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25 May 20:23

Saturday May 25, 2013

by FBorFW


Lynn's Notes:

No thoughts for today!
25 May 20:22

Que dúvida! Henrique Alves diz ao Planalto que não vai instalar CPI da Petrobras

by giinternet

Na Folha:
O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), já avisou o Planalto que não vai instalar a CPI da Petrobras, articulada pelo seu próprio partido para atacar o governo Dilma Rousseff. Henrique Alves deve a princípio rejeitar o requerimento de criação da CPI da Petrobras, cujas assinaturas foram recolhidas por deputados peemedebistas, como Leonardo Quintão (PMDB-MG). Ele pediu à assessoria jurídica da Câmara para analisar o pedido de criação da comissão por avaliar que não há um “fato determinado” para as investigações, o que resultaria no seu arquivamento. Caso a assessoria encontre razões técnicas para o encaminhamento do requerimento, o presidente da Câmara já disse a assessores presidenciais que a CPI da Petrobras irá para o “fim da fila”.
(…) 

25 May 20:22

Procuradoria acusa ministro Pimentel de ter desviado R$ 5 milhões da Prefeitura de BH

by giinternet

Por Rubens Valente e Andreza Matais, na Folha:
O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento), um dos mais próximos da presidente Dilma Rousseff e cotado para coordenar sua campanha à reeleição, é acusado pela Procuradoria-Geral da República de ser “autor de delitos” e ter “concorrido ativamente” para o desvio de R$ 5 milhões da Prefeitura de Belo Horizonte em 2004, quando era prefeito da cidade. A Folha teve acesso ao inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso está sob a relatoria do ministro José Dias Toffoli. Ele deve apresentar seu voto ao plenário do tribunal, que decidirá se abre ação penal.

O inquérito analisa as circunstâncias da contratação, pela Prefeitura de Belo Horizonte, da Câmara dos Dirigentes Lojistas local para implantar o projeto “Olho Vivo”, que previa a instalação de 72 câmeras para coibir crimes no centro da cidade. O documento da Procuradoria, datado de março de 2012, é assinado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e sua mulher, Cláudia Sampaio, e acusa diretamente o ministro: “O denunciado [Pimentel] concorreu ativamente para o desvio dos R$ 5 milhões em favor da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte”.
(…) 

25 May 20:22

STF ordena quebra de sigilos bancários de delegado Protógenes e do empresário Demarco; origem do site de Paulo Henrique Amorim também será investigada

by giinternet

Ai, ai… Nem sempre o tempo traz a verdade à tona. Às vezes, no entanto, acontece. Os leitores mais antigos deste blog sabem tudo o que aqui se escreveu sobre o tal delegado Protógenes Queiroz, hoje deputado do PCdoB (SP), e a Operação Satiagraha, espantosamente eivada de ilegalidades. Ocorre que uma muito bem urdida operação — envolvendo, inclusive, jornalistas — se encarregou de transformar o empresário Daniel Dantas na besta-fera de plantão. E aí todas as ilegalidades e excessos passaram a ser aceitos. Afinal, se era contra Dantas, podia! Setores da Justiça, é bom ficar claro, participaram da patuscada. Bastava que se apontasse uma óbvia maluquice de Protógenes e de seus tentáculos na subimprensa, e lá vinha a campanha orquestrada: “É agente de Daniel Dantas!”. Pois bem. Aos poucos, os fatos começam a vir à tona. Leiam o que informa Márcio Chaer no site “Consultor Jurídico”.
*
O Supremo Tribunal Federal decidiu dar curso à investigação que pretende apurar se a operação Satiagraha foi patrocinada e conduzida por empresários interessados em alijar o banqueiro Daniel Dantas do mercado de telecomunicações do Brasil.

O ministro Dias Toffoli atendeu esta semana uma lista de pedidos feitos pela Procuradoria-Geral da República. Entre eles estão a quebra de sigilo bancário do ex-delegado e deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) e do sigilo telefônico do empresário Luís Roberto Demarco. O jornalista Paulo Henrique Amorim terá investigada a origem do seu blog.

Demarco, ex-sócio de Daniel Dantas no grupo Opportunity, foi o homem designado pela Telecom Italia para defender seus interesses no Brasil e combater os de Daniel Dantas. Protógenes Querioz, atuando como delegado da Polícia Federal, conduziu a operação Satiagraha, que investigou supostos crimes financeiros de Daniel Dantas e de seu grupo empresarial. Paulo Henrique Amorim, em conexão com Demarco e Protógenes, conduzia uma campanha de mídia contra Dantas. Demarco e Amorim estariam a serviço da Telecom Itália, sócia de Daniel Dantas na Brasil Telecom, com quem disputava o controle acionário da operadora.

Entre outras ordens, o ministro do STF determinou a expedição de carta rogatória à Itália, para obtenção das conclusões dos processos conduzidos pela Procuradoria da República de Milão. Nesse processo, apurou-se que da empresa Telecom Italia foram desviadas altas somas destinadas a subornar autoridades, políticos, policiais e jornalistas do Brasil. Entre os executivos da empresa na Itália, responsáveis pelo “propinoduto”, alguns já foram presos, outros ainda respondem processos e um se suicidou. Embora já se saiba da condenação dos corruptores, até hoje as autoridades brasileiras evitaram ir atrás dos corrompidos.

Será quebrado o sigilo bancário também de José Zelman que, segundo Protógenes, foi quem lhe doou três imóveis (dois apartamentos, um no Guarujá, outro em Foz do Iguaçu e mais uma garagem), no curso da operação Satiagraha. A Receita Federal deverá fornecer as declarações de Imposto de Renda de Protógenes e Zelman, de 2005 a 2008.

Além da quebra de sigilo telefônico de todas as linhas identificadas como sendo de Protógenes e Demarco, serão levantadas também as ligações feitas e recebidas pela Nexxy Capital (empresa de Demarco) e números da própria Polícia Federal. Dos aparelhos celulares, além das ligações serão recuperados os SMS disparados ou recebidos.

As superintendências da Polícia Federal em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro deverão informar se Luís Roberto Demarco ingressou nos prédios entre janeiro de 2007 e dezembro de 2008 — e a finalidade das visitas. A empresa de Demarco será investigada também na Junta Comercial de São Paulo.

25 May 20:19

Andrew Dunstan: Redis FDW Singleton Key tables

I recently mentioned the possibility of tables being drawn from a single Redis object, so you would get one row per key/value pair in the named hash, or one row per element in the named scalar, set, list or zset. This has now been committed, for use with Release 9.2 and later. There are examples in the regression test files. This is going to be particularly important when we get to writable tables, which is the next order of business.

For those of you who were in my talk yesterday, the breakage I mentioned has now been fixed.

25 May 20:19

Google Unable To Keep Paying App Developers In Argentina

by Soulskill
An anonymous reader writes "Google has sent letters to app developers registered in Argentina saying they won't be able to accept payments on developers' behalf after June 27th. 'The change applies to both paid apps and apps that use in-app purchases. The move appears to be related to new, restrictive regulations the Argentine government has imposed on currency exchanges.' According to the Telegraph, 'The new regulations required anyone wanting to change Argentine pesos into another currency to submit an online request for permission to AFIP, the Argentine equivalent of HM Revenue & Customs. To submit the request, however, you first needed to get a PIN from AFIP, either online or in person. Having finally obtained your number, submitted your online request and printed out your permission slip, you could then present it at the bank or official cambio and buy your dollars. Well, that was the theory. In practice, the result was chaos. ... damming the flood has come at a huge cost to the economy, especially since the currency restrictions were coupled with another set of regulations that effectively imposed a near-total ban on any imported goods.'"

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25 May 20:19

Spain's New S-80 Class Submarines Sink, But Won't Float

by Soulskill
New submitter home-electro.com writes "In the era of total CAD and CAM, is it even possible to come up with a fundamentally flawed design ? Turns out, yes. This a fascinating engineering SNAFU. Spain's newly built submarine is 100 tons too heavy, which means it is unable to float. 'Unfortunately for the Spainards, Quartz reports that they have already sunk the equivalent of $680 million into the Isaac Peral, and a total of $3 billion into the entire quartet of S-80 class submarines. If Spain hopes to salvage its submarines, it must either find some weight that can be trimmed from the current design or lengthen the ship to accommodate the excess weight, The Local notes. Though the latter option is more feasible, it is expected to cost Spain an extra $9.7 million per meter.'"

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25 May 20:18

World's Biggest 'Agile' Software Project Close To Failure

by Soulskill
00_NOP writes "'Universal Credit' — the plan to consolidate all Britain's welfare payments into one — is the world's biggest 'agile' software development project. It is now close to collapse, the British government admitted yesterday. The failure, if and when it comes, could cost billions and have dire social consequences. 'Some steps have been taken to try to rescue the project. The back end – the benefits calculation – has reportedly been shifted to a "waterfall" development process – which offers some assurances that the government at least takes its fiduciary duties seriously as it should mean no code will be deployed that has not been finished. The front end – the bit used by humans – is still meant to be “agile” – which makes some sense, but where is the testing? Agile is supposed to be about openness between developer and client and we – the taxpayers – are the clients: why can’t we see what our money is paying for?'"

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25 May 00:41

Uma restrição severa e algumas questões de ordem intelectual e técnica a Barroso, futuro ministro do Supremo

by giinternet

Decidi manter este texto no alto da home. Abaixo dele, as atualizações da noite e da madrugada

Ai, ai, ai… Alguns ministros do Supremo Tribunal Federal falam demais. E, tudo indica, isso não vai mudar com a chegada de Luís Roberto Barroso, tão logo assuma a sua cadeira na corte. Ele nem está lá ainda e, vejam só, já está movimentando o noticiário com opiniões. Nesta segunda, decidiu criticar o ativismo judicial, conforme informa VEJA.com. E é evidente que o fez se referindo a decisões tomadas por seu futuros parceiros de corte. Não assumiu ainda, mas se comporta como ombudsman do tribunal do qual fará parte. É bem verdade que expressou uma opinião num seminário, que já estava agendado. Mas o convite feito por Dilma antecedeu o discurso que tinha pronto. Teria dado tempo de arrumar as coisas para não passar a impressão de que chega à Corte como um juiz dos juízes. E o que disse ele no tal seminário? Prestem atenção:

“Em uma democracia, decisão política deve tomar quem tem voto (…) O Judiciário deve ser deferente às escolhas feitas pelo legislador e às decisões da administração pública, a menos que — e aí, sim, se legitima a intervenção do Judiciário — essas decisões violem frontalmente a Constituição. Aí, sim, por exceção e não por regra, o Judiciário pode e deve intervir.”

Analisar discursos é a minha praia. Submeter a literalidade ao contexto é a minha obsessão. Se saio por aí a dizer que é preciso ter mais respeito pela Lei da Gravidade, ninguém há de achar que sou louco por acreditar nela, mas minha fala só fará sentido se estiver em curso alguma tentativa de burlá-la, certo? Se anunciou em praça pública: “Todos os homens públicos devem ser honestos”, é fato que ninguém divergirá do conteúdo, mas a proposição só encontrará a devida recepção se nem todos os homens públicos estiverem sendo honestos.

Assim, ainda que Barroso tenha dito o óbvio, é certo que está dizendo, por contraste, que o Judiciário não está sendo “deferente” às escolhas feitas pelo legislador, o que até pode ser uma crítica pertinente, mas já descabida para quem vai ocupar uma cadeira já reservada. Seria simplesmente inconcebível que um candidato à Suprema Corte nos EUA se desse a tal desfrute. Num momento em que forças não exatamente iluministas do Congresso se insurgem contra o Supremo, a crítica é, para dizer pouco, inoportuna.

Casamento gay
No post acima, trato, entre outras questões, da função do jornalismo: aplaudir ou se apegar aos fatos? Apego-me aos fatos. Barroso foi, por exemplo, um dos militantes, na área do direito, para que se reconhecesse como “constitucional” a união civil entre homossexuais e em favor do aborto de anencéfalos. Então falemos um pouco de “ativismo judicial”. Então é o caso de debater se vamos definir como “ativismo judicial” a prática do Poder Judiciário que invade a competência do Poder Legislativo ou se ativismo judicial é aquilo que cada um de nós acha que seja.

O parágrafo 3º do Artigo 226 da Constituição estabelece, por exemplo:
“§ 3º – Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.”

Parece que o doutor Barroso, como advogado — e certamente assim seria se membro da Corte já fosse —, considerou que a vontade do legislador não tinha sido suficientemente clara, não é?, ao considerar, e não tenho modo menos tautológico de escrever isto, que “homem é… homem”, e “mulher, mulher”. Vários saltos triplos carpados hermenêuticos levaram o STF a considerar que, não existindo normas contraditórias na Carta, se o Artigo 5º garante a igualdade de direitos, então o Parágrafo 3º do Artigo 226 ou foi revogado ou não vale. À época, fiz uma pesquisa bastante extensa. Não encontrei corte nenhuma no mundo democrático que fosse dada a interpretar a Constituição CONTRA A SUA PRÓPRIA LETRA. Recentemente, num abuso que me parece espetacular, o Conselho Nacional de Justiça obrigou (?) os cartórios a celebrar o casamento gay propriamente.

Que se note: sou favorável, sim!, ao casamento gay. Mas, não sendo a união civil ou casamento direitos naturais, e sim pactos socialmente definidos (a exemplo de boa parte das leis e normas), há o Poder que deles se encarrega, não? E entendo que esse Poder é o Legislativo. Sem que uma emenda fosse aprovada pelo Congresso, mudando a Constituição, parece-me óbvio, evidente, que o Supremo invadiu uma área de competência do Legislativo. Da mesma sorte, afiguram-se como escancaradamente inconstitucionais as cotas raciais, com as quais, estou certo, doutor Barroso concorda. Ou todos os homens são iguais perante a lei ou não são. Corrigir eventuais desigualdades de fato com leis suplementares de reparação para determinados grupos, vá lá. Mas suprimir direitos de uns para fazer justiça a outros (é o caso das cotas), aí me parece um estupro constitucional e moral. Brancos estão sendo punidos, sob o pretexto de corrigir desigualdades, porque brancos. É uma Justiça bastarda! Não obstante, doutor Barroso não vê nisso ativismo judicial, mas matéria de justiça apenas.

Aborto de anencéfalos
Pergunto ao jurista, futuro ministro: o Legislativo também não deixou clara a sua vontade, no Código Penal, ao definir as hipóteses de aborto legal? Lá está: em caso de estupro e de risco de morte da mãe. E só. Mas doutor Barroso foi um dos patrocinadores da legalização do aborto de anencéfalos. Nesse caso, ele militou ferrenhamente para que o Supremo emendasse, por sua conta e sem competência para tanto, o Código Penal. A nossa Constituição, como ele sabe, protege a vida sem reservas, deixando para a lei as exceções que estão… na lei. Nesse caso, no entanto, ele achou que estava tudo certo e ainda fez peroração sobre a decisão em sua página na Internet. Mais do que isso: em sua página na Internet, diz que é chegada a hora de debater a questão sem preconceitos. Ele certamente é favorável à descriminação do aborto e acha que quem discorda dele é preconceituoso.

Advogado capaz ele é, sem dúvida. Burro não é, de modo nenhum, daí que tenha aberto a janela, em sua fala, para o ativismo judicial. Ele seria inaceitável “a menos que — e aí, sim, se legitima a intervenção do Judiciário — essas decisões violem frontalmente a Constituição.” Entendi… Então voltamos à vaca fria: EU ENTENDO QUE VIOLA FRONTALMENTE A CONSTITUIÇÃO O QUE SE CHOCA COM O CONTEÚDO EXPLÍCITO DA CONSTITUIÇÃO OU COM O SEU ESPÍRITO, NO CASO DA NÃO EXPLICITAÇÃO.

- a Carta é explícita ao definir os termos da união civil;

- a Carta é explícita ao declarar a igualdade dos homens diante da lei;

- a Carta é explícita ao defender a vida.

No entanto, nesses três casos, doutor Barroso preferiu o caminho do “ativismo judicial”. Não me parece correto, prudente ou ético acusar o “ativismo judicial” quando a gente discorda do Supremo e aplaudi-lo quando a gente concorda, não é mesmo? “E você, Reinaldo? É coerente?” Se quiserem, até me desculpo por isto, mas sou, sim. Eu, que chamei de bolivariana e fascista a proposta petista de submeter decisões do Judiciário ao Congresso ou a referendo, não obstante, já critiquei severamente essas invasões de competência. Está lá, nas páginas 313 a 318 do livro “O País dos Petralhas II”. Meu alinhamento automático é com a Constituição e com as leis. Não sou do tipo que transforma em princípio universal aquilo com que concorda e em mero preconceito aquilo de que discorda.

O “progressista”
Podem procurar na Internet. Fui o primeiro a classificar a escolha de Barroso como a opção por um “progressista”. Dilma tinha decidido, afirmei, afrontar os “conservadores”. Não tratei seu currículo com menoscabo, é evidente. Apenas cumpri uma das minhas tarefas de jornalista, que é investir na compreensão crítica. Quem aplaude ou vaia é plateia. Eis que, nesta sexta, pego os jornais e vejo lá: Dilma, dizem, escolheu um progressista — e a palavra nem trazia aspas, nada! Progressistas, por certo, querem progresso. Logo, discordar do doutor Barroso, doravante, passará a ser manifestação de atraso.

Vou encerrando. Reitero a minha restrição à fala impertinente do futuro ministro, que, parece-me, pode ter sido bastante apreciada por algumas alas brucutus do Congresso. E deixo as minhas questões ao “progressista”: quando o Supremo legisla e aprova cotas, união civil gay e aborto de anencéfalos, Vossa Senhoria, futuro Vossa Excelência, não vê ativismo judicial? Ou ativismo judicial só existe quando Vossa Senhoria discorda da decisão?

Como vocês veem, quem me obriga a fazer tais indagações é a lógica, são os fatos.

Texto publicado originalmente às 20h49 deste sábado
24 May 22:38

O Complexo do Alemão e o complexo da imprensa. Ou: Afinal, para que servem os jornalistas?

by giinternet

Os traficantes voltaram a dar, explicitamente, as ordens no Complexo do Alemão. Na verdade, nunca deixaram de fazê-lo. O comércio foi fechado nesta quinta, e quase 12 mil crianças ficaram sem aula. A se dar crédito — e vocês sabem que nunca foi o caso deste blog — ao discurso oficial e ao oficialismo que tomou conta de setores majoritários da imprensa nesse caso, isso não deveria ter acontecido. Supostamente, já se havia superado essa fase; já se estava num outro patamar.

Sim, os meus críticos têm razão num particular: “Você fica aí sentado na sua cadeira; nunca foi ao Alemão para ver de perto a vida das pessoas!”. É verdade! Nunca fui. Sabem a importância que isso tem? Nenhuma! Zero! Respondo a essa restrição com um caso extremo, para ser didático: um correspondente de guerra que coloque as bombas da hora acima da história e da lógica fará um péssimo trabalho. Estará vivendo o conflito quase na carne sem entender nada. O caso da Síria, em curso, é ilustrativo. Demorou um tanto até que se percebesse que o carniceiro Bashar Al Assad está sendo confrontado por forças que consagram, desgraçadamente, os métodos do… carniceiro Bashar Al Assad!!! E quem impediu o mundo de enxergar isso com clareza, infelizmente, foi gente que estava lá. Experimentar a realidade pode ser um caminho muito curto e convincente para o equívoco. Nascemos, é verdade, como tabula rasa, mas a segunda amamentação já começa a nos irrigar de relações causais e lógica. O verdadeiro aprendizado é aquele que se transforma em conceito. Sigamos.

Há várias maneiras de exercer uma determinada atividade profissional, e isso sempre depende do propósito que se tenha. Jornalismo, por exemplo! Destaco duas, nenhuma delas dolosa — como veem, excluo de saída os que são pagos com dinheiro público para exercer o gênero encomiástico e para difamar os inimigos da Coroa. A imprensa pode, diante de um determinado caso, qualquer um, fazer uma abordagem crítica, independente, ressaltando os aspectos positivos (se houver) de uma determinada medida oficial, e os negativos, se houver também. É claro que os sinais de “mais” e de “menos” têm um ponto que serve como referência. Afinal, como é sabido e como está consagrado nas democracias, veículos de comunicação — e, nos tempos da Internet, sites, blogs, portais etc. — têm uma linha editorial. Fiquemos num caso já clássico: devemos ter menos ou mais estado na economia? Alguns preferirão a resposta dada por Deng Xiao Ping, como exemplo máximo do pragmatismo virtuoso: “Não importa a cor do gato; o importante é que cace ratos”. Parece bom, mas não é! Se o gato exigir ser dono da casa para caçar ratos, então não é um bom gato. No caso da China, a eficiência do bichano só é possível porque o regime é tirânico. A eficiência de uma tirania é algo com que devamos nos conformar? Escolhas, escolhas… Eu, por exemplo, acho que não. Prefiro o regime de liberdades públicas dos EUA, ainda que a democracia traga consigo algumas, como chamarei?, deseconomias. O livro-caixa é um instrumento do estado democrático, não o seu senhor. Falei até agora de uma postura, a crítica — aquela que é feita segundo a ótica de quem não é poder. Entendo ser ela um dos pilares da democracia.

Há uma segunda, que, reitero, também é não dolosa: é a colaborativa, a engajada. Nesse caso, o papel da imprensa seria o de linha auxiliar do estado. Em vez da crítica, considerada constrangedora, por que não a abordagem senão elogiosa, mas afirmativa ao menos? Afinal, se todos queremos o bem do Rio, do país, da humanidade, há de haver entre nós o lugar do consenso. Muita gente, de boa-fé, sem qualquer ânimo para a censura, reprova o papel da imprensa, que sempre estaria interessada na má notícia, nos aspectos negativos da realidade, porque, dizia-se antigamente, quando esta era uma questão pertinente, “vende mais jornal”. A ilação embutia um pressuposto: o de que o leitor tinha um lado masoquista — eventualmente sádico no caso de que a má notícia não lhe dissesse respeito. Participei, há muitos anos, de uma tertúlia profissional, equivocada desde a convocação, para que se debatesse esse assunto. E se chegou, então, a uma formulação editorial que vinha até com uma chancela gráfica: “Boa Notícia”. Vale dizer: incorporava-se como verdade a crítica infundada de que a “má notícia” era o nosso filão principal e de que seria preciso treinar o olhar para importunar menos o leitorado, eventualmente as “otoridades”, com assuntos desagradáveis. É claro que foi um tiro n’água. Os meios estavam errados, e os meios sempre qualificam os fins.

Um jornalismo que vivesse, ainda que com bons propósitos, da mera justificação do presente não tardaria a incorporar, ele mesmo, a lógica do poder. Em vez de exercitar um conjunto de valores, passaria a ser o administrador de um conjunto de estratégias para, então, preservar O poder e se conservar NO poder. Não tardaria a considerar que todos os males do mundo — ou, vá lá, do país — decorreriam do dissenso; da ação deletéria de pessoas ou grupos que, em vez de colaborar com o bem comum oficialmente definido, dedicam-se à sabotagem. Não é uma tentação que esteja apenas na cabeça dos estúpidos e dos venais. Um homem inteligente e inegavelmente talentoso como Máximo Gorki justificou e aplaudiu todos os crimes de Stálin. Escreveu um livro exaltando, por exemplo, a construção de Belamor, o canal entre os mares Báltico e Branco. Foi feito com a mão de obra escrava dos prisioneiros. Nada menos de 170 mil pessoas! Vinte e cinco mil morreram em um ano e meio… Gorki acreditava sinceramente no socialismo… A honestidade da convicção não faz a boa obra. Se o jornalismo abre mão da crítica, contribui para a esclerose do poder. O consenso é, nas democracias, o que a censura é nas ditaduras.

Lidei, até agora, com ideias gerais, com valores, com conceitos. A minha crítica, insistente e persistente, ao modelo de segurança pública adotado no Rio de Janeiro não tinha e não tem origem no simples ânimo da discordância, na divergência como fetiche ou alegoria de mão. Tampouco decorre de alguma restrição de natureza ideológica — embora eu ache legítimo o debate ideológico, deixo claro. Levar o estado ao território ocupado pelo narcotráfico é, para mim, uma questão de princípio. Os arquivos estão aí. Os textos que escrevi antes mesmo da existência deste blog estão devidamente impressos. Eu os tenho todos. Quero-me um dos primeiros que lançaram justamente a questão da “recuperação do território”. Os morros do Rio e a periferia de algumas grandes cidades do Brasil eram — ou são ainda, no mais das vezes — “países” dentro de um país, regidos por leis particulares. Não fosse assim, o tráfico não decretaria o fechamento do comércio e das escolas, como voltou a fazer no Complexo do Alemão.

Nunca me opus, por óbvio, à chegada das ditas “unidades pacificadoras” às favelas do Rio — que o eufemismo influente passou a chamar de “comunidades”. Não gosto, e escrevi isso desde o primeiro dia, do nome. “Unidade pacificadora” por quê? Vai se celebrar a paz entre quem e quem? Quem é o “outro lado” admitido, então, como interlocutor aceitável no acordo — já que “a paz” supõe, necessariamente, a concordância entre as partes? O nome é ruim porque traz, implícita, a ideia de que se reconhece o narcotráfico como força beligerante legítima. Conceitualmente, o que se está a fazer é admitir que a realidade “de fato” constitui a realidade possível. E, obviamente, não posso concordar com isso. Uma polícia nunca é “pacificadora”, então. Ela deve ser a encarnação da ordem democrática. Ela é, como já escrevi aqui, a democracia que veste uniforme e que tem o monopólio, entre os civis, do uso da força.

Por que a questão conceitual é importante? Porque ela enseja uma prática. Ao se admitir que uma polícia “pacifica”, em vez de reprimir o crime, admite-se também que os traficantes — ou aqueles que se beneficiam da desordem — não precisam ser punidos por seus atos porque isso, afinal de contas, seria investir na guerra, no confronto, num modelo supostamente velho de segurança pública, com resultados comprovadamente perniciosos. Ora, o que estava errado, antes, não era o confronto com o crime, mas a prática de incursões nos morros para, depois, deixar a população ao deus-dará. O que estava errado — e este problema ainda não foi resolvido — era a corrupção policial. E não só no Rio de Janeiro, é evidente.

O que sempre critiquei, de maneira quase isolada, e continuo a criticar, é o fato de a “pacificação” do Rio trazer consigo a prática — nefasta, deletéria, absurda — de espantar bandidos em vez de prendê-los. Ou, então, de permitir que continuem a exercer suas atividades criminosas, desde que não aos olhos do público. O que previ — E, REITERO, OS ARQUIVOS ESTÃO AÍ — desde o primeiro momento está em curso: não tardaria para que as unidades de segurança do estado passassem a conviver com o crime organizado numa espécie de pacto de não agressão, eventualmente quebrado quando “radicais” de um lado ou de outro exorbitam, vão além daquilo que foi pactuado.

Ora, os criminosos mais notórios que são desalojados das “áreas pacificadas” vão, é claro!, aterrorizar as não pacificadas — e há mais de 1.200 “comunidades” no Rio! Quantas contam com UPPs? Vinte poucas? Niterói que o diga. Um bando de criminosos fugidos de favelas do Rio foi preso no Paraguai. Ainda que pareça estúpido fazê-lo, é preciso deixar claro: sou crítico dos aspectos deletérios da política de segurança, não do que há de virtuoso nas escolhas feitas. Mas não só isso: também sou crítico de uma certa visão deslumbrada, marqueteira, propagandística, de que se encontrou uma “nova forma” de combater a violência.

As UPPs, propaganda e aspectos negativos à parte, nada mais são do que policiamento preventivo e comunitário. A novidade, no caso, está no fato de esse policiamento ter chegado àquelas áreas, coisa que se deve aplaudir. O Rio não inventou nada de novo — está cumprindo uma obrigação do estado. E, obviamente, reconheço o esforço nesse sentido. Mas continuo a achar insano o entendimento de “pacificação” que se traduz também numa política deliberada de não prender criminosos — a não ser em casos excepcionais, que rendem holofotes.

Espírito do tempo
É claro que essa escolha se dá num momento em que o lobby em favor da legalização das drogas — já não é mais da simples descriminação — assume uma força inédita na imprensa. Nesse caso, as palavras de “paz” de José Mariano Beltrame e Sérgio Cabral soam como música aos ouvidos, pulmões, lábios, narizes… Noto que se vai formando um “consenso” em favor de uma legalização que, atenção!, não existe em lugar nenhum do mundo, nem na Holanda, para citar o caso extremo da liberalidade.

É a droga ilegal que faz o criminoso?
Os marginais que ainda assombram as “comunidades” seriam, nessa versão, apenas “pequenos traficantes”, que só pressionariam e onerariam o sistema prisional se fossem trancafiados. Nessa perspectiva, eles seriam, antes de mais nada, vítimas de um modelo caduco de combate às drogas. Se elas fossem legais, a realidade seria outra. Assim, esses supostos empiristas insistem em saber como seria um mundo em que tudo fosse permitido. Destituídos de um pensamento econômico elementar, não se dão conta de que aqueles que escolhem atuar no tráfico, pequeno ou grande, escolhem um atividade mais rentável do que a remuneração de um trabalho legal. Se a venda de entorpecentes, então, fosse legal, também a remuneração dos que se dedicassem a esse ramo cairia, nivelando-a, sei lá, com a recebido por quem vende sorvete ou sanduíche.

Ocorre que que aquele que escolheu o tráfico não estava contente com seu nível de renda nem enxergou, na legalidade, uma alternativa ou um caminho para um ganho suplementar. Antes de optar pelo tráfico, meus caros, ele optou pelo crime. Se as drogas forem legais, escolherá outra atividade criminosa que remunere adequadamente as suas ambições e o seu risco. Não é a ilegalidade de substâncias que faz os criminosos; os que decidem delinquir encontram nela um caminho. Se não estiver disponível, eles se decidirão por outro: crimes contra o patrimônio, latrocínios, exploração sexual, imaginem aí… O que alimenta o ciclo da criminalidade não é a ilegalidade da droga, mas a impunidade — seja lá qual for o delito praticado. E haveria, é certo!, o desastre social e de saúde pública decorrente da legalização, com a maior exposição de crianças e adolescentes a drogas que predispõem os usuários para o tudo ou nada. O aumento de latrocínios no Brasil inteiro, podem apostar, decorre da epidemia do crack. Volto ao leito.

Num momento, pois, favorável à legalização das drogas, uma política como a do Rio — que entende a “pacificação” como o não confronto com o crime; que se orgulha de “ocupar comunidades” sem enfrentamento com a bandidagem — surge como a resposta supostamente inatacável, consensual, de mero bom senso, ao problema da violência. Ela só desagradaria a pessoas como eu — e mais a uns dois ou três — que nunca estão contentes com nada; que preferem “falar mal” a colaborar; que escolhem apontar problemas em vez de aplaudir soluções; que são movidas pelo espírito de porco do dissenso, não pelas virtudes do consenso.

Pois é… Poderia responder como naquela música: “Esse cara sou eu…”. Mas não serve. Em primeiro lugar, há mais divergência na sociedade (ainda que os partidos de oposição não o percebam…) do que supõe o coro dos contentes — e são muitos “os caras e as caras”. Em segundo lugar, mas não menos importante, considero, como queria Drummond, “a enorme realidade”. Os episódios recentes no Complexo do Alemão me dão — e a outros que preferiram o caminho do dissenso — razão. E já que falei no poeta: “O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente”.

No fim das contas, a gente até pode perguntar: “Mas para que servem os jornalistas?”. José Dirceu, por exemplo, tem ideias muito claras a respeito.

Texto publicado originalmente às 19h29
24 May 18:32

Selena Deckelmann: The People of Postgres: Tom Lane

This post was originally posted on Medium, a new blogging platform made up mostly of people who aren’t necessarily subscribed to Planet. So, please forgive the obvious statements, as the target audience are people who don’t know very much about Postgres. Tom Lane, taken by Oleg Bartunov

Wednesday May 23, with no fanfare, Tom Lane’s move to Salesforce.com was made public on the Postgres developer wiki.

For 15 years, Tom has contributed code to Postgres, an advanced open source relational database that started development around the same time as MySQL but has lagged behind it in adoption amongst web developers. Tom’s move is part of a significant pattern of investment by large corporations in the future of Postgres.

For the past few years, Postgres development has accelerated. Built with developer addons in mind, things like PLV8 and an extensible replication system have held the interest of companies like NTT and captured the imagination of Heroku.

Tom has acted as a tireless sentry for this community. His role for many years, in addition to hacking on the most important core bits, was to defend quality and a “policy of least surprise” when implementing new features.

Development for this community is done primarily on a mailing list. Tom responds to so many contributor discussions that he’s been the top overall poster on those mailing lists since 2000, with over 85k messages.

Really, he’s a cultural touchstone for a community of developers that loves beautiful, correct code.

Someone asked: “What does [Tom’s move] mean for Postgres?”

You probably don’t remember this:

Salesforce.com bases its entire cloud on Oracle database,” Ellison said, “but its database platform offering is PostgreSQL. I find that interesting.

When I read that last October, I was filled with glee, quickly followed by terror. I love my small database community, my friends and my job. What if Oracle shifted it’s attention to our community and attacked it, directly? So far, that hasn’t happened.

Instead, Salesforce advertised they were hiring “5 new engineers…and 40 to 50 more people next year” for a “huge PostgreSQL project.

Tom’s move probably won’t change much for the day-to-day operation of Postgres itself. Hopefully, things are about to get real at Salesforce.

I’m a major contributor to Postgres. I started in 2006, learning about relational databases through work at a small bike parts manufacturer and ERP. My contributions include code, starting conferences, encouraging user group leaders and introducing Postgres to communities that otherwise would never hear from us. I’m a data architect at Mozilla.

24 May 12:47

Sticks and Stones

Sticks and stones may break my bones, but words can make me think I deserved it.
24 May 11:53

Bruce Momjian: New Presentation Online

I delivered my presentation "Nulls Make Things Easier?" today at PGCon, so I have placed my slides online. The presentation is based on a series of eleven blog posts about NULLs I did a few months ago.

24 May 11:52

Robert Haas: Query Planning Gone Wrong

Over the past few years, I've been making notes on pgsql-performance postings, specifically those postings which relate to query performance issues.  Today, I gave a talk at PGCon on the data I've been able to gather.

If you attended the talk, please leave feedback through the PGCon web site or feel free to leave a comment below with your thoughts.  If not, you can find the slides on my Presentations web page.  A few people asked me to post the raw data on which the talk was based, including links to the original threads.  I have created a Query Performance section on my Google Site and posted the information there.

The version posted on the web site incorporates a few minor corrections as compared to what I presented in the talk; and I have left out (for the sake of politeness) the cases I attributed to user error.  There were actually only 2 such cases, not 3 as I said in the talk, but either way it seems more polite not to post specific links.  Please contact me if you find other mistakes in what I have posted and I will correct them.

Many thanks to all those who said nice things about my talk!
24 May 11:51

Bom senso – Membro da Comissão da Verdade diz que Lei da Anistia não tem de ser revista

by giinternet

Apareceu na Comissão da Verdade mais uma voz a expressar não só o bom senso como o império da lei. Segundo informa a Folha, José Paulo Cavalcanti, advogado que integra o grupo, se opôs à revisão da Lei da Anistia. Leiam.
*
(…)
“Não [sou a favor da revisão]. Em defesa do princípio da legalidade, sagrado na Declaração Universal dos Direitos do Homem e na Convenção Americana sobre Direitos Humanos”, disse Cavalcanti. Para ele, a responsabilização dos envolvidos nos crimes anistiados deve ocorrer “no plano moral”, pois “a tortura está abaixo dos limites da dignidade humana. [Mas] juridicamente não”, disse.
(…)

Voltei
O advogado José Carlos Dias já fez avaliação idêntica. Insistem em jogar a Lei da Anistia no lixo — e também a lei que criou a própria comissão — Rosa Cardoso, Paulo Sérgio Pinheiro e Maria Rita Kehl. Esses três, pelo visto, acham que a verdade não pode conviver com o império da lei.

Para encerrar – É bom ficar claro que a revisão da Lei da Anistia não depende de vontade ou opinião. Torná-la sem efeito é uma impossibilidade legal.

24 May 11:50

Briga do PMDB com o PT poderia ser para valer; o país sairia ganhando…

by giinternet

Sempre que o PMDB briga com o PT e com o governo, o país fica mais próximo da moralidade. O diabo é que, como numa música breganeja que ouvi ontem num táxi, “Quando a gente fica junto, tem briga/ Quando a gente se separa, saudade (…)”. Vale dizer: eles sempre reatam — porque é natureza do PMDB voltar para os braços de quem está no poder. Qual é o busílis desta feita? Boa parte dos peemedebistas da Câmara decidiu assinar um requerimento que pede uma CPI para apurar irregularidades na Petrobras, especialmente a compra e venda de ativos no exterior. Endossam o pedido 199 deputados (é necessário um mínimo de 171). Do total, 120 pertencem a partidos da base aliada — 52 são peemedebistas; vale dizer: 63% da bancada de 82 deputados do partido.

A CPI é só um recado, é só um sinal. Ainda que prosperasse, não seria para já. Há dez pedidos na frente. O PMDB só está deixando claro à presidente Dilma, por intermédio dos deputados, que está descontente com o governo. Por isso assina um requerimento de CPI. Infelizmente, é para negociar mais adiante.

É claro que a Petrobras está a merecer uma CPI faz tempo. Basta contrastar a realidade da empresa hoje (e suas perspectivas) com as fantasias deixadas por José Sérgio Gabrielli, ex-presidente. Mais: ainda está sem solução o escândalo de Pasadena: a operação de compra de uma refinaria nos EUA resultou num prejuízo para a empresa de quase US$ 1,2 bilhão. Até o PMDB sabe disso.

Logo, se as mágoas acumuladas do PMDB resultassem numa CPI da Petrobras, algum bem se poderia fazer ao país e até mesmo à empresa — no médio e no longo prazos ao menos. Mas o mais provável é que não aconteça nada e que o governo ceda aqui e ali, pacificando o partido.

É claro que vai mal um país em que a moralização de uma empresa ou a investigação de operações suspeitas — e essas coisas deveriam ser obrigações — são empregadas como moeda de troca. O texto poderia ser este: “Ou vocês cedem a alguns dos nossos pleitos, ou vamos começar a fazer o certo e a cumprir o papel que nos atribuiu o eleitor”.

23 May 20:51

Futuro ministro do STF é um dos emblemas do pensamento politicamente correto; Dilma decide dar uma resposta aos “conservadores”

by giinternet

A questão que não quer calar é uma só — ou, agora, se me permitem, a “questão são duas”, a depender da velocidade com que as coisas avancem no Supremo: como Luís Roberto Barroso, o novo indicado para o Supremo (e certamente será aprovado pelo Senado), vai se comportar no caso do mensalão? O outro enigma é Teori  Zavascki. Fato número um, e vamos ver o peso que isto tem: há muito tempo ele é um dos prediletos de Márcio Thomaz Bastos para a o cargo. Bastos, como se sabe, é ex-ministro da Justiça e atual advogado de mensaleiro (José Roberto Salgado). Não se pode dizer, no entanto, que Barroso fosse o preferido do establishment petista. Havia outros à frente. Mas é certo que, numa dimensão, digamos assim, gramsciana, o partido não tem do que reclamar. Barroso é afinadíssimo com a metafísica petista e com os valores que o partido pretende transformar em imperativos categóricos.

Currículo, sem dúvida, ele tem. Inclusive no pensamento politicamente correto — ou politicamente engajado; já chego lá. Cumpre lembrar, antes de tudo, que Barroso foi a estrela da advocacia que atuou em favor do terrorista Cesare Battisti, “convocado” que foi para auxiliar Luís Eduardo Greenhalgh. Já escrevi o suficiente sobre esse caso, como sabem. Barroso faturou a causa por um voto, e o Brasil ficou com um bandido a mais à solta em suas plagas. UMA NOTA À MARGEM – Caso os mensaleiros não obtenham sucesso em sua empreitada, o futuro ministro do STF certamente não se alinhará com aqueles que pretendem evocar o Pacto de San José da Costa Rica, né? Afinal, a Corte Europeia de Direitos Humanos rejeitou os recursos de Battisti e declarou que ele havia tido, sim, à diferença do que se noticiou por aqui, amplo direito de defesa. Sigamos.

Barroso atuou ainda em favor da pesquisa com células-tronco embrionárias, união civil de homossexuais e do aborto de anencéfalos. Estivéssemos nos EUA, ele seria apontado como “um liberal”, segundo o vocabulário que se emprega lá. Aqui, o sinônimo é “esquerda”, eventualmente “progressista” na novilíngua que se passou a usar por aí.

Há que se destacar que, num momento em que os conflitos de valores se tornaram uma pauta quente no Brasil, Dilma escolhe um nome que, obviamente, vai na contramão dos, deixem-me ver como chamar, “valores tradicionais” — e, obviamente, nada tenho contra os “valores tradicionais”. Muito pelo contrário. Barroso é um dos mais vistosos emblemas do “progressismo” em matéria de direito. Mas, dados os nomes que andaram circulando por aí, afirmo: dos males, o menor…

O advogado é também o mais midiático de todos eles. Aos 55 anos, já pertence à geração que tem página na Internet, onde faz digressões sobre direito, poesia, música… A gente fica sabendo, por exemplo, que ele gosta de Beethoven, de Ana Carolina e de Taiguara. Tá bom.

Em sua página, o futuro ministro do Supremo opina sobre isso e aquilo — tanto que há lá uma seção chamada “opiniões”. No texto sobre o aborto de anencéfalos, escreve:

“A interrupção da gestação constitui tema controvertido em todas as partes do mundo. No Brasil, a questão da descriminalização do aborto ainda aguarda um debate público de qualidade e sem preconceitos. Porém, deve-se deixar claro que a antecipação terapêutica do parto não constitui aborto, à vista da falta de potencialidade de vida extra-uterina do feto.”

É… Uma das minhas especialidades é arrancar o glacê das palavras para me concentrar na substância. Qualquer um que diga que o debate sobre o aborto deve ser feito “sem preconceitos” é defensor do aborto. É claro que as pessoas têm o direito de ter esse ponto de vista. O que me incomoda é considerar que o outro só pode pensar de modo diferente por “preconceito” — classificação que busca, obviamente, desqualificar o adversário intelectual. Nota: “antecipação terapêutica do parto” é eufemismo detestável. O nome é aborto mesmo, terapêutico ou não.

Mesmo sendo um dos preferidos de Márcio Thomaz Bastos, não sei como Barroso se comportaria no caso do mensalão. Uma coisa é certa: ele é um das mais vistosas reputações do pensamento politicamente correto no Brasil. Pensem aí uma “causa progressista”, qualquer uma: Barroso será a favor. Ao nomeá-lo, Dilma certamente procurou dar uma resposta àquilo que as esquerdas chamam “onda conservadora no Brasil” — que, de resto, não existe. Mas agora existe um ícone para combatê-la…

Texto publicado originalmente às 17h45 desta quinta
23 May 20:37

Mal acaba “Salve Jorge”, traficantes voltam a demonstrar quem manda no Alemão; desisti de ir morar naquele paraíso; sinto-me traído pelo primeiro caso de merchandising de política de segurança da história da TV

by giinternet

Não acompanhei o fim da novela “Salve Jorge” — nem o começo nem o meio — e não sei se, no fim daquela cadeia de inverossimilhanças, segundo li aqui e ali, o capitão Teo (Theo?) decidiu morar no Alemão com a brejeira Morena. Leio na VEJA.com (texto segue abaixo) que os traficantes voltaram a demonstrar quem dá as ordens no Complexo do Alemão. Leiam a reportagem. Volto em seguida.
*
Moradores do Complexo do Alemão voltaram a assistir, na manhã desta quinta-feira, a uma demonstração de poder dos traficantes de drogas. Ocupado pela polícia desde dezembro de 2010, o conjunto de favelas amanheceu com comércio e escolas fechados em várias áreas. A ordem para fechar portas teria partido de traficantes, em represália à morte de um bandido. O problema atinge também parte da Vila Cruzeiro, favela próxima ao Alemão.

Comandante do programa de Unidades de Polícia Pacificadora, o coronel Paulo Henrique afirmou, na manhã desta quinta-feira, que o fechamento do comércio é um “descontentamento” dos traficantes com a ação da polícia. Para os moradores, no entanto, a leitura é de que os bandidos continuam dando as cartas, apesar da presença de policiais e da construção de unidades da PM naquela área.

Além de lojas e escolas, os bandidos conseguiram interromper também o funcionamento de um posto de cadastramento do programa Bolsa Família, que funciona a poucos metros de uma das estações do teleférico do Alemão – ponto que passou a receber visitantes e a integrar o conjunto de novos cartões postais do Rio, após a chegada das UPPs.

Confronto
O episódio que motivou a reação dos traficantes foi a morte de um homem de 29 anos, identificado como Anderson Simplício de Mendonça, conhecido como “Orelha”. De acordo com a 22ª DP (Penha), o caso ocorreu na noite de quarta-feira e foi registrado como “homicídio decorrente de intervenção policial”. Segundo a Polícia Civil, Anderson tinha dois mandados de prisão pendente pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.

O suspeito foi encontrado, segundo a polícia, com um revólver calibre 38 e oito munições calibre 38. “No local, os PMs arrecadaram dois carregadores para fuzil calibre 762 e vinte munições para o mesmo calibre. Familiares de Anderson e testemunhas estão sendo intimadas para prestar depoimento. Agentes da 22ª DP estão realizando diligência para identificar os outros traficantes”, diz uma nota enviada pela Polícia Civil.

Comento
“O caso é grave, Reinaldo, não cabe ironia!” Eu sei. Não ironizo a situação dos moradores, coitados!, que ficam à mercê da bandidagem, mas a versão edulcorada — e, no limite, falsa, como toda construção meramente ideológica — do que passou a ser chamado de “pacificação” das favelas do Rio.

Minha crítica ao governo Sérgio Cabral, nesse caso, nunca esteve ligada à presença de unidades da Polícia na favela, é evidente, mas ao fato de que há uma ação deliberada — ou inação — para NÃO PRENDER traficantes. A menos que Cabral e José Mariano Beltrame provem que as UPPs levam os traficantes a fazer o download do divino, a minha suposição é a de que continuam no mundo do crime — e até com mais segurança. Levar melhorias às favelas — e é uma obrigação — sem quebrar a espinha do poder do tráfico corresponde a pôr mais recursos públicos à disposição de quem manda, de fato, nas “comunidades” (no Rio, não existem mais “favelas”): o tráfico. É questão de fato. É questão de lógica elementar.

Descriminação das drogas
“Ah, e se o consumo de drogas não fosse crime? Nada disso aconteceria!” É… Se a gente descriminar os crimes, não tenho dúvida, tudo vira “da lei”, não é mesmo? E, aí, quem pode mais chora menos. Se incendiar pessoas numa pira de pneus deixar de ser crime, os que comandam o churrasco poderão circular livremente, como cidadãos honrados. A questão é saber o bem ou o mal que estarão fazendo à sociedade.

Noto que, para o caso em espécie, não bastaria descriminar o consumo, mas também o tráfico de drogas, o que não se fez em país nenhum do mundo, nem na Holanda. E quem dá as ordens nos morros não é o consumidor de drogas, mas o traficante.

Não vou mais morar no Alemão. Senti-me enganado pelo primeiro caso de novela que faz merchandising de uma política de segurança pública.

23 May 20:35

Vocês têm de ver este vídeo em que um jovem de 16 anos silencia a Marilena Chaui de Portugal

by giinternet

Se vocês acham ruins alguns teóricos da esquerda brasileira, é preciso conhecer seus pares em Portugal. Vocês têm de ver o vídeo abaixo. O caso é o seguinte. A TV RTP tem um programa chamado “Prós e Contras”, comandado pela jornalista Fátima Campos Ferreira. O nome, claro!, é delicioso e carrega, assim, aquele encantador apreço pela literalidade. Afinal, se vai haver um debate, uns vão dar os “prós”, e outros, os “contras”, certo? Estão mais avançados do que o Brasil nesse particular. Vejam o Caso do Roda Viva, por exemplo (e é assim em quase todas as TV no Brasil): se a causa for “progressista”, um lado do debate dará os “prós”, e o outro também. Se o contrário, então o contrário… Assim, a literalidade, no caso do programa de Portugal, salva o telespectador do pensamento único ao menos. Mas me desviei um pouquinho.

“Prós e Contras” fez um debate cujo tema era sugestivo: “Mudar o país ou mudar de país?” Portugal, a exemplo da maioria das nações europeias, vive uma crise grave. Os convidados do dia eram jovens empreendedores, que estavam lá para relatar a sua experiência. Um deles foi Martim Neves, um garoto de 16 anos que, aos 15, criou uma marca de roupa chamada “Over it”. Seu produto é um sucesso, e ele já está… exportando. Fantasia? Vocês verão o vídeo. Perceberão que o rapaz é articulado. Fala com desenvoltura sobre o mercado de roupas, a globalização do estilo, a crise em Portugal etc.

Muito bem! Num dado momento, ele é interrompido por Raquel Varela, que é, assim, uma espécie de Marilena Chaui de Portugal. Parafraseando Camões, para ficar no mundo lusófono, a diferença só está nos dons da natureza, mas não nos “dons do pensamento”. Raquel, um medalhão da esquerda portuguesa, resolveu esculhambar o garoto, acusando-o, indiretamente, de ser um explorador ou da mão-de-obra escrava mundo afora ou dos pobres operários portugueses. Assistam ao vídeo e veja a resposta dada por Martim. Volto em seguida.

Voltei
A doutora tem um currículo para 400 talheres. Reproduzo um trecho (em vermelho) da página oficial do Instituto de História Contemporânea (nota: em Portugal, “investigadora” quer dizer “pesquisadora”):
Raquel Varela (1978) é investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, onde coordena o Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais e investigadora do Instituto Internacional de História Social, onde coordena o projecto internacional In the Same Boat?Shipbuilding and ship repair workers around the World (1950-2010). É coordenadora do projecto História das Relações Laborais no Mundo Lusófono. É doutora em História Política e Institucional (ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa). É, desde 2011, Presidente da International Association Strikes and Social Conflicts. É vice coordenadora da Rede de Estudos do Trabalho, do Movimento Operário e dos Movimentos Sociais em Portugal.

Convenham! É uma vergonha uma senhora tão preparada ser humilhada, de maneira tão curta e definitiva, por um garoto. Ele a silenciou de forma tão acachapante que, no lugar dela, eu ficaria uns 10 anos em retiro, revendo meus conceitos. Portugal passa por uma crise terrível, mas Martim demonstra que o país tem futuro. Embora ainda jovem, a doutora Raquel demonstra que o país também tem um passado. Que tem de passar.

Aplausos para Martim, o que não espera que outros façam por ele o que ele próprio pode fazer. No Brasil, com a idade dele, a lei considera os “adolescentes” de tal sorte irresponsáveis que podem sair por aí a incendiar pessoas ou a lhes estourar os miolos. Martim cria, trabalha, ganha a vida. Para desespero da doutora Raquel, que prefere ser uma “pensadora” sobre a penúria da classe operária. Alguém paga o seu salário. Infiro que são aqueles que ainda trabalham em Portugal porque gente como Martim gera empregos.

23 May 20:33

Estafeta de Maduro explica por que falta papel higiênico na Venezuela: é que o povo está comendo mais!!! É sério! Não é piada!

by giinternet

O regime venezuelano vai se desconstituindo de forma patética. Uma piada — ou nem tanto — toma conta das redes sociais da Venezuela. Pouco depois de o governo aprovar a importação de 39 milhões de rolos de papel higiênico — em meio a uma crise geral de abastecimento, muito especialmente de produtos alimentícios —, Elías Eljuri, presidente do Instituto Nacional de Estatísticas, foi a público, numa entrevista concedida à Televen, uma das TVs estatais do país, para “provar” que o povo está comendo muito mais hoje em dia. Eis o vídeo. Volto em seguida.

Voltei
Reitero: a falta de alimentos na Venezuela é dramática. E o tal Eljuri tenta provar por quê: é que se come mais!!! Por enquanto, estão tentando importar comida também. Ainda chegará a hora de punir os comilões, acusados de contrarrevolucionários.

E, eis o motivo de escárnio da rede, está explicada também a falta de papel higiênico no país. Sabem como é: quanto mais comida entra, mais comida processada sai, certo? É fato que o chavismo aumentou bastante, na Venezuela, a produção de “mierda”, como se diria em espanhol castiço.

23 May 12:18

Heil Maduro, mein Führer! Ditador anuncia agora a criação de milícias operárias armadas e uniformizadas!

by giinternet

O Führer da Venezuela saúda seus seguidores e anuncia a criação das novas milícias. Logo ele vai mudar o desenho do bigode… (Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

Nicolás Maduro, o ditador eleito (???) da Venezuela sempre pareceu muito ruim. Estávamos todos enganados. Ele é ainda pior. A crise interna no bolivarianismo está levando o homem celeremente para o delírio. Leiam o que informa a VEJA.com:
*
Com a Venezuela dividida pelas acusações de fraude nas eleições de abril e ameaçado por cisões dentro da cúpula chavista, o pressionado Nicolas Maduro veio a público nesta quarta-feira para incentivar a criação de um novo grupo armado ligado ao governo, as “milícias operárias”. “Ordeno avançar, o mais rápido possível, com o estabelecimento e a organização das milícias operárias bolivarianas como parte das milícias nacionais”, bradou Maduro em um ato na Universidade Bolivariana de Trabalhadores Jesús Rivero, em Caracas.

Milícias
De clara inspiração fascista, a Milícia Nacional Bolivariana foi estabelecida por Hugo Chávez em 2009 para reunir e legitimar todos os grupos armados clandestinos que realizavam o trabalho sujo de intimidar os opositores do regime. O novo grupo proposto por Maduro faria parte desta milícia, que por sua vez é ligada às Forças Armadas venezuelanas, e seria composto principalmente por membros da classe trabalhadora em um esforço para “fortalecer a aliança operária-militar”.

“As milícias serão ainda mais respeitadas se tiverem 300 mil, um milhão, dois milhões de trabalhadores e trabalhadoras uniformizados e armados, prontos para a defesa da soberania e da revolução”, destacou Maduro. Segundo estimativas, o atual efetivo da Milícia Nacional Bolivariana é de 130 mil homens.

Golpe
O apelo do presidente acontece dias depois de a oposição venezuelana ter divulgado uma gravação que aponta uma conspiração dentro do governo contra Maduro. Em uma conversa com um agente do serviço secreto de Cuba, o popular apresentador de TV Mario Silva, personalidade ligada à cúpula chavista, acusa o chefe da Assembleia Nacional Diosdado Cabello de tramar um golpe contra o presidente venezuelano. Com bom trânsito no setor militar, Cabello teria a simpatia de parte das Forças Armadas, que estariam rachadas por divisões internas.

23 May 12:18

Está nascendo, já nasceu!, uma nova minoria superprotegida no Brasil: o drogado!

by giinternet

Está nascendo uma nova minoria superprotegida no Brasil: a dos consumidores de drogas. Como não existem pensamento conservador e oposição robusta no país, os progressistas e os idiotas se abraçam e tomam conta do debate, com apoio de setores consideráveis da imprensa. Leiam o que informa o Estadão Online. Volto em seguida.

Por Eduardo Bresciani:
A Câmara dos Deputados aprovou a criação de uma cota em licitações públicas para a contratação de dependentes químicos em processo de recuperação. A medida foi aprovada dentro do projeto que altera o Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas permitindo a internação involuntária de dependentes com base em pedido de familiares ou trabalhadores da área da saúde. O projeto, porém, não teve a votação concluída e falta ainda decisão sobre o agravamento de pena para traficantes envolvidos em organizações criminosas. O tema terá ainda de ser analisado pela Câmara para que siga ao Senado.

A criação de uma cota para a contratação de dependentes em recuperação provocou debate em plenário. O líder do PDT, André Figueiredo (CE), afirmou que a medida poderia prejudicar outros trabalhadores. “Não podemos incentivar o demérito, ou seja, que aquele que nunca usou droga possa ser prejudicado pelo que já usou”. O argumento dos parlamentares favoráveis à proposta é que o acesso ao trabalho é uma parte importante do processo de recuperação do dependente. “Quem trabalha tem um índice de reincidência muito menor”, argumentou o deputado Anthony Garotinho, líder do PR.

A reserva de vagas é de 3% dos empregos em licitações de obras públicas que gerem mais de 30 postos de trabalho. Na votação, a bancada do PT tentou retirar do texto um artigo que retira a possibilidade de emprego por meio da cota a dependentes que tiverem recaídas. O plenário, porém, manteve a exigência de abstinência do uso para ser beneficiado. Além de se manter longe do vício, o dependente em recuperação terá de atender os requisitos solicitados pela empresa, cumprir as normas do empregador e seguir seu plano individual de atendimento.

Comento
Pois é… Há os que querem liberar todas as drogas no Brasil, como vocês bem sabem. E, com maior cara de pau, dizem que o sistema público de saúde deve se encarregar dos viciados. Eles ajudam a pôr as drogas nas ruas, e o estado que se vire. Ninguém fala em custo.

Agora vem essa história de garantir cotas a viciados em recuperação. É um acinte à lógica, ao bom senso e mais um sintoma do coitadismo que toma conta do país. Por que não se garante cota a operário que, sei lá, tenha lido ao menos três livros no ano, por exemplo?

Não existe um cadastro de viciados no país. Se o cara estiver “limpo”, nada em sua ficha vai denunciá-lo como um ex-dependente. Garantir emprego a quem, em algum momento, fez uma escolha errada em detrimento de quem não errou é garantir um prêmio ao mau comportamento.

E o PT ainda achou pouco. Queria a garantia do emprego também para o reincidente. Daqui a pouco, os drogados e ex-drogados terão acesso privilegiado ao Bolsa Família, ao Minha Casa Minha Vida, ao caixa do banco… Em breve, mau negócio será ter ficha limpa.

23 May 12:18

De volta ao Roda Viva – Há uma diferença entre entrevistar e militar em favor da descriminação ou legalização das drogas. Ou: Destrinchando mais um pouco a patuscada na TV Cultura

by giinternet

Alguns engraçadinhos querem me chamar pra dançar. Então tá. Vamos a mais um texto sobre o Roda Viva. Ficou longo. Vocês sabem: não tenho preguiça.

Escrevi ontem um post sobre a armadilha que o programa Roda Viva, da TV Cultura, preparou, na segunda-feira, para o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, que coordena o programa “Recomeço”, do governo de São Paulo, de combate ao crack. Dos cinco entrevistadores escalados, quatro (Ilona Szabo de Carvalho, Denis Burgierman, Laura Capriglione e Bruno Paes Manso) estavam lá menos para entrevistá-lo do que para tentar desqualificá-lo, o que resultou inútil. Os dois primeiros são membros de uma tal “Rede Pense Livre”, que é um lobby em favor da descriminação das drogas. A fala de Ilona, na verdade, deixa entrever a suspeita de que a turma é favorável à legalização mesmo, o que não existe em nenhum país do mundo.

O rapaz escalado pelo comando do programa para colher mensagens no Twitter se encarregava de difamar o convidado em tempo real. Desde a redemocratização do país, deve ter sido o momento mais vexaminoso por que passou a emissora. O post teve uma repercussão danada. Não esperava tanto. O texto recebeu uma enxurrada de comentários. Tive de cortar muita coisa porque a indignação dos leitores com aquela patuscada os fez perder, muitas vezes, a prudência. E é claro que também muita gente veio para me xingar. Afinal, o lobby em favor da “causa” deve ser o mais organizado do país. O Roda Viva é a prova disso: das seis pessoas da bancada (incluindo o tuiteiro), cinco estavam lá para defender suas teses em favor da descriminação das drogas, não para saber o que pensava o entrevistado, para esclarecer pontos eventualmente obscuros do seu pensamento, para confrontá-lo com eventuais evidências contrárias à sua tese — e esse é o papel de um entrevistador. Vamos falar um pouco dos furiosos.

Reproduzo algumas das questões que chegaram e, ao fazê-lo, trato um pouco de imprensa, ideologia, patrulha ideológica, isenção jornalística, essas coisas… Também vou reproduzir algumas intervenções do membros do pelotão de linchamento para discutir o seu mérito. Nota para encerrar este parágrafo: eu não me intimido com patrulha. Se me intimidasse, não escreveria as coisas que escrevo. E também não sou preguiçoso nem fico convocando meus amiguinhos na imprensa para me defender. Meus amigos são meus amigos apenas. Sei cuidar de mim. Adiante.

“Você está bravo, Reinaldo, porque não é mais convidado para o Roda Viva? Está se oferecendo para o programa como exemplo de isenção?”
Começo pelo fim. Podem ficar tranquilos. Não há a menor chance de me convidarem para o Roda Viva que aí está. E, se convidassem, eu não aceitaria. Já participei daquela bancada umas duas dezenas de vezes. Nunca fui lá para dar pinta de que sou um perguntador sem um ponto de vista. Tenho, sim. Mas, em todas as vezes, fiz perguntas, em vez de tentar competir com o entrevistado. Paulo Markun, ex-mediador do programa, que não deve concordar com 10% das minhas opiniões (e olhem que chuto um teto alto), sabe disso. Faço jornalismo de opinião. Quem me convida sabe o que penso. E o que penso, é evidente, pauta as minhas intervenções. Mas jamais parti ou parto do pressuposto de que o meu interlocutor é um idiota. Eu jamais cometo esse erro. Jamais tenho essa arrogância. Os petistas sabem que, até agora, eu só não os chamei de duas coisas: de santos e de burros. O que vi na segunda-feira foram manifestações explícitas de desrespeito, de desinformação e de prepotência sem lastro. Ah, sim: uma das tarefas do entrevistador é não tentar tomar o lugar do entrevistado…

“Você quer ser o apresentador do Roda Viva? Quer a demissão de Fulano e de Beltrano?”
Eu??? Não!!! Não quero ser apresentador do Roda Viva. Até porque, na condição de mero telespectador, defendo para aquela cadeira um jornalista que tenha experiência em televisão — já que se trata de uma… televisão. Também não quero a demissão de ninguém. A ilação é de um cretinismo ímpar. Até porque, se tivesse esse poder, não tenham dúvida de que já o teria usado, hehe…

“Quem você pensa que é?”
Huuummm… Não sou “aquele que é”, é certo. Sou apenas quem sou. Por que tanto nhenhenhém com a minha crítica? Então a produção e a direção do Roda Viva — e da TV Cultura — armam um espetáculo ridículo daquele numa TV PÚBLICA, sustentada com dinheiro dos impostos que pagamos, e eu, que tenho um blog privado e sou um dos pagadores daquela conta, não posso reclamar? Por que não? “Ah, é que jornalista não deveria criticar jornalista…” Eu critico quando acho que devo. Vê lá se tem graça agora poder discordar de governantes e governantas, mas não poder jamais contestar um coleguinha…

“Você é agora dedo-duro do Twitter?”
Dedo-duro é ponta do pavio! O rapaz que tuitava, a convite da direção do Roda Viva, estava, por acaso, em alguma ação clandestina? Ele estava na rede social para não ser visto? Para não ser lido? Era alguma ação secreta, de guerrilha ideológica? Entendi que lhe prestei até um favor. Agora, ele ficou realmente famoso. Na próxima Marcha da Maconha, pode até sair fantasiado de tuiteiro da TV Cultura…

“Quem é você para decidir a bancada do programa?”
Decidir? Eu não decido nada! Se decidisse, a composição não seria aquela, ora essa! Que coisa mais estúpida! O espírito do programa “Roda Viva”, sempre entendi, é montar uma bancada plural. Aliás, aquele que é o programa de entrevistas mais antigo da TV sempre teve um nome problemático, não? A música de fundo sugere que se trata de um empréstimo da música de Chico Buarque. Ocorre que a “roda viva” da canção — e da peça de teatro — é algo negativo, que impede o pensamento e a clareza, que arrasta em sua voragem todas as sutilezas. E um programa jornalístico deve fazer justamente o contrário. E o Roda Viva já teve, sim, jornadas excelentes.

Aí perguntará o tonto: “Se um ex-torturador aceitar o convite para uma entrevista, deve haver entrevistadores favoráveis à tortura?”. Não! Assim como não deveria haver entrevistadores favoráveis ao terrorismo no caso de o convidado ser um ex-terrorista, como já aconteceu. Ocorre que aprendemos, e isto é bom, que a tortura é abominável. Já o terrorismo… Até outro dia, havia um comentarista político na TV Cultura, não sei se ainda está lá, que já flertou com o terrorismo em uma resenha.

Atenção! Ainda que um ex-torturador fosse o entrevistado, o papel do jornalista não é ir lá fazer cara de nojo — como fizeram para Cabo Anselmo, o dedo-duro, no próprio Roda Viva. O papel de um jornalista é ir lá e arrancar do entrevistado o máximo de informações que ajudem a elucidar o período dos confrontos armados no Brasil e que situem a personagem que está sentada no centro do Roda Viva naquele tempo. Ir ao programa para mostrar indignação faz supor que o contrário, a admiração, poderia ser possível…

Ocorre que Ronaldo Laranjeira é um psiquiatra que se especializou em dependência química. Não é nem um terrorista nem um torturador. Ele tem um ponto de vista conhecido sobre a descriminação das drogas, a forma de tratamento e a política pública que deve ser aplicada. Não tem de ser tratado como o dono da verdade. MAS É UM ESCÂNDALO JORNALÍSTICO QUE SEJA TRATADO COMO “O ERRADO”. O que o programa fez é indefensável sob qualquer ponto de vista que se queira. No afã de defender a descriminação das drogas, a tropa de choque armada pela direção do Roda Viva resolveu criminalizar Ronaldo Laranjeira.

Trechos exemplares
No post de ontem, reproduzi um grande momento de Laura Capriglione, que resolveu fazer digressões sobre o consumo recreativo das drogas. Eu a desafiei a nos apresentar um consumidor recreativo de crack. Ela não deve ter encontrado nenhum até agora. Mas houve outras iluminações. O vídeo vai abaixo de novo. A partir dos 48 minutos, assistimos a um show impressionante de prepotência e grosseria.

Reproduzo por escrito, em vermelho. Comento em azul.

ILONA SZABÓ DE CARVALHO, COFUNDADORA DA REDE PENSE LIVRE: Aí você me preocupa um pouco porque tem alguns conceitos bem confusos, né? Eu queria oferecer até, eu sou membro da Rede Pense Livre, uma rede que foi criada para aprimorar esse debate, e eu vou fazer, na verdade, um resumo dessa discussão, colocando vários dados que eu acho que são importantes para a discussão, à disposição no nosso blog, então eu acho que, com fontes, explicando, acho que essa conversa não vai dar para aprofundar, mas eu acho que é importante, porque a gente está confundindo muitas coisas aqui. Eu acho que, partindo do ponto de que, hoje, se a gente for encarar a realidade; se, de fato, a gente não quiser tapar o sol com a peneira, as drogas são muito disponíveis para os adolescentes; hoje, eles estão totalmente desprotegidos, compra-se em qualquer lugar, né? Nós não temos uma educação honesta, infelizmente, não temos educação honesta sobre drogas. A gente mente, a gente afasta. O modelo de criminalização não deixa que o usuário procure o sistema de saúde pública, então, se o senhor…

RONALDO LARANJEIRA – De onde você tira isso?

ILONA SZABÓ – Dr. Laranjeira, você tem mais de 20 países no mundo, uma coisa é importante dizer, são cinco países na América Latina, porque a gente não fala sobre isso, que não tem o consumo criminalizado, por exemplo, Uruguai, Paraguai, Colômbia, México, Argentina a Corte Suprema já legislou também sobre isso…

RONALDO LARANJEIRA – Qual é a evolução desses países?

ILONA SZABÓ DE CARVALHO – Qual é a evolução? Que a gente começa a cortar o círculo da violência, quer dizer, hoje, se você mantém o consumo na esfera criminal, as pessoas têm medo de pedir ajuda, o sistema de saúde não tem a informação, os usuários têm medo porque é crime.

MARA MENEZES – As famílias não têm medo. Nós queremos ajuda para que nossos filhos possam se tratar.

ILONA SZABÓ DE CARVALHO – Os usuários têm medo.

Comento
É preciso assistir ao vídeo para perceber o tom em que fala a tal Ilona. Durante todo o programa, ela não fez uma única pergunta. Ela não estava lá só para rivalizar com o entrevistado. Também queria desqualificá-lo, acusando-o de expressar “conceitos confusos”. Sua fala, como, revelam os fumos dos anacolutos, é que é um exemplo de clareza, não é mesmo? Mais: ela oferece toda a sabedoria acumulada da rede Pense Livre (!?!?!?) e diz que, no blog, fará um resumo do assunto, com as fontes e coisa e tal. Poderia ter citado alguma durante o programa, o que não fez. Passou, por exemplo, uma informação falsa aos telespectadores, felizmente rebatida por Laranjeira. É mentira que a política de redução de danos esteja em expansão. Ao contrário: os países que a adotaram estão voltando atrás.

Diz Ilona: “As drogas são muito disponíveis para os adolescentes; hoje, eles estão totalmente desprotegidos, compra-se em qualquer lugar, né? Nós não temos uma educação honesta, infelizmente, não temos educação honesta sobre drogas. A gente mente, a gente afasta”.

O que terá querido dizer com isso? Como ela é favorável à descriminação das drogas, critica, na verdade, é o fato, então, de os adolescentes não terem um lugar seguro (???) para… comprar os entorpecentes. Na verdade, esta senhora está é defendendo a legalização. Ela ignora a evidência de que a interdição legal ao consumo — ainda que não leve ninguém para a cadeia — é, hoje, um fator de inibição. Se e quando não existir, claro que mais jovens ficarão expostos às drogas. “Mas aí poderiam comprar num lugar seguro…”, ela poderia dizer. Qual é a segurança de um adolescente que consome cocaína, crack, heroína, ecstasy?

Afirmar que o usuário não procura tratamento porque consumir droga é crime é de uma desonestidade intelectual sem limites. Esta senhora não sabe o que diz. Esta senhora não tem dados a respeito. Esta senhora está falando o que lhe dá na telha. Nada acontece com o consumidor mesmo que seja flagrado com droga (desde que não caracterize tráfico). Se ele chegar a um hospital e se disser dependente, aí que não mesmo. O problema é outro, irresponsável senhora! Faltam leitos e expertise no sistema de saúde para atender essa gente toda mesmo sem a descriminação. Imaginem com ela.

Ah, sim: Ilona lida mal com as palavras. Justiça não legisla, não, dona! Vamos seguir com um momento realmente sublime, estrelado por Bruno Paes Manso, repórter do Estadão, e Denis Burgierman, da revista Superinteressante.

BRUNO PAES MANSO – Eu quero fazer uma pergunta importante, uma pergunta que, justamente, tem a ver com toda essa discussão que tá tendo aqui, porque o assunto das drogas é um assunto polêmico, ninguém tem dúvida disso. E o senhor, além de estar trabalhando com esse grande programa do estado de São Paulo, o senhor, hoje, quer dizer, este ano, o senhor assumiu o principal programa da Prefeitura, que é a antiga UTI do Crack, que é do município de São Paulo. O senhor também coordena, então, o senhor coordena o principal programa da prefeitura e o principal programa do governo do estado com uma visão própria, pessoal, em um debate que, eu acho, só na Escola Paulista de Medicina, tem três pessoas bastante contrárias à visão do senhor.

RONALDO LARANJEIRA – Na verdade, a academia é o lugar para isso, né?

BRUNO PAES MANSO – É intenso, mas não é muito poder para uma pessoa só? Para uma visão só? Prefeitura, do PT, e governo, do PSDB, o senhor está coordenando os dois programas, então é muito poder…

DENIS BURGIERMAN – E só para complementar: não tem também um possível conflito de interesse com sua atuação em uma clínica privada?

RONALDO LARANJEIRA – Por que teria? O que eu posso dizer é assim: eu defendo uma linha de pensamento baseada em evidência. Quer dizer: eu sou professor universitário, tenho lá uma equipe grande que produz, nós somos financiados pelo governo federal, nós somos o Instituto Nacional de Álcool e Drogas, financiado pelo CNPq, né? Temos financiamento da Fapesp; temos financiamento da prefeitura. Nessa área, eu acho que a prefeitura ou o governo do estado está apoiando aquelas ideias, não está apoiando a minha pessoa, né? Está apoiando as ideias que eu tenho levado, tenho debatido por muitos anos. Tenho debatido em artigo científico, que isso tá submetido aos meus pares científicos. Tenho mais de 200 artigos publicados. Quer dizer: tem o lado acadêmico, tem o chapéu acadêmico, e tem o chapéu assistencial, né? Se a prefeitura ou o estado acha que eu possa contribuir, não vejo conflito de interesses. Eu, para falar a verdade, a maior parte desse serviço, eu não ganho, pessoalmente, nada. Eu já trabalhei no Jardim Ângela, como voluntário, quer dizer…

MARA MENEZES – Os grupos de auto e mútua ajuda, como voluntário…

BRUNO PAES MANSO – Para diversificar a visão diante dessa complexidade, desse debate que a gente está vendo aqui…

RONALDO LARANJEIRA – Obviamente, não sou só eu, ou a minha equipe, que tem tanto serviço assim. Vários outros serviços vão ter, a Santa Casa tem, a USP tem, a Unicamp tem. Quisera eu ter tanto poder assim! Eu acho que tem alguns serviços que, no caso da prefeitura, foi um sistema absolutamente republicano. Eles divulgaram o edital, a SPDM, de que eu faço parte, que é o braço assistencial da Escola Paulista de Medicina, foi lá, submeteu ao edital, competimos com outros serviços e ganhamos na parte técnica. Aliás, a mesma coisa acontece no estado, né? Eu me sinto bastante tranquilo.

Comento
Bruno Paes Manso acha que Laranjeira tem “poder demais” porque coordena um programa do governo do estado, que é do PSDB, e outro da prefeitura, que é do PT. Pelo visto, o combate às drogas, segundo a sua visão, deveria obedecer a um corte partidário. Mais: como, na universidade, há outras visões, parece que ele acha razoável que todas estivessem representadas… Imagino que, segundo essa especiosa análise, isso deveria valer para todas as áreas, o que conduziria o país à paralisia. Os governantes passariam os dias debatendo. Pensemos a sua receita aplicada, por exemplo, ao Banco Central…

É estupefaciente! O Roda Viva, que é um programa jornalístico, que tem compromisso com o equilíbrio, montou uma bancada de CINCO A UM contra Laranjeira. Mas Manso acha que governos eleitos pelo povo não podem escolher um caminho para combater as drogas. Estariam obrigados a contemplar as várias visões. Ele, tudo indica, se ressente de não ver a sua — mostrou-se, por exemplo, favorável ao cultivo doméstico de maconha — representada no trabalho coordenado por Laranjeira, mas certamente não viu nada de anormal na bancada do programa.

Já a pergunta de Denis Burgierman é uma tentativa canhestra de sugerir alguma ilegalidade na atuação de Laranjeira — quando menos, algum impedimento ético. Ele é jornalista. Que vá investigar a questão. Uma raciocínio sem dúvida encantador para quem defende com tanta energia a descriminação até do “pequeno tráfico”, seja lá o que isso signifique. Na sua fala, consumidores e pequenos traficantes não seriam incomodados por ninguém. Já Laranjeira seria obrigado a se explicar e a se defender…

Assistimos a um dos momentos mais grotescos do jornalismo em muitos anos. E isso se deu por uma única razão: cinco das seis pessoas que compunham a bancada estavam lá num trabalho de militância, que já assumiu colorações ideológicas. Os entrevistadores não queriam entrevistar, mas vencer o entrevistado.

Perderam de goleada, fizeram um papel ridículo e mancharam a reputação do mais antigo programa de entrevistas da televisão brasileira.

PS – O outro-ladismo já exige nas redes sociais que o Roda Viva entreviste agora um psiquiatra favorável à legalização das drogas. Vamos ver se a TV Cultura vai ceder. Nesse caso, suponho, montar-se-ia uma bancada de 5 a 1 a favor do entrevistado, certo?

Texto originalmente publicado às 6h
23 May 11:06

Ataque em Londres lembra ação de irmãos em Boston

by giinternet

Homem é filmado ainda com faca ensanguentada nas mãos, depois de ataque a soldado em Woolwich, Londres – Reprodução/ITV

Da VEJA.com:
Pouco mais de um mês depois de dois irmãos chechenos matarem três pessoas e aleijarem dezenas num atentado a bomba na Maratona de Boston, nos Estados Unidos, um tipo semelhante de barbárie horrorizou os britânicos – e o mundo – nesta quarta-feira. Um soldado foi destroçado com uma machete, perto de um quartel em Woolwich, no sul de Londres, por dois homens que dizem ter agido em nome do Islã. Os dois responsáveis pelo ataque na capital britânica parecem ser, assim como os irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, aquilo que os especialistas em segurança têm chamado de ‘lobos solitários’: fanáticos que não estão no radar dos serviços de inteligência porque não pertencem a nenhum grupo terrorista conhecido, embora sejam movidos pelo mesmo ódio. Logo depois da selvageria, ainda com sangue nas mãos, um deles foi filmado dizendo: “Nós juramos por Alá que nunca pararemos de lutar contra vocês. A única razão pela qual fizemos isso é porque muçulmanos estão morrendo todos os dias”.

Para o jornal britânico The Guardian, o fato de não haver um elo visível e imediato entre os responsáveis pela barbárie desta quarta e grupos terroristas não significa que a ligação não exista. As frases usadas pelo terrorista nesta quarta é a mesma encontrada na retórica da Al Qaeda, verificada em vídeos gravados por homens-bomba. As dificuldades enfrentadas pelas equipes de contraterrorismo na atualidade é a fragmentação da Al Qaeda, dando origem a ‘franquias’ espalhadas pelo mundo árabe e pela África, o que torna a identificação de suspeitos mais difícil do que nunca. Um estudo divulgado no ano passado pelo Royal United Services Institute apontou que terroristas que atuam como ‘lobos solitários’ voltariam à Grã-Bretanha nos próximos anos. Eles são treinados em campos no Paquistão e adquirem experiência em guerras na Somália, no Iêmen, na Nigéria e no permanente conflito no Iraque. E usam rotas muito mais difíceis de ser monitoradas.

Num primeiro momento, o governo evitou classificar o ato como terrorista, apesar de o termo já ter sido usado desde o início pelo primeiro-ministro David Cameron. “Eu fui informado pelo Ministério do Interior sobre esse ato repugnante em Woolwich. Estamos investigando o caso, mas há fortes indícios de que se trata de um incidente terrorista”. A secretária do Interior, Theresa May, também mencionou uma “forte indicação” de que o caso está ligado ao terror. “O que aconteceu hoje em Woolwich foi um ataque repugnante e selvagem. A polícia e o serviço de segurança estão apurando os fatos desse caso bárbaro, mas há um forte indício de que foi um ato de terrorismo”. Ela acrescentou que a segurança foi reforçada nos quartéis de Londres. “Esse foi um ataque contra todos na Grã-Bretanha e será condenado pelas pessoas de todas as comunidades. Nós já vimos o terrorismo nas ruas da Grã-Bretanha anteriormente e estivemos sempre firmes contra isso. Atos desprezíveis como este não ficarão impunes”.

O presidente francês, François Hollande, também mencionou o terrorismo ao falar sobre o caso, ao lado de Cameron, que visitou Paris nesta quarta. Ele disse que os governos “devem lutar contra o terrorismo em todos os lugares”. “Isso exige que nossos serviços de inteligência trabalhem juntos e que atuemos em todos os lugares que pudermos”, completou. Cameron voltará a Londres na noite desta quarta e vai coordenar outra reunião do comitê de emergência na manhã desta quinta.

Muçulmanos
O Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha divulgou um comunicado no qual afasta qualquer ligação do ataque com o Islã. “Este foi um ato verdadeiramente bárbaro que não tem base no Islã e o condenamos de forma incondicional. Nossos pensamentos estão com a vítima e seus familiares. Entendemos que a vítima é um membro das Forças Armadas. Os muçulmanos servem há muito tempo as Forças Armadas deste país, com orgulho e honra. Esse ataque contra um membro das Forças Armadas é infame e nada justifica essa morte. Essa ação vai, sem dúvida, aumentar a tensão nas ruas da Grã-Bretanha. Pedimos a todas as comunidades, muçulmanas ou não, a se unirem em solidariedade, para impedir que as forças do órdio prevaleçam”, diz o texto, segundo o jornal britânico The Telegraph.

Boston
Na última semana, a imprensa americana divulgou que Dzhokhar Tsarnaev deixou uma mensagem no barco em que foi encontrado pela polícia, dias depois do atentado em Boston. Na mensagem, ele reafirma que as vítimas do ataque foram “danos colaterais”, da mesma forma que inocentes morreram nas guerras dos EUA ao redor do mundo. “Quando você ataca um muçulmano, você ataca todos os muçulmanos”. Discurso idêntico ao adotado pelo responsável pelo ataque em Londres. O atentado em Boston deixou três mortos e mais de 260 feridos – muitos perderam membros e enfrentarão longos e dolorosos tratamentos.

23 May 11:04

LinuxTag: LiMux firmly established in Munich

At the LinuxTag conference, the leader of Munich's Linux migration project, Peter Hofmann, emphasised that the City of Munich has no intentions to switch its Linux desktops to Windows
    


23 May 01:41

FSF Blogs: GNU/Linux chosen as operating system of the International Space Station

This is a wise choice for the space station, and a high-profile victory for software freedom. It brings good publicity for free software, demonstrating its respected position in the world of science and technology.The International Space Station, now using GNU/Linux

While "use it on a space station" wasn't listed as one of RMS's "Measures Governments Can Use to Promote Free Software", the announcement that the International Space Station is switching its laptops from Windows XP to GNU/Linux is exciting news. It's especially important for governments to use free software, because everything they do is paid for by the citizens of their countries. To ask citizens to pay for software that they cannot use, study and modify is especially unjust.

Along with increased reliability, NASA said they chose GNU/Linux because they could modify it to fit their needs. This is one of the core ideas behind free software, and we're glad the space agency values it.

Unfortunately, both NASA and the media writing about the decision have been calling the operating system "Linux" instead of "GNU/Linux." The kernel Linux is an important part of the operating system known as GNU/Linux, but the vision of the system and the framework on which the system is made were developed by the GNU Project, a community of developers that care deeply about free software ideas. Because of this, it is inaccurate to refer to the OS as "Linux," and doing so covers up the fact that this space-worthy operating system is the result of a decades-long commitment to ethical values.

That's why we ask that, when you talk or write about the operating system (in space or otherwise), you help us by referring to it as "GNU/Linux," and encourage your friends to do the same. There are gnus up there in space, along with the penguins.

Ironically, even though NASA calls the operating system by a misleading name, the distribution they chose, Debian, gets this right -- its official name is Debian GNU/Linux.

To learn more about this naming problem, see "Linux and GNU", the GNU/Linux FAQ or the history of the GNU Project on GNU.org.

23 May 01:40

A arte brasileira é dependente do crack fornecido pelo estado. Ou: Uma questão envolvendo Gerald Thomas e Zé Celso. Ou ainda: Vamos privatizar Zé Celso!

by giinternet

Abaixo, Gerald Thomas. O que ele faz aí? Vamos ver.

Esquerda, direita e centro; pobres, ricos e remediados, corintianos, palmeirenses e torcedores da Portuguesa (existem!); flamenguistas, vascaínos e fanáticos pelo América; gays, héteros e depende-da-hora… Sem distinção, vai crescendo a legião dos que acham que o estado tem de lhes fornecer tudo, até nas questões mais pessoais, mais íntimas: camisinha, anticoncepcional, pílula do dia seguinte e, quem sabe?, aborto grátis para o caso de ter batido aquela preguiça nas fases anteriores, e aquilo ter encontrado “aquila” sem as devidas precauções…

Mais ainda: toda a conversa sobre descriminação das drogas, desde a mais xucra até a mais aparentemente sofisticada, como a de FHC, parte do princípio de que o vício do indivíduo é um problema do estado. O gosto e o gozo, ah, esses não! Consumir vira um direito individual; tratar os dependentes se torna um problema estatal. Estamos nos tornando o país do gozo privado e da socialização da conta. E todo mundo é coitado! Todo mundo é necessitado! Todo mundo é pedinte!

E os artistas, com honrosas exceções, são, a gente tem a impressão, os mais coitados de todos. A indústria do entretenimento está acabando no Brasil. Virou uma repartição pública. Antes da Lei Rouanet, por exemplo, peças ficavam anos em cartaz, com sessões a partir de terça-feira; aos sábados, costumava haver duas. As matinês eram ou para a turma que queria chegar mais cedo em casa ou para os que tinham outro programa — uma festa, um jantar, o amor… Isso acabou. Os produtores se penduraram na Lei Rouanet. A rigor, a meia-entrada (olhem o estado aí fingindo que universitário, no Brasil, é pobre, o que é uma mentira asquerosa!) não lhes deixa muitas alternativas, a menos que elevem de tal sorte o valor do ingresso que a meia valha por aquilo que seria uma inteira.

O sujeito pode gastar dinheiro com todos os “Is” da Apple, mas acha inaceitável pagar uma entrada inteira no teatro… O formato do antigo patrocínio quase desapareceu. É mais fácil apelar ao cartório estatal: pega a graninha da Lei Rouanet, mantém uma peça em cartaz por uns três meses, com sessões de quinta a domingo e acabou! Há nisso tudo desperdício de tempo, de talento, de trabalho… O resultado é constrangedor: nunca houve tanto apoio oficial à cultura, e os espetáculos, não obstante, nunca ficaram tão pouco tempo em cartaz.

A arte brasileira é dependente do crack fornecido pelo estado. Aliás, os brasileiros, com raras exceções, se tornaram dependentes químicos da boa vontade estatal — que custa o futuro do país.

Gerald e Zé Celso
Meu amigo Gerald Thomas gerou um quiproquó danado. E, felizmente, por boníssimos motivos. Qual foi o busílis? Rodolfo Garcia Vazquez, diretor do grupo “Os Satyros”, se indignou com o fato de o Teatro Oficina não ter sido contemplado com verbas da Lei do Fomento. Gerald escreveu no Facebook (em azul):
Ze Celso tem tudo: um mega-espaço! É um “carro conversível” da Lina Bo Bardi. Fez espetáculos que queria. Teve os longos elencos, usou dezenas de atores que trabalharam de graça (e amo o Zé ! don’t get me wrong). Conseguiu MILHÕES da Petrobras pra editar seus DVDs (que eu apresentei aqui em NY) e CERTAMENTE NAO PRECISA TIRAR $$$ DE GRUPOS NOVOS com grana destinada pelo projeto do FOMENTO porra! CHAMA “FOMENTO” justamente para incentivar companhias novas, grupos novos, ideias novas de pessoas que não têm e não sabem entrar nesse complexo sistema de protecionismo! Vamos dar uma chance a ELES e ver sangue novo! (respondo a uma indignação do Rodolfo Garcia Vásques ! Sorry por discordar. Mas o Satyros merece muito mais, já que vcs montaram escola etc! E não sugaram tudo pra vodka em nome do “evoé” que evoou e sumiu!
Gerald Thomas (indignado!)

Voltei
Como discordar de Thomas? Notem bem: as pessoas têm o direito de cultuar Zé Celso (foto acima), de considerá-lo um guru, o fundador de um novo paganismo, o sacerdote ou sacerdotisa de uma nova era dionisíaca, escolham aí. Pouco me importa também que ficar pelada e pelado em suas montagens tenha se transformado em categoria estética ou de pensamento. Escrevi uma vez na revista BRAVO!, depois de ver o espetáculo “Cacilda!”, que ele continuava a ter laivos de encenador genial. O chato é que, do nada, aparecia um bando de gente se masturbando num palco elevado. Pra quê? Sei lá. Pra nada, acho eu. O Zé deve ter ficado com vontade de ver aquilo. “A masturbação te incomoda, Reinaldo?” Não, ué. Se feita no palco, no entanto, busco um propósito estético, como buscaria se a pessoa comesse um filé com fritas e tomasse um suco de laranja. O Zé faça o que quiser desde que haja gente disposta a financiá-lo.

Ocorre que ele virou uma espécie de autodeclarado patrimônio nacional. Ou mais precisamente: virou um “bem cultural” tombado em vida — não o Oficina, mas ele. Tenho vontade de começar uma campanha em favor da privatização de Zé Celso, com leilão público e tudo.

Assim, parece óbvio que o veteraníssimo e financiadíssimo José Celso Martinez Corrêa, tornado uma lenda sobretudo por si mesmo, não receba mesmo um prêmio de fomento, né? Gerald, que sempre se encarrega de arrumar o dinheiro para os espetáculos que monta (em vez de avançar na nossa carteira), falou a coisa certa.

Reação
Para ler mais a respeito, visitem o blog de Thomas. Não! Zé Celso não gostou da crítica. Pensam que ele entrou no mérito da crítica feita? Que nada! Preferiu o caminho do coitadismo; preferiu nos fazer sentir culpados, deixando claro o quanto nós, os brasileiros, lhe devemos. Leiam trecho (em vermelho). Volto em seguida.

(…)
“Gerald não tem noção do que está falando? É uma injustiça absurda receber uma porrada dessas como se eu fosse um corrupto. Trabalhei junto com outros artistas há dez anos para a implementação da Lei do Fomento, mas só me beneficiei dela uma única vez. Eu tenho 52 anos de Oficina, sou um homem que não tem propriedades, seguro-saúde, uso táxi porque sou cardíaco. Vivo modestamente e apenas com o dinheiro da Anistia. Hoje sou um homem que vive às custas do fato de ter sido torturado. É esse dinheiro, os R$ 9 mil por mês da Anistia, que paga as minhas contas, os meus remédios para o coração. E que ainda uso para tocar uma coisa ou outra no Oficina.”
Para o diretor do Oficina, Thomas “está completamente equivocado”. Ele afirma que o Teatro Oficina se beneficiou uma única vez de verbas (R$ 300 mil) públicas destinadas pela Lei do Fomento, no ano de 2002. O montante foi usado, à época, para a criação da primeira parte da trilogia “Os sertões”, inspirada na obra homônima de Euclides da Cunha. Hoje em dia, as atividades do Teatro Oficina são patrocinadas pela Petrobras, que destina anualmente R$ 1 milhão ao grupo.
“Tentei diversas outras vezes o Fomento, mas nunca fui contemplado. Tentei porque temos custos altíssimos. O dinheiro da Petrobras paga um terço das nossas despesas. Somos 60 atores, uma sede com funcionários.”
Em um comentário posterior, mas na sequência da mesma publicação, Thomas escreve: “Isso é um escândalo. Essas pessoas têm décadas de teatro. Ainda não são autossuficientes?”
Zé Celso diz que não, e conta, por exemplo, que teve de encerrar prematuramente a temporada da última montagem da companhia — a peça “Akordes”, que estreou no Teatro Oficina em 2012 — por falta de recursos.
“Não pudemos sair do nosso espaço, apresentar a peça em outras cidades, e a temporada acabou porque não tínhamos dinheiro para pagar os atores”, diz o diretor. “As pessoas têm as suas vidas e suas contas, não puderam continuar, foram embora, eu entendo. Mas aí vem o Gerald e joga em cima de mim uma acusação dessas? Ele deveria estar do meu lado, se indignar e cobrar das empresas e do estado o fato de um grupo como o Oficina ainda hoje não ter garantia de poder trabalhar permanentemente. Deveria estar lutando para que os investimentos públicos e privados em teatro aumentassem, que essa Lei do Fomento crescesse. Mas não. Ele não faz ideia dos custos que temos para manter uma sede. Nó somos heróis, cara, manter uma companhia por 52 anos no Brasil não é para qualquer um. Deveríamos estar numa situação melhor, mas temos dificuldade de ganhar patrocínios porque nossos espetáculos são libertários. Tocam em questões políticas, sexuais, não seguem a cartilha dominante. E disso nós não iremos abdicar”.
Em julho, o Oficina recebe uma nova leva do patrocínio da Petrobras, que servirá à produção do novo espetáculo do grupo: a peça “Cacilda!!! Glória no TBC”, a terceira parte de uma tetralogia dedicada à atriz Cacilda Becker.

Voltei
Ufa!

Lá no muito antigamente, artistas faziam arte inclusive como forma de contestação; sentiam-se, como é mesmo?, marginas e heróis. Até eram bons tempos comparados aos de hoje. Depois procuraram se estruturar para responder por suas próprias produções — afinal, a arte tem de ser livre, não é? Virgílio, por exemplo, foi um poeta patrocinado. Mas ele reproduzia, com brilho ímpar, a visão do establishment do Império Romano. Zé Celso aspira à marginalidade gloriosa e ao heroísmo com martírio, mas financiado com dinheiro público. Acredita que o estado, que ele combate, e que o capitalismo, que ele repudia, têm a obrigação de financiar suas utopias.

Não têm, não! Nem um nem outro. A arte brasileira precisa se libertar do crack do dinheiro público.

23 May 01:39

Anistia Internacional destaca criminalidade e perseguição na Venezuela

by giinternet

Na VEJA.com:
Em um relatório sobre direitos humanos divulgado nesta quarta-feira, a Anistia Internacional destaca o problema da criminalidade e da perseguição a opositores na Venezuela. Um dos casos em destaque é o da juíza María Lourdes Afiuni, que cumpre prisão domiciliar. Ela foi presa em 2009, depois de conceder habeas corpus a um empresário inimigo do governo chavista que ficou detido, sem julgamento, por quase três anos. O relatório afirma que, em setembro do ano passado, pistoleiros passaram pelo edifício onde mora a juíza e dispararam tiros contra seu apartamento. Em novembro, María revelou publicamente que foi estuprada no período em que esteve na cadeia. Pesam sobre a juíza acusações de corrupção, abuso de autoridade e associação para delinquência. A ONG ressalta, no entanto, que a decisão tomada por María Lourdes “era de sua competência e foi tomada de acordo com o direito venezuelano”.

Defensores dos direitos humanos também são alvos de perseguição do governo venezuelano, ressalta o relatório. “Autoridades governamentais e meios de comunicação estatais continuaram a fazer acusações infundadas contra defensoras e defensores dos direitos humanos com o objetivo de retirar a legitimidade do seu trabalho”, diz o texto, citando ainda agressões físicas e ameaças, como as direcionadas à integrante do Observatório Venezuelano de Prisões (OVP), Marianela Sánchez Ortiz. A Anistia denuncia que o marido de Marianela, Hernán Antonio Bolívar, “foi sequestrado e ameaçado com uma arma para que alertasse sua mulher a fim de que ela parasse de reclamar das condições prisionais e de criticar o governo, caso contrário ela e sua família enfrentariam as consequências”.

Para o governo venezuelano, o OVP fabrica informações sobre as prisões do país em troca de dinheiro de financiadores americanos. O oficialismo segue apontando inimigos externos, especialmente dos Estados Unidos, como fonte dos problemas internos da Venezuela. No caso das prisões, as rebeliões são frequentes, e o relatório fala em “violência generalizada”. Segundo a Anistia Internacional, ao longo de 2012, quase 600 pessoas foram mortas nas penitenciárias venezuelanas. “Armas de fogo, explosivos e outros tipos de armas continuaram sendo usados rotineiramente em conflitos prisionais”. O documento cita alguns casos relativos ao ano passado. Em julho, o anúncio da transferência de internos do Centro Penitenciário da Região Andina, no estado de Merida, para outras penitenciárias provocou uma rebelião que durou 20 dias e deixou 17 pessoas mortas. Em agosto, uma eclosão de violência resultou em 26 pessoas mortas e 43 feridas na penitenciária de Yare. Em 2013, período já fora do levantamento realizado pela Anistia, os conflitos continuaram. Logo no início do ano, uma rebelião em um presídio de Barquisimeto, no oeste do país, deixou mais de 50 mortos e dezenas de feridos a tiros. Além de presidiários, um policial e dois pastores evangélicos estavam entre as vítimas.

A violência não está restrita aos muros das prisões venezuelanas. Ao contrário, é uma das principais preocupações da população, o que levou o governo a ordenar, no início deste mês, o envio de 3.000 militares às ruas para combater o problema. Dados oficiais apontam 16.072 assassinatos no país, em 2012, o que representa um crescimento de 14% em relação ao ano anterior. No entanto, o Observatório Venezuelano de Violência (OVV) registra um número ainda maior, com 21.692 pessoas assassinadas no ano passado. Para a ONG britânica, entre outros fatores, a “disponibilidade descontrolada de armas de fogo e de munições” no país agrava o quadro. Diante da gravidade da situação, o presidente Nicolás Maduro, herdeiro político do caudilho Hugo Chávez, achou outro vilão para culpar: os programas de entretenimento. Ele quer acabar com o que considera “antivalores do capitalismo” transmitidos pelos veículos de comunicação. “Não vamos permitir programas que promovam a prostituição, as drogas, a violência. Que se interrompa o festim da morte”, discursou na semana passada.

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22 May 23:02

EFF: Vermont Is Mad as Hell at Patent Trolls

by corbet
The Electronic Frontier Foundation has sent out a release about how the US state of Vermont is going on the offensive against patent trolls. "Not content to strike back against a single troll, Vermont is also poised to pass a bill dealing with the problem as a whole. The Vermont House and Senate recently passed a bill to combat 'bad faith assertions of patent infringement'. And the latest word is that Vermont's governor is about to sign it into law."
22 May 22:32

Why the 'Star Trek Computer' Will Be Open Source and Apache Licensed

by Soulskill
psykocrime writes "The crazy kids at Fogbeam Labs have a new blog post positing that there is a trend towards advanced projects in NLP, Information Retrieval, Big Data and the Semantic Web moving to the Apache Software Foundation. Considering that Apache UIMA is a key component of IBM Watson, is it wrong to believe that the organization behind Hadoop, OpenNLP, Jena, Stanbol, Mahout and Lucene will ultimately be the home of a real 'Star Trek Computer'? Quoting: 'When we talk about how the Star Trek computer had “access to all the data in the known Universe”, what we really mean is that it had access to something like the Semantic Web and the Linked Data cloud. Jena provides a programmatic environment for RDF, RDFS and OWL, SPARQL and includes a rule-based inference engine. ... In addition to supporting the natural language interface with the system, OpenNLP is a powerful library for extracting meaning (semantics) from unstructured data - specifically textual data in an unstructured (or semi structured) format. An example of unstructured data would be the blog post, an article in the New York Times, or a Wikipedia article. OpenNLP combined with Jena and other technologies, allows “The computer” to “read” the Web, extracting meaningful data and saving valid assertions for later use.'" Speaking of the Star Trek computer, I'm continually disappointed that neither Siri nor Google Now can talk to me in Majel Barrett's voice.

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