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07 Oct 12:00

Cerveja faz bem pra saúde! Mas e o espírito rebelde?

by Jader Pires

“Porra, mas a única coisa de legal que a gente tinha na vida… e vem os caras lá e querem falar que faz bem e tirar o pouco de transgressor que ainda temos!”.

Foi um desabafo parecido com esse que um amigo me indagou antes de eu viajar à Bruxelas para a 7ª edição do Simpósio Internacional de Cerveja e Saúde (Beer & Health), momento em que vários pesquisadores e estudiosos se reúnem para trocar apresentações e experiências com novas descobertas dos benefícios que a cerveja pode trazer.

O convite nos foi feito pelo pessoal da Sociedade da Cerveja e, como recrutado da casa, lá fui eu — o cara que não bebe no PapodeHomem — justamente para ser convencido (se é que havia verdadeira necessidade para tal) que o consumo moderado de cerveja poderia ser benéfico para a saúde.

Tomar cerveja faz bem

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Doutores e intelectuais já pós-doutorados juntos e ouvindo especialistas da Alemanha, Espanha, Romênia, Dinamarca e Bélgica sobre pesquisas específicas sobre a produção de cervejas com livres de glúten (produções com quinoa, arroz e outros cereais que podem ser usados para fabricar novos tipos de cerveja sem glúten, ou seja, rótulos mais saudáveis e ideais para quem possui problemas na mucosa intestinal) ou o papel das fibras nesses benefícios do consumo de cerveja.

Mas, para os mais leigos, vale entender que ingerir uma média de um copo de cerveja por dia pode deixar sua saúde muito mais em dia, assim como já se está instituído, hoje, que o vinho tinto traz muitos bens para o corpo se tomado um cálice todos os dias.

Em ambos os casos, os polifenóis dão o ar da graça, substâncias antioxidantes com propriedades anti-inflamatória e antibiótica, assim como a proteção cardiovascular que já era de conhecimento, no caso do vinho, mas se estendeu à cerveja, de acordo com estudos recentes que mostram grupos que consumiam vinho obtiveram resultado cardiovascular 32% superiores a quem não bebe, e 22% positivo para quem consumia cerveja.

A barriga de cerveja não existe!

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Não é a cerveja a grande vilã no caso de barrigas protuberantes e, no final, caloria é sempre a mesma coisa. A grande diferença entre o consumo de vinho e o de cerveja — vale lembrar que uma taça de vinho tem mais calorias que uma lata de cerveja — são os hábitos alimentares que acompanham ambos.

A cerveja pode trazer consigo uma pior alimentação, dado o exemplo da inclusão do vinho na tão falada (e saudável) dieta mediterrânea que poderia tranquilamente substituir o vinho pela cerveja, tomadas as devidas proporções de consumo.

E como ficamos, nós, os transgressores?

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O álcool acompanha a história de todas as civilizações que já pisaram nesse mundo, do Egito antigo à Babilônia. A cerveja já aparece antigos sumérios, egípcios, mesopotâmios e ibéricos pelo menos 6.000 a.C.

De rituais a festas, ela vem embalando as nossas posturas sociais mais e menos comedidas. A representação etílica do malandro brasileiro, dos Hugos Carvanas que não queriam trabalhar, da tarde preguiçosa no banco da praça vendo o dia passar e acumulando copos e garrafas e “cascos”. Porque haveria de ser, essa bandeira dourada e líquida de decoro quebrado, sinônimo de boa saúde e alimento saudável?

“A única coisa legal que a gente tinha na vida…”

A recomendação dos estudiosos é que se consuma até 200ml de cerveja por dia, o equivalente a um copo americano. Acima disso, ainda é contravenção, rompimento, violação, quebra com os bons costumes.

E tem momento pra um e momento pra outro.

Aproveitem.


por Jader Pires








10 Jul 13:21

O que é melhor, comprar ou alugar?

by Eduardo Amuri

“Meu tio não gostava de balbúrdia. Casou-se com a namorada da escola, teve um filho e uma filha, foi fiel à esposa, à marca de desodorante, ao nó da gravata, à sopa no jantar e, claro, aos sapatos. Descobriu-os numa viagem à Franca, a trabalho, em 1952.

Muitos anos atrás, num Natal, contou-me que bastou calçá-los para saber que ‘aquela questão, pelo menos, estava resolvida’. Lembro que achei graça em sua postura, como se a vida consistisse numa série de questões a serem resolvidas, uma lista na qual fôssemos ticando as colunas. Casamento: risca. Carreira: risca. Filhos: risca. Sapatos: risca.”

Antonio Prata

Li o trecho acima há um bom tempo, e também achei curioso o jeito com que o Estevão, tio do cronista Antonio Prata, encarou a vida. Um extenso checklist. Itens cuidadosamente escolhidos para que ele pudesse, já velho, partir tranquilo.

Era um senhor metódico e organizado. Escolheu, aos 24, o modelo de sapato que o acompanharia até o final da vida. Não mudou de ideia até o dia derradeiro. Os tempos, porém, são outros. Os sapatos duram menos, bem como a maioria das nossas convicções. Mudamos mais. Não é mais deselegante pular de emprego em emprego.

Se a gente quer escrever, criamos um blog. Se a gente quer mostrar nossas habilidades ao mundo, criamos um canal no YouTube. Se a gente quer casar com homem, a gente casa com homem. Se a gente quer casar com mulher, a gente casa com mulher. Pode trabalhar de bermuda. Pode não querer ter filho. Pode não gostar de copa do mundo. Pode tudo.

Só não pode morar de aluguel.

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Se tem dinheiro, por que não compra um imóvel?

Se anda bem vestido e tem um bom emprego, por que não compra um imóvel?

Se vai casar, por que não compra um imóvel?

Se respira, por que não compra um imóvel?

Possuir um imóvel próprio é o crivo que separa quem já se estabeleceu e quem ainda está pelejando pela vida.

Mais do que o grande objeto de desejo do brasileiro, a casa própria funciona como uma grande armadura feita de tijolos, cimento e bom gosto, que nos blinda de um sentimento de pobreza, incompletude e fracasso.

Afinal, qual dos dois vale a pena?

Se essa fosse uma questão financeira, a discussão seria mais curta. Por mais que os cenários possíveis sejam diversos, não é difícil provar que, por conta dos juros, na maioria dos casos o aluguel é uma opção mais interessante.

Há quase três anos propus uma roda de papo que reunia basicamente casais na iminência do casamento, quase todos em dúvida sobre entrar num financiamento ou alugar um teto para ser feliz.

No começo do papo, perguntei quem estava propenso a compra. Praticamente todos levantaram a mão. Passamos uma manhã simulando cenários, fazendo cálculos, reproduzindo as propostas que eles haviam recebido, e a grande maioria dos cálculos apontava que o aluguel era vantajoso. No fim do papo, perguntei quem, após tanta matemática, ainda permanecia propenso à compra. Praticamente todos levantaram a mão.

A decisão de comprar um imóvel é estritamente emocional. É um fato tão presente, tão incrustado, que atropela qualquer linha de raciocínio e dá risada do mundinho numérico e racional desenhado pelas planilhas e simuladores.

Não há problema em nenhuma das opções

O tema é polêmico porque não aceita resposta absoluta. Se considerarmos apenas a perspectiva financeira, o “vale a pena comprar ou alugar?” vai resultar em um “depende” bem sonoro, escrito em letras garrafais.

São muitos os cenários possíveis. Depende do quanto possuímos para dar de entrada, da parcela que podemos assumir (ela não pode ultrapassar 30% da renda familiar comprovada) e do prazo do financiamento. Depende também de uma série de questões sobre as quais não temos o mínimo controle: por quanto tempo teremos essa renda assegurada? Por quanto tempo fará sentido morar neste local?

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Comprar um imóvel não é necessariamente rasgar dinheiro sob a forma de juros, uma vez que, por mais que analistas e economistas especulem a tal da bolha, a verdade é que ainda caminhamos numa toada de valorização — mais lenta, é verdade, porém ainda presente.

Alugar um imóvel não é necessariamente jogar dinheiro no ralo, já que não, o valor do aluguel não vai ser igual ao valor de uma parcela, e o aluguel conta, sim, com uma série de benefícios (flexibilidade de mudança em tempos de mercado de trabalho aquecido, por exemplo).

Inseridos numa cultura de extremos, que julga por critérios rasos, o grande problema dessa discussão não é sonharmos com a casa própria, é acharmos que esse é a única possibilidade de uma vida feliz e financeiramente bem sucedida.

De onde vem o desejo?

A gente vai se escorando em argumentos que vão dos mais funcionais e frágeis (“quero ter uma casa própria para poder deixá-la do meu jeito”), até os mais sinceros e viscerais (“tenho medo de morrer na sarjeta”).

Perdidos no meio do caos, a casa própria nos remete ao útero. É como se precisássemos de uma certeza de que, se tudo der errado, teremos um lugar para ficar. Nessa posição desamparada, é fácil antever que nos agarraríamos à primeira promessa de segurança que surgisse.

Além desse ponto, mais primordial, a casa própria é algo extremamente desejável porque ela reúne as características que todo bom objeto de desejo (ou jogo de videogame) precisa ter:

  • é desafiador, exige tempo e estratégia, nos mantém ocupados;
  • é realizável, somos lembrados disso a todo momento, em todos os outdoors que mostram atores sorridentes segurando molhos de chaves;
  • é recompensador, a casa será nossa e, quando morrermos, ficará para alguém querido (ou não).

O caos vai operar

Muito da opção pela compra vem de não conseguirmos encontrar essa segurança de outra forma. Enquanto investimento e provedor de segurança, o imóvel peca por conta da liquidez. Manipular um imóvel é algo complexo, estamos sempre dependendo da disponibilidade do mercado.

Se a vida dá uma guinada (ou uma porrada), se surge uma oportunidade, se a gente muda de ideia, enfim, se algo ocorre, ter nosso patrimônio inteiro imobilizado limita nossas possibilidades.

A gente sempre deseja que as coisas continuem no prumo, que sigam de maneira natural, que tudo dê certo, mas, sejamos francos e realistas, o caos vai operar. E tudo bem.

Daqui a cinco anos é muitíssimo provável que você não esteja onde imaginou que estaria. Daqui a 10, então, nem se fala. Mais prudente e sábio então questionar cada desejo, encarar cada escolha como escolha — e não como pressuposto.


Link Youtube | Veja dos 0:38 aos 1:00

Existem diversas formas de construir uma vida financeira tranquila e próspera, que apoie todo o resto. Diversas modalidades de investimento. Ter uma casa não é a única maneira de garantir que o fim da vida não seja na sarjeta.

Só que dá medo. E com ele surgem duas opções: ou a gente fica assustado e opta por seguir cegamente uma estratégia já traçada, ou dá atenção e um pouco de foco para essas questões, ao que estamos construindo, ao percurso e às opções que temos para que a caminhada ganhe potência.

Mais do que refúgio, o dinheiro — mais livre, mais líquido — é um provedor de oportunidades, um corrimão, que pode permitir que a gente estruture nossa vida de modo que, enfim, ser ou não ser o dono do teto sob o qual dormimos não seja uma questão tão crucial.

Mecenas: Órama

Renda-Fixa-Orama

Independente da decisão de comprar ou alugar, manter uma boa reserva financeira é essencial durante qualquer etapa da sua vida.

Em momentos de turbulência econômica, os investidores costumam sair de investimentos de risco, como a bolsa, e ir para produtos de renda fixa.

A Órama apresenta como alternativa a LCI e LCA, títulos privados de renda fixa. As letras têm apresentado boa rentabilidade e estão sendo bastante procuradas por investidores que buscam baixo risco e com objetivos de longo e médio prazos.

Os principais diferenciais da LCI e LCA são a isenção do IR, de taxa de administração e garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) em até R$ 250.000,00.

Conheça mais sobre a LCI e LCA.








03 Jul 22:07

Apollo 11

by Marco Oliveira

Conheça e leia as primeiras páginas do livro Aos Cuidados de Rafaela.


24 Jun 03:38

How Many Dragons Could A Medieval Country Support?

by Centives

game-of-thrones-2-dragon[1]Dragons are cool, but you’d probably prefer their diet was something other than 3 year olds. While sheep make for a good substitute, the question is how many would you need? Well, the easiest way to calculate food requirements is to scale up a komodo dragon to fiery dragon size. A komodo dragon (10 foot long) requires about 816 kg of food per year, which is around 18 sheep.

How many komodos in a Drogon? In the novels Drogon is 20 feet from ‘wingtip to wingtip’, but the beasts look bigger than that in the series.

How Many Dragons Size 1How Many Dragons Size 2 Mass of food required by a komodo:

816 kg/year

Size of dragon relative to komodo:

3.5

Mass of food required by dragon:

2,840 kg

Number of sheep for 2,840 kg meat:

61

Drogon looks about five times the length of a man from nose to tail, so we can scale up a komodo to this size. For flying dragons, we also need to add on wings. If Danerys’ dragons have the same ratio of wing: body as a bat, then we need to add 16% more mass. This brings our total dragon feeding requirements to about 2,840 kg, or 61 sheep per year.

But keep in mind that komodo dragons don’t breathe fire, which obviously uses up a lot of energy. If we model dragon breath energy efficiency on a WW2 flamethrower, and then consider the energy density of mutton, we can calculate that a dragon breathing fire burns through a sheep-worth of energy every 5.8 seconds. (Which means that if Drogon spends 6 seconds cooking a sheep, he’s rather missed the point). If we estimate that an average dragon breathes fire for 2 seconds per day, this brings our ‘sheep per dragon’ number up to 188.

Which really, isn’t actually that much.

Between 1294 and 1297 medieval England was having…scuffles… with Wales, France and Scotland. To fund these wars, Edward I raised approximately £50,000 a year in taxes.

Sheep cost around 1s 5d (1 shilling and five pence), so if Edward had spent say a tenth of his taxes on sheep for his dragons then he could have supported 375 of our fiery friends.

So when someone asks ‘but could a country really support dragons’? The answer is something along the lines of ‘yes, run’.

p.s. This also, incidentally, explains why the village of Berk from How To Train Your Dragon is on the coast and not a mainland setting; there’s no way a village could feed all those flying lizards on only sheep, so the ocean must be their main source of food.

Check out The Discussion, a database of Centives-style over analysis of movies and TV shows you watched. Or read about the size of the Wall that protects the Seven Kingdoms, and the cost of being an Evil Overlord. You can find those and other interesting things in our Editorials although if you want a selection of our most popular check out the Greatest Hits. And be sure to stay in touch:

20 Mar 14:00

Dolphin Pets Cat, Sociologist Comments

by Lisa Wade, PhD

Devoted SocImages readers know that I will make any excuse to put up a video involving animals.  I’m going to do it right now.

Screenshot (43)The video is a dolphin petting a cat. In the first part of the video, you’ll see the dolphin come out of the water and try to put his chin on the top of the cat’s head.  In the second part of the video, you’ll see how the dolphin learned to do that. The cat very clearly wants to rub the top of his head, specifically, on the dolphin and the dolphin is paying attention and learning.

This isn’t just adorable interspecies communication, it’s proto-culture.  It’s the transmission of an idea. I don’t know if all the dolphins in this video pet the cat this way, or if it’s just one dolphin, but I can certainly imagine one dolphin teaching the next, just as the cat taught the first dolphin.

Or, to put it more simply, humans aren’t special because we’re humans, were special because we’re animals.

Lisa Wade is a professor of sociology at Occidental College. You can follow her on Twitter and Facebook.

(View original at http://thesocietypages.org/socimages)

23 Mar 15:20

The News Sites That Most Embody Godwin’s Law

by Centives

hitler parade

“As an online discussion grows longer, the probability of a comparison involving Hitler or Nazi’s approaches 1”

Godwin’s Law

One of the surest ways to show that someone is bad is to liken them to a Nazi, thus ensuring that everyone listening knows that they gas minority groups and are definitely The Bad Guy. It’s also cheap, overdone and makes the offender look about as broad minded as the Naz- erm…the…uh…Apple fan boys we guess? But that doesn’t stop it from happening. A lot. We were interested in the most flagrant offenders, and searched for uses of the word ‘Hitler’ across various websites to see how many hits we could get. We then accounted for the size of the websites, and found the following:

 

Note: The searches (via Google) turn up uses of the word ‘Hitler’ in the both the website’s articles and comments sections.

American news outlets seem to embody Godwin’s law more often than British ones which is unsurprising. Democrats believe their opponents are Hitler. Republicans believe their opponents are Hitler. Even Justin Bieber fans believe their opponents are Hitler. Where else can you find that kind of agreement in America today? Hitler has done the most to unify Americans since the invention of the drive thru. Wikipedia also mentions Hitler a lot. For an encyclopaedia that covers over ten thousand years of history it’s oddly focused on this one man, with a 1,905 word article on his sexuality alone.

Another trend is that the more up-market the news site, the lower the Godwin compliances, which fits with the general idea that Hitler references show a lack of imagination.  As The Economist put it, “A good rule in most discussions is that the first person to call the other a Nazi automatically loses the argument.” Except that the Economist fulfils Godwin’s law weirdly often.

 

Which is odd given that Adolf once said “the economy is something of secondary importance”.  Perhaps they took it personally and have thus seen fit to mention him in the context of car-sharing, Hungary’s GDP in the year ending Q1, 2012, and grammatical syntax rules. It will also surprise precisely no-one that among the biggest followers of Godwin’s law is Israeli English language news agency Haaretz:

 

So for frequency of use of the word ‘Hitler’, the Israelis should be looking sheepish. But although Youtube doesn’t have a particularly high frequency of Godwin’s law violations, it makes up over half the total Godwin violations of the internet.

 

Overall then: If you’re after lots of Hitler references, go to Youtube. If you want to have the best chance of a Hitler reference on any given day, read Haaretz. Or for seriously intelligent news that helps readers put pretty much anything in the context of the Third Reich, head over to The Economist.

 

It may also amuse you to discover how much it would cost to attend Hogwarts, or what villains could have been doing instead of being evil. You can find those and other interesting things in our Editorials although if you want a selection of our most popular check out the Greatest Hits. And be sure to stay in touch:

Let us know what you think of the article in the comments below – you don’t need to go through the bother of signing up. We’re not afraid of you spam bots! Before you do though please consider supporting the advertizers who make this site possible:

24 Mar 16:03

Russian Envelopment? Ukraine’s Geopolitical Complexities

by Martin W. Lewis

The current issue of Time magazine features an article by Robert Kaplan that emphasizes the geographical aspects of what he refers to as “endless chaos and old-school conflicts,” especially in regard to Ukraine. In general, I appreciate Kaplan’s insistence on the abiding importance of geography and I am impressed by his global scope of knowledge, although I do think that ...

This post is from GeoCurrents

24 Mar 15:10

Quem são as pessoas mais famosas da história do Brasil? E dos EUA? Em Israel? Na Síria? Na Rússia? Na França?

by Gustavo Chacra

O MIT criou um algorítimo para definir quem são as pessoas mais famosas do mundo em todos os tempos, denominado Pantheon. Vale a pena entrar no site e vasculhar. Neste post, vou me focar um pouco nos brasileiros. A lista dos mais conhecidos segue a seguintes sequência

1. Pelé
2. Ronaldo
3. Ronaldinho
4. Paulo Coelho
5. Ayrton Senna
6. Kaká
7. Rivaldo
8. Zico
9. Garrincha
10. Lula

Neymar aparece apenas em 16o, atrás até de Robinho (14o). A primeira mulher, surpreendentemente, é a modelo Adriana Lima, em 13o, à frente da legendaria Gisele Bundchen (20o) e da presidente Dilma Rousseff, em 24o, logo atrás de Daniel Alves. O piloto Rubens Barrichello (27o) supera Getúlio Vargas, Dom Pedro II, Heitor Villa-Lobos e o bicampeão mundial de F1 Emerson Fittipaldi – mas perde para Nelson Piquet, em 26o

Nos EUA, os cinco primeiros são Martin Luther King Jr, Elvis, Disney, Benjamin Franklin e Edgard Allan Poe

A França tem Napoleão, Joana D’Arc, Descartes, Voltaire e Pascal

A Itália vai de Da Vinci, Julio Cesar, Archimedes, Michelangelo e Augusto

A Rússia tem Lenin, Dostoyevsky, Tolstoi, Pushkin e Chekov

A Argentina elenca Che Guevara, Messi, Maradona, Evita e Perón (Borges é o sexto)

Israel apresenta Salomão, Maria, João Batista, Maria Madalena e Isaac

Na Palestina, Jesus, David, São Jorge, Heródoto e São José

Portugal tem Vasco da Gama, Fernão de Magalhães, Cristiano Ronaldo, Bartolomeu Dias e Antonio de Padua

A Síria vai de São Pedro, Felipe (o Árabe), Posidonius, João de Damasco e Zenobia (Assad, pai e filho, não emplacam o top 10, ficando em 13o e 15o)

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

Comentários islamofóbicos, antissemitas, antocristãos e antiárabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

Acompanhe também meus comentários no Globo News Em Pauta, na Rádio Estadão, na TV Estadão, no Estadão Noite no tablet, no Twitter @gugachacra , no Facebook Guga Chacra (me adicionem como seguidor), no Instagram e no Google Plus. Escrevam para mim no gugachacra at outlook.com. Leiam também o blog do Ariel Palacios

01 Mar 23:44

"…Rialto’s randomised controlled study has seized attention...



"…Rialto’s randomised controlled study has seized attention because it offers scientific – and encouraging – findings: after cameras were introduced in February 2012, public complaints against officers plunged 88% compared with the previous 12 months. Officers’ use of force fell by 60%.”

— California Police Use of Body Cameras Cuts Violence and Complaints | The Guardian

What do you know, the swine aren’t as horrible when they’re being watched.

21 Aug 15:40

Umberto Ego & Gilberto Gideleuze

by caco

Das extintas páginas da Revista Bravo!

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14 Aug 13:51

sandandglass: Jessica Williams proposes applying New York’s...





















sandandglass:

Jessica Williams proposes applying New York’s Stop and Frisk policy to Wall Street bankers. 

07 Aug 10:45

If William Shakespeare Had Written Star Wars

by Maria Popova

“In time so long ago begins our play / In star-crossed galaxy far, far away.”

Though William Shakespeare regularly dominates surveys of the greatest literature of all time, he remains a surprisingly controversial figure of literary history — while some believe The Bard profoundly changed modern life, others question whether he wrote anything at all. Doubts of authorship aside, one thing Shakespeare most certainly didn’t write is the cult-classic Star Wars — but he, as Ian Doescher brilliantly imagines, could have: Behold William Shakespeare’s Star Wars (public library), a masterwork of literary parody on par with the household tips of famous writers and Edgar Allan Poe as an Amazon reviewer.

Accompanying Doescher’s sonnets are ominously beautiful illustrations by Paris-based artist Nicolas Delort.

William Shakespeare’s Star Wars is delightful in its entirety and the best thing since Star Wars reimagined as a Muppets comic.

Images courtesy of Quirk Books

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20 Jul 08:53

Desenho Livre # 28

Caetano-Veloso-Ce-Burro-Cara-que-loucura.png

Caetano com nariz... licença poética! Não conhece o vídeo? Que loucura, cara...
20 Jul 13:00

Como construir as garras do Wolverine (vídeo animal!)

by Jader Pires
Fernando

Posso encomendar uma?

As garras do Wolverine não entram na brincadeira, mas o cinto de utilidades do Batman bem que poderia ser uma opção. Saber soltar um hadouken, usar a armadura do Jaspion ou até mesmo seu robô gigante, o Daileon. Toda criança sonhou, um dia, em ter a chance de usar as armas de seus heróis favoritos.

10 armas que você sempre quis ter quando criança

Faz pouco mais de um mês que eu escrevi esse post sobre armas que queríamos ter quando crianças. E eu estava bem errado.

Agora podemos, sim, incluir as garras do Wolverine nessa brincadeira. Eu já fui um grande fã da Marvel e, como qualquer moleque que cresceu na década de 90, era alucinado pelo mutante com fator de cura e garras de adamantium. Cheguei até a escrever dois posts, quando ainda era apenas um colaborador do PapodeHomem, sobre os grandes momentos da Marvel nos quadrinhos (parte I e parte II).

Mas como ter as garras do Wolverine? Como enfiar três pedaços afiados de metal dentro do braço? Não, ainda não dá.

Mas esse cara chegou perto, bem perto do sonho. Ele construiu as garras do baixinho enfezado com um apoio de mão que fez tudo ficar muito bonito! Digo isso porque, quando vejo aquela meninada fazendo cosplay do mutuna canadense, sempre sinto aquela vergonha alheia, manja? Claro que é bem perigoso sair por aí com as garras que esse cara fez, mas essa arma que ele forjou não me deixa nem um pouco com aquele constragimento por quem está usando, saca?

Olha só esse vídeo, tanto pela maneira como ele pensa e constrói o par de garras como o quão real e funcional elas são ao destruir uma caralhada de coisas que eles usam como testes.

Sim. Eles testam as garras e é bonito pra cacete!


Link YouTube

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Mudei drasticamente de ideia. As garras do Wolverine entram, sim, na brincadeira inicial e é uma dessas que eu queria ter.



16 Jul 00:00

Drain the Oceans: Part II

Drain the Oceans: Part II

Supposing you did Drain the Oceans, and dumped the water on top of the Curiosity rover, how would Mars change as the water accumulated?

–Iain

In the previous What If, we opened a portal at the bottom of the Mariana Trench and let the oceans drain out.

We didn't worry too much about where the oceans were draining to. I picked Mars; the Curiosity rover is working so hard to find evidence of water, so I figured we could make things easier for it.

Curiosity is sitting in Gale Crater, a round depression in the Martian surface with a peak, nicknamed Mt. Sharp, in the center.

There's a lot of water on Mars.[1]Donald Rapp, Accessible Water on Mars, JPL D-31343-Rev.7 The problem is, it's frozen. Liquid water doesn't last long there, because it's too cold and there's too little air.

If you set out a cup of warm water on Mars, it'll try to boil, freeze, and sublimate, practically all at once.[2]D. L. Santiago et. al., Mars climate and outflow events Water on Mars seems to want to be in any state except liquid.

However, we're dumping a lot of water very fast (all of it at a few degrees above 0°C), and it won't have much time to freeze, boil, or sublimate. If our portal is big enough, the water will start to turn Gale Crater into a lake, just like it would on Earth. We can use the excellent USGS Mars Topographic Map to chart the water's progress.

Here's Gale Crater at the start of our experiment:

As the flow continues, the lake fills in, burying Curiosity under hundreds of meters of water:

Eventually, Mt. Sharp becomes an island. However, before the peak can disappear completely, the water spills over the north rim of the crater and starts flowing out across the sand.

When this kind of thing happens on Mars in real life, the trickle of water quickly dries up before it can get very far.[3]D. L. Santiago et. al., Cloud formation and water transport on mars after major outflow events, 43rd Planetary Science Conference (2012) However, we've got a lot of ocean at our disposal.

The water pools in the North Polar Basin:

Gradually, it will fill the basin:

However, if we look at a map of the more equatorial regions of Mars, where the volcanoes are, we'll see that there's still a lot of land far from the water:

Frankly, I think this map is kind of boring; there's not a lot going on. It's just a big empty swath of land with some ocean at the top.

We haven't come close to running out of ocean yet. Although there was a lot of blue on the map of the Earth at the end of our last article, the seas that remained were shallow; most of the volume of the oceans was gone.

And Mars is much smaller than Earth, so the same volume of water will make a deeper sea.

At this point, the water fills in the Valles Marineris, creating some unusual coastlines. The map is less boring, but the terrain around the great canyons makes for some odd shapes.

The water now reaches and swallows up Spirit and Opportunity. Eventually, it breaks into the Hellas Impact Crater, the basin containing the lowest point on Mars.

In my opinion, the rest of the map is starting to look pretty good.

As the water spreads across the surface in earnest, the map splits into several large islands (and innumerable smaller ones).

The water quickly finishes covering most of the high plateaus, leaving only a few islands left.

And then, at last, the flow stops; the oceans back on Earth are drained.

Let's take a closer look at the main islands:

Olympus Mons, and a few other volcanoes, remain above water. Surprisingly, they aren't even close to being covered. Olympus Mons still rises well over 10 kilometers above the new sea level. Mars has some huge mountains.

Those crazy islands are the result of water filling in 'Noctis Labyrinthus' ('the Labyrinth of the Night'), a bizarre set of canyons whose origin is still a mystery.

The oceans on Mars wouldn't last. There might be some transient greenhouse warming, but in the end, Mars is just too cold. Eventually, the oceans will freeze over, become covered with dust, and gradually migrate to the permafrost at the poles.[4]Maggie Fox, Mars May Not Have Been Warm Or Wet

However, it would take a long time, and until it did, Mars would be a much more interesting place.

When you consider that there's a ready-made portal system to allow transit between the two planets, the consequences are inevitable:

11 Jul 22:50

From Mythology to Masculinity: How the Hero’s Journey Can Help You Become a Better Man

by A Manly Guest Contributor

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Editor’s Note: This is a guest post from John Romaniello.

I want to tell you about a book that will change your life. The book isn’t new. In fact, it was published back in 1949 without much fanfare. And yet, since the time of its publication, it has made an impact that can be seen in the movies we watch, the books we read, and even the life we live.

This book has influenced thousands of writers and filmmakers in their work — but it isn’t about films or writing. This particular book has also influenced countless individuals in their own lives, helping shape them into better people, but it isn’t a self-help book. It is a book about stories, and storytelling — the stories that drive our societies, and the way we tell them. And because of the commonalities of those stories, it is very much a book about us, and the way we view the world.

More importantly, it’s about how we can become better men. The book is about self-actualization at its core and has a replicable approach that applies to every man.

The Hero with A Thousand Faces, by Joseph Campbell, is ostensibly about myths and mythology. But the lessons in this book can help us identify and navigate the paths we take to better ourselves and the changes in our lives, in order to become better at change, and better people in general.

Campbell, a professor at Sara Lawrence College, studied lore from every conceivable culture; he looked at everything from the ancient religions of antiquity to the mythology of more modern religions like Christianity, Judaism, and Islam.

Campbell’s research led him to focus on comparative mythology; specifically, he looked at what myths from different cultures had in common, rather than what they didn’t. Everywhere Campbell searched, he found it: a single story-telling arc, the ubiquitous story that every culture from Mesopotamia to our modern Western Society uses to pass along information, tradition, and worldly perception. Collectively, Campbell put this information into his seminal and most influential work, The Hero with a Thousand Faces.

Borrowing a term of James Joyce, Campbell called this universal pattern the monomyth. You might know it as the Hero’s Journey.

It is a single myth, told in a thousand different ways; a single hero, with a thousand different faces. The monomyth is in every story you’ve ever heard, most of the movies you’ve ever seen — and it’s present in your own life, every day. And understanding it can make you a better man.

The Hero’s Journey and Why It’s Important

The monomyth begins with the main character, or Hero, in one place, and ends with him in another — both physically and emotionally. Campbell asserts that this Hero is the same regardless of the story, and that he appears in different forms. This is important because the hero can be the star quarterback or he can be the accountant in cubicle nine. The paths are different but the journey is the same.

Within each journey, the Hero will encounter other characters that play an essential role in growth. Campbell labeled these archetypes (the Herald, the Mentor, the Goddess, the Trickster, etc.), and they appear in the vast majority of stories. It’s easy to spot an archetype once you know what you’re looking for. So whether the hero is Harry Potter or King Arthur or Frodo, his path is always very similar. Whether the mentor is Dumbledore or Merlin or Gandalf, his role is always to guide the hero.

This structure appears everywhere, but is most easily recognized in movies and books. Luke Skywalker starts his journey by leaving his home on Tatooine, having grand adventures, and fulfilling his potential as a Jedi. The events might be different, but the journey is the same one King Arthur takes. And this is the same exact course that prominent figures in religious stories all follow. Campbell shows us just how accurate this concept is, and how it replays over and over again. And it’s happening right now in your life, too.

Not yet convinced? Okay, let’s break it down with some examples and let’s take a look at the steps of the Hero’s Journey. While Campbell’s model is 17 stages, for the sake of brevity, I prefer the more abbreviated version used by Christopher Vogler in his book The Writer’s Journey.

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Vogler’s model of the Hero’s Journey.

Now, looking at that picture, as well as chart below, you’ll probably get a good idea of what each stage signifies based on the name; the examples will drive home that all of this is applicable to every story you have ever heard.

 

Stage of the Journey

Description

Example

The Ordinary World The Hero’s starting point Dorothy Gale living on her farm (The Wizard of Oz)
The Call to Adventure The Hero realizes that there is a larger world that he can be a part of Harry Potter gets a letter from Hogwarts (Harry Potter and the Sorcerer’s Stone)
Refusal of the Call In a moment of doubt, the Hero decides not to undertake the quest Luke Skywalker tells Obi-Wan Kenobi that he can’t go to Alderaan (Star Wars)
Meeting with the Mentor Either the first encounter with the Mentor figure, or the moment when the Mentor encourages the Hero to take on the Quest Daniel LaRusso meets Mr. Miyagi (The Karate Kid)
Crossing the First Threshold The Hero moves from the Ordinary World to the Special World, and sees the difference between the two The Narrator walks into Tyler Durden’s house for the first time (Fight Club)
Tests, Allies, and Enemies The Hero begins to undertake tasks that will help him prepare for the road ahead; he also meets friends who will aid him, and foes who will try to stop him Frodo leaves Rivendell with the Fellowship of the Ring, and has to learn how to be on the road as he goes (The Lord of the Rings)
Approach Internal and external preparation; usually includes an imposing destination Neo and Trinity gather an arsenal before heading off to rescue Morpheus (The Matrix)
The Ordeal The central conflict in the story, the big boss fight, where the possibility of death is imminent Dorothy and her friends battle the Wicked Witch in her castle (The Wizard of Oz)
Seizing the Sword/Reward Having slain the enemy, the Hero is free to take the treasure; sometimes this is an item of great value, like the Holy Grail, or a person, but very often it’s something more abstract, like the end to a war After the death of the dragon Smaug, Bilbo and the dwarves are free to help themselves to his treasure (The Hobbit)
Apotheosis and Resurrection Often, the Hero needs for all of his growth to come to a head and manifest itself all at once in a moment of enlightenment called apotheosis; this realization is the death blow to the old self and beliefs, and the embracing of the new; this is punctuated by a symbolic (sometimes literal) death and resurrection The Narrator realizes that in order for him to stop Tyler Durden, he must kill himself — by making peace with his own death he accepts mortality, and is, for a moment, truly at peace; he shoots himself and lives, though Tyler is dead (Fight Club)
The Road Back The Special World, with all of its lessons and adventures, may have become more comfortable than the Ordinary World, and for some Heroes, returning can be harder than the initial departure. After the One Ring is destroyed, Frodo has a hard time adapting to life as a normal Hobbit in the Shire (Return of the King)
Return with the Elixir and the Master of Two Worlds The Hero returns home changed, and uses the gifts he received and lessons he learned on the journey to better others; at the same time, the Hero must come to terms with all of the personal changes he’s undergone; he must reconcile who he was with who he has become Luke, now a Jedi, restores balance to the Force, helping bring peace to the galaxy; concurrently, he is able to resolve his relationship with his father and move on (Return of the Jedi)

 
But Campbell’s thesis is not simply that nearly every culture in history has found an identical and effective way to tell stories; it’s that the commonalities in storytelling exist because they are a fundamental part of the human experience. The monomyth isn’t only the structure of how we tell the undertakings of heroes and characters in stories, it’s also how we relate those stories to ourselves, and, in a very real way, how we understand the things that are happening to us.

I would take it a step further.

I believe that while the monomyth is exceptional for storytelling, and therefore exceptional for exploring cultural ideas, it can have just as great an impact when applied to an individual — when applied to you. Put somewhat more directly, the Hero’s Journey is the perfect lens through which to view any change in your life — whatever new journey you’re taking, you will go through all of the phases of the monomyth as you grow, adapt, and ultimately fulfill your goal.

Of course, I’m not the only one who suggests this. For years, the Campbellian model has been used by people in various fields to help people advance; for example, some therapists use it with their patients to help structure psychoanalysis. Similarly, it’s used to help people deal with the grieving process — after all, the 5 stages are grief each have their mirror in the monomyth. Still others use it for mindset or success coaching — helping people understand where they are in the journey not only provides a sense of comfort and control, but also a clear path, making it easier, conceptually, to get to the next phase.

Because all changes in your life can fit into this structure, whether you realize it or not, at any given time you’re going through at least one such journey — and mastering the ideology of the monomyth will make you more successful. Because not only is the Hero’s Journey a lens for viewing change, but it’s also an excellent operating thesis for propelling change forward.

Practical Application – the Journey of a Gym Rat

My exposure to Joseph Campbell and to the gym came at roughly the same period of time in my life. I was a sophomore in college and in need of massive changes to my mind and body. I was 25 pounds overweight, clinically depressed, and generally just unhappy. An inauspicious beginning to my tale, but true nonetheless. That year, I was assigned to read The Hero with a Thousand Faces in a class on Utopian/Dystopian literature. Within the first 30 pages, I was hooked.

At that point, I certainly didn’t think I’d found a problem-solving methodology, but being a guy who was heavily into medieval fantasy and mythology, Campbell spoke to me as a storyteller. Reading Hero was immediately beneficial: it made all the books I was already reading even more accessible, and enjoyable. (And believe me, at 19, it was hard to imagine anything that could make re-reading The Lord of the Rings for the eighth time even more enjoyable — Hero did.)

Around this same time, I entered a gym, underwent a massive physical transformation, and changed my life in a number of ways. Not only did I build an impressive physique that opened a number of professional doors from fitness modeling and personal training to writing, but I also learned a variety of lessons that have carried over to every aspect of my life, and became successful in ways I couldn’t have imagined.

It might seem a little silly to think that getting fit helped me do better in school and have better relationships, and sillier still that it eventually allowed me to start my own business, live life on my terms, and even write a book. But it’s all true.

Perhaps more importantly, my transformation, and the lead up to it, was a step-by-step retracing of the Hero’s Journey. As I said, all changes can fit into this model. Let’s take a look at mine.

The Ordinary World – I was fat and depressed, but didn’t know much else. Like Harry Potter under the stairs or Frodo in the Shire, my Ordinary World was my everyday life.

The Call to Adventure – In my case, it was an actual phone call. At this point in my life, I was working in a retail store (Gap, of all places), and a woman called asking me to have 30 white polo shirts ready for her when she walked in. Long story short, it turned out her husband was opening a gym about 5 minutes from my house. At the moment, I wanted to make a change. Now, “I need 30 white polo shirts,” isn’t quite as dramatic as “Help me Obi-Wan Kenobi; you’re my only hope,” but it got the job done.

Refusal of the Call – Change is hard. Sometimes the Hero is more afraid of change than they are of continuing to be unhappy in their situation, or body. The majority of the people who want to embark on a fitness journey (or any journey, for that matter) never get past this point; they think it will be too hard, or that they can’t change. Or, they start and simply give up. In my case, although I was interested in changing, I was nervous, and it took a few days before I mustered up the resolve to go check out the gym.

Meeting with the Mentor - Heroes can’t do everything on their own; we all need mentors. When I finally walked into the gym, I met the owner, Alvin. He had an encouraging manner and an inspiring physique. I took to him immediately, and let him guide me. When it comes to changing your body, that mentor doesn’t necessarily need to be a person with whom you have direct contact; the role of the mentor can also be filled by a book or even website. The author will help you without ever meeting you.

Cross the First Threshold – Threshold crossings happen throughout journeys, and the first is always the most impactful. It’s what separates the Ordinary World from the Special World. When I first joined the gym and started reading about fitness, it was like Dorothy stepping into Oz; there was so much to take in it was intimidating.

Tests, Allies, Enemies – As I began on my transformative journey, I quickly realized that there were people who wanted to help, and people who didn’t. Some people will support your fitness goals and avoid tempting you; others will call your goals silly and vain. Every time I went to a party or dinner, I had to deal with the invariable, “Just have a bite,” or, “Just one drink.” These things are tempting, but to make my transformation a reality, I had to pass these tests.

Approach – As I prepared for the final showdown — the real meat of the transformation — I had to arm myself to go through it. There were a lot of small events during this time — cleaning out your fridge and throwing all the junk away, restocking with healthy food, mastering proper exercise form, and learning about nutrition.

Central Ordeal – The Ordeal is about the act of change, and the necessity for it. As it applied to changing my body, this was the actual transformation program — that 16-week period where I focused ardently and made it my goal to bend my body to my will. Metaphorically, the Ordeal is about the war between the light and dark halves of your psyche, and your attempt to balance them.

Apotheosis/Resurrection – Anyone who has gone through a major transformation understands that the results of the Ordeal are pretty intense. In almost all cases, you achieve a sense of heightened awareness — not necessarily supreme enlightenment, but, at the very least, an unveiling of a world or experience previously hidden from your eyes. In my case, this was the realization that being fit was possible for me, and that all of the benefits of being in this “club” were mine. As a storytelling device, apotheosis is about becoming godlike, at least for a moment; in most cases, this only occurs when the character sets aside all resistance and fully gives in to the experience. In that moment, you will not be a god, but you will be like a phoenix — your new, better self rising from the ashes of the old one you’ve left behind.

Seizing the Sword/Reward – This is what you get after the battle — something for you. It’s when the heroes gather together and say, “Wow, look what we’ve done.” It may be a celebration, or a love scene. For me, it was an increase in self-esteem and health that accompanied my new body. Much more than that was the belief in myself that I could manifest change; I’d done this thing which I previously thought impossible, which instilled in me an unshakeable belief that I could do just about anything.

The Road Back – After the battle itself is over, the Hero must return home. This is sometimes more difficult than leaving in the first place. The Road Back is emotionally trying, because you fear that you’ll lose what you gained on the quest. In my case, I had some trepidation that once I was no longer in the throes of focusing on a transformation, I’d revert back to my former self.

Return with the Elixir – In the best of cases, Rewards are not just for the Hero, but also for everyone around him. Frodo destroying the One Ring brought peace to Middle-Earth; Harry Potter destroying Voldemort did the same for the wizarding world. Well, my transformation sadly didn’t end any wars or save the world, but it did help a lot of people. The act of changing helped me become a better version of myself; many of my better qualities were amplified. I was happier, and made other people happier; I was also more helpful, more dedicated, and (strangely) more punctual. My transformation also inspired others to take journeys of their own. More than anything, the knowledge that I’d gained over the years — starting with when I made my own transformation — allowed me to become a coach and author, helping first hundreds, and eventually thousands of people change their lives.

Master of Two Worlds – The last stage of the journey is when the Hero becomes the Master of Two Worlds — he is able to unite the light and dark within him. Metaphorically, this stage is about balance — about reconciling who you were with who you have become, and allowing yourself to accept both. For me, it was about mastering life in my new body — understanding all of the benefits it provided without going overboard in any direction. This was a continuation of the Road Back, and was about slowly moving away from the more extreme stuff and finding a way to live life and do things that normal people do, like go to dinners and have the occasional beer.

I should mention that at the time I made my fitness transformation, I didn’t realize that I had been on what could be called a Hero’s Journey — my familiarity with Campbell was fresh, and I wasn’t able to see the parallels quite as clearly. It wasn’t until I began my business (Hero’s) Journey that I understood that Campbell could be applied to anything. From that point on, I began to incorporate some aspects of the monomythic structure into my client’s programs and my lessons with them; I found that teaching Campbell helps teach fitness information, or at least drive the point home. And it was from this general understanding that I wrote my book, Man 2.0: Engineering the Alpha. And I used that platform — a book that become a New York Times bestseller — to show how to use the Hero’s Journey to get in the best shape of your life.

Outside the Gym: Other Examples, and How Campbell Affects You

Of course, a fitness journey is just a single example of how the monomyth can be applied to your life. Once you know the general structure, it’s not difficult to plot journeys in all aspects of life — everything from your decision to enroll in college to your romantic relationships.

It has exceptional validity with regard to love, actually — just look at the standard plot outline of a romantic comedy: boy meets girls, boy loses girl, boy gets girl back, could just as easily be boy hears the call to adventure, boy refuses call to adventure, boy goes on adventure anyway. In either case, through the assistance of a mentor (could be a wise-cracking friend or parent figure), the Hero will go on a journey of introspection and come out on the other side worthy of the girl.

A more detailed example might be that you get married, and settle into married life (Ordinary World). Your wife gets pregnant (Call to Adventure). You freak out at first (Refusal), but are obviously thrilled. Over the course of the pregnancy, appointments with your doctors (Meeting with the Mentor) help you and your wife (Allies) prepare (Approach) for the birth of the child (Threshold Crossing). Being a parent is now your main responsibility (Ordeal) and at the end of the quest there is your child — your legacy — who will carry on in the world after you’re gone (Return with Elixir).

Want a professional example? How’s this: you lose your job (Call to Adventure), and although you feel its loss and want it back (Refusal of the Call), you eventually decide that you want to move on to a new career. This can go in any number of ways, let’s assume you seek the help of a business coach (Meeting with the Mentor). Eventually, you decide to start your own business, or start a blog — something you’ve never done before (Crossing the First Threshold). There are a lot of challenges along the way, as well as successes and failures (Tests, Allies, Enemies). Follow this path to its ultimate conclusion and you wind up creating something — income, a book, a product — (Reward) that betters you (Apotheosis) and allows you to better the world (Return with the Elixir).

Closing the Circle

While the strength of the monomyth is certainly due to its universal applicability, perhaps the greatest benefit comes after it’s been applied. As I alluded to above, the act of change itself changes you.

This principle is what allowed me to take the next step in my own journey and write Engineering the Alpha as a way to make the journey relevant to all men and help them see the path that could guide them to their biggest goals — whether physical, emotional, or social. The result has been a testing ground where thousands of men have been able to transform their lives in ways they never thought possible.

And it’s all because of Campbell. Understanding the Hero’s Journey is comparable to the moment when Neo understands the Matrix. It allows you to comprehend what is happening and why, and exactly how you should respond and react to make the best decisions possible. Life slows down, and when that happens you can speed up and make better choices that ultimately lead to change.

By going through a massive change, you will come to a greater understanding of yourself, and what you’re capable of. Success is a learned habit, and success begets success — the more positive changes you go through, the less resistant to change and growth you will be.

All that’s left is one simple question: Are you ready to become the hero? If so, it’s time to recognize your ordinary world, begin the journey, and ultimately become a better man and the best version of you.

Where are you in the Hero’s Journey? Let us know in the comments!

__________

John Romaniello is an angel investor, coach and nerd living in NYC. When he’s not rambling about the influence of the monomyth on comic books or the cultural importance of Star Wars, he spends time helping people change their lives and bodies. His new book, Man 2.0 Engineering the Alpha: A Real World Guide to an Unreal Life (HarperCollins), debuted on the New York Times bestseller list, with a follow-up in the works.

 

 

    


15 Jul 08:40

NO BUT SERIOUSLY

jamietheignorantamerican:

WHY DOES NO ONE TALK ABOUT THE QUETZALCOATLUS?!

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I MEAN, JESUS F. CHRIST.

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PTERODACTYLS AIN’T SHIT NEXT TO THESE MOTHER FUCKERS. QUETZALCOATLUS FUCKING ATE BABY DINOSAURS FOR BRUNCH.

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LITTLE-FOOT, NOOOO!!!

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JUST IMAGINE SOMETHING AS TALL AS A MOTHER FUCKING GIRAFFE

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SOARING THROUGH THE SKIES AT 80 MILES PER HOUR, AND THEN SWOOPING DOWN AND FUCKING EATING YOUR FACE OFF. 

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FUCKING QUETZALCOATLUS

09 Jul 00:00

Drain the Oceans

Drain the Oceans

How quickly would the ocean's drain if a circular portal 10 meters in radius leading into space was created at the bottom of Challenger Deep, the deepest spot in the ocean? How would the Earth change as the water is being drained?

–Ted M.

I want to get one thing out of the way first:

According to my rough calculations, if an aircraft carrier sank and got stuck against the drain, the pressure would easily be enough to fold it up[1] and suck it through. Cooool.

Just how far away is this portal? If we put it near the Earth, the ocean would just fall back down into the atmosphere. As it fell, it would heat up and turn to steam, which would condense and fall right back into the ocean as rain. The energy input into the atmosphere alone would also wreak all kinds of havoc with our climate, to say nothing of the huge clouds of high-altitude steam.

So let's put the ocean-dumping portal far away—say, on Mars. (In fact, I vote we put it directly above the Curiosity rover; that way, it will finally have incontrovertible evidence of liquid water on Mars's surface.)

What happens to the Earth?

Not much. It would actually take hundreds of thousands of years for the ocean to drain.

Even though the opening is wider than a basketball court, and the water is forced through at incredible speeds,[2] the oceans are huge. When you started, the water level would drop by less than a centimeter per day.

There wouldn't even be a cool whirlpool at the surface—the opening is too small and the ocean is too deep.[3] (It's the same reason you don't get a whirlpool in the bathtub until the water is more than halfway drained.)

But let's suppose we speed up the draining by opening more drains. (Remember to clean the whale filter every few days), so the water level starts to drop more quickly.

Let's take a look at how the map would change.

Here's how it looks at the start:

And here's the map after the oceans drop 50 meters:

It's pretty similar, but there are a few small changes. Sri Lanka, New Guinea, Great Britain, Java, and Borneo are now connected to their neighbors.

And after 2000 years of trying to hold back the sea, the Netherlands are finally high and dry. No longer living with the constant threat of a cataclysmic flood, they're free to turn their energies toward outward expansion. They immediately spread out and claim the newly-exposed land.

When the sea level reaches (minus) 100 meters, a huge new island off the coast of Nova Scotia is exposed—the former site of the Grand Banks.

You may start to notice something odd: Not all the seas are shrinking. The Black Sea, for example, shrinks only a little, then stops.

This is because these bodies are no longer connected to the ocean. As the water level falls, some basins cut off from the drain in the Pacific. Depending on the details of the sea floor, the flow of water out of the basin might carve a deeper channel, allowing it to continue to flow out. But most of them will eventually become landlocked and stop draining.

At 200 meters, the map is starting to look weird. New islands are appearing. Indonesia is a big blob. The Netherlands now control much of Europe.

Japan is now an isthmus connecting the Korean peninsula with Russia. New Zealand gains new islands. The Netherlands expand north.

New Zealand grows dramatically. The Arctic Ocean is cut off and its the water level stops falling. The Netherlands cross the new land bridge into North America.

The sea has dropped by two kilometers. New islands are popping up left and right. The Caribbean Sea and the Gulf of Mexico are losing their connections with the Atlantic. I don't even know what New Zealand is doing.

At three kilometers, many of the peaks of the mid-ocean ridge—the world's longest mountain range—break the surface. Vast swaths of rugged new land emerge.

By this point, most of the major oceans have become disconnected and stopped draining. The exact locations and sizes of the various inland seas are hard to predict; this is only a rough estimate.

This is what the map looks like when the drain finally empties. There's a surprising amount of water left, although much of it consists of very shallow seas, with a few trenches where the water is as deep as four or five kilometers.

Vacuuming up half the oceans would massively alter the climate and ecosystems in ways that are hard to predict. At the very least, it would almost certainly involve a collapse of the biosphere and mass extinctions at every level.

But it's possible—if unlikely—that humans could manage to survive. If we did, we'd have this to look forward to:

09 Jul 00:02

Photo

Fernando

So Many Bitters



04 Jul 13:00

Acabou a era do gesso. Agora é um exoesqueleto impresso em 3D

by Jader Pires
Fernando

Fantástico!

Antigamente se usava talas, mas faz tanto tempo que não faz parte do meu tempo — eu, que estou há quase 30 tempos nesse mundo — e os novos tempos trouxeram o gesso. Toda e qualquer fratura leva gesso para imobilização. Dá pra estocar, é relativamente barato, fácil de fazer (e faz na hora), se molda exatamente às necessidades anatômicas de cada pessoa e… bem, é isso. Gesso.

A minha geração foi provavelmente a última a passar metade da vida sem e com todas as revoluções tecnológicas que chegaram com a Internet. Por isso o pessoal dos anos 80 e 90 são tão nostálgicos com seus brinquedos analógicos, sua criatividade, a luta que sempre tiveram perante as facilidades dos dias de hoje. Mesmo assim, esse último “baque” tecnológico ocorreu enquanto ainda éramos jovens e isso fez com que o trauma fosse menor, o embate fosse menos estranhos, afinal, com 12 ou 13 anos, tanta coisa ainda é novidade que as coisas realmente novas acabam sendo engolidas nesse mar de descobertas.

Somos a geração que não espera mais pelo futuro, pois vivemos o futuro. Mesmo

Somos a geração que não espera mais pelo futuro, pois vivemos o futuro. Mesmo

Mas agora não. quase com 30 anos e sempre fui tratado com gesso. Já quebrei o braço direito, dedos das duas mãos, dedo do pé direito, tornozelo esquerdo. Operei duas vezes por conta dessas fraturas. Sempre usei gesso. Sempre.

Agora não quebro mais nada (seguindo a ordem, agora é vez de bacia, coluna ou cabeça. Dispenso a experiência de fraturar qualquer uma das três), agora que pode não ser mais gesso.

O designer Jake Evill criou um conceito de imobilizador feito em impressora 3D que, em breve, poderia substituir o velho gesso nas situações de fratura. O próprio Jake explica melhor em seu site:

Depois de muitos séculos de talas e gessos complicados que têm sido a ruína  de coceiras e mau cheiro de milhões de crianças, adultos e idosos, nós finalmente trazemos apoio à fratura para o século 21. O exoesqueleto Cortex fornece um suporte altamente técnico e apoio que é totalmente ventilado, super leve, dá para usar no chuveiro, higiênico, reciclável e elegante. 

O exoesqueleto Cortex se utiliza de um exame de raio-x e um scanner 3D de um paciente com uma fratura e gera um modelo 3D impresso.

Um exoesqueleto de plástico resistente feito em uma impressora 3D que corrige todos os defeitos de um velho e obsoleto gesso. É leve, não deixa a pele sem ventilar, evita todos aqueles problemas chatos com o banho, deixa você coçar à vontade porque ele é completamente aberto e, claro — feito por um designer –, bonito. O próprio Oshiro, minha fonte para essa descoberta, mandou essa:

Eu usaria mesmo sem nada quebrado!

E aí eu coloco mais um item para a minha lista de coisas que eu contarei para meus filhos e netos, aquelas coisas que soam tão antigas que eles ouvem só porque parece fantasia. Meu pai, por exemplo, adora me contar histórias de quando ele viajava de motona década de 70 e as estradas não eram, nem de perto, parecidas com as de hoje, que antes era “só uma pista pra ir e uma pra voltar”, que antigamente “pra ir pra Marília, era outra coisa, era bem mais longe, era bem mais ruim, era uma pista só, era assim e assado”.

exoesqueleto-cortex

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Preparem-se. Daqui uns anos vocês dirão para seus pequenos que “ah, eu usei muito gesso. Não, antes não era essas coisas bonitas de nylon não, a gente entrava era no gesso mesmo. Eram umas salas com um cheiro forte e todas sujas de um pó branco que, misturado na água, dava o tal gesso”.



08 Jan 16:43

WhereDidTheSodaGo

by OEsquema

wheredidthesodago é um subreddit dedicado a tirar de contexto infomerciais.

Simples e engraçado.

18 Dec 03:46

Cada vez menos tosca

by camilalpav

Eu não era tão pequenininha assim quando comecei a aprender inglês. Pequenininha eu era quando aprendi francês, por causa da minha mãe e talecousa, e depois o inglês teve a ver com o meu pai e nada disso importa para a historinha do momento: o que importa é que eu já tinha uns nove anos quando vi o primeiro verbo tchubi da minha vida e estudei numa escola chique dessas que tem Laboratório e já aos nove anos deu pra sacar perfeitamente que Laboratório de Língua é só o complexo de inferioridade do pessoal de humanas falando mais alto e achando que ao chamar de laboratório todo um procedimento repeat-after-me-please eles poderiam conferir alguma dignidade científica ao processo caótico, intuitivo, humano, demorado, estimulante e essencialmente zoado que é aprender uma língua nova.

Tá, eu não tinha nove anos quando saquei isso.

Mas eu tinha nove anos quando a Professora de Inglês perguntou quem ali conhecia o Robinson Crusoé:

Eu, eu, eu conhecia!

(E até hoje penso cinco vezes antes de levantar a mão em sala de aula quando a professora pergunta alguma coisa por medo de ser percebida como a menininha pentelha que era a única da sala a conhecer o Robinson Crusoé.)

(O Robinson Crusoé que eu conhecia era de uma coleção infantil com uns verdinhos na borda da capa – ou esse era o Peer Gynt? -, tinha também o Dom Quixote com uns amarelinhos e As Mil e Uma Noites com uns rosinhas. Eu lia tudo e até hoje conheço essas obras clássicas só em sua versão coloridinha-para-crianças, comprovando mais uma vez aquela minha teoria de que nascemos inteligentes e cultos e vamos definhando até o ponto de passar o dia lendo jornal e pegando trânsito e pensando em coisa pra botar no Lattes.)

***

- Explica então pra turma quem é o Robinson Crusoé, Camila.

Eu, eu, eu explico!

- O Robinson Crusoé é um homem que passa um tempão triste e se achando um bobo porque ele achou que estava perdido quando na verdade os amigos dele estavam bem pertinho e ele nem percebeu e aí acabou se perdendo mesmo e foi parar numa terra estranha e teve que se virar.

A professora me olhou como se eu tivesse acabado de descrever um episódio das Tartarugas Ninjas, um capítulo de Ana Raio e Zé Trovão, uma cena de Carrossel – qualquer coisa, menos a famosa história de Robinson Crusoé.

- Bem, na verdade a história que eu conheço é outra. Robinson Crusoé é um homem que viveu sozinho numa ilha durante muitos anos, acompanhado pelo índio Sexta-Feira.

Vergonha, vergonha e uma culpa quase tão avassaladora quanto a do Robinson. Eu não sabia ler. Eu tinha entendido tudo errado.

Foram anos, provavelmente mais do que os passados por Robinson na ilha, até eu entender que não é que eu havia necessariamente entendido tudo errado, mas apenas que, na época, eu ainda não sabia que aquela era necessariamente a história do homem, sozinho, na ilha, com Sexta-Feira (aliás, como era possível um homem ser sozinho quando estava acompanhado por outro homem era uma questão que nunca cessou de me intrigar). Eu ainda não sabia que as histórias eram, na verdade, a história das leituras que delas fazem; não sabia que uma história é sempre oficialmente uma coisa e ao mesmo tempo e subrepticiamente um milhão de várias outras.

***

Outro dia uma colega me contou que sua desculpa oficial para estudar determinada coisa não-socialmente-valorizada era porque ela precisava do diproma, mas que na verdade acontecera exatinho o contrário: ela usou a bem-vinda desculpa da necessidade do diproma para enfim estudar o que tão visceralmente queria.

E aí foi ótimo porque me lembrei da primeira ou segunda vez que conversamos e, certeza que ela nem se lembra disso, ela me contou a versão oficial: “fui estudar porque tinha de trabalhar”, em vez do muito mais verdadeiro e embaraçoso fui trabalhar porque o que eu queria mesmo era estudar.

As versões que entram para os livros de história, para os anais dos congressos, para os especiais da Globo e para as retrospectivas do SBT, não é que sejam falsas. Pelo contrário, elas revelam sempre uma verdade profunda e abismal – a verdade de que índio não é companhia porque não conta como gente, a verdade de que a gente só deveria estudar alguma coisa porque precisa dessa coisa para ganhar dinheiro. Tudo isso é verdadeiro e explícito para quem consegue desenvolver um olhar minimamente vesgo.

Mas, para além do olhar vesgo a tudo o que é mainstream na vida, convém não esquecer de olhar fundo nos olhos daquilo que é meio, assim, requenguela. (Vou fazer a experiência de publicar este post sem checar antes se a palavra requenguela existe. Na minha família sempre existiu: requenguela é a qualidade daquilo ou de quem é meio matusquela, capisce?) Levar a sério a leitura da criança, o post do blog, a série de TV que teve uma temporada e foi cancelada, a série que nem chegou a ser produzida, o escritor que nunca foi premiado, o escritor que sequer foi publicado.

Ou, para dizer de um jeito que a Camila de nove anos diria: sem olhar meio torto para o que é direitinho e bem direitinho para o que é torto, a realidade fica chapada e tosca.

***

Eu era pequenininha quando comecei a aprender francês e um pouco maiorzinha quando comecei com o inglês, e foi o típico movimento edipiano de trocar a mãe pelo pai (juro que penso nesses termos) e hoje em dia é todo um processo de voltar de vez para o francês sem abrir mão do resto – numa tentativa provavelmente fadada ao fracasso de deixar a realidade cada vez menos tosca.

12 Dec 18:03

Viva Intensamente # 90

Viva-Intensamente-Cão-Réu
06 Dec 02:11

Carta aberta aos humoristas do Brasil

by Alex Castro

Queridos humoristas do Brasil,

Essa carta é minha humilde tentativa de fazer vocês colocarem a mão na consciência.

Pra começar, me apresento.

Sou, ou fui, um de vocês. Durante grande parte da década de 90, escrevi para a Revista Mad in Brazil sob o pseudônimo Xandelon. Cheguei a ser subeditor uma época, publicava quase todo número e escrevi dezenas de matérias de capa sob encomenda. Com esse dinheiro, pagava minhas contas e vivia disso.

Essa matéria de capa, sobre a Feiticeira, é minha. Será que alguém ainda lembra dela?

Essa matéria de capa, sobre a Feiticeira, é minha. Será que alguém ainda lembra dela?

Sei como é um trabalho duro sentar na redação e espremer a cabeça até sair uma piada. Sei como é frustrante achar que a piada está ótima, testá-la com o resto da equipe… e ninguém rir.

Então, aos trancos e barrancos, sem nunca ter sido lá brilhante, posso dizer que já fui sim humorista profissional.

A dura vida do humorista profissional

Em teoria, o humor  é simples: você cria uma expectativa, e depois a subverte.

Para o humor poder existir, são necessários uma série de pressupostos culturais coletivos, compartilhados pelo humorista e seu público que, convenhamos, muitas vezes são sim machistas, homofóbicos, racistas.

A piada “Sabe como afogar uma loira? Coloca um espelho no fundo na piscina!” só funciona porque tanto humorista quanto platéia “sabem” que loiras são fúteis, vaidosas e burras. Se não compartilhassem esse “conhecimento”, não é nem que a piada não seria engraçada: ela faria tão pouco sentido que não seria nem mesmo coerente enquanto narrativa.

Naturalmente, por esse mesmo motivo, o humor é sempre local: para pessoas de outras culturas, com outros pressupostos culturais compartilhados, a historinha também não faria sentido – pois não teriam a chave pra decodificar a piada, ou seja, que loiras “são burras, fúteis e vaidosas”. (Não são.)

Se é pra sacanear alguém, sacaneie os poderosos, e não os subalternos.

Se é pra sacanear alguém, sacaneie os poderosos, e não os subalternos.

Outro dia, a revista norte-americana Wired fez uma matéria de capa sobre humor. Pouca gente sabe, mas existem muitos estudos acadêmicos sérios (sic) sobre o humor, muita gente brilhante tentando entender: porque o engraçado é engraçado?

Enfim, uma das últimas teorias, citadas na Wired, é que o humor viria de uma violação da ordem estabelecida, seja através de dignidade pessoal (tropeçar na casca de banana, deformidades físicas), normas linguísticas (gago, fanho, sotaques), normais sociais (comportamentos inusitados), e até mesmo normas morais (bestialidade, etc), mas que ao mesmo tempo não representasse uma ameaça ao público ou à sua visão de mundo.

Essa última parte é talvez a mais importante: a violação não pode ameaçar ou contradizer a visão de mundo do público, senão ela nem será compreensível.

Usando o mesmo exemplo acima, até dá pra fazer uma piada sem loiras, mas se a sua piada incluir uma loira, ela vai ter que ser burra, mesmo contra sua vontade, pois assim que mencionar “loira” o público já vai imaginá-la “burra“, mesmo se você acrescentar que é uma loira física nuclear ganhadora do Nobel. Nesse último caso, o público certamente pensaria que a piada era justamente sobre como a loira burra conseguiu virar física nuclear ganhadora do Nobel. Mas não dá pra desfazer a associação loira + burra.

Dois em uma: piada de loira portuguesa. E mexendo os dedinhos dos pés.

Dois em um: piada de loira E portuguesa. E mexendo os dedinhos dos pés.

Por outro lado, e é por isso que estou escrevendo essa carta, se é impossível você humorista acabar sozinho com o estereótipo da loira burra, é possível não reforçá-lo:

Basta não fazer piadas de loira burra.

Eu sei, eu sei. O estereótipo da loira burra é até inofensivo. É verdade, algumas das pessoas mais inteligentes que já conheci eram lindas loiras que enfrentavam dificuldades constantes de serem levadas a sério no ambiente de trabalho, mas e daí, né? No cômputo geral das coisas, é um pequeno problema.

Fazer rir utilizando esses estereótipos (a loira burra, o preto macaco, a bicha travesti, etc) é muito fácil. E eu não estou dizendo que vocês não podem não. O país é livre e temos liberdade de expressão justamente para isso.

Mas dá pra fazer diferente, eu peço.

Na verdade, eu desafio.

O machismo mata

Dez mulheres são assassinadas por dia no Brasil, colocando-o no 12º lugar no ranking mundial de homicídios contra a mulher. Uma em cada cinco mulheres já sofreu violência de parte de um homem, em 80% dos casos o seu próprio parceiro. Em 2011, o ABC paulista teve um estupro (reportado!) por dia. Na cidade de São Paulo, uma mulher é agredida a cada sete minutos — além de não ter tempo de fazer nada, essa pobre mulher ainda é agredida no chuveiro, no ônibus, até na privada!

Riu? É, mas não tem graça. A solução está na mão dos homens.

Faça pouco dos poderosos que podem se defender.

Faça pouco dos poderosos que podem se defender.

As mulheres são mortas em tão grandes números, e por seus próprios homens, porque existe uma cultura machista no Brasil, onde as mulheres são vistas como tendo menos valor, onde as mulheres são rotuladas ou como santas ou putas, onde uma mulher viver abertamente sua sexualidade é considerado ofensivo ou repreensível, onde a sexualidade de uma mulher tem impacto direto sobre a honra de seu companheiro.

Se você faz piadas que confirmam os lugares-comuns dessa cultura machista, que objetificam a mulher, que estigmatizam seu comportamento sexual, então você possibilita e reforça essa cultura assassina.

Você é cúmplice.

(Não deixe de ler, aqui no PapodeHomem, meu texto: Feminismo para homens, um curso rápido.)

O racismo mata

Entre 2002 e 2007, o número de homicídios cujas vítimas eram jovens negros aumentou 49%. De cada 100 mil habitantes, morrem por homicídio 30,3 brancos e 68,5 negros. A probabilidade de ser vítima de homicídio é 12 vezes maior para adolescentes homens e, dentro desse grupo, quatro vezes maior para jovens negros. De cada três jovens assassinados, dois são negros. A população negra teve 73% de vítimas de homicídio a mais do que a população branca.

Os negros são mortos em proporções tão altas, em comparação ao restante da população, porque existe uma cultura racista no Brasil, onde os negros são vistos como tendo menos valor, onde os negros são hiperssexualizados como “negões pauzudos” ou “mulatas rebolantes”, onde o negro é sempre o preguiçoso ou o malandro, o atleta ou o faxineiro, mas nunca (ou raramente) o físico quântico ou o médico, o enxadrista ou galã pegador.

Rárárá! Esse Danilo é ótimo! Só que não.

Rárárá! Esse Danilo é ótimo! Só que não.

Se você faz piadas que confirmam os lugares-comuns dessa cultura racista, que denigrem o negro, que comparam o negro a animais, que classificam o tipo de cabelo característico dos negros de ruim, que associam o negro à pobreza, ao crime, à ignorância e a tudo o que há de mais baixo na escala social, então você possibilita e reforça essa cultura assassina.

Você é cúmplice.

(Escrevo muito sobre racismo. Esses são meus melhores textos.)

A homofobia mata

Em 2010, foram mortos 260 homossexuais no Brasil, 62 a mais que em 2009 (198), um aumento de 113% desde 2007 (122). Nos EUA, com 100 milhões a mais de habitantes, moram mortos 14. Um homossexual brasileiro tem 785% mais chances de morrer vítima de violência que um norte-americano. As coisas parecem estar piorando: só nos primeiros dois meses de 2012, foram 80 assassinatos confirmados. Mantido esse padrão, teremos 500 homossexuais assassinados até o final de 2012. Nenhum país do mundo mata tantos homossexuais quanto o Brasil.

Os homossexuais são mortos em proporções tão altas, em comparação ao restante da população, porque existe uma cultura homofóbica no Brasil, onde os homossexuais são vistos como tendo menos valor, onde os homossexuais são hiperssexualizados como máquinas de foder sempre prontos para o sexo casual, onde o homossexual é sempre retratado como ridículo, efeminado, exagerado, folclórico, onde a tentativa de ensinar às crianças que homossexualidade é normal é rotulada de “kit gay”, onde a tentativa de dar direitos iguais aos homossexuais é rotulada de “ditadura gay”, onde a pregação de que os homossexuais são pecadores que vão pro inferno é protegida pela “liberdade de expressão”.

Se você faz piadas que confirmam os lugares-comuns dessa cultura homofóbica, que estigmatizam e ridicularizam os homossexuais, que utilizam o homossexual como xingamento como se ser homossexual fosse intrinsecamente ruim, que associam o homossexual ao pecado e à devassidão, ao ridículo e ao nojento, então você possibilita e reforça essa cultura assassina.

Você é cúmplice.

(Não deixe de ler, aqui no PapodeHomem, esse depoimento: “Queria ser hétero, mas não consigo”, editado e comentado por mim.)

Não reclame da “patrulha”

“Patrulha” são soldados armados que podem te matar se você os desobedecer.

Torcer o nariz para as piadas racistas, homofóbicas ou machistas de um comediante não é “patrulha”.

É o público exercendo pacificamente sua liberdade de expressão de considerar babaca um comediante que faça piadas racistas, homofóbicas ou machistas.

Esses pobres humoristas “perseguidos” que reclamam da “patrulha politicamente correta” não estão defendendo a liberdade de expressão: liberdade de expressão de verdade é o cara poder fazer piada sobre mulher estuprada e nós podermos criticá-lo por isso.

Na verdade, a liberdade que querem esses paladinos do “politicamente incorreto” é a liberdade de falar os maiores absurdos sem nunca serem criticados.

Aí é fácil, né? Assim eu também quero.

Nunca vi ninguém não-babaca se dizendo "politicamente incorreto".

Nunca vi ninguém não-babaca se dizendo “politicamente incorreto”.

[E]sse pessoal que ataca minorias pra fazer piada precisa entender é que eles não estão transgredindo nada. Seus tataravôs já eram racistas, gente. Pode ter certeza que seus tataravôs já comparavam negros com macacos. Aposto como seus tataravôs já faziam gracinhas sobre a sorte que uma moça feia teve em ser estuprada. Vocês não são moderninhos, não são ousados, não são criativos. Vocês estão apenas seguindo uma tradição.

Falar besteira, qualquer criança fala.

Adulto é quem sabe que falar significa se abrir para a possibilidade de ouvir a resposta. Adulto é quem entende que ele tem a mesma liberdade de falar que seus críticos tem de criticá-lo.

[O humor] não tem que ter limites. O que a gente tem que ter também é uma crítica ilimitada. O humor tem que ser solto como qualquer linguagem humana tem que ser solta e livre, o que a gente tem é que ter o direito de exercer o poder da crítica sobre isso permanentemente. Então você dizer que uma piada é racista, ou sexista, e argumentar nessa direção, não é censurá-la, é exercer seu direito de crítica.

Tudo que hoje falam do casamento gay era o que falavam do casamento interracial.

Tudo que hoje falam do casamento gay era o que falavam do casamento interracial.

Pra encerrar, amigos humoristas, não esqueçam nunca qual é a função social mais importante da liberdade de expressão:

Sem ela, como saberíamos quem são os idiotas?

Façam pouco dos agressores e não dos agredidos

Não existe piada inofensiva: se alguém gargalhou é porque alguém se fudeu.

A questão é: quem se fode nessa piada?

Se é a vítima, o subalterno, a minoria, a mulher, o gay, o negro, etc, então essa piada é parte do problema. Ela confirma, apóia, sustenta a ideologia dominante. Ela está à serviço do machismo, do racismo, da homofobia.

Quando um gay é agredido com uma lâmpada na Av Paulista, os roteiristas do Zorra Total não podem levantar as mãos e se declarar inocentes. E nem quem assiste e ri.

O "santo" Monteiro Lobato era muito racista - e a Emília também.

O “santo” Monteiro Lobato era muito racista – e a Emília também.

Mas não é necessário vocês humoristas se autocensurarem ou se tornarem vendedores de seguros. Por que não fazer piadas de gays… onde são os homofóbicos que se fodem? Piadas de estupro… onde quem se fode são os estupradores?

Vocês, humoristas, são livres para fazer piadas sobre o que quiserem. Mas também são cidadãos dotados de consciência. Os números da violência contra a mulher são impressionantes. Somos o país que mais mata gays. Nossos jovens negros são vítimas da maioria desproporcional dos homicídios.

A escolha é nossa, tanto humoristas quanto consumidores e repassadores de humor: queremos ser parte da solução ou parte do problema? Queremos estar do lado de quem mata ou estender a mão à quem está morrendo?

Essa discussão não é abstrata. Não estamos falando sobre princípios filosóficos. Tem gente morrendo AGORA.

O humor ajuda a perpetuar o racismo.

O humor ajuda a perpetuar o racismo. Ou a denunciá-lo. A escolha é de vocês.

É muito mais difícil fazer humor sem usar esses estereótipos que confirmam e fortalecem as culturas assassinas do nosso país: a homofobia, o machismo, o racismo.

Será que vocês conseguem? Será que conseguem, ao mesmo tempo, ser engraçados e não ser cúmplice dos assassinatos de mulheres, negros homossexuais.

Sei que não é fácil. Se fosse fácil, eu não estaria pedindo. Se fosse fácil, eu não estaria propondo o desafio.

Mas é tão necessário. É tristemente necessário.

Porque os humoristas alemães que faziam piadas de judeu em 1935 não são inocentes de Auschwitz não.

Fazer rir é relativamente fácil. Difícil é fazer rir sem ser babaca.

Não deixem de assistir o documentário abaixo

Esse texto todo, na verdade, foi só pra apresentar esse documentário. Assistam. Todos os melhores argumentos estão aí. Os melhores comediantes do Brasil. Gente do mais alto gabarito.

Se você acha que a “patrulha do politicamente correto está insuportável”, assista agora.

E depois você me conta.


Link YouTube | “O Riso dos Outros”, magistral documentário sobre humor e politicamente correto, por Pedro Arantes.

* * *

Ah, atualmente, mantenho a minha veia de humorista ainda viva mantendo o tumblr Classe Média Sofre, minha humilde tentativa de fazer “humor do bem”, o que quer que isso seja. Deem uma olhada e me digam como estou me saindo.

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12 Dec 11:56

aceitar o diferente

by alexcastro

os conservadores falam muito sobre não querer ter que explicar a homossexualidade às crianças.

meus amigos liberais parece que não entendem esse comentário, pois respondem argumentando que as crianças aceitam muito bem a homossexualidade.

mas será que não vêem que é justamente isso que assusta os conservadores?

o que assusta os conservadores não é a dificuldade de explicar a homossexualidade às crianças, mas a dificuldade de transmitir às crianças o horror que sentem pela homossexualidade.

o que assusta os conservadores é justamente o fato das crianças aceitarem o diferente.

11 Dec 03:12

Senzalas & campos de concentração

by Alex Castro

O Brasil se considera uma nação boa e pacífica. Mas é só porque esqueceu ter sido a maior economia escravocrata de todos os tempos.

Muitas vezes, o sono tranquilo não é consciência limpa: é falta de memória.

“O melhor bife batido da cidade está na Lanchonete Doi-Codi!”

Senzalas eram lugares de morte, tortura, exploração. Por que associar seu restaurante a ISSO?

Senzalas eram lugares de morte, tortura, exploração. Por que associar seu restaurante a ISSO?

No coração do centro histórico de Paraty, cidade colonial construída com o sangue e o suor de muitos escravos, em pleno mês da consciência negra, acabou de ser inaugurado um novo restaurante:

Senzala Churrascaria Rodízio.

Não deveria me chocar mas ainda me choco. Afinal, o que não falta, em todo Brasil, são estabelecimentos chamados Senzala.

Na Alemanha, pelo menos, não existe nenhum Restaurante Auschwitz.

Eles teriam vergonha.

As maravilhas do tráfico humano

Nesse cela, eram colocados para morrer de fome os escravos problemáticos. Elmina, uma maravilha da arquitetura colonial portuguesa!

Nesse cela, eram colocados para morrer de fome os escravos problemáticos. Elmina, uma maravilha da arquitetura colonial portuguesa!

Em 2009, Portugal promoveu um concurso para escolher as “7 Maravilhas de origem portuguesa do mundo“.

Dentre os vinte e sete indicados, muitos eram locais fortemente identificados com a escravidão, com a compra e com a venda, com a morte e com a tortura, com o desterro e com o desenraizamento de milhões de pessoas. Pessoas como eu e como você. Pessoas cujo sofrimento não deveria ser esquecido:

Por exemplo, o forte Elmina foi construído em 1482 para fazer ali o comércio de escravos, hoje abriga um museu onde os visitantes são convidados a visitar as celas onde os Africanos ficavam confinados antes de serem enviados para as Américas. No sítio da votação, encontra-se uma longa descrição do forte e nem sequer uma linha, uma palavra mencionando o tráfico de africanos escravizados. …

É como se Auschwitz participasse em uma eleição das sete maravilhas alemãs no mundo.

(Leia mais ou confira a lista dos vencedores.)

A feliz união das raças da maior democracia racial do mundo!!

Todos são iguais... mas um tem maior expectativa de vida que os outros. Adivinha qual?

Todos são iguais… mas um tem maior expectativa de vida que os outros. Adivinha qual?

Ninguém realmente deveria ficar surpreso. No mundo lusófono, o apagamento da memória da escravidão sempre foi a regra.

A grande maioria dos brasileiros aprende na escola que nosso lindo país foi construído por brancos, negros e índios, todos felizes, de mãos dadas e cantando kumbayá. Como se a colonização do Brasil tivesse sidoe um comercial da Benetton.

Para manter a mentira primordial no cerne do nosso mito de origem, a escravidão nunca é mostrada em seu verdadeiro horror:

Sim, alguns de nossos avós escravizaram nossos outros avós, mas, no fim das contas, eram todos bons amigos, os escravos eram muito bem tratados e, olha só, pelo menos nunca tivemos as leis racistas dos EUA! No Brasil, país bondoso e generoso, até a escravidão era a melhor do mundo!

(Aliás, não faz sentido falar em “escravidão melhor” mas, somente nos Estados Unidos, a população escrava tinha crescimento vegetativo, ou seja, aumentava e se reproduzia. No resto da Américas, a mortalidade era tão alta que, mesmo com os nascimentos, era preciso sempre importar novos escravos. O Brasil foi o maior importador de escravos de todos os tempos porque aqui, nessa terra tão bondosa e tão pacífica, era onde eles mais rapidamente morriam. Esse artigo clássico de Herbert S. Klein explora essas contradições.)

Somos tão legais hoje que nem parece que éramos tão escrotos ano retrasado!

Sim, vamos parar de falar de racismo! Afinal, essa tática tem dado tão certo no último século... (pra nós, brancos, claro!)

Sim, vamos parar de falar de racismo! Afinal, essa tática tem dado tão certo no último século… (pra nós, brancos, claro!)

Um trecho do Hino à Proclamação da República, escrito em 1890:

Nós nem cremos que escravos outrora

Tenha havido em tão nobre País…

Hoje o rubro lampejo da aurora

Acha irmãos, não tiranos hostis.

Somos todos iguais! Ao futuro

Saberemos, unidos, levar

Nosso augusto estandarte que, puro,

Brilha, ovante, da Pátria no altar!

Somente um ano e meio depois de abolida, a escravidão já começava a ser sistematicamente lavada da memória nacional.

Escravidão e Holocausto, ensinados lado a lado

Por Emory Douglas. Mais aqui: http://www.babylonfalling.com/Emory/Emory_Slideshow.html

“Eu, Barack Obama, o 44º presidente eleito dos Estados Unidos, peço desculpas pela escravidão.”

Para muitos brasileiros, o bicho-papão racial são os Estados Unidos. Não podemos implementar cotas, pois senão “nos tornaríamos um Estados Unidos”; “temos muitos defeitos mas pelo menos não somos os Estados Unidos”, etc etc.

Pois eu morei lá e morei aqui, e estudei a fundo a história da escravidão nos dois países. Somos ambos profundamente racistas, mas o Brasil é pior por um motivo:

A cultura do deixa-disso. Por pensarmos que o não-falar sobre o racismo e a escravidão vai resolver por si só o problema.

Enquanto isso, o presidente norte-americano, em visita a Gana, um dos principais portos exportadores de escravos, afirmou que a escravidão, como o Holocausto, é daquelas coisas que não pode ser esquecida.

Para Obama, a visita aos calabouços de escravos remeteu à sua viagem ao campo de concentração Buchenwald: ambos nos fazem lembrar da capacidade humana para cometer o Mal.

E completou afirmando:

A escravidão e o Holocausto deveriam ser ensinados nas escolas de modo a conectar a crueldade passada aos eventos atuais.

Homens que não entendem porque tanto alarde pelo câncer de útero

Get over it!

“Nunca esqueça! Nunca esqueça! Sai dessa, pô!”

Desconfie sempre de quem fala “sai dessa” quando o “essa” é algo que ele nunca experimentou.

Afinal, do ponto de vista de quem está bem acomodado e seco no convés do barco, não há motivo pra se debater tanto lá embaixo no mar só porque tem água entrando nos seus pulmões… SAI DESSA!

“Por que esses cadeirantes preguiçosos não deixam de se fazer de vítima e sobem as escadas como todo mundo, hein?”

A meritocracia do Brasil, em uma charge.

A meritocracia do Brasil, em uma charge.

Pior ainda são aquelas pessoas (muitas negras) que são contra as cotas (e similares) argumentando que “nunca precisaram delas”.

E eu faço uma cara pensativa e respondo:

Concordo, claro, como não? E tem mais, também sou contra esse negócio de diálise em hospitais públicos e rampas para cadeirantes nos prédios.

Oras, se passei a vida inteira sem precisar de nenhuma dessas coisas, é porque não são tão importantes assim, certo?

Afinal, dado que eu sou o centro do universo e a medida de todas as coisas, as pessoas só deveriam receber o que eu recebi e as únicas necessidades válidas são as que eu também tenho!

(Sobre isso, leia meu texto O assunto não é você.)

Somos os melhores em esquecer nossos crimes

Durante sete anos, morei em Nova Orleans, principal porto escravista norte-americano. Assim como o Rio de Janeiro, uma bela cidade, sexy e musical, turística e carismática, construída nas costas de escravos desesperados e agonizantes.

Um dia, enquanto passeava com meu cachorro pelo bairro universitário, uma soccer mom enfiava cuidadosamente seus quatro filhinhos, todos brancos e roliços, em seu jipão utilitário de luxo, também branco e roliço. Era uma senhora baixinha e gorducha, bochechas rosadas e orelhas de abano, carregando mochilas e merendeiras, parecendo dotada daquela infinita paciência que só uma mãe de quatro meninos pode ter. E, em seu para-choque traseiro, discretamente, estava o adesivo:

The South Will Rise Again (“O Sul se Erguerá Novamente”)

Como não se sentir ameaçado? Não conheço o contexto dessas palavras. Por tudo que sei, é um inocente desejo de revitalizar a economia local. Mas, ainda assim, nenhuma racionalização poderia apagar o meu calafrio ao ler aquela frase; nenhuma explicação lógica faria aquele adesivo soar menos sinistro. De certo modo, era como se o ressurgimento do Sul fosse indistinguível e indissociável do reescravizamento de toda uma raça.

E pensei: o Brasil foi tão ou mais escravista do que o Sul dos Estados Unidos, e resistiu por muito mais tempo até libertar seus escravos. Ainda mais doloroso pra mim, dos nove únicos deputados que tiveram a cara-de-pau e a temeridade de votar contra a Lei Áurea em pleno maio de 1888, já na véspera do século XX e na contra-mão de todos os ventos filosóficos do XIX, oito eram do Rio de Janeiro. Legítimos representantes eleitos do meu estado.

Entretanto, não ficamos nem o Rio e nem o Brasil maculados por essa nódoa. Um adesivo “O Brasil Crescerá” despertaria calafrios? Claro que não. Nem o Paraguai tem medo do Brasil. E concluí, aliviado: ainda bem que pelo menos o bom nome do meu país e do meu estado não estão ligados à escravidão.

Um segundo depois, bateu o estranhamento: mas… por que não?

A falta de calafrios não corresponde à falta de crimes. O Sul dos EUA teve, no Norte, um vizinho incômodo que manteve viva a memória de seus crimes. Já em nosso caso, simplesmente varremos nossos crimes para debaixo do tapete.

Não somos mais virtuosos: somos melhores em esconder o corpo.

(Ao contrário do que muita gente pensa, a Abolição não foi um “presente da monarquia”, mas uma lei disputada voto a voto no Parlamento, somente sancionada pelo Poder Executivo, naquele momento representado pela Princesa Isabel. Mais detalhes nesse meu rascunho de uma História da Abolição.)

“Shoah”, um documentário impossível

"Shoah", o fim da viagem.

“Shoah”, o fim da viagem.

Shoah é uma palavra íidiche que significa “calamidade”. Para muitas pessoas, é um termo preferível à Holocausto – que, afinal, significa “oferenda aos deuses”.

“Shoah” também dá título a uma das grandes obras de arte, de qualquer arte, do século vinte, realizado pelo boy-toy de Simone Bouvoir, Claude Lanzmann.

São nove horas de filme, sem nenhuma imagem de arquivo: são somente depoimentos, e depoimentos, e depoimentos. Lanzmann entrevista três tipos de pessoa: sobreviventes, algozes (oficiais de campos de concentração) e testemunhas (poloneses que moravam perto dos campos).

Com os sobreviventes, Lanzmann é implacável. Ele praticamente os obriga a falar:

“Não foi uma crueldade fazê-las reviver, através da fala, tudo o que sofreram, no caso dos judeus. Era absolutamente necessário. Não acho que tenha sido sádico, mas fraternal. Durante as entrevistas, eu toco suas mãos, seus ombros, seus braços. Uma forma de dizer ‘eu estou com você’. Não faço interrogatórios para que alguém se diga culpado. Eles sofrem. Mas eu também sofro. Eu não os torturei. Eles se sentiram liberados. Eu não estava falando com uma pessoa qualquer, mas com um grupo muito especial de sobreviventes – e não há mais do que um punhado deles no mundo”.

Abaixo, talvez a cena mais emocionante no filme. O barbeiro não consegue falar, mas Lanzmann pressiona (em inglês):

Link YouTube | “Shoah”, e a impossibilidade de lembrar

“Shoah” é um filme de insuportáveis silêncios: das nove horas de filme, cinco horas e meia são de puro silêncio. Diz Lanzmann:

“Não é uma reconstituição, não é uma ficção, não é um documentário. O filme é uma ressurreição, uma reencarnação, tem uma arquitetura, uma construção em torno de uma obsessão pessoal. Eu fazia sempre as mesmas perguntas, geralmente referentes à primeira vez. E não tinha nenhuma intenção de acusar, denunciar, culpar. Nada disso, isso não me interessava.

Houve uma decisão consciente de fazer um filme sobre o presente, e não sobre o passado:

“O pior dos crimes, ao mesmo tempo de ordem moral e artística, quando se quer consagrar uma obra ao Holocausto, é considerá-lo como passado. Meu filme é uma anti-lenda, um contra-mito, vale dizer, uma investigação sobre o presente do Holocausto ou, ao menos, sobre um passado cujas cicatrizes estão ainda tão fresca e vivamente inscritas nos lugares e nas consciências que ele se dá a ver numa alucinante intemporalidade. … Os homens e as mulheres que falam diante da câmera dão sempre a impressão de não estarem contando lembranças, mas de as viverem mesmo, com força e clareza, no presente. … Enquanto fazia o filme, a distância entre o presente e o passado foi totalmente abolida. Em Treblinka só havia pedras, filmei as pedras como um louco, por todos os lados. Quando o espectador vê as pedras de Treblinka, ele vê os judeus sendo mortos. Da mesma maneira que quando o trem chega a Treblinka o espectador vê a tabuleta com o nome do campo exatamente como os judeus que iam para morte deviam ver. É um ato de cinema muito violento. Por isso o filme é fundamentalmente uma invenção, não uma lembrança. … O filme é sobretudo uma ressurreição, as pessoas entrevistadas revivem aquele tempo de tal maneira que, quando falam, até alternam os tempos dos verbos – presente e passado. … No filme, quando as pessoas falam, confundem presente e passado. Na mesma fala, dizem: eu estava lá e pouco depois: eu estou lá.”

Mais do que tudo, é um filme sobre a impossibilidade de recordar, de conceber, de articular o Mal:

Comecei precisamente com a impossibilidade de recontar essa história. Situei essa impossibilidade bem no início do meu trabalho. Quando comecei o filme, tive que lidar, por um lado, com o desaparecimento dos vestígios: não havia coisa alguma, absolutamente nada, e eu tinha que fazer um filme a partir desse nada. E por outro lado tive que lidar com a impossibilidade, até mesmo dos próprios sobreviventes, de contar essa história; a impossibilidade de falar, a dificuldade que pode ser vista ao longo do filme de trazer luz e a impossibilidade de nomear: seu caráter inominável.

Para celebrar os 30 anos de sua estréia, “Shoah” está sendo lançado em DVD pelo Instituto Moreira Salles. Recomendo nos mais enfáticos termos.

Mas não assista sozinho. É muito duro.

(Sobre “Shoah”, leia também: A dificuldade de falar de “Shoah” e It’s a beautiful thing.)

O Holocausto foi terrível mas não foi único

Estudo raça e racismo há muitos anos. Um dos meus livros preferidos sobre o tema é The Racial Contract, de Charles W. Mills.

Segundo Mills, o racismo seria um sistema político e uma estrutura de poder baseados em um Contrato Social (na verdade, um Contrato Racial) no qual os membros da raça dominante formariam um acordo tácito de, ao mesmo tempo em que garantem para si a maior parte das riquezas/oportunidades/etc da sociedade, também consentem em não ver o próprio sistema, criando assim a “alucinação consensual” de um mundo sem raças, meritocrático e igualitário, que passa a mediar sua interpretação da realidade.

Raça, para eles, sera invisível porque o mundo seria estruturado em função deles; eles seriam a norma em oposição a qual seriam medidas as pessoas de outras raças (“esses outros tem raça, não eu!”). Assim como o peixe não vê a água, os membros da raça dominante não veriam o racismo.

Mills também embarca em uma comparação perigosa, mas praticamente inevitável, entre o racismo e o Holocausto.

Visto de fora pelos não-europeus, que sabem na pele que a civilização européia se baseia em praticar barbarismo fora da Eueropa, o Holocausto não representaria “uma anomalia transcendental no desenvolvimento do Ocidente”, mas, pelo contrário, sua unicidade estaria apenas no aplicação do Contrato Racial contra europeus.

Ao colocar o Holocausto no contínuo cultural de outras políticas exterminatórias colonialistas européias, Mills não deseja negar o seu horror, mas somente sua singularidade histórica.

Tudo o que o nazismo tinha de operacional já vinha sendo aplicado, legitimado, tolerado, negado e esquecido pelos europeus há muitos séculos: a maior transgressão de Hitler seria aplicar contra europeus métodos que antes eram aplicados exclusivamente contra árabes, negros e índios.

A própria percepção do Holocausto, de um horror tão fora de escala e colocado num plano moral muito diferente de todos os outros massacres de não-europeus por toda a história, seria evidência da força ideológica do Contrato Racial.

Além disso, ao narrar o racismo como uma invenção aberrante de figuras como Gobineau e Goebbels, o Holocausto presta à intelligentsia européia do pós-guerra um importante serviço: sanitizou seu passado racial.


Link YouTube | “Nação do Medo”, legendado, completo, um filmaço de ficção científica.

Por fim, Mills cita o romance de ficção científica “A Nação do Medo” (Fatherland), que mostra um futuro alternativo onde os nazistas ganharam a guerra e nunca existiu a memória do Holocausto.

Na verdade, aponta Mills, nós JÁ vivemos nesse mundo não-alternativo: a única diferença é que os vencedores foram outros, mas eles também apagaram a memória dos massacres que cometeram, esvaziando sua importância e subtraindo seu ultraje.

Daí o esquecimento dos horrores da escravidão.

(O livro de Mills é realmente brilhante: leia minha resenha completa.)

O Epcot da escravidão nos Estados Unidos

Em Williamsburg, escravo é perseguido.

Em Williamsburg, escravo é perseguido.

Mas se devemos lembrar sempre a escravidão… como?

Nos Estados Unidos, a cidade de Williamsburg oferece uma janela ao passado. Em troca do passe diário de US$36, o visitante passa o dia em uma “autêntica” vila colonial, onde tudo é como antigamente (menos os banheiros!), todos estão vestidos à caráter, em roupas de época, falando em vocabulário antigo, essas coisas. É um dos destinos turísticos e educacionais mais famosos do país.

Entretanto, sempre foi criticado por apresentar uma versão muito fácil, sanitizada e maniqueísta da história. Mais do que tudo, cadê os escravos? Afinal, na época da colônia, os Estados Unidos tinham escravidão e metade da população de Williamburg era negra.

Hoje em dia, o parque faz um esforço consciente (e polêmico, claro) para retratar a escravidão: além de incluir mais atores negros, criou-se também um “passeio” chamado Enslaving Virginia (“Escravizando a Virgínia”) especificamente sobre os horrores da escravidão.

Deve ser horrível mesmo: vários atores negros já se recusaram a interpretar os escravos (por considerar muito humilhante), as crianças choram tanto que foram criadas sessões explicativas posteriores para enfatizar que era tudo faz-de-conta e já aconteceu de visitantes interromperem o passeio para “salvar os escravos”.

Melhor assim. Preferível ser repelido por um simulacro do horror que nos gerou do que fingir que ele nunca existiu.

Encenação da escravidão à brasileira

O guia do engenho, vestido de escravo, se oferece para ser chicoteado pelos turistas.

O guia do engenho, vestido de escravo, se oferece para ser chicoteado pelos turistas.

E no Brasil?

Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, já foi uma das cidades mais ricas do país, no centro da região que produzia a mais importante riqueza nacional: café. Hoje, é uma cidadezinha de vinte mil habitantes, que vive dos turistas que atrai com seus palacetes e fazendas coloniais – algumas com polêmicas encenações históricas.

Na fazenda São João da Prosperidade, há cinco gerações com a mesma família, a proprietária recebe os turistas vestida de sinhá e suas empregadas, de escravas:

Da janela, aponta a senzala: “Tenho 300 escravos” orgulha-se, voz impostada e dedo em riste. De repente, entra correndo pela varanda uma negrinha com remendos de algodão e cabelos presos em tranças. A menina, de apenas seis anos, se agarra à barra da saia da sinhá, põe o dedo polegar na boca e fixa os olhos nos visitantes. Basta um gesto da sinhazinha para que a pequena escrava abaixe a cabeça e saia da sala. “Não vê que estou com visitas?” – esbraveja a senhora. A menina vai brincar no alambique. Pouco depois, uma mucama adentra o salão, sob ordens de servir café aos convidados. (fonte)

Em uma fazenda próxima, Cachoeira Grande, que eu visitei agora em novembro, são só os empregados que estão vestidos à caráter: os proprietários se vestem e falam como se estivessem no século vinte.

Mais para o norte, na Zona da Mata de Pernambuco, o engenho Uruaé também encena a escravidão:

Vestido como “escravo da casa”, o jovem guia mostra o “quarto da sinhazinha” e explica a genealogia da família proprietária do engenho através dos retratos na parede. Na senzala, que chegou a ter 300 escravos de uma vez, ele coloca uma peça de ferro no pescoço e anuncia, sorridente: “Quem era moreno como eu era aqui”. O mais constrangedor vem depois, do lado de fora: o guia se amarra no tronco e pede que um voluntário simule açoitá-lo. Foi difícil arranjar alguém disposto a interpretar o papel. (fonte)

O engenho Uruaé também está na mesma família há sete gerações. Durante a visita, a proprietária afirma:

“A gente tem mais é que se orgulhar dos nossos que vieram antes. Nós ainda não fizemos nada.”

Fui só eu que achei esse “ainda” um pouco sinistro? O que essa senhora ainda está planejando fazer, meu Deus? Re-escravizar todo mundo?

Mas isso é implicância minha. A raiz filosófica do problema é outra:

Como retratar os horrores do passado?

Qual é a medida certa do horror?

As encenações históricas da escravidão nas fazendas coloniais parecem não agradar ninguém.

Por um lado, argumenta-se que elas não são horríveis o suficiente. Que encenam somente os aspectos mais, digamos, reprodutíveis da escravidão, aqueles por definição mais doces e inofensivos. Que perpetuam a ideia de que a escravidão era somente uma forma de trabalho entre tantas outras.

Afinal, se a escravidão é algo que uma doméstica contemporânea pode reproduzir, se a escravidão se resumia a se vestir de branco e trazer café pra uma mulher que você chama de “sinhá”, bem, então não era tão ruim assim, né? (Ou talvez ser empregada doméstica é que é horrível demais, mas não entremos nisso.)

Por outro lado, argumenta-se que são horríveis demais. Que mesmo doces e meigas, ainda mais quando encenadas pelos descendentes das vítimas, são sempre humilhantes:

Outros, no entanto, não sabem como reagir diante da interação realista dos ‘escravos’, que circulam vestidos em pobre algodão e, não raro, se curvam para obedecer às ordens da sinhazinha. “Será que esta criança tem idéia do que está fazendo? Ela ainda não tem idade para entender e pode ficar com a idéia de que deve se comportar como escrava, de que isso é normal” – indigna-se uma visitante paulistana, depois de recusar um copo d’água servido pela ‘mucama’.

Já o historiador Milton Teixeira, que trabalha como guia de turismo nas fazendas do café, defende a prática:

Não é degradante representar um escravo. Se o turista se sente incomodado, muito bem. O passado de escravidão tem de incomodar bastante, e não deve ser esquecido. … Ora, representações são feitas em toda parte do mundo. Na Europa, tem famílias pré-históricas; nos Estados Unidos, há simulação das batalhas da Guerra de Secessão, e, aqui no Brasil, é natural que haja uma encenação com escravos. Muito pior seria querer mostrar que não houve escravidão. (fonte)

Não deixa de ser simbólico que muitas dessas fazendas ainda estejam nas mãos das mesmas famílias. Ontem, lucraram nos ombros de seus escravos plantando cana ou café. Hoje, a mesma família continua lucrando nos ombos dos descendentes dos escravos, agora reduzidos a guias de turismo que reproduzem para turistas curiosos o horror da vida de seus avós.

Como escreveu o historiador e jornalista Fabiano Maisonnave, para a Folha:

De forma explícita ou não, as visitas aos engenhos transformam esses verdadeiros campos de concentração numa bufonaria, diluindo um dos piores crimes da humanidade, principal responsável pela imenso fosso social brasileiro, em um exemplo acabado do “racismo cordial”. A escravidão é exaltada, a casa-grande, absolvida, e a cana-de-açúcar, revalorizada como “energia renovável”, se torna bênção econômica do passado e do presente.

Mas como reproduzir de forma correta e didática o verdadeiro horror da escravidão? Como mostrar os corpos jovens mas enfraquecidos e fragilizados pelo criminoso excesso de trabalho? Como mostrar as marcas da tortura? Como mostrar as frequentes mutilações causadas pelo machete durante o corte da cana ou pelas engrenagens dos engenhos durante a moagem? Como mostrar as feridas emocionais de famílias desfeitas e de vidas sem esperança? Como mostrar os escravos revoltosos que davam e tiravam vidas para não voltarem ao cativeiro?

Será possível mesmo começar a quantificar esse horror? Quem dirá reproduzi-lo?

Existem encenações históricas em Auchwitz? O que o mundo pensaria de ver sorridentes atores descendentes de arianos brincando de depositar chorosos descendentes de judeus dentro dos fornos? Mas é só mentirinha, gente! É educacional!

Holocausto reencenado na Polônia. Grande idéia. Só que não.

Holocausto reencenado na Polônia. Grande idéia. Só que não.

(Na verdade, como o instinto humano da burrice é inesgotável, já houve tentativas de encenar o holocausto, como essa aqui na Polônia. Muitas vezes, dá merda e acaba em processo, como dessa vez no Texas.)

Escravidão: essa pica é nossa!

A escravidão africana nas Américas foi talvez a maior tragédia da Era Moderna.

Estima-se que cerca de 11 milhões de pessoas tenham sido transportadas à força da África para a América.

(Outras estimativas mais agressivas calculam que cerca de 40 a 75 milhões de vidas africanas tenham sido perdidas por causa do tráfico, entre mortos em guerras para obter escravos, em emboscadas para capturar escravos, ou em marchas forçadas para os portos exportadores de escravos no litoral.)

Dentre as muitas nações responsáveis por esse lucrativo e criminoso tráfico, os maiores culpados são os portugueses.

(Principais transportadores de escravos para as Américas: Portugal, 4,6 milhões; Reino Unido, 2,6 milhões; Espanha, 1,6 milhão.)

Dentre as muitas nações que receberam esses escravos e que construíram sua riqueza nas costas deles, o maior culpado é o Brasil.

(Principais destinos de escravos nas Américas: Brasil, 4 milhões; América Hispânica, 2,5 milhões; Índias Ocidentais Britânicas, 2 milhões.)

Reparem no tamanho da seta que nos cabe.

Reparem no tamanho da seta que nos cabe.

Dentre os muitos portos brasileiros que receberam essa massa humana desgraçada, o principal foi o Rio de Janeiro. (Dos nove deputados que votaram contra a Lei Áurea, vamos lembrar, oito eram da província do Rio.)

Além disso, quem inventou esse lucrativo e terrível modelo de negócios foram os próprios portugueses – não por acaso, os primeiros homens brancos a explorar sistematicamente a África. Em 1441, Antão Gonçalves teve a dúbia honra de se tornar o primeiro europeu a comprar e trazer para casa escravos africanos.

Depois disso, a história se desenrolou rapidamente, comprovando o tino comercial dos portugueses: já em 1452, arrancaram do Papa uma bula autorizando-os formalmente à escravizar os infiéis; em meados de 1470, estavam comerciando escravos no golfo do Benim e no delta do rio Níger; e, finalmente, em 1482, construíram a Fortaleza de São Jorge da Mina, em Gana, que em 2009 seria indicada candidata a “maravilha de origem portuguesa do mundo”.

(Por si só, a escravidão é mais antiga que andar pra frente. Todos os povos de todos os continentes de todas as épocas já tiveram algum tipo de escravidão, mas quase sempre cerimonial e economicamente insignificante. A escravidão africana nas Américas é um novo tipo de fenômeno humano porque, pela primeira vez, temos nações economicamente dependentes de milhões de escravos que compõem muitas vezes a maior parte de suas populações.)

Por fim, muitos e muitos séculos depois, no outro extremo dessa triste história, a última nação das Américas a abolir essa escravidão africana inventada pelos portugueses, a nação que mais teimosamente se agarrou aos seus escravos até o último minuto possível, foi justamente a nação gerada do ventre português: o Brasil. Nós.

De um modo bem real e doloroso, é difícil evitar a conclusão que esse enorme crime contra a humanidade é, em grande parte, uma responsabilidade lusófona e, dentro disso, brasileira. (E, mais especificamente ainda, e não que os outros estados sejam inocentes, carioca e fluminense.)

Passei seis meses na Alemanha durante a década de noventa. Mesmo cinquenta anos depois da Segunda Guerra, mesmo entre meus amigos adolescentes cujos pais nem eram nascidos durante a guerra, basta uma menção a nazismo, Holocausto ou Auschwitz para fazê-los abaixar a cabeça em silêncio, envergonhados, culpados, tristes.

Nós, brasileiros, se tivéssemos vergonha na cara, se tivéssemos um pouco mais de memória, faríamos a mesma coisa ao ouvir menções a senzala, navio-negreiro, escravidão.

Essa pica é nossa.

Cais do Valongo, o elevador de serviço do século XIX

Desembarque de escravos no Cais do Valongo, pintado por Rugendas em 1835.

Desembarque de escravos no Cais do Valongo, pintado por Rugendas em 1835.

No Rio de Janeiro, o principal porto de desembarque de escravos foi o Cais do Valongo. Estima-se que, entre 1758 e 1843, tenham chegado por ele quase um milhão de pessoas. (897.748, segundo o The Transatlantic Slave Trade Database.)

Provando que não foi de repente que nos tornamos o povo que faz subir pelo elevador de serviço a doméstica que faz o nosso serviço sujo, em 1770 o desembarque de escravos é proibido no porto principal da cidade (onde hoje fica a Praça XV e o Paço Imperial) e transferido exclusivamente para o distante Valongo.

Afinal, quando se está chegando de um grand tour pela Europa, a última coisa que se quer ver é um escravo nu agonizando no cais perto de você! Pelo amor de Deus!

Por fim, em 1843, cada vez mais envergonhado com a escravidão que lhe pagava as contas, o Império desativa e aterra o Cais do Valongo, construindo por cima dele o elegante Cais da Imperatriz.

E fim de história. Assim esqueceu-se o Valongo. Afinal, nós nem cremos que escravos outrora tenha havido em tão nobre país!

Uma escavação arqueológica em pleno centro do Rio de Janeiro.

Uma escavação arqueológica em pleno centro do Rio de Janeiro.

Fast-forward para o presente. Em meio a um frenesi de obras para preparar o Rio de Janeiro para a Copa e para os Jogos Olímpicos, a prefeitura acabou de descobrir e desencavar o Cais do Valongo em pleno centro da cidade.

Agora reformado e reembalado para turistas (“são nossas ruínas romanas!“, disse o empolgado prefeito), o Cais do Valongo foi inserido no recém-criado Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, ao lado de outras atrações como a Pedra do Sal, o Cemitério dos Pretos Novos (onde eram enterradas as vítimas da travessia atlântica) e os Jardins Suspensos do Valongo, esses últimos uma das coisas mais lindas e surpreendentes que já vi nessa cidade. (Veja o mapinha abaixo.)

O recém-criado Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, no Rio de Janeiro.

O recém-criado Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, no Rio de Janeiro.

Mas que não seja só um espaço para turista tirar fotos.

O que falta ao Brasil e ao Rio de Janeiro, e o que esse circuito histórico pode começar a timidamente fornecer, é uma verdadeira compreensão dos horrores que engendramos, um pálido retrato do terror que aconteceu (e ainda acontece) debaixo dos nossos olhos, nesse nosso chão, na nossa senzala, no nosso quartinho de empregadas.

O texto que você está lendo só existe porque calhei de visitar o Cais do Valongo no dia seguinte de assistir “Shoah”.

O Cais do Valongo, hoje, aberto à visitação pública.

O Cais do Valongo, hoje, aberto à visitação pública.

É possível quantificar o horror?

O Holocausto perpetrado pelos alemães matou cerca de seis milhões de judeus, um terço de todos os judeus no mundo. Além de incontáveis milhões de outras pessoas.

Não é minha intenção negar nem suavizar esse horror.

Mas não foi nem de longe o único horror perpetrado por europeus em sua longa história de horrores.

É impossível visitar lugares de tortura e morte como Auschwitz, Treblinka, Sobibor sem uma atitude de respeito e reflexão, sem pensar na memória das centenas de milhares de pessoas que sofreram ali.

Mas por que nós, brasileiros, não temos a mesma atitude ao visitar uma senzala, o Pelourinho (onde os escravos eram castigados publicamente) ou o Cais do Valongo?

Auschwitz matou 1,1 milhão de pessoas, Treblinka, 900 mil, Sobibor, 200 mil.

Enquanto isso, o Brasil recebeu 4 milhões de escravos, sendo que um milhão só pelo Cais do Valongo, logo ali, no centro do Rio.

Quem consegue compreender a enormidade desses números? Quem consegue quantificar tamanho sofrimento?

O passado é presente

Por isso, ali de pé diante do Cais do Valongo, um dia depois de assistir “Shoah”, eu tentei esquecer os números e somente imaginar como teria sido a experiência individual, una, indivisível, de pisar em terra firme ali, naquelas pedras, naquele chão.

Imagino que fui arrancado de minha família e de tudo que conheci; que atravessei o oceano cercado de pessoas agonizantes em um navio infecto; que não pude trazer uma roupa, um livro, nenhum objeto pessoal; que não sabia se jamais veria minha terra; que estava condenado a um castigo literalmente e potencialmente infinito, pois a escravidão não seria apenas minha, mas sim herdada por todos os meus descendentes até o fim dos tempos.

Imagino que o Rio de Janeiro, para mim, escravo recém-chegado, era um lugar desconhecido e cheio de horrores. Era o porto onde meus companheiros mais fracos vinham morrer. Era o chão onde começava a escravidão do meu corpo. Era minha primeira experiência nesse novo mundo onde seria cativo e explorado.

Imagino então que hoje o Rio de Janeiro continua sendo um lugar de horror para os meus descendentes, que são ao mesmo tempo a maior parte das vítimas de assassinato e também a maior parte da população carcerária, e ainda têm que ouvir que racismo não existe no Brasil.

Tudo isso aconteceu ontem, e continua acontecendo hoje. O passado, como uma pedra jogada no lago, cria ondas concêntricas na água e repercute no presente. O passado é o presente.

As cotas raciais são necessárias hoje não para corrigir as injustiças históricas do passado, mas para corrigir as injustiças cotidianas de hoje. As cotas raciais são necessárias porque hoje a Polícia Militar não invade do mesmo jeito a cobertura do descendente do escravista e o barraco do descendente do escravo.

O que fica claro é que não dá pra pensar nesses fenômenos como se pertencessem a universos tão diferentes assim. Não faz sentido chorar assistindo A Lista de Schindler e depois ir espairecer tomando o milkshake do Senzala.

A escravidão deixa marcas. Na pele. Na história. Em nós.

A escravidão deixa marcas. Na pele. Na história. Em nós.

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08 Dec 13:45

Benditas Cartunistas

by Chiqs

Episódio 11 de Malditos Cartunistas – A Série! Com Ciça Alves Pinto, Clara Gomes, Cynthia B, Laerte Coutinho e mais a pessoa aqui, lá no site do Canal Brasil.

 

10 Dec 16:41

Regra número 1

by noreply@blogger.com (Rodrigo Chaves)

11 Dec 00:00

Model Rockets

Model Rockets

How many model rocket engines would it take to launch a real rocket into space?

—Greg Schock, PA

About 65,000, give or take a few.

You’d have to arrange them like this:

a stack of model rocket engines with a rocket shell around them

The rocket would weigh about as much as a tow truck. There wouldn’t be room for anything except the engines, aerodynamic shell, and minimal staging equipment.

Each rocket motor would burn for about three seconds. The layer cake arrangement means that every three seconds, the bottom layer of spent rockets would detaches and the next stage would kick in. It would go through between 25 and 30 of these stages, burning for a total of a minute and a half, after which it would coast upward and just barely brush the edge of space.

(For this design, I’m assuming something akin to Estes E9-4 engines, which are on the large end of the common model rocket engines. There are larger ones—the classes go all the way up to O and beyond—but at a certain point, they stop being model rocket engines, and just become rocket engines.)

A 30-stage rocket is, to put it lightly, an engineering nightmare. This design assumes the non-engine portion of the vehicle is limited to the weight of a person (60 kg). In effect, the spaceship would be a solid block of rocket engines. They’d need to be insulated from each other so the upper stages didn’t ignite prematurely, and the staging and aerodynamics would both be a challenge.

The stack of engines narrows as you go from bottom to top. By the time the top stages are firing, the rocket will have shed most of its mass, so it won’t need as much thrust to get the same acceleration.

The reason the engine stack bulges in the middle is so that the acceleration profile will look like this:

a curve showing acceleration that starts small and then gets large about halfway through

Rockets work best when their thrust is several times greater than the force of gravity. But you don’t want to accelerate too quickly while you’re low down. Air drag increases with the square of your speed, and if you accelerate too quickly, you’ll find yourself wasting all your fuel just to maintain your speed. You want to accelerate slowly at first, then ramp it up as the air starts getting thinner.

a rocket goes from not space to space and back to not space. then it lands a lot.

Now, as you may have noticed, this rocket will get you into space (for a few seconds, at least), but not orbit. Can you use model rocket engines to dock with the ISS?

No.

Taking into account atmospheric drag, to get into space, you need a rocket capable of accelerating (in a vacuum) to about 2 kilometers per second. To get to orbit, you need a rocket capable of accelerating to about 10 kilometers per second.

If you try to produce an orbital rocket using the same design math we used for the suborbital rocket, it spits out a description of a pancake-shaped mountain of model rocket engines over a mile wide. It would taper to a 10-meter-high spire in the center and would weigh about as much as the Great Pyramid.

THIS is your ship? ... we're gonna need a bigger shark.

Not only would this vehicle never get out of the atmosphere, it would probably not stand up under its own weight.

Frankly, the word “vehicle” is a bit misleading. Essentially, what you’ve created is an unstable pile of gunpowder the size of Central Park. If it went up in flames—which it would—it would break the record for the largest manmade non-nuclear explosion in history. (Interestingly, the current holder of that dubious record is also a rocket that exploded during launch.)

The bottom line is that it would be very difficult, but perhaps not impossible, to launch something up to the edge of space using model rocket engines. However, if you try to build a ship capable of getting to orbit, you will not go to space today.

04 Dec 00:00

Short Answer Section II

Short Answer Section II


In today’s article, I give shorter answers to several reader questions. (Previous installment here.)

If my printer could literally print out money, would it have that big an effect on the world?

—Derek O'Brien

You can fit four bills on an 8.5”x11” sheet of paper:

these notes are legal tender for all debts, public, private, legal, ancestral, emotional, and wookiee life.

If your printer can manage one page (front and back) of full-color high-quality printing per minute, that’s $200 million dollars a year.

a counterfeiter uses the song 'seasons of love' to figure out his annual income

This is enough to make you very rich, but not enough to put any kind of dent in the world economy. Since there are 7.8 billion \$100 bills in circulation, and the lifetime of a \$100 bill is about 90 months, that means there are about a billion produced each year. Your extra two million bills a year would barely be enough to notice.

What would happen if you exploded a nuclear bomb in the eye of a hurricane? Would the storm cell be immediately vaporized?

—Rupert Bainbridge (and hundreds of others)

This question gets submitted a lot.

It turns out the National Oceanic and Atmospheric Administration—the agency which runs the National Hurricane Center—gets it a lot, too. In fact, they’re asked about it so often that they’ve published a response.

I recommend you read the whole thing, but I think the last sentence of the first paragraph says it all:

“Needless to say, this is not a good idea.”

It makes me happy that an arm of the US government has, in some official capacity, issued an opinion on the subject of firing nuclear missiles into hurricanes.

If everyone put little turbine generators on the downspouts of their houses and businesses, how much power would we generate? Would we ever generate enough power to offset the cost of the generators?

—Damien

a house uses rain that falls on its lid to run a turbine

A house in a very rainy place, like the Alaska panhandle, might receive close to four meters of rain per year. Water turbines can be pretty efficient. If the house has a footprint of 1,500 square feet and gutters five meters off the ground, it would generate an average of less than a watt of power from rainfall, and the maximum electricity savings would be:

\[1500\text{ft}^2 \times 4\tfrac{\text{ meters}}{\text{year}}\times1\tfrac{\text{kg}}{\text{liter}} \times9.81\tfrac{\text{m}}{\text{s}^2}\times5\text{ meters}\times15\tfrac{\text{cents}}{\text{kWh}}=\frac{\$1.14}{\text{year}}\]

The rainiest hour on record occurred in 1947 in Holt, Missouri, where about 30 centimeters of rain fell in 42 minutes. For those 42 minutes, our hypothetical house could generate up to 800 watts of electricity, which might be enough to power everything inside it. For the rest of the year, it wouldn’t come close.

If the generator rig cost $100, residents of the rainiest place in the US—Ketchikan, Alaska—could potentially offset the cost in under a century.

Using only pronounceable letter combinations, how long would names have to be to give each star in the universe a unique one word name?

—Seamus Johnson

There are about 300,000,000,000,000,000,000,000 stars in the universe. If you make a word pronounceable by alternating vowels and consonants (there are better ways to make pronounceable words, but this will do for an approximation), then every pair of letters you add lets you name 105 times as many stars (21 consonants times 5 vowels). 105 possibilities per two characters is about the same information density that numbers have, which suggests the name will end up being about as long as the total number of stars written out:

the stars are named joe biden

I like doing math that involves measuring the lengths of numbers written out on the page—which is really just a way of loosely estimating log10x. It works, but it feels so wrong.

I bike to class sometimes.  It's annoying biking in the wintertime, because it's so cold.  How fast would I have to bike for my skin to warm up the way a spacecraft heats up during reentry?

—David Nai

Reentering spacecraft heat up because they’re compressing the air in front of them (not, as is commonly believed, because of air friction).

According to this calculator, to increase the temperature of the air layer in front of your body by twenty degrees Celsius (enough to go from freezing to room temperature), you would need to be biking at 200 m/s.

The fastest human-powered vehicles at sea levels are recumbent bicycles enclosed in streamlined aerodynamic shells. These vehicles have an upper speed limit near 40 m/s. This is the speed at which the human can just barely produce enough thrust to balance the drag force from the air.

Since drag increases with the square of the speed, this limit would be pretty hard to push any further. Biking at 200 m/s would require at least 25 times the power output needed to go 40 m/s.

At those speeds, you don’t really have to worry about the heating from the air—a quick back-of-the-envelope calculation suggests that if your body were doing that much work, your core temperature would reach fatal levels in a matter of seconds.

How much physical space does the internet take up?

—Max L

There are a lot of ways to estimate the amount of information stored on the internet, but we can put an interesting upper bound on the number just by looking at how much storage space we (as a species) have purchased.

The storage industry produces in the neighborhood of 650 million hard drives per year. If most of them are 3.5” drives, then that’s eight liters (two gallons) of hard drive per second.

This means the last few years of hard drive production—which, thanks to increasing size, represent a large chunk of global storage capacity—would just about fill an oil tanker. So, by that measure, the internet is smaller than an oil tanker.

What if you strapped C4 to a boomerang? Could this be an effective weapon, or would it be as stupid as it sounds?

—Chad Macziewski

it's the second one

Aerodynamics aside, I’m curious what tactical advantage you’re expecting to gain by having the high explosive fly back at you if it misses the target.