O clima esquentou entre a bancada evangélica e o secretario da Receita Federal Marco Cintra após o auxiliar de Bolsonaro defender em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo a criação de um imposto previdenciário que até as igrejas teriam que pagar.
O pastor Silas Malafaia foi furioso ao twitter dizer que ainda nesta segunda-feira (29) divulgaria um vídeo explicando porque as igrejas não pagam imposto no Brasil. Em um vídeo curto ameaçou Marco Cintra:
– “Eu vou arregaçar em cima desse cara”, disse.
Pelas leis de hoje, nenhuma igreja, evangélica ou não, paga imposto no país.
A revolta da bancada evangélica com a entrevista de Cintra obrigou o presidente Jair Bolsonaro à divulgar às pressas um vídeo nas redes sociais desmentindo o secretário da Receita Federal.
Bolsonaro disse que o Governo não criaria nenhum imposto.
Marcos Cintra não é o primeiro auxiliar de Bolsonaro a ser desmentido pelo presidente e pelo visto não será o último.
A bancada evangélica reagiu às declarações do secretario da Receita.
O deputado federal Lincoln Portela (PR), que presidia a bancada até março, disse que caso Cintra repetisse o que disse seria demitido:
“Se ele repetir isso mais umas três vezes, ele cai. O Cintra é meu companheiro dos tempos de deputado. Vou ligar para ele e falar: ‘Ô, meu irmão, fica quieto aí’. As igrejas ensinam a ler, pagar imposto e trabalhar, chegam aonde o governo não chega”, disse.
O polêmico Marco Feliciano também ironizou a situação:
– “Com esse tipo de pessoas no governo, quem precisa de oposição?”, afirmou.
O site Cartas pro Lula, lançado no aniversário de 1 ano da prisão do ex-presidente, está reunindo mensagens enviadas por eleitores, admiradores e quem mais tiver interesse de escrever para a principal liderança popular do Brasil.
Além de pessoas comuns também já enviaram cartas artistas e personalidades, a exemplo de Ana Cañas, Djamila Ribeiro, Frei Betto, Marilena Chauí, Renato Janine Ribeiro, Olívia Byington, Paulo Sérgio Pinheiro e o ativista Naom Chomsky
– “Ficamos felizes em ver que seu astral está ótimo e que seu compromisso de salvar o Brasil segue inabalável”, diz Chomsky após assistir a entrevista de Lula aos jornais El País e Folha de S.Paulo
Ex-secretário de Estado de Direitos Humanos no governo FHC e membro da Comissão Nacional da Verdade, o relator da ONU Paulo Sérgio Pinheiro se solidarizou com ex-presidente:
“Não há um dia em que eu não me lembre da dor, do constrangimento, do escândalo no Brasil e no mundo de você estar trancafiado numa sala de 15 metros quadrados em Curitiba, enquanto todo o Brasil e nós precisamos tanto de você para fazer face aos horrores da conjuntura do dia a dia”, escreveu.
O próprio site Cartas pro Lula também escreve seu recado ao ex-presidente:
“Você encontrará nestas páginas alguns velhos amigos, intelectuais e artistas, parceiros de caminhada, lideranças e admiradores. Encontrará, também, se tudo der certo, mensagens enviadas por pessoas que não gostam do PT, que são ou já foram seus adversários, e que exatamente por isso teriam muito a contribuir para a construção do futuro, dialogando sobre temas relevantes com um interlocutor da sua estatura. O único requisito é escrever com civilidade. Sem perder a ternura”.
A data de lançamento foi propositalmente escolhida por três motivos. Além de marcar o aniversário da prisão de Lula, o dia também marca o aniversário da ex-primeira dama Marisa Letícia, além de celebrar o Dia do Jornalista.
O site Cartas para Lula provoca os leitores a escrever. O que você diria ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva?”, pergunta a equipe do site recém-lançado em sua página no Facebook.
Houve uma reportagem que andou viralizando sobre a Livraria Cultura mostrando o quanto os empregados são coagidos pelo patrão. Quem leu ficou chocado. Gostaria de dizer hoje, 28 de Abril, no Dia da Educação, que isso é a realidade de muitas empresas e que escola particular, em muitos casos, funciona como tal.
Trago histórias pessoais já que leciono há 26 anos e trabalhei por mais de uma década em uma escola particular.
Com três anos de casa, fiquei grávida. Quando fui comunicar ao diretor, ouvi dele:
“Uma excelente maneira de acabar com uma excelente carreira é casando e tendo filhos. Você está acabando com a sua vida.”
Eu era muito nova mas havia entendido já muito coisa e, por isso, chorei. Não por acreditar naquela baboseira, mas por compreender o poder opressor do capital.
O diretor ela centralizador e arrumou uma maneira de descobrir quando errávamos na correção das provas, coisa absolutamente comum entre nós, professores e professoras, que corrigimos centenas de prova mensalmente. Erramos em contagem, em critério de correção, em não ter visto a resposta que o aluno colocou bem no canto da questão e por aí vai. Entregávamos a pauta com o nome e as notas dos alunos para o diretor antes de entregarmos as provas corrigidas para a turma.
Cada vez que um aluno vinha reclamar da correção e mudávamos o conceito dado, tínhamos que preencher um documento para que a nota fosse alternada “no sistema”.
Isso gerou um acúmulo de papel na mesa do diretor.
Na hora do recreio, enquanto conversávamos e lanchávamos na sala dos professores, o diretor entrou e jogou todos aqueles papéis com alteração de nota na mesa e começou a nos xingar de incompetentes para baixo.
Quando um professor foi falar que aquilo era normal dado nossa carga de trabalho, ele ouviu que “normal é o professor ser pago para trabalhar direito” e que se ele continuasse se equivocando na correção das provas que fosse ser “normal” em outro lugar.
Nunca tinha visto aquilo na vida. Uma humilhação sem tamanho. Teve professor que deixou o lanche pela metade não porque a fome tinha passado mas porque a tristeza tem dessas coisas de fazer com que abandonemos o que nos alimenta.
Um dia eu estava passando mal.
Muito mal.
Dor de cabeça e tonta pela manhã.
Encontrei o diretor no corredor e disse a ele que não estava bem. Pedi para ser liberada das aulas da tarde porque não estava conseguindo ficar em pé direito. Ele me disse que eu havia avisado em cima da hora e que não teria ninguém para me substituir. Ofereceu o sofá em sua sala com ar condicionado para eu deitar um pouco numa “janelinha” que tinha no final da manhã. Mesmo tímida, eu aceitei.
Apaguei no sofá.
A secretária veio me acordar às 13h para eu dar aula. Trabalhei a tarde toda. Cheguei em casa, minha mãe estava com meus filhos. Olhou para mim e se assustou.
Eu estava com 39,5 de febre.
Mas o pior não foi isso. Lembro-me que fomos convocados para uma reunião. Todos nós tínhamos carteira assinada e a reunião era para nos oferecer uma proposta: que déssemos baixa na nossa carteira e que a quantia paga de encargos trabalhistas seria acrescentada no nosso salário. Tudo bem que não teríamos mais o décimo terceiro, o diretor explicou. Mas se juntarmos o que ganharíamos de “aumento”, daria até mais no final. Havia professores que tinham um plano de carreira ali dentro. Os mais antigos ganhavam mais por isso.
Ele disse que essa “vantagem” seria mantida.
Muitos acreditaram e a festa do caixa dois aconteceu de comum acordo entre vários colegas e a direção. Era “opcional”, mas a pressão foi tanta que dava para contar nos dedos de uma mão quantos resistiram.
Conclusão: com o tempo, vários professores foram demitidos e outros tiveram o salário reduzido já que ganhamos em cima de tempo de aula dado e as turmas a nós oferecidas foram sendo dadas para professores mais novos “sem plano de carreira”. Na época, eu não tinha nem 30 anos mas havia professor que tinha quase isso de casa e foi substituído por um outro “mais barato”.
Quando resolvi fazer mestrado, fui avisar ao diretor que precisava reduzir a minha carga para estudar. Ele riu. Disse que eu não ganharia mais nada por isso na escola dele e que a hora que eu abrisse mão das minhas turmas teria uma fila de professores para pegar o meu lugar. E que, no dia que eu quisesse voltar, ele não poderia me garantir que eu teria as minhas turmas de volta.
Eu disse ok.
E ele ficou puto comigo e me xingou de burra. Perguntou como eu sendo professora de Física não sabia fazer conta. Era a época da crise. Lula estava na televisão dizendo que o Brasil não iria ser atingido. Lembro desse fato porque ele o citou:
“Você acredita no que esse presidente está falando? O desemprego vai chegar aqui sim e você abrindo mão de dinheiro?! Pensa bem, dona Elika!”.
Pensei.
E resolvi estudar.
No meio do mestrado, engravidei do Yuki, meu terceiro filho. Fui lá avisar ao diretor (havia 8 anos que ele havia me falado que a minha carreira iria acabar porque eu estava grávida).
Eu já era outra pessoa. Cheguei avisando e perguntando se ele ainda achava que isso significava meu fim. Ele não se lembrava de nada. Expliquei a ele que o cavalo que dá o coice não sente dor nenhuma mesmo.
Ao final do mestrado, abriu concurso para o CEFET. Fiz. Passei. Uma vaga só. Era minha, pensei. Eu quero ser professora de uma escola pública federal. Estava focada. Já tinha duas matrículas no Estado mas não estava feliz com as condições de trabalho também na rede estadual. Eu quero ter liberdade de lecionar. Quero ser tratada com dignidade e respeitada pelo que aprendi e ainda quero aprender na troca com meus alunos feita da maneira que eu achar mais bacana.
No dia em que fui pedir demissão, eu me arrumei. Mas não para sair de casa. Me arrumei como se fosse receber o Oscar. Não fui com roupa de gala.
Eu era a gala.
Fui de cara limpa. Sem maquiagem alguma como nesta foto e ainda assim estava reluzente como aqueles que não carregam saudade.
A fartura de alegria em forma de educadora deste país entrou sorrindo naquela sala em que tantas vezes fui humilhada.
“Estou com três filhos, sou mestre e, agora, professora do CEFET. Ganharei muito mais que ganho aqui e terei tempo livre para estudar e preparar as aulas que tanto sonhei. Pretendo escrever vários livros e já tenho um projeto delineado para meu doutorado”.
Assim foi feito.
Hoje sou doutora, tenho 12 livros escritos. Sete publicados e um deles foi vencedor do Prêmio Saraiva Literatura.
O diretor faleceu já tem algum tempo. Assumiu a direção outra pessoa muito pior. Conversei com colegas de lá outro dia (ficaram naquela bosta até hoje). Estão procurando bicos para complementar o salário e me contaram mais outros casos horríveis de humilhação. Eles têm que trabalhar de jaleco e as salas de aula todas têm câmeras. Não há cadeira para o professor sentar.
Há escolas particulares boas? Sim. Há. Mas são raríssimas e para poucos.
Hoje, com a experiência que tive e dos relatos que ouço, afirmo com convicção que a educação pela qual devemos lutar é a pública. Educação jamais pode ser fonte de lucro para ninguém. Não faz sentido, em essência.
Quem acredita em bondade do empregador deveria ser abraçado com muito carinho pois trata-se de uma criança num corpo de adulto. A ingenuidade faz com que muitas crianças indo atrás de uma bala caiam na mão de estupradores.
Sei que existem mais milhões de histórias parecidas com essas que contei seja de outros colegas professores ou de engenheiros, psicólogos, vendedores…
Se quiserem, podem compartilhar nos comentários.
O que nos resta é o desabafo. Obrigada por ler até aqui.
O desconhecimento sobre as coisas da natureza tem sido uma realidade crescente, fazendo com que muitas pessoas deixem passar despercebido o meio ambiente a sua volta. Nos centros urbanos, e até mesmo na zona rural, a modernidade tem nos distanciado cada vez mais do convívio com animais e plantas que estão “ali do nosso lado”, ou seja, das espécies nativas, que são as que sobrevivem naturalmente em um lugar. Esse desconhecimento é refletido geralmente pela importância que se dá (ou não) para as florestas e seus genuínos habitantes. Só preservamos o que consideramos importante, e só damos importância àquilo que conhecemos.
Pensando em contribuir para mudanças nesta realidade, um projeto que nasceu em 2013 no Departamento de Ecologia da UFRN tem buscado identificar e mapear as espécies de mamíferos silvestres que resistem na Caatinga do estado. Ao longo de seis anos, o grupo publicou trabalhos científicos e realizou ações de divulgação dando destaque para animais como veados-catingueiros, gatos-do-mato de várias espécies (inclusive os pintados, aqueles que parecem miniaturas de onças-pintadas), raposas, guaxinins, tamanduás e até mesmo onças-pardas. Está surpreso? Mas é isso mesmo! No Rio Grande do Norte ainda existem todos esses animais e muitos outros que sequer imaginamos.
O estudo Mamíferos de médio e grande porte da caatinga do Rio Grande do Norte, Nordeste do Brasil, realizado por pesquisadores do Departamento de Ecologia da UFRN, foi publicado recentemente em uma revista científica Argentina. Leia aqui
Visão do Parque Nacional da Furna Feia (foto: Maria Luíza Falcão)
Agora, o foco tem sido uma importante área do RN, o Parque Nacional da Furna Feia. Primeiro e único do estado, esse parque nacional foi criado em 2012 com o objetivo de preservar os ecossistemas naturais da região, além de promover a educação ambiental e o turismo ecológico. A unidade de conservação se estende por mais de 8000 hectares entre os municípios de Baraúna e Mossoró, no oeste potiguar. Para se ter uma ideia, isso equivale a mais ou menos 8000 campos de futebol somados, abrigando um patrimônio espeleológico (relativo às cavernas) e arqueológico (com várias pinturas rupestres) incalculável e que hoje está protegido pelo órgão do governo federal ligado à conservação da natureza, o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
Já são pelo menos 205 cavidades identificadas até o momento, tendo a principal caverna, a da furna feia, que dá nome ao parque, pelo menos 766 metros de extensão.
Caverna Furna Feia (Foto: Paulo H. Marinho)
Abrigo do Letreiro, em cujas paredes foram localizados vestígios arqueológicos.
Abrigo do leiteiro (Foto: Paulo H. Marinho)
Projeto Felinos da Furna Feia fortalece necessidade de conservação da área do parque
Tatu-peba encontrado no Parque Furna Feia
Que o parque é rico em cavernas e pinturas rupestres já sabemos. Mistério eram dados consistentes sobre a sua biodiversidade, tais como quais espécies de animais haviam na área, especialmente em relação aos mamíferos. A escolha por esse grupo está relacionada a um importante indicativo de “saúde” da natureza na região, uma vez que esses animais realizam funções ecológicas como a dispersão de sementes e controle da vegetação e de outras espécies.
Neste contexto, o Projeto Felinos da Furna Feia veio em 2018 com objetivo principal de identificar quais espécies de felinos silvestres existem na região e o quanto as suas populações estão saudáveis na área, considerando a relevância do parque em abrigar bichos tão importantes e ameaçados de extinção, como é o caso do gato-do-mato-pintado.
O projeto já soma número expressivos. Ao todo já foram registrados no parque 14 espécies de mamíferos terrestres silvestres (que se deslocam pelo chão, já que os morcegos também são mamíferos), das quais 11 são espécies de médio ou grande porte, aquelas com mais de 1 kg de peso, geralmente mais ameaçadas e raras, incluindo três espécies de felinos silvestres que existem na área.
É possível encontrar no parque animais como o veado-catingueiro, o macaco-prego, o tamanduá-mirim, e claro, os gatos-do-mato, foco principal do estudo, que são três: gato-do-mato-pintado (peso médio de 2,5 kg), gato-mourisco (peso médio 4,5 kg), conhecido na área como gato-vermelho ou gato-azul, já que naturalmente podem haver indivíduos da espécie com coloração laranja/avermelhada ou cinzenta, e por fim, a jaguatirica ou gato-açu (peso médio 8 kg). Desses, o gato-do-mato-pintado e o gato-mourisco estão ameaçados de extinção no Brasil, reforçando a importância do Parque para preservar espécies que estão vulneráveis.
Como funciona o projeto e quem são seus beneficiados
Macaco-prego também foi mapeado na caatinga do Rio Grande do Norte
Atuando em três diferentes frentes de trabalho, o projeto tomou algumas iniciativas, com apoio da gestão do parque, dos moradores locais, além do fundo internacional de conservação The Mohamed bin Zayed Species Conservation Fund. Em primeiro lugar, foi feito o levantamento dos dados das espécies em campo, tentando identificar os seus habitats preferenciais e o tamanho das suas populações com ajuda de câmeras especiais instaladas na floresta. Esses equipamentos possuem sensores de calor e movimento que permitem o registro automático de todos os animais que passam na sua frente. Em seguida, realizaram-se mais de 90 entrevistas com os moradores locais para saber seus conhecimentos e suas relações com os felinos silvestres e com o parque.
Por fim, promoveram-se ações de divulgação e valorização desses animais e da biodiversidade do parque em escolas da região, envolvendo mais de 1000 crianças e adolescentes que ouviram, por pouco mais de uma hora, sobre os animais que existem logo ali, muitas vezes a poucos quilômetros de casa, mas que muitos deles nunca tinham visto, ou sequer ouvido falar, e agora puderam vê-los em imagens e vídeo.
Para a analista ambiental do Parque, Lúcia Guaraldo, “conhecer o Parque e seu rico ecossistema é fundamental para a eficiência da preservação, que passa por todos nós, de população residente do entorno à equipe gestora da unidade de conservação.”
De novembro de 2018 a fevereiro de 2019 foram realizadas palestras em seis escolas de Baraúna e Mossoró, principalmente na zona rural.
O trabalho realizado nas comunidades do entorno do parque, que somam mais de 10 localidades, ajudará a entender como as pessoas se relacionam com os felinos e com o parque, contribuindo assim para o sucesso da unidade de conservação. A próxima etapa do projeto é a compilação e análise dos dados coletados para gerar informações relevantes para os gestores ambientais. Sobre isso, Lúcia revela que “o estudo será, inevitavelmente, incluído no Plano de Manejo, em elaboração, do Parque Nacional da Furna Feia.
Para além da contribuição com o parque, o grupo de pesquisadores da UFRN, liderado pelo doutorando Paulo Henrique Marinho e pelo professor Eduardo Venticinque, pretende continuar estudando e divulgando a rica e subestimada biodiversidade da Caatinga potiguar para os cientistas e para os moradores do sertão, afinal é preciso conhecimento para o engajamento ambiental e é preciso um meio ambiente saudável para uma vida de qualidade, seja na cidade ou no campo.
¹ Jornalista, graduanda em Ecologia na UFRN
² Biólogo, doutorando em Ecologia na UFRN
Já andei muito por aí. Bati meio Brasil e uns pedacinhos do mundo afora. Gosto de desvendar as cidades para além dos pontos turísticos e mais além das selfies mais concorridas. Antes de embarcar, me jogo na internet, estudo mapas, aprendo histórias, escavo notícias e agendas culturais. A ideia é chegar com informações suficientes para ir além da rota dos turistas empacotados, a meio caminho da intimidade dos nativos. Ao desembarcar, as descobertas continuam. As conversas com os nativos, cartazes, folhetos, placas de sinalização, grafittis. As cidades costumam ser bastante tagarelas.
O problema é quando tem muito barulho por nada ou quase nada.
Natal anda meio assim. Fala demais e não tem muito a dizer aos visitantes, nem mesmo aos seus próprios cidadãos. No domingo à noite, em plena Avenida Bernardo Vieira, os cartazes do shopping center berravam aos quatro ventos os chamados para o consumo – eles fazem isso o ano inteiro, agora, é a vez de chamar os filhos para as compras para o Dia das Mães. Um quarteirão adiante a prefeitura balbucia meias (ou menos ainda) palavras aos poucos condutores que passavam pela via por um de seus telões de led adquiridos para a Copa de 2014, instalados depois das Olimpíadas de 2016 e que, mesmo depois da Copa da Rússia, em 2018, nunca serviram ao propósito original de orientar motoristas. Agora, parte da tela parece quebrada, apagada, calada definitivamente.
No ponto de ônibus, tudo é silêncio e escuridão. Nenhuma informação sobre onde estou, nem mesmo nenhum sinal de para onde posso ir a partir dali. Se me esforçar um pouco, poderei ouvir os ecos de um cartaz antigo e meio rasgado que me conta que posso conseguir empréstimo, mesmo com o nome sujo na praça. Na minha frente, um ônibus aparece gritando de onde vem, sem me contar para onde vai (por sorte eu sou nativo e sei que não vai me levar onde quero ir). Alguns veículos apressados gritam boa noite e seguem viagem sem esperar para me contar seu destino (pro meu azar, sou nativo e posso suspeitar que me levaria exatamente para onde desejava ir).
Nativo e privilegiado que sou, resolvo buscar outras vozes da cidade pelo smartphone. Abro o aplicativo que mostra as linhas de ônibus da cidade, mas ele não anda muito animado naquele domingo à noite e se limita a dizer que não pode me ajudar.
Na página oficial da Prefeitura de Natal, uma babel de links quebrados, sistemas desativados ou inoperantes, informações desatualizadas e uma emissora de rádio que começa automaticamente e sem aviso prévio. Não tem versão para celular, nem muito menos acessibilidade para pessoas com deficiências. Não dá para consultar linhas de ônibus e dá muito trabalho para encontrar o endereço do posto de saúde mais próximo de casa. Tem até um guia para os turistas, tão deselegante que me admira que alguém ainda queira nos visitar depois de encontrar essa página. Nem mesmo os sistemas de tributação, que garantem a entrada de recursos nos cofres públicos municipais funcionam regularmente.
Não há resposta simples para explicar as razões de, em pleno 2019, encontrarmos um cenário tão deplorável na comunicação da Prefeitura de Natal. Sim, tudo isso é problema de comunicação (e também de planejamento, e de falta de recursos, e de falta de inteligência na gestão, etc, etc, etc). Tradicionalmente, as oligarquias políticas ocupam os cargos de comunicação com jornalistas mais próximos das suas articulações. Já passou muita gente experiente por ali. É por ali também que se definem as campanhas publicitárias e o pagamento das agências (e otras cositas más). Por vezes, as equipes são bastante eficientes em enviar releases à imprensa e até em fazer lacração nas redes sociais. Mas poucas vezes o cidadão é bem informado sobre o que se passa ao seu redor com o dinheiro dos seus impostos.
Nem só de curtidas e compartilhamentos vive a comunicação. É preciso colocá-la em uma posição estratégica na gestão pública e ir além da assessoria de imprensa.
Ou a cidade seguirá calada na correria do dia a dia.
Parece que o atual presidente da Federação Norte-riograndense de Futebol (FNF) José Vanildo da Silva vai mesmo conseguir desbancar em tempo de mandato e impopularidade o seu antecessor Nilson Gomes da Costa, que mandou na entidade durante 23 anos até ser defenestrado por uma intervenção. Nilson, assim como Vanildo, tinha o total apoio da CBF, na época, comandada pelo bandido Ricardo Terra Teixeira.
O campeonato potiguar 2019 se encerrou na última quarta-feira (24) de forma melancólica, com invasão de torcida, quebra-quebra de cadeiras, brigas dentro de campo, naquele que poderia ter sido o “jogo da salvação”. Aliás, o certame só não foi mais um fracasso total de média de público (apesar de não ser grande coisa) porque teve o benefício de duas decisões envolvendo ABC x América, uma delas, claro, a final, com quase 22 mil pagantes.
Ao longo dos últimos anos, o declínio de nosso esporte mais popular tem sido evidente, bastando para isso dar uma olhada nas médias de públicos, divulgadas ano a ano pelo pesquisador e estatístico Marcos Trindade. O mais incrível é que nos anos de comando de Vanildo, em nenhum deles, se registrou uma média de público que superasse os 2 mil torcedores por partida.
A média deste ano, mesmo com dois clássicos decisivos e já em tempos de Arena das Dunas, estádio de Copa do Mundo, continua deixando cada vez mais evidente o abandono dos torcedores. Os 1.847 torcedores por jogo desse ano, acreditem, foi a melhor média dos últimos seis. Aliás, é preciso anotar, e acompanhando os dados do pesquisador, apenas no primeiro ano da gestão de Vanildo a média de público ultrapassou a casa dos 2 mil por partida, total de 2.140 pessoas no ano de 2007, o que corriqueiro em anos anteriores. Sim, não podemos deixar de acrescentar que a violência, crise financeira, transporte e preço de ingresso são fatores que contribuíram para a derrocada.
Com Vanildo, para agravar a situação, veio o desaparecimento de clubes tradicionais como Corinthians de Caicó, o Galo do Seridó, o primeiro campeão do interior; Santa Cruz do Inharé, palco de grandes festas recentes; Pauferrense, forte representante do Alto Oeste, os clubes de Parnamirim; marcante também o descenso do Baraúnas, em crise profunda, endividado, fora da elite e sem perspectiva de retorno. E olha que estamos falando da equipe campeã de 2006, responsável por levar grandes públicos ao estádio Nogueirão, e por fim, o centenário Alecrim, sem apoio, investimento, e seguidos campeonatos de prejuízos acumulados, rebaixado de forma humilhante para a Segunda Divisão.
José Vanildo, acreditem, foi o responsável pelo abandono do Estádio Juvenal Lamartine, onde funcionava a sede da FNF, para onde convergiam todos os envolvidos nas mais diversas disputas – ligas amadoras, bairros, interioranos, bases -, tudo isso, praticamente deixou de funcionar, de existir na atual gestão, que a pretexto de enxugar e “profissionalizar” a sua entidade praticamente sepultou esperanças de clubes amadores se tornarem profissionais e fazer parte da elite de nosso futebol. Exigências, cobranças de taxas e maus tratos foram fazendo recuar tradicionais agremiações como Racing das Rocas, Palmeiras das Rocas, Santa Cruz de Mãe Luiza, Portuguesa do Bairro da Conceição, representantes de vários bairros de Natal que disputavam uma empolgante segunda divisão de profissionais.
Fundado em 4 de outubro de 1920, o estadinho do Tirol, histórico, ano vindouro estará completando um século, provavelmente ainda interditado, hoje é um arremedo do paco que foi desde sua fundação até o começo dos anos 1970. Sem a tradicional arquibancada coberta, sem o seu pórtico charmoso e suas bandeiras tremulantes em dias de jogos, é um prédio morto, quem passa em frente nem imagina os espetáculos que já sediou. JL hoje do horror: banheiros quebrados, estruturas corroídas e muito lixo acumulado, além de ervas daninhas invadindo até mesmo os espaços da enorme arquibancada. Ilegalmente, o Jotinha ainda é palco de jogos de categorias de base, pelo menos até um poder interessado proibir, já que é uma praça que não pode, legalmente, ser utilizada.
Além do péssimo desempenho como gestor, José Vanildo ainda tem contra si o fato de agir como ditador, não aceitando críticas e chegando ao ponto de destratar profissionais da imprensa que não rezam na sua cartilha com os elogios que gosta de receber. Foi assim com uma repórter da TV Ponta Negra, que provocou pedidos de retratação; depois ofendeu o repórter Mállyk Nagib e a instituição TV Assembleia, e por último, na quinta-feira, 25, na festa de encerramento do campeonato, praticamente obrigou, com ironias e críticas, que o jornalista Ítalo Anderson, da TV União, muito constrangido, se retirasse do local onde fazia seu trabalho.
Como prova de sua rejeição, no twitter do ofendido, no dia seguinte, me narrou o jornalista, um número recorde de mensagens de solidariedade, todos, sem exceção, reprovando a atitude do mandatário da FNF. Infelizmente, disse Ítalo, o mesmo não aconteceu com os colegas da imprensa. Aliás, é entre profissionais que cobrem o futebol, estranhamente, assim como acontecia na gestão de Nilson Gomes, onde existe uma forte corrente em defesa ao dirigente, maior parte dela. Claro, os jornalistas que o elogiam e a gestão acabam também sendo duramente criticados.
O mandato de José Vanildo, que começou em 2007, depois de prorrogações sem eleições, é preciso deixar claro, pois até no tempo de Nilson Gomes tivemos disputas no voto, vai até 2021 ou 2022. Não sei como estará nosso futebol até lá.
A deputada estadual Isolda Dantas (PT) denunciou na sexta-feira (24) que parlamentares da oposição estão mentindo pelas redes sociais sobre a posição dela em relação ao projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa que reajusta em 4,17% o salário-base dos professores e especialistas da Educação.
A proposta foi aprovada por unanimidade pelos deputados da Casa. Isolda, Francisco do PT, Sandro Pimentel e George Soares foram os parlamentares que fizeram as defesas mais enfáticas sobre o projeto.
O PL reajusta por igual os salários dos professores ativos, aposentados e inativos. Em razão do impacto nas contas públicas, o Governo propôs prazos distintos para o pagamento dos retroativos. Os professores da ativa receberão o reajuste referente aos meses de janeiro, fevereiro e março em três parcelas, já os aposentados serão pagos em sete vezes.
A diferença foi proposta em razão do impacto no tesouro estadual do valor dos reajustes. A folha dos ativos terá um acréscimo de R$ 33 milhões. Já o impacto na folha dos aposentados será de R$ 58 milhões.
Abaixo, nota pública do mandato da deputada Isolda Dantas sobre a polêmica:
A verdade sobre a votação do piso dos professores
Nesta quinta, 25, foi aprovado na Assembleia Legislativa do RN, o reajuste do piso dos professores. Isolda votou no projeto que aprovou POR IGUAL o reajuste de piso dos professores, pensionistas e aposentados.
O projeto aprovado foi um acordo da categoria para que o Governo conseguisse realmente fazer o pagamento.
Em cima da hora, deputados de oposição quiseram implementar outra proposta, o que acarretaria atraso no tão esperado reajuste do piso. Portanto, qualquer informação que circule sobre voto de Isolda desfavorável aos pensionistas e aposentados é mentirosa!
A aprovação do piso é uma grande vitória. Então compartilhe a verdade e vamos seguir firmes na luta em defesa da educação do RN!
A OAS e a Bancoop foram condenadas a devolver ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva 66% do valor desembolsado pela ex-primeira-dama Marisa Letícia na aquisição de um apartamento de três quartos no condomínio Solaris, no Guarujá. A decisão é do juiz Adilson Aparecido Rodrigues Cruz, da 34ª Vara Cível da Comarca de São Paulo e foi divulgada à imprensa na quinta-feira (25) pelos advogados Valeska e Cristiano Zanin Martins, responsáveis pela defesa do ex-presidente no caso triplex. Segundo eles, este novo fato “reforça a arbitrariedade da condenação” de Lula.
De acordo com a sentença, Marisa Letícia, que faleceu em 2017, tinha direito a receber 66,66% da quantia total paga como entrada e prestações, o que equivale a R$ 200 mil acrescidos de juros. As cotas do apartamento de três quartos, então em construção pela Bancoop, teriam sido adquiridas por ela em 2005. Em 2009, a OAS assumiu a obra.
O suposto recebimento de um triplex no edifício como propina paga pela OAS em troca de vantagens em contratos com a Petrobras é central na sentença do juiz Sérgio Moro, que mantém Lula preso desde abril de 2018. A defesa do ex-presidente no caso afirmou, em nota, que a sentença dessa quinta-feira (25) demonstra que “Lula e seus familiares jamais receberam um apartamento no Guarujá como vantagem indevida”.
“Lula e seus familiares, em realidade, são credores da OAS porque pagaram valores e nada receberam em troca, conforme reconheceu a sentença proferida nesta data”, considerou a defesa.
Não adianta o Brazil Journal tergiversar, esse é o resultado econômico do Governo Bozo
A Grendene acaba de reportar seu pior primeiro trimestre em vendas desde que a companhia abriu o capital em 2004.
A fabricante dos chinelos Rider e das sandálias Melissa e Ipanema — que já teve Gisele Bundchen como garota-propaganda — viu seu faturamento desabar 22%, enquanto o volume de pares vendidos mergulhou 30%.
Outras métricas: o resultado operacional desabou 72% e o lucro líquido, 51%.
Conhecida por não ter firulas e ir direto ao ponto na comunicação com os acionistas, a Grendene colocou a culpa no desempenho pífio da economia e disse que não vislumbra uma recuperação tão cedo no consumo, especialmente para as classes C e D.
Isso fez muita gente coçar a cabeça: varejistas como Renner e Hering acabam de reportar resultados sólidos, diametralmente opostos aos da Grendene.
Nem no concorrente mais próximo há sinais de problema. “As vendas de Alpargatas que estamos acompanhando não estão assim, não,” disse um gestor comprado na fabricante das Havaianas.
Na teleconferência, o CFO da Grendene, Francisco Schmitt, disse que logo depois das eleições houve um aumento de pedidos por parte dos varejistas — mas que, diante das vendas abaixo do esperado, eles ficaram muito estocados e cancelaram pedidos no começo do ano.
Segundo ele, os estoques dos clientes estão de três a quatro vezes maiores que o usual para o período. Ainda que a queda tenha sido generalizada, o impacto foi mais profundo nos produtos mais baratos, sinalizando que a corda está mais apertada no pescoço de quem tem menos poder de compra.
Não está claro o quanto é macro e quanto pode ser atribuído a tropeços de gestão, mas o fato é que até agora a Grendene está sozinha no campo da decepção.
A própria companhia reconhece que poderia ter sido mais agressiva nas promoções diante do novo cenário e que pode ter havido erros pontuais em coleções. Mas nem isso explicaria a queda generalizada: sua marca que caiu menos teve recuo de 20% no volume neste começo de ano.
“Sempre tem algum erro de produto ou coleção, mas é difícil errar tanto assim”, disse Schmitt, famoso por ser pessimista até quando as coisas vão bem.
Com baixa liquidez e um float concentrado em gestoras que carregam o papel, as ações de Grendene negociam em baixa de 7% por volta de 13 horas — uma queda menos pronunciada do que os números divulgados ontem poderia sugerir.
As vendas no mercado externo também desabaram — 37% em volume —, ainda que os dados da Secex tenham apontando para aumento de 15% no período para exportação de calçados brasileiros como um todo.
Segundo a companhia, houve uma antecipação de exportações em dezembro que distorce a comparação: enquanto a Grendene apura a receita quando o pedido é faturado, a Secex só contabiliza quando ele atravessa a fronteira. Mas esse efeito explica apenas parte do tombo.
Já tem até meme na rede social: “Sou de Dubai: Dubairro onde o Urber cancela a viagem”. Entre os usuários também já se ouvem queixas frequentes: “Quando chove, fica mais caro”; “Para deslocamento perto, fica complicado encontrar motorista”.
Aos poucos, o povo vai se dando
conta da falácia que os aplicativos de transporte, na lógica atual de seguir
unicamente as leis de mercado, representam para a mobilidade urbana.
A balinha, o tratamento cortês em
relação aos táxis e ônibus, nada disso mais doura a pílula. Afinal, quando mais
se precisa de ubers, 99 e afins, é justamente quando mais dificuldade se tem
para contar com essa opção de transporte.
E reclamar para quem, se de uma
hora para outra o valor da corrida disparar? Reclamar para quem se determinados
destinos são rejeitados pelos motoristas? Ao mercado…
Imprescindível mencionar também a
exploração de mão de obra que a lógica desses aplicativos de transporte
enraíza. Para conseguir renda que pague os custos e investimentos, e que de
fato seja fonte de subsistência da família, os motoristas precisam cumprir
jornadas exaustivas, pois boa parte do que arrecadam vai para o cofre dos donos
do negócio. O que o motorista ganha mal dá para comer; o que os aplicativos
faturam lhes permite investir pesadamente em marketing, propaganda e lobby.
É verdade que os aplicativos
vingaram porque encontraram terreno fértil: elevado desemprego, que obriga os
trabalhadores a se sujeitarem às piores condições; e transporte público caro e
ineficiente.
Mas a carestia e a ineficiência do
transporte público decorrem delas, as leis do “livre” mercado. O transporte
público é tratado como negócio, não como serviço – embora desde 2015, por meio
da emenda constitucional 90, transporte esteja garantido na Constituição como
um direito social (a proposta de emenda foi elaborada pela deputada federal
Luíza Erundina, do PSOL-SP).
Barões da catraca lucram com
sistemas de ônibus bancados por tarifas exorbitantes para trabalhadores e
estudantes. Sistemas de metrôs e trens são concedidos a consórcios de grandes
empreiteiras que veem no serviço fontes fartas de receitas – às custas do
sofrimento do povo, que pagam caro para viagens lentas, desconfortáveis, vez
por outra sujeitas a interrupções e acidentes.
Nas experiências em que redes de transporte se mantêm blindadas da sanha do mercado, a qualidade do serviço não deixa a desejar, e as tarifas são mais acessíveis. Os sistemas operados pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em Belo Horizonte, Maceió, Recife, João Pessoa e Natal, por exemplo, contam há mais de dez anos com passagens congeladas, mesmo com a modernização da frota nos últimos anos; o Trensurb, da Grande Porto Alegre, tem qualidade digna.
Ilustração: meme da página Minions Sinceros e Irônicos; crédito da foto da página inicial: Agência Brasil/Idec
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe nesta quinta-feira (25) a visita do escritor e sociólogo Domenico De Masi. Autor do best seller O Ócio Criativo, o italiano se soma à lista de personalidades que tem vindo a Curitiba denunciar a prisão política de Lula.
Após a visita, De Masi deve atender a imprensa na saída da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.
Preso político há um ano, Lula tem direito a receber dois amigos por semana, sempre às quintas-feiras, pelo período de uma hora.
Atendimento à imprensa Horário: 17h Local: Rua Sandália Monzon, 210, Santa Cândida – Curitiba
Nunca foi tão difícil para o brasileiro conseguir recuperar a renda após um período de recessão econômica —e o processo ainda corre o risco de se prolongar.
O padrão de vida medido pela chamada renda per capita, que divide o PIB (Produto Interno Bruto) pelo número de habitantes, estagnou ao redor de R$ 32 mil no Brasil.
O valor está 9% abaixo do pico, alcançado no primeiro trimestre de 2014 —ou seja, há 19 trimestres.
Observando a série histórica, a lentidão atual supera aquela que seria a pior até então, registrada após a recessão de 1989, segundo estudo feito pela consultoria AC Pastore, do ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore.
Naquele momento, a renda por habitante se situava 6,5% abaixo do teto após um período de 19 trimestres.
O estudo tem como base os ciclos recessivos registrados pelo Codace, um comitê de economistas alojado na Fundação Getulio Vargas.
Segundo a AC Pastore, o movimento preocupa, porque demonstra que o padrão de vida do brasileiro demora a se recuperar, o que coloca o Brasil ainda mais distante da renda de países desenvolvidos.
“Nesse ritmo de crescimento de 1% do PIB e da população, não voltaremos ao pico da nossa renda per capita nunca”, diz Marcelo Gazzano, economista da AC Pastore.
O processo lento de reação da renda por habitante, diz o economista, também compromete a capacidade de consumo. Diante do baixo nível da renda per capita, não há como manter qualquer otimismo com relação à recuperação do consumo das famílias— componente que, ao representar mais de 60% do PIB, é crucial para a retomada.
Um dado adicional preocupante é que a renda per capita pode experimentar mais um ano de estagnação.
O per capita é o PIB dividido pela população do país.
Logo, se o crescimento econômico em 2019 corroborar a expectativa de um grupo cada vez maior de economistas e ficar próximo de 1%, é provável que o PIB per capita encerre mais um período sem reação, já que a população brasileira também cresce perto de 1%.
Como outras forças capazes de elevar o crescimento também não estão operando (entre elas o investimento), a consultoria projeta uma taxa de crescimento do PIB entre 1% e 1,5%, com chances maiores de que o PIB fique no limite inferior do intervalo —num círculo vicioso perverso.
Em reais, o PIB per capita está hoje ao redor de R$$ 32 mil, ou seja, se a renda fosse igualmente distribuída por toda a população, cada brasileiro teria pouco mais de R$ 2.500 por mês.
Só para dar uma ideia de grandeza, se o ritmo de recuperação fosse igual ao registrado em 1989, a renda per capita no fim de 2018 seria de R$ 33 mil —R$ 1.000 a mais no ano e R$ 80 a mais ao mês.
Mesmo após o período recessivo, diz Gazzano, em termos absolutos o PIB per capita hoje, de R$ 32 mil, é maior do que o de 1989, de R$ 24 mil em valores atuais.
“No longo prazo, teve evolução. Mas o ponto é que, após a recessão mais recente, a reação não veio. Só algo pequeno no primeiro trimestre de 2017, em razão do avanço do setor agrícola. Depois disso, o PIB cresceu exatamente o que cresceu a população”, diz.
O per capita pode ser considerado uma medida de bem-estar da sociedade usada no cálculo do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), em conjunto com a escolaridade e a expectativa de vida.
Embora seja considerado uma medida de desenvolvimento do país, sozinho ele não conta toda a história.
Um país de renda por habitante elevada pode ser extremamente desigual.
A tarde estava agradabilíssima em Lisboa, quando a equipe do site Migalhas saiu em direção a Ericeira.
Em cerca de 30 minutos, chegamos ao antigo vilarejo de pescadores, hoje muito apreciado pelos praticantes de surfe.
A princípio nos perdemos no labirinto das ruas curvas da pequena cidade, até que assomou à sacada de um pequeno edifício uma figura esguia, de terno.
Abanando a mão com simpático cumprimento, lobrigamos ninguém menos do que o ex-primeiro ministro de Portugal, o engenheiro José Sócrates.
Há alguns anos a equipe de Migalhas tentava ouvir o ex-primeiro ministro. Foram sempre baldadas as tentativas. Até que neste abril de 2019 o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, conhecido além-mar como Kakay, amigo desta Redação e também de José Sócrates, costurou o encontro.
Ao chegarmos à residência, do alto da sacada o engenheiro passou-nos o código de abertura da porta e lá subimos. Já na entrada, livros e mais livros. Política, sociologia, história, filosofia, eram os temas mais notados.
Com a fidalguia que lhe é inerente, José Sócrates nos levou até a sala e se colocou à disposição para que nós migalheiros montássemos o equipamento de gravação.
Em poucos minutos, tudo montado. O que se seguiu foi uma encantadora aula sobre a situação política brasileira.
Pode-se concordar ou discordar do que pensa o ex-primeiro ministro, mas não se pode negar a habilidade com que ele articula as palavras, emprestando-nos novas luzes sobre a opaca realidade pátria.
Logo no início da conversa, o tema primeiro era o comentário que o ministro Sergio Moro fez ali mesmo em Portugal, no “VII Fórum Jurídico de Lisboa”, sobre o caso que envolve José Sócrates. Entre escorregões vernaculares, Moro teria dito que havia uma crise institucional em Portugal, porque o processo criminal que envolve José Sócrates não teria acabado.
Para quem não sabe, há alguns anos o ex-primeiro ministro ficou preso preventivamente por nove meses em Évora. Depois de quase cinco anos de investigações, foi apenas há alguns meses que houve denúncia por parte do Ministério Público. Denúncia que nem sequer ainda foi recebida. Mas, a propósito, em respeito aos ritos processuais, José Sócrates explicou-nos que não queria comentar o processo em que está envolvido. Isso, no entanto, não o impediu de redarguir a fala de Moro que, para Sócrates, nunca foi verdadeiramente um juiz. Aliás, segundo ele, ao aceitar o cargo no governo de quem se beneficiou com a condenação de Lula, Moro provou que era parcial e que suas intenções eram políticas.
Sócrates falou-nos também sobre o momento político brasileiro, que para ele é uma tragédia.
Segundo ele, a direita moderada traiu os princípios da boa política quando compactuou com o impeachment da presidente Dilma. Nesse momento, segundo Sócrates, deu-se oportunidade para que a extrema direita assumisse o poder.
Outro ponto que Sócrates quis enfatizar foi o erro histórico cometido pelas Forças Armadas, que tomaram partido na disputa política.
Ao final do encontro, José Sócrates, com indisfarçável emoção, falou-nos sobre a situação em que está preso o presidente Lula, e o quanto isso passa uma péssima imagem do país aos olhos estrangeiros. Falou que acompanhou, com profunda tristeza, as vicissitudes que envolveram o desditoso enterro do neto do ex-presidente Lula.
A tarde já havia caído. A noite, com seus mistérios, anunciava-se. Era, pois, o momento de nos despedirmos daquela tão calorosa acolhida.
Deixamos Ericeira com a sensação de que estávamos diante de um momento importante. E nós, com abusada pretensão, sentimos que colocávamos nossa migalha na história.
O jurista e atual governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), explicou porque Lula deveria ser solto imediatamente após a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reduziu a pena do ex-presidente para 8 anos, 10 meses e 20 dias, no processo que envolve o tríplex do Guarujá.
Dino, que foi juiz federal de 1994 até 2006, aprovado em primeiro lugar no mesmo concurso que o ex-juiz político Sérgio Moro, participou nesta quinta-feira (25) do Seminário Medidas Penais, organizado pelo Núcleo Jurídico de Acompanhamento de Políticas Públicas (NAPP) do PT, a Executiva Nacional do PT, a Fundação Perseu Abramo (FPA), o Instituto Lula e as Bancadas do PT na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
Na terça, a Quinta Turma do STJ reduziu a pena fixada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) de 12 anos e um mês para 8 anos, 10 meses e 20 dias. Por isso, de acordo com o governador, que também é professor de direito processual penal, Lula já pode cumprir a pena no regime semiaberto por conta do instituto da detração penal, que é o desconto do tempo de prisão provisória na pena de liberdade ao início de seu cumprimento. O objetivo do dispositivo é evitar que uma pessoa fique presa mais tempo do que a pena imposta na sentença condenatória.
Diante disso, Dino afirmou que os 13 meses de pena cumpridos pelo ex-presidente devem ser descontados do total de 8 anos, 10 meses e 20 dias. “O princípio da presunção da inocência exigiria que o STJ fizesse a revaloração dos fatos e das provas. Por uma razão prática, o Lula tem que ser solto juridicamente amanhã, não é em setembro. O presidente Lula já cumpriu, dada a execução provisória da pena, 13 meses”.
“Se são 8 anos e 10 meses e se lá, nesse juízo de exceção paranaense não mudaram a matemática, porque até isso periga, 8 anos e 10 meses, menos os 13 meses [cumpridos], a pena fica abaixo de oito. E ficando abaixo de 8 anos, segundo os precedentes do próprio STJ, da quinta e da sexta turmas, Lula passa a ter direito subjetivo ao regime semiaberto, não por progressão de regime. Ele tem direito como regime inicial de cumprimento da pena”, explicou Dino.
A aula de direito processual penal do governador ocorreu durante a primeira mesa de debate do seminário, que tratou da presunção de inocência, contou também com a participação da professora da UFRJ Carol Proner; do advogado, ex-prefeito de SP e ex-candidato à presidência pelo PT, Fernando Haddad, e tiveram os trabalhos coordenados pelo ex-ministro e ex-senador Aloizio Mercadante.
O Palácio do Planalto derrubou uma campanha publicitária do Banco do Brasil estrelada por atores e atrizes negros e jovens tatuados usando anéis e cabelos compridos.
O comercial é marcadamente dirigido à população jovem, um dos públicos que manifestamente o BB quer atrair.
A diversidade, porém, incomodou quem manda.
Sabe-se lá porquê, Jair Bolsonaro se envolveu pessoalmente no caso e procurou Rubem Novaes, o presidente do banco, para se queixar da peça.
Prova de que a crise não é pequena, um executivo de alto escalão pagou por ela. O diretor de Comunicação e Marketing do BB, Delano Valentim, caiu da cadeira.
Rubem Novaes admite que Bolsonaro não gostou do resultado da campanha, mas encampa a posição do chefe.
Não especifica, porém, o que, exatamente, ele e o capitão reprovaram. Diz Novaes:
— O presidente Bolsonaro e eu concordamos que o filme deveria ser recolhido. A saída do diretor é uma decisão de consenso, inclusive com aceitação do próprio.
As notícias falsas, chamadas fake news, são empecilho para o aumento da cobertura vacinal do HPV, de acordo com o Ministério da Saúde. Para ampliar o número de adolescentes vacinados e esclarecer a importância da vacina, a pasta quer aproveitar o início das aulas nas escolas para conscientizar jovens e responsáveis. A recomendação é que eles estejam atentos à atualização da caderneta de vacinação.
O problema das fake news não é apenas do Brasil. No início do mês, o Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (CIIC) vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgou um comunicado alertando para o problema e afirmando que a vacina é segura e indispensável para eliminar o câncer de colo do útero.
O HPV é uma doença transmitida pelo papiloma, vírus humano que causa cânceres e verrugas genitais, atingindo meninos e meninas. A vacina só é administrada na adolescência, daí a importância da conscientização.
“O reinício do período escolar é um momento importante para que pais e filhos fiquem atentos à atualização da caderneta de vacinação. A medida evita a ocorrência de doenças entre os adolescentes”, diz o ministério.
A pasta esclarece que os falsos rumores são um dos fatores que impedem uma maior cobertura vacinal. Outro fator é que muitos acreditam que não precisam da vacina.
Cobertura
As doses da vacina são ofertadas pelo Ministério da Saúde, durante todo o ano, nas Unidades Básicas de Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). A vacina é voltada para meninas com idade entre 9 e 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Eles devem tomar duas doses, com intervalo de seis meses entre elas.
A meta do ministério é vacinar, com as duas doses, 80% dos adolescentes, tanto meninas quanto meninos.
De acordo com a pasta, entre 2014 e 2018, foram vacinadas na faixa etária de 9 a 14 anos, 5,9 milhões de meninas com a segunda dose da vacina, o que representa 49,9% do público-alvo. Em relação à primeira dose, a cobertura vacinal nas meninas é de 70,3%. Já entre os meninos, a cobertura é de 20,1% do público-alvo.
Saúde na Escola
O levantamento Saúde Brasil 2018, do Ministério da Saúde, mostra que a infecção por HPV acomete pessoas de todas as condições sociais, sem distinção. A infecção é transmitida sexualmente ou por contato pele a pele.
O levantamento aponta que a prevalência do HPV no Brasil foi de 53,6%, sendo o HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer presente em 35,2%. O estudo avaliou 7.693 pessoas sexualmente ativas entre 16 e 25 anos.
O Programa Saúde na Escola (PSE), desenvolvido pelos Ministérios da Saúde e da Educação, é uma das iniciativas do governo para incentivar a vacinação dos estudantes. O prazo para os municípios aderirem ao programa vai até o dia 28 deste mês.
O antigo primeiro-ministro José Sócrates afirmou nesta segunda-feira que o Brasil está a viver “uma tragédia institucional” e considerou que o atual ministro brasileiro da Justiça, Sérgio Moro, atuou como “um ativista político disfarçado de juiz”.
Estas posições constam de uma nota enviada por José Sócrates à agência Lusa, depois de o ministro brasileiro da Justiça e Segurança Pública e ex-juiz responsável pela Operação Lava Jato, Sérgio Moro, ter identificado uma “dificuldade institucional” em Portugal em fazer avançar o processo contra o antigo primeiro-ministro José Sócrates, tal como acontece no Brasil.
Respondendo à intervenção proferida por Sérgio Moro na Conferência de Abertura sobre o Estado Democrático de Direito e o Combate à Criminalidade Organizada e à Corrupção, no VII Fórum Jurídico de Lisboa, o antigo líder do executivo português (2005/2011) declarou: “O que o Brasil está a viver é uma desonesta instrumentalização do seu sistema judicial ao serviço de um determinado e concreto interesse político”. Segundo José Sócrates, isto “é o que acontece quando um ativista político atua disfarçado de juiz”. “Não é apenas um problema institucional, é uma tragédia institucional. Voltarei ao assunto”, avisou.
Numa reação à intervenção proferida por Sérgio Moro, o antigo primeiro-ministro português referiu que o atual ministro brasileiro, enquanto juiz, validou “ilegalmente uma escuta telefónica” entre a então Presidente da República, Dilma Roussef, e o seu antecessor na chefia do Estado brasileiro, Lula da Silva.
“O juiz decide, ilegalmente, entregar a gravação à rede de televisão Globo, que a divulga nesse mesmo dia, o juiz condena o antigo Presidente [Lula da Silva] por corrupção em atos indeterminados, o juiz prende o ex- Presidente antes de a sentença transitar em julgado, violando frontalmente a constituição brasileira. O juiz, em gozo de férias e sem jurisdição no caso, age ilegalmente para impedir que a decisão de um desembargador que decidiu pela libertação de Lula seja cumprida”, apontou José Sócrates.
Também de acordo com o antigo líder do PS e primeiro-ministro, nessa mesma fase do processo, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas decidiu notificar as instituições brasileiras para que permitissem a candidatura de Lula da Silva e o acesso aos meios de campanha.
“Mas as instituições brasileiras recusam, violando assim o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos que o Brasil livremente subscreveu. No final, o juiz obtém o seu prémio: É nomeado ministro da justiça pelo Presidente eleito [Jair Bolsonaro] e principal beneficiário das decisões de condenar, prender e impedir a candidatura de Lula da Silva”, acrescentou José Sócrates.
Em suma, para o antigo líder dos socialistas portugueses, este “espetáculo” no Brasil, em torno da Operação Lava Jato, “é, na realidade, bastante sinistro”.
Filiado ao Novo, o vice-governador de Minas Gerais, Paulo Brant, e sua mulher, Alexia Paiva, usaram uma aeronave do Estado para se deslocar de um spa de luxo em Macacos, no distrito de Nova Lima, para Ouro Preto, durante o feriado prolongado da Páscoa. A notícia foi revelada pelo jornal O Tempo e confirmada pelo Estado.
Segundo a assessoria do governo mineiro, o casal estava hospedado no Espaço Águas Claras, que ficaria na rota área do compromisso de Brant. Foi por esse motivo, de acordo com o governo, que um helicóptero oficial foi usado para transportar os dois até Ouro Preto, onde foi realizada a cerimônia de entrega da “Medalha da Inconfidência”, comenda oferecida sempre no dia que lembra a morte de Tiradentes.
Foram homenageados os bombeiros e representantes da Defesa Civil mineira que ajudaram no resgate às vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em janeiro, e também a professora Helley de Abreu – que morreu ao tentar salvar crianças de um incêndio criminoso na creche Gente Inocente, em Janaúba, na região Norte do Estado.
A utilização da aeronave constrangeu o governador Romeu Zema e o Novo, partido que prega a corte de gastos e a austeridade no uso de recursos públicos. No evento, diante do vice, Zema chegou a mencionar a necessidade de se reduzir custos diante da grave situação fiscal do Estado.
Durante a campanha, Zema, único governador eleito pelo Novo em 2018, prometeu não usar aviões do governo e apenas se deslocar em voos de carreira durante o mandato. A redução dos gastos do setor público e a diminuição do tamanho do Estado também foram bandeiras de João Amoêdo na disputa presidencial do ano passado.
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, vai cobrar do governo federal a liberação de R$ 120 milhões para a área de segurança pública do Estado. A gestora reclama que, apesar de os recursos já estarem assegurados para o RN, a verba está presa no Ministério da Justiça e Segurança Pública por causa da burocracia do órgão.
O assunto deve ser debatido nesta terça-feira, 23, em Brasília, durante reunião do Fórum de Governadores. Na ocasião, Fátima Bezerra deverá pressionar o ministro Sérgio Moro para que o dinheiro seja disponibilizado para o Rio Grande do Norte rapidamente.
“É preciso simplificar, desburocratizar e liberar os recursos destinados à segurança pública. O Rio Grande do Norte tem R$ 80 milhões já empenhados (reservados para a área) e mais R$ 40 milhões em emenda de bancada. Todos os projetos já estão no Ministério da Justiça”, protestou a governadora, em entrevista à rádio 96 FM nesta segunda-feira, 22.
Fátima Bezerra afirmou que, se liberados pelo governo federal, os R$ 120 milhões serão deslocados para investimentos nas polícias Civil e Militar – como incremento do setor de inteligência e compra de equipamentos. “Vamos fazer com que o trabalho do Ciosp [Centro Integrado de Operações de Segurança Pública] chegue a todas as regiões do Estado”, exemplificou.
A governadora ressaltou que, entre os investimentos que o Estado pretende fazer com os recursos presos no Ministério da Justiça e Segurança Pública, está a compra de um novo helicóptero para as forças de segurança. Atualmente, o Estado tem apenas uma aeronave, que está em manutenção. Por causa disso, Fátima pediu emprestado um helicóptero do Governo do Ceará.
PLANO DE RECUPERAÇÃO
Outro assunto que deverá ser discutido nesta terça-feira no Fórum de Governadores é o plano de recuperação fiscal que está sendo elaborado pelo governo federal para socorrer estados em crise. A equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro estuda alternativas para auxiliar as gestões regionais e deve formalizar a proposta em um projeto de lei a ser encaminhado ao Congresso Nacional.
Segundo Fátima Bezerra, o Governo do Rio Grande do Norte não está negociando seu apoio à proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo federal em troca de um plano de recuperação fiscal que atenda às suas necessidades.
“Os estados têm suas autonomias. O governo federal tem todo o direito de defender as suas teses e propostas, e os estados têm toda autonomia de adotar os caminhos que eles julgam mais consequentes”, sustentou, na entrevista à 96 FM.
Por fim, a governadora salientou que outras medidas defendidas anteriormente pela equipe econômica federal, como a privatização da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), estão igualmente descartadas.
“Por que eu iria privatizar a Caern? Do jeito que a iniciativa privada tem interesse na Caern, a governadora tem interesse nela em nome do povo do Rio Grande do Norte. E a Caern vai dar lucro social. A privatização está descartada. De repente a questão da capitalização pode ser discutida. Parcerias público-privadas estão no meu programa de governo”, finalizou.
A Câmara Municipal de Natal aprovou na quarta-feira (17), por 16 votos a 1, a criação da Comenda Marielle Franco para homenagear mulheres de Natal que se destacarem na defesa dos Direitos Humanos na cidade.
Apesar do placar, o projeto de lei foi votado sob protestos de militantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e do vereador Cícero Martins (PSL), único parlamentar que votou contra a comenda. Não à toa, o parlamentar é filiado ao mesmo partido do presidente da República Jair Bolsonaro.
Marielle Franco é mulher, negra, lésbica e nasceu na periferia do Rio de Janeiro. Ela exercia o primeiro mandato de vereadora pelo PSOL quando foi assassinada em 14 de março de 2018, com quatro tiros cabeça, ao sair de um evento no Rio. Desde então, o nome da parlamentar carioca ganhou o mundo e virou símbolo da luta em defesa da Democracia e dos Direitos Humanos no Brasil.
O projeto de lei que cria a comenda Marielle Franco é de autoria do vereador Raniere Barbosa (Avante), mas estava engavetado. Ele protocolou a proposta dia 16 de março de 2017, apenas dois dias depois da morte da carioca.
Quando soube, a vereadora Divaneide Basílio (PT), primeira parlamentar negra na história da Câmara Municipal de Natal, levou a proposta da comenda para tramitar nas comissões até o projeto ser liberado entrar na pauta da votação em plenário.
Mas qual é a relação de Natal com a vereadora assassinada Marielle Franco que justifica uma comenda com o nome dela ?
A resposta é simples e triste: o extermínio das mulheres jovens, negras e de origem periférica, perfil semelhante ao da própria Marielle Franco.
O índice de vulnerabilidade juvenil à violência divulgado em dezembro de 2017 pelo Governo Federal revelou que, no Rio Grande do Norte, uma mulher jovem e negra com idade entre 15 e 29 anos tem oito vezes mais chance de morrer assassinada do que uma mulher jovem branca.
A média nacional é de duas mulheres jovens negras para uma branca. O segundo estado mais perigoso para uma mulher jovem negra é o Amazonas, seguido da Paraíba e do Distrito Federal.
Uma comenda com o nome de Marielle Franco não é apenas uma questão de homenagem à vereadora executada, mas uma justiça social também às centenas de ativistas dos Direitos Humanos de Natal.
Durante a votação, a vereadora Nina Souza (PDT) afirmou que a comenda com o nome de Marielle Franco era uma lição de democracia:
– Eu sou defensora dos direitos humanos, mas não milito pela causa. Essa Casa hoje dá uma lição de democracia porque se une para defender o ponto central: a vida. Eu votaria 100 vezes se eu pudesse: é sim !”, disse.
Único parlamentar do PSOL na Câmara Municipal, Maurício Gurgel destacou também que a comenda é uma questão de justiça:
– Essa homenagem é muito justa porque vai levar o nome de Marielle Franco, uma mulher negra que se destacou pela defesa dos direitos humanos. Foi uma votação polêmica, mas a maioria da Casa entendeu essa justa homenagem”, disse.
Outras Marielles
Responsável por desengavetar a proposta da comenda Marielle Franco, a vereadora Divaneide Basílio (PT) explicou que, para as mulheres potiguares, essa homenagem corrige também um vazio nas comendas entregues pela Casa:
– Para as mulheres de Natal é mais do que fortalecimento, a comenda tem um grau de importância enorme porque até hoje não havia uma comenda que tratasse das mulheres na luta pelos Direitos Humanos. Temos uma comenda para as mulheres no 8 março, que trata da luta geral, a gente tem a comenda do Dia do Artesão, onde as mulheres também são homenageadas, mas agora temos uma comenda dirigida, que trata da defesa das mulheres pela luta dos Direitos Humanos, que tem como ícone uma mulher negra, de periferia e isso a gente nunca teve também. Estamos registrando nessa Casa um lugar diferenciado para as mulheres negras. E isso realmente não tem como a gente dizer que não é uma grande vitória. Isso nos coloca em outro lugar, nos traz para centro do debate e inspira outras mulheres que estão na periferia a dizer: “Eu posso ocupar todos os lugares sempre!”, afirmou.
Sobre o simbolismo de Marielle Franco, a vereadora do PT disse que a forma como se deu a votação mostrou também o tamanho de Marielle para a democracia:
– Acredito que quando resistimos, nos fortalecemos. A gente só lamenta ter que precisar provar que nossa luta tem significado, que é importante. Isso realmente é um desafio, não nos enfraquece, só nos fortalece porque a gente se multiplica. Tentaram matar Marielle, mas olha onde ela nasceu ? Em muitos outros lugares, e agora em Natal ela tem uma comenda. Portanto, nunca vão matar nossas ideias, nunca vão matar nossa luta nem vão matar nossa forma de resistir. Porque a gente se reinventa diariamente”, afirmou.
A comunidade Eleotério do Katu, encravada na divisa dos municípios de Canguaretama e Goianinha, possui a única escola indígena do Rio Grande do Norte e serviu de inspiração para o curta “A Tradicional Família Brasileira – Katu”, do diretor Rodrigo Sena. O filme estreia no circuito de festivais na próxima semana, durante a 12ª edição do Festival Curta Taquary, em Taquaritinga do Norte, em Pernambuco.
A obra audiovisual foi inspirada a partir de uma reportagem sobre o povoado publicada no Dia Nacional do Índio ainda em 2007, no jornal Tribuna do Norte. Na época, Sena era fotógrafo do jornal e fez as imagens publicadas na reportagem.
O filme é uma realização da ABOCA Audiovisual, Ori Audiovisual e Studium Produções. Com patrocínio da Prefeitura do Natal, BRDE, FSA e ANCINE, através do edital Cine Natal 2014.
A intenção da obra, segundo Rodrigo Sena, “é valorizar as narrativas orais e as memórias dos excluídos, trazendo maior luz à reconstrução da história marginal dessas comunidades. Dessa forma pretende-se compreender como tem sido a reconstrução social e sobrevivência dos povos indígenas em nosso estado”.
Segundo o diretor, o filme narra um recorte do desdobramento da vida desses jovens que foram entrevistados na época, para através deles, abordar histórias coletivas abrangentes, que transpassam suas trajetórias individuais na comunidade indígena, ressaltando a questão da herança cultural e étnica desses povos.
“Esse filme está na minha cabeça desde 2007, ficava por vezes imaginando o que teria acontecido com aqueles adolescentes que participaram do ensaio fotográfico, reencontrá-los adultos 12 anos depois e saber da jornada de vida de cada um deles, é emocionante”, disse.
A expectativa, segundo o produtor Arlindo Bezerra, é de que o filme circule por vários festivais a partir deste mês:
– “Estamos aguardando resultados de outros festivais importantes do país, o nosso desejo é de circular ao máximo com esse filme”, conta.
Curta deve virar série audiovisual
Ainda segundo Rodrigo Sena, o material captado durante as filmagens do curta se mostrou bastante denso, e com potencial suficiente para estender a narrativa, transformando-a em uma obra seriada, capaz de descrever mais detalhadamente a questão indígena no RN. Assim, foi elaborado o prospecto da série A Tradicional Família Brasileira – Katu que, após esse redimensionamento, está dividida em 3 capítulos com duração de 52 minutos cada.
– “Nesses episódios será possível, acompanhar parte das trajetórias pessoais de jovens da comunidade do Katu e saber como as visões de mundo ligadas ao ideário da cultura indígena foram sendo transformados no decorrer dos anos, acomodando-se ao enquadramento maior da tradicional família brasileira”, contou.
Desde quando nos conhecemos? Faz 40 anos, em 1978, com Mino Carta e sua mulher, Angélica. Nos convidaram para comer com a Marisa e você um macarronada al pesto, especialidade do Mino, no apartamento em Higienópolis. Depois fomos visitar você em sua casa, em São Bernardo.
Posso dizer que desde aí nos tornamos amigos, sem nenhuma interrupção , e muitas memórias tenho de você. No Palácio dos Bandeirantes, quando você foi conversar com Franco Montoro, me perguntando como conseguia trabalhar com todas aquelas paredes revestidas de madeira. Em Oxford, num seminário que organizamos com Leslie Bethell em que estava Eric Hobsbawm, que tinha uma enorme admiração por você, visitando com o saudoso alfred Stepan o escritório dele no prédio de All Souls.
Chegando com Marisa ao prédio onde morava nosso querido amigo Marco Aurélio, para comemorar os 60 anos dele. No lançamento do relatório mundial de violência com a criança, cuja tradução foi promovida por Paulo Vannuchi, num encontro de umas cinco mil pessoas. No seu discurso emocionante ao subscrever o projeto de lei contra o castigo corporal de crianças e adolescentes. Tantas memórias.
Não há um dia em que eu não me lembre da dor, do constrangimento, do escândalo no Brasil e no mundo de você estar trancafiado numa sala de 15 metros quadrados em Curitiba, enquanto todo o Brasil e nós precisamos tanto de você para fazer face aos horrores da conjuntura do dia a dia.
Sua condenação injusta, sua prisão inconstitucional, o impeachment preventivo da anulação de sua candidatura, fecham o processo de neutralização de um segmento importante da política brasileira, a esquerda. Temos consciência que não foi apenas um golpe, com a participação dissimulada do seu principal algoz em entendimento e em plena campanha com o futuro candidato presidencial, que o premia com um ministério. Não foi um golpe contra um partido ou um programa ideológico, mas visou reverter os ganhos pela maioria mais pobre da população que você tanto promoveu em seus governos. Esses benefícios assegurados para os milhões pobres e em pobreza extrema foram percebidos como ameaças à hierarquia, à desigualdade, ao racismo, que asseguram a continuidade autoritária na democracia.
Tenho certeza que a injustiça perpetrada contra você virá a ser reparada. Mas por mais dolorosa que seja para você essa prisão, a grande dignidade que todo dia você demonstra, especialmente nos momentos de grande dor como foi recentemente, é uma referência para o Brasil. Por mais indigno que seja o comportamento dos juízes que o atormentam, sua conduta irrepreensível serve como grande exemplo e inspiração para a sociedade brasileira para a defesa da democracia e da constitucionalidade.
Aceite um abraço do meu filho André, o corintiano, e outro muito afetuoso, da Ana Luiza e meu.
A pergunta retórica “até quando?” fica eternamente sem resposta porque a resposta é “para sempre”.
Depois de onze dias lutando pela vida no Hospital Carlos Chagas, no Rio de Janeiro, o catador Luciano Macedo, de 28 anos, morreu.
Luciano foi alvejado no caso do fuzilamento, pelo Exército, do carro onde estava o músico Evaldo Rosa.
Oitenta tiros. O número virou um emblema da impunidade, da tragédia nacional.
Luciano foi ferido ao tentar ajudar Evaldo e a família.
Estavam a caminho de um chá de bebê quando soldados dispararam contra o veículo onde estavam o filho de 7 anos, a mulher, uma amiga e o sogro, que também foi ferido.
O catador passou por uma traqueostomia e cirurgia no pulmão na tarde de quarta-feira, mas não resistiu.
A Justiça determinou duas vezes a transferência do catador para outro hospital, mas nenhuma foi cumprida. Repito: NENHUMA FOI CUMPRIDA.
Segundo Bolsonaro, o Exército não matou ninguém.
Segundo Sergio Moro, “lamentavelmente, pode acontecer”.
“Ele é trabalhador! Não o mate”, gritou a mulher de Luciano, Daiane Horrara, no dia em que o alvejaram.
A dor de Diane deveria ser nossa, a revolta deveria ser nossa, mas o Brasil virou uma nação de canalhas e canalhas sentem empatia com canalhas.
Entrevista concedida ao programa Agora é a Hora/Primando pela Verdade na Agora FM apresentado por Renato Dantas
Após anunciar para o dia 26 de abril o pregão eletrônico que pretende definir a antecipação dos recursos provenientes dos royalties do petróleo, o Governo do Rio Grande do Norte está trabalhando com a possibilidade de iniciar os pagamentos dos salários atrasados dos servidores do Estado a partir de maio. Pelo menos foi isso o que disse o titular do Gabinete Civil, Raimundo Alves, em entrevista ao programa a “A Hora é Agora”, da Rádio 97,9 FM.
Na oportunidade, o secretário afirmou que, dando tudo certo com a venda antecipada dos royalties, o Poder Executivo pretende começar a pagar os passivos por ordem cronológica, ou seja, pelo que está em situação devedora há mais tempo. Neste caso, os primeiros valores a serem pagos seriam referentes ao 13º salário de 2017. Logo depois seriam iniciados os pagamentos para quitar o mês de novembro do ano passado.
“Se conseguirmos os recursos extraordinários, o primeiro passivo a ser pago será o mais antigo, que é o 13º de 2017. Acredito que com a negociação da folha já dá pra entrar no que resta de salário de novembro de 2018, dando uma boa adiantada. No pregão (dos royalties) definiremos qual a melhor proposta. Somente a partir daí iremos estabelecer as condições, definições de datas, etc… eu acredito que até maio dá pra gente concluir essa fase”, aprazou o secretário.
Confira abaixo outros pontos da entrevista concedida por Raimundo Alves aos jornalistas Renato Dantas, Joaquim Pinheiro e Jalmir Oliveira:
RELACIONAMENTO COM DEPUTADOS De modo geral temos conversado com todos, tanto com os deputados que se propuseram a ser da base, mas também com os demais parlamentares, independentemente de partido, situação ou oposição. Essa função eu estou dividindo com o secretário Fernando Mineiro, ex-deputado que tem trânsito naquela Casa e está nos ajudando bastante. Ele tem bastante vivência e respeito na Assembleia, convive bem com todos, por isso tem nos ajudado na articulação com os deputados.
REFORMA ADMINISTRATIVA Estamos fazendo uma readequação. Um dos compromissos da governadora é de que, nesse reajuste, apesar de ser duas secretarias novas que vão surgir, não seja criado, por menor que seja, nenhum cargo. As pastas serão compostas por cargos remanejados das outras pastas de forma a dar sustentabilidade às novas. A pasta de Mulheres e Direitos Humanos, por exemplo, terá o cargo de secretário oriundo do Esporte e Lazer; o adjunto também. Toda essa reforma não significará nenhum real a mais para os cofres do Estado. Claro que teremos dificuldades para garantir a funcionalidade destas secretarias dentro do que estabelece a legislação, vez que não temos como criar cargos na atual situação do Governo, por isso estamos tendo que retirar de outras secretarias, inclusive do Gabinete Civil, para poder garantir o funcionamento delas.
RELAÇÃO COM SETOR PRODUTIVO Antes de chegar ao governo, Fátima teve 20 anos de vida pública. Isso serviu como escola para ela. Ao assumir o Estado ela trouxe essa vantagem que tem permitido o diálogo constante com o setor, através de suas federações e também das próprias empresas. Na sexta-feira passada houve reunião com FIERN, Fecomércio e mais alguns outros setores, e o diálogo que ela está propondo tem sido fundamental, vem transmitindo para o setor produtivo uma segurança. Isso, obviamente, não está nos impedindo de dialogar também com os movimentos sociais, até porque em algum momento o governo precisa se colocar como negociador de alguns impasses que venham a surgir, e isso dá garantia para o setor empregador, garantia para quem quer empreender, de que o governo pode ser um interlocutor na mediação de conflitos. Apostar no desenvolvimento do estado é a única saída que o governo tem, porque a arrecadação só vai aumentar se aumentarmos a nossa economia.
VENDA DA CONTA ÚNICA Já iniciamos as tratativas. Estamos conversando com Banco do Brasil, Caixa Econômica e Bradesco, principalmente este último que é quem tem demonstrado mais interesse e que hoje já tem hoje a conta única da Paraíba, do Ceará e de Pernambuco. Isso pra gente é bom, vez que se estabelece um nível de concorrência interessante e o sistema financeiro trabalha desta forma. A governadora já antecipou para o BB que não dá pra fazer uma negociação da conta única se ele insistir que tem que receber esse passivo dos consignados. Não estão condicionando a negociação isso, no início chegaram a colocar na mesa, mas a governadora logo deixou claro que essa é uma dívida, o governo reconhece ela, o Estado vai honrar o pagamento, mas não dá pra aplicar neste momento esse desconto todo esse passivo, vez que é um valor alto, cerca de R$ 115 milhões, então se é um valor alto não dá pra descontar tudo, até porque a gente depende desse dinheiro que vai entrar na negociação da conta para continuar a honrar o pagamento dos passivos com os servidores. O primeiro dinheiro que entrar será destinado a pagar o passivo mais antigo, que é o décimo terceiro de 2017. Basicamente tem mais aposentados nesse montante.
ARRECADAÇÃO CONTA ÚNICA x ROYALTIES DO PETRÓLEO Esse é um cálculo difícil de fazer e de antecipar. A gente ainda está negociando com os bancos, mas é um valor razoável, porque a gente precisa que esse valor entre por inteiro na conta única e fique reservado para se pagar o débito mais antigo com a folha de pessoal. Nesse momento, a gente conseguindo fazer esses recursos extraordinários, que eu acho que o primeiro a entrar será o da antecipação dos royalties, o primeiro passivo a ser pago seria o mais antigo, que seria o 13º de 2017, e acredito que com a negociação da folha já dá pra entrar no que resta de salário de novembro de 2018, dando uma boa adiantada. No pregão (dos royalties) definiremos qual a melhor proposta. Somente a partir daí iremos estabelecer as condições, definições de datas, etc… eu acredito que até maio dá pra gente concluir essa fase.
POLÊMICA DER x MOTORISTAS DE APP Tivemos uma reunião muito positiva nesta segunda-feira. Na verdade, essa ação que aconteceu no sábado era educativa e tinha a finalidade de fiscalizar o transporte clandestino, algo que é uma demanda dos próprios motoristas de aplicativo, vez que eles têm todo interesse no combate ao transporte irregular. O que a gente deixou claro foi o seguinte: a posição do governo é favorável aos aplicativos, não adianta ser contra eles. Vieram para ficar. Nesse caso, é preciso encontrar uma forma de convívio entre esses motoristas, os taxistas e o próprio transporte coletivo. Ficou acertado que eles vão ajudar a vereadora Nina Souza, que está intermediando a regulamentação deste tipo de transporte na Câmara de Natal, a acelerar a tramitação do projeto na Casa. A ideia é fazer com que esse projeto sirva de modelo para os demais municípios, principalmente da região metropolitana, para que se tenha regras iguais ou o máximo parecidas de uma cidade para outra.
PRINCIPAL DEMANDA DO POVO A sociedade é muito solidária com o servidor público. É comum o governo ser cobrado por esse passivo com os servidores, mesmo por parte de quem não é servidor. Eu diria que, sem sobra de dúvidas, toda a população do estado está preocupada com esse passivo. Essa é sim a principal demanda, ao lado da segurança, mas como a segurança já começou a dar resposta, a população se volta unicamente para o caso dos salários dos servidores, onde há uma solidariedade total.
TURISMO Já aconteceram algumas reuniões da governadora e de setores do governo com o trade turístico, isso vem acontecendo desde a transição. A principal demanda deles era a segurança, vez que é preciso que o turista se sinta seguro para ter retorno nesta área. Essa resposta da segurança tem tudo a ver com a melhoria e com a atração do RN para o turista, e acho que esse foi o principal ponto positivo até aqui.
QUEROSENE DA AVIAÇÃO x TARIFAS ALTAS Da forma como esse benefício fiscal (isenção do querosene da aviação) ficou estabelecido, ele não garantiu ao Estado nenhum incremento das linhas aéreas para Natal nem sequer benefícios para os passageiros. Pelo contrário, o governo abriu mão de uma arrecadação que era razoável para um estado que está na situação do nosso. O valor das tarifas tem preocupado o governo, vez que tanto prejudica a economia para o morador como também o turismo, porque ninguém vem pra cá se for comprar o preço das passagens de Natal para São Paulo com João Pessoa para São Paulo. Nesse ponto de vista, Pipa tem recebido hoje boa parte de suas turistas vindos do aeroporto de João Pessoa, mesmo tendo como destino o Rio Grande do Norte. Isso preocupa e já estamos nos reunindo com as empresas, a secretária Ana Maria Costa tem feito essas reuniões, o secretário de Tributação também, e se a gente não tiver uma resposta nos próximos dias o governo vai ter que tomar uma atitude um pouco mais dura.
Em 2013, Aluizio Palmar, ex-guerrilheiro, foi convidado para dar um depoimento na Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, em Brasília. O homem sabe de histórias como poucos, ah, sabe. Aluízio é um dos sobreviventes dos anos de chumbo. Que não se omitiu em tempo algum. Nem na época, nem agora, quando relança, com novas revelações, “Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?”, pela editora Alameda, livro que relata os últimos passos de seis guerrilheiros – Onofre, Lavéchia, Joel, Daniel, Victor e Enrique – que estavam na Argentina e desapareceram ao ingressar no Brasil para promover ações armadas no Sul do país. O grupo do Onofre Pinto, ex-lider da VPR, foi morto numa emboscada armada pelo Exército em 1974. A obra é o resultado de 26 anos de investigação jornalística e verdadeira obstinação em busca das circunstâncias das mortes e da localização da cova onde foram enterrados cinco brasileiros e um argentino, que insistiram em continuar a luta armada contra a ditadura militar, mesmo após a derrota das organizações guerrilheiras em meados de 1974.
Fluminense de São Fidélis, Estado do Rio de Janeiro, hoje com seus 76 anos, estudou na Universidade Federal Fluminense e, com o golpe militar de 1964, foi preso e banido do país, após ter sido trocado, juntamente com outros 69 presos políticos pelo Embaixador da Suíça no Brasil. Depois de passar oito anos entre o exílio e a clandestinidade, deu início, após a Anistia Política, à carreira jornalística que completou 42 anos. Voltando a 2013, na Câmara, falava sobre sua torturas quando irrompeu no salão um deputado descontrolado. Dedo em riste, olhou para Aluizio Palmar e disse pra quem quisesse ouvir: “Os caras que te torturaram não deveriam ter te deixado sobreviver. O deputado obviamente você já sacou, é nosso atual presidente, Jair Bolsonaro. Gilberto Pão Doce foi procurar Aluízio para falar do livro, mas também para tentar entender como é para um homem que foi banido, perseguido, torturado e perdeu companheiros pelos campos de luta, durante o regime de exceção, ter hoje na Presidência um defensor da ditadura, fã de torturadores e saudosista de tempos abomináveis, que transformaram a vida do país.
Gilberto Pão Doce – Começo perguntando. Onde foi que enterraram os nossos mortos? Me refiro aos da VPR, mas a também todos os que continuam desaparecidos políticos.
Aluizio Palmar – Essa é o dívida que o Brasil tem com seu passado. Na medida em que aqui não foi feita a justiça de transição, os responsáveis pelas graves violações não foram ouvidos pela Justiça. Faltou resolubilidade à recente experiência da Comissão Nacional da Verdade. Apesar de convocados, foram poucos, ou melhor, raros, os responsáveis por torturas, assassinatos e ocultação, que compareceram nas audiências. E os que atenderam às intimações negaram-se a falar e os que falaram, mentiram, omitiram e tergiversaram. O pouco que se sabe sobre os desaparecidos políticos é graças aos trabalho de investigação dos familiares, dos sobreviventes e dos pesquisadores em geral.
GPD -Seu livro é relançado num momento determinante. Quando o presidente é um homem que não reconhece o golpe de 64, diz que não houve ditadura, elogia Brilhante Ustra, Pinochet e Stroessner, já defendeu publicamente atrocidades e até o fuzilamento de líderes, como FHC. Qual a importância de contar a história real, quando querem retira-la até dos livros de história?
Aluizio – Bolsonaro é um homem tosco, que reproduz a fala do que há de mais atrasado na sociedade brasileira. A formação de Bolsonaro foi engendrada no seio do que há de mais abrutalhado e de pessoas ligadas à grupos de extermínio. Portanto, ele é parte da violência, da tortura, dos preconceitos e da exclusão social. Esse exercício, nossa luta diuturna, de resgatar memórias, tem sido uma tarefa dos sobreviventes, dos familiares e historiadores.
GPD – Olavo de Carvalho, o “filósofo” de Bolsonaro e de seus filhos, diz (repetiu isso numa entrevista a Pedro Bial, em sua casa, nos EUA), que o golpe de 64 existiu, mas não foi contra Jango, mas contra os políticos que arquitetaram o golpe, como Carlos Lacerda. Como o senhor responde a essa versão?
Aluizio – As coisas que esse Olavo de Carvalho fala fazem parte desse festival de besteiras que assola o país. É a versão 2019 do Febeabá, criado pelo jornalista Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta. Quem viveu aqueles momentos do pré e pós golpe, sabe muito bem o caráter de classe do golpe militar naquele contexto de guerra fria, num momento de ascensão das massas trabalhadoras, em que as consciências esclarecidas ocupavam postos relevantes na sociedade brasileira. Aliás, eu recomendo um livro que considero de grande importância para a compreensão do golpe militar. Trata-se de “1964, A Conquista do Estado”, do cientista político René Armand Dreifuss. Em sua obra, Dreifuss mostra com dados oficiais que o golpe teve como objetivo impor uma reformulação do aparelho do Estado que beneficiou as classes empresariais e os setores médios da sociedade em detrimento da massa. Lacerda e sua histeria antigetulista foi usado como propagandista para aterrorizar a classe média e impor o medo do comunismo.
Aluizio Palmar corre o país com a edição atualizada de “Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?”, pela editora Alameda
GPD – A Anistia brasileira “para os dois lados” impediu que o Brasil lacrasse o período ditatorial, como fizeram outros países, como Argentina e Chile, e de alguma forma tornam as Forças Armadas ainda saudosistas do regime de exceção?
Aluizio – Essa teoria dos dois demônios é bizarra. É uma interpretação fuleira da história que não deve ser levada a serio. Ao referendar essa ideia obtusa, o STF coloca no mesmo nível a oposição à ditadura e àqueles que torturaram mulheres grávidas, que estupraram homens e mulheres com cassetetes até a morte, dilacerando-lhes os intestinos, como é o caso do jornalista Mário Alves. Estamos pagando o preço de não ter sido feita a Justiça de Transição, com os responsáveis por graves violações não terem respondidos pelos seus crime e também pela manutenção dos currículos na academias militares. Na grade escolar desses espaços de formação, a ideologia da segurança nacional permeia na maioria dos textos.
GPG – Sobre seu livro, você traz revelações explosivas sobre os últimos passos de seis guerrilheiros da VPR que estavam na Argentina e desapareceram ao ingressar no Brasil para promover ações armadas no Sul do país. Foram quase três décadas de investigação jornalística em busca das circunstâncias das mortes e da localização da cova onde foram enterrados cinco brasileiros e um argentino. Por que o sr nuca desistiu?
Aluizio – Esse livro foi para mim uma catarse. Ele encerrou um período de silêncio, em que eu e minha família procurávamos evitar o sofrimento ao recordar as dilacerações de nossos corpos e almas. Eu fui em busca dos desaparecidos políticos e me reencontrei com minha história e ao reencontrar a minha história, trouxe à luz as lutas estudantis em Niterói, a criação de um dos primeiros grupos da luta armada – o MR8 de Niterói, as ações da resistência, as lutas camponesas no interior do Estado do Rio de Janeiro e Paraná, a prisão, torturas, clandestinidade e a busca aos companheiros desaparecidos. Essa reedição está atualizada com novas descobertas, como a circunstância da morte de Onofre Pinto, líder da VPR e os resultados das últimas expedições até o local da chacina dentro do Parque Nacional do Iguaçu.
GPD – Como o senhor analisa o atual momento político que, visto de forma rápida, traz um capitão reformado, eleito presidente, militar e político medíocre, levado pelas circunstâncias, comandando não só o país, como as Forças Armadas, e generais, como o vice-presidente Hamilton Mourão?
Aluizio – No momento, Bolsonaro está servindo aos grupos que o colocaram no governo. Enquanto for útil e tiver base social Bolsonaro fica. No momento ele está colocando em prática as pautas do empresariado, que são o enxugamento do Estado, a reforma da previdência e alinhamento aos EUA. Para o seu público ele usa as mesmas perfumarias que usou na campanha eleitoral.
GPD – As Forças Armadas brasileiras, e suas lideranças, na sua opinião, não aprenderam nada com 64, com o período de exceção? O espírito golpista ainda reina, mesmo com um presidente de direita no comando?
Aluizio – As Forças Armadas não são um corpo monolítico. Dentro delas existem muitas contradições e a tendência são elas aflorarem com essa sanha dos militares de ocupar cargos públicos e se locupletarem com as sinecuras e benesses que a administração pública oferece. A pauta do anticomunismo já não une as FFAA e quanto ao combate a corrupção, ele vai se esvaziar quando os oficiais íntegros se derem conta que seus pares no governo estão se esbanjando com o erário público. A história vai se repetir. Lembro que tanto Golbery do Couto e Silva como João Figueiredo denunciaram corrupção na ditadura militar.
GPD – Há solução para o país, para a esquerda, além de Lula? Ou só sua libertação, e uma nova vitória nas urnas, seriam capazes de redimir o país e evitar a continuidade deste tremendo retrocesso?
Aluizio – A barbárie vai ceder e as consciências esclarecidas vão dar a volta à tortilha. As chamadas esquerdas tem de superar o sectarismo e abrir o leque. Somente uma ampla frente democrática pode derrotar o grupo que está no governo.
GPD – Com sua história de vida, e ainda um brasileiro, um cidadão, um eleitor, um homem político, que mensagem o sr passaria para o país e, especialmente, para as novas gerações, que parecem viver hoje sua esperança?
Aluizio – Parafraseando o libertador San Martin, unidade, unidade e unidade. Somente vamos derrotar essas forças poderosas com muita unidade, com um programa democrático, sem soberbia e sectarismo.
Diretor de Tropa de Elite e da série O Mecanismo, José Padilha fez mea culpa em artigo publicado na edição desta terça-feira (16) da Folha de S.Paulo e admitiu que errou ao apoiar o ministro da Justiça, Sergio Moro, e sua atuação na operação Lava Jato.
“Ora, o leitor sabe que sempre apoiei a operação Lava Jato e que chamei Sergio Moro de “samurai ronin”, numa alusão à independência política que, acreditava eu, balizava a sua conduta. Pois bem, quero reconhecer o erro que cometi”, escreve Padilha, após listar cinco pontos sobre a atuação das milícias.
“Digo isso porque não há outra explicação: Sergio Moro finge não saber o que é milícia porque perdeu sua independência e hoje trabalha para a família Bolsonaro”, relata, antes de classificar o pacto anticrime de Moro de “pacote pró-milícia”.
Padilha, então, volta a listar, desta vez os motivos pelos quais o pacote anticrime vai facilitar a violência policial e auxiliar a atuação das milícias, especialmente com o excludente de ilicitude, tido como uma autorização para os policiais matarem.
“O hábito que os policiais milicianos têm de plantar armas e drogas nos corpos de suas vítimas para justificar execuções é tão usual que deu origem a um jargão: todo bom miliciano carrega consigo um ‘kit bandido’. Aprovado o pacote de Moro, nem de ‘kit bandido’ os milicianos precisarão mais”.
Padilha diz que ainda que “o juiz Giovanni Falcone, em quem o ministro diz se inspirar, foi morto aos 53 anos de idade na explosão de uma bomba colocada pela máfia em uma estrada”. Porém, ao lado de Bolsonaro, Moro se coloca como um “antiFalcone”. “Seu pacote anticorrupção é, também, um pacote pró-máfia”.
O deputado Francisco do PT avaliou nesta terça-feira (16) os 100 primeiros dias do governo Fátima. Ele destacou o fato do governo vir pagando os salários dos servidores dentro do mês trabalhado, a economia de R$ 39 milhões da atual gestão com a recuperação de impostos e eficiência na política de arrecadação, além da redução dos índices de violência em mais de 30% num comparativo com o mesmo período de 2018.
O parlamentar criticou os colegas da Assembleia Legislativa que tentam, segundo ele, responsabilizar pela crise econômica do Estado um governo que não completou nem quatro meses. Sem constrangimento em responsabilizar a gestão passada pelo caos financeiro do Rio Grande do Norte, ele provocou:
– “É preciso destacar que o retrovisor ainda está novinho”, disse numa alusão ao governo Robinson.
O governo Robinson não foi poupado pelo petista. Lembrando o passivo de aproximadamente R$ 4 bilhões entre déficit e dívidas, incluindo quatro folhas de salários atrasados, Francisco do PT foi duro nas críticas:
– Não podemos aceitar que a tragédia do Rio Grande do Norte seja colocada como responsabilidade do atual Governo. Outro dia um deputado disse aqui que os 100 primeiros dias do governo Fátima era com S, de sem, mas com S de sem era o governo passado: sem projeto, sem políticas públicas e sem compromisso com os servidores.
Destaque
Como destaques positivos, Francisco do PT citou o esforço do governo em pagar os salários dos servidores dentro do mês trabalhado, o que fez circular nos primeiros meses de 2019 mais de R$ 1 bilhão na economia local.
– Não consigo compreender como os deputados desta Casa dizem que a situação está pior do que está estava no ano passado. Quando o governo Robinson deixou de pagar os salários no final do ano passado, mais de meio bilhão de reais deixou de circular no Estado. Agora, a governadora Fátima implementou um calendário negociado com o Fórum Estadual de Servidores, um fórum legítimo.