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14 Apr 00:15

A futilidade e a ignorância criam celebridades grotescas

by Christian Gurtner
Igor Santos

A forma mais rebuscada de dizer "só a música do meu tempo presta".

A futilidade e ignorância criam celebridades grotescas

“A massa nunca se eleva ao padrão do seu melhor membro; pelo contrário, degrada-se ao nível do pior.”

Essa frase é creditada a Thoreau e eu nunca me canso de utilizá-la. Isso porque ela se aplica a tudo que envolve o povo, desde política e ideologia até ao reconhecimento do talento, o qual iremos prosseguir.

Antes de efetivamente iniciar este artigo, vamos assistir à esse pobre coitado que, assim como vários outros, tentou ganhar algumas moedas tocando seu violino em uma estação de metrô:

O vídeo é acelerado – mas o áudio não (apesar de parecer) – para mostrar que das mais de mil pessoas que passaram por ele, somente meia dúzia pararam por alguns segundos para ouvir um pouco e depois seguiram seu caminho deixando algumas moedas ou uma nota. Ele saiu de lá com $32.

Ele não se importou por não ter ganhado muito dinheiro, pois isso não é um problema para ele, afinal, dois dias antes ele havia lotado o Boston’s stately Symphony Hall onde ingressos eram vendidos por $100.

Sim, esse homem tocando mal vestido numa estação de metrô de Washington – e que ninguém deu muita bola – era ninguém menos que Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo. Ali ele tocou 4 das mais difíceis peças que existem, incluindo Chaconne, de Bach, em seu violino que foi construído em 1713 por Antonio Stradivari e hoje avaliado em $3.500.000,00 (três milhões e meio de dólares). No vídeo não podemos apreciar a execução pois o áudio “espião” é muito ruim mas, no final, uma pessoa o reconhece, pois esteve recentemente em uma de suas apresentações.

Esse foi um experimento realizado pelo Washington Post (WEINGARTEN, G. Pearls Before Breakfast. Disponível aqui.) e o resultado deixou grandes mestres da música de boca aberta, como o artigo mostra ao transcrever uma pequena entrevista com Leonard Slatkin, diretor musical da National Symphony Orchestra, em que foi perguntado o que ele achava que aconteceria se, hipoteticamente, um dos grandes violinistas da atualidade fizesse, incógnito,  uma performance de 40 minutos na rua e que passariam 1000 pessoas por ele.

Slatkin: Vamos presumir que ele não seja reconhecido e que se passe por um músico de rua. Mesmo assim, se ele for realmente muito bom, não acredito que passe despercebido. Na Europa, com certeza teria uma platéia maior… mas aqui, das 1000 pessoas que passassem por ele, creio que 35 ou 40 reconheceriam a qualidade por si só, e de 75 a 100 parariam para ouvir.

Repórter: Então uma multidão se reuniria?

Slatkin: Oh, sim!

Repórter: E quanto acha que ele ganharia?

Slatkin: Aproximadamente $150

Repórter: Obrigado, Maestro. Acontece que isso não é hipotético. Realmente aconteceu.

Slatkin: Como assim?

Repórter: Já te conto em um minuto.

Slatkin: Bem, quem foi o músico?

Repórter: Joshua Bell

Slatkin: NÃO!!!

O que isso, talvez, mostra? Que as pessoas pagam com tempo e dinheiro para estar em uma fina casa de ópera mais do que para ouvir a performance em si? Isso seria o mesmo que pagar caro para ir a um restaurante por causa do ambiente e não por causa da comida – mas é isso que acontece.

Abaixo, uma performance de Joshua Bell, o mesmo do metrô que ninguém quis dar muita atenção.

É óbvio que pagamos por ambos – ambiente e comida. Mas no caso da música, e da arte em geral, a maioria das pessoas estão a pagar mais pelo ambiente, pelo que lhes foi jogado como bom, pelo que está na lista de mais vendidos, pelo que está na vitrine, do que pelo artista em si.

Aqui começa o não reconhecimento do talento das pessoas. A imagem, a “moda”, a influência dos que estão em nossa volta acabam moldando na massa o que é bom e o que é ruim. E principalmente em quem estarão os holofotes, a fama, o dinheiro e o principal: o “reconhecimento”.

Joshua Bell, após a experiência, disse:

“Eu estava me sentindo estranho… as pessoas estavam na verdade… me ignorando”

Ele foi ignorado assim como muitas outras pessoas com talento e dedicação excepcionais também são ignoradas diariamente nas ruas, nos pequenos teatros, nas prateleiras de pequenas livrarias,  justamente porque a massa não os fez brilhar sob os holofotes, enquanto diversos outros que não tem talento sequer para cantar em churrascarias estão sendo reconhecidos como mestres da música, como celebridades importantes e ganhando muito dinheiro com todo o excremento que insistem em chamar de música, de arte e de “importante” forma de expressão.

É como essa pequena orquestra de câmara:

Entre os músicos do vídeo acima e o afamado Justin Bieber, qual você acha que precisou de mais talento, estudo e vocação  para executar sua obra (sim, vamos supor que o que Bieber canta é “obra”)? Mesmo assim, o adolescente possui mais “reconhecimento”, fama e dinheiro do que os músicos acima.

Ninguém é obrigado a gostar de qualquer gênero musical. A questão aqui não é gosto e sim talento, vocação e riqueza cultural. Por isso pode ser até um pouco estranho comparar Justin Bieber ou Britney Spears (outra que não consegue nem cantar direito e faz sucesso) com música clássica. Portanto para ilustrar a questão do talento, coloquemos no páreo alguém do mesmo gênero que os dois, porém com verdadeiro talento e vocação e que mereceu o sucesso:

Michael Jackson foi uma figura controversa, esquisita até. Mas de talento inegável. Voz, coreografia, linguagem corporal e muita originalidade se somavam para seu sucesso. Coisa que Britney Spears e Justin Bieber tentam (em vão pela falta de talento). Cito Bieber e Spears como exemplo, mas são muitos outros também. É claro que não estou dizendo que eles não possuem  nenhum talento, e sim que o reconhecimento que eles têm é infinitamente desproporcional à sua vocação e ao seu talento em si.

É possível citar exemplos de todos os gêneros musicais, gostando ou não do mesmo, de artistas capazes de criar obras magníficas. Hip hop/rap? Claro:

Esses são exemplos daqueles que foram merecidamente reconhecidos, e ainda podemos citar vários outros como Queen, David Bowie, até mesmo Cher – que assim como o gênero hip hop, não sou muito fã, mas reconheço quando existe uma obra prima ali, o que, de certa forma, me faz até gostar.

No entanto o que vemos cada vez mais nos dias de hoje são músicos ruins ganharem o brilho da fama. Enquanto Biebers e Britneys lotam shows em qualquer lugar do mundo, com playbacks e autotunes, pessoas como essa estão incógnitas nas ruas ganhando merrecas:

É claro que ele não é um “Joshua Bell” do violão, mas definitvamente é um músico muito melhor que bastante gente que está nas rádios. Mas os incógnitos hoje contam com  internet, que acaba levando seu trabalho para o mundo e dependendo de como ele “viralizar”, pode ter a chance de ser reconhecido no showbiz (e para isso nem precisa ser bom ou ter talento, não foi assim com Bieber?)

Se está fazendo sucesso, é porque uma massa os “declarou” merecedores e a indústria aproveitou para lucrar com isso. Muitas vezes nem é por opinião própria e sim porque foram inundados com aquilo. Festas, rádio, amigos com mal gosto e etc. É por isso que muitas pessoas no showbiz dizem que para se obter o sucesso, o talento é secundário. É preciso ter cara de pau e muita sorte (nem cito o Brasil nesse artigo para não gerar revolta, pois o caso na Republiqueta das Bananas chega a deprimir).

Um caso de sucesso foi o projeto Playing for change, que inicialmente foi compilado com vários músicos de rua – com participações especiais – executando a mesma música – cada um com seu instrumento e/ou voz, formando, assim, uma banda cujos integrantes tocavam de lugares diferentes. Eles tiveram seu trabalho reconhecido e, posteriormente, se encontraram e viajaram o mundo em turnê divulgado seu trabalho e o projeto filantrópico que se tornou o Playing for Change. E é claro que os aplausos nesse caso não vão só para os artistas, mas também para os idealizadores do projeto.

Gosto de pensar que as mesmas pessoas que passavam na rua sem dar muita atenção à esses artistas, hoje pagam caro para assistir a eles no palco.

O experimento do Washington Post com Joshua Bell deu um tapa na cara dos “apreciadores” de música. Mostrou o que já é de senso comum da massa: “se fosse bom não seria de graça”.  Poucos são capazes de simplesmente reconhecer uma grande performance se a mesma não estiver envolta a ingressos caros, palcos grandes ou luzes e efeitos. Um “espetáculo” é o que as pessoas precisam para se impressionar. Assim como foi o viral que um banco espanhol promoveu nas ruas, que, apesar de gratuito contou com toda a pompa de uma apresentação de gala:

Mas espera um pouco. No vídeo acima antes mesmo do “espetáculo” começar já tinha uma pequena multidão apreciando o que estava sendo tocado. Vários fatores podem ter contribuído: O primeiro músico estava vestido de gala, o que certamente já impressionou os que estavam na praça; a presença de câmeras pode ter ajudado a multidão a pensar que algo iria acontecer ali; a música que estava sendo tocada é de conhecimento geral; e o principal: ali, como mencionado pelo Maestro Slatkin, é a Europa. Certamente os europeus tem uma tendência maior a apreciar música clássica e valorizar artistas.

Mas além de tudo isso, algo mais colaborou: o inusitado. As pessoas gostam e se sentem atraídas pelo inusitado quando é algo bom. Uma orquestra surgindo do nada, no meio da praça, com uma música conhecida e tão aclamada? (Isso foi mostrado no artigo “Você gosta, sim, de música clássica“).

Talvez seja a internet e a vastidão de conteúdo que nos é arremessado diariamente. As pessoas podem ouvir e ver as melhores orquestras do mundo em HD pela tela do computador. É possível até acompanhar apresentações ao vivo. Muitos são massacrados por ordens obscuras sobre o que ouvir, o que é bom, o que é engraçado e o que é sucesso. As pessoas fingem ter bom gosto, fingem conhecer e entender o talento alheio, enquanto pagam centenas de reais para ir ao show de pessoas famosas e adoradas, porém medíocres. Talvez tudo isso deixa o pobre Joshua Bell a mercê do azar com seu violino de 3 milhões e meio de dólares do lado de uma lixeira de uma estação de metrô como qualquer outro.

O talento, o estudo e a vocação não importam mais.

20 Apr 01:44

Oi gente, Não sou leitora habitual de romances mas quando os...



Oi gente,

Não sou leitora habitual de romances mas quando os leio prefiro aqueles mais densos, sobretudo os com personagens com personalidades conturbadas/complexas ou sagas que retratam um período histórico interessante (tanto que meus três ficcionistas preferidos são Saramago, Kafka e Dostoievski).

Quando separava os livros para o feriadão escolhi ‘O Físico’ (The Physician) que li de sexta para sábado. É uma saga pessoal que se passa na Idade Média e é rica em referências de História da Medicina, Geografia e História das Religiões Abraâmicas.

Embora Noah Gordon tenham se utilizado de vasta bibliografia, a obra não pretende retratar a História com fidelidade, mesmo porque muito do que ocorreu na Idade Média não foi registrado, se perdeu ou é de baixa confiabilidade e a maior parte dos personagens da saga nunca existiu :)

           *** Se você não gosta de spoiler é melhor parar aqui***

Sobre o título do livro (por que não foi traduzido como ‘O Médico’?) sugiro ler o post do Karl, aqui.

A história começa na Londres do ano 1021 dC quando o garoto cristão Rob tinha apenas 9 anos de idade. Após perder a mãe por febre puerperal e o  pai por infecção estreptocóccica e ver os irmãos menores serem distribuídos pela comunidade, é acolhido por um cirurgião-barbeiro com quem passa a trabalhar como nômade em troca de alimento e abrigo. Ambos sobrevivem da venda de um elixir com efeito placebo, consultas, sangrias e outras pequenas cirurgias.

Enquanto Rob vai crescendo sente a necessidade de ser médico e após constatar que a Medicina Ocidental não lhe acrescentaria mais conhecimento do que obteve com o cirurgião-barbeiro, procura seguir os passos de um médico judeu que foi aluno de Avicena. Embora saiba que correria o risco de ser excomungado por estudar em escola pagã, resolve se aventurar em busca de uma Escola no Oriente.

Durante uma perigosa e longa viagem aprende a se comportar como Judeu, estuda parsi e enfim, consegue chegar à Pérsia. Após uma importante intercorrência finda conseguindo ser admitido, participa ativamente da epidemia de Peste Negra e após três anos de estudo de Filosofia, Direito e Medicina, consegue seu título. Permanece por um período na Academia. Quando retorna a Londres com esposa e filhos não é bem aceito no Liceu, é acusado de ser Judeu, reencontra apenas um de seus irmãos e acaba se estabelecendo na Escócia.

O autor se permite fornecer detalhes íntimos da vida de Avicena, imputa ao personagem central a descoberta do apêndice vermiforme, dá vida a um Xá persa, mostra como o câncer era visto pelos médicos, como o ópio, ervas diversas e o álcool já eram utilizados para o alívio de várias mazelas, enfim, a forma com que a trama é descrita é muito rica.

Bem triste ver como a Medicina Ocidental se engessou na Idade das Trevas em razão do desprezo que Igreja desferia contra o conhecimento científico e como a observação da história natural das doenças, a  visita ao pé do leito e as discussões de casos eram valorizadas nas escolas que formavam médicos judeus e muçulmanos.

Uma coisa bem bacana do livro é que o narrador não é contemporâneo e não há notas de rodapé vertendo o nome que as doenças tinham na época para termos atuais. Assim ‘doença do lado’ , que tanto estimulou Rob não é informada como apendicite aguda nem ‘febre dos pântanos’ é informada como sendo a leptospirose.

Vale muito a leitura, mas é preciso avisar que há várias passagens muito tristes (se você entrar nos enredos do que lê como eu, vai se pegar chorando algumas vezes), bem como há passagens ‘adultas’. Se tem filhos, acredito que o livro seja interessante para maiores de 16 anos.

Beijo,

M.

21 Apr 23:50

Oi gente! Esse é On Ugliness (Storia Della Bruttezza), de...



Oi gente!

Esse é On Ugliness (Storia Della Bruttezza), de Umberto Eco. No Brasil foi publicado como ‘História da Feiura’.

Li ‘História da Beleza’, aqui, em um fôlego só. Deu vontade de chorar quando o livro terminou, ki dó, então assim que ‘On Ugliness’ chegou decidi que iria deixá-lo na cabeceira para a degustação lenta que se iniciou depois que terminei ‘O Físico’.

A edição londrina é tão linda quanto a brasileira, tem mesmo padrão do papel e das cores só que custa bem menos (a edição inglesa custa 25 libras no balcão - comprei na Amazon por 28 - enquanto a brasileira custa mais de 150 reais).

Desde o ano passado estou tentando não ler mais de um livro ao mesmo tempo (já me vi com 7 livros inacabados sem saber qual terminar e toda confusa), mas por este vou abrir uma exceção porque não quero que ele acabe logo.

Vou começar ‘História da Loucura’, que será lido bem lentamente porque o feriado já terminou e estou lotada de trabalho essa semana. Assim que terminar, posto.

E o próximo da fila será Formação do Brasil Contemporâneo. Meu marido já leu e fez resenha, aqui.

PS - Ontem vi o filme ‘O Físico’. Achei ruim. Colocaram água e açúcar no roteiro, inverteram fatos e deram um final muito comercial à história.

Beijo,

Meire

14 Apr 01:39

1357 – As mil Interpretações Bíblicas

by Carlos Ruas

2305-2

10 Apr 19:23

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10 Apr 20:54

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12 Apr 14:03

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19 Apr 16:20

come here chicken… give me a hug



come here chicken… give me a hug

18 Apr 20:30

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17 Apr 17:45

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16 Apr 11:53

“Onde eu vou usar isso na minha vida?”

by Igor Santos

Durante minha vida acadêmica eu testemunhei em várias oportunidades alguns dos meus colegas reclamando das informações que recebiam dos professores, acusados de ensinar muita coisa desnecessária.

Preciso dizer aqui que concordo com tal observação. A escola tradicionalmente nos empurra informações que são completamente inúteis no mundo real e que em nada nos ajuda no nosso cotidiano (ou “na vida real”, como eu chamo o período de tempo que ocorre fora da Academia).

Por exemplo: quantos entre vocês sabem usar estatística? Arriscaria dizer que menos de 50% sabe usar porcentagem e menos de metade é familiar com o uso de frações.

Quanto mais eu estudava logaritmo, menos e menos eu aprendia. E também nunca precisei de matrizes para colocar um teto sobre a minha cabeça.

Quem precisou aprender sobre degradação de proteína nas aulas de Biologia ou sobre ligações iônicas nas de Química para colocar comida na mesa?

Para quê perder tempo aprendendo Física se toda a nossa informação hoje em dia vem pela Internet e TV (geralmente a cabo ou via satélite)?

Antigamente ninguém estudava História e em nenhuma parte do mundo as civilizações deixavam de existir por não saberem Geografia.

Filosofia e Literatura são duas coisas inúteis também, pois como já dizia Voltaire, “o valor dos grandes homens mede-se pela importância dos seus serviços prestados à humanidade“.

Ninguém nunca precisou estudar um segundo idioma para pedir uma long neck e uma pizza ao garçom, ou um croissant com cocktail de champagne no piano bar, nem para comprar tickets num site de Internet para um show de rock em turnê do CD de top hits, ou assumir que uma madame de batom e blush usa também spray de cabelo e gosta de buquê de tulipas e se veste como drag queen de prêt-à-porter. Nem para constatar que o layout de um ateliê de fashion design num shopping é igual a um camelô laissez-faire on-line que se acha chic por ser pink e não ter toilette. Por exemplo.

Ai, que chato...

Ai, que chato…

Eu estudei até quebrar a perna do óculos e até hoje nunca usei uma catacrese ou hipérbole em minha na vida. A escola acabou e jamais usei uma metonímia. Elipse, então…

Tirei muita nota ruim e horas da minha vida e, pá!, não aprendi o que é zeugma, onomatopeia, assíndeto, eufonia.

Alguém além dos alargados alambrados acadêmicos aprendeu a lidar com aliteração?

Eu, pessoalmente, olhei com meus próprios olhos para o livro até ele ficar com medo e não sei o significado de pleonasmo, perissologia, batologia ou prosopopeia.

A escola tentou me ensinar o que é tautologia porque a escola serve para ensinar.

Sabe-se lá o que significa ênclise! Tê-lo-ia aprendido se não me tivesse sido apresentado ao mesmo tempo em que mesóclise e próclise.

Não é excelente como a escola, excelente instituição de formação, nos fez aprender o que é diasirmo?

E de todas as figuras de linguagem, pelo menos uma delas eu domino plenamente. A rima!

14 Apr 16:00

Physical-to-virtual is complete just before hardware dies

devopsreactions:

image

by _KaszpiR_

15 Apr 17:51

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16 Apr 01:00

Wearable computing breakthrough

by Cory Doctorow

An image from the future past.

(via via @stevenf)








14 Apr 11:01

Resenha – Formação do Brasil Contemporâneo

by Igor Santos

“Salvo em alguns setores do país, ainda conservam nossas relações sociais, em particular as de classe, um acentuado cunho colonial. (…) Quem percorre o Brasil de hoje fica muitas vezes surpreendido com aspectos que se imagina existirem nos nossos dias unicamente em livros de história.”

Surpreendentemente (ou não), as palavras acima foram publicadas pela primeira vez 72 anos atrás. Caio Prado Jr. descreveu, em 1942, um Brasil que parece recém saído da situação de colônia escravista, onde o trabalho livre ainda é desorganizado, a economia interna ainda é quase inexistente e a sociedade ainda não aprendeu a lidar com a falta de escravos sociais. Isso tudo, tristemente, continua desconfortavelmente atual hoje em dia, quase duzentos anos depois do nosso “grito de independência”.

caiopradojr

Formação do Brasil Contemporâneo foi o livro que mais contribuiu para o autoconhecimento do nosso país, até então dividido em ilhas de informações com intercomunicação inadequada. Ele investiga esmiuçadamente a realidade do país desde que éramos colônia portuguesa até a entitulada formação do Brasil como nação.

A forma como ele expõe os problemas atuais (sim, a maioria continua bem fresca, mostrando como evoluímos muito pouco nos últimos dois séculos) e suas causas no passado nos ajuda a compreender o contexto para o resto do livro e nos dá os fundamentos do que ele pensa ser a melhor forma de resolver nosso ranço colonial, que serviu para nos distanciar do resto do mundo, e que nos desviou para o lado errado da evolução social.

Caio Prado Jr. deixa bem claro que fomos colonizados somente para facilitar os interesses mercantilistas, transformando o país num imenso galpão fornecedor de riquezas para os outros e que isso nos afeta até hoje (1942 para ele, 2014 para nós). Por estarmos na zona tropical, nossa sociedade foi inventada, diferente da tradicional sociedade colonial temperada, parecida o suficiente com a colonizadora a ponto de ser quase uma extensão desta. Aqui fomos diferentes desde o primeiro dia. A ocupação do interior, por exemplo, foi apenas uma necessidade num mundo sedento por monoculturas, tanto agrícolas quanto pecuárias.

Ele fala também sobre as raças no Brasil, reclamando da falta de análise sistemática que “[f]ornece por isso ainda muito poucos elementos para a explicação de fatos históricos gerais, e temos por isso de nos contentar aqui no estudo da composição étnica do Brasil, em tomar as três raças como elementos irredutíveis, considerar cada qual unicamente na sua totalidade“. Especialmente na homogeneização dos escravos, provenientes de várias culturas distintas que foram forçados a conviver sob o peso dos grilhões pelos brancos, geralmente católicos.

Outra parte interessante é quando ele discorre sobre a criação disforme da nossa sociedade, antes baseada no mercantilismo e escravidão, que precisa agora crescer, de alguma forma, num mundo onde existe liberdade social e econômica. Esse monstro que se forma dessa situação cria a nossa sociedade com imensas fendas entre os abastados, que podem ter tudo do bom e do melhor que a Europa pode oferecer, e os desafortunados, impedidos de possuir.

Isso lembra alguma coisa?

Da colonização e povoamento, passando por economia e comércio e findando em (literalmente, sendo a última parte do livro) vida social e política, uma excelente leitura; didática e intrigante. Certamente, este é um dos livros que sempre quis ler mas me faltava oportunidade.

O volume acaba com uma entrevista sobre a importância histórica de Formação do Brasil Contemporâneo com o historiador Fernando Novais, seguida por um posfácio de Bernardo Ricupero.

O livro é muito bom para nos fazer enxergar como nossa sociedade mudou muito pouco nestas últimas oito ou doze décadas e que algumas soluções que poderiam ter sido postas em prática antes ainda têm seu lugar hoje em dia.

Recomendo para aqueles que gostam de aprender de onde vieram e, tudo coninuando da mesma forma, para onde irão. Talvez marxista demais para a maioria dos gostos, mas objetivo em suas descrições.

A bibliografia me deixou um pouco nervoso. É muita coisa interessante e muito pouco tempo para ler (ou até achar) tudo.

E, como bem lembrou minha esposa, Caio Prado Jr., Darcy Ribeiro (O Povo Brasileiro – também na Companhia das Letras) e Gilberto Freyre (Casa Grande & Senzala) são os três autores indispensáveis para aqueles que querem entender melhor do Brasil. Por favor, se você gostar de um, leia-os todos.

Formação do Brasil Contemporâneo, de Caio Prado Jr., relançado pela Companhia das Letras e disponível em livro eletrônico ou arbóreo.

———

Resenha atrasadíssima. Mas a culpa não é minha, afinal não posso ser responsabilizado pelas coisas que a procrastinação me força a fazer. Ou não fazer, como seja.

Aguardem mais resenhas de volumes da Companhia das Letras nos próximos meses. Fizemos uma parceria.

13 Apr 11:37

FONTE: 'Moradias Assistidas para Pacientes Dependentes Químicos:...



FONTE: 'Moradias Assistidas para Pacientes Dependentes Químicos: Realidade ou Utopia?'  Revista Debates em Psiquiatria - Set/Out 2013, páginas 20 a 25.

12 Apr 02:55

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Igor Santos

Puta que pariu, hein...





28 Mar 11:47

Cats | 6c6.gif

Igor Santos

Mandíbula presa.

6c6.gif
07 Apr 19:20

4:20

by Alexandre Matias
Igor Santos

Photoshop claro.

sinuca-

03 Apr 02:44

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Igor Santos

Adestramento é rei.



05 Apr 15:29

Dogs | 623.gif

Igor Santos

Adestramento é rei.

623.gif
05 Apr 23:31

Vamos fazer um teste? Essa é a tela de Amsler e serve para...



Vamos fazer um teste?

Essa é a tela de Amsler e serve para realizarmos um autoexame oftalmológico. Você deve fazer o teste observando a tela com um olho de cada vez. 

É assim:

Feche primeiro seu olho esquerdo com uma mão. Fixe a visão do olho direito no ponto preto central da tela e observe a tela por alguns segundos. Depois feche o olho direito e observe o ponto central da tela com seu olho esquerdo, do mesmo jeito. 

Se você usar óculos para perto, faça o teste usando seus óculos para minimizar a chance de erro.

O normal é que você veja a tela como ela é, com quadradinhos bem certinhos e com o ponto preto no centro. Se com um dos olhos ou com os dois (separadamente, claro) você enxergar uma mancha preta no centro da tela, manchas esparsas, linhas tortas ou linhas apagadas deve procurar um oftalmologista para avaliar se há algum problema com sua retina.

Beijo ;)

06 Apr 20:22

O vídeo parece ofensivo, mas na verdade é bastante educativo...



O vídeo parece ofensivo, mas na verdade é bastante educativo :)

É melhor usar um artigo de sex shop específico e desenhado para não machucar você do que usar uma garrafa de guaraná, né?

Os créditos estão no final do vídeo.

Beijo ;)

06 Apr 20:17

FONTE: Recortes de textos da Revista Onco& de março/abril...











FONTE:

Recortes de textos da Revista Onco& de março/abril 2014 (ano 4, número 22) - revistaonco.com.br

05 Apr 15:40

José Wilker morreu na madrugada de hoje, supostamente por...



José Wilker morreu na madrugada de hoje, supostamente por infarto agudo do miocárdio. Notícia muito, mas muito triste. Cada vez que alguém morre de uma doença prevenível vejo o quanto precisamos de mais educação em saúde.

Vamos dar um toquinho sobre síndrome metabólica, afecção que compromete a qualidade de vida muitos brasileiros e que tem aumentado consideravelmente nos últimos anos.

A síndrome metabólica é um grupo de condições que, dentre outras coisas, aumenta o risco de você ter um infarto agudo do miocárdio. Quanto mais condições associadas à síndrome você tiver, maior o seu risco de morrer precocemente, como ocorreu com José Wilker.

Quais são os componentes dessa síndrome assassina?

a) Obesidade central = Acúmulo de gordura na região da cintura, o que em números pode ser entendido mais ou menos como uma cintura acima de de 101,6 cm se você é homem e acima de 88,9 se você for mulher. Cuide-se, não permita que a obesidade se instale.

b) Pressão Arterial a partir de 130X85mmHg (ou seja, a partir de 13 por 8 e meio): Verifique periodicamente sua pressão arterial, reduza o consumo de sal se sua família tem história de hipertensão e inicie o tratamento tão logo seja diagnosticado que seu risco de morrer cedo volta a reduzir.

c) Triglicerídeos a partir de 150 mg/dL: se eles começarem a subir aperte a dieta, carboidrato em excesso mata. Faça as dosagens de acordo com a orientação do seu médico.

d) HDL (Colesterol ‘bom’) abaixo de 50mg/dL se você for mulher ou abaixo de 40 se for homem: Não deixe o HDL descer. Ele gosta muito de atividade física e de alimentação saudável, adora azeite de oliva por exemplo mas ele odeia cigarros. Coma bem, exercite-se, não fume. 

e) Glicemia de Jejum igual ou maior que 100 mg/dL: Atentar bem para isso. Glicemia de jejum em 110 não é normal! E se você fez uma curva de tolerância à glicose e ficou ‘em cima do muro’ não deve esperar ficar diabético ou ter sintomas para fazer sua dieta ou até iniciar uso de antiglicemiantes orais.

Coisas muito legais para ter em casa: tensiômetro digital, balança, fita métrica e glicosímetro. São coisas baratas e que podem ajudá-lo a fazer seus autoexames e acompanhar suas conquistas no que se refere a dieta e tratamento.

Beijo!

04 Apr 01:47

“A prova de que gatos são fofos”

by Supermantoani

cats

…sério, peguei a foto num post desses que defendem gatos ueheuheuhuehe

04 Apr 22:56

Photo



05 Apr 14:24

lulz-time: dothelittlethings: I laugh so much because there...





lulz-time:

dothelittlethings:

I laugh so much because there isn’t a truer post

04 Apr 13:52

NPR’s simple but brilliant April Fools prank on overconfident, hypocritical “readers”

by Abraham

NPR’s prank this past Tuesday took a creative mind to come up with, but it was so simple it probably only took about 10 minutes to execute. They simply wrote an article titled “Why Doesn’t America Read Anymore.” You may have seen it floating around Facebook.

But here’s the twist: It wasn’t a real article…

NPR April Fools Day Comments - 03

After publishing the “article,” they posted it to Facebook

NPR April Fools Day Comments - 04

…and the earnest comments of hundreds bemoaning the state of America’s lack of reading began pouring in, proving that these would-be saviors of the American intellect didn’t even read the article they were commenting on…

NPR April Fools Day Comments - 01

NPR April Fools Day Comments - 02

(via Gawker)

Good times, NPR. Thank you.