Um grupo de alunos provocou pânico, na manhã de quarta-feira, no fim da aula que encerrou o curso para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), na unidade da Tijuca do Colégio Elite. Segundo testemunhas, sinalizadores foram acesos por estudantes dentro da escola e uma estudante foi agredida com um soco no rosto. No quadro negro foram escritos, além de palavrões, os dizeres ‘1964, revolução glorioso (sic)’ e ‘Ustra!’, uma referência ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça brasileira como torturador de presos políticos na ditadura militar.
Segundo o relato do pai de um aluno, que pediu para não ser identificado, o acionamento de sinalizadores aconteceu dentro de uma sala de aula e no corredor do colégio. Um outro artefato foi colocado dentro da mochila de uma estudante. “Eles ainda fizeram corredor polonês e, na sala em que estava meu filho, reviraram todas as cadeiras e bloquearam a passagem. Uma menina tentou sair e foi agredida com um soco no rosto”, relatou.
Ainda segundo ele, a confusão seria uma ‘comemoração’ pelo último dia de aula do curso preparatório para a EsPCEx, cujas provas serão realizadas neste fim de semana. A Polícia Militar chegou a ser acionada.
Segundo informações do 6º BPM (Tijuca), uma equipe foi chamada ao local, na Rua São Francisco Xavier, para conter uma briga de alunos que estaria programada para acontecer na saída da escola. No local, os policiais militares foram informados que um estudante havia acendido sinalizadores dentro da escola e um outro tinha agredido uma aluna. Segundo a PM, havia muita fumaça no interior do colégio, o que causou pânico entre funcionários e estudantes. Um sinalizador foi apreendido pela PM com um dos suspeitos de dar início ao tumulto.
Os envolvidos na confusão foram levados para a 18ª DP (Praça da Bandeira), onde o caso foi registrado. Segundo a Polícia Civil, foi lavrado um termo circunstanciado de ocorrência para apurar o caso. Todos os envolvidos prestaram esclarecimentos e vão responder, em liberdade, por lesão corporal e ‘contravenção de arremesso ou colocação de coisa perigosa’.
O procedimento foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim). O Elite Rede de Ensino confirmou que os alunos envolvidos no tumulto eram da turma preparatória para a EsPCEx e informou que “está tomando as providências internas de acordo com o regimento escolar e prezando pela segurança e bem-estar dos alunos”.
O presidente Jacques Chirac foi meu amigo e foi amigo do Brasil. Estadistas com sua visão, capazes de dialogar com líderes de pensamento diferente em torno de objetivos elevados, como a paz e a cooperação entre países, fazem muita falta no mundo de hoje. Lamento sua morte e transmito esse sentimento a seus familiares, amigos e ao povo francês.
Uma pesquisa do Observatório da Cadeia de Laticínios que depende do Ministério da Agricultura mostrou como a gestão de Cambiemos destruiu o tecido social da Argentina em sua área mais sensível. O nível de consumo de leite, indispensável para crianças e adultos, já está em níveis mais baixos do que 2001, enquanto os preços continuam subindo.
O governo de Mauricio Macri iniciou sua gestão prometendo “pobreza zero”, mas a pobreza e miséria atingiram níveis nunca vistos desde a crise de 2001. Um dos dados que mais expõe a atrocidade de tirar a comida e abrigo da população argentina observa-se no consumo de leite, que atingiu os mesmos níveis da crise que gerou o governo de Fernando De la Rúa.
Segundo o Observatório
da Cadeia de Laticínios (OCLA), que depende do Ministério da Agricultura, no
primeiro semestre do ano o consumo foi de 182 litros, 13,2% a menos que em 2018
e 16,1% abaixo de 2015. Além disso, entre agosto deste ano e o mesmo mês de
2018, os preços dos laticínios aumentaram em média 93,5%.
“Os argentinos estamos pagando no nível de exportação do leite em pó e, em alguns casos, mais caros”, explicou ao jornal Página 12 o presidente da Defesa do Usuário e Consumidor (Deuco), Pedro Bussetti. Isso não é tudo, a empresa Danone enviou as novas listas de preços atacadistas com aumentos de 20% a partir de outubro.
Deuco explicou que os argentinos consomem 35 litros a menos de leite per capita do que em 2015. Se você observar o consumo per capita, ele se encontra em 182 litros de leite, o nível mais baixo desde 2003, quando foram consumidos 179 litros. O indicador atual é ainda menor que 2001 e 2002, quando foram consumidos 222 e 195 litros, respectivamente.
Na hora de observar a queda do consumo de lacticinios nos quatro anos de macrismo, vê-se que todos os anos foram ruins. Se começarmos com os 217 litros consumidos em 2015, observa-se que em 2016 caíram para 200, em 2017 para 195 e em 2018 despencaram a 190.
Dois pesos, duas medidas da Globo mostram que emissora sentiu pressão dos Bolsonaro
Recentemente, a revista Época, das Organizações Globo, fez uma reportagem com a mulher de Eduardo Bolsonaro, o embaixador do hambúrguer.
Os Bolsonaro chiaram e a Globo pediu desculpas, o que provocou a demissão da direção da revista. A desculpa da Globo foi que a mulher de Bolsonaro não era figura pública.
No entanto, a Globo não fez o mesmo com a mulher de Lula, dona Marisa Letícia. Colocaram no ar um grampo ilegal de uma conversa entre ela e o filho Fábio comentando uma manifestação em favor do impeachment da presidenta Dilma. Uma conversa corriqueira de família.
Nunca se desculparam. Nem com ela nem com Fábio. Nem com Lula ou Dilma, pelo grampo ilegal. Nem ao Brasil, pelo impeachment e a prisão política de Lula.
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O Estado policialesco e proto-fascista não para de fazer vítimas. Hoje (24) de manhã, a Polícia Federal invadiu a casa e o escritório do Desembargador Siro Darlan. A alegação é que um presidiário ouviu de outro presidiário que pagou a um intermediário de Siro R$50 mil por um habeas corpus.
Siro é um democrata, um garantista, isto é, um juiz com tendência a absolver. Além disso, é um dos principais críticos dos privilégios dos tribunais de justiça do Rio. Outro fato relevante é que Siro tomou decisões contrárias à sucursal da operação Lava Jato aqui no Rio.
Da mesma maneira que a vida dos mais pobres tornou-se descartável, a defesa da liberdade também foi criminalizada. Tudo isso que vemos hoje ocorre porque nos acostumamos a colocar argumentos morais acima da lei e da Constituição.
A fascistização à brasileira segue a galope e dá o tom: é crime defender a Constituição, as leis, a democracia e a liberdade.
Em entrevista a GaúchaZH, o jornalista Luiz Maklouf de Carvalho, autor do livro “O Cadete e o Capitão”, conta como foi a apuração que resultou na obra sobre os 15 anos do hoje presidente Jair Bolsonaro no quartel. O livro-reportagem questiona a absolvição do então capitão, julgado pelo Tribunal Superior Militar (TSM) sobre caso que envolvia explosões em instalações militares em protesto contra o baixo soldo. Leia os principais trechos.
Foi com a descoberta do áudio com a gravação das cinco horas de sessão secreta de julgamento de Bolsonaro que você percebeu que tinha um rico material em mãos?
O material sem o áudio já valeria a pena, porque é muito raro ter esse tipo de ocorrência sobre um fato do passado a que ninguém nunca deu bola antes, com detalhes, e você, de repente, ter tudo (nas mãos). Com o áudio, melhorou ainda mais o interesse pelo material. É como se fosse uma coisa viva. Tu leres algo de 30 anos atrás é uma coisa, agora ouvir ministros militares do Superior Tribunal sobre um caso delicado, falando à vontade, com aquela nitidez toda, foi um upgrade decisivo para entender o episódio. Sem o áudio, eu não teria chegado a determinadas conclusões. Ele complementa de maneira impecável a papelada.
O fato de a sessão ser sigilosa contribuiu para que os ministros se sentissem à vontade para dizer palavras de baixo calão que, provavelmente, não falariam em um julgamento aberto? Com certeza não falariam. Alguns ministros, ao cometerem essas barbaridades, começam dizendo: “Como estamos em uma sessão secreta…”.
Na sua opinião, faltou qualidade técnica das Forças Armadas nos dois primeiros exames grafotécnicos, cujos resultados foram inconclusivos para responsabilizar Bolsonaro? Do ponto de vista técnico, foi um fiasco absoluto. Basta dizer que o Exército teve a coragem de apresentar um laudo feito em cima de um xerox, aquele primeiro, que é uma coisa absolutamente inaceitável do ponto de vista da seriedade de uma perícia. O segundo (laudo), embora tenha sido feito em cima dos originais, não houve maior preocupação em aprofundar. O que fica claro no laudo do órgão realmente técnico, o Instituto de Criminalística da
Polícia Federal (PF), é que ele partiu para a obviedade de colher novos materiais (da escrita de Bolsonaro). Isso é chave no entendimento dos laudos. Quando a PF entrou na história, ela foi lá, durante o julgamento do conselho de justificação, deu lá umas folhas em branco e mandou o Bolsonaro escrever dezenas de vezes as mesmas palavras que constam do croqui. Ou seja, foi buscar elementos que fortalecessem a perícia, que dessem mais elementos para a perícia. Aí, saiu aquele laudo segundo o qual a autoria do croqui era dele (de Bolsonaro). Essas evidências fizeram o Exército rever o laudo. Realmente, houve provavelmente um espírito de corpo. A rigor, o que se tem são dois laudos contra Bolsonaro. É 2 a 0. Um da PF que afirma que foi ele (o autor), o segundo, o laudo do Exército 58/87, que muda qualitativamente o resultado do laudo anterior, que deixa de ser inconclusivo e passa a ser conclusivo contra o Bolsonaro. É o que me baseio para afirmar que o tribunal viu um empate. Foi Bolsonaro quem levou essa ideia.
Ainda havia uma desconfiança muito grande entre a imprensa e as Forças Armadas à época. O senhor acha que mudou essa relação de lá para cá? Naquela época, fica claro que havia uma hostilidade muito grande por esse setor remanescente da ditadura. Hoje, não sei. A hostilidade que a gente vê em relação à mídia está mais focada no próprio presidente, que transformou a mídia em um dos adversários principais, lamentavelmente, do que nas Forças Armadas propriamente ditas. Embora tenha um endosso aqui e ali, não dá para dizer que, como corporação, aconteça isso.
Você tem sido atacado pelas redes sociais por causa do livro? Absolutamente, nenhum (ataque). Já vai para mais de um mês que o livro foi lançado e até agora nenhuma manifestação do presidente, do Planalto. O livro é factual, documentado, para mim está consolidado que a tese errada que existia até o livro sair foi definitivamente jogada às traças. Ou seja, acabou com essa história de empate, de “in dubio pro réu” (princípio jurídico da presunção da inocência, que diz que, em casos de dúvidas como insuficiência de provas, se favorecerá o réu), de que a repórter era incompetente. Ou seja, toda a linha de defesa que o hoje presidente tinha sobre esse assunto foi completamente derrubada pela reconstituição dos fatos no meu livro. Acho que o silêncio se deve um pouco a isso. E também ao fato de que é um livro sóbrio, eu fugi de bate-boca, tem poucos adjetivos. Um presidente que vive falando sobre tudo, em relação ao livro ele ficou calado.
Bolsonaro ou a assessoria de comunicação do Planalto responderam algo em relação aos seus pedidos de entrevista? Você tem ideia se o presidente leu o seu livro? Fiz vários pedidos através de e-mail para as assessorias diretas da Presidência da República, para ele próprio no sistema de comunicação direta “Fale com o Presidente”. Como fui filmado pelo coronel Julio Lemos, a minha revelia, me dirigi nesse vídeo diretamente ao presidente, pedindo a entrevista. Mandei e-mail para cada um dos três filhos, para a ex-mulher, mensagem no Facebook. Para o Centro de Comunicação do Exército. Nada de resposta. (Se Bolsonaro leu o livro), não tenho a menor ideia. É uma coisa de interesse público. Não é um conto de fadas, é uma história real, foi um episódio significativo da vida dele, mostra bastante sobre a personalidade dele naquele momento, e hoje ele é o presidente da República. Ele deve explicações. O livro diz que ele contou, durante a vida inteira, uma versão não verdadeira, para ser gentil. Isso está derrubado. Nada era verdade. Se há um silêncio oficial em relação a isso, eu imagino que ele tenha concordado.
Os vereadores de Natal aprovaram na mesma legislatura, em um espaço curto de dois anos, uma moção de apoio pelo tombamento do hotel Reis Magos, em 2017, e outra moção de apoio pela demolição do mesmo empreendimento, em agosto de 2019.
Moções de apoio ou de repúdio não têm valor jurídico, apenas político, e são formas do parlamento se posicionar sobre questões que envolvem diretamente a cidade e a qualidade de vida da população.
A mudança de opinião da maioria dos parlamentares da Casa indica que por trás do entendimento está uma pressão enorme do mercado. É que em 2019, diferente de dois anos atrás, a Câmara Municipal terá que revisar o Plano Diretor de Natal, documento que contém as regras do ordenamento urbano da cidade e que já ameaça áreas preservadas, a exemplo da orla de Natal, na mira do prefeito Álvaro Dias.
Em 10 de maio de 2017, a moção de apoio assinada por 22 dos 29 vereadores da Casa, incluindo os votos dos parlamentares do PSL Cícero Martins e Eleika Bezerra, e se manifestava em favor da preservação, restauração e tombamento do hotel Reis Magos “em virtude da importância histórica, cultural e econômica que o empreendimento detém para nossa cidade”. A justificativa dos vereadores na época é semelhante a dos ativistas que lutam pela preservação de parte do prédio, atualmente em ruínas.
O documento foi registrado e autenticado no 2º ofício de Notas.
No texto aprovado no período, os parlamentares também determinaram à prefeitura de Natal que cobrasse do proprietário do hotel “a função social da referida propriedade”.
Apenas dois anos depois, em 29 de agosto de 2019, a maioria dos vereadores que apoiava o tombamento mudou de ideia.
O autor da moção pela demolição do hotel é o vereador Felipe Alves (MDB), que não assinou o documento de 2017. Ele justificou a ideia levando em conta o progresso da região, citando até focos de dengue, zyca e chicungunya:
– Aquela região precisa se desenvolver e se voltar para o progresso e esse movimento passa diretamente pela demolição daquelas ruínas. A região está degradada, o local é abrigo para criminosos que cometem delitos e se escondem no terreno. A situação do local impacta negativamente também na saúde, uma vez que na área foram encontrados focos de doenças como dengue, zyca e chicungunya”, defendeu.
A agência Saiba Mais solicitou acesso junto a assessoria de comunicação da CMN aos nomes dos vereadores que assinaram a moção, mas até o momento o documento não foi enviado.
O hotel Reis Magos voltou à pauta após pressão do mercado imobiliário e de setores conservadores da mídia de Natal.
Nesta quinta-feira (18), o prefeito Álvaro Dias é aguardado na Câmara Municipal para esclarecer alguns pontos da revisão do Plano Diretor. O chefe do Poder Executivo chegou a chamar de “porcaria” a orla de Natal. A declaração foi dada recentemente num momento em que o mercado faz pressão para poder construir naquela região.
O Grupo Pernambuco S/A, detentor do lote onde está construído o Hotel Reis Magos deve cerca de R$ 500 mil somente à Prefeitura de Natal. O cadastro está na Dívida Ativa do Município e refere-se à despesas relacionadas ao IPTU do imóvel, que anteriormente já havia sido reduzidas em acordo feito pelo então prefeito Carlos Eduardo Alves com o grupo. Na época, a reunião chegou a ser questionada por entidades que questionam os valores divulgados pela Prefeitura.
Em pesquisa realizada no site da Prefeitura do Natal, por meio de dados da Secretaria Municipal de Tributação (Semut), verifica-se a existência de dez dívidas ativas sob o CNPJ da empresa Hotéis Pernambuco S/A. Os valores variam de R$ 30 a R$ 60 mil e, no total, contabilizam R$ 434.002,83.
Em uma audiência convocada no ano passado, na Câmara Municipal de Natal, o secretário de Tributação, Ludenilson Lopes, confirmou a existência da dívida, já em abril de 2018, do grupo com a Prefeitura.
“De acordo com o artigo 33 do código tributário de Natal o imposto lançado sobre a área do Hotel Reis Magos deveria ser cobrado apenas no terreno, área não construída, porém em 2014 o fisco municipal entendeu que naquela área havia uma construção e voltou a cobrar o imposto da forma antiga gerando uma dívida retroativa de cerca de 495 mil reais”, explicou o secretario em audiência convocada pelo então vereador Ubaldo Fernandes, hoje deputado estadual pelo Partido Liberal.
Para o Instituto em Defesa do Patrimônio Histórico, há discordância nos valores informados pelo secretário. “Em 2014, em uma reunião, o Prefeito de Natal informou que a dívida girava em torno de sete milhões de reais. Essa dívida desapareceu? O secretário trouxe hoje uma planilha, mas nós queremos ver os extratos, os comprovantes de quitação dessa dívida por parte desse grupo”, afirmou Ricardo Cobra, do Instituto.
A procuradora do Patrimônio e Defesa Ambiental do Estado Marjorie Madruga defendeu a preservação do Hotel Reis Magos.
“O que seria da Europa, de Olinda, Pelourinho, se não tivessem preservado suas arquiteturas? Várias cidades vivem do turismo porque o patrimônio está preservado. Hoje, o turismo é a principal atividade econômica de Natal e do Rio Grande do Norte”.
Madruga ainda explica a importância do imóvel no contexto turístico da região.
“Foi a partir do Hotel Reis Magos que o turismo iniciou. [A recuperação do] Hotel Reis Magos teria o potencial de requalificar toda aquela região abandonada pelo poder público. Então, acho que seria importantíssima a preservação, também para o turismo. A justificativa é que tem que demolir porque o hotel está deteriorado, virando antro de violência. Mas isso é efeito, não causa. A sociedade já vem sendo prejudicada, há mais de 20 anos, pela postura do proprietário e pela omissão do município. Então, como ato final, a sociedade deve perder, também, o patrimônio cultural?”, conclui.
Questionado sobre os valores referentes às dívidas do Hotel, o Departamento de Dívida Ativa (Dedat), da Secretaria Municipal de Tributação, alegou não poder divulgar informações detalhadas sobre os processos, exceto para o proprietário ou representante da empresa que se dirijam pessoalmente à secretaria.
Plano Diretor
Nesta quinta-feira (19), o prefeito Álvaro Dias (MDB) confirmou presença na Câmara Municipal para debater o Plano Diretor de Natal. O chefe do Executivo vem dando declarações polêmicas a favor da demolição e chamando de “feia” a orla da capital.
Por Wilson Luiz Muller, do coletivo Auditores Fiscais pela Democracia (AFD) – Publicado no Jornalggn em 17/09/2019
Desde que assumiu como Ministro da Economia, Paulo Guedes vem defendendo um novo modelo tributário para o país. Em janeiro deste ano ele disse que a carga tributária ideal para o Brasil seria de 20%. “Acima disso, é o quinto dos infernos”. O ministro lembrou que a carga tributária atual é de 36% e que a redução para 20% é difícil e dependerá da velocidade do controle dos gastos. “Não precisa sangrar, se conseguirmos controlar o crescimento nominalmente, em dois anos o trabalho está feito”, disse ele.
Como se trata do Ministro da Economia, suas intenções e projeções merecem ser levadas a sério. Vamos entender o que significam as projeções do ministro. Desde o governo FHC, a carga tributária oscilou entre 32 e 35% do PIB. Em 2018, a arrecadação de tributos foi de R$ 2,39 trilhões de reais. Se Guedes conseguisse derrubar a carga tributária para o patamar de 20%, reduziria a arrecadação de tributos em 43%, resultando numa queda de R$ 1,03 trilhão de reais, valor que ficaria em mãos da iniciativa privada (empresários). A União perderia 65,7% desse valor, R$ 677 bilhões; os Estados perderiam 27,2%, R$ 281 bilhões; os Municípios perderiam 7,1%, R$ 72 bilhões.
Em 09 setembro, o ministro fez uma projeção mais suave: “nossas empresas hoje pagam 34%, é muito alto, então queremos baixar isso. Brasil já teve uma carga tributária de 18% do PIB e, recentemente, chegou a 36% do PIB. É muito. A gente quer voltar para 30% do PIB. No período de três ou quatro mandatos seria possível reduzir a carga tributária para 25% do PIB.”
Com a carga tributária de 25% do PIB, a perda de arrecadação anual seria de 28,6%, totalizando R$ 683 bilhões. Esse montante, hoje disponível para a União, Estados e Municípios prestarem serviços à sociedade, seriam transferidos para a inciativa privada – leia-se empresários. Mesmo nessa projeção mais “suave”, a queda de arrecadação anual perseguida pelo ministro seria o equivalente à economia pretendida, em dez anos, com a reforma previdenciária que o governo vende como solução salvadora da pátria.
O ministro Paulo Guedes pretende também alterar a distribuição da carga tributária hoje incidente sobre os diferentes segmentos sociais. Disse o ministro, no dia 23 de agosto, que o governo quer reduzir o Imposto de Renda pago pelas empresas do país de 34%, em média, para 15%. Para compensar o corte, Guedes estuda aumentar os tributos sobre renda e aplicações financeiras que hoje são isentas ou pagam pouco imposto. A proposta de Guedes fixa uma alíquota de 15% para o Imposto de Renda das empresas, mas tributa em 20% os dividendos distribuídos aos sócios, distribuição hoje isenta.
A proposta do ministro favorece os mais ricos, conforme pode-se verificar pelo exemplo do setor das instituições financeiras. Conforme o Relatório anual da Febraban, o lucro líquido do setor bancário em 2018 foi de R$ 93,3 bilhões. Com a tributação atual, os bancos pagaram 34% de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro, num total de R$ 31,72 bilhões.
Pela proposta do ministro Guedes, os bancos pagariam somente 15%, o que daria R$ 13,99 bilhões. A diferença de R$ 17,72bilhões, por ano, seria apropriada pelos donos dos bancos. A parte que os bancos distribuírem como dividendos aos sócios seria tributada na ordem de 20%. Caso distribuam todo excedente de lucro líquido gerado com a proposta de Guedes, os donos de bancos ainda terão uma vantagem líquida de R$ 14,176 bilhões por ano.
A proposta do ministro vai na contramão da Constituição Federal, que estabelece que a tributação deve ser progressiva conforme a capacidade econômica dos contribuintes. Os bancos são os contribuintes que tem a maior capacidade econômica.
Quanto desse lucro a maior de R$ 14 bilhões por ano os banqueiros investirão na economia para melhorar a infraestrutura do país ou a educação ou a saúde ou para gerar empregos? Quanto disso reverterá em algum benefício social? Quanto desse dinheiro irá direto para a especulação financeira ou até para paraísos fiscais para nunca mais retornar ao país? Pode haver alguma justificativa para uma proposta dessas que não a de aumentar anda mais a já gritante desigualdade social do nosso país?
Com a reforma previdenciária, Guedes e Bolsonaro vão engordar os cofres públicos em R$ 800 bilhões em dez anos. Porém, esse montante será extraído dos trabalhadores e pensionistas pobres.
Com a reforma tributária, o governo pretende abrir mão de quase R$ 700 bilhões, por ano, que será usufruído pelos empresários da iniciativa privada, deixando milhões de cidadãos pobres sem serviços de saúde, educação, saneamento e segurança.
O resumo da ópera de Paulo Guedes é que os mais pobres tem de ficar sem previdência pública e sem direitos sociais básicos para o governo financiar a redução da carga tributária dos mais ricos. Ou seja, os ricos vão ficar mais ricos às custas dos mais pobres.
As propostas do ministro Paulo Guedes vão na direção do aumento da concentração da riqueza. Nosso país já é um dos mais desiguais do mundo em termos de distribuição de renda. O ministro quer torná-lo ainda mais desigual e injusto.
É preciso que a sociedade civil, o Parlamento, os Governadores, Prefeitos, entrem nesse debate para valer. Reforma tributária é um tema que interessa a toda sociedade. Não se pode permitir que esse tema seja usado para manipular a opinião pública, como se fosse possível reduzir a carga tributária sem que isso tenha sérias e danosas implicações sobre o conjunto da sociedade. Se deixarmos, Guedes vai destruir não apenas o Estado do bem estar social. Guedes e Bolsonaro vão destruir o futuro do Brasil.
O Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco recomendou que a Caixa Econômica Federal retome imediatamente a exibição do espetáculo Abrazo, do grupo de teatro Clowns de Shakespeare.
O documento, encaminhado à Superintendência da CEF no Recife, é assinado pelas procuradoras da República Carolina de Gusmão Furtado e Ana Fabíola Ferreira, ambas à frente da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em PE.
A CEF tem cinco dias, a contar da notificação, para informar ao MPF se acatará ou não a recomendação e que providências serão adotadas para a retomada do espetáculo. Em caso de não acatamento, o MPF adotará as providências administrativas e judiciais cabíveis.
De acordo com a recomendação, a peça teatral deve ser exibida por, pelo menos, período igual ao previsto no contrato original. A unidade da Caixa Cultural no Recife havia divulgado uma temporada de oito apresentações, com duas sessões por dia. Em caso de desinteresse do grupo teatral ou de outra impossibilidade absoluta, a CEF deverá promover a apresentação de outro espetáculo relacionado ao tema liberdade de expressão e manifestação artística, com número de sessões igual àquelas de Abrazo que foram canceladas.
Rescisão abrupta
Abrazo foi cancelada pela CEF na noite de estreia, 7 de setembro, antes da segunda sessão do espetáculo. Não houve nenhum comunicado ou esclarecimento prévio formal e por escrito.
Posteriormente, a CEF informou que o contrato de patrocínio havia sido rescindido devido ao conteúdo de bate-papo entre o elenco e a plateia, que fazia parte da programação, realizado após a primeira apresentação de Abrazo.
Segundo a Caixa, essa conversa configurou infração à cláusula do contrato que trata da obrigação de “zelar pela boa imagem dos patrocinadores, não fazendo referências públicas de caráter negativo ou pejorativo”.
Para o MPF, “o cancelamento abrupto das apresentações – ainda que por alegada violação a obrigação contratual por parte da companhia teatral – teve um impacto negativo, gerando na comunidade – como se extrai da repercussão na imprensa e nas redes sociais – receio quanto ao cerceamento da liberdade artística e da liberdade de manifestação do pensamento”.
Na recomendação, as procuradoras da República argumentam que a Constituição Federal assegura a livre manifestação do pensamento e proíbe qualquer espécie de censura. Destacam ainda que a liberdade de expressão não se esgota no dever de abstenção do Estado em praticar atos de censura, necessitando também da promoção de ações positivas visando à possibilidade real de exercício e aprofundamento dos debates sobre os mais diversos aspectos da sociedade.
Estreou em 26 cidades brasileiras no
último dia 12 – e em breve deverá estar em cartaz em salas de exibição em mais
municípios – o longa-metragem “Legalidade”, que acima de tudo cumpre uma função
social imprescindível para este momento de deturpação dos fatos que o Brasil
vem enfrentando. O filme conta, misturando realidade e ficção, um dos episódios
mais importantes da história brasileira, e (por isso mesmo) ainda não difundido
da forma que merece. “Legalidade” retrata a resistência popular à tentativa de
golpe em 1961, quando o presidente Jânio Quadros renunciou e forças políticas e
econômicas conservadoras tentaram impedir a posse do vice, João Goulart.
A resistência, liderada pelo então
governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, a partir do Palácio Piratini,
em Porto Alegre, e difundida por uma rede de rádios a partir de transmissões no
porão do palácio, foi vitoriosa.
Foram 14 dias de mobilização, sintetizados
pelo filme. À medida que o tempo passava e os intentos golpistas se
intensificavam – inclusive com ameaça de bombardeios ao Piratini – mais o povo
se unia em defesa do cumprimento da Constituição. Gaúchos do interior se
dirigiam à trincheira estabelecida na capital. Ainda que sob a concessão da
implantação do regime parlamentarista, as forças golpistas se renderam e João
Goulart assumiu a Presidência da República.
É verdade que o golpe acabou vindo,
em 1964, e foram 21 anos de ditadura. E então a história da Campanha da
Legalidade, ou Rede da Legalidade, foi sonegada a gerações. Não aparecia em
livros didáticos, não aparecia no noticiário, não aparecia nos debates de
televisão, não era relembrada nos jornais. Mesmo com a redemocratização, o
episódio nunca foi reverberado, ao menos na indústria da cultura de massa, com
a dimensão que fizesse jus à sua importância.
Sobre o filme
“Legalidade” vem preencher essa
lacuna. Com competência. Leonardo Machado (que morreu em 2018) interpreta
magistralmente Leonel Brizola. Consegue reproduzir a entonação da fala e os
gestos do governador com fidelidade, sem cair na caricatura de imitações. Os
detalhes de cenário, os objetos de cena, a colorização e a textura das imagens,
e a fotografia, tudo muito caprichado, requintado, transporta-nos para aquele
início dos anos 1960.
Há também a reprodução de imagens da
época, principalmente da concentração popular no entorno do Piratini, o que
ajuda na narrativa, deixa a obra mais didática. É como se o diretor, Zeca
Brito, fizesse questão de mostrar que, embora parecesse coisa de filme, tudo
aquilo era real. Ocorreu de verdade. Sim, não nos contam, mas ocorreu. As
inserções deixaram o filme com aspecto de documentário em certos momentos, mas
considerando que a Campanha da Legalidade não é um episódio da história
brasileira tão difundido, lançar mão do recurso pareceu imprescindível.
Como dito, o filme tem momentos de
ficção também, e que se dão em dois núcleos. Um, em torno de um triângulo
amoroso entre três personagens – Cecília Ruiz, jornalista, interpretada por
Cléo (ela tirou o sobrenome “Pires” de sua identificação artística); e os
irmãos Luís Carlos (Fernando Alves Pinto) e Tonho (José Henrique Ligabue).
Outra passagem de ficção se dá em um
fato que ocorre em 2004 – a jornalista Blanca (Letícia Sabatella) em busca de
informações sobre sua mãe, desaparecida política da ditadura. O problema é que
os enredos desses dois núcleos de ficção são diretamente ligados ao enredo
central. Passam ao espectador a impressão de que aqueles personagens existiram
na vida real e que de alguma forma interferiram no episódio histórico.
De acordo com informações oficiais da produção, o roteiro de “Legalidade” (assinado por Zeca Brito e Leonardo Garcia) começou a ser escrito em 2010. Foram seis anos de elaboração, fundamentada em todos os livros que já publicados sobre a Campanha da Legalidade. A produção da obra é da Prana Filmes e a distribuição, da Boulevard Filmes. A produção executiva é de Luciana Tomasi.
Crédito da foto da página inicial: Joba Migliorin/Divulgação
Alexandre Giordano, Bolsonaro, Marcos Pontes e Major Olímpio. Foto: Reprodução/ Instagram
Enquanto a mídia brasileira silencia, o jornal paraguaio ABC Color deu nova matéria sobre o escândalo de Itaipu e seus tentáculos que alcançam os Bolsonaros:
O influente senador brasileiro Major Olímpio (Partido Social Liberal, de Jair Bolsonaro) esteve no Paraguai em 11 de abril data da primeira reunião entre os ministérios das Relações Exteriores do Paraguai e do Brasil para discutir o acordo bilateral.
Seu suplente é Alexandre Giordano, que invocou a família presidencial brasileira nas negociações da empresa LEROS.
O nome de Major Olímpio não diria muito não fosse ele o senador mais influente do PSL, do círculo próximo de Jair Bolsonaro e se seu substituto não fosse Alexandre Giordano, que intermediou com Joselo Rodríguez González – que invocou o vice-presidente Hugo Velázquez – as negociações da ANDE com o grupo LEROS.
O senador major Olímpio entrou no Paraguai na manhã daquele dia quinta-feira, 11 de abril, em um voo da TAM de São Paulo e deu as coordenadas da embaixada brasileira no Paraguai.
Nesse mesmo dia, foi realizada a primeira reunião chave para acertar as atas de Itaipu, ANDE e Eletrobras. O site brasileiro Agencia Sportlight acessou um relatório de março deste ano de Carlos Alberto Simas, ex-embaixador brasileiro no Paraguai. Relatou que o senador major Olímpio estaria no Paraguai de 10 a 12 de abril. (…)
Naquele dia, ocorreu o PRIMEIRO encontro chave entre paraguaios e brasileiros na sede de Itaipú, em Hernandarias, composto pelas delegações de ambos os países.
Segundo os jornalistas da Agência Sportlight do Brasil, “um romance policial teria dito que o personagem principal estava no local quando tudo aconteceu”.
Após a reunião de diplomatas do Ministério das Relações Exteriores em 11 de abril, tudo estava praticamente organizado. (…)
Consultado pela Agência Sportlight, o senador Major Olímpio disse que veio ao Paraguai para participar de um “encontro de Católicos com responsabilidades políticas a serviço dos povos latino-americanos do cone sul”, realizado no centro de Marianela (Atyrá).
Segundo ele, participou de uma reunião chamada “O que os políticos dizem aos pastores”.
Também admitiu ter estado com o ex-ministro da Justiça do Paraguai, Julio Javier Ríos “para discutir questões relacionadas à segurança pública nos dois países”. (…)
Alexandre Giordano, suplente do senador, foi quem conduziu as negociações no Paraguai para a compra do excedente de energia de Itaipu.
O empresário esteve no Planalto, sede do executivo brasileiro, em 27 de fevereiro, um dia após Jair Bolsonaro se encontrar com Mario Abdo Benítez em Itaipú.
Joselo Rodríguez disse ao então presidente da ANDE, Pedro Ferreira, que os empresários haviam sido enviados pela própria família Bolsonaro.
“Eles vêm em nome da família presidencial do país vizinho”, escreveu o advogado que disse que era consultor do vice-presidente Hugo Velázquez e pediu a Ferreira uma reunião em 5 de junho.
Revista Fórum – O ex-ministro Fernando Haddad, em entrevista à rádio CBN na terça-feira (17), comentou sobre as últimas declarações do ex-ministro Ciro Gomes. Segundo ele, o candidato do PDT à presidência nas eleições de 2018 se recusou fazer parte da chapa do PT.
Ao jornalista Kennedy Alencar, o ex-prefeito de São Paulo criticou a postura do pedetista de se recusar a chamar o impeachment de golpe e de dizer que teria ganho de Jair Bolsonaro se fosse para o segundo turno da última eleição.
Haddad declarou que Ciro foi procurado por Lula para ser vice em chapa liderada pelo ex-presidente e que seria encabeçada por Ciro caso houvesse impedimento do petista, mas não aceitou. O candidato pelo PT em 2018 afirmou que conversou pessoalmente com Mangabeira Unger, guru de Ciro, para que o pedetista integrasse a chapa de Lula, mas recebeu um não como resposta.
Confira a reportagem completa no site da Revista Fórum.
Todos os indícios apontam que uma injustiça pode ser cometida nos dois próximos dias, quando o líder do movimento França Insubmissa, deputado Jean-Luc Mélenchon, será julgado. O processo, tudo está a indicar, foi construído por meio de acusações frágeis e infundadas, em mais um caso gritante de lawfare – a instrumentalização de ações judiciais para eliminar adversários políticos. Ex-candidato à presidência e provável candidato na próxima eleição, com chances de vitória, Mélenchon foi acusado injustamente de “rebelião”, há um ano, quando a polícia judiciária realizou uma ação de busca na sede do movimento França Insubmissa. O assédio a Mélenchon se assemelha, nos métodos, à perseguição movida no Brasil contra o PT, contra mim e, sobretudo, contra Lula.
Um vídeo da operação que deu origem ao processo contra Mélenchon, editado maliciosamente e vazado a emissoras de tevê, forja a impressão de que ele e cinco outros integrantes do França Insubmissa, que também serão julgados amanhã e sexta-feira, desacataram os agentes. Apenas há poucos dias, quando a defesa de Mélenchon teve acesso à integra do vídeo, depois de meses de insistentes pedidos, ficou demonstrado que, na verdade, os investigados apenas exigiram o direito de acompanhar a ação de busca e, ao contrário do divulgado pelos acusadores, apesar da tensão evidente, não se opuseram à operação e tiveram um comportamento apaziguador, até pedindo calma aos policiais. Mas a imagem dos acusados já havia sido destruída pela reprodução constante nas tevês do vídeo com edição manipulada.
Trata-se de método típico do lawfare, também adotado no Brasil para criar um ambiente propício ao golpe de 2016, à prisão de Lula e à eleição de um governo de extrema-direita. Faz parte desta tática esconder informações relevantes que poderiam absolver o acusado, vazar denúncias parciais, mesmo sem provas, e contar com a cumplicidade de veículos de comunicação para enganar a sociedade, sustentando com isto julgamentos de cartas marcadas.
Estive ontem com Mélenchon e expressei a ele minha solidariedade. Juristas, advogados, líderes religiosos, além de sindicalistas, defensores de direitos humanos e personalidades da política e da cultura, têm se manifestado contra a perseguição a Mélenchon, a Lula e a inúmeros políticos de vários países que foram ou ainda são alvos de abusos jurídicos por causa de suas ideias.
Um manifesto está percorrendo o mundo, denunciando o lawfare e se solidarizando com as vítimas deste tipo de violência. Segundo o abaixo-assinado, o lawfare é cometido por meio de “campanhas degradantes, obrigando as vítimas a se justificarem interminavelmente, sem quaisquer motivos. Em seguida, o assédio continua, com prisões e multas. O lawfare sequestra os debates políticos para dentro dos tribunais. Enfim, distorce o papel das eleições, que a esta altura já deixaram de ser realmente livres.”
Eu assinei o manifesto e convido todos a fazer o mesmo.
Trata-se de um imprescindível e eloquente chamado à consciência e à resistência contra uma das maiores ameaças à democracia e ao estado democrático de direito, no Brasil, na França e onde quer que seja necessário lutar pelos direitos humanos e individuais.
Querido Sergio Moro, vi que você gosta de ler biografias, mas ainda assim não consegue citar nenhuma. Entendo a dificuldade: imagino que esteja muito empenhado tentando salvar a sua. Tomo a liberdade de indicar três obras de não ficção —afinal de ficção já bastam suas sentenças.
“O Tiradentes”, do Lucas Figueiredo, conta a vida de um herói nacional —aquilo que você imaginou que viria a ser, antes de virar figurante de chanchada. Com base em documentos oficiais, Figueiredo perfila esse preso político, único condenado de fato pela conspiração da qual ele era, coincidentemente, o mais desvalido dos integrantes.
Seu advogado Dr. Oliveira Fagundes fez todo o showzinho da defesa e compôs uma peça sólida, ignorada pelo juiz português —que, só se descobriu depois, tinha chegado ao Rio, meses antes, com a sentença já escrita. Tudo, acredite se quiser, se baseava em delações. O primeiro delator, Joaquim Silvério dos Reis, um dos homens mais ricos e endividados da colônia, teve suas dívidas perdoadas —mais ou menos como você perdoou, duas vezes, o doleiro Alberto Youssef.
A corte também fez vista grossa pros conspiradores do Estado, que não eram poucos. Talvez lhe parecerá estranho, mas lembra que você perdoou até o Onyx.
Mas, claro, é preciso ser justo: ele se arrependeu.
Vários foram os juízes que condenaram Tiradentes e, ainda assim, ninguém se lembra do nome de nenhum. Isso pode te servir de consolo. Mesmo orquestrando uma farsa que elegeu o homem que hoje te emprega, existem fortes chances de que a história te esquecerá.
Mas talvez esteja cansado de política brasileira. “Medo”, do Bob Woodward, não é exatamente uma biografia, mas a história das eleições em que um bufão chegou ao poder. À sua volta, todos pensam que poderão usá-lo, sem perceber que legitimaram um autocrata que os descartará na primeira oportunidade.
Deviam ter suspeitado: não há papel mais triste —nem mais ingrato— que o de ajudante de bufão.
Pra terminar, vale ler “Cartas da Prisão”, de Nelson Mandela. A coletânea de cartas publicada pela Todavia conta a história de um líder político que passou 27 anos na prisão após uma condenação. Desculpa o spoiler: o sujeito sai da prisão ainda maior do que entrou, e termina presidente do país que o prendeu.
Ah, não está ali o nome do juiz que o condenou. Ufa.
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Ciro Gomes está com a libido retida naquela que Freud chama de “fase anal” do desenvolvimento psicossocial. Contém (nos dois sentidos desta palavra) uma misoginia que, todavia, foge do controle.
Sua tentativa de desqualificar a filósofa Márcia Tiburi –que foi candidata ao governo do Rio de Janeiro pelo PT nas últimas eleições– por meio de uma referência que esta faz ao cu em uma de suas muitas falas disponíveis na internet, essa tentativa de desqualificação falso-moralista é mais que uma grosseria típica de um machista inseguro diante do brilhantismo intelectual de uma mulher. Trata-se de um sintoma: os machos-adultos-brancos-sempre-no-comando estão neuróticos (no caso de alguns, psicóticos) com as conquistas de espaços de poder por parte das mulheres em geral, de LGBTs e de negros.
Em que pesem as enormes diferenças entre Bolsonaro e Ciro Gomes, sobretudo o verniz de “homem ilustrado” que o domínio dos conceitos de economia conferem a este último, a verdade é que ambos têm, em comum, essa ansiedade sexual diante do arruinamento do patriarcado sexista e heteronormativo.
Prestem bem atenção: com uma miríade de candidatos com falas realmente abjetas à sua disposição, que aludem a coisas realmente chocantes como o racismo e a homofobia, fora o fato de muitos desses candidatos serem corruptos e ligados a organizações criminosas, mesmo com este elenco à sua disposição, Ciro Gomes escolheu a honesta e intelectualmente sofisticada Márcia Tiburi para dar de exemplo do que “o eleitorado não quer”. Entre todas as declarações e análises da filósofa, sempre amparadas em sólida bibliografia, Ciro Gomes pinçou exatamente aquela em que Tiburi, explicando o campo da sexologia, faz referência ao cu (usando esta palavra, e não “ânus”).
Ora, ao fazer isso, Ciro Gomes me permite levantar duas hipóteses que não se excluem entre si, complementam-se:
1) A primeira é a de que, sabendo que Márcia Tiburi, Manuela D’Ávila, Maria do Rosário, Érica Kokay e eu fomos transformados, por meio de calúnias, deturpações e notícias mentirosas, em inimigos da “moral e dos bons costumes” da comunidade evangélica neopentecostal, terreno do bolsonarismo. Sabendo disso, Ciro Gomes usou Márcia Tiburi, de propósito, para “abrir diálogo” com esse setor conservador e anti-intelectual da sociedade brasileira; ou seja, ele está sendo oportunista e falso-moralista com o objetivo de ampliar seu eleitorado usando a filósofa como escada. Nesse sentido, já-já ele estará fazendo referências negativas a mim também.
2) A segunda hipótese é a de que Ciro Gomes está, como outros esquerdo-machos brancos, realmente preocupado com o abalo que as chamadas “pautas identitárias” produziram na cena política (e, em especial, no campo das esquerdas, que as abriga). Habituados a falar por nós –mulheres em geral, LGBTs e negros– sem nós, e a apenas nos usar como escadas para chegarem ao poder, os esquerdo-machos estão desesperados diante de nossa decisão de falarmos por nós mesmos e dividirmos, com eles, os espaços de poder. Esse desespero de tintas racistas, homofóbicas e machistas busca disfarçar-se na forma da “preocupação com o que é mais importante para as esquerdas agora” e na forma da acusação de que “as lutas identitárias estão jogando o eleitorado para a direita e a extrema-direita”. Balela!
Na verdade, tirando a suposta preocupação com a desigualdade social, os esquerdo-machos são muito parecidos com os machos da direita e da extrema-direita no que diz respeito à real equidade de gênero e à cidadania plena de LGBTs e negros. Como alguém pode desejar reduzir as desigualdades sociais sem levar em conta as desigualdades raciais e de gênero? Como alguém pode se dizer realmente preocupado com a pobreza sem levar em conta que, dentre os pobres, os pretos sofrem mais em função do racismo que pesa sobre eles, e que, entre os pretos pobres, mulheres e LGBTs estão mais vulneráveis por causa do machismo e da homofobia? Como pensar em desigualdades sem levar em conta essas questões identitárias?
Colocar de lado ou mesmo tentar silenciar os movimentos feministas, de LGBTs, anti-racistas e ambientais neste momento, sob a desculpa esfarrapada de que “a maioria do eleitorado não está preparada para lidar com essas questões agora”, não passa de oportunismo covarde e/ou de cumplicidade tácita com o racismo, o machismo e a homofobia.
Se vamos falar em união do campo progressista, não podemos começar aceitando –ou passando pano para– essa cumplicidade vil. O coronel Ciro Ferreira Gomes fique sabendo que, nesse caso, eu concordo com o filósofo Vladimir Safatle: chega de diálogo, devemos pensar então em ruptura! Não vou estar ao lado de quem age como a direita e a extrema-direita, mas com uma máscara de aliado.
No mais, a aversão de Ciro Gomes à reflexão sobre o cu feita, en passant, por Márcia Tiburi, não passa, por um lado, de uma ignorância sobre o fato de que outros grandes pensadores já se dedicaram a essa reflexão ao longo dos séculos –como, por exemplo, o Marquês de Sade, em “Filosofia na alcova”, de 1795, e Georges Bataille, em “A história do olho”, de 1928– e, por outro lado, de uma superfície opaca que esconde um desejo.
O cu é uma obsessão dos machos heteros e de seu patriarcado. Estes inclusive converteram o sexo anal –mesmo entre uma mulher e um homem– em um tabu. Mais: transformaram a penetração anal num insulto. Isto porém só revela o quanto eles são assombrados por ela.
Por isso, eu não vou, ao fim desse texto, mandar Ciro Gomes tomar no cu por ter insultado covardemente Marcia Tiburi e a agenda dos movimentos sociais de minorias. Não vou porque tomar no cu com consentimento é bom e a gente só mandar tomar lá quem a gente gosta!
De Salvador até esse mar azul na Ilha do sal são apenas 4h40 de voo
Com tarifas de low cost e serviços de empresa convencional, a Cabo Verde Airlines vem entrando cada vez com mais força no radar dos viajantes brasileiros.
Além dos voos diretos de Salvador, Recife e Fortaleza para a Ilha do Sal e para a capital cabo-verdiana, Praia, os preços da Cabo Verde Airlines estão convertendo a
En nuestro recorrido navideño por Portugal un destino llamó nuestra atención para visitar con los peques. Óbidos.
Una pequeña ciudad amurallada situada a tan sólo 1 hora de Lisboa y considerada lugar de interés cultural en cualquier época del año. Sin embargo si esta ya puede considerarse una buena razón para conocerla, es en navidad cuando se convierte en una gran razón para convertirla en una visita especial con los más pequeños.
Óbidos, con sus calles empedradas, su castillo donde alzas la vista y sus casas tradicionalmente pintadas se convierte en una Vila natal, o lo que es lo mismo, una Ciudad de Navidad.
Todo el pequeño enclave se viste de las mejores galas que una navidad blanca puede desear y desde la propia entrada del pueblo (que queda cerrada si no abonas la entrada pero que permite la visita a la muralla de forma gratuita si lo especificas) quedas sumergido en un entorno diferente.
¿Cuando se celebra vila natal?
Cada año Óbidos se convierte en un pueblo navideño, en el 2019 las fechas serán del 29 de noviembre al 05 de enero.
¿Cuál es el precio de la visita?
El coste de la entrada irá variando a medida que avance el tiempo pero la referencia actual es de
Óbidos Vila Natal Adulto (a partir dos 12 años de edad, inclusive): 8,00 Euros
Óbidos Vila Natal Niño (de 3 años a 11 años de edad): 6,00 Euros
Los precios actualizados y toda la información de los horarios podéis comprobarlos aquí: Óbidos Vila Natal
¿Qué podremos encontrar?
Como decíamos en las líneas anteriores esta pequeña ciudad va a convertir sus calles gracias a la decoración en una navidad total. Muñecos de nieve, duendes, árboles de navidad, letreros que asemejan piruletas o bastones de caramelo…
Pero no todo se resume en la decoración, óbidos se llena de actividades para los más pequeños, espectáculos de magia y música, pesca con cañas gigantes, grandes batallas que no hieren a nadie y su gran tobogán de “hielo”.
Además puedes pintarte la cara y parecer un pequeño duende más entre tanto ambiente navideño, comer un crep delicioso o calzarte los patines e intentar mantenerte en pie o hacer piruetas en el hielo en base a tu pericia sobre las cuchillas.
Y cuando los más pequeños están cansados toca pasear para visitar la casa de papá noel o el belén que se prepara para ese año.
Hay algunas actividades no incluidas en el precio que debemos tener en cuenta, como la noria, la pista de hielo o el simulador 3D. Todo lo demás está siempre disponible.
A pesar de tratarse de un lugar pequeño es una visita que recomendamos con los más pequeños si Portugal, Lisboa o los alrededores son vuestro destino viajero.
Te adjuntamos la web de Traventia donde puedes reservar entradas para asegurarte que a pesar de la afluencia de ese día puedas visitar Óbidos. Y si no viajas en tu casa con ruedas y además de entradas buscas alojamiento, al comienzo del post tienes también el enlace para poder hacer tu reserva rápidamente. Espero que disfrutes un sitio tan especial como Óbidos!!
Os estrangeiros estão arredios em relação ao Brasil. O motivo, de acordo com uma pesquisa feita pelo banco JP Morgan com investidores globais, é que eles tomam suas decisões de investimentos mais baseados no diferencial de crescimento econômico do que no diferencial da taxa de juros.
Ou seja, preferem países em franca expansão a países que reduziram seus riscos (medidos pelos juros). É exatamente o oposto do Brasil, que, na última reunião do comitê de política monetária, cortou a Selic para o menor patamar histórico, de 6%, e deve registrar uma alta de apenas 0,87% do produto interno bruto em 2019, de acordo com o mais recente boletim Focus.
De fato, os estrangeiros retiraram da bolsa de valores brasileira mais de 2 bilhões de dólares entre 2 e 6 de setembro. No ano até 9 de setembro, as saídas somaram 43,2 bilhões de reais, enquanto as entradas ficaram em 41,2 bilhões de reais.
“A não ser que sejam realizadas reformas estruturais no Brasil que promovam crescimento mais acentuado, não veremos maior fluxo de capital de estrangeiros nos próximos 12 a 18 meses. O problema é que esse cenário não parece ser o mais provável”, diz Cassiana Fernandez, economista-chefe do JP Morgan no Brasil, em seminário promovido pela Associação Brasileira de Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), na manhã desta quarta-feira (11).
Há outro motivo também. O temor de que o mundo entre em recessão por causa da guerra comercial entre Estados Unidos e China tem levado os investidores globais buscarem ativos considerados mais seguros, como títulos do Tesouro americano e dólares. “Começamos o ano estimando que o câmbio encerraria o ano em 4,10 reais. Quando Donald Trump se encontrou com Xi Jinping, em março, revisamos para baixo, para 3,90 reais. Agora, voltamos para 4 reais, com o risco de revisar para cima”, afirma Cassiana.
No banco Safra, a história não é muito diferente. Segundo o economista-chefe Carlos Kawall, no início do ano, as estimativas eram de 3,70 reais e agora estão em 4 reais.
Por sua vez, o BNP Paribas está mais otimista. Para o economista Gustavo Arruda, o câmbio encerrará 2019 em 3,80 reais e no ano que vem cairá para 3,50 reais.
Recessão global
O que propiciou a crise econômica dos anos 2000 foi o excesso de capital investido em empresas pontocom. “A recessão foi uma correção de preços”, diz Fernandez. Em 2008, o boom imobiliário foi o responsável pela turbulência financeira mundial.
Mas, agora, por mais que tenha havido um crescimento exponencial de investimentos, o dinheiro não foi alocado em um único ativo ou setor.
É por isso que, para o JP Morgan, há 45% de chances de o mundo entrar em recessão nos próximos 12 meses. Por mais que o percentual seja alto, ainda não é o cenário base.
“No entanto, decisões de políticas monetárias dos Estados Unidos e da China, como resposta à guerra comercial, podem quebrar o equilíbrio mundial. Isso levaria a uma queda da confiança dos empresários e consequentemente a uma crise”, diz a economista-chefe.
Imagino que poucos leitores terão tido paciência para acompanhar, na madrugada de segunda para terça feira, a singular coreografia da cerimónia que consagrou o encerramento do parlamento britânico, imposto pelo primeiro-ministro Boris Johnson.
Durante o desenrolar do protocolo daquela cerimónia, houve um momento que me pareceu revelador: à chegada do representante da Câmara dos Lordes aos Comuns, em farda própria e em passo muito estudado, foram visíveis e audíveis risotas e gargalhadas por parte de muitos parlamentares, numa cena impensável há alguns anos.
Ficou a sensação de que todo aquele gongórico aparato, feito de algum exagero no sublinhar dos rituais, pode estar já menos conforme com o “ar do tempo”. Mais do que isso: resultou a ideia de que existe um setor da classe política - seguramente correspondente a áreas homólogas na opinião pública - que já não está disposto a respeitar alguma dessa liturgia.
Minutos depois, quando os Comuns se deslocaram em procissão até aos Lordes, e nessa câmara foi lido, em nome da rainha, um discurso sem a menor substância relevante, preparado pelo governo, com a soberana a ser, no meio de tudo aquilo, um mero “carimbo” formal, era visível, na cara de todos os presentes a esse “teatro”, um sentimento de alguma distância face à “peça” em cena.
Os rituais não existem por si próprios: consagram um entendimento coletivo que serve de esqueleto formal às instituições. Todos eles, se olhados singularmente, podem quase sempre ser lidos numa perspetiva ridícula. O que os sustenta, o que lhes está subjacente, é o respeito às instituições que encarnam. Quando alguém se ri de um ritual, ri-se da própria instituição.
Não quero, com esta leitura, deixar a ideia de que a monarquia britânica está em inevitável crise. Mas parece-me evidente que a circunstância de, sem qualquer escândalo, a sua liturgia começar a ser desrespeitada é um sinal claro de que as coisas já não são o que eram. E talvez importe perceber porquê.
O mundo parece surpreendido com o facto do fundamentalismo anti-europeu poder estar a abalar um sistema democrático que era tido por exemplar. É, aliás, sintomático que seja um partido dito conservador a titular essa mesma agressão, de que a insólita suspensão do parlamento é o ato mais evidente. Ora isso não pode deixar de ter consequências no modo como muitos britânicos passarão olhar, no futuro, as suas instituições. A monarquia, e a sua provada irrelevância neste grave contexto, pode vir a sofrer bastante com isso.
O PT elegeu domingo passado cinco mulheres para comandar o Partido nos principais municípios do Rio Grande do Norte. Natal, Mossoró, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e Caicó serão dirigidos por militantes formadas na base petista.
A predominância feminina não é por acaso. Há alguns fatores que vêm contribuindo para o aumento do protagonismo das mulheres no PT. A principal liderança da sigla no Estado é uma mulher, a única deputada federal do Partido na bancada potiguar é uma mulher e uma das duas vagas do PT na Assembleia Legislativa também é ocupada por uma mulher.
A tendência é nacional. Nas eleições de 2018, a maioria das mulheres eleitas foi do Partido dos Trabalhadores. No total, foram 34 mulheres, sendo 10 deputadas federais, 21 estaduais, duas vice-governadoras e a única governadora do país, Fátima Bezerra.
Além do estímulo para as petistas de ver Fátima Bezerra sentada na principal cadeira do poder político do Estado, há um processo de formação interna no PT que vem atraindo cada vez mais mulheres para a cena política local.
Os números são consequência de um trabalho iniciado ainda na pré-campanha do ano passado batizado de Elas por Elas. Eleita presidenta do diretório municipal de Natal para o triênio 2020-2023, a vereadora Divaneide Basílio destacou o processo de formação:
– Com certeza tem estímulo do Elas por Elas, reforça para nós que devemos ocupar. Fizemos um seminário nacional de mulheres negras do PT e tivemos etapas preparatórias. Já nesse seminário falamos da importância de incentivar as candidaturas no PED e divulgamos isso nos grupos. O Elas por Elas virou uma marca do PT. Iniciou como ação para pensar uma maior participação das mulheres no processo eleitoral, mas ampliou, virou evento cultural e chegou a instâncias de direção”, disse a parlamentar, que ressalta um longo caminho pela frente em termos de emancipação das mulheres: “Ainda não é a maioria das mulheres que preside as instâncias, mas quando as mulheres começam a ocupar postos de destaque isso motiva outras mulheres. A eleição de Fátima sinaliza isso”, afirmou.
Natal
A gestão de Divaneide Basílio à frente do diretório municipal começa em 2020, ano de eleições gerais nos municípios, e ela adianta que o debate sobre a cidade vai prevalecer:
– Vamos construir a partir de agora uma transição, até porque preciso me apropriar mais da dinâmica interna. Mas a tônica será a construção de um debate sobre a cidade, discussão plano diretor, um debate mais profundo pelo partido, além de começar a pensar nominata para as eleições de outubro. É preciso ampliar e entrar na nova fase de estímulo às candidaturas de mulheres para ue mais mulheres se sintam fortalecidas, motivadas”, disse.
Questionada sobre o perfil do candidato do partido à sucessão de Álvaro Dias (MDB), ela explica que vai defender um candidato ou candidata comprometido com o desenvolvimento sustentável:
Tem que ser alguém que defenda uma cidade inclusiva, para quem vive nela, um cidade conectada. Temos várias lideranças no partido que sabem dialogar, que conhecem a cidade, que se articulam bem. Precisamos desse perfil, precisamos ouvir a cidade, o que a cidade está dizendo pra nós. O que o PT tem para apresentar à cidade e o que a cidade quer de nós”, afirmou.
Até o momento, o nome da deputada federal Natália Bonavides é quem tem aparecido com mais força nas pesquisas, geralmente em 2º lugar, abaixo do atual prefeito Álvaro Dias. Sobre a possibilidade da candidatura da parlamentar federal, Divaneide aguarda as candidaturas se posicionarem.
– Acho que Natália é um bom nome, mas ela tem afirmado que não quer ser candidata. É possível que ela mude, mas até agora sinalizou que não. Defendo que continuemos fazendo esse debate”, disse.
Confira as mulheres do PT eleitas nos principais diretórios municipais do Estado:
A Caixa Econômica Federal confirmou nesta segunda-feira (9) o cancelamento das apresentações do espetáculo Abrazo, do grupo Clowns de Shakespeare, marcadas para os dias 14 e 15 de setembro.
Sem revelar os motivos, o Banco informou apenas que houve quebra de contrato pelo grupo de teatro potiguar, que nega qualquer descumprimento contratual:
Ao se recusar a dar detalhes sobre o que de fato aconteceu, a Caixa sugere o que o público, a imprensa e os próprios atores já perceberam: Abrazo, espetáculo infantil inspirado em “O livro dos Abraços”, do escritor uruguaio Eduardo Galeano, foi censurado.
A peça, dirigida por Marcos França e com roteiro de César Ferrario, é contada através do olhar de um menino que mora num país repressivo onde as pessoas são proibidas de abraçar umas às outras e de demonstrar afeto entre si.
Desde sábado (7), a direção e os atores do Clowns de Shakespeare buscam informações com o Banco ou com a Caixa Cultural sobre os motivos do cancelamento das sessões e só recebeu um comunicado suscinto, o mesmo enviado à imprensa.
“A assessoria da CAIXA informa que por descumprimento contratual cancelou o espetáculo Abrazo, com apresentações programadas no espaço cultural do banco. O contrato com o Clowns de Shakespeare foi rescindido, conforme comunicado ao Grupo nesta data”, diz o Banco.
A Caixa desrespeita o Clowns de Shakespeare e também desrespeita a plateia.
O espetáculo foi aprovado em edital público e, assim como os demais grupos contemplados, passou por uma seleção para participar do projeto.
Em nota, o Clowns de Shakespeare se diz perplexo com a atitude do Banco segue à procura de explicações:
No último sábado, dia 7 de setembro de 2019, após haver realizado a primeira apresentação do espetáculo Abrazo na Caixa Cultural Recife, fomos surpreendidos com o cancelamento da segunda sessão do dia, assim como das demais apresentações que seriam realizadas no dia seguinte.
Nesta segunda-feira recebemos um comunicado oficial da Caixa Econômica Federal informando a rescisão do contrato relativo ao restante desta temporada, que se estenderia até o próximo domingo, 15 de setembro, sob a genérica alegação de descumprimento contratual.
Nenhum esclarecimento adicional nos foi dado, o que nos moveu a solicitar da Caixa o parecer jurídico e a decisão administrativa relativos a essa rescisão, com detalhamento para que possamos analisar e nos posicionar apropriadamente sobre o caso.
Até o momento estamos perplexos diante dessa atitude, uma vez que não reconhecemos qualquer indício de infração que pudesse ter sido eventualmente cometida, pois cumprimos com tudo que estava contratualmente previsto.
O contrato de patrocínio celebrado com a Caixa decorreu de edital no qual se habilitou e foi selecionado o Grupo Clowns de Shakespeare, dentro das normas legais de seleção de projetos.
Esperamos que essa justificativa, genérica e lacônica, seja esclarecida pela Caixa, de forma a possibilitar ao grupo defender-se de tal alegação.
Agradecemos o apoio maciço que estamos recebendo de diversos setores da sociedade, e voltaremos a nos pronunciar tão logo a nossa solicitação de esclarecimentos seja atendida pela Caixa.
“Eu fui presa por combater a injustiça. Isso sempre esteve em minhas veias. Agora bato de frente com ela diariamente”. É assim que Preta Ferreira, como é conhecida Jacine Ferreira da Silva, uma das lideranças do movimento por moradia em São Paulo, define o que sente após mais de 70 dias de prisão.
Detida na Penitenciária Feminina de Santana, ela é acusada de extorsão e associação criminosa por supostamente coagir moradores a pagarem taxas nas ocupações do centro da cidade de São Paulo. Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, ela conta que foi chamada a prestar um depoimento e não voltou mais para casa.
A denúncia que baseia a investigação foi feita a partir de uma carta anônima e é um desdobramento da apuração do incêndio no edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandú, em 1º de maio de 2018. Com a coordenadora do MSTC, outras três lideranças também foram detidas. Treze, no total, tiveram prisão decretada.
Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Preta Ferreira defende sua inocência e denuncia a ausência de provas. “Eu pergunto aos governantes, a quem me colocou aqui: Cadê as provas? Qual foi a extorsão que eu pratiquei? É uma prisão política. A sociedade está vendo o que está acontecendo”.
A militante explica que existe um acordo entre os moradores da ocupação para que todos contribuam mensalmente com R$ 200,00 para a manutenção dos prédios. É esse pacto – tratado pelos investigadores como “extorsão” – que garante, por exemplo, a segurança e a limpeza do local, evitando que tragédias como a do Largo do Paissandú se repitam.
Em agosto, Carmen Ferreira, liderança do MSTC e mãe de Preta, foi absolvida por unanimidade pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) com acusações semelhantes às que recaem sobre a filha.
Na opinião da jovem militante, que também é publicitária e produtora cultural, o objetivo desse processo é criminalizar os movimentos populares: “A nossa detenção e essa perseguição toda ao movimento de moradia faz parte de uma ameaça, faz parte de um plano para acabar com os movimentos de moradia. Prendem as lideranças, amedrontam quem não tem moradia, e aí acaba”.
Durante a entrevista, ela também fala sobre seu cotidiano na Penitenciária, onde estão outras 2.056 mil presas. “Assim como eu, inocente, estou aqui presa, existem outras mulheres, em sua grande maioria negras, presas injustamente. Jogaram a gente em um navio negreiro”, compara.
Sobre a campanha que os movimentos populares fazem por sua liberdade, Preta reforça que a luta não se resume a ela. “Não é só ‘Preta Livre’. São ‘Pretas Livres’”.
A entrevista foi concedida na tarde do dia 4 de setembro, quando completaram-se 72 dias de prisão. Confira na íntegra:
Brasil de Fato: Como você começou a se envolver com a luta do movimento de moradia aqui em São Paulo?
Preta Ferreira: Meu histórico com o movimento de moradia é de infância, quando minha mãe, uma retirante, veio de Salvador [Bahia] fugida de violência doméstica do meu pai. Ela deixa seus filhos para trás e vem pra São Paulo em busca de uma vida melhor – e até mesmo para garantir sua sobrevivência.
Ela passa a dormir na rua, depois em albergues, e então conhece o movimento de moradia. Depois de alguns anos, ela retorna para Salvador para buscar seus filhos. Eu vim nessa leva. Passamos a morar em uma ocupação, que hoje se chama Ocupação 9 de julho, em meados dos anos 1990.
Aí começa minha história no movimento social, onde eu aprendi que tenho direitos, onde aprendi que não nasci apenas para ser uma mulher negra para ter o “resto”, como o 1% da população que detém a riqueza o país me ofereceu. Foi no movimento de moradia que eu aprendi a lutar, que aprendi que, além de ter deveres que devem ser cumpridos, tenho direitos constitucionais.
Quais são as questões do processo em que você é acusada de extorsão?
A verdade é que essa prisão é totalmente irregular. Eu fui convidada a depor na delegacia, não tinha nenhuma prisão decretada. Fui convidada a depor no dia 24 de junho, e estou presa até hoje. E eu pergunto para os governantes, para quem me colocou aqui: Cadê as provas? Qual foi a extorsão que eu pratiquei? Já sabemos muito bem que não estou presa por extorsão. Não pratiquei nenhum crime. Isso é mentira e eles sabem disso.
Estamos vivendo em um momento do país em que todos sabem que a perseguição política existe. A minha prisão é uma prisão política. Eu não estou só afirmando, a sociedade está vendo o que está acontecendo. A minha prisão e a prisão dos demais [militantes de movimentos de moradia] são prisões políticas. Não existe nenhuma prova contra a gente.
Ainda em relação à acusação de extorsão, você pode explicar como realmente funciona a organização das ocupações?
Ninguém mora de graça. Quando ocupamos um prédio, ele não tem luz, não tem água, não tem elevador, não tem manutenção, não tem extintor de incêndio, não tem nada. O governo não ajuda em nada. Como mantemos esse prédio?
Quando a pessoa passa a fazer parte do movimento, ela assina um regimento interno onde tem lá, tudo escrito, como procede, como funciona o movimento, e que por mês tem que ser pago R$ 200,00. Ninguém trabalha de graça.
Como se extorque alguém que já sabe que vai entrar em um lugar em que tem que pagar? Não há extorsão quando a pessoa é ciente de deveres que tem que cumprir no movimento. O movimento é autogestor. Não tem ninguém para ajudá-lo. Não recebemos ajuda de nenhum governo. Para ser autogestor, os moradores têm que arcar – até porque são eles que moram. A segurança é para eles, a proteção é para eles. Não há extorsão quando a pessoa tem consciência que tem que pagar.
Até mesmo para que não aconteça casos como o do Wilson Paes de Almeida [edifício que desabou no Largo do Paissandú]. Aliás, estou sendo acusada de fazer parte daquele prédio, sendo que nunca entrei naquele lugar. Não conheço o movimento dali.
O MSTC sempre atuou junto ao poder público. Como faríamos as melhorias exigidas pela Prefeitura? Quem paga é quem está morando, nada mais justo. Morar de graça, ninguém mora.
Quem mora pagando aluguel de R$ 200,00? Isso não é aluguel, mas uma verba revertida para eles mesmos. As melhorias são dentro dos locais que eles moram, não vão para a minha casa. É para eles.
A acusação foi feita por meio de uma carta anônima.
Na verdade, esse processo é um emaranhado. Colocaram todos os movimentos em um funil só e determinaram que tudo é uma coisa só, mas não é. Existem movimentos éticos e movimentos não éticos, sim, mas eu atuo pelo Movimento Sem Teto do Centro, um movimento ético que trabalha junto ao poder público.
Tem que desvencilhar. Não se pode responder pelo que os outros fazem. Eu respondo pelos meus atos e pelo que eu falo. Sou responsável pelo que eu falo, pelo que eu faço. O MSTC não tem nada a ver com esses outros movimentos. É um movimento separado.
Acredita que ser quem você é, mulher negra e militante, pesa nesse processo?
Já nasci nessa república machista, racista, opressora. O fato de ser mulher negra e influenciar outras pessoas a exigirem os seus direitos constitucionais na cara deles é um desaforo [para eles]. Quem é que vai aceitar? Claro que eles não vão aceitar.
Eles escolheram o papel que tenho que estar: estar atrás de uma pia, de um fogão. E não é esse meu papel.
Sua mãe, Carmen Ferreira, liderança do MSTC, foi absolvida por unanimidade no TJ-SP após acusações semelhantes às que recaem sobre você. Como recebeu essa notícia? Qual a perspectiva para o seu caso a partir dessa decisão?
São as mesmas pessoas [que nos acusam]. Como não conseguiram por um lado, estão tentando por outro. A absolvição da minha mãe, da Carmen, já era mais que prevista. Ela provou três vezes que essas pessoas estão mentindo e, de novo, essas pessoas estão aqui e me colocaram atrás das grades porque não conseguiram pegá-la. As acusações que supostamente caberiam a ela passam a caber a mim sem nenhuma prova.
Os mesmos argumentos, as mesmas histórias. Não posso falar que hoje no Brasil existe Justiça, porque não tem… o que existe no Brasil no Judiciário é uma seletividade.
As mesmas pessoas que a acusaram não tinham provas e agora vêm e me acusam. Com quais provas, com quais argumentos? Como Carmem vai responder duas vezes pelo mesmo processo, sendo que já foi inocentada? Onde está a Justiça nesse país? Para quem serve a Justiça? Para quem tem dinheiro.
Temos que ver quem tem que ser investigado, quem tem que ser preso. O Poder Judiciário precisa trabalhar sem colocar sua opinião própria, parar de ser seletivo, parar de colocar inocentes atrás das grades.
O que está acontecendo aqui é destruição de famílias. Eu estou aqui porque “alguém falou”. Eu não tive o direito de me defender. Nunca fui presa, sou ré primária e não tive o direito de falar que estavam mentindo.
O seu irmão, Sidney Ferreira, também foi detido. Ele participa da luta por moradia?
Ele nem faz parte do movimento e está preso. Porque alguém não gosta de alguém, porque alguém fez uma fofoca. Isso destrói vidas. Ele cuida sozinho de uma criança de cinco anos, que é a filha dele. Quem vai pagar o trauma que essa criança está vivendo sem o pai? É muito simples colocar um inocente na cadeia, mas quando está provado que é inocente, o que fazer com esse tempo todo que ele perdeu?
No dia 2 de setembro, o TJ-SP concedeu a liberdade provisória para Angélica dos Santos Lima, do Movimento de Moradia para Todos (MMPT). Você a conhece? Qual a importância dessa decisão?
Fiquei muito feliz com a liberdade da Angélica. Ela não deveria ter sido presa. É muita irresponsabilidade. Como é que se prende alguém sem provas? Estão destruindo vidas.
Aqui no Brasil está funcionando assim: alguém vai lá e te denuncia sem provas e, primeiro se cumpre a sentença, depois vão ver se você era inocente ou não.
Você acredita que há uma tentativa crescente de criminalização dos movimentos populares sob o governo Doria [em São Paulo] e sob o governo Bolsonaro?
Essa criminalização dos movimentos sociais sempre existiu, e agora voltou com mais força. Isso já foi avisado há muito tempo. Está se cumprindo o que foi dito.
A nossa detenção e essa perseguição toda ao movimento de moradia fazem parte de uma ameaça, fazem parte de um plano para acabar com os movimentos de moradia. Prendem as lideranças, amedrontam quem não tem moradia, e aí acaba. Os verdadeiros criminosos estão lá vestindo colarinho branco.
Não sou eu que não cumpro o dever constitucional. Quem não cumpre são eles – que foram colocados no governo justamente para cumpri-los.
Como existe uma ameaça aos movimentos de moradia, que exigem seus direitos constitucionais – e isso não é crime – querem acabar com eles. Se acabar, não tem como denunciar que não estão cumprindo com esses direitos.
Depois que Doria assumiu o governo, há um número crescente de mortes pela PM e de denúncias de ações truculentas contra pessoa em situação de rua, por exemplo. Você acha que há, de fato, uma política higienista em voga no estado?
Já ouviu falar de genocídio? Essas são várias formas de genocídio da população negra, da população pobre. É a forma de exterminar a população. Troca-se o nome de escravidão para genocídio. Essa é a escravidão contemporânea. É o genocídio “sem máscara”, esse é o nome que eu dou.
Sempre existiu tudo isso que você acabou de citar, mas agora o aumento se deu porque está legalizado.
Você está presa há mais de dois meses. O que pode dizer sobre o que tem vivenciado aqui?
O que eu posso dizer é que eu fui presa por combater a injustiça. Sempre combati a injustiça, desde criança. Sempre esteve em minhas veias. Agora bato de frente com ela diariamente.
Assim como eu, inocente, estou aqui presa, existem outras mulheres, em sua grande maioria negras, presas injustamente. É um navio negreiro. Jogaram a gente em um navio negreiro.
O que você encontrou aqui na Penitenciária Feminina de Santana? Como é o seu cotidiano?
Aqui dentro, para mim, é tranquilo. Não é o lugar que eu queria estar. Estou obrigatoriamente, porque me jogaram aqui. É o lugar que estou, essa é minha realidade temporária.
Eu não sou presa. Eu estou presa. E, já que é um lugar que estou temporariamente, tenho que fazer a política da boa convivência, conviver com todo mundo. E isso significa não só falar, mas ouvir as outras pessoas também. É um lugar de escuta.
Minha passagem por aqui não é para ser só mais uma presa. Nós somos companheiras. É uma ajudando a outra. É dessa forma que vejo. Não me vejo como melhor e não vejo ninguém como melhor. Não só aqui, lá fora também: somos todas iguais. Se eu estou nesse lugar, temos que procurar nos entender, nos ajudar.
Eu sempre defendi todas as mulheres. Todas as pretas, todas as brancas, todas as indígenas, quilombolas. Mulher tem que defender mulher.
Você ouve muitos relatos de injustiça aqui dentro?
A injustiça é muito presente porque a maioria das presas que estão aqui são injustiçadas, são [prisões] forjadas, são processos mentirosos, fraudulentos. [A campanha necessária] Não é só ‘Preta Livre’. São ‘Pretas Livres’, mulheres livres. Não temos Justiça no Brasil.
No meu caso, a cada dia que eu passo aqui, digo que é um dia a menos. Eu conto como um dia a menos. Eles não vão poder me segurar para sempre. Uma dia, vou sair.
A esperança que eu tenho é de ter esperança. A esperança em mim não morre. Independentemente do que me acusam, independentemente do que juiz ou promotor diga. Eu sei que eu sou inocente e que eu não vou ficar aqui pra sempre.
Se estou na situação de presa política, quer dizer que estou incomodando. Estou incomodando a quem está no poder e não faz. Não estou incomodando sendo uma pessoa que transmite perigo para a sociedade, muito pelo contrário. Influenciar outras pessoas a estudar, a brigar pelos seus direitos, a saber que elas têm direito, isso incomoda.
Eu sou uma presa política, sim. Estou mostrando para as pessoas que os direitos têm que prevalecer e têm que ser cumpridos pelos poderosos que estão no poder. A carne fica para o rico e o osso para o pobre? Não pode ser. Tem que ser dividido em partes iguais. Essa é a política que tem que existir.
Como está fazendo para passar os dias? Você pensa em produzir algo sobre esse período da sua vida?
Eu sou publicitária de formação e faço produção cultural tanto no cinema quanto na música. Vou te falar, me deram mais trabalho aqui viu? Preparem-se que vão vir coisas boas por aí.
Semanalmente, você tinha o compromisso de relatar uma espécie de diário de uma prisão política, no Boletim Lula Livre. É possível dizer que passou a viver algumas das injustiças que antes denunciava, no caso do ex-presidente Lula?
Eu sou apresentadora do Boletim Lula Livre, e até colocaram isso no processo como se fosse um crime. É minha profissão. Antes eu me via falando sobre aquilo que acontecia com o Lula sabendo que ele é um preso político. Eu entendo todas aquelas palavras como palavras visionárias. É como se eu estivesse falando de mim.
Eu sei o que ele está passando, o que ele está sentindo. Sei o sentido de injustiça que ele tem dentro do coração. Fazer o bem para uma nação, onde os ricos não querem, é difícil. Mas estamos aí, e eles não irão nos derrubar. Continuaremos.
Você tem recebido muito apoio dos movimentos populares, que estão em campanha pela sua liberdade. Essa mobilização pode ajudá-la de alguma forma?
Eu nem esperava essa repercussão toda. Eu achei que era simplesmente uma liderança de movimento de moradia, simplesmente isso. Ao longo desse tempo, vi que não. Existem outras mulheres que se espelham, outras mulheres negras que não tinham esperança e agora têm. Para mim, foi acalentador. Não achava que o país ia intervir ao meu favor. Há um clamor muito grande da sociedade. Se eu fosse um perigo para a sociedade, não iria haver esse clamor.
Isso me dá muita força, muita esperança. Quero que eles saibam que, por causa deles, sou forte desse jeito. Saber que existem pessoas que acreditam na minha palavra, na minha inocência, me dá muito mais força. Por eles, sairei daqui com a cabeça erguida do mesmo jeito que entrei. Tem muita gente atrás de mim, que precisa, que depende. São elas que me dão força.
Qual tem sido o maior ensinamento de todo esse processo?
O que esse processo me ensinou enquanto sujeito, mulher, negra, militante e pobre é que eu não posso parar. Ensinou que eu devo continuar.
Eu trabalho, de certa forma, com amor. Tenho fé na humanidade, nas pessoas. Do lado de cá tem amor, do lado deles não tem. Isso acaba impactando mais ainda.
Mesmo aqui, não perdi minha essência, não perdi o amor que eu tenho no coração. Não deixei de acreditar no ser humano. Não perdi minha alegria. Nunca. Podem me jogar em qualquer prisão, mas vou continuar.
Bruno Bimbi é jornalista e escritor argentino, doutor em estudos da linguagem (PUC-Rio) e autor dos livros “O fim do armário” e “Casamento igualitário” (ed. Garamond). Expressa (FSP, 06/09/19) uma pergunta-chave a ser respondida por muitos brasileiros: valeu a pena eleger o capitão despreparado para o cargo?!
Deve fazer mea culpa quem, no segundo turno das eleições presidenciais de 2018, esteve entre 57,8 milhões de eleitores iludidos. Isso representou 55,1% dos votos válidos e 39,2% do eleitorado total apto a votar, 147,3 milhões de pessoas.
“Desde janeiro, ninguém governa o Brasil. Enquanto Jair Bolsonaro (PSL) insulta e ameaça adversários e jornalistas, seus filhos se dedicam a outras coisas —zero um, a lavar dinheiro da milícia; zero dois, a difamar pessoas com fake news; e zero três, a explicar que ter fritado hambúrguer nos EUA o habilita a ser embaixador. Ninguém cuida dos assuntos públicos, que, em países normais, são prioridade. Não é um mau governo, nem mesmo um desgoverno, mas um antigoverno.
A função do ministro da Educação é destruí-la. Cortando bolsas de pós-graduação e pesquisa, asfixiando as universidades e incentivando a caça às bruxas contra o comunismo imaginário e a inexistente “ideologia de gênero” nas escolas, sua missão é deseducar. Enquanto isso, o presidente e seu guru terraplanista negam o conhecimento científico e reescrevem a história. Da mesma forma, o ministro do Meio Ambiente ataca ONGs ambientalistas, demite cientistas e técnicos concursados, flexibiliza normas e controles e incentiva a depredação ambiental.
Há, também, uma ministra da Família que odeia as famílias não aceitas por sua igreja, e um chanceler que é um mitômano, dedicado a dinamitar o Itamaraty e acabar com seu prestígio, ajudado pelo presidente, que insulta e ofende outros chefes de Estado.
E o que dizer da política cultural, que consiste em desmontar os programas de incentivo à cultura? A equipe de Bolsonaro é formada por pessoas que não passariam num concurso público, nem mesmo no psicotécnico de um emprego privado. Foram escolhidos por sua vocação insana para destruir as pastas que iriam chefiar. Nas agências de controle, técnicos foram substituídos por amigos.
Bolsonaro terceirizou a política econômica, como outros presidentes, e o ministério da Justiça, entregue ao juiz que encarcerou Lula. Foram concessões políticas, uma porque tranquilizava “os mercados”, e a outra porque agradava parte da classe média. Mas mesmo esses ministros, mais qualificados do que a corte de lunáticos, fanáticos e incapazes que se mudaram para Brasília, partilham da vocação por destruir, seja o estado de bem-estar social, no caso de Paulo Guedes, ou os direitos civis, no caso de Sergio Moro.
Há uma pulsão de morte que norteia as obsessões do presidente: liberação de armas e agrotóxicos, incentivo à depredação ambiental, incitação à prática de execuções policiais, discurso de ódio contra LGBTs num país que mata centenas de nós por ano, revogação de leis de trânsito que salvam vidas nas estradas etc.
Mas era previsível. Fui dez anos correspondente no Brasil e me surpreende que alguém tenha pensado que seria diferente. Bastava conhecer a trajetória de Bolsonaro no Parlamento e de seus filhos no submundo da política fluminense para prever tudo o que viria.
Valeu a pena essa distopia? Estão satisfeitos por terem derrotado a esquerda? O que virá quando Bolsonaro, encurralado pelo fracasso, ensaie uma via mais autoritária, clausurando de vez a democracia? Quanto custará, depois, reconstruí-la?
Uma câmera que acompanhou os bastidores do G7 ao lado do presidente da França, Emmanuel Macron, flagrou o chefe-de-estado tecendo duras críticas contra o presidente Jair Bolsonaro, acompanhado por outros líderes internacionais igualmente inconformados diante das atitudes do brasileiro.
Num programa que foi ao ar pela rede CNews no fim de semana, Macron conversa com o presidente do Chile, Sebastián Piñera, sobre o fato de Bolsonaro ter chancelado uma ofensa contra sua mulher, Brigitte Macron.
A cena ocorre durante o almoço do segundo dia das reuniões, depois de uma coletiva de imprensa em que o francês criticou publicamente o brasileiro e disse torcer para que, logo, os brasileiros tenham outro presidente.
Foi Piñera, um dos poucos aliados de Bolsonaro, quem mostrou estar inconformado com o que o brasileiro fez em relação à primeira-dama francesa.
“Foi incrível”, disse.
Macron, respondeu: “Claro, eu tinha de reagir. Você entende?”
“Sim, eu concordo”, disse o chileno.
Macron então continuou a conversa. “Eu queria ser pacifico. Queria ser correto, construtivo com o cara (Bolsonaro) e respeitar sua soberania. Tudo bem. Mas eu não poderia aceitar isso”, justificou.
“Não!”, exclamou a chanceler alemã Angela Merkel que se aproxima e confirma, com a cabeça, a condenação diante dos comentários de Bolsonaro. Quem também está na roda de conversas é Donald Tusk, presidente do Conselho da Europa. Macron não disfarça o mal-estar e insiste em atacar Bolsonaro.
“Você sabe que, quando meu ministro de Relações Exteriores foi la?”, perguntou a Piñera. “Ele (Bolsonaro) deveria o receber e cancelou no último minuto para ir cortar seu cabelo. E filmou a si mesmo. Desculpa. Mas isso não é a atitude de um presidente”, completou.
A crise entre Bolsonaro e Macron começou depois que o francês colocou o tema dos incêndios da Amazônia na agenda do G7 e sugeriu a internacionalização do assunto.
O vídeo, porém, revela o consenso que existiu entre os líderes internacionais ao desaprovar o ato do brasileiro. Bolsonaro, depois dos problemas envolvidos com sua atitude, apagou seus comentários nas redes sociais. E negou que tenha ofendido a primeira-dama.
Mas, há poucos dias, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a atacar, afirmando que a mulher de Macron “era feio mesmo”.
Se Schauble levou mais de 11 anos a chegar a esta brilhante conclusão, imaginem quantas vidas vai levar para reconhecer que o seu querido ordoliberalismo é uma doutrina falhada e perniciosa? É um caso óbvio de compreensão lenta, como daqueles que ainda pensam que os bancos emprestam o dinheiro (poupanças) dos depósitos".
Organizadas pela União Nacional dos Estudantes (UNE), pela União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) e pela Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), entidades sindicais promovem neste sábado, feriado de 7 de setembro, um Dia de Luto em todo o país. Convocando os estudantes a sair de preto em protestos contra os desmontes na Educação e em defesa da Amazônia, a mobilização acontece em todas as capitais do país.
Em Natal (RN), a manifestação acontece na praia do Meio, a partir das 8h, em frente a praça dos Pescadores. O grupo Três Ponto Norte e Pedro Mendes participam do ato cultural.
Após o corte de 34% na verba para combates de incêndios em 2020 e a falta de verbas para o orçamento ainda em 2019 para manter as bolsas de pesquisa da Capes e do CNPq, estudantes se mobilizaram nacionalmente em resposta à agenda de ataques ao país e à autonomia universitária promovida pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), que na semana passada pediu para a população vestir verde e amarelo no 7 de Setembro para mostrar que a “Amazônia é nossa”.
Inspirados na geração “Cara Pintada” da década de 90 – movimento responsável pelo “Fora Collor”, que impulsionou a derrubada do então presidente – os estudantes responderam convocando os jovens para que usem preto.
Segundo a coordenadora-geral do Diretório Central dos Estudantes da UFRN Brisa Bacchi, o local da manifestação em Natal foi escolhido para melhorar o acesso aos manifestantes, considerando que algumas rotas de ônibus e regiões da cidade serão interditadas por causa dos desfiles cívicos do 7 de setembro, marcado para ser realizado na Praça Pedro Velho (Praça Cívica), em Petrópolis.
“O ato vai ter um formato político, com falas, batucadas, mas também teremos atrações culturais convidadas. A escolha se deu porque grande parte da população que não vai para o ato, frequenta a praia no final de semana, ainda mais em feriado. Muita gente que vai para os desfiles do 7 de setembro depois desce para Praia do Meio”, explica a coordenadora-geral do DCE e também integrante da Marcha Mundial das Mulheres.
O Grupo Três Ponto Norte, com apresentações de rap, e Pedro Mendes, de música popular brasileira, fazem parte da programação cultural organizada pelos estudantes para esse feriado.
Confira a programação em outras cidades:
IMAGEM: Reprodução/União Nacional dos Estudantes
Desfiles terão 1.500 militares
Realizado pela Força Aérea Brasileira (FAB), o desfile de 7 de setembro, programação anual em comemoração ao Dia da Independência, deverá ter início às 7h30 na Praça Pedro Velho, conhecida como Praça Cívica, no bairro de Petrópolis, zona Leste de Natal.
O desfile militar contará com cerca de 1.500 militares das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica) além dos Auxiliares (Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar, Guarda Municipal e STTU). O desfile motorizado deve contar com cerca de 190 veículos. A cerimônia deve se encerrar por volta do meio-dia.
Informações estratégicas para o país e dados sigilosos de milhões de brasileiros e brasileiras passarão para as mãos da iniciativa privada se o governo Jair Bolsonaro (PSL) levar adiante a proposta de desestatização do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) – empresa pública de tecnologia formada por quatro mil sistemas de informação, incluindo Cadastro de Pessoas Físicas (CPFs), Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJs), operações de comércio exterior, cadastro de veículos e declarações de imposto de renda, entre outros.
“Nós somos uma empresa de grandes demandas, que usa um banco de dados de tamanho imensurável. O Serpro faz um investimento alto na segurança de dados. A iniciativa privada não vai fazer o investimento que a Serpro faz. A diferença fundamental é que TI [Tecnologia da Informação] pública tem a visão social, e a privada é com foco no capital, no lucro”, avalia Telma Dantas, trabalhadora da Serpro e diretora de políticas sindicais da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Processamentos de Dados (Fenadados).
A empresa tem 11 escritórios em várias regiões do país, com cerca de 10 mil funcionários e mais de 50 anos de experiência no setor.
Histórico
A primeira investida no sentido de privatização do Serpro, segundo a Fenadados, aconteceu no governo Michel Temer (MDB), que alterou o estatuto da empresa para ampliar a terceirização de serviços e áreas de atuação.
Em linhas gerais, o projeto de entrega do patrimônio público anunciado por Bolsonaro encontra paralelo nas diretrizes do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), nos anos 1990, embora a tentativa de desmonte tenha ocorrido em outros setores.
“A privatização da década de 90 tem uma característica diferente desta privatização. Lá foram privatizados os serviços e siderúrgicas, de uma forma geral. O pacote do governo agora quer privatizar a Casa da Moeda; a Serpro, que arrecada; a Dataprev, que tem o poder em relação aos pagamentos da Previdência Social… Se o governo fragiliza uma base de dados dessas, ele pode descontinuar os serviços”, alerta Dantas.
Vera Guasso, diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados do Rio Grande do Sul (Sindppd-RS), lembra que o Serpro presta serviços para a iniciativa privada, especialmente empresas de seguro.
“A iniciativa privada se utiliza das informações do Serpro. A empresa, desde 2017, vem tendo uma alta lucratividade por conta disso”, ressalta.
Por trás do projeto de privatização, estaria o interesse de empresas estrangeiras de tecnologia em assumir o controle de uma estatal estratégica e bem estruturada, segundo o analista de sistemas da Serpro Flavio Acerga.
“Não é de hoje que gigantes da tecnologia da informação como Google, IBM e Microsoft estão de olho nas operações e dados do Serpro e da Dataprev”, afirma.
A Serpro tem no seu banco de dados informações de Imposto de Renda de mais de 38 milhões de contribuintes, além de informações bancárias de milhares de empresas. Os dados bancários dos 33 milhões de aposentados e pensionistas do INSS estão na DataPrev, assim como as informações das empresas que descontam as contribuições previdenciárias.
Procurada pela reportagem, a estatal informou que não quer se manifestar sobre a possibilidade de privatização, alegando se tratar de assunto de competência do Ministério da Economia.
Sobre os serviços que presta à iniciativa privada, o Serpro informou ter entre seus clientes a Uber e a 99, aplicativos de transporte, e a Havan, rede de lojas de departamentos.