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31 Jan 23:23

“The most difficult was the scene with Darcy where it’s talking...









“The most difficult was the scene with Darcy where it’s talking and dancing at the same time, and you know, you do it once, and it’s difficult enough to remember the steps, and then they do it and they take the music away, so that you’ve got to say the lines, so you can get the lines, you’re trying to remember what the music is and say the lines, and you’re trying to work out when you can say the lines, because wait a minute now I move away over here, and you’re over there.”

(Keira Knightley)

31 Jan 23:23

Django Livre

by Anica

django-livre-cartaz-nacionalVerdade seja dita, passei dias me enrolando para assistir ao filme mais recente de Quentin Tarantino, Django Livre. Eu via alguma notícia sobre o filme e antes mesmo de me empolgar e procurar mais informações, já pensava: “poutz, mas nem gostei tanto assim dos últimos”. E enrolei, enrolei, enrolei até que finalmente assisti. E aí lembrei de todos os motivos que me faziam ficar animada quando lia algo sobre “um novo filme do Tarantino”.

Eu acho que o que mais me agradou em Django foi o cuidado com o roteiro. Eu gostei de Bastardos Inglórios, mas não lembro de diálogos que eu pensasse FOOOOOOODA como o entre Schultz e Candie falando sobre Alexandre Dumas. As frases curtas e de efeito ainda estão lá, como já provaram as ‘n’ piadas sobre “Django” ser com “d” mudo (aqui tem um exemplo disso), mas a sensação que dá é que está tudo melhor amarrado, mais fluido, menos forçado. O filme tem quase três horas que passam quase sem que você sinta (embora eu tenha percebido uma ligeira quebra no ritmo ali um pouco depois da primeira hora) – esse tipo de coisa não acontece por acaso.

Uma consequência do roteiro bom é a galeria de personagens mais do que marcantes que circula pelo filme. Claro, quem rouba novamente a cena é Christoph Waltz como o Dr. King Schultz, dentista alemão que deixa de lado a profissão para se tornar um caçador de recompensas. É para conseguir informações sobre uma das pessoas que ele procura que seu caminho se cruza com o do escravo chamado Django (também uma ótima personagem, interpretada por Jamie Foxx). O que mais gostei no Dr. Schultz é como conseguia ser totalmente amável e carismático quando não piscaria duas vezes para matar um pai na frente do filho se isso significasse receber uma nova recompensa.

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Outras personagens ali merecem destaque, é claro. Tem uma cena em específico com o Leonardo DiCaprio que achei fantástica e não parava de pensar “Meu Deus, é o gurizinho do Titanic!”, quando ele sai da biblioteca após conversa com seu criado e volta para a sala de jantar. O modo como ele sai do civilizado para o insano em segundos é de assustar. Ele consegue se impor de tal forma que mesmo que sua personagem apareça só após uma hora de filme, ele parece ter estado ali desde o começo, com Django e o Dr. Schultz.

Eu tive a sensação que por mais que o filme não apresentasse divisão em capítulos, ele poderia muito bem ser dividido assim: a primeira parte com Django e o Dr. Schultz se conhecendo durante o inverno, a segunda com os dois indo até Candyland para resgatar Broomhilda, e ainda uma última parte, que é o “nascimento” de Django, digamos assim, até porque enquanto próximo do Dr. Schultz ele é um badass, mas não é “o” badass que vemos na cena final, por exemplo.

tumblr_mhi0msyDjw1s037f8o1_500Para falar bem a verdade, a única coisa que realmente senti falta no filme foi de uma personagem feminina forte. Eu me acostumei mal com uma galeria de Mia Wallaces, Brides e Shosannas, porque pelo menos do pouco que tinha visto por aí antes de assistir ao filme, eu tinha certeza que Broomhilda teria uma função mais importante no plot, além de “donzela em perigo”, digamos assim. Mas não é algo que pese desfavoravelmente, é mais que parece tender para o lado Cães de Aluguel (elenco predominantemente masculino) do que para o lado Death Proof (elenco predominantemente feminino), digamos assim.

Sobre o anacronismo da trilha sonora, não é exatamente uma novidade em cinema, convenhamos. Então realmente não sei porque algumas pessoas andaram reclamando. Achei, aliás, que como em quase todos os filmes Tarantino fez uma seleção que funciona não só na telona, mas em qualquer momento. Dá para reparar na importância que Tarantino dá para a trilha se você comparar a música que toca no começo (com Django acorrentado) e a que toca no final (quando ele está deixando Candyland) – é quase que parte da personagem.

Enfim, eu gostei bastante. Primeiro porque foi bom reencontrar o Tarantino como tinha nas minhas lembranças e segundo porque vá lá, é muito divertido. Seja pelo humor (dou risada só lembrar daquela cena dos capuzes), seja pela torcida pelas personagens ou mesmo pela ação, o tempo passa e você nem sente. Na realidade, dá até vontade de ver de novo.

31 Jan 12:09

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30 Jan 18:44

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30 Jan 10:23

rosalarian: durianseeds: “I Think I Am In Friend-Love With...













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I Think I Am In Friend-Love With You” written by and illustrated by Yumi Sakugawa, published in Sadie Magazine, 2012.

More people need to wax poetic on friend love. It’s a beautiful type of love. I get friend crushes all the time!

29 Jan 15:25

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28 Jan 12:41

Caruru dos paulistas

by Juliana Cunha

Vermelha e com um saldo de três copos d’água em cinco minutos, eu estava bem satisfeita comigo mesma. Acabara de completar duas semanas comendo apenas comida indiana, feita por indianos, na casa de indianos, sem me recusar a experimentar nada e sempre limpando o prato. Eu amo comida indiana. O desafio, claro, é a pimenta, mas eu estava vencendo o chili verde e o chili vermelho, além da pimenta-do-reino que eles nem consideram pimenta de verdade, só um gostinho a mais.

Compartilhei meu momento de vitória com meus anfitriões e eles riram. Foi aí que entendi que esse tempo todo eles tinham me servido o caruru dos paulistas. Tratantes.

“Caruru dos paulista” é como chamávamos a comida baiana levemente falsificada — com menos dendê, leite de coco e pimenta — que minha avó fazia quando recebia parentes de São Paulo em casa. Eles passavam a viagem inteira comendo essa comida quase light. No fim da estadia, levávamos os paulistas ao restaurante Yemanjá, onde até o café deve ter um pouco de dendê, e as visitas eram convidadas a ter suas dores de barriga no avião.

Insatisfeita com o tratamento café com leite, passei a comer com amigos, nos lugares onde eles vão. Não é fácil. Tudo que eles chamam de não apimentado é apimentado e tudo que eles chamam de apimentado é intragável. Coreanos e chineses também gostam de pimenta, mas na Índia a coisa beira o fanatismo. Acordo e tem pimenta no meu chá. No café da manhã uma das atrações são os biscoitinhos com pimenta. No almoço nem se fala: tudo leva pimenta e a dona da casa come pelo menos três pimentas vermelhas assadas. Inteiras.

Estou oficialmente viciada em lassi, paan, gajar-ka-halwa e em remédios ayurvedicos para males randômicos.

Tanto em Ahmedabad quanto em Mumbai me hospedei e saí apenas com gujaratis. São todos vegetarianos e quase ninguém bebe. Gujarati é um estado que restringe bebida alcoólica. Aqui você completa sua maioridade alcoólica aos 40 anos. É quando ganha permissão para consumir dois litros de bebida por mês. Se quiser mais, volte aos 60, quando pode beber até quatro litros por mês. Tanta disciplina para ser um dos estados com maior índice de alcoolismo no país. Por causa da cota em litros as pessoas preferem comprar bebidas com o maior teor alcoólico possível. Assim, conseguem fazer drinques em casa e repartem com os parentes mais jovens. Completar 40 anos é ver sua popularidade aumentar drasticamente.

Leite é liberado. Comer carne e ovos é mais tabu que tomar vodca adocicada embalada em garrafas que parecem d’água. As pessoas me perguntam: “Você gosta de ovos?”. “Gosto. Assim, normal”. “Ah, eu vou te levar num lugar onde você pode comer ovos”. Bem-vindo ao tráfico de ovos.

Em Mumbai, recebi a tarefa de levar o garoto de 11 anos ao curso de escrita criativa. Não fazia muito sentido considerando que era eu quem segurava na mão dele na hora de atravessar a rua. No meio do caminho, ele entrou num McDonald’s e implorou por um MacFish. Dei. Agora sou uma traficante de peixe. No mesmo dia, jantamos no McDonald’s com a família inteira. Ambos comemos sanduíches vegetarianos. Coitado, teve seu horizonte de possibilidades carnívoras resumido a um MacFish. Esse com certeza vai afogar a frustração na pimenta.

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28 Jan 10:36

A solar panel field of the size of Austria in the Sahara desert would produce enough electricity for the whole world.

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The left square, labelled “world,” is around the size of Austria. If that area were covered in solar thermal power plants, it could produce enough electricity to meet world demand. The area in the center would be required to meet European demand. The one on the right corresponds to Germany’s energy demand.

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27 Jan 12:26

http://isabellns.tumblr.com/post/41566473531





















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26 Jan 11:38

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26 Jan 01:15

Louis XIV wearing his trademark heels in a 1701 portrait by...



Louis XIV wearing his trademark heels in a 1701 portrait by Hyacinthe Rigaud.

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25 Jan 10:26

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25 Jan 10:24

Meaning of life

25 Jan 10:23

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24 Jan 20:59

As aventuras de Pi

by Anica

as-aventuras-de-pi-posterPara você ver como são as coisas: naquelas birras inconscientes bobas do nosso dia-a-dia, eu estava disposta a odiar As aventuras de Pi (Life of Pi), do diretor Ang Lee. Basicamente porque assim que o filme chegou aos cinemas, uma história voltou a ser comentada: de como o autor do livro As aventuras de Pi (Yann Martel) teria plagiado uma obra do brasileiro Moacyr Scliar, chamada Max e os Felinos. Mas como disse, birra inconsciente boba. Para quem quiser saber mais sobre o assunto, tem um depoimento que o Scliar deu sobre o assunto aqui.

De qualquer forma, é fato que na primeira meia hora do filme eu ainda estava assistindo com um certo cinismo. “Ok, Ang Lee, entendi, você fez receita de bolo para ganhar Oscar.”, era o que eu pensava (além de “Se fizerem algo com o Tigre eu vou ficar muito puta”). Mas aí na outra vez que fui me dar conta de qualquer pensamento que não a história em si, eu percebi que já tinha sido completamente encantada, para não dizer seduzida. Sim, é receita de bolo para ganhar Oscar. Mas ninguém disse que seguir receita faz o bolo ficar ruim, ele só não fica, hum, original, certo?

A ideia é a seguinte: um escritor encontra com Pi para ouvir sua história, de modo a escrevê-la. Pi começa descrevendo sua infância na Índia, que para quem estava querendo logo “a hora do cara no barco com o tigre” pode parecer arrastado ou mesmo desnecessário, mas não achei – situa as personagens na história, o modo como o protagonista encarava a religião (belíssima mensagem de tolerância religiosa, aliás) e mesmo o início da relação com o tigre Richard Parker. E é um começo tão doce que não tem como não se envolver com a história, querer saber o que acontecerá com Pi (e sim, sofrer com o garoto quando a situação aperta).

Visualmente o filme é impecável, cheio de cenas de encher os olhos, como no momento de calmaria com o céu refletindo na água:

tumblr_mh49yyhHiF1qbd9r2o1_500E sim, várias e várias cenas que gritam “3D! 3D!” Mas que continuam igualmente bonitas em 2D. E pensar que poucas cenas dos animais não são CGI (de acordo com o IMDb, só 14% das cenas do Richard Parker foram feitas com um tigre real), faz com que eu só pense que bem, desculpa Peter Jackson, mas nem o Efeitos Visuais vai ficar com você este ano.

Sobre “a hora do cara no barco com o tigre”, ela nem é tão longa quanto imaginei que seria (ou pelo menos nem senti o tempo passar). A história é montada de tal maneira que há uma mistura de sentimentos: você fica com medo, você ri, você fica tenso, você acha Pi um idiota, você acha Pi um amor, você chora, etc. É quase um efeito de montanha russa, de quando você acha que vai ter uma calmaria, de repente acontece algo que muda tudo.

E sim, a relação de Pi com o tigre Richard Parker é o coração do filme. As tentativas de aproximação do garoto, o modo como de certa forma ambos chegam a conclusão que precisam um do outro para sobreviver, e aquele desfecho, com Pi dizendo para o escritor “I suppose in the end, the whole of life becomes an act of letting go, but what always hurts the most is not taking a moment to say goodbye.” é de arrancar lágrimas.

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Aliás, alguém me explica a falta de indicação para o Suraj Sharma no Oscar? Porque assim, se tinha vaga para o Bradley Cooper em O lado bom da vida, então tinha que ter um lugar pra esse guri. Li em algum lugar e concordo: parte do que faz o truque do CGI crível é a atuação dele.

Enfim, é lindo – de todas as formas possíveis. Emociona e encanta o olhar – tem cena ali que tenho certeza que ficará na minha memória por um bom tempo. E já que fizemos comparações “oscarianas”, é engraçado vê-lo ao lado de Lincoln entre os mais indicados, porque assim: eu adorei Lincoln, achei belíssimo, muito bem executado – mas um tanto frio. Parece que falta exatamente o que Pi traz (e de sobra, juro que depois de 1:30h abriu as torneiras dos meus olhos e não parei de chorar).

Para terminar, fica aí a história do nome do Tigre (copiei daqui):

No livo O Relato de Arthur Gordon Pym, do escritor Edgar Allan Poe (1809-1849), um personagem chamado Richard Parker é devorado por membros da tripulação. Em 1884, cinco décadas depois da publicação do livro de Poe, um crime chocou a Grã-Bretanha. Os três homens mais velhos do barco Mignonette, que havia naufragado, decidiram matar e comer o mais jovem deles. O nome do infeliz? Richard Parker.

24 Jan 12:15

Skiing Skill Levels Explained

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24 Jan 12:13

As Anãs Barbudas de “O Hobbit”

by Edson Lima

Vejam só o que o pessoal do Jovem Nerd postou em seu site: imagens da arte conceitual das anãs barbudas e crianças que aparecem em Erebor, a Montanha Solitária (e na fuga), no filme O Hobbit – Uma Jornada Inesperada.

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 As imagens são do livro The Hobbit: An Unexpected Journey Chronicles – Art & Design, e foram liberadas pela produção para promovê-lo. A maior parte da arte foi feita por Daniel Falconer, artista conceitual dos filmes O Hobbit. E uma curiosidade: a terceira criança, à direita, é sua filha. Veja estas e outras imagens no Jovem Nerd!

 Está achando bizarro demais? As imagens de anãs barbadas correspondem aos escritos do autor J. R. R. Tolkien. Confira aqui na Valinor: Anões, Anãs e Suas Barbas.

 

* Agradecemos a Ligia “Sindar Princess” Frigatto pela dica!

23 Jan 18:52

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23 Jan 17:03

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23 Jan 15:20

We will always have Pyongyang

by Juliana Cunha

Depois de horas de indecisão entre dormir no sagão do aeroporto, lamentavelmente estirada por cima de minha própria mala, e desembolsar 元 500 para me hospedar num hotel barato nas imediações do aeroporto de Pequim, peguei uma van e vim parar no “Beijing 100% Perfect Hotel”. Acabei de chegar de Pyongyang e de me separar dos três amigos que me acompanharam nas últimas semanas pela Coreia do Sul, China e Coreia do Norte. Agora estou por minha conta e risco partindo amanhã para Mumbai. Sozinha e sozinha pelas próximas oito semanas. Hoje, depressão no hotel mais sujo da cidade. Aqui faz um frio do caramba, que é para eu não esquecer de Pyongyang. A cortina pisca a cada dez segundos com o neon da fachada e o filtro de água mineral parece sofrer de refluxo de tão barulhento.

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Reduzi ao máximo a luz do monitor e desliguei o wi-fi para fazer minha bateria render. Coloquei ao lado da cama um pacote de banana chips compradas na lojinha diplomática de Pyongyang e sentei para tentar digerir a cidade.

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Pyongyang não se parece em nada com o que eu imaginava. É melhor. Dezenas de vezes melhor. A pessoa tem que ir e ver o que é porque não dá para explicar. Eu sei que se pode dizer isso de qualquer lugar, mas raramente é verdade. Você não precisa ir a Nova York para saber o que é. Durante toda a sua vida metade dos filmes que assistiu te falavam sobre como Nova York era, de cada ponto de vista, de cada esquina possível. Tudo que o ocidente vê sobre Pyongyang são paradas militares. Como se a cidade inteira vivesse um eterno Sete de Setembro. De certo modo ela vive — um quarto da população trabalha para o Exército — por outro lado, não é bem assim.

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A cidade é um parque temático dos três Kim. Sua tarefa é fugir deles, enxergar para além do fanatismo. Tive armas privilegiadas para essa missão. Graças a um amigo diplomata que viajou comigo pude ficar hospedada na embaixada do Brasil, e não em um dos hoteis. Pude andar pela cidade sem guia, sozinha, pude escolher mais ou menos os passeios que queria fazer. Pude até mandar um e-mailzinho para casa, luxo do luxo.

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A Pyongyang que eu vi é escura e fria. Chegou a fazer -18°C e vi as pessoas passando frio em todos os lugares. No circo, nos museus, nas lojas. A maioria dos estabelecimentos simplesmente não tem aquecimento. Para piorar, prédios públicos costumam ser feitos de mármore já que o país produz bastante desse material. O resultado é que faz mais frio dentro dos prédios do que na rua. Você sai do museu tremendo. As pessoas assistem ao circo usando três casacos, luvas e chapeu. As atendentes das lojas trabalham de sobretudo. Não existe chegar num ambiente fechado e tirar o casaco. Quando um lugar tem aquecedor elétrico ele é usado como lareira: as pessoas sentam ao redor para esquentar a mão. É muito raro um lugar ter aquecedores o suficiente para esquentar todo o ambiente.

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Há quedas de energia constantes em quase todos os lugares: no meio do teatro, no parque de diversões, nos restaurantes, no clube diplomático, nas embaixadas, na casa do embaixador. A maioria dos bairros simplesmente não tem iluminação pública. Nas casas das pessoas comuns falta energia cerca de três vezes por semana. Por horas. Na Coreia do Sul eles usam um sistema de aquecimento milenar chamado ondol. Tubos de água quente subterrâneos aquecem o chão da casa, fazendo o calor se propagar por todo o ambiente. É delicioso, mas só funciona em casas. A maioria das pessoas de Pyongyang vive em apartamentos tipo loteamento popular. Não dá para aquecer o chão num apartamento desses. Também não dá para ter lareira. E frequentemente não tem luz. Das varandas podemos ver chaminés improvisadas e marcas de fogo nas paredes. Nas ruas todos andam com lanternas.

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O frio é tanto que ninguém liga para ele. Crianças brincam na rua e os adultos passeiam como se fosse verão. Não existe isso de ficar em casa porque está frio. Em casa também faz frio, pega essa tábua de madeira e vamos escorregar na neve.

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Numa cidade tão carente de energia elétrica luz é sinônimo de poder. Na noite escura só os monumentos ficam bem iluminados. Prédios altos [devem ter elevador] e novos colocam neons e leds na fachada num exibicionismo de embrulhar o estômago. Os lugares para estrangeiros como o clube diplomático e a Pyongyang Shop abusam nas luzinhas. Primeiro porque oriental sempre acha que ocidental curte um neon. Segundo porque se é importante, se é rico, então vamos iluminar. Mesmo que a energia tenha caído toda vez eu fosse comprar leite.

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Nota-se um esforço muito grande dos norte-coreanos em maquiar a situação da cidade, porém é um esforço vão. O banheiro do restaurante mais chic de Pyongyang não tem papel higiênico nem água na torneira. O cidadão precisa ser muito sem imaginação para não supor como seria a situação no interior do país.

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A cidade é uma mistura de sentimentos. Tem essa parte do frio, da pena que a gente sente pelas pessoas que passam ainda mais frio, tem a vergonha que eu senti a cada vez que passeei pelo bairro das embaixadas de noite e notei que os coreanos não podiam andar do nosso lado da calçada. Porque eles não têm permissão para entrar em embaixadas. Os guardinhas na frente de cada embaixada não estão lá para proteger a embaixada: estão lá para garantir que nenhum coreano possa entrar.

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Tem também a parte do fascínio que a cidade exerce por seguir uma outra lógica, completamente diferente da nossa. Décadas de propaganda aniquilaram nossa capacidade de avaliar produtos enquanto mercadorias estáticas de função limitada. Passeando por lojinhas com Che, amigo que fizemos por lá, ficava claro que para ele um casaco é só um casaco enquanto para nós um casaco é um passaporte para outra vida. Algo que pode arrasar ou alavancar sua reputação, assim como um sapato ou um imã de geladeira. Che não é definido pelas coisas que usa, eu sou.

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Muita gente na Coreia do Norte usa mercadoria falsificada. As coisas produzidas por lá são resistentes e de boa qualidade, feitas para durar. As miudezas veem da China, o que explica a presença de gorrinhos Puma e bolsinhas Prada. É engraçado ver essas coisas nas mãos de pessoas que não dão o menor valor a elas, que não ligam para as marcas nem para o fato de serem falsificações. No nosso mundo todos têm uma opinião sobre uma falsificação, sobre uma marca. Em Pyongyang tudo isso não passa de símbolos esvaziados, perdidos numa tradução que tão cedo não se concretizará.

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Viajar para a Coreia do Norte é uma atividade tão educativa quanto problemática. O tom da maioria dos turistas é de “vamos ver essa gente estranha”. Tratam os locais como bichos num zoológico, tratam a cidade como um museu de cera bizarro. Acho tosco. Tem muita coisa engraçada por lá. É difícil não rir ao entrar num museu e ver que uma das relíquias expostas é um potão de creme Nivea, presente do Grande Líder para os trabalhadores de uma fábrica hidratarem suas mãos. Apesar dessas bizarrices, Pyongyang é uma cidade real, com pessoas de carne e osso que vivem numa ditadura bastante palpável. É preciso se policiar o tempo inteiro para não desrespeitar os moradores, não transformar seu modo de vida em um divertimento sem compromisso.

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Mesmo não sendo obrigados a andar com guias, tivemos dois tradutores que nos acompanharam na maior parte dos passeios já que pouca gente lá fala inglês e você precisa agendar suas idas aos museus e até a alguns restaurantes. Não existe isso de estar passando na frente de uma galeria e dar uma entradinha. Um dos tradutores tinha mais ou menos a minha idade. Era o primeiro contato dele com turistas. Ele falava português, jogava boliche super bem e virou meu amigo. Sabe aquela pessoa com quem você trocaria altos e-mails e convidaria para uma estadia gratuita na sua casa? Pois ela nasceu no lado errado da Guerra Fria e você nunca mais vai saber notícias dela.

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23 Jan 10:16

e bom senso, tem?

by .
 porque eles querem tudo, menos livros.

das coisas absurdas [criada com a ajuda da comunidade hippie] que já pediram para nós, livreiros:

- aparelho nasal;
- crédito para celular;
- telesena;
- remédio para dor de cabeça;
- preservativos;
- sabonetes;
- cadeado;
- ficha de orelhão (2008);
- espada;
- telescópio;
- palitinhos de sorvete;
- aparelho celular;
- forma de bolo;
- cinta do dr.ray (HAHAHA);
- pilha;
- tesoura;
- guardanapo para bordar;
- camiseta de time de futebol, feminina, tamanho m;
- aspirador de pó;
- capa para proteger computador da poeira;
- aparelho de som para carro;
- gelo seco;
- álcool em gel;
- pipoca de microondas;
- tomada;
- pincel e creme de barbear;
- escova e pasta de dente;
- caixa de ferramentas;
- pen drive com músicas baixadas;
- amor

"já me perguntaram se vendia ferramentas. sério, dessas que papai usa para consertar encanamento em casa, na base da marginalidade e falta de conhecimento mesmo. e daí que o cidadão perguntou: 'aqui não é o lojão vende tudo?', e eu, pasma: 'não, moço, aqui é uma livraria..." - nina vieira

"também já me pediram papel de parede para computador. isso mesmo, aquele que fica na tela do computador" - rafael guedes de lima