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21 Dec 16:47

O Tabagismo como Transtorno Existencial

by Karl
Rita Fumando

Rita Lee, 1972

Fumantes são pessoas interessantes. Ao longo de todos esses anos ajudei muitos a largar o vício. Já com outros, não tive o mesmo sucesso. Mas, de tanto ouvir as estórias dessas pessoas, acabei fascinado e entendi alguns conceitos importantes. Muitos fumantes, em conversas no consultório ou mesmo em reuniões informais, nem se dão conta do valor que dão para determinados eventos e se surpreendem quando chamo-lhes a atenção.

Encorajado por essas reações, resolvi compartilhar esses conhecimentos com os 3 (altamente qualificados, diga-se de passagem) leitores deste  blog, na esperança de que mais gente se sinta, digamos, acolhida, identificada talvez com isso e se anime, quem sabe?, também a parar de fumar. Adianto que o que escreverei aqui não é suscetível à comprovação científica e (até por isso) não se trata de teoria, no sentido hardcore que utilizamos em ciência. Talvez tudo se encaixe melhor num conceito de narrativa que junta cacos de acontecimentos e lhes atribui sentido dentro do contexto da vida de um ser humano preso ao hábito de inalar fumaça a partir da queima de folhas de tabaco secas; atitude completamente idiota se olhada assim, mas que, por alguma razão, traz um benefício real ao fumante. Uma das chaves para entender como tal benefício se dá e se mantém apesar de todos os riscos e perigos do tabagismo está, na minha modesta opinião, numa abordagem mais existencialista do problema. Existencialismo que se inicia com Kierkegaard e que entra na medicina por intermédio de Jaspers e Biswanger, mas que permanece quase que exclusivamente restrito à Psiquiatria. Segue, então, uma pequena digressão clínica sobre o hábito de fumar e os fumantes, um esboço no intuito de mostrar que talvez a medicina interna também possa se beneficiar de tal abordagem.

Que há vários tipos de fumantes é preciso que se diga logo. Há fumantes sem-vergonhas mesmo, aqueles que param (de verdade!) de fumar quando querem e voltam ao tabagismo por puro desprezo ao vício. São muito raros. Mais comuns são os que acham que são assim, superiores ao cigarro, e não se dão conta de que esse é um dos principais truques do tabagismo para se perpetuar. Há fumantes pesados e leves. A grande maioria, entretanto, é dependente do cigarro suficientemente para o considerarmos um vício pernóstico, pois entremeado em vários aspectos da vida do fumante. Mas este parece ser um tipo de dependência que não é “só” químico, como por exemplo, a dependência de opióides, cujo paradigma clássico é a morfina. Neles, é possível substituir a droga por um análogo que interage com os receptores opióides mas que não tem o mesmo efeito e ir, progressivamente, “desmamando” o paciente (seria muito bom se fosse simples assim; na verdade, o processo é bem mais complexo e doloroso). Se os fumantes fossem “apenas” dependentes químicos, os adesivos, chicletes e mesmo o controverso cigarro eletrônico, todos à base de nicotina, fariam qualquer um abandonar o cigarro, fato que, sabemos, não corresponde à realidade.

Não é só Dependência Química

Se não é “só” dependência química, é o que mais? Muitos usam aqui uma palavra: hábito. Mas, o que é um hábito? O termo “hábito” traz consigo um sentido originário que reúne três significados principais, a saber, uma capacidade ou virtude (como em “habilidade”), um demorar-se ou estabelecer-se (como em “habitar, habitação”) e, finalmente, ao transmitir a ideia de uma inclinação, disposição ou mania, ou de condição, estado, aparência. Nessa última acepção, “[…] [hábito] parece remeter a algo que está em um indivíduo, algo do qual ele é portador, e que se constrói em sua aparência externa, ou em sua forma de comportar-se, ou ainda, de maneira mais interessante, na ambiguidade das duas possibilidades a um só tempo como no dito popular ‘o hábito não faz o monge'”. Tudo para dizer que num hábito, os sentidos de morar, parecer, comportar-se e ter capacidade ou potencial para realizar algo, convergem. Um hábito é um modo de ser. De fato, não é raro ouvir dos fumantes que são outros após pararem de fumar. Esse modo de ser que o fumante habita determina sua relação com as coisas e com as pessoas com as quais convive, ou seja, determina um tipo de relação com seu mundo. Quando alteramos compulsoriamente a relação dos fumantes com seu mundo, como por exemplo proibindo-os de fumar em determinados locais, alteramos os três sentidos do hábito mencionados acima e, com eles, todo o modo de ser dos fumantes. Daí, os resultados que as leis de restrição ao fumo em lugares fechados implantadas em várias cidades e agora, parece, em âmbito nacional, têm conseguido. Não há um único fumante que não considera tais restrições eficazes em, se não fazê-los parar, ao menos em diminuir drasticamente o número de cigarros consumidos por dia.

A Ansiedade como Patologia da Percepção do Tempo

Tão primordial quanto a relação dos indivíduos com as coisas e com as pessoas é sua relação com a temporalidade. Nosso próprio ser está inextrincavelmente ligado à percepção do Tempo já que as coisas que são apenas como constante presença não são conforme a nós, diria alguém na Floresta Negra. Tanto e de tal maneira, que a percepção do Tempo molda nossos comportamentos e pensamentos, não como um a priori como queria Kant, mas como uma dimensão de nossa própria existência. Existência que é determinada pela facticidade, possibilidades e decisões que parecem apresentar-se de maneira cada vez mais veloz. Quando um indivíduo tem a percepção de que o Tempo passa demasiado rápido e que ele ou ela não terá tempo suficiente para realizar tudo aquilo a que se propôs, tal pessoa assume uma configuração de alerta. Se esse alerta se perpetua ao longo de todas as suas atividades, independentemente da importância que se dê a elas ou de o tempo para executá-las ser suficiente ou não, estamos diante de um quadro de ansiedade. Sob esse ponto de vista, a ansiedade pode ser considerada uma patologia da percepção humana do Tempo. Uma patologia existencial, sem dúvida, mas que pode produzir sintomas físicos. Quando isso acontece, é necessário, muitas vezes, recorrer a recursos farmacológicos que desacelerarão o processo e reconduzirão a pessoa a um estado de normalidade. Entretanto, esses recursos desaceleram todos os processos, inclusive alguns que poderiam ter, digamos, alguma “utilidade”, como ficar ansioso antes de uma palestra (nos motiva a estudar), ou antes de um jogo importante (nos dá gana para vencer). Além disso, a enorme maioria não precisa ser tratada e convive bem com esse tipo de ansiedade chegando mesmo a tirar proveito dela. Mas, esse estado constante de alerta cansa, desgasta e consome. É preciso fazê-lo parar de vez em quando. É preciso diminuir a velocidade da percepção da passagem do Tempo e a angústia de vê-lo esvair-se pelo vão dos dedos sem que nada se possa fazer. Dentre as mais variadas maneiras de se conseguir isso, talvez a mais arriscada seja o tabagismo.

cig_time

Cinco minutos de fumaça e nicotina

 

Cinco Minutos de Fumaça e Nicotina

“Não é ‘apenas’ químico”, é o que me dizem. Há a fumaça (e a maneira que desenha formas enquanto sobe e evanece), há o gesto (que na repetição automática, acalma e reassegura), há a interrupção das atividades que nada mais são que “habilidades” que “habitamos” naquele momento e que a força do “hábito” estilhaça no instante em que se inicia o rito. E como têm força os ritos! Há outras e tantas coisas mais, é o que me dizem sem saber ao certo como dizê-lo. Mas o que seria então todo esse conjunto? Por que funciona assim de tal forma a vencer o poder da vontade racional de um ser humano? Vontade que modificou o mundo e que cai perante um bastão de tabaco? Algumas das respostas possíveis a essas questões surgem quando compreendemos o cigarro como um dispositivo, um “vírus metafísico”. O cigarro desativa, temporariamente (e esse é o segredo que o sucesso do vício não nos deixa ver), a configuração de alerta. O cigarro modifica a percepção do Tempo, alentecendo-a. Tudo se passa como em câmera lenta, numa sensação de paz e poder viciantes. O relaxamento e a sensação de recompensa provocados pela estimulação dos receptores nicotínicos não respondem por todo o efeito. Não é “apenas” químico como muita gente acha. É como se o cigarro funcionasse como um software que ao “rodar” desliga a configuração temporal e liberta o fumante de sua acachapante servidão cronológica.

O tabagismo é um transtorno existencial.

Essa canção dos Titãs tem um verso em especial que capta essas ideias de forma esteticamente espetacular.

24 Dec 14:30

boss-of-the-plains: Just in case



boss-of-the-plains:

Just in case

25 Dec 14:30

daftbread: enemy of the dogspotting community





daftbread:

enemy of the dogspotting community

29 Dec 14:30

communistbakery: this is so unsanitary please love urself





communistbakery:

this is so unsanitary please love urself

30 Dec 14:30

2-shane-s: I thought that only the bag of chips was knitted so...



2-shane-s:

I thought that only the bag of chips was knitted so I was like lmaoo idiot bird got owned then I saw that the bird was knitted as well then I realized I was the idiot bird getting owned

03 Jan 21:10

Medicina e Pena de Morte

by Karl

Esteto ForcaDe maneira geral, cada país tem uma legislação própria que prevê ou não a pena capital, ou como costuma ser chamada, simplesmente pena de morte. No Brasil não temos tal figura jurídica, exceto em situações de guerra. Há países em que ela é prevista mas, desde há muito, não executada, como por exemplo, a Coréia do Sul e a Rússia. Há também países em que a pena de morte é uma prática sistemática. Segundo a Anistia Internacional, os países que executaram pessoas por crimes comuns em 2013 foram (números entre parêntesis com o sinal + indicando resultado possivelmente subestimado): Afeganistão (2), Bangladesh (2), Botswana (1), China (1000+), India (1), Indonésia (5), Irã (369+), Iraque (169+), Japão (8), Kuwait (5), Malásia (2+), Nigéria (4), Coréia do Norte (+), Palestina (3+), Arábia Saudita (79+), Somália (34+), Sudão do Sul (4+), Sudão (21+), EUA (39), Vietnã (7+), Iêmen (13+). Chama a atenção os EUA, como maior democracia ocidental, na lista. Dos 50 estados norte-americanos, 32 preveem a pena capital, sendo que a partir de 2006, houve uma tendência a sua revogação e 6 estados a aboliram. Por ser também uma potência médica, as relações entre a pena de morte e os médicos norte-americanos puderam ser avaliadas e é sobre esse assunto que tentaremos discorrer resumidamente no que segue. A razão deste texto, não escondo, é meu extremo incômodo com a defesa ferrenha da pena de morte por alguns colegas médicos ao mesmo tempo em que demonstram grande desconhecimento de seus processos.

Métodos de Execução

O sistema jurídico de qualquer país que considere a pena capital necessita de processos padronizados e eficazes de execução de modo que o próprio processo não se constitua ele mesmo numa punição. Na busca por um método justo, “limpo” e eficaz, a sociedade americana passou pelos seguintes métodos que abordaremos brevemente: enforcamento, pelotão de fuzilamento, câmara de gás, eletrocução e, finalmente, injeção letal.

O enforcamento foi considerado uma alternativa desumana. Desde 2006, o WGHA, sigla em inglês para Grupo de Trabalho em Asfixia Humana, filmou 8 enforcamentos (1). “A observação dos vídeos mostrou que a perda da consciência ocorre rapidamente, seguida de convulsões e um padrão complexo de alternância entre descerebração (movimentos em extensão) e decorticação (movimentos em flexão). Os vídeos também mostraram evidências sonoras de passagem persistente de ar pelas vias aéreas durante o processo” (parêntesis meus). O processo todo pode persistir por até 20 longos minutos e a fratura da segunda vértebra cervical (C2), por causar paralisação da musculatura diafragmática e acelerar a morte, foi evento raro (2).

O fuzilamento é um método cruento e não controlado. Há relatos de prisioneiros alvejados no tórax, mas não no coração, que morreram por choque hemorrágico, lentamente (2). A possibilidade de causar dor e sofrimento é grande, além do fato de a morte não ser instantânea em um número razoável de vezes.

A câmara de gás é, desde o final da Segunda Guerra, um procedimento polêmico e que não se provou melhor que os anteriores. A asfixia por cianeto evita que as células utilizem o oxigênio inativando a citocromo oxidase, mas pode levar mais tempo para matar que o enforcamento (2). De fato, testemunhas públicas ficaram revoltadas com a visão de prisioneiros sufocando e convulsionando com a piora da hipoxemia. “No Arizona, em 1992, por exemplo, a asfixia do assassino Donald Harding levou 11 min, e a visão de sua morte foi tão horrível que repórteres começaram a chorar, o procurador geral vomitou e os carcereiros ameaçaram demitir-se se tivessem que participar de outra execução como aquela”(2).

Na página do DPIC (Death Penalty Information Center) encontramos todos os condenados com a pena capital e seus métodos de execução. Lá podemos ver que, desde 1977 – quando começaram a ser contabilizadas – os EUA tiveram 3 execuções por enforcamento (sendo a última em 1996); 3 por fuzilamento (sendo a última em 2010) e 11 mortes na câmara de gás (a última em 1999).

Esses números se contrapõem às 158 execuções por eletrocução (a última em 2013) e, vejam só, às 1.219 mortes por injeção letal, a última ocorrida em 12 de Setembro de 2014. As promessas de que a eletrocução causaria uma morte mais rápida também não se concretizaram. Há descrições a respeito do cheiro de carne queimada, do incêndio de alguns prisioneiros e também sobre a necessidade de vários choques até o êxito letal. “No Alabama, em 1979, por exemplo, John Louis Evans III ainda estava vivo após 2 ciclos de 2600 V; o carcereiro chamou o Governador George Wallace, que solicitou que se continuasse o processo e, apenas após um terceiro ciclo, com testemunhas gritando de horror na galeria e, após quase 20 min de sofrimento, Evans finalmente morreu”(2). Apenas a Flórida, a Virgínia e o Alabama persistiram com as eletrocuções, mas sob auditoria da Suprema Corte, vêm abandonando o método (2).

A medicina americana embarca nesse trem fantasma em 1977. Segundo Atul Gawande (2):

A injeção letal parece ser o único método de execução aceito pelas cortes como humano o suficiente para satisfazer os requerimentos da Oitava Emenda – principalmente por medicalizar o processo. O(a) prisioneiro(a) é deitado(a) em uma maca e tem o tórax coberto por um lençol branco. Um acesso intravenoso é instalado em seu braço. De acordo com o protocolo idealizado em 1977 pelo Dr. Stanley Deutsch, titular de Anestesiologia da Universidade de Oklahoma, são administrados 2500 a 500 mg de tiopental (5 a 10 vezes a dose máxima recomendada) que podem provocar a morte per se por cessar completamente a atividade elétrica cerebral seguida de parada respiratória e colapso circulatório. Entretanto, a morte pode demorar 15 min ou mais com o tiopental sozinho e a pessoa pode engasgar, resistir ou convulsionar no processo. Dessa forma, 60 a 100 mg do agente paralisante pancurônio (10 vezes a dose usual) são injetados em 1 min após o tiopental. Finalmente, 120 a 240 mEq de Potássio são administrados de modo a produzir uma rápida parada cardíaca.

A pena capital, assim como as guerras, são atividades humanas que apesar de antagônicas aos princípios da medicina, permitem à ciência médica estudar os mecanismos de morte a que estamos sujeitos. Se devemos ou não nos utilizar desse tipo de dado é uma discussão interessante que já esteve em voga quando do achado das anotações de experimentos nazistas (3). Paralelamente a isso, a medicalização da pena de morte, como processo geral de nossa sociedade que a tudo medicaliza, causou um dilema ético ao médico como veremos no que segue.

Referências Bibliográficas

ResearchBlogging.org1. Clément, R., Redpath, M., & Sauvageau, A. (2010). Mechanism of Death in Hanging: A Historical Review of the Evolution of Pathophysiological Hypotheses Journal of Forensic Sciences, 55 (5), 1268-1271 DOI: 10.1111/j.1556-4029.2010.01435.x

ResearchBlogging.org2. Gawande, A. (2006). When Law and Ethics Collide — Why Physicians Participate in Executions New England Journal of Medicine, 354 (12), 1221-1229 DOI: 10.1056/NEJMp068042

ResearchBlogging.org3. Berger, R. (1990). Nazi Science — The Dachau Hypothermia Experiments New England Journal of Medicine, 322 (20), 1435-1440 DOI: 10.1056/NEJM199005173222006

Foto de Ana Parini retirada daqui.

04 Jan 22:42

Medicina e Pena de Morte II

by Karl

A injeção letal é o método preferido de execução de prisioneiros condenados à pena de morte nos EUA, como vimos no último post. O procedimento é do agrado de vários setores envolvidos porque assemelha-se ao procedimento médico da anestesia geral. De fato, muitas execuções têm sido realizadas no interior de hospitais prisionais. Tende a ser limpo, indolor e mais, digamos, profissional, já que segue um protocolo rígido, como também já vimos. Quando tal protocolo não é seguido à risca, os norte-americanos utilizam-se do termo botched para descrever que foi “mal-feito”, algumas improvisações tiveram que ser realizadas e as coisas não andaram da forma como deveriam. A tabela abaixo mostra a botch rate de cada técnica no período de 1890 a 2010, segundo a BBC.

Execuções nos EUA 1890 – 2010

Método

Número de execuções

Botch rate

Fuzilamento

34

0%

Eletrocução

4.374

1,9%

Enforcamento

2.721

3,1%

Câmara de Gás

593

5,4%

Injeção Letal

1.054

7,1%

Fonte: Gruesome Spectacles: Botched Executions and America’s Death Penalty em http://www.bbc.com/news/magazine-28555978

Com uma taxa de 7% de falhas protocolares, a mais alta entre todos os métodos de execução, a injeção letal começou a ser questionada por advogados, funcionários prisionais e pela sociedade civil. A partir da década de 80, cada vez mais juízes passaram a exigir a presença de um médico que acompanhasse as mortes, pois ao executar aproximadamente 40 pessoas por ano, 2 ou 3 teriam mortes “ruins”, número considerado elevado, e um especialista poderia ser útil. As sociedade médicas, entretanto, não gostaram. A AMA (Sociedade Médica Americana) emitiu uma resolução posicionando-se contra a partipação dos médicos em execuções porque tal atuação violava o artigo 2.06 que estabelece que (em livre tradução) “[um] médico, como membro de uma profissão dedicada a preservar a vida enquanto ainda houver esperança em mantê-la, não deve tomar parte de execuções autorizadas”. São também, segundo a AMA, inaceitáveis as participações médicas na administração e prescrição de drogas, monitorização dos sinais vitais, aconselhamento técnico, estabelecimento de acessos venosos e sua supervisão ou mesmo a simples presença médica na sala de execução. Mesmo a constatação do óbito é uma violação já que é vedado ao médico reanimar o prisioneiro caso ele ainda esteja vivo. Apenas a prescrição de sedativos para ansiedade antes do procedimento e a certificação da morte após outra pessoa fazê-lo são permitidas (1). As sociedades dos médicos vinculados ao sistema prisional (SCP) e a Sociedade Americana de Enfermagem (ANA) adotaram posições semelhantes. Em 2010, o conselho americano de anestesistas votou pela revogação do registro do médico anestesista que participasse de execuções penais. Ainda hoje, um médico pode teoricamente ser processado ou perder sua licença por participar de execuções penais mas não houve ainda caso concreto que possa ser citado como exemplo.

O coquetel utilizado inicialmente, segundo o protocolo do Dr. Deustch, consistia de 3 drogas administradas em sequência: um barbitúrico (tiopental), um bloqueador neuromuscular, um tipo de curare, (pancurônio) e o cloreto de potássio (KCl) que em doses elevadas e administrado rapidamente provoca fibrilação ventricular. Entretanto, mesmo a injeção de baixas concentrações de KCl em veias periféricas é extremamente dolorosa. Normalmente, quando é necessária a administração de potássio em doses mais elevadas, é utilizado um acesso central, ou seja, veias centrais, em geral acessos pelas subcláveas ou jugulares internas. Em 2008, em um processo conhecido como Baze v. Rees, dois prisioneiros questionaram o uso do coquetel como violação humanitária à 8ª Emenda Constitucional e provocaram uma discussão nacional sobre o uso das drogas na execução da pena capital.

De fato, outras drogas já vinham sendo utilizadas para o processo, em especial, o midazolam, um benzodiazepínico de ação ultra-rápida, parente do diazepam, entretanto em nenhum esquema drogas analgésicas potentes como os opiáceos (morfina, fentanil, entre outros) estavam presentes. Para complicar a situação, o fabricante do tiopental anunciou em 2011 a retirada do medicamento do mercado dada sua utilização quase que exclusiva na pena capital, a União Europeia se recusou a exportar o medicamento com esse fim e alguns estados americanos foram acusados de contrabandear tiopental da Índia. Outros fornecedores de medicamentos substitutos também não quiseram ter seus nomes envolvidos em processos execucionais e se negaram a fornecer medicações. A estiagem de medicações levou prisões a solicitar a formulação de drogas a apotecários e a aceitar medicações de origem duvidosa.

Oklahoma Execution Lawsuit

A sala de execução em Oklahoma

Foi nesse contexto que em 29 de Abril de 2014, um assassino chamado de Clayton Lockett foi conduzido à sala de execução em Oklahoma. Devido à falta de insumos, o coquetel utilizado foi uma mistura ainda pouco testada de midazolam, vecurônio e o KCl e então começou o show de horrores. Os paramédicos não conseguiram acesso. O médico foi chamado e tentou acesso jugular e subclávia sem sucesso. Depois de vários kits e tentativas frustradas, a veia femural, na região inguinal, foi puncionada, mas testemunhas acham que, na verdade, pode ter sido a artéria femural, ramo direto da aorta, pois o sangue jorrou em suas roupas e na sala. O relatório oficial não cita este episódio. Após estabelecer a patência do acesso, o médico permaneceu na sala. Quando finalmente a execução começou e as drogas começaram a ser infundidas, o médico verificou que algo estava errado. Havia um inchaço na região inguinal indicando que a infusão poderia estar no tecido subcutâneo e não dentro da veia. Lockett demorou 43 min para morrer, mesmo com seus executores tendo suspendido o procedimento. Há relatos de que ele se debateu, levantou a cabeça da maca, gemeu e gritou “man“, não confirmados na versão oficial. Há dúvidas sobre sua verdadeira causa mortis. Depois disso, o presidente Barack Obama solicitou a revisão dos processos de execução. Novamente, a Suprema Corte considerou o método de Oklahoma constitucional e o manteve. Há outras 3 injeções letais programadas para Março de 2015 na mesma instituição prisional.

O Papel do Médico

Nádia Sawicki (2) sustenta que depois do questionamento da 8ª Emenda Constitucional por Baze v Rees, qualquer petição para ter sucesso em suspender um coquetel letal terá que provar que ele é deletério e propor uma alternativa viável. Caso contrário, o procedimento será mantido, como foi o de Lockett em Oklahoma. O problema é que os procedimentos não são “baseados em evidências” porque estudos populacionais nessa área não são éticos! (Há estudos em medicina veterinária com todos os problemas translacionais inerentes). A utilização de protocolos não testados atualmente é proscrita mesmo em situações emergenciais baseado no princípio do primum non nocere, que forma a base do princípio da não-maleficência da ética médica. Se o intuito, no caso da pena capital, é o atentado à vida (maleficência, por definição), não há ética. Se não há ética, não há medicina e o indivíduo que assim age, deixa de ser médico naquele exato momento.

Por outro lado, se considerarmos que um médico pode abreviar em muito o sofrimento de indivíduos condenados à morte, sua atuação se enquadraria em uma causa humanitária. Mas para isso seria preciso considerar a pena de morte como algo inevitável, como uma doença física, uma força natural, acima dos ideais do próprio médico e, principalmente, que tal decisão não pudesse ser de outra forma que não a que se lhe apresenta.

Qual a sua opinião sobre o papel do médico nas penas capitais?

Referências Bibliográficas

ResearchBlogging.org1. Gawande, A. (2006). When Law and Ethics Collide — Why Physicians Participate in Executions. New England Journal of Medicine, 354 (12), 1221-1229 DOI: 10.1056/NEJMp068042

ResearchBlogging.org2. Sawicki, N. (2014). Clinicians’ Involvement in Capital Punishment — Constitutional Implications. New England Journal of Medicine, 371 (2), 103-105 DOI: 10.1056/NEJMp1405651

04 Jan 18:25

Photo


@copyranter


@copyranter

06 Jan 13:03

Devo fazer biologia (ou mesmo ciência em geral)?

by Atila
Fluxograma para decidir entre ficar pobre fazendo ciência ou ficar pobre fazendo arte.

Crédito: Gustavo Libardi – https://avidadebiologo.wordpress.com/

 

Me perguntam com certa frequência como fazer biologia, ou se devem prestar o curso ou não. Pessoalmente, sou muito feliz com minha escolha profissional, mas não consigo recomendá-la. Em parte por conta do minguado mercado profissional para biólogos, que não é nada promissor. Tirando a carreira de professor (nada contra ela, mas não deveria ser a única opção), conheço pouca gente exercendo a carreira de biólogo na indústria, em consultoria ambiental, perícia ou o que mais o Bessa tenha comentado. Da minha turma da Bio integral, vários estão lá, mas vários dos 120 que entraram no meu ano não seguiram na área. *

Ah, mas e a carreira de pesquisador? Pois bem, também sou muito feliz nela, mas também não consigo recomendá-la. Justamente pelos motivos que o Gustavo Libardi descreve com muito bom humor nesse fluxograma. Então, não fique chateado ou ache que ele está tratando “vender arte” como algo menor, mas pense bem na motivação para seguir uma carreira de pesquisa. Já adianto que financeira não é ;)

 

* Se quiser uma perspectiva sóbria sobre a carreira de biólogo, acompanhe aqui a carreira os bicos que o biólogo desempregado Luccas Longo está considerando.

06 Jan 14:30

kumagawa: when you’re at the beach and fully clothed and you try to grab some sand but it slips...

kumagawa:

when you’re at the beach and fully clothed and you try to grab some sand but it slips through your fingers..

image

08 Jan 14:30

Photo



09 Jan 14:30

starsandbars3: she has to be doin a lot of other drugs if her...





starsandbars3:

she has to be doin a lot of other drugs if her fuckin dog is talkin to her

13 Jan 18:06

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13 Jan 22:43

RT @uoleo: - Sua geração está perdida. Nem à mesa larga o telefone. - Tá. Vamos desligar...

by Osias Jota
Author: Osias Jota
Source: Buffer
RT @uoleo: - Sua geração está perdida. Nem à mesa larga o telefone. - Tá. Vamos desligar a TV então? - Faustão aind, hã? Você falou?
12 Jan 20:15

These are the top-25 photos from Flickr in 2014

by Bhautik Joshi

From the hundreds of millions of photos uploaded on Flick in 2014, these 25 bubbled to the top.

Though beauty is in the eye of the beholder, we’ve compiled this list based on a number of engagement and community factors. The photos were scored by looking at a combination of social and interactive elements, including how often the photo had been faved and viewed, among others.

There were several community members who appeared in the list several times; we picked their top-scoring image. We saw three of the Flickr 20under20 winners represented in the list. And it was perhaps little surprise the the European Space Agency’s Rosetta Philae photo made the cut. We also included four honorable mentions because we loved them so much.

Congratulations to these amazing photographers!

***

Uploaded on 1/10/2014 by aleshurik

Nightly shower 130812 F4332

Uploaded on 2/17/2014 by PeteHuu

p e r s i s t | lofoten, norway

Uploaded on 4/13/2014 by elmofoto

Wherever you lay your head

Uploaded on 2/26/2014 by rosiehardy

John.

Uploaded on 4/24/2014 by LJ.

Lightbulb

Uploaded on 8/12/2014 by Alexandr Tikki

ixspreparation2

Uploaded on 5/19/2014 by yard2380

Night Reading

Uploaded on 1/21/2014 by laurawilliams

"Besides my dad, she was the only one in my family who was like this..."

Uploaded on 3/11/2014 by humansofny

loopy sky

Uploaded on 5/1/2014 by SoulRiser

Bear Lake - Pentax 67 + Portra 400

Uploaded on 8/1/2014 by http://www.trentonmichael.com

NAVCAM top 10 at 10 km – 10

Uploaded on 11/11/2014 by europeanspaceagency

Oil Pastels

Uploaded on 3/11/2014 by WideEyedIlluminations

Here, once again

Uploaded on 1/1/2014 by Deltalex.

Chinatown

Uploaded on 3/22/2014 by Masa

Such is the price of leaving

Uploaded on 4/28/2014 by Whitney Justesen

I will learn to love the skies I'm under.

Uploaded on 6/4/2014 by David Uzochukwu

on the neighbour's grounds

Uploaded on 3/20/2014 by Rosie Anne

The Dreamy Coast

Uploaded on 1/7/2014 by Rob Macklin

Bagel&Lox

Uploaded on 3/24/2014 by davideluciano

Little Sherlock

Uploaded on 1/19/2014 by Adrian Sommeling

Pyramid Barn

Uploaded on 1/14/2014 by stevoarnold

HIPA, a non-profit photography show for the east of England in 2015, we are currently trying to raise the profile of the event to attract sponsorship, so if you feel like visiting the site and 'liking' the page it would help hugely, many thanks

Uploaded on 4/24/2014 by rastaschas

Fim de tarde

Uploaded on 6/7/2014 by Johnson Barros

320/365

Uploaded on 8/8/2014 by alexcurrie

Red Anemone

Uploaded on 3/31/2014 by j man.

The Backyard Falcon

Uploaded on 1/14/2014 by Avanaut

"And when it all comes crashing down, who will you be?" - Miles Away

Uploaded on 6/14/2014 by The Change Is Me.

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06 Jan 17:54

The Daily Routines of Famous Creative People

by Christopher Jobson

redo

The Daily Routines of Famous Creative People cleverly organizes the daily schedules of famous artists, philosophers, writers, and composers as recorded in their own diaries and letters. Not only does it show how they switched gears between creating, sleeping, and leisure time, but the chart is fully interactive including quotes from each individual. I would love to see a version of this with modern creatives (and more women) as well. (via Coudal)

Update: The information used to create the infographic comes from the book Daily Rituals: How Artists Work by Mason Currey.

13 Jan 13:02

Resenha – Serial Killer – Louco ou Cruel?

by Igor Santos

Olá, caros leitores. Estavam sumidos. O que aconteceu com vocês?

Que interessante! Bom, chega de falar de vocês, calem a boca e me escutem um pouco para variar. Aff…

ilana-casoy-serial-killer

Na minha infinita busca por algo que me entretenha enquanto me informa, recebi (pedi, na verdade) da Ediouro o livro de Ilana Casoy sobre matadores em série e, assim que o recebi, não quis largar o pacote. Infelizmente, minha mulher é mais esperta e retirou o livro da embalagem sem que eu notasse (caixas me fascinam, sou como um gato assim) e se prestou a ler o volume antes que eu pudesse protestar.

Como eu rapidamente me ocupei com outra coisa (novamente, como um gato), ela leu e escreveu uma resenha que apresento a seguir (ela tirou o livro de mim, eu tirei a resenha que iria para o Tumblr dela. Nada mais justo).

(Nota do editor: a boneca na foto ao final do texto não é minha. Eu jamais teria uma boneca Monster High. Prefiro brincar com miniaturas.)

———

Serial Killer – Louco ou Cruel?

(Ilana Casoy, 2ª Edição, Ediouro)

A brasileira Ilana Casoy se formou em administração de empresas porém acabou mergulhando no estudo da mente criminosa. Mesmo sem ter formação em Direito, Medicina ou Psicologia Forense, hoje é considerada especialista no assunto e atua como consultora da OAB/SP, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica do Hospital das Clínicas de SP, bem como auxilia diversas Polícias na elaboração de perfis de criminosos.

Serial Killer – Louco ou Cruel? é o primeiro dos quatro livros da autora e foi relançado em 2010 pela Ediouro, que teve a gentileza de nos enviar um exemplar.

Na fase introdutória, Ilana faz um resumo didático e bastante acessível ao leigo sobre as teorias que tentam explicar o que leva uma pessoa a praticar atos hediondos em série, os diferentes padrões psicológicos dos criminosos, o ciclo vicioso com que os crimes no geral se processam, a capacidade de simulação do indivíduo para “envernizar-se” e viver em sociedade sem que ninguém desconfie de seus atos e as características comuns à infância de muitos deles, bem como o fato de que eles são, em sua maioria, brancos.

Não existe uma teoria que sozinha explique satisfatoriamente as ações de um assassino em série, e é digno de nota ressaltar que a autora nem se deixou contaminar pelas teorias dos defensores da tábula rasa, tampouco por teorias de determinação genética pura e simples. Não se pode, do ponto de vista científico, afirmar que uma pessoa nasce com o destino selado porque conta com uma carga genética X pois a qualidade dos relacionamentos interpessoais e as experiências psicológicas que a pessoa acumula ao longo da vida, ainda que não necessariamente mudem sua personalidade, podem atenuar ou moldar seu caráter violento. Ela se mostra muito mais preparada do que muitos professores universitários brasileiros.

Há psicopatas que escolhem, por exemplo, cursar Medicina e se especializar em cirurgia, outros que se encaminham para os crimes de colarinho branco sem chegar perto de uma gota de sangue durante toda a vida, outros que apenas vampirizam financeiramente a família e os criminosos de diversas naturezas. Os psicopatas estão por toda parte. A menor fatia deles, felizmente, age como os que Ilana coletou em sua obra.

Muitas pessoas adeptas da crença que descarta o biológico e defende que o homem é apenas produto do seu meio esquecem que a maioria das pessoas que sofreu abuso sexual nunca se tornou molestadora de crianças ou assassina em série e esquecem o principal; que adultos psicopatas que alegam passado de abuso no geral apontam que foram molestados de modo sistemático pelo pai, pela mãe, por tios ou avós. Os abusadores do passado destes psicopatas não só doaram a sua carga genética como também acionaram o gatilho para que a infância do serial killer se transforme na perfeita incubadora para o mal latente. De um lar desestruturado para uma inadequação social é um pulo.

O livro é interessante do começo ao fim. Cinco dos dezoito assassinos seriais retratados, como Ed Gein que inspirou ‘Psicose’de Hitchcock, ganharam uma descrição bem romanesca e diferente do relato algo jornalístico dos outros casos, porém sem qualquer tipo de apelo à compaixão do leitor em favor do assassino. É preciso reforçar que embora a imputabilidade seja algo relevante durante o julgamento, o fato é que indivíduos que praticam crimes hediondos em série não podem recuperar sua liberdade, seja através da permanência em casas de custódia ou de prisão perpétua ou pena de morte, de acordo com a legislação de cada país. Aqui no Brasil ainda se consegue manter alguns indivíduos de alta periculosidade em casa de custódia, mas às custas de um trabalho silencioso pois sempre há pressão para que o indivíduo, por mais cruel que seja, ganhe liberdade.

Apesar de não ser um livro técnico (nem ter a pretensão de ser), em minha opinião é leitura obrigatória para Policiais, Promotores, Médicos, Psicólogos, Advogados e Juízes. Muitos dos erros da nossa Justiça hoje, como soltar um criminoso perigoso só porque ele tem bom comportamento na cadeia, foram cometidos no passado em outros países e resultaram na perda de vida de muitas pessoas. No emblemático caso de Arthur Shawcross, que foi solto pelo Juiz por bom comportamento mesmo diante de vários pareceres médicos desfavoráveis – o que é revoltante -, mais onze pessoas morreram.

Um pedófilo que molesta crianças pode ser um cidadão modelo, um trabalhador dedicado em sua profissão, frequentar Igreja e fazer trabalho voluntário, e na cadeia se comportar como um Lorde Inglês, porém isso não muda em nada o fato dele ser incapaz de parar de molestar crianças sempre que tiver oportunidade.

O Brasil simplesmente não consegue entender isso e a cada natal temos mais pessoas mortas, estupradas, agredidas e assaltadas por causa do indulto natalino. E como se não bastasse, ainda temos a figura legal aberrante do semi-imputável, uma piada sem nenhuma graça.

Outra lição interessante que podemos extrair dos estudos de Ilana é que algumas Polícias costumam revistar a casa e fazer alguma devassa nos antecedentes dos assassinos quando estes são presos por crimes banais. Muitos sociopatas criminosos em série foram pegos assim, após furtarem uma conveniência saindo sem pagar ou fraudarem cartão de crédito, pois são mais cuidadosos quanto mais grave é a ofensa. Isso deveria ser rotina no Brasil. Quantos assassinos e estupradores entraram na cadeia por um crime bobo e saíram em poucos meses?

Todo mundo mente. E quando essa pessoa é um assassino em série essa regra é ainda mais forte. Médicos são educados sem capacitação para diagnosticar simulação e essa capacidade só vem com a prática que leva à busca de dados extra-médicos, de evidências circunstanciais que apoiem o raciocínio médico. A qualidade da Assistência Técnica ao Juiz foi bem ilustrada no caso de Dennis Andrew Nilsen, o serial killer ‘carente’. Os dois médicos que o avaliaram criaram uma série de teorias mirabolantes totalmente desconectadas dos fatos já documentados à época e enquanto eu lia as ideias dos colegas quase arranhei meu próprio rosto pensando que o criminoso havia se safado. Andrew trabalhava todos os dias em dois expedientes, mantinha rotina regular, cuidava de um animal doméstico e descreveu detalhadamente todos os seus crimes e mesmo assim um dos psiquiatras afirmou que ele teria “brancos” ocasionais como se fosse uma esquizofrenia que vai e volta, sugerindo imputabilidade! O terceiro parecer, que foi emitido por um Médico Legista, concluiu que o criminoso era um exímio manipulador.

Muitos dos dados de entrevistas acerca da infância dos criminosos não resistem a um detalhamento mais técnico, bem como as alegações das suas motivação para os crimes. Uma assassina em série que escolheu matar homens de meia idade foi mudando sua versão da história calculando os riscos, porém quando estava no corredor da morte disse que estava cansada das mentiras e confessou mais um crime, para o qual não havia sido julgada.

As mulheres são minoria entre os assassinos em série. A autora mostra a lista de mulheres executadas nos EUA desde 1976 e a das que estavam no corredor da morte até 2007. Além disso, ela também inclui um apêndice com alguns nomes apelidos de criminosos de todo o mundo e algumas frases famosas.

E, como ‘faixa bônus’, Ilana coloca o famoso caso do ‘Zodíaco’, sem resolução até hoje e que inspirou filmes, livros e seriados.

Recomendo a leitura.

Agora me responda: você é a favor da pena de morte? Por quê?

Não tem opinião formada? Sugiro que para ilustrar seu brainstorm leia os casos de Andrei Chikatilo e de Edmund Emil Kemper III.

Abraço,

M.

serial-killer-ilana-casoy

———

Serial Killer – Louco ou Cruel?, de Ilana Casoy, pode ser adquirido diretamente na página da Ediouro ou, se você é do tipo que ainda sai de casa, em livrarias.

Até mais. E não sumam novamente.

29 Dec 12:35

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06 Jan 21:01

"A morte está orgulhosa do bem que o seu violoncelista tocou....

Igor Santos

Eu rio por dentro.



"A morte está orgulhosa do bem que o seu violoncelista tocou. Como se tratasse de uma pessoa da família, a mãe, a irmã, uma noiva, esposa não, porque esse homem nunca se casou"

= As intermitências da Morte (Saramago, 2005) =

Fiz uma lista de alguns livros para ler em 2015 antes de me autorizar a comprar mais obras porque nos últimos anos a fila só cresce. Ano passado eu entrei em uma fase de releituras, o que é sempre interessante porque você capta coisas que a pouca idade de uma outra época não alcançou e também porque você revive lembranças. Este ano planejo mergulhar mais em escritores que já gosto e visitar nossa coleção de Isaac Asimov, garimpada em vários locais.

Hoje é dia 6 de janeiro e já comecei o segundo da lista de 2015 (sim, eu geralmente me impulsiono quando faço listas, planos e promessas). E também descobri que um dos que separei para ler - Amerika, de Kakfa - compramos inadvertidamente em alemão, uma versão impressa há exatos 24 anos. Quantas pessoas leram esse livro? Legal, né. Não troco, não vendo, não empresto, não dou :)

Saramago ganhou meu coração há muitos anos, já não lembro quando o li pela primeira vez mas me recordo que na época mal se falava em Saramago no Brasil. O livro ‘As intermitências da Morte’ faz parte da fase em que Saramago já saramagueava e compõe o grupo de obras onde ele não nomina época, local ou pessoas. Essas são umas das características que mais gosto nele. A fluidez da escrita tão oral que reporta à linguagem teatral e a elegância do humor irônico e das sacadas geniais me divertem horrores. Eu dou gargalhadas com Saramago, não conheço ninguém que tenha esse surto psicótico com ele e quando leio o trecho pro Igor fico com cara de abobada, porque ele nunca acha engraçado.

Quando a Morte (que prefere assinar como morte) decide fazer greve, Saramago descreve a organização sócio-política do país para lidar com um novo e grave problema, mostra a adaptação das pessoas diante da crise e exibe de fraudes e conchavos de toda natureza para que a ordem seja mantida. É impossível não fazer paralelos com problemas que já conhecemos e para mim impossível não rir com as ironias e alfinetadas do gênio.

Numa segunda fase a Morte vira o jogo e há mudanças de regras (nada de spoiler, parei por aqui). E no terço final a Morte se deixa conhecer. 

Leia as últimas páginas ao som da Suíte #6 de Bach (para violoncelo) em Ré Maior, é bem fácil de achar no Youtube.

Recomendo fortemente.

Beijos,

M.

28 Dec 17:22

"O Castelo" (Kafka, 1922) Kafka nasceu em uma família judaica de...



"O Castelo" (Kafka, 1922)

Kafka nasceu em uma família judaica de classe média, formou-se em Direito e trabalhou como burocrata. Em razão de complicações relacionadas a Tuberculose Pulmonar, foi aposentado por invalidez em 1917 e findou morrendo caquético em 1924, quando contava apenas com 41 anos.

O viés autobiográfico é presente basicamente em toda sua obra.  ”O artista da fome”, um dos escritos dele que mais gosto, é um retrato típico dos últimos momentos de sua vida. Em minha opinião ele e o “Carta ao pai” devem ser lidos antes de “A Metamorfose, e os três devem ser lidos antes de “O Castelo”. 

Como o ‘O Castelo’ foi escrito em 1922 eu esperava que fosse um livro angustiado e que a temática doença ganhasse uma importante proporção. Mas não. Apesar do editor da Martin Claret colocar que a atmosfera de opressão e angústia é nítida em ‘O Castelo’ eu discordo, discordo com força e fico com a impressão de que quem escreveu isso não leu o livro porque é óbvio demais. E tem outro detalhe, na orelha do livro é colocado que Kafka morreu em 1927, o que também não está correto.

O personagem principal se mostra até relaxado na maior parte da narrativa e de modo bem diferente do que vemos em outros livros, chega a ser subversivo, transgressor.  O que se mostra de modo nítido mesmo em ‘O Castelo’é a ineficiência do Estado, o inchaço da máquina Pública, a sonolência e irresolutividade de detentores do Poder, o número excessivo de servidores que se engalfinham em atribuições irrelevantes de secretarias desnecessárias, a morosidade de processos diversos e outros pontos da ‘burrocracia’ que são bem familiares para o brasileiro.

Minha tradução, a de Torrieri Guimarães, não é a das mais aclamadas mas como a crítica é mais direcionada ao prefácio, resolvi comprar mesmo assim pois na livraria não havia outra tradução. 

Kafka não chegou a terminar ‘O Castelo’ e partes da trama foram editadas por Max Brod, a quem devemos reservar uma imensa gratidão.

Kafka, que pouco publicou em vida,  pediu que Max destruísse todos os seus manuscritos. Mas Max desacatou o pedido e hoje Kafka é reconhecido como merece.

Beijos,

M.

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