
[SPOILERS] Matthew Hodgson, autor de alguns dos piores episódios de “Glee”, volta a assinar novo argumento e, com ele, novo desastre.
A melhor palavra para descrever este “Shooting Star” seria confuso. Foi confuso na apresentação das histórias, foi confuso na mensagem que quis passar: devemos aproveitar as oportunidades como se fossem a última. Até aqui tudo bem: Brittany (Heather Morris) acredita que um cometa se dirige contra a Terra e decide aproveitar o tempo que lhe resta para resolver a sua relação com Lord Tubbington. Ironia do destino, Brittany estava errada, mas um tiroteio em McKinley esperava-os para tratar do assunto. Aproveitem as oportunidades como se fossem a última.
Não gostei desta história do tiroteio. Nem um pouco. Primeiro, não me parece a melhor coisa a incorporar numa suposta comédia musical. Depois, não serviu para nada. As cenas na sala do coro e na casa-de-banho foram terrivelmente angustiantes. Mesmo. Senti a tensão, o medo. Mas para quê? Para Kitty (Becca Tobin) confessar a sua responsabilidade na bulimia de Marley (Melissa Benoist)? Na vida real, tiroteios e outras tragédias acontecem inesperadamente, é verdade, mas numa obra de ficção espera-se que haja algum propósito, nem que seja, como em “Elephant”, para nos darmos conta daquelas vidas abruptamente interrompidas. No entanto, aqui, o propósito foi apenas um: empurrar Sue (Jane Lynch) para fora da série, o que torna tudo insuportavelmente sádico e macabro. Havia melhores maneiras, menos cruas (e a série é perita em arranjar situações para fazer as personagens mudarem de ideias), de relembrar o amor que une Brittany e Sam (Chord Overstreet) ou de provocar a confissão de Kitty. Os testemunhos para a câmara só aumentaram o grotesco da situação, com a maior parte dos miúdos a dizerem coisas que, do ponto de vista da narrativa, não tiveram qualquer significado. Das muitas situações que “Glee” poderia ter escolhido para passar a mensagem, escolheu o tiroteio escolar – drama gratuito, sem qualquer suporte narrativo coerente. Uma escolha muito pobre.
Depois de uma parte central tão intensa, o desanuviamento foi fraco, mais uma vez revelando a inutilidade de um tiroteio, já que as resoluções não tinham situações críticas a antecedê-las. O abraço de Kitty e Marley ao fundo, a cena entre Tina (Jenna Ushkowitz) e Blaine (Darren Criss), tudo teve um leve sabor a aleatório. A revelação da autora dos disparos foi um dos melhores momentos, ainda que, de repente, Becky (Lauren Potter), normalmente usada para comic relief, tenha surgido revestida de uma importância desmedida.
Também a declaração de Beiste (Dot Marie Jones) foi inesperada e talvez despropositada porque, mais uma vez, foi pegar numa personagem secundária desaparecida e dotá-la de uma grande relevância e de sentimentos desconhecidos. A história de Ryder (Blake Jenner) e Katie (Ginny Gardner) foi mesmo a melhor trabalhada ao longo do episódio, possivelmente pelo seu drama mais “inofensivo” mas não menos real e por conseguir viver independente da calamidade que foram o tiroteio e as últimas oportunidades.
Melhor que confuso, ridículo seria a palavra apropriada para adjectivar este episódio. Depois lembro-me dos miúdos a chorar e da sua inutilidade e fico-me pelo perverso.
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“Your Song” – Elton John – Ryder
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“More Than Words” – Extreme – Sam, Brittany e New Directions
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“Say” – John Mayer – New Directions
O Melhor: O discurso final de Sue sobre memória e posteridade.
O Pior: Praticamente tudo.
Nota: 3.8 (Mau)