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24 Feb 11:01

Crítica: ’12 Anos de Escravidão’ – um filme necessário

by Vinicius Volcof

Sob o solo do Ocidente corre o sangue negro. Séculos de escravidão e subjugo de uma raça inteira, dominada por motivações econômicas e justificativas bíblicas, constituem dívidas históricas que são impagáveis, irretratáveis. Ao presente cabe o reexame constante para que tais barbáries não se repitam e, sobretudo, para que os resquícios dessa sombra ainda viva sejam encarados e, enfim, superados.

Em muitos aspectos, 12 Anos de Solidão, de Steve McQueen, é um filme muito necessário. Trata-se do primeiro filme dirigido por um negro com chances reais de levar a estatueta do Oscar de Melhor Direção – além do favoritismo na de Melhor Filme. Brutal e competente retrato, realçado por primorosa reconstituição histórica, a obra tem o valor de trazer sombras do passado à face da audiência, fazendo a barbárie roçar-nos o rosto e o sangue manchar a tela. Com isso, assume seu lugar na história do Cinema ao tratar desse assunto de forma bem menos condescendente que …E O Vento Levou (1941) e menos satírico que Django Livre (2012), para ficarmos em apenas dois exemplos do mesmo tema.

12 Anos de Escravidão é baseado no livro homônimo e autobiográfico do violoncelista Solomon Northup (no filme, Chiwetel Ejiofor), que em meados do século XIX foi sequestrado em Nova York, onde vivia com a mulher e dois filhos, por homens que lhe ofereciam emprego, e vendido a senhores de escravos do Sul estadunidense. Inicialmente Solomon tem a “sorte” de habitar a propriedade de um “dono benevolente” (Benedict Cumberbatch), porém, depois de intrigas internas, é vendido ao sedento e irascível Mr. Epps (Michael Fassbender). Assim, tem-se um retrato digno da brutalidade da escravidão estadunidense, justamente no momento em que se comemoram 150 anos da sua abolição.

Em entrevista1, o diretor Steven McQueen trouxe à tona a proeminência de releituras audiovisuais sobre o holocausto dos judeus na Segunda Guerra e a ainda pouco variada produção sobre a escravidão. Não se trata, evidentemente, de comparar as desgraças, ambas têm sua importância histórica, mas o fato, no mínimo curioso, talvez se explique pela influência judaica na indústria cinematográfica e a ainda desigualdade entre negros e brancos nos altos cargos.

Steve McQueen é um diretor que consegue fazer muito com pouco, e se faltou verba à produção e as filmagens tiveram que ser realizadas em corridos 35 dias, com apenas uma câmera, certamente não faltou inventividade fílmica. Desde metáforas como a dos escravos transportados como se numa lata de sardinha, até as belas cenas da paisagem, numa espécie de impressionismo abstrato (vale lembrar que Steve também é artista plástico), o diretor não só realiza uma obra, como pinta um retrato.

Além disso, sabe tirar o melhor de seus atores: assim como Hitchcock fazia com James Stewart, James L. Brooks com Jack Nicholson e, aparentemente, David O. Russell com Jennifer Lawrence, Steven McQueen traz o melhor de Michael Fassbender. Seu personagem, tão diferente do misterioso homem de Shame (2011), é o arquétipo da barbárie anglo-saxônica, o pior exemplar do homem branco combatendo o bom selvagem, que com a Bíblia na mão justifica sua maldade, mata e abusa.

A surpresa do elenco está na linda Lupita Nyong’o, nascida no México, indicada ao Oscar de Coadjuvante e vencedora do mesmo prêmio do Sindicato dos Atores. Seu drama é uma trama à parte, na qual caberia um filme só seu, mostrando que mais intenso que o subjugo do homem negro pelo homem branco, era o subjugo da mulher pelo homem, lembrando a máxima marxista de que “a exploração do homem pelo homem começou na exploração do homem sobre a mulher”.

Durante a sessão, contudo, perguntei-me diversas vezes como seria esse filme no Brasil. Sobretudo, por que ainda não se fez por aqui um filme assim, tão necessário quanto doloroso, no país que foi o último a abolir a escravidão e que mais importou negros da África? Ok, nossa indústria cinematográfica é incipiente. Ok, o tema é tão espinhoso que o fracasso comercial seria certeiro. Filmes mais leves, como Besouro (2009, de João Daniel Tikhomiroff), patinaram na bilheteria. Mas rememorar episódios assim, tão fundamentais à história do Novo Mundo, me parece tão necessário que não tê-las me cheira a tentativa de acobertamento – e talvez isso justifique um pouco da alienação de alguns que insistem em dizer que, no Brasil, o racismo já ficou no passado.

Os ecos da escravidão falam alto. Uma semana depois da declaração da jornalista defendendo os justiceiros que acorrentaram um menor infrator (preto e pobre), desconsiderando os movimentos sócio-históricos que influenciam os papeis sociais, é bom e necessário que salas de Cinema de todo o Brasil recebam 12 Anos de Escravidão.

 

  1. Folha de São Paulo, 07/02/2014, de Silas Martí
21 Feb 12:53

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21 Feb 11:26

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21 Feb 11:24

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21 Feb 11:07

Crítica: A ‘Trapaça’ de David O. Russell

by Vinicius Volcof
Isabel

Volcof is back!

Em 2010, quando David O. Russell ressurgiu com O Vencedor, um drama familiar tão verossímil e bem construído, pensei em fazer dele meu diretor vivo favorito. Passados quatro anos, três filmes e 25 indicações ao Oscar, desisto dessa ideia. O. Russell provou-se especialista em montar variações do mesmo filme, contando muitas vezes com os mesmos atores. Trapaça, seu recorde pessoal de 10 indicações ao Oscar, comprova isso, além de mostrar como Hollywood é ensimesmada.

O glutão e trapaceiro Irving Rosenfeld (Christian Bale) vive da venda de obras de arte falsas e outros golpes, escorado em sua lavanderia de fachada. Ao conhecer a talentosa Sydney Prosser (Amy Adams, mais sexy do que nunca com seu falso sotaque britânico), seus negócios se potencializam, enganando centenas de pequenos gananciosos e endividados num esquema parecido com pirâmide financeira. Presos em investigação do agente Richie Di Maso (Bradley Cooper), a dupla decide colaborar com o FBI na captura de políticos corruptos, em troca da liberdade. Em tom humorístico, a empreitada muitas vezes descamba no jogo de ciúmes e intrigas familiares, uma das marcas do diretor, especialmente quando a mulher de Irving, Rosalyn (Jennifer Lawrence), envolve-se na trama.

Existe valor na obra de Russell por dinamizar de forma tão eficaz essa longa história; para isso, utiliza sua câmera solta, ágil, diálogos interessantes, muitas vezes certeiros, e bons coadjuvantes, como Jeremy Renner, Louis C.K. e Robert De Niro. Para os que acompanham a carreira do diretor – e sobretudo para os ainda indignados com o estrondoso e imerecido sucesso de O Lado Bom da Vida –, é fácil notar vários elementos que se repetem, revelando um estilo de criatividade requentada que, inexplicavelmente, tem rendido estrondoso reconhecimento de seus pares.

Elenco peso-pesado de Trapaça. Juntos, somam 14 indicações ao Oscar

Elenco peso-pesado de Trapaça. Juntos, somam 14 indicações ao Oscar

Dos seis personagens principais, apenas Jeremy Renner não havia trabalhado com o diretor, e curiosamente é ele quem apresenta o melhor desempenho, fazendo o político que flerta com a corrupção e com a máfia pelo bem de sua comunidade. Já a reconhecida parceria com Bradley Cooper e Jennifer Lawrence, que rendeu o Oscar à atriz, é retomada em papéis que, vamos combinar, são apenas leves variações do projeto anterior.

Em Trapaça o período histórico é diferente, trata-se de um filme ambientado nos anos 70, com direito a calça boca de sino, bobes e mousse no cabelo. Rosalyn, porém, a esposa que Irving trai com a nova parceira, Sydney, é tão mentalmente perturbada quanto a premiada Tiffany de O Lado Bom…, e alguns de seus rompantes de fúria (como quando canta Live and Let Die, de Paul McCarntney, enquanto faxina a casa com luvas de lavar louça) são muito parecidos com cenas já vistas. Nova queridinha de Hollywood, Jennifer tem chances reais de levar o Oscar de Coadjuvante, vencendo a visceral performance de Lupita Nyong’o em 12 Anos de Escravidão. Uma pena.

Bradley tem atraído atenção por certa maturidade, e talvez O. Russell consiga extrair seu melhor. Ainda assim, me parece que seu melhor é muito limitado. Amy Adams e Christian Bale, os verdadeiros protagonistas, fazem um bom trabalho. Bale engordou 18 quilos para viver Irving, mas sua atuação é ao mesmo tempo uma homenagem e uma versão de Robert De Niro mais jovem, nos tempos de Os Bons Companheiros (1990, de Martin Scorsese), com os trejeitos faciais e tudo o mais. Já Amy emagreceu alguns quilos para sua sexy Sidney e seria bom ver uma estrela tão jovem, porém madura, ganhar o prêmio de Atriz desse ano (concorrendo mais diretamente com Cate Blanchett, por Blue Jasmine, de Woody Allen).

Nesse novo filme de Russell, há uma boa trilha sonora, que rememora as melhores músicas do período. Figurino, maquiagem e cabelos são praticamente caricaturas, assumindo também a função humorística, mas vejo que mais não se poderia pedir de um filme dos anos 70, com todas aquelas coisas ridículas.

Assim, a estrela do pragmático e um tanto quanto chato1 David O. Russell continua brilhando na terra do Cinema, com filmes que muitas vezes não são bons, apenas propagandeados como tais.

  1. Leia histórias de bastidores do polêmico diretor de Trapaça, incluindo troca de socos com George Clooney e xingamento a atriz no set, em Época, n° 818, de 3 de fevereiro de 2014, reportagem de Luis Antônio Giron e Marcelo Bernardes
21 Feb 10:57

O Facebook pode prever até início de relacionamento?

by noreply@blogger.com (Roberto)
Recentemente vi uma manchete no site da Folha de São Paulo que me chamou a atenção e ao mesmo tempo me deixou ligeiramente confuso:

Início de namoro diminui quantidade e “alegra” posts no Facebook
O começo de um relacionamento amoroso no Facebook é caracterizado por um decréscimo significativo no número de publicações feitas na rede social e um incremento no uso de palavras que indicam sentimentos positivos, como “feliz”, segundo um estudo realizado pela própria empresa
Folha de São Paulo

Mas o que isso quer dizer? Que o namoro ocupa muito meu tempo e assim não consigo compartilhar mais tanta coisa na rede social? Ou que fico preocupado com as minhas publicações por medo de ciúmes da minha namorada? Achei isso um pouco contra intuitivo e talvez fosse mais bem explicado no gráfico disponibilizado pela pesquisa.


A dúvida não foi resolvida pela análise do gráfico, que mostra a evolução do número médio de posts na Timeline do Facebook ao longo do tempo, de 100 dias antes a 100 dias depois do início de um relacionamento.

Fui procurar então o post original, feito por Carlos Diuk, da equipe da rede social, que fez um estudo sobre a relação entre a quantidade de dias que um casal está namorando e quantidade de interações entre os dois na timeline do Facebook. Foi utilizada uma base de dados gigantesca, 460 mil casais, e o resultado é bastante interessante, existe uma tendência de aumento das interações alguns dias antes do início do relacionamento (valor 0 do eixo), que foi apelidado por ele de época de “cortejo”, quando se quer chamar a atenção da pessoa desejada. Existe então uma clara queda na média dessa quantidade de interações após o relacionamento se tornar “oficial”.

Ai fica fácil achar a falha de interpretação feita pelo jornal, não?

O termo “Numbers of Timeline posts” colocado no gráfico pode levar à conclusão feita pela Folha de São Paulo. Uma simples adição da palavra “interactions” poderia ter resolvido a confusão, ou uma leitura mais atenta do texto no post original, já que ao ler o texto colocado pela equipe do Facebook minha dúvida desapareceu.

Confusões à parte, é incrível como as redes sociais abrem espaço para a análise de coisas que há muito tempo seriam inimagináveis. O comportamento humano é algo extremamente fascinante e igualmente inexplorado. Muito pouco se sabe ainda sobre o assunto, ainda estamos engatinhando na tarefa de entender o nosso próprio cérebro, e quem sabe o Facebook seja uma grande ferramenta para entendê-lo melhor. As bases de dados das redes sociais são fascinantes e gigantescas, e podem proporcionar, se usadas com criatividade, a análise e a previsão de comportamentos que são dificilmente analisados em experimentos. O post original pode ser encontrado aqui

Ricardo Ziegelmeyer

20 Feb 18:39

Kit Harington on Jimmy Kimmel Live (x)

by numenorss








Kit Harington on Jimmy Kimmel Live (x)

20 Feb 11:51

Watchmen (Alan Moore/Dave Gibbons)

by Anica
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tumblr_mzvjsfVEc91r69fsro1_500Eu acho que vendo de forma distante (time is a flat circle…), posso dizer que em dois momentos da minha vida gostei muito de HQs. O primeiro durou algo ali entre os 17 e os 19 anos, quando comecei a acompanhar X-Men e depois descobri Sandman. Em um combo Gibiteca mais amigo da faculdade que entendia bastante do assunto e me emprestou outras coisas, foi quando li TransmetropolitanSin City, A Última Caçada de Kraven, Livros da Magia entre outros. Mas foi uma fase em que eu mais lia do que de fato prestava atenção aos “detalhes” como, quem era responsável pelo texto ou pela arte do que eu tinha em mãos (um exemplo: confundia Alan Moore com Alex Ross). Aí em uma segunda fase, entre os 21 e os 23, comecei a ler muita coisa por causa do pessoal da Valinor (e por causa do Rapadura Açucarada, hehehe). Houve uma mudança como leitora, um amadurecimento – não buscava mais só frases de efeito que se encaixavam em um quadrinho (“Perguntem-se todos vocês, que poder teria o inferno se os aqui aprisionados não fossem capaz de sonhar com o paraíso?“). E foi aí que eu li Watchmen pela primeira vez. Então você pensa “Bom, ela não confundia mais Alan Moore com Alex Ross nessa época, provavelmente ela quer dizer com tudo isso que já estava mais atenta aos “detalhes” que fazem de HQs como Watchmen algo genial”. Não, péra. Não foi bem isso. Lembro que era janeiro de 2003, e em um chat de MSN fui contar toda animada para o V que tinha lido Watchmen. O diálogo seguiu mais ou menos assim:

ANICA: VÊÊÊÊ, li watchmen!!!!!!!!!!
V: E aí, gostou?
ANICA: Muito, bem legal!
V: O que você achou daqueles extras no final de cada revista?
ANICA: Eu não li =S
V: Pô, Anica, aquilo é muito importante!

Poisé. Não tão pronta assim. Lembro que cheguei a reler depois incluindo na leitura os extras mas naquele momento sempre tive a sensação de que era um trabalho fantástico, mas não chegava perto de V de Vingança, por exemplo. Em algum momento devo até ter usado o termo “overrated”, para se ter ideia. Aí os anos passam (muitos anos aliás), começa o falatório sobre Before Watchmen (que eu ainda não li) e penso “Ah, bem, agora eu não sou mais uma universitária que mal tem dinheiro pro xerox e pra pizza frita com café na cantina, já posso comprar um encadernado e reler isso aí“. Ok, fiz. E desculpem todo esse blablabla inicial, mas ele serve como um alerta para o que virá a seguir. Porque essa releitura veio em um momento tão diferente da minha vida de leitora que a experiência não foi só como se fosse a primeira vez, ela foi mind-blowing mesmo, do tipo: ter vontade de voltar em 2003 e dar uns tapas na Anica que disse que “era legal mas V é melhor”. E eu vou tentar mostrar aqui algumas das coisas que não notei há uma década e que agora fizeram com que eu me encantasse tanto por essa história, então fica o aviso: desculpa, é um post só para quem já leu Watchmen. E não seja teimoso, não leia isso se ainda não tiver lido todo Watchmen porque sério, você vai estragar uma experiência muito legal. Volta aqui depois para trocarmos umas figurinhas, sim? Agora você que já leu, clica no play e vem comigo.

Não tem muito como falar de Watchmen de forma linear, sabe, costurando um texto que acompanhe a narrativa e sua opinião sobre ela. É muita coisa. Muita. Então eu vou separar em pedaços e você vai lendo como quiser, no fundo a ordem dos fatores não alterará o produto (uma série de aloprações minhas).

UMA HISTÓRIA DE AMOR ENTRE LEITOR E OS QUADRINHOS

A primeira coisa que chamou minha atenção foi essa, de como Watchmen fala alto para todos os que sentam num canto e mergulham naquele mundo fantástico e ei, não me interrompa, estou lendo. Você já teve um momento assim, tenho certeza. O exemplo mais óbvio aqui é do carinha na banca de jornal lendo o Tales of the Black Freighter, não tem como não se identificar com aquela situação de total imersão. Eu lembro que quando terminava um Sandman lá na Gibiteca, a transição para o “mundo real” era até um pouco lenta. Era estranho, quase como se eu tivesse acabado de acordar de um sonho. E os quadrinhos com as imagens da história que é lida mostram justamente isso, essa viagem para outro lugar que fazemos quando lemos.

tales-of-the-black-freighter

Mas não é só isso. Lá no começo, nos extras dos três primeiros capítulos que mostram trechos do livro Under the Hood, além de ficarmos sabendo como foi a primeira formação do grupo de vigilantes (e algumas outras informações bem sutis que serão importantes para o texto mais além), temos na história de Hollis um exemplo do amor aos quadrinhos. Aquele breve relato sobre o adulto lendo Action Comics, o modo como ele descreve o que vê ali, as memórias das histórias que marcaram sua vida voltam imediatamente. O que acho relevante sobre isso é que assim como não existiria o Nite Owl sem as revistas, o mesmo se dá com Watchmen. A ideia de “como seria se realmente existissem heróis?” hoje em dia pode até parecer lugar-comum, mas na época foi extremamente inovadora, e a Watchmen responde isso muito bem, do começo ao fim. Acho muito bem sacado o trecho em que Hollis descreve como foi que escolheu seu uniforme, ou quando fala como a capa foi fatal para um herói (o que virou uma piada anos depois na animação Os Incríveis, Edna Mode, no capes, lembra?). Eu não faço ideia se existe de fato alguém que cresceu sem o menor contato com histórias em quadrinhos, mas acho que nesse caso, a leitura de Watchmen deve soar meio estranha para a pessoa, já que Moore conta muito com esse conhecimento prévio do universo dos heróis para várias passagens da história.

A HISTÓRIA NA HISTÓRIA

Por falar em história, algo que nas primeiras leituras eu realmente não tinha notado, é a construção do período histórico onde Watchmen se encaixa. Vá lá, história contemporânea nunca foi o meu forte e talvez eu tenha sido meio preguiçosa, mas a reconstrução da história dos Estados Unidos é feita de modo preciso, o que era uma tarefa complicada. Tá, explico. Watchmen acontece em uma realidade alternativa, certo? Estados Unidos vencem a Guerra do Vietnã porque contam com o apoio do Dr. Manhattan e do Comediante, temos Nixon no poder por mais tempo que esteve em nossa realidade (o que é até engraçado, se pensarmos que ele foi o único a renunciar, no universo de Watchmen ele é presidente por três mandatos, se eu não me engano), temos avanços científicos chegando antes do tempo por conta da existência do Dr. Manhattan, etc. Veja bem:  não houve apenas a inclusão do elemento “herói”, há todos os impactos causados pela mera existência deles. De modo geral, isso significa reescrever a História e, mais do que isso: tanto no texto no caso do Moore quanto na arte no caso do Gibbons, eles não podiam seguir pelo caminho óbvio de qualquer história que retrate um período, o marcando pelos trajes típicos da época ou referências à celebridades do momento. Especialmente ali nos anos 80, o tempo com vigilantes já tinha causado mudanças demais para simplesmente falarmos de saias balonê e achar que isso seria o suficiente para dizer “ei, aqui temos os anos 80 com a presença dos heróis”.

Mas mesmo assim, o curioso é que toda a linha do tempo alterada por conta da existência dos vigilantes consegue se manter próxima da nossa, criando uma realidade que não é a mesma mas ao mesmo tempo é familiar. São quadros breves que ajudam a montar o quebra-cabeça, às vezes detalhes que podem passar completamente desapercebidos, como por exemplo na página 23 do capítulo IV o Dr. Manhattan menciona como o Comediante lidou com “the Iranian hostage situation“. É, Ben Affleck não teria um Argo naquela realidade. Outro exemplo, láááá no final, página 32 do capítulo 12, na redação do jornal o garoto comenta que há uma conversa sobre Robert Redford se candidatar para presidente, ao que o editor responde “Seymour, we do not dignify absurdities with coverage. This is still America, God damnit! Who wants a cowboy actor in the White House?“. Vamos falar sobre Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos na década de 80 e que era um ator antes de se tornar um político? Não estou dizendo que Moore era profeta, vale lembrar que a HQ foi publicada em 85, quando Reagan já era presidente. Mas esse foi o jeito do Moore de, novamente, reconstruir a realidade de Watchmen sem criar algo muito distante da nossa. De novo: diferente, mas familiar.

redford

Como é familiar e constante o medo de uma Terceira Guerra. Os medos daquelas personagens eram os medos das pessoas que viveram durante a Guerra Fria, de que um conflito entre Estados Unidos e a então União Soviética significasse o fim do mundo por conta das armas nucleares. Talvez para pessoas já nascidas nos anos 90 isso soe de um outro modo, mas tem um quadro em específico em que o jornaleiro vê na capa do jornal uma manchete anunciando uma invasão da União Soviética, e então ele sabe que chegou a hora – aquilo ali foi de arrepiar, e acho que só foi possível justamente pela presença da familiaridade nas linhas de tempo.

A NOÇÃO DO TEMPO

Gosto muito do Capítulo IV por mostrar um pouco como Dr. Manhattan enxerga as coisas, qual a noção do tempo que a personagem tem. Aquilo de estar tudo acontecendo ao mesmo tempo, de passado, presente e futuro serem uma coisa só. Mas ok, isso já era algo que eu tinha observado na primeira leitura, o que convenhamos, é bastante óbvio, e é até engraçado se considerar aquela discussão dele com a Laurie em que ele diz que ela vai contar que está tendo um caso com o Dan. O que eu não tinha percebido antes é como desde o começo o texto e os quadros já fazem um pouco dessa mescla, quase que uma reprodução do que seria a visão do Dr. Manhattan.

Vou tomar como exemplo o Capítulo II, mais precisamente a página 2, até porque representa perfeitamente o que quero dizer. Os quadros vão se alternando, mostram a conversa de Laurie e sua mãe seguindo de um quadro do enterro do Comediante. O negócio é que em todos eles o texto é sempre a conversa das duas, só que o que as duas dizem combina perfeitamente com o que aparece nos quadros do enterro. Eu só consegui uma imagem em qualidade meio ruim, mas acho que forçando um pouco dá para ler e ver o que quero dizer:

Watchmen #2 page 2

Primeiro quadro do enterro: “In the end you just wash your hands of it and shut it away”. Quem está no portão é Moloch, um inimigo do Comediante.

Segundo quadro do enterro: “Life goes on, honey. Life goes on.”. Aparece Rorschach segurando uma placa com mensagem sobre o fim estar próximo.

E assim segue. Em outros momentos da história esse efeito se repete, inclusive a leitura de The Tale of the Black Freight muitas vezes reflete o que está acontecendo do lado “de fora” também, mas aí normalmente o que temos é um quadro com uma imagem da HQ e a fala é do jornaleiro. E no final das contas o que temos é isso, uma representação do modo como o Dr. Manhattan vê as coisas. Embora o capítulo IV seja bem, ahn, “didático” sobre isso, a verdade é que antes de chegarmos ali já temos uma ideia de como é que isso funciona para a personagem.

MUITAS PERSONAGENS, MUITO CUIDADO

Ok, ao todo são 400 e tantas páginas, muito chão para desenvolver bem a história. Mas vamos lá, tem que reconhecer: Alan Moore dá conta de apresentar muito bem não só o grupo principal com os seis heróis (Ozymandias, Silk Spectre, Nite Owl, Rorschach, Comedian e Dr. Manhattan), mas vários outros. Sim, parte disso se dá com os extras do fim do capítulo (o V tinha razão, eles são importantes), tanto é que a história principal tenta sugerir que o Hooded Justice possa ser o pai da Laurie, mas nos extras temos o Hollis e a Sally Jupiter dando a entender que o Hooded era gay – é MUITO sutil, mas a ideia fica. Então ele “protegia” a Sally, mas era um irmão para ela, não um amante. Quando chega o momento em que o Dr. Manhattan faça com que Laurie veja as coisas como realmente são, já temos vários desses elementos soltos na história e aí a ideia de que o Comediante é o pai dela é uma surpresa, mas não algo que fica parecendo que surgiu do nada – há toda uma história montada para revelar isso, desde o primeiro capítulo.

E veja, isso é muito importante. Não é só questão de desenvolver as personagens com cuidado, mas de conseguir entrelaçar todas as histórias de um modo que ela flua, que cada momento se encaixe perfeitamente. Se me perguntarem acho que a única coisa que ficou estranha considerando a passagem do tempo e os eventos foi a última bimbada do Dan com a Laurie. Momento pré-bimbada, ok: Laurie viu Nova York após o incidente, estava em choque pelo preço que a humanidade teve que pagar pela paz, queria o normal, o real, algo que afastasse aquelas imagens de sua memória. Corta no abraço das personagens (repare como a transição de um quadro para outro é feita usando a mancha na máscara do Rorschach, que naquele primeiro momento parece exatamente a sombra de um casal se beijando, como vemos no quadro anterior), vamos para a cena do Dr. Manhattan conversando com Rorschach. Boom, bam, Dr. Manhattan volta para a sala onde Dan e Laurie estava e vê os dois abraçados, dormindo. Assim, ficou legal, claro, mas é estranho porque o tempo entre um evento e outro não parece ser tão longo para ter rolado não só a bimbada, mas eles já estarem tirando um cochilo. Mas ok, essa sou eu falando que algo ficou estranho só para não pagar de fangirl e dizer omgétudoperfeito. Mas vá lá, no fundo é tudo perfeito sim.

Ainda sobre as personagens, repare como aos poucos a rotina do jornaleiro vai envolvendo outras pessoas além do guri que lê o gibi. E as personagens vão chegando e se relacionando, e então daria até para pensar que é só encheção de linguiça, mas vamos lá: primeiro, eles mostram como as pessoas comuns estão reagindo a tudo o que está acontecendo (por si só já basta como função). Mas além disso, o que Moore faz desde o primeiro capítulo é montar o palco onde acontecerá a tragédia orquestrada pelo Veidt. A sacada disso é que as pessoas que morreram ali não são só “figurantes de filmes-catástrofe”, digamos assim. Você acompanhou um pouco de cada um deles, ao ponto de ser emocionante reparar o modo como o jornaleiro parece proteger o garoto que lê o gibi no momento final. E veja, estamos falando de personagens que nem estão ligadas com a ação direta, então imagine o trabalho com os principais, como vai além.

Clique na imagem para ampliá-la. Não deixe de reparar no jornal voando que mostra uma propaganda do método de exercícios do Veidt, em destaque "The Veidt Method". Sacou, sacou?

Clique na imagem para ampliá-la. Não deixe de reparar no jornal voando que mostra uma propaganda do método de exercícios do Veidt, em destaque “The Veidt Method”. Sacou, sacou?

NEM BOM, NEM MAU

Aqui pensando em minhas leituras anteriores, achava o Rorschach super fodão, mas nessa releitura me dei conta de algo: ele é um cuzão. Ok, é badass, mas é um badass cuzão. É o cara que apoiaria o Bolsonaro, por exemplo. Inflexível demais entre o que acha certo ou errado. “Never compromise”, entende? Aí você começa a pensar nas personagens, e vê que Moore de fato usa pessoas comuns como heróis. Eles podem ser inteligentes, fortes ou ricos, mas a verdade é essa, estão sujeitos a todas as falhas que fazem parte do “ser” humano. Mesmo Dr. Manhattan, que adota quase a postura de um deus, ainda assim se for pensar tem lá das suas, como por exemplo, um ego um tanto inflado como quando diz para Veidt “And this world’s smartest man means no more to me than does its smartest termite“. Alooou, Doutor, vamos lembrar que o senhor Ozy tinha acabado de te enganar com os tachyons? Menos, né. Enfim, deu para ter uma ideia do que quero dizer.

Isso para não falar do próprio Veidt e o plano louco para salvar a Terra que bem, funciona. Eu acho que tal como algumas imagens se repetem ao longo de Watchmen, como o button do Comediante com um pouco de sangue, ou aquela pichação do casal se abraçando, o perfume Nostalgia ou mesmo o Relógio do Juízo Final, há um conceito que se repete bastante na história, o da simetria. Eu já vou falar do capítulo V, calma. Mas vamos pensar em simetria no sentido do oposto ou o inverso que espelha uma determinada imagem. Bom, mau. Certo, errado. Belo, feio. Engraçado, triste. Está sempre lá, sempre presente, e não só pela máscara de Rorschach. A piada do Pagliacci, o plano de Veidt, etc. E isso só é possível porque Moore consegue captar a natureza dúbia do homem ao retratar suas personagens.

OK, TÁ BOM, A TERRÍVEL SIMETRIA

Então, na primeira vez que li lembro do V perguntando “E aí, você notou que no capítulo V as páginas são simétricas?” e eu meio que fiz um uhum mas né, a verdade é que não. Ignoremos o fato de que eu poderia ter sido menos orgulhosa e pedido para ele me explicar mas olha, eu me esforcei mesmo para entender como funcionava a coisa, e só agora finalmente eu entendi. Hmkay, estou escrevendo desde às 8 da manhã, então vou ser preguiçosa e só copiar e colar o que escrevi na Valinor na segunda. O negócio da simetria (para você que, como eu não entendeu e tem vergonha de perguntar) funciona assim:

No capítulo V, página 1 “reflete” página 28 (mesmo número e disposição de quadros, na página 1 rorschach entra na casa do moloch, na 28 ele está saindo).

páginas 2 e 3 “refletem” páginas 26 e 27 (mesmo número e disposição de quadros, nas páginas 2 e 3 rorschach tem o controle da situação, nas páginas 26 e 27 ele está com a situação fora de controle)

páginas 4 e 5 “refletem” páginas 24 e 25 (mesmo número de quadros, aqui o maior fica do lado oposto – como se colocássemos a página na frente de um espelho, nas páginas 4 e 5 rorschach conversa com moloch vivo, nas 24 e 25 com moloch morto)

e assim segue, com esse paralelo não só na distribuição dos quadros, mas também no tema que eles apresentam (repare que quando o foco é de outra personagem, na “simetria” seguirá para outro personagem também, cito como exemplo as páginas 6 e 7 com as 22 e 23: nelas temos uma página com quadros ainda do Rorschach, mas a seguinte é dos investigadores. depois na 22 temos investigadores, e então Rorschach. Tudo isso para chegarmos ao centro do capítulo, todo do Veidt:

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O que no fundo é um foreshadowing genial: não chegamos nem na metade da história, mas aqui está a maior das dicas que o “antagonista” é o Veidt. Veja bem, tudo o que temos nessa cena é a distribuição dos quadros seguindo a regra da simetria, certo? Não. Temos a ação do Veidt também, só não sabemos ainda. Aqui ele aparece como vítima se defendendo de um atentado, mas lá na frente ficamos sabendo que ele forjou o atentado para despistar qualquer um que tentasse relacioná-lo com os crimes que envolviam os ex-mascarados.

Isso para não mencionar uma brincadeira que o Moore usou e abusou lá no V de Vingança com o David Lloyd, de encher o texto e as ilustrações com “v”. Olha ali no centro, o Vezão. O capítulo, em algarismos romanos? V. V de Veidt. A “terrível simetria” do título parece ser sobre o Rorschach, personagem que naquele ponto já sabemos bastante complexa, mas na realidade é sobre o Ozymandias, o cara que vai tocar o horror para tentar buscar a paz.

ANICA, TÁ NA HORA DE BUSCAR SEU FILHO NA ESCOLA

Ok, entendi o recado. Vamos resumir todo o blablabla e dizer que uma HQ como Watchmen não entra em lista de maiores romances do século à toa. Eu acho que parte do que eu consegui pescar agora foi porque eu sabia que tinha algo a procurar (vide o caso da simetria), embora eu tenha que confessar aqui: mesmo que eu tenha assistido ao filme há pouco tempo, a verdade é que não lembrava dos detalhes da trama. Não tinha memória da questão do Comediante ser pai da Laurie, nem do Dr. Manhattan matando o Rorschach, por exemplo. E isso foi ótimo, porque ao mesmo tempo que eu sabia que tinha coisa para prestar atenção, eu consegui de certa forma me surpreender com algumas passagens como se fosse a primeira vez.

Conselho que eu posso dar é que se a última vez que você leu Watchmen já tem aí mais de cinco anos, releia. Vale muito a pena. Se você que nunca leu foi teimoso e leu o post mesmo eu tendo avisado que estava cheio de spoilers, sinto muito. Mas dê uma chance mesmo assim, porque sério, já vão aí mais de 3500 palavras e eu não cheguei nem perto de falar tudo sobre Watchmen. E agora você dá licença que vou lá buscar meu filho na escola.

20 Feb 11:22

alwaysideways: teamfreekickass: mephistos-cafe-lattes: erikats...



alwaysideways:

teamfreekickass:

mephistos-cafe-lattes:

erikats-eridaves:

pernicious-monarchs:

erikats-eridaves:

nowyoukno:

Now You Know (Source)

NOW I CAN BE A TRUE MERMAID

I actually did a report on this last year! The substance is called perfluorocarbon and because of its unique nature, it can hold enough oxygen inside of it for you to breathe it. You can breathe safely while inside it, but sometimes the transition from breathing in the perfluorocarbon and the air can be painful or uncomfortable as your lungs try to push the liquid out of them. In Dan Brown’s book The Lost Symbol, the process of reverting back to breathing the air can feel like being birthed.

thank you friend

how the fuck do they know what being birthed feels like

FACT:

This liquid is used in modern torture. It is similar to water boarding. A victim is placed in a small completely dark box. The box is then filled with the liquid. The victim thinks they are drowning as they breath the liquid in. Most pass out from fear at this point or they just sit there in the liquid in pitch black, apparently breathing ‘water’. Often it leads to the thought that they are in fact dead. It is completely terrifying. Then the box is opened and they are violently pulled from it. As said before the transition from liquid to air is none too pleasant. You might be told something like, they resuscitated you and to tell them what you know or they will “drown” you again.

You can “drown” someone and be sure that they won’t be harmed

You all needed to know this. 

could we just not be dicks and torture people and use this breathing water for more practical needs? like being mermaids perhaps? seriously guys, something cool gets found and you find ways to use it to fuck with other people. stop fucking doing that! seriously! 

20 Feb 11:20

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20 Feb 11:19

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19 Feb 10:37

fangirlquest: Miniseries: Pride and PrejudiceLocation: Lacock,...











fangirlquest:

Miniseries: Pride and Prejudice
Location: Lacock, UK (on Google map)

Wow, the cutest little village ever! It’s a bit of a ride if you don’t live anywhere close, but if the weather is fine and you simply need to get away from it all, this is the perfect place to visit. They even filmed some Harry Potter here!

Lacock has a huge, beautiful Abbey you can visit, too.

You can find more information on National Trust’s website.

If you like our sceneframing photos, you can check out all the other tv shows and movies we’ve covered so far, and support our crowdfunding campaign

18 Feb 11:20

A new breed of cat that looks like a werewolf and behaves like a dog has been discovered.

It’s called the ‘Lykoi’.  Due to a genetic mutation in a domestic shorthair cat, the Lykoi has no hair around its eyes, nose, ears and muzzle, giving it a werewolfish appearance.

18 Feb 10:55

Faces of Olympic Figure Skating [via]Previously: Tennis Faces





















Faces of Olympic Figure Skating [via]

Previously: Tennis Faces

18 Feb 10:54

Now You Know (Source)

18 Feb 10:53

Now You Know about DryBath. (Source)



Now You Know about DryBath. (Source)

17 Feb 18:42

via















via

17 Feb 18:41

Well played, BBC.



Well played, BBC.

17 Feb 12:09

Now You Know (Source)

14 Feb 10:02

Source

14 Feb 10:02

 Source

14 Feb 10:02

Source

14 Feb 09:54

Now You Know George Lucas invented the Jedi mind trick. (Source)



Now You Know George Lucas invented the Jedi mind trick. (Source)

14 Feb 09:41

Now You Know (Source)

13 Feb 18:57

harpercollins: If famous writers sent valentines …

















harpercollins:

If famous writers sent valentines …

13 Feb 18:53

Co-criador de 'Sherlock' virá ao Brasil em março

by Patrícia Kogut
Isabel

Mark Gatiss, ator e co-criador da série “Sherlock”, vem ao Brasil em março para o RioContentMarket. Ela participará de um painel em que fará uma análise do sucesso do programa da BBC.

Mark Gatiss, ator e co-criador da série “Sherlock”, vem ao Brasil em março para o RioContentMarket. Ele participará de um painel em que fará uma análise do sucesso do programa da BBC.Copa na MTVA MTV está gravando sua primeira comédia nacional. “Copa do caos” tem como protagonistas dois atores argentinos, Juan Isola e Hernán Franco. O programa tem previsão de estreia para março, dentro de um pacotão de novidades que o canal está preparando.Pingos nos isVia a sua assessoria, a Globo esclarece: “Búu” nunca foi “Múu”. “Múu” era uma antiga novela de Andrea Maltarolli que se passava na Índia e não chegou a ser produzida.Faz faltaLeitores escrevem para cá perguntando: cadê o “Soletrando”? Boa pergunta.ZumbisNa semana de 27 de janeiro a 2 de fevereiro, “The walking dead” foi o programa mais visto da Band no Rio com três pontos.
12 Feb 10:24

Now You Know (Source)

12 Feb 10:20

12 anos de escravidão (12 Years A Slave, 2013)

by Anica
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o-12-YEARS-A-SLAVE-POSTER-570Como acontece com esses filmes em temporada de premiação, já tinha ouvido falar bastante sobre 12 anos de escravidãoFalaram que era o filme definitivo sobre os horrores da escravidão e que, justamente por isso, era bastante difícil de assistir. Não por ser um daqueles filmes obscuros com significados ocultos, simplesmente pelo que faria você sentir. Eu não posso falar nada sobre ser definitivo ou não porque, assumindo aqui, assisti pouco ou nada de histórias semelhantes. Mas concordo sobre como ele te faz sentir. Não é fácil, ainda mais se for pensar que aquele é apenas um recorte, e que existiram milhares e milhares de Solomons e Patseys não só nos Estados Unidos, mas aqui também – onde o horror de apagar a identidade de uma pessoa e coisificá-la também aconteceu.

O filme é baseado em um relato real de Solomon Northup (interpretado por Chiwetel Ejiofor), nascido livre e que vivia bem com mulher e filhos em Nova York, até que em uma noite foi sequestrado e vendido como escravo. Não há muita informação sobre o passado de Northup, mas a noção que se tem é que vive de sua música e é respeitado em sua região. Mas, após o sequestro, começa o período de sofrimento da personagem. Eu sei que parece ser pior se pensarmos que ele ocupava uma posição de relativo prestígio dentro da sociedade, mas calma, não se apresse. Apesar de um caso atípico (se considerarmos que a maior parte dos escravos era de pessoas que só tiveram a oportunidade de se dizer livres enquanto estavam em sua terra natal), a história de Northup revela um processo vivido por todos os escravos. É embarcar nesse pesadelo em que nada que você fale vale como verdade, a entrada em uma realidade distorcida em que você é pouco a pouco despido de de sua identidade e transformado em coisa.  

As cenas que descrevem esse processo repetem de certa forma um elemento bem comum aos filmes de horror. Northup desorientado, tenta dizer que houve um engano, que ele é um homem livre – e então ele apanha até que compreende que só sobreviverá se aceitar essa realidade imposta: ele não é o músico Solomon, ele é o escravo Platt. Repare na expressão de Ejiofor cada vez que ele responde para alguém que seu nome é Platt, como há uma infinidade de sentimentos no olhar: a raiva, o medo, a vontade de sobreviver. Aliás, eu estava tão convencida com a atuação do Matthew McConaughey em Clube de Compras Dallas que sequer imaginava a possibilidade de ver uma outra atuação tão boa, tão forte, então foi uma verdadeira surpresa para mim. Acho que a força da interpretação de Ejiofor vem do que ele consegue dizer sem qualquer palavra. Porque Northup (ou melhor, a esta altura, Platt) não tem voz, em raríssimas vezes ele se arrisca a dizer o que pensa porque teme por sua vida, então a personagem poderia ser apenas alguém aceitando passivamente o horror que lhe é imposto, mas com expressões e tom de voz Ejiofor entrega um Platt que está apenas tentando ganhar tempo, que ainda não desistiu. 

E então temos um Platt sendo negociado como se fosse, sei lá, um vaso ou uma mesa, e tratado como tal até por patrões que de alguma forma mostram ter algum tipo de “humanidade”, como é o caso da personagem interpretada por Cumberbatch – que enquanto reza com “seus” escravos ainda assim parece irritado com o choro da mulher que foi separada dos filhos. Sabe, como quem trata muito bem um cachorrinho mas assim que ele começa a dar problemas cogita abandoná-lo ou sacrificá-lo. O estranho é isso, embora muitos casos até poderiam ser caracterizados apenas como maldade (como os homens que primeiro vendem Northup sabendo que ele era livre, ou mesmo o sujeito que estraga um de seus planos de fuga), a figura dos patrões parece tender mais para uma noção absurdamente equivocada do que pessoas como Northup representam ali. A fala de Epps com Bass (Brad Pitt) parece representar bem isso:

Bass: The law says you have the right to hold a nigger, but begging the law’s pardon… it lies. Is everything right because the law allows it? Suppose they’d pass a law taking away your liberty and making you a slave?

Edwin Epps: Ha!

Bass: Suppose!

Edwin Epps: That ain’t a supposable case.

Bass: Because the law states that your liberties are undeniable? Because society deems it so? Laws change. Social systems crumble. Universal truths are constant. It is a fact, it is a plain fact that what is true and right is true and right for all. White and black alike.

Deixando claro, não quero justificar o injustificável. Mas o que me parece é que Epps só trata Patt e os demais daquele jeito porque ele realmente acredita nisso, que uma lei lhe confere o direito de tratá-los como mercadoria, propriedade. O horrível desse pensamento é que ele não pertencia apenas àquela época, mas de muito antes: há registros de escravos nos Estados Unidos já de 1620. No momento em que acontece a história de Northup, já seguiam quase 200 anos desse sistema, “cristalizado” e portanto visto por pessoas mais ignorantes como Epps como algo verdadeiro e certo. E então você pensa que “ah, ok, é um filme sobre a primeira metade do século XIX, estamos mais evoluídos”, mas colocando a coisa em termos de datas, não tem nem 50 anos do assassinato de Martin Luther King. Ruby Bridges é atualmente uma mulher de 59 anos. Caramba, neste ano aconteceu na Itália a história do pôster de divulgação de 12 anos de escravidão dando mais espaço para os personagens brancos. O pensamento pode ter mudado no sentido de não serem mais visto como posse, mas para muitas pessoas ainda existe a noção de “coisa”, de algo que não está contido no grupo “ser humano”.

É por isso que apesar de um filme como 12 anos de escravidão retratar um período histórico que imaginamos distante, ainda assim é tão atual. E é um mérito do diretor Steve McQueen não ter “adocicado” a história, mostrando de modo cru (e bastante gráfico), o que pode acontecer quando adotamos como “verdade” a distinção entre pessoas por conta de seu tom de pele. Uma pena que quem deveria entender a mensagem provavelmente continuará pensando tal como Epps. 

Só repetindo o que foi dito antes, o filme é baseado no relato real de Northup, publicado um ano após ele ter reconquistado a liberdade. Está saindo por aqui pela Companhia das Letras (se eu não me engano o lançamento coincidirá com o do filme), mas para quem lê em inglês, tem aqui um link para o livro online.

11 Feb 15:07

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11 Feb 10:16

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