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23 Jun 19:32

Coisa de Estado policial – PM de Pernambuco prende 4 agentes da Abin que espionavam o governador Eduardo Campos

by giinternet

A VEJA desta semana traz uma reportagem do balacobaco, de autoria de Hugo Marques e Rodrigo Rangel. A Polícia Militar de Pernambuco prendeu quatro agentes da Abin que atuavam disfarçadamente no Porto de Suape, em Pernambuco, com o objetivo de espionar as ações do governador do Estado, Eduardo Campos (PSB), pré-candidato à Presidência da República. Atenção! Não há nada de errado em haver agentes do serviço de Inteligência acompanhando movimentos sociais que potencialmente perigosos para a segurança pública ou do estado. As melhores democracias do mundo fazem isso. Ocorre que não é esse o caso. Leiam trecho da reportagem. A íntegra segue na edição impressa.
*
É colossal o esforço do governo para impedir que decolem as candidaturas presidenciais do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e da ex-senadora Marina Silva (sem partido). Nos últimos meses, a presidente Dilma Rousseff reacomodou no ministério caciques partidários que ela havia demitido após denúncias de corrupção, loteou cargos de peso entre legendas desgarradas da base aliada e pressionou governadores do próprio PSB a minar os planos de Campos. Sob a orientação do ex-presidente Lula, Dilma trabalha para Montar a maior coligação eleitoral da historia e, assim, impedir que eventuais rivais tenham com quem se aliar. A maior parte dessa estratégia é posta em pratica a luz do dia, como a volta dos “faxinados” PR e PDT a Esplanada, mas ha também uma face clandestina na ofensiva governista, com direito a espionagem perpetrada por agentes do estado. Um dos alvos dessa ação foi justamente Eduardo Campos, considerado pelo PT um estorvo à reeleição de Dilma pela capacidade de dividir com ela os votos dos eleitores do Nordeste, região que foi fundamental para assegurar a vitória da presidente em 2010.

0 Porto de Suape, no Recife, carro- chefe do processo de industrialização de Pernambuco, serviu de arena para o até agora mais arrojado movimento envolvendo essa disputa pré-eleitoral. No dia 11 de abril, a Policia Militar deteve quatro espiões da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que fingiam trabalhar no local, mas há semanas se dedicavam a colher informações que pudessem ser usadas contra Campos. A Secretaria de Segurança Pública estadual já monitorava os agentes travestidos de portuários fazia algum tempo. Disfarçados, eles estavam no estacionamento do porto quando foram abordados por seguranças. Apresentaram documentos de identidade e se disseram operários. Acionada logo depois, a PM entrou em cena. Diante dos policiais, os espiões admitiram que eram agentes da Abin, que estavam cumprindo uma missão sigilosa e pediram que não fossem feitos registros oficiais da detenção. 0 incidente foi documentado em um relatório de uma página, numa folha de papel sem timbre, arquivada no Gabinete Militar do governador. Contrariado com a espionagem, Eduardo Campos ligou para o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, general Jose Elito Siqueira, a quem o serviço secreto do governo está subordinado.

Em uma reunião com aliados do PPS, o governador contou que o general garantiu que não houve espionagem de cunho político, ou de viés eleitoral, mas apenas um trabalho rotineiro. “Nos fazemos apenas monitoramento de cenários para a presidenta”. ponderou o chefe do GSI. Apesar da gravidade do incidente, o caso foi dado como encerrado pelos dois lados. Poucas pessoas souberam da história. A elas, Campos explicou que não queria tornar público o episódio para não “atritar” ainda mais a relação com o Palácio do Planalto nem causar um rompimento entre as partes. Mas houve desdobramentos. “Tive de prender quatro agentes da Abin que estavam me monitorando”. Revelou Eduardo Campos. E ainda desabafou: “Isso é coisa de quem não gosta de democracia, de um governo policialesco”. Pediu aos aliados que o assunto fosse mantido em segredo. “Não tenho nada a dizer sobre isso”, desculpou-se na semana passada o deputado Roberto Freire, presidente da legenda, que estava presente a reunião.

Os agentes detidos no Porto de Suape trabalham na superintendência da Abin em Pernambuco. São eles: Mario Ricardo Dias de Santana, Nilton de Oliveira Cunha Junior, Renato Carvalho Raposo de Melo e Edmilson Monteiro da Silva. No dia da detenção, usavam um Palio (JCG-1781) e um Peugeot (KHI-1941). A placa do Pálio é fria, não existe. Já a do Peugeot é registrada em nome da própria Abin. Na semana passada, o agente sênior Mario Santana se aposentou. Nilton Junior e Renato de Melo davam expediente normalmente na superintendência. Já Edmilson Silva, na quinta-feira, estava escalado para o plantão noturno. Nada mais natural. Edmilson Silva tem uma dupla jornada de trabalho. Além de espião, é vereador, eleito pelo PV, no município de Jaboatão dos Guararapes. Vive, portanto, urna situação curiosa. Durante o dia, como vereador, é um defensor das liberdades. Às escuras, como araponga, une-se aos colegas de repartição para violá-las. “Fui ao Porto de Suape algumas vezes apenas para visitar amigos”, disse a VEJA o agente-vereador.
(…)

17 Jun 18:44

Balloon Internet

I run a business selling rural internet access. My infrastructure consists of a bunch of Verizon wifi hotspots that I sign up for and then cancel at the end of the 14-day return period.
17 Jun 18:43

In Reluctant Praise of Fathers Day

by ft@firsthings.com (R. R. Reno )

fathers dayFathers Day is the perfect American invention: equal parts moralism and money-making. Early in the twentieth century the dominant forms of Protestantism urged temperance and campaigned, successfully, for Prohibition. This famous episode in American history was part of a larger moral project, one very concerned with reinforcing what we now call family values.


Reform-minded activists, mostly women, launched various efforts to establish a day to honor fatherhood, but with limited success. That all changed in the late 1930s when the New York Associated Mens Wear Retailers swung into action. Ad campaigns and Fathers Day sales created a card-sending, gift-giving holiday. Eventually government caught up with commerce. In 1972 Richard Nixon signed legislation officially designating the third Sunday of June as Fathers Day.


R.R. RenoGiven this history Im inclined toward a bit of skepticism about Fathers Day. In a sour moment you might find me saying that Fathers Day is to neckties what St. Patricks Day is to beer. But theres a sweet side as well. Like Mothers Day, Fathers Day provides an opportunity to fulfill one of the most joyful of the Ten Commandments: honor your mother and father.


By joyful I mean more than Hallmark sentimentality, which Fathers Day of course can descend into. The Decalogue is dominated by donts. Dont worship other gods. Dont murder. Dont lie. Dont commit adultery or covet. But in the middle we find two happy dos: keep the Sabbath holy and honor your mother and father. These positive commandments play a very important role in the biblical vision of morality. They encourage us to obey the prohibitions because our hearts are otherwise occupied rather than relying on self-discipline.


Consider the opening commandments. Depending on how one parses the verses, at the outset there are two or three commandments that amount to a prohibition against idolatry and desecration. The final grouping or second table also involves prohibitions, each concerning our relation to our neighbors. Put simply, the first table of the Ten Commandments prohibits violations of divine dignity and the second table, violations of human dignity, with the last commandment against covetousness best understood as prohibiting us from violating the dignity of our own humanity.


There are two ways to keep these-or any-prohibitions. The most obvious approach guards against transgression by maintaining a careful discipline. In order to prevent idol worship we smash idols and prohibit their fabrication. To prevent adultery we carefully regulate and monitor the social interactions of men and women. This approach is certainly fitting. For these and other precautionary measures are what we pray for when we petition God in the Lords Prayer: lead me not into temptation. Its what Jesus meant when he counseled us to pluck out our eye if it causes us to sin.


The second approach differs from the first. It seeks to capture our souls, disciplining us from within, as it were. For example, a wise teacher knows that finding an engaging focus for a disruptive student is far more effective than redoubled discipline. Were most obedient to prohibitions when were too preoccupied by what we love to give much time or thought to transgressions.


The commandment to keep the Sabbath takes this approach. When we come before the true God in worship, idols look like unappealing imitations of the divine. If we have regular commerce with the living God in prayer, we wont be satisfied with cheap substitutes. Put somewhat differently, the positive commandment to keep the Sabbath holy takes up some of the space we often fill with transgressions. If we hallow the Sabbath, then we wont hallow the battlefield, the legislative chamber, or the marketplace.


The commandment to honor our parents works in similar way. The second table of the Ten Commandments concerns the right ordering of social relations, prohibiting actions that undermine human institutions, sow distrust, and trigger conflict. The positive commandment to honor our mothers and fathers encourages us to affirm and reinforce the deepest and most fundamental social relation of all: that of parent and child. Idle hands do the devils work, and so do idle hearts. Honor your mother and father, and youre less likely to serve Mammon, chase after celebrity, worship the generalissimo, or bow before the Führer.


I certainly felt a duty to call my father on Fathers Day, a happy one, of course, but one also tinged with the compulsion of a commandment that sons and daughters feel whether or not theyve ever heard of the Ten Commandments. Our commercial culture exploits this feeling of duty, fanning it and promising that this or that product will provide just the right display of filial gratitude.


The commercialization almost certainly distorts our proper impulse to honor our mothers and fathers, but in the main its a good thing. Those tee-totaling matronly activists who lobbied for Fathers Day werent altogether wrong. Family values do need public reinforcement, which the conspiring forces of commerce certainly have provided.


R.R. Reno is editor of First Things. He is the general editor of the Brazos Theological Commentary on the Bible and author of the volume on Genesis. His previous On the Square" articles can be found here.


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17 Jun 18:43

Microsoft Antitrust Judge Thomas Penfield Jackson Dead at 76

by timothy
McGruber writes "The NY Times has the news that federal judge Thomas Penfield Jackson, who ruled in 2000 that Microsoft was a predatory monopoly and must be split in half, has died. He was 76 years old. 'A technological novice who wrote his opinions in longhand and used his computer mainly to e-mail jokes, Judge Jackson refuted Microsoft's assertion that it was impossible to remove the company's Internet Explorer Web browser from its operating system by doing it himself. When a Microsoft lawyer complained that too many excerpts from Bill Gates's videotaped deposition — liberally punctuated with the phrase "I don't remember" — were shown in the courtroom, Judge Jackson said, "I think the problem is with your witness, not the way his testimony is being presented."'"

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17 Jun 18:36

Agora eu também sou progressista! De hoje em diante, sou pelo controle social — e pelo fim do lucro — dos transportes, da telefonia, da mídia, da aviação… Além, claro!, do controle social dos fetos e do orgasmo! Se Mayara convenceu o Fantástico, na Globo, quem sou eu para resistir?

by giinternet

Agora eu também sou do Passe Livre, nem que seja em espírito. Depois que vi no Fantástico Mayara Vivian, uma das líderes do movimento, dar uma aula sobre transporte público e cidadania, já não tenho mais dúvida. Se todo mundo muda de lado, por que não eu? Mayara é estudante de geografia e garçonete de um bar na Vila Madalena, em São Paulo. Não sei se foi na faculdade ou no boteco que suas ideias ganharam corpo. Tanto faz pra mim. Se a TV Globo que é a TV Globo fez uma edição de domingo que flerta abertamente com o “progressismo” da moça, eu é que não vou ficar fora dessa festa — ou alguém ainda acaba alimentando a ideia errada de que tenho mais motivos para ser, como é mesmo?, mais “conservador” do que a Globo. Aliás, eu estou pensando em me tornar prosélito de todas as causas “modernas” e avançadinhas do Brasil. E aí não terá pra ninguém. Na velocidade em que escrevo, serei o Rei Naldo do politicamente correto. Mas aí a minha pauta vai ser bem mais ampla do que a de Mayara.

Dilma foi vaiada três vezes na abertura da Copa das Confederações. Milhares de pessoas, em uníssono! O Fantástico achou que não era notícia. A polícia do Rio desceu ontem o sarrafo em um grupo de manifestantes que protestava contra os gastos públicos na Copa do Mundo. A informação, ligeira, foi parar no meio de uma notícia de esportes. Mas São Paulo… Ah, São Paulo mereceu um tratamento jornalístico de gala (fica para outro post). Volto a Mayara.

Reproduzo um primeiro trecho da reportagem do Fantástico:
“Uma ferramenta que gente propõe à cidade é a tarifa zero, que seria o transporte público gratuito e de qualidade, e as pessoas também terem mais controle político sobre o que é sistema de transporte na cidade. O sistema de transporte, como está colocado hoje, não serve para garantir o direito do cidadão. Ele serve pra garantir o lucro dos empresários que vivem disso”, explica a militante Mayara.

Explica??? Então, segundo o Fantástico, isso é uma explicação. Mayara chama a “tarifa zero” de “ferramenta”. Ela quer a gratuidade dos transportes, suponho, porque se trata de um serviço público, exercido pela iniciativa privada por meio de concessão. A cidade gastará neste ano R$ 1,25 bilhão em subsídios para o transporte. Ela acha pouco. A “gratuidade”, como quer Mayara, custaria, estima-se, por baixo, R$ 6 bilhões. Esse dinheiro não existe. Dane-se! O papel de Mayara é reivindicar. Numa reportagem que demoniza a Polícia Militar de São Paulo, as ideias magriças da moça — uma coisa assim Marina Silva da selva de pedra pós-moderna — pareciam a voz do bom senso, da temperança, da bondade, da generosidade (num outro post, demonstro quão boazinha ela é…).

Agora que sou do Passe Livre, vou ampliar as reivindicações de Mayara. Agora que sou um “progressista”, um “libertário”, um “pós-pós-tudo”, eu a convido a deixar de ser reacionária. Por que só o “passe livre”??? Vamos fazer o movimento em favor do “sinal livre”. O serviço de telefonia também é público, exercido por meio de concessão. Eu estou desconfiado de que empresas privadas andam tendo lucro com isso. E lucro é uma coisa muito feia, que já fez um mal enorme aos seres humanos. Como é sabido, como já está provado, como alguns doutores do Complexo Pucusp provam todos os dias, a humanidade só descobriu as vacinas e conseguiu massificá-las em razão da generosidade e do coletivismo, certo? Mas eu quero mais do que o “Sinal Livre”. Eu também quero a “Antena Livre” — ou, sei lá, as “Fibras Óticas Livres”. Por que as TVs, por exemplo, têm de dar lucro? Como Mayara, começarei a defender que a população tenha, como é mesmo?, “mais controle político sobre o que é” o sistema de radiodifusão no Brasil.

Eu agora sou pelo controle social do transporte, da telefonia, da mídia, da propaganda, da informação, da aviação, da educação — de todos os serviços, enfim, operados sob concessão, como é o caso das TVs. E, não poderia ser diferente, passarei a defender o controle social das drogas, dos fetos e do orgasmo (já chego lá). Já que é preciso entregar tanto controle a alguém, sugiro que deixemos isso tudo para movimentos como esse tal “Passe Livre”, que outorgou a si mesmo o poder da representação, sob o aplauso quase unânime da imprensa. Como os controladores terão de controlar alguém, acho que caberá a nós o papel de controlados.

No Fantástico, a pensadora foi adiante:
“Existe sim uma série de partidos políticos, entidades que apoiam o movimento, tão aderindo, constroem junto e tão aí junto com a gente. O que importa agora é que o povo está na rua. É uma demonstração de força da população organizada que já está desgastada por várias questões”, analisa Mayara.

Naquele antigo mundo que eu antes combatia — agora sou um progressista! —, as palavras tinham de fazer sentido. O verbo “analisar”, por exemplo, só era empregado quando as pessoas faziam… análise. Neste outro mundo ao qual acabo de aderir, esse substantivo pode ser empregado como sinônimo de uma confissão que deveria ser vergonhosa — mas, como se vê, não é. Os partidos políticos, no caso, são, mais ativamente, o PSOL, o PSTU e o PCO, todos eles rechaçados nas urnas. E por que não conseguem votos, mas conseguem levar o caos para as cidades? Porque, para fazê-lo, não é preciso muita coisa. Basta parar umas duas ou três vias principais na cidade e pronto!

Mas eu estou me traindo, pô! É que ainda tudo é muito recente. Eu mudei de lado na noite deste domingo, assistindo ao Fantástico. Não desenvolvi ainda a destreza e a cara de pau dos neoconvertidos. Mas é questão de tempo. Vou me transformar num neofundamentalista do libertarismo. De agora em diante, pra mim, tudo o que for concessão pública será sinônimo de lucro zero. E já deixo claro que também começarei a lutar contra as hidrelétricas — que o Brasil seja movido a sopro —, contra o agronegócio (meu negócio agora é índio com cocar de carnaval), contra as religiões (só vou me opor às cristãs, como virou moda) e contra a família convencional. E já adianto que vou alargar a luta: além de um “não” ao preconceito de gênero, também vou me opor ao “preconceito de espécie”. Me aguardem!

Outro dia, o pai de um remelento enviou pra cá um comentário irado — para o antigo Reinaldo, aquele “reacionário”, sabem?; agora eu mudei. Depois de deixar claro que tinha muito orgulho de seu filho participar dos quebra-quebras por aí, citou Raul Seixas (com Paulo Coelho):

Faz o que tu queres
Pois é tudo
Da Lei! Da Lei!
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa…

Naquele mundo que descobriu as vacinas, pais citavam Catão para que filhos pudessem citar Raul Seixas — falo por metáforas, claro! Quando os pais citam Raul Seixas, então é hora de Mayara Vivian ser tratada pelo Fantástico como pensadora, propor a “gratuidade do transporte como ferramenta” e ser levada a sério.

Texto publicado originalmente às 4h12
17 Jun 18:36

Meus votos para São Paulo: “Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal: ainda será tratado pela TV como um Rio de Janeiro subtropical”

by giinternet

Vejam esta foto de Domingos Peixoto, da Agência Globo.

Vejam esta outra foto, de Pedro Kirilos.

E vejam agora mais uma, também de Kirilos.
 

Se eu fosse São Paulo, teria muita inveja do Rio. É verdade! Vejam bem! Mata-se naquele estado mais do que o dobro do que se mata em São Paulo. No entanto, Sérgio Cabral e José Mariano Beltrame são considerados dois gênios da segurança pública — e as terras paulistas, como se sabe, na TV, parecem terra de ninguém. Amar o Rio é um dever nacional. Detestar São Paulo é uma obrigação.

O pau comeu no Rio mais uma vez neste domingo. Uma manifestação pacífica contra os gastos na Copa foi reprimida com bombas de gás, de efeito moral, spray de pimenta e porrada. O Fantástico, que dedicou uma longa reportagem à criminalização da polícia de São Paulo, dedicou ao confronto do Rio… 18 segundos! O texto é rigorosamente este:

“Ainda antes do jogo, no Rio, 600 pessoas, segundo a PM, protestaram dizendo-se contra o aumento no custo de vida. No fim, a policia dispersou o grupo com gás lacrimogênio e bombas de efeito moral. Oito pessoas foram detidas, uma presa.”

Apareceu no meio de uma reportagem de esporte, sobre o bom funcionamento dos estádios. Em seguida, o mesmo repórter continuou: “No fim da partida, torcedores felizes da vida (…)”.

No Globo Online, no entanto, a coisa pareceu bem mais feia. Título da reportagem: “Polícia atira bombas contra manifestantes e famílias na Quinta da Boa Vista”. Leiam trecho. Volto depois:

Uma manifestação realizada nas proximidades do Maracanã terminou com um ataque indistinto de policiais contra manifestantes e famílias que passavam o domingo na Quinta da Boa Vista. No início da tarde, o grupo de cerca de mil pessoas que tentava se aproximar do estádio, onde Itália e México se enfrentaram pela Copa das Confederações, foi dispersado, com bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Os manifestantes se refugiaram na Quinta, área federal, vetada ao Batalhão de Choque, que passou a atirar mais bombas e gás de pimenta do lado de fora, atingindo também pessoas que nada tinham a ver com o protesto.

“Estava com as minhas duas filhas, como sempre faço em alguns domingos do ano. A polícia chegou jogando bomba de efeito moral. Minhas filhas ficaram desesperadas, eu não sabia o que fazer. Moro em Madureira e não sei como vou pegar o trem para chegar em casa”, disse Alessandra Santana, que estava acompanhada das filhas de 13 e 7 anos, ambas muito nervosas. A mais nova exibia no rosto o resíduo de pó branco do spray usado pela polícia.

A manifestação provocou a interdição de vias importantes, como as avenidas Radial Oeste e Bartolomeu de Gusmão e a Praça da Bandeira, além de provocar o fechamento da estação São Cristóvão do metrô. Os manifestantes protestavam contra o alto custo de vida nas cidades que sediarão a Copa e em favor de mais recursos para saúde e educação. Apenas às 19h15m as ruas foram totalmente abertas ao trânsito. Os manifestantes que estavam na Quinta foram escoltados pela PM até a estação da Leopoldina, onde encerraram o ato. Seis pessoas foram detidas; mais tarde, cinco delas foram liberadas. Uma foi presa em flagrante, conduzido à 20ª DP (Vila Isabel) e autuada por posse ou emprego de artefato explosivo ou incendiário.

O relações públicas da Polícia Militar, coronel Frederico Caldas, no entanto, afirmou que não houve excesso do Batalhão de Choque na repressão aos manifestantes. O protesto teve início por volta das 15h30m, pouco antes do início da partida entre México e Itália, pela Copa das Confederações da Fifa. O primeiro confronto envolveu aproximadamente 600 pessoas e policiais militares, que usaram spray de pimenta para dispersar a multidão. Este grupo foi contido na passarela que liga o estádio à estação do metrô. O clima ficou tenso e os manifestantes seguiram para a Quinta da Boa Vista. Um outro protesto também estava sendo realizado próximo à Rua São Francisco Xavier.

Um grupo de 25 artistas do Projeto Regar, um projeto de arte cristã, também fez um ato no local. Eles faziam uma caminhada lenta, com roupas bem simples e o corpo todo pintado com uma tinta bege. De vez em quando, em silêncio, abriam cartazes com uma frase bíblica em português e inglês.

Frequentadores da Quinta da Boa Vista contaram que viveram momentos de pânico. O garçom Frederico Júnior também disse ter se assustado com o confronto entre manifestantes e a polícia. Ele passeava com cinco crianças e a mulher grávida pelo parque quando o conflito chegou ao local. “Estou agora com as crianças e a minha mulher grávida nervosas e passando mal. As pessoas podem protestar, fazer o que quiserem, mas eles e a polícia precisam lembrar que aqui é um parque com crianças”, disse ele bastante aflito.

Já o metalúrgico José Carlos Gomes, de 60 anos, foi comemorar o aniversário do pai em sua casa no Maracanã. Morador de Tomás Coelho, em Belford Roxo, ele saiu mais cedo da festa com a filha para evitar o fluxo maior após o jogo na volta para casa. No entanto, nada adiantou. Ele deixou a filha na Estação da Mangueira, onde ela pegaria o trem para casa, e seguiu para a Estação de São Cristóvão, que ficou fechada das 4h30m às 5h50m. Ele contou que chegou ao local às 5h e só conseguiu embarcar 50 minutos depois.

Os amigos Maycon Diniz e Graciane Alves, de Niterói, que levaram a amiga Adriele Cristina, de Goiás, para conhecer o Maracanã pela primeira vez neste domingo, ficaram assustados com o confronto entre manifestantes e policiais. “ Estou muito assustada e com medo de que aconteça algo com a gente e, principalmente, com o Maycon, que é cadeirante. As pessoas vêm ao estádio para conhecer e acabam encontrando essa situação. Não somos contra a manifestação, desde que seja pacífica e não atrapalhe quem quer se divertir”, afirma Graciane.

Durante o confronto, o fotojornalista Luiz Roberto Lima, que trabalha para as agências Globo e Estado precisou do auxilio de um bombeiro após passar mal com os gases de efeito moral lançados pela policia. Após o tumulto, o fotografo sentia dificuldade de respirar e enxergar. “ Não estou nem conseguindo abrir meus olhos”, reclamou Lima, que foi socorrido por jornalistas e por um bombeiro.
(…)

Voltei
Que fique claro! Os manifestantes do Rio não estavam quebrando nada, não estavam espancando ninguém, não estavam depredando o patrimônio público.

Evidentemente, como sempre, ninguém se ocupou de ouvir Sérgio Cabral ou José Mariano Beltrame.

Pessoas passam mal por causa do gás lacrimogêneo, em foto de Rodrigo Betolucci. Acontece…

 
Texto publicado originalmente às 5h03
17 Jun 18:35

O VÍDEO COM AS TRÊS VAIAS COM QUE O POVO BRINDOU DILMA NO MANÉ GARRINCHA

by giinternet

Abaixo, segue um dos vídeos que estão no YouTube com as três sonoríssimas vaias com que o público do estádio Mané Garrincha brindou a presidente Dilma Rousseff no sábado, na abertura da Copa das Confederações. Vejam. Volto em seguida.

Joseph Blatter, presidente da Fifa, ainda tenta dar uma bronca em milhares de pessoas, perguntando onde estava o respeito e o “fair play”. Aí é que o bicho pegou.

A propósito da vaia, leiam reportagem publicada pelo UOL.
*
A TV Globo disponibilizou no início da tarde deste domingo para o UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha, e os outros veículos de imprensa que cobrem a Copa das Confederações um vídeo com as vaias à presidente da República, Dilma Rousseff, e ao presidente da Fifa, Joseph Blatter. O vídeo foi enviado cerca de seis horas depois de o UOL publicar uma reportagem que relatava a ausência do episódio entre os seis minutos de imagens que a Globo é obrigada por lei a repassar aos veículos independentes da Fifa.

Em resposta à reportagem do UOL, nesta tarde, a Globo reconheceu o interesse jornalístico nas vaias e pediu “desculpas pelo inconveniente”. “Nos seis minutos de imagem, a equipe responsável pelo empacotamento delas priorizou os lances do jogo. Tanto as vaias são jornalísticas que foram mencionadas pelo Galvão Bueno na transmissão e foram registradas no Jornal Nacional”, diz mensagem enviada pela área de Comunicação da Globo.

Em todas as outras competições realizadas no país, a Lei Pelé permite que os veículos de comunicação escolham, a seu critério, os flagrantes que mereçam ser exibidos, desde que dentro de um limite de até 3% da duração total do evento.

Aprovada pelo Congresso Nacional em 5 de maio de 2012 e sancionada pela Presidência em 6 de junho do mesmo ano, a Lei Geral da Copa muda as regras da Lei Pelé e determina que a Fifa “ou pessoa por ela indicada” (a Globo) editem e distribuam um vídeo com seis minutos a qualquer veículo que manifestar interesse. Então, os não detentores de direitos devem selecionar dentro desses 6 minutos o equivalente a 3% do tempo total do evento para publicação.

Texto publicado originalmente às 5h24

17 Jun 18:34

Hackers invadem páginas oficiais; imprensa abre a Caixa de Pandora

by giinternet

 Certa imprensa está abrindo a Caixa de Pandora e flertando com táticas fascistoides — nas ruas ou na Internet. Vários sites oficiais foram hackeados ontem. Alguns já estão fora do ar. Outro ainda exibem a imagem abaixo.

Aquele textinho verde que vai lá no alto fica correndo a tela de um lado para outro: “Abaixo a ditadura moderna! Liberdade de expressão! Mídia honesta já!”.

Embora, como é evidente, a esmagadora maioria da tal “mídia” esteja com eles, isso ainda lhes parece pouco.

O que será a “ditadura moderna”? Não sei! Vou perguntar para a tal Mayara Vivian. Ela deve saber. Sim, eu apaguei da mensagem um palavrão dirigido a Dilma.

17 Jun 18:31

The celebrity-obsessed dishonours list

by Melanie Phillips
One of the functions of the honours list is to make the nation feel good about itself. It’s not just that the individuals on the list are being honoured for their achievements. Its also that the nation as a whole feels uplifted by those awards and what they represent.
17 Jun 18:25

Com o apoio do PT, que elevou a tarifa de ônibus, fascistoides prometem parar de novo São Paulo. Movimento diz que não tem o que negociar. Secretário de Segurança cede sem pedir nada em troca

by giinternet

Espera-se hoje em São Paulo uma grande manifestação. Os protestos contra a elevação da tarifa de ônibus não juntaram mais do que cinco mil pessoas. Até porque a reivindicação do grupo que lidera os eventos é de tal sorte aloprada — tarifa zero — que não anima o usuário comum do serviço. A coisa se restringia a setores radicalizados da classe média e da elite paulistanas, que aprenderam com seus professores de história hipomarxistas, em escolas particulares com ar condicionado, que é preciso lutar PELO oprimido — se possível, em lugar dele, já que o dito-cujo teria tido a sua consciência sequestrada pelo capitalismo e pelo fetiche da mercadoria. O Brasil deve ser o único país do mundo em que professores de humanas ainda repetem essas porcarias. A elite brasileira deve ser a única a pagar para que seus filhos ouçam esse lixo.

De maneira deliberada, os manifestantes optaram pelo uso sistemático da violência — assim tem sido em várias cidades, é bom que fique claro —, provocaram a reação da PM, e o resto é história miseravelmente distorcida pela imprensa engajada. Os protestos estavam sendo, em parte, levados adiante por profissionais da agitação do PSOL, do PSTU, do PCO, entre outros grupelhos. Nesta segunda, o leque de apoios se ampliou. Os petistas resolveram aderir, agora para valer, não se limitando mais à juventude do partido.

Há uma boa chance de que estejam dando um tiro no pé. Outro protesto, que pode até se casar com o das passagens, mas que tem origem e motivação diversas, ameaça tomar corpo: contra os gastos da Copa do Mundo. As vaias dirigidas a Dilma no Mané Garrincha, no sábado, recomendariam ao PT um pouco mais de prudência. Ocorre que o partido, como o escorpião que ferroa o sapo que o leva nas costas, tem a sua natureza e não pode negá-la. Tentará converter a manifestação de hoje num ato contra a violência policial e em favor da liberdade de expressão — como se esta estivesse sendo ameaçada. Boa parte do jornalismo, insisto, perdeu o norte, o rumo, os valores, o bom senso. Considera-se, como se fosse a coisa mais normal do mundo, que um grupo de pessoas tem o direito de parar a cidade se não cometer violência — como se isso não fosse, por si, um ato violento. De resto, não custa lembrar, o movimento liderado pela turma do Passe Livre se caracterizou, desde o primeiro dia, por ser estupidamente violento. E, curiosamente, não se ouviu alarido nenhum. Um policial quase foi linchado. Não houve uma só entidade de defesa dos direitos humanos, a começar pela OAB, que emitisse um protesto. Parece que, para esses bacanas, linchar policiais é parte do preço que se paga pela democracia. Não é!

Povo na praça nem me encanta nem me assusta. Tampouco me conduz à paralisia do pensamento. A Praça Tahrir que o diga. Olho para o resultado da chamada “Primavera Árabe” e me orgulho não do meu ceticismo ou do meu pessimismo, mas do destemor — o intelectual ao menos — de ter marchado na contramão. Digo o mesmo sobre o governo Obama. Eu não me deixo seduzir por práticas e discursos que, se generalizados e tornados uma medida, resultam em menos liberdade em vez de mais; em mais violência em vez de menos; em menos pluralidade em vez de mais. Assim, também desta vez, não me importo de me alinhar com o que parece ser uma minoria — na imprensa ao menos. O Movimento Passe Livre e aqueles que estão com ele nessa “luta” são autoritários, têm uma tese aloprada, recorrem a métodos fascistoides de ação política e parecem se orgulhar de não transigir jamais.

Entrevista
Neste domingo, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, concedeu uma entrevista coletiva. Acuado pela imprensa, como se, de fato, estivéssemos diante de uma luta entre o Bem (os manifestantes) e o Mal (a Polícia Militar), chamou o Passe Livre para conversar — haverá uma reunião com as lideranças (que não representam ninguém) nesta segunda. Mas já anunciou que não haverá tropa de choque na rua, que os policiais não portarão balas de borracha, que a polícia vai se limitar a garantir a segurança da manifestação etc.

Ele só pediu uma coisa, com voz bem branda, suave, quase falando pra dentro: que seja anunciado o roteiro da manifestação para que possa haver um planejamento. Já volto ao secretário, que me parece destinado a ter vida curta do cargo — eu, pessoalmente, torço para que tenha; acho que ele comete equívocos fundamentais; trato do assunto daqui a pouco. Como se vê, a autoridade se mostra disposta ao diálogo. Já recebeu uma resposta. Nina Capello, uma das integrantes do Passe Livre, concedeu uma entrevista à Folha Online. Leiam a pergunta e a resposta. Vejam o que Nina entende por uma sociedade civilizada.

Folha – O secretário de segurança pública, Fernando Grella Vieira, convidou o movimento para conversar hoje às 10h. Vocês vão?
Nina Cappello- Eu não sei exatamente para o que é a reunião, mas a gente esta disposto a conversar com eles para evitar a repressão policial, que foi muito violenta no último ato [de quinta-feira (13)], que teve pessoas presas mesmo antes da manifestação começar. Vamos questionar essa criminalização do movimento. O que nós deixamos claro é que a decisão do caminho da manifestação é uma decisão política nossa, nós não vamos decidir o trajeto do movimento com eles. Mas a gente entendeu que isso não seria um problema porque a polícia tem que garantir a segurança dos manifestantes não importa o trajeto que a gente escolha fazer. Quando a gente tiver o trajeto definido nós vamos informar para eles.

Retomo
Nina estuda direito. Vai a uma negociação em que ela só reivindica, sem ceder nada. Não se pode criminalizar o que já é crime, a saber: jogar coquetéis molotov, depredar ônibus, prédios públicos, espancar policiais. Tudo isso fez o protesto que ela lidera — e a tanto esses patriotas não foram levadas pela violência policial. Os erros eventualmente cometidos pela PM não estão na origem desses escolhas.

Vejam lá. Em qualquer país do mundo em que haja protestos pacíficos, o trajeto de uma passeata é negociado com as autoridades. Sólidas democracias do mundo proíbem manifestações em determinadas áreas da cidade por razões de segurança. Com Nina e o Passe Livre, não tem isso, não! Trata-se, segundo ela, de uma “decisão política”. E ela tem ideias muito claras sobre a função da Polícia: “Garantir a segurança dos manifestantes não importa o trajeto que a gente escolher”. No mundo de Nina, o transporte é gratuito — cai do céu —, e a função da polícia não é garantir a segurança de 11,5 milhões de paulistanos e seu direito constitucional de ir e vir, mas proteger os que, arvorando-se em representantes do povo, decidem levar a cidade ao colapso. No mundo de Nina, a sociedade se divide entre “nós” (os que protestam) e “eles” (o estado, a repressão, sei lá eu…).

Não sei quais são as referências teóricas dessa moça — deve haver alguma. Mas faço votos de que não esteja aprendendo tais noções de democracia na faculdade de direito. Assim pensava o jovem Mussolini quando liderava o seu bando. Assim pensava Hitler quando conduzia a sua tropa de assalto. Isso é fascismo, não democracia. Leiam mais esta.

Como será o protesto de hoje programado para as 17h no largo da Batata, em Pinheiros?
Vai ser o maior protesto contra o aumento da tarifa de ônibus. A gente continua na rua até o prefeito [Fernando Haddad] e o governador [Geraldo Alckmin] decidirem revogar o aumento do ônibus e dos trens caso contrário a gente vai continuar colocando as nossas forças nas ruas, ocupando ruas importantes e parando a cidade.

Está dado. Ou as autoridades, legitimamente eleitas, cedem, ou Nina e seu movimento prometem que a rotina de São Paulo continuará a ser um inferno. Atenção! Já há um outro protesto marcado para amanhã. Tento de novo: Geraldo Alckmin e Fernando Haddad foram eleitos — eu votei no primeiro e jamais votaria no segundo, nem que fosse para animador de festinha infantil — e têm a legitimidade e a competência legal para definir a política de transportes. Isso não implica que todos gostem ou concordem, é evidente. Mas há os caminhos igualmente democráticos para protestar. E PARAR A CIDADE NÃO É UM DELES. Nina acusa aquele “eles” genérico de criminalizar o movimento, mas é ela quem criminaliza o poder público, como se o reajuste da passagem tivesse sido decidido pela má-fé. Ora, cidade e estado fizeram um esforço adicional — usando dinheiro público, é claro! — e reajustaram a tarifa bem abaixo da inflação. Como vai negociar quem não reconhece no outro a legitimidade que lhe é conferida pela própria democracia. No fim das contas, essa moça e seus amigos não admitem é a própria democracia. E ela ainda não deu o seu melhor, que é o seu pior. Leiam.

Mas grande parcela da sociedade crítica o ato, veem o movimento mais como de “baderneiros” que querem promover o vandalismo?
É a política que eles têm de criminalizar o movimento e que acontece com os movimentos sociais principalmente nas periferias. É o jeito que eles têm para calar a nossa voz. Estamos na rua lutando por um direito, isso não é baderna é simplesmente uma manifestação legítima na luta por transporte público. O movimento não apoia vandalismo, mas a gente entende que a violência é da policia e da tarifa. Retomando o que foram as manifestações fica bem claro que houve violência por parte dos manifestantes porque teve repressão por parte da polícia.

Não, moça! Parar a cidade não é legítimo, qualquer que seja a sua causa. Notem que, na prática, ela justifica a violência, atribuindo toda a responsabilidade à polícia. Bem, foi o que escreveu Elio Gaspari, não é? Foi o que afirmaram o Jornal Nacional na sexta e o Fantástico neste domingo. No programa dominical, o seguinte texto absurdo, especialmente quando acompanhado das imagens, foi levado ao ar:
“A policia se precipitou, se excedeu e usou bombas de gás e balas de borracha sem que tivesse sofrido agressões. Várias pessoas ficaram feridas. Entre elas, jornalistas que estavam trabalhando. Os manifestantes responderam com pedras e fogos.”
Enquanto se ouve a voz, em off, vê-se um dos manifestantes jogando um rojão contra a polícia — dois dias antes, uma estação do metrô havia sido depredada e foram usados coquetéis molotov nos protestos. Releiam o texto: “os manifestantes responderam com fogos”. Não se pergunta o que faziam no ato com esse artefato.

Com a imprensa jogando no seu time, Nina se sente absolutamente à vontade para anunciar que só há um caminho para que a cidade volte à sua já caótica normalidade: o regime democrático tem de ceder à ditadura da minoria; que dois governantes eleitos se verguem à vontade de uma minoria de extremistas que se quer representante de todos os usuários de ônibus; que Haddad e Alckmin abram mão da prerrogativa que têm de ordenar a política de transportes e a transfira para gênios da raça como Nina e Vivian (ver post).

Agora o secretário
Espero que a gestão de Grella tenha vida curta na Secretaria de Segurança Pública. Este senhor é autor de uma portaria desastrada que proíbe os policiais militares de socorrer vítimas — tenham sido elas alvejadas pela Polícia Militar ou não. É um despropósito no mérito e na intenção política. Começo pela segunda: lança uma sombra de suspeição sobre toda a corporação. E, evidentemente, é potencialmente danosa porque mesmo pessoas que tenham sido feridas, sei lá, numa briga de bar, sem qualquer envolvimento com forças de segurança do estado, podem ficar à espera de um socorro que tarda a chegar. Atendeu à pressão de ongueiros que acusavam a PM de matar bandidos a caminho do hospital. Havendo evidências disso, é claro que a prática deveria ter sido coibida, e os eventuais responsáveis, exemplarmente punidos. Mas atenção! Não me parece que Grella age bem ao, na prática, expor a maior risco quem NÃO É bandido para supostamente proteger bandidos que ficariam à mercê de maus policiais. A prática criminosa, se houvesse, poderia ter sido combatida sem prejuízo dos demais cidadãos. Acho a portaria, na melhor das hipóteses, burra; na pior, perigosa e contraproducente, destinada a gerar mais ressentimentos na PM do que soluções. E a força que reprime o crime, na ponta, é a Polícia Militar.

Desta feita, só faltou a Grella prometer que os policiais militares vão levar flores para manifestantes que, como se nota acima, não estão dispostos a transigir em nada. A obrigação de uma Secretaria de Segurança Pública é usar de forma inteligente os recursos necessários. É chato lembrar, mas lá vou eu: tropa de choque, balas de borracha e demais forças e apetrechos também servem à segurança dos policiais. Devem ser usadas com inteligência. COMPROMETER-SE DE SAÍDA A NÃO EMPREGÁ-LOS DELEGA AOS MANIFESTANTES A SEGURANÇA DOS POLICIAIS, QUANDO O NORMAL, NUMA DEMOCRACIA, É O CONTRÁRIO. Se os bravos “anarquistas” do Black Bloc decidirem sair quebrando tudo, policial militar faz o quê? Cruza os braços e olha para o outro lado? Lamento ter de escrever isso, mas as garantias de Grella, dado o conjunto da obra, são absurdas. Tropa de choque e balas de borracha, bem empegados, são elementos de dissuasão. Mal empregados, servem à confusão. Eliminados da equação por princípio, dado o histórico, expõem os policiais ao arbítrio de quem os detesta.

Caminhando para o encerramento
De todo modo, é bem possível que não haja conflito nesta segunda, até porque, desta feita, haverá muitos “profissionais” da mobilização entre os manifestantes. Como anunciei aqui em primeira mão, os petistas decidiram aparelhar o protesto, tentando jogar para segundo plano a reivindicação principal.

17 Jun 18:22

LEIAM ABAIXO

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15 Jun 02:47

Mais um revés – STF agora quebra o sigilo de empresa contratada por Lindbergh

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Na VEJA.com:
O senador petista Lindbergh Farias sofreu mais um revés na Justiça. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, na quinta-feira, a quebra de sigilos fiscal e bancário de uma série de servidores, empresários e pessoas ligadas aos contratos firmados entre o município de Nova Iguaçu e a empresa Rumo Novo Engenharia Ltda., no período em que Lindbergh foi prefeito daquela cidade. Mendes decidiu em favor de um pedido do Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, que leva adiante um inquérito instaurado no Ministério Público do Estado do Rio para apurar irregularidades em licitações e execuções de obras em Nova Iguaçu.

Em seu despacho, Gilmar Mendes determina que a Receita Federal encaminhe, dentro de 10 dias, as declarações de imposto de renda dos últimos cinco anos da Rumo Novo e de seus sócios, Vitor Luiz Vicente Távora e Cleonice Paulina das Neves. A empresa e seus responsáveis também terão seus cadastros bancários e movimentações financeira devassados. Integrantes da empresa e funcionários do município envolvidos na contratação serão interrogados pela Justiça.

Segundo Celso Vilardi, advogado de Lindbergh Farias, o senador está aguardando a decisão da Justiça com serenidade porque os contratos foram aprovados pelo Tribunal de Contas. Lindbergh, diz Vilardi, já havia autorizado a quebra do sigilo bancário e fiscal quando o processo estava na primeira instância.

Na última quarta-feira, em outra decisão do STF, o ministro Dias Toffoli determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e de operações em bolsa do próprio senador, referentes ao período de 2005 a 2010. A decisão é referente a outro inquérito, que apura suspeita de fraude de 350 milhões de reais no Fundo de Previdência dos servidores de Nova Iguaçu. “A análise detalhada do Relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito e dos documentos que o instrui indica uma verdadeira ‘parceria’ entre o então prefeito Lindbergh, que atuava no relacionamento da Prefeitura com o Fundo de Previdência Previni e os dirigentes desse Fundo, pessoas da confiança do prefeito, que os indicava e reconduzia ao posto”, sustentou o procurador.

A semana não foi das melhores para Lindbergh. Além das decisões judiciais desfavoráveis, nesta sexta-feira a presidente Dilma Rousseff manifestou, mais uma vez, proximidade com o vice-governador do estado do Rio, Luiz Fernando Pezão, pré-candidato do PMDB ao governo do estado. Lindbergh, que também anunciou intenção de se candidatar, sequer compareceu a um evento de lançamento da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2), na favela da Rocinha. Em um evento com presença da presidente, do governador Sérgio Cabral e de Pezão, Dilma fez elogios à administração peemedebista e chamou o vice-governador de “pai do PAC”.

15 Jun 02:32

Produtores rurais de 9 estados protestam contra a indústria das invasões indígenas! É raro haver protesto de quem trabalha, produz e arrecada impostos, né? No Brasil, os vagabundos é que lideram a cultura da reclamação

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Produtores rurais do Mato Grosso do Sul: eles não escondem a cara nem usam máscara. Quem trabalha não se esconde

Produtores rurais organizaram protesto em nove estados nesta sexta contra a indústria das invasões indígenas: Roraima, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Reproduzo, abaixo, texto publicado no site da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil). Tentei, juro, ter como referência as reportagens dos veículos de comunicações que decidiram cobrir os eventos. Impossível! Os textos estão recheados de preconceito contra quem trabalha.

E não custa notar: protesto de quem  produz e recolhe impostos é raro no país, não é? Nos últimos tempos, quanto mais vagabundo, improdutivo e subsidiado é o sujeito, mais cheio de razão ele se mostra, não é mesmo? Os inúteis se tornaram os donos da cultura da reclamação no Brasil. Segue texto da CNA.
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“Vamos reconstruir cada caibro, cada tijolo, cada pedaço de chão das propriedades destruídas em Mato Grosso do Sul. Reconstruiremos por que aquela área é nossa e produz riquezas”. A fala do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (Sistema FAMASUL), Eduardo Riedel, deu o tom dos discursos durante a movimentação “Onde tem Justiça, tem espaço para todos”, realizada em Nova Alvorada do Sul (MS) e, simultaneamente, em outros sete estados brasileiros, nessa sexta-feira (14). Organizada pela FAMASUL e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a manifestação pediu segurança jurídica ao produtor rural e paz no campo.

Mais de cinco mil produtores rurais se reuniram na movimentação sul-mato-grossense. A presidente da CNA, senadora Kátia Abreu, participou da manifestação e foi aplaudida pelos produtores ao defender a compra de propriedades para a ampliação de áreas indígenas. “Temos que dizer compra de fazenda e não indenização. E compra de fazenda de produtor rural que quiser vender”, defendeu. Kátia Abreu deu ênfase à violência com que os produtores rurais têm sido retirados de suas casas durante as invasões. Mato Grosso do Sul tem 66 propriedades invadidas. “Se os índios foram injustiçados, hoje os injustiçados somos nós”, afirmou a senadora.

Produtores e lideranças rurais do Paraná, Maranhão, Rio Grande do Sul e São Paulo participaram da manifestação em Mato Grosso do Sul. Do Paraná, houve deslocamento de uma comitiva de 15 ônibus, com 650 produtores. O ato pacífico tem objetivo de chamar atenção da sociedade e do poder público sobre a falta de segurança jurídica. Sem interromper o trânsito, os manifestantes distribuíram aos motoristas, material informativo, adesivos e envelopes com sementes de hortaliças.

“Estamos aqui para a sociedade ouvir o pedido de socorro do produtor rural”, afirmou Riedel. Ao fazer referência às fazendas incendiadas pelos indígenas, o dirigente justificou que quem produz também tem história na região. “Vamos valorizar a história e a origem de quem foi prejudicado. Não é justo expulsar 20 mil produtores como ocorreu no Maranhão. Não vamos sossegar enquanto houver uma propriedade invadida em MS“, disse.

Deputados estaduais, federais e senadores discursaram durante a mobilização com afirmações sobre a busca de solução em reuniões semanais com representantes do Congresso Nacional, Assembleia Legislativa e Ministérios da Casa Civil e da Justiça.

15 Jun 02:12

Tarifa zero: descoberto o emplastro que vai livrar o Brasil da melancolia

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Ai, ai… Na madrugada, volto ao tema. Manifestações em defesa dos protestos no Rio, em São Paulo e em toda parte estão sendo marcadas, por intermédio do Facebook, em várias cidades do mundo. Devem acontecer mesmo, não é?, e merecer ampla cobertura da imprensa brasileira. Afinal de contas, seis pessoas resolveram erguer cartazes analfabetos em Paris e ganharam o alto de página em alguns jornais. Ademais, sabem como é… Quando os brasucas estão em terras estranhas, qualquer pretexto vale uma festa — nem que seja comer feijão preto e tomar caipirinha. Se for, então, para se posicionar em favor do bem, do belo e do justo, aí é mel na sopa.

Vejam trecho do que publica a Folha . Volto em seguida.

Em apoio aos protestos em São Paulo, Rio de Janeiro e em outras cidades, brasileiros que vivem em diversas cidades do mundo (Europa, América do Norte e América Latina) prometem realizar manifestações nas próximas semanas. Em Paris, o ato está marcado para o próximo dia 22 de junho, na praça Saint Michel, às 17h, de acordo com a organização do evento.

“Cada manhã que acordamos vemos o Facebook lotado de imagens de violência. Ao lermos os jornais, vimos que o movimento em São Paulo havia tomado dimensões que nos fez ter esperança. Achamos que não poderíamos silenciar, pois também queríamos estar protestando”, diz Fernanda Vilar, uma das articuladoras do evento. A estudante Virginia Costa, outra articuladora do evento, diz que não há nenhum grupo específico na organização. “O que nos move é o sentimento de revolta contra a violência policial e a justificativa da pauta quanto aos transportes urbanos”, diz Costa.

Em Berlim, a manifestação ocorrerá no próximo domingo (16) entre duas estações de metrô na região central da cidade. De acordo com a organizadora do protesto, Juliana Rebelo Doraciotto, o ato é uma resposta à atual situação da democracia no Brasil, onde “mesmo protestos pacíficos são tidos como um crime”. Em Dublin (Irlanda), está sendo organizado um protesto também no próximo domingo (16), que deve ocorrer em frente ao monumento Spire, com início às 13h (hora local, 9h de Brasília).

De acordo com Acauan Malta, um dos organizadores, o evento não é apenas contra o aumento da tarifa de ônibus, mas “pelo fim de tantos casos de corrupção no Brasil”. Segundo ele, o protesto será pacífico. Em Coimbra (Portugal), haverá um protesto de estudantes brasileiros na próxima terça-feira (18). Além desse locais, haverá manifestações em Valência, Madri, Londres, Lisboa, Turim, Den Haag, Porto, Barcelona, Munique, La Coruña, Bruxelas, Bologna, Frankfurt, Hamburgo, Boston, Chicago, Nova York, Toronto, Montreal, Vancouver, Edmond, Cidade do México e Argentina.
(…)

Voltei
O Brasil passou 513 anos tentando encontrar algo que unisse seu povo acima das divergências. Encontrou. É a passagem de ônibus. Gostei mesmo foi da opinião de Juliana Rebelo Doraciotto: “Mesmo protestos pacíficos são tidos como um crime“.

Pacíficos?

Tarifa zero nos transportes! O Bras Cubas de Machado de Assis está com inveja. Foi descoberto o “emplastro anti-hipocondríaco” destinado “a aliviar a nossa pobre humanidade da melancolia”.

15 Jun 01:55

Fôlego do governo brasileiro está acabando, diz FT

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Na VEJA.com:
O fôlego financeiro do governo brasileiro para tentar acelerar a economia está cada vez menor. O alerta foi feito pelo jornal britânico Financial Times em reportagem nesta sexta-feira. Ao citar o novo programa de estímulo à compra de eletrodomésticos anunciado esta semana pela presidente Dilma Rousseff, a reportagem diz que as opções da equipe econômica estão diminuindo diante de contas públicas que mostram deterioração.

“Anunciado com alarde pela presidente Dilma Rousseff, o programa ‘Minha Casa Melhor’ é visto pelos economistas como mais um estímulo fiscal em uma economia em dificuldades. A preocupação é que a iniciativa ocorre depois de dois anos e 300 bilhões de reais em programas fiscais que falharam consistentemente em tentar reavivar o crescimento”, diz a reportagem. “Isso tem feito alguns economistas se perguntarem quantos programas desse tipo o Brasil pode pagar antes que se esgotem as opções.” Segundo o FT, iniciativas do governo “estão comendo o superávit primário, geram preocupação dos economistas e contribuíram para a Standard & Poor’s piorar a perspectiva da nota brasileira para negativa”.

A reportagem cita especialmente o efeito sobre o superávit primário, cuja meta é equivalente a 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Ao lembrar que o governo realizou “manobras contábeis” para melhorar o resultado das contas públicas, o jornal cita que o superávit primário real do ano passado foi de 2,4% do PIB e deverá cair para 1,5% do PIB este ano. ” Com uma eleição presidencial no próximo ano, o governo deve gastar mais, o que poderia reduzir o esforço fiscal ainda mais, para 0,9% em 2014″, diz o texto.

15 Jun 01:22

A violência em São, no Rio e a cobertura jornalística. Noticiário da própria Folha desmente versão de que “foi a polícia que começou”

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A cobertura feita pela imprensa, em qualquer meio, dos episódios havidos em São Paulo será, um dia, na hipótese virtuosa, objeto de curiosidade científica. Se não for, haverá uma boa possibilidade de que estejamos, então, vivendo sob uma ditadura de opinião. Lendo o G1, por exemplo, aprendi que:
1: Manifestantes que praticam depredação no Rio estão fazendo uma coisa muito feia e agredindo um patrimônio da humanidade;
1b: manifestantes que praticam depredação em São Paulo estão exercendo o direito à liberdade de expressão.
2: Quando a Polícia do Rio usa bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha e spray de pimenta, está reagindo à truculência de manifestantes que perderam o sendo de medida.
2b: quando a Polícia de São Paulo usa bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha e spray de pimenta está optando pela truculência.
3: Quando há manifestação no Rio, o governador Sérgio Cabral é convidado, no máximo, quando é, a fazer digressões sobre eventuais inclinações políticas dos baderneiros.
3b: quando o mesmo ocorre em São Paulo, Alckmin é convidado a falar sobre “a violência da Polícia”.

Ódio a São Paulo?
Tudo isso será apenas ódio a São Paulo? Existe um pouco de preconceito contra São Paulo, sim, e nem vou me ater a isso agora. A questão é velha é longa. Fica para outra hora. Mas isso é de menos. Ocorre que o Rio tem, a despeito das rusgas, um governo do Estado afinado, digamos, com a metafísica influente planaltina. Não só isso.

Em razão da Copa das Confederações, da Copa do Mundo e da Olimpíada, é preciso provar que “existe amor no Rio de Janeiro”, a despeito de alguns malvados que querem provar o contrário. Afinal, a Cidade Maravilhosa é o epicentro de, como posso chamar?, uma cadeia produtiva de eventos que envolve de negócios bilionários ao necessário ufanismo, sem o qual não se garante todo o pão necessário que sustenta o circo. Já em São Paulo…

Há pouco via a cobertura dos conflitos no Rio e em São Paulo no Jornal Nacional. A Polícia de São Paulo agiu; a do Rio só reagiu. No Rio, manifestantes cometeram o pecado de agredir prédios históricos. O tom é de lamento, de crime de lesa cultura da humanidade. Em São Paulo, sabem como é, não parece haver história a preservar. Os policiais tinham negociado com os manifestantes que eles são subiriam a Consolação rumo à Paulista. Havia o bloqueio. Mas esse bloqueio foi furado. Mesmo assim, o repórter não teve dúvida: acusou os policiais de terem dado início ao confronto, do nada. É a versão de Elio Gaspari triunfando. Segundo ele, tudo seguia com educação britânica até as 19h10, quando a tropa de choque teria dado início ao confronto.

Não e o que informava a folha em tempo real, fazendo o minuto a minuto dos confrontos. Neste link, informava o jornal às 18h46:

Gaspari deve achar que cercar e pichar ônibus são exemplos de educação britânica. Vai ver tem em mente aqueles delinquentes que atearam fogo em Londres em 2011.

Mas há mais. Às 19h08 — antes, portanto, de sua precisão britânica, informava o jornal em que Gaspari trabalha:

Às 19h14, a coisa já havia, então, degenerado.

Jornalismo também é precisão. Então vamos lá. A Policia Militar pode evocar o testemunho da própria Folha. Ademais, a Polícia não tinha pedido nada. Há um vídeo de um comandante negociando com os manifestantes. O acordo não foi cumprido. A Polícia, até ali, acompanhava o movimento: “Daqui não passa”. Passaram. Levaram bomba. Quem, numa situação como essa, depois de romper um acordo, resolve confrontar os que detêm o monopólio do uso legítimo da força está, sim, fazendo uma escolha.

No Jornal Nacional, falaram primeiro o governador Geraldo Alckmin e o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella. O governador foi claro ao acusar o vandalismo. Grella falou em tom meio defensivo. Em seguida, ora vejam, Fernando Haddad, aquele que aumentou as passagens de ônibus, apareceu criticando a Polícia. Em seguida, o pré-candidato ao governo de São Paulo, José Eduardo Cardozo, discursando como ministro da Justiça, apareceu “oferecendo ajuda a São Paulo”. NOTA: este senhor não telefonou para o governador no dia dos conflitos. Dada a cobertura até ali, pronunciaram-se primeiro os dois “vilões” e, depois, os dois mocinhos.

Para encerrar, noto que nem Sérgio Cabral nem José Mariano Beltrame tiveram de falar sobre o Rio. Não gostam de associar sua imagem a eventos desagradáveis.

14 Jun 23:15

ATENÇÃO! PT VAI ENTRAR DE CABEÇA NA PANTOMIMA! APARELHOS DO PARTIDO DOS TRABALHADORES E ESTUDANTES ESTÃO LIBERADOS PARA IR ÀS RUAS NA SEGUNDA: A ORDEM É NÃO TOCAR NO VALOR DA TARIFA E SE MANIFESTAR CONTRA A PM E CONTRA ALCKMIN. MILHÕES DE PESSOAS SÃO VÍTIMAS DE UMA TRAMOIA ELEITORAL

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Decidi manter este post no alto por mais algum tempo

Isto é uma informação, não uma interpretação. O PT liberou a tigrada para ir às ruas na segunda-feira. Os sindicatos de trabalhadores e estudantes dominados pelo partido estão sendo convocados a participar do que pretendem que seja uma megamanifestação, aí não mais contra a tarifa de ônibus, mas contra a Polícia Militar e contra o governo de São Paulo. A ordem, aliás, é focar o menos possível no valor da passagem de ônibus. Por óbvio, a questão pode arranhar a imagem de Fernando Haddad. Os petistas estão vendo na questão uma chance de ouro de realizar uma dupla operação:
a: diluir o mal-estar com a elevação da tarifa;
b: mudar definitivamente o sentido dos protestos.

O movimento é organizado, veio de cima. O próprio Haddad saiu na frente. Foi a primeira autoridade petista, já na noite de ontem, a criticar “a violência” da polícia. Ele o fez depois de conversar com a cúpula partidária. Gilberto Carvalho — que comanda a pasta que, na prática, “organiza” os índios — está sabendo de tudo. É ele quem faz a interlocução com os movimentos sociais.

Os petistas tentam “assumir a liderança” do movimento em São Paulo, que consideram perigosamente fora do controle. Ao assumi-la, por intermédio dos movimentos sociais e lhe dar uma direção, pretendem mudar o eixo dos protestos. Observem que José Eduardo Cardozo também atacou a polícia. Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais, defendeu “o direito à manifestação”, como se alguém estivesse a contestá-lo.

PCdoB
O PCdoB também está chamando a sua turma. Membros da Juventude Socialista já andaram aparecendo nos protestos. Na segunda, haverá uma espécie de adesão formal. Não se esqueçam de que o partido tem a vice-prefeita de São Paulo, Nádia Campeão.

Pusilanimidade
Haddad, diga-se, convidou o Movimento Passe Livre para um papinho. Quer ouvir as suas propostas. A menos que o grupo tenha mudado a agenda, sei qual é: transporte gratuito para todos. A turma tem uma máxima bucéfala: se é público, por que é pago? Entenderam? Eles fingem não entender que tudo, rigorosamente tudo, o que é é público é… pago! Alguém sempre arca com os custos.

É um caso evidente de pusilanimidade política. Ao receber pessoalmente os representantes do Passe Livre, o prefeito estará endossando seus métodos: depredação, quebra-quebra, coquetel molotov, porrada.

É preciso deixar claro: ao aderir aos protestos e tentar mudar a sua natureza, evidencia-se o caráter político-eleitoral dos protestos. O PT e o PCdoB enxergaram no episódio uma janela de oportunidades e decidiram tomar a rédea dos protestos, tirando-o da condução da turma do Passe Livre, PSOL e PCO. Ainda que, num dado momento, todos se entendam, têm lá suas diferenças de estratégia.

Violência
Os petistas graúdos passaram a considerar também que é fundamental que não haja violência na segunda-feira. Na fórmula de um deles, a manifestação só será bem-sucedida se for grande e pacífica e se concentrar suas palavras de ordem em favor da liberdade de expressão (como se ela estivesse sob ameaça), contra a violência policial e contra o governo Alckmin.

É assim que o PT faz política. É assim que sempre fez. E assim fará enquanto existir. Não é uma questão de escolha, mas de natureza. Podem contar: na segunda, os petistas param São Paulo. E tentarão provar que é para o bem dos paulistanos.

Para encerrar
Ao saber que jornalistas haviam sido feridos nos confrontos dessa quinta, um petista de alto coturno quase soltou rojão. Anteviu uma reação corporativista, como de fato aconteceu, e comemorou: “Agora eles [os jornalistas] vêm pro nosso lado!”.  Como se a maioria já não tivesse ido…

Texto publicado às 20h12 desta sexta
14 Jun 23:13

Em vez de esconder debaixo da cama e de se acovardar diante do alarido, o governador Alckmin fala e defende a lei, a democracia e o estado de direito. É assim que se faz!

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Há quem prefira os covardes, que se alinham ao alarido episodicamente mais influente diante da dificuldade. E há os que escolhem a lei e o estado de direito, cada vez mais, no país, um atitude que pede coragem. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), fala em vez de se esconder. E não se acovarda diante do clamor militante. É isso mesmo. É o governador de mais de 40 milhões de paulistanos, não dos radicaloides de grife que decidiram botar fogo na cidade em nome do povo. Segue entrevista concedida ao site de VEJA:
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Desde o dia 6 de junho, a cidade de São Paulo foi palco de quatro manifestações contra o reajuste de tarifas de transporte que degeneraram em confrontos com a polícia. Na manhã seguinte a cada passeata, a maior capital do país despertou com um rastro de depredações e vandalismo. Nesta quinta-feira, a Polícia Militar reagiu com dureza e impediu que os protestos tomassem a Avenida Paulista, uma das principais vias da cidade, que reúne sete grandes hospitais. A ação policial teve início depois que um grupo de manifestantes decidiu quebrar o acordo que estabelecia um trajeto para a passeata distante da Paulista. “Houve um entendimento de que eles evitariam a Avenida Paulista. Ficou tudo acertado. A polícia sempre procura esse tipo de acordo, mas não foi cumprido nada”, afirmou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ao site de VEJA.

Como o senhor avalia as manifestações?
Nós temos manifestações todos os dias. Hoje, por exemplo, estava marcada uma do movimento sem-teto. A polícia faz o acompanhamento para proteger os próprios manifestantes e procura sempre estabelecer um diálogo para que a legítima manifestação não prejudique o coletivo. Isso é feito diariamente, acompanhamento de manifestações, a proteção aos manifestantes. É direito total das pessoas se manifestarem, quanto a isso não há nenhum problema. Mas o que nós verificamos nesse caso específico foram reiteradas ações de vandalismo, deixando um verdadeiro rastro de destruição. Tivemos treze policiais agredidos e uma centena de ônibus destruídos.

E a ação da Polícia Militar na noite de quinta-feira?
É dever da polícia garantir o direito de ir e vir das pessoas, preservar o direitos das pessoas, das famílias, dos trabalhadores e trabalhadoras de poder voltar para casa, de garantir o patrimônio público e privado. O que nós verificamos? Só ontem foram 48 ônibus, entre depredados e pichados. Na terça, foram 80. Não é possível uma coisa dessas. A polícia tem o dever agir. Se ela não tivesse agido, a destruição teria sido muito maior. A polícia não age no sentido de impedir uma manifestação. Mas a manifestação não pode ferir o direito das pessoas. Os policiais aprenderam coquetel molotov, machadinha, de tudo.

O comando da PM afirmou que houve uma quebra de acordo pouco antes de ocorrer o primeiro confronto, na Rua da Consolação. Foi isso que ocorreu?
Houve um entendimento de que eles evitariam a Avenida Paulista. Ficou tudo acertado, a polícia sempre procura esse tipo de acordo, mas não foi cumprido nada. Esses líderes têm caracterizado o movimento por atos de violência e pelo intuito de criar o maior problema possível para o coletivo. Interrompem a avenida, uma avenida, algo que vai prejudicar a população que está voltando para casa. É uma coisa muito focada para a mídia. Acontece nos horários que podem dar mais repercussão. Não é algo localizado.

Atitudes de vandalismo cometidas pelos manifestantes nos protestos anteriores impediram o diálogo?
Essa minoria não quer dialogar. Aliás, o governo sempre está aberto para o diálogo. Uma coisa é manifestação. A outra é depredar.

Há relatos sobre abusos de PMs durante a ação. Como o governo pretende lidar com isso?
Nós não temos compromisso nenhum com o erro. Nós temos a melhor Corregedoria do país, a mais transparente, tudo é averiguado. Já está sendo feita uma apuração rigorosa. Nenhuma tolerância com erro vai ocorrer de lado nenhum. Mas é preciso ressaltar que a ação da polícia é uma ação importante para garantir o coletivo. Não é possível um grupo querer parar a cidade, impedir a pessoa de se locomover e trabalhar, impedir o comércio de abrir, destruir estação de metrô e queimar ônibus. Isso não é possível.

Como o governo avalia o movimento? Há um objetivo político por trás dele?
É um movimento político, não acontece só em São Paulo, tem no Rio de Janeiro e até em local onde não houve aumento de tarifa, como em Porto Alegre e Santos. Ontem eu estive em Santos e foi a mesma coisa: um movimento violento. É uma minoria, mas organizada.

Há alguma chance de o reajuste ser revisto?
Não vai ocorrer essa redução. Já houve um adiantamento e o reajuste foi abaixo da inflação. Nós conversamos com a prefeitura, evitamos o reajuste até o meio do ano para ajudar a segurar a inflação. Era sempre um reajuste anual, e o governo arcando com os custos nesse período. O sistema público de transporte tem total prioridade neste governo. Todos os grandes investimentos são feitos em mobilidade urbana: metrô, trem e corredores metropolitanos. Temos quatro linhas de metrô em obras, simultaneamente. Vamos chegar a sete linhas de metrô em obras simultaneamente A posição da polícia é trabalhar para garantir o direito de ir e vir. E também garantir a manifestação. Outra coisa é o que feito pelos manifestantes, aí não é possível, não é correto.

14 Jun 20:19

E Cardozo, o pré-candidato, continua a tirar uma casquinha dos conflitos em SP! É o fim da picada!

by giinternet

Fernando Haddad (PT), prefeito de São Paulo, elevou o preço da tarifa de ônibus, viu seus aliados (um setor do seu partido está entre os promotores do protesto) e ex-aliados — como é o caso do Movimento Passe Livre — organizando a baderna em São Paulo e jogou a batata quente no colo da Polícia Militar. Limitou-se, inicialmente, a dizer que tinha cumprido sua promessa de campanha. Nesta quinta, não resistiu e saiu atacando a Polícia Militar — embora um assessor seu defenda a ação da PM. Ontem, José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, ofereceu “ajuda” ao governador Geraldo Alckmin. Um doce de coco. Cardozo é o homem responsável, por exemplo, pela segurança das áreas invadidas por índios no Mato Grosso do Sul.

Apontei ontem aqui que Cardozo estava politizando a questão. Ele responde à crítica numa entrevista à Folha Online. É uma coisa muito impressionante para quem se atém às sutilezas de linguagem. Leiam trechos da entrevista em vermelho. Comento em azul. As perguntas, diga-se, merecem um tratado sobre “isenção jornalística”.

Folha- O senhor falou ontem que o governo federal estava à disposição para ajudar, mas não detalhou o que poderia ser feito.
José Eduardo Cardozo - É importante em São Paulo termos claro que o direito de liberdade e manifestação tem que ser sempre garantida. É um valor democrático que tem que ser respeitado. Claro que isso não implica que ao se fazer manifestações possa se agir com vandalismo, como também não autoriza autoridades policiais que ajam com violência. Não podemos concordar com a violência venha ela de onde vier.
É a soma de dois acacianismos produzindo o nada. O ministro está a sugerir que, em São Paulo, o “direito de liberdade e manifestação” (seja lá o que isso queira dizer) não está sendo respeitado? Queimar, quebrar, depredar, linchar compõe esse direito? Não! Ele também reconhece isso.

Houve momentos diferentes nos protestos? Um antes e depois das ações policiais que atingiram a população e também jornalistas ontem?
Sim. A percepção que nós temos é que algumas pessoas, num primeiro momento, praticaram atos de vandalismo que entendemos ser inaceitáveis. É descabido atos de depredação de patrimônio público e prejudique a vida da cidade. Porém, num segundo momento, que pode ser localizado ontem ao final da tarde e noite, as informações e imagens que chegam é de extrema violência policial. O que também nos parece absolutamente inaceitável.
A pergunta já embute uma resposta, à qual o ministro adere. A partir de uma seleção de imagens que circula na Internet, produzida por militantes, o ministro formou o seu juízo. Muito responsável!

Houve desrespeito da PM de São Paulo com direitos humanos e liberdade de expressão dos manifestantes?
Veja, acho que violência não se reprime com violência. O papel da polícia deve ser sempre de garantir os direitos e livre manifestação. E também de impedir abusos. Jamais a polícia pode agir de forma arbitrária e violenta.
De novo, a pergunta é um libelo, não uma indagação. O Conselheiro Acácio da Segurança Pública diz algumas obviedades e uma estultice. A depender do tipo de manifestação, a ação da polícia será necessariamente violenta, o que não quer dizer que seja injusta. Sigamos.

Como ocorreu ontem?
Como tudo indica parece ter ocorrido. Neste sentido, é muito importante que as autoridades paulistas tomem as providências necessárias para apurar e punir abusos. Acredito que Fernando Grella (secretário de segurança pública de São Paulo) agiu corretamente ao abrir medidas de investigação necessárias para apuração desta violência policial.
“Como tudo indica parece ter ocorrido” é uma dessas construções gramaticais sopradas pela covardia e pelo oportunismo políticos. Faz embaixadinha para os manifestantes, demoniza a Polícia Militar, mas não se compromete.

O governador Geraldo Alckmin diz que não é necessária ajuda do governo federal que vocês oferecem. O que é essa ajuda?
Eu digo o seguinte: estamos sempre dispostos a ajudar no que for necessário. Cada estado tem sua necessidade, que são diferentes. No caso de São Paulo, obviamente, o que nos for solicitado obviamente teremos todo empenho em atender. Não creio, porém, que São Paulo vai precisar de efetivo policial. Se solicitar, estaremos dispostos a colaborar. São Paulo tem a maior força policial do país.
Ah, bom! Se ele mesmo diz que nada tem a oferecer a São Paulo, por que fez ontem aquela declaração? Vejam a questão seguinte.

Mas o senhor chegou a falar ontem em efetivo policial.
Ontem, eu falei que ajudaria naquilo que foi necessário. Não creio, em princípio, que São Paulo vá precisar de efetivo. O seu contingente é, inclusive, superior a de alguns segmentos das Forças Armadas, como a Marinha e Aeronáutica. Mas talvez não seja necessário apoio nessa área. Se São Paulo desejar, o serviço de inteligência da Polícia Federal e a expertise de mediação de conflitos civis que a Força Nacional tem estão à disposição.
Como? Serviço na área de Inteligência? Seria a mesma inteligência empregada em Mato Grosso do Sul, por exemplo? Num conflito muito menos do que o de São Paulo, a pasta de Cardozo produziu um morto, não é mesmo? A próxima questão é ainda melhor.
(…)
O senhor entrou em contato com o governador Geraldo Alckmin?
Não, não cheguei a falar com ele. Ele sabe que estamos sempre à disposição. Não só de São Paulo, mas de qualquer estado do país.
Entenderam? Cardozo não telefonou para Geraldo Alckmin. Ele ofereceu ajuda por intermédio da imprensa. O decente teria sido o contrário: liga, oferece ajuda e não sai comentando por aí.

Tucanos reclamam que haveria uma politização do caso por parte do governo federal.
Em hipótese alguma. Eu falei que estava à disposição de São Paulo e qualquer outro estado. Há manifestações ocorrendo em outros estados. Recentemente, o governador do Mato Grosso do Sul, André Pucinelli, me ligou pedindo ajuda para o conflito dos índios no Estado. Quando dizemos que estamos dispostos a ser parceiros com São Paulo, vale para São Paulo e qualquer outro estado. Não há perspectiva de politização do problema, ao contrário: são nos momentos difíceis que os entes federados têm que esquecer suas divergências e estarem juntos.
Tucanos uma ova! Eu acusei aqui a exploração política do caso. Cardozo responde ao que se escreveu neste blog. O espantoso é que nega que esteja tirando uma casquinha dos conflitos tirando… uma nova casquinha dos conflitos. Até agora, não entendi que apoio ele pode dar. Moral? Espiritual? Metafísico? Se parasse de insuflar o conflito, ainda que por vias oblíquas, ajudaria bastante. Mas aí eles não seriam eles.

Notem: o reajuste da tarifa em São Paulo foi determinado por Fernando Haddad. Os aliados do PT saíram botando fogo na cidade, a Polícia Militar teve de garantir a ordem, e os petistas agora decidiram eleger a PM e o governo do estado como alvos.

14 Jun 18:44

Desistam! Neste blog, vândalos e baderneiros não se criam! Param no mata-burro. Vão procurar a sua turma! Ou: Um pouco de memória a um veterano e venerando

by giinternet

Não adianta! É inútil! Eu não vou aderir à onda de linchamento da Polícia Militar e não vou publicar os comentários dos aloprados que decidiram ou flertar com os terroristas ou apoiar abertamente as suas práticas. Para isso, já contam sites e blogs financiados por estatais e pelo governo federal. Para isso, já contam com setores consideráveis da ex-grande imprensa, convertidos à causa daqueles que reivindicam depredando, incendiando, espancando. Que os excessos cometidos por POLICIAIS MILITARES — NÃO PELA POLÍCIA MILITAR — sejam apurados e punidos. Eu não apoio espancadores de pessoas, seja de que lado for. Mas não sou ingênuo nem hipócrita: quem decide enfrentar a polícia no mundo inteiro num confronto corpo a corpo tem de saber o que o espera. Numa das invasões do Crusp, na USP, levei umas cacetadas. Não gostei, não. Apanhar é ruim. Mas considerei que o policial cumpria a sua função. Sim, é verdade, polícia também é povo. Há mais de 30 anos, na USP, o único povo do confronto era a polícia. Nesta quinta, em São Paulo, de novo, o único povo da rua era a polícia.

Aiaotoélio Gaspari descobriu — pelo visto, estava na passeata, ou confiou cegamente no relato de quem estava — o momento exato do começo do conflito. Segundo ele, 19h10. Tudo teria começado com um grupo de 20 PMs da Tropa de Choque. Experiência pessoal por experiência pessoal, minha mulher me avisou bem antes, em mensagem: “Não venha pra cá. O bicho está pegando. Caio Prado, Consolação, Maria Antônia, tudo tomado pelo antipovo. Há confrontos”. Mas isso é o de menos.

Essa mesma turma havia feito três outras manifestações: todas violentas, todas partindo para o confronto, a depredação, a violência. Viraram os novos Anjinhos da Maria Antônia do texto de Elio Gaspari, que, sabidamente, não gosta de Geraldo Alckmin. Isso é política. NOTA: Nem os anjinhos da Maria Antônia de 3 de outubro de 1968 eram anjinhos, como todo mundo sabe.

Há duas versões do texto de Gaspari: a da Internet, mais longa, e a de papel. Na eletrônica, ele recorre a uma imagem para evidenciar como o protesto estava sendo civilizado, antes de a polícia supostamente ter dado início ao confronto: “Parecia Londres…”.

Londres, Elio Gaspari?
Em agosto de 2011, o caos tomou conta de Londres e se espalhou por outras cidades. Jovens de classe média saíram quebrando, incendiando, depredando tudo o que viam pela frente. Assaltavam lojas também. Ninguém entendia direito os motivos. O governo custou a reagir. Descobriu-se depois a causa: eles fizeram porque achavam que podiam; porque “dava barato”. E pronto.

No dia 18 de setembro de 2011, escrevi aqui um post cujo título é este: “Quem vai a Londres nas asas da lógica não precisa de avião”. Reproduzo trecho, que alude a um post anterior, do dia 12 de agosto. Segue em azul. Depois volto a este nosso 14 de junho de 2013.

Lembram-se das arruaças ocorridas em Londres e em outras cidades da Inglaterra? Escrevi alguns textos a respeito sem sair do meu escritório. Pra quê? Há certos lugares a que só se chega nas asas da lógica e de alguma bibliografia. Abaixo, vai um trecho de um post que escrevi no dia 12 de agosto e que sintetiza a minha opinião sobre aqueles eventos. Leiam (em itálico). Volto depois para explicar por que faço essa sugestão.
*
A canalha é igual em toda parte: em Paris, Londres, São Paulo, Rio… A esta altura, já está mais do que claro o que se deu na Inglaterra. Não há crise econômica que justifique o que se viu lá. Havia gente de todo tipo nos saques: ricos, classe média e, claro!, muitos estado-dependentes, que vivem da “generosidade” do sistema. Sem precisar lutar para ter uma moradia – o estado fornece – ou o bastante para se alimentar, o vagabundo sai metendo fogo no que encontra pela frente. Não foi diferente em 2005, em Paris. Os “jovens rebeldes” da periferia, que enchiam certos intelectuais de excitação revolucionária, tinham e têm casa, comida e roupa lavada doadas pelo estado.
(…)
Os “estado-dependentes” – gente sustentada pelo estado, brutalizada pela assistência social – sempre exercem papel importante nesses distúrbios. Alimente um desocupado, dê-lhe moradia, escola e financie seu vício, e ele fatalmente escarrará na boca que o beija. A violência só tomou aquela proporção em Londres, circunstancialmente, porque o estado demorou para reagir – faltaram Locke como teoria e Hobbes como prática. A razão de fundo, no entanto, é outra: o estado bonzinho não dá a esses caras outra alternativa à medida que lhes tira a obrigação e o direito de lutar pelo próprio sustento. Só lhes resta apedrejar a mão que os afaga. Corte-se-lhes a papinha, e veremos como se amansa.

Voltei
Muito bem! A VEJA desta semana publica uma excelente entrevista com o filósofo inglês Roger Scruton, feita por Gabriela Carelli. Leiam um trecho.
*
O filósofo inglês Roger Scruton, de 67 anos, é presença constante nos debates realizados em seu país quando é preciso ter na mesa um pensador independente e corajoso. Autor de 42 livros de ensaios, Scruton é uma pedra no sapato da ideologia politicamente correta que predomina bovinamente na Europa. Multiculturalismo? Um desastre. A arte moderna? Detestável, e por aí vai o filósofo, que lecionou nas universidades de Oxford, na Inglaterra, e Boston, nos Estados Unidos, e atraiu para si o cognome de “defensor do indefensável”. Um dos fundadores do Conservative Action Group, que ajudou a eleger a primeira-ministra Margaret Thatcher. Scruton publicou recentemente um novo livro, “As Vantagens do Pessimismo”, ainda sem previsão de lançamento no Brasil.

VEJA – Um bom número de intelectuais ingleses interpretou a onda de vandalismo em Londres e arredores como atos de jovens niilistas sem maiores repercussões. O senhor concorda?
Scruton - Acho essa explicação muito simplista. Muitos desses desordeiros são realmente niilistas, que não acreditam em nada e não se identificam com nenhuma instituição, crença ou tradição capaz de fazer florescer em cada um deles o senso de responsabilidade e o respeito pelo próximo. Alguns não têm emprego. Mas, na maior parte dos casos, eles agiram por uma escolha deliberada. Desemprego e niilismo sempre existiram. Ninguém mencionou como uma das causas da baderna a deformação causada nesses jovens pelas políticas do estado do bem-estar social. Diversos estudos mostram com clareza a vinculação desses programas assistencialistas com a proliferação de uma classe baixa ressentida, raivosa e dependente. Não quero ser leviano e culpar apenas as políticas socialistas pelos tumultos. As pessoas promovem arruaças por inúmeras razões. Entre os jovens, a revolta é uma condição inerente, um padrão de comportamento. Mas é preciso um pouco mais de honestidade intelectual para buscar uma resposta mais concreta sobre o que ocorreu em Londres. Por debaixo do verniz civilizatório, todo homem tem dentro de si um animal à espreita. Infelizmente, se esse verniz for arrancado, o animal vai mostrar a sua cara. A promessa de concessão de direitos sem a obrigatoriedade de deveres e de recompensas sem méritos foi o que arrancou o verniz nessa recente eclosão de episódios de vandalismo na Inglaterra.

VEJA – Os distúrbios em Londres e os protestos no Cairo, em Atenas, em Madri e em Tel-Aviv são um mesmo “grito dos excluídos”?
Scruton - Sou cético em relação à idéia de que os protestos que eclodiram em diversos pontos do mundo têm a ver com exclusão, com o suposto aumento no número de pobres ou com concentração de renda. Os baderneiros de Londres são, pelos padrões do século XVIII, ricos. Desculpe-me, mas é resultado de exclusão depredar uma cidade porque você tem só um carro, um apartamento pequeno pelo qual não pagar aluguel, recebe mesada do governo sem ter de fazer nada para embolsá-la, compra três cervejas, mas gostaria de beber quatro, e acha que ter apenas um televisor em casa é pouco? Não. Ver exclusão nesses episódios só faz sentido na cabeça de um professor de sociologia. É um absurdo também comparar os tumultos de Londres com os eventos no Oriente Médio. Os jovens do Egito exigiam algo do governo. Os jovens ingleses não dão a mínima para o governo ou para as instituições.
(…)

Volto a junho de 2013
O Brasil não é um exemplo de estado de bem-estar social. Mas cresce a percepção — até mais do que a sua efetiva realização — de que o estado deve ser o grande provedor da felicidade geral. E que se deve conquistar o que se quer na porrada. Aliás, esses extremistas de classe média que estão botando fogo no circo são os mais beneficiados, é bom deixar claro — bem mais do que os pobres que dizem defender.

Elio Gaspari quer falar de Londres? Eu também. Cumpre lembrar, então, de uma reportagem publicada no Estadão no dia 12 de agosto de 2011:

Após quatro dias de saques e depredações em várias cidades britânicas, o premiê David Cameron anunciou ontem ao Parlamento um pacote de medidas para combater novos distúrbios. A partir de agora, em caso de violência, as Forças Armadas da Grã-Bretanha terão aval para ocupar as ruas do país. Estuda-se ainda a possibilidade de o Estado ter autoridade para derrubar redes sociais e bloquear mensagens de celular.

A nova política do governo conservador pretende evitar que revoltas como as de Londres, Birmingham, Manchester e Liverpool se repitam. Ao mesmo tempo, Cameron tenta reverter a imagem de apatia deixada pelo governo e pela Scotland Yard na rebelião iniciada no sábado, após a morte de um jovem no bairro londrino de Tottenham.
(…)

Como nota o veterano jornalista, Londres sabe onde lhe aperta o calo. Se os distúrbios de rua tomam proporções alarmantes, a civilização chama não a polícia, mas as Forças Armadas.

Para encerrar
Eu estou pouco me lixando para o que diz o Datafolha. Como é? 55% dos paulistanos apoiam os protestos? Ótimo! Estou com os 44% que reprovam. No dia em que eu tiver de dar uma opinião pautado pelo que pensa a maioria, vou fazer outra coisa. No dia em que me sentir obrigado a dar piscadelas para terroristas para “não destoar” de coleguinhas, prefiro pedir esmola. Felizmente, não tenho de fazer nem uma coisa nem outra.

Assim, os que apoiam a baderna e integram correntes de demonização da PM podem desistir: vão ser barrados pelo mata-burro. Aqui não comentam. Este blog é feito para quem reconhece as regras do estado democrático e de direito. E eu estou entre aqueles QUE ACHAM QUE A DEMOCRACIA É O REGIME EM QUE NEM TUDO É PERMITIDO. A propósito: o regime em que tudo é permitido é a ditadura — desde que se esteja ao lado do ditador, é claro, seja ele um indivíduo ou um partido.

E, bem, não custa informar: este blog deve ter hoje mais de 200 mil visitas. E sem ninar terroristas. Ao contrário: eu os quero na cadeia. Se ele me leem, e leem, é só porque são fiéis a seu ódio, não porque eu os queira aqui ou os adule para parecer um senhor moderninho. Eu não sou um senhor moderninho.

14 Jun 18:18

Open source preference blunted in UK Government guide

The UK Government was praised by many for its Design Manual guidance, which recommended open source for many uses, but now that recommendation has been excised from the document and replaced with talk of a "Level Playing Field"
    


14 Jun 17:05

Mozilla Launches Initiative To Adapt Scientific Practice To the Open Web

by Soulskill
An anonymous reader writes "Today Mozilla announced the Mozilla Science Lab, a project to help modernize scientific practices to make better use of the open web. "Scientists created the web — but the open web still hasn't transformed scientific practice to the same extent we've seen in other areas like media, education and business. For all of the incredible discoveries of the last century, science is still largely rooted in the "analog" age. Credit systems in science are still largely based around "papers," for example, and as a result researchers are often discouraged from sharing, learning, reusing, and adopting the type of open and collaborative learning that the web makes possible.' Hopefully this can be another step in moving away from traditional publishing practices, and encourage a new generation of scientists to make their data available in more useful ways."

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14 Jun 16:26

Snowden Is Lying, Say House Intelligence Committee Leaders

by Soulskill
cold fjord writes "There are new developments in the ongoing controversy engulfing the NSA as a result of the Snowden leaks. From The Hill: 'Emerging from a hearing with NSA Director Gen. Keith Alexander, Reps. Mike Rogers (R-Mich.), chairman of the Intelligence Committee, and Dutch Ruppersberger (Md.), the senior Democrat on the panel, said Edward Snowden simply wasn't in the position to access the content of the communications gathered under National Security Agency programs, as he's claimed. "He was lying," Rogers said. "He clearly has over-inflated his position, he has over-inflated his access and he's even over-inflated what the actual technology of the programs would allow one to do. It's impossible for him to do what he was saying he could do." ... "He's done tremendous damage to the country where he was born and raised and educated," Ruppersberger said. ... "It was clear that he attempted to go places that he was not authorized to go, which should raise questions for everyone," Rogers added.'" U.S. Attorney General Eric Holder has also told the E.U. justice commissioner that media reports surrounding PRISM are wrong: "The contention it [PRISM] is not subject to any internal or external oversights is simply not correct. It's subject to an extensive oversight regime from executive, legislative and judicial branches and Congress is made aware of these activities. The courts are aware as we need to get a court order. ... We can't target anyone unless appropriate documented foreign intelligence purpose for the prevention of terrorism or hostile cyber activities." Meanwhile, Bloomberg has gone live with a report (based on unidentified sources, so take it with a grain of salt) saying that private sector cooperation with snooping government agencies extends far beyond the ones listed in the PRISM report. "Thousands of technology, finance and manufacturing companies are working closely with U.S. national security agencies, providing sensitive information and in return receiving benefits that include access to classified intelligence, four people familiar with the process said." Whatever PRISM turns out to be, the NY Times is reporting that at least Yahoo, and probably other tech companies as well, tried to fight participation in it. Other reports suggest Twitter refused to participate, though there's been no official confirmation.

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14 Jun 11:13

A Pro-Abortion Reversal of Roe?

by ft@firsthings.com (Wesley J. Smith )

ginsburgPro-lifers continually pray for the reversal of Roe v. Wade. And with many on both sides of the abortion divide now agreeing that the decision is badly flawed, that could happen one day. But what if the overturn comes from the other direction?


The potent possibility of a reverse reversal" (if you will) hit me while listening to pro-life lawyers discuss the current status of abortion litigation at a University Faculty for Life Association Convention, at which I had been invited to speak. Not being involved with abortion jurisprudence, I was interested to hear about the current state of the law in this contentious field.


Wesley J. Smith Roe and its progeny cases, such as Planned Parenthood v. Casey, left room for pro-life advocates to deploy subversive legislative and litigation strategies that have opened significant cracks in the once unbreachable judicial wall around the abortion right. For example, court rulings have permitted the outlawing of most late-term abortions, a ban on partial birth abortion," mandatory waiting periods, ultrasound testing, and building code regulation of abortion facilities-all contributing to a substantial reduction in annual terminations.


Almost as an aside, one of the seminar presenters noted the implacable opposition of Supreme Court Justice Ruth Bader Ginsburg to this limited right to regulate status quo. Ginsburg believes adamantly that women are denied equal citizen stature" by boundaries placed around access to abortion. Not only that, but in an angry dissent to the 2007 Supreme Court ruling upholding the federal ban on partial birth abortion, she (joined by Justice Breyer among the current justices) railed against the majority allowing moral concerns" to override fundamental rights."


That sounded to me as advocacy for an unfettered right to abortion at any time and for any reason. So, I asked expert anti-abortion attorney Clarke D. Forsythe-the senior counsel for Americans United for Life-whether Ginsburgs view would abolish all abortion regulation. Yes, he told me: If the right to an abortion were based on equal protection of the law," as opposed to other constitutional standards, it would permit no regulations at any time," perhaps even, requiring [government] abortion funding."


In other words, even though the most well-known anti-Roe efforts are aimed at overturning the case to permit greater state regulation, a significant-if quieter-counter-push seeks to (essentially) overturn Roe by making the abortion right virtually absolute. At the very least, it would repair those cracks in the protective wall.


As an article in the UCLA Law Review supportive of the equal protection standard put it, Crucially, once the Supreme Court recognizes that people have a right to [abortion] by virtue of equal citizenship," the right would be on a stronger legal and political footing," making it far less susceptible to the current pro-life strategy of chipping away."


As if that werent enough, I thought about how Roe had permitted some limits on abortion based on the important and legitimate [state] interest in protecting the potentiality of human life," an interest that the Court ruled becomes compelling" at the point of fetal viability."  


But many powerful voices no longer consider human life" to be a morally relevant category. For example, the mainstream bioethics movement argues that what matters morally isnt being human" but possessing sufficient mental capacities-such as being self-aware-to be considered a person." In this view, only persons have a right to life. Since a fetus does not possess personhood capacities at any time during gestation-contrary to Roe-the state has no interest in protecting fetal life even after viability.  


Now, add a third element to the equation: Roe was intended to settle the abortion issue once and for all. It clearly didnt do that. Many frustrated pro-choicers still dream of obliterating all impediments to abortion on demand.


New York Governor Andrew Cuomos recently announced plan to permit the termination of viable fetuses to protect the mothers health" illuminates the potential path ahead. Roes companion case, Doe v. Bolton, defined health" broadly as including all factors-physical, emotional, psychological, familial, and the womans age-relevant to the well-being of the [pregnant] patient."  Replacing health" for the current life-of-the-mother legal standard for post-viability abortion, Forsythe warns, would harness Does limitless definition," resulting in a virtually unlimited late-term abortion license.


Relevant to the overturning of Roe from the other direction, Forsythe says that, As a matter of policy, Cuomos bill would do in New York what Ginsburgs judicial view would impose across the nation."


Finally, assume a United States Supreme Court in which Justices Clarence Thomas and/or Antonin Scalia have been replaced by Ginsburg-thinking replacements. A new 5-4 or 6-3 majority could then exist to make equal protection the primary pillar supporting the abortion license, perhaps also installing personhood" in place of humanhood" as the relevant legal standard for applying a right to life.


That-and not a pro-life reversal-could be the end of Roe v. Wade.


Wesley J. Smith is a senior fellow at the Discovery Institutes Center on Human Exceptionalism. He also consults for the Patients Rights Council and the Center for Bioethics and Culture.


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14 Jun 11:12

Nesta quinta, o Supremo entre Dilma e a Constituição. Com quem ficará? Ou: STF decide se vai ou não cassar o direito dos eleitores de Marina

by giinternet

O voto que o ministro Gilmar Mendes, do STF, deu ontem sobre a liminar por ele concedida, que suspendeu a tramitação do projeto que coíbe a formação de novos partidos, vai entrar para a história do Supremo. Opero fora da minha base (estou no Rio) e encontro alguns problemas técnicos para publicá-lo na íntegra, mas ainda o farei, pouco importa o resultado da votação desta quinta. Vamos ver se ele entrará como exemplo de uma boa história ou contraponto de um vexame. Andará bem o tribunal se suspender definitivamente a tramitação daquela vergonha. Escolherá, no entanto, o opróbrio se a derrubar. Que as senhoras ministras e os senhores ministros reflitam a respeito.

Ontem, vi no tribunal a ex-senadora Marina Silva, que tenta criar o tal Rede. Todos os meus leitores e detratores (às vezes, leitores e detratores ao mesmo tempo; o ódio é sempre muito fiel…) sabem o que penso de Marina. Considero sua visão de mundo reacionária, milenarista, confusa etc. Não entendo boa parte do que ela fala – e acho engraçado conversar com quem julga entender. Mas e daí? A democracia não existe para fazer o meu gosto. Ela teve 20 milhões de eleitores em 2010, e há milhões de pessoas que querem votar nela em 2014.

Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello vão decidir nesta quinta se cassam ou não o direito que têm os eleitores de Marina de votar em Marina. É simples assim.

Aliás, há mais do que isso: Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello vão decidir se Gilberto Kassab tem mais legitimidade para criar um partido do que Marina Silva.

Simplifico?

Atenho-me só à questão política, não à jurídica?

Uma ova!

Já tratei da questão jurídica aqui dezenas de vezes. Não houve um só argumento técnico que parasse de pé. O mandado de segurança era um instrumento legítimo? Está demonstrado que sim. Cabe o controle prévio de constitucionalidade num caso como esse? A jurisprudência do próprio Supremo diz que sim – afinal, estamos a falar de um projeto de lei que fere cláusula pétrea da Constituição. Mais ainda: quando o STF decidiu que o PSD de Kassab teria acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de TV levando em conta os parlamentares que migraram para a sigla, estava fazendo numa interpretação conforme a Constituição. SERÁ QUE O SUPREMO VAI AGORA INTERPRETAR A CONSTITUIÇÃO CONFORME UM PROJETO DE LEI OBVIAMENTE DISCRICIONÁRIO?

Não estou cobrando que as senhoras e os senhores do Supremo façam uma interpretação ad hoc da Constituição, só para permitir a formação do partido de Marina. Ao contrário: estou cobrando que sigam a jurisprudência do Supremo para conter aqueles que querem recorrer a atos discricionários para impedir uma candidatura. Por mim, esse partido de Marina não sairia do papel por falta de adeptos, não porque um grupo de brucutus decidiu manobrar para impedi-la de criá-lo. Entenderam a diferença? Acho que o eleitor de Marina pensa torto. Mas o eleitor de Marina tem o direito de… votar em Marina! Os ministros do Supremo permitirão?

O tribunal dirá nesta quinta se vai se subordinar à Constituição e à sua jurisprudência ou se vai se submeter ao rolo compressor do Executivo, que mobilizou os seus para apoiar a toque de caixa o projeto no Congresso.

Não! Não acho que o Supremo vá decidir entre Dilma e Marina. Ele vai decidir entre Dilma e a Constituição. Vamos ver diante de qual altar cada um deles fará a genuflexão.

14 Jun 11:11

Haddad, a voz fina e esganiçada da covardia política

by giinternet

O reajuste de ônibus é uma questão municipal, não estadual. Ao governo do estado, compete manter a segurança pública e tentar coibir os atos terroristas. O governador Geraldo Alckmin se pronunciou muito duramente ontem contra a violência. Chamou as coisas pelo nome que elas têm.

E Haddad? Com a voz distorcida pelo medo, pela covardia política, limitou-se a dizer que cumpriu o seu compromisso de campanha, que era ajustar a tarifa abaixo da inflação. Parecia pouco se lixar para o rastro de destruição DEIXADO POR ALIADOS SEUS. Sim, os que promovem o caos em São Paulo – e prometem voltar à carga nesta quinta – contaram com o apoio explícito dos petistas em 2011 e engrossaram a campanha de Haddad em 2012.

São Paulo vítima de uma súcia, e seu prefeito a esganiçar: “Eu cumpri a promessa, eu cumpri a promessa. Medalha pra mim”.

Supercoxinha!

14 Jun 11:11

FSF Blogs: Fight PRISM through the Free Software Directory

To protect their freedom and privacy, the FSF urges everyone to avoid Software as a Service, and to support projects working for a better, safer world. One small way you can help support free software projects and encourage use of free software is to help maintain and improve the Free Software Directory.

Last Friday, in response to the PRISM-leaks, Free Software Foundation executive director John Sullivan issued the following statement:

Massive privacy intrusions like this are to be expected when people shift from storing their media locally and using local software, to storing them on other people's servers and using hosted (Web) applications. Giants like Microsoft, Facebook and Google are vulnerable to government requests for user data, and there are better, more secure ways to share information online. Free software projects like GNU MediaGoblin, StatusNet, Diaspora, pump.io, Tahoe-LAFS, FreedomBox and SparkleShare are hard at work creating a less centralized world where users retain control over both their media and the software used to access it, while still getting the social and convenience benefits of the giant centralized — and compromised — services.

The software listed above is just a short list of many free software programs that people can use and support. The FSF maintains the Free Software Directory in order to provide an up to date and continually maintained archive that lists detailed information about free software packages. We use categories, semantic properties, and dynamically generated lists to help people find and discover free software programs. We need your help to in organizing and categorizing free software projects so that users can more easily find software that gives them greater control over their computing and data.

So, I ask you, please join the FSF and friends Friday, June 14th, from 2pm to 5pm EDT (19:00 to 22:00 UTC) to help improve the Free Software Directory by adding new entries and updating existing ones. We will be on IRC in the #fsf channel on freenode.

If you are looking to get started, we have created a placeholder page, http://directory.fsf.org/wiki/PRISM, where you can begin adding "related projects" or by editing the talk page. On Friday, after we create new category pages and semantic properties, we will create a search results page similar to those linked to from the front of the site.

About the Free Software Directory

Tens of thousands of people visit directory.fsf.org each month to discover free software. Each entry in the Directory contains a wealth of useful information, from basic category and descriptions, to providing detailed info about version control, IRC channels, documentation, and licensing info that has been carefully checked by FSF staff and trained volunteers.

While the Free Software Directory has been and continues to be a great resource to the world over the past decade, it has the potential of being a resource of even greater value. But it needs your help!

14 Jun 11:09

Ice Sheets

Data adapted from 'The Laurentide and Innuitian ice sheets during the Last Glacial Maximum' by A.S. Dyke et. al., which was way better than the sequels 'The Laurentide and Innuitian ice sheets during the Last Glacial Maximum: The Meltdown' and 'The Laurentide and Innuitian ice sheets during the Last Glacial Maximum: Continental Drift'.
14 Jun 11:07

Dotcom Alleges Megaupload Raid Was Part of Deal To Film The Hobbit

by samzenpus
c0lo writes "Kim Dotcom alleges, in an 20 min interview with the Australian public television, that Megaupload was offered up by the New Zealand's PM 'on a silver platter' as part of negotiations with Warner Brothers executives for shooting The Hobbit in New Zealand. He promises that he'll substantiate the claims in court. He also says that the extradition case the U.S. government is weak and the reason behind the latest delay in extradition hearing (postponed from August this year to March next year) is an attempt to bleed Dotcom dry of his money. Also interesting, Dotcom says that the latest debacle of the massive scale online online surveillance by U.S. spy agencies has triggered an 'explosion' of interest in mega.co.nz, the 'cloud storage' site with user generated encryption."

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14 Jun 11:06

Haddad, com muita coragem, critica a Polícia!

by giinternet

O PT estava doido para mudar de lado, fazer de conta que nada tem a ver com o reajuste da tarifa de ônibus e sair atacando a Polícia Miliar e o governo Geraldo Alckmin. Mas estava difícil. Os baderneiros não colaboravam. A delinquência explícita desaconselhava o alinhamento. Nesta quinta-feira, na quarta jornada de confrontos, abriu-se a janela da oportunidade: o confronto violento entre a PM e os manifestantes permite aos bandidos passar por mocinhos. Pior — e melhor para os petistas: há jornalistas feridos, o que tende a gerar uma reação corporativista da imprensa, como se, naquele inferno, policiais tivessem como saber quem é quem. Um vídeo postado no Youtube mostra o que seria uma agressão de policiais contra jornalistas do… PSTU! Não me digam que o PSTU está num evento como esse apenas em busca da informação isenta!

Pois bem. Já com o balanço do dia e advertido por seus sábios de comunicação sobre o tom da cobertura de boa parte da imprensa, o prefeito Fernando Haddad não teve dúvida: afirmou que o quarto dia de manifestações foi marcado pela violência policial. Pronto! É o PT em seu elemento. Deveria agora complementar o seu ato de coragem política fazendo a tarifa voltar a R$ 3.

Haddad sabe que tem uma dívida de gratidão com os baderneiros. O grupo que coordena essa pantomima violenta se consolidou em 2011, contra o reajuste de passagens determinado pelo então prefeito Gilberto Kassab. À época, o ex e o atual prefeitos ainda não atuavam em parceria.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo determinou que se apurem eventuais excessos. Uma autoridade, como é Haddad, deveria esperar, no mínimo, o resultado da sindicância. Acusar a polícia, de saída, faz supor que, sem a sua intervenção, a manifestação teria sido pacífica. As três anteriores falam por si.