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29 Jul 11:47

Cardozo, fora do lugar, foi fazer pressão no TCU para não votar relatório que condena compra de Pasadena

by giinternet

Eh José Eduardo Cardozo! Esse não me surpreende nunca! Eu até acho surpreendente que alguém jamais consiga… surpreender! Mas é o caso dele. Reportagem de Dimmi Amora na Folha desta terça informa que esse valente fez pressão no TCU — Tribunal de Contas da União — para adiar a votação do relatório que condenou a operação que resultou na compra da refinaria de Pasadena. Segundo o jornal, “Cardozo acompanhou o advogado-geral da União, Luiz Inácio Adams, que tinha audiência previamente agendada com o presidente do órgão, ministro Augusto Nardes. A visita do ministro da Justiça não estava prevista”.

Muito bem! Adams estava lá como parte das suas atribuições. Ele afirma, e tem razão, que o advogado-geral pode, por lei, acompanhar processos que digam respeito a estatais, inclusive no TCU. A assessoria de Cardozo tentou enrolar o jornal, afirmando que cabe ao ministro “acompanhar regularmente todos os casos que dizem respeito a atividades ordinárias da pasta — o que justifica a atuação junto aos órgãos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário por meio do titular da Pasta, secretários e diretores”.

Tá. Agora só resta a Cardozo explicar por que acompanhar e pedir o adiamento de um julgamento no TCU seriam uma “atividade ordinária do ministério”. É evidente que ele sabe que não é. Era o ministro errado no lugar errado.

Aliás, a compra da refinaria de Pasadena está sendo investigada também pela Polícia Federal, que é subordinada ao Ministério da Justiça, cujo titular é Cardozo. O temor óbvio: se o ministro se dispõe a deixar a sua cadeira para fazer o que não lhe compete — pressionar o TCU —, é de se indagar do que é capaz com um órgão pendurado na sua pasta, não é mesmo?

A coisa é feia, muito feia. Já informei aqui, com exclusividade, e relembro: Luiz Inácio Lula da Silva chamou José Múcio, hoje titular do TCU e seu ex-ministro das Relações Institucionais, para uma conversa em São Paulo. Queria interferir no julgamento. Uma cadeira no STF chegou a ser prometida para um membro do tribunal, acreditem! Houve gente que até se viu tentada a cair na conversa. O preço: embolar o meio de campo e impedir a votação do relatório do ministro José Jorge, que condenou 11 diretores da Petrobras pela compra da refinaria de Pasadena, apontando prejuízo de US$ 792 milhões.

E pensar que Cardozo já chegou a ser apresentado por alguns simplórios como a melhor face do PT. Imaginem do que não é capaz a pior…

29 Jul 02:25

Mandar tirar do ar texto de consultoria é censura e cerceamento do debate

by giinternet

Os petistas acreditam que conseguirão mudar a realidade silenciando os críticos. É o que pretende o partido quando, por exemplo, cria uma lista negra de jornalistas. É o que pretende o partido quando transforma num grande escândalo o que escândalo não é: a avaliação de um banco enviada a parcela de seus clientes. E é o que pretende o partido quando pede para tirar da Internet — com liminar favorável, concedida pelo TSE — textos de uma consultoria que trata justamente dos riscos decorrentes da eventual reeleição de Dilma Rousseff.

Atenção, leitores! Vocês podem gostar ou não dos jornalistas. Podem gostar ou não da análise do banco; podem gostar ou não da opinião da consultoria. Aprovar e reprovar considerações alheias são parte do jogo democrático. O que não é do jogo é censurar as vozes dissonantes ou, pior ainda, tentar impedir o simples debate.

O caso da consultoria é eloquente. Ela se chama “Empiricus”. É conhecida por usar uma linguagem, digamos, abusada para os padrões normalmente muito sóbrios e vazados em tecniquês de seu pares no mercado. A empresa recorreu à ferramenta Google Ads para anunciar alguns de seus textos, e dois deles caíram na preferência dos internautas: “Como se proteger de Dilma” e “E se Aécio ganhar”. O PT recorreu ao TSE, que mandou retirá-los do ar. Em entrevista ao site de VEJA, o autor dos textos, Felipe Miranda, afirmou que a medida não intimidará seu trabalho. “O que já vínhamos falando aos nossos clientes sobre a gestão do governo e a condução da política econômica só piorou com esse cerceamento. Mas vamos continuar atuando da mesma forma. Não tenho rabo preso e sou pago pelos meus clientes para falar o que penso.”.

Na mosca! Se vocês entrarem na Internet, certamente encontrarão textos de 2010 alertando, acreditem!, para o “risco Serra”. É… Não fiquei maluco, não! Alguns amiguinhos do PT oriundos do “mercado” afirmavam que o então candidato tucano é que poderia representar a instabilidade, já que era um crítico da política econômica. E, obviamente, ninguém pensou em recorrer à Justiça.

Isso que faz o PT é cerceamento do debate. Qualquer pessoa que aposte no esclarecimento e no livre trânsito das ideias tem de lamentar a decisão do ministro Admar Gonzaga. O que fará o PT? Caçará e cassará todos os textos de consultoria que não estejam de acordo com a sua leitura da realidade? Além da lista negra de jornalistas, haverá também a de consultores, de bancos, de empresas? Daqui a pouco, o PT vai tentar patrulhar as cartomantes.

Isso me lembra certo blogueiro pançudo que, em novembro de 2010, chegou a defender que os 3% que achavam o governo “ruim ou péssimo” fossem identificados. Fascistas!

Olhem aqui: se os petistas não estão contentes com a existência de consultorias que dizem o que eles não querem ler, não faltará quem se disponha a produzir o que eles gostam de ler. O que dizer, por exemplo, dos tais blogs sujos, fartamente financiados com dinheiro público, cujo objetivo é defender o governo, difamar a oposição e atacar a imprensa independente?

Nesse caso, sim, estamos diante de uma excrescência: afinal, o dinheiro que sustenta a consultoria é privado, mas o que financia os tais blogs é público.

29 Jul 02:25

A sabatina com Dilma: três momentos patéticos

by giinternet

Ah, Dilma Rousseff, Dilma Rousseff… Vou comentar aqui ao menos três momentos da sabatina a que se submeteu a presidente, nesta segunda, promovida pela Jovem Pan, pela Folha e pelo SBT. Os meus destaques são um pouquinho diferentes dos que estão por aí. Vamos lá.

A presidente foi indagada sobre a tal cartinha enviada pelo Santander a um grupo de clientes afirmando que a sua ascensão ou estabilização nas pesquisas eleitorais provocariam uma deterioração dos índices econômicos. Dilma chamou a atenção para a suposta gravidade do fato — e não há nenhuma — e disse que o governo não pode aceitar esse tipo de interferência. Ficou no ar a sugestão de que uma instituição estrangeira tentou se meter nos assuntos nacionais. Alguém chegou a indagar, ridiculamente, se a presidente pretenderia processar o banco. Ela não descartou de maneira peremptória a hipótese absurda. Até parece que isso seria possível!

Em primeiro lugar, não houve interferência de ninguém em coisa nenhuma. O Santander estava falando com os seus clientes. Mais: não há distinção entre empresa nacional e estrangeira, banco ou não. Processo? Os bancos funcionam mediante uma carta de concessão, que pode ser cassada. Por que Dilma não diz que lei o Santander desrespeitou?

Segundo momento
O segundo momento, que beirou o patético, avançando para o involuntariamente cínico, diz respeito ao dinheiro que ela confessou guardar no colchão: R$ 152 mil. Em 2010, eram R$ 113 mil. Os jornalistas tentaram saber por quê. Ela evocou os tempos de clandestinidade, quando ter bens, digamos, carregáveis, poderia ser até uma questão de sobrevivência. Ninguém, obviamente, entendeu nada. Disse ainda que dá dinheiro à sua filha. Huuummm… E se aplicasse a grana no… Santander?

Um dos jornalistas lembrou que, investido, esse dinheiro renderia R$ 10 mil num ano. Dilma, então, mandou ver: “O que é (sic) R$ 10 mil?”. Percebeu a mancada e tentou se corrigir: “R$ 10 mil são muito; eu não jogo fora nenhum dinheiro”. Como se nota, joga!

A memória histórica agora entra quase como piada, mas é óbvia. Dilma, sob o codinome Estella, foi a mentora de um roubo milionário. Em julho de 1969, três carros com 11 guerrilheiros da VAR-Palmares estacionam em frente à casa no bairro carioca de Santa Teresa, onde morava um irmão de Ana Capriglioni, notória amante do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros. Lá, executando uma operação minuciosamente planejada por “Estella”, que não tomou parte na ação, a VAR-Palmares roubou um cofre de chumbo pesando 300 kg, recheado com uma bolada de US$ 2,16 milhões.

Pouco tempo depois, a VAR-Palmares se desintegra, por desentendimentos entre “Estella” e Carlos Lamarca. A maior parte do grupo seguiu a agora presidente — na época, Cláudio, seu primeiro marido, partira para Cuba a bordo de um avião sequestrado, e Dilma já se enamorava de Carlos, o gaúcho da VAR-Palmares — com quem veio a se casar e com quem teve Paula, a única filha, hoje procuradora do Trabalho em Porto Alegre — de quem se separou já depois da redemocratização.

Parte do dinheiro — US$ 1 milhão — teria sido doada aos rebeldes argelinos. O resto teria sido usado para financiar a guerrilha. Seja como for, uma das guardiãs da grana era… Dilma! Virá daí a sua fixação por dinheiro em moeda sonante?

Mensalão
O terceiro momento grotesco da presidente diz respeito aos mensalões petista e mineiro. Ela acusou tratamento desigual dispensado aos respectivos: “dois pesos e umas 19 medidas”. Bem, trata-se apenas de uma mentira. O mensalão mineiro ainda não chegou ao estágio do julgamento porque foi admitido pela Justiça bem depois do petista. Não há condescendência nenhuma da Justiça, do Ministério Público ou da imprensa! Muito pelo contrário. Insiste-se em dar tratamento igual ao que é desigual. No caso de Minas, sim, tratou-se, tudo indica, de caixa dois, mas não da compra de parlamentares, que é o aspecto mais grave da malandragem petista.

De resto, não ficou claro a quem Dilma estava se referindo. Sim, ela é candidata à reeleição. E isso evidencia que é presidente e que na Presidência está. Aliás, só fez sabatina em condições especiais — no Palácio da Alvorada e sem público — por isso. Não cabe à chefe do Executivo fazer considerações que sugiram que a Justiça age de modo partidário e discricionário, o que também é falso.

A sabatina demonstrou que, no seu quarto ano de governo, Dilma continua sem ter o que dizer. E olhem que ela contou com interlocutores bastante brandos.

29 Jul 00:04

Dilma admite efeitos de crise financeira: “Todos nós erramos”

by giinternet

Por Gabriel Castro, na VEJA.com. Comento no próximo post.
A presidente-candidata Dilma Rousseff admitiu nesta segunda-feira que o Brasil sofre os efeitos da crise financeira internacional e afirmou que a avaliação do então presidente Lula, que se referiu à turbulência como “marolinha”, foi equivocada. “Todos nós erramos, sabe por quê? Porque a gente não tinha ideia do grau de descontrole que o sistema financeiro internacional tinha atingido”, disse ela. Dilma participou de sabatina promovida pela Folha de S. Paulo, peloUOL, SBT e pela rádio Jovem Pan. ”Nós minimizamos os efeitos da crise sobre a economia brasileira”, disse a presidente, quando tentava explicar os números acanhados do crescimento econômico em seu governo. Ela também afirmou que “nenhum país se recuperou” até agora.

Mensalão
Durante a sabatina, que durou cerca de uma hora e meia, Dilma também respondeu sobre o episódio do mensalão e, apesar de dizer que não comenta decisões judiciais, afirmou que falta critério à Justiça. “Nessa história da relação com o PT, tem dois pesos e umas dezenove medidas, porque o mensalão foi investigado, agora o mensalão mineiro, não”, afirmou ela, esquecendo-se que o valerioduto mineiro foi investigado, porém ainda não foi julgado porque o processo mudou de instância no Judiciário. “No nosso caso, tomamos todas as providências. Nós não tivemos nenhum processo de interromper a Justiça, não pressionamos juiz, não falamos com procurador, não engavetamos processo”, continuou.

Ainda falando sobre corrupção, Dilma admitiu que, para atender a um pedido do PR, trocou o ministro dos Transportes, César Borges, por Paulo Sérgio Passos – que ela havia demitido do mesmo ministério em 2011, em meio a denúncias de desvio de recursos. Dilma negou, entretanto, que o episódio tenha caracterizado chantagem em troca do apoio do PR nas eleições – e dos minutos do partido na propaganda eleitoral na TV. “Eu me sentiria chantageada se eu colocasse no Ministério dos Transportes uma pessoa na qual eu não confio e que não conheço”, disse.

A petista também se enrolou ao comentar por que voltou a se aliar a Carlos Lupi, demitido do cargo de ministro do Trabalho após recomendação do Comitê de Ética Pública da própria Presidência. “Não vou concordar em chamar o ex-ministro Lupi de um cara que fez malfeitos. O ministério pode ter cometido falhas administrativas que vários ministérios (sic), nem um, nem dois, nem três…”, declarou, sem completar a frase.

No final, Dilma cometeu uma gafe e tentou corrigi-la a tempo: tentando explicar a mania de guardar dinheiro vivo em casa (152.000 reais, segundo a declaração entregue ao Tribunal Superior Eleitoral). Ela lembrou os tempos em que foi perseguida pela ditadura, mas não conseguiu apresentar uma explicação convincente: “Tenho essa mania com esses meus 150.000 reais que não vou mudar”. Um dos entrevistadores afirmou que, se investisse esse montante na poupança, Dilma ganharia pelo menos 10.000 reais por ano. Dilma respondeu: “O que que é 10.000?”. Segundos depois, ela percebeu o potencial negativo da frase e emendou: “Eu acho que 10.000 são muito, eu não jogo fora nenhum dinheiro”.

29 Jul 00:02

“Sou pago para falar o que penso”, diz analista de consultoria cerceada pelo PT

by giinternet

Por Ana Clara Costa, na VEJA.com:
Na última sexta-feira, toda a artilharia petista se armou contra o banco Santander depois que um relatório enviado a clientes de alta renda previa mais dificuldades para a economia brasileira se a presidente Dilma Rousseff se reeleger. Temendo represália, o banco enviou nota ao mercado desculpando-se pelo texto da equipe de análise e assegurando que medidas haviam sido tomadas em relação aos responsáveis. No mesmo dia, o partido silenciosamente protocolou uma representação contra a consultoria de investimentos Empiricus Research no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A justificativa foi a mesma que a usada pelo presidente do PT, Rui Falcão, para recriminar o banco Santander na sexta-feira: “terrorismo eleitoral”. Ou, de forma mais sofisticada, “fazer manifestações que interfiram na decisão de voto”.

Segundo a representação, a Empiricus estaria vinculada ao candidato tucano Aécio Neves, à coligação Muda Brasil e ao Google numa campanha com o intuito de manchar a imagem da presidente Dilma por meio de propaganda paga. A consultoria, conhecida no mercado pela forma dinâmica e descomplicada com que produz suas análises, anunciou alguns de seus textos por meio da ferramenta Google Ads. Ao longo do último mês, permaneceram em evidência no Google os anúncios mais clicados por leitores, que eram justamente os textos intitulados: Como se proteger de Dilma e E se Aécio ganhar. O ministro Admar Gonzaga, do TSE, acatou o pedido protocolado em nome de Dilma e concedeu liminar impedindo a Empiricus de propagandear suas análises no Google. O gigante da internet também foi alvo de representação, assim como o candidato do PSDB e sua coligação. Em entrevista ao site de VEJA, o autor dos textos, Felipe Miranda, afirmou que a medida não intimidará seu trabalho. “O que já vínhamos falando aos nossos clientes sobre a gestão do governo e a condução da política econômica só piorou com esse cerceamento. Mas vamos continuar atuando da mesma forma. Não tenho rabo preso e sou pago pelos meus clientes para falar o que penso”, afirma. Confira trechos da conversa.

O TSE informou a consultoria sobre a representação do PT?
Não, ainda não recebemos nenhum comunicado oficial. Ficamos sabendo pela internet. Mas a situação é absurda, pois não há campanha eleitoral da nossa parte. Podem não gostar do que escrevemos, mas nos colocar ali é absurdo.

Estão impedidos de produzir análises com foco eleitoral?
Não. Há uma liminar que nos obriga a tirar aqueles textos do ar. Mas não existe a possibilidade de alguém nos proibir de fazer nossas análises críticas, pois aí seria censura explícita. Já seria um ato institucional contra a liberdade de expressão. Além disso, o que já vínhamos falando aos nossos clientes sobre a gestão do governo e a condução da política econômica só piorou com esse cerceamento. Mas vamos continuar atuando da mesma forma. Não tenho rabo preso e sou pago pelos meus clientes para falar o que penso.

Como o Google distribuiu os anúncios dos textos produzidos pela Empiricus?
Os dois textos são muito claros: tratam de uma tese econômica que não é nova e que mostra que a bolsa cai quando a Dilma sobe nas pesquisas, e sobe quando o Aécio melhora. O objetivo é simples: nossos clientes devem se proteger desses solavancos. Os anúncios dos textos chegam de forma idêntica ao Google, mas, de acordo com a métrica de distribuição desses anúncios, ficam mais expostos os que são mais clicados. Diante disso, podemos escolher tirar do Google Ads os anúncios menos rentáveis. O que não foi o caso dos anúncios sobre as perspectivas econômicas num cenário de vitória da Dilma e do Aécio.

A consultoria sofreu algum tipo de represália fora a representação no TSE?
Tirando esse clima de caça às bruxas, de perseguição, nada foi feito. Há, claro, a militância. Desde a semana passada recebo xingamentos e ameaças de toda a natureza por email e por meio das redes sociais. Nosso site já caiu várias vezes e tentaram invadir nossos emails.

Desde a repercussão do caso Santander, o mercado está mais amedrontado?
Não posso falar pelo mercado, pois não estou a par. Mas o que é certo é que estão tentando cercear nossa liberdade e nosso dever fiduciário de prover boas dicas. Nós estamos pessimistas em relação à economia e não posso ignorar isso em minhas análises. No caso do Santander, entendo que ficou feio para o banco ter de voltar atrás na opinião de um analista. Mas não me surpreende, pois os grandes bancos não querem romper relações com o governo. Mas nós somos independentes e só temos compromisso com nossos clientes.

28 Jul 20:20

Guerra israelo-palestina: Um dia sangrento e a ladainha macabra de sempre

by giinternet

O primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, criticou o pedido incondicional de cessar-fogo feito pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU. E fez muito bem.  Na prática, o Conselho ignora os ataques de que Israel é vítima e atribui ao país a responsabilidade única pelo conflito. Não dá mais para aceitar esse tipo de delinquência política.

Nesta segunda, cinco palestinos foram mortos no sul de Israel. Ataques a um campo de refugiados e a um hospital, em Gaza, fizeram pelo menos 12 mortos e 40 feridos. O Hamas acusa Israel. O governo israelense, por sua vez, nega a responsabilidade e diz que se tratou de fogo amigo: os mísseis teriam sido disparados pela própria Jihad Islâmica, um dos grupos terroristas que atuam em Gaza. Israel não costuma mentir sobre suas ações.

No dia com o maior número de baixas civis israelenses, quatro pessoas morreram no distrito de Eshkol em razão da queda de um míssil: oito outras estão feridas, quatro em estado considerado “crítico”, com risco imediato de morte, e quatro em estado grave. O Hamas comemorou com entusiasmo o seu feito, coisa que, obviamente, não vai chamar a atenção de ninguém, nem da ONU.

É uma tolice e uma perda de tempo imaginar que o esforço para isolar Israel, jogando contra o país a opinião pública mundial, irá demovê-lo de se defender. A hesitação em dar início à incursão terrestre em Gaza levava em conta o desgaste certo. Àquele que não resta alternativa a não ser se defender, a margem de manobra se estreita brutalmente.

Se Israel se vergasse a esse tipo de pressão, já não existiria como país. Também mentem os tolos — ou os de má-fé — ao sustentar que o país precisa do sinal verde dos EUA para se defender. A esta altura, está claro para a sociedade israelense que há um de dois caminhos: enfrentar o inimigo ou sucumbir. Parte considerável do mundo prefere fechar os olhos para os mísseis do Hamas, para a natureza da sua luta — que recorre a escudos humanos — e para seus propósitos: quer o fim de Israel. Está em seus estatutos.

A Israel cabe ficar de olhos bem abertos. Para enfrentar, inclusive, o hábil trabalho de manipulação de opinião pública que coloca o país como vilão.

28 Jul 18:50

Lots Of People Really Want Slideout-Keyboard Phones: Where Are They?

by timothy
Bennett Haselton writes: I can't stand switching from a slideout-keyboard phone to a touchscreen phone, and my own informal online survey found a slight majority of people who prefer slideout keyboards even more than I do. Why will no carrier make them available, at any price, except occasionally as the crummiest low-end phones in the store? Bennett's been asking around, of store managers and users, and arrives at even more perplexing questions. Read on, below.

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28 Jul 18:50

Camila Jourdan e a farsa da suposta intelectual a serviço do povo

by giinternet
Camila Jourdan, a face supostamente instruída da violência como método (Retrato: Daniel Marenco/Folhapress)

Camila Jourdan, a face supostamente instruída da violência como método (Retrato: Daniel Marenco/Folhapress)

A democracia brasileira só tem uma coisa a fazer com uma senhora chamada Camila Jourdan, 34 anos, coordenadora — acreditem! — do curso de pós-graduação em filosofia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro: mandá-la para a cadeia. Até para que ela não se decepcione e, candidata a intelectual que é, possa ver comprovada a sua tese. Vamos lembrar: Camila é apontada pelo Ministério Público e pela Polícia como uma das chefes da turma que promoveu — e tenta promover ainda — desordem no Rio e no país. Gravações que vieram a público evidenciam o seu papel de destaque numa tal OATL (Organização Anarquista Terra e Liberdade) e na FIP (Frente Independente Popular), grupos minoritários, ultrarradicais, acusados de promover ações violentas em protestos, recorrendo a métodos franca e escancaradamente terroristas.

Esta senhora ficou presa por 13 dias, até que um habeas corpus concedido pelo desembargador Siro Darlan a colocasse em liberdade. Em entrevista à Folha, ela afirma: “Tenho receio do que pode acontecer porque sei que não vivemos em uma sociedade justa. Não acredito neste Estado como um Estado democrático. Se acontecer [a condenação], ao menos, não vou me decepcionar neste sentido.”

Muito bem! Alguém que sustenta que não estamos num estado democrático, que escolhe a violência como forma de atuação política, que não aposta no diálogo como instrumento de mediação de conflitos, alguém assim não pode merecer do ente que ela despreza — esse mesmo Estado — um tratamento benevolente. A única atitude moral da Justiça brasileira é, então, não decepcionar Camila e suas teses: que a lei seja aplicada com o devido rigor e que ela seja apartada do convívio social! E não para lhe dar uma lição moral. Mas porque as evidências estão contra ela.

Na entrevista concedida a jornalistas, Camila afeta sabedoria e cita alguns filósofos, uma conversa muito distinta daquela que mantinha com outros militantes, adeptos da violência, segundo interceptações telefônicas feitas pela Polícia, com autorização da Justiça. Com a imprensa, vaza uma suposta sabedoria arrogante, de quem não transita no mundo dos mortais. Com os seus teleguiados, a conversa vulgar, agressiva, autoritária, de quem não reconhece os limites dos outros — nem mesmo daqueles que estão do seu lado.

Na UERJ, tentam dar relevo à sua formação acadêmica. É mesmo? À Folha, Camila é capaz de dizer coisas assim, prestem atenção: “A participação política não pode se resumir a um objeto de consumo. Mandam o eleitor comprar um candidato. O ser humano precisa de participação política real e permanente. Nós fazemos isso nas manifestações e nos trabalhos de base, com movimentos sociais e assembleias populares”.

Como é que é? Assembleias populares? “Popular” é o adjetivo do substantivo “povo”. Desde quando o “povo” sabe ou participa da luta dessa senhora? Com que autoridade ela fala em seu nome? Imodesta, notem que Camila se pretende também uma intérprete das reais necessidades dos “seres humanos”. A cadeia é a hipótese benevolente para essa gente. A mais rigorosa seria mesmo o manicômio.

Camila é só a expressão de uma safra de militantes políticos — à qual pertence também Guilherme Boulos, o autointitulado líder do autoproclacamado Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto — que resolvem tomar para si a tarefa de mudar o mundo na marra. E que valores orientam a sua batalha? Aqueles que lhes dá na veneta, sejam ou não viáveis. E as pessoas que se virem para se defender da violência que engendram.

Chegou a hora de o estado democrático e de direito dar a devida resposta a esses celerados. Parte considerável das ações que praticam não se distingue do banditismo comum. E lugar de bandido é na cadeia. Em nome da preservação da ordem democrática — esta, sim, popular, exercida pela maioria, ancorada na Constituição — e em leis que asseguram os direitos coletivos e individuais. A democracia tem a obrigação de se proteger dos que querem solapá-la.

28 Jul 18:49

Internet Census 2012 Data Examined: Authentic, But Chaotic and Unethical

by timothy
An anonymous reader writes "A team of researchers at the TU Berlin and RWTH Aachen presented an analysis of the Internet Census 2012 data set (here's the PDF) in the July edition of the ACM Sigcomm Computer Communication Review journal. After its release on March 17, 2013 by an anonymous author, the Internet Census data created an immediate media buzz, mainly due to its unethical data collection methodology that exploited default passwords to form the Carna botnet. The now published analysis suggests that the released data set is authentic and not faked, but also reveals a rather chaotic picture. The Census suffers from a number of methodological flaws and also lacks meta-data information, which renders the data unusable for many further analyses. As a result, the researchers have not been able to verify several claims that the anonymous author(s) made in the published Internet Census report. The researchers also point to similar but legal efforts measuring the Internet and remark that the illegally measured Internet Census 2012 is not only unethical but might have been overrated by the press."

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28 Jul 11:06

Terror petista: partido e governo pedem guilhotina para funcionários do Santander; eles serão entregues a Dilma numa bandeja!

by giinternet
Na fase do Terror, a guilhotina se transforma numa das armas dos poderosos

Na fase do Terror, a guilhotina se transforma numa das armas dos poderosos

Cabeças vão rolar no banco Santander no Brasil. Por quê? Porque alguém — ou um departamento, sabe-se lá — decidiu anexar ao extrato de um grupo seleto de clientes uma avaliação sobre o comportamento dos indicadores econômicos e sua conexão com as pesquisas eleitorais. Em síntese, o texto, um tanto confuso, afirmava que, se a presidente Dilma voltar a subir nas pesquisas ou se mantiver estável, os juros vão subir, a Bolsa vai cair e o câmbio vai se desvalorizar. Há algo de errado na avaliação? Não! Trata-se de alguma opinião surpreendente ou exótica? Não também! Um banco tem o direito de orientar seus correntistas e investidores? Tem. Mas se fez um enorme escarcéu.

Os petistas aproveitaram o caso para acusar uma grande conspiração dos ricos, dos bancos, do setor financeiro… Tudo não passa de uma bobajada infernal. Ao contrário: como Lula não cansa de repetir por aí, essa área da economia nunca lucrou tanto como em seu governo — e isso também é verdade. O partido que recebeu doações mais generosas dos bancos em 2006 e 2010 foi o PT. Era justamente no setor financeiro que se concentravam os maiores entusiastas do “Volta, Lula!”. Assim, essa guerra das tais elites contra o partido nunca passou de uma fantasia eleitoreira para enganar trouxas.

Acontece que a desconfiança no governo é, hoje, gigantesca. E isso vale para o conjunto do empresariado, inclusive e muito especialmente do setor industrial. O comunicado do Santander toca, direta ou indiretamente, no tripé do desconsolo provocado pela gestão petista: inflação alta, juros elevados e baixo crescimento. Por que o mercado reage mal quando acha que as chances de Dilma aumentam? Porque não vê pela frente perspectiva de mudança.

Jesús Zabalza, presidente do Santander no Brasil, conversou pessoalmente com Dilma e informou que todos os responsáveis pela elaboração do boletim serão demitidos. Neste domingo, Emilio Botín, que preside a instituição em escala mundial, destacou que a avaliação não é do Santander, mas de um analista. E reiterou a importância do Brasil para a empresa.

Coitados dos demitidos do Santander! Vão perder o emprego por terem falado uma verdade inconveniente. Nas democracias mundo afora, ninguém daria a menor bola para isso. O tal boletim não passou de uma análise corriqueira.

Na sexta, diga-se, o Banco Central anunciou mudança nas regras do compulsório recolhido pelos bancos. O objetivo é liberar pelo menos R$ 45 bilhões para o crédito. Acontece que, há dias, em sua ata, esse mesmo BC saudou o esfriamento do crédito como um dos elementos que concorreriam para diminuir a pressão inflacionária. Ou por outra: o BC tomou uma decisão na contramão de sua convicção técnica.

Quando isso acontece, como é que os tais agentes econômicos reagem? No mínimo, com pessimismo, não é? O que o Santander fez foi só uma leitura de conjuntura, que não é distinta daquela que está em todos os lugares, muito especialmente na imprensa. O próprio PT sabe que se está diante de uma verdade evidente.

Pedir cabeças? Cortar cabeças? Não são práticas que honrem a democracia, não é mesmo? Mas também não se trata de nada estranho ao PT. Como esquecer a tal lista negra de nove jornalistas, da qual honrosamente faço parte, elaborada pelo partido? Também para estes, o que se pedia era guilhotina.

Essa gente é o que é. E não é coisa boa!

 

28 Jul 11:05

As dificuldades do PT para se livrar do deputado-bomba

by giinternet

Por Felipe Frazão, na VEJA.com:
Nos últimos anos, o PT conseguiu construir um importante reduto eleitoral na capital paulista. Na populosa Zona Leste da cidade, o partido ganhou força pelas mãos de dois irmãos, o vereador Senival Moura e o deputado Luiz Moura, ambos ex-líderes de perueiros. Os votos da região foram decisivos para os petistas nas últimas eleições, especialmente para a vitória do prefeito Fernando Haddad. Tudo funcionou bem até maio, quando veio a público a informação de que policiais flagraram Luiz Moura, ex-presidiário, em uma reunião com sindicalistas na garagem de uma cooperativa na qual também estavam dezoito membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Desde então, o deputado tornou-se um fardo difícil para o partido carregar. E o PT colocou em curso uma desesperada articulação para rifá-lo antes do início da campanha de Alexandre Padilha ao Palácio dos Bandeirantes.

Agora, o comando do PT paulista se prepara para enfrentar, na Justiça e nas instâncias do partido, uma semana decisiva para o futuro da legenda nas eleições deste ano. Entra na fase final o processo disciplinar contra Luiz Moura. O partido trabalha para afastar a qualquer custo seu deputado-bomba da campanha – e dos holofotes – para evitar um desgaste ainda maior durante as eleições no maior colégio eleitoral do país.

O movimento começou no fim de maio, articulado pelos comandos estadual e nacional do partido. No dia 2 de junho, a Comissão Executiva do PT paulista suspendeu a filiação de Luiz Moura por sessenta dias – o que o impediu de participar da convenção estadual. Moura não aceitou e entrou na Justiça, alegando ter sido afastado irregularmente, sem direito à ampla defesa. O deputado foi à tribuna na Assembleia Legislativa e justificou sua presença, em março, no encontro de perueiros onde estavam bandidos do PCC. Segundo ele, era uma tentativa de evitar a adesão dos donos de lotação a uma greve de motoristas e cobradores de ônibus na cidade. Na época, alegou, em sua defesa, que não havia investigações contra ele. Mas agora há.

Nesta semana, o site de VEJA mostrou que o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, apresentou à Justiça uma representação criminal contra o deputado. O chefe do Ministério Público paulista enxergou indícios de que Moura pode ter cometido sete crimes diferentes: organização criminosa, extorsão, constrangimento ilegal, apropriação indébita, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e abuso de autoridade. Como o petista tem foro privilegiado, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça terá de autorizar a abertura do inquérito – o que também deve ocorrer nesta semana, quando vence o prazo de defesa prévia.

A data decisiva para o desfecho do caso Luiz Moura é a próxima sexta-feira, dia 1º de agosto, quando uma reunião do Diretório Estadual deve homologar ou não a punição aplicada pela Comissão Executiva do PT paulista, que notificou o deputado a apresentar sua defesa por escrito no processo disciplinar. A Executiva Estadual aguardará a manifestação de Moura até o dia 31 para emitir parecer sobre a conduta dele. Um dia antes, o Tribunal de Justiça de São Paulo decidirá sobre a guerra de liminares entre os advogados do deputado e o setor jurídico do partido. O agravo de instrumento do PT contra a candidatura de Luiz Moura está na pauta de julgamento da 5ª Câmara de Direito Privado. Caso seja derrotado, Moura ainda poderá recorrer ao Diretório Nacional do PT, na esfera partidária, e à instância superior da Justiça. O advogado do parlamentar, João de Oliveira, classificou a investigação do procurador-geral de Justiça como “oportunismo político”. Oliveira disse desconhecer a notificação do PT para que o parlamentar se explique no âmbito partidário até quinta-feira.

É fato que a cúpula petista pretende expulsar Luiz Moura e é pouco provável os integrantes da Comissão Executiva, os mesmos que aprovaram a suspensão por unanimidade, tenham uma interpretação diferente agora, com a campanha em curso. Os dirigentes afirmam que a situação de Moura “agravou-se politicamente” depois que o parlamentar ingressou na Justiça comum contra o partido e anulou, ainda que temporariamente, a suspensão de sessenta dias e a convenção estadual do partido. A atitude de Moura chegou a ameaçar a candidatura de Alexandre Padilha ao governo do Estado. “Se dependesse de mim ele já estava expulso há muito tempo”, afirmou, no dia em que o PTderrubou a liminar judicial, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT) – homem de confiança escalado pelo ex-presidente Lula para coordenar o comitê da presidente Dilma Rousseff em São Paulo. O próprio Padilha diz que o Luiz Moura “é caso encerrado no PT”. Mas o partido não esperava que o juiz considerasse a suspensão “ilícita” e autorizasse Luiz Moura a solicitar à Justiça Eleitoral o registro da própria candidatura. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ainda não validou a candidatura do deputado.

Peça importante na engenharia para montar o reduto eleitoral na Zona Leste, Moura agora é tratado como inimigo e traidor por diferentes setores do partido. O comando da legenda está nas mãos da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB), cujos líderes articulam sua expulsão. No início de junho, a tendência minoritária Articulação de Esquerda chegou a alertou seus militantes sobre o“potencial explosivo” do deputado, assim que a participação dele na reunião com integrantes do PCC veio a público. No fim do mês, a corrente publicou uma resolução ainda mais severa sobre o parlamentar, taxado de “integrante da quinta coluna da direita no interior de nossas fileiras”. Mas nem sempre foi assim.

Durante pelo menos doze anos, o reduto eleitoral montado pelos irmãos Moura, integrantes da corrente PT de Lutas e de Massas (PTLM) rendeu expressivas votações nominais a figurões do partido. Os candidatos do PT beneficiaram-se da influência do deputado Luiz Moura e do seu irmão, o vereador Senival Moura. Ambos são também dirigentes de cooperativas de perueiros. Em anos diferentes, a base política dos Moura em Guaianazes, Cidade Tiradentes e Itaim Paulista serviu, por exemplo, aos deputados federais petistas Jilmar Tatto, atual secretário de Transportes da gestão Haddad, e Arlindo Chinaglia, vice-presidente da Câmara dos Deputados. Em 2010, os comitês de campanha de candidatos como a ministra Marta Suplicy (Cultura) e o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) doaram recursos para Luiz Moura. Ele foi eleito com 104.705 votos em sua primeira disputa eleitoral para a Assembleia Legislativa. Na ocasião, o fato de Luiz Moura ser ex-presidiário, condenado por assalto à mão armada nos anos 1990, não impediu o partido de lançá-lo candidato.

Os planos dos irmãos Moura eram mais ambiciosos neste ano. Luiz Moura pretendia concorrer ao segundo mandato na Assembleia Legislativa. Com o impedimento, por enquanto, ele foi substituído na chapa petista pelo ex-chefe de gabinete da Subprefeitura de Guaianazes Jorge do Carmo, indicado por Senival Moura – o vereador concorrerá a uma cadeira em Brasília, na Câmara dos Deputados. Eleito pelos motoristas de ônibus, o vereador Vavá dos Transportes (PT), recém-aliado a Luiz Moura, permanecerá na Câmara Municipal como representante do grupo.

Caso se safe no PT, Luiz Moura ainda poderá ser alvo de mais um processo disciplinar no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa. As chances de cassação, porém, são remotas, dado o histórico de corporativismo da Casa – no mês passado, os parlamentares postergaram para o início de agosto a decisão sobre a abertura do processo. Nesse período, Moura voltou a infringir as normas da Assembleia: vestido com a camisa da seleção brasileira, dirigiu um carro oficial com a mulher e a filha no dia da abertura da Copa do Mundo. Questionado, ficou em silêncio. Talvez porque, a exemplo dos motivos que levaram o PT a tratá-lo tão bem durante anos, seja tudo muito difícil de explicar.

28 Jul 11:04

Time to Stand Against Rome?

by Dale M. Coulter

A recent joint statement by a number of Italian evangelical groups indicts the Roman Catholic Church as an “imperial” church and its call for evangelicals to “unionist initiatives that are contrary to Scripture and instead renew their commitment to take the gospel of Jesus Christ to the whole world.”

Writing for the Gospel Coalition, Leonardo De Chirico offers an interpretation that does not do full justice to the complexities of Italian evangelicalism and its history with the Catholic Church. The statement was issued by both the more Reformed Alleanza Evangelica Italiana, to which de Chirico, a Reformed Baptist, belongs and various Pentecostal groups with greater numbers. To interpret the statement as a straightforward affirmation of Reformed commitments, as de Chirico does, smacks of the way Pentecostal and holiness churches were initially invited to join the National Association of Evangelicals for their numbers, not their theology, a history Molly Worthen has chronicled in her Apostles of Reason. Moreover, de Chirico’s position represents only part of the Reformed tradition. The Reformed scholars who signed Evangelicals and Catholics Together statement “The Gift of Salvation” would view the situation differently.

The document’s description of the Catholic Church as “imperial” is no doubt meant to conjure Constantinian images, but for Italian evangelicals it has a more immediate historical context. From 1929 Italian Pentecostals, along with other small Protestant groups, were persecuted by the government. During the late 1920s and early 1930s there was concern on the part of Catholic politicians in Italy and also the Vatican about proselytism by Protestant minority groups. This concern led to harassment of Pentecostals at the hands of local police. This was decades before Catholic experiences of spirit baptism, like that experienced by Fr. Raniero Cantalamessa, began to break down prejudices against Pentecostals.

When one is the object of persecution, it is difficult to differentiate between militant local priests, Catholic politicians, and the church hierarchy. Pope Pius XI may well have not wanted any persecution, but the average Italian Pentecostal during the 1930s would not have differentiated between him and local expressions of Catholicism. As late as the 1970s, Italian immigrant communities of Pentecostals were still saying to their American counterparts “you do not know the Catholic Church” in reference to their experiences in Italy. I might add that this complicated history in Italy is still being played out in certain parts of Latin America. Under these conditions, holding up the banner of the Protestant Reformation is less about affirming the theology of Italian Reformed Protestants (as de Chirico’s commentary implies) and more about past issues over religious freedom for Pentecostals who had only been in Italy for twenty years in 1928.

What is the way forward? First, we should pray that the private meeting between Pope Francis and Giovanni Traettino during the Holy Father’s visit to Caserta this past weekend bear fruit. Traettino, a personal friend of the pope, is a leading advocate for dialogue between Catholic and Protestant charismatics and he knows well the history of Pentecostal and Catholic relations in Italy.

Second, we should become more historically and theologically sensitive to the differences between parts of global evangelicalism. All ecumenical statements issued by groups of evangelicals should be viewed as speaking from parts of evangelicalism to the evangelical world. They should not be interpreted as speaking for the communities from which they come. This is how Evangelicals and Catholics Together understand all of their documents since there is no ecclesial authority governing evangelicalism as a whole.

To take one example, at the end of June there was a joint conference between European Pentecostals and charismatics and the Catholic community of Chemin Neuf at St. Niklausen. Italian Pentecostals were part of this meeting, the theme of which was the ecumenical challenge of Pentecostalism. Such meetings represent a very different approach to ecumenical relations. Even with a magisterium, Catholicism has its own internal debates as to what weight to give to what authorities and how to interpret them in light of one another. In ecumenical conversations, it matters immensely who sits across the table and how that person understands his or her own tradition.

Finally, we should be mindful of the pitfalls of reading online. Historical contexts and theological nuances can be easily lost when debates in one place are referenced to guide debates elsewhere. This puts a responsibility on all of us to become more sensitive to global dynamics and the local histories that inform them.

Most of all, the statement by Italian evangelicals reminds us to pray that God might use these conversations to demonstrate to the broader culture how persons of faith can have deep disagreements and yet remain committed to one another. We have a common witness and a common mission to bear in the world. Let us do so as friends who bandage one another’s wounds and hear one another’s hurts, even as we work toward a common future. After all, we all are members of the City of God. 

Dale M. Coulter is associate professor of historical theology at Regent University School of Divinity.

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28 Jul 02:08

Maybe this time they’ll kill us twice

by David P. Goldman

According to Lt.-Gen. Michael Flynn, if Hamas is eliminated, something worse would replace it. Hamas wants to exterminate the Jews; its Charter quotes the Hadith text about the tree telling Muslims to kill the Jew hiding behind it. What’s worse than that? Maybe this time, they’ll kill us twice.

 

28 Jul 02:08

There’s No Crisis on America’s Southern Border — the Crisis Is at Home

by David P. Goldman

Illegal immigrants are a minor annoyance; America’s shift towards European fertility is a catastrophe from which we may never recover. The demographic crisis isn’t at our borders but at home. It’s easy to blow off steam about illegals on the border, and tough to address the fundamentals. I’ve tried to do so in the past, for example here, but the real problems and prospective solutions don’t make easy sound-bites.

Just to make things clear: I want super-tough, restrictive immigration laws. I’d prefer a Canadian-style system that favors highly-educated immigrants with capital to invest. But I don’t think the best immigration law in the world is going to do much good.

The latest dip in fertility below replacement might be driven by economics, but the economics don’t appear to be getting any better.

Hispanics are increasing as a proportion of Americans NOT because they are inundating America’s borders but because they have more children than non-Hispanic Americans of European origin. That may be changing; American culture may succeed in corrupting Hispanics as effectively as it corrupted earlier waves of Catholic immigrants.  Perhaps the Hispanic birth rate will shrink to the ambient American level, and we will all shrink together.

The Pew Research Center projects that the Hispanic proportion of the U.S. population will rise to 29% by 2050 while the non-Hispanic white proportion will fall to 47%, even though net immigration from Mexico turned negative in 2012.

The Share of U.S. Hispanics Who Are Foreign Born is in Decline … as Hispanic Immigrant Population Growth Stalls

28 Jul 02:08

Satellite Images Show Russians Shelling Ukraine

by timothy
U.S. officials today made public satellite imagery which they say proves that Russian forces have been shelling eastern Ukraine in a campaign to assist rebel groups fighting Ukraine’s government. The U.S. Office of the Director of National Intelligence, which released the civilian-taken satellite images Sunday, said they show visual evidence that Russia has been firing shells across the border at Ukrainian military forces. Officials also said the images show that Russia-backed separatists have used heavy artillery, provided by Russia, in attacks on Ukrainian forces from inside Ukraine. One image dated July 25/26 shows what DNI claims is “ground scarring” on the Russian side of the border from artillery aimed at Ukrainian military units in Ukraine, as well as the resultant ground craters on the Ukrainian side of the border:

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28 Jul 02:06

Ukraine: The Second Time As Farce

by David P. Goldman

Any number of distinguished commentators–e.g. the National Interest’s Graham Allison–have taken the occasion of the anniversary of the First World War to warn that the crisis in eastern Ukraine might have catastrophic consequences comparable to 1914. That is silly. World War I did not occur because the European powers miscalculated, but because they each believed rationally that their interests were best served by fighting.  I addressed this in a light-hearted take on the event that destroyed Western Civilization, “Musil and Meta-Musil,” at Asia Times Online (referring to the great novelist Robert Musil and the laxative). I summarized the motives of the warring powers as follows:

  • With a stagnant population, France could not hope to win back the provinces of Alsace and Lorraine it had lost to Germany in 1870 – or to win any future war-unless it fought soon. From parity in the middle of the 19th century, the German population had become half again as large as France’s by 1914.
  • Germany could not concentrate its army on a crushing blow against France if it waited for Russia to build out its internal railway network.
  • Austria could not keep its fractious ethnicities within the empire if it did not castigate Serbia. It could not grant equal rights to Serbs without provoking the Hungarians, who held a privileged position in the empire, so it could only suppress them.
  • Russia could not maintain control over the industrialized western part of its empire – Poland, Ukraine, the Baltic States and Finland – if Austria humiliated its Serbian ally, and Russia depended on these provinces for the bulk of its tax revenues.
  • England could not maintain the balance of power in Europe if Germany crushed France.

Our universities tend to transform engaged, concerned and intelligent students into functional idiots by reducing all conflicts to the level of a schoolyard spat. Existential issues separated the powers of 1914. In 2014, there is nothing to fight over in Ukraine and no way to fight over it. That is because Russia already has what it wants, namely Crimea, and there is nothing that the West can to do take it away. It was moronic for the West to suggest that Russia would lose Crimea in a pro-Western coup in Ukraine; there was no way to get it. The West should have exacted a high price for Russia keeping Ukraine (missiles in Poland and Czech); instead it tried to punish Russia after the fact. Russia has responded by destabilization Ukraine; that is what I predicted Putin would do, and exactly what I would do if I were playing his side of the board.

It is all farcical. There is no way to have a war over Ukraine, no matter how hard we or the Russians tried.

28 Jul 02:06

In France, Most Comments on Gaza Conflict Yanked From Mainstream News Sites

by timothy
An anonymous reader writes with an unpleasant statistic from France, quoting David Corchia, who heads a service employed by large French news organizations to sift through and moderate comments made on their sites. Quoting YNet News: Corchia says that as an online moderator, generally 25% to 40% of comments are banned. Moderators are assigned with the task of filtering comments in accordance with France's legal system, including those that are racist, anti-Semitic or discriminatory. Regarding the war between the Israelis and Hamas, however, Corchia notes that some 95% of online comments made by French users are removed. "There are three times as many comments than normal, all linked to the Israeli-Palestinian conflict," added Jeremie Mani, head of another moderation company Netino. "We see racist or anti-Semitic messages, very violent, that also take aim at politicians and the media, sometimes by giving journalists' contact details," he added. "This sickening content is peculiar to this conflict. The war in Syria does not trigger these kinds of comments."

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28 Jul 02:05

More Killing, Please!

by David P. Goldman

From Asia Times Online, June 12, 2003

There’s really nothing to add to what I wrote 11 years ago.

SPENGLER
More killing, please!

“I think people are sick of [killing],” said President George W Bush of the Israeli-Palestinian war. The contrary may be true. People may want the killing to continue for quite some time, as the Palestinian radical organizations suggest. A recurring theme in the history of war is that most of the killing typically occurs long after rational calculation would call for the surrender of the losing side.

Think of the Japanese after Okinawa, the Germans after the Battle of the Bulge, or the final phase of the Peloponnesian War, the Thirty Years War, or the Hundred Years War. Across epochs and cultures, blood has flown in proportion inverse to the hope of victory. Perhaps what the Middle East requires in order to achieve a peace settlement is not less killing, but more.

Mut der Verzweiflung, as the Germans call it, courage borne of desperation, arises not from the delusion that victory is possible, but rather from the conviction that death is preferable to surrender. Wars of this sort end long after one side has been defeated, namely when enough of the diehards have been killed.

Don’t blame the president’s provincialism. This has nothing to do with Bushido, Nazi fanaticism or other exotic ideologies. The most compelling case of Mut der Verzweiflung can be found in Bush’s own back yard, during the American Civil War of 1861-1865. The Southern cause was lost after Major General Ulysses S Grant took Vicksburg and General George G Meade repelled General Robert E Lee at Gettysburg in July 1863. With Union forces in control of the Mississippi River, the main artery of Southern commerce, and without the prospect of a breakout to the North, the Confederacy of slaveholding states faced inevitable strangulation by the vastly superior forces of the North.

Nonetheless, the South fought on for another 18 months. Between Gettysburg and Vicksburg, the two decisive battles of the war fought within the same week, 100,000 men had died, bringing the total number of deaths in major battles to more than a quarter of a million. Another 200,000 soldiers would die before Lee surrendered to Grant at Appomattox in April 1865. The chart below shows the cumulative number of Civil War casualties as the major battles of the war proceeded.

The chart is demarcated into sections labeled “Hope” (prior to Gettysburg and Vicksburg) and “No Hope”. Geometers will recognize a so-called S-curve in which the pace of killing accelerates immediately after Gettysburg and Vickburg and remains steep through the Battle of Cold Harbor, before leveling off in the last months of the war. Not only did half the casualties occur after the war was lost by the South, but the speed at which casualties occurred sharply accelerated. The killing slowed after the South had bled nearly to death, with many regiments unable to field more than a handful of men.

In all, one-quarter of military age Southern manhood died in the field, by far the greatest sacrifice ever offered up by a modern nation in war. General W T Sherman, the scourge of the South, explained why this would occur in advance. There existed 300,000 fanatics in the South who knew nothing but hunting, drinking, gambling and dueling, a class who benefited from slavery and would rather die than work for a living. To end the war, Sherman stated on numerous occasions these 300,000 had to be killed. Evidently Sherman was right. For all the wasteful slaughter of the last 18 months of the war, Southern commander Lee barely could persuade his men to surrender in April 1865. The Confederate president, Jefferson Davis, called for guerilla war to continue, and Lee’s staff wanted to keep fighting. Lee barely avoided a drawn-out irregular war.

What will happen now in the Middle East? At the outbreak of the war, Grant and Sherman were unknown. They rose to command because the nerve of their predecessors snapped at the edge of the abyss. The character of the war was too horrible for them to contemplate. Bush’s nerve appears to have snapped, as I predicted ( Bush’s nerve is going to snap, March 4), “The danger is that America will find itself fighting a sort of Chechnyan war on a global scale. President George W Bush cannot wrap his mind around this,” I wrote then. “The blame lies at the doorstep of the neo-conservative war-hawks who persuaded the president that America should undertake a democratizing mission among a people who never once voted for their own leaders.”

For that matter, Ariel Sharon’s claim before last week’s Likud party congress that Israel had achieved victory against terrorism was both accurate and misleading. Wars do not end when they are won, but when those who want to fight to the death find their wish has been granted. Sherman’s 300,000 fanatics could not face the mediocre circumstances of a South without slaves and were willing to die for their way of life.

Three million Palestinians packed into a narrow strip of land one day may accept the modest fate of a small and impecunious people, but their young people do not seem ready to do so. We do not know how many ever will. The killing will continue for some time before we find out. 

27 Jul 19:11

Soccer Superstar Plays With Very Low Brain Activity

by timothy
jones_supa (887896) writes "Brazilian superstar Neymar's (Neymar da Silva Santos Júnior) brain activity while dancing past opponents is less than 10 per cent the level of amateur players, suggesting he plays as if on "auto-pilot", according to Japanese neurologists Eiichi Naito and Satoshi Hirose. The findings were published in the Swiss journal Frontiers in Human Neuroscience following a series of motor skills tests carried out on the 22-year-old Neymar and several other athletes in Barcelona in February this year. Three Spanish second-division footballers and two top-level swimmers were also subjected to the same tests. Researcher Naito told Japan's Mainichi Shimbun newspaper: "Reduced brain activity means less burden which allows [the player] to perform many complex movements at once. We believe this gives him the ability to execute his various shimmies." In the research paper Naito concluded that the test results "provide valuable evidence that the football brain of Neymar recruits very limited neural resources in the motor-cortical foot regions during foot movements"."

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26 Jul 01:30

O Santander e a falsa guerra entre ricos e pobres. Ou: Banco só afirmou o que todos dizem. Ou ainda: Falcão exibe cabeça dos demitidos como um troféu e um desagravo!

by giinternet

Ai, que preguiça!

O Santander enviou a clientes seus com renda superior a R$ 10 mil uma análise que já se tornou carne de vaca na imprensa, nos mercados, nos meios políticos, no Congresso, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé. A síntese do texto é a seguinte: se Dilma voltar a subir nas pesquisas, haverá deterioração dos indicadores econômicos. E o banco sugere a seus clientes que consultem o gerente para que este sugira as melhores opções de investimento. O comunicado é este, publicado pela Folha.

comunicado

Retomo
Sabem o que eu tenho a lamentar aí? Apenas a língua portuguesa. Sugiro ao Santander que recomende ao redator da estrovenga um curso intensivo da “Inculta & Bela”, que, no caso acima, é pura sepultura e nenhum esplendor. É preciso de um pouco de boa vontade para entender o texto. Nem Dilma redigindo uma “composição” de próprio punho seria capaz de barbarizar tanto.

Dito isso, vamos ao que interessa. Os petistas e seus acólitos estão tentando fazer escarcéu, acusando o banco de fazer campanha eleitoral ou sei lá o quê. Como o comunicado chegou aos clientes com renda acima de R$ 10 mil, tenta-se transformar a avaliação numa espécie de conspiração dos ricos. Chamar pessoas com renda de R$ 10 mil de “ricas” é demagogia.

O Santander não falou nada que o mercado não esteja falando. O Santander não falou nada que a imprensa não esteja falando. O Santander não falou nada que os próprios petistas não estejam falando. Aliás, Lula já usou essa questão para fazer proselitismo.

Um banco também é um orientador de investimentos e tem o direito de fazer avaliações a seus clientes, ora essa! Estão tentando fazer tempestade em copo d’água. A pressão sobre o banco foi grande, e a instituição emitiu a seguinte nota:

“O Santander esclarece que adota critérios exclusivamente técnicos em todas as análises econômicas, que ficam restritas à discussão de variáveis que possam afetar os investimentos dos correntistas, sem qualquer viés político ou partidário. O texto veiculado na coluna ‘Você e Seu Dinheiro’, no extrato mensal enviado aos clientes do segmento Select, pode permitir interpretações que não são aderentes a essa diretriz. A instituição pede desculpas aos seus clientes e acrescenta que estão sendo tomadas as providências para assegurar que nenhum comunicado dê margem a interpretações diversas dessa orientação.”

A redação melhorou, apesar do “aderentes a essa diretriz”. O “esclarecimento” só se fez necessário porque se criou uma falsa questão: o banco estaria fazendo campanha eleitoral. É bobagem das grossas. Digam-me: se o Santander tivesse anexado cópia de reportagens da Folha, da VEJA, do Estadão do Globo com essa mesma informação, seria diferente? A deterioração de indicadores econômicos quando aumentam as chances de reeleição de Dilma é só pregação de antipetistas ou é um dado do mundo dos fatos?

Ora… Essa gritaria é só  mais uma pecinha publicitária que busca criar a guerra entre pobres e ricos, colocando, claro!, os bancos como os grandes vilões, a serviço dos endinheirados. É mesmo, é? Tão logo se divulguem os dados sobre doações eleitorais, vamos ver quanto cada um doou para quem.

O presidente do PT, Rui Falcão, deixou claro que o PT pediu algumas cabeças. Leio na Folha: “Já houve um pedido de desculpas formal enviada à Presidência. [...] A informação que deram é que estão demitindo todo o setor que foi responsável pela produção do texto. Inclusive gente de cima. E estão procurando uma maneira resgatar o que fizeram”.

Eis aí. Chegamos ao ponto em que afirmar que dois mais dois são quatro pode render cabeças se isso não for do agrado do partido oficial.

 

25 Jul 23:26

Projeto de Aloysio não reduz maioridade penal

by giinternet

Durante campanha eleitoral nesta sexta, o presidenciável Aécio Neves (PSDB) defendeu a proposta do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), vice na sua chapa, que, atenção!, MUDA A LEI SOBRE MAIORIDADE PENAL, MAS NÃO A REDUZ, COMO HABITUALMENTE SE AFIRMA. E, claro, como acusam os petistas, com a precisão habitual…

Afirmar isso é uma distorção miserável. A PEC de Aloysio prevê coisa muito distinta. Atenção! No caso dos crimes hediondos cometidos por pessoas acima dos 16 e abaixo dos 18 anos, caberia ao promotor que atua na Vara da Infância e da Juventude pedir ao juiz que apure se o criminoso tem consciência do ato que cometeu. Só o juiz poderia, então, autorizar que fosse processado como adulto.

A petezada, evidentemente, gosta de distorcer a verdade porque pretende caracterizar seus adversários como algozes de pobres adolescentes injustiçados… Serve para a guerra suja na Internet, mas não serve para o mundo dos fatos.

Aécio defendeu a boa proposta de Aloysio (vejam post anterior) numa região pobre. E, por óbvio, os pobres, que são os que mais sofrem com a violência, sabem que não é a pobreza que faz a delinquência. Ao contrário: a esmagadora maioria dos brasileiros é, sim, pobre, mas é decente.

25 Jul 22:36

Aécio visita favela no Rio e aponta dificuldade de Dilma para fazer campanha na rua

by giinternet

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
Em visita à favela de Vigário Geral, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o candidato à Presidência do PSDB, Aécio Neves, criticou a presidente-candidata Dilma Rousseff por não sair às ruas desde que a campanha começou, dia 6 de julho. Nesta quinta-feira, Dilma também foi ao Rio, mas para um evento fechado com aliados. “A presidente tem tido dificuldade para se apresentar à população. A diferença para a nossa campanha é que nós podemos andar pelas ruas”, disse o tucano.

Na noite de quinta-feira, Dilma esteve em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, para um jantar fechado organizado por políticos aliados. Foi uma tentativa de reação ao abandono do PMDB fluminense. O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), afagou Dilma e prometeu buscar votos para ela. A cúpula do partido no Estado, entretanto, lançou o “Aezão” para puxar votos para Aécio e Pezão.

Maioridade
Durante a visita a uma das regiões conflagradas por conflitos entre policiais e traficantes, Aécio defendeu a mudança da lei sobre maioridade penal no caso de crimes hediondos. A proposta consta em projeto de lei de autoria do senador Aloysio Nunes (PSDB), candidato a vice-presidente na chapa dele (leia post seguinte). “O projeto do Aloysio atinge 1% dos jovens que comete algum delito e pode sinalizar um caminho de diminuição da impunidade. Vamos travar essa discussão, mas é um paliativo. A solução é educação, oportunidade e o Brasil voltar a crescer”, afirmou.

Acompanhado da filha Gabriela Neves, o presidenciável tucano conheceu uma favela fluminense sem Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), o programa de ocupação policial do PMDB no Rio que Aécio pretende reproduzir em outras regiões do país.

Ele também criticou o fato de Dilma ter sido poupada no julgamento do Tribunal de Contas da União (TCU) pelo prejuízo causado com a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras. “Acho curioso que diretores sejam responsabilizados e membros do conselho com responsabilidade formal pela decisão tenham tido tratamento diferenciado. Falta uma palavra pessoal da presidente sobre esse caso”, criticou.

25 Jul 22:36

BC entrou na dança eleitoral

by giinternet

O Banco Central resolveu reduzir o compulsório para elevar o crédito. Tá. Há duas questões aí: a medida em si e a sua oportunidade quando se considera a política econômica em curso — havendo uma…

Quem pode ser contra o estímulo ao crédito? Ninguém, não é? Todos somos a favor do bem, do belo e do justo. Quando, no entanto, se considera que o Banco Central, em sua ata, saudou o esfriamento do crédito como uma, digamos, “boa notícia”, num cenário de pressão inflacionária, então cabe perguntar o que é melhor para o Brasil no momento: mais crédito ou menos crédito?

Sabem o que significa isso? Que, agora, é o BC que está sendo usado para fazer política eleitoral, que merece o epíteto de eleitoreira porque tomada na boca da urna.

Eis aí um sinal claro de que o governo está absolutamente sem rumo. 

25 Jul 22:36

Switching From Microsoft Office To LibreOffice Saves Toulouse 1 Million Euros

by Soulskill
jrepin sends this EU report: The French city of Toulouse saved 1 million euro by migrating all its desktops from Microsoft Office to LibreOffice. This project was rooted in a global digital policy which positions free software as a driver of local economic development and employment. Former IT policy-maker Erwane Monthubert said, "Software licenses for productivity suites cost Toulouse 1.8 million euro every three years. Migration cost us about 800,000 euro, due partly to some developments. One million euro has actually been saved in the first three years. It is a compelling proof in the actual context of local public finance. ... France has a high value in free software at the international level. Every decision-maker should know this."

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25 Jul 22:35

O conflito israelo-palestino, os delinquentes e os cínicos

by giinternet

O Hamas e a Jihad Islâmica, que são grupos terroristas, e a Autoridade Palestina, reconhecida internacionalmente como governo legal dos palestinos, convocaram nesta sexta um “Dia de Fúria”, desta feita na Cisjordânia, o território controlado pelo Fatah, grupo ao qual pertence Mahmoud Abbas, presidente da AP. O esforço, como se vê, é para levar o caos da Faixa da Gaza, onde se dá a guerra entre Israel e o Hamas, para a Cisjordânia, que vivia dias naturalmente tensos, mas estava relativamente em paz. Que líder, com um mínimo de responsabilidade, faz essa escolha? Confrontos com as forças israelenses fizeram cinco mortos. Na Faixa de Gaza, a Al Aqsa, televisão controlada pelo Hamas, começou a divulgar canções pró-Intifada, pró-levante.

O confronto, até agora, já matou mais de 800 palestinos. São 36 os soldados israelenses mortos, maior número de baixas desde a Guerra do Líbano, em 2006. É lamentável? É. Faz-se necessário um cessar-fogo imediato? Sim. E quem não permite que isso aconteça? O Hamas, que é, desde sempre, a força agressora nesse conflito — pouco importa o que cada um de nós pense sobre a questão israelo-palestina. Para um cessar-fogo, o Hamas exige o fim do bloqueio a Gaza. Ora, isso é o que eles já pediam, usando essa reivindicação como justificativa para jogar seus milhares de foguetes contra Israel. Se, antes da reação militar, Israel não cedeu — no que fez muito bem —, por que cederia agora?

Contabilidade de mortos não confere superioridade moral a ninguém, especialmente quando um dos lados do conflito, como é sabido, recorre a escudos humanos. Israel hesitou em dar início à ofensiva terrestre — e tratei aqui desse assunto — porque é claro que o resultado seria terrível, dadas as características demográficas de Gaza e a forma de luta escolhida pelo Hamas, que não distingue civis de homens em guerra.

O governo brasileiro continua a produzir delinquências políticas a respeito. Marco Aurélio Garcia, assessor especial da presidente Dilma para assuntos internacionais, afirmou, por exemplo, que há um “genocídio” em Gaza. É ideologia rombuda misturada a ignorância. Acusar os judeus, que foram vítimas da tentativa de extermínio nazista — este, sim, genocida —, de tal prática é só uma das formas de negar o Holocausto. Mas nada me surpreende nessa gente.

Garcia, um prosélito vulgar de causas ruins, escreveu um texto com ataques a Israel num desses panfletos de esquerda de que se serve o governo. A política externa brasileira virou uma chanchada macabra. O Itamaraty, como se sabe, emitiu uma nota em que condena explicitamente a ação israelense, ignorando solenemente os ataques do Hamas. A chancelaria de Israel afirmou que a opinião do governo brasileiro era irrelevante. Indagado a respeito, Garcia diz que não responderia ao “sub do sub do sub”. A ignorância é sempre arrogante.

Se há mesmo vozes dispostas a falar em nome da paz, a única coisa sensata a fazer neste momento é apelar para que o Hamas aceite o cessar-fogo para que se possa abrir um corredor humanitário em Gaza para atender as vítimas. E termino com uma questão que pede uma resposta. O Hamas jogava milhares de foguetes em Israel sob o pretexto de pedir o fim do bloqueio a Gaza. Israel não cedia porque o grupo quer as fronteiras abertas para que possa se armar com o propósito de atacar o país. A situação estava se tornando insustentável, e uma nova incursão a Gaza seria fatal se os terroristas não suspendessem seus ataques. O mundo ficou calado diante da escalada do Hamas. Nesse contexto, o que restava a Israel senão se defender?

Os que se calaram antes diante da ação terrorista agora se dizem chocados com o número de mortos? Isso não é piedade, mas cinismo.

 

25 Jul 22:35

Shaun M. Thomas: Friends Don’t Let Friends Use Loops

Programming is fun. I love programming! Ever since I changed my career from programming to database work, I’ve still occasionally dabbled in my former craft. As such, I believe I can say this with a fair amount of accuracy: programmers don’t understand databases. This isn’t something small, either; there’s a fundamental misunderstanding at play. Unless the coder happens to work primarily with graphics, bulk set-based transformations are not something they’ll generally work with.

For instance, if tasked with inserting ten thousand records into a database table, a programmer might simply open the data source and insert them one by one. Consider this basic (non-normalized) table with a couple basic indexes:

CREATE TABLE sensor_log (
  sensor_log_id    SERIAL PRIMARY KEY,
  location         VARCHAR NOT NULL,
  reading          BIGINT NOT NULL,
  reading_date     TIMESTAMP NOT NULL
);

CREATE INDEX idx_sensor_log_location ON sensor_log (location);
CREATE INDEX idx_sensor_log_date ON sensor_log (reading_date);

Now suppose we have a file with ten thousand lines of something like this:

38c-1401,293857,2014-07-25 10:18:38-05:00
69a-8921,209574,2014-07-25 10:18:25-05:00
9e5-0942,690134,2014-07-25 10:18:16-05:00

To load this data, our coder chooses Python and whips up an insert script. Let’s even give the programmer the benefit of the doubt, and say they know that prepared queries are faster due to less overhead. I see scripts like this all the time, written in languages from Java to Erlang. This one is no different:

import psycopg2

db_conn = psycopg2.connect(database = 'postgres', user = 'postgres')
cur = db_conn.cursor()

cur.execute(
  """PREPARE log_add AS
     INSERT INTO sensor_log (location, reading, reading_date)
     VALUES ($1, $2, $3);"""
)

file_input = open('/tmp/input.csv', 'r')
for line in file_input:
    cur.execute("EXECUTE log_add(%s, %s, %s)", line.strip().split(','))
file_input.close()

cur.execute("DEALLOCATE log_add");

db_conn.commit()
db_conn.close()

It’s unlikely we have the /tmp/input.csv file itself, but we can generate one. Suppose we have 100 locations each with 100 sensors. We could produce a fake input file with this SQL:

COPY (
    SELECT substring(md5((a.id % 100)::TEXT), 1, 3) || '-' ||
           to_char(a.id % 100, 'FM0999') AS location,
           (a.id * random() * 1000)::INT AS reading,
           now() - (a.id % 60 || 's')::INTERVAL AS reading_date
      FROM generate_series(1, 10000) a (id)
) TO '/tmp/input.csv' WITH CSV;

Whew! That was a lot of work. Now, let’s see what happens when we time the inserts on an empty import table:

real    0m1.162s
user    0m0.168s
sys     0m0.122s

Well, a little over one second isn’t that bad. But suppose we rewrote the python script a bit. Bear with me; I’m going to be silly and use the python script as a simple pass-through. This should simulate a process that applies transformations and outputs another file for direct database import. Here we go:

import psycopg2

file_input = open('/tmp/input.csv', 'r')
processed = open('/tmp/processed.csv', 'w+')

for line in file_input:
    parts = line.strip().split(',')
    processed.write(','.join(parts) + '\n')

file_input.close()
processed.seek(0)

db_conn = psycopg2.connect(database = 'postgres', user = 'postgres')
cur = db_conn.cursor()
cur.copy_from(
    processed, 'sensor_log', ',',
    columns = ('location', 'reading', 'reading_date')
)

processed.close()

db_conn.commit()
db_conn.close()

Now let’s look at the timings involved again:

real    0m0.365s
user    0m0.056s
sys     0m0.004s

That’s about three times faster! Considering how simple this example is, that’s actually pretty drastic. We don’t have many indexes, the table has few columns, and the number of rows is relatively small. The situation gets far worse as all of those things increase.

It’s also not the end of our story. What happens if we disable autocommit, so that each insert gets its own transaction? Some ORMs might do this, or a naive developer might try generating a single script full of insert statements, and not know much about transactions. Let’s see:

real    1m31.794s
user    0m0.233s
sys     0m0.172s

Oh. Ouch. What normally takes around a third of a second can balloon all the way out to a minute and a half. This is one of the reasons I strongly advocate educating developers on proper data import techniques. It’s one thing for a job to be three to five times slower due to inefficient design. It’s quite another to be nearly 250 times slower simply because a programmer believes producing the output file was fast, so logically, inserting it should be similarly speedy. Both scenarios can be avoided by educating anyone involved with data manipulation.

This doesn’t just apply to new hires. Keeping everyone up to date on new techniques is equally important, as are refresher courses. I care about my database, so when possible, I try to over-share as much information as I can manage. I even wrote and presented several talks which I periodically give to our application developers to encourage better database use. Our company Wiki is similarly full of information, which I also present on occasion, if only because reading technical manuals can be quite boring.

If my database is being abused, it’s my job as a DBA to try and alleviate the situation any way I can. Sometimes, that means telling people what they’re doing wrong, and how they can fix it. I certainly didn’t know all of this ten years ago when I was primarily a coder. But I would have appreciated being pointed in the right direction by someone with more experience in the field.

Your database and users deserve it.

25 Jul 14:35

This Year's Top Stories So Far: Sweden To Order Ten Additional Gripen

by Saab AB
.:

_SKA9604 copy.jpgThe joint Parliament and the Swedish Government Committee on Defence Policy's chairman Cecilia Widegren announced at a press conference that the number of Gripen Sweden intends to order has increased from 60 to 70 as per a new proposal, reports Expressen.

According to Widegren, besides the number of Gripen, the number of submarines has also been increased to five in the new proposal. 

The Defence also wants the Swedish combat units to be more accessible and the Swedish Navy to be more active in the Baltic Sea. The new proposal aims to increase the cooperation with other countries and organizations like UN and NATO.

The proposal will be submitted to the government soon.

Read full story: Beredningen vill ha tio nya Gripenplan​

Published: 7/25/2014 1:29 PM
25 Jul 14:34

Resposta a Guilherme Boulos, o vigarista delirante que, atendendo às ordens de seu partido, quer me eliminar do debate. E, claro, ele avança no antissemitismo também!

by giinternet

Guilherme Boulos, o dono do MTST, o autointitulado Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, escreveu uma coluna na Folha Online com ataques a mim. Já publiquei seu texto no blog com uma breve resposta. Vamos, agora, a considerações nem tão breves. Sua coluna segue em vermelho, interrompida por considerações minhas, em azul.
*
A direita brasileira já foi melhor. Teve nomes como Roberto Campos e José Guilherme Merquior entre seus quadros, formulando sobre teoria econômica e política internacional. Naquele tempo, a direita recorria a argumentos, além do porrete. Hoje restou apenas o porrete, aplicado a esmo sem maiores requintes de análise.
Haviam me dito, e eu achava, sim, tratar-se de um erro, que esse cara era melhor. Já vivi o bastante para acertar na primeira impressão — quase sempre ao menos. Se há crítica vulgar, intelectualmente vigarista, picareta mesmo, é esta: “A direita brasileira já foi melhor”. Dez entre dez esquerdistas mixurucas, como é o caso desse rapaz, a repetem. Dizer o quê? Em primeiro lugar, esquerdistas não são exatamente bons juízes da qualidade da direita. Em segundo lugar, sempre que se buscam os tais “direitistas melhores”, eles não variam muito: Merquior (que nem de direita era) e Campos. Em terceiro lugar, note-se que, para eles, direitistas respeitáveis estão necessariamente mortos. Como esquecer que, vivo, Merquior foi alvo de um abaixo-assinado promovido por amiguinhos de Marilena Chaui, inconformados com o fato de que o intelectual apontara um óbvio plágio no livro “Cultura e Democracia”, de autoria da sedizente “filósofa”? Ela havia traduzido sem querer, sabem?, algumas páginas de um livro de Claude Lefort. Na obra desta senhora, em suma, havia coisas novas e boas. As novas não eram boas, e as boas não eram novas… E Campos? Durante anos foi tratado como mero conspirador, chamado jocosamente de “Bobby Fields” pelas esquerdas, que o consideravam americanista e entreguista. Aí eles morreram. Foram alçados ao panteão dos “direitistas melhores”.
Só para constar: nem Merquior nem Campos formularam “sobre” (para empregar a regência energúmena de Boulos) política internacional ou política econômica respectivamente. Isso é só a voz da ignorância posando de sábia. Vá se instruir, rapaz! Quanto a porrete, dizer o quê? A esquerda radical conta a sua história em cadáveres; os liberais, em direitos individuais.

Impressiona o baixo nível intelectual dos representantes da direita no debate público nacional. Não elaboram, não buscam teoria nem referências. Não fazem qualquer esforço para interpretar seriamente a realidade. Apenas atiram chavões, destilando preconceitos de senso comum e ódio de classe.
É um artigo ginasiano. Eu escrevi uma coluna sobre Boulos na Folha. Está aqui. Ele, como se vê, responde. Comparem os textos. Avaliem quem apela à teoria e quem se limita ao xingamento. Ele baba, sim, mas ignorei esse aspecto em meu artigo porque não é relevante. Como? Esforço para interpretar seriamente a realidade??? Quer dizer que, caso eu me dedique a esse ofício, vou necessariamente concordar com ele? O link do meu artigo está aí. Procurem lá os “preconceitos de senso comum e ódio de classe”. Se eu me considerasse um bom juiz das esquerdas, eu diria que elas já foram melhores, não é? Já houve Caio Prado. Hoje, há Guilherme Boulos.

Reinaldo Azevedo é hoje o maior representante dessa turma. Com 150 mil acessos diários em seu blog mostra que há um nicho de mercado para suas estripulias.
Ao lado dele tem gente como Rodrigo Constantino, aquele que se orgulha das viagens a Miami e se despontou como legítimo defensor dos sacoleiros da Barra da Tijuca.
Antes os intelectuais de direita iam fazer estudos em Paris. Agora vão comprar roupas em Miami. Sinal dos tempos e das mentes.
Você está errado! A média diária é superior a 200 mil acessos. O mercado para as minhas estripulias é bem maior. Nunca estive em Miami. E não é por preconceito. Só entro em avião em último caso — e não há um último caso que possa me levar pra lá. A ignorância de Boulos é assombrosa até quando tenta fazer alguma ironia. Paris sempre foi a Meca dos intelectuais de esquerda. Os liberais, que ele chama “direita”, preferem outras praças, onde a guilhotina, por herança e atavismo, não separa o pensamento do pescoço. Boulos me decepciona um pouco. Passaram-me a impressão de que estávamos, sei lá, diante de um Marat dos Trópicos, de um Saint-Just da Vila Madalena… É só um Zé-Mané que não ouviu o número necessário de “nãos” quando era criança e se transformou em um pivete de classe média repetindo chavões do igualitarismo.

Dispostos a tudo para fazer barulho no debate público, mas sem substância em suas análises, aproximam-se frequentemente de um discurso delirante.
Qual é a “substância” das “análises” de Boulos? Qual é o pensamento desse chefe de milícia? Por que ele não produz teoria demonstrando a economicidade de sua luta? Por que ele não evidencia, também no campo da teoria, que o roubo da propriedade alheia é uma forma eficiente de redistribuição da riqueza? Esse rapaz tem a arrogância própria dos ignorantes — e isso, sim, é um traço de classe. Mas é agora que a coisa começa a ficar divertida.

Reinaldo Azevedo jura que o governo petista quer construir o comunismo no Brasil. E vejam, ele não está falando do Lula de 1989, mas do governo do PT de 2003 a 2014. Sim, o mesmo que garantiu lucros recordes aos bancos e empreiteiras na última década. Que manteve as bases da política econômica conservadora e que nem sequer ensaiou alguma das reformas populares historicamente defendidas pela esquerda. Neste governo que, com muito esforço, pode ser apresentado como reformista, ele enxerga secretas intenções socializantes. Certamente com o apoio da Odebrecht e de Katia Abreu. Só no delírio…
Vamos lá. Se alguém encontrar algum texto em que eu “jure” ou mesmo sugira que o PT quer construir o comunismo no Brasil, paro de fazer este blog, de escrever minhas colunas na Folha e de falar na Jovem Pan. Boulos não suportou as verdades que eu disse sobre ele em minha coluna e decidiu responder, dizendo mentiras sobre mim. Ao contrário, rapaz! Eu sempre fiz pouco caso da profissão de fé socialista do PT. Eu considero seus amiguinhos oportunistas, Boulos! Comunistas, não! São defeitos de caráter distintos. O arquivo do meu blog está aí, à disposição. Já escrevi centenas de textos sobre a intimidade do PT com o setor financeiro e suas relações incestuosas com o capital.
Boulos não reconhece os limites da lei e do estado de direito. Dentro de sua deformação essencial, no entanto, poderia ser um debatedor honesto, mas ele não é. Honestidade no debate de ideias requer informação e formação intelectual, o que ele não tem. Atribuir ao outro o que ele não pensa — e nunca escreveu — para contestá-lo não é só coisa de um mau debatedor; é coisa de um mau-caráter.

Para ele, João Goulart é que era golpista em 64.
Não! Eu afirmei que a democracia morreu em 1964 por falta de quem a defendesse — Goulart inclusive. E, sim, ele flertou com o golpe, está documentado, mas não levou a ideia adiante porque lhe faltaram condições. Vá estudar, ignorante!

Os black blocs são amigos do ministro Gilberto Carvalho.
Gilberto Carvalho confessou em entrevista que fez várias reuniões com eles. Se são “amigos”, não sei. Interlocutores, com certeza! Fatos.

E as pessoas só são favoráveis às faixas exclusivas de ônibus por medo de serem acusadas de elitistas. Ah sim, sem esquecer que a mídia brasileira – a começar pelas Organizações Globo – é controlada sistematicamente pela esquerda.
Ele baba, ele xinga. Ofende os fatos e fantasia perigos. Lembra, embora com menos poesia, dom Quixote atacando os moinhos de vento.
Boulos acha que pode invadir o pensamento alheio mais ou menos como invade a propriedade alheia. A referência às faixas é patética. Eu me referia a um dado em particular da pesquisa, segundo o qual os motoristas de carros defendem as faixas. É simples: não há razão objetiva para isso. Mas não me estenderei a respeito: os 47% de “ruim e péssimo” e os 15% de “ótimo e bom” de Haddad, seu amiguinho, argumentam por mim.
E, é evidente, nunca escrevi que a “mídia brasileira” — expressão que não emprego — é controlada pela esquerda. O que digo, de forma inequívoca, é que a imprensa veicula, majoritariamente, valores de esquerda. Fatos.
Eu babo? Eu xingo? Boulos não é aquele rapaz que prometeu fazer correr sangue durante a Copa se suas reivindicações não fossem atendidas? Quanto ao mais, dizer o quê? Referir-se a Dom Quixote para atacar um adversário que ele pretende tão desprezível é só mais uma expressão saliente de burrice. Boulos deve ter lido no Google que o Quixote era um passadista maluco, que buscava restaurar um tempo irremediavelmente perdido etc. Não, meu velho! A disputa que há lá é de valores. Não me sinto à altura da personagem, nem por associação de ideias.

A pérola mais recente é escabrosa: Israel seria vítima do marketing internacional do Hamas. No momento em que o mundo vê a olhos nus centenas de palestinos serem massacrados na Faixa de Gaza, ele denuncia uma conspiração internacional de mídia contra o Estado de Israel. Encontrou eco no também direitista delirante Luis Felipe Pondé, em artigo nesta Folha.
Teoria da conspiração vá lá, até pode ter seu charme; mas, como dizia Napoleão, entre o sublime e o ridículo há apenas um passo. Reinaldo Azevedo e seus sequazes já atravessaram faz tempo esta fronteira.
De fato, os textos que têm se prestado a publicar acerca do genocídio na Palestina já superaram o ridículo. Chegaram ao cinismo. Dizer que as crianças mortas na Faixa de Gaza são marketing é uma afronta do mesmo nível da deputada sionista que defendeu o extermínio em série das mulheres palestinas para impedir a procriação. É apologia covarde ao genocídio e ao terrorismo de Estado.
Afirmar que há um genocídio de palestinos ultrapassa o limite da delinquência intelectual: é um crime moral, especialmente quando se atribui a ação genocida aos judeus. Não é preciso ser muito sagaz para perceber que se está diante de uma das várias expressões da negação do Holocausto. E é claro que esse cara não me surpreende com essa afirmação asquerosa.
Boulos acredita que pode participar desse debate apelando a citações do Google. Não pode, não! Eu o desafio a demonstrar que escrevi que crianças mortas na Faixa de Gaza são puro marketing. É mentira! É coisa de um vagabundo intelectual. O que aponto, sim, desde sempre, é o culto da morte celebrado pelo Hamas. Publiquei neste blog um vídeo em que um porta-voz do movimento terrorista concede uma entrevista defendendo abertamente a prática dos escudos humanos. É Boulos, o filhinho de papai que está brincando de socialismo, a acusar os outros de cruzar a fronteira do ridículo?

A direita se diferencia da esquerda, dentre outras coisas, pela análise dos fatos. Mas não por criar fatos ou ignorá-los. Ao menos quando tratamos de uma direita séria.
A “análise” que esse cara faz da guerra entre Israel e o Hamas demonstra o apego que tem aos fatos. Falta-lhe a honestidade básica para, ao menos, responder ao que o outro efetivamente escreve ou pensa. Dispenso-me de indagar o que ele acha dos mais de dois mil foguetes que o Hamas disparou contra Israel em 15 dias.

No caso de Reinaldo Azevedo e dos seus, estamos num outro campo. Não é apenas a direita. É uma direita delirante. A psiquiatria clínica é clara: negação dos dados da experiência, somada a uma reconstrução da realidade pela fantasia chama-se delírio. Aqui há ainda o agravante da fixação em temas recorrentes. PT, movimentos populares e mais uns dois ou três.
Huuummm… Falou o especialista em psiquiatria! É evidente que eu não esperaria que ele fosse, nessa área, um exemplo de ética. Como se nota, num mundo em que Boulos estivesse no poder, eu seria mandado para o hospício ou para um campo de reeducação. É o burguesote radical convertido em líder de sem-teto que vem falar em negação dos dados da experiência? É Guilherme Boulos, que se pretende líder até do movimento dos sem-iPhone, que vem falar em fantasia?

Um delírio em si é inofensivo. O problema é quando começa a juntar adeptos, movidos por ódio, preconceitos e mentiras. É assim que nascem os movimentos fascistas. Quem defende extermínio higienista em Gaza também deve defendê-lo no Complexo do Alemão ou em Paraisópolis.
Extermínio higienista em Gaza? Mas Israel está fora de Gaza faz tempo! Quem elimina seus adversários no território é o Hamas. E as vítimas são os próprios palestinos.
Quem vem falar de movimento fascista? O cara que cerca a Câmara dos Vereadores para impor no berro a sua vontade? O cara que organiza a sua milícia para furar a fila dos cadastrados que estão à espera de casa? O cara que cassa dos paulistanos o direito constitucional de ir e vir? O cara que ameaça fazer correr sangue se a sua vontade não for satisfeita? O cara que decide tomar na marra terrenos cuja propriedade é regular e legal? Fascista é Boulos. Fascista e antissemita!

Reinaldo Azevedo certamente ainda não representa um risco político real, mas o crescimento de seus seguidores é um sintoma preocupante da intolerância e desapego aos fatos que ameaçam o debate público no Brasil.
Atenção! Ele está fazendo um alerta, viu, pessoal!? Boulos, a exemplo do PT — e ele não passa de mero estafeta do petismo —, também acha que faço mal ao debate público. Por isso o seu partido me botou na tal lista negra. Ora, o que ele está sugerindo? Que eu seja eliminado enquanto é tempo! O sujeito que não respeita a Constituição, que não respeita o Código Penal, que não respeita o Código Civil, que ignora as regras mais elementares da convivência civilizada, está fazendo um alerta: eu e meus seguidores ameaçamos “o debate público”. Vocês já me viram liderando milícias por aí?
É um engano imaginar que Boulos se distingue no PT. É a pessoas como ele que recorrem os Gilbertos Carvalhos e Fernandos Haddads da vida. Vocês acham o quê? Que as suas ações delinquentes durante a votação do Plano Diretor da cidade não estavam devidamente coordenadas com o partido e com o prefeito? Quando Lula fala em se reaproximar dos movimentos sociais, pensa em gente como esse rapaz. Ele é parte essencial da máquina autoritária petista.
Não, meus caros! Boulos, PT e toda essa gente não vão construir o socialismo no Brasil. Socialismo não há mais. Eles são, isto sim, é autoritários. E têm o anseio de tomar o lugar da sociedade. Foi assim que esse bestalhão se tornou hoje o agente imobiliário mais importante de São Paulo.
Ele está bravo comigo porque decidi prestar atenção a seu movimento. Eu e o Ministério Público de São Paulo. Hoje, ele se tornou um coronel urbano, o dono do programa de habitação da cidade. Haddad, o seu aliado, mantém escondido o cadastro das pessoas à espera de casa. É preciso que fique claro: boa parte da ação de Guilherme Boulos é crime caracterizado no Código Penal.
Ele fala em fatos… Pois é. A Folha, o jornal em que ele escreve, decidiu visitar uma das invasões que ele promove, no bairro do Morumbi. Não havia pessoas lá. Só barracas. Seus invasores eram de mentirinha. Os sem-teto de Boulos não existem — não no número que ele alardeia. Mas existe o MTST, o aparelho.
Compreendo. Não se chega a ser um Boulos na vida sem ser também um vigarista.

PS: Ah, sim: Boulos havia escrito quatro colunas na Folha. Ninguém tinha dado a menor bola. Na quinta, resolveu me atacar. Virou o mais lido do dia. Esperto esse moço! De líder do MSL (Movimento dos Sem-Leitores) ao topo. Com a ajuda do Reinaldo Azevedo. Ele não é o primeiro. A turma do MSL sempre espera a minha ajuda.

25 Jul 14:33

Minha coluna na Folha: O PT contra o eleitor, o Congresso e o capital

by giinternet

Leiam trecho:
Haverá eleição presidencial em outubro. É evidente que se trata de algo muito importante, e não serei eu a subestimá-la. Se atentarem, no entanto, para a inflexão dos meus textos neste espaço, ocupo-me menos das disputas entre A, D ou C do que de alguns choques que se estabelecem em camadas mais profundas, dos quais os embates eleitorais são só uma reverberação. Candidatos me interessam muito pouco; candidaturas me interessam muito mais.

As promessas se escrevem na água com o vento, como disse o poeta sobre o amor. Os valores duram no tempo e fazem história, boa ou má. É por isso que não dou bola, reparem, para o que diz ou pensa Dilma Rousseff. Ela é só carona de um modo de entender a sociedade cuja extensão talvez ignore. Dentro ou fora do governo, Gilberto Carvalho, por exemplo, o secretário-geral da Presidência, é personagem bem mais relevante. Ele andou se referindo a mim de modo nada lisonjeiro. Ingratidão! Poucos, como eu, reconhecem a sua real estatura. Desde os tempos em que ambos trabalhávamos em Santo André…

O PT está se organizando para se livrar do eleitor, do Congresso e do capital, e Carvalho lidera a batalha. Na quarta, ele voltou a defender o decreto presidencial 8.243, que disciplina a participação dos “movimentos sociais” na administração federal. Os deputados tendem a derrubá-lo. Afirmou o ministro: “Se a Câmara e o Senado tiverem bela inteligência política, não se colocarão na contracorrente de uma exigência da sociedade. Há uma disposição de enfrentar essa guerra. Não retiraremos o decreto, vamos até o fim. Se houver derrota, quem pagará o preço são aqueles que se colocam contra essa participação”.
(…)
Íntegra aqui

 

25 Jul 14:02

Ariano Suassuna – As armas do Barão Assinalado

by giinternet
Ariano Suassuna, um gênio da "raça brasileira"

Ariano Suassuna, um gênio da “raça brasileira”

Lamento, e nem poderia ser diferente, a morte do poeta, dramaturgo, romancista e professor, entre tantas outras coisas, Ariano Suassuna, de 87 anos. Era um gigante. Seu corpo será sepultado nesta quinta, às 16h, no cemitério Morada da Paz, em Paulista, na região de Recife.

Em 1998, a revista Bravo!, da qual eu era redator-chefe, dedicou-lhe uma matéria de capa. Escrevi o texto principal, centrado no “Romance da Pedra do Reino”. Ariano me telefonou numa alegria imensa. Havia em homem tão monumental um quê de alegria quase infantil pelo reconhecimento daquela que ele também considerava sua grande obra e que era e é subestimada. Tanto é assim que, numa entrevista, que está reunida num trabalho acadêmico, afirmou: “(…) as pessoas geralmente me aceitam como dramaturgo, mas têm um pé atrás em relação à Pedra do Reino. E, para mim, a Pedra do Reino é minha obra mais importante. Reinaldo Azevedo, da Revista Bravo, pela primeira vez disse que em relação à Pedra do Reino havia uma campanha de silêncio, e há. Há uma má vontade, alguma coisa com o desconhecido, eu não sei (…)”.

Ariano foi durante um bom tempo ensaísta da revista. Era uma honra imensa editar seus artigos.

Em homenagem a Ariano, reproduzo aqui o texto que escrevi para a Bravo!, reunido no meu primeiro livro, “Contra o Consenso” (Editora Barracuda).
*
No domingo final deste mês de maio [1998], como em todos os outros, já há seis anos, uma cavalhada no sertão pernambucano consagra o escritor Ariano Suassuna como o inspirador de uma festa popular e celebra alguns dos fundamentos míticos da identidade nacional. Um grupo de cavaleiros paramentados com as alegorias, as armas e as bandeiras de inspiração medieval vai deixar a sede do município de São José do Belmonte (PE), já na divisa com a Paraíba, e andar 30 km até a Pedra do Reino, duas elevações rochosas de trinta e 33 metros de altura, para relembrar, por intermédio da cavalgada sertaneja, os macabros acontecimentos que lavaram as rochas de sangue entre os dias 14 e 18 de maio de 1838, há exatos 150 anos.

Um movimento messiânico, autoproclamado sebastianista, conduziu à morte pelo menos 83 pessoas — trinta delas crianças — em quatro jornadas cruentas. Nas três primeiras, os líderes exortaram os fiéis ao suicídio e ao infanticídio por suposta ordem de d. Sebastião — o rei português desaparecido aos 24 anos na batalha de Alcácer-Quibir, em 1578 —, que, em paga, não só lhes devolveria a vida como ali desencantaria para instaurar um reino da justiça e da liberdade. Na quarta jornada, fazendeiros e a polícia comandaram uma expedição contra os fanáticos, que resultou na morte de trinta fiéis. É essa a expedição recontada pela cavalhada.

O que deu asas à imaginação do líder do tal movimento, João Antônio dos Santos, foram versos de um folheto de cordel sobre a volta de d. Sebastião. Daí por diante, tudo indica, ele e um cunhado, João Ferreira, usaram toda sorte de pilantragem para extorquir dinheiro dos fazendeiros e juntar uma massa de fanáticos que passaram a incomodar os poderosos e a própria Igreja Católica. Euclydes da Cunha, na parte O Homem, de Os Sertões, assim fala da Pedra do Reino: “O transviado encontrara meio propício ao contágio de sua insânia. Em torno da ara monstruosa, comprimiram-se as mães erguendo os filhos pequeninos e lutavam, procurando-lhes a primazia no sacrifício… O sangue espadanava sobre a rocha jorrando, acumulando-se em torno (…)”. José Lins do Rêgo também explorou o massacre em Pedra Bonita.

Mas foi com o paraibano Ariano Suassuna que aqueles episódios sangrentos serviram de pretexto para uma obra-prima, o seu Romance d’A Pedra do Reino. O livro — um catatau de 623 páginas editado em 1971 pela editora José Olympio — deu origem à festa popular. Tal sucessão é inédita na história do país: a realidade copiou o folhetim popular, pagou seu tributo sangrento em história, voltou à letra impressa pela pena de Ariano e, de novo, ganhou curso entre os homens do povo. É a síntese viva do Movimento Armorial criado pelo autor na década de 1970.

Substantivo em português, adjetivo na releitura de Ariano, o termo armorial designa o conjunto de bandeiras, insígnias e brasões de um povo. Ariano diz à Bravo!, em entrevista a Bruno Tolentino, que a heráldica, no Brasil, é, antes de tudo, popular. É o homem do que ele chama “quarto estado” que tem paixão por esses signos, expressa, por exemplo, nas bandeiras de futebol. Daí a escolha do nome “armorial” para um movimento que busca “as raízes populares da cultura brasileira para chegar a uma arte erudita”.

Mas aqui começam os problemas. Das suas origens — filho de latifundiário — às pelejas intelectuais ao longo da vida, o autor, que jamais viajou ao exterior, tem sido vítima de uma espécie de patrulha cosmopolita, que se manifesta pelo silêncio. Se seu teatro mereceu a acolhida da crítica, sua prosa foi e tem sido estupidamente ignorada. Esgotado há mais de 20 anos, A Pedra do Reino é um monumento da literatura moderna de expressão portuguesa dificilmente igualável por qualquer critério que se queira e faz de Ariano o maior prosador brasileiro vivo. Mas o que tanto incomoda a tal vigília nada cívica?

Ariano é um autor que bebe cristalinamente nas fontes da literatura ibérica e do catolicismo medievais. Para entender o seu teatro, por exemplo, é preciso penetrar no universo picaresco e no catolicismo popular em que o Bem e o Mal (Calderón de la Barca, Gil Vicente, Padre Anchieta) disputam a alma humana e lhe ditam nortes éticos distintos. Estamos no mundo da queda e da redenção. A queda se revela em linguagem farsesca, conivente com o público em sua malandragem. À redenção expressa o fundamento da remissão dos pecados, geralmente pela intervenção divina. As personagens de Ariano, no entanto, não são as mesmas da pequena burguesia ordinária da Trilogia da Barca do Inferno, de Gil Vicente, por exemplo. Seu universo é o do homem do Nordeste, da cultura sertaneja. A forma de seus autos se deixa influenciar pelo teatro de bonecos, pelo mamulengo.

Há nesse arranjo tudo de intenção. Ariano faz escolhas, patentes também em sua prosa. É ele quem diz: “Toda cultura universal é primeiramente local. Dom Quixote, de Cervantes, expressa a realidade de Castela. Shakespeare é elisabetano. Quando leio Dostoiévski, encontro ali os dramas do homem segundo o ponto de vista e a cultura da Rússia. Eu, então, me baseio na cultura popular brasileira para fazer meu teatro, meus romances, minha poesia”. Ocorre que Ariano escreve sobre o Brasil em língua de origem inequivocamente portuguesa sem jamais flertar com qualquer vanguarda ideológica ou formalista que lhe desculpe essa herança. Não se vê nele nem mesmo um herdeiro da Geração de 30, como às vezes se quer.

Não se lê em Ariano a preocupação de ideologizar o romance nordestino ou, mais amplamente, a prosa ou a cultura nordestinas, no mesmo tom de denúncia ou de recaída naturalista que marcaram a geração de escritores do Nordeste emigrados para o Rio. Ele também não flertou com realismos socialistas ou morenices sensualistas. E, nem por isso, falou de um ponto de vista menos compromissado. E é em seus compromissos que estão sua grandeza e seu assumido limite. N’A Pedra do Reino, já observou o crítico Wilson Martins no ensaio “Romance Picaresco?” [in Pontos de Vista, vol. 9, T. A. Queiroz Editor, pp. 175-80], Ariano não optou pela farsa ou pelo picaresco em busca do norte moral. O texto costura os traços fundadores da cultura brasileira e em seu percurso confronta teorias diversas sobre a terra e a gente do Brasil.

Ao voltar aos episódios cruentos da Pedra Bonita (nome original do lugar), Quaderna — o personagem-narrador que pretende, cem anos depois, usar os acontecimentos ali havidos para fazer a grande epopéia nacionalista brasileira — não é outro senão o próprio Ariano. As personalidades com as quais convive estão divididas entre as correntes de pensamento que ditaram as vogas ideológicas na década de 1930: integralistas, comunistas e intelectuais de formação européia. Em suas páginas se debatem temas como a função da arte, o confronto entre o Estado e o indivíduo e entre os valores éticos e os estéticos. Num texto que prefere o universo rural ao urbano, a cultura regional a supostos temas universais, o alter ego de Ariano transita entre Sílvio Romero e Joaquim Nabuco e vai compondo um imenso e fecundo painel da cultura brasileira. Em prosa, talvez a mesma tentativa, mas com divisas assumidamente ideológicas e urbanas e numa dimensão reduzida, tenha sido feita por Paulo Francis em Cabeça de Negro. Nos dois casos, estamos diante de romances de idéias.

E elas mudam. Embora considere a sua principal obra, Ariano afirma a Bravo! que submeteria A Pedra do Reino a mudanças: “Eu gostaria de acrescentar um pouco do urbano. O livro também seria mais curto, como está sendo editado agora em Paris. Eu praticamente o refiz”. Ele se refere à versão francesa — La Pierre du Royaume —, assinada por Ydelette Muzart, publicada em março pela editora Métailé. A capa traz um subtítulo provocativo: “Versão para europeus e brasileiros de bom senso”.

Quem refaz também renega. Ariano rejeita hoje a continuação d’A Pedra: História d’O Rei Degolado, publicada em 1977, o segundo volume da prevista trilogia que se completaria com Sinésio, O Alumioso. E explica a razão: “O elemento pessoal entrou com uma força que eu não desejava”. O autor se refere aos episódios que antecederam a Revolução de 30, que resultaram nos assassinatos de seu pai, João Suassuna, e de João Pessoa, então presidente do Estado da Paraíba, transfigurados e transportados para o texto.

Ariano conta que cresceu lendo nos jornais e nos livros de história que seu pai, representante das forças rurais, era o mal, e que João Pessoa, seu adversário, era o bem. Fez o que um filho de bem pode fazer diante do corpo tombado do pai: tomou o seu partido. Diz um de seus sonetos: “Aqui reinava um rei, quando eu menino/ Vestia ouro e castanho no gibão (…) Mas mataram meu pai. Desde esse dia/ Eu vivo como um cego, sem meu Guia,/ Que se foi para o Sol, transfigurado./ Sua efígie me queima. Eu sou a presa,/ Ele a Brasa que impele ao Fogo, acesa,/ Espada de ouro em Pasto ensanguentado”. O mesmo compromisso que o fez refletir em sua obra a sua própria história também o levou a uma espécie de retiro literário. Já “passando da idade madura para a velhice”, o escritor diz ter entendido que os episódios de 30 estavam longe de refletir a luta do bem contra o mal, mas “o confronto entre privilegiados do campo e os privilegiados da cidade”.

Ariano não é, evidentemente, o primeiro autor brasileiro a incorporar a cultura popular à narrativa com um sentido de estudo. Antes dele, Mário de Andrade fez de Macunaíma uma espécie de síntese dos falares brasileiros. Mas há uma diferença: quando Mário não é apenas o turista descritivo ou o compilador dos cocos, sua visão de Brasil é pessimista. Comparem-se Macunaíma e o João Grilo de O Auto da Compadecida. O primeiro merece o epíteto de anti-herói; o segundo, não. Grilo é um herói de fato, é, como diz Ariano, o quarto estado vencendo a burguesia, o clero e a nobreza. Macunaíma é a melancolia tropical. Que o Mário de Macunaíma seja considerado um gênio em certos círculos acadêmicos, e Ariano, ignorado é compreensível: afinal, o primeiro representa os nossos mais acalentados sonhos de derrota, e o segundo aponta para um futuro possível, para um sonho de vitória.

Com frequência, a inteligência brasileira está preparada para perder, jamais para ganhar (FHC chama a isso de fracassomania…). A alegria é uma espécie de exotismo reservado aos Joões Grilos do povo, que se deve experimentar com o distanciamento crítico de um antropólogo. Ademais, Ariano não aproveitou os seus estudos para alimentar discursos antropófagos de fácil deglutição, não juntou Carmen Miranda e coca-cola para vencer o complexo de autor subdesenvolvido situado na cloaca do mundo. Até porque sempre falou das alturas.