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28 Mar 13:15

Hoje, tentaram te matar. Por Ana Cañas

by Diario do Centro do Mundo

Postado originalmente na fanpage oficial da cantora no Facebook

POR ANA CAÑAS

Lula e Ana Cañas. Foto: Ricardo Stuckert

hoje, tentaram te matar.
04 balas disparadas em sua direção.
pois podem te apedrejar, xingar, crucificar.
eu estarei ao seu lado.
o que os fascistas querem não é o fim da corrupção.
não é a ‘justiça’ que tanto hipocritamente clamam com suas panelinhas.
o que eles querem é a morte de um candidato que lidera todas as pesquisas de intenção de voto para a presidência da república.
um homem julgado e condenado sem provas, no circo bizarro e totalmente arbitrário da lava-jato e do judiciário de carmen lúcia – que, aliás, recebeu michel temer para um cafezinho em sua casa, na semana passada.
o que os fascistas querem é executar um ser humano que será indicado ao prêmio nobel da paz.
no MECANISMO deles, o ódio, a ignorância, a intolerância, a truculência, o preconceito e a execução – como visto hoje, vencem.
no mecanismo de josé padilha, a demonização da esquerda é o trampolim que lhe cai muito bem, obrigada.
colocar palavras ditas por outrens na boca de quem lhe convém é apenas ‘liberdade de expressão à favor de uma força dramática’.
parabéns, diretor.
comprar capas de revistas para anunciar o seriado no país inteiro (contando com a condenação) apenas para promover a série, é tripudiar além do imaginável.
é escabroso.
num fode, netflix.
além do roteiro raso, maniqueísta e maquiavélico (eufemismos rolando).
transformar o moro num herói?
ele, que ontem mesmo, defendia o reajuste do auxílio-moradia dos juízes, no programa roda viva.
que bonitinho, gentê.
então alguém pergunta pro herói da série do padilha porque a lava-jato não condenou nenhum tucano?
ou o que ele fazia, aos risos, com o aécio, certa feita.
qual foi a piada que nós, brasileiros, perdemos, hein, senhor diretor?

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28 Mar 12:52

Doulas terão permissão para acompanhar trabalhos de parto em Natal

by Equipe Saiba Mais

A presença de doulas durante os trabalhos de parto realizados nas maternidades e hospitais de Natal está próximo de virar lei. A Câmara Municipal derrubou o veto do prefeito Carlos Eduardo Alves ao projeto, protocolado pela vereadora Júlia Arruda. Tanto o prefeito como a vereadora são do PDT. A Prefeitura alegava que o PL implicaria em aumento de gastos para o município. O projeto não obriga a presença das doulas em todos os partos, mas faculta à mulher a opção pela assistência. Desde 2013, as doulas são uma categoria profissional regulamentada no Brasil.

O projeto é considerado uma conquista para a humanização do parto e estima-se que a presença de doulas diminui pela metade os índices de cesariana, além de reduzir em 25% a duração do trabalho de parto, segundo estudos internacionais. A vereadora Júlia Arruda, autora do projeto, destacou que não há custo para o município:

– Está expresso no projeto que as doulas atuarão sem ônus e vínculos empregatícios com as instituições ou com o Município. O texto é claro no sentido de que são acompanhantes de parto escolhidas livremente pela parturiente, a quem caberá, se for o caso, remunerá-la.

 

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28 Mar 12:52

Temer liberou apenas 17% dos recursos previstos para combate à seca no RN

by Equipe Saiba Mais

Da tribuna do Senado Federal nesta terça-feira (27), a senadora Fátima Bezerra (PT) fez um duro discurso sobre a situação de calamidade hídrica do Rio Grande do Norte e revelou ao plenário que a conta do apoio da bancada federal potiguar ao governo Temer está sendo paga pela população mais pobre do Estado.

De acordo com dados apresentados pela petista obtidos junto à secretaria de Estado de Recursos Hídricos e Meio Ambiente, do orçamento de R$ 336 milhões previsto para o plano Emergencial de Segurança Hídrica do RN, elaborado ainda em 2015, o Ministério da Integração Nacional só liberou R$ 60 milhões, o equivalente a 17% do total em três anos.

Vale lembrar que tanto o governador Robinson Faria como o deputado federal Fábio Faria justificaram o apoio ao governo Temer na época alegando maior facilidade para a liberação de recursos para o Estado, a exemplo da própria verba para projetos como o Plano Emergencial de Segurança Hídrica do RN, além do empréstimo de R$ 800 milhões para obras de infraestrutura que nunca foi liberado.

A situação nos municípios do interior do Estado tem se agravado em razão da falta de chuvas, o que fez o Governo do Estado renovar pela décima vez o decreto de situação de emergência em 153 dos 167 municípios do Estado. Dos 47 açudes e barragens do RN, também segundo a Semarh, 32 estão secos ou em volume morto.

É importante lembrar que dos oito deputados federais e dos três senadores da bancada potiguar, apenas Zenaide Maia (PHS) e Fátima Bezerra (PT) não apoiaram o governo de Michel Temer, que já detém o recorde de reprovação popular (94%), o mais rejeitado da história do país.

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26 Mar 16:59

EIS QUE O DIFAMADOR PROFISSIONAL E CRIADOR DE FAKE NEWS É ELE MESMO FAKE

by lola aronovich
Coxinha na versão extra frita

Claro que fico satisfeita quando um ser vil que me persegue há anos se dá mal. 
O biltre da vez é Luciano Ayan, autor da página de fake news Ceticismo Político, entre outras. Este não é o seu nome verdadeiro, o que dificultava processá-lo. Mas agora ele revelou sua identidade: Carlos Augusto de Moraes Afonso, de 45 anos, consultor de informática.
Comentário de 2005 sobre
Luciano Ayan (clique em
qualquer imagem para ampliá-la)
"Luciano Ayan" é um velho troll de internet que age desde 2004. Sempre foi um reaça e, desde a época do Orkut, tinha inúmeros fakes. Era desses trolls que botavam seus fakes pra debaterem entre si, como conta um relato antigo (e longo, já que a ficha corrida biografia do cara é longa). 
Eu nem sei quando ele usou uma de suas páginas pra me atacar pela primeira vez. Obviamente que ele não me atacou por me conhecer ou por ter algo pessoal contra mim, e sim por eu ser feminista e ele, um reaça que, entre outros alvos, ataca feministas. Tipo: alguma mulher cortou o pênis do parceiro? Luciano vai publicar a notícia no seu site afirmando que tal mulher é feminista. É da estirpe que chama feminista de "prostituta ideológica" e, óbvio, "feminazi". 
Em janeiro de 2015 ele usou um ataque gratuito do reaça mau caráter disfarçado de humorista Danilo Gentili para me xingar. Gentili divulgou para seus milhões de seguidores a montagem que mascus fizeram com um cartaz que fiz e carreguei na Marcha das Vadias de 2013, em Recife. 
É o que eles fazem -- não te atacam pelas coisas que você faz e diz, mas pelas mentiras que espalham sobre você. E fica a pergunta, mais uma vez: se eu sou um ser tão abjeto como eles dizem, se eu sou um demônio que prego o mal, se eu sou um "monstro moral" (nas palavras do cidadão de bem Luciano), por que cargas d'água eles precisam inventar coisas sobre mim? Ué, não bastava usar o que eu falo de verdade? Precisa fazer montagem em cartaz, precisa criar site e tuítes falsos, precisa alterar as minhas fotos e textos? 
De todo modo, Luciano se aproveitou do ataque de Gentili para escrever um texto cheio de mentiras e ofensas sobre mim. Se você digitar meu nome no Google, o texto difamatório aparece em quarto lugar na busca. Um dos mascus criminosos que me ameaçam há anos gosta de dizer que, sempre que é chamado pra depor pela polícia, mostra o texto de Luciano pro delegado. Porque, pro mascu, o texto é prova não de que Luciano é um difamador profissional sem qualquer escrúpulos, mas que tudo que está escrito lá é a mais pura verdade.
Blogueira feminista diz...
exceto que ela não disse
Na páscoa de 2015, Luciano foi ainda mais longe. Uns mascus de uma página misógina e racista no FB fizeram uma montagem de um tuíte com meu nome e foto (em que "eu" celebrava a morte do filho de Alckmin num acidente de helicóptero) e inventaram que eu havia publicado aquela aberração no meu Twitter e apagado logo em seguida, mas eles foram rápidos e printaram. Ninguém teria visto essa montagem se não fosse pelo trabalho árduo de Luciano no seu blog (então chamado Crítica Política), e de um outro reaça asqueroso chamado Edmilson Papo 10, no Twitter. Eles se encarregaram de espalhar a mentira, que me rendeu centenas de ameaças de morte e insultos. Luciano fez uns três posts em cima de uma imagem fake. Ninguém pode dizer que ele não é esforçado.
Eu acho curioso como reaças sempre sabem o que rola entre os mascus. Pode ser uma página mascu sem seguidores -- pode ter certeza que os reaças a conhecem e se abastecem dela. A ideologia é a mesma: extrema direita misógina, racista, lgbtfóbica. Deve ser por isso que nenhum reaça jamais se manifestou pra condenar as milhares de ameaças que seus coleguinhas mascus fazem a mim e a outras ativistas. Muito pelo contrário: num de seus posts contra mim, Luciano lamenta que eu ridicularize esses "garotos que postam em fóruns" e que eu use "táticas de violência psicológica" contra eles. Depois somos nós que somos vitimistas!
Pouco depois, em julho, Luciano publicou num de seus sites uma extensa entrevista com um mascu, o ex-presidiário Emerson, arrotando mil e um delírios, e, óbvio, me difamando. Talvez a mentira mais bombástica era Emerson dizendo que ele era Nessahan Alita, um ridículo guru mascu desaparecido há anos. Nem os outros reaças acreditaram nas baboseiras de Emerson, e Luciano tirou a entrevista do ar. Serião: quando um site que só publica fake news tem que remover um post em que ninguém acredita, é porque o negócio tá feio mesmo.
Mas por que estaríamos falando do Luciano, um inútil tão completo que só é levado a sério por reaças (e diz muito sobre os reaças que eles compartilhem tanto um site que basicamente só publica mentiras)? Porque, segundo um estudo da Universidade Federal do Espírito Santo, suas postagens caluniosas sobre Marielle Franco foram fundamentais para propagar mentiras sobre ela. 
O jornal O Globo fez o que os "blogueiros sujos" (ou seja, a blogosfera de esquerda) deveriam fazer -- o mínimo de trabalho investigativo que rendeu duas matérias que desmascaravam completamente o site de Luciano e o MBL (que espalhou todas as mentiras do Ceticismo Político, e depois as deletou). Do MBL acho que nem preciso falar nada, né? Ontem a própria Veja, que até pouco era revista de cabeceira da turma reaça e hoje é chamada por eles de comunista (ha ha), fez uma matéria curta sobre o modo de agir do MBL. 
MBL e outros reaças não são exatamente conhecidos pela sua transparência. 
Eles não revelam quem os financiam, quanto ganham, pra quê. Suas páginas de fake news (MBL chama agências de checagem de fatos de "censura") são hospedadas fora do Brasil, o que dificulta processos por calúnia e difamação (os mascus que me atacam também fazem isso). A gente espera que o PSOL, que já recebeu mais de 17 mil prints de conteúdo difamatório contra Marielle, processe todos eles. A Polícia Civil já abriu inquérito para responsabilizar criminalmente quem divulgou os boatos sobre Marielle.
Pegos na mentira, MBL e Luciano se enrolam cada vez mais. Primeiro o MBL disse ao jornalista do Globo não conhecer Luciano Ayan ("não conhece" mas o retuita com enorme frequência e rapidez). Luciano também disse não ter relações com o MBL (mas, curiosamente, respondeu às perguntas que o Globo mandou pro email do MBL). 
Agora já se sabe que Luciano, ou melhor, Carlos Afonso, é sócio em uma consultoria de Pedro D'Eyrot, líder e um dos fundadores do MBL. Até o início do mês, Carlos era sócio também de Rafael Rizzo, coordenador de comunicação do MBL. São várias ligações perigosas pra quem diz à imprensa não conhecer um ao outro. 
Rafael Rizzo, coordenador de
comunicação do MBL (sim, esse
cargo parece que existe)
Numa matéria do Globo, o jornalista perguntou por que o MBL publicava conteúdos de quem dizia não conhecer. Renato Battista, um dos coordenadores do MBL, respondeu: "Porque a gente prefere compartilhar o que bem entende e prefere acreditar na mídia independente do que no Globo". Deixa eu ver se eu entendi: o MBL, que é altamente patrocinado por bilionários americanos, se considera independente?
Um outro reaça já havia revelado tudo isso há duas semanas:
No sábado, o Facebook removeu o Ceticismo Político (já que a página havia sido aberta por um fake, Luciano), e outras duas ligadas a Luciano. 
Com isso, o Ceticismo (cujo domínio do site é registrado por uma empresa na Dinamarca no nome do fake Luciano Henrique Ayan; antes, quando tinha .com no nome em vez de .org, era hospedado no Canadá) vai sofrer, já que 80% de seus acessos vinham do FB. E a pergunta que não quer calar: por que o FB não removeu antes uma página difamatória de um fake? Tenho certeza que o Ceticismo já havia sido denunciado inúmeras vezes antes de sábado. 
Diante do desastre, Luciano, agora Carlos Afonso, escreveu no seu site revelando sua identidade. O trecho mais incrível é este:
Trocando em miúdos, Carlos Afonso tem um outro nome para troll profissional divulgador de calúnias e fake news: "métodos para a guerra política"! 
Parabéns, você é um mentiroso!
Na carta, ele revela também que o Ceticismo Político "passou a ser monetizado em meados de 2017", mas, como é do seu feitio, não diz quanto nem como nem de onde. E, no vitimismo típico dos reaças, Carlos Afonso se diz alvo de calúnias por ter usado um fake! (não que ele se aproveitou de usar fakes para caluniar pessoas de verdade -- como eu -- à vontade). 
Não sei se foi nessa "carta" ou num outro post recente que vi Luciano dizendo que é um erro considerar o Ceticismo Político um site de notícias. É apenas um site que comenta notícias, segundo ele. Nisso eu concordo! Mas então por que os outros reaças e o próprio site (sem contar o MBL) divulgam notícias do Ceticismo como se fossem fatos super verdadeiros, e não opiniões reaças?
E, cá pra nós, o pior é que não são opiniões -- são calúnias. São mentiras. Você não faz três posts baseados num tuíte claramente fake para atacar uma feminista e chama isso de "apenas minha opinião". Você não pode dizer que Marielle era um cadáver comum ligado a traficantes e tenta se refugiar no velho "só minha opinião". Isso é difamação, e faz de você um difamador. Você não coloca as palavras altamente preconceituosas de uma desembargadora no seu site e chama de "desabafo". Não é desabafo, é mentira!
Ninguém que se veja como um "cidadão de bem", um "homem honrado", seria capaz de fazer isso:
No post, Luciano, aka Carlos Afonso, espalha um dos fake news (aquele que dizia que Marielle e Marcinho eram um casal) para sugerir que crime mesmo é ser uma ativista e ser do PSOL, não ser um traficante condenado. 
Neste post, Luci in the Sky with Diamonds (porque ele deve ter tomado alguma substância psicodélica pra mentir desse jeito) chama o jornal El País de "jornal de extrema esquerda" e distorce a verdade (falsa acusação de notícia falsa?) para que ninguém repare quem realmente está afundando "ainda mais no esgoto" (quem cria e divulga fake news ou quem denuncia fake news?).
Parece, Carlos Afonso, que quem vai se dar mal não é o PSOL, mas quem criou e espalhou mentiras sobre Marielle. Não posso dizer que fico triste com o fim da carreira de um mentiroso. 
26 Mar 16:44

Altamiro Borges: Não é a primeira vez que a senadora Ana Amélia propaga o ódio

by Luiz Carlos Azenha

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Ana Amélia será repreendida no Senado?

Por Altamiro Borges, em seu blog

Uma notícia publicada no excelente site Sul 21 poderia ser a base para o pedido de abertura de um processo contra a senadora Ana Amélia Lemos, ex-serviçal da RBS/Globo, por incitação à violência e ao ódio fascista.

“Durante a convenção estadual do PP, neste sábado (24), a senadora parabenizou os ruralistas que protagonizaram durante a semana cenas de selvageria para protestar e impedir o direito de ir e vir da caravana que o ex-presidente Lula realizou pelo interior do Estado entre segunda (19) e sexta-feira (23)… Em seu discurso, ela disse: Quero parabenizar Bagé, Santa Maria, Passo Fundo, São Borja. Botaram a correr aquele povo que foi lá levando um condenado se queixando da democracia. Atirar ovo, levantar o relho, mostra onde estão os gaúchos”.

Na prática, a moralista sem moral incitou a violência praticada pelas milícias fascistas — e que, segundo a direção nacional do PT, será motivo de denúncia internacional em órgãos como a ONU.

Como relata o site Sul 21, “em diversas ocasiões durante a semana, manifestações organizadas por sindicatos rurais culminaram em agressões à caravana e aos apoiadores do ex-presidente. Em Santa Maria, na terça-feira (20), enquanto Lula participava de ato fechado com a reitoria da UFSM, manifestantes contrários ao evento partiram para cima de pessoas que acompanhavam a visita, na sua maioria estudantes. Em Cruz Alta, quatro apoiadoras do ex-presidente foram agredidas. Em outras ocasiões, como em Bagé e São Borja, ovos e pedras foram atirados contra os ônibus que participavam da caravana, chegando a quebrar vidros dos veículos. Além disso, em diversos momentos pessoas armadas foram flagradas participando de atos anti-Lula e um carro carregado de artefatos explosivos foi apreendido”.

O discurso na convenção do PP da senadora Ana Amélia não causa surpresas.

Ela é uma expressão grotesca do reacionarismo que tomou conta do país desde a cavalgada golpista que alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer.

Viúva do senador biônico Octávio Omar Cardoso, um dos expoentes da direita gaúcha durante a ditadura militar, ela só se elegeu em 2010 graças à exposição nos veículos da RBS – afiliada da TV Globo no Sul do país – e ao apoio dos ruralistas e das milícias fascistas do Estado.

Nas eleições presidenciais de 2014, ela apoiou o cambaleante tucano Aécio Neves.

Já na vergonhosa sessão do Senado que aprovou o impeachment de Dilma Rousseff, em agosto de 2016, ela virou motivo de chacota nas redes sociais ao afirmar que sentia “muita alegria de ser golpista”.

No final do ano passado, Ana Amélia voltou a bombar nas redes sociais após divulgar mentiras contra o MST.

Como registrou o site Socialista Morena, “a senadora protagonizou nesta segunda-feira, 6 de novembro, uma patética cena ao embarcar em uma fake news publicada pelo site O Antagonista, conhecido na rede por divulgar notícias falsas e duvidosas. Sem se certificar do ocorrido, Ana Amélia subiu à tribuna no plenário do Senado, espalhou a falsa notícia e aproveitou para espumar ódio ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra e ao ex-presidente Lula, acusando o MST de ter invadido uma área produtiva em Correntina, na Bahia”.

Na ocasião, ela já mereceria a abertura de processo pelos crimes de calúnia e difamação.

Agora, porém, é mais grave.

No discurso na convenção do PP, a ex-serviçal da RBS/Globo defendeu abertamente os atos dos terroristas fascistas.

Em tempo: A fascistoide Ana Amélia Lemos adora posar de vestal da ética.

Mas, vale repetir, é bom desconfiar destes moralistas.

Geralmente, eles tentam esconder os seus podres, ludibriando os otários.

Matéria publicada em março de 2015 pela CartaCapital, assinada pelo jornalista Marcelo Pellegrini, revelou que o partido da senadora gaúcha foi um dos campeões das delações na Operação Lava-Jato.

“O PP lidera a lista com folga, com o maior número de políticos investigados no escândalo de corrupção na Petrobras. Ao todo, a lista traz 33 nomes ligados ao PP, sendo seis apenas do Rio Grande do Sul”.

A sorte da “ética” Ana Amélia é que a lista nunca ganhou destaque no Jornal Nacional, investigando como a grana foi usada nas campanhas eleitorais no Estado.

Isto talvez explique as constantes declarações de amor da senadora ao “justiceiro” Sergio Moro.

PS do Viomundo: No episódio de Correntina, a fake news se espalhou graças a um vídeo que circulou nas redes sociais com pessoas derrubando torres de transmissão de uma fazenda. Os mentirosos diziam tratar-se de militantes do MST, quando o movimento nem tinha presença naquela região da Bahia.

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26 Mar 13:06

Especialistas em tapinhas nas costas

by Carlos Fialho

Em seu livro “Recomendações a todos”, o escritor Alex Nascimento conta sobre o dia a dia de um hospício onde uma das enfermarias tem na entrada uma placa indicativa onde se lê: “Classe Média”. Ao visitar o local, o narrador da obra recebe a seguinte explicação do doutor que o ciceroneia: “as pessoas da dita enfermaria não eram pessoas de muita classe e, para não ofendê-las tanto, chamando-as de sem classe, a diretoria central foi complacente e batizou de ‘Classe Média’.”

Sobre os pacientes desta ala do hospício, o médico continua sua descrição: “Os doentes aqui da ‘Classe Média’ são extremamente simpáticos, mas nós detectamos, através de aplicações de raio laser, que esta simpatia tem um enorme componente de falsidade associada a uma irreversível perda de caráter e personalidade. Têm no trabalho a razão principal da vida, não pelo trabalho em si, mas no quanto aurificamente o trabalho lhes pode dar. São uma espécie idiota de colecionadores de dinheiro;… Adoram papo sobre repartições, empresas, loteamentos, correção monetária, liderança no trabalho e só abrem exceção se for pra falar de ‘quem está comendo quem’. São especialistas em tapinhas nas costas e têm pelos seus chefes uma subserviência canina.”

Poucos parágrafos são capazes de definir tão fidedignamente a tal classe média natalense quanto o reproduzido acima. Porque os nossos “classudos medianos” passam a vida se equilibrando numa corda bamba imaginária que levaria à ascensão social em caso de se chegar ao fim do trajeto ou produziria a queda, a ruína, a miséria se houvesse um passo em falso que fosse. O mesmo Alex Nascimento, na mesma obra supracitada, diz que “as pessoas de classe média não sabem se têm mais medo de ficar pobres ou vontade de ficar ricas”. Como uma autodefesa, um desenvolvido instinto de sobrevivência, o cidadão médio devota toda a sua admiração e dedicação àqueles que estão acima de si na pirâmide social: os homens e mulheres da elite local. É por eles que os olhos dos nossos medianos brilham, é pensando neles que se traçam metas, elaboram-se objetivos, perseguem-se ideais de sucesso. É projetando em si a imagem deles que textos indignados são redigidos em redes sociais, panelas são batidas, patos infláveis são arrematados.

Nitidamente, o sonho de princesa da nossa classe média é ganhar mais dinheiro, ter sobrando o que hoje lhes falta, usufruindo de todas as benesses que uma inédita folga pecuniária poderia lhes proporcionar. Para eles é com um misto de desalento e esforço motivacional que dão uma brechada no Instagram dos mais abastados, gente que anda em carros importados, embalando bolsas caras e que ostenta sobrenomes ilustres, tradicionais. Querem as viagens regulares à Europa ou a Miami (uma espécie de Meca contemporânea brasileira), os jantares frequentes nos points da cidade, os convites para festas exclusivas, os acessos irrestritos a camarotes mil, a pulseirinha VIP como parte indissociável da anatomia.

Alcançar o lindo sonho dourado de viver nesta utopia moderna justifica tudo. Pouco importa se a elite econômica potiguar, tão venerada e invejada, é composta por pessoas cujos talentos específicos se resumem, em geral e respectivamente, a uma única atividade (de enorme rentabilidade, é bem verdade). Trata-se de uma classe tão rica de dinheiro quanto pobre de conteúdo, de contas bancárias que parecem um poço sem fundo de tantos fundos a lhes abarrotar, mas rasa de conhecimento abrangente, analfabeta cultural que lhes pilha a sensatez e esvazia a essência. Os ricos conterrâneos alternam uma prodigiosa inteligência dirigida, voltada exclusivamente para os seus negócios, com uma notável ignorância periférica tão proeminente que lhes faz sentir-se desconfortáveis em ambientes diversos. O ar se mostra por demais rarefeito fora de suas bolhas, longe de suas zonas de conforto, distante dos monotemas cotidianos. Tudo é muito estranho quando o dinheiro não está no foco das atenções.

Entretanto, tais características inerentes à condição de abastado natalense se mostram insignificantes a tal ponto que a classe média já se põe a imitar a parte que lhe cabe: o culto à estupidez, uma vez que não podem copiar os hábitos por escassez de recursos. Tal síndrome de espelho produz o comportamento descrito no livro de Alex Nascimento.

Porque a vontade de ter dinheiro a qualquer custo, leva os da ‘média classe’ a se mostrarem “extremamente simpáticos, mas com um enorme componente de falsidade associada a uma irreversível perda de caráter e personalidade”. O desejo de acumular capital faz com que “tenham no trabalho a razão principal da vida, não pelo trabalho em si, mas no quanto aurificamente o trabalho lhes pode dar”. O sonho de riqueza conduz a conversações estéreis sobre “repartições, empresas, loteamentos, correção monetária, liderança no trabalho, e só abrem exceção se for pra falar de ‘quem está comendo quem’ (que eles chamam eufemisticamente de ‘chafurdos’)”. A dedicação os guia à condição de “especialistas em tapinhas nas costas que têm pelos seus chefes uma subserviência canina”. São capazes de defender aqueles que podem lhes dar uma migalha à guisa de oportunidade, fechando os olhos para eventuais falhas, desvios éticos, desonestidades e partindo pra cima, como bons cães de guarda a qualquer um que ouse criticar a mão que lhes alimenta.

A verdade é que podemos sintetizar tal comportamento com a frase “São uma espécie idiota de colecionadores de dinheiro.” Pena pra eles que, em tempos de crise, tenham tão pouco a colecionar.

 

Leia outros textos de Carlos Fialho:

O cidadão de bem
Sonhos de faroeste
Aprendi com elas

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26 Mar 12:50

Dilma: “Série ‘O Mecanismo’ é mentirosa e dissimulada”

by Diario do Centro do Mundo

Do site oficial da ex-presidente Dilma Rousseff

Brasília – A presidente Dilma Rousseff em pronunciamento se manifesta com indignação sobre a aceitação do pedido de impeachment anunciado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha ( (Wilson Dias/Agência Brasil)

Cineasta propaga “fake news” na série de TV lançada pela Netflix. Dilma desmascara as mentiras

NOTA DE ESCLARECIMENTO

O país continua vivo, apesar dos ilusionistas, dos vendedores de ódio e dos golpistas de plantão. Agora, a narrativa pró-Golpe de 2016 ganha novas cores, numa visão distorcida da história, com tons típicos do fascismo latente no país.

A propósito de contar a história da Lava-Jato, numa série “baseada em fatos reais”, o cineasta José Padilha incorre na distorção da realidade e na propagação de mentiras de toda sorte para atacar a mim e ao presidente Lula.

A série “O Mecanismo”, na Netflix, é mentirosa e dissimulada. O diretor inventa fatos. Não reproduz “fake news”. Ele próprio tornou-se um criador de notícias falsas.

O cineasta trata o escândalo do Banestado, cujo doleiro-delator era Alberto Yousseff, numa linha de tempo alternativa. Ora, se a série é “baseada em fatos reais”, no mínimo é preciso se ater ao tempo em que os fatos ocorreram. O caso Banestado não começou em 2003, como está na série, mas em 1996, em pleno governo FHC.

Sobre mim, o diretor de cinema usa as mesmas tintas de parte da imprensa brasileira para praticar assassinato de reputações, vertendo mentiras na série de TV, algumas que nem mesmo parte da grande mídia nacional teve coragem de insinuar.

Youssef jamais teve participação na minha campanha de reeleição, nem esteve na sede do comitê, como destaca a série, logo em seu primeiro capítulo. A verdade é que o doleiro nunca teve contato com qualquer integrante da minha campanha.

A má fé do cineasta é gritante, ao ponto de cometer outra fantasia: a de que eu seria próxima de Paulo Roberto da Costa. Isso não é verdade. Eu nunca tive qualquer tipo de amizade com Paulo Roberto, exonerado da Petrobras no meu governo.

Na série de TV, o cineasta ainda tem o desplante de usar as célebres palavras do senador Romero Jucá (PMDB-RR) sobre “estancar a sangria”, na época do impeachment fraudulento, num esforço para evitar que as investigações chegassem até aos golpistas. Juca confessava ali o desejo de “um grande acordo nacional”. O estarrecedor é que o cineasta atribui tais declarações ao personagem que encarna o presidente Lula.

Reparem. Na vida real, Lula jamais deu tais declarações. O senador Romero Jucá, líder do golpe, afirmou isso numa conversa com o delator  Sérgio Machado, que o gravou e a quem esclarecia sobre o caráter estratégico do meu impeachment.

Na ocasião, Jucá e Machado debatiam como paralisar as investigações da Lava Jato contra membros do PMDB e do governo Temer, o que seria obtido pela chegada dos golpistas ao poder, a partir do meu afastamento da Presidência da República, em 2016.

Outra mentira é a declaração do personagem baseado em Youssef de que, em 2003, o então ministro da Justiça era seu advogado. Uma farsa. A pasta era ocupada naquela época por Márcio Thomas Bastos. Padilha faz o ataque à honra do criminalista à sorrelfa. O advogado sequer está vivo hoje para se defender.

O cineasta não usa a liberdade artística para recriar um episódio da história nacional. Ele mente, distorce e falseia. Isso é mais do que desonestidade intelectual. É próprio de um pusilânime a serviço de uma versão que teme a verdade.

É como se recriassem no cinema os últimos momentos da tragédia de John Kennedy, colocando o assassino, Lee Harvey Oswald, acusando a vítima. Ou Winston Churchill acertando com Adolf Hitler uma aliança para atacar os Estados Unidos. Ou Getúlio Vargas muito amigo de Carlos Lacerda, apoiando o golpe em 1954.

O cineasta faz ficção ao tratar da história do país, mas sem avisar a opinião pública. Declara basear-se em fatos reais e com isso tenta dissimula o que está  fazendo, ao inventar passagens e distorcer os fatos reais da história para emoldurar a realidade à sua maneira e ao seu bel prazer.

Reitero meu respeito à liberdade de expressão e à manifestação artística. Há quem queira fazer ficção e tem todo o direito de fazê-lo. Mas é forçoso reconhecer que se trata de ficção. Caso contrário, o que se está fazendo não está baseado em fatos reais, mas em distorções reais, em “fake news” inventadas.

DILMA ROUSSEFF

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26 Mar 12:48

Juíza manda Denarc à casa de paciente que planta maconha medicinal. Por Bruna Pannunzio

by Diario do Centro do Mundo

Publicado originalmente no site Os Divergentes

POR BRUNA PANNUNZIO E RAFAEL BRUZA

Maconha. Foto: Wikimedia Commons

O Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (DENARC) cumpriu mandado de busca e apreensão criminal nesta quarta-feira (21), na residência de Gilberto Castro, paciente que utiliza maconha no tratamento de esclerose múltipla. Os agentes da 5ª Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) procuraram por “plantio de cannabis sativa”, mas não fizeram apreensões. A ordem foi expedida pela juíza Rosane Cristina de Aguiar Almeida, do Foro Central Criminal da Barra Funda, em São Paulo, que tratou o caso de Gilberto como tráfico de drogas.

O paciente cultiva maconha com regularidade em sua casa para tratar a enfermidade, que é incurável, mas relata que suas plantas tiveram pragas no final de 2017 e morreram dois meses antes da ação policial.

Segundo laudo médico, Gilberto começou a usar a erva diariamente como tratamento alternativo em 2002 e notou “melhora considerável”.

“Durante o último ano houve controle do avanço da doença e melhora considerável de todos os sintomas causados por ela e pelos efeitos colaterais das outras medicações, nunca antes conseguido pelo tratamento convencional”, diz o laudo. “Atualmente (Gilberto) está em uso da cannabis medicinal, cultivada inteiramente por si com resultados satisfatórios – ingerida em forma de extrato e vaporizada”.

O advogado de Gilberto Castro, Cristiano Avila Maronna, impetrou Habeas Corpus em setembro do ano passado para obter autorização do cultivo caseiro e evitar ações policiais. Mas a juíza Rosane Cristina de Aguiar Almeida negou pedido e ordenou busca e apreensão criminal na casa de Gilberto.

A repórter do Independente, Bruna Pannunzio, esteve na oitiva como testemunha da operação, na 5ª Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), localizada no Bom Retiro, centro de São Paulo, para onde Gilberto foi levado após a ação policial.

Lá, o advogado declarou que o paciente voltará a plantar porque necessita da erva.

“Foi sorte ou azar que deu problema na planta, então ele teve que tirar. Mas ele vai ter que voltar a plantar porque precisa disso para sobreviver. É direito á vida”, disse o advogado ao delegado do Denarc (veja acima o vídeo da declaração).

“Vieram dois oficiais muito educados, desde a porta demonstraram muito conhecimento sobre o assunto, dizendo que vieram procurar plantação de cannabis, mas infelizmente eu estava sem, pois tive problema com bicho (pragas nas plantas)”, disse o paciente. “Foi super tranquilo, deixei eles entrarem, tomei café com eles e a gente conversou. Eles pediram desculpa do começo ao fim, disseram que os policiais não queriam vir, mas tinham que cumprir o mandado e foram escolhidos por ter mais tendência ao diálogo”.

O advogado declarou que vai reiterar pedido de autorização na Justiça para que o paciente possa cultivar sua própria erva.

“Nós vamos peticionar no Habeas Corpus informando que houve esta diligência e reiterando o pedido para que ele possa ter reconhecido o direito de cultivar o próprio remédio. Trata-se de uma questão de direito à vida e à saúde. A maconha para o Gilberto é questão de vida ou morte. Então nós lamentamos o que aconteceu, mas não perdemos a esperança de que, em algum momento, o Judiciário vai se sensibilizar”, disse Marona.

Na casa de Gilberto

O Independente esteve também na residência do paciente, após a operação do Denarc. A amiga de Gilberto, Adriana Patrão, ex-pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unfesp), que usa maconha medicinal para tratamento de câncer linfático de 5º grau e também foi testemunha da ação policial, argumentou que muitos pacientes como Gilberto acabam plantando maconha ilegalmente por não conseguir arcar com as despesas de importação de remédios a base da erva.

“Só a maconha mesmo para tirar a dor e o enjoo dos efeitos da quimioterapia. Fiz ontem a ‘quimio’, se não fosse a maconha, eu não estaria aqui hoje. Faço o tratamento há seis meses, a cada duas semanas. Os médicos não entendem como fico tão bem neste tratamento. Eles nunca me prescreveram (o consumo), mas estão cientes de que uso”, afirma Patrão. “A importação (de remédios a base de maconha) é muito cara. Custa uns 3 mil dólares, que são mais de 9 mil reais. Todos nós que plantamos ilegalmente para usar a erva como remédio estamos à mercê da denúncia e da ação policial”.

Maconha medicinal no Brasil

O uso de maconha para fins medicinais no Brasil é debatido em diversas ações no Judiciário e no Legislativo.

Em outubro de 2017, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal concedeu decisão inédita e autorizou uma família de Brasília a cultivar cannabis sativa para sua filha de 16 anos. Ela é portadora da Síndrome de Silver-Russel e vive crises convulsivas, dor crônica e paralisia dos pés e das mãos. Sem o uso da erva, ela chegou a ter dezenas de convulsões em uma única manhã.

A família tinha autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importar substâncias derivadas da maconha, conforme afirmaram em recurso judicial, mas optaram pelo cultivo por conta dos altos preços da importação.

Eles então pediram um salvo conduto para se protegerem judicialmente de ações policiais.

No Legislativo

O Senado Federal recebeu uma Sugestão Legislativa em julho de 2017 que propõe a descriminalização do cultivo de cannabis para autoconsumo.

A sugestão recebeu apoio de mais de 120 mil internautas até março de 2018 (com apenas 13 mil votos contrários) e em dezembro do ano passado foi transformada em Projeto de Lei, sob relatoria da senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), que será debatida em plenário com data ainda indefinida.

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26 Mar 12:45

Folha descobre que reforma trabalhista está afundando a economia

by eduguim

Manchete de primeira página na Folha de hoje revela  que um dos jornais que mais tem defendido a “desregulamentação” do mercado de trabalho que está na essência da reforma trabalhista levada a cabo no ano passado, está afundando a economia.  Conforme o Blog da Cidadania tem dito reiteradamente, o povo brasileiro está empobrecendo rapidamente.

A filosofia por trás da “reforma trabalhista” é uma só, a de “desregulamentar” o mercado de trabalho, ou seja, torná-lo mais informal, extinguindo regras, sob aquela história hipócrita e criminosa de que se deve deixar patrões e empregados em uma “livre negociação” impossível em situação em que um dos lados, o dos patrões, é muito mais forte – devido à falta de empregos – e pode, assim, impor seus desejos.

A reportagem de capa do jornal revela que é justamente a informalidade que está reduzindo a “renda das famílias” ao ter, como consequência, salários mais baixos, com menos direitos, pois é justamente isso que a reforma em questão gera ao estimular o empresariado a entender que está liberado para pagar salários menores à custa de não pagar todos os direitos do trabalhador.

Se o próprio governo estimula a informalidade com suas declarações e leis exterminadoras de direitos, eis que o patrão já acaba com todos esses direitos apostando em menor fiscalização aliada a uma lei que passou a dificultar as ações na Justiça, chegando a impôr que o trabalhador que tenha seus direitos negados pelo patrão tenha dificuldade de fazer reclamação trabalhista.

O resultado disso, está aí. Empobrecimento da sociedade. Leia a matéria da Folha.

*

FOLHA DE SÃO PAULO

26 março de 2016

Emprego informal tira força da retomada

Especialistas atribuem consumo abaixo do projetado às mudanças no mercado de trabalho

Estudo indica que propensão a consumir de empregado formal é maior que a de informal

Robson Ventura/Folhapress

26.mar.2018 às 2h00

EDIÇÃO IMPRESSA

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Flavia Lima

SÃO PAULO

A recuperação do mercado de trabalho puxada pelo emprego informal, sem carteira assinada, não dá segurança para as famílias voltarem a consumir com força e pode comprometer a retomada.

Para especialistas, a conclusão se ancora no cruzamento de dados. Em 2017, foram criadas 1,8 milhão de vagas— todas no setor informal. Com carteira, 685 mil vagas foram perdidas.

Também conta a renda média dos sem carteira e de pequenos empreendedores, metade da renda dos formais, já descontada a inflação.

“A propensão a consumir de um empregado formal, que tem mais segurança e acesso ao crédito, é maior do que a de um informal”, diz Marcelo Gazzano, economista da consultoria AC Pastore.

Estudo da consultoria de Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central, busca entender por que projeções de consumo vinham negligenciando esse efeito.

A sugestão é que, envolvidos pelo cenário de juros mais baixos e melhora, ainda que incipiente, de salários e crédito, analistas menosprezaram o peso da carteira de trabalho em decisões de consumo —o que também explicaria a trajetória surpreendentemente errática do varejo nos últimos meses.

A equipe de Pastore considera revisar a projeção de crescimento para 2018, ainda em 3%. A expectativa é que fique próxima de 2,5%.

“Não dá para dizer: não haverá recuperação econômica pelo consumo. Ela virá. Mas menos robusta do que se imaginava em razão da profunda alteração no mercado de trabalho”, diz Marcelo Gazzano, responsável pelo estudo.

Um bom exercício, diz ele, é olhar para o consumo das famílias e para o mercado de trabalho num período maior.

O consumo atingiu o pico da série histórica, iniciada em 1996, entre 2011 e 2014. Nesse momento, a proporção de trabalhadores com carteira assinada na população ocupada também esteve no teto histórico, ao redor de 45%.

Em apenas três anos, esse percentual foi para 42%, mas o consumo não teve o mesmo comportamento, em especial no ano passado. A trajetória positiva do varejo em 2017 tirou as atenções do mercado de trabalho nessa correlação.

E a oferta de vagas piorou muito. No fim de 2011, eram 39,9 milhões de trabalhadores com carteira. No fim de 2017, 38,4 milhões. No mesmo período, o país saiu do pleno emprego para uma situação em que há 12,3 milhões de desempregados, 26,4 milhões de subempregados e 4,4 milhões que desistiram de buscar trabalho.

O melhor comportamento do varejo em 2017, avalia-se hoje, pode ter sido provocado pela liberação de R$ 44 bilhões do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), pois parte foi para compras.

ALERTA

O sinal de alerta veio com o desempenho pífio do consumo das famílias nos últimos três meses do ano. Com 65% do PIB (Produto Interno Bruto), o consumo determina o que ocorre na economia.

Após alta de 1% no segundo e terceiro trimestres de 2017, o consumo quase não se moveu entre outubro e dezembro. No período, as projeções da AC Pastore, pareciam muito otimistas e passaram a se descolar dos dados.

A equipe deu, então, um peso maior ao consumo dos formais para explicar vendas mais modestas e as previsões voltaram a aderir à realidade.

*

Com carteira, a gente sente estabilidade, diz ex-CLT que virou empreendedora

Confeiteira diz que não faz dívida no longo prazo e compra apenas quando tem dinheiro

Elisa Betty, dona de confeitaria que era CLT

Elisa Betty, dona de confeitaria que era CLT – Thiago Bernardes/ Folhapress

Flavia Lima

SÃO PAULO

“Com carteira assinada, a gente sente estabilidade, sabe que, mesmo se for despedido, tem a rescisão”, diz Elisa Betty Costa, 45.

A comerciante explica de forma clara o que estudos sugerem: a dinâmica do consumo muda na informalidade.

Costa atuou por 25 anos no ramo da nutrição, revezando-se entre cozinhas industriais e hospitais. Em março de 2017, deixou o emprego em uma padaria. Pensou que voltaria logo ao mercado formal de trabalho, o que não ocorreu. Abriu uma pequena confeitaria no fim de 2017.

“Cortei gastos e não faço dívida de longo prazo porque a batalha na conquista do cliente é diária. Ou junto dinheiro e compro ou não compro”.

Para Thiago Xavier, economista da Tendências Consultoria, a expectativa é que a alta informalidade no mercado de trabalho se mantenha.

“Quando se olha o padrão de outras crises, a recuperação da contratação formal demora um pouco mais”, diz.

Em suas contas, o estoque de empregados deve crescer 2,2 milhões neste ano, mas boa parte disso continuará vindo do mercado informal.

Como exemplo, cita a projeção para o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o balanço de empregos formais, que deve ficar ao redor de 900 mil.

REAJUSTE MENOR

Mesmo em níveis muito diferentes, a renda média real de formais e informais mostrou discreta melhora em 2017. Neste ano, ela dá sinais de fraqueza inclusive entre os empregados com carteira, o que pode ser mais um fator a abalar o poder de compra.

Entre os com carteira, o reajuste real dos salários ficou em 0,6%, em fevereiro, ante 0,9% em janeiro e 1% em dezembro, segundo boletim da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Xavier, da Tendências, adiciona outro ponto de preocupação: a reforma trabalhista deve elevar as vagas formais de trabalho, mas a qualidade delas pode ser inferior.

A possibilidade de contratação por hora trabalhada reduz o custo do trabalho, com efeito sobre a contratação.

“Mas não é uma entrada ideal no mercado de trabalho. O trabalhador pode ter carteira assinada, mas trabalhar uma hora ou duas horas na semana. Qual a qualidade disso?”, questiona Xavier.

Para ele, só a reforma trabalhista não garante a qualidade das vagas. A economia precisa crescer, diz.

Bruno Ottoni, pesquisador do IBRE (Instituto Brasileiro de Economia) da Fundação Getulio Vargas, pondera que o informal também consome. Além disso, há trabalhadores sem carteira que não estão em situação precária, como os ‘PJ’ (pessoa jurídica).

Para Ottoni, a informalidade deve seguir em níveis elevados, seja em razão das incertezas eleitorais seja pelo preço alto do trabalho.

Como ficará o consumo nesse cenário é resumido pela confeiteira Elisa Betty Costa. “Sem carteira, a realidade de consumir é outra”.

 

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26 Mar 12:21

Dilma, sobre a série de José Padilha para a Netflix: “Ele mente, distorce, falseia. Isso é mais que desonestidade intelectual”

by Luiz Carlos Azenha

Foto reprodução do You Tube

NOTA DE ESCLARECIMENTO

da equipe Dilma

O país continua vivo, apesar dos ilusionistas, dos vendedores de ódio e dos golpistas de plantão.

Agora, a narrativa pró-Golpe de 2016 ganha novas cores, numa visão distorcida da história, com tons típicos do fascismo latente no país.

A propósito de contar a história da Lava-Jato, numa série “baseada em fatos reais”, o cineasta José Padilha incorre na distorção da realidade e na propagação de mentiras de toda sorte para atacar a mim e ao presidente Lula.

A série “O Mecanismo”, na Netflix, é mentirosa e dissimulada.

O diretor inventa fatos. Não reproduz “fake news”.

Ele próprio tornou-se um criador de notícias falsas.

O cineasta trata o escândalo do Banestado, cujo doleiro-delator era Alberto Yousseff, numa linha de tempo alternativa.

Ora, se a série é “baseada em fatos reais”, no mínimo é preciso se ater ao tempo em que os fatos ocorreram.

O caso Banestado não começou em 2003, como está na série, mas em 1996, em pleno governo FHC.

Sobre mim, o diretor de cinema usa as mesmas tintas de parte da imprensa brasileira para praticar assassinato de reputações, vertendo mentiras na série de TV, algumas que nem mesmo parte da grande mídia nacional teve coragem de insinuar.

Youssef jamais teve participação na minha campanha de reeleição, nem esteve na sede do comitê, como destaca a série, logo em seu primeiro capítulo.

A verdade é que o doleiro nunca teve contato com qualquer integrante da minha campanha.

A má fé do cineasta é gritante, ao ponto de cometer outra fantasia: a de que eu seria próxima de Paulo Roberto da Costa. Isso não é verdade.

Eu nunca tive qualquer tipo de amizade com Paulo Roberto, exonerado da Petrobras no meu governo.

É muita cara de pau: a série do Netflix "o mecanismo” cujo o roteiro parece um panfleto escrito por Moro, fez a proeza de botar – sem mudar uma única palavra – a famosa fala de Jucá ("tem que estancar a sangria") – na boca do presidente Lula! É muita desfaçatez! pic.twitter.com/JIM2V3YFgj

— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) March 25, 2018

Na série de TV, o cineasta ainda tem o desplante de usar as célebres palavras do senador Romero Jucá (PMDB-RR) sobre “estancar a sangria”, na época do impeachment fraudulento, num esforço para evitar que as investigações chegassem até aos golpistas.

Juca confessava ali o desejo de “um grande acordo nacional”. O estarrecedor é que o cineasta atribui tais declarações ao personagem que encarna o presidente Lula.

Reparem. Na vida real, Lula jamais deu tais declarações.

O senador Romero Jucá, líder do golpe, afirmou isso numa conversa com o delator  Sérgio Machado, que o gravou e a quem esclarecia sobre o caráter estratégico do meu impeachment.

Na ocasião, Jucá e Machado debatiam como paralisar as investigações da Lava Jato contra membros do PMDB e do governo Temer, o que seria obtido pela chegada dos golpistas ao poder, a partir do meu afastamento da Presidência da República, em 2016.

Outra mentira é a declaração do personagem baseado em Youssef de que, em 2003, o então ministro da Justiça era seu advogado. Uma farsa.

A pasta era ocupada naquela época por Márcio Thomas Bastos.

Padilha faz o ataque à honra do criminalista à sorrelfa. O advogado sequer está vivo hoje para se defender.

O cineasta não usa a liberdade artística para recriar um episódio da história nacional.

Ele mente, distorce e falseia. Isso é mais do que desonestidade intelectual.

É próprio de um pusilânime a serviço de uma versão que teme a verdade.

É como se recriassem no cinema os últimos momentos da tragédia de John Kennedy, colocando o assassino, Lee Harvey Oswald, acusando a vítima.

Ou Winston Churchill acertando com Adolf Hitler uma aliança para atacar os Estados Unidos.

Ou Getúlio Vargas muito amigo de Carlos Lacerda, apoiando o golpe em 1954.

O cineasta faz ficção ao tratar da história do país, mas sem avisar a opinião pública.

Declara basear-se em fatos reais e com isso tenta dissimula o que está  fazendo, ao inventar passagens e distorcer os fatos reais da história para emoldurar a realidade à sua maneira e ao seu bel prazer.

Reitero meu respeito à liberdade de expressão e à manifestação artística.

Há quem queira fazer ficção e tem todo o direito de fazê-lo. Mas é forçoso reconhecer que se trata de ficção.

Caso contrário, o que se está fazendo não está baseado em fatos reais, mas em distorções reais, em “fake news” inventadas.

Leia também:

Gleisi diz que PT fará denúncia internacional sobre ataque de milícia a caravana de Lula

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26 Mar 12:21

Leonardo Casalinho: Em Chapecó, inspirado, nosso craque virou o jogo, 7 a 1 para o Brasil

by Conceição Lemes

Fotos: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

7 a 1 Brasil

por Leonardo Casalinho, de Chapecó (SC), especial para o Viomundo

Seu time do coração vai jogar.

Uma partida que poderia ser fácil, dado o histórico, com muita chuva.

Alguns diriam: “Isso aqui é a libertadores, amigo. Não tem jogo fácil”. Mas a gente sabe que alguns jogos são fáceis.

Ainda mais quando, no papel, o plantel da sua paixão é infinitamente melhor que o do adversário.

Antes do jogo já se podia sentir o clima de hostilidade na cidade.

Você, torcedor experiente, sai na rua à paisana, só para fitar o movimento.

Encontra pelo caminho alguns grupos de torcedores do seu time e do rival.

Até aí tudo bem, não fosse a faca nos dentes do outro lado.

Clima tenso. Rojão pra todo lado. Até ovo os caras jogaram.

A torcida deles parece estar tentando melar o jogo de qualquer jeito.

Ainda são três da tarde, o jogo começa às 21h, mas vá lá…

Tenha paciência, ainda nem começou!

A polícia, que parece uma torcida organizada do adversário, joga totalmente contra.

A eles tudo, à nós: rigorosamente nada!

Começa o jogo sob uma chuva digna de estragar o gramado.

Sua torcida lota o estádio. Nem o vento e nem a chuva atrapalham seu canto.

Seu camisa dez, poupado no começo do jogo, não figura nem entre os reservas. Mas você, como apaixonado torcedor, tem fé que ele há de entrar em campo.

1 a 0.

Se a polícia é deles o juiz eu não preciso nem falar…

Acaba o primeiro tempo. No marcador, o mísero gol do time adversário.

Mas é muito difícil imaginar que a gente vá conseguir virar esse jogo.

O time deles só tem sarrafeiro, e mesmo assim quase não há esperança.

Seu time volta a campo com uma novidade.

Lá está ele, imaculado, como a mãe de Cristo. Chegou no estádio a tempo de jogar seu melhor futebol.

Rola a bola. De cara o primeiro gol vem.

Um gol tímido, daqueles que a bola sobra na área e você chuta descompromissado pro gol. 1 a 1.

7 do segundo e seu camisa 10 parece que veio inspirado a campo.

Outro gol. E aquela preocupação que fazia morada no seu peito parece diminuir a cada toque de bola do craque.

Mais um gol. 3 a 1. Você já sente o cheiro da goleada, mas sabe que jogo fora é complicado.

Chegando ao fim do jogo e você nem acredita com o placar. 6 a 1. Mas não para por aí.

Seu craque domina uma bola rifada da defesa.

Amacia com carinho a criança e já finta o primeiro.

Ainda na bola do meio de campo desfere uma caneta no adversário que está até agora procurando a bola.

Vem conduzindo em direção ao gol, já na frente dos zagueiros. Uma carretilha faz você não acreditar no que está vendo.

Aí vem um breque.

Num passe de mágica não há mais nada na frente dele. Não há torcida. Não há juiz.

Não há campo molhado. Nem a chuva se prestou a atrapalhar o espetáculo.

Que golaço.

7 a 1, dessa vez para o Brasil.

Chapecó se rende aos encantos daquele que mudou a vida de milhões de torcedores.

Na saída, pouquíssimo incomodado com os perigos envolvidos num jogo desse calibre histórico, seu craque aparece à porta do estádio dizendo: “Hoje eu vou para o hotel caminhando”, um mar vermelho se divide – no melhor estilo Moisés e seu cajado –, e o assegura pelo caminho a ser percorrido.

A apoteose das emoções se completa numa mistura de incredulidade e contemplação.

É a festa do povo. É a felicidade mais pura.

Ao entrar no hotel, um último aceno aos fãs incondicionais que gritam à plenos pulmões:

Olê, Olê, Olê, Olá.

Lula… Lula!

Foi assim que o nosso craque virou mais um jogo.

Abaixo, a íntegra do ato em Chapecó (SC). A partir de 42min16, o discurso do ex-presidente Lula.

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26 Mar 12:14

Zenaide Maia: “Muita gente que bateu panela, hoje sabe que errou”

by Rafael Duarte

A deputada federal Zenaide Maia chegou ao PHS avisando que quer liberdade para defender as pautas e bandeiras que desejar. Do presidente nacional do Partido, Marcelo Aro, ouviu o que queria: a liberdade será total. A médica Zenaide Maia é uma das maiores surpresas da política potiguar nos últimos anos. Eleita para a vaga ocupada durante dois mandatos consecutivos por João Maia, aproveitou o vácuo com a candidatura do irmão a vice-governador na chapa de Henrique Alves em 2014 e chegou ao Congresso.

O impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff foi um divisor de águas na trajetória de Zenaide no PR. A partir dali, com a aliança sacramentada entre o PR e o Governo Temer, a deputada potiguar votou contra a orientação do Partido em todas as pautas e projetos que retiravam direitos dos trabalhadores. Além de ser a única deputada do Rio Grande do Norte a se posicionar contra a saída de Dilma, votou contra o PEC do Teto dos Gastos, contra o projeto que flexibiliza a terceirização no serviço público, contra a reforma trabalhista e divulgou que votaria contra o projeto de reforma da previdência enviado pelo governo Temer.

“Sempre que eles (governo Temer) querem destruir alguma coisa no país, chamam isso de reforma”, declarou a deputada durante o evento de filiação ao PHS, que contou com a presença de parlamentares do PT, PC do B e do Partido da Mulher Brasileira. O presidente nacional do PHS Marcelo Aro prestigiou a solenidade e confirmou que Zenaide é uma das apostas do PHS para o Senado. Embora a janela partidária siga aberta até 7 de abril, hoje a potiguar chega para ser a 8ª deputada federal do partido. O PHS trabalha para ampliar a bancada para 15 deputados e quatro senadores em 2019. Hoje o Partido não tem representante no Senado. Além de Zenaide, o ex-prefeito de Parnamirim Maurício Marques também se filiou ao PHS.

Zenaide Maia é a pedra no sapato dos senadores Garibaldi Alves Filho (MDB) e José Agripino Maia (DEM), que tentam a reeleição. Duas vagas estão na disputa. Na pesquisa mais recente divulgada terça-feira (20) pelo Instituto SETA/Blog do BG, Zenaide Maia aparece em primeiro lugar na preferência dos entrevistados com quase 10% dos votos, seguida de Agripino Maia e Garibaldi Alves.

Enquanto os dois senadores defendem Michel Temer e a gestão mais rejeitada da história da República, Zenaide caminha do lado oposto, com críticas sérias à política do governo federal. Assim como no PR, ela afirmou que no PHS também não cederá à nenhuma pressão.

– Eles sabem que vou ter liberdade de discutir com todo o partido o que é correto. Muita gente que bateu panela, hoje sabe que errou. O que não quer dizer que as pessoas não possam corrigir os erros, entendeu? Eu na época já dizia: “Temer e Eduardo Cunha não é a solução”. Acho com essa minha sagacidade de nordestina do sertão que sobreviveu à mortalidade infantil há mais de 50 anos me deu essa visão. Zenaide não tem ouro nem prata, mas tem coragem, firmeza e não cede à pressão.

Zenaide é mais firme que o presidente nacional do PHS Marcelo Aro, quando critica o governo federal. Aliás, o PHS apoiou o impeachment de Dilma Rousseff, mas rompeu um ano depois com Michel Temer. Sobre a aliança, Aro disse que os deputados têm liberdade:

– A gente tinha um entendimento, naquele momento, que era necessário uma mudança. O PHS não apoia nem condena o atual governo, ele vota com o Brasil. E é por isso que a Zenaide está vindo para o PHS. Porque aqui ela tem liberdade para fazer o que ela achar que é melhor para o país. Nós temos essa máxima: “o partido, em 4 anos que sou deputado federal, nós nunca fechamos questão num tema. Nós acreditamos no potencial de cada deputado federal, sabemos que cada um sabe fazer o discernimento do que é melhor para o país. A gente sempre discute as grandes questões, mas sempre dando liberdade para os nossos deputados fazer aquilo que acredita.

Rio Grande do Norte

A presença da senadora Fátima Bezerra e do deputado estadual Fernando Mineiro no evento de filiação de Zenaide Maia ao PHS sinaliza o que já se comenta nos bastidores: a formação de uma chapa com Fátima para o Governo do Estado e Zenaide para o Senado. Nos discursos tanto da senadora como da deputada nenhuma oficialização de pré-candidatura, mas promessa de parcerias. Fátima Bezerra citou a liderança de Zenaide nas pesquisas para o Senado como reconhecimento da população à atuação da deputada na Câmara:

– Zenaide, eu e você temos a fibra do povo seridoense. Corre nas nossas veias esse sangue e é exatamente movidas por ideais, por coragem e dignidade que estamos nessa luta. A coragem, o idealismo, o espírito público e a seriedade são a marca da doutora Zenaide e é por isso que ela faz a diferença na Câmara dos Deputados. Tanto fez e faz a diferença que lidera as pesquisas de intenção de voto para o Senado. E essa liderança é o reconhecimento da atuação política parlamentar. É com esse sentimento que digo ao PHS da alegria que é partilhar com vocês esse momento tão bonito e partilhar também os desafios. Estamos juntos, PHS, para lutar e para vencer.

 

Saiba Mais

Zenaide Maia chega ao PHS como fator surpresa na disputa para o Senado

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23 Mar 17:20

O menino do MST que se tornou o símbolo do Brasil que dá certo. Por Joaquim de Carvalho

by Joaquim de Carvalho

Esta reportagem faz parte da séria sobre a Caravana de Lula no Sul, financiada pelos leitores através de crowdfunding. As demais estão aqui

Rose e o filho, Marcos Tiaraju

No dia 31 de março de 1987, havia uma manifestação de agricultores por terras na rodovia, perto do município de Sarandi, Rio Grande do Sul. Um caminhão não respeitou o bloqueio e o motorista avançou sobre os manifestantes. Três pessoas morreram, uma delas Roseli Celeste, mãe do pequeno Marcos, de 1 ano e quatro meses.

22 de março de 2018. Duas jornalistas que acompanham a caravana de Lula caem quando um ônibus que segue a comitiva teve que dar uma freada brusca na estrada. Nada grave, mas, minutos depois, entra no ônibus um médico de 33 anos. Ele examina as jornalistas e as mantêm em repouso.

O médico é o órfão de Roseli, a mulher que morreu se manifestando, quando nascia o Movimento dos Sem Terra. A vida dele e a história da luta por terra no Brasil se confundem. Ele é um marco, na verdade mais que um marco. Ele é Marcos Tiaraju Correa da Silva. Correa da Silva, ele herdou do pai, Tiaraju, do Movimento dos Sem Terra.

“Acho que sou a única criança no mundo que teve o nome aprovado em assembleia, com milhares de pessoas”, diz, bem-humorado. E não é exagero.

Para entender a história, é preciso retroceder aos primeiros passos do Movimento dos Sem Terra no Brasil, uma organização popular que, de certa forma, resgata a biografia de Sepé Tiaraju, o líder guarani que, há quase quatrocentos anos, liderou a resistência à ofensiva das tropas portuguesas na região das missões. Como a história registra, foi um massacre.

No final da ditadura, agricultores do Rio Grande do Sul, muito ligados à Teologia da Libertação na Igreja Católica, buscavam terras para plantar. Alguns eram descendentes dos primeiros imigrantes do Estado do Rio Grande do Sul, que já não tinham mais área para trabalhar, depois da divisão entre herdeiros deixar as antigas propriedades divididas em tamanhos mínimos para a agricultura.

Roseli e o marido se uniram a esses descendentes e, no dia 29 de outubro de 1985, nos primeiros meses da Nova República, com José Sarney na presidência, ocuparam uma área de 10 000 hectares, improdutiva, na região de Sarandi, a fazenda Anonni. Viviam debaixo de lona, ora pressionados pela prefeitura, governo do Estado ou governo federal, ora ignorados. Queriam a desapropriação legal da fazenda para a implantação de assentamentos.

Roseli chamava a atenção dos outros ocupantes porque estava com um barrigão, prestes a dar à luz. Três dias depois, em 1o. de novembro, nasce a criança. Era Dia de Todos os Santos, véspera de finados, e os católicos ligados à Teologia da Libertação viram nisso um marco — ou um sinal. “Eu fui a primeira criança a nascer em uma ocupação”, conta.

O bebê recebeu a atenção de todos, e os pais concordaram em dar a ele os prenomes Marcos Tiaraju, num registro repleto de símbolos. Depois da morte da mãe, o pai voltou com o filho para o acampamento. Permaneceu ali durante algum tempo, mas depois, cansado de esperar pelo assentamento que não vinha, decidiu morar na cidade, e viver como pintor de casas.

Foi nessa época que Marcos, com cerca de 10 anos, aparece em um documentário realizado por Tetê Moraes, “O sonho de Rose”. O menino diz que gostaria de ser pintor, como o pai. Eram muito pobres, mas os filhos, quando pequenos, querem muitas vezes fazer o mesmo que o pai. “Era assim comigo”, disse.

A fala de Marcos nesse documentário era importante porque ele já tinha sido um dos destaques no documentário anterior, feito pela mesma cineasta, “Terra para Rose”, que contava a história da mulher que morreu sem realizar seu sonho. O segundo documentário, não por acaso, se chama “O Sonho de Rose”.

A vida de Marcos seguiu até que, com a mudança do pai para Porto Alegre, em busca de melhores oportunidades como pintor, o coloca de volta no Movimento dos Sem Terra. A casa onde o pai foi morar com a madrasta e outros filhos era muito pequena, e o pai aceitou o convite de lideranças do MST para que Marcos fosse morar no assentamento Nova Santa Rita.

Marcos passou a dedicar sua vida à militância por terra. No assentamento, ele aprendeu que, na vida, é preciso se dedicar aos estudos e acumular conhecimento. “No assentamento, eu tinha escola, boa alimentação, condição muito boa de moradia, era uma vida muito diferente da que eu vivia até então. Aquilo me abriu os olhos: eu entendi que o conhecimento liberta as pessoas. E me dediquei aos estudos”, afirmou.

Alguns anos depois, já com o ensino médio concluído, um amigo mais velho que o acompanhava caminhada entre Goiânia e Brasíla, numa manifestação por reforma agrária, um amigo lhe disse que Cuba estava oferecendo vagas para formar médicos na América Latina e perguntou se ele não queria ir. “Eu nunca tinha pensado ser médico, mas, como sabiam que eu gostava de estudar, me ofereceram a oportunidade”, recorda.

Ele tinha 20 anos e precisava dar a resposta rapidamente. Longe de casa, disse sim, mesmo sem consultar o pai e voltou para o assentamento, onde teve que correr para tirar passaporte e preencher a documentação. Ele teria que viajar em uma semana, mas Cuba adiou a viagem e ele só iria no ano seguinte.

“Foi melhor. Conversei com meu pai, meus irmãos, tive tempo de me despedir”, recordou. Nos primeiros anos de 2006, Marcos Tiaraju desembarcou então em Havana e foi recebido como estudante na Escola Latino Americana de Medicina (Elam). Lá, conheceu a mulher com quem se casaria, ela da Costa Rica, também estudante de Medicina.

Formado e com aliança na mão esquerda, ele voltou ao Brasil. Ele e a mulher se submeteram ao exame do Revalida no Conselho Federal de Medicina e tiveram o diploma reconhecido no País, com plenos direitos de exercer a Medicina. Marcos Tiaraju voltou a morar no assentamento Nova Santa Rita.

Ele se tornou supervisor acadêmico do Programa Mais Médico, vinculado à Universidade Fronteira Sul. Tem uma empresa de medicina, juntamente com a mulher, que atende vários municípios na região de Sério, a cidade onde mora. Avalia agora que especialização médica fazer – pensa em algo ligado à saúde da família, mas ainda não decidiu.

Sabe que terá de ser algo ligado ao atendimento do povo. Aos 33 anos, tem uma vida profissional consolidada. Mas de uma coisa ele não abre mão. “Sou um militante do MST”, afirma. É nessa condição que ele integrou a Caravana de Lula pelo Sul do Brasil. Um militante médico.

Foi nessa condição que ele coordenou um ambulatório de saúde instalado no acampamento pela democracia em Porto Alegre, montado quando houve o julgamento do recurso de Lula pelo Tribunal Regional Federal da 4a. Região, no final de janeiro. É nessa condição, diz, que ele sempre estará no lugar onde houver uma manifestação por um Brasil melhor, mais inclusivo, democrático, civilizado.

Marcos Tiaraju, que se fomou médico

.x.x.x.x.

PS: Marcos permaneceria incógnito na Caravana não tivesse subido no ônibus para atender às duas jornalistas. Três dias antes, ele apareceu em uma foto publicada por um jornal regional de Bagé, em que tenta conversar com um homem armado, integrante da milícia contratada pelos ruralistas para tentar impedir Lula de se manifestar. Ninguém sabia nada a respeito dele, além de um militante, como tantos outros. Ele estava ali para defender um companheiro que estava sendo agredido pela milícia. A foto mostra Tiaraju se aproximando do homem armado, com as mãos em posição de quem pede calma. “Estávamos ali para defender um companheiro”, afirmou.

Tiaraju, atualmente de barba, conversa com miliciano armado que atacou Caravana de Lula em Bagé

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23 Mar 14:41

Desembargadora que mentiu sobre Marielle já foi presa por confusão em salão de beleza com um PM

by Kiko Nogueira
Marília Castro Neves, desembargadora do TJ-RJ

A desembargadora que difamou Marielle Franco já causava desde os tempos em que era promotora no Rio de Janeiro.

Há mais de 30 anos que Marília de Castro Neves Vieira é notícia.

O Jornal do Brasil publicou matéria em 1986 sobre uma confusão entre ela e um capitão da PM.

Todos acabaram na delegacia e o policial levou a pior.

Tudo aconteceu porque Marília, à época promotora de justiça em Maricá, cidade do litoral fluminense, precisava ir ao salão de beleza. Como estava com pressa, parou o carro, um Chevette, em local proibido, e acabou multada por um guarda de trânsito, que mandou que ela retirasse o veículo do local.

Revoltada, recusou a ordem, xingou o guarda e voltou para o salão pois “tinha mais o que fazer”.

O PM então chamou um superior seu, o capitão Orlando Raffi Grieco, que algemou e colocou Marília no camburão a fim de levá-la à delegacia.

Chegando lá, Marília identificou-se como promotora, alegou que foi agredida e detida injustamente e quem levou a pior foi o capitão, que foi processado e só conseguiu ser absolvido quase dois anos depois.

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23 Mar 11:35

Vitor Teixeira: Cidadãos de bem

by Luiz Carlos Azenha
21 Mar 12:49

Manuela D’Ávila fala sobre presença da filha em viagem de campanha e machismo

by Diario do Centro do Mundo

Publicado na fanpage de Facebook da pré-candidata do PCdoB

POR MANUELA D’ÁVILA

Manuela D’Ávila em campanha com a filha. Foto: Guilherme imbassai/Divulgação

Sexta eu estava em Vitória e fui questionada, por um jornalista, porque eu levo Laura comigo. Eu a levo porque sou sua mãe.

A principal reflexão que fiz, quando decidi ser candidata, foi se conseguiria viver minha maternidade na forma que decidi viver. decidi que sim, criaria condições pra isso.

Nunca vi jornalista/comentarista perguntar quem tá cuidando dos filhos dos políticos que trabalham 7 dias por semana fazendo campanha. Eu e meu marido dividimos responsabilidades totalmente. Laura vai pra escola. Mas nós olhamos o conjunto de minhas agendas e das de Duca e vemos as eventuais idas dela. Sem contar que ela ainda é amamentada (uau! A maluca segue a recomendação da OMS e ainda não desmamou). Por exemplo, ela não ia pra Salvador. Encaixei vitória. Retardaria em um dia minha volta. Decidimos que ela iria. 

Eu adoro quando ela vai. A gente ri e ela está conhecendo um Brasil que é incrível. E também adoro quando ela não vai. Posso jantar com calma, não preciso ir correndo pro quarto de hotel. Também é evidente que fico menos cansada. Quinta, por exemplo, ela decidiu comer tatu de nariz no palco, ao lado do Lula, que perguntou: “e ela come?!?”. Pois e também fez cocô num programa de TV. Acho que todos concordam que ninguém ama passar por isso. 

Essa semana vou viajar todos os dias. Ela não vai nenhum. Vou fazer bate e volta pra dormir em casa. Laura Só viaja comigo no meio de abril, pra roteiros que vão durar mais dias. Mas sabe o que é engraçado? Quando ela não está, as pessoas não percebem a ausência dela. Porque estão acostumadas com a ausência das crianças no espaço público. Porque enquanto um homem brilha construindo a sua carreira, tem uma mãe abrindo mão da sua dentro de casa, cuidando sozinha de tudo. Como disse um desses homens num evento, em que eu estava esses dias, “na minha casa quem manda é uma mulher”. A gente não quer mandar em casa, baby. A gente quer dividir com vocês, pra sobrar tempo igual pra gente brilhar nas mesas de discussão por aí. Porque pra gente brilhar, alguém tem que pegar as crias na escola, baby. 

Então, gente machista desse Brasil varonil: não me perguntem porque levo Laura. Perguntem quem cria os filhos dos candidatos de vocês, beleza?

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21 Mar 12:42

Isolda Dantas: “A Assembleia Legislativa precisa de deputadas feministas”

by Rafael Duarte

Exercendo o primeiro mandato como vereadora de Mossoró com foco na defesa dos Direitos Humanos, das mulheres e da comunidade LGBT, Isolda Dantas (PT) ficou abalada com a execução da colega Marielle Franco (PSOL/RJ). Cientista social por formação, ela acredita que as causas do assassinato da vereadora carioca têm relação com questões estruturantes na sociedade, como racismo, machismo, patriarcado e a disputa de classe.

Na entrevista especial desta segunda-feira (19), Isolda Dantas fala sobre as possíveis consequências da morte de Marielle para novas lideranças femininas do país, avalia o primeiro ano de mandato em Mossoró, critica as gestões da prefeita Rosalba Ciarlini (PP) e do governador Robinson Faria (PSD) e fala das pretensões em disputar uma vaga na Assembleia Legislativa em outubro, representando as mulheres.

 

Agência Saiba Mais – O assassinato da vereadora do PSOL Marielle Franco chocou o país semana passada. Na sua avaliação, que consequências a morte da Marielle pode ter na relação da militância de novas lideranças com a luta em defesa pelos Direitos Humanos daqui para frente ?

Isolda Dantas – Nós que somos ativistas não podemos deixar isso abalar as futuras lideranças. Nossa juventude de esquerda tem muita consciência disso. Se era um sinal de que poderiam nos calar nos parlamentos e nas ruas, eles erraram. A morte de Marielle não será em vão. A repercussão servirá de combustível, de esperança.

 

Assim como a Marielle, você também é mulher, está no primeiro mandato de vereadora e milita na área de Direitos Humanos…

Fiquei muito abalada, sei o significado disso para nós que vivemos num parlamento patriarcal, especialmente a Marielle, que era negra e vem de um local cheio de preconceito, como a favela. Agora isso serviu pra gente se refortalecer na luta. Fizemos uma nota na Câmara Municipal de Mossoró e fiz uma fala muito forte sobre violência. O contexto envolve questões muito complexas, estruturantes, como racismo, machismo, patriarcado, (a disputa) de classe. São muitos elementos estruturantes envolvidos. Claro que não podemos deixar de considerar que (o crime) está envolvido também com o golpe, essa liberdade de destilar ódio sem nenhuma pena. O golpe liberou esses sentimentos, esse racismo, e esse ódio em relação aos direitos humanos.

 

Uma semana antes da morte da Marielle, uma polêmica na UFRN também ganhou repercussão nacional. Uma aluna foi impedida pelo professor de Ciências Sociais Alípio Filho de assistir aulas com a filha de 5 anos. Como cientista social, que avaliação você faz daquele episódio ?

 Olha, para nós que somos cientistas sociais é mais doloroso. Não tem como você produzir ciência que não seja olhando para o que está ao redor. A ciência não é algo que não saia do meio das pessoas que estão produzindo. O professor perdeu o senso e faltou capacidade para interpretar, logo ele que deveria ser o mais capacitado ali. Ele cometeu um erro gravíssimo, são essas coisas, essas bizarrices que a gente é obrigada a conviver, isso é tão bizarro quanto a violência contra a mulher, quanto o feminicídio. O feminismo se justifica por todas as razões. Quando você coloca a lente do feminismo para enxergar o mundo há uma justificativa necessária.

 

Você é a única vereadora de esquerda da Câmara Municipal e foi a eleita a melhor parlamentar logo no primeiro ano de mandato. O que isso representa para você ?

 O melhor foi ter sido reconhecida como a vereadora mais produtiva. Acho importante porque foi num tempo de golpe, numa cidade conservadora… e uma feminista, mulher de esquerda, “zoadenta” e atrevida como eu ganhar, é uma surpresa.

 

Ser a única representante da esquerda é um peso ?

Tem a coisa da sobrevivência, de não pode botar o dedo na cara de todo mundo, mas colocar o dedo na cara quando é necessário. É importante porque trazemos pautas novas. Não esperava ganhar, especialmente com o conservadorismo tomando conta de tudo. Mas isso mostra para a sociedade que é possível, que uma pessoa de esquerda pode fazer um bom mandato, que a esquerda não é apenas falar no megafone na rua… a gente sabia que faria um bom mandato, mas não esperava que a repercussão foi tão grande.

 

Quantos projetos de lei você apresentou ?

Definimos como estratégia apresentar um projeto de Lei por semana porque você também gera o debate naquela semana. Fazemos pesquisa de bons mandatos pelo país, olhamos as ideias e adaptamos aqui. Foi assim que conseguimos aprovar, por exemplo, o Dia Municipal da Visibilidade Lésbica e outros projetos.

 

Qual a maior dificuldade de encaminhar as demandas do mandato sendo oposição ?

Mossoró renovou muito a Câmara Municipal, entraram 13 vereadores novos. E a oposição tem sete vereadores, entre os quais fui escolhida líder desse grupo. Era um caminho para que eu não ficasse sozinha. A liderança foi importante para aprovar projetos. Também conseguimos aprovar a semana da Consciência Negra, calendário e emendas para o orçamento que são importantes para comunidade LGBT, embora a Prefeitura tenha vetado a Casa Abrigo. Tem muito projeto tramitando…

 

Qual você destacaria nesse primeiro ano de mandato ?

Acho que o projeto Lei de sementes, para a zona rural. A prefeitura compra sementes para doar a quem não tem. Nosso projeto quer incentivar os bancos de sementes dos trabalhadores, para que a prefeitura de Mossoró compre desses pequenos agricultores em vez de comprar de empresários. Ou seja, vai comprar de quem produz de forma orgânica, até para permitir o equilíbrio ideológico. É um projeto ousado, que precisa de uma articulação grande porque interfere no lucro da empresa. Fizemos parceria com o deputado estadual Fernando Mineiro, que criou o mesmo projeto para o Governo do Estado, mas é importante porque nos municípios é a prefeitura a responsável. Outro projeto importante também tem relação com a merenda escolar. Hoje a prefeitura é obrigada a comprar 30% da merenda junto à agricultura familiar, a ideia é que esse percentual seja ampliado para 50%.

 

A prefeita Rosalba Ciarlini tem o controle da maioria da Câmara. Como tem sido o enfrentamento à atual gestão ?

Por incrível que pareça a oposição hoje é uma das maiores que a Câmara já teve. Com sete vereadores, podemos abrir até Comissão Especial de Inquérito (CEI). Costumo dizer que vereador de oposição está a preço de ouro. Se tirar um dos sete inviabiliza qualquer CEI. Todo mundo apostava que a oposição não sobreviveria.

 

Você imaginou que fosse liderar vereadores de partidos de direita sendo uma representante da esquerda ?

Temos divergências, pautas diferentes, mas somos oposição, temos unidade nessa área. E também não é por ser da oposição que eu não vá ter divergência, mas é uma estratégia de sobrevivência. Investi muita energia nessa liderança durante o primeiro semestre do ano passado. Decidimos ficar dentro da Câmara para aprender como funcionava. Organizamos até o tempo da tribuna de cada um. Mas no segundo semestre entreguei a liderança porque precisava sair pra fazer o trabalho fora da Câmara, visitar comitês, escolas… Então foi importante estrategicamente.

 

Você diz que faz política de um jeito novo. Como uma cidade administrada durante vários anos por uma única oligarquia tem reagido a esse projeto ?

 Quando a gente começou a campanha, ficávamos na expectativa de como a cidade iria reagir. Mossoró, da mesma forma que tem aspectos libertários, é muito mais conservadora que libertária. Nossa campanha foi com militância, mas a cidade foi abraçando a campanha de um jeito que não sei explicar… tínhamos informação que uma enfermeira de uma comunidade rural grande estava pedindo voto para nós. Eu não conhecia a mulher, mas ao me apresentar ela disse que tinha me visto na televisão, que havia gostado das propostas e que acreditava no nosso projeto. Chegou um momento em que perdemos o controle, não tinha nem material que desse conta.

 

Como equilibrar as demandas da cidade e das comunidades rurais num município polo, como Mossoró ?

Geralmente o rural é o que sobra da cidade, mas precisa ser pensado junto. Temos um debate muito forte sobre isso, queremos construir algo mais robusto para a cidade discutir esse problema. Decidimos mudar algumas expressões. Transporte urbano, para nós, tem que ser mobilidade pública porque quem está na zona rural precisa se locomover tanto quanto quem está área urbana. Quando falam em transporte para as comunidades rural só pensam em ônibus, regularizar o moto-taxi, o uber… hoje Mossoró tem uma população flutuante de quase 400 mil pessoas de 62 cidades que usufruem a cidade. E o rural representa entre 15% e 20% dessa população. São mais de 130 comunidades rurais em Mossoró. É preciso pensar a cidade para eles também. Não podemos pensar rural depois de pensar o urbano. É difícil pensar o orçamento. Sei que não é um debate pequeno, nem um mandato de vereadora apenas vai resolver o problema, mas é importante expor.

 

Dentro da própria esquerda há uma crítica de que o discurso não chega na população. Seu mandato é focado para pessoas que se identificam com a esquerda ou tem conseguido ir além ?

Não é fácil encontrar mecanismos para furar a bolha. Temos feito um trabalho nas escolas para aumentar a consciência crítica e automaticamente alcançar essas pessoas que estão em processo de formação. Mas é difícil porque as pessoas hoje não escutam. Você vai conversar com o eleitor de Bolsonaro, por exemplo, e ele não lhe escuta. Você fala e ele entende o que ele quer, compreende o que ele quer. Temos que pensar além e procuramos contribuir minimamente para construir a consciência critica junto à juventude. Focamos na juventude que não necessariamente é de esquerda ou de direita.

 

Quais são os problemas de Mossoró ?

Estratégicos. Não há um plano diretor. A cidade cresce verticalmente e horizontalmente de forma desordenada. Há bairros sem transporte, saneamento, sem serviço de saúde, creche e escola. Mossoró tem prédios altíssimos, mas os bombeiros não tem uma escada que consiga chegar no topo do prédio. É um detalhe, mas é sintomático da falta de planejamento.

 

A saída da Petrobras também afetou bastante o município…

Outro problema é de emprego. A Petrobras foi a única aposta nesses 30 anos de ciclo econômico e produção. As administrações não criaram nenhum polo industrial. Mossoró já foi uma cidade rica, mas os investimentos foram reduzidos. Há quem defenda a venda dos poços maduros, mas a Petrobras não existe só para ter lucro, ela tem uma função social. E já estão fazendo leilões da venda de poços. Mossoró também é um grande exportador de sal, mas não se modernizou o suficiente e os gestores não buscaram construir outras formas de desenvolver a economia. O turismo, cultura… Mossoró daria várias rotas turísticas. Tem o problema ambiental também porque a população cresce e não sabe lidar com o lixo. A prefeitura fechou um contrato de R$ 12 milhões por seis meses com uma empresa para o transporte do lixo e a cidade vive suja. Mossoró tem um rio completamente poluído e poderia ser fonte de geração de emprego e renda e de sobrevivência da cidade. Para você ter ideia, Mossoró veio inaugurar o primeiro parque em 2016, isso é inadmissível para uma cidade de 300 mil habitantes. No orçamento, para o parque, tem 857 reais por mês. Não paga um único funcionário nem dá para trocar uma luz.

 

Com tantos problemas, por quê a família Rosado não sai do poder ?

O problema não é só estar na Prefeitura, é a hegemonia. Rosalba foi prefeita da cidade e recebia os royalties, numa época em que o valor era duas vezes maior que o Fundo de Participação do Município… foi tempo de glória. Tinha dinheiro para praça, teatro… é o status de mandar na cidade, tudo é Rosado em Mossoró. As ruas, o Teatro Municipal. Nas filigramas das coisas, esse status constitui-se numa coisa maior. A cidade sofre muito por isso porque tem problemas crônicos de uma cidade pequena, apesar de ser muito grande. Mas ao mesmo tempo é uma cidade muito gostosa de se morar. Tem coisas inovadoras, ousadas, desafiadoras, tem o lado dos Rosados, mas também tem o outro lado também: a resistência das pessoas.

 

Por falar em resistência, qual sua análise sobre a luta dos professores, servidores e estudantes da UERN pela sobrevivência da universidade ?

Mossoró hoje é uma cidade universitária. E não falo nem só da UERN e da UFERSA Há pequenas faculdades, o IFRN, tem muito foco de resistência. A UERN produz muita coisa bacana. É preciso entender o que significa uma universidade estadual. Sou graduada pela UERN com pós em gestão publica pela UnB. Mas a universidade é onde o filho do trabalhador consegue chegar, você precisa ver a quantidade de ônibus que chega todos os dias vindo de pequenas cidades. É ali que as pessoas tem acesso. A UERN mudou a vida de muita gente, a minha por exemplo. Na minha época era um computador para 10 estudantes, hoje é uma coisa muito maior. A UERN tem papel estratégico para o Rio Grande do Norte e o Estado precisa entender que ela precisa ser preservada. A lógica do Governo do Estado não existe. A universidade é gasto, para o governo golpista. Mas para nós é estratégico. Quantos profissionais não são formados pela UERN ? E essa lógica é de um liberalismo tão perverso que acabar com a UERN é um crime. A universidade é fruto. Não tem uma cidade no Estado que não tenha serviços relacionados com a UERN. Todos já nos beneficiamos e agora é hora de retribuir.

 

O que te levou para a política ?

Entrei na política com 13 anos de idade. Nasci em Patu, com 4 meses de idade vim para Upanema, onde morei até 8 anos. O PT de Upanema era muito organizado, Hugo Manso fazia muito curso de formação por lá na época. Em 1988, minha professora Socorro Oliveira se candidatou à prefeitura. O slogan era “Upanema pede Socorro”, achei muito bom e inspirador aquilo. Na escola eu tinha bons professores, minha irmã e meu cunhado eram do PT. Meu pai não era, pelo contrário, e minha mãe morreu cedo, quando eu tinha 9 anos. Depois fui para Maceió em 92 e um ano depois voltei para Mossoró.

 

É dessa época seu encontro com o feminismo ?

Em Mossoró entrei para o movimento secundarista e fui presidente do DCE na UERN. Encontrei com o feminismo em Mossoró, na época do centro feminista 8 de março, onde havia uma turma das mulheres da corrente do PT Democracia Socialista. Havia muito debate, palestras. Encontrei com o feminismo nesse processo.

 

Você é pré-candidata à deputada estadual em outubro. Hoje, dos 24 deputados, apenas três são mulheres. Que avaliação você faz da Assembleia Legislativa ?

A Assembleia precisa de mulheres e, especialmente, de mulheres feministas. Eu não entro na vibe de que mulher vota em mulher. Não é qualquer mulher que representa o que eu quero transformar na sociedade. Tem mulher que defende a pauta machista. Votar só porque é mulher ? É Rosalba ? Para mim não contempla. A Assembleia precisa de deputadas feministas, progressistas que consigam enfrentar o debate do que é o problema real.

 

E qual e o problema real do Estado hoje ?

Não é falta de recursos nem o chavão de que falta gestão. O governo Robinson tem gestão, mas uma gestão que só beneficia alguns. O problema é prioridade. O Governo deu certo para eles, mas para o conjunto da maioria não deu.

 

Há um discurso de que o Estado não tem jeito, concorda ?

Claro que o Estado tem jeito. Batemos recorde de arrecadação. Por quê continuar pagando a Arena das Dunas ? Pare de pagar. A Assembleia precisa de gente que faça esse debate. Defendo a candidatura da senadora Fátima Bezerra ao Governo, mas sei que ela não vai fazer mágica. O que ela vai fazer é eleger outras prioridades e levar o Estado para outro rumo. E ela tem que fazer esse debate na campanha. Não é dizer que vai consertar o RN, mas defender estratégias de mudança de rumo. Eu estive na máquina pública, é difícil, mas sei que mudança de prioridade dá resultado. A AL pode ser grande aliada na construção dessa alternativa. Agora se aplicar a mesma coisa, o resultado vai ser o mesmo.

 

O Governo não consegui aprovar o ajuste fiscal que penalizava servidores e vários deputados, incluindo os de Mossoró, votaram contra os projetos.

Muitos se posicionaram contrários ao ajuste fiscal por oportunismo. O Governo já estava ladeira abaixo, não tinha capacidade de coesão da bancada e se segurou usando um discurso progressista. Era impressionante, gente tradicional dizendo que era o mais novo da política, espalhando outdoor pela cidade…difícil é o eleitor conseguir identificar. Mas a maioria dessa bancada foi muito oportunista.

 

Na mais recente tentativa de substituir os Rosado em Mossoró, a gestão do prefeito Silveira Júnior, que teve o apoio do PT, foi muito mal avaliada pela população. O PT se arrependeu de apoiá-lo ?

Fui secretária de cultura da gestão. Acho que o PT rompeu na hora certa, quando ele extinguiu a secretaria de Cultura. O problema de Silveira é que ele não dialogava internamente. O governo de Rosalba é igual ou pior que o de Silveira. O PT opinou muito pouco, inclusive para a construção do Mossoró Cidade Junina. Imaginávamos outro projeto e o prefeito manteve o plano inicial. Mas tentamos contribuir, até porque era uma alternativa aos Rosados. Poderíamos ter rompido mais cedo, mas acreditávamos que durante o processo as coisas pudessem mudar. As secretarias tinham pouca autonomia.

 

Qual foi o principal problema da gestão ?

Além da centralização em torno do prefeito, o problema dele era que Silveira não era Rosado. E era muito importante para os Rosado que ele fosse derrotado do jeito que foi, ou seja, humilhado, massacrado pela imprensa. Era para dizer: “está vendo ? Temos que voltar”. Se você olhar o que Rosalba faz hoje na prefeitura, se fosse de Silveira Mossoró já estava abaixo. Só que ninguém sabe nada. Silveira fez uma má gestão, mas Rosalba faz igual ou pior.

 

Há uma expectativa para saber quem você e sua corrente irão apoiar para deputado federal. Existem algumas pré-candidaturas já colocadas, como a do deputado estadual Fernando Mineiro e a da vereadora de Natal Natália Bonavides…  

É uma honra dobrar com qualquer federal do PT. Tenho orgulho do mandato de Mineiro na Assembleia e muito orgulho do mandato de Natália, uma vereadora jovem que, como eu, também está no primeiro mandato. Como federal dobra com muitos estaduais, vamos dobrar com vários federais. Se Eraldo (Paiva) se der bem, é muito bom para mim. Se Spinelli se der bem, é muito bom pra mim. Não posso dizer que a pessoa não vote em Eraldo, por exemplo. Vote. Porque pode servir inclusive pra mim. Então, vamos dobrar com Mineiro, com Natália e com outros. A decisão que temos é que só vamos dobrar com federias do PT.

 

 

 

 

 

 

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19 Mar 12:29

Secretário de Carlos Eduardo compartilha informações falsas sobre Marielle Franco

by Equipe Saiba Mais

O secretário municipal de Obras Públicas de Natal, Tomaz Neto, divulgou neste domingo (18), num grupo de whatsapp, uma série de mensagens falsas, conhecidas como fake news, com ofensas à honra da vereadora Marielle Franco (PSOL/RJ), executada a tiros na quarta-feira passada (14), no Rio de Janeiro. A morte da parlamentar ganhou repercussão mundial em razão da brutalidade do crime e de sua militância em favor dos Direitos Humanos, do direito das mulheres e da juventude negra e periférica. Marielle foi eleita com mais de 46 mil votos, era negra, mãe, LGBT e exercia o primeiro mandato como vereadora.

Pouco tempo depois da divulgação do assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes cresceu nas redes sociais um sentimento de indignação e comoção, ao mesmo tempo em que começaram a se espalhar boatos que atentam contra a memória de Marielle e difamam a história de luta da vereadora.

O PSOL, partido de Marielle, articula um grupo de advogadas que desde quinta-feira (15) vem rastreando fake news e qualquer material calunioso contra a vereadora. Até o momento, mais de duas mil denúncias chegaram ao grupo. O objetivo é enviar todos os casos e os autores identificados para investigação em delegacias especializadas e ou para retratação na justiça. As denúncias podem ser recebidas no e-mail: contato@ejsadvogadas.com.br.

A Agência Saiba Mais teve acesso a uma série de prints do grupo de whatsapp do Conselho da Cidade (CONCIDADE Natal), que reúne os membros do conselho responsável por deliberar políticas de desenvolvimento urbano para a capital potiguar. Presidido pelo prefeito Carlos Eduardo Alves, o conselho conta com 51 membros, dentre eles secretários, funcionários das secretarias, procuradores do município, representantes da sociedade civil organizada e parlamentares.

Às 13h45 do domingo (18), o secretário Tomaz Neto compartilhou uma série de mensagens, já desmentidas por sites especializados, que ligam Marielle ao tráfico de drogas e fazem críticas a sua atuação política. A primeira mensagem classifica a vereadora do PSOL como uma “ultra esquerdista com ideias nefastas e totalmente tortas, eterna defensora de bandidos”. O texto, atribuído ao antropólogo Sandro Silva, visa desconstruir o que chama de “discurso hipócrita de esquerda comunista bandida”. Procurado pelo site boatos.org, o antropólogo negou autoria do texto.

 


A mensagem, endossada pelo secretário, critica a onda de comoção em torno do assassinato da ativista ao dizer, em um dos seus trechos, que “se lamente o assassinato, mas que não se enalteça quem em vida não fez por merecer para ser enaltecida”.

Em seguida, Tomaz compartilha outra informação falsa que atenta contra a história de Marielle Franco: a de que ela seria ex-mulher de um traficante ligado a uma facção criminosa. No texto da mensagem está escrito:

– A Vereadora Marielle Franco, ex-mulher de Marcinho VP, atualmente preso, um dos chefes do Comando Vermelho.

Abaixo, o titular da Semopi compartilha uma foto em que se vê uma mulher sentada no colo de um homem, no que parece ser um bar. Tanto a foto como o texto já vêm sendo desmentidos há vários dias nas redes sociais e em sites especializados. Procurado pela reportagem da Agência Saiba Mais, o vereador Sandro Pimentel (PSOL) reagiu com indignação ao compartilhamento de mensagens falsas pelo secretario Tomaz Neto.

É inadmissível que alguém em um cargo de destaque na administração pública compartilhe boatos e informações falsas contra a memória de uma pessoa morta. Uma coisa eu garanto, não vai ficar assim. Vamos agir rigorosamente, em todas as instâncias, diante da conduta indecorosa do secretário, que é um funcionário público, e precisa responder pelos seus atos.

 

 

Discurso de ódio é velho conhecido para Tomaz Neto

O secretário Tomaz Neto, que compartilhou as mensagens falsas, é pai da jornalista Micheline Borges, que em 2013 também se envolveu numa polêmica ao afirmar em sua página pessoal no facebook que médicas cubanas recém-contratadas pelo programa federal Mais Médicos teriam “cara de empregada doméstica”. Micheline chegou a ser processada na Justiça por danos morais pelo Sindicato das Empregadas e Trabalhadores Domésticos (Sindidoméstica), da Grande São Paulo.

 

Saiba Mais: PSOL organiza homenagem à vereadora Marielle em Natal e Mossoró

 

“Seu eu cometi um crime por compartilhar, não tenho como voltar atrás”, diz secretário

 

O secretario municipal de Obras Públicas de Natal Tomaz Neto admitiu que compartilhou as mensagens ligando a vereadora Marielle Franco ao tráfico de drogas mesmo sem saber se as informações são falsas ou verdadeiras. Ele afirmou que foi apenas um entre mais de mil pessoas que divulgaram a mesma notícia. Neto contou que decidiu compartilhar as mensagens quando, no mesmo grupo, outras pessoas criticaram a Polícia Militar no caso da morte da vereadora. E disse que, se cometeu algum crime, não poderia mais voltar atrás.

– Não sabia se era falsa ou não, tinha um grupo divulgando e eu compartilhei. No grupo tinha pessoas responsabilizando os policias pela morte da cidadã. Como é que você pode afirmar se é falso ou não ? A gente só vai saber se é falso ou verdadeiro quando as investigações terminarem. Agora, se eu cometi um crime (por compartilhar informação falsa), eu não posso voltar atrás.

Tomaz Neto justificou a atitude alegando que “a internet é um meio de comunicação muito rápido”. E citou o caso da desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Marília Castro Neves, que afirmou que a vereadora “estava engajada com bandidos e foi eleita pelo Comando Vermelho”. Neto não demonstrou arrependimento.

– Na internet tem pessoas que falam em defesa da polícia militar, ao ponto de pedir a extinção dela. Isso está solto na internet, não tenho como voltar atrás. Sou um mero expectador, uma cidade é muito grande e agora mesmo foi uma desembargadora que acusou Marielle de ter participado de crime.

Segundo o auxiliar do prefeito Carlos Eduardo Alves, é natural que as pessoas se posicionem sobre os mais variados assuntos. E se ele for condenado por manifestar sua opinião, não seria o único.

– A gente teria que ir em busca da raiz onde nasceu esse problema porque está todo mundo compartilhando. Teria que saber onde fundamentalmente nasceu, quem está criando, para saber e apurar as responsabilidades. As pessoas que usam a internet, como eu, quando eu vejo um lado só falando, também se posicionam. Isso faz parte da democracia. Se você quiser me condenar, então vai ter que condenar a maioria da população.

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16 Mar 11:32

Terror

by noreply@blogger.com (Nuno Serra)


«Ontem à noite, estava no twitter quando li a notícia da morte de Marielle Franco. Na conta dela, o último tuite tinha duas horas. Estava numa sessão com activistas negras. Foi morta quando saiu: 4 tiros na cabeça, disparados de um carro que se pôs ao lado do dela. O motorista também foi morto. Escapou a assessora, cujo estado desconheço. Terão sido disparados pelo menos 9 tiros.
Nunca ouvira falar de Marielle. Mas o simbolismo terrível da execução impôs-se imediatamente. Uma mulher negra e feminista, política de esquerda, vereadora do Rio nascida numa favela, lutando pelos direitos dos pobres e denunciando a violência de Estado e, soube hoje, gay. Um jackpot do ódio de direita. Nas respostas ao ultimo tuite dela, manifestações de dor, terror, mas também ódio e gozo. E uma pergunta pungente: por que dizem que você está morta?
Por que dizem que você está morta. A pergunta de alguém que não pode acreditar em algo tão terrível, que aquela mulher sorridente que momentos antes nos relatava, vibrante e combativa, uma sessão de resistência, tenha acabado, não seja mais. Noutra thread sobre a morte de Marielle, há mulheres a dizer que não conseguem mais ver "Handmaid’s Tale", porque sentem que é aquilo que vai acontecer no Brasil.
Sim, é terror o que esta execução declara. Foi isso mesmo que eu, que não sou brasileira nem grande conhecedora da realidade do Brasil, senti ontem: que se entrou numa outra dimensão. Um assassinato político como este é uma mensagem clara, sem hipótese de confusão. É um acto de terrorismo. E, no entanto, vejo as aberturas dos telejornais portugueses e nenhuma menção. Se tivesse sido um muçulmano a esfaquear ou atropelar alguém numa rua da Europa ou dos EUA era a primeira notícia; se fosse um político europeu ou americano assassinado desta forma, ou mais um tiroteio numa escola dos EUA, seria das primeiras. Mas uma política brasileira da oposição executada a tiro no tumulto que é o Brasil "nosso irmão" não merece menção. Não é nada de especial, pelos vistos.»

Fernanda Câncio (facebook)

13 Mar 18:48

Hollywood escondeu que Churchill foi um assassino em massa, diz autor indiano

by Davi Nogueira
Gary Oldman no papel de Winston Churchill.

Shashi Tharoor escreveu um artigo para o Washington Post no qual desconstrói a imagem que se tem de Winston Churchill no Ocidente. Shashi é autor do livro “Inglorious Empire: What the British Did to India” (“Império Inglório: O que os ingleses fizeram com a Índia”). Ele preside o Comitê de Relações Exteriores do Parlamento indiano.

“A História”, disse Winston Churchill, “será gentil comigo, pois pretendo escrevê-la sozinho.” Ele não precisa se preocupar. Churchill foi um dos grandes assassinos em massa do século 20, mas é o único, ao contrário de Hitler e Stalin, a ter escapado do ódio histórico no Ocidente. Ele foi coroado com um Prêmio Nobel (de literatura, não menos) e na última semana, um ator que o retrata (Gary Oldman) recebeu um Oscar.

Como Hollywood confirma, a reputação de Churchill (como o que Harold Evans chamou de “o coração de leão britânico nas muralhas da civilização”) se baseia quase inteiramente em sua reviravolta e seu talento por conta de uma frase dita durante a Segunda Guerra Mundial. “Não devemos parar nem falhar. Vamos continuar até o fim. (…) Devemos lutar nas praias, lutaremos nas terras do desembarque, vamos lutar nos campos e nas ruas. (…) Não vamos nunca nos render” (o historiador britânico revisionista John Charmley chamou isso de um “sublime absurdo”).

As palavras, no final, são tudo o que os admiradores de Churchill podem contemplar. Suas ações já são outra história.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o então primeiro-ministro do Reino Unido declarou-se a favor do “bombardeio terrorista”. Ele escreveu que queria executar “ataques absolutamente devastadores com bombas pesadas”. Terrores como o bombardeamento de Dresden, na Alemanha, foram o resultado.

Na luta pela independência irlandesa, Churchill, no cargo de secretário de Estado da guerra e da força aérea, foi uma das poucas autoridades britânicas a favor do bombardeio de manifestantes, sugerindo em 1920 que os aviões usassem “metralhadoras ou bombas” para dispersá-los.

A caminho de um conflito na Mesopotâmia, em 1921, como secretário de estado das colônias, Churchill atuou como um criminoso de guerra: “Sou fortemente a favor do uso de gás venenoso contra as tribos incivilizadas; Isso transmitiria um terror vivo entre a população”. Ele ordenou bombardeios no lugar, destruindo uma aldeia inteira em 45 minutos.

No Afeganistão, Churchill declarou que os pashtuns “precisavam reconhecer a superioridade da raça [britânica]” e que “todos os que resistem serão mortos sem piedade”. Ele escreveu: “Procedemos sistematicamente, aldeia por aldeia, e destruímos as casas, derrubamos as torres, cortamos as grandes árvores frondosas, queimamos as colheitas e quebramos os reservatórios em devastação punitiva. (…) Todo chefe de tribo foi ferido ou mutilado de uma só vez”.

No Quênia, Churchill dirigiu atividades que envolviam a deslocação forçada de povos locais das terras montanhosas, a fim de abrir espaço para os colonos brancos e enviar mais de 150.000 pessoas para campos de concentração. Violação sexual, castração, cigarros acesos em lugares sensíveis e choques elétricos foram usados ​​pelas autoridades britânicas para torturar os quenianos sob o seu governo.

Mas as principais vítimas de Winston Churchill foram os indianos – “um povo bestial com uma religião bestial”, como ele os chamou agradavelmente. Ele queria usar armas químicas na Índia, mas foi demovido por seus colegas do gabinete, a quem ele criticou por sua “escrupulosidade”, declarando que “as objeções do Departamento da Índia para o uso de gás contra os nativos não são razoáveis”.

A beatificação de Churchill como apóstolo da liberdade parece ainda mais absurda, dada a declaração de 1941 de que os princípios do seu livro Carta do Atlântico não se aplicariam à Índia e às colônias “de cor”.

Ele se recusava a ver pessoas “de cor” tendo os mesmo direitos que ele. “O gandhismo e tudo o que representa”, declarou ele, “precisa, cedo ou tarde, ser discutido e finalmente aniquilado”.

Em tais assuntos, Churchill foi o mais reacionário dos ingleses, com opiniões tão extremas que não podem ser desculpadas por serem reflexo da época em que ele vivia. Até mesmo seu próprio secretário de Estado da Índia, Leopold Amery, confessou que não via quase nenhuma diferença entre as atitudes de Churchill e Adolf Hitler.

Graças ao ex-primeiro ministro, cerca de 4 milhões de bengalis morreram de fome em 1943. Churchill ordenou o desvio de alimentos de indianos famintos para soldados britânicos e para armazenar estoques europeus na Grécia e em outros lugares.

Quando perguntado sobre o sofrimento de suas vítimas indianas, sua reposta foi que a fome era culpa deles próprios, disse ele, por “procriarem como coelhos”.

O Oscar da semana passada gratifica mais uma hagiografia desse odioso homem. Para os iraquianos atacados com gás por causa dele, ou para os manifestantes gregos nas ruas de Atenas que foram massacrados por suas ordens em 1944, assim como para indianos como eu, será sempre um mistério por que alguns discursos bombásticos foram suficiente para lavar as manchas de sangue das mãos racistas de Churchill.

Muitos de nós vamos nos lembrar de Winston Churchill como um criminoso de guerra e um inimigo da decência e da humanidade, um imperialista intermitente conformado com a opressão dos povos não-brancos. Em última análise, seu grande fracasso – sua longa e mais escura hora – foi o esforço constante para nos negar a liberdade.

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13 Mar 18:45

5 medidas mais eficazes para fortalecer a Previdência que a reforma de Temer

by Tomás Rigoletto Pernías

Os integrantes do Governo Federal que se apressavam para dizer que a reforma da Previdência poderia ser aprovada ainda em 2017 jogaram a toalha. Após vários meses de propaganda enganosa, desinformação e publicidade de má-fé à custa do dinheiro do contribuinte, o Governo desistiu de realizar a reforma – ao menos no curto prazo. Nem os R$ 99 milhões destinados ao convencimento geral da população e tampouco a subserviência dos grandes veículos de comunicação foram suficientes para virar o placar.

Dessa forma, para contribuir para sepultar de vez essa reforma da Previdência, apresentamos 5 propostas para fortalecer o financiamento da Previdência Social, evitar os cortes nos benefícios e, principalmente, impedir que os ajustes fiscais continuem sacrificando grande parte da população brasileira:

1.Combate à sonegação

Primeiramente, é importante frisar que o valor que pretendiam economizar com a reforma da Previdência (R$ 400 milhões) é inferior à quantia sonegada anualmente no Brasil. Portanto, a leniência com a sonegação fiscal resulta em perda substantiva de recursos, uma quantia que poderia ser destinada para o financiamento da Seguridade Social. Segundo um estudo realizado pelo Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda, os principais bancos comerciais que atuam no Brasil possuem uma dívida de R$ 124 bilhões com a União. Desse montante, R$ 7 bilhões estão relacionados à Previdência.

Aumentar a fiscalização tributária e endurecer as leis contra os devedores da União é fundamental para garantir o financiamento da Previdência Social.

2.Garantir fontes de receita para a seguridade social

Enquanto Temer pretende realizar cortes nos benefícios, o Governo promove isenções fiscais que reduzem as receitas da Previdência Social. A lei 13.585/2017, por exemplo, promove isenções fiscais para as empresas petrolíferas que atuarem no Brasil, ao estabelecer novas regras para a dedução de despesas no Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), sendo a última uma contribuição social destinada a financiar a seguridade social brasileira – que tem como um dos seus pilares a Previdência Social.

Uma análise da Medida Provisória estimou que as perdas tributárias com a isenção fiscal poderão atingir o valor de R$ 1 trilhão até o ano de 2040. Ademais, com as alterações propostas pela referida lei, a renda do Estado na produção de cada barril de petróleo estaria entre as mais baixas do mundo: atrás de países como a Noruega, China, Índia e Estados Unidos.

Além disso, é preciso acabar com a Desvinculação das Receitas da União. A DRU permite ao governo o remanejamento de recursos obtidos com impostos e contribuições sociais, antes destinados à Seguridade Social, para outros fins, e, até 2023, desviará 30% de receitas direcionadas para a Seguridade Social, diminuindo os recursos que seriam utilizados pela Previdência Social.

3.Revogar a reforma trabalhista

Os grandes veículos de comunicação passaram a informar, corretamente, que a reforma trabalhista poderá derrubar a arrecadação previdenciária. São lágrimas de crocodilo. O perigo de diminuição das receitas, em consequência do crescimento dos contratos atípicos no mercado de trabalho, foi amplamente divulgado por uma série de pesquisadores no documento Previdência: reformar para excluir?, ainda no início de 2017, mas a grande mídia preferiu não dar importância ao fato.

Ademais, estudos recentes demonstram que a reforma trabalhista tem o potencial de afetar significativamente a arrecadação previdenciária. Estima-se que, para cada 1% de trabalhadores celetistas transformados em pessoa jurídica (PJ), haverá uma perda de R$ 1,5 bilhão para a Previdência Social. Dado que a reforma trabalhista permite a terceirização irrestrita e facilita o uso da pessoa jurídica para disfarçar um vínculo de emprego, é possível que a “pejotização” cresça no mercado, deteriorando as contas da Previdência Social. Por outro lado, uma forma de melhorar a arrecadação da Previdência é por meio da ampliação da formalização do mercado de trabalho, mas desde o início da crise a precarização só tem aumentado no país.

4.Realizar o cálculo do déficit /superávit de acordo com a determinação constitucional

A Constituição Federal de 1988, no artigo 194, estabelece que a Previdência Social integra o sistema de proteção social brasileiro, a Seguridade Social. Esse arranjo constitucional, inspirado no modelo tripartite clássico dos países desenvolvidos europeus, coloca os trabalhadores, os empregadores e o Estado como igualmente responsáveis pelo financiamento da proteção social. O orçamento da Seguridade Social no Brasil, baseado nesse modelo de financiamento, é composto pelas seguintes receitas: as contribuições previdenciárias pagas pelos empregados e pelos empregadores; a CSLL; a Contribuição para o PIS/PASEP, e a COFINS; além de outras contribuições e receitas órgãos e entidades que participem desse orçamento.

Entretanto, ao contabilizar as despesas e as receitas da Previdência, desconsidera-se em geral que ela integra o orçamento da Seguridade Social e, assim, leva em conta apenas as contribuições dos empregados e empregadores, ao deixar de lado as outras receitas que financiam a proteção social. O resultado dessa conta “inconstitucional”, que vai de encontro ao que a Constituição Federal estabelece, é um déficit fictício, criado sob um cálculo equivocado e, pior, manipulador. Portanto, é imperativo levar em conta que a Previdência Social integra o orçamento da Seguridade Social brasileira.

5.Fazer uma ampla discussão com a sociedade sobre os verdadeiros privilégios na Previdência e o seu papel redistributivo

Primeiramente, é preciso destacar o papel redistributivo que a Previdência possui na sociedade brasileira: compreender a Previdência Social não somente como um mecanismo que garante um nível de renda básico para todos os cidadãos que contribuíram, durante anos, para o Regime Geral de Previdência Social; mas também como uma maneira que o Estado possui para combater diversos problemas sociais, como a pobreza e a desigualdade social.

Desse modo, os cortes na aposentadoria rural, o aumento do tempo de contribuição para o Regime Geral de Previdência Social e a diminuição do valor das aposentadorias – como proposto na reforma de Temer – têm o potencial de aumentar a pobreza, diminuir a renda dos brasileiros e, de maneira geral, intensificar o sofrimento da população numa época de profunda crise econômica. Por outro lado, é preciso apontar que uma reforma que combata privilégios deve discutir também as aposentadorias dos militares, do Legislativo e do Judiciário.

Por fim, é importante lembrar que estamos diante de uma nova onda de automação do trabalho, que traz o risco de uma enorme reestruturação do emprego e renda, ao diminuir substancialmente a quantidade de empregos. Seria razoável, portanto, garantir que, no futuro, a população possa trabalhar menos e se aposentar mais cedo, e não o contrário.

Crédito da foto da página inicial: Portal do MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores)

13 Mar 11:45

BatCármen e BatTemer. Por Renato Aroeira

by Pedro Zambarda de Araujo
12 Mar 17:22

Parlasul repudia ataque de Mendonça Filho à autonomia das universidades: Viola a liberdade de cátedra

by Conceição Lemes

Parlasul repudia tentativa de interferência de Mendonça Filho na autonomia das universidades

da assessoria da senadora Fátima Bezerra, via whatsapp

A Comissão de Educação, Cultura, Ciência, Tecnologia e Esporte do Parlamento do Mercosul aprovou, nesta segunda-feira, 12, uma moção de repudio contra as declarações do Ministro da Educação, Mendonça Filho, que criticou publicamente a oferta de uma disciplina intitulada “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, no curso de Ciência Política da Universidade de Brasília.

A proposta foi uma sugestão da senadora Fátima Bezerra (PT-RN), via whatsapp.

Na nota, os parlamentares repudiam qualquer tentativa de violação da autonomia universitária.

“A liberdade de cátedra e a autonomia didático-científica das universidades são princípios basilares dos estados democráticos. Declaramos apoio irrestrito aos estudantes, docentes, pesquisadores, cientistas e intelectuais brasileiros, que desencadearam uma intensa mobilização em defesa das universidades públicas”, defenderam.

Os parlamentares destacaram ainda que as universidades públicas brasileiras cumprem um papel decisivo para o desenvolvimento científico, tecnológico e econômico do Brasil, do Mercosul e da América Latina.

“A Rede Federal de Ensino Superior Público vivenciou um importante processo de expansão no Brasil, com a criação de 18 novas universidades federais, dentre as quais se destaca a UNILA – Universidade Federal da Integração Latino-Americana”, lembram.

Leia também:

Carone: Toda a verdade sobre o nióbio de Araxá

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09 Mar 17:22

Carlos Hetzel: Risco no negócio com a Boeing é entregar controle da Embraer Defesa & Segurança

by Conceição Lemes

BOEING E EMBRAER – O CAVALO DE TROIA DA AVIAÇÃO

por Carlos Des Essarts Hetzel, especial para o Viomundo

Em artigo que escrevi recentemente, informei que a venda da Eletrobrás representa um grande jogo e que, por trás, estaria a entrega da maior infraestrutura de telecomunicações ópticas por OPGW (Optical Ground Wire) da América.

Neste momento trago uma nova informação que acredito ser tanto ou mais agressiva e problemática para a Soberania Nacional: a já anunciada venda da Embraer para a multinacional estadunidense, Boeing.

Em relação à parceria comercial, acredito que seja vantajosa para as duas empresas, visto que seriam abertas “novas portas” em mercados hoje fechados, tanto para a multinacional, quanto para a Embraer.

O problema é que a multinacional Boeing poderá deter o capital majoritário, permitindo o acesso irrestrito a todas as atividades de desenvolvimento e inovação da Embraer.

Terá o domínio de tecnologias críticas, de conteúdos tecnológicos e industriais nacionais.

Além das tecnologias da divisão de aeronaves, setor responsável pela maior fatia do faturamento bruto da empresa, poderá ter o “poder de mando” sobre um setor vital para a Segurança Nacional, a Embraer Defesa & Segurança (EDS).

Explico.

A Embraer-EDS é responsável por vários projetos imprescindíveis e estratégicos para as Força Armadas.

No exército, o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras — o  projeto SISFRON.

Ele exerce vigilância e proteção das fronteiras terrestres do país, alcançando atualmente 650 quilômetros (Projeto piloto), mas que, na fase final, chegará a 16.886 quilômetros, faixa fronteiriça que separa o Brasil de 11 países vizinhos, compreendida em dez estados da Federação.

Ou seja, praticamente 30% de todo território nacional terá segurança de alto nível, através de diversos equipamentos, dentre eles radares (fixos e móveis), câmeras de longo alcance e sensores óticos.

É bom salientar que se trata de área responsável pela entrada da maior quantidade de armas, drogas e contrabando em geral, que hoje têm papel fundamental no “estado de guerra civil” em que se encontram diversos estados brasileiros.

Na área de satélites, temos a Visiona Tecnologia Espacial, empresa brasileira integradora de sistemas espaciais.

Criada por iniciativa do governo brasileiro em 2012, é responsável pela aquisição do satélite brasileiro SGDC-1,  que objetiva atender às diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE) e da Estratégia Nacional de Defesa (END).

É uma joint-venture entre a Telebrás, com 49% do capital, e a Embraer, detentora de 51%.

Na Força Aérea Brasileira, a Embraer Defesa e Segurança — EDS é a responsável pelo Programa Gripen E/F, o novo jato de combate multitarefa.

Trata-se de um projeto que envolve conhecimento científico de ponta, com um programa de transferência de expertise tecnológica entre Brasil e Suécia, com uma centena de engenheiros brasileiros recebendo treinamento e conhecimento, que trarão o “estado da arte do setor” para o Brasil.

Fazem parte deste acordo desenvolvimentos industriais para a produção do avião em território brasileiro, envolvendo diversos parceiros domésticos, empresas estratégicas de defesa (EED).

Como exemplo citamos a empresa Aero-Estruturas, AKAER:

“Reconhecida como uma System House brasileira e integrante do Grupo Embraer, especializada no desenvolvimento de soluções para missões críticas e tecnologias para apoio à tomada de decisão, tem como foco de atuação os mercados de Defesa e Segurança Pública, Tráfego Aéreo e mercado Corporativo”.

Participa também do programa P-3BR, no desenvolvimento do Sistema Tático de Missão (TMS) e, em parceria com a FAB e a [empresa sueca] SAAB, das atividades de transferência de tecnologia, desenvolvimento dos sistemas de suporte à missão, treinamento e simulação da aeronave Gripen E/F no Programa F-X2.

Na Marinha do Brasil, participa do desenvolvimento do Sistema Tático de Missão Naval, dos helicópteros do Programa H-XBR, que tem em seu escopo a interface de comunicação com o sistema de arma de helicópteros, mísseis anti-navio do tipo Exocet e todo o gerenciamento de informações transmitidas pelos diversos sensores instalados na aeronave, auxiliando o operador e piloto na tomada de decisões.

Este “Cavalo de Troia” da aviação poderá se tornar uma triste realidade, caso se concretize a negociação Embraer-Boeing sem salvaguarda e o cuidado de se preservar os valores e interesses nacionais.

Na verdade, poderá deixar o Brasil em situação de vulnerabilidade diante de um quadro de geopolítica mundial agressivo e corporativista e de uma guerra comercial mundial recém-iniciada pelo governo dos EUA.

Acredito ser necessário e imprescindível que as Forças Armadas atuem para impedir este crime de lesa-pátria.

Afinal, não podemos entregar para outro país domínios e conhecimentos tecnológicos em sistemas de satélites, aviação, sensores, linguagens de criptografias, anti-vírus, radares, tecnologias de propulsão, tecnologias de mísseis, armamentos teleguiados, etc, etc.

Não podemos desprezar uma infraestrutura sensível, ferramenta imprescindível para o desenvolvimento nacional.

Não podemos desconsiderar setores fundamentais para a garantia da Segurança Nacional.

A entrega de conhecimentos estratégicos e sensíveis, resultado de 70 anos de pesquisa e desenvolvimento de brasileiros, fere de morte vários preceitos e garantias constitucionais.

Além disso,  nos deixará ainda mais distantes do centro de poder mundial, pois sem domínio e expertise tecnológica, jamais faremos parte deste seleto grupo.

*Carlos Des Essarts Hetzel é tecnológo com especialidade em engenharia de transmissão e bacharel em direito com especialização em direito constitucional especial. 

 Leia também:

Requião denuncia: “Sob encomenda”, senador entrega os seus do Brasil aos EUA

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09 Mar 11:57

PARA COMEMORAR O DIA INTERNACIONAL DA MULHER: LEI LOLA APROVADA NO SENADO

by lola aronovich
Hoje, 8 de março, é Dia Internacional da Mulher, uma data de luta, de resistência, de reivindicar direitos, de protestos, de comemorar conquistas. É o décimo ano que este bloguinho celebra o nosso dia.
Então primeiro vamos falar de algumas conquistas. Ontem, aproveitando esta data que é pautada por reivindicações nossas, a bancada feminina conseguiu que o Senado aprovasse três projetos de leis que combatem a misoginia e a violência contra as mulheres. 
O PL 4/2016 faz com que seja crime o descumprimento de medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha. Como a gente sabe, tá cheio de vítimas de violência doméstica que pedem medidas protetivas, que não são respeitadas e muitas vezes terminam em feminicídio. Este projeto prevê pena de detenção de três meses a dois anos para os agressores que não cumprirem a decisão judicial. O projeto ainda precisa receber sanção presidencial para virar lei.
O PL 18/2017 estabelece pena de reclusão de dois a quatro anos, mais multa, para quem cometer a pornografia da vingança, aquele crime de divulgar cenas ou imagens íntimas das ex-parceiras, geralmente para se vingar do término do relacionamento. Como a matéria sofreu mudanças no Senado, ela volta para a Câmara.   
É um sinal de que estamos avançando no combate a um tipo de violência que atinge tantas mulheres. Lembro que, três anos atrás, uma advogada do Ceará me contou que a pornografia da vingança era tratada com tanto desconhecimento que havia pouquíssimos advogados aptos para trabalhar com isso. Um deles cobrou R$ 40 mil de uma cliente que teve suas imagens espalhadas na net pelo ex-marido. O valor incluía remover as imagens e processar o acusado. Esperamos que, com o projeto, os caras pensem duas vezes antes de tentar destruir a vida de uma mulher.
E o terceiro projeto de lei que foi aprovado ontem é um que me diz respeito, porque leva o nome de Lei Lola. É o projeto 4614/16, da deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) que, inspirada nas inúmeras perseguições dos misóginos contra mim, redigiu texto exigindo que esses crimes misóginos na internet sejam investigados pela Polícia Federal. Ele altera a lei no. 10.446, de 2002, e acrescenta esta atribuição à PF.
Isso é importante porque, no momento, ninguém investiga crimes como doxxing 
(quando um criminoso descobre e divulga todos os dados pessoais de uma pessoa e seus familiares, para assim poder atacá-la e ameaçá-la), fazer sites para caluniar mulheres ou tentar se passar por elas, para incriminá-las, colocar o nome, fotos e telefone de uma mulher em sites de prostituição e swing, para que ela receba centenas de ligações, enviar ameaças de morte e estupro etc (só pra saber: segundo o levantamento feito pela Delegacia da Mulher de Santos, 30% dos crimes que chegam àquela delegacia eram crimes cibernéticos. Alguém duvida que este número seja o mesmo em outras cidades?).
Eu sei porque já sofri e continuo sofrendo esses ataques. Já fiz onze boletins de ocorrência, e foi preciso que um grupo que fornece proteção a defensores de direitos humanos fizesse pressão para que fosse aberto um inquérito. As atribuições simplesmente passavam de uma divisão da polícia para outra, sem que nada fosse feito. Até hoje tenho o email de agosto de 2015 de um superintendente da PF dizendo que eles não iriam investigar os ataques e ameaças a mim, porque a PF só age nos crimes em que o Brasil é signatário internacional, como pedofilia e racismo. 
Parece que o inquérito que foi aberto em maio, depois de cinco horas de depoimentos meus na Delegacia da Mulher, finalmente chamou um dos principais suspeitos. Este é seu relato do que aconteceu ontem na delegacia (lembrando que o que esses mascus mais fazem na vida é mentir): 
Clique para ampliar e ler as barbaridades
A quadrilha misógina que ele lidera vem atacando mulheres (e negros, e LGBT) ininterruptamente desde 2013, quando ele saiu da cadeia, após cumprir pouco mais de um ano pelos mesmos crimes que voltou a cometer (há cinco anos!). 
Eles ameaçam juízas, delegadas, advogadas, professoras, jornalistas... A coisa chegou num nível em que mulheres ameaçadas vão a delegacias em todo o país registrar BO, e as escrivãs, na hora de assinar o documento, pedem que um escrivão o assine, já que elas, por serem mulheres, automaticamente podem ser vítimas de doxxing e ameaças de estupro.
(Um dos maiores elogios que ouvi foi ano passado, quando fui à Delegacia da Mulher em Fortaleza fazer mais um BO. E a escrivã que me atendeu não foi a mesma que havia me atendido da vez anterior. Mas aquela escrivã fez questão de ir à sala onde eu estava fazendo o BO, me abraçar, e dizer pra outra escrivã sobre mim: "Ela luta por nós, mulheres"). 
Cauda amarela à esquerda
Bom, será que essa impunidade toda de misóginos que passam a vida atacando mulheres na net vai mudar quando o PL for sancionado pelo presidente em exorcismo e virar lei? Não sei. Afinal, racismo é lei no Brasil há décadas e ainda assim um monte de gente comete crimes racistas (a própria quadrilha misógina é estupidamente racista; aliás, nunca conheci um misógino que não fosse também racista e homofóbico) e não é investigada ou punida. Mas que seja lei já nos dá um pouco de esperança.
Infelizmente, nem tudo é motivo de comemoração. Ontem mesmo chegou um processo contra mim. O processo corre em segredo de justiça e não posso falar muito, mas ele foi aberto em junho (e não chegava aqui porque estavam enviando para um endereço errado). Fiquei sabendo dele em junho, porque o co-réu entrou em contato comigo. Ele havia dito que o requerente pedia uma indenização de 300 mil reais de mim, mas agora vi que a ação é de "apenas" 150 mil (ah, bom!). Quer dizer, isso e mais R$ 150 por cada dia em que o post ficou publicado no meu blog (dá quase quatro anos, então calcule: 220 mil?). O mais impressionante é que sequer cito o nome do requerente no post!
Este será o terceiro processo a que respondo em uma década de blog, e o único que não foi aberto por um mascu, só por um cara que fez um bocado de coisa machista e, em vez de pedir desculpas, saiu por aí processando várias mulheres (o que não é nada incomum; incomum é o valor pedido). Mais pra frente, eu vou precisar da colaboração financeira de quem puder ajudar pra cobrir eventuais gastos. Sei que posso contar com vocês.
Mas, por enquanto, vou comemorar que a Lei Lola está quase passando, pra desespero dos misóginos. Não é uma vitória minha ou da Luizianne, mas de todas nós. Estamos juntas! E vamos fazer todos os dias um dia da mulher e de luta!
Quem mais aprovou a Lei Lola? Meu gatinho Calvin, 17 anos

UPDATE em 4/4/18: Agora é lei! Foi sancionada ontem pelo Temer. Já está em vigor! Tomara que mude alguma coisa. De toda forma, uma vitória de todas nós mulheres!
08 Mar 17:15

Aos desavisados que pretendem morar em Portugal. Por Rita Voss

by Diario do Centro do Mundo
Saudade da dancinha do impeachment

Publicado no Bem Blogado

Aviso de Rita Voss, brasileira residente em Portugal, aos coxinhas que desejam migrar pro país:

Faço parte de uma comunidade de apoio aos brasileiros em Portugal. Tem muita gente que entra para pedir informações porque pretende vir para cá.

Um desses é fã de boçalnaro com aquele discurso de ódio à esquerda degenerada. Aliás, existe uma comunidade com mais de 40 mil membros cuja “dona” me expulsou porque protestei contra esse tipo de discurso. Mas para o fulano de hoje deixei essa mensagem:

“Fulano, uma informação importante, antes que venha para cá. Aqui existe política social para tudo. Apartamento e renda mínima para quem, por qualquer motivo, não possa trabalhar.

Aqui, a dignidade humana e os direitos humanos são para todos. O governo é socialista e a frente de esquerda chamada geringonça é muito forte.

Fãs de bolsonaro, pessoas que dizem que esquerdista e artistas são vagabundos vão ficar bem contrariadas aqui. Além do mais, a cultura é subsidiada pelo estado, como geralmente é em outros países europeus.

Nu artístico na Europa pode gerar crítica mas nunca censura. Arte e ciência são livres. Outra coisa, o nível de entendimento das artes é bem alto.

Ninguém confunde realidade com representação da realidade, nem denúncia com apologia.

Não aconselho nenhum país da Europa para você. O brasil pelo qual você lutou é o ideal para você, agora. Usufrua!”

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08 Mar 11:20

ÁUDIO: Juiz chama defensora pública que protegia crianças de “desqualificada” e exige ser tratado por “vossa excelência”

by Kiko Nogueira

Elio Gaspari contou em sua coluna na Folha:

O juiz Solon Mota Junior, da 2ª Vara de Família de Fortaleza, ofendeu a defensora pública Sabrina Veras. Desde novembro, a advogada pedia urgência, sem sucesso, para ser recebida pelo magistrado para transferir a guarda de duas crianças para o pai, pois a mãe as espancava.

Em janeiro uma das meninas morreu. Duas assessoras do juiz acusavam a defensora de ter dito que elas haviam matado a menina. Ela nega que o tenha feito. (Mota Junior repreendeu a advogada quando ela o tratou por “você”, mas chamou-a de “minha filha”.)

O meritíssimo chamou-a de “advogada desqualificada”. Poderia ser o jogo jogado, pois nos bate-bocas do STF vai-se por essa linha, mas ele foi além: “Você se queimou comigo. Lamento dizer, você está começando agora… Se queimou comigo. E vai se queimar com tantos quanto eu fale essa história”. Juiz ameaçando advogada é uma anomalia.

As crianças contavam que a mãe as espancava e um meritíssimo de Vara de Família argumenta: “Uma criança de quatro anos tem discernimento? Vai interferir num posicionamento de um juiz?”. Tudo bem, deve-se esperar que ela atinja a maioridade.

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08 Mar 11:17

Sobre o dia 8 de março

by Leilane Assunção

Há exatamente um ano atrás concedi ao Novo Jornal uma entrevista por ocasião do 8 de Março na qual eu lamentava que a memória social sobre as lutas das mulheres tenha se embotado numa data que deveria ser tudo, menos celebrativa. Afinal, nunca é demais lembrar que trata-se de uma referência ao famoso massacre de operárias que lutavam por seus direitos numa fábrica de Nova York no começo do século XX. Naquele momento falei o quanto me irritava receber parabéns, flores, elogios no dia 8 de março, uma vez que nesse dia o que precisamos é de reflexão, crítica e luta, e não flores e celebrações.

Os desafios do feminismo no século XXI estão tensionados entre as dominações e opressões “de sempre” (desigualdade salarial, posse e violência sexual por exemplo) com os desafios que são específicos desse tempo como chantagem virtual com fotos ou vídeos que exponham o corpo das mulheres, contra seu desejo, nas redes. De todo modo, é assustador constatar que do alto do fim da segunda década do século XXI ainda ostentamos alarmantes índices de feminicídio e estupros, além de um praticamente imensurável número de assédios sexuais de toda ordem que fazem com que o Brasil seja o quinto país mais perigoso para mulheres no mundo.

Como se não bastassem os números nos darem tanta desilusão em relação à distância que estamos de uma sociedade de equidade de gênero, até mesmo em locais que deveriam dar lição à sociedade sobre sociabilidades mais libertarias, acolhedoras, menos mediadas pelos valores artificiais da hierarquia e do orgulho e mais próximos do senso de inclusão, justiça social e fraternidade humana que devem sempre balizar a postura de qualquer educador em qualquer nível de instrução, constatamos a existência do fascismo machista, misógino, do desprezo ao feminino, suas necessidades e dignidade.

O caso do último dia 6 de março, quando uma estudante do curso de Ciências Sociais da UFRN foi não só impedida de assistir aula, como foi humilhada por um conhecido docente da instituição com longo histórico de assédios e abusos de toda ordem cometidos contra todo tipo de participantes da comunidade universitária, é só o mais pungente exemplo dos problemas enfrentados pelo feminismo de hoje.

O professor decidiu contestar em sala usando de uma argumentação de classe, inaceitável justamente por vir de um docente de sociologia, o direito da discente em assistir sua aula enquanto a mesma trouxesse sua filha de 5 anos pra a sala. Antes que se conteste o direito real de um professor em excluir de sua aula quaisquer indivíduos que hostilizem a prática docente a ponto de inviabilizá-la, sem dúvida não era esse o caso, haja vista que tal garota não será a primeira e também não será a ultima mãe solteira trabalhadora que não tem condições de pagar alguém para ficar com seu filho e precisa se equilibrar entre a dura escolha que de maneira tão torpe e cínica, o professor apontou que ela fizesse: “ou estuda ou é mãe, universidade não é pra todo mundo não”.

O professor, ostentando de sua titulação (conquistada e financiada com recursos públicos que a família dessa estudante ajuda a pagar desde que ela ainda nem havia nascido) e do alto teor de seus rendimentos, ainda disse à aluna que fez doutorado na França e que nunca viu mulheres que levam seus filhos na Europa para a sala de aula. Será que o tão pavoneado PHd em Sorbonne esqueceu algumas das mais básicas lições de sociologia: a desigual distribuição das oportunidades de inclusão social de acordo com o recorte geográfico em questão? Sem dúvida que as mulheres francesas estão em luta pela igualdade de condições em relação aos homens franceses, mas em relação à situação das mulheres brasileiras sua condição é muito superior, não só pelo nível de IDH e desenvolvimento socioeconômico em geral que separam os dois países, mas acima de tudo pela conquista de um lugar ao sol no imaginário cultural que lhes permite acessar o espaço público e o mercado de trabalho num nível bem menos desigual de oportunidades e salário, além da conquista de direitos que aqui no Brasil hoje parecem uma utopia bem distante, como o aborto legal por exemplo.

Se lesse Boris Cyrulnik ou mesmo nosso Paulo Freire, tal docente talvez fosse um ser humano mais sensível em relação à luta de mulheres das classes trabalhadoras pelo sonho de uma formação educacional superior, que pode lhes render uma vida melhor e precisar conciliar isso com a condição de ser mãe. Será que ele acha que a menina leva a filha pra a sala de aula por opção e não por falta de opção? Será que essa mulher não acharia mais confortável para sua vida se ela não precisasse levar sua filha pra a sala de aula? Por que será que ela não faz isso? Será que ela acha bom ser humilhada por um professor, ter sua vida pessoal exposta, sua condição de mãe, mulher, trabalhadora, depreciadas por uma pessoa que jamais passou dificuldades financeiras na vida pois ocupa um lugar social de privilégio de classe masculino e branco, será ???

A resposta é tão óbvia que chega a ser estúpido imaginar outra possibilidade. Evidente que se houvessem outras opções, certamente teriam sido adotadas pela estudante. O professor, tendo em sala de aula o perfeito e terrível retrato da desigualdade social e de gênero, poderia ter transformado a vivência num experimento positivo, saudável, para o aprendizado sociológico da turma, demonstrando de que maneira a desigual condição de gênero na nossa sociedade produz o fenômeno da mulher mãe solteira trabalhadora que estuda a noite em busca de uma vida menos dura no futuro graças à titulação de graduação em universidade pública, mas não: preferiu manter-se do alto de sua conhecida e repetida misoginia, seu ódio ao feminino que tantas vítimas já fez na historia do setor II, sua indiferença às precárias condições de permanência dos estudantes na Universidade com os cada vez maiores cortes na assistência estudantil, produzindo um discurso que é sem dúvida avesso aos mais nobres valores e ideais universalistas e igualitários da educação publica, proferindo frases como “universidade não é pra todos”, “ou “Ou estuda ou é mãe”.

Em pleno 8 de março de 2018 não está fácil ser mulher. E isso porque só falei dos dilemas das mulheres cis, as mulheres nascidas mulheres. Para as mulheres trans, apesar da histórica conquista ao direito à mudança de nome no STF semana passada, ainda existe uma longa, bem longa estrada a ser trilhada afim de garantir os mais básicos direitos de existência da nossa população. Três anos atrás fui incluída numa lista de 10 mulheres potiguares de destaque por uma jornalista local, fiquei honrada, mas na época quando fiz falas pela cidade por ocasião do tradicional 8 de março, falei que eu não era mulher, que eu era trans.

Na ocasião, foi um protesto contra a falta de inclusão da pauta do transfeminismo no feminismo em geral. A tendência à genitalização do feminismo vem sendo combatida com sucesso no seio de inúmeras organizações de mulheres, afinal uma coisa deve estar claro que é o que nos une: a luta contra toda opressão misógina e contra o patriarcado, pela vida das mulheres, todas elas. O surgimento da RENFA (Rede de Feministas Antiproibicionistas) e o surgimento da ala das mulheres trans na marcha mundial das mulheres são alguns passos importantes para o feminismo libertário do século XXI que queremos construir.

Ser mulher é duro, mas ser mulher não é igualmente duro mesmo entre as mulheres, afinal os recortes de classe, de gênero e étnico aprofundam todos os problemas de inclusão. Se você é mulher trans ou negra (e se for ainda de periferia então) sua situação é muito pior que se vc é mulher branca e (ou) de classe média. Enquanto as mulheres biológicas não podem abortar, nós mulheres trans não podemos usar o banheiro público para fazer xixi, são demandas distintas mas que podem igualmente gerar muito sofrimento às atrizes sociais em questão.

Então nesse 8 de março, menos flores e celebração e mais luta e união contra situações absurdamente abusivas como a relatada nessa coluna hoje. Para finalizar, convido para o ato da Marcha Mundial das Mulheres a acontecer em Natal hoje às 14:30h no INSS da rua Apodi, Centro da cidade, onde mais de 80 grupos e entidades de mulheres irão se dirigir até o Porto de Natal afim de finalizar o ato com programação cultural. Vida longa às mulheres, mas que não seja mais tão longa a espera pelos nossos direitos, todos, plenamente.

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06 Mar 13:53

“Não foi só mudança em quem ocupa a presidência”: resumo da 1ª aula do curso sobre o golpe na UnB

by Diario do Centro do Mundo

Publicado no blog do Demodê

POR LUIS FELIPE MIGUEL, professor de ciência política da UnB

Canalhas

O uso da palavra “golpe” para designar os acontecimentos políticos de 2016, no Brasil, tornou-se motivo de disputa. Trata-se de algo recorrente: como “golpe” possui conotação negativa, remetendo a uma ação que foge às regras e é desenhada para pegar o oponente desavisado. Na maior parte dos contextos, “golpe” remete a um ato de deslealdade. Nenhum agente político a reivindica para si. “Golpista” é, sempre, o outro. As forças que derrubaram o presidente João Goulart por meio de um levante militar não admitiam ter desferido um golpe; enquanto estiveram no poder, o nome oficial daquela ação foi “Revolução de 1964”. E assim por diante.

Isso não quer dizer, porém, que a palavra “golpe” seja oca, despida de qualquer significado para além de seu uso interessado na controvérsia política. Com o passar do tempo, uma compreensão razoavelmente consensual do processo histórico recente há de se decantar. Não por imposição do dono do poder no momento, não por portaria ministerial, mas pelo debate no campo científico, tal como ocorreu com a derrubada de Jango em 1964.

A grande maioria dos cientistas sociais respeitáveis – isto é, que são levados a sério por seus pares – sustenta que ocorreu, em 2016, uma ruptura ilegal da ordem liberal-democrática então vigente no Brasil. Mas é necessário reconhecer que, até por conta da ofensiva intensa e por vezes agressiva do governo e de seus apoiadores para impedir que se fale em “golpe”, o debate ainda está vivo. Tenta-se impor o uso de impeachment como termo “neutro”, mas – como costuma acontecer – a neutralidade tem lado. Ao tomar a forma pela essência, o uso de impeachment, sem qualquer outra qualificação, representa uma efetiva negação da existência de um golpe.

Para que o debate avance, é preciso construir um conceito de golpe político que não seja arbitrário – isto é, que seja sensível à especificidade das circunstâncias, mas também esteja fundado no uso historicamente estabelecido da expressão. Afinal, como dizia Wittgenstein, o significado de uma palavra se busca no seu uso. Um conceito assim nos permitirá diferenciar as situações concretas. Mais ainda, creio que, construído de forma rigorosa, este conceito permitirá a caracterização do impedimento da presidente Dilma Rousseff, em 2016, como “golpe”, no sentido que a (boa) ciência política deve dar à palavra.

Há dois argumentos mobilizados pelos opositores da definição do impeachment de 2016 como golpe, que devem ser analisados previamente, a fim de desbastar o terreno e poder avançar numa definição. Primeiro, o fato de que rituais legais foram obedecidos. Uma denúncia foi apresentada ao presidente da Câmara dos Deputados, a denúncia foi acatada, formou-se uma comissão que decidiu dar seguimento ao processo, o plenário da Câmara aprovou e encaminhou ao Senado etc. A cada passo, falaram representantes da defesa e da acusação. O Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição, deu seu beneplácito a tudo. Do que reclamar, então?

Ocorre que a lei não se esgota na formalidade. Se um cidadão é considerado culpado de um crime, por um juiz ou um tribunal de júri, sem que exista nenhuma evidência contra ele e sem que provas de sua inocência sejam levadas em conta, não vamos dizer que a lei foi obedecida. Também o golpe de 1964 quis se revestir de respeito a legalidade: por exemplo, convocou o Congresso para declarar a vacância da Presidência da República. É necessário investigar, portanto, a substância do processo contra Dilma, cujo ponto de partida foi a chantagem de Eduardo Cunha. Não vou aprofundar a questão do crime de responsabilidade. A grande maioria dos juristas sérios apontou a inexistência de crime de responsabilidade nos fatos relatados na denúncia; para uma análise aprofundada e desapaixonada, indico, entre muitos outros possíveis, o texto de Marcelo Labanca Corrêa de Araújo e Flavio José Roman publicado no portal jurídico Jota; vale a pena consultar, ainda, o artigo do cientista político Frederico de Almeida, especialista na atuação do Poder Judiciário, em outro portal jurídico, o Justificando.

As alegadas “pedaladas fiscais” não provêm fundamento suficiente, seja porque não consistem em atos de responsabilidade pessoal direta do chefe do Poder Executivo, seja porque não constituem crime contra a lei orçamentária, tal como tipificado no capítulo 5 da lei 1.079/1950, que regula o processo de impeachment no país e as possibilidades para que ele seja desencadeado. A “pedalada” pode ter sido um pecadilho, segundo aqueles que acreditam que a manobra era necessária para manter o financiamento dos programas sociais, como queria o governo, ou uma contravenção mais grave, de acordo com a visão mais alinhada com o regime de terror contábil que a Lei de Responsabilidade Fiscal estabeleceu como marca da boa administração pública. Mas crime certamente não foi.

Ninguém nega que ações fiscais similares às então imputadas como crime foram realizadas por todo os presidentes desde Fernando Henrique Cardoso, sempre com aprovação do Poder Legislativo. Continuaram sendo praticadas por Michel Temer. Foram e são praticadas por vários governadores estaduais. O afastamento de Dilma Rousseff, em desacordo ao tratamento dado em casos similares, violou os princípios da impessoalidade da lei e da isonomia.

Em suma, no mínimo havia margem de dúvida suficiente para que se evitasse uma medida tão drástica quanto a deposição de uma governante eleita pelo voto popular. A maior parte dos parlamentares, na verdade, desprezou a acusação na hora de condenar a presidente, falando em “conjunto da obra” e alegando que era um “julgamento político” (como se isso significasse que os elementos comprobatórios pudessem ser desprezados, quando na verdade significa que as consequências políticas devem ser pesadas em adição às provas). Há pouca margem para duvidar que o que ocorreu foi a busca de um pretexto para retirar do cargo a presidente.

O segundo argumento contra a caracterização da deposição de Dilma como golpe é a ausência de um momento militar, aquele em que as forças armadas tomam a frente do processo e substituem o governo por um ato indisfarçado de violência. Mas há muitos casos, aqui mesmo perto de nós, em que a presença das forças armadas foi bem menos evidente. Os dois exemplos mais óbvios foram a deposição dos presidentes Manuel Zelaya, de Honduras, em 2009, e de Fernando Lugo, do Paraguai, em 2012. Lembro também do “autogolpe” de Alberto Fujimori, no Peru, em 1992, mas lá a participação militar foi mais visível. Fala-se, em relação a estes processos, e em relação ao Brasil também, de “golpe de novo tipo” ou “golpe brando”.

Creio, no entanto, que o que esses golpes de novo tipo fazem é limpar o conceito de golpe de seu qualificativo implícito (“militar”), isto é, permitem que entendamos que o golpe militar, por mais frequente que seja ou tenha sido, é apenas um subtipo de uma categoria mais ampla, o golpe, tout court. A presença das forças armadas é esperada pelo fato de que elas dispõem dos meios privilegiados para produzir uma intervenção disruptiva na ordem política, que são os meios da violência física, e pelo fato de que, caso a legalidade conte com sua lealdade e com a disposição de que elas sejam acionadas, os golpes de outro tipo dificilmente prosperarão.

Há situações, porém, em que as forças armadas se abstêm de uma intervenção direta, por fatores diversos e não necessariamente excludentes. Um deles pode ser uma determinada compreensão profissional de sua “neutralidade política”, impedindo uma ação mais determinada em favor da legalidade. Outro é o entendimento, por parte de setores simpáticos à derrubada ilegal do governo, de que sua presença faria ampliar a rejeição à empreitada golpista e mesmo alienaria alguns de seus participantes – como tende a ocorrer em países que têm fresca a memória de ditaduras saídas de golpes militares, o que é o caso do Brasil. Nestas situações, está aberta a possibilidade de um golpe não-militar, em que as forças armadas se mantêm passivas ou apenas manifestam uma inclinação discreta em favor dos golpistas.

É importante lembrar que a linguagem corrente, que não esgota o conceito, mas se relaciona com ele, trabalha com dois sentidos paralelos. O golpe remete à violência física, como um golpe de caratê, mas também a um ardil, ao uso da astúcia, como, por exemplo, quando falamos do “golpe do bilhete premiado”. Isso é importante exatamente para lembrar que o golpe tout court não exige a presença da violência física. Mas o golpe político, que é o que nos interessa, como é definido?

Há uma literatura já de séculos para discutir golpe – e eu aqui me inspiro fortemente nos trabalhos de dois colegas, o prof. Alvaro Bianchi, da Unicamp, e o prof. Renato Perissinotto, da UFPR, que, no contexto mesmo do golpe de 2016, tiveram o trabalho de recuperar essa discussão. Com uma abordagem diferente, o trabalho do linguista Sírio Possenti, professor da Unicamp, também foi muito útil.

No século XVII, Gabriel Naudé, um maquiaveliano francês, definia o golpe de Estado como uma ação arrojada e extraordinária, que o príncipe executa quando está em situação desesperada, “contrariamente à lei comum, sem manter qualquer forma de ordem ou justiça, colocando de lado o interesse particular em benefício do bem público”. Vejam que Naudé apresenta uma definição bastante positiva de golpe de Estado, vinculando-o à promoção do bem comum. Se esta fosse a definição dominante, Temer hoje estaria batendo no peito e dizendo, com orgulho, “sou golpista” – e estaria, creio eu, bastante errado.

Temos que entender o contexto intelectual em que o autor se movia. Naudé associava o bem público ao bem do Estado (a “razão de Estado”) e sobrepunha o príncipe ao Estado. Portanto, uma aplicação aos dias de hoje, em que essas percepções se encontram vencidas, certamente é anacrônica. Mas podemos reter dois elementos desta definição seiscentista. O primeiro é que o conceito não inclui o recurso à violência física. Os exemplos que o próprio autor dá em geral incluem carnificinas, o que é natural, uma vez que a política feita entre as elites, no século XVII, era muito mais marcada pela violência aberta do que hoje, mas o conceito não contempla este aspecto.

O segundo elemento a reter da definição de Naudé é que o golpe é uma ação fora das regras, contrária à lei, desferida por quem já dispõe de poder. Por isso, podemos pensar num golpe de Estado praticado pelos militares, pelo parlamento, pelo judiciário, mesmo por um presidente ou um rei que buscam ampliar seu poder (como Luís Bonaparte em 1851 ou Pedro I em 1824), mas não por camponeses pobres ou sem-teto.

Eu me detive um pouco nesse ponto de partida, mas não tenho intenção de fazer um percurso muito longo. Passo diretamente à obra talvez mais famosa desta literatura, o livro Técnica do golpe de Estado, escrito em 1931 pelo italiano Curzio Malaparte, que era militante do Partido Fascista e deixou de sê-lo por causa desta obra. Malaparte define o golpe de Estado como sendo simplesmente a tomada do poder pela força. Golpe de Estado e revolução são englobados numa mesma definição.

Como observou Bianchi, a literatura posterior não segue este caminho e distingue as duas ideias. Acompanho o texto do professor da Unicamp e aponto, como exemplo seguinte, o livro de Edward Luttwak, um especialista em questões militares que serviu ao Departamento de Estado dos Estados Unidos. Seu livro de 1969, Coup d’etat: a practical handbook, distingue três tipos de mudança extralegal no poder: a conspiração palaciana, cujo centro é o próprio governante; o golpe de Estado, em que funcionários do Estado se colocam contra a liderança política; e a insurreição popular.

Embora a definição em si seja mais ampla, o próprio Luttwak a restringe indicando o protagonismo das forças militares no golpe de Estado. Essa percepção era dominante sua época. Por exemplo, Alan Wells, que nos anos 1970 escreveu sobre golpes em países africanos, disse que golpe é “a captura pela força (forceful seizure) da maquinaria de governo do Estado” e que são os militares que “devem agir para provocar um golpe de estado”. No entanto, há aqui também um efeito de contexto, já que, como bem apontou Perissinotto, é “uma definição bastante adequada para descrever as derrubadas de governo na África subsaariana nos anos 1960”, mas não necessariamente para outros tempos e lugares.

Vou trazer a discussão para a América Latina, que é mais próxima de nós. Sofremos, nos anos 1960 e 1970, uma série de golpes de Estado. Embora a participação de civis tenha sido importante (no caso do Uruguai, por exemplo, o presidente Juan María Bordaberry, um civil, foi quem deflagrou o golpe em 1973), é impossível negar o protagonismo dos militares. A grande maioria dos regimes nascidos dos golpes se alinhava à direita, mas houve também o golpe de 1968 no Peru, que levou ao poder o general Velasco Alvarado, com um programa socialista.

Nos anos 1980, vivemos a era das “transições democráticas”, endossadas por muitos dos grupos que haviam apoiado a ruptura política pró-autoritária anos antes. Creio que a experiência recente das ditaduras chefiadas pelas forças armadas ajuda a explicar porque o elemento militar não se encontra à frente dos golpes contemporâneos. Há a memória de que as forças armadas, uma vez que empalmam o poder, podem contrariar os interesses de seus antigos aliados. Em 1964, por exemplo, muitos políticos que apoiaram a derrubada de Jango imaginavam que os militares manteriam as eleições presidenciais do ano seguinte e eles poderiam disputar (sem os candidatos de esquerda, todos presos, exilados e com direitos cassados) – e deu no que deu.

E há o entendimento de que uma fachada, mesmo que mínima, de respeito à democracia e às leis vigentes reduz os custos de dominação. É por isso que Carlos Barbé, no Dicionário de política organizado por Norberto Bobbio, Niccola Mateucci e Gianfranco Pasquino, indica que nosso entendimento de golpe de Estado precisa ser ajustado ao constitucionalismo moderno; o golpe tem como momento central a substituição do governo, em desacordo com as regras constitucionais, por integrantes do Estado. Seu agente, portanto, não precisa estar vinculado às forças armadas.

Eu me alinho, assim, à definição operacional sucinta que Bianchi oferece: “golpe de estado é uma mudança institucional promovida sob a direção de uma fração do aparelho de Estado que utiliza para tal de medidas e recursos excepcionais que não fazem parte das regras usuais do jogo político”. Seu sujeito pode ser uma ou outra parte do Estado ou então uma coalizão delas; seus meios podem incluir, para voltar às categorias de Maquiavel, a força ou a astúcia, podem ser abertamente ilegais ou então torcer a lei de maneira a descaracterizá-la por completo.

Com essa definição em mãos, é possível encontrar mais uma evidência crucial de que passamos por um golpe de 2016: o comportamento do novo governo, após a deposição de Dilma Rousseff. Antes era denunciado e no atual momento está amplamente demonstrado que não se tratou de uma intervenção pontual, destinada a retirar uma governante indesejada por alguns, o que já constituiria uma ilegalidade, mas foi o momento fundador de um amplo realinhamento das forças políticas e de implantação de um projeto político que, submetido às regras até então vigentes, havia sido repetidas vezes derrotado nas urnas.

Este é um elemento que me parece extremamente importante. A ruptura de 2016 facultou a implantação de um projeto que não conseguira sucesso seguindo as regras imperantes do jogo político. Portanto, mesmo que se afirme que é duvidosa a ilegalidade do afastamento da presidente (tese da qual discordo), ou seja, que o impeachment não foi golpe, fica claro que ao menos o impeachment foi usado para se desferir um golpe.

Dizer que foi um golpe não é uma forma de desqualificar o atual governo. Como falei, seria possível atribuir um sentido positivo ao golpe, bater no peito e dizer “sim, eu golpeei a Constituição, mas foi para o bem de todos”. Entender que foi um golpe, não a mera substituição de uma presidente, é fundamental para compreender a natureza, a profundidade e a abrangência das transformações em curso no país.

Muitos que falam em golpe não entendem isso. Um dos fatores de confusão foi o comportamento de alguns setores derrotados com o golpe, inclusive dentro do próprio PT, que denunciavam o golpe e ao mesmo tempo agiam como se fosse possível reconstituir no curto prazo a ordem política fraturada ou mesmo como se o jogo pudesse continuar a ser jogado como antes – por exemplo, no episódio das negociações para a montagem das mesas da Câmara e do Senado. Mesmo agora a ficha não caiu completamente para todos, como mostram algumas das movimentações sobre alianças eleitorais ou então a continuidade da crença de que basta obter a maioria na competição eleitoral para ter a palavra final sobre as disputas em curso.

Não foi só uma mudança em quem ocupa a presidência. É uma mudança profunda, que se pretende definitiva, imposta unilateralmente e em desrespeito à lei por grupos de dentro do Estado, nas regras do jogo político. Em uma palavra: é mesmo um golpe.

Este texto é um resumo da primeira aula da disciplina “Tópicos especiais em Cência Política 4: O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, do curso de bacharelado em Ciência Política da Universidade de Brasília.

 

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05 Mar 17:13

A Itália, com Berlusconi e seus corruptos anticorrupção, é um espelho do Brasil. Por Donato

by Mauro Donato
Berlusconi foi posto para correr por ativista do Femen quando ia votar

Naquele almoço dominical entre familiares desinformados, lembre-se sempre de citar a Itália. É o melhor antídoto contra o complexo de vira-lata daqueles parentes retrógrados que ecoam o que veem na TV e arrotam que o mal do Brasil ‘é o povo’, que ‘isso aqui não tem jeito’.

A ressurreição de Silvio Berlusconi (uma criatura que poderia ser comparada a uma fusão de Roberto Marinho com Paulo Maluf e Eurico Miranda) é algo semelhante a vermos um Fernando Collor com cacife político suficiente para eleger até poste.

Portanto, aquele repetitivo “o povo aqui não tem memória” desferido por aquele tio reaça, não é uma exclusividade brasileira.

E nem na Itália é novidade. As primeiras eleições após a Segunda Guerra, um período sangrento e determinante, depois de tanta luta contra o nazifascismo da dupla Hitler/Mussolini, resultaram na vitória da direita (!?).

Um balde de água gelada nos bravos partigianos.

Uma direita extremista que, diga-se, permanece viva e crescendo. Além dos partidos que se intitulam como pós-fascistas, a expectativa era que o movimento Casa Pound (que defende o legado de Benito Mussolini) tivesse algo como 1,8% de votos neste domingo.

Pode até parecer um índice inexpressivo, mas é sempre bom lembrar que a tal Liga Norte (hoje batizada apenas Liga) há meros cinco anos atrás tinha míseros 4,1%. Ontem venceu.

Já seria de se espantar caso existissem, entre as mais de 8 bilhões de pessoas do mundo, duas que defendessem o ‘legado de Mussolini’.

Na Itália existem dois para cada cem eleitores. Assustador e quase incompreensível como os brasileiros que pedem a volta dos militares. Se isso não é cegueira e ignorância, o que é?

O sucesso no pleito de ontem da coligação de direita (que chamam de centro-direita por pura cautela de imagem, pois de centro não tem nada) encabeçada por Berlusconi é mais um capítulo da felliniana história política do país.

Excepcionalmente confirmando as pesquisas (elas são uma peça de comédia na Itália), o 5 Estrelas foi o partido mais votado individualmente mas a coligação de ‘centro-direita’ levou a melhor (inclusive com a Liga do extremista Matteo Salvini ultrapassando a Força Italia de Berlusconi), ou seja, os italianos votaram em peso num partido ‘alternativo’, criado por um comediante, e também num Bolsonaro.

Complexo, não?

Claro que tudo na Itália é muito confuso e o sistema eleitoral, que é uma mistura de majoritário com proporcional, não seria diferente.

O que nos leva a crer que sejam chamadas novas eleições ou que a ingovernabilidade do país se manterá (a piada mais comum e antiga sobre política na bota é que “governar a Italia não é uma tarefa difícil, é impossível”).

Ao que tudo indica, o discurso xenófobo contra a recepção e promessa de expulsão de refugiados funcionou a contento. Italianos, tal qual brasileiros, adoram culpar os gastos sociais e programas humanitários.

Passei boa parte do ano de 2015 no país, em pesquisa para escrever um livro.

Em conversas tantas, ouvi vários depoimentos de críticos ao desembarque de refugiados, da concorrência de migrantes por empregos, da assistência que o governo de Matteo Renzi estava prestando ‘àquela gente’.

Era só dar mais um pouco de motivação aos interlocutores para acabar descobrindo que muitos recebiam algum tipo de benefício do qual não abririam mão em hipótese alguma.

Por uma unha encravada o cidadão estava aposentado por invalidez. Novo e forte como um touro, vivia às custas do Estado mas queria mesmo era que a Marinha afundasse os botes vindos da Africa.

No entanto, caso o bote aporte, aquelas ‘pessoas de bem’ não pestanejam em contratar os infelizes sobreviventes por um salário inferior ao mínimo e sem registro. O leitor vê algum paralelo com o Brasil?

Um dos povos mais corruptos existentes, berço da máfia, obviamente que os italianos embarcam fácil no discurso anti-corrupção de políticos. É a hipocrisia em seu grau mais elevado.

Mas aquele seu cunhado não quer saber disso. Acha que a culpa é do PT.

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