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24 Jun 18:13

Os ultraesquerdistas do Movimento Passe Livre, do MTST e do Periferia Ativa tentam retomar o protagonismo e agora vão levar agitação para as áreas mais pobres de SP

by giinternet

Inconformados com o suposto desvio conservador das manifestações, os coxinhas radicais do Movimento Passe Livre e seus aliados de esquerda do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e do Periferia Ativa decidiram, há dois dias, não convocar mais manifestações em São Paulo. Como os protestos continuaram a acontecer mesmo sem eles, então recuaram do recuo e agora estão de volta. Por enquanto ao menos, parece que vão deixar a Paulista “para a direita”. Os almofadinhas, agora, querem cair nos braços da periferia.

Com o auxílio da imprensa, transformada em sua porta-voz, a turma decidiu marcar um protesto que tem duas áreas iniciais de concentração: o Largo do Campo Limpo e a estadão do metrô Capão Redondo. Atenção para isto: os protestos vão começar às 7h, segundo informam os portais noticiosos. Se for assim, parece que a ideia é forçar uma espécie de greve junto com a manifestação. A depender das adesões e do que faça o grupo, cria-se um colapso nos transportes, e ninguém consegue se mexer.

Mas, diz o Datafolha, 66% dos paulistanos apoiam os protestos. Eu também apoio, já disse, mas não assim. Nenhuma democracia do mundo permite que a vida das pessoas — ainda que seja da minoria de 34% — seja decidida pela vontade militante de alguns grupos, ainda que suas causas sejam justas e razoáveis. A do MPL é?

Eles avisam em sua convocação que o protesto de agora é pelo “passe livre” mesmo. E escrevem: “Se, antes, diziam que baixar a passagem era impossível, a luta do povo provou que não é. Já derrubamos os 20 centavos. Podemos conquistar muito mais. O transporte só vai ser público de verdade quando não tivermos que pagar nenhuma tarifa para usá-lo”. Eu não vou dar piscadelas para essa sandice. Pouco me importa que o peso recaia sobre Fernando Haddad, que já apelidei aqui de o Supercoxinha de esquerda. A Prefeitura não é dele. Quando ele se for, o problema continua.

Ah, sim: a pauta de demonização da polícia continua. O MPL também vai pedir a sua “desmilitarização” e mais verbas para saúde e educação. Contra a corrupção e o vandalismo, até agora, o grupo não falou. Deve achar que é coisa “de direita”.

Os portais estão noticiando o serviço, ensinado a seus leitores como chegar ao local da passeata. É mais ou menos como se fosse uma excursão ao mundo dos pobres, entenderam? Uma espécie de mistura de espírito militante com espírito turístico. A depender da bagunça que essa gente faça lá no metrô do Capão Redondo, há o risco de pôr em colapso todo o sistema.

Mas nós todos já aprendemos. Se houver alguma confusão, a culpa ou é da polícia ou é de uma “minoria infiltrada”, como a Globo passou a chamar os vândalos. Jamais será de quem marcou um protesto em áreas vitais da cidade, às sete da manhã.

Faustão
Um amigo me liga e diz que Fausto Silva fez há pouco um verdadeiro manifesto em defesa das mobilizações — contra, claro!, o vandalismo. Só faltava ser a favor. Teria feito considerações em tom meio jacobino sobre a passividade do povo, a necessidade de ir às ruas e coisa e tal. Se o bicho por aqui pegar, se o pau comer pra valer, sabem como é, ele sempre poderá se solidarizar conosco lá de Miami, onde não há a hipótese de violação de direitos fundamentais com o apoio de programas de entretenimento. Há, evidentemente, uma óbvia diferença entre a defesa da civilidade nos protestos e a incitação.

Faustão teria perguntado no ar, com a plateia sempre respondendo “Nãããooo”:
- A saúde e boa?
- A educação é boa?
- A segurança é boa?
- O transporte é bom?

O discurso demagógico e populista raramente é definido pelo conteúdo, mas pelo tom. Nessas circunstâncias, a resposta seria “nãããõoo” na maioria das grandes cidades do mundo. A questão é saber se cabe a animador de auditório esse tipo de discurso e se aquele é o lugar adequado para esse tipo de debate. Não! Não estou defendendo censura, não! Só bom senso. Ele fale o que bem entender. Eu falo também.

Vinte e três de junho de dois mil e treze. Não se esqueçam de que eu disse aqui que essa aparente explosão de cidadania vai tornar o Brasil ainda mais refém do que já é hoje em dia de minorias radicais, que impõem a sua pauta mesmo sem ter representação para isso. Este será um dos temas principais do segundo capítulo da série “Por que eu digo não”.

23 Jun 20:21

NA FOGUEIRA: “Bandeira da nação/ homenagem à escravidão”

by giinternet

Vocês têm de ver este vídeo para entender por que as manifestações podem degenerar em violência. Um grupo queima a bandeira brasileira. É evidente que alguns, ali, têm orientação política — uma péssima orientação, mas têm. Outros não dominam nem o vocabulário. Cresce nos morros e nas periferias Brasil afora — este vídeo é de São Paulo — a mística de que se está a criar “fora do mundo das elites” uma cultura alternativa. ONGs, padres, organizações políticas de ultraesquerda… Essa gente tem a ambição de estar construindo “algo novo”, que seria a expressão da voz do oprimido.

O PT transformou isso numa “linguagem de resistência”, com a tola ambição de que “controla a massa”. Insufla, sim. Tem seus aparelhos na periferia, mas controle, propriamente, não tem. Vejam este vídeo. Volto em seguida.

Voltei
Palavras de ordem:
“Bandeira da nação, homenagem à escravidão.”
“Essa bandeira mata índio.”
“Chega de alegria porque a PM mata pobre todo dia.”
“Que coincidência (eles falam “conhecidência”), na classe média não tem violência.”
“Ei, reaça, sai da nossa marcha.” (já falo a respeito)

Entre as palavras de ordem, alguém diz que quem mata índio é a Dilma… Outro, com faixa, diz com voz forte: “A gente não esqueceu do Carandiru, do Pinheirinho, da Candelária”. Essa gente pode nem saber direito do que está falando, mas quem lhes soprou a pauta sabe.

Há inocentes úteis? Há, sim. Um dos rapazes nem sabe o que quer dizer “reaça” (versão reduzida de “reacionário”), tanto que ora diz “reaja”, ora “reacha” e só então “reaça”, mas de forma hesitante porque ignora o significado.

O título do vídeo, que está no YouTube, diz tratar-se de uma manifestação do Passe Livre. Não creio. Dá para perceber que é gente mais para pobre do que para rica — não são os coxinhas radicais e almofadinhas revolucionários do MPL.

Para onde vai? Não sei! O PT, os ultraesquerdistas e setores da imprensa deliram, babam de satisfação, ao ver coisas assim. Acham que é a “verdade do povo”. Houve um tempo em que se considerava, mesmo entre esquerdistas, que “feio não é bonito”. Houve um tempo em que se considerava que o desejável era que os mais pobres buscassem sair de sua condição.

E, acreditem, o Brasil avançou nesse período. Nos últimos anos, o registro mudou e a marginalidade social e a exclusão passaram a ser vistas como uma nova cultura, com valores afirmativos, de resistência. No que isso vai dar? Está aí mais uma coisa que não sei. Mas sei outras tantas. Sei, por exemplo, que isso não gera renda, não distribui renda, não resulta em ganhos coletivos, não resulta em ganhos individuais, não resulta em nada.

Isso só serve à má consciência culpada dos bacanas.

23 Jun 20:09

Não mudei de ideia, não. Eu sou é pelo pensamento sem catraca!

by giinternet

No post anterior, publico uma notinha sobre o que aconteceu na Arena Fonte Nova, em Salvador. A torcida continuou a cantar o Hino Nacional, mesmo sem acompanhamento, a cappella. Havia, assim, um certo clima de resistência cívica. Como publiquei a nota, alguns leitores estão perguntando nos comentários se mudei de ideia sobre o que está em curso. Um deles ironiza: “Que é? Passou a ser a favor das manifestações agora?”. Eu não mudei de ideia, não. Eu não retiro uma vírgula do que escrevi e vou acrescentar mais um zilhão de vírgulas. A favor de manifestações, eu sempre fui. A questão, já escrevi, é, em primeiro lugar, de método. Em segundo lugar, mas não necessariamente nesta ordem, é saber o que se está reivindicando nas ruas. A terceira, quem são os interlocutores.

Houve conflitos em Salvador, no Rio, em Belo Horizonte, sei lá mais onde, neste sábado. Não dá! Elas não têm nada a ver com a democracia. E também acho falsa a ideia de que seja coisa de uma minoria. Minoria fazendo quebra-quebra do Oiapoque ao Chuí? “Ah, mas é a minoria de quem está na rua!” É… Não fosse assim, seria, então, revolução.

Na madrugada e nos próximos dias, pretendo voltar ao assunto, esclarecendo pontos, segundo meu entendimento, que ainda parecem obscuros. Há muita coisa boa e nova nisso tudo. Ocorre que o que há de bom não é novo, e o que há de novo não é bom. UM MOVIMENTO QUE TEM COMO UM DOS MOTES O ÓDIO À POLÍTICA TAMBÉM É POLÍTICO. E os que se manifestam nesse sentido não precisam necessariamente saber disso.

Ainda há leitores decepcionados comigo porque esperavam a minha adesão ao que entendem ser uma manifestação contra o governo Dilma, o PT etc. Os milhares de leitores deste blog são milhares porque esperam ler aqui o que eu penso, não o que pensa a metafísica influente: gente que se opõe ao PT e promove quebra-quebra ou é tolerante com ele; gente que se opõe ao PT e professa ódio à política (eu acho que a política tem é de ser consertada); gente que se opõe ao PT e se nega a dialogar; gente que se opõe ao PT e se confere o direito de parar a cidade e impor à coletividade à sua vontade, gente que faz isso não me interessa e não é da minha turma. Não contem comigo pra isso, não! EU COMBATO O PT É POR SEU HISTÓRICO ATAQUE À INSTITUCIONALIDADE.

E por que não apoio? Porque, se isso tudo der certo, terminaremos todos reféns de grupelhos de opinião, eleitos por ninguém, que serão chamados de “interlocutores” da sociedade simplesmente porque se apresentaram. A maioria silenciosa ficará sem representação. Os que acham que isso é bom para a democracia estão enganados. Os que acham que isso é bom para as liberdades individuais estão enganados. Os que acham que isso é bom para a tolerância estão enganados. Um dos traços mais característicos dessa militância estridente é justamente a intolerância.

Quando eu tinha 15 anos, era fanático por Sartre. Quando tinha 22, já era uma grande admirador de Raymond Aron, aquele que viu a barbárie chegando com o Maio de 1968 na França. Quando alguns ultraliberais ou libertários estão dizendo coisas parecidas com o que dizem Vladimir Safatle e outros do gênero — porta-vozes no Brasil de Slavoj Zizek, um homem simpático a ações terroristas — ou uns ou outros estão enganados sobre o que está em curso. E eu posso apostar que os liberais estão erradíssimos.

Não! Eu não apoio as manifestações na forma como se dão. Acho que há um flerte com forças potencialmente destruidoras da democracia, dos direitos individuais e das liberdades públicas. Não custa lembrar que o programa mais radical jamais aplicado, até hoje, em nome do povo e da moralidade foi o Terror francês, que Zizek tanto admira. Aguardem mais.

23 Jun 19:53

Sunday June 23, 2013

by FBorFW


Lynn's Notes:

No notes for today.
23 Jun 19:52

Com qual cara José Dirceu se olha no espelho? No dia 18, ele queria povo na rua; no dia 21, ele já via uma grave ameaça da direita; no dia 18, chamava a PM de SP de violenta; no dia 21, de omissa. Ele já teve duas caras diferentes, mas a de pau continua a mesma!

by giinternet

Caros leitores,
é claro que as pessoas podem mudar de ideia sobre isso e aquilo. Eu já mudei algumas vezes. É certo que essas mudanças, quando ocorreram, não se deram do dia para a noite, num estalar de dedos. Fui trotskista, como sabe muita gente. Deixei de sê-lo. Demorou um pouco. Comecei a consumir esquerdismo muito cedo. Sabem como é… Esse troço cria dependência, especialmente em cabeças adolescentes. Mas, como dizem os adictos, estou “limpo” há quase 30 anos. Defendi o presidencialismo no plebiscito sobre o sistema de governo, em 1993. Eu me arrependo. Deveria ter votado no parlamentarismo. No caso do regime, fiquei com a República mesmo porque, se era para ser monarquia, só aceitaria a absolutista, não a parlamentarista (uma das opções), desde que eu fosse o Rei Naldo. Eita! Seria uma maravilha o meu reinado! Em vez de rap nas escolas, como virou moda, ópera! Em vez de criança aprendendo a bater lata, oboé! “E comida, saúde, transporte de graça, casa de graça, felicidade de graça?…” Tudo, gente! Todo mundo teria direito a tudo. Eu seria um sonho encarnado de Platão: um tirano bonzinho! Por que essa introdução? Porque vou falar de José Dirceu, e isso sempre desperta em mim a vontade de falar sobre outra coisa. Mas vá lá.

No dia 18 deste mês, um dia depois da passeata em São Paulo que reuniu 65 mil pessoas e, estima-se, 100 mil no Rio, o Zé era puro entusiasmo. Estava feliz. Não se esqueçam de que o PT, como antecipei aqui, havia aderido à manifestação. Já contei os bastidores dessa história. O objetivo era atacar o governo Alckmin, fazer proselitismo eleitoral, desviar o foco do preço da passagem para a “repressão policial” e coisa e tal. Os estafetas do Zé, que fazem o seu blog, escreveram, então, o que segue, com a sua concordância, e claro! Prestem atenção! Volto em seguida.

O dia de ontem pode ser considerado um marco na história recente do Brasil. Em todo o país, jovens e cidadãos de classe média, mas também populares, saíram às ruas em sua maioria pacificamente para protestar.
Protestar contra a repressão – não vamos apagar essa demanda, como fez a mesma mídia que pediu repressão histericamente dois dias antes em editoriais, incluindo todos os três jornalões dos barões da mídia –, por melhores condições de vida, transporte melhor e mais barato.
Os atos mostraram sua natureza democrática, pluralista e aberta, espontânea em parte, organizada pelas redes por centenas de grupos de jovens que protestam contra os gastos na Copa e mais recursos para a educação.
Houve ainda setores políticos protestando contra governos, sejam os de Sérgio Cabral, Geraldo Alckmin, Fernando Haddad ou Dilma Rousseff. Mas é importante ressaltar que foram poucos e pontuais os protestos contra o governo Dilma, ao contrário do que gostaria a direita e certa mídia. Até mesmo nas reportagens dos jornalões isso fica claro.

Voltei
Se eu tivesse assinado uma porcaria dessas, acho que ficaria uns seis meses sem mostrar a cara. Prestem atenção aos trechos em destaque. Ele não tinha entendido nada. Já detalhei aqui como setores do petismo — incluindo José Eduardo Cardozo — tentaram insuflar a confusão em São Paulo. Não custa observar: na própria segunda, dia 17, já estava claro que Dilma era um dos alvos dos protestos que se estenderam Brasil agora. Nada menos de 100 mil tomaram as ruas no Rio, contra 65 mil em São Paulo. Ocorre que a capital fluminense tem metade da população da capital paulista.

Bem, conhecemos o resto da história. O Planalto tem em mãos pesquisas de opinião demonstrando que esses eventos têm sido devastadores para o prestígio de Dilma. Em São Paulo, os petistas têm números indicando que a reputação do petista Fernando Haddad despencou. Vai se recuperar? Não sei. No momento, é um pato manco. Passou a imagem de hesitante, ausente, trapalhão — em seu próprio partido, a avaliação é bastante negativa. É bem verdade que, no caso dos ônibus, acabou vítima do próprio governo federal.

E o Zé?

Três dias depois, quando ficou claro que o PT havia se tornado um dos principais prejudicados pelo baguncismo que o partido incentivou, o Zé  mudou de ideia. E os estafetas tiveram de dar nó no verbo. Sim, claro, claro, o Zé reconhece o direito que as pessoas têm de se manifestar, mas… Leiam o que escreve.

(…)
Mas há uma tentativa de setores políticos e sociais de tomar conta de alguns atos, deixando num segundo plano essas reivindicações majoritárias.
Com amplo apoio da mídia – que num primeiro momento taxou as manifestações de baderna e exigiu repressão -, esses setores procuram mobilizar abertamente sua base social de oposição para ir às ruas. Para tanto, inclusive explorando as palavras de ordem contra a corrupção, a PEC 37, contra os partidos, dando continuidade a uma agenda que a mídia alimentou esses últimos anos contra a política em geral, o que sempre acaba em ditadura.
(…)
Em São Paulo, assusta a passividade adotada pela PM. Ela não pode agir com repressão, mas não pode se abster de cumprir seu papel responsável de força policial.

Comento
Entenderam? Há meros três dias entre um texto e outro. A “polícia repressora” — aquela que foi demonizada pelos petistas, inclusive por Fernando Haddad — agora é acusada de “passiva”. O que antes era uma retomada gloriosa das ruas passou a ser palco de manobras da direita. Segundo Dirceu, a “mídia”, que antes apoiara a repressão (ISSO NUNCA ACONTECEU!), agora estaria incentivando as manifestações.

E, claro, ele reclama da pauta, que considera moralista, a saber: a PEC 37 e o combate à corrupção. Que coisa! Escrevi aqui certa feita que os petistas do poder acabariam por declarar ilegal a própria moral!!!

Este escriba
Pois é. Não mudei, não! Sigo um crítico muito duro do que está nas ruas porque, em certa medida, vou demonstrar em texto, pode expressar o pior espírito do petismo — só que sem o PT… Mas isso fica para depois.

Quando vejo petistas obrigados a essas operações mentais constrangedoras, a esses malabarismos, fico quase tentado a pegar uma cartolina e também ir para um protesto. Só não faço isso porque não é gente como José Dirceu que determina as minhas escolhas — tampouco seria um partido como o PT.

Mensalão
Vou contar por que José Dirceu está com medo. Percebeu tardiamente que uma das reivindicações das ruas — correta, é evidente — é o fim da impunidade. A praça pública já percebeu que há gente querendo assar algumas pizzas no Supremo. Ele teme que se tenha estreitado o espaço para as manobras.

Pois é… Dirceu já teve duas caras diferentes em razão de plásticas feitas em Cuba, mas a de pau sempre foi a mesma.

23 Jun 19:52

Apresentador de telejornal se diz favorável a “revolta e quebra-quebra”

by giinternet

Há um ano, o jornalista Ricardo Boechat, que apresenta o “Jornal da Band” desde 2006, concedeu uma entrevista a um site chamado “Pato com Laranja”. Não sabia da sua existência. Alguns leitores mandaram o link, e, claro!, nestes dias, o vídeo está vendo visto como nunca. É bastante impressionante mesmo. Transcrevo trecho:

“(…) Essa realidade vai mudar (…) se a população atacar, partir pro contra-ataque. Eu sou favorável a arranhar carro de autoridade, eu sou favorável a jogar ovo, eu sou favorável a revolta, a quebra-quebra, o c..lho. ‘Ah, isso é vandalismo!’ Vandalismo é o cacete! Vandalismo é botar as pessoas quatro horas na fila das barcas todo dia (…) Vandalismo é tu roubar feito um condenado o dinheiro público (…).” O vídeo está aqui. Volto em seguida.

Voltei
O que vocês querem que eu diga?

Um ano depois, os métodos preconizados por Boechat estão nas ruas. Ele estava, então, segundo diz, com 60 anos. Não se tratava de um rompante juvenil. Não vi e não verei como ele está noticiando os eventos que estão aí no jornal que ancora. Mas a gente deve supor que considere tudo muito justo e legítimo.

Um leitor ou outro enviaram o link para a área de comentários deste blog na linha “é isso mesmo! Que cara corajoso!” Não serão publicados! O nome disso não é coragem. Boechat não foi visto depredando nada por aí. Deve achar, suponho, que isso é uma tarefa dos oprimidos, das pessoas que passam pelos perrengues que ele descreve. Defender a violência quando só os outros — depredadores e policiais, que também são pobres — correm riscos é a expressão mais acabada da covardia.

Em qualquer país do mundo em que práticas assim se generalizam, o que se tem é mortes em penca. Porque isso não é política, mas a guerra de todos contra todos. Ele já me atacou uma vez de forma boçal porque afirmei que Niemeyer era metade gênio e metade idiota. Respondi. É evidente, dadas as declarações acima, que eu jamais poderia fazer a mesma afirmação sobre Boechat… À época, boa parte da esquerda xucra reproduziu o ataque que dirigiu contra mim. Aqueles mesmos sites deveriam agora replicar o vídeo de Boechat como um norte moral de luta contra o governo Dilma, né? 

É espantoso que, sendo uma figura pública, tenha concedido essa entrevista. Se, depois, se retratou, ignoro. Mas sempre é tempo. Se não o fizer, é sinal de que continua a achar que é por aí que se muda o Brasil.

23 Jun 19:51

Marina tenta tirar uma casquinha dos protestos e acusa os outros de fazê-lo

by giinternet

Não sei de quanto tempo disporá Marina Silva (Rede) na TV. Assim que o projeto que limita a criação de novos partidos for aprovado, é certo que alguém entrará com uma Adin no Supremo. E a lei será declarada inconstitucional. Tudo será feito a tempo? De uma coisa ninguém precisa ter dúvida: ela é a única a lucrar com esse clima. Dilma, a depender do humor petista e do tempo que durar essa pressão, pode, sim, se despedir da candidatura. O PSDB está meio perplexo. Mais uma vez, nesse processo, o partido é conduzido, não conduz. E Marina?

Ah, para ela, é mel na sopa. Essa agenda hostil a partidos e a políticos se encaixa como luva em seu discurso. Afinal, há muita gente bobinha que acredita que Marina é, sei lá, um ET, um ser virtual, uma entidade da floresta… Não! Ela é uma politica, que tem a pretensão de governar o Brasil. Notem bem: eu acho que isso tudo é positivo para ela, mas duvido que a sua “Rede” tenha tido qualquer interferência nesse troço, embora ela sugira o contrário em entrevista a Diógenes Campana, na Folha.

Acusando os outros partidos de “oportunistas’, ela não só tenta pegar carona no movimento (que vai mesmo, na sua maioria, pender para ela) como sugere que o pessoal da Rede está envolvida nos protestos. Leiam trechos:

Enquanto conversava com a Folha por telefone, na quinta-feira passada, a ex-ministra Marina Silva acompanhou, pela TV, as imagens da manifestação que transcorria em Brasília naquela noite. “Meu Deus, a polícia está batendo nas pessoas. Deve estar cheio de gente que eu conheço”, afirmou. Ela disse que se colocava no lugar das mães “desses meninos”. Jovens que, segundo ela, colocaram em prática um “ativismo autoral” sobre o qual vem falando “há mais de três anos”, e que é uma das bandeiras da Rede Sustentabilidade, partido que tenta criar para voltar a disputar a Presidência em 2014.

Folha – A sra. vem falando sobre um “ativismo autoral” presente nas manifestações. Sente-se satisfeita com elas?
Marina Silva - Isso é tão grande que seria pretensioso [dizer isso]. Falando com você, estou emocionada. Poxa vida, eu queria muito que o Chico Mendes estivesse vivo, ele entenderia como ninguém o que estou sentindo agora, de poder ter pensado nisso [antes]. E uma demanda que eu vejo oculta é a de um realinhamento político por uma agenda para o Brasil. Parar de o PT querer governar sozinho pegando o que há de pior no PMDB, e a mesma coisa o PSDB. Se continuar no mesmo discurso, vamos continuar indignos dessas manifestações.

O que achou de partidos terem se manifestado após a revogação dos reajustes das tarifas, capitalizando os resultados?
É difícil falar. Me desculpe, mas é ridículo. Você tem a água cavando seu leito na terra e, quando ela transborda depois desse esforço, vê aqueles que querem surfar na onda. Não entenderam nada, não aprenderam nada.

A Rede, que divulgou comunicado dizendo que seus ativistas continuarão “presentes nessas horas”, também não pode ser criticada?
Podem até dizer, porque o movimento é tão grande que as pessoas não têm a obrigação de saber que estamos nisso desde sempre. Não registrar que foi uma vitória seria injusto com os milhares e milhares da Rede. A gente nunca levou camisa, bandeira. Todo mundo da Rede que está aí legitimamente opera nessas manifestações, mas ela é multicêntrica. Se você vir as velhas bandeiras querendo surfar, faturar, a Rede é completamente diferente.

Qual acredita ser o seu papel diante desse movimento?
Meu papel é de mais um. A água que cava seu leito faz isso se misturando com a terra. Eu sou mais um nessa mistura de água e terra.
(…)

A Rede defende a quebra do monopólio dos partidos na política. Não é contraditório formar um partido?
A Rede é um cavalo de Troia. Estamos antecipando o que seria essa nova institucionalidade política. Em vez de ser um partido para que os movimentos fiquem a serviço dele, somos um partido a serviço desses movimentos.
(…)

Voltei
O título da matéria é “Querem faturar com o protesto, diz Marina”. Ora, quem “querem”? O único político que fez isso até agora foi ela própria. Indagada sobre os demais partidos e a crise, diz: “É difícil falar. Me desculpe, mas é ridículo. Você tem a água cavando seu leito na terra e, quando ela transborda depois desse esforço, vê aqueles que querem surfar na onda. Não entenderam nada, não aprenderam nada”. E eu não entendi nada do que ela disse.

Então a “Rede” e um “cavalo de Troia”. Então a “nova institucionalidade” não tem partidos, mas “movimentos”? Marina é, assim, uma espécie de site Avaaz que disputa eleições, é isso?

Para mim, o pesadelo em 2014 seria ter de escolher entre Dilma Rousseff e Marina Silva. Eu já escrevi aqui o que eu faria. Mas Deus será bom comigo!

23 Jun 19:50

Por que eu digo “não” 1 – A rebelião das massas. Ou: Dilma fala, mas o quebra-pau nas ruas continua

by giinternet

Poderia começar cantarolando um antigo hit: “Não vou mudar/ esse caso não tem solução…”. Não, meus caros, mesmo reconhecendo, e já escrevi aqui, que existem reivindicações justas e honestas nas manifestações de rua; mesmo reconhecendo que expressões de descontentamento são próprias do regime democrático; mesmo reconhecendo que, hoje, o PT se transformou num dos alvos principais dos protestos, apesar de tudo isso, eu continuou rejeitando a forma como milhares expressam o seu repúdio “a tudo o que está aí”. Não posso fazer nada a respeito. Eu sou eu e minhas circunstâncias, para citar um dos pensadores que me são caros, Ortega Y Gasset, autor do que, para mim, é um clássico: “A Rebelião das Massas”.

Não posso, contra tudo aquilo que penso, assentir com práticas que, se generalizadas e tornadas um norte politico, ético e moral, conduziriam o país a um mal maior do que aquele que se propuseram a combater. Ainda que tais procedimentos possam atingir em cheio figuras e partidos que execro, essa seria uma batalha sem princípios — e é contra os meus princípios adotar os métodos daqueles a quem combato. Eu não cultivo a humildade socrática e jamais diria “só sei que nada sei”. Prefiro o que poderia ser, talvez, uma divisa aristotélica: SÓ NÃO SEI O QUE NÃO SEI. O fato de eu, como toda gente — incluindo governo e oposição —, não saber direito o que está em curso nem qual será a forma do futuro não implica que eu deva esquecer o que sei. Entenderam?

O fato de ignorarmos as causas exatas de um determinado fenômeno não pode nos levar a nos colocar diante deles como uma tábula rasa, de sorte a nos deixar conduzir pelo puro empirismo. O fato é que sei algumas coisas. Sei, por exemplo, que não existe política fora da política. Sei, por exemplo, que não existe saída civilizada fora da representação democrática. Sei, por exemplo, que a imposição coletiva de descontentamentos individuais ou de grupos nem protege o individualismo nem cria coletividades mais tolerantes. Sei, por exemplo, que os oportunistas sempre se beneficiam da depredação dos valores institucionais. Só não sei o que não sei. Mas sei o que sei.

Seria tolo ignorar o que aprendi até aqui e me deixar arrastar pela voragem das ruas contra as minhas convicções. E entendo, sim, por que muita gente boa se entusiasma. Sim, meus caros, eu sou tão conservador, mas tão conservador, que acredito que Dilma tem de ser derrubada segundo métodos… conservadores! Ou por outra: tem de ser vencida nas urnas segundo valores que são de outra natureza. Os que estão em curso não me servem. Os que estão aí têm certo cheio de petismo sem PT; de petismo pós-moderno; de um petismo que se espalhou nas redes sociais — ainda que muita gente, e é certo que são milhões, execrem o PT. MAS ATENÇÃO! Nem para tirar os petistas do poder eu aceitaria flertar com categorias que considero pré-políticas, inaptas, ineptas e inapetentes para a vida em sociedade. Não aceitaria porque eu também sei aonde essas coisas vão dar.

Eu, que desconfio de coletivos e coletivismos; que repudio os aiatolás que se arvoram em juízes do pensamento alheio; que sou um fanático da distinção entre as esferas pública e privada da vida, eu não posso — e não vou — dar piscadelas àqueles que acreditam que podem impor aos outros a sua vontade; que a rua, qualquer rua, pode ser apropriada como espaço de reivindicação de maiorias ou minorias que pretendem falar em nome da causa geral. Na verdade, uma das razões por que me oponho ao PT, aos ditos movimentos sociais (que nada mais são do que minorias que acreditam no valor universal de causas no mais das vezes particulares) e aos coletivos disso e daquilo que têm a ambição de atuar como polícias do pensamento é justamente seu caráter autoritário, impositivo, fascistoide.

No Globo Repórter de sexta-feira, por exemplo, um rapaz do movimento “Juntos”, tratado como um neoiluminista, falava da importância da sociedade mobilizada. Era o exemplo do “jovem”. O Globo Repórter só não informou — e não o fez porque não quis, já que segredo não é — que o “Juntos” é uma cria do PSOL. Luciana Genro é a dona do domínio da turma na Internet. Já contei isso aqui. O rapaz que aparecia ali, mestrando em sociologia, poetizando sobre um futuro generoso, é membro de uma legenda que tem na sua plataforma, entre outras delicadezas, a expropriação também de terras produtivas para a reforma agrária — eles defendem um limite para a propriedade rural, mesmo aquela sobre a qual não há nenhuma evidência de irregularidade. É princípio! Ele diz:  “Isso [pessoas nas ruas] deixa feliz; nós vamos ser um país melhor, mais democrático; nós vamos ter mais possibilidade de tomar nas nossas mãos o nosso futuro quanto mais pessoas puderem ir às ruas (…)”. É verdade! O PSOL disputa eleições. Se e quando tiver votos, que aplique o seu programa. Dividindo o comando do DCE da USP, por exemplo, o partido desse notável tribuno da plebe deu um golpe continuísta porque corria o risco de perder. Nas greves da universidade, o PSOL costuma impor a sua vontade por intermédio de suas minorias truculentas. Mas lá estava ele sendo tratado como uma personagem dessa nova aurora — e, pior, como se não tivesse partido.

Não, meus caros leitores, minhas caras leitoras! Isso não me encanta. Ainda — e é verdade — que as esquerdas tenham perdido o protagonismo do movimento que está nas ruas; ainda que o “Juntos” e o “Movimento Passe Livre” tenham sido engolidos por outra agenda — que eles, de fato, repudiam —, os métodos referendam uma forma de fazer política que não aprovo. E eu não tenho o menor receio de ser contra a maiorias. Nunca tive. Este blog bateu sucessivos recordes de visitas nesta semana porque diz o que pensa, não o que pensam. Pesquisa Datafolha, segundo a Folha deste domingo, aponta que 66% dos paulistanos acham que manifestações de rua devem continuar; 34% acham que não. Que elas continuem, aprovo. Que tomem qualquer via pública, quando der na cabeça das lideranças, aí não. Nesse caso, estou com os 34%. À diferença do pensador do Globo Repórter, eu acho que o mundo será melhor quanto mais pudermos, cada um de nós, cuidar de nossa própria vida e da vida da nossa família. “Então não existem demandas públicas, Reinaldo?” Existem! Por isso existe a praça. Segundo o Datafolha, 78% dos paulistanos apoiam a ocupação da Paulista. É? Pois eu estou com os 28%, então. Não posso negar o que sei. E EU SEI QUE NEM MESMO AS MAIORIAS TÊM O DIREITO DE CASSAR O DIREITO CONSTITUCIONAL DE IR E VIR. Nem o rapaz do PSOL nem um outro que odeie o PT pode obrigar terceiros a aderir à pauta do PSOL ou a odiar o PT, entenderam? E se todos aqueles que tiveram algo a dizer ou alguma demanda a apresentar ao estado decidirem fazer o mesmo? Qual é o limite? Quem esses juízes do espaço público acatam como juiz? “Ah, mas o direito de se expressar e se reunir também está na Carta!” Eu sei e apanhei bastante para conquistá-lo. Reitero: a praça está à disposição. Por mim, o Vale do Anhangabaú, por exemplo, pode ficar reservado só para manifestações.

Aí eu vou lá levar o meu cartaz. Erguerei um contra a corrupção, contra a PEC 37, contra o eventual esforço de transformar o julgamento do mensalão num pastelão, contra a inércia do Congresso, contra a incompetência no gerenciamento da saúde, contra a morte da Baleia (a cadela de “Vidas Secas”), contra comida japonesa, contra o Bolero de Ravel, contra a vírgula entre sujeito e predicado, contra o risco de que as orações subordinadas sejam extintas em nossa imprensa… Eu tenho demandas imensas.

Mas não me peçam…
Mas não me peçam para aplaudir, porque não vou, uma onda que professa seu ódio à política sob o pretexto de que pretende melhorá-la. Vocês sabem o que penso sobre o PT, o PSTU, o PSOL… Acima, expresso a minha contrariedade por um programa jornalístico da Globo ter omitido a origem de um movimento, atribuindo-lhe tinturas apartidárias que são falsas. Sou pela clareza. Defendo o meu direito de demonstrar que são partidos obscurantistas, que, na prática, querem mesmo é ditadura. Mas não me encanta, de modo nenhum!, esse ataque generalizado à política como morada exclusiva da falta de ética e da ladroagem. Exclusiva não é. Mas isso também não resolve, é claro. Basta que seja para merecer um protesto. Mas, então, que se melhore a política, ora!

Nos protestos havidos em Brasília, havia muita gente gritando contra Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, por exemplo. O arquivo está à disposição para que se saiba o que penso dele e o que já escrevi sobre ele. Mas é de uma estupidez sem-par chamar de pacífica uma manifestação que toma o teto do Congresso, com cartazes convertidos em tochas. Eu não seria eu se não escrevesse tudo. E, então, vou escrever tudo: se o diabo me obrigasse a escolher entre a democracia que temos, com Renan Calheiros lá, sendo quem é, e os que acreditam que podem sapatear sobre o teto do Parlamento, eu teria de escolher Renan. O motivo é muito simples: no sistema que temos, eu, ao menos, posso escrever o que penso sobre o presidente do Senado… Escrevi contra as manifestações e recebi centenas de ameaças de morte e espancamento. “A culpa não é dos milhares que se manifestam!” Nem eu estou dizendo que seja. Mas é preciso, sim, cuidar dos sentimentos que a gente mobiliza quando faz determinadas reivindicações.

O ódio à política — e, não há como negar, há uma parte da imprensa encantada com isso (vou escrever a respeito; lembrem-se de que esta é apenas a primeira parte deste texto) — nos conduz a formas pré-políticas de resolução de conflitos: ou à guerra de todos contra todos ou à má política. Em seu péssimo pronunciamento, a presidente Dilma anunciou a disposição de levar para o Palácio do Planalto os tais movimentos sociais. Como serão usados? Serão tratados como supostos representantes do povo, numa espécie de “by pass” no Congresso? Com que legitimidade? Eu não quero uma democracia tutelada por conselhos populares, formados por pessoas que outorgam a si mesmas o poder da representação.

Já escrevi 10.200 toques e estou muito longe de acabar este post. Por isso ele vai em partes — autônomas, sim, mas formam um conjunto. É claro que essa voz das ruas, ora justa, ora destrambelhada, mas sempre equivocada nos métodos, tem uma origem (por óbvio, mais remota) e se fez mais audível em razão de causas recentes. Ela questiona, sim, o modelo petista de governo, mas de uma maneira que entendo distinta do que se tem dito por aí. O baixo crescimento ou a inflação, por exemplo, são absolutamente insuficientes para explicar esse mal-estar.

Encerro dando uma pista do que virá na parte 2. Anotem aí: dez anos de ataque sistemático à ordem constituída por meio da depredação de instituições e valores — Congresso, Judiciário, imprensa, Polícia, Forças Armadas — não poderiam resultar numa coisa muito boa. Mais: a “sociedade de consumo” do modelo petista tem outras demandas, além de uma TV de tela plana, especialmente aquelas ligados ao serviço público. Os canais do partido, em sua fase burocrática, foram obstruídos por pelegos, pela “burguesia do capital alheio”, como chamo. Vejo esta patética UNE tentando se meter no meio da criançada que está na rua, e seus representantes me parecem pterodáctilos renascidos no século 21. A UNE não existe. Foi privatizada por Lula, que a comprou com dinheiro público. Nesses anos, a oposição poderia ter sido um bom canal de expressão das contraditas — e tudo dentro da ordem democrática —, mas também ela silenciou com medo da suposta unanimidade e foi demonizada pelo demiurgo, cujo governo montou, por intermédio do subjornalismoo de aluguel, uma verdadeira máquina criminosa de difamação das pessoas que ousam divergir e da própria imprensa — que foi, com as exceções de praxe, frequentemente servil ao suposto milagre petista.

O país parecia morto ou anestesiado. Na dúvida, bastava chamar João Santana. Dilma chamou de novo. E se produziu nesta sexta um discurso pífio na TV. No dia seguinte, lá estavam as massas na rua, de novo, quebrando tudo.

23 Jun 19:47

Oracle and Microsoft To Announce Cloud Partnership Monday

by Soulskill
symbolset writes "While some might liken the deal to the Empire joining up with the Trade Federation, there may be some interesting outcomes for this one. On Monday Microsoft and Oracle are expected to announce a 'cloud" partnership'. Although the two companies often seem to be at odds, two of their founders — Bill Gates and Larry Ellison — are partners in charity in the 'giving pledge.' Is this the beginning of a beautiful friendship? 'Oracle is battling an image not of growing up, but of growing old. On Thursday the company announced lower than expected earnings, which it ascribed to a tough economy overseas. Cloud-based software grew well, but remains a small part of its overall revenue. The company also said it would raise its dividend and announced a big stock buyback, behaviors usually undertaken by tech companies when they begin to grow more slowly.'"

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22 Jun 19:40

Massas inquietas – O Hino Nacional cantado como protesto na Fonte Nova, em Salvador

by giinternet

É…

Alô, presidente Dilma, as massas estão inquietas… Pra onde a coisa vai? Vamos ver.

O Brasil enfrenta a Itália na Arena Fonte Nova, em Salvador. Executou-se, como costuma acontecer, apenas a primeira parte do Hino Nacional. Encerrada a música, a massa no estádio não quis nem saber: continuou a cantá-lo a cappella, muita gente com os punhos cerrados, numa espécie de resistência cívica.

Parece que os “engenheiros sociais” do PT e associados, que tentaram criar o baguncismo em São Paulo, não sabiam direito com o que estavam lidando. Para onde vai o transe? Vai depender de quem consegue criar uma narrativa consistente. O problema é com quem dialogar e qual é a pauta.

A Polícia Militar da Bahia entrou em vários confrontos com manifestantes, o que levou o governador Jaques Wagner, do PT, a criticar duramente seu partido por ter apoiado as manifestações em São Paulo.

22 Jun 19:37

Eu, caboclo do norte, participarei na semana que vem de um debate sobre o direito do mestiço Amazônico à propriedade (não é um debate de esquerda, pois o que rola por lá é desapropriação de terras de caboclos para ser entregue aos índios - é um debate sobre o direito à propriedade!)

by Ciência Brasil

http://nacaomestica.org/blog4/?p=9973

Começa na segunda feira o evento. Viajo amanhã para Manaus!
www.cienciabrasil.blogspot.com
22 Jun 19:25

Analiso o discurso de Dilma – Conforme previ, presidente usa protestos para anunciar inflexão à esquerda de seu governo; se tudo der certo para ela e para o PT e errado para o país, teremos um governo tutelado por “conselhos populares”, formados por gente eleita por ninguém

by giinternet

Tudo indica que haverá um esforço do PT e do governo Dilma para que se efetive justamente o que eu temia: uma democracia tutelada por “movimentos populares”, de que o Poder Executivo federal passa a ser um “organizador”, com uma inflexão do PT mais à esquerda. Pior: os petistas tentarão usar esses supostos “representantes do povo” para pressionar o Congresso e o Judiciário. Vão se esforçar para usar esses falsos representantes do povo para, por exemplo, aprovar uma reforma política que só interessa ao PT. Mais: Dilma tentará fazer de conta que o problema é dos outros, não dela. Pode dar tudo errado? Até pode. Mas o plano é péssimo. Os setores do jornalismo que, por alguma razão estúpida, ou uma soma delas, flertou com o Bebê de Rosemary podem se arrepender. Algumas considerações prévias antes de entrar no mérito.

Tenho sido um duro crítico de muitos, de quase todos, os aspectos do movimento que tomou as ruas. Vocês conhecem também a minha visão a respeito. Numa síntese rápida, resta evidente que os grupos de extrema esquerda, a começar do Movimento Passe Live, em parceria com o petismo e com amplos setores da imprensa — não se trata de conspiração, mas de identidade de valores —, tentaram criar o caos em São Paulo. O tiro saiu pela culatra, e o balaço caiu no colo de Dilma Rousseff. Por isso ela teve de se manifestar. Fizemos nesta sexta um debate na VEJA.com. Estávamos lá Augusto Nunes, Marco Antonio Villa, Ricardo Setti e eu. Daqui a pouco, o vídeo estará no ar. Resta evidente que sou, dentre os quatro, o mais pessimista. Embora eu reconheça que, em São Paulo e em boa parte do país, a esquerda porra-louca — justamente aquela amada por setores do jornalismo — tenha perdido o monopólio da manifestação, não acho que o saldo seja positivo para o país. Num texto que escrevi na manhã de ontem, afirmei aquele que seria um dos efeitos negativos desses eventos. Reproduzo trecho:

 “O lulo-petismo é a única força de massa — ou, se quiserem, no jargão característico, “movimento de massa” — verdadeiramente organizada no país. Por “organização”, entenda-se uma vinculação orgânica com aparelhos sindicais, no campo e nas cidades, capazes de mobilizar recursos e pessoas para atuar em várias frentes. O método do Movimento Passe Livre, ora premiado com a decisão da redução das tarifas — e não restava às autoridades alternativa, a não ser a demonização diária nas TVs —, força uma reciclagem do petismo pela esquerda; convida o partido a uma espécie de volta às origens; introduz um suposto viés de frescor que vem das ruas (que, na verdade, é bolor), do qual o partido andava um tanto distante, agora que se tornou também uma gigantesca burocracia de ocupação do estado.

Aos petistas, não custa muita coisa mudar a chave, não!, da atual posição, vamos dizer assim, mais à direita (em relação a seus marcos anteriores), próxima da social-democracia, para outra mais próxima de seu passado.”

Antes eu comente o discurso de Dilma, cuja íntegra segue abaixo, reproduzo mais um trecho do meu texto de ontem:

“Entendam, minhas caras, meus caros: eu sei que gente que não tolera mais a corrupção, a impunidade, a bandalheira e a incompetência engrossou as passeatas do Movimento Passe Livre. E o fez por bons motivos. Há entre os manifestantes até mesmo aqueles que foram protestar em frente ao prédio de Lula. Nada disso, no entanto, muda o caráter do que se viu nas ruas ou anula o fato de que o método premiado é danoso para o regime democrático. O que queremos? Uma democracia tutelada por supostos “conselhos populares”?

Muito bem. Agora vamos à fala da presidente. Eu a reproduzo em vermelho e comento em azul. Dou destaque a alguns trechos.

Minhas amigas e meus amigos,

Todos nós, brasileiras e brasileiros, estamos acompanhando, com muita atenção, as manifestações que ocorrem no país. Elas mostram a força de nossa democracia e o desejo da juventude de fazer o Brasil avançar.

Se aproveitarmos bem o impulso desta nova energia política, poderemos fazer, melhor e mais rápido, muita coisa que o Brasil ainda não conseguiu realizar por causa de limitações políticas e econômicas. Mas, se deixarmos que a violência nos faça perder o rumo, estaremos não apenas desperdiçando uma grande oportunidade histórica, como também correndo o risco de colocar muita coisa a perder.

Como presidenta, eu tenho a obrigação tanto de ouvir a voz das ruas, como dialogar com todos os segmentos, mas tudo dentro dos primados da lei e da ordem, indispensáveis para a democracia.

O Brasil lutou muito para se tornar um país democrático. E também está lutando muito para se tornar um país mais justo. Não foi fácil chegar onde chegamos, como também não é fácil chegar onde desejam muitos dos que foram às ruas. Só tornaremos isso realidade se fortalecermos a democracia – o poder cidadão e os poderes da República.

Os manifestantes têm o direito e a liberdade de questionar e criticar tudo, de propor e exigir mudanças, de lutar por mais qualidade de vida, de defender com paixão suas ideias e propostas, mas precisam fazer isso de forma pacífica e ordeira.

O governo e a sociedade não podem aceitar que uma minoria violenta e autoritária destrua o patrimônio público e privado, ataque templos, incendeie carros, apedreje ônibus e tente levar o caos aos nossos principais centros urbanos. Essa violência, promovida por uma pequena minoria, não pode manchar um movimento pacífico e democrático. Não podemos conviver com essa violência que envergonha o Brasil. Todas as instituições e os órgãos da Segurança Pública têm o dever de coibir, dentro dos limites da lei, toda forma de violência e vandalismo.

Com equilíbrio e serenidade, porém, com firmeza, vamos continuar garantindo o direito e a liberdade de todos. Asseguro a vocês: vamos manter a ordem.

Essa é a primeira parte do discurso. Dilma condenou o vandalismo e a arruaça. É claro que fez bem, mas não há como elogiar por isso, uma vez que o contrário seria impossível. Imaginem uma presidente da República que dissesse: “É isso aí, moçada! O negócio é ir para o pau!”. Impossível, certo?

Mas já há um traço preocupante. Segundo Dilma, essa “nova energia” pode superar limitações políticas e econômicas. As políticas, vá lá, podem até ser superadas, uma vez que costumam derivar de acordos, entendimentos. Se isso não significar atropelar as instituições, tudo certo. Mas pode significar isso também, como se verá adiante. Já as econômicas… Eu não gosto de gente que se refere a fatos sociais falando em “energia”. Para mim, “energia” é coisa de eletricista, engenheiro elétrico, física… Na sociedade, querer lidar com “energias” quase sempre significa ceder a movimentos de pressão que fazem da própria gritaria fonte de sua legitimidade. Vamos à segunda parte.

Brasileiras e brasileiros,

As manifestações dessa semana trouxeram importantes lições: as tarifas baixaram e as pautas dos manifestantes ganharam prioridade nacional. Temos que aproveitar o vigor destas manifestações para produzir mais mudanças, mudanças que beneficiem o conjunto da população brasileira.

A minha geração lutou muito para que a voz das ruas fosse ouvida. Muitos foram perseguidos, torturados e morreram por isso. A voz das ruas precisa ser ouvida e respeitada, e ela não pode ser confundida com o barulho e a truculência de alguns arruaceiros.

Sou a presidenta de todos os brasileiros, dos que se manifestam e dos que não se manifestam. A mensagem direta das ruas é pacífica e democrática.

Ela reivindica um combate sistemático à corrupção e ao desvio de recursos públicos. Todos me conhecem. Disso eu não abro mão.

Esta mensagem exige serviços públicos de mais qualidade. Ela quer escolas de qualidade; ela quer atendimento de saúde de qualidade; ela quer um transporte público melhor e a preço justo; ela quer mais segurança. Ela quer mais. E para dar mais, as instituições e os governos devem mudar.

Dou uma parada aqui. Como se nota, ela trata do assunto como se fosse um problema dos outros, não dela; como se isso dissesse respeito aos demais entes da federação, não o governo federal. As críticas à corrupção, ficou evidente, eram especialmente dirigidas à área federal, sim, senhores! Agora vem o primeiro pulo do gato — ou da gata. Prestem atenção.

Irei conversar, nos próximos dias, com os chefes dos outros poderes para somarmos esforços. Vou convidar os governadores e os prefeitos das principais cidades do país para um grande pacto em torno da melhoria dos serviços públicos.

Dilma se coloca, assim, como a líder de um movimento que vai convocar os outros Poderes. Apresenta-se como senhora e dona de uma agenda. Reivindicações que foram dirigidas especialmente ao Executivo serão divididas com os demais. Huuummm. Vamos seguir.

O foco será: primeiro, a elaboração do Plano Nacional de Mobilidade Urbana, que privilegie o transporte coletivo. Segundo, a destinação de cem por cento dos recursos do petróleo para a educação. Terceiro, trazer de imediato milhares de médicos do exterior para ampliar o atendimento do Sistema Único de Saúde, o SUS.

Vamos ver que diabo será o tal plano. Imaginar que o governo federal possa planejar a mobilidade nas cidades é conversa mole para boi dormir. O máximo que pode fazer é conceder ou linhas de empréstimo ou incentivos fiscais para que elas operem reformas importantes na área. Não está claro o que quer dizer. Uma coisa é certa: vão querer meter a mão grande em São Paulo, território que a presidente já percebeu andar um tanto hostil ao PT. Aí vêm os 100% dos recursos do petróleo para a educação e a polêmica importação de “milhares de médicos do exterior”. Até aqui, estamos na fase dos malabarismo e da alegoria de mão. São medidas de tal sorte descoladas entre si que o conjunto parece ser um arranjo de última hora. É agora que a coisa engrossa.

Anuncio que vou receber os líderes das manifestações pacíficas, os representantes das organizações de jovens, das entidades sindicais, dos movimentos de trabalhadores, das associações populares. Precisamos de suas contribuições, reflexões e experiências, de sua energia e criatividade, de sua aposta no futuro e de sua capacidade de questionar erros do passado e do presente.

Vamos ver. Esse negócio é só episódico, ou Dilma vai mesmo querer governar com os “conselhos populares”? É só brincadeirinha, ou Mayara Vivian, a tal do Movimento Passe Livre, valerá tanto quanto uma penca de deputados ou senadores? É só para ver se dá uma esfriada nos ânimos, ou vamos nos aproximar um pouquinho mais do bolivarianismo? O governo já faz a interlocução com essa turma, por intermédio de Gilberto Carvalho. Como vai funcionar? De agora em diante, ou o Congresso faz o que querem os movimentos, ou eles param a Paulista, a Getúlio Vargas e o que mais lhes der na telha? Vai piorar.

Brasileiras e brasileiros,

Precisamos oxigenar o nosso sistema político. Encontrar mecanismos que tornem nossas instituições mais transparentes, mais resistentes aos malfeitos e, acima de tudo, mais permeáveis à influência da sociedade. É a cidadania, e não o poder econômico, quem deve ser ouvido em primeiro lugar.

Em princípio parece bom. Se for para para submeter o Parlamento e a Justiça a comissariados do povo, aí é ruim. E é o que se vai tentar.

Quero contribuir para a construção de uma ampla e profunda reforma política, que amplie a participação popular. É um equívoco achar que qualquer país possa prescindir de partidos e, sobretudo, do voto popular, base de qualquer processo democrático. Temos de fazer um esforço para que o cidadão tenha mecanismos de controle mais abrangentes sobre os seus representantes.

A reforma política que quer o PT é uma estrovenga autoritária, destinada a eternizar os petistas no poder. O partido quer, por exemplo, o financiamento público de campanha, que corresponde a mais uma assalto ao bolso do contribuinte. Já expliquei aqui por quê. Imaginem o Passe Livre e seus amiguinhos a parar a Paulista em nome do… financiamento público. Ah, sim: se preciso, os valentes podem ser mobilizados em defesa do “controle da mídia”.

Precisamos muito, mas muito mesmo, de formas mais eficazes de combate à corrupção. A Lei de Acesso à Informação, sancionada no meu governo, deve ser ampliada para todos os poderes da República e instâncias federativas. Ela é um poderoso instrumento do cidadão para fiscalizar o uso correto do dinheiro público. Aliás, a melhor forma de combater a corrupção é com transparência e rigor

Certo! Os petistas poderiam explicar por que se tornaram patrocinadores da PEC 37, que retira poder de investigação do Ministério Público.

Em relação à Copa, quero esclarecer que o dinheiro do governo federal, gasto com as arenas é fruto de financiamento que será devidamente pago pelas empresas e os governos que estão explorando estes estádios. Jamais permitiria que esses recursos saíssem do orçamento público federal, prejudicando setores prioritários como a Saúde e a Educação.

Na realidade, nós ampliamos bastante os gastos com Saúde e Educação, e vamos ampliar cada vez mais. Confio que o Congresso Nacional aprovará o projeto que apresentei para que todos os royalties do petróleo sejam gastos exclusivamente com a Educação.

Não posso deixar de mencionar um tema muito importante, que tem a ver com a nossa alma e o nosso jeito de ser. O Brasil, único país que participou de todas as Copas, cinco vezes campeão mundial, sempre foi muito bem recebido em toda parte. Precisamos dar aos nossos povos irmãos a mesma acolhida generosa que recebemos deles. Respeito, carinho e alegria, é assim que devemos tratar os nossos hóspedes. O futebol e o esporte são símbolos de paz e convivência pacífica entre os povos. O Brasil merece e vai fazer uma grande Copa.

Eu não concordo com o raciocínio que opõe estádios a hospitais. As coisas não funcionam assim por razões que não cabem neste texto. Negar, no entanto, que exista uma montanha de dinheiro público na Copa é absurdo. Não só isso: o governo criou um regime especial para a execução de obras, fora da Lei de Licitações.

Minhas amigas e meus amigos,

Eu quero repetir que o meu governo está ouvindo as vozes democráticas que pedem mudança. Eu quero dizer a vocês que foram pacificamente às ruas: eu estou ouvindo vocês! E não vou transigir com a violência e a arruaça.

Será sempre em paz, com liberdade e democracia que vamos continuar construindo juntos este nosso grande país.

Boa noite!

Faltou dizer como é que o governo federal pretende combater a violência e a arruaça. Se quiser, tem em mãos uma porção de mecanismos. Vamos ver. Não sei se as providências que Dilma diz que vai adotar mudará o ânimo das manifestações. Depois de alguns dias, é natural que haja um refluxo — afinal, não vivemos numa tirania árabe. De uma coisa não tenho dúvida: se Dilma e o PT forem bem-sucedidos, do seu ponto de vista, nas medidas anunciadas, o Brasil ficará pior. Muito pior. E menos democrático também.

A trilha sonora deste filme é a que segue abaixo.

 

Texto publicado originalmente às 23h21 desta sexta.
22 Jun 19:23

Cinco reflexões pertinentes

by Felipe Melo
Desde a explosão das primeiras manifestações contra o aumento das passagens de ônibus em São Paulo – e que agora se alastraram pelo País, e parecem não se ater somente à questão do transporte público –, não escrevi nenhum texto a respeito. O motivo é bem simples: estava estudando o assunto e acompanhando seus desdobramentos o mais próximo possível. Conversei com pessoas que participaram (e ainda participam) das manifestações, li matérias, assisti a reportagens, consultei notas de opinião e análises as mais variadas. E existem algumas questões que eu gostaria de abordar de modo bastante simples, uma vez que elas parecem estar sendo deliberadamente evitadas.

1. A farsa “manifestantes x baderneiros”

É quase absoluto que as manifestações que têm ocorrido pelo Brasil sejam noticiadas das seguintes maneiras: “A manifestação foi pacífica por tantas horas, mas um pequeno grupo de baderneiros...”; “Apesar da grande maioria de manifestantes pacíficos, uma minoria de vândalos...”; “Após tantas horas de protesto tranqüilo, alguns poucos desordeiros...”; e outras análogas. A impressão que dá é que grupinhos isolados de gente agressiva, má e perversa têm se aproveitado da gloriosa mobilização popular para promover seus crimes. Isso é verdade. O que não é verdade é que apenas esses grupinhos – que não são nada isolados – têm promovido arruaça. E por uma questão simples: no seio de uma turba exaltada, composta na maior parte por gente imatura com os hormônios à flor da pele, a violência contagia e se alastra como um vírus. É o mesmo princípio da histeria coletiva.

O estabelecimento dessa diferenciação entre vândalos e manifestantes é uma cortina de fumaça, uma vez que eles são a mesma coisa. A prática do ato de vandalismo durante uma manifestação não descaracteriza o vândalo como manifestante – ou seja, ele não deixa de fazer parte desta categoria para passar a pertencer àquela –, mas o torna um manifestante violento. É fato que existem pessoas que tomam parte desses atos violentos sem terem participado da manifestação, mas também é fato que essas pessoas só tomam parte dos atos violentos depois que eles são iniciados por manifestantes que estão ali desde o começo. Essa diferenciação artificial não contribui em absolutamente nada para a compreensão dos protestos. Muito pelo contrário: ela é feita para semear a desinformação.

2. “O gigante acordou”?

A quantidade de pessoas que têm participado dos protestos, bem como a sua diversidade, têm sustentado a hipótese de que a geração jovem de nossos dias adquiriu uma consciência política louvável. O peso das multidões que têm acorrido aos protestos ao redor do Brasil alimenta a idéia de que o “impávido colosso”, o gigante, despertou. Será?

Primeiro, é preciso fazer uma diferenciação: quantidade não significa qualidade. O fato de que um sentimento difuso de indignação junte uma multidão gigantesca de pessoas nas ruas não significa que essas pessoas sequer saibam o porquê de estarem protestando. E isso é visível em se tratando dos protestos que têm ocorrido ao redor do País: nove em cada dez pessoas simplesmente não fazem a mínima idéia do real motivo de estarem ali. O número pode parecer exagerado, mas, se pensarmos por um momento em como se deve raciocinar para se chegar ao motivo que balize algum protesto, veremos que o número é apropriado.

Quando se adota um posicionamento crítico diante de qualquer coisa, é essencial responder com precisão a três perguntas: (I) o que está errado?; (II) por que está errado?; e (III) como isso deveria mudar? A primeira visa a localizar o suposto problema; a segunda objetiva analisar o suposto problema e confirmar se ele é, de fato, um problema; e a terceira serve para sugerir mudanças positivas para que o problema seja resolvido. Responder à primeira pergunta conduz à segunda, e desta à terceira, de modo que, no fim, tenhamos um motivo bem delimitado para protestar – não no sentido literal de sair em passeata, mas de se manifestar publicamente a respeito de algo.

Entretanto, responder a essas três perguntas exige que o ser (talvez não tão) pensante tenha uma compreensão mínima da realidade em que vive, entenda em que pressupostos essa realidade está construída, estabeleça um juízo de valor a respeito desses pressupostos – por exemplo, analisando seus valores subjacentes – e, então, indique com algum nível de acurácia uma alternativa. O problema central é que esta atividade altamente complexa exige uma operação básica à qual os nossos queridos manifestantes não parecem muito afeitos: pensar. Uma evidência inequívoca disso é que quase todas as bandeiras dos protestos apontam como culpado o governo, e, no entanto, advogam que a solução é mais governo. Seria o mesmo que protestar contra a diabetes e receitar açúcar como remédio.

3. Os partidos e a política de sempre

O aparente sentimento antipartidário que tem sido destilado nas manifestações dos últimos dias tem sido motivo de regozijo por grande parte dos formadores de opinião e veículos de comunicação, aqui e alhures. O impedimento a alguns militantes de partidos políticos que empunhassem as bandeiras de suas legendas foi visto com excelentes olhos, como se isso representasse uma tomada de consciência política avançada por parte dos manifestantes.

Esse pensamento é muito lindo, muito perfumado, muito cor-de-rosa, mas é uma cilada, pura e simplesmente. Por quê? Pois ignora que os grupos que orquestraram as primeiras manifestações e que ainda possuem uma participação considerável nessas concentrações públicas são herdeiros do marxismo-leninismo e do gramscismo – e isso quer dizer que dissimulação, agitação e propaganda são suas táticas de atuação mais elementares, presentes no DNA desses grupos. Ademais, é também preciso dizer que os partidos mais radicais que têm atuado nas manifestações – PSOL, PCO e PSTU – são crias da mesma chocadeira: o Partido dos Trabalhadores. Não à toa, o PT tem tido grande presença nas manifestações, o que nem sempre se dá de maneira direta – é só pesquisar e ver a quantidade de sindicatos ligados à CUT (o braço sindical do PT) ou de ONGs financiadas com dinheiro do governo federal que têm participado ativamente dos protestos.

4. Deslocamento da realidade: “enfeitando o pavão”

Um dos maiores fatores de crescimento das manifestações é, certamente, a cobertura que a própria mídia nacional tem dado aos protestos. O problema não está tanto na cobertura em si mesma, mas na ênfase em que ela foi feita desde o começo. Isso salta mais aos olhos quando notamos que, há mais de uma semana, há um alinhamento ideológico favorável às manifestações que é mantido às vezes ao custo da própria realidade – como a lógica artificial “manifestantes x baderneiros” da qual já se falou.

É curioso notar como essas manifestações, a despeito do caos que têm promovido, vieram em hora bastante oportuna para o governo federal. Depois que começaram a pipocar protestos pelo Brasil, outras matérias ou foram totalmente ignoradas, ou perderam espaço considerável nos noticiários, jornais, revistas e outros meios de comunicação. No campo econômico, por exemplo, não mais se fala de como a Petrobrás está perigosamente próxima da bancarrota, ou do crescimento do endividamento interno, ou da 5ª redução consecutiva da previsão do PIB para este ano, ou da inflação à beira do descontrole, ou do câmbio – tudo isso relacionado intimamente (e, por que não?, ontologicamente) com a estatolatria tupiniquim.

5. O patriotismo de boutique

Eu me sinto pessoalmente ofendido quando vejo o Hino Nacional sendo utilizado em qualquer manifestação como uma espécie de escudo simbólico. Isso me ultraja como brasileiro. Não, não sou dado a afetos ufanistas, nem acho que o Brasil seja o país do futuro, ou qualquer outra baboseira nacionalista barata. Entretanto, eu amo meu país. Acho que isso é um sentimento natural e justo, o mesmo que uma pessoa sã nutre por sua família ou por sua cidade. E eu me sinto ofendido quando vejo essa demonstração de patriotismo de boutique porque ela é tão pesada e artificial quanto a maquiagem de uma prostituta em fim de carreira.

Um sadio patriotismo se demonstra não em pretensas atitudes heróicas publicamente incensadas e amplamente propagandeadas, mas em atitudes cotidianas, sem brilho, ocultas, mas habituais e constantes. O que dá firmeza a um prédio não são as lajotas multicoloridas ou o aço escovado que decoram seu exterior, mas aquelas monótonas e desinteressantes colunas que se ocultam sob a terra e alicerçam o edifício. Essas demonstrações de admiração com a utilização do Hino Nacional nas manifestações são um louvor à aparente rijeza de estruturas encantadoramente belas, mas que foram erguidas sobre areia movediça.

Ao fim e ao cabo, podemos resumir a situação da seguinte maneira: sentimos que as coisas estão ruins, queremos que elas mudem, mas não temos nenhum interesse sério em saber em que medida e nem de que maneira essa mudança deve acontecer. Na verdade, fazer esforço para compreender a situação é algo irrelevante: o importante é dar voz ao descontentamento, mesmo que estejamos fazendo o joguinho daquelas astutas raposas políticas que trabalham diuturnamente para consolidar seu poder. O que sobra é uma lição: é muito mais cômodo transformar a realidade do que compreendê-la – o que sempre resulta numa mudança para pior.
22 Jun 19:21

No Tears for Exodus

by ft@firsthings.com (Aaron Taylor )

exodusSome years ago, I read Alan Medingers book Growth into Manhood, written for Christians with unwanted same-sex attractions. Medinger, a giant in ex-gay circles, was the first Executive Director of Exodus International, the ex-gay umbrella group that has grown to almost three hundred ministries in eighteen countries, but announced it was closing operations this week with a letter of apology to the LGBT community widely circulated on the internet.


Growth into Manhood was marketed as a book to help homosexual men grow into God-designed manhood." Although Gods original plan for our lives may have failed through human sin," Medingers book assured me, God will be our Father, and he will walk us through the process that will bring us to full manhood."


Despite some helpful insights, I became disturbed the more I read. By the time I reached the section about use of masturbation to develop heterosexual desire," I concluded that Medinger was not interested in helping me become a genuinely godly man, but in turning me into a swaggering, lusty jock. Ironically, only a few paragraphs before Medinger gushes that using masturbation to stir up sexual desire is a good purpose in that one day it may enable a man to procreate," he notes that lust is always a sin." But for Medinger, heterosexual lust evidently isnt real lust, since it might facilitate entry in to Gods wonderful one-flesh union."


I was unconvinced. Medinger may have seasoned his sinful advice with Christian-sounding waffle about Gods design for masculinity, but the contrast between his saucy suggestions and the stern words of Jesus in Matthews Gospel that a man who so much as looks at a woman lustfully has already committed adultery with her in his heart," could not be any clearer.


This is one reason why, as a Christian who embraces a traditional biblical ethic of sexuality, I rejoice at the closure of Exodus International. I rejoice not in spite of my traditional moral beliefs, but because of them. I thank Exodus for having preached, for a number of years, unpopular truths about the wrongness of a sexually active homosexual lifestyle, and insofar as the organization appears recently to have distanced itself from such an ethic, I share the disquiet of those who regret Exodus about-face. But the truth is that Exodus has for a long time obstructed efforts to evangelize gay and lesbian people and promote an authentic ethic of life-giving chastity in an attractive manner.


To detail all of the moral damage done by Exodus would require more than the brief thoughts I can offer here. There is, as Joshua Gonnerman pointed out, the false hope created by conversion therapy-a hope which causes many to simply abandon Christianity when it doesnt materialize. There is also the dark problem of sexual abuse and child molestation within Exodus-affiliated and other ex-gay ministries and Exodus promotion of Freudian-based theories that cause division within the family by blaming parents for their childs homosexuality.


But above all, attention needs to be drawn to this error of equating the sexual wholeness in Christ to which all Christians are called with the conscious experience of sexual attraction to the opposite sex. Under the guise of promoting a biblically grounded vision of human sexuality, this attitude has done very little to encourage homosexuals in developing the virtue of chastity. Instead, it simply throws fuel onto the fire of the modern secular obsession with personal sexual fulfillment by its implied acceptance of the claim that asking homosexuals to live without sex really would be to ask them to lead lives of misery and deprivation.


The considerable influence of an organization as large as Exodus on the wider Christian world means that echoes of their heterosexuality-as-holiness approach can be detected far beyond their own ministries. Exodus-related materials such as Growth into Manhood can be found recommended by chaplains from the Vatican-approved Courage ministry to homosexuals, by the Catholic Medical Association, and by the well-known same-sex attracted Catholic blogger Steve Gershom.


The closure of Exodus provides for Christians once again the opportunity to embrace the rigorous austerity of a genuinely gospel-based sexual ethic, which yes, makes it clear that homosexual relations are sinful, but also has plenty to say about divorce, heterosexual pornography, the contraceptive culture, and other aspects of the crisis of virtue within the Western world.


Whether secular therapists should be allowed to promote orientation change is a scientific question to be settled on the sole criteria of whether or not it is beneficial and effective. But the Christian Church has no business promoting a course of action that does nothing to make people holier. Let those who wish to pursue secular therapy do so if they feel it necessary, but let it not be confused with the gospel. The Churchs message must be the same message to both homosexuals and heterosexuals, in season and out of season: You shall be holy to me; for I the Lord am holy."


Aaron Taylor, a Ph.D. student in ethics at Boston College, holds degrees from the University of Oxford and from Heythrop College, University of London. 


RESOURCES


Called to Celibacy Unchosen, Aaron Taylor


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22 Jun 19:18

Saturday June 22, 2013

by FBorFW


Lynn's Notes:

After receiving a pretty rough scolding, I decided I was never going home. I was going to stay in the backyard and suffer. My dad put up a tent for me and brought me some hot soup in a thermos. It was autumn and I was about 7 years old. I didn't want his help, but I accepted a sleeping bag and an air mattress, and prepared to spend the rest of my life separated from those, who in my opinion, had treated me mean. Night fell. Dad brought me a book and a flashlight, and as I watched him go inside I felt, well... vulnerable. I tried to sleep, but the wind and sounds of the neighbourhood kept me awake. When it started to rain, I wished I had not been so definite in my decision. The tent wasn't waterproof and it definitely wasn't warm. I decided to sneak into the house, sleep in my bed until early next morning and then sneak outside again. Fortunately, Dad had left the door unlocked.

Next morning my bed was too comfortable to leave, so I slept in. Dad brought in the tent. Mom hung up the sleeping bag to dry and washed the thermos...and nobody said a word. Sometimes, you don't have to say anything to get a point across.
22 Jun 19:17

A opinião é livre, mas os fatos são os fatos. Ou: Por que um historiador não é um pipoqueiro

by giinternet

Ô vida dura!

Começo a entender melhor certas coisas.

Algum fã de Francisco Carlos Teixeira, professor de história contemporânea da UFFRJ e comentarista da GloboNews, enviou uma mensagem para o blog me esculhambando. Com efeito, eu o critiquei duas vezes nesta semana. Na primeira porque, quando a Prefeitura de São Paulo foi atacada por vândalos, em vez de ele censurar os bandidos, ele criticou o prefeito por não ter, até então, baixando a tarifa. Na segunda porque, quando a Polícia Militar do Rio reagiu às agressões que sofreu, ele, mais uma vez, poupou os marginais e criticou a… Polícia!!! Desta feita, foi ainda mais longe. Deu uma receita para Dilma debelar a crise e aproveitou para atacar a aprovação em uma comissão da Câmara de um “projeto de cura gay” que custaria uma fortuna aos cofres públicos. Eita!!! Vamos ver: a) não existe um projeto de cura gay; b) o que existe é um Projeto de Decreto Legislativo que derruba duas resoluções do Conselho Federal de Psicologia. Custo para o Estado: ZERO! Vale dizer: opinava sobe assunto que ignorava completamente.

Pois é… Longe de mim afirmar que ele é um descuidado sistemático em matéria de história, mas que é capaz de enormidades, ah, isso é, sim. Em 2004, o também professor de história Marco Antonio Villa publicou uma resenha na Folha sobre o lançamento da coleção “O Brasil Republicano”, coordenada por Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves Delgado. Francisco Carlos Teixeira assinou o ensaio “Crise da Ditadura Militar e o Processo de Abertura Política”. Cometeu, então, o seguinte parágrafo (em vermelho):

“Em 1968, no bojo de uma profunda crise econômica e da perda do controle das ruas e do avanço da guerrilha urbana sequestro do embaixador dos Estados Unidos, por exemplo-, produz-se o chamado golpe dentro do golpe, quando uma junta militar impede a posse do vice-presidente, o mineiro Pedro Aleixo, no afastamento por motivo de saúde do general Costa e Silva, e impõe ao país uma dura série de medidas policiais, consolidadas, numa sexta-feira 13 (dezembro, 1968, início de uma longa noite de terror), no chamado Ato Institucional nº 5″ (pág. 257).”

Observa o professor Villa na resenha:
“Vamos aos erros. Primeiro: em 1968 já se havia iniciado a retomada da economia, tanto que é o início do “milagre brasileiro”. Segundo: o embaixador Charles Elbrick foi seqüestrado em setembro de 1969. Terceiro: a Junta Militar toma posse em agosto de 1969. Quarto: já na Presidência, a patente de Costa e Silva era a de marechal. Quinto: o AI-5 foi assinado por Costa e Silva, e não pela Junta Militar. Convenhamos: são muitos erros para tão poucas linhas.”

Comento
Pois é… É erro demais, especialmente quando se é um historiador. Convenha-se: o juízo que se possa ter sobre isso e aquilo pode variar de acordo com ideologia, gosto etc. Mas o compromisso com o fato me parece matéria prima essencial do historiador. Noto que, no caso do livro, ele usou os mesmos instrumentos de precisão com que analisou o ataque à Prefeitura de São Paulo, a agressão à PM do Rio e o projeto — que não existe — da “cura gay”. O que existe, e é outra coisa, não vai custar um tostão ao Estado.

A sua opinião só é considerada mais qualificada do que a de um pipoqueiro ou a de faxineiro da GlobNews porque, supostamente, dispõe de mais instrumentos para distinguir o fato da ficção.

22 Jun 19:15

Membro do Diretório Nacional do PT me atribui o que não escrevi num texto que até traz uma coisa certa ou outra. Ah, sim: para ele. protestos de rua devem forçar PT se reciclar à esquerda…

by giinternet

Valter Pomar, membro da direção nacional do PT, merece a caracterização que Karl Marx fez de um contemporâneo seu: “caos de ideias claras”. A gente lê o artigo do homem, concorda aqui e ali — mesmo sabendo que se está a ler o texto de um petista —, mas é impossível aceitar o conjunto. Petistas não conseguem mais gerar teoria política, só teoria do poder, que é outra coisa. Ele escreve um texto sobre as manifestações, apresenta sua leitura dos fatos, lembra a seus companheiros que não é correto chamar os manifestantes de fascistas e coisa e tal e me cita. Pomar, é claro! acha que aquilo que eu aponto como um risco óbvio é justamente o que o PT deve fazer. Huuummm… Faz sentido! Não fosse assim, ele não seria um esquerdista, e eu não seria um liberal, que ele chama “direitista”. Para mim está bom. Eu o deixo na companhia de humanistas como Stálin e Mao Tse-Tung e escolho o grupo de assassinos contumazes como Churchill e Adenauer. O que lhes parece?

Tenho compromisso com ideias, com fatos. Irrita-me quando alguém do meu lado diz burrices. Mas folgo quando alguém do campo de adversário — nas ideias, já que não disputo o poder, mas Pomar sim — até escreve coisas consequentes. Nem tudo em seu artigo está errado. Ele afirma, por exemplo:
“(…) [os protestos] reafirmaram que os movimentos sociais existem, mas que eles podem ser espontâneos. E que alguns autoproclamados “movimentos sociais”, assim como muitos partidos “populares”, não conseguem reunir, nem tampouco dirigir, uma mínima fração das centenas de milhares de pessoas dispostas a sair às ruas, para manifestar-se.”

Pomar está certo nesse trecho. É isso mesmo! Destaco outro acerto seu:
“As manifestações (ainda) são expressão de uma insatisfação social difusa e profunda, especialmente da juventude urbana. Não são predominantemente manifestações da chamada classe média conservadora, tampouco são manifestações da classe trabalhadora clássica.
A forma das manifestações corresponde a esta base social e geracional: são como um mural do Facebook, onde cada qual posta o que quer. E tem todos os limites políticos e organizativos de uma geração que cresceu num momento ‘estranho’ da história do Brasil, em que a classe dominante continua hegemonizando a sociedade, enquanto a esquerda aparentemente hegemoniza a política.”

Só há um erro aí. Esse “aparentemente” está fora de lugar. A esquerda, de fato, e Pomar sabe disto, hegemoniza a política. Até Maluf e Delfim Netto são hoje, digamos, funcionários do petismo. Mas é claro que há erros aos montes, e não há a menor graça aqui em apontá-los porque a parte saborosa deste texto, havendo uma, está em destacar que, em alguns aspectos, o “direitista” Reinaldo Azevedo concorda com o “esquerdista” Pomar. É claro que há humor involuntário em seu texto — já que todo esquerdista é, antes de tudo, engraçado. Leiam isto:

“Mas a direita tem dificuldades para ser consequente nesta disputa. O sistema político brasileiro é controlado pela direita, não pela esquerda. E as bandeiras sociais que aparecem nas manifestações exigem, pelo menos, uma grande reforma tributária, além de menos dinheiro público para banqueiros e grandes empresários.”

Huuummm… O “sistema político é controlado pela direita”? Pomar teria de definir, então, o que é o “sistema político” — dominado, como se sabe, pelo PT. Quanto a dar menos dinheiro para banqueiro e grandes empresários, convenham, isso tem de ser negociado com seus companheiros, né? Ou o PT não está no poder há dez anos? Se a memória não me falha, e nunca falha, Lula, quando presidente, se orgulhava do fato de que o sistema financeiro nunca havia lucrado tanto como em seu governo, o que é uma das poucas verdades inquestionáveis que disse.

Muito bem. Pomar só precisa corrigir a frase que me atribui. Eu não escrevi o que ele disse que escrevi. E isso é coisa feia. Sustenta ele:
“Não há como deslocar a correlação de forças no país, sem luta social. A direita sabe disto tanto quanto nós. A direita quer ocupar as ruas. Não podemos permitir isto. E, ao mesmo tempo, não podemos deixar de mobilizar.

Se não tivermos êxito nesta operação, perderemos a batalha das ruas hoje e a das urnas ano que vem. Mas, se tivermos êxito, poderemos colher aquilo que o direitista Reinaldo Azevedo aponta como risco (para a direita) num texto divulgado recentemente por ele, cujo primeiro parágrafo afirma o seguinte: ‘o movimento que está nas ruas provocará uma reciclagem do PT pela esquerda, poderá tornar o resultado das urnas ainda mais inóspito para a direita’.
Num resumo: a saída para esta situação existe. Pela esquerda.”

Errado!
Eu escrevi isto:

“Os liberais do miolo mole coloquem o burro na sombra: movimento que está nas ruas provocará uma reciclagem do PT pela esquerda, poderá tornar o resultado das urnas ainda mais inóspito para a democracia e para a racionalidade e tentará deixar o país à mercê de grupelhos organizados”.

Pomar fraudou meu texto. Ele substituiu, por sua conta, “democracia” por “direita”. É claro que ele não considera “direita” e “democracia” palavras sinônimas. De todo modo, não tem por que ficar chateado. Dilma decidiu levar para o palácio os “movimentos sociais”. Com eles, vai tentar pressionar os outros dois Poderes, buscando, inclusive, impor a reforma política malandra do PT.

Ô Pomar, veja aí. Para concordar ou discordar, não preciso fraudar o que você escreveu. Corrija o seu artigo. Eu não me importo de ser chamado pelo “esquerdista Valter Pomar” de “o direitista Reinaldo Azevedo”, ainda que seu partido, não eu, seja aliado de Maluf, Delfim Netto e Afif. Você, meu camarada, forma esse consórcio de poder, não eu. Ainda que ele seja trocado por outro em 2014, continuarei do lado de fora, é bom notar. Haja dialética de segunda para explicar, né? Mas tudo bem! Mas eu me importo, sim, que você me atribua o que não escrevi. E eu escrevi que a reciclagem do PT pela esquerda, que acontecerá, é ruim “PARA A DEMOCRACIA”, não “PARA A DIREITA”.

A direita, Pomar, se vocês vencerem, continuará no poder, como sua dileta aliada.

22 Jun 19:13

Boa parte do PT já dá como certo que Lula será o candidato do partido em 2014. Se isso acontecer, Campos está fora da disputa

by giinternet

Ouçam as vaias no Mané Garrincha dirigidas contra Dilma.
Ouçam os protestos contra a gastança com a Copa do Mundo.
Ouçam o silêncio ruidoso do Apedeuta.

Anotem aí: é crescente o número de petistas — e de não petistas também — convictos de que será Lula o candidato do PT à Presidência da República em 2014. Na cúpula do partido, há quem considere que “o governo de Dilma acabou”. Há ocorrências curiosas em curso — ou nem tanto. Mesmo depois de ter ficado claro que os protestos estão caindo no colo da presidente — e só por isso ela teve de vir a público —, aparelhos sindicais solidamente dominados pelo partido estão estimulando a ida das pessoas às ruas. Desencanto com o petismo? Não!

A VEJA desta semana traz uma reportagem sobre os funcionários de Gilberto Carvalho que participaram da organização de um protesto, em Brasília, no sábado passado, dia da abertura da Copa das Confederações. Dilma, como vocês devem se lembrar, tomou não uma, mas três vaias estrepitosas no estádio. O malaise já estava no ar, não é? Tentem responder: por que cargas d’água funcionários da burocracia petista, subordinados ao homem mais poderoso no partido depois de Lula, atuariam na organização de um protesto que, caso se generalize, como ameaça acontecer, atinge o governo em cheio? Notem: a equação “hospitais” X “estádios da Copa” não é verdadeira, mas é verossímil quando se conhecem as deficiências da saúde.

No pronunciamento desta sexta (ver abaixo), a presidente tentou negar o óbvio: há, sim, dinheiro público nos eventos esportivos. Estádios que são verdadeiros elefantes brancos, que permanecerão ociosos depois do grande acontecimento, foram erguidos para despertar o ufanismo, o clima de “Brasil pra frente”, de “ninguém segura este país”. Há uma ameaça real de que acabe acontecendo o contrário.

Se o Brasil chega à final da Copa das Confederações, Dilma terá de aparecer no Maracanã. Seu nome será fatalmente anunciado pelo serviço de alto-falantes. Segundo o protocolo, vai discursar. Pelo menos 300 mil pessoas foram às ruas na capital fluminense. Há gente séria falando em mais de 500 mil. O Rio, mais do que São Paulo, resolveu mostrar a sua insatisfação. Uma vaia monumental espreita a presidente. A esta altura, há gente torcendo para que a Seleção Brasileira fique pelo caminho. Seria mais um duro golpe depois da confusão dos últimos dias.

A eventual transformação da Copa das Confederações e da Copa do Mundo num peso seria um desastre para Dilma. E isso está no horizonte. Os subordinados de Gilberto Carvalho, um lulista fanático, resolveram se meter justamente nessa área. Certamente não é para fortalecer a presidente como candidata do partido em 2014.

Biruta torta
Sei não… Ou a biruta da marquetagem entortou ou está havendo um trabalho deliberado para empurrar Dilma para o abismo, abrindo espaço para o “salvador”. Convenham: não é inteligente, em meio a toda essa confusão, abordar o financiamento das obras da Copa ou a forma correta de os brasileiros tratarem os estrangeiros. Ao fazê-lo, num clima de hostilidade que pode ser ainda crescente, a coisa pode ficar com cheiro de provocação. Esse pareceu-me um dos erros elementares cometidos pelos “çábios” ontem.

Há outro. Como vimos, os que criticam os estádios monumentais da Copa pedem uma educação e uma saúde melhores. Para a primeira, Dilma promete 100% dos royalties do petróleo; para a segunda, “trazer de imediato (sic) milhares de médicos estrangeiros…” De imediato? Milhares? Sei não… Há o risco de Dilma ter contratado já uma desfile de homens e mulheres de branco na Paulista. Está abrindo uma guerra com a categoria. E não em razão de uma reação corporativista, não. Até onde sei, não faltam médicos no país. Eles estão é mal distribuídos porque o estado não oferece as condições mínimas necessárias para que se fixem no interior do país. Também nesse caso, parece ter faltado sensibilidade. Vem confusão por aí.

O país não vive o seu melhor momento, mas não houve um agravamento de crise que justificasse, por si, as manifestações de rua, que degeneraram em violência como regra, não como exceção (escreverei mais a respeito). A perplexidade toma conta do governo, do partido e, sejamos claros, até da oposição. A minha explicação não coincide com nada que tenha lido. Fica para outro post. O mal-estar, no entanto, se instalou, e Dilma não parece muito equipada politicamente para enfrentá-lo.

O PT e o governo farão uma inflexão à esquerda. Vai adiantar? Não sei. Os mais céticos são os próprios petistas. Acham que Dilma não aguentará os embates e que é preciso devolver a bola a Lula. Até porque, nessa hipótese, Eduardo Campos, governador de Pernambuco (PSB) se retira da disputa. É gigantesco o risco de que as ruas tragam, sem querer, o Apedeuta de volta à cena.

PS – Este blog estabeleceu nesta sexta um novo recorde de visitas num único dia: 364.314. Obrigado!

21 Jun 23:04

Governo teme impacto das manifestações na visita do papa ao Rio

by giinternet

De Gabriel Castro, na VEJA.com: 

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, externou nesta sexta-feira a preocupação do governo federal com a realização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), agendada para julho no Rio de Janeiro. ”Nós temos que estar preparados para a jornada ocorrer inclusive num clima em que estejam ocorrendo manifestações no país”, disse.

A presidente Dilma Rousseff reuniu na manhã desta sexta-feira ministros do governo para avaliar a reação do Executivo diante da onda crescente de manifestações. Também há tensão no Palácio do Planalto com a segurança nas cidades que recebem jogos da Copa das Confederações, com a presença de dirigentes da Fifa.

As afirmações de Carvalho, responsável pelo fracasso na interlocução do governo federal com movimentos sociais, foram feitas a organizadores da JMJ, em um encontro realizado no Palácio do Planalto. Foram as primeiras declarações emitidas pela Presidência após os atos desta quinta-feira, que reuniram 1 milhão de pessoas em diferentes cidades.

A JMJ marcará a primeira visita do papa Francisco ao Brasil desde que assumiu o pontificado, em março de 2013. Durante o evento, que ocorrerá de 23 a 28 de julho, são esperados mais de 2,5 milhões de jovens católicos no Rio de Janeiro. (…)

21 Jun 23:04

Passe Livre agora está com medinho do povo?

by giinternet

Ah, o Movimento Passe Livre agora ficou com medinho do povo, foi? Essa soma impressionante de estupidez, má consciência e truculência não quer mais brincar de parar a cidade? Ah… Vocês já devem ter visto: os bacanas anunciaram que não apoiam mais as próximas manifestações porque, em São Paulo, elas teriam sido “apropriadas” pelos conservadores.

Pô, a Mayara Vivian e aquele outro barbudinho são muito ambiciosos. O Jornal Nacional lhes abriu as câmeras em rede nacional para que eles anunciassem os “próximos passos da luta” — “contra o latifúndio urbano (?) e contra a o latifúndio”; vão ganhar hoje de presente um “Globo Repórter”. Já vi lá um rapaz com camiseta do movimento “Juntos”. Espero que se informe com clareza que se trata de um braço do PSOL e que Luciana Genro, conforme já mostrei aqui, tem o registro do domínio na Internet.

Volto ao tema no próximo post.

21 Jun 23:04

Movimento Passe Livre é uma organização com convicções comuno-fascistas, isto sim!, e, por óbvio, agora é também censora do povo. Só para não perder a viagem: como se nota, eu estava certo!

by giinternet

Parte da coleção de pensadores do MPL: Rafael Siqueira é esse pós-adolescente de azul. Aos 38, é tratado como a “juventude que quer mudar o mundo”…

Que graça!

O Movimento Passe Livre, tratado por setores da imprensa como os novos utopistas e um celeiro de pensadores, agora veio a público para anunciar que está fora de novas manifestações em São Paulo porque elas teriam sido apropriadas pelos conservadores. Essa gente que diz não ter líderes já emitiu, que eu me lembre, a sua segunda “nota oficial”. É a primeira vez na história do mundo mundial que uma “organização horizontal” emite nota. É patético! O texto é de impressionante má-fé por tudo o que diz e por aquilo que omite. Leiam

“O Movimento Passe Livre (MPL) foi às ruas contra o aumento da tarifa. A manifestação de hoje faz parte dessa luta: além da comemoração da vitória popular da revogação, reafirmamos que lutar não é crime e demonstramos apoio às mobilizações de outras cidades. Contudo, no ato de hoje presenciamos episódios isolados e lamentáveis de violência contra a participação de diversos grupos.

O MPL luta por um transporte verdadeiramente público, que sirva às necessidades da população e não ao lucro dos empresários. Assim, nos colocamos ao lado de todos que lutam por um mundo para os debaixo e não para o lucro dos poucos que estão em cima. Essa é uma defesa histórica das organizações de esquerda, e é dessa história que o MPL faz parte e é fruto.

O MPL é um movimento social apartidário, mas não antipartidário. Repudiamos os atos de violência direcionados a essas organizações durante a manifestação de hoje, da mesma maneira que repudiamos a violência policial. Desde os primeiros protestos, essas organizações tomaram parte na mobilização. Oportunismo é tentar excluí-las da luta que construímos juntos.

Toda força para quem luta por uma vida sem catracas”

Voltei
Mais uma vez, o MPL reafirma seu caráter e movimento de esquerda, no que venho insistindo aqui desde o primeiro dia. É permitido ser de esquerda no Brasil. O que deveria ser moral e eticamente vetado é a imprensa, setores dela ao menos, tentar negar esse caráter, esforçando-se para emprestar a essa gente uma agenda que não é e nunca foi sua.

O MPL está chateadinho porque os petistas e outros partidos de esquerda foram banidos das manifestações; tiveram de sair de lá com o rabo entre as pernas. ATENÇÃO! Eu também não apoio a perseguição a partidos políticos e acho que nada de bom sai dessa prática, mesmo que seja contra essa gente cujo ideário desprezo. Só que há um dado importante: o que me causa horror nessa onda toda — e estou a cada dia mais convicto disto — é a violência e a permanente violação da Constituição.

Releiam a nota do Passe Livre. Os valentes condenam a suposta violência contra seus amiguinhos de esquerda, condenam a suposta violência policial, mas NÃO DIZEM UMA VÍRGULA CONTRA OS DEPREDADORES E OS SAQUEADORES.

Alo, mistificadores! É mentira que os atos de depredação e barbárie estavam fora do script do Passe Livre. Não estou dizendo que foram PRATICADOS por eles — que têm compleição física para isso têm. Estou AFIRMANDO QUE A VIOLÊNCIA ERA UM DADO DA SUA EQUAÇÃO. Ou não foi ela que empurrou os prefeitos para decisões de emergência, que estupram as contas públicas.

Eu sei o que faço com a minha ignorância — procuro saná-la lendo, estudando, refletindo. Cada um faça o que quiser com a sua própria. O MPL se considera um movimento revolucionário — já falo quem são seus interlocutores. Se os jornalistas — com as exceções de sempre — lessem um pouco mais e dessem um pouco menos de atenção à fofocaiada das redes sociais, saberiam que a violência, o terror, a desordem, a confusão generalizada, a desestruturação de serviços públicos etc., tudo isso é uma etapa da luta revolucionária.

“Ah, o Reinaldo acha que eles iriam fazer uma revolução. É um paranoico!” Uma ova! Eu não acho que eles iriam fazer revolução, não! Eu estou sustentando que eles consideram que a violência lhes é útil porque existe teoria a respeito, que trabalha com esse dado. Eles só estão decididos a tornar a vidas nas cidades um inferno para conquistar posições de poder na miríade de partidos de esquerda. 

Rafael Siqueira, o tiozinho com cara que caiu do caminhão que voltava com a tralha de Woodstock, TRINTA E OITO ANOS, concedeu entrevista. Leio na Folha o que segue em vermelho:

Durante o ato, o MPL conversou com alguns grupos de esquerda sobre a presença de “neofascistas” agredindo pessoas na rua. “É inconcebível essa onda oportunista da direita de tomar os atos para si.”

Segundo o movimento, desde o ato de terça-feira, grupos de direita (não se sabe se organizados ou não) levaram às ruas pautas que não representam o MPL, o que gerou preocupação, pois “distorce a iniciativa”.

“O que preocupa não é a participação das pessoas na rua, mas pessoas claramente contra as organizações sociais e que nunca participaram de manifestações, começarem agora a usar os atos para promover a barbárie.”

A decisão de voltar ou não às ruas será tomada após conversa do MPL com grupos aliados –MPST (Movimento Popular dos Sem Terra), MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra), Ocupação Mauá e Periferia Ativa–, que deve acontecer até a semana que vem.

“Ainda não sabemos que estratégia tomar, vai ser uma conversa longa e franca entre todas as organizações no campo da esquerda pra que a gente não fique rachado entre a gente, precisamos manter a união, que é o mais importante.”

Retomo
Eis aí. Eu disse desde o começo que o MPL havia trazido para as cidades, com o apoio bucéfalo da imprensa, os métodos que o MST usava no campo. Podem procurar os textos. Estão em arquivo.

O MPL está fora? Como já disse aqui, então eu estou pensando em aderir ao movimento de protesto. Só que eu teria algumas exigências para tanto, que, acredito, não serão acolhidas:
1) que os que querem mudar o Brasil (e até o mundo) não destruam a rotina das cidades. Peçam autorização ao Poder Público para se manifestar numa grande praça. É fascista impor a participação a quem não quer participar;
2) pela volta dos R$ 3,20. É um escândalo que Prefeitura e governo tenham de cortar investimentos por conta de uma benefício que é irrelevante para milhões, mas que é relevantíssimo para o futuro.

Que bom que esse MPL nunca me enganou. Identifico essa gente de longe, pelo cheiro.

21 Jun 23:02

Como um conservador de direita protesta contra os mega-gastos da Copa? Resposta: trabalhando na hora de jogo do Brasil !

by Ciência Brasil

Isso mesmo, a melhor forma de protestar contra os 28 bilhões de reais torrados nessa orgia futebolística não é sair as ruas berrando ou quebrando tudo. É trabalhando na hora de jogo. É dando educação clínica para meus alunos da UnB!

Fiz isso na 4a feira passada, na hora do jogo do Brasil contra o México. Dei aula (era meu horário regular de aula naquele dia). Avisei na véspera meus alunos que faria isso e mais ou menos 20% deles apareceram para a aula, todos animados. Discutimos vários pontos importantes da matéria (bioquímica clínica, parte de metabolismo de lipídeos). A aula correu tão bem que terminamos uns 20 minutos mais cedo.

Cheguei em casa e ainda deu para assistir do 2o gol do Brasil. Vejam bem, não sou contra a nossa seleção. Sou contra essa merda de Copa realizada em Pindorama. Que já custou 28 bilhões de reais, mas a conta deve passar de 50 bi até meados do ano que vem !

Parabéns aos alunos que apareceram na aula. Vocês são os verdadeiros patriotas.

Na 4a feira da semana que vem darei aula novamente, na hora do jogo.

ps: Avisei o reitor Ivan na 3a feira que iria dar aula e recomendei a ele que não desse ponto facultativo na hora do jogo. Ele me respondeu que pretendia manter a UnB funcionando normalmente (só faria diferente se rolasse uma ordem direta da Presidência). Fiquei muito feliz pelo email que recebi do reitor Ivan. Votei na pessoa certa para reitor da UnB ! (Ivan, I love you !)
www.cienciabrasil.blogspot.com
21 Jun 23:00

“Passe Livre” anuncia estar fora do protesto em SP, o único que não degenerou em violência

by giinternet

Isso significa alguma coisa?

Significa!

 

21 Jun 22:57

“Passe Livre” já havia sido procurado por agentes da cúpula petista, mas resistia ao assédio; expulsão de esquerdistas da Paulista fez o grupo ceder

by giinternet

Por que o MPL não conta como tudo aconteceu?

O MPL deveria vir a público contar como tudo aconteceu. A cúpula do movimento já tinha sido procurada por gente do PT, com delegação do ministro Gilberto Carvalho, para um papo-cabeça sobre as consequências das ações do grupo. Os emissários desenvolveram a teoria de que estaria em curso um golpe — adoram essa palavra — contra o governo Dilma Rousseff e que a direita estaria se apropriando do movimento. O PT queria convencer a turma a dar uma esfriada nos movimentos de rua.

A maior evidência, disseram os petistas, de que a “direita” estaria atuando seria, vejam vocês!!!, o “apoio da mídia”, especialmente o da TV Globo. O raciocínio especioso era — e é — o seguinte: se a Globo está apoiando, então não pode ser coisa boa. É uma gente realmente curiosa. Se o jornalismo estivesse apenas aplicando os fundamentos do estado democrático e de direito, é evidente que teria apontado, desde o começo, o caráter autoritário e violento dessa gente. Como caiu de amores pela turma, então é porque é golpista.

É claro que a ficha dos petistas só começou a cair quando os seus planos de jogar o imbróglio no colo de Alckmin falharam. Aberta a caixa de Pandora, todos os males do mundo foram cair no colo da governanta. Aí o bicho pegou. Aí Dilma saiu dando pontapés no traseiro da petezada, em especial de Gilberto Carvalho e de José Eduardo Cardozo (ver post).

O MPL, no entanto, feliz com os holofotes, sentindo-se liderar a “revolução”, resistia ao assédio petista. A manifestação de ontem na Paulista foi a gota d’água. Os camaradas vermelhos de várias legendas tiveram de sair correndo, de enrolar as bandeiras e enfiar o rabo entre as pernas. Então o MPL cedeu à racionália esquerdopata e decidiu cair fora dos protestos em São Paulo.

21 Jun 22:49

Carvalho, um dos organizadores do caos, agora ataca a imprensa por motivos, como sempre, errados. Foi o jornalismo petizado que pisou na bola na esperança de destruir Alckmin. Acabou dando um direto de esquerda no queixo de Dilma

by giinternet

Sempre que Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, pensa, o mundo fica mais escuro, menos inteligente, menos claro e… mais perigoso. As pessoas que acessaram este blog ontem 342.959 vezes — e que devem fazê-lo hoje mais de 350 mil vezes — sabem o que penso do trabalho da imprensa nessa história, com as exceções de praxe: LA-MEN-TÁ-VEL!, para dizer pouco. Flertou com a irresponsabilidade e o caos. Ao demonizar as PMs, ao ignorar que elas são a primeira barreira de contenção na hipótese de que as coisas começarem a sair do controle, ao jogar no lixo a evidência de que aqueles homens são a democracia de uniforme, que impedem a luta de todos contra todos, esses setores do jornalismo atuaram com uma irresponsabilidade ímpar. Por quê? Seria por reacionarismo, por conservadorismo, por golpismo? Não! É a ânsia, nesse como em vários outros casos, de fazer justiça com o próprio teclado.

Então eu penso o mesmo que Gilberto Carvalho? Não! Ambos repudiaríamos essa ilação até debaixo de chicote. Este lamentável senhor, que deveria ser demitido — e, se Dilma não o fizer, corre o risco de se lascar! —, enxerga uma espécie de conspiração, conservadora claro! Ao acusar a “mídia”, afirma, segundo informa a VEJA.com:

“”A imprensa teve um papel no moralismo, no sentido despolitizado, um tipo de antipolítica, que leva a isso que está acontecendo. Aqueles que o tempo todo verbalizaram esse tipo de posição também têm responsabilidade por esse aspecto destrutivo que está aí, e não adianta vir, agora, celebrar essa manifestação e não se dar conta de que também eles são responsáveis por isso que está acontecendo”

Ou ainda:

“Não há democracia sem partido. Não há democracia sem uma forma de instituição. O sem partido, no fundo, é ditadura. Nós temos que ficar muito atentos a isso”.

É mesmo?

A única preocupação de Carvalho, como fica evidente, é o fato de os petistas terem sido expulsos da Paulista ontem, debaixo de vaia: “ô PT, vai se fervê/ E leva a Dilma com você”. Aí deu medinho, não é?

Quando José Eduardo Cardozo (ver post da manhã) estava tirando uma casquinha do caos em São Paulo, oferecendo “ajuda” a Alckmin por intermédio da imprensa, tudo parecia bacana aos petistas. Quando o partido mobilizou seus sindicatos para participar do protesto do dia 17, os petistas acharam ok. ATENÇÃO! EU CONTEI AQUI: GILBERTO CARVALHO FOI INFORMANDO DE QUE O PETISMO HAVIA LIBERADO AS BASES PARA A MANIFESTAÇÃO E ACHOU CERTO, CONCORDOU. Consideravam que estavam jogando a pá de cal no governo Alckmin. Quando a PM de São Paulo passou a ser demonizada Brasil — e mundo — afora pela Al Qaeda eletrônica petista, aquilo tudo pareceu mel na sopa. Quando, no entanto, no dia 17, o Rio meteu 100 mil pessoas na rua, contra apenas 65 mil em São Paulo, os engenheiros sociais sacaram que algo tinha dado errado e saído do controle.

Sim, é verdade, amplos setores da imprensa apoiaram os protestos, mas não foi por conservadorismo, direitismo ou reacionarismo. Apoiaram porque esse é o resultado sistemático de anos de destruição da inteligência e da independência de pensamento — inclusive nas redações. O que vemos, na rua, e ainda me deterei sobre este aspecto, é o resultado de 10 anos de ataque deliberado à ordem e às instituição. E Gilberto Carvalho, o principal responsável pela convulsão social em parte do Mato Grosso do Sul, por exemplo, é um dos organizadores do caos.

21 Jun 22:39

Agora eu vou fazer mais uma aposta: a adesão da imprensa aos protestos vai despencar por razões pavlovianas

by giinternet

Mais uma aposta? Sem o MPL nos protestos, a adesão da imprensa vai despencar. Um colega de uma das redações destepaiz me telefona e me conta do enorme desconforto dos engajadinhos. Os que chegavam da rua numa excitação verdadeiramente pré-revolucionária começaram a achar que, de fato, existe uma conspiração contra o PT, o governo Dilma, as esquerdas, os progressistas etc. Já há gente propondo que se identifiquem quais são os “grupos de direita” que hostilizaram os companheiros vermelhos na passeata desta quinta, na Paulista. Pois é… Os que nunca se interessaram pela origem de grupos como o MPL ou o “Juntos!” agora querem tirar tudo a limpo.

E por que vai cair a adesão? Por razões pavlovianas. Setores da imprensa não podem ouvir a palavra “direita” que começam a babar — e não é de satisfação. Começam a babar e não é à espera de uma recompensa. Trata-se de ignorância mesmo. Estamos vivendo dias em que se renuncia ao apreço pela informação em nome da construção de uma mundo melhor e mais justo. O nosso jornalismo não continua a afirmar, por exemplo, que existe um “projeto da cura gay”??? O tratamento que a imprensa, especialmente as TVs, dispensou às PMs de todos os estados nesses dias é uma das coisas mais indecorosas e irresponsáveis de que tenho memória.

O desconforto já vinha crescendo um tantinho quando se descobriu que Dilma e seus aliados nos estados, e não Alckmin, estavma arcando com o custo político do outono da anarquia. Agora, com a saída dos “companheiros” do MPL, pode se dar o desengajamento.

A partir de agora, se a PM descer o porrete “na direita” em São Paulo, não haverá comoção. Não faltará quem diga que essa “classe média” tem de apanhar. Afinal, a exemplo de Marilena Chaui, boa parte da imprensa também “odeeeeia a classe média”, certo?

 

21 Jun 16:35

Introducing Daala

by corbet
Daala is a new video codec from Xiph.org; the project has posted a detailed explanation of how it works. "Daala tries for a larger leap forward— by first leaping sideways— to a new codec design and numerous novel coding techniques. In addition to the technical freedom of starting fresh, this new design consciously avoids most of the patent thicket surrounding mainstream block-DCT-based codecs. At its very core, for example, Daala is based on lapped transforms, not the traditional DCT."
21 Jun 16:35

Se Dilma decidir fazer um pronunciamento, como acho que deve fazer, é bom que pense bem nas palavras. Ou: Há mais lulistas do que oposicionistas torcendo para que ela quebre a cara

by giinternet

O Brasil vive, por enquanto ao menos, uma democracia política plena. A única ditadura que ronda as consciências é a patrulha do politicamente correto, das ditas “minorias”, dos autodeclarados movimentos sociais. Existe plena liberdade de manifestação e de opinião. A praça está livre para o povo ocupá-la e dizer o que bem entende.

Atenção para este parágrafo: quando, no dia 13, a Polícia Militar de São Paulo decidiu cumprir a sua função e impor a ordem nas ruas — já que manifestantes tentavam, mais uma vez, impedir o direito de ir e vir, foi demonizada pela imprensa, pelos petistas e, de forma indireta, até pela presidente.

Dilma está diante de um de dois caminhos: 1) fazer um pronunciamento meramente retórico em defesa da paz, perdendo-se, mais uma vez, na propaganda dos feitos de seu partido; 2) deixar claro que os abusos não serão tolerados e que o governo federal dará todo o apoio material e político para que os governadores garantam a tranquilidade e a ordem.

Por mais que setores da imprensa insistam em dizer o contrário, é mentira que as manifestações ocorrem num clima de paz e tranquilidade. É evidente que não temos uma maioria de depredadores na rua. Fosse assim, ou seria revolução ou o retorno ao estado da natureza. O fato e que existe um clima favorável à bagunça, à depredação e aos saques.

Existe lei federal — a de Segurança Nacional, sim! — para conter esses bandidos. Mas a coisa não pode parar por aí. Todos têm o direito de se manifestar publicamente. Há liberdade de reunião e de associação no país, mas é mentira que exista o direito assegurado de paralisar as cidades.

O governo federal tem de se reunir com os governadores e lhes dar o devido suporte para que sejam definidas as áreas que podem abrigar as manifestações. As interrupções do trânsito e a ocupação tresloucada de ruas, avenidas e rodovias têm de ser contidas pelas Polícias Militares, e os que insistirem na prática têm de ser punidos.

Mas, para isso, é preciso que haja uma solução de compromisso. Para isso, é preciso que os ministros de Dilma se comportem como homens de estado, não como chicaneiros. E é preciso que o partido de Dilma abra mão do oportunismo asqueroso que o fez redigir uma nota que, na prática, estimula a bagunça.

Ou a presidente faz isso, ou pode começar a se despedir não da reeleição, mas da própria candidatura. É bom que ela não se esqueça de que a maior concentração por metro quadrado de pessoas que torcem para que ela quebre a cara é o PT.

O partido quer Lula de volta.

21 Jun 16:35

Em 2 semanas, protestos somam dezenas de feridos e um morto. A crise atinge Dilma em cheio. Incompetência tem aos menos 2 faces: Gilberto Carvalho e José Eduardo Cardozo, que têm de ser demitidos com desonra. Titular da Justiça tentou fazer baixa política em SP e ajudou a incendiar o país

by giinternet

A presidente Dilma Rousseff está soltando fogo pelas ventas. Sente-se traída por alguns dos incompetentes que a cercam. Duas figuras se destacam: José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, e Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência. A depender do rumo que tomem as coisas, não é apenas a reeleição da presidente que está ameaçada, mas a sua candidatura. Como já lembrou Carvalho certa feita, o PT tem Lula no banco, que sempre pode ser escalado. Se Dilma despencar e se a saúde do ex permitir, por que não chamar de volta o demiurgo? Mas cuido de Carvalho daqui a pouco. Quero dar destaque a este senhor.

Cardozo, o garboso, resolveu que poderia brincar com fogo em São Paulo. Saiu torrado

Costumo chamá-lo de Cardozo, o Garboso. Ele sempre tem um jeito muito sério de falar, com a voz empostada, afetando guardar graves e profundos pensamentos. Também gosta de se fingir de um petista diferente, mais sofisticado, que se distancia da turma da pesada. O seu papel nessa crise, especialmente do dia 13 deste mês até hoje, escreve uma das páginas mais vergonhosas vividas pelo Ministério da Justiça. E olhem que, fazendo um retrospecto, não é fácil disputar a liderança desse ranking. Cardozo teve concorrentes de peso no passado. Mas ele conseguiu superar a muitos na ruindade, seja pelo mérito da estupidez que fez, seja pelas consequências — que foram explodir onde muitos não esperavam: no colo de Dilma.

Os protestos contra as tarifas de ônibus começaram a ganhar corpo em São Paulo, onde esse estupefaciente Movimento Passe Livre (MPL) — um dos líderes já é quase um vovô, mas se fantasia de estudante alternativo — é mais forte. Como a repressão à baderna é tarefa do governo de São Paulo, o prefeito Fernando Haddad se escondeu — como se hábito — e largou a batata quente na mão do governador. Nota: o tal MPL sempre foi aliado do PT. O partido é que lhe deu visibilidade, que fez a sua pauta aloprada parecer razoável.

O protesto do dia 13 de junho marcou um ponto de inflexão nessa história, que passou a contar com novos marcos na segunda, dia 17. Explico tudo direitinho. As manifestações anteriores lideradas pelo Passe Livre já vinham se caracterizando por vandalismo e violência. As imagens não mentem. Há fotos aos montes. No dia 11, um policial foi linchado. Ônibus oram depredados. Os vândalos espalhavam fogo e lixo por onde passavam, paralisavam a cidade. Só O GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN PROTESTAVA. Silêncio em Brasília. Silêncio na Prefeitura de São Paulo. Silêncio no petismo.

No dia 13, a tropa de choque negociou com os manifestantes e estabeleceu: não era para subir a Consolação e ganhar a Paulista. Mas quê… Os valentes resolveram afrontar a força especial. Não reconheciam a autoridade da Polícia. Exigiam exercer o seu suposto direito de rasgar o Artigo V da Constituição. Ao tentar furar o bloqueio, o confronto começou. E o resto é história. Alguns jornalistas ficaram feridos, criou-se o mito de que os policiais perseguiam a categoria na ruas — na verdade, repórteres eram e são permanentemente hostilizados pelos manifestantes —, e Elio Gaspari decretou: a culpa é da Polícia. Se Aiatoelio falou, a fatwa contra a PM está decretada. Ali começava o outono da anarquia no Brasil. Mas tratarei desse particular em outro post. Quero voltar a Cardozo.

Eu estava voltando do Rio quando o pau estava comendo em São Paulo. Tinha participado de um debate sobre imprensa e impunidade no Clube Militar, com a ministra Eliane Calmon, do STJ, o economista Rodrigo Constantino e o professor Marcus Fabiano, da Universidade Federal Fluminense. Tão logo saí do avião, 19h20, pulou um SMS na tela, da minha mulher: “Não venha pra cá. Caos. Confronto. Higienópolis está cercado”. E aí passei a monitorar a coisa pelo celular, perambulando pelo aeroporto, misturando fome, raiva, vontade de fumar (tinha acabado de sair de uma pneumonia), indignação com o fato de uma pauta estúpida, absurda mesmo!, paralisar a cidade. E então caiu lá uma notícia; José Eduardo Cardozo, o caridoso, oferecia “ajuda” a Alckmin. Como??? Ajuda de Cardoso???

Consegui falar com secretários do governo. Perguntei o óbvio: “O ministro ligou para o governador? Ofereceu ajuda pessoalmente? O que disse Alckmin?” E fiquei sabendo, então, que este estupefaciente ministro, que este absurdo ministro, que este incompetente ministro, com notável cara de pau, havia oferecido ajuda por intermédio da imprensa. Pré-candidato do PT ao governo, o titular da Justiça se aproveitava, mais uma vez, de uma situação difícil em São Paulo para tirar uma casquinha, para fazer proselitismo, para fazer baixa política. Ele jamais perdeu a chance de prejudicar o povo paulista para cuidar de interesses partidários. Cito as vezes em que optou pela chicana, não pela resposta de homem de estado: 1) desocupação da Cracolândia; 2) desocupação do Pinheirinho; 3) desestabilização do ex-secretário de Segurança Antonio Ferreira Pinto.

Atenção! No dia 9 de junho, antes de o mundo cair na cabeça de Dilma, Cardozo já havia concedido uma entrevista ao Estadão atacando o governador de São Paulo. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) reagiu à sua estranha oferta do dia 13. Pois bem: o jornal amanheceu no dia 17 deste mês, data em que São Paulo deveria assistir ao “big one” das manifestações (com muitos petistas apostando no caos para atingir Alckmin) com mais uma entrevista do ministro. Não hesitou: atacou severamente a PM de São Paulo, acusando-a de truculenta, sugerindo que era despreparada. Sabem quais polícias ele usou como exemplo positivo? A do Rio e a de Brasília. Bem, vocês viram o que aconteceu nesta quinta nessas duas praças. E não! Não foi por culpa dos policiais — de São Paulo, do Rio, do DF ou de qualquer outro lugar. A culpa é dos vândalos.

Atenção, leitores! Faz quatro dias, o sr. José Eduardo Cardozo achava que se tratava de um problema paulista e que a PM deste estado não sabia lidar com o povo. Ele, definitivamente, não estava entendendo nada. Mas alguma coisa naquela segunda já estava fora da ordem imaginada pelo PT, e só as Carolinas do Planalto não viram. O protesto em São Paulo foi realmente grande — reuniu 65 mil pessoas —, mas o do Rio, com metade da população, juntou 100 mil. Alguns tontos chegaram a anunciar que os manifestantes cariocas marchavam em apoio aos de São Paulo. Bobagem! Não era, não. Que se lembre: os petistas mobilizaram seus aparelhos sindicais e deram a ordem: era para tomar as ruas da capital paulista. Estavam, literalmente, brincando com fogo.

Dilma, lá no Palácio, que anunciara havia dias o seu programa para a compra de sofá e geladeira, achava que tudo caminhava bem. O seu ministro da Justiça endossara, na prática, as palavras de ordem contra a polícia que passaram a ser recitadas pela imprensa do país inteiro. Aí, meus caros, as portas do caos estavam abertas — ainda farei um texto específico sobre a absurda demonização das Polícias Militares que tomou conta do jornalismo brasileiro.

Com o país iluminado pelas chamas dos vândalos e casos de depredação em quase todas as capitais e algumas grandes cidades, Cardozo engoliu a sua grande língua e suas palavras irresponsáveis. Desapareceu. Não ofereceu ajuda a mais ninguém. Parou de atacar as Polícias Militares. Silenciou.

Gilberto Carvalho

Este senhor é responsável pela interlocução com os chamados movimentos sociais. Também é um notório depredador da ordem em São Paulo. Também ele, a exemplo de Cardozo, não perdeu uma só chance de atacar a Polícia Militar e o governo do Estado. Atenção! Um assessor do ministro tem as digitais na confusão acontecida na desocupação do Pinheirinho. O nome do valente é Paulo Maldos, que é também a mão que balança o berço no caso de uma outra “revolta”, a indígena. Já escrevi a respeito. O verdadeiro clima de guerra entre índios e proprietários rurais no Mato Grosso do Sul foi parido na Secretaria-Geral da Presidência, e o tal assessor está no epicentro da crise.

Assim, em vez de ser um interlocutor, Carvalho, na prática, se comporta como um insuflador de conflitos. Como esquecer aquela sua conversa com lideranças indígenas da região de Belo Monte, quando afirmou que a presidente da República havia dado uma ordem para que o ministro da Justiça não cumprisse uma reintegração de posse? Sua atuação no Planalto anda cada vez mais nebulosa. Gente ligada à sua pasta se envolveu na organização de um protesto em… Brasília na estreia da Copa das Confederações — aquele dia em que Dilma foi vaiada… três vezes!!!

Se Carvalho estivesse dedicado à resolução de conflitos e se antecipado a eles, em vez de promovê-los, certamente teria percebido uma nuvem negra se adensando no país. O que ainda não tenho claro é se ele realmente não percebeu nada ou, pior para Dilma, percebeu tudo e deixou que as coisas seguissem o seu curso. Até a depredada Esplanada dos Ministérios sabe que o candidato in pectore do chefão petista na eleição do ano que vem é Lula, não Dilma. NÃO SE ESQUEÇAM DE QUE CARVALHO, NOS PRIMEIROS MESES DO ATUAL GOVERNO, LEMBROU QUE LULA PODERIA VOLTAR À CENA.

Nesta segunda, a presidente reúne a cúpula do governo. Seu prestígio, que já havia caído, deve ter despencado. O curioso é que tudo nasceu mesmo da má consciência. Petistas e forças filopetistas resolveram brincar de excitar as massas em São Paulo, achando que é simples, fácil e seguro manipulá-las. Aí está o resultado.

Pois é… O irônico é que se estimou em 100 mil pessoas o número de manifestantes em São Paulo nesta quinta. Não houve incidentes com a Polícia Militar. Ao contrário até. O clima na capital era amistoso. O que se viu mesmo foram bandeiras do PT sendo queimadas. Os militantes do partido, que haviam obedecido as ordens de Rui Falcão e aderido à manifestação, tiveram que enrolar seus panos e ir embora. E a massa gritava uma rima impublicável em “ê”

“Ô PT, vai se fervê
E leva a Dilma com você”.

21 Jun 16:34

South Tyrol government to standardise on LibreOffice

The government in South Tyrol has announced that it is to migrate from MS Office to LibreOffice over the next three years