A presença do peixe-leão (Pterois volitans), espécie invasora de origem indo-pacífica, já configura uma preocupação concreta para pesquisadores, ambientalistas e pescadores no Rio Grande do Norte. Desde o primeiro registro no estado, em 2022, cerca de 300 peixes dessa espécie já foram capturados, segundo a Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa). No entanto, especialistas alertam: esse número representa apenas uma fração do que pode estar, silenciosamente, se espalhando pelo mar potiguar.
“Os que estão em ambiente natural podem ser 100 vezes mais que isso”, afirma a professora Emanuelle Fontenele, do Departamento de Biociências da Ufersa.
Ela explica que a universidade realiza um trabalho contínuo de captura e estudo da espécie, em parceria com pescadores locais, além de ações educativas em comunidades costeiras, como visitas a colônias, podcasts e campanhas nas redes sociais.
A ameaça do peixe-leão, no entanto, extrapola o universo da pesquisa científica. Em maio deste ano, a possível relação entre a morte de um jovem mergulhador e o animal venenoso reacendeu o debate sobre os riscos da espécie. Tiago Rodrigues da Silva, de 25 anos, faleceu após passar mal durante uma pescaria em Grossos, na Costa Branca potiguar. Familiares relataram que ele teria sido “picado” três vezes por um peixe-leão momentos antes de perder a consciência. A causa exata da morte ainda depende de laudos do Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep), mas o caso gerou comoção e ampliou o alerta sobre acidentes envolvendo o animal.
Ameaça ecológica e proliferação acelerada
Para o biólogo Luciano de Freitas Barros Neto, PhD e pesquisador do Laboratório de Ictiologia Sistemática e Evolutiva da UFRN, o cenário é preocupante.
“O peixe-leão ocupa o topo da cadeia alimentar e, sem predadores naturais aqui no Brasil, ele pode chegar a extinguir localmente espécies nativas”, explica.
A espécie possui uma alta capacidade de reprodução:
“As fêmeas dessa espécie põem cerca de 300 mil ovos por vez, quase 2 milhões ao longo de um ano, e a cada dia mais exemplares estão sendo encontrados no litoral”, afirma Luciano.
Ele acrescenta que já existem indícios de que o peixe está se reproduzindo no Rio Grande do Norte:
“Alguns estudos que fazem monitoramento dessa espécie têm encontrado fêmeas com ovos, sendo um sinal de que a espécie está se reproduzindo na região.”
A professora Emanuelle Fontenele também confirma:
“Percebemos que ele se alimenta de animais nativos como peixes e camarões.”
Ela reforça que os registros constantes de chegada da espécie dificultam a contagem exata dos exemplares já capturados:
“Sempre chega peixe, toda semana, e não dá tempo de contar.”
Embora ainda não existam dados conclusivos sobre redução populacional de espécies nativas específicas, os cientistas consideram que os efeitos ecológicos são potencialmente graves:
“Ainda não é possível afirmar uma redução populacional significativa de uma espécie local em específico. Precisaria de um estudo de monitoramento por um período um pouco maior para se ter um comparativo e poder afirmar quais espécies estão sofrendo esse tipo de impacto.”
O peixe-leão tem uma dieta generalista e predatória.
“Ele não se alimenta de apenas uma espécie específica, podendo envolver camarão, lagosta e algumas espécies de peixes”, diz o pesquisador.
No Atol das Rocas, uma das principais unidades de conservação marinha do estado, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) registrou dois exemplares nos últimos dois anos. Ainda assim, o órgão mantém o monitoramento constante, inclusive em áreas de até 100 metros de profundidade.
Emergência ambiental silenciosa
A adaptação do peixe-leão a diferentes condições ambientais, como águas turvas ou limpas, quentes ou frias, e profundidades de até 300 metros, torna o controle da espécie ainda mais difícil.
“Acredito que estamos lidando com uma infestação, assim como acontece com a maioria das espécies que são introduzidas, que causam um grande impacto ambiental. No ambiente marinho isso se agrava, pela dificuldade de monitoramento e controle dessas espécies”, avalia Luciano.
Emanuelle ressalta que o peixe-leão chegou ao Brasil após se espalhar pelo Caribe, atingindo primeiro o Norte e depois o Nordeste do país. Segundo ela, fatores como a dieta variada e a resistência a parasitas também favorecem a dispersão.
“É adaptável a águas quentes e frias, profundidade até 300 metros, águas turvas e limpas, tem rápida reprodução, é resistente a parasitas e tem uma dieta generalista sem predadores naturais.”

A professora Liana Mendes, do Departamento de Ecologia da UFRN, lembra que os primeiros registros da espécie no Brasil ocorreram em 2020, na foz do rio Amazonas e em Fernando de Noronha. “Os registros na costa do RN provavelmente têm a ver com a dispersão proveniente da costa norte do Brasil”, diz ela.
Prevenção e primeiros socorros
Os espinhos do peixe-leão contêm um veneno que pode causar reações intensas. “Esses espinhos apresentam bastante veneno. Após o contato com esse veneno, a pessoa pode ter uma taquicardia, pode ter convulsão, uma dor muito forte. Às vezes tem desmaio, inflamação no local, podendo infeccionar”, explica Emanuelle.
Ela observa, no entanto, que não há registro confirmado de morte por contato com a toxina da espécie no país. “A literatura científica já mostra que não existe muitos casos de morte pela toxina do veneno do peixe-leão. No Brasil, a gente não tem relato nenhum de morte de pescador ou de qualquer outra pessoa que entrou em contato com esse veneno.”
Em caso de acidente, a recomendação é usar compressas de água morna para aliviar a dor e procurar atendimento médico. “As principais orientações em caso de acidentes por contato com os espinhos é fazer uma compressa de água morna para aliviar a dor e procurar ajuda médica imediatamente”, orienta Luciano.
O que está sendo feito?
As universidades públicas potiguares lideram ações de conscientização e manejo da espécie. “Temos um projeto de extensão onde visitamos as colônias de pescadores alertando sobre o peixe e orientando a forma segura de captura”, explica Emanuelle.
Além disso, a Ufersa tem divulgado conteúdos em podcasts, redes sociais e em entrevistas à TV. As capturas são feitas com apoio dos pescadores, que vêm sendo capacitados por meio do projeto de extensão.
Durante o XXV Encontro Brasileiro de Ictiologia, realizado neste ano, o simpósio sobre o peixe-leão reforçou a importância de formar uma rede de mergulhadores treinados para atuar no manejo e no encaminhamento dos animais para a pesquisa científica. A pesca seletiva, embora arriscada devido aos espinhos venenosos, é considerada o método mais eficaz para conter a expansão da espécie.
“Podemos perder biodiversidade local, afetar cadeias ecológicas inteiras e comprometer setores como a pesca artesanal e o turismo”, alerta Luciano. A expansão da espécie já é considerada uma das maiores ameaças à fauna marinha do país, segundo especialistas que atuam no tema.
Diante da complexidade da situação, os cientistas defendem uma resposta articulada entre poder público, universidades, comunidades pesqueiras e sociedade civil.
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O atual presidente argentino, Javier Milei, afirmou que a justiça foi feita.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, descreveu a sentença como um abuso político do poder judicial.
Da mesma forma, Evo Morales a chamou de “injusta” e denunciou “perseguição para proibir uma líder do povo”.
O Grupo Puebla, CLAJUD, e líderes como Rafael Correa, José Luis Rodríguez Zapatero e Adolfo Pérez Esquivel alertaram que a sentença põe em risco o direito à defesa e a separação de poderes.
A própria Cristina chamou o Tribunal de “triunvirato de marionetes”. Seu advogado, Gregorio Dalbón, denunciou uma “vingança dos poderosos” e anunciou que recorrerão a organismos internacionais como a Corte Interamericana e a ONU. 


















