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12 Dec 04:17

Esse é o interior de alguns moluscos

by Damaris de Angelo

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Recentemente recebi no meu feed essas imagens, achei a coisa mais bonita e quis compartilhar.

A publicação foi feita pelo usuário Artie Barksdale, no Facebook, com a legenda “Deus é uma mulher”.

Para saber mais sobre moluscos, clique.

 

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23 May 02:55

...vejo a popularidade do Temer.

22 May 04:24

...alguém me fala ‘vai pra Cuba’.

30 Apr 02:15

{QUERO} Luminária Lunar

by Damaris de Angelo

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A Moon Lunar Globe é uma lâmpada que mostra exatamente a topologia da lua. Ela foi desenvolvida pelo designer Oscar Lhermitte para mostrar as fases da lua em tempo real através de um movimento de rotação das luzes de LED.

Atualmente a luminária está em processo de captação de recurso no Kickstarter, para quem se interessar.

 

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30 Apr 02:13

Adolescentes dos anos 60 e seus penteados

by Damaris de Angelo

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Uma série de fotografias dedicada aos penteados de estudantes americanos nos anos 60.

Foi o fotógrafo Ozfan22 quem separou esse compilado cômico de imagens dos anuários de sua época de escola.

 

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09 Nov 19:29

We ❤ Tattoo: Sketch

by Damaris de Angelo

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As tatuagens de Naomi Chi são rabiscos literais. Com aspecto de lápis apagado em seus detalhes, as tatuagens da ilustradora de Vancouver desenvolvem um estilo único.

O que justifica o traçado dos desenhos tão evidentes em suas tatuagens é o seguinte pensamento: “Meu interesse por artes visuais foi estimulado por animações. Por isso capturar o movimento é tão importante pra mim.”

Aproveite pra conferir algumas das ilustrações dela, logo abaixo das fotos das tattoos.

 

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Confira as ilustras:

 

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30 Oct 19:12

L’Homme de Néandertal avait-il une voix de Lady anglaise enrhumée ?

by JP Fritz

800px-Homo_neanderthalensis_adult_male_-_head_model_-_Smithsonian_Museum_of_Natural_History_-_2012-05-17.jpgHier soir, j'ai retrouvé par hasard une vieille vidéo de la BBC que j'avais complètement oubliée, et qui simule ce que pourrait avoir été la voix de l'Homme de Néandertal, et cela m'a donné l'idée de faire un petit point sur le sujet.

La vidéo, tout d'abord. La BBC a fait appel à un coach vocal connu outre-Manche, Patsy Rodenburg, de la Guildhall School of Music and Drama de Londres. Le résultat est assez surprenant. Lorsqu'on a en tête le physique des Néandertaliens, on pourrait s'imaginer de grands costauds avec une tonnante voix de basse résonnant dans les cavernes. Or, selon ce documentaire, ce ne serait pas du tout le cas, au contraire : la voix de ce cousin de l'humanité aurait été haut perchée.

En utilisant l'un de ses étudiants, cette dame examine tout d'abord le moulage de la gorge d'un Homme de Néandertal, le comparant à celui d'un humain moderne. Elle prend également en compte la largeur de la cage thoracique, indiquant une capacité pulmonaire et une résonance supérieure, l'épaisseur du crâne (plus importante que chez nous), la grosseur de ses fosses nasales... Le résultat ? Le pauvre étudiant-cobaye finit par prendre une voix à faire fuir tous les prédateurs des environs...

Il ne s'agit pourtant pas là d'une étude documentée, juste de l'opinion, certes experte, d'une professionnelle de la voix. N'y a-t-il donc pas de travaux universitaires approfondis sur la question ? Robert McCarthy, de la Florida Atlantic University (USA), a effectué une reconstitution du canal vocal néandertalien, et en utilisant un synthétiseur, a produit un son qui pourrait être la lettre "e" prononcée par un Homme de Néandertal.


http://www.fau.edu/explore/media/FAU-neanderthal.wav

Le résultat semble assez bizarre à des oreilles modernes, mais selon le Dr McCarthy, les Néandertaliens "auraient parlé un peu différemment", car ils n'auraient pas été capables de former certaines voyelles qui forment la base de notre langage parlé et qui permettent à des locuteurs dotés de canaux vocaux de tailles différentes de se comprendre. Ainsi, "par exemple, les Néandertaliens n'auraient pas pu distinguer les mots "beat" et "bit"", en anglais.

Cela signifie donc que Néandertal parlait ? Au cas où certains en douteraient encore, une étude parue en 2007 dans Current Biology montrait déjà qu'ils avaient en commun avec nous un gène impliqué dans le développement de la parole et du langage. Si l'existence de ce gène n'est pas une preuve suffisante à elle seule, elle constitue déjà un gros indice.

Et ce n'est pas tout : comme le souligne pertinemment le blog The Human Evolution, chez les Néandertaliens, l'os hyoïde, qui joue un rôle dans la parole humaine (ou dans le ronronnement du félin) se trouvait dans une position assez similaire à ce qu'elle est chez l'humain moderne.

Forme du canal vocal, os hyoïde, "gène de la parole"... On n'aura sans doute jamais de preuve irréfutable que nos cousins Néandertaliens parlaient, mais les indices qui vont dans ce sens constituent un faisceau de présomptions suffisamment serré. De là à ce que sa voix ait ressemblé à celle d'une caricature de vieille Lady anglaise enrhumée et en colère, il y a tout de même un grand pas à franchir...

Crédit photo : Modèle d'un Néandertalien mâle adulte, exposé au Smithsonian (museum d'histoire naturelle de Washington). (Tim Evanson via Wikimedia Commons).


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24 Aug 03:22

{Hora da Larica} As melhores sobremesas ao redor do mundo

by Damaris de Angelo

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Mais de 20 delícias pra deixar você com fominha.

melhores sobremesas (1)
Crème brûlée

Crème brûlée é a favorita em toda a França. A sobremesa é uma mistura de creme coberto com uma camada de caramelo crocante por cima, ligeiramente dourado.

 

melhores sobremesas (2)
Dadar gulung

Na Indonésia, essa sobremesa é popular. Ela é uma panqueca feita de folhas de pândano, enrolada e, em seguida, recheada com açúcar de coco.

 

melhores sobremesas (3)
Torta de maçã

Não existe nada mais americano que a torta de maçã. A torta é feita com pedaços da fruta envolvidas por uma massa folhada. Ela pode ser servida com chantilly, sorvete de creme, ou até mesmo com queijo cheddar.

 

melhores sobremesas (4)
Baklava

Uma das especialidades da Turquia, a sobremesa é a combinação de massa folhada e nozes picadas. Os quadradinhos são colados com xarope ou mel.

 

melhores sobremesas (5)
Gelato

As ruas da Itália estão repletas de restaurantes vendendo gelatos – uma versão italiana do sorvete, só que mais macios que a massa americana tradicional. A sobremesa tem uma grande variedade de sabores.

 

melhores sobremesas (6)
Picarones

Os picarones são a versão peruana da rosquinha americana. Eles são feitos da combinação de batata doce frita com abóbora, farinha, fermento, açúcar e erva-doce.

 

melhores sobremesas (7)
Syrniki

A sobremesa é uma panqueca feita de quarks – um produto lácteo fresco feito de queijo com textura semelhante ao creme de leite. Na Rússica, elas são fritas e servidas com geléia, molho de maça, creme de leite ou mel.

 

melhores sobremesas (8)
Tarta de Santiago

A Tarta de Santiago é a versão espanhola do bolo de Saint James- um bolo de amêndoa que teve origem na Idade Média, em Galiza, no noroeste da Espanha.

 

melhores sobremesas (9)
Mochi japonês

O mochi é um doce japonês feito com mochigome, um arroz glutinoso que é batido com uma pasta, e em seguida, moldado em forma de bolinho. A sobremesa fica disponível o ano todo, mas é comum ser mais consumido no Ano Novo. Na maioria das vezes o doce é servido com uma pequena bola de sorvete.

 

melhores sobremesas (10)
Pastelitos

Comumente consumido no dia da independência argentina, os pastelitos são massas folhadas e fritas, recheadas com doce de marmelo ou batata-doce, cobertas com granulado.

 

melhores sobremesas (11)
Banoffee Pie

A sobremesa é vendida na Inglaterra, e é uma deliciosa torta de bananas com creme, caramelo e, muitas vezes, chocolate ou café.

 

melhores sobremesas (12)
Brigadeiros

Nossos brigadeiros podem ser feitos com chocolate em pó, leite condensado e manteiga. <3

 

melhores sobremesas (13)
Dragon Beard Candy

Essa sobremesa não é apenas uma sobremesa chinesa, ela é também uma arte tradicional do país. Semelhante a um casulo branco, o “Doce de Barba de dragão” é feito principalmente com açúcar e xarope de maltose misturado ao amendoim, semente de gergelim e coco.

 

melhores sobremesas (14)
Waffles belgas

Na Bélgica, a sobremesa é um lanche de rua comum em todo o país. Elas são delícias amanteigadas que podem ser deliciadas com cobertura de açúcar em pó ou Nutella.

 

melhores sobremesas (15)
Gulab Jamu

Uma das sobremesas mais amadas da Índia, descritas normalmente como “buracos de donuts”, mergulhados em um xarope doce. O doce é feito com leite em pó e tradicionalmente frito em ghee – um tipo de manteiga comercializada por lá.

 

melhores sobremesas (16)
Sachertorte

Sachertorte é um bolo de chocolate muito conhecido na Áustria. A sobremesa é uma iguaria densa, mas não muito doce, inventada em 1832 pelo austríaco Franz Sacher.

 

melhores sobremesas (17)
Lamingtons

Os Lamingtons são sobremesas australianas e quadradas feitas de bolo esponja com cobertura de chocolate. O doce é normalmente coberto com flocos de coco antes de servir.

 

melhores sobremesas (18)
Yakgwa

Uma espécie de bolinho coreano feito de mel, óleo de gergelim e farinha de trigo.

 

melhores sobremesas (19)
Schwarzwälder Kirschtorte

A sobremesa recebe o nome aqui no Brasil de Floresta Negra. Direto do sudoesta da Floresta Negra da Alemanha, o doce é a mistura de nata, chocolate, cereja e Kirsch – uma espécie de conhaque feito de uma cereja negra.

 

melhores sobremesas (20)
Skyr

A sobremesa faz parte da culinária islandesa há milhares de anos. O Skyr é uma espécie de iogurte servido gelado com leite e açúcar, e às vezes com frutas também.

 

melhores sobremesas (21)
Barra de nanaimo

A sobremesa recebe o nome da cidade de Nanaimo, no Canadá. A sobremesa é feito com migalhas de wafer mergulhadas em uma espécie de creme gelado de manteiga coberto com chocolate derretido.

 

melhores sobremesas (22)
Koekje

Comumente servido com chá, a sobremesa Sul Africana é nomeada koekje, uma versão holandesa da palavra cookie. A iguaria é extremamente doce, feita de massa em rolos, fritos e mergulhados em calda de açúcar.

 

melhores sobremesas (23)
Prinsesstårta

A prinsesstårta é um bolo em camadas, servido na Suécia, envolto com marzipan, uma cobertura dura, doce e verde. As camadas do bolo são feitas de pão de ló, creme e chantilly.

 

melhores sobremesas (24)
Umm Ali

A sobremesa é a versão egípcia do pudim de pão americano. Feita com massa folhada, leite, açúcar, baunilha, passas, coco ralado e uma variedade de nozes.

 

melhores sobremesas (25)
Makowiec

Parecido com o rocambole, o makowiec é mais comumente servido nos feriados da Polônia. A sobremesa é um rolo de pão doce recheado com semente de papoula, às vezes coberto com glacê.

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24 Aug 02:53

Brincos pra quem?

by Natasha Ferla
Ilustração por Gabriela Sakata

Ilustração por Gabriela Sakata

No mundo em que vivemos, espera-se que meninos tenham um tipo de comportamento e que meninas tenham outro tipo de comportamento. Também é esperado que sigamos certos códigos de vestimenta, e todas estas expectativas que o mundo despeja sobre nós começam antes mesmo do dia em que nascemos.

Tudo começa no enxoval, se for designado menino ao nascimento será tudo azul e se for designada menina ao nascimento, tudo rosa! As roupas e os brinquedos dos meninos vão ser estampados com barquinhos e carrinhos, as meninas usarão flores e bonequinhas. E como é importante que mulheres e meninas estejam sempre bem apresentadas, as meninas ainda passam pelo processo de colocação de brincos.

É comum que os brincos sejam colocados em crianças e bebês, e é quase uma regra para diferenciar meninos e meninas. Para os pequenos, que ainda não entendem quase nada do mundo, a falta de brincos não faz nenhuma diferença, mas para uma sociedade que só consegue enxergar o binarismo de masculino e feminino, olhar um neném e poder identificar seu gênero é quase um alívio.

Nossa colaboradora Carolina Walliter conta que sua mãe optou por não furar suas orelhas e que isso causava um estranhamento nas pessoas. Somente aos seis anos, e por escolha, Carol teve as orelhas furadas. Nossa outra colaboradora Dani Feno nunca gostou muito de roupas consideradas mais femininas, como laços e coisas rosas, e o brinco era sempre um motivo de briga entre ela e sua mãe.

A roteirista Eleonora Loner vem de uma família de “sem brinco”: ela, sua mãe e sua irmã não têm furos nas orelhas, e nunca tiveram vontade de fazer. Diferente da publicitária Dani Soares, que furou as orelhas aos dez anos em uma tradição familiar que consistia em furar a orelha com uma agulha de costura e uma batata. Apesar da dor, a iniciativa partiu dela mesma.

A fotógrafa Amália Gonçalves quando teve sua filha, Bella, optou por não furar suas orelhas. Segundo ela, a decisão cabia apenas à menina, que poderia fazer uma escolha consciente em relação ao seu corpo quando mais velha.

Nossa outra colaboradora Ana Paula Andrade Peccini que é enfermeira, acredita que a colocação de brincos em bebês recém-nascidos é uma agressão. Além dos riscos de infecção a que a criança é exposta, ela também sente a dor causada pelos furos. Ana Paula sempre orienta as mães a esperar as crianças ficarem mais velhas, algumas aí então param pra pensar sobre o assunto. Mas claro que não podemos culpar unicamente as mães, usar brincos é uma coisa cultural tão forte que às vezes nem paramos para pensar no que ela significa.

Outro ponto importante na questão da colocação de brincos é o consentimento. Crianças não podem consentir. Por que, mesmo assim, fazemos uma (ainda que pequena) modificação no corpo delas? Brincos não são uma coisa necessária no desenvolvimento de uma pessoa, são um enfeite que deve ser usado por quem quiser e como quiser.

Daiane Cardoso, que também é colaboradora da revista saiu da maternidade usando brincos e durante a vida toda só usava coisas delicadas, não porque gostava, mas porque cresceu ouvindo a opinião dos outros. Hoje ela gosta de brincos grandes e coloridos. Nossa editora Clara Browne não teve as orelhas furadas. Ela até quis, mas teve uma infecção e hoje só usa brincos de pressão. A Dani, que teve sua história contada no começo do texto, hoje nem tem mais furos e não tem nenhum problema com isso. Eu acho brincos lindos, mas uso só quando quero e como quero e tenho quase certeza de que, se não tivesse nenhum furo, não ia fazer a menor diferença.

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15 Jul 14:55

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19 May 14:42

Fala mais… sobre a terceirização?

by Gabriella Beira

Há algum tempo, estamos ouvindo todo mundo falar com frequência o termo “terceirização”, em virtude da aprovação do Projeto de Lei que regulamenta este tipo de contratação da mão de obra no Brasil. Controverso, o projeto, em trâmite no Legislativo há mais de dez anos, levantou importantes debates sobre a precarização do trabalho no país, trazendo à tona questões problemáticas que envolvem a terceirização.

A terceirização é uma forma complexa de vínculo empregatício da mão de obra, que permite a uma empresa “delegar” a contratação de atividades a uma terceira. Nesse sentido, a empresa contratante no regime de terceirização basicamente livra-se da burocracia de contratar e lidar com os direitos trabalhistas de funcionários próprios, deixando isso tudo para uma “agência” de terceirizados. A agência de terceirizados costuma ser voltada para algum tipo de serviço específico, por exemplo, limpeza ou segurança. A empresa contratante, em vez de abrir um processo seletivo e contratar diversos funcionários para as funções de limpeza e segurança, apenas contrata a agência de terceirizados, responsável por fornecer o serviço. A agência é, portanto, quem oferece os funcionários à empresa contratante, o que quer dizer que o pagamento se dá também de forma fragmentada. A empresa paga o serviço, como um “pacote” à agência, e esta última repassa o pagamento para seus funcionários. Parece confuso? Exatamente, e é aqui que mora o perigo da precarização.

A terceirização é, resumidamente, uma forma de subcontratação e uma de suas características mais marcantes é a rotatividade do trabalho: muitos dos serviços que são terceirizados são também temporários, fazendo com que a agência de terceirizados contrate funcionários de acordo com necessidades pontuais. Isso significa que os contratados não têm nenhum tipo de estabilidade empregatícia, o que também significa que seus direitos, garantidos constitucionalmente, são negligenciados – desrespeito que agora, mais do que nunca, está respaldado pela lei. Uma pessoa contratada temporariamente, geralmente por períodos que, propositalmente, não chegam a doze meses consecutivos, não tem direito a férias remuneradas e nem a décimo terceiro salário, por exemplo.

Uma das vantagens da terceirização para as empresas é o aumento do lucro, e isso obviamente, se dá em função da diminuição dos salários. Além disso, a terceirização proporciona à empresa a facilidade de não precisar arcar com encargos trabalhistas. Fica explícito quando pensamos na remuneração do trabalho terceirizado: uma empresa que contrata, por meio de uma agência, o serviço de limpeza, paga um determinado preço x. Lucra com isso. A agência, que fornece o serviço, recebe essa quantia x. Para lucrar com isso, nada mais fundamental do que repassar aos funcionários y, sendo y uma quantia muito inferior à quantia x, já que o lucro da agência é x-y. Para maximizar este lucro, podemos imaginar que y não é lá grandes coisas.

Ademais, não dei os exemplos por mera casualidade: limpeza e segurança são os serviços mais comumente terceirizados, porque são atividades-meio. Uma atividade-meio é o tipo de função que não é o objetivo produtivo da empresa, ou seja, sua atividade-fim. Exemplifico: uma empresa de carros tem o objetivo de produzir carros, então essa é sua atividade-fim. A maioria das outras funções são atividades-meio.

Até então, atividades-fim não poderiam ser terceirizadas, mas o projeto de lei aprovado que regulamenta a terceirização passa a permitir que empresas que produzem carros contratem funcionários terceirizados para isso, além da limpeza e da segurança. Isso se deu à revelia de uma intensa oposição de vários setores da sociedade, que acreditam que esse é um passo decisivo para a precarização do trabalho. No México, por exemplo, onde a terceirização de atividades-fim é permitida, a instituição financeira Banco do Comércio funciona sem NENHUM empregado próprio, tendo terceirizado todas as suas atividades. No entanto, lá há um movimento contrário ao que vivemos aqui, de reformas que visam impedir que exemplos como esse se tornem frequentes.

A terceirização é um fenômeno que se privilegia da existência de massas pobres e desempregadas, que precisam se submeter a trabalhos onde a exploração é levada ao limite. Não fica difícil imaginar que a terceirização tem classe, cor e gênero, já que são os setores da nossa sociedade que se encontram marginalizados os que mais sofrem com a precarização do trabalho. Por isso, precisamos combater a terceirização, pois ela significa um enorme retrocesso em relação a tudo o que os grupos socialmente excluídos lutam: igualdade salarial, respeito aos direitos trabalhistas e remuneração justa. Tudo isso é invisibilizado quando a mão-de-obra é privada de responsabilizar empregadores e o Estado e a exploração desumana tem respaldo na lei.

Leia +:
Laura Viana, nossa colaboradora, no Jornal do Campus:
Terceirização: uma pauta das mulheres
Por que a PL 4330 também é uma pauta feminista e precisa ser comentada por nós?
Somos contra o PL 4330 das terceirizações! Por mais direitos e nenhum a menos para as trabalhadoras!

A lei da terceirização é boa? Depende se você é patrão ou funcionário

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27 Apr 18:45

Stairway to Heaven: uma série de escadas abandonadas

by Caio Luiz

spiral staircase with railing

Degraus, corrimãos, elevações em espiral… Tem escada de todo tipo aqui.

Christian Richter cresceu na Alemanha no período em que o país ainda era divido por razões políticas. Depois da reunificação da nação, muitos prédios antigos deixados para trás foram explorados pelo fotógrafo e sua câmera.

Anos mais tarde, ele ganhou uma digicam de um amigo e Richter já estava completamente apaixonado e envolvido com imagens de edificações abandonadas e velhas. Depois de várias tentativas, ele comprou um tripé e começou a explorar novos níveis de fotografia.

Majoritariamente, ele documentou prédios vazios com grandes escadarias internas. Simplesmente, Richter adora arquitetura decadente e deteriorada, os padrões e texturas do velho. A razão? O degradado o faz lembrar como tudo é impermanente.

Confira a série:

 

spiral staircase with railing

 

abandoned baroque staircase

 

spiral staircase in door framed

 

wooden spiral staircase

 

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abandoned entry hall

 

old abandoned  staircase

 

staircase

 

abandoned wooden entry hall with staircase

 

piano

 

old abandoned staircase

 

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forgotten staircase

 

abandoned decay room with door staircase

 

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old abandoned staircase

 

abandoned staircase

 

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staircase with railing

 

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abandoned decay room

 

wooden spiral staircase

 

Spiral staircase

 

abandoned wodden staircase

 

old staircase

 

abandoned decay staircase

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31 Mar 21:32

Dragão da net

by Tiago Gass

People pose with laptops in front of projection of Facebook logo in this picture illustration taken in Zenica

Mais um dia e mais uma vez o balanço da internet se vê refém do grande mafioso do momento, o Facebook.
Já contamos a historinha de como o Facebook mudou a maneira de como navegamos na internet e, no início, fez com que as marcas e veículos de mídia se esforçassem ao máximo para construir legiões de seguidores vindos da rede social para seus sites, o que em torno ajudou a fazer o Facebook crescer monumentalmente.
Até que Zuckerberg decidiu que a audiência era dele e começou a cobrar para que o conteúdo, que um dia ajudou sua rede, fosse vista pelos usuários que ali estavam.
Agora a coisa começa ficar ainda mais séria, já que o Facebook quer ser a internet em si, ou quase isso.
Quietinho, nos últimos meses a rede azulzinha vem conversando com grandes grupos de mídia, como New York Times, o Buzzfeed e o National Geographic, entre outros, para iniciar uma parceria onde o Facebook hospedaria o conteúdo criado por seus parceiros, que em troca receberão exposição aos mais de um bilhão de usuários e, possivelmente – já que os detalhes ainda são um pouco escassos quanto ao modelo de negócio – compartilharão uma porcentagem das receitas de anunciantes que vinculam ao lado de seu conteúdo.
Até aí parece tudo lindo. Mas as vantagens são todas e apenas do Facebook.
Pra começar, o usuário não precisará mais sair de dentro da rede social, aumentando ainda mais sua arrecadação em publicidade e diminuindo o tráfego nas páginas de quase todo mundo fora da plataforma de Zuckerberg. Todas métricas e informações sobre o comportamento dos usuários ficariam apenas com o Facebook, informações que são usadas por quem possuí um site para analisar a demografia e comportamento de sua audiência.
Já quem não for parceiro do Facebook arriscará ver sua audiência cair até o possível zero, com os algoritmos da rede dando cada vez mais relevância aqueles que postam conteúdo diretamente e em acordo com as práticas da rede social. Links que mandam os usuários para fora da rede terão zero relevância.
Zuckerberg ficaria assim com todo o poder de barganha em suas mãos e um veículo que se vê pressionado por suas despesas terá de pensar seriamente em ceder ao novo tipo de negócio, que basicamente bagunça a neutralidade da internet e dá o controle de seu conteúdo a uma organização que pode mudar as regras a qualquer momento e da maneira que melhor lhe convém.
As possiveis implicações são ainda muito mais difundidas e generalizadas, e sinceramente ainda não consegui digerir toda a informação para passar pra vocês. Mas tenho certeza que se o negócio der certo a internet nunca mais será a mesma, grandes publicações que não concordam com os termos arricarão fechar suas portas, e, basicamente, voltaremos ao abominável esquema da televisão com apenas um canal, onde é ele que decide o que devemos assistir.

Foto: Facebook

15 Mar 02:22

...cozinho pra tentar impressionar alguém.

Bela Gil com Carolina Dieckmann

(by Raíssa França)

15 Mar 02:10

L’Homme de Néandertal fabriquait des bijoux

by JP Fritz

87998_web.jpgParce qu'il n'est que notre "cousin" sur l'arbre de l'évolution des espèces, l'Homme de Néandertal a été longtemps sous-estimé. Mais les recherches récentes révèlent de plus en plus d'éléments montrant qu'il était aussi intelligent que nos ancêtres. Mieux encore, il aurait même eu la fibre artistique.

Lorsque l'Homo Sapiens est arrivé d'Afrique en Europe, voici environ 50 000 ans, les Néandertaliens étaient déjà là depuis plus de 200 000 ans, ce qui en fait probablement les seuls vrais "Européens de souche", si tant est que le concept puisse avoir une réalité scientifique. Ils étaient installés sur de nombreux sites, dont celui situé à Krapina, dans ce qui est aujourd'hui la Croatie.

C'est là que des fouilles réalisées entre 1899 et 1905 ont mis au jour un ensemble de serres de grand aigle de mer (ou pygargue à queue blanche), parmi des restes d'os et d'outils néandertaliens. Oubliées pendant plus d'un siècle, ces serres ont été étudiées de nouveau par une équipe internationale, qui a pu s'apercevoir que les serres en question, datant de 130 000 ans, étaient très probablement les premiers bijoux que l'on puisse attribuer à l'Homme de Néandertal.

Les serres portent en effet de nombreuses entailles, marques de coupe et signes de polissage. Trois des plus grandes ont aussi de petites encoches, à peu près au même endroit. Dans une étude publiée dans le journal PLOS One, les auteurs expliquent que ces différentes caractéristiques observées sur ces serres "suggèrent qu'elles feraient partie d'un assemblage de bijoux", et qu'elles auraient été montées soit en collier, soit en bracelet. Pour les chercheurs, "La présence de ces huit serres indique que les Néandertaliens de Krapina ont acquis et collectionné ces serres d'aigles pour une sorte de but symbolique".

Si l'on avait déjà découvert sur d'autres sites quelques serres de rapaces et plumes qui laissaient penser que Néandertal les utilisait comme parures, la collection trouvée à Krapina est à la fois la plus importante et la plus ancienne.

"C'est vraiment une découverte étonnante", se réjouit David Frayer, paléoanthropologue de l'université du Kansas, et l'un des auteurs de l'étude. Il souligne non seulement la prouesse technique dans la réalisation des "bijoux", mais aussi celle nécessaire pour capturer les rapaces qui ont fourni les serres. "Ce sont des oiseaux très puissants", explique-t-il à Nature, "cela demande une certaine dose de courage, ou même de folie pure, que d'attraper l'un de ces animaux". Le grand aigle de mer est en effet le plus gros prédateur aérien d'Europe avec ses deux mètres d'envergure...

L'Homme de Néandertal avait donc des qualités que l'on considère comme propres à l'humain moderne : l'imagination, les connaissances techniques pour réaliser des bijoux, la capacité d'exprimer une pensée symbolique, et la bravoure nécessaire pour chasser un grand prédateur ailé.

Crédit photo : Serres trouvées sur le site néandertalien de Krapina (Croatie). Elles portent des marques qui suggèrent qu'elles faisaient partie d'un collier ou d'un bracelet (Luka Mjeda, Zagreb)


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17 Feb 01:51

Les Sentinelles : le peuple le plus isolé du monde ?

by David
On entend régulièrement parler de ces tribus qui vivent encore à l’écart de ce que nous appelons « la civilisation ». Il en existe de moins en moins, et généralement quand évoque ces communautés, c’est justement parce que leur existence est mise en danger par la déforestation, le tourisme ou simplement le contact avec « […]
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13 Feb 23:48

Obama gente como a gente

by Stephanie Noelle

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É oficial: Obama é o presidente que mais entendeu o poder da internet e das redes sociais.
Para bombar sua campanha de saúde pública, e fazer as pessoas se cadastrarem no programa, o presidente da maior potência do mundo fez um vídeo em parceria com o BuzzFeed chamado “Things Everybody Does But Doesn’t Talk About” (coisas que todo mundo faz, mas ninguém fala sobre).

Tem de tudo: Obama tirando uma foto com, sim, ele mesmo, o ‘pau de selfie’, dando uma checada no visual usando os óculos de sol do Joe Biden, o vice-presidente, fazendo caretas e dizendo coisas como “yolo” (you only live once, traduzindo, só se vive uma vez), o presidente incentiva os norte-americanos a se inscreverem no programa de saúde do país, cujo prazo termina no próximo dia 15 de fevereiro. Não sem mostrar que também sofre pra pronunciar corretamente a palavra “february”.
Tem mais: ele desenhando a Michelle Obama e tentando molhar um cookie no leite e culpando ele mesmo por não conseguir.
Sr. Presidente, podemos ser amigos?

Foto: BuzzFeed

13 Feb 23:46

...eu e meu grupo de melhores amigos(as).

Expectativa:

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Realidade:

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17 Jan 00:18

A inacreditável propaganda contra o voto feminino em 1900

by Damaris de Angelo

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O conservadorismo sempre teve medidas de lavagem cerebral. Estes pôsteres são a prova disso. O alvo do tradicionalismo muda, mas o discurso de vitimização é sempre o mesmo. Antes a abolição da escravidão, depois o reconhecimento dos direitos das mulheres, e agora o reconhecimento de causas LGBT.

Esta seleção de cartões postais e pôsteres dos anos 1900 – 1914 fazem parte da propaganda usada contra o direito das mulheres votarem, contra as sufragistas. A mudança é claramente mostrada como um ataque direto aos “valores da família” e lugar do homem na sociedade.

Engraçado como a história se repete.

 

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“Quando mulheres votam maridos trabalham das 3 da manhã à meia noite. ”

 

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“O lugar da mulher é em casa.”

 

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“Como cuidar de crianças.”

 

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“Eu serei a sua líder um dia.”

 

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“Acabem com os homens.” / “Maridos como empregadas.”

 

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“Voto para mulheres.”

 

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“No congresso: Como tratar um homem.”

 

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“Alimentando uma sufragista à força.”

 

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“Voto para mulheres.”/ “Eu salvei meu país para isso.”

 

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“Se você ama sua mulher, ama menos a sua vida.”

 

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“Sufragistas atacando um policial.”

 

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“Sufragistas atacando o congresso.”

 

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“Mamãe é uma sufragista.”

 

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“Conquistando voto da forma mais fácil.”

 

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“A mulher masculina
Ela é masculina dos sapatos ao chapéu,
Casaco, colar, camisa e gravata.
Ela usa calças na rua pra se sentir completa,
Mas ela sabe que a lei não permitirá isso.”

 

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“Minha mulher se juntou ao Movimento Sufragista. (Sofro desde então). ”

 

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“Todo mundo trabalha menos a mamãe. Eu quero votar mas minha mulher não deixa.”

 

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“Origem e desenvolvimento de uma sufragista: Aos 15 um bichinho de estimação. / Aos 20 uma coquete. / Aos 40 não é casada ainda. /Aos 50 uma sufragista.”

 

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“Dia do voto.”

 

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“Onde será que está minha linda esposa esta noite?”

 

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“Lar doce lar.”

 

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“Estou em uma reunião, as crianças estão na vizinha.”

 

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“O que eu faria com uma sufragista.”

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10 Jan 01:01

Vai ter selfie no museu sim, e se reclamar vai ter mil!

by Helena Zelic
Ilustração: Helena Zelic. Na foto, baby Helena e Papai.

Ilustração: Helena Zelic. Na foto, baby Helena e Papai.

 

“Ai, agora tem fila no museu, o que esse povo quer indo no museu? Eles nunca foram ao museu!”

As filas no museu são o novo “pobre no aeroporto”: “Ai, pobre no aeroporto, agora eu tenho que pegar fila, ficar vendo gente pobre? Não dá, né!”

Parece que estou fazendo analogias baratas? Parecer, parece. Mas, infelizmente, é o que vem acontecendo, apesar de não fazer sentido nenhum. Não consigo entender qual é o grande problema de ter um monte de gente querendo visitar museus. Não parece ótimo? Pessoas querendo ver arte, vivenciar arte, estar perto da arte de museu – não que a arte só esteja no museu, mas também está. Aí dizem “ah, mas essa sede de arte é modinha, algo só pelo rolê, só pela selfie”.

Mas será? Ou será que esse argumento não é só desculpa esfarrapada para demarcar a “gente diferenciada”? Se fosse alguém com cara de estudioso das artes (e nós sabemos bem qual é a cara dos estudiosos de artes em um país em que a arte é tão elitizada), quem iria questionar sua presença? Nós temos o direito de julgar que tipo de arte cada pessoa deve querer absorver, observar, aprender?

Acho de uma maldade sem tamanho demarcar espaços culturais desta maneira, pois não há forma de categorizar sem ter base no preconceito e no elitismo. Quem “deve” e quem “não deve” estar no museu? Como saber quem está lá pela arte e quem não está?

Ok, eu entendo, a dinâmica da selfie o tempo todo às vezes enche o saco. Mas é uma dinâmica nova como um todo, que não existia antes, e é natural que não se saiba lidar sempre com equilíbrio com novas dinâmicas. Às vezes, as fotos podem atrapalhar a experiência de quem ainda não foi à exposição. Às vezes, podem parecer mais importantes do que a obra em si. É chato que se veja as obras apenas através da tela do celular, sem “contemplação”? Pode ser que sim. Mas isso não significa que apenas quem saiba “admirar de verdade” seja digno de ir ao museu. Porque determinar quem sabe admirar e quem não sabe já é um recorte sociocultural e tanto. E porque, se pararmos para pensar, a selfie no museu faz parte de uma proposta de guardar experiências e momentos. Esse é o esquema das selfies hoje em dia, num geral. E, se são momentos importantes, é de se imaginar que as pessoas queiram registrar. Não deixa de ser uma dinâmica interessante.

Não são exatamente essas pessoas quem devemos questionar se agora ir a exposições tornou-se um passeio difícil, seja pela quantidade de pessoas, seja pela impossibilidade de contemplar as obras cada qual à sua forma, entre outras dificuldades. Devemos cobrar então das equipes da área educativa do museu que repensem suas formas de expor arte, e que se questionem se a dinâmica funciona, se o espaço está sendo aproveitado da melhor maneira. É preciso que a função educativa e formadora dos museus não se perca, sim. É preciso que encontremos o equilíbrio na convivência de espaços culturais para que ninguém se sinta atacado, para que uns não atrapalhem os outros e vice-versa. Mas, acima de tudo, devemos dizer, também, que o aumento do público é algo extremamente positivo. A partir dessas premissas, poderemos pensar:

O que o museu significa; o que ele historicamente significou; quem cabia e quem agora vem cabendo no museu; a que serve a arte, afinal?

Este assunto é inteiro complexo e delicado porque diz respeito a fenômenos de registro que são novos para todo mundo. Por isso, ele gera dúvidas, debates e discussões mil. Ainda assim, apesar de todas as problemáticas, sigo pensando: mais chato do que gente tirando selfie do museu, é gente julgando e se achando superior a gente que tira selfie no museu.

Mais chato do que fila no museu, é museu vazio, só com as mesmas pessoas da elite cultural, as mesmas pessoas de sempre.

***

E, para ilustrar, aqui vai uma galeria de fotos das capitolinas no museu:

Helena no museu Clara B. no museu Clara T. no museu Dani e amiga no museu Georgia no museu Sofia no museu Julia no museu Nataila no museu Fernanda no museu Laura no museu Lorena no museu Teresa e tia no museu Natasha no museu Rebecca no museu

 

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10 Jan 00:53

Quando a Ásia encontra a Disney

by Damaris de Angelo

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Na Young Wu é um ilustrador coreano que gosta de dar um toque asiático nos contos europeus e clássicos da Disney. Na Young Wu normalmente ilustra para os jogos, e esta série ele chama de “conto de fadas ocidental coreano”.

 

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18 Dec 01:16

...saio de uma loja sem comprar nada porque nada ficou bem em mim.

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18 Dec 00:39

The Sims: criando e manipulando a sua família

by Gabriela Sakata
Ilustração: Nathalia Valladares.

Ilustração: Nathalia Valladares.

Acredito que brincar de casinha, de faz de conta, de contar histórias fez parte da infância de muita gente. Por isso que, em fevereiro de 2000, quando o primeiro jogo da série The Sims saiu, o lançamento foi um grande sucesso. Era simples: um simulador da vida real, onde você cria e controla seus “sims” (personagens virtuais) com simplicidade e objetividade.

Para quem não conhece, The Sims é um jogo em que você cria uma família, compra uma casa, e vive a vida dos seus personagens. É um simulador inicialmente para computadores, mas que hoje tem versões para diferentes plataformas como Nintendo Wii, celular, Nintendo DS, Playstation, Xbox, etc.

Eu lembro que a primeira vez que joguei The Sims fiquei encantada, era como brincar de boneca, mas a sua imaginação conseguia ir muito mais longe, porque você não precisava gastar um monte comprando sua Barbie, a casa da Barbie, o carro da Barbie, o shopping da Barbie e os amigos da Barbie pra se divertir sozinha. Você podia, em alguns cliques, criar personagens muito mais parecidos com você, construir uma casa muito maluca, e passar horas se deliciando com o faz de conta virtual.

Hoje em dia o jogo já está na sua quarta edição, contando com um monte de pacotes de expansão que possibilitam uma variedade maior de opções de criação e controle. Por exemplo, o The Sims 3 de 2009 pode ser equipado com mais de dez expansões e mais de oito pacotes de objetos. Ou seja, é como se você pudesse ter em um clique uma diversidade imensa de brinquedos para completar suas histórias.

Uma coisa muito legal do jogo é que você não precisa se apegar aos estereótipos de família, sexualidade, comportamento… O simulador dá possibilidade de você criar com uma liberdade impressionante. Por exemplo, seus personagens podem ter relações afetivas com sims de qualquer sexo ou naturalidade (existem personagens sobrenaturais), seus personagens podem ter uma família com amigos (em repúblicas por exemplo), seu gênero não interfere na sua carreira (uma vez que as opções de emprego são as mesmas para todos), seus sims podem adotar crianças e animais de estimação, e outras várias possibilidades que às vezes não são tão facilitadas na vida real.

Acredito que a série poderia ter um cunho muito politico, uma vez que simula a realidade, e logo poderia fazer muitas criticas ao nosso modo de pensar. Acontece que isso não é feito. The Sims é só um jogo. Vivemos hoje em uma sociedade que não considera tanto os games como uma plataforma de discussão, desconsiderando o poder e a amplitude de muitos jogos. Por exemplo, em Setembro de 2013, a série já tinha vendido mais de 175 milhões de cópias de seus jogos (isso sem contar os downloads piratas).

Eu super aconselho quem tiver a oportunidade de jogar. Não é só para crianças, não é só “para meninas”, é um jogo divertido que pode te por pra pensar sobre o papel dos games na nossa sociedade e como as relações familiares funcionam.

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18 Dec 00:35

Headband de Bacon e acessórios em forma de comida

by IdeaFixa

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Norihito Hatanaka cria acessórios inspirados em comidinhas. Normalmente a fábrica do cara cria peças de modelos de alimentos para restaurantes, mas um belo dia ele acordou e resolveu usar sua habilidade no artesanato pra fazer peças de moda. Porquê não?

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15 Dec 18:34

Os museus e as mulheres

by Gabriela Sakata
Ilustração: Helena Zelic

Ilustração: Helena Zelic

Não é novidade pra ninguém que, desde sempre, os pintores, escultores e outros artistas plásticos sempre deram atenção especial para o corpo feminino. Seja nas esculturas da Grécia Antiga ou nas pinturas renascentistas, uma série de estereótipos de mulher-modelo, mulher-musa, foi propagado pelas artes visuais. Acontece que essa posição da mulher dentro da arte também dita as relações entre as mulheres e os museus.

Quando pensamos em quadros ou esculturas mais conhecidas, podemos citar a Mona Lisa de Leonardo da Vinci, a Vênus de Milo da Grécia Antiga, a Moça com o brinco de pérola de Vermeer, o Nascimento de Vênus do Botticelli, a Liberdade guiando o povo de Delacroix, ou outras várias obra de mulheres retratadas por homens. Não há, nas pinturas e esculturas mais conhecidas, o reconhecimento de mulheres que pintavam.

Existe um video que andou circulando pela internet que demonstra muito bem qual o papel da mulher dentro da arte. Nele, uma série de retratos femininos de diversas épocas acabam por definir e ilustrar como a mulher é vista nesse mundo artístico, que é opressor, ainda que de forma mais disfarçada. O Museu Nacional da Mulher na Arte (NMWA) de Nova Iorque divulgou que, na edição atual do livro “História da Arte”, de H.W. Janson, utilizado por muitos educadores, professores e doutores, apenas 27 mulheres artistas são representadas e, pasmem, na edição de 1980 não há nenhuma citação.

Na Arte Moderna já podemos achar casos onde mulheres conquistaram seu espaço dentro da arte – sempre com muita dificuldade, é importante pontuar. Lee Krasner, por exemplo, conhecida também como a viúva de Pollock, teve seu trabalho desmerecido por tratar-se de um expressionismo abstrato semelhante ao do marido. O livro “The Guerrilla Girls’ Bedside Companion to the History of Western Art” chama atenção para uma citação de Hans Hofmanns destinada a Krasner: “This is so good you wouldn’t know it was done by a woman” (tradução: Isso é tão bom que você não saberia que foi feito por uma mulher).

Imagem: Guerrilla Girls

Imagem: Guerrilla Girls

O grupo Guerrila Girls dos EUA publicou em 2012 um pôster mais recente divulgando que, dentro da sessão de arte moderna do Museu Metropolitano de Nova Iorque, menos de 4% dos artistas são mulheres. Ao mesmo tempo, 76% dos nus são femininos. Ou seja, existe um grande problema dentro dessas instituições de arte, que mantém o pensamento de que o corpo feminino só é aceito quando nu, quando objeto artístico.

O questionamento da posição e do papel da mulher – bem como de todas as outras minorias – dentro dos museus é inevitável. Mas ainda existe uma falta de preocupação da indústria artística acerca dessa problematização. Aqui na Capitolina já publicamos alguns textos legais sobre mulheres artistas: sobre artistas negras, sobre artistas contemporâneas, entre outras matérias imperdíveis.

Para além das mulheres como artistas, essas instituições não são desiguais só a nível de produção: na hora de administrar também podemos ver uma desigualdade massante. Segundo o relatório da Associação de Diretores de Museus de Arte, publicado esse ano, apenas 24% dos maiores museus  e instituições culturais dos EUA e Canadá são dirigidos por uma mulher.

Para as mulheres curadoras, acaba sobrando de alternativa, por exemplo, começar a trabalhar no meio da curadoria independente. Podemos citar a Beatriz Lemos, que tem uma entrevista muito interessante na plataforma Mulheres na Arte Contemporânea e ministrou uma oficina de curadoria chamada “O circuito de arte e as estratégias de atuação: mapeando o meio profissional da arte”.

Ao pensar nos museus e nas instituições culturais esquecemos de debater a desigualdade de gênero propagada por esses espaços. A escolha de deixar quadros de artistas mulheres guardados e não expostos, ou de contratar mais homens para cargos administrativos são só alguns dos exemplos que evidenciam esse problema. E isso precisa mudar, porque nós também queremos e podemos caber no mundo das artes.

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15 Dec 18:28

Princesa

by Julia Oliveira
Ilustração: Laura Viana

Ilustração: Laura Viana

A princesa viveu feliz

Livre de todo o verniz

Sem anões, sem anéis

Com o cabelo gris

Com pés-de-galinha, pelancas,

Dor nas ancas

E imperfeições sutis.

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15 Dec 18:17

Um abecedário para grandes sensações

by Roberto Almeida

Hoje sinto-me…

Invisível, talvez? Ou mais para minúsculo? Será que um pouquinho espacial?

Qual palavra define melhor como eu me sinto hoje?

Palavras podem até ter superpoderes, mas muitas vezes elas são incapazes de explicar sensações que a gente considera comuns. Sorte que, quando entra em cena o trabalho dos ilustradores, tudo pode se encaixar, tornar-se visível, produzir risos e, com sorte, até gargalhadas.

Em Hoje Sinto-Me…(Orfeu Negro, 64 págs.), a autora e ilustradora portuguesa Madalena Moniz esmera-se em encaixar palavras com ilustrações delicadas e divertidas. O livro é um abecedário para contemplar, sorrir e, claro, discutir o significado dessas sensações intrigantes que ela propõe.

Alguém aí sabe como é sentir-se jupiteriano? E wireless?

Madalena tem sua versão, e coloca-a no papel por meio de um personagem. É o garotinho quem explica as sensações com poses, gestos, ações e expressões, às vezes alegres, às vezes um pouco tristes, mas sempre esperançosas.

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F, de Forte, com a sombra em aquarela.

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J, de Jupiteriano, ou um pouquinho alienígena. 

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O, para Otimista, dos que fazem o mundo mais colorido.

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Detalhe de B, para Baralhado.

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Detalhe da ilustração para S, de Sozinho.

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No final, Z para Zzzz…

Hoje Sinto-Me… traz humor e uma sensação de tranquilidade para o abecedário. Os tons pastéis e as páginas azuladas, as expressões do garotinho e o cuidado com o traço (a primeira ilustração desse post, dele na piscina para a letra E de Espacial, é um dos pontos altos do livro), são um convite à contemplação.

Existe passeio melhor pelas letras e palavras?

E se elas não derem conta de explicar tudo o que têm a dizer, Madalena Moniz desenha.

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Hoje Sinto-Me
Madalena Moniz
Orfeu Negro, 68 págs.
www.orfeunegro.org

23 Nov 02:14

Os grilhões de quem é contra cotas

by Andreza Delgado
Ilustração: Helena Zelic

Ilustração: Helena Zelic

“É só falar em cotas que  renasce do inferno, em forma de opinião, a alma de todos os senhores de engenho.” Stepanie Ribeiro.

*Texto de Andreza Delgado

Gostaria muito de  começar o texto falando sobre o avanço das cotas nas federais e algumas estaduais, sobre como são uma grande vitória para o movimento negro, ou citar as recentes cotas aprovadas na Defensoria Pública, mas me sinto obrigada a rebater os grilhões que tentam voltar junto com a opinião de quem é contra cotas.

Para começo de conversa, o que são as  cotas?
Também chamadas de ação afirmativa, cotas são uma forma de reservar vagas para determinados grupos. Esse sistema foi criado para dar acesso a determinados grupos socialmente excluídos: negros, indígenas, deficientes etc, em universidades, concursos públicos e mercado de trabalho.

Pois bem, por que cotas?

Às vezes parece que a humanidade passou por uma sessão que apaga a memória, como naquela de “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”,  porque não é possível esquecer  que negras  e negros foram escravizados, que ganhamos a tal liberdade cilada há cerca de mais o menos 126 anos, apagam todo um processo que nos persegue até hoje, o mito da democracia racial, aquele somos todos iguais. Odeio ser portadora de má notícia, mas não somos não.

Resquícios de uma escravidão, recém-libertos invadindo os morros, favelas e cortiços,  procurando emprego, se alfabetizando, tudo isso sem apoio, não tinha Bolsa Família ou alguma política paliativa. Existe uma dificuldade da sociedade entender o que é reparação histórica, da dívida que a humanidade tem com pessoas negras e  indígenas e com as demais minorias exploradas.

Mas cotas são racismo?

Não, cotas não são racismo, cotas são garantia da presença de pessoas negras, pardas, indígenas e pobres dentro das universidades públicas, cotas são reserva de vagas. É muito claro que no aprendizado todos somos iguais, mas o  conhecimento se dá na relação social, na relação com os objetos, com as coisas e com um processo bem-feito de ensino e aprendizagem. Para você entender o porquê cotas raciais são importantes também é só fazer  o teste do pescoço: olhe para o lado e veja quantas  pessoas negras você encontra nos corredores, não vale estar com vassoura na mão e nem  servindo no bandejão ou na portaria… Pois é, pessoas negras só são bem-vindas na universidade para mão de obra, e mão de obra barata, a tal da terceirização.

Mas e o peixe que a gente tem que ensinar a pescar?

O peixe a gente deixa lá no mar mesmo, e quem criou a frase a gente manda voltar as casas. Na maioria das vezes, quem chega para falar de meritocracia viveu um contexto diferente na vida. Imagina uma corrida, e pensa que o corredor número 1 são pessoas negras, indígenas, pardas e pobres, e eles começam de bicicleta e imagina que o corredor 2 são pessoas que estão num contexto totalmente diferente, ricas, oriundas das melhores escolas, com vários exemplos de pessoas que entraram na universidade na família e etc. Adivinha só quem vai ganhar a corrida?

Cotas sim, cotas o quanto for necessário.

Não quero parecer autoritária demais,  mas quero te avisar pessoa racista: cotas sim, cotas até quando for necessário, cotas até que a universidade se pinte de povo, cotas até que tenham professores universitários negros e indígenas, cotas até não existir mais peneira racista na universidade. E que não se crie só cotas nas universidades e sim mais sistemas que façam com quem esses alunos cotistas possam permanecer dentro da universidade, produzindo material, se tornando exemplos para outros.

E vou terminar esse texto usando uma frase que escutei durante uma mesa sobre racismo estrutural, “eu não tenho só um sonho, eu tenho direitos”.

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23 Nov 01:24

Não somos da cor do pecado!

by Amanda Lima

           

                                                                              

Ilustração por Isadora M.

Ilustração por Isadora M.

   

  *Texto de Amanda Lima e Paula Gomes

Ser mulher negra significa, infelizmente, estar constantemente sofrendo colocações históricas e racistas em relação a nossa cor e sexualidade.

Antes de mais nada, é preciso voltar um pouco na história e contextualizar essas violências.
Durante o período de escravidão,  (que dizem ter durado mais de trezentos anos, mas nós sabemos que dura até hoje e que enfrentamos suas consequências, porque ainda somos maioria na escravidão moderna, recebemos pouco mais da metade do salário recebido por pessoas brancas e somos 70% das vítimas de assassinatos no Brasil) mulheres negras tiveram sua força explorada e sua sexualidade abusada. Eram obrigadas a satisfazer os patrões econômica e sexualmente, e forçadas a lhes dar prazer a qualquer momento. Diante desses constantes abusos, nossa identidade foi sendo massacrada e pisoteada, dia após dia.

Hoje em dia, o mito de que a mulher negra é mais forte e mais apta ao sexo que a não-negra continua. As heranças escravistas nos deixaram estigmas tão intensos que ainda estamos reconstruindo nossos pedaços. A violência obstétrica, por exemplo, é um mal que nos atinge muito, porque ainda acreditam que somos mais ‘’fortes’’ e que, portanto, não devemos receber o mesmo cuidado e atenção que mulheres brancas. Caso queira ler mais sobre o assunto, é só clicar aqui.

Por conta disso, até expressões que possam parecer bobas para alguns nos machucam tanto. Hoje resolvemos retomar duas destas expressões, que são: “da cor do pecado” e “não sou tuas negas”. Elas são extremamente ofensivas e não deveriam ser espalhadas e disseminadas por aí.
Toda vez que falam algo do tipo, é como se vestissem a roupa de “patrãozinho” e dessem crédito aos discursos e atitudes daquela época, quando as mulheres negras escravizadas eram usadas para sexo, para satisfazer os homens brancos da casa grande. Elas eram estupradas; algumas engravidavam e tinham que parir um filho contra a sua vontade; eram humilhadas e jogadas de lado.

Dizer “não sou tuas negas” é como incorporar uma sinhá branca inconformada com a traição do marido e dizer: “Não sou aquelas tuas escravas que você usa exclusivamente para se divertir”.

Já dizer “da cor do pecado” é naturalizar um chavão racista que associa a mulher negra a uma atração sexual incontrolável dos homens brancos, que permite com que ele faça o que quiser com o corpo dela, ela querendo ou não. O que acreditamos, e esperamos que vocês também, é que  não há nenhum cabimento em tal discurso, e é vergonhoso acreditar que ele ainda exista, e o que é pior, de uma forma tão escancarada.
A perpetuação da hipersexualização da mulher tem início aí.
Para você que não acredita que isso ainda ocorra, é muito simples: pense em carnaval, em “Globeleza” e em “rainhas da bateria”. A maioria é composta por mulheres negras, com corpos esculturais, sambando semi-nuas, como se esse fosse nosso papel, o de atrair turistas. Enquanto isso, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgou que 61% das vítimas de estupro são mulheres negras e jovens.

É essencial se propor a não incorporar a “sinhá branca” e rever discursos. É preciso  estar atenta a opressões que possamos estar perpetuando. É preciso respeitar a história de um povo e estar alerta a possíveis ofensas.

Somos mulheres negras e temos direito a ter os nossos próprios corpos, nossa dignidade, nossa cultura e nosso respeito.

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17 Nov 23:49

Physical Feminism

by Família Petiscos

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A fotógrafa Iris Brosch fotografou um editorial em Nova Iorque que será o assunto que você encontrará em todas as revistas e sites de moda e beleza nos próximos dias. O que ela mostra no projeto que intitulou “Physical Feminism” e afirma em seu discurso, é o seu papel de redefinir as imagens das mulheres do nosso tempo e sociedade. No vídeo que você assiste abaixo, ela explica que a ideia vai além de um corpo que o mercado de moda tenha como o padrão do “bonito de se ver”, mas do espaço que uma mulher pode ter na sociedade. “Se eu sento com as pernas cruzadas, eu sou uma boa menina, mas se eu sento com as pernas abertas, como um homem, eu ocupo espaço”.

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E o que ela quer combater é a imagem que as mulheres devem ter, a partir de o que os homens idealizaram. Por isso, fez uma seleção de modelos com muitas curvas, com barriga, pneus e mostrou como elas parecem até saídas de uma pintura. Asia Monet, uma das modelos do ensaio, diz: “é okay ter curvas, é okay ser grande e mostrar isso ao mundo”.

PHYSICAL FEMINISM directed by Iris Brosch from Iris Brosch on Vimeo.

Fotos: Iris Brosch