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Alô, oposicionistas brasileiros! Jornal do Partido Comunista de Cuba confirma que Dilma quer forçar empresas farmacêuticas brasileiras a produzir em Cuba. PT quer cortar empregos aqui e gerar empregos lá; trata-se de mais uma ameaça aos genéricos
Vocês se lembram que denunciei aqui, no dia 4 de junho, que o governo Dilma está pressionando a indústria farmacêutica brasileira a abrir fábricas em Cuba para a produção de biossimilares, que seriam exportados para a América Latina e Caribe, inclusive o Brasil? Sim, brasileiras e brasileiros, a petezada que comanda o país quer gerar empregos em Cuba, o que certamente desempregará brasileiros; quer gerar divisas para Cuba, o que certamente será ruim para a balança comercial brasileira; quer dar velocidade, em suma, ao PAC, o Programa de Aceleração de… Cuba!
A repórter Talita Fernandes, da VEJA.com, foi atrás da história. O Planalto, claro!, nega que esteja fazendo essa ursada com os brasileiros, mas, oh surpresa!, o Granma, o jornal do Partido Comunista — é aquele cujo endereço na Internet é “Granma.cu” (sem querer ofender petistas, é claro!) — confirma. Vejam trecho do artigo. A íntegra está aqui.
Retomo
Em “comunistês”, tudo é uma maravilha, e os dois países sairão ganhando. Em “verdadês”, o governo petista pressiona a indústria farmacêutica brasileira a transferir parte de suas plantas industriais para Cuba. Chegou a hora de a oposição convocar o sr. Arthur Chioro, ministro da Saúde, e os representantes da indústria farmacêutica para falar no Congresso. Segue a reportagem da VEJA.com. Volto para encerrar.
*
O governo brasileiro mostra-se incansável quando o assunto é colocar-se em maus lençóis em nome de sua simpatia pelo regime dos irmãos Castro, em Cuba. Não bastasse a utilização de quase 700 milhões de dólares em recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a construção do Porto de Mariel, a 45 quilômetros de Havana, a nova empreitada que vem sendo orquestrada pela alta cúpula prevê, conforme revelou o colunista do site de VEJA Reinaldo Azevedo, a ida de empresas farmacêuticas brasileiras para produzir medicamentos em solo cubano. A estratégia é tentar rentabilizar a zona portuária por meio da exportação de remédios produzidos em parceria entre estatais cubanas e empresas brasileiras — em especial fabricantes de genéricos e biossimilares. Desde a inauguração da primeira fase do terminal de contêineres do porto, em janeiro, o governo vem travando uma ofensiva velada para levar executivos a Cuba para participar de grupos de trabalho. O alto escalão da República tem atuado, por assim dizer, como lobista de primeira linha dos irmãos Castro, sem que qualquer contrapartida benéfica para o Brasil seja posta na mesa. Mas a estratégia tem encontrado resistência: o alto custo de instalação de indústrias na ilha e as dificuldades de exportação de produtos, devido ao embargo econômico, tornam a empreitada economicamente inviável. Além disso, a razão de o governo demandar investimentos em Cuba, e não no Brasil, está cercada de pontos nebulosos. Afinal, costurar acordos com outros países com o objetivo de estimular a indústria nacional é agenda mais que bem-vinda para o país. Contudo, não há lógica que justifique lançar mão do mesmo expediente para criar (mais um) pacote de bondades para Cuba.
Em janeiro, a presidente Dilma Rousseff, o então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e seu sucessor, Arthur Chioro — que está à frente da pasta desde que Padilha saiu para candidatar-se ao governo paulista pelo PT — convidaram empresários do setor farmacêutico, que ouviram da própria presidente a intenção do governo de levar empresas brasileiras para se instalar na Zona Especial do Porto de Mariel e desenvolver a economia local. A estratégia é construída com base no argumento das vantagens tributárias e alfandegárias da Zona Especial. Contudo, mesmo com todos os incentivos, empresários ouvidos pelo site de VEJA se mostraram céticos.
Inviabilidade econômica
Os convites vêm confundindo o empresariado porque contrariam o próprio plano que o governo brasileiro tem para o setor farmacêutico. “Não faz o menor sentido, pois o Brasil já tem uma estratégia bem desenhada para o setor, que é de estimular a indústria nacional por meio das próprias compras governamentais. O plano para Cuba vai contra a própria política industrial”, diz Dante Alário Junior, sócio e responsável pela área de pesquisa e desenvolvimento e inovação da Biolab. Sua empresa já recebeu vários convites para participar de eventos promovidos pelo governo brasileiro em Cuba e investir na ilha — o último deles ocorreu no início de junho — mas não tem interesse na empreitada porque já investe num projeto de internacionalização nos Estados Unidos. “Cuba foi descartada porque não temos condições de investir também lá. Não faz sentido para a empresa”, afirma.
Outro executivo do setor ouvido pelo site de VEJA, que prefere não ter seu nome revelado, afirmou que os empresários se mantêm descrentes em relação à viabilidade dos investimentos. “O setor farmacêutico sempre foi cético com a possibilidade de Cuba suprir um negócio que exige alta tecnologia”, disse. Parte do pessimismo deve-se também ao fato de as empresas brasileiras já estarem firmando acordo com multinacionais de outros países para produzir medicamentos (em especial os biossimilares), sobretudo americanas e europeias. O embargo econômico a Cuba anula a viabilidade, diz o executivo, porque impede que tais empresas consigam exportar os medicamentos produzidos na ilha para mercados consumidores importantes, como Estados Unidos e México, que têm proximidade geográfica.
As farmacêuticas vêm sendo procuradas há mais de um ano para realizar investimentos em Cuba. Num primeiro momento, o contato foi estabelecido por intermédio da Odebrecht, responsável pela construção do porto cubano. Em 2014, o governo passou a fazer os convites, excluindo da lista as empresas associadas à Interfarma, que são essencialmente estrangeiras. Procurada pela reportagem, a Odebrecht disse que “apoia o acordo bilateral entre Brasil e Cuba no desenvolvimento de medicamentos”. A companhia, inclusive, assinou um Memorando de Entendimentos com a farmacêutica cubana Cimab para a criação de uma joint-venture na ilha. Contudo, o acordo nunca saiu do papel.
Mesmo sem um interesse claro em investir na ilha, as empresas são alvo de tamanha insistência do governo — em especial do Ministério da Saúde e do Desenvolvimento — que não ousam declinar totalmente as ofertas de negócios. “As que foram a Cuba quiseram atender a um pedido da Presidência. É muito difícil não ir”, disse o médico e deputado federal Eleuses Paiva (PSD-SP), que está ciente das conversas no Ministério da Saúde. “Agora, se as indústrias forem se instalar, é porque o governo está montando situações econômicas fantásticas”, disse o deputado. “A indústria de genéricos acabou de construir um parque nacional. É tudo recente demais para ir a Cuba”, disse.
De Brasília a Havana
A última reunião realizada em Cuba ocorreu nos dias 5 e 6 de junho, liderada pelo Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha. O encontro contou também com a participação de executivos da Eurofarma, da PróGenéricos (Associação dos produtores de medicamentos genéricos) e de representantes da Fiocruz e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Procuradas, as empresas participantes negaram que o encontro tenha sido realizado com o objetivo de levar as farmacêuticas a se instalarem em Cuba. Contudo, a pauta do encontro, à qual o site de VEJA teve acesso, mencionava a discussão de “investimentos no Porto de Mariel”.
Comandante da missão, Carlos Gadelha é um dos nomes do Ministério da Saúde citados nos escândalos da Operação Lava-Jato. Conduzida pela Polícia Federal, a Operação desmontou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro orquestrado pelo doleiro Alberto Youssef, preso desde março e pivô dos escândalos. O laboratório comandado pelo doleiro, o Labogen, é apontado pela Polícia Federal como o carro-chefe do esquema de lavagem de dinheiro. Durante as investigações, a PF interceptou conversa telefônica entre o empresário Pedro Argese e Youssef, relacionadas à assinatura de parcerias entre o Ministério da Saúde e empresas privadas. Em um dos trechos, Argese comenta ter conversado com Gadelha. De acordo com a transcrição, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, o secretário teria prometido dar todo o apoio possível para a retomada do Labogen.
O Ministério da Saúde nega que o governo brasileiro queira incentivar a instalação de empresas farmacêuticas em Cuba. Afirmou que o encontro de junho teve “por objetivo o monitoramento e avaliação das prioridades científicas, tecnológicas e de saúde pública para os respectivos países em áreas como terapia e controle de câncer, terapia celular e neurociências”. Em nota, afirmou ainda que o país tem cerca de vinte projetos em andamento entre laboratórios públicos e privados brasileiros com instituições cubanas. “Em nenhum dos projetos aprovados pelo Comitê, cabe ressaltar, está prevista a instalação de fábricas brasileiras em Cuba.”
A pasta, contudo, não combinou a resposta com os cubanos. Artigo extenso do jornal castrista Granma aponta o Brasil como principal parceiro de Cuba no setor farmacêutico. Diz o texto que uma nova etapa na cooperação entre os dois países iniciou-se após a visita a Havana da presidente Dilma, em janeiro deste ano. E que a criação de empresas mistas (brasileiras e cubanas) colocadas na Zona Especial do Porto de Mariel, “utilizando tecnologia cubana e capital brasileiro”, servirá para incentivar a produção de biossimilares para “satisfazer as necessidades dos sistemas de saúde de ambos os países e permitir a exportação conjunta a outros mercados”. O que ainda não está claro — e o governo se negou a explicar — é a razão de se investir capital dos contribuintes brasileiros para desenvolver a indústria de outro país. Trata-se, mais uma vez, de um presente generosíssimo do Brasil ao regime cubano.
*
Encerro
Na sexta, José Serra, criador do programa de genéricos no Brasil, escreveu um artigo na Folha demonstrando como o atual governo ameaça o programa. O que vai acima é outro atentado.
Talvez um dia saibamos direito a natureza das relações dos petistas com Cuba, além das afinidades ideológicas. A ilha da tirania virou uma espécie de caixa preta do governo brasileiro. Como não existe transparência mínima, as informações, o trânsito de dinheiro brasileiro para Cuba — haverá também o contrário? — se dá sem nenhum controle. Já houve o financiamento do Porto de Mariel; há a bolada mensal derivada do “Mais Médicos” e, agora, a pressão do governo para fazer um setor da indústria brasileira migrar para a ilha. A troco de quê?
Iraque – Quanto tempo vai demorar para o mundo se recuperar do desastre que é Obama na política externa?
Lá vou eu apanhar um pouquinho, inclusive de alguns amigos meus, mas não posso fazer nada. Comprar briga é da minha natureza, né? O desastre da política externa americana sob o comando do companheiro Barack Obama é um troço sem precedentes. E duvido que vá encontrar competidores no futuro. Deixem-me ver por onde começar.
Começo pela intervenção americana no Iraque na era Bush. Digamos que ela tenha sido errada e sem motivo, coisa com a qual não concordo, mas não entro nesse mérito agora. Posso até dar isso de barato. Se entrar lá foi um erro, sair e deixar os iraquianos entregues à própria sorte, como fez Obama, é de uma irresponsabilidade escandalosa. “Ah, os americanos estão cansados de guerra”, poderia dizer alguém. É verdade. É por isso que existem líderes políticos. Às vezes, cumpre-lhes discordar do povo, ora bolas! Qualquer estudioso do nível Massinha I sobre a situação iraquiana previa o caos. E o caos se instalou. Agora falo um pouco sobre a Síria e depois uno os dois fios.
Fui muito criticado, inclusive por leitores habituais meus, por jamais ter me empolgado com a dita Primavera Árabe e muito especialmente por ter apontado, desde o primeiro dia, que o comando das ações contra Bashar al Assad, na Síria, era de caráter terrorista. Tenho leitores lá — brasileiros de nascimento ou sírios que já moraram em nosso país. Desde o primeiro dia, alertaram-me que a dita oposição pacífica nunca esteve na cabeça das ações. “Ruim com Assad, um inferno sem ele”, asseguravam, especialmente os cristãos. Mesmo assim, EUA, Grã-Bretanha e outros países ocidentais resolveram dar seu apoio a uma suposta oposição síria que, de fato, nunca existiu — não com poder ao menos de tomar pé da situação. A Síria se transformou num campo de treinamento de jihadistas, especialmente na fronteira com o Iraque.
Em abril do ano passado, os terroristas do “Estado Islâmico do Iraque” anunciaram na Internet a sua parceria com a “Frente Al-Nusra”, que atuava na Síria. Da fusão, nasceu o “Estado Islâmico do Iraque e Levante”. Num áudio de 21 minutos, Abu Bakr Al-Baghdadi, o líder do autointitulado Estado Islâmico do Iraque, afirmou que financiava, sim, os terroristas da Frente al-Nusra desde os primeiros dias da rebelião síria. O mundo deu de ombros. Obama fez de conta que nada havia acontecido. Segundo Al-Baghdadi, metade do seu orçamento era destinada aos terroristas que atuavam no outro país.
Assim, o diabo encontrou o ambiente propício: um Iraque largado à própria sorte; uma Síria com as Forças Armadas combatendo em várias frentes, à beira do colapso, e um grupo de celerados armados até os dentes, dispostos a se impor pelo terror. Parte da Síria e do Iraque já está nas mãos do tal grupo. Os líderes religiosos xiitas do Iraque conclamaram seus fiéis à resistência armada — e, ora vejam, o Irã se ofereceu para dar apoio. John Kerry, o pateta da hora que faz as vezes de Secretário de Estado dos EUA, já afirmou que a parceria é bem-vinda.
Então o buraco do inferno sempre pode ser mais embaixo. Uma intervenção iraniana no Iraque — com todo o rancor acumulado que sobrou da guerra entre os dois países — terá o condão de extremar as dissensões entre sunitas e xiitas, acabará aproximando mesmo os sunitas mais moderados dos grupos jihadistas e vai consolidar o Irã — nada menos! — como a força estabilizadora da região. Até porque não duvidem: se precisar, os iranianos mobilizam a sua máquina de guerra contra os terroristas que foram renegados até pela Al Qaeda.
Vejam como estava e como está o Oriente Médio desde a posse de Barack Obama. “Não havia nada que ele pudesse fazer…” Opa! Havia um monte de coisas que ele não deveria ter feito: puxar o tapete de Mubarak, no Egito, depois de duas semanas de protesto (vejam que maravilha de democracia há hoje por lá!); pôr a Otan a serviço dos terroristas na Líbia; deixar o Iraque entregue à própria sorte; ajudar a desestabilizar Assad quando até eu, que estou aqui em Higienópolis, sabia que o carniceiro de Damasco enfrentava gente pior do que ele próprio.
Agora, o presidente americano sempre poderá contar com uma ajudazinha do… Irã! É patético!
Lula deveria é ser grato a FHC, que o livrou de uma ação de impeachment
Lula soltou os cachorros ontem, no evento petista que oficializou a candidatura de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. Acusou a oposição de fazer a campanha do ódio e dirigiu um ataque específico a FHC, seu antecessor. Na convenção do PSDB, no dia anterior, o ex-presidente tucano havia falado que queria os corruptos longe da política.
Muito bem! Neste domingo, Lula acusou FHC de ter comprado votos que garantiram a reeleição. Não contente, afirmou que o tucano não aprendeu a ter sentimentos na universidade. Ai, ai… Lula acha que só alguém com o seu próprio grau de ignorância — que nada tem a ver com burrice (inteligente ele é) — é capaz de ter coração.
Nesta segunda, FHC emitiu uma nota a respeito. Leiam. Volto em seguida.
“Lamento que o ex-presidente Lula tenha levado a campanha eleitoral para níveis tão baixos. Na convenção do PSDB, não acusei ninguém; disse que queria ver os corruptos longe de nós. Não era preciso vestir a carapuça. A acusação de compra de votos na emenda da reeleição não se sustenta: ninguém teve a coragem de levar essa falsidade à Justiça. Não é verdade que a oposição pretendesse derrubar o presidente Lula em 2005. Na ocasião, pedimos justiça para quem havia usado recursos públicos e privados na compra de apoios no Congresso, o que foi feito pelo Supremo Tribunal Federal. Apelo às lideranças responsáveis, do governo e da oposição, para que a campanha eleitoral se concentre na discussão dos problemas do povo e nos rumos do Brasil.”
Retomo
É a fala de uma pessoa sensata. Cumpre lembrar um fato que é de amplo conhecimento da imprensa e dos políticos. FHC cometeu, sim, a meu ver, um erro em 2005. Ele foi uma das lideranças que desaconselharam a oposição a pedir o impeachment de Lula, o que até os petistas julgaram que estava na iminência de acontecer. Cabeças coroadas do partido chegaram a debater a hipótese da renúncia. O momento mais dramático se deu quando Duda Mendonça confessou na CPI que o PT pagara por seus serviços com dinheiro do caixa dois. Pior: o depósito havia sido feito numa conta que ele mantinha no exterior.
E quem foi que desaconselhou a oposição a seguir na trilha do impeachment? Justamente FHC! Acreditava — e, até hoje, muitos críticos do PT acham que ele estava certo; não é o meu caso — que a deposição de um presidente que havia sido operário um dia e que ainda contava com apoio considerável na sociedade seria ruim para a democracia.
Assim, à diferença do que diz Lula, a oposição nunca tentou derrubá-lo, a não ser por intermédio das urnas. Ao contrário: quando condescendeu com a sua permanência no poder, acabou lhe dando a chance de o PT obter mais dois mandatos.
Lula deveria ser grato a seu antecessor. Mas quê… Até hoje não perdoa o fato de que o outro o venceu duas vezes nas urnas — e no primeiro turno. De resto, é preciso deixar claro: a disputa em 2014, no que diz respeito aos dois partidos, é entre Dilma e Aécio, não entre Lula e FHC.
Troica petista lidera “manifesto de juristas” em defesa de decreto de Dilma; agora tenho 100% de certeza sobre seu caráter golpista e bolivariano
Contestei num post de hoje um texto publicado na Folha com seis perguntas e seis respostas sobre o decreto bolivariano de Dilma Rousseff. Pareceu-me que o texto do jornal resolveu ignorar os riscos potenciais nele contidos, fixando-se apenas em seus aspectos burocráticos. Muito bem! Até havia pouco, eu tinha noventa por cento de certeza de que se tratava de um projeto autoritário e de uma tentativa de submeter a sociedade brasileira ao filtro de conselhos comandados pelo PT e pelas esquerdas. Agora, eu tenho cem por cento. Em matéria de direito e democracia, é sempre bom perguntar — ou tentar saber — o que quer Fábio Konder Comparato. Não faça, leitor, é claro!, juízos automáticos. Mas convém ligar o sinal de alerta: o “dotô” costuma querer o que serve ao PT — quando não está à esquerda do partido, o que também pode acontecer.
Muito bem! Se o governo quisesse apenas “organizar” a intervenção de conselhos na administração como parte, digamos, de suas atribuições burocráticas, caberia uma primeira pergunta: por que fazer isso por decreto? Se o dito-cujo não tivesse, assim, grande importância, por que tamanha determinação em defendê-lo? Pois é… Agora a coisa ficou mais explícita.
Comparato lidera um “Manifesto de Juristas e Acadêmicos” em favor da Política Nacional de Participação Social. O PT decidiu transformar a estrovenga autoritária numa questão de honra. Lá nos porões do petismo, avalia-se que o caso pode ganhar até uma tradução eleitoral. O partido quer dividir o país entre os que são e os que não são favoráveis à “participação popular”. É evidente que se trata de vigarice intelectual.
Há mais dois nomes conhecidos que encabeçam a lista: Frei Betto, aquele sedizente católico da Teologia da Cubanização, e Maria Victória Benevides, que, como intelectual, é militante petista e, como militante petista, é militante petista mesmo!
Leiam o texto (em vermelho). Volto em seguida.
“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição” art. 1º. parágrafo único, da Constituição da República Federativa do Brasil.
Em face da ameaça de derrubada do decreto federal n. 8.243/2014, nós, juristas, professores e pesquisadores, declaramos nosso apoio a esse diploma legal que instituiu a Política Nacional de Participação Social.
Entendemos que o decreto traduz o espírito republicano da Constituição Federal Brasileira ao reconhecer mecanismos e espaços de participação direta da sociedade na gestão pública federal.
Entendemos que o decreto contribui para a ampliação da cidadania de todos os atores sociais, sem restrição ou privilégios de qualquer ordem, reconhecendo, inclusive, novas formas de participação social em rede.
Entendemos que, além do próprio artigo 1º CF, o decreto tem amparo em dispositivos constitucionais essenciais ao exercício da democracia, que preveem a participação social como diretriz do Sistema Único de Saúde, da Assistência Social, de Seguridade Social e do Sistema Nacional de Cultura; além de conselhos como instâncias de participação social nas políticas de saúde, cultura e na gestão do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (art. 194, parágrafo único, VII; art. 198, III; art. 204, II; art. 216, § 1º, X; art. 79, parágrafo único).
Entendemos que o decreto não viola nem usurpa as atribuições do Poder Legislativo, mas tão somente organiza as instâncias de participação social já existentes no Governo Federal e estabelece diretrizes para o seu funcionamento, nos termos e nos limites das atribuições conferidas ao Poder Executivo pelo Art. 84, VI, “a” da Constituição Federal.
Entendemos que o decreto representa um avanço para a democracia brasileira por estimular os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta a considerarem espaços e mecanismos de participação social que possam auxiliar o processo de formulação e gestão de suas políticas.
Por fim, entendemos que o decreto não possui inspiração antidemocrática, pois não submete as instâncias de participação, os movimentos sociais ou o cidadão a qualquer forma de controle por parte do Estado Brasileiro; ao contrário, aprofunda as práticas democráticas e amplia as possibilidades de fiscalização do Estado pelo povo.
A participação popular é uma conquista de toda a sociedade brasileira, consagrada na Constituição Federal. Quanto mais participação, mais qualificadas e próximas dos anseios da população serão as políticas públicas. Não há democracia sem povo.”
Voltei
Trata-se de uma tentativa de constranger o Congresso com essa conversa supostamente especializada de “nós, juristas, professores e pesquisadores…”, como se isso os colocasse acima dos cidadãos comuns. Reitero, na vigência desse decreto, qualquer juiz pode nele se ancorar para negar uma reintegração de posse, com base na premissa de que é preciso haver antes uma “mesa de negociação”.
Se a esquerda não visse aí a chance de ampliar permanentemente seu domínio do estado brasileiro, não iria fazer um manifesto. Fábio Konder Comparato, Frei Betto e Maria Victória Benevides encabeçando a iniciativa? Então o decreto é golpista e bolivariano mesmo! Agora tenho cem por cento de certeza.
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America Wants the Impossible and Gets the Unmentionable
America wants the impossible
By Spengler
(Cross-posted from Asia Times Online)
The United States has misunderstood everyone in the world outside its borders and mismanaged everything. It has done so with a bipartisan consensus so broad and deep that it has no opposition except simple-minded isolationism. America gets unwanted results — most recently in Iraq – because it wants the wrong things in the first place. And there seems to be no way to persuade Americans otherwise. The crumbling of the Iraqi state will provide yet another pretext for mutual recriminations among political parties. The trouble is that both parties wanted the wrong thing to begin with.
It is impossible to recruit clever young people out of American universities to the dour, depressing mission of managing the decline of other civilizations. Americans are missionaries, not imperial mandarins. America cannot ignore the Middle East
It tried to fix Libya, and traded the nasty regime of Muammar Gaddafi for a Petrie Dish of jihadist militias; it tried to fix Egypt, and traded the miserable regime of Hosni Mubarak for the Muslim Brotherhood, and the inevitable return of military rule in the face of the twin threats of terror and starvation; it did not even try to fix Syria, which has collapsed into sectarian division. It spent US$1 trillion, 5,000 dead, 50,000 wounded, and several million disrupted American lives trying to fix Iraq and Afghanistan.
From the Pillars of Hercules to the Hindu Kush, America confronts a belt of countries unable to feed themselves, let alone to invest their capital in profitable businesses or educate their young people. Without hydrocarbons their economies would resemble the worst of sub-Saharan Africa. The only four that have conquered illiteracy – Iran, Turkey, Tunisia and Algeria – have suffered a sudden collapse in fertility, from pre-modern to post-modern levels, in a single generation.
What should America have done?
i: Invading Iraq and deposing Saddam Hussein was a reasonable alternative after 9/11. I supported the invasion at the time because America needed to make a horrible example out of one hostile Muslim government in order to persuade the others to cooperate in suppressing terrorists. But America should have installed a strongman and left, with the option of returning to install yet another strongman, as Daniel Pipes proposed at the time.
ii) The Sunni-Shi’ite conflict was inevitable, but the US could have reduced it to a low boil by neutralizing Iran – bombing the nuclear weapons facilities, decapitating the Revolutionary Guard, and financing the opposition. That would have cost a few hundred million dollars all in.
iii) With Iran neutralized, the Assad family’s lifeline in Syria would have been severed. As Erik Prince once suggested, Washington could have struck a deal with Moscow on succession: allow Moscow to choose Assad’s successor.
iv) Israel should have been encouraged to reduce Hezbollah in Lebanon with the West’s blessing, rather than handcuffed under the 2006 American plan to end the Israel-Lebanon War. Then Secretary of State Condoleeza Rice forced the Israelis to withdraw with the promise that the Iranian-controlled militia would be disarmed. With Iran unable to help, Hezbollah would have been easy to destroy.
v) With Iran out of the picture, America would have been able to demand that the Saudis and Turks stop supporting the sort of militant jihadists who are now rampaging through Syria and Iraq. Absent the Iranian threat, the Saudis would have agreed.
vi) America should have ignored Libya and continued to support a military government in Egypt. The aging Mubarak had to leave, but an orderly transition plan still would have been possible.
The devil is not in the details, however, but in the original design. No-one could have walked into the Oval Office in 2001 and told then president George W Bush that his job was to manage the inevitable decline of Muslim civilization: to humiliate the Iranians, to hobble the contending parties and to leave as much power as possible in the hands of abhorrent military or monarchical governments. No-one could have gone to American universities and recruited the soldiers, spies and diplomats to execute a plan which preferred the slow and inevitable spread of human misery to a cataclysmic alternative.
The British Raj ruled India with just 3,000 regular officers, as Sir John Keegan observed, but these were officers trained in Greek and Latin at British schools and who knew the history of Rome’s decline as well as their American counterparts today know the plot of the Game of Thrones. They learned local languages, wore local dress and commanded local troops. They had no intent of saving India, much less of rebuilding it in Britain’s image, for all the missionary twaddle about the White Man’s Burden. The British were in India to get rich, and their cynicism and self-dealing made them cannily effective. Poor but clever Scots and English lads enlisted in the Colonial Service to seek their fortunes.
Americans never lived off colonies (although the Southern Confederacy intended to, by extending slavery through Latin America). They lacked the imperial motivation to bestir themselves outside their country’s borders. We never nurtured foreign policy elite that views America as radically unique, and other parts of the world as existentially challenged by comparison.
America has neither the students nor the teachers to fix its problems overseas. There are a few sages still left, notably Angelo Codevilla, who holds up the example of John Quincy Adams against the utopian obsessions of the major schools of foreign policy thinking.
On the left, we have the likes of Obama’s so-called national security team, including human-rights dabblers like Samantha Power and Ben Rhodes. On the right we have the neoconservatives, who believe that Being Determines Consciousness (democratic institutions will make people into democrats), and Catholic natural law theory, which boils down to the assertion that unaided human reason will lead everyone to the Western idea of individual liberty and democratic governance.
Americans seem to think that because they had the good grace to stumble into world history a couple of hundred years ago, everyone else should stop what they are doing and emulate them. That point of view is not as ludicrous as it sounds: no nation has ever been more successful than the United States, which has brought more prosperity and security to more people than any other political experiment in human history.
America’s genius lies in assimilating individuals of all ethnicities into a state based on a laws rather than race or language, and Americans assume that because Hindus, Muslims, Jews and Christians cohabit peacefully within their borders, they should be able to do so everywhere. That ignores the possibility that those individuals who wanted to leave peacefully with people of other ethnicities abandoned their home culture, leaving behind those who did not.
A sense of national exceptionalism may derive from long history; China may think itself external on the strength five millennia of history. America is a new nation and its sense of national exceptionalism derives from hope and expectation. But that is a very specific sort of hope and expectation: it derives from the Calvinist faith of America’s founders, with its tension between Christian universalism and the notion of an Elect.
The radical Protestants who created the American experiment saw their achievement as a universal example but had no expectation that a depraved world would as a general rule choose to emulate it. Most of humanity, they believed, would be damned and forgotten. Today’s mainstream of American Conservatism tends to see America as exceptional only in the sense that it an exceptionally good recipe that every cook ought to be able to master.
It has become nearly impossible in America to ask the question: Which cultures are viable and which are not? Individuals of all cultures are viable Americans, but that is not necessarily true of the culture they left behind. I have argued for the past dozen years in this space and in my book How Civilizations Die (Regnery 2011) that Muslim civilization will not survive: it passes directly from infancy to senescence.
That does not impugn the success of Muslim immigrants to America, nor of the hundreds of head-scarf-clad girls one sees at Ariel University in Samaria, but it does mean that Muslim states will be unstable and crisis prone and that Muslim populations will be discontented and prone to extremism for the duration. It is a fool’s errand to stabilize them; the best one can do is to prevent their problems from spilling over onto us.
European culture may not be viable in the long term, but Germany continues to compensate for its declining workforce by attracting talented immigrants from the European periphery. It has postponed the impact of poor demography by a generation.
Orthodox Christian culture is attempting to revive after the terrible enervation of Communist rule. Few in the West have the remotest idea what this means. Russian Foreign Minister Sergei Lavrov recently claimed that Western hostility to Russia stemmed from its return to its Orthodox roots (as noted by Paul Goble of the Jamestown Foundation): “The thesis (said Lavrov) has begun to circulate that the Soviet Union with its Communist doctrine [at least] remained within the framework of the system of ideas developed in the West, while the new Russia is returning to its traditional values, which are rooted in Orthodoxy, and as a result has become less understandable.”
The Russians have difficulty believing that no-one in the West, at least no-one in a position of influence, has the remotest idea of what Russian Orthodoxy might be and what its quarrels with the West might mean, although these are vivid, living issues in the minds of Russians. Russian President Vladimir Putin is not a new Hitler; he is what defeated Hitler, as well as Napoleon. It wasn’t congenial to the West in 1812 and it isn’t now, but it can’t be booed away. America shouted at the top of its lungs at Putin after Crimea and waved a toothpick, and the Russian leader cut a deal with Beijing.
The Western consensus – among economists as well as political types – appears to be that China will collapse of its own weight. The Chinese will rise up against the Communist Party and the unfinished revolution of Tiananmen Square will triumph, the pundits claimed on the 25th anniversary of the suppressed student demonstrations. The Chinese have been living with an emperor for the better part of 4,000 years; what makes anyone think they are going to change now? China is doing very well, and American predictions of its implosion are a lot of whistling in the dark.
None of this will change in face of practical consequences, even the direst ones. The Republican foreign policy establishment will blame Obama for the stupidity of leaving Iraq without a modest American military force; there will be no introspection, no reflection of the errors that plagued American intervention from the outset. It isn’t only that too many careers and too much political capital is at stake: Americans simply don’t want to think about the world as it actually is.
By default, that ultimately may the world to other players with a sturdier sense of reality. China never has cared much about the world past its vast borders. But China is not burdened with the social engineering approach to remaking the world of American conservatives, nor the affirmative-action mentality of the Obama administration.
China has seen cultures succeeded and fail hundreds of times through its long history. It has no compunction about harsh measures against restless minorities. News media reported that President Xi Jinping has called for the resettlement of part of western China’s Uyghur minority, a Turkic Muslim people. Uyghurs have perpetrated several terrorist acts recently, and Beijing is losing patience.
Chinese policy towards its fractious Muslim minority is cruel but entirely effective; I have no doubt that it will succeed, despite the hand-wringing of the human rights organizations. American policy has been generous and generally ineffective. Is there anything in between? I do not think we shall ever find out.
On the other hand, China has no interested in reforming any regime or shaping any culture as long as it does not pose a threat to its interests. China is concerned with the flow of oil from the Persian Gulf (it is Saudi Arabia’s largest customer), and the orderly expansion of the “new Silk Road” through Istanbul and into Europe. I am not enthusiastic about a future “Pax Sinica” stretching into Western Asia, but in the absence of American power, someone will fill the vacuum.
Spengler is channeled by David P Goldman. He is Senior Fellow at the London Center for Policy Research and Associate Fellow at the Middle East Forum. His book How Civilizations Die (and why Islam is Dying, Too) was published by Regnery Press in September 2011. A volume of his essays on culture, religion and economics, It’s Not the End of the World – It’s Just the End of You, also appeared that fall, from Van Praag Press.
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Lula ressuscita a teoria do ódio para que seu partido possa odiar à vontade; o lobo está com sede de sangue. Ou: Apedeuta não vê um calo na mão há 42 anos!
Vamos lá. Luiz Inácio Lula da Silva voltou à sua ladainha de sempre. Haveria no país uma grande conspiração contra o PT, que uniria a “elite conservadora”, a oposição e, como sempre, a imprensa. E falou no que parece ser uma clara ameaça: “Estamos fazendo uma campanha perigosa. Se, em 2002, fizemos uma campanha da esperança contra o medo, agora é a da esperança contra o ódio”. Ora, quem faz uma consideração como essa está se preparando para o vale-tudo. É como se dissesse: “Já que o meu adversário me odeia, tudo o que fizer está justificado; afinal, eu encarno a esperança”.
Vocês conhecem a fábula do lobo e do cordeiro, não? O malvadão acusa o carneirinho de estar turvando a água que ele bebe. “Mas como, pergunta o outro, eu poderia fazê-lo se bebo morro abaixo?”. O lobo então diz que ficou sabendo que o outro falara mal dele no ano anterior. “Mas eu nem havia nascido”, objetou o interlocutor. “Então foi seu irmão.” Ocorre que o acusado não tinha irmãos. “Então foi alguém que você conhece, algum outro cordeiro, um pastor ou um dos cães que cuidam do rebanho, e é preciso que eu me vingue.” E pulou em cima do cordeiro, meteu-lhe os dentes e o matou.
Assim é Lula. Como está doido para pular na jugular dos adversários, mas quer fazê-lo na condição de vítima, não de algoz, então inventa a conspiração. Lula discursou no evento que formalizou a candidatura de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. E o que se viu foi o petista nos moldes pré-2002.
Ora, quem é esse senhor para falar em ódio? Não é aquele que inventou a tal “herança maldita”, que nunca existiu? Não é aquele que transforma seus adversários na fonte de todo mal, incapaz que é de lhes reconhecer uma única virtude? Procurem os discursos de FHC, por exemplo, e se encontrarão vários elogios a Lula — alguns, a meu juízo, absolutamente imerecidos. Mas o Lulinha, que supostamente não odeia ninguém, ah, esse é incapaz de admitir que seus adversários possam ter feito, alguma vez, algo de bom. Ele muda de ideia, sim, desde que o antigo desafeto se ajoelhe a seus pés, como faz José Sarney.
No melhor do seu estilo rancoroso, sugeriu que FHC não aprendeu a ter sentimentos na “faculdade”. Entenderam? Para Lula, estudo e o preparo intelectual tornam as pessoas insensíveis. Mas ele tem a certeza de que os outros odeiam, e ele ama.
Incrível, não, leitores? Como não me lembrar do tal “Ultrajano” neste momento? Do que foi que ele me acusou mesmo? Lembrei! De disseminar o ódio. E ele fez o quê? Demonizou a mim e a meus leitores num canal de televisão. E tudo por quê? Ora, porque ele é um homem amoroso, certo? Reparem: ainda que em escalas distintas, o procedimento é o mesmo: acusam os outros de fazer aquilo que eles próprios fazem; desumanizam as suas vítimas para que possam, então, avançar em seu pescoço. É uma gente moralmente asquerosa.
Lula foi adiante nas tolices. Repetiu um mantra da época do mensalão, afirmando que estavam tentando fazer com ele o que fizeram com Getúlio Vargas. Esperem. O que foi que fizeram com Getúlio? Que eu saiba, gente da laia getulista tentou matar Carlos Lacerda, não é? Descoberta a trama, o então presidente se matou. Que se saiba, não foi Lacerda quem puxou o gatilho.
Lula é doido para se apropriar da obra alheia — como tenta fazer com o Plano Real, que ele buscou destruir — e para se livrar dos seus pecados. Referiu-se à vaia que Dilma levou no Itaquerão. Segundo disse, quem xingou a presidente não tem “calo na mão” “porque aquelas pessoas tinham cara de tudo, menos cara de trabalhadores”. Ele está tentando se livrar do peso da Copa do Mundo. Quem conduziu todo o processo foi o PT. Ainda que fosse verdade que não havia trabalhadores no estádio, os responsáveis são Lula, Dilma e seu partido, não é mesmo? Que eu me lembre, quando os tucanos se negaram a pôr dinheiro público em estádio, foram duramente criticados pelos… petistas!
Quanto a calo na mão, dizer o quê? Lula não sabe o que é isso desde os 27 anos, quando virou diretor de sindicato. Está com 68. Não vê um calo de perto há 42 anos. No máximo, pode ter calo na língua, de tanto falar bobagem.
Santos se reelege na Colômbia, e negociação com narcoterroristas vai, então, continuar; população de áreas onde as Farc atuam votou contra acordo
Num resultado até certo ponto surpreendente, dados os números do primeiro turno, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, venceu o segundo turno da eleição presidencial. Com a apuração totalmente concluída, obteve 50,95% dos votos contra 45% de Óscar Ivan Zuluaga, seu opositor. Traduzindo: 7.816.986 contra 6.905.001. No primeiro turno, Zuluaga venceu com 29,3%, contra 25,7% de Santos. Como explicar?
É preciso fazer algumas considerações prévias. Santos foi eleito presidente em 2010 com o apoio integral do ex-presidente Álvaro Uribe, de quem foi ministro da Defesa. Foi de Santos a decisão, por exemplo, de invadir o território equatoriano para matar o líder terrorista Raúl Reyes, das Farc. No poder, deu início a um processo de negociação com a narcoguerrilha, que se desenvolve em Cuba. Descontente, Uribe rompeu com o antigo aliado, criou um novo partido e fez Zaluaga candidato.
Embora Santos tenha bons números a oferecer na economia, a negociação com as Farc dividiu o país — divisão que persiste, a julgar pelo resultado: Zuluaga se opõe frontalmente à negociação e exige a deposição de armas dos grupos guerrilheiros e a punição de seus líderes. Santos, antes o falcão, resolveu posar de pomba da paz. Isso lhe rendeu o apoio da esquerda colombiana, o que parecia impossível.
A esquerdista Clara López, que obteve 1.958.414 votos no primeiro turno, fechou com o presidente. O mesmo fez o prefeito de Bogotá, Gustavo Petro. Santos triplicou seus votos na capital: de 444.051 no primeiro turno para 1.337.349 no segundo.
Vejam este mapa. Na área azul, venceu Zuluaga, francamente contrário à negociação com a guerrilha; na amarela, Santos.
Agora vejam as áreas de mais forte atuação das Farc.
Comparando-se, então, o mapa de votação dos dois candidatos com o mapa das áreas sob influência das Farc, percebe-se que a maioria da população que é potencialmente vítima dos narcoguerrilheiros votou contra o acordo político. Esse confronto já matou, em cinquenta anos, mais de 250 mil pessoas e provocou a migração de 5 milhões.
A Colômbia vive uma realidade política interessante. Embora o país abrigue as duas mais antigas guerrilhas da América Latina, a esquerda é eleitoralmente fraca. Santos venceu a eleição com o apoio de esquerdistas, mas é um político conservador. Seu adversário, Zuluaga, é da direita uribista. Uma maioria estreita votou pela continuidade das negociações de paz. A responsabilidade que pesa agora sobre os ombros de Santos é gigantesca. Se naufragar, seu grupo está politicamente morto.
Não posso encerrar este texto sem chamar a atenção para um troço meio asqueroso. As Farc negociam a paz, mas sem depor as armas, é claro! Quem reduziu drasticamente seu poder de fogo foi a política de Uribe. De um exército de estimados 30 mil homens, foram reduzidas a menos de 8 mil. Seus principais líderes estão mortos. Mas elas ainda têm reféns, praticam sequestros, extorsões, assassinatos e tráfico de drogas. Ancorar um discurso na “paz” negociando com gente dessa espécie corresponde, na prática, a ceder a uma chantagem.
A maioria, no entanto, dos eleitores decidiu que assim deve ser, especialmente a maioria dos lugares em que a guerrilha não atua, como é o caso de Bogotá. A chance de que tudo dê errado é gigantesca!
De novo, o Decreto 8.243, de Dilma. É golpista e bolivariano, sim! Ou: O que não me parece bom nas seis perguntas e seis respostas da Folha
A Folha, jornal de que sou colunista, publicou no domingo seis perguntas e respostas sobre o Projeto 8.243 — aquele dos “conselhos populares”. O leitor chega à conclusão de que o diabo é bem menos feio do que se pinta. Discordo, é claro! “E por que não escreve a respeito no jornal?” Já escrevi. Volto ao assunto aqui. O que segue em vermelho foi publicado pela Folha. Comento em azul.
Classificado por alguns como “golpista”, “bolivariano” e até “bolchevique”, o decreto de Dilma sobre política de participação social parece bem menos polêmico.
Eu considero o decreto golpista e bolivariano, mas não “bolchevique” porque, parece-me, o bolchevismo supõe a perspectiva imediatamente revolucionária e de eliminação de uma classe social. Não sei quem classifica assim o texto — ninguém que eu tenha visto.
Gramscianamente golpista, isso ele é. Como era — e, em certa medida, ainda é — a terceira edição do Plano Nacional de Direitos Humanos, de dezembro de 2009. E é bolivariano também porque Chávez recorreu a conselhos para minar o sistema representativo na Venezuela.
1) Para que serve a Política Nacional de Participação Social (PNPS), criada por decreto por Dilma?
O objetivo é organizar a relação entre ministérios e outras repartições federais com as diversas instâncias de participação social, como os conselhos permanentes de políticas públicas, as periódicas conferências nacionais temáticas e as frequentes audiências públicas, entre outras.
O texto busca, digamos, naturalizar o decreto, como se Dilma tivesse recorrido a esse expediente — por que não um projeto de lei, por exemplo? — apenas porque surgiu a necessidade de “organizar”. Epa! Um texto legal que regulamenta a participação da sociedade civil, definindo-a como “o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações” pode ser tudo, menos corriqueiro. Eu quero saber, por exemplo, a diferença entre um “movimento social institucionalizado” e um “movimento social não institucionalizado”. Mais: se o “cidadão” é parte da sociedade civil, como ele faz para participar de um conselho? Já volto ao ponto.
2) Mas já não existem vários conselhos?
Existem. Alguns são muito antigos, como o CNE (Conselho Nacional de Educação), criado em 1931, e o CNS (Conselho Nacional de Saúde), que existe desde 1937. Há conselhos para os mais variados temas, como direitos dos idosos, trabalho, segurança pública, juventude, política indigenista, previdência, drogas e igualdade racial. Alguns têm caráter normativo, como o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Outros são meramente consultivos, como o Conselho de Desenvolvimento Econômico, que reúne vários empresários dos mais diversos setores.
Vamos lá. Peguemos um dos conselhos citados acima: o da Juventude. Alguém ficou sabendo, a começar da imprensa, que as inscrições para tentar fazer parte do “Conjuve” terminaram às 23h59 do dia 4 de junho? Mais: nada menos de 159 entidades — devem ser os tais “coletivos” e “movimentos sociais institucionalizados e não institucionalizados” — se inscreveram. É mesmo?
Ora vejam… Vamos ver o que diz o Artigo 1º do decreto de Dilma: “Fica instituída a Política Nacional de Participação Social – PNPS, com o objetivo de fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil”. Sei… O Inciso II do Artigo 3º sustenta ainda que uma das diretrizes do PNPS é a “complementariedade, transversalidade e integração entre mecanismos e instâncias da democracia representativa, participativa e direta”.
Certo! Então os conselhos são uma forma de democracia direta, né? Só que é a democracia direta que se realiza à socapa, sem que ninguém saiba. Ou o “cidadão” decide fazer parte de algum “coletivo” ou “movimento social”, ou não vai participar de coisa nenhuma. Continuo na questão seguinte.
3) Esses conselhos agora são controlados pelo governo?
Não.
Não??? De novo, tomo o exemplo do Conselho da Juventude. É formado por 60 membros: um terço (20) é de representantes do governo e dois terços (40), da sociedade civil. Se vocês clicarem aqui, terão acesso a seus nomes e entidades às quais pertencem. E ficará claro, de saída, que a questão não está em ser o conselho formalmente controlado pelo governo. Em tese, não é. Estou falando é de outra coisa: de controle ideológico. Vejam lá qual é o viés das tais entidades representadas. Ora… Essa democracia “direta” é, como se vê, bem mais restritiva, então, do que a “representativa”, não? Afinal:
a: o processo eletivo ocorre sem que ninguém saiba;
b: a eleição dos conselheiros será necessariamente indireta;
c: já existe uma seletividade ideológica na largada.
É isso, então, a democracia representativa?
4) O governo passa a ser obrigado a seguir decisões tomadas em conselhos?
Não. O decreto diz apenas que os órgãos da administração, como os ministérios, deverão “considerar” essas instâncias de participação social na hora de formular, executar, monitorar e avaliar suas políticas. Isso já ocorre em muitos casos. O decreto diz também que os órgãos deverão produzir relatórios anuais mostrando como estão implementando a PNPS.
Com a devida vênia, é uma resposta ingênua para uma pergunta não menos. Imaginem se, a partir do decreto, os tais conselhos não acabarão se tornando uma espécie de imposição. Não há como impor legalmente as decisões dos conselhos. Trata-se de um constrangimento político. Tanto é que os órgãos federais são obrigados a prestar contas sobre a forma como estão implementando o tal PNPS. Ora, é o estado se organizando para ter o controle da sociedade civil. Saudável, convenha, seria o contrário!
5) O governo está criando novos conselhos?
O decreto não cria nenhum novo conselho nem mexe nos já existentes. A norma, porém, define parâmetros mínimos para orientar a eventual criação de novos conselhos ou instâncias.
De novo, fica parecendo que Dilma decidiu acordar e dizer: “Hoje é segunda-feira”. Não! A coisa é bem mais grave e mais complexa do que isso. Ademais, insisto na pergunta: por que um decreto? Já volto ao ponto.
6) Os conselhos populares assumem alguma atribuição do Poder Legislativo?
Não. O que se discute é se a PNPS, nos termos em que foi elaborada, deveria passar pelo Congresso. O governo sustenta que, como não há criação de cargos ou despesas, o decreto é suficiente. Alguns entendem que, ao criar um procedimento novo, a PNPS só poderia ser validada por meio de uma lei aprovada pelo Congresso Nacional.
A resposta e amplamente insuficiente. Não se pode perguntar se o decreto faz o impossível porque o impossível ele não faz… A CONSTITUIÇÃO NÃO PERMITE QUE O EXECUTIVO SOLAPE PRERROGATIVAS DO LEGISLATIVO. E NÃO SERIA POR MEIO DO DECRETO 8.243 QUE DILMA O FARIA. A pergunta não faz sentido.
A questão é saber se conselhos não poderão ter um peso maior na decisão de órgãos federais do que o próprio Legislativo. A depender de como se conduzam as coisas, a resposta é “sim”. Segundo o decreto, um dos mecanismos de participação direta da sociedade são as “conferências nacionais”. Peguem as conclusões das conferências de Comunicação e Cultura, por exemplo. Nos dois casos, há flertes claros com a censura, por imposição dos vários grupos de esquerda que as compuseram. COMO NÃO CONSEGUEM VENCER ELEIÇÕES NO PARLAMENTO PARA IMPOR A SUA VONTADE, TENTAM FAZÊ-LO POR INTERMÉDIO DAS TAIS CONFERÊNCIAS. A de Mulheres, por exemplo, defendeu a descriminação do aborto. Curioso: não é essa a opinião da maioria das mulheres brasileiras nem é esse o resultado das urnas. ESSAS FORMAS DE DEMOCRACIA DIRETA, COM A REALIZAÇÃO DE ELEIÇÕES ÀS ESCURAS, SÃO INSTRUMENTOS DE QUE DISPÕEM MINORIAS QUE SE QUEREM DE VANGUARDA PARA IMPOR A SUA VONTADE ÀS MAIORIAS.
Pior do que tomar o lugar do Legislativo, o “conselhismo” ambiciona é tomar o lugar da Justiça mesmo, e alertei para esse risco em meu artigo na Folha, na sexta. Reproduzo trecho (em preto).
No dia 19 de fevereiro (http://abr.ai/1lkunwF), o ministro Gilberto Carvalho participou de um seminário sobre mediação de conflitos. Com todas as letras, atacou a Justiça por conceder liminares de reintegração de posse e censurou o estado brasileiro por cultivar o que chamou de “uma mentalidade que se posiciona claramente contra tudo aquilo que é insurgência”. Ou por outra: a insurgência lhe é bem-vinda. Parece que ele tem a ambição de manipulá-la como insuflador e como autoridade.
Vocês se lembram do “Programa Nacional-Socialista” dos Direitos Humanos, de dezembro de 2009? É aquele que, entre outros mimos, propunha mecanismos de censura à imprensa. Qual era o “Objetivo Estratégico VI” (http://abr.ai/1lkLvSS)? Reproduzo trecho:
“a- Assegurar a criação de marco legal para a prevenção e mediação de conflitos fundiários urbanos, garantindo o devido processo legal e a função social da propriedade.
(…)
d- Propor projeto de lei para institucionalizar a utilização da mediação como ato inicial das demandas de conflitos agrários e urbanos, priorizando a realização de audiência coletiva com os envolvidos (…) como medida preliminar à avaliação da concessão de medidas liminares (…)”
Dilma resolveu dar uma banana para o Congresso e, em vez de projeto de lei, que pode ser emendado pelos parlamentares, mandou logo um decreto. As Polianas que fazem o jogo dos contentes acusam os críticos do decreto de exacerbação retórica e dizem que a trajetória do PT não revela tentações bolivarianas. Não? Fica para outra coluna. Nego-me a ignorar o que está escrito para ser árbitro de intenções. Pouco me interessa o que se passa na alma do PT. Eu me ocupo é dos fatos. Dilma tem de recuar. Brasília não é Caracas.
Encerro
Ora, uma vez em vigência esse decreto, um juiz poderá se amparar nele para não conceder uma liminar de reintegração de posse, por exemplo — não sem que se realize antes a tal mesa de mediação de conflitos. É evidente que a presidente não assinaria um decreto admitindo que está criando mecanismos que podem ser considerados um Legislativo e um Judiciário paralelos. Só faltava essa! A esse grau de loucura, o petismo ainda não chegou. Mas que o texto pavimenta o caminho para a companheirada não se desgrudar mais do poder, ganhe ou perca eleição, ah, isso é fato! Não é bolchevique porque não dá mais para ser bolchevique, o que muitos lamentam… Mas é golpista, sim. E recorre a expedientes bolivarianos, sim!
Não custa lembrar que, na América Latina contemporânea — mas nunca moderna —, não se dão mais golpes com tanques, mas com instrumentos legais que vão minando o regime democrático. O Decreto 8.243 é um deles. Que o Congresso reaja e derrube essa estrovenga por meio do decreto legislativo. Dilma que envie um projeto de lei. Ou a presidente quer instituir a participação da sociedade civil sem ouvir o Poder Legislativo?
Com votos comprados, Santos vence as eleições na Colômbia
As abstenções foram maiores do que no primeiro turno, chegando a mais de 50% dos eleitores. Com todos os apoios recebidos dos partidos de esquerda e declaradamente comunistas, com toda a máquina administrativa estatal, com a compra de votos e as fraudes tentando destruir Oscar Iván Zuluaga, Santos vai ganhando disparado com mais de 50% dos votos e praticamente a situação é irreversível.
Devo culpar os admiradores do sr. Ultrajano Chapa-Branca por isto?
Leiam este comentário, com o IP e tudo.
Como esse, chegam centenas todos os dias. Vocês já me viram aqui a reclamar ou a acusar os outros por isso ou aquilo? Deem uma olhada nos blogs sujos para ver quantas são as vezes em que recorrem ao meu nome para ganhar trânsito. A mais nojenta de todas as páginas — QUE COBRA CARO PARA NÃO ATACAR PESSOAS, NUMA PRÁTICA MAFIOSA — adora republicar meus textos, sem autorização, para tornar sua vida mais interessante e sua chantagem mais valorizada. E simplesmente costumo ignorar essa gente.
Não só isso. São dezenas de ameaças de morte e de espancamento por dia. Não saio por aí culpando A ou B.
Sim, daqui a pouco eu me canso desse “Ultrajano Chapa-Branca”. Mas, enquanto eu não me cansar, trato do assunto.
De novo os melancias às avessas da ESPN e seu esquerdismo chulé sustentado “peluzamericânu”. Novos detalhes sobre a fala de um farsante
Vamos lá. Prometi que voltaria aos “progressistas” da ESPN e volto. É aquela gente que paga pau aos esquerdistas, posa de nacionalista, faz discursinho anti-imperialista e só se comporta bem na hora de receber o rico dinheiro dos patrões norte-americanos. Hipócritas! Como sabem, o tal José Trajano, chefão da emissora no Brasil, não gostou das vaias e dos xingamentos que o público dirigiu a Dilma no jogo de abertura da Copa. Resolveu passar um carão nos torcedores, que reagiram ao pito do vovô chapa-branca (e vermelha). Ele, então, ficou ainda mais bravo e arrumou quatro culpados: Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Demétrio Magnoli e Augusto Nunes.
Sim, os que foram esculhambá-lo — por causa de sua sujeição voluntária e de seu hábito de andar de joelhos — seriam leitores desses quatro Cavaleiros do Apocalipse, que, segundo ele, incentivam o ódio e a inveja. Como? Inveja, a depender do ramo de atividade e da coisa na qual eu esteja pensando, eu poderia ter é de Flaubert, de Brad Pitt, de Churchill, até do mais desgraçado dos mendigos. De Trajano? Das outras sumidades? Deem-me uma miserável razão para isso. Vamos relembrar a sua fala, em que ele arrota a sua grande coragem.
Quando botei esse vídeo no ar, ontem, uns poucos gatos-pingados o tinham visto. Agora, já são mais de 100 mil visitas. Trajano, cuja existência eu ignorava e sobre quem, é evidente, eu jamais havia escrito uma linha, também descobriu que atacar certas pessoas rende trânsito, bochicho, audiência. Sou generoso. De vez em quando, dou uma esmola a gente como ele.
Senti, ao assistir ao vídeo, a tal vergonha alheia. Então esse banana acha que é preciso grande coragem para atacar na televisão homens PODEROSOS (???) como Reinaldo, Diogo, Demétrio e Augusto? Por quê? Qual é o nosso poder? Percebam ali o tonzinho de “ninguém vai me calar”. O trecho mais encantador de sua fala é o “não vou me vergar”. Ora, vergar-se a quem? A nós? No que me diz respeito, se um sujeito como esse se vergar diante de mim, vomito no cangote dele.
De resto, não pode mais se vergar quem vergado já está. Não a mim, é claro! Não aos outros três! Mas ao poder, a uma ideologia, às patrulhas.
Ora, alguma coragem é necessária para combater os poderosos de turno, não para fazer a genuflexão até no vocabulário. Esse cara é do tipo que chama Dilma de “presidenta”, mas diz que não se verga a Reinaldo Azevedo e a seus leitores. Nossa!!! Que valente! Quando eu tiver 50 anos a menos de reflexão, quero ser como ele. Mas, se chegar a ter 30 a mais de idade, quero ser como sou. Leia de novo, Trajano!
É preciso ser muito vigarista para criticar os que “não respeitam a opinião alheia”, atacando, em seguida, quatro pessoas que não estão presentes para se defender, que absolutamente nada tinham a ver com a questão e que não podiam, sob qualquer pretexto — exceto o ódio, a intolerância —, ser responsabilizadas por aqueles que, exercendo seu sagrado direito de divergir, resolveram discordar da opinião de Trajano e da de seus outros “camaradas”. Ao fazê-lo, ele estava sendo… tolerante? Se nunca toquei no nome dele, se não escrevo sobre esportes, se nem mesmo o conhecia, ele me agride por quê? Ah, é que sou considerado um crítico do PT, um conservador, até mesmo um “direitista”, entendem? E o tal acha que gente assim merece ser achincalhada. Trajano cobra tolerância com os que são de sua laia para que ele possa mandar para o paredão os que não são. Pai, mãe, se vocês, ainda assim, quiserem assistir à ESPN, tirem ao menos as crianças da sala.
Bem, é um comportamento compatível com gente que sustentou ser muito justo mandar a Fifa “tomar no c…”, mas que considerou um crime de lesa-pátria dirigir tal impropério a Dilma. Também se perguntou na ESPN por que nunca ninguém mandou Paulo Maluf fazer tal coisa. Entendo! Com Maluf, então, seria justo, mas não com Dilma!!! Assim, não é que Trajano, seus pares e a ESPN considerem inadequado mandar que os outros “tomem no c…”. Só não se pode fazer isso com as pessoas erradas, com os “progressistas”. Com os “reacionários” — ainda que Maluf seja hoje um reacionário aliado ao PT —, pode. Para Trajano e sua trupe, mandar “tomar no c…” um sujeito procurado pela Interpol é aceitável. Mas fazer isso com a turma que elevou o orçamento da refinaria de Abreu e Lima de US$ 2,5 bilhões para US$ 19 bilhões é um atentado ao bom gosto, ao bom senso e à cidadania.
É o triunfo do “Paradigma Moral José Dirceu”. Assim como certas pessoas estão acima da lei, algumas outras, não importa o que façam, estão acima do palavrão. Xingar os inimigos de Trajano — ou aqueles que ele considera inimigos — é um dever cívico. Fazer o mesmo com aqueles de quem ele puxa o saco e diante dos quais se verga é um crime moral. Se acontece, ele precisa, então, arrumar culpados.
Eu sabia, meninos!
No texto anterior, afirmei que iria procurar a direção da ESPN para saber se o braço brasileiro do grupo norte-americano endossa a avaliação de que a elite branca de São Paulo — como se acusou lá — é capaz de cometer essas coisas hediondas. Leitores às pencas escreveram para dizer que o chefão é o próprio Trajano. Caros, àquela altura, eu já sabia. Já havia feito uma rápida pesquisa na Internet. Estava apenas sendo irônico.
O companheiro esquerdista e certamente anti-imperialista não dorme do ponto, não é?, e conseguiu arrumar uma boquinha com “uzamericânu”. Não é de hoje que gente com esse perfil é boa para arrumar emprego. As respectivas direções de institutos culturais de bancos e de grandes empresas, por exemplo, estão coalhadas de esquerdistas. São, assim, uma espécie de bobos da corte, regiamente pagos para que o patrão ou tenha onde colocar o seu complexo de culpa ou possa posar de “moderno e progressista” nas colunas sociais e nas pré-estreias de filmes-cabeça. Oswald de Andrade, que, dentro da sua loucura, tinha coerência, chamava valentes assim de “palhaços da burguesia”. No que me diz respeito, tenho mais desprezo por eles do que por qualquer maluco de uma seita ultraesquerdista que se leve a sério. Se o bicho realmente um dia pegasse no país, aqueles seriam os primeiros a se esconder, com a cueca borrada. Não, esses nem são a esquerda caviar. Faltam-lhes gosto para apreciar a iguaria e coragem para lutar por aquilo em que dizem acreditar.
O queridinho de Freixo
Na minha rápida pesquisa, quanto tomei conhecimento da existência do tal Trajano, topei com este vídeo.
Eis aí. Agora, a coisa está completa pra mim. Agora, a equação se fecha de maneira inequívoca. O deputado estadual Marcelo Freixo, do PSOL do Rio, o queridinho dos socialistas da Zona Sul, com vista para o mar, propôs a “Medalha Tiradentes” para Trajano. O partido que engrossa o coro em favor do controle da mídia no Brasil — sim, o PSOL também está nessa — resolveu defender a “linha editorial” “duzimperialista” porque, nesse caso, diz o guru das “socialites socialistas”, a ESPN trata das “contradições que esse mundo dos negócios, dos esportes, das paixões pode envolver”. Ah, entendi! Contamos “cuzamericânu” para nos ajudar a entender as “contradições desse mundo dos negócios”… Que bom que tenho o estômago forte!
Nos comentários, leitores me informam que a ESPN nunca foi dura o bastante com a turma do pega pra capar que está nas ruas. Todo o ódio que Trajano e seus camaradas destilaram contra os que vaiaram e xingaram Dilma nunca teria sido secretado contra black blocs e contra quem sai quebrando tudo por aí. Não sei se é verdade porque nunca vi o canal — tanto é assim que Trajano sabia da minha existência, mas eu ignorava a dele. Deve ser verdade. E isso também tem explicação, como se vê.
Não custa lembrar que Freixo é o chefão do PSOL no Rio, partido que comanda, por exemplo, os sindicatos de professores das redes estadual e municipal, que não viram nada demais em fazer uma parceria explícita, admitida em nota oficial, com os black blocs. Como esquecer que a notória Sininho, ora indiciada pela polícia, foi oferecer um advogado a um dos acusados pela morte do cinegrafista Santiago Andrade em nome de uma entidade politicamente ligada a Freixo, esse santo do pau oco do socialismo com vista para o mar?
Os outros três incluídos na baba hidrófoba de Trajano falem por si se quiserem. Falo por mim. Faz todo sentido que este senhor veja com maus olhos o meu trabalho. Gente que recebe comenda de Marcelo Freixo, dadas as suas ações recentes no Rio, não tem mesmo por que ter simpatia pelo meu trabalho. É claro que nem isso explica a sem-vergonhice que foi dita no ar.
Gente que incentiva o linchamento em nome da tolerância não é apenas contraditória. É canalha também.
Texto publicado originalmente às 4h37
Na madrugada do dia 1º, milhares de pessoas na plateia do show do Rappa, em Ribeirão Preto, já haviam premiado Dilma com o coro que se ouviu no Itaquerão. Será que se tratava também da “elite branca de São Paulo”, como dizem a ESPN, cheia de anúncios de estatais, e o PT?
Leitores me enviam um vídeo que eu não conhecia. Na madrugada do dia 1º de junho, o grupo Rappa se apresentou no “João Rock 2014”, em Ribeirão Preto, em São Paulo, que fiquei sabendo ser o maior evento de rock do interior. E aconteceu isto aqui. Vejam. Volto em seguida.
Voltei
Pois é… Os que me leem habitualmente sabem o que penso e o que não penso:
- jamais fui simpático às chamadas “manifestações de junho”; os arquivos estão aí;
- sempre considerei inaceitável a violência da esmagadora maioria dos protestos;
- nunca apelei ao simplismo de afirmar que o dinheiro da Copa deveria ser investido no social porque não é assim que as coisas funcionam (já disse por que em outros posts).
Assim, há muitas coisas na fala de Falcão, o vocalista do Rappa, com a qual não concordo. Agora, as pessoas estão protegidas pela liberdade de expressão, e tanto ele como a plateia têm o direito de dizer o que acham que deve ser dito. Inaceitável, para mim, é a violência. E, como se vê ali, todos estão em paz. Mas isso é para mim, não para Dilma por exemplo, que recebe líderes de movimento que partem para a porrada, não é mesmo?
E aí? O que dizer da plateia do Rappa e do próprio Falcão? Também eles são, como querem os petistas e a ESPN, expressões da elite branca de São Paulo? Por que a canalha que nunca atacou os black blocs — ou por covardia ou por concordar com a ação — fica tão desarvorada quando a plateia dirige um impropério ao governante, o que acontecia, ora vejam!, até no Império Romano? E olhem que a imperadora Dilma, até onde se sabe ao menos, divina não é.
Ao assistir esse vídeo, o que dirá José Trajano, o melancia às avessas da ESPN? Já sei: “Pô, os leitores de Reinaldo Azevedo, Demétrio Magnoli, Diogo Mainardi e Augusto Nunes aparelharam o show do Rappa!!!”. Também nesse caso o PT vai acusar uma grande armação da oposição?
Leitores me informam que o mesmo coro com que Dilma foi premiada no Itaquerão foi ouvido, ainda que de forma mais discreta, na Arena Pantanal e no Mineirão. O que há de surpreendente nisso? Nada!
Moro praticamente ao lado do Pacaembu. Todas as vezes, todas, sem exceção, em que fui ao estádio, ouvi em uníssono o “Ei, juiz, vai tomate cru…”. Aliás, dá pra ouvir até quando não se está lá dentro. Nego-me a revelar se já aderi. Basta que o árbitro apite ou deixe de apitar alguma coisa que contrarie a torcida do time mandante, o coro começa na “geral”, onde não se encontram exatamente os mais endinheirados e os “brâncu de zoiazul” (como disse Lula). E se espalha. Esse xingamento é um clássico dos jogos de futebol. Em estádios, aliás, não importa o setor, não é o melhor lugar para a gente escolher genros, não é? Fora de lá, sogros podem até virar lordes.
Por mais que se lamente — por mim, todos declamariam Camões ou Shakespeare —, os impropérios fazem parte da natureza do espetáculo. “Ah, que coisa mais machista!” É mesmo? Vocês já viram a fúria das moças na arquibancada? Sogras também não escolheriam ali as suas noras… O que não impede as moças de virar princesas tão logo atravessem o portão. A violência retórica quase nunca é íntima da violência física. Na maior parte das vezes, uma toma o lugar da outra.
De resto, com uma popularidade bem maior do que a de Dilma, Lula foi vaiado na abertura dos Jogos Pan-Americanos, em 2007. Vejam:
Ele chegou a comentar, mais tarde, a reação do público. Como a eleição vindoura estava longe, posou de compreensivo:
Ora, Lula tinha sido reeleito havia apenas nove meses, com 69,69% dos votos válidos no Rio. Vaias e xingamentos a políticos em estádios não são nada de excepcional nem encontram uma tradução político-eleitoral imediata, como pretendem muitos — gostem ou não de Dilma Rousseff.
Manipulação da opinião pública
O PT e seus asseclas “essepeênicos”, com um monte de anúncios de estatais, estão é tentando fazer do limão uma limonada. Nas redes sociais, petistas e esquerdistas variados chamam a vaia a Dilma no Itaquerão de “tiro no pé”. Ora, isso revela a má-fé, então, do falso ofendido, não é? Está na cara que estão buscando conferir a Dilma a força da “vítima”. Pretendem transformá-la numa espécie de mártir da suposta elite branca paulista — não é mesmo, ESPN? — para ver se o incitamento ao ódio reverte em benefício eleitoral.
A verdade é que alas diferentes do PT vibram com o acontecido por motivos distintos: os dilmistas acham que ela só tem a ganhar se posar de mártir que resiste; os lulistas esperam que a imagem da presidente se deteriore ainda mais para defenestrá-la da chapa e chamar demiurgo de volta. Ele próprio diz que, “por enquanto, não é hora”. No fundo, torce por mais vaias e mais xingamentos.
A união do PSDB é fundamental para preservar a democracia no Brasil
A última vez em que o PSDB esteve tão unido numa campanha eleitoral foi 1998. Não vou aqui me dedicar à arqueologia de por que, antes, foi assim ou assado. O fato é que o candidato à Presidência, Aécio Neves, conta com o pressuposto primeiro de uma campanha que pretende, claro!, ser vitoriosa: a união. Sem ela, não existe milagre. Para alcançá-la, é preciso que todos os atores estejam dispostos não exatamente a fazer concessões, mas a ouvir o “outro” e “os outros”. Mais do que tudo, entendo, desta vez, o PSDB não tinha o direito — sob o risco da autodissolução — de não ouvir fatias consideráveis do país que querem mudança. E a cobram com uma clareza que não se via desde 2002, justamente quando o PT venceu.
Notem que não faço juízo de valor sobre os desejos de antes e os de agora. Falo de demandas que estão na sociedade e às quais os partidos têm de responder. O PSDB não tinha, e não tem, o direito de se apequenar em divisões internas. O que se viu neste sábado é auspicioso. Lá estavam, e com muito mais solidez do que em jornadas anteriores, Aécio e José Serra de mãos dadas, sob o olhar de FHC, o tucano que venceu o PT nas urnas duas vezes, no primeiro turno.
Isso é uma declaração de voto? Não é, mas poderia ser — e não vejo por que os leitores devam ter desconfianças sobre em quem vou votar. Acho que minha escolha está clara. Mas isso é o de menos neste post. O meu ponto é outro. Não existe democracia sem oposição. Repito o que já escrevi dezenas de vezes: as tiranias também têm governo (e como!!!). Só as democracias contam com forças que se opõem ao poder de turno, buscando substituí-lo, dentro das regras do jogo. Sem oposição organizada, não existe governo legítimo.
Ocorre que esse não é um valor no petismo. Nunca foi. Ao contrário. Para o partido, os que se opõem à sua visão de mundo — mesmo àquela parcela eventualmente não criminosa — são sabotadores, são inimigos. E devem ser destruídos.
Desde que os petistas chegaram ao poder, resolveram dar início a uma falsa guerra entre o “nós”, que eram “eles”, e o “eles”, que eram os outros. De um lado, os donos da virtude, do bem, do belo, do justo; do outro, o contrário. Talvez seja o caso, então, de a oposição comprar essa briga e fazer o confronto entre o “nós oposicionista” e o “eles governista”.
Os tucanos têm uma história respeitável. Tiraram o Brasil da hiperinflação. Deram ao país uma moeda. Devolveram a nação ao cenário internacional. E o fizeram sem jogar o povo contra o povo. E o fizeram sem incitar a guerra de todos contra todos. E o fizeram sem estimular ódios e rancores. Ao contrário: sempre souberam, e sabem, que, como diz o velho bordão, a união faz a força. Os petistas, infelizmente, tentam se fortalecer jogando brasileiros contra brasileiros, como estamos cansados de ver. É assim que eles enfraquecem a sociedade para fortalecer um ente de razão chamado “partido”.
Mais do que nunca, acho que cabe aos tucanos deixar realmente claro que “eles”, tucanos, não são “os outros”, os petistas e seus aliados. Ou, nos termos propostos pelo PT, chegou a hora de deixar claro que, de verdade, “nós não somos eles”. E não é preciso ir muito longe para percebê-lo: há, por exemplo, tucanos e membros de gestões tucanas sob investigação. Não vi, até agora — e não creio que vá acontecer — o partido a demonizar a Justiça. Sim, há uma grande diferença entre se solidarizar com um aliado e atacar a instituição. Em defesa de mensaleiros, de criminosos condenados, o petismo não hesitou um só instante em achincalhar o Supremo, cuja composição é, de resto, de sua inteira responsabilidade.
Autoritários
A propaganda política terrorista que o PT levou ao ar, destaquei aqui, deixou claro que o partido não tem mais futuro a oferecer aos brasileiros. Agora só lhes resta o expediente, que também não é novo em sua trajetória, de destruir a reputação e o passado alheios e de recontar a história. Mais um pouco, os “historiadores” do partido ainda transformarão Lula no pai do “Plano Real”, e FHC no chefe do grupo que tentou sabotá-lo — e sabotar o país.
Dilma já não sabe por que governa e sabe menos ainda por que quer mais quatro anos. Essa gente é tão autoritária que inventa teorias conspiratórias até quando parte de um estádio de futebol expressa seu repúdio ao governo, segundo a linguagem, feia ou bonita, que se costuma usar em disputas assim desde as arenas romanas ao menos. Seus áulicos na subimprensa — um bando de vagabundos pançudos, pendurados nas tetas da propaganda oficial e de estatais — têm o topete de acusar, ora vejam!, a oposição e alguns jornalistas por manifestações espontâneas, que surgem sem paternidade.
Os petistas, no poder, sempre tentaram calar a oposição. Agora, acham que já é chegada a hora de calar o povo — ao menos a parcela do povo que ousa discordar. E sua concepção autoritária de poder está em curso, com lances novos, embora esperados, dado o seu projeto de poder. O Decreto 8.243, inspirado por Gilberto Carvalho, saído das catacumbas do PT, é a evidência de que o partido ainda não desistiu da ditadura do partido único.
A união do PSDB, demonstrada neste sábado, é fundamental para preservar a democracia no Brasil.
Satoshi Nagayasu: Deploying Postgres-XL in 2-minutes with Chef/serverspec
Outro artigo na Folha de hoje: A democracia também existe para aqueles que não fazem “mu”!
A presidente Dilma passa a mão na cabeça de “Black Blocs” e de “Red Blocs”, que não respeitam nem a propriedade privada nem a propriedade coletiva, e se abespinha porque os “Green and Yellow Blocs” resolvem expressar a sua indignação? Palavrão em estádio? É uma luta com palavras, como outra qualquer.
Quanto tempo vai demorar para que governantes comecem a sonhar com governados à altura de sua elegância? Os Cavalcantes só se incomodam com os Cavalgados quando estes apelam ao palavrão. Já lhes ocorreu que também há regras de decoro, além da lei, para o aplauso?
(…)
Íntegra aqui
Jornalistas da empresa americana ESPN incentivam o ódio racial, agridem a Constituição e transgridem a Lei 7.716, contra o racismo; lei prevê cassação da licença. Com a palavra, o Ministério Público Federal! Ou: A direção da ESPN também acha que a elite branca de SP não presta?
Ai, ai… Vamos lá. Fiquei sabendo que um certo José Trajano, um esquerdista que presta seus serviços para a norte-americana ESPN, me atacou em seu programa. Escrevi um post a respeito e não pretendia voltar ao assunto. Mas os leitores me convenceram do contrário. Insistiram para que eu assistisse a dois vídeos do que andaram dizendo por lá, inclusive a babada hidrófoba do tal Trajano. Vi. A coisa é bem mais séria do que eu supunha.
De saída, deixem que lhes diga uma coisa. Quando afirmei que nunca tinha ouvido falar do bruto, não estava posando de esnobe. Sei quem é Gay Talese, mas não sabia quem era Trajano. Sei quem é Bob Woodward, mas não Trajano. Sei quem é H. L. Mencken, mas não Trajano. Sei quem é Karl Kraus, mas não Trajano. Sei quem é o guarda da minha rua, mas não Trajano. É bem possível que eu conheça gente ainda mais mixuruca do que Trajano, mas não Trajano. Não creio que ele tenha feito falta à minha formação. Considerando as ideias toscas que, descobri, habitam aquele cérebro, acho que não perdi nada. Sigamos.
Mais: até esta sexta-feira, eu nunca havia assistido a um miserável programa ou vídeo dessa emissora. O único esporte que me interessa é futebol, mas não o bastante para sintonizar num canal especializado no assunto. Por isto, por nem saber da sua existência, fui surpreendido pelo ataque bucéfalo que ele dirigiu a mim — e não só a mim: aproveitou para atingir Demétrio Magnoli, Augusto Nunes e Diogo Mainardi.
Já haviam me falado mais de uma vez que a ESPN era uma espécie de Gaiola das Loucas do lulo-esquerdismo, com sotaque até de PSOL; que a crônica esportiva ali se misturava com o proselitismo arreganhado e meio burro. E eu disse: “Então tá!”. Os EUA financiam coisa até pior mundo afora. Eles lá, eu cá. Não tenho nada com isso. À diferença dos que me odeiam com fanatismo, eu não dou bola para as coisas que detesto. Os meus dias se tornaram bem mais suaves depois que passei a ignorar absolutamente o JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista). Sem contar que tenho três empregos, né? Não me sobra tempo para as ignorâncias alheias. Prefiro me livrar das minhas.
Esclarecimento para quem não leu o post anterior a respeito e chegou até aqui sem entender direito. Os “companheiros” da ESPN não gostaram nada, nada dos xingamentos dirigidos por parte da torcida à presidente Dilma Rousseff no Itaquerão. Criticaram duramente os torcedores por isso (e já direi em que termos), Trajano inclusive. Houve uma reação indignada dos próprios espectadores da emissora, que passaram a criticar a equipe. Muito bem!
O que fez, então, Trajano? Ele, que já estava furioso com os que haviam xingado e vaiado Dilma, resolveu ficar bravo também como os que se manifestaram nas redes sociais contra a sua opinião. E reagiu assim:
Viram só?
Eu, Demétrio, Augusto e Diogo semeamos o “ódio” e a “inveja”!!!
Inveja de quê, babaca?
Não deve ser da cara.
Não deve ser da dicção.
Não deve ser do salário.
Não deve ser da inteligência.
Não deve ser da independência.
Não deve ser da sabedoria.
Jornalista que chama Dilma de “presidenta” se define de saída e de joelhos. Como disse o jovem Antero de Quental sobre o decrépito Castilho (e não estou comparando para não ser injusto com Castilho…), esse Trajano precisaria ter 50 anos a menos de idade, hipótese em que sua tolice seria passável, ou 50 anos a mais de reflexão, hipótese em que talvez fosse menos tolo.
Meus leitores — e certamente os dos demais — são donos do seu nariz. Eu até os convido a nunca mais sintonizar a ESPN, a deixar de lado esse lixo chapa-branca, mas isso é com eles. O que sabe esse cretino sobre o meu trabalho? Escrevi, sim, sobre a vaia a Dilma aqui — e volto ao assunto na edição da Folha deste sábado, em caráter excepcional — como todos sabem, minha coluna é publicada às sextas-feiras, mas o jornal me convidou a comentar o caso. Quem me leu ficou sabendo que não aprovo esse tipo de manifestação em si, mas que, obviamente, não acho que se tenha cometido um crime de lesa-pátria no Itaquerão.
Trajano e a sua patota estão obedecendo a uma palavra de ordem do PT, já vocalizada por Lula, diga-se: responsabilizar a imprensa — da qual eles fazem parte — pela manifestação de desagrado dos torcedores. Não toda ela, claro! Só aquela que os petistas sabem ser aquilo que esses caras nunca serão: independente!
Eu dissemino o ódio? É sinal de que Trajano tem, então, uma leitura crítica do trabalho que faço. Topo um debate público — sem claque, com transmissão ao vivo. Se quiser, a gente grava e torno disponível no blog, sem cortes. Sem palavrões nem ofensas. Vamos ver o que Trajano julga saber sobre o meu pensamento. Vamos ver quais são as suas referências e as minhas. Qual é a sua bibliografia e qual é a minha. Mas ele não topa! Alguém me disse que é dado a faniquitos até com parceiros de programa.
Esse sujeito resolve puxar o saco do Palácio do Planalto — e deve saber por que o faz —, os espectadores do seu programa reagem, e ele decide culpar, por isso, quatro jornalistas? Como vocês sabem, há muito tempo não dou a menor pelota para o que diz a meu respeito certa canalha financiada por estatais e por anúncios do governo federal. Não respondo a trabalhadores a soldo disfarçados de jornalistas. Meu compromisso é com os leitores deste blog e da Folha e com os ouvintes da Jovem Pan. Esses paus-mandados que vão se criar em outro lugar.
Mas a idade de Trajano me moveu. Deve ser triste chegar a esse ponto da trajetória secretando, ele sim, tanto rancor, tanto ódio, tanto ressentimento. E me volta Antero de Quental: “A futilidade num velho desgosta-me tanto como a gravidade numa criança”. Ou, então, me vem o grande Ulysses Guimarães numa resposta memorável a Fernando Collor, quando este o chamou de velho: “Velho, sim; velhaco, não!”. Então ficamos assim. Eu me inspiro em Antero de Quental e sugiro que Trajano se inspire em Ulysses.
E antes que alguém fique com peninha: eu estava quieto, no meu canto, sem nunca ter visto a cara desagradável desse sujeito. Foi ele que atravessou a rua para me ofender.
Agora a Constituição e a Lei
Mas isso tudo ainda é bobagem perto das enormidades que se disseram na ESPN, que é uma concessão pública e está sujeita às leis brasileiras.
Comentaristas da emissora disseram com todas as letras que o mau comportamento dos torcedores se devia ao fato de que eram todos… brancos! Falaram explicitamente na “elite branca de São Paulo”. Segundo eles, aquilo só aconteceu porque não havia negros no estádio.
A Constituição Federal, no Inciso VIII do Artigo 4º, repudia o racismo. No Inciso XLII do Artigo 5º, estabelece que “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”. E esses “termos” estão dados pela Lei 7.716, que, no Artigo 20 (Redação dada pela Lei 9.459), define:
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Pena: reclusão de um a três anos e multa.
Não é só isso, não! Cumpre ficar atento ao que estabelecem os Parágrafos 2º e 3º desse Artigo 20. Prestem atenção:
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
§ 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência: (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
I – o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;(Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
II – a cessação das respectivas transmissões radiofônicas, televisivas, eletrônicas ou da publicação por qualquer meio
Retomo
Se alguém tivesse atribuído um ato considerado inadequado de milhares de pessoas à pele negra, alguma dúvida de que a fala seria caracterizada como indução ou incitamento ao preconceito de raça? Preconceito contra branco pode, ainda que exercitado por… brancos? O Ministério Público vai deixar por isso mesmo? Qualquer branco que se sinta ofendido pelas declarações desses senhores pode recorrer ao Estado para pedir a devida reparação. Até porque essas considerações foram feitas numa emissora de televisão, que é uma concessão pública e sujeita à cassação.
Sobre a elite branca
De resto, a Gaiola das Loucas do Esporte de Esquerda deveria, então, estar brava com o PT, não é? Quer dizer que alguns bilhões de dinheiro público foram torrados pelos “companheiros” para fazer um evento que só privilegia a “elite branca”?
Por que esses corajosos da ESPN, então, não desistem da cobertura e vão lá fazer a transmissão do torneio da invasão “Copa do Povo”, que realiza uma competição com militantes do MTST, ongueiros e outros deslumbrados? Na hora de ganhar o rico dinheirinho, Trajano e seus vermelhos amestrados não se importam com a “elite branca de São Paulo”, né?, que deve garantir boa parte da audiência da ESPN.
E os outros é que incentivam o ódio?
Agora eu sei quem é Trajano. Não adianta botar a cachorrada de segundo time pra latir pra cima de mim, não. O meu negócio é com o pit bull. De rottweiller para pit bull.
Convite para entrevista
Na segunda, vou procurar a direção da ESPN para uma entrevista. Quem estará no comando no Brasil? Quero saber se a emissora concorda com a afirmação de que as vaias e os xingamentos a Dilma são coisas próprias da elite branca de São Paulo. E vou perguntar se a ESPN abre mão dos assinantes brancos de São Paulo. E também indagarei se a emissora se envergonha dos seus espectadores brancos de São Paulo. Aliás, as perguntas estão aí. Não desistirei delas com facilidade. Se a direção local endossar esses pontos de vista, aí procurarei saber se a orientação para hostilizar os brancos de São Paulo parte do coração do sistema, nos EUA.
Trajano, da ESPN? Quem é esse? Ele resolve censurar os torcedores e acha que a culpa é minha quando estes reagem? Vá rimar tatu com jacu, cara!
Um amigo me liga e me diz que um tal José Trajano, da ESPN, falou mal de mim, ou algo assim. Parece que ele está indignado com as pessoas que dirigiram palavras não muito gentis à presidente Dilma no Itaquerão. Ele teria vituperado por lá contra os torcedores, que, por sua vez, reagiram nas redes sociais.
Segundo esse amigo, Trajano afirmou que as críticas que ele recebeu são coisas de “leitores de Reinaldo Azevedo, do Augusto Nunes e do Demetrio Magnoli”. Uuu…
Quem é Trajano? Como dizia alguém, “se eu não conheço, não tem importância”, hehe…
Seja como for, não sou dono das pessoas que leem o meu blog. Se esse cara aí quer pautar as palavras de ordem de um estádio de futebol, eu não tenho a pretensão de ser o guia dos que me leem. Ao contrário: prefiro que sejam livres. Já discordaram de mim tantas vezes! De resto, parte dos leitores, a exemplo de Trajano, estou certo, odeia os meus textos. São os mais fiéis. O ódio é sempre mais dedicado do que o amor.
Trajano está dodói porque os torcedores resolveram apelar ao monossílabo tônico em “u” contra Dilma? Pois é! Ao menos eles vituperavam contra uma figura pública, cujas decisões afetam as suas vidas. E ele, Trajano, que demonstra vocação para ser linchador de quem nem mesmo tinha notícia da sua existência e, no que lhe concerne, estava quieto, no seu canto, ignorando, como deve ser, a sua triste existência?
Diz esse meu amigo que não é a primeira vez que se referem a mim por lá, de forma clara ou oblíqua. É mesmo? Caramba! Nunca sintonizei esse canal! E continuarei a não fazê-lo. Vai ver se trata daquela turminha de esquerdistas de boteco, mas que se ajoelha, obediente, para tocar os instrumentos de sopro na hora de receber o salário “duzimperialista americânu” da ESPN. Ao contrário da melancia, são vermelhos por fora e verdes por dentro.
Pode babar aí, ô Trajano (seja lá quem for). Falar bem ou mal de mim rende audiência.
Vá rimar tatu com jacu, cara!
Governo Dilma agradece com multa, acreditem!, a ação de Alckmin para manter o Metrô em funcionamento e a Radial Leste desobstruída! A vaia e o xingamento não vêm de graça!
Chega a ser asqueroso, mas é verdade. O governo Dilma, por intermédio do Ministério do Trabalho em São Paulo, cumpriu a ameaça e decidiu mesmo aplicar uma multa no Metrô por ter demitido 42 pessoas que, durante a greve, atentaram contra a segurança do sistema. Segundo a empresa, as dispensas não aconteceram porque fizeram greve — fosse assim, a lista seria muito maior.
Para o auditor fiscal do Trabalho Renato Bignami, “eles [Metrô] apenas alegaram, não comprovaram, essa justa causa. Embasaram as demissões num artigo do Código Penal, de forma bastante genérica. O que mais chama a atenção é que os demitidos estavam envolvidos diretamente com a greve”.
Não me diga, sr. Bignami! Isso faz supor que pudesse haver funcionários envolvidos com atos criminosos no Metrô, mas não diretamente envolvidos com a greve. É o fim da picada!
Essa autuação — de R$ 8 mil; ainda cabe recurso — já estava decidida antes de qualquer avaliação. O ex-deputado Luiz Antonio Medeiros, chefão do Ministério do Trabalho em São Paulo, participou da assembleia dos metroviários — aquela que decidiu pela volta ao trabalho — e já ali anunciou a multa.
Antes, essa gente havia perdido a vergonha. Depois, as coisas foram piorando.
Não fosse a responsabilidade que o governador Geraldo Alckmin tem com os cinco milhões de usuários do sistema e com o direito que têm os paulistanos de ir e vir, deveria ter deixado o Metrô parado, permitindo que a Radial Leste fosse ocupada. Aí nós veríamos o que aconteceria com o jogo de abertura da Copa.
Um petista pragmático poderia dizer que haveria menos gente para participar daquele coro que premiou a presidente com o monossílabo tônico, sem acento, em “u”…
O gás lacrimogêneo “progressista”
Então… Policiais militares da Bahia, estado governado pelo companheiro petista Jaques Wagner, usaram gás lacrimogêneo para dissolver cerca de 50 — não eram mil, 10 mil, 15 mil — manifestantes que protestavam contra a realização da Copa do Mundo no Brasil. Salvador sediou nesta sexta o já histórico confronto entre Holanda e Espanha. A “Laranja Mecânica” bateu os atuais campeões do mundo pelo impressionante placar de 5 a 1. Mas voltemos ao ponto.
As forças policiais impediram que os mascarados chegassem ao Farol da Barra, local da Fan Fest. No percurso, os baderneiros arrancaram as bandeiras brasileiras dos carros. Bem antes do cordão de isolamento, foram recebidos pelas bombas democráticas do PT. A canalha começou, então, a quebrar lojas do entorno. Não apareceu nenhum petista para ficar com peninha da turma.
Pergunta: por que Gilberto Carvalho e Lula não vieram a público para pregar “negociação”, a exemplo do que fazem quando há manifestação em São Paulo, seja de arruaceiros, seja de sindicalistas?
Quando movimentos grevistas ou arruaças atrapalham o petismo, a reação dos valentes costuma ser implacável. Lembram-se da greve da PM baiana? Vocês sabem que não a defendi aqui, obviamente. Pela simples e óbvia razão, já o disse tantas vezes, que, quando a polícia faz greve, acaba virando aliada objetiva de bandido. Mas este sou eu, né? O PT é que gosta de fender o “direito de greve’.
Muito bem! Marco Prisco, o líder da paralisação da PM, ficou preso na Papuda do dia 18 de abril ao dia 4 de junho. Ele é vereador pelo PSDB. No dia 3 de maio, sofreu um infarto na cadeia. Alguém ouviu por aí algum movimento para libertá-lo? “Por que o PSDB não o fez?” Muito provavelmente, porque não condescende com seus métodos e não considera que a sua seja uma boa prática — no que faz bem.
Os petistas são particularmente sensíveis ao lombo de arruaceiros e de grevistas quando se trata de ferrar governos alheios.
Les Gymnopédies: Satie-Beethoven e Frame-Poythress
Copa, greves, manifestações, escândalos... E a alma da gente vai sendo jogada de uma exaltação a outra.
Que tal parar tudo e começar bem o fim de semana? Encontrei este tesouro hoje: as Gymnopédies de Erik Satie, que eu já amava só no piano, orquestradas belissimamente por Claude Debussy. Se você gosta de Clair de Lune, vai se identificar também com essas peças.
Esse vídeo acima, do You Tube, traz uma versão muito parecida com a que encontrei hoje. Mas só tem a terceira e a primeira Gymnopédies (a primeira é a mais conhecida).
Nunca achei as Gymnopédies tristes, como muitos acham, mas elas me emocionam sempre. Talvez por estarem no outro extremo do espectro que imagino: de um lado, visualizo a música de Beethoven; de outro, a de Satie. Enquanto o primeiro nos leva a contemplar a imensidão lá fora e a grandeza de Deus, fazendo-nos sentir ínfimos, o segundo nos transporta para o lugar interior mais secreto, onde Deus também está - o que aponta para aspectos diferentes do Deus cristão, tal como o conhecemos através da revelação da Trindade.
Se você se interessa por saber como o mundo, como criação divina, remete analogamente à Trindade, recomendo com alegria os livros da dupla John Frame e Vern Poythress. O site traz os livros em pdf, em inglês. São transformadores!
After Non-Profit Application Furor, IRS Says It's Lost 2 Years Of Lois Lerner's Email
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Sininho, a agitadora que já declarou não trabalhar, é indiciada por “incitação à violência”
Por Pâmela Oliveira, na VEJA.com:
Presença certa nos protestos de rua no Rio de Janeiro desde junho do ano passado, a estudante de cinema Elisa Quadros, conhecida como Sininho, foi indicada por “incitação a atos de violência”, por sua atuação em manifestações. O indiciamento foi confirmado ao site de VEJA pelo advogado Marino D´Icarahy, que representa Sininho e outros indiciados por suspeita de crime em protestos. Elisa esteve na manhã desta sexta-feira na Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), na Cidade da Polícia, na Zona Norte do Rio, mas recusou-se a prestar depoimento. O inquérito corre em segredo.
“A defesa não teve acesso ao inquérito. Por isso, minha cliente não prestou depoimento. Vou pedir vista do processo e remarcar o depoimento para que ela possa desmentir tudo isso”, disse D’Icarahy. De acordo com o advogado, o inquérito está na 27ª Vara Criminal.
Na última quarta-feira, Elisa teve computador e arquivos digitais apreendidos pela Polícia Civil. No mesmo dia, ao todo 17 pessoas que participam de protestos foram alvos de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça, para recolhimento de provas de crimes cometidos em manifestações. Sininho, na ocasião, também foi levada para prestar depoimento na DRCI. Sininho não depôs e teve o interrogatório remarcado. No mesmo dia, ela tinha agendado depoimento em um processo contra dois policiais militares acusados de forjar a apreensão de um explosivo com um manifestante.
“Na quarta-feira, obtive a informação de que ela (Sininho) seria ouvida como testemunha dos atos de violência, assim como os outros jovens que foram conduzidos à delegacia. Agora, somos surpreendidos por outra informação”, disse D’Icarahy.
Mascarados
Em outubro do ano passado, Elisa – vista diversas vezes à frente de manifestações com participação de black blocs – foi presa com outras 84 pessoas nas escadarias da Câmara Municipal do Rio e chegou a ser levada para uma das casas de custódia de Bangu. Na época, ela afirmou não trabalhar. Em janeiro, ela voltou a ser detida, sob acusação de ter chamado de “macaco” um PM, durante uma discussão na Lapa. Ela foi autuada, na 5ª DP (Gomes Freire), por desacato.
No mês seguinte, mais confusão. A ativista esteve na 17ª DP (São Cristóvão) para prestar solidariedade a Fábio Raposo, preso acusado de deflagrar o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade, da Band. Dias depois, ela foi convocada a prestar depoimento para esclarecer um telefonema no qual afirmava que o deputado Marcelo Freixo (PSOL) teria ligação com os acusados de matar o cinegrafista. Freixo negou ter ligação com os black blocs.
Copa do Mundo
O Rio de Janeiro foi o Estado com maior duração dos protestos de rua no ano passado. Mesmo depois de arrefecido em outras capitais, o movimento persistia na cidade, com acampamentos no Centro e no Leblon, na residência do então governador Sérgio Cabral (PMDB), e ocupações de prédios públicos. A morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band, atingido na cabeça por um morteiro disparado por dois mascarados, tirou força dos protestos. A aproximação da Copa do Mundo, no entanto, reanimou os manifestantes.
No dia de abertura da Copa, houve protestos na Cinelândia, na Lapa e em Copacabana, local onde foi montada uma arena da Fifa Fan Fest. Após o protesto da manhã, no Centro, houve confronto entre PMs e ativistas e três pessoas foram detidas. No protesto da tarde, pelo menos mais quatro pessoas foram detidas e três ficaram feridas.
A mais recente Batalha de Itararé do Twitter: “Reinaldo Azevedo X Miguel Nicolelis”. Ou: Gregório de Matos pra ele!
Eu, hein!? Como é vaidoso esse Miguel Nicolelis, o neurocientista! Escrevi ontem um post sobre o midiático exoesqueleto de Miguel Nicolelis — aquele seu projeto que custou R$ 33 milhões só em recursos públicos.
Deixei claro que não sou especialista no assunto, nem mesmo um leitor dedicado da área. Falta-me tempo, infelizmente. Quem leu o meu texto vai constatar que lamentei apenas o excesso de apelo midiático do neurocientista e seu modo, digamos, heterodoxo de fazer as coisas, negando-se a submeter suas descobertas a seus pares, a publicar suas conclusões em órgãos especializados, essas coisas. E fiz votos de que, um dia, suas descobertas estejam à altura de sua buliçosa figura.
Ele ficou zangado. E respondeu no Twitter. Parece ser meu leitor habitual, tanto é que chega a ter uma avaliação sobre o meu trabalho. Leiam.
Como responder? Penso numa poesia do poeta baiano Gregório de Matos, por exemplo:
É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.
É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.
É nau enfim, que em breve ligeireza
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:
Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?
É possível que Nicolelis seja mesmo um gênio da raça — e basta ler meu post original para constatar que não pus em dúvida sua competência técnica. Pergunto, isto sim, por que ele resiste tanto em, digamos, compartilhar os dados científicos já firmados de suas, vá lá, descobertas. Acho que cabe, até porque manipula uma soma considerável de dinheiro público, responder a algumas dúvidas que estão postas sobre os horizontes e amanhãs com os quais ele acena.
Eu estou pouco me lixando se ele é petista ou não; se é petista de alma ou de oportunidade; se é de esquerda ou de direita… Conheço esquerdistas agradabilíssimos e inteligentes, por mais que os considere equivocados; conheço liberais com quem odeio tomar um simples café. Eu estou questionando procedimentos. Não quero desqualificar Nicolelis, como ele faz com o meu trabalho. Ao contrário: confiando que seu trabalho é sério, acho que ele ganharia se seguisse procedimentos razoáveis.
Mas aí entra a vaidade, né?
Dizem que ele saiu atirando contra outras pessoas e publicações. Parece que a “Piauí” também virou um de seus alvos. Todos os que leem meu blog e a Piauí sabem que pertencemos, como diz uma amiga, a “enfermarias” diferentes. Há outros desafetos de Nicolelis com os quais não tenho também a menor intimidade.
Uma coisa é certa: o homem tem faro para a polêmica. Não mudo os meus votos: espero que, um dia, suas descobertas estejam à altura de sua capacidade de gerar notícia.
Não se esqueça, Nicolelis: “Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?”.
A reação idiota a Diego Costa, que deveria orgulhar os brasileiros; Espanha já domina o jogo e vence por um a zero
Diego Costa, atacante da Seleção da Espanha, está sendo impiedosamente vaiado na Fonte Nova, em Salvador. Como se sabe, ele é sergipano naturalizado espanhol. Ficou com a fama de ter se recusado a jogar na Seleção Brasileira, o que não é exatamente verdade. Não estava claro se seria convocado ou não por Felipão. E tinha a garantia da convocação caso se naturalizasse espanhol. É titular da atual campeã do mundo.
Querem saber? É uma reação idiota. Diego Costa, tudo indica, teve na Espanha, agora e antes, as chances que não teve no Brasil. É um homem livre. Faz o que bem entender. A turma no estádio tem o direito de vaiar quem quiser — Diego Costa ou Dilma —, e eu tenho o direito de vaiar a vaia.
Os brasileiros deveriam, de algum modo, se orgulhar de ter um sergipano na melhor seleção de futebol do mundo no momento.
Ah, sim: já há alguns minutos a Espanha domina o jogo. Vence por um a zero.
Dilma faz chororô altivo sobre xingamentos de que foi alvo no Itaquerão; então vamos ver onde está o autoritarismo nessa história
A presidente Dilma Rousseff participou, nesta sexta, da inauguração da primeira etapa do Expresso DF, obra construída com recursos federais. Referiu-se às vaias e aos xingamentos de que foi alvo na quinta, no Itaquerão, no jogo inaugural da Copa do Mundo: “Não são xingamentos que vão me intimidar, atemorizar. Não me abaterei”. Só para lembrar: no roteiro traçado pré-junho do ano passado, a presidente faria um discurso abrindo a competição. Na imaginação petista, seria o momento da consagração. A Copa deveria ser uma espécie de resultado antecipado da eleição de outubro, com a oposição aniquilada. Bem, hoje, a presidente está sitiada em seu Palácio e só consegue falar a plateias rigidamente controladas, como a que a ouviu nesta sexta. Vamos pôr os pingos nos is.
Ninguém está tentando intimidar a presidente da República. Isso é pura retórica oca. Por que alguém o faria? Se intimidação há, ela parte justamente do poder; se há um esforço de calar o outro, ele deriva do Palácio do Planalto. Dilma teve o topete de recorrer à Rede Nacional de Rádio e Televisão, dois dias antes do jogo de abertura da Copa, e não apenas para saudar a realização do evento no Brasil. Fosse só isso, vá lá… Ocupou, de modo autoritário e despropositado, um bem público para responder a críticos e adversários políticos — assim, mesmo, no plural —, que, no entanto, não gozam da mesma licença. Ora, encarasse, então, os microfones no estádio. Mas isso não teve coragem de fazer!
Nesta sexta, a presidente, mais uma vez, voltou a fazer uma alusão ao período em que ficou presa, quando teria sido torturada: “O povo brasileiro não pensa assim e, sobretudo, o povo brasileiro não se sente da forma como esses xingamentos expressam. O povo brasileiro é civilizado e extremamente generoso e educado. Podem contar que isso não me enfraquece. Podem contar. (…) Não suportei apenas agressões verbais. Foram agressões físicas quase insuportáveis, e nada me tirou do meu rumo. Nada tirou de mim os compromissos que assumi ou os caminhos que tracei para mim”. É uma péssima e lastimável maneira de responder às vaias e aos xingamentos por várias razões, distintas e combinadas. Vamos a elas.
Em primeiríssimo lugar, se Dilma foi torturada, quem a torturou foram os marginais da ditadura. Aquele som que se ouviu no Itaquerão, ainda que desagradável — e, pessoalmente, não acho que xingamentos sejam uma boa maneira de expressar descontentamento —, vieram a público na vigência da democracia. Assim, cumpre que a agora presidente tenha compostura e não misture alhos com bugalhos. Considerar que a vaia pode ser uma etapa da tortura é evidência de confusão mental. De resto, a tortura não torna certo quem está errado nem errado quem está certo.
Em segundo lugar, não existe esse “o povo brasileiro”, como quer a presidente. Existem povos brasileiros. Deem-me uma boa razão para tentar cassar o crachá de “povo” de quem protesta e xinga. Então seria “povo de verdade” apenas quem aplaude e cai de joelhos diante do poder? Ora, presidente…
Em terceiro lugar, a fala de Dilma sugere que a manifestação no Itaquerão decorreu de um espécie de conspiração, de combinação prévia… É mesmo? Quem teria tramado, então, aquele protesto que uniu milhares de pessoas? As oposições?
Em quarto lugar, ao afirmar que não se intimida, fica parecendo que a presidente enfrenta interesses poderosos, que estariam do outro lado, tentando constrange-la a fazer o que não quer. Quais são? Reparem que, quando acuados, os governantes brasileiros sempre voltam ao fantasma brandido por Jânio Quadros: as tais forças ocultas… Não há nada de oculto na reação negativa ao governo Dilma. Há milhões de pessoas insatisfeitas com o desempenho do governo. É coisa corriqueira aqui e em qualquer país do mundo. Vaia-se na França, na Alemanha, nos EUA ou no Brasil. Nas ditaduras, aplaudir é obrigatório. Nas democracias, as pessoas podem escolher entre a vaia, o aplauso e a indiferença.
Dilma só é vítima da ruindade de seu governo. E olhem que os insatisfeitos do Itaquerão não deviam saber da missa nem a metade. É bem provável que muitos por lá ignorassem que a presidente baixou um decreto, o 8.243, que torna o petismo e suas franjas sócios eternos do poder, mesmo que percam as eleições. Os protestos poderiam ter sido bem mais veementes, não é mesmo?






