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16 Oct 13:15

ACUSAÇÃO DE ESTUPRO DENTRO DA ESQUERDA

by lola
Allan Patrick

Sobre o MAIS, que recentemente entrou no PSOL.

Em meados de setembro, Luiza, feminista e professora em Brasília, me enviou um email contando seu caso e pedindo ajuda. Com a correria, não tive tempo de respondê-la (desculpe, Luiza!). Luiza acabou publicando seu relato no Facebook, que reproduzo aqui: 

- Precisamos urgentemente falar sobre ESTUPRO -
Na manhã do dia 14/10/16, acordei nua, na cama de um cara, sem saber o que tinha acontecido. Lidar com isso, carregando traumas antigos, quase custou minha vida e me faz passar 18 dias internada. Foram meses de dor e revolta.
Eu estava passando por um momento difícil. Durante o fim de 2016, eu e meu companheiro havíamos nos separado. Fui passar uns dias na casa do meu melhor amigo, em São Paulo, para ver se ajudava. Ele morava com um amigo. Ambos são dirigentes nacionais de uma mesma organização política.
No penúltimo dia, comecei a beber no almoço. Eles foram para reuniões e eu, deprimida, bebi durante toda a tarde. À noite, bebemos em dois bares e ainda paramos em uma conveniência pra comprar mais bebida. Fiquei completamente embriagada. O cara que morava com meu amigo insistiu pra ficar comigo. Eu disse que não, duas vezes. Não tive o direito de decidir. Sem que eu tenha memória ou consciência do que se passou, acordei no seu quarto.
A sensação foi horrível. Me senti com vergonha e culpa por ter bebido tanto. Estava frágil e buscando qualquer coisa que pudesse me dar segurança. Convivi com o medo de ter contraído uma doença ou uma gravidez.
Eu havia bebido por cerca de 14 horas, ao menos 7 litros de cerveja, ou 350g de álcool. A estimativa é que a quantidade de álcool no meu sangue chegou a mais de 0,5 g/dL. Esse valor corresponde ao último estágio da embriaguez, onde podem ocorrer comprometimentos do sistema nervoso central e coma. Mesmo em estágios anteriores, além de amnésia alcoólica, já poderia apresentar estupor, perda de compreensão, de julgamento e de consciência.
Como muitas mulheres, não reconheci logo que foi estupro. Pra cair essa ficha doeu e demorou uns dias. Aprendemos a ver violência apenas no que ocorre entre desconhecidos, como um homem puxando a mulher pelos cabelos pra um canto escuro. Quando se trata de pessoas conhecidas, sempre duvidam da vítima. Mas o que aconteceu não foi sexo, foi estupro. Uma pessoa completamente embriagada não consegue oferecer resistência. Como não se tem discernimento, nesses casos não é possível consentir, tratando-se de um estupro de vulnerável (artigo 217-A do CP).
Depois de meses pra conseguir me reerguer dos danos psicológicos, fui conversar com meu “amigo”. Ele riu da minha cara, me xingou e disse que eu era uma mentirosa. Logo ele, que era a pessoa que eu amava como um irmão. A revolta me fez reagir. Busquei a DEAM em Brasília, o Ministério Público e a DEAM em São Paulo e registrei o BO.
Também fiz denúncia na organização deles: o MAIS, que hoje compõe o PSOL. Apesar de se dizerem feministas, eles inocentaram o cara e desconsideraram os elementos apresentados (prints, áudios, extratos bancários, laudo médico). O próprio agressor confessou que eu estava bêbada demais. Recorrerei ao PSOL, partido ao qual sou filiada, e às demais organizações para que esse tipo de violência não se perpetue em espaços que deveriam combatê-la.
Todos sabem que a incidência de crimes sexuais é muito alta e que a maioria dos agressores não são responsabilizados. Todos dizem que é preciso denunciar a violência sexual. Mas, quando denunciamos, somos atacadas, deslegitimadas e silenciadas. Até quando seremos tratadas como loucas, mentirosas e vingativas? Até quando nós mulheres sofreremos todo o tipo de traumas e danos psicológicos, sem nenhum tipo de reconhecimento da nossa dor e sem nenhuma reparação? Não temos tempo para esperar. É pela vida e pela segurança das mulheres. Não dá mais pra segurar o grito na garganta.
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(Eu, Lola). No final da semana passada, outra feminista (vou chamá-la de A., pois ela não quer ser identificada) me pediu para falar da repercussão do caso da Luiza. A. explicou: "O MAIS (Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista) é uma organização formada por ex-militantes do PSTU. Estes militantes romperam com o PSTU por volta de um ano atrás e formaram uma organização política chamada MAIS, que em meados de 2017 entrou no PSOL como mais uma corrente lá dentro. Ou seja, o MAIS é uma corrente política que integra o PSOL mas que saiu de um processo de rompimento com o PSTU.
"Ao formarem esta nova organização, vieram com uma nova roupagem, uma nova linguagem visual, para atrair jovens e pessoas de setores de combate às opressões. Porém, a prática desta organização é a mesma de quando eles estavam dentro do PSTU: sistematicamente silenciam mulheres, menosprezam as pautas feministas (e claro, as pautas contra racismo e lgbtfobias). Desqualificam as pessoas que saem da organização, desqualificam os militantes que são mais questionadores, coloca no ostracismo quem questiona a direção, enfim, são muitas práticas cotidianas de apagamento da militância das mulheres. A parte mais perversa é que, obviamente, alguns desses militantes homens acabam sendo agressores, estupradores e assediadores, e esta face do machismo eles tentam esconder a todo custo.
"São muitas as mulheres (MUITAS, Lola, muitas mesmo) que conheci e saíram de ambas as organizações (PSTU e MAIS) muito agredidas, principalmente psicologicamente. Mas não se engane, há muitos casos de estupro que são silenciados, não chegam nem à justiça/ polícia e nem aos movimentos."

São palavras duras, as da A. Antes de continuar, queria só pedir para não matarem o mensageiro (no caso, eu, ou meu blog, onde essas denúncias estão sendo publicadas). Sou de esquerda, mas não sou filiada a nenhum partido (assim como sou feminista, mas não me apego a nenhuma corrente específica). Tenho imensa simpatia pelo PSOL, assim como a outros partidos de esquerda. E o blog fica à disposição para comentar as denúncias.
Continuando: na terça, o MAIS lançou uma nota em resposta às acusações de Luiza. A nota dizia que não houve estupro e nem agressão e que Luiza não estava embriagada. Num dos trechos, a nota diz: "Nenhuma das testemunhas confirma a versão de Luiza de que ela estava embriagada a ponto de perder o controle sobre seu corpo e suas decisões. Essas pessoas estavam presentes no bar e na casa onde o fato ocorreu, estão entre elas três mulheres (sendo uma delas negra) e um homossexual, todos conscientes e sensíveis ao debate de opressões".
A nota foi tão mal recebida que pouco depois foi apagada. Escreve A.: "Esta nota, Lola, foi o que fez eu e as outras mulheres nos juntarmos para escrever em defesa da Luiza e contra o posicionamento do MAIS. O caso da Luiza foi um estopim para nossa indignação e a nota que o MAIS soltou foi a coisa mais asquerosa que pude ler de uma organização de esquerda. E sim, Lola, foi escrita por mulheres mesmo. As mesmas mulheres que protegem estes homens". 
Na sexta, o MAIS retirou a nota e deixou este recado no lugar:
Publico aqui o texto que um grupo de mulheres divergentes, entre elas a A., escreveu:

Somos um grupo de mulheres com diferentes trajetórias políticas, de diversas cidades e ocupações. Aqui formou-se um grupo de mulheres que, apesar de inúmeras diferenças, há um ponto que nos une: somos ex-militantes organizadas nas mesmas fileiras que os protagonistas dessa nota e rompemos com nossa organização devido às inúmeras violências misóginas que sofremos dos nossos ex-camaradas. Conhecemos a fundo as práticas e métodos imorais de perseguição, calúnia e difamação por parte do MAIS e não nos identificamos porque temos medo de que nossa segurança esteja em risco.
No Brasil de um estupro a cada 11 minutos, conhecemos bem a realidade das mulheres que ousam realizar uma denúncia sobre a violência sofrida perante os meios legais: exposição, desconfiança, humilhação e não reconhecimento do crime que sofreu. O estupro, o crime que deslegitima no limite máximo o poder de consentimento da mulher, é tratado como inverdade por parte dos agentes do Estado, que deveriam garantir nossa integridade física e moral, pela sociedade no geral e, muitas vezes, por nosso círculo de amigos e família. 
Semana passada recebemos a notícia de uma denúncia feita por uma militante de esquerda, colocando o estupro que sofreu por parte de um militante do MAIS. Prontamente a denúncia foi combatida pela organização por meio de uma nota absurda, desmentindo a denúncia, expondo a vítima e se utilizando de diversas desculpas esfarrapadas e oportunistas para proteger o agressor. Infelizmente, a nota da organização não nos surpreendeu, considerando que acompanhamos por quase uma década repetidas situações como as do tipo.
Em primeiro lugar, é preciso dizer que, apesar de se colocar como uma nova organização, com novas práticas e novo nome, o MAIS nada mais é do que um conjunto de ativistas que já discutiram há muitos anos o debate das opressões, vindo da sua antiga organização. Entretanto, há diversos homens que constituem essa corrente que seguem reciclando suas práticas misóginas já antigas e conhecidas por diversos setores, e especialmente, por diversas mulheres que quebraram e abandonaram suas militâncias devido às violências que sofreram.
A tendência coloca em sua nota a formação de uma comissão que se propõe a analisar o caso exposto pela vítima, a partir de pessoas que são testemunhas do agressor, sem considerar as provas mandadas pela militante. Não há nenhuma chance de uma comissão isenta e sem influência, considerando que as pessoas que avaliam, são as pessoas que militam e defendem o agressor todos os dias. Há de se questionar ainda a recusa dessas provas, que são concretas.
É claro a todos os ativistas sinceros da esquerda a dificuldade e as barreiras que as mulheres que sofreram algum tipo de violência misógina têm que enfrentar para realizar uma denúncia. A primeira barreira é o constrangimento ao realizar uma denúncia. O MAIS ignora totalmente para fazer sua defesa: expõe, constrange, deslegitima o relato da militante. Para além disso, distorce o debate das opressões usando de maneira oportunista o papel de negros e homossexuais nessa discussão. Desta forma, fazem questão de destacar que dentre as testemunhas há uma mulher negra e um homem gay, para invalidar a denúncia da vítima.
A nota é assinada pelas Mulheres da Coordenação Nacional do MAIS e revela mais uma vez a prática oportunista de usar mulheres para legitimar suas violências, fracionando as mulheres dentro da própria organização e desestimulando as denúncias internas que tão bem conhecemos e já fizemos.
Ao realizar essas ações, o MAIS não só age em desacordo com a moral de uma organização de esquerda, mas se iguala aos governos que retiram os direitos das mulheres, que as expõem, que as matam todos os dias. Se igualam à polícia que duvida de relatos, desconfia de mulheres e tenta convencê-las de desistirem das denúncias de violência. Segue reproduzindo práticas que são combatidas por diversos ativistas que levam com seriedade a pauta das opressões.
Deixamos aqui nosso repúdio a nota do MAIS, que indica que não há limites para se defender homens misóginos da esquerda e destruírem mulheres. Repudiamos o ato reacionário do MAIS que ao tratar a violência contra a mulher com esses métodos, age como a justiça burguesa que deslegitima todos os dias as denúncias corajosas de tantas mulheres. Repudiamos aqui o oportunismo dos homens do MAIS que se utilizam de mulheres das suas fileiras como um escudo para lhes proteger, colocando-as contra mulheres que os denunciam.
Nos solidarizamos integralmente com a militante vítima da agressão e deixamos nosso apoio incondicional. Exigimos que a organização se retrate publicamente e afaste todos os agressores de suas fileiras, garantindo que as mulheres tenham um espaço seguro para militarem. Reivindicamos que as solicitações da vítima desse caso sejam atendidas pelo MAIS, com a reavaliação do caso por uma comissão independente, com os critérios estabelecidos pela vítima, de modo que esse caso não seja mais um de tantos outros.
Não há questionamentos a serem feitos: o corpo da mulher precisa deixar de ser um espaço público dentro da esquerda. Rompemos o silêncio e não nos calaremos mais.
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Luiza escreveu outros posts em resposta à nota do MAIS, como este, este e este.
Sexta-feira, dia 29/09, o Setorial de Mulheres do PSOL soltou uma nota se posicionando sobre a denúncia:

A Setorial Nacional de Mulheres do PSOL recebeu no dia 26/09 e acolheu grave denúncia de estupro feita por uma companheira, que tem sido tema de debate nos movimentos. O acusado é militante de uma organização que, recentemente, decidiu por seu ingresso em nosso Partido.
De imediato, queremos manifestar nossa solidariedade à companheira, e nos colocamos a sua inteira disposição. Compreendemos o quanto é difícil reconhecer-se como vítima de violência e abuso e, principalmente, levar adiante a denúncia deste tipo de violência.
Nossa luta contra o machismo e o conservadorismo se dá todos os dias, por isso mesmo quando este tipo de denúncia feita pela companheira ocorre em nossas fileiras as providências devem ser enérgicas.
Desde que tomamos ciência da denúncia, no dia 26/09, nos dispusemos a participar de uma comissão de mulheres composta por várias organizações, uma reivindicação tanto da companheira denunciante como da organização MAIS, para tratar o caso. No dia 03 de outubro também será realizada uma reunião auto-organizada das mulheres do PSOL DF, onde milita a filiada denunciante, com o intuito de debater a grave situação e acolhê-la. Além disso, ela foi aconselhada a enviar uma denúncia formal para a Comissão Nacional de Ética do partido, instância responsável pela apuração de todos os casos de denúncias de desvio moral, mesmo o caso tendo ocorrido um ano antes do militante denunciado ter ingressado no PSOL.
Lembramos que o 5º Congresso Nacional do PSOL, ocorrido em 2015, aprovou por consenso uma resolução orientando o tratamento de casos de violência contra a mulher pela Comissão de Ética. Entre os indicativos definidos em congresso para qualquer caso desse tipo estão a celeridade na apuração e a possibilidade de afastamento imediato do filiado acusado durante o decorrer do processo, além de elencar punições para os considerados culpados, sendo a máxima a expulsão do partido. À exceção do afastamento do acusado das instâncias, a fim de que não se prolonguem situações de sofrimento à denunciante, todas as demais medidas só poderão ser levadas a cabo após apuração que assegure à denunciante a possibilidade de colocar todos os elementos que já se dispôs a fazer e também assegure ao denunciado seu direito de defesa.
Em meio a esse conjunto de encaminhamentos, nos defrontamos com posições que não condizem com o acúmulo e com as lutas feministas que travamos ao longo da nossa história.
O estupro de uma mulher a cada 11 minutos, um crime abominável e repugnante, evidencia a cultura do estupro presente em nossa sociedade machista e patriarcal, que objetifica o corpo e a vida das mulheres. Como manifestação desta cultura, estão a tentativa de justificar ou relativizar as denúncias realizadas por mulheres que, além de serem vítimas, ainda são expostas e desacreditadas, gerando um ciclo que perpetua esta cultura e violência brutais. Felizmente, como resultado das lutas feministas que travamos na sociedade, as mulheres vítimas de estupro não estão mais obrigadas a fazer um boletim de ocorrência para poderem acessar todos os cuidados e garantias a que têm direito para, minimamente, mitigar as sequelas físicas e psicológicas resultantes desse crime. Esses avanços nos animam a continuar na luta.
O feminismo ocupa um lugar de centralidade para a construção de uma sociedade justa e igualitária. Por isso mesmo, o fortalecimento da auto-organização das mulheres e das agendas feministas cumprem papel fundamental no combate à opressão de gênero e à conquista de direitos que revertam este quadro de desigualdade entre homens e mulheres no Brasil. As violências sistêmicas contra as mulheres são manifestações desta desigualdade historicamente construída, que se relacionam em múltiplos sistemas de desigualdades, como raça, etnia, classe, orientação sexual e identidade de gênero.
Estamos juntas nesta luta. A solidariedade nos fortalece e como setorial de mulheres do PSOL, acompanharemos de perto o processo.
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Para A., esta é uma nota "melhor que a do MAIS, mas ainda aquém do necessário para tratar um tema tão sério como esse." Luiza escreveu: "Eu agradeço a solidariedade das mulheres do PSOL, mas cadê a resposta à nota do MAIS? Eu estou sendo exposta publicamente por meio de uma nota misógina feita pra me humilhar. Isso é uma das maiores violências já cometidas contra mulheres que denunciam dirigentes dentro da esquerda. E não tem resposta a esse absurdo e a exigência de retratação do MAIS pela nota? Inacreditável."
A. disse também: "Lola, eu gostaria de frisar duas coisas que achamos muito preocupante e que precisa ser debatido também. A primeira nota do MAIS começa da seguinte forma: 'No dia 26 de setembro, Luiza Oliveira postou em seu facebook uma denúncia gravíssima ao MAIS.' Eles entendem que a denúncia é feita contra a organização e não contra um militante deles. Esta postura é extremamente problemática, porém sintomática de uma organização que muitas vezes se porta como uma seita, que ao se deparar com críticas e posicionamentos diferentes aos deles, toma como um ataque que visa destruir o partido/organização. Isto é muito perigoso pois mostra que há pouco espaço para auto-crítica vindas de dentro ou fora do partido.
"O outro ponto problemático foi a postura que percebemos de alguns militantes e simpatizantes do MAIS, que passaram a condenar a auto-organização das mulheres e a mobilização surgida a partir da indignação causada pelos fatos narrados anteriormente. Alegavam que o problema se restringia apenas às organizações (MAIS e PSOL) e que as mulheres destes partidos "dariam conta" do problema, resolvendo-o internamente. Uma vez que a denúncia de estupro e o descaso com que eles trataram a denúncia vieram à público a partir da própria Luiza, nós, enquanto feministas, sentimos a obrigação de nos posicionarmos. Assim como tantas outras pessoas que também se indignaram e também se manifestaram. A cultura do estupro deve ser debatida por todos, em todas as esferas pertinentes e possíveis, pois só assim seremos capazes de mudar a sociedade e fazer com que o mundo seja um lugar melhor para todas as mulheres. E é por isso que apesar dos novos desdobramentos, mantemos nossas posições expostas na nossa nota, para rompermos o silêncio em todos os espaços, inclusive (ou principalmente?) dentro das organizações da esquerda."
16 Oct 11:40

Nível de desinformação do STF. Ministro pergunta a outro ao vê-lo com fita do Outubro Rosa: 'É homenagem LGBT?'

by Antonio Mello

O ministro Ricardo Lewandowski chegou ao plenário do Supremo Tribunal Federal com uma fita cor-de-rosa presa na lapela do paletó na quarta (11), quando a corte decidiu submeter ao Legislativo medidas que imponham restrição ao exercício do mandato de parlamentares.
Em determinado momento, Luiz Fux perguntou ao colega se o laço era uma homenagem a grupos LGBT.
Lewandowski respondeu:
— Não! É do Outubro Rosa.
Diante da expressão intrigada de Fux, explicou:
— É uma campanha internacional pela prevenção do câncer de mama. Acontece desde a década de 1990. [Fonte: Folha]


É inacreditável que um ministro do STF esteja tão desinformado a ponto de desconhecer uma campanha internacional, que existe há 27 anos, e que recebe destaque em toda a mídia. E mais: se fosse uma homenagem LGBT a fita seria em arco-íris.

Pode parecer besteira. Um detalhe. Mas mostra bem a qualidade do voto dele e como vota alienado de acontecimentos importantes do entorno. Pior: será o único desinformado?

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16 Oct 11:35

Cochicho no ouvido de político basta para tornar juiz suspeito, diz promotora do DF

by Luiz Carlos Azenha

Acesso à Justiça só será imparcial após radical inclusão social

Altos salários do Judiciário, em comparação com o restante da sociedade, impedem o juiz de ter empatia com o cidadão sub-integrado à sociedade

do PT no Senado

O Brasil apenas terá a garantia do acesso à Justiça por parte do cidadão e a garantia de julgamento imparcial por parte dos juízes quando o Brasil passar por um radical processo de redução da desigualdade social presente no País.

Essa é a conclusão dos palestrantes que participaram, nesta terça-feira (10), de audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) que deu início ao ciclo de debates para discutir a “garantia institucional do acesso à Justiça e a imparcialidade do juiz”.

“A transformação da sociedade para fins de maior acesso ao Judiciário e a construção da imparcialidade do Judiciário depende de uma sociedade menos excludente e que tenha um menor grau de desigualdade. Com a estrutura social que temos é improvável termos uma Justiça imparcial, quando um juiz ganha 30 mil reais ao fazer o concurso aos 23 anos e o salário mínimo não chega a mil reais”, disse o acadêmico e advogado Marcelo Neves.

O advogado ainda alertou para o fato de que qualquer país do mundo onde massas imensas são excluídas, como em países africanos e latino-americanos, o acesso à Justiça cai abruptamente e, em conexão com isso, a imparcialidade do Judiciário.

“O acesso à Justiça fica prejudicado quando temos uma minoria que pode passar por cima da lei e da Constituição e não sofrer as devidas consequências. Não é possível as diferenças entre salários, mesmo no serviço público, entre o salário de um senador e de um funcionário terceirizado. O Judiciário passa a expressar essa diferença entre os cidadãos sub-integrados e os sobre-integrados. O juiz começa a incorporar esses valores da sobre-cidadania pelos salários altíssimos, logo, ele não tem o elemento de empatia”, disse.

A senadora Regina Sousa (PT-PI), presidenta da Comissão de Direitos Humanos (CDH), explicou que o tema com o advento da operação Lava-Jato, apesar de mesmo antes dela, algumas questões ocorridas tanto no âmbito do Judiciário já terem deixado a parlamentar “inquieta”.

“Me inquietava o tratamento de réu dado a pessoas que nem rés ainda eram. Quando debatemos a lei do abuso de autoridade, muitos rejeitaram o assunto afirmando que estávamos nos levantando contra a Lava-Jato. A lei é para todos, como dizem. Então [a lei do abuso de autoridade] valeria do guarda da esquina até o presidente da República. Não era para a Lava-Jato ou será que lá estão abusando da autoridade? ”, questionou.

Para Rubens Casara, juiz do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), quando o juiz está no campo da violação da imparcialidade, ele também se afasta do ideal de busca da verdade, de busca da solução justa para um determinado caso. “Você passa a estar no campo da adoção de uma narrativa compatível com a hipótese assumida como verdadeira e isso gera uma série de distorções”, salientou.

As interferências do Judiciário na política

A promotora de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Lúcia Helena Oliveira, defensora da ampliação da possibilidade do impedimento do juiz afirmou que “não basta ele ser imparcial, mas também deve parecer imparcial”.

“Se um juiz é fotografado conversando no ouvido do opositor político do seu réu ou se o juiz vai aos jornais, como o presidente do TRF-4 o fez, para fazer apreciação de valor da sentença que ele vai julgar dizendo que a sentença do Moro é irrepreensível, ele já é suspeito. Fora dos autos ele já diz o que acha da sentença? Assim como o Gilmar Mendes não pode almoçar com o pessoal do PSDB no mesmo dia em que impediu a nomeação de Lula para a Casa Civil. Não pode”, criticou.

A senadora Regina Sousa ainda lembrou de dona Marisa Letícia, ex-primeira-dama e de Luiz Carlos Cancelier, reitor da UFSC, vítimas, segundo ela, do espetáculo que tem se tornado as ações policiais no País que precedem o processo no âmbito judicial.

Dona Marisa foi vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) meses após a condução coercitiva de seu marido para prestar depoimento e Luiz Carlos Cancelier cometeu suicídio após ser afastado do cargo de reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Cancelier deixou um bilhete afirmando que sua morte teria sido decretada no momento do banimento da universidade, decretado judicialmente.

“O trabalho da Polícia Federal é válido, mas a forma está exagerada, virou espetáculo. Parece que tem satisfação a dar para alguém que não é a população brasileira. A Polícia Federal tem patrocinado um espetáculo para a mídia que tem assassinado reputações”, disse Regina.

A senadora Fátima Bezerra (PT-RN) afirmou que a situação no País tem piorado desde o golpe parlamentar ocorrido em 2016 e que afastou a presidenta Dilma do cargo conquistado nas urnas. “A partir desse episódio, estamos assistindo uma escalada autoritária de retrocessos nas mais diversas áreas”, resumiu.

A senadora ainda fez críticas à condução das investigações feitas em torno de Lula lembrando que no caso, ao invés do acusador ter o ônus da prova, é o acusado que tem produzido provas de sua inocência, deixando clara a conotação política que permeia as investigações do ex-presidente.

Parcialidade nas decisões da Justiça Trabalhista

Paulo Boal, diretor de assuntos legislativos da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), criticou a postura dos parlamentares favoráveis ao texto transformado em lei com a reforma trabalhista que justificava a flexibilização das leis trabalhistas em favor da diminuição do número de processos na Justiça do Trabalho. Porém, os legisladores apenas patrocinaram o afastamento dos trabalhadores na busca de seus direitos ao se sentirem lesados.

“Taxaram de volumosas e absurdas as 3,9 milhões de ações na Justiça do Trabalho em 2016. Quem dá efetivamente motivação para o número estratosférico de ações no Brasil, 101 milhões, ao todo, é o próprio Estado. Devemos imputar pelo menos metade ao próprio Estado, seja na condição de autor, réu ou na figura que não conseguiu efetivar as garantias e direitos mínimos da população”, disse.

Cobertura midiática dos direitos humanos

A diretora de Programas da Secretaria Nacional de Cidadania do Ministério dos Direitos Humanos, Fabiana Gadelha criticou o fato de a imprensa brasileira, em sua maioria, realizar uma cobertura enviesada da questão dos direitos humanos.

“Infelizmente quando a mídia fala de direitos humanos, ela sempre atrela ao conceito das pessoas privadas de liberdade, que cometeram algum ato danoso ou criminoso e marginalizam o conceito desta importante política. Comumente, a sociedade ignora o conceito de direitos humanos como os direitos das pessoas, de qualquer pessoa. Seja ela estando em sua casa, na rua, que tem condições de acessar aos direitos básicos e aquelas que não”, explicou.

Além disso, destacou Fabiana, o Estado autoritário prejudica todas as pessoas, de todas as classes sociais, de todos os saberes e todas as posições. Assim, quando a Justiça deixa de aplicar o direito e se torna justiceira, o resultado que é o vivido atualmente em que “se tenta reduzir a maioridade penal, que trará mais injustiça, se tenta aumentar o tempo de internação acreditando que ficando mais tempo fora do convívio social esses jovens vão aprender a se comportar”.

“Quando se aumenta a exclusão social, se diminui a igualdade. Uma medida de direito não pode jamais ser uma medida de segurança pública. Uma sociedade humanamente desenvolvida é aquela em que todos têm direitos iguais para alcançar os mesmos objetivos e se possa enfrentar o mínimo de obstáculos para a realização de suas potencialidades. E o sistema de Justiça hoje tem um senso punitivo sobre as violações”, enfatizou.

Leia também:

Na capa do jornal, tudo para os banqueiros e nada para quem depende de programas sociais

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13 Oct 14:09

Liminar que restringe atuação de enfermeiros ameaça existência do SUS, dizem médicos

by Redação
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Decisão tomada por um juiz de Brasília impede que enfermeiros requisitem exames e consultas ou revalidem receitas

Imagem: Agência Brasil

12/10/2017

Por Mayara Paixão

Uma recente decisão da 20ª Vara da Justiça Federal de Brasília altera o cotidiano dos profissionais de enfermagem. De acordo com a liminar expedida pelo juiz Renato Borelli, agora, enfermeiros não podem mais requisitar consultas e exames na atenção básica de saúde ou revalidar receitas médicas.

Algumas entidades se posicionaram contra a medida. Foi o caso do grupo Médicos pela Democracia. Na avaliação dos profissionais, a liminar contribui para o desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS) no país.

Silvio Lopes, integrante da coordenação dos Médicos pela Democracia, destaca os danos que serão causados pela medida: “Essa medida cria uma insegurança jurídica da prática de enfermagem enorme. Há mais de 20 anos, as enfermeiras e os enfermeiros realizam procedimentos, dentro da sua consulta de enfermagem, tanto de solicitação de exames e diagnóstico sindrômico [que parte da observação de sinais e sintomas] baseados em protocolos muito bem estabelecidos e validados”.

O argumento usado para a liminar judicial é de que essas são funções específicas dos médicos. A enfermeira Letícia Rangel, que trabalha na Unidade de Saúde da Família São Judas Tadeu, em Lauro de Freitas, na Bahia, no entanto, explica que o trabalho realizado pela categoria é essencial para o atendimento dos pacientes:

“A gente realiza diagnóstico de enfermagem, que é totalmente diferente do diagnóstico do médico. Se a gente não tem mais esse subsídio para realizar isso, a gente não consegue criar um plano de cuidados adequado para esses usuários e a limitação é enorme, seja no acesso dos usuários ao serviço, no aumento da agenda dos médicos ou na sobrecarga de trabalho”, diz Rangel.

Letícia explica que o atendimento fornecido aos pacientes deve ser multiprofissional e que a interferência na atividade dos enfermeiros afetará, principalmente, os usuários do sistema público.

“Isso ampliou muito o acesso da população aos serviços de saúde. Quando a gente passa a ser limitado a realizar as nossas atividades, isso afeta principalmente o usuário, o seu acesso, a diminuição dos índices de várias doenças crônicas e de situações de saúde”.

Atenção básica

Silvio Lopes defende que a atuação dos enfermeiros é fundamental para a ampliação da atenção básica no país. Para o médico, nos últimos 20 anos, os avanços na área foram consideráveis. Ele lista, por exemplo, a redução da mortalidade materna e infantil, a melhoria no controle da tuberculose e da leucemia.

O médico acrescenta, ainda, que a medida liminar pode ser entendida como isolada. Para Silvio, ela reforça mudanças prejudiciais que vêm sendo implementadas na estratégia de saúde da família desde o golpe político-midiático que retirou Dilma Rousseff (PT) da presidência.

“Desde que aconteceu o golpe em 2016, ninguém não se importa mais com a opinião pública. Se aprovam leis federais que vão incidir sobre a qualidade de vida e de saúde da população sem o menor pudor de contrariar a imensa maioria da opinião pública”, destaca.

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11 Oct 14:05

Celso Vicenzi: Sobre a omissão de alguns artistas que agora combatem a censura quando era hora de repelir o golpe

by Luiz Carlos Azenha

Da arte de não se omitir

Por Celso Vicenzi, via e-mail

Sobre os vídeos da campanha #342ARTES, com depoimentos de artistas brasileiros de várias áreas, gostaria de dizer que a gente divulga, sim, e se solidariza com essa luta, mas onde estavam essas — e tantas outras — pessoas quando a democracia começou a ser atacada?

Quando pessoas começaram a ser execradas sem direito à defesa, linchadas em capas de jornais e revistas, em emissoras de rádio e televisão?

Quando ficou claro que boa parte das pessoas foi às ruas não para combater a corrupção, mas apenas para fazer desse mote a alavanca para derrubar um governo eleito legitimamente?

Onde estavam quando calaram diante de vozes que defendiam tortura, estupro, pena de morte?

De religiosos fundamentalistas, de empresários gananciosos, de políticos igualmente corruptos, de magistrados que usam de dois pesos e duas medidas?

De defensores do “bandido bom é bandido morto”? Desde que seja pobre e de preferência negro, claro!

Boa parte dos artistas, que tanta empatia possui com a população, e tantos outros brasileiros que ocupam funções importantes no imaginário do país, calaram, foram omissos, não levantaram a voz para protestar contra um golpe tramado com toscos argumentos.

Talvez na vã esperança que uma ditadura (principalmente por não ser militar), logo poria as coisas novamente em ordem e o país voltaria a crescer. Dessa vez, livre de petistas e de tudo o que eles — bem ou mal — representaram na esperança dos mais empobrecidos.

Porque, embora seja difícil para cada um admitir, eram reféns do preconceito, no íntimo de suas almas, que atribuíam aos mais pobres todas as mazelas que conhecemos (não eram os nordestinos que não sabiam votar e deram — embora o argumento seja incorreto — mais uma vitória à Dilma?).

Como se este país não fosse comandado, desde a chegada de Cabral, por privilegiados soberanos, com ou sem nobres coroas sobre suas cabeças, mas com os bolsos forrados com o dinheiro da miséria de milhões, e sem vontade nenhuma de refletir sobre os mecanismos que geram uma sociedade rica e tão desigual.

Boa parte dos artistas — como de resto da parte mais privilegiada da sociedade, é preciso reconhecer — que agora vê o chicote estalar no próprio lombo, pouco tem contribuído — para além de sua arte — como cidadãos e cidadãs, para denunciar a pobreza, o regime de castas, as injustiças que marcam a história do país.

Poucos se dispõem a um enfrentamento mais direto contra um sistema desigual, perverso, que violenta a dignidade da maioria da população.

Apelos pontuais, campanhas filantrópicas não mudam essa correlação de forças.

Ou a classe média e os mais privilegiados num país com as características do Brasil encaram essa luta sem olhar apenas para o próprio umbigo ou continuaremos a ser o que sempre fomos: um país racista, preconceituoso, cheio de regalias classistas, que tem ódio de pobre e sem coragem e vontade para lutar pelas reformas basilares que poderiam fazer desse nosso chão o lugar ideal para se erguer um grande país, soberano justo e solidário.

Eu gostaria de ter visto e ouvido toda essa defesa contra o retrocesso, o discurso do ódio e da intolerância, quando a democracia brasileira foi atacada por um golpe jurídico-midiático-parlamentar-policial-empresarial.

Mas naquele momento, calaram. Poucas vozes — entre tantos artistas — se ergueram para tentar deter o que já se sabia que viria, se não houvesse resistência ao golpe.

Um misto de ingenuidade, preconceito e garantia de privilégios de classe talvez explique essa omissão.

Sim, eu vou cerrar fileiras nessa luta contra a volta da censura. Contem comigo!

Eu também sei o quanto a educação, a cultura e a arte são fundamentais na construção de um país mais humano e civilizado e que boa parte dos artistas brasileiros estiveram na linha de frente para denunciar a ditadura militar de 64.

Principalmente quando as perseguições, as mortes e as torturas atingiram pessoas da classe média.

Porque restabelecida a democracia no país, as perseguições, as mortes e as torturas continuaram contra as classes mais pobres, na periferia e nos porões do sistema carcerário brasileiro, sem que recebessem de nós a solidariedade que destinamos aos bem nascidos.

A pauta, portanto, nesse novo momento de tentativa de resistência ao novo modelo de golpe, não pode ser tão somente para usufruto da mesma classe média que não acolhe os mais necessitados e pouco faz para trazer milhões de pessoas à margem da cidadania para o que há de melhor na educação, na cultura e na arte, seja como protagonista, subindo aos palcos, seja como espectador, nos teatros, nos cinemas, nos museus, nas galerias, nos espaços em que ela está presente.

Porque quem tem fome e não tem casa e emprego, está expulso desse banquete lúdico, mágico e transcendente.

Pouco sobra de si e de sua luta pela sobrevivência diária, para dispor de tempo e motivação para saciar a sede de conhecimento e usufruir de um prazer desconhecido: o de ser reconhecido como um cidadão, uma cidadã, não como párias, olhados com repulsa, desconfiança e nenhuma empatia por quem não se irmana em sua dor e é (quase) indiferente ao mal que essa gente padece, a de ter nascido em uma sociedade que empodera poucos, às custas da exploração do trabalho de muitos.

Senhores de escravos — ontem e hoje — que mal destinam à maioria dos brasileiros o suficiente para o sustento de cada trabalhador e de sua família.

Que todo esse retrocesso, esse ódio à pobreza, mas também à inteligência, sirva para que compreendamos que não podemos ser ilhas de civilização em meio à barbárie.

Ou queremos construir um país para todos, ou então, como escreveu certa vez o poeta Affonso Romano de Sant’Anna, seremos apenas um “ajuntamento” de pessoas.

Da pior espécie que se pode imaginar para conviver.

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11 Oct 11:49

Senadora denuncia: Temer arrocha verbas dos Institutos Federais de Educação; dos R$ 3,9 bi necessários para 2018, prevê apenas R$ 2,2 bi

by Conceição Lemes

Créditos: Alessandro Dantas/PT no Senado e Marcelo Camargo/Agência Brasil

Governo compromete rede do Institutos Federais de Educação

“Esse é mais um crime do governo Temer”, alerta a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) em audiência pública no Senado

por Cyntia Campos, em PT no Senado

O estrangulamento da rede de Institutos Federais de Educação promovido pelo governo Temer está colocando em risco as oportunidades de futuro da juventude brasileira.

São 38 instituições distribuídas por todo o Brasil, com 644 unidades capilarizadas até pelos municípios mais distantes, com um milhão de estudantes que adquirem formação politécnica —conhecimento básico das diversas ciências — e se preparam para uma carreira ou para seguir com os estudos em uma universidade.

“Esse é mais um crime do governo Temer”, resume a senadora Fátima Bezerra (PT-RN), que preside a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Institutos Federais de Educação e acompanhou, nesta terça-feira (11) uma audiência pública na Comissão Educação (CE) do Senado para debater as graves dificuldades enfrentadas por essas instituições.

Participaram da audiência a representante do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação, Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), Maria Clara Kaschny Shneider, o coordenador-geral do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), Fabiano Godinho Faria, e o representante do Ministério da Educação, Romero Portella Raposo Filho.

Arrocho e desmonte

O arrocho das verbas orçamentárias para os institutos federais é escandaloso. Para 2017, as 38 instituições precisavam de R$ 3,528 bilhões para assegurar seu funcionamento, equipamento e investimentos. Receberam apenas R$ 2,340 bilhões e, ainda por cima, tiveram 15% dos recursos para custeio e 40% do dinheiro previsto para investimento contingenciados.

Para 2018, o quadro é ainda mais sombrio: os institutos pediram R$ 3,9 bilhões, mas o governo destinou apenas R$ 2,2 bilhões, na previsão orçamentária. “Mesmo considerando o crescimento acentuado de matrículas e a entrada em funcionamento de diversos campi que estavam em processo de implantação”, lamenta a representante do Conif, Maria Clara Schneider.

Apenas para assegurar que as novas unidades dos institutos federais possam funcionar, seria necessário contar R$ 1 bilhão para investimentos, mas a previsão orçamentária para 2018 é de apenas R$ 67 milhões (ou seja, apenas a 15ª parte do orçamento mínimo solicitado pelas instituições).

Crime contra o futuro

Para Fátima Bezerra, deixar à míngua os Institutos Federais de Educação é comprometer não só o futuro dos atuais e potenciais alunos. Ela lembrou que além de assegurar formação profissional e tecnológica a um milhão de jovens brasileiros, essa rede tem tido um papel fundamental na oferta de cursos de graduação superior, especialmente nas licenciaturas—na formação de novos professores.

“Quando lembramos o quanto precisamos de professores de química, de biologia, de matemática para atender às demandas de escolas de todo o País, nós percebemos a dimensão da importância dos institutos federais.

Investimento petista

A rede de Institutos Federais de Educação é a estrela de uma política de interiorização da educação pública levada a cabo ao longo de 13 anos de governos petistas.

Em 100 anos (de 1902 a 2002), o Brasil criou 140 escolas técnicas. Entre 2003 e 2016, Lula e Dilma construíram mais de 500 novas unidades, totalizando 644 campi em funcionamento.

No centro dessa rede estão os 38 Institutos Federais de Educação, presentes em todos os estados, oferecendo cursos de qualificação, ensino médio integrado, cursos superiores de tecnologia e licenciaturas. O número de municípios abrangidos cresceu quase 5 vezes, passando de 119 em 2002 para mais de 500 em 2015.

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Alckmin segue Temer e congela gastos Educação, Saúde e salários de servidores

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11 Oct 11:24

Rogério Marinho sempre atacando: planos de saúde tramam mudança na lei para excluir idosos, diz o jornalista Claudio Humberto

by renato

O objetivo dos planos de saúde de dificultar a permanência de idosos, excluindo-os do sistema, ganha força com o relator do projeto da Lei dos Planos de Saúde, deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) de acabar a proibição de aumento de mensalidades após os 60 anos. A crueldade prejudica as pessoas quando eles mais precisam de um […]

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10 Oct 13:48

Intercept: Auditores querem de volta dinheiro de palestras que Senac pagou a jornalistas da Globo

by Luiz Carlos Azenha

Da Redação

“Lula tinha toda condição de ser milionário, diante do preço que cobrava pelas palestras que diz ter feito a partir de 2010, mas precisa comprovar que elas existiram e que não eram alguma contrapartida de empreiteiras. A explicação fica complicada porque um dos diretores da Odebrecht afirmou ter sido preparado um esquema, com as palestras, para que o ex-presidente tivesse uma boa aposentadoria”,  escreveu o jornalista Merval Pereira, de O Globo, GloboNews e rádio CBN, sobre as palestras do ex-presidente.

Agora, o nome do global está metido num imbroglio entre a Fecomércio-RJ e a Confederação Nacional do Comércio (CNC), por causa de palestras contratadas sem licitação e fora dos objetivos do Senac.

O caso deriva de uma auditoria na gestão de Orlando Diniz, amigo do ex-governador Sergio Cabral, que dirige o Senac-RJ e o SESC-RJ.

O relatório, publicado pelos repórteres George Marques e Ruben Berta no Intercept, pode levar à intervenção no Senac local se o Conselho Fiscal do Senac nacional considerar que houve irregularidades.

Segundo o Intercept, desde janeiro de 2016 o Senac do Rio já demitiu mais de mil funcionários.

O relatório da auditoria chama a atenção por várias dúvidas levantadas.

Uma das principais diz respeito aos gastos com propaganda.

Segundo os auditores, em 2015 o Senac-RJ gastou R$ 89,9 milhões em sua principal missão institucional, educação profissional, e R$ 74,5 milhões em eventos e publicidade.

Uma empresa de intermediação de publicidade recebeu R$ 91,1 milhões adiantados nos anos de 2015 e 2016.

Seria dinheiro repassado depois a empresas de mídia. A Fecomércio-RJ é uma das patrocinadoras do RJ-TV, o principal telejornal local da Globo.

Outro ponto que chamou a atenção dos auditores foi o gasto com palestras sem a realização de licitação e fora dos objetivos da entidade — sempre de acordo com a auditoria.

O objetivo do Senac: “Promover educação profissional com objetivo de gerar empregabilidade, competitividade e desenvolvimento econômico e social para o setor de comércio de bens, serviços e turismo do Estado do Rio de Janeiro”. Os auditores sugerem que seja devolvido aos cofres do Senac-RJ o dinheiro pago por palestras fora deste âmbito.

A devolução caberia aos responsáveis pela contratação irregular, não àqueles que foram contratados.

Foram R$ 2,979 milhões pagos a jornalistas, comentaristas e analistas, todos ligados à Globo.

“Verificamos que a ligação dos prestadores de serviços com as Organizações Globo é uma das características singulares apresentadas com vistas a justificar a não observância do dever de licitar”, diz o texto da auditoria.

Quem mais recebeu em palestras foi Merval Pereira: R$ 375 mil.

Merval fez “análise prospectiva sobre o que o Governo Dilma pode fazer para evitar o impeachment no Congresso, e avaliação do que seria um novo governo de união nacional com a derrubada da presidente e a chegada de Michel Temer ao governo”.

O governo de “união nacional” é supostamente aquele liderado por Temer em parceria com o PSDB.

No caso de Giuliana Morrone, apresentadora do Bom Dia Brasil em Brasília, os auditores apontaram falta de “eficiência, economicidade e razoabilidade” do Senac-RJ, que aceitou romper contrato firmado e fechar um novo — com aumento de 94% no cachê das palestras.

Os auditores também questionam R$ 330 mil pagos à comentarista Cristiana Lobo, da GloboNews, “sem a comprovação da natureza singular dos serviços prestados”, o que exigiria licitação.

A auditoria também sugere que sejam devolvidos aos cofres da entidade R$ 464 mil referentes à Semana Fecomércio de 2013, realizada no Copacabana Palace, que contou com uma palestra do ex-presidente Lula.

Procurada pelo Intercept, a Fecomércio se disse vítima de perseguição política: “Desde 2011, temos a convicção de que a CNC, que tem como presidente Antonio Oliveira Santos e Gil Siuffo na tesouraria, patrocina uma perseguição política contra a Fecomércio-RJ”.

Depois, disse que já encaminhou um relatório de 238 páginas rebatendo ponto-a-ponto a auditoria.

Abaixo, os documentos da auditoria relevantes ao texto acima (íntegra aqui):

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09 Oct 14:43

Padres denunciam: PF negou ao reitor suicidado o direito de apoio espiritual na prisão; após ser solto, juíza também proibiu

by Conceição Lemes


De Samuel Gomes, via Gustavo Santos

Bom dia! Sou mestre em filosofia do Direito pela UFSC. É de lá que vem uma boa notícia. A UFSC se levanta! Que o Brasil se levante com ela! “Queremos de volta da democracia e do Estado democrático de Direito”, convoca-nos o meu amigo Ubaldo Baltazar, diretor da Faculdade de Direito.

Samuel Gomes
Advogado em Curitiba e Brasília

Eis a boa notícia:

” PADRES DENUNCIAM: PF NEGOU DIREITO DE APOIO ESPIRITUAL AO REITOR SUICIDADO

Raquel Wandelli, dos Jornalistas Livres

Ao celebrar missa em homenagem ao reitor Luiz Carlos Cancellier hoje pela manhã, no Templo Ecumênico da UFSC, o padre William Barbosa Vianna fez uma denúncia espantosa: ele e outro religioso foram impedidos ao menos quatro vezes pela Polícia Federal de oferecer apoio ao reitor, que foi preso, algemado nu, submetido a exame interno vexatório e encarcerado sem processo judicial.

Segundo o padre, a Polícia Federal também proibiu a Pastoral Carcerária de visitá-lo no dia da prisão, em 14 de setembro.

Em seguida, quando a prisão de Cao Cancellier foi relaxada, mas a juíza o manteve exilado da universidade e recolhido em reclusão domiciliar noturna, os padres novamente tentaram socorrê-lo, sabendo de seu abalo emocional, mas não obtiveram permissão para visitá-lo.

“É preciso lembrar que o direito à assistência religiosa é garantido pelo artigo V da Constituição”, afirmou William, assessor da Pastoral Universitária da UFSC, fazendo uma revelação que assombrou a própria família do reitor, levado ao suicídio por um espantoso processo de linchamento moral.

Até então, sabia-se apenas que Cancellier estava privado do apoio de amigos, principalmente de pessoas de sua convivência na gestão da universidade.

As cerca de 200 pessoas aplaudiram de pé quando o irmão do reitor, Júlio Cancelier, se disse chocado e surpreendido com a recusa ao direito de ajuda espiritual e solicitou à reitora em exercício, Alacoque Lorenzini Erdmann, que apure a verdade e instaure processo para averiguar as calúnias apresentadas contra o reitor no processo calunioso patrocinado pela Polícia Federal, Corregedoria da UFSC e grande parte da mídia comercial.

William Vianna, que além de padre é professor e chefe do Departamento de Ciências da Informação da UFSC, disse com clara consternação que há muitos anos a Pastoral Carcerária já vem avisando sobre os abusos nas revistas vexatórias a mães, filhas e familiares em geral dos presos.

Com visível consternação, leu o artigo V da Constituição, inciso VII: “É assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva”.

Na terça-feira, às 14 horas, haverá Reunião do Conselho Universitário para decidir a continuidade da gestão.

Como o professor faleceu antes de completar metade do mandato, é possível que sejam convocadas novas eleições, embora haja polêmica na interpretação do estatuto.

A cerimônia foi organizada pelo Grupo de Oração Universitária e Pastoral da Juventude e teve a participação do Grupo Shalon, e Emaús como símbolo da pluralidade e interculturalidade religiosa que deve reinar na UFSC.

Uma ampla frente de forças progressistas chamada “Floripa contra a exceção” está se mobilizando para fazer do suicídio do reitor um caso exemplar contra o estado terrorista e fascista que pratica o desrespeito total aos direitos de defesa e usa campanhas de difamação para atacar as instituições públicas.

“Queremos a volta da democracia e do estado democrático de direito”, afirmou o professor e diretor do Centro de Ciências Jurídicas, Ubaldo Baltazar.

Crédito das fotos: Reitor Cancellier/Comunicação UFSC; missa e faculdade de Direito em luto/Jornalistas Livres

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07 Oct 15:51

A Catalunha entre nós

by Francisco Seixas da Costa
Há meia dúzia de meses, entre nós, a questão catalã não era conversa fora dos círculos especializados. Mobilizar a abertura para o tema, junto do público ou mesmo da academia, era uma tarefa complexa, a que pacientemente se ia dedicando, num esforço de notável empenhamento, esse grande "embaixador" informal da Catalunha em Portugal que dá pelo nome de Ramon Font.

Não posso precisar a data, mas foi algures em 2015 que recebi uma chamada telefónica de um amigo inglês. Tinha acabado de chegar a Lisboa e queria almoçar comigo. Durante o repasto, explicou-me que fazia parte de uma empresa de lóbi, paga por entidades catalãs, que preparava a independência da região. Ironizei, perguntando por que não tinham sido contratados pelos escoceses. Imagino que tenha desviado a conversa. Esse amigo voltaria a Lisboa, meses mais tarde. O seu trabalho continuava: medir o "sentimento" internacional sobre o processo pró-independentista catalão era o seu caderno de encargos. 

Recordo-me muito bem do que lhe disse. Por um lado, que não esperasse - nunca! - uma postura de qualquer governo português favorável ao secessionismo catalão. Lisboa, dependendo do "mood" que conjunturalmente prevalecesse na chefia da sua diplomacia, oscilaria entre uma postura favorável ao unionismo madrileno e uma espécie de "neutralidade colaborante" com o governo espanhol. Nada mais. 

Coisa diferente, porém, seria o sentimento da opinião pública. A meu ver, se e quando a questão acaso viesse a agudizar-se, estava seguro de que iria emergir em Portugal um sentimento popular de simpatia pela causa catalã: por uma atitude sincera face a uma vontade de auto-determinação, somada a um endémico anti-espanholismo (melhor, uma tradicional síndrome anti-Castela). 

Não me enganei. Emocionalmente, a causa catalã ganhou muitos adeptos entre nós, nas últimas semanas. E, nos dias de hoje, criou-se na opinião pública portuguesa, mesmo em parte da que não despreza a legitimidade de uma Espanha democraticamente unida, uma avaliação negativa do modo como se processou a tentativa de boicote físico do processo referendário e, igualmente, do tempo e do modo da posterior reação de Filipe VI. 

Dependendo embora da evolução do processo no terreno, e não contando com efeitos de eventuais futuros erros independentistas, fica a sensação de que a posição oficial espanhola tem mais condições de poder vir a degradar-se no juízo popular português do que a causa independentista. Contudo, isso não não deve afetar a preservação da postura do executivo de Lisboa, pelo que não é de excluir que esta se possa vir a tornar crescentemente impopular no país. Mas, repito, antevejo que a atitude oficial de Lisboa continue a ser sempre a mesma, até ao fim, qualquer que venha a ser esse fim.

(Artigo no “Público” hoje)
06 Oct 17:59

Organizações Globo criminalizam palestras de Lula, mas patrocina palestra de Obama no Brasil, por Daniel Samam

by Daniel Samam
Publicado no meu perfil no Facebook.

O Jornal Valor Econômico, que pertence ao Grupo Globo, em parceria com o banco Santander, organizam um fórum no Brasil e convidam o ex-presidente dos Estados Unidos da América do Norte, Barack Obama, que, como todo ex-presidente, começa a viver de palestras pelo mundo.

A mesma Globo, por meio dos jornais O Globo, Valor e de todos os telejornais da emissora de TV, criminaliza as palestras do ex-presidente Lula em vários países, pelas quais recebeu pagamentos em nome de sua empresa, a LILS, mas teve os recursos bloqueados pelo justiceiro Sérgio Moro na maldita operação Lava Jato.

É, também, como todos os ex-presidentes de grandes países, por meio de palestras que Obama levanta recursos para seu futuro instituto. 

É aquilo: o Obama pode. O ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso e ícone da subserviência ao imperialismo estadunidense, também pode. Agora, o Lula não pode.

Haja complexo de vira-lata...
28 Sep 17:17

O que esperar de Star Trek Discovery?

by Lady Sybylla
E finalmente estreou a tão aguardada e polêmica série Star Trek Discovery, depois de atrasos e adiamentos e saída de membros da equipe. Confesso que ainda não estou animada, mesmo depois de ter assistido aos dois episódios já disponíveis, pois eles são mais um prólogo do que qualquer outra coisa. A série mesmo vai começar a partir do terceiro episódio, com a apresentação da nave Discovery e sua tripulação.


Siga a @Sybylla_

A capitã Philippa Georgiou e sua primeira oficial, Michael Burnham estão em uma missão em um planeta desértico, esperando transporte, quando a capitã sinaliza sua posição com a insígnia da Frota Estelar na areia. Michael já trabalha na USS Shenzou há sete anos, desde que entrou para a tripulação depois de ser criada e educada em Vulcano. Aqui já faço uma ressalva: ninguém mais entra para a Academia da Frota Estelar?

De volta à nave, elas se deparam com alguma coisa estranha em um cinturão de asteroides. Como a radiação do sistema estelar impede o funcionamento dos sensores, Michael se oferece a sair da nave em um traje próprio para caminhadas espaciais e dar uma olha. Entra aqui uma das melhores cenas do episódio, já que tivemos poucas oportunidades de ver tripulantes saindo de suas naves. Eles são astronautas que, em geral, não fazem caminhadas espaciais. Com efeitos especiais muito bem feitos e deslumbrantes e algumas inspirações na série clássica, o piloto mostra a Frota Estelar tropeçando em ninguém menos que os Klingons.

Quem está acostumado com os klingons das séries, vai estranhar estes aqui, que parecem saídos de Asgard, com suas roupas e cenários dourados e elaborados. Apesar da aparência deles ser extremamente semelhante aos klingons de Star Trek Into Darkness, do Abramsverse, a série jura de pé junto que se passa na linha do tempo original, dez anos antes da série clássica. Mas os cenários, a ponte cada vez mais escura, os lens flare (argh!) tudo isso te puxa para os cenários do filme do Abrams. Não tem como evitar.

Estes dois episódios tratam de um prólogo do que virá a ser Michael Burnham daqui por diante. Uma humana criada pelos vulcanos, ela preza por seu lado racional, mas ao se ver diante dos klingons, sua emoção extravasa e a leva a cometer um erro depois do outro. Teremos mais flashbacks sobre seu passado conforme os episódios forem passando, mas essa explosão repentina me desagradou. Por mais que discordassem de seus capitães, Chakotay, Riker, Spock, e todos os outros primeiro-oficiais nunca foram levados ao pico máximo da emoção a ponto de fazer o que Burham fez. Seria por ela ter reprimido isso por muito tempo? Será que saberemos?

Os efeitos especiais são muito bem feitos e bonitos, por isso espero que eles apareçam em outros episódios. Este é um custo elevado para muitas séries e quem assistiu às séries sabe bem disso. O custo elevado de um episódio pode acabar afundando uma série dessas pouco tempo depois. A diversidade e a representatividade tão características de Star Trek e tão querida pela maioria dos fãs aparece com força nesses dois episódios para no fim do segundo ela ser quase esquecida e deixada de lado. Teve comentário raivoso pela internet falando que Star Trek agora tinha "representatividade demais" para logo no terceiro episódio aparecer o capitão homem-branco.

Sonequa Martin-Green e Michelle Yeou desenvolveram uma ótima química em tela e com os outros tripulantes da ponte. Uma pena que conhecemos pouco sobre eles, apenas o tenente Saru, oficial de ciências, é quem fala mais de meia dúzia de palavras. Há outros tripulantes na ponte que aparecem de relance, especialmente um que lembra um androide, mas não se sabe quem seja. Segundo a franquia, o primeiro androide admitido na Frota Estelar é Data.


Apesar da familiaridade com vários aspectos que sempre vimos nas séries, como as discussões na ponte a respeito de ciência e normas e regulamentos, a diversidade da ponte com vários alienígenas, a série ainda não mostrou a que veio. Ela quebra com a ideia de diplomacia e conversações que sempre permearam a maioria dos relacionamentos entre a Frota Estelar e alienígenas com o discurso beligerante de Burnham de atirar nos Klingons logo de cara. Resta agora acompanhar a série e ver o que farão com o arco da Burhnam.

No mais, foi uma estreia OK, mas muito melhor que The Orville, que espero nunca mais na vida assistir. Fica a dica para quem nunca viu uma série de Star Trek e para quem estava curiosa também. E aproveite bem esses episódios, já que uma segunda temporada vai demorar.

Vida longa e próspera! 🖖

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28 Sep 17:02

“Vem de Cuba” retrata a vida dos médicos cubanos no RN

by Cynara Menezes

"Vem de Cuba" retrata a vida dos médicos cubanos no RN

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27 Sep 18:00

Igreja catalã adere a referendo e chama governo espanhol de antidemocrático

by Da Redação

Apoio ao referendo de 1º de outubro já é maioria nas paróquias catalãs, que rechaçam a ação do Estado espanhol, prendendo membros do governo catalão, fechando sites e invadindo redações

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27 Sep 17:56

Obama cobra US$ 400 mil por palestra para bancos. Vai dar uma no Santander, Brasil. Ele pode e Lula não?

by Antonio Mello

Segundo Nelson de Sá, na Folha, o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama está cobrando US$ 400 mil por palestra a bancos e empresas de Wall Street.

É bom não esquecer que Obama deu uma mãozinha pra lá de camarada na crise de 2008, socorrendo grandes bancos, não permitindo que quebrassem. Não estaria agora recebendo propina, como acusam Lula?

Um dos bancos onde deu palestra foi o Northern Trust de Chicago, onde Obama havia conseguido um empréstimo de US$ 1,32 milhão em 2005.

Obama vem ao Brasil dar uma palestra para o Santander.

Dallagnol e demais procuradores de Deus já preparam um PowerPoint para trocar com seus colegas dos Estados Unidos de que são vassalos?

O juiz Moro já está a postos? Ou estadunidenses e tucanos não vêm ao caso?


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24 Sep 11:49

Aliadas de Temer, entidades médicas abandonam os médicos

by Luiz Carlos Azenha

Por Daniel Bonifácio, médico

O governo Temer tem feito vários ataques à saúde pública e à classe médica brasileira. Tudo isto com o silêncio cúmplice do Conselho Federal de Medicina e da Associação Médica Brasileira.

O ministro da saúde acha que existe um excesso de hospitais no Brasil — Ricardo Barros declarou esta semana que o sistema de saúde pode funcionar perfeitamente com 20% dos hospitais atuais, na prática isto significa fechar 6 mil hospitais.

Além de representar um sério risco para a assistência da população, esta declaração demonstra o desprezo do governo Temer para com os médicos e os demais profissionais de saúde.

Este tipo de medida, se implementada, causa um desemprego em massa e desvaloriza de forma agressiva os honorários médicos.

As gestões atuais do CFM e a AMB, que apoiam o governo Temer, não soltaram nenhuma nota contra esta declaração irresponsável.

Os médicos estão entre os mais prejudicados pela PEC 241 – esta PEC congela, e na prática diminui os gastos em educação e saúde por 20 anos.

O SUS é o responsável pela imensa maioria dos postos de trabalho dos médicos brasileiros.

Logo esta PEC vai provocar mais desemprego entre os médicos.

O desemprego vai aumentar a oferta de médicos dispostos a receber salários menores, em condições de trabalho piores, tanto no setor público, no conveniado, ou no privado.

A oferta de exames complementares, maquinário, inovação tecnológica, leitos e medicações necessárias para um tratamento mais eficaz também ficará comprometida.

Estes cortes orçamentários ocorrem sob a falsa justificativa de diminuir o déficit público e socorrer a economia.

Mas na verdade servem apenas para transferir o dinheiro dos nossos impostos para os grandes rentistas e banqueiros, que sugam o orçamento sem ao menos investir nos setores produtivos nacionais.

Por isso temos que defender a revogação desta “PEC da doença”.

Identificadas distorcidamente como os principais porta-vozes dos médicos, o CFM (Conselho Federal de Medicina) e a AMB (Associação Médica Brasileira) tiveram um papel central na mobilização da classe médica a favor do golpe, mas ao não se posicionarem contra esta PEC.

Demonstraram miopia e falta de visão estratégica ao bajular políticos de direita e suas idéias neoliberais. Levaram um belo chute na bunda.

Foram incompetentes até para defender os interesses corporativos da classe médica.

Especula-se que isto se deve a relação nada republicana de boa parte dos médicos dirigentes da AMB e do CFM com os empresários da saúde privada, sendo muitos destes donos de hospitais e clínicas privadas.

Estariam enganando os médicos brasileiros para defender seus interesses particulares.

O discurso dos reacionários e golpistas para o país e para dentro de suas classes profissionais se provou falso e deletério.

Portanto já passou da hora de cada brasileiro dos setores menos conservadores das classes profissionais disputarem a narrativa e as mentes dos seus colegas de profissão, que estão sendo enganados com este discurso neoliberal (hegemônico no momento na maioria da classe média brasileira).

Leia também:

Dilma acusa Globo de ajudar a eleger Eduardo Cunha e agora posar de moralista

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22 Sep 17:21

A censura do Estado espanhol aos independentistas catalães

by Gi Lanzetta

Inspeções policiais, fechamento de sites  – incluindo a página oficial do referendo –  e restrição de envios pelo correio são alguns dos casos de limitação da liberdade de expressão e imprensa

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17 Sep 17:50

Ainda a Ucrânia

by Francisco Seixas da Costa

Tenho imensa pena de não saber falar russo. 

(Nos anos 60, ainda andei numas aulas de Jorge Listopad, mas acabei por desistir e oferecer o Linguaphone (lembram-se?) a um colega que ia para Moscovo. Se soubesse, teria aproveitado bem melhor os tempos em que andei pela Ásia Central, depois, várias vezes, pelos Cáucasos. Ter conversas interessantes em inglês de aeroporto não é a melhor solução. Mas chegaria o meu russo, alguma vez, a muito mais do que esse nível?)

Lembrei-me disso ontem, ao tentar perceber de alguns ucranianos, numa noite de alguns copos e muitas conversas sobre a Rússia ("what else?", como diria o Clooney), um pouco mais do sentimento deste país no fio da navalha. 

Este país é hoje dirigido e dominado por quem representa os que detestam abertamente a Rússia, o que, a meu ver, torna totalmente inviável um compromisso com os setores russófilos, maioritários no Leste do país, que a Rússia armou e apoiou militarmente para a secessão "de facto" do Donbass (aproveitando, na passada, para "meter ao bolso" a Crimeia). 

De que lado está a razão, já que a verdade parece clara? O ocidente apoiou um golpe de Estado contra um presidente que era um "homem dos russos", é certo, mas que havia sido eleito com toda a legitimidade. Fez isso para "desequilibrar" a Ucrânia para o "lado de cá", mas só conseguiu mudar o poder em Kiev e levar Putin a um golpe de força - porque era evidente que a Rússia não ia permitir um sobressalto geopolítico. 

A Ucrânia acabou por ficar numa "terra de ninguém", na soleira de uma Nato onde não existe a coragem (e o consenso) para a mandar entrar, e ainda mais longe de uma União Europeia, em que os alargamentos deixaram de ser um tema "sexy" para o projeto.

Não foi cómodo ter de ser realista para os meus (novos) amigos ucranianos, explicando-lhes que a sua entrada para a Nato não traria mais segurança para a aliança (pelo contrário, seria a "importação" pela organização de um complexo conflito) e que as portas da UE parecem entreabertas apenas pelo "politicamente correto" das coisas, mas que tudo será cada vez mais difícil nesse domínio (e a resposta recente à Turquia aí está para o comprovar)

"Mas não podemos ser os únicos donos do nosso próprio futuro, decidindo de que lado queremos estar? Somos eternos reféns da nossa vizinhança com um país mais forte?", perguntava-me um universitário, espírito 1000% ocidental, num perfil antropológico inconfundivelmente de Leste, anti-russo até às raízes dos cabelos. 

Não tive coragem de lhe dizer que, infelizmente, talvez não tivesse esse direito absoluto, tragédia de quem vive nas "grey zones" da geopolítica (a Finlândia do pós-guerra é um bom exemplo). E, claro, também não lhe perguntei o que poderíamos nós responder com sinceridade a um cubano que nos colocasse idêntica questão...
17 Sep 12:40

Decisão da Justiça abre as portas para psicólogos da “cura gay”

by Luiz Carlos Azenha

Resolução CFP 01/99 é mantida em decisão judicial

Justiça Federal do DF preserva a íntegra do texto normativo, mas se equivoca ao definir como o Conselho Federal de Psicologia deve interpretar a resolução

sugerido por Rogerio Giannini

A Justiça Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal acatou parcialmente o pedido liminar numa ação popular contra a Resolução 01/99 do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que orienta os profissionais da área a atuar nas questões relativas à orientação sexual.

A decisão liminar, proferida nesta sexta-feira (15/9), abre a perigosa possibilidade de uso de terapias de reversão sexual.

A ação foi movida por um grupo de psicólogas (os) defensores dessa prática, que representa uma violação dos direitos humanos e não tem qualquer embasamento científico.

Na audiência de justificativa prévia para análise do pedido de liminar, o Conselho Federal de Psicologia se posicionou contrário à ação, apresentando evidências jurídicas, científicas e técnicas que refutavam o pedido liminar.

Os representantes do CFP destacaram que a homossexualidade não é considerada patologia, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) – entendimento reconhecimento internacionalmente.

Também alertaram que as terapias de reversão sexual não têm resolutividade, como apontam estudos feitos pelas comunidades científicas nacional e internacional, além de provocarem sequelas e agravos ao sofrimento psíquico.

O CFP lembrou, ainda, os impactos positivos que a Resolução 01/99 produz no enfrentamento aos preconceitos e na proteção dos direitos da população LGBT no contexto social brasileiro, que apresenta altos índices de violência e mortes por LGBTfobia.

Demonstrou, também, que não há qualquer cerceamento da liberdade profissional e de pesquisas na área de sexualidade decorrentes dos pressupostos da resolução.

A decisão liminar do juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalho mantém a integralidade do texto da Resolução 01/99, mas determina que o CFP a interprete de modo a não proibir que psicólogas (os) façam atendimento buscando reorientação sexual.

Ressalta, ainda, o caráter reservado do atendimento e veda a propaganda e a publicidade.

Interpretação – O que está em jogo é o enfraquecimento da Resolução 01/99 pela disputa de sua interpretação, já que até agora outras tentativas de sustar a norma, inclusive por meio de lei federal, não obtiveram sucesso.

O Judiciário se equivoca, neste caso, ao desconsiderar a diretriz ética que embasa a resolução, que é reconhecer como legítimas as orientações sexuais não heteronormativas, sem as criminalizar ou patologizar.

A decisão do juiz, valendo-se dos manuais psiquiátricos, reintroduz a perspectiva patologizante, ferindo o cerne da Resolução 01/99.

O Conselho Federal de Psicologia informa que o processo está em sua fase inicial e afirma que vai recorrer da decisão liminar, bem como lutará em todas as instâncias possíveis para a manutenção da Resolução 01/99, motivo de orgulho de defensoras e defensores dos direitos humanos no Brasil.

PS do Viomundo: Nos anos 80, na California, fiz (Azenha) uma reportagem sobre a cura gay. Era estrelada por um jovem, gay supostamente “recuperado”, que tinha arranjado uma noiva e pretendia se casar. O rapaz era tão obviamente gay que estava claro tratar-se de mera jogada de marketing da igreja que se propunha a ‘operar’ a cura.

Como contraponto fomos à primeira igreja abertamente gay, se não me engano em Culver City. O pastor deu a letra: esse povo que faz a ‘cura gay’ toma milhares de dólares de pais desesperados com a descoberta de filhos e filhas gays na adolescência. Acham que é coisa do diabo.

Torturam o adolescente de tal forma que os danos, lá na frente, serão muito maiores para toda a família — quando o adolescente se der conta de que o ‘tratamento’ a que ele foi submetido é uma negação de sua própria identidade, uma tentativa de controle de sua sexualidade pelos pais, uma forma de tortura psicológica. Trata-se, dizia ele, de puro e simples estelionato com apoio pseudocientífico.

Leia também:

Se Temer vender o Brasil, vamos tomar de volta, diz Requião em carta a investidores

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16 Sep 14:29

Desembargadores que julgaram Lula e presidente do TRF 4 também recebem muito acima do teto. Por Joaquim de Carvalho

by Joaquim de Carvalho
Pela ordem, desembargadores Gebran, Paulsen e Santos Laus

O autor do levantamento que mostrou mês a mês os vencimentos do juiz Sergio Moro (sempre acima do teto constitucional) voltou a pesquisar no site do Tribunal Regional Federal da 4a. Região e constatou que os desembargadores que julgaram o recurso de Lula, bem como o presidente da corte, também recebem muito acima dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Fabiano Kenji Nohama, que é doutor em computação quântica e professor da Universidade Federal do Tocantins, pesquisou os contracheques dos desembargadores de janeiro de 2015 a agosto de 2017 — informações que, por força de lei, são públicas.

Verificou que Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, presidente do TRF4, recebeu em 2015 vencimentos médios mensais de R$72.930,25 (bruto) e  R$55.501,94 (líquido); em 2016, R$46.337,28 (bruto) e R$33.778,77 (líquido); e em 2017, R$41.025,04 (bruto) e R$30.345,50 (líquido).

Carlos Eduardo Thompson, presidente do TRF4, em sua estreia no Jornal Nacional

Já  João Pedro Gebran Neto, relator do processo e amigo de Sergio Moro, recebeu em 2015: R$48.695,35 (bruto) e R$32.368,91 (líquido); em 2016: R$45.708,68 (bruto) e R$32.761,53 (líquido); e em 2017(até agosto): R$43.599,82 (bruto) e R$33.518,92 (líquido).

O desembargador Leandro Paulsen recebeu em 2015: R$52.044,20 (bruto) e R$30.903,67 (líquido); em 2016: R$50.857,33 (bruto) e R$33.220,65 (líquido); e em  2017 (até agosto): R$47.320,23 (bruto); R$32.502,02 (líquido).

Por sua vez, o desembargador Victor Luiz dos Santos Laus teve os seguintes vencimentos: em  2015: R$54.523,50 (bruto); R$32.574,48 (líquido); em 2016: R$47.657,78 (bruto) e R$31.775,97 (líquido); e em  2017(até agosto):
R$46.007,70 (bruto); R$35.370,61 (líquido).

“Podemos observar que o salário dos quatro desembargadores ultrapassaram o teto constitucional, que é de  R$33.763,00 (bruto), em todos os meses pesquisados, sem exceção. Aliás, no levantamento que fiz, tanto dos salários do juiz Sergio Moro quanto os desembargadores, pude constatar que exceção seria receber dentro dos limites do teto constitucional. Será que tem algum juiz que recebe? Agora eu tenho dúvida”, diz o professor.

O professor Fábio Kenji Nohama em Berkeley

Fabiano Kenji Nohama é de São Paulo, estudou Física na Unicamp, onde também fez mestrado e doutorado na área de Física e de computação quântica. Há sete anos, é professor concursado da Universidade Federal de Tocantins, onde coordena o curso de Engenharia, Bioprocesso e Biotecnologia.

Seu salário bruto é de R$ 12.600 – líquidos R$ 9.225,00. Já fez palestras na Europa e nos Estados Unidos – a última delas em Berkeley, na Califórnia. Tem celular, mas não o aplicativo de WhatsApp. Sua pagina no Facebook tem apenas uma foto – 3 por 4 —, que ilustra o perfil.

Criou a página no auge do movimento que resultou no golpe contra Dilma Rousseff, como forma de incentivar os alunos a debater o momento que ele viu como histórico. Deixou de ver o Jornal Nacional e de ler a Folha de S. Paulo há dez anos, quando detectou uma sistemática prática de manipulação.

Hoje lê apenas veículos da mídia independente, principalmente o Diário do Centro do Mundo e o Tijolaço. Sobre o trabalho que fez, diz:

“Meu levantamento é muito simples. Foi apenas uma forma de tentar divulgar as informações escondidas pela grande mídia”, afirmou.

.x.x.x.x.x.

Para ver as tabelas com os contracheques dos desembargadores, acesse o facebook do professor Fabiano Knji Nohama.

Leia também a reportagem “Levantamento mostra que salário de Moro furou o teto constitucional nos últimos 32 meses”.

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14 Sep 14:07

Marcelo Zero: A ofensiva das forças reacionárias

by Conceição Lemes

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

A Ofensiva contra Os Novos Judeus do Reich Tupiniquim

por Marcelo Zero, via e-mail

Mais uma vez, as forças reacionárias, antipopulares e corruptas que tomaram de assalto o país lançam uma ofensiva hedionda contra o PT.

Não é algo casual. Tal ofensiva, baseada em delações sem provas, requentadas e contraditórias, surge justamente no momento em que os crimes e o fracasso retumbante da quadrilha golpista se tornam cada vez mais evidentes aos olhos da Nação.

Numa espécie de truque de prestidigitação midiática, tentam ocultar dos olhos do povo os milhões de dinheiro sujo do bunker de Geddel, um dos principais articuladores do golpe. Num ato de suprema canalhice, tentam associar esse dinheiro ao PT.

Tentam ocultar também as ilegalidades e as irregularidades das investigações e das delações promovidas pelo MPF e seu Procurador-Geral, que, por seu cunho nitidamente partidarizado, parecem servir mais a objetivos políticos escusos e à fogueira das vaidades de alguns de seus dirigentes que à causa republicana de um verdadeiro e isento combate à corrupção.

Não por acaso, após se ver enredado numa trama canhestra revelada pelas gravações de Joesley et caterva, o Procurador–Geral resolve, mais uma vez, oferecer denúncia sem provas contra o PT, numa clara manobra diversionista.

Não por acaso, surgem, num timing político perfeito, as delações de Palocci, sem nenhum lastro fático e motivadas pelo natural desespero de quem sabe que acusações vazias a Lula e ao PT representam um invariável passaporte para reduções de penas e relaxamento de prisões.

Palocci fez um “pacto de sangue” com o engodo institucionalizado da Lava Jato partidarizada. Tentou falar dos negócios escusos do sistema financeiro e mídia. Foi ignorado.

Deixaram claro que só aceitariam uma delação que condenasse Lula, Dilma e o PT. Após um ano de tortura psicológica, sucumbiu. Num país civilizado, seus algozes seriam submetidos aos rigores da lei. Não obstante, entre os nossos seguidores de Carl Schmitt, tudo isso é muito natural.

Agora, surge o supremo cinismo. A acusação referente à edição da MP nº 471/2009. Ora, essa MP somente prorrogou, até 2015, os incentivos fiscais que já haviam sido concedidos para o setor industrial pelo governo FHC.

Ela permitiu a dinamização de áreas economicamente deprimidas e possibilitou que Estados como Bahia, Goiás, Pernambuco e Ceará tivessem um significativo incremento de empregos no setor industrial, que passaram de 0,26% do total nacional, em 1999, para impressionantes 13,07%, em 2009.

Assim sendo, a referida MP deu uma contribuição inestimável para o desenvolvimento do Brasil e para a diminuição de suas desigualdades regionais.

Quando foram criadas por FHC, essas regras eram do interesse público. Mas, quando foram apenas prorrogadas por Lula, se transmutaram automaticamente em “propina”. É assim que funciona a cabeça cínica, hipócrita e ignorante dos acusadores de Lula.

Aliás, ninguém até agora explicou direito aquela história de FHC “passar o chapéu”, no Palácio do Alvorada, para construir seu Instituto.

Em dezembro de 2002, FHC ofereceu um jantar no palácio da Alvorada ao PIB. Presentes, entre outros, Emilio Odebrecht. Na ocasião, FHC passou o chapéu para construir seu Instituto. Resultado da arrecadação em apenas uma noite: R$ 7 milhões. Em valores de hoje, R$ 17,64 milhões.

Isso mesmo. FHC fez uma reunião num prédio público, ainda na presidência, para pedir dinheiro às empreiteiras e aos banqueiros para seus fins privados. O jantar, caríssimo, com finos vinhos franceses, foi pago com dinheiro público. Todo o mundo achou lindo. Ninguém sequer insinuou que podia ser propina por serviços prestados (muitos).

Não estou dizendo que tenha sido. Agora, imagina se tivesse sido o Lula ou a Dilma. Era impeachment na certa, com direito a horas de reportagens no Jornal Nacional, capas das principais revistas semanais e a centenas de artigos de raivosos colunistas.

Neste momento, criam um escarcéu em torno de um terreno que a própria acusação reconhece que nunca foi do Instituto Lula. Porém, se a Odebrecht tivesse feito a doação de um terreno para o Instituto FHC, ninguém teria achado nada de mais, assim como não acharam nada de mais que FHC “passasse o chapéu” em pleno Palácio do Alvorada.

Ninguém também decidiu investigar o papel de alguns países, principalmente dos EUA, no golpe e na Lava Jato partidarizada. Testemunhas brasileiras estão prestando depoimentos sigilosos às autoridades norte-americanas, sem o conhecimento de advogados de defesa envolvidos nos processos.

Empresas brasileiras estão sendo processadas nos EUA, por supostos ilícitos cometidos no Brasil, e obrigadas a pagar multas bilionárias. Petrobras, Odebrecht e várias outras empresas nacionais estão perdendo todo o acesso a um mercado externo vital para seus interesses e os interesses do Estado brasileiro, que agora será ocupado por empresas estrangeiras, inclusive norte-americanas.

Ninguém dá um pio. Ninguém se mexe. Parece que o nosso sistema de inteligência, a quem cabe a função de contrainteligência, só funciona para monitorar os opositores do golpe e os movimentos sociais.

Somos motivos de riso para diplomatas estrangeiros que sabem muito bem como funciona o jogo pesado da geopolítica mundial. Eles assistem com assombro a nossa passividade e ingenuidade com o desmonte de um país antes respeitado chamado Brasil.

De fato, essa contraofensiva moralmente hedionda e juridicamente vazia contra o PT, que se segue ao êxito extraordinário da Caravana de Lula pelo Nordeste, intenta mascarar o monumental fracasso do golpe que a quadrilha corrupta e a oligarquia reacionária cometeram contra a democracia brasileira.

Com efeito, o golpe destruiu nossa democracia, nossa economia, nossos empregos, nossos salários, nossos direitos trabalhistas, nosso Estado do Bem-Estar. Destrói nossa saúde, nossa educação, nossa soberania, nossa autoestima, nossa esperança, nossa alegria.

O golpe transformou a antiga sexta economia mundial, respeitada no plano internacional, numa republiqueta de bananas e numa plataforma colonial dependente. O golpe vende o Brasil, seu patrimônio, suas riquezas, seu futuro. O golpe vende a vida de nossos filhos e netos.

Para ocultar essa espantosa destruição, intenta-se destruir o PT, pois eles sabem muito bem que Lula o PT representam a única grande força democrática e popular capaz de deter essa ação predatória da agenda ultraneoliberal imposta ao país sem um único voto.

Não querem enfrentar democraticamente o PT nas urnas, querem transformá-lo no inimigo interno a ser destruído. Os novos judeus do Reich tupiniquim. Não querem o debate político de ideias e propostas, querem amordaçar os críticos do golpe.

Temem a quinta derrota eleitoral consecutiva que fatalmente viria. Querem uma “democracia” sem oposição real, sem protestos, sem vida, na qual os excluídos não tenham voz e voto.

Mas o povo brasileiro não se esquecerá do legado dos governos progressistas e populares. Não se esquecerá do papel central que o PT desempenhou na luta contra a ditadura e pela democracia. Não se olvidará da participação crucial do PT em todas as grandes lutas da população mais simples do Brasil.

Não se esquecerá dos 24 milhões de empregos que foram gerados. Não se esquecerá dos 42 milhões de compatriotas que saíram da pobreza. Não se esquecerá da fome finalmente saciada.

Não se esquecerá do Bolsa Família, do Minha Casa Minha Vida, do Mais Médicos, do Prouni, do Fies, da abertura das universidades para pobres, negros e índios e de tantos outros programas que incluíram os historicamente excluídos num país para todos. E que agora estão sendo asfixiados pelos golpistas.

Sem o PT e a liderança popular de Lula não haverá democracia real no Brasil. Haverá apenas fraude eleitoral e engodo político. Haverá um pleito sem escolhas efetivas.

Sem Lula e o PT, o povo brasileiro será forçado a escolher entre a direita “apolítica” e a extrema direita caricata.

Em qualquer hipótese, sem Lula e o PT teremos um Reich neoliberal.

Sem o PT e a liderança popular de Lula não haverá futuro. Haverá apenas o retrocesso a um passado de exclusão, fome, miséria, desigualdade e dependência.

Apesar das grosseiras injustiças, das ofensivas cínicas e hipócritas contra Lula e seu partido, contra o inimigo interno, contra os novos judeus do Reich tupiniquim, o povo brasileiro sabe que seu caminho de lutas sempre foi iluminado pela estrela do PT.

E o futuro pertence a que sempre esteve do lado do povo. O Auchswitz jurídico-político do Brasil terá vida curta.

Leia também:

Eugênio Aragão: O objetivo da direita é paralisar a História

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12 Sep 17:10

VÍDEO: a cena da cinebiografia de Zezé di Camargo em que o cantor e seu pai quase apanham por cantar “Tirania”

by Kiko Nogueira
12 Sep 11:50

Imóveis vazios e crise da moradia em Londres e São Paulo

by raquelrolnik

 

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Dificuldade para realojar desabrigados de incêndio em Londres revelou alto número de imóveis vazios na cidade. Foto: PPA

A divulgação do número de imóveis vazios em Londres, pelo jornal The Guardian, despertou um grande debate sobre a crise de moradia na capital inglesa. Segundo o periódico, são mais de 20 mil imóveis sem uso em toda a cidade. Um dos indicadores dessa crise foi a dificuldade da Prefeitura em encontrar lugar para realojar as vítimas do incêndio que atingiu o edifício Grenfell Tower, em junho deste ano, onde muitas famílias moradoras dependiam de auxílio-aluguel público para morar. Ao procurar imóveis disponíveis para alugar e abrigar as famílias, a Prefeitura descobriu que havia quase 1700 prédios fechados somente naquela região.

A capital inglesa vive a sua maior crise de moradia desde o final da Segunda Guerra Mundial. A maior parte das moradias sociais foi privatizada através do programa “Right to Buy”, durante o governo de Margareth Thatcher, levando ao desmonte do parque de habitação social. Diante dos números divulgados pela imprensa e da enorme fila de pessoas que necessitam de moradia, o atual prefeito da cidade, Sadi Khan, propôs que proprietários de imóveis vazios há mais de dois anos paguem um valor mais alto de Council Tax, um imposto anual sobre a propriedade de imóveis (similar ao nosso IPTU), implantado em 1993 no Reino Unido.

Há diversas razões para explicar a questão, mas, nos distritos de Kensington e Chelsea, onde estão as maiores concentrações percentuais de imóveis vazios, um fenômeno particular está ocorrendo já há alguns anos: ali estão localizadas mansões de milionários, sheiks do petróleo, plutocratas russos e companhias offshore. Recentemente, o ex-prefeito de Nova York Michel Bloomberg também tornou-se proprietário de uma dessas casas luxuosas.

Essas mansões, no entanto, não são usadas como moradia permanente, mas como uma espécie de “safe deposit box”, um cofre de segurança. Ou seja, mais um investimento financeiro do que a necessidade de uso,  o que traz consequências para toda a cidade, na medida em que contribui para valorizar intensamente algumas regiões, impactando também no aumento de preços em toda a cidade e, portanto, tornando  mais inacessível a moradia para quem de fato precisa viver lá.

A proposta do prefeito londrino de aumentar as taxas é uma tentativa de incentivar a ocupação dos imóveis. Há todo um embate na sociedade  e meios políticos para que a taxa – hoje limitada a 2% do valor do imóvel em toda Inglaterra –, aumente. Também se discute a efetividade de uma medida como esta.

Assim como Londres, sabemos que São Paulo também enfrenta uma grave crise habitacional. No começo da semana, a Prefeitura anunciou a intenção de reajustar o IPTU. No caso brasileiro, além de este imposto ser uma importante fonte de arrecadação do município, pode ser também um instrumento de política urbana e habitacional.

Desde a Constituição de 1988, nosso ordenamento jurídico entende que as propriedades devem cumprir uma função social e, por isso, aquelas que permanecem vazias ou subutilizadas, de acordo com o plano diretor de cada cidade, devem pagar IPTU progressivo no tempo, podendo o imposto chegar a até 15% do valor do imóvel. No final deste processo, se o imóvel continuar sem uso, pode chegar a ser desapropriado com pagamento em títulos da dívida pública.

Infelizmente, no entanto, na prática, isso não ocorre. São Paulo é uma das poucas cidades que começou, na gestão passada, a implementar o IPTU progressivo no tempo. Mas este mecanismo prevê um longo caminho até chegar à possibilidade de desapropriação, sem contar as muitas instâncias do poder judiciário às quais os proprietários podem recorrer para escapar da exigência.

Assim, muitos imóveis permanecem vazios e subutilizados, especialmente na região central. Boa parte deles tem, inclusive, grandes dívidas com a Prefeitura e, mesmo assim, sua possível transferência para o município encontra enormes dificuldades para se concretizar.

Um caso emblemático do que acabamos de descrever é a Ocupação Mauá, na região da Luz, onde há mais de dez anos moram dezenas de famílias de baixa renda. O prédio ficou fechado por duas décadas e tem uma dívida de mais de R$ 5 milhões com a Prefeitura. Ainda assim, a administração municipal depositou, em 2016, R$ 11 milhões em juízo para desapropriar o imóvel e transformá-lo em habitação de interesse social. Mas – pasmem – o proprietário recorreu à Justiça arguindo o valor e, depois disso, um perito nomeado pelo juiz avaliou que o prédio vale R$ 25 milhões.

Com isso, e com o aval do Judiciário, a tentativa da Prefeitura de obter a posse do imóvel não foi adiante. Agora, as famílias estão em risco eminente de remoção, já que a Justiça decidiu pela reintegração da posse ao proprietário. Ou seja, apesar do que afirma a Constituição Federal, perícia e Judiciário simplesmente ignoram a função social da propriedade. Em São Paulo assim como em Londres não será possível enfrentar a grave crise da moradia se princípios como este não forem respeitados e, interferirem , de fato, no funcionamento de mercados hoje extremamente especulativos.

Falei sobre isso na minha coluna da semana passada na Rádio USP. Ouça Aqui.


09 Sep 14:00

A emenda saiu pior que o soneto: sobre a votação do aumento do IPTU no Rio e as disputas fratricidas no campo da esquerda, por Daniel Samam

by Daniel Samam

Um meme produzido pela comunicação do mandato do vereador Tarcísio Motta (PSOL-RJ) sobre a votação do Projeto de Lei (PL), de autoria do alcaide Marcelo Crivella (PRB), que alterou os valores do IPTU em nossa cidade, foi postado originalmente em sua página no Facebook (postagem no link: https://goo.gl/s4ciYb). Tratava-se do conhecido panfleto eletrônico com a imagem das vereadoras e vereadores que votaram contra ou a favor de um determinado tema. Dizia o texto: "Veja quem votou CONTRA a proposta do PSOL de cobrar mais de quem tem mais e menos de quem tem menos". Estava lançada a "manchete". Tarcísio e sua equipe, colocaram as fotografias dos vereadores que não foram favoráveis à proposta do PSOL carioca. Entre as fotos, estava a imagem dos vereadores do PT carioca, Luciana Novaes e Reimont.

Realmente, os vereadores do PT votaram contra a emenda apresentada pelo Vereador Tarcisio Motta. E não tinha como ser diferente, pois desde o início, Reimont e Luciana deixaram claro que votariam contra o projeto de Crivella, que o PT não apresentaria emendas e que votariam contra quaisquer emendas apresentadas por quaisquer vereadoras e vereadores, porque, se admitidas, no nosso entendimento, apenas serviriam para dar credibilidade e sustentação à proposta do alcaide, cujo cerne do projeto é cobrar mais dos que têm menos e cobrar menos dos que têm mais. Ou seja, algo que nenhuma emenda seria capaz de alterar.

O post do parlamentar do PSOL carioca foi idêntico a manchete do jornal O Globo de ontem (6), que apelou para a descontextualização ao publicar em sua primeira página uma manipulação criminosa, onde o panfleto dos Marinho combinou a manchete, que noticiava a denúncia apresentada pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, contra Lula, Dilma e o PT, com a foto das malas e caixas com R$ 51 milhões, apreendidas pela Polícia Federal (PF) no apartamento atribuído ao ex-ministro Geddel Vieira de Lima (PMDB-BA). 

Tarcísio se valeu do mesmo recurso da descontextualização. Sua publicação omite intencionalmente a informação de que Reimont e Luciana Novaes votaram NÃO ao PL de aumento do IPTU do alcaide Crivella e que, ao longo dos últimos dias, seja na tribuna da Câmara ou nas redes sociais, deixaram claro que o Partido dos Trabalhadores não apresentaria emendas ao projeto, não votaria a contra o PL e de nenhuma emenda proposta pelos demais vereadores. Reimont e Luciana defendiam que qualquer mudança na cobrança do IPTU deveria ser debatida amplamente com a população e que isso precisaria de mais tempo de debate. Reimont, inclusive, sinalizou que a solução do IPTU de maneira imediata passaria pela cobrança dos maiores devedores de IPTU no município do Rio que, segundo a Coordenadoria de Auditoria e Desenvolvimento, durante inspeção em 2015, registrou uma dívida de IPTU de R$ 4,2 bilhões dos 15 maiores sonegadores, que são os espólios de Abílio Soares de Souza e de Pasquale Mauro, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Dataprev e a Construtora Carvalho Hosken, entre outros. No entanto, tudo isso foi ignorado por Tarcísio e sua equipe ao tratarem os diferentes de maneira igual, ao colocar Reimont e Luciana Novaes no mesmo balaio que os parlamentares da base de apoio de Crivella. 

Historiador que é, Tarcísio sabe que não tem o direito de descontextualizar. Mas o fez, quem sabe, à serviço de uma disputa partidária mesquinha ou apenas para angariar mais votos na próxima eleição.

E pra deixar tudo às claras, eu, Daniel Samam, sou filiado ao Partido dos Trabalhadores, coordenador de núcleo e dirigente zonal do partido e faço parte da assessoria no mandato militante do Vereador Reimont, do qual tenho muito orgulho de participar e ajudar a construir.

Alguns setores e correntes internas do PSOL precisam entender de uma vez por todas que não faz sentido disputar espaços simbólicos e representativos com o PT no âmbito da esquerda. Tampouco empreender esforços no intuito de desconstruí-lo, de retirá-lo do seu espaço político construído bravamente em quase 38 anos. O PT fez história. Durante sua construção, se articulou com segmentos sociais dos mais diversos e foi se capilarizando em quase todos os setores da sociedade brasileira.

Vivemos um dos momentos mais graves de nossa história. Sofremos um golpe de estado, uma grande derrota do campo democrático-popular e estamos sobre uma forte vendeta neoliberal que nos impõe um profundo retrocesso nos direitos sociais. Ou seja, uma conjuntura que exige que as forças progressistas, populares e de esquerda cerrem fileiras para conter os retrocessos. Logo, querer desconstruir militantes e parlamentares de esquerda é sim fazer o jogo da direita mais vil e predatória.

Tenhamos mais responsabilidade com a esquerda e, sobretudo, com o povo. Ou nos integramos minimamente ou seguiremos no gueto, isolados, perdendo. O inimigo é outro, é maior e bem mais perigoso.
09 Sep 13:37

FILME da LAVA JATO estreia com FIASCO até EM CURITIBA

by eduguim

filme capa

Tudo foi armado para produzir um dia de tragédia para Lula. Na véspera, divulgação planejada milimetricamente de depoimento do ex-ministro petista Antonio Palocci se somaria à estreia de um panfleto caríssimo, com financiamento “secreto” que se dedica a acusar o ex-presidente.

Palocci cumpriu o acordo. Inventou uma tonelada de mentiras sobre o amigo de trinta anos, quem, até há pouco, manifestava descrença de que o hoje ex-amigo jamais praticaria o ato que praticou ao lhe fazer acusações terríveis sem apresentar uma mísera prova e sem, ao menos, dizer que pode provar as acusações que fez.

Já o panfleto em questão, foi bem menos eficiente.

A reportagem da “Gazeta do Povo”, jornal eletrônico paranaense sediado em Curitiba, bem que tentou colorir de alguma forma a estreia do panfleto multimilionário feito para ajudar a Lava Jato a destruir Lula e o PT, o objetivo único desse crime de lesa-pátria travestido de combate à “corrupção”. Mas não foi possível.

O silêncio da mídia sobre a estreia do filme sobre a Lava Jato – Polícia Federal, a lei é para todos – já insinua como foi a estreia do panfleto antipetista no Dia da Independência…

Ou alguém acha que a mídia não bateria bumbo se tivesse havido salas lotadas com multidões vestidas com camisetas amarelas esperando em longas filas para assistir à overdose de antipetismo?

A título da reportagem da tal “Gazeta do Povo” já diz tudo:

Sem a lotação esperada, filme sobre a Lava Jato estreia bem acolhido pelo público

O subtítulo também se esforça para dar a “boa notícia” que dez entre dez fascistas tupiniquins esperavam:

Primeira sessão do filme Polícia Federal A Lei é Para Todos entusiasma espectadores em Curitiba. Filme estreou em 16 salas

Porém, a matéria tem que falar do que não quer. Vamos a ela, pois.

GAZETA DO POVO

Sem a lotação esperada, filme sobre a Lava Jato estreia bem acolhido pelo público

Primeira sessão do filme Polícia Federal A Lei é Para Todos entusiasma espectadores em Curitiba. Filme estreou em 16 salas.

 

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SANDRO MOSER 07/09/2017 18:35

Com a concorrência de uma bela tarde de sol, o filme Polícia Federal – A Lei é Para Todos estreou nesta quinta-feira (7) em 16 salas de cinema Curitiba e região metropolitana.

Na plateia, nem tanta gente quanto os produtores talvez esperassem. Na primeira sessão comercial, na sala 3 do Espaço Itaú (com capacidade para 208 lugares) cerca de 60 pessoas pagaram ingresso para ver o filme. No CineSystem do Shopping Curitiba a proporção de ocupação da sala foi praticamente a mesma.

A recepção de apoio ao filme, porém, foi calorosa entre as pessoas que se dispuseram a ver a primeira sessão. O filme do diretor Marcelo Antunez mostra os bastidores da Operação Lava Jato, desde o inicio até a condução coercitiva do ex-presidente Lula em março de 2016.

O longa estreou em mais de mil salas no Brasil todo e teve uma pré-estreia muito concorrida há uma semanas.

As amigas Maria Lúcia Vieira e Dulce Meri fizeram questão de assistir a primeira sessão e saíram empolgadas do filme.“É uma prova da realidade que a gente tem visto na imprensa. O filme é muito bem feito e prende a atenção. A fotografia é boa; a trilha e as atuações são ótimas”, opina Maria Lúcia.

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Já Dulce conta que vai começar a propaganda boca-a boca assim.“Vou indicar aos amigos. Acho que todo brasileiro deveria assistir. A Lava Jato é nossa esperança de mudanças. E acho que muitas coisas já mudaram”.

A professora Elisa Maria Setim conta que o filme será trabalhado em sala de aula com seus alunos na próxima semana.“Como professora, trabalho com estes temas em sala. O fato de filme ter sido lançado em pleno Sete de Setembro tem uma significação grande”.

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A professora Elisa vai trabalhar o filme com seus alunos.

A professora destaca o “padrão internacional” do filme do ponto de vista técnico.“É muito bacana ver as locações em Curitiba como o Parque Barigui e o prédio histórico da Universidade Federal”, comenta.

Para ela o filme funciona como thriller de ação, mas com uma “ressalva dolorosa. “Saber que não é ficção é muito duro. É diferente você ver outro filme de ação e sabe que saiu tudo da cabeça do roteirista”, reflete. “Neste caso, dói porque é verdade”.

Esse é um trabalho para a turma do “escola sem partido”… Ou não.

Seja como for, se na República de Curitiba a estreia do panfleto antipetista foi um fiasco, em São Paulo o resultado foi ainda pior.

Os deputados estaduais José Américo (PT-SP) e Marco Vinholi (PSDB-SP) aceitaram o convite do jornal O Estado de São Paulo para assistir ao filme antipetista que a Lava Jato conseguiu financiar sabe-se lá como.

SAO PAULO - 07/09/2017 - POLITICA - Os deputados estuduais Zé Americo (PT) de jaqueta e Marco Vinhole (PSDB) de camisa polo, assistem o filme "Poolicia Federal - A lei é para todos" no Shopping Cidade Sao Paulo no Jardins - FOTO: BRUNO NOGUEIRÃO / ESTADÃO

SAO PAULO – 07/09/2017 – POLITICA – Os deputados estuduais Zé Americo (PT) de jaqueta e Marco Vinhole (PSDB) de camisa polo, assistem o filme “Poolicia Federal – A lei é para todos” no Shopping Cidade Sao Paulo no Jardins – FOTO: BRUNO NOGUEIRÃO / ESTADÃO

Segundo o Estadão, sobre a polêmica que ronda o filme – quem são seus financiadores? – os dois parlamentares paulistas concordaram que a não divulgação da identidade de quem investiu “grana” no longa pode dar margem a suspeitas. “O filme tem muitas cenas de estúdio, o que não justifica o custo de R$ 16 milhões”, disse José Américo.

Sempre segundo o jornal, Américo teria apontado “incongruências” na obra. “A PF não tem agente? São os delegados que dirigem os carros durante as ações.”

Incomodou também a reação do “Lula do filme” durante a condução coercitiva. No filme, o ex-presidente pergunta sobre o agente Newton Ishii, conhecido como “japonês da Federal”, e diz que ele é um ladrão.

“A imprensa toda deu que, na ocasião, o Lula fez uma piada sobre o ‘japonês da Federal’. Não é da personalidade do Lula chamar alguém de ladrão”. Para Américo, o Lula interpretado pelo ator Ary Fontoura não seria eleito “nem vereador no interior”.

O jornal fez questão de pontuar que, ao final do filme, a plateia “aplaudiu”. Só não contou que a plateia estava quase vazia. Em São Paulo o fiasco foi maior ainda que em Curitiba.

Alguns dirão que “é lógico que o filme teve baixa audiência, porque estreou em um feriado”. Ora, em primeiro lugar a escolha da data para lançamento – 7 de setembro – foi feita justamente para ajudar o filme a estrear com sucesso de público, até porque, em um feriado no meio da semana, há mais pessoas sem maiores afazeres e que podem ir ao cinema.

A razão do fiasco não é só o antipetismo previsível e escrachado, o maniqueísmo, a montanha de invenções sobre a Lava Jato e sobre as operações antipetistas que até a insuspeita Folha de São Paulo denunciou na reportagem “Descubra o que é fato e o que é invenção no filme da Lava Jato”. A razão é que o filme é ruim mesmo.

Quem diz isso não é esta página, mas veículos como o jornal espanhol El País ou o insuspeito Zero Hora.

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Não será difícil arrastar os antipetistas fanáticos para ver antipetismo na telona. O problema é que cinema requer públicos exponencialmente maiores. Os 16 milhões que o filme custou foram torrados para a Lava Jato pregar para convertidos. O povo não vai dar a  menor bola a esse lixo caro e suspeito.

08 Sep 13:59

Dilma ataca versão de Palocci: Odebrecht pagou 300% a mais pelo direito de explorar o Galeão; que benefício é esse?

by Conceição Lemes

Sobre o depoimento de Antonio Palocci

7 de setembro de 2017

Do Blog de Dilma Rousseff

A respeito das declarações prestadas pelo ex-ministro Antonio Palocci em depoimento à Justiça Federal na quarta-feira, 6 de setembro, a Assessoria de Imprensa da presidenta eleita Dilma Rousseff esclarece:

1. O senhor Antonio Palocci falta com a verdade quando aponta o envolvimento de Dilma Rousseff em supostas reuniões de governo para tratar de facilidades à empresa Odebrecht, seja durante o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou no primeiro governo dela. Tais encontros ou tratativas relatadas pelo ex-ministro jamais ocorreram. Relatos de repasses de propinas também são uma mentira.

2. Todo o conteúdo das supostas conversas descritas pelo senhor Antonio Palocci com a participação da então ministra Dilma Rousseff – e mesmo quando ela assumiu a Presidência – é uma ficção. Esta é uma estratégia adotada pelo delator em busca de benefícios da delação premiada.

3. O episódio em que cita um inacreditável benefício à Odebrecht pelo governo Dilma Rousseff, durante o processo de concessões de aeroportos, mostra que o senhor Antonio Palocci mente.

4. O ex-ministro declarou perante a Justiça Federal que a decisão do governo Dilma de não permitir que um consórcio ou empresa ganhasse mais de um aeroporto foi criada pela presidenta eleita para beneficiar diretamente a Odebrecht. Isso é uma mentira!

5. Tal decisão foi tomada pelo governo para gerar concorrência entre as empresas concessionárias de aeroportos. Buscou-se evitar que, caso uma empresa tivesse a concessão de dois aeroportos, priorizasse um em detrimento do outro. O governo Dilma buscava atrair mais empresas para participar do sistema aeroportuário, garantindo que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), como órgão regulador, tivesse mais parâmetros para atuar. Mais concorrência, menos concentração.

6. Eis um fato que desmascara as mentiras do senhor Antonio Palocci. A empresa Odebrecht, que ganhou a disputa junto com o grupo Changi, pagou R$ 19,018 bilhões pela outorga do Galeão. Sem dúvida, é a maior outorga paga por aeroportos no Brasil, o que afasta a acusação de beneficiamento indevido declarada por Palocci.

7. O quadro abaixo demonstra que a Odebrecht foi responsável pela maior outorga paga ao Governo para o direito de explorar apenas um dos seis aeroportos cujas concessões foram feitas pelo governo Dilma:

CONCESSÕES DE AEROPORTOS NO GOVERNO DILMA

São Gonçalo do Amarante, Natal (RN)

Grupo vencedor: Consórcio InfrAmerica – Infravix (50%) + Corporación America (50%)

Estimativa de investimentos: R$ 650 milhões

Outorga: R$ 170 milhões

Guarulhos

Grupo vencedor: Invepar (90%) + ACSA (10%)

Estimativa de investimentos: R$ 4,6 bilhões

Outorga: R$ 16,213 bilhões

Viracopos

Grupo vencedor: Consórcio Aeroportos Brasil – Triunfo (45%) + UTC (45%) + Egis (10%)

Estimativa de investimentos: R$ 8,7 bilhões

Outorga: R$ 3,821 bilhões

Brasília

Grupo vencedor: Consórcio InfrAmerica – Infravix (50%) + Corporación America (50%)

Estimativa de Investimentos: R$ 2,8 bilhões

Outorga: R$ 4,501 bilhões

Galeão

Grupo vencedor: Odebrecht (60%) + CHANGI (40%)

Estimativa de investimentos: R$ 5,65 bilhões

Outorga: R$ 19,018 bilhões

Confins

Grupo vencedor: CCR (75%) + Munich/Zurich (25%)

Estimativa de investimentos: R$ 3,5 bilhões

Outorga: R$ 1,1 bilhão

8. Eis os fatos. A ficção criada pelo senhor Antonio Palocci não se sustenta. A Odebrecht pagou 300% a mais pelo direito de explorar o aeroporto do Galeão. Nenhuma empresa desembolsou tanto. Que benefício ela obteria do governo Dilma Rousseff pagando a mais? Qual a lógica que sustenta o relato absurdo do ex-ministro?

9. A lógica que move o senhor Antonio Palocci é a mesma que acomete outros delatores presos por longos períodos. A colaboração implorada é o esforço de sobrevivência e a busca por liberdade. Isso não significa que se amparem em fatos e na verdade. É um recurso desesperado para se livrar da prisão. Em outros períodos da história do Brasil, os métodos de confissão eram mais cruéis, mas não menos invasivos e implacáveis.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
DILMA ROUSSEFF

Leia também:

Falando em “pacto de sangue”, Palocci incrimina Lula; para a defesa, ex-ministro busca benefícios

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07 Sep 12:40

Pesquisa mostra que auxílio-moradia ajuda Moro a furar teto constitucional todos os meses. Por Joaquim de Carvalho

by Joaquim de Carvalho
Ascânio e João Roberto Marinho entregam a Moro o prêmio “Faz Diferença” (Foto de Fabio Rossi / Agencia O Globo)

REPORTAGEM PUBLICADA EM 6/09/2017 MOSTRA QUE MORO É UM DOS MAIS CONTUMAZES FURADORES DO TETO CONSTITUCIONAL DO JUDICIÁRIO, ATITUDE QUE A PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL CONSIDERA INACEITÁVEL NA REPÚBLICA.

O professor universitário Fabiano Kenji Nohama pesquisou mês a mês o salário que Sergio Moro recebeu desde janeiro de 2015 e mostra com números que a maior celebridade do Poder Judiciário é contumaz na ação de furar o teto constitucional.

Seu levantamento mostra que o salário bruto médio mensal de Moro em 2015 foi de R$ 54.339,15. Em 2016, R$ 57.321,83. Nos primeiros sete meses de 2017, o juiz teve salário bruto de R$ 45.056,49.

Pela Constituição, o teto é de R$ 33.763,00, bruto, sem os descontos de imposto de renda e previdência social.

Moro levou para casa em 2015, na média mensal, R$ 35.251,35. Em 2016, R$ 39.074,75 e, em 2017, nos primeiros sete meses, R$ 30.882,00.

É mais do que recebe, por exemplo, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que em entrevista a Gerson Camarotti, do G1, revelou receber R$ 23 mil líquidos.

Ao votar contra o aumento de 16,38% no salário dos ministros do Supremo, Barroso disse que considera uma “fraude” salários pagos acima do teto.

Moro teve vencimentos brutos acima do teto em todos os 32 meses pesquisados pelo professor Fabiano. Em cinco meses, o salário líquido foi superior a R$ 50 mil. Em dois, maior do que R$ 60 mil. Em um mês — dezembro de 2016 —,  ultrapassou os R$ 100 mil.

Fabiano procurou no site do Tribunal Regional Federal da 4a. Região a justificativa para salários tão elevados e encontrou “referências muito vagas”.

A maior parte da receita de Moro paga pelos cofres públicos no mês de dezembro de 2016 foi sob a rubrica “vantagens eventuais”.

Quando se clica na interrogação que acompanha a rubrica, informa-se que o juiz recebeu R$ 83.379,50 a título de: “Adicional de 1/3de férias, antecipação de férias, gratificação natalina, antecipação de gratificação natalina, serviço extraordinário, substituição, convocação, gratificação de acúmulo de jurisdição, além de outras desta natureza”.

Dezembro de 2016 foi o mês em que juiz fez pelo menos três palestras ou conferências, uma delas em Heidelberg, na Alemanha, no dia 9.

Fica difícil entender por que, neste mês, ele recebeu por “serviço extraordinário”, já que teve de se ausentar de Curitiba para suas atividades extra jurisdicionais.

“O site não informa qual é o serviço extraordinário. É muito pouco transparente”, disse ao Diário do Centro do Mundo o professor, que constatou também que o TRF 4 não fala a verdade quando informa, em nota , que nenhum desembargador ou juiz recebe acima do teto constitucional.

O resultado do levantamento de Fabiano foi publicado em sua página no Facebook, com o printscreen de todas as consultas. Na postagem, ele informa:

“Procurei apurar as informações com calma tendo uma pontinha (quase invisível) de esperança na veracidade da notificação (a nota em que o TRF garante respeitar o teto constitucional). Afinal, ainda é um tribunal federal e eles poderiam ter dado atenção ao abuso salarial detectado no ano passado. Mas tal esperança cai por terra ao passar pelos valores do salário de Moro de 2016 e 2017 (até o mês atual). (…) Podemos afirmar que:

1) O salário médio do juiz permaneceu acima do teto constitucional em 2016 (e mantém a mesma tendência em 2017).

2) No período de 2 anos e 8 meses deste levantamento, o salário mensal do juiz ficou acima do teto constitucional em TODOS os meses, sem uma única exceção (como diabos isso se encaixa no EVENTUAL recebimento acima do teto na nota do TRF4?).

3) O que a nota chama de parcelas EVENTUAIS e EXTRAORDINÁRIAS atinge valores de até R$58.000 na remuneração de Moro. E elas deixaram de ser pagas raríssimas vezes (4 meses em 2015, 2 meses em 2016 e 1 mês em 2017), indicando que o não pagamento da parcela EVENTUAL que é a verdadeira exceção.”

O professor Fabiano Kenji Nohama em Berkeley

Fabiano Kenji Nohama é de São Paulo, estudou Física na Unicamp, onde também fez mestrado e doutorado na área de Física e de computação quântica. Há sete anos, é professor concursado da Universidade Federal de Tocantins, onde coordena o curso de Engenharia, Bioprocesso e Biotecnologia.

Seu salário bruto é de R$ 12.600 – líquidos R$ 9.225,00. Já fez palestras na Europa e nos Estados Unidos – a última delas em Berkeley, na Califórnia. Tem celular, mas não o aplicativo de WhatsApp. Sua pagina no Facebook tem apenas uma foto – 3 por 4 —, que ilustra o perfil.

Criou a página no auge do movimento que resultou no golpe contra Dilma Rousseff, como forma de incentivar os alunos a debater o momento que ele viu como histórico. Deixou de ver o Jornal Nacional e de ler a Folha de S. Paulo há dez anos, quando detectou uma sistemática prática de manipulação.

Hoje lê apenas veículos da mídia independente, principalmente o Diário do Centro do Mundo e o Tijolaço. Fez a pesquisa sobre Sergio Moro como forma de protesto, diante do que vê como justiça de dois pesos e duas medidas e veículo para perseguição política.

“Meu levantamento é muito simples. Foi apenas uma forma de tentar divulgar as informações escondidas pela grande mídia”, afirmou. Para facilitar o entendimento, ele ainda recorreu à sátira, com uma montagem em que brinca com o título do filme sobre a Lava Jato:

“A Lei Não É para Todos – Um ano e meio depois da revelação do supersalário, o Eliot Ness do 60 Minutos não quis largar o butim com o dinheiro do povo” é o título da montagem, com a foto de Moro dando entrevista à TV americana.

Sobre os salários acima do teto, escreveu:

“Este esquema não pode mais ser tratado como uma simples ‘falha’ na legislação. Com os valores envolvidos e seu amplo alcance, ele deve ser apontado pelo que é: um esquema generalizado e perigoso de corrupção.”

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07 Sep 12:33

Lula e Dilma criaram universidades; PMDB-PSDB acabam com a primeira

by Katia Guimarães

Parecer do ministério da Fazenda exige extinção da UERJ, primeira universidade a adotar cotas, e demissão de servidores em troca do socorro financeiro ao Estado

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03 Sep 11:00

Eclipse Solar

by nobody@flickr.com (Carlos Moisés)

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Eclipse Solar

Eclipse solar de 21/08/2017, visto parcialmente em Mossoró-RN, região Nordeste do Brasil. Foto tirada com uma Sony DSC-RX100.

02 Sep 11:54

O Extra nunca faria com Galvão Bueno a cafajestada que fez com o goleiro Muralha. Por Sacramento

by Marcos Sacramento

Famoso por suas capas de efeito, o jornal Extra deu mostras de que não segue a velha e sábia afirmação de que “brincadeira tem hora” ao fazer uma chacota com o goleiro Alex Muralha, do Flamengo.

O jogador, apontado como um dos responsáveis pela eliminação do time nas semifinais da Primeira Liga, aparece em um comunicado de capa onde o jornal informa que não o chamará mais pelo apelido imponente.

“Alex Roberto, o ex-Muralha, mais uma vez desmoralizou o vulgo, levando um frango no jogo contra o Paraná pela Primeira Liga. Além de ter errado 100% dos lados nas cobranças de pênaltis, completando 545 sem defender uma penalidade”, informa o “comunicado”.

Muralha, com razão, ficou indignado com a capa e publicou uma nota, onde chama o ato de “humilhação” e “execração pública”. Ele destaca o perigo, inclusive, da capa incitar a violência contra jogadores do clube.

“Numa época tão difícil, em que a gente vê tanta barbaridade por aí, uma atitude como essa não contribui em nada, nem para o jornalismo esportivo nem para o futebol”, diz a nota do goleiro.

Não há exagero nestas palavras. Clube de futebol com a maior torcida do Brasil, segundo a última pesquisa do Lance, o Flamengo coleciona episódios de hostilidades da própria torcida contra jogadores e comissão técnica.

Em 2002, cerca de 50 integrantes de uma torcida organizada invadiram o treinamento do time, jogaram bombas e morteiros no campo e cercaram os jogadores. O goleiro do Flamengo na época, Júlio César, chegou a ser atingido por um soco.

Dois anos depois, o mesmo goleiro e outros ídolos históricos como Júnior e Zinho foram encurralados por maus torcedores rubro-negros ao desembarcarem no aeroporto Santos Dumont após derrota para o Atlético Mineiro.

Seria possível elencar outros episódios semelhantes envolvendo o Flamengo, o Corinthians e até mesmo o meu Fluminense, com torcida nove vezes menor que a do rival rubro-negro. Mas não é preciso muito esforço argumentativo para afirmar que o Extra poderia ter criado um incêndio.

Não bastasse ser cruel contra um profissional que experimenta no dia a dia uma pressão imensa por parte da torcida, dos cartolas e de empresários e a qualquer momento pode ver suas conquistas eclipsadas por um erro pontual, o Extra foi malandramente seletivo na escolha do seu alvo.

Humilhar jogador de futebol é mais fácil que emitir um comunicado informando que diante dos seguidos erros o governador Pezão, do Rio de Janeiro, será chamado apenas pela alcunha, sem o cargo público para o qual foi eleito. Ou informando aos leitores que a palavra “golpista” precederá o nome de Michel Temer nas matérias em que ele foi citado.

Jornal pródigo em capas com trocadilhos e brincadeiras com nomes inusitados, nunca vi uma capa inspirada do Extra para o empresário e dono de uma das maiores frotas de ônibus do Rio Jacob Barata Filho, preso recentemente por envolvimento no pagamento de propina a políticos. Seria medo ou respeito aos poderosos?

O jornalista inglês Tim Vickery, correspondente da BBC no Brasil, matou a charada.

“É uma falta de respeito, esse tipo de coisa é crônica na imprensa brasileira, a maneira de tratar o jogador como ridículo, essa falta de respeito com os jogadores é grave, acontece o tempo todo. Eu vejo que o grande motivo disso é o abismo social entre os jornalistas, de classe média e alta, e a classe social de onde vêm os jogadores. Vejo isso acontecendo cada vez mais na Inglaterra pelos mesmos motivos. Algumas décadas atrás, o meio social dos jornalistas era muito parecido ou igual ao dos jogadores, hoje não é mais”, disse Vickery no programa Redação Sportv.

Para Vickery, o pai da capa humilhante do Extra é ele, o onipresente preconceito de classe.

Diante da leniência do Extra perante alguns poderosos, é mais fácil um perna de pau canhoto fazer gol no Muralha chutando com a direita que alguém conseguir refutar a afirmação do jornalista inglês.

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