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19 Jun 03:01

Estou em contagem regressiva para que a turma antipolícia comece a gritar: “Cadê a Polícia?” Ou: “Escarra na boca que te beija”

by giinternet

Estou em contagem regressiva para que os mesmos poetas e nefelibatas que não cansaram de bordar suas perorações com adjetivos e pontos de exclamação em defesa da cidadania e da democracia — entendem por isso cassar o direito que têm as pessoas de ir e vir — comecem a cobrar que a Polícia faça alguma coisa. Quanto tempo vai demorar para que cobrem a ação da tropa de choque?

“Ah, mas nós, os militantes da imprensa, não queríamos polícia contra os manifestantes; nunca reclamos de polícia contra baderneiros!”

Uma ova! Mentira! Na esmagadora maioria das vezes, a Polícia Militar reprimiu, nos quatro primeiros protestos, gente que depredava ônibus, que fazia pichação, que metia fogo em lixo. Excessos dos policiais, em episódios assim, podem acontecer. Mas não foram a regra. De resto, ainda que tenham acontecido, cumpria separar o joio do trigo, o que não se fez. Se o jornalismo não consegue distinguir o bom do mau policial, espera que o policial, no escuro e em meio ao gás lacrimogênio, saiba distinguir quem é jornalista de quem não é?

Volto a perguntar: que país do mundo, na vigência do regime democrático, permite o colapso da cidade, como já aconteceu seis vezes em São Paulo?

Curiosamente, já começo a ouvir o muxoxo: “Onde está a polícia?” Ora, perguntem àqueles que, sob o pretexto de não demonizar os manifestantes e respeitar a democracia, defendem que tenham o “direito” de impor a sua vontade.

É certo que os que atacam prédios públicos e saqueiam lojas são diferentes daqueles que só interditam vias públicas cobrando a redução da tarifa. Mas gostaria que alguns doutores em deontologia jornalística — ou do direito — me explicassem por que são chamados de “pacíficos” os manifestantes que ocupam a Avenida Paulista, a Marginal Pinheiros, a Avenida Ipiranga e por aí afora (coloquem aí a via de qualquer grande cidade brasileira).

O meu compromisso é com a Constituição da República Federativa do Brasil. O meu compromisso é com Código Penal e com os demais códigos que regulam a vida em sociedade.

Fôssemos uma ditadura, os que têm restrições aos atos do governo estariam proibidos de se manifestar. Mas não estão. Por enquanto ao menos, existe liberdade de expressão no país. Esta cidade tem praças imensas, que podem abrigar manifestantes. Podem comunicar o seu roteiro às autoridades, para que estas redirecionem o trânsito etc.

Mas não! A lógica dos “pacifistas” do Movimento Passe Livre é criar o máximo possível de danos à cidade. Sua essência moral é a mesma daqueles que depredam, é a mesma daqueles que põem fogo, é a mesma daqueles que saqueiam. Eles apenas são um pouco mais “limpinhos”. O fato de um sujeito carregar a bandeira do Brasil, para gáudio de alguns tontos e de algumas tontas, não lhe dá o direito de interromper uma via que vai colapsar a cidade.

Por enquanto, com o apoio de amplos setores da imprensa, a minoria barulhenta vai impondo a sua pauta, fingindo-se de democrata, agredindo jornalistas, perseguindo-os — muitos não ligam, apaixonados que estão por seus algozes. Comigo, não! Meu algoz é meu algoz. Não gosta de mim. Quer me eliminar. Também não gosto dele. Mas quero que a lei se encarregue dele se ele a violar.

A turma de Fernando Haddad, aquele que fugiu da Prefeitura, já está a acusar a Polícia Militar de não ter protegido a Prefeitura… É mesmo? A Guarda Civil Metropolitana estava lá, atuando civilizadamente, e foi vítima de um ataque. É o que teria acontecido com os PMs. Aquela era uma situação que só poderia ser resolvida pela tropa de choque. Mas aí o confronto seria inevitável. E, obviamente, a PM não poderia se transformar, de novo, em saco de pancada da imprensa militante, do próprio Fernando Haddad e de José Eduardo Cardozo, o ministro da Justiça que teve o topete de, no meio dessa crise, cuidar de questão eleitoral.

Para que a cidade restaure a ordem e a normalidade, é preciso que os que ajudam a plasmar a opinião pública defendam os valores da ordem e da normalidade. Se não for assim, enquanto a Polícia, de um lado, combate a desordem, setores da imprensa, de outro, a incentivam. E olhem que nem dá para ser irônico, mandando chamar o síndico. A minha tentação é  grade para escrever algo assim: “Não há polícia! Chamem os jornalistas!” Não dá! Esses utopistas querem escarrar na boca daqueles que os beijam. Se a imagem pareceu forte, é só um pouco de Augusto dos Anjos.

19 Jun 03:01

O que fazia o marqueteiro João Santana na reunião em que Dilma debateu com Lula o preço das passagens de ônibus?

by giinternet

Dilma se encontrou com Lula para discutir a questão das passagens de ônibus num hotel de São Paulo. Aloizio Mercadante, ministro da Educação (?), apontado como possível coordenador da campanha da presidente à reeleição, estava presente. Também compareceu Rui Falcão, presidente do PT. Já havia esquisitice o suficiente, não é? Mas ainda era pouco. O marqueteiro João Santana também estava no grupo.

Sei lá a que eventual solução ou proposta chegaram. O fato é que, depois de se debater o assunto à luz da campanha eleitoral e do marketing, Lula e Dilma se encontraram com Fernando Haddad, o prefeito que deixou atrás de si uma Prefeitura sitiada e pra lá não voltou.

19 Jun 03:00

PROFETAS, JESUS E AS MANIFESTAÇÕES

by Augustus Nicodemus Lopes
Como eu disse em mural anterior, não sou contra a participação dos cristãos em manifestações públicas contra injustiças sociais, leis injustas e descaso do governo. Sou, é óbvio, contra a baderna, o tumulto, a depredação e a violência que estamos assistindo, coisas estas, diga-se, praticadas por alguns e não por todos.

Muitos cristãos têm procurado justificação na Bíblia para estes atos de protesto público contra o governo e para criticar outros cristãos que preferem não se juntar aos manifestantes. Acho que não precisa procurar versículos na Bíblia para isto. A liberdade de expressão faz parte de nossos direitos como cidadãos de um país democrático. Não há na Bíblia lei contra isto, embora haja contra o desrespeito, a violência e a depredação dos bens alheios.

O que me impressiona é a hermenêutica dos manifestantes cristãos. Eles conseguem ler a Bíblia (ou então lembrar de alguma coisa que ouviram) e transformar os profetas e Jesus em modelos para as manifestações. Acho que não é bem por aí.

Para começar, os profetas de Israel viveram numa teocracia, onde o Estado não era laico. Viveram e ministraram debaixo da aliança de Deus com Israel, seu povo escolhido no AT. Eles protestaram e denunciaram as injustiças sociais porque estas eram contra a lei de Deus que era adotada como lei civil de Israel. O protesto deles era basicamente de natureza religiosa embora com implicações sociais. 

Além disto, eles protestaram como indivíduos. Eles entraram nos palácios e templos onde estavam os reis e sacerdotes corruptos e anunciaram, sozinhos, uma palavra do Senhor contra eles. Demandaram justiça e obediência à Palavra do Senhor e anunciaram o castigo divino contra a nação corrupta e idólatra. Eles não estavam cercados de outros manifestantes. Não quebraram nada nem tocaram fogo no templo ou palácio. Alguns foram presos, outros torturados e outros ainda mortos. 

Por fim, lembremos ainda que na maior parte das vezes eles falavam aos reis, sacerdotes, juízes e os nobres. Sua voz se dirigia mais à aristocracia. 

É muito interessante que Tiago, escrevendo a cristãos que estavam sendo oprimidos por patrões injustos, usa os profetas como exemplo de... paciência! Vejam só: 

"Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados. Eis que o juiz está às portas. Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor". 

Assim, embora devamos imitar os profetas em sua coragem de denunciar a desobediência às leis de Deus cometidas pelos nossos governantes, não vejo como usar a história deles como base para protestos públicos contra desemprego, corrupção e falta de outros deveres do Estado. Teríamos, então, de protestar contra o adultério, a idolatria, a prostituição, e outros pecados contra os quais os profetas se manifestaram e pelos quais foram presos e mortos - como João Batista que foi morto por denunciar a relação adulterina de Herodes com a mulher de seu irmão. Vamos organizar uma manifestação contra as conhecidas imoralidades, sodomia e adultérios de pessoas públicas?

E Jesus entrando no templo e expulsando, à chicotadas, os vendilhões? De fato, Jesus fez isto. Mas ele também morreu na cruz. Por que não o imitamos nisto? A resposta é óbvia, Jesus veio como Filho de Deus realizar a salvação de seu povo. Já escrevi um post "Jesus não era cristão" onde mostro como é importante lembrar os limites de nossa imitação do Senhor:

http://tempora-mores.blogspot.com/2010/06/jesus-nao-era-cristao.html

A limpeza do templo foi escatológica, cumprimento de profecias. Nenhum dos apóstolos de Jesus o imitou posteriormente nisto, muito embora os Doze em Jerusalém continuassem a ir ao templo diariamente, após Pentecostes, para as orações, e muito embora tivessem falado contra os sacerdotes e lideres corruptos de Israel em seus dias.

Como eu disse, não vamos encontrar na Bíblia base explícita e direta para organização de protestos e manifestações contra o governo no exemplo dos profetas e de Jesus. E não faz mal. Basta-nos o que a Bíblia diz, que procuremos promover a paz, a justiça e a verdade. Está implícito que a maneira primordial da Igreja fazer isto é pela evangelização, discipulado, transformação de corações e mentes, treinamento de jovens intelectuais comprometidos com a Palavra de Deus, que sejam capazes de ocupar cargos públicos e tenham coragem de fazer o que é certo. Não está excluída a participação em passeatas. Se eu estivesse no Brasil pode até ser que iria a uma. Mas jamais baderna, depredação, xingamento, agressões e incêndios.
19 Jun 01:53

A Prefeitura debaixo de porrete, e Haddad ausente

by giinternet

O prefeito Fernando Haddad (PT) anda com o marketing meio desajustado. No começo da noite, com a Praça da Sé já ocupada, ele deixou o prédio da Prefeitura para fazer uma reunião com a presidente formal do Brasil, Dilma Rousseff, e com o presidente informal, Luiz Inácio Lula da Silva, no aeroporto de Congonhas. Estava muito claro, àquela altura, que parte dos manifestantes iria protestar em frente à Prefeitura. Ele preferiu se mandar. Digam-me um único assunto que ele não poderia debater com Dilma e Lula por telefone.

Consta que foi desaconselhado a voltar por razões de segurança. É…

Aí aconteceu o quê? Os manifestantes à porta da Prefeitura, e o titular não estava lá. Convenham: não pega bem.

19 Jun 01:12

Banco depredado e três lojas saqueadas. “É uma minoria”, gritam os bonzinhos…

by giinternet

Nesta madrugada ou amanhã, vamos ver, escreverei sobre esse negócio, repetido à náusea, de que a maioria dos manifestantes é pacífica e só uma minoria é que é composta de pessoas violentas e depredadores. Com isso se pretende dizer que essa minoria não representa, então, aquela maioria. Tenho algumas perguntinhas a fazer. Fica pra depois.

Pois bem: assim como, consta, uma minoria tentou invadir ontem o Palácio dos Bandeirantes e, nesta terça, a sede da Prefeitura, também uma minoria partiu para o tudo ou nada no Centro de São Paulo: um agência do Banco Itaú foi depredada, e unidades das Lojas Marisa, Lojas Americanas e Cacau Show foram saqueadas. Sete pessoas acusadas de vandalismo foram presas.

Bem, como a minha memória é dessas coisas que me perseguem, encerro o post um das frases que compõem o besteirol do Movimento Passe Livre. Vale para que pensemos o ataque ao Palácio dos Bandeirantes, o ataque à Prefeitura e as depredações. O que disse mesmo o pensador Matheus Preis? Lembrei:

“Quando não há repressão, a gente consegue fazer um ato muito mais organizado, sem violência”.

19 Jun 00:58

Day 5: A Monday

by leoboiko

I couldn’t keep up the habit of writing in the moleskine, so much detail was lost. Instead of not writing anything, here’s a short terse post a posteriori.

More orientation sessions. Tiring. Even though I made it to level 4, in the kanji class was still level 3, which is embarassing, given my resarch. The proposed schedule is quite full.

Went cycling in Rinkū Town in the afternoon. Feels like every other block has a square, all in good taste: rock gardens, straw-colored pampas grass. Elderly ladies walking around. Fashionable young moms (sisters? babysitters?) with babies on the back or in carts.

I started jogging along of the sea out of sheer happiness.

As I greeted the bicycle clerk with a konnichiwa I lifted my hat, and the ossan actually applauded and said waa, kakkoii. (One of the best things of wearing a hat is being able to doff it, but I hardly expected such a reaction!) One of the best things about life in the Center: greeting everyone all the time. One would think all the ohayōs and ittekimasus and gochisōsamas would get repetitive, but no. They don’t.

(Some people think politeness is insincere. What they don’t get is that the motivation for politeness is sincere. Even if you aren’t really interested in how they are doing, the fact that you asked means you are interested in being nice to each other. Read Goffman for details.)

Found out there’s a sushi place nearby, right by the sea. Must try it later. Almost went out in a whim to take the train to a random station, but decided to wait for the camera first.

Sometimes I realize I’m talking to everyone in Japanese, however tentatively and wrong, and am astonished.

I keep being impressed with the attention to detail. Plants and trees on the street have signs with their name and genus. Toilet paper is folded in a little triangle. Reception desk learned my name in the first day. My cheap used book arrived today, in its original box, then wrapped with a hand-written note. Too many examples to list.

There are some disappointing things, naturally: some trash in empty lots (but streets are ridiculously clean), loud music late at night.

Checked out a book on Ōsaka-ben from the library, but there’s no time to practice!

Reading Saigyō, I reached the part where he kicks his own loving daughter to sever the attachments to family and follow the Buddhist path. It makes me feel awful, and I think: this must be the hardest part for us to sympathize, and then I realize it’s the opposite: haven’t I metaphorically kicked my daughter to follow a path that so often draws me away from everyone, & now I’m in fact away? She was especially affectionate the last few days before travel (though I suspect she was half playing with the novel feeling of anticipated longing, and probably diggin it). I wish I could just bring everyone.

19 Jun 00:56

MySQL Man Pages Silently Relicensed Away From GPL

by Soulskill
An anonymous reader writes "The MariaDB blog is reporting a small change to the license covering the man pages to MySQL. Until recently, the governing license was GPLv2. Now the license reads, 'This software and related documentation are provided under a license agreement containing restrictions on use and disclosure and are protected by intellectual property laws. Except as expressly permitted in your license agreement or allowed by law, you may not use, copy, reproduce, translate, broadcast, modify, license, transmit, distribute, exhibit, perform, publish, or display any part, in any form, or by any means. Reverse engineering, disassembly, or decompilation of this software, unless required by law for interoperability, is prohibited.'"

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19 Jun 00:56

Posso entender que me hostilizem. Mas por que cercaram Caco Barcellos ou incendiaram carro da Record?

by giinternet

Posso compreender perfeitamente por que um manifestante carrega uma foto minha me mandando calar a boca. Sou quem sou. Penso o que penso. Mas qual a razão da selvageria contra Caco Barcellos, por exemplo, que comanda o programa “Profissão Repórter”, da TV Globo, a exemplo do que aconteceu na manifestação de segunda, em São Paulo? Vejam este vídeo. Volto em seguida.

Voltei
É claro que é um absurdo!
É claro que é um despropósito!
É claro que se trata de uma manifestação fascistoide.

“Se nem a Globo nem ele falaram nada, quem é você pra falar?” Não estou falando em defesa da emissora, que certamente a dispensaria. Tampouco de Barcellos, que pode se defender sozinho. Estou falando em defesa da liberdade de expressão — e isso também me diz respeito.

Ainda que Barcellos pensasse o que eu penso — e acredito que, em quase tudo, as diferenças não poderiam ser maiores —, os manifestantes não tinham e não têm o direito de fazer o que fizeram.

“Ah, é só um pequeno grupo… Também houve gente que apoiou.” Não muda nada! O fato é que a hostilidade à imprensa é uma das marcas dessas manifestações. “Sinal de que o jornalismo está com problemas…” Não. Sinal de que há um clima de intolerância nas ruas, isto sim, muito próprio de um movimento que dá ao poder público uma de duas alternativas: ceder ou ceder.

Eu sempre me preocupo quando esses brucutus não conseguem saber nem mesmo quem são seus aliados objetivos. Nesta terça, um carro-gerador da TV Record foi incendiado. Rejeitam a imprensa ou qualquer coisa que lembre isso por princípio. Sabem por quê? Porque isso já representa alguma forma de mediação, um dos pilares da democracia. E, por óbvio, embora falem em seu nome, eles a odeiam.

19 Jun 00:51

EXCLUSIVO – Relato de uma uspiana muito estranha. Ou: O “território livre” se encontra com o Construtivismo na Terra do Nunca

by giinternet

Janaina Conceição Paschoal é uma jovem professora de Direito Penal da USP. Além do rigor técnico, da dedicação ao direito e à academia, exibe uma outra virtude raríssima no seu meio intelectual e cada vez mais rara no Brasil: a coragem de dizer “não” quando discorda, pouca importando as vagas dominantes de opinião.

Ela escreve para o blog, com exclusividade, um artigo que lê, ou relê, o espírito do tempo. Quem são esses “jovens” que estão nas ruas e acreditam que podem impor aos outros a sua vontade, sem atentar para os limites das leis, do estado democrático de direito?

A professora chega à conclusão de que a “geração do Construtivismo” se encontrou, finalmente, com a perigosa noção do “território livre”. E então tudo passa a ser permitido. O título que vai acima é meu, pegando carona no livro de Lobão, que também ousou dizer “não”, a saber: “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”.

Leiam o iluminado artigo de Janaina.
*
Desde que ingressei na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em 1992, intriga-me ouvir que a USP e, por conseguinte, o Largo, constitui território livre. Sempre tentei compreender o que essa liberdade significaria.

Ao compor a diretoria do Centro Acadêmico “XI de Agosto”, já comecei a questionar esse tal território livre, buscando modificar o trote, muitas vezes, humilhante e até perigoso, como ocorria nas Carruagens de Fogo (“brincadeira” em que o calouro era obrigado a beber continuamente e a correr no chão molhado, ao som da música clássica de idêntico nome).

Também me voltei contra o “Pendura”. Eu, que nunca fui comunista, nem lulista nem petista, confesso, não me conformava com o fato de jovens, majoritariamente de classe média, se sentirem no direito de entrar em um restaurante e dizer ao dono, com muita naturalidade, que simplesmente não iriam pagar. E ai da autoridade que lhes dissesse o contrário! Cheguei a participar do tal “Pendura”, mas, imediatamente, senti que aquilo não era direito.

Em 1997, quando iniciei o doutoramento e comecei a auxiliar os professores na graduação, já conversava com os alunos sobre o sentido da “Peruada”. Por que, afinal, eles não podiam fazer seu Carnaval sem beber até cair? À resposta pronta de que se tratava de tradição, instintivamente, passei a responder que tradição também se modifica. Até hoje, meus alunos não acreditam que nunca participei da “Peruada” e, às vezes, me “acusam” de ser evangélica.

Já professora concursada, nas últimas aulas do curso, normalmente, dedico um tempo perguntando aos alunos o que eles querem para as suas vidas. Nessa era dos textos curtos, das mensagens cifradas, da informação fácil, é muito difícil conseguir que eles leiam um artigo de dez páginas, em português.

Há algumas semanas, quando uma de minhas turmas não leu um projeto de lei de três páginas, eu os avisei sobre o perigo de serem manipulados, pois quem não lê, quem não conhece, acredita apenas no mensageiro.

Costumo dizer aos meus alunos que o estudante que realmente crê estar em um território livre será o promotor que acredita que pode denunciar o outro por dirigir embriagado, mas ele próprio está autorizado a beber e baixar um aplicativo da internet para saber onde estão os bloqueios policiais. Esse aluno será o juiz que acredita que ganha pouco e tem direito de viajar para o Nordeste sob o patrocínio de empresas cujas causas julga, e assim por diante.

Quando alguns alunos invadiram e depredaram a Reitoria, e grande parte dos professores achou natural aquele espetáculo de liberdade de expressão, eu escrevi para a Folha de S. Paulo o texto intitulado “Quem é elitista”, apontando que esse tipo de comportamento é decorrente da certeza de que, realmente, a universidade constitui um território livre e que apenas os pobres, que precisam trabalhar e estudar à noite e que têm os seus salários descontados para pagar os estudos do pessoal da USP, podem ser abordados por estarem fumando maconha na esquina.

É interessante. Ao mesmo tempo em que os intelectuais denunciam que o Direito Penal serve apenas para punir pobre, contraditoriamente, aceitam que só pobres sejam penalizados. A lei não diz respeito a eles próprios. Coincidência ou não, os atuais protestos se iniciaram após a rejeição da denúncia referente à invasão da Reitoria da USP.

Pois bem, quando começaram as manifestações, e os discursos dos líderes surgiram, imediatamente, identifiquei o dogma do território livre.

Foram muitas as notícias de violências e abusos, e eu tive relatos de pessoas que estavam, por exemplo, no Shopping Paulista e foram surpreendidas por rapazes encapuzados, que exigiam o fechamento das lojas, sob o brado de que estavam “tocando o terror”.

Chamou minha atenção o fato de uma das pessoas que fizeram tais relatos ter dito que logo percebeu que não seriam criminosos, pois eram pessoas bem vestidas. Para alguém que estuda Direito Penal, há anos, esse tipo de frase dói, pois é a confirmação de que a sociedade não quer mesmo punir atos, mas estereótipos.

Se a garotada da periferia tivesse tomado a Paulista, ninguém acharia exagero a Polícia Militar tomar providências. Percebe-se que mesmo quem estava indignado contemporizava, pois, afinal, amanhã, pode ser seu filho. De novo, o dogma do território livre.

Na véspera do protesto em que a Polícia Militar reagiu, conversei com uma senhora, que julgo esclarecida, e fiquei surpresa com seu encantamento frente ao brilho do neto, que aderira às manifestações a fim de lutar pelos mais necessitados.

Ontem, durante uma reunião com amigos, quando todos cobravam apoio ao movimento, tomei a liberdade de dizer que não acredito ser esse o melhor caminho.

Apesar de destacar estar convencida de que houve excessos da polícia, sobretudo no caso do tiro mirado no olho da jovem jornalista, situação que caracteriza lesão corporal dolosa, de natureza grave, ponderei que devemos ser cautelosos, pois nem toda prisão foi descabida, e os manifestantes podem estar servindo de massa de manobra.

A reação dos colegas foi surpreendente. Alguns, lembrando a importância dos jovens em todas as mudanças sociais, destacando sua própria luta contra a ditadura, chegaram a se emocionar, falando de seus próprios filhos como grandes políticos, verdadeiros heróis, pessoas esclarecidas, apesar dos vinte e poucos anos.

Sendo uma criatura insuportavelmente crítica, sobretudo comigo, passei a noite pensando se não teria sido injusta com os manifestantes e insensível com os colegas. Afinal, se todos estão tocados com a beleza deste momento, parece razoável que os pais estejam orgulhosos da lucidez de suas crias.

Mas essa experiência, sofrida, de magoar os colegas, aos quais, nesta oportunidade, peço desculpas, foi muito importante para eu poder ver algo que ainda não estava claro.

As gerações passadas também tinham esse sentimento arraigado de território livre, de que a lei vale apenas para os outros e não para os iluminados da USP. No entanto, no passado, havia o contraponto de pais que impunham limites; pais que diziam mais NÃOs do que SIMs; pais que ensinavam os deveres antes de falar sobre os direitos.

O fenômeno que nos toma de assalto é preocupante. Une-se o dogma do território livre com a geração “construtivismo”.

Chegam à idade adulta os garotos que nunca ouviram um NÃO, os garotos que sempre puderam se expressar, ainda que agredindo o coleguinha, ou chutando a perna de um adulto em uma loja.

Chegam à idade adulta os garotos cujos pais vão à escola questionar por quais motivos os professores não valorizam a genialidade de seus filhos. Pais que realmente acreditam que seus filhos, aos vinte anos, são verdadeiras sumidades e têm futuro por possuírem vários seguidores no Twitter.

Nossos iluminados já avisaram que, se a tarifa de ônibus não baixar, vão continuar a parar São Paulo. Quem vai lhes dizer não? A Polícia não pode, nem quando estão queimando carros e constrangendo pessoas. Os professores, salvo raras exceções, incentivam, em um saudosismo irresponsável, para dizer o mínimo. E os pais, entorpecidos pela necessidade de constatar o sucesso da educação conferida, acham tudo muito lindo e vão às ruas acompanhar a prole, pedindo algo indefinido e impalpável.

Nestes tempos em que falar em Deus é crime, peço a Deus que eu esteja errada e que, realmente, não tenha alcance para perceber a importância e a beleza deste momento histórico.

Há duas décadas, quando o presidente do Centro Acadêmico “XI de Agosto” me destacou para falar algumas palavrar para recepcionar Lindbergh Farias, pouco antes de sairmos em passeata pela derrubada de Collor, eu peguei o microfone e disse: “Nós vamos a essa passeata porque a causa é justa, mas sua cara bonita não me engana”. Por pouco não fui destituída do cargo. Creio que meus colegas de chapa nunca me perdoaram.

Há alguns anos, durante uma cerimônia em que todos reverenciavam o então ministro da justiça, Márcio Tomaz Bastos, eu o questionei sobre a quebra do sigilo do caseiro Francenildo. Cortaram-me a palavra e, até hoje, há quem não me cumprimente direito pela absurda falta de sensibilidade e educação.

A maior parte dessas pessoas apoia e estimula os atuais protestos e propala que o Mensalão não passou de uma ficção.

Tenho enviado comentários para a Imprensa, dizendo que os grupos que estão estimulando esses jovens a irem para as ruas estão torcendo muito para aparecer um cadáver em São Paulo, pois é só disso que precisam para tentar tomar também o estado.

Eu, por amar todos os meus alunos, os que concordam e os que não concordam comigo, estou bastante preocupada com essas forças ocultas, que manipulam nossos jovens marxistas de twitter.

Quando digo isso, costumo ouvir, mais uma vez, que estou fora da realidade, que é o PT que está na berlinda. Afinal, os protestos não estão apenas em São Paulo, estão no país inteiro.

É verdade, mas tem alguém, que dialoga muito bem com as massas, que precisa de um argumento palatável para voltar em 2014. E, segundo consta, funcionários da Presidência da República, subordinados a Gilberto Carvalho, foram organizadores e fomentadores do protesto. Não é a oposição que Dilma deve temer. A oposição simplesmente não existe. Apenas as cobras que cria no próprio Palácio, ou das quais não pode se livrar, é que, no futuro próximo, têm condições de picá-la.

Algumas pessoas me perguntam como posso ser liberal em alguns aspectos e conservadora em outros. Em regra, quando recebo esse tipo de questionamento, procuro compreender o que o interlocutor entende por “conservador” e por “liberal”.

Não sei como etiquetar, mas acredito que todo educador, seja o de casa, seja o da escola, deve mostrar ao pupilo que existem direitos e existem deveres. E que ninguém pode tudo. Talvez o que esteja prejudicando o país seja justamente esse sentimento generalizado de território livre. Os manifestantes de hoje podem ser os políticos de amanhã. Se não lhes dissermos “não” agora, como impor limites no futuro?

Talvez eu seja apenas uma canceriana pouco romântica. Talvez esteja velha demais para perceber a grandeza dessa novidade que invade o país. Tomara!

Mas esses 21 de USP e quase 15 de docência me permitem afirmar que são jovens muito promissores, mas ainda são garotos de vinte anos, que não estão acostumados a ouvir um “não”.

Se não posso pedir razoabilidade aos pais e aos professores, peço, encarecidamente, à imprensa que tenha cautela ao estimulá-los, pois não temos instrumentos para fazê-los parar. Teremos que, pacientemente, aguardar que eles se cansem do que pode ser uma grande brincadeira.

19 Jun 00:45

Na esteira dos protestos, governantes reduzem passagens em capitais

by giinternet

Por Felipe Bächtold e Wilhan Santin, na Folha.

Após a onda de protestos pelo país que atingiu ao menos 12 capitais na segunda-feira (17) e pode continuar ao longo da semana, foram anunciadas reduções de tarifas do transporte coletivo em quatro capitais nesta terça-feira. Em Cuiabá, Recife e João Pessoa, a redução se baseou em medida do governo datada de 1º de junho, quando as alíquotas do PIS/Pasep e Cofins para o setor de transportes foram zeradas. O prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), anunciou ontem (17) a redução da tarifa, que passa de R$ 2,95 para R$ 2,85 a partir de quarta-feira. Há um protesto programado para este dia na cidade. Em Porto Alegre, na manhã seguinte a um violento protesto, o prefeito José Fortunati (PDT) disse que vai agir para reduzir a tarifa do transporte público local em R$ 0,05.

Segundo Fortunati, o município irá isentar o serviço de transporte de ônibus do ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza), o que provocaria uma diminuição do valor dos bilhetes para R$ 2,80. Com a isenção do imposto, o município deixará de arrecadar R$ 15 milhões anuais. Fortunati não fixou uma data para a mudança, mas disse que ela ocorrerá assim que a Justiça revir uma decisão provisória que impede alterações no valor da passagem. Ele disse também que a tarifa pode cair para R$ 2,75 se houver uma redução do ICMS sobre o óleo diesel usado por empresas de transporte coletivo e se for aplicada a redução do PIS/Cofins às passagens.

Recife
No Recife e região metropolitana o anúncio, feito pelo governador Eduardo Campos (PSB), ocorreu dois dias antes dos protestos na cidade, programados para quinta-feira (20), quando passarão a vigorar os novos valores. A redução será de R$ 0,10 nas passagens, que variam de R$ 1,50 a R$ 3,45 dependendo do trajeto. Em entrevista, Campos negou que a medida tenha a intenção de acalmar os ânimos às vésperas do protesto. A redução dos valores será possível graças à aplicação da isenção do PIS/Cofins nas tarifas. O governador não explicou o motivo de não ter feito a redução anteriormente.

João Pessoa
O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT), anunciou que, a partir de 1º de julho, o valor da tarifa na cidade cairá de R$ 2,30 para R$ 2,20 com o repasse da isenção do PIS/Cofins para a tarifa. Ele disse que vinha estudando a medida desde 1º de junho, quando o governo federal adotou a isenção. Na capital da Paraíba os protestos também estão agendados para quinta-feira (20).

Pelo país
Em outras cidades do país, a redução da tarifa ocorreu há alguns dias. Na região metropolitana de Goiânia, no dia 13 a tarifa caiu de R$ 3 para R$ 2,70, valor que vigorava antes do reajuste, em maio. O juiz Fernando de Mello Xavier, da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Goiânia, considerou o aumento abusivo porque não foram repassadas aos usuários do serviço público a isenção do PIS/Cofins.

No Paraná, houve redução de R$ 0,10 no domingo (16) na rede não integrada de transporte, que engloba 18 municípios da região metropolitana de Curitiba e é gerenciada pelo governo estadual. Os valores vão de R$ 2,40 a R$ 3,90, dependendo da linha. Em Vitória, a redução ocorreu no dia 8 também devido à isenção dos tributos federais. O valor caiu cinco centavos, passando a R$ 2,40. Em Manaus, a tarifa foi reduzida no dia 10, de R$ 3 para R$ 2,90.

19 Jun 00:38

Microsoft To Start Dumping Surface RT To Schools For $199

by Soulskill
onyxruby writes "In a move that will remind many of Apple in the '80s, Microsoft is going to start dumping Surface RT computers to educational institutions. In an effort to try to gain mindshare for their struggling Surface RT platform, Microsoft is giving away 10,000 Surface RTs to teachers through the International Society for Technology in Education. They're also preparing to offer $199 Surface RTs to K12 and higher education institutions. The strategy of flooding the educational market was quite successful for Apple. Unfortunately for Microsoft, today's computers require management and the Surface RT presents significant management challenges in terms of the inability to join the computer to a domain or available management tools."

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19 Jun 00:38

Google Files First Amendment Challenge Against FISA Gag Order

by Soulskill
The Washington Post reports that Google has filed a motion challenging the gag orders preventing it from disclosing information about the data requests it receives from government agencies. The motion cites the free speech protections of the First Amendment. "FISA court data requests typically are known only to small numbers of a company’s employees. Discussing the requests openly, either within or beyond the walls of an involved company, can violate federal law." From the filing (PDF): "On June 6, 2013, The Guardian newspaper published a story mischaracterizing the scope and nature of Google's receipt of and compliance with foreign intelligence surveillance requests. ... In light of the intense public interest generated by The Guardian's and Post's erroneous articles, and others that have followed them, Google seeks to increase its transparency with users and the public regarding its receipt of national security requests, if any. ... Google's reputation and business has been harmed by the false or misleading reports in the media, and Google's users are concerned by the allegation. Google must respond to such claims with more than generalities. ... In particular, Google seeks a declaratory judgment that Google as a right under the First Amendment to publish ... two aggregate unclassified numbers: (1) the total number of FISA requests it receives, if any; and (2) the total number of users or accounts encompassed within such requests."

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19 Jun 00:37

Haddad, pressionado por manifestantes que cercam a Prefeitura, dá piscadelas para a redução da tarifa. E eu lhes proponho uma pergunta fundamental

by giinternet

O Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), criou um tal “Conselho da Cidade”. Os seus conselheiros se aliaram ao Movimento Passe Livre e também querem que o prefeito revogue o aumento das passagens. Ele se reuniu nesta terça com representantes dos que se auto-outorgaram a condição de representantes do povo, e esses Marats da catraca lhe disseram que não há negociação possível. Repetiram o mantra: ou a Prefeitura faz o que eles querem, ou São Paulo continua parada. E ponto final. Como lembra a professora Janaína Paschoal (ver artigo abaixo), essa geração de bravos só sabe ouvir “sim”. O prefeito piscou. No seu estilo cute-cute, firme, mas sem perder jamais a ternura, pediu socorro: “Se as pessoas me ajudarem a tomar uma decisão nessa direção [redução da tarifa], eu vou me subordinar à vontade das pessoas porque eu sou prefeito da cidade”.

Não entendi nada. Não sei quem são “as pessoas” às quais o prefeito se “subordina”. Aqui e ali, já se ouve um clichê tipicamente petista, ao qual o partido sempre apela: demonizar a dona Zelite — no caso, as pessoas que têm carro. Jilmar Tatto, secretário dos Transportes, diz que eles têm de subsidiar o transporte de quem não tem. O próprio prefeito fala que é preciso pensar com ousadia e lembra que sobretaxar automóveis — não fica claro de que imposto está falando — “dialoga com a questão ambiental”.

Um de seus conselheiros sugeriu aumento do IPTU. Uma outra esquisita propôs que se use o dinheiro das balas de borracha e do gás lacrimogêneo. Bem, meus caros, esse é o conselho que ele criou e os conselheiros que ele escolheu. Pessoas nessa função ajudam o governante a tomar decisões, certo?

Haddad, no entanto, tem um problema, e ele sabe disso. O Movimento Passe Livre, que caiu nas graças da imprensa e é aplaudido por tomar as ruas das cidades desde que não bata em ninguém nem quebre nada (o direito de ir e vir foi revogado), não pedem a simples suspensão do aumento. Para começo de conversa, os pensadores não querem mais aumento, nem agora nem nunca mais. É só a primeira fase da reivindicação. O objetivo é outro: zerar a tarifa; transporte gratuito para todos. Seria uma experiência inédita no mundo numa grande cidade. Se a gente tem jabuticaba e pororoca, por que não transporte gratuito?

Haddad não sabe o que fazer, mas está em busca de fontes de financiamento. Jogando combustível nas fogueiras que o Passe Livre faz por aí, lembrou que, em alguns países — quais? — os empresários (???) respondem por 30% do custo do transporte; no Brasil, por apenas 10%. Não ficou claro do que falava, mas sempre parece ser uma boa ideia sugerir que empresários paguem mais por qualquer coisa, pouco importando que racionalidade econômica isso tenha. Sempre que empresas pagam mais por qualquer coisa, os preços das mercadorias que produzem ou dos serviços que oferecem viram a natural fonte de arrecadação do desembolso extra.

É evidente que essas hesitações e conversas frouxas alimentam o movimento. É inegável que a irracionalidade venceu o bom senso nessa questão. Torço, e vocês não sabem quanto!, para estar errado, mas, infelizmente, acho que não estou, não! O Movimento Passe Livre — e o que quer que ele represente — já venceu. Fica, assim, consagrado o “direito” de ir às ruas, de parar as cidades, de exigir do Poder Público isso e aquilo sem qualquer espaço para a negociação. A troca é esta: a Prefeitura revoga o aumento, e a gente respeita a Constituição. Então tá.

Neste momento, manifestantes que se concentravam na Praça da Sé se dirigem para a Prefeitura. Haddad se elegeu com o apoio do Movimento Passe Livre. Ouço daqui o buzinaço. A se dar crédito a setores da imprensa, no entanto, também esses que buzinam apoiam a reivindicação e os métodos de seus promotores. Certo!

Tolice influente
Uma das tolices influentes que tomaram conta da imprensa é a tese de que se trata de um movimento espontâneo, sem comando, sem líderes, expressão do que seria a verdadeira democracia. Pra começo de conversa, fosse assim, poderíamos estar falando de qualquer coisa — até de volta ao estado da natureza — menos de democracia, que não existe sem a ideia da representação.

Não me encanta nem me seduz o fato de que partidos de extrema esquerda estejam sendo hostilizados. E daí? Nem tudo o que não é PSTU, PCO ou PSOL é bom ou desejável. De resto, há uma rejeição mais geral a partidos, a qualquer um; a instituições, a qualquer uma; às leis, a qualquer uma.

Aquele ninhal de “intelectuais” que dá plantão na GloboNews acha isso uma coisa realmente encantadora, nova, progressista, virtuosa… Deixo aqui para vocês uma reflexão — e voltarei ao tema na madrugada: numa sociedade em que os canais de interlocução não sejam mais, então, os partidos, as instituições e os Poderes Constituídos e em que tudo passa a ser permitido — desde que seja sem violência, claro! —, quem governa?

Os que se encantam com esse tipo de coisa, vendo nisso uma sociedade mais democrática, mais livre e mais igualitária ou não aprenderam nada com a história ou, tendo aprendido, defendem um regime de governo que não é a democracia.

19 Jun 00:36

Neste momento, fachada da Prefeitura de São Paulo é atacada por vândalos

by giinternet

Já escrevo a respeito, dando especial destaque ao que acabam de dizer dois “inteliquituais” da GloboNews. Juro que nunca vi ou ouvi algo parecido.

Outra repórter da emissora, que está em São Gonçalo, está desconsolada. Também por lá há confrontos. Ela está triste: “A manifestação estava tão bonita…”.

O Brasil acabou?

Sei lá. 

19 Jun 00:36

KWin Maintainer: Fanboys and Trolls Are the Cancer Killing Free Software

by Soulskill
An anonymous reader writes "Martin Gräßlin, maintainer of the KWin window manager, writes an informative blog post about his experiences with the less favorable pockets of the Free Software community. Quoting: 'Years ago I had a clear political opinion. I was a civil-rights activist. I appreciated freedom and anything limiting freedom was a problem to me. Freedom of speech was one of the most important rights for me. I thought that democracy has to be able to survive radical or insulting opinions. In a democracy any opinion should have a right even if it's against democracy. I had been a member of the lawsuit against data preservation in Germany. I supported the German Pirate Party during the last election campaign because of a new censorship law. That I became a KDE developer is clearly linked to the fact that it is a free software community. But over the last years my opinion changed. Nowadays I think that not every opinion needs to be tolerated. I find it completely acceptable to censor certain comments and encourage others to censor, too. What was able to change my opinion in such a radical way? After all I still consider civil rights as extremely important. The answer is simple: Fanboys and trolls.'"

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19 Jun 00:34

Novo Jornalismo – Vândalos tentam invadir a Prefeitura de SP, agridem guardas, depredam fachada do prédio, e âncora da GloboNews e seus dois convidados culpam o prefeito: quem mandou não reduzir a tarifa?

by giinternet

Não pensei que viveria o bastante para ouvir o que ouvi há pouco na GloboNews, num programa conduzido pela jornalista Leilane Neubarth. Aconteceu exatamente como estou falando. Acredito que vocês consigam ver depois na Internet.

Os manifestantes estavam em frente ao prédio da Prefeitura. Havia algumas grades que o separavam da porta e um alinhamento de homens da Guarda Civil Metropolitana. Estavam desarmados, apenas com escudos. Leilane e dois professores — o notório Francisco Carlos Teixeira, um “progressista” que dá plantão na emissora (da Primavera Árabe a passagens de ônibus, ele fala sobre tudo), e um outro lá chamado Ismael não sei de quê… O programa era uma sucessão de adjetivos e pontos de exclamação sobre a lindeza, a justeza, a beleza (e quantas rimas em besteza vocês quiserem fazer) da manifestação. Quanta democracia! Que legal! É a cidadania! É o povo!

De repente, uns delinquentes começaram a avançar sobre os homens da Guarda Civil. Tentavam invadir o prédio da Prefeitura. Alguns objetos começaram a ser jogados. Os guardas usaram spray de pimenta. Inútil. Pelo visto, há gente ali acostumada com coisa, digamos, mais forte. Inútil. Foram pra cima. Os guardas tiveram de se refugiar dentro do prédio. Imediatamente os vândalos começaram a atacar a fachada com pedras, paus, vidros foram quebrados, chute nas portas.

E aí se deu o inacreditável, o espantoso, o inédito, o sensacional, o fora de série.

Leilane foi a primeira a provocar: “Se o prefeito já tivesse revogado o aumento, isso não teria acontecido…”. O tom era meio indignado. Os outros dois concordaram imediatamente: “É, não teria acontecido! Não teria acontecido!”.

Então ficamos assim: vândalos tentam invadir a Prefeitura, agridem guardas municipais — CERTAMENTE MAIS POBRES DO QUE ELES —, mas, segundo a âncora da GloboNews e os “intelequituais”, a culpa é do prefeito: afinal, quem mandou não ceder?

Democracia agora é isso: ou cede ou apanha; ou cede ou a gente invade; ou cede ou você será culpado pelo mal que possa lhe acontecer. A GloboNews acaba de incorporar a lógica dos sequestradores — sejam sequestradores da ordem ou de pessoas.

Confronto
Neste momento, um grupo de manifestantes tenta conter os mais exaltados, mas está difícil. Há gente tentando escalar o prédio da Prefeitura, entrar pelas portas laterais. A imprensa exigiu o fim da tropa de choque. Levou! Exigiu o fim das balas de borracha. Levou. É contra a atuação da Polícia Militar porque repressão é coisa feia. Levou também. Os próprios jornalistas da Globo têm de esconder o logotipo dos microfones — alguns fazem filme com celular. Mas tudo bem! No ovo, o voo do novo. No povo, o ovo do novo. No novo, o ovo do povo…

Os petistas enfrentam o espírito da massa — não é isso — que foi despertado na eleição de Haddad. Como é mesmo? “Existe amor em São Paulo.” Certo! Ocorre que, sem ordem, o ódio ganha espaço.

Ah, sim: antes da trinca da GloboNews absolver vândalos e culpar o prefeito pela invasão, o tal Ismael fez um repto contra o ajuste fiscal. Por quê? Não sei. A GloboNews deve saber.

Agora, um tal Fernando Abrúcio prega em meio à selvageria: é hora de dar uma resposta concreta. Segundo ele, essa resposta consiste em reduzir imediatamente a tarifa e dar respostas à mobilidade urbana. Certo! Ou não existe intelectual que acha isso ruim, ou a GloboNews não ouve gente desse tipo.

Nota: São Paulo tem 11,5 milhões de habitantes. O protesto de hoje reúne 10 mil. Muitos dos miseráveis que se opõem aos 20 centavos filmam os acontecimentos com os seus celulares de última geração. Faz sentido? Segundo os “inteliquituais”, faz, sim, em nome de um substantivo abstrato no qual cabe qualquer coisa: “mobilidade”.

Viva a pancadaria!

19 Jun 00:32

Sérgio Cabraaal, cadê você? Entro nos sites e ligo a TV só pra te ver… E um vídeo estarrecedor

by giinternet

O espetáculo de selvageria, ontem, no Rio, é das coisas mais impressionantes, acho, que aconteceram no Brasil. Não me lembro de ter visto coisa parecida nem em tempos de guerra nem em tempo de paz.

O governo do Rio certamente dimensionou mal — e toda a imprensa — a magnitude do protesto. Houve uma falha evidente na organização de segurança. No pé deste post, vai um vídeo assustador.

Muito bem!

Sérgio Cabral, governador do Rio, disse que não comentaria o episódio. Que os jornalistas fossem procurar o comando da PM.

José Mariano Beltrame, secretário da Segurança Pública, disse que não comentaria o episódio. Que os jornalistas fossem procurar o comando da PM.

O comandante da PM, coitado!, deu uma coletiva hoje. Falou como se fosse o secretário de Segurança Pública ou o governador do estado.

Cabral é Cabral. É quem é. Um político que só aparece quando há aplauso. E, convenham, a imprensa do Rio só o procura quando é para aplaudi-lo. Mas e Beltrame, a coqueluche da imprensa e dos intelectuais do Rio, de São Paulo e de qualquer lugar? Hoje, deve ser a reputação mais superfaturada do Brasil.

Seu nome é cotado para vice na chapa de Pezão, que deve concorrer ao governo pelo PMDB. E já houve um movimento para indicá-lo para ao Prêmio Nobel da Paz. Ele só não mostra a cara quando seus subordinados são linchados.

Segue o vídeo.

19 Jun 00:32

Os democratas da imprensa deslumbrada acabam de incendiar um veículo-gerador de TV Record

by giinternet

Os fascistas que estão em frente à Prefeitura de São Paulo tentaram virar um veículo-gerador de TV. Não conseguiram. Quando a TV cortou a imagem, haviam colocado fogo na cabine.

19 Jun 00:31

Verizon Accused of Intentionally Slowing Netflix Video Streaming

by Soulskill
colinneagle writes "A recent GigaOm report discusses Verizon's 'peering' practices, which involves the exchange of traffic between two bandwidth providers. When peering with bandwidth provider Cogent starts to reach capacity, Verizon reportedly isn't adding any ports to meet the demand, Cogent CEO Dave Schaffer told GigaOm. 'They are allowing the peer connections to degrade,' Schaffer said. 'Today some of the ports are at 100 percent capacity.' Why would Verizon intentionally disrupt Netflix video streaming for its customers? One possible reason is that Verizon owns a 50% stake in Redbox, the video rental service that contributed to the demise of Blockbuster (and more recently, a direct competitor to Netflix in online streaming). If anything threatens the future of Redbox, whose business model requires customers to visit its vending machines to rent and return DVDs, its Netflix's instant streaming service, which delivers the same content directly to their screens."

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19 Jun 00:31

Fogo destrói carro da TV Record; “âncora” de programa, que se faz porta-voz dos baderneiros, passa a chamar incendiários de bandidos. Mas continua a perguntar: “O que você quer? Hospital ou Copa do Mundo?” Nota: Record não tem direito de transmissão de evento

by giinternet

Os fascistas que estão em frente à Prefeitura de São Paulo primeiro tentaram virar um veículo-gerador de TV Record. Não conseguiram. Então decidiram botar fogo no carro, que foi consumido pelas chamas.

Imediatamente, sintonizei a emissora para ver o que dizia o tal Marcelo Rezende, que se refere às manifestações como “a nossa voz” e aos manifestantes como “nós”. Pelo visto, ele ainda não sabia do episódio. E continuava, com aquele seu jeito muito próprio, a devolver ao meio ambiente tudo o que tinha no estômago: “Aí eu pergunto pra você: o que é melhor pra nós, a Copa das Confederações, a Copa do Mundo, ou um hospital? Você que é pai, que tem filho, quer um hospital ou a Copa? Olhem aí, nós estamos na rua…”.

E seguia a expelir coisas ainda mais abjetas quando deve ter sido avisado do incêndio. Aí passou a lamentar a ação de criminosos, lembrando que que a turma do Movimento Passe Livre já tinha procurado a sua equipe para agradecer o apoio.

Há uma degeneração generalizada de padrão — do jornalismo ou do subjornalismo, já, por si, degenerado.

Na GloboNews, a absolvição do vandalismo e a responsabilização da vítima (ver post). Na Record, a mistura de negócios — afinal, a emissora não é detentora dos direitos de transmissão da Copa das Confederações e da Copa do Mundo — com a causa dos supostos “oprimidos”. O lixo moral vai se acumulando.

Ocorre que os fascistoides que estão soltos — e nem eles sabem que são fascistoides — não têm tempo nem espaço para certas sutilezas.

É imprensa? Eles não gostam. Jornalistas da Globo, apesar de toda simpatia pelo movimento, têm de trabalhar com os microfones cobertos — ou sem o logo. Alguns se disfarçam de manifestantes e têm de filmar tudo pelo celular.

Mas repetem o mantra: a manifestação é pacífica!

19 Jun 00:30

Manifestante carrega a minha foto: “Cala a boca, Reinaldo Azevedo!”. Não calo!

by giinternet

Num dos protestos, um rapaz carregava um cartaz que trazia uma fotinho deste escriba com uma recomendação: “Cala a boca, Reinaldo Azevedo”. Quando eu tiver a imagem, divulgo. Duas coisas, não necessariamente nesta ordem:
1) não dou a mínima;
2) não calo.

Enquanto o Brasil for uma democracia — vale dizer: enquanto o Movimento Passe Livre, que não negocia, mas impõe, não estiver no formalmente no poder —, não calo, mas falo.

Qual é o problema dessa gente? Não basta ter o apoio da esmagadora maioria da imprensa? Não bastam os ais e uis de alegria e satisfação, a celebrar a suposta vocação democrática de quem sai por aí, cassando o direito de ir e vir?

Ora, reconheçam ao menos o meu direito de, no jornalismo ao menos, integrar a minoria.

Não calo, falo! De resto, quanto mais se tenta criar um clima de unanimidade em favor daqueles que saem por aí estuprando a Constituição, mais me assanha a sede de exercitar o Artigo V da Constituição e dizer “não!”.

18 Jun 18:38

Jon 'Maddog' Hall On Project Cauã: a Server In Every Highrise

by timothy
L

Precisely my vision for several years already!

Qedward writes with an excerpt at TechWorld about a new project from Jon "Maddog" Hall, which is about to launch in Brazil: "The vision of Project Cauã is to promote more efficient computing following the thin client/server model, while creating up to two million privately-funded high-tech jobs in Brazil, and another three to four million in the rest of Latin America. Hall explained that Sao Paolo in Brazil is the second largest city in the Western Hemisphere and has about twelve times the population density of New York City. As a result, there are a lot of people living and working in very tall buildings. Project Cauã will aim to put a server system in the basement of all of these tall buildings and thin clients throughout the building, so that residents and businesses can run all of their data and applications remotely."

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18 Jun 16:40

Syria and Egypt Can’t Be Fixed

by David P. Goldman

Cross-posted from Asia Times Online.
Syria and Egypt are dying. They were dying before the Syrian civil war broke out and before the Muslim Brotherhood took power in Cairo. Syria has an insoluble civil war and Egypt has an insoluble crisis because they are dying. They are dying because they chose not to do what China did: move the better part of a billion people from rural backwardness to a modern urban economy within a generation. Mexico would have died as well, without the option to send its rural poor – fully one-fifth of its population – to the United States.

It was obvious to anyone who troubled to examine the data that Egypt could not maintain a bottomless pit in its balance of payments, created by a 50% dependency on imported food, not to mention an energy bill fed by subsidies that consumed a quarter of the national budget. It was obvious to Israeli analysts that the Syrian regime’s belated attempt to modernize its agricultural sector would create a crisis as hundreds of thousands of displaced farmers gathered in slums on the outskirts of its cities. These facts were in evidence early in 2011 when Hosni Mubarakfell and the Syrian rebellion broke out. Paul Rivlin of Israel’s Moshe Dayan Center published a devastating profile of Syria’s economic failure in April 2011. [1]


Sometimes countries dig themselves into a hole from which they cannot extricate themselves. Third World dictators typically keep their rural population poor, isolated and illiterate, the better to maintain control. That was the policy of Mexico’s Institutional Revolutionary Party from the 1930s, which warehoused the rural poor in Stalin-modeled collective farms called ejidos occupying most of the national territory. That was also the intent of the Arab nationalist dictatorships in Egypt and Syria. The policy worked until it didn’t. In Mexico, it stopped working during the debt crisis of the early 1980s, and Mexico’s poor became America’s problem. In Egypt and Syria, it stopped working in 2011. There is nowhere for Egyptians and Syrians to go.

It is cheap to assuage Western consciences by sending some surplus arms to the Syrian Sunnis. No-one has proposed a way to find the more than US$20 billion a year that Egypt requires to stay afloat. In June 2011, then French president Nicholas Sarkozy talked about a Group of Eight support program of that order of magnitude. No Western (or Gulf State) government, though, is willing to pour that sort of money down an Egyptian sinkhole.

Egypt remains a pre-modern society, with nearly 50% illiteracy, a 30% rate of consanguineal marriage, a 90% rate of female genital mutilation, and an un- or underemployment rate over 40%. Syria has neither enough oil nor water to maintain the bazaar economy dominated by the Assad family.

Both were disasters waiting to happen. Economics, to be sure, set the stage but did not give the cues: Syria’s radical Sunnis revolted in part out of enthusiasm for the ascendancy of the Muslim Brotherhood in Egypt and partly in fear of Iran’s ambition to foster Shi’ite ascendancy in the region.

It took nearly two years for the chattering classes to take stock of Egypt’s economic disaster. The New York Times’ Thomas Friedman, the benchmark for liberal opinion on foreign policy, gushed like an adolescent about the tech-savvy activists of Tahrir Square in early 2011. Last week he visited a Cairo bakery and watched the Egyptian poor jostling for subsidized bread. Some left hungry. [2] As malnutrition afflicts roughly a quarter of Egyptians in the World Health Organization’s estimate, and the Muslim Brotherhood government waits for a bumper wheat crop that never will come, Egypt is slowly dying. Emergency loans from Qatar and Libya slowed the national necrosis but did not stop it.

This background lends an air of absurdity to the present debate over whether the West should arm Syria’s Sunni rebels. American hawks like Senators John McCain and Lindsey Graham, to be sure, argue for sending arms to the Sunnis because they think it politically unwise to propose an attack on the Assad regime’s master, namely Iran. The Obama administration has agreed to arm the Sunnis because it costs nothing to pre-empt Republican criticism. We have a repetition of the “dumb and dumber”consensus that prevailed during early 2011, when the Republican hawks called for intervention in Libya and the Obama administration obliged. Call it the foreign policy version of the sequel, “Dumb and Dumberer”.

Even if the Sunnis could eject the Assad family from Damascus and establish a new government – which I doubt – the best case scenario would be another Egypt: a Muslim Brotherhood government presiding over a collapsed economy and sliding inevitably towards state failure. It is too late even for this kind of arrangement. Equalizing the military position of the two sides will merely increase the body count. The only humane thing to do is to partition the country on the Yugoslav model, but that does not appear to be on the agenda of any government.

Notes:
1. See Israel the winner in the Arab revolts, Asia Times Online, April 12, 2011.
2. Egypt’s Perilous Drift, New York Times, June 15, 2013.

18 Jun 16:40

Será que significa alguma coisa? Significa

by giinternet

Apesar da cobertura deslumbrada, cheia de adjetivos e pontos de exclamação, com perorações sobre as virtudes da participação e coisa e tal, repórteres das TVs têm de revestir os logotipos de suas respectivas emissoras com espuma preta. Ou, então, são obrigados a gravar suas reportagens com celular. Assim, não são identificados por aqueles democratas que estão tomando as ruas, impedindo o povo de ir e vir. Será que significa alguma coisa?

Significa.

18 Jun 13:17

Gay Marriage: Whose Yes, Whose No?

by ft@firsthings.com (Elizabeth Scalia )

I recently received the following message from a stranger: So basically, the 'orthodox Catholic game you all play is just that . . . a game?" It was in reference to a Catholic man with whom I am friendly, and like very much. She had apparently read on social media that this man was planning to marry another man.


My friend had never come out" to me, and-call me old-fashioned, or call me incurious-it had never occurred to me to ask, so the wedding plans were mildly surprising. But reading the email I thought, Yes, so? What does this woman want me to do? Should I now hate him? Am I supposed to 'un-friend him (that ridiculous term) or even publicly denounce him in order to demonstrate sufficiently 'orthodox Catholic bona fides for her satisfaction? Is that what she wants?"


Well, I couldnt do that. I like this man. Every exchange I have ever had with him, in person or online has been pleasant, very kind and sweet-natured. The world needs all the pleasant, kind and sweet-natured people it can get, and I wasnt going to give one up in order to prove myself to some scold I didnt even know.


On the other hand, I wondered whether I should publicly wish him happy-as I certainly do. I want everyone I know to be happy in their decisions, particularly when those decisions involve love.


And yet, I did not click over to Facebook and shower his timeline with good wishes, for three rather simple reasons:


First, I will not be held hostage to an ascendant social mood toward compulsory conformity; I will not give up my own (imperfect but free) thought and reason, whether it be to anonymous e-mailers who want me to prove my faith, or to an over-emotive era that demands that I prove my love. To the former I offer the words of Christ Jesus: Go and learn the meaning of the words, 'I desire mercy."


To the latter I offer a simple truth: Real love models God. God loves us unconditionally, and accepts all we are, but not all we do.


Secondly, I do not wish to surrender to the twin tyrannies of sentimentalism and relativism that overwhelm our society; within them resides neither justice nor truth. If I must not let my dislike of a woman lead me to unfairly accuse her of error (and I certainly mustnt) then my affection for a man must not allow me to unfairly excuse his choices, either, no matter how much I might wish to. Matthew 19:12  informs my thinking, here, supported by my belief that Christ Jesus is all-Truth.


Thirdly, I did not offer my friend public felicitations because I do not wish to be misunderstood, or to further add to the diminution of the concept of agape-the God-rooted depth of friendship that we have undervalued and left under-explored. Our pop culture portrays every first kiss as leading to a sexual tumble, and our society has largely adopted that mindset and practice. To us, it seems inconceivable that any love goes unconsummated or unconditionally approved. This makes it difficult for us to believe, or even to imagine, that sometimes God has other plans for love.


In a recent interview Mother Dolores Hart, O.S.B.-a Benedictine nun who fifty years ago was a beautiful, successful actress engaged to a handsome young man-gave a hint as to the richness and depth to be found in agape. Drawn to her abbey, she broke off the engagement:


Oh, [Don Robinson] was so upset. But he said a very unexpected thing, which was, You know all love relationships dont end at the altar, and I will be faithful to you in this." Well, I thought that was a head-trip . . . I didnt see how in the world he could do that, but in effect, fifty years later, Don did stay with me.

Robinson never married, and before his death told reporters, We have grown together, like we would have in our marriage . . . She is my life."


By all accounts the depth and abiding faithfulness of love between this woman and this man was true agape; a true sharing of love of the heart, mind, and spirit, all entrusted to the will of God, whatever that might be.


Part of the Catholic Churchs charge on earth is to train us in agape; it is meant to provide the foundation and-through its richly reasoned theology and liturgical and spiritual disciplines-the means by which we continually advance and grow toward a depth of wholeness that says, I love you as God loves you, which means enough to set you free, in the hope that we will find each other again in that freedom."


This is a great mystery, because to the world, that freedom is always supposed to mean an unimpeded yes" to everything we want. In the divine economy, though, yes" is the thing we discover once we have batted away the highly-burnished, distortive, self-reflecting idols we have picked up from society or created on our own, so that we may stand before something greater than we can ever imagine.


Christ Jesus said, Let your 'yes mean 'yes and your 'no mean 'no," and warned us not to dress either answer up with rationalizations, excuses or anything that takes them out of the provenance of God.  Where we find no" is never in God, but in ourselves, and how we receive his yes."


Elizabeth Scalia is the author of Strange Gods: Unmasking the Idols of Everyday Life and the managing editor of the Catholic Portal at Patheos.com, where she blogs as The Anchoress. Her previous On the Square" articles can be found here.


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18 Jun 13:08

Blog bate recorde de visitas e recebe elogios e insultos às pencas. Por quê? Porque não reconheço o caráter democrático ou liberalizante de boa parte dos protestos. Ou: De volta ao petismo primitivo

by giinternet

Este blog bateu ontem o recorde de visitas num único dia: 267.439. Obrigado aos que amam e aos que odeiam. Aos mansos de espírito e até aos furiosos, que contribuem para que me mantenha no que acredito ser o caminho reto. Escrevi e li muita coisa nesta segunda. Elogios, sim, aos montes. Insultos também, às pencas. Procurei um bom lead para começar este post, algo que fosse, a um só tempo, uma síntese intelectual deste dia, mas também afetiva — já que, notei pela cobertura das TVs, a onda agora é ser emocional, confessional, lançar sensações no ar, ainda que desconectadas de um pensamento — e tive de apelar a quem fez uma síntese com a qual eu não poderia competir. Como não vejo salvação fora da razão (esse cara — católico! — sou eu) e repudio a ditadura das sensações, esse texto tem só um lead possível:

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
(…)
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
(…)
tu serás um homem, ó meu filho!

Voltei
É trecho do poema “Se” (If), do poeta britânico Rudyard Kipling (1865-1936), na tradução de Guilherme de Almeida. O bom poeta e tradutor José Paulo Paes (1926-1998) fez uma paródia injusta, mas inteligente e engraçada, do texto, em “Kipling revisitado”:

Se etc
Se etc
Se etc
Se etc
Se etc
Se etc
Se etc
Serás um teorema,
meu filho!

Não pretendo ser um teorema ou transformar em teoremas a realidade política e social, especialmente porque o presente tem sempre variáveis que desconhecemos, mas é preciso que a gente consiga distinguir o inédito do novo — ou, como se diz muito hoje em dia, do “histórico”. Recebi, sim, com tal volume de leitores, muitos elogios, mas também não faltaram os insultos os mais pesados. E vinham de todos os lados: dos petistas porque evidenciei aqui que tentavam transformar um protesto que os tinha também como alvos em uma manifestação contra Geraldo Alckmin — como se não houvesse pessoas nas ruas em 11 outros estados. A grande manifestação, diga-se, aconteceu mesmo no Rio. Levei pauladas dos que estão à esquerda do PT porque apontei a reivindicação doidivanas, irresponsável, da “tarifa livre”. E tomei pancada de antipetistas porque eu não estaria percebendo que o que vai nas ruas é, afinal, uma manifestação de cidadania, que contesta o petismo, o governo Dilma, sei lá o quê. Não contava, obviamente, com o endosso de petistas e forças que estão à sua esquerda. E, como deixei claro aqui nesta segunda e nos dias anteriores, não acho que as manifestações afrontem a metafísica petista-esquerdista. Ao contrário até: eu as considero, em muitos aspectos, derivações teratológicas desse mesmo espírito. AINDA QUE SE DEVA FRISAR QUE HÁ NAS RUAS PROTESTOS DISTINTOS, QUE SE COMBINARAM.

Uma contradita que não se resume à violência
A minha contradita em relação ao que está em curso, especialmente em São Paulo e Rio, não se resume à violência — embora ela seja grave, sim, e exija uma resposta do estado democrático e de direito. Lamento! Ainda que os 65 mil de São Paulo e os 100 mil do Rio estivessem se manifestando contra Dilma Rousseff — que faz um governo que considero sofrível; ainda que milhares de pessoas Brasil afora estivessem se manifestando contra o PT, cujas escolhas políticas, em regra, abomino; ainda que os protestos nas 12 capitais estivessem a pedir cadeia para os mensaleiros e estivesse a esconjurar a corrupção generalizada; ainda que os manifestantes estivesse justamente indignados com os gatos públicos — e muito pouco transparentes — da Copa do Mundo, eu me obrigaria a vir a público para declarar: EU NÃO RECONHEÇO A NINGUÉM, MENOS AINDA ÀQUELES QUE SERIAM, ENTÃO, MEUS ALIADOS, O DIREITO DE PARALISAR AS CIDADES, VIOLAR A CONSTITUIÇÃO E CERCEAR O DIREITO DE IR E VIR DE MILHÕES DE PESSOAS. A minha esperança não me permite violar a minha consciência; os meus anseios não convivem com a agressão ao estado democrático e de direito; as minhas utopias não combinam com a imposição e com o desrespeito a leis democraticamente estabelecidas. E não! Não vou arredar pé desse ponto.

Então é bom e útil que fique muito claro: eu não tenho severas e graves restrições ao que está em curso apenas porque deploro os atos de selvageria que vi no Rio, em Brasília ou em São Paulo. Falarei um pouco a respeito. A minha restrição é anterior. Já escrevi e reitero: eu não apoio ações ou movimentos que tornam o mundo menos livre do que é, menos democrático do que é, menos pluralista do que é. E gente que ousa acreditar que pode impor a sua vontade à força porque tem a ambição de que o seu anseio traduza a vontade coletiva não é nem jamais será da minha turma, ainda que, episódica ou esporadicamente, goste ou desgoste das mesmas coisas que me agradem ou me desagradem. Não posso e não vou chamar a imposição de exercício da cidadania.

Pautas distintas
Em São Paulo e no Rio, o mote principal da manifestação foi a redução das passagens de ônibus. Em Belo Horizonte e em Brasília, falou-se mais dos gastos oficiais com a Copa do Mundo, a despeito das precariedades existentes na saúde e na educação. São pautas distintas, que acabaram se combinando no que seria um movimento nacional. Assim, uma das tarefas postas ao jornalismo é saber, com precisão, para além das perorações encantadas e encantatórias, quem quer o quê e mobiliza quem. Isso ainda não está claro.

Noto que há um esforço para tentar adivinhar as raízes do que seria uma súbita explosão de consciência. Descontentamentos há tempos represados, insatisfações há muito mitigadas teriam vindo à flor da pele, e estaríamos vivendo os nossos dias de Egito ou Turquia. Para tanto, convenham, seria necessário que se caracterizasse, então, ou a ditadura (que nos aproximaria do povo egípcio) ou o regime autoritário à moda turca, que censura a imprensa, impõe a linha justa religiosa, submete a sociedade, paulatinamente, a uma disciplina teocrática. Mas onde estão esses fatores? Na ausência deles, interroga-se se a inflação renitente, o crescimento medíocre, um Congresso que se orienta pelo troca-troca não foram abrindo rachaduras na muralha petista. O protesto contra a passagem de ônibus teria sido, então, a gosta d’água que fez romper o dique.

Como já escrevi aqui, peço desculpas, então, pelo meu pessimismo, pela minha desesperança. Em São Paulo, por exemplo, o protesto é mesmo contra a elevação da passagem de ônibus de R$ 3 para R$ 3,20. Um movimento que atuava em parceria com o petismo, o Passe Livre, que tem como pauta principal a aloprada defesa da “tarefa zero”, uniu-se a militantes de extrema esquerda, e os dois grupos organizaram uma série de protestos violentos, que demandaram a, atenção!, justa e correta intervenção da Polícia Militar. Se houve excessos na quinta-feira — e bala de borracha em jornalista não é necessariamente prova disso; é preciso apurar —, que sejam punidos! Mas o fato é que a PM, em regra, combateu baderneiros, incendiários, depredadores. Se eles não representavam o movimento, que este viesse a público para repudiar o vandalismo. Não só não fizeram isso como tiveram o topete de mentir, sustentando que os arruaceiros apenas respondiam à violência policial.

Dissequei ontem aqui o, por assim dizer, pensamento de uma das líderes do Passe Livre. Ela acredita firmemente que seu movimento pode impor ao prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e ao governador do Estado, Geraldo Alckmin a sua vontade. Eles só serão considerados democratas se concordarem com a turma, hipótese em que os paulistanos terão a cidade de volta. Caso contrário, diz ela, “a gente vai continuar colocando as nossas forças nas ruas, ocupando ruas importantes e parando a cidade”. E ponto! Na entrevista coletiva — imaginem vocês!!! — concedida pelo grupo nesta segunda, Érica de Oliveira parecia até um pouco irritada com a tentativa da imprensa de, benignamente, em favor dos valentes, tentar ampliar a pauta. Ele deixou claro: eles querem a redução da tarifa. Sem isso, não há conversa. Em algumas capitais, essa também é uma questão de honra. Em outras, o alvo principal é a Copa do Mundo. Em Brasília, promotores conseguiram meter até a PEC 37 no cardápio.

Ainda que, no resto do Brasil, fosse verdadeira a existência de uma pauta mais, como direi? liberal-democrática, em São Paulo, ela é falsa como uma nota de R$ 3 — ou de R$ 3,20. Por aqui, a agenda inegociável é a redução da tarifa. Ou é isso ou é isso, dizem os representantes do Passe Livre, que hoje se encontram com Haddad. Ou é isso, ou eles continuarão, como dizem, a parar a cidade. Afinal, como nos explicou Mayaa Vivian, outra pensadora do Passe Livre, eles acham que as empresas privadas de transporte só estão mesmo interessadas no lucro.

Outra abordagem
A minha abordagem é outra, e, à diferença de Arnaldo Jabor, que fez um mea-culpa no Jornal da Globo, não mudei de ideia. Ao contrário! Estou ainda mais convicto. Casaram-se três pragas da contemporaneidade, que resultaram nos conflitos que estamos vendo: uma é de alcance quase universal nas democracias; as outras têm uma marca muito nossa, muito própria de Banânia.

Uma das doenças das democracias é a emergência de minorais radicalizadas ou de grupos sectários que reivindicam o direito de impor à coletividade as suas vontades. Confundem a tolerância que devem ter os regimes democráticos com uma ditadura de minorias. Assim, para esses grupos, nada mais natural do que tomar de assalto as ruas ou as instituições e impor uma decisão na base do berro — e, se necessário, da violência. Desculpem-me! Eu não posso esquecer que, há coisa de dois meses, grupinhos de 20 ou 30 pessoas simplesmente impediam o funcionamento da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, com amplo apoio da imprensa — o mesmo com que contou o Movimento Passe Livre. Isso que chamo “fascismo de minoria” é chamado por aí, com impressionante desassombro, de “direito” e “liberdade de expressão”. Não é um mal exclusivo do Brasil.

Já a impunidade tem a nossa cara. Está se tornando corriqueira no país a noção de que desrespeitar a lei para fazer justiça social é mais do que um direito; seria mesmo um dever. Assim, o Movimento Passe Livre e seus companheiros de extrema esquerda só estariam querendo o bem dos paulistanos e dos brasileiros. E por que não poderiam, então, parar a cidade? Afinal, não é isso o que faz, dia sim, dia também, o MST, sem que se lhe advenha qualquer consequência? Não estão aí os índios, com o amparo de Gilberto Carvalho, a invadir terras, a incendiar propriedades, a expulsar proprietários?  Outro traço que vai nos definindo como país é a noção de que o Estado é o grande provedor de tudo. Logo, perguntam, por que o transporte não pode ser gratuito?

Infelizmente, não vejo em nada disso uma abordagem de resistência, que pudesse ser, de algum modo, útil à democracia, ao estado de direito e mesmo à alternância de poder. Ao contrário: vejo reproduzido em alguns desses episódios a pior mística dos primeiros tempos do petismo, e não é por acaso que a imprensa se tomou de encantos pelo Passe Livre. Eu diria até, atenção para isto!, que também os traços de classe social se repetem. A exemplo dos primeiros petistas, lá do começo dos anos 1980, também o Passe Livre tem a cara, o jeito e o pensamento da elite radicalizada, que se considera dotada de uma consciência superior, com a qual vai civilizar e libertar os oprimidos. É próprio desse estrato social, faça ou não política, tenha ou não “consciência”, achar que a lei existe apenas para os outros.

Volto a Kipling
Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
(…)

Vou manter a minha calma também desta vez. Poucos de vocês imaginam como torço para estar errado — como torcia no caso da dita “Primavera Árabe” ou no do caráter autoritário do obamismo. Desta vez, gostaria imensamente de estar errado. O diabo é que acho que não estou. Vamos ver como as coisas se comportam. Se é verdade que esse é mesmo um movimento mudancista, então o Brasil caminha para uma virada importante, e Dilma poderia ir começando a fazer as malas.

Mas acho que as coisas não são bem assim. Temo que possamos estar diante de um petismo meio degenerado, que pode alimentar correntes políticas que estão à esquerda do partido. Vejo, sim, a esperança de muitos. Eles se manifestam nos comentários, convidando-me a seguir o caminho de Jabor. Não vou, não! Até ônibus foram sequestrados (ver post) nas imediações do Palácio dos Bandeirantes para que alguns manifestantes pudessem deixar claro o que pensam. Não contem comigo! Gente que derruba grades de palácio de governo num regime democrático tem é vontade de nos impor a sua ditadura. Não são e jamais serão meus aliados.

Texto publicado originalmente às 6h11
18 Jun 13:07

Em nenhuma democracia do mundo se tolera o que se viu ontem em SP, mas é o que quer a nossa imprensa. Ou: Portão arrancado, morteiros contra a PM e dois ônibus sequestrados. São as flores da “Primavera Brasileira”

by giinternet

O Movimento Passe Livre já está a merecer uma verdadeira antologia da estupidez. Leiam esta: “O comportamento da polícia foi muito diferente. Quando não há repressão, a gente consegue fazer um ato muito mais organizado, sem violência”. A fala é de um rapaz chamado Matheus Preis, um dos líderes da turma. Ele tem a seu favor o fato de só ter 19 anos e uma longa vida pela frente para se recuperar das besteiras que diz. Quem não tem o direito de cair na sua é a imprensa. Mas cai. E de maneira miserável. O que Matheus está dizendo é o seguinte: desde que o grupo possa fazer o que bem entender, tudo certo Se, no entanto, encontrar alguma resistência, aí… Mas que fique claro: a culpa, segundo ele, será sempre da polícia.

A fala do rapaz não e só estúpida. É falsa também. Ontem, a Polícia Militar, como vocês viram, se limitou a acompanhar os manifestantes. Fizeram o que lhes deu na telha, andaram por onde bem entenderam, ocuparam as ruas e avenidas a seu bel-prazer. Num dado momento, a coisa começou a ficar chata para os mais exaltados. Uma parte deles teve, então, a ideia de seguir para o Palácio dos Bandeirantes. Fecharam o trânsito na rua, que dá acesso ao hospital Albert Einstein. E começaram a forçar para derrubar um dos portões, o que acabaram conseguindo. Só não invadiram a sede do governo por causa das bombas de gás lacrimogênio.

Ao longo do dia, foram tratados pela imprensa como poetas, como legítimos promotores de uma certa “Primavera Brasileira”. Muitos desses patriotas jogavam morteiros contra os policiais, que estavam do outro lado da cerca. Atenção: parte da avenida ainda está interditada. Um grupo continua em frente ao palácio, com suas indefectíveis mochilas nas costas. Isso lhes parece pouco? É verdade! Fizeram mais. Leiam trecho de reportagem da Folha:

(…)
Ainda no início da madrugada, manifestantes dirigiram dois ônibus biarticulados e usaram os veículos para bloquear a avenida. Os dois coletivos da linha 5119 (Terminal Capelinha – Largo São Francisco) foram guiados quando não havia mais passageiros.

O motorista de um dos coletivos disse que o ônibus dele e outro da mesma empresa seguiam pela avenida Morumbi quando foram bloqueados por manifestantes. Eles aguardaram e, quando pararam de ouvir barulho de bombas, decidiram seguir caminho imaginando que a via estava liberada.

Ao se aproximar do palácio, foram cercados por manifestantes que exigiram que todos os passageiros saíssem do coletivo, inclusive cobradores e motoristas. O motorista de um dos ônibus, que preferiu não ter o nome divulgado, disse que foi agredido, teve a mão ferida por uma pancada e, após deixar o veículo, se refugiou dentro do Palácio dos Bandeirantes. Ele disse ter mostrado o crachá da empresa onde trabalha aos policiais para conseguir entrar no local.

Quando os ônibus foram esvaziados, manifestantes então assumiram a direção e subiram nas caçadas, bloqueando os dois sentidos da avenida Morumbi.”Nunca vi um aperreio que nem esse. Quando passei já estava voando pedra e bomba para tudo quanto era lado. Tinha muito passageiro, sorte que não ficou ninguém ferido”, disse Manuel Marcos, 46, motorista de ônibus há 22 anos.

Marcos disse ainda que em dias normais deixa o trabalho às 22h, “mas já são 1h20 e ainda estou aqui [na frente do palácio]. Amanhã às 13h, entro de novo”. A empresa Campo Belo, dona dos coletivos, enviou funcionários para manobrar os veículos e seguirem para o 34º DP (Vila Sônia), onde será feito um boletim de ocorrência.

Ambos os ônibus tiveram os extintores furtados e esvaziados na via. Um dos veículos ainda teve o para-brisa e retrovisor quebrados, enquanto o outro foi pichado.

Voltei
Eis aí. Essa gente era cantada ontem em prosa e verso — a depender da emissora, vômito — nas televisões. Sequestro de ônibus, morteiros contra Polícia, derrubada de um portão… Agora mesmo, sete da manhã, o “Bom Dia, São Paulo”, da Globo, levar ao ar a entrevista de um rapaz que voltava do Palácio dos Bandeirantes, rumo a uma estação do metrô. Cinicamente, ele retirou do bolso um artefato já disparado de uma bomba de efeito moral para exibir: “É, estamos voltando do Palácio, onde fomos recebidos com bombas, gás… Eu até trouxe uma lembrancinha, ironicamente chamada de bomba de luz e som…” Ou por outra: ele queria invadir o Palácio e ser recebido com flores…

Em nenhum lugar do mundo
Atenção! Em nenhum lugar do mundo uma polícia permite o que permitiu ontem a de São Paulo: o virtual colapso da cidade. Se alguém souber de algum exemplo, é só me contar. Protestos existem, sim, às pencas, mas em praças e áreas restritas. As democracias não permitem que coisas como o que se viram ontem ocorram porque direitos fundamentais são agredidos.

Mas não e esse o entendimento de, como é mesmo o nome dele? Matheus Preis. Também não é isso o que pensa a imprensa brasileira. A cidade pertence a quem a toma na marra. E fim de papo! Considera-se que os manifestantes já fizeram uma grande concessão ao não partir para o quebra-quebra — ao longo das passeatas ao menos.

Até quando vai? Vamos ver. Há um novo protesto marcado para a Praça da Sé nesta terça. Mais uma vez, suponho, se uma minoria conseguir impor a sua vontade à maioria sem ser atrapalhada por ninguém, tudo sairá às mil maravilhas.

Ou é assim, ou os nossos valentes jornalistas chamam a PM, que cumpre a lei, de fascista, e os fascistas que se impõem na base da truculência de as mais vistosas flores da Primavera Brasileira. Vamos ver se Elio Gaspari dá hoje a hora exata em que um manifestante jogo o primeiro morteiro contra os policias que guardavam o Palácio dos Bandeirantes. Não! Ninguém me peça para condescender com isso. Eu não vou! Os manifestantes têm razão num particular: não é por 20 centavos. É por direitos. Pelo estado de direito.

18 Jun 13:06

No Rio, espancamento de policiais, selvageria, linchamentos, invasão e incêndio de prédio da Assembleia. A tropa de choque demorou mais de três horas para chegar. E ninguém ouviu falar nem de Sérgio Cabral nem de José Mariano Beltrame. Fosse em São Paulo…

by giinternet

As cenas de selvageria no Rio de Janeiro estão entre as coisas mais impressionantes que já vi no Brasil. Os policiais que guardavam o prédio da Assembleia Legislativa foram verdadeiramente linchados. Espancados, tiveram de se refugiar no prédio. E não eram poucos, não. Havia pelo menos 70 deles. Vinte ficaram feridos.

Durante três horas, a Alerj foi alvo do ataque sistemático de bandidos, de terroristas. Pichações, fogueira, coquetéis molotov e, finalmente, a invasão. Uma tragédia de grandes proporções poderia ter acontecido ali. Os policiais, afinal de contas, estavam armados. Quatro pessoas ficaram feridas com balas de verdade, que podem ter sido disparadas por policiais. O dano foi pequeno perto do perigo.

Sei que vai haver ranger de dentes, mas não posso me furtar a escrever o que me parece óbvio: a cobertura que a imprensa nacional, MUITO ESPECIALMENTE AS TVs, dispensou aos conflitos de quinta em São Paulo serviu de estímulo aos delinquentes do Rio. Afinal, anunciou-se ao país e ao mundo que os manifestantes eram verdadeiros anjos do pacifismo e que bandidos mesmo eram os policiais militares. Segundo a versão estúpida, mentirosa, tomada como sinônimo de verdade, a PM é que teria dado início ao conflito. Não! A confusão em São Paulo começou, na quinta, quando um grupo decidiu furar o bloqueio feito pela tropa de choque. Mas quem se importa com a verdade? Esses setores da imprensa a que me refiro tinham lado. Esses setores da imprensa a que me refiro fazem oposição nada velada a Geraldo Alckmin. De novo: em qualquer democracia do mundo, nos EUA ou na Suíça, furar um bloqueio policial expõe os que a tanto se arriscam à reação. Mas não houve jeito. PM e governo do estado passaram por um intenso processo de demonização.

Ora, quando a lei não vale mais e quando as forças que a encarnam são tratadas como estorvos; quando aqueles que são pagos para fazer vigorar os códigos se tornam os inimigos, então tudo é permitido. De tal sorte as atenções se concentraram em São Paulo, que a megamanifestação do Rio pegou todo mundo de surpresa — creio que também a polícia.

É evidente que o governo do Rio não pode ser responsabilizado pela violência daquela corja, Mas tem, sim, de ser chamado ás falas em razão do planejamento pífio. Fiz uma procura global nos sites noticiosos. Nada de Sérgio Cabral. Nada de José Mariano Beltrame. Escrevo de novo: o batalhão de choque demorou três horas para chegar à Assembleia Legislativa, onde policiais poderiam ter sido massacrados — ou, então, atirar para matar.

Mais tarde escreverei sobre esta figura patética que é José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça. Em entrevista concedida hoje à Folha, este senhor ataca a polícia de São Paulo e dá exemplos do que considera eficiência: “O que vi em SP, e as câmeras mostraram, é de uma evidência solar que houve abuso. Vi o que aconteceu no Distrito Federal e no Rio. Padrões de comportamento bem diferentes.”

Sem dúvida, padrões de comportamento bem diferentes. O PT não descansa enquanto a segurança pública de São Paulo não exibir os mesmos números do Rio, a começa pela taxa de homicídios: mais do que o dobro.

Se o que viu em terras fluminenses tivesse acontecido em terras paulistas, haveria gente pedindo hoje o impeachment de Geraldo Alckmin…

18 Jun 13:06

How To Block the NSA From Your Friends List

by Unknown Lamer
Atticus Rex writes "The fact that our social networking services are so centralized is a big part of why they fall so easily to government surveillance. It only takes a handful of amoral Zuckerbergs to hand over hundreds of millions of people's data to PRISM. That's why this Slate article makes the case for a mass migration to decentralized, free software social networks, which are much more robust to spying and interference. On top of that, these systems respect your freedom as a software user (or developer), and they're less likely to pepper you with obnoxious advertisements." On a related note, identi.ca is ditching their Twitter clone platform for pump.io which promises an experience closer to the Facebook news feed. Unfortunately, adoption seems slow since Facebook, Google, et al have an interest in preventing interoperability and it can be lonely on the distributed social network.

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18 Jun 03:08

Manifestantes derrubam um portão do Palácio dos Bandeirantes; polícia repele vândalos com bombas de gás. Eles querem mortos e feridos

by giinternet

Às 19h17 chamei aqui a atenção para o fato de que a manifestação em São Paulo haviam se dividido. Uma parte rumava pela Faria Lima e buscava a Paulista, e outra seguia pela Marginal Pinheiros. No ponto em que estavam, havia dois destinos possíveis: o Palácio dos Bandeirantes e a sede da TV Globo em São Paulo. De novo, uma divisão: uma parte ficou lá vituperando contra a emissora, apesar da cobertura feita pela emissora ser dulcíssima com os protestos e outra seguiu mesmo para o palácio.

A turma que foi pela Marginal Pinheiros era aquela mais, digamos assim, política, com bandeiras do PSTU, do PCO e de um movimento ligado ao PSOL.

Muito bem! Até havia alguns minutos, a Polícia Militar de São Paulo não havia usado nem uma miserável bomba sequer. É verdade que os manifestantes, por seu turno, fizeram o que lhes deu na telha, ocuparam a parte as áreas da cidade que bem quiseram, ditaram, enfim, as ordens. A polícia se limitou a acompanhar.

É claro que a turma da desordem não ficou contente com isso. É uma gente que lucra com o conflito e com o confronto. Mesmo sabendo que um grupo rumava para o palácio, Alckmin ordenou que os policiais deixassem livre a frente do prédio. Muito bem, eles chegaram. Inicialmente, houve apenas protestos. Mas aí um grupo forçou e conseguiu derrubar um portão dos jardins do palácio. A invasão foi repelida com bombas de efeito moral.

Neste momento, há centenas de pessoas em frente à sede do governo, onde fazem um grande fogueira. Eis os militantes pacíficos cantados em prosa e verso por setores do jornalismo. Chamem Aiatoelio Gaspari para que diga, exatamente, a hora — com a preciso dos minutos — em que esses democratas britânicos decidiram derrubar a grade do palácio.

Os bandos ligados à extrema esquerda querem porque querem mortos e feridos. Isso justifica a sua luta. Suas ideias sempre se alimentaram do sangue dos idiotas, dos inocentes úteis e dos culpados inúteis.