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21 Jul 22:23

Foragida, advogada de black blocs pede asilo ao Uruguai

by giinternet

Na VEJA.com:
A advogada Eloisa Samy, de 45 anos, cujo nome integra a lista de 23 denunciados à Justiça por formação de quadrilha armada em processo sobre vandalismo nos protestos no Rio de Janeiro, pediu asilo político ao Uruguai na tarde desta segunda-feira. Eloisa seguiu para o Consulado Geral do Uruguai no Rio de Janeiro, em Botafogo. A Polícia Militar chegou a procurar por ela no local, mas foi orientada a deixar o consulado. Com prisão preventiva decretada, a advogada é considerada foragida da polícia. Também está no local em busca de asilo David Paixão, outro dos procurados.

Eloisa costuma defender manifestantes presos em protestos no Rio. Na denúncia encaminhada à Justiça, o promotor Luís Otávio Lopes diz que ela se aproximou dos outros ativistas como advogada, mas que depois teria participado dos atos violentos, “inclusive passando instruções aos ocasionais participantes, tendo sido vista ordenando o início de atos de violência”. Ela também é acusada de prestar “apoio logístico” ao grupo, “inclusive cedendo sua residência para reuniões”. Ela nega as acusações.

O advogado Rodrigo Mondego, que acompanha o caso, contou que os manifestantes estão tranquilos, almoçaram e estão sendo bem tratados pelos diplomatas uruguaios. “Eles aguardarão no consulado pelo salvo-conduto para ir para o Uruguai”, afirmou Mondego. O Uruguai foi escolhido pelo “histórico de ser um país libertário e pelo presidente (José Mujica) ter sido preso político por mais de uma década”. Cerca de vinte militantes estão em frente ao consulado prestando solidariedade aos ativistas denunciados.

Em vídeo de pouco mais de dois minutos divulgado na internet, ela afirma que é uma “perseguida política”, criminalizada por sua “atuação na defesa por direito de manifestação”. “Jamais cometi qualquer ato que infringisse a lei, mas estou sendo vítima das forças coercivas do Estado exatamente por defender pessoas que se ergueram e foram às ruas para protestar contra as ilegalidades cometidas por ele próprio. Quem atua na ilegalidade é o Estado. A democracia é regra e nos pertence”.

Bombas
Relatório final do inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro que baseou denúncia aponta que os baderneiros planejavam ações com bombas para 13 de julho, data da final da Copa do Mundo no Maracanã. Trechos do documento foram divulgados na edição desta segunda-feira do jornal O Globo.

O inquérito se baseia em informações obtidas a partir do monitoramento de e-mails e telefonemas trocados pelos integrantes do grupo – e revela como os black blocs se organizavam de modo a fabricar e distribuir bombas e outros artefatos com o objetivo de ferir policiais. De acordo com o documento publicado pelo Globo, baderneiros escondiam bombas nos locais onde haveria protestos.

A investigação baseou a denúncia apresentada ao juiz Flávio Itabaiana e resultou na determinação da prisão preventiva dos 23 investigados. Conforme reportagem do site de VEJA, o promotor Luís Otávio Figueira Lopes descreveu que Sininho incitou manifestantes a incendiar o prédio da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, durante a ocupação do local por baderneiros no ano passado – o ato foi impedido por outros participantes do protesto.

Do grupo formalmente acusado neste processo, apenas cinco estavam presos na noite de sexta-feira: três desde o último sábado (Elisa Quadros, Camila Jourdan e Igor D’Icarahy) e dois desde fevereiro (Fábio Raposo e Caio Silva). Outros dezoito são considerados foragidos. Eles são acusados de participar da organização e realização de crimes durante protestos nos últimos meses e de planejar atos violentos para a final da Copa do Mundo no Brasil.

21 Jul 20:08

Why Israel Needs to Finish the Job Now

by David P. Goldman

There will be endless admonitions to Israel from the Obama administration, the United Nations, and so forth, demanding an early end to the Gaza war now underway. Israel’s security needs dictate the opposite: Hamas’ capacity to make war must be crippled.

Tel Aviv last week remained one of the safest cities in the world despite the incessant rocket bombardment. In the bomb shelters at the David Intercontinental, we joked about the lack of drinks and canapes at the hotel’s hastily improvised guest mixers. The cafe terraces were full every night on Dizengoff Street. But complacency on Israel’s part would be misplaced, perhaps even fatal. For the moment Israeli ingenuity has shifted the advantage in rocketry to the defense. That may not be the case for very long. Iron Dome has been extremely effective in containing the damage from a barrage of about 2,000 unguided rockets launched from Gaza. Most of these explode harmlessly in empty areas; the few that fly towards targets of value have been taken down with a 90% successs rate. But the advantage may shift back to the offense some time in the next few years.

Dr. Uzi Rubin, the architect of Israel’s missile defense, warned last January that Iran and Syria already have GPS-guided ballistic missiles. The Jerusalem Post reported:

“This is a strategic threat. Even worse news is coming; ballistic missiles are becoming smart,” he said. In the next five to 10 years, Israel’s enemies will inevitably arm themselves with GPS-guided ballistic missiles such as Scuds, [Rubin] said.

“Perhaps Syria already has this capability,” Rubin said. “This can significantly disrupt Israel’s air power. Israel will of course recover. We are talking about escalating a war to quicken it, and end it within three days. They are talking about doing the same. This threat can degrade the IDF’s ground capabilities” via accurate missile strikes on army mobilization and staging grounds, Rubin warned. “It can paralyze Israel’s war economy. And of course, it can inflict massive casualties. I’m not talking about Dresden, but Coventry, perhaps,” he said, referring to cities bombed in World War II.

Iron Dome can defend successfully against a handful of rockets fired simultaneously in the general direction of Israeli cities. At some point Israel’s enemies will acquire the capability to fire large salvos of precision-guided weapons at key military or civilian targets and overwhelm the existing defenses. GPS-guided rockets are not that difficult to make. Iron Dome gives Israel a respite, not relief in the long term.

21 Jul 17:42

Haddad bate recorde de impopularidade e… tira férias! Faz sentido!

by giinternet
Uma das charges feitas por leitores sobre o Supercoxinha. Esta é de Renato Andrade

Uma das charges feitas por leitores sobre o Supercoxinha. Esta é de Renato Andrade

É… Consta que Lula anda dando umas esfregas em Fernando Haddad, o prefeito de São Paulo. Mas tem gente que é mesmo cabeça dura, né? Vejam que coisa! Na sexta, veio a público a pesquisa Datafolha indicando que ele é um dos três prefeitos mais rejeitados da história de São Paulo desde que existe a avaliação: 47% acham a sua gestão ruim ou péssima, e só 15% a aprovam. Com um ano e meio na administração, só o superaram no quesito negativo Jânio Quadros, com 66%, e Celso Pitta, com 54%. Vale dizer: ainda há espaço para Haddad crescer… para baixo! E ele se esforça para isso.

Eis que a gente fica sabendo que o prefeito tirou… férias! É a segunda vez em um ano e meio de gestão. Em outubro de 2013, com dez meses à frente da Prefeitura, resolveu ir comemorar na Itália os 25 anos de casamento. Entre a Toscana e a Cracolândia, Haddad preferiu a Toscana. Ele pode ser um péssimo prefeito, mas não é por falta de gosto.

Agora, está de férias outra vez. Na volta, promete entrar de cabeça na campanha eleitoral petista, coisa para a qual os adversários de seu partido estão torcendo fervorosamente. Ninguém sabe para onde ele foi, e a assessoria não informou. O Diário Oficial do Município nada informa a respeito. Nádia Campeão, a vice, está no comando da Prefeitura e não sabe até quando fica.

Haddad gosta de ficar longe dos problemas da cidade, o que eu, particularmente, até acho bom. Se ele estiver perto, parece-me mais perigoso. Há o risco de tudo piorar. Pois bem: no dia 25 de abril de 2013, por exemplo, ele estava na capital da Argentina para receber o título de Cidadão de Buenos Aires. Que bom! Naquele mesmo dia, o SPTV informava que São Paulo havia batido o recorde de casos de dengue.

Vamos deixar Haddad de férias. Se preciso, até o fim do mandato. Pensem bem: longe da Prefeitura, ele para de ter ideias. Há gente que rende o dobro quando trabalha a metade. No dia em que o prefeito realmente não fizer nada, pode até render o quádruplo…

21 Jul 14:14

Dilma também sofre uma goleada de 7 a 1: 7% de inflação X 1% de crescimento!

by giinternet

Ainda repercute nas redes sociais aquela frase realmente oportuna da presidente Dilma Rousseff, segundo quem o seu “governo era padrão Felipão”, lembram-se? Ela pode não ser muito boa nessa coisa de governo — a cada dia, vamos ser sinceros, ela se revela pior. Mas não podemos lhe negar os dons premonitórios. Dilma também vai encerrar o mandato com o seu 7 a 1: 7% de inflação contra 1% de crescimento! “Ah, você arredondou para cima: a inflação; talvez fique um pouquinho menor!”. Pois é. Muito provavelmente, eu arredondei pra cima também o crescimento…

É claro que não sou besta de tomar o que se diz aqui e ali hoje como antecipação das urnas. Mas não é possível que eu esteja vivendo numa bolha. Hoje em dia, ando bastante por aí, falo com muita gente, ouço o que se diz na rua… Há uma óbvia, quase palpável, sensação de saco cheio no ar. Se essa tendência muda ou não com a campanha eleitoral, aí, meus caros, não posso prever. Que o encanto se quebrou, disso não se duvide!

Sob pressão, o PT tem cometido mais erros táticos — e até estratégicos — do que o habitual. Até agora, fico cá a me perguntar que espírito asnal soprou aos ouvidos dos petistas que deveriam atribuir à “elite branca paulista” o descontentamento com a presidente Dilma. Se, até outro dia, essa criminalização dos adversários — e da “classe média”, que Marilena Chaui odeia — parecia funcionar, convenham, hoje, ela roda no vazio. E chega a soar ridícula.

Não sei se os “companheiros” ainda vão se encontrar. Hoje, é fato, eles estão bastante perdidos e se dividem sobre as escolhas. Há quem queira, como Franklin Martins, fiel a uma tradição, a guerra sangrenta, o confronto, a luta feroz entre “Nós” (eles) e “Eles” (nós). Há quem já tenha percebido que essa é uma gesta que ficou no passado. Até o furor fascistoide precisa acenar com alguns amanhãs sorridentes, por mais fantasiosos que sejam. Quais são os do PT? Lula acha que vai, por exemplo, produzir algum efeito eleitoral significativo em São Paulo desferindo grosserias, como fez, contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB)? A economia da resposta, diga-se, só tornou o ataque ainda mais grotesco.

Sim, os petistas, Lula, Dilma e a turma toda contavam com um título da Copa para aniquilar os adversários, varrê-los do mapa eleitoral, quem sabe… Convenham: essa gente nunca fez profissão de fé na capacidade de discernimento da população; sempre a considerou moldável, manipulável, bronca… A vitória não veio. Mas tenho pra mim que, ainda que tivesse vindo, o efeito eleitoral seria desprezível, marginal.

Afinal, a rejeição crescente a Dilma nada tem a ver com os 7 a 1 contra a Alemanha. Tem a ver com os 7% a 1% contra o nosso futuro.

21 Jul 14:13

Israel tem maior perda de soldados num dia desde a Guerra do Líbano, em 2006. E a máquina de propaganda do Hamas

by giinternet

Cresce a pressão internacional por um cessar-fogo entre as forças israelenses e a do Hamas. Tanto o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, como o Conselho de Segurança da ONU pediram o fim imediato das hostilidades. O domingo foi sangrento. Treze soldados israelenses de uma unidade de elite morreram numa emboscada — são 14 os militares mortos, e havia 53 feridos até a madrugada de hoje. Entre os palestinos, os mortos já seriam mais de 400. Mas atenção! Numa outra guerra, esta para ganhar a opinião pública, o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, não distingue as vítimas civis de seus militantes, que são também militares. Assim, todas as baixas havidas entre palestinos entram na conta de “civis mortos”. Cessar-fogo?

Escrevi aqui no fim de semana que o Hamas não tinha deixado a Israel outra saída que não a ação terrestre, o que o país hesitou em fazer – basta recuperar o noticiário – porque sabia que teria, como está tendo, as suas baixas. Desde a guerra do Líbano, em 2006, as forças israelenses não perdem tantos soldados num único dia. Para se ter uma ideia: em 2008, na Operação Chumbo Fundido, em Gaza, morreram 11 soldados em 22 dias. Isso indica um fato óbvio: o Hamas está aprimorando as suas táticas de guerra, melhorando o seu armamento e se tornando, a cada dia, um inimigo mais poderoso. Que caminho resta a Israel?

O Hamas recusou duas propostas de cessar-fogo: a do Egito, e a humanitária, da ONU. E repete o seu espetáculo macabro de sempre. A imprensa internacional, majoritariamente anti-Israel — e isto é apenas um fato, não questão de gosto —, se satisfaz em fazer a contabilidade dos mortos para decidir quem é a vítima e quem é o algoz; quem está certo e quem está errado. E uma guerra dessa natureza, infelizmente, envolve um pouco mais do que isso.

Qual é o preço do Hamas para parar com o seu foguetório contra Israel? A sua pauta é extensa — na verdade, a sua pauta é finalista: os terroristas querem o que chamam de “Palestina” (o que inclui o território israelense) para os palestinos, eliminando da região o que chamam de “inimigo sionista”. Não sou eu quem está dizendo. É o que consta de seus estatutos.

Não! Não estou aqui a defender que Israel saia atacando tudo o que se move, sem quaisquer outras considerações. E isso não está sendo feito, ou haveria mais mortos. Mas é o Hamas quem admite — como já demonstrei aqui — que recorre, sim, à tática dos escudos humanos, empilhando corpos para, com eles, fertilizar a sua causa.

Obama telefonou neste domingo para Benyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, condenou os ataques do Hamas, reconheceu o direito que tem o país de se defender, expressando a sua preocupação com o crescente número de vítimas civis e também com a morte dos soldados israelenses. É preciso que se tenha claro: para os comandantes de um dos lados da guerra, a morte dos seus é uma tragédia; para os comandantes do outro, uma solução.

21 Jul 14:12

Área em que se construiu aeroporto já tinha sido desapropriada

by giinternet

Foi construído em 2010 um pequeno aeroporto em Cláudio, em Minas, aproveitando uma antiga pista de pouso que havia no local. Das duas informações, só uma pode ser verdadeira: ou a obra foi feita num terreno particular ou num terreno público. Muito bem: o terreno em que fica o aeroporto foi desapropriado em 2008, como se constata por este documento:

Desapropriação

Logo, a área em que fica o aeroporto já não pertencia mais a um tio-avô do presidenciável Aécio Neves, como se pretende. Alguém pode até contestar se a obra ali era ou não necessária, mas o fato é que a área já era pública. Não parece, de resto, que os antigos proprietários tenham gostado tanto assim da obra, tanto é que contestam na Justiça o ato do governo do Estado.

Por lei, todos os aeroportos do país pertencem à União, que pode conceder a exploração a terceiros. No dia 23 de abril de 2008, o Diário Oficial da União publicou a concessão que a União fez ao governo do Estado, como se vê abaixo.

DO 23 de abril 2014

E por que a chave está com os antigos donos da área? Muito provavelmente porque a questão ainda está sub judice. Os proprietários recorreram contra a decisão do Estado.

A reportagem sobre a construção foi publicada pela Folha neste domingo. Numa “Nota de Esclarecimento”, afirma a coligação “Muda Brasil”:
“É também lamentável que a reportagem não tenha registrado que aeroportos locais (que não possuem voos comerciais) ou pistas de pouso fechadas são prática comum em aeroportos públicos, no interior do país, como forma de evitar invasões e danos na pista que possam oferecer riscos à segurança dos usuários. Ao ignorar esse fato, a reportagem deu a entender que o acesso à pista, feito de forma controlada no município de Cláudio, constitui algum tipo de exceção.”

A nota informa ainda que “a documentação para homologação do aeroporto foi enviada à Anac em 22 de julho de 2011 (ver documento abaixo)” e que, “assim como vários outros aeroportos no Estado, aguarda a conclusão do processo.”

homologação

21 Jul 14:12

Black blocs e seus amiguinhos – Juiz e desembargador do TJ-RJ estão de parabéns por não se deixar intimidar por patrulha baguncista de deputados, setores da imprensa e advogados do caos. Cana na turma!

by giinternet
Eiza, a tal Sininho: segundo MP, ela e sua turma queriam apenas pôr fogo na Câmara dos Vereadores...

Eiza, a tal Sininho: segundo MP, ela e sua turma queriam apenas pôr fogo na Câmara dos Vereadores…

O desembargador Flávio Marcelo de Azevedo Horta Fernandes, do Tribunal de Justiça do Rio, negou os respectivos pedidos de habeas corpus de 23 pessoas acusadas de envolvimento em atos violentos em protestos. Dezoito se encontram foragidos. Entre os presos, estão Eliza Quadros, a tal Sininho; Camila Jourdan, professora de filosofia da Uerj (!!!), e seu namorado, Igor D’Icarahy — cujo pai é advogado, papa-fina. Além de negar o pedido, Horta Fernandes repudiou os termos ofensivos empregados pela defesa dos acusados, que classificou o magistrado Flávio Itabaiana, que acolheu a denúncia do Ministério Público e determinou a prisão preventiva dos 23 acusados, de “juiz prepotente” e “espírito de carcereiro”.

Escrevi neste domingo de manhã a respeito, bem antes da decisão da Justiça:
“Não há forma mais perversa de criminalizar a liberdade de expressão e de manifestação do que confundi-la com banditismo. Durante um bom tempo, o país viveu uma espécie de apagão legal, com um governo incapaz de cumprir uma de suas funções — que é a garantia da lei e da ordem democráticas, conforme exige a Constituição — e uma imprensa que passou a fazer profissão de fé na baderna, como se estivéssemos diante de um quadro em que a sociedade está sendo esmagada pelo estado, sem canais para expressar o seu descontentamento que não a violência.
A Polícia, o Ministério Público e a Justiça resolveram, depois de uma fase de espantoso entorpecimento, agir contra os vândalos da ordem democrática. Espero que, num futuro nem tão distante, ainda venhamos a refletir sobre estes dias e perguntar como foi possível ter tanta tolerância com a violência, com a truculência, com a determinação escancarada de violar princípios elementares da civilidade. E foi precisamente isso que fizeram os black blocs e alguns ditos “líderes” de manifestações que agora tiveram a prisão preventiva decretada.
Compreendo que o papel dos advogados seja, afinal, advogar… Não questiono a legitimidade de sua tarefa, um dos pilares do Estado de Direito. Mas essa mesma ordem, que defendo de modo incondicional, me permite escarnecer dos argumentos de alguns doutores. No terreno do pensamento, seria mais decente e lógico que buscassem sustentar a legitimidade, nunca a legalidade!, da violência a que aderiram seus clientes — por absurdo que pareça — do que apelar, para defendê-los, aos fundamentos do tal Estado de Direito. A razão é simples: aquela gente só partiu para a ação direta, para o quebra-quebra, para a pauleira, porque não acreditava, e não acredita, nas garantias e nos valores com os quais tenta agora se defender.”

Confusão nefasta
O juiz também está sendo severamente atacado por três parlamentares do PSOL — Chico Alencar, Jean Wyllys e Ivan Valente — e por Jandira Feghali, do PCdoB. Exceção feita a Valente, que é paulista, são todos do Rio. A reação dos psolistas é compreensível: seu partido é, hoje, o mais próximo dos black blocs. Não se esqueçam a quem apelou Sininho quando um dos assassinos do cinegrafista Santiago Andrade foi preso: o deputado estadual Marcelo Freixo. Não custa lembrar: o partido comanda o Sindicato dos Professores do Rio, por exemplo, que chegou a emitir uma nota pública admitindo e exaltando a parceria com os blac blocs. É claro que esses quatro deputados deveriam ter vergonha do que fazem. Mas eles não têm — e isso não me surpreende.

A denúncia
O Fantástico teve acesso à denúncia oferecida pelo Ministério Público. Informa a reportagem:
De acordo com a denúncia, o Movimento Frente Independente Popular estabeleceu, em reuniões fechadas, que o protesto pacífico não seria meio hábil para alcançar os objetivos dos grupos. E decidiu que deveria ser incentivada a prática de ações violentas no momento das manifestações, tais como a depredação de bancos, de estabelecimentos comerciais e o ataque a ônibus e viaturas policiais. Segundo o promotor de justiça Luis Otávio Figueira Lopes, a denunciada Elisa de Quadros Pinto Sanzi, conhecida como Sininho pode ser identificada como uma das principais lideranças da frente.
A ocupação da Câmara Municipal por manifestantes, em agosto do ano passado, poderia ter tido consequências mais graves. Segundo a denúncia, havia um plano para incendiar a sede do poder legislativo do Rio. A denúncia afirma que Elisa foi vista comandando manifestantes, no sentido de carregarem três galões de gasolina para a Câmara Municipal, passando a incitar os demais manifestantes a incendiar o prédio. O objetivo, segundo a denúncia, não foi alcançado em razão da intervenção de outros participantes dos atos, fatos apontados no depoimento de uma testemunha, que teve a identidade preservada pelo Ministério Público.
Escutas telefônicas feitas com autorização da Justiça revelaram que Camila Jourdan, professora de filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, participava da elaboração dos artefatos e da distribuição deles para os black blocs. A denúncia afirma também que menores de idade dos participaram de atos violentos. Nos autos do processo, um adolescente teria afirmado ter a intenção de matar um policial nos protestos contra a Copa do Mundo.

Concluo
Só há uma maneira aceitável de apresentar demandas na ordem democrática: de acordo com o aceitável na… ordem democrática!!! Tautológico? Esse é o regime em que nem tudo é permitido. Aquele em que tudo pode é a tirania — para os amigos dos tiranos aos menos. O Brasil inventou uma certa “aristocracia do ativismo, esse nome cretino! Se o sujeito se diz “ativista”, nada lhe é proibido. Uma ova! Eu, particularmente, não reconheço a existência dessa categoria e sempre pergunto: o contrário de um “ativista” é o quê? Um passivista??? Tenham paciência!

Parabéns ao Ministério Público, ao juiz e ao desembargador por terem decidido ser ativistas das leis.

21 Jul 14:12

E Dunga, o coleguinha de camarote VIP que faz Dilma rir até as lágrimas, é mesmo o novo técnico da Seleção

by giinternet

Bem, era mesmo tudo verdade: Dunga é o novo técnico da Seleção Brasileira. Escrevi na sexta-feira o que penso a respeito. É o triunfo do atraso, da tacanhice e da melancolia ranheta. Reproduzo em azul um trecho daquele post e avanço:

Olhem aqui: disciplina é, sim, muito importante. Mas é bom não confundi-la com moralismo tosco. Recomendo mais uma vez uma reportagem da revista alemã “Der Spiegel” sobre o sucesso do futebol alemão. É o anti-Dunga. Em vez de um choque de testosterona bronca, de manual, o futebol alemão recebeu um choque de competência e planejamento. A revista até brinca, afirmando que os jogadores, hoje, são um pouco mais “feminis” do que os antigos “machos Alfa”. Em vez de um comandante esporrento, os alemães preferiram enviar seus técnicos para outros países, como Espanha, França e Itália, para ver como se jogava no resto do mundo.

Não que fosse um futebol malsucedido no mundo quando se tomou essa decisão: eles já eram tricampeões mundiais — agora são tetra. Os alemães que vocês viram no Brasil, interagindo com a população da Bahia, enviando mensagens em português aos brasileiros no Twitter, sorridentes, “moleques”… Tudo isso era parte de um planejamento também de marketing.

Dunga é a contramão da modernidade; é o atraso orgulhoso, machão e, lamento, meio abestado. Pode ganhar ou pode perder a próxima Copa. Só não conseguirá fazer o futebol avançar. Quando o atraso ganha, diga-se, em certo sentido, é pior. A propósito: depois que ele deixou a Seleção, qual é seu currículo para merecer tal galardão?

Sim, a escolha também dá conta da ruindade da CBF. Vejam que coisa: a confederação chegou a flertar com um técnico estrangeiro e acabou escolhendo… Dunga! É o triunfo da falta de rumo e da… caipirice existencial.
(…)

Retomo
Nesse post, recupero a trajetória que levou, no passado, à ascensão e queda de Dunga. De certo modo, faz-se o mesmo agora. Neymar concedeu uma entrevista no Fantástico deste domingo. É só um garoto cuidadoso, da elite do futebol mundial, que já sabe como se faz profissionalmente esse trabalho. Não atacou Felipão, é claro! Mas também não defendeu. Reconheceu que o futebol brasileiro está atrasado. Indagado sobre o que estava errado, ele silenciou, mas deixou claro com suas não palavras: a técnica — ou, mais precisamente, os técnicos.

Foi explícito numa coisa: os jogadores eram aqueles, sim. Não havia muita variação. Então onde estava o erro? Que pergunta! A CBF é mesmo um encanto. Juntou dois ganhadores de Copa do Mundo em 2010 para ver no que dava: derrota. Juntou dois campeões de Copa do Mundo em 2014 para ver no que dava: derrota. Agora resolveu chamar um derrotado para tentar fabricar a vitória. Na enquete do programa da Globo, 85% dos que se manifestaram reprovaram a escolha.

Então vamos lá… Dunga estreia na sua nova função com um grande ativo. Não se tem notícia de que ele tenha feito alguém chorar de rir antes. Na final da Copa, no jogo entre Alemanha e Argentina, o técnico levou a nossa presidente às lágrimas ao afirmar que estava torcendo para que ninguém ganhasse. Ela achou a tirada inteligente e caiu na gargalhada.

 

21 Jul 01:28

Rubem Alves: Lembranças pouco agradáveis

by Solano Portela

Patrulhamento teológico, ou responsabilidade cristã?

Ensaio a propósito do falecimento do escritor Rubem Alves (1934-2014)
Rubem Alves (Foto: Instituto Rubem Alves)

“... exortando-vos a batalhardes diligentemente pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”. Judas 1.3

Vivemos em meio a heresias e distorções do cristianismo histórico, e somos impelidos, pela própria Bíblia a, repetidamente, reafirmar os ensinamentos das Escrituras. É verdade que por vezes cansamos e chegamos a duvidar se vale a pena gastar tempo em tanta discussão. Alguns críticos, neste nosso blog, várias vezes aventaram se não estávamos forçando um pouco a barra em cima dos liberais. Deveríamos falar de outras coisas; de pontos mais positivos. 

É verdade que ninguém gosta muito de controvérsia. Apesar de umas poucas pessoas darem a impressão de serem alimentadas por dissonâncias de opiniões, a grande maioria, principalmente do Povo de Deus, procura a concórdia e a harmonia. Não nos sentimos bem discutindo questões a toda hora e isso é um reflexo de que Deus nos tem chamado “à paz” (1 Co 7.15). No entanto existe “paz” que pode ser enganosa, superficial e até mortal. Controvérsias doutrinárias, por mais desagradáveis que sejam, ocorrem no seio da igreja. Muitas vezes somos sugados a uma batalha que não nos alegra, nem representa o nosso desejo. Estas ocorrem na época e na providência divina, exatamente para nos testar, para que o nosso testemunho possa ser renovado, para que aqueles que introduzem falsos ensinamentos sejam revelados e identificados na igreja visível. A história já provou como a doutrina verdadeira é depurada, triunfa e é cristalizada e esclarecida às gerações futuras, no cadinho da controvérsia.

Como bem indica Judas 1.3 (acima), esta é uma luta não só de especialistas ou de algum "clero especializado, mas de todos nós. Temos que ter a consciência de que vivemos uma batalha na qual nossas mentes e corações são testados pelas mais diferentes correntes de pensamento. Ela é vencida quando brandimos a Espada do Espírito – a Palavra de Deus; quando nos empenhamos no estudo das Escrituras e enraizamos suas doutrinas nas nossas vidas, de tal forma que vamos ficando equipados a reconhecer o erro e seus propagadores. Sempre mantendo uma postura cristã no trato, devemos ter firmeza doutrinária sobre o que cremos, principalmente porque existem aqueles que não possuem o mínimo apreço pela Bíblia, mas sorrateiramente possuem seguidores em nossos arraiais.

Um grande exemplo claro disso foram os convites que eram feitos ao famoso educador, escritor e ex-pastor Rubem Alves para conferências e palestras em igrejas presbiterianas, nos no início deste século (>2000). Ele estava sendo convidado, apresentado e reverenciado em certos círculos presbiterianos e isso motivou até uma decisão do concílio maior da igreja - para que ele não tivesse a plataforma eclesiástica, contra a qual havia se pronunciado e se insurgido em tantas ocasiões. Agora, com o seu falecimento neste dia 19 de julho de 2014, ressurgem pronunciamentos enaltecendo não apenas as qualificações literárias do falecido, mas também a presença de um suposto espírito cristão elevado e uma mensagem essencialmente cristã em suas palavras e textos.

Ora, ninguém disputa as grandes qualificações acadêmicas e o enorme talento que o Sr. Rubem Alves possuiu. Ele encantou multidões, principalmente educadores, com suas palestras e livros de histórias. No entanto, como desconhecer que foi uma pessoa que abjurou publicamente da fé? Como ignorar que ele, tanto explicitamente como nas entrelinhas, propagou uma mensagem destrutiva contra os ensinamentos da Palavra de Deus? Se a situação de tietagem teológica equivocada estava se alastrando a um ponto em que o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, definiu explicitamente que ele não deveria ocupar púlpitos da denominação, será que com a sua morte haverá o esquecimento disso e caminhamos para uma quase "canonização" protestante? É claro que o seu nome é alvo da abordagem politicamente correta que, em ocasiões do falecimento, oblitera as falhas e exalta as virtudes, mas o problema é que essa visão enaltece pronunciamentos metafísicos do Rubem Alves, que são letais para a alma. Não podemos passar às gerações à frente a ideia de que tombou no campo de batalha um grande general, ou mesmo soldado, cristão, que foi injustiçado ou incompreendido em suas proposições.

Se você duvida da propriedade dessa análise (ou até da decisão conciliar da Igreja Presbiteriana), veja algumas frases que Rubem Alves proferiu, em 2003, em uma igreja presbiteriana do Rio de Janeiro que o havia convidado para uma cerimônia (pasmem!) de comemoração da Reforma do Século 16 – logo ele, que é contra tudo o que os reformadores ensinaram. Disse ele: “... Deus criou o homem e viu que era bom. Ser homem deve ser, na realidade, melhor do que ser Deus tanto que Deus se encarnou como homem. Somente um Deus cruel e sádico enviaria seu próprio filho para morrer daquela forma para pagar os pecados humanos. Essa ideia é construção do medievalismo. Acho que Deus quis ser homem porque ser homem deve ser melhor do que ser Deus”.

Acho que dá para entender por que não podemos deixar passar esse resgate de sua biografia em branco. Faz parte do "batalhar pela fé". Deus é todo-poderoso e não precisa de nós para cumprir seus propósitos. Na realidade, é o próprio Cristo que nos ensina que “as portas do inferno” não prevalecerão sobre a sua igreja. No entanto, é a sua Palavra que nos comissiona a vigiar e orar; a estarmos alerta porque Satanás está nos rodeando, almejando a nossa queda. Que Deus nos capacite e nos dê discernimento sobre a multidão de ensinamentos falsos que estão infiltrados no meio dos evangélicos pela ação dos falsos mestres. Rubem Alves pode ser lembrado como um grande escritor e exímio contador de estórias, mas nunca como um teólogo, ou como alguém que tinha uma mensagem verdadeira das coisas espirituais.
21 Jul 01:26

O PT e o futuro — Parece que a população está cansada do ódio como exercício da política e da política como exercício do ódio! Fala, Marilena Chaui!!!

by giinternet

Ai, ai… Vocês se lembram deste vídeo, não é mesmo?

Então… A petista com fama de filósofa protagonizou esse espetáculo grotesco no dia 14 de maio do ano passado. Em menos de um mês, teriam início as tais jornadas de junho. Em março, o Datafolha havia publicado uma pesquisa segundo a qual 65% achavam o governo ótimo ou bom. Para 27%, era regular. E apenas 7% o consideravam ruim ou péssimo. O petismo vivia, então, o auge do delírio de poder. E já fazia planos para, como dizer?, eliminar de vez a oposição no país. Nas redes sociais, a patrulha fascistoide assumia violência retórica inédita.

Deu-se, então, esse evento no Centro Cultural São Paulo. O que se comemorava lá? Relembro trecho de um texto que publiquei no dia 17 de maio de 2013 (em azul). Volto em seguida:

O sociólogo Emir Sader, emérito torturador da língua portuguesa, é organizador de um livro de artigos intitulado “10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma”. Não li os textos, de vários autores (dados alguns nomes, presumo o que vai lá). O título é coisa de beócios. Para que pudesse haver esse “depois”, forçoso seria que tivesse havido o “antes”. Como jamais houve liberalismo propriamente dito no país — o “neoliberalismo” é apenas uma tolice teórica, que nunca teve existência real —, a, digamos assim, “obra” já nasce de uma empulhação intelectual. Pode até ser que haja no miolo, o que duvido, um artigo ou outro que juntem lé com lé, cré com cré, o que não altera a natureza do trabalho. Quem foi neoliberal? Fernando Henrique? Porque privatizou meia dúzia de estatais? A privatização de aeroportos e estradas promovida por Dilma Rousseff — e ela o fez mal e tardiamente — é o quê? Expressão do socialismo? Do “neonacional-desenvolvimentismo”? Sader se orienta no mundo das ideias com a mesma elegância com que se ocupa da sintaxe, da ortografia e do estilo.

Na terça-feira passada, um evento no Centro Cultural São Paulo marcou o lançamento do livro. Luiz Inácio Lula da Silva (quando Sader está no mesmo texto, eu me nego a chamar Lula de “apedeuta”!) e Marilena Chaui estavam lá para debater a obra. Foi nesse encontro que a professora de filosofia da USP mergulhou, sem medo de ser e de parecer ridícula, na vigarice intelectual, na empulhação e na pilantragem teórica. Se eu não achasse que estamos diante de um caráter típico, seria tentado a tipificar uma patologia.

Retomo
O ex-presidente Lula, como vocês viram, aplaudiu. Este fim de semana trouxe uma série de pesquisas devastadoras para o PT. O governo é considerado ruim ou péssimo por 29% dos brasileiros, tecnicamente empatados com os apenas 32% que o veem como ótimo ou bom. Para 38%, é apenas regular. No segundo turno, Dilma já está em empate técnico com o tucano Aécio Neves. É também a candidata mais rejeitada: 35%.  A gestão de Fernando Haddad é reprovada por 47% dos paulistanos, e o candidato do partido ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, aparece com 4% dos votos. O tucano Geraldo Alckmin se reelegeria com 54% dos votos, e sua gestão é vista como ótima ou boa por 46% dos paulistas — só 14% a reprovam. Para a vaga no Senado, José Serra está na liderança.

Em desespero, Lula distribui broncas.

É isso aí. Que fique, mais uma vez, o registro da fala daquela senhora, aplaudida pelo chefão petista:
“É porque eu odeio a classe média. A classe média é um atraso de vida. A classe média é a estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista. É uma coisa fora do comum a classe média (…) A classe média é a uma abominação política porque ela é fascista. Ela é uma abominação ética porque ela é violenta. E ela é uma abominação cognitiva porque ela é ignorante”.

Parece ser crescente o número de pessoas que rejeitam o ódio como exercício da política e a política como exercício do ódio.

21 Jul 01:26

Cadeia para a canalha black bloc e suas fadinhas e duendes de fachada!

by giinternet

Não há forma mais perversa de criminalizar a liberdade de expressão e de manifestação do que confundi-la com banditismo. Durante um bom tempo, o país viveu uma espécie de apagão legal, com um governo incapaz de cumprir uma de suas funções — que é a garantia da lei e da ordem democráticas, conforme exige a Constituição — e uma imprensa que passou a fazer profissão de fé na baderna, como se estivéssemos diante de um quadro em que a sociedade está sendo esmagada pelo estado, sem canais para expressar o seu descontentamento que não a violência.

Escrevi aqui em junho e nos meses seguintes: o Brasil não era o Egito. O Brasil não era a Líbia. O Brasil não era nem mesmo a Turquia. O primeiro país passou, tudo bem pesado, por três golpes. O segundo está sendo governado por milícias terroristas. O terceiro vive uma luta intestina entre a democracia como um valor laico, que não repudia a religião, e a religião que se pretende expressão da maioria e que repudia a… democracia.

A Polícia, o Ministério Público e a Justiça resolveram, depois de uma fase de espantoso entorpecimento, agir contra os vândalos da ordem democrática. Espero que, num futuro nem tão distante, ainda venhamos a refletir sobre estes dias e perguntar como foi possível ter tanta tolerância com a violência, com a truculência, com a determinação escancarada de violar princípios elementares da civilidade. E foi precisamente isso que fizeram os black blocs e alguns ditos “líderes” de manifestações que agora tiveram a prisão preventiva decretada.

Compreendo que o papel dos advogados seja, afinal, advogar… Não questiono a legitimidade de sua tarefa, um dos pilares do Estado de Direito. Mas essa mesma ordem, que defendo de modo incondicional, me permite escarnecer dos argumentos de alguns doutores. No terreno do pensamento, seria mais decente e lógico que buscassem sustentar a legitimidade, nunca a legalidade!, da violência a que aderiram seus clientes — por absurdo que pareça — do que apelar, para defendê-los, aos fundamentos do tal Estado de Direito. A razão é simples: aquela gente só partiu para a ação direta, para o quebra-quebra, para a pauleira, porque não acreditava, e não acredita, nas garantias e nos valores com os quais tenta agora se defender.

Se a polícia, como diziam e dizem esses valentes, é só a expressão armada de um estado autoritário e fascista; se a Justiça já não serve de espaço de arbitragem de demandas; se os Poderes instituídos, enfim, existem para esmagar o que consideram ser a sua liberdade, que sentido faz pedir que os supostos algozes compreendam as razões de suas supostas vítimas?

Nessa hora, um apressadinho já se ajeita na cadeira: “Ah, então os perseguidos políticos nas ditaduras não deveriam nem mesmo ter um advogado, porque estariam fazendo justamente o que você diz: apelando a uma instância cuja legitimidade questionam…”. Pois é: chegamos ao busílis da coisa, ao cerne da questão: vivemos num regime democrático, não numa tirania.

Esse regime tem muitas imperfeições e vive sendo ameaçado por correntes autoritárias. Mas ainda estamos numa democracia, sim, e a Constituição e as leis que estão em vigor foram pactuadas.  Num estado discricionário, quando o advogado de um inimigo do poder apela à Corte, ele dá a sua contribuição pessoal para denunciar o regime. A democracia, que os baderneiros tomam como falácia, é de tal sorte tolerante que lhes permite apelar em nome dos fundamentos nos quais eles próprios não acreditam.

Comprovadas as culpas dos que estão presos — e espero que os foragidos sejam logo capturados —, resta à ordem democrática brasileira provar a esses valentes que este é o regime em que é proibido bater, quebrar, depredar, incendiar e… matar. E que seu lugar é a cadeia. Não necessariamente para que aprendam alguma coisa. Mas para que saibam que nós aprendemos.

19 Jul 20:48

UPDATE 16 (8/3): Hypocrisy and the Oldest Acceptable Hatred

by noreply@blogger.com (Fabian Pascal)


If you have problems with my facts and logic  and want your comments published and addressed, you are requested to do two things:
  • Show my facts to be false; or that, if they are true, my conclusions do not follow from them;
  • Stand behind your convictions by name, just like I do.
Otherwise you are (1) grinding water and (2) don't deserve attention.

Whenever I hear Western Leaders Who Demand Restraint and "proportionate" response by Israel to Arab genocidal terrorism, I think of Dresden, Hiroshima, Nagasaki, Algeria, Vietnam, Iraq, Afghanistan and Pakistan. In face of demands that Israel return the so-called "occupied Palestinian land", I say that Israel will do it if and when US return their land to its natives. Nobody can hold a candle to Israel on morality (Moral clarity in Gaza) and morality is not a suicide pact!

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19 Jul 15:56

US Senator Blasts Microsoft's H-1B Push As It Lays 18,000 Off Workers

by Unknown Lamer
dcblogs (1096431) writes On the floor of U.S. Senate Thursday, Sen. Jeff Sessions delivered a scalding and sarcastic attack on the use of highly skilled foreign workers by U.S. corporations that was heavily aimed at Microsoft, a chief supporter of the practice. Sessions' speech began as a rebuttal to a recent New York Times op-ed column by Microsoft founder Bill Gates, investor Warren Buffett and Sheldon Adelson ... But the senator's attack on "three of our greatest masters of the universe," and "super billionaires," was clearly primed by Microsoft's announcement, also on Thursday, that it was laying off 18,000 employees. "What did we see in the newspaper today?" said Sessions, "News from Microsoft. Was it that they are having to raise wages to try to get enough good, quality engineers to do the work? Are they expanding or are they hiring? No, that is not what the news was, unfortunately. Not at all."

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19 Jul 15:56

Rejeição a Dilma em São Paulo é de 47%; no Estado, Aécio a vence no 2º turno por 50% a 31%; PT decide se colar a movimentos sociais para tentar reverter desvantagem. Grande ideia! Vá fundo!

by giinternet

Ainda voltarei ao tema — e vai me tomar um tempinho —, mas o fato é que foi em São Paulo que tudo começou. Foi neste Estado, especialmente na capital, que alguns aprendizes de feiticeiro do Planalto — entre eles, José Eduardo Cardozo e Gilberto Carvalho — resolveram brincar de insuflar a desordem. A ideia era botar Geraldo Alckmin na frigideira. Deram-se mal. Muito mal. Mas este post vai cuidar de outro assunto. São Paulo decidiu ver quem sobe e desce a rampa. E boa parte do eleitorado não quer saber de Dilma Rousseff, o que está deixando os petistas em pânico. Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, 47% dos eleitores do Estado não votariam nela de jeito nenhum — a sua taxa de rejeição no país é de 35%, a mais alta entre os presidenciáveis. O busílis é que São Paulo, sozinho, concentra 22,4% do eleitorado. A exemplo de Lênin, os petistas estão tentando descobrir o que fazer. E andam tendo ideias esquisitas. Mas não serei eu a tentar convencê-los do contrário.

A situação para a presidente no Estado é dramática. No primeiro turno, ela e Aécio têm, cada um, 25% dos votos — na capital, ele lidera: 28% a 23%. O dramático está no segundo turno. O tucano vence a petista por 50% a 31%. Mesmo Eduardo Campos (PSB) a bateria por 48% a 32%. É evidente que aquela rejeição monstruosa se transforma em votos para seus opositores. E olhem que, como vocês sabem, não há espaço nas televisões para oposicionistas, não é? Já a presidente Dilma aparece dia sim, dia também, mas “como presidente”. É uma piada, mas é assim.

Tudo contra
É tudo contra Dilma, não apenas a ruindade do seu governo. A cidade de São Paulo tem hoje uma das gestões mais caóticas de sua história, com Fernando Haddad. Ele já se tornou uma caricatura. Malhá-lo é o passatempo predileto de milhões de paulistanos. Segundo o Datafolha, sua gestão é hoje aprovada por apenas 15% e reprovada por 47%. Já escrevi a respeito. É uma avaliação justíssima. Alexandre Padilha, o candidato do PT ao governo do Estado, amarga modestos 4%.

Pois bem. Segundo informa a Folha, os petistas decidiram injetar mais dinheiro na campanha de Padilha — taí uma coisa que não lhes falta, não é? — e se aproximar mais de alguns setores considerados “cativos” do PT: os movimentos sociais e um grupo de empresários. Por que um grupo de empresários apoia o partido? Não sei. Seria por lucro? Eles que o digam.

Movimentos sociais, é? Eis uma coisa que certamente desperta, a cada dia, mais a paixão dos paulistas, muito especialmente dos paulistanos, não é mesmo? Tudo o que a população desta cidade mais quer é sair de casa sem saber a que hora chegará ao trabalho porque os comandados do sr. Guilherme Boulos, por exemplo, estão obstruindo alguma artéria da cidade. Tudo o que a população desta cidade mais quer é sair do trabalho sem saber a que hora chegará em casa porque alguns sindicalistas decidiram que é hora de parar os ônibus, os trens, o metrô…

Os esquerdistas não se dão conta de que existe uma óbvia fadiga. Vai ver é por isso que Gilberto Carvalho tanto quer entregar o governo aos tais movimentos sociais. Ele não quer mais saber de eleitores decidindo o futuro do país…

Contra as pretensões petistas, há ainda o governador Geraldo Alckmin, com 54% das intenções de voto — avançou sete pontos em 15 dias, com rejeição de apenas 19%. Na baderna promovida pelo sindicato dos metroviários, ele preferiu, por exemplo, ficar ao lado do usuário. O PT, na prática, emitiu nota em favor dos grevistas. Uma questão de escolha.

A eleição ainda está longe, o horário eleitoral gratuito vem aí — e Dilma tem um latifúndio. Vamos ver. Algumas fórmulas às quais o petismo sempre apelou já não estão dando mais resultado. Até anteontem, parecia que bastava Lula mandar, e o eleitorado obedecida. De certo modo, aconteceu isso com Dilma e Fernando Haddad. Com os resultados conhecidos. Parece que as pessoas que trabalham e estudam e as que estudam e trabalham estão com o saco cheio.

19 Jul 15:55

O MTST é mais um caso de polícia do que de política

by giinternet

Na minha coluna de ontem na Folha, escrevi sobre o MTST, com foco em sua personagem mais famosa: Guilherme Boulos, um excelente autor de si mesmo; um ótimo relações-públicas da própria lenda em que pretende se transformar. Demonstrei, para quem sabe ler direito, que a sua vocação para a santidade é um delírio de classe para outros delirantes da… mesma classe! Não vou me repetir.

No arquivo, vocês encontram textos em que afirmo que o MTST repete todas as táticas do MST, mas na cidade. E “todas” inclui inflar os números das invasões para intimidar adversários e emparedar o poder público. Leiam trecho de reportagem na Folha de hoje. Volto depois.

Por César Rosati e Emílio Sant’Anna:
Nos 60 mil metros quadrados do Portal do Povo, área invadida no Morumbi (zona oeste), 4.000 famílias estão instaladas há quase um mês para reivindicar casa própria, segundo divulga a coordenação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). A Folha esteve por dois dias seguidos no local, em horários diversos, e verificou que a maioria das barracas só serve para demarcar território — e tentar vaga futura no cadastro da casa própria.
O movimento era pequeno tanto de dia como à noite, semelhante ao de algumas invasões de sem-terra no interior do país anos atrás. Com cerca de dois metros quadrados cada, as barracas estão fincadas na parte plana do terreno e também em uma encosta íngreme. Abertas nas laterais, a maioria tem os nomes dos “ocupantes” pintados com tinta branca. Nas barracas, porém, não há espaço para a permanência de uma pessoa adulta ou mesmo de uma família. O que se vê dentro é apenas mato. O comando do movimento alegou, após ser questionado, que as 4.000 famílias “ocupam” a área, mas que há um revezamento durante a noite. “O fato de não dormirem 4.000 famílias lá não significa que não precisem de moradia. São pessoas que vivem no entorno em situação precária”, disse Natalia Szermeta, coordenadora do MTST.
(…)
Por volta das 19h, uma assembleia do MTST chegou a reunir cerca de 400 pessoas no Portal do Povo. Duas horas e meia depois, ele começou a ser esvaziado de novo. Após assinar a lista de presença no final da assembleia, a maioria foi embora, formando fila no ponto de ônibus. Às 21h30, próximo à entrada do terreno, era possível ver centenas de barracas — mas somente seis delas ocupadas.
(…)

Retomo
É isso aí. Eu me orgulho muito de uma reportagem que fiz para a revista República, em 1996 — quase 20 anos — em que classifiquei o MST de uma “empresa de criar ideologia”. É nisso que se transformou também o MTST, com a admiração basbaque dos deslumbrados, a covardia dos vereadores e a cumplicidade do prefeito Fernando Haddad (PT), que recorreu à mão de obra do grupo na campanha eleitoral.

Cadê o Ministério Público?

Resta, ainda, outra questão: até quando essa gente continuará a cometer crimes impunemente? Parece evidente que o MTST se transformou numa máquina de privatização do espaço público e de invasão de áreas privadas não para conquistar casas, mas tentar vender seu modelo caduco de sociedade.

É mais um caso de polícia do que de política.

19 Jul 15:55

Justiça aceita denúncia e decreta prisão preventiva de 23 black blocs

by giinternet

Na VEJA.com:
A Justiça do Rio de Janeiro aceitou na noite desta sexta-feira denúncia do Ministério Público contra 23 ativistas acusados de formação de quadrilha armada e decretou sua prisão preventiva. Cinco dos réus integram o grupo de black blocs que tiveram a prisão temporária decretada no último sábado, véspera da final da Copa do Mundo, durante a Operação Firewall, e que foram beneficiados por habeas corpus durante esta semana. Segundo o Tribunal de Justiça, os mandados de prisão já foram expedidos.

Entre os acusados estão Elisa Quadros, a Sininho, apontada como líder do grupo, que está no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, no subúrbio do Rio, e teve a prisão temporária convertida em preventiva, assim como Camila Aparecida Rodrigues Jourdan e Igor Pereira D’Icarahy. Os outros dois ativistas que permaneciam detidos, Tiago Teixeira Neves da Rocha e Eduarda Oliveira Castro de Souza, não foram incluídos na denúncia e serão soltos. Segundo a promotoria, não existem provas consistentes contra eles.

Em nota divulgada pelo Tribunal de Justiça do Rio, o juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau atribui a decisão à periculosidade dos acusados, “evidenciada por terem forte atuação na organização e prática de atos de violência nas manifestações populares”. “Em liberdade, certamente encontrarão os mesmos estímulos para a prática de atos da mesma natureza. Assim, como a periculosidade dos acusados põe em risco a ordem pública, deve-se proteger, por conseguinte, o meio social”, justifica o magistrado.

Entre os 23 acusados, estão manifestantes envolvidos em diversos atos de vandalismo no Estado do Rio de Janeiro. Para o promotor Luís Otávio Figueira Lopes, da 26ª Promotoria de Investigação Penal, desde os protestos de junho de 2013 até hoje, os denunciados se associaram com a finalidade de praticar nas manifestações crimes como: posse de artefato explosivo, corrupção de menor, dano básico e qualificado, resistência e lesão corporal (consumada e tentada).

De acordo com a denúncia, a associação criminosa (formação de quadrilha armada) recorreu a facas, explosivos, coquetéis molotov, estilingues, rojões alterados para disparar pregos e porretes, entre outras armas. Para o Ministério Público, os atos violentos são incentivados por lideranças e praticados por indivíduos que adotam a tática black bloc.

Morte do cinegrafista
Os dois acusados pela morte do cinegrafista Santiago Andrade, atingido por um rojão no dia 6 de fevereiro deste ano, Fabio Raposo e Caio Silva Rangel, também foram denunciados. Os dois permanecem presos em Bangu pelo crime de homicídio.

19 Jul 15:54

Haddad, com 47% de reprovação, tornou-se uma caricatura de prefeito

by giinternet
Haddad, uma caricatura de prefeito, no traço de Boopo, leitor deste blog

Haddad, uma caricatura de prefeito, no traço de Boopo, leitor deste blog

Pois é, pois é… Que coisa, hein, Fernando Haddad? O negócio tá feio. Vejam bem: há dois dias, Lula afirmou que ele deveria entrar de cabeça na campanha do petista Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. Padilha já está com 4% dos votos… Atendendo sei lá a que chamado da (i)lógica, o partido teria decidido que a campanha na TV vai tentar recuperar a imagem do prefeito para, então, o prefeito alavancar o candidato. Então tá. Acho que não funciona, mas dou o maior apoio, se é que me entendem.

Está no ar, saibam os leitores que não são da capital paulista, uma campanha publicitária exaltando a suposta competência da Prefeitura na gestão da cidade durante a Copa. Sabem como é: todos eles tentaram pegar uma carona no evento. Leiam o noticiário sobre a Vila Madalena. Cada morador de São Paulo certamente temeu uma Sodoma e Gomorra na porta de sua casa… A propaganda pode muito, sim. Quando, no entanto, ela afronta a realidade de maneira tão cabal, aí pode ser contraproducente.

O Datafolha foi a campo para saber o que a população da cidade acha da administração Haddad. O resultado é devastador pra ele: a rejeição à sua administração subiu de 36% para 47% em três semanas. No mesmo período, o índice de ótimo e bom oscilou para baixo: de 17% para 15%. Caiu até os que consideram a sua gestão regular: de 44% para 37%. Vejam quadros publicados pela Folha Online.

Datafolha Haddad julhoDatafolha Haddad 2 julho

Só Jânio Quadros e Celso Pitta, com um ano e meio de gestão, tinham rejeição maior: 66% e 54%, respectivamente. O tucano José Serra, derrotado por Haddad, nesse mesmo período, tinha a reprovação mais baixa desde a gestão Jânio: só 8%. À diferença de Haddad, e como!, era aprovado por 56%.

É uma avaliação justa?
Justíssima! Haddad não governa a cidade para o conjunto da população. Sua administração é um mero balcão de demandas de supostos “movimentos sociais” e de grupos organizados que gritam mais — inclusive aquela “subintelectuália” de esquerda que o leva a adotar medidas destrambelhadas, que prejudicam a vida também dos mais pobres. Desde quando, no entanto, esses esquerdistas de universidade & boteco sabem o que quer o povo? Como diria Monteiro Lobato, da pobreza, não conhecem nem o trinco da porta.

Vamos lá. A Prefeitura de São Paulo tem hoje um troço chamado “Braços Abertos”, um programa que, sob o pretexto de reduzir os danos decorrentes do consumo de crack, na prática, o financia. Um secretário do prefeito admitiu que, na Cracolândia, a droga está legalizada. Vários países do mundo têm programas de assistência a dependentes. Só no Brasil existe algo como esse “Braços Abertos”, que financia o consumo. E tentem me provar que não é assim. É a realidade dos fatos. Diante das críticas, Haddad fez o quê? Está criando mais um núcleo na cidade para abrigar os drogados em hotéis. Vai dobrar a dose do remédio ruim.

O prefeito também decidiu espalhar faixas de ônibus, já escrevi aqui, onde elas são e onde não são necessárias. Sim, quando o ônibus transita com mais velocidade nesses lugares, o usuário aprova. Quando, no entanto, fica mais tempo à espera do ônibus — e fica! — reprova. Ao esmagar os carros particulares — em que pobres também circulam — e criar dificuldades homéricas em certas áreas da cidade, aumenta o caos urbano em vez de resolvê-lo. Basta analisar os dados sobre congestionamentos. Não estão contentes nem os usuários de ônibus nem os de carros particulares. A “má boa consciência”, no entanto, pode trair o administrador. As pessoas, em sua maioria, se dizem favoráveis às faixas com receio de serem acusadas de defensoras dos ricos…

Haddad passou a flertar abertamente com os movimentos do sem-isso e sem-aquilo, que ajudaram a elegê-lo, sim. Sobretudo, foram muito úteis na demonização de seus então adversários: Celso Russomanno e José Serra. O prefeito subiu no palanque do MTST, que hoje manda na distribuição de casas de São Paulo e para a cidade quando lhe dá na telha. Não adianta: isso vai parar na conta do prefeito. E com razão. Ou não foi a sua turma que, na prática, convidou Guilherme Boulos e seus sequazes a cercar a Câmara dos Vereadores. Os que já têm casa, na média, não devem gostar disso. Mas será que os que não têm gostam? Para quem governa Haddad? Para os “mobilizados”?

Ele se tornou uma agência de despachos de micromovimentos. Outra grande ideia será acabar com estacionamentos para aumentar as ciclovias. Por quê? Ora, porque algum subintelectual soprou aos ouvidos do companheiro que esse negócio de carro é um atraso, entendem? Assim, Dilma prorroga isenção de impostos para aumentar a venda de carros — comprados majoritariamente por São Paulo —, e Haddad transforma a vida dos motoristas num inferno.

Vamos mais longe. A Prefeitura, hoje, em vez de coibir os “batidões de periferia”, que destroem a tranquilidade de milhares de moradores pobres, decidiu regulamentá-los, porque, afinal, seus interlocutores são os promotores desses eventos, supostos representantes da “cultura da periferia” — coisa dos coxinhas vermelhos de classe média do complexo Pucusp.

Eis aí o homem que nos prometia o Arco do Futuro.

Supercoxinha
Nunca vi um prefeito eleito e em começo de mandato tão incensado pela imprensa paulistana como Haddad. De certo modo, ele era a cara e a expressão da esmagadora maioria dos jornalistas: esquerdista; oriundo da classe média alta; absolutamente ignorante sobre o que é a pobreza, vendo a periferia como um lugar de experimentações antropológicas. A gente lia as reportagens, e lá estava o homem prometendo que resolveria isso e aquilo…

Por isso eu o apelidei de “Supercoxinha”. Leitores chegaram a fazer charges, a meu convite, retratando a personagem. Numa entrevista concedida em abril do ano passado à jornalista Joyce Pascowitch, da revista “Poder”, ainda superpoderoso, travou-se o seguinte diálogo:

Joyce – Notório por suas críticas ao PT, o colunista da Veja, Reinaldo Azevedo, tem chamado você de Supercoxinha, como um sujeito bom moço que quer ser super-herói. Que acha disso?
Haddad - Ah, você não vai me perguntar dele, vai? [Irritado.] Não frequento o ambiente virtual dele. Ele é uma caricatura de jornalista, né? Mas acho que para a esquerda é funcional a existência dessa figura. Faz muito bem pro nosso projeto! As pessoas veem o quão patética é a alternativa nesse momento. É como o pastor Silas Malafaia. Os ataques dele à minha campanha foram tão ridículos que acabaram me ajudando.

Retomo
Em relação a mim, Haddad deveria ter feito como Santo Agostinho, preferindo a crítica que o corrige ao elogio que o corrompe (no sentido agostiniano, que não é corriqueiro na política). Mas ele fez o contrário.

Haddad, um ano e três meses depois dessa entrevista, é uma caricatura de prefeito.

19 Jul 15:54

Em vez de choque de competência, CBF decide dar um choque de testosterona bronca na Seleção: Dunga deve ser anunciado como técnico na terça. Ou: Ele foi conviva de Dilma no Maracanã e fez a presidente rir até as lágrimas…

by giinternet
Dunga: um choque de testosterona bronca na Seleção. Dará erro mesmo que dê certo!

Dunga: um choque de testosterona bronca na Seleção. Dará erro mesmo que dê certo!

O jornalista Wanderley Nogueira, da Jovem Pan, informa em seu blog que Dunga — sim, ele mesmo, Dunga!!! — será o novo técnico da Seleção Brasileira. Eu adoraria que ele estivesse errado, mas errar não está entre os hábitos de Wanderley. Então deve ser isso mesmo. Na verdade, o jornalista tinha essa informação havia alguns dias.

Santo Deus! É o que eu chamaria de triunfo do caipirismo existencial — caipira eu também sou; o caipirismo existencial é outra coisa: é a mentalidade estreita pela própria natureza. Lá em Dois Córregos, a gente está acostumado a larguezas…

O que quer a CBF? Um bedel? Então encontrou! Dunga já recebeu um prêmio por ter sido o “capitão do Tetra”: tornou-se técnico da Seleção em 2006. Ganhou um pouco, perdeu um pouco e foi eliminado nas quartas de final pela Holanda por 2 a 1. De fato, nada que se pareça com os 7 a 1 que o Brasil tomou da Alemanha. O pior resultado foi um 3 a 0 contra a Argentina, placar que foi devolvido na Copa América, vencida pelo Brasil. O melhor resultado foi um 6 a 2 contra a Seleção de Portugal.

Vamos ver: Felipão e Parreira foram campeões do mundo e levaram a Seleção ao pior resultado de sua história. Dunga conquistou um título como jogador e se despediu da Copa nas quartas de final, derrotado pela Holanda por 2 a 1. Por que essas informações? Eu quero saber qual é o compromisso do técnico com o futuro, não com o passado. Por que Dunga agora? A farsa se repete como… farsa!

Vamos ver
Parreira se sagra Campeão do Mundo em 1994 — era o tetra, com Dunga como capitão. Em 1998, há o desastre contra a França, com Zagallo no comando. Vocês se lembram do famoso episódio, nunca suficientemente explicado, do mal-estar de Ronaldo etc.

Aí temos dois anos de desacertos, maluquices e escolhas bisonhas. Até que o comando fosse passado a Felipão, esquentaram o banco Vanderlei Luxemburgo, Candinho e Leão. Em 2002, o Brasil conquista o penta. Em 2006, Parreira assume a Seleção, com o auxílio de Zagallo. Ficou a impressão de que o técnico não tinha controle da equipe, que seria gerida, digamos, por uma turma que gostava mais de farra do que de disciplina, com destaque para Adriano e Ronaldinho. Não só: também teria mantido jogadores já fora de forma, como Roberto Carlos e Cafu.

Então alguém teve a ideia: a Seleção precisa de um choque de ordem. E veio Dunga, com o resultado conhecido. Com a mediocridade também conhecida. De modo impressionante, tem-se a mesma conversa: teria faltado disciplina à Seleção de Felipão: muito jogador com cabelo tingido, com a perna raspada, com a cueca de fora…

Olhem aqui: disciplina é, sim, muito importante. Mas é bom não confundi-la com moralismo tosco. Recomendo mais uma vez uma reportagem da revista alemã “Der Spiegel” sobre o sucesso do futebol alemão. É o anti-Dunga. Em vez de um choque de testosterona bronca, de manual, o futebol alemão recebeu um choque de competência e planejamento. A revista até brinca, afirmando que os jogadores, hoje, são um pouco mais “feminis” do que os antigos “machos Alfa”. Em vez de um comandante esporrento, os alemães preferiram enviar seus técnicos para outros países, como Espanha, França e Itália, para ver como se jogava no resto do mundo.

Não que fosse um futebol malsucedido no mundo quando se tomou essa decisão: eles já eram tricampeões mundiais — agora são tetra. Os alemães que vocês viram no Brasil, interagindo com a população da Bahia, enviando mensagens em português aos brasileiros no Twitter, sorridentes, “moleques”… Tudo isso era parte de um planejamento também de marketing.

Dunga é a contramão da modernidade; é o atraso orgulhoso, machão e, lamento, meio abestado. Pode ganhar ou pode perder a próxima Copa. Só não conseguirá fazer o futebol avançar. Quando o atraso ganha, diga-se, em certo sentido, é pior. A propósito: depois que ele deixou a Seleção, qual é seu currículo para merecer tal galardão?

Sim, a escolha também dá conta da ruindade da CBF. Vejam que coisa: a confederação chegou a flertar com um técnico estrangeiro e acabou escolhendo… Dunga! É o triunfo da falta de rumo e da… caipirice existencial.

Dilma e Dunga na área VIP
Espero que a convivência de Dilma e Dunga na área super-VIP do Maracanã, na final entre Alemanha e Argentina, não tenha definido a escolha. Ali, os dois conversaram de pertinho. Ele até teria cochichado ao pé do ouvido presidencial:
— Eu tô torcendo para nenhum dos dois ganhar.
Dilma então respondeu:
— Essa foi boa! Eu também, Dunga! Mas não dá! Um vai ter de vencer.

Dilma riu tanto com o gracejo que foi às lágrimas.

Seria a escolha de Dunga o desdobramento de um gracejo sem graça?

18 Jul 21:16

Politicamente correto: tédio

by Norma
As duas notícias que estão por toda parte desde ontem:

1 - O chef Jamie Olivier diz que brigadeiro e quindim são uma porcaria; a opinião é considerada "xenofóbica"

2 - Moça de cabelo Black Power não consegue tirar a foto para o passaporte e fica arrasada; o sistema (que tem dificuldade em reconhecer baixo contraste) é considerado "racista"

E o que você faz quando adora brigadeiro e quindim, acha Black Power lindo mas morre de tédio com essas "notícias"? Agora só acontecimentos com potencial de aproveitamento politicamente correto é que viram notícia? Antigamente, em tempos mais sábios, seriam considerados faits divers.

Não seria o caso de aceitar a opinião do chef (que aliás, todo mundo sabe, odeia junk food, simplesmente) e solicitar um sistema de fotos mais inteligente (sem chamar o computador de "racista")? Não, é necessário sair à caça dos culpados. Promover quebra-quebra moral. E lotar de ressentimento a internet, as revistas, a televisão.

Politicamente correto: tédio!
18 Jul 19:35

Mercado reage bem à possibilidade de derrota de Dilma; é parte da reação da sociedade a um governo caduco

by giinternet

Vou aqui fazer algumas considerações que, creiam, nada têm de campanha eleitoral ou de expressão de afinidades eletivas, embora eu, como toda gente, faça as minhas opções. Na democracia, desde que os candidatos transitem no escopo democrático e se coloquem na defesa dos valores que essa democracia pode abraçar, todas as escolhas são igualmente legítimas, como legítimas são as divergências ideológicas. Em ciências humanas, e a economia também é uma ciência humana, quase nunca se tem uma resposta única para um problema. Mas é certo que essa resposta tenderá a ser ineficaz ou mesmo contraproducente se contrariar a matemática, a lógica, a história e, eventualmente, a experiência.

Já há algum tempo estamos diante de um dado eloquente. Aquilo a que chamamos “mercado” tem reagido muito bem à queda da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas eleitorais e à possibilidade de a oposição vencer a disputa em 2014. Às vezes, para rimar os números com a esperança de mudança, nem se precisa do fato; basta o boato. E não foi diferente nesta sexta. Como a pesquisa Datafolha apontou um empate técnico no segundo turno entre o tucano Aécio Neves e a presidente — 40% a 44% para ela —  e uma diferença de apenas sete pontos entre a petista e Eduardo Campos — 38% a 45% —, o Ibovespa passou a operar em alta. Às 15h1o, estava aos 57.175 pontos. Na máxima do dia, o índice chegou a 3,31%. Os destaques, vejam vocês, ficaram com as estatais: a Petrobras, por exemplo, exibia ganhos de 5,56% nas ações ON (as ordinárias nominativas), aquelas que dão direito a voto, e 5,6% na PN, a preferencial nominativa, a que não dá e é a mais negociada por investidores não profissionais.

Por que é assim? Ninguém precisa ser deste ou daquele partido para saber que, infelizmente, hoje e há muito tempo já, o governo usa as estatais brasileiras não apenas para fazer política de desenvolvimento, não apenas para cuidar do interesse nacional. Ele as utiliza também para cuidar de interesses bem mais mesquinhos, partidários, e como elemento de ajuste — precário e temporário — dos desacertos da política econômica. É sabido, por exemplo, que as tarifas estão represadas para evitar uma elevação da inflação, que já ultrapassa o teto da meta. Como malefício adicional, seguem intocados os fatores que causam a elevação do índice inflacionário.

É claro que isso tem um preço. Até agora, a presidente Dilma e o PT não deram sinais de que vão mudar essa política caduca caso obtenham mais quatro anos de mandato. Ao contrário até: aqui e ali, lideranças do partido, como o próprio Lula, têm preferido atacar o tal “mercado”, como se ele fizesse um mal ao Brasil. Ao contrário. Felizmente temos um mercado relativamente forte no país, que serve de radar e de advertência. A cada bobagem ou medida atabalhoada que o governo toma na economia, ele reage. Mais importante: reage também a expectativas, a partir de alguns indícios. Isso serve de freio à tendência autocrática dos governos. Sabem quem não tem mercado? Cuba! Sabem quem praticamente não tem mercado? A Venezuela! Já a tirania chinesa tem um, sim, e é gigantesco! A existência de um mercado, em suma, não garante a democracia. Mas só existe democracia onde ele atua e serve de instrumento de leitura da realidade.

Quando os investidores reagem bem à perspectiva de alternância de poder, é preciso que o governo ponha a mão na consciência. Em vez de sair por aí demonizando os agentes econômicos e mesmo seus adversários, talvez fosse o caso de tomar medidas efetivas para mudar de rumo. O que vemos, no entanto, infelizmente, são escolhas que caminham no sentido contrário. Além de tentar atrelar a administração pública federal e seus entes a conselhos formados por militantes políticos, o governo já pensa abertamente em estatizá-los, subordinando ainda mais o interesse público às militâncias organizadas.

A reação do mercado é, na verdade, a reação de uma fatia considerável e legítima da sociedade, que contribui de modo efetivo para gerar as riquezas com as quais se administra a máquina pública e que, inclusive, geram os bens necessários para as políticas de compensação e de distribuição de renda. Atacar os seus fundamentos também corresponde a atuar contra os interesses dos mais pobres.

A reação dos mercados é parte importante da reação de uma sociedade que quer mudar porque sente que, hoje, o estado e o governo viraram seu adversário.

18 Jul 19:26

São Paulo já dá uma surra eleitoral em Dilma — com Aécio ou com Campos

by giinternet

A seção Painel, da Folha de S. Paulo, traz outros dados da pesquisa Datafolha que devem estar deixando petistas com as barbas arrepiadas.

Um deles: Aécio Neves (PSDB) cresce em São Paulo. No mês passado, apenas 24% dos eleitores de Geraldo Alckmin escolhiam o presidenciável tucano; agora, são 33% — e, não custa lembrar, o atual governador aparece com 54% das intenções de voto. No primeiro turno, Aécio foi o único nome que cresceu no Estado fora da margem de erro: de 20% para 25%. Dilma oscilou de 23% para 25%, e Eduardo Campos (PSB), de 6% para 8%.

O busílis, no entanto, está no segundo turno: a petista perde para o tucano por 50% a 31%; Campos a venceria por 48% a 32%.

Informa ainda o Painel:
Alerta vermelho - A avaliação do governo Dilma caiu nas grandes cidades brasileiras. O percentual de eleitores que consideram a gestão ótima ou boa recuou de 30% para 25% nos municípios com mais de 500 mil habitantes. A classificação ruim ou péssima subiu de 31% para 37%.

Nuvem carregada – Para estrategistas do PT, as grandes cidades são polos com capacidade de transmitir “carga negativa” ao resto do eleitorado. Por enquanto, a avaliação positiva da presidente nos municípios pequenos permanece estável, em 42%.

18 Jul 19:26

MTST: não é só pelo teto, é pelo poder

by giinternet

Por Carolina Farina, na VEJA.com:
Já virou rotina: a caminho do trabalho, o paulistano se depara com um protesto do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Em 2014, não houve um único mês sem atos do movimento na capital paulista até agora. O cenário é sempre o mesmo: sem comunicar a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), vias importantes da cidade são fechadas por centenas de pessoas empunhando bandeiras vermelhas e gritando palavras de ordem. E se na forma os protestos parecem sempre iguais, o conteúdo deles mudou – é agora o retrato de um movimento que se perdeu, tornando-se massa de manobra para qualquer causa. Braço urbano do Movimento Sem Terra (MST), o MTST é hoje, como o grupo que o inspirou, um movimento político, e não social.

Se nesta quinta-feira manifestantes acamparam na entrada da sede da construtora Even, em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, na quarta o grupo decidiu invadir a sede da Anatel e da operadora TIM. O motivo: reclamar da qualidade dos serviços de telefonia celular no país. Um dia antes, militantes do MTST integraram um protesto contra Israel no bairro de Higienópolis, na região central. O ato terminou em confusão com a polícia. Em junho, o grupo decidiu protestar a favor dos metroviários grevistas e, em janeiro, fez até “rolezão” em shopping. Especialistas avaliam que a distorção de foco é uma estratégia para integrar novos grupos e militantes ao movimento. O MTST é cada vez menos representante da bandeira pela qual foi criado, tendo se tornado uma ferramenta de pressão política. Não à toa o aumento de invasões ocorre em ano eleitoral. “Certamente a liderança do grupo está animada com o barulho que tem feito. Já foi recebida até pela presidente da República e, claro, crê que seu poder político é realmente grande. Então, por que não tentar ir mais longe?”, avalia o cientista político Rui Tavares Maluf. “Isso afeta a legitimidade do movimento”, completa.

Para o filósofo Roberto Romano, a ampliação do foco pode ainda resultar na fragmentação do grupo. “A estratégia pode resultar, neste primeiro momento, em mais adesões. No futuro, porém, pode provocar divisões internas que resultem no fim do movimento”, afirma. “O desvirtuamento dos objetivos se torna algo perverso no longo prazo. E um risco não só à causa como ao grupo”, completa Tavares Maluf.

Ao emparedar os vereadores e a prefeitura de São Paulo, o movimento obteve, em junho, a aprovação de um Plano Diretor que contempla quatro invasões organizadas pelo movimento. Já a ocupação fantasma Copa do Povo, na Zona Leste da capital, será tema de um projeto de lei específico. O líder do grupo, Guilherme Boulos, já foi recebido no Palácio dos Bandeirantes pelo governador Geraldo Alckmin e no Planalto pela presidente Dilma Rousseff. Tendo obtido vitórias como essas, a liderança do movimento agora busca renovar as palavras de ordem para que a adesão aos protestos não arrefeça. E mais: quer aumentar o apoio e a simpatia também de uma massa “virtual”, que não necessariamente contribua com sua presença física nos protestos. “A massa não é facilmente manobrável”, explica Romano. “Por isso são necessárias palavras de ordem eficazes”, completa.

Segundo Tavares Maluf, as invasões asseguram apenas habitação, e o grupo nada faz para garantir acesso dos sem-teto à renda. “Estando disponíveis para protestos toda semana, será que os militantes têm um emprego?”, questiona. O comando do MTST tem sua própria lista e organiza a fila de espera de beneficiários dos programas habitacionais. A lista é justamente a forma como o líder do movimento exerce domínio sobre seus comandados: há planilhas contabilizando a presença diária de cada integrante em acampamentos e invasões – uma espécie de lista de chamada. Logo, quem participa ativamente dos atos do MTST, passa na frente na fila de espera.

Nesta quinta-feira a coordenadora estadual do MTST Natália Szermeta prometeu novos atos pelos próximos quinze dias, prazo de prorrogação da liminar de despejo de um terreno no Morumbi, na Zona Sul, onde está instalada a Ocupação Portal do Povo. O paulistano seguirá alterando sua rotina para fugir das vias bloqueadas pelo grupo. E se perguntando: qual será a causa do dia?

18 Jul 19:25

Minha coluna da Folha: “Lula, Boulos e as fantasias burguesas”

by giinternet

O MTST, os ditos “trabalhadores sem teto”, está descontente com os serviços de telefonia. Na quarta, seus militantes protestaram na Anatel e nas respectivas sedes da TIM, Claro e Oi. Não deu tempo de ir à da Vivo. A turma agencia também essa causa. Um comunicado parece inaugurar a fase holístico-roqueira do socialismo: “Se acham que a gente vai se contentar só com nossa casa, estão enganados. Queremos moradia, transporte público de qualidade, telefonia e internet, e a gente não aceita pagar caro, não”. É o “aggiornamento” dos Titãs –”A gente não quer só iPhone…”– e o embrião de um novo partido.

Guilherme Boulos, um dos comandantes do MTST e colunista desta Folha, traz consigo o charme irresistível da renúncia. Oriundo da classe média-alta, com formação intelectual, prefere dedicar-se à categoria dos “Sem” –até dos “Sem-Sinal” de telefonia. Lembro-me do fascínio que tive ao ler, aos 15 anos, “Minha Vida”, a autobiografia de Trótski. Largou as benesses do pai abastado para morar no quintal do jardineiro Shvigovski, o revolucionário “do pomar”. Um encanto!

 A coisa meio chata para mim é que eu lia o livro com um fio de lâmpada sobre a cabeça, na cozinha de modestíssimos dois cômodos, à beira de um córrego fétido. Não demorei a entender que certa renúncia é um privilégio de classe, não uma superioridade moral. Dispensar a riqueza abre a vereda para a terra da santidade. A trajetória contrária é coisa de um parvenu. Muita gente com dificuldades de acreditar em Deus crê nos profetas.
(…)
Lula foi a encarnação do delírio das esquerdas à espera do “intelectual orgânico” da classe operária. Mas ele se aburguesou sem nunca ter buscado a altitude das ideias. Boulos, não! Ele nos devolve ao refinado Iluminismo francês. Os seus sem-teto são os “sans-culottes” das fantasias jacobinas –que são, desde sempre, fantasias… burguesas!

Para ler a íntegra, clique aqui

 

18 Jul 01:40

Greeks Bearing Debts

by Peter J. Leithart

Classics is no longer seen as a cutting-edge discipline, but two centuries ago German scholars devoted to the “cult of the Greeks” created the modern university when they developed new methods in philology and installed Altertumswissenschaft, the science of antiquity, at the center of the curriculum. Ancient Greek culture provided ancient foundations for the modern West, a Western civilization that could take leave of Christendom.

Devotion to Greece was a cult indeed. The Prussian education reformer Wilhelm von Humboldt insisted that Greek language and culture represented an “ideal of that which we should like to be and produce.” Students of Greece are enriched with “something more than earthly—almost godlike.” Fleet-footed, godlike Greece had more potential to renew German society than what they saw as an exhausted Protestantism. For German Romantics and their descendants throughout Europe, classics was more than a discipline.

To serve as a divine ideal, Greece had to be isolated from the rest of ancient civilization. Early classicists made much of the Greeks’ supposed cultural and racial purity. Humboldt restrained his historicism to make a special place for a timeless Greece. Investigation of ancient Greece is “a matter quite different from our other historical studies. For us the Greeks step outside the circle of history.” We are all indebted to Greece, but the Greeks bore no debts.

Of course, the Greeks were within the circle of history, as indebted as the rest of us. Greece didn’t spring fully formed from the head of Homer. It started somewhere, and since Egypt, Mesopotamia, and the cultures of the near east were older than Greece, it seems reasonable to think that the Greek civilization learned a thing or two from them. Through the eighteenth century, everyone believed that they had, and found plenty of evidence to support that idea. It was the cult of the Greeks that killed what had long been common sense.

Common sense is making a comeback. Leading classicists like Walter Burkert, M. L. West, Jan Bremmer, and others have recently begun to recognize Greece’s debt to earlier civilizations.

Burkert, for instance, has traced the transmission of oriental art and religion to Greece during the eighth and seventh centuries B.C. Archeologists have exhumed friezes decorated with near-eastern “Tree of Life” motifs at Greek shrines, and images of lion-hunting have been discovered at other Greek sites. Greeks began building altars and temples under near-eastern influence. Burkert concludes that there was “no Greek temple proper antedating the eighth century, the period of the impetus of eastern craftsmanship.”

Mythology also migrated west. Greek and ancient near-eastern mythologies portray a society of specialized gods, divided between heaven and the underworld. In both mythologies, the gods assemble on mountains and manifest themselves in radiant light. In the Iliad, the gods cast lots to divvy up the cosmos, as the gods do in the Akkadian epic Atrahasis. M. L. West points out that in Hurrian, Babylonian, and Greek mythologies, there are “parallel sequences of gods: Anu, Kumarbi, Tessub; Anu, Ea, Marduk; Ouranos, Kronos, Zeus. In each case the first is the personified Sky, and the third, besides being the present king of the gods, has the character of a storm-god.”

Some similarities are so precise that they point to direct literary borrowing. Burkert concludes from a reference to the mother goddess Tethys in the Iliad that Homer must have had access not only to the story but to the text of the Babylonian Enuma Elish. From the other side of the academic spectrum, ancient near-east specialist Cyrus H. Gordon argued that the Iliad had roots in the Ugaritic legend of Kret and that the Egyptian legend of Wenamon follows the general story line of the Odyssey.

Contemporary classicists are catching up not only with premodern scholarship but with the ancient Greeks themselves, many of whom admitted that their culture derived from older ones. Herodotus claimed that the Greeks learned to worship Dionysus from the Egyptians, and Aristotle said that Egypt was the source of all philosophy and mathematics. In this respect, at least, the devotees of the cult of the Greeks have been right all along: We are dwarfs among giants, and it turns out that the giants know their ancestry better than we.

The details might seem tedious, but the stakes are high. Since this idealization and isolation of Greece was one of the founding assumptions of the modern university and of the modern view of Western civilization, today’s scholarship poses something of a cultural identity crisis. If Greeks had debts to earlier civilizations, those civilizations are not other than ourselves but part of our own past. As they reveal a more dynamic and accurate view of Greece and its place in the ancient world, cutting-edge classicists are showing that we have debts to worlds older than and other than Greece. And they force us to reconsider the historical roots of our own civilization.

Peter J. Leithart is president of Trinity House. He is the author most recently of Gratitude: An Intellectual History. His previous articles can be found here.

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17 Jul 14:59

This Year's Top Stories So Far: Gripen E's New Design

by Saab AB
.:

Gripen NG31.jpgFor an untrainded eye, Gripen E might look similar to Gripen C externally, but a closer look at its detailed design says that it will have many enhanced capabilities and will beat the development and operational cost performance of the latter, says Flightglobal.

According to the report, Gripen E will not retain any of Gripen C/D’s airframe but will reuse parts of its fuel and air systems, plus its ejection seat, windshield, canopy and outer wing elevons.

Gripen E will have five through-fuselage, aluminium-lithium frames at the heart of its structure, which will support its airframe through to its inner-wing weapons pylons. Its tail section has been redesigned to accommodate the General Electric F414G-39E turbofan engine, and a new intake has been added at the base of the tail for a second environmental control system, which is needed to cool its Selex ES Raven ES-05 active electronically scanned array radar and electronic warfare equipment.

The Gripen’s air intake design has also been enlarged, and new landing gear installed. The latter includes a larger, single nose wheel and main gear which retracts into the wing, freeing fuselage space and enabling a 40% increase in internal fuel capacity. Two additional weapon stations have also been introduced beneath the fuselage.

Lennart Sindahl, Senior Executive Vice President and Head of Business Area Aeronautics at Saab vouches for the Gripen E’s sensor configuration which includes the Selex Skyward-G infrared search and track (IRST) turret and an advanced interrogation friend-or-foe suite. 

“It will be the best in the world when we ship the first one in 2018. We have really picked the best things,” Sindahl says.

Explaining Gripen E’s cost efficiency, Lars Ydreskog, Saab’s head of aerospace operations says, “The model-based design technique based around Dassault Systemes’ CATIA software helps to show the operator how they will do something in 2023, before one has done anything in the development. Combined with a reduced parts count – for example, a single machined part is now used to construct the radar frame, versus more than 20 on the C – and reduced lead times, the new version will be cheaper to produce. Compared against 2009 prices, it is going to be a 50% productivity increase.”

Read the full story:  Saab reveals full Gripen E design, cost savings

Published: 7/17/2014 11:58 AM
17 Jul 14:56

Selic continua em 11% numa equação que parece sem saída

by giinternet

A taxa oficial de juros pode ser uma esfinge sem segredos por bons ou por maus motivos. Digamos que tudo esteja no lugar com a taxa “x”, e se sabe que a autoridade monetária vai deixar tudo como está. Com tudo no lugar, se é o caso de acelerar o crescimento por essa ou aquela razão, então se joga a taxa lá embaixo. Havendo sinais de retomada, então se eleva. Tudo dentro de uma certa coerência.

O Brasil já tem a taxa de juros mais alta da América Latina e dos Brics: 11%. Mas consegue conciliar isso com inflação de 6,5% — a mais elevada das economias organizadas do continente e também dos Brics — e crescimento na casa de 1%, com risco de o número ficar à direita do “zero, vírgula”. E aí?

Até agora, a elevação da Selic dos históricos 7,5% para 11% não se fez sentir na queda da inflação — sim, claro!, há fatores conjunturais e tal que explicam a pressão. Mas o que é o mundo sem a conjuntura, não é mesmo? São elas que conferem realidade à vida das pessoas. O fato é que o modelo — ou que nome tenha o arranjo que está aí — parece não ter saída. Elevar a Selic — que é de 11%, não mais de 7,5% — para conter uma inflação que já furou o teto da meta, mas num país com crescimento abaixo de 1%? Fica difícil.

Disse a presidente Dilma em entrevista recente que isso se deve à conjuntura — aí a internacional. E ela previu um novo ciclo. De onde vem essa história? Impossível saber. O certo é que ela prometeu que, se o mundo não estrar no dito-cujo, o Brasil vai sozinho. Então tá. Todos sabíamos que o BC deixaria tudo como está. Era a esfinge sem segredos. Por maus motivos.

 

17 Jul 14:56

Biofeedback Games and The Placebo Effect

by samzenpus
vrml writes In medicine, it is well-known that sugar pills sometimes produce the same effects as real drugs (Placebo Effect). But could that happen with computers too? The first scientific study of the Placebo Effect in computing, just published by the International Journal of Human-Computer Studies , gives an affirmative answer. The experiment considered affective computing, that is those fancy applications that claim to know user's emotions by detecting physiological parameters with sensors. Researchers took two well-known affective computing systems and used them to control in real-time the state of an avatar that looked more and more nervous as users' stress level increased, and more and more relaxed as it decreased. But they also considered a third system in which, unbeknown to users, the sensors were disconnected from the computer and the avatar state was controlled by a random stream of physiological data instead of the real user's data. Results show that participants believed that the sham application was able to display their stress level. Even worse, only one of the two (costly) affective computing systems produced better results than the placebo. This suggests that evaluations of such novel computer applications should include also a placebo condition, as it is routinely done in medicine but not yet in computer science.

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17 Jul 01:30

Five Rules for Consoling the Dying

by Russell E. Saltzman

There are some things that should never be said to the dying. I’ve never bothered developing a comprehensive “no-no” list but years of parish ministry have attuned me to the particularly egregious.

First, if you are approaching a bedside, try not to act like a novice Optimist Club member, all hale and hearty and booming of voice. I know you are trying to cheer people up, but that’s not the way to do it. Ginned up bon ami “let’s do lunch soon” camaraderie makes me wonder if you can see reality.

But, as somebody is always saying, where there is life there is hope, right? Good cheer is part of that, right? Sure, but let’s keep it real. For Christians the ultimate hope that cheers us is lodged elsewhere than in a firm bedside handshake.

Nobody’s getting up from this bed, understand. This room, these faces looking at the patient, those things on the wall, these are all that remain of a life that once enjoyed more, much more. Things have gotten smaller now. The world has become vastly diminished, constricted. Hope of getting the grass cut this weekend or doing any of those other small ordinary things that mark the pace and even the pleasures of our life—those are over and of no concern.

Second, don’t pester the dying with useless information. You are not there to make small talk. You are there to console. Don’t talk about getting the gutters cleaned or the driveway resealed, what you did on your last (or what you plan to do on your next) vacation, who you saw last week and how well they’re looking, or where you have to stop next after you leave.

Third, it does no good to raise your voice, as if the dying are now hearing impaired. That just may be habit, though. We seem to do that to everyone; we even speak up for the blind, I’ve noticed, and for people whose English is a second language. We want to be clear and understood, I guess. But it is condescending and likely unnecessary. So keep your voice at a normal volume.

Fourth, don’t lie. “I’m never leaving this hospital, am I?” The woman asking this of her sister had been in an out of the hospital struggling with an aggressive breast cancer for three years. This time she was not leaving and she intuitively knew it. But nobody told her that, not directly, and when she asked now, her sister told her she “shouldn’t talk like that.”

For all our supposed openness to death—hospice, death awareness, and the like—I have encountered only one doctor who ever directly told a patient her illness was unto death. But those dying know and they know a lie when they hear it.

Finally, all you caregivers, family and pros—stop talking about the patient. Instead, talk to the patient. It hardly matters if he or she can reply, because at this point it isn’t about the patient. It is about you and how important it is for you to remember there is a person before you.

If you want to be a consoling presence, show a little gravitas. Do not, for instance complain, as I once heard a son say to his father, that moving him from bed to wheel chair was like hefting “dead weight.” And do not behave like the woman who told the dying father’s daughter she shouldn’t cry in front of him; might make him sad. In fact, say nothing to the grieving except how sorry you are for their grief.

If you must speak, remember, recall, and reminisce aloud with the patient, and say what they have meant to you and how deeply you love them. While saying this you must touch—hold a hand, caress a forehead, squeeze an arm.

Speak of memories, and touch like this:

She leans forward, his daughter, and she brushes her nose against his, moving side to side. “Remember the ‘Eskimo kisses’ you gave me?” He smiles, as his arm reaches up around her neck.

Russell E. Saltzman is a dean in the North American Lutheran Church and assistant pastor of St. Matthew’s Church in Riverside, Missouri. His latest book, Speaking of the Dead, was published this month by ALPB Books. His previous articles can be found here.

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16 Jul 23:02

De novo a candidatura de Arruda no DF, o Estado de Direito e os juízos de exceção

by giinternet

Ai, ai, ai… Lá vamos nós de novo, seguindo nos passos de Voltaire, segundo quem “o segredo de aborrecer é dizer tudo”. Quem aí se habilita a defender José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal? Eu não! O fato é que, qualquer que seja a punição a lhe ser aplicada, isso tem de ser feito segundo a lei. Qual é o busílis? A Procuradoria Regional Eleitoral do Distrito Federal resolveu questionar na Justiça a candidatura de Arruda. Por quê? Segundo a lei, ele é agora um “ficha suja”. Foi condenado em segunda instância por improbidade administrativa.

Acontece que a jurisprudência da Justiça Eleitoral considera que existe um marco temporal para a tal “ficha suja” inviabilizar uma candidatura: a data do registro. E a condenação de Arruda é posterior a esse registro. Caberá ao Tribunal Regional Eleitoral tomar a decisão. Se for contrária a Arruda, ele poderá recorrer ao TSE.

No pedido de impugnação, argumenta a Procuradoria: “A inelegibilidade decorrente de condenação por ato de improbidade administrativa pode ser arguida na fase de registro, mesmo que a decisão seja publicada depois da data-limite para o requerimento, como é o caso em exame”.

Mas esperem: não é a publicação que é posterior ao registro; é a condenação. Aí as coisas se complicam. A Procuradoria argumenta ainda: “Não é demais acrescentar que, no caso em exame, se o impugnado vier a ser eleito, sem reversão da atual decisão acerca da improbidade ou suspensão de seus efeitos, não poderá ser diplomado no cargo de governador, o que levará à anulação dos votos concedidos à chapa e à consequente anulação da eleição”.

Releiam o que vai acima. O raciocínio feito pela Procuradoria é o seguinte: como é grande a chance de que ele venha a ser punido depois, então vamos aplicar a punição já para evitar contratempos.

Máxima vênia, não é assim que se constrói o estado de direito. Se esse entendimento da lei prospera, as punições começarão a ser aplicadas antes dos julgamentos. Já escrevi aqui que a Papuda pode até ser um bom lugar para  Arruda, mas segundo a lei, não contra ela.

16 Jul 23:02

Why the FCC Is Likely To Ignore Net Neutrality Comments and Listen To ISPs

by Soulskill
Jason Koebler writes: Time and time again, federal agencies like the FCC ignore what the public says it wants and side with the parties actually being regulated — the ISPs, in this case. Research and past example prove that there's not much that can be considered democratic about the public comment period or its aftermath. "Typically, there are a score or so of lengthy comments that include extensive data, analysis, and arguments. Courts require agencies to respond to comments of that type, and they sometimes persuade an agency to take an action that differs from its proposal," Richard Pierce, a George Washington University regulatory law professor said. "Those comments invariably come from companies with hundreds of millions or billions of dollars at stake or the lawyers and trade associations that represent them. Those are the only comments that have any chance of persuading an agency."

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