O antigo vice-presidente de George W. Bush, Dick Cheney, anunciou o seu apoio a Kamala Harris. Na lógica de que "tudo o que vier à rede é peixe", isso pode ser considerada uma boa notícia para a candidatura. Mas, pensando bem, ter o apoio de uma das figuras mais sinistras da política americana, um dos pilares da criminosa invasão do Iraque em 2003, que provocou um incêndio ainda não extinto no Médio Oriente, causou milhões - sublinho, milhões - de mortos e proporcionou a emergência do Daesh, é uma óbvia e grave fragilidade moral para a campanha de Harris. Vale tudo para não ter Trump?
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‘Mar fotovoltaico’ se forma no deserto do norte da China
No vilarejo de Chaideng, na cidade de Ordos, 3,46 milhões de painéis solares azuis se estendem pelo deserto, cobrindo 30 milhões de metros quadrados e transformando as areias sem fim em um cintilante “mar fotovoltaico”.
A base de energia solar faz parte de um ambicioso projeto de recuperação do deserto com energia solar conhecido como “grande muralha fotovoltaica”, que se estende ao longo da borda norte do deserto de Kubuqi.
Embora não seja capaz de rivalizar com a Grande Muralha real em comprimento, o projeto está planejado para se prolongar por cerca de 400 quilômetros com uma largura média de cinco quilômetros, revelou Liu Tianyun, vice-diretor do departamento de florestas e pastagens de Ordos. Ele estabelecerá um novo recorde em termo da área para fazendas fotovoltaicas na China e terá 100 milhões de quilowatts de capacidade instalada após a conclusão, disse Liu.
Até o momento, a cidade instalou 5,42 milhões de quilowatts de energia solar em mais de 200 mil mu (13 mil hectares) de área de areia. O deserto de Kubuqi tem terras amplas e abertas, perfeitas para usinas solares. A região possui abundantes recursos solares, com aproximadamente 3 mil horas de sol por ano.
Além de gerar energia, os projetos solares locais também provaram ser úteis para mitigar as frequentes e intensas tempestades de areia e desertificação da área. O projeto adotou uma abordagem inovadora, com painéis solares geradores de energia montados no topo, permitindo que as plantas cresçam no solo e pequenos animais de fazenda pastem sob os painéis.
Os painéis podem reduzir a evaporação das águas subterrâneas em 20% a 30% e, enquanto isso, fornecem sombra e reduzem a velocidade do vento, tudo apoiando o crescimento das plantas. Em algumas áreas áridas, a irrigação por gotejamento movida a energia solar também é adotada para esverdear paisagens desérticas.
A vida útil dos módulos também foi ampliada de 25 para 30 anos após a adoção de materiais de encapsulamento de vidro duplo. A folga mínima entre os painéis fotovoltaicos e o solo foi ajustada para cerca de 2,5 metros, proporcionando amplo espaço para que pessoas e máquinas se movam facilmente para o trabalho agrícola.
A cidade de Ordos, também conhecida por seus abundantes recursos de carvão, possui várias minas espalhadas pelo deserto de Kubuqi. A água de drenagem tratada das minas é canalizada para a base de energia solar e usada para limpar os painéis solares e regar as plantas.
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R$ 2,6 milhões destinados pela deputada Natália Bonavides para a Saúde já estão na conta da Prefeitura de Natal
Os recursos são para equipar Unidades de Saúde na capital.
A deputada federal Natália Bonavides (PT/RN) destinou cerca de R$ 2,6 milhões, por meio de emenda parlamentar, para compra de equipamentos para unidades de saúde de Natal. Os recursos já foram pagos à Prefeitura e vão beneficiar 37 unidades de saúde em todas as regiões da capital potiguar.
“A gente sabe que não é com emenda parlamentar que se resolve problemas estruturais de anos de abandono, mas com certeza esses recursos irão aliviar o trabalho das pessoas que atuam nesses locais e melhorar o atendimento. Agora é aguardar que a Prefeitura utilize os recursos de acordo com o que foi firmado”, destacou Natália Bonavides.
A emenda foi encaminhada para aquisição de cadeiras de dentistas, mesas de exames, cadeiras de rodas, equipamentos de escritório, computadores, estetoscópios, desfibriladores, balanças, compressores odontológicos, reanimador pulmonar, ventiladores, oxímetro de pulso, geladeiras, entre outros.
A deputada destacou que tem visitado as unidades de saúde de várias regiões da cidade e se deparado com uma estrutura precária: “em nossas visitas temos diálogo com servidores e usuários e visto a falta de estrutura das unidades, são espaços com mofo, infiltração e falta de equipamentos”.
Emendas Parlamentares para Natal
Natália Bonavides, enquanto deputada federal, já destinou mais de R$ 33 milhões ao povo natalense, são recursos enviadas ao Governo do Estado, Governo Federal e Prefeitura de Natal que abrangem diversas áreas; como saúde, beneficiando o Hospital Santa Catarina, Walfredo Gurgel, Maria Alice Fernandes e Unidades de Saúde; Educação, com a compra de kits multimídia para Escolas Estaduais e para o auxílio digital de estudantes da UFRN e IFRN; Segurança, com a estruturação de Delegacias da Mulher, compra de equipamentos para polícia, construção da Sede da Guarda, entre outras áreas.
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DCO chega a 4 mil artigos publicados sobre a Revolução Palestina
Nessa semana, o Diário Causa Operária (DCO) chegou ao total de quatro mil artigos publicados acerca da Revolução Palestina, desatada com o início da Operação Dilúvio de al-Aqsa, em 7 de outubro de 2023. A importante marca para a esquerda brasileira, conquistada às vésperas do décimo mês da operação, ocorre no momento de maior fragilidade de toda a história do Estado de “Israel”.
A cobertura feita por este Diário é, de longe, a maior não apenas entre os órgãos de imprensa da esquerda brasileira, mas de toda a imprensa nacional, conforme já exposto em 15 de fevereiro, quando o DCO atingiu a marca de 2.000 artigos publicados. Mostramos, naquela ocasião, que este Diário criou em seu portal um especial dedicado à luta do povo palestino. Nele, são feitas atualizações em tempo real do número de palestinos que são assassinados por “Israel”, para denunciar a monstruosidade desse regime nazista.
A cada etapa da luta entre os palestinos e os seus invasores, o Diário da Causa Operária esteve presente defendendo de maneira incondicional a luta do povo palestino. Na primeira etapa, o DCO cumpriu um papel fundamental para rebater as calúnias da imprensa imperialista sobre a resistência palestina – em especial, sobre a sua vanguarda, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas, na sigla em árabe). Demonstramos, tanto do ponto de vista dos fatos, quanto do ponto de vista da teoria, que todas as ações de violência ocorridas em um território ocupado são de responsabilidade integral dos opressores.
Na etapa seguinte, o DCO passou também a demonstrar como o imperialismo e o próprio Estado de “Israel”, ao contrário do que dizem, se encontram profundamente enfraquecidos. Ao contrário da propaganda sionista, que prometia “exterminar o Hamas”, a situação em “Israel” se dirige a um colapso total, tanto do ponto de vista militar, como econômico e também social. Durante esse período, também nos consolidamos como o principal órgão jornalístico a divulgar e a convocar as manifestações em defesa da Palestina.
No início de 2024, o DCO passou a uma nova etapa da luta dos palestinos. Após a viagem de uma delegação do Partido da Causa Operária (PCO) para o Catar, onde se reuniu com o birô politico do Hamas, este Diário passou a divulgar artigos exclusivos, obtidos diretamente por meio do contato travado com os dirigentes revolucionários.
Nos meses seguintes, com a Operação Promessa Cumprida, realizada pela Guarda Revolucionária do Irã, este Diário voltou a se destacar pela defesa intransigente do país persa frente às calúnias veiculadas pela imprensa golpista – frequentemente reproduzidas pela esquerda. Não apenas demonstramos como a operação iraniana foi um grande sucesso, liquidando o poder de dissuasão israelense, como também denunciamos as mentiras propagadas pela direita contra o regime mais progressista de todo o Oriente Próximo.
No momento em que publicamos nosso 4.000º artigo, a situação no Oriente Médio parece evoluir para um desfecho. “Israel”, completamente acuado pelo Hesbolá no norte da Palestina ocupada, destruído economicamente pela guerra e pela ação dos Ansar Alá, do Iêmen, e ameaçado por uma grande retaliação militar do Irã; atua no desespero. Por um lado, a situação da resistência é tão favorável que o Hamas conseguiu forjar um governo de unidade nacional com todos os principais partidos palestinos. O Hamas conseguiu, também, fazer o governo norte-americano defender publicamente um acordo de cessar-fogo. Por outro lado, a situação de “Israel” é tão desfavorável que até mesmo suas autoridades militares reconhecem a necessidade de fazer um acordo com o Hamas.
Nos últimos meses, acompanhamos cada passo desse processo.
No artigo ‘Israel’ agoniza diante de novas ações do Eixo da Resistência, destacamos as várias ações que ocorriam contra a entidade sionista, mesmo enquanto ela se vangloriava de ter conseguido assassinar algumas centenas de civis nos massacres de Rafá. “Já na faixa de Gaza”, diz um trecho do artigo, “a resistência não tem dado trégua aos sionistas, concentrando as ações na região sul da Faixa. Dentre as operações do Hamas em Gaza, destacam-se o bloqueio militar da Rua al-Din, a principal para o tráfego norte-sul do enclave. As Brigadas al-Qassam, braço armado do Hamas, também têm realizado ataques de guerrilha em al-Shujaiya, uma cidade no centro-leste de Gaza, contra as forças sionistas, inclusive com o anúncio de ataque a dois tanques Merkava 4, utilizando uma IED Shawaz, uma arma de mão anti-tanque. Outra ação do grupo foi um ataque a míssil TBG (termobárico) a uma unidade israelense entrincheirada na mesma cidade”.
‘Israel’ agoniza diante de novas ações do Eixo da Resistência
Indo no mesmo sentido, mostramos como as promessas de agressão a outros países eram, fundamentalmente, bravatas, uma vez que invadir o Líbano certamente ocasionaria o fim de “Israel”. É o que apresentamos no artigo Irã: invasão do Líbano será inferno eterno para ‘Israel’, em que o ministro das Relações Exteriores Interino do Irã, Ali Bagheri Kani, se pronunciou sobre a possível guerra entre “Israel” e o Líbano.
O DCO também acompanhou de perto os desdobramentos após a trágica morte do presidente iraniano, Ebrahim Raisi. Não apenas noticiamos a sua morte e as consequências para a luta dos povos oprimidos, como também polemizamos com os setores de esquerda que se aproveitaram para reproduzir a campanha repugnante do imperialismo contra o chefe de Estado persa.
Como parte da defesa do Irã contra o imperialismo, também homenageamos o líder máximo da revolução iraniana de 1979, o Imam Khomeini, cuja morte completou 35 anos recentemente.
No final de julho, o Estado de “Israel” cometeu aquele que provavelmente seria o mais desesperado de todos os seus crimes: o assassinato a sangue-frio do líder do birô político do Hamas, Ismail Hanié, na cidade de Teerã, no Irã. O DCO foi um dos primeiros órgãos em língua portuguesa a noticiar o acontecimento.
Naquela ocasião, Pedro Burlamaqui, Vinicius Rodrigues e Victor Assis, editores do jornal, entraram ao vivo em uma transmissão, feita em parceria com a Causa Operária TV (COTV), para comentar as primeiras consequências do atentado.
Nos dias seguintes, cobrimos o funeral do líder revolucionário, bem como as principais declarações do Eixo da Resistência, que promete vingança contra a entidade sionista.
Quando ela vier, o DCO estará presente mostrando cada momento.
PF expande ações contra supostos terroristas no Brasil
Nessa quinta-feira (08/08), a Polícia Federal cumpriu um mandado de prisão e outros oito de busca e apreensão com o objetivo de conseguir provas que justificassem a chamada Operação Trapiche, que se iniciou em novembro do ano passado, quando a Polícia Federal prendeu algumas pessoas por uma suposta ligação com o Hesbolá e a suposta preparação de atos terroristas no Brasil, em que prédios de judeus e sinagogas seriam alvo.
Os acusados podem, caso sejam condenados, levar 75 anos e 6 meses de cadeia pelos crimes de contrabando, integração de organização terrorista, atos preparatórios de terrorismo, financiamento ao terrorismo e lavagem de dinheiro. No entanto, até agora, nada foi comprovado e nenhuma prova para os supostos crimes foi apresentada.
Os supostos crimes que seriam cometidos não têm cabimento algum. Em lugar nenhum do mundo o Hesbolá está explodindo sinagogas, nem mesmo em seus ataques contra o norte de ‘israel’ há relatos de sinagogas que foram destruídas. Muito pelo contrário, o partido libanês da resistência no Oriente Médio tem atacado muitos alvos militares e, mesmo tendo a possibilidade de deflagrar uma guerra generalizada contra ‘Israel’ e a de destruir escolas, hospitais, casas de civis e também sinagogas, não tem feito. Por que é que o Hesbolá escolheria atacar os judeus que vivem no Brasil e não os de nenhum outro lugar do planeta? No entanto, sabemos que é o estado de ocupação sionista quem realiza todos esses crimes, não só contra os palestinos, mas contra todos os povos da região.
Fica evidente que há uma armação do sionismo para aumentar ainda mais a repressão dentro do Brasil com o intuito de não permitir uma resposta verdadeira por parte da população, dos movimentos sociais e dos partidos políticos de esquerda contra o genocídio na Palestina. Tudo fica ainda mais evidente depois que, no final de junho, a Polícia Federal impediu a entrada do cidadão palestino Muslim M. A Abuumar, que vinha ao país para visitar sua família. Os motivos apresentados foram os de que o nome de Muslim aparecia em listas de pessoas ligadas ao Hamas mantidas pelo FBI.
No caso de agora, trata-se de uma expansão das atividades da Polícia Federal contra a população brasileira a mando do Mossad e das agências de inteligência do Imperialismo, principalmente as agências dos EUA. As acusações contra os “terroristas” brasileiros, além de não terem sido apresentadas, apontam para uma perseguição judicial contra um cidadão que não passa de um músico de pagode, expondo que todos podem ser perseguidos pela PF simplesmente para que se cumpram os objetivos do Imperialismo de defesa do genocídio em Gaza.
Nunca houve nenhum ato terrorista no Brasil por parte da população, mas sim por parte dos órgãos de repressão do país, que, além de promoverem chacinas contra as pessoas nas periferias, de possuir unidades policiais como a Rota e o Bope, que nada mais são do que grupos de extermínio legalizados, já planejaram inclusive a morte de mais de cem mil pessoas durante a ditadura, como no caso da explosão do Riocentro. Além disso, o Hesbolá não é uma organização terrorista, mas sim, um partido que luta pela emancipação do povo árabe e islâmico das mãos do imperialismo em todo o Oriente Médio. Dito isso e levando em consideração que ‘Israel’ treina as polícias de todo o mundo com métodos terroristas contra os povos, o que inclui a polícia brasileira, o Hesbolá, então, é um partido que luta contra o terrorismo.
Mohamad Khir Abdulmajid foi um dos principais alvos da Polícia Federal na quinta-feira. Ele, que é dono de três tabacarias, é acusado de utilizar o dinheiro ganho com suas empresas para custear o trabalho terrorista no Brasil. Uma das “provas” de seu envolvimento com o Hezbollah é uma foto com um tanque de guerra tirada quando viajou ao Líbano em 2016. A própria viagem ao Oriente Médio é tratada como uma prova de seu envolvimento com o terrorismo no Brasil; no entanto, além de Mohamad ser Sírio, o que justifica plenamente qualquer tempo que passe no Oriente Médio, nenhuma viagem pode servir de prova para um crime que nem mesmo aconteceu.
A perseguição a um árabe que vive no Brasil e que possui um comércio no país parece aponta para uma perseguição aos árabes em nosso País, como o que vem acontecendo desde o começo da semana na Inglaterra, em que a extrema direita saiu às ruas com o intuito de atacar árabes e muçulmanos, além de destruir seus empreendimentos, propriedades e pertences.
Ao mesmo tempo em que a Polícia Federal trabalha contra os interesses brasileiros dentro de nosso país, organizações como a CONIB procuram fazer o mesmo levando ao judiciário qualquer opinião contrária a ‘Israel’ dentro do Brasil, atuando como uma extensão do estado israelense aqui, atacando nossa soberania e todos os direitos dos brasileiros.
A expansão das atividades do sionismo e do imperialismo no Brasil só apontam para uma direção: uma ditadura completa. O próximo passo é conseguir colocar na cadeia pessoas que se coloquem contra o genocídio na Palestina, como já vem acontecendo em outros países, principalmente nos da Europa.
Furtos e roubos de veículos continuam em queda no RN
A Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social do Rio Grande do Norte (SESED) divulgou, nesta quinta-feira (06), novos dados consolidados que demonstram que os índices de criminalidade continuam diminuindo em todo o Estado. Para roubos e furtos de veículos, comparando as ocorrências registradas ao longo dos cinco primeiros meses de 2023 e de 2024, queda de 7,9% e redução de 10,7% respectivamente.
Em números absolutos, foram 1.308 roubos registrados no primeiro quinquemestre do ano passado, contra 1.205 casos ocorridos no mesmo período de 2024, o que representa 103 crimes a menos. No caso dos furtos, foram 1.033 ocorrências de janeiro a maio de 2023, contra 922 no mesmo período de 2024, ou seja, 111 registros a menos.
Outras reduções:
O Rio Grande do Norte também fechou o quinquemestre com queda nos roubos a residências (-13,1), roubos a estabelecimentos comerciais (-19,5) e assaltos a pessoas em via pública (-8,1%).
Importante destacar que os índices de violência e criminalidade contabilizados no RN são consolidados pela Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (COINE) da SESED. Após o processo, as informações são compartilhadas com o Ministério da Justiça e da Segurança Pública (MJSP).
Cidades do RN deixam lista das 50 mais violentas do mundo
O Rio Grande do Norte ficou fora do ranking das 50 cidades mais violentas do mundo. Os dados são de um levantamento da ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal e faz referência ao ano de 2023.
De acordo com o levantamento, das 10 cidades brasileiras com mais mortes violentas, sete fazem parte da região Nordeste e três estão no Norte. Em comparação aos dados apresentados pela ONG em 2022, o Brasil melhorou os índices. No ranking anterior, a cidade mais violenta do país ocupava a 11º posição na lista e em 2023 ocupa a 19ª colocação.
Mossoró, considerada a cidade mais violenta do Brasil no levantamento da ONG mexicana em 2022, ficou fora do ranking com os dados de 2023. Este movimento também aconteceu com os índices da cidade Natal, que não é mencionada na atual publicação.
Confira a lista completa das 50 cidades mais violentas do mundo pela mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal em 2023.
link: https://exame.com/brasil/brasil-tem-10-das-50-cidades-mais-violentas-do-mundo-veja-ranking/
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Como o Piauí virou modelo no combate ao roubo de celulares. PS: Envolve robôs
Sem nenhum novo investimento, com muita inteligência – e alguns robôs – o Piauí está fazendo um estrago na vida daquela grande praga nacional: os bandidos especializados em roubar ou furtar celulares.
A estratégia é simples e brilhante. Começa pelo rastreio do chassi dos celulares.
No setor de telecom, esse “chassi” é conhecido como IMEI, a sigla para International Mobile Equipment Identity. Não importa quantos donos ou quantos números de telefone um celular tenha, o IMEI nunca muda.
Com base nesta premissa, os policiais desenvolveram um aplicativo que consegue ler o IMEI e cruzar informações. O sistema foi batizado de Cell Guard.
Em um primeiro momento, em uma espécie de MVP, a polícia do Piauí realizou várias blitz pelas ruas de Teresina. Os ocupantes dos veículos não precisavam soprar em nenhum bafômetro, mas digitar *#06# nos seus celulares. Ao fazer isso, o celular mostra na tela o número do IMEI.
O policial tirava uma foto, e o robô dizia na hora se o aparelho era roubado. Em apenas um fim de semana, foram apreendidos 50 aparelhos.
A ideia estava validada. Agora era só partir para a operação em massa.
Com 24 mil boletins de ocorrência na fila das investigações, a polícia pediu uma autorização judicial e conseguiu obter das empresas de telefonia os novos números de todos os aparelhos roubados.
Mais uma vez os robôs entraram em ação, desta vez para fazer uma notificação em massa via mensagens de celulares. Usando um número de WhatsApp verificado, a polícia dispara intimações aos novos usuários dos aparelhos, exigindo que compareçam à delegacia para comprovar que são os proprietários legítimos dos celulares.
O robozinho é capaz de fazer 10 mil intimações por minuto – mas como a delegacia não teria como receber tanta gente ao mesmo tempo, o trabalho é feito aos poucos.

A delegacia ficou cheia; no começo, apenas quatro funcionários faziam o atendimento. Logo, tiveram que botar 15.
Em uma espécie de delação premiada em massa, as pessoas foram contando aos policiais os nomes das lojas ou pessoas de quem compraram os aparelhos.
Estava dado o start para a nova etapa das investigações: a Operação Interditados, que já está em sua 15ª fase e é de fazer inveja a qualquer Lava Jato.
Os policiais conseguiram provas da venda irregular de celulares e já fecharam 65 lojas físicas e virtuais envolvidas na receptação. 20 lojistas foram presos.
Mas as operações têm um requinte de inteligência. Em cada diligência, os policiais levam consigo os fiscais da Receita Federal.
Os policiais só podem apreender os celulares roubados, como bem lembrou ao Brazil Journal o delegado Matheus Zanatta, superintendente de Operações Integradas da Secretaria de Segurança Pública do Piauí.
“Já os fiscais…” descobrem outras bandalheiras.
No mês passado, na 12ª fase da Interditados, os fiscais da Receita apreenderam em uma única loja do Shopping da Cidade 26 sacos (de 60 quilos cada) com equipamentos eletrônicos importados sem notas fiscais. E agora, o boleto do imposto está a caminho.
Mas para resolver o furto de celulares, a polícia também está atacando em outra frente. Usando o bom e velho trabalho de campo, policiais à paisana estão frequentando eventos de grande porte no Piauí para prender ladrões de celulares – com a mão na massa, em flagrante. (Já houve incursões no Pará e no Maranhão para prender suspeitos.)
Do outro lado, os ladrões começaram a testar novos mercados – como o de peças usadas – forçando os policiais a estender as operações às empresas que revendem peças.
Graças à operação, o círculo contra a bandidagem está se fechando no Piauí: em oito meses, a polícia já devolveu 6 mil celulares a seus verdadeiros donos.
Os roubos e furtos de aparelhos diários caíram 40%, em Teresina – enquanto, no resto do País, crescem 15% ao ano. Além disso, todo assalto a mão armada tem o potencial de virar algo mais grave. No Piauí, a polícia reduziu os latrocínios em 20% no ano passado – e, segundo a Secretaria de Segurança, a queda já é de 50% em 2024.
O roubo e o furto de celular não estão no rol dos crimes graves, mas têm um efeito imediato na sensação de insegurança da população, e, por isso, outros estados estão se interessando pelos avanços feitos pelo Piauí.
“Nem toda família vai viver a dor de um homicídio, mas com certeza 100% das famílias já viveram a dor de um roubo,” diz o diretor de inteligência da SSP do Piauí, Anchieta Nery. “Se não você, sua esposa, seu filho, seu irmão… com certeza alguém de cada família brasileira vai viver essa dor em cada geração.”
Em março, o sucesso do Piauí ganhou destaque no Fantástico, e desde então pelo menos cinco estados procuraram mais informações. Antes disso, outros três já estavam recebendo ajuda para replicar o método.
“Nosso estado é um case de sucesso e não vejo obstáculos para que outros estados repliquem. Estamos prontos para transferir a tecnologia,” diz Zanatta.
O Ministério da Justiça anunciou hoje que quer transformar o protocolo em política nacional.
Mas o Piauí continua um passo à frente: sua polícia já se prepara para aplicar um protocolo similar contra o roubo de automóveis.
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Saudades do tio Filipe
Quem mandou matar Marielle foi respondido. Os três presos são os únicos?
Uma calúnia a serviço do setor mais pró-imperialista da esquerda
Em artigo Nota de repúdio às agressões do PCO no 8 de março, publicado no portal Esquerda Diário, o Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT) calunia o Partido da Causa Operária (PCO), cujos militantes foram agredidos no ato de 8 de março em São Paulo. Após três parágrafos de muita demagogia, em que o MRT diz ter ido às ruas contra a “violência de gênero e a precarização do trabalho”, o grupelho diz que rechaça “veementemente as agressões e violência cometidas por militantes do PCO contra mulheres no ato do 8 de março em São Paulo“.
Que agressões? Que violência? Ninguém sabe. O MRT, aqui, age como a extrema direita bolsonarista durante o golpe de Estado de 2016, que acusava o filho de Lula de ser dono da empresa de telefonia Oi ou da empresa frigorífica Friboi. Prova? Nenhuma. Há algum contrato em nome do filho de Lula? Há sequer uma foto dele no escritório dos executivos da Friboi? Não. Mas, para a extrema direita, a acusação já basta. É este o seu método: acusar sem provas e intimidar os adversários por meio de calúnias.
Em um dado momento no artigo, o MRT apresenta o que seria sua “prova”. Uma “prova”, contudo, digna da Operação Lava Jato, que tinha Sergio Moro como seu juiz. Na época em que tentava prender Lula, Moro apresentou como “prova” de que um sítio pertenceria ao presidente o fato de que a ex-esposa do petista teria comprado pedalinhos para os netos brincarem no local. Eis o “pedalinho” do MRT: “uma professora dirigente do MRT foi agredida pelas costas, enquanto tentava impedir que militantes do PCO seguissem com seus empurrões, socos e cotoveladas“.
O MRT sequer afirma que a “agressão” teria sido feita pelo PCO! E mais: o que seria essa “agressão” pelas costas? A “professora dirigente” recebeu uma facada? Em um empurra-empurra, em um tumulto, sempre alguém acaba sendo empurrado. É completamente diferente de uma agressão, quando alguém, deliberadamente, resolve investir contra a integridade física de alguém. Em nenhum momento o MRT diz: fulano, do PCO, deu um murro no rosto de ciclano, do MRT. No máximo, a grande “acusação” é a de que alguém trombou em uma tal professora. Não acusam o PCO de nenhuma agressão de fato por um motivo simples: não houve agressão.
Mas a mentira do MRT diz mais sobre o próprio grupelho. Ao se preocupar em acusar o PCO de ter agredido pessoas, o grupelho se exime de denunciar o verdadeiro motivo que levou às agressões contra o PCO naquele ato. Tudo aconteceu porque o Partido foi censurado. Foi impedido de falar do caminhão de som. Em vez de denunciar essa conduta da “organização” do ato, que, além de ser antidemocrática, é o que causou os eventos posteriores, o MRT preferiu, portanto, acusar os agredidos e censurados de serem os agressores!
A questão da censura aparece de uma maneira verdadeiramente calhorda no artigo: “batalhamos por um movimento de mulheres democrático onde as posições possam se expressar, e defendemos direito de fala para todas as organizações no caminhão de som do ato“. Veladamente, eles reconhecem que o PCO foi censurado. No entanto, é como se dissessem: “se o PCO foi censurado, nós não temos nada a ver com isso“. Ora, mas se o PCO foi censurado, os eventos posteriores estão mais que explicados.
Ao contrário do que o MRT alega, a reação do PCO ao ser censurado não foi a de agredir manifestantes. Foi, conforme vários vídeos nas redes sociais comprovam, a de protestar contra a censura. E é neste momento que as agressões contra as mulheres do Partido ocorrem. O tumulto no ato foi simplesmente o resultado de homens da “organização” do ato reprimindo o protesto de mulheres que foram censuradas e essas mulheres tentando se defender.
Curiosamente, uma cena dessa história foi completamente omitida pelo MRT. O grupelho não mencionou o que houve de mais escatológico naquele dia: os mesmos que agrediram as mulheres do PCO ainda chamaram a polícia para uma manifestação de esquerda para reprimir as militantes trotskistas. O MRT, portanto, não apenas não condena a censura, como não condena a agressão às mulheres do PCO e como não condena a intervenção policial no ato.
O MRT mente e calunia por um problema de interesses, mostrando que não tem princípios. Não há, por exemplo, como falar que “em SP nossas mulheres também lembraram as famílias que perderam seus filhos e filhas para a violência policial para que essa data também fosse em nome de cada uma dessas mães e de cada um que nos foi tirado, ainda mais em um momento que Tarcísio de Freitas, governador bolsonarista e reacionário da extrema direita segue com a maior chacina da história de SP – com exceção do massacre do Carandiru“, se a organização não vai denunciar a participação da polícia no ato. Não é uma defesa da mulher de fato, mas uma defesa do próprio interesse.
O MRT calunia o PCO não porque acha que isso é o melhor a ser feito na luta em defesa das mulheres, mas porque considera que o PCO é um partido que “compete com eles”. Isto é, por se verem ameaçados diante o crescimento do PCO, se sentem obrigados a criticar o Partido, ainda que não haja o que criticar. Essa defesa do próprio interesse, finalmente, faz com que o MRT apoie os setores mais oportunistas e pró-imperialistas do movimento contra o setor mais combativo e revolucionário.
O trotskismo é a defesa viva da revolução proletária
Em entrevista à Revista Opera, publicada no último dia 7, o youtuber Jones Manoel afirmou ter sido simpatizante do trotskismo nos primórdios de sua trajetória. Segundo ele, “Trótski sempre foi vendido, na literatura com a qual tive contato, como o exato oposto do Stálin: então havia autoritarismo no stalinismo – Trótski era o defensor da democracia proletária plena; tinha repressão à liberdade artística e criativa – Trótski era o defensor pleno da liberdade criativa no socialismo; e por aí vai”. Contudo, o próprio Jones Manoel admite que:
“O que fez eu me afastar do trotskismo foi, (…) quando Trótski era comandante do Exército Vermelho e houve greve de ferroviários na Ucrânia, ele mandou prender. Porque do ponto de vista militar era necessário que aquelas linhas de ferro estivessem funcionando para as manobras do Exército Vermelho. Percebe?”
Para o youtuber, as decisões tomadas por Leon Trótski no calor de uma guerra civil, que contou com forças hostis de mais de 20 nações, e a severa repressão promovida por José Stálin, anos após a consolidação da Revolução de Outubro, justificada tão somente pelos interesses da burocracia dirigente, seriam a mesma coisa. Manoel, então, segue seu raciocínio, afirmando que “o que me afastou do trotskismo é que acho que ele tem uma tendência muito pequeno-burguesa de idealizar as condições de transição socialista, de imaginar um mundo perfeito, e também de pensar as coisas como se fossem fáceis”.
A crítica de Jones Manuel basicamente coloca Trótski como um mero acadêmico, alguém que não vivia no mundo real, da luta política prática, reduzindo-o a um diletante – como ele diz, “um pequeno burguês”. Ora, mas Trótski não estava trancado em um gabinete elaborando ideias mirabolantes sobre o socialismo, ele foi uma das pessoas mais decisivas para o sucesso da Revolução Russa. Organizou o golpe que derrubou o carcomido regime burguês, tendo sido também o responsável por organizar o Exército Vermelho, por ele fundado. Após o fim da Guerra Civil, vendo os descaminhos adotados pela direção burocrática da República operária, cria a Quarta Internacional para lutar pela permanência do processo revolucionário até o seu fim.
Para o ex-PCB, contudo, todos esses feitos são aspectos “menores” da obra de Trótski diante do fato de que, em tempos de normalidade, o revolucionário defendia as liberdades civilizatórias e em tempos de guerra, a satisfação das necessidades da guerra. Pior do que isso e revelando suas tendências diletantes, seu questionamento se dá em relação a teses, o que fica evidente ao dizer:
“Fui forçado a pensar várias questões que eu realmente não tinha pensado. É muito gostosa, muito tranquila, a ideia de que no socialismo tudo vai ser negociado e conversado. Mas como é que fica, por exemplo, a justa reivindicação de trabalhadores ferroviários que estão recebendo um salário muito baixo, com dificuldade de acesso a suprimentos, e que decidem parar uma ferrovia, frente as necessidades postas por uma guerra civil que precisa daquela ferrovia funcionando?”
Marx e Engels acabaram de ser revogados. Não é a luta de classes que move a história, mas a luta de teses. Ou, talvez, a luta moral: “reprimir ou não reprimir, eis a questão”? Quem tem o programa marxista solidificado – “densidade teórica”, como o youtuber diz” – jamais perderia tempo com questionamentos tão inúteis como “qual a tese certa?” ou “operários grevistas ou ferrovias?” Diante de uma contenda que apresenta a forma de Stálin contra Trótski, um marxista perguntaria “qual o fundo social dessa disputa?” “Quais classes estão em luta?”
Questionamentos realmente relevantes levariam um observador atento a perceber a ascensão da burocracia após a vitória de Stálin – que se solidificara na URSS até o colapso do país -, indicando que este representava uma pequena burguesia. Trótski, por outro lado representava a classe operária e a sua necessidade de levar adiante uma revolução permanente contra a burocracia e contra o imperialismo.
Após a consolidação da revolução, a pequena burguesia entrincheirada na burocracia soviética torna-se ferozmente contrarrevolucionária. Este fenômeno é reconhecido por Manoel, que destaca:
“O governo soviético, com Stálin à frente, decidiu não socorrer a revolução grega, e deixou, na prática, que a Inglaterra esmagasse a revolução grega. O Stálin está certo ou errado? De um ponto de vista do internacionalismo proletário puro, deixou uma revolução ser esmagada – claro que está errado. Mas do ponto de vista da responsabilidade com o seu povo faria sentido”.
Tivesse a luta de classes como guia, o youtuber não se prestaria a justificar o esmagamento de uma revolução pela defesa da nação. Evidencia-se, mais uma vez, que não é o marxismo o que orienta Manoel.
Curiosamente, o crime cometido pelo stalinismo contra o proletariado internacional nitidamente não o choca tanto quanto a repressão a trabalhadores contrarrevolucionários no meio de uma guerra civil. Revela-se, finalmente, que seu espanto com os grevistas presos não é nada além de uma calúnia contra aquele que personificou a luta do proletariado contra as tendências contrarrevolucionárias e morreu as enfrentando.
Livro: A Portuguesa que Odiava o Catalão
Como assistir filmes soviéticos de graça
Uma dica de cinema para todos que gostam de bons filmes e querem ter acesso a obras especiais gratuitamente.
O Centro de Cultura Popular da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (CPC-UMES) é representante, no Brasil, da agência de filmes criada na União Soviética em 1924, a Mosfilm.
A princípio, o CPC-UMES vende o catálogo da agência, com filmes legendados e restaurados, em DVD em seu site. Mas, desde a pandemia, tem mantido, em seu canal do YouTube, uma programação imperdível e gratuita aos finais de semana.
De sexta-feira, 19h, até domingo, também 19h, é possível assistir a um filme escolhido pela equipe curadora do canal, como se fosse uma sessão de cinema.
Tenho acompanhado religiosamente as exibições nos últimos meses e posso dizer uma coisa: não tem como se arrepender.
Cada filme é excelente e mostra um pouco da vida da União Soviética, com obras importantes, de diretores consagrados.
Nos dois últimos finais de semana, o canal exibiu Libertação, uma série de cinco filmes lançados entre 1969 e 1972, dirigidos por Yuri Ozerov.
Trata-se de uma monumental representação da contra-ofensiva soviética na II Guerra Mundial a partir da Batalha de Kurzk até a tomada do Reichstag em Berlin.
Ter a oportunidade de assistir a uma obra como essa é poder confrontar pontos de vista diferentes sobre o que aconteceu no conflito.
Somos muito acostumados a assistir somente a filmes da Europa ocidental e dos Estados Unidos sobre a II Guerra, o que é uma falha.
A obra soviética mostra como esses países foram coniventes com o nazismo como força que poderia destruir o socialismo soviético e mantiveram uma atitude ambígua durante toda a duração da Guerra.
Além disso, a obra tem o mérito de mostrar, de maneira didática, como foram as estratégicas e táticas do exército soviético para derrotar os alemães, com encenações das principais batalhas.
Ozerov utiliza mais os recursos épicos (no sentido que Brecht dá ao termo) do que o mero exercício melodramático que poderia se esperar da obra.
Não deixa, no entanto, de elencar alguns personagens que acompanhamos ao longo dos cinco filmes, com momentos de humor e romance.
Além dos personagens históricos, que são apresentados tomando decisões sobre o conflito, como Hitler, Stálin, Churchill e Roosevelt.
No canal do CPC-UMES, a média de audiência de cada filme revela que há um público ávido no Brasil pela oportunidade de ter acesso a essas obras. Em média, cerca de duas mil pessoas acompanham as exibições semanais.
Para não perder o próximo, visite este link: https://www.youtube.com/results?search_query=CPC+Umes
A língua em Portugal e no Brasil (com um salto à Galiza)
TO: professora é demitida por se candidatar ao governo pelo PCO
─ Por Carmen Hannud (Carmen Aga) ─ No dia 5 de Agosto, uma sexta-feira, foi divulgada minha candidatura como governadora do Tocantins pelo Partido da Causa Operária-PCO. Alguns dias depois, na quarta-feira dia 10 do mesmo mês, fui chamada para uma reunião em que fui informada da minha demissão. Eu trabalhava como professora na Faculdade Católica Dom Orione-FACDO na cidade de Araguaína...
What Borgen gets right (and wrong) about Danish politics
Paulo Freire y la Pedagogía Refugiada. Construcción de una Educación Liberadora en el Sahara Occidental
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| Escola nos acampamentos de refugiados saharauis |
José Antonio Monje (1)
Resumen:
El presente artículo nos muestra en detalle el modelo educativo saharaui, construido en los campamentos de refugiados instalados en Tindouf (Argelia) desde 1976, año en el cual se proclamó la República Árabe Saharaui Democrática (RASD). Dicho modelo se encuentra profundamente inspirado en las lecciones aprendidas de la experiencia de colonialismo, guerra, genocidio, ocupación, exilio y refugio padecido por su pueblo, analizada a la luz del pensamiento crítico de autores como Franz Fanon o Paulo Freire. La construcción cotidiana de su historia, la problematización de su realidad presente y su lucha liberadora, junto con el propio contexto de descolonización, todavía pendiente en este territorio africano, se han convertido desde aquellos años, al mismo tiempo, en un auténtico eje estructural de identidad, una reivindicación histórica, una carta de presentación al mundo y en la marca distintiva de la “pedagogía refugiada saharaui”.
Palabras-clave: Sistema Educativo; Sahara Occidental; Paulo Freire; Pedagogía; Refugiados.
Resumo:
Este artigo mostra-nos em detalhe o modelo educativo saharaui, construído nos campos de refugiados instalados em Tindouf (Argélia) desde 1976, ano em que foi proclamada a República Árabe Saharaui Democrática (RASD). Esse modelo é profundamente inspirado nas lições aprendidas com a experiência de colonialismo, guerra, genocídio, ocupação, exílio e refúgio sofridas por seu povo, analisadas a partir da perspectiva crítica de autores como Franz Fanon ou Paulo Freire. A construção cotidiana da sua história, a problematização da sua realidade presente e a sua luta de libertação, juntamente com o próprio contexto de descolonização, ainda pendente neste território africano, tornaram-se desde esses anos, ao mesmo tempo, um autêntico eixo estrutural de identidade , uma reivindicação histórica, uma carta de apresentação ao mundo e na marca distintiva da “pedagogia dos refugiados saharauis”.
Palavras-chave: Sistema Educativo; Sahara Ocidental; Paulo Freire; Pedagogia; Refugiados.
Abstract:
This article shows us in detail the Saharawi educational model, built in the refugee camps installed in Tindouf (Algeria) since 1976, the year in which the Saharawi Arab Democratic Republic (SADR) was proclaimed. This model is deeply inspired by the lessons learned from the experience of colonialism, war, genocide, occupation, exile and refuge suffered by its people, analyzed from the critical perspective of authors such as Franz Fanon or Paulo Freire. The daily construction of its history, the problematization of its present reality and its liberation struggle, together with the context of decolonization itself, still pending in this African territory, have become since those years, at the same time, an authentic structural axis of identity, a historical claim, a letter of introduction to the world and in the distinctive mark of the “Saharawi refugee pedagogy”.
Keywords: Educational System; Western Sahara; Paulo Freire; Pedagogy; Refugees.
1. Introducción
De acuerdo a datos de la UNESCO (2008)[2], la tasa de alfabetización de la RASD actualmente es 96%, encontrándose muy por encima de otros países del norte de África tales como Túnez, cuya tasa se encuentra en 77,7%, Marruecos, que ostenta un 70,1%, o Egipto, con un 66,4%. Esta particular condición ha despertado interés en torno a la propuesta pedagógica desarrollada por este país magrebí, liderada por el Frente Popular por la Liberación de Saguia el Hamra y Río de Oro (Polisario) (ACNUR, 2011). Esta innovadora propuesta pedagógica es gestionada desde su sistema educativo nacional, fruto de un intenso trabajo concertado entre la sociedad civil saharaui y su gobierno, principalmente representado a través de su Ministerio de Educación y Formación Profesional.
¿Cuáles son los elementos clave constitutivos de la propuesta pedagógica saharaui?, ¿qué características principales la diferencian de otros sistemas educativos implementados en la región del Magreb?, ¿por qué es tan importante conocerla y difundirla? Estas serán algunas de las preguntas de partida que nos guiarán por la historia, el desarrollo y la idiosincrasia de uno de los modelos educativos más exitosos implementados en zonas de conflicto y post-conflicto.
Para entender mejor los logros alcanzados por este sistema y la importancia que tiene en el desarrollo de la población saharaui, en la primera parte del presente trabajo conoceremos los elementos básicos que conforman dicha estructura gubernamental y las metodologías más representativas de esta forma de hacer educación en el desierto del Sahara. Analizaremos también las implicancias pedagógicas del trabajo que desempeña el Frente Polisario en el país, su capacidad movilizadora y de generación de auténticas dinámicas identitarias en su població[3]. Posteriormente, veremos cuáles han sido las principales contribuciones ideológicas que han marcado dicha identidad, al igual que su praxis política y educativa, deteniéndonos especialmente aquellos aportes realizados por Paulo Freire y su Pedagogía del Oprimido.
2. El sistema educativo saharaui
Creado en el exilio, en plena Primera Guerra del Sahara Occidental (1975 – 1991) y en medio de la precariedad absoluta de los campamentos de refugiados en Tindouf, el sistema educativo saharaui tiene como objetivo principal brindar un mejor futuro para sus niños y niñas, fortaleciendo plenamente sus capacidades. Un pueblo consciente de sus potencialidades y limitaciones que consideraba (y sigue considerando), en concordancia con el enfoque del PNUD[4], que la educación y la salud son la base del desarrollo, los pilares fundamentales a partir de los cuales debe construirse su sociedad liberada.
Debido a las características del contexto y, sobre todo, al proceso histórico en el que se encontraba, el pueblo saharaui requería para su sistema educativo nacional de una estructura básica y funcional, que le permitiese alcanzar sus objetivos de la manera más eficiente posible. Por ello, crearon un ordenamiento estratificado simple, el mismo que va desde la formación inicial en las guarderías, pasando luego por la educación básica regular en primaria y secundaria, la educación especial, para finalizar con la formación profesional y enseñanza superior. En todas estas etapas, los servicios educativos se brindan de manera gratuita y con cobertura universal (Rivero, 2013; Tur, 2015; Vinagrero, 2019).
El sistema en construcción también debía reconocer adecuadamente el protagonismo de las mujeres en la sociedad saharaui. Como toda sociedad en conflicto armado, los roles tradicionales de género se ven seriamente alterados, debiendo asumir siempre las mujeres una carga adicional de responsabilidades ante la presencia masiva de varones jóvenes en el frente de batalla (Fiddian-Qasmiyeh, 2018). El sistema educativo, como el resto de sistemas de dicha sociedad, debe facilitar las condiciones para que esa nueva asignación de roles se produzca eficientemente, proporcionando todos los insumos y transfiriendo las capacidades necesarias para el desempeño de las tareas reasignadas. Este es la causa principal por la cual el sistema educativo saharaui debía preparar a las niñas y jóvenes mujeres de manera igualitaria, con las mismas oportunidades para que puedan asumir sin mayores dificultades cualquier tipo de roles con las competencias requeridas. En este sentido, constituye un importante ejemplo de búsqueda de equidad de género en la educación por parte de una sociedad que preconiza el respeto a los valores arabo-musulmanes y el servicio a la patria como exigencias prioritarias (Medina, 2016).
El gobierno de la RASD decide asumir el reto e inicia la construcción de un sistema sólido y abierto, en diálogo permanente con el mundo que lo rodea, especialmente con aquellos países geográfica e ideológicamente más cercanos y con los cuales existe un vínculo cultural y/o histórico significativo. Por esta razón, entre sus características más representativas, además de adoptar el árabe como idioma oficial, se considera al castellano como segunda lengua, obligatoria en el programa de enseñanza a partir del tercer año de primaria. De esta manera, los y las saharauis integraron el idioma principal de la Península como signo identitario fundamental, marcando una importante diferencia con el marcado entorno francófono, “descolonizándolo” y convirtiéndolo en un importante nexo cultural con España en particular y con el mundo iberoamericano en general (Candela, 2007).
La estructura piramidal adoptada por el sistema presenta un nivel central nacional, a cargo del Ministerio de Educación y Formación Profesional, organismo sectorial rector que cuenta con un conjunto de direcciones generales que resaltan la importancia estratégica de determinados aspectos técnicos y organizativos de la gestión pedagógica tales como Metodología, Orientación, Recursos Humanos, Enseñanza Técnica, Lenguas Extranjeras, Actividades Deportivas y Estudios en el Exterior. El segundo nivel de la estructura es el correspondiente a la gestión pedagógica para las wilayas, los Consejos Populares Regionales, finalizando con un nivel básico de gestión desde las dairas, los Consejos Populares Locales (Vinagrero, 2019).
Al plantearse como un sistema participativo y democrático, las dinámicas de organización sociopolítica y sus correspondientes espacios de intercambio facilitan que todas las autoridades pertenecientes a cada uno de los diferentes estamentos sean asequibles, de modo que la población pueda interactuar con ellas sin mayores barreras de acceso o disponibilidad. Sin embargo, al encontrarse las escuelas y las guarderías al interior de las dairas, éste es el nivel que resulta más cercano a las familias, en el cual interactúan permanentemente y coordinan su participación en la educación de sus hijos e hijas, como parte activa de la comunidad educativa.
Al llegar a los campamentos de Tindouf entre 1975 y 1976, el índice de analfabetismo de la población saharaui exiliada era aproximadamente del 90%, pudiendo alcanzar hasta el 96% en el caso de la población femenina (Fuente y Mariño, 2006). Ante tales circunstancias, se estructuró un sistema educativo capaz de revertir esos indicadores y de formar desde la base a las nuevas generaciones, mediante una adecuada alfabetización y focalización del proyecto educativo en los primeros años de vida. Por tal motivo, en 1984 se constituyen las primeras tarbías, escuelas de educación infantil ubicadas en el centro de las dairas. Estas escuelas acogen durante las mañanas a niños y niñas entre tres y cinco años de edad. Plantean un periodo educativo voluntario en sus dos primeros años, siendo el tercer año preparatorio para el ingreso a la educación primaria y por tanto de carácter obligatorio. Como propuesta pedagógica, en este nivel se combina la protección con la instrucción, asumiendo las educadoras el rol complementario al de las madres de sus alumnos y alumnas. Se trata de un primer acercamiento a la formación en autonomía, conocimiento de sí mismo e integración al espacio colectivo (Vinagrero, 2019).
La incorporación del alumnado desde tan tempranas edades rompió absolutamente con el esquema tradicional establecido por la sociedad saharaui, de naturaleza nómada, beduina arabo-bereber, exiliada y asentada precariamente en territorio argelino debido a la invasión de sus tierras, que se vio forzada a adoptar una dinámica socioeconómica diferente a la ancestralmente propia. Tal como comenta el antropólogo saharaui Bahia Awah (2011), originalmente la responsabilidad de la educación básica en esta sociedad recaía directamente en la familia, especialmente en la madre, transmitiéndose los conocimientos de generación en generación a través de las diferentes herramientas de la tradición oral y escrita. En este sentido, la literatura y poesía formaban parte de los instrumentos más eficaces para realizar dicha transferencia de saberes (Awah y Moya, 2015). Sin embargo, al hacerse sedentaria la población saharaui delega dicha responsabilidad pedagógica al Estado y a su sistema educativo, trayendo como consecuencia directa la progresiva disminución del protagonismo e importancia del espacio familiar como referente educativo principal (Rivero, 2013; Yern, 2015).
El sistema plantea la educación primaria como siguiente nivel de instrucción, el mismo que consta de seis cursos en total. Se incrementa el número de horas de clase y con ello los niveles de interacción entre el alumnado, facilitando la transición de la dinámica de socialización de los niños y niñas del ámbito familiar al comunitario. Al mismo tiempo, diversifican contenidos, cursando asignaturas de Geografía e Historia, Dibujo, Educación Islámica, Matemáticas, Educación Física, Lengua Árabe, Tecnología, Ciencias Naturales y Lengua Española. Todas las materias de imparten en hassanía[5], siguiendo la secuencia de la educación argelina, a excepción de Lengua Española. Por esta condición, en este nivel de instrucción se inicia la presentación de complicaciones técnicas pues el sistema argelino proporciona los principales contenidos para las materias genéricas, pero en el caso de cursos como Geografía e Historia se deben llevar a cabo adaptaciones casi integrales a la realidad saharaui, en medio de las condiciones de grave carestía antes descritas (Vinagrero, 2019).
La elaboración de los contenidos curriculares para estas dos materias estratégicas brinda la oportunidad precisa para introducir el ejercicio del análisis contextual y la concepción de la integridad territorial nacional. Todos los lugares en los campamentos, las dairas y wilayas, así como los centros comunitarios más representativos, llevan nombres de lugares originales en el actual territorio ocupado. De esta forma, las cinco wilayas que conforman los campamentos en TIndouf se denominan Smara (la ciudad sagrada saharaui), Ausserd, Bojador, Dajla y Aaiún, la capital ocupada de la RASD. De igual manera, centros como el “27 de Febrero”, día de la proclamación de la RASD (1976), o el 12 de Octubre, día de la Unidad Nacional Saharaui, hacen referencia directa a hitos clave de la historia de este pueblo. En el calendario oficial de festividades nacionales, esta última fecha conmemora el anuncio que un grupo de líderes saharauis hicieran en 1975, en la región de Ain Bentili, a los principios del Frente Polisario, con la finalidad de alcanzar la independencia y defender la integridad territorial ante la inminente invasión marroquí del territorio patrio. Resulta doblemente significativa debido también a su fuerte carga simbólica y de denuncia directa pues ese mismo día España celebra su Fiesta Nacional.
La cooperación internacional interviene a lo largo de toda la formación y consolidación del sistema educativo. En un primer momento principalmente bajo la modalidad de voluntariado, con comités de solidaridad y asociaciones de amigos del pueblo saharaui para pasar progresivamente por un proceso de oficialización de la ayuda, posibilitando la intervención de instancias estatales de gobierno, lo que significa en términos prácticos el envío de más recursos económicos, materiales, equipos y asistencia técnica especializada (Jiménez 2015).
Existe suficiente número de madrasas para satisfacer la demanda estudiantil primaria, aunque las condiciones de la infraestructura, materiales y equipos no son las más adecuadas, al igual que ocurre con el resto de establecimientos en todos los niveles de instrucción. Al haber sido construidas también en los años ochenta, presentan serias limitaciones y natural deterioro. Requiere de particular atención la condición de oscuridad de las aulas en la que se desarrollan las clases, en un intento por evitar la entrada de sol o arena ante la ausencia de ventanas adecuadamente acondicionadas y de electricidad. Dicha condición, como es de esperarse, viene afectando seriamente tanto la visión como la motivación del alumnado (Vinagrero, 2019).
En general, la lucha permanente contra las inclemencias de la hamada es otro de los rasgos característicos en este contexto de resistencia. Una de las dificultades más desafiantes de los centros educativos, especialmente aquellos que se encuentran más alejados de los centros de concentración poblacional, es la persistente acumulación de arena, efecto de los constantes sirocos (quibli) en la zona. Dicha concentración de este material origina serios bloqueos en el acceso, dificultad en la movilidad, deterior de los materiales y equipos, entre otras graves consecuencias (OXFAM, 2015).
En septiembre del 2011 la propuesta educativa conjunta saharaui dio un salto cualitativo muy importante al inaugurarse en la wilaya de Smara la Escuela Secundaria Básica Simón Bolívar. Hasta ese momento, los y las adolescentes saharauis habían contado con reducidas posibilidades de acceder a la educación secundaria y en su mayoría debían trasladarse a Argelia, Cuba o, en última instancia, a España para seguir dichos estudios y luego poder completar su formación con alguna carrera universitaria. Pero desde aquel año, se brinda en la RASD una sólida oferta de educación secundaria propia, adaptada a la realidad local y regional, que va del séptimo al décimo curso de educación básica regular e incluye asignaturas como Lengua y Literatura Árabe, Historia, Geografía, Educación Islámica, Lengua y Literatura Española, Matemáticas, Física, Química, Biología, Educación Laboral, Educación Física, Informática, Ciencias Naturales y Educación Artística (Aranda, Arias y González, 2012).
A excepción del caso argelino, la continuidad de los estudios secundarios en Cuba o España significa inevitablemente para la adolescencia y juventud saharaui una fuerte ruptura cultural, la misma que es muy difícil de afrontar en la mayor parte de casos, considerando que se realiza justo en la época trascendental del crecimiento donde ocurren importantes cambios físicos y mentales (Monje, 2012). Por esta razón, no eran pocas las familias que ponían muchas dificultades para que sus hijos e hijas pudiesen continuar con su formación académica. Esta situación se presentaba (y se sigue presentando) especialmente en el caso de las familias con tradición musulmana más arraigada, las mismas que ven un grave riesgo de perder costumbres y prácticas propias del islam en la salida de sus hijas al extranjero, sobre todo si se trata de países no practicantes (García, Ahmed Salem, Fernández y González, 2009).
Aunque los modelos clásicos de cooperación internacional suelen usarse en el sustento de gran parte del sistema educativo y, en general, del funcionamiento del Estado saharaui, la escuela Simón Bolívar es fruto de un novedoso modelo de cooperación triangular, integrada por Cuba, Venezuela y la RASD. La tecnología pedagógica y los profesionales especializados son aportados por la mayor de las Antillas, junto con la asesoría y supervisión de las obras de infraestructura, mientras que la financiación de la obra es una donación del pueblo bolivariano, ascendiendo dicha financiación en su etapa inicial a un millón de dólares americanos. Por su parte, la RASD también contribuye con una proporción mayoritaria de docentes, casi todos cubarauis[6] profesionales de carreras universitarias relacionadas con las materias del programa y formados pedagógicamente para el desempeño de la labor docente en los propios campamentos (Monje, 2012).
La cobertura inicial del proyecto educativo (2011) fue de 360 alumnos y alumnas, logrando expandirse hasta lograr la participación de 700 estudiantes en total, en régimen de internado y semi-internado, con la posibilidad de usar las instalaciones del comedor estudiantil y dormir en la jaima familiar para el alumnado cuyas familias residan más cerca de la escuela. El plan de estudios propuesto es multilingüe, incluyendo materias en árabe y castellano. También se imparten clases de inglés y francés.
Es importante anotar que las facilidades que brinda la escuela Simón Bolívar contrastan con las ausentes en los territorios liberados[7] donde sólo existe la posibilidad de formarse en el nivel primario, encontrándose diversas escuelas dispersas de este nivel, obedeciendo a la dinámica poblacional en el lugar.
En el caso de la formación profesional, la presencia de la cooperación internacional es mucho más marcada, apuntando todas las iniciativas a brindar una oportunidad de empleo a los y las jóvenes instalados en los campamentos de Tindouf que no lograron acceder a la educación secundaria o que no consiguieron culminarla. Uno de los primeros centros lleva el nombre del primer presidente de la RASD y mártir de la patria, El Uali Mustafa Sayed. Allí se imparten cursos de motores de automóviles, chapa y pintura, carpintería, administración, electricidad del automóvil, electricidad industrial y soldaduras. Le sigue en antigüedad el Gazuani, con capacidad para setenta alumnos en régimen de internado. En este centro se recibe formación técnica en electricidad, electrónica, informática básica y montaje de ordenadores.
Para continuar los estudios superiores en algún centro universitario, en su gran mayoría los y las saharauis deben recurrir a alguno de los países que solidariamente conceden becas en sus centros. La elección de las profesiones a seguir inicialmente solía estar en función de las necesidades futuras del Estado saharaui, una vez desplegado en su propio territorio. Sin embargo, la situación de larga espera del cumplimiento de la normativa internacional está resultando mucho más prolongada de lo calculado inicialmente, razón por la cual las nuevas generaciones de jóvenes eligen actualmente aquellas profesiones que les den más oportunidades laborales individuales en el corto plazo.
También debemos añadir que, debido a la profundización de la crisis económica mundial, en los últimos diez años el número de becas otorgadas por países amigos como Argelia, Cuba y Venezuela se ha reducido considerablemente, sumado a la supresión de dichas becas por parte de Libia desde la caída del gobierno del coronel Gadafi.
Desde la propia RASD, la Universidad de Tifariti abre las posibilidades de generar y gestionar conocimiento científico, con una perspectiva pedagógica creativa y crítica, ofreciendo además una alternativa de profesionalización a través de cuatro titulaciones (Enfermería, Magisterio, Informática y Periodismo) a los y las jóvenes saharauis residentes en los campamentos de Tindouf. Fundada el año 2012, constituye un auténtico símbolo de liberación e identidad nacional pues desde un primer momento de su concepción se presentó como un proyecto autónomo, gestado en la Conferencia Internacional para la Reconstrucción y Urbanización de los Territorios Liberados celebrada el año 2009 en la ciudad de Tifariti, donde se planteó como objetivo central formar un centro saharaui de enseñanza superior en territorios nacionales. Actualmente, este baluarte político y educativo sigue recibiendo el apoyo solidario de universidades europeas, africanas y latinoamericanas.
En términos generales, hay pocos incentivos para que la juventud de los territorios liberados o de los campamentos curse estudios superiores pues no existe suficiente oferta de empleos cualificados en dichos territorios ni escalas remunerativas acordes con el coste de vida en el lugar. Esta situación de precariedad laboral y alta tasa de desempleo obliga a los y las jóvenes a pensar en dedicarse directamente a la generación de ingresos una vez terminada la educación secundaria e incluso muchas veces finalizando tan sólo la primaria o, en su defecto, a migrar hacia Europa u otros países de la región (como Mauritania o Argelia) en búsqueda de mejores oportunidades laborales y de desarrollo personal (Vilches y Esparza, 2017).
3. Presencia de Freire en las aulas de la hamada
Una vez revisada la estructura básica y las condiciones de desarrollo que presenta el sistema educativo saharaui, analizaremos desde una perspectiva crítica algunos aspectos de su dinámica interna, enfatizando en aquellos contenidos y prácticas pedagógicas estratégicas que guarden relación directa con los aportes de Paulo Freire. El objetivo será constatar el grado de aplicabilidad que presentan dichos aportes en el contexto específico de la RASD.
3.1 Lectura intercultural del entorno
Una de las invitaciones más potentes de Freire es aquella que nos incita a aprender a leer el contexto, captar sus particularidades, oportunidades y desafíos, incluso antes que la propia palabra. “La lectura del mundo precede a la lectura de la palabra, de ahí que la posterior lectura de ésta no pueda prescindir de la continuidad de la lectura de aquél. Lenguaje y realidad se vinculan dinámicamente. La comprensión del texto a ser alcanzada por su lectura crítica implica la percepción de relaciones entre el texto y el contexto” (Freire, 1991). En concordancia con este planteamiento, la propuesta pedagógica saharaui se crea y desarrolla “desde una comprensión crítica de la realidad”, descubriendo “la razón de ser de los hechos” y desmitificando “las falsas interpretaciones de éstos” (Freire, 2011). Dicha propuesta se va construyendo a través del intercambio permanente con la complejidad de su entorno, adoptando cada uno de los componentes estructurales encontrados en su contexto.
Son muchas las aristas que componen la compleja realidad saharaui. Sin embargo, tal vez uno de sus componentes transversales más característicos y que, al mismo tiempo, encierra una riqueza material e inmaterial invaluable, sea su amplia diversidad cultural. En consecuencia, tal como hemos visto anteriormente, su sistema educativo, fiel reflejo de la variada composición demográfica del país, es eminentemente multicultural. Ha logrado integrar tanto sus tres principales esencias identitarias (árabe, bereber y africana) en un conjunto armónico y dinámico, como también aquellos componentes externos, ligados a la experiencia educativa de una considerable proporción de su población, que hoy igualmente forman parte de esta multifacética identidad colectiva. De esta forma, lo latino (cubano específicamente) y lo ibérico, gracias al intercambio educativo prolongado, actualmente constituyen una posible arista adicional de lo que significa ser saharaui. Es en este sentido precisamente que el pueblo saharaui ha logrado la descolonización de lo que inicialmente se presentó como una imposición de la metrópoli, “quitándole por una decisión radical su heterogeneidad” y convirtiéndola en un elemento propio de una identidad cultural en construcción. Desde esta perspectiva, la cultura saharaui puede quedar definida como aquel “conjunto de esfuerzos hechos por el pueblo en el plano del pensamiento para describir, justificar y cantar la acción a través de la cual el pueblo se ha construido y mantenido” (Fanon, 1983).
El problema del uso de la lengua colonizadora no es una cuestión menor. Freire destaca la importancia que tiene asumir los elementos culturales propios para garantizar un pensamiento autónomo y una praxis consecuente, advirtiendo que el uso del idioma colonial como principal instrumento de alfabetización, y de educación en general, puede enajenar a los usuarios, “desafricanizándolos” y haciéndolos repetir dinámicas coloniales entre los propios colonizados, atrapados en un extraño “biculturalismo” (Freire, 2011). El uso del castellano como segunda lengua oficial en la RASD, después del árabe, se encuentra exento de este problema si consideramos que no se trata del instrumento principal de alfabetización ni de educación inicial (la misma que se realiza siempre en lengua materna) y que, al mismo tiempo, todos los contenidos pedagógicos han sido adaptados previamente y “descolonizados”.
Como expresión de esta dinámica intercultural liberadora, se dan permanentemente intercambios en los distintos niveles del sistema educativo saharaui. Existen diversos hermanamientos entre escuelas primarias de los campamentos de Tindouf con un gran número de escuelas afines en países de Europa, América Latina y África. Al mismo tiempo, como lo señalábamos antes, aunque se ha reducido significativamente su cantidad, se mantienen algunos programas de becas para estudios secundarios y universitarios con países como Argelia, Cuba y Venezuela.
Este elemento creativo externo incorporado a la cultura tradicional saharaui funciona como un adaptable complemento. En ningún caso se trata de un sustituto o de un elemento principal distorsionador, ni en la propuesta cultural en general, ni en la pedagógica en específico. De esta forma, la literatura saharaui contemporánea, el arte, el cine e incluso la ciencia producida en la RASD, usa el castellano como idioma vehicular, el mismo que facilita el acceso a circuitos culturales y contextos de aprendizaje donde el resto de pueblos árabes no tienen presencia significativa (Rosania y Rodríguez, 2019).
La multiculturalidad de la propuesta pedagógica saharaui no es simplemente anecdótica o circunstancial, sino profundamente militante. Se presenta en un contexto de descolonización y formación del pensamiento crítico. Está inmersa en los propios procesos de liberación, históricos y vigentes, desarrollados por la población saharaui, desde su niñez hasta su juventud, nutriéndose permanentemente de internacionalismo solidario. La plena conciencia de su identidad poliédrica ha llevado a “los hijos e hijas de las nubes” (Caratini, 2008) a desarrollar una auténtica labor de sensibilización y testimonio, junto con una lucha nacional de liberación, que ha convocado una amplia y diversa red de apoyo internacional. Esta es la razón fundamental por la cual la causa saharaui ha logrado hacerse visible en una gran diversidad de países y contextos. La experiencia pedagógica y lúdica de la niñez participante del denominado programa “Vacaciones en Paz” o la desarrollada por el profesorado cubano en la secundaria Simón Bolívar es sólo una muestra de dicha condición.
Por tratarse de una educación protagónica y liberadora, el alumnado es consciente de su situación de manera permanente, a través de un profundo análisis crítico de la realidad, de un “pensar la práctica”. Los y las estudiantes saharauis no sólo estudian su entorno y definen claramente sus respectivos niveles de protagonismo de acuerdo a sus edades y circunstancia, sino que, al mismo tiempo, dicho entorno se convierte en agente referente de incidencia (“concientización individual y colectiva”) (Freire, 1974). Esta acción de incidencia es desarrollada en las más variadas circunstancias como veremos a continuación.
El sistema educativo saharaui ha logrado implementar y distribuir contenidos pedagógicos en todos y cada uno de sus espacios temporales de intervención, integrando la pedagogía liberadora a la vida cotidiana, incluso en aquellos espacios en los que no se esperaría comúnmente encontrar actividad pedagógica propiamente dicha, como puede ser el caso de las vacaciones escolares. Y es que, a través de programas de intercambio internacional como “Vacaciones en Paz”, el alumnado saharaui emprende una poderosa experiencia participativa de aprendizaje, retroalimentación, sensibilización y mejora de sus condiciones de vida en general (IECAH, 2008).
Esta forma de experimentar la multiculturalidad y el internacionalismo militante ha posibilitado que los niños y niñas saharauis se conviertan en legítimos embajadores y agentes efectivos de incidencia política ante autoridades locales y sociedad civil, consolidando el respaldo, simpatía y solidaridad que la causa saharaui tiene entre la ciudadanía de los países de acogida del programa. Se trata de un auténtico y efectivo ejercicio de diplomacia blanda que busca desencadenar “acciones políticas al lado de los oprimidos” (Freire, 1974), desde su experiencia.
De esta forma, la infancia saharaui, componente estratégico de esta lucha, cumple un rol pedagógico fundamental. Nos enseña mucho de su vida, de su cultura, de su historia y de sus sueños. Y es que, tal como afirmaba Freire, “los cañones solos no hacen la guerra… ésta se resuelve cuando, en su proceso, la debilidad de los oprimidos se hace fuerza, una fuerza capaz de transformar en debilidad la fuerza de los opresores” (Freire, 2011).
También es cierto que, más allá de las evidentes ventajas que pueda proporcionar la experiencia de “Vacaciones en Paz”, tanto para los niños y niñas participantes como para el propio gobierno de la RASD, es imposible negar algunos efectos negativos que acompañan la experiencia. El principal de ellos tal vez sea el choque cultural que se produce en menores de tan corta edad, quienes al principio no entienden exactamente lo que está ocurriendo y por qué existen tan marcadas diferencias entre los pueblos. Progresivamente y con una adecuada orientación, dicho impacto psicológico se va convirtiendo en toma de conciencia de las causas de esas diferencias y en necesidad de hacer algo para cambiar la situación de injusticia (IECAH, 2008). De esta forma, este programa presenta múltiples aristas pedagógicas en su esencia, logrando sensibilizar a cada uno de sus participantes, tanto españoles como saharauis, de distintas maneras y con diversificadas consecuencias.
3.2 Denuncia y Anuncio
Debemos partir del principio que toda guerra de liberación, tal como la que protagonizó el Frente Polisario en su lucha contra España primero y luego contra Marruecos y Mauritania durante la Primera Guerra del Sahara Occidental, “es un hecho cultural y un factor de cultura” (Freire, 2011). Por tal motivo, el proceso de dominación colonialista tiene la necesidad de seguir sometiendo al dominado, política, económica, socialmente y, también, culturalmente. En este sentido, la invasión masiva y permanente de colonos y soldados desde la Marcha Verde[8], la imposición de la tradición marroquí en territorio saharaui ocupado, la asimilación al sistema pedagógico marroquí junto con el uso del francés y la prohibición del hasanía, la permanente represión y violación de los derechos fundamentales de la población saharaui en los territorios comprendidos dentro del muro, entre otras muchas medidas, son evidentes expresiones de esta necesidad permanente de subordinación.
Asimismo, el cerco mediático impuesto por Marruecos desde inicios del conflicto, junto con el resultante ambiente de desinformación direccionada, sigue vigente y es apoyado por sus países aliados (Francia, USA e Israel, principalmente), los mismos que, a diferencia de lo que algunos analistas de geopolítica opinan, siempre mantuvieron sus alianzas estratégicas iniciales (Boukhari, 2004). En este bloqueo informativo globalizado participan diversos actores: reconocidos medios de comunicación masiva, empresas transnacionales, embajadas y parlamentos de países europeos y norteamericanos, prestigiosas universidades, ONGDs y Think Thank, entre otros. Realizan un minucioso trabajo, lento y progresivo, muchas veces inicialmente imperceptible, promoviendo la construcción de una matriz opaca de opinión. El impacto más dañino y, al mismo tiempo, más exitoso de esta intensa actividad es el contundente ocultamiento. De esta forma, consiguen no sólo invisibilizar la coyuntura del conflicto, como actualmente se viene haciendo en Europa y Norteamérica en general, sino también logran desaparecer totalmente al adversario mismo y, con él, a todo el posible contexto problemático, en términos estructurales. Es decir, no sólo se oculta la guerra. También se intenta esconder todo un pueblo que lucha, “deshumanizarlo”, privarlo de su propia identidad, intentando pasar a la RASD a la “zona del no ser” (Fanon, 1983).
El reino de Marruecos recurre permanentemente a la estrategia de la negación, a través de la cual intenta suprimir totalmente una parte de la realidad que le resulta incómoda o adversa a sus intereses nacionales. Esta estratagema, desde hace algunas décadas y a pesar de los esfuerzos del pueblo saharaui y sus instituciones, viene presentando significativos resultados positivos para el régimen alauí. Sólo hace falta constatar cómo, incluso en algunos países donde el Frente Polisario tiene reconocimiento oficial y un importante apoyo ideológico desde las propias instancias gubernamentales (tal es el caso de la República Bolivariana de Venezuela o Nicaragua, por ejemplo), la RASD junto con su historia antigua y reciente es casi una total desconocida entre la mayor parte de su población (Berkani, 2019).
La posibilidad de llevar a cabo un desbloqueo mediático efectivo va mucho más allá de los alcances del sistema educativo saharaui. Pero sin duda, en dicho sistema se encuentran algunas de las principales claves para hacerlo viable. La primera está relacionada con el conocimiento y reconocimiento del entorno considerados como condiciones básicas para la liberación. A través del sistema educativo saharaui, desde los primeros niveles de instrucción, todo el conjunto de conocimientos presentados pasa necesariamente por un análisis crítico del contexto, generando importantes niveles de consciencia sobre la compleja dinámica participativa de diversos actores involucrados en el conflicto, en especial de sus características principales, fortalezas, debilidades, intereses, niveles de legitimidad y de poder. Sólo a partir de esta “pedagogía del conocer” in situ es posible plantear alternativas de intervención con altas probabilidades de impacto (Freire, 1996).
El componente de denuncia sociopolítica que incorpora el sistema educativo saharaui es otro de los más importantes rasgos heredados de las pedagogías liberadoras pues posee la capacidad de dinamizar todos los conocimientos y actitudes forjados a través de la formación protagónica, para ponerlos en valor, activos, impactantes, a través de una expresión explicita de rebeldía, de oposición al statu quo, como aporte a la construcción de nuevas realidades, de otros mundos posibles. Desde esta perspectiva, cambiar el mundo se convierte así, como lo expresaría Freire, en una dinámica dialéctica entre la denuncia de la situación deshumanizante y el anuncio de su vencer. “No hay práctica social más política que la práctica educativa … en efecto, la educación puede ocultar la realidad de la dominación y la alienación o puede, por el contrario, denunciarlas, anunciar otros caminos, convirtiéndose así en una herramienta emancipadora” (Freire, 2003). La propia existencia de un sistema pedagógico propio, autónomo, resiliente, en plena resistencia y en el exilio, constituye un contundente acto de soberanía nacional, de descolonización cultural.
La supervivencia de este sistema depende, entre otras cosas, de la formación de nuevos cuadros para el magisterio, con una educación liberadora y los instrumentos pedagógicos necesarios para poder enseñar-aprendiendo. Con este propósito, la Universidad de Tifariti priorizó esta opción profesional dentro de su oferta académica a través del Instituto Nacional de Formación pedagógica, el mismo que ofrece las carreras de Educación Infantil y Primaria.
3.3 Maestros y maestras a seguir
La lucha por la liberación nacional saharaui se inició contra el colonialismo español, situación opresiva que hasta hoy mantiene sus efectos nocivos en el país al encontrarnos todavía inmersos en un proceso inconcluso de descolonización. No debemos perder de vista este importante condicionamiento pues el actual conflicto armado con Marruecos podría soterrar la situación primigenia de colonialismo hispano aún vigente en la RASD y con ello confundir en torno a las verdaderas causas del conflicto y sus correspondientes alternativas de solución. El reino de España sigue ostentando legalmente la condición de potencia administradora del territorio pendiente de descolonización y dicha designación oficial incluye responsabilidades específicas, como por ejemplo la actual gestión del espacio aéreo saharaui, por delegación expresa de la ONU. Por esta razón, tiene una responsabilidad histórica ineludible que debe asumir. Este es un prerrequisito clave para la construcción de la solución definitiva. Sin embargo, ante evasión de tal responsabilidad, nos encontramos frente a una situación de “eslabonamiento colonial” donde dos países, España y Marruecos, mantienen sometido a un pueblo que desde hace 46 años lucha por su liberación.
En medio de esa lucha, uno de los elementos que mejor efecto pedagógico tiene, especialmente en las nuevas generaciones saharauis, es la presencia y visibilidad de personajes prototípicos, héroes y mártires nacionales que se pueden convertir en referentes cercanos específicos asociados a valores colectivos y/o conductas loables, personas concretas con los cuáles establecer una conexión directa e identificarse más fácilmente. En tal sentido, un “padre” o “madre” de la patria posibilita conocer de primera mano una historia de vida ejemplar, una trayectoria, un contexto, un conjunto de cualidades características y, especialmente, diferentes decisiones que posibilitaron el ascenso a tal categoría (Awah, 2016). Es decir, el recuerdo vivo de héroes, heroínas y mártires de la patria saharaui brinda a su juventud un eficaz motor movilizador (Correale, 2015).
Aunque la resistencia al colonialismo español surgió desde los primeros momentos de la invasión, en 1884[9], presentándose frecuentes enfrentamientos entre las tropas hispanas y los saharauis asentados temporalmente en las costas de su territorio, el primer movimiento de liberación nacional saharaui fue creado recién en 1968 por el periodista Mohamed Sidi Brahim Basir, más conocido como Basiri, recibiendo el nombre de Organización Avanzada para la Liberación de Saguia el Hamra y Río de Oro (Harakat Tahrir). Basiri había fundado dos años antes un periódico nacionalista llamado Al Shihab (La Antorcha), desde el cual presentaba permanentemente un análisis del contexto y propuestas de acción y resistencia. Como consecuencia de la movilización política generada desde este medio de comunicación, el 17 de junio de 1970 fue desaparecido durante una manifestación realizada en el barrio de Zemla (El Aaiún) (Ruiz, 1995; Barona, 2015).
La experiencia de insurrección saharaui estuvo fuertemente influenciada por los movimientos de liberación que se formaron en África en la década de los años cincuenta y sesenta. En especial, el Frente de Liberación Nacional y su rol protagónico en la Guerra de Liberación de Argelia (1954 – 1962) junto con la Revolución del 1ro de Septiembre (1969) y el rol del coronel Muamar Al Gadafi. Es por esta razón que el pensamiento de Franz Fanon, trascendental en la experiencia argelina, también forma parte de uno de los pilares ideológicos de la RASD.
Gracias al ejemplo de Basiri, se ha desarrollado entre el pueblo saharaui un característico respeto hacia el periodismo, además de un arraigado ejercicio crítico de dicha profesión (Reporteros Sin Fronteras, 2019). Y es por este ejemplo y el de sus posteriores colegas de la RASD, especialmente aquellos que actualmente ejercen la profesión en los territorios ocupados, que a los y las estudiantes saharauis residentes en dichos territorios el Majzén les impide la posibilidad de estudiar periodismo en las universidades marroquíes. Esta también es la razón por la cual el gobierno saharaui considera esta profesión como estratégica para la causa y también ha sido una de las priorizadas en la oferta pedagógica de la Universidad de Tifariti.
El ejercicio profesional del periodismo en la RASD, particularmente en los territorios ocupados, exige en el proceso de generación del discurso, una dinámica creadora y recreadora, fruto de una praxis coherente con la opción política revolucionaria del periodista, que es difusor educador y educando al mismo tiempo, aprendiendo crítica y permanentemente de su realidad (Freire, 2011). Los contenidos generados, especialmente los testimonios vivenciales, se convierten, de manera muy especial, en recursos pedagógicos que posibilitan mostrar al mundo exterior la realidad de la población saharaui en ocupación, denunciar la violación permanente de los derechos humanos que ocurre allí y movilizar apoyos internacionales en favor del derecho de autodeterminación de su pueblo (Reporteros Sin Fronteras, 2019).
La causa nacional saharaui se difunde desde los diferentes medios de comunicación estatal existentes (RASD TV, Radio Nacional de la RASD, Sahara Press Service, entre otros), haciendo frente a los esfuerzos de ocultamiento impulsados por el régimen alauí. A esta resistencia contribuye de manera significativa la mayor parte de los medios alternativos de comunicación masiva de países y organizaciones amigas del pueblo saharaui, especialmente presentes en África, Europa y América latina.
Junto con Basiri, primer mártir (shahid) y desaparecido de la lucha de liberación nacional, existe otra gran figura referente, El Uali Mustafa Sayed, fundador del Frente Polisario (10 de mayo de 1973) y primer presidente de la RASD. Originario de la tribu Erguibat, estudiante de derecho en Marruecos, abandona los estudios universitarios y se integra plenamente a la lucha armada anticolonial contra España. Participará en varias acciones bélicas contra España inicialmente, para luego enfrentar a Marruecos y Mauritania hasta su muerte en combate el 9 de junio de 1976, en la wilaya mauritana de Inchiri, durante la Primera Guerra del Sahara Occidental, a la edad de 28 años (Briones, Alí y Salek, 1997).
A través de su actividad revolucionaria y su legado histórico, El Uali no sólo nos plantea lecciones de liberación y coherencia, sino que, al mismo tiempo, constituye un importante baluarte identitario de obligatoria presencia en el sistema pedagógico saharaui. Su testimonio sustenta aquellas palabras pronunciadas por Amílcar Cabral, líder revolucionario de Guinea Bissau y Cabo Verde, “nuestra resistencia armada es también una expresión de nuestra resistencia cultural” (Freire, 2011).
El sistema educativo saharaui toma como ilustres referencias a estos dos padres de la patria. Sus vidas y acciones son analizadas como parte de los cursos de historia nacional. En el calendario escolar se conmemoran los grandes acontecimientos históricos. Y junto con Basiri y El Uali, también se estudia la vida de otros personajes ilustres de la nación saharaui tales como Mohamed Abdelaziz, Bujari Ahmed o Aminetu Haidar. Testimonios de vida que ejemplifican el principio de coherencia entre teoría y praxis, entre principios y valores educativos con acción pedagógica y, al mismo tiempo, el axioma fundamental de acción – enseñanza. Porque a través de estos referentes educativos, el alumnado se involucra en una dinámica de aprendizaje donde el contenido central es la coherencia de vida y la metodología es la presentación de testimonios de lucha revolucionaria como recursos didácticos de “educación para la liberación”.
Además del relato oficial de la lucha por la liberación nacional, también forman parte de los contenidos pedagógicos del sistema todos aquellos relacionados con el resto de aristas de la identidad nacional. De manera muy especial, aquellas proporcionadas desde las artes: la literatura, la poesía y la música saharaui construyen un importante escenario en el cual es posible identificar héroes y heroínas a imitar. El caso del canto combativo de Mariem Hassan y Aziza Brahim, el verso liberado de Mohamed Moulud Uld Budi Uld Hach (Beibuh), Mohamed El Mustafa Uld Mohamed Salem Uld Abdelahi (Badi), Hamdi Uld Alal Uld Daf (Zaim) y Jadiyetu Mint Aleyat Uld Sueilem, junto con la melodiosa prosa rebelde de Bahia Mahmud Awah o Zahra el Hasnaui, por sólo citar algunos ilustres ejemplos, se convierten en auténticas fuentes de conocimiento de la patria y su entorno, de los principios políticos fundantes y, conscientemente de la praxis liberadora (Awah, 2016).
Pero el impacto pedagógico del testimonio no queda sólo en la asimilación de valores y referentes de lucha. Se dice que las guerras muestran lo mejor y al mismo tiempo lo peor de nosotros mismos, de nuestra humanidad. Desde esta perspectiva, es irremediable reconocer que los conflictos armados forjan héroes y heroínas tanto como auténticas aberraciones. Y tal como ocurrió durante la Primera Guerra del Sahara Occidental, la Segunda Guerra, iniciada el 13 de noviembre de 2020, no constituye una excepción de esta paradójica premisa. Al declararse la ruptura del alto al fuego con Marruecos y el correspondiente reinicio de las hostilidades, cientos de jóvenes generosos, siguiendo el ejemplo de Basiri y El Uali, abarrotaron los centros de instrucción militar en los campamentos de Tindouf para ofrecerse como combatientes voluntarios en la defensa de su territorio.
La decisión de estos jóvenes ha impresionado a muchas personas. Nadie esperaba una respuesta tan masiva ni un nivel de involucramiento tan alto. En este sentido, la declaratoria de guerra funcionó como una providencial catapulta que reorientó los anhelos y esperanzas de una juventud aletargada, desmotivada y profundamente frustrada debido a la falta de alternativas de desarrollo personal y comunitario en los campamentos de Tindouf (Vilches y Esparza, 2017).
Con el radical cambio de situación, estos jóvenes pueden vislumbrar una esperanza real de recuperación del territorio saharaui y de construcción de un Estado independiente. Desde la perspectiva de Freire, su concientización en torno a la situación presente y la necesidad de su respectivo protagonismo le ha impulsado a una inserción crítica en los procesos históricos nacionales (Freire, 1987).
Finalmente, los componentes de resistencia, resiliencia y utopía desarrollados en la metodología y los contenidos pedagógicos saharauis, en todos y cada uno de sus niveles de enseñanza, aluden permanentemente a los fundamentos de la pedagogía de la esperanza. La rebeldía como praxis política pedagógica de existencia y reinvención de la vida y de la historia (Freire, 1993).
4. Conclusiones
A diferencia de la mayor parte de sistemas educativos convencionales, el saharaui es un sistema eminentemente militante, forjado en un contexto de resistencia y basado en un pensamiento crítico generador directo de acción política emancipadora. Y en ese sentido, capaz de movilizar interna y externamente una cantidad significativa de recursos, no sólo humanos y materiales sino también el llamado capital inmaterial, el mismo que generalmente no suele ser valorado ni bien utilizado en la labor pedagógica.
Desde su praxis revolucionaria, el sistema educativo saharaui ha sido capaz de desarrollar a profundidad una auténtica “pedagogía refugiada saharaui”, fruto de la influencia de grandes autores como Paulo Freire y Franz Fanon. La estructura misma del sistema, sus contenidos, dinámicas internas y potencialidades orientan a todos los participantes involucrados hacia una visión crítica del entorno, un análisis evaluativo y una consecuente promoción de la acción liberadora.
Esta toma de consciencia de las características básicas y el potencial transformador que tiene este sistema se ve reforzada cuando lo analizamos desde la perspectiva “freireana”. A través de estas categorías, nos encontramos frente a una propuesta pedagógica institucionalizada que educa para la liberación de la condición de opresión, con un profundo carácter descolonizador, dirigida a facilitar la recuperación y fortalecimiento de la esencia e identidad nacional. La condición de opresión del pueblo saharaui está dada no sólo por la invasión marroquí de su territorio y la flagrante violación de los derechos humanos contra la población sometida como consecuencia directa de dicha invasión, sino también por la indiferente posición adoptada por los gobiernos de la llamada comunidad internacional, especialmente en el caso de España, país que se niega permanentemente a asumir sus responsabilidades jurídicas e históricas.
Dentro de las grandes limitaciones materiales del sistema, se ha estado brindando una adecuada respuesta a la mayor parte de necesidades educativas de la niñez y adolescencia saharaui, especialmente la asentada en los campamentos de Tindouf. Sin embargo, el nudo crítico del sistema se encuentra en la atención a la juventud. Desde hace algunos años, los y las jóvenes saharauis se habían convertido en una importante e influyente instancia crítica frente a la situación del conflicto, especialmente ante las infructuosas negociaciones realizadas con el régimen alauí, y a la aparente complicidad de la ONU con la pasada coyuntura caracterizada por un insalvable estancamiento. Sin mayores expectativas de futuro en el exilio, su posición era absolutamente escéptica y desalentadora. Por la situación de precariedad material y falta de suficientes recursos económicos, el sistema educativo saharaui no pudo ofrecer una adecuada respuesta de formación y liberación a los y las jóvenes de la RASD. Y aunque la guerra ha cambiado momentáneamente tal posición, bajo cualquier futura circunstancia es imprescindible dotar al sistema de una mayor capacidad de gestión focalizada en este sector poblacional, lo que implica principalmente una asignación mucho mayor de recursos de todo tipo. Ese es el gran reto pendiente del sistema pedagógico saharaui.
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3 El Frente Polisario, como movimiento de liberación nacional del Sahara Occidental, continúa su lucha contra la ocupación marroquí de sus territorios y en defensa del derecho de autodeterminación del pueblo saharaui. Siguiendo la voluntad de dicho pueblo, el 27 de febrero de 1976 se proclama la RASD desde Bir Lehlu, eligiendo a su primer presidente, El Uali Mustafa Sayed (García, 2001 y 2010; Barreñada y Ojeda, 2016; Bárbulo, 2017; Awad, 2018).
4 PNUD (2016). “Informe sobre Desarrollo Humano 2016. Desarrollo Humano para todas las personas”. PNUD, New York.
5 Dialecto árabe, conocido como Kalām Hassān (habla de Hassan) y hablado en toda la región suroeste del Magreb, entre el sur de Marruecos, el suroeste de Argelia, Sahara Occidental y Mauritania, así como también en algunas zonas del noroeste de Malí.
6 Se denomina “cubaraui” a los y las jóvenes saharauis que recibieron educación en Cuba, sea ésta primaria, secundaria y/o universitaria, adoptando en la mayor parte de los casos alguno de los usos y costumbres de la Isla (acento, ideas políticas, habilidad para el baile, etc.).
7 Son aquellos territorios soberanos de la RASD, es decir, bajo el control del Frente Polisario, que se encuentran al este del Muro de la Vergüenza, barrera de 2200 kilómetros aproximadamente puesta por Marruecos durante la Primera Guerra del Sahara Occidental para impedir el avance de las tropas saharauis. Este muro divide el territorio saharaui en dos, capturando aproximadamente dos tercios del mismo hacia el lado invadido.
8 Invasión masiva e ilegal de población civil y fuerzas armadas marroquíes al territorio del Sahara Occidental, promovida por el monarca alauí y apoyada por Francia y USA. Se inició el 6 de noviembre de 1975, aprovechando el vacío de poder que se presentó en la potencia colonizadora, España, ante la agonía y posterior muerte de Francisco Franco. Fue inmediatamente condenada por el Consejo de Seguridad de la Organización de Naciones Unidas (ONU) a través de la Resolución 380.
9 Las primeras incursiones españolas en esa parte del continente africano datan del siglo XV, estableciéndose el primer asentamiento en 1476, bajo el nombre de Santa Cruz de la Mar Pequeña. Sin embargo, fue durante la Conferencia de Berlín, en 1884, cuando España reclama oficialmente los territorios saharauis en el reparto que las potencias europeas hicieron de África.
Aeroporto no Brasil vai cobrar taxa de quem for buscar e deixar passageiros
“A saída para o Brasil é o etanol,” diz CEO da Stellantis
BETIM, Minas Gerais – A discussão sobre a necessidade de eletrificação da frota global de veículos costuma ser rasa: ‘tem que eletrificar tudo e ponto.’
Mas para o CEO para a América do Sul da Stellantis – que fabrica um de cada três carros vendidos no Brasil com marcas como Fiat, Peugeot, Citroën e Jeep – as coisas não são simples assim.
“O Brasil é diferente da Europa,” disse Antonio Filosa. “A Europa não tem outra chance. Para respeitar os limites de emissões de CO2, a indústria automotiva precisa eletrificar mesmo. Já o Brasil tem uma chance, que é o etanol.”
Segundo ele, o carro movido a etanol tem quase a mesma pegada de carbono que o carro elétrico quando se considera todo seu ciclo de vida, da manufatura ao uso no dia a dia.
No cargo há quase cinco anos, Filosa nasceu em Nápoles e entrou no Grupo Fiat em 1999. Desde então, já trabalhou tanto do lado operacional quanto na gestão da Stellantis, na Inglaterra, Espanha, EUA, Argentina e Brasil.
Com a icônica fábrica da Fiat aqui ao lado momentaneamente parada por falta de chips, Filosa conversou com o Brazil Journal na segunda-feira sobre carros elétricos, os problemas conjunturais do setor e a importância de levar a indústria para fora do Sudeste.
A Stellantis está no meio de mais uma parada da fábrica. Você espera algum alívio no supply chain global? Se sim, quando?
Desde o final da pandemia, tudo que é supply chain no mundo está sendo desafiado, e tem uma série de fatores por trás disso.
Primeiro, a pandemia gerou uma assimetria nos volumes de demanda. Tinha uma série de fornecedores acostumados a receber uma demanda X de um setor e o resto de outro. Na pandemia, aconteceu que alguns setores como o nosso zeraram a produção – por basicamente dois meses – e outros setores tiveram um crescimento exponencial, por exemplo o de tablets e smartphones.
Essa mudança na demanda gerou também uma assimetria de oferta. O que estava sendo oferecido de microchips e semicondutores para o setor automotivo passou a ser oferecido para setores tecnológicos. E quando o setor automotivo voltou, essa capacidade alocada para os smartphones, por exemplo, foi difícil de realocar – e ainda é.
Em paralelo a isso tiveram grandes disrupções como a Guerra da Ucrânia, que além de ser uma tragédia humanitária gera ainda maiores complicações no supply chain global. O lockdown severo na China também parou durante semanas o Porto de Shanghai, que é o ‘porto do mundo’, porque praticamente tudo passa por lá, direta ou indiretamente.
Durante a pandemia, achava-se que o comércio global ia encolher quando ela acabasse. E quando ele voltou, voltou até maior do que antes. Por exemplo, a construção de novos navios quase zerou. E na volta da pandemia, precisava de mais navios, o que gerou um gargalo estrutural.
Tudo isso gera duas coisas: dificuldade grande de abastecimento e uma enorme inflação.
Qual foi exatamente o aumento de custo para a indústria automotiva?
É até difícil estimar, porque todo dia isso muda. Mas vou dar um exemplo. O nosso carro é feito 70% de aço. Nos últimos três anos, o aço automotivo encareceu, na média, na ordem de 60% ano sobre ano. Um dos drivers dos fluxos logísticos é o preço do diesel, que nem precisa falar… Estamos falando de inflação extraordinária, mas quando você me pergunta quanto é até difícil estimar porque todo dia muda de uma forma expressiva e não planejada.
O cobre é outro exemplo. Todos os chicotes dos carros são encapsulados dentro de cobre. E o cobre quintuplicou de preço em dez anos. E nos últimos dois, mais que dobrou. A inflação das matérias primas não tem precedente histórico.
Isso tudo um dia vai se regularizar, mas não vai voltar ao que era antes. Nós saímos de um patamar de custos para outro muito maior. É provável que tenha uma suavização, mas ninguém pode esperar que volte tudo.
Mas em relação às cadeias de fornecimento, quando você estima que haverá uma normalização?
Eu acho que na segunda metade do ano que vem. Mas nós gerenciamos isso bem até, crescemos em market share, o que mostra que a gente gerenciou uma série de assuntos de uma forma eficaz.
Que número de market share você está olhando?
No final de 2018, na América Latina toda e somando FCA e PSA – ou seja, uma Stellantis pro forma – já tínhamos 17% de market share. Em 2019, crescemos para 19%. Em 2020, para 20%. Em 2021, para 22,9%. E este ano até agora estamos com 23,4%. Então estamos crescendo nosso share desde que começou o covid.
De toda essa alta de custos, quanto vocês estão conseguindo passar para o consumidor?
A pergunta é o quanto estamos evitando passar – porque não repassar é a eficiência que estamos gerando. Como falei, nosso aço aumentou 60% ano contra ano. Se custava R$ 100 em 2019, custou R$ 160 em 2020. E em 2021 custou 60% mais que R$ 160, e assim por diante.
Se você olhar os preços dos automóveis, não estamos repassando isso. Teríamos que triplicar os preços em relação a 2019 para repassar tudo isso. Mas não podemos vender com prejuízo, óbvio. Então nosso esforço é recuperar tudo que é possível com ineficiências industriais, e o resto infelizmente é repassado ao consumo final.
Mas já que você não pode falar em números, pelo menos conceitualmente a margem da Stellantis no Brasil caiu ou não nos últimos anos?
Ela não se deteriorou, ela ficou mais ou menos no mesmo nível, tanto globalmente quanto na América Latina.
Então dado esse aumento brutal de custos, para você não ter perdido a margem, o que você tinha de ineficiência que você descobriu e endereçou foi algo muito grande?
Sim, foi bem grande. Mas não era ineficiência nossa. Eram ineficiências causadas pela inflação geral. Por exemplo, se o aço aumenta tanto assim, será que eu não posso importar? Será que eu não posso renegociar formatos de contrato diferentes?
E se o aço é tão forte assim e tenho muitos dos meus fornecedores que compram aço, será que os produtos que eu compro desses fornecedores eu não posso fazer insourcing, parcialmente, negociando com eles?
Tem formas de endereçar ineficiências em ambientes de inflação extraordinária como esse que podem nos ajudar muito.
Outra alavanca que temos atuado de forma muito eficiente é nas economias de escala. Na medida que tem uma inflação tão grande, para você ganhar eficiência nos contratos com fornecedores você precisa vender mais. Então o crescimento de mercado também é uma forma de endereçar forças inflacionárias tão fortes. E nossos volumes de vendas tem crescido muito.
Outro ponto são as sinergias com a PSA. A fusão gerou várias sinergias – algumas fáceis de entender, outras, mais complexas. Um exemplo: nós dois compramos plástico. Fomos ver os contratos de um e de outro com o mesmo fornecedor, nas mesmas condições, e um custa R$ 5 e o outro R$ 6. “Por quê?” Então a partir de agora tudo é R$ 5.
A Stellantis acredita na descentralização da indústria. E a iniciativa que vocês têm para mostrar é a fábrica de Goiana, em Pernambuco. Por que isso é importante? E os custos lá ainda são maiores?
Hoje o Brasil tem a maioria do mercado consumidor de automóveis e serviços automotivos no Sul e Sudeste, que respondem por 65% do mercado.
Mas as pessoas no Norte e Nordeste gostam de carro assim como os brasileiros do Sul, e às vezes até precisam mais de carro porque o transporte público é pior. O problema é na distribuição de renda.
Agora, quando a indústria descentraliza, levamos para lá a fábrica, que gerou 7.000 empregos e começou com 17 fornecedores, que empregam outras 7.000 pessoas. Então empregamos dignamente 14.000 pessoas lá. E estamos continuando a levar fornecedores para lá. Já estamos em 30, e nosso plano é chegar a 100 no total.
Isso tem um efeito imediato! Primeiro, o mercado de carros lá aumenta, porque a renda das pessoas aumenta. Outro benefício é na melhoria das condições de educação e sociais.
Hoje o custo de produção lá é quanto acima do Sudeste?
Essa é uma estimativa difícil de fazer. Porque aqui fazemos Fiat, e lá fazemos Jeep Renegade e Compass. Mas o cálculo que foi feito por uma empresa terceira na época de instalar a fábrica era que o custo era 12% acima. À medida que levamos os fornecedores, esses 12% caíram um pouco, mas não muito, porque ainda tem muito a fazer.
Como a eletrificação vai chegar ao Brasil? Ela vai seguir a mesma dinâmica que nos outros mercados?
Nos mercados que têm matrizes energéticas fundamentalmente fósseis, trabalhar com eletrificação é fundamental, porque um carro elétrico emite zero no uso.
Mas o Brasil é diferente. O Brasil tem a grande vantagem de ter uma matriz energética essencialmente limpa. Além disso, o carro a etanol é quase tão neutro quanto o carro elétrico quando você olha todo o ciclo de vida.
O carro elétrico no uso é zero, mas em toda a cadeia que vem antes dele, ele polui, emite CO2. No etanol, tem emissões contidas no uso, mas toda a cadeia tem muitos benefícios porque o etanol vem da cana de açúcar, que retira CO2 da atmosfera.
Além disso, a grande fortaleza do etanol é que ele está presente em todos os postos de gasolina e é muito acessível. O carro a etanol ou flex tem um preço muito competitivo. E todas as virtudes do etanol são potenciadas com a combinação com a eletrificação, nos modelos híbridos. É um investimento a baixo custo.
Você acha que tem alguma ação de política pública que deveria ser tomada?
Agora estamos trabalhando na revisão do marco regulatório, o Rota 2030.
Nossa visão, que deve ser articulada pela Anfavea, é de continuar a premiar o etanol, que não vai ser a única solução. É claro que vamos para a eletrificação também, talvez nos segmentos com maior poder aquisitivo, para alguns tipos de carros mais premium. Mas a transição baseada no etanol e na eletrificação tem que ser acompanhada pela regulamentação que está saindo. E acho que o Governo tem total conhecimento e informação para que isso aconteça.
A meta de vocês é chegar a 100% de carros elétricos na Europa em 2030, 50% nos EUA e só 20% no Brasil…
A Europa não tem outra chance. Para respeitar os limites de emissões de CO2, a única chance é a eletrificação. O Brasil tem uma chance que é o etanol. O Brasil tem condições estruturais fundamentais para a energia limpa. E para o setor de transporte, tem o etanol para fazer a transição, porque o etanol agride o meio ambiente da mesma forma que o carro elétrico, ou seja, agride pouco.
Se a gente não quer deteriorar o mercado, essa é a saída. Se a gente decidir pela eletrificação no Brasil, teríamos que pedir ao Governo incentivos que claramente não são possíveis no contexto atual. Então, todo mundo sabe que esse não é o caminho a seguir, porque não agrega mais que o etanol combinado a pequenas eletrificações. Ao contrário: deterioraria o mercado e machucaria o PIB.
O resumo é simples: se você quiser fazer como a Europa, você deve estar preparado para um carro cujo preço aumente 50% ou mais, o que significa um mercado que vai cair muito, sobretudo para as faixas com menor poder aquisitivo. Isso vai fazer as fábricas e os fornecedores encolherem, diminuindo os empregos.
E tudo isso para obter o quê? Praticamente o mesmo valor de emissões de CO2 que o etanol. Acho que ninguém vai fazer essa loucura!
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RN ultrapassa a marca de 30 dias sem mortes por covid
O Rio Grande do Norte ultrapassou neste final de semana a marca de 30 dias sem óbito por Covid-19. O quadro se dá principalmente por conta do avanço da vacinação em todas as faixas etárias, esforço feito em parceria entre Governo do Estado e municípios potiguares. Como exemplo, no grupo acima dos 60 anos a cobertura vacinal atingiu toda a população estimada com as duas doses e está em 90% para a dose de reforço até agora.
Ao longo da pandemia, o Governo, em conjunto com as gestões municipais, chegou a abrir 840 leitos de UTI e clínicos nos momentos mais críticos. Hoje, a plataforma RegulaRN aponta que: são 67 leitos de UTI reservados para pacientes acometidos pela Covid-19, sendo onze ocupados. E estão disponíveis 88 leitos clínicos, com apenas cinco pacientes internados.
“Com o avanço da vacinação conseguimos uma melhora gradativa, tanto na transmissão como nos casos de internação, sendo a maioria dos internados ainda sem seu esquema vacinal completo. Reforçamos a importância da vacina em todos os públicos para continuarmos num cenário confortável e esperançoso”, afirma o secretário de Estado da Saúde Pública, Cipriano Maia.
Atualmente o RN conta com 2.959.606 pessoas vacinadas com a primeira dose, o que representa 93% da população. Com a segunda dose são 2.669.722, totalizando 84%. Com a terceira dose são 1.535.563, 48% da população. Ao todo, 7.253.122 doses foram aplicadas em todos os municípios
Confira a parcial de hoje (14.05.2021)
Prezados, Bom Dia! Encaminhamos resumo dos dados relacionados à Covid-19 no Rio Grande do Norte:
Dados parciais – 14 de Maio de 2022.
COVID-19:
Casos Notificados e Confirmados nas últimas 24 horas: 71
00 Óbitos confirmados ocorridos nas últimas 24 horas:
Casos Confirmados: 504.270
Casos Suspeitos: 396
Casos Descartados: 951.321
Casos Recuperados: 495.472
Casos em acompanhamento: 602
ÓBITOS:
Óbitos Confirmados para Covid-19: 8.196
Óbitos Suspeitos: 1.406
Óbitos descartados para COVID-19: 1.305
Acesso aos Boletins: https://portalcovid19.saude.rn.gov.br/
Secretaria de Estado da Saúde Pública – Informações importantes para a população em geral e profissionais de saúde sobre o novo – COVID-19 (Coronavírus)
Informações importantes para a população em geral e profissionais de saúde sobre o novo coronavírus
portalcovid19.saude.rn.gov.br
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Por William Robson
O ex-vice-governador de Robinson Faria, Fábio Dantas, levantou uma bandeira no evento em que se lançou pré-candidato da oposição à governadora Fátima Bezerra, na terça-feira (19). ” Se você não quer ser governado pelo PT, a gente tem muita coisa em comum”, disse, em seu discurso. Ele puxou a corda na tentativa de reviver a polaridade política exacerbada de 2018 e em busca dos apoios daqueles bolsonaristas-raiz e até de pessoas de esquerda, supostamente, insatisfeitos.

Foi em vão. Nem um agrupamento, nem outro esteve representados no lançamento de sua pré-candidatura. Importantes ausências foram notadas. No mesmo dia em que seu partido, o Solidariedade, declarou apoio à chapa Lula-Alckmin a nível nacional, Fábio Dantas se abraçou com o ex-ministro Rogério Marinho e, nem assim, conseguiu a simpatia dos adoradores do presidente. Queria ser o nome de consenso da oposição no Estado, porém, até agora vem colecionando fracassos (começando no evento de terça) em termos de aglutinação de apoios.
Apesar de ter participando do Governo Robinson ativamente, Fábio Dantas é pouco conhecido do potiguar. Tem raízes na esquerda, depois virou a chave. E isso não foi suficiente para convencer o grupo pelo qual flerta: a direita dos bolsonaristas e os esquerdistas arrependidos. Fábio quer parecer como nome de uma ávida necessidade da população por uma ampla frente anti-petista e, que como sabemos, não existe.
Claro que a tática, desta forma, nasceu capenga. A governadora Fátima Bezerra conseguiu emplacar jogada de xadrez que neutralizou a oposição. Os nomes mais fortes para enfrentá-la seriam o do ex-prefeito Carlos Eduardo, cotado para ser o candidato a Senador com o apoio da governadora, e do atual prefeito de Natal, Álvaro Dias, que desistiu da disputa. Restou para Fábio Dantas esta incumbência.
As ausências no evento da sua pré-candidatura falam por si. Faltaram os prefeitos de Natal e Mossoró respectivamente Álvaro Dias (PSDB) e Allyson Bezerra (SD) e os principais líderes do chamado bolsonarismo-raiz, o deputado federal General Girão (PL) e Coronel Azevedo (PL).
Segundo o jornalista Bruno Barreto, acresce ainda a falta dos deputados federais do União Brasil (Carla Dickson e Benes Loecádio) e do presidente estadual do partido, o ex-senador José Agripino Maia. Coloque ainda o presidente da Assembleia Legislativa Ezequiel Ferreira (PSDB). Assim, não parece ser nome que vem a congregar gregos e troianos.
Para reforçar a incapacidade de Fábio Dantas em unir a oposição, o presidente do diretório estadual do Patriota, Marcel Vital, disse: “Sinceramente, não sei como acreditaram que os bolsonaristas iriam aceitar um nome tão associado ao comunismo como representante do bolsonarismo no Rio Grande do Norte. Fábio Dantas foi nome forte do PCdoB, depois teve passagem pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) e, há pouco tempo, foi para o Solidariedade (SDD) de Paulinho da Força Sindical, que declarou publicamente apoio à candidatura de Lula”.
Pois é. até o General Girão preferiu participar de festa comemorativa ao Dia do Exército, em Brasília, desprestigiando o evento que também marcaria a composição da chapa de Fábio, com Rogério Marinho (PL), tão bolsonarista quanto ele.

Fala-se que Fábio não será o nome que os bolsonaristas vão apostar. Ele não demonstra o nível bolsonarista capaz de ganhar a aprovação dos seguidores do Bolsonaro.
No entanto, uma presença foi sentida: a do ex-governador Robinson Faria, com dividiu a governança do Estado, e pelos quais o rombo de quatro folhas em atraso e dívidas de R$ 2 bilhões praticamente inviabilizaram o Rio Grande do Norte. Pelo menos este está com cara que vai seguir ao seu lado incondicionalmente.
A guerra dos viagras: duas diferenças fundamentais e a “imparcialidade” que desinforma
Explicar que duas histórias parecidas possuem contextos diferentes não é “passar pano”, mas entregar ao leitor a informação correta. Entendo que na cultura brasileira a neutralidade é tida como uma virtude ainda que esta acabe, em alguns casos, distorcendo uma notícia e promovendo desinformação.
A imparcialidade não existe no jornalismo, mas sempre é evocada quando interessa.
Veja o caso da guerra dos viagras em um curso no debate público do Rio Grande do Norte desde que a 98 FM de Natal revelou que o Governo do Estado comprou viagra. A média das manchetes foi no sentido de nivelar a história com o escândalo envolvendo as Forças Armadas que respingou no presidente Jair Bolsonaro.
A síntese foi: “Fátima também comprou viagra”.
A militância bolsonarista foi ao êxtase, os bolsonaristas enrustidos invocaram o discurso acima do bem e do mal e os ivermectiners tentaram cavar de forma patética alguma redenção alegando politização do remédio.
Mas é preciso por a bola no chão, encarar a complexidade das coisas e ter coragem para encarar os haters da Internet para explicar que são duas histórias totalmente diferentes.
A começar que a compra de 900 comprimidos pelo Governo do RN foi forçada por uma decisão judicial enquanto os 35 mil do Governo Federal para as Forças Armadas foi espontânea.
A segunda grande diferença é que o Governo do Estado comprou comprimidos de Sildenafila 20mg que é a dosagem usada para tratar hipertensão pulmonar. Já o Governo Federal comprou a medicação de 25 mg e 50 mg, que é a dosagem recomendada para disfunção erétil.
Some-se a isso é que o Governo Federal comprou R$ 3,5 milhões em próteses penianas e licitou R$ 37 mil em gel lubrificante. São informações que escancaram uma diferença abissal nas duas histórias e o uso de dinheiro público para melhorar a vida sexual dos militares.
Ninguém negou que se tome viagra para hipertensão pulmonar. O problema é que o Governo Bolsonaro não provou que os medicamentos são usados para essa doença.
Os fatos saltam aos olhos e o bom jornalismo passa por encarar o desafio de enfrentar a gritaria das redes sociais para evitar que a desinformação propague.
São duas compras de viagras, mas com motivações totalmente diferentes.
Chamar esse jornalista de petista, comunista e ou dizer que esse texto passou pano só vai expor a incapacidade de provar que é tudo a mesma coisa.
Fontes consultadas:
https://www.istoedinheiro.com.br/tag/viagra-para-militares/
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Erika Marena perde terceira ação contra o Blog
Nenhuma criança morre de COVID em Cuba, desde que foram vacinadas todas, a partir dos 2 anos
Sob bloqueio dos Estados Unidos e aliados, Cuba enfrentou a COVID com sua própria ciência e atendimento de saúde. Desenvolveu suas próprias vacinas e, além dos adultos, imunizou todas as crianças, a partir dos dois anos de idade. Nenhuma criança veio a morrer de COVID desde então. A informação é da Agencia Cubana de Noticias.
O Centro de Controle Estatal de Medicamentos, Equipamentos e Dispositivos Médicos (CECMED) autorizou no ano passado o uso emergencial da vacina Cuban Sovereign 02, na população pediátrica entre dois e 18 anos.Enquanto isso, no Brasil, Bolsonaro e Queiroga fizeram e fazem de tudo para sabotar a vacinação das crianças — talvez a mais abjeta de todas as abjeções deste governo infame.
Com isso, Cuba se tornou o primeiro país do mundo a desenvolver uma Campanha Nacional da Criança contra o COVID-19.
Segundo fontes oficiais, até dezembro de 2021, mais de 1.631.000 crianças com mais de dois anos de idade receberam o calendário completo de vacinação contra a doença.
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Recentes:
Alvarez & Marsal diz que “não existe” conflito de interesse na atuação de Moro

A Alvarez & Marsal divulgou comunicado, nesta segunda-feira (24), dizendo que o ex-juiz Sergio Moro não atuou em processos ligados à Lava Jato durante sua passagem pela empresa.
A consultoria afirma que o contrato do ex-juiz possui uma cláusula de confidencialidade ainda em vigor. Também que ilações sobre a relação de Moro na escolha dos casos “revelam profundo desrespeito com as pessoas envolvidas e absoluto desconhecimento dos processos judiciais”.
A relação de Moro com a Alvarez & Marsal entrou na mira do TCU por suposto conflito de interesses do ex-juiz. Ao deixar o governo Bolsonaro, Moro foi contratado em dezembro de 2020 pela consultoria, que atua em processos de recuperação fiscal de empreiteiras atingidas pela Lava Jato.
A consultoria diz que a tese de suposto conflito de interesse nas nomeações de administração judicial “não existe”, uma vez que a Alvarez & Marsal foi designada para atuar nos casos pelos juízes responsáveis pelos processos dos alvos da Lava Jato. Confira a nota na íntegra abaixo.
Leia também:
1; Nando Reis defende artistas; “Baboseira caluniosa que vivemos na mamata da Rouanet”
2; Agente da contraespionagem denuncia abusos do Pegasus e de apps espiões
3; Bolsonaro sofre ameaça do Centrão após pressão de ala ideológica
Posicionamento Alvarez & Marsal sobre processo TCU em relação ao contrato com Sergio Moro
A Alvarez & Marsal é uma consultoria de gestão empresarial que atua em 29 países sob rígidas normas internacionais de Governança Corporativa e de Compliance. No Brasil, desde 2004, conta com sete empresas para atuação em diferentes áreas como reestruturação, transformação corporativa, administração judicial, disputas e investigações, estrutura tributária, entre outras. É reconhecidamente a líder global no segmento de reestruturação
empresarial.
A consultoria esclarece abaixo os pontos abordados pela imprensa nos últimos dias a respeito do processo em curso no TCU relativo ao contrato com o exjuiz Sergio Moro.
Sobre contrato de Sergio Moro
A contratação do ex-juiz Sergio Moro foi efetuada pela empresa de disputas e investigações em dezembro de 2020 para que o consultor atuasse de forma global junto a um time de consultores externos, a área conta com profissionais de várias partes do mundo como ex-agentes do FBI e de forças de segurança, ex-promotores e ex funcionários públicos de departamentos de justiça, por exemplo.
Seu contrato foi expresso em impedi-lo de atuar direta ou indiretamente no atendimento a clientes que tivessem qualquer envolvimento com a operação Lava Jato ou empresas investigadas por ele ao longo de sua carreira como juiz ou ministro, estando totalmente delimitado a atuar dentro do seu escopo de trabalho em disputas e investigações. O contrato possui ainda uma cláusula de confidencialidade, que não permite sua divulgação sem o consentimento da outra parte.
Sobre suposto conflito de interesses e funções de Administrador Judicial
A questão a respeito de um suposto conflito de interesse nas nomeações de administração judicial não existe. Para entender bem essa questão é essencial que se compreenda o papel do Administrador Judicial; como se dá a definição de sua escolha e da sua remuneração bem como a linha do tempo dos fatos.
Conforme determina a Lei 11.101, uma empresa é nomeada para a função de Administrador Judicial através de decisão do juiz responsável pelo processo de recuperação judicial ou falência. O Administrador Judicial não presta serviços para a empresa em recuperação judicial. Mas para o juiz do processo e todos os credores. Portanto, a nomeação da Alvarez & Marsal como administradora judicial dos processos da Odebrecht, Galvão Engenharia, Enseada, OAS, Atvos e todas as demais empresas em que atua não foi uma escolha das empresas devedoras, mas dos respectivos juízes.
Cabe ao Administrador Judicial: o dever de fiscalizar as empresas em recuperação judicial ou falência; se manifestar e apresentar parecer sobre todos os assuntos do processo; prestar contas do uso dos recursos de uma
massa falida; analisar todos os créditos listados pelas empresas em dificuldade; organizar e presidir as assembleias gerais de credores; acompanhar a execução do plano de recuperação judicial, apontando
eventuais descumprimentos; apresentar mensalmente relatórios sobre o andamento das atividades das empresas em recuperação judicial; entre outras atribuições.
Sobre os honorários do Administrador Judicial
Também, conforme determina a Lei 11.101, os honorários do Administrador Judicial são pagos pela empresa em recuperação judicial. Sendo estabelecidos através de decisão judicial; e estando sujeitos a análise dos credores, do Ministério Público e de todas as demais partes envolvidas. Soma-se a isso o fato de que todas as informações relativas a qualquer processo de recuperação judicial ou falência, incluindo honorários e relatórios dos administradores judiciais, são necessariamente públicas.
Sobre esclarecimentos ao TCU
A Alvarez & Marsal prestou todos os esclarecimentos solicitados pelo TCU de forma tempestiva e colaborativa, sendo que o parecer técnico do Tribunal demonstrou não haver nenhum tipo de conflito. Tal atitude somente demonstra a postura clara e transparente da Alvarez & Marsal, que dentro dos limites da lei, sempre respondeu a tudo.
A Alvarez & Marsal segue cumprindo com seus deveres, pautada por suas responsabilidades legais em cumprimento estrito de suas funções.
Para mais detalhes sobre os principais pontos noticiados recentemente
75% do que fatura a Alvarez & Marsal vem de empresas quebradas pela operação Lava Jato:
A unidade de Administração Judicial é apenas um tipo de serviço praticado pela Alvarez & Marsal dentro do segmento de reestruturação que ainda inclui assessoria a devedores e credores, sem contar com as demais unidades de negócio da empresa. A prática de Administração Judicial teve início no começo de 2014 sendo sua primeira nomeação em agosto de 2014 para a fiscalização do processo de recuperação judicial da empresa Kowarick Distribuidora de Tecidos e Prestadora de Serviços Ltda, e sua última nomeação foi em outubro de 2019 para o processo da empresa Enseada. Logo, bem antes da entrada de Sergio Moro na empresa.
A Alvarez & Marsal (A&M) não informou quanto pagara a Moro depois que ele deixou o governo de Jair Bolsonaro (PL) e passou a prestar serviços para a empresa:
Como já informado no processo, a empresa Alvarez & Marsal Administração Judicial Ltda. não tem nenhuma relação contratual, comercial ou operacional com o Sergio Moro. O contrato possui ainda uma cláusula de
confidencialidade, que não permite sua divulgação sem o consentimento da outra parte.
Após as condenações na Lava Jato, que envolveram cifras volumosas, empresas como Odebrecht, Galvão Engenharia e OAS buscaram a administradora judicial Alvarez & Marsal:
O Administrador Judicial é nomeado pelo juiz do processo de recuperação judicial, não é escolhido pelas empresas em recuperação judicial. As empresas em dificuldade vão ou poder judiciário pedir proteção nos termos da Lei 11.101. E conforme o sistema dos tribunais é sorteado um juiz responsável. Necessário observar que não há nenhum tipo de escolha ou ingerência por parte das empresas em dificuldades ou das partes envolvidas,
seja o juiz, os credores ou os Administradores Judiciais.
A filial brasileira da consultoria tinha pouca ou nenhuma experiência no setor de construção pesada e infraestrutura até antes de 2014. Até a Lava Jato, por exemplo, a Alvarez & Marsal só tinha clientes do setor financeiro….
A Alvarez & Marsal iniciou a prestação de serviços como Administrador Judicial no Brasil no começo de 2014, ampliando os serviços de reestruturação que já incluíam assessoria financeira a devedores e credores. As funções, requisitos e atribuições de um Administrador Judicial estão descritas na seção III da Lei 11.101/05. A Administração Judicial prescinde de qualquer conhecimento específico a respeito de áreas de atuação de empresas em dificuldades financeiras; visto que sua função é assessorar o juiz e os credores na condução do processo. Tanto é assim que diversos escritórios de advocacia atuam como administradores judiciais, lembrando que a Alvarez & Marsal não é um escritório de advocacia, mas sim um consultoria financeira.
A Alvarez & Marsal foi nomeada nos processos de recuperação judicial por influência do Sergio Moro:
Como qualquer processo judicial, a recuperação judicial está sujeita à distribuição por sorteio online e, nos casos de atuação da Alvarez & Marsal, nove juízes a nomearam em diferentes processos. A ilação acerca de qualquer interferência de Sérgio Moro nas nomeações; para além de destituída de qualquer indício, revela profundo desrespeito com as pessoas envolvidas e absoluto desconhecimento dos processos judiciais. Nesse sentido, vale reiterar a relação de processos sob responsabilidade da Alvarez & Marsal enquanto Administradora Judicial e o período de início dos trabalhos.
De um total de 26 processos, apenas seis processos referem-se a empresas ligadas a Operação Lava Jato. A demonstrar a forma desvirtuada com que os números e valores apresentados ao TCU de boa-fé estão sendo usados. O número de empresas ligadas à Operação Lava Jato que recorreram a recuperação judicial é muito maior do que as seis que competem à Administração Judicial da Alvarez & Marsal e para todos os outros casos foram nomeados outros Administradores Judiciais, o que só demonstra a total falta de ingerência nos trâmites desse tipo de processo judicial.
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Sputnik V é mais eficaz contra a Ômicron que a Pfizer
─ Sputnik News ─ Essa é a principal conclusão da recente análise conduzida pelo Instituto Nacional para Doenças Infecciosas Lazzaro Spallanzani, na Itália, pelo Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya e pela Universidade Estatal de Medicina Sechenov, em Moscou.
Dados anteriores já sugeriam maior eficácia da vacina russa Sputnik V contra a variante Ômicron, com estudos também apontando ao declínio menor e mais lento dos níveis de anticorpos para a vacina russa, em comparação com outros imunizantes.
Os pesquisadores compararam a vacina Sputnik V com o imunizante mRNA da Pfizer-BioNTech em pesquisa comparativa de pré-impressão publicada no portal MedRxiv. O objetivo era estudar a eficácia de ambas as vacinas contra a recém-detectada cepa Ômicron.
A análise foi feita por 12 cientistas italianos de um laboratório em Roma com utilização de amostras de soro sanguíneo de pessoas vacinadas com os respectivos imunizantes e que tinham níveis semelhantes de anticorpos tipo IgG, bem como a mesma atividade neutralizante contra a variante original do coronavírus detectada primeiramente em Wuhan.
Foi revelado que, em comparação com a vacina da Pfizer, a Sputnik V tem 2,1 vezes mais anticorpos neutralizantes contra a Ômicron em geral e 2,6 vezes mais anticorpos três meses após a vacinação.
Em sua análise detalhada dos mecanismos de proteção, os autores do estudo notaram que a Sputnik V neutraliza a variante Ômicron porque ela fornece uma resposta imune mais forte devido à alta taxa de anticorpos.
Revisando o nível básico dos anticorpos IgG específicos ao RBD (domínio de ligação ao receptor), os pesquisadores afirmam que, nos 25% superiores das amostras com teores mais elevados de IgG, 100% dos indivíduos imunizados com a Sputnik V possuem esses anticorpos, em comparação com 83,3% no grupo com a Pfizer.
No total, 74,2% das amostras de soro sanguíneo com a Sputnik V neutralizaram a Ômicron com sucesso, em comparação com 56,9% para a Pfizer.
“Hoje a necessidade da terceira vacinação, com dose de reforço, é óbvia. E a abordagem mais eficaz, já demonstrada em diversos estudos, é o uso da vacinação de reforço heteróloga, com a Sputnik V sendo pioneira nisso entre vacinas anti-COVID-19.”
A pesquisa conjunta russo-italiana também confirma os resultados recentes do Instituto Gamaleya, publicados pelo MedRxiv em dezembro de 2021. De acordo com o documento, a Sputnik V tem alta atividade neutralizante do vírus contra a variante Ômicron.
Dose de reforço universal
A disseminação preocupante da variante Delta seguida pelo surto da Ômicron levou a comunidade científica global às buscas da perfeita vacina de reforço. O Fundo Russo de Investimentos Diretos (RFPI, na sigla em russo) ofereceu como resposta a vacina Sputnik Light.A Sputnik Light é uma vacina de uma única dose baseada no adenovírus recombinante humano do sorotipo 26 (Ad26), também usado como primeiro componente da Sputnik V.
Dados de estudos clínicos na Argentina e outros países demonstraram a alta segurança e imunogenicidade da Sputnik Light como dose de reforço também para vacinas de outros fabricantes. Sua eficácia como reforço contra a variante Delta aproxima-se da eficácia contra ela para as duas doses da Sputnik V: mais de 83% contra a infecção e 94% contra a hospitalização, segundo relatório do RFPI.
O diretor-geral do fundo, Kirill Dmitriev, ressaltou a importância de aplicação da Sputnik Light como reforço:
“A plataforma de vetor adenoviral já mostrou alta eficácia no combate às mutações do coronavírus no passado. O reforço misto com uso da Sputnik Light poderia aumentar a eficácia de outras vacinas e a parceria entre várias plataformas de vacinas desempenha um papel-chave ante os desafios criados pela presença simultânea das variantes Delta e Ômicron”.
Primeira vacina contra COVID-19 registrada no mundo
A Sputnik V é autorizada para uso em 71 países com população total de quatro bilhões de pessoas, com a Austrália virando a última nação que reconheceu a vacina russa. A Sputnik Light é aprovada em 30 países.Ambas as vacinas foram desenvolvidas na base da tecnologia de vetores adenovirais que tem uma história de 30 anos e que comprovou sua segurança e eficácia.
Ao contrário de outras tecnologias, a plataforma de vírus adenoviral não esteve relacionada com efeitos colaterais graves, tais como pericardite ou miocardite.
O RFPI é o fundo soberano do país, estabelecido para realizar investimentos, principalmente na Rússia, ao lado de investidores internacionais.
O fundo é responsável pela produção e distribuição internacional das vacinas russas Sputnik V e Sputnik Light.A variante Ômicron do SARS-CoV-2 foi identificada em novembro de 2021 e rapidamente se tornou a cepa dominante em todo o mundo. Em 12 de janeiro de 2022, essa cepa foi registrada já em 150 países.
Heineken investe na “diversidade” e não em salários
O Grupo Heineken começou 2022 anunciando um mergulho de cabeça na política identitária. A cervejaria, que no ano passado foi obrigada a desistir, após muitos protestos por parte da sociedade civil, de construir uma fábrica dentro de um importante sítio arqueológico em Minas Gerais , onde foi encontrado Luzia, o mais antigo fóssil humano das Américas, agora investe na sua própria distribuidora de cervejas.
Após assumir a distribuição própria de cervejas, a empresa precisou contratar quase 2,5 mil pessoas e aproveitou para investir na “diversidade de gênero”…. Segundo a Vice Presidente de Recursos Humanos da empresa, Raquel Zaggi, “Quando a gente foi abrir as vagas para motorista de empilhadeira e motorista de caminhão, a gente abriu para pessoas que não tinham carteira de motorista dessa categoria. Com isso conseguimos atrair mulheres. Você tem o perfil da Heineken e os valores da Heineken? Beleza. Dirigir caminhão a gente consegue te ensinar”, explica. E ainda “Se a gente não usasse essas contratações para alavancar a agenda, e deixasse o negócio correr naturalmente, a gente iria aumentar o gap entre homens e mulheres”.
Trata se na verdade de mais uma empresa a lançar mão dessa falsa solução para o problema das minorias, que é a política identitária, e se utiliza para lucrar ainda mais e parecer uma empresa amiga do trabalhador.
QUEM NÃO TE CONHECE QUE TE COMPRE
A Heineken assim como acontece com muitas empresas multinacionais no Brasil, recentemente foi flagrada se utilizando de trabalho escravo, e contabiliza históricos de morte de trabalhadores dentro de suas dependências por falta de segurança.
Além disso, durante a pandemia de Covid -19, a empresa foi acionada pelo sindicato da categoria depois de anunciar a pretensão de demitir cerca de oito mil trabalhadores do seu quadro, segundo a empresa por conta da baixa de vendas de cervejas durante a pandemia, hipótese que foi desmentida pelo representante dos empregados que demonstrou ter o número das vendas durante a pandemia inclusive aumentado.
É a esse propósito nefasto que serve o feminismo liberal que prega a ascensão de algumas poucas mulheres no marco do capitalismo: fazer com que os inimigos dos trabalhadores consigam se utilizar de demagogia para mascarar sua política de ataques aos direitos trabalhistas.







