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Aussie Government Proposes OpenDocument As the Standard Format
Olympus desaster forecast….Don’t worry, there is more chance the analysts will fail.
I keep receiving emails from readers pointing me out the report published by Yahoo (Click here). It says that the digital camera business from Olympus will disappear from the US market within 2014. It’s not the first time I hear these kind of negative forecasts about Olympus and as of today…Olympus digital camera business is still alive ![]()
Honestly, I think there is a bigger chance that Yahoo will crash in 2014 rather than Olympus! I agree with Thom Hogan when he says: “The medical side of Olympus is healthy enough that they can take their time deciding ultimately just what happens with cameras, and I’m pretty sure they’ll first try to execute a strategy that helps them get back to profitability before giving up on it.”
So please don’t worry, and let’s see what Olympus will deliver us soon with the new OMD!
Gleisi: desconto na conta de luz está assegurado
Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
Após o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), dizer que não pretende colocar em votação a medida provisória (MP) 605 antes que ela perca a validade, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, se apressou em afirmar que o governo irá assegurar a redução da tarifa de energia elétrica prometida pela presidente Dilma Rousseff.
Caso o Senado não aprove a MP a tempo, o governo estuda incluir o benefício no texto de outra MP em tramitação. “O governo lamenta muito a não colocação em votação, mas também quer deixar claro que não há risco para a redução da tarifa de energia”, disse Gleisi. “A população não precisa se preocupar. O governo tem os mecanismos para garantir essa redução da tarifa até encontrar a solução legislativa adequada”, completou a ministra.
Senado
Renan Calheiros afirmou nesta terça que não vai ler o texto da Medida Provisória da energia elétrica às pressas. A leitura é o primeiro ato para a votação dos textos. Publicamente, o parlamentar afirma que o Senado não deve atuar como mero carimbador da vontade do Executivo e que seriam recusados todos os textos que chegassem à Casa faltando menos de sete dias para que perdessem a validade. A estratégia do parlamentar já havia sido anunciada quando o Senado teve de votar a MP dos Portos.
“Para votarmos a MP dos Portos tivemos que estabelecer uma regra de que não faríamos a leitura de nenhuma MP com menos de sete dias. Por um acordo consensual e de procedimento de todos os líderes, nós poderíamos suplantar essa decisão tomada. Como isso não aconteceu, a regra está mantida”, disse Calheiros antes de presidir a ordem do dia nesta terça-feira.
Redução
Apesar de a presidente Dilma Rousseff e sua equipe econômica terem declarado e reforçado inúmeras vezes, inclusive em cadeia nacional de TV, o prometido desconto médio de 18% na conta de luz dos brasileiros, essa queda nos preços não é real. O desconto, de fato, foi dado aos brasileiros a partir de 24 de janeiro deste ano – a redução é garantida pelo aporte de 8,4 bilhões de reais do Tesouro Nacional, com a retirada de encargos da tarifa e da antecipação da renovação das concessionárias que aconteceria entre 2015 e 2017.
Contudo, Dilma esqueceu de mencionar que há um calendário anual de reajustes e revisões de preços da energia elétrica que podem puxar a conta final para cima – e comprometer o desconto prometido pela presidente – ou para baixo. Durante o ano todo, as 63 distribuidoras de energia do país passam por mudanças em sua tarifa, afim de compensar maiores ou menores custos de operação e perdas com a inflação no ano anterior. Isso significa, na prática, que todos os brasileiros sofrerão, em algum momento, um novo ajuste na conta de luz, independente do prometido pela presidente.
Os porões da gestão Obama – Deputados investigam se secretário de Justiça mentiu
Na VEJA.com:
A lama dos escândalos sobre o uso da máquina pública nos Estados Unidos para perseguir adversários está cada vez mais perto de atingir o presidente Barack Obama. O esforço dos assessores mais próximos para blindar o presidente pode ruir se uma investigação no Congresso provar que o secretário de Justiça, Eric Holder, deu ordem para espionar jornalistas. Os integrantes da Comissão Judiciária da Câmara dos Deputados querem saber se Holder mentiu em depoimento no último dia 15, ao negar seu envolvimento na perseguição contra a imprensa pela publicação de informações confidenciais. “Eu nunca estive envolvido nisso, nunca ouvi falar sobre isso, ou pensaria ser uma política inteligente.”
No entanto, uma reportagem da rede NBC News afirmou na última semana que o secretário aprovou pessoalmente o mandado de busca contra o correspondente da Fox News em Washington James Rosen. O jornalista foi classificado pelo FBI como “cúmplice de conspiração” depois de publicar informações de documentos confidenciais sobre a Coreia do Norte que teriam sido vazados por um conselheiro do Departamento de Estado americano.
Holder prestou esclarecimentos à comissão antes que o caso de Rosen viesse à tona, quando outro escândalo envolvendo a administração Obama e a liberdade de imprensa estava em foco: a interceptação de linhas telefônicas da agência de notícias Associated Press. O republicano Jim Sensenbrenner, de Wisconsin, defende a renúncia do secretário. “O chefe do Departamento de Justiça deve ser alguém em quem o povo americano possa confiar. Por isso, Holder deveria renunciar”, disse ao jornal The Hill.
A investigação que envolveu o correspondente da Fox está relacionada a um episódio que tinha como protagonista o então conselheiro de segurança do Departamento de Estado, Stephen Jin-Woo Kim. Ele é acusado de ter vazado, em junho de 2009, um documento confidencial do governo que dizia que a Coreia do Norte provavelmente faria um teste nuclear, em resposta a uma resolução da ONU condenando testes anteriores. Rosen publicou a informação em 11 de junho do mesmo ano.
Resistência na Justiça
O FBI, então, conseguiu um mandado para obter toda a correspondência entre Rosen e Kim, além da troca de e-mails pessoais e ligações do jornalista. E o governo lutou para manter em segredo a invasão, inclusive entrando em conflito com juízes que discordavam do modus operandi da administração Obama.
Ronald Machen, promotor responsável pelo processo contra o ex-conselheiro Jin-Woo Kim, insistiu que o jornalista não deveria ser informado sobre a operação que vasculhava seus e-mails, alegando que isso poderia comprometer a investigação. Dois juízes foram contra o argumento, declarando que o Departamento de Justiça era obrigado a notificar o jornalista sobre o mandado de busca, mesmo se a notificação fosse enviada algum tempo depois do início da operação. Machen apelou e conseguiu manter em segredo o ato de espionagem.
Rosen, de fato, não soube de nada até a notícia ser publicada pelo jornal The Washington Post na última semana. Mas a companhia proprietária do canal americano, a britânica News Corp, foi informada sobre os grampos em agosto de 2010, segundo fontes do Congresso citadas pela imprensa americana. A companhia confirmou ter recebido a notificação e acrescentou que houve falha interna, uma vez que a informação deveria ter sido transmitida para a Fox.
De volta ao tal líder da “Igreja da Maconha”. Ou: Juiz vai começar a ser demonizado agora por seguir a lei?
A Folha de S.Paulo publica nesta terça um texto cujo título é “Em nome de Jah”. Como se vê, à diferença do que se entende lendo o Manual de Redação, não há nas quatro palavras acima informação objetiva nenhuma. A rigor, a expressão deveria trazer um ponto de exclamação, já que fica ali num misto de exortação e expressão interjetiva. “Jah”, vocês devem saber, é o nome do, como direi?, “deus” da “religião” rastafári. Parece-me que não é um título nem isento, nem crítico nem apartidário (considerando, claro, os partidos na espécie, que não são os políticos).
O texto trata de um assunto sobre o qual já escrevi aqui: a condenação à prisão de Geraldo Antônio Batista, o “Geraldinho Rastafari”, ou “Ras Geraldinho”, que se quer líder da Igreja da Maconha. O meu post está aqui.
Muito bem. Leia-se a íntegra do texto da Folha, de André Monteiro e Emília Sant’Anna, que circulou, tudo indica, só na capital de São Paulo. Uma tia minha, que mora em Americana, não viu “Em nome de Jah” na edição local. Acho que ficaram faltando algumas informações básicas (em vermelho). E me disponho a preencher as lacunas.
*
A primeira igreja rastafári do Brasil está vazia. Seu fundador, Ras Geraldinho –designação religiosa de Geraldo Antonio Baptista, 53,–deve passar os próximos 14 anos preso por tráfico de drogas. A sentença é resultado dos 37 pés de maconha –que o líder rastafári diz plantar para uso religioso– encontrados pela Guarda Municipal de Americana em agosto de 2012 na sede da igreja, numa chácara da cidade a 127 km de SP. Namorada de Ras Geraldinho, Marlene Martim, 50, diz estar perplexa com a decisão tomada pela Justiça neste mês. “A pena é maior do que para muitos assassinatos, estupros, sequestros”, afirma. Os guardas chegaram ao templo após deter dois jovens com maconha e vasos para o plantio da cânabis. Segundo o processo, eles indicaram a chácara como origem da droga. Marlene nega. “Eles vieram aqui, contaram sobre a viagem que um deles fez, ficaram um tempo e foram embora.”
Para Mauro Chaiben, um dos advogados de Ras Geraldinho, a condenação do líder rastafári vai contra as liberdades de consciência e religiosa, garantidas na Constituição. “Tráfico pressupõe lucro, dinheiro, presença de armas, balanças de precisão, mas nada disso foi apresentado”, diz. A invasão à chácara no ano passado foi a terceira desde 2010. “Eles não tinham mandado, como em todas as outras vezes, e o Geraldo abriu a porta”, diz Samir Gabriel Martim, 25, enteado do líder religioso.
Na sentença, o juiz Eugênio Augusto Clementi Júnior também determina a perda do imóvel, que deve ser transferido à União. “Sabíamos que o Ras seria condenado, pois os moradores de Americana conhecem a atuação rigorosa do juiz. Porém não tínhamos noção de que ele seria tão cruel”, diz Marlene. “Houve preconceito, intolerância religiosa e um conservadorismo que não enxergou os ventos que sopram no mundo na questão da descriminalização da cânabis.” O advogado cita trechos da sentença em que o juiz afirma que “se ele [Ras Geraldinho] quisesse seguir a religião deveria ir morar na Jamaica”.
Para Daniela Skromov, coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública de São Paulo, a decisão “vai na contramão de toda a discussão mais contemporânea sobre o assunto.” Segundo ela, os 14 anos a que Ras Geraldinho foi condenado excedem o normal. “Nunca vi uma pena dessa para tráfico. Muitas vezes, o cultivo é uma opção da pessoa para não aderir ao tráfico”, diz. Não é o que pensa o jurista Ives Gandra Martins. Para ele, a alegação que a maconha seria usada em rituais da igreja não pode ser considerada. “Quando se fala de liberdade religiosa, se fala em religiões clássicas, em que existem critérios e valores a serem adotados”, afirma.
ATIVISMO
Com fala pausada, Ras Geraldinho é capaz de passar horas falando das propriedades medicinais da maconha e do rastafarianismo –religião que nasceu na Jamaica no início do século 20 e que usa a palavra Jah em referência a Deus. Em entrevista à Folha, em 2011, pouco após a segunda invasão de sua igreja, ele afirmava que seguiria na luta pelo uso religioso da maconha. Marlene diz o mesmo. “O juiz quis dar um recado para o ativismo canábico com essa condenação estapafúrdia e acabou nos unindo. Vamos até as últimas instâncias, com mais e mais soldados’.”
Voltei
Vamos lá. No pé deste texto, vocês encontram um link para a íntegra da sentença do juiz Eugênio Augusto Clementi Júnior, a quem parabenizo mais uma vez. Noto, antes que preencha as tais lacunas, que o doutor advogado do sedizente líder religioso resolveu ampliar, por conta própria, a Lei 11.343. Eu o desafio a demonstrar onde está escrito que o tráfico só se caracteriza quando há “lucro, dinheiro, presença de armas, balanças de precisão”. Isso é pura invenção, matéria do direito criativo.
O tal Geraldinho foi condenado com base nos Incisos II e III do Parágrafo 1º do Artigo 33 da Lei 11.343 (Lei Antidrogas). A reportagem prefere não contar aos leitores o que está escrito lá. Reproduzo ema zul. Há mais depois.
Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem:
II – semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas;
III – utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas.
Geraldinho também incorreu no Artigo 35 (também em azul):
Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Lei:
Pena – reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.200 (mil e duzentos) dias-multa.
Não bastasse, teve a pena gravada por incorrer no Inciso VI do Artigo 40:
Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois terços, se:
VI – sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a quem tenha, por qualquer motivo, diminuída ou suprimida a capacidade de entendimento e determinação.
Absurdo!
Sim, Geraldinho tinha plena consciência de que estava oferecendo uma droga proibida a menores de idade. Leiam este trecho de um diálogo, que está nos autos (há uma legenda).
Legenda:
G:. Geraldo
V:. Rapaz de blusa vermelha
B:.Não identificado
A: Adolescente de boné azul
O diálogo
V:.Ó isso daqui.
G:. Se esse negócio se der certo eu falo… Porque isso dá cadeia, o cara entrar ver nós fazendo isso aqui “tamo” “fudido” “véio”.
V:. Ô loco?
G:.Ô processamento! ô loco, falo pro cês tem que meter cadeado.
V:.Vai lá meter cadeado:
B:.Deixa que eu vou lá.
A:.É “memo”?
V:.No que é bom.
A:.Porra mesmo, é bom?
G:.Isso aqui pega todo mundo como coisa pra quadrilha e ainda respondendo porque esse cara tem 16 anos, você vai lá pra FEBEM aquele lugar que arrebentaram tudo ali.
A:.Como que é?
G:.É.”
Confisco
Quanto ao confisco da terra, a reportagem se esquece de informar que é uma disposição do Artigo 243 da Constituição, que reproduzo (em azul).
Art. 243. As glebas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas serão imediatamente expropriadas e especificamente destinadas ao assentamento de colonos, para o cultivo de produtos alimentícios e medicamentosos, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins será confiscado e reverterá em benefício de instituições e pessoal especializados no tratamento e recuperação de viciados e no aparelhamento e custeio de atividades de fiscalização, controle, prevenção e repressão do crime de tráfico dessas substâncias.
Caminhando para o encerramento
Posso estar enganado, mas acho que, “em nome da Jah”, há uma espécie de demonização do juiz que decidiu… aplicar a lei. Ou será que estou enganado? Destaco finalmente este trecho da reportagem: “Com fala pausada, Ras Geraldinho é capaz de passar horas falando das propriedades medicinais da maconha e do rastafarianismo (…_)” Ô, nem me digam!
Ele trata desse assunto com a mesma desenvoltura com que consegue falar horas sobre “maconha e religião”. Segundo Geraldinho, a canabis “permeia as Sagradas Escrituras, tanto no Novo como no Velho Testamento”. Cristo, segundo ele, era um emérito maconheiro. Mais: “o milagre do vinho é feito com maconha”. Para esse estudioso da etimologia, “Canaã” quer dizer “Cidade da Maconha”. Entenderam? Para ele, “Canaã” deriva da palavra latina “canabis”!!! Ele vai mais adiante: “O pão que Cristo comia na ceia era pão de maconha”. Ou ainda: “Na Eucaristia desse batismo (?), é usada a maconha”. É mais assertivo ainda: “Cristo foi batizado com maconha” — ele admite que “isso choca um pouco as pessoas”. Mas esse sacerdote não tem medo de ousar: “A maior parte dos milagres que Cristo fez, ele fez usando a maconha”.
No texto que escrevi sobre este senhor, consta: “Comecem a contar os minutos. Vamos ver quanto tempo vai demorar até que surja um movimento em defesa de Geraldinho e da “liberdade de culto” no Brasil. “ Pois é… Parece que já há uma tentativa.
Plantar e distribuir maconha a menores em nome da liberdade religiosa? É mesmo? A reportagem deveria ter lembrado aos leitores o que diz o Inciso VI do Artigo 5º da Constituição (em azul):
VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
“Na forma da lei” quer dizer que ninguém pode desrespeitar o Código Penal em nome da liberdade religiosa. Se algum maluco quiser sair por aí sacrificando virgens ao Deus Sol, será enquadrado por homicídio. Se quiser produzir e distribuir entorpecentes, será enquadrado pela Lei Antidrogas. “Em nome de Jah”, Geraldinho não pode jogar a lei no lixo.
A íntegra da sentença exemplar do juiz Clementi Júnior está aqui
O que os defensores da legalização das drogas insistem em não aprender com a política de combate ao tabagismo. E por que não aprendem?
A VEJA.com publica uma reportagem sobre uma pesquisa que sustenta que, entre 1989 e 2010, um terço dos fumantes brasileiros abandonou o cigarro em razão da proibição da publicidade e dos avisos estampados nos maços alertando para os malefícios do produto. O texto não informa, mas creio que a proibição de fumar em locais públicos fechados também tem peso importante. Sendo mesmo esses os números, uma parcela importante de brasileiros foi beneficiada pela obstinação de José Serra, ex-ministro da Saúde, que lutou pela causa. Quando governador de São Paulo, deu largada ao que se tornou, mais tarde, lei federal: a proibição do cigarro em locais públicos fechados. O texto informa ainda que 92% dos não fumantes e 89% dos fumantes entrevistados acham que o governo federal deveria fazer ainda mais para combater o cigarro. Batizado de relatório da Política Internacional do Controle do Tabaco (ITC), o trabalho é fruto de uma parceria entre a Universidade de Waterloo, no Canadá, o Ministério da Saúde, o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), a Fundação do Câncer, a Aliança de Controle do Tabagismo (ACTbr), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde (Cetab). O que esses dados nos ensinam sobre a política de combate às drogas e o que os defensores da legalização se negam a aprender?
Dia desses li um texto realmente estupefaciente, daqueles redigidos com as patas dianteiras, enquanto as traseiras tentavam alçar voos teóricos. Segundo o pensador, a evidência mais clara de que as drogas deveriam ser descriminadas (na verdade, ele pedia, de forma oblíqua, a legalização) era justamente a queda do número de fumantes. O rapaz enxergava no combate oficial ao tabaco uma variação da famigerada, mal compreendida, mal aplicada e superestimada “política de redução de danos”. Ora… A política de redução de danos supõe, necessariamente, que possa haver doses controláveis e prudentes — e, pois, menos danosas — para o consumo de determinadas substâncias. Em casos excepcionais, aposta que uma droga mais nociva possa ser substituída por outra, menos. Perguntem ao médico Dráuzio Varela — que luta ardentemente contra o tabagismo, mas, de maneira terrivelmente equivocada, defende a descriminação das drogas — qual é a dose segura de tabaco…
Tudo errado! O que o combate ao tabagismo ensina é que o consumo de uma determinada droga — legal ou ilegal — cai quando as pessoas, especialmente os adolescentes, são menos expostos a ela. E simples assim. O que diminuiu — e esta é a evidência dos fatos — foi a exposição dos brasileiros ao tabaco. Os que defendem a descriminação ou a legalização das drogas querem fazer justamente o contrário: se e quando portar drogas, ainda que para consumo, deixar de ser crime (que não leva à cadeia, diga-se), é evidente que mais gente circulará com as substâncias entorpecentes no bolso e que um maior número de pessoas ficará exposto a elas. Não só isso: alguns aloprados querem estabelecer um mínimo para caracterizar o tráfico. O deputado petista Paulo Teixeira (SP) acha que droga para até dias de consumo não é tráfico. Outros falam abertamente em não punir os “pequenos traficantes”.
Então vejam que país notável estamos construindo. O Brasil obtém inegável sucesso numa política que cria severas restrições ao consumo de substâncias legais, mas alguns descolados insistem em criar facilidades que vão certamente aumentar o consumo de drogas… ilegais!!!
Não sei por quê, mas tenho cá minhas hipóteses, os defensores da legalização das drogas, particularmente da maconha, não se dão bem com a lógica. Alguns deles, afetando interesse puramente intelectual na questão, insistem em pegar esses números sobre o cigarro e defender a “mesma política” para a cannabis: “Ora, basta legalizar e depois fazer campanha contra, como no cigarro”. Tá. Se vale para a maconha, por que não para as outras substâncias? Ou a tese está certa, ou a tese está errada. O que querem esses fanáticos, então, é, primeiro, aumentar brutalmente a exposição dos brasileiros às drogas hoje proibidas para, depois, tentar combater o consumo. De resto, a propaganda contra as drogas independe de elas serem legais ou não, certo?
PS – Sim, acho que o tabaco deveria ser permitido em bares que contassem com a devida advertência. Não mudei de ideia sobre isso. A razão é simples: se a substância é legal, o estado não pode impedir o seu consumo desde que todos os frequentadores de um ambiente estejam de acordo. “Por que não vale para a maconha?” Porque é ilegal. E eu defendo que assim permaneça, por razões que já expus em dezenas, centena talvez, de textos.
BSA Study Demonstrates Open Source's Economic Advantage
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Petralhas prometem fazer alguma coisa: USP é a 1ª no ranking das universidades latino-americanas; Unicamp é a 3ª; veja por que lista é a crônica dos desacertos brasileiros na área
Os petralhas não se conformam e prometem fazer alguma coisa. Pelo terceiro ano consecutivo, a USP é considerada a melhor universidade da América Latina. Claro, claro, fosse a primeira do mundo, melhor! Mas aí seria preciso ter outro país no entorno. Embora alguns aloprados imaginem que as universidades são territórios autônomos, a gente sabe que não são. Bem, num ranking mundial, a Universidade de São Paulo se manteve entre as 100 melhores do mundo no ano passado — entre a 61ª e a 71ª posições. Depois do 50º lugar, as instituições são apresentadas em grupos de 10..
Outra universidade estadual de São Paulo aparece na listada América Latina: a Unicamp ficou com a terceira posição. Duas Federais aparecem entre as 10: a do Rio de Janeiro (8º) e a da Minas Gerais (10º). Eis a lista.
1º – USP
2º – Pontifícia Universidade Católica do Chile
3º – Unicamp
4º – Universidade dos Andes (Colômbia)
5º – Universidade do Chile
6º – Universidade Nacional Autônoma do México
7º – Instituto Tecnológico e de Estudos Superiores de Monterrey (México)
8º – Universidade Federal do Rio de Janeiro
9º – Universidade Nacional da Colômbia
10º – Universidade Federal de Minas Gerais
Leiam o que informa a VEJA Online. Volto em seguida.
A Universidade de São Paulo (USP) encabeça, pelo terceiro ano consecutivo, o ranking de melhores instituições de ensino superior da América Latina. A lista, elaborada pela Quacquarelli Symonds (QS), consultoria britânica especializada em educação superior, foi divulgada nesta terça-feira. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aparece na 3ª colocação, atrás da Pontifícia Universidade Católica do Chile. O ranking completo pode ser acessado no site da QS.
Entre as dez primeiras colocadas na lista, há outras duas instituições brasileiras: a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na 8ª posição, e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na 10ª. O ranking 2013 da QS analisa 300 universidades – cinquenta a mais do que a edição anterior -, e considera sete critérios, que incluem de reputação acadêmica à proporção de professores com título de doutorado. Além da opinião de acadêmicos e profissionais de todo o mundo, a avaliação considera um banco de dados com mais de 18.000 títulos de mais de 5.000 editoras internacionais para assegurar a relevância das publicações oriundas das universidades.
O Brasil é disparado o país com a maior representatividade, com 81 instituições incluídas na lista. Em seguida, aparecem México (50), Colômbia (42) e Argentina e Chile, com 30 universidades no ranking cada. “Com duas universidades entre as três primeiras e 11 no ‘top’ 30, a dominação do Brasil neste ranking é ainda maior do que no anterior. O tamanho do sistema de ensino superior e os recentes investimentos no setor fazem com que o país fique bem a frente de seus rivais”, afirmou John O’Leary, um dos editores do ranking.
Voltei
Pois é… Com quatro universidades entre as dez, isso parece uma grande conquista… Será mesmo? A verdade, lamento constatar, é que a USP e a Unicamp fazem bonito aí no ranking regional. Mas o conjunto é muito ruim para o Brasil. E explico sem muita dificuldades por quê.
Voltem à lista: há duas instituições chilenas, duas colombianas e duas mexicanas na lista. Então vamos comparar. O pequenino Chile tem 17 milhões de habitantes e um PIB de US$ 248, 602 bilhões. O Brasil tem 200 milhões de habitantes e um PIB de US$ 2,4 trilhões. Com 46 milhões de habitantes, o PIB colombiano, sempre em número de 2012, é de US$ 328,422 milhões. O México conta com pouco mais da metade da população brasileira (117 milhões), com um PIB de US$ 1,7 trilhão. Vale dizer: o Brasil, sozinho, tem PIB e população superiores à soma dos outros três. Se quiserem fazer a conta pelo PIB per capíta, no grupo dos quatro, o Brasil (US$ 12.078) só perde para o Chile (US$ 17.380), ficando à frente do México (US$ 9.489) e da Colômbia (US$ 10.248). O Chile é um caso notável: tem quase 1/12 da população brasileira e um décimo do nosso PIB. Não obstante, há duas instituições chilenas entre as cinco primeiras.
Outra nota: não há uma só universidade privada brasileira entre as dez melhores — e foi justamente esse ramo o que mais se expandiu no lulismo, financiado pelo Tesouro, via ProUni. Três da lista das 10 melhores são privadas: 2º – Pontifícia Universidade Católica do Chile; 4º – Universidade dos Andes (Colômbia) e 7º – Instituto Tecnológico e de Estudos Superiores de Monterrey (México).
O que parece ser um sucesso — quatro instituições brasileiras na lista de 10 — reflete, na verdade, mais um dos desacertos do Brasil na Educação. São Paulo pode até comemorar. O Brasil, no conjunto, não!
Oposição reage à patranha da CEF e do Planalto; Aécio cobra desculpas de Dilma; parlamentares pedem a cabeça de presidente do banco. Ou: CEF pertence ao Brasil ou ao PT?
Líderes da oposição reagiram à patranha federal armada pela CEF, pelos ministros Maria do Rosário (Direitos Humanos) e José Eduardo Cardozo (Justiça) e pela própria presidente Dilma Rousseff. Já está claro como a luz do dia que a corrida para sacar os recursos do Bolsa Família decorreu de uma ação da direção do banco, que antecipou os pagamentos de maio, sem prévio aviso, e permitiu a fermentação de um coquetel de boatos, incluindo o suposto pagamento de um extra, de um bônus — versão que, embora falsa, se mostrava verossímil porque se tornou disponível um dinheiro antes da data agendada. Rosário, com a responsabilidade e pertinência costumeiras, acusou as oposições. Cardozo e Dilma foram mais sutis, apontando conspirações… E os responsáveis estavam na… Caixa Econômica Federal.
O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), cobrou desculpas da presidente Dilma, segundo informa a Folha:
“O presidente da Caixa omitiu a verdade durante toda essa semana. Esperamos até uma convocação de rede pública de televisão, já que a presidente é tão afeita a essas convocações, que peça desculpas aos brasileiros tanto pelas acusações injustas e por aqueles que sofreram, segundo a presidente, um ato desumano (…) Cada vez mais claro é que houve uma ação descoordenada que levou a todo aquele tumulto e, o mais grave, que não foi assumida pela Caixa. Estamos voltando a ter versões oficiais de instituições seculares e que atendem a interesse do governo e não do país”.
Parlamentares da oposição se encontraram na manhã desta terça com Leandro Daiello, diretor-geral da Polícia Federal. Cobraram celeridade na investigação, informa o Globo Online. “A ministra Maria do Rosário falou que a oposição estava por trás disso, então fomos lá pedir pressa e acesso às investigações”, afirmou o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP). “Em qualquer país sério do mundo ele [Jorge Hereda, presidente da CEF] seria demitido na hora. Isso é grave, é um crime. Ele pede desculpas e varre-se tudo para debaixo do tapete? Passou pelas águas do rio Jordão, está abençoado, não tem pecado?. É isso que se espera? Esse fato é grave e agora o governo quer minimizar”, disse Ronaldo Caiado (GO), líder do DEM na Câmara.
Para o líder do MD na Câmara, Rubens Bueno (PR), “o presidente da Caixa agiu com irresponsabilidade e incompetência”. E acrescentou: “Em todo esse episódio, o que não faltou foi mentira, falta de transparência. Não há dúvida de que o erro da Caixa, ao antecipar na surdina os pagamentos, contribuiu de maneira decisiva para a difusão do boato sobre o fim do programa do governo. Sem contar que os beneficiários ainda foram prejudicados com os tumultos na agências.”
Encerro
É importante reiterar aqui um dado fundamental nessa história toda: não fosse a reportagem da Folha descobrir a antecipação do pagamento, a mentira oficial contada pela direção da CEF teria prosperado, e a hipótese de uma tramoia, que a máquina petista já estava jogando nos ombros da oposição, teria prosperado.
A Caixa Econômica Federal é um banco público, não um banco do PT.
Transform Any Unity Project Into a Relativistic Playground With OpenRelativity
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O patético resultado do assistencialismo (II): o caso sueco
Você certamente já ouviu aquele amigo que se diz social-democrata citar o exemplo da Suécia como de um socialismo bem-sucedido. Bom, faça-lhe dois favores: dê a ele de presente o livro do Janer Cristaldo (já desatualizado, pois é de 1973: procure em sebos) O paraíso sexual democrata, e mostre-lhe o artigo de Gary North (teólogo e economista presbiteriano) do dia de hoje, O estado assistencialista sueco está em chamas. Isso vai funcionar como um panorama bastante amplo da situação daquele país, que de paraísonão tem nada. As “chamas” do título são literais: faz seis dias que a Suécia vem sofrendo na mão de incendiários.
Nós somos o país que mais se esforçou para integrar essas pessoas, muito mais do que qualquer outro país europeu; gastamos bilhões em um sistema de bem-estar que foi criado para ajudar imigrantes desempregados e garantir a eles uma boa qualidade de vida. Ainda assim, temos áreas em que existem grupos étnicos que simplesmente não se identificam com a sociedade sueca. Eles veem a polícia e até mesmo as brigadas de incêndio como parte do aparato repressor, e os atacam. Já tentamos de tudo, de tudo mesmo, para melhorar as coisas, mas nada funcionou. Não se trata de racismo; a questão é simplesmente que o multiculturalismo não reconhece como os humanos realmente funcionam.
PETA Wants To Sue Anonymous HuffPo Commenters
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Chris Travers: Introducing the CPAN PGObject namespace
I just got preliminary versions of two of them on CPAN. The first is PGObject which implements the database-facing routines, and PGObject::Simple which is developer-facing. The reason for breaking things off this way is to allow for multiple different developer-facing systems off the same backend-facing services. These are functional, but ones with a great deal more functionality are on their way.
I feel a need to justify "Simple" in the name of the latter. PGObject::Simple is a quick and dirty stored procedure mapping convention system based on our approach in LedgerSMB. It is not reduced in functionality, but the overall conventions are simple, and therefore require less overhead to use. This also means, however, that the flexibility is such that it requires a certain discipline to use effectively. Objects can quickly become amorphous but used with discipline it is a very powerful system.
For additional structure, PGObject::Simple::Role is under development which creates a Moo role, which can be used with or without Moose, to provide this sort of functionality in more formalized object systems.
These modules are designed to facilitate mapping of stored procedure functionality into applications, allowing PostgreSQL databases to become encapsulated intelligent information servers in their own right. In future posts I will be going over both of these in detail.
For now though start with the documentation in the links above.
Nobel da Paz diz que Bolsa Família é assistencialista e que o assistencialismo deve dar espaço a soluções de longo prazo
Por Cecília Araújo, na VEJA.com:
O Nobel da Paz Muhammad Yunus está no Brasil nesta semana para para lançar um fundo de apoio aos negócios sociais, além de uma filial do Yunus Social Business Centre, o primeiro Centro Acadêmico de Negócios Sociais da América Latina. O objetivo da instituição será fomentar o conceito e a prática do “negócio social”. “Ao se enveredar para o mundo dos negócios, a pessoa deve escolher entre acumular dinheiro ou solucionar problemas”, explicou Yunus, em palestra nesta segunda-feira em São Paulo, para um público formado por estudantes, professores, empresários e jornalistas. “Caso opte pela segunda alternativa, é preciso criar metas anuais de alcance para seu projeto como incentivo, da mesma forma como as empresas tradicionais focam no lucro”, completou. O modelo já existe no Japão, Coreia, Itália, Alemanha, Estados Unidos, França e Turquia.
Ao ser questionado por um jornalista, “por que o Brasil?”, Yunus rebateu com outra pergunta: “por que não o Brasil?”. Segundo ele, o país tem se mostrado muito consciente sobre as questões sociais e interessado em achar soluções locais e mundiais. Mas Yunus também critica o modelo assistencialista adotado pelo governo brasileiro ao falar sobre programas como o Bolsa Família. “É importante ajudar as pessoas que precisam, mas é preciso tomar cuidado para que elas não se tornem dependentes dessa ajuda por um tempo longo demais. A Europa criou um problema nesse sentido, com várias gerações de pessoas desempregadas. É necessário pensar em ideias para tirar as pessoas dessa situação de dependência, a começar por um grupo pequeno. Esse é o desafio do negócio social”. Para Yunus, o assistencialismo deve dar espaço para soluções de longo prazo, tornando os cidadãos responsáveis e colaborando para a sua integração à sociedade.
Problemas e soluções – Vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2006 e conhecido como “banqueiro dos pobres”, Yunus é o fundador do Grameen Bank, em Bangladesh – o primeiro banco do mundo especializado em conceder microcrédito a pessoas de baixa renda. Sua história tem servido de inspiração para governos e pessoas de várias partes do mundo. “A diferença do negócio social para as contribuições de caridade é que estas não são parte de um processo de conscientização: elas fazem um ótimo trabalho, mas o dinheiro investido para ali. Para ajudar mais pessoas, é preciso começar do zero e fazer uma nova arrecadação. Já o negócio social permite que o mesmo dinheiro seja investido várias vezes”, explica. “Para todo problema que vejo, penso em um negócio que busque uma solução para ele. Se a encontro, crio novas instituições para alcançar outras pessoas que enfrentam o mesmo problema”.
Para diminuir o desemprego, por exemplo, é possível incentivar a formação de profissionais que estão em falta no mercado. “É preciso combinar demanda e oferta”, diz. Já o microcrédito é a maior prova de que a solução de um problema local pode ser usada em vários países do mundo, sejam eles desenvolvidos ou não, por mais diferentes que sejam suas realidades. “Às vezes os problemas parecem tão gigantes, que individualmente nos sentimos minúsculos. Meu conselho é: não se sintam ameaçados pela amplitude dos problemas em questão. Tente pensar em como ele reflete em cada indivíduo. Se você conseguir solucionar o problema para uma única pessoa, você amplia a solução para centenas, milhares, milhões: ele pode ser aplicado em qualquer lugar do mundo. A fome, o analfabetismo e o desemprego não são problemas de uma só cidade, mas de todo o país, de toda a região, de todo o planeta”, pontua.
Trajetória
Yunus estudou economia nos EUA e voltou a Bangladesh depois que o país se tornou independente do Paquistão (1971). Diante de uma situação desesperadora, em que a fome era protagonista, criou uma solução inusitada: emprestar pequenas quantias de dinheiro aos pobres, que jamais conseguiriam ajuda dos bancos convencionais. Em 1976, quando ainda era professor universitário, fez a primeira experiência desse tipo ao oferecer 27 dólares a um grupo de 42 artesãos em dificuldades, grande parte deles mulheres. A soma foi suficiente para que comprassem matéria-prima, vendessem sua produção de tamboretes de bambu e garantissem a continuidade do negócio. Animado com as possibilidades que a iniciativa apresentava, o intelectual virou banqueiro no ano seguinte. Fundou o banco Grameen, que significa “banco da aldeia” em bengali, e passou a fomentar a atividade econômica entre os pobres.
Em 2011, porém, Yunus foi demitido da direção do banco que fundou. Naquele ano, o banco já tinha cerca de 955 milhões de dólares em empréstimos a 8,3 milhões de tomadores de crédito. Segundo o governo, o Nobel da Paz deveria ter se aposentado das funções no banco aos 60 anos. O ministro bengali das finanças, A.M. Muhit, chegou a sugerir que Yunus era muito velho para dirigir o banco. Deixando de lado as questões legais, alguns bengalis não descartaram a possibilidade de o economista ser vítima de uma campanha política movida pela primeira-ministra, Sheikh Hasina Wajed. À época, Hasina declarou publicamente que os fornecedores de microcrédito estão “sugando o sangue dos pobres”. Os desentendimentos entre os dois começaram em 2007, quando Yunus sugeriu que criaria seu próprio partido político para limpar seu país da corrupção na administração pública.
Vocês têm de ver isto e espalhar país afora para o debate: são 30 segundos que resumem o Brasil. A sociedade tem de fazer isso porque as oposições têm medo de falar com quem paga a conta!
Quero que vocês vejam este vídeo, bem curtinho. Esta senhora que fala aí é uma assistida do Bolsa Família lá de Fortaleza. São só 30 segundos. Mas eles resumem o Brasil que aí está e também apontam para um futuro — não muito promissor. Assistam. Volto em seguida.
Voltei
Escrevi ontem à noite um post sobre a irresponsabilidade dupla da Caixa Econômica Federal — que alterou o sistema de pagamento do Bolsa Família sem avisar ninguém e depois negou que o tivesse feito, sendo desmentida por reportagem da Folha — e das autoridades do governo federal, que saíram a acusar ou as oposições, caso de Maria do Rosário (a ministra dos Direitos Humanos, de inumana compreensão), ou um complô conspiracionista, sugerindo que, no fundo, seriam mesmo as oposições: José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça e aspirante a disputar o governo de São Paulo pelo PT, e Dilma Rousseff. A governanta classificou a boataria sobre o Bolsa Família de “desumana e criminosa”. Tudo não passou de uma trapalhada da Caixa Econômica Federal, pela qual se desculpou Jorge Hereda, presidente da instituição. Só desculpas?
Pois é… O que antes era “desumano e criminoso” não merecerá da soberana, pelo visto, nem mesmo um puxão de orelha. Cardozo continua em busca de um bode expiatório. Quem sabe apareça alguém para confessar, não é?, e se descubra, então, que ele é vizinho da tia da cabeleireira que vem a ser prima da cunhada da faxineira do secretário-geral do PSDB de Arapiraca… É ridículo! Mais do que o boato do fim do Bolsa Família, o que se espalhou como rastilho de pólvora foi a informação de que havia uma graninha a mais na CEF, um bônus. As pessoas que lá iam constatavam: havia mesmo! Aí, meus caros, foi o que se viu… Como pergunta Silvio Santos — numa indagação que, suponho, toca universalmente o coração e o intelecto: “Quem quer dinheirooo?”. No post em questão, destaquei também o ar robusto, primaveril mesmo em alguns casos, dos assistidos do Bolsa Família. O valor médio do benefício pago a cada família está aí na casa dos R$ 150. Muita gente recebe menos, mas há quem receba mais: nunca menos de R$ 32, nunca mais de R$ 306 — é o que informa o governo. Muito bem. Agora volto à assistida do vídeo que está lá no alto. A entrevista foi concedida ao Jornal Nacional de sábado. Reproduzo a sua fala, uma das maiores contribuições jamais prestadas à compreensão sociológica destes dias.
“Eu fui na lotérica, como vou de costume, fazer um depósito na poupança do meu esposo. Fui depositar o dinheiro. Como eu já estava lá, eu tinha de ir fazer isso, eu aproveitei, levei o cartão e tirei o meu Bolsa Família. Quando eu tirei, saiu (sic) os dois meses”.
Entendi. Ela foi depositar, como faz habitualmente, um dinheiro na poupança do marido, certo? Já que estava lá, levou o cartão do Bolsa Família e pimba! Saíram os dois meses de uma vez só. Ai, ai, ai… Longe de mim querer cassar o benefício da distintíssima senhora Diane dos Santos — e espero que ninguém pegue no pé dela. Mas me parece que alguém que tem dinheiro para fazer poupança não precisa do… Bolsa Família, certo? Reitero: acusarei aqui perseguição caso queiram lhe cortar o benefício — porque, é fato, como ela, há uma legião, há milhões hoje em dia. O problema não é ela, mas o programa. Eu até confesso uma certa simpatia por Diane, uma brasileira brejeira, com o cabelo arrumado, brincos, pele boa… Ela desmoraliza os delírios dos bem-pensantes sobre o atavismo da fome no Brasil, que faz o coitadismo que embala as ideias de reparação social da esquerda universitária. Ela não! É, reitero, distinta! Ela nem fala “marido” — deve achar meio grosseiro. Prefere, como Daniela Mercury, mas mudando o gênero, a palavra “esposo”.
“Então Reinaldo Azevedo sustenta que não existem mais a fome, a miséria…” Aquela fome africana, que Lula dizia existir em 2002, que ele curaria com dois pratos de comida, não existe mais no Brasil há décadas, embora haja, é evidente, nichos de famélicos em algumas áreas do sertão e até nas periferias extremamente pobres das grandes cidades. Isso persiste. Da mesma sorte, há, sim, pessoas com renda abaixo de R$ 70 em áreas restritas do Brasil profundo. Mas os pobres — eu sei do que falo — somos duros de morrer, fiquem certos, sobretudo de fome. Sempre se arranja um bico pra fazer, um serviço extra, alguma coisa que garanta o sustento dos filhos. No mais das vezes, essa renda per capita entre R$ 70 e R$ 140 é uma fantasia estatística. Ou será que a distinta dona Diane está “depositando na poupança do marido” o dinheiro do Bolsa Família? Ela nem havia sacado ainda o de abril — e já era dia 17! Certamente, o depósito que fora fazer era uma sobra, não?, depois de satisfeitas as necessidades básicas. Sobra de que renda? Não era do Bolsa Família!
Sim, é possível que haja alguns milhões de brasileiros que precisam efetivamente de um Bolsa Família, mas serão mesmo 40 milhões, 45 milhões talvez, divididos em mais de 13 milhões de família? Não é só dona Diane dos Santos que prova que não. Vocês certamente se lembram desta senhora, que, diz, “só ganha R$ 134 há oito anos”, o que, segundo ela, não dá nem comprar uma calça para a filha, “uma jovem de 16 anos”, porque, afinal, uma calça para essa faixa etária custaria R$ 300…
De fato, ela não tem a menor dúvida de que comprar uma calça para a sua filha é, sim, um problema do governo brasileiro, não dela própria, do marido ou de sua família. “Ah, o Bolsa Família vai custar em 2013 apenas R$ 24,9 bilhões. Perto do que o governo gasta com o Bolsa BNDES ou com o Bolsa Juros… Reinaldo não quer dar grana para os pobres.” Nem para os ricos!!! Eu não acho que governos tenham de dar dinheiro para ninguém. No caso dos pobres, tem é de criar programas sociais que os estimulem a buscar uma saída. E a injeção de recursos na conta do vivente só deve ser feita mesmo em último caso. E já está mais do que claro que o Bolsa Família, para muita gente, virou uma doação… O Nobel da Paz Muhammad Yunus está no Brasil (ver post na home). Ele criou o programa de microcrédito em Bangladesh que deu origem a um banco. Ele critica no Bolsa Família justamente seu caráter assistencialista.
O “andar de cima”, como quer Elio Gaspari, com essa categoria sociológica haurida da construção civil, consome bem mais do que os R$ 25 bilhões do Bolsa Família em subsídios, trapaças, aditamento de contratos etc.? Certamente! Não deixa de ser uma forma de “bolsismo”, não é?, e das mais perversas. Os dois extremos — os ricos cuidadosamente selecionados para as prebendas e os pobres que recebem todo mês um dinheirinho — se tornaram pilares de um modo de fazer política. Uns são gratos ao governo de turno com doações eleitorais e outras que não aparecem nos registros do TSE; os outros expressam a sua gratidão com votos.
O Bolsa Família se tornou, assim, uma formidável máquina eleitoreira, e os que mais se entusiasmam com o governo nem são, suponho, os que realmente precisam, mas os que, não precisando, temem uma mudança de guarda e a perda de uma benefício de que, no fundo, sabem ser descabido. Assim, é melhor deixar tudo como está.
Oposição
Compreendo que a oposição venha a público disputar a paternidade dos programas sociais porque, com efeito, o Bolsa Família nada mais é do que a reunião dos programas que existiam no governo FHC numa única rubrica. Já demonstrei faz alguns anos que isso é verdade. Faço-o de novo transcrevendo, em vermelho, trecho da Medida Provisória nº 132, que “criou” o Bolsa Família, no dia 20 de outubro de 2003. Essa MP foi depois convertida na Lei 10.836, de 9 de janeiro de 2004. O conteúdo era o mesmo. Prestem atenção:
(…) programa de que trata o caput tem por finalidade a unificação dos procedimentos de gestão e execução das ações de transferência de renda do Governo Federal, especialmente as do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Educação – “Bolsa Escola”, instituído pela Lei n.° 10.219, de 11 de abril de 2001, do Programa Nacional de Acesso à Alimentação – PNAA, criado pela Lei n.° 10.689, de 13 de junho de 2003, do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Saúde – “Bolsa Alimentação”, instituído pela medida provisória n.° 2.206-1, de 6 de setembro de 2001, do Programa Auxílio-Gás, instituído pelo Decreto n.° 4.102, de 24 de janeiro de 2002, e do Cadastramento Único do Governo Federal, instituído pelo Decreto n.° 3.877, de 24 de julho de 2001.
Retomo
Assim, é claro que os programas foram originalmente criados pelo governo FHC. A questão é saber se dá para disputar essa paternidade hoje. Parece-me que não! E a máquina de propaganda montada com o Bolsa Família tem, sim, um efeito eleitoral evidente, como ficou claro em 2006 e 2010. Menos do que fazer tal disputa, as oposições teriam de ter a coragem de perguntar quem paga a conta. É claro que os petistas partiriam pra cima, acusando-a de querer acabar com o programa. Ocorre que o eleitorado cativo, meus caros, cativo já está. Não será desse mato que vão sair tucanos. Não saem mesmo! Os que se apõem ao petismo, reitero, têm de aprender a falar com quem paga a conta — muito especialmente os trabalhadores.
Que país existe na outra ponta dessa forma de assistencialismo? Não tem outra ponta nenhuma! A outra ponta é esta que está aí. Está bom assim? É o que o modelo permite. As virtudes já se esgotaram. Com Bolsa BNDES e Bolsa Família, a gente vai ficando assim. Teremos um dia uma oposição capaz de politizar o que tem de ser politizado, fugindo do demônio do consenso, que é, numa democracia, o que é a censura na ditadura? Não sei. Se e enquanto não o fizer, pode ir brincar de outra coisa. Chegou a hora de conversar com quem, não tendo o Bolsa Família, não tem também uma sobra para depositar na poupança do “esposo”.
Presidente da CEF pede desculpas por confusão com Bolsa Família! Só isso?
É o fim da picada! O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, veio a público nesta segunda para pedir desculpas. Admitiu que a CEF errou no caso da liberação antecipada de recursos do Bolsa Família, o que está na raiz de uma monumental confusão. Só um pedido de desculpas seria até aceitável se a Caixa não tivesse fornecido à imprensa uma informação falsa sobre a data da liberação de recursos. Não fosse o jornalismo provar por A + B que as coisas não se deram como sustentava a direção do banco, as hipóteses conspiratórias as mais ridículas estariam ainda em curso.
A presidente Dilma e José Eduardo Cardozo chegaram a falar em crime. Maria do Rosário acusou a oposição. Pois é… Exceção feita a Dilma, deveriam todos pedir demissão, não é? Leiam o que informa a Folha.
*
O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, admitiu nesta segunda-feira (27) que o banco repassou informação equivocada sobre a liberação de todos os pagamentos do Bolsa Família na véspera dos boatos que levaram milhares de famílias a buscarem agências para sacar os benefícios. Na ocasião, todos os benefícios, em um total de R$ 2 bilhões, foram liberados de uma só vez nas contas das 13,8 milhões famílias atendidas. Os pagamentos são habitualmente feitos com base em um calendário previamente estipulado, que prevê o pagamento em um dia determinado por mês de forma escalonada.
Os boatos, entre eles sobre o fim do programa, levou milhares de pessoas a caixas eletrônicos no fim de semana dos dias 18 e 19 de maio, causando confusões e filas em 13 Estados. Segundo afirmou nesta segunda (27), o presidente da instituição soube que as liberações foram anteriores aos boatos apenas na segunda-feira (20), depois da corrida às agências para sacar o benefício. “Tive a informação na segunda-feira e mandei fazer um levantamento exaustivo do que ocorreu. Qualquer presidente de empresa faria o mesmo.”
Para a oposição, essa liberação é a provável causa dos tumultos. O PSDB, inclusive, pediu nesta segunda-feira ao Ministério Público que investigue a mudança na liberação de recursos do programa. Na mesma segunda-feira em que Hereda afirma ter ficado sabendo da antecipação, o vice-presidente de Governo da Caixa, José Urbano, foi a público reafirmar o dado errado e inicial — que a liberação ocorrera no sábado (18), para aplacar os boatos e evitar um caos maio
Essa informação inicial só foi desmentida pelo banco na última sexta-feira (24), após a Folha revelar que uma dona de casa de Fortaleza tinha recebido o dinheiro antecipado na sexta, e não no sábado.
(…)
Bolsa Família – A CEF, a irresponsabilidade do governo, os estado-dependentes e a máquina de caçar votos. Ou: É esta a cara da pobreza quase famélica?

Segundo consta, essa é cara da miséria profunda do Brasil; de famílias que precisam de R$ 32 a R$ 360 para não ficar na inanição…
É ridículo!
É patético!
O governo decidiu empreender uma investigação severa (!!!) para saber quem estava por trás dos tumultos provocados pela boataria envolvendo o pagamento do Bolsa Família. Antes que pudesse encontrar um bode expiatório (ainda está para aparecer um…), a verdade veio à tona: a culpada era a própria Caixa Econômica Federal, que efetua os pagamentos. O banco antecipou a disponibilidade de rendimentos sem prévio aviso, alguém descobriu, a coisa começou a correr de boca em boca, de celular em celular e nas redes sociais — afinal, os pobres e a “pobras” do Brasil já são digitalmente incluídos, certo? —, e aí foi aquilo que se viu.
Tão forte quanto o boato de que o programa poderia acabar era o de que havia um pagamento extra. Ora, como a CEF fizera, de fato, a antecipação, quem foi verificar seu saldo no caixa eletrônico viu que havia mesmo um dinheiro inesperado lá. O pobrezinho, coitado!, sacou do bolso o celular e ligou para o outro pobrezinho. “Ó, tem dinheiro mesmo…” E aí foi aquela correria de gente gorda e feliz — que bom! — buscar a graninha sem a qual, entendo, não é possível sobreviver, né? Foi um espetáculo melancólico, sob vários aspectos.
Em primeiro lugar, destaque-se a irresponsabilidade da Caixa e de figurões do governo. É evidente que a antecipação de um benefício que chega a milhões de pessoas deveria ter sido previamente comunicada aos interessados. Bastava emitir uma nota oficial, e ela chegaria às TV e as rádios. E fim de conversa. O banco deu de ombros, e aconteceu o quiproquó. Maria do Rosário, José Eduardo Cardozo e Dilma Rousseff aproveitaram o episódio para imaginar conspirações. A ministra dos Direitos Humanos, que tem o hábito de pôr as palavras adiante do pensamento, acusou a oposição — como se houvesse alguma maneira de os adversários de Dilma se beneficiarem de um boato que seria de pronto desmentido. Cardozo e Dilma preferiram ver coisas estranhas, sem acusar ninguém. Como a ministra já havia feito o servicinho sujo, as palavras ambíguas do ministro da Justiça e da presidente só deram curso à suspeição infundada e estúpida.
Os bolsistas
Em segundo lugar, mas ainda mais importante porque a questão remete ao futuro, exclamo: “Que bom que não sou tucano!” Não sendo, dispenso-me de entrar no campeonato de generosidades e posso, então, relatar o que vejo e me conceder o direito ao estranhamento. Você deram uma olhadinha nas fotos dos nossos “miseráveis”, que supostamente dependem do Bolsa Família para sobreviver? Uma foto, sei bem, não é estatística, estudo técnico, prancheta contábil, nada disso. E também não chamo, obviamente, a minha percepção de ciência. Estou apenas exercitando o primeiro passo de uma eventual descoberta, que é estranhar o que vejo, fazendo algumas indagações.
Então é essa a cara dos muito pobres? Cada família pode receber do governo, a depender do seu perfil, um mínimo de R$ 32 e um máximo de R$ 306. O Bolsa Família, que reuniu várias bolsas já existentes no governo FHC, foi criado, originalmente, para atender à pobreza extrema.
Quando Lula assumiu o poder, os programas chegavam a 5 milhões de famílias. Hoje, são mais de 13 milhões, atingindo um universo de mais ou menos 40 milhões de… eleitores! Voltem à foto (e procurem outras na rede). Obviamente, esses que correram para a Caixa porque se espalhou a informação de que havia lá um dinheiro inesperado — e não por causa do boato do suposto fim do programa — não constituem a cara da miséria brasileira coisa nenhuma.
É claro que existe pobreza extrema no país e que programas de renda são necessários. Mas será mesmo que deveria atender a tanta gente? A renda oficial, aquela que pode ser controlada pelo Fisco, não costuma ser a renda real das pessoas e das famílias, que encontram caminhos informais para ganhar dinheiro e sobreviver. O que o Bolsa Família faz, isto sim, e vai durar muito tempo, é cevar milhões com o assistencialismo — com evidente desdobramento eleitoral.
Virtuoso ou vicioso?
Aquele espetáculo patético certamente enche os olhos dos populistas: “Ah, finalmente, temos um país mobilizado em defesa de uma causa!” É nada! Temos uma fatia do país organizada para pegar uns trocos oferecidos pelo Estado. Não! Eu não os chamo de aproveitadores ou coisa do gênero. Nada disso! Se o dinheiro está ali, disponível, dentro da mais estrita legalidade, por que não pegar? A questão é saber que país se está construindo assim e para onde isso nos leva. Não me parece que seja para um bom caminho.
Mas como falar contra? Como apontar que há algo de estupidamente errado nisso? Precisaríamos ter partidos que falassem em nome de outros valores, que dialogassem também com quem efetivamente paga a conta. Mas não há! Ao contrário. A oposição acaba empurrada para a defensiva.
Também não estou dizendo que o Bolsa Família deixa o povo vagabundo. Quem afirmava isso era Lula, em 2003. Dizia que as bolsas deixavam os pobres preguiçosos, e eles paravam de plantar macaxeira!!!
“Olhem o Reinaldo… Critica o Bolsa Família, mas não o Bolsa BNDES!!!” Quem disse que não? E duramente! De novo, os arquivos estão aí. Temos um governo que vai navegando numa fórmula que parece mágica que ensina os pobres do Bolsa Família a ser pobres e os ricos do Bolsa BNDES e a ser ricos — e os dois extremos são, obviamente, muito gratos.
Caminhando para o encerramento
A trapalhada feita pela Caixa, cuja direção mentiu ao informar que não havia operado mudança nenhuma nos pagamentos, serviu para trazer à tona um coquetel de mistificações. E demonstrou também a que ponto pode chegar a fala irresponsável de algumas “otoridades”.
Computer Network Piecing Together a Jigsaw of Ancient Jewish Lore
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A caxirola, o instrumento búlgaro de percussão, está oficialmente banido dos estádios nas competições internacionais. Ahhh…

Dilma, Marta Suplicy e Carlinhos Brown: a trinca queria ensinar o povo a ser povo com esse instrumento búlgaro de percussão…
Aquela mistura de granada com soco inglês, a caxirola, criada por Carlinhos Brown, o brasileiro mais bem-sucedido em dar uma dimensão transcendental e pós-moderna ao atraso brasileiro, está oficialmente banida dos estádios na Copa das Confederações e na Copa do Mundo. Ah… O resto do planeta fica, assim, impedido de saber que nós, os brasileiros, não tínhamos culpa nenhuma pela existência da caxirola, pela existência de Carlinhos Brown e de folclorizadores do subdesenvolvimento de modo geral… Já escrevi escrevi sobre a dita-cuja e a nossa búlgara da percussão. Leiam texto publicado na VEJA.com.
Alívio para os torcedores que estão ansiosos pelos jogos da Copa das Confederações. Quem conseguiu um ingresso para o torneio ouvirá apenas os sons tradicionais de uma partida de futebol, como as reações do público, o apito do juiz e os ruídos dos chutes dos jogadores. A ameaça da caxirola, enfim, foi afastada – por decisão conjunta do governo, da Fifa e do Comitê Organizador Local (COL), o chocalho de plástico inventado por Carlinhos Brown não poderá ser usado no torneio. A proibição foi anunciada nesta segunda-feira pelo chefe de segurança do COL, Hilário Medeiros. “Não é permitida a entrada de torcedores com qualquer instrumento musical, e a caxirola entra neste quesito”, avisou Medeiros em entrevista coletiva no Rio. “Estamos adotando isso já nos jogos-testes e, na Copa das Confederações, a regra também vai valer.”
No mês passado, durante uma partida entre Bahia e Vitória, torcedores da equipe tricolor protestaram atirando no gramado as caxirolas que tinham sido distribuídas gratuitamente antes do jogo. Os jogadores do Bahia tiveram de retirar os objetos de plástico do campo para que a partida pudesse ter sequência, num episódio que acabou ficando conhecido como “a revolta das caxirolas”. O chocalho de plástico foi vetado no clássico seguinte, depois de uma reunião que contou com a participação de representantes da PM, da prefeitura, da Federação Baiana de Futebol, da Justiça e de torcidas organizadas. O uso das caxirolas como arma despertou a preocupação da Fifa e do COL, que já estudava banir o objeto das partidas do Mundial para evitar qualquer tipo de risco.
Mercado antevê juro mais alto e PIB abaixo de 3% em 2013
Na VEJA.com:
O mercado financeiro voltou a reduzir sua expectativa de crescimento da economia brasileira em 2013, agora para 2,93%. É o que indica pesquisa semanal Focus divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central. No levantamento anterior, os economistas haviam projetado alta de 2,98% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Os analistas também apostam na elevação da taxa básica de juros, a Selic, para 7,75% na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Para o ano, a expectativa permanece inalterada em 8,25%. Para 2014, a expectativa de alta do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 3,5% pela 11ª semana consecutiva.
Nesta semana, os olhos do mercado estão voltados para a divulgação de dois indicadores importantes, que saem na quarta-feira. Às 9 horas (Brasília) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai divulgar o resultado do PIB do primeiro trimestre deste ano. À noite, o BC divulga decisão sobre política monetária após dois dias de reunião.
A prévia do PIB, medida pelo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgada há duas semanas, mostrou que a economia brasileira acelerou 1,05% no primeiro trimestre. O novo corte dos economistas na taxa de expectativa de crescimento, de acordo com o boletim Focus, mostra que o mercado não está muito confiante quanto à expansão econômica.
Sobre a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a expectativa dos analistas ficou em 5,81% ao ano, leve alta na comparação com o boletim da semana passada, quando os economistas aguardavam alta de 5,80% para o ano.
Segurança Pública no Rio – Os insucessos de José Mariano Beltrame fazem dele um astro. A gente aprende que saraivada de balas e toque de recolher são a prova de que ele está certo! Parabéns pelo milagre, secretário!
Leio no Globo que a Polícia do Rio já identificou os bandidos que efetuaram, no domingo, uma série de disparos no Complexo do Alemão, pouco antes do início da quarta edição da corrida “Desafio da Paz”. A polícia já sabe, mas, até havia pouco, ninguém ainda tinha sido preso. Dado o padrão com que se tem fabricado “a paz” no Rio, é grande a chance de que não se prenda ninguém. O estado vai se tornando — ou já se tornou — um caso único no mundo em que se considera uma obrigação moral ou um imperativo ético ignorar a realidade em nome de uma crença, de uma convicção ou, sei lá, do que já se poderia chamar uma construção ideológica. A coisa chega à beira do delírio coletivo. Aquilo que vemos, aquilo que ouvimos, aquilo que constatamos, nada tem importância. Prestar atenção aos fatos se torna, então, coisa de gente de maus bofes, de sabotadores, de quem recusa o “desafio da paz”, dos “críticos de sempre”. Corra, carioca, corra!
Todos estavam lá para correr: autoridades, ONGs, deslumbrados da Zona Sul, batalhões policiais, parte da população local e, claro!, José Mariano Beltrame, secretário de Segurança, cotado para compor a chapa para a sucessão ao governo do estado com o atual vice-governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB).
Uma situação hipotética
Imaginem aí, senhoras e senhores, a seguinte situação: o secretário de segurança de São Paulo — esta cidade sem vista para o mar — comparece, em companhia de sua tropa de elite, a um evento para, vá lá, que seja, “desafiar” o banditismo com “a paz” e é recebido por uma chuva de balas. Seria submetido a tal ridículo que não teria como se sustentar no cargo. O caso seria tomado como um símbolo de malogro da política pública aplicada na área. Ou não foram os bandidos que acabaram, ao recrudescer as ações criminosas, derrubando José Ferreira Pinto, ex-secretário de Segurança de São Paulo? As ocorrências passaram a ser debitadas pela imprensa na conta de Ferreira Pinto. Não faz tempo, a filha do agora ministro Guilherme Afif Domingos foi vítima de uma tentativa de assalto. Tom do noticiário: a violência no Estado seria de tal sorte que atingiu ATÉ a filha do então vice-governador, como se o cargo do pai pudesse, por alguma razão, tornar imune a filha… A taxa de homicídios em São Paulo corresponde a menos da metade da taxa do Rio.
A leitura peculiar que se faz das ocorrências no Rio, no entanto, leva a imprensa a considerar que os eventos que desafiam a política pública de segurança ou que, numa leitura racional, evidenciariam a sua falência são, na verdade, provas evidentes de sua eficácia. Não estamos mais no terreno da lógica, não estamos mais no terreno da racionalidade, não estamos mais no terreno dos fatos. Só o discurso religioso ou ideológico pode fornecer as explicações.
Beltrame, falou, então, para câmeras, microfones e gravadores mais do que benevolentes:
“Essa ação é oriunda de resquícios de uma facção que reinou durante décadas. Hoje, o Estado, através da Polícia Civil e da Polícia Militar, ocupou a área. É óbvio que essa facção, mesmo enfraquecida, ainda acredita que vai nos afastar daqui. Mas isso legitima que esta área está ocupada pelo Estado e que daqui nós não sairemos. Existe um trabalho de inteligência porque a população merece segurança”.
Eita! Os “resquícios” da ocupação da tal facção haviam, três dias antes, na quinta, fechado o comércio e as escolas no Complexo do Alemão. Quase 12 mil crianças ficaram sem aula. Os “resquícios” da ocupação, sabendo que o poder público e seu aparato bélico estavam presentes na “comunidade”, desafiavam a autoridade com uma saraivada de balas, mas Beltrame, como se o episódio evidenciasse o êxito do seu trabalho, proclama: “a população merece segurança”.
Como as palavras fazem sentido, eu presto atenção ao que diz o secretário, segundo quem “isso (os tiros) legitima que esta área (parte do Complexo do Alemão) está ocupada pelo Estado”. Estamos diante de uma visão essencialmente torta, lamento ter de escrever isto, da segurança pública e da relação da polícia com a população. BANDIDO NÃO LEGITIMA COISA NENHUMA! O Estado que chegou ao Alemão lá deveria ter estado presente desde sempre. Há, nas sublinhas desse texto, a ideia de que tanto bandido como polícia são forças legítimas, que disputam, perdoem-me o clichê, os corações e as mentes das comunidades.
Esse substrato intelectual equivocado tem importância definidora na polícia de segurança do Rio. No fim das contas, existem motivos por que a polícia não caça e não prende bandidos. Do ponto de vista puramente pragmático, convenham, espantá-los é bem mais barato. Bandido preso custa caro, e administrar presídios é das tarefas mais espinhosas e desgastantes que pode ter um governo. No que concerne a certa esfera de valores, há correntes minoritárias, mas muito influentes na imprensa, da opinião pública que ainda veem o banditismo como uma espécie de derivação teratológica da luta de classes. No fundo, seriam rebeldes primitivos que não tiveram a chance de direcionar de maneira adequada, política, a sua justa revolta. Com um pouco mais de teoria, teriam sido petistas, socialistas, esquerdistas, progressistas… Como não tiveram a chance de estudar com os marxistas da Zona Sul, viraram bandidos mesmo… Trata-se, assim, de uma mistura de Rousseau com sociologia do Posto 9: o bandido nasceu bom, a sociedade, nós (isto é, “eles”), é que o corrompeu. O nome disso tudo é má consciência.
Já escrevi na sexta sobre os episódios do Complexo do Alemão, antes ainda de a bandidagem ter recebido Beltrame com uma salva de… balas! Evidencio lá o que tenho escrito aqui há muito tempo: é claro que eu sou favorável à recuperação de territórios que haviam sido MONOPOLIZADOS pelo crime. Felizmente, existem arquivos, memória etc. Já lá se vão quase 20 anos do meu primeiro artigo que sustentava que era preciso retomar o espaço físico que havia sido sequestrado pelos bandidos, que haviam fundado um estado paralelo.
Mas é inaceitável, estupefaciente, que a política de segurança pública do Rio compreenda — e compreende — a não prisão de bandidos, a não ser em casos excepcionais e que rendam “mídia & flashes”. O pior é que esse é um dos seus aspectos mais elogiados pelo onguismo do miolo mole porque isso demonstraria um apego pela paz. Ignora-se, e já há casos, o risco que há em fazer com que o aparato policial conviva “pacificamente” com a bandidagem. Como a disciplina do crime é mais elástica e mais rentável do que a da polícia, a lógica se encarregará do resto.
Caminhando para a conclusão
Mas não há jeito, não! A narrativa criada para explicar aquelas escolhas é muito mais forte do que os fatos. Parte do Palácio do Planalto quer, por exemplo, que o candidato do PT ao governo de São Paulo seja o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Embora o estado exiba uma das menores taxas de homicídio do país (é bem provável que continue a ser a mais baixa), avalia-se que a segurança pública é um flanco que pode ser explorado pelo partido. E o contraponto da suposta eficiência e de uma política alternativa, acreditem, é o… Rio de Janeiro!
São Paulo concentra 40% dos presos brasileiros, embora tenha apenas 22% da população. A queda na taxa de homicídios no estado — mais de 70% em dez anos — é atribuída pelos especialistas “PTólogos” à política do desarmamento e, pasmem!, à suposta ação do PCC, que teria estabelecido uma espécie de “pax” na bandidagem. Não ocorre a esses analistas indagar por que, então, o desarmamento não teria provocado efeito semelhante no resto no Brasil. Também não lhes ocorreu por que a polícia de São Paulo, que teria feito um pacto de não agressão com o crime, prende bandidos, e a do Rio, que não teria feito acordo nenhum, os deixa soltos.
No universo da ideologia — e no da manipulação descarada da informação —, os fatos precisam ser combatidos para que a mistificação produza seus frutos.
The thirteen year blood libel
To defeat Islamic terror, we must first acknowledge what it is
Contrary to Obama, the Terror War Has Barely Begun
The collapse of Middle Eastern states from Libya to Afghanistan vastly increases the terrorist recruitment pool, while severely restricting the ability of American intelligence services to monitor and interdict the terrorists. In addition, it intensifies the despair that motivates Muslims like the Tsarnaev brothers or Michael Adebolajo to perpetrate acts of terrorism. That makes President Obama’s declaration that America is winding down the “war on terror”–a misnomer to begin with–the worst decision by an American commander-in-chief since the Buchanan administration, perhaps ever.
Last week I took part in a Tablet magazine roundtable on the crack-up of Middle Eastern states and its strategic implications, along with Edward Luttwak, the New York Times‘ Robert Worth, Amos Harel of Ha’aretz, Lee Smith of the Weekly Standard, and Nathan Thrall of the International Crisis Group. Our group effort was one of several essays to appear in the past two weeks commenting on the disintegration of the system of states created after World War I by colonial cartographers. I argued:
In their wisdom, the colonial powers characteristically created multiethnic and multisectarian entities based on the principle of minority rule. There is a reason that Syria has labored under brutal minority regimes for half a century, since the Ba’ath Party coup of 1963 led by the Christian Michel Aflaq, followed by the Alawite Assad dynasty’s assumption of power in 1971. If you create artificial states with substantial minorities, as British and French cartographers did after the First World War, the only possible stable government is a minority government. That is why the Alawites ran Syria and the minority Sunnis ran Iraq. The minority regime may be brutal, even horribly brutal, but this arrangement sets up a crude system of checks and balances. A government drawn from a minority of the population cannot attempt to exterminate the majority, so it must try to find a modus vivendi. The majority can in fact exterminate a minority. That is why a majority government represents an existential threat to the minority, and that is why minorities fight to the death. This meta-equilibrium is broken and cannot be restored.
Syria’s crack-up is at the top of the agenda, but the breakdown of putative nation-states extends across nearly all of the Muslim world. As Amos Harel reported in the Tablet symposium, the prime minister of Libya “has to cross checkpoints manned by five different militias, on his way home from office.” In place of regular armies controlled by dictators, Libya is crisscrossed by ethnic and sectarian militias (including the one that murdered our ambassador last September). Egypt is on the brink of economic collapse and state failure; Iraq is in the midst of a low-intensity sectarian war; Syria’s civil war already is being fought out in Lebanon; and Turkey’s border has become unstable.
A vast number of young men have been drawn into irregular combat. Syria has become the cockpit of a Sunni-Shi’ite war, with Turkey and the Gulf states funneling money and jihadists into Syria while Iran sends Revolutionary Guards and Hezbollah irregulars to the aid of the Assad regime. The young men of Libya already are mobilized into militias; Egypt’s Muslim Brotherhood cells and Salafists and football mobs are not yet armed, but are organized. Iraq’s sectarians are armed to the teeth, in part thanks to American funding of the “Sunni Awakening” during the 2007-2008 surge. Very large numbers of young men are ready to fight to the death, while the breakup of the fragile civilian society of these countries draws more and more of them into the maelstrom. Terrorism has become a way of life in Syria, where both sides instigate atrocities, in part to intimidate their opponents and in part to bind their own fighters to the cause by making them complicit in such crimes.
Padilha gastou R$ 10 milhões em propaganda equivocada sobre o Ministério da Saúde
Na VEJA.com:
A direção do PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a falta de uma bandeira pode ser um obstáculo para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, se tornar um candidato viável ao governo de São Paulo em 2014. Pressionado pelo partido para criar uma marca forte no ministério que o projete na disputa, o ministro autorizou o gasto de 10 milhões de reais com uma campanha publicitária que apresenta a pasta como fiscal dos planos de saúde. Só o que ninguém parecia saber é que essa atribuição já tem dono: a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) – que possui um canal próprio para denúncias.
Mesmo assim, a campanha estreou no dia 5 de maio. Na propaganda, ator global Milton Gonçalves aparece pedindo ao cidadão que ligue para o Disque 136 em casos de descumprimentos de prazos dos planos de saúde. O telefone informado na campanha, porém, é da Ouvidoria do SUS, que controla a qualidade dos serviços públicos de saúde – portanto, sem relação direta com planos privados. A propaganda foi ao ar antes que o Disque 136 estivesse adequado para receber as reclamações.
Segundo relatos, os atendentes chegavam a orientar o cidadão a procurar a prefeitura de sua cidade, porque aquele telefone era destinado apenas a assuntos relacionados ao SUS. Somente após três dias no ar, foi feito um redirecionamento para a central 0800 da ANS – e o Disque 136 passou a ser um intermediário dispensável entre a ANS e o cidadão. “Você será redirecionado para a ANS, órgão responsável por regular e fiscalizar os planos de saúde”, diz a gravação do SUS.
Em nota, o ministério afirmou que “a melhoria do acesso e qualidade do atendimento dos planos de saúde é um dos dezesseis objetivos estratégicos do Ministério da Saúde aprovado pelo Conselho Nacional de Saúde”. A ANS afirmou não ver problemas na campanha do ministério. “Ressaltamos que em nenhum momento a autonomia da Agência sofreu interferência”, informou.
US Entertainment Industry To Congress: Make It Legal For Us To Deploy Rootkits
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Roberto Civita cita Thomas Jefferson: “Se uma nação espera ser ignorante e livre ao mesmo tempo, espera ser algo que nunca existiu e que nunca existirá”
Em 2008, quando Roberto Civita completou 50 anos na Abril, uma publicação comemorativa trazia uma entrevista constituída de respostas que tinha dado ao longo de sua vida profissional a algumas questões centrais que dizem respeito à imprensa, ao Brasil e ao mundo, hauridas de discursos, palestras, depoimentos etc. Leiam o que vai na VEJA.com:
Como o senhor definiria o Brasil?
O Brasil é um fascinante, exasperante e bendito país!
Qual a razão do otimismo?
Nasceu em casa. Conto uma historinha para ilustrar o que aconteceu pouco antes do golpe militar de 64. Um jantar na casa do meu pai com uns oito ou dez amigos dele e os caras dizendo: “Eu estou tirando o meu dinheiro do Brasil…”, “Estou vendendo a minha fábrica…”, “Vou voltar a viver na Europa…”. O tom era esse. Eu calado porque eram todos de outra geração. Então, meu pai disse: “Pois eu estou comprando uma nova rotativa que custa 5 milhões de dólares”. Os amigos reagiram: “Você está maluco?”, “O que é que deu em você, enlouqueceu?”, “Você não está vendo o que é que está acontecendo neste país? O Brasil vai virar comunista…”, “Acabou tudo e você está investindo…”. A resposta do meu pai foi: “Se tomarem a minha empresa, pelo menos vão tomá-la com uma gráfica decente… É melhor que fiquem com uma gráfica grande”.
O comunismo não veio, o Brasil não acabou e passou até a se modernizar mais rapidamente…
É como dizem os hindus: a sorte é metade do sucesso. Mesmo assim, o que não falta é exasperação, certo? Era agosto de 1983. Eu dava uma palestra na Abril e dizia: “O Brasil está cansado e frustrado com a crise, com a corrupção, com a falta de perspectivas e com um governo que não governa”. Felizmente, concluí a palestra com uma nota otimista, e da qual muito me orgulho. Disse então: “Da mesma maneira que reencontramos os caminhos da democracia e soubemos mergulhar na abertura sem perder o equilíbrio, tenho a certeza de que — muito antes do que se possa imaginar — reencontraremos o caminho do crescimento econômico. Para isso, vai ser preciso repensar e mudar muitas coisas. Mas não tenho dúvida de que, juntos e com muita inteligência e ainda mais trabalho, saberemos fazê-lo”.
Existe uma fórmula mágica para o sucesso?
Sim. Eu a conheço e já registrei com o nome de A Fórmula Mágica da Sorte e do Sucesso (ou — pelo menos — da Sabedoria) em Alguns Minutos por Dia ou Seu Dinheiro de Volta.
Nossa! O senhor pode nos contar como ela funciona?
Trata-se, muito simplesmente, de LER.
Isso é uma sigla?
Verbo. Ler o quê? Tudo o que cair em suas mãos! Folhetos, folhetins, fascículos, panfletos e literatura de cordel. Jornais (grandes, pequenos, nanicos e alternativos), revistas (gerais, profissionais, técnicas… até da concorrência), boletins, fichas de receita, anúncios, embalagens, bulas, enciclopédias, circulares, relatórios, o manual de proprietário do seu carro, quadrinhos, dicionários, programas de teatro, discursos, cartas de amor e — se possível — até alguns livros… Em qualquer lugar. E especialmente no trânsito, no banheiro, no ônibus, no avião, na praia, no elevador, no metrô, no intervalo do jogo no Estádio do Morumbi e — naturalmente — na sala de espera do médico ou dentista. Onde quer que você esteja. Em qualquer momento disponível. Quando não conseguir dormir, quando se encontrar em qualquer fila, no café-da-manhã, na hora do almoço (ou — se estiver de regime — no lugar do almoço), entre duas partidas de tênis no clube, durante os comerciais… até em vez de assistir a uma novela! O importante é reservar tempo para ler. Escolha a hora que quiser. Acorde mais cedo. Durma mais tarde. Mude algum programa. Mas… leia!
Mas funciona mesmo?
A “fórmula mágica” deve ser testada ao longo de, digamos, 23 anos. Até lá não aceitamos reclamações. Falando sério, estou convencido de que a leitura é a receita mais simples para o conhecimento, a atualização permanente, o acesso ao mundo das idéias, a compreensão e a sabedoria. Quanto mais você ler, mais surpresas como estas terá: “Em vez de ser a condição natural do homem e da sociedade, a liberdade é algo que poucos alcançaram, em poucos lugares, através de esforço, dedicação, autodisciplina e engenhosidade social. A liberdade é a exceção da História, não a regra; é aquilo que os homens buscam, não o que possuem”. (Arthur Schlesinger) Ou, ainda, sobre liberdade: “Se uma nação espera ser ignorante e livre ao mesmo tempo, espera ser algo que nunca existiu e que nunca existirá”. (Thomas Jefferson) Ler não envolve apenas a busca de verdades eternas ou receitas universais. Ler é também diversão, entretenimento e bom humor. Alexandre Dumas escreveu sobre o matrimônio: “A cruz do casamento é tão pesada que são necessárias duas pessoas para carregá-la, às vezes três”. E, finalmente, um velho provérbio chinês, aplicável a todos os nossos planejamentos: “É muito difícil fazer profecias, principalmente com relação ao futuro”.
Mas haja memória…
Se me permitirem acrescentar mais uma recomendação àquela básica, eu lhes diria: sempre que possível, leiam com um lápis ou caneta na mão. Marquem os trechos que acharem importantes. Recortem artigos de jornais e revistas. Colecionem as frases ou parágrafos de que gostarem, como outras pessoas colecionam selos, figurinhas, autógrafos, conchas ou chaveiros. Classifiquem seus achados, arquivem-nos, troquem-nos com seus amigos… E voltem, sempre, para saboreá-los. Descobrirão que a sua coleção através dos anos revelará muitas coisas importantes a respeito de si próprios. Bem, se isso não trouxer sorte e sucesso, garanto que — no mínimo — trará sabedoria e muita satisfação.
As revistas podem competir com esses autores fabulosos que o senhor citou?
Podem porque elas são o mais seletivo, segmentado, regionalizado, brilhante, íntimo, aproveitável, portável, rasgável, eficiente, dramático, inteligente, lindo, duradouro e maravilhoso veículo de comunicação que existe.
E com as novas tecnologias?
A revolução iniciada por Gutenberg foi tão importante que ainda não terminou, já passados 500 anos. E, na essência, o que fazemos hoje em matéria de imprensa obedece aos mesmos propósitos que levaram o nosso patriarca a construir a sua primeira prensa: levar informação relevante (no caso dele, os ensinamentos da Bíblia) a um número maior de pessoas, por um custo mais acessível. Na Era da Informação — e apesar de tanta velocidade e diversidade — não podemos deixar de lado a fundamental importância da verdade, da honestidade, da objetividade, da solidariedade, e da “inteligência sensível”. Ou seja, daqueles princípios fundamentais que alicerçam a civilização desde os seus primórdios e sem os quais todo o resto será em vão.
Certas coisas não mudam, não é?
O mundo das publicações está mudando muito rapidamente (e vai continuar mudando ainda mais rapidamente). E a Abril pretende não apenas acompanhar mas liderar essas mudanças.
O que não muda?
Nossa credibilidade continua sendo nosso principal ativo. Daí a fundamental importância da rígida separação entre editorial e publicidade. É o certo a fazer, moral, ética e filosoficamente, como também (e felizmente) o que convém fazer pensando a longo prazo. É o que, afinal, transformou cada uma das nossas publicações na revista líder do seu setor. E é o que vai mantê-las nessa posição e fazê-las crescer e continuar contribuindo para o desenvolvimento do país no futuro.
O que mais não muda?
Quanto mais reflito, e quanto mais tempo sou editor, mais me convenço de que jornalista não precisa de diploma de jornalista, mas sim de uma boa e sólida formação que começa em casa, passa pela escola básica, e pode até chegar à universidade. Um jornalista precisa de escolas, sim — escolas sem rótulos, que ensinem história, literatura, economia, ciência, filosofia, direito… o universo! Um jornalista precisa aprender a pensar, analisar, questionar, usar a cabeça. Um jornalista precisa ler muitos livros, precisa ser curioso, querer saber sempre o porquê das coisas, todas as coisas. E precisa gostar de contar o que descobre, de contar histórias…
Além de querer tem de saber também…
Alguém com esse perfil acima vai ter apenas de aprender o ofício, a técnica, o “como fazer”. Eu não apenas acredito nisso, como pratico há mais de trinta anos.
Quando o senhor sabe que uma publicação está no caminho certo?
Existem muitas variáveis, mas a infalível é quando os jornalistas de uma revista acreditam que o leitor é o seu verdadeiro patrão. Quando eles trabalham unicamente para atender às necessidades desses leitores, por meio de um jornalismo sério, bem pautado, bem apurado, bem escrito, bem editado — resultando em revistas honestas, bonitas, úteis e surpreendentes.
Talvez nunca a imprensa tenha sido tão mal avaliada como agora, o senhor concorda?
Imprecisão, arrogância parcialidade (decorrente da defesa de interesses próprios em detrimento do interesse público), desprezo pela privacidade, insensibilidade, glorificação do bizarro, trivial e banal são queixas mais ou menos comuns atribuídas à imprensa em todos os tempos. Mais do que um elenco de pecados capitais da nossa imprensa, esses itens constituem um roteiro dos males a evitar, um vade mecum do que não deve ser feito.
Como evitá-los?
Primeiro, e principalmente, é preciso respeitar o público leitor. O público não é burro. No máximo ele é mal informado, ocupado com outras coisas, facilmente distraído, muitas vezes por culpa nossa. Os jornalistas devem conhecer melhor seu público. Temos a obrigação de entender que o processo de comunicação envolve não apenas transmitir mas também verificar o que foi captado e entendido do outro lado. E que a compreensão das notícias pelo público é parte essencial do processo. Ou seja, devemos prestar muita atenção no que nossos leitores pensam, acreditam, sentem, escrevem e dizem. Nesse contexto, vale a pena considerar a declaração de William Broyles Junior, ex-editor de Newsweek, quando disse: “Todo jornalista deveria ser entrevistado, analisado e dissecado por outros jornalistas durante certo tempo. Essa simples experiência contribuiria mais para melhorar o jornalismo do que todas as escolas de jornalismo juntas”.
O senhor mesmo gosta de dizer, citando Thomas Jefferson, que apesar de todos os defeitos é melhor ter imprensa imperfeita do que nenhuma, certo?
Aos críticos, nunca é demais repetir: não criamos os fatos, não inventamos a natureza humana, não somos deuses com o poder de alterar o curso dos acontecimentos. Não podemos mudar por muito tempo a verdadeira imagem de personagens ou sufocar as naturais repercussões dos eventos. Não podemos passar as 24 horas do dia ao lado de todas as figuras importantes ou acompanhar a evolução de todos os eventos significativos e significantes; por isso, somos obrigados a selecionar e trabalhar esse material com uma lente de aumento. Nesse processo de seleção, síntese e magnificação, tornam-se mais gritantes certos traços que, de outra forma, ficariam diluídos se porventura tivéssemos o dom da onipresença, ubiqüidade e onisciência — e nossos leitores não fizessem outra coisa que não nos ler o dia inteiro. Nosso Rui Barbosa definiu bem a necessidade da imprensa ao afirmar que ela é “a vista da nação. Através dela a nação acompanha o que se passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam ou roubam, percebe onde lhe alvejam ou nodoam, mede o que lhe cerceiam ou destroem, vela pelo que lhe interessa e se acautela do que a ameaça”.
Para finalizar, se fosse preciso escolher um único indicador de qualidade da imprensa, qual seria?
Quanto mais independente do governo, maior será a contribuição da imprensa e da livre-iniciativa ao desenvolvimento do país.
“Você não pode aceitar chantagem, pressão, ameaça. Você tem de continuar fazendo o que tem de fazer, é só isto: uma grande revista”
Conheci Roberto Civita pessoalmente em 2005, num jantar na casa do cientista político Luiz Felipe d’Avila, um amigo comum. A VEJA.com só passaria a hospedar o meu blog no ano seguinte, mas não por iniciativa dele. O convite partiu da direção da revista. Roberto, constatei, fazia jus à fama: era inteligente, tinha um raciocínio diabolicamente rápido, antenado com tudo o que acontecia no país e no mundo. Estava, afinal, diante do criador e do editor da mais importante revista do país — e de dezenas de outras publicações que fazem a história do jornalismo brasileiro — e de uma das maiores do mundo. Estava diante também de um grande empresário, bem-sucedido, independente. Mas me surpreenderam — não que esperasse o contrário; ocorre que eu não o conhecia pessoalmente — a generosidade da conversa, o bom humor, a genuína atenção que dispensava à fala do interlocutor e a indignação serena com as questões públicas que não eram de seu agrado. E, sim, como qualquer um de nós, tinha as suas utopias.
E esse era um dos aspectos mais encantadores, acho eu, de sua personalidade, como vim a constatar nas outras, sei lá, nove ou dez vezes em que conversamos pessoalmente. “Roberto”, como gostava de ser chamado — sem qualquer outro acréscimo —, era, reitero, uma das pessoas mais bem informadas que conheci, mas conservava em relação a tudo uma humilde curiosidade. Ignorasse o interlocutor ser ele o homem que deu forma a um dos maiores empreendimentos editoriais do país e o timoneiro de um grande grupo empresarial, cometeria o erro de considerá-lo um ingênuo. E só por isto seu conhecimento era tão vasto: cultivava a dúvida sistemática, cartesiana, dos sábios, não o excesso de certeza dos estúpidos. Ela iluminava e fortalecia as suas convicções.
Trazia sempre num dos bolsos do paletó uma pequena agenda — não parava de trabalhar. Da conversa com o interlocutor, surgiam pautas, que ele anotava e passava adiante. Se viravam ou não reportagens, aí era com os fatos. Também podia ocorrer de alguém citar um livro que ele não conhecesse e pelo qual se interessasse. Anotava o nome. Em dezembro de 2011, encontramo-nos na praia para um almoço. Luiz Felipe, presente, lembrou um texto, que agora me foge, e Roberto meteu a mão no bolso da bermuda. Tirou a agendinha e anotou. Naquela noite de 2005, passamos boa parte do tempo conversando sobre… religião! Citei, então, uma passagem de “As Formas Elementares da Vida Religiosa”, de Durkheim. Ele parou por um tempo e empregou um adjetivo que usava com certa frequência: “Fascinante!”. E acionou a sua agenda. Era generoso no elogio, objetivo na crítica e de uma sinceridade às vezes desconcertante, mas jamais grosseiro, atrabiliário ou ríspido.
No dia 24 do mês que vem, este blog completa seu sétimo ano hospedado na VEJA.com. Nesse tempo, não tive de consultar outra instância que não a minha própria consciência — e é fato que expressei aqui, e na própria revista, opiniões com as quais sei que Roberto não concordava — sou certamente mais conservador do que ele era — e que também não coincidem com a linha editorial da própria VEJA. Jamais me chegou nem mesmo um eco, ainda que distante, que tivesse o ânimo da censura ou da imposição de, sei lá como chamar, uma “linha justa”. Essas coisas eram estranhas a seu vocabulário, a seu universo intelectual, a seu entendimento do mundo.
Os perigos da ditadura e os da democracia
Roberto era um homem notavelmente corajoso. Sabia, como todos sabemos, que os riscos existem, mas não acreditava no medo. Assim a VEJA, criada no “annus horribilis” de 1968, enfrentou tanto os perigos da ditadura como, atenção para isto!, os da democracia — porque estes também existem e não são pequenos.
Nas ditaduras, sabemos, os que se prezam são, muitas vezes, submetidos a uma espécie de servidão involuntária. Nas democracias, o perigo maior é o da servidão voluntária. A imprensa corre o risco imenso de, sob o pretexto de “colaborar com o país”, passar a se confundir com o próprio poder, do qual tem a obrigação de ser uma analista crítica, independente, imparcial no que concerne às forças políticas em disputa, mas apegada, sim, a valores. Roberto tinha essa clareza.
Na sexta, comentando a cobertura que amplos setores da imprensa dispensaram, nos anos recentes, à política de segurança pública do Rio, escrevi sobre o papel do jornalismo o que segue em azul. Enquanto escrevia, pensava em Roberto. Retomo depois:
[segundo a visão colaborativa, engajada] o papel da imprensa seria o de linha auxiliar do estado. Em vez da crítica, considerada constrangedora, por que não a abordagem senão elogiosa, mas afirmativa ao menos? Afinal, se todos queremos o bem do Rio, do país, da humanidade, há de haver entre nós o lugar do consenso. Muita gente, de boa-fé, sem qualquer ânimo para a censura, reprova o papel da imprensa, que sempre estaria interessada na má notícia, nos aspectos negativos da realidade, porque, dizia-se antigamente, quando esta era uma questão pertinente, “vende mais jornal”. A ilação embutia um pressuposto: o de que o leitor tinha um lado masoquista — eventualmente sádico no caso de que a má notícia não lhe dissesse respeito. Participei, há muitos anos, de uma tertúlia profissional, equivocada desde a convocação, para que se debatesse esse assunto. E se chegou, então, a uma formulação editorial que vinha até com uma chancela gráfica: “Boa Notícia”. Vale dizer: incorporava-se como verdade a crítica infundada de que a “má notícia” era o nosso filão principal e de que seria preciso treinar o olhar para importunar menos o leitorado, eventualmente as “otoridades”, com assuntos desagradáveis. É claro que foi um tiro n’água. Os meios estavam errados, e os meios sempre qualificam os fins.
Um jornalismo que vivesse, ainda que com bons propósitos, da mera justificação do presente não tardaria a incorporar, ele mesmo, a lógica do poder. Em vez de exercitar um conjunto de valores, passaria a ser o administrador de um conjunto de estratégias para, então, preservar O poder e se conservar NO poder. Não tardaria a considerar que todos os males do mundo — ou, vá lá, do país — decorreriam do dissenso; da ação deletéria de pessoas ou grupos que, em vez de colaborar com o bem comum oficialmente definido, dedicam-se à sabotagem. Não é uma tentação que esteja apenas na cabeça dos estúpidos e dos venais. Um homem inteligente e inegavelmente talentoso como Máximo Gorki justificou e aplaudiu todos os crimes de Stálin. Escreveu um livro exaltando, por exemplo, a construção de Belamor, o canal entre os mares Báltico e Branco. Foi feito com a mão de obra escrava dos prisioneiros. Nada menos de 170 mil pessoas! Vinte e cinco mil morreram em um ano e meio… Gorki acreditava sinceramente no socialismo… A honestidade da convicção não faz a boa obra. Se o jornalismo abre mão da crítica, contribui para a esclerose do poder. O consenso é, nas democracias, o que a censura é nas ditaduras.
Retomo
Almocei com Roberto, pela última vez, há uns sete, oito meses. Ele me chamou justamente para conversar sobre liberdade de imprensa, obrigatoriedade de diploma de jornalista, regulamentação da mídia, essas coisas. E eu então lhe disse a frase que encerra o parágrafo anterior. Anotou. “É muito boa, mas a censura é imposta, o consenso pode ser construído livremente”. Aí conversamos por umas duas horas sobre supostas verdades, que vão se estabelecendo como imperativos pela simples e óbvia razão de que falta coragem para afrontá-los. Assim, também os consensos podem ser impostos pelo espírito do tempo. “Fascinante!”
Roberto viveu uma vida intensa e se pereniza na obra que deixa, que continuará a render frutos. No post que traz uma série de vídeos, ele conta como enfrentou a truculência de um estafeta do poder, que achou que poderia silenciar a VEJA. E ele, então, resume: “Você não pode aceitar a chantagem. Você não pode aceitar a pressão, a ameaça. Você tem de continuar fazendo o que você tem de fazer. E é só isto: fazendo uma grande revista”.
Roberto não morre enquanto viver a sua obra. Que seja imortal!
ARM In Supercomputers — 'Get Ready For the Change'
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