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Revolução civilizacional?
Um manifesto contra a legalização das drogas no Brasil; se concordar, assine
O deputado Osmar Terra (PMDB-RS), médico, tem feito um trabalho incansável no combate às drogas e, contra todas as vagas do “politicamente conveniente”, que nada têm de correto, tem combatido o poderoso lobby em favor da legalização das drogas.
Nesta terça, ele lançou, no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o “Manifesto conta a Legalização das Drogas no Brasil”. O ato contou com o apoio de Ministério Público Estadual, de associações e do Conselho Regional de Medicina, da CNBB, de igrejas evangélicas, entre outras entidades.
O lobby em favor da legalização é muito mais forte e influente do que se pode imaginar. Cresceu depois que o Uruguai tomou a sua decisão destrambelhada, sob os auspícios da “Open Society”, a entidade comandada pelo bilionário George Soros, também muito influente no Brasil e que está por trás de boa parte das ONGs que defendem a legalização ou a descriminação das drogas.
Leiam o manifesto. Para assiná-lo, clique aqui.
Segue o manifesto.
MANIFESTO CONTRA A LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS NO BRASIL
Por uma Política Antidrogas moderna, humana e baseada em evidências científicas
Estamos diante do maior problema de Saúde Pública e de Segurança existente, hoje, no Brasil: a epidemia do uso de drogas. É tarefa de todos os brasileiros colaborar para que ela seja enfrentada e reduzida. Nossa população, principalmente os milhões de jovens, mais vulneráveis a este mal devastador, e suas famílias podem e devem sonhar com um futuro melhor para todos!
As entidades, instituições e indivíduos que subscrevem este documento uniram-se para manifestar à Nação sua oposição à pretendida legalização das drogas em nosso país. Individualmente, somos cientistas, profissionais da Saúde, parlamentares, religiosos, comunicadores, professores e, sobretudo, pais, preocupados com o risco inerente à decisão de se dar tratamento equivocado a uma gravíssima questão social. É o que vem acontecendo e é o que certamente se agravará com tal estratégia, simplista na forma e danosa nas consequências.
1. A alarmante situação brasileira
O consumo de drogas não é um mal que se restrinja somente aos usuários. As consequências sociais, psicossociais e econômicas do consumo de drogas se multiplicam muito além deles. No âmbito familiar, segundo dados recentemente divulgados pela Universidade Federal de São Paulo, para cada dependente de drogas ilícitas existem, em média, mais quatro pessoas são afetadas de forma devastadora, comprometendo, em inúmeras dimensões, uma população de quase 30 milhões de brasileiros. No âmbito social, parte substantiva da violência a que está exposta nossa população guarda estreito vínculo causal com o consumo de drogas. E o consumo vem aumentando continuamente no Brasil, ao longo dos últimos vinte anos! O Conselho Internacional de Controle de Narcóticos, entidade ligada à ONU, emitiu relatório informando que, em apenas seis anos, entre 2005 e 2011, o consumo de cocaína, em nosso país, avançou de 0,7% para 1,75% da população na faixa etária entre 12 e 65 anos. Isso corresponde a uma adesão ao uso problemático e à dependência quatro vezes superior à média mundial e 25% maior que a média da América do Sul.
Nesse cenário, há de se sublinharem dois fatos irrecusáveis. De um lado, a enorme dificuldade, em todos os níveis de governo, de eleger e adotar políticas que sejam efetivas, quer na prevenção, quer no tratamento. De outro, essa ineficiência convive com verdadeiro lobby, muito bem organizado, difundindo a ideia de que a melhor solução seria a completa legalização de todas as drogas, começando pela maconha. Essa estratégia está muito evidente. Primeiro se descrimina o uso, depois o “pequeno tráfico”, em seguida se legaliza a maconha para uso “medicinal” e recreativo, para, finalmente, legalizar todas as drogas.
Faz parte desse lobby pela legalização o argumento de que o álcool e o tabaco, não obstante causarem dependência e transtornos físicos e mentais, têm seu consumo legalizado. Então, concluem : “Por que não legalizar as demais drogas?”. Ora, fazê-lo seria andar na contramão do bom senso e do que a experiência ensina em relação ao álcool e ao tabaco. Exatamente por sabermos que ambos são danosos à saúde dos indivíduos e à saúde pública, os signatários deste manifesto são favoráveis, também, ao aumento das restrições ao consumo dessas duas substâncias.
A história do mundo, nos últimos 200 anos, é rica em exemplos de países que liberaram as drogas aqui consideradas ilícitas e sofreram verdadeiras tragédias sociais. Todos voltaram atrás, sem exceção, e aumentaram o rigor no seu enfrentamento. A redução do número de dependentes químicos e da mortalidade pela violência só aconteceu nos países que trataram essa questão com muito rigor!
2. Um debate falso e inútil
É preciso quebrar a polarização instalada no debate nacional e internacional sobre as melhores políticas a serem adotadas para o controle das drogas ilícitas. Os defensores da legalização creem que uma singela mudança legislativa seja o bastante para resolver tão complexo problema. Os que optam pela repressão pura e simples defendem uma solução punitiva, dominantemente penal. Os primeiros querem só eliminar as penas. Os outros, só endurecê-las. E ambos parecem convencidos de que isso baste.
Não bastará. Nenhuma dessas duas abordagens é suficientemente humana, realista, efetiva, ou se baseia nas melhores evidências científicas disponíveis. Vários países, como os Estados Unidos, Reino Unido, Suécia e Itália, estão trilhando uma “terceira via” em relação ao controle das drogas. Estabelecida a partir de evidências científicas, essa abordagem coloca ênfase na prevenção e no tratamento.
O Brasil precisa mudar o falso dilema em que se digladiam as atuais abordagens do assunto. Com esse intuito, propomos:
3. Os 10 princípios de uma boa política antidrogas
1º – Os Direitos Humanos são parte fundamental dessa política. Os cidadãos, em especial as crianças, têm o direito de viver num ambiente seguro e livre de drogas, quer em sua família, quer na comunidade.
2º – A redução do consumo de drogas nas comunidades deve estar no núcleo dessa política. A melhor forma de reduzir os danos causados pelas drogas é reduzir o consumo. Em epidemias virais, o mais importante é diminuir rapidamente a circulação do vírus. Vale o mesmo para as drogas. Sem diminuir sua circulação nas ruas, os problemas só serão agravados.
3 – O Brasil é o único país do mundo que faz fronteira — gigantesca fronteira! — com todos os produtores de coca. Por isso, temos que ser muito mais rigorosos no controle que outros países, para podermos diminuir a circulação e a oferta dessa destruidora mercadoria. Aderir à facilidade de acesso ou dificultar a ação de combate ao tráfico agravará a situação e facilitará o aumento da disponibilidade. E o consumo, inevitavelmente, crescerá. Para isso o uso e o tráfico devem continuar sendo considerados crimes, e devem ser punidos. O primeiro com penas alternativas, que podem incluir medidas com as da Justiça Terapêutica, e o segundo com prisão prolongada.
4º – Uma boa política nacional em relação às drogas deve reconhecer que a dependência química é uma doença crônica do cérebro, que deve ser tratada e, antes disso, prevenida. Tanto a Saúde Pública quanto a Segurança Pública estabelecem ações complementares, necessárias e que devem estar presentes.
5º – As atividades de Prevenção, Tratamento e os Serviços de Recuperação devem integrar-se no Sistema de Saúde pública. O SUS deve implementar práticas de tratamento baseadas em evidências. E deve abandonar de vez a “redução de danos” como política única, tanto para prevenção quanto para tratamento.
6º – Um plano de prevenção, municipalizado, deve proporcionar atendimento adequado. É indispensável que sejam criados programas específicos, para todas as crianças e adolescentes do país e, em especial, para grupos de risco, como são, por exemplo, os que abandonam precocemente a escola. Os profissionais da Saúde e da Educação devem estar plenamente capacitados para exercer atividades de prevenção e detecção precoce do uso.
7º – O que hoje é disponibilizado como sistema de tratamento é escasso e inadequado. Faz-se necessário abandonar a exclusividade dos Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (CAPS-AD) como a única alternativa de tratamento. O SUS deve financiar clinicas de desintoxicação e as Comunidades Terapêuticas. O acesso ao tratamento de qualidade deve ser direito de todo usuário do SUS. Sem isso, precisamente as famílias mais carentes de recursos não têm como ser socorridas. As internações, voluntárias ou não, em locais adequados, com critérios médicos competentes, devem estar disponíveis a quem necessite, na hora da necessidade.
8º – As famílias devem ter acesso a programas de orientação específicos, que proporcionem o conhecimento dos meios de prevenção ao uso de substâncias. Pais, mães, avós, chefes de família devem ser os primeiros “agentes de prevenção”, a começar pelas substâncias lícitas, como álcool e tabaco. Além disso, devem estar previamente informados sobre como lidar se e quando algum de seus membros começar a usar drogas, bem como conhecer estratégias de desestímulo ao consumo. É imprescindível o suporte do poder público e das comunidades aos grupos de apoio que precisam tornar-se a primeira mão estendida para os familiares com problemas.
9º – O sistema de recuperação social, ou seja, o conjunto das ações que devem acontecer após a interrupção do uso não prescinde de amplo suporte estatal e social. São ações como as levadas a cabo por Igrejas no apoio à recuperação e reinserção social, e pelos grupos de ajuda mútua — Alcoólicos Anônimos (AA), Narcóticos Anônimos (NA), Amor Exigente (AE). Tal apoio precisa abranger a reabilitação profissional das pessoas em recuperação.
10º – A rede de pequenos e médios traficantes ampliou-se enormemente nos últimos anos. Faz-se urgente definir estratégias para desorganizá-la. Além das indispensáveis ações policiais e penais, é preciso, no âmbito de cada município, monitorar a ação dos pequenos traficantes. Os defensores da liberação confundem, intencionalmente, os pequenos traficantes com os usuários. Defendem a retirada da pena de prisão para os primeiros, alegando serem usuários que traficam para manter o vício. Ora, mais de 90% do tráfico que chega aos consumidores é levado pelo pequeno traficante. A rede de pequenos e médios traficantes ampliou-se enormemente nos últimos anos. Faz-se urgente definir estratégias para desorganizá-la. É preciso, no âmbito de cada município, monitorar a ação dos pequenos traficantes.
Se não for possível tirá-los das ruas, todo esforço para diminuir a oferta será inócuo. Esses pequenos traficantes devem ser internados em unidades prisionais especiais, com tratamento associado. Tirá-los da rua é essencial para desorganizar o tráfico e diminuir a circulação das drogas.
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O avesso da Copa – Não há nenhuma contradição entre o evento e a baixa criação de empregos
Os idiotas e o subjornalismo dos áulicos — aqueles que jamais irão parar na lista negra do PT, claro! — criaram mistificações às pencas sobre a criação de empregos por causa da Copa do Mundo. O mês de maio, como vocês viram (ler post anterior) foi o pior nessa área em 22 anos. Não deveria ter havido uma explosão de empregos, às vésperas da Copa do Mundo?
Se a economia fosse outra, sim. Com os juros já na estratosfera, inflação em alta e indústria na pindaíba, não existe Copa que faça milagre. Onze dos 12 setores industriais mais desempregaram do que empregaram — a única exceção foi o químico, que nada tem a ver com a competição. O setor mais virtuoso da economia, para não variar, foi o agronegócio, que é também o mais perseguido: gerou 44.105 vagas.
Mas a Copa não cria empregos? Cria alguns nas cidades-sede, mas o Brasil é um pouco maior do que as 12 capitais que abrigam os jogos. Ora, ora… Vamos pegar o caso de São Paulo, que sempre tem um peso importante nas estatísticas. Não tenho as contas, mas creio que a demanda maior pela Copa não chega a compensar a desaceleração brutal que houve no chamado “turismo de negócios”, que parou — e isso tem a ver com a estagnação da economia brasileira, que, numa perspectiva ainda otimista, pode crescer neste ano em torno de 1,5%. Isso quer dizer o óbvio: a Copa do Mundo não tornou o governo Dilma mais competente ou ofereceu respostas para o que resposta não tinha.
Este mês de junho e o seguinte devem apresentar uma melhora na geração de empregos, sobretudo por causa da contratação de mão de obra temporária no setor de turismo. A questão é saber o que vai acontecer depois. E, depois, não vai acontecer nada…
First Phone Out of Microsoft-Nokia -- and It's an Android
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A coluna de Janio de Freitas cujo título é “Falta de caráter”
Numa coluna intitulada “Falta de caráter”, Janio de Freitas escreve o seguinte na Folha sobre a lista negra de jornalistas elaborada pelo PT e a reação de repulsa da entidade “Repórteres Sem Fronteiras”:
(…)
FRONTEIRAS
A associação internacional Repórteres sem Fronteiras surgiu com propósitos acima de políticas e de ideologias. Nessa linha, realizou importantes trabalhos em defesa de jornalistas e do exercício do jornalismo.
Sua atual atenção recente para a América do Sul tem suscitado algumas curiosidades. Agora mesmo, a respeito de críticas fortes do vice-presidente do PT, Alberto Cantalice, a jornalistas antipetistas, Repórteres Sem Fronteiras refere-se à “tensão entre governo e jornalistas da oposição”. Onde e como seria isso?
Alberto Cantalice não integra o governo. Ainda que um só integrante fosse dado como “o governo”, o que não é raro no jornalismo brasileiro, Cantalice não atenderia a tal papel. Quando muito, fala por seu partido. O PT, do qual é dirigente, não fala pelo governo. E, salvo indesculpável desatenção minha, nenhum fato atesta “tensão entre governo e jornalistas da oposição”.
O nível de liberdade de imprensa no Brasil das últimas décadas não precisa ter nem a mais sutil inveja da liberdade em qualquer país. Temos, sim, repórteres e comentaristas com fronteiras entre si, sejam filosóficas, sejam éticas, sejam outras. Isso atesta a plena liberdade de imprensa. E nos dispensa de fingir que não temos fronteiras.
Comento
Não vou esperar a minha coluna de sexta, na Folha, para responder, embora certamente vá voltar ao assunto, porque as respostas que vêm tarde já vêm frias, parafraseando Tomás Antônio Gonzaga. Janio precisa melhorar na arte em que acredita ser mestre: o jogo conceptista. É evidente que as fronteiras existem. Eu mesmo tenho muitas com o articulista: filosóficas, éticas, morais, outras…
Cito uma cerca de arame farpado ético, por exemplo: se, um dia, Janio fosse incluído numa lista de inimigos de qualquer partido ou entidade, em vez de, como ele faz, tentar explicar os motivos, por mais que eu costume abominar o que ele escreve, eu imediatamente protestaria e classificaria a prática de fascistoide. Já fiz isso em relação a pessoas cujo pensamento detesto. Está no arquivo do meu blog. A ética de Janio, que divide o espaço — a despeito de sua vontade, certamente — com duas das nove pessoas que integram a lista negra do PT (eu e Demétrio Magnoli), é outra: como resta claro em sua coluna, ele sugere que só estamos lá por bons motivos. Na prática, justifica e aceita a lista.
Voltem a seu texto. Começa dizendo que a “Repórteres Sem Fronteiras” surgiu “acima de políticas e ideologias”, e ele a elogia por isso. Só não gosta é da “atuação recente para a América do Sul”. Ah, bom! Informo: a entidade criticou, por exemplo, a barbárie na Venezuela e, agora, a lista negra petista. Vale dizer: para este senhor, quando a “Repórteres Sem Fronteiras” protege jornalistas contra governos de direita, ele acha o trabalho meritório; quando os protege da sanha de governos de esquerda, aí não. E, por isso, resolve fazer graça com o nome da entidade. Ora, ela se chama “sem fronteiras” justamente porque não tem na cabeça os arames farpados que delimitam, o, por assim dizer, pensamento de Janio de Freitas.
De resto, meu senhor, atenha-se ao texto. O comunicado da entidade não fala em “jornalistas antipetistas”, mas “de oposição”. Já não é um bom termo, mas ainda é passável porque a “oposição” pode ser coisa mais ampla do que o “antipetismo”. Quem recorreu a essa palavra é Janio — e, como se nota, ele acha que essa suspeita torna, então, aceitável a lista.
Quanto ao PT não ser o governo, aí só posso achar que se trata mesmo de uma piada ou de falha moral. O partido é o ente que foi eleito para dirigir o país — e como dirige! Não há jornalista de Brasília que não saiba como funcionam as coisas por lá. Janio certamente fala bem com Gilberto Carvalho. Por que ele não pergunta ao ministro como surgiu a tal lista — que, de resto, foi parcialmente antecipada por José Trajano, na ESPN?
Janio tem razão. Existem, sim, muitas fronteiras entre os jornalistas. A entidade só se chama “Jornalistas Sem Fronteiras” porque acredita que há valores que nos unem a todos, independentemente de países, de credos, de ideologias.
A mais intransponível de todas as fronteiras, no entanto, é a da decência. Ou a gente a tem ou nunca terá. Achei que a defesa oblíqua que Janio chegou a fazer de Henrique Pizzolato era o seu fundo do poço. Ele nos reservava outras surpresas: a defesa de listas negras de jornalistas dos quais ele discorda. Esses dois anos recentes deste senhor têm servido para que ele coloque nos justos termos toda uma vida profissional.
Parabéns, Janio! Nem todo mundo tem a coragem de corrigir a própria biografia! Faltava defender uma lista negra. Agora já não falta.
Sejam moderados nos comentários. Essa gente adora dar caneladas para provocar uma resposta que os leve a gritar em seguida: “Falta!”. É zagueiro camaronês dando empurrão em Neymar… Viram só? Eu sou um dos colunistas que incitam ao ódio. Janio inspira só amor… Eles contam com a nossa reação para poder nos acusar de truculência. Não caiam no truque.
O blog completa hoje oito anos. Muito obrigado a vocês! Estou na lista negra do PT e do governo por, deixem-me ver, uns 7 milhões de bons motivos!
Vejam este vídeo:
Caros,
há oito anos, este blog entrava no ar, hospedado ainda em lugar nenhum. O primeiro post foi publicado às 18h57 daquele dia. Eu mal tinha acabado de sair de duas cirurgias no crânio, a revista “Primeira Leitura” tinha fechado, sobravam dívidas, e faltava emprego. O que me restava? Trabalhar. E comecei assim:
Os leitores foram reaparecendo e aparecendo. E também a “vanguarda do não”, para lembrar um poeta se fez imediatamente presente. “Não vai durar! Ninguém vai querer ler o que você escreve. Agora que lhe arrancaram o cérebro e largaram o tumor, você está acabado. Morra logo! O câncer ainda não lhe comeu?” Foram algumas das gentilezas com que me premiram aqueles que carimbei depois, para a sua eterna irritação, de “petralhas”, termo que foi parar em dicionário. Um senhor contratado para fazer o “Blog do Planalto” me escreveu afirmando que só me apareceram os tumores na cabeça porque eu não fumava maconha e era muito reacionário… Sim, contratado pelo Planalto. Desnecessário dizer que repetem até hoje as mesmas baixarias — e, claro, dizem que só o fazem por culpa minha.
O “blog que ninguém vai ler” deve ultrapassar neste mês a marca de sete milhões de páginas visitadas — ou chegaremos bem perto disso. Enquanto escrevo, são 5.516.930. Dele já saíram três livros, que venderam umas 120 mil cópias. Em setembro ou outubro, se eu conseguir me organizar, vem novidade nessa área. Em novembro do ano passado, comecei a fazer comentários no “Jornal da Manhã”, da Jovem Pan; em fevereiro, a Folha me convidou para ser seu colunista, e, no dia 28 de abril, estreou na Pan meu programa diário: “Os Pingos nos Is”.
Considero esses outros trabalhos desdobramentos do sucesso deste blog — contra a torcida “daquela gente” e contra, vá lá, alguns preconceitos que se alimentaram sobre a Internet ao longo tempo: “Seus textos são longos demais; na Internet, esse seu formato não funciona; seu blog só tem posts, quase sem imagens; não vai dar certo”. Deu. Creio que se faça aqui o blog de política mais visitado do país.
É claro que isso não vem, digamos, de graça. Os valores que se defendem aqui se propagam, como sabem. E isso me rendeu a honra de ter sido incluído numa lista negra de nove jornalistas elaborada pelo PT. Seríamos, eu e os outros, propagadores do ódio. Quem o afirma é o vice-presidente do PT, Alberto Cantalice. Ao fazê-lo, falando a militantes aguerridos, alguns nem sempre prudentes, é evidente que este senhor estimula, queira ou não, a agressão física àqueles que considera desafetos. Afinal, ele não se limita a dizer que discorda de nós por isso ou por aquilo. Não! Seríamos agentes do ódio. Como tal, qualquer ação é válida em nome do “amor”, não é mesmo? Trata-se de uma tentativa inútil de nos intimidar e não sei se útil — talvez — de advertir a outros tantos: “Se vocês nos desagradarem, vão também parar na lista”.
Tanto as visitas como a perseguição petista são evidências do sucesso inequívoco do blog, a despeito da campanha feroz que contra ele promovem os tais blogs sujos, alimentados com dinheiro público. Entre outras delicadezas, atribuem-me coisas que jamais escrevi, que não penso, que não pertencem a meu universo e referências. Acusam-me daquilo que praticam — propagar o ódio, por exemplo — para que possam me satanizar sem culpa.
Esses oito anos e o número crescente de leitores e ouvintes provam que aquela gente não é assim tão eficiente no seu trabalho. Também não parece ser exatamente uma decisão esperta me transformar em “inimigo do regime”. Isso atrai leitores que… não gostam do regime e, curiosamente, também os que gostam.
Com muita serenidade, com trabalho — e eu gosto de trabalhar, à diferença de alguns vagabundos enfatuados que andam por aí —, vamos seguir adiante. Há projetos novos pela frente. “E se Aécio Neves vencer? E se Dilma vencer?” Esta página vai continuar a defender os valores de sempre. As coisas que escrevo não dependem de quem ocupa aquela cadeira.
O vídeo que abre este post é um presente do leitor Marcelo Pinheiro, um fotógrafo de primeiro time. Não foi a única gentileza sua. Logo mais, segue outra. Eternamente grato, meu amigo!
Mais uma vez, eu lhes digo: obrigado por tudo! Você tornam bom o meu dia, ajudam a tornar agradável a minha vida e contribuem enormemente para fazer de mim um homem feliz. Estamos juntos. Sempre!
Texto publicado originalmente às 4h45
Gilberto Carvalho confessa em entrevista à Folha que cometeu crime de responsabilidade; pode ser denunciado por qualquer cidadão, perder a função e ter cassados seus direitos políticos por cinco anos
Há muito tempo, talvez há muitos anos, a imprensa brasileira não publicava uma informação tão importante como a que está na Folha de hoje e foi tornada pública ontem à tarde, quando a Folha Online a colocou no ar. Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, esteve no ninho dos black blocs. Ele próprio contou isso à repórter Natuza Nery. Na segunda, o jornal trouxe uma entrevista com o chefão petista — na prática, o mais poderoso no PT depois de Lula. Ele dizia que os xingamentos e vaias a Dilma não partiram só da elite branca de São Paulo — claro que não! Mas aí não havia novidade. Repetia a uma jornalista séria o que já havia dito a gente cuja seriedade é regulada pelo caixa. A revelação de que esteve com os black blocs? Bem, esta, sim, é inédita. E, segundo os meus valores ao menos — e, creio, os de milhões de pessoas —, escandalosa e imoral. Nota-se, no entanto, por sua fala, que ele parece se orgulhar de seu feito. Sua percepção indecorosa da realidade está em cada palavra, em cada linha, em cada detalhe.
O que Carvalho queria com a turma do quebra-quebra? Segundo ele, conversar para fazer um “diagnóstico”. Ah, bom. O ministro se refere ao grupo segundo o jargão dos baderneiros, chamando-os de “partidários da tática ‘black bloc’”. Tática? Quem tem tática tem também uma estratégia. O método dos arruaceiros é quebrar tudo. O objetivo, eles já deixaram claro, é mudar o poder. Logo, Carvalho está admitindo, por imposição da lógica, que ele reconhece a prática como legítima, embora diga discordar dela. E o faz em tom professoral. Nas reuniões com os mascarados — que certamente estavam de cara limpa quando falaram com o ministro —, o petista tentou convencê-los de que a violência só os isolava. Coitadinhos! O professor Carvalho queria ser didático.
Mais grave do que isso: na entrevista à Folha, o ministro dá mostras de condescender com os motivos dos black blocs, Diz ele que a tal tática “tem a convicção de uma violência praticada pelo Estado através das omissões nos serviços públicos e denuncia muito a violência policial na periferia, com aquela história de que, na periferia, as balas não são de borracha, são metálicas e letais. E que a única forma de reagir contra essa violência é também com a violência, que eles dizem que não é contra pessoas, mas contra símbolos e objetivos. Por isso escolhem bancos e concessionárias de carros importados”.
Leiam o texto da Folha. O ministro diz discordar, mas, em nenhum momento, critica frontalmente a bandidagem mascarada. Então vamos ver. O MTST invade o que lhe dá na telha e faz ameaças explícitas à ordem. O ministro conversa com eles. O MST, nós já vimos, faz sangrar 30 policiais num dia, e, no outro, lá estão seus representantes com Dilma. O próprio Carvalho compareceu a um evento do grupo. Índios partem para a porrada em Brasília e ferem um policial com flecha, mas, claro!, lá está o intrépido Carvalho para bater um papo.
Nesses casos, é evidente que temos supostos movimentos sociais a aderir a práticas definidas na lei como crimes. Mas, vá lá, há ao menos o véu diáfano da hipocrisia, como diria Eça de Queirós, a arranjar uma desculpa: são movimentos sociais, cujas lideranças podem ser identificadas. Mas e os black blocs? O que são essas pessoas senão criminosas, que saem por aí a depredar bens públicos e privados? Para falar com essas pessoas, Carvalho teve de, necessariamente, negociar com bandidos. Um dos mais altos cargos da República, sob o pretexto de manter o diálogo com a sociedade e ansioso para acalmar as ruas, foi se meter no covil de baderneiros.
E obteve como resposta o quê? Segundo ele diz, um sonoro “não” e a promessa de que os crimes continuariam. Com que outros marginais este senhor pretende ainda negociar? Pergunta óbvia: alguém que sai quebrando tudo por aí em nome de uma suposta ideologia é diferente de quem o faz apenas por gosto pessoal e paixão pelo vandalismo? Para os que tiveram seus direitos agravados, que diferença faz?
Carvalho não gosta de mim
Carvalho lidera o coro dos que não gostam de mim no Planalto, razão por que fui parar na lista negra do PT, junto com outros oito jornalistas. Não dou a mínima. Não precisa gostar. Não sou doce de coco. De resto, esse governo não costuma conquistar o amor dos jornalistas. Manda comprar. Ou, então, atua para intimidar. Não sirvo nem para uma coisa nem para outra. Não gosta por causa de coisas como esta aqui, atenção! O senhor ministro cometeu crime de responsabilidade. Existe uma lei que trata do assunto. É a 1.079, de 10 de abril de 1950. Qualquer cidadão pode denunciá-lo.
É crime de responsabilidade, por exemplo, “violar patentemente qualquer direito ou garantia individual constante do art. 141 da Constituição e os direitos sociais assegurados no artigo 157”. Está na Alínea 9 do Artigo 7º da lei. Mais: as alíneas 4, 5 e 7 do Artigo 8º definem como crimes de responsabilidade praticar ou concorrer para que se perpetre qualquer dos crimes contra a segurança interna, definidos na legislação penal; não dar as providências de sua competência para impedir ou frustrar a execução desses crimes; permitir, de forma expressa ou tácita, a infração de lei federal de ordem pública.
E, lamento, a meu juízo, Carvalho fez tudo isso. Não só o seu governo — mas aí o crime não é dele, ou só dele ao menos — nada fez para combater os black blocs como, ele o confessa, negociou com eles. E ainda foi malsucedido. Segundo seu próprio testemunho, um dos vagabundos jogou um rolo de papel higiênico praticamente na sua cara: “Isso aqui é o ingresso de vocês para a Copa”. Carvalho diz ter reagido “numa boa”. Ora, é este mesmo senhor que se espanta quando um coro vaia e xinga Dilma no estádio? Aí o seu partido decide fazer lista negra de jornalistas supostamente responsáveis pelas ofensas e nos acusa de adversários da Copa? Quando é que Gilberto Carvalho vai se fantasiar de black bloc, como Caetano Veloso fez, metendo um pano preto na cabeça?
Indiretamente, o sr. Gilberto Carvalho infringiu, como ministro de Estado, a Alínea 9 do Artigo 7º da Lei de Responsabilidade. De maneira direta, explícita e deliberada, infringiu as alíneas 4,5 e 7 do Artigo 8º. Ele esteve num cara a cara com os promotores da desordem. Nada fez na hora, além de levar o papel higiênico na cara, nem depois. Ou fez: como sabemos, ele foi a pessoa que mais se opôs a que se votasse uma lei para combater essa canalha.
A lei faculta que qualquer cidadão possa apresentar denúncia ao Congresso. Vejam nos artigos 14 a 18 as formalidades. Atenção, caros! Essa Lei 1.079 é justamente aquela que foi usada para afastar da Presidência da República o sr. Fernando Collor de Mello.
Para encerrar: um dos encontros do sr. Gilberto Carvalho com black blocs se deu em São Paulo. Enquanto os policiais militares, pais de família, eram alvos da bandidagem, sendo atacados, ainda que de modo oblíquo, pelo governo federal, o secretário-geral da Presidência batia um papinho com os delinquentes.
Não há delírio nenhum no que estou escrevendo e conversei antes com advogados que conhecem o riscado: Gilberto Carvalho dá motivos para ser acusado de crime de responsabilidade. Se condenado, sem prejuízo de ação penal, perde o cargo e os direitos políticos por cinco anos. A simples aceitação da acusação já o obrigaria a se afastar. Quem se interessar tem de ser rápido. O Artigo 15 da lei estabelece: “A denúncia só poderá ser recebida enquanto o denunciado não tiver, por qualquer motivo, deixado definitivamente o cargo”. Em princípio, ele fica no cargo até dezembro.
Texto publicado originalmente às 3h32
PMDB do Rio dá o troco ao PT, que o traiu de forma miserável
Pois é… O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), conseguiu fechar uma aliança com o PSDB e com o PSB, dos presidenciáveis Aécio Neves e Eduardo Campos, respectivamente. E fez muito bem. É uma resposta consequente ao comportamento do PT no Rio, que, não há outra palavra, traiu seu aliado no Estado e optou pelo voo solo, com o senador Lindbergh Farias, que vai concorrer ao governo.
Que fique claro: o principal alvo do candidato petista no Estado é a gestão de Sérgio Cabral, considerado um aliado incondicional — e foi mesmo — até outro dia. É curioso: o PT reclama do comportamento de Eduardo Campos, que já foi ministro de Lula e agora dá combate a Dilma nas eleições. É mesmo? E o que os petistas fizeram com o PMDB no Rio? Ora, o PT permaneceu com cargos no governo do Estado por mais tempo do que Campos no governo federal. Não só isso: o candidato do PSB não terá, por óbvio, o tempo do PT, mas o PT terá o tempo nacional do PMDB.
A resposta é, sim, bem dada. O PT, e isto não é segredo para mim, não costuma dar muita atenção às necessidades de seus aliados; trata-os como expressões de segunda grandeza e não está nem aí. Se achar que é hora de rifá-los, rifa-os sem pestanejar. E foi o que fez com Cabral, o político brasileiro que mais sofreu com as manifestações iniciadas em junho do ano passado. Seu comportamento pessoal, em muitos aspectos, convenham, não ajudou — a começar pelo uso que dava ao helicóptero oficial, passando, antes, pela dança do guardanapo. E vai por aí. Mas não é menos evidente que sua gestão não justifica o massacre pelo qual passou.
O PT colaborou para isso. Quando menos, negou-se a se comportar como força de contenção. Ao contrário: liberou as bases no Rio — que não são grandes, mas são barulhentas — para o “Fora Cabral”. Em nenhum momento, NUNCA!, os petistas condenaram, por exemplo, a violência das manifestações. Ao contrário: o partido assistiu ao circo pegando fogo de olho na eleição de outubro próximo.
Ora, se o PT decidiu cuidar de seu próprio interesse, por que o PMDB não podia fazer o mesmo? Aconteceu um lance inesperado na política local: Sérgio Cabral decidiu retirar sua candidatura ao Senado (estava em primeiro nas pesquisas), abriu mão em favor de Cesar Maia (DEM), e se fez o acordo, então, com o Democratas e os tucanos. O acordo com o PSB já havia sido selado.
É “suruba partidária” ou “bacanal”, como já se disse por aí? É, sim. Mas o governo federal, por acaso, pratica algo mais moral e decente do que isso? Não parece, não é? Faz-se de outro modo nos outros Estados? Não. É claro que o sistema está chegando à esclerose. Eu, por exemplo, lá no passado remoto, em 2006, fui favorável à chamada verticalização, que impedia essa bagunça. Decisão do TSE, que valeu para aquele ano, obrigava os partidos a reproduzir nos Estados a aliança nacional. Mas o Congresso a derrubou.
Por outro lado, cumpre notar: com a facilidade que tem o governo federal para comprar — literalmente — o apoio de partidos, distribuindo, em troca, cargos na administração federal e nas estatais, a não-verticalização impede a formação do PUP: o Partido Único do Poder.
Visita de Harry à Cracolândia prova que programa de Haddad é mesmo “coisa para inglês ver”. Ou: A patrulha da “Quadrilha da Fumaça”. Ou ainda: não é ódio; é vergonha!
Que gente chata!
A “Esquadrilha da Fumaça” — ou melhor, a “Quadrilha da Fumaça” — resolveu encher o meu saco por causa do post em que trato da visita do príncipe Harry à Cracolândia. Alguns cretinos, que têm os dedos mais rápidos do que o pensamento, me acusam de insinuar que ele já consumiu drogas. Eu não insinuei nada, não. Eu afirmei mesmo.
Posso até ser insinuante, mas num outro sentido, hehe. E só para público restrito. Que é que há? Não se pode mais fazer ironia? Daqui a pouco, os consumidores de drogas vão querer que a lei os proteja também de ironias e metáforas; daqui a pouco, o Artigo 1º da Lei 7.716 vai ficar assim:
“Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, orientação sexual, consumo de drogas, aparência, time de futebol e contra viúvas que tomam Chicabon ainda no cemitério”
Esse trecho em vermelho não está na lei, mas é questão de tempo. O que vai em destaque é uma homenagem à viúva sem sofrimentos imaginada por Nelson Rodrigues. Vão se danar! Não tarda o dia em que será possível fazer piada apenas com Schopenhauer, Heiddeger e física quântica. Só faremos graça para PhDs. E, ainda assim, para aqueles que tiverem conseguido se safar da estupidez politicamente conveniente. O mais asqueroso é que existem alguns grupos de humor que, ainda que de modo oblíquo, estão flertando com a censura… Basta saber interpretar. Desde que seja a censura aos outros. É a porta da frente do fascismo de esquerda.
Sim, eu disse que é preciso tomar cuidado com Harry na Cracolândia porque ele é da turma do “chifre furado”. Referia-me, claro, ao fato, entre outros, de que ele precisou ir para uma clínica de reabilitação aos 17 anos: excesso de consumo de álcool e maconha. Isso, por si, não faz dele um mau sujeito, mas também não me impede de achar divertido quando ele decide visitar uma área livre para o consumo de drogas. Sua família, à época, preferiu interná-lo a soltá-lo numa arena em que tudo era permitido.
Ademais, como disse o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), a visita do príncipe à Cracolândia prova que o programa “Braços Abertos”, do prefeito Fernando Haddad (PT), é mesmo “coisa para inglês ver”. A visita, claro!, vai “render mídia”. Haddad, o Supercoxinha, ao lado de um membro da família real inglesa. Podre de chique! À volta, os pobres desgraçados da Cracolândia. Aquele comentador de futebol acha que tenho ódio dessa turma. Não é ódio, não!, é vergonha mesmo!
O último truque da marquetagem: opor o “sucesso da Copa” à antevisão dos “pessimistas”. Ou: Dilma é melhor para estrangeiros do que para brasileiros
É fabuloso. Recebo no blog centenas de comentários por dia — coisa de gente que é paga para molestar os outros na Internet — me cobrando porque eu teria escrito que a Copa do Mundo seria uma catástrofe. É mesmo? Eu? Escrevo neste blog e na Folha de S.Paulo e faço comentários no Jornal da Manhã, na Jovem Pan, onde também tenho um programa diário: “Os Pingos nos Is”, que vai ao ar entre 18h e 19h. Está em recesso justamente por causa dos jogos da Copa. Volta ao ar na próxima sexta. Muito bem! Tudo o que escrevo e falo está em arquivo. Tentem encontrar uma só fala ou um só texto meus antevendo o desastre. Não há. Porque nunca achei. Ao contrário: cheguei a alertar que esse negócio de “Não Vai Ter Copa” era coisa de imbecis. Porque, por certo, haveria Copa, e a força do espetáculo se imporia, ainda que com contratempos — que existem.
Cheguei a esculhambar na Jovem Pan uma reportagem da revista alemã Der Spiegel, que fez uma abordagem que me pareceu absolutamente equivocada sobre a Copa, sugerindo, ainda que sem querer, que esse negócio de estádios muito sofisticados não era compatível com a realidade brasileira. Como meus leitores e meus ouvintes estão cansados de saber, jamais me encantaram os protestos de rua, desde junho do ano passado. Boa parte deles abrigou manifestações francamente criminosas, da extrema esquerda e de grupelhos de radicaloides que estão a precisar é de pais severos que lhes puxem as orelhas e lhes cortem as mesadas.
Estamos, isto sim, é diante de mais uma jogada dos marqueteiros do poder e de seus braços na imprensa. Agora saem por aí a dizer: “Estão vendo? Os pessimistas estavam errados. A Copa é um sucesso!” É claro que o evento, em si, seria bem-sucedido. Era preciso ser muito abestado para dizer que não. O ponto é outro. Ou: os pontos são outros.
As benfeitorias permanentes que viriam junto com a Copa do Mundo chegaram em proporções muito modestas. Além dos estádios e da privatização dos aeroportos, há pouco a comemorar. Aliás, tanto o torneio de futebol como a Olimpíada serviram, isto sim, para tirar o governo de sua tacanhice ideológica e obrigaram Dilma a privatizar parte do setor aeroportuário, o que ela e o PT se negavam a fazer. Nesse sentido, aquilo que os petistas não fizeram para servir aos brasileiros, viram-se obrigados a fazer para atender aos estrangeiros.
ATENÇÃO! EU ACHO QUE DILMA É UMA PRESIDENTE MELHOR PARA OS ESTRANGEIROS DO QUE PARA OS BRASILEIROS, ENTENDEM? O PT, felizmente, se envergonha diante dos turistas e, infelizmente, não se envergonha diante do povo. Até outro dia, tínhamos de ouvir a cascata imoral de que havia muita gente reclamando da situação dos aeroportos porque estava incomodada com a presença de pobres.
Não havia como a Copa, em si, ser um fiasco. O que é decepcionante para os poderosos de turno — e bom para o país — agora, sim, é outra coisa: o governo não está conseguindo faturar politicamente com o evento. Afinal, Dilma não consegue discursar num estádio, não é mesmo? Recebe vaias e xingamentos até quando não está presente.
Segundo o planejado, a esta altura, a presidente deveria estar vivendo o momento da apoteose, com a popularidade nas alturas, caminhando para um mero ritual homologatório na eleição de outubro. E isso não vai acontecer. No meio da competição, o PTB, um partido da base, muda-se para o lado do candidato do PSDB, Aécio Neves. O PMDB do Rio, como se viu neste domingo, rachou, para valer, e vai fazer a campanha “Aezão” — isto é, vai apoiar o peemedebista Luiz Fernando Pezão para o governo do Estado e Aécio para a Presidência. Outras seções do partido não endossarão a candidata petista.
Assim, tudo vai bem com a Copa em si e relativamente bem com o seu entorno. Ruim para o governo é outra coisa: a população aprendeu a distinguir o evento em si da questão política. Quando essas duas coisas se misturam, ainda é contra os interesses do Planalto. Dilma deveria estar no auge de sua força. E, por enquanto, ela está perdendo apoio, não ganhando. Com ou sem o sucesso da competição.
O decreto bolivariano de Dilma e a farsa dos conselhos “populares”
Por Daniel Jelin, na VEJA.com:
Um dos argumentos de quem defende o decreto bolivariano de Dilma Rousseff – o de número 8.243, que estimula todos os órgãos da administração federal a abrigar conselhos de “representantes da sociedade civil” – é que o Brasil já conta com milhares de entidades desse tipo, em todas as camadas de governo. É verdade. Mas a experiência acumulada nesses fóruns não é nada animadora: eles têm muito pouco de “democrático” e um conceito bem particular do que seja “sociedade civil”.
O decreto foi assinado por Dilma há um mês. A pretensão de que uma “política nacional de participação social” pudesse ser implementada pelo Executivo numa canetada causou forte reação no Congresso. Oposição e base aliada ameaçaram barrar o decreto, mas o governo promete resistir. Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e czar dos movimentos sociais no Planalto, alega questões de princípio (o desejo de “fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas”), mas, num ano eleitoral, é evidente o propósito de cooptar ou recooptar sindicatos, ONGs e outras organizações sociais para o projeto petista.
Febre dos conselhos
A multiplicação dos conselhos é um fenômeno induzido pela Constituição de 1988, numa aparente tentativa de reparar o déficit democrático de um país recém saído da ditadura. De 1930 a 1989, segundo o Ipea, foram criados apenas cinco conselhos federais no Brasil. Nos 20 anos seguintes, surgiram mais 26. Atualmente, são 40 – incluindo as comissões. Por exigência legal ou simplesmente inspirados nos colegiados federais, Estados e municípios também foram tomados por essa “febre conselhista”. Segundo o IBGE, 5553 cidades têm conselhos de saúde, 3784 do meio ambiente e 976 da mulher (dados de 2013); 1231 de política urbana, 5527 de assistência social, 1507 de segurança alimentar, 357 do transporte, 1798 da cultura e 642 da segurança pública (dados de 2012); 4718 da educação, 3240 da habitação e 195 do saneamento (dados de 2011).
O formato mais comum de conselho não chega a ser uma jabuticaba, mas é bastante peculiar. O governo dá forma ao conselho, define suas funções e indica aproximadamente metade dos conselheiros. A escolha dos demais representantes é prerrogativa de ONGs, sindicatos e associações variadas, muitas delas direta ou indiretamente cacifadas pelo governo. É discutível quem representa o que nesses órgãos, mas é fato que o cidadão comum não tem palavra: não vota, nem pode ser votado. A participação, portanto, é indireta.
No papel
Os poderes de cada conselho variam bastante, de acordo com a força das entidades que atuam no setor e a disposição do governo em atendê-las. Os menos institucionalizados mal saem do papel. Segundo levantamentos do IBGE, a taxa de conselhos municipais que não tiveram uma única reunião nos 12 meses anteriores à pesquisa é de: 30% para segurança pública, 29% para transportes, 28% para política urbana e para direitos da mulher, 27% para habitação e segurança alimentar e 25% para cultura.
Já os conselhos mais institucionalizados podem ser bastante influentes. É o caso do Conselho Nacional do Meio Ambiente, um dos colegiados mais enraizados na máquina federal. É certo que o Conama não legisla, mas o que se delibera por lá tem ampla repercussão – e eventualmente força de lei. O Conama é notório pelo grande número de conselheiros: 108. São mais cadeiras do que o Senado (81) ou a Assembleia Legislativa de São Paulo (94). É um verdadeiro congresso, de fato, com “bancadas”, “frentes” e “oposição”. Não espanta que a maioria dos conselheiros (54%) aponte como principal entrave as “questões políticas alheias à agenda do Conselho”, segundo sondagem do Ipea de 2010. Uma evidência das facções do conselho: na mesma pesquisa, três resoluções são simultaneamente citadas por conselheiros como as mais positivas e as mais negativas do Conama.
Currículo e representatividade
Há gente séria no Conama, indicada por entidades idem. O problema não é exatamente currículo, mas representatividade. Os estados têm todos o mesmo peso, uma única vaga. Regiões também, cada qual com duas cadeiras para os ambientalistas e uma para representar as prefeituras. Cada ministério, cada secretaria e cada uma das Forças Armadas têm uma vaga garantida. Ibama, centrais sindicais, Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental e Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) também. Empresas têm oito lugares. Tudo somado, o governo tem folgada maioria (72% das vagas).
Em entrevistas ao Ipea, a grande maioria dos conselheiros do Conama se gaba de contribuir para a melhoria da gestão ambiental e de manter constante contato com o segmento que diz representar. No dia a dia, a história é outra. Dos 108 representantes titulares, só 10 compareceram às três reuniões plenárias de 2014. Na última, uma convocação extraordinária para concluir o encontro anterior encerrado por falta de quórum, havia apenas 26 titulares. E, embora haja dois suplentes para cada titular, 38 cadeiras ficaram vazias. Por faltar repetidamente, três representantes perderam temporariamente o direito a voto. “É decepcionante demais”, conta um dos poucos conselheiros assíduos, para quem o órgão atravessa uma crise de legitimidade. “O Conama parou.”
“Voando”
Os assuntos do Conama nem sempre são fáceis de acompanhar. Um dos temas que mais ocuparam o conselho, e cujas indefinições ajudam a explicar o esvaziamento das plenárias, são os desdobramentos da lei que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010, e do decreto que a regulamentou (criando, de quebra, mais dois comitês…). Um dos titulares com seguidas faltas no Conama reconhece não entender o que “o pessoal das ONGs” discute por lá. “Eu passo o dia ‘voando’”, admite.
Não é só no Conama que os conselheiros passam o dia “voando”. Segundo pesquisa do Ipea de 2013 com mais de 700 conselheiros da administração federal, a maioria deles (61,5%) está convicta de que os temas abordados são compreendidos apenas parcialmente pelo colegiado, e 6,7% acham que os assuntos simplesmente não são assimilados. Nos órgãos que lidam com questões de infraestrutura e recursos naturais, apenas 18,9% afirmam que os assuntos discutidos são plenamente entendidos no conselho.
Dominado
A “governança da internet”, da qual o governo federal subitamente descobriu se orgulhar, é um exemplo de como os mecanismos de participação social podem ser distorcidos. Criado em 1995, o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) é o órgão encarregado de formular diretrizes para a tal governança. Foi de lá que saíram as linhas gerais do Marco Civil da Internet – bem traçadas, diga-se. Desde 2003, o CGI.br segue aproximadamente o desenho previsto no decreto de Dilma: sociedade civil e governo encontram ali representações “paritárias” – na verdade a sociedade civil tem um peso pouquinho maior, 11 a 9 cadeiras. Tanto os atos da secretaria como a escolha de seus membros passam por processos “públicos” e “transparentes”, uma vez que ganham divulgação no próprio site do CGI.br.
A eleição do CGI.br tem a fórmula da maioria dos conselhos: só as entidades pré-cadastradas participam. Segundo as regras do comitê, essas associações devem ter CNPJ e dois anos de atividade – em comparação, o decreto 8.243 é bem mais temerário, prevendo a participação de “coletivos, movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”, o que seria absolutamente impossível de fiscalizar.
A última eleição, em fins de 2013, demonstrou a fragilidade desse modelo. Para surpresa e mal estar do comitê, o colégio eleitoral foi subitamente dominado por cooperativas de pequenos agricultores, associações comunitárias e assentamentos da Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte com pouca ou nenhuma ligação com os temas do comitê. De 234 entidades inscritas, pelo menos 130 provinham dos grotões. O candidato mais votado por esta sociedade civil preside uma ONG de inclusão digital em João Pessoa (PB), não enxerga manipulação no processo eleitoral e diz que os concorrentes fazem o mesmo: “fui mais eficiente”. Com algum idealismo, pode-se torcer para que a próxima eleição seja mais disputada, diluindo esse tipo de distorção. O risco mais palpável, contudo, é o de afastar do comitê os representantes, digamos, menos atirados.
Panaceia
As limitações dos conselhos não significam, é claro, que não haja inteligência na chamada “sociedade civil organizada” ou que a única forma de participação democrática seja o processo eleitoral. Mas sua adoção não pode ser deslumbrada – ou ardilosa, como o decreto 8.243. O cientista social Rafael Cortez, da consultoria Tendências, lembra que “participação social” não é panaceia para aumentar a eficiência das políticas públicas – uma medida decidida por muitos “participantes” nem sempre é sábia.
Uma função que esses colegiados poderiam desempenhar com alguma eficácia é a de servir como uma espécie de câmara de eco das políticas públicas. Com isso, os gestores não precisam esperar as eleições para sondar as expectativas dos diversos setores da sociedade e conhecer a repercussão de uma iniciativa. A maioria dos conselhos no Brasil, contudo, vai muito além: eles efetivamente têm poder de decisão, o que exige desenhos institucionais muito mais cautelosos. Para tanto, Cortez alerta, os colegiados devem primar pela prestação de contas, para que o restante da sociedade possa monitorar as decisões tomadas, e pela total independência entre as partes, para impedir a cooptação das entidades.
Mais controle
É verdade, como disse o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que o decreto não cria conselhos. Mas é um incentivo e tanto. O texto manda que todo órgão e entidade da administração federal, direta e indireta, “considere” sua adoção – ou a de outra instância prevista no texto (comissões, conferências, “mesas” etc). Seja qual for o resultado desta “consideração”, o texto prevê relatórios anuais sobre a implementação desta “política nacional de participação social”.
E quem “aconselha” os “conselheiros”? A resposta, pelo que se entende do decreto, é: o próprio Gilberto Carvalho. Cabem à sua secretaria “orientações”, “coordenações” e “avaliações” do programa, por meio dos palavrosos Sistema Nacional de Participação Social, Comitê Governamental de Participação Social e Mesa de Monitoramento das Demandas Sociais, todos de franca inspiração bolivariana. O que se pode esperar desse sistema é mais “controle social”, diretriz fixada no decreto e pretensão declarada de um a cada quatro conselheiros da administração federal. O que se entende por “controle social” não é consenso entre acadêmicos. Mas já se sabe o que o PT pensa disso, a julgar por sua cruzada para patrulhar a imprensa por meio de certo “controle social da mídia”.
Pretexto
Essa multiplicação de conselhos populares por decreto pode satisfazer as panelinhas do terceiro setor, incrustando de ONGs a máquina pública; pode atender às conveniências do Planalto, amansando os movimentos sociais em ano de eleição; pode corresponder aos devaneios dos “conselhistas”, para quem os colegiados são um fim em si mesmo; pode até, é claro, resultar em um ou outro conselho funcional. Mas nada disso tem a ver com “aprofundar a democracia” – que é, como se sabe, o pretexto dos autoritários para subverter o regime.
Modern Cosmology and Creation
Does cosmology provide insights as to whether or not the universe is created? In a recent interview with Gary Gutting for the New York Times, Tim Maudlin, professor of philosophy at NYU, rejects arguments based on cosmology that seek to show that human beings have any special place: “No one looking at the vast extent of the universe and the completely random location of homo sapiens within it (in both space and time) could seriously maintain that the whole thing was intentionally created for us. This realization began with Galileo, and has only intensified ever since.”
Nor is Maudlin confident that there can be good arguments from the “fine-tuning” of the initial conditions of the universe to the conclusion that “there is a deity interested in us [sic] knowing of its existence.” When Gutting asks about the broader question of the need to explain existence itself, to find some ultimate cause of all that is, Maudlin first notes that such a cause would be, from a believer’s point of view, a weak claim, not a recognition of the kind of Creator theism posits. Furthermore, Maudlin suggests that “the initial state of the universe (if there is one) could just as well be the uncaused cause. Or if there is no initial state, and the universe goes back infinitely in time, then it can’t have a cause that precedes it in time.”
The conclusion Gutting attributes to Maudlin is that “scientific cosmology” does not offer any support for theism. To which Maudlin replies: “Atheism is the default position in any scientific inquiry. . . .” Maudlin continues: “There is no direct experimental evidence of a deity, and in order for the postulation of a deity to play an explanatory role there would have to be a lot of detail about how it would act.”
One need not think comments in an interview represent Maudlin’s or Gutting’s fully considered judgments to offer some clarifications on the question. First of all, cosmology does not offer any evidence for the claim that all that is is created by God. The natural sciences, including cosmology, offer accounts of change; they do not offer an account of the very existence of that which changes. The fundamental sense of creation, affirmed by thinkers such as Thomas Aquinas, concerns the metaphysical dependence of all that is on God. God’s causing all that is does not mean that God changes “nothing” into something; rather, were God’s not causing a thing to be, that thing would not exist at all; it would be absolutely nothing. God’s creative act is the on-going causing of existence. Whether the universe is eternal, without a beginning, or temporally finite concerns the kind of universe (or multiverse, if one wishes) which God creates. Cosmological reflections about the age of the universe or the transition from one state of the universe to another state, or questions about what happened before the Big Bang do not contribute to an affirmation or a denial of the universe’s being created. Whatever “origin of the universe” cosmology addresses, it is not the “origin” that creation affirms.
Metaphysics would help us to see that the initial state of the universe could not be the uncaused cause of the universe, as Maudlin suggests would be possible. Nor would we have to think that an eternal universe would be without a cause because somehow a cause must be prior in time to its effect. The latter error is evident in Stephen Hawking’s claim that since time comes to be in the universe, there is no temporal priority possible for an ultimate causal agent (since causality occurs in time). But why must one think that there is a temporal sequence between cause and effect?
Secondly, again as Thomas Aquinas helps us to see, there is a distinction between creation understood philosophically and creation understood theologically. Thomas thinks that it is the discipline of metaphysics that asks questions about the ultimate cause of existence of things, and, as he says, “not only does faith hold that there is creation, reason also demonstrates it” (In II Sent., dist. 1, q. 1, a. 2). The demonstration he offers involves a recognition of the distinction between essence and existence in all creatures, between what things are and that they are, and their identity in the Creator.
One may or may not accept Thomas’s metaphysical analysis, but at least one can see that the doctrine of creation, in its philosophical foundations, is not challenged by any discovery in the natural sciences. To do justice to Thomas’s account we would need to examine the metaphysical principles he employs and, especially today, argue for the very existence of metaphysics itself. We ought not to identify a rational account of the world exclusively with what the natural sciences describe. There is an enlarged sense of reason that includes metaphysics.
Third, the theological sense, in the Christian tradition at least, embraces all that metaphysics discloses and adds a great deal more: not only the temporal finitude of the world, but also the Trinitarian character of the creative act, and the fact that creation is a manifestation of divine love. Clearly, contemporary cosmology and evolutionary biology require the rejection of certain accounts of creation based on literalistic readings of Genesis. Too often in discussions about the relationship between science and the doctrine of creation, “creation” is identified which this type of literalism. We might remember another observation by Thomas Aquinas: What is essential to faith in the opening of Genesis is the fact that the world is created, not the manner or form of its unfolding.
Fourth, to discuss order and purpose in nature, including man’s place in nature, and in general the intelligibility of natural processes, does require careful attention to what the natural sciences tell us. Still, we need to recognize that there these questions are properly addressed in a more general science of nature, more general, that is, than any one of the empirical sciences. This more general science is traditionally known as the philosophy of nature. Here we would think about whether the very intelligibility of natural processes, especially the processes of non-intelligent agents, discloses the need for an ultimate source of this intelligibility. What roles do randomness and chance play in nature? None of these and related topics, however, concern the metaphysical question concerning creation.
Maudlin is correct that “there is no direct experimental evidence of a deity.” Experimental evidence needs to be integrated into a broader philosophy of nature if one wishes to find (or to deny) the existence of a deity, but the deity so discovered would not yet be seen as the Creator. For the latter we need metaphysics, and, for a believer, theology as well.
Also, when Maudlin observes that “atheism is the default position in any scientific inquiry,” he makes a useful point, but one which needs a little clarification. The natural sciences search for the causes and regularities in the world. As Albert the Great, medieval philosopher, scientist, and teacher of Thomas Aquinas, remarked: “In the natural sciences we do not investigate how God the Creator operates according to His will and uses miracles to show His power, but rather what may happen in natural things on the ground of the causes inherent in nature” (In I De caelo et mundo, tr. 4, c. 10). It is not exactly “atheism” that is the default position so much as that there is no need to appeal to divine agency in a scientific account of nature. The created order possesses an autonomy and integrated of its own that enables the natural sciences to be the source of truths about nature. The Creator causes a world to be in which creatures function as real causes of characteristic effects.
Although cosmology does not tells us whether there is a Creator; without a Creator there would be no cosmology at all.
William E. Carroll is the Thomas Aquinas Fellow in Theology and Science at Blackfriars, University of Oxford.
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Hope at the March for Marriage
Will the cause for traditional marriage follow the path of that for preborn life? Will judicial activism and proclamations from social elites find their comeuppance in a generational shift? That seemed to be the hope of many taking to the podium at the March for Marriage, held June 19th in Washington approximately a year after the Supreme Court struck down much of the Defense of Marriage Act that President Bill Clinton had signed into law. It will take more than public displays to strengthen the hobbled institution, but such gatherings do play an important role in bonding concerned individuals into a movement, especially when the powers that be seem to be loudly telling them to go away.
A crowd and cameras will usually attract a gaggle of politicians, but Kansas’s Tim Huelskamp was the only congressperson to make it down to the rally from the Capitol just a few yards away (former Senator Rick Santorum also spoke). Huelskamp lamented the “near deafening silence” coming from his colleagues, among whom only fifty-eight are today willing to co-sponsor a federal constitutional marriage amendment that got 236 votes in 2006. He surmised we were “falling behind in the struggle,” and the work needed to reestablish what was axiomatic just twenty-five years ago can seem daunting in a society where public opinion is now roughly split 50/50 but the biggest media and celebrity voices are solidly in one corner.
Several speakers noted the very impressive record for marriage when the issue is put to the people. And, indeed, voters in thirty-one states have adopted a traditional definition, while the citizens of just three have approved same-sex marriage at the polls (Washington, Maryland, and Maine all in 2012). There were rousing calls to “Let the people vote!” from Democratic New York State Senator Ruben Diaz, a strong voice against that state’s 2011 legislative legalization of same-sex marriage. The Puerto Rico born Senator Diaz helped to bring busloads of marchers from the Big Apple to the District, another place where the people have been denied a direct vote. In an Orwellian bit of legal logic, the D.C. Board of Elections ruled that merely allowing an otherwise legally petitioned referendum that would have potentially overturned the city council’s action would violate the D.C. Human Rights Act. Even the partial democracy used in New York and D.C. is itself an exception, as judgesnot the people or their elected legislatorshave been the primary instruments of policy change in this social revolution which now has touched nineteen states.
While some were still itching for a ballot box fight, others seemed resigned to absorbing unjust blows in the short term and girding for the difficult long-term task of rebuilding a societal structure that has at least partially collapsed. Reverend Bill Owens, Sr., an African American veteran of the civil rights movement decried the comparison of gay marriage to the segregation against which he struggled. He called the current effort a “bullying movement” but looked to the same non-violent responses that helped to defeat the likes of Bull Connor. Referencing the photographers and bakers who have faced legal repercussions for declining to participate in homosexual ceremonies, Rev. Owens declared, “Don’t bake the cake. Go to jail.” He called on all concerned about truth and justice to be “willing to pay the price for disobeying an unjust law.”
Mike Huckabee closed his keynote on the “curse” of “judicial supremacy” with an extended quotation from Dr. Martin Luther King Jr.’s Letter from Birmingham City Jail. King made moral distinctions between laws: “A just law is a man-made code that squares with the moral law, or the law of God. An unjust law is a code that is out of harmony with the moral law.” He also looked to the process that produced the law: “An unjust law is a code inflicted upon a minority which that minority had no part in enacting or creating because they did not have the unhampered right to vote.” Echoing MLK, Huckabee called on leaders to say to the courts: “If necessary we will be Shadrach, Meshach, and Abednego, but we will not bow the knee to Nebuchadnezzar.” Before comparing an activist judiciary to the Babylonian king, the former Arkansas governor had begun his speech approvingly quoting from another inconsistent and religiously enigmatic leader, namely President Obama who in 2008 cited his own Christian faith when declaring personal support for the traditional marriage definition because “God’s in the mix.”
God was certainly still in the mix for much of this diverse crowd. As I approached from the National Mall, “Hallelujah” and “Gloria a Dios” were about the only things I could understand as the crowd was warmed up with energetic Spanish worship music. Much of the day was translated so that the sizable Hispanic contingent could easily understand the English speakers and the Asian-, Anglo-, and African-American hearers could follow those who spoke from the podium en español.
Religious diversity was also evident. San Francisco Catholic Archbishop Salvatore Cordileone gave the opening speech (despite very public pressure from California politicians to skip the event) and Papal Nuncio Carlo Maria Viganò also present. They were joined by Pentecostals, Evangelical Protestants, Orthodox Jews, Orthodox Christians, and others, including those who made no mention of religion such as Doug Mainwaring (a Tea Party leader who introduced himself as a gay man for traditional marriage) and Ludovine de la Rochère, the head of the French group La Manif Pour Tous (March for All) that supports the traditional family structure.
In 2013, Rochère helped to rally hundreds of thousands into the streets of Paris in an event that upended a few French stereotypes among U.S. conservatives but sadly did not derail that country’s legislative approval of gay marriage. Still, she vowed that “We will never surrender, never!” America’s National Organization for Marriage managed to gather hundreds, perhaps a few thousand, to stream up the sidewalks of Capitol Hill. It was a not insignificant, but far from overwhelming showing.
Whether from this judicially chain-sawed stump a great marriage strengthening movement will grow, only time will tell. Pro-lifers have kept coming for decades in the cold of January to remember the infamous anniversary of Roe v. Wade. The Windsor decision striking down DOMA was less sweeping, with state and circuit courts following the Roe social engineering model more directly. And while it may be pulverizing the bedrock of civilization, the redefinition of marriage does not directly kill human beings. Will these distinctions and the June heat tend to sap the fervor of the faithful or will a consistently strong showing help to prevent the second federal shoe from dropping? Justices and congress-people do look out their windows even if the mainstream media largely ignored the event. After singing “Amazing Grace” and praying at the Supreme Court, the crowd quietly and peacefully dispersed to a parting “see you next year” from the organizers. One can only hope.
John Murdock writes on Christian ethics and the care of God’s creation from an ancestral farmhouse in Texas. He was happy to march for marriage on his parents’ 43rd anniversary, and you can follow his infrequent tweets @johnamurdock. Image adapted from Flickr.
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Os últimos dias do PT no poder: a hipótese otimista e a pessimista
O PT realizou a sua convenção nacional neste sábado (post anterior) e oficializou a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República. Ela vai ganhar? Ela vai perder? Não sei. Seja como for, estamos assistindo a um capítulo do fim de um ciclo. Se o PT tiver mais um mandato, o que espero que não aconteça, vai se arrastar no poder pelos próximos quatro anos, como um cadáver adiado. Não tem mais nada a oferecer ao país. Restará torcer para Dilma terminar o mandato sem uma crise de proporções gigantescas.
Acabou! Os petistas não têm mais futuro a oferecer. E explico o que quero dizer com isso. Um partido não tem de estabelecer com a sociedade uma relação de doador e donatário de benesses. Até porque a riqueza que se distribui tem de ser produzida por alguém — e, por certo, não é pelos partidos, não é mesmo? Quando afirmo que o petismo não tem mais “futuro” a oferecer, refiro-me à perspectiva de mudanças que possam efetivamente melhorar a vida dos brasileiros no médio e no longo prazos, fazendo deles mais do que pedintes e beneficiários de migalhas.
O repertório do PT se esgotou. Os programas sociais estão aí, em curso, mas a gestão não sabe como conciliar, em proporções ao menos razoáveis, crescimento econômico, combate à inflação e juros civilizados. Ao contrário: a realidade se tornou perversa, descompensada: inflação e juros altos para crescimento baixo. O que restou ao PT? Justamente a relação viciada de doador e donatário.
Para que esse discurso convença, é preciso demonizar o outro; transformá-lo na fonte de todos os males do Brasil e da política, a exemplo do que se viu, mais uma vez, neste sábado. A convenção petista, dados os discursos que lá se fizeram — inclusive o da presidente —, oferece aos brasileiros apenas um debate sobre o passado. Lula, ele mesmo, foi bastante explícito a respeito. Convidou os presentes para a dialética do obscurantismo. Disse ser preciso convencer os eleitores que tinham 7, 8 anos quando o PT chegou ao poder e hoje estão com 19, 20. Afirmou que é preciso lhes dizer que quão ruim era o país…
Ocorre que só havia país em 2003 porque os tucanos haviam chegado ao poder em 1995 e porque o PT perdeu a guerra contra o Plano Real. Só havia país em 2003 porque havíamos vencido a batalha contra os fatores estruturais da hiperinflação. Só havia país em 2003 porque havíamos vencido a batalha em favor da privatização, que dotou o país de infraestrutura em setores essenciais. Quem, em 2002, votava pela primeira vez, aos 16, 17, 18, tinha de 8 a 10 em 1994, quando o plano foi implementado. A propósito: uma pessoa que nasceu em 1986 era uma criança no ano do Real, está hoje com 28, é um adulto, e não sabe o que é um país com hiperinflação. E só não sabe porque o PT foi derrotado em 1994 e 1998 e porque teve de jogar fora o seu programa para se eleger em 2002.
A disputa sobre o passado, como a propõe o partido, é essencialmente desonesta; é intelectualmente vigarista, porque define o adversário como um monopolista do mal e se coloca como um monopolista do bem. “E os adversários do PT? Não fazem o contrário?” Não. Desconheço quem lastime ou reprove a ampliação de programas sociais que o partido levou adiante no poder. Podem não ser, e não são, a resposta para todos os males, mas se trata de um ativo que a legenda tem — e reconhecido por todos. O PT, no entanto, é incapaz de admitir que é uma realidade derivada da estabilidade econômica contra a qual lutou. “Fez isso porque era mau?” Não! Porque, em razão de preconceitos ideológicos, não reconhecia seus instrumentos como válidos. E estava, obviamente, errado.
Agora o país chegou a um nó que requer mais do que o tatibitate redistributivista do PT. E a turma não sabe o que fazer. Está ilhada em seus próprios preconceitos e sua falta de alternativa. Daí que pretenda fortalecer essa fachada de grande doador de benesses, acusando o adversário de verdugo das causas sociais. Como resta pouco a oferecer no terreno da doação, os petistas repetem a sua propaganda de TV, inventam um passado que não existiu e o colocam como uma sombra a ameaçar o futuro.
Na convenção, em suma, o PT apelou a um passado que não houve para capturar as pessoas para um futuro que, com o PT no poder, jamais haverá. Não sei se vai funcionar. Caso seja bem-sucedido, depois de uma luta difícil — o que o obrigará a multiplicar o “promessismo” —, uma coisa é certa: será a última vez. O PT está por pouco: na hipótese otimista, seis meses. Na pessimista, quatro anos e meio. E aí o país se liberta de uma formidável teia de mistificação. Até poderia se cobrir de glórias. Mas, para tanto, teria de ser um defensor incondicional da democracia. O partido que faz lista negra de jornalistas, no entanto, gosta mesmo é de ditadura. “Ah, mas não é um ditador!” É só porque não pode, não porque não queira.
PS: Será que aquele comentador de peladas acha este um texto que “espalha o ódio”, escrito para “leitores fanáticos”?
No dia em que PT oficializa Dilma, quem tem uma boa notícia é Aécio. Ou: O bloco hegemônico está rachando
O PTB rompeu com a candidatura da presidente Dilma Rousseff e anunciou, neste sábado, seu apoio ao tucano Aécio Neves. É claro que se trata de um fato importante — e por várias razões. Começo pela básica: o partido tem 1min15s no horário eleitoral gratuito. Isso significa que a desproporção ainda brutal entre os tempos do PT e do PSDB diminuiu em 2min30s — o tempo que ela não terá será dele. Há pouco mais de um ano, a impressão que se tinha era a de que haveria um candidato do PSDB, com apoio do DEM e do PPS, contra o resto. O cenário mudou bastante.
Em segundo lugar, mas não em ordem de importância, estamos diante de mais uma fratura da base — e já há muitas. Vejam o caso do PMDB: o tempo acabou ficando com a petista, mas é certo que o partido não caminha unido para a disputa. O apoio a Dilma contou com a adesão de apenas 59% dos convencionais — em 2010, de 84%.
O PSC, que terá como candidato Pastor Everaldo, também já integrou a base governista. Não apoiará Aécio no primeiro turno; vai de candidatura própria — e, até agora ao menos, fala uma linguagem francamente de oposição. Aliás, se levarmos em conta o discurso da legenda, é o mais abertamente oposicionista porque faz uma contestação também ideológica do regime. Everaldo está longe de ser o brucutu que muitos gostariam que fosse. Ao contrário: tem um discurso articulado, coerente, fundamentado. Tem entre 3% e 4% dos votos. Se ficar só nisso, estamos falando de um potencial de mais de 5,5 milhões de eleitores. Mas acho que ainda deve crescer. Pode ter uma importância fundamental num segundo turno. E não vejo como o eleitorado de Everaldo migraria para Dilma no segundo turno,
O PSD também estará com Dilma na coligação federal, mas não é segredo para ninguém que o partido não marcha unido com a candidata porque existem as realidades regionais. Em São Paulo, por exemplo, o mais provável ainda é um acordo com o PSDB. Aliás, no estado do maior eleitorado do país, o PMDB terá um candidato a governador, Paulo Skaf, que vai terçar armas com um petista e que não mobiliza um eleitorado exatamente favorável a Dilma.
No chamado “presidencialismo de coalizão”, como há no Brasil, a menos que governos façam gestões catastróficas (é evidente que catástrofe não temos nem corremos o risco de ter até outubro), a troca de guarda só se dá quando há divisões no bloco do poder e quando algumas forças se desgarram do grupo hegemônico. Tomemos 2002 como referência. É claro que houve circunstâncias derivadas da gestão propriamente que levaram à vitória do PT. Mas teve peso decisivo o fato de o então poderoso PFL ter decidido romper com o PSDB. Hoje, seria o correspondente de o PMDB cair fora da aliança com o PT.
Como reconhecem os próprios petistas (post anterior), o rompimento não é bom para o governo. Quando menos, estimula outros a fazerem o mesmo, oficial ou extraoficialmente. De 2002 para cá, esta será a eleição mais difícil para o PT. Parte do desespero e da violência retórica que tomam conta do partido deriva daí.
Pior: a direção do partido, hoje, deve estar ouvindo menos um João Santana, que sabe que a estridência doidivanas atrapalha, do que um Franklin Martins, que continua com sangue nos olhos e ainda não desistiu de se vingar da demissão da Globo — daí a obsessão de controlar a mídia. Transformou em política uma questão pessoal.
Não sei se Dilma ganha ou perde; sei que não será fácil. E sei também que o PT está velho e não percebeu que o país mudou bastante nos últimos tempos. A velha guerra do “nós” contra “eles” encontra hoje uma população bem mais desconfiada, que já percebeu que, quando o partido fala “nós”, isso não a inclui. O “nós”, de fato, para o homem comum, soa cada vez mais como “eles”.
Arremato
Viram? Será que eles não gostam de mim porque espalho o “ódio”? Mentira!! Eles não gostam de mim porque escrevo textos como este.
PTB confirma rompimento com Dilma e apoio a Aécio
Por Laryssa Borges e Gabriel Castro. na VEJA.com. Comento no próximo post.
O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) confirmou neste sábado o rompimento com Dilma Rousseff e o apoio ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) na disputa pela Presidência da República em 2014. Na noite de sexta-feira, Benito Gama, presidente da legenda, já havia sinalizado que o divórcio poderia acontecer em breve. O PTB daria a Dilma cerca de 1 minuto e 15 segundos na propaganda eleitoral de TV – tempo que agora vai para a candidatura tucana.
“Hoje, mais uma vez sintonizado com o desejo de mudanças que vem sendo expressado pela ampla maioria do povo brasileiro, o PTB declara seu apoio ao senador Aécio Neves para as eleições presidenciais desse ano. Temos convicção de que Aécio reúne as condições para a retomada do crescimento econômico, seja na garantia da manutenção das conquistas sociais hoje incorporadas à vida nacional”, diz nota oficial do partido.
O anúncio do rompimento aconteceu no início da tarde de sábado, em Salvador — simultaneamente à convenção que, em Brasília, lançava a presidente Dilma à corrida pela reeleição. Reforça-se, assim, o prognóstico de que eleição de 2014 será a mais dura para o PT desde o pleito de 2002, que levou o partido ao Planalto. Foi esse prognóstico que motivou as lideranças petebistas a promover o desembarque da aliança com o PT. “A Dilma de 2014 não é a Dilma que Lula construiu em 2010″, disse ao site de VEJA um cacique petebista.
A nota oficial do PTB atribui sobretudo a questões regionais a saída da base de apoio ao governo: “Essa decisão atende o clamor da maioria da bancada federal e de estados, onde os conflitos locais entre PTB e PT ficaram insustentáveis, como, por exemplo, Distrito Federal, Roraima, Piauí e Rio de Janeiro.”
Abordado no evento de lançamento da candidatura de Dilma Rousseff à reeleição o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência Gilberto Carvalho procurou demonstrar tranquilidade ao comentar as notícias sobre o PTB. “Só temos que lamentar, porque é um partido que esteve conosco durante muito tempo. Mas temos certeza de que, junto com os partidos que continuam conosco, teremos força suficiente para vencer essa eleição.”
O deputado federal Vicentinho, líder do PT na Câmara, foi na mesma toada. “É muito ruim para nós”, disse. “Nós convivemos todo esse período na bancada. A gente caminhou juntos ao longo desses anos. Nós lamentamos, mas a gente acredita na capacidade de explicar para o eleitor qual é a diferença entre os governos do passado e os governos do Lula e da Dilma”
Solidariedade
Também neste sábado, Aécio Neves participou da Convenção Nacional do Solidariedade, em São Paulo, para sacramentar o apoio do partido à sua candidatura. “O Solidariedade não apenas participa da nossa aliança, mas participa daquilo que será fundamental para os brasileiros, que é a formulação do nosso programa de governo”, disse o candidato durante o evento, ao qual foi acompanhado por Geraldo Alckmin e o ex-governador José Serra, entre outros tucanos e aliados.
Aécio disse que ainda não decidiu quem será seu vice. “Estou muito feliz porque temos nomes muitos qualificados, de vários partidos. No dia 30 vamos escolher o que seja melhor para vencer as eleições.”
Chefão petista se irrita com “Repórteres Sem Fronteiras” porque entidade defende liberdade de imprensa
Que pitoresco!
O senador Humberto Costa (PE), um dos chefões do PT, está irritado com a entidade “Repórteres Sem Fronteiras”, que expressou sua preocupação com a lista de jornalistas “inimigos do regime”, feita pelo PT.
Para este grande patriota, a entidade não deveria se envolver nesse assunto. Entenderam? Se o PSDB fizesse a sua lista de “inimigos”, Costa certamente apoiaria o protesto da entidade. Se a Igreja Católica o fizesse, idem. Como é o PT, ele acha que está tudo certo. Leiam o que informa Gabriel Castro, na VEJA.com. Volto em seguida.
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O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), respondeu com irritação neste sábado à nota em que a respeitada entidade Repórteres Sem Fronteiras, sediada em Paris, demonstra preocupação com a ofensiva do partido que ocupa o governo contra jornalistas. O texto foi motivado por um artigo no qual Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, elenca numa lista negra nove profissionais que identifica como inimigos — entre eles, Reinaldo Azevedo, colunista do site de VEJA. A resposta de Costa, que parece não compreender o conceito de liberdade de imprensa, reforça o que afirmam os representantes da entidade internacional. “Eu acho um absurdo esse tipo de colocação, e acho que uma instituição que tem a credibilidade do Repórteres Sem Fronteiras não deveria se imiscuir nesse assunto”, disse ele neste sábado, após a convenção nacional do partido, em Brasília. Costa prosseguiu: “E o lado da presidente da República, das lideranças do PT? A liberdade de imprensa é só de um lado?”. Já o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, não quis comentar o caso.
Retomo
É espantoso! O senador ainda não entendeu que um dos papéis da imprensa é mesmo ser crítica do poder. E, como é óbvio, existem os jornalistas afinados com o petismo, e existem os que não são. A obrigação indeclinável de uns e de outros é não mentir.
É curioso que o PT não aponte em meus textos: “Olhem, aqui ele está veiculando uma mentira, e a verdade é esta…” Preferem sair gritando: “Vejam o que ele escreveu! Como ele é reacionário! Ele espalha o ódio!” Ora, quem fez a lista das pessoas a serem odiadas foi o… partido!
Um evento assim seria um escândalo moral em qualquer país democrático do mundo. Imaginem se, nos EUA, os partidos Democrata ou Republicano fariam algo parecido! Quem se atrevesse estaria acabado. Por aqui, reitero, há covardes que estão agradecendo o fato de terem ficado fora do rol dos “inimigos do regime”.
Humberto Costa finge não saber que tanto o governo como o partido têm o direito de responder a críticas que considerem incorretas ou injustas. Mas não têm o direito de mandar para o paredão um grupo de profissionais que, na maioria dos casos, não mantêm relações de amizade; nem mesmo se conhecem. São pessoas diferentes, com escolhas e pensamentos distintos. A única coisa que os une, à sua revelia, é o ódio que o PT lhes devota. Nada mais.
“Repórteres sem Fronteiras”, a mais importante entidade internacional de proteção ao trabalho de jornalistas, critica “a lista do PT” de “inimigos da pátria”. O mundo, ao menos, está atento à escalada autoritária. Ajudem a divulgar o texto
Se, no Brasil, muita gente prefere olhar de lado e fazer de conta que nada aconteceu, não é assim em países e entidades em que a liberdade de expressão é levada a sério. Tomei conhecimento, primeiro, por intermédio do blog do jornalista Claudio Tognolli, cujo post reproduzo abaixo: a entidade “Repórteres sem Fronteiras” publica um texto em seu site (versão em inglês) em que expressa a sua preocupação com o fato de o PT criar uma “lista” de jornalistas que não agradam ao regime. Leiam. Volto depois.
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A tensão entre o governo e os jornalistas da oposição acaba de subir de tom. Num artigo publicado a 16 de junho de 2014 no site do Partido dos Trabalhadores (PT), atualmente no poder, o vice-presidente do partido Alberto Cantalice estabelece uma lista negra de jornalistas designados como os “pitbulls da grande mídia”. Para o dirigente petista, o ódio de Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiúza, Augusto Nunes Diogo Mainardi, Lobão e dos humoristas Danilo Gentili e Marcelo Madureira contra as medidas progressistas dos governos Lula e Rousseff se tornou ainda mais evidente desde o começo do Mundial, que esperam que fracasse.
Esses “inimigos da pátria” não demoraram a responder. O jornalista Demétrio Magnoli denunciou em Globo um artigo “calunioso” e uma ação de propaganda por parte do PT. Magnoli se mostra preocupado pelo fato de um político do partido no poder convidar à “caça” dos jornalistas opositores “na rua”. Já Reinaldo Azevedo, da revista Veja, afirmou sua intenção de processar Alberto Cantalice por “difamação”.
“Repórteres sem Fronteiras expressa sua inquietação pelas graves acusações dirigidas contra os jornalistas provenientes de um alto cargo do PT”, declara Camille Soulier, responsável da seção Américas da organização. “Não ignoramos o contexto polarizado da mídia, que pode exagerar o descontentamento geral. No entanto, as dificuldades sentidas pelo PT não justificam o recurso à propaganda de Estado.”
Essas acusações foram lançadas num clima social tenso, com a multiplicação de movimentos populares contra as despesas do governo com a Copa do Mundo. A polícia militar tem respondido através da força e alguns jornalistas foram agredidos. No total, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) já contabilizou 17 agressões de jornalistas no âmbito de manifestações desde a abertura do Mundial. Entre as vítimas, contam-se correspondentes da CNNe de agências internacionais, como a Reuters e a Associated Press, assim como jornalistas da mídia local ou profissionais independentes. Karinny de Magalhães, jornalista e ativista do coletivo Mídia NINJA, foi detida e espancada até desmaiar.
Aos 17 casos citados se juntou a detenção arbitrária de Vera Araújo, do diário O Globo, no passado dia 15 de junho, elevando para 18 o número de abusos. A jornalista estava filmando a detenção de um turista argentino e acabou também sendo presa. Uma investigação foi aberta contra o policial militar responsável pela detenção.
O Brasil se situa no 111º lugar em 180 países na última Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa, elaborada por Repórteres sem Fronteiras. Por ocasião da Copa do Mundo de futebol, a organização lançou uma campanha para sensibilizar o público sobre a situação da liberdade de informação nos países participantes.
Voltei
As pessoas sérias não hesitam em repudiar “listas de inimigos do Estado”. Atuam em favor da liberdade, não de um partido ou de uma ideologia.
Lendo o texto de “Repórteres Sem Fronteiras”, eu me dou conta de algo que chega a ter a sua graça: algum outro jornalista, de centro, direta ou esquerda, pode ter sido tão duro como fui com as manifestações contra a Copa; mais duro, acho que não houve.
Está em arquivo tudo o que escrevi sobre os protestos de junho do ano passado até agora. Quem passou a mão na cabeça de baderneiros foi Dilma, foi o PT. Não eu. Tentem achar um único texto meu antevendo que a Copa seria um fiasco. Nunca entrei nessa! Podem não gostar de mim, mas não sou burro.
A perseguição a mim e aos outros nada tem a ver com a Copa do Mundo. O que eles não toleram é a divergência. Fazem listas para tentar intimidar os nove citados e para ganhar o silêncio dos demais — no que, parece, estão sendo bem-sucedidos.
Por mim, tudo bem: mais convicto do que ontem e menos do que amanhã. O PT quer cabeças. Eu quero liberdade, especialmente para os que divergem de mim. Para chegar a esse ponto, a liberdade tem de ser um valor, não um mero instrumento. Antes do PT, só as ditaduras fizeram listas de jornalistas. E encerro dizendo que há pessoas que estão se borrando por nada. O partido sabe reconhecer “contestadores a favor”.
Trajano ofende os espectadores da ESPN, sente a reação do SEU PÚBLICO e decide culpar os outros; com medo de perder o emprego, posa de vítima e diz que estou querendo fechar a emissora! Então vamos ver
Ai, ai… Lá vou eu me divertir mais um pouco. A Folha de hoje publica uma reportagem sobre os ataques que um certo Trajano — a esta altura, vocês sabem quem é — fez a quatro jornalistas e a resposta que dei a ele.
Reconstituição histórica
1: 12.06 – Torcida vaia e xinga Dilma no jogo de abertura da Copa;
2: 12.06 – Trajano e sua equipe dão um pito na torcida e dizem que aquilo é coisa de branco endinheirado. Surge, então, a tese da “detestável elite branca de São Paulo”, logo encampada pelo PT e por Lula;
3: 13.06 – TELESPECTADORES DA ESPN ficam furiosos com Trajano e se manifestam nas redes sociais;
4: 13.06 – Trajano diz na TV que os que estavam protestando eram seguidores, imaginem vocês, de “Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Augusto Nunes e Demétrio Magnoli”. Até então, eu nunca tinha ouvido falar desse babão bobalhão. Seríamos propagadores do “ódio e da inveja”.
5: 14.06 – Respondo ao ataque de Trajano. Sim, eu jamais havia tocado no nome dele até então porque ignorava a sua existência. Os agredidos, que fique claro, somos eu e os outros três; Trajano é o agressor;
6: 16.06 – Vice-presidente do PT elabora uma lista negra com nove jornalistas — entre eles, estão os quatro citados por Trajano. A acusação é a mesma: propagariam o ódio.
7: 19.06 – Trajano tenta fazer uma intervenção ao vivo na ESPN, logo depois do jogo entre Inglaterra e Uruguai. Ao fundo, ouve-se um coro: “Trajano vendido/ Trajano vendido” (vídeo aqui). Pode ser uma alusão ao fato de que as estatais federais anunciam fartamente na ESPN.
8: 19.06 – Amiguinhos de Trajano tentam invadir meu blog para me responsabilizar também por isso: os que gritam “Trajano vendido” seriam meus leitores.
9: 20.06 – Publico um post intitulado, ironicamente, de “As orientações de Reinaldo Azevedo sobre um certo Trajano”. É uma ironia porque não tenho relação de mando com meus leitores e ouvintes. Por mim, ele continua a fazer o seu trabalho irrelevante de sempre.
10: 20.06 – A caminho da praia (sim, praia com frio; torna o frio menos cretino), no carro, a reportagem da Folha me acha e me informa que seria publicada, neste sábado, uma reportagem a respeito.
Nessa reportagem, o, a esta altura, hilariante Trajano afirma sobre os que o têm chamado de “vendido”:
“São seguidores daqueles que disseminam o ódio. Eu não imaginava que pudesse ser tão feroz, parece coisa de fanático religioso. Fazem isso quando você está trabalhando, esperam entrar ao vivo, é uma covardia”.
Corajoso é Trajano, que usa a emissora em que trabalha para disseminar o ódio contra quatro jornalistas que jamais citaram seu nome.
Sobre mim, diz o seguinte:
“Ele quer desempregar as 500 famílias de quem trabalha na empresa? É coisa de louco. Ele não vai conseguir”.
Encerrarei este post com uma resposta a essa questão em particular.
A Folha traz parte da resposta que dei, digitada no celular. Tudo o que está lá, eu disse. Mas nem tudo o que disse está lá porque, é claro, o espaço é limitado. Segue, por isso, a minha resposta na íntegra, num misto de português e internetês:
“Eu só fiquei sabendo q existia um Trajano, que não o bom imperador romano, pq este sr. me atacou. E só então fiquei sabendo q foi a turma da espn q lançou a tese de q a vaia era coisa da elite branca. Os espectadores deles reagiram. E Trajano vai ao ar e diz q os culpados somos eu, Diogo , Augusto e Demétrio ? É ridículo! Meu blog receberá mais de 7 milhões de visitas em junho, mas não me dou tanta importância. Escrevi hj a respeito. Se houver alguém q faça o q recomendo, o q duvido, acho q este senhor deve voltar à sua irrelevância, ser deixado na paz, perseguido apenas por seus zumbis íntimos. Não tenho seguidores, mas leitores e ouvintes. Boa parte discorda de mim. Alguns, como esse Trajano aí, me odeiam. Há quem ame, mas o ódio é sempre mais fiel do q o amor. Quem ama pode se distrair e até trair. Quem odeia é de uma fidelidade comovente. Noto q ele apenas antecipou a lista negra feita pelo PT. Aliás, deixo registrada e, por favor, publique minha sugestão de pauta à Folha. Nunca houve lista negra de jornalistas no Brasil na vigência da democracia. O PT fez a primeira. Essa não é uma boa pauta? Esse Trajano achou q poderia usar o poder de sua TV para me demonizar e a outros. Pra cima de mim, não. Mas entendo: há quanto tempo ninguém dava bola pra ele? Virou notícia até na Folha. E conseguiu isso me atacando e a outros. Espero q ele fique em paz. Em latim, a frase ficaria mais densa… Publique, por favor, minha sugestão de pauta. Abs, Reinaldo”
Agora os 500 empregos
Foi o melhor que consegui digitar no celular, com miopia e solavancos. Quanto a eu querer desempregar 500 famílias… Santo Deus! Esse cara se tem em tão alta conta que acha que a sua eventual demissão significaria o fim da ESPN. Ele acha que, sem ele, a Disney — a quem pertence a emissora —, fecha o negócio.
Não ocorre a Trajano que pode ser o contrário, né? O grupo Disney certamente não se fez hostilizando o seu próprio público. Ele é que decidiu dar um pé no traseiro dos que lhe enviaram mensagens e, agora, sai por aí posando de vítima. Não sabe brincar? Não desça para o “play”, como diz a meninada. Vai que, sem Trajano, os 500 empregos virem 600…
Há muitos imbecis que me ofendem nos blogs sujos e nas redes sociais. Costumo deixar pra lá. Com meus três empregos, não tenho tempo para a corja. A canalha tem porque precisa zelar pelo seu único: receber verba pública para atacar “os inimigos do poder”. Gente asquerosa!
Nada disso! Trajano não está sendo molestado por leitores meus, não — e dos outros três. Ele cometeu um erro muito próprio da arrogância: achou que poderia ofender o público que a sua própria emissora havia cativado.
Os outros 500 empregos? Ah, Trajano! Haverá ESPN depois de você, como haverá VEJA, Folha e Jovem Pan depois de mim. Eu me atribuo muito menos importância. É desagradável ter de dizer isso a esta altura, mas digo: amadureça, rapaz! Assuma as suas próprias responsabilidades. Você meteu a tarja “chapa branca” na ESPN. E vai ser difícil tirar enquanto você posar de porta-voz da emissora e garantidor de 500 empregos. Deixe de ser ridículo e megalômano.
Para encerrar, digo que ele e seus amiguinhos são o tipo de gente que chama americano de “estadunidense”, faz discurso anti-imperialista, posa de esquerdista, recebe honraria de Marcelo Freixo e, depois, embolsa o rico dinheirinho que lhe paga o grupo Disney. Chega, Trajano! Peça desculpas aos espectadores da ESPN e à própria empresa. Por mim, reitero, você é ignorado nos estádios, na TV, na chuva, na rua, na fazenda ou numa casinha de sapé.
De resto, peça a seus patrões americanos que lhe expliquem quanto custa criar uma marca. Você e seus esquerdistas enfatuados é que fazem mal à ESPN e aos 500 empregos, não eu! Não tenho dados, mas acho que muitos telespectadores deixaram de acompanhar as transmissões dos jogos da Copa pela emissora. Desculpe-se, Trajano! Quem sabe eles voltem… Eu, por exemplo, costumo dispensar leitores aqui — no caso, os petralhas. Eles sempre voltam. Ocorre que os espectadores da ESPN não são petralhas. Gente decente não tolera ofensas. Muda de canal.
Para ou continua, Trajano? Eu estou gostando. E você?
Passe Livre é só a versão mascarada dos black blocs
Os milhões de visitas deste blog se devem, claro!, à disposição de vocês de ler, à minha de trabalhar e coisa e tal — aliás, corrijo em parte: vocês trabalham bastante aqui; são excelentes pauteiros, dão dicas e informações preciosas. Viva, em suma, a nossa parceria! Aquele ex-jornalista esportivo acha que isso é coisa de fanáticos. Gente que faz do ódio uma profissão não consegue entender relações virtuosas. Mas sigamos. Parte do sucesso desta página se deve, infelizmente, à covardia de muita gente. Por que escrevo isso? Vamos ver o que publiquei ontem aqui sobre a baderna que o tal Movimento Passe Livre promoveu em São Paulo anteontem. Volto depois.
Voltei
Abaixo, vocês leem uma reportagem de Silvio Navarro e João Marcello Erthal, da VEJA.com. Leiam aí, no detalhe, como operam os valentes do MPL e o comportamento deles diante da baderna. No mínimo, são sócios. Há que investigar se não são os reais promotores. De fato, o MPL é só a versão “mascarada” — um outro tipo de máscara — dos black blocs. Leiam.
*
Depois do protesto que mais uma vez deixou um rastro de destruição na maior cidade do país, o chamado Movimento Passe Livre (MPL), que se autocongratula embrionário das passeatas de junho de 2013, postou em sua página do Facebook a seguinte mensagem: “O ato #NãoVaiTerTarifa seguia da Marginal Pinheiros para se dispersar no Largo da Batata quando a Polícia Mlitar atacou os manifestantes”. O movimento não redigiu uma linha para condenar com clareza os vândalos mascarados que depredaram o patrimônio público e privado – o equivalente a tacitamente endossar o que eles fazem. E resolveu culpar a PM pela baderna. Nesta quinta-feira, a marcha convocada pelo MPL pretendia lembrar um ano da revogação do reajuste das tarifas de transporte público. Ao comunicar às autoridades que promoveria o ato, o movimento também fez um perigoso pedido em ofício enviado à Secretaria de Segurança Pública: queria a Polícia Militar distante porque “os movimentos sociais devem ter autonomia para promover sua própria segurança”.
Mas nem de longe foi o que se viu. Minutos depois da marcha degenerar no quebra-quebra de sempre, com vândalos destruindo o que estava no caminho, os líderes do MPL rasgaram o que escreveram: “Não escolhemos quem participa dos nossos atos. Não foi o MPL que começou e não conseguimos sequer terminar o nosso ato, pois quando chegamos perto do Largo da Batata fomos atingidos por bombas da polícia”, disse Lucas Monteiro, porta-voz do movimento, ao jornal Folha de S. Paulo. “A depredação não aconteceu durante o protesto, então não cabe ao MPL explicar o motivo”, completou. Uma resposta bastante incoerente para quem reivindicava autonomia para assegurar a segurança do ato.
A passeata desta quinta-feira foi convocada pelo MPL no dia 6 de junho em sua página no Facebook – a ideia de realizá-la já era debatida desde o dia 31 de maio. Nas redes sociais, os vândalos mascarados manifestaram apoio. Ao contrário do que diz o MPL, não era difícil, portanto, prever que o Black Bloc participaria – como ocorreu em todos os atos agendados pelo movimento, independentemente do tamanho do prejuízo causado pelos vândalos.
A PM informou que destacou 500 homens para monitorar a manifestação e posicionou a Tropa de Choque e a Cavalaria para proteger o terminal de ônibus e a estação de metrô Pinheiros, considerados os principais alvos dos baderneiros – e onde o prejuízo ao patrimônio público poderia ser maior. Porém, ao contrário dos atos anteriores, a corporação abriu mão do protocolo eficaz de colocar homens caminhando lado a lado com os manifestantes, em cordões que sufocam atos de vandalismo e facilitam a identificação de quem esconde o rosto para depredar a cidade. Os policiais da chamada “tropa do braço”, praticantes de artes marciais e treinados para conter os vândalos, também não foram escalados. A PM diz que deixou seus homens distantes porque confiou – “e foi traída” – pelo MPL. Os danos causados pelos marginais deixaram claro que a decisão mostrou-se equivocada. Nesta sexta, o governador Geraldo Alckmin afirmou que essa estratégia será revista.
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, foi mais duro: “É inadmissível o acordo que foi feito entre a PM e o MPL. É inaceitável a inércia, houve uma falha no tempo de resposta da PM à ação daquele grupo de vândalos”, disse à Rádio Jovem Pan.
Foi assim também no Rio de Janeiro, onde os laços do MPL e dos Black Blocs se embaraçam com políticos de esquerda, como o deputado Marcelo Freixo (PSOL) e a ativista Sininho. No Rio, na greve do ano passado, o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) resolveu turbinar a repercussão das manifestações de rua com um aval à ação dos mascarados. Os sindicalistas, amparados por quadros do PSOL e do PSTU que se instalaram no comando da entidade, afirmaram publicamente que o Black Bloc era, naquele momento, a “força de defesa” dos professores. Os mascarados entenderam o recado como uma convocação para o quebra-quebra, e assim fizeram. Quando mascarados mataram o cinegrafista Santiago Andrade, não houve professor para amparar a família da vítima.
Em maio deste ano, novamente os professores resolveram fechar o trânsito para um protesto em frente ao Palácio Guanabara, na Rua Pinheiro Machado, uma via importante de ligação do Centro com a Zona Sul da cidade. A manifestação prendeu no trânsito uma ambulância com um paciente em estado grave – como mostrou uma foto publicada pelo jornal O Globo. O protesto não teve quebra-quebra nem bombas de gás. Mas não há como considerar pacífico um ato que deixa ambulâncias presas. No último 12 de junho, quando o Brasil se mobilizava para o início da Copa do Mundo, os protestos estavam programados para ocorrer em várias capitais. No Rio, uma categoria relativamente pequena – os aeroviários – resolveu usar a data simbólica para cobrar atenção para suas reivindicações. Os aeroviários fecharam, então, o acesso ao aeroporto do Galeão. Mais uma vez, não houve quebra-quebra, mas um número incerto de passageiros perdeu voos, compromissos, negócios e pacotes de férias por obra de algumas dezenas de manifestantes.
Os organizadores de protestos de rua em série têm, como ideal, um mundo em que as responsabilidades têm pesos e medidas diferentes. Uma manifestação de rua é, em resumo, um grande evento, com consequências para a cidade e seu entorno. Um ano depois da onda de protestos que chacoalharam o Brasil, qualquer movimento disposto a organizar um ato nas grandes cidades do país pode (e deve) prever que marginais mascarados aparecerão. É uma lamentável rotina que se repete especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde está concentrado o comando do Movimento Passe Livre.
O MPL nega responsabilidade e quer distância quando suas marchas saem do controle. Mas seu silêncio quando os protestos deixam um rastro de destruição parece soar como passe livre para os black blocs.
The Supreme Court Doesn't Understand Software
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Alckmin diz que atuação de ontem da PM não se repetirá. Que bom! Governo existe para cumprir a lei, não para ser simpático a jornalistas de esquerda!
Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, afirmou nesta sexta que a ação da Polícia Militar durante manifestações terá de ser revista. Ótimo! Não sei se a palavra é “revisão”. Sei é que não pode se repetir o que aconteceu ontem — do começo ao fim: do “acordo” feito com o tal Movimento Passe Livre (desde quando essa gente é de confiança?) à entrevista coletiva em que o representante da PM, na prática, se disse traído. Isso não existe.
Não havia nada de errado na forma como a PM — refiro-me à ação da corporação, como conjunto — vinha atuando em São Paulo. Havia casos de excessos aqui e ali? Havia, sim. Como pode acontecer na polícia da Suíça. “Ah, lá, muito menos…” Claro que sim! Basta ver quantas vezes a força policial tem de ser acionada.
A decisão de ontem, creio, deve ter sido motivada pelo spray de pimenta que foi jogado no rosto de um, como direi?, “manifestante” dia desses, depois que estava rendido. Não pode! Que se tente identificar o responsável para punir o desvio. O que não é aceitável é atar a mão dos policiais para ficar “de bem” com “formadores de opinião”.
Sim, a PM enfrenta também a hipocrisia de setores da imprensa — e, pior do que isso, dos simpatizantes de arruaceiros disfarçados de jornalistas. Existem aos montes. Se um “excesso” contra algum patriota do MPL ou dos black blocs tivesse acontecido ontem, hoje, os sites noticiosos estariam coalhados de subpensadores dizendo literatices sub-pós-marxistas… A PM e o governo têm de ignorá-los. Se essa gente tivesse importância, o PSOL e o PSTU seriam os partidos mais importantes do país. Ora vejam… Entre os “coluno-comunistas” chiques, não encontrei até agora ninguém indignado com o quebra-quebra. De algum modo, os “despensadores” da nossa imprensa também acham que depredar “só o patrimônio” é aceitável. Essa gente vota do PT para a esquerda e não tem cura.
Estou sugerindo o quê? “Porrada que dá voto?” Não! Estou sugerindo que se cumpra a lei. E jornalista que não gosta da lei que tenha a coragem de defender a mudança do texto, ora essa, descriminalizando a depredação. Que tal? Quem tem a coragem? A PM e o governo não têm de dar bola a esses covardes.
Os jornalistas e “opinadores” que digam o que quiserem. É o que eu faço, por exemplo. A população espera que aqueles que têm o monopólio do uso legítimo da força a usem. DENTRO DA LEI, REITERO. Se isso provocar alguma dor nos cornos de bandidos — DENTRO DA LEI, INSISTA-SE SEMPRE! — fazer o quê? Os que acham que o próximo passo é a anarquia precisam saber que essa “revolução” vai custar alguma dor, não é mesmo?
Quem quer que tenha tomado, nesta quinta, aquela sequência de decisões na PM — incluindo, certamente, a Secretaria de Segurança Pública — agiu muito mal. Que não se repita! E que o governador cobre a responsabilidade do… responsável! No caso, do secretário Fernando Grella Vieira.
Agora gays podem casar na igreja presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA)
No dia 19 deste mês (Junho de 2014) a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA) aprovou com maioria folgada uma alteração na sua Constituição. Em vez de dizer “o casamento é entre um homem e uma mulher,” a Constituição da PCUSA agora diz “o casamento é entre duas pessoas”. Obviamente, a alteração foi feita para poder acomodar dentro da PCUSA os gays que querem casar na igreja e ter cerimônia religiosa realizada por pastores/pastoras presbiterianos.Ação criminosa dos black blocs do MPL e decisão equivocada da PM resultam na depredação impune de cinco bancos, duas lojas de automóveis e de um carro da imprensa
Pode tudo parecer uma piada, mas é verdade. O Movimento Passe Livre, o MPL, notório por ter dado início, em São Paulo, à onda baderneira que se espalhou pelo país, marcou uma manifestação para esta quinta na cidade para comemorar o aniversário de um ano da redução de tarifa de ônibus e metrô — os vinte centavos, lembram-se? Saldo do evento: cinco agências bancárias, duas lojas de carros de luxo e um veículo da imprensa depredados. Obra dos tais black blocs. O que vai acontecer com eles? Nada! Desta vez, dois equívocos se estreitaram num abraço insano: o da Polícia Militar e, para não variar, o da imprensa. Antes, vejam este vídeo. Volto em seguida.
Voltei
Começo pelo erro que diz respeito à “catchiguria” a que pertenço. Em quase toda parte, desinformam-se os leitores, os internautas, os ouvintes e os telespectadores com a cascata inverídica, intelectualmente vigarista, jornalisticamente falsa, politicamente dolosa, segundo a qual os “black blocs” se infiltraram na manifestação ou dela se aproveitaram. É uma mentira escandalosa! Sejam os “black blocs” um grupo, uma tática ou apenas uma prática, o fato é que não existe distinção entre eles e o MPL.
Em julho do ano passado, quando a primeira manifestação do movimento completou um mês, publiquei aqui uma cronologia dos eventos. Demonstrei, por A mais B, que os três primeiros protestos pela gratuidade da passagem, nos dias 6 e 7 e 11 de junho de 2013, já tinham sido notavelmente violentos, com coquetéis molotov, depredações e um policial quase linchado. Aí veio o grande confronto com a PM no dia 13 de junho, e o país entrou em transe. Delinquentes foram transformados em heróis da resistência.
Assim, desde a primeira hora, a violência é parte da ação desses coxinhas extremistas e desocupados, que inventaram o socialismo da catraca, embora a maioria nunca tenha andado de ônibus na vida.
O outro erro brutal desta quinta foi da Polícia Militar, sem sombra de dúvida — e acho que as explicações dadas até agora são amplamente insuficientes. Em entrevista coletiva, o coronel Leonardo Torres Ribeiro disse que havia 500 homens acompanhando a manifestação — que reuniu 1.300 pessoas (2,68 pessoas por policial!) —, mas que o faziam a distância, respeitando um acordo com o MPL, que havia enviado um ofício ao Comando se responsabilizando pela segurança do protesto, pedindo que não houvesse ação policial. E deu no que deu.
Como? Acordo com o Passe Livre, um movimento que nem tem existência jurídica? Que tipo de entendimento é possível com gente que jamais censurou a ação dos ditos “black blocs”? Ao contrário: sempre que lhes foi dada a oportunidade, os integrantes do MPL falaram genericamente de certo “direito à manifestação” e preferiram atacar a própria polícia.
Não foi diferente desta vez. Um dos porta-vozes da turma, o sr. Lucas Monteiro, de 29 anos — não é, assim, um desses adolescentes rebeldes de manual —, confirmou o pedido, mas diz que o MPL não se responsabiliza por nada. Cinicamente, afirmou que a “depredação não aconteceu durante o protesto e que não cabe ao MPL explicar o motivo”.
Aconteceu em São Paulo rigorosamente aquilo a que se assistiu no Rio durante a greve dos professores. Lá e cá, os mascarados participam da passeata. Tão logo se dá o ato por encerrado, começa a pancadaria. Na capital fluminense, a coisa era tão acintosa que se anunciava no microfone: “Ó, o protesto já acabou, hein?” Era a senha. Começava o quebra-quebra. Mas a nossa imprensa, que não quer ficar de mal com o “espírito das ruas” nem ser malhada nas redes sociais, fica com medinho e mente para o seu público, sustentando que a manifestação era pacífica, mas que acabou sendo infiltrada por vândalos. Talvez acredite que, enganando a si mesma, engana os fatos e muda a verdade.
É claro que os responsáveis pelo quebra-quebra são os dirigentes do MPL, mas quem responde pela demora na repressão aos atos de vandalismo é, infelizmente, a Polícia Militar mesmo. Ou será que o movimento tem uma ficha recomendável para que se celebre com ele um acordo?
Esta imagem, de um policial ferido no dia 11 de junho de 2013, prova que não.
“Pô, Reinaldo, você costuma elogiar a PM…” É verdade. Quando merece. De resto, elogio a polícia que não faz acordos com o MPL, não a que faz. Com criminosos, não se negocia.
Texto publicado originalmente às 5h12
Minha coluna na Folha de hoje: “O Nacional-Socialismo Petista”
Leiam trecho:
Sim, eu estava perplexo com o “Dilma, vai tomate cru”! Pensava: “O que aconteceu com o povo cordial dos que não leram Sérgio Buarque de Holanda e dizem que o nosso povo é cordial?”. Muitos cronistas se arrepiaram de emoção com o hino a capela e de horror com o protesto, especialmente porque quem cantou uma coisa também cantou outra. Deve ser bom se arrepiar por tão tolos motivos… De súbito, apareceu o coro dos Catões dispostos a moralizar a República, rebaixando os torcedores a uma “elite branca sem calo na mão”. Houve até quem pedisse desculpas a Dilma em nome dos brasileiros! Em meu nome? Não endosso xingamentos. Mas eu é que espero que a Soberana se desculpe por ter usado o meu dinheiro para tirar uma casquinha eleitoral da Copa. Ela não tem o direito moral de recorrer à Rede Nacional para não ouvir o Itaquerão.
O PT pode se perder nos fatos, e está perdido, mas sempre se arranja nas versões. Esta semana foi tomada por uma avalanche de notícias assegurando que as vaiais foram excelentes para a presidente porque ela pôde, assim, exercer o poder da vítima. Não é Nietzsche, mas malandragem política. As vaias e os xingamentos teriam servido à estratégia petista de fazer a luta do “nós” (a turma do amor) contra “eles” (a turma do ódio). Então tá!
Se assim é; se, há tempos, os petistas esperavam uma boa notícia para a campanha eleitoral, e se as vaias e os xingamentos ajudaram o PT a encontrar um discurso, o que dizer? Vai ver os companheiros decidiram se comportar como Odorico Paraguaçu, de “O Bem-Amado”, de Dias Gomes. Quando ele queria um pretexto para empastelar o jornal da oposição, mandava pichar na parede: “Odorico é ladrão”. Se as ofensas são um ativo eleitoral, quanto mais, melhor! O PT me obriga a ser binário: então quem vaia vira cabo eleitoral de Dilma. Qual é a razão do chororô?
É evidente que o lado positivo da vaia é cascata. Essa versão é obra de “spin doctors”, cujo trabalho só é efetivo quando conta com a opinião abalizada de “especialistas” e com a sujeição voluntária ou involuntária da imprensa.
(…)
Para ler a íntegra, clique aqui
Mesmo com números erráticos e incoerentes, pesquisa Ibope é péssima para Dilma. Golpe petista da “elite branca” e do ódio de classes dá com os jumentos n’água!
Vejam estes números:
1) No dia 22 de maio, o Ibope divulgou uma pesquisa:
Primeiro turno
Dilma Rousseff – 40%
Aécio Neves – 20%
Eduardo Campos –11%
Segundo turno:
Dilma – 43%
Aécio – 24%
Diferença: 19 pontos percentuais
Dilma – 42%
Campos – 22%
Diferença: 20 pontos
2) No dia 10 de junho — menos de três semanas depois, o Ibope divulgou outra pesquisa:
Primeiro turno
Dilma – 38%
Aécio – 22%
Eduardo Campos – 13%
Segundo turno
Dilma – 42%
Aécio – 33%
Diferença: 9 pontos
Dilma – 41%
Campos – 30%
Diferença: 11 pontos
3) Nesta sexta, nove dias depois, uma terceira pesquisa Ibope:
Primeiro turno
Dilma – 39%
Aécio – 21%
Eduardo Campos – 10%
Segundo turno
Dilma – 43%
Aécio – 30%
Diferença – 13 pontos
Dilma – 43%
Campos – 27%
Diferença: 16 pontos
Então vamos ver
Saiu nesta sexta a terceira pesquisa Ibope em menos de um mês. Como se vê acima, a petista Dilma Rousseff aparece com 39% das intenções de voto, contra 20% do tucano Aécio Neves e 11% de Eduardo Campos, do PSB. Comparados com os dados do levantamento divulgado no dia 22 de maio, tudo permanece no mesmo lugar — apenas Dilma oscilou um ponto para baixo. E o PT precisa desesperadamente da notícia de que a petista parou de cair.
Os números indicam, no entanto, que esse povo estável no primeiro turno pode ser muito instável no segundo. Há um mês, Dilma vencia Aécio por uma diferença de 19 pontos (43% a 24%) e Campos, por 20 (42% a 22%). Dezenove dias depois, o cenário era completamente outro: a diferença para o tucano havia caído 10 pontos (42% a 33%) e, para o peessebista, 11 pontos (41% a 30%). Agora, meros nove dias depois, aumentou: em relação ao senador mineiro, passou a ser de 13 pontos (43% a 30%); em relação ao ex-governador de Pernambuco, de 16 (43% a 27%).
Não quero ser leviano, mas também não posso me furtar a deixar claro o que me incomoda: eu não acredito numa oscilação de 10 ou 11 pontos percentuais em menos de três semanas nem de 4 ou 5 pontos em nove dias. E não me venham com a conversa de que pesquisas distintas não são comparáveis: quando o instituto é o mesmo, são, sim! O que variou entre um Ibope e outro? Só o cliente.
Números ruins
O que é curioso na pesquisa Ibope é que a situação para Dilma teria melhorado um tantinho no segundo turno, embora todo o resto tenha piorado para ela. Dilma é a mais rejeitada dos três principais candidatos: 43% dizem que não votariam nela de jeito nenhum. Afirmam o mesmo sobre Campos 33% dos que responderam a pesquisa, e 32% sobre Aécio.
Pois é… Ainda segundo o Ibope, em março deste ano, 36% aprovavam o governo Dilma, isto é, consideravam-no ótimo ou bom; agora, apenas 31%. O percentual dos que dizem que o governo é ruim ou péssimo saltou de 27% para 33%. Vale dizer: mais gente o reprova do que o aprova. Há mais notícias ruins para o PT: a confiança pessoal na presidente caiu de 48% para 41% no período, e os que não confiam na mandatária passaram de 47% para 52%.
Nas nove áreas avaliadas, mais gente reprova o governo do que aprova. Eis alguns dados:
Saúde – 78% a 19%
Segurança – 75% a 21%
Taxa de juros – 70% a 21%
Educação – 67% a 30%
Combate à fome – 53% a 41%
Combate ao desemprego – 57% a 37%
Mesmo assim, Dilma tinha 40% dos votos em março e, agora, aparece com 39%? Como se diz em Dois Córregos, “não orna”. Para registro: segundo o Datafolha divulgado no dia 6 de junho, Dilma aparece com 34%; Aécio, com 19%, e Campos, com 7%. A diferença entre a petista e o tucano no segundo turno é de 8 pontos (46% a 38%); no confronto com o candidato do PSB, é de 15 (47% a 32%).
Começo a encerrar
Os números, não tem jeito, são ruins para Dilma. E, a estarem certos, evidenciam que a estratégia do PT de transformar Dilma Rousseff em vítima da “elite branca” deu com os burros n’água. Não colou! Até agora, os petistas não encontraram o rumo. O ódio de classes também não está se mostrando eficaz.
Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, afirmou que os protestos no Itaquerão eram culpa minha e de mais oito jornalistas. Os petistas passaram a semana afirmando que as vaias e os xingamentos tinham sido excelentes para Dilma.
Então… A Gangue dos Nove bem que tentou ajudar a presidente Dilma, né? Mas a mulher não colabora!








