no site Direto da Ciência.

POR MAURÍCIO TUFFANI

Muitos leitores vêm pedindo há algum tempo para eu comentar a atuação do climatologista Ricardo Augusto Felício, professor do Departamento de Geografia da USP, que tem sido o mais destacado entre brasileiros contestadores do aquecimento global. Esses pedidos aumentaram mais recentemente devido à polêmica entre ele e o biólogo e vlogueiro Pirula por meio de vídeos no YouTube.

Felício considera falsa não só a concepção predominante entre os estudiosos do clima de que o aquecimento global tem sido provocado desde o século 19 pela ação humana. Ele rejeita também as próprias estimativas que apontam o aumento da temperatura média anual do planeta desde 1880 e projetam a continuidade desse crescimento para os próximos anos.

O professor da USP concedeu entrevista a um youtuber com mais de 1,3 milhão de seguidores, que foi publicada em 2 de julho. A polêmica recente veio com o biólogo e youtuber divulgador de ciência Pirula, que criticou o climatologista no vídeo “Papo reto: Ricardo Felício e o Aquecimento Global”. Em 18 de julho, Felício publicou sua réplica naquele mesmo canal em que fora entrevistado. E Pirula voltou à carga seis dias depois com o vídeo “Pirula ‘passando vergonha’ – respondendo Ricardo Felício (de novo)”.

‘Low profile’

Apesar da ousadia com que Felício apresenta suas contestações, seu currículo na Plataforma Lattes mostra uma produção acadêmica extremamente acanhada para um pesquisador que se dispõe a contestar a teoria do aquecimento global antropogênico. Dos onze os artigos que constam em seu Lattes, oito deles foram publicados em uma única revista, o Fórum Ambiental da Alta Paulista, entre 2010 e 2013.

Não bastasse, em desabono de Felício, essa revista ter classificações baixíssimas na plataforma Qualis Periódicos, da Capes, para as áreas de Geografia (B4) e Ciências Ambientais (B5) – respectivamente equivalentes a 2 e 1 em uma escala de 0 a 7 –, o climatologista foi membro de seu conselho editorial de 2010 a 2014. Seu nome não aparece mais entre os integrantes do conselho no site da publicação, que até o ano passado indicava as composições anteriores da equipe. (Confira em página de 10/ago/2016 registrada pela Internet Wayback Machine.)

Curiosamente, o próprio Felício não registra em seu Lattes sua atuação no conselho editorial desse periódico.

Desqualificação e desinformação

Uma coisa é contestar meritoriamente uma teoria científica. Outra coisa é não só qualificar como farsantes e pseudocientistas todos os adeptos da concepção da origem antrópica do aquecimento global, mas também apelar deliberadamente para a confusão de conceitos e informações sobre o tema. E é isso o que Felício tem feito em apresentações, palestras e entrevistas.

Essa forma de atuação do climatologista é bem exemplificada em sua entrevista a Felipe Moura Brasil, em 11 de junho (“Aquecimento global é fraude”), no canal de O Antagonista, no YouTube. Já nessa entrevista o professor da USP afirmou, sem nenhum questionamento pelo jornalista, asneiras como a seguinte (ver a partir de 8min55s).

Eu acho uma coisa antinatural combater o CO2, porque se você tira o CO2 da atmosfera, se fosse possível, imaginar, remover o CO2 da atmosfera, você acaba com a vida no planeta Terra. Então você tem que ter, sim, o CO2 na atmosfera para os oceanos utilizarem o CO2, para as plantas utilizarem o CO2, para a gente ter comida.

Ora essa, quem teria cometido o desatino de querer eliminar o gás carbônico da atmosfera terrestre? Desde quando essa estultice é uma das propostas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC)? Na verdade, tal acusação descabida é apenas uma entre tantas outras alegações que Felício tem usado em suas palestras para ridicularizar a concepção predominante entre estudiosos do clima em todo o mundo.

Advertência e retratação

A própria direção da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH), à qual está vinculado o Departamento de Geografia, já se posicionou contra essa forma de Felício atuar na divulgação de suas críticas ao aquecimento global antropogênico.

Em abril de 2013, em ofício aos pesquisadores José Antonio Marengo Orsini, do Centro de Monitoramento de Desastres e Acidentes Naturais (Cemaden), Philip Martin Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e Ulisses Eugenio Cavalcanti Confalonieri, da a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), a direção da faculdade se posicionou contra Felício por ter se referido aos três pesquisadores como pseudocientistas, além de ter feito outras ofensas no ano anterior na palestra “Os fatos da farsa do aquecimento global”. Segue transcrição parcial dessa correspondência.

Lamentamos profundamente os fatos ocorridos. Desde sua criação, a FFLCH/USP acolhe divergências de distinta natureza – científica, política, académica – entre seus corpos docente, discente e administrativo. Não obstante, é consenso de que as divergências jamais devem ultrapassar os limites éticos e o respeito mútuo. Comportamentos , como o relatado, além de agredirem a dignidade de respeitados pesquisadores, não contribuem sob qualquer hipótese para o avanço dos debates sobre o aquecimento global.

Através da Chefia do Departamento de Geografia, solicitamos que o docente fosse advertido de seu comportamento impróprio e que se buscasse se retratar junto a Vossas Senhorias.

Peço-lhe, em nome desta faculdade, imensas desculpas, cuidarei para que fatos desta ordem não se repitam.

Da mesma forma como não consta que os três destinatários tenham recebido qualquer pedido de retratação, Felício não deixou de apelar para ataques pessoais por meio de desqualificações.

Tese fracassada

A USP pode ter bobeado com a continuidade dos ataques pessoais por parte de Felício, mas pelo menos não compactuou com as distorções em sua produção acadêmica sobre o aquecimento global. Sua tese de livre-docência “A geografia da Antártida e uma avaliação climatológica decadal dos ciclones extratropicais ocorridos no setor da península Antártica em verões e invernos” foi reprovada em julho de 2014.

De acordo com o relatório final da comissão julgadora, a redação da tese, “como um todo”, apresenta

alguns problemas que acabam por dificultar o entendimento do conjunto da pesquisa face a uma apresentação analítica descritiva extremamente detalhada e ao mesmo tempo prolixa, faltando conclusões parciais para cada um dos elementos climáticos analisados e em cada uma das três metodologias empregadas, conclusões parciais de síntese que permitiriam na conclusão final uma posição mais clara e objetiva dos resultados alcançados. Em síntese o trabalho de pesquisa foi extremamente bem executado, exaustivamente descrito e demonstrado, mas apresentou deficiência de clareza na formulação das questões/hipóteses que motivaram a pesquisa e consequentemente clareza nas conclusões finais.

Antiambientalismo

De minha parte, entendo que toda teoria científica pode e deve ser questionada, por mais hegemônico e esmagador que seja o contingente de seus adeptos em sua respectiva área de estudos. Sinto calafrios sempre que me deparo com o argumento, que é muito comum até mesmo entre cientistas, de que uma teoria é “provada cientificamente”.

(Na verdade, o que se entende por comprovação científica de uma teoria nada mais é do que sua corroboração por meio de sucessivas confirmações de suas previsões em aplicações ou experimentos.  No entanto, se uma previsão da teoria não é confirmada, ela pode ser refutada. Mas isso é assunto para outra conversa.)

No entanto, uma coisa é contestar meritoriamente uma teoria científica. Outra coisa é não só qualificar como farsantes e pseudocientistas todos os adeptos da concepção da origem antrópica do aquecimento global, mas também apelar deliberadamente para a confusão dos conceitos e informações sobre o tema, como o professor da USP tem feito em apresentações, palestras e entrevistas.

Além disso, a desinformação perpetrada por Felício vai muito além de confundir informações sobre o aquecimento global antropogênico. Na verdade, ele tem misturado suas críticas a essa teoria com distorções da própria noção de desenvolvimento sustentável, posicionando-se também contra outras medidas preventivas da degradação ambiental.

Um dos vários exemplos no YouTube de palestras de Felício com esse posicionamento misturado à sua negação do aquecimento global é sua apresentação em 2011 em Santiago (RS), organizada pelo Conselho Municipal de Proteção do Meio Ambiente da cidade e pelo Sindicato Rural de Santiago, Unistalda e Capão do Cipó. Nessa ocasião ele afirmou que o desenvolvimento sustentável é calcado em três grandes problemas, que seriam o “caos ambiental”, o aquecimento global e as mudanças climáticas. (Confira no vídeo da palestra.)

Na verdade, em sua formulação original por meio do relatório “Nosso Futuro Comum”, das Nações Unidas, em dezembro de 1987, o conceito de desenvolvimento sustentável nem sequer tinha em seu foco principal o aquecimento global, definindo-o como “o desenvolvimento que encontra as necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas próprias necessidades”, e também como “processo de mudança no qual a exploração dos recursos, o direcionamento dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional estão em harmonia e reforçam o atual e futuro potencial para satisfazer as aspirações e necessidades humanas”.

Para o professor da USP, no entanto, o mundo não precisa de nada disso. Na palestra de 2011 acima citada ele afirmou:

A gente [ele e seu grupo de pesquisa] também não concorda com o desenvolvimento sustentável e outras formas de apropriação da natureza. A gente simplesmente gosta de dizer que a gente prega a  conservação da vida por si só, não imaginando que isso é um banco de recursos para o futuro – isso é um verdadeiro absurdo.

‘Teoria’ da conspiração

A desinformação com propósitos ambientalistas não se restringe a bobagens como essa, mas também a interpretações conspiratórias.

Para Felício, a teoria de que os CFCs provocaram o buraco na camada de ozônio foi inventada porque as patentes desses gases iam caducar e para evitar que Índia e outros países emergentes deixassem de pagar royalties para indústrias dos países mais ricos, como afirmou ele em uma palestra proferida em junho de 2015 para o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. A entidade foi fundada em dezembro de 2006 por saudosistas do líder católico ultraconservador Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995), fundador em 1960 da Sociedade Brasileira de Defesa de Tradição, Família e Propriedade (TFP).

Desse modo, em atenção aos pedidos de leitores de Direto da Ciência, em face da tortuosa forma com que Felício apresenta suas críticas ao aquecimento global antrópico e principalmente após esforços louváveis de análise, como o de Pirula em seu meticuloso e já citado vídeo “Papo reto: Ricardo Felício e o Aquecimento Global”, o do físico Alexandre Costa, da Universidade Federal do Ceará, também no YouTube, e o de Philip Martin Fearnside na série de artigos “Céticos do clima no Brasil”, no site Amazônia Real, esclareço que prefiro acrescentar as informações de contextualização deste artigo e entendo não valer a pena gastar mais tempo analisando críticas propaladas por esse negacionista do clima.

Felício não é nenhum tolo, mas a ele se aplica o que sabiamente considerou o pensador verdadeiramente cético Michel de Montaigne (1533-1592) ao afirmar em seus Ensaios

É impossível discutir de boa-fé com um tolo. Não só meu julgamento se corrompe à mão de um dono tão impetuoso, mas também minha consciência.

O post Professor da USP mistura ataques pessoais em sites de direita com desinformação sobre o aquecimento global apareceu primeiro em Diário do Centro do Mundo.

04 Aug 19:33

O resto é paisagem

by Francisco Seixas da Costa

Tornei-me lisboeta pela vida. Meio século na capital, preservando as raízes nortenhas e mantendo-me como viajante obsessivo pelo país, acabou por me tornar um nativo diferente: olho os lisboetas com uma mirada algo exterior, julgo que lhes topo bem as reações, os não-ditos – para ser mais claro, os preconceitos.

Assumindo o risco de todas as generalizações, diria que o lisboeta médio, por muito que disfarce, dá razão íntima ao dito macrocéfalo de que «Portugal é Lisboa, o resto é paisagem». A sua curiosidade pelo resto de Portugal, salvo se tiver família numas berças a que, às vezes, vai por exercício folclórico-antropológico, é muito escassa. Arrumado abril, o Alentejo passou a ser, para o cidadão de Lisboa, o seu sinónimo de «campo», muitas vezes apenas visitado a caminho do Algarve, para um «fossado» gastronómico ou uma curta vilegiatura num monte «confortabilizado». 

O Norte, para muito ulissipo-dependente, é um mistério que não chega sequer a mobilizar a sua curiosidade. Tenho amigos para quem chegar a Leiria significa atravessar uma fronteira psicológica que os coloca já às portas do Porto, mesmo na vizinhança da Galiza - dessa Espanha onde conhecem “de gingeira” Barcelona ou Córdoba, Toledo ou Valência. Mas não Viseu, a Guarda ou Bragança – como há dias me confessava um amigo com décadas de mundo e cosmopolitismo.

No cume dessa geografia do desconhecimento está o Porto. O cinzento da pedra, o intrincado das rua, a reserva das famílias, as cumplicidades quase (e às vezes) maçónicas do círculos de amigos tornam o Porto praticamente ilegível para o lisboeta. Como resposta, usa a sobranceria, o olhar arrogante sobre uma “província” que o sotaque ajuda a caricaturar, ajudado pelo agravar das rivalidades do futebol. Para o cidadão da capital, a menor reivindicação do Porto surge como um ato de despeito, revela uma impotência feita reação. O lisboeta olha com risota o ar façanhudo com que alguns portuenses clamam contra a falta de atenção à sua especificidade, à dimensão nacional dos seus interesses.

Lembrei-me disto há dias, a propósito da Agência Europeia do Medicamento. Sabe-se que António Costa, que tem do país uma visão menos “lisboeteira”, expressou a ideia, desde o primeiro momento, de que esse era um tema em que importava envolver o Porto. Não foi esse o parecer de alguma vontade central, que sempre tem Lisboa como sinónimo óbvio do país. E as coisas deram no que deram. Se e quando o Porto vier a perder a candidatura, um certo centralismo lisboeta, agora derrotado, sentir-se-á vingado. Lisboa não admite que possa haver um oásis na paisagem.

(Artigo hoje publicado no "Jornal de Notícias")
04 Aug 19:21

Flávio Dino: A absurda lavagem de dinheiro sem que Lula tivesse posse do triplex

by Luiz Carlos Azenha

Lula foi condenado pela notícia de O Globo, que Moro citou na sentença

A sentença tríplex

04/08/2017 02h00

por Flávio Dino e Rodrigo Lago, na Folha

Uma sentença judicial não pode derivar apenas do sentimento do julgador. Se assim fosse, o Judiciário não seria compatível com a democracia, que pressupõe freios e contrapesos, representados por um edifício jurídico composto pela Constituição.

Se uma sentença é construída fora desse edifício, não pode subsistir. Foi o que aconteceu com a sentença do caso tríplex, relativa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Podemos identificar três andares de problemas no caso.

O primeiro andar abriga a deficiente configuração do crime de corrupção passiva. Desde o julgamento da Ação Penal 307, o Supremo Tribunal Federal fixou em nosso edifício jurídico que não basta o recebimento de vantagem por funcionário público para se ter representado esse tipo de infração.

É “indispensável (…) a existência de nexo de causalidade entre a conduta do funcionário e a realização de ato funcional de sua competência”, disse o STF. Na sentença, contudo, reina uma confusão sobre isso, agravada com a decisão nos embargos declaratórios da defesa.

O julgador fala em atos de ofício indeterminados e aborda fatos praticados em momento posterior ao exercício do mandato do ex-presidente Lula, que se encerrou em 1º de janeiro de 2011. É impossível ter havido crime de corrupção passiva em 2014 sem a participação de pelo menos um outro funcionário público (inexistente nos autos).

O imbróglio aumenta quando, ao julgar os embargos declaratórios, o juiz diz que não há correlação entre o tal tríplex e contratos da Petrobras, tornando ainda mais estranha a competência da Justiça Federal de Curitiba para apreciar controvérsia sobre apartamento situado em São Paulo.

Chegamos ao segundo andar de equívocos da sentença: a problemática da configuração do crime de lavagem de dinheiro.

Sustentou-se sua consumação na medida em que a propriedade do tríplex foi mantida oculta”entre 2009 até pelo menos o final de 2014″. No entanto, consta da sentença que o apartamento jamais foi efetivamente entregue ao ex-presidente Lula.

No caso, não havia nem propriedade nem posse por parte dele. O patrimônio deste não chegou a ser aumentado, sendo impossível a prática de quaisquer dos núcleos do art. 1º da lei nº 9.613/98, que trata dos casos de lavagem.

Por fim, no terceiro andar de erros jurídicos, tem-se a inegável sobrecarga da dosimetria das penas, talvez para reduzir a hipótese de serem alcançadas por prescrição.

Chama a atenção a sentença considerar três vetores negativos das circunstâncias judiciais, dentre eles alguns estranhos ao réu, e não os fatos que neutralizariam alguns deles, talvez pela escassa fundamentação atinente às provas produzidas por requerimento da defesa.

A sentença em questão, portanto, é um tríplex que não cabe em um edifício jurídico democrático, no qual os fins não justificam os meios. O devido processo legal é uma garantia de toda a sociedade, maior do que os interesses da luta política cotidiana.

Para isso existem os tribunais: inclusive para dizer “não” a sentimentos puramente pessoais, que podem ir para as urnas, nunca para sentenças.

FLÁVIO DINO, professor do curso de direito da Universidade Federal do Maranhão, é governador do Estado do Maranhão

RODRIGO LAGO, advogado licenciado, é secretário de Estado de Transparência e Controle do Maranhão

Leia também:

42% acham que Lula foi condenado por Moro sem provas

O post Flávio Dino: A absurda lavagem de dinheiro sem que Lula tivesse posse do triplex apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

04 Aug 19:21

Deputado da tattoo assedia repórter; sindicato emite nota de repúdio

by Da Redação

O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal emitiu nota em repúdio à conduta machista do deputado Wladimir Costa (SD-PA) contra a repórter Basília Rodrigues, da rádio CBN

O post Deputado da tattoo assedia repórter; sindicato emite nota de repúdio apareceu primeiro em Socialista Morena.

02 Aug 11:31

Afranio Jardim detona Moro e a sua nova denúncia contra Lula: “Incompetência gritante. Imputação bizarra!”

by Conceição Lemes

Afranio Silva Jardim, professor associado de Direito Processual Penal da UERJ, no Facebook, sobre a nova denúncia do juiz Sérgio Moro contra o ex-prersidente Lula:  “A sua incompetência é gritante. O suposto crime não é da competência da Justiça Federal e o foro competente é o local da alegada infração (São Paulo).  A imputação é bizarra!!!”

Às vésperas da votação sobre Temer, Moro torna Lula réu pelo sítio de Atibaia

Jornal GGN – Um dia antes da Câmara votar a denúncia contra Michel Temer a reboque da delação da JBS, o juiz Sergio Moro decidiu acolher o pedido dos procuradores e tornar Lula réu pela terceira vez em Curitiba, agora por causa do caso do sítio de Atibaia.

A denúncia, que foi apresentada a Moro em 22 de maio, sustenta que a Odebrecht, OAS e a empreiteira Schahin gastaram R$ 1,02 milhão em obras de melhorias no sítio em troca de contratos com a Petrobras.

No despacho, Moro diz que demorou a apreciar a denúncia “pois (estava) ocupado com processos com acusados presos e por também por reputar relevante aguardar a posição do MPF em relação à absolvição de Paulo Roberto Valente Gordilho [OAS] na ação penal conexa 5046512-94.2016.4.04.7000 [caso triplex]”.

Lula é réu em Curitiba numa ação que envolve suposto pagamento de vantagens indevidas da Odebrecht, incluindo a compra de um terreno que o Instituto Lula nunca usou, além de um apartamento vizinho ao do ex-presidente, em São Bernardo do Campo.

No caso triplex, Lula já foi condenado a 9 anos e meio de prisão por Moro, além do pagamento de multa que ultrapassa os R$ 13 milhões. A sentença foi proferida após a aprovação da reforma trabalhista pelo governo Temer.

Também se tonaram réus nessa terceira ação penal o empresário Emilio Odebrecht, o advogado de Lula Roberto Teixeira, os executivos Alexandrino de Salles Ramos de Alencar e Marcelo Bahia Odebrecht, Carlos Armando Guedes Paschoal e Emyr Diniz Costa Júnior, todos da Odebrecht, além de Paulo Gordilho, Agenor Franklin Medeiros, Léo Pinheiro, todos da OAS.

Rogério Aurélio Pimentel, segurança de Lula, Fernando Bittar, o verdadeiro proprietário do sítio, e o pecuarista José Carlos Bumlai completam o time de acusados.

Ao Estadão, a força-tarefa de Curitiba afirmou que “anexou 415 documentos à nova denúncia. Segundo a Procuradoria, a denúncia foi elaborada com base em depoimentos, documentos apreendidos, dados bancários e fiscais bem como outras informações colhidas ao longo da investigação. No material anexado pelo Ministério Público Federal estão fotos de objetos e fotografias da família no sítio, escritura e registro do imóvel, notas fiscais e relatórios da Polícia Federal.” 

NOTA DA DEFESA DO EX-PRESIDENTE
Moro atenta contra Estado de Direito ao receber nova ação contra Lula

do Lula.com.br

A nova decisão proferida pelo juiz Sérgio Moro na data de hoje (01.08/2017) para receber denúncia ofertada pelo Ministério Público Federal em 22/05/2017 contra o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva é mais um atentado ao Estado de Direito praticado por esse agente público, pois:

1 – a decisão foi proferida por juiz manifestamente suspeito que, no último domingo (30/07), concedeu entrevista à imprensa e tratou especificamente do caso de Lula, situação que por si só deveria motivar o reconhecimento dessa suspeição de acordo com jurisprudência pacífica dos tribunais sobre o tema; o voluntarismo do juiz Sergio Moro é incompatível com a imparcialidade e a impessoalidade que o cargo exige;

2 – refere-se a contratos firmados pela Petrobras com empreiteiras para atrair artificialmente sua competência, inclusive aqueles contratos que o próprio juiz já reconheceu em sentença (Ação Penal no. 5046512-94.2016.4.04.7000) não terem gerado qualquer benefício em favor de Lula;

3 – mais uma vez trabalha com conceito de “propriedade de fato” embora o sítio referido na denúncia tenha proprietários conhecidos, que constam na matrícula do imóvel e que provaram a utilização de recursos próprios e lícitos para a compra do bem, e, ainda, que suportam despesas de sua manutenção;

4 – mais uma vez não indica qualquer ato de ofício que Lula teria praticado na condição de Presidente da República para justificar as contrapartidas afirmadas na denúncia; Moro novamente aceita uma denúncia esdrúxula contra Lula apenas em razão do cargo de Presidente da República por ele ocupado;

5 – o “lawfare” praticado pelo juiz Moro e pelos procuradores da Lava Jato contra Lula e a ineficácia do sistema recursal interno para paralisar as grosseiras violações a garantias fundamentais do ex-Presidente é alvo de preocupação da comunidade jurídica nacional e internacional, além de embasar um comunicado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU que já superou uma primeira etapa de admissibilidade.

Cristiano Zanin Martins, advogado do ex-presidente Lula

Leia também:

Julgamento de Kenarik Boujikian escancara seletividade e machismo do Judiciário brasileiro

O post Afranio Jardim detona Moro e a sua nova denúncia contra Lula: “Incompetência gritante. Imputação bizarra!” apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

01 Aug 12:09

O que temos por enquanto…

by elikatakimoto

 

Clique na Imagem para adquiri-lo!

Eu não tenho secretária, não tenho agente literário, não tenho assessor de imprensa, personal-qualquer-coisa, tenho nada. Tudo que vocês veem de Elika Takimoto por aí (palestras, entrevistas, livros…) foi conseguido única e exclusivamente através de mim mesma.

Sim. É uma loucura. E veja como as coisas acontecem aqui:

Há anos escrevo. Há anos tento publicar meus livros. Há anos bato em portas de editoras com meus exemplares e, depois de meses de expectativa e ansiedade, recebo um “não” bem redondo dado com educação.

Esse ano resolvi publicar dois livros de forma independente: “Tenso, logo escrito” e “Filhosofia”. O primeiro já está sendo vendido pela Amazon versão digital e impressa e também é possível comprar diretamente comigo via e-mail. O segundo está rolando o crowfunding dele no site do kickante como muitos já sabem.

Não é fácil. Nada fácil. Para vocês terem uma ideia, escritores amadores como eu me considero, investi quase dez mil reais para que o “Tenso, logo escrito” fosse publicado. Nesse valor, está incluído capa, revisão, formatação e mais a impressão de 300 exemplares para o lançamento dele que eu, por ser sozinha, ainda não consegui organizar já que…

aconteceram também, neste ano, três grandes coisas na minha vida:

1- recebi o convite de uma das maiores editoras do Brasil (Editora do Brasil) para publicar o meu livro “Como enlouquecer seu professor de física” que é um, modéstia à parte, puta livro de filosofia da ciência para todas as idades fruto de anos de pesquisa do meu doutorado.

2- recebi o convite da editora Autografia que lançou o selo “subúrbio editorial” para publicar, juntamente com outros livros de outros suburbanos, dentre eles o maravilhoso (sigam! sigam!) Leandro Leal, um livro meu que será lançado na Bienal, em setembro. Acreditando na visibilidade do projeto e por ver a necessidade da representatividade da arte de nós, suburbanos, nasceu o “Beleza Suburbana”, um livro de crônicas minhas sobre beleza de forma geral focando nas relações entre seres humanos.

3 – Isaac no Mundo das Partículas, meu livro de física de partículas para criança ilustrado pelo gênio Sergio Ricciuto virou, antes de ser livro publicado, uma peça de teatro. Ele ganhou – dentre mais de sei lá quantos mil projetos – o patrocínio da Oi Futuro e, em janeiro, a peça estreia como um mega musical de rock para crianças, jovens e adultos. Contei para essa façanha com a ajuda de profissionais de peso na área: Joana Lebreiro e Camila Vidal. Isso fez com que eu, cansada de esperar, resolvesse também publicá-lo de forma independente e, em janeiro, “Isaac no Mundo das Partículas”, o livro, será lançado juntamente com a peça . Antes disso, também será vendido pela Amazon na versão e-book e impressa.

O que temos, então? Pasmem. Cinco livros sendo lançados esse semestre!

Várias pessoas já falaram que eu estou concorrendo comigo mesma, e perdendo dinheiro e preciso de um planejamento para tantos lançamentos. Paciência. Dinheiro não é a prioridade aqui.

Escritores normais lançam um livro por ano, ou a cada dois ou cinco anos e ficam trabalhando na publicidade dele. Eu não. Espero mais de 40 anos para publicar cinco livros em um só semestre.

Não estou pedindo ajuda para me organizar porque não há nem nunca houve planejamento na minha vida para nada e não vai ser agora que vou conseguir com essa ansiedade toda. É muito tempo chocando esses ovos aqui. Quando filho nasce, não dá para esperar meses e anos para mostrar para os amigos. Era para ter nascido somente dois. Vieram quíntuplos, não tenho culpa. E estou mega feliz!

Então, para os interessados, segue o que temos e teremos, em ordem de publicação:

1- História da Fisica na Sala de Aula – um livro fruto do meu mestrado onde narro várias histórias interessantes sobre a física que nunca ninguém havia me contado (Editora Livraria da Física). Está sendo vendido em várias livrarias onlines.

2 – Minha Vida é um Blog Aberto – vencedor do Prêmio Saraiva de Literatura na categoria crônicas. Vendido em várias editoras onlines e, por e-mail, você consegue o livro autografado (elikatakimoto@gmail.com).

3 – Tenso, logo escrito – um livro de crônicas mais introspectivas escritas mediante muito sofrimento e solidão. Acho, sinceramente, que ele está lindo. Está sendo vendido pela Amazon e por e-mail (elikatakimoto@gmail.com)

4 – Beleza Suburbana – livro de crônicas, como já dito, sobre a beleza da comunicação e das relações entre nós, seres humanos. A orelha desse livro foi escrita por uma pessoa que transpira talento e que tive a sorte e a honra de tê-lo como meu amigo este ano: Ricardo Garcia, vulgo Pipo da Cia de comédia Os Melhores do Mundo. Razei. Lançamento na Bienal no dia 03 de setembro.

5 – Como enlouquecer seu professor de física – a previsão é que a venda comece em setembro. Acho, sinceramente, esse livro uma obra-prima pois foi fruto de anos e anos de pesquisa de conteúdo e linguagem.

6 – Filhosofia – quer me ajudar a publicar esse e, de quebra, garantir seu exemplar? O livro é uma coletânea de crônicas mega divertidas com meus três filhos e mais algumas divagações minha sobre maternidade. Prefácio de nada menos que Xico Sá e orelha de Rita Lisauskas. Razei nessa, gente! Tá uma perolazinha.

https://www.kickante.com.br/cam…/filhosofia-o-livro-da-elika

7 – Isaac no Mundo das Partículas – em breve, disponível na Amazon. Lançamento, no Rio, em janeiro juntamente com a peça. Garanto que não tem nada que se equipare no mercado porque, antes de decidir escrevê-lo, fiz um curso de física de partículas lá no CERN, o maior laboratório de física do mundo, e pesquisei demais sobre o tema para as crianças. Achei tudo tão ruim, tão técnico e chato que resolvi fazer um para Yuki que amou, interagiu muito com a obra e chorou rios quando o livro terminou.

É isso, gente. Por enquanto. Estou escrevendo mais três aqui ao mesmo tempo fora outros que tenho para lançar já prontos.

Obrigada pelo apoio nessa empreitada a todos que me seguem e me acompanham por aqui.


Arquivado em:Crônicas
01 Aug 11:47

81% dos brasileiros aprovam abertura de processo para investigar Temer por corrupção, mas 5 deputados do RN são contra

by renato

G1 Uma pesquisa do Ibope encomendada pela ONG Avaaz avaliou o posicionamento dos eleitores brasileiros sobre a atuação dos deputados federais na sessão de votação que pode definir a abertura de um processo contra o presidente Michel Temer. A votação está marcada para quarta-feira (2) no plenário da Câmara. O Ibope Inteligência perguntou aos entrevistados: “o senhor … Continue lendo 81% dos brasileiros aprovam abertura de processo para investigar Temer por corrupção, mas 5 deputados do RN são contra →

O post 81% dos brasileiros aprovam abertura de processo para investigar Temer por corrupção, mas 5 deputados do RN são contra apareceu primeiro em BLOG DO PRIMO.

31 Jul 11:39

A pesada herança do pensamento religioso na esquerda

by Diario do Centro do Mundo

Algo que sempre incomodou desde o inicio da minha militância, na virada dos anos 70 para os 80, foi a recorrente tendência de setores da esquerda de apresentarem explicações morais para todas as derrotas ou insuficiências. O MEC ( antigo Ministério da Educação e Cultura) aumentou os preços dos bandejões das universidades? culpa da direção da UNE que traiu a luta dos estudantes . Collor venceu a eleição de 1989? culpa da Articulação ( tendência majoritária do PT á época da qual fazia parte Lula) que ficou com medo de vencer e orientou Lula a perder o debate final ( sim meninos, eu ouvi isso).

Fracassou a greve geral de 30 de junho? Culpa das direções das grandes centrais que desmobilizaram as classes trabalhadoras ( que “obviamente” queriam fazer a greve).Temer tem apenas 5% de aprovação e mesmo assim não há manifestações de massa pela sua derrubada? culpa de setores da esquerda que na verdade não querem derrubar o Temer porque …… .

O que me impressiona é o total protagonismo que se atribui nestes “raciocínios” ás direções e aos aparatos (partidos, sindicatos, centrais), e a absoluta falta de protagonismo e iniciativa que se atribui ao povo.

Obviamente que direções partidárias e sindicais incidem sobre a conjuntura e cumprem um papel relevante, que linhas politicas distintas fazem diferença em determinadas conjunturas, mas a busca permanente por responsáveis morais, traidores presumidos e linhas politicas equivocadas como responsáveis por todas as derrotas , busca apresentar como contraste a linha justa, a verdade revelada, o programa redentor, da qual a corrente A, B ou C é portadora.

O maior problema desse comportamento típico da Ordem dos Templários, ou da Irmandade de Cavaleiros de Jedi , é que a analise das condições objetivas da realidade passa sempre para segundo plano. Na Greve Geral de 28 de abril o clima nas ruas, nas redes sociais, nas assembleias, deixava claro que algo grande iria acontecer. Havia a expectativa de que a mobilização poderia travar as reformas trabalhista e previdenciária, e isso foi essencial para o sucesso da greve. Em junho, e isso era evidente nas ruas e nas redes , a sensação dominante era que a reforma trabalhista já estava virtualmente aprovada e a previdenciária não avançaria por conta da fragilização do governo Temer. Teve sim o recuo da Força Sindical e da UGT, mas mesmo que não tivesse esse recuo ,30 de junho seria uma pálida sombra de 28 de abril.

É preciso entender que mobilizações de massa ocorrem com pautas simples, claras, com a percepção da sua viabilidade, e com a expectativa que a vitória significará ganhos efetivos e imediatos. Vale para a direita e para a esquerda. As classes medias conservadoras que foram á rua pelo impeachment tinham uma ideia clara que derrubada Dilma os seus problemas estariam resolvidos; acabaria a corrupção, acabaria a crise econômica, acabaria a sua percepção de perda de status social. Evidentemente nada disso aconteceu e os movimentos, MBL, Vem Pra Rua , ficam pateticamente chamando atos que sabidamente não mobilizarão ninguém. Este último está desde junho chamando um ato para 27 de agosto destinado ao fracasso (provavelmente será adiado sob um pretexto qualquer).

A dificuldade do movimento Fora Temer em promover mobilizações massivas está ligada á percepção que a sua derrubada não mudará grandes coisas. Não passará a emenda por eleições diretas, o substituto será Rodrigo Maia, Henrique Meirelles já avisou que fica, a crise econômica e o desemprego ficam também.

Mas obviamente para os Savonarolas de plantão é mais conveniente responsabilizar direções sindicais e partidárias acusando-as do delito moral da traição.

Publicado no Facebook de José Luiz Fevereiro, membro da direção nacional do PSOL

O post A pesada herança do pensamento religioso na esquerda apareceu primeiro em Diário do Centro do Mundo.

31 Jul 11:21

Buenos Aires, a cidade das livrarias

by Cyntia Campos
El Ateneo Grand Splendid, a mais famosa. Algumas estimativas dizem que recebe 1 milhão de visitantes por ano Reza a lenda que Buenos Aires tem mais livrarias que o Brasil inteiro. Em termos quantitativos, a afirmação fica mesmo no campo do mito — o Brasil tem 3.095 livrarias, contra 734 da capital argentina, segundo um levantamento realizado em 2014. A metrópole dos hermanos, porém, é a
28 Jul 12:16

8 bares, cafés e confeitarias históricas de Buenos Aires

by Cyntia Campos
Allan Patrick

Para Juliana ler...

Confeitaria Las Violetas, inaugurada em 1884, patrimônio de Buenos Aires O que preserva a memória e o patrimônio de uma cidade não é formol, é o uso cotidiano, a integração à vida real. E Buenos Aires tem a encantadora teimosia de manter vivos seus bares, cafés e confeitarias históricos. Um charme a mais da cidade. Os bares, cafés e confeitarias históricas de Buenos Aires representam muito
28 Jul 08:57

Resposta do PSOL a Lula é um primor de hipocrisia

by eduguim

erundina temer

 

As “respostas” do PSOL (oficialmente) e de alguns de seus expoentes (extra-oficialmente) à crítica política feita por Lula a esse partido durante entrevista ao jornalista José Trajano há alguns dias, rebaixaram o nível da discussão e merecem uma tréplica para que partido e expoentes reflitam quanto suas críticas ao ex-presidente e ao PT são hipócritas.

Comecemos pela resposta oficial do PSOL, publicada em sua página no Facebook sob o título “13 #frescuras do PSOL”.

psol 1

 

Uau! Foi na veia? Talvez dos hipócritas, porque das pessoas que têm memória, nem tanto. Já no primeiro dos 13 itens com os quais o PSOL pretendeu responder a Lula, uma baixaria hipócrita – ou uma hipocrisia baixa.

Lula está sendo acusado pelo PSOL de receber propina da Odebrecht. Muito engraçado, porque a ex-candidata a presidente pelo partido Luciana Genro também foi acusada de receber recursos ilegais da empreiteira.

Segundo matéria do jornal Valor Econômico publicada em abril deste ano, Pedro Novis, ex-presidente do grupo Odebrecht, em depoimento ao Ministério Público acusou Luciana Genro de ter recebido doações para sua campanha eleitoral a presidente, em 2014, via caixa 2.

Abaixo, o trecho literal da declaração de Novis:

psol 2

Luciana diz que é mentira, assim como Lula também diz que a acusação do PSOL a ele de que recebeu propina da Odebrecht também é mentira. Até aí, morreu o Neves – e não é o Aécio, para desgosto de alguns. Mas por que o PSOL endossa a acusação da Odebrechet a Lula, mas não à sua ex-candidata a presidente?

Luciana Genro diz que recebeu recursos da empreiteira para sua ONG, mas que tudo era lícito. E apresentou uma suposta troca de e-mails com funcionário da empreiteira Alexandrino Alencar em que este pediu que ela intercedesse pela empreiteira junto ao seu pai, Tarso Genro (PT), então governador do Rio Grande do Sul. Em sua suposta resposta, ela diz que não poderia fazer isso e que, sendo assim, então seria melhor não haver nenhuma doação à sua ONG.

psol 3

psol 4

 

psol 5

 

Até hoje o PSOL ou Luciana Genro não apresentaram a comprovação dos e-mails, mas não duvido que sejam legítimos. Só não entendo por que a tão rigorosa Luciana não denunciou publicamente a tentativa de suborno.

Aliás, afinal a Odebrecht é boa ou ruim? Serve para financiar ONGs? Não é uma organização criminosa? E, antes que me esqueça, quanto foi que a empreiteira deu à ONG de Luciana? O dinheiro foi gasto só na ONG, ou vamos ser rigorosos como o PSOL e pedir comprovações várias?

Mas não é só.

A ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina divulgou uma nota em que diz que Lula deveria dirigir seus ataques a “parceiros de direita que o traíram”.

psol 6

 

É mesmo, “prefeita”? Quer dizer que não se deve fazer alianças com “parceiros de direita” como Michel Temer, do PMDB, por exemplo? Então por que, em 2004, a senhora fez aliança com o PMDB como candidata a prefeita de São Paulo pelo PSB, tendo ninguém mais, ninguém menos que Michel Temer como candidato a vice?

psol 7

 

Mas ainda não é só.

Em resposta a Lula, Erundina afirmou que ele “esqueceu a experiência do governo do PT na Prefeitura de São Paulo” quando ela governou a cidade pelo partido. “Ali, ‘entramos na água e nadamos’ (…). Governamos a cidade com minoria na Câmara Municipal, isso porque para conseguirmos maioria teríamos que transigir eticamente”, criticou a deputada.

Erundina deve ter se esquecido do desastre que foi sua administração. Não por falta de competência de sua parte, mas porque, devido a estar em minoria no legislativo não conseguiu fazer quase nada além de alguns programas sociais.

Sua tentativa de mudança nas regras da cobrança do IPTU foi duramente rechaçada pela Câmara dos Vereadores (de maioria oposicionista). Ela passou quatro anos sem conseguir fazer praticamente nada e, ao fim, entregou o governo da capital paulista a Paulo Maluf, que deixou a cidade falida e ainda fez seu sucessor, Celso Pitta, que acabou de quebrar o que estava quebrado.

Se tivesse tido um pouco de bom senso, o pior da direita não teria quebrado São Paulo de forma tão arrasadora que, em 2000, a cidade elegeu outra petista para consertar o desastre deixado por OITO ANOS de administrações de direita que arrasaram a capital.

Por fim, chegamos ao deputado federal pelo PSOL fluminense Chico Alencar. Fiquemos apenas com a última vez em que ele foi notícia não pelo seu mandato, mas por postura política que vive criticando nos petistas: “pragmatismo”.

psol 8

Não tenho nada contra o PSOL a não ser suas frescuras. É um partido que tem muita gente boa, incluindo Erundina, Chico Alencar, Jean Wyllys… Mas as frescuras psolistas são demais porque não são exatamente “frescuras”. Muitas vezes beiram à hipocrisia, como este post provou cabalmente.

Abaixo, vídeo em que explico melhor os pontos de vista supra elencados. Em seguida ao vídeo, um apelo do Blog aos seus leitores.

*

Esta página vem sofrendo ataques eletrônicos para tirá-la do ar e apagar seu conteúdo. Porém, como sempre, vou lutar pela liberdade de expressão reforçando o site Blog da Cidadania.

Para fazer um site mais moderno e robusto para enfrentar essa ditadura asquerosa que se abateu sobre o Brasil, exorto os amigos e amigas de tantos anos – alguns, mais de 12 anos – a colaborarem com o crowfunding que estou lançando para criar o novo Blog da Cidadania e contratar serviços de proteção e estratégia de marketing.

PARA COLABORAR COM A CAPANHA E DOAR POR CARTÃO DE CRÉDITO OU BOLETO BANCÁRIO, CLIQUE AQUI. SE QUISER DOAR DIRETO EM CONTA CORRENTE, MANDE EMAIL PARA edu.guim@uol.com.br

 

26 Jul 18:18

Caso que eletriza Mato Grosso envolve cunhado de Blairo Maggi, que mandou matar juiz

by Luiz Carlos Azenha
Allan Patrick

Lembrando que foi de uma das fazendas de Maggi que partiu um avião com 500kg de cocaína.

CASO LEOPOLDINO

PF prende Josino Guimarães e delegado Márcio Pieroni

24HorasNews, 13.06.2017, sugerido por Maria Fernanda Arruda

O empresário Josino Guimarães, seu irmão Clóves Guimarães e o delegado ex-titular da Delegacia de Homicídio de Proteção à Pessoa (DHPP), Márcio Pieroni foram presos na manhã desta terça-feira pela Polícia Federal.

Eles são acusados de terem armado uma farsa para livrar Josino da acusação de ter manado matar o juiz Leopoldino Marques do Amaral, em 1999.

A prisão do trio foi decretada pelo juiz Paulo Sodré, da 7ª Vara Federal de Cuiabá. Outros dois réus, o agente prisional Gardel Lima e o detento Abadia Proença, estão com mandados de prisão expedidos.

O empresário Josino Guimarães, casado com uma irmã do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, foi preso em Rondonópolis.

Os outros foram encontrados em Cuiabá. Segundo a Polícia Federal todos estão sendo ouvidos em depoimentos e em seguida irão realizar exame no Instituto Médico Legal e depois serão transferidos para o Centro de Custódia de Cuiabá.

O trio foi condenado por tentar levar a cabo uma farsa consistente na informação de que o juiz Leopoldino Amaral estaria vivo e morando na Bolívia, no intuito de favorecer o empresário Josino Guimarães.

Porém o corpo do juiz foi encontrado no Paraguai, em sete de setembro de 1999, parcialmente carbonizado, em uma vala ao lado de uma estrada de terra batida que liga as cidades de Loreto e Concepción, atingido na cabeça por dois disparos de arma de fogo.

A suspeita é de que a morte tenha sido encomendada em razão das denúncias feitas por ele sobre um esquema de venda de sentenças que vinha sendo realizada em Mato Grosso.

A decisão do juiz foi motivada pelo fato de a condenação dos três ter sido confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF 1).

O Ministério Público Federal, autor dos pedidos de prisão, acusa os envolvidos de protagonizar uma farsa na tentativa de levantar suspeitas sobre a morte do juiz Leopoldino Marques do Amaral, cujo corpo foi encontrado carbonizado em 1999, no Paraguai.

O MPF também denunciou os envolvidos na suposta farsa pelos crimes de formação de quadrilha armada, denunciação caluniosa, falsidade ideológica, fraude processual, interceptação telefônica para fins não-autorizados em lei, quebra de sigilo funcional e violação de sepultura. Segundo as investigações, o grupo montou uma farsa para “provar” que Leopoldino ainda estaria vivo, livrando Josino, que deve ir a júri popular pelo crime.

Relembre o caso

O assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral é um dos crimes de maior repercussão na história de Mato Grosso. Seu corpo foi localizado no dia 7 de setembro de 1999 em Concepción, no Paraguai. Estava carbonizado e com várias perfurações de bala.

De acordo com a ação, o crime teria sido motivado pelas denúncias do magistrado sobre um esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, do qual Josino Guimarães faria parte.

Leopoldino afirmava que estava sofrendo ameaças de morte e, menos de um mês após as denúncias, foi encontrado morto em Concépcion, no Paraguai, próximo à fronteira com o Brasil. O caso nunca foi totalmente esclarecido.

O magistrado denunciou à CPI do Judiciário, em 1999, a distribuição de verbas para desembargadores, a contratação ilegal de parentes e a suposta existência de um esquema de vendas de sentenças na Justiça Estadual.

As investigações da Polícia Federal levaram à prisão, na época, da ex-escrevente Beatriz Árias Paniágua, como coautora do crime; do tio dela, Marcos Peralta, como autor do assassinato; e de Josino Guimarães, como mandante.

Beatriz Árias foi condenada a 12 anos de prisão em 2001. Depois de cumprir dois terços da pena, ela conseguiu o livramento condicional e deixou o Presídio Feminino Ana Maria do Couto.

Marcos Peralta, tio da ex-escrevente, foi preso em Assunção, capital do Paraguai, no fim de setembro de 2001. Ele foi apontado como o autor do assassinato.

Peralta morreu no dia 1º de março de 2005, enquanto estava preso, por complicações causadas por diabetes.

Leia também:

Prefeito de Ipatinga deixa servidores aposentados à mingua

O post Caso que eletriza Mato Grosso envolve cunhado de Blairo Maggi, que mandou matar juiz apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

26 Jul 17:59

MST continua a avançar sobre terras de corruptos: Eike Batista e Eduardo Alves

by Luiz Carlos Azenha

MST ocupa terras de Henrique Eduardo Alves e Eike Batista

Movimento continua Jornada por Reforma Agrária com ocupações de latifúndios e órgãos públicos em doze estados em todas as regiões do país

do MST, com Redação

A Jornada do Movimento Sem Terra exigindo reforma agrária nas terras dos corruptos continua nesta quarta-feira (26) com mais mobilizações e ocupações de latifúndios.

Nesta madrugada o Movimento ocupou uma área no Rio Grande do Norte ligada a Henrique Eduardo Alves, corrupto atualmente preso, e um complexo de fazendas com 700 hectares em Minas Gerais, de propriedade do empresário preso por corrupção Eike Batista.

No Rio Grande do Norte, a construção dessa obra tem impactado diretamente a região, reconcentrando de forma autoritária e ilegal as comunidades rurais e as áreas de assentamentos, sem indenização justa, expulsando as famílias do campo para viverem nas periferias das cidades, em detrimento da instalação das empresas do agronegócio.

O MST cobra a realização de um Programa de

Reforma Agrária Popular.

Desde a última terça-feira (25), o MST se mobiliza ocupando as terras ligadas a Michel Temer (em São Paulo), Blairo Maggi (no Mato Grosso), Ricardo Teixeira (no Rio de Janeiro), Ciro Nogueira (no Piauí), todos envolvidos em casos de punição.

“Essas terras obtidas ou envolvidas nos esquemas de corrupção precisam ser confiscadas e destinadas a famílias Sem Terra, para que elas tenham trabalho e produzam alimentos pro campo e pra cidade”, declara Gilmar Mauro, da direção do MST.

Outros dois latifúndios foram ocupados também nos estados do Mato Grosso do Sul e Paraná.

Além das ocupações de terras, o MST ocupou nesta quarta-feira o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Maranhão e em Pernambuco.

O órgão havia sido ocupado ontem também em Sergipe e na Bahia.

Ainda no Maranhão, o Movimento realizou na terça-feira uma manifestação bloqueando a entrada da Base Militar de Alcântara, contra sua entrega para os Estados Unidos.

Mais informações sobre as ocupações desta quarta-feira:

MST ocupa perímetro irrigado articulado pelo golpista Henrique Eduardo Alves, comparsa de Cunha e atualmente preso por corrupção

Na noite do dia 25 de julho, dia do agricultor e da agricultora, em Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, com o lema “Corruptos, devolvam nossas terras”, MST ocupa o Projeto do Perímetro Irrigado Santa Cruz de Apodi, articulado pelo golpista Henrique Eduardo Alves (PMDB), que se encontra atualmente preso por corrupção.

O Perímetro Irrigado é conhecido como “Projeto da Morte” e está localizado na Chapada do Apodi do Rio Grande do Norte, palco de conflito e resistência camponesa contra o processo de instalação do agronegócio na região desde 2012.

Esse projeto é resultado de uma articulação, do então Ministro da Integração Nacional, Henrique Alves (PMDB), junto à bancada ruralista, e as multinacionais do agronegócio, braços do golpe jurídico-midiático-parlamentar-empresarial de 2016, que levou o presidente Michel Temer (PMDB) à presidência e à imposição de uma agenda de retrocessos à classe trabalhadora brasileira e à reforma agrária.

O MST faz parte processo de resistência desde 2012 e nessa jornada ocupou o coração da obra, com o objetivo de pressionar e exigir que as áreas desapropriadas pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DENOCS) para construção do Perímetro Irrigado não se destinem às empresas do agronegócio.

“Exigimos que as terras desapropriadas sejam destinadas para a construção de um grande Projeto de Reforma Agrária Popular, que democratize a terra e água, avance na construção de um modelo de agricultura camponesa e familiar, que produza alimentos saudáveis para o campo e a cidade”, afirma a Direção Estadual do MST do Rio Grande do Norte.

A Chapada do Apodi é referência nacional na construção da transição agroecológica, com a produção e cooperação das famílias agricultoras assentadas, nos quase trinta assentamentos da reforma agrária e nas comunidades rurais, tendo um dos maiores índices de desenvolvimento humano do estado do Rio Grande do Norte.

A construção dessa obra tem impactado diretamente a região, reconcentrando de forma autoritária e ilegal as comunidades rurais e as áreas de assentamentos, sem indenização justa, expulsando as famílias do campo para viverem nas periferias das cidades.
 
Perímetro Irrigado

Os projetos de Perímetros Irrigados fazem parte dos “grandes projetos”, que foram elaborados pela Ditadura Militar em aliança com os fazendeiros e as empresas do agronegócio, que desde os anos 70, sob os mito do “desenvolvimento” e do “combate à seca”, se instalaram no Nordeste brasileiro.

A retomada desses projetos nos últimos anos tem sido conduzida com os mesmos métodos da ditadura militar e faz parte da opção política e aposta do Estado brasileiro de criar toda infraestrutura para o desenvolvimento do agronegócio como estratégia de desenvolvimento e modelo de agricultura brasileira.

De acordo com os vários estudos de impacto ambiental, o Perímetro Irrigado Santa Cruz de Apodi,não tem nenhuma viabilidade técnica, pois a água existente só viabilizaria o projeto por cinco anos; social, haja vista expropriar as famílias que já vivem na região, representando o que se têm chamado de “reforma agrária ao contrário”; não tem viabilidade ambiental, por adotar um modelo de agricultura baseado, necessariamente, no uso intensivo de agrotóxico; bem como econômica, desarticulando as cadeias produtivas da agricultura, responsável pelo desenvolvimento social da região.

Por Reforma Agrária nas terras dos corruptos, MST ocupa mais uma área de Eike Batista

A fazenda está devastada pela degradação ambiental. As atividades da MMX podem resultar numa crise do abastecimento de água da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou na madrugada do dia 26 de julho de 2017, com 200 famílias, o complexo de fazendas com cerca de 700 (setecentos) hectares, em São Joaquim de Bicas, próximo à comunidade Nazaré, região Metropolitana de BH.

As terras fazem parte da empresa falida MMX, de Eike Batista. A ocupação integra a Jornada Nacional de Lutas “Corruptos Devolvam Nossas Terras”.

As terras ocupadas encontram-se abandonadas, depois de terem sofrido crimes ambientais devido à exploração mineral desordenada.

O MST reivindica aos órgãos ambientais responsáveis a notificação e fiscalização, visto que as violações cometidas nesta área fazem parte de uma lista extensa de crimes de Eike Batista.

Desde 8 de março deste ano, 600 famílias ocupam a fazenda Santa Terezinha, no município de Itatiaiuçu, do mesmo empresário.

O acampamento Maria da Conceição – 8 de março, em Itatiaiuçu, segue resistindo à ameaça de despejo.

Eike Batista possui aproximadamente 10 mil hectares de terra na região metropolitana de Belo Horizonte.

Preso, acusado de corrupção, ele responde ao processo em prisão domiciliar, dentro de sua mansão.

Enquanto isso, os trabalhadores brasileiros continuam sofrendo com o desemprego, a falta de moradia e de acesso à terra.

Por isso, além da reivindicação das terras dos corruptos, o MST exige “FORA TEMER, NENHUM DIREITO A MENOS e DIRETAS JÁ!”

Leia também:

Meirelles embolsou R$ 217 milhões em um só ano — e manteve parte do dinheiro no Exterior

O post MST continua a avançar sobre terras de corruptos: Eike Batista e Eduardo Alves apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

25 Jul 14:33

Ódio a Lula, por Wilson Gomes

by Daniel Samam
Publicado no perfil do autor no Facebook.


Em 1978 e 1980 você odiava Lula porque ele era baderneiro, grevista e provocador da Ordem Constituída.

Em 1989 você odiava Lula porque era um sapo barbudo, comunista e vagabundo.

Em 1994 você odiava Lula porque era um torneiro mecânico achando que merecia ser presidente mais do que o professor da Sorbonne que com ele concorria.

Em 1998 você odiava Lula porque era um urubu agourento contra o Plano Real e o Brasil que dá certo.

Em 2002 você odiava Lula porque ele "tinha mudado muito" e porque, com ele, a inflação iria voltar.

Em 2006 você odiava Lula porque era um analfabeto, apedeuta e cachaceiro que recebia um monte de títulos de doutorado honoris causae de Universidades cujo nome você nem sequer conseguia pronunciar.

Em 2010 você odiava Lula porque ele havia hipnotizado multidões de desdentados, nordestinos e habitantes de grotões (desculpe a redundância) ao ponto de conseguir eleger um poste para o seu lugar.

Em 2014 você odiava Lula porque ele era uma enganação, uma farsa, ainda aclamado e respeitado no Brasil e no mundo, enquanto você tinha certeza de que ele não valia nada.

Em 2017 você odeia o Lula porque ele é corrupto, chefe de quadrilha, além de baderneiro, comunista, analfabeto, enganador e falso.

Meu amigo, há mais de 40 anos o ódio que você professa a Lula se mantém idêntico. A única coisa que mudou, nesses anos todos, foram os argumentos que se usou para a autorização social do ódio. Bem sei que alguém poderá alegar que é mais jovem, que começou a odiar Lula mesmo apenas em 1998 ou em 2010, que um dia chegou até a gostar dele. Mas, meu amigo, se você entrou no vagão na 1ª estação ou na 8ª não faz a menor diferença em se tratando do mesmo trem. Você pode ser ser novo, mas este ódio que você professa é muito velho, vem de longe e vem dos mesmos.

O desprezo a Lula é uma velha e consolidada tradição de certos grupos brasileiros e, se você tiver o cuidado de examinar que gente é esta que cultiva com esmero ódio tão arraigado, talvez você não vá se sentir muito comportável com a companhia que lhe cerca. Não, não creio nem digo que Lula é um coitadinho perseguido, inocente, pela elite. O que digo é que o rancor contra Lula, nunca, nunquinha mesmo, precisou realmente de razão ou motivo: um bom pretexto sempre lhe foi o bastante. Meu amigo, eu acompanho há muito este ódio arcaico e sei bem qual é a fonte sombria de onde ele brota.


Wilson Gomes é professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
25 Jul 14:11

MST ocupa terras de Temer, Blairo Maggi e Ricardo Teixeira

by Luiz Carlos Azenha

Integrantes do MST dentro de propriedade do ministro Blairo Maggi, em Mato Grosso

MST: Corruptos, devolvam nossas terras!

Ocupando as terras de Temer, Blairo Maggi e Ricardo Teixeira, Jornada de lutas exige Reforma Agrária e denuncia os corruptos ruralistas que sustentam o governo


Do MST

Milhares de trabalhadores rurais ocupam, em todo país, fazendas ligadas a processos de corrupção ou a corruptos, onde exigem a destinação das terras para assentamento de famílias Sem Terra.

O MST também coloca a saída dos golpistas instalados no Planalto e a convocação de eleições diretas como condição para a retomada da Reforma Agrária.

Desde a manhã desta terça-feira (25), Dia do Trabalhador Rural, estão ocupadas as fazendas do ministro Blairo Maggi, no Mato Grosso, do presidente golpista Michel Temer (em nome de seu laranja Coronel Lima), em Duartina-SP, e do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, em Piraí, Sul Fluminense.

Outras ocupações ocorrem no Sul e no Nordeste.

Os latifundiários que possuem estas áreas são acusados, no cumprimento de função pública, de atos de corrupção, como lavagem de dinheiro, favorecimento ilícito, estelionato e outros.

O MST também se posiciona pelo afastamento imediato de Michel Temer da Presidência, primeiro presidente na História acusado formalmente de corrupção pela Procuradoria Geral da República (PGR), bem como a convocação de eleições diretas para a escolha do próximo a ocupar a cadeira tirada de Dilma.

É nítida a relação das grandes empresas do agronegócio com os esquemas de propinas, compra de parlamentares, lavagens de dinheiro e até envolvimento com o tráfico de drogas.

O último caso, em que um avião cheio de cocaína foi identificado decolando da propriedade do próprio ministro da agricultura, o Rei da Soja Blairo Maggi, escancara as relações promíscuas empreendidas pelo agronegócio.

Para reposicionar a pauta da luta pela terra e pela Reforma Agrária na agenda nacional e para influenciar na conjuntura geral pelo “Fora Temer”, o MST realiza a partir do dia 25 a Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária.

Manifestações acontecem no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão.

MST ocupa fazenda do “amigo” de Temer

A fazenda do Coronel Lima, parceiro de longa data do presidente golpista Michel Temer, segundo declarações do mesmo, foi ocupada na madrugada desta terça-feira, 24 (dia dos Trabalhadores Rurais), por 800 integrantes do MST.

A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas com o tema “Corruptos, devolvam nossas terras!”

O movimento exige que a área seja destinada à reforma agrária.

As terras, que levam o nome da antiga estação ferroviária, chamada Esmeralda, localizam-se em Duartina, no interior de São Paulo e somam 1500 hectares.

Oficialmente estão registradas como sede da empresa Argeplan (Arquitetura e Engenharia Ltda.), no entanto moradores locais a identificam como “a fazenda do Temer” e afirmam que grande parte da área foi grilada.

Esta é a segunda vez que o movimento ocupa a Fazenda Esmeralda. Na primeira ocupação foram encontradas cartas endereçadas a Temer e materiais de sua campanha à deputado federal de 2006.

“Somos herdeiros de uma história da oligarquia corrupta que adquiriu terras assassinando indígenas, escravizando e cometendo atrocidades no processo de formação da sociedade brasileira. Estamos aqui para cobrar o que é nosso por direitos. Todas as terras de corruptos devem ser devolvidas ao povo”, reivindicou Mercedes Zuliane, dirigente nacional do MST.

A obscura relação entre MT e a “laranja Lima”

Temer e João Batista Lima Filho, o Coronel Lima, se conheceram nos anos 80, quando o peemedebista ocupava a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e Lima trabalhava na Assistência Militar da pasta.

Nos anos 90 Coronel Lima e a Argeplan contribuíram para as campanhas de Temer. Já em 94 a empresa doou a Temer ao menos 500 mil reais em valores atualizados. “O crescimento econômico e político deles aconteceu simultaneamente, isso só mostra uma parceira que vai muito além de amizade”, afirma a dirigente.

De acordo com diversas denúncias o coronel ajudou Temer a construir sua carreira política e seu patrimônio com base em propinas e extorsões.

A primeira ligação aparece no caso do porto de Santos, denunciado por Erika Santos, então esposa de Marcelo de Azeredo. Na ocasião ela entregou à justiça documentos em que constavam a divisão da propina em 25% para Azeredo, 25% para Lima e 50% para Temer. O processo foi arquivado em segredo de Justiça na secretaria da 6ª Vara Criminal Federal.

Em seguida, a tentativa de delação premiada de José Antonio Sobrinho, dono da Engevixm, revelou que a indicação do presidente da Eletronuclear, almirante Othon Pinheiro, acusado de receber propinas em contratos da empresa, foi feita por Michel Temer. O golpista teria cobrado R$ 1 milhão por contratos da empresa junto à Eletronuclear, pagos ao coronel Lima.

O caso que envolve o dono da Engevix e a Eletronuclear foi desmembrado pelo STF. Ficou fora da Lava Jato.

O contador Florisvaldo Caetano de Oliveira, apontado como responsável pelas entregas de dinheiro a políticos do grupo da J&F, relatou ao menos dois encontros com o “amigo” de Temer.

De acordo com a delação, no segundo encontro Oliveira entregou R$ 1 milhão em espécie para Lima. O mesmo fato aparece na delação do diretor de relações Institucionais da J&F, Ricardo Saud.

Já na Fazenda Esmeralda, o prefeito Enio Simão, do PSDB, lembra que participou de um evento com Temer na propriedade, na campanha eleitoral de 2010. O peemedebista chegou de helicóptero.

Por reforma agrária

O MST aponta a retomada das políticas de reforma agrária, inclusive nas terras de políticos da estirpe de Michel Temer e coronel Lima, como uma das alternativas para geração de emprego, renda e produção de alimentos saudáveis. E defende a revogação de todas as medidas que retiram direitos dos trabalhadores.

“O objetivo desta jornada é denunciar o achaque à constituição brasileira, promovido pelo governo golpista de Michel Temer, tanto com as medidas provisórias absurdas que vem destruindo os direitos dos brasileiros, como com suas práticas corruptas escancaradas, junto a seus aliados”, esclarece Zuliane.

Desde o golpe, a bancada ruralista tem sido premiada com medidas como a MP 759, que prevê a entrega de títulos aos assentados, institucionalizando a venda destes e regularizando terras griladas na Amazônia. Além da alteração da Lei 5.079|71, que visa flexibilizar a compra de terras por estrangeiros e empresas transnacionais.

O cenário político também abre espaço para a retomada brutal da violência no campo. Segundo o Caderno de Conflitos no Campo, lançado neste ano pela CPT, 2016 contabilizou o maior número de assassinatos em conflitos de terra desde 2003. Foram 61 mortes no ano passado. Em 2017, já se contabilizam mais de 40 assassinatos.

Para Mercedes Zuliane esta é uma das características mais brutais do golpe. “A invisibilidade da realidade no campo e o estado exceção promovido por estas elites políticas espúrias garante a liberdade para o antigo latifúndio e o agronegócio atuarem expondo sua face mais cruel, matando a população rural e aqueles que lutam por ela, com requintes de tortura”, denuncia.

Ela também convida a população urbana a reagir. “Todos os trabalhadores e trabalhadoras estão sendo massacrados, de uma forma ou de outra. É o momento de nos unirmos e com apoio mútuo retomar a democracia, num processo de luta de todo povo brasileiro pela verdadeira justiça”.

Leia também:

Brasil perdoou 31 vezes a dívida de empresários em 17 anos!

O post MST ocupa terras de Temer, Blairo Maggi e Ricardo Teixeira apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

25 Jul 14:05

Ao ocupar terras de ex-presidentre da CBF, MST denuncia promiscuidade de Teixeira com a Globo

by Luiz Carlos Azenha

Integrantes do MST nas terras de Teixeira em Piraí

MST ocupa fazenda de Ricardo Teixeira e denuncia promiscuidade e corrupção que atinge até a Globo

Na região Sul do Estado do Rio de Janeiro, Teixeira mantém latifúndios, que são reivindicados pelos trabalhadores como punição aos corruptos

Do MST, com edição do Viomundo

Como parte da Jornada Nacional do MST em defesa da Reforma Agrária e pautando a aquisição das terras dos corruptos, mais de 300 famílias ocuparam a fazenda Santa Rosa do ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, notório denunciado e indiciado em casos de corrupção.

O latifúndio fica localizado no município de Piraí, região Sul Fluminense, e concentra mais de 1500 hectares.

A máfia no futebol brasileiro é produto de exportação. Ricardo Teixeira não só desencadeou todo um sistema de estelionato sobre o futebol e lavagem de dinheiro no Brasil, segundo estimam procuradores do Ministério Público Federal, como sua expertise em corrupção no futebol é pauta do FBI e da polícia espanhola.

Muita desta lavagem de dinheiro passa pela aquisição e valorização especulativa de grandes extensões de terras. Na ocupação os trabalhadores também denunciam que a Rede Globo tem contas a prestar nas relações com a CBF e FIFA, comandadas por Teixeira e seu sogro João Havelange, já que foram anos usufruindo diretamente de lucros do futebol com a compra exclusiva de direitos de transmissão.

A Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária apresenta para sociedade a proposta: “Corruptos, devolvam nossas terras!”

Milhares de trabalhadores rurais ocupam, em todo país, fazendas ligadas a processos de corrupção ou a corruptos, onde exigem a destinação das terras para assentamento de famílias Sem Terra.

O MST também exige a saída dos golpistas instalados no Planalto e a convocação de eleições diretas como condição para a retomada da Reforma Agrária.

Fazenda do ministro Blairo Maggi

Como parte da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, cerca de 1000 famílias de todos os estados da região centro-oeste e Distrito Federal ocuparam nesta madrugada (25) a fazenda do ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), localizada em Rondonópolis, a 210 quilômetros da capital Cuiabá.

Conhecido como “Rei da Soja”, o senador Maggi é dono de um grande império econômico, o grupo Amaggi, e envolvido num conjunto de denúncias, como o de legislar em causa própria e para o fortalecimento das empresas de agronegócio.

No ano de 2006 o Greenpeace lhe concedeu o prêmio Motosserra do Ano, por elevados danos ao meio ambiente.

Blairo também está envolvido em eventos ainda não totalmente esclarecidos, como a interceptação pela Força Área Brasileira (FAB) de uma avião que transportava 500 quilos de cocaína. Segundo a FAB, a aeronave decolou da Fazenda Itamarati Norte, localizada no município de Campo Novo do Pareceis (MT). A fazenda pertence ao grupo Maggi.

Jornada Nacional de Lutas

Para reposicionar a pauta da luta pela terra e pela reforma agrária e denunciar a retirada de direitos pelo governo de Michel Temer (PMDB), o MST realiza a partir do dia 25, em alusão ao Dia do Trabalhador Rural — comemorado na mesma data — a Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária.

“Estamos mobilizados para denunciar e lutar contra esse governo Temer, que junto com a bancada ruralista está loteando o Brasil para os estrangeiros e desmontando a reforma agrária, privatizando os lotes e legalizando a grilagem de terra. Grilagem é crime e eles querem legalizar o crime”, denuncia o membro da coordenação nacional do MST, Alexandre Conceição.

O dirigente faz referência ao conjunto de ações articuladas entre Executivo e Legislativo para favorecimento de setor do agronegócio.

Parte da bancada majoritária no Congresso Nacional, com mais de 250 parlamentares, e um dos pilares de sustentação do governo Temer, expoentes deste setor vinculados à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) foram os artífices da aprovação de projetos como a Medida Provisória 759 e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que atacou o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Fundação Nacional do Índio (Funai) pela destinação de terras à reforma agrária e a demarcação de terras indígenas e de remanescentes de quilombos.

As duas medidas visam criminalizar movimentos de luta pela terra e garantir ganhos ao grande capital atuante nas terras brasileiras, por meio do grilagem e da anistia às dividas de grandes proprietários. Podem amplificar um clima de convulsão social no campo.

“Estamos lutando pela desapropriação de terras para assentar as mais de 130 mil famílias e nela produzir alimento saudável na agroecologia e gerar empregos no campo”, complementa o dirigente.

Nota da região Centro-oeste

No estado do Mato Grosso famílias de diversas regiões ocuparam um grande latifúndio na região sul do estado.

A área é um dos latifúndios do Grupo Amaggi (SM 02) e está localizada às margens da BR 163, cerca de 25 quilômetros da cidade de Rondonópolis, sentido Campo Grande, próximo do terminal da ferrovia Norte Sul.

A luta por Reforma Agrária está intimamente vinculada, neste contexto, à luta pelo restabelecimento da Democracia, golpeada por uma conspiração realizada também nas sedes de ricas fazendas.

A partir do Golpe midiático-parlamentar-judicial-financeiro, as forças conservadoras tomaram o país, estourando sobre o elo frágil do camponês. Os assassinatos no campo saltaram para 68 vítimas somente em 2017, incluindo 13 jovens, 6 mulheres, 13 indígenas e 4 quilombolas.

Além das ocupações de fazendas para cobrar sua destinação para a Reforma Agrária, o MST se coloca em vigília pela Democracia até o dia 2/08, quando será julgada pela Câmara de Deputados a denúncia de corrupção contra o golpista Temer.

O complexo Amaggi está comemorando quarenta anos de atuação em Mato Grosso.

Durante esse período tem deixado marcas profundas no desenvolvimento do campo mato-grossense, como a concentração da propriedade da terra, a destruição ambiental e a exploração de pequenos e médios produtores, obrigados a comercializar sua produção em função do financiamento e transporte concedidos pelo grupo.

A família Maggi, segundo a revista Forbes, ocupava em 2014 o sétimo lugar no ranking das famílias bilionárias do Brasil, com uma fortuna estimada em U$ 4,9 bilhões.

Quanto à origem desta fortuna, há várias possibilidades: apropriação indevida de recursos públicos, tendo em vista o forte poder econômico e político que o grupo Amaggi exerce na política local e nacional, bem como apropriação de terras públicas  — é a situação da fazenda Nossa Senhora Aparecida, no município de Jaciara.

Ainda necessita de esclarecimento mais consistentes sobre o avião apreendido com mais de meia toneladas de drogas, que segundo a FAB, decolou da fazenda Itamarati de propriedade do Ministro

O senador Blairo Maggi exerce a função de ministro da Agricultura do governo Temer para garantir as condições necessárias para o desenvolvimento das suas fazendas e do agronegócio.

Entre as principais ações se destacam apoio para autorizar a venda de mais veneno para usar na agropecuária e redução das áreas de preservação ambiental — como é o caso da Reserva do Jamanxim, no estado do Pará.

O ministro tem apoiado, através da bancada ruralista no Senado e da maioria da bancada federal do estado do Mato Grosso, as contrarreformas trabalhistas e previdenciária, provocando um retrocesso histórico nas condições de trabalho e previdenciárias da classe trabalhadora.

A proposta da contrarreforma previdenciária rural propõe aumentar o tempo de idade dos trabalhadores/as do campo em mais cinco anos para homens e mais dez anos para as mulheres se aposentarem.

Leia também:

Enquanto isso, governo Temer prepara trigésimo primeiro perdão a dívidas de empresários desde 2000

O post Ao ocupar terras de ex-presidentre da CBF, MST denuncia promiscuidade de Teixeira com a Globo apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

25 Jul 11:32

Procuradores acham pouco o que ganham (em SP, R$ 56 mil/mês) e querem aumento de 16%. E ladrão é o Lula

by Antonio Mello

Provavelmente para poderem pagar mais aulas de PowerPoint ou fazer como Dallagnol e comprar para especulação apartamentos do Minha Casa Minha Vida destinados à habitação popular, os procuradores estão querendo um aumento de 16% nos seus vencimentos:

A menos de dois meses de assumir o comando da Procuradoria-Geral da República (PGR), Raquel Dodge enfrentará amanhã seu primeiro constrangimento com os colegas desde que foi escolhida para o cargo. Integrante do Conselho Superior do Ministério Público, ela terá que se posicionar sobre um pedido de reajuste salarial de 16% para os procuradores.

O pleito foi encaminhado no dia 11 pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), entidade responsável pela lista tríplice que a cada dois anos indica o titular da PGR. Em um documento de 12 páginas, o presidente da ANPR, José Robalinho Cavalcanti, solicita que o aumento de salário seja incluído no orçamento de 2018 do Ministério Público da União. [Fonte: Valor]




Realmente, com a inflação próxima a zero, o país parado, 15 milhões de desempregados, os procuradores querem que a nova PGR (assumirá em setembro) coloque um ligeiro aumento de 16% (superior até ao aumento do lucro dos bancos no trimestre, quanta audácia!) em seus vencimentos.

Ganham mal os procuradores?

Não, como mostra o Brito no Tijolaço, a partir de uma tese de doutorado, a pesquisadora prova que, em média, os procuradores do MP-SP ganharam R$ 56 mil por mês em 2015, sem contar 13º e férias.

Fui atrás da tese de doutorado da jurista Luciana Zaffalon. Disponível aqui, encontrei um longo e meticuloso trabalho sobre os perfis carcerários e da administração da Justiça, que desemboca nas  relações entre o sistema judicial e os governos tucanos, uma completa simbiose.
Lá, há este gráfico dos vencimentos médios do Ministério Público – por falta de transparência, não há o mesmo detalhamento em relação aos juízes, mas certamente se assemelha – que é estarrecedor.
97% dos membros do MP paulista  ganham mais que o teto constitucional ( constitucional, Doutor, vem de Constituição, aquela “leizinha”). Para evitar dúvidas, transcrevo, literalmente, o texto da pesquisadora:
Verificamos que 1.860 das 1.920 matrículas que constituíram o universo da análise registraram rendimentos mensais médios acima do teto constitucional em vigor no ano de 2015, de R$ 33.763,00135.  Apenas 60 registros dos 1.920 não superaram esse valor (3,1%). O rendimento médio mensal dos membros da carreira do Ministério Público em 2015 foi de R$ 46.036,30, sem contabilizar 13º salário e férias.
Frise-se, sem contabilizar  13º salário e férias. E, mesmo sem poder detalhar os dados, o trabalho mostra que, pelos dados do Conselho Nacional de Justiça apontavam valor semelhante em relação aos juízes paulistas,  em relatório que indica o valor de R$ 45.906,00 o custo médio por magistrado, em 2015.
Luciana Zaffalon faz uma comparação para que se possa comparar quem ganha mais do que o teto constitucional: 0,08% da população do Brasil e 0,10% no Estado de São Paulo, segundo dados da Pesquisa Nacional por Análise Domiciliar (Pnad). [Fonte: Tijolaço]
É como digo no título: E ladrão é o Lula... Os caras se aproveitam de um golpe de estado, um presidente mais sujo do que pau de galinheiro, cercado por outros tantos tão ou mais sujos, e partem para sugar ainda mais dos cofres públicos.

Francamente, R$ 56 mil por mês para procuradores É ROUBO.

Ajude o Mello a tocar o blog. Faça uma assinatura. É seguro, rápido e fácil
Apenas R$ 10. Todos os cartões são aceitos. Você pode cancelar a assinatura a qualquer momento


24 Jul 19:57

CAS 414 | Forrobodó

by MdC Suingue and Kika Serra

dominguinhos | os nordestinos do ritmo | abdias | luiz gonzaga | carmélia alves | venâncio & corumbá | clemilda |jorge paulo & joci batista | gaspar andrade | edson duarte | matingueiros | sivuca | ary lobo | osvaldo oliveira & jacinto silva | joci batista |jackson do pandeiro & almira | noca do acordeon | zito borborema | zeca bareiro & forroçacana | rabecado | anastácia | zé gonzaga | marinês & sua gente | coronel narcizinho | ferrugem | jair alves | edson duarte

    






 

 

 FORROBODÓ This week the Caipirinha Appreciation Society podcast sought the assistance of experts: the classic forrós were ripped from the original LPs by Cacai Nunes, musician and deejay from Brasilia who travels the world with his "pé de serra" set. Enjoy the vibes of a traditional "festa julina". Originally broadcast on 14/June/2017 on Contrabanda FM    FORROBODÓ Essa semana, o podcast Caipirinha Appreciation Society buscou ajuda dos especialistas: os clássicos do forró foram ripados de seus LPs originais por Cacai Nunes, músico e deejay de Brasília que roda o mundo com seu set pé-de-serra. Curtam a vibe da mais tradicional festa julina! Transmitido originalmente em 14/junho/2017 na Contrabanda FM.   
24 Jul 19:54

8 medidas contra o povo que o PSDB apoia, mas dizia antes que era “terrorismo” do PT

by Cynara Menezes

Em época eleitoral, o PT sempre disse que, se os tucanos voltassem ao poder, destruiriam as conquistas sociais dos governos Lula e Dilma. E os marqueteiros e candidatos tucanos, apoiados pela mídia, diziam que era "terrorismo". Quem mentiu?

O post 8 medidas contra o povo que o PSDB apoia, mas dizia antes que era “terrorismo” do PT apareceu primeiro em Socialista Morena.

24 Jul 18:58

Filho e neto de ex-governador estão envolvidos em escândalo

by Carlos Santos

Jerônimo e Daniel, pai e filho na prisão (Foto: arquivo)

Um filho e um neto do ex-governador e ex-senador Geraldo Melo (PMDB) foram presos hoje no rastro da “Operação Cidade Luz”, desencadeada pelo Ministério Público do RN (MPRN). São acusados de integrarem quadrilha com atuação na Secretaria Municipal de Serviços Urbanos de Natal (SEMSUR) – veja AQUI.

Ex-secretário de Administração e Finanças e de Turismo, Esporte e Lazer no município de Ceará-Mirim e ex-diretor da Band Natal (emissora de televisão), Jerônimo da Câmara Ferreira de Melo deixou a Semsur em em abril. Estava no cargo desde janeiro deste ano, mas no curto espaço de tempo por lá, teria dado sequência ao esquema.

Dias antes, enfrentou denúncia na imprensa, de que protegia um cunhado - Dennis Fernandes Lisboa – na Semsur, com emprego em cargo inexistente no organograma da pasta. Ele também responde a processos por improbidade da época em que foi secretário em Ceará-mirim.

Já seu filho e neto de Geraldo Melo, Daniel Fernandes Ferreira de Melo, proprietário da empresa Pontual de Serviços de Sinalização, aparece intermediando negociatas com empresas favorecidas no esquema na Semsur, mesmo não tendo cargo algum no secretaria.

Ele foi candidato a vereador pelo PDT, em Ceará-mirim, em 2016. Obteve 915 votos e não foi eleito.

Leia também: Geraaaaaldo! AQUI.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.

24 Jul 14:45

Doria acha que as pessoas são obrigadas a doarem seus nomes em favor de sua gestão. Por Donato

by Mauro Donato

O prefeito João Doria afirmou que iria espalhar doze quadras de basquete pela cidade. Para causar impacto no anúncio, ele que é um homem de propaganda e sabe o peso que tem a chancela de nomes famosos que avalizem o ‘produto’, lançou Magic Paula como madrinha do programa.

Paula, ex-jogadora e campeã mundial de basquete, que faz parte do Conselho Gestor da Secretaria Municipal de Esportes, declarou em redes sociais que não havia sido informada de nada.

“Gostaria de esclarecer que não fui consultada previamente sobre o assunto e que em nenhum momento fiz parte da elaboração deste projeto. Minha colaboração em relação à cidade de São Paulo tem sido a minha participação no Conselho Gestor da Secretaria Municipal de Esportes. Entendo que minha participação no Conselho seja contribuir para os programas que desenvolvam a atividade física como promoção de saúde e qualidade de vida. A estas políticas públicas desejo sucesso mas reforço que sempre procurei participar previamente do planejamento das ações onde participei da execução ou da divulgação. Não seria diferente agora.”

Doria acredita ser o dono do mundo, pensa que tudo é dele e agora deu para achar que as pessoas também são obrigadas a doarem seus nomes em favor de sua gestão.

Tem feito isso reiteradas vezes.

Para dar credibilidade à higienizadora ação na Cracolândia, divulgou uma lista de médicos que estariam dando apoio e fariam a avaliação dos dependentes.

Nome de maior destaque, Drauzio Varella fez como Magic Paula e postou no Facebook: “Ao contrário do que estão afirmando, Dr. Drauzio nunca foi consultado nem nunca defendeu a internação compulsória indiscriminada como política de saúde pública”.

Depois, em vídeo, ainda reforçou: “Meu nome foi usado indevidamente nessa confusão da Prefeitura na Cracolândia. A minha posição é e sempre foi a seguinte: Eu sou a favor da internação compulsória daqueles usuários que estão em um estado de saúde tão precária, ou apresentam transtornos psiquiátricos tão graves, que ficam expostos a um risco grande de morte. Esses, e só esses, devem ser internados compulsoriamente. Quem tem que definir quais são os critérios são os médicos”, disse ele antes mesmo de a prefeitura enviar tratores para cima das pessoas na região.

Drauzio e os outros médicos procuraram o Conselho Regional para que seus nomes fossem retirados.

Quando iniciou sua guerra contra o grafite, Doria declarou que o muralista Kobra seria o coordenador de um programa específico para o tema dentro do seu projeto Cidade Linda. O grafiteiro desmentiu o prefeito, negou qualquer apoio, sendo ele mesmo um artista que começou com o ‘pixo’ e que, portanto, não concordava com as medidas de Doria.

João Doria acredita que por ser prefeito lhe autoriza a se comportar como proprietário da cidade. Ele agora está na China, ‘vendendo a cidade’ como já fez outras cinco vezes desde que assumiu a prefeitura. É sua sexta viagem internacional e ao final dela totalizará 32 dias fora do Brasil desde sua posse.

Quando confrontado, irritou-se e disse que ‘desestatizar é não abrir mais boquinha para petralhas que não gostam de trabalhar e adoram assaltar o dinheiro público’.

Sempre em busca de doações envoltas em muita névoa (vide a troca sugerida para viabilizar o Parque Augusta), Doria agora usa e abusa de nomes alheios para vender sua modernizadora gestão. Cercado de lambe-botas gananciosos, não contava com a rejeição de quem possui um nome a zelar.

O post Doria acha que as pessoas são obrigadas a doarem seus nomes em favor de sua gestão. Por Donato apareceu primeiro em Diário do Centro do Mundo.

24 Jul 13:17

A fake news da Ferrari dourada de Lulinha mostra que viramos um país de mentirosos patológicos. Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira

 

Lulinha é o personagem central das maiores fake news nacionais.

Ele já foi retratado como dono de avião, promotor de festas com prostitutas, proprietário de fazenda e da JBS, entre outros absurdos.

Fábio Luís Lula da Silva tentou recorrer à Justiça.

Em 2015, o prefeito de São Carlos, Paulo Altomani (PSDB-SP), foi acionado por causa de uma postagem no Facebook usando a história da Friboi para convocar manifestantes num protesto anti Dilma.

Um funcionário do Instituto Fernando Henrique Cardoso, Daniel Graziano, filho de Xico Graziano, foi convocado a depor num inquérito sobre a boataria da empresa dos irmãos Batista.

Nunca deu em nada.

A nova é que Lulinha é dono de uma Ferrari dourada. Um vídeo no YouTube mostra um sujeito embarcando no carro com um amigo numa cidade do estrangeiro.

Diversos sites replicaram exaustivamente a “notícia” de que aquele era Lulinha passeando no Uruguai.

Na verdade, é um milionário árabe saindo do Hotel de Paris em Monte Carlo, no principado de Mônaco, mas isso é o que menos importa.

O fenômeno da pós-verdade já foi bastante esmiuçado: fatos objetivos têm menos importância do que crenças pessoais.

O bando de energúmenos que espalha essa fábula grotesca sabe que a coisa não tem pé nem cabeça, mas a ideia não é ser honesto.

A ideia é enganar, iludir, matar a reputação do inimigo. Viramos uma nação de mentirosos compulsivos.

Temer e seus homens mentem, Alexandre de Moraes plagia, a imprensa inventa, juízes trapaceiam, idem para procuradores, delatores contam lorotas.

Não é surpresa, portanto, que a sociedade seja mentirosa.

O engano, a falsa representação sempre fizeram parte da condição humana.

Mentir pode ser um ato diplomático, divertido ou mesmo necessário para a sobrevivência. Nietzsche falava da “pia fraus”, a mentira piedosa.

O Brasil atingiu o ponto em que foi tomado por encantadores de cobras, manipuladores vagabundos e embusteiros patológicos que são celebrados.

Uma nação repleta de cidadãos de bem capazes de escrever isso nas redes sociais:

FILHO DO LULA COM UMA FERRARI DOURADA NO URUGUAI! E VOCÊ VAI FICAR PARADO? VAI DEIXAR ISSO ACONTECER NA SUA FRENTE? E NÃO VAI FAZER NADA? COMPARTILHE ESSE VÍDEO E VAMOS MOSTRAR AO BRASIL QUEM É O LULA E SUA FAMÍLIA!

Não éramos assim. Ou éramos e não sabíamos. O golpe elevou à categoria de arte aceitável o que era um desvio de caráter. 

O brasileiro médio, hoje, é um pulha.

O post A fake news da Ferrari dourada de Lulinha mostra que viramos um país de mentirosos patológicos. Por Kiko Nogueira apareceu primeiro em Diário do Centro do Mundo.

24 Jul 13:07

Mídia faz escândalo com 100 mortos em 3 meses na Venezuela. Rio tem mais que isso POR SEMANA

by Antonio Mello

O retrato pintado pela mídia corporativa brasileira e mundial é de que a violência campeia na Venezuela, onde já são 103 os mortos nos três meses em que a oposição decidiu que o governo Maduro deve cair - governo, é bom frisar, legitimamente eleito, em eleições livre e democráticas, monitoradas internacionalmente e reconhecidas pela própria oposição.

Já se fala até em intervenção militar naquele país, para retirar o petróleo da Venezuela ( a maior reserva, com óleo da melhor qualidade do mundo) das mãos do povo venezuelano e entregá-lo ao mercado.




Bom, 100 mortes em três meses nos conflitos deixam nossa mídia escandalizada. No entanto, aqui no Rio de Janeiro, essa é a média de mortos por semana. Os números, que você pode conferir no gráfico que ilustra a postagem, são do ISP, Instituto de Segurança Pública, órgão oficial do Estado.

São comparações entre os meses de janeiro e maio (até onde foram divulgados este ano), nos anos de 2016 e 2017. Como se vê, os mais de 100 por semana ocorrem pelo menos desde o ano passado.

Por que tanto escândalo com a Venezuela, se, lá, morreram 103 em três meses e aqui no Rio morrem 10 vezes mais, sendo que a Venezuela tem quase o dobro da população do Rio, 31 milhões contra 16 milhões?


Ajude o Mello a tocar o blog. Faça uma assinatura. É seguro, rápido e fácil


Apenas R$ 10. Todos os cartões são aceitos. Você pode cancelar a assinatura a qualquer momento


24 Jul 13:06

Parente está aniquilando a Petrobras, denuncia associação de engenheiros da empresa

by Conceição Lemes

Carta aberta à Sociedade Brasileira sobre a desintegração da Petrobrás

por Felipe Coutinho*

Alertamos à sociedade brasileira para os danos causados à Petrobrás e ao país pela direção da empresa.

Transformou lucros em prejuízos com a desvalorização de seus ativos, preparando o caminho para as privatizações e desintegração da companhia; interrompeu uma série histórica de 22 anos de reposição de reservas (aumento de reservas superior à produção); entregou o mercado de combustíveis aos concorrentes, por meio da política de preços, ao possibilitar o aumento das importações em 41% em um ano, onerando as contas do país e operando nossas refinarias a 77% da capacidade, contra 98% em 2013.

1. Investimentos e pré-sal

A província do pré-sal é a maior descoberta das últimas décadas e está entre as maiores da história.

Já foi produzido mais de 1 bilhão de barris e o pré-sal representa hoje quase 50% da produção diária nacional.

Os investimentos da Petrobrás de US$ 225 bilhões no Plano Estratégico e Plano de Negócios (2011-2015) foram elaborados com as premissas do barril de petróleo superior a 80 dólares, dólar a 1,73 reais e preços internos dos combustíveis alinhados com os internacionais.

O financiamento seria efetuado com a geração de receitas e complementado com recursos de terceiros (dívida).

No refino, os investimentos visavam atender ao crescimento de demanda do mercado interno, que poderia ter as importações líquidas de derivados crescendo de 5% em 2010 para 40% em 2020, onerando as contas externas do país.

O plano de investimentos foi estabelecido pelo governo federal, representante da União Federal, seu acionista controlador.

2. A dívida

Com a queda do preço do barril a menos da metade e a desvalorização do real frente ao dólar, a dívida aumentou significativamente. O endividamento consolidado passou de 181 bilhões de reais em 2012 para 436 bilhões em 2015.

O correto, e mais prudente, seria projetar o crescimento da produção de petróleo na medida da demanda interna, agregar valor com a produção de derivados, petroquímicos, fertilizantes etc.

Além de substituir importações para reduzir a necessidade de dólares

Além dos riscos assumidos, houve a subordinação da Petrobrás ao cartel dos empreiteiros, viabilizada pelos políticos traficantes de interesses e por executivos de aluguel.

Também relevante foi o prejuízo derivado da política de subsídios aos preços dos combustíveis, com perdas de 98 bilhões de reais aos cofres da companhia, entre 2011-2014, obrigada a importar diesel e gasolina no mercado externo e revendê-los internamente a valores inferiores aos adquiridos.

O Plano Estratégico e Plano de Negócios e Gestão vigente (PNG 2017-2021) prevê receita de 179 bilhões de dólares entre 2017 e 2021. Deste montante, 158 bilhões são resultado da geração operacional, após o pagamento dos dividendos. Outros 19,5 bilhões da venda de ativos e 2 bilhões do caixa.

Entre os usos, prevê 74 bilhões em investimentos, 73 bilhões em amortizações e 32 bilhões em despesas financeiras. Como resultado, o plano antecipa a redução da alavancagem (razão entre a dívida líquida e a geração de caixa após pagamento dos dividendos) de 4,5 para 2,5 de 2020 para 2018.

A Reuters Brasil publicou que, segundo o presidente da companhia, Pedro Parente, a empresa não vai parar de reduzir o indicador de alavancagem medido pela dívida líquida sobre o Ebitda após atingir a meta de 2,5 vezes, prevista para até o fim de 2018.

Ele reiterou acreditar que um nível de 1,5 vez seria mais apropriado para o indicador.

3. O pagamento da dívida sem privatizações

A Petrobrás não precisa vender ativos para reduzir seu nível de endividamento.

Ao contrário, na medida em que vende ativos ela reduz sua capacidade de pagamento da dívida no médio prazo e desestrutura sua cadeia produtiva, em prejuízo à geração futura de caixa, além de assumir riscos empresariais desnecessários.

A alienação de ativos é uma escolha política e empresarial, e revelamos que ela é desnecessária.

Em “Existe alternativa para reduzir a dívida da Petrobrás sem vender seus ativos”[1], apresentamos alternativa que preserva a integridade corporativa da Petrobrás e sua capacidade de investir, na medida do desenvolvimento nacional e em suporte a ele.

A redução da dívida pela simples apreciação do real é 37% maior do que a Petrobrás planeja arrecadar com as privatizações que nos próximos dois anos devem somar US$ 19,5 bilhões, por meio de crescentes parcerias na área de Exploração e Produção, além de Refino, Transporte, Logística, Distribuição e Comercialização.

Em entrevista coletiva com jornalistas, em 11.01.2017, o diretor financeiro, Ivan Monteiro, anunciou que a Petrobrás tinha recursos em caixa da ordem de US$ 22 bilhões, suficientes para honrar todos os compromissos, nos próximos 30 meses.

Ao afastar-se da Petrobrás, o ex-presidente Bendine já havia registrado a existência de saldo de caixa superior a R$ 100,00 bilhões ou US$ 27,00 bilhões ao câmbio da época.

4. Os prejuízos contábeis e a desvalorização de ativos

A atual direção da empresa intensificou a desvalorização de ativos (“impairment”) para posterior venda, iniciada na gestão anterior, dirigida pelo mesmo diretor financeiro, Ivan Monteiro, que, em três anos, reduziu o valor contábil dos ativos em 113 bilhões de reais: 48 em 2014, 49 em 2015 e 16 em 2016.

Em 2015, a companhia teve um lucro bruto de 98,5 bilhões de reais e líquido de 15 bilhões.

A desvalorização transformou o lucro em prejuízo de 34 bilhões, não distribuindo dividendos aos acionistas e ajudando a criar a imagem de empresa quebrada, divulgada pela grande mídia.

Como ensinam os especialistas, a desvalorização de ativos deve ser efetuada gradualmente, ao longo dos anos e não abruptamente, como foi feito, pois reflete um valor de momento que pode vir a ser revertido. Foi o que fizeram as grandes companhias internacionais de petróleo neste mesmo período.

As desvalorizações prestaram-se para o passo seguinte, foi a justificativa para a venda de ativos.

5. A venda de ativos e a desintegração

A direção da empresa priorizou a venda ativos estratégicos, fundamentais para a sua integração, como a malha de gasodutos do sudeste (NTS), reservas do pré-sal, Liquigás, biocombustíveis, e campos em produção.

Avalia-se até a venda do controle da BR Distribuidora, principal responsável pelo escoamento de seus derivados no mercado interno.

Promoveu alterações na política de preços que resultaram na perda de fatia considerável de seu mercado de combustíveis para importadores e concorrentes.

Aliás, a nova política de preços favoreceu os potenciais candidatos à compra da BR.

Favorecimento a concorrente ainda pode ocorrer caso o CADE aceite a venda da Liquigás à Ultragaz, passando a deter metade do mercado interno, concentração denunciada pelos pequenos distribuidores como formação de cartel, com prejuízos para a população.

O Plano Estratégico e de Negócios 2017-2021 define o foco da Petrobrás na produção de petróleo, abandonando as áreas de petroquímica, fertilizantes, biocombustíveis, além de reduzir investimentos e privatizar ativos do refino.

Na contramão do que fazem as grandes companhias de petróleo, que estão adquirindo os ativos vendidos no país.

Diversos campos de petróleo, alguns já em produção, estão sendo vendidos, além de estudo para venda de participações em refinarias, agora sob a denominação de “parcerias estratégicas”.

Parente afirmou que a parceria não entra em conflito com a medida cautelar aprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) que proíbe a Petrobrás de assinar novos contratos de venda de ativos e de iniciar novos processos de vendas até que a corte analise os procedimentos dos desinvestimentos da estatal.

Segundo ele, “Existe uma claríssima diferença entre parceria estratégica e um desinvestimento. Este não é um desinvestimento. Entra na meta porque tem uma entrada de caixa e irá nos ajudar a pagar dívidas importantes. As preocupações do TCU são em relação a assinaturas de contratos, mas nós estamos fazendo um master agreement.”.

Mudou-se apenas o nome da transação: “não é venda, é um acordo conjunto de desenvolvimento”. Da mesma forma que privatização virou venda de ativos, depois, desinvestimento, e, agora, parceria estratégica, ou “master agreement”.

Deveria ouvir o que tem a dizer Patrick Pouyanné, diretor-presidente da Total, a quem tem vendido ativos da nossa empresa:

“Poucos anos atrás, muitos especialistas ou conselheiros estavam nos empurrando para nos desfazermos de nossos negócios downstream (Abastecimento, refino, transporte e comercialização) e focar apenas no upstream (Exploração e Produção, E&P). Decidimos então não os escutar e nos atermos ao nosso modelo.

Porque, embora seja verdade que o upstream se aproveita melhor dos preços do petróleo que o downstream, também é verdade que este ajuda a recuperar parte do valor adicionado perdido pelo upstream e pode oferecer receitas com menor variação cíclica, o que é muito bem-vindo no ciclo de baixa (dos preços do petróleo).

Isto abrange os riscos que nós sabemos como gerenciar.”

Ficamos à disposição para esclarecimentos adicionais.

Presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)

[1] https://felipecoutinho21.files.wordpress.com/2016/10/existe-alternativa-para-reduzir-a-divida-dapetrobrc3a1s-sem-vender-seus-ativos_rev0.pdf

Leia também: 

Carta aberta denuncia desmonte dos direitos do trabalho e descalabros da justiça política

O post Parente está aniquilando a Petrobras, denuncia associação de engenheiros da empresa apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

21 Jul 19:19

Marco Aurélio Garcia

by Francisco Seixas da Costa


Poucas semanas após a minha chegada ao Brasil como embaixador, fiz uma visita ao meu colega dos Estados Unidos. Em qualquer parte do mundo, os representantes de Washington são sempre das mais relevantes figuras no corpo diplomático local, atenta a importância do seu país.

O meu colega americano era um homem cordial e franco. Estava a pouco tempo de sair do posto, pelo que se sentia talvez mais à vontade para dizer o que lhe ia na alma. A propósito da vida política brasileira, deu-me uma definição curiosa sobre o modo como via a dicotomia entre o ambiente social e empresarial de S. Paulo e o microcosmos do poder em Brasília, à época (estávamos em 2005) dominado pelo PT de Lula, em aliança com o PMDB de Sarney. Para ele, com ironia, havia dois "mundos" no Brasil: o "Free State of S. Paulo" e a "People's Republic of Brasilia"...

Meses depois, os papéis inverteram-se. Um novo embaixador americano veio ver-me e, profissional à sua maneira, trazia consigo uma espécie de "check-list" de assuntos sobre os quais pretendia obter a opinião do seu colega português - os embaixadores portugueses na capital brasileira, podendo não ser os mais poderosos, são quase sempre dos melhor informados e a sua opinião conta imenso junto dos seus colegas. E até os americanos sabem isso...

Uma das curiosidades do meu novo colega era tentar perceber "quem era quem" na decisão, em matéria de política externa, no poder brasileiro. Em particular, confundia-o o papel relativo do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o do Assessor Internacional do presidente, Marco Aurélio Garcia.

(Nada que devesse ser estranho a quem vinha da Washington: a história da política externa americana também é feita da regular tensão entre o ministro - "Secretary of State" - o assessor da Casa Branca - o "National Security Adviser".)

Disse-lhe o que entendi que lhe poderia dizer. Expliquei que se tratava de um processo dinâmico, que havia começado por alguma dualidade entre as duas personalidades, com algum potencial de conflito, até rapidamente se chegar a um ponto em que Amorim havia garantido, com alguma habilidade tática, o pleno controlo da máquina externa, com Garcia confinado a dossiês mais pontuais, em especial ligados à área sul-americana, onde o seu conhecimento e contactos eram bastante substanciais.

Se Marco Aurélio Garcia alguma vez teve intenções de ser um poder sombra junto do Itamaraty (as "Necessidades" brasileiras), e há sinais de que isso pode ter acontecido nos primeiros tempos do primeiro mandato de Lula, a eficácia funcional de Celso Amorim rapidamente se impôs, tendo isso ficado bastante evidente quando o seu papel interventivo se tornou imprescindível, na ocorrência de algumas crises com países vizinhos do Brasil, que Garcia foi incapaz de evitar. Uma delas, seria com a Bolívia de Evo Morales.

Um dia, num almoço a dois no jardim da nossa embaixada em Brasília, Marco Aurélio Garcia contou-me a conversa "surreal" que havia tido, em La Paz, com o recém-nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros daquele país. Descreveu-mo como uma figura estranha, com um mantra "filosófico", de quem "tinha os pés bem assentes no ar", num discurso bizarro, errático e metafórico, quase incompreensível. Marco Aurélio comentava, no meio de gargalhadas: "Você conhece-me, Francisco! Imagina que, quando quero, sou capaz de rivalizar em efabulações e imagens ligadas ao universo onírico, mas o homem batia-nos a todos! Saí de lá sem perceber nada e com medo de me ter enganado naquilo em que julguei tê-lo percebido..."

Marco Aurélio Garcia morreu ontem, aos 76 anos. Era professor universitário, uma figura intelectual muito interessante. Depois de sair do Brasil, só o voltei a encontrar num almoço em Paris, aquando de uma conferência. Mantinhamos uma excelente relação pessoal, muito embora Portugal (e a Europa) estivesse longe das suas preocupações - e, infelizmente, também da sua afetividade.

Com o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, e o então ministro Celso Amorim, Marco Aurélio Garcia constituiu a "troika" informal que desenhou a política externa de Lula. A qual, a meu ver, teve um apreciável êxito e prestigiou imenso o Brasil, opinião que sei que não é partilhada por muitos amigos, nomeadamente no serviço diplomático brasileiro, alguns dos quais têm essas três figuras no seu rol de "inimigos de estimação".
21 Jul 12:15

Exclusivo: Quem é o turista que denunciou o triplex da Globo e agora sabe que a lei não é para todos. Por Joaquim de Carvalho

by Joaquim de Carvalho
Daniel denunciou a Paraty House ao Ministério Público Federal: apesar de não ter acontecido nada com os proprietários, ele diz não estar arrependido; cumpriu um dever de cidadão.

Daniel Szames passeava de escuna pela baía de Paraty quando viu a praia de Santa Rita com uma construção ostensiva, boias que impediam o acesso, um deck de grandes proporções e a construção de três andares incompatível para região que é reserva da natureza, a Área de Proteção Ambiental (APA) de Cairuçu.

Ele queria parar na praia, mas o condutor da escuna informou que não poderia. No passado mais distante, quando a área pertencia a Francisco William Munhoz e sua irmã, Elizabeth, o acesso era livre, mas, depois que “um membro da família do sr. Roberto Marinho” comprou o sítio, a praia e um pedaço de mar foram “privatizados”, como se diz em Paraty.

Caso o barqueiro passasse pela barreira, ele não conseguiria entrar na praia, pois havia seguranças e cachorros que impediriam o desembarque.

Daniel, que é de Rio das Ostras e trabalha como técnico na Justiça Federal, não se conteve. Ele mandou um e-mail para o Ministério Público Federal e pediu providências.

“Além do relato dessa pessoa (o condutor da escuna), que toda semana passa pelo local, por conta do trajeto rotineiro do passeio de escuna, pude ver tudo o que estou informando. Lamentavelmente não pude fotografar o local, pois minha câmera estava com defeito. Acredito que, por se tratar de propriedade de uma família com tanta influência e poder econômico, muitos jornalistas, políticos e autoridades locais tenham temor de investigar o caso, porém é sabido que a lei tem de ser igual para todos. Necessário se faz, ao meu ver, uma diligência ao local”, escreveu.

Era setembro de 2009, houve diligências no local, através de técnicos ambientais do Instituto Chico Mendes, ligado ao Ministério do Meio Ambiente. A Polícia Federal abriu inquérito e, um ano depois, tiveram início dois processos – um criminal, por violação de leis ambientais, e outro civil, visando à demolição da casa, que já foi premiada pela beleza arquitetônica.

Mas, decorridos quase oito anos da denúncia, a mansão continua lá e os nomes da família Marinho desapareceram do processo. Nos documentos em cartório e no processo, aparecem registros de uma empresa brasileira, a Agropecuária Veine, controlada por uma empresa de Las Vagas, a Vaincre, por sua vez sob domínio de por offshores abertas no Panamá pelo escritório Mossack Fonseca, sem identificação dos reais proprietários.

São indícios veementes de ocultação de patrimônio, com finalidade de lavagem de dinheiro. No cartório de Paraty, onde foi assinada a escritura, o real proprietário é de conhecimento dos funcionários. Segundo um deles me disse, pertence à família de um dos donos da Globo, João Roberto Marinho, mas ele nunca apareceu lá para cuidar da documentação. Sempre foi seu genro, agora ex-genro, Alexandre Chiappetta Azevedo.

Quando fez a denúncia, Daniel pediu reserva quanto à divulgação do seu nome, mas ele aparece logo nas primeiras páginas do processo. Esta semana, eu o localizei e perguntei por e-mail se ele tinha arrependimento por ter feito a denúncia, já que, até agora, não houve nenhuma punição, e o tríplex continua lá, desafiando as autoridades ambientais.

“Arrependimento nenhum”, respondeu ele, apesar do caso mostrar que, ao contrário do que ele imaginava em 2009, quando fez a denúncia, a lei não é para todos.

“Eu só estava fazendo um passeio de barco na época ali no local e o barqueiro da escuna me explicou que aquela praia era pública, como qualquer outra da região de Paraty, e que, após a compra daquela casa, aquela família fechou o acesso à praia, colocando um deck enorme ali, como eu pude ver na hora, e cães ferozes e seguranças ali no deck”, afirmou.

Daniel não quis falar mais e também se referiu aos Marinhos como “aquele família”. O tríplex de Paraty é um dos símbolos de um Judiciário caracterizado por seletividade. Apenas a título de comparação: a denúncia a respeito do tríplex atribuído a Lula foi apresentada em setembro do ano passado e, dez meses depois, já existe condenação e sequestro de bens.

No caso da Paraty House, a Justiça Federal recebeu a denúncia há sete anos e não houvesse consequência mais severa. Sobrou para um arquiteto do Rio de Janeiro, que tem mais de 70 anos de idade. Numa transação penal, ele fez uma doação em produtos, no valor de pouco mais de 1.000 reais, para um asilo de Paraty. Já está quite com a Justiça.

A representante da empresa que tem a propriedade formal do sítio e da casa na praia de Santa Rita, uma senhora que também tem mais de 70 anos de idade, nunca prestou depoimento, apesar de intimada cinco vezes pela Polícia Federal e duas pela Justiça.

Numa das ironias do destino, a indicação de quem está por trás da empresa de fachada que tem a propriedade do imóvel foi parar na mesa do juiz Sérgio Moro, de Curitiba.

Ali aparece o nome de Paula Marinho, como responsável pelo pagamento das taxas de manutenção das empresas offshore – não por acaso, relacionadas no escândalo de lavagem de dinheiro conhecido como Panamá Papers.

Moro não demonstrou a mesma celeridade que tem apresentado no caso de Lula. Os papéis que relacionam Paula Marinho, filha de João Roberto Marinho, à Paraty House estão parados em algum escaninho entre a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a 13ª Vara Federal de Curitiba.

O contador Jorge Luiz Lamenza, do Rio de Janeiro, foi quem abriu a empresa usada para a compra do sítio em Paraty. Eu também o localizei.

“Não sei quem estava por trás da empresa. Um escritório de advocacia me procurou e eu abri a empresa, num trabalho absolutamente profissional, acho que foi em 2006. Na época, era comum que o contador figurasse como representante, e foi isso que fiz. Hoje não faria de novo, pois agora está mais claro do que nunca que existe muita maldade. Você não sabe a finalidade da empresa”, disse.

A Veine, dona da Paraty House, é da família Marinho? “Não sei. Como disse, foi um advogado que me contratou para abrir a empresa. Quando houve inquérito na Polícia Federal, eu saí da empresa e hoje não tenho mais nenhum contato com esse escritório”, respondeu.

O escritório a que ele se refere é de Miguel Bechara Júnior, de São Paulo, que teve seu nome relacionado à abertura de empresas offshore pelo escritório da Mossack Fonseca em São Paulo.

Tudo isso passou pela mesa de Sérgio Moro, em Curitiba, pois a apreensão dos papéis da Mossack Fonseca foi autorizada por ele, quando a PF suspeitava que pudesse encontrar ali algo relacionado ao tríplex do Guarujá, que ele decidiu que pertence a Lula.

Moro não conseguiu provar essa propriedade, mas o condenou assim mesmo. Já a propriedade do tríplex de Paraty já está quase provada. Falta um pouco só de vontade de avançar na investigação. Mas parece não haver interesse na busca da verdade.

Paraty House

O post Exclusivo: Quem é o turista que denunciou o triplex da Globo e agora sabe que a lei não é para todos. Por Joaquim de Carvalho apareceu primeiro em Diário do Centro do Mundo.

20 Jul 12:18

Cuando los elefantes sueñan con la música - María Gadú - 18/07/17

María Gadú inicia este 18 de julio una gira de cinco conciertos por España y la escuchamos cantando 'Altar particular', 'Axé a capella' y 'Shimbalaiê'. Hoy también hay conciertos de Michel Camilo & Tomatito ('Our Spanish love song', 'Cinema Paradiso main theme', 'Cinema Paradiso love theme'), Cristina Branco ('Alice no país dos matraquilhos'), Yamandú Costa ('Chamamé') y Chick Corea & Bela Fleck ('Brazil'). Y, en estos días, de Céu ('Grains de beauté', 'Malemolência') y de Bixiga 70 ('Isa').