C Fotos has added a photo to the pool:
Aulão de violão nas escadarias do teatro. Foto tirada com um Nokia Lumia 720.
C Fotos has added a photo to the pool:
Aulão de violão nas escadarias do teatro. Foto tirada com um Nokia Lumia 720.
O governador Robinson Faria comprou uma briga pesada com os pesquisadores do Rio Grande do Norte e revoltou representantes do segmento. Na ânsia de garantir apoio político para tentar a reeleição em outubro, Robinson transformou a Fundação de Apoio à Pesquisa do RN num “cabide de emprego” para acomodar novos aliados.
O principal motivo de insatisfação é que os cargos comissionados da FAPERN estão sendo ocupados por profissionais sem experiência no setor, descumprindo regras do estatuto do órgão. Em contrapartida, cientistas e pesquisadores que vinham tentando reverter o quadro de sucateamento da pasta foram demitidos.

A FAPERN foi entregue ao PRB, partido que anunciou recentemente o empresário Flávio Rocha como pré-candidato à presidência da República e que é controlado no Estado por Abraão Lincoln, preso em 2015 pela Polícia Federal por suspeita de fraude na emissão de licenças para pesca industrial.
Os primeiros a cair foram os membros da diretoria, indicados pelas universidades parceiras da instituição. Os físicos Uilame Umbelino, ex-diretor-Presidente, e Mário Pereira, ex-diretor Científico, além do engenheiro civil Paulo Waldemiro, ex-diretor Administrativo-Financeiro, ficaram sabendo de seus desligamentos pelo Diário Oficial do Estado (DOE). Os três são da UFRN com experiência e vivência no mundo acadêmico.
Reunidos nesta sexta-feira (11) para debater a questão da FAPERN, pesquisadores da SBPC, UFRN e UERN não descartaram a hipótese de judicializar o processo para garantir a autonomia financeira da FAPERN, caso o diálogo não avance com o Estado.
As exonerações se intensificaram a partir do dia 24 de abril.
O novo diretor, João Maria de Lima, é professor, doutorando em linguística e membro do Conselho Estadual de Educação. Embora seja ligado a uma universidade privada de Natal, ele é conhecido mesmo como professor de cursinhos na cidade e seu currículo Lattes não demonstra muita vivência com a pesquisa, conforme exige o artigo 15, parágrafo 1°, do Estatuto da Fapern.
Para a direção Científica foi nomeada a advogada Andrea Nogueira Pereira, também ligada a uma universidade privada e que possui apenas especialização. O parágrafo 2º do artigo 15 do Estatuto da Fapern deixa claro que este cargo precisa ser exercido por alguém que tenha graduação mínima de mestrado.
Andréa foi nomeada para a função no dia 25 de abril. No dia 2 de maio, ela foi nomeada novamente para a diretoria Administrativa-Financeira e exonerada no dia seguinte. Esta vaga tinha sido ocupada no dia 24 de abril por Hugo Diego de Moura Oliveira, cujo currículo Lattes não foi localizado. Ele foi exonerado no último dia 02 de maio.
A função continua vaga.
A advogada Ana Paula Silva da Costa assumiu a coordenadoria de Acompanhamento e Avaliação de Projetos. O cargo exige uma série de atribuições técnicas, como o acompanhamento e avaliação mensal de todos os programas, além do relatório anuais das ações da instituição.
O cargo de subcoordenador de Projetos também sofreu mais de uma mudança. No dia 24 de abril, exoneraram a advogada Iara Lúcia Vaz Guedes e nomearam o também advogado Abraão Lincoln Ferreira da Cruz Júnior, filho do presidente estadual do PRB, Abraão Lincoln. No dia 2 de maio, porém, Abraão Lincoln Júnior foi exonerado e em seu lugar assumiu Valéria Maria Andrade Bacelar, outra advogada.
A reportagem não localizou no DOE a nomeação da Coordenadoria de Estudos e Análises de Projetos. A pasta tem como objetivo elaborar editais e chamadas de programas, realizar estudos e proposições para a política de fomento a pesquisas estratégicas ao desenvolvimento do Estado e analisar todos os projetos submetidos à Fapern.
Muitas questões nestas mudanças preocupam a comunidade acadêmica. Primeiro a falta de experiência da maioria dos novos empossados para atuar em uma instituição de fomento à ciência e tecnologia. Segundo, o número de advogados indicados sem qualquer critério, o que torna, para alguns, a Fapern uma espécie de escritório de advocacia não especializado naquilo que se precisa.
Preocupa também o distanciamento com as universidades públicas. O artigo 9º do Estatuto da Fapern explica que o Conselho Técnico é composto por 15 membros, sendo que nove titulares e nove suplentes serão indicados pelas Instituições de Ensino Superior do Estado, a maioria pública, o que não vem acontecendo.
A avaliação dos pesquisadores é de que as mudanças impostas pelo governo Robinson Faria ampliam o processo gradual de descontinuidade nas atividades da Fapern iniciado ainda na gestão da ex-governadora Rosalba Ciarlini.
A falta de recursos para contrapartida nos convênios e contratos tem prejudicado o desenvolvimento dos projetos e se agrava na prestação de contas.
A Instituição dispunha de apenas uma bolsista, uma funcionária do setor financeiro e uma coordenadora, que efetivamente trabalhavam na regularização dos convênios com Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), mas que também foram desligados no mês de abril.

A Agência Saiba Mais questionou o Governo do Estado sobre as denúncias de aparelhamento do órgão para acomodar novos aliados do governador Robinson Faria. Por meio da assessoria de comunicação, a FAPERN disse que os novos servidores comissionados têm experiência comprovada em atividades relacionadas à área de ciência e tecnologia. E que cabe ao governador a escolha dos nomes.
Leia a resposta na íntegra:
De acordo com o Inciso 1º, do artigo 15º, parágrafo 4, do decreto Nº 17.456 (Estatuto da FAPERN), de 19/04/2004, o cargo de Diretor-Presidente é de provimento em comissão, nomeado pelo Governador do Estado, escolhido dentre pessoas com nível superior e comprovada experiência em atividades relacionadas à área de ciência e tecnologia.
O presidente João Maria de Lima é membro do Conselho Estadual de Educação e professor do Uni-RN. As pessoas nomeadas para todos os demais cargos cumprem as especificações do mesmo decreto.
Sobre os critérios para a nomeação, cabe ao governador a escolha dos nomes para compor os cargos na Fundação.
Nos dias 19 e 20 de abril, o ex-diretor-Presidente Uilame Umbelino tinha conseguido realizar grande mobilização durante o IV Congresso da Fapern, realizado na Escola de Governo, com apoio de outros órgãos da gestão Robinson. Durante encontro, foi anunciada, inclusive, a Marcha pela Ciência, em que se buscaria fortalecer a entidade por meio de movimentos e novos convênios. Quatro dias depois, no entanto, Umbelino e seus colegas foram exonerados.
A reitora da UFRN, Ângela Paiva, comentou com pesquisadores que a Fapern está sendo “desidratada”. Nos últimos dias, a reitora se reuniu com a secretária Chefe de Gabinete, Tatiana Cunha, com o secretário de Assistência Social, Vagner Araújo e com o próprio governador com quem chegou a tratar sobre o tema, mas pouco teve retorno. Procurada pela agência Saiba Mais, Ângela Paiva afirmou, por meio da assessoria de comunicação, que vai se pronunciar através de uma nota oficial, após o Fórum de Reitores do Estado. Mas não disse a data.

A ex-diretora da Fapern, médica e neurocientista Bernardete Sousa lembra que a entidade surgiu para que o RN tivesse um órgão que desenvolvesse as atividades de ciência, tecnologia e inovação, integrando as atividades do governo ao ambiente acadêmico e ao setor empresarial, de modo a gerar desenvolvimento para o Estado.
– Infelizmente, o órgão foi totalmente desvirtuado para fins que não são condizentes com as suas atribuições previstas em lei. Já vinha funcionando em condições limites e a forma como está sendo conduzida agora vai se refletir em um retrocesso significativo para a sociedade potiguar.
Para o secretário regional da SBPC, médico John Fontenele, as mudanças atuais quebram o ritmo de um trabalho importante que tentava fortalecer a Fundação. “A Fapern sozinha não tem conseguido realizar projetos, mas em conjunto com as instituições conseguiria avançar e uma quebra neste momento é muito negativo”, destaca.
Ele reclama ainda que as indicações políticas são um erro do governo.
Na visão do vice-diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe-UFRN), neurocientista Sidarta Ribeiro, a situação da Fapern é gravíssima com risco de extinção.
– A população do Estado precisa se inteirar disso e defender esta Fundação. Tem muita pesquisa sendo realizada aqui que atinge vários setores produtivos, bem como a pesquisa básica de impacto internacional e isso não pode morrer à mingua.

Representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), UFRN e UERN decidiram nesta sexta-feira criar um Observatório de Ciência, Tecnologia e Inovação para acompanhar e fiscalizar a situação da pesquisa no Estado.
Segundo a ex-presidente da FAPERN Bernardete Sousa a proposta é acompanhar mais de perto as políticas de fomento no Estado. A ideia é que a sociedade civil tenha um ponto de referência para dar subsídio aos órgãos de fiscalização e às próprias entidades que atuam nesta área.
– O observatório vai congregar as universidades que integram o sistema estadual, os institutos federais ou qualquer ente que esteja envolvido com pesquisa, no sentido observar o que está sendo feito em CTI e identificar de onde e para onde estão indo os financiamentos disponíveis.
Os dados colhidos a partir deste observatório servirão de subsídio para tomar decisões futuras, entre elas está uma agenda de diálogo com os poderes Legislativo e Executivo, mas também a possível judicialização do processo de autonomia financeira da Fapern. Esta medida será tomada se não houver avanços nos diálogos, com objetivo de obrigar o Estado a cumprir o que determina a lei.
Para o professor da UERN, Carlos André Guerra, vice-presidente do Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia (COMCIT), a iniciativa ajudará ainda no debate de renovação do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado que precisa ser renovado em 2020. Ele demonstrou preocupação em relação à Fapern diante da falta de avanços e disse esperar mais atenção do governo.
– A gente vê mudanças de direção e não recebe nem um tipo de justificativa para essas mudanças, ainda mais mudanças de maneiras repentinas. A gente fica muito preocupado porque o Estado poderia estar em outro horizonte.
O neurocientista Sidarta Ribeiro, conselheiro da SBPC, disse que é impossível criar uma gestão de CTI sem as fundações de amparo as pesquisas.
– O RN está extremamente aquém neste processo – não cumpre a lei – então, esta foi uma reunião para alinhar os pontos de vista e disso surgiu a ideia de criarmos o observatório para entendermos o quadro e sugerirmos medidas concretas para que os gestores cumpram seu papel. Se os gestores não puderem cumprir seu papel, devem pedir pra sair.
O post Robinson usa FAPERN para acomodar aliados e revolta pesquisadores apareceu primeiro em Saiba Mais.
Há muitas causas sobre as quais pode-se jogar a culpa pela para tragédias como o incêndio ocorrido no centro de São Paulo, que provocou o desmoronamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, com a morte de pessoas (ainda não se tem certeza de quantas, infelizmente). Nenhuma delas envolve os habitantes do prédio, embora a grande mídia insista em, sempre, apontar com destaque a "irregularidade" dos que promoveram a ocupação.
A primeira delas é o numero altíssimo - mais de uma centena - a de prédios mantidos vazios na região central (são 5 milhões de unidades habitacionais vazias nas áreas centrais das cidades de todo o Brasil). Antes de gritar e indignar-se com a irregularidade dos ocupantes desses imóveis, é sempre bom insistir que, no começo de tudo, QUEM ESTÁ NA VERDADE EM SITUAÇÃO IRREGULAR SÃO OS EDIFÍCIOS VAZIOS. Pois é, essa é uma das causas principais. Manter imóveis vazios em áreas urbanas infraestruturadas contradiz o Estatuto das Cidades, Lei federal de 2001, por não cumprirem a sua função social. E o que é isso? É o fato de que um imóvel vazio custa caro para toda a sociedade, que é quem, no fim das contas, paga pela infraestrutura que está lá, a lhe servir, sem ser usada: luz, água, asfalto na porta, coleta de lixo, transporte próximo, etc, etc. Imóveis vazios deveriam ser fiscalizados, e seus donos compelidos a utilizá-los, ou então vendê-los. Um instrumento da Lei, o PEUC (Parcelamento, Edificação e Uso Compulsórios) permite até que o imóvel, uma vez notificado pela Prefeitura, seja desapropriado, se não lhe for dado uso em 5 anos. Mas, pergunta-se: quantos municípios de fato enfrentaram esses proprietários notificando-os? Quase nenhum. Na gestão Haddad, cerca de 2 mil imóveis foram notificados pelo PEUC, em uma ação inédita. Uma diretoria especial de fiscalização da função social da propriedade também foi criada, outro fato inédito. Mas a atual administração de João Dória achou por bem interromper todas as notificações.
Por que? A razão é que a cultura política de uma sociedade de elite preserva, acima de tudo, os direitos dos proprietários, acima até do direito fundamental à moradia, que está previsto na Constituição. Nem mesmo os juízes conhecem a legislação, ou fingem não conhecê-la, e quando há edifícios ocupados, em vez de ir na causa, que é tirar satisfação do proprietário que deixou irregularmente o imóvel vazio, em vez de cobrar medidas de segurança para que quem está lá não corra risco (pois a deterioração do prédio também é responsável do proprietário), colocam a culpa no elo mais frágil, e mandam desocupar para preservar a propriedade, mesmo que de um bem irregular, jogando-o novamente às traças e aos ratos, para mais longos anos de degradação. E os municípios também não enfrentam os proprietários, para forçá-los a dar uso a seus prédios. É verdade que às vezes não é tão fácil, são muitas vezes imóveis de herança, desatualizados, sem interesse comercial. Mas, nesses casos, o Poder Público Municipal deveria colocar em prática ações de mediação e apoio para dar-lhes um uso. Na gestão Haddad, propusemos que os prédios notificados com PEUC fossem, após acordo com os proprietários, isentados de IPTU e outras taxas se fossem reformados para dar condições de uso habitacional, em troca do que a prefeitura iria alugar 100% das unidades para destiná-las à uma política de locação social no centro para a população mais vulnerável. Infelizmente, como veremos adiante, essa e muitas outras propostas não tiveram continuidade na gestão Dória, que preferiu no lugar mandar derrubar prédio com gente dentro logo ali na Cracolândia.
Ao mesmo tempo, para ajudar nessa fábrica de imóveis vazios no centro, temos as burocracias administrativas e outras dificuldades, algumas um tanto suspeitas. É importante dizer que em um prédio de propriedade particular, a Prefeitura tem pouco a fazer além de notificar e pressionar para seu uso. Mas ela pode, efetivamente, desapropriá-lo para reabilitá-lo para uso habitacional. Porém, para isso, o preço deve ser compatível com o que o poder público possa pagar, sem que o MP venha acusá-lo de jogar fora dinheiro público. Quando os prédios são tombados, por exemplo, a desapropriação é quase sempre inviável, pois a cultura de preservação do patrimônio arquitetônico no Brasil gera custos altíssimos e cria empecilhos demais para uma revitalização com novos usos, exigindo detalhes de originalidade que transformariam o prédio num museu, porém inutilizável. Mas esse não é o maior problema, pois nem todos são tombados, e às vezes até se consegue uma solução. Um dos entraves maiores é o valor estabelecido pela justiça para as desapropriações, sempre favorecendo o interesse do proprietário (mesmo que mantenha um imóvel irregular). Lembremos o caso do Hotel Aquarius: foi colocado à venda em leilão por 17 milhões, e ninguém se interessou, mostrando que esse valor era alto demais. Quando foi ocupado, a Prefeitura tentou a desapropriação. Os peritos judiciais foram lá e avaliaram o prédio em.....40 milhões, levando o Prefeito Fernando Haddad a anunciar a impossibilidade de desapropriação por esse valor. O prédio continuou vazio. Quem ganha com essas avaliações superfaturadas? Uma questão a se pensar.
Uma outro fator de produção dessa ociosidade urbana é a manutenção especulativa de imóveis vazios, sempre com certa condescendência do poder público. Há uma imobiliária em São Paulo que possui várias dezenas de prédios no centro da cidade, mantidos vazios e com enormes dívidas de IPTU, esperando uma eventual alta de preços para lucrar com alguma operação imobiliária. Por isso o esforço de alguns governos alinhados com esses interesses, como o de João Dória (e seu projeto do Lerner financiado pelo setor imobiliário, leia aqui a respeito), em promover políticas higienistas que valorizem o centro e expulsem os mais pobres. Se "pegarem" no mercado, os que especularam mantendo prédios vazios (e sobretudo os terrenos onde se encontram esses p´redios antigos) ganharão milhões. Algumas vezes, para não deixar a situação insustentável, um perdão da dívida é promovido, como fez Kassab em relação ao Edifício Prestes Maia. Quando na verdade a dívida de IPTU poderia servir como forma de pressão, já que uma lei, da 'Dação em pagamento", permite negociar a transferência do prédio á Prefeitura, em troca do perdão da dívida. Mas não, em São Paulo, como no caso do Joquey Clube, maior devedor de IPTU da cidade, protege-se sempre os proprietários e permite-se empurrar as dívidas ad eternum. NO caso do Prestes Maia, a gestão Haddad fez enfim a desapropriação, e um projeto para sua revitalização para uso habitacional. Não sei em que pé andará esse processo.
Por fim, a última causa importante para tragédias como a de ontem é, evidentemente, a falta de políticas públicas de habitação que deem conta do déficit astronômico que o Brasil, embora seja umas das dez maiores economias do mundo, tem que enfrentar. Isso não é um processo que ocorra da noite para o dia. Em São Paulo, uma gestão que viabilize muitas unidades (viabilizar significa realizar alguma das longas etapas da produção habitacional: comprar ou desapropriar terrenos, fazer projeto, aprová-los nos órgãos competentes, contratar a obra e construir) fará algo em torno de 45 a 50 mil (como na Gestão Marta e na Gestão Haddad), a média sendo menor (24 mil no conjunto das gestões Serra-Kassab). Uma fração perto do déficit a enfrentar: cerca de 370 mil famílias em situação de grande precariedade, um milhão no total que por alguma razão precisariam de casa (como o alto valor de aluguel ou o adensamento exagerado). Por isso, não será um a questão resolvida rapidamente. Ainda mais porque, no Brasil, nem os políticos, nem, a sociedade, assimilaram a centralidade da questão da moradia. Os orçamentos são pífios, e não há uma reserva constitucional como ocorreu - em grande vitória da Constituição de 88 - paras as áreas educacional e de saúde. Ora, mas sem uma casa para morar, não há educação de qualidade para os filhos, e muito menos saúde familiar.
Ainda assim, políticas são realizadas, e uma delas foi o Minha Casa Minha Vida, que tinha uma modalidade específica para as entidades de moradia e empresas que quisessem reabilitar edifícios para habitação nas áreas centrais. Em São Paulo, Assessorias Técnicas de Arquitetura realizaram em parceria com movimentos projetos sensacionais no centro, com verba federal e em alguns casos doação dos terrenos pela Prefeitura. Infelizmente, como se sabe, dentre os retrocessos que o país vem sofrendo, um deles é a paralisação quase total desse programa. E com isso a produção de novas unidades no centro. O Ministério das Cidades, aliás, recusou recentemente dois projetos de reabilitação propostos pelas entidades com a assessoria Peabiru, com 350 unidades previstas, alegando que tais projetos "saíram da prioridade de análise". Outras iniciativas podem ser feitas. Por exemplo, a gestão Haddad conseguiu receber do INSS uma dezena de prédios de sua propriedade, em troca de uma dívida do órgão federal com o município. Lançou depois um chamamento para empresas de construção para a reforma desses prédios, que seriam colocados dentro de um amplo programa de locação social.
A locação social é aliás um dos meios de, pouco a pouco, ir recuperando os prédios vazios do centro com uso habitacional. Mas precisa ser instituída como uma grande política de Estado, que dure muito mais do que uma gestão, e sobretudo que não seja destruída a cada mudança de governo. Assim como a estruturação do Serviço Social de Moradia, previsto no Plano Diretor de 2014, que prevê o atendimento com diversas modalidades de habitação para a população mais vulnerável socialmente, sobretudo no centro, onde há uma enorme demanda para tal.
Tudo isso está efetivamente proposto, em detalhes, no Plano Municipal de Habitação que realizamos, sob a gestão de Fernando Haddad, e encaminhamos em forma de um Projeto de Lei para a Câmara Municipal, em dezembro de 2016. Um plano em que não aparecia meu nome, nem o do Prefeito, pois tinha a preocupação de ter um caráter republicano, pensando o enfrentamento da questão habitacional para a cidade para os próximos 16 anos, uma novidade nesse tipo de plano. Ele está, desde o início desta gestão, congelado naquela casa. Por que?
O mais interessante é que quando ouvimos as rádios, a TV, cansa o discurso de que "não se faz nada" a respeito e da "culpa" do Poder Público. É verdade, mas em termos. Por que ninguém lembra do Plano que está de molho na Câmara? Ninguém pede que ele seja votado ispis literis como foi enviado. A gestão mudou, os vereadores também, que façam os ajustes necessários. Mas por que o abandonaram? Por que a questão da moradia dos mais pobres não interessa a ninguém. Até que um prédio caia. Daí a questão vem à tona por alguns meses, até cair de novo no esquecimento geral. Hoje ouvi na CBN um comentarista conversando com a Fabíola Cidral: diziam o quanto era importante a reabilitação de prédios no centro, o quanto precisamos de uma política de locação social. Só evitaram dizer que tudo isso está lá, em um plano já realizado e pronto para ser discutido, votado e implementado. Mas quando irão falar disso? Nunca, no Brasil atual, vale tudo menos dar crédito a governos que não são os escolhidos pelos poderosos. Tudo menos valorizar soluções técnicas e potencialmente transformadoras, pois o que a mídia faz, em permanência, é campanha política.
Apesar de tudo que escrevi até aqui, a culpa, quando ocorre algum problema com esses prédios, é dos mais pobres. Ora, os movimentos de moradia ocupam prédios para confrontar-se aos proprietários que os deixam vazios e mostrar à sociedades que esses imóveis estão irregulares e não cumprem a função social. Na Inglaterra, na Holanda, na França, é comum que isso ocorra e em geral os juízes tentam imediatamente contatar os proprietários e estabelecer negociações para uma solução do problema, que não passa imediatamente pela expulsão dos ocupantes. A Prefeitura é geralmente responsabilizada por esses processos, mas se trata de uma negociação judicial entre proprietários e ocupantes. No Brasil, os juízes, como disse, mandam imediatamente desocupar, violentamente na maioria dos casos, com força policial. Ainda assim, o município pode participar, tentando mediar o conflito. Na nossa gestão, criamos um setor específico de negociação de conflitos imobiliários e fundiários, ligado diretamente ao Gabinete do Secretário de Habitação. Com isso, conseguimos chegar a acordos em que os movimentos ocupantes negociavam a compra do imóvel diretamente com os proprietários, colocando-o depois em um programa de financiamento como o Minha Casa MInha Vida, para sua reforma.
Os movimentos organizados, como o seu nome indica, são organizados: geralmente verificam a situação do prédio antes de ocupá-lo, quanto à sua segurança e viabilidade de reabilitação futura. Também se organizam para a cotização de mensalidades visando a manutenção, a limpeza e a segurança dos prédios. Nesse sentido, CONTRIBUEM para sua manutenção, mais do que o degrada, a degradação real ocorrendo quando ele fica vazio e abandonado.
Mas ocorre que, como em todos os lados, assim como na Câmara Federal, em qualquer condomínio de alta classe, ou em tantos lugares, pessoas de má-fé, aproveitadores, se misturam para fazer suas ações. Alguns se fazem passar por movimentos de moradia, criam uma sigla qualquer, e estabelecem uma ocupação que visa essencialmente extorquir imigrantes recém-chegados e muito vulneráveis, cobrando-lhes um aluguel alto para uma condição habitacional precária. Nesses casos, pouco se importam com a segurança, e muitas vezes usam o prédio como ponto de tráfico de drogas. Foi o que aconteceu, na nossa gestão, no Edifício Marrocos, cuja "liderança" foi posteriormente presa, com quilos de crack guardados no edifício.
Mas isso é uma minoria. O problema é que muitos gostam dessa história pois aproveitam, com isso, para criminalizar os movimentos, jogando tudo no mesmo saco. É como se ao se descobrir que um morador de um condomínio de luxo trafica drogas, todos os moradores fossem acusados também. A sanha da elite é tal que quando se fala nisso, manipula-se os argumentos para criar essa falsa verdade e culpabilizar os movimentos. Em janeiro de 2017 dei uma entrevista à Folha na qual explicava todas as questões levantadas neste artigo. A manchete, criada a partir de uma frase que eu não disse, foi algo do tipo: "Ex-Secretário de Haddad diz que o crime organizado está por trás das ocupações em todos o Brasil". Na sema a seguinte, usou-se essa minha "afirmação" para dizer que Boulos, preso em uma injusta reintegração de posse determinada por um juiz, era parte desses movimentos "criminosos". Ontem, após o incêndio, o filho do Bolsonaro usou a tática de sempre: mesclando letras dos movimentos envolvidos, saiu falando que o MTST, de Boulos, tinha ocupado o prédio que desabou. Fake News. Mas com efeito devastador na opinião pública.
Com isso, se quer "resolver" o problema dos pobres em prédios na região central pelo meio mais simples, e que mais agrada aos ricos e poderosos: sua expulsão. Pelo argumento do crime, que é falso, ou do risco, que também é falso. Como disse, a quase totalidade dos movimentos zela pelos prédios e por sua segurança, de forma organizada e disciplinada. Mas a desculpa higienista para tirar os pobres da cidade dos ricos não é nova, lembrem-se da Revolta da Vacina. O Ministério Público tende a querer fazer isso, e na Câmara Federal hoje mesmo já se tentava votar um Projeto de Lei dando mais liberdade para a expulsão com uso da força de ocupações. Como se isso resolvesse o problema. Não só não resolve, como piora, ao manter os prédios vazios, em vez de serem ocupados e mantidos por movimentos organizados. Isso até poderia ser transformado em política. Mas, a verdade é a seguinte: os ricos não querem ver pobres morando ao seu lado. Esse é o raioX doentio da sociedade brasileira.
A tragédia de anteontem foi grave, ainda mais porque escancara o problema maior que temos que encarar: que a nossa sociedade faz como quem não enxerga que cerca de 20 milhões de pessoas, no Brasil, não tenham onde viver decentemente. E ache que não é importante ter políticas para isso. Afinal, vê as favelas pelo vidro do carro, apenas quando viaja para o interior e o litoral. A falta de casas dos outros não afeta aqueles que a têm. Como em tudo no Brasil, a corda vai sendo esticada, até romper. O problema é que a culpa sempre é dos mais pobres, os bandidos sempre são os mais pobres, os irregulares sempre são os mais pobres, os vagabundos sempre são os mais pobres. Até quando?
Veja também:
Dilma: Eu tempo pela vida de Lula
O post Chico César canta para Lula na vigília, em Curitiba; veja como foi apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

Publicado no site de Lula
“Completam-se 30 dias que estou aqui aguardando que o Moro e o TRF4 digam qual crime eu cometi. Não sei se os acusadores dormem com a consciência tranquila que eu durmo. A minha tranquilidade é porque eu tenho vocês” – Lula
No instante em que o helicóptero que levava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pousou na cobertura da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba ficou evidente que seus acusadores prendiam não apenas uma pessoa. Sob alegações falsas, prendiam a esperança de boa parte do povo brasileiro em dias melhores. As bombas dispersadas contra as pessoas que aguardavam Lula para apoiá-lo nesse momento difícil eram mais um sinal de que o plano midiático contra Lula não tinha dado certo.
Lula ficou quatro dias sem ver a luz do sol. Em uma cela limitada à luz artificial, com vista apenas para a parte interna do prédio que o detém, o ex-presidente assistiria as horas passarem sem saber se do lado de fora fazia dia ou noite, não fossem os pontuais coros de “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite”, entoados por milhares de apoiadores dia após dia, a 900 metros das paredes que o confinavam.
As condições para o banho de sol de Lula só foram regularizadas na Polícia Federal uma semana após sua prisão, quando os termômetros marcavam 15ºC em Curitiba. Naquela data, uma chuva incomoda caía sem trégua. As barracas do acampamento Lula Livre, nos arredores da Polícia Federal, eram cobertas por lonas pretas que cortavam o vento gelado da capital paranaense e abrigavam acampados de todo o país, a maioria deles estranha ao frio curitibano.
Seria a segunda oportunidade de Lula, recluso há sete dias, ver “o dia lá fora”. E o ex-presidente da República não hesitou. Seguiu para o pátio onde caminharia em círculos sob a chuva por 1h10 minutos.
Essa é a segunda vez que Lula enfrenta a arbitrariedade de uma prisão política – a primeira durante a ditadura militar. Desta vez, aos 72 anos, precisa responder ao neto Arthur, de apenas seis, perguntas difíceis sobre quando ele volta. As visitas da família foram, durante boa parte desse período, as únicas permitidas pela Justiça. O ex-presidente foi impedido de receber governadores, senadores, deputados, amigos de longa data, um prêmio Nobel da Paz e até mesmo a presidenta eleita do Brasil, Dilma Rousseff.
Nove dias após ser isolado de qualquer convívio, Lula enviou seu primeiro recado à resistência do lado de fora do bloco de concreto que o abriga. “Vocês são meu grito de liberdade”. Os “milhares de Lulas” se revezaram, de todos os cantos do país, para dar guarida ao seu líder. Resistiram nesse período desde às ordens de despejo aos tiros disparados contra o acampamento da Vigília Lula Livre. Prometem não arredar o pé dali.
Lula sabia. Há um mês, em São Bernardo do Campo, ele avisava: “Quanto mais dias me deixarem lá, mais Lulas surgirão por esse país”. E Curitiba, cada dia que passa, vê mais Lulas pelas ruas. A nova rotina da cidade gera curiosidade naqueles que antes se davam por satisfeitos com a acusação mal contada do tríplex oferecida por um processo viciado em ceder às pressões dos que formam opinião no país.
A rotina dos correios também foi alterada. A sede da PF virou parada obrigatória na rota diária do furgão amarelo que traz milhares de cartas, do Brasil e de fora dele, e pacotes com livros e lembranças aos cuidados do presidente. Enquanto aguarda a reparação da Justiça, Lula dedica seu tempo a ler e pensar o Brasil. Acompanha o noticiário com indignação ao lembrar do país que era otimista e que incluía os mais pobres e que agora é implacavelmente destruído.
No roteiro de leitura do presidente, ‘O último cabalista de Lisboa’, ‘A elite do atraso’, ‘Os caminhos de Mandela’, ‘Amor em tempos do cólera’. Histórias de resiliência e busca por liberdade. E é com os livros também que se exercita, revezando-os como halteres, cultivando sua sagrada rotina de exercícios físicos e se preparando para, mais uma vez, consertar o Brasil.
O post “Lula precisa responder ao neto Arthur, de apenas 6 anos, perguntas difíceis sobre quando ele volta” apareceu primeiro em Diário do Centro do Mundo.

Foto Facebook do Lula
Ninguém pode aprisionar a candidatura de Lula
por Gleisi Hoffman*, no Lula.com.br
Lula foi condenado em um processo sem crime, sem provas e por um juiz que não tinha competência legal.
Aliás, parece ter sido isso o que a Segunda Turma do Supremo decidiu recentemente.
Cedo ou tarde, as instâncias superiores deverão reconhecer a injustiça e a ilegalidade dessa condenação.
É lamentável, no entanto, que tenham prendido Lula antes de esgotados todos os recursos, como manda expressamente a nossa Constituição (art. 5º, LVII).
A precipitada e injusta prisão de Lula, no entanto, não altera em nada o direito que o PT tem de requerer o registro de sua candidatura, em meados de agosto deste ano.
Em relação a Lula existe hoje, quando muito, apenas uma inelegibilidade provisória – que pode ser revogada a qualquer tempo, mesmo depois da eleição.
E é isso que garante a Lula o direito de ser candidato, como está em parecer subscrito por Luiz Fernando Casagrande Pereira – até hoje não refutado.
Aconteça o que acontecer, como está no parecer, não há nenhuma margem legal para o indeferimento antecipado do registro da candidatura de Lula.
Nunca houve na história das eleições um indeferimento antecipado.
A discussão sobre a inelegibilidade só poderá acontecer lá no ambiente do processo de registro.
E desde a Lei 13.165/2015 (que já não pode mais ser alterada para a eleição de 2018 – art. 16 da Constituição Federal), o processo de registro só se inicia em 15 de agosto de 2018.
Para insistir: aconteça o que acontecer, o tema do registro eleitoral não será antecipado.
O PT fará o pedido de registro de Lula em 15 de agosto de 2018 (a campanha só dura 45 dias).
Com o pedido de registro, Lula está autorizado a fazer campanha.
No final do mês de agosto começa o horário eleitoral gratuito.
Se o processo de registro (e a impugnação do registro) de Lula for o mais célere possível (apenas cumprindo os prazos mínimos), não termina no TSE antes da metade de setembro de 2018.
E ainda caberia recurso ao Supremo.
É assim porque enquanto o registro estiver em discussão (sub judice), Lula (como qualquer candidato) “poderá efetuar todo os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito e ter o nome mantido na urna eletrônica” (art. 16-A da Lei Eleitoral).
E o registro de Lula estará sub judice até o dia da eleição, não há dúvida.
Se o TSE for célere como nunca foi, Lula poderá disputar (e ganhar) a eleição mesmo com o registro indeferido.
O próprio TSE informou que apenas nas últimas eleições 145 prefeitos ganharam a eleição com o registro indeferido.
O exemplo de Lula estaria longe de ser inédito.
Há caso, inclusive, de prefeito eleito enquanto estava preso.
Por que, afinal, a Lei Eleitoral autoriza que alguém concorra com o registro indeferido (e mesmo preso)?
Por uma razão singela: tanto a prisão como a inelegibilidade são meramente provisórias e podem ser revertidas mesmo depois da eleição (desde que antes da diplomação).
A possibilidade de reverter a inelegibilidade, ainda segundo o mesmo parecer, está expressa no art. 26-C da própria Lei do Ficha Limpa.
Por este dispositivo, Lula tem até a diplomação (depois da eleição, portanto) para suspender a inelegibilidade.
Como explica o atual Presidente do TSE, Ministro Luiz Fux, sempre que houver plausibilidade no recurso interposto, a inelegibilidade deve ser suspensa.
Recentemente, Lula interpôs recursos ao STJ e STF contra a decisão do TRF da 4ª Região.
Mesmo quem acha defensável a decisão do TRF4, reconhece que os recursos de Lula têm teses juridicamente plausíveis.
E a simples plausibilidade dos recursos é tudo que Lula precisa para, a qualquer tempo, suspender a inelegibilidade.
Basta a plausibilidade, na claríssima lição do Ministro Fux.
Se a inelegibilidade não for suspensa até a eleição, Lula será eleito com o registro indeferido (como 145 prefeitos ganharam em 2016).
A discussão ficaria para depois da eleição.
Neste caso, Lula eleito presidente, o Poder Judiciário teria que decidir se reconhece ou revoga a vontade popular da maioria dos brasileiros.
Por tudo isso, é certo que a legislação brasileira assegura a candidatura de Lula.
Nas últimas décadas, muitos foram os casos idênticos ao de Lula (disputa de eleição com inelegibilidade provisória).
A Justiça Eleitoral sempre garantiu candidaturas sub judice, diante da possibilidade de posterior reversão da inelegibilidade.
Não há espaço para casuísmos.
Lula será candidato porque ninguém poderá aprisionar a vontade popular e a candidatura de Lula.
*Presidenta do PT
Leia também:
Prisão de Lula completa 30 dias
O post “Não há margem para o indeferimento antecipado do registro da candidatura de Lula” apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

![]() |
| Estromatólitos do Shopping Eldorado. Foto de Sallun Filho - 2012 |
![]() |
| Paredão de varvito com um seixo rolado no meio. Foto de André Bonacin |
![]() |
| A Rocha Moutonnée. Fonte: Wikipedia |
![]() |
| Mirante Pedra do Índio entre Pardinho, Bofete e Botucatu. Fonte: Davi H. |
![]() |
| Caverna do Diabo - PETAR. Fonte: LaViagem |

Rovena Rosa e Fernando Frazão, Agência Brasil; Edilson Rodrigues, Agência Senado; Cacá Meireles, Wikipedia
De resistentes a golpistas
por Maurício Dias, em CartaCapital
Cada um veste a camisa que lhe convém e troca a roupa quando lhe é conveniente. Tem sido assim a trajetória adotada por parte da dita esquerda brasileira após a ditadura.
Uma massa enorme desses ex-militantes migrou para o lado oposto, a ultradireita golpista. Parece que arrependidos com o que eram. Subiram a escada pela esquerda e desceram pela direita até o inferno.
A migração da esquerda para a direita não é novidade no mundo todo, mas por aqui o fenômeno passa a ser mais curioso e assustador. Há muitos exemplos.
É o caso de Fernando Gabeira, ex-integrante da luta armada que, sob a ditadura, participou do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, no Rio de Janeiro, em 1969.
Ao voltar do exílio, Gabeira iniciou o processo de transformação. Fez sucesso inicialmente com uma tanga de crochê nas areias de Ipanema. Posteriormente, elegeu-se deputado ainda com um viés de esquerda.
Hoje, Gabeira brilha aos olhos dos golpistas. E tornou-se estrela do império Globo, na televisão e no jornal, onde assina uma coluna semanal.
Recentemente, ele atacou três ministros do STF por terem tirado das mãos do juiz Sergio Moro documentos da Odebrecht, enviando-os para a Justiça de São Paulo.
Gabeira delatou: “Tudo para proteger Lula”. O mesmo não fez, no entanto, quando do STF partiu ordem semelhante com o processo do tucano Geraldo Alckmin. Ficou calado.
Fernando Gabeira puxa uma longa fila de outros esquerdistas que migraram. O pernambucano Raul Jungmann é outro exemplo. Participou do governo de FHC e agora integra o governo Temer como ministro da Segurança Pública.
Houve aí, entretanto, um atrito com o deputado Roberto Freire, ex-mandachuva do PCB no Brasil, que fundou o PPS e passou também a militar a favor do golpe.
Freire é subordinado fiel do tucano José Serra, ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) que, em 1964, foi militante da Ação Popular. Assumiu por tempo curto o Ministério das Relações Exteriores.
Outro tucano, Aloysio Nunes, militante da Aliança Libertadora Nacional, substituiu Serra. Por sua vez, Moreira Franco, ministro de Minas e Energia de Temer, era integrante da Ação Popular. Há muitos outros trânsfugas nessa história.
Monteiro Lobato, um conservador empedernido, admirador dos Estados Unidos, em uma crônica premonitória antecipou essa migração. Ele imaginou que o Partido Comunista Brasileiro tivesse assumido o poder e comunicasse a vitória a Stalin em curto telegrama.
Após as saudações de praxe, os integrantes do Politburo, o Comitê Central do PCB, assinavam a comunicação: José Maria Alckmin, Benedito Valadares e Tancredo Neves, entre outros.
Leia também:
PT de Londrina denuncia empresa que promoveu tiro ao alvo com imagem de Lula e Dilma
O post Os trânsfugas que vão entrar para a História do Brasil apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.
A pesquisa FIERN/Certus traz dados interessantes que vão além dos números tradicionais da disputa eleitoral. Uma das perguntas no questionário é o voto para a presidência da República com base na atividade de ocupação do eleitor.
A pesquisa dividiu os entrevistados em funcionário público, trabalhador da área privada com carteira assinada, empresário, trabalhador do setor informal, atividade do lar, aposentado, desempregado e profissional liberal.
Com 40,07% das intenções de voto no total, o ex-presidente Lula é o preferido em todos os segmentos. Um dos dados que mais chama a atenção, no entanto, é a preferência do setor empresarial.
Levando em conta só o voto dos empresários do Rio Grande do Norte, o ex-presidente Lula é o preferido com 25,64% dos votos. Já o dono das lojas Riachuelo Flávio Rocha, pré-candidato pelo PRB, foi citado por apenas 2,56% dos eleitores.
Com raízes no Estado, Rocha tem, entre os empresários potiguares, o mesmo percentual de intenção de voto que o líder do movimento dos trabalhadores Sem-Teto Guilherme Boulos (PSOL).
Outro número que chama a atenção é que o setor empresarial não é onde Rocha teria mais apoio. O percentual de votos junto a funcionários públicos, categoria que ele costuma chamar de parasitas, é um pouco maior: 3,51%.
Depois de Lula, os empresários potiguares gostariam de ver Jair Bolsonaro (PSC) na presidência. O deputado federal obteve 17,95% das intenções de voto junto ao setor.
Atrás de Lula e Bolsonaro, os empresários apontaram a ex-ministra Marina Silva (Rede), com 5,13% das intenções de voto. Empatados, com 2,56%, aparecem Guilherme Boulos (PSOL), Flávio Rocha (PRB), Joaquim Barbosa (PSB), Ciro Gomes (PDT) e Fernando Collor (PTC).
O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) não chegou a pontuar entre os empresários.
Leia a pesquisa completa Certus/FIERN aqui.
O post FIERN/Certus: Empresários preferem Lula e rejeitam Flávio Rocha no RN apareceu primeiro em Saiba Mais.
O que se compra na Feira Nacional da Reforma Agrária com R$ 50
Sugerimos 15 itens orgânicos produzidos em assentamentos do MST que podem ser comprados por R$ 50,00
Um dos objetivos da terceira edição da Feira Nacional da Reforma Agrária é abrir o diálogo com a sociedade e derrubar mitos.
Um deles é que a produção orgânica e agroecológica é cara.
Sugerimos uma cesta produtos diversos, de todas as regiões do país, que podem ser comprados por no máximo R$ 50,00.
Por esse valor, a cesta ficou assim: um pão caseiro, 250g de café, 500g de arroz vermelho orgânico, duas unidades de milho, três bananas-da-terra, uma caixinha de paçoca de carne, um pacotinho de manjericão, pimenta do reino, uma goiaba, duas mangas, um cacho de uva verde, um pacote de cacau em pó, um abacaxi, um melão, meia melancia.
Base da cesta básica, o primeiro produto é um pacote de meio quilo de arroz integral orgânico vermelho por R$ 4,00.
O arroz é produzido no assentamento Filhos de Sepé, em Viamão (RS), na região Metropolitana de Porto Alegre — onde o MST produz mais de 100 mil sacas por ano.
Na beira da rodovia MS-162, o acampamento Sebastião Guilherme resiste há cinco anos com produção agroecológica. E são de lá as goiabas que se encontra na Feira a R$ 1,00 cada uma.
Também deu pra comprar duas unidades de milho e folhas de manjericão, totalizando R$ 5,00 em compras na barraca do Mato Grosso do Sul.
Na tenda de Rondônia, o destaque é o cacau — o fruto foi levado da Bahia ao estado pelo fluxo de migração do ciclo da borracha, no final do século 19.
A versão em pó do fruto sai a R$ 2,00 e um pacote de pimenta-do-reino R$ 3,00.
Valdir Diniz lembra que muitas pessoas apreciam o chocolate, mas não o fruto. Por isso eles trouxeram até mesmo a semente do cacau.
“Eles pensam que é uma coisa muito distante, mas sempre está na nossa mesa. A gente quer partilhar isso e transmitir esse conhecimento aqui para o pessoal dessa grande capital”.
Ele pontua a importância do fruto para a geração de renda do local.
“Nós temos muita variedade de produtos, o que está agradando muito aqui na feira. Desde o doce de gergelim, o doce com açúcar mascavo… Ele é muito importante para nossa economia do campo”.
A diversidade de subprodutos da palmeira babaçu surpreende e o escolhido para esta cesta foi o azeite de babaçu, cuja garrafinha sai por R$ 10,00 na mão dos produtores maranhenses.
Do Espírito Santo, é possível adquirir por R$ 6,00 o café orgânico da marca Terra de Sabores, em uma embalagem à vácuo de 250g.
Dos produtores do município de Sucupira (TO), tem o pão caseiro (R$ 4,00) e a paçoca de carne-seca (R$ 3,00), cuja base é feita de farinha d’água. Os tocantinenses costumam comer a mistura pura ou com banana.
Por isso, ao lado, na barraca do Mato Grosso, tem a banana-da-terra por R$ 3,00. Junto, uma unidade do abacaxi saiu por R$ 2,00.
E, como toda boa feira, a dica também é pechinchar. Na conversa direta com os produtores, é possível conseguir descontos.
O pernambucano Adailton Cardoso fechou com facilidade a proposta de fazer por R$ 6,00 duas unidades de mangas, uma caixinha de uva e um melão. O produtor é de Santa Maria da Boa Vista (PE).
Para totalizar o orçamento, na última parada foi possível comprar uma abóbora de Tocantins por R$ 2,00.
Ainda dá tempo de você também montar a sua cesta de produtos saudáveis e baratos: o evento organizado pelo MST ocorre até o próximo do domingo (6), no Parque da Água Branca em São Paulo.
A programação da feira vai de 8h até às 20h.
Leia também:
Prisão de Lula completa 30 dias na segunda: atos em várias cidades
O post Feira do MST derruba mito: comida boa, barata e sem veneno apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

Reprodução Vimeo
por Luana Tolentino, especial para o Viomundo
Não me lembro exatamente do ano. Era 1998 ou 1999. Eu tinha 13 ou 14 anos. Só sei que vivíamos um tempo de muitas dificuldades.
Era noite. Não havia gás de cozinha. Também não havia dinheiro para comprar. Com um carrinho de mão, Dennis e a Miriam, meus irmãos, improvisaram um fogão. Não foi difícil conseguir lenha. Na minha casa sempre teve muitas árvores frutíferas.
Não consigo recordar direito o que foi feito. A memória me trai mais uma vez. Acho que esqueci de propósito. Agora que preciso lembrar, não consigo.
Lembro apenas do arroz com gosto de fumaça.
Jantamos em silêncio. Não houve reclamações. Ou era o arroz enfumaçado ou nada.
Enquanto comíamos, observava o semblante dos meus irmãos.
Dennis sentia raiva. Da situação e do fato de minutos antes da comida ficar pronta uma vizinha chegou e flagrou o fogão e também o.que se passava na nossa casa.
A Miriam parecia (parecia…) não se importar. Enquanto isso, eu pensava que um dia tudo aquilo iria passar.
Nossa vida não seria daquele jeito para sempre. Eu tinha certeza disso.
Me lembrei dessa passagem após ler aqui ao ler aqui no Viomundo o twitter de Marcio Pochmann de que só no ano passado, a falta de emprego e de dinheiro obrigou mais de 1,2 milhão de famílias brasileiras a trocar o gás de cozinha pelo uso de carvão e lenha.
Tal fato é acompanhado pelo aumento no índice de atendimentos a queimados nos hospitais.
Dois anos após o golpe que custou o cargo da presidenta Dilma e o nosso projeto de democracia, temos mais de 13 milhões de desempregados.
A população de rua aumenta assustadoramente. A fome voltou. Não há investimentos em saúde, educação, em infraestrutura.
Há uma descrença total no país, nas instituições. A não ser que aconteça um milagre, assim será pelos próximos 20 anos. Sou sempre muito otimista, mas não é tempo de ilusões. O estrago foi grande demais.
Lembro do nosso fogão improvisado, dos que hoje vivem na mesma situação que minha família experimentou há alguns anos.
Lembro também dos que, cegos de ódio dos governos petistas, bateram panelas.
Estes, que sempre tiveram as panelas cheias, assistem à essa tragédia social do alto de suas varandas como se não tivessem nada com isso.
Enquanto os que ainda (ainda!) têm o que comer, experimentam o gosto horrível do arroz enfumaçado.
Leia também:
Defesa de Lula pede, agora ao STJ, que Tacla Duran seja ouvido
O post Luana Tolentino: De volta ao passado e ao gosto horrível do arroz enfumaçado apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

Foto Facebook do MME
Da Redação
Não é propriamente uma novidade. A agência SportLight já havia denunciado que a Eletrobras pagou quase R$ 2 milhões, num contrato sem licitação fechado com o Grupo FSB Comunicação, para falar mal de si própria e, assim, justificar a privatização.
Agora, A Associação dos Empregados de Furnas promete recorrer à Justiça contra postagens feitas nos perfis oficiais do Ministério de Minas e Energia que sugere que funcionários do setor elétrico são marajás (veja íntegra da nota abaixo).
A campanha do Ministério, feita através de perfis no Facebook e no twitter, foi mal recebida mesmo por apoiadores da privatização.
O governo que prometeu que a reforma trabalhista criaria empregos agora promete que as contas de energia vão cair 12% depois da venda da Eletrobras.
Sob Moreira Franco, a venda da empresa é a última grande cartada do governo Temer.
Internautas tem detonado as postagens do Ministério, revelando descrédito na suposta “modernização” vendida pelo atual ministro, que recebeu a alcunha de Angorá nas delações da Odebrecht.
A campanha do Ministério foi definida como “um conjunto de anúncios bizarros” pelo engenheiro José Luiz Alquéres, que já foi presidente do conselho da Eletrobras (ver nota abaixo).
A Associação dos Empregados de Furnas (ASEF), em nome dos seus associados, empregados de Furnas Centrais Elétricas S.A., repudia qualquer generalização sobre o perfil e a qualidade dos empregados de Furnas como tem sido feito de forma irresponsável e inapropriada em publicações recentes nos perfis oficiais de redes sociais do Ministério de Minas e Energia.
Furnas é uma subsidiária do Grupo Eletrobras presente em 15 estados e no Distrito Federal, e que opera e mantém um Sistema por onde passa cerca de 40% da energia que move o Brasil, atuando no abastecimento a regiões onde estão situados 63% dos domicílios e 81% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Nossa empresa é composta por trabalhadores altamente qualificados, que desenvolvem serviços de excelência e que se dedicam diariamente pela qualidade e expansão do Setor Elétrico Brasileiro.
A Eletrobras é a maior empresa de energia elétrica da América Latina, com presença em todos os Estados da Federação, respondendo por um terço da geração de energia elétrica e metade das linhas de transmissão no Brasil.
Um Sistema desta envergadura não surge nem opera por geração espontânea.
Tudo isso foi construído ao longo de seis décadas, com o suor e a dedicação dos trabalhadores, para garantir energia elétrica para o desenvolvimento do Brasil.
É alarmante e sintomático que um canal oficial do Ministério de Minas e Energia use expressões tão depreciativas e apelativas em sua comunicação justamente na semana em que a Agência de Jornalismo Investigativo SportLight denunciou em reportagem detalhada a contratação milionária e sem licitação de uma Agência de Comunicação, por parte da Eletrobras, para depreciar a imagem da própria empresa, visando facilitar e acelerar o processo de privatização.
Ademais, os trabalhadores do Grupo Eletrobras respeitam a Constituição Federal de 1988 e ingressam na empresa mediante Concurso Público, com todos os salários e benefícios registrados em Plano de Carreira e Remuneração.
Ainda sobre supostos privilégios mencionados em uma das notas dos perfis oficiais do MME, registre-se que nas empresas do Sistema Eletrobras nenhum trabalhador goza de foro privilegiado.
Por toda a comunicação veiculada, o nosso corpo jurídico já foi cientificado dos fatos e as devidas medidas cabíveis serão tomadas para que haja responsabilização.
Campanha sobre privatização da Eletrobras gera polêmica e conselheiro critica anúncios
SÃO PAULO (Reuters) – Um homem de idade com uma boina e um olhar de reprovação manda o recado do governo brasileiro: “Você por acaso é sócio da Eletrobras? Preço justo já!”.
O anúncio, publicado nas páginas do Ministério de Minas e Energia em redes sociais, parece culpar a maior empresa de energia do país, controlada pelo Estado, pela disparada das tarifas de eletricidade nos últimos anos.
Mas a campanha, divulgada em um momento em que o governo do presidente Michel Temer pretende levar adiante planos de privatizar a Eletrobras, gerou revolta do representante dos empregados no Conselho de Administração da companhia e reações contrárias de especialistas.
“Eu fico impressionado com a falta de informação… a Eletrobras foi sacrificada para que não tivéssemos tarifas muito maiores do que estão”, disse à Reuters o consultor Roberto Pereira D’Araújo, do Instituto Ilumina, ex-conselheiro de Furnas, subsidiária da Eletrobras no Sudeste e Centro-Oeste.
Ele estimou que as tarifas de energia no Brasil subiram em média 50 por cento acima da inflação desde 1995.
A alta veio mesmo após mudanças regulatórias implementadas em 2012 pela então presidente Dilma Rousseff, que obrigaram a Eletrobras a vender a produção de suas hidrelétricas antigas por preços que mal cobrem custos de operação e manutenção.
A proposta de desestatização da empresa incluiria uma mudança nesses contratos, chamados de “regime de cotas”, o que permitiria à Eletrobras sob gestão privada vender a energia a preços de mercado, bem maiores.
O presidente da estatal, Wilson Ferreira, tem dito que apesar disso os consumidores devem sentir uma redução tarifária após a privatização, uma vez que a Eletrobras vai se comprometer a direcionar recursos para reduzir encargos cobrados na conta de luz ao longo das próximas décadas.
Ainda assim, a peça publicitária do governo sobre a Eletrobras diz que o consumidor “sempre paga caro pela energia” e faz menção às bandeiras tarifárias, que aumentam o valor da conta de luz quando a oferta de geração das hidrelétricas é menor –em épocas de pouca chuva, por exemplo.
“Com a modernização da Eletrobras, essa história de mudar a cor da bandeira vai acabar”, promete a campanha do Ministério de Minas e Energia.
A afirmação, no entanto, soa estranha porque o acionamento das bandeiras tarifárias é atribuição da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), assim como a definição das tarifas, afirmou a professora da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-diretora do órgão regulador, Joísa Dutra.
“Quem determina a tarifa é a Aneel, e o mecanismo de bandeiras não está ligado exatamente à Eletrobras… fiquei um pouco surpresa porque uma pessoa desavisada pode ser levada a entender errado”, disse.
A especialista defende a privatização, mas avalia que a campanha publicitária do governo pode não colaborar para o avanço do processo.
“É preciso cuidado para não enviar as mensagens erradas”, afirmou.
A economista Elena Landau, que presidiu o Conselho de Administração da Eletrobras no ano passado e também é a favor da privatização, concorda com as críticas aos anúncios da pasta de Minas e Energia.
“Eu acho que a propaganda está muito obscura, é difícil de entender a mensagem que quer passar”, afirmou.
Ela avalia que o governo deveria aproveitar as mensagens publicitárias para disseminar informações e desmentir o que considera boatos sobre o negócio, como críticas de sindicalistas de que a venda das hidrelétricas da Eletrobras entregaria os rios brasileiros a estrangeiros.
“Acho que (o governo) está perdendo uma oportunidade de explicar melhor os mitos e verdades da privatização”, disse.
Procurado, o Ministério de Minas e Energia não comentou. A Eletrobras disse que não iria se pronunciar sobre a campanha do governo.
O novo tom nos anúncios sobre a privatização vem após a posse de Moreira Franco (MDB-RJ) como chefe da pasta de Minas e Energia. Ele substituiu o deputado Fernando Coelho Filho, que deixou o cargo porque pretende se candidatar nas eleições de outubro.
CONSELHEIRO REAGE
Em outra das peças da campanha pela privatização, o Ministério de Minas e Energia escreveu em letras garrafais no Facebook: “A Eletrobras está quebrada”.
A afirmação, no entanto, foi rebatida de pronto por um dos conselheiros da companhia, Carlos Eduardo Rodrigues Pereira.
“Não está não. E quem está falando aqui é um conselheiro da empresa. Mais responsabilidade ao falar de uma empresa de capital aberto”, escreveu Pereira em resposta ao anúncio no Facebook.
A mensagem sobre a condição da empresa, vista pela Reuters, foi posteriormente apagada da página do ministério na rede social.
Pereira, que é representante dos empregados no Conselho da Eletrobras, ainda enviou uma correspondência interna à companhia em que criticou pesadamente a campanha pela privatização.
“Nos últimos dias fomos surpreendidos por algo que não pode ser definido de outra forma senão uma campanha difamatória contra a Eletrobras… quero comunicar a todos que esta campanha não contará com o meu silêncio e que atuarei em todas as arenas em defesa da companhia”, escreveu ele na carta, obtida pela Reuters.
Para o engenheiro José Luiz Alquéres, que já foi presidente e chefe do Conselho da Eletrobras, as propagandas são “um conjunto de anúncios bizarros, com afirmações que não se amparam tecnicamente”.
A Eletrobras fechou 2017 com prejuízo de 1,7 bilhão de reais, contra lucro líquido de 3,5 bilhões de reais em 2016, ano em que a companhia havia voltado ao verde após anos de perdas.
Os prejuízos acumulados pela elétrica somaram mais de 30 bilhões de reais entre 2012 e 2015, após as medidas do governo para reduzir as tarifas.
Leia também:
Defesa de Lula pede, agora ao STJ, que Tacla Duran seja ouvido
O post Empregados de Furnas: Confirmando denúncia da agência SportLight, Ministério faz campanha contra empresa que pretende privatizar nas redes sociais apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.
"Essa criança está atrapalhando a minha aula. Dou aula para maiores de 18 anos e não vou aceitar criança na sala. Você deveria estar em casa cuidando dela e ao invés disso trouxe essa criança pra jogar em mim a sua responsabilidade. Não vou aceitar. E não me olha com essa cara!"
Sexta-feira foi assim. Minha filha tava bem quietinha e calada, do jeito que o adulto gosta, enquanto o professor começava a aula. Era a segunda vez que eu tava ali, depois de um semestre quase inteiro. Eu venho estourando de falta e de cansaço da luta real num processo mediado por uma justiça machista e seletiva, seguido de dias em casa tratando da saúde da minha filha de doenças pegas nessa cidade poluída e entupida. Testemunhando discursos racistas fascistas classistas machistas em todos os espaços, lidando com a ignorância e a falta de empatia inclusive entre as minhas e os meus. Na família e também na classe artística.
Não leia nem livro nem publicação de Jorge Claudio Ribeiro. Esse aí discrimina mulher e criança em sala de aula. Não nos querem nos espaços. Veem as crianças como problema a ser resolvido, pela mãe. Mas terão de conviver com a gente. Terão de nos aceitar e não permaneceremos caladas. Eu lido todos os dias com as contradições implicadas nessa frase que eu inscrevi no mundo no auge da minha indignação com um sistema que oprime a maternidade. Foi quando o feminismo me deu a mão. Mas um feminismo que tá na margem bem pra lá da fronteira depois da são paulo classe média branca zona oeste. O feminismo com cria nas ancas e todo o peso de ser a real puta que pariu nesse sistema. 
Por Claudia N. Ekström, de Estocolmo
A tatuagem do soldado nazista na perna direita, hoje, se esconde atrás de uma gueixa. A inscrição SS na parte interna do dedão esquerdo do pé foi coberta por uma flor vermelha. E a águia nazista tatuada numa das mãos se transformou numa mandala.
Assim como suas tatuagens se tornaram menos agressivas, Anna-Lena Joners Larsson, 39, também mudou radicalmente.
Conhecida como “nazibruden”, (garota nazista, em sueco), do livro de mesmo título, ela deixou o movimento neonazista pra trás.
Tudo teve início na época em que começou a frequentar festivais de música e adquirir contato com bandas que exaltavam a “supremacia branca”.
Em 2010, num desses festivais, Anna-Lena deu início a uma relação amorosa com um dos mais conhecidos nazistas suecos na época: “Erik”, como ela o nomeia em sua biografia.
Ele era músico e figura conhecida entre os skinheads.
“Eu gostava da música, mas me desligava dos textos e do público que fazia saudações nazistas na frente do palco. Eu não era politicamente engajada naqueles tempos. Mas quando o encontrei, fiz também amizades com gente que tinha uma série de opiniões políticas. A partir daí, me envolvi cada vez mais no movimento neonazista”, conta Anna-Lena.
De repente, ela se transformou em manager da banda de “Erik”. E, quando precisaram de uma voz feminina para algumas baladas, ela foi a alternativa óbvia. Desse momento em diante, começaram a fazer apresentações na Suécia e exterior.
O universo nazista de Anna-Lena se ampliou e dentro em pouco ela também tornou-se famosa nos shows clandestinos dos nazis.
Quando Anna-Lena engravidou do primeiro filho do casal, o engajamento político se intensificou. Sem emprego fixo e com fibromialgia, a situação ficou impraticável quando ela se deparou com burocracia e mal-entendidos com os sistema sueco de Seguros e Saúde. Da revolta, nasceu a mobilização política através das mídias sociais.
“No primeiro ano com eles, eu era alienada. Depois, perdi o controle. Mais e mais. E daí, sim, a política começou definitivamente a fazer parte do meu dia-a-dia. Me sentia desconfortável na companhia dos meus velhos amigos, pois ficaram sabendo do meu envolvimento com nazistas. E isso resultou no término de muitas amizades. Eu me afastei das pessoas de propósito, pois ficou uma relação estranha”, conta.
Isolada, ela passava o dia destilando ódio aos refugiados, outros estrangeiros e minorias em geral nos fóruns online da extrema-direita sueca e pelo Facebook.
“Um novo mundo se abriu pra mim. Lá, todos compreendiam a minha frustração. Eu esbravejava num comentário, clicava em enviar e, em poucos minutos, recebia simpatia, apoio e compreensão. Eu lia notícias falsas e mitos sobre estrangeiros e compartilhava na hora”, assume Anna-Lena.
Há nesse modus operandi semelhança com o fascismo brasileiro que fabrica fake news e as espalha no WhatsApp e Facebook? Que incita o ódio às minorias e clama por militarismo?
A frustração política do cenário brasileiro atual fragilizou, inclusive, as relações pessoais. E revelou, principalmente nas mídias sociais, a face do vulgo cidadão de bem – adepto do velho discurso raso, populista, violento e mofado.
Na Europa, a sombra da extrema-direita está, definitivamente, de volta. Hungria, Grécia, Áustria, e a quase vitória da Front National, de Marie Le Pen, nas últimas eleições francesas, é o soprar dos novos velhos ventos do fascismo europeu.
Na Suécia, a ascensão também é fato consumado. O terceiro maior partido sueco, (SD), Democratas Suecos, tem 15,9% de intenções de voto, segundo dados atuais do instituto sueco de pesquisa, Kantar Sifo. O SD já chegou a ocupar o posto de segundo maior partido, atrás apenas do Socialdemokraterna, Partido dos Democratas Sociais, que governa a Suécia atualmente.
Apesar da perda de eleitores, desavenças internas, escândalos e saída de alguns membros do SD, a extrema-direita sueca ainda permanece na briga por mais território político.
Recém-criado e também de extrema-direita, o partido Alternativ för Sverige, Alternativa para a Suécia, também veio completar o cenário fascista.
Querem a saída do país da União Europeia (EU); retirada de benefícios econômicos concedidos a cidadãos estrangeiros; severas políticas anti-imigratórias e incentivo à repatriação de exilados já regularizados em território sueco.
Resumindo, são contra toda e qualquer forma de políticas de integração de estrangeiros. Sem mencionar a série de projetos com a intenção de controlar a mídia e a liberdade de expressão.
Assim como no Brasil, 2018 também é ano de eleição na Suécia. A diferença é que, apesar da permanência dos fascistas no páreo eleitoral, o discurso extremista parece já ter vivido seu ápice. No Brasil, não.
Dos tempos de turnê com a banda do ex-namorado, encontros com líderes de organizações reconhecidamente nazistas, como a inglesa Blood & Honour e racistas, como a americana Ku Klux Klan, restaram a consciência do erro e a luta contra seus próprios demônios.
O radicalismo ficou pra trás e a Anna-Lena de hoje acha, inclusive, um completo absurdo os Democratas Suecos terem mandatos no parlamento.
“Não creio que eles vão se manter na mesma posição depois das eleições de setembro. É a minha impressão quando converso com as pessoas que votaram no partido anteriormente”, diz Anna-Lena, que há tempos se declara ex-nazista.

O que a fez mudar de opinião sobre o seu próprio radicalismo?
“Eu estava perdida e apaixonada. Queria pertencer a um grupo. Queria algo que me fizesse sentir confiante”, explica.
A mudança começou após ter sido abandonada por Erik com um casal de filhos pequenos pra criar. Anna-Lena passou a rever suas posições ideológicas, se desfazer de contatos nocivos na vida real e mais de mil “amigos” nazistas no seu Facebook. Por fim, desligou-se completamente do movimento.
Hoje, ela trabalha como assistente de integração da prefeitura de Bollnäs, sua cidade natal, no norte da Suécia. Anna-Lena presta diariamente atendimento a refugiados sírios e de outros países. No projeto, bairros ditos problemáticos, recebem apoio e ferramentas pra combater a segregação.
“Treinamos sueco, as crianças brincam juntas e é fantástico. Nao consigo me imaginar fazendo outros tipo de trabalho. Tenho o emprego dos sonhos”, diz Anna-Lena.
Anteriormente, ela já estava engajada em outras causas sociais ligadas à igreja sueca.
Fora isso, trocou as turnês da banda de“white power” do seu ex por turnês em que palestra contando suas experiências no nazismo, na tentativa de dissuadir jovens de se engajarem em movimentos politicamente radicais.
E, como ela mesma conta, tentando fazer desses momentos forma de terapia. Durante as palestras, ela alerta ainda para as consequências do que se posta na internet.
Por causa de diversas ameaças, a polícia é sempre informada sobre a presença de Anna-Lena nas cidades. Inclusive, policiais à paisana misturam-se ao público como forma de segurança.
“Em Boden (norte da Suécia), durante uma palestra, foi registrada a presença de um ativista de uma conhecida organização nazista. Eles sempre sabem aonde eu estou, o que faço e sobre o que falo nos encontros. Apenas falo sobre o que eu vivi, as minhas impressões. Nao falo sobre as ideologias das organizações nazistas. E eles sabem disso”, explica Anna-Lena.
Você acredita que vai conseguir se perdoar totalmente por tudo?
“Já pensei em pegar os meus filhos e deixar a minha cidade. Mas, ao mesmo tempo, estou cansada de fugas. Então, resolvi ficar e assumir as consequências dos meus atos.
Mas a minha consciência pesa muito. Tudo o que eu já disse, fiz, como me comportei, o modo como tratei algumas pessoas. Vou viver com isso até o fim da minha vida. Mas trabalhei pra reconquistar a confiança dos meus velhos amigos e voltei a ser aceita na sociedade.
Ao invés de provar do ódio que eu mesma propaguei, me recebem com amor e isso me fortalece. Quando os meus filhos crescerem, pretendo ser totalmente aberta em relação à vida que eu levava. Eles vão saber de tudo, não quero que nada fique sem explicação”.
Anna-Lena me diz que das poucas mulheres presentes no movimento neonazista sueco, aproximadamente 12 delas deixaram as organizações nos últimos tempos, mas ainda não tornaram pública sua saída.
O post “Ao invés de provar do ódio que eu mesma propaguei, me recebem com amor”: a ex-neonazi que trabalha com refugiados na Suécia apareceu primeiro em Diário do Centro do Mundo.

Pipo Quint/Agecom/UFSC
O reitor Luiz Carlos Cancellier não precisa morrer de novo
PF, Justiça e imprensa meteram-se num equívoco, o melhor seria que assumissem o erro
Hoje completam-se sete meses da manhã em que Luiz Carlos Cancellier, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, matou-se.
Os repórteres Mônica Weinberg, Luisa Bustamante e Fernando Molica tiveram acesso ao relatório de 800 páginas da Polícia Federal com o resultado da investigação que o levou à prisão em setembro do ano passado.
Eles informam: “É uma leitura perturbadora pelo excesso de insinuações e escassez de provas”.
Cancellier foi algemado pelas mãos e pelos pés e vestiram-no com uniforme de presidiário.
Dias depois ele foi libertado, proibido de pôr os pés na UFSC, e só voltou a ela morto, para o velório.
A chamada Operação Ouvidos Moucos começou com um erro retumbante.
A Polícia Federal anunciou espetaculosamente que investigava o desvio de R$ 80 milhões de verbas destinadas ao ensino à distância. Errado.
Esse era o valor das verbas, não do eventual desvio. Tudo bem, mas qual era o valor da maracutaia?
O relatório da investigação não diz. Talvez tenha chegado a R$ 500 mil, mas isso é conversa de corredor.
Não havendo sequer suspeita de que Cancellier tenha desviado dinheiro, sustentou-se que ele tentou obstruir uma investigação interna avocando-a para seu gabinete.
O reitor fez isso em ato de ofício. Se ele tivesse dito que era preciso “estancar a sangria” (Romero Jucá), vá lá.
Aqui e ali pipocam breves notícias de que Cancellier fez isso ou aquilo.
Recentemente soube-se que o filho de Cancellier estava indiciado por ter recebido R$ 7.102 de um professor da UFSC.
Para uma operação que começou falando em R$ 80 milhões, era pesca de lambaris.
Em seu relatório a PF documentou a transferência desse valor para a conta do filho de Cancellier, que também leciona na UFSC. Um professor depositou dinheiro de sua conta para outro cidadão, e daí?
Diz o relatório da PF: “Comenta-se que os recursos transferidos (…) foram oriundos do projeto coordenado por Luiz Carlos Cancellier”.
Comenta-se também que Elvis está vivo, mas não é para isso que existe uma Polícia Federal.
A operação Ouvidos Moucos pode ter nascido de uma mobilização exagerada da Polícia Federal, amparada pela Justiça.
Algo semelhante aconteceu em alguns aspectos da “Carne Fraca”. O suicídio de Cancellier deu-lhe uma dimensão trágica.
A imprensa acompanhou as exposições espetaculares e acreditou no erro do desvio de R$ 80 milhões.
É possível que a própria Polícia Federal e a juíza que mandou prender o reitor acreditassem que havia uma organização criminosa e milionária na UFSC.
Isso não elimina o fato de que o desvio porventura ocorrido não tinha essa dimensão.
A investigação durou sete meses e outros sete se passaram até o relatório agora revelado pelos repórteres.
O aparato do Estado na defesa da lei e da ordem às vezes comete erros ou mesmo exageros.
É o jogo jogado, mas a intransigência transforma os equívocos em desastres. A promiscuidade da imprensa americana com o FBI durante o século passado até hoje custa-lhe arrependimentos.
Por cá, em 1974, 44 repórteres, radialistas e fotógrafos que cobriam a Secretaria de Segurança de São Paulo escolheram os melhores policiais do ano.
O delegado Sérgio Fleury tirou o quarto lugar.
PS do Viomundo: Os “repórteres investigativos” — ao menos a maioria deles — bebem na mão de suas fontes feito cãezinhos de estimação. Sem desconfiar, nem checar. Publicam os relatórios da polícia e do MP como se fossem tábuas divinas esculpidas em pedra. Dá nisso.
Leia também:
A mensagem de Lula no Dia do Trabalhador
O post Gaspari descobre que o conluio da mídia com a PF e a Justiça pode matar. Antes tarde do que nunca apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.
Semana passada tive o desprazer de ler nos portais a seguinte manchete: “Rogério Marinho defende reforma: ´Sindicatos pelegos perderam a boquinha´”. Li com calma a matéria e vi que o ilustre deputado federal pelo PSDB não apenas disse a frase da chamada como outras semelhantes com palavras toscas do gênero.
Que Rogério vem se destacando como baluarte do conservadorismo potiguar e devoto (e relator) de reformas contra o trabalhador é sabido, portanto, sem surpresas diante da reportagem. O que me chamou a atenção foi o termo escolhido por ele: “boquinha”.
Voltemos ao passado. Quando surgiu na política, lá pelos idos dos anos 90, liderado de Wilma de Faria no PSB (sim, Rogério era, digamos, Socialista), o homem era visto – merecidamente – como preparado e criativo. Tive oportunidade de entrevistá-lo duas vezes, uma rapidamente e outra em uma coletiva, e ele impressionou a todos os jornalistas pela articulação, emprego correto das palavras e embasamento.
Hoje, Rogério é um manancial de impropérios, frases feitas, ofensas e expressões chulas, como “perderam a boquinha”, esta significando que alguém – no caso os sindicatos, que para ele são hoje sinônimos do Inferno – perdeu algum privilégio ou regalia.
Mas, o que aconteceu entre o Rogério dos anos 90 e o de hoje? Que ele deu uma guinada – político-partidária pelo menos – à Direita, é sabido e claro. Mas – voltando à expressão “boquinha” – porque um homem articulado e hábil com as palavras hoje apresenta sistematicamente um palavreado de internauta adolescente ou de bebum debatedor de bar?
Contudo, nem precisei forçar muito a memória para lembrar que parte considerável da Direita brasileira atual, seja seus líderes políticos, seja representantes na mídia, se vale de grosserias e termos de chocar marinheiro em cabaré de beira do porto.
O mais visível deles, deputado federal Jair Bolsonaro, tem o linguajar de um adolescente numa partida de futebol. Alterna canalhices criminosas como “Você é tão feia que não merece ser estuprada” com “usei para comer gente”, se referindo a um apartamento funcional pago com dinheiro público.
Ícones conservadores na mídia tem postura parecida. Alexandre Frota e Roger Moreira, ex-ator e ex-roqueiro respectivamente, em priscas eras, usam o Twitter para soltar clichês, termos grosseiros e vulgaridades contra tudo e contra todos (de Esquerda, claro).
Mesmo de onde se esperava mais maturidade, ainda que posições reacionárias, pode se observar este fenômeno, como é o caso do pastor Silas Malafaia, conhecido no Rio de Janeiro por comandar vereadores e deputados e fazer dinheiro como ninguém com palestras, livros e discos. E dízimos, claro. Tem uma boca mais suja que Dercy Gonçalves. Quem o segue no Twitter – meu caso – já se acostumou com os “ihihihihihih”, “chupa essa”, “esquerdopatas safados” que ele posta mais do que as palavras de Jesus.
Em suma, em uma sutil (ou não) batalha da narrativa, a Direita parece ter encontrado a maneira exata de se comunicar com seu público e de uma forma que ela entenda e aprecie. É feio para olhos e ouvidos, claro, mas é o que temos para hoje.
Mas que é estranho ler e ouvir Rogério Marinho pular de explicações técnicas sobre os problemas da Região Metropolitana de Natal para “perderam a boquinha” e outras bizarrices que leio no Twitter do ilustre, é sim.
O post Direita brasileira: entre o chulo e o vulgar apareceu primeiro em Saiba Mais.

Reprodução Facebook
Jefferson, vítima de fascista que atirou no acampamento Lula Livre, sai da UTI
No dia em que completa 39 anos, sindicalista que fazia a segurança voluntária do acampamento na hora do ataque fascista, é desentubado e vai para o quarto do hospital
por Marize Muniz, portal da CUT
O presidente do Sindicato dos Motoboys de Santo André, Jefferson Lima de Menezes, 38 anos, vítima de um tiro no pescoço, na madrugada deste sábado (28), saiu da UTI do Hospital do Trabalhador nesta segunda-feira (30), está em um quarto do hospital e deve receber alta médica nesta terça, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora.
Hoje ele completa 39 anos de idade e os acampados cantaram um sonoro ‘parabéns a você’ para o sindicalista.
Jefferson está com a família e recebeu a visita da senadora Gleisi Hoffman (PR), presidenta do PT Nacional, e do senador Lindberg Farias (PT-RJ), na tarde desta segunda.
Na hora que os fascistas atacaram o Acampamento Marisa Letícia, em Curitiba, Jefferson fazia a segurança voluntária do acampamento.
Quando foi socorrido, foi entubado e colocado em coma induzido porque a bala atirada por um fascista que gritava “Bolsonaro, presidente” entrou um pouco abaixo da orelha e saiu embaixo do queixo, fechando a traqueia e impedindo o sindicalista de respirar.
O local desinchou, o paciente já está respirando sem dificuldades e a ventilação mecânica não é mais necessária.
Leia também:
Governo “socialista” de Pernambuco persegue único sindicato de policiais de esquerda do Brasil
O post No dia em que faz 39 anos, Jefferson, vítima do atentado ao acampamento, sai da UTI apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.
Outro dia, numa aprazível tarde de um feriado prolongado, tive a oportunidade de conhecer um político que exerce a função de vereador em um município interiorano do Rio Grande do Norte. Bastante extrovertido e expansivo, bradava em altos decibéis sobre quaisquer assuntos que viessem à tona, além de contar boas histórias que iam de festas e bebedeiras em sua cidade, passando por peculiaridades de sua rotina como agente público numa pequena cidade. Aqui e ali, disfarçava certas abordagens mais intrometidas, um tanto íntimas demais para alguém que mal conhece com seu jeito rústico e despachado. Como se o espírito de autenticidade rural e espontaneidade interiorana justificassem toda e qualquer intromissão na vida de semi-conhecidos. O próprio nome do sujeito conferia certa aura pândega a compor sua personagem. É chamado por todos de Carrapato, o que já entrega um jeito um pouco pegajoso e incômodo de ser.
Em todo caso, a pitoresca figura pública se tornava cada vez mais estridente à medida que o álcool que consumia aos borbotões irrigava sua corrente sanguínea e estimulava suas funções cognitivas a ponto de eliminar todo e qualquer resquício de inibição que ainda pudesse resistir. Como se diz popularmente, eu estava diante do processo químico no qual “a bebida entra e a verdade sai”. O tom de voz foi ficando ainda mais alto, a voz um tanto pastosa, mas dava para compreender. Nesse ponto, começou a confessar alguns desvios, como as corriqueiras fugas de blitzen da Lei Seca brasileira, mas também a comprometer alguns amigos e conhecidos.
O que mais me chamou a atenção foi ele ter me contado que é amigo do senhor José Vanildo, presidente da Federação Norte-rio-grandense de futebol e, em razão da proximidade e confiança, já presenciou diversas negociatas envolvendo o cartola local e alguns dos seus pares nacionais, entre eles o dirigente Andrés Sanchez (atual mandatário do Corínthians) que até pouco tempo almejava ser candidato à presidente da CBF. O vereador contou que costuma tomar emprestado um camarote na Arena das Dunas pertencente à Federação para assistir jogos com correligionários e amigos.
Sobre os contatos mantidos entre os cartolas, o político entregou: “Ei, os dois se falam direto no telefone e é só roubo o que eles combinam!” Perguntei se era confortável a função de chefia de uma federação estadual, ao que ele detalhou: “É bom demais! São mais de 150 mil por mês sem precisar prestar conta.”
A certa altura da conversa, alguém soprou ao meu comensal que eu era um eleitor de plataformas de esquerda, ou como se diz no bipolar Brasil atual, um “petista”. Foi suficiente para o sempre sorridente político fechar a cara e gritar contra mim. Acusava-me de ser corrupto, mesmo que eu não tenha participação em nenhum caso de desvio de recursos. Perguntava agressivamente como eu podia ter uma posição errada dessas e eu não compreendia, uma vez que foi justamente ele que passou a tarde confessando variados delitos e ainda se disse conhecedor de maracutaias futebolísticas com a maior naturalidade. Depois dessa reação explosiva, o intrigante personagem não dirigiu mais a palavra a mim. Ficou na dele, até porque também franzi o cenho, uma vez que nunca é uma experiência agradável ter alguém berrando na sua cara. Notei, inclusive, que ele passou a cuspir no chão a intervalos regulares, talvez como uma maneira adicional de manifestar seu descontentamento sem ter que se rebaixar a dirigir a palavra a mim.
Depois, contei a um amigo advogado sobre o episódio e ele me apontou que um agente público, de qualquer esfera, que tem conhecimento de alguma ilegalidade cometida, deve, segundo a Constituição, denunciar o caso e contar tudo o que sabe para as autoridades. Caso não o faça, passa a ser considerado automaticamente cúmplice, ou seja: um criminoso. Olha só que bela reviravolta na história toda. Ao fim e ao cabo, o vereador do interior só estava sendo coerente consigo mesmo, fazendo jus ao próprio nome. Porque, afinal de contas: carrapato é parasita, né verdade?
O post A doença do Carrapato apareceu primeiro em Saiba Mais.

Não é só o juiz Sergio Moro.
Todo o mundo passa a mão na bunda do STF.
Na sexta, dia 27, o presidente do Chile, Sebastian Piñera, se sentiu à vontade o suficiente para tripudiar sobre Carmen Lúcia e sua patota.
Piñera perguntou a Cármen, irônico, a quem se poderia recorrer quando o Supremo falha em suas decisões.
Enquanto ela, Dias Toffoli e Edson Fachin tentavam pensar em alguma resposta, Piñera falou: “À instância suprema”, e apontou o dedo para cima, em referência a Deus.
Querendo mostrar serviço, Fachin saiu de seu estupor e observou, sagaz, que, no Brasil, acredita-se que cabe à sociedade fazer o escrutínio das decisões do Supremo, sabe Jesus o que isso significa.
Piñera se divertiu novamente: “Mas pode a sociedade revogar decisões da Corte?”
Enquanto ria, seus interlocutores engoliam o choro.
Ele conhece o assunto.
Logo ao chegar, contou que alguns julgamentos recentes chegaram a ser transmitidos ao vivo na TV chilena.
Viramos uma potência. Já exportamos futebol, cachaça, soja, coxinhas e novelas.
Agora acrescentamos ao cardápio um circo de juízes ao nosso freak show. Ninguém pode nos acusar de falta de originalidade.
O post A trolada do presidente do Chile em Cármen Lúcia mostra que o STF virou piada até no exterior. Por Kiko Nogueira apareceu primeiro em Diário do Centro do Mundo.
Da Redação
Com a presença do Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, o Parlamento do Mercosul (Parlasul) entrou hoje, sexta-feira, 25 de abril, na luta pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As atividades começaram com os representantes do Mercosul, desejando “Bom dia, Lula!” (veja vídeo acima)
Presente à reunião, o senador Humberto Costa (PT-PE) informou que uma comissão do Parlasul visitará o ex-presidente em Curitiba.
A data ainda não está definida.
Provavelmente será em 9 de maio.
É que no dia seguinte, 10 de maio, haverá uma reunião da Comissão de Direitos Humanos do Parlasul.

Foto: Ricardo Stuckert
por Samuel Gomes, de Montevidéu, especial para o Viomundo
A parir de hoje o Parlamento do Mercosul entra na campanha pela libertação de Lula. Durante todo o dia, o Parlasul promove atividades de solidariedade ao povo brasileiro na luta pela liberdade de seu maior líder e por eleições livres com Lula candidato.
O dia começa com os representantes dos povos do Mercosul desejando “Buenos días, Lula!” em frente do Palácio do Mercosul, na Rambla Mahatma Gandhi.
Seguem-se debates, manifestações, discursos e coletiva dos membros da Comissão de Direitos Humanos do Parlasul anunciando que vão a Curitiba levar sua solidariedade e visitar Lula.
O panteão dos pais fundadores da Pátria Grande ganha um filho caçula, o retirante Pernambuco que virou metalúrgico, sindicalista, deputado constituinte e Presidente da República. Lula cresce e vira mito.
Ao dizer “Buenos días, Lula!” os povos do Mercosul estarão dizendo:
A América do Sul te abraça, Lula!
O Mercosul te abraça, Lula!
Por nossa voz e nossa palavra o povo argentino, boliviano, paraguaio, uruguaio e venezuelano te abraça, Lula!
Mantenha a serenidade, Lula!
Conserve a firmeza que só os justos pode ter na travessia das mais terríveis tormentas!
A tua indignação é a nossa indignação! É a indignação dos injustiçados, Lula!
Cantemos juntos, Lula, com o cancioneiro popular: “Prá que a nossa esperança seja mais que vingança! Seja sempre um caminho que se deixa de herança!”
A força da tua presença entre nós transmuta a indignação em esperança, Lula!
Você não está só, Lula! Somos todos Lula! Milhões e milhões de Lulas argentinos, bolivianos, brasileiros, paraguaios, uruguaios
e venezuelanos!
Os teus verdugos são indignos, Lula! Vis são os teus carcereiros! Ratos, ratazanas togadas e armadas, Lula!
Ninguém se lembrará deles! Seus nomes serão pó com o pó dos seus corpos! Eles morrerão, Lula!
Você não, Lula! Você não morrerá porque o sonho não morre! Porque o sonho é eterno! Você e o eterno povo brasileiro são um só nesta tempo de trevas, Lula!
As grades se abrirão, seu rosto será novamente banhado pelo sol tropical desse gigante Brasil e o calor dos milhões de abraços do teu povo apagarão todas as lembranças do horror! Você é a esperança de milhões Lula! Você é o sonho de milhões.
Os nossos corações estão unidos ao teu nessa hora terrível! As trevas passarão, Lula! O sol voltará a brilhar! E nós estreamos aqui, Lula! Nós estamos aqui, Lula!
*Buenos días, Lula!
A história não detém sua marcha. Preso Lula nasce o mito.

Da esquerda para a direita: Samuel Gomes, Benita Díaz, Adolfo Pérez Esquivel, Eliana Berton e Nacy Borgoa; as três são parlamentares da Bolívia. Foto Ricardo Stuckert
Leia também:
Juíza Lebbos, que curso de medicina frequentou para alegar “não urgência” e vetar médico a Lula?
O post Com Esquivel e “Bom dia, Lula!”, Parlasul entra na luta pela liberdade do ex-presidente; comissão o visitará em maio; veja vídeo apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.
Ainda cultivo o hábito, quase em extinção numa época que as pessoas vão de carro até a padaria da outra rua, da caminhada. E o que deveria ser um prazer tem sido uma verdadeira tortura, não só pela tão falada insegurança, mas também pelo fato de inexistir na capital potiguar qualquer regulação quanto à acessibilidade das calçadas, muitas feitas para atender a comodidade da entrada de carros dos moradores daquela área, e não para os transeuntes cotidianos.
Para além dessas duas questões graves, mas que vejo que são mais estruturais, existe outro problema que só depende de competência da gestão municipal, até porque o natalense ainda deve lembrar o quanto nossa cidade era limpa e jardinada, coisa de 15, 20 anos atrás, então observar hoje a situação de imundice que tomou conta de Natal, seja nos bairros turísticos, seja nos periféricos, seja nos canteiros, alguns verdadeiros depósitos de lixo e metralha ao ar livre, as vezes em vias do porte da Hermes da Fonseca, choca qualquer um que tenha conhecido a realidade urbana dessa cidade até meados da década passada.
A herança maldita de Carlos Eduardo Alves, agora afastado pra tentar o governo do Estado contando com mais de 60% de reprovação do eleitorado natalense, de modo que até hoje não se sabe como se elegeu esse senhor prefeito de Natal pela quarta vez e no primeiro turno, se estende por diversas áreas. Eu poderia aqui apontar os problemas em relação ao sucateamento da educação e da saúde do município, visto que ambas as pautas hoje mesmo eram destaque no RNTV, mas aí a gente entra numa zona nebulosa de justificação fácil quando se toca nesses temas. Com muita argúcia, os gestores municipais em uníssono remetem a culpa da situação calamitosa à crise financeira que o país vive nacionalmente. Ok, tem influência sim, mas o mesmo não pode ser dito sobre a limpeza urbana, visto que é algo que se faz somente com o orçamento municipal, até porque as taxas de limpeza urbana embutidas no IPTU são altíssimas. Então não me venha, Executivo municipal natalense, dizer que o estado de sujeira e abandono em que se encontra a cidade também é culpa da “crise nacional”, pois não é. É reflexo da ingerência e incompetência dos quatro mandatos de Carlos Eduardo Alves, em Natal.
As praças de Natal são lixeiros ao ar livre, é acumulo de montes de lixos por toda parte. Na região histórica e central de Natal a situação é ainda pior. O marco zero da cidade, referência histórica importante para todo Estado, a Praça André de Albuquerque Maranhão é de fazer vergonha a qualquer guia turístico que comece por ela seu tour. Além do lixo, de jardinagem dos canteiros nada resta, sequer os bancos, os assentos, existem mais. Fora o brasão histórico do obelisco central que foi retirado e sequer identifica o marco histórico que representa aquele local. O centro da cidade em geral, o Alecrim em especial, observa uma decadência que eu jamais vi em mais de 30 anos vivendo em Natal.
Somente na avenida Barão do Rio Branco, artéria central de Natal, contei hoje mais de 15 estabelecimentos comerciais fechados. Fica difícil concorrer com os shopping e manter a vivacidade do comércio popular, quando os comerciantes e compradores andam por cima de tapumes sobre a lama, o esgoto, a água servida, em geral. São fezes de animais, as vezes humanas, lixo de todo tipo, esgoto e lama, em plena praça Gentil Ferreira e adjacências. O Alecrim é, hoje, um lugar insalubre, cuja última reformulação urbana decente foi feita ainda no mandato da ex-prefeita Wilma. Eu que já morei no Alecrim nos anos 90 custo ver nesse bairro hoje a dinâmica, organização e vitalidade que sempre foram a marca do maior centro comercial popular do Rio Grande do Norte.
O Alecrim pede socorro, uma faxina por favor. Ponta Negra sofre com o irresponsável enrocamento, que além de não ter resolvido o problema da constante quebra do calçadão pelo mar ainda produziu o ambiente adequado e convidativo para as pragas urbanas que encontram abrigo entre as pedras, e nem resolveram o problema. Ao contrário, enfeiaram o visual e aumentaram os problemas com insetos e ratos na região. A qualidade do mar nas praias urbanas, já vai longe, é só uma lembrança que encantava turistas. Hoje nossas praias urbanas estão poluídas e não são mais aquele diferencial que Natal tinha o privilégio de ser uma cidade com ótimas praias urbanas.
E com todo esse legado terrível esse senhor se acha apto a governar o Rio Grande do Norte, é mole ? Enquanto escrevo essas linhas leio que o MP do RN intimou o município a fazer concurso para docente devido ao déficit crônico de professores. Ao mesmo tempo assisto no jornal que não existem vacinas contra gripe na maioria dos postos de saúde da capital. Os problemas são tantos e tão evidentes que somente quem não caminha em Natal, somente quem não vive a cidade fora da sua bolha social é que pode realmente aprovar esses dois senhores gestores do RN e de Natal. Tenho confiança que dessa vez será diferente, o eleitor aprendeu finalmente sua lição de casa e Carlos Eduardo, assim como Robinson, será varrido da vida política natalense de maneira irreversível, pois Natal e o RN merecem gestores mais sérios, competentes e responsáveis que esses que estão aí.
Leia outros textos de Leilane Assunção:
Clara Nunes: arte, estética e engajamento
A Renca no Fórum Social Mundial
O post Caminhadas pela cidade apareceu primeiro em Saiba Mais.

Preciso lhes contar algo que decidi hoje e que vai mudar radicalmente a minha vida. Há uma dose cavalar de emoção aqui neste momento. Um misto de alegria, ansiedade, disposição e, sobretudo, esperança.
Disputarei as eleições de 2018 como candidata a deputada estadual do Rio de Janeiro pelo partido que tirou o Brasil do mapa da fome.
Jamais pensei em entrar para a politica de forma efetiva, preciso confessar. Criticar quem está fazendo alguma coisa é muito mais fácil do que ir lá e tentar fazer melhor.
Fui atraída, porém, pelo desafio, assim como em tudo que fiz na vida: cursar uma faculdade de física, ter filho aos vinte anos, mudar de área no mestrado, mudar de área no doutorado, escrever um livro, escrever outro, escrever, inscrever-me em concurso público, ser mãe de três filhos, ser mãe solteira, andar de skate, ler ao menos 20 clássicos da literatura, correr 10 quilômetros, viajar sozinha e, o mais difícil de tudo, descobrir quantos meses tem uma grávida de 27 semanas.
Tudo isso são exemplos de coisas que me pareceram impossíveis de serem realizadas e quando vi já estavam feitas. E quero deixar registrado: o que fiz foi com muita insegurança e não está sendo diferente agora.
O medo, vale observar, nunca me paralisou. Pelo contrário. A química que ele gera em mim me movimenta para a luta da sobrevivência da minha essência.
Em várias dessas realizações, ouvi de muita gente que não iria conseguir. Fui sempre orientada por alguém a parar porque iria sofrer ou me frustrar. Vai acontecer de novo. Eu sei. Pressinto. “Conheço meu eleitorado”.
Vão tentar me frear.
Adianto: ninguém vai fazer com que eu desista. Nem Lula conseguiu. E olha que ele tentou dizendo que eu iria apanhar e muito. Minha mãe tentou também porque acha que posso me machucar.
Não me lembro de ter passado por nenhum processo de transformação e realização sem dor. Vai doer. Não tem problema. Mas vai ser lindo porque vou descobrir coisas surpreendentes como, por exemplo, que faltam dois meses para o bebê nascer quando a grávida diz que está 27 semanas.
O que passei nesse tempo que andei avaliando tudo não deixou de ser também uma gestação. Algo aqui dentro foi muito bem fecundado. Já se mexia forte quando era apenas uma ideia. Criou corpo.
O parto se dá agora com esse texto.
O que será dessa criança vamos descobrir juntos.
A imagem do vaqueiro montado em seu cavalo rebanhando o gado no meio da caatinga sempre foi representativa da paisagem do rural do Nordeste. O uso dos jumentos como meio de trabalho e transporte também era uma prática comum no sertão. No entanto, a partir do final do século XX, com a popularização das motocicletas, tem-se assistido um crescente processo de “motorização” do campo nordestino. É o que mostra os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), que passou a coletar informações sobre o assunto desde 2008.
Segundo a referida pesquisa, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as motos estão cada vez mais presentes no rural do Nordeste. E, o que mais chama atenção, é que o nível de acesso a esse tipo de veículo tem ganhado um impulso inédito recentemente. Em 2008, por exemplo, existiam 678.028 domicílios no meio rural da região com pelo menos uma moto. Sete anos depois, em 2015, o número havia saltado para 1.632.897, representando um crescimento significativo de 140,8%.
Entre os estados nordestinos, no mesmo período, os três que apresentaram as maiores taxas de crescimento de domicílios rurais com motocicletas foram: o Maranhão (286,9%), Sergipe (242,4%) e o Ceará (209,8%). O Rio Grande do Norte, onde o número de residências rurais com motos passou de 31.540, em 2008, para 86.185, em 2015, ficou em quarto lugar no ranking, com uma taxa de crescimento de 173,3%. Já os demais estados ficaram abaixo da média regional, ainda assim registrando taxas de expansão superiores a 80%.
Outra forma de visualizar a dimensão do fenômeno destacado é fazendo a comparação entre o número de domicílios rurais com motocicletas em relação ao total de domicílios rurais da região. Por meio dessa conta simples, constata-se que de cada 100 residências rurais do Nordeste 36 tinham ao menos uma moto em 2015. Entre os estados, merece destaque o caso do Piauí, onde mais da metade dos domicílios rurais possuía motos nesse mesmo ano. Quanto ao Ceará e ao Maranhão, a relação era de 41 a cada 100 domicílios. No Rio Grande do Norte, por sua vez, 38% das residências do campo tinham motos em 2015, representando um percentual bastante expressivo frente aos 13% registrados em 2008.
Há que se considerar, porém, que esse processo de crescente motorização vem registrando uma desaceleração ao longo dos últimos anos. Em 2009, por exemplo, o número de domicílios no Nordeste com posse de motocicleta subiu 23,1% em relação ao ano anterior. Em 2015 essa variação havia caído para apenas 5%. Provavelmente em 2016 e 2017, em virtude da crise econômica, esse percentual de crescimento tenha sido ainda menor. A deterioração do mercado de trabalho e as condições de créditos mais difíceis (oferta menor e juros mais elevados), provavelmente estão na raiz dessa desaceleração do crescimento da motorização.
Ainda assim, percebe-se que o rural do Nordeste se converteu em um mercado importante para o comércio de motocicletas em escala nacional. Mas não é só isso. A “motorização” tem tornado a vida da população rural nordestina mais rápida e mais dinâmica, com muitas implicações positivas. Com as motos, os moradores do campo podem morar no “sítio” ou em um assentamento de reforma agrária e trabalhar em atividades diversas no perímetro urbano das cidades próximas as suas comunidades de origem. Além disso, o acesso aos centros comerciais e aos serviços de saúde e educação fica mais facilitado, entre outras coisas. Essa melhoria na capacidade de mobilidade das pessoas pode, inclusive, ser uma das explicações para a redução do ritmo do êxodo rural na região, carecendo de uma análise mais aprofundada a respeito.
É bom lembrar, contudo, que também existe um lado negativo nessa história. Isso porque, paralelamente à expansão da quantidade de motocicletas, registra-se um crescimento preocupante do número de acidentes com vítimas fatais nas áreas rurais nordestinas. Uma parte desses acidentes, conforme noticiado pela imprensa, tem sido causada por colisões das motos em alta velocidade com aqueles mesmos jumentos que perderam a sua utilidade como meio de transporte e foram abandonados à própria sorte nas estradas da região. Uma triste ironia desse novo sertão moderno!
Joacir Rufino de Aquino é Economista, professor e pesquisador da UERN
José Aldemir Freire é Economista e Analista Socioeconômico do IBGE/RN
Leia outros textos de Joacir Rufino de Aquino e José Aldemir Freire:
Pobreza extrema cresceu quase 130% em Natal em 2017
O post A crescente presença das motocicletas no rural Nordestino apareceu primeiro em Saiba Mais.
Reportagem especial da agência Sportlight de jornalismo investigativo revela que a Eletrobras, em processo avançado de privatização, pagou quase R$ 2 milhões para que órgãos de comunicação falassem mal da própria Empresa.
Tratada oficialmente como “desestatização” ou “democratização do capital”, a privatização da empresa, prioridade do governo de Michel Temer, recebeu um forte impulso em 20 de setembro de 2017, quando a estatal assinou com a RP Brasil Comunicações, do grupo FSB Comunicação, a maior assessoria de imprensa do país.
Objeto do contrato ECE-DJS 1252/2017, obtido pela reportagem via Lei de Acesso à Informação (LAI): “assessorar a Eletrobras na comunicação relativa ao projeto de acionista majoritário de desestatização da empresa”.
Leia a reportagem completa aqui
O post Eletrobras pagou quase R$ 2 milhões para que falassem mal da empresa apareceu primeiro em Saiba Mais.
O empresário Flávio Rocha, pré-candidato à presidência da República, é a estrela principal nesta quarta-feira (25) de uma matéria publicada no jornal Folha de S.Paulo na qual é citado por ter feito doações em dinheiro a políticos investigados na operação Lava-jato.
A contradição apontada pelo jornal é que o dono das lojas Riachuelo é um defensor moralista da operação anticorrupção.
As doações foram feitas a partidos e políticos investigados. O dinheiro foi repassado por meio das lojas Riachuelo, do grupo Guararapes e até do próprio bolso de Flávio Rocha.
O jornal cita doações para as campanhas de 2010 e 2014 de políticas do Rio Grande do Norte e de outros estados, a exemplo de Paulo Skaf (presidente da Fiesp, que concorreu ao Governo de São Paulo em 2014) e do deputado federal Rocha Loures, o famoso “homem da mala” flagrada pela Polícia Federal com R$ 500 mil, dinheiro que segundo o empresário Joesley Batista seria pagamento de propina ao presidente Michel Temer.
No Rio Grande do Norte, Flávio Rocha fez doações ao ex-deputado federal Henrique Alves (R$ 10 mil e R$ 50 mil, respectivamente), ao governador Robinson Faria (R$ 70 mil, na campanha vitoriosa de 2014), ao senador José Agripino Maia (R$ 50 mil, em 2010) e ao deputado federal Felipe Maia (R$ 50 mil, em 2014).
Mas teve mais.
Embora o jornal Folha de S. Paulo não tenha informado, o empresário Flávio Rocha também fez doações, por meio do grupo Guararapes Confecções, aos deputados federais Rogério Marinho (R$ 20 mil) e Walter Alves (R$ 20 mil), ambas para as campanhas de 2014.
Henrique Alves, Robinson Faria, José Agripino Maia, Felipe Maia, Walter Alves e Rogério Marinho são alvos de investigações no Supremo Tribunal Federal relacionadas às delações de funcionários da empresa Odebrecht, no âmbito da operação Lava-jato. Todos negam ilegalidade nas doações da construtora.
Procurado pelo jornal, Flávio Rocha não quis comentar as doações.
Em nota, o setor jurídico da campanha do empresário informou as contribuições estão dentro da lei e dos limites estabelecidos. E que “Rocha e as empresas repudiam qualquer tipo de corrupção e uso de caixa dois em campanhas eleitorais”.
O post Flávio Rocha fez doações para investigados na Lava-jato do RN apareceu primeiro em Saiba Mais.
O documentário “O processo”, de Maria Augusta Ramos, venceu a 49ª edição do festival Visions du Réel, na Suíça, como melhor longa-metragem da competição. O filme mostra os bastidores do golpe de 2016 que retirou Dilma Rousseff (PT) da presidência da República.
O festival foi realizado entre 13 e 21 de abril, em Nyon. O festival contou com 174 filmes de 53 países, sendo palco para 78 estreias mundiais.
Esse é o segundo prêmio conquistado pelo documentário antes da estreia em circuito comercial no Brasil, previsto para ocorrer dia 17 de maio. Em fevereiro, “O Processo” levou o prêmio de júri popular do festival de Berlim.
Veja o trailler:
O post Filme sobre golpe de 2016 leva prêmio principal em festival na Suíça apareceu primeiro em Saiba Mais.
Alguns magistrados fizeram questão de criticar pessoalmente as homenagens da Justiça do Trabalho do Rio Grande do Norte a Rogério Marinho e Nevaldo Rocha. No dia da premiação, a juíza do Trabalho Lisandra Lopes, externou no facebook toda a sua indignação:
Hoje é o dia. TRT 21 homenageia o deputado Rogério Marinho e o empresário Nevaldo Rocha. Houve nota contrária da Amatra, da Anamatra, da AJPDC, ANPT, Anatra…Houve conversa, pedido, apelo, e nada. Houve até mandado de segurança. Mas absolutamente nada demoveu a cúpula do Judiciário Trabalhista do RN do propósito de homenagear o artífice de uma reforma trabalhista antidemocrática, que não foi discutida pela sociedade, um deputado que é réu perante o STF e se colocou claramente contra a Justiça do Trabalho em vários momentos.
E ainda, de homenagear um empresário cuja empresa figura como ré em inúmeras ações e protagonizou uma campanha contra as fiscalizações efetuadas pelo Ministério Público. O CEO dessa empresa, senhor Flávio Rocha (que se despediu da função recentemente para disputar a Presidência) prega textualmente o fim da Justiça do Trabalho.
Só me resta a tristeza de pertencer a uma instituição que não me vê como parte integrante dela, não escuta seus juízes e servidores, e segue inabalável com essa homenagem, numa solenidade que vai figurar dentre os mais lamentáveis capítulos de sua existência.
O post Juíza desabafa contra homenagem a Rogério Marinho e Nevaldo Rocha apareceu primeiro em Saiba Mais.
Allan PatrickO mesmo discurso de ódio que levou à guerra na Iugoslávia e aos massacres na Bósnia.

Trabalhei com a atual senadora Ana Amélia Lemos quando ela era chefe da sucursal de Brasília da RBS e eu, repórter da Zero Hora, no início da década de 1990.
Ana Amélia era uma chefe dura, mas que reconhecia o valor dos jornalistas. Era, ela mesma, uma jornalista de qualidade que dominava todo o processo de produção de notícias da sucursal – rádio, TV e jornais, além da ZH e do Diário Catarinense.
Veio de uma família pobre, de Lagoa Vermelha, no norte do Rio Grande do Sul, e conseguiu concluir os estudos do ensino médio porque escreveu, de próprio punho, uma carta com um pedido de bolsa ao então governador Leonel Brizola. Fato, aliás, do qual sempre se orgulhou e fez justiça. O velho Briza será, ainda esse ano, eternizado no Livro de Heróis da Pátria graças a uma iniciativa da senadora Ana Amélia.
É, não tem como não ter deixado de ser, uma mulher culta e inteligente.
Por isso, não há a menor possibilidade de ela ter confundido Al-Jazeera com Al-Qaeda.
Ao fazê-lo, o fez de forma deliberada, em mais um de seus movimentos que a transformou em uma lamentável porta-voz do ódio, do preconceito e da insensatez.
Que tenha se enveredado por esse caminho sem volta, iniciado no apoio ao golpe, enfiada numa fantasia verde-amarela, me deixa mais triste do que decepcionado.
O post Ana Amélia associou Al Jazeera à Al Qaeda de forma deliberada. Por Leandro Fortes apareceu primeiro em Diário do Centro do Mundo.

Esta reportagem foi ao ar em abril de 2018 e está sendo republicada por motivos óbvios.
É tentador colar na senadora Ana Amélia Lemos, que é jornalista, a etiqueta de ignorante, por associar o pronunciamento da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, na TV Al Jazeera ao Estado Islâmico.
“Eu só espero que essa exortação feita pela senadora presidente do PT não tenha sido para convocar o Exército Islâmico para vir ao Brasil fazer as operações de proteção ao partido que perdeu o poder e agora parece ter perdido também a compostura e o respeito, e o apoio popular”, disse.
É tentador, mas não é correto.
Ana Amélia é tudo menos ignorante.
Seu discurso serve como uma luva para o eleitorado que acredita, mesmo, que o Brasil pode ser alvo de atentados terroristas ou de uma ofensiva comunista, gente que, ao invadir o Congresso tempos atrás, viu na bandeira do Japão, branca com um círculo vermelho no meio, o protótipo de uma nova bandeira do Brasil.
Em maio do ano passado, quando estive com o cineasta Max Alvim em Curitiba, para cobrir o depoimento de Lula a Sergio Moro, entrevistamos manifestantes que haviam viajado à capital do Paraná para apoiar o juiz da Lava Jato.
Eram seis pessoas, entre eles um empresário e uma dentista, que diziam coisas como considerar Fernando Henrique Cardoso comunista e o PSDB, um partido de esquerda, além de criticar a lei de imigração apoiada pelo chanceler tucano Aloysio Nunes Ferreira, que teria aberto as portas do Brasil para o terrorismo.
“Já estão acontecendo atentados terroristas no Brasil”, disse a dentista, olhos arregalados, com ênfase na palavra “atentados”. “Estão sim”, insistiu ela, ao ser cobrada por mim para apontar os locais onde teriam ocorrido.
A senadora Ana Amélia sabe que há um terreno fértil no Brasil para semear inverdades, principalmente no campo da direita, do conservadorismo xucro.
Não é por outro motivo que o MBL se destaca hoje como a maior fonte de fake news nas redes sociais.
Ana Amélia Lemos é heroína nesta turma, se alimentando da farsa de que o mal se abriga no campo progressista.
A senadora é, antes de tudo, uma ingrata, porque, de família pobre, só chegou aonde está porque contou com a ajuda de um governo trabalhista no Rio Grande do Sul.
Aos 9 anos, trabalhou como dama de companhia em Porto Alegre e, ao voltar para sua cidade natal, Lagoa Vermelha, no norte do Estado gaúcho, só permaneceu nos estudos, entre o final dos anos 50 e e início dos anos 60, porque enviou uma carta ao então governador do Estado, Leonel Brizola, com um pedido de bolsa de estudos.
Foi atendida.
Ana Amélia, alguns anos depois, se formou em jornalismo, fez carreira na RBS (afiliada da Globo), se casou com o advogado e político Otávio Omar Cardoso, mais tarde senador, que ajudou a sustentar a ditadura militar.
Na frase em que estabelece, com malícia, uma relação entre a Al Jazeera (alguém que chefiou a RBS em Brasília não sabe o tamanho da Al Jazeera?), Ana Amélia diz dois outros disparates:
O PT perdeu o poder, disse ela.
Errado.
O PT não perdeu o poder, o poder lhe foi tirado na mão grande, com apoio de Ana Amélia.
O PT perdeu o apoio popular.
Errado.
Segundo todas as pesquisas, o PT é disparado o partido que conta com o maior índice de simpatia do eleitor, mesmo de quem não é filiado.
Na última pesquisa Vox Populi, realizada entre 13 e 15 de abril, o partido é o primeiro nesse quesito, com 18% dos eleitores que o consideram simpático.
O segundo colocado, o PSDB, tem 1%. O PP de Ana Amélia é traço.
Ana Amélia, esperta, tira da ignorância de seu eleitor médio combustível para continuar no poder.

Divulgação MST
MST ocupa fazenda de Oscar Maroni em Araçatuba (SP)
A fazenda possui aproximadamente 1700 hectares e já esteve envolvida em processos trabalhistas que a puseram leilão
Na manhã desta terça-feira (17), cerca de 300 integrantes do MST ocuparam a fazenda Santa Cecília, localizada em Araçatuba, São Paulo, de propriedade de Oscar Maroni, um dos maiores empresários de prostituição do país.
Esta é quarta ocupação do movimento na área do empresário, famoso por agenciar casas de prostituição de luxo como o Bahamas Club, onde Maroni agrediu sexualmente diversas mulheres, expondo o corpo de muitas trabalhadoras do sexo perante centenas de homens em uma festa na última sexta-feira (6).
A fazenda possui aproximadamente 1700 hectares e já esteve envolvida em processos trabalhistas que a puseram leilão em 2016.
O MST exige que a área seja destinada para a Reforma Agrária e, posteriormente, para a construção de um assentamento onde as famílias possam morar e produzir alimentos agroecológicos, trabalhando sob relações de gênero igualitárias.
A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária que além de rememorar os 22 anos de impunidade do Massacre de Eldorado dos Carajás, também denuncia a paralisação da Reforma Agrária, a arbitrariedade da prisão de Lula e a agilidade nas investigações do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.
Leia também:
Para celebrar prisão de Lula, dono de bordel recebe cidadãos de bem e homenageia Moro e Cármen Lúcia
O post MST ocupa fazenda de dono do bordel que celebrou prisão de Lula e homenageou Moro e Cármen Lúcia apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.