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13 Aug 13:10

Unirio, UFTM, UFGD, UFRB e UFVJM tiveram eleições internas desrespeitadas

by rosesilva

O governo federal acaba de nomear o reitor da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e escolheu não respeitar a eleição interna da instituição, que havia dado como vencedor o atual reitor Gilciano Saraiva Nogueira. Em seu lugar, foi nomeado o t ler mais

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12 Aug 18:23

Huawei já vende na China mais que a Apple no mundo

A Huawei não teve uma vida fácil nos últimos meses, mas isso não a impediu de ganhar ainda mais espaço no mercado de smartphones
12 Aug 14:08

Orwell, Kafka & Cia

by Unknown

Um amigo meu, estrangeiro, funcionário superior de uma organização internacional, notou que o seu passaporte era regularmente retido, nos controlos de fronteira, um pouco mais de tempo do que seria razoável. De início, achou estranho mas não se importou excessivamente. Porém, quando essa espera afetava as filas onde se colocava, levando a movimentos de impaciência dos restantes utentes, começou a ficar irritado e, simultaneamente, preocupado. Das vezes em que inquiriu dos controladores dos passaportes sobre a razão da demora, recebeu respostas vagas e nada esclarecedoras.

Um dia, à chegada aos EUA com a mulher, a situação tornou-se caricata: foi mandado esperar isolado numa sala, foi sujeito a um interrogatório estranho e só foi libertado ao final de mais de uma hora de conversa.

Viajar pelo mundo estava, assim, a tornar-se um pequeno pesadelo. O meu amigo lembrou-se então que tinha um conhecimento nos serviços de “intelligence” do seu país. Procurou-o e explicou o seu embaraço. O homem ficou de estudar o assunto. Semanas depois, conversaram.

E foi então que esse meu amigo ficou a saber o que se passava, ou melhor, recebeu disso algumas ideias. Aparentemente, ele havia estado, por mais de uma vez, no lugar errado no momento errado ou, se tal não acontecera, havia indícios de tal poder ter acontecido. Não podendo ser mais específico, o contacto desse meu amigo deu alguns exemplos: uma foto de multidão, numa manifestação violenta por ocasião de uma reunião do G8, trazia uma cara que podia ser a sua; ele havia pernoitado num determinado hotel, na véspera de uma bomba ter explodido nessa cidade; por duas vezes, viajara num avião que também levava pessoas sobre as quais recaíam fortes suspeitas de ligações radicais, eventualmente de apoio ao terrorismo; etc, etc. Tratava-se de cerca de uma dezena de “infelizes coincidências”.

O meu amigo estava siderado! Todas essas circunstâncias eram facilmente “desconstruíveis”, desde a primeira, em que provaria, com facilidade, que estava noutro lugar, até às restantes, em que as suas deslocações haviam sido feitas por decisões e motivos oficiais a que era alheio. Ao mesmo tempo, sentiu-se aliviado. Tudo era esclarecível. Com quem poderia falar para explicar cada um dos factos, com vista a anular as suspeitas?

O seu conhecido das “secretas” desiludiu-o: não podia falar com ninguém, não havia interlocutor algum com quem ele pudesse discutir o circunstancialismo que lhe afetava a imagem, nem sequer estava autorizado a utilizar publicamente a informação agora recebida. Os dados a seu respeito provinham de “serviços de informação” variados, estavam já cruzados numa rede comum, acessível a muita gente, embora grande parte dos utilizadores apenas tivesse, como nota relevante, a noção de que havia “algo de errado” em torno da pessoa em causa. Não era suspeito de nada, não era acusado de nada, pelo que não havia nada a fazer. Ou melhor: apenas havia que esperar que novos dados “comprometedores” não aparecessem, que pudessem “agravar” a sua situação.

Não tenho falado com esse meu amigo, agora já reformado. Qualquer dia pergunto-lhe se tem tido mais problemas.

09 Aug 13:19

Imprensa apoia 'racionalidade econômica' contra trabalhador, mas chia quando a atinge

by Antonio Mello
BOLSONARO RELÓGIO QUEBRADO

Bolsonaro acaba com obrigatoriedade de publicação de balancetes em jornais impressos


O presidente (eleito mediante fraude) Jair Bolsonaro publicou ontem uma Medida Provisória acabando com a obrigatoriedade das empresas de capital aberto publicarem seu balancetes em jornais impressos.

Os balancetes ocupam páginas e páginas de jornais, são uma grande fonte de recursos para os órgãos de imprensa, mas representam um alto custo para as empresas.

Agora, com o fim dessa obrigatoriedade, Bolsonaro disse que as empresas poderão publicar seus balancetes online e gratuitamente na CVM e no Diário Oficial.

A mídia chora, mas não explica por que a obrigatoriedade da publicação em papel deveria ser mantida, se representa custos para as empresas (ué, não são a favor da racionalidade econômica?) e não atrapalha em nada a transparência, já que a publicação dos balancetes continua obrigatória, só que agora online e sem custos.

Chegam a alegar que a publicação em papel nem agrediria a natureza, já que o papel da imprensa seria todo de reflorestamento... rsrsrs...

Na hora de demitir jornalistas em nome da racionalidade econômica, de retirar direitos dos trabalhadores, mexer nas aposentadorias, tudo bem, mas quando é para cortar uma mordomia injustificável em tempos de internet, a imprensa chora.

Lamentável.

Por motivo reprovável (aliás, o que não é reprovável nele?), Bolsonaro, como um relógio quebrado, deu a hora certa uma vez acabando com essa obrigatoriedade injustificável.

Mesmo que seu objetivo não fosse racionalidade (desde quando ele tem isso?), mas apenas retaliar a imprensa que ele diz que o persegue.




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08 Aug 19:13

Líder o PT quer comissão para investigar escândalo dos Bolsonaro em Itaipu

by admin
Foto: International Hydropower Association

Diante das denúncias de irregularidades “gravíssimas” ocorridas na renegociação do acordo entre Brasil e Paraguai acerca da comercialização de energia gerada pela usina de Itaipu, o líder da Bancada do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), apresentou requerimento solicitando a instalação de Comissão Externa destinada a acompanhar no Paraguai, a investigação do ocorrido, com o objetivo de avaliar possíveis medidas e evitar prejuízos à soberania dos dois países envolvidos.

A suspeita é de que por trás do sigilo da negociação – cujo conteúdo foi revelado semana passada pela imprensa paraguaia – haveria o interesse de favorecer a empresa Léros Comercializadora, de São Paulo, que seria ligada à família de Bolsonaro. “As denúncias são graves e o teor das mensagens e depoimentos divulgados, envolvendo o governo e empresas brasileiras cumpre ao Parlamento brasileiro acompanhar e contribuir com as investigações”, defendeu Paulo Pimenta.

Segundo jornais paraguaios, houve pressão de lobistas da empresa brasileira para que se retirasse do acordo cláusula que possibilitaria que a empresa estatal paraguaia ANDE (Administración Nacional de Eletricidad) pudesse comercializar o excedente de energia no mercado livre de energia do Brasil.

Em mensagens divulgadas pela imprensa paraguaia, o advogado González informou que o grupo Léros é ligado à família do presidente Jair Bolsonaro. Disse também que em uma reunião de negociação, em Ciudad del Este, estava Alexandre Giordano, suplente do senador de Major Olímpio (PSL-SP). Giordano fez as negociações em nome da Léros.

Acordo anulado

O acordo foi assinado dia 24 de maio, mas foi anulado dia 1º de agosto, unilateralmente, pelo governo paraguaio, depois que seu conteúdo foi revelado pela imprensa do país vizinho. Ainda há ameaça de impeachment do presidente Mario Abdo Benítez por causa da negociata lesiva ao país e dos favorecimentos à empresa que seria ligada à família Bolsonaro. Pelo acordo, o Paraguai pagaria US$ 200 milhões a mais pela energia que consome de Itaipu e ainda abriria mão de comercializar o excedente que lhe cabe no mercado livre de energia brasileiro. O Paraguai consome só 15% da energia produzida por Itaipu, vendendo o restante não utilizado para o Brasil.

O deputado Zeca Dirceu (PT-PR), representante do Brasil no Parlasul, também defendeu a instalação da Comissão Externa em plenário nesta quarta-feira (7). “É um escândalo sem precedentes na história da Itaipu Binacional. Nossa proposta é a de que a comissão seja criada para acompanhar o caso. A Câmara dos Deputados, segundo o deputado, não pode fechar os olhos para o que ocorreu nessa negociação às escondidas. “E está claro que havia um interesse único: beneficiar uma empresa brasileira. E as denúncias a colocam como relacionada à família do presidente Bolsonaro e a integrantes do PSL”, reforçou.

Ação na PGR

A Bancada do PT também protocolou na Procuradoria-Geral da República (PGR), na terça-feira (6), representação contra o presidente Jair Bolsonaro, o chanceler Ernesto Araújo e o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, general Joaquim Silva e Luna.  A petição, assinada pelo líder Paulo Pimenta, pela presidenta nacional do partido, deputada Gleisi Hoffmann (PR), por Zeca Dirceu e outros 21 parlamentares petistas, requer a apuração da responsabilidade administrativa, civil e penal dos três representados, além da investigação da empresa Léros.

Do PT na Câmara

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08 Aug 17:28

Decreto obriga PM à informar ações de reintegração de posse à governadora e protege movimentos sociais no RN

by Rafael Duarte

Toda e qualquer ação de reintegração de posse realizada pela Polícia Militar no Rio Grande do Norte, a partir desta quinta-feira (8), terá que ser previamente informada à governadora do Estado e também ao secretário de Segurança Pública. É o que diz em linhas gerais o decreto publicado hoje pela governadora Fátima Bezerra (PT), que estabelece regras para ações de despejo coletivos, como a que ocorreu na quarta-feira (7), numa área rural de São Gonçalo do Amarante.

Na ocasião, aproximadamente 330 pessoas foram expulsas pela Polícia Militar de um acampamento do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra armado num terreno que pertence a Datanorte (órgão estadual) mesmo havendo um acordo firmado e em vigência entre o Governo do Estado e a direção do MST. A PM cumpriu uma ordem judicial assinada pelo pelo juiz da 1ª Vara da Comarca de São Gonçalo do Amarante Odinei Wilson Draeger, a pedido do Ministério Público Estadual. A alegação era de que o terreno estava localizado numa área de preservação ambiental.

O decreto é uma resposta contundente do Governo às ações arbitrárias realizadas nos últimos meses por setores da Polícia Militar contra ativistas e trabalhadores rurais do MST.

O documento também determina que as ações de reintegração de posse coletiva deverão seguir o Manual de Diretrizes Nacionais para Execução de Mandados Judiciais de Manutenção e Reintegração de Posse Coletiva e a Resolução nº 10, de 17 de outubro de 2018, do Conselho Nacional dos Direitos Humanos.

A PM deverá informar à governadora a data prevista para a operação, a estrutura policial a ser empregada, cópia da ordem judicial de reintegração de posse, informações acerca da quantidade aproximada de ocupantes, características da área a ser reintegrada e data aproximada do início da ocupação.

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08 Aug 17:01

Vazajato confirma o que Tribunal Popular da Lava Jato denunciou em 2017; veja a defesa da “cliente”

by Conceição Lemes

Coube a Antonio de Almeida Castro, Kakay

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08 Aug 14:36

Mais de 70 parlamentares de 12 partidos foram a Toffoli denunciar a perseguição a Lula; veja como foi a reunião

by Conceição Lemes
07 Aug 14:35

Witzel tenta censurar debate sobre PM

by admin
Foto: José Cruz/Agência Brasil

A censura acabou, mas esqueceram de avisar ao governador do Rio. Wilson Witzel está em campanha para melar um debate com o antropólogo Luiz Eduardo Soares. Motivo: não concorda com a tese de seu novo livro.

Como o título indica, “Desmilitarizar” (Boitempo, 296 págs.) empunha a bandeira da desmilitarização da polícia. É uma proposta ousada, que o autor defende com dados e argumentos. Duas armas fora de moda, como indica a reação furibunda do governador.

Soares foi convidado a expor suas ideias no próximo dia 13, na Procuradoria-Geral da República. Em áudio enviado a grupos de PMs, Witzel ataca o evento e ameaça os procuradores envolvidos. “Devem ser severamente advertidos e punidos”, afirma.

O ex-juiz descreve o debate como “desvio de finalidade”. Parece não ter lido a Constituição, que cita o controle externo da atividade policial como atribuição do MP. Ele ainda acusa os procuradores de promoverem “atividade político-partidária”, como se as ideias fossem propriedade de partidos políticos.

Nem a geografia conteve o arroubo autoritário de Witzel. A sede da PGR fica em Brasília, a 1.181 quilômetros do Palácio Guanabara. O governador não se contenta em posar de uniforme do Bope. Também quer dar um “tiro na cabecinha” da liberdade de expressão.

O movimento pró-censura já tem adeptos. O senador Major Olímpio, líder do PSL, prometeu “providências” para cancelar o evento. Ele conclamou comandantes das PMs a recolherem os agentes que fazem segurança para o Ministério Público. “Vamos tirar tudo”, ameaçou.

A campanha contra o debate surpreendeu o subprocurador-geral Domingos Dresch, que participará da mesa. Ele afirma que o evento está mantido. “O modelo de polícia é um assunto que interessa a toda a sociedade. Por que não poderíamos discuti-lo?”, questiona.

Há 19 anos, Soares entrou na mira de aliados de Witzel ao denunciar a “banda podre” da PM do Rio. Agora ele se diz preocupado com um “ensaio geral para a volta da censura”. “Entendo que o governador seja contrário à minha proposta, mas tentar impedir o debate é uma aberração”, critica.

De O Globo

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07 Aug 14:30

Justiça ignora acordo e expulsa MST de acampamento no RN

by Rafael Duarte

A Justiça do Rio Grande do Norte ignorou um acordo firmado em 2018 entre o Governo do Estado e o MST para que aproximadamente 330 pessoas montassem acampamento numa área rural de São Gonçalo do Amarante e determinou a desapropriação do terreno que pertence ao próprio Estado.

A ordem foi cumprida pela Polícia Militar na manhã desta quarta-feira (7) sem aviso prévio. A maioria dos desabrigados não tem para onde ir. Os deputados estaduais Sandro Pimentel (PSOL) e Isolda Dantas (PT) acompanham as negociações no local entre a polícia e dirigentes dos Sem Terra.

O mandado de desocupação foi expedido pelo juiz da 1ª Vara da Comarca de São Gonçalo do Amarante Odinei Wilson Draeger a pedido do Ministério Público Estadual, sob alegação de que o terreno ocupado está localizado numa área de proteção ambiental. O magistrado determinou “a retirada de todos os barracos e a demolição de quaisquer construções realizadas, às custas dos réus”.

No documento, o juiz chama o terreno de “Parque Natural Municipal das Nascentes do Rio Golandim”, mas não há nenhum parque no local, apenas a intenção de construí-lo.

Polícia Militar não respeitou pertences dos acampados e derrubou todos os barracos sem aviso prévio (foto: João Victor Leal)

A interferência judicial é ainda mais grave neste caso porque o Governo do Estado criou em junho de 2019 um comitê de conflitos para estabelecer critérios de atuação da Polícia Militar em casos de desapropriações de terrenos envolvendo movimentos sociais. No entanto, a ação da PM desta quarta-feira não chegou a ser levada para o comitê.

O acordo entre o Governo e o MST para a ocupação do terreno pelas famílias foi firmado ainda na gestão Robinson Faria (PSD) e ratificado pela governadora Fátima Bezerra (PT). O assentamento foi batizado de comuna Marisa Letícia em homenagem à ex-primeira-dama e esposa do ex-presidente Lula. A Datanorte, órgão estadual onde está registrado o terreno, chegou a realizar um cadastramento das famílias na segunda-feira (5).

Os acampados reclamaram da forma como a ação da polícia militar aconteceu e também da agressão cometida por uma assistente social de São Gonçalo para quem, segundo ela, militantes do MST “não tem dignidade”.

Aproximadamente 330 pessoas moravam na comuna Maria Letícia (foto: João Victor Leal)

Dirigente do MST, Aciole Barbosa classificou como “perseguição” a ordem judicial e cobrou o cumprimento do acordo firmado entre o Governo e o movimento:

– Essa era uma área de transição, ninguém aqui queria construir casa. Fizemos um acordo com o Governo para que essas famílias ficassem aqui enquanto não fosse decidido para onde iriam. A Datanorte veio aqui ontem (terça-feira) fazer um mapeamento dos acampados. É um descumprimento do acordo, foi criado um comitê de conflitos agrários, mas essa decisão não passou pelo comitê. Mas a própria governadora fez um apelo a Datanorte para que as famílias ficassem no terreno enquanto a situação não fosse resolvida. O que houve aqui foi perseguição e agora vai ser uma avalanche política em São Gonçalo do Amarante”, disse.

A Datanorte já disponibilizou um novo terreno próximo ao hospital Maria Alice Fernandes, na Zona Norte de Natal, para acomodar as 140 famílias desabrigadas pela Justiça e pela Polícia Militar.

 

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07 Aug 14:25

Defesa de Lula critica transferência do ex-presidente antes de julgamento no STF

by Da Redação

A defesa do ex-presidente Lula divulgou uma nota nesta quarta-feira (7) criticando a decisão judicial que determinou a transferência do petista para São Paulo, a pedido da superintendência da Polícia Federal de Curitiba. O advogado Cristiano Zanin afirmou que havia pedido a suspensão da transferência até o julgamento final do habeas corpus ajuizado pela defesa do ex-presidente com o objetivo de reconhecer a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro para julgar o caso.

Além de negar a suspensão da mudança de endereço, a juíza também negou pedido para que Lula, caso fosse transferido para São Paulo, ficasse num ambiente compatível com a sala de estado maior, como a de Curitiba.

Justiça determina transferência de Lula para São Paulo

Leia nota na íntegra:

Em manifestação protocolada em 08/07/2019 nos autos do Incidente de Transferência nº 5016515-95.2018.4.04.7000, em trâmite perante a 12ª. Vara Federal de Curitiba, pedimos a suspensão da análise do pedido da Superintendência da Polícia Federal até o julgamento final do habeas corpus nº 164.493/PR, em trâmite perante o Supremo Tribunal Federal.

Conforme definido no último dia 25/06, a 2ª. Turma do Supremo Tribunal Federal deverá retomar em breve o julgamento do mérito do habeas corpus que apresentamos com o objetivo de reconhecer a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e a consequente nulidade de todo o processo e o restabelecimento da liberdade plena de Lula.

Em caráter subsidiário, requeremos naquela mesma petição de 08/07/2019 que na hipótese de ser acolhido o pedido formulado pela Superintendência da Policia Federal de Curitiba, fossem requisitadas informações de estabelecimentos compatíveis com Sala de Estado Maior, com a oportunidade de prévia manifestação da Defesa.

No entanto, a decisão proferida hoje (07/08) pela 12.a Vara Federal de Curitiba negou os pedidos formulados pela Defesa e, contrariando precedentes já observados em relação a outro ex-presidente da República (TRF2, Agravo Interno no Habeas Corpus nº 0001249-27.2019.04.02.0000) negou ao ex-presidente Lula o direito a Sala de Estado Maior e determinou sua transferência para estabelecimento a ser definido em São Paulo.

A Defesa tomará todas as medidas necessárias com o objetivo de restabelecer a liberdade plena do ex-Presidente Lula e se assegurar os direitos que lhe são assegurados pela lei e pela Constituição Federal.

Cristiano Zanin Martin

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07 Aug 13:34

Professores e alunos enfrentam desmanche de curso na UnP

by Carlos Santos

Mais de 80% dos professores do curso de Medicina da Universidade Potiguar  (UnP), em Natal, decidiram paralisar atividades práticas e teóricas nos próximos dias 8 e 9, respectivamente quinta e sexta-feira. E podem recrudescer mais essa postura de protesto.

Instituição criada em 1981 faz parte de grupo internacional e vive hoje momentos desgastantes (Foto: Alex Fernandes)

Revoltam-se contra a política de enxugamento de custeio da universidade, que provoca demissão continuada de docentes e diminuição de quase um terço das horas-aulas do curso.

Paralelamente, o escritório mossoroense Araújo, Soares, Barreto e Abreu (ASBA), tendo à frente o advogado Marcos Araújo, ingressou com ação judicial em nome de vários estudantes. Cobra tutela provisória de urgência, assinalando na petição que mais de “duas mil horas-aulas” foram suprimidas da grade curricular.

Na mesma demanda sob o número 0833339-5320192.20.5001, que corre na 9ª Vara Cível da Comarca do Natal com o juiz Cleófas Coelho de Araújo Júnior,  Araújo destaca que a UnP deve buscar a excelência na qualificação dos futuros profissionais. Sustenta ainda em seu arrazoado, que essa meta não pode ser obtida com demissão em massa de docentes qualificados e redução de conteúdo prático-teórico, bem como o cancelamento de estágios.

Professores, alunos e mensalidade

A UnP cobra mensalidade cevada de R$ 7.463,73 de cada acadêmico desse curso. Atualmente, são cerca de 1.200 alunos em atividades na universidade, sendo 100 por período.

Nesta terça-feira (6), o Centro Acadêmico de Medicina (CAMED), que arrima a organização estudantil, convocou reunião “em caráter de urgência” para essa quarta-feira (7), às 18h, em sala ainda a ser definida. Tratará de posição solidária ao professorado e outras questões relacionados ao desmanche do curso.

“O fato é que estamos vivendo uma onda de terrorismo: demissões e mais demissões injustificadas, sendo realizadas sem nenhum respeito a nós professores”, bradou o médico e professor Francisco Edilson Leite Pinto Júnior.

História

A UnP é uma instituição privada sob controle da Sociedade Potiguar de Educação e Cultura LTDA (APEC). Foi fundada em 1981, sob a denominação de Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas (UNIPEC) e em 1996 ganhou o status de universidade. Em 2007 passou à incorporação e gestão do Laureate International Universities, maior rede de instituições de terceiro grau do mundo.

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07 Aug 13:22

Escândalo no Paraguai sobre venda de energia de Itaipu envolve governo Bolsonaro

by Pedro Torres

Uma crise no Governo do Paraguai que pode culminar no impeachment do presidente Abdo Benítez e do vice-presidente Hugo Velázquez. A denúncia volta a ganhar força após divulgação de conversas que mostram um assessor do vice-presidente pressionando para atender aos interesses da empresa brasileira Leros que, por sua vez, tem ligações com o PSL, partido de Jair Bolsonaro.

Segundo o portal ABC Color, o advogado José Rodríguez González, assessor jurídico do vice-presidente Hugo Velazquez, afirmou que “em todas as conversações que tivemos com esse grupo empresarial brasileiro, a primeira coisa que fizeram é dizer que têm o apoio do alto comando brasileiro para conseguir as autorizações de importação de energia”.

Após revelações das conversas, deputados paraguaios do Partido Pátria Querida (PPQ) protocolaram pedido de julgamento político do vice-presidente do país, Hugo Velázquez, sob acusação de tentar beneficiar uma empresa brasileira ligada a Bolsonaro num acordo entre os dois países envolvendo a venda de excedente de energia da hidrelétrica Itaipu Binacional.

Nesta terça-feira (6), o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) deve apresentar pedido de impeachment do presidente Mario Abdo Benítez, envolvendo o vice e o ministro da Fazenda, Benigno López. O caso, que está sendo tratado como escândalo, foi denunciado pelo portal ABC Color .

Escândalo envolve o governo de Jair Bolsonaro

A divulgação mensagens trocadas entre o advogado José Rodríguez González voltou a incendiar escândalo. José dizia falar em nome do vice-presidente. Outro envolvido é o então presidente da Administración Nacional de Electricidad (Ande), estatal elétrica paraguaia. Alexandre Luiz Giordano, lobista do PSL que se apresentava em nome da família Bolsonaro, também participou das negociações.

Nessas conversas, Rodríguez tentava intermediar uma reunião entre o presidente da estatal e representantes da empresa brasileira Leros, interessada na compra de energia paraguaia.

Atuaria em nome da Leros o empresário Alexandre Luiz Giordano, que é suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP) e, segundo Rodríguez, falaria em nome da “família presidencial do país vizinho”, em referência ao presidente Jair Bolsonaro.

Acordo de venda foi cancelado pelo Paraguai

Pelo acordo, firmado em 24 de maio pelos dois países, e cancelado pelo Paraguai na semana passada, o país vizinho pagaria US$ 50 milhões adicionais por ano, até 2023, pela energia produzida em Itaipu.

Outro ponto de discórdia foi a retirada do texto do acordo de critérios para a venda do excedente de energia produzida pelo Paraguai a empresas brasileiras interessadas.

Em vez de realizarem uma concorrência internacional, uma cota de 300 Megawatts seria repassada com exclusividade à Leros, que faria a venda ao mercado brasileiro.

Embaixador Paraguaio foi convocado pelo Governo de Bolsonaro

Segundo os relatos, o governo brasileiro teria exercido pressão para que os termos fossem cumpridos, convocando o embaixador paraguaio ao Itamaraty para entregá-lo um “aide-mémoire”, que mostrava o “mal-estar do governo brasileiro” com o fato de o Paraguai “não cumprir os compromissos assumidos na ata de 24 de maio (acordo que previa a compra de energia mais cara do que o habitual da Usina de Itaipu pelo Paraguai”.

As mensagens, que vão de março a junho, mostram como o presidente paraguaio teria pressa para fechar um acordo, fundamental para “movimentar a economia” de seu país e ignorando as preocupações de Ferreira de que os termos fossem prejudiciais a Assunção.

Um dos recados, datado de 23 de junho, dá a entender que Abdo estaria ciente das negociações com a empresa brasileira Léros, supostamente realizadas sob a tutela do vice-presidente Hugo Velázquez.

‘Tudo isso tem que ser verificado pelo Ministério Público do Brasil’

Para o jornalista e analista político Amauri Chamorro, trata-se de uma “trama complicadíssima”, “de extrema gravidade”, pois, caso os fatos se confirmem, revelaria que o vice-presidente estaria atuando, por meio do advogado Rodríguez, contra a própria soberania do seu país.

Ele também cobra que as autoridades brasileiras e a imprensa nacional investiguem os interesses da Leros na negociação do acordo.

“O vice-presidente estaria se subordinando absolutamente aos interesses de uma empresa privada brasileira, que por sua vez tem ligações com o PSL, a partir de um intermediador que se apresenta como representante da família Bolsonaro. Tudo isso tem que ser verificado pelo MP do Brasil para identificar como ocorreu esse processo de pressão e negociação com o vice-presidente paraguaio, burlando a parte técnica do acordo”, afirmou Chamorro em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, para o Jornal Brasil Atual.

Resistente em beneficiar a empresa brasileira, o presidente da Ande pediu demissão. O suposto advogado José Rodríguez González prestou depoimento à Procuradoria do Paraguai confirmando ter atuado em benefício da Leros, porém, alegou ter mentido ao dizer que falava em nome do vice-presidente, assumindo toda a culpa pelo ocorrido.

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07 Aug 13:21

Editorial: Quem quer calar a voz do samba de rua ?

by Da Redação

A prefeitura de Natal notificou nesta semana o grupo “Batuque de um Povo” por poluição sonora e a já tradicional roda de samba realizada em frente ao bar de Nazaré, nas adjacências do Beco da Lama, está suspensa.

A decisão foi tomada pelos artistas em razão da multa que poderia ser cobrada em caso de descumprimento da ordem. Todos são músicos oriundos da periferia da cidade e têm no samba uma forma digna de completar a renda da família.

Essa não é a primeira vez que a secretaria municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Semurb) aciona o grupo. O curioso é que desde que nasceu, a roda de samba respeita, mesmo a contragosto do público, o limite do horário das 22h, exatamente para não perturbar o sono da vizinhança.

A festa realizada religiosamente às quintas-feiras na rua coronel Cascudo é atualmente uma das mais duradoura manifestações populares de Natal. Há quase 15 anos, um grupo de amigos decidiu se apresentar de graça e no meio da rua para uma plateia que inclui mulheres e homens trabalhadores, estudantes, aposentados, desempregados, ambulantes, boêmios, playboys, hippies, moradores de rua, mortadelas e coxinhas.

É a mais plural das festas urbanas periódicas da capital, realizadas no peito, na raça e sob as bênçãos da imagem do São Jorge acomodado sobre a mesa. A contrapartida dos músicos, além da alegria do povo, é tão somente o que o público deposita no chapéu que roda aquele trecho da via pública.

A suspensão do samba pelo “Batuque de um Povo” ganha contornos ainda mais humilhantes para a cidade. É que há uma semana quem circulou pela festa entre sorrisos e apertos de mão foi o prefeito da cidade Álvaro Dias, que tentará a reeleição em 2020, ao lado do secretário municipal de Cultura Dácio Galvão. Era a estreia do clip de um dos sambas do grupo anfitrião, produzido pelo projeto Som Sem Plugs.

A presença da dupla Álvaro/Dácio na roda de samba uma semana antes torna ainda mais inacreditável a notificação dos artistas pela Semurb. Das duas uma: ou foi engano de algum servidor público desinformado ou os níveis de cinismo dos gestores públicos de Natal ultrapassaram todos os limites. Natal não merece acreditar na segunda opção.

Até outro dia, a propaganda da prefeitura de Natal na televisão falava da revitalização do Beco da Lama. Artistas foram convocados para grafitar as paredes do espaço público, que ganhou novas cores, iluminação e vida.

Ao mesmo tempo, um edital recente lançado pela secretaria municipal de Cultura contemplou com apoio financeiro 23 projetos musicais para se apresentar no Centro Histórico, mas excluiu todos os grupos que atuam com choro e samba naquela região da cidade, entre eles “Encontro de sambas e choros com Debinha Ramos”, “Samba que te Quero samba”, “Choro do Caçuá” e “Batuque de um Povo”.

Nunca é demais lembrar que para pagar os cachês vultuosos às duplas sertanejas e bandas de forró que se apresentaram no São João realizado em junho, em Natal, o prefeito Álvaro Dias autorizou por decreto o remanejamento da verba do projeto de urbanização da comunidade do Maruim, periferia da Zona Leste de Natal.

A atual administração municipal pagou só de cachês para artistas nacionais que se apresentaram no carnaval e no São João de 2019 aproximadamente R$ 2,4 milhões. Todos os extratos foram publicados no Diário Oficial do Municipal e divulgados pela agência Saiba Mais. Há artistas da cidade que aguardam os cachês referente à apresentações realizadas em janeiro.

Existe um claro projeto excludente e elitista sendo colocado em prática há vários anos pela prefeitura de Natal – em sucessivas administrações – que não tem espaço as festas populares espontâneas criadas e levadas adiante por artistas que sonham com uma cidade mais inclusiva e menos injusta.

A raiva dessa gente é que o samba se fez profecia.

Porque agoniza, mas não morre jamais.

 

 

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06 Aug 16:04

CNMP já tem data marcada para afastar Dallagnol da Lava Jato: saiba por que ele está no banco dos réus. Por Joaquim de Carvalho

by Joaquim de Carvalho
Deltan Dallagnol

Dois processos administrativos contra Deltan Dallagnol estão na pauta da próxima sessão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), marcada para a próxima terça-feira, e é nessa ações que pode ser determinado o afastamento de Deltan Dallagnol da Lava Jato e, o que é mais provável, de suas funções no Ministério Público Federal.

O afastamento está previsto em dois artigos do Regimento Interno do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o 77 e o 88.

O primeiro caso que gerou a proposta de instauração de processo administrativo disciplinar é de agosto do ano passado, quando, em entrevista à rádio CBN, Deltan Dallagnol atacou três ministros do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski.

Deltan estava sendo entrevistado sobre a decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal de remeter para a justiça eleitoral e para a justiça federal em Brasília a delação premiada da Odebrecht que citava o ex-presidente Lula e o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega. Era um caso sem nenhuma relação com a Petrobras e, portanto, sem conexão com a Petrobras, que justificaria a permanência da investigação em Curitiba.

“O Supremo não está olhando para essa figura que está diante de nós”, disse Dallagnol, em entrevista a Milton Jung, apresentador da rádio CBN.

“O Supremo está olhando para a figura que estava diante dele um ano atrás. Não afeta nossa competência, vai continuar aqui. Agora o que é triste ver, Milton, é o fato de que o Supremo, mesmo já conhecendo o sistema e lembrar que a decisão foi 3 a 1. Os três mesmos de sempre do Supremo Tribunal Federal que tiram tudo de Curitiba e mandam tudo para a Justiça Eleitoral e que dão sempre os habeas corpus, que estão sempre se tornando uma panelinha assim… que mandam uma mensagem muito forte de leniência a favor da corrupção.”

Deltan Dallagnol, como se soube a partir da revelação de suas conversas secretas pelo Telegram, nunca se preocupou com a corrupção, mas com a manutenção em seu poder de casos que pudessem gerar visibilidade e networking, condições que favorecem seu projeto de enriquecer através de palestras remuneradas.

Em uma conversa com sua esposa, pouco depois dessa entrevista que concedeu à CBN, Deltan Dallagnol disse qual era seu plano.

“Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade”, afirmou.

“Se tudo der certo nas palestras, vai entrar ainda uns 100k [R$ 100 mil] limpos até o fim do ano. Total líquido das palestras e livros daria uns 400k [R$ 400 mil]. Total de 40 aulas/palestras. Média de 10k limpo”, acrescentou.

Essa conversa faz parte de um grupo que criou para discutir a abertura de uma empresa, em que ele e o procurador Roberson Pozzobon, o Robito, seriam administradores por baixo do pano, já que a legislação proíbe membros do Ministério Público de exercer a gerência de empreendimentos empresariais.

O outro processo administrativo que poderá ser usado para afastar Deltan Dallagnol de suas funções diz respeito à campanha que fez, no início do ano, contra a candidatura do senador Renan Calheiros à presidência do Senado.

O procurador disse, através do Twitter, no dia 9 de janeiro, quando faltavam três semanas para a eleição:

“Se Renan for presidente do Senado, dificilmente veremos reforma contra corrupção aprovada. Tem contra si várias investigações por corrupção e lavagem de dinheiro. Muitos senadores podem votar nele escondido, mas não terão coragem de votar na luz do dia.”

Durante os dias que se seguiram, ele fez campanha pelo voto aberto na eleição do Senado, o que contraria o regimento interno da casa, e, na véspera da eleição, atacou Renan diretamente:

“Segundo a reportagem, os áudios de 2014 mostram intimidade entre os donos da JBS e Renan Calheiros. Colaboradores disseram que a JBS destinou a ele R$ 10 mi. Vale lembrar que há notícias de que Renan pretende disputar a pre. Do Senado amanhã”, destacou em sua conta no Twitter.

Depois da eleição de Davi Alcolumbre, adversário de Renan, Deltan Dallagnol comemorou:

“O Brasil está mudando.”

Em sua defesa, Dallagnol disse que estava apenas exercendo o direito à liberdade de expressão, argumento que foi rechaçado pelo corregedor do CNMP, Orlando Rochadel Moreira, que considerou o coordenador da força-tarefa um mau exemplo para o Ministério Público:

“O Excelentíssimo Membro Reclamado, ao fazer campanha política para a eleição da Presidência do Senado Federal, com a finalidade de descredenciar o Excelentíssimo Reclamante perante a opinião pública, compromete a imagem dos demais milhares de membros do Ministério Público, em especial no exercício da função eleitoral, conforme artigos 74, 77 e 79 da Lei Complementar nº 75/9314, que atuam de maneira imparcial para garantir a lisura das eleições ao longo de todo o Brasil, em harmonia e respeito com os demais Poderes Constituídos, na forma do artigo 2º, caput, da Constituição Federal. Isso se dá não só em razão da unidade e indivisibilidade ministerial, como também porque um ato como o praticado gera a sensação pública de que os demais integrantes do Ministério Público atuam a favor ou contra determinado político durante o exercício da atribuição eleitoral, retirando, portanto, a confiança do cidadão.”

O corregedor considerou que Dallagnol violou o princípio da dignidade do cargo:

“As publicações tratadas, portanto, revelam-se indevidas no âmbito disciplinar, já que violam a dignidade do cargo e o decoro que deve guardar o Membro em atenção ao prestígio do Ministério Público e da Justiça. Referidas publicações, embora mascaradas através do alegado exercício da liberdade de expressão, indevidamente fazem campanha política contra a candidatura do Excelentíssimo Reclamante à Presidência do Senado Federal, descredenciando-o perante a opinião pública, o que restou demonstrado diante de diversas publicações acostadas à inicial, realizadas em um mesmo contexto fático e de tempo. A violação à dignidade do cargo e ao decoro é evidente, já que o Excelentíssimo Membro Reclamado não está autorizado a fazer campanha política para eleição de cargo de outro Poder da República contra determinado candidato, em matéria alheia à sua atribuição, tampouco falar em nome de todos os Membros do Ministério Público do Brasil.”

Tanto no caso do ataque aos ministros do Supremo Tribunal Federal quanto neste em que fez campanha contra Renan Calheiros, a pena prevista é de censura, não de demissão.

Mas o afastamento temporário é um medida complementar, que pode ser proposta pelo corregedor ou por qualquer um dos demais 13 membros do Conselho Nacional do Ministério Público.

A pena de censura pode também ser agravada, dependendo do voto dos conselheiros. A abertura do processo disciplinar mais recente, de abril deste ano, foi aprovada por dez dos catorze membros do CNMP. A procuradora geral da república, Raquel Dodge, que preside o conselho, faltou nessa sessão.

Segundo nota publicada ontem na coluna Radar, da Veja, publicação que apoia a Lava Jato, já existem votos suficientes para afastar Dallagnol da força-tarefa.

A rigor, ele pode ser afastado do cargo de procurador, não só da Lava Jato.

Sem o palco da operação, o procurador perderá visibilidade e, em consequência, oportunidade para ganhar dinheiro com suas palestras.

Terá que se contentar com os salário médio de 35 mil reais que recebe por mês.

06 Aug 11:23

Foco e concentração: privilégios para poucos

by Lady Sybylla
Desde a leitura de O cérebro no mundo digital, de Maryanne Wolf, que eu venho lendo e aprendendo cada vez mais sobre os desafios da concentração no século XXI. Sei que você deve estar com problemas para focar e se concentrar, pois eu também vinha sendo afetada. Percebi que existiam motivos para isso e que eu poderia remediar, mas há também um fator que precisa ser levado em conta e que geralmente não é: foco e concentração são privilégios. E para poucos. Identificar isso já é um grande passo.

Foco e concentração: não é para qualquer um

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Leia também: Como anda a sua concentração?

Eu já estava na faculdade quando comecei a trabalhar na Fnac. Primeiro era só aos finais de semana, apenas para ajudar nos dias de maior movimento, mas depois me chamaram para trabalhar todos os dias. E eu fui, obviamente, pois precisava do dinheiro. Este foi um período tenso na faculdade, pois era o segundo ano, muita coisa para fazer, eu morava longe tanto do campus quanto do trabalho. Meus colegas colocavam meu nome na lista de presença e até em trabalhos, pois eu não prestava mais atenção em nada, nem conseguia estudar. Manter as notas altas para não perder minha bolsa foi um desafio que até hoje não sei como conseguir superar.

Como eu estudava na época? No metrô, no ônibus, isso quando não pegava no sono, já que dormia menos de 5 horas por noite. No trabalho não havia a menor condição, então eu tinha que usar qualquer tempo livre que eu tivesse para estudar e isso acontecia poucas vezes. Ler e me concentrar nas tarefas era difícil, fazer avaliações ou redigir textos, algo que sempre foi algo muito tranquilo para mim, também se tornaram um parto doloroso. Meu salário curto era a única renda da casa, eu vivia cansada, estressada, com medo de perder a bolsa e assim não conseguir me formar.

Há algo aqui muito importante, que a gente dá pouco valor e atenção. A capacidade de se concentrar e focar em uma tarefa é essencial para superar os desafios que este século apresenta no trabalho, na escola, em casa, em qualquer coisa que demande nossa atenção. É um momento que requer que a mente não pense sobre qualquer outra coisa além daquilo que precisa de seu foco total. É sobre não sofrer interferências externas, nem interrupções, nem qualquer outro fator que atrapalhe seu fluxo de pensamento.

E aqui entra o pulo do gato: a capacidade de mergulhar num fluxo de pensamento e de se concentrar é um privilégio que poucos têm acesso e um privilégio que também é econômico. Pouco se fala do efeito da pobreza na capacidade de concentração de alguém. O fato de se passar muito tempo num transporte público, as horas sem dormir porque se mora muito longe do trabalho e do estudo, alimentação inadequada, poluição do ar, falta de saneamento básico, a vizinhança que não respeita a lei do silêncio, casas abarrotadas de gente, a falta de um espaço individual, são inimigos da concentração, do foco, da atenção. A privação desde a infância afeta os cérebros das crianças, algo que será levado pela vida inteira do indivíduo.

Crianças em idade escolar que passem fome, sofram de anemia ou que tiveram uma gestação deficiente em nutrientes já começam em desvantagens de crianças que tiveram o cuidado necessário. Isso se agrava com uma vida de pobreza e privação. O cérebro é uma usina que necessita de muita energia para funcionar. Aquela criança com notas em queda na escola pode simplesmente estar desnutrida. Ou até mesmo com as roupas sujas. Uma escola de ensino fundamental no Missouri reduziu em 90% as faltas dos alunos apenas por instalar máquinas de lavar e secar na instituição. Enquanto elas estavam em aula, as roupas eram lavadas e a evasão praticamente acabou.

As circunstâncias sociais e econômicas de um indivíduo também pesam na sua capacidade de se concentrar. Quando você tem privilégios, não precisa superar esses desafios. E a diferença entre ricos e pobres, homens e mulheres, brancos e não-brancos aumenta quanto mais recortes fazemos. No caso das mulheres, por exemplo, quantas vezes uma mãe, que também é escritora, é interrompida por dia enquanto tenta trabalhar? É o marido procurando um par de meias, é a sogra ligando para saber do almoço de domingo, é o filho precisando de um livro para a escola. Não raro muitas mulheres trabalham madrugada a dentro, que é o único momento de paz, sem telefone tocando, sem berros pelo corredor.

Agora pense nos grandes homens que se dedicaram com afinco em suas áreas. Quantas mulheres (tanto esposas quanto empregadas e governantas) não estavam por trás deste fluxo de pensamento e consciência necessário para criar grandes obras imortais, impedindo os filhos de entrar no escritório do pai enquanto ele trabalhava, levando café e refeições na mesa para não interrompê-lo?

Alma Mahler-Werfel, esposa do compositor Gustav Mahler, foi proibida por ele de compor e pintar. Ela deveria se ater apenas à administração da casa e do cuidado com os filhos, cuidando ainda para manter a casa em silêncio para que ele pudesse trabalhar. Ele que ficasse com o sucesso e o reconhecimento. Em seu diário, ela escreveu:

Há uma luta dentro de mim! E um desejo miserável por alguém que pense em mim, que me ajude a me encontrar. Eu afundei até o nível de uma dona de casa!

Aumente o recorte racial e social, já que Alma era uma mulher branca e com certeza tinha criadas na casa, e a capacidade de uma mulher de exercer uma profissão ou de se concentrar em algo diminui consideravelmente. Mesmo em dias atuais, mulheres ainda são as grandes responsáveis pelo cuidado com a casa e com os filhos, ainda que trabalhem fora, seja na área que for. No caso de mulheres cientistas, quando sua produção acadêmica cai por causa da licença maternidade, isso não é levado em consideração na pontuação de uma pesquisadora.

Muita gente diz que tempo é algo gratuito. Tempo, na verdade, é privilégio. Se você tem tempo para ler um livro de uma ponta a outra sem ser incomodada, é um privilégio. Se você tem um espaço individual onde pode sentar na frente do computador com uma caneca de café e produzir sem interrupção, é um privilégio. Se você tem um espaço silencioso, agradável, comida na mesa e capacidade de se concentrar e focar em um trabalho, é um privilégio.

Maryanne Wolf diz que as telas estão minando nossa capacidade de se concentrar e focar em tarefas, inclusive em crianças sem problemas de atenção ou hiperatividade. Mas há o fator econômico e social também. Não se concentra com boletos acumulados e barriga vazia. Não se produz com interrupções diárias e a mente sobrecarregadas de funções. Não se foca em problemas que exigem um longo fluxo de pensamento se você não consegue dormir porque mora em um bairro com tiroteio todo dia.

A professora e pesquisadora Assata Richards só conseguiu se formar, fazer mestrado e doutorado e subir na carreira quando conseguiu entrar em um programa de moradia para mães solo em Houston, Texas. O apoio que teve para seu bebê foi essencial para ela pudesse se focar nos estudos e chegar o topo da carreira acadêmica, sendo hoje a diretora do Sankofa Research Institute. Quantas mulheres hoje poderiam subir na carreira e produzir se tivessem o mesmo incentivo? Sabemos a resposta.

Até mais.

Leia também:
A woman's greatest enemy? A lack of time to herself - Brigid Schulte
Focus Is a Privilege - Roxanna Asgarian
Como máquinas de lavar ajudaram a reduzir faltas em 90% em escolas dos EUA - BBC Brasil
Child Food Insecurity and Iron Deficiency Anemia in Low-Income Infants and Toddlers in the United States - Anne Skalicky et al.


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06 Aug 11:20

Brasil (1)

by Unknown

A cada dia, de conhecidos no Brasil que “venderam a alma ao diabo” e votaram Bolsonaro apenas para travar o passo ao PT, chegam-me sinais de imensa preocupação, por estarem finalmente a tomar consciência daquilo em que se meteram, com consequências dramáticas para o seu país.
06 Aug 11:18

Como se fosse uma grande tempestade

by elikatakimoto

Dentre tanta coisa bacana aqui em Natal (estou no aeroporto esperando meu vôo), fui entrevistada pelo SBT. Não sei se a entrevista foi ao ar porque falei tudo o que pensava. Em tempos em que o ministro da Educação bloqueia meu acesso a ele que sou professora há mais de 20 anos, o livre falar é uma raridade.

A repórter começou a me perguntar sobre representatividade na política já que vim para participar do Projeto Elas por Elas (uma iniciativa do PT que coloca a frase “ninguém solta a mão de ninguém” como uma lei universal). Neste momento, falei o que estamos carecas de saber: que há muito a ser feito ainda e, portanto, reforcei a importância de eventos como o Elas por Elas.

Depois, a jornalista viu a fila gigante que estava para comprar o meu livro e perguntou:

– Esse livro é sobre física. Nada tem de política nele, né?

Respirei como quem, sentado no restaurante com fome, vê o garçom chegando com a comida.

– Primeiramente, a política está em tudo. Quando não falamos sobre política, estamos agindo politicamente. Em segundo, esse livro é uma obra que faz crianças e adultos pensarem muito. Em tempos que a ciência é tão atacada, que o desmatamento é desconsiderado à luz de fotos de satélites, que as ciências humanas são desmerecidas por “serem inúteis”, um livro INFANTIL que é um convite para refletir sobre do que somos feitos e permeado de Filosofia é político sim. Ler e pensar no governo de Jair Bolsonaro é um ato subversivo.

Silêncio. Dois segundos de um eterno silêncio.

Mais do que nunca, não podemos nos calar. Além disso, devemos superar o medo de falar porque é isso que querem que façamos. É necessário que saibam e respeitem a nossa força.

A repórter agradeceu e a entrevista foi encerrada.

Se foi ao ar, não sei.

O principal foi feito dentro de mim: chovi feliz como se fosse uma grande tempestade.

05 Aug 19:19

Projeto “Future-se” é o fim da democratização das universidades, avalia reitor da UFC

by Diario do Centro do Mundo

Publicado no Brasil de Fato

‘Future-se’, novo programa do ministro Abraham Weintraub.
Foto: Reprodução

POR LU SUDRÉ

“É um programa simples que vai dar nova dinâmica para a Educação”. Com essas palavras, Jair Bolsonaro definiu o programa Future-se, anunciado em julho por seu governo em meio a uma profunda crise na área da educação devido ao corte de 30% no orçamento das universidades federais.

O projeto  prevê a criação de um fundo de cerca de R$ 102 bilhões para atrair investimentos privados nas instituições de ensino superior do país, mas causou mal-estar e preocupação dentro de setores da comunidade acadêmica.

Com a ideia central de diminuir a participação do Estado na manutenção das federais, o plano de financiamento defendido por Abraham Weintraub, ministro da Educação, permitirá que Organizações Sociais (OSs) compartilhem a gestão das universidades. O Future-se também permitirá a contratação de professores sem concurso público.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Henry Campos, reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), analisa que o projeto abre espaço para a privatização do ensino superior.

“É inadmissível conviver com uma proposta dessa em um momento em que as universidades são duramente penalizadas com cortes sucessivos em seus orçamentos, porque além dos 30% já houve cortes adicionais de custeio. A minha universidade, por exemplo, há duas semanas, foi penalizada com um corte adicional de R$1,3 milhão em custeio”, afirma Campos.

Para o professor associado da Université Paris-Descartes, a pluralidade socioeconômica das federais está em jogo. “Esse projeto significa claramente o fim da democratização das universidades, processo que nós temos tido nos últimos anos. Hoje, na nossa universidade [UFC], 60% dos alunos são oriundos de escola pública. É um mecanismo de ascensão social dos mais relevantes”, ressalta Henry.

Segundo pesquisa da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), os universitários brasileiros que ingressam o ensino superior nas instituições públicas são, em sua maioria, pessoas de baixa renda, negros e mulheres. O estudo endossa que a democratização no ensino superior de fato aconteceu nos últimos 15 anos. A inclusão de estudantes mais pobres, por exemplo, com renda familiar per capita de um salário mínimo e meio, subiu de 42,8% para 70,2% de 2003 para 2018.

Preocupado com o desmonte da bem-sucedida política de expansão universitária pública, o reitor da UFC, lança a pergunta: “Qual o patrimônio maior da sociedade brasileira que não suas universidades públicas?”.

Confira entrevista na íntegra.

Brasil de Fato: O que o Future-se representa para o ensino superior brasileiro? Qual sua análise sobre essa proposta?

Henry Campos: É uma pergunta difícil de responder com a especificidade que merece, até porque é uma proposta muito pouco clara. Muito evasiva. E que suscita, por isso mesmo, muita dúvida e muita insegurança no meio acadêmico.

Essa questão do fundo, por exemplo, não é clara. O que faz pensar que esse fundo seria constituído em parte pelo orçamento atual das universidades e outra parte pela alienação de imóveis da União, preferencialmente das universidades. Estamos em um processo que não traz segurança e, pelo contrário, assinala e sinaliza um futuro muito incerto.

É inadmissível conviver com uma proposta dessa em um momento em que as universidades são duramente penalizadas com cortes sucessivos em seus orçamentos, porque além dos 30% já houve cortes adicionais de custeio. A minha universidade, por exemplo, há duas semanas, foi penalizada com um corte adicional de R$ 1,3 milhão em custeio.

Então, como podemos debater qualquer coisa nesse sentido, ou dar algum crédito para uma proposta vinda de um governo que age dessa maneira. E que não tem mostrado, nenhuma intenção, em fazer um grande investimento na educação. Seja na superior ou na educação básica. Há muita apreensão, muita insegurança e muita insatisfação com relação a isso.

O que está sendo discutido é principalmente a questão do investimento privado nas universidades. Qual sua opinião sobre esse e outros pontos do projeto? 

Tudo aponta para uma privatização. Essa questão da universidade ser administrada por uma Organização Social (OS)… Será uma única? Será uma organização social por universidade?

Tem muita coisa que se coloca que as universidades já fazem e que precisam de condição para fazer melhor. A universidade já arrecada recursos. O problema é que quando podemos arrecadar recursos, tem um determinado limite. Depois o governo confisca porque vai pra conta única da União.

Então, nos deem liberdade e nós arrecadamos. Diminuiremos o custo das universidades para o Ministério da Educação. Vamos fazendo isso progressivamente. Não precisamos de uma proposta de Organização Social.

E nem de uma proposta completamente absurda como, por exemplo, remunerar professor por trabalho científico publicado. O que é isso? O Brasil é um dos grandes produtores de ciência no mundo: 95% das pesquisas são feitas nas universidades públicas.

Como é que se propõe abolir concurso público na universidade? Isso é sério? Qual seriedade que existe? É dar vez a privatização e todos os mecanismos que regem as entidades que se orientam pelo lucro. É muito claro que tudo está caminhando nessa direção.

Então, sua avaliação é que a proposta é danosa…

É uma proposta absurda, inaceitável. Ninguém pode ser convencido do contrário principalmente porque não se diz como isso vai ser feito. Pelo menos 16 leis teriam que ser mudadas para que isso aconteça.

Esse projeto significa claramente o fim da democratização das universidades, processo que nós temos tido nos últimos anos. Hoje, na nossa universidade [UFC], 60% dos alunos são oriundos de escola pública. É um mecanismo de ascensão social dos mais relevantes.

Uma parte, diria mais que 50% dos alunos, tem renda familiar a um salário mínimo e meio. São os primeiros de várias gerações a ter acesso à universidade. A sociedade precisa estar atenta para isso. Estamos correndo um sério risco.

Temos uma universidade diversa, plural, com grupos étnicos merecidamente contemplados por meio de cotas. Podemos perder tudo isso, nossa autonomia, nossa governança, que só faz melhorar… Nós somos controlados diariamente pelos órgãos de controle.

Possuímos uma posição muito boa com relação ao sistema de governança. Reconhecido pelos órgãos de controle. Pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pela Controladoria-Geral da União (CGU). Seja a governança de maneira geral ou da tecnologia da informação. É uma falácia dizer que as universidades são mal administradas, não é verdade.

Agora, desde 2014 estamos sofrendo restrições orçamentárias. O dinheiro só encolhe e continuamos dando continuidade ao processo que tinha sido desenhado. Realmente, é um golpe. É um duro golpe na educação superior pública.

E é interessante que tudo isso acontece de par. Ocorre em um momento em que está havendo a fusão de grandes conglomerados de educação privada que certamente estão fortalecidos. E que, obviamente, em uma situação dessa, onde as leis passam a ser outras, vão poder absorver. Vai ser lei de mercado. É realmente muito preocupante.

Tem uma previsão de que ações do Fundo poderão ser negociados na Bolsa. Como isso funcionará?

Isso é uma pura falácia. Não há nenhuma indicação de que esse fundo terá liquidez. Qual é a segurança que se vai ter de liquidez desse Fundo para dizer que ele vai ser negociado na Bolsa de ações e que será valorizado? Nenhuma.

Isso é um absurdo. Deixa as universidades jogadas a sorte e ao acaso, e a todo um jogo de interesses em que se vai manipular e certamente favorecer os interesses de grandes conglomerados da educação privada. É a destruição do sistema de unidade das universidades federais do país.

Em longo prazo, com as sinalizações que o governo Bolsonaro tem colocado para as universidades, como o senhor analisa que será o futuro das federais?

O futuro não existirá. A tendência é que as universidades morram de inanição aos poucos. Como já começam a sofrer nesse momento. Não temos a menor segurança de como chegaremos ao fim do ano.

Na minha universidade, por exemplo, teremos recursos para trabalhar até o fim de agosto. E mais nada. Quando é que vão ser liberado mais recursos? Se quer falar em futuro da universidade, tem que começar criando um momento diferente e não um em que deixa a universidade sem condições de funcionamento com esses cortes.

Outra coisa: Por que essa proposta não foi construída as claras, construídas com as universidades? Dizem que houve discussão.. Uma apresentação e um show midiático, onde tudo foi contato e pegou todo mundo de surpresa? Realmente é um absurdo. É uma tristeza, uma lástima. Espero que a universidade resista a esse projeto. Que tenhamos apoio, no Congresso, para combatê-lo porque é um absurdo.

O que significa um governo, no primeiro semestre, decidir por esse tipo de projeto? 

É muito claro que há todo um interesse, uma obsessão pela questão ideológica. As universidades como centro de pensamento livre não são de direita e nem de esquerda, por mais que se procure rotular. São centro de pensamentos livres indispensáveis para o crescimento de qualquer sociedade. Há essa preocupação em introduzir um mecanismo de controle nas universidades.

Qual a marca que o governo Bolsonaro deixa no ensino superior público ao propor esse projeto?

É uma profunda tristeza. É uma falta de respeito, as coisas sendo tratadas de uma maneira pouco respeitosa. Medidas realmente muito estranhas. É uma obsessão pela ideologia, tudo é ideológico. Isso é terrível. Está nos colocando em uma posição vergonhosa no mundo.

As posições que tem sido tomadas pelo Brasil, o descompromisso com as metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), para atingir os objetivos do milênio… Isso é muito triste.  Essa questão de querer esconder o aumento do desmatamento. Infelizmente, não é um governo do qual possamos nos orgulhar. É um governo que divide a sociedade, estimula a violência, o preconceito. É muito preocupante para as próximas gerações o país que teremos.

Lamentamos muito e esperamos que, de alguma maneira, o bom senso prevaleça, e que se faça uma análise. Há questões muito mais graves a serem tratadas e que as universidades não se recusam a discutir. Esse projeto é destruidor para as universidades. Qual o patrimônio maior da sociedade brasileira que não suas universidades públicas?

05 Aug 18:58

 O jornalismo vendido (ou como vender a reforma da previdência)

by Iano Flávio Maia

O Bradesco comprou um jornalista. O espanto tomou conta das redações, das redes sociais e das casas de família. Muitos vão ficar saudosos da cara de bom moço de Dony de Nuccio no Jornal Hoje, da Globo. Afinal, branco, bem apessoado, com um currículo exemplar na área econômica e com uma ascensão meteórica no jornalismo, Dony reunia todos os pré-requisitos para ser o rosto de confiança da dona de casa brasileira. Ele era o cara certo para fazê-las acreditar que a reforma da previdência era necessária e, mais ainda, era urgente.

Nas horas de folga do jornalismo, Dony usava seus “superpoderes” para convencer funcionários do Bradesco Vida e Seguros a vender novos produtos aos clientes do banco. Curiosamente, o vídeo que vazou e que gerou toda a polêmica era justamente sobre um novo produto: “mais uma vez a Bradesco Vida e Previdência sai na frente e lança um novo plano de Previdência Privada que traz muito mais facilidade para nossos clientes”, afirmava ele no vídeo revelado pelo blog Notícias da TV.

O rapaz faturava alto, na casa dos milhões de reais, o que sugere que o tal serviço era bem mais valioso que a simples apresentação de vídeos de treinamento para funcionários. No pedido de demissão, feito com “aperto no coração”, o jornalista deu a entender que “não sabia” que a atitude feria o código de conduta dos jornalistas da globo. A mesma “inocência” que poderá usar no caso do plano de saúde. Isso mesmo, Dony também prestou serviços de assessoria de imprensa ao plano de saúde Amil, orientando a empresa a como oferecer “sugestões” de matérias à Rede globo.

Dony também não é o único na Globo a fazer negócios com o Bradesco. Novos documentos já apontam a participação de outros jornalistas da empresa em contratos com o banco, como Renata Vasconcelos e Rodrigo Bocardi. Os valores são mais modestos (mas ainda generosos) e a Globo garante que os casos são diferentes.

A própria Globo foi mais flexível ao vender o seu jornalismo ao banco Bradesco. Basta lembrar da Caravana JN, série de reportagens patrocinada pelo banco que percorreu o país de ônibus no período pré-eleitoral de 2006, e do JN no ar, atualização da caravana, só que agora de jatinho de luxo, às vésperas das eleições de 2010. Naqueles tempos, ao menos, a Globo era mais honesta em apresentar a marca do banco durante as reportagens e nos intervalos do Jornal Nacional.

Honestidade que faltou na Cobertura de todo o debate sobre a Reforma da Previdência, solenemente comemorada por âncoras no rádio, na TV e nas manchetes da internet, quando da aprovação no Congresso no primeiro turno.

O jornalismo na mídia brasileira simplesmente ignorou ativamente todo um espectro de fontes que apontavam para cenários diferentes do apocalipse previdenciário criado na cabeça (e na conta bancária) de Paulo Guedes. Não havia espaço para fontes que questionassem os números apresentados pela equipe econômica do governo sobre o falso déficit da seguridade social brasileira, nem para críticos das falsas soluções propostas pelos banqueiros aquartelados no Ministério da Economia e no Banco Central. No jornalismo, os adjetivos eram os mesmos da campanha publicitária que enganou os brasileiros sobre a necessidade da reforma. A reforma era necessária e urgente para garantir a aposentadoria dos Brasileiros.

A operação para “comprar” coberturas jornalísticas nem precisa ser complexa ou dispendiosa (afinal, o que são R$ 7 milhões para um banco que lucrou R$ 21,5 bilhões no ano passado). Basta garantir que a “causa” esteja vinculada aos valores das elites nacionais ou planetárias. O investimento pode ser em dinheiro para os empresários ou até em comida ou presentinhos baratos para os jornalistas, o que costuma ser suficiente aqui nas terras potiguares. Depois, é só dar um jeito bem charmoso, com um design arrojado e uma linguagem leve para garantir que tudo pareça verdade, ainda que esteja afundando num profundo atoleiro de mentiras.

Pronto, está comprado o jornalismo. Está vendida a sua causa.

E assim seguimos na nossa fictícia democracia, baseada em fatos fabricados artificialmente para parecerem reais.

 

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05 Aug 14:15

Doente de Brasil (por Eliane Brum)

by Fernando Nogueira da Costa

Com o brilhantismo habitual de sua escrita Eliane Brum (El País, 02/08/19) expressa o pensado por brasileiros lúcidos: “socorro, apertem o cinto, o piloto é insano!

Reproduzo seu artigo abaixo sobre a personalidade de quem parece não estar no domínio de suas faculdades mentais e ser louco, demente, insensato, irresponsável, tresloucado. Na verdade, suas faculdades mentais são estúpidas, formadas pela doutrina implantada na Guerra Fria, durante a ditadura militar brasileira, para enxergar o mundo como um lugar de luta contra os “inimigos”. Está destruindo todos os avanços civilizatórios implantados no Brasil após o regime militar! E seus apoiadores são cúmplices neste crime lesa pátria!

“Jair Bolsonaro é um perverso. Não um louco, nomeação injusta (e preconceituosa) com os efetivamente loucos, grande parte deles incapaz de produzir mal a um outro. O presidente do Brasil é perverso, um tipo de gente que só mantém os dentes (temporariamente, pelo menos) longe de quem é do seu sangue ou de quem abana o rabo para as suas ideias. Enquanto estiver abanando o rabo – se parar, será também mastigado.

Um tipo de gente sem limites, que não se preocupa em colocar outras pessoas em risco de morte, mesmo que sejam funcionários públicos a serviço do Estado, como os fiscais do IBAMA, nem se importa em mentir descaradamente sobre os números produzidos pelas próprias instituições governamentais desde que isso lhe convenha, como tem feito com as estatísticas alarmantes do desmatamento da Amazônia.

O Brasil está nas mãos deste perverso, que reúne ao seu redor outros perversos e alguns oportunistas. Submetidos a um cotidiano dominado pela autoverdade, fenômeno que converte a verdade numa escolha pessoal, e portanto destrói a possibilidade da verdade, os brasileiros têm adoecido. Adoecimento mental, que resulta também em queda de imunidade e sintomas físicos, já que o corpo é um só.

É desta ordem os relatos que tenho recolhido nos últimos meses junto a psicanalistas e psiquiatras, e também a médicos da clínica geral, medicina interna e cardiologia, onde as pessoas desembarcam queixando-se de taquicardia, tontura e falta de ar. Um destes médicos, cardiologista, confessou-se exausto, porque mais da metade da sua clínica, atualmente, corresponde a queixas sem relação com problemas do coração, o órgão, e, sim, com ansiedade extrema e/ou depressão. Está trabalhando mais, em consultas mais longas, e inseguro sobre como lidar com algo para o qual não se sente preparado.

O fenômeno começou a ser notado nos consultórios nos últimos anos de polarização política, que dividiu famílias, destruiu amizades e corroeu as relações em todos os espaços da vida, ao mesmo tempo em que a crise econômica se agravava, o desemprego aumentava e as condições de trabalho se deterioravam. Acirrou-se enormemente a partir da campanha eleitoral baseada no incitamento à violência produzida por Jair Bolsonaro em 2018. Com um presidente que, desde janeiro, governa a partir da administração do ódio, não dá sinais de arrefecer. Pelo contrário. A percepção é de crescimento do número de pessoas que se dizem “doentes”, sem saber como buscar a cura.

Vou insistir, mais uma vez, neste espaço, que precisamos chamar as coisas pelo nome. Não apenas porque é o mais correto a fazer, mas porque essa é uma forma de resistir ao adoecimento. Não é do “jogo democrático” ter um homem como Jair Bolsonaro na presidência. Tanto como não havia “normalidade” alguma em ter Adolf Hitler no comando da Alemanha. Não dá para tratar o que vivemos como algo que pode ser apenas gerido, porque não há como gerir a perversão. Ou o que mais precisa ser feito ou dito por Bolsonaro para perceber que não há gestão possível de um perverso no poder? Bolsonaro não é “autêntico”. Bolsonaro é um mentiroso.

Podemos – e devemos – discutir como chegamos a ter um presidente que usa, como estratégia, a guerra contra todos que não são ele mesmo e o seu clã. Como chegamos a ter um presidente que mente sistematicamente sobre tudo. Podemos – e devemos discutir – como chegamos a ter um antipresidente. Assim como podemos – e devemos – perceber que a experiência brasileira está inserida num fenômeno global, que se reproduz, com particularidades próprias, em diferentes países.

Esse esforço de entendimento do processo, de interpretação dos fatos e de produção de memória é insubstituível. Mas é necessário também responder ao que está nos adoecendo agora, antes que nos mate.

Em 10 de julho, o psiquiatra Fernando Tenório escreveu um post no Facebook que viralizou e foi replicado em vários grupos de Whatsapp. Aqui, um trecho: “Acabei de atender a um homem de 45 anos, negro, sem escolaridade. Nos últimos cinco anos, viu seus colegas de setor serem demitidos um a um e ele passou a acumular as funções de todos. Disse-me que nem reclamou por medo de ser o próximo da fila. Tem sintomas de esgotamento que descambam para ansiedade. Qual o diagnóstico para isso? Brasil. Adoeceu de Brasil. Se eu tivesse algum poder iria sugerir ao DSM (o manual de transtornos mentais da psiquiatria) esse novo diagnóstico. Adoecer de Brasil é a mais prevalente das doenças. Entrei agora na Internet e vi que a reforma da previdência corre para ser aprovada sem sustos. O povo, adoecido de Brasil, permanece inerte. Vai trabalhar sem direito a aposentadoria até morrer de Brasil”.

Não há normalidade nem jogo democrático quando um perverso governa a partir da administração do ódio e da mentira

Alagoano da pequena Maribondo, Fernando Tenório fez residência e atuou na rede pública de saúde mental do Rio de Janeiro. Atualmente, mantém consultório na capital fluminense e atende trabalhadores de um sindicato do setor hoteleiro. O psiquiatra me conta, por telefone, que cresceu muito o número de pessoas que chegavam ao seu consultório com sintomas como taquicardia, desmaios na rua, sinais de esgotamento corporal, dores de cabeça frequentes, sentimentos depressivos. Eram pessoas que estavam objetiva e subjetivamente esgotadas pela precarização das condições de trabalho, como jornada excessiva, acúmulo de funções, metas impossíveis de cumprir, falta de perspectivas de mudança, insegurança extrema. Tinham um “trabalho de merda” e, ao mesmo tempo, medo de perder o “trabalho de merda”, como testemunharam acontecer com vários colegas.

O psiquiatra diz que ele mesmo se descobriu adoecido meses atrás. “Fiquei muito mal, porque me senti quase um traficante de drogas legais. Estava tratando uma crise, que é social, no indivíduo. E, de certo modo, ao dar medicamentos, estava tornando essa pessoa apta a sofrer mais, porque a jogava de volta ao trabalho.” Na sua avaliação, o adoecimento está relacionado à precarização do mundo do trabalho nos últimos anos, acentuada pela reforma trabalhista aprovada em 2017, e foi agravado com a ascensão de um governo “que declarou guerra ao seu povo”. “O Brasil hoje é tóxico”, afirma.

Após a publicação do post, Tenório sentiu ainda mais o nível da toxicidade cotidiana do país: recebeu xingamentos e ameaças. Um dos agressores lembrou que sua filha, cuja foto viu em uma rede social, um dia poderia ser estuprada. A menina é um bebê de menos de 2 anos.

“Tóxico” é palavra de uso frequente de brasileiros ao relatarem o sentimento de viver em um país onde já não conseguem respirar. Na constatação de que o governo Bolsonaro já aprovou 290 agrotóxicos em apenas sete meses, o envenenamento ganha uma outra camada. É como se os corpos fossem um objeto atacado por todos os lados. País que ultrapassou a possibilidade das metáforas, a toxicidade do Brasil abrange todas as acepções.

Cresce nos consultórios os casos de depressão provocados e alimentados pelo contexto político e social

Mas que adoecimento é este que Tenório chama de “doente de Brasil”? Um psicanalista que prefere não se identificar por temer represálias explica que aumentou muito nos consultórios os quadros depressivos provocados pelo momento vivido pelo Brasil, em que especialmente pessoas ligadas à esquerda, mas não necessariamente ao PT, sentem uma total perda de sentido e horizonte. “Para a psiquiatria, a depressão é a tristeza sem contexto. Ou seja, ela é relacionada à estrutura psíquica de cada pessoa, às fundações e alicerces construídos na infância”, explica. “O que temos vivido hoje nos consultórios é o aumento da depressão com contexto, esta que não tem a ver com a estrutura do indivíduo e que nem vai melhorar no divã. Esta em que o uso de medicamentos só vai servir para obscurecer o esclarecimento das questões. Esta que só pode ser sanada por mudanças sociais.”

O rompimento dos laços, como a divisão das famílias provocada pela polarização política, tornou as pessoas ainda mais sujeitas ao adoecimento mental e com menos ferramentas para lidar com ele. Como disse um filósofo, ninguém deixa de dormir porque está tendo uma guerra no outro lado do mundo, com exceção daqueles que vivem a guerra. Com isso, ele queria dizer que as pessoas perdiam o sono muito mais por pequenas dores e preocupações comezinhas com as quais se identificavam, como as relacionadas à família e ao mundo dos afetos, do que por enormes barbáries que ocorriam no outro lado do mundo.

O que os brasileiros testemunharam foi uma inversão: a política, que sempre foi algo do campo público, invadiu o campo privado, passando a ser um fator íntimo, um fator primeiro de identificação. Dias atrás uma amiga presenciou uma conversa em que duas garotas decidiam quais os critérios para dividir apartamento com uma outra. “Não suportaria dividir com uma petista”, disse uma delas. Essa conversa, exceto no caso de militantes mais radicais, dificilmente aconteceria anos atrás: ninguém costumava perguntar qual era a orientação política antes de dividir a casa com alguém.

A eleição, que costumava ser um acontecimento pontual, da esfera pública, tornou-se algo crucial na esfera privada. Do mesmo modo, o inverso também aconteceu. Questões íntimas, como a orientação sexual de cada um, como o que acontece na cama de cada um, passaram a ser discutidas publicamente. Esse fenômeno atingiu fortemente laços que cada um considerava incondicionais, como os familiares, laços com os quais se contava para enfrentar a dureza da vida. E acentuou ainda mais os quadros depressivos e persecutórios, aumentando ansiedade e angústia, corroendo a saúde.

O sofrimento é agravado pela constatação de que as instituições não barram a violência do governo e do governante

Uma psicanalista de São Paulo, que também prefere não se identificar, acredita que o adoecimento do Brasil de 2019 expressa a radicalização da impotência. As pessoas, hoje, não sabem como reagir à quebra do pacto civilizatório representada pela eleição de uma figura violenta como Bolsonaro, que não só prega a violência como violenta a população todos os dias, seja por atos, seja por aliar-se a grupos criminosos, como faz com desmatadores e grileiros na Amazônia, seja por mentir compulsivamente. Não sabem, também, como parar essa força que as atropela e esmaga. Sentem como se aquilo que as está atacando fosse “imparável”, porque percebem que já não podem contar com as instituições – constatação gravíssima para a vida em sociedade. E então passam a sentir-se como reféns – e, seguidamente, a atuar como reféns.

“Como reagimos à violência de alguém como Bolsonaro, que faz e diz o que quer, sem que seja impedido pelas instituições?”, questiona. “Toda a nossa experiência dá conta de que a vida em sociedade é regulada por instâncias que vão determinar o que pode e o que não pode, que têm o poder de impedir a quebra do pacto civilizatório, este pacto que permite que a gente possa conviver. Nesta experiência de que há um regulador, se uma pessoa é racista, ela vai ser processada – e não virar presidente do país. O que vivemos agora, com Bolsonaro, é a quebra de qualquer regulação. E isso tem um enorme impacto sobre a vida subjetiva. Ninguém sabe como reagir a isso, como viver numa realidade em que o presidente pode mentir e pode até mesmo inventar uma realidade que não corresponde aos fatos.”

A documentação das experiências de autoritarismo em diferentes épocas e países costuma relatar o sofrimento físico e psíquico das vítimas, mas geralmente em condições explícitas. Como, por exemplo, um judeu num campo de concentração nazista. Ou uma das mulheres torturadas no Doi-Codi, em São Paulo, durante a ditadura militar do Brasil (1964-1985). Perceber essa violência explícita como violência é imediato. O que a experiência autoritária do bolsonarismo tem demonstrado é o quanto pode ser difícil resistir (também) à violência do cotidiano, aquela que se infiltra nos dias, nos pequenos gestos, na paralisia que vira um modo de ser, nas covardias que deixamos de questionar.

O cotidiano de exceção tem se infiltrado e realizado em milhões de pequenos gestos de autocensura, silêncio e ausência no Brasil

Há milhares, talvez milhões de pequenos gestos de conformação acontecendo neste exato momento no Brasil. Em silêncio. Pequenos movimentos de autocensura, ausências nem sempre percebidas. Uma autora me conta que conseguiu manter seu livro no catálogo da editora sem usar a palavra gênero…. para falar de gênero e sexualidade. Uma diretora me diz que vestiu os corpos de suas atrizes, até então nuas, numa peça de teatro. A professora de uma das mais importantes universidades públicas do país me relata que muitos colegas já deixaram de analisar determinados temas em salas de aula por medo do “poder de polícia” dos alunos, que têm gravado as aulas e se comportado de forma ainda mais violenta que a polícia formal. Um curador de eventos preferiu não fazer o evento. Mudou de assunto. Outro deixou de convidar uma pensadora que certamente levaria bolsocrentes para a sua porta. Nunca saberemos o que poderia acontecer, porque o acontecimento foi impedido para não sofrer o risco de ser impedido.

Há tantos que já preferem “não comentar”. Ou que dizem, simpaticamente: “me deixa fora dessa”. É também assim que o autoritarismo se infiltra, ou é principalmente assim que o autoritarismo se infiltra. E é também assim que se adoece uma população por aquilo que ela já tem medo de fazer, porque antecipa o gesto do opressor e se cala antes de ser calada. E em breve talvez tenha medo também de sussurrar dentro de casa, num mundo em que os aparelhos tecnológicos podem ser usados para a vigilância. Chega o dia em que o próprio pensamento se torna uma doença autoimune. É assim também que o autoritarismo vence antes mesmo de vencer.

Um dos sintomas do cotidiano de exceção que vivemos é a colonização de nossas mentes. Mesmo pessoas que viveram a ditadura militar não têm recordação de algum momento da sua vida em que tenham pensado todos os dias no presidente da República. Bolsonaro administra o horror dos dias, com suas violências e mentiras, de um modo que o torna onipresente. Faça o teste: quantas horas você consegue ficar sem pensar em Bolsonaro, sem citar uma bestialidade de Bolsonaro? É isso o autoritarismo. Mas sobre isso poucos falam.

Bolsonaro encarna a vanguarda messiânica-apocalíptica do mundo

Se Bolsonaro encarna a vanguarda messiânica-apocalítica do mundo, é preciso sublinhar que os brasileiros não estão sós. Um amigo estrangeiro me conta que, desde que Donald Trumpassumiu, a primeira coisa que ele faz ao acordar é conferir qual é a barbaridade que o presidente americano escreveu no Twitter, porque sente que isso afeta diretamente a vida dele. E afeta.

Mario Corso, psicanalista e escritor gaúcho, aponta que não é possível pensar no que ele chama de “ethos depressivo” deste momento fora do contexto do Ocidente. “Veja o Reino Unido. O novo primeiro-ministro (referindo-se ao pró-Brexit Boris Johnson) é um palhaço. E eles já tiveram Churchill!”, exemplifica. “O problema, no Brasil, é que além de toda a crise global, elegemos um cretino para presidente”, diz o psicanalista. “O que assusta é que não há freios para impedi-lo. E, assim, ele segue atacando os mais frágeis. Como Bolsonaro é covarde, ele não engrossa com os maiores que ele.”

Boris Johnson não chega a ser um Donald Trump. E nem Donald Trump chega a ser um Jair Bolsonaro. Mas a diferença maior está na qualidade da democracia. Tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido, as instituições têm conseguido exercer o seu papel. No Brasil, não chega a ser perda total – ou não bastou (ainda) “um cabo e um soldado” para fechar o STF, como sugeriu o futuro possível embaixador do país nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro, o garoto zerotrês. Mas a precariedade – e com frequência a omissão – das instituições – quando não conivência – são evidentes. “Enquanto Bolsonaro não consegue uma ditadura total, porque isso ele quer, mas ainda não conseguiu, ele antecipa a ditadura pelas palavras”, diz Corso. “Bolsonaro usa aquilo que você definiu como autoverdade para antecipar a ditadura. Os fatos não importam, o que ‘eu’ digo é o que é.”

“A guerra acontece quando a palavra, como mediadora, se extinguiu”

Para Rinaldo Voltolini, professor de psicanálise da Universidade de São Paulo, a autoverdade é a amputação da palavra no sentido pleno. “Este é um grande disparador do sofrimento das pessoas, ao constatarem que estão fora no nível mais importante. Não é que você está fora porque não tem uma casa ou um carro, hoje você está fora das possibilidades de leitura do mundo. O que você diz não tem valor, não tem sentido, não tem significado. É como se, de repente, você já não tivesse lugar na gramática”, diz o psicanalista. “O que é a guerra? A guerra acontece quando a palavra, como mediadora, se extinguiu. Isso acontece entre duas pessoas, entre países. Sem a mediação da palavra, se passa diretamente ao ato violento”.

A autoverdade, como escrevi neste espaço, determinou a eleição de Bolsonaro. E seguiu moldando sua forma de governar pela guerra, o que implica a destruição da palavra. Assim, desde o início do governo, Bolsonaro tem chamado os órgãos oficiais de mentirosos sempre que não gosta do resultado das pesquisas. Como quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostrou que o número de desempregados tinha aumentado no seu governo.

Nos últimos dias, porém, o antipresidente levou a perversão da verdade, esta que torna a verdade uma escolha pessoal, à radicalidade. Decidiu que a jornalista Míriam Leitão não foi torturada – e ela foi. Insinuou que o pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil teria sido executado pela esquerda, quando ele desapareceu por obra de agentes do Estado na ditadura militar. Decidiu que ninguém mais passa fome no Brasil – o que é desmentido não só pelas estatísticas como pela experiência cotidiana dos brasileiros. Decidiu que os dados que apontaram a explosão do desmatamento na Amazônia, produzidos pelo conceituado Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, eram mentirosos. Isso porque apenas no mês de julho de 2019 foi destruída uma área de floresta maior do que a cidade de São Paulo, e o índice de desmatamento foi três vezes maiores do que em julho do ano passado. E Bolsonaro decidiu ainda que “só os veganos que comem vegetais” se importam com o meio ambiente.

Bolsonaro controla o cotidiano porque fora de controle. Bolsonaro domina o noticiário porque criou um discurso que não precisa estar ancorado nos fatos. A verdade, para Bolsonaro, é a que ele quer que seja. Assim, além da palavra, Bolsonaro destrói a democracia ao usar o poder que conquistou pelo voto para destruir não só direitos conquistados em décadas e todo o sistema de proteção do meio ambiente, mas também para destruir a possibilidade da verdade.

O que vivemos não é mal-estar, mas horror

“Narrar a história é sempre o primeiro ato de dominação. Não é por acaso que Bolsonaro quer adulterar a história. A história da ditadura é construída por muitos documentos, é uma produção coletiva. Mas ele decide que aconteceu outra coisa e não apresenta nenhum documento para comprovar o que diz”, analisa Voltolini. “Não é que estamos vivendo o mal-estar na civilização. Isso sempre houve. A questão é que, para ter mal-estar é preciso civilização. E hoje, o que está em jogo, é a própria civilização. Isso não é da ordem do mal-estar, mas da ordem do horror.”

Como enfrentar o horror? Como barrar o adoecimento provocado pela destruição da palavra como mediadora? Como resistir a um cotidiano em que a verdade é destruída dia após dia pela figura máxima do poder republicano? Rinaldo Voltolini lembra um diálogo entre Albert Einstein e Sigmund Freud. Quando Einstein pergunta a Freud como seria possível deter o processo que leva à guerra, Freud responde que tudo o que favorece a cultura combate a guerra.

Os bolsonaristas sabem disso e por isso estão atacando a cultura e a educação. A cultura não é algo distante nem algo que pertence às elites, mas sim aquilo que nos faz humanos. Cultura é a palavra que nos apalavra. Precisamos recuperar a palavra como mediadora em todos os cantos onde houver gente. E fazer isso coletivamente, conjugando o nós, reamarrando os laços para fazer comunidade. O único jeito de lutar pelo comum é criando o comum – em comum.

É preciso dizer: não vai ficar mais fácil. Não estamos mais lutando pela democracia. Estamos lutando pela civilização.”

Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes – o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos, e do romance Uma Duas. Site: desacontecimentos.com Email: elianebrum.coluna@gmail.comTwitter: @brumelianebrum/ Facebook: @brumelianebrum

05 Aug 14:08

Tee Jay McNichols, our Producer’s Cousin, Murdered in Dayton Massacre

by Greg Palast

Thomas James “Tee Jay” McNichols Jr., 25, the cousin of our assistant producer Jevin Lamar, was one of the 9 people murdered Saturday in Dayton, Ohio.

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05 Aug 14:03

Paulo Henrique Amorim ou o elogio ao riso cortante

by Da Redação

Tive a enorme alegria de conhecer pessoalmente Paulo Henrique Amorim, a quem dei uma entrevista para o seu Conversa Afiada. Naquela tarde paulistana, pude conhecer mais de perto alguém que já acompanhava, há bastante tempo, desde que iniciara as atividades de seu portal na internet, no seu blog sujo, como gostava de dizer, desde que se tornara o ansioso blogueiro, que desempenhou um papel essencial na constituição da própria blogosfera brasileira e, nela, um papel de destaque na crônica e na crítica da vida política do país, realizando o jornalismo que os grandes grupos de mídia há muito deixaram de fazer. Conhecê-lo na intimidade de seu próprio apartamento de morada, repleto de objetos de arte, de quadros de grandes artistas brasileiros, ser entrevistado em sua biblioteca, composta, principalmente, por autores brasileiros, por obras voltadas para a análise da economia brasileira, área de especialização de PHA, por intérpretes do Brasil, foi um momento marcante em minha vida. Estava diante de alguém que já admirava, de alguém por quem tinha um enorme apreço, pelo trabalho jornalístico que realizava, mas também pela maneira, pelo estilo, pelo modo como esse trabalho era feito, ou seja, se valendo, preferencialmente, das armas da ironia, do sarcasmo, do humor, do riso.

A sua simplicidade, a maneira afável e descontraída com que me recebeu, o seu carisma, me fez rapidamente descontrair e me sentir em casa. A sensação era que já nos conhecíamos há anos, que já éramos amigos de longa data. Como bom jornalista e grande leitor que era, PHA havia lido dois de meus livros e lera, evidentemente, A invenção do Nordeste e outras artes, tema de nossa conversa. Lera a reportagem da revista Carta Capital sobre a peça teatral A invenção do Nordeste, que assistira quando foi apresentada no SESC Belenzinho, dado que se tornara um admirador do trabalho do Grupo Carmim, desde que assistira à peça Jaci, tendo entrevistado Henrique Fontes e Quitéria Kelly, componentes do grupo. Durante a entrevista me senti muito à vontade, pois a familiaridade com o estilo do PHA, que se aproxima do modo como também vejo o mundo e estabeleço relações críticas com ele, estabeleceu uma enorme empatia e, posso dizer, que nos divertimos muito gravando a entrevista, nos intervalos e no jantar a que fui por ele convidado, onde fez questão de me apresentar sua esposa Geórgia Pinheiro, também jornalista e produtora, extremamente simpática e inteligente. Ao me deixar no hotel, me convidou a procurá-lo sempre que estivesse em São Paulo e me prometeu um encontro com Jessé de Souza, por quem tinha grande admiração. Infelizmente não chegamos a nos ver novamente. A notícia de sua morte repentina foi extremamente dolorosa para mim, que senti como se perdera um amigo de muito tempo, impedindo que sobre ele escrevera assim que o fato ocorreu. Hoje o faço, como uma justa homenagem a um grande jornalista e cidadão brasileiro, mas principalmente para ressaltar o que julgo ser as lições deixadas pelo modo de fazer jornalismo e de fazer política que ele nos legou.

Ao contrário de toda uma tradição do discurso e da prática política das esquerdas, no Brasil, PHA sabia da importância política do riso, do deboche, do sarcasmo, do humor, da ironia, do escracho. O militante de esquerda no país, quase sempre, acha que ser politicamente consequente e engajado requer ser sério, carrancudo, de preferência com uma barba serrada, índice de uma masculinidade, de uma virilidade que não dá lugar ao risinho ou a piada, coisas de veado. A esquerda brasileira sempre cultuou o mau humor, a agressividade, a violência verbal, no que não difere em nada da nossa direita. Assim como o fascismo, muitas das nossas forças de esquerda, cultuam mais o ressentimento, a inveja, a má consciência, do que a alegria e a solidariedade. Durante muito tempo, as esquerdas no Brasil ensinaram a formação de gente de aço, sem sensibilidade, máquinas revolucionárias, dispostas sempre a ver inimigos e traidores em toda parte, ver quintas-colunas em cada esquina, disputando com o uso da infâmia e da retórica da desqualificação, espaços de poder. Enquanto a direita, no Brasil, sempre mostrou capacidade de união e de articulação, na hora que veem seus privilégios e posições de poder ameaçados, as esquerdas sempre se esterilizaram em querelas intermináveis, em picuinhas sem fim, onde a arma da difamação e da agressão pessoal nunca deixou de ser utilizada. Ainda hoje, quando o fascismo se espalha pelo país, quando a direita cresce e ameaça destruir todas as conquistas feitas, nos últimos anos, vemos figuras como Ciro Gomes, que se diz de esquerda ou pelo menos quer assim ser visto, mais preocupado em usar sua verborragia agressiva de coronel de província contra um homem que está preso injustamente e contra o PT, do que contra Bolsonaro e sua trupe de extrema-direita. Vemos professores universitários mais ocupados em acusar o colega do lado, do que em militar no sentido da coesão das forças de oposição ao fascismo. Isso não espanta, porque no que tange a micropolítica, são também fascistas, são policiais do pensamento e da vida alheias.

Paulo Henrique Amorim era um homem de esquerda, um brizolista como gostava de dizer, um nacionalista, mas operava no campo da micropolítica de modo muito distinto de toda uma tradição da esquerda brasileira. Ele não partilhava da visão, expressa ainda por alguns da esquerda tradicional, que separa a macropolítica, a política que dá conta da luta de classes e dos embates entre os grandes projetos políticos, quase todos fracassados e sem credibilidade no momento, e a micropolítica, discutida por autores como Michel Foucault, Gilles Deleuze e Félix Guattari, a política dos desejos, dos afetos, dos sentimentos, dos corpos, das relações sociais cotidianas, das relações de poder e dos saberes que produzem subjetividades, sujeitos, que produzem estilos de existência, formas de vida e pensamento. Aqueles sujeitos da macropolítica, os sujeitos da luta de classes, da política partidária, da política sindical, não são separáveis dos sujeitos das relações de gênero, das relações étnico-raciais, das relações etárias, etc. Só quem ainda pratica o velho racionalismo iluminista dos séculos XVIII ao século XX, do qual o marxismo é um filho dileto, que ainda concebe um sujeito cindido entre razão e emoção, razão e sensibilidade, razão e imaginação, razão e desejo, consciência e inconsciência, pode advogar que a luta político-partidária, que a luta de classes é mais importante que as lutas em torno das causas feministas, pelos direitos dos homossexuais, contra o racismo, etc.

O trágico é que enquanto as forças fascistas instaladas no poder de Estado não separam suas ações de ataque aos direitos das classes trabalhadoras, do ataque às conquistas das lutas feministas, dos negros, indígenas e homossexuais, há gente que se diz de esquerda, responsabilizando o que chamam de lutas por causas identitárias ou lutas de minorias, ainda como sendo lutas divisionistas quando não diversionistas das verdadeiras causas pelas quais se lutar. Seriam essas lutas e os autores que as embasam teoricamente os responsáveis por ternos chegado ao fascismo no poder. Ao invés de fazerem uma autocrítica do que fizeram nos últimos dez anos, muitos sendo mais oposição e fazendo ataques mais raivosos aos governos petistas do que à própria direita (devemos lembrar que houve grupos de esquerda contra o Reuni, contra o Fies, contra muitas das políticas sociais dos governos petistas), acusam aqueles militantes das causas micropolíticas como sendo os responsáveis pela facistização da sociedade, quando essa se deu justamente no plano da micropolítica, abandonada pelo PT e aliados, completamente absorvidos pelos embates político-partidários e institucionais. Enquanto os militantes da esquerda estavam absortos com o poder de Estado e com a crítica ao partido de esquerda no poder, os militantes de Cristo estavam cotidianamente produzindo subjetividades e sujeitos conservadores, reativos e reacionários; os blogs de direita e a grande mídia estavam atuando no campo micropolítico produzindo os modos de sentir, pensar e imaginar fascistas.

O que me levava a admirar Paulo Henrique Amorim era, acima de tudo, a consciência que ele tinha do poder transformador do riso, da construção de relações atravessadas pela empatia, pela amizade, pelo companheirismo, pela solidariedade, pela crítica feita com leveza e acidez, ao mesmo tempo. Sua conversa afiada, sua linguagem jornalística, seu modo de fazer a crítica política, passava pelo uso do poder de corte do riso, da piada, do deboche, do sarcasmo. PHA, tão perseguido, tão processado na justiça, sempre soube que o poder, que o fascismo suporta menos o humor e a ironia, do que a carranca e o grito. Lamentavelmente, muitos que se dizem inimigos do fascismo, são fascistas em suas vidas, no cotidiano, na maneira como levam a vida, na maneira como ensinam (mais preocupados em depreciar o que outros fazem do que fazer eles mesmos alguma coisa em termos de pensamento e escritura), na maneira como escrevem, na maneira como vivem suas relações pessoais, as relações afetivas e sexuais, como manejam as identidades de gênero, étnicas, etárias, profissionais, etc. O fascismo, como a figura de Bolsonaro bem a encarna, adora o grito, a agressão, a cara fechada e amarrada, a seriedade tumular e, quase sempre, hipócrita da caserna e dos púlpitos. O fascismo se alimenta das paixões tristes: da inveja, do ressentimento, do medo, do ódio, da raiva, da autocomiseração, do complexo de inferioridade, do desamor de si e dos outros. O fascismo adora e adota a violência verbal e sanguinária, porque nele prevalece a pulsão de morte, o desejo de destruição. Destruir é a máxima do governo Bolsonaro, como é o mote de vida de muita gente que se diz de esquerda, que se move sempre em busca de inimigos e adversários para acusar, perseguir, difamar e tentar destruir.

PHA sabia que incomoda mais a qualquer poder, de qualquer época, a gargalhada, do que o grito. PHA tinha o dom de irritar e de desesperar os poderosos pela forma como manejava a faca só lâmina do riso e do humor. A falta de bom humor da esquerda brasileira sempre foi notória, daí a dificuldade da maioria das lideranças de esquerda em criar empatia com a população. Se Lula se tornou uma figura mítica da política brasileira foi por sua capacidade de gerar empatia, por ter aprendido com as próprias derrotas, que mais vale um sorriso paternal do Lulinha paz e amor, do que aquela carranca de liderança sindical que carregava no início de sua carreira. Lula passou a ser amado por milhares de pessoas porque soube, na Presidência da República, demonstrar, em muitas ocasiões, fragilidade, chorando e se emocionando, leveza, alegria, descontração (jogando sua bolinha, tomando sua cachacinha), sendo carinhoso, próximo, afetuoso (a sua relação com D. Marisa era um manifesto em si mesmo contra o machismo), sobretudo manejando, como ninguém, a faca da ironia, da autoironia e do bom humor. Talvez por ter sido formada no seio da esquerda tradicional e, claro, por sua história de vida, Dilma foi no poder uma mulher muito dura, muito masculina, embora tenha tido momentos de grande comoção e ternura, como quando da criação da Comissão da Verdade, e tenha, acima de tudo, sido uma mulher de uma dignidade a toda a prova diante da baixeza daqueles que tramaram e realizaram a sua destituição sem que houvesse nenhum crime de responsabilidade.

Paulo Henrique Amorim reunia a habilidade de analista arguto e erudito da realidade brasileira, com a capacidade de extrair, da tragédia que é a história desse país, o que nela havia de tragicômico, de piada pronta. PHA, como José Simão, outro jornalista que admiro, era capaz de denunciar o caráter farsesco do poder, de mostrar, em muitas ocasiões, que o rei estava nu. Para isso ele possuía a maior sabedoria que um ser humano pode ter, a de não se levar também muito a sério, a capacidade de rir de si mesmo, de se divertir com suas próprias condições e contradições. Lembro que no jantar, repassamos, com muito humor, uma verdadeira lista de nomes de personalidades brasileiras, sobre as quais, quase sempre, tinha histórias e observações a fazer, mas quando o nome de Edir Macêdo, o patrão que veio a lhe demitir a pedido do governo fascista a que serve, o que pode ter contribuído para a sua morte inesperada, foi levantado, ele, com um sorriso maroto no canto da boca, que por si mesmo muito dizia, disse que sobre ele não tinha nada a dizer. Aquele riso de mofa se dirigia ao nomeado, mas, de certa forma também, a si mesmo, à sua situação, de um jornalista competente e talentoso, que dependia para ter um emprego, de silenciar sobre a figura controversa de seu patrão, como fizera nos tempos em que era um jornalista estrela das organizações Globo. A existência humana nos prega peças, nos coloca em situações desagradáveis, só pode ser suportada, muitas vezes, se tivermos essa capacidade de ironizar a nossa própria existência, de assumir, com ironia, lugares de sujeito e papeis que a vida nos reserva.

Como se vai combater o fascismo, micro e macropolítico, sendo fascista em seu dia a dia ? Como vai se denunciar as perseguições políticas se também é um perseguidor ? Como se vai combater a militarização das subjetividades se se é um policial à paisana sempre disposto a denunciar e delatar o colega, o amigo, o companheiro ? Como se vai combater a infâmia, se todo dia se devota ao mal dizer sobre o outro ? Como se vai produzir a solidariedade, a união e coesão das forças da vida contra as da morte, se se leva uma vida de mortificação, de renúncia aos desejos, aos afetos, aos encontros ? Como construir um mundo mais feliz, se se cultiva a infelicidade e a morbidez ? Como se contrapor à militarização dos corpos, trazidas pelo fascismo, se se cultiva uma corporeidade reativa, machista, homofóbica ? Como vai se contrapor ao racismo se se lida mal com sua própria condição racial ? Como se vai estabelecer relações que levem a agregação em torno de dadas ideias e projetos, se não se é capaz de estabelecer relações que agreguem, que aproximem ? Como se vai combater as forças reativas e fascista sendo reativo a toda diferença, inclusive de pensamento ? Como se vai combater as forças do desrespeito se não se respeita o outro que pensa e vive diferente, se não tem respeito e apreço por si mesmo ? Como combater as forças do ressentimento, se se é ressentido, se cultiva o ódio pelo mundo e por si mesmo ? Como vencermos as forças do atraso se se está mais interessado em atacar seus possíveis aliados ? O combate as forças do negativo não se faz com a negação, mas com a afirmação ativa da vida, naquilo que ela tem de mais construtivo: o amor, a solidariedade, a amizade, o bem dizer, a alegria, a graça, o carinho, a solidariedade, o companheirismo, o prazer, o deleite, o delírio, o sensível, o erótico, o sexual, o estético, o ético, o conhecimento, a sabedoria, a invenção, a criatividade, a leveza, o riso, o humor.

Paulo Henrique Amorim deixa uma enorme lacuna no jornalismo brasileiro, mas deixa uma lacuna ainda maior na vida brasileira, por sua forma de viver e amar a vida, com criatividade, inteligência, leveza e bom humor. Agradeço a PHA todas as conversas afiadas que me fizeram pensar e me fizeram rir ao mesmo tempo, mostrando que a crítica e a inteligência não precisam ser sérias e carrancudas para ser efetivas. Agradeço cada risada inteligente que produziu em mim, por cada corte afiado que fez no tecido, muitas vezes apodrecido e gangrenado, da sociedade brasileira. Foi um homem de grande estatura, apesar do tamanho, seu riso o fazia um gigante da crítica política brasileira. PHA foi um cidadão que amou e prestou grandes serviços a seu país, com a faca do humor e da crítica na mão, única arma efetiva e afiada contra os poderosos dispostos a fazer arminhas com os dedos e usar das armas para matar quem luta por direitos e liberdades, nesse país. PHA nos ensinou que vale mais amar do que se armar, contra si e contra os outros. Sua gargalhada ainda soará soberana por muito tempo, enquanto o ridículo dos poderes fascistas de todos os matizes ideológicos, teimarem em povoar o nosso cotidiano. Dedico a você, PHA, a nossa gargalhada ao final da entrevista, quando você quis me surpreender, típico de alguém que joga bem com as armas do humor, ao me perguntar se eu gostava de jaca (havíamos falado em certo momento da entrevista da eleição da jaca como fruta típica do Nordeste por uma enquete realizada pelo Centro Regionalista do Nordeste), e eu lhe surpreendi respondendo que gostava de jaca dura, aquela que dá melhor doce. Que o ácido de seu riso continue servindo de lição para muitos, que o corte de teu sorriso afiado siga nos inspirando, dia a dia. Sempre amei tua irreverência e teu humor e hoje declaro o meu amor por você, amigo, Paulo Henrique Amorim.

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02 Aug 16:53

Caixa reduz financiamentos para o Nordeste por ordem do presidente do banco

by Pedro Torres

A Caixa reduziu drasticamente os empréstimos para os estados do Nordeste ao longo deste ano.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a determinação para que novas contratações com estados e municípios do Nordeste não fossem efetivadas teria partido do próprio presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

Nos primeiros sete meses do ano foram autorizados para a Região financiamentos da ordem de R$ 89 milhões, correspondendo a apenas 2,2% do total de cerca de R$ 4 bilhões chancelados pelo banco para estados e municípios.

Segundo a reportagem, em 2018 o Nordeste recebeu um total de R$ 1,3 bilhão, ou 21,6% dos R$ 6 bilhões em operações firmadas pelo banco com os governos regionais.

No exercício anterior, dos R$ 7 bilhões contratados, R$ 1,3 bilhão foi direcionado para a Região Nordeste (18,6% do total).

Caixa alega variação

Em nota, a Caixa informou que as contratações apresentam “sazonalidade” e variam a cada ano a ano, “dependendo ainda do número de pleitos recebidos bem como da aprovação dos ritos anteriormente relacionados”.

Redução dos repasses vem na esteira dos ataques feitos por Jair Bolsonaro contra a Região.

Em julho, Bolsonaro afirmou ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que daqueles “governadores de Paraíba, o pior é o do Maranhão. Tem que ter nada para esse cara”, disse na ocasião.

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02 Aug 16:51

Livro revela ameaça de golpe militar às vésperas do segundo turno em 2018

by Pedro Torres

“Os onze”, livro-reportagem da Companhia das Letras, escrito por Felipe Recondo e Luiz Weber, descreve os bastidores da Corte Suprema do país, o STF, desde o processo em que se iniciou a criminalização do PT, sobre o chamado mensalão, em 2005, até o governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro.

O livro revela, entre outras coisas, a ameaça de golpe militar às vésperas do segundo turno da eleição presidencial do ano passado.

Na obra, Felipe Recondo e Luiz Weber narram que na noite de 23 de outubro, a apenas cinco dias do segundo turno, houve um entrevero na sede do STF entre o então ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, e o ministro do Supremo, Luís Roberto Barroso.

Da discussão participaram também Rosa Weber e Edson Fachin, também ministros do STF, em torno da punição ou não de um coronel que insultara Rosa Weber.

De acordo com o jornalista Guilherme Amado, da revista Época, ao chegar ao tribunal, o ministro Dias Toffoli relatou a Weber e Fachin “uma situação preocupante”.

“Sem usar a palavra golpe – conta Guilherme Amado -, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) lembrou que o então comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, tinha 300 mil homens armados que apoiavam Jair Bolsonaro, um candidato que duvidava da lisura do processo eleitoral e incitava seus seguidores, os militares aí incluídos, a questionar as urnas eletrônicas. O TSE deveria ser, mais do que nunca, claro em seus posicionamentos”.

A informação indica o grau da interferência militar na atual vida política nacional.

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01 Aug 16:53

Corpo de potiguar desaparecido foi incinerado na ditadura

by Rafael Duarte

O corpo do jornalista potiguar Luiz Ignácio Maranhão Filho foi incinerado na usina de Cambaíba, em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. A conclusão é do Ministério Público Federal após uma investigação que durou oito anos. O relatório final ficou pronto na sexta-feira (26) e foi divulgado agora pelo jornal O Globo. Os procuradores buscavam a confirmação de que as usinas eram usadas pelos militares para incinerar e, dessa forma, desaparecer com os corpos de opositores da ditadura.

Ao todo, foram ouvidas 20 pessoas. O depoimento mais importante foi dado à Comissão Nacional da Verdade pelo ex-delegado do DOPS Cláudio Guerra. As informações prestadas por Guerra foram confirmadas por outras testemunhas. Ele disse os nomes dos militantes comunistas assassinados após intensas sessões de tortura na Casa da Morte, em Petrópolis, e confirmou que depois de mortos, os corpos eram levados para a usina de Cambaíba.

“Além da confissão, testemunhas e documentos confirmaram a autenticidade dos relatos de Cláudio Guerra”, apontam as investigações do MPF.

A informação sobre a incineração dos corpos já havia sido divulgada por Cláudio Guerra no livro “Memórias de uma Guerra Suja”, um depoimento do ex-delegado do DOPS aos jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto lançado em 2012. No entanto, só agora houve a confirmação oficial pelo MPF

O jornalista e advogado Luiz Ignácio Maranhão Filho (foto: reprodução)

Além de Luiz Maranhão Filho, a lista de corpos incinerados tem mais 11 nomes do total de 136 desaparecidos políticos entre o período de 2 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979. Entre eles está o pernambucano Fernando Santa Cruz, pai do atual presidente da OAB Felipe Santa Cruz, atacado segunda-feira (29) pelo presidente da República Jair Bolsonaro que disse, em tom de deboche, que poderia informar ao dirigente da OAB como o pai dele havia morrido.

“Segundo o relato confessional de Cláudio Antônio Guerra, em algum momento, movido pela curiosidade, ele abria os sacos para ver os corpos (tendo observado que a um deles faltava o braço direito) e que, posteriormente, ao ver publicação de notícias e fotos dos desaparecidos, foi possível saber a identidade dos corpos que havia levado para ocultação e destruição na usina”, diz o MPF.

Cláudio Guerra detalhou para a Comissão da Verdade e também para o Ministério Público Federal como eram feitas as incinerações.

“A abertura dos fornos era suficientemente grande para a entrada dos corpos humanos, não se admitindo como válida qualquer negativa nesse sentido”, diz o relatório.

Ex-delegado do DOPS Cláudio Guerra (Foto: Letícia Bucker/G1)

O autor da denúncia é o procurador da República Guilherme Garcia Virgílio. Ele pede a condenação de Cláudio Guerra pelo assassinato de pelo menos 12 pessoas, bem como o cancelamento de eventual aposentadoria ou qualquer provento de que disponha em razão de sua atuação como agente público. Isso porque, para o MPF, o comportamento do ex-delegado se desviou da legalidade, “afastando princípios que devem nortear o exercício da função pública”.

O MPF também afirma no relatório final que os crimes praticados por Guerra não podem ser protegidos pela Lei da Anistia, em razão da lei tratar de crimes com motivação política.

“Não importa sob que fundamentos ou inclinações poderiam pretender como repressão de ordem partidária ou ideológica, sendo certo que a destruição de cadáveres não pode ser admitida como crime de natureza política ou conexo a este”, diz o procurador.

Família de Luiz Maranhão cobra de Bolsonaro paradeiro do corpo

Haroldo Maranhão, sobrinho-neto de Luiz Ignácio Maranhão Filho (foto: reprodução/Everton Dantas)

Luiz Ignácio Maranhão Filho desapareceu em 3 de abril de 1974. Nesta semana, após Jair Bolsonaro debochar da morte de Fernando Santa Cruz, o arquiteto Haroldo Maranhão, sobrinho de Luiz Maranhão, questionou pelas redes sociais o paradeiro do corpo do tio, desaparecido desde 3 de abril de 1974, durante o regime do ditador Ernesto Geisel.

– Senhor Presidente da República, Jair Bolsonaro. Aproveito a sua infeliz declaração e solicito que também nos informe sobre quem, quando, como, onde ocorreu o rapto, a prisão, a tortura, a morte e o desaparecimento do corpo do meu tio-avó Luiz Maranhão Filho. E onde estão os seus restos mortais?”, desabafou.

Lista de incinerados em Cambaíba, segundo MPF

Ana Rosa Kucinski
Armando Teixeira Fructuoso
David Capistrano da Costa
Eduardo Collier
Fernando Santa Cruz
Joaquim Pires Cerveira
João Batista Rita
João Massena Melo
José Roman
Luiz Ignácio Maranhão Filho
Thomaz Antonio Silva Meirelles Netto
Wilson Silva

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31 Jul 19:54

Deputada bolsonarista quer emplacar no governo apresentador acusado de matar boto para forjar denúncia no Fantástico

by Kiko Nogueira

A velha deputada Carla Zambelli e suas picaretagens você já conhece.

O “Richard Selvagem”, não.

Seu nome verdadeiro é Richard Rasmussen. Virou uma subcelebridade como “apresentador de natureza” em canal por assinatura.

Bolsonarista, fez um vídeo constrangedor “denunciando” Roger Waters por fazer um show político, com um mimimi desgraçadamente teenager para um sujeito de quase 50 anos.

Zambelli quer dar-lhe uma boquinha como “Embaixador do Turismo brasileiro para o mundo”, sabe Deus o que isso significa.

Em 2017, o biólogo foi acusado de pagar pescadores para matar um boto cor de rosa e, dessa forma, obter imagens fortes e chocantes que ilustraram uma reportagem do Fantástico.

Em 2005, o Ibama fechou um criadouro mantido por ele em Carapicuíba, interior de São Paulo, desde 1999.

“A equipe do Ibama autuou o proprietário do local, Richard Rasmussen, em R$ 8.500 por encontrar animais sem a documentação legal necessária”, afirmou a Folha de S.Paulo.

De acordo com o Estadão em 2010, Rasmussen é um “Indiana Jones de Araque”, que “posa de ambientalista” e “tortura animais”.

Rasmussen tem, portanto, as credenciais necessárias para ser mais uma estrela do governo Bolsonaro.

Deu no site Notícias da TV: 

A acusação é do documentário norte-americano A River Below (Um Rio Abaixo, em tradução livre), do diretor Mark Grieco, exibido no fim de abril no conceituado Festival de Cinema de Tribeca, em Nova York.

Inicialmente um projeto que mostraria o trabalho do biólogo marinho Fernando Trujillo na Colômbia, Grieco trouxe sua narrativa para o Brasil ao ver as imagens do Fantástico. Queria ter cenas fortes em seu filme, como as dos golfinhos mortos no Japão mostradas no documentário The Cove (2009), de Louie Psihoyos.

As cenas fortes supostamente forjadas por Rasmussen foram exibidas pelo Fantástico em julho de 2014, em uma reportagem de Sônia Bridi que mostrou como pescadores caçavam o boto rosa e usavam sua carne de isca para pescar piratinga, um peixe carniceiro valioso na região.

Nas imagens que o biológo de 47 anos fez para o dominical, uma fêmea grávida de boto é caçada e, ao ser cortada em pedaços, é possível ver um feto formado, que também é usado como isca. (…)

Pressionado pelas imagens fortes mostradas pela Globo, o governo federal decretou uma moratória que proíbe a pesca de piracatinga durante cinco anos, a fim de proteger o boto rosa, mamífero em extinção usado como isca.

Em entrevista ao Notícias da TV, Rasmussen confirma ter participado da gravação, mas nega que pagou aos pescadores para que matassem o boto. (…)

O documentarista Mark Grieco teve a ideia de fazer um documentário sobre a matança dos botos após ver as imagens feitas por Rasmussen no Fantástico. Ao chegar à Amazônia, foi informado pela população local de que as pessoas no vídeo não eram da comunidade e que teriam sido levadas até lá pelo próprio biólogo _seus rostos foram desfocados nas imagens para que não fossem reconhecidas.

Depois de cerca de seis meses de busca pelos pescadores filmados, Grieco pôde ouvir o outro lado da história: os envolvidos acusam Rasmussen de pagar R$ 100 a cada um para que reproduzissem em frente às suas câmeras as práticas de caça ao boto. Em entrevistas gravadas, dizem ainda que o apresentador afirmou a eles que as imagens não seriam exibidas na TV, que apenas as encaminharia ao governo.

Com essas informações, Grieco procurou o biológo e preparou uma pegadinha para ele: ainda apresentando a ideia de fazer um documentário sobre os botos, fez com que Rasmussen falasse sobre seu trabalho na defesa dos animais.

Assim, na primeira metade do filme, o apresentador é pintado como um herói, alguém que toma as atitudes necessárias para salvar uma espécie ameaçada. Rasmussen chega a desdenhar das pessoas que apenas repetem “Não matem os botos” como um mantra.

“Não é o bastante. Precisamos fazer mais, precisamos de ações. Parem de falar e façam alguma coisa! Eles estão matando nossos botos, estão matando toda a nossa fauna. Matam rinocerontes, gorilas, tubarões. Eles… Nós matamos tudo, estamos destruindo o planeta. E ficamos de conversinha mole? Foda-se!”, desabafa o biólogo, com passagens por Record, SBT e NatGeo. (…)

Na segunda metade do documentário, Grieco confronta Rasmussen sobre o suposto pagamento aos pescadores e sobre as imagens que teriam sido forjadas. Afirma o cineasta que, com a proibição da pesca, famílias inteiras perderam sua única fonte de renda e, por isso, o apresentador estaria jurado de morte. Nesse momento, o herói vira vilão: ele fica irritado e xinga a equipe do documentário. (…)

 

31 Jul 19:37

Rogério Correia defende impeachment popular de Bolsonaro: “Hora de um passo à frente”

by Conceição Lemes

João Doria e Rodrigo Maia já pularam fora

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31 Jul 18:42

Com novo corte, perdas no orçamento da Educação chegam a 25%

by Pedro Torres

A promessa de que o contingenciamento de recursos do Ministério da Educação, feito em março, seria liberado no segundo semestre, com a melhora da situação econômica do país, não foi cumprida pelo Governo Bolsonaro. O Ministério da Educação anunciou novo bloqueio de verbas na pasta – no valor de R$ 348 milhões –, na noite dessa terça-feira (30). Os cortes impactam no orçamento de instituições como a UFRN, Ufersa e o IFRN.

Com o novo contingenciamento, o bloqueio dos recursos da Educação chegam a R$ 6,2 bilhões em 2019, cerca de 25% do orçamento para o ano.

Pela legislação, o governo teria até ontem (30) para editar um decreto definindo os novos limites de gastos por ministérios e órgãos. A pasta mais afetada foi a da Cidadania, que perdeu R$ 619,2 milhões. Em segundo lugar, vem o Ministério da Educação, com R$ 348,5 milhões bloqueados. Em terceiro, está o Ministério da Economia, com R$ 282,6 milhões retidos.

+ Educação perdeu R$ 8 bilhões em três anos após teto dos gastos

A distribuição dos cortes consta de decreto publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União. O novo bloqueio de verbas, anunciado na semana passada, chega a R$ 1,443 bilhão.

Fim das reservas

O novo contingenciamento na Educação é parte do bloqueio de R$ 1,4 bilhão no orçamento federal editado em decreto nesta terça-feira (30). No novo corte, a pasta de Weintraub só fica atrás do Ministério da Cidadania, que teve R$ 619 milhões bloqueados.

O decreto ainda bloqueia recursos dos ministérios da Agricultura (R$ 54 milhões), Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (R$ 59 milhões), Economia (R$ 282 milhões), Meio Ambiente (R$ 10 milhões), Relações Exteriores (R$ 32 milhões), Saúde (R$ 6 milhões) e Turismo (R$ 100 milhões).

Sob o comando de Paulo Guedes, a equipe econômica travou o desenvolvimento do país e esgotou os recursos que estavam na reserva para minimizar o corte. No total, foram usados R$ 809 milhões reservados para situações emergenciais para atenuar o corte.

Em setembro, quando será feita nova avaliação das contas relativas para cumprimento da meta fiscal, pode haver novo contingenciamento, já que não há mais reserva emergencial para cobrir o rombo orçamentário.

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31 Jul 12:19

“…Me guardando para quando o carnaval chegar”. Ou: como o capitalismo sepulta o talento

by Cynara Menezes

Filme de Marcelo Gomes retrata a "capital do jeans", Toritama, e a ilusão de seus moradores de serem donos do próprio tempo

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