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10 Jun 23:04

Cresce avaliação negativa de Supercoxinha, mesmo com imprensa a favor

by giinternet

Alguns leitores me perguntam por que não comentei a avaliação da gestão Fernando Haddad, medida pelo Datafolha. Porque, por enquanto, isso não tem muita importância. Mas posso fazê-lo, chamando a atenção para um detalhe associado ao crescimento da avaliação negativa.

Segundo informa a Folha, a avaliação negativa (ruim ou péssima) subiu de 14% em abril para 21% em junho. Os que, por outro lado, acham a gestão boa ou ótima também cresceram, mas menos: de 31% para 34%. A Folha destaca que é o prefeito mais bem avaliado a esta altura do mandato desde 1986, com a volta das eleições diretas para as capitais. Huuummm. Em segundo, estaria José Serra, que chegou a 30%. Como a margem de erro é dois pontos percentuais para mais ou para  menos, tanto o tucano como o petista podem ter alcançado 32% — empate. A pesquisa também registra que cresceu de 49% para 58% os que avaliam que a gestão petista está fazendo menos do que se esperava.

O dado relevante
O dado relevante desses números, na minha opinião, não está na pesquisa, mas fora dela. Desde a volta das eleições diretas, não se tem um prefeito tão incensado pela imprensa, o que me levou a apelidá-lo de “Supercoxinha”.

Se vocês querem um comprovação fática do que estou a escrever, comparem o texto que a Folha publica sobre Haddad (link acima) com o que trata da avaliação de Geraldo Alckmin, que é aprovado por 52% dos paulistas — 18 pontos acima da avaliação positiva conquistada por Haddad.

Aspectos considerados positivos da gestão prefeito são destacados. Há um certa sublinha a sugerir que a avaliação pode ser um tantinho injusta. Alckmin, muito mais bem avaliado, não tem colher de chá. Ao contrário: a edição sugere que ele pode enfrentar problemas na área de segurança pública. Não se consegue ter uma miserável pista de por que 52% o consideram bom ou ótimo, mas se explica direitinho por que 34% aprovam Haddad, sugerindo que isso pode ser pouco…

10 Jun 23:03

HP Discontinue OpenVMS

by samzenpus
simpz writes "The register is reporting that 'the ancient but trustworthy server operating system' OpenVMS has been discontinued. From the article: 'HP never really promoted its acquisition and OpenVMS suffered from a lack of development compared to HP-UX, itself suffering from competition from Linux. It was only a matter of time, but it's a sad end. Many of its old-time fans, your correspondent included, cherished a hope HP would move it to x86-64 – but since development moved to India in 2009, OpenVMS has been living on borrowed time. Now, it's run out.'"

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10 Jun 17:32

Chemists Build App That Could Identify Cheap Replacements For Luxury Wines

by samzenpus
schliz writes "Australian startup Wine Cue is combining the chemical composition of wines with customer ratings for what it hopes to be a more objective wine recommendation engine than existing systems that are based on historical transactions. The technology is likely to reach the market as a smartphone app, and could be used to identify cheap alternatives to expensive bottles."

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10 Jun 17:32

Dwarf Fortress

I may be the kind of person who wastes a year implementing a Turing-complete computer in Dwarf Fortress, but that makes you the kind of person who wastes ten more getting that computer to run Minecraft.
10 Jun 17:19

O Supercoxinha entre o óbvio e o juízo torto. Ou: Até quando manifestantes porão em risco a vida de terceiros na Paulista?

by giinternet

O Supercoxinha estava mudo desde que elevou a tarifa de ônibus. Anteontem à noite, deu uma declaração à Folha, que está no jornal de hoje. Leiam:

“A Polícia Militar tem que seguir protocolos e um deles é manter vias expressas desimpedidas. [Do contrário] isso coloca pessoas que estão circulando em risco”, afirmou à Folha anteontem, antes de embarcar para Paris, onde defenderá a candidatura da cidade à Expo 2020. A [região da] Paulista tem hospitais que atendem boa parte da população. Se estiver obstruída, haverá risco. Se amanhã alguém morre numa ambulância, vão dizer que a PM não agiu conforme o protocolo”.

Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, defende, assim, a ação da Polícia Militar para desobstruir as vias públicas. Ah, bom! Atenção para uma resposta dada pelo prefeito, a revelar também um padrão moral. Indagado sobre o apoio que seu partido emprestou no passado ao movimento, o preclaro negou a existência de qualquer contradição e afirmou: “No passado, o estopim do protesto foram reajustes acima da inflação”.

Ah, bom! Entendi! Se um determinado reajuste se dá acima da inflação, então é lícito sair por aí ocupando vias públicas e botando pra quebrar; se o reajuste fica abaixo, aí não! Tentar entender a moral de um petista não é nem fácil nem difícil; é apenas inútil em razão da ausência de objeto.

Treze hospitais
O prefeito toca numa questão que já abordei aqui dezenas de vezes — e ele poderia tomar providências, em vez de se comportar como mero cronista da cidade. A região da Paulista concentra TREZE HOSPITAIS, nada menos. Se está tomada por ciclistas, passe-livristas, gays, pela Associação dos Pacientes da Espinhela Caída ou pela Federação das Pessoas Contra a Unha Encravada, é o que basta para que se impeça o acesso dos pacientes a essas instituições.

É preciso votar com urgência na Câmara — e Haddad tem maioria para isso — uma lei que proíba manifestações na Paulista e região. Que se faça o mapa dos hospitais, estabeleçam-se as respectivas áreas de influência de cada um e se as excluam dos locais passíveis de protesto e mesmo de celebração. É só uma questão de responsabilidade. A propósito: o que disse o prefeito vale também para a Parada Gay, suponho.

Vejam como são as coisas. Os evangélicos, como sabem, faziam a sua Marcha para Jesus na Paulista. Foram convidados a realizá-la em outro lugar. Aceitaram., Afinal, seu objetivo era celebrar a sua própria religião e suas convicções, não infernizar a vida alheia. Então ficamos assim: cristãos não podem tomar a Paulista porque, afinal, vociferavam alguns, o Brasil é um país laico. Certo! Mas pode receber baderneiros do Passe Livre e maconheiros? Por quê? Que lógica explica?

10 Jun 17:19

Passe Livre??? Vagabundos, sim! E criminosos também!

by giinternet

Classifiquei aqui de “vagabundos” aqueles trogloditas que saíram pela cidade de São Paulo (e de algumas outras capitais) botando o terror nas ruas: depredaram uma estação de metrô e estabelecimentos comerciais, ameaçaram pessoas, provocaram pequenos incêndios… Um grupo de não mais do que 500 pessoas, reduzidas depois a um quinto disso, infernizou a vida de milhões de trabalhadores que tentavam voltar para suas respectivas casas, depois de um longo dia de trabalho. Vagabundos, sim! Se a Polícia tivesse decidido deter a canalha, iria verificar o óbvio: a maioria só estuda, não trabalha e, ATENÇÃO!, nem mesmo é usuária de transporte público. Mas atenção! Ainda que todos fossem, essa gente não tem o direito de recorrer a esses métodos para reivindicar o que quer que seja. Assim, ao adjetivo “vagabundos”, acrescento outro: “criminosos”. Aquelas manifestações incidiram em vários artigos do Código Penal. Criminosos e, infelizmente, impunes. Alguns, já disse, mereciam cadeia; outro, em razão da idade, a Fundação Casa.

Não! Eu não chamo de “vagabundo” qualquer indivíduo que decida se mobilizar por uma causa. Ao contrário: considero que a mobilização é uma das fontes de oxigênio do regime democrático. Mas a democracia também nos faculta avaliar as causas em trânsito e saber, afinal de contas, quem está na praça. Os organizadores desse protesto se dizem membros de um tal “Movimento Passe Livre”, que trabalhava em parceria com o PT até outro dia. A turma se quer de esquerda, com um pé no anarquismo, e diz que pretende usar a “luta” do transporte público para “superar o capitalismo”. A essa gente se juntam militantes do PCO, do PSTU e do PSOL. Até o ano passado, os petistas também engrossavam suas fileiras.

No Estadão de ontem, Bruno Paes Manso fez uma reportagem  mais do que simpática à “causa”. Sim, leitor, estes são os tempos em que o Estadão (!!!) publica uma texto que flerta abertamente com depredadores do patrimônio público.  Um dos líderes da bagunça é entrevistado. Ele se identifica como “Marcelo”, tem 19 anos e supostamente estuda Filosofia da USP. Diz o pensador:

“A gente tem bons contatos na Prefeitura. O PT Jovem nos apoiava nos protestos em 2011, assim como vereadores que eram de oposição e hoje viraram governo. Mas não queremos sentar para negociar. A campanha do prefeito (Fernando Haddad) foi financiada por empresas de transportes. Foi assim (nas ruas) que conseguimos diminuir tarifas em Porto Alegre, Florianópolis e Teresina”

É isto mesmo: ele participa de um movimento que sai por aí botando pra quebrar, que paralisa a cidade, mas vai avisando: nada de sentar para negociar! Notem bem: não haveria mesmo o que negociar com ele, que não representa ninguém. Ainda que houvesse, o radical da catraca não quer conversa. Na sociedade que ele tem em mente, os que reivindicam se impõem na base da violência. E ponto. A reportagem do Estadão informa, em tom ameno, que o modelo de mobilização da turma é… Carlos Marighella! Sim, o terrorista.

Emprestando ao banditismo explícito a condição de categoria de pensamento, Manso decidiu ouvir uma “especialista”. Monika Dowbor, identificada como “cientista política” do Centro de Análise e Planejamento (Cebrap), compara a estratégia adotada pela turma do Passe Livre — ATENÇÃO!!! — com a dos movimentos em favor dos direitos civis nos EUA, nos anos 1960. E a mulher delira: “Na época, as lideranças escolheram as cidades mais violentas e racistas para protestar para que houvesse reação e seus militantes saíssem como heróis”.

Protesto contra o reajuste de 20 centavos na passagem de ônibus se compara a movimentos em favor dos direitos civis? Então estamos diante de uma causa tão abrangente quanto o racismo, o feminismo e a guerra? Deus nos acuda! Chegará o dia em que ainda teremos de dar graças a Deus por existir o PMDB, uma das forças que impedem o Brasil de cair nas garras de alguns der seus… intelectuais!

Direitos civis??? A passagem de ônibus em São Paulo já é uma das mais subsidiadas do mundo — o setor como um todo, como se sabe, e altamente dependente do dinheiro público. A tarifa social de transporte, é bom que fique claro, já existe. É evidente que o conjunto dos brasileiros paga a conta, inclusive da indecorosa, indecente e injustificada meia-passagem para estudante. Isso tudo sai dos impostos, que, por sua vez, saem do bolso dos trabalhadores. SÓ NESTE ANO, O SUBSÍDIO ÀS PASSAGENS CUSTARÁ  R$ 1,2 bilhão!!!

Essa gente que se dá o direito de parar a cidade tem de mostrar a cara. Que venha a público demonstrar que sua penúria é tal que não pode arcar com o custo adicional de R$ 4,40 ao mês. Trata-se de um bando de vigaristas, brincado de promover a anarquia porque sabem que o cretinismo que toma conta do debate público lhes é favorável. Não custa lembrar que, em 2011, o tal Movimento Passe Livre virou o queridinho da imprensa paulistana — até porque tinha o apoio do PT. Neste ano, a adesão é um pouco menor, mas a simpatia pelos delinquentes ainda é evidente.

10 Jun 17:19

Os autoritários de saia. Colégio Bandeirantes, vítima da difamação, é condenado pelo tribunal gay em que se transformou a imprensa

by giinternet

Um aluno do Colégio Bandeirantes, em São Paulo, apareceu em sala trajando roupa de mulher. Não é gay, diz ele, mas parece que aproveitou para tirar uma onda por causa de uma festa junina. Desentendeu-se com um professor. Um colega, em solidariedade, foi à escola de saia no dia seguinte em solidariedade ao primeiro. A direção do estabelecimento o teria convidado a voltar para a casa. Que importância tem isso em si? Inferior a zero! O que isso tem a ver com educação? Nada! O que tem a ver com cidadania? Nada também! Não para a imprensa, que se transformou numa espécie de tribunal gay. Aí, consta, outros rapazes marcaram para esta segunda um “saiaço”. E o caso ganha ampla repercussão na imprensa — certamente vai parar nas rádios e tomará as redes sociais.

O tom persecutório das reportagens impressiona. Diretores da escola são constrangidos a se explicar, acusados, acreditem!, de “discriminação de gênero”. Os que se negam a falar são tratados como fujões, como pulhas. Considera-se um absurdo, uma verdadeira violação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que a instituição não veja com bons olhos rapazes que se vestem de mulher. Nomes de professores e diretores são lançados ao vento, expostos à demonização.

O Bandeirantes é um dos mais tradicionais colégios de São Paulo, conhecido pela excelência naquela que é sua tarefa principal: educar. Não há, é certo, na Constituição nada que impeça um rapaz de usar uma saia. Mas as instituições têm uma história, uma tradição, que se transformam em regras de convivência, que se tornam, em suma, um decoro. Quando pais escolhem uma escola para seus filhos, escolhem também um conjunto de valores que, acreditam, aquela instituição encarna. Há certamente estabelecimentos em que a ausência de qualquer padrão se afigura um bom padrão. Até onde sei, não é o caso do Bandeirantes. Noto, pelas reportagens, que os diretores estão um tanto surpresos e acuados. Deixam claro que não houve nenhuma punição aos alunos. Aos repórteres, não basta! Exigem um mea-culpa.

“Especialistas” são convidados a fazer digressões sobre essa bobagem que é haver distinção entre vestimenta masculina e feminina. No Estadão, opina sobre o fato ocorrido no Bandeirantes até uma um rapaz que é apontado como especializado em “saias para homem”. Qualquer pessoa razoável — e, infelizmente, jornalistas são a cada diz menos razoáveis — sabe que a base da educação eficiente é a norma. As transgressões e ultrapassagens virtuosas têm de ser motivadas. Um bom caminho da desordem e da anomia é ignorar os fundamentos, digamos, consuetudinários da convivência. Imaginemo-nos cada um de nós com uma coleção de códigos legais debaixo do braço até para dizer “Bom dia!”.

Essa história do Bandeirantes é espantosa. O pior é que os militantes — não estou me referindo aos alunos, que nem sabem direito o que estão fazendo; embarcam na onda em tempos de redes sociais — certamente se querem os libertários. Não são, não! Os diretores do Bandeirantes e ao menos um professor estão sendo vítimas de uma patrulha fascistoide.

E olhem que o tal PLC 122 não foi aprovado. Consta que um professor teria dito ao primeiro aluno que aquela roupa não era coisa de festa junina, mas de parada gay. O diretor-geral teria convidado o outro a voltar para casa por causa da saia… O texto de Marta Suplicy estabelece no Artigo 5º:

Art. 5º Recusar ou impedir o acesso de alguém a estabelecimento comercial de qualquer natureza ou negar-lhe atendimento, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.

Que tal? Parece que os alunos em questão não são gays, mas, sabem como é, naquele dia, eles resolveram assumir outra “identidade de gênero”…

A direção do Bandeirantes, surpreendida por essa patuscada infeliz, parece estar meio intimidada, na defensiva, desacostumada a lidar com esse tipo de coisa. Espero que retome o pulso e lembre aos pais e aos estudantes quais são os fundamentos da escola, destacando, ademais, que os descontentes são livres para escolher o caminho que os faz felizes. Tempos sombrios.

10 Jun 17:18

Alckmin seria reeleito no 1º turno, aponta Datafolha, e bate Lula em São Paulo por 42% a 26%; desta vez, a Madame Mim da Filosofia ateia fogo às vestes

by giinternet

Segurem a Marilena Chaui, que ela vai ter um troço. Corre o risco de atear fogo à próprias vestes. Ou, pior, vai se meter com aqueles bandoleiros do dito Movimento Passe Livre e sair por aí pondo fogo da cidade. Por quê? Segundo pesquisa Datafolha publicada nesta segunda-feira pela Folha, o governador Geraldo Alckmin (SP) seria reeleito governador de São Paulo e bateria o próprio Luz Inácio Lula da Silva por larga margem: 42% a 26%. Quando aparecem outros nomes do petismo, Alckmin se elege no primeiro turno, oscilando de 50% a 52%. Depois do Babalorixá, o petista mais bem colocado é Aloizio Mercadante (11%), atual ministro da Educação, que já disse que não disputará. José Eduardo Cardozo, titular da Justiça, o preferido da presidente na disputa estadual (deve querer se livrar dele), mas rechaçado pelo Apedeuta, aparece com 5%; Alexandre Padilha, ministro da Saúde, tem apenhas 3%.

É claro que ainda falta muito tempo para a eleição, mas o resultado em São Paulo não é nada animador para os petistas. Quem aparece em segundo lugar na disputa é o neopeemedebista e ex-socilista (!?) Paulo Skaf, presidente da Fiesp. Seus percentuais variam de 13% a 16%, reflexo certamente do evidente uso que ele faz da máquina da entidade para se promover. Nunca se viu nada igual em matéria de personalismo e de uso da federação para o marketing pessoal. Quem também aparece à frente dos petistas é o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), que não esconde a disposição de se candidatar: ele teria, se a eleição fosse hoje, entre 6% e 9%.

Aprovam a administração Alckmin 52% dos paulistas; consideram-na ruim ou péssima apenas 15%; 31% dizem que é regular. São números bastante apreciáveis. A aprovação no interior (60%) é bem maior do que na capital (42%). A campanha está longe, mas o resultado vai provocar desconforto no PT. Afinal, o esforço do partido para tentar desconstituir a imagem de Alckmin tem sido gigantesco. E, como vimos na entrevista de José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, vale tudo.

É hoje que Dona Doida sai pelas ruas gritando contra as “elites reacionárias” de São Paulo…

09 Jun 21:14

Guillaume LELARGE: sqlite foreign data wrapper

Last week, one of my customers asked me during a training why there is no foreign data wrapper for sqlite (actually, you can have one with multicorn, but there's no native one). I have no idea why but I was happy to learn that no sqlite FDW already existed. I wanted to write one for quite some time now, and it appeared to be the perfect idea.

So, in the evening, I started working on one. I took as foundation the blackhole foreign data wrapper, written by Andrew Dunstan. It helped a lot to start quickly. I found a bit surprising that it didn't include #ifdef for some functions and hooks, so that it could be compatible with 9.1 and 9.2. I added them in a patch that you can find here if you need them. Otherwise, you can simply delete some parts of the blackhole code.

After that, I tried to find how to open and close a sqlite database, and how to read a table in it. They have a really nice example in their "Quick start document" and "Introduction To The SQLite C/C++ Interface".

I wanted something really simple to start with. Almost two years ago, at pgconf.eu, I went to see Dave Page's talk on FDW (PostgreSQL at the center of your dataverse). So I already knew that you mainly need three functions to read a table: BeginForeignScan, IterateForeignScan, EndForeignScan. The first one has to open the connection (if it's not opened yet). The second one will be executed as many times as there are rows to grab. On its first execution, it must launch the query and get the first row. On every other iteration, it will grab a new row. And the third function helps cleaning memory. So I started to include the sqlite tutorial code in the blackhole FDW. And it worked great. I had to write some other functions, specifically the handler and the validator, but,in an hour, I had something working. Of course, it wasn't pretty. The database filename was written in the code, with no option to change it. The query executed remotely was also written in the code, which means you couldn't change the tablename without recompiling.

So I started to look at options for the foreign server and the foreign table. Most of the code was taken from Dave Page's mysql_fdw code. I quickly had a foreign data wrapper allowing two options: database (to change the database file), and table (to target a specific remote table).

The whole code is available on the sqllite_fdw github repository. I'll try to add the missing features as soon as possible. And when I'll have something working and tested, I'll post it on pgxn.

09 Jun 21:14

Steubenville Hacker Faces Longer Prison Sentence Than the Rapists

by timothy
joeflies writes "In a previous Slashdot article, hackers worked to preserve content for the Steubenville rape case. The two football players charged received juvenile detention sentences of one and two years. One of the hackers, on the other hand, faces 10 years in prison."

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09 Jun 21:14

Desmoralizado na questão indígena, o pré-candidato Cardozo ganha uma manchete para atacar… Alckmin e dizer que não é pré-candidato…

by giinternet

Ai, ai…

A Funai é subordinada ao Ministério da Justiça. O titular do Ministério da Justiça é José Eduardo Cardozo, o “Garboso”. Jamais a incompetência teve uma aparência tão compenetrada. O ministro tomou, como Gilberto Carvalho deixou claro, uma carraspana de Dilma por conta dos conflitos no Mato Grosso do Sul. Pois bem…

Eis que Cardozo está hoje no Estadão criticando o… governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em entrevista concedida a Vera Rosa. Vale dizer: tenta sair da posição vexaminosa em que se encontra atacando gratuitamente adversários políticos. É espantoso! Mas foi bem-sucedido no seu esforço: ganhou a manchete do jornal. É aquele ministro que chegou a sugerir que uma conspiração havia gerado os boatos que levaram milhares de beneficiários do Bolsa Família à CEF. Mal começou a investigação, a bomba caiu no colo da própria Caixa, e Cardozo ficou com cara de tacho.

E, então, para sair da defensiva, resolveu atacar. A conversa começa com a Funai e coisa e tal até que o Estadão resolve pôr Alckmin na conversa — e o assunto virou título da entrevista e manchete. A sequência chega a ser espantosa. Leiam. Volto em seguida.

O governador Geraldo Alckmin disse que a violência em São Paulo é agravada pela falta de controle do governo federal sobre as fronteiras. Como resolver isso?
É da tradição política as pessoas tentarem se isentar de responder certas questões, colocando a culpa em outros. Eu não farei isso. Vamos deixar a disputa eleitoral para o palanque. Em junho de 2011, lançamos o Plano Estratégico de Fronteiras e temos obtido resultados muito positivos. Querer atribuir a subida da violência em São Paulo a algo que está melhorando é querer se isentar de um problema sobre o qual poderíamos pensar em conjunto, sem politizar nem jogar responsabilidade para o outro.

Então o sr. acha que o governador está politizando a questão da segurança?
Infelizmente eu acho que é isso, que ele está politizando, porque se o programa de fronteiras tem números melhores do que tinha anteriormente e São Paulo tem números de violência piores do que tinha antes, eu não posso estabelecer um nexo de causa e efeito. Muitas vezes, a cabeça de organizações criminosas que fazem o tráfico não está no local onde se planta a coca; está no grande centro onde é o consumo. Então, para combater o tráfico temos de combater a ação criminosa em todos os seus aspectos. Se ela está em presídios, tenho de ter coragem para enfrentá-la nos presídios. Segurança pública exige coragem política. Se eu tenho um grande centro de consumo, tenho de fiscalizar bem essa fronteira, além da fronteira nacional, para evitar que a droga chegue ou que o dinheiro saia.

Existe um jogo de empurra sobre falta de segurança. De quem é, afinal, a responsabilidade?
A responsabilidade é do Estado brasileiro. Acho que todos nós temos de estar juntos e parar com essa mania de querer empurrar a coisa com a barriga, culpando uns aos outros. Isso chega a ser pueril. Em momentos de crise, precisamos deixar de lado nossas divergências políticas e buscar convergências. Duvido que a população aceite esse jogo de empurra.

As críticas do governador ao programa federal seriam uma vacina para ele se proteger na campanha da reeleição, já que, segundo pesquisas, sua popularidade começou a cair?
Se eu respondesse a essa pergunta e desse as minhas impressões estaria seguindo o caminho inverso do que estou querendo. Quero resolver o problema de São Paulo e não dizer, eleitoralmente, que o culpado é esse ou aquele. A população de São Paulo precisa de pessoas que estejam à altura de seus desafios, para enfrentá-los em conjunto. Nós não podemos ter vergonha ou medo de pedir auxílio quando temos um problema. Pouco me interessa aí o resultado eleitoral. Já passou o tempo do “quanto pior, melhor”.

E o que fazer, então?
Vou dar um exemplo: Alagoas está dentro do Brasil e também se submete ao mesmo programa de fronteiras. É o Estado mais violento do Brasil. O governador de Alagoas, Teotônio Vilela, que é do PSDB, pediu apoio e, em um ano de programa de fronteiras, o Estado reduziu em 15% os homicídios. Santa Catarina também estava com um problema gravíssimo com uma organização criminosa. O governador Raimundo Colombo (PSD) veio até nós e propusemos uma parceria. Qual foi o resultado? Em um único dia transferimos 60 presos. Ao mesmo tempo, fizemos um cercamento das fronteiras do Estado de comum acordo e uma ação nos presídios. Aquela situação calamitosa se resolveu. Será que não é possível a gente pensar um pouco maior nessas coisas? Eu acho que é possível.

A redução da maioridade penal melhoraria o problema?
A redução da maioridade penal é inconstitucional porque fere cláusula pétrea. A Constituição diz que a maioridade penal é conseguida aos 18 anos. Isso, portanto, gera um direito individual indiscutível a todas as pessoas que não têm 18 anos de não serem imputadas pela prática de delitos penais. Temos de focar a discussão nos marcos do Estado de Direito. A partir daí podemos discutir, por exemplo, as condições e o tempo de internação, associados a políticas de ressocialização do menor transgressor.

Ministro, o sr. quer concorrer ao governo de São Paulo?
Não. Eu não sou candidato. Não tenho projeto pessoal de disputar eleição e falo isso com muita sinceridade. Só se houvesse uma Assembleia Constituinte exclusiva para votar a reforma política eu me candidataria a uma vaga (risos). O PT tem ótimos nomes, como o dos ministros Aloizio Mercadante (Educação), Marta Suplicy (Cultura), Alexandre Padilha (Saúde), Guido Mantega (Fazenda)…

No PT é comum o comentário de que o ex-presidente Lula veta seu nome porque não perdoa sua atuação na sindicância de 1997 que culpou Roberto Teixeira, compadre dele, por tráfico de influência em prefeituras petistas. Ele também não teria gostado da ação da PF, que investiga Rosemary Noronha, ex-chefe do escritório da Presidência em São Paulo.
Minha relação com o presidente Lula é excelente. Em nenhum momento recebi qualquer consideração, mesmo levemente crítica, da parte dele em relação ao comportamento da Polícia Federal no caso Rosemary Noronha. Ele sempre foi um grande incentivador da atuação independente e republicana da PF. Em relação a situações passadas, foram totalmente superadas.

Embora o sr. diga que não vai disputar a eleição, o seu discurso sobre segurança pública é de candidato. Segurança pode ser o mote da campanha do PT em São Paulo?
Se meu discurso fosse de candidato eu estaria nesse momento de dedo em riste contra o governador Alckmin, apontando falhas da segurança e tentando colocar culpas nele, o que eu não estou fazendo.

Não?
Não. O discurso de candidato é o daquele que tenta empurrar para outro a responsabilidade que lhe incumbe.
(…) 

Voltei
Vamos pôr ordem nas coisas:
1: São Paulo ainda tem a mais baixa taxa de homicídios por 100 mil pessoas do Brasil.

2: Se alguém tem de aprender alguma coisa, é o governo federal, que tem de aprender com São Paulo, não contrário — ainda que as taxas sejam elevadas também neste estado para padrões civilizados de convivência.

3: Cardozo quer ser candidato ao governo de São Paulo — e essa é também a vontade de Dilma, que, assim, se livra dele, mas Lula não o suporta. Os motivos vão expostos acima.

4: Essa é uma entrevista de candidato. Cardozo sabe que o episódio da Funai o arranhou. Está tentando botar a cabeça fora da água.

5: Ainda que quisesse, Cardozo não poria “o dedo em riste” contra o governador por alguns motivos:
a: não tem autoridade legal para isso;
b: não tem autoridade política para isso;
c: não tem autoridade moral para isso (sua pasta é uma bagunça).

6: Afirmar que maioridade penal ao 18 anos é cláusula pétrea da Constituição é uma tolice formidável. De todo modo, a proposta de Alckmin não altera a maioridade, apenas eleva o tempo de internação. Aliás, vejam o que diz Cardozo: “podemos discutir, por exemplo, as condições e o tempo de internação, associados a políticas de ressocialização do menor transgressor.” É a proposta do governador de São Paulo.

Aviso aos navegantes
Há certos procedimentos que, como direi?, foram se tornando muito manjados com o tempo. Em meio a uma grave crise envolvendo um órgão da sua pasta, Cardozo dá uma entrevista em que ataca o governador de São Paulo, com a ousadia adicional de recorrer ao tom professoral (como se o governo federal fosse exemplar no combate ao crime), mas nega que seja pré-candidato do PT ao governo do estado. Ou seja: é pré-candidato, e a entrevista serve para dizer que Lula não veta mais seu nome.

Em síntese, o pré-candidato Cardozo ganhou uma entrevista e uma manchete para dizer que não é candidato…

09 Jun 21:13

Para certa imprensa, 70 mil evangélicos valem menos do que mil maconheiros

by giinternet

Na quarta-feira, como vimos, 70 mil evangélicos, segundo números da PM do Distrito Federal, se reuniram em Brasília. Em coro, disseram “não ao controle” da mídia, pediram cadeia para os mensaleiros, rechaçaram a tentativa de manietar o Supremo e o Ministério Público, defenderam a liberdade de expressão e, claro!, como não?, defenderam os valores da “família tradicional” — isto é, opuseram-se ao casamento gay — e repudiaram a legalização do aborto. Esses dois últimos itens da pauta, no entanto, bastaram para que o evento fosse cassado do noticiário. Jornalistas — profissionais de imprensa pagos para revelar o que sabem, veem e apuram — decidiram que lhes cabia atuar como censores. Melhor para os mensaleiros. Melhor para os que querem um STF de joelhos. Melhor para os que quer defendem um MP inerme. Melhor para os que lutam pela volta da censura de estado. Na cabeça oca da militância, se alguém é contra o aborto ou casamento gay, deve ser banido do mundo dos vivos. Já a Marcha da Maconha em São Paulo… Quanta diferença!

Ao longo do dia de ontem, portais deram ampla cobertura ao evento, que foi parar nos jornais. Atenção! Com muita boa vontade, mas muita mesmo, pode-se dizer que mil pessoas participaram de algum modo do acontecimento. Com um pouco de rigor, constata-se que não mais do que 200 marcharam. Não obstante, tiveram direito à interdição de parte da pista da Paulista. O que eles querem? A legalização da maconha. “Ah, essa pauta e boa!” E então aqueles 200 conseguem o destaque que 70 mil evangélicos não tiveram. Não custa notar: em Brasília, em coro, aqueles muitos milhares disseram “não” à legalização das drogas.

Já escrevi isso aqui e reitero: ao jornalismo informativo, em casos assim, não cabe gostar ou não gostar de quem está na praça — desde que seja uma manifestação pacífica, dentro das regras acordadas do estado democrático e de direito. E foi o que se viu no encontro dos evangélicos. Não houve um só incidente, nada, zero! Mais: o evento em Brasília aconteceu num dia útil. Milhares de pessoas certamente deixaram de ir ao trabalho, terão desconto em seu salário, para dizer o que pensam. Não estavam lá pedindo benesses ao estado, não! Ao contrário: faziam um sacrifício pessoal para expressar um ponto de vista.

Mas a imprensa é contra algumas daquelas proposições. E já não lhe basta, se for o caso, escrever contra. É preciso também fazer de conta que nada existiu — ou coisa pior: uma reportagem do Estadão Online pôs na boca do pastor Silas Malafaia o que ele não falou, a saber: que a união gay é crime. Não disse isso; não disse nada nem perto disso. Repudiou que sua opinião, contrária à união, seja criminalizada.

Dos maconheiros, não se cobra nem mesmo um mínimo de coerência, na hipótese, claro!, de que a erva e a coerência sejam compatíveis. Os que marcham dizem querer a legalização da maconha e argumentam, de forma estúpida, que isso contribuiria para diminuir a violência do tráfico. Ora, se só essa substância for legalizada, é evidente que a violência continuará por conta das outras drogas. Logo, uma manifestação em favor da legalização da maconha, com esse argumento, será sempre uma manifestação em favor da legalização de todas as drogas, sem exceção. Que país do mundo fez essa escolha? Nenhum!

“Bloco do Atraso”
Neste ano, a marcha teve um tal “Bloco do Atraso”. Algumas pessoas desfilaram com máscaras de políticos que atuaram contra a militância dos maconheiros, com destaque para o deputado Osmar Terra (PMDB-RS) e para a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil). Pois é… Eu e o PT não somos exatamente substâncias compatíveis, não é?, mas me resta dar os parabéns à ministra Gleisi por estar sendo hostilizada por maconheiros. Acho que honra a biografia da política e, sem dúvida, da mãe de duas crianças. A ministra entrou no radar da turma da Esquadrilha da Fumaça por ter se manifestado contra a descriminação e por ter negociado no Congresso o apoio à proposta de Osmar Terra, que criou novos marcos para a política de combate às drogas.

Volto ao ponto
Os evangélicos são muitos milhões no Brasil. No que concerne aos valores, compõem com os católicos a esmagadora maioria da população. Talvez essas maiorias devam se fazer ouvir de um modo mais específico. Se alguns veículos de comunicação insistem em ignorá-los ou hostiliza-los, talvez devam reagir, então, também como consumidores dos produtos que esses veículos oferecem.

Setores da imprensa perderam completamente a noção do que seja interesse público. A exemplo do que faziam antigos jornais de esquerda, sua tarefa passou a ser “conscientizar” o leitor, segundo uma cartilha ideológica. Essa moderna cartilha, é evidente, não traz a linguagem militante dos tempos idos: socialismo, luta de classes, burguesia, povo… Não! Hoje, é preciso aceitar a pauta das ditas “minorais oprimidas” e se submeter a seus caprichos. Só assim, dizem, é possível ser… livre. Ou por outra: o preço da liberdade passou a ser a ser a submissão a uma agenda.

Até alguns vagabundos que decidem parar a cidade para protestar contra um aumento de R$ 0,20 (0,10 para estudantes) na passagem de ônibus são tratados como pensadores de um novo tempo. A maioria que se dane!

09 Jun 21:13

“Dirceu — A Biografia” e relatos de tortura e morte. Ou: Quem conta a verdade possível é a sociedade, não comissões fajutas de estado

by giinternet

Quem conta a verdade possível, em matéria de história, é a sociedade: seus pesquisadores, historiadores, jornalistas, comentadores. Por mais honestos que sejam os narradores sobre os fatos, as narrativas serão necessariamente distintas. E não apenas em razão do estilo de cada um. Haverá aquele a enxergar relação de causa e efeito onde outro vê ou mera correlação ou não mais do que um acidente. Ao ordenar os eventos, reconstruímos a realidade segundo o nosso entendimento. Onde, então, está a verdade — sempre partido do princípio de que todos são fiéis aos fatos, de que não existe mentira deliberada? Está nesse conjunto diverso de vozes e de entendimentos da realidade.

Assim se fazem as coisas nas sociedades livres. Instituir, pois, uma comissão estatal da verdade para definir a “versão oficial” dos fatos é mero exercício de truculência política, de vigarice intelectual e de pilantragem filosófica. A razão é simples: os elementos meramente fáticos, destituídos do contexto que lhes dá sentido, em vez de esclarecer o mundo, servem para obscurecê-lo ainda mais. Quando essa dita “comissão da verdade” pretende instituir uma “moral da história”, aí já estamos no terreno do mais asqueroso oportunismo. Por que essas considerações? O editor de VEJA Otávio Cabral acaba de lançar pela Editora Record o livro “Dirceu — A Biografia” (364 págs; R$ 39,90). Ali se narram verdades que, para escândalo do bom senso, não são do interesse daquela comissão instituída por Dilma Rousseff, embora essa também seja uma história de tortura de morte.

O fio condutor do livro é a vida de José Dirceu, personagem central do maior escândalo político da história brasileira, articulador do que foi muito bem definido por ministros do Supremo como uma tentativa de golpe nas instituições democráticas e republicanas. Ora, uma personagem com esse vulto, com todas as características evidentes do anti-herói, que força a própria estereotipia para entrar na galeria dos vilões, merece ter a vida esmiuçada. E Cabral se dedicou, então, a uma pesquisa detalhada para reconstruir a trajetória do chefão do PT. Como informa Thaís Oyama em reportagem na VEJA desta semana sobre o livro, o autor analisou 15 mil páginas de documentos, distribuídas em nove arquivos, e entrevistou 63 pessoas. É… O Dirceu do mensalão, chamado pela Procuradoria-Geral da República de “chefe de quadrilha”, não se fez por acaso. Cabral decidiu investigar o pântano em que nasceu tal flor e escreveu um livro que, acreditem, traz revelações surpreendentes. Eu diria que Dirceu é ainda mais Dirceu do que se supunha…

Se já conhecíamos, por exemplo, aspectos de sua biografia pessoal que pareciam pouco recomendáveis para consumo humano, o livro se encarrega de evidenciar que Dirceu não enganava pessoas apenas por necessidade; ele também o fazia por gosto. Volto a esse ponto mais tarde. Dentre as muitas revelações do livro, dou destaque a duas porque dizem muito sobre a personagem e também nos remetem à tal “Comissão da Verdade”.

José Dirceu, o homem condenado a 10 anos e 10 meses por corrupção ativa e formação de quadrilha, segundo o depoimento de uma das testemunhas da história, participou do assassinato de um sargento da Polícia Militar de São Paulo, em 1972. A morte ocorreu em uma das ocasiões em que ele voltou do exílio em Cuba — era um protegido de Fidel Castro —, em companhia de outros membros do grupo Molipo (Movimento de Libertação Popular), uma tentativa de movimento armado criado por exilados brasileiros em Cuba, financiado por Fidel. Lembro que o destino do Molipo ainda hoje gera especulações à boca miúda. Todos os dirigentes foram mortos pelas forças de segurança. Só Dirceu escapou.

Há uma outra revelação chocante: Dirceu comandou, segundo relato da época, o sequestro e sessões de maus-tratos de um jovem chamado João Parisi. Leiam trecho do livro:

O soldado da Força Pública Paulo Ribeiro Nunes e o estudante do Mackenzie João Parisi Filho, membro do CCC [Comando de Caça aos Comunistas], descobertos enquanto se passavam por militantes do movimento estudantil, foram levados vendados ao Conjunto Residencial da USP, o Crusp, onde os apartamentos 109, 110 e 111 do bloco G eram utilizados como uma “delegacia informal” da turma de Dirceu. Lá, foram interrogados e mantidos em cárcere privado (…) A Parisi, porém, foi dado tratamento de inimigo de guerra, segundo relato do delegado do DOPS Alcides Cintra Bueno Filho, em documento de 18 de agosto de 1970:

“Por determinação do ex-líder estudantil Jose Dirceu de Oliveira e Silva, concretizou-se o sequestro do então universitário João Parisi Filho, da Universidade Mackenzie. João Parisi Filho foi levado para o Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo, onde permaneceu em cárcere privado por vários dias, submetido a sevicias. Nesse conjunto residencial, Parisi foi conduzido vendado e algemado, onde foi submetido a interrogatório, sob ameaça de morte. A vítima permaneceu presa durante dias, em condições desumanas. Após ter passado por esses atos de atrocidade, o estudante Parisi foi conduzido de olhos vendados para a copa do quinto andar do pavilhão G, onde foi trancafiado por uma noite e dois dias, permanecendo nesse local todo esse tempo deitado, com as mãos algemadas e presas ao cano da pia daquela dependência. Nessa situação, foi encontrado por duas empregadas que fazem a limpeza”.

Voltei
Pois é… São apenas duas de muitas histórias um tanto estarrecedoras sobre o Zé. Mais uma vez, temos uma medida do Paraíso na Terra que teria sido o Brasil se “eles” tivessem vencido a batalha. Não por acaso, Dirceu foi tomar lições sobre o que fazer em Cuba — e continua a defender até hoje com unhas e dentes a ditadura que o abrigou. Eis aí algumas contribuições importantes para a verdade sem crachá, para a verdade que não depende de comissão oficial.

Aqui e ali já se contou a história do Dirceu que viveu clandestinamente no Paraná, com o nome de Carlos Henrique Gouveia de Mello, casado com Clara Becker — que é a mãe do hoje político Zeca Dirceu. Muito bem! Veio a Anistia, e o homem não teve dúvida: revelou à mulher que, bem…, ele não era ele e se mandou. Ela ainda tentou salvar o casamento, mas foi inútil. Muitos já tentaram livrar a cara de Dirceu nessa história: “Ele só estava se protegendo e protegendo a sua família…”. É mesmo? Pediu, por acaso, licença à mulher, à mãe do seu filho, para usá-la como disfarce? Não, é claro! A biografia revela agora que Dirceu não enganava apenas por necessidade, mas também por gosto. Tinha uma outra mulher em São Paulo, chamada Miriam Botassi. Clara, assim, era enganada duas vezes: pelo militante político José Dirceu e pelo marido que julgava ter, Carlos Gouveia. Dirceu, como se vê, mudava de nome, mas não de caráter.

Que vida venturosa, não?

No livro, Cabral demonstra que, a partir de um determinado ponto, as trajetórias de Lula e Dirceu se imbricam. As relações nem sempre foram as mais pacíficas, e houve um momento em que o Zé encostou a faca do pescoço de Lula. Em troca do silêncio sobre a forma como o partido captava recursos para campanha, exigiu a presidência do PT e plenos poderes. Levou o que quis.

Eis aí: “Dirceu — A Biografia” ilumina a trajetória de uma figura central na construção e realização do projeto de poder petista. É a verdade sem crachá. É a verdade escrachada.

08 Jun 23:26

Jaques Wagner decide financiar um museu em homenagem a um homicida que defendia o terrorismo e execuções sumárias

by giinternet

O governador Jaques Wagner é mesmo um homem generoso… com o dinheiro alheio! Repassou R$ 120 mil para Daniela Mercury — a antropófaga — participar da Parada Gay de São Paulo. Aquela senhora decidiu sair do armário, e Wagner achou que era o caso de estatizá-la. O Bahia tem, assim, salvo desinformação da minha parte, a primeira lésbica estatal do mundo. Wagner é um homem bom. Em 2011, cerca de três mil sem-terra invadiram a Secretaria de Agricultura da Bahia. O estado mandou instalar banheiros químicos no local, e o governo comprava 600 quilos de carne para alimentar a tigrada. Agora, ficamos sabendo de mais uma bondade. O estado decidiu bancar um museu em homenagem ao terrorista Carlos Marighella.

O nome do troço é “Museu da Resistência”. O chefão da ALN (Ação Libertadora Nacional), um dos grupos terroristas mais violentos que tentaram promover a luta armada no Brasil, torna-se, assim, um herói oficial. Já foram gastos R$ 200 mil no projeto. Leio na Folha:

“O governo da Bahia cedeu dois sobrados no Pelourinho para o projeto, mas o desejo da família do ex-militante do Partido Comunista Brasileiro é que a casa onde ele viveu até os 23 anos, também no centro histórico da cidade, seja integrada ao espaço.”

Então… Que coisa bonita!

Para estar completo, o museu tem de ser a foto e a história dessas pessoas:
– José de Carvalho
– Guido Boné
– Natalino Amaro Teixeira
– José Getúlio Borba
– Newton de Oliveira Nascimento
– José Armando Rodrigues
– Bertolino Ferreira da Silva
– Sylas Bispo Feche
– Iris do Amaral
– Walter César Galleti
– Mário Domingos Panzarielo
– Sílvio Nunes Alves
– Manoel Henrique de Oliveira

Quem são esses? Indivíduos que foram assassinadas nos covardes atos terroristas da ALN. Suas respectivas famílias não recebem pensão nenhuma, e ninguém vai se lembrar de erguer um museu para eles. Museu, na Banânia contemporânea, é só  para algozes.

Espero que a casa em homenagem ao terrorista também traga trechos de seu “Minimanual da Guerrilha Urbana”. O herói que agora ganha museu recomendava a seus militantes que armassem emboscadas. Leiam:

Emboscada
As emboscadas são ataques tipificados por surpresa quando o inimigo é apanhado em uma estrada ou quando faz que uma rede de policiais rodeie uma casa ou propriedade. Uma mensagem falsa pode trazer o inimigo a um lugar onde caia em uma armadilha. O objeto principal da tática de emboscada é de capturar as armas e castigá-los com a morte.

As emboscadas para deter trens de passageiros são para propósitos de propaganda, e quando são trens de tropas, o objetivo é de eliminar o inimigo e tomar suas armas. O franco-atirador guerrilheiro é o tipo de lutador ideal especialmente para as emboscada porque pode se esconder facilmente nas irregularidade do terreno, nos trechos dos edifícios e dos apartamentos sob construção. Desde janelas e lugares escuros pode mirar cuidadosamente a seu alvo escolhido. As emboscadas tem efeitos devastadores no inimigo, deixando o nervoso, inseguro e cheio de temor.

Mas isso, para ele, era pouco. Defendia a ação terrorista, que, segundo dizia, enobrece e honra. Mais um trecho:
A acusação de “violência” ou “terrorismo” sem demora tem um significado negativo. Ele tem adquirido uma nova roupagem, uma nova cor. Ele não divide, ele não desacredita, pelo contrário, ele representa o centro da atração. Hoje, ser “violento” ou um “terrorista” é uma qualidade que enobrece qualquer pessoa honrada, porque é um ato digno de um revolucionário engajado na luta armada contra a vergonhosa ditadura militar e suas atrocidades.

Com Marighella, não tinha esse papo de anistia, não! Ele defendia execuções sumárias mesmo. Mais um pouco:
Execuções
Execução é matar um espião norte-americano, um agente da ditadura, um torturador da policia ou uma personalidade fascista no governo que está envolvido em crimes e perseguições contra os patriotas, ou de um “dedo-duro”, informante, agente policial, um provocador da policia.
Aqueles que vão à polícia por sua própria vontade fazer denúncias e acusações, aqueles que suprem a polícia com pistas e informações e apontam a gente, também devem ser executados quando são pegos pela guerrilha.

A execução é uma ação secreta na qual um número pequeno de pessoas da guerrilha se encontram envolvidos. Em muitos casos, a execução pode ser realizada por um franco atirador, paciente, sozinho e desconhecido, e operando absolutamente secreto e a sangue frio.

Encerro
Acima, vai a têmpera do herói…

08 Jun 23:25

Petistas davam apoio aos delinquentes que estão nas ruas, depredando o patrimônio público. Cadê o Supercoxinha?

by giinternet

Vocês, por acaso, viram a cara do Supercoxinha por aí? Como sempre, ele sumiu, deu no pé, desapareceu, escondeu-se embaixo da cama. É o que sempre faz quando surge um problema. Lembrem-se do que ocorreu durante as enchentes. Era impossível ver a cara de Fernando Haddad (PT), prefeito de São Paulo. Na malsucedida Virada Cultural, a mesma coisa. E o padrão agora se repete, com o vandalismo promovido por delinquentes disfarçados de militantes de uma causa. Eles dizem protestar contra o reajuste da tarifa de ônibus, que passou de R$ 3,00 para R$ 3,20. O prefeito não disse um “a”, uma vírgula, nada. Já dei início à contagem regressiva. Vamos ver quanto tempo demora até que algum petista acuse a truculência da Polícia… Como a segurança pública é da alçada do estado, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) acabou falando sobre o assunto, condenando a violência.

O Movimento Passe Livre (MPL), como já deixei claro aqui há mais de dois anos, de “livre” não tem nada! Muito menos de espontâneo. Isso é uma ficção criada em tempos de redes sociais. No tal MPL se aboletam, por exemplo, militantes do PCO, do PSOL e do PSTU — além, claro!, de petistas. É essa composição que levou a turma escrever este trecho de seu “manifesto”

O MPL deve ter como perspectiva a mobilização dos jovens e trabalhadores pela expropriação do transporte coletivo, retirando-o da iniciativa privada, sem indenização, colocando-o sob o controle dos trabalhadores e da população. Assim, deve-se construir o MPL com reivindicações que ultrapassem os limites do capitalismo, vindo a se somar a movimentos revolucionários que contestam a ordem vigente

Isso lá é linguagem de gente? Não! É conversa de pterodáctilo esquerdista. Esses bacanas são os mesmos que organizaram o Churrasco da gente diferenciada, em Higienópolis, com amplíssimo apoio da imprensa paulistana. E sempre atuaram em parceria com os petistas.

Leiam trecho de reportagem publicada na Folha deste sábado:
(…)
[os vereadores petistas] José Américo e Antônio Donato, então na oposição a Gilberto Kassab (PSD), defenderam o Movimento Passe Livre na Câmara e chegaram a participar de protestos em 2011, após a tarifa de ônibus subir de R$ 2,70 para R$ 3. “A bandeira do movimento [transporte gratuito] é absolutamente correta”, disse Donato em discurso na Câmara em fevereiro daquele ano. Na ocasião, ele defendeu um debate sobre o fim da tarifa. “Tratar o transporte como um direito das pessoas. É isso que o movimento pautou, tem lutado e tem feito da melhor forma possível, que é ir às ruas dialogar com a população e mostrar a insatisfação do povo”, disse o atual secretário de Governo.

Américo, hoje presidente da Câmara, chegou a ter um dedo quebrado durante protesto que terminou em confronto com a polícia. Ontem, em nota, a presidência da Câmara informou que o apoio da bancada do PT ao Passe Livre no passado foi devido “ao aumento exorbitante da passagem de ônibus ocorrido na gestão Gilberto Kassab”. Acrescentou que o PT nunca defendeu a tarifa zero para o transporte público.
(…)

Voltei
Petistas, como é sabido, perdem a vergonha com muito mais facilidade do que perdem a pose. Em 2011, os vândalos já recorriam aos métodos de agora, mas lá estavam os companheiros a endossar o movimento.

Fernando Haddad reajustou a tarifa de ônibus. Os que estão nas ruas, quebrando tudo, são seus aliados políticos. O prefeito deveria ter a hombridade de vir a público fazer duas coisas: a) desculpar-se por seu partido ter incentivado a baderna em 2011; b) pedir a seus aliados de véspera que parem de infernizar a vida dos pobres da cidade.

O Supercoxinha, no entanto, está escondido.

08 Jun 23:21

Terra de índio? A política indigenista brasileira virou terra de ninguém

by giinternet

Por Jean-Philip Struck, na VEJA.com:
Os conflitos das últimas semanas envolvendo índios em Mato Grosso do Sul e os protestos de grupos contra a construção da usina de Belo Monte expõem um governo que lida de maneira dúbia com a questão indígena. De um lado, a gestão Dilma Rousseff tenta barrar o descontrole das demarcações promovidas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e afagar os produtores rurais. Do outro, permite o funcionamento de um núcleo de apoio à causa indígena dentro do próprio Palácio do Planalto, que tem como expoente o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. A consequência: capitula diante da primeira pressão de indígenas e de grupos que dizem representá-los, permitindo episódios como o custeio da viagem de cerca de 150 índios para protestar em Brasília contra o próprio governo.

Na última sexta-feira, depois de meses sem conseguir controlar a situação, o governo finalmente demonstrou que pretende promover alguma mudança na Funai. A presidente – e miltante – Marta Azevedo – deixou o cargo alegando motivos de saúde. Em seu lugar, assumiu interinamente o cargo a diretora de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável do órgão, Maria Augusta Assirati. Até então, as tentativas de colocar ordem nas demarcações e nos conflitos eram externas. Entre elas estava a recente suspensão de demarcações no Paraná e no Rio Grande do Sul a pedido da Casa Civil, comanda pela ministra Gleisi Hoffmann.

Mas essa foi apenas a terceira queda de braço em pouco menos de um ano entre índios e aqueles que querem maior controle externo nas demarcações. No início de maio, a ministra chegou a criticar publicamente a forma como o processo era conduzido. “Delegamos única e exclusivamente à Funai a responsabilidade por estudos e demarcação de terras. Nem sempre estabelecemos procedimentos claros e objetivos nesse processo”, disse.

Tentativas anteriores de mudar esse quadro de exageros da Funai já haviam resultado em uma série de protestos por parte dos índios e dessas entidades. Sempre que o governo tenta colocar um pouco de ordem na questão das demarcações, grupos de índios promovem novas invasões, ocupam prédios de órgãos federais e bloqueiam rodovias. E tudo com o apoio de entidades de apoio a indígenas e ONGs. Diante de tudo isso, o governo recua rapidamente.

Portaria
Entre os recentes casos de intimidação está o que ocorreu com publicação da chamada Portaria 303, da Advocacia-Geral da União, em julho de 2012. A medida visava, entre outras coisas, estender para outros processos de demarcação as mesmas condicionantes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na criação da Reserva Raposa do Sol, em Roraima. Ou seja, vedava a ampliação de reservas já demarcadas, impedia a cobrança de pedágio pelos índios nas reservas e pretendia incluir na discussão da demarcação de terras os estados afetados.

A gritaria foi imediata. A Funai divulgou nota repudiando a medida e passou a fazer pressão contra ela. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), uma das maiores organizações de articulação de índios no país, disse que o governo estava “rezando a cartilha do capital ditada pelo agronegócio”. Índios invadiram a sede da AGU em Brasília e em outros estados e bloquearam rodovias. Temerosa, a AGU suspendeu temporariamente a medida menos de dez dias depois. Em setembro houve nova tentativa de aprovar a portaria, mas diante de nova gritaria, ela voltou a ser adiada até o STF publicar o acórdão do caso Raposa Serra do Sol.

Em abril, houve novo choque. Desta vez, o alvo foi o Congresso, que tinha acabado de aprovar a criação de uma comissão especial para analisar uma proposta de emenda constitucional que pretende transferir para o Congresso a competência de aprovar a demarcação de terras indígenas. O protesto dos índios entrou para a história da Câmara dos Deputados. Com os rostos pintados, um grupo formado por centenas de índios invadiu, pela primeira vez, o plenário e espantou a maioria dos deputados presentes.

Paraná
O total de reservas indígenas no Brasil já passa de um milhão de quilômetros quadrados, ou 12,5% da superfície do país, mas a Funai parece disposta a levar a aplicar uma fórmula de demarcações descontroladas para todo o país. No início de maio, um estudo sobre quinze áreas escolhidas para demarcação pela Funai no oeste do Paraná demonstrou com clareza o exagero e o ativismo com que fundação e outras entidades têm tratado o assunto.

No ano passado, diante das reclamações de produtores rurais paranaenses, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, encomendou à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) uma avaliação de áreas apontadas pela Funai para demarcação. O relatório mostrou resultados estarrecedores. Entre essas quinze áreas, a Embrapa demonstrou, por meio de fotos de satélites e outros mecanismos, que dez começaram a contar com a presença de indígenas somente a partir de 2007 – o que desmente os argumentos de “ocupação tradicional” usados pela Funai para justificar as demarcações.

Outras nem contavam com a presença de índios. Só numa delas foi detectada a presença de uma aldeia mais antiga, datando do ano não muito distante de 1990 e formada por índios de Mato Grosso do Sul. Está encravada em uma área urbana do município de Guaíra, na divisa com o Paraguai.

Xetá
Diante do quadro, Gleisi pediu a suspensão das demarcações no estado. A iniciativa ajudou a frear, entre outras, a demarcação da Reserva Xetá, que pretende entregar 120 km² de uma área na região de Umuarama, também no oeste do estado, para apenas cerca de cem índios da etnia xetá. Nesse pequeno grupo, apenas sete são considerados membros puros do povo, de acordo com estudos antropológicos. A maior parte do grupo original, de pouco mais de 200 pessoas, foi dizimada nos anos 50 quando entrou em contato com os brancos. Desses cem autointitulados xetás, mais de 90 membros têm apenas ascendência parcial, contanto também com ancestrais brancos ou de índios de outras tribos.

Mas o número reduzido não havia intimidado a Funai e os apoiadoras dos índios, que acharam aceitável promover no início dos anos 2000 o renascimento da etnia com uma área equivalente a do município de Niterói, no Rio de Janeiro, onde vivem quase 500.000 pessoas. Para piorar, a área reservada para os xetás é ocupada por dezenas de fazendas, a maioria de propriedade de pequenos produtores, e uma vila rural.

O deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), relator da PEC que pretende transferir para o Congresso a decisão sobre demarcação, diz que o clima no campo “está pesado”. “Não existe regra contra indígena. É como se fosse um efeito da natureza, ninguém pode reagir. A Funai, na verdade, faz o papel dela, é defensora dos indígenas, mas nós precisamos de alguém que faça o (papel de)advogado e ministério público, que faça o contrapeso, senão é uma unilateralidade exagerada”, diz Serraglio, que tem como base eleitoral a região de Umuarama.

Suspensão
A exemplo do Paraná, as demarcações também foram suspensas no Rio Grande do Sul, onde estudos paralelos também devem ser realizados pela Embrapa e por outros órgãos, retirando aos poucos a exclusividade da Funai nas demarcações. Pode ser o começo do fim de uma exclusividade que dura décadas – e de um atribuição que, como mostra o atual cenário, só ajudou a alimentar o conflito. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Sul (Fetraf-Sul) estima que pelo menos 30.000 produtores gaúchos podem perder suas propriedades caso as demarcações sejam feitas pelos critérios da Funai no estado. A ministra já demonstrou que a intenção é levar essa modelo conjunto para outras regiões, incluindo Mato Grosso do Sul.

Em resposta às medidas, os índios passaram a mirar exclusivamente a figura da ministra Gleisi. No início da semana, um grupo de 30 indígenas invadiu a sede do diretório estadual do PT no Paraná, e estendeu faixas contra ela. Entidades como a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul acusaram Gleisi de sucumbir a interesses eleitorais – ela é provável candidata ao governo do Paraná em 2014 e recebeu doações de produtores na sua campanha para o Senado em 2010.

Mas a gritaria é dirigida, sobretudo, a essa nova divisão de tarefas da Funai, que por essas medidas na Região Sul deverá dividir a atribuição de demarcar terras com órgão mais isentos. Em reação, o secretário-geral do Cimi, Cleber Buzatto, escreveu em um artigo agressivo, conclamando os índios a “fazerem a defesa dos seus direitos”. “Os povos indígenas precisarão de disposição para enfrentamentos mais contundentes, urgentes e permanentes em todos os níveis, desde a aldeia até o ‘centro’ do poder, em Brasília”, escreveu.

Belo Monte
Só que as demarcações não são o único terreno que o governo enfrenta problemas com os índios. Brasília foi nessa semana palco de uma manifestação de índios mundurukus, que se opõem à usina de Belo Monte, no Pará. Os índios, que habitam em áreas distantes 800 quilômetros do canteiro, em Tapajós, conseguiram arrancar uma reunião na capital após interromperem as obras por cinco dias. Aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) tiveram que deixar operações de vigilância na fronteira para transportar quase 150 índios.

No início de maio, o ministro ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, chegou a acusar os mundurukus de se oporem à usina porque uma parte deles estava envolvida com garimpo ilegal. A nota causou repúdio, e a pressão continuou, até o governo capitular e concordar com a reunião. Foi um episódio raro para Carvalho, entusiasta da causa indígena e foi patrocinador da escolha de Marta Azevedo para a presidência da Funai. Ele também é o chefe de Paulo Maldos, o secretário nacional de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, conhecido por ser um dos maiores promotores da causa indígena no governo.

Mas mesmo Carvalho não está imune à pressão. Na última sexta-feira, as lideranças indígenas anunciaram que protocolaram uma interpelação criminal contra Carvalho por calúnia e difamação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por causa de seus comentários sobre os mundurukus.

Profissão
Ainda tímida, a iniciativa de dividir as tarefas da Funai pode ajudar a deter o crescimento uma modalidade, que em alguns casos, transforma a condição de índio em “profissão”, onde demandas irreais são alimentadas e fraudes encontram um terreno fértil para se desenvolver.

Nesta semana, o jornal Folha de S. Paulo publicou o caso do “índio” Paulo José Ribeiro da Silva, chamado Paulo Apurinã, um amazonense de 39 anos que, segundo um inquérito da Polícia Federal, reinventou sua identidade como índio apurinã há seis anos. Ao lado da mãe, ele falsificou duas carteiras do Registro Administrativo de Nascimento Indígena (Rani) – uma espécie de RG indígena, que abre caminho para o recebimento de benefícios como o Bolsa Família e o acesso a cotas em universidades.

Com o registro em mãos, o falso índio foi além do mero recebimento dos magros benefícios a que os indígenas têm direito: começou a liderar um movimento de “índios sem teto”, reuniu-se com a direção da Caixa Econômica Federal e chegou a entregar cocares para a presidente Dilma Rousseff e para o ex-presidente Lula.

A fraude só começou a ser revelada no ano passado, quando ele foi indiciado. Entre as provas contra ele constava o nome de batismo do registro falso: Caiquara, uma palavra da língua guarani – que não é falada na região do Amazonas onde ele nasceu.

Embora a responsabilidade da farsa seja de Paulo, da sua mãe e, segundo o inquérito, de uma servidora da Funai, o dublê de índio conseguiu se safar por anos graças ao ambiente de descontrole que caracteriza a condução da política indígena brasileira, onde qualquer objeção é logo caracterizada como ataque e os opositores são taxados de defensores de latifundiários – sem surpresa, Paulo chamou a imprensa de “racista”. O índio fajuto não chegou a provocar muitos estragos, mas a política descontrolada que favoreceu seu aparecimento tem potencial.
(Com reportagem de Felipe Frazão)

08 Jun 02:49

Aliados involuntários – Nas redes sociais, bandoleiros que infernizam São Paulo comemoram a cobertura feita pela TV

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Os delinquentes que infernizam São Paulo sob o pretexto de protestar contra o reajuste das tarifas de ônibus se parabenizam mutuamente nas redes sociais por causa do destaque que ganham no noticiário de TV. É uma medida do seu sucesso. “Só dá nóis”, diz um. “Enquanto houver um helicóptero aqui encima (sic), vâmu ficando.” E novas delinquências já estão sendo planejadas.

 

07 Jun 23:55

O escândalo da refinaria de Pasadena – Ministério Público investigará Petrobras por evasão de divisas e peculato

by giinternet

Lembram-se da compra escandalosa de uma refinaria em Pasadena, nos EUA, realizada pela Petrobras? Tudo se deu na gestão de José Sérgio Grabrielli, petista graúdo, hoje secretário de Planejamento da Bahia e pré-candidato ao governo de Estado. Depois de tudo devidamente analisado, o Ministério Público Federal decidiu investigar a empresa por suspeita de… evasão de divisas. Leiam o que informa a VEJA.com:

O Ministério Público Federal (MPF) no Estado do Rio de Janeiro instaurou um procedimento investigatório criminal para apurar infrações na compra da refinaria de Pasadena (Texas, EUA) pela Petrobras. A portaria fala em possível evasão de divisas e peculato, por indício de superfaturamento.

A presidente da Petrobras, Graça Foster, foi intimada a depor. Também foram intimados dirigentes que estavam no comando da companhia na época em que o negócio foi feito: o ex-presidente José Sergio Gabrielli, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e o ex-diretor de Internacional, Nestor Cerveró.

A portaria é assinada pelo procurador da República Orlando Monteiro Espíndola da Cunha. O procurador também pede uma série de documentos à companhia, incluindo os contratos com a Odebrecht Engenharia Industrial, que contemplam serviços em Pasadena. Após uma auditoria interna, a Petrobras cortou 43% do valor do contrato de 840 milhões de dólares fechado com a Odebrecht na gestão de Gabrielli. Ele previa a prestação de serviços para a petroleira em dez países. Serão apurados tanto o acordo com a construtora quanto a aquisição de Pasadena por valor acima do de mercado.

O MPF diz que o fato de a Petrobras ter desembolsado 1,18 bilhão de dólares para a compra de uma refinaria que, há oito anos, custou à sua ex-sócia 42,5 milhões de dólares “revela possível compra superfaturada de ações pela Petrobras”. E que o teor da representação oferecida ao MPF neste ano pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União relata “ocorrência de fatos capazes de configurar (possível) delito de evasão de divisas”.

“Se houve superfaturamento, tem de ficar esclarecido, assim como o motivo”, disse Espíndola. “Em tese, dirigentes que participaram podem ter se beneficiado”. A investigação pode acarretar uma denúncia à Justiça Federal. Peculato é o crime em que se enquadra desvio de recursos por funcionários públicos. Evasão de divisas é crime contra o sistema financeiro, passível de prisão.

O episódio também é investigado, paralelamente, pela secretaria do Tribunal de Contas da União (TCU) no Rio – e está sob relatoria do ministro José Jorge, em Brasília. O caso chegou ao ministro do TCU e ao Ministério Público após investigação e representação feita pelo procurador Marinus Marsico.

Depois de encerrado seu relatório, Marsico considera que a transação em torno da refinaria foi “um fracasso retumbante” e que o melhor seria a Petrobras assumir o prejuízo, em vez de investir ainda mais na refinaria. Graça decidiu tentar, com investimentos adicionais, de montante não revelado, recuperar o valor da planta antes de vendê-la.

“Continuo acompanhando o caso. Se for surpreendido com novos indícios (que indiquem prejuízo ao patrimônio público), estudarei a viabilidade de interpor medida cautelar no TCU para que tal fato não ocorra, em defesa da União, principal acionista”, disse Marsico, procurador do MP junto ao TCU. Procurada, a Petrobras não se manifestou a respeito.

07 Jun 23:55

Passe Livre? Lugar de delinquente é na cadeia ou na Fundação Casa

by giinternet

Um grupo de 500 vândalos fechou uma pista da Marginal Pinheiros, em São Paulo, contra o reajuste de, atenção, VINTE CENTAVOS na passagem de ônibus. O preço estava congelado desde janeiro de 2011. Vendo a cara e a roupa da tigrada, a esmagadora maioria tem carteirinha de estudante e paga, pois, a metade disso. Eles se querem representantes de um tal movimento Passe Livre. Acho que isso quer dizer condução de graça. Como alguém sempre paga e como muitos desses vagabundos não trabalham, os burguesotes, fingindo-se de comunas, querem que os trabalhadores arquem com o custo de sua boa vida.

Leitores me mandam mensagens de Facebook impressionantes. Vejam esta, de alguém que se identifica como Rafaela Vianna Waisman. Será mesmo que seu protesto é contra o reajuste da passagem?

Notem bem! Ainda que se considerasse o valor cheio, os 40 centavos a mais (estou levando em conta ida e volta) resultariam, ao fim de um mês, em desembolso extra de R$ 8,80. Como estudantes só pagam a metade, estamos falando de… R$ 4,40! Não dá para tomar uma cerveja na balada com esse valor. Seriam necessários quase 137 meses — MAIS DE ONZE ANOS — para que pudessem comprar os tênis de R$ 600 que muitos exibem. É piada! É brincadeira.

No começo de 2011, escrevi bastante sobre esse tal “Movimento Passe Livre” — que contava, então, com ainda mais simpatia da imprensa do que agora. A razão era simples: em São Paulo, o prefeito era Gilberto Kassab (na sua fase ainda pré-PT). Como ele era considerado “de direita” e como amplos setores do jornalismo são “progressistas”, esses bandidinhos de classe média que saem por aí infernizando a vida dos trabalhadores granjeavam simpatias. Um dos posts está aqui. Reproduzi, então, o credo do tal “Passe Livre”. Vale a pena reler.

O MPL não tem fim em si mesmo, deve ser um meio para a construção de uma outra sociedade. Da mesma forma, a luta pelo passe-livre estudantil não tem um fim em si mesma. Ela é o instrumento inicial de debate sobre a transformação da atual concepção de transporte coletivo urbano, rechaçando a concepção mercadológica de transporte e abrindo a luta por um transporte público, gratuito e de qualidade, como direito para o conjunto da sociedade; por um transporte coletivo fora da iniciativa privada, sob controle público (dos trabalhadores e usuários).

O MPL deve ter como perspectiva a mobilização dos jovens e trabalhadores pela expropriação do transporte coletivo, retirando-o da iniciativa privada, sem indenização, colocando-o sob o controle dos trabalhadores e da população. Assim, deve-se construir o MPL com reivindicações que ultrapassem os limites do capitalismo, vindo a se somar a movimentos revolucionários que contestam a ordem vigente. Portanto, deve-se participar de espaços que possibilitem a articulação com outros movimentos, sempre analisando o que é possível fazer de acordo com a conjuntura local.

Voltei
Como se pode ver acima, o Movimento Passe Livre quer usar a questão do transporte público para “superar os limites do capitalismo”. Uau! É evidente que alguns bobocas de extrema esquerda — sustentados, obviamente, por pais que trabalham — estão metidos em mobilizações dessa natureza. Basta ver algumas bandeiras. E há também os que não pensam nada nem querem nada. Buscam apenas “participar de alguma coisa”. Em São Paulo, e deve ser assim Brasil afora, o petismo sempre flertou com essa gente, sempre apelou à sua mão-de-obra em disputas eleitorais.

Vejam estas intervenções, que vêm na sequência daquela enquete.

Como notam, um deles percebe que a atitude não é muito inteligente. Outro não liga e ainda quer radicalizar. Um terceiro não se importa nem mesmo em depredar a língua portuguesa…

Consequências
Esses bandidinhos precisam pagar por aquilo que fazem. E é preciso deixar claro quem está protestando na rua. Evidentemente, não é o povo, não são os trabalhadores. Estes preferem a paz e querem chegar logo às suas casas para descansar e ficar em companhia de suas respectivas famílias.

Lugar de bandido que depreda bens públicos e põe em risco a segurança de terceiros é, a depender da idade, a cadeia ou a Fundação Casa.

07 Jun 23:32

Os cabelos brancos, os olhos encovados e as bochechas caídas salvarão Obama?

by giinternet

Vejam esta foto, de Evan Vucci, da Associated Press.

É Barack Obama nesta sexta. Será o presidente dos EUA salvo por seus cabelos brancos?

Cabelos brancos — assim era no tempo em que eles embranqueciam… — conferem ao indivíduo um ar de respeitabilidade, de seriedade, de prudência, embora não seja menos verdade que as cãs também chegam para os insensatos. Sei não… Acho que ele andava usando alguma coisinha até estourar a série de escândalos. Parece ter parado. O homem altivo, que veio ao mundo com o queixo ajustado ao ângulo das estátuas e o olhar sempre posto no horizonte, antevendo o futuro, está cabisbaixo, macambúzio, sorumbático, taciturno… Parece quase implorar: “Tenham pena de mim!”.

Boa parte da imprensa americana está fazendo um esforço danado, vê-se. Em seu lugar, Bush estaria sendo tratado como Judas. A Obama ainda se faculta, quem sabe?, a hipótese do engano, como se ele não fosse, afinal de contas, o chefe máximo de um jeito de fazer política e de entender o poder. E esse é o problema. Já volto aqui.

Nesta sexta, ele veio a público para tentar explicar por que o seu governo exerce uma ampla e generalizada espionagem dos americanos, sempre lembrando que a informação vem a público depois de ter ficado claro que o Fisco perseguiu setores do Partido Republicano e violou o sigilo de jornalistas. E o que disse, com o queixo já ajustado ao novo ângulo, os olhos um tanto encovados e a bochecha meio caída, o Demiurgo das esferas? Isto:

“Quando assumi meu mandato, me comprometi com duas coisas: o respeito à Constituição e a proteção dos cidadãos americanos. Não podemos ter 100% de segurança com 100% de privacidade e sem nenhum inconveniente”.

Nada de errado com a fala em si. Mas esse texto pertence aos republicanos de Bush, não? Esse texto compõe a narrativa dos adversários, que ele varreu do poder com as urnas, assegurando que aqueles eram rigores de um Estado hipertrofiado, que havia avançado nos direitos individuais. A diferença, reitero, entre Obama e Bush nesse particular é que este contou aos americanos o que estava em curso. Ou deixando mais claro ainda: os republicanos correram o risco de perder votos com a escolha que fizeram; Obama decidiu ganhá-los dizendo que faria o contrário. E ele não só se escusou de cumprir a promessa como ampliou e aprofundou o monitoramento. Como vimos, não se limitou às práticas que, vá lá, podem ser consideradas úteis no combate ao terror. O estado perseguiu seus adversários políticos.

Tentou ser ainda mais convincente:
“Ninguém está ouvindo suas ligações telefônicas. O que os serviços de inteligência estão olhando são os números de telefone e a duração das ligações. Eles não estão vendo o nome das pessoas, nem o conteúdo das ligações, mas buscando informações entre dados que possam identificar potenciais planos de terroristas”.

Com essas mesmas palavras, Bush, insista-se, defendia o programa, correndo o risco de se desgastar por isso. Ademais, note-se que, ainda que seja mesmo assim, nos dois outros episódios — espionagem a jornalistas e perseguição a grupos ligados ao Tea Party —, o governo perseguia conteúdos mesmo; violava explicitamente garantias constitucionais. Os setores considerados à direita do Partido Republicano foram obrigados a revelar aos policiais de pensamento de Obama até as orações que faziam…

Na manhã desta sexta, escrevi um texto lamentando o comportamento de amplos setores da imprensa no caso da manifestação de evangélicos havida na quarta, em Brasília: fez-se uma cobertura porca, precária, distorcida, marcada pelo viés ideológico. Tudo porque, na fantasia de alguns bobocas, o papel da imprensa é fazer avançar a “agenda progressista”. Ora, quando se concede aos “progressistas” o monopólio do bem, eles se sentem à vontade para praticar qualquer coisa, inclusive e muito especialmente o mal.

07 Jun 23:32

A gritaria mentirosa e potencialmente homicida contra o Estatuto do Nascituro. Ou: Texto aprovado é explícito ao preservar artigo do Código Penal que permite aborto em caso de estupro e risco de morte da gestante

by giinternet

Publiquei ontem um texto sobre o “Estatuto do Nascituro”. Há uma gritaria histérica a respeito do assunto, absurda. O blog mesmo foi invadido por militantes pró-aborto. Vou avaliar algumas intervenções mais tarde. Ninguém vai usar a minha página para fazer militância em favor da morte. Aos abortistas, uma dica: digam-me primeiro como os fetos poderiam se defender do “iluminismo” de vocês, e avalio a oportunidade de publicar certas opiniões. ATENÇÃO! A VERSÃO QUE PUBLIQUEI ONTEM DO ESTATUTO FOI ALTERADA. O texto aprovado numa comissão da Câmara, que segue agora para a CCJ, é bem mais brando. É AINDA MAIS CLARO AO RESGUARDAR O ARTIGO 128 DO CÓDIGO PENAL. Já corrigi aquele post. Isso quer dizer o seguinte: a mulher vítima de estupro ou a que, grávida, corra risco de vida em razão dessa gravidez continuam a ter o direito ao aborto legal. NÃO SE TOCOU NISSO! Da mesma sorte, o aborto de anencéfalos continua possível — aí, infelizmente, por conta da decisão do STF, que o estatuto não pode anular.

O texto ficou bem mais curto. Agora é possível reproduzi-lo no corpo do próprio post. Segue abaixo (em azul). Volto em seguida.

O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º Esta lei dispõe sobre normas de proteção ao nascituro.

Art. 2º Nascituro é o ser humano concebido, mas ainda não nascido.
Parágrafo único. O conceito de nascituro inclui os seres humanos concebidos ainda que “in vitro”, mesmo antes da transferência para o útero da mulher.

Art. 3º Reconhecem-se desde a concepção a dignidade e natureza humanas do nascituro conferindo-se ao mesmo plena proteção jurídica.
§ 1º Desde a concepção são reconhecidos todos os direitos do nascituro, em especial o direito à vida, à saúde, ao desenvolvimento e à integridade física e os demais direitos da personalidade previstos nos arts. 11 a 21 da Lei nº10.406, de 10 de janeiro de 2002.3
§ 2º Os direitos patrimoniais do nascituro ficam sujeitos à condição resolutiva, extinguindo-se, para todos os efeitos, no caso de não ocorrer o nascimento com vida.

Art. 4º É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar ao nascituro, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, ao desenvolvimento, à alimentação, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à família, além de colocá-lo a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Art. 5º Nenhum nascituro será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, sendo punido na forma da lei, qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos.

Art. 6º Na interpretação desta lei, levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se destina, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar do nascituro como pessoa em desenvolvimento.

Art. 7º O nascituro deve ser destinatário de políticas sociais que permitam seu desenvolvimento sadio e harmonioso e o seu nascimento, em condições dignas de existência.

Art. 8º Ao nascituro é assegurado atendimento através do Sistema Único de Saúde – SUS.

Art. 9º É vedado ao Estado e aos particulares discriminar o nascituro, privando-o de qualquer direito, em razão do sexo, da idade, da etnia, da origem, de deficiência física ou mental.

Art. 10. O nascituro terá à sua disposição os meios terapêuticos e profiláticos disponíveis e proporcionais para prevenir, curar ou minimizar deficiências ou patologia.

Art. 11. O diagnóstico pré-natal é orientado para respeitar e salvaguardar o desenvolvimento, a saúde e a integridade do nascituro.
 § 1º O diagnostico pré–natal deve ser precedido de consentimento informado da gestante.
§ 2º É vedado o emprego de métodos para diagnóstico pré-natal que causem à mãe ou ao nascituro, riscos desproporcionais ou desnecessários.

Art. 12. É vedado ao Estado ou a particulares causar dano ao nascituro em razão de ato cometido por qualquer de seus genitores. 

Art. 13. O nascituro concebido em decorrência de estupro terá assegurado os seguintes direitos, ressalvados o disposto no Art. 128 do Código Penal Brasileiro:
I – direito à assistência pré-natal, com acompanhamento psicológico da mãe;
II – direito de ser encaminhado à adoção, caso a mãe assim o deseje.
§ 1º Identificado o genitor do nascituro ou da criança já nascida, será este responsável por pensão alimentícia nos termos da lei.
§ 2º Na hipótese de a mãe vítima de estupro não dispor de meios econômicos suficientes para cuidar da vida, da saúde do desenvolvimento e da educação da criança, o Estado arcará com os custos respectivos até que venha a ser identificado e responsabilizado por pensão o genitor ou venha a ser adotada a criança, se assim for da vontade da mãe.

Art. 14. Esta lei entra em vigor na data da sua publicação.

Voltei
Agora a coisa ficou ainda mais explícita. Opor-se a esse texto é só uma forma velada de fazer militância em favor do aborto. A Constituição garante aos abortistas o direito de se manifestar. Dispõem de milhares de sites e das redes sociais para isso (além, é claro, da grande imprensa) —  desistam, pois, de tentar instrumentalizar o meu blog com esse propósito. Se tiverem alguma restrição verdadeira ao texto, que digam! Criticá-lo para passar adiante uma agenda? Não aqui. Sem contar que, como é claro e explícito, esta é uma página pessoal, de opinião.

É possível divergir do colunista, sim, mas a divergência intelectual tem de ser honesta. Atribuir ao estatuto o que ele não comporta não é um exemplo de honestidade.

07 Jun 23:31

Em Brasília, 70 mil pessoas pediram em coro cadeia para os mensaleiros e disseram “não” ao controle da mídia. Mas, controlada pela ideologia, certa mídia procurou esconder os fatos. ENTÃO VEJAM VOCÊS MESMOS!

by giinternet

Neste post, há um vídeo com a intervenção do pastor Silas Malafaia no evento havido em Brasília na quarta-feira, que reuniu, segundo a PM do Distrito Federal, 70 mil pessoas. O vídeo com a íntegra de sua fala está no YouTube. A seleção que segue foi feita por mim. Entre outras coisas, milhares pediram, em coro, cadeia para os mensaleiros. A imprensa escondeu isso dos leitores, internautas, ouvintes e telespectadores — um capítulo, afirmei nesta manhã, vergonhoso escrito pelo jornalismo.

O vídeo editado tem 11min55s. Vale a pena vê-lo na íntegra. Destaco algumas frases:

CONTROLE DA MÍDIA – “Senhores da imprensa, nós, que somos chamados de fundamentalistas, queremos uma imprensa livre até para falar mal de nós. Nós não queremos cercear imprensa (…) Imprensa livre, sempre livre!”

NOVO MINISTRO DO SUPREMO – “[o novo ministro] já deu um peruada aqui no Senado. [Ele falou] ‘Olha, o Supremo Tribunal foi muito duro com a questão do mensalão. Eu já começo a desconfiar por que ele está sendo mandado para o Supremo Tribunal Federal: para livrar vagabundo da cadeia”

MENSALEIROS NA CADEIA – “Eu quero avisar ao Supremo Tribunal e às autoridades: o povo brasileiro quer ver essa cambada do mensalão na cadeia”

MINISTÉRIO PÚBLICO – “Eu queria dar um aviso aos deputados, com muito respeito: ‘Senhores, querem tirar poder do Ministério Público. Vocês vão dar tiro de escopeta na cabeça. Sabem por quê? Porque vão tirar um poder independente; vai passar para a Polícia Federal e para a Polícia Civil, e vocês vão ter de comer na mão do Executivo. Aí vocês vão ver o que é bom para tosse”.

INDEPENDÊNCIA DO SUPREMO – “Nós não queremos um Judiciário subserviente a ninguém. Os mensaleiros, no Congresso, queriam botar de joelhos o Supremo Tribunal Federal: fazer uma lei para o Supremo estar vinculado à sua decisão. Não! Não! Supremo Tribunal Federal forte, independente e última instância com guardião da Constituição.”

ABORTO – “Nenhum ser vivo pode se tornar pessoa se já não o for em essência. O embrião é uma pessoa porque não pode tornar-se outra coisa a não ser pessoa. Você sabe o que é o aborto? É a força dos poderosos contra os indefesos.”

POVO NA PRAÇA – “Só as Diretas-Já botaram mais gente, num dia de semana, em Brasília do que nós. “

Segue o vídeo e depois reflitam sobre o que foi noticiado pela grande imprensa. 

07 Jun 23:31

Clearing Up Wayland FUD, Misconceptions

by Soulskill
An anonymous reader writes "In clearing up common misconceptions about Wayland (e.g. it breaking compatibility with the Linux desktop and it not supporting remote desktops like X), Eric Griffith (a Linux developer) and Daniel Stone (a veteran X.Org developer) have written The Wayland Situation in which they clearly explain the facts about the shortcomings of X, the corrections made by Wayland, and the advantages to this alternative to Canonical's in-development Mir."

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07 Jun 23:31

A mentira grotesca no texto de uma “antropóloga” da UnB. Como ela vai encarar depois seus alunos? Ou: Deve ser triste depender de uma mentira para parecer inteligente

by giinternet

Vejam esta foto-clichê.

O nome dessa senhora e Débora Diniz. Esta é a síntese de seu currículo: “Antropóloga, professora da Universidade de Brasília e pesquisadora da Anis – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero”.

Ela também escreve. Certo! Quando eu editava revistas, pedia aos fotógrafos que evitassem ser óbvios. Nada, por exemplo, de estante de livros como fundo de foto de professores ou gente com fama de intelectual. Pior quando o “poser” abre um livro para fingir que está lendo, embora esteja olhando para a câmera. É mais artificial do que suco de laranja em café da manhã de revista de celebridade.

Voltem à foto acima. Ela busca, na verdade, intimidar quem a vê: “Se quiser discordar de mim, tem de ler tudo isso aqui”. Mas terá ela própria lido? “E qual deve ser o cenário da foto de uma antropóloga, Reinaldo?” Uma coisa neutra qualquer. Ou médicos, quando aparecem em revista, trazem ao fundo vísceras abertas e tumores? Fiz essas digressões porque me senti provocado pelo ar, assim, inteligente da doutora.

Ela escreveu um texto sobre o Estatuto do Nascituro. Ela é contra. Terminantemente contra. Tem o direito. Escreve coisas como esta. Prestem atenção:
“Nos meus termos e no de grande parte dos cientistas sérios, o nascituro é um conjunto de células com potencialidade de desenvolver um ser humano, se houver o nascimento com vida. Mas estamos falando de células humanas e de potencialidades.”

Entenderam?

A doutora se coloca entre “os sérios”, e quem discorda dela, pois, sério não é. Seu truque argumentativo é útil porque denuncia a artimanha intelectual da turma: para justificar o aborto, é preciso que se transforme antes o feto em “coisa”. Releiam o que ela escreveu: esta que se diz especialista em bioética está, na prática, justificando o aborto em qualquer fase da gestação. Afinal, para ela, só existe ser humano “se houver nascimento com vida”.

Tudo isso é moralmente detestável, mas ainda não estamos diante da mentira descarada, escancarada. E me pergunto como esta senhora enfrenta, depois, os alunos no dia seguinte. Escreve ela para atacar o Estatuto do Nascituro:

“E é sobre as potencialidades que o Estatuto propõe direitos e obrigações absolutas ao Estado brasileiro. Algumas delas são superiores aos direitos das mulheres — uma menina que tenha sido violentada sexualmente por um estranho será obrigada pelo Estado a manter-se grávida, mesmo que com riscos irreparáveis à saúde física e psíquica. Os direitos e as proteções devidos à infância pelo Estatuto da Criança e do Adolescente serão esquecidos pela prioridade do nascituro à ordem social. Se um acaso impuser um risco grave à saúde com a gestação, a menina deverá morrer para fazer viver um nascituro fruto da violência.”

Tudo bem! A doutora acha que, antes do nascimento, o nascituro é apenas um troço, uma coisa, uma estrovenga qualquer — e que os religiosos é que estão querendo lhe garantir direitos. É uma opinião que considero boçal, mas opinião é. E, na democracia, está assegurado, pela ausência de lei que a proíba, o direito à boçalidade.

Mas a professora, antropóloga e sedizente especialista em “bioética” tem o dever de falar a verdade. É MENTIRA QUE O ESTADO IMPEDIRÁ O ABORTO EM CASO DE ESTUPRO SE O ESTATUTO FOR APROVADO! Desde a primeira versão do texto, isso está evidenciado — e de forma mais explícita no texto final. O caput do Artigo 13 é explícito:

“Art. 13. O nascituro concebido em decorrência de estupro terá assegurado os seguintes direitos, ressalvado o disposto no Art. 128 do Código Penal Brasileiro:

O Artigo 128 é justamente aquele que garante, se a mulher quiser, o aborto em caso de estupro e risco de morte da gestante.

Na segunda-feira, a doutora desfilará com seus óculos modernos e inteligentes pela UnB. Seus alunos a olharão. Ela olhará seus alunos. Ela terá escrito uma mentira grotesca. Talvez alguns delas tenham consciência disso. Mas se fará silêncio. Afinal, a doutora se considera membro do grupo dos “cientistas sérios”…

Peço, por favor, que vocês não dediquem à doutora antropóloga nada além de palavras de incentivo como: “Coragem, doutora! Estude!”. Talvez algumas orações também… Nada de ofensas! Já é muito triste depender de uma mentira para conseguir justificar uma trajetória intelectual e tirar fotos em frente a uma estante, fingindo ler um livro.

07 Jun 12:30

O estranho mundo de Clarinha

by Felipe Melo
Gilbert Keith Chesterton – velho Ches para os íntimos –, grande pensador inglês do começo do século XX, disse: “O mundo moderno está mais louco do que qualquer sátira que dele se faça.” Isso pode ser prontamente reconhecido quando se realiza, por exemplo, uma comparação entre os filmes hollywoodianos mais imbecis e algumas notícias que vez ou outra saltam aos olhos em jornais e revistas. O uso da razão, o raciocínio bem estruturado e, acima de tudo, o bom senso são coisas tidas como um conjunto démodé de hábitos e inclinações do homem. O que importa mesmo é vencer e convencer.

Um exemplo bastante ilustrativo disso é o exercício de ius sperneandi da escritora Clara Averbuck em seu blog a respeito da aprovação do Estatuto do Nascituro pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. Efetivamente, não existe problema nenhum em que qualquer pessoa exerça seu direito de achar ruim alguma decisão política – eu faço isso todos os dias –, mas considero essencial fazer de maneira honesta e bem embasada. E disso, efetivamente, Clara Averbuck passa longe.

Vejamos alguns exemplos:
Nunca ouviu falar do Estatuto do Nascituro? Basicamente é o seguinte: um ÓVULO FECUNDADO vai ter os mesmos direitos que eu, que a sua mãe, que a sua irmã e que a minha filha e todas as outras mulheres do Brasil.
Mentira. Um embrião – ao qual a escritora se refere meramente como “óvulo fecundado” – não terá exatamente os mesmos direitos que uma pessoa já nascida. Estabelece o artigo 3º do Estatuto do Nascituro que, apesar de ter reconhecida sua natureza humana desde a concepção, o “nascituro adquire personalidade jurídica ao nascer com vida”. Para o olho destreinado (ou pouco afeito à verdade), isso pode parecer um mero detalhe, mas não é. O objetivo do Estatuto do Nascituro é protegê-lo “de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão” (art. 5º) ao reconhecer que sua natureza humana advém da concepção e que, portanto, um embrião já é um ser humano.
Se a mãe correr risco de vida e precisar de um tratamento que coloque em perigo a vida do feto, ela será proibida de se tratar.
Mentira. Não há nenhum dispositivo no Estatuto do Nascituro que disponha sobre isso. O estatuto prevê a possibilidade de se processar alguém pela morte culposa do nascituro, algo que deverá ser avaliado cuidadosamente no caso concreto. Não existe qualquer dispositivo vinculante que estabeleça proibição a tratamentos médicos para a mãe que possam colocar a vida do nascituro em risco.

Ao longo de seus comentários a alguns artigos pinçados do Estatuto do Nascituro, o comentário mais recorrente da escritora é: “a mãe que se foda” [sic]. É como se o estatuto procurasse simplesmente proteger o nascituro sem se importar com as condições concretas em que isso se daria. Isso é uma impressão completamente equivocada. Em casos de gravidez advinda de estupro, por exemplo, o estatuto estabelece “direito prioritário à assistência pré-natal, com acompanhamento psicológico da gestante” (art. 13, I) e “direito prioritário à adoção, caso a mãe não queira assumir a criança após o nascimento” (art. 13, III). Pode-se perfeitamente argumentar que a realidade para a efetivação desses direitos seria bastante difícil, como a própria Clara Averbuck eventualmente faz, mas não se pode daí depreender que a lei deixa a mãe desassistida. Afinal, a própria lei lhe concede atendimento prioritário.

Além disso tudo, a afirmação da escritora sobre a motivação do estatuto é completamente deturpada:
E isso é baseado em que, mesmo? 
Crenças. Crenças de que DEUS mandou essa vida. Gente, olha só, eu sou atéia, eu não tenho DEUS ALGUM. Se você tem um deus e ele não quer que você aborte, apenas NÃO ABORTE. Mas tire as suas idéias, as suas crenças e essa violência toda do corpo das outras mulheres. Das mulheres. De todas as mulheres.
Mentira, mais uma vez. A concretude da natureza humana do nascituro não se infere exclusivamente de uma concepção religiosa – mais especificamente cristã – do homem, mas do uso da mera razão humana. Não fosse assim, o aborto não seria visto com maus olhos desde a Grécia antiga, como podemos supor a partir do Juramento de Hipócrates (“... não darei a nenhuma mulher substância abortiva”). Além disso, uma grande quantidade de cientistas, anônimos ou renomados (como o geneticista francês Jérôme Lejeune, que descobriu na trissomia do cromossomo 21 a causa da Síndrome de Down), defende que a vida humana começa a partir da concepção.

Mas qual é mesmo, no fundo, a razão da revolta com as iniciativas para restringir o aborto? Em que se baseia essa defesa tão grave, tão zelosa dos “direitos reprodutivos” da mulher à revelia do destino da criança por nascer? Clara Averbuck deixa entrever o grave motivo (grifos meus):
Se a mãe correr risco de vida e precisar de um tratamento que coloque em perigo a vida do feto, ela será proibida de se tratar. Afinal, a vida de um amontoado de células que ainda não nasceu, não tem personalidade, não tem consciência, é evidentemente mais importante do que a de uma mulher formada.
O que há aqui é uma profunda e desumana incapacidade de enxergar num ser humano em desenvolvimento a sua natureza humana em virtude de sua parecença com o que é tido como um ser humano pleno. E o que define um ser humano pleno? Nascer, ter personalidade e ter consciência. Como falta ao nascituro as três coisas, ele não pode ser considerado um ser humano. No entanto, seguindo esse mesmo raciocínio de maneira coerente, podemos igualmente alegar que uma pessoa em estado vegetativo também não é um ser humano – afinal, faltam-lhe a consciência e a personalidade –, ou uma pessoa em estágio avançado de mal de Alzheimer, ou uma criança que sofra de anencefalia. Aliás, neste caso, a pesquisadora Débora Diniz, uma das mais intrépidas amazonas pelo “direito” de abortar, esmiúça melhor o raciocínio que motiva o aborto ao escrever (grifos meus):
A ausência dos hemisférios cerebrais, ou no linguajar comum ‘a ausência de cérebro’, torna o feto anencéfalo a representação do subumano por excelência. Os subumanos são aqueles que, segundo o sentido dicionarizado do termo, se encontram aquém do nível do humano. Ou, como prefere Jacquard (6), aqueles não aptos a compartilharem da ‘humanitude’, a cultura dos seres humanos. Os fetos anencéfalos são, assim, alguns dentre os subumanos - os que não atingiram o patamar mínimo de desenvolvimento biológico exigido para a entrada na humanitude - aos quais a discussão da ISG [interrupção seletiva de gravidez] vem ao encontro.
Um exemplo histórico pode ser posto em paralelo a esse sentimento de “humanitude”: o programa Aktion T4. Em setembro de 1939, o Dr. Karl Brandt, médico pessoal do então chanceler alemão, Adolf Hitler, implementou, com entusiástico apoio do Führer, um programa que visava à eliminação daqueles que, em virtude de sua condição física ou psíquica – idosos, doentes graves, deficientes físicos e mentais –, eram considerados socialmente inaptos a viver e, portanto, subumanos. Até o ano de 1941, mais de 70 mil pessoas foram executadas através do programa Aktion T4. Em agosto daquele ano, o programa foi publicamente denunciado pelo então bispo de Münster, Clemens August von Galen. Apesar de publicamente desativado, o programa continuou ativo secretamente. Estima-se que 245 mil pessoas tenham sido mortas em virtude do programa Aktion T4.

O mesmo raciocínio que subsidiou esse bem-sucedido programa de assassinato de incapazes na Alemanha subjaz no raciocínio apresentado pela escritora Clara Averbuck – desta vez, não como programa discricionário de um governo totalitário, mas travestido de opção individual plenamente legítima que deve contar com permissão e suporte do Estado. A incapacidade de enxergar a natureza humana de um embrião é essencialmente igual à incapacidade de enxergar a natureza humana em uma pessoa em estado vegetativo. Apesar de se saber que o nascituro possui uma formação genética distinta da mãe e que a continuidade da gestação gera um ser vivo com funções e formas humanas, ele pode ser abortado porque é tão-somente um “amontoado de células” que não nasceu. Na melhor das hipóteses, isso faz dele um parasita que pode ser eliminado sem maior peso na consciência.

Diante da realidade nua e crua, todos os subterfúgios possíveis e imagináveis podem ser criados. No entanto, ao fim e ao cabo, continuam ecoando aquelas sábias palavras do velho Ches que usei no começo do texto. Quando um ser humano incapaz de se defender a si próprio, com um universo de possibilidades e potencialidades diante de si, é tratado como algo eliminável, chega-se à conclusão que, de fato, o mundo moderno está mais louco do que qualquer sátira que dele se faça.
07 Jun 11:54

I want to learn languages, should I study linguistics?

by leoboiko

This is a frequent question in /r/linguistics. Someone interested in Blackfoot and Cree recently asked: “Do you even think it is necessary to have a firm grasp of linguistics before studying a language?” This was my answer, slightly expanded for the blog:

I don’t think it’s necessary, no. But if you’re the kind of person that benefits from this kind of thing, it can be beneficial. Sorry for being tautological =)

Suppose you were about to learn new swimming styles. Are you the kind of person who would go to the library and research on books about sports science as applied to swimming? If learning the guitar, do you brush up on music theory and try to understand the patterns of notes and chords in the fretboard? Before reading poetry, do you study about metrical forms and the history of styles? If you’re that kind of person, you might have fun studying some linguistics and then trying to apply it to the languages you learn. Once in a blue moon it might even be useful!

As for book recommendations, I think one of the most useful areas you can investigate is phonetics and phonology, the study of linguistic sounds. Spoken languages are made of sounds that you hear, and you decode writing into sort-of “mental sounds” as you read (assuming you’re not congenitally deaf). Unfortunately these two processes have complications:

1. Adult non-natives often fail to perceive and produce sounds in the new language (L2) that aren’t present in their mother tongue (L1).

Out of personal experience, I’m a supporter of the theory that this can be remedied by explicitly learning to notice the different sounds (Schmidt’s Noticing Hypothesis). That means you need to understand how you yourself produce linguistic sounds, so that you can adapt your vocal gestures to those of other languages.

To be able to do that, first of all, you have to learn the International Phonetic Alphabet (IPA). No, seriously, you need it. The Wikipedia articles are quite decent, and so is IPA’s own handbook. Wikipedia also has recordings for all sounds—and so does this interactive table. Some beginners think of IPA as a writing system, and try to learn to “read” it as a whole. This is a mistake. Think of it as a table of possible language sounds, classified on various dimensions (in the case of consonants, which are easier to introspect, there are three: place, manner, and voice). Once you understand how each dimension explains part of a gesture, the position of each symbol on the table becomes a recipe of how to produce it: do this with my tongue here, turn on voice, and… voilà! And, once you’re familiar with production, your perception improves, too.

If you’re familiar with language X, look at the Wikipedia article “Phonology of X”, and try to refer to the table and understand it by reproducing the sounds. (In the case of English, be sure to locate your own dialect/accent). Then try to understand the corresponding articles for the languages you’re learning. You don’t need to care about the rest of the table.

As you get familiar with the IPA, try to learn the basics of articulatory phonetics and phonology. Online articles are probably good enough to help with language learning, but if you like technical books and want to dig deeper, I benefited a lot from these:

  • Catford is “The Vocal Apparatus: An User’s Manual”. It will teach you how to be conscious of your inner fleshly parts, and how to use them to produce any sound. Reading this book in public will make people think you’re crazy.
  • Ladefoged’s World’s Languages is very cool reading comparing the sounds of a wide range of languages, and dispelling a few myths in the process. I like using it as a reference, looking up “my” languages in the index.
  • Geoffrey S. Nathan is my personal pick on phonology. Despite the title, I think it does a great job of describing most major phonological approaches, not just the cognitive one (disclaimer: I’m more sympathetic to cognitive than generative). By the way, this book might or might not be easy to find online on Google.
  • If and only if you like physics & is curious about how sounds even work, then Ladefoged on acoustics is an awesome little book, one of the clearest technical introductions I’ve ever read on any area.

2. It’s nontrivial to deduce the sounds from the writing (witness how much trouble computer people have with speech synthesis). All writing systems assume that you already know the language. Some assume just a little, like Finnish or Czech (and are therefore foreign-friendly); and some are basically unpredictable, like English and French; most are somewhere in-between. This is problematic because it’s generally much more convenient to get access to written materials.

The best solution to this is to make sure you get lots and lots and lots of exposure to the spoken language. If you can learn the spoken language before writing, so much the better (it’s how natives learn, after all).

If you’re curious about how writing systems work, I’d recommend Rogers as a first stop, but I think the Cree/Blackfoot sillabaries shouldn’t give you any trouble. Most writing sytems in current use are actually quite simple—Arabic or Korean may look intimidating, but once one sits down to actually investigate their mechanism, they can be acquired surprisingly fast! On the other hand, if you ever want to learn a truly complex writing system (Chinese, Japanese, Egyptian, Mayan, cuneiform etc.), I do believe the basics of writing systems theory would help a lot.

07 Jun 11:01

Amplos setores da imprensa tentaram cassar dos evangélicos o direito de dizer “não”. Agrediram os fatos, a democracia e os seus leitores

by giinternet

Vejam esta imagem.

A grande imprensa brasileira, com as exceções costumeiras, escreveu um capítulo vergonhoso de sua história na quarta-feira. Cerca de 70 mil pessoas — segundo estimativas da Polícia Militar do Distrito Federal (nesta sexta, publicarei um vídeo; aguardem um pouco) — participaram de uma manifestação em Brasília em defesa da liberdade de expressão, da liberdade religiosa, da família tradicional e da vida (leia-se: contra o aborto). Num dia útil, certamente arcando com o custo de faltar ao trabalho — ninguém ali tinha o “ponto” abonado nem estava sendo pago por partido —, milhares de pessoas atenderam à convocação de diversas denominações cristãs para expressar o seu ponto de vista sobre temas que estão em debate na sociedade e que são do interesse dos brasileiros. Não obstante, aquelas 70 mil pessoas foram praticamente ignoradas pelo jornalismo. A IRONIA: UMA DAS PALAVRAS DE ORDEM DA CONCENTRAÇÃO ERA ESTA: CONTRA O CONTROLE DA MÍDIA.

Reproduzo palavras do pastor Silas Malafaia, um dos organizadores do evento:

“Senhores da imprensa, nós, que somos chamados de fundamentalistas, queremos uma imprensa livre até para falar mal de nós. Nós não queremos cercear imprensa, não. Agora, eu fico vendo esses esquerdopatas, que querem o controle da mídia para controlar o conteúdo… Eles estão pensando que o Brasil é Nicarágua, Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina. Aqui, não! Imprensa livre, sempre livre!”

Não saiu praticamente uma linha do que disse Malafaia sobre o assunto. Também se omitiram as críticas muito duras que ele fez aos mensaleiros (voltarei a tratar do assunto em outro post). Setenta mil pessoas pediram em coro cadeia para a quadrilha — enquanto Luís Roberto Barroso, na CCJ do Senado, dizia que o STF foi muito duro com aqueles patriotas. E também isso se omitiu. Publicarei, reitero, um vídeo com trechos da fala de Malafaia (a integra de sua intervenção está aqui).

Houve coisa pior do que omissão: uma reportagem do Estadão Online atribuiu ao pastor o que ele não disse, a saber: que união homoafetiva é crime. Não falou isso. Afirmou outra coisa: que não aceitava que sua opinião, que é contrária, fosse criminalizada, como faz o PLC 122.

Não há por que omitir os fatos. É evidente que uma concentração que tinha na sua pauta, também, a defesa da família tradicional (homem, mulher e sua prole) opõe-se ao casamento e ao ativismo gays. E isso foi dito lá de maneira clara e inequívoca. Era um aspecto importante do protesto, mas era um deles. Não é menos evidente que a esmagadora maioria da imprensa considera essa opinião “conservadora”, “reacionária”, “atrasada” — escolham aí o adjetivo. O mesmo se diga sobre o aborto, duramente atacado no evento. Eis outro item da pauta dita “progressista” — nunca ninguém conseguiu me explicar por que o mundo e a moral progridem com a morte de fetos…

A imprensa — ou “as imprensas” — tenha a agenda que quiser! Como afirmou o pastor, que ela seja livre até para falar mal das opiniões e das pessoas da praça. Mas omitir??? Fazer de conta, como se fez, que a coisa não estava acontecendo??? Tratar a concentração como se estivesse um curso um evento corriqueiro, sem importância? Só não acho que ficou caracterizada a “censura” porque considero que a palavra cabe quando a interdição é aplicada pelo Estado. Mas se trata, sim, de um ânimo censor, que agride a essência do jornalismo.

Estaremos, agora, diante de um novo paradigma, que consistirá em esconder aquilo de que se discorda? Qual é a medida? Se 500 marcham nas ruas em defesa da maconha, a foto vai parar nas primeiras páginas — afinal, é a “pauta progressista”. Se 70 mil fazem um coro contra a descriminação das drogas — e isso também ocorreu —, faz-se de conta que nada aconteceu?

Pois é… Volta e meia, José Dirceu, o chefe de quadrilha do mensalão — até, ao menos, que eventuais e ilegais embargos infringentes não livrem a sua cara —, manda alguém escrever lá no seu blog um ataque qualquer à imprensa, pedindo o “controle da mídia”. Por incrível que pareça, a mídia que ele quer controlar se encarrega de reproduzir suas cretinices. Afinal, disse-me outro dia alguém, a imprensa tem de fazer isso para demonstrar que é isenta e não tem preconceitos…

Ah, bom! Agora entendi! Para mostrar que é isenta e não tem preconceitos, até os ataques de Dirceu à liberdade de expressão são… livremente expressos! Mas os 70 mil da praça, que falaram EM DEFESA da liberdade de expressão, ah, esses foram tratados com menoscabo ou com desrespeito mesmo: “Afinal, não pensam o que pensamos; têm uma pauta reacionária…”.

O que pretende para si mesma a imprensa que age desse modo? Digam-me cá: os 70 mil que foram para a praça, numa quarta-feira gorda, tinham sido convocados por quem? Pelos jornais, TVs e sites noticiosos já tradicionais? Acho que não! As igrejas evangélicas têm seus próprios sistemas de comunicação e não dependem da boa vontade de estranhos para existir. Tratou-se de uma omissão vergonhosa, constrangedora. E, claro, havia jornalistas em penca lá.

Essência da democracia
A essência da democracia é o dissenso. O papel da imprensa não é exercer uma censura informal sobre a diversidade de opiniões. Ao contrário. Converter o espaço noticioso em área de militância é um comportamento fascistoide, que agride o fundamento da pluralidade e da liberdade.

Faltassem-nos exemplos, deveríamos olhar para o governo de Barack Obama, nos EUA. Em nome das liberdades civis que estariam ameaçadas no governo Bush; em nome da pluralidade, que estaria sendo agredida pelos supostos fundamentalistas de Bush; em nome da, santo Deus!, da diversidade, à qual os republicanos de Bush seriam hostis, ONGs, movimentos sociais, imprensa, academia, intelectuais etc. se juntaram num grande coro de adoração ao candidato e depois presidente da República e à sua agenda progressista.

Quis o destino — que, para mim, sempre foi a lógica dos fatos — que aquele grande progressista liderasse o governo que montou o mais amplo, profundo e nefasto sistema de espionagem no país, que inclui a perseguição a adversários por organismos do estado e a invasão do sigilo de jornalistas.

A liberdade é e será sempre o direito de divergir. Infelizmente, amplos setores da imprensa tentaram cassar dos evangélicos esse direito. Para estes, a agressão foi irrelevante porque, reitero, não dependem dessa visibilidade para existir. Para o jornalismo, no entanto, a coisa é séria: há o risco de que o paradigma da pluralidade esteja se perdendo. Os cristãos, sempre que julgarem necessário, voltarão às praças. Espero que essa imprensa de agenda tenha como voltar a seus leitores.

07 Jun 10:27

Obama é muito pior do que Bush. Ou: Republicano recorreu a medidas autoritárias; o democrata, ao estado policial

by giinternet

O governo Obama espionou jornalistas e pôs o Fisco no encalço da direita republicana. Na luta contra o terror, ainda na gestão de George W. Bush, teve início um amplo programa de monitoramento de ligações telefônicas. Obama herdou o programa, é verdade. Decidiu ampliá-lo e o estendeu para os provedores de Internet. Nunca se chegou tão perto do “Grande Irmão”, do livro “1984”, de George Orwell, como agora. Nessas horas, é grande a tentação de decretar o empate e sair por cima, condenando a hipocrisia: nessa perspectiva, republicanos e democratas criticam uns aos outros por aquilo que todos fazem. Na gritaria, pois, ninguém teria razão. Será assim mesmo? Não! Assim seria se não houvesse o regime democrático, as eleições, os compromissos assumidos em campanha.

George W. Bush respondeu como se viu aos ataques terroristas de setembro de 2001. Certa ou errada, a guerra ao terror produziu os seus efeitos também eleitorais. O então presidente foi reeleito em 2004, mas os republicanos foram postos para fora  na eleição de 2008. Obama ganhou nas urnas um segundo mandato. Parcela dos eleitores americanos — e da opinião pública mundial, é bom destacar — pode odiar os republicanos, considerar que Bush era um reacionário insuportável, um, como é mesmo?, “partidário do unilateralismo” (vão escolhendo aí as ofensas…), o diabo a quatro. De uma coisa, no entanto, o ex-presidente americano não podia ser acusado: hipocrisia. Disso, não! Nem ele nem o Partido Republicano. Jamais esconderam o que pensavam e as opções que haviam feito na chamada “guerra ao terror”.

Mas e Barack Obama? Ah, aí a coisa é muito diferente. Não há mero empate entre Bush e Obama porque este foi eleito com o compromisso de mudar a política daquele — e com especial ênfase nessa área dos chamados “direitos civis”, que estariam sendo agredidos em nome do combate ao terror. Quando o monitoramento começou, houve uma primeira grita, que, pessoalmente, considerei exagerada — E ESCREVI ISSO NO SITE PRIMEIRA LEITURA. Há leitores que me acompanham desde lá e sabem disso. É bem verdade que entendia, como entendo, que as escutas têm de ser dirigidas, monitoradas por um comitê independente, de sorte que sejam motivadas e justificadas. Em tempos de guerra e de combate ao terror, programas assim são necessários. É chato, é perigoso, mas não há outro jeito.

Ocorre que, ficamos sabendo agora, a gestão Obama decidiu usar a licença que tinha para combater o terror para espionar quem lhe desse na telha. Fica visível que não há critério nenhum. Todos estão na rede, e o governo pode, a qualquer momento, selecionar o que deseja, a depender sabe-se lá de qual necessidade. QUE ESTE É UM GOVERNO QUE PODE MOBILIZAR O ESTADO CONTRA, POR EXEMPLO, ADVERSÁRIOS POLÍTICOS, ISSO JÁ SABEMOS, OS FATOS JÁ O COMPROVAM.

Obama faturou a eleição desmoralizando, de todas as formas, a gestão de seu antecessor. A sua primeira campanha, como todos se lembram, ganhou ares de defesa dos direitos civis. E, no entanto, o que se tem é isto: um monitoramento das comunicações como nunca se viu, jornalistas espionados e adversários do governo perseguidos por órgãos de estado. Não obstante, aqui e ali, ouvimos um muxoxo: “Ah, são todos iguais mesmo!”. Parece desculpa de mensaleiro: “A gente fez o que todo mundo faz”. Ou ainda: “Aprendemos a fazer isso com o PSDB…”. Pouco importa o idioma, toda esse gente fala a língua franca da vigarice.

Não, não! Sabem por que, nesse particular — e em muitos outros, como já escrevi algumas vezes —, Obama é pior do que Bush, não havendo empate nenhum? Porque o atual presidente dos EUA só está lá por ter prometido a mudança; porque satanizou o outro por conta de programas de monitoramento; porque disse que tudo seria diferente. O RESULTADO DAS URNAS OBRIGAVA OBAMA MORALMENTE A MUDAR O PROGRAMA, A TORNÁ-LO AINDA MAIS RESTRITO. Em vez disso, ele o expandiu e o ampliou para outras áreas das comunicação. É um vexame sem tamanho!

A grita, obviamente, só não é maior porque, afinal de contas, o democrata ainda é um “aliado” de poderosos lobbies politicamente corretos que atuam na imprensa, nas entidades não governamentais, nas redes sociais. Também nos EUA há a má consciência de esquerda, nossa velha conhecida (ainda que seja a esquerda lá deles), a lhes dizer que, no fundo, tudo lhes é permitido porque têm bons propósitos. Malvados são os outros.

Obama está apenas no primeiro ano de seu segundo mandato. Nessa toada, e escrevi isso aqui quando estourou o caso da espionagem contra jornalistas, deixou de ser uma hipótese amalucada a chance de que não termine o mandato. A perseguição empreendida pelo Fisco a grupos de oposição, sozinha, já é causa de impeachment. Conseguirá se recuperar nos três anos e meio que tem pela frente? Vamos ver. Por enquanto, as coisas só pioram porque o verdadeiro Obama — não o demiurgo inventado pelos deslumbrados — se revela.

Não! Não há empate nenhum! Obama venceu por larga margem o adversário Bush no quesito hipocrisia, bravata e autoritarismo. O republicano pôs o estado no encalço do terror e avisou: muitos americanos passarão a ser monitorados. O jogo era explícito. O democrata prometeu acabar com isso, mas universalizou a espionagem e não avisou ninguém.

Sob certo ponto de vista, poder-se-ia até dizer, com algum exagero, que Bush recorreu a medidas autoritárias para combater o terror. Obama fez outra coisa: recorreu ao estado policial para fazer política — muito especialmente contra adversários ideológicos internos. Como evidencia o arquivo deste blog, posso estar estupefato pela ousadia, mas não surpreso. Que ironia! Em muitos aspectos, Obama é a primeira grande cria política da Internet. E ele resolveu usar essa mesma Internet para exercitar o velho vício do mando.

07 Jun 10:27

Turquia é a prova dos noves de que não é possível haver um regime a um só tempo democrático e islâmico

by giinternet

Os turcos estão nas ruas, aos muitos milhares. Tudo começou porque um pequeno grupo decidiu protestar contra a construção de um shopping numa praça. A polícia desceu o sarrafo. A coisa cresceu e se espalhou. Já há três mortos e quase cinco mil feridos. O evento serve para revelar a face nada oculta, mas ocultada, do governo turco, do modelo que muitos nefelibatas no Ocidente chamavam de “democrático”. O país é usado como exemplo de que é possível haver “democracia islâmica”. Vênia máxima: não é possível! Se uma religião pretende ser estado, ainda que vá impondo paulatinamente a sua vontade (como faz o Partido da Justiça e Desenvolvimento, do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan), o que se tem, com o tempo, é uma ditadura exercida por outros meios. “Islâmicos, então, jamais conhecerão a democracia, Reinaldo?” Resposta: não enquanto forem governados por partidos… islâmicos!! “Ah, mas, havendo eleições, uma agremiação religiosa fatalmente vencerá…” Bem, meus caros, então a resposta não é dada por mim, mas pelos fatos. E, é claro!, democracia sem eleição também não existe. Logo…

Como é que o cristianismo acabou se tornando compatível com o regime democrático? Porque as correntes cristãs se convenceram de que, como forças sociais, podem e devem interferir na política, mas não devem ser “o” poder. Inexiste, infelizmente, uma vertente do islamismo, por mais liberal e moderna que seja, que reconheça que o domínio do estado se distingue do domínio da religião.

É politicamente incorreto dizer que islamismo e democracia são incompatíveis? Pode ser. Mas é apenas um fato. Como está a demonstrar a Turquia.

No dia 29 de janeiro deste ano, escrevi aqui um artigo cujo título é este: “A tese delinquente da ‘democracia iliberal’. Ou: Turquia é exemplo da ditadura islâmica exercida por outros meios, não de democracia!”.

Criticava naquele post, que reproduzo abaixo, um artigo de Jocelyne Ceari, escrito para o Washington Post, em que a preclara lançava a tese da “democracia ileberal”. Segundo esta gigante do pensamento, a dita “Primavera Árabe” estava criando seu próprio modelo de democracia, entendem? E, dizia ela, a Turquia, que não é árabe, mas é islâmica, poderia servir de modelo. E eu, então, respondi assim:
*
Era fatal que chegássemos a este ponto: os inimigos da democracia não estão apenas em terras que nos parecem estranhas. Também estão entre nós — aliás, são até mais perigosos do que os outros.

O Estadão de hoje publica um texto de Jocelyne Cesari, escrito originalmente para o Washington Post. Comentei nesta manhã. Esta senhora, tripudiando sobre 58 cadáveres no Egito, produzidos só nos últimos cinco dias, vê com encanto o que considera avanço da democracia em países islâmicos e lança uma categoria nova: as “democracias iliberais”. Sim, ela dá de barato, sabem?, que as democracias muçulmanas serão diferentes, sem os mesmos compromissos que temos com a igualdade entre os cidadãos ou com a liberdade religiosa.

Chamei a tese de delinquente. E reitero. Alguns leitores afirmam que desprezei o trecho em que ela diz ser possível uma “democracia islâmica”, oferecendo a Turquia como exemplo. Não desprezei, não! Decidi deixar isso para depois. Essa é outra das estúpidas mistificações que estão em curso.

A Turquia democrática é a versão dos intelectuais do miolo mole da Turquia mítica de Glória Perez… Em outras palavras: as duas são fantasias. A de Glória, claro!, não tem importância nenhuma porque tudo aquilo é brincadeira, distração, ficção sem importância. Já a conversa de que a Turquia é um modelo de democracia… Ah, isso tem importância, sim.

Ditadura com eleições
A Turquia nunca foi uma democracia e continua a não ser. O que há de particularmente ruim agora é que a ditadura exercida por outros meios — sob o controle de um partido religioso — está sendo vista como um grande avanço, uma grande conquista.

Pesquisem, meus caros, se tiverem algum especial interesse no assunto, o que ficou conhecido no país como “Rede Ergenekon”. É a versão turca dos “Processos de Moscou”, de Stálin. Recep Tayyip Erdogan, o primeiro-ministro, inventou uma suposta conspiração ultranacionalista e anti-islâmica que pretenderia derrubar o governo. Estariam envolvidos na tramoia militares (a maior parte dos acusados), jornalistas, professores, empresários etc. Erdogan prendeu quem bem quis. Tratou-se de um claro movimento de intimidação. Não há imprensa livre na Turquia. O governo acusa de conspiração quem bem entender.

O partido islâmico da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), de Erdogan, aparelhou todas as instituições do país, muito especialmente a Justiça. A oposição está intimidada ou presa, acusada de participar da tal conspiração. Sim, existe pluralidade partidária. A questão é saber se a oposição conseguirá chegar ao poder…

Erdogan não é burro. Ao contrário! É muito esperto. Herdou uma Turquia que faz parte da Otan e a quer integrada à União Europeia. Por isso busca um aparente equilíbrio entre dois mundos, enquanto vai aniquilando seus adversários internos. No caso da Primavera Árabe, tomou a decisão mais esperta: fechou com o Ocidente — até porque o Ocidente estava fechado, ora vejam, com a Irmandade Muçulmana e outros grupos radicais. Por que agiria de modo diferente? Deu um pé no traseiro de Bashar Al Assad, mas se aproximou do Irã.

A Turquia não é modelo de coisa nenhuma. Ao contrário: a sanha com que Erdogan avançou contra seus adversários, inventando a farsa da “Rede Ergenekon”, só prova que os islâmicos burros escolhem o terrorismo; os espertos, as eleições. Burros e espertos querem a mesma coisa: o estado islâmico.

O país, assim, pode ser um exemplo do que aquela senhora chama de “democracia iliberal” — que democracia não é. Trata-se apenas da ditadura exercida por outros meios. Seu texto, reitero, é a evidência da estupidez que tomou conta dos meios acadêmicos ocidentais.

Turquia democrática? Que Erdogan ponha fim, por exemplo, ao ensino religioso obrigatório nas escolas e permita a crítica livre ao Islã. Vamos ver. Não há democracia onde não há liberdade de consciência e onde jornalistas podem ser encarcerados, acusados de conspiração, simplesmente porque críticos do governo. Na Turquia de Erdogan, faz-se o devido processo legal — conduzido por juízes nomeados por um partido religioso. Entenderam?

Há quem ache que uma ditadura que conta com o apoio da maioria é mais decente do que uma ditadura ancorada numa minoria. Como eu estaria morto ou preso tanto em uma como em outra, nego-me a fazer essa escolha. Continuo a escolher o único regime que pode abrigar quem sou e penso: a democracia! A democracia LIBERAL! O “iliberalismo democrático” é uma invenção estúpida de grupos que usaram o ambiente do livre pensamento para flertar com a sua destruição.

07 Jun 01:46

Os tarados pela morte inventaram que “Estatuto do Nascituro” é “Bolsa Estupro”. É uma mentira asquerosa criada pelos exterminadores de fetos

by giinternet

O Brasil tem o Estatuto do Idoso, o Estatuto da Igualdade Racial, o estatuto sei lá do quê. Em 2007, os então deputados Luiz Bussuma e Miguel Martini propuseram o “Estatuto do Nascituro”, que protege a vida do feto. NÃO ACREDITEM NO LIXO MILITANTE QUE ESTÁ SENDO PUBLICADO POR AÍ. SEJAM CADA VEZ MAIS PRUDENTES E PRECAVIDOS. EXIJAM LER OS DOCUMENTOS ORIGINAIS. Em muitos nichos, o jornalismo está em fase terminal. Você pensa estar lendo uma reportagem e se trata, na verdade, de uma encomenda política de algum partido ou ONG. O Estatuto proposto está aqui. O texto foi aprovado nesta quarta na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara e segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça. A gritaria farisaica que se ouve, com repercussão imediata e bucéfala em certos setores da imprensa, impressiona. O site Avaaz de petições, cujo chefão é Pedro Abramovay (aquela que não quer “pequeno traficante” na cadeia…), já lidera os protestos. Tudo porque o estatuto estaria propondo o que, de maneira asquerosa, está sendo chamado de “bolsa estupro”. É puro despiste. Os fanáticos do aborto usam um artigo da lei, distorcem miseravelmente seu sentido, para poder dar continuidade à sua implacável perseguição ao feto e para conferir estatuto de humanismo a seu canto de morte. Antes que prossiga, uma informação.

Quando Bussuma propôs o texto, ele era deputado pelo PT. Foi expulso do partido por ter participado de uma manifestação contra a descriminação do aborto. Ex-deputado, parece que está filiado ao PMDB. Martini, ex-PV, também sem mandato, está hoje no PHS. Muito cuidado nessa hora para que as coisas fiquem no seu devido lugar.

Bandeira dos fanáticos
Que artigo do estatuto está sendo usado como bandeira pelos fanáticos? É o 13, que reproduzo abaixo, EMBORA ELES COMBATAM MESMO, MAS COM VERGONHA DE DEIXAR CLARO, O ARTIGO 3. Vou explicar.

Leiam o que diz o 13:
Art. 13 O nascituro concebido em um ato de violência sexual não sofrerá qualquer discriminação ou restrição de direitos, assegurando-lhe, ainda, os seguintes:
I – direito prioritário à assistência pré-natal, com acompanhamento psicológico da gestante;
II – direito a pensão alimentícia equivalente a 1 (um) salário mínimo, até que complete dezoito anos;
III – direito prioritário à adoção, caso a mãe não queira assumir a criança após o nascimento.
Parágrafo único. Se for identificado o genitor, será ele o responsável pela pensão alimentícia a que se refere o inciso II deste artigo;

Retomo
Não acho que seja uma lei confortável, embora entenda o seu espírito. Os formuladores do estatuto estão empenhados na defesa da vida do feto e consideram que a pensão pode servir de estímulo para que a mulher não recorra ao direito legal ao aborto em caso de estupro — QUE É MANTIDO. O Estatuto não muda o que dispõe o Código Penal a respeito.

Ainda que eu seja contrário à descriminação do aborto, e a despeito dos bons propósitos, tenderia a votar contra esse artigo porque entendo que a mulher que eventualmente rejeite o feto concebido nessas circunstâncias não o aceitaria por bons motivos se passasse a receber uma pensão do estado. Reitero que entendo a motivação humanista que está na raiz da proposta, mas há determinadas ações que, ainda que benignas em si, simplesmente não são operacionalizáveis. Não haveria, entre outras dificuldades, como acompanhar o efetivo emprego do recurso no bem-estar da criança.

Mas atenção! Chamar isso de “bolsa estupro” é um absoluto absurdo, uma sandice. A bolsa dada ao carente busca beneficiar o carente; a bolsa para tratamento de crack busca tornar viável o tratamento. No caso em questão, o recurso não premiaria nem o estuprador nem o estupro, mas o ser que foi gerado naquela relação não consentida. Assim, pode-se rejeitar essa proposta, acho eu, por bons e por maus motivos. Um bom motivo para recusá-la é, entendo, a virtual impossibilidade de acompanhar a sua efetividade. O mau motivo é a falácia de que o benefício ou estimularia o estupro ou imporia à mulher a obrigação de carregar um feto que rejeita — e é isso o que se quer designar quando se fala em “bolsa estupro”.

O Artigo 3º e os fariseus
O ponto é definitivamente outro, e é muito fácil demonstrar que aqueles que estão protestando estão mentindo. Digamos que se elimine do Estatuto o Artigo 13: será que os que combatem o texto passarão a apoiá-lo? Uma ova! Não vão passar, não! Sabem por quê? Porque, de verdade, o que eles rejeitam é o Artigo 3, que reproduzo abaixo:

Art. 3º O nascituro adquire personalidade jurídica ao nascer com vida, mas sua natureza humana é reconhecida desde a concepção, conferindo-lhe proteção jurídica através deste estatuto e da lei civil e penal.

Eis aí o que os fanáticos do aborto não aceitam. Embora a Constituição brasileira já proteja à vida, o que o estatuto afirma é a “natureza humana” do feto desde a concepção. E isso, evidentemente, torna mais distante a legalização do aborto, que está em curso no Brasil por vias oblíquas. O doutor Luís Roberto Barroso, por exemplo, novo ministro do Supremo, patrocinou a causa da interrupção da gestação de fetos anencéfalos — que ele, delicado que é, chamou de “antecipação do parto”. O doutor é mesmo um mago da novilíngua: um parto costuma ser antecipado para assegurar a vida; ele inventou uma antecipação que… antecipa a morte! E muitos dizem: “Que homem hábil!”. Ainda hoje vou refletir sobre uma outra barbaridade que ele disse na sabatina desta quarta. Mas fica para depois.

Não! Estão usando o Artigo 13 como estandarte da luta; estão usando uma pecha mentirosa, como “Bolsa Estupro”, porque sabem que o reconhecimento da natureza humana do feto vai dificultar a legalização do aborto, e esses canibais da razão vivem com sede permanente.

O estatuto muda a redação dos Artigos 125 e 126 do Código Penal e aumenta a pena de quem opera o aborto ilegal: se for contra a vontade da gestante, a mínima passa de três para seis anos, e a máxima, de dez para quinze anos; se for com o consentimento, a pena, que é hoje de um a quatro anos, passa a ser de quatro a dez anos. MAS ATENÇÃO! Não se toca no Artigo 128, que trata das hipóteses de aborto legal: em caso de estupro e risco de morte da mãe. Aliás, tanto é verdade que a gravidez fruto da violência pode ser interrompida que o texto busca, com o Artigo 13, criar um estímulo para que isso não ocorra.

O link do estatuto está neste post. Essa gente farisaica poderia, ao menos, ter a coragem e o caráter de dizer o que realmente quer. Em vez disso, criam uma mentira, uma fraude intelectual e moral, para desviar o debate do seu propósito. Não existe “Bolsa Estupro” coisa nenhuma! Não é por isso que eles estão furiosos. O que os comandados de Pedro Abramovay — que hoje pauta 9 entre 10 “progressistas” da imprensa — não querem é reconhecer a dimensão humana do feto humano.

O seu progressismo só se realiza plenamente se o feto for uma “coisa”, um “penduricalho” do corpo da mãe, como um brinco, um piercing ou uma bolsa, que podem ser jogados no lixo.

Texto publicado originalmente às 19h47 desta quarta