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PF identifica um dos autores de ameaças de morte a Joaquim Barbosa: um integrante da Comissão de Ética do PT
Por Robson Bonin, na edição impressa da VEJA desta semana:
Desde que o julgamento do mensalão foi concluído, em novembro do ano passado, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, tornou-se alvo de uma série de constrangimentos orquestrados por seguidores dos petistas condenados por envolvimento no maior escândalo de corrupção da história. A chamada “militância virtual” do PT, treinada pela falconaria do partido para perseguir e difamar desafetos políticos do petismo na internet, caçou Barbosa de forma implacável. O presidente do Supremo sofreu toda sorte de canalhice virtual e foi até perseguido e hostilizado por patetas fantasiados de revolucionários nas ruas de Brasília. Os ataques anônimos da patrulha virtual petista, porém, não chegavam a preocupar Barbosa até que atingiram um nível inaceitável. Da hostilidade recorrente, o jogo sujo evoluiu para uma onda de atos criminosos, incluindo ameaças de morte e virulentos ataques racistas.
Os mais graves surgiram quando Joaquim Barbosa decretou a prisão dos mensaleiros José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino. Disparadas por perfis apócrifos de simpatizantes petistas, as mensagens foram encaminhadas ao Supremo. Em uma delas, um sujeito que usava a foto de José Dirceu em seu perfil no Facebook escreve que o ministro “morreria de câncer ou com um tiro na cabeça” e que seus algozes seriam “seus senhores do novo engenho, seu capitão do mato”. Por fim, chama Joaquim de “traidor” e vocifera: “Tirem as patas dos nossos heróis!”. Em uma segunda mensagem, de dezembro de 2013, o recado foi ainda mais ameaçador: “Contra Joaquim Barbosa toda violência é permitida, porque não se trata de um ser humano, mas de um monstro e de uma aberração moral das mais pavorosas (…). Joaquim Barbosa deve ser morto”. Temendo pela integridade do presidente da mais alta corte do país, a direção do STF acionou a Polícia Federal para que apurasse a origem das ameaças. Dividida em dois inquéritos, a averiguação está em curso na polícia, mas os resultados já colhidos pelos investigadores começam a revelar o que parecia evidente.
Para ler a continuação dessa reportagem compre a edição desta semana de VEJA no IBA, no tablet, no iPhone ou nas bancas.
Em meio a escândalos, Petrobras anuncia lucro 30% menor no 1º trimestre
Por Talita Fernandes, na VEJA.com. Volto ao tema mais tarde.
A Petrobras anunciou nesta sexta-feira um lucro de 5,393 bilhões de reais no primeiro trimestre, queda de 30% em relação aos 7,69 bilhões de reais de igual período de 2013. O anúncio acontece em meio a uma série de escândalos nos quais a estatal está envolvida. No Congresso, oposição e governo discutem a formação de duas CPIs que vão apurar casos como pagamento de propina, corrupção e problemas em projetos da petroleira, como a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (que provocou um prejuízo de mais de 1 bilhão de dólares para a estatal), e a construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Ex-diretores da petroleira também estão sendo investigados por meio da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, que investiga lavagem de dinheiro. Na comparação com o último trimestre do ano passado, o lucro da estatal encolheu 14% – a empresa registrou 6,281 bilhões de reais de outubro a dezembro de 2013.
O dado veio dentro do intervalo das expectativas do mercado, que variava entre lucro de 3,8 bilhões de reais a 7,1 bilhões de reais. O número foi influenciado negativamente pelo Programa de Demissão Voluntária (PDV). Em nota divulgada no início da semana, a Petrobras disse que o resultado dos primeiros três meses deste ano teria um impacto negativo de 1,6 bilhão de reais, provocado pelas demissões. Contudo, a estatal espera que o programa gere uma economia de pelo menos 13 bilhões de reais entre 2014 e 2018. Também nesta semana a empresa revelou que o número de empregados inscritos no programa de demissão voluntária atingiu 8.298, o equivalente a 12,4% de seu efetivo total. A previsão é de que 55% dos desligamentos ocorram ainda em 2014.
Além do efeito causado pelo PDV, o lucro da estatal continua sendo limitado pelos recorrentes prejuízos apurados pela área de Abastecimento da Petrobras em função da necessidade de importação de petróleo e derivados. Responsável pela atividade de importação de combustíveis e posterior revenda no mercado doméstico a preços inferiores aos praticados no exterior, o segmento acumulou prejuízo de 4,808 bilhões de reais entre janeiro e março de 2014, aumento de 13% em relação ao resultado negativo do primeiro trimestre de 2013. A importação de petróleo e derivados, responsável por forte impacto nas contas da estatal, manteve-se elevada, em 783 mil barris por dia (bpd) no primeiro trimestre, ante 780 mil bpd no trimestre anterior e 860 mil bpd um ano antes.
Combustíveis
No âmbito positivo, o reajuste dos combustíveis, válido desde 1º de dezembro do ano passado, contribuiu para elevar a receita de vendas da estatal em 1% em relação ao último trimestre de 2013, para 81,545 bilhões de reais. No final de 2013, o governo, controlador da Petrobras, autorizou um aumento de 4% na gasolina e de 8% para o óleo diesel. Apesar do aumento, o mercado calcula uma defasagem média de 10% em relação ao mercado externo para a gasolina e de 16% para o óleo diesel. O resultado da Petrobras só não foi menor porque o câmbio tem favorecido a estatal. Depois de o dólar ter alcançado 2,45 reais no ano passado, a moeda estrangeira recuou frente ao real e tem se mantido entre 2,20 e 2,30 reais nos primeiros meses deste ano.
Pasadena
No balanço, a estatal divulgou dados sobre a produção da refinaria de Pasadena, pivô da CPI e da série de investigações que surgiram sobre a estatal. “Quanto ao desempenho do nosso parque de refino no exterior, a carga total processada foi de 165 mil bpd, 6% menor que o realizado no trimestre anterior (175 mil bpd) devido à parada programada da refinaria de Okinawa ocorrida em fevereiro. A refinaria de Pasadena continua processando acima de 100 mil bpd em função da disponibilidade de petróleo não convencional (tight oil) a preços competitivos, associado à eliminação de gargalos operacionais em suas instalações. Por fim, o custo unitário de refino no exterior reduziu 18% do 4T13 para 1T14.”
Endividamento
A alavancagem líquida da Petrobras, medida pela relação entre endividamento líquido e patrimônio líquido, fechou o primeiro trimestre de 2014 em 39%, estável em relação ao final do ano passado, mas novamente acima do patamar de 35% desejado pela estatal. O balanço mostra que o nível de endividamento da companhia não para de crescer. A dívida bruta da companhia encerrou o mês de março em 308,1 bilhões de reais, superando o patamar inédito de 300 bilhões de reais. Apenas durante o trimestre, a dívida da companhia cresceu 40,3 bilhões de reais, principalmente em função de duas captações externas que somaram mais de 13 bilhões de dólares.
O volume de recursos da estatal, incluindo montante em caixa e títulos públicos federais, também cresceu, basicamente devido às captações externas. O montante saltou de 46,257 bilhões de reais em dezembro passado para 78,478 bilhões de reais ao final de março deste ano.
Investimentos
Os investimentos da Petrobras somaram R$ 20,584 bilhões entre janeiro e março deste ano, montante 4,1% superior ao registrado no mesmo período de 2013. A maior parte dos investimentos foi direcionada à área de Exploração e Produção (E&P), com o equivalente a R$ 13,243 bilhões (64% do total). Na sequência aparecem as áreas de Abastecimento, com aporte de R$ 4,985 bilhões (24% do total) no período, e de Gás e Energia, com R$ 1,147 bilhão (6% do total).
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É impossível haver Legislativo bom com um estado gigante e tentacular
A boa notícia para o Congresso e, em certa medida, para o Brasil é que os que reprovavam o trabalho do Legislativo em agosto de 2013 eram 42% e, agora, são “apenas” 34%. É claro que não é um número bom e que muita gente por lá dá mau exemplo. Mas não sei se pode ser muito diferente.
Tendo a achar que a ação dos políticos é mal avaliada em todos as democracias do mundo — ainda que as sem-vergonhices em solo nativo possam ser maiores do que as de outros lugares. Especialmente nestes tempos de redes sociais, com todo mundo devidamente armado de seu “meio particular de comunicação”, as chances de expressão de descontentamentos são gigantescas.
Esse é o espírito do tempo. Mas há mais do que isso. Dado o tamanho do estado brasileiro; dado o tamanho do Executivo brasileiro; dados os superpoderes de que dispõe o governo brasileiro, é impossível o Congresso ter uma avaliação muito diferente dessa aí.
Não que o Poder seja apenas vítima. Há, sim, muitos larápios por lá, mas os há em toda parte. O problema é que o Legislativo no Brasil existe para ficar de pires na mão. As relações de troca fazem parte da própria natureza do processo. Quem nomeia os cargos da “estatal X”? O deputado ou senador “Y”. Quem indica a cúpula do “Ministério Tal”? O parlamentar “qual”. E assim por diante. O mesmo se dá com a distribuição de verbas do Orçamento.
Atenção! Não existe Legislativo eficiente com um estado desse tamanho! Ele será sempre um Poder subordinado, a manter com o Executivo uma relação corrompida, ainda que possa não ser, em muitos casos, corrupta. A avaliação do Congresso é sempre ruim, mesmo quando a do presidente da República está nos píncaros da glória. E, no entanto, convenham: o Parlamento que mais envergonha o povo é justamente aquele que vive de joelhos, certo? Aliás, não me parece acidental que a avaliação tenha melhorado um pouco justamente quando o prestígio da presidente não anda lá essas coisas…
Greves ameaçam parar o Rio no mês da Copa do Mundo
Por Pâmela Oliveira, na VEJA.com:
A quinta-feira sem ônibus no Rio de Janeiro foi um exemplo, em escala reduzida, do que um grupo planeja para o mês da Copa do Mundo na cidade. O período que antecede a competição, com grande visibilidade internacional, estimula diversas categorias a concentrar para maio e junho suas reivindicações, com ameaças de greve. Estão no grupo uma parte dos rodoviários, professores das redes municipal e estadual, policiais civis e militares e vigilantes. Diante da possibilidade de causar algum transtorno, páginas dos grupos Black Bloc e Anonymous no Facebook estimulam todo e qualquer protesto.
A adesão de manifestantes de plantão, mascarados e outros grupos radicais já tem um grito de guerra. O “não vai ter copa” foi substituído, nas trocas de mensagens em redes sociais, pelo “não vai ter paz na Copa”. A tática dos manifestantes é apoiar e intensificar qualquer movimento que possa inflar os protestos contra a realização da competição e os governos municipal, estadual e federal. As greves também são a forma de retomar a mobilização, esvaziada desde a morte do cinegrafista Santiago Andrade, que resultou na prisão de dois manifestantes.
Nesta sexta-feira, os vigilantes têm protesto marcado às 15h, na Candelária. Uma hora antes, grevistas da categoria vão caminhar da Candelária até o Maracanã. Professores das redes municipal e estadual anunciaram uma paralisação a partir desta segunda-feira. Policiais Civis estão dispostos a cruzar os braços e o governo não aprovar a incorporação de uma gratificação de 850 reais aos salários, no dia 15. Na lista dos que podem entrar em greve às vésperas do Mundial ainda estão as polícias Civil e Federal.
O resultado da paralisação dos ônibus na quinta-feira deixa claro que o objetivo de uma parte dos manifestantes não é só reivindicar. Piquetes para impedir a saída de veículos resultaram em 467 veículos depredados. Nas redes sociais, grupos contrários à realização da Copa no país comemoraram e listaram outras categorias que estão em greve, como os vigilantes, parados desde 24 de abril. “A luta do povo está roubando a cena. Viva”, dizia uma publicação do grupo Anonymous no Facebook.
Professores
A nova greve dos professores, após nove meses da última paralisação da categoria, pode ser um problema não só pela interrupção das aulas de milhares de alunos. A greve aumenta o risco de protestos violentos, como os que transformaram as ruas do Centro do Rio em praças de guerra no ano passado. A preocupação não está nas manifestações dos profissionais da educação, mas na adesão dos Black Blocs, que em outubro receberam o “apoio incondicional” do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe).
Números do Datafolha, acreditem, acenam com uma possível derrota de Dilma
É claro que é muito cedo! É claro que a campanha ainda não começou. É claro que a gente não viu quase nada em matéria de jogo bruto. Falo, no entanto, dos números de agora e de uma tendência esboçada. Sim, leitores: o PT, que nunca contou com isto, está sendo assombrado por um vulto estranho: o fantasma da derrota. Vamos ver.
No dia 29 de abril, escrevi aqui, a propósito de outra pesquisa, que os números evoluíam contra a possibilidade de Dilma Rousseff, do PT, vencer a eleição presidencial no primeiro turno, feito que nem Lula nem ela própria lograram em 2002, 2006 e 2010, em circunstâncias muito mais favoráveis ao PT. E, agora, conhecidos os dados da mais recente pesquisa Datafolha, o que há um ano seria considerado mera torcida se mostra uma possibilidade plausível — e, mais um pouco, vira uma tendência: Dilma perder a disputa. Se a eleição fosse hoje, segundo o Datafolha, no cenário mais provável, a petista teria 37% dos votos. Seus adversários, somados, teriam 38%, a saber:
Aécio Neves (PSDB): 20%
Eduardo Campos (PSB): 11%
Pastor Everado (PSC): 3%
Outros nomes: 4%
Em relação ao levantamento de abril, Dilma oscilou um ponto para baixo; Campos, dois para cima, e Aécio cresceu quatro. Mas o que chama mais a atenção nessa pesquisa é o resultado do segundo turno: em abril, a petista vencia o tucano por 50% a 31%, com 19 pontos de diferença; agora, ganharia por 47% a 36% — a diferença caiu oito pontos em um mês. Numa lógica puramente aritmética, numa disputa entre dois, uma distância de 11 pontos, como essa vale, na verdade, 5,5. Campos também chegou mais perto de Dilma: no mês passado, ela o venceria por 51% a 27%; hoje, por 49% a 32%. Os 24 pontos que os separavam são agora 17.
A presidente é também a candidata mais rejeitada: 35% não votariam nela de jeito nenhum — 33% asseguram o mesmo sobre Campos, e 31% sobre Aécio. Estão na mesma faixa, mas os números são bem piores para ela. Por quê? Afirmam conhecer muito bem a petista 52% dos entrevistados — mas só 17% dizem o mesmo sobre Aécio, e 7% sobre Campos. “Conhecem um pouco” a presidente 34% dos entrevistados — 25% e 18% quando indagados sobre o tucano e o peessebista, respectivamente. Apenas ouviram falar de Dilma 13%, número que engorda bastante em relação ao senador mineiro (36%) e ao ex-governador de Pernambuco (35%). Agora atenção para isto: apenas 1% dos entrevistados não sabem quem é Dilma, mas 22% nunca ouviram falar de Aécio e 40% não têm ideia de quem é Campos. Esses índices confirmam o que já escrevi aqui: muita gente rejeita Aécio e Campos porque não sabe quem são eles; muita gente rejeita Dilma Rousseff porque sabe quem é ela.
Não adiantou
Atenção! O levantamento do Datafolha foi feito ontem e anteontem, um período, convenham, favorável a Dilma. Ela ocupou no dia 30 a rede nacional de radio e televisão para anunciar bondades — aumento no Bolsa Família e revisão da tabela do IR — e demonizar a oposição. No fim de semana, foi estrela do noticiário porque, no seu encontro nacional, o PT procurou sepultar o “volta Lula” e bateu o martelo: a candidata do PT é mesmo ela. Saiu por aí a inaugurar obras. O resultado certamente está longe do esperado.
O “volta Lula”
A turma do “volta Lula” vai se assanhar de novo. Quando ele aparece como candidato do PT, obtém 49% das intenções de voto, contra 17% de Aécio e 9% de Campos. Os demais candidatos somam 6 pontos, e o ex-presidente venceria no primeiro turno. Sua rejeição também é a menor: 19%. O Datafolha quis saber ainda quem pode fazer as mudanças necessárias no país: Lula lidera, com 38%; em segundo lugar, está Aécio, com 19%; Dilma aparece em terceiro, com 15%, seguida por Campos, com 10%. Mas voltamos, nesse ponto, à questão do conhecimento. Cem por cento dos eleitores sabem quem é Lula. Muito menos gente conhece o tucano e o peessebista.
Os números e as circunstâncias são, convenham, péssimos para Dilma. No plano delirante do petismo, a esta altura, o Brasil estaria abraçado ao PT, numa catarse apoteótica, e a Copa do Mundo seria o grande momento da consagração. Agora, a presidente põe a mão na cabeça: “Santo Deus! E ainda há a Copa do Mundo!”. Aquela mesma em cuja abertura ela não vai discursar. Ou o Itaquerão explodirá numa vaia como nunca antes na história “destepaiz”…
Dirceu e Agnelo Queiroz debocham da Justiça: filha de mensaleiro fura fila de visita em carro oficial, com placa fria, cedido pelo governo do DF

Carro com placa fria do governo Agnelo conduz a filha de Dirceu: furando a fila e a lei (Sérgio Lima/Folhapress)
É impressionante. Escrevi ontem aqui que os petistas se consideram aristocratas até quando estão em cana, certo? Pois é… Reportagem de Matheus Leitão e Sérgio Lima, da Folha, informa que Joana Saragoça, filha de José Dirceu, furou anteontem a fila de visitas da Papuda. E não o fez de qualquer maneira, não! Ela teve acesso ao presídio num carro do governo do Distrito Federal, com placa fria, que é empregado em operações sigilosas. Ao volante, Wilson Borges, um servidor da Subsecretaria do Sistema Prisional (Sesipe).
É um escárnio. É um deboche. Os companheiros são favoráveis à igualdade desde que eles possam ser, claro!, desiguais. Os familiares dos demais presos passam até duas horas na fila.
Se o evento, em si, já apela ao universo surrealista das repúblicas bananeiras, a desculpa arranjada pelo governo do DF é de corar as catedrais. Inicialmente, disse ignorar o privilégio. Depois, afirmou que Joana ajudava em uma “investigação interna” (PASMEM!) porque havia a informação de que José Dirceu pudesse entrar em greve de fome por não ter obtido, até agora, a licença para trabalhar fora do presídio. Segundo o governo do DF, se isso acontecesse, poderia haver um prejuízo ao sistema penitenciário. Que prejuízo? Não está claro! Alguém aí imagina a Papuda rebelada por causa de uma greve de fome de Dirceu?
Entenderam? A ilegalidade só teria sido cometida em nome do bem coletivo! Que gente batuta! Vou lembrar de novo o Artigo 37 da Lei de Execução Penal:
Art. 37. A prestação de trabalho externo, a ser autorizada pela direção do estabelecimento, dependerá de aptidão, disciplina e responsabilidade, além do cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena.
Para que o preso ganhe a licença para trabalhar fora, que não é automática, é preciso ter disciplina e responsabilidade. Vocês acham que José Dirceu se enquadra nos pré-requisitos?
Minha coluna na Folha desta sexta: “Fabiane e a maçã envenenada”
Leiam trechos da minha coluna da Folha:
*
Fabiane Maria de Jesus, a mulher que foi espancada até a morte no bairro de Morrinhos, no Guarujá, começou a ser agredida porque, ao oferecer uma banana a uma criança, foi confundida com um fantasma criado pela irresponsabilidade de uma página na internet. Tomaram-na por uma sequestradora de crianças, que usaria os infantes em rituais de magia negra.
Trata-se de uma história infantil de desfecho trágico. Lá estava a bruxa da hora oferecendo uma maçã envenenada –no caso, a banana– a um inocente. O mal se apresentava nas vestes do bem, a fazer uma doação para conspurcar a pureza. À diferença da narrativa original, esta não teve um desfecho feliz. A bruxa era só uma dona de casa que tinha ido buscar a Bíblia, que esquecera na igreja. A fruta que ela oferecia era mesmo uma doação. Dava pão a quem tinha fome, a primeira virtude. Seus algozes mancharam as mãos de sangue e, no entanto, até onde se sabe, não tinham um histórico de crimes.
(…)
Que país o nosso, não é!? Notaram como temos Estado demais em petróleo e de menos em segurança pública? Notaram como temos Estado demais em energia elétrica e de menos em educação? Notaram como temos Estado demais no setor bancário e de menos em saneamento e urbanismo? Esse Estado é gigantesco e tentacular, mas está onde não deve e não está, não de modo eficiente ao menos, onde deve. Para os que lincharam Fabiane, ela era uma criminosa, e se cultiva a certeza por lá e em toda parte de que os criminosos, neste país (como diria aquele), permanecem impunes –o que é verdade com uma frequência assombrosa. Há mais de 50 mil homicídios por ano no Brasil.
Os assassinos improvisados de Fabiane carregam nas costas um Estado que não conhecem e conhecem um Estado que não existe para eles. Organizam, então, tribunais populares, nos quais, como prova a história, a inocência é sempre a primeira vítima. Têm, sim, de pagar caro por seu ato bárbaro. Mas também vão expiar a culpa de um modelo de que são vítimas.
(…)
Leiam a íntegra da coluna aqui
The Hebrew Republic
Scholars have long recognized that the Bible supplied what Mark Noll has called the “common coinage of the realm” in early America. Eran Shalev of Haifa University thinks that historians have not gone far enough. They have failed to grasp just how, and how deeply, the Bible formed the American imagination. Shalev argues in American Zion that early America was not simply a biblical republic. It was, quite self-consciously, a Hebrew republic.
American history was seen as a repetition of Israel’s exodus from Egypt. Oppressed by a series of cruel English Pharaohs, the people of God crossed the waters to discover a land flowing with milk and honey. (That the land was populated by “Canaanites” who might need to be exterminated was a tragic implication of the story.)
During the Revolution, writers and preachers turned to the historical books of the Hebrew Bible to fill out ancient Roman analyses of political corruption. George III was Rehoboam, Solomon’s son whose high taxes divided Israel, or Ahab, who seized the vineyard of innocent Naboth. The charges against King George were sometimes moderated by reference to the book of Esther: The hapless king was manipulated by Haman-like advisors who turned him against the children of the land of the Virgin. Patriots were Mordecais or Maccabees, while loyalists were “sons of Meroz,” a Hebrew town cursed because its inhabitants refused to follow Deborah and Barak into battle. Colonial writers saw links with Roman history: Washington was Cincinnatus. But Washington was also Gideon, the judge who delivered Israel and very deliberately refused an offer of kingship.
The habit of looking to Moses for models of constitutional order didn’t end with New England Puritans like John Cotton, but persisted well into the nineteenth century. For most, the parallels were structural. America, like Mosaic Israel, was a government of settled laws, not arbitrary men. As Israel was a federation of semi-independent units, so were the “United Tribes of America.” An economy that rested on the sturdy backs of Jeffersonian yeomen synced with the Hebraic system of land tenure. Others found more precise similarities. Jacob had twelve sons, but Joseph’s inheritance was divided among his sons, Manasseh and Ephraim. It couldn’t be accidental that America, like Israel, had thirteen tribes.
One of the fascinating sections of Shalev’s book is his exhumation of “pseudo-biblical” histories, a genre invented in Britain but easily transposed to the colonies. “Chapter 37th,” a history of the Revolution published in 1782, began with the sonorous, “And it came to pass in the reign of George the king, who ruled over Albion, and whose empire extended to the uttermost parts of the earth.” In Richard Snowden’s The American Revolution; Written in the Style of Ancient History, Congress became the “great Sanhedrin,” Lord North’s counsel was similar to that of Ahitophel, and the British descended on America “like the locusts of Egypt” devouring “every goodly thing.” These writers wanted “to make the Bible relevant to America,” Shalev says, but also to “biblicize America.” When Shalev places the Book of Mormon in this tradition, it comes off looking as American as Poor Richard’s Almanac.
By the 1820s and 1830s, a shift was underway, not away from the Bible but within the Christian canon. Jesus and the New Testament worked their way into the minds of new Israelites. When Washington died, only 7 percent of the texts used in eulogies came from the New Testament; when Lincoln was assassinated, that number was 24 percent. Still a Hebrew republic, America was becoming Jesus-centered.
The shift to the New Testament was partly due to the fervor of the Second Great Awakening. Debates about slavery are complexly implicated in the process. Abolitionists liked to cite Jesus’s sermon in Nazareth (“proclaim liberty to captives”), and Southerners defended slavery from the Old Testament. But Theodore Weld’s The Bible Against Slavery showed that ancient Israelites knew nothing of chattel slavery, and pro-slavery writers pointed out that Paul sent Onesimus back to his master Philemon. African-American hymns and writings turned the old Puritan narrative upside down. America had become Egypt, white rulers Pharaohs, slaves the oppressed Israelites who would be liberated by bloody plagues sent from heaven.
I heard of E. C. Wines’s Commentaries on the Laws of the Ancient Hebrews (1855) long ago from R. J. Rushdoony, a great connoisseur of forgotten books. It has been in print for years, and portions are available online. Pseudo-biblical history is hard to find, but Peter Marshall and David Manuel have collaborated on a providential history of early America. The Hebraic tradition is alive and well, now standard fare for Christian homeschoolers.
In the light of Shalev’s history, it’s ironic that those most attuned to the Hebraic sources of the American system are often considered a threat to that system. A Puritan might put it this way: Israel suffers in exile, with Mordecais now treated as Hamans.
Peter J. Leithart is president of Trinity House. He is the author most recently of Gratitude: An Intellectual History. His previous articles can be found here.
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A Crash Course in Q
Let’s keep Christianity weird.” So said the Southern Baptists’ official face to the nation, Russell Moore, as he closed an address on “prophetic minorities” before a thousand pastors, artists, social entrepreneurs, and assorted others at latest edition of Q. “What is Q?” you might ask like a local woman did to me as I snapped a picture of the ten-foot-tall reclaimed wood logo that stood outside a historic hall in the shadow of the Tennessee capitol building. Telling her dryly that it was a gathering of hipster Christians only seemed to add to her confusion. (I overheard someone else try to explain it as a bit like TED for evangelicals, which apparently left his native inquisitor as perplexed as mine.) Even the basics can be cloudyevery participant I asked assumed the “Q” stood for “question” but no one really knew for sure, and Q’s website holds no direct answer.
Q seems enigmatic by design. Where else in the evangelical world can you start the day worshiping to beautiful guitar- and cello-led versions of “Be Thou My Vision” or “Come Thou Fount of Every Blessing” and end it with an after-party where the hard liquor is flowing freely? The topics are purposely eclectic, as are many of the participants. Fedora topped females who host Hollywood salons hobnob with tattooed urban church planters and discuss presentations that range from manners to masculinity to marionettes.
Here’s what we do know. Gabe Lyons, a graduate of Jerry Falwell’s Liberty University, founded Q Ideas in 2007 after cutting his teeth on the Catalyst conference. That same year, the book unChristian: What a New Generation Really Thinks About Christianity and Why It Matters, coauthored by Lyons, was released based on Barna Group polling that his fledgling organization funded. It sold well, and the Q conferences have successfully hopped between cultural hubs where initials alone suffice (D.C., N.Y.C., L.A.) and on-the-rise “it” cities like Austin, Portland, and now Nashville.
The tall, telegenic, thirty-something Lyons usually plays ringmaster in tight pants“skinny jeans” are so ubiquitous at Q that they run the risk of being unhipwith his trademark blond hair falling down to his eyes in sheep dog fashion. “We’re trying to stir you up,” Lyons tells a crowd which receives no detailed schedule prior to arriving, “The talk you need to hear most is probably not the one you think.”
Yet, eclecticism meets modern efficiency and today’s short attention spans. The consistently well credentialed and talented speakers such as Christianity Today’s Andy Crouch, neuroscientist Caroline Leaf, Sports Illustrated writer Thomas Lakeand in years past, the likes of David Brooks and Os Guinnessare reigned in by a large clock visible to all that counts down their eighteen, nine, or three minute presentations. The intellectual food is often quite tasty, but variety trumps depth: Q is a tapas bar, not a steakhouse.
This annual conference has emerged as a favorite watering hole for youngish evangelicals dealing with mixed emotions about the culture wars fought by their theological parents and the parallel subculture in which they were raised. These are folks who do not necessarily want to abandon orthodox Christianity but are driven by the gut feel that orthodoxy itself has a menu that includes more than just Bill Bright’s “Four Spiritual Laws” and the Religious Right’s politics. They aren’t fighting to hold on to the vestiges of a “Christian America” but instead are looking for the best ways to be faithful exiles in a post-religious world, a mindset evidenced by Q’s consistent use of mainstream venues in the heart of the host cities instead of suburban megachurch bunkers.
Q revels in being different but generally avoids direct confrontations. A standard Q tactic is to pair apparent opposites together and have them talk about something on which they can agree. Two years ago in Washington, Moore’s predecessor, the conservative Richard Land, was seated next to the left leaning Jim Wallis of Sojourners to tag-team immigration reform. The odd couples this year included the state’s Republican Governor Bill Haslam and Nashville’s Democrat Mayor Karl Dean who traded compliments and discussed public education. A Jewish Israeli mother who had lost a son and a Muslim Palestinian father who had lost a daughter shared the emotional stories that brought them together to work for peace. Theologians Matthew Levering and Timothy George summarized the unity achieved through twenty years of work by Evangelicals and Catholics Together, an effort begun by Gabe Lyons’s mentor Chuck Colson and First Things’s own Richard John Neuhaus.
Bridges are favored over lines in the sand. Low church evangelicals warmly welcomed a nun in full habit. Author Christena Cleveland warned of the dangers of us/them tribalism. Donna Frietas, whose book The End of Sex details college hook-up culture, shared that many students felt unhappily trapped in this casual sex system. Just yelling “abstinence” would not work she said, but they would welcome mentoring relationship that provided a glide path out of this joyless lifestyle. Michael Cromartie of the Ethics and Public Policy Center chronicled his successful work bettering the media’s coverage of religion through education, friendship, and a few days at the beach.
Civility in disagreement is preached without actually being given much of a chance to be practiced. There were speakers on stage who probably disagreed. They were just never on the stage together. For example, the aforementioned Moore noted that, yes, Christian sexual ethics might increasingly be seen as strange, but that cultural dissonance would present an opportunity to winsomely affirm that we believe things, like the Resurrection and the Second Coming, “that are even stranger than that.” A day later, blogger Rachel Held Evans offhandedly declared that millenials did not want see to gays and lesbians “treated as second class citizens.” That was about as close as things came to a debate in Nashvillebut this is called Q, not A.
Eventually, Q will need to address the culture’s unavoidable fault lines as well as its own complicated (and sometimes contradictory) relationships with consumerism and relativism. Are we as Christians called to simplicity or the cutting edge? Is the “buy one give one” model of major Q sponsor TOMS really making the world a better place or just giving us license to make our closets a fuller place? When does expressing kindness towards homosexuals and others who feel marginalized by the church slide into the sanctioning of sin? Does serving the common good ever require taking stands that, in a warped culture, are no longer commonly seen as good? “We’re not all like that!” only goes so far as a rallying cry.
To their credit, the Q crowd is rightly focused on the goal of being restorers, not just the rescued. As Brian Fikkert, coauthor of When Helping Hurts, put it, we are called to worship and serve “Colossians 1 Jesus” who is reconciling all things, not a “Star Trek Jesus” just waiting to beam us out of this broken world. That is a good place from which to start and the still young Q movement should be given the grace to find its way as it deals with those sometimes devilish details. For now, though, a generation put off by the faithful certainty of their fathers seems excited to just have the opportunity to ask some good questions.
After two and half days drinking from Q’s hip firehose, John Murdock has returned to a quiet Texas farmhouse where he is writing a book on conservative creation stewardship. He occasionally blogs at republicantreehugger.blogspot.com.
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A Troublesome Inheritance
A new book, A Troublesome Inheritance, has the potential to upend common assumptions about race the same way The Bell Curve did in 1994. A Wall Street Journal book review builds the case for why this book is so important:
But so far it has been the norm, not the exception, that variations in these genes show large differences across races. We don't yet know what the genetically significant racial differences will turn out to be, but we have to expect that they will be many. It is unhelpful for social scientists and the media to continue to proclaim that "race is a social construct" in the face of this looming rendezvous with reality.
In fact, the review even explains the likely methods that will be used to attack the book. As the reviewer was a co-author of The Bell Curve, he ought to know.
Post a CommentMathematical Model Suggests That Human Consciousness Is Noncomputable
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A decisão de Barbosa e a cascata sobre a prisão de Dirceu
Como vocês podem ler no post anterior, o ministro Joaquim Barbosa revogou a autorização para o mensaleiro Romeu Queiroz trabalhar fora.
Fato: a Lei de Execução Penal, no seu Artigo 37, estabelece:
Art. 37. A prestação de trabalho externo, a ser autorizada pela direção do estabelecimento, dependerá de aptidão, disciplina e responsabilidade, além do cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena.
Sem cumprir um sexto, não tem conversa! Está na lei. O Superior Tribunal de Justiça andou tomando decisões um tanto estranhas a respeito, mas, no STF, a decisão é que vale o que está no texto legal, conforme informa reportagem da VEJA.com.
Mais: como se pode verificar, essa história de que trabalhar fora é um direito automático é conversa mole. O juiz determinará se o preso faz ou não por merecer o benefício. Se é do tipo que usa celular na cadeia, que abusa de privilégios, que faz pouco caso da Justiça, que usa seus tentáculos que estão fora da cadeia para desmoralizar a Justiça, então a conclusão é uma só: não merece o benefício.
Regime fechado e regime semiaberto
E vamos parar de conversa mole. O que define o regime aberto ou semiaberto não é a possibilidade de trabalhar fora ou não, mas a disciplina da cadeia e algumas regalias de que desfruta o preso.
José Dirceu não tem ainda a autorização para trabalhar fora, mas é mentira que esteja em regime fechado como se diz por aí. As condições em que está detido são próprias do regime semiaberto. “Ah, mas ele não pode ainda trabalhar fora!” E daí? Não é isso que define a natureza do regime.
A verdade é que o nome “semiaberto” é errado. Também é um regime fechado, porém menos rígido. Se o juiz achar que o preso merece a concessão — trata-se de uma concessão —, então ele pode sair para trabalhar. “Pode”, entendem? Não quer dizer que seja uma imposição legal.
O Planalto se torna a mão que balança o berço da desordem
Quase 500 ônibus depredados no Rio de Janeiro. É o saldo de uma ação organizada por uma ala dissidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus, liderada por sujeito ligado a Anthony Garotinho, que contou com o apoio dos black blocs, de partidos de extrema esquerda e de outros desocupados da cidade, cuja tarefa é, na sua cabeça perturbada ao menos, “libertar os oprimidos”, não sem antes transformar a sua vida num inferno.
É claro que se trata de uma manipulação política absurda, escancarada, arreganhada, sem medo de parecer o que é. A confusão é do interesse objetivo de Garotinho, ainda que ele possa dizer que não comanda as vontades de seu aliado. Os extremistas de esquerda sempre acharam — é histórico — que o caos é seu aliado. É assim que eles entendem a política, e não há muito o que fazer a respeito. A teoria revolucionária leninista sempre acha que esses movimentos, que a turma avalia como “disruptivos”, fazem avançar a luta.
O nome disso? É claro que é impunidade. Atenção! Algo da mesma natureza aconteceu em São Paulo, ficando apenas alguns graus abaixo do que se viu no Rio. O MST (Movimento dos Sem Terra) e o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) promoveram a invasão e a pichação da sede de empreiteiras. Tudo com a brutalidade de sempre. E o que fez a presidente Dilma, que estava na capital paulista para inaugurar o inacabado Itaquerão? Ora, marcou um papinho com os líderes da baderna.
Se, para falar com a presidente, ou é preciso ser magnata ou é preciso sair por aí botando pra quebrar, então por que não botar pra quebrar? Já deu certo com o MST em Brasília e agora em São Paulo, em companhia dos “sedizentes” sem-teto, que sem-teto não são.
Se o crime passa a compensar e a ser uma forma de chegar perto da presidente da República, apresentando-lhe pessoalmente as reivindicações, é claro que se tonará um método consagrado de ação política.
Na segunda-feira, está previsto o início de mais uma greve política, aí sob o comando inequívoco do PSOL: dos professores das redes municipal e estadual do Rio. Acusam, de forma confusa, o não cumprimento de acordos firmados pelo Estado e pela Prefeitura. Ainda voltarei a esse assunto, mas fica claro que estão forçando a barra porque o período, as vésperas da Copa do Mundo, é convidativo.
Dilma não vai falar com eles também? E se saírem por aí quebrando e pichando tudo? Aí rola um papinho?
Polícia prende terceiro suspeito de linchamento no Guarujá
Por Felipe Frazão, na VEJA.com:
A Polícia Civil prendeu na noite desta quinta-feira o terceiro suspeito de ter linchado até a morte a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, no sábado, no Guarujá, no litoral de São Paulo. A mulher foi confundida com o retrato falado de uma suposta sequestradora de crianças e morreu depois de ser espancada. O pintor Carlos Alex Oliveira de Jesus, de 23 anos, estava foragido do bairro Morrinhos, onde o crime ocorreu, e foi preso no município vizinho de Peruíbe. Ele alegou que estava na cidade “a trabalho”. O suspeito foi apresentado pela polícia na Delegacia Sede do Guarujá ao lado do ajudante de serviços gerais Lucas Rogério Fabrício Lopes, de 19 anos, segundo dos agressores a ser preso. Lopes é conhecido pela alcunha de “Lagartixa”, e Oliveira, de “Pote”. Pela manhã, Lopes havia afirmado em depoimento à polícia que Oliveira, o “Pote”, teria sido executado por traficantes após o espancamento de Fabiane, mas a polícia o localizou em Peruíbe.
O delegado Luiz Ricardo Lara disse que testemunhas relataram à polícia que traficantes estão punindo os moradores que participaram do linchamento. Segundo relatos, algumas pessoas que participaram do linchamento “sumiram”. “Realmente, chegou ao conhecimento da Polícia Civil [que traficantes estão aplicando represálias]. Contudo, não há evidências objetivas dentro do inquérito de que algum dos suspeitos tenha sido sequestrado ou sofrido qualquer tipo de sevícia”, disse Lara.
A participação de cada um dos três presos (até o momento) aparece em vídeos gravados por testemunhas com telefones celulares. Denúncias anônimas e testemunhas ouvidas pela polícia auxiliaram na identificação dos suspeitos. Segundo investigadores, Lopes golpeou a cabeça de Fabiane com uma bicicleta e a arrastou pela rua. Oliveira amarrou as mãos e as pernas da mulher, desferiu chutes na vítima e bateu com a cabeça dela contra o chão. Ambos disseram estar “muito arrependidos”. Oliveira disse que estava sob efeito de cocaína. A polícia também apreendeu o pedaço de madeira que, segundo agentes, foi usado pelo eletricista Valmir Dias Barbosa, de 48 anos, para golpear a cabeça de Fabiane. Barbosa foi o primeiro detido e confessou o crime.
“A polícia está analisando as imagens e conseguindo individualizar a conduta de cada um daqueles que concorreram para a morte de Fabiane. Isso é de extrema importância para que a gente tenha sucesso na ação penal, caso eles venham a ser processados”, disse delegado Luiz Ricardo Lara, titular do 1º DP do Guarujá. Outros dois suspeitos tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça, mas não foram encontrados por policiais.
Human Rights Watch – “Crise na Venezuela coloca em xeque o papel do Brasil como líder”
Por Diego Braga Norte, na VEJA.com. Volto no próximo post.
Na madrugada desta quinta-feira, a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) da Venezuela avançou sobre quatro acampamentos de estudantes em diferentes pontos de Caracas e deteve 243 jovens, numa ação que visa sufocar a pior onda de manifestações no país em algumas décadas. Desde as 3 horas, pelo horário local (4h30 de Brasília), centenas de policiais fortemente armados tomaram os locais onde os opositores mantinham uma resistência pacífica havia algumas semanas. A ofensiva só confirma as conclusões do relatório da ONG Human Rights Watch divulgado nesta segunda. A entidade civil documentou e denunciou abusos cometidos pelas forças de segurança sob o comando do governo. O documento adverte que as violações de direitos humanos não foram casos isolados, mas um padrão sistematicamente aplicado em diferentes locais do país – inclusive no interior de unidades militares.
Em entrevista ao site de VEJA, José Miguel Vivanco, diretor para a América Latina do Human Rights Watch, tocou em um ponto crucial para a crise na Venezuela: a pífia atuação de órgãos como a Organização dos Estados Americanos (OEA), União das Nações Sul-americanas (Unasul) e do Brasil – maior economia da América Latina e líder regional. Advogado com longa carreira em entidades que defendem os direitos humanos, Vivanco reconhece um pequeno avanço após as negociações intermediadas pela Unasul, sobretudo por causa dos primeiros diálogos entre governo e oposição. No entanto, segundo o advogado, o “sucesso ou o fracasso da iniciativa dessa organização está, em grande medida, nas mãos do governo brasileiro”, que vê sua posição de líder regional enfraquecer devido ao silêncio diante dos abusos.
O que a comunidade internacional poderia fazer para ajudar na crise da Venezuela? Quais seriam os papeis específicos de entidades como OEA e Unasul?
A comunidade internacional — particularmente os membros da Unasul que interagem com o governo venezuelano — deveria condenar energicamente os graves abusos que a Human Rights Watch documentou. Contudo, lamentavelmente, as organizações regionais como a OEA e a Unasul não têm desempenhado esse papel porque estão profundamente divididas. Existe um grupo importante de governos, que seja por razões econômicas ou afinidades ideológicas, entusiasticamente apoia o projeto político e o discurso do governo venezuelano. Esta defesa se ampara na soberania nacional e permite desqualificar qualquer crítica sobre direitos humanos como um esforço intervencionista e imperialista. Estes países, salvo contadas exceções, decidiram fazer vista grossa e consequentemente também têm evitado fazer pronunciamentos sobre a grave situação do país.
Como o senhor avalia a atuação destas duas instituições até o momento?
O papel da OEA na crise da Venezuela tem sido lamentável, graças ao bloqueio que a própria Venezuela tem sido capaz de colocar à atuação da organização, mobilizando seus aliados para evitar seu escrutínio. A reunião da OEA em fevereiro terminou com uma declaração patética que parece descrever a situação na Venezuela simplesmente como uma catástrofe natural, ao invés de responsabilizar o governo pelas graves violações. A Unasul, por sua vez, conseguiu ao menos enviar delegações de chanceleres que obrigaram o governo a dialogar com a oposição, algo que não se via na Venezuela há muitos anos. Entretanto, ainda não vimos resultados concretos. Para que esses sejam alcançados, os membros da Unasul devem abandonar as declarações genéricas e efetivamente enfrentar o debate sobre como trazer mudanças à realidade. Especificamente, deveriam insistir para que o governo de Maduro acabe com as violações, liberte as pessoas detidas ilegalmente, leve à Justiça os agentes de segurança do Estado e os grupos armados responsáveis por ataques a manifestantes desarmados, tome medidas para garantir o desarmamento de qualquer grupo em posse ilegal de armas, e, por fim, restabeleça a independência do judiciário.
O Brasil, por ser a maior economia da região, maior país e líder regional, poderia fazer algo além do que está fazendo?
Sem dúvida. A crise na Venezuela coloca em xeque o papel do Brasil como líder regional e global. É importante notar que estamos falando de graves violações de direitos humanos que estão sendo cometidas sistematicamente e com impunidade num país vizinho. Se o Brasil aspira assumir o papel de líder global, deveria adotar uma posição pública clara de reprovação aos abusos na Venezuela. Para começar, deveria liderar a Unasul para que insista que o presidente Maduro cesse as declarações que desqualificam seus opositores como fascistas ou golpistas. Prova disso é que membros das forças de segurança venezuelanas têm empregado as mesmas ofensas de cunho político ao castigar brutalmente os manifestantes.
Gostaria que o senhor fizesse um balanço da atuação do Brasil nesse caso. Brasília deveria mostrar um empenho maior para condenar a violência e os abusos contra os direitos humanos na Venezuela?
O silêncio do Brasil diante de fatos tão graves como os apontados em nosso trabalho, justificado pelo Itamaraty com argumentos históricos de não intervenção, defesa da soberania e preponderância da atuação de organismos internacionais, é de fato preocupante. Dada a inegável assimetria entre o Brasil e o restante dos membros da Unasul, parece que Brasília prefere manter silêncio e firmar posição frente à Venezuela por meio da Unasul. Devemos entender que o sucesso ou o fracasso da iniciativa dessa organização está, em grande medida, nas mãos do governo brasileiro.
A brutalidade promovida pelo Estado venezuelano chama a atenção, mas parece contar com uma “vista grossa” dos governos da região. O senhor concorda?
É evidente e lamentável que os Estados da região, salvo contadas exceções, apliquem dois pesos e duas medidas ao analisar a situação na Venezuela. É indispensável que se rompa essa dinâmica e que os governos entendam que o que se está em jogo aqui não são teorias sobre a democracia, nem teorias conspiratórias sobre possíveis golpes de Estado. O que se está em jogo é o livre exercício de direitos básicos da população venezuelana que se encontra protegida por obrigações jurídicas coletivas e valores universais que assumiram todos os governos democráticos.
O governo petista não é omisso no caso da Venezuela; é cúmplice!
José Miguel Vivanco, diretor para a América Latina do Human Rights Watch, concede uma esclarecedora entrevista à VEJA.com sobre o papel do Brasil na América Latina quando se tem como foco a crise na Venezuela (ver post anterior). Seu cargo o obriga a ser comedido, moderado, embora ele diga o que precisa ser dito. Nós não precisamos desse comedimento e podemos chamar as coisas pelo seu nome.
Como esquecer Marco Aurélio Garcia — então assessor especial de Lula e hoje ocupando o mesmo cargo de aspone de Dilma —, com seu chapéu Panamá, embarcando num helicóptero que supostamente iria libertar pessoas sequestradas pelas Farc (os narcoterroristas colombianos), numa operação organizada por Hugo Chávez? Estava mais do que claro que o Beiçola de Caracas, que o Diabo já levou, atuava em parceria com o narcoterrorismo. Mas o Brasil estava lá, claro! A expedição não deu em nada!
Pior! O Exército colombiano apreendeu com as Farc armamento privativo das Forças Armadas Venezuelanas, o que evidenciava que Chávez estava armando a bandidagem. O Brasil se negou a reconhecer a evidência. Celso Amorim, então ministro das Relações Exteriores, disse que faltavam provas. A desmoralização veio quando o próprio presidente venezuelano reconheceu quer as armas eram, sim, de seu país. Mas inventou: elas teriam sido roubadas!
Chávez já havia fechado veículos de comunicação independentes e já tinha posto suas milícias para bater nos adversários, e o Lula presidente afirmou que, na Venezuela, havia “democracia até demais”. A intimidade é de tal ordem que João Santana, o marqueteiro do PT, foi emprestado para fazer a campanha de Chávez a uma das reeleições e a de Nicolás Maduro.
Dilma, como sabem, em parceria com Cristina Kirchner, promoveu a suspensão do Paraguai do Mercosul — que havia deposto, segundo a lei, o esquerdista Fernando Lugo — e aproveitou a falseta para levar a Venezuela para o bloco, desrespeitando o tratado do bloco, que exige que os países membros sejam democracias.
Na mais recente manifestação de indignidade, o Itamaraty participou de uma conspirata para impedir a então deputada de oposição, Maria Corina, de falar na OEA. O Panamá lhe cedeu a cadeira para que denunciasse a ditadura em seu país, e ela teve seu mandato cassado, acusada de servir a um governo estrangeiro.
Não para por aí. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mantém um escritório na Venezuela que se dedica à nobre tarefa de justificar os descalabros econômicos do bolivarianismo. Achando pouco, essa frente avançada se dedica ainda a atacar as oposições da venezuelanas e brasileiras.
O governo petista está com as mãos sujas de sangue, sim! É conivente com um governo que massacra o seu próprio povo. O governo Dilma não é omisso. É cúmplice.
MST e MTST promovem atos delinquentes em São Paulo; Dilma leva a bagunça para dentro do Palácio, como de hábito
Dois movimentos se juntaram hoje para protestar em São Paulo, o MST — Movimento dos Sem Terra — e o MTST, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. Este é a versão urbana daquele. As táticas são as mesmas: invasão de propriedade privada, depredação e violência. O chefão do MST é João Pedro Stédile, um economista que nunca passou dificuldade na vida. O líder com mais visibilidade do MTST é Guilherme Boulos, um rapaz de classe média alta que decidiu se dedicar, vamos dizer, à causa. Ok. A origem social não determina as escolhas. Lênin, o líder da revolução russa, era filho de um alto funcionário do czar. O pai de Trotsky era um rico latifundiário. E os filhos, no entanto, estão na origem do terror comunista, que viria a responder por algo em torno de 150 milhões de mortos. Ainda é a ideologia que mais matou na história da humanidade.
Por que destaco a origem social desses supostos líderes? Porque é preciso distinguir a causa justa da manipulação política. O Brasil conta com programas de reforma agrária e de construção de moradias. Tanto os sem-terra como os ditos sem-teto são interlocutores ativos no estado brasileiro num e noutro. É sabido que o Ministério do Desenvolvimento Agrário está praticamente entregue ao MST. O tal MTST tem direito a uma cota de casas populares construídas pelo Poder Público. Terra e casas são distribuídas preferencialmente a seus militantes, o que é um absurdo.
Nesta quinta, os dois grupos se juntaram para ocupar os prédios de três grandes construtoras em São Paulo: Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez. Faziam reivindicações específicas de sua área e protestavam contra a Copa do Mundo. As respectivas sedes das empresas foram pichadas. As manifestações mais agressivas foram suspensas depois que a presidente Dilma, que está em São Paulo para inaugurar o inacabado Itaquerão, convidou os líderes dos protestos para um encontro.
É uma irresponsabilidade, senhora presidente da República! Mais uma vez, a chefe do estado brasileiro cede ao jogo da truculência. Cometeu o desatino de receber líderes do próprio MST em Brasília depois de uma tentativa de invasão do STF, no dia 12 de fevereiro. Trinta policiais ficaram feridos então. No dia seguinte, num ato político do movimento, estiveram presentes representantes do PT, do PSB, do PSOL e do próprio governo federal.
E agora o mais patético: o governo tem um chamado “interlocutor” para dialogar com estes que se dizem “movimentos sociais”. É o senhor Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República. Confesso a vocês que nunca entendi até onde ele é um negociador ou um incitador da violência. Não custa lembrar que, até outro dia, este senhor estava a fazer especulações sobre a natureza social dos rolezinhos, tentando lhes emprestar um caráter de guerra racial. Carvalho tentou transformar uma manifestação que era para dar beijo na boca, para lembrar o poeta Augusto dos Anjos e com o perdão da palavra, na véspera do escarro da luta de todos contra todos.
Dilma Rousseff, a que recebe baderneiros, precisa ficar atenta para saber se seu colaborador realmente colabora para diminuir as tensões sociais ou se é um incitador de protestos, de olho, quem sabe, na substituição da candidatura do PT à Presidência da República. Mais uma vez, simbolicamente, Dilma vai levar a baderna para dentro do Palácio, deixando claro que a violência é um meio aceitável de reivindicação. Esta senhora está, na prática, criando as condições para um país ingovernável, seja ela a eleita, seja outro.
McAfee Grabbed Data Without Paying, Says Open Source Vulnerability Database
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Janot: indicativos de regalias aos mensaleiros são claros
Na VEJA.com:
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou documento nesta quarta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) no qual afirma que há indicativos claros de tratamento diferenciado concedido aos mensaleiros que cumprem pena no Distrito Federal, entre eles, o ex-ministro José Dirceu. Entre esses indicativos, ele citou o fato de os presos terem recebido visitas em horários diferenciados no Complexo Penitenciário da Papuda, administrado pelo governo Agnelo Qureiroz (PT). O procurador ressaltou ainda depoimento no qual outros presidiários relataram que os condenados do mensalão recebem café da manhã diferenciado. “Há indicativos bastante claros que demandariam uma atitude imediata das autoridades”, disse.
Em duas edições, VEJA revelou uma série de mordomias de Dirceu e Delúbio Soares na Papuda. Dirceu passa a maior parte do dia no interior de uma biblioteca onde poucos detentos têm autorização para entrar. Lá, ele gasta o tempo em animadas conversas, especialmente com seus companheiros do mensalão, e lê em ritmo frenético para transformar os livros em redações, o que lhe pode garantir dias a menos na cadeia. O ex-ministro só interrompe as sessões de leitura para receber visitas – incluindo um podólogo –, muitas delas fora do horário regulamentar e sem registro oficial algum, e para fazer suas refeições, especialmente preparadas para ele e os comparsas.
Já o ex-tesoureiro petista detém forte influência no Centro de Progressão Penitenciária. Os benefícios, considerados irregulares pelo Ministério Público do Distrito Federal, incluem até refeições especiais, como feijoada aos finais de semana, o que é proibido para todo o restante da população carcerária. Outro exemplo da influência de Delúbio dentro do CPP ocorreu quando o petista teve sua carteira roubada. Ele chamou o chefe de plantão, que determinou que ninguém deixasse a ala do centro de detenção até que a carteira, os documentos e os 200 reais em dinheiro fossem encontrados.
Comandada pelo PT, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara realizou uma diligência até a Papuda com o objetivo de negar a existência de benefícios aos condenados no julgamento do mensalão e, dessa forma, evitar sanções aos mensaleiros. A intenção era pressionar pela liberação do trabalho externo para Dirceu, mas o tiro saiu pela culatra: os deputados encontraram Dirceu assistindo um jogo de futebol em TV de plasma e conferiram que sua cela é maior e mais equipada que a dos demais detentos – possui micro-ondas, chuveiro quente e uma cama melhor.
Dirceu está sendo investigado pela Justiça por ter usado um celular dentro da cadeia do secretário da Indústria, Comércio e Mineração do governo da Bahia, James Correia, no dia 6 de janeiro.
O lentíssimo Renan da CPI da Petrobras se mostrou serelepe para instalar a CPI contra a oposição
Que serelepe este senador Renan Calheiros (PMDB-AL)! Nesta quarta, ele determinou que senadores e deputados indiquem até o fim da semana que vem seus representantes para a instalação de duas CPIs mistas: a da Petrobras e a do Metrô de São Paulo e do Distrito Federal. Como é sabido, a oposição recolheu as assinaturas para o primeiro requerimento, e a base governista, para o segundo. Notem que, embora os dois processos estivessem em estágios distintos, Renan os igualou, atendendo, claro!, a um pedido do governo. Então o PT já se conformou e já de barato que vai mesmo haver uma comissão formada por deputados e senadores?
Coisa nenhuma! Na sessão conjunta entre Câmara e Senado, o partido apresentou um questionamento para tentar impedir a comissão mista, o que tem deixado os deputados, especialmente do PMDB, muito irritados. Os petistas querem que as lambanças na estatal sejam investigadas só no Senado, cuja comissão será formada por 13 membros — apenas três deles são da oposição. Nesse caso, a base aliada já apresentou seus nomes. Trata-se de uma verdadeira tropa de choque para blindar a Petrobras de qualquer investigação.
Os petistas não pararam por aí: recorreram à Presidência do Senado com uma argumentação, vênia máxima, ridícula. Sustentam que a CPI do Senado tem prevalência sobre a mista e argumentam que é o que dispõe o Código de Processo Penal: havendo duas investigações simultâneas sobre um mesmo assunto, prevalece a primeira desde que o juiz seja o mesmo. Vamos ver: 1) CPIs não são reguladas pelo CPP; 2) não seria a primeira vez a haver duas comissões de inquérito sobre o mesmo assunto; 3) ainda que a argumentação fizesse sentido, os “juízes” são distintos, tanto é que Senado e Congresso têm competências também distintas.
Mas o PT não quer nem saber. Os senadores Humberto Costa (PE) e Gleisi Hoffmann (PR) organizaram, vamos dizer assim, a resistência. Como a oposição retirou as indicações para a comissão do Senado, os petistas cobram agora que Renan faça as nomeações. Os oposicionistas já afirmaram que não pretendem participar dessa CPI.
Então vamos ver o que sobra, na base de perguntas e respostas. Haverá a CPI Mista do Metrô? Haverá. O Planalto não abre mão, e o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (AM), deixa claro que se trata, sim, de uma retaliação. Haverá a CPI Mista da Petrobras? Haverá, e Dilma sabe disso, embora tente retardá-la o máximo. A oposição vai indicar apenas 5 dos 32 membros, mas o que o Planalto teme são os peemedebistas que não rezam segundo a sua cartilha. O líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), por exemplo, já confirmou que vai participar. E anunciou os nomes de outros deputados: Lúcio Vieira Lima (BA), irmão de Geddel Vieira Lima — hoje um peemedebista na oposição —, Sandro Mabel (GO) e João Magalhães (MG), todos tidos como rebeldes. Haverá a CPI da Petrobras só no Senado? Esta, por enquanto, é incerta, mas não improvável.
Com 10 das 13 vagas de uma CPI no Senado e 27 das 32 de uma CPI Mista, por que o governo teme tanto uma investigação, a ponto de recorrer a algumas caneladas? Uma coisa é certa: o Planalto deve saber muito mais do que sabemos.
Copergas, não Comgás
Atenção! A empresa que realiza obras no entorno da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e que está na mira dos petistas para tentar atingir Eduardo Campos é a Copergas, não a Comgás, como eu disse aqui, reproduzindo fala de um petista que esteve com Dilma. De novo: a Comgás, que atua apenas no São Paulo, não tem nada a ver com a refinaria. Quem realiza a obra é a Companhia Pernambucana de Gás.
Muito cuidado para não jogar fora a criancinha junto com a água suja!
A VEJA.com publica uma reportagem de Daniel Haidar informando que 121 parlamentares da atual legislatura receberam doações LEGAIS de empresas que estão sendo, de algum modo, investigadas pela Operação Lava Jato. Há lá gente para todos os gostos, de todos os partidos, de centro, de direita, de esquerda, de cima, de baixo, de “entre”… A informação existe e tem de ser publicada. Reservo-me a licença de fazer algumas ponderações.
Primeira questão importantíssima: uma operação de investigação não pode ser confundida com uma sentença judicial. Não se trata de dar uma de Poliana, mas de reconhecer o óbvio. Depois da investigação, a polícia pode chegar à conclusão de que nada aconteceu. E pronto! Assim, é preciso que esses 121 políticos não sejam tratados como suspeitos.
Em segundo lugar, noto que o problema de Alberto Youssef não estava no dinheiro que operava na legalidade, mas na ilegalidade. Parece-me que quem está disposto a servir de modo escuso a quem o financia não vai assinar, literalmente, um recibo, não é? A declaração da doação é um recibo. Se é para fazer safadagem, melhor receber a grana pelo caixa dois. Aí, nós, os jornalistas, não teremos como pegar no pé de ninguém.
Os mais cínicos podem supor que é de tal sorte grande a lambança no Brasil que o Congresso seria uma verdadeira quadrilha multipartidária. Isso não é verdade. Existem, certamente, bandidos por lá. A gente sabe que isso é verdade. Mas vejo na lista dos que receberam doações de empresas investigadas nomes de pessoas sabidamente honradas. “Ah, eu que não ponho a mão no fogo por ninguém”, dirá alguém. Não se trata disso. Enquanto não sei de nada que desabone a figura, ela goza da minha confiança. E não será uma doação legal feita por uma empresa que vai mudar isso, ainda que esta mesma empresa tenha feito negócios, em algum momento, com Youssef.
Financiamento público
Cada tempo tem a sua “doxa”, não é?, ditada por quem exerce a hegemonia política. Hoje, a hegemonia ainda está com o petismo, e a “doxa” da hora é o financiamento público de campanha — que, tudo indica, acabará vindo, o que representará um desastre sem precedentes na política brasileira.
Vamos ver: com ou sem financiamento privado de campanha, as empresas poderiam estar sendo investigadas pela Operação Lava Jato, certo? Se elas fossem proibidas de fazer doação legal, os parlamentares não estariam na tal lista, embora nada impedisse que se fizessem as doações ilegais. Ou alguém tem alguma dúvida que a proibição dessas doações ensejará uma migração maciça de recursos para o caixa dois?
Eu sempre me preocupo quando alguém que declarou o dinheiro que recebeu, segundo a legislação vigente, fica numa situação mais difícil do que aquele que recebeu a grana no escurinho do cinema. Entre a transparência e a falta dela, a transparência tem de vencer. Entre o claro e o obscuro, o claro. Entre o honesto e o desonesto, o honesto. Ou alguém acredita que há quem se eleja gastando apenas o próprio dinheiro?
Um petista é sempre um aristocrata, mesmo na cadeia
Há dias a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, sob o diligente comando de petistas, é claro!, foi visitar José Dirceu na Papuda. Sabem como é… Faz-se necessário saber como vive esse varão de Plutarco, se está sendo maltratado, essas coisas. Encontraram-no vibrando com a partida entre o Real e o Atlético de Madrid, numa cela diferenciada, maior do que a dos outros, que não é obrigado a dividir com ninguém. Em algum canto, conta haver uma goteira, coisa tratada como crime de lesa- humanidade em alguns círculos.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal que há, sim, evidências de que os mensaleiros recebem tratamento diferenciado na prisão: “Há indicativos bastante claros que demandariam uma atitude imediata das autoridades”, escreve.
Em março, em duas reportagens, a VEJA revelou que os mensaleiros petistas gozam de claros privilégios na cadeia. Dirceu, por exemplo, passa a maior parte do tempo na biblioteca, área a que poucos detentos têm acesso. Lê livros e faz, sei lá como chamar, monografias. O esforço lhe rende dias a menos na prisão. Também a comida seria diferenciada. Os horários de visitas não seguem as normas. Delúbio Soares, por sua vez, é o rei do Centro de Progressão Penitenciária. Desfruta até de uma feijoada no fim de semana, privilégio não concedido aos presos sem pedigree. Segundo os círculos dirceuzistas, informações como essas têm origem na tal “mídia golpista”, mancomunada com Joaquim Barbosa, o demônio. Pois é…
A gente percebe que o padrão dos petistas dentro de uma cadeia não é diferente daquele seguido fora dela. Não importa o lugar onde estejam os companheiros, a sua concepção de vida e de mundo é, digamos assim, aristocrática, distinta do reles igualitarismo republicano. Sempre que são flagrados numa falcatrua qualquer, qual é o padrão? Eles tentam nos convencer de que estavam empenhados numa operação de salvação do Brasil e que os eventuais malfeitos são parte desse processo de mudança. Ou por outra: seus crimes têm de ser vistos por uma ótica diferenciada.
Tome-se o exemplo do mensalão: tudo seria, dizem, caixa dois de campanha, uma imposição de um sistema com o qual não compactuariam, que teriam herdado, o que os teria forçado, imaginem!, a seguir os hábitos e costumes de seus adversários. Entenderam? Até mesmo quando eles admitem se igualar aos outros nos vícios, tentam nos provar que é por superioridade do espírito.
Ora, por que presos tão especiais seriam tratados como o resto da ralé, os simplesmente humanos, né?
Marina Silva, o melhor cabo eleitoral do PT
Não há coisa mais cretina do que a soberba. E é pior quando parte de alguém que faz uma espécie de profissão de fé na humildade ou que a exerce com tal voracidade que chega a ser concupiscente. Eis Marina Silva, a candidata a vice na chapa de Eduardo Campos (PSB) e líder da Rede, o partido inexistente mais arrogante do Ocidente. Marina concede uma entrevista à Folha que está na edição desta quinta. E lá está o título da página: “PSDB de Aécio tem o cheiro da derrota no 2º turno”. Não é um exagero nem uma simplificação. Ela realmente disse isso. Em que medida é um movimento combinado com Campos? Não se sabe. Quando se trata de Marina, nunca se sabe! Parece-me, no entanto, que, desta feita, ela pode estar obedecendo a uma estratégia conjunta — a tal lógica da diferenciação.
Só para esclarecer: por que falo em soberba? Em primeiro lugar, porque não me parece que seja a hora de os dois candidatos de oposição resolverem se enfrentar. Há cinco meses inteiros ainda até a eleição. Nas condições atuais, Dilma venceria no primeiro turno. Basta pensar: e se Aécio Neves responde na mesma moeda? Acontece o quê? Os petistas aplaudirão o bate-boca de pé. Essa tontice de Marina tem um quê de desonestidade intelectual e política porque parte da certeza de que aquele que foi atacado não vai responder — e acho, se querem saber, que não deve mesmo. Em segundo lugar, Marina é soberba porque parte do princípio de que ninguém ocupa a sua altitude moral e, pois, ela pode ser juíza do processo político e sair por aí a julgar os vivos e os mortos.
A Folha publica um texto sobre a entrevista e há endereço para um vídeo. Não assisti. Mas suponho que, se Marina tivesse dito algo de relevante — além do ataque à outra candidatura de oposição —, o jornal teria aproveitado num texto de mais de 5 mil toques. Se não está ali, é porque não há. Segundo Marina, Eduardo Campos é diferente de Aécio Neves. É certo que sim! Em quê? Ela exemplifica: ambos divergem sobre maioridade penal. E isso nem chega a ser exatamente verdadeiro. A proposta do PSDB mantém a dita-cuja em 18 anos, mas abre a possibilidade de a Justiça considerar exceções no caso de crimes hediondos. E pronto! Aí está a diferença.
Marina, ora vejam, expressa o seu entendimento de voto útil, que viola a história: “O PSDB sabe que já tem o cheiro da derrota no segundo turno. E o PT já aprendeu que a melhor forma de ganhar é contra o PSDB”. Ela se esquece de que o PSDB venceu duas eleições para a presidência no primeiro turno, e o segundo colocado era um petista — no caso, Lula!
Até agora, como se sabe, Marina não conseguiu transferir seus votos para Campos, mas ela prefere fazer especulações sobre a viabilidade do outro candidato que disputa o terreno oposicionista. Em certo sentido, convenham, o pleito difícil de explicar é o do PSB, que se diz oposição a Dilma, mas não a Lula. De tal sorte a candidatura está ancorada nesse fundamento que o ex-governador de Pernambuco seria obrigado a sair da disputa se o ex-presidente decidisse tomar o lugar de Dilma na chapa. Campos, está dado, não se opõe a um modo de governar, mas a uma pessoa.
Marina fala ainda como a senhora do progressismo e do avanço social. Depois verei o vídeo. No Acre, por exemplo, ela é governo, junto com Tião Viana (PT). Estou curioso para saber o que ela pensa sobre a exportação de haitianos para São Paulo. Ela já se importou bastante com bagres para ser tão silente sobre seres humanos, não é?
Ah, sim: segundo fiquei sabendo, em São Paulo, a chefe da Rede tende a apoiar a candidatura de Vladimir Safatle, do PSOL, ao governo do estado. Aí estão as suas afinidades. É mesmo uma pessoa diferenciada. A Folha informa que, antes da entrevista, ela passou beterraba nos lábios porque tem alergia a batom. O mundo é estranho. Eu sou alérgico a gergelim. E ela também nega que tenha falado diretamente com Deus, como andou espalhando por aí o presidente Lula. O Altíssimo, parece, se manifestou diretamente no seu coração.
Não deixa de ser um privilégio, né?
Life Is Full of Failure. Bio Blurbs Should Be Too.
Rejection comes in all shapes and sizes. Thin envelopes, long conversations, and terse emails. Yet historically, the reactions to rejection have remained fairly consistent: self-doubt and dejection.
Of course, the type of rejection we are discussing is not the life-altering kind from doctors or spouses, but a more subtle form that chips at one’s resolve rather than obliterating it in one fell swoop. What then can be said to assuage the pain of such mundane rejection that hasn’t already been shared in countless commencement speeches? Instead of presenting quixotic notions of how pain makes you stronger (of which Conan O’Brien remarked, “Whoever said whatever doesn’t kill you makes you stronger failed to emphasize that it almost killed you.”), I would like to present one smaller, but perhaps more concrete idea.
After graduating from Harvard University, John Leiner received the prestigious MacArthur Genius Grant. A gifted teacher who has lectured throughout the world, Dr. Leiner is currently the CEO of the Leiner foundation. His daily insights can be found at JohnLeiner.com
Sound familiar?
I find bio blurbs very eerie, like looking at a photo-shopped family photo. Vague phrases are always used like “sought-after speaker” and “internationally-renowned” that would seem narcissistic if spoken, but are strangely accepted practice in bio blurb writing etiquette.
The absurdity of the bio blurb is only fully realized after writing your own. The first realization that immediately descends is that everyone writes his own bio blurb. Granted, we collectively suspend disbelief and pretend it came from our personal PR department, but privately we all smirk as we imagine our friends and mentors struggling over which superlatives they could convincingly describe themselves with.
If good biographies tell a proper story of non-sequential success, bio blurbs are the fun house mirrors where success is portrayed as a pristine linear progression without the blemish of failure. But a bio blurb that is merely our own ESPN highlight film of our successes sends the wrong message to others and paints a stilted portrait of ourselves.
Rabbi Menachem Mendel Morgenstern, the famed rabbi of Kotzk, once said, “I like to keep my good deeds private and failures public.” Of course we should be proud of our successes, but both for a more honest reflection of life and as a sign of encouragement and solidarity to anyone who has just received a first (or fiftieth) thin envelope, perhaps we can do a better job of integrating life’s failures within our typically self-obsessed bio blurbs. It’s great to list all of your successes in three to five short sentences, but maybe if one of those sentences was a failed project, rejected application, or unexpected difficulty, even our successes would seem more lively. It may only take one sentence to remind yourself that you can laugh at yourself. It’s only one sentence to tell others that life will always have its disappointments. It’s a one sentence tribute to one of the thin envelopes you have received in your life.
I am not suggesting a major revolution, just a cute little ploy that might help paint a more accurate picture of living a “sequential” life.
In fact, I’ll start with mine.
David Bashevkin is the Director of Education for National NCSY and is pursuing a doctorate in public policy and management at The New School’s Milano School of International Affairs. He was rejected from the Wexner Graduate Fellowship. Twice.
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Moving Mulberry Trees
Increase our faith!” the disciples demanded of the Lord (Luke 17:5-10).
“If,” the Lord reasonably replied, “you had faith the size of a mustard seed, you could say to this mulberry tree, ‘Be uprooted and planted in the sea,’ and it would obey you.’”
Huh? Mulberry tree? What happened to that faith-can-move-mountains thing? Well, the mountain is in St. Matthew’s report, and Matthew has Optimist Club optimism that faith, leveraged on a mustard seed, can move a mountain.
The mulberry tree, that’s St. Luke’s idea; a mountain never crosses his mind. His report is not as energetic or as buoyant. St. Luke omits the mountain and lowers expectations to a mulberry tree. St. Luke suggests more modest results from a mustard seed, perhaps more realistic ones. Not a mountain, but a treeone little tree.
Yet even St. Luke’s lowered expectations seem too high for me. I would have trouble moving the mustard seed, let alone the mulberry tree.
This life presents many challenges to faith (another word for trust). Like the disciples, we each wish for an increased faith, deeper trust. I would settle for simple but consistent resilience; endurance would be nice.
An old hymn speaks about the long trudge ahead under the “noontide heat and the burden of the day.” I think I’ve got that just about figured out; our family is currently awaiting a diagnosis that will, inevitably, steal away another we love. There’s hardly a day that something doesn’t corrode our trust in God. Just getting through a normal week can make us feel as if we’ve been wheezing through a spiritual marathon. Somebody keeps moving the finish line a little farther ahead.
So here we are, all of us, like the disciples seeking more faith to believe and to trust, and yet not infrequently overwhelmed. I understand their prayer. It is the same one I pray, when I can remember to pray, and it is often emitted between labored gasps of hesitation and uncertainty.
Still, St. Luke reports, Jesus did offer an answer. How? Well, he didn’t wave his hand over their heads and go “Poof!” and suddenly their faith was strengthened. No, but from taking note of mustard seeds and mulberry trees he went on to talk about duty-bound slaves doing ordinary jobs ordinarily, until the master returns home and expects to be served.
I haven’t moved any mulberry trees this week. You haven’t either, I bet. I don’t suppose I’ll be moving any next week, either. This is discouraging, because we all have a mulberry tree or two we’d like to send on a seaside vacation.
But I don’t think St. Luke intended to portray Jesus tsk-tsking at our small faith and weak trust as we live in the mulberry grove. This talk about mustard seeds and mulberry trees is a way of saying, work with the faith you have. Do that and you’ll put on an apron and you will serve him. I think this is the message behind the slaves who hop to it when the master says move.
So, no, my faith probably will never send a mulberry tree shambling off to the beach, ever.
But I do have enough faith this week that at his Word, I, like a slave who knows his place, will prepare the master’s Supper and place bread on the table. I do have enough faith to think that when I bless the bread, it becomes his bread, and is no longer my own.
And I do have enough faith to believe that the hands that give that bread are no longer my own to command, but in some way they have become his for the blessing of his people.
Even if we don’t move any mulberry trees, I think we do have enough faith to come to his table when he calls. We do have enough faith this week to seek the Bread that feeds our hunger for peace and gives courage in adversity.
Maybe that was the mulberry tree he intended us to move all along.
Russell E. Saltzman is a dean in the North American Lutheran Church and assistant pastor of St. Matthew’s Church in Riverside, Missouri. His latest book, Speaking of the Dead, is being published this year by ALPB Books. His previous articles can be found here.
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Boko Haram – O mundo ignora a ação de milícias islâmicas que matam 100 mil cristãos por ano
A milícia islâmica Boko Haram, que sequestrou mais de 200 meninas na Nigéria, promoveu um massacre que fez entre 150 e 300 mortos, não se sabe ao certo, no estado de Borno, nordeste do país (ver post). É um dos braços da Al Qaeda no continente.
Digam-me aqui: desde quando as milícias islâmicas aterrorizam o mundo, muito especialmente países africanos? O que fez a comunidade internacional diante do massacre de mais de 400 mil cristãos em Darfur, no Sudão? O mais curioso é que, nos centros influentes de pensamento da Europa e dos Estados Unidos (e até nas universidades brasileiras, que não são influentes), fala-se numa certa “islamofobia”, que ninguém, até agora, conseguiu definir direito o que é ou identificar.
O aspecto religioso dos ataques promovidos por milícias islâmicas na África ou no Oriente Médio desaparece depressa, é logo ignorado. A Igreja Católica e as demais denominações cristãs parecem incapazes de denunciar com a devida gravidade o que está em curso. Ao contrário até: na imprensa ocidental, a esmagadora maioria das notícias acaba tendo um viés anticristão por causa, vamos dizer, da “agenda progressista de costumes”. No mundo, nenhuma escolha pessoal é, hoje em dia, tão mortal como o cristianismo. Nos 45 dias que se seguiram à deposição de Mohamed Morsi, no Egito, pelo menos 200 cristãos da minoria copta foram assassinados. E a matança continua.
Em 2012, escrevi aqui, 105 mil pessoas foram assassinadas no mundo por um único motivo: eram cristãs. O número foi anunciado pelo sociólogo Maximo Introvigne, coordenador do Observatório de Liberdade Religiosa, da Itália. E, como é sabido, isso não gerou indignação, protestos, nada. Segundo a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), 75% dos ataques motivados por intolerância religiosa têm como alvos os… cristãos. Mundo afora, no entanto, o tema quente, o tema da hora, em matéria de religião — e não é diferente da imprensa brasileira —, é a chamada “islamofobia”.
Existe islamofobia? Sem dúvida. Muitas vezes, no entanto, entra nessa categoria a justa reação de países ocidentais à tentativa de comunidades islâmicas de impor seus costumes à revelia da legislação dos países democráticos que as abrigam. O dado inquestionável, no entanto, é que a “islamofobia” gera, quando muito, manifestações de preconceito — em si mesmas odiosas. Já a “cristofobia” causou a morte de 105 mil pessoas só em 2012. Há lugares em que ser cristão é, com efeito, muito perigoso: Nigéria, Paquistão, Mali, Somália e… Egito — especialmente depois da chamada “revolução islâmica”, ou “Primavera”, na linguagem, vamos dizer assim, floral da deslumbrada imprensa ocidental.
Mas este não é um assunto “quente”. Se algum extremista cretino atacar um muçulmano no Ocidente, aí o debate pega fogo — e não que a indignação seja imerecida. Mas cumpre perguntar: por que a carne cristã é tão barata no imaginário da imprensa ocidental?
Há cristãos sendo crucificados na Síria por jihadistas que promovem a guerra civil contra Bashar Al Assad. Há poucos dias, ao saber disso, consta, o papa chorou. Ocorre que a comunidade internacional, o papa inclusive, tem de fazer mais do que chorar. Quem financia o Boko Haram? Quem dá dinheiro às milícias islâmicas que aterrorizam a África?
É preciso que se chame a atenção para o caráter religioso dessa guerra. A Nigéria, com mais de 170 milhões de habitantes, tem uma discreta maioria de cristãos na comparação com os muçulmanos: 49% a 48%, mais ou menos. Não se tem notícia de milícias cristãs armadas. Reitere-se: o confronto que mais mata hoje na Nigéria e no mundo é religioso, não étnico. E os islâmicos estão na ofensiva terrorista.
Putin recua porque, de fato, não pretende ocupar o Leste da Ucrânia; só queria demonstrar que está no jogo
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou o recuo dos 40 mil soldados que estavam fazendo treinamento militar perto da fronteira com a Ucrânia. Mais do que isso: pela primeira vez, expressou apoio às eleições ucranianas. Isso significa que as sanções impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia estão dando resultado? Eis uma daquelas situações em que a resposta é “sim” e “não”.
Ele já provocou o suficiente, e certamente o resultado agora passará a ser contraproducente. A lógica indica que não há razão para Putin querer ocupar o leste da Ucrânia, o que jamais seria reconhecido pela comunidade internacional. A Rússia seria eternamente vista como um país invasor. O presidente russo, durante todo esse tempo, cuidou apenas da sua reputação; de recuperar uma certa grandeza do “império russo”, que não existe mais.
Desde sempre, ele queria a Crimeia, de quem ninguém mais fala. Ponto! Ele já anexou um pedaço de outro país. O mundo até condescendeu porque sempre entendeu que a região, afinal, pertence à Rússia. O resto era só um arreganhar de dentes para demonstrar que ele está no jogo e dispõe de recursos para cutucar o Ocidente: no caso, o gás.
Como saldo, resta o quê? Que outro governante exerce hoje, em relação a seu povo, o papel que Putin desempenha na Rússia? Pensem, assim, num misto de líder populista, nacionalista, autoritário, popular e moralista… Eis Putin. Enquanto promovia desordem no leste da Ucrânia, tomava medidas para tentar proibir o palavrão no país.
Pode ser que um dia aconteça, tomara!, mas o fato é que a Rússia nunca foi uma democracia. E não seria com Putin, um ex-agente da KGB, a polícia secreta dos comunistas, que chegaria lá.





